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Substituindo Matérias-Primas para Criação de Esmaltes

Olá pessoal!

Introdução

Imagine que você pegou uma receita ótima na internet de esmalte e quer testar no
seu ateliê mas como foi tirada de um site americano possui um ingrediente difícil de
achar no Brasil.

Pois saibam que existe um jeito de remediar esse problema.

Com um programa de cálculo de esmaltes, é possível substituir matérias-primas


de forma precisa e sem muita dificuldade.

Vou dar um exemplo para facilitar o entendimento:

Nefelina Sienito x Albita

Um ingrediente muito usado em esmaltes para o cone 6 nos Estados Unidos é a


nefelina sienito. Esse mineral é que um feldspato com uma quantidade maior de sódio,
mas possui outro elementos também.

Ao pensarmos em um substituto comparável e encontrado com facilidade no


Brasil a albita é a nossa escolha. Mas sua composição, embora semelhante, não é igual.
Então precisamos usar programas que calculam a proporção de óxidos e vamos
alterando pouco a pouco até que a formula de unidade de Seger seja parecida entre os
dois elementos.

Eu uso o programa GlazeMaster, de John Hasselberth e estou muito feliz com ele.
Lá eu posso fazer alterações comparando a composição original de materiais e esmaltes
enquanto trabalho com o outro.

Eis uma tela do programa com a Nefelina Sienito e a Albita nas escolhas de
materiais para comparação. Note como há diferença na composição analítica.
Sem Título
A partir daí, abrimos a opção de trabalhar com um esmalte na parte esquerda e
usamos a receita original do lado direito da tela. Para substituir a nefelina sienito eu
escolho um pouco de albita, feldspato potássico, dolomita (que dá o magnésio) e o
carbonato de cálcio (whiting – que dá o cálcio). Eu vou adicionando ou diminuindo a
quantia de cada um até que as proporções da formula de Seger sejam semelhantes
(campo Unity). Vejam como fica:

2.png
Vemos acima como fica o resultado. Percebam como nas linhas dos fundentes
(Alkalis), as proporções estão bem similares. O problema é que tem sílica (SiO2) e
alumina (Al2O3) demais na substituição. Eu resolvo isso diminuindo a quantidade de
sílica que eventualmente terá na formula do esmalte. Para diminuir o teor de alunina,
baixando a quantidade de caulim ou ball clay certamente terão um efeito positivo.

Conclusão

Embora seja difícil ter certeza da composição química das matérias-primas, creio
ser possível substituir ingredientes dando uma aproximação mais científica nas
pesquisas usando um software para cálculo de esmaltes. Embora essa abordagem seja
puramente teórica, creio ser possível ter resultados parecidos no seu ateliê aos vistos nos
lugares de onde surgiram as receitas dessa maneira.

Já pensaram como seria difícil comprar um feldspato de Fukushima, ingrediente


principal para o celadon tipo Kinuta, aqui no Brasil? Pois sabendo sua fórmula química
(existem muitas fontes na internet sobre o assunto) podemos fazer sua substituição.
Pois, de uma maneira geral, no calor do forno, não há diferença se o óxido veio deste ou
daquele mineral. Tudo estará misturado!

Algumas outras sugestões de substituições usando softwares para elaboração de


esmaltes:

Wollastonita por Carbonato de Cálcio


Carbonato de Lítio por Espodumênio
Bone Ash por Fosfato Tricálcico…. etc.
Minha experiência com esmaltes de cinzas
Olá pessoal!
Alguns meses atrás eu postei sobre esmaltes de cinzas mas recentemente tenho
tido bons resultados nesta área e queria compartilhar as novidades com vocês.
Introdução
Os esmaltes de cinzas são aqueles esmaltes que usam cinzas vegetais em sua
composição. É usado há milênios e foi inventado provavelmente depois que os
ceramistas descobriram que as peças queimadas à lenha apresentavam uma camada
vítrea na sua superfície depois de queimadas. Eles viram que a lenha ao queimar
deposita cinzas nas peças e estas derretem, fundindo e formando um esmalte natural.
Depois de um tempo os ceramistas passaram a incorporar intencionalmente as cinzas à
composição usual dos esmaltes, desenvolvendo uma gama variada de cores e efeitos.
Minha Experiência
Eu faço queimas em um forno à gás em ambiente de redução e atinjo o cone 6.
Tradicionalmente, os esmaltes de cinzas são queimados à temperaturas muito superiores
então meu primeiro desafio foi investigar quais matérias-primas fundiriam à
temperaturas mais baixas.
Eu fiz uma placa com várias concavidades e coloquei cada elemento em seu lugar.
Depois da queima, ficou assim:

Notem que embora o feldspato, companheiro usual das cinzas na criação dos
esmaltes, não tenha apresentado fusão, a albita, que é um feldspato com abundância de
sódio, obteve um bom resultado.
Albita x Cinzas
O próximo passo foi compor uma tabela de proporções ascendentes de
descendentes de albita e cinzas.
Albita 80% 70% 60% 50%
Cinzas 20% 30% 40% 50%
…e assim sucessivamente, até ter uma amostra de 80% de cinzas e 20% de albita.
O teste saiu assim do forno:

Os resultados mais interessantes foram os C5 e C6 que tinham a composição de


50% de albita e 50% de cinzas (por peso). As cinzas que eu utilizei foram as de folhas
de palmeiras e não foram cinzas lavadas.

folhas de palmeiras
As folhas secas caídas são apanhadas no quintal do ateliê e eu as queimo em uma
churrasqueira. O fogo é lento para que todo o carvão se transforme em cinzas.
O Resultado
Depois de decidir na proporção, eu fiz duas aplicações diferentes em várias peças.
Uma foi por pulverização e outra, por mergulho.
Esse foi o resultado da aplicação por mergulho:

 Eis o resultado por pulverização:

O resultado feito com a aplicação do pulverizador foi o resultado que achei mais
interessante. A peça apresentou um tom amarelado onde o esmalte ficou mais fino e
tons azulados onde ficou mais grosso.
Fazer esmaltes de cinzas para cone 6 não é só possível como dá resultados muito
surpreendentes. Ainda estou no início do processo de pesquisa mas já consigo ter
resultados muito satisfatórios.
Até o próximo post!
Teoria dos Esmaltes Cerâmicos – Parte I
Introdução
Olá pessoal! Estive um pouco sumido do blog mas agora eu gostaria de apresentar
um assunto muito importante para nós ceramistas: o esmalte cerâmico.
É um tema um tanto técnico e extenso então vou dividir esse assunto em vários
posts para não ficar muito cansativo. Quanto à questão técnica, vou manter o texto bem
fácil de ser entendido para qualquer leitor que tenha uma noção básica de química.
Definição
Esmalte é uma camada vítrea que aderida à argila por meio de queima, impede
que a peça como todo se suje, além de dar beleza.
Hoje em dia, definimos que um esmalte cumpre sua função quando os seus três
componentes principais: formador de vidro, fundente e estabilizador trabalham em
conjunto para criar uma camada atraente, de acordo com o propósito de seu criador.
Composição
O principal componente do esmalte é o formador de vidro, sendo que os outros
(fundente e estabilizador) funcionam como coadjuvantes. Isso porque o formador de
vidro é composto principalmente pela sílica (óxido de silício). Esse elemento, pelo seu
ponto de fusão ser muito alto (1.710º C), requer uma queima muito alta e dispendiosa.
Então, descobriu-se que adicionando os fundentes, o derretimento é realizado a uma
temperatura substancialmente mais baixa.
O problema dessa mistura de formador de vidro e fundente é que o esmalte
escorre muito facilmente durante a queima. Ainda mais que a maioria das peças
cerâmicas têm paredes verticais e a tendência do esmalte escorrer por gravidade é
maior. Então, entra em cena o estabilizador: ele tem a função de frear o escorrimento do
esmalte, aumentando sua viscosidade.
John Britt usa uma analogia com o carro para descrever esses três elementos. O
formador de vidro seria o carro em si, seu elemento principal. O fundente seria o
acelerador e o estabilizador, o freio. Já os chineses faziam uma analogia dos
componentes do esmalte com os ossos, a carne e o sangue do nosso corpo. O conteúdo
de sílica (formador de vidro) age como uma estrutura, nossos ossos. Já o estabilizador é
a carne, que confere o corpo ao esmalte e os fundentes fazem derreter, assemelhando-se
ao sangue.
É importantíssimo lembrar da composição básica explicada acima e a função de
cada componente pois tudo o que se seguirá no estudo dos esmaltes baseia-se
nisso. Talvez seja útil guardar mentalmente uma analogia que lhe for mais fácil de
assimilar  para que esse conceito fique bem gravado.
Quanto aos elementos químicos mais comuns usados nos componentes, temos:
 formadores de vidro: a sílica, o boro e o pentóxido de fósforo;
 fundentes: elementos alcalinos metálicos (óxido de lítio, óxido de sódio, óxido
de potássio), alcalinos terrosos (óxido de magnésio, óxido de cálcio, óxido de
bário) e óxidos metálicos, que reagem com a sílica na queima e formam
silicatos, como o óxido de zinco, óxido de chumbo, óxido de boro;
 estabilizadores: alumina (óxido de alumínio).
Vou explicar mais sobre os elementos químicos usados nos esmaltes no próximo
post. Por hora, vamos pular esse assunto e falar da…
A Origem dos Esmaltes
Alguns autores afirmam que os primeiros esmaltes datam desde antes de 12.000
anos a.C., e são encontrados nas miçangas esmaltadas feitas no Egito antigo. Os
egípcios descobriram que misturando areia ou arenito com sal acontecia uma fusão dos
elementos quando levados ao fogo. Essa técnica ficou conhecida como pasta egípcia (ou
faiança egípcia). Por volta de 3.000 a.C., os egípcios estavam usando esmaltes
extensamente em seus trabalhos. Esses eram esmaltes de cobre alcalinos e eram usados
com proficiência como coberturas decorativas. Mais tarde, no sudoeste asiático, os
esmaltes foram usados para dar força extra e maior durabilidade aos tijolos, ladrilhos
que cobriam paredes e potes. Por volta de 1.500 a.C., os esmaltes já eram usados como
camadas à prova d’água, práticas e higiênicas.
Cerâmicas da Parede dos Quartos Funerários do Rei Djoser, Egito, 2630–2611
a.C., Museu Metropolitan de Nova Iorque
O conhecimento de que os sais solúveis se cristalizam sobre a superfície durante a
secagem de suas peças, contribuindo para a formação do esmalte foi usado para
desenvolver esmaltes como engobes (argilas líquidas). Os esmaltes de chumbo foram
usados para evitar dificuldades que surgiram com o uso dos sais solúveis e no século
XVIII, a solubilidade dos fundentes alcalinos foi superada com sucesso pelo uso de
fritas.
As fritas cerâmicas são um material básico usado na produção de esmaltes
cerâmicos em queimas de baixas temperaturas. São produzidas a partir de uma mistura
de matérias primas diversas que, quando queimadas, passam por diversas alterações
físico-químicas.
Os esmaltes a base de chumbo também foram usados na China desde pelo menos
os anos 200 a.C. O seu desenvolvimento seguiu paralelamente aos esmaltes bem mais
conhecidos de porcelanas e outras argilas de alta-queima. Os esmaltes de alta-queima
surgiram ao observar que as cinzas vindas da queima à lenha funcionavam como
fundentes na superfície da cerâmica. Passou-se, assim, a utilizar esmaltes de argilas de
alta-queima compostos de cinzas de árvores, argila e feldspatos. Com a melhoria na
construção dos fornos, temperaturas mais altas foram sendo alcançadas e refinados
exemplares eram produzidos já pelo século X.

Esmalte a base de chumbo, China, Dinastia Tang.


Na Europa, os esmaltes a base de chumbo se desenvolveram separadamente dos
esmaltes de argilas de alta-queima, que eram os esmaltes de sal. A técnica de esmaltes
de sal envolvia a aplicação de sal comum em altas temperaturas no interior do forno. O
óxido de chumbo foi usado do século XII ao século XVII e era aplicado como mineral
moído sobre a peça ainda molhada ou sobre o engobe úmido. O método de misturar as
matérias primas dos esmaltes em água e aplicá-lo na cerâmica não se tornou prática
comum na Inglaterra, por exemplo, antes do século XVIII. Acontece que essa prática
espalhou-se vagarosamente pela Europa a partir do países islâmicos.
Esmalte de Sal. Alemanha, cerca de 1600.
Hoje em dia, os ceramistas têm ao dispor uma infinidade de tipos de esmaltes que
atendem uma ampla gama de tipos de argilas e temperaturas de queimas graças às
extensas pesquisas feitas pelos nossos antepassados, aliado ao conhecimento científico
que permitiu entendermos mais sobre o seu funcionamento.
Semana que vem vou escrever mais sobre a química dos esmaltes.
Até lá!
Fontes:
 Fernandes, Tácito. Teoria de prática de
esmaltes. https://www.facebook.com/notes/t%C3%A1cito-fernandes/teoria-de-
pr%C3%A1tica-de-esmaltes/2247493835871/
 Britt, John.The Complete Guide to Mid-Range Glazes. Ed. Lark, NY.
 Goring, Holly. Low-fire Glazes and Special Projects. Ceramic Arts Handbook
Series.
 Hamer, Frank e Janet. The Potter’s Dictionary: of Materials and Techniques.
Sexta edição. Ed. Bloomsbury.
Teoria dos Esmaltes – Parte II
Dando continuidade ao estudo, posto hoje sobre a teoria dos esmaltes com ênfase
nos elementos químicos. É um texto técnico e requer conhecimento básico de química.
Mas vou começar explicando tudo desde o início para que o conhecimento fique bem
claro. Se sentirem enfadonho, podem pular os parágrafos que tem texto mais específico
para o ceramista do meio para o final do post. Se alguém tiver dúvida, é só fazer
pergunta no campo de comentários no final deste post.
Os Elementos Químicos
O big-bang, que marcou o início de nosso universo, criou toda a matéria. Porém,
essa matéria se transforma dentro das fornalhas atômicas, no interior das estrelas.
Elementos químicos com seus pesos atômicos baixos, como o hidrogênio, são fundidos
em elementos como o hélio em estrelas do tamanho do nosso sol. Mas, elementos mais
pesados como chumbo e urânio são criados em explosões de estrelas supermassivas
quando tornam-se supernovas. Os resquícios destas explosões formam as poeiras
cósmicas, nebulosas, que eventualmente se aglutinam formando novas estrelas e
planetas. Como dizia o cientista Carl Sagan: “Nós somos todos feitos de poeiras de
estrelas”.
Hoje em dia, sabemos que existem mais de 90 elementos químicos que ocorrem
naturalmente. Nós, ceramistas, estamos mais interessados nos elementos que estão na
crosta terrestre pois são eles que compõem as argilas e os esmaltes. Os mais abundantes
são o oxigênio (sigla O), silício (Si) e alumínio (Al). O oxigênio em sua forma
molecular (O2 e O3) é um gás mas na crosta terrestre ele é abundante na composição
dos minerais pela sua incrível capacidade de se ligar a quase qualquer outro elemento
formando óxidos (mais tarde trato disso).
Além desses três elementos, temos também o ferro (Fe), cálcio (Ca), sódio (Na),
potássio (K) e magnésio (Mg) em abundância na crosta terrestre.
fonte: folhadaciencia.wordpress.com/
A Estrutura dos Átomos
O modelo atômico atual é muito complexo mas para nós vale dizer que o próton
(carga positiva) e o nêutron (neutro) estão no centro do átomo (núcleo) e que o elétron
(carga negativa) orbita ao redor desse centro. Grosseiramente falando, assemelha-se
com o modelo planetário, com os planetas girando ao redor do sol.
Entretanto, o local exato da órbita do elétron é, pelo princípio da incerteza de
Heisenberg, impossível de determinar. Na verdade, os modelos das órbitas eletrônicas
(chamados de orbitais na mecânica quântica) são um palpite de que teremos mais
chance de acharmos os elétrons em uma dada região.
Os elétrons se agrupam em orbitais que possuem capacidade de abrigar um
número limitado de elétrons. Depois que um orbital é completo, o elétrons se
acomodam em um novo orbital. Os orbitais têm um formato e capacidades de abrigarem
elétrons dependendo de seus tipos e são chamados de s, p d, e f. Depois que todos os
elétrons preenchem todos os orbitais de suas camadas, o ciclo de preenchimento se
repete. Chamamos este ciclo de período.
Tipos de orbitais. Fonte: mundoquimico.com.br
A quantidade de prótons que um átomo possui é o que define como elemento. O
hidrogênio tem um próton, o hélio, dois, o lítio, três e assim por diante. Um átomo
estável é aquele que tem o mesmo número de prótons e elétrons.
Costumamos agrupar os átomos pelo número de elétrons que possuem na última
camada mais energética. Isso porque observou-se eles se comportam quimicamente de
maneira semelhante. A quantidade de elétrons que um átomo precisa para completar sua
última camada se chama de valência. Os átomos, segundo a regra do octeto, sempre têm
a tendência em completar sua última camada com oito elétrons. Para satisfazer essa
regra, átomos podem compartilhar, doar ou receber elétrons dependendo da quantidade
de elétrons que precisam ganhar (ou perder) para ficarem estáveis. Dessa relação entre
os átomos, surgem as moléculas. Os gases nobres não reagem com nenhum outro
elemento e são naturalmente estáveis, pois têm todos os 8 elétrons na sua última
camada.
Exemplo:
O cloro tem 7 elétrons de valência e o sódio tem somente 1. Então o cloro perde 1
elétron e o cloro fica com 8 e ambos ficam estáveis nessa conformação. Esse é o sal de
cozinha, ou NaCl, e sua formação obedece à regra do octeto.
Isso também explica porque o oxigênio é tão reativo, formando moléculas com
praticamente todos os elementos usados pelos ceramistas nos esmaltes (ele é ávido por
elétrons).
A Tabela Periódica dos Ceramistas
A tabela periódica é dividida da seguintes maneira: nas coluna estão os  grupos.
Como escrevi antes, representam o número de elétrons na última camada de cada
elemento. Já as linhas representam o período ou o número de camadas, originando
assim o seu nome desta tabela.
Tabela periódica com os elementos mais usados pelos ceramistas:

imagem modificada feita por Encyclopaedia Britannica, Inc.


Elementos e seu uso nos esmaltes
Agora que aprendemos a base, vamos aplicar esse conhecimento para o campo da
química dos esmaltes.
Grupo dos Metais Alcalinos e Alcalino Terrosos
Os fundentes, usados na cerâmica para ajudar no derretimento dos esmaltes (veja
parte 1 deste post), estão localizados em sua maioria nos grupos dos metais alcalinos e
alcalinos terrosos (parte esquerda da tabela).
Os metais alcalinos são muito reativos em sua forma pura e seus óxidos são
poderosos fundentes. Eles também se combinam em moléculas com o carbono e
oxigênio, chamados carbonatos, que são mais solúveis. O lítio (Li) é o fundente mais
poderoso e por ter um peso atômico baixo, é necessário pouco dele para fundir
completamente um esmalte. Seu ponto de fusão é alto em relação aos seus
companheiros mas quando se funde, derrete-se completamente. Este elemento também
tem o menor coeficiente de expansão de todo o grupo e por isso é usado em peças à
prova de choque e fogo.
Os óxidos de potássio (K) e sódio (Na) são muito usados como fundentes
principais em todas as temperaturas, são muito reativos e com alto coeficiente de
expansão térmica (explico melhor sobre isso no quarto post). O óxido de sódio é usado
para esmaltes de baixa temperatura, é solúvel em água e por isso é introduzido como
feldspato ou frita. Ele é mais fundente que o potássio mas começa a volatilizar a partir
de 1.200ºC, podendo criar bolhas no esmalte.
O óxido de potássio tem uma ação um pouco diferente e seu coeficiente de
dilatação é mais baixo. Embora seja menos reativo, começa a agir a partir de 750º C e
sua ação é uniforme em todas as temperaturas pois não volatiliza. É mais viscoso e dá
mais resistência à peça mas não pode ser usado sem um fundente auxiliar porque o
esmalte pode ficar quebradiço.
Os metais alcalinos terrosos são usados como fundentes secundários. Eles têm
pontos de fusão muito mais altos mas quando usados em conjunto com outros
elementos, o ponto de fusão total da mistura abaixa (mistura eutética, explico melhor
isso no próximo post). 
O cálcio (Ca) é um dos principais fundentes em média e alta temperaturas. Abaixo
de 1.100º C não é um fundente reativo, mas sua ação dá dureza ao esmalte, resistência
aos ácidos e envolve o óxido de chumbo, diminuindo sua solubilidade. Estabiliza a
interação sódio/sílica, melhorando a resistência dos esmaltes e diminuindo a gretagem
(ou craquelamento). Sua ação como fundente começa acima de 1.100º C, quando se
torna um fundente ativo. Pela sua ação estável durante toda a queima, é importante em
praticamente todo o esmalte.
O magnésio (Mg) é usado para fazer esmaltes acetinados e tem um baixo
coeficiente de expansão. O bário (Ba) pode ser usado como fundente para temperaturas
acima de 1.175º C para fazer esmaltes foscos. Porém a molécula fonte desse elemento, o
carbonato de bário é tóxica se ingerido (ele já foi usado como veneno para matar ratos
no passado). O estrôncio (Sr) pode ser usado como substituto por ser um fundente não
tóxico e tem propriedades intermediárias entre o o cálcio e o bário. Tanto o estrôncio
como o bário podem ser usados como fundentes de baixa-queima, se forem
transformados em fritas.
Esmalte fosco à base principalmente de magnésio como fundente.
fonte https://digitalfire.com
O bário e o estrôncio mantêm as cores mais vivas que o magnésio e cálcio, que
costumam descolorar o esmalte.
Metais de Transição
Os metais de transição, por terem orbitais do tipo d incompletos podem ter vários
estados de oxidação, dependendo das condições do ambiente. Também por conta disso,
possuem coloração mercante, característica essa usada pelos ceramistas que os
empregam principalmente como pigmentos, dando cores aos esmaltes. Os mais usados
como pigmentos são aqueles de menor peso atômico e incluem o titânio (Ti), vanádio
(V), cromo (Cr), Manganês (Mn), Ferro (Fe), cobalto (Co), níquel (Ni) e cobre (Cu).
Boa parte deles são anfotéricos (podem reagir como ácido ou base). O cobalto já foi um
elemento muito valorizado por ser o ingrediente principal usado como baixo-esmalte
nas famosas porcelanas chinesas brancas e azuis.

O manganês e o ferro têm várias valências, por exemplo o óxido vermelho


(férrico) de ferro, Fe2O3, é ácido e refratário mas o óxido preto (ferroso) de ferro é
fundente e alcalino.
Dependendo do tipo de queima, o interior do forno pode ter uma quantidade maior
ou menor de oxigênio. Em ambientes com quantidade suficiente de oxigênio, dizemos
que a queima é por oxidação. Caso contrário, quando há escassez de oxigênio na
câmara, há a redução. O óxido de cobre pode conferir de modo dramático cores
diferentes, sendo verde na oxidação e o vermelho na redução. O mesmo ocorre para o
ferro, podendo ser amarelado em oxidação e verde ou azul em redução.
O ferro como pigmento. A esquerda, em ambiente de oxidação, no meio, ambiente
neutro e a direita, de redução. fonte: Chinese Glazes, Nigel Wood.
Apesar de estar no mesmo grupo, o zinco (Zn) não é tecnicamente de transição
pois seu orbital d está totalmente cheio de elétrons. Ele não é usado como pigmentador
mas como fundente em temperaturas médias. Na próxima fileira dos elementos, está o
zircônio (Zr), usado para opacificar os esmaltes e o cádmio (Cd), usados em pigmentos
de esmaltes amarelos e vermelhos. O molibdênio (Mb) e o tungstênio (W) são usados
em esmaltes cristalinos iridescentes.
Ouro (Au), prata (Ag) e platina (Pt) são usados por ceramistas em pinturas em
cerâmicas.
Lantanídeos (terra rara) e Actinídeos
O elemento cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd) e érbio (Er) são pouco
usados na cerâmica e quando são têm a função de darem cor aos esmaltes. O
praseodímio é usado com o silicato de zircônio para dar a cor amarela. Seu óxido se
funde à 932º C e é muito tóxico.

 Adições de terras raras nos esmaltes, da esquerda para direita:  óxido de


neodímio, óxido de érbio e óxido de praseodímio. fonte: https://ceramicartsnetwork.org
Os outros lantanídeos podem das cores fluorescentes mas só quando iluminados
por luz ultravioleta.
Na série dos actinídeos, temos o urânio (U), que foi usado no início do séc. XX
como pigmentador de esmaltes para dar a cor amarelo-clara ou laranja mas foi
abandonado por sua característica radioativa.
Outros Metais
O grupo dos outros metais (ou grupo de metais de pós-transição), tem a aparência
brilhante metálica dos metais de transição mas são metais fracos, sendo mais
maleáveis. 
O alumínio é muito importante para os ceramistas. É um dos elementos mais
abundantes da crosta terrestre, componente das argilas e usado como estabilizador,
tornando o esmalte mais viscoso. Presente como alumina (óxido de alumínio), que é
anfotérico. Possui uma temperatura de fusão bem alta, 2.050º C.
O estanho (Sn) é usado principalmente como opacificador e foi muito usado como
fundo branco das cerâmicas majólicas.
O óxido de chumbo (PbO) já foi muito usado como fundente de baixas
temperaturas, por ter ponto de fusão baixo. Hoje em dia, por sua toxicidade, vem sendo
substituído por fritas à base de outros elementos (bário, lítio, etc.).
Não metais
No grupo dos não metais está o Boro (B), que é tanto fundente como formador
de vidro.  O silício (Si) é um elemento importantíssimo para os esmaltes pois ele é o
principal formador de vidro. A sílica, que é seu óxido, é a base de quase todos os
minerais. Como escrito na parte 1 deste post, seu ponto de fusão é alto mas ao lado de
fundentes, o ponto de fusão da mistura abaixa, formando o que chamamos na química
de mistura eutética (explico no próximo post sobre isso). A sílica é um óxido ácido, que
reage com metais fundentes alcalinos.
O carbono (C) é o coadjuvante em muitas moléculas usadas pelos ceramistas. E
seu formato carbonato (óxido de carbono), ele se combina com diversos elementos
alcalinos e metais de transição. Ao ser levado ao forno, ele se volatiliza em gás
carbônico (CO2) liberando gases na formação do esmalte.
O fósforo (P) é usado como fundente e opacificador em cerâmicas de alta queima.
Também nesse grupo está o oxigênio (O), que é muito reativo e presente na maioria dos
elementos usados pelos esmaltes tanto na forma de óxidos ou carbonatos.
O selênio (Se) é usado como pigmento laranja e vermelho nos esmaltes.
Semana que vem, vou escrever mais sobre as características químicas dos
elementos dos esmaltes, as reações entre eles durante a queima e a fórmula molecular
unificada.
Até lá!
Fontes:
 Bloomfield, Lisa. Chemistry for Potters. Ceramics Monthly, Fev. 2016.
 Fernandes, Tácito. Teoria de prática de
esmaltes. https://www.facebook.com/notes/t%C3%A1cito-fernandes/teoria-de-
pr%C3%A1tica-de-esmaltes/2247493835871/
 Britt, John.The Complete Guide to Mid-Range Glazes. Ed. Lark, NY.
 Hamer, Frank e Janet. The Potter’s Dictionary: of Materials and Techniques.
Sexta edição. Ed. Bloomsbury.
Teoria dos Esmaltes – Parte III
Olá pessoal! Seguindo os posts dedicados aos esmaltes, esta semana eu vou
escrever sobre as características físico-química dos esmaltes e explicar como calcular a
fórmula de unidade molecular de Seger.
A Natureza dos Vidros
Estudamos que o esmalte é composto principalmente pelo formador de vidro. Ele
é que dá a característica impermeável e lisa que encontramos na superfície cerâmica. Os
vidros são elementos únicos que não são nem líquidos ou sólidos. São elementos
conhecidos por estarem em um estado chamado amorfo.
Sólidos são estruturas altamente organizadas. Neles estão os cristais, como o sal,
com seu milhões de átomos alinhados. Sua estrutura é previsível. Os vidros não
possuem essa organização mas também não são tão desorganizados quanto um líquido.
Abaixo podemos comparar a disposição molecular do óxido de silício em seu
estado cristalino (esquerda) e seu estado vítreo (direita).

diferentes disposições dos átomos da sílica. fonte: digitalfire.com


Observamos que o vidro possui uma certa organização mas ela não se repete ao
longo da cadeia. Quando o vidro é formado, o elemento formador de vidro
(normalmente a sílica) é resfriada rapidamente de seu estado líquido mas não se
solidifica quando fica à temperaturas abaixo de seu ponto de fusão. Neste ponto, o
material é um líquido super-resfriado, um estado intermediário entre líquido e vidro.
Para se transformar em um sólido amorfo, o material é resfriado mais ainda, abaixo da
temperatura de transição do vidro. Após esse ponto, os átomos deste elemento estão
quase imóveis, impossibilitados de se organizarem em estruturas cristalinas e o material
agora é um vidro.
Como o vidro se encontra em um estado de desorganização molecular, seus
átomos ainda podem fluir como líquidos mas modelos matemáticos prevêem que seria
necessário um tempo superior ao tempo do universo para que houvesse uma mudança
substancial na forma do vidro por conta dessa fluidez molecular.
Fundentes
Nos esmaltes comuns, os óxidos fundentes estão em menor porcentagem se
comparados com o formador de vidro sílica e o estabilizador Al2O3. Em altas
temperaturas (1.300º C), o esmalte contém por volta de 18% de fundentes. À meia

queima (1.180º C),  22%. E em baixa queima pode ter até  30% de fundente (incluindo o
elemento formador de vidro boro).
Além disso, cada fundente possui um determinado ponto de fusão e volatilização,
sendo mais adequados para as queimas em determinadas temperaturas. Veja tabela
abaixo:
pontos de fusão dos fundentes mais usados. fonte: The Potters Dictionary.
Mas, como o fundente age para baixar a temperatura de fusão do esmalte? Isso é o
que vamos ver a seguir.
Misturas Eutéticas
O fundente juntamente com o formador de vidro formam o que chamamos de
mistura eutética. Uma mistura é eutética quando o ponto de fusão do conjunto é inferior
às temperaturas de fusão de cada componente da mistura.
Mistura eutética. Curso de engenharia mecânica. fonte: curso de
www.ebah.com.br/
Sabemos pelo post anterior que a maioria dos fundentes são metais alcalinos e
alcalinos terrosos. Eles têm a tendência de doarem elétrons para se tornarem mais
estáveis. Normalmente, eles doam elétrons para um elemento ávido por eles, o oxigênio,
que se encontra do outro lado da tabela periódica. Quando dissolvidos em sílica, que é
um ácido fraco, os elementos alcalinos então transformam-se em cátions (átomos com
carga positiva) e o oxigênio em ânion (carga negativa). O ânion duplamente negativo do
oxigênio tem uma grande afinidade por ligações e quebra a ligação de oxigênio da
molécula de sílica, se incorporando à ela com carga negativa. Essa quebra de cadeia faz
com que as cadeias fiquem menores, mais fluidas, baixando o ponto de fusão. Tomando
como exemplo o óxido de cálcio como fundente, temos:

Além disso, os elementos fundentes se inserem nas cadeias de moléculas de sílica,


oferecendo um flexibilidade maior à mistura. Ou então ficam entre as cadeias de sílica
como impurezas, dificultando a cristalização do vidro.
Estabilizador
Para conter uma fluidez excessiva, fazemos o esmalte mais viscoso. O óxido de
alumínio combina com cadeias soltas de sílica criando uma rede coesa de moléculas,
sendo um importante elemento estabilizador do esmalte.

ligações entre o alumínio e a sílica no esmalte


Fórmula de Unidade Molecular de Seger
Agora que entendemos melhor sobre como o esmalte funciona quimicamente, vou
introduzir o conceito levantando pelo alemão Herman A. Seger no final do séc. XIX.
Seger também desenvolveu cones numerados para medir o trabalho do calor dentro dos
fornos, entre outras coisas. Foi ele quem classificou os componentes dos esmaltes em
fundentes, formadores de vidro e estabilizadores. Sua fórmula de unidade molecular
mostra a relação entre o número de moléculas entre as três categorias, facilitando a
análise do esmalte.
Com esta fórmula, podemos saber se o esmalte tem sílica suficiente para a
formação do vidro, por exemplo, ou se existem fundentes demais. No próximo post, vou
escrever sobre quais são os limites que fazem um bom esmalte utilitário mas é
necessário o entendimento desse cálculo primeiramente.
Hoje em dia existem programas para o computador que já calculam a fórmula de
Seger automaticamente, sendo necessário somente a entrada das matérias-primas e a
quantidade delas, o que torna o processo muito mais prático. Para quem quiser entender
porém como é a base do cálculo, vamos fazer um exemplo:
Supomos que vamos trabalhar com a seguinte fórmula de esmalte:
Matéria-prima Quantidade
Nefelina Sienito 40
Carbonato de Cálcio 20
Sílica (Quartzo) 30
Caulim 10
Total 100
Primeiro passo é pegar o massa molecular para os principais óxidos (na wikipedia
tem esses dados).
Si02 Al2O3 Na2O K2O MgO CaO F
60,09 101,96 61,98 94,20 40,31 56,08 1
Agora, temos que pegar a composição química de cada matéria-prima. O site
glazy.org dispõe dessas informações gratuitamente.
Para facilitar o cálculo, montei uma tabela com as matérias-primas e a proporção
de óxidos para cada uma:
1º passo: Calcular a proporção de cada óxido por quantidade de matéria-prima. No

exemplo, temos que o elemento Nefelina Sienito tem 40 de 100 (total), ou seja, 0,4 do
total. Multiplica-se 0,4 x a quantidade do óxido. Para o caso da sílica, o cálculo é 0,4 x
61,95= 24,78.

Fazemos isso com todos as matérias-primas e a tabela ficará assim:

2º passo: Some os mesmos óxidos de todas as matérias-primas.


3º passo: dividir a soma dos óxidos pelo peso molecular de cada óxido. Isso vai
dar a proporção em relação ao número de moléculas de um dado óxido. Para a química,
o que importa nas reações é o número de elementos (cabem mais átomos de lítio em 10g
que átomos de chumbo, por exemplo).

4º passo: somamos os moles dos fundentes (Na, K, Mg e Ca).

5º passo: dividir os moles de cada óxido pela soma dos moles dos fundentes.
Temos o resultado final, representado pela última linha de cálculo. O que fizemos
foi pegar cada óxido por representação de quantidade molecular e colocar cada um deles
em relação aos fundentes. Assim, criou-se um padrão sendo a soma dos fundentes sua
unidade. Com isso, podemos analizar os esmaltes de maneira muito mais completa, só
olhando sua fórmula de Seger!
No próximo post, vocês vão saber como usar esse conhecimento para predizer o
comportamento dos esmaltes.
Até lá!
Fontes:
 https://www.scientificamerican.com/article/fact-fiction-glass-liquid/. Scientific
American.
 digitalfire.com. Digital Fire.
 Bezerra Brandão, Bráulio. Curso de Engenharia Mecânica.
http://www.ebah.com.br/
 Donald Sadoway, 3.091SC Introduction to Solid State Chemistry, Fall 2010
(MIT Courseware). http://ocw.mit.edu (acessado em 7/8/2018). Licença Creative
Commons Attribution-Noncommercial-Share Alike.
 How to Calculate the Unity Molecular Formula. Ceramics Material Workshop.
http://www.youtube.com/watch?v=HyLjAg1_8_4 (acessado em 8/8/2018).
Youtube.
Teoria dos Esmaltes – Parte IV
Olá amigos e amigas! Este é o último post da série sobre a teoria dos esmaltes.
Vou escrever hoje sobre como identificar um bom esmalte com a base teórica que
tivemos até agora.
Com o conhecimento teórico, os ceramistas deixaram de confiar somente na
experiência e puderam identificar possíveis falhas nos esmaltes antes mesmo de testá-
las no forno. Isso ajudou muito, economizando muito tempo e dinheiro. O estudo dos
esmaltes deixou de ser um trabalho empírico tornando-se uma ciência. É claro que a
prática é imprescindível para o emprego de esmaltes: a correta aplicação, o controle da
queima, tudo se soma para termos boas queimas no final. O domínio teórico é só uma
ferramenta que contribuiu para resultados positivos.
Escrevi no último post que a fórmula da unidade molecular de Seger permitiu um
conhecimento mais profundo do comportamento de um dado esmalte. Vamos ver agora
quais são os parâmetros usados para caracterizar um bom esmalte. Vale salientar que
esses parâmetros são usados para cerâmicas utilitárias. É possível que esmaltes que
estejam fora dessas regras ainda possam ser usados em outros tipos de cerâmicas por
serem interessantes esteticamente.
Regras para um bom esmalte
1 – Deve ter sílica suficiente
Sílica é a espinha dorsal de um esmalte e o principal formador de vidro. Sem
sílica suficiente, não se pode fazer um bom esmalte.
2 – Deve ter alumina suficiente
Ceramistas acreditavam que para se ter um bom esmalte deveríamos ter uma
quantidade mínima de alumina no esmalte. Entretanto, podemos ter até bastante alumina
se a proporção de fundentes mais o boro compensar essa adição.
3 – O esmalte deve derreter-se completamente
Parece óbvio mas muitos esmaltes que aparentam serem foscos ou semi-foscos
são assim porque não foram completamente derretidos. Fazer esmaltes sem o
derretimento completo faz com que eles apresentem uma série de problemas nas
cerâmicas funcionais. Acompanhe a queima e use sempre cones pirométricos para
assegurar que suas peças atingiram a temperatura correta para a formação de seus
esmaltes. Além disso, use receitas adequadas para a temperatura que o seu forno irá
queimar.
4 – Use níveis moderados de pigmentos e opacificantes
Depois de um certo limite, mesmo em um ótimo esmalte esses elementos
conseguem vazar da rede vítrea e contaminar a comida ou bebida que fica em contato
com o esmalte. Alguns desses elementos são tóxicos e embora a quantidade que vaza é
pequena, lembremos que essas peças são de uso diário, então é sempre bom ficar de
olho.
Abaixo está o nível máximo recomendado por % de esmalte base
Carbonato de Cobre 4,0%
Óxido de Cobre 2,0 – 2,5%
Óxido de Cromo 3,0%
Carbonato de Cobalto 3,0%
Óxido de Cobalto 2,0%
Óxido de Ferro 10,0 – 15,0%
Dióxido de Manganês 4,0%
Óxido de Níquel 3,0%
Esmaltes que possuem uma coloração metálica quase sempre têm valores
excessivos de pigmentos em sua composição e devem ser analisados atentamente.
5 – Ter boa proporção de fundentes primários e secundários
No jargão da química dos esmaltes, dizemos que os fundentes primários ou R2O
são aqueles do grupo dos metais alcalinos (Li, K e Na). Os primários iniciam o processo
de derretimento do esmalte.
Já os fundentes secundários, ou RO, são aqueles que mantêm o derretimento sob
controle. São eles os metais alcalino-terrosos e outros elementos (Mg, Ca, Sr, Ba e Zn).
Usando os números da fórmula de Seger, a relação entre esses dois tipos de fundentes é
escrita como R2O:RO.
Pesquisas históricas e contemporâneas provaram que uma proporção R2O:RO de
0,3:0,7 é a ideal para uma maior durabilidade de esmaltes funcionais.
6 – Para queimas abaixo do cone 10, use boro 
Hoje em dia, popularizou-se fornos e receitas para queima no cone 6. Dentre as
vantagens, temos o menor tempo de queima, economia de energia e as cerâmicas tão
resistentes quanto às queimadas em temperaturas mais altas. Porém, nessas temperaturas
intermediárias a sílica usada isoladamente não se funde totalmente.
O elemento boro é um formador de vidro, não tóxico e quando usado em conjunto
com a sílica, oferece uma boa alternativa para as queimas do cone 6. A forma ideal de
usar esse elemento no esmalte é através de fritas, pois fica insolúvel.
Abaixo está um gráfico mostrando o quanto de boro que deve ser introduzido ao
esmalte em relação à sua temperatura máxima. A área em laranja e vermelho apontam
para esmaltes brilhantes bem derretidos e a área em azul escuro, esmaltes com
problemas de fusão.
fonte: Matt Katz. Boron in Ceramics.
7 – Ajuste o coeficiente de expansão térmica
Quando a cerâmica está no interior do forno e o esmalte está em seu estado
líquido, existe uma aderência completa entre o esmalte e a argila. Quando o forno se
resfria, tanto a argila quanto o esmalte encolhem. Se a contração desses elementos for
diferente, dois cenários poderão acontecer:
 se o esmalte contrair mais que a argila, ele ficará craquelado, ou gretado (lado
direito da foto abaixo)
 se a argila contrair mais que o esmalte, o esmalte soltará da argila, como pintura
que descasca da parede (lado esquerdo da foto abaixo)

fonte: http://www.lakesidepottery.com/
Em cerâmicas funcionais esse efeito não é desejável. O que se deve fazer nesse
caso é achar no esmalte um coeficiente de expansão térmica compatível com a argila
utilizada. É, assim, um problema a ser resolvido individualmente, dependendo da argila
utilizada. Porém alguns cuidados gerais são úteis:
1. Não aplique uma camada muito grossa de esmalte
2. Peças grandes apresentam maiores problemas em relação a interação esmalte/
argila
3. Confira se os níveis de alumina e sílica do seu esmalte estão nos níveis
aceitáveis (veja em gráfico de Stull) 
Alguns laboratórios especializados possuem aparelhos chamados dilatômetros,
que calculam precisamente o coeficiente de expansão térmico da argila. Sabendo disso,
o trabalho de ajuste fica bem mais fácil. Para nós, ceramistas artesanais, nos restam os
testes. Quase todos os programas de cálculo de esmaltes que existem hoje em dia
fornecem cálculos de coeficientes de expansão. Troque os elementos para adequar seu
esmalte obedecendo o seguinte raciocínio:
Se o seu esmalte apresenta craquelamento, diminua o coeficiente de expansão
térmica do esmalte.
Se ele estiver soltando, aumente o coeficiente de expansão térmica.
Segue a tabela de English e Turner de coeficiente de expansão para os principais
óxidos que pode ser útil nesse processo. Vejam que o sódio e potássio possuem alto
coeficiente de expansão térmica. Seu uso exagerado pode causar craquelamento. Ao
contrário, elementos como o lítio e o magnésio podem ajudar a diminuir esse problema.
Óxido Coeficiente (x10-6/ºC)
BaO 14,0
CaO 16,3
MnO2 5,7
Li2O 7,45
MgO 4,5
K2O 39,0
Na2O 41,6
ZnO 7,0
Fe2O3 10,4
TiO2 10,6
B2O3 -6,53
Al2O3 1,4
SiO2 0,5
PbO 10,6
P2O5 7,45
SnO2 3,65
ZrO2 2,3
SrO 13,5
O Gráfico de Stull
Em 1912, um pesquisador chamado R. T. Stull criou um gráfico na tentativa de
criar uma forma de visualizar graficamente o comportamento dos esmaltes em relação à
variações de alumina e sílica.
Para fazer o gráfico, a quantidade de fundentes foi fixada em 0,3 moles de sódio e
0,7 moles de cálcio (R2O:RO de 0,3:0,7). Todos os testes foram queimados no cone 11.

Para a linha de esmaltes principais, Stull delimitou por retas que passam pelos
pontos I, P, R e L. Para o limites entre os tipos de esmaltes, ele criou as seguintes retas:
 M – J – não fundidos – foscos
 N – U – foscos – semi-foscos
 N – K – semi-foscos – brilhantes
 Q – T – brilhantes
 O – S- brilhantes – não envidraçados (sub queimados)
A área hachurada estão os esmaltes que apresentaram craquelamento. 
Podemos ver que, mantendo os fundentes constantes, a qualidade do esmalte de
ser brilhante, fosco, craquelado ou sub queimado é determinada pelo nível de sílica e
alumínio e suas proporções. Stull previu que os esmaltes serão foscos se a proporção de
de sílica para alumina for 5:1 ou menor. Aumentando essa relação, o esmalte torna-se
brilhante.
Ele também viu que os esmaltes serão sub queimados com a relação de sílica para
alumina acima de 12:1.
Ele previu também peças craqueladas, mostrado pela área hachurada. Essa área
apresenta níveis baixos tanto de alumina quanto de sílica.
Esse gráfico é muito preciso em relação aos resultados e usado até hoje, inclusive
em outras temperaturas de queima. McLeod fez um trabalho reproduzindo esse
experimento em queimas no cone 6. Para isso, adicionou 0,15 moles de Boro para poder
compensar a diminuição de temperatura e os resultados foram quase idênticos.
Em sites como Glazy.org, todos os esmaltes de sua base de dados são inseridos no
gráfico de Stull. 
Conclusão
A interação entre os elementos do esmalte durante a queima é intrincado e
misterioso para muitos. Muitas das mudanças que ocorrem durante a queima não estão
sob o controle do ceramista. Nosso maior desafio é tentar dominar os materiais da terra,
incluindo o casamento entre a argila e o esmalte, que é o nosso produto final. É claro
que o nosso trabalho tem certas doses de incertezas mas armados com o entendimento
dos princípios que transformam os elementos em esmaltes, podemos evoluir nessa arte
mais rapidamente.
Fontes:
 McLeod, Sue. Understanding cone 6 Nceca presentation. 2018. 
 Site Glazy.org. http://help.glazy.org/concepts/limits/#glaze-limit-formulas
 Katz, Matt. Boron in Glazes. Ceramic Network.
https://ceramicartsnetwork.org/wp-
content/uploads/2008/10/TF_BoroninGlazes_0912.pdf
 Hesselberth, John. Roy, Ron. Mastering Cone 6 Glazes. Ed. iBook. 
Esmaltes de Cinzas
Através do calor do forno que queima a cerâmica, grande parte dos materiais
entram em combustão ou se fundem. Dentre esses elementos, as cinzas vegetais são um
dos componentes mais tradicionais. Elas são usadas como ingredientes de esmaltes e
são muito populares entre os ceramistas do extremo oriente. Esmaltes antológicos como
celadon, chun, tenmoku… Na verdade, é difícil nomear um esmalte oriental que não
utiliza (ou pelo menos utilizou em sua formulação original) a cinza.
As cinzas vegetais podem variar em sua composição dependendo do tipo de planta, sua
idade ou até mesmo se o espécime está sadio ou doente. As monocotiledôneas (como a
grama e o arroz) são mais ricas em silício, material refratário e formador de vidro. Já as
dicotiledôneas contém cálcio e magnésio, dois elementos fundentes.

Como todos sabem, para se preparar as cinzas é necessário queimar o material


vegetal. Porém, somente cerca de 1% da massa vegetal torna-se cinzas. Isso porque boa
parte é transformada em calor nas chamas das fogueiras. A parte que não é combustível,
como os minerais básicos, permanecem como cinzas. Esses minerais são o resultado da
absorção de elementos inorgânicos necessários para a vida da planta. As cinzas são, por
assim dizer, um extrato dos elementos primordiais oferecidos pelo solo.
Para utilizar as cinzas como esmalte é desejável que o forno atinja, pelo menos, cone 10
(cerca de 1.300º C). Para as cinzas de arroz que, como disse, são mais ricas em silício,
as temperaturas devem ser superiores à isso. Além disso, a queima por redução é a que
mais se adequa aos esmaltes de cinzas.
O Preparo
O preparo não é complexo mas é trabalhoso. Você pode queimar a madeira em uma
churrasqueira, se quiser. Mas raspe o interior dela e limpe bem para que restos de
ferrugem não contaminem as cinzas com o ferro. Também é bom queimar um tipo
somente de madeira. Isso porque se você quiser repetir a receita, terá mais chances de
resultados parecidos na próxima vez que for fazer. A queima deve ser lenta para
assegurar combustão completa do material. Isso pode demorar de dois à três dias.A
queimada madeira
Depois de completamente queimado, você deverá separar as cinzas dos pedaços
de carvão e outras impurezas. Use uma peneira de malha 80 e coe o material. Atenção:
as cinzas possuem substâncias muito cáusticas que podem entrar no aparelho
respiratório e causar sérias irritações. Use uma máscara e luvas durante esse processo!
Após a coagem das cinzas, você terá duas opções: poderá lavar ou utlizá-las do jeito que
estão como ingredientes de um esmalte. As vantagens da lavagem é que você consegue
retirar os elementos solúveis que fazem com que o esmalte escorra muito. Para isso,
coloque as cinzas em um balde e encha de água. Misture bem. No dia seguinte, descarte
a água e as impurezas que estiverem na tona. As cinzas deverão estar depositadas no
fundo. Repita esse processo por 4 ou 5 vezes até que a água descartada esteja clara.
Após isso, deixe a cinza secar em uma placa de gesso e guarde para o uso no esmalte.
Composição
Agora, resta fazer os testes para ver como as cinzas que você produziu vão ficar depois
de queimadas.
Seguem as sugestões de receitas para os testes do livro de Brian Sutherland, Glazes
from Natural Sources:
Teste 1:
Feldspato 50% 60% 70% 80%
Cinzas 50% 40% 30% 20%
Teste 2:
Argila 50% 60% 70% 80%
Cinzas 50% 40% 30% 20%
nota: a argila deve ser pesada totalmente seca
Conclusão:
A utilização das cinzas é uma oportunidade que pode aproximar o ceramista aos
elementos naturais mais básicos. Sua obtenção requer pouquíssimo beneficiamento,
fazendo com que o ceramista tenha mais domínio sobre os processos produtivos da
cerâmica. Também, graças à variabilidade do material, oferece um amplo espectro de
efeitos a serem explorados.
Fontes:
 Forrest, Miranda. The New Ceramics Natural Glazes, Collecting and
Making. Ed. University of Pennsylvania
 Sutherland, Brian. Glazes from Natural Sources. Ed. University of Pennsylvania
Press