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JUVENTUDE, EDUCAÇÃO E TRABALHO: Novos desafios, Velhos princípios

Marcia Helena Milesi Retiz1

RESUMO

Esta é uma reflexão teórica em torno da inserção do jovem no


mercado de trabalho e a sua relação com a educação, ambos
permeados pela conjuntura política brasileira, marcada por
desigualdades sociais e econômicas, redução de direitos e
diversas implicações que incidem diretamente sob a educação
e o trabalho no Brasil. Os desafios envolvem novas posturas do
Estado e da sociedade em busca de políticas que
proporcionem o acesso amplo aos direitos através de uma
educação inclusiva e de qualidade, o direito ao trabalho sem
que ambos venham a ser fatores excludentes um do outro.
Palavras-chave: Juventude; Educação; Trabalho.

ABSTRACT

This is a theoretical reflection around the insertion of the young


into the labour market and its relationship to education, both by
Brazilian political climate enveloped, marked by social and
economic inequality, reduction of rights and various implications
that focus directly under the education and work in Brazil. The
challenges involve new postures of the State and society in
pursuit of policies that provide broad access to rights through
an inclusive and quality education, the right to work without both
being factors exclusive of each other.
Keywords: Youth; Education; Job.

1
Universidade Federal de Mato Grosso
I INTRODUÇÃO

Estamos inseridos numa sociedade movida por incertezas, e riscos, caracterizada


pela desregulamentação das relações de trabalho, pela auto regulação do mercado,
consolidação do Estado Mínimo marcado por políticas compensatórias, com ações
focalizadas sem medidas efetivas para o enfrentamento da questão social.
Frente a essa realidade encontram-se os jovens, um dos grupos sociais mais
vulneráveis e que enfrentam desde cedo diversos dilemas tanto no âmbito econômico
quanto social. Dentre esses dilemas podemos destacar a luta pela sobrevivência num
mundo completamente isento de oportunidades de acesso à educação, saúde, cultura, lazer
e a um trabalho decente. Sendo assim, as relações de trabalho no que tange a juventude
são delineadas pelo desafio de conciliar a inserção precoce no mercado de trabalho com as
exigências de níveis de escolaridade cada vez mais altos porém, em uma sociedade
permeada por contrastes sociais, trabalhos precarizados e ensino público desqualificado.
São muitos os desafios que e envolvem novas posturas do Estado e da sociedade
em busca de políticas que ao invés de limitar devem proporcionar o acesso amplo e irrestrito
aos direitos através de uma educação de qualidade e inclusiva juntamente com o direito ao
trabalho sem que ambos venham a ser fatores excludentes um do outro, mas que através
deles possa ser assegurada a equidade de oportunidades.
Os procedimentos metodológicos adotados para esse estudo foram o levantamento
bibliográfico e a pesquisa documental. Para tanto, foram suscitados alguns elementos
centrais relacionados à educação e ao trabalho ambos relacionados à juventude,
considerando a importância destes elementos na vida do ser humano.

II JUVENTUDE, EDUCAÇÃO E TRABALHO: Novos desafios, velhos princípios

O modo como se compreende o jovem demarca concepções que vão desde


uma identificação com o ciclo da vida, tendendo a visualizá-lo como algo
que ainda está por vir, negando o próprio presente. Tem-se ainda uma
percepção romantizada dessa fase compreendida como o tempo da
liberdade e do prazer ou como expressão de uma vivência, sobretudo,
cultural. Velasco (2007, p. 84).

Há vários estudos e definições em torno do tema “juventude”. No entanto, definir o


termo não é uma tarefa fácil. É preciso considerar a complexidade que envolve o uso desse
conceito para assim, evitar equívocos.
Dessa forma, para abordar qualquer assunto relacionado ao jovem é fundamental
conhecer as diversas definições, principalmente por ser um termo discutido por diferentes
áreas da ciência.
Acreditamos que conhecer alguns dos principais conceitos elaborados por
estudiosos do assunto nos dará suporte para entendermos o que é juventude e quais são as
necessidades prioritárias na vida social desse segmento da população que demanda pela
atenção do Estado, através da formulação e implementação de políticas públicas
específicas.
Podemos constatar que na literatura há uma inter-relação entre as palavras
“adolescência” e “juventude”, que muitas vezes são usadas como sinônimos, conforme
explica Léon (2005). Ainda, segundo o referido autor, há uma sobreposição desses dois
conceitos por haver certa dificuldade em delimitar o início e o término desse ciclo de vida, ou
seja, há certa dificuldade em delimitar quando é que termina a adolescência e se inicia a
juventude.
Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO), o termo “juventude” se refere à transição da infância à vida adulta,
caracterizando-se por diversas mudanças de ordem psicológica, biológica, social e cultural e
essas mudanças assumirão características próprias de acordo com os tipos de sociedades,
das diferentes culturas, etnias e classes sociais em que os jovens estão inseridos. Nessa
mesma perspectiva a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura
(2004, p. 94) ainda acrescenta [...] a juventude assume faces diferentes de acordo com as
condições materiais e culturais que a cercam, de acordo com o território em que se
encontra. Isso reforça que a juventude não é homogênea, os jovens são todos “iguais”, é
preciso concebê-la na sua pluralidade e diversidade e não na singularidade.
Já para o Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), a faixa etária é um dos
parâmetros utilizados para fins de homogeneização de estudos e composição de dados
oficiais relacionados à juventude, a qual é compreendida entre 15 e 29 anos.
Assim, o termo “juventude” está cercado de diferentes significações e isso fez com
que se originasse a expressão “juventudes”, a qual passou a ser utilizada por diversos
estudiosos do assunto por entender que ao tratarmos de jovens e mais especificamente das
questões relacionadas à juventude devemos considerar que são grupos sociais
heterogêneos, caracterizados por diferentes contextos e realidades as quais esses
segmentos estão inseridos na sociedade, dentre eles o contexto econômico, geográfico,
social, cultural, de gênero e de raça que influenciam nas características e modo de
comportamento desses grupos sociais.
Então, podemos dizer que a construção social, histórica e cultural e as diferentes
sociedades são fatores determinantes na composição das características da juventude. Levi;
Schimitt (1996, p.15), quando escrevem sobre a história dos jovens, caracterizam a
juventude como uma construção, [...] em nenhum lugar, em nenhum momento da história, a
juventude poderia ser definida segundo critérios exclusivamente biológicos ou jurídicos.
Atualmente, segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), realizado em 2010, os jovens na faixa etária entre 15 e 24 anos representam cerca
de 20% da população brasileira e começam desde cedo enfrentar desafios, tanto no âmbito
educacional quanto profissional. Para os jovens das camadas sociais mais baixas o desafio
ainda é maior, uma vez que essa parcela da população necessita trabalhar desde cedo. No
âmbito profissional o desafio acontece quando os jovens saem em busca do primeiro
emprego, ou seja, a sua inserção no mercado formal de trabalho. Nessa busca incessante,
eles se deparam com a dura realidade que é marcada pela exigência de qualificação da
mão-de-obra aliada aos altos índices de desemprego, o qual os jovens lideram, sendo três
vezes mais alto para eles do que para os adultos, segundo Macedo (2011).
Segundo Pinheiro (2008), os jovens com idade entre 15 e 24 anos não são somente
os mais atingidos pelo fenômeno do desemprego como também lideram os altos índices de
evasão escolar, de falta de qualificação profissional, do envolvimento com drogas e com a
criminalidade, conforme os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(IPEA).
Essa realidade faz parte do cotidiano da maioria dos jovens provenientes de famílias
de baixa renda, que precocemente precisam trabalhar e na maioria das vezes por não haver
possibilidades de conciliar estudo e trabalho abandonam a escola e na mais frequente das
hipóteses as suas inserções no mercado de trabalho se dão de maneira precária, com
trabalhos degradantes, alienadores e destituídos de qualquer forma de melhoria, igualdade
ou ascensão social.
Guimarães (2008) nos chama a atenção para o fato de que os jovens de baixa renda
e baixa escolaridade são os que mais se sentem impotentes no enfrentamento ao
desemprego, considerando que para esse grupo o trabalho é visto como uma necessidade
nacional. Vale lembrar também que o desemprego não é o fardo apenas dos
desempregados, sendo vivido como um “real” problema por todos os jovens brasileiros,
estejam eles ocupados, desempregados ou inativos, segundo Guimarães (2008, p. 163).
Assim, outro fator preocupante entre os jovens é a baixa escolarização marcada pelo
abandono escolar, principalmente entre os jovens de diferentes raças, cor ou classe social.
Os dados que o IBGE (2010) apresenta podem comprovar essa afirmação. As taxas
de escolarização são maiores nas famílias que possuem um rendimento mensal domiciliar
per capita maior. Dessa forma, o percentual de crianças e adolescentes de 06 a 14 anos
que não frequentam a escola foi de 5,2% nas classes com renda per capita menor do que ¼
do salário mínimo ou sem renda nenhuma enquanto que baixou para 1,6% nas classes que
possuem rendimentos de mais de três salários mínimos.
No grupo etário de jovens entre 15 a 17 anos, os percentuais ficaram
respectivamente 21,1% de jovens que não frequentam a escola e estão entre as classes
com renda per capita mais baixa e 6,4% para os jovens de renda per capita domiciliar acima
de três salários mínimos. Já, dentre as pessoas que frequentavam cursos de nível superior
(de graduação, especialização de nível superior, mestrado e doutorado) o maior número
está concentrado nas classes com maiores rendimentos domiciliares per capita.
Em relação a cor ou raça constatamos a desigualdade no campo educacional ao
analisarmos os dados da Síntese de Indicadores Sociais 2013. De acordo com essa
publicação feita pelo IBGE (2013) verificamos que os jovens brancos na faixa etária entre 15
a 17 anos de idade possuem uma taxa de frequência escolar 62,9% maior do que a dos
jovens pretos ou pardos, os quais somam 47,8%.
Quanto ao ensino superior, apesar de ter aumentado a frequência entre os jovens de 18 a
24 anos, tomando base para comparação os últimos 10 anos (2002 a 2012), os percentuais
de frequência ainda permanecem bastante desiguais quando separados por cor ou raça dos
estudantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2013). Enquanto do
total de estudantes brancos com idade entre 18 a 24 anos, 66,6% frequentavam o ensino
superior, apenas 37,4% de estudantes pardos ou negros estavam cursando o mesmo nível,
ou seja, a proporção representa o quase o dobro de estudantes brancos frequentando um
curso de nível superior em relação aos pretos ou pardos, expressando visivelmente a
desigualdade de oportunidades e acesso a todos os jovens da mesma forma.
Outro dado importante de ressaltar é a baixa escolarização dos jovens brasileiros.
Segundo a Síntese de Indicadores Sociais, até o ano de 2012, 32,3% dos jovens na faixa
etária entre 18 a 24 anos ainda não haviam concluído o ensino médio e também não
estavam estudando. Esse dado evidencia a evasão escolar, que segundo o IBGE é
considerado um importante indicador de vulnerabilidade, pois esses jovens que estão fora
da escola terão mais probabilidade de futuramente tornar-se um grupo com menos
oportunidades de inserção qualificada no mercado de trabalho.
O IBGE (2013) divulgou também, para fins comparativos, os dados de uma pesquisa
realizada em 2011 pelo Instituto de Estatística da União Europeia (Statistical Office of the
European Union - Eurostat). Essa pesquisa tinha por finalidade mensurar a taxa média de
abandono escolar precoce entre os jovens da mesma faixa etária da pesquisada no Brasil
(18 a 24 anos), porém, entre os entre os 27 países membros da União Europeia. A taxa
média de abandono escolar nesses países ficou em torno de 13,5%, sendo praticamente
três vezes menor do que a encontrada no Brasil. Com esses percentuais podemos verificar
que a defasagem educacional que o Brasil apresenta em relação aos países europeus é
muito grande, o que nos remete a pensar que ainda temos um longo caminho a ser
percorrido, mesmo contando atualmente com algumas políticas públicas implementadas que
ampliaram o acesso da população à educação e diminuiu a distância entre negros, pardos e
brancos que frequentam a escola, ainda persistem as diferenças raciais, sociais e
econômicas no Brasil.
Podemos afirmar então, que apesar da juventude ser uma fase comum nas
diferentes classes sociais, ela não ocorre de maneira homogênea em todo o conjunto da
população. A grande diferença de ser jovem, para Pochmann (2004) está baseada
principalmente nas desigualdades de renda o que leva a desigualdade de oportunidades.

Constata-se, por exemplo, que os jovens filhos de pobres no país


encontram-se praticamente condenados ao trabalho como uma das poucas
condições de mobilidade social. Porém, ao ingressar muito cedo no
mercado de trabalho, o fazem com baixa escolaridade, ocupando as vagas
de menor remuneração disponíveis, quase sempre conjugadas com
posições de subordinação no interior da hierarquia no trabalho. Pochmann
(2004, p.231).

Há um enorme abismo educacional entre a população brasileira. Abrem-se então,


questionamentos a respeito do papel do Estado como responsável pela regulação e controle
na área de políticas públicas eficazes que sejam capazes de atender as necessidades
sociais em especial dos segmentos mais vulneráveis da população.
É nesse sentido que suscita o debate em torno dos jovens e a sua relação com o
mundo do trabalho ao constatarmos que os jovens das classes inferiores estão sendo
submetidos cada vez mais cedo a ingressar no mercado de trabalho, carregando com eles a
responsabilidade de trabalhar, estudar, contribuir na renda familiar, curvando-se as
imposições de um sistema social que os obriga a “encontrar” meios de sobrevivência, tendo
muitas vezes que sacrificar a vivência dessa etapa de transição que é a juventude e
antecipando as responsabilidades da vida adulta.
Dentro dessa realidade e sob essas condições é que os jovens buscam o primeiro
emprego e a primeira experiência. Nessa tentativa de obter experiência no mercado de
trabalho eles também estão mais propensos a aceitar empregos precarizados ou inserir-se
em trabalhos informais, o que parece ser uma característica dos jovens principalmente do
grupo etário de 16 a 24 anos que representa 46,5% da população.
Diante desse contexto, olhar para os jovens que estão em busca da sua inserção no
mercado de trabalho e investir em educação, qualificação profissional e ainda, dar
condições de acesso e permanência no sistema educacional é fundamental para que esses
jovens possam estar preparados e aptos a enfrentarem um mercado de trabalho globalizado
e cada vez mais competitivo.
Porém, na atual conjuntura o compromisso do Estado com o pleno emprego, com a
melhoria na qualidade da educação, com a saúde e tudo o que envolve os direitos sociais
vem se dissipando a largos passos dia após dia. Sob a justificativa de ineficiência na gestão
e no gerenciamento do aparato público, o Estado por sua vez abre espaço para o sistema
privado como alternativa à ingerência na prestação de serviços públicos à população e
também transfere para a família e a sociedade responsabilidades que antes eram de sua
alçada, conforme explica Pereira (2010):

Assim, mesmo sem ter claro “quem” na sociedade deveria assumir


responsabilidades antes pertencentes ao Estado, “quem” e “com que meios”
financiaria a provisão social, e “que formas” de articulação seriam
estabelecidas entre Estado e sociedade no processo de satisfação de
necessidades sociais, foram concebidas fórmulas que exigiam da sociedade
e da família considerável comprometimento. Pereira (2010, p. 31).

É a partir dessa tríade envolvendo Estado, sociedade e família que faremos algumas
reflexões em torno do papel que cada um desses elementos vem desempenhando na
construção e efetivação de políticas públicas para a juventude.
Sabemos que o Estado, revestido do papel de entidade representativa do interesse
coletivo, é responsável pela formulação e implementação de políticas e programas sociais
que visam o atendimento das necessidades sociais da população. No entanto, o que se tem
acompanhado é que essas políticas sociais são implementadas em ações pontuais, de
caráter compensatório e seletivo, não promovendo a equidade social e econômica.
Ressurge então a família, vista como uma instância de proteção social e um meio de
desoneração dos gastos públicos. O Estado, por sua vez, confere à família a
responsabilidade de prover as necessidades sociais de seus membros numa tentativa de
reduzir ao máximo a dependência em relação aos serviços públicos demandados pela
população.
O questionamento é, de que forma a família pode ser vista como um meio de
proteção social dos seus membros, especialmente aquelas de baixa renda, frente aos
limites de atendimento do Estado para com ela? Como delegar tal responsabilidade à família
ao mesmo tempo em que o desamparo público a torna fragilizada, a mercê de carências das
mais diversas naturezas: econômica, social, afetiva, intelectual e que recai, de modo ainda
mais perverso sobre os mais vulneráveis, dentre eles crianças, adolescentes, jovens,
idosos, deficientes e em especial os mais pobres?
Não pretendemos aqui desresponsabilizar e nem minimizar o papel da família como
instância primária de proteção social do jovem e nem a sua capacidade de desempenhar tal
papel, mas sim as contradições que permeiam essa realidade que são refletidas nas
condições de vida, principalmente das famílias pobres destituídas de direitos e condições
mínimas de sobrevivência.
Os governos neoliberais ignoram a realidade social das famílias e as mudanças
ocorridas dentro do núcleo da estrutura familiar. Podemos citar como exemplo de uma
dessas mudanças o deslocamento da centralidade da figura do pai como fonte de sustento
ou de apoio moral desde a entrada da mulher no mercado de trabalho, conforme explica
Pereira (2010):

A tradicional família nuclear – composta de um casal legalmente unido, com


dois ou três filhos, na qual o homem assumia os encargos de provisão e a
mulher, as tarefas do lar -, que ainda hoje serve de referências para os
formuladores de política social, está em extinção. E um importante fator
responsável pelo seu esgotamento foi a ampla participação da mulher no
mercado de trabalho e na chefia da casa. Pereira (2010, p. 38).

O Estado na condição de formulador de políticas públicas para o adolescente e o


jovem não pode atribuir à esfera familiar responsabilidades que vão além de sua
competência. É dever do Estado oferecer alternativas de participação familiar na efetivação
dos direitos das crianças, adolescentes e jovens, mas essas alternativas devem ser reais e
possíveis de serem implementadas, conforme explica Pereira (2010):

O Estado tem que se tornar partícipe, notadamente naquilo que só ele tem
como prerrogativa, ou monopólio – a garantia de direitos. Isso não significa
desconsideração da chamada solidariedade informal e do apoio primário,
próprios da família, mas, sim, a consideração de que essas formas de
proteção não devem ser irreais a ponto de lhes serem exigidas
participações descabidas e impraticáveis. Para além do voluntarismo e da
subsidiaridade típica dos arranjos informais de provisão social, há que se
resgatar a política e, com ela, as condições para a sua confiabilidade e
coerência, as quais assentam no conhecimento mais criterioso possível da
realidade e no comprometimento público com as legítimas demandas e
necessidades sociais relevadas por esse conhecimento. Pereira (2010, p.
40).

No entanto, não há responsabilidade pública e nem políticas definidas que legitimem


os direitos e promovam a igualdade essencial da natureza humana. A tendência na proteção
social do adolescente e do jovem reforça o caráter de transferência e não de
compartilhamento das responsabilidades do Estado para com a família e a sociedade.
Nessa dinâmica, ele não só transfere à família a responsabilidade de atender as
necessidades sociais da população, em específico a dos jovens, como também transfere a
outros setores como os mercantis, representado pelo setor privado conforme já
mencionamos anteriormente e os não mercantis, também chamados de “meios alternativos
eficazes” na viabilização ao atendimento dessas necessidades sociais.
Assim, olhar para os adolescentes e os jovens como cidadãos portadores de direitos
e que necessitam de proteção social significa investir em saúde, educação de qualidade,
profissionalização, lazer e cultura; dar condições à família de protegê-los de qualquer forma
de exploração, violência e opressão para que eles possam ter dignidade, respeito e
igualdade de oportunidades, independente da condição social, racial ou econômica a qual
eles pertençam.
Dessa forma, a inserção do jovem no mercado de trabalho representa cada vez mais
um desafio para as políticas públicas, pois estamos diante de um cenário econômico que em
nome da acumulação promove a exclusão. A necessidade de mudanças nesse cenário deve
conduzir a sociedade ao debate em torno das perspectivas e rumos das políticas públicas
frente a essas situações de desamparo e desigualdade relacionadas ao meio econômico ou
social do ser humano.
Sabemos que em meio a tantas carências, a ausência de um trabalho digno significa
também ausência de recursos financeiros. Isso pode se traduzir em sérias consequências
para a vida dos jovens, tornando-os em certos casos reféns de um sistema que pouco se
importa com a dignidade humana, pois sua base está assentada na acumulação a qualquer
custo e quem mais contribui para a reprodução do sistema são, justamente, esses
segmentos que se encontram em vulnerabilidade social.
O Estado por sua vez precisa assumir o seu papel, cumprindo suas obrigações
legais, formulando e implementando políticas públicas que deem igualdade de
oportunidades àqueles que realmente delas necessitam, diminuindo as fronteiras da
desigualdade social e econômica da população, garantindo a inserção dos jovens no
mercado de trabalho por meio de um emprego que os dignifique como ser humano,
efetivando os diretos e a identidade de jovens cidadãos brasileiros para que essa juventude
de hoje possa ser a protagonista de grandes mudanças e transformações do amanhã.
III CONSIDERAÇÕES FINAIS

As dificuldades enfrentadas pelos jovens ao buscarem a sua inserção no mercado de


trabalho são crescentes e estão relacionadas principalmente a questões socioeconômicas
além das incertezas que naturalmente já se fazem presente e cercam essa etapa de vida.
Podemos atribuir parte dessas dificuldades e incertezas às mudanças estruturais
ocorridas nas últimas décadas no mundo do trabalho, e os jovens, principalmente os que
buscam o primeiro emprego, são ao mais afetados uma vez que ao estabelecer o primeiro
contato com o mercado formal de trabalho se deparam com uma nova realidade,
caracterizada pela diminuição do emprego tradicional, mudanças contínuas dos requisitos
de qualificação e rápida obsolescência das competências.
Dentro dessa realidade em que os jovens cada vez mais cedo estão se inserindo no
mercado de trabalho é que o Estado deve se posicionar no sentido de criar e implementar
políticas sociais mais incisivas votadas para a adolescência e juventude diante dessa
situação complexa, haja vista que as políticas sociais no contexto marcado pela ideologia
neoliberal têm se mostrado cada vez mais pontuais no sentido de adequar o sistema
educacional à lógica da acumulação flexível, ou seja, transformam o sistema educacional
numa ferramenta de preparação de mão-de-obra visando à inserção produtiva.
Desse modo, o sistema educacional que deveria ser um mecanismo de promoção e
transformação social tenta camuflar as contradições existentes atendendo parcialmente e
precariamente as demandas por educação e trabalho através de um discurso firmado na
inclusão social, porém uma inclusão que acontece dentro dos limites do sistema e para
atender aos objetivos do capital.

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