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Aprofundamento

Exatas
Semana 2
Física

Exercícios sobre Movimento retilíneo e uniforme (M.U) e Termometria

Exercícios

1. (Uerj 2020) O universo observável, que se expande em velocidade constante, tem extensão média de
93 bilhões de anos-luz e idade de 13,8 bilhões de anos.

Quando o universo tiver a idade de 20 bilhões de anos, sua extensão, em bilhões de anos-luz, será igual
a:
a) 105

b) 115

c) 135

d) 165

2. (G1 - cftrj 2019) Podemos considerar que a velocidade de crescimento do cabelo humano é, em média,
de 1 milímetro a cada três dias.

Esta velocidade pode variar de pessoa para pessoa, mas é constante para cada um de nós, não havendo
qualquer base científica que venha comprovar que podemos acelerar o crescimento capilar cortando o
cabelo em determinada fase da Lua ou aparando as pontas para dar força ao fio. O que se pode afirmar
é que os hábitos de alimentação e o metabolismo de cada indivíduo influenciam diretamente no
crescimento dos fios.

Se os cabelos de uma jovem têm velocidade de crescimento que acompanha a média, em quanto
tempo seu cabelo crescerá 9cm?
a) 9 horas.
b) 9 dias.
c) 9 meses.
d) 9 anos.

3. (Uerj 2019) O Sol é a estrela mais próxima da Terra e dista cerca de 150.000.000kmdo nosso planeta.
Admitindo que a luz percorre 300.000km por segundo, o tempo, em minutos, para a luz que sai do Sol
chegar à Terra é, aproximadamente, igual a:
a) 7,3
b) 7,8
c) 8,3
d) 8,8

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Física

4. (Enem 2019) A agricultura de precisão reúne técnicas agrícolas que consideram particularidades locais
do solo ou lavoura a fim de otimizar o uso de recursos. Uma das formas de adquirir informações sobre
essas particularidades é a fotografia aérea de baixa altitude realizada por um veículo aéreo não
tripulado (vant). Na fase de aquisição é importante determinar o nível de sobreposição entre as
fotografias. A figura ilustra como uma sequência de imagens é coletada por um vant e como são
formadas as sobreposições frontais.

O operador do vant recebe uma encomenda na qual as imagens devem ter uma sobreposição frontal
de 20% em um terreno plano. Para realizar a aquisição das imagens, seleciona uma altitude H fixa de
voo de 1.000 m, a uma velocidade constante de 50 m s−1. A abertura da câmera fotográfica do vant é
de 90. Considere tg (45) = 1.
Natural Resources Canada. Concepts of Aerial Photography. Disponível em: www.nrcan.gc.ca. Acesso em: 26 abr. 2019
(adaptado).

Com que intervalo de tempo o operador deve adquirir duas imagens consecutivas?
a) 40 segundos
b) 32 segundos
c) 28 segundos
d) 16 segundos
e) 8 segundos

5. (Ufu 2019) O morcego é um animal que possui um sistema de orientação por meio da emissão de
ondas sonoras. Quando esse animal emite um som e recebe o eco 0,3 segundos após, significa que o
obstáculo está a que distância dele? (Considere a velocidade do som no ar de 340 m s).

a)
102 m.
b)
51m.
c)
340 m.
d) 1.133 m.

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Física

6. (G1 - cps 2019) Um escritório utiliza uma fragmentadora de papéis, que corta em tiras muito finas
documentos cujo conteúdo não se deseja tornar público.
Suponha que a fragmentadora desse escritório só aceite uma folha por vez, sendo capaz de fazer sua
função a uma velocidade de 3 metros por minuto. Sendo assim, para que um documento com 25 folhas
seja fragmentado, levando em consideração que cada folha desse documento tem comprimento de
30 cm, o tempo mínimo para realizar a completa fragmentação desse documento é de

a) 1min 40 s.
b) 2 min 20 s.
c) 2 min 30 s.
d) 3 min 50 s.
e) 3 min 40 s.

7. (Uerj simulado 2018) O processo de adaptação consiste na capacidade do ser humano de criar
soluções diante das adversidades, permitindo sua sobrevivência desde os trópicos, cuja temperatura
média é de 20 °𝐶, às regiões polares, onde termômetros atingem temperaturas próximas a −40 °𝐶.
Considerando os valores acima, a variação em módulo da temperatura na escala Kelvin, corresponde
a:
a) 20
b) 40
c) 60
d) 80

8. (Eear 2019) Roberto, empolgado com as aulas de Física, decide construir um termômetro que trabalhe
com uma escala escolhida por ele, a qual chamou de escala R. Para tanto, definiu −20 °𝑅 como ponto
de fusão do gelo e 80 °𝑅 como temperatura de ebulição da água, sendo estes os pontos fixos desta
escala. Sendo R a temperatura na escala criada por Roberto e C a temperatura na escala Celsius, e
considerando que o experimento seja realizado ao nível do mar, a expressão que relaciona
corretamente as duas escalas será:

a) C = R − 20

b) C = R + 20

R + 20
C=
c) 2
R − 20
C=
d) 2

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Física

Gabarito

1. C
Como a velocidade de expansão do universo é assumida como constante, a razão entre a extensão do
universo observável atual e o tempo se mantém constante. Assim, a proporção abaixo é válida, e podemos
determinar a extensão do universo em 20 bilhões de anos.
93 bal x 20 ba  93 bal
= x=  x  135 bal
13,8 ba 20 ba 13,8 ba

2. C
Usando regra de três simples e direta:
1mm 3 dias
 t = 270 dias  t = 9 meses.
90 mm t

3. C
ΔS 150.0 00.000
Δt = = = 500 s  Δt  8,3 s.
v 3 00.000

4. B
Analisando dois triângulos sobrepostos, temos:

1000
tg45 =  L = 2000 m
L2

Distância percorrida pelo avião entre duas fotos:


d = 0,8  2000 m = 1600 m

Portanto, o intervalo de tempo procurado é de:


d 1600 m
Δt = =
v 50 m s
 Δt = 32 s

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Física

5. B
O ultrassom emitido pelo morcego deve percorrer o dobro da distância entre os dois objetos. Neste caso,
consideramos que ambos estão parados ou com o mesmo movimento uniforme, ou seja, a velocidade
relativa entre ambos é nula. Assim, usando a definição de velocidade média:
2d vt
v= d=
t 2
340 m s  0,3 s
d=  d = 51m
2

6. C
- Usando movimento uniforme:
O espaço percorrido é:
ΔS = 25  30 = 750cm = 7,5m.

Calculando o tempo:
ΔS 7,5
Δt = = = 2,5 min  Δt = 2 min e 30 s.
v 3

- Usando análise dimensional:


1 min 0,3 m
Δt =   25 folhas = 2,5 min  Δt = 2 min e 30 s.
3m folha

7. B
Relação entre as escalas:

C−0 R − ( −20 )
=
100 − 0 80 − ( −20 )
C R + 20
=
100 100
 C = R + 20

8. C
Como a variação de temperatura nas escalas Celsius e Kelvin são iguais, então a variação dada no texto
em Celsius, já nos fornece a variação na escala Kelvin, ou seja:
ΔT = 20 − ( −40)  ΔT = 60 C = 60 K

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Matemática

Exercícios: Conjuntos numéricos

Exercícios

1. Sobre a Teoria dos Conjuntos, assinale a alternativa INCORRETA. Se um número é Natural, ele também
é
a) Inteiro.
b) Racional.
c) Irracional.
d) Real.
e) Complexo

2. De acordo com os conjuntos numéricos, analise as afirmativas abaixo:


I. Todo número natural é inteiro.
II. A soma de dois números irracionais é sempre irracional.
III. Todo número real é complexo.
IV. Todo número racional é inteiro.

São verdadeiras as afirmativas


a) I e II.
b) I e III.
c) I e IV.
d) II e III.
e) III e IV.

3 n 2
3. (Uece) A quantidade de números inteiros positivos n, que satisfazem a desigualdade:   é
7 14 3

a) 2.

b) 3.

c) 4.

d) 5.

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Matemática

4. (Ufpr) Rafaela e Henrique participaram de uma atividade voluntária que consistiu na pintura da fachada
de uma instituição de caridade. No final do dia, restaram duas latas de tinta idênticas (de mesmo
tamanho e cor). Uma dessas latas estava cheia de tinta até a metade de sua capacidade e a outra
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estava cheia de tinta até de sua capacidade. Ambos decidiram juntar esse excedente e dividir em
4
duas partes iguais, a serem armazenadas nessas mesmas latas. A fração que representa o volume de
tinta em cada uma das latas, em relação à sua capacidade, após essa divisão é:
1
.
a) 3
5
.
b) 8
5
.
c) 6
4
.
d) 3
5
.
e) 2

3 5 4 3
5. (Uece) Dados os números racionais , , e , a divisão do menor deles pelo maior é igual a
7 6 9 5
27
.
a) 28
18
.
b) 25
18
.
c) 35
20
.
d) 27

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Matemática

Gabarito

1. C
Todo número Natural não é apenas Irracional, pois, não pode ser obtida pela divisão de dois números
inteiros.

2. B
I. Verdadeira. O conjunto dos números naturais compreendem os números inteiros e positivos.
II. Falsa. A soma de dois números irracionais pode ser irracional ou racional.
III. Verdadeira. O conjunto dos números reais é subconjunto do conjunto dos números complexos,
portanto todo número real é complexo.
IV. Falsa. O conjunto dos números racionais é formado por números inteiros, decimais ou fracionários,
positivos ou negativos.

3. B
Multiplicando todos os termos da desigualdade por mmc(7, 14, 3) = 42, encontramos
3 n 2
   18  3n  28.
7 14 3
Portanto, como 21, 24 e 27 são os únicos múltiplos de 3 pertencentes ao intervalo, segue que a
resposta é 3.

4. B
1 1 3 5
O resultado é dado por  +  = .
2 2 4 8

5. C
3 270 5 525 4 280 3 378
Sendo mmc(7, 6, 9, 5) = 630, temos = , = , = e = .
7 630 6 630 9 630 5 630

3
18
Portanto, segue que a resposta é igual a 7 = .
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Quer ver esses exercícios resolvidos pelos nossos monitores? Basta clicar aqui e ver pelo Dex.

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Química

Aspectos macroscópicos

Resumo

Aspectos macroscópicos
Para iniciarmos os estudos de química, é importante definir qual o objeto de estudo desta ciência e sua
finalidade. Podemos definir a química como a ciência que estuda a matéria, suas propriedades, como se
transforma e como interage com a energia.

Matéria
Qualquer coisa ou substância que apresente massa e ocupe lugar no espaço (apresente volume).

Exemplo: Água, madeira, vidro, ar, alumínio, são exemplos de matéria.

Frequentemente fala-se em matéria de forma mais específica: corpos ou objetos.

Corpo
Porções limitadas de matéria.
Exemplo: Um pedaço de madeira, caco de vidro ou gota d’água.

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Química

Objetos: São corpos que servem a uma determinada função.


Exemplo: Cadeira de madeira, copo de vidro, panela de aço.

Propriedades da matéria
Classificamos as propriedades da matéria de duas formas: propriedades gerais e propriedades específicas.

Propriedades gerais
São aquelas identificáveis em qualquer tipo de matéria. Todos os tipos de matéria apresentam estas
propriedades, e estas, por si só, não permitem identificar o tipo de matéria que se estiver tratando.

São elas:

• Massa: quantidade de matéria;


• Inércia: resistência à aceleração;
• Temperatura: grau de agitação das moléculas;
• Extensão: volume ocupado pela matéria;
• Impenetrabilidade: impossibilidade de que dois corpos ocupem o mesmo lugar no espaço;
• Compressibilidade: possibilidade de redução de volume sob aplicação de pressão;
• Elasticidade: capacidade de retornar ao volume inicial após estresse compressivo ou expansivo;
• Porosidade: presença de espaços vazios no interior de um corpo;
• Divisibilidade: possibilidade de dividir um corpo em tamanhos menores.

Propriedades Específicas
São aquelas que são dependentes do tipo de matéria em questão. Através destas propriedades é possível
avaliar a pureza e identidade das substâncias.

As propriedades específicas são dívididas em:

Propriedades físicas (relacionadas a fenômenos em que não ocorre transformação da matéria):


• Ponto de fusão: temperatura de equilíbrio entre a fase sólida e líquida de uma substância a uma
determinada pressão;
• Ponto de ebulição: temperatura de equilíbrio entre a fase líquida e gasosa de uma substância a uma
determinada pressão;

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Química

• Densidade (ou massa específica): razão entre a massa de uma substância e seu volume;
• Solubilidade: quantidade máxima de uma substância que se consegue dissolver sem formar corpo de
fundo. É dependente do solvente utilizado;
• Dureza: resistência de um sólido a ter sua superfície riscada;
• Tenacidade: resistência à fratura (sentido usualmente atribuído à dureza no cotidiano);
• Condutividade elétrica: capacidade de conduzir corrente, dada uma diferença de potencial.

Propriedades químicas (relacionadas a fenômenos em que a matéria se transforma):

• Combustibilidade: capacidade de sofrer combustão (rápida reação com gás oxigênio produzindo calor e
luz);
• Explosividade: capacidade de reagir rápida e violentamente;
• Corrosividade: capacidade de deteriorar outros materiais;
• Efervescência: liberação de gás após dissolução em um líquido;
• Potencial de redução: tendência a receber elétrons em um processo eletroquímico.

Propriedades organolépticas (propriedades que afetam experiências sensoriais):

• Cor;
• Brilho;
• Odor;
• Sabor;
• Textura.

Substâncias puras
Quando uma espécie de matéria apresenta proporções específicas de átomos de elementos específicos, ou
seja, quando estiver presente apenas um tipo de molécula, podemos denominá-la de substância.
Substâncias podem ser simples ou compostas.

Substâncias simples:
São formadas por apenas um tipo de átomo.
Exemplos: gás oxigênio (O2), bromo (Br2), diamante (C).

Substâncias compostas
São formadas por mais de um tipo de átomos.
Exemplo: Gás carbônico (CO2), água (H2O), cloreto de sódio (NaCl).

Obs: Alotropia: Alguns elementos podem formar diferentes substâncias simples, seja devido à organização
espacial dos átomos nas moléculas ou cristais, ou ao número de átomos presentes em cada molécula. A
este fenômeno dá-se o nome de alotropia.
Exemplo:
• O carbono pode apresentar-se em muitas formas alotrópicas:

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Química

Todos eles são formados por carbono, mas com propriedades físicas e químicas muito diferentes entre si,
apenas devido à diferente disposição dos átomos em cada forma.

• O oxigênio também possui formas alotrópicas:

O gás oxigênio (O2) e o ozônio (O3).

Misturas
Na maior parte dos casos na natureza, as substâncias não se encontram isoladas, mas na forma de misturas.
Misturas são combinações de duas ou mais substâncias que não estejam combinadas quimicamente.
Podem ser misturas homogêneas (também chamadas de soluções) ou heterogêneas (também chamadas de
dispersões).

Misturas homogêneas
São as que apresentam apenas uma fase, ou seja, as propriedades não variam de um ponto a outro da
mistura, a um nível microscópico.
Exemplos:
• Quaisquer misturas gasosas;
• Misturas de líquidos miscíveis como água e álcool;
• Ligas metálicas.

Misturas heterogêneas
São as que apresentam mais de uma fase. Nestas, é possível observar aspectos e propriedades diferentes
dentro da mistura.
Exemplos:
• Mistura de um sólido insolúvel (areia, por exemplo) em água;
• Mistura entre líquidos imiscíveis como água e óleo;
• Quaisquer misturas de sólidos;

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Química

• Mistura de um sólido solúvel com água em quantidade maior que a sua solubilidade (o excesso não será
dissolvido e permanecerá como fase sólida);

Obs: Alguns exemplos parecem homogênea a olho nu, porém é possível observar a diferença ao analisar em
microscópio.
Exemplo: Leite e sangue.

Obs2: Um recipiente com água e gelo claramente apresenta duas fases, mas não é uma mistura pois as duas
fases são compostas da mesma substância. Nesta situação a nomenclatura correta é sistema heterogêneo.
Sistemas são quaisquer porções de espaço que se deseja analisar, contendo o que quer que seja.

Sistema
Tudo aquilo que está sob estudo e observação

Sistema homogêneo
É aquele sistema que aprensenta uma única fase. Aprensenta um aspecto uniforme, contínuo. Pode ser
composto por substâncias puras ou compostas.
Exemplos: Soro, ferro sólido, mistura de gases.

Sistema heterogêneo
É aquele sistema que apresenta mais de uma fase. Não apresenta um aspecto uniforme e continuo.
Exemplo: Água com gelo, água e areia.

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Química

Estados físicos da matéria


Fase gasosa
Os gases são formados de partículas amplamente separadas. A energia cinética das moléculas é maior que
qualquer força atrativa existente entre elas.

A ausência de forças atrativas apreciáveis faz com que os gases preencham totalmente os recipientes que
os contiverem e escapem recipientes abertos por difusão (não tem volume definido).
Gases são altamente compressíveis e seu volume é altamente dependente de pressão e temperatura.

Fase líquida
Nos líquidos, as atrações intermoleculares são fortes o bastante para manter as partículas próximas umas
das outras, tornando-os mais densos e menos compressíveis que os gases.

Os líquidos apresentam volume definido e podem assumir a forma dos recipientes que os contiverem.
As forças de atração não são fortes o bastante para manter as moléculas em posições definidas. Desta
forma, os líquidos são capazes de fluir (ou escoar) e apresentam uma propriedade específica relacionada a
esta característica, a viscosidade.

A fase sólida
Os sólidos apresentam suas partículas em posição fixa, devido às altas forças de atração entre elas. São
pouco compressíveis pois há muito pouco espaço para que as moléculas, átomos ou íons se aproximem.

6
Química

Mudanças de estado físico


A matéria pode alterar seu estado físico ao sofrer variações de temperatura e pressão. Estas transições são
nomeadas de acordo com o diagrama:

Da esquerda para a direita, as transições são acompanhadas de aumento na temperatura ou diminuição na


pressão.
A vaporização pode ser observada e classificada em três formas:
• Evaporação: vaporização lenta, em que algumas partículas adquirem energia o bastante para se
desprender da fase líquida;
• Ebulição: vaporização intermediária, em que existe equilíbrio entre fase líquida e gasosa; ocorre em uma
temperatura definida para cada substância, a uma determinada pressão, chamada ponto de ebulição ou
temperatura de ebulição.
• Calefação: vaporização instantânea; ocorre quando um líquido entra em contato com uma superfície
sólida com temperatura mais elevada que seu ponto de ebulição.

Gráficos de mudança de fase


No equilíbrio entre as fases sólida, líquida e gasosa, a temperatura de uma substância não se altera ao
receber ou perder calor até que toda a porção dessa substância tenha mudado de fase. Isto permite definir
as temperaturas de fusão e de ebulição como as temperaturas em que existe equilíbrio entre dois estados
físicos.
Também se define dois tipos de calor trocado pelas substâncias, o calor sensível, que acarreta em mudança
de temperatura, e o calor latente, que atua na mudança de fase.
As mudanças de estado físico a pressão constante podem ser acompanhadas por meio de gráficos de
variação de temperatura (ou curvas de aquecimento/resfriamento), em que as regiões em que a temperatura
não se altera são os pontos de fusão e ebulição:

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Química

Uma propriedade das misturas é que não apresentam ponto de fusão e ebulição definidos, ou seja, sua
temperatura varia ao longo das mudanças de fase. Isto permite, ao observar um gráfico, identificar se a
amostra analisada é uma substância pura ou uma mistura. O gráfico correspondente a uma mistura é da
seguinte forma:

Há algumas misturas de substâncias com propriedades químicas semelhantes que podem apresentar
comportamento de substância pura (ponto de fusão ou ebulição definido). São as misturas eutéticas (ponto
de fusão definido) e misturas azeotrópicas (ponto de ebulição definido).

Mistura Eutética Mistura Azeotrópica

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Química

Exercícios

1. As imagens abaixo foram capturadas de um vídeo que mostra a transformação de um bloco de


estanho branco (metálico) sob a influência da redução da temperatura ambiente.

Quando a temperatura cai para menos de 13 °C, o estanho branco torna-se uma versão mais frágil, o
estanho cinzento (p. f. = 13 °C). No estanho branco, a ligação é um misto de ligação metálica e
covalente, e a estrutura cristalina é tetragonal de corpo centrado. Por sua vez, o estanho cinzento
possui estrutura cristalina cúbica e é um semicondutor.
Disponível em: http://www.cienciadosmateriais.org/Acesso em: junho 2015. (Adaptado)
Esse fenômeno exemplifica
a) recristalizações do Sn.
b) duas formas alotrópicas do Sn.
c) reações entre átomos de metais diferentes.
d) propriedades de elementos químicos distintos.
e) transformação de uma substância molecular iônica.

2. Uma postagem de humor na internet trazia como título “Provas de que gatos são líquidos” e usava,
como essas provas, fotos reais de gatos, como as reproduzidas aqui.

O efeito de humor causado na associação do título com as fotos baseia-se no fato de que líquidos
Note e adote: Considere temperatura e pressão ambientes.
a) metálicos, em repouso, formam uma superfície refletora de luz, como os pelos dos gatos.
b) têm volume constante e forma variável, propriedade que os gatos aparentam ter.
c) moleculares são muito viscosos, como aparentam ser os gatos em repouso.
d) são muito compressíveis, mantendo forma mas ajustando o volume ao do recipiente, como os
gatos aparentam ser.
e) moleculares são voláteis, necessitando estocagem em recipientes fechados, como os gatos
aparentam ser.

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Química

3. As caldeiras são utilizadas para alimentar máquinas nos mais diversos processos industriais, para
esterilização de equipamentos e instrumentos em hospitais, hotéis, lavanderias, entre outros usos. A
temperatura elevada da água da caldeira mantém compostos solubilizados na água de alimentação
que tendem a se depositar na superfície de troca térmica da caldeira. Esses depósitos, ou
incrustações, diminuem a eficiência do equipamento e, além de aumentar o consumo de combustível,
podem ainda resultar em explosões. A tabela e a figura a seguir apresentam, respectivamente,
informações sobre alguns tipos de incrustações em caldeiras, e a relação entre a espessura da
incrustação e o consumo de combustível para uma eficiência constante.

Condutividade Térmica
Tipo de incrustação
(kJ m−1 h−1 C−1)
Base de sílica 1,3
Base de carbonato 2,1
Base de sulfato 5,5

Considerando as informações apresentadas, é correto afirmar que as curvas A e B podem representar,


respectivamente, informações sobre incrustações
a) de sulfato e de carbonato.
b) de sulfato e de sílica.
c) de sílica e de carbonato.
d) de carbonato e de sílica.

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Química

4. O gás liquefeito de petróleo (GLP) é uma mistura de gases de hidrocarbonetos utilizado como
combustível em aplicações de aquecimento e veículos. Os componentes do GLP, embora à
temperatura e pressão ambiente sejam gases, são fáceis de condensar (liquefazer). Esta propriedade
facilita o transporte dos mesmos através dos gasodutos. Considere uma mistura dos gases etano,
propano e butano, com seus respectivos pontos de ebulição e responda as questões a seguir:

Gás Ponto de ebulição (C) a 1atm


Etano −93
Propano −45
Butano 0,6

a) Qual dos gases estará na forma líquida a −10 °𝐶 e à pressão de 1atm.


b) Na temperatura de 5 °𝐶, qual será a composição da mistura gasosa?
c) Na temperatura de −5 °𝐶, qual será a composição da fase gasosa da mistura?
d) Abaixando-se gradativamente a temperatura a partir de 25 °𝐶, qual gás irá liquefazer primeiro?

5. A água é um dos principais fatores para a existência e manutenção da vida na Terra. Na superfície de
águas muito frias, há uma tendência de se formar uma crosta de gelo, mas, abaixo dela, a água
permanece no estado líquido. Isso permite que formas de vida como peixes e outros organismos
consigam sobreviver mesmo em condições muito severas de temperatura.

Analise os dois gráficos abaixo que representam simplificadamente as variações de densidade de


duas substâncias em temperaturas próximas às respectivas temperaturas de fusão (TF).

a) O gráfico que representa o comportamento da água é o I ou o II? JUSTIFIQUE a sua escolha com
base nas informações apresentadas e em outros conhecimentos sobre o assunto.

Uma amostra de água pura, inicialmente sólida, foi aquecida até algum tempo após sua completa
fusão. A figura representa a variação da temperatura dessa amostra durante esse processo.

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Química

b) A fusão de uma substância é um processo endotérmico ou exotérmico?

Considere que durante todo o processo a amostra de água receba um fluxo contínuo e uniforme de
calor.
c) EXPLIQUE por que a temperatura aumenta nas regiões I e III, indicadas no gráfico.
d) EXPLIQUE por que a temperatura não se altera durante a fusão (região II, indicada no gráfico).

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Química

Gabarito

1. B
Alotropia é fenômeno que ocorre quando uma substância simples varia o número de átomos ou sua
estrutura cristalina, como o carbono grafite e o carbono diamante.
O estanho possui duas formas alotrópicas: o estanho branco (metálico) e o estanho cinza que ocorre
abaixo de 13 C.

2. B
O volume corresponde ao espaço ocupado pelo corpo. Os líquidos têm volume constante, porém a forma
é variável, o que é representado pelos gatos dentro dos recipientes.

3. C
De acordo com o a figura fornecida, para um mesmo valor de espessura, por exemplo 0,8mm, o
incremento de consumo de combustível é maior para A, comparativamente a B.

Quanto maior o incremento de combustível, maior a espessura da incrustação e menor a condutividade


térmica, logo A apresenta menor condutividade térmica do que B.
De acordo com a tabela de condutividade térmica: 1,3 (sílica) < 2,1 (carbonato) < 5,5 (sulfato).
As curvas A e B podem representar, respectivamente, informações sobre incrustações de sílica
(1,3kJ m−1  h−1  °C −1 ) e de carbonato (2,1 kJ m−1  h−1  °C −1 ).

4.
a) O butano estará na forma líquida a −10 C e à pressão de 1atm.

Estado de Ponto de ebulição (C) a 1 atm Estado de


Gás agregação agregação
(Líquido Gasoso)
Etano Líquido −93 Gasoso (−10 C)
Propano Líquido −45 Gasoso (−10 C)
Butano Líquido (−10 C) 0,6 Gasoso

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Química

b) Na temperatura de 5 C, todos os componentes da mistura estarão no estado de agregação gasoso


(etano, propano e butano).

Estado de Ponto de ebulição (C) a 1 atm Estado de


Gás agregação agregação
(Líquido Gasoso)
Etano Líquido −93 Gasoso (5 C)
Propano Líquido −45 Gasoso (5 C)
Butano Líquido 0,6 Gasoso (5 C)

c) Na temperatura de − 5 C, a composição da fase gasosa da mistura será: etano e propano.

Estado de Ponto de ebulição (C) a 1 atm Estado de


Gás agregação agregação
(Líquido Gasoso)
Etano Líquido −93 Gasoso ( −5 C)
Propano Líquido −45 Gasoso ( −5 C)
Butano Líquido ( −5 C) 0,6 Gasoso

d) Abaixando-se gradativamente a temperatura a partir de 25 C, o butano irá se liquefazer


primeiro, pois apresenta a maior temperatura de ebulição (0,6 C).

5.
a) A água apresenta um comportamento anômalo quanto à variação de densidade em temperatura de
congelamento, isto é, quando muda do estado líquido para sólido, sua densidade aumenta (ao
contrário de grande parte de substâncias). Sendo assim, o gráfico que representa o comportamento
da água seria o gráfico II.
b) A fusão da água é um processo endotérmico, pois ocorre com absorção de calor.
c) Nas regiões I e III a água encontra-se nos estados sólido e líquido respectivamente. Nessas
situações as moléculas absorvem calor aumentando seu grau de agitação.
d) Durante a fusão a energia absorvida é convertida em energia potencial no sistema que, aumenta sua
desorganização. Isso significa que as moléculas de água se afastam diminuindo a agregação do
sistema.

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Redação

Diferentes gêneros textuais argumentativos

Resumo

Tipos textuais
Toda manifestação linguística é feita a partir de um texto, os quais podem ser classificados de acordo com a
tipologia textual, também conhecido como modo de organização do discurso. Como o próprio nome sinaliza
é a forma como os textos são organizados de acordo com os aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais,
relações lógicas, estilo etc.
Os tipos textuais são: narração, argumentação, exposição, descrição e injunção. Veja as características de
cada tipologia.
• Narração: A principal característica desse tipo textual é contar uma história, real ou não, a partir de
elementos, tais como: tempo, espaço, personagens, foco narrativo, além da estrutura narrativa
(apresentação, complicação, clímax e desfecho).
• Argumentação: A argumentação tem como objetivo o convencimento de uma opinião a partir de fatos e
evidências que fundamentem o ponto de vista.
• Exposição: O texto expositivo tem a finalidade de apresentar informações sobre um objeto ou fato
específico, a partir da apresentação das características por meio de uma linguagem clara.
• Descrição: Os textos descritivos têm por objetivo descrever, de forma objetiva ou subjetiva, pessoas,
situações ou objetivos.
• Injunção: São textos conhecidos, também, como instrucionais, pois têm o objetivo de instruir e orientar
o leitor.

Gêneros textuais
A argumentação tem como propósito principal convencer, persuadir ou influenciar o leitor/ouvinte mediante
a apresentação de opinião seguida de prova (fatos, razões, evidência) por meio de um raciocínio coerente e
consistente.

Por mais que seja comum encontramos a argumentação como elemento de produção textual nas provas de
vestibulares, esse tipo textual não é restrito somente à dissertação. É possível encontrarmos a argumentação
em diferentes gêneros textuais. Esses surgiram a partir da necessidade comunicativa dos falantes. Por isso,
cada gênero possui uma função social para uma determinada situação comunicativa. São textos que
encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões de comunicações distintos, por exemplo:

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Redação

telefonema, carta, bilhete, reportagem, aula expositiva, reunião, notícia, lista de compras, cardápio de
restaurante, resenha, edital de concurso, piada, etc.

Textos argumentativos
Dessa forma, qualquer gênero textual cujo propósito comunicativo seja o de persuasão ou de convencimento
acerca de determinada opinião, cujo foco da comunicação esteja voltado para o receptor da mensagem,
certamente contará com elementos característicos da argumentação. Lembre-se que esse tipo textual não é
restrito a um único gênero e, portanto, podemos encontrá-lo em tirinhas, sermões, charges, cartas do leitor,
cartas argumentativas, entrevistas, entre outros.

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Redação

Exercícios

1. (ESPCEX) Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos


O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país,
a taxa média de reincidência (amplamente admitida, mas nunca comprovada empiricamente) é de mais
ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem
da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe
reabilitar e reinsidir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa
situação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas
educacionais e laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra
cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa,
dizia Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se
viver (1ª no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país
com a menor taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerpario chega a reabilitar 80% dos
criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas
de reincidência no mundo. (....) A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu
sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. (...)
Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-modelo-de-reabilitacao-de-criminosos/. Acessado em 17 de
março de 2017.

Em “Alguns perguntariam ‘Por quê?. E eu pergunto: ‘Por que não?”, as perguntas retórias constituem:
a) Crítica ao senso comum, por meio do discurso objetivo.
b) Linguagem apelativa, com intuito de persuadir o leitor.
c) Verossimilhança, por meio do discurso direto.
d) Diálogo entre textos, fazendo alusão ao discurso alheio.
e) Estratégia argumentativa, ponto de partida da análise do autor.

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Redação

2. (ENEM-PPL) Argumento
Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim

Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça com o o velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar.
PAULINHO DA VIOLA. Disponível em: www.paulinhodaviola.com.br. Acesso em: 6 dez. 2012.

Na letra da canção, percebe-se uma interlocução. A posição do emissor é conciliatória entre as


tradições do samba e os movimentos inovadores desse ritmo. A estratégia argumentativa de
concessão, nesse cenário, é marcada no trecho:
a) "Mas não me altere o samba tanto assim".
b) "Olha que a rapaziada está sentindo a falta".
c) "Sem preconceito / Ou mania de passado".
d) "Sem querer ficar do lado / De quem não quer navegar".
e) "Leva o barco devagar".

3. (UNICAMP) O trecho abaixo corresponde à parte final do primeiro Sermão de Quarta-Feira de Cinza,
pregado em 1672 pelo Padre Antonio Vieira.

“Em que cuidamos, e em que não cuidamos? Homens mortais, homens imortais, se todos os dias
podemos morrer, se cada dia nos imos chegando mais à morte, e ela a nós; não se acabe com este dia
a memória da morte. Resolução, resolução uma vez, que sem resolução nada se faz. E para que esta
resolução dure, e não seja como outras, tomemos cada dia uma hora em que cuidemos bem naquela
hora. De vinte e quatro horas que tem o dia, por que se não dará uma hora à triste alma? Esta é a melhor
devoção e mais útil penitência, e mais agradável a Deus, que podeis fazer nesta Quaresma. (...) Torno
a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é
bem que viva? Memento homo.”
(Antonio Vieira, Sermões de Quarta-Feira de Cinza. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2016, p. 102.)

a) Levando em conta o trecho acima e o propósito argumentativo do Sermão, explique por que,
segundo Vieira, se deve preservar “a memória da morte”.
b) Considere as perguntas presentes no trecho acima e explique sua função para a mensagem final
do Sermão.

4
Redação

4. (ENEM)

Em sua conversa com o pai, Calvin busca persuadi-lo, recorrendo à estratégia argumentativa de
a) mostrar que um bom trabalho como pai implica a valorização por parte do filho.
b) apelar para a necessidade que o pai demonstra de ser bem-visto pela família.
c) explorar a preocupação do pai com a própria imagem e popularidade.
d) atribuir seu ponto de vista a terceiros para respaldar suas intenções.
e) gerar um conflito entre a solicitação da mãe e os interesses do pai.

5. (EPCAR) Em 1934, um redator de Nova York chamado Robert Pirosh largou o emprego bem remunerado
numa agência de publicidade e rumou para Hollywood, decidido a trabalhar como roteirista. Lá
chegando, anotou o nome e o endereço de todos os diretores, produtores e executivos que conseguiu
encontrar e enviou-lhes o que certamente é o pedido de emprego mais eficaz que alguém já escreveu,
pois resultou em três entrevistas, uma das quais lhe rendeu o cargo de roteirista assistente na MGM.

Prezado senhor:
Gosto de palavras. Gosto de palavras gordas, untuosas, como lodo, torpitude, glutinoso, bajulador.
Gosto de palavras solenes, como pudico, ranzinza, pecunioso, valetudinário. Gosto de palavras espúrias,
enganosas, como mortiço, liquidar, tonsura, mundana. Gosto de suaves palavras com “V”, como
Svengali, avesso, bravura, verve. Gosto de palavras crocantes, quebradiças, crepitantes, como estilha,
croque, esbarrão, crosta. Gosto de palavras emburradas, carrancudas, amuadas, como furtivo,
macambúzio, escabioso, sovina. Gosto de palavras chocantes, exclamativas, enfáticas, como astuto,
estafante, requintado, horrendo. Gosto de palavras elegantes, rebuscadas, como estival, peregrinação,
Elísio, Alcíone. Gosto de palavras vermiformes, contorcidas, farinhentas, como rastejar, choramingar,
guinchar, gotejar. Gosto de palavras escorregadias, risonhas, como topete, borbulhão, arroto.
Gosto mais da palavra roteirista que da palavra redator, e por isso resolvi largar meu emprego numa
agência de publicidade de Nova York e tentar a sorte em Hollywood, mas, antes de dar o grande salto,
fui para a Europa, onde passei um ano estudando, contemplando e perambulando.
Acabei de voltar e ainda gosto de palavras.
Posso trocar algumas com o senhor?

Robert Pirosh
Madison Avenue, 385

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Redação

Quarto 610
Nova York
Eldorado 5-6024.
(USHER, Shaun .(Org) Cartas extraordinárias: a correspondência inesquecível de pessoas notáveis. Trad. de Hildegard Feist.
São Paulo: Companhia das Letras, 2014.p.48.)

Analisando a forma e o objetivo do texto, é correto afirmar que

a) a linguagem utilizada é acentuadamente formal, já que o remetente está em um contexto que


necessita desse tipo de tratamento.
b) para convencer o destinatário, Robert utilizou, ao longo da carta, discurso direto, caracterizando
assim um tom de proximidade e amizade com o receptor.
c) o texto é marcadamente denotativo, possibilitando ao destinatário perceber a versatilidade
linguística do remetente.
d) a carta se utiliza de elementos da função emotiva – centrada no emissor – ainda que a intenção
predominante do autor seja a função apelativa – conquistar o receptor.

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Redação

Gabarito

1. E
As perguntas retóricas, no texto, constituem uma estratégia argumentativa. De acordo com o autor, a taxa
de reincidência criminal no Brasil é tão alta, cerca de 70%, em decorrência de um sistema que, na teoria,
se propõe a reabilitar, mas que, na realidade, não oferece condições para que essa expectativa se
concretize: “Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e laborais
para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura [...] de que bandido
bom é bandido morto [...]”.

2. A
O trecho “Mas não me altere o samba tanto assim”, é revelador da posição conciliatória do emissor, que,
embora aceitasse os argumentos dos que defendiam a inovação do ritmo, não desejava renegar as
radições do samba de forma radical.

3.
a) O sermão recupera o sentido da penitência como exercício espiritual que transforma o homem, dando
destaque à necessidade de liberar-se dos prazeres materiais em vista da salvação da alma. Preservar
a memória da morte é não perder de vista a finitude humana, produzir uma atenção máxima ao tempo
presente e reiterar, como a Igreja faz na liturgia de Quarta-Feira de Cinzas, a mensagem cristã contida
na advertência da própria epígrafe do sermão: “Lembra-te homem que sois pó, e em pó vos haveis de
converter”.
b) As perguntas que aparecem no texto têm uma função interpelativa. As últimas, sobretudo, destacadas
por Vieira, incidem sobre a relação entre os tempos presente, passado e futuro, temporalidades que
abarcam a totalidade da experiência humana, mensurando-a quantitativamente e qualitativamente no
que concerne à salvação cristã. Tais perguntas conclamam o ouvinte do sermão a manter o firme
propósito do exercício da virtude, a examinar sua vida pesoal com base na mensagem bíblica e, por
fim, a realizar uma reflexão sobre a condição humana.

4. D
Em sua conversa com o pai, Calvin recorre à estratégia do elogio para induzi-lo a compactuar com ele na
intenção de se libertar da tarefa de ajudar a mãe na cozinha, ou seja, atribui seu ponto de vista ao
interlocutor para que o apoie no seu propósito.

5. D
A função poética predomina, uma vez que o candidato domina a capacidade de lidar artisticamente com
as palavras, apesar de a função apelativa ser sua intenção. As demais alternativas são incorretas pois:
para o cargo de roteirista, a linguagem informal da carta é perfeitamente possível; a estratégia do
candidato a roteirista é mostrar o seu domínio com as palavras, fato necessário ao cargo visto que a
interlocução presente é típica do gênero textual e o candidato consegue tecer com eficiência um texto
em que a conotação domina, ao personificar uma série de palavras.

7
Enem
Semana 2

gora vai!
A 20
e m 20
En
Biologia

Água

Resumo

A água é uma substância importante para a vida, sendo responsável por formar a maior parte da massa dos
seres vivos. É inorgânico, sendo composta por um átomo de oxigênio e dois de hidrogênio, formando uma
molécula polar, com o lado do oxigênio apresentando carga negativa e o lado dos hidrogênios apresentando
uma carga positiva. Essas diferentes cargas fazem com que a água seja considerada um dipolo.

Representação de uma molécula de água

Ela é representada quimicamente pela fórmula H2O, e possui certas propriedades que ocorrem devido a
disposição dos átomos e através das ligações de hidrogênio (também chamadas de pontes de hidrogênio).
Dentre estas podemos citar:
• Alto calor específico: É o quanto de calor 1g de substância tem que receber para aumentar a sua
temperatura em 1°C. Quanto maior este calor específico, maior a quantidade de calor que deve ser
fornecida. O calor específico da água é o maior, igual a 1cal/g°C, ou seja, ela apresenta uma alta
capacidade de absorver e conservar o calor, sem mudar de estado físico ou mesmo aquecer/esfriar de
maneira brusca.
• Adesão: Força que permite que a água se ligue a outras superfícies carregadas, formadas por
substâncias que não são a água.
• Coesão: Força que permite que a água se ligue com outras moléculas de água.
• Tensão superficial: Força que permite que a ligação das moléculas de água na superfície não se rompa
quando se exerce força sobre essa água, por exemplo, insetos caminhando sobre ela.

Interação das moléculas de água para formar a tensão superficial

1
Biologia

A partir destas propriedades, a água possui diferentes funções para os seres vivos como:

• Participar da maioria das reações metabólicas: em reações de hidrólise (quebra de moléculas pela água,
onde a presença de uma molécula de água faz com que a ligação entre dois compostos se rompa –
reações de catabolismo) ou de síntese por desidratação (quando duas moléculas se unem para formar
uma outra, os H+ e OH- liberados se ligam formando água – reações de anabolismo).

• Atuar como solvente universal: por conta de sua polaridade, ela consegue solubilizar com facilidade
outras moléculas também polares, chamadas de hidrofílicas, como por exemplo carboidratos, proteínas
e sais minerais. A água não consegue reagir com moléculas apolares, sendo que essas moléculas são
chamadas de hidrofóbicas, como por exemplo os lipídios. É por isso que, ao colocar óleo e água, as duas
substâncias não se misturam, e podemos observar diferentes fases na mistura.

• Participar no transporte de substâncias: no nosso corpo carrega, por exemplo, excretas e nutrientes.

• Participar na regulação térmica: por conta do alto calor específico, permite que a molécula consiga
transportar calor em processos como sudorese ou diurese, fazendo a regulação térmica. Nestes casos,
a água presente no suor absorve o calor do nosso corpo, diminuindo nossa temperatura, e quando ela
evapora, o calor também é retirado. Essa propriedade está relacionada ao calor latente de vaporização.

Ao juntar água e óleo, vemos uma mistura heterogênia, já que o óleo é lipossolível e não se solubiliza na água. Já o sal, por ser
hidrofílico, se dissolve na água, formando uma mistura homogênia.

A concentração de água varia no corpo de um indivíduo de acordo com:

• Metabolismo: quanto mais metabólico um tecido é, mais água é necessária. Por exemplo, a quantidade
de água varia entre os tecidos de acordo com a função e taxa metabólica dele (ex.: 20% de água nos
ossos, 85% de água no cérebro).
• Idade: Indivíduos mais jovens apresentam maior quantidade de água no corpo. Quanto maior a idade,
menos água o corpo precisa pois o metabolismo diminui.
• Espécie: dependendo da espécie, podem ter maior ou menor quantidade de água. Nos humanos, a média
é de 70% do nosso corpo, já as águas-vivas (Cnidários) apresentam mais de 95% do corpo com água, e
uma minhoca (Anelídeo) apresenta cerca de 80% de sua estrutura formada por água.

2
Biologia

Exercícios

1. O fato de alguns insetos se locomoverem sobre a superfície da água e algumas espécies de plantas
crescerem por cima da superfície da água é também uma das propriedades que deixa as células
individualizadas e coesas. Essa propriedade físico-química da água é denominada:
a) Densidade.
b) Tensão superficial.
c) Capacidade térmica.
d) Temperatura de fusão.
e) Alto poder de dissolução.

2. Um ser humano pode ficar semanas sem ingerir alimentos, mas passar de três a cinco dias sem ingerir
líquidos pode ser fatal. Os especialistas recomendam que se deve beber no mínimo 2,5 litros de água
por dia. “Quando a pessoa está com sede, é porque já passou do ponto de beber água, diz a
pneumologista Juliana Ferreira, do Hospital das Clínicas, em São Paulo”. Em dias muito quentes ou
quando a pessoa faz exercícios intensos, essa ingestão pode até superar 6 litros, principalmente
porque o suor “desperdiça” muito líquido, na tentativa de manter a temperatura do corpo num nível
adequado. “É preciso se hidratar corretamente, caso contrário o organismo gasta mais água do que
absorve, afirma a nutricionista Isabela Guerra, que desenvolve doutorado na área de hidratação e
esporte”
Disponível em: Mundo Estranho / Saúde http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-sao-as-funcoes-da-agua-
nocorpo-humano. Adaptado.

Sabe-se que a recomendação de hidratação diária para o corpo humano é de 2.550 ml de água, que
podem ser abastecidos por meio da ingestão de alimentos (1.000 ml) e líquidos (1.200 ml) e de reações
químicas internas (350 ml). A desidratação diária, em condições normais, é do mesmo montante.
Assinale a alternativa que apresenta, em ordem decrescente, a perda de água no nosso organismo.
a) Fezes, urina, suor e respiração.
b) Suor, urina, fezes e respiração.
c) Respiração, urina, fezes e suor.
d) Suor, urina, fezes e respiração.
e) Urina, suor, respiração e fezes.

3. A água apresenta inúmeras propriedades que são fundamentais para os seres vivos. Qual, dentre as
características a seguir relacionadas, é uma propriedade da água de importância fundamental para os
sistemas biológicos?
a) Possui baixo calor específico, pois sua temperatura varia com muita facilidade.
b) Suas moléculas são formadas por hidrogênios de disposição espacial linear.
c) Seu ponto de ebulição é entre 0 e 100 °C.
d) É um solvente limitado, pois não é capaz de se misturar com muitas substâncias.
e) Possui alta capacidade térmica e é solvente de muitas substâncias.

3
Biologia

4. Com relação à água, é correto afirmar:


a) A água é eliminada pelas plantas, à noite, por transpiração, o que aumenta a temperatura interna
do indivíduo.
b) A água dos oceanos, rios e lagos evapora e, por um processo de sublimação, volta à Terra para
recomeçar um novo ciclo.
c) A água ocupa a maior porção da superfície terrestre, porém a produtividade primária líquida do
ambiente aquático é insignificante, inferior a 0,1.
d) A água, apesar de participar de diversos processos vitais para os seres vivos, pode, quando
contaminada, se tornar um grande vetor de disseminação de diversas doenças, como a febre
amarela.
e) A água é uma das matérias-primas fundamentais da fotossíntese: seus átomos de hidrogênio
vão formar a matéria orgânica fabricada nesse processo e seus átomos de oxigênio se unirão
para formar o gás oxigênio (O2).

5. No corpo humano, a água exerce variadas atividades fundamentais que garantem o equilíbrio e o
funcionamento adequado do organismo como um todo. Considerando que um ser humano adulto tem
entre 40 e 60% de sua massa corpórea constituída por água, é correto afirmar que a maior parte dessa
água se encontra localizada:
a) na linfa.
b) nas secreções glandulares.
c) no meio intracelular.
d) no plasma sanguíneo.
e) nos pelos do corpo

6. Durante uma competição esportiva, observa-se uma intensa sudorese nos atletas, que tem como
principal função:
a) Aliviar a excreção renal.
b) Controlar a pressão arterial.
c) Eliminar os resíduos metabólicos.
d) Manter a temperatura corporal.
e) Aumentar o metabolismo celular

4
Biologia

7. A água é a substância mais abundante na constituição dos mamíferos. É encontrada nos


compartimentos extracelulares (líquido intersticial), intracelulares (no citoplasma) e transcelulares
(dentro de órgãos como a bexiga e o estômago).
Sobre a água e sua presença nos mamíferos é CORRETO afirmar que:
a) a quantidade em que é encontrada nos organismos é invariável de espécie para espécie.
b) com passar dos anos, existe uma tendência de aumentar seu percentual em um determinado
tecido.
c) não é importante na regulação térmica dos organismos.
d) em tecidos metabolicamente ativos é inexistente.
e) participa da constituição dos fluidos orgânicos que transportam substâncias dissolvidas por todo
o corpo.

8. A taxa de água em um organismo pode variar de acordo com alguns fatores. São eles:
a) Espécie, enzimas e proteínas.
b) Idade, espécie e proteínas.
c) Atividade, idade e espécie.
d) Atividade, enzimas e proteínas.
e) Idade, enzimas e proteínas.

9. A água é de importância vital para todos os seres vivos. Sob o ponto de vista biológico, entre as
propriedades físico-químicas, podemos citar três fundamentais que são:
a) baixo poder de dissolução, pequena tensão superficial e baixo calor específico.
b) grande poder de dissolução, pequena tensão superficial e baixo calor específico.
c) grande poder de dissolução, pequena tensão superficial e alto calor específico.
d) grande poder de dissolução, grande tensão superficial e alto calor específico.
e) grande poder de dissolução, pequena tensão superficial e alto calor específico.

10. “A taxa de água varia em função de três fatores básicos: atividade do tecido ou órgão (a quantidade
de água é diretamente proporcional à atividade metabólica do órgão ou tecido em questão), idade (a
taxa de água decresce com a idade) e a espécie em questão (o homem, 65%; fungos, 83%; celenterados,
96%; etc.).”
Baseado nesses dados, o item que representa um conjunto de maior taxa hídrica é:
a) coração, ancião, cogumelo.
b) estômago, criança, abacateiro.
c) músculo da perna, recém-nascido, medusa.
d) ossos, adulto, “orelha-de-pau”.
e) pele, jovem adolescente, coral.

5
Biologia

Gabarito

1. B
A tensão superficial promovida pelas moléculas de água, fazem com que elas fiquem muito unidas
formando uma tensão que permite alguns insetos a se locomoverem sobre a sua superfície.

2. E
Perdemos muita água pela urina, já que todos nossos excretas estão diluídos em água. Depois, a perda
de água pelo suor ocorre para ajudar a controlar a temperatura corporal. Durante a respiração, temos a
perda de água em menor quantidade e por fim, nas fezes teremos a menor perda de água.

3. E
A temperatura da água não varia com facilidade, o que permite uma alta capacidade térmica por seu alto
calor específico, além de ser considerada um solvente universal.

4. E
Durante a fotossíntese, ocorre a fotólise da água (quebra da molécula de água pela energia luminosa),
liberando H+ que seguem para os outros ciclos da fotossíntese e oxigênio que será liberado para a
atmosfera.

5. C
No meio intracelular é onde terá maior concentração de água, pois é onde ocorre o metabolismo da
célula.

6. D
O suor colabora para o resfriamento do corpo, ao retirar o calor do corpo e evaporar.

7. E
A água está presente em diversos fluidos do nosso organismo, estando presente em grande quantidade
no sangue, por exemplo, auxiliando no transporte de nutrientes e hormônios.

8. C
A taxa metabólica, a idade e a espécie são os principais fatores que interferem na quantidade de água
em cada organismo.

9. D
A água é considerada solvente universal, possui uma forte tensão na camada superficial e um alto calor
específico, ou seja, não varia de temperatura com facilidade

10. C
O músculo tem uma alta atividade metabólica, recém-nascidos já jovens, e possuem um maior acúmulo
de água no organismo, e as medusas são Cnidários (Celenterados), grupo de animais com mais de 90%
do corpo composto por água.

6
Biologia

Dinâmica e distribuição das populações

Resumo

População é o conjunto de indivíduos de uma mesma espécie que convivem e ocupam uma mesma área, no
mesmo período de tempo. As diferentes populações podem variar de tamanho, crescendo ou diminuindo.
Algumas populações conseguem se estabilizar, enquanto outras declinam podendo chegar a extinção, e a
presença dessas variações na população é chamada de dinâmica de populações.
Para entender sobre dinâmica de populações, é importante diferenciar dois conceitos:

• Tamanho populacional, que equivale ao número de indivíduos de uma população;


• Densidade populacional, é a relação do tamanho populacional com a área ocupada pela população. A
densidade pode variar de acordo com as alterações do meio, e é determinada pela seguinte fórmula:

Nesta fórmula, temos: D = densidade populacional; N = número de indivíduos da população (tamanho populacional); S = unidade de
área ou de volume, sendo o espaço ocupado pela população.

Os principais fatores que modificam o número de indivíduos em uma população são:


• Imigração: novos indivíduos chegam na população
• Emigração: os indivíduos saem da população
• Natalidade: indivíduos que nascem em uma população
• Mortalidade: número de indivíduos que morre em uma população

A imigração (I) e a natalidade (N) aumentam a densidade populacional, enquanto a emigração (E) e a
mortalidade (M) a diminuem.
Para saber qual a taxa de crescimento (TC) de uma população, utiliza-se as taxas de natalidade+imigração
e subtrai-se as taxas de mortalidade+emigração, como na seguinte fórmula: TC = (N+I)-(M+E). A relação
entre essas taxas podem indicar como a população está se comportando.

Relação entre os fatores que alteram o tamanho populacional e o que ocorre com a população em cada caso.

Uma população que não tem nenhum fator ambiental impedindo seu crescimento terá um aumento do
número de indivíduos de forma exponencial (chamada de curva J). Esta curva representa o potencial biótico.
O potencial biótico é a capacidade de uma população para crescer em condições favoráveis, ou seja, é a
capacidade dos seres vivos se multiplicarem através da reprodução.
Porém na natureza as populações sofrem com fatores que atrapalham seu crescimento, sendo este o
crescimento real, graficamente representado por uma curva que se estabiliza (chamada de curva S). A
estabilização da curva se dá por conta da resistência do meio. A resistência do meio é o conjunto de fatores

1
Biologia

ambientais que limitam o crescimento populacional, impedindo um crescimento exponencial da população,


e podem gerar como consequências a competição, o parasitismo e o predatismo.

Gráfico representativo das curvas de crescimento populacional.

A competição por recursos do ambiente pode alterar drasticamente as populações, quando diferentes
indivíduos interagem: no princípio de Gause, ou princípio da exclusão competitiva, duas espécies
compartilham nichos ecológicos semelhantes, e por causa dos recursos limitados competem entre si,
podendo causar a extinção da espécie menos apta à sobrevivência.

2
Biologia

Exercícios

1. O aumento das infestações por cupins em casas e prédios pode ser resultante da ação do homem
sobre o ambiente e das características biológicas desses animais.
A combinação de fatores que melhor explica esse aumento de infestações nas cidades é:
a) facilidade de reprodução e organização dos indivíduos em diferentes castas.
b) eliminação de predadores e maior número de machos reprodutores na colônia.
c) disponibilidade de alimento e facilidade para instalação de novas colônias.
d) presença de numerosos indivíduos operários e maior proteção do ninho.

2. A partir da contagem de indivíduos de uma população experimental de protozoários, durante


determinado tempo, obtiveram-se os pontos e a curva média registrados no gráfico abaixo. Tal gráfico
permite avaliar a capacidade limite do ambiente, ou seja, sua carga biótica máxima. De acordo com o
gráfico:

a) a capacidade limite do ambiente cresceu até o dia 6.


b) a capacidade limite do ambiente foi alcançada somente após o dia 20.
c) a taxa de mortalidade superou a de natalidade até o ponto em que a capacidade limite do
ambiente foi alcançada.
d) a capacidade limite do ambiente aumentou com o aumento da população.
e) o tamanho da população ficou próximo da capacidade limite do ambiente entre os dias 8 e 20.

3
Biologia

3. As figuras abaixo mostram o crescimento populacional, ao longo do tempo, de duas espécies de


Paramecium cultivadas isoladamente e em conjunto. Os resultados desse experimento embasaram o
que é conhecido como Princípio de Gause.

Considere o tipo de relação ecológica entre essas duas espécies e indique a afirmação correta.
a) A espécie P. aurelia é predadora de P. caudatum.
b) P. aurelia exclui P. caudatum por competição intraespecífica.
c) P. aurelia e P. caudatum utilizam recursos diferentes.
d) P. aurelia exclui P. caudatum por parasitismo.
e) P. aurelia exclui P. caudatum por competição interespecífica.

4. Observe o gráfico abaixo, que representa o crescimento populacional de uma espécie animal, em que
x corresponde ao tamanho populacional e t, ao tempo.

Em relação a essa população, é correto afirmar que


a) ela vive em um ambiente com recursos ilimitados.
b) a sua estabilidade ocorre, quando não há mais predadores.
c) a sua estabilidade ocorre, quando atinge o limite máximo de indivíduos.
d) a resistência do meio não influencia sua densidade.
e) o seu índice de mortalidade é zero.

4
Biologia

5. Traíras são predadoras naturais dos lambaris. Acompanhou-se, em uma pequena lagoa, a evolução
da densidade populacional dessas duas espécies de peixes. Tais populações, inicialmente em
equilíbrio, sofreram notáveis alterações após o início da pesca predatória da traíra, na mesma lagoa.
Esse fato pode ser observado no gráfico abaixo, em que a curva 1 representa a variação da densidade
populacional da traíra.

A curva que representa a variação da densidade populacional de lambaris é a de número:


a) 2
b) 3
c) 4
d) 5

6. Um biólogo foi convidado para realizar um estudo do possível crescimento de populações de roedores
em cinco diferentes regiões impactadas pelo desmatamento para ocupação humana, o que poderia
estar prejudicando a produção e armazenagem local de grãos. Para cada uma das cinco populações
analisadas (I a V), identificou as taxas de natalidade (n), mortalidade (m), emigração (e) e imigração
(i), em número de indivíduos, conforme ilustrado no quadro.

Em longo prazo, se essas taxas permanecerem constantes, qual dessas regiões deverá apresentar
maiores prejuízos na produção/armazenagem de grãos?
a) I
b) II
c) III
d) IV
e) V

5
Biologia

7. Em um experimento, populações de tamanho conhecido de duas espécies de insetos (A e B) foram


colocadas cada uma em um recipiente diferente (recipientes 1 e 2). Em um terceiro recipiente
(recipiente 3), ambas as espécies foram colocadas juntas.

Durante certo tempo, foram feitas contagens do número de indivíduos em cada recipiente e os
resultados representados nos gráficos.

A partir desses resultados, pode-se concluir que


a) a espécie A se beneficia da interação com a espécie B.
b) o crescimento populacional da espécie A independe da presença de B.
c) a espécie B depende da espécie A para manter constante o número de indivíduos.
d) a espécie B tem melhor desempenho quando em competição com a espécie A.
e) o número de indivíduos de ambas se mantém constante ao longo do tempo quando as duas
populações se desenvolvem separadamente.

6
Biologia

8. Os gráficos abaixo foram construídos com base em dados obtidos por diferentes pesquisadores, em
estudos sobre crescimento populacional, considerando diferentes espécies de animais, inclusive o
homem. Nos dois casos mostrados nos gráficos, para efeito de simplificação, faz-se referência ao
tempo, apenas sob o ponto de vista numérico. Com base nesses gráficos, pode-se afirmar que:

a) Na natureza, a fase de equilíbrio do crescimento populacional, indicada em D, na figura (1), ocorre


em função da resistência ambiental.
b) O crescimento real de uma população não controlada depende de seu potencial biótico, como
indicado em B, na figura (1).
c) A população indicada no gráfico (2) sofreu uma maior ação da resistência ambiental no tempo de
0 a 80 do que no tempo de 100 a 120.
d) Apenas os microrganismos que vivem livres na natureza têm padrão de crescimento populacional
como ilustrado no gráfico (2).
e) A densidade de uma população mantida em laboratório, em condições ideais, deve obedecer à
curva descrita no gráfico (1).

9. Em relação às densidades populacionais dos ecossistemas, é correto afirmar que


a) as populações aumentam independentemente das condições ambientais.
b) os limites ambientais provocam aumento das taxas de mortalidade e diminuição das taxas de
natalidade.
c) os gráficos que expressam o tamanho de populações em relação ao tempo formam curvas
ascendentes contínuas.
d) as espécies de vidas curtas têm baixas taxas reprodutivas.
e) essas densidades são sempre maiores do que teoricamente possível.

7
Biologia

10. Em uma comunidade, o predador pode ser regulador quando:


a) contribui para diminuir a densidade da população de presas;
b) determina a extinção das presas;
c) contribui para a manutenção da densidade populacional das presas;
d) mantém e contribui para elevar a taxa de densidade populacional;
e) influi na progressiva extinção das presas.

8
Biologia

Gabarito

1. C
A disponibilidade de alimento juntamente com a capacidade de sobrevivência em ambientes urbanos
permite que a população destes animais crescerem.

2. E
Entre os dias 8 e 20 a população permaneceu de forma estável, ou seja, a população chegou na
capacidade limite do ambiente.

3. E
O terceiro gráfico mostra que quando cultivadas juntas, a P. aurelia exclui P. caudatum por competição
interespecífica, onde P. aurelia possui elevada densidade, enquanto P. caudatum tem sua densidade
bastante reduzida.

4. A
A população se torna estável ao atingir a capacidade suporte do ambiente, ou seja, o número máximo
de indivíduos da população que conseguem sobreviver em determinado ambiente com os recursos
oferecidos.

5. D
Como a população de traíras foi reduzida, a predação exercida sobre a população de lambaris também
foi e isso permitiu um crescimento populacional de lambaris na região.

6. D
Ao comparar a taxa de crescimento das diferentes populações, vemos que a população IV é a com a
maior taxa de crescimento, indicando um aumento mais expressivo na população de ratos, que trará
prejuízos para as plantações.
TC = (N+I) - (M+E)
i. (65+5) - (40+23) = 7
ii. (27+2) - (8+18) = 3
iii. (54+16) - (28+15) = 27
iv. (52+40) - (25+12) = 55
v. (12+4) - (9+6) = 1

7. D
A competição entre espécies acaba limitando o crescimento principalmente da espécie menos
adaptada, podendo levá-la a diminuição do crescimento populacional.

8. A
A resistência ambiental irá “frear” o crescimento populacional quando atingir a capacidade de suporte
do ambiente. Assim, a população tenderá a se tornar constante, não tendo um crescimento e nem
diminuição da população grandes.

9
Biologia

9. B
Os limites ambientais, também conhecidos como fatores de resistência do meio, podem acabar
causando a morte de mais organismos (ex. por predação ou mesmo falta de alimento), também
interferindo na taxa de natalidade.

10. C
O predador ao se alimentar de suas presas ele controla a densidade populacional da presa evitando
assim o aumento populacional.

10
Filosofia

Sofistas e Sócrates

Resumo

Ignorância e autoconhecimento

O filósofo ateniense Sócrates (469 – 399 a.C) foi um pensador do período clássico da filosofia grega antiga
e é considerado o pai da filosofia. Podemos afirmar que Sócrates é um marco importante na filosofia pela
postura que o pensador admitia na busca do conhecimento. Partindo da frase “Conhece-te a ti mesmo” uma
das máximas délficas inscritas no templo de Apolo, Sócrates revolucionou o pensamento, que até então era
voltado ao mundo ao redor do homem, para seu interior, inaugurando a filosofia antropológica. Essa máxima
guiou o filósofo na sua relação com o conhecimento, que nunca se afirmava como sábio, mas amante do
saber.
Sócrates se considerava um ignorante. Afirmava que acreditar saber aquilo que não sabe era a ignorância
mais reprovável. Por ser um amante da sabedoria, tinha uma postura humilde frente ao conhecimento e
acreditava que reconhecer sua própria ignorância era o primeiro passo na busca da verdade. O oráculo de
Delfos chegou a afirmar que Sócrates era o homem mais sábio que existia. Mas esse, ao saber disso, e, em
autoexame, afirmou: “Se sei de uma coisa, é de que nada sei”. A partir dessa afirmação podemos perceber o
quanto Sócrates valorizava o autoconhecimento. Para ele, uma vida não refletida não vale a pena ser vivida.
Por isso, o pensador criou um método de (auto)investigação que baseou sua ação em Atenas e acabou por
despertar a ira da elite local.

O método socrático

Sócrates acreditava na superioridade da língua oral sobre a língua escrita. Considerava que o conhecimento
deveria ser construído sempre através do diálogo e, por isso, não deixou nenhum texto
escrito. Diferentemente dos sofistas, Sócrates era um pensador dogmático, ou seja, acreditava que era
possível encontrar o conhecimento verdadeiro através da diferenciação entre a mera opinião (doxa) e a
verdade (episteme).
A genialidade do seu pensamento pode ser compreendida, em linhas gerais, se atentarmos para o método
socrático, que é composto de dois momentos principais: A ironia e a maiêutica. A ironia pode ser entendida
como o momento destrutivo do diálogo, onde Sócrates procurava mostrar ao seu interlocutor que aquilo que
ele considerava ser uma verdade tratava-se apenas de uma opinião. É o momento chave da assunção da
ignorância. Já no segundo momento do diálogo – a maiêutica – Sócrates fazia o que chamava de parto das
ideias (inspirado pelo ofício de sua mãe), levando seu interlocutor a buscar a verdade por si mesmo através
do diálogo.

Sofistas: os mestres da retórica

No período clássico (séc. V e IV a.C), o centro cultural deslocou-se das colônias gregas para a cidade de
Atenas. Nesse período, Atenas vivia uma intensa produção artística, filosófica, literária, além do
desenvolvimento da política. No campo da filosofia, embora ainda se discutisse temas cosmológicos, o
avanço em direção à política, moral e antropologia já era visível. Nesse contexto, surgem os sofistas,
filósofos que ficaram conhecidos como os mestres da retórica.

1
Filosofia

Os sofistas eram professores itinerantes, ou seja, não ensinavam em um único lugar. Uma das suas
características era cobrar pelos seus ensinamentos, recebendo assim duras críticas dos seguidores de
Sócrates, que os acusavam de mercenários do saber. Outra crítica que comumente era feita aos sofistas
dizia respeito à crença de que eles não se importavam com a verdade, mas apenas com a persuasão,
reduzindo seus argumentos a meras opiniões. É importante salientar, no entanto, que os sofistas, em sua
maioria, pertenciam à classe média e, por isso, necessitavam cobrar pelas suas aulas.
Durante séculos perdurou uma visão pejorativa dos sofistas, mas a partir do século XIX uma nova
historiografia surgiu reabilitando-os e realçando suas principais contribuições. Dentre elas sua contribuição
para a sistematização do ensino, elaborada a partir de um currículo de estudos dividido entre gramática (da
qual são os iniciadores), retórica e dialética. Além disso, eles contribuíram decisivamente para o
estabelecimento do sistema político democrático na Grécia.

2
Filosofia

Exercícios

1. Em um importante trecho da sua obra Metafísica, Aristóteles se refere a Sócrates nos seguintes
termos: Sócrates ocupava-se de questões éticas e não da natureza em sua totalidade, mas buscava
o universal no âmbito daquelas questões, tendo sido o primeiro a fixar a atenção nas definições.
ARISTÓTELES. Metafísica. Tradução Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 2002. A6, 987b 1-3.

Com base na filosofia de Sócrates e no trecho citado, assinale a alternativa correta.

a) O método utilizado por Sócrates consistia em um exercício dialético, cujo objetivo era livrar o seu
interlocutor do erro e do preconceito − com o prévio reconhecimento da própria ignorância −, e
levá-lo a formular conceitos de validade universal (definições).
b) Sócrates era, na verdade, um filósofo da natureza. Para ele, a investigação filosófica é a busca
pela “Arché”, pelo princípio supremo do Cosmos. Por isso, o método socrático era idêntico aos
utilizados pelos filósofos que o antecederam (Pré-socráticos).
c) O método socrático era empregado simplesmente para ridicularizar os homens, colocando-os
diante da própria ignorância. Para Sócrates, conceitos universais são inatingíveis para o homem;
por isso, para ele, as definições são sempre relativas e subjetivas, algo que ele confirmou com a
máxima “o Homem é a medida de todas as coisas”.
d) Sócrates desejava melhorar os seus concidadãos por meio da investigação filosófica. Para ele,
isso implica não buscar “o que é”, mas aperfeiçoar “o que parece ser”. Por isso, diz o filósofo, o
fundamento da vida moral é, em última instância, o egoísmo, ou seja, o que é o bem para o
indivíduo num dado momento de sua existência.
e) Sócrates concluiu que o universal é apenas uma abstração humana, não existindo na realidade.
Por isso, ficou conhecido como o primeiro relativista, afirmando que a busca do conhecimento se
funda em definir o que é assumido como verdade em dado momento histórico.

2. Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo
real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no
errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas
regras não passavam de invenções humanas.
RACHELS. J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.

O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a


correlação entre justiça e ética é resultado de
a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.
e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.

3
Filosofia

3. A filosofia de Sócrates se estrutura em torno da sua crítica aos sofistas, que, segundo ele, não amavam
a sabedoria nem respeitavam a verdade. O ataque de Sócrates à sofística NÃO tem como pressuposto
a ideia de que:
a) o conhecimento verdadeiro só pode ser resultado de um diálogo contínuo do homem com os
outros e consigo mesmo.
b) o confronto de opiniões na política democrática afasta a possibilidade de se alcançar a sabedoria.
c) a ciência (episteme) é acessível a todos os homens, contanto que estejam dispostos a renunciar
ao mundo das sensações.
d) a verdade das coisas é obtida na vida cotidiana dos homens e, portanto, pode ser múltipla e
inacabada.
e) o autoconhecimento é a condição primária de todos os outros conhecimentos verdadeiros.

4. Leia o trecho abaixo, que se encontra na Apologia de Sócrates de Platão e traz algumas das
concepções filosóficas defendidas pelo seu mestre.

Com efeito, senhores, temer a morte é o mesmo que se supor sábio quem não o é, porque é supor que
sabe o que não sabe. Ninguém sabe o que é a morte, nem se, porventura, será para o homem o maior
dos bens; todos a temem, como se soubessem ser ela o maior dos males. A ignorância mais
condenável não é essa de supor saber o que não se sabe?
(Platão, A Apologia de Sócrates, 29 a-b, In. HADOT, P. O que é a Filosofia Antiga? São Paulo: Ed. Loyola, 1999, p. 61.)

Com base no trecho acima e na filosofia de Sócrates, assinale a alternativa INCORRETA.


a) Sócrates prefere a morte a ter que renunciar a sua missão, qual seja: buscar, por meio da filosofia,
a verdade, para além da mera aparência do saber.
b) Sócrates leva o seu interlocutor a examinar-se, fazendo-o tomar consciência das contradições
que traz consigo.
c) Para Sócrates, pior do que a morte é admitir aos outros que nada se sabe. Deve-se evitar a
ignorância a todo custo, ainda que defendendo uma opinião não devidamente examinada.
d) Para Sócrates, o verdadeiro sábio é aquele que, colocado diante da própria ignorância, admite que
nada sabe. Admitir o não-saber, quando não se sabe, define o sábio, segundo a concepção
socrática.

4
Filosofia

5. Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça;
leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: os temperamentais, como
Alcibíades, sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque
receiam essa influência poderosa, que os leva a se censurarem. É sobretudo a esses jovens, muitos
quase crianças, que ele tenta imprimir sua orientação.
BRÉHIER, E. História da filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na


a) contemplação da tradição mítica.
b) sustentação do método dialético.
c) relativização do saber verdadeiro.
d) valorização da argumentação retórica.
e) investigação dos fundamentos da natureza.

6. Na Grécia Antiga, o filósofo Sócrates ficou famoso por interpelar os transeuntes e fazer perguntas aos
que se achavam conhecedores de determinado assunto. Mas durante o diálogo, Sócrates colocava o
interlocutor em situação delicada, levando-o a reconhecer sua própria ignorância. Em virtude de sua
atuação, Sócrates acabou sendo condenado à morte sob a acusação de corromper a juventude,
desobedecer às leis da cidade e desrespeitar certos valores religiosos.
Considerando essas informações sobre a vida de Sócrates, assim como a forma pela qual seu
pensamento foi transmitido, pode-se afirmar que sua filosofia:
a) transmitia conhecimentos de natureza científica.
b) baseava-se em uma contemplação passiva da realidade.
c) transmitia conhecimentos exclusivamente sob a forma escrita entre a população ateniense.
d) ficou consagrada sob a forma de diálogos, posteriormente redigidos pelo filósofo Platão.
e) procurava transmitir às pessoas conhecimentos de natureza mitológica.

7. O sofista é um diálogo de Platão do qual participam Sócrates, um estrangeiro e outros personagens.


Logo no início do diálogo, Sócrates pergunta ao estrangeiro, a que método ele gostaria de recorrer
para definir o que é um sofista.
Sócrates: – Mas dize-nos [se] preferes desenvolver toda a tese que queres demonstrar, numa longa
exposição ou empregar o método interrogativo?
Estrangeiro: – Com um parceiro assim agradável e dócil, Sócrates, o método mais fácil é esse mesmo;
com um interlocutor. Do contrário, valeria mais a pena argumentar apenas para si mesmo.
(Platão. O sofista, 1970. Adaptado.)

É correto afirmar que o interlocutor de Sócrates escolheu, do ponto de vista metodológico, adotar
a) a maiêutica, que pressupõe a contraposição dos argumentos.
b) a dialética, que une numa síntese final as teses dos contendores.
c) o empirismo, que acredita ser possível chegar ao saber por meio dos sentidos.
d) o apriorismo, que funda a eficácia da razão humana na prova de existência de Deus.
e) o dualismo, que resulta no ceticismo sobre a possibilidade do saber humano.

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Filosofia

8. O Oráculo de Delfos teria declarado que Sócrates (470-399 a.C.) era o mais sábio dos homens. Essa
profecia marcou decisivamente a concepção socrática de Filosofia, pois sua verdade não era óbvia:
“Logo ele, sem qualquer especialização, ele que estava ciente de sua ignorância? Logo ele, numa
cidade [Atenas] repleta de artistas, oradores, políticos, artesãos? Sócrates parece ter meditado
bastante tempo, buscando o significado das palavras da pitonisa. Afinal concluiu que sua sabedoria
só poderia ser aquela de saber que nada sabia, essa consciência da ignorância sobre as coisas que
era sinal e começo da autoconsciência.”
(J. A. M. Pessanha)
Sobre a filosofia de Sócrates, é incorreto afirmar que:

a) a sabedoria de Sócrates está em saber que nada sabe, enquanto os homens em geral estão
impregnados de preconceitos e noções incorretas, e não se dão conta disso.
b) a filosofia de Sócrates consiste em buscar a verdade, aceitando as opiniões contraditórias dos
homens; quanto mais importante era a posição social de um homem, mais verdadeira era sua
opinião.
c) o reconhecimento da própria ignorância é o primeiro passo para a sabedoria, pois, assim,
podemos nos livrar dos preconceitos e abrir caminho para a verdade.
d) após muito questionar os valores e as certezas vigentes, Sócrates foi acusado de não respeitar
os deuses oficiais (impiedade) e corromper a juventude; foi julgado e condenado à morte por
ingestão de cicuta.
e) o caminho socrático para a sabedoria deve ser trilhado pelo próprio indivíduo, que deve por ele
mesmo reconhecer seus preconceitos e opiniões, rejeitá-los e, através da razão, atingir a verdade
imutável.

9. ‘Via de regra, os sofistas eram homens que tinham feito longas viagens e, por isso mesmo, tinham
conhecido diferentes sistemas de governo. Usos, costumes e leis das cidades-estados podiam variar
enormemente. Sob esse pano de fundo, os sofistas iniciaram em Atenas uma discussão sobre o que
seria natural e o que seria criado pela sociedade.’’
(GAARDER, J. O Mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1995).

Sobre os sofistas, é incorreto afirmar que:


a) eles tiveram papel fundamental nas transformações culturais de Atenas
b) eles se dedicaram à questão do homem e de seu lugar na sociedade
c) eles eram mercenários e só visavam ao lucro na arte de ensinar
d) eles foram os primeiros a compreender que o “homem é medida de todas as coisas"
e) eram pensadores itinerantes, ou seja, viajavam de cidade em cidade em busca de novos
estudantes

6
Filosofia

10. “Os sofistas eram professores viajantes que, por determinado preço, vendiam ensinamentos práticos
de filosofia. Levando em consideração os interesses dos alunos, davam aulas de eloquência e
sagacidade mental. Ensinavam conhecimentos úteis para o sucesso dos negócios públicos e
privados.”

“O momento histórico vivido pela civilização grega favoreceu o desenvolvimento desse tipo de
atividade praticada pelos sofistas. Era uma época de lutas políticas e intenso conflito de opiniões nas
assembleias democráticas. Por isso, os cidadãos mais ambiciosos sentiam a necessidade de
aprender a arte de argumentar em público para conseguir persuadir em assembleias e, muitas vezes
fazer prevalecer seus interesses individuais e de classe.”

“As lições sofísticas tinham como objetivo, portanto, o desenvolvimento do poder da argumentação,
da habilidade retórica, do conhecimento de doutrinas divergentes. Eles transmitiam, enfim, todo um
jogo de palavras, raciocínios e concepções que seria utilizado na arte de convencer as pessoas,
driblando as teses dos adversários”.
(Gilberto Cotrim – Fundamentos de Filosofia)

Sócrates rebelou-se contra os sofistas e desenvolveu uma teoria contrária à deles, fazendo-lhes
pesadas críticas e acusações. Sobre os sofistas, seria incorreto afirmar o seguinte:
a) Ensinavam a técnicas de persuasão aos jovens, que aprendiam a defender uma posição e depois
a posição contrária, a fim de que tivessem bons argumentos a favor ou contra qualquer opinião
na assembleia.
b) Ensinavam a arte da persuasão, cuja única finalidade era fazer os jovens mentirem.
c) Foram incumbidos de organizar o projeto de educação da democracia ateniense.
d) Apresentavam-se como mestres da oratória, capazes de ensinar a arte da persuasão a quem
quisesse aprendê-la.
e) Foram mestres na arte de bem falar.

7
Filosofia

Gabarito

1. A
A afirmativa B está errada. Uma das divisões dos períodos da filosofia antiga em pré-socrático e
socrático se dá justamente devido a uma ruptura de entendimento e não por questões temporais.
Sócrates abandona o pensamento sofista. Desta forma, não há como dizer que o método socrático era
idêntico ao dos filósofos que o antecederam. A afirmativa C está errada, o objetivo de Sócrates não era
ridicularizar os homens, mas sim fornecer-lhes meios de conhecer realmente, sendo o conhecimento
uma virtude primeira. Por sua vez, a frase "o Homem é a medida de todas as coisas" é de Protágoras. A
afirmativa D está errada, Sócrates buscava o conhecimento real e não em sua aparência. E o egoísmo,
como conceito, só é criado no século XVIII (ainda que já se conhecessem suas características), não
podendo ser atribuído ao filósofo da antiguidade.

2. D
Para o pensamento platônico, as noções de justiça e ética estão voltadas para o ensinamento
transmitido através da vida em comunidade, já que cada indivíduo é responsável por suas ações para si
e para os demais e Trasímaco também compreende que essas noções estão ligadas ao processo social.
No entanto, Platão tem uma posição dogmática em relação a esses conceitos, acreditando que justiça e
bem são coisas reais e que cabe ao filósofo as comtemplar no mundo inteligível. Trasímaco, ao contrário,
entende que preceitos de comportamento em comunidade são imposições e, por isso, relativas.

3. D
Sócrates acreditava que os sofistas não eram verdadeiros filósofos, pois os filósofos são os amantes da
sabedoria. Sua crença se dá pelo fato de os sofistas cobrarem para ensinar, o que denotava que esses
pensadores não estavam interessados na sabedoria em si. Também os criticava por serem relativistas,
suas afirmações eram frágeis e voláteis, importando mais a retórica que o que é dito em si. Sócrates era
dogmático, ou seja, acreditava na existência de uma verdade permanente e imutável. Sendo assim, sua
crítica não poderia se basear num conceito de verdade que comtemple provisoriedade e multiplicidade.

4. C
O lema da filosofia socrática é: conheça-te a ti mesmo; e como o próprio Sócrates diz na sua Apologia:
“a vida sem inspeção não vale a pena ser vivida pelo homem”. Seguindo esse lema e essas palavras,
podemos dizer que o pensamento de Sócrates se desenvolve como uma investigação metódica cuja
única finalidade é esclarecer através deste exame minucioso a ignorância daquele que diz saber sem,
todavia, saber realmente. O segredo dessa investigação metódica (a dialética) de Sócrates está no
conceito de ironia que garante para cada interlocutor um discurso particular a respeito das suas
suposições sobre seu próprio conhecimento. Por esse discurso, o filósofo esclarece seu interlocutor
sobre sua ignorância e o faz assumir, ou pelo menos considerar a possibilidade de uma postura distinta
da inicial, mais elevada, mais sábia e, portanto, capaz de se reconhecer a si mesmo.

5. B
A dialética socrática era dividida em ironia e maiêutica, na qual há um debate entre posicionamentos
distintos que são defendidos e contraditos posteriormente. O objetivo era gerar o “parto” das ideias,
chegar a novos conhecimentos.

8
Filosofia

6. D
A filosofia de Sócrates é baseada na dialética, onde, através do método socrático, interpelava as pessoas
e iniciava um diálogo com a intenção de atacar a mera opinião e fazer nascer novas ideias
comprometidas com a verdade. Sócrates afirmava que as pessoas devem gerar o conhecimento por si,
sendo apenas o “parteiro” dessas ideias. Por seu conhecimento em livros textos seria contrariar sua
perspectiva e seu método. Por isso, principalmente através de Platão, os registros sobre a filosofia
socrática aparecem em formato de diálogos.

7. A
Platão, influenciado fortemente por Sócrates, apresenta em seus diálogos a metodologia de seu mestre
para empreender a busca da verdade. O método socrático constrói-se a partir de perguntas e respostas
(dialética) que levam o interlocutor, que não possua conhecimento e coerência sobre o que está falando,
a contradizer-se e acabar por revelar sua ignorância. A partir deste momento inicia-se outra construção
que conduz o interlocutor a descobrir a verdade de forma gradativa e coerente. Este método que busca
a construção da verdade por meio da contraposição de argumentos é conhecido como maiêutica.

8. A
A verdade em nada se relaciona com a importância de determinados homens. Para os homens se
tornarem sábios, devem trilhar o caminho da filosofia, perceber a contradição de suas ideias e passar a
buscar a verdade.

9. C
Os sofistas foram muito malvistos devido aos escritos de Platão. Entretanto, ainda que lucrassem com
sua atividade de ensino, esses filósofos desenvolveram importantes teorias. Hoje sua importância é
reconhecida principalmente em relação ao relativismo cultural e às contribuições ao espírito
democrático.

10. B
Apesar das críticas tecidas aos sofistas, seu objetivo estava longe da propagação da mentira. Como
podemos apreender do enunciado, os sofistas buscavam desenvolver nos seus alunos a capacidade
retórica e a eloquência, essenciais para a vida no ambiente político ateniense, democrático e aberto ao
discurso. Além disso, não se trata de mentira ou verdade, mas de uma percepção diferente do
conhecimento. Os sofistas não percebiam o conhecimento tal qual Sócrates e seus discípulos, que eram
dogmáticos. Os sofistas eram relativistas e acreditavam na multiplicidade e provisoriedade da verdade.

9
Física

Exercícios sobre Movimento retilíneo e uniforme (M.U.)

Exercícios

1. Um móvel em M.R.U gasta 10h para percorrer 1100 km com velocidade constante. Qual a distância
percorrida após 3 horas da partida?
a) S = 270 km.
b) S = 300 km.
c) S = 310 km.
d) S = 330 km.

2. Um móvel em M.R.U gasta 7200s para percorrer 180 km com velocidade constante. Qual a distância
percorrida após 3 horas da partida?
a) S = 270 km.
b) S = 300 km.
c) S = 310 km.
d) S = 330 km.

3. A função horária do espaço de um carro em movimento retilíneo uniforme é dada pela seguinte
expressão: x = 100 + 8.t. Determine em que instante esse móvel passará pela posição 260m.
a) t = 30s
b) t = 25s
c) t = 20s
d) t = 10s

4. Um móvel com velocidade constante percorre uma trajetória retilínea à qual se fixou um eixo de
coordenadas. Sabe-se que no instante 𝑡0 = 0, a posição do móvel é 𝑥0 = 500m e, no instante t = 20s, a
posição é x = 200m. Qual a velocidade do móvel?
a) 𝑣 = −15𝑚/𝑠
b) 𝑣 = 15𝑚/𝑠
c) 𝑣 = −20𝑚/𝑠
d) 𝑣 = 20𝑚/𝑠

1
Física

5. Um móvel com velocidade constante igual a 20 m/s parte da posição 5 m de uma reta numerada e
anda de acordo com o sentido positivo da reta. Qual a posição do móvel após 15 s de movimento?
a) 105 m
b) 205 m
c) 305 m
d) 405 m

6. Um móvel com velocidade constante igual a 36 km/h parte da posição 10 m de uma reta numerada e
anda de acordo com o sentido positivo da reta. Qual a posição do móvel após 20 s de movimento?
a) 105 m
b) 180 𝑚
c) 200 𝑚
d) 210 𝑚

7. Um homem sai da posição 15 m de uma pista de caminhada e anda até a posição 875 m mantendo
uma velocidade constante de 2 m/s. Sabendo disso, o tempo gasto para completar a caminhada é de
a) 430 s
b) 320 s
c) 450 s
d) 630 s

8. Um homem sai da posição 20 m de uma pista de caminhada e anda até a posição 1100 m mantendo
uma velocidade constante de 10,8 km/h. Sabendo disso, o tempo gasto em minutos para completar a
caminhada é de.
a) 5,0 𝑚𝑖𝑛
b) 5,2 𝑚𝑖𝑛
c) 5,5 𝑚𝑖𝑛
d) 5,8 𝑚𝑖𝑛

2
Física

9. O gráfico a seguir relaciona a posição de um móvel, em metros, com o tempo, em segundos. Assinale
a alternativa que indica corretamente a sua velocidade média.

a) 3 m/s
b) 2 m/s
c) 4 m/s
d) 30 m/s

10. Analise o gráfico a seguir e assinale a alternativa que indica corretamente o tipo de movimento
representado.

a) movimento positivo.
b) movimento uniforme e progressivo.
c) movimento uniforme e retrógrado.
d) movimento uniformemente retardado.

3
Física

Gabarito

1. D
𝑉 = 𝑆/𝑡
𝑉 = 1100/10
𝑉 = 110𝑘𝑚/ℎ

110 = 𝑆/3
𝑆 = 330 𝑘𝑚.

2. A
7200𝑠 = 2ℎ

𝑉 = 𝑆/𝑡
𝑉 = 180/2
𝑉 = 90𝑘𝑚/ℎ

90 = 𝑆/3
𝑆 = 270 𝑘𝑚.

3. C
𝑥 = 100 + 8. 𝑡
260 = 100 + 8. 𝑡
8. 𝑡 = 160
𝑡 = 160/8
𝑡 = 20𝑠

4. A
𝑣 = 𝛥𝑠/𝛥𝑡
𝑣 = (200 − 500)/(20 − 0)
𝑣 = −300/20
𝑣 = −15𝑚/𝑠 (𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑛𝑒𝑔𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎 𝑖𝑚𝑝𝑙𝑖𝑐𝑎 𝑒𝑚 𝑚𝑜𝑣𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑟𝑒𝑡𝑟ó𝑔𝑟𝑎𝑑𝑜)

5. C
A partir dos dados fornecidos, temos:
𝑣 = 20 𝑚/𝑠
𝑆0 = 5𝑚
𝑡 = 15
A partir da função horária da posição para o movimento uniforme, temos:
𝑆 = 𝑆0 + 𝑣. 𝑡
𝑆 = 5 + 20.15
𝑆 = 5 + 300
𝑆 = 305 𝑚

6. D
A partir dos dados fornecidos, temos:
𝑣 = 36 km/h = 10m/s
𝑆0 = 10𝑚

4
Física

𝑡 = 20
A partir da função horária da posição para o movimento uniforme, temos:
𝑆 = 𝑆0 + 𝑣. 𝑡
𝑆 = 10 + 10.20
𝑆 = 10 + 200
𝑆 = 210 𝑚

7. A
Do enunciado da questão, temos:
𝑆0 = 15 𝑚
𝑆 = 875 𝑚
𝑣 = 2 𝑚/𝑠
A partir da função horária da posição para o movimento uniforme, podemos escrever que:
𝑆 = 𝑆0 + 𝑣. 𝑡
875 = 15 + 2. 𝑡
875 – 15 = 2. 𝑡
2. 𝑡 = 860
𝑡 = 430 𝑠

8. C
Do enunciado da questão, temos:
𝑆0 = 15 𝑚
𝑆 = 875 𝑚
𝑣 = 10,8𝑘𝑚/ℎ = 3 𝑚/𝑠

A partir da função horária da posição para o movimento uniforme, podemos escrever que:
𝑆 = 𝑆0 + 𝑣. 𝑡
1100 = 20 + 3. 𝑡
990 = 3. 𝑡
𝑡 = 330 𝑠
330
𝑡= = 5,5 𝑚𝑖𝑛
60

9. A
Para calcularmos a velocidade média de um móvel, utilizamos a equação:
Δs
𝑣𝑚 =
Δt
Em ΔS = 𝑆𝑓 – 𝑆0 , 𝑆𝑓 é a posição final, e 𝑆0 , a posição inicial do movimento. Analisando o gráfico, é fácil
perceber que a posição inicial (𝑆0 ), ou seja, a posição no instante t = 0 s é igual a 2 m. A posição final
(𝑆𝑓 ) pode ser qualquer uma escolhida, uma vez que, como o gráfico é uma reta, a velocidade é constante.
Vamos escolher a posição correspondente ao instante de tempo t = 2 s, 𝑆𝑓 = 8 m.
8−2 6
𝑣𝑚 = = = 3 𝑚/𝑠
2−0 2
Para calcular a velocidade média, basta calcular a razão entre ΔS e Δt.

5
Física

10. B
A reta da velocidade mantém-se paralela em relação ao tempo, indicando que seu valor é constante,
portanto, o movimento é uniforme. Como a reta encontra-se acima do eixo das abscissas (x), o
movimento é progressivo.

6
Física

Movimento retilíneo e uniforme (M.U.) – Equação horária da posição

Resumo

Imagina que você está em casa e pede um taxi para ir até a casa de um amigo. Durante todo trajeto, o taxista
permanece a uma velocidade de 20 km/h. Eu sei que você estaria bem nervoso dentro desse carro, mas
vamos tentar entender o movimento que o taxista fez.

Figura 01 – Taxi em M.U

Se um carro percorre distâncias iguais em intervalos de tempo iguais, o seu movimento é chamado de
movimento uniforme (M.U.) Sendo um movimento uniforme, então podemos dizer que ele apresenta uma
velocidade média constante (valor fixo) e esse valor pode ser calculado como:
∆𝑆
𝑉𝑚 =
∆𝑡
Sendo:
• 𝑉𝑚 = velocidade escalar média
• ∆𝑆 = deslocamento (variação de posição)
• ∆𝑡 = intervalor de tempo (variação de tempo)

Note que, na fórmula, temos um ∆. Esse termo chamasse delta e a função dele é calcular a variação da
grandeza que ele está atrelado. Logo:
∆S = posição final − posição inicial = S − S0
∆t = tempo final − tempo inicial = t − t 0

Classificação do movimento uniforme


O movimento uniforme (M.U) é classificado de acordo com o sentido da velocidade em relação a trajetória.
Classificamos o movimento como:
• Progressivo: Quando a velocidade tem o seu vetor na mesma direção e sentido da trajetória.
• Retrogrado: Quando a velocidade tem o seu vetor na mesma direção, mas sentido oposto a trajetória.

Figura 02 – Classificação do M.U

1
Física

Função horária da posição


Além dessa fórmula de velocidade escalar média, podemos descrever esse movimento através de uma
função. A função que relaciona a posição 𝑆 com o tempo 𝑡 é denominada função horária da posição dada
por:
𝑆 = 𝑆0 + 𝑣𝑡

Principal conversões de unidades


Aqui no Brasil, é comum trabalharmos com velocidade em km/h por conta dos contadores de velocidade dos
automóveis. Mas esse não é o unidade padrão para Física. Lembre-se que, para o Sistema Internacional (SI)
utilizamos:
• [𝑉] = metro por segundo (m/s)
• [∆𝑡] = segundo (s)
• [∆𝑠] = metro (m)

Por conta disso, precisamos aprender a fazer determinadas conversões.


• 1 km = 1000 m
• 1 hora = 60 min = 3600 s
• 1 m/s = 3,6 km/h

Figura 03 – Conversão de km/h para m/s

2
Física

Exercícios

1. Uma partícula descreve um movimento uniforme. A função horária dos espaços, com unidades do
Sistema Internacional de Unidades é: 𝑠 = −2,0 + 5,0. 𝑡 . Nesse caso, podemos afirmar que a
velocidade escalar da partícula é:
a) -2 m/s e o movimento é retrógrado.
b) -2 m/s e o movimento é progressivo.
c) 5,0 m/s e o movimento é progressivo
d) 5,0 m/s e o movimento é retrógrado

2. Uma partícula descreve um movimento uniforme. A função horária dos espaços, com unidades do
Sistema Internacional de Unidades é: 𝑠 = 2,0 − 4,0. 𝑡 . Nesse caso, podemos afirmar que a
velocidade escalar da partícula é:
a) -2 m/s e o movimento é retrógrado.
b) -2 m/s e o movimento é progressivo.
c) 4,0 m/s e o movimento é progressivo
d) 4,0 m/s e o movimento é retrógrado

3. A posição de um móvel, em movimento uniforme, varia com o tempo conforme a tabela que segue.

s(m) 25 21 17 13 9 5
t(s) 0 1 2 3 4 5

A equação horária desse movimento é:


a) s = 4 – 25.t
b) s = 25 - 4.t
c) s = 25 + 4.t
d) s = -4 + 25.t

4. A posição de um móvel, em movimento uniforme, varia com o tempo conforme a tabela que segue.

s(m) 31 26 21 16 11 6
t(s) 0 1 2 3 4 5

A equação horária desse movimento é:


a) s = 31 – 5.t
b) s = 31 + 5.t
c) s = 5 + 31.t
d) s = -5 - 31.t

3
Física

5. Sabendo que o espaço do móvel varia com o tempo, e obedece a seguinte função horária do espaço:
𝑥 = −100 + 25𝑡. O instante quando o móvel passa na origem das posições é:
a) t = 2s
b) t = 4s
c) t = 8s
d) t = 10s

6. Determine o tempo necessário para que os móveis da figura a seguir se encontrem.:

a) 2h
b) 3h
c) 4h
d) 5h

7. A partir do gráfico abaixo, escreva a função horária da posição para o móvel que executa movimento
uniforme.

a) S = 50 + 5.t
b) S = 50 + 15.t
c) S = 50 – 5.t
d) S = 50 + 10.t

4
Física

8. O gráfico a seguir representa a função horária do espaço de um móvel em trajetória retilínea e em


movimento uniforme.

Com base nele, determine a velocidade e a função horária do espaço deste móvel são respectivamente:
a) v = 20m/s / x = 50 + 20.t
b) v = 10m/s / x = 50 + 20.t
c) v = 10m/s / x = 50 - 20.t
d) v = 20m/s / x = 50 + 10.t

9. O movimento uniforme de um móvel durante certo tempo está representado abaixo. Marque a
alternativa correta.

a) Faltam dados para calcular a velocidade do móvel.


b) A velocidade do móvel é constante e vale 1,42 m/s.
c) A aceleração é um determinado valor diferente de zero.
d) A velocidade do móvel é constante e vale 1 m/s.

5
Física

10. Os dois primeiros colocados de uma prova de 100 m rasos de um campeonato de atletismo foram,
respectivamente, os corredores A e B. O gráfico representa as velocidades escalares desses dois
corredores em função do tempo, desde o instante da largada (t = 0) até os instantes em que eles
cruzaram a linha de chegada.

Analisando as informações do gráfico, é correto afirmar que, no instante em que o corredor A cruzou
a linha de chegada, faltava ainda, para o corredor B completar a prova, uma distância, em metros, igual
a
a) 5
b) 25
c) 15
d) 20
e) 10

6
Física

Gabarito

1. C
A forma mais fácil de identificar a resposta certa é comparando a equação e os valores dados.
𝑥 = 𝑥0 + 𝑣 . 𝑡
𝑥 = −2,0 + 5,0. 𝑡

2. D
A forma mais fácil de identificar a resposta certa é comparando a equação e os valores dados.
𝑥 = 𝑥0 + 𝑣 . 𝑡
𝑥 = 2,0 − 5,0. 𝑡

3. B
1º - Vamos calcular a velocidade, não esquecendo que a velocidade média será igual a instantântea.
𝑉 = 𝛥𝑠 ÷ 𝛥𝑡
𝑉 = (5 − 25) ÷ (5 − 0)
𝑉 = −20 ÷ 5
𝑉 = −4 𝑚/𝑠

2º - Agora vamos substituir os valores na equação.


𝑆 = 25 − 4. 𝑡

4. A
1º - Vamos calcular a velocidade, não esquecendo que a velocidade média será igual a instantântea.
𝑉 = 𝛥𝑠 ÷ 𝛥𝑡
𝑉 = (6 − 31) ÷ (5 − 0)
𝑉 = −20 ÷ 5
𝑉 = −5 𝑚/𝑠

2º - Agora vamos substituir os valores na equação.


𝑆 = 31 − 5. 𝑡

5. B
𝑥 = −100 + 25 .8
𝑥 = −100 + 200
𝑥 = 100𝑚

Temos que calcular o tempo quando o espaço final for 0


𝑥 = −100 + 25. 𝑡
0 = −100 + 25. 𝑡
100 = 25𝑡
100 ÷ 25 = 𝑡
4 = 𝑡
𝐿𝑜𝑔𝑜, 𝑡 = 4𝑠

7
Física

6. D
Escrevendo a função horária da posição do movimento uniforme para os corpos A e B, temos:
𝑆𝐴 = 𝑆0 + 𝑣. 𝑡 → 𝑆𝐴 = 0 + 30. 𝑡 → 𝑆𝐴 = 30. 𝑡
𝑆𝐵 = 𝑆0 – 𝑣. 𝑡 → 𝑆𝐵 = 400 – 50. 𝑡
Sabendo que no momento do encontro SA = SB, temos:
𝑆𝐴 = 𝑆𝐵
30. 𝑡 = 400 – 50. 𝑡
50. 𝑡 + 30. 𝑡 = 400
80. 𝑡 = 400

𝑡 = 5ℎ

7. C
Analisando o gráfico, temos:
Posição inicial: S0 = 50 m;
Tempo até atingir a posição 0: t = 10 s;
Tipo de movimento: Reta decrescente indica movimento retrógrado, logo, a velocidade é negativa.
A partir da definição de velocidade média, podemos determinar a velocidade do móvel:
𝑣 = 𝛥𝑠/𝛥𝑡
(0 – 50)
𝑣 =
10
𝑣 = − 5𝑚/𝑠
De posse da velocidade, podemos determinar a função horária da posição para esse móvel.
𝑆 = 𝑆0 + 𝑣. 𝑡
𝑆 = 50 – 5. 𝑡

8. A
𝑣 = 𝛥𝑠/𝛥𝑡
𝑣 = (250 – 50)/(10 − 0)
𝑣 = 200/10
𝑣 = 20𝑚/𝑠 – 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒

𝑥 = 𝑥𝑜 + 𝑣. 𝑡
𝑥 = 50 + 20. 𝑡

9. D
Como o gráfico é uma reta, a função que o representa é a do tipo ax + b, em que o termo “a” é denominado
de coeficiente angular da reta e representa a velocidade na função horária da posição para o movimento
uniforme (s = s0 + v.t). Sabendo que o coeficiente angular é a tangente do ângulo formado pela reta,
podemos escrever que:
𝑡𝑔 45° = 𝑎
𝑎 = 1, 𝑒𝑛𝑡ã𝑜, 𝑣 = 1 𝑚/𝑠

8
Física

10. D
A partir do gráfico, podemos perceber que, após o corredor A ter parado, o corredor B correu a 10 m/s
entre os instantes 10 s e 12 s. Sendo assim, a distância percorrida por B após A ter parado é:
𝑣𝐵 = 𝛥𝑠 ÷ 𝛥𝑡
𝛥𝑠 = 𝑣𝐵 . 𝛥𝑡
𝛥𝑠 = 10 . ( 12 – 10)
𝛥𝑠 = 10 . 2 = 20 𝑚

9
Física

Termometria

Resumo

Introdução
Termologia é a parte da Física que estuda os fenômenos relativos ao aquecimento, resfriamento ou às
mudanças de estado físico em corpos que recebem ou cedem um determinado tipo de energia. Estudaremos,
em Termologia, as formas pelas quais essa energia, que denominaremos energia térmica, muda de local,
propagando-se através de um meio. Estudaremos, ainda, o comportamento de um modelo teórico de gás,
denominado gás perfeito, e, dentre outras coisas, as relações existentes entre a energia térmica e a energia
mecânica.
No estudo de todos os fenômenos relativos à Termologia, sempre aparece um parâmetro muito importante,
denominado temperatura, capaz de definir o estado térmico do sistema físico estudado. Assim, iniciaremos
o nosso estudo de Termologia conceituando a temperatura e estabelecendo processos e regras usados para
sua medição.

Temperatura
Grandeza que caracteriza o estado térmico de um sistema.

É comum as pessoas avaliarem o estado térmico de um corpo pela sensação de quente ou frio que sentem
ao tocá-lo. Até que ponto, entretanto, podemos confiar nessa sensação? Muitas vezes pessoas diferentes em
um mesmo ambiente experimentam sensações térmicas diferentes! Note que isso ocorre porque as
sensações de quente e frio são individuais e subjetivas, dependendo do indivíduo e das condições a que ele
está sujeito.

Agora você deve estar se perguntando: como podemos avaliar fisicamente esse “quente” e esse “frio”?

Imaginemos um balão de borracha, fechado, com ar em seu interior. O ar, como sabemos, é constituído de
pequenas partículas que se movimentam em todas as direções. Agora, vamos aquecer o ar. O que acontece?
O balão estufa, aumentando de tamanho. O que provocou isso? Foi o ar em seu interior, que, ao ser aquecido,
empurrou mais fortemente as paredes elásticas, aumentando o volume do balão. Isso ocorre porque as
partículas de ar movimentam-se, possuindo certa velocidade, certa energia cinética. Quando aumentamos
a temperatura dessas partículas por aquecimento, essa energia cinética aumenta, intensificando os choques
dessas partículas com as paredes internas do balão, o que produz aumento de volume.

Assim, podemos associar a temperatura do ar à energia cinética de suas partículas, isto é, ao estado de
movimento dessas partículas.

Entretanto, o que acontece nos sólidos e nos líquidos, cujas partículas são impedidas de movimentar-se
livremente?

Nesses casos, as partículas apenas agitam-se em regiões limitadas, e esse estado de agitação aumenta com
o aquecimento, com o aumento de temperatura.
A conclusão a que podemos chegar é que, de alguma forma (vide seção 2.2), a temperatura está relacionada
com o estado de movimento ou de agitação das partículas de um corpo. Assim, como uma ideia inicial,

1
Física

podemos dizer que a temperatura é um valor numérico associado a um determinado estado de agitação ou
de movimentação das partículas de um corpo, umas em relação às outras.

Considerando que os dois recipientes contêm o mesmo tipo de gás, no recipiente 2 o estado de agitação das partículas
que compõem o gás é maior, pois estas se movimentam com maior rapidez. Assim, podemos concluir que o gás do
recipiente 2 encontra-se em uma temperatura mais elevada que o gás do recipiente 1.
Tópicos de Física – Vol. 2 – Termologia, Ondulatória e Óptica – 19ª ed – 2012.

Pensando um pouco mais sobre o conceito de temperatura


Inicialmente, definimos temperatura como sendo o valor numérico associado a um determinado estado de
agitação ou de movimentação das partículas de um corpo, umas em relação às outras.

Apesar do uso do termo genérico “agitação”, o conceito de temperatura está relacionada à energia de
movimento das moléculas (energia cinética).
Para entendermos melhor essa análise, vamos vislumbrar a seguinte figura:

Dois copos, A e B, sendo B maior que A, estão ambos preenchidos com água, que se encontra a 25 ℃. Esta
medida da temperatura nos indica que, em média, o grau de agitação das moléculas de água são iguais, em
ambos os copos, ou seja, em média, a energia cinética de cada partícula é igual, em ambos os copos.
E mais uma vez, frisamos o termo “média”, pois NÃO há como se medir diretamente o movimento de uma
partícula e tampouco faz sentido falar em temperatura de uma partícula (vide seção 2.2). A temperatura se
refere ao sistema constituído de partículas.
Se observarmos o volume de água que compõe os dois corpos, concluíremos que a energia cinética total de
B é maior que a energia cinética total de A, pela simples razão de haver mais partículas em B do que A para
contribuir na energia cinética total do sistema.

2
Física

A temperatura não se relaciona com a energia cinética total, mas sim com a concentração de energia cinética
média por partícula.
O que corresponde ao total de energia cinética dessas partículas é a Energia Térmica Sensível.

Resumindo:
● Alta concentração de energia cinética média por partícula = alta temperatura.
● Baixa concentração de energia cinética média por partícula = baixa temperatura.

Não confunda Temperatura com Energia e tampouco com Energia Térmica


Futuramente, estudaremos mais sobre energia. No entanto, é preciso salientar já que:
● Energia é uma propriedade abstrata, numérica e escalar.
● Toda propriedade caracteriza o estado das coisas (dos corpos)
● Energia relaciona-se a duas outras propriedades: movimento (energia cinética) e disposição no espaço
(energia potencial).

Exs.
:

E, portanto,

3
Física

Termômetro
Considerando o que vimos anteriormente, você deve ter percebido que não temos condições de medir
diretamente a energia de agitação das moléculas de um corpo. Como podemos, então, avaliar sua
temperatura?

É simples: isso deve ser feito por um processo indireto, usando-se um segundo corpo que sofra alterações
mensuráveis em suas propriedades físicas quando do processo de busca do equilíbrio térmico com o
primeiro. A esse corpo chamamos de termômetro.

O mais conhecido é o termômetro de mercúrio.

Tópicos de Física – Vol. 2 – Termologia, Ondulatória e Óptica – 19ª ed – 2012.

Há outros tipos de termômetros como os que usam resistores, gás, etc.

Escalas termométricas
Escala termométrica é um conjunto de valores numéricos em que cada valor está associado a uma
determinada temperatura. Se, por exemplo, a temperatura de um sistema A é representada pelo valor 50 e a
de um sistema B, pelo valor 20, em uma mesma escala termométrica, dizemos que a temperatura de A é maior
que a de B. Isso indica que as partículas do sistema A estão em um nível energético mais elevado que as do
sistema B.
Como uma escala termométrica é constituída por um conjunto de valores arbitrários, um mesmo estado
térmico pode ser representado em escalas termométricas diversas, por valores numéricos diferentes. Os
valores numéricos de uma escala termométrica são obtidos a partir de dois valores atribuídos previamente a
dois estados térmicos de referência, bem definidos, denominados pontos fixos.

4
Física

Pontos fixos fundamentais


Pela facilidade de obtenção prática, são adotados usualmente como pontos fixos os estados térmicos
correspondentes ao gelo fundente e à água em ebulição, ambos sob pressão normal. Esses estados térmicos
costumam ser denominados ponto do gelo e ponto do vapor, respectivamente, e constituem os pontos fixos
fundamentais.

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Escala Celsius e Fahrenheit


A escala termométrica mais utilizada no mundo, inclusive no Brasil, foi criada pelo astrônomo e físico sueco
Anders Celsius (1701-1744) e oficializada em 1742 por uma publicação da Real Academia Sueca de Ciência.
O interessante é que, originalmente, Celsius utilizou o valor 0 para o ponto de ebulição da água e o valor 100
para seu ponto de congelamento. Foi um biólogo sueco, chamado Lineu [Carl von Lineé (1707-1778)], quem
inverteu essa escala, tornando-a tal como a conhecemos hoje.
Em 1708, o físico alemão Daniel Gabriel Fahrenheit (1686-1736), utilizando as ideias do astrônomo
dinamarquês Ole Römer (1644-1710), estabeleceu os pontos de referência de uma nova escala. Para o ponto
0, ele utilizou a temperatura de uma mistura de gelo e cloreto de amônia e, para o ponto 100, a temperatura
do corpo humano. Somente mais tarde, quando passaram a utilizar a água como referência, observou-se que
a sua escala assinalava 32 para o ponto do gelo e 212 para o ponto do vapor. A escala Fahrenheit de
temperaturas é utilizada principalmente nos países de língua inglesa.

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5
Física

Na escala Celsius, temos 100 divisões iguais entre os pontos fixos, cada divisão correspondendo à unidade
da escala, que recebe o nome de grau Celsius, simbolizado por °C.
Na escala Fahrenheit, temos 180 divisões iguais entre os pontos fixos, sendo a unidade da escala denominada
grau Fahrenheit, simbolizado por °F.

Conversão entre as escalas Celsius e Fahrenheit


Sempre é possível estabelecer uma relação entre duas escalas termométricas quaisquer. Podemos, por
exemplo, obter uma equação que relacione os valores numéricos dados pelas escalas Celsius e Fahrenheit.
Isso significa que, conhecendo a temperatura em uma determinada escala, podemos também, utilizando essa
equação, conhecê-la em outra escala qualquer.
A que valor na escala Fahrenheit corresponde, por exemplo, 60 °C?
Para fazer a correspondência, vamos utilizar dois termômetros idênticos de mercúrio, sendo um gradua do
na escala Celsius e outro, na Fahrenheit. Ao colocá-los em contato com um mesmo corpo, observamos que
as alturas de mercúrio são iguais, mas, por se tratarem de escalas distintas, os valores numéricos assinalados
são diferentes (θC e θF).

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Perceba que os intervalos de temperaturas correspondentes nos dois termômetros são proporcionais. Assim,
vale a relação:

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Essa equação de conversão pode ser escrita da seguinte maneira:

𝜃c 𝜃F - 32
=
5 9
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6
Física

Variação de temperatura
Para converter uma variação de temperatura em graus Celsius para graus Fahrenheit, ou vice-versa, observe
o esquema abaixo, em que comparamos essas duas escalas.

Tópicos de Física – Vol. 2 – Termologia, Ondulatória e Óptica – 19ª ed – 2012.

Note que a variação em uma das escalas é proporcional à variação correspondente na outra. Assim, podemos
afirmar que:

∆𝜃c ∆𝜃F
=
100 180
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O zero absoluto
Imagine um sistema físico qualquer. Quando o aquecemos, sua temperatura se eleva, aumentando o estado
de agitação de suas partículas. Se o esfriamos, sua temperatura diminui porque o estado de agitação das
partículas também diminui. Se continuarmos a esfriar esse sistema, o estado de agitação das partículas
diminuirá mais e mais, tendendo a um mínimo de temperatura, denominado zero absoluto.
Zero absoluto é o limite inferior de temperatura de um sistema. É a temperatura correspondente ao menor
estado de agitação das partículas, isto é, um estado de agitação praticamente nulo.
No zero absoluto, ainda existe nas partículas do sistema uma quantidade finita, não nula, de energia cinética.
Essa energia é denominada energia do ponto zero.

7
Física

Escala absoluta
O físico britânico William Thomson (1824-1907), mais conhecido como Lord Kelvin, foi quem verificou
experimentalmente a variação da pressão de um gás a volume constante. Por meio de uma extrapolação, ele
concluiu que a menor temperatura que aquele gás poderia atingir coincidia com a anulação da pressão.
Até chegar a essa conclusão ele realizou experiências com diferentes amostras de gases, a volume constante.
As variações de pressão foram plotadas (marcadas) em um gráfico, em função da temperatura Celsius. O
prolongamento do gráfico levou-o ao valor -273,15 °C, que foi denominado “zero absoluto”. Para facilitar os
cálculos, aproximamos esse -273 °C. A escala Kelvin, também denominada escala absoluta, tem sua origem
no zero absoluto e utiliza o grau Celsius como unidade de variação. O símbolo da unidade da escala Kelvin é
K.

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Do exposto, pode-se concluir que a equação de conversão entre as escalas Celsius e Kelvin é dada por:

T(K) = 𝜃(∘ C) + 273

Tópicos de Física – Vol. 2 – Termologia, Ondulatória e Óptica – 19ª ed – 2012.

8
Física

Exercícios

1. Pernambuco registrou, em 2015, um recorde na temperatura após dezessete anos. O estado atingiu a
média máxima de 31 C,  segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC). A falta de chuvas
desse ano só foi pior em 1998 – quando foi registrada a pior seca dos últimos 50 anos, provocada pelo
fenômeno “El Niño”, que reduziu a níveis críticos os reservatórios e impôs o racionamento de água.
Novembro foi o mês mais quente de 2015, aponta a APAC. Dos municípios que atingiram as
temperaturas mais altas esse ano, Águas Belas, no Agreste, aparece em primeiro lugar com média
máxima de 42 C
Fonte: g1.com.br.

Utilizando o quadro abaixo, que relaciona as temperaturas em C (graus Celsius), F (Fahrenheit) e K


(Kelvin), podemos mostrar que as temperaturas médias máximas, expressas em K, para Pernambuco
e para Águas Belas, ambas em 2015, foram, respectivamente,

a) 300 e 317.
b) 273 e 373.
c) 304 e 315.
d) 242 e 232.
e) 254 e 302.

9
Física

Texto para a próxima questão:


Sobreviveremos na terra?

Tenho interesse pessoal no tempo. Primeiro, meu best-seller chama-se Uma breve história do tempo.
1
Segundo, por ser alguém que, aos 21 anos, foi informado pelos médicos de que teria apenas mais cinco anos
de vida e que completou 76 anos em 2018. Tenho uma aguda e desconfortável consciência da passagem do
tempo. Durante a maior parte da minha vida, convivi com a sensação de que estava fazendo hora extra.

Parece que nosso mundo enfrenta uma instabilidade política maior do que em qualquer outro momento. Uma
grande quantidade de pessoas sente ter ficado para trás. 2Como resultado, temos nos voltado para políticos
populistas, com experiência de governo limitada e cuja capacidade para tomar decisões ponderadas em uma
crise ainda está para ser testada. A Terra sofre ameaças em tantas frentes que é difícil permanecer otimista.
Os perigos são grandes e numerosos demais. O planeta está ficando pequeno para nós. Nossos recursos
físicos estão se esgotando a uma velocidade alarmante. A mudança climática foi uma trágica dádiva humana
ao planeta. Temperaturas cada vez mais elevadas, redução da calota polar, desmatamento, superpopulação,
doenças, guerras, fome, escassez de água e extermínio de espécies; todos esses problemas poderiam ser
resolvidos, mas até hoje não foram. O aquecimento global está sendo causado por todos nós. Queremos
andar de carro, viajar e desfrutar um padrão de vida melhor. Mas quando as pessoas se derem conta do que
está acontecendo, pode ser tarde demais.

Estamos no limiar de um período de mudança climática sem precedentes. No entanto, muitos políticos negam
a mudança climática provocada pelo homem, ou a capacidade do homem de revertê-la. O derretimento das
calotas polares ártica e antártica reduz a fração de energia solar refletida de volta no espaço e aumenta ainda
mais a temperatura. A mudança climática pode destruir a Amazônia e outras florestas tropicais, eliminando
uma das principais ferramentas para a remoção do dióxido de carbono da atmosfera. A elevação da
temperatura dos oceanos pode provocar a liberação de grandes quantidades de dióxido de carbono. Ambos
os fenômenos aumentariam o efeito estufa e exacerbariam o aquecimento global, tornando o clima em nosso

planeta parecido com o de Vênus: atmosfera escaldante e chuva ácida a uma temperatura de 250 C. A vida
humana seria impossível. Precisamos ir além do Protocolo de Kyoto – o acordo internacional adotado em
1997 – e cortar imediatamente as emissões de carbono. Temos a tecnologia. Só precisamos de vontade
política.

Quando enfrentamos crises parecidas no passado, havia algum outro lugar para colonizar. Estamos ficando
sem espaço, e o único lugar para ir são outros mundos. Tenho esperança e fé de que nossa engenhosa raça
encontrará uma maneira de escapar dos sombrios grilhões do planeta e, deste modo, sobreviver ao desastre.
A mesma providência talvez não seja possível para os milhões de outras espécies que vivem na Terra, e isso
pesará em nossa consciência.

Mas somos, por natureza, exploradores. Somos motivados pela curiosidade, essa qualidade humana única.
Foi a curiosidade obstinada que levou os exploradores a provar que a Terra não era plana, e é esse mesmo
impulso que nos leva a viajar para as estrelas na velocidade do pensamento, instigando-nos a realmente
chegar lá. E sempre que realizamos um grande salto, como nos pousos lunares, exaltamos a humanidade,
unimos povos e nações, introduzimos novas descobertas e novas tecnologias. Deixar a Terra exige uma
abordagem global combinada – todos devem participar.
STEPHEN HAWKING (1942-2018) Adaptado de Breves respostas para grandes questões. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018.

10
Física

2. Com o aumento do efeito estufa, a chuva ácida pode atingir a temperatura de 250 C.

Na escala Kelvin, esse valor de temperatura corresponde a:


a) 212
b) 346

c) 482

d) 523

3. Frente fria chega a São Paulo. Previsão para

Com esses dados, pode-se concluir que a variação de temperatura na sexta-feira e a máxima, no
sábado, na escala Fahrenheit, foram, respectivamente:
a) 9 e 33,8.
a) 9 e 68.
b) 36 e 9.
c) 68 e 33,8.
d) 68 e 36.

4. O gráfico indicado a seguir representa a relação entre a temperatura medida numa escala X e a mesma
temperatura medida na escala Celsius.

Para a variação de 1,0 °C, o intervalo observado na escala X é:


a) 1ºX
b) 1,5ºX
c) 2ºX
d) 2,5ºX
e) 3,5ºX

11
Física

5. Quando se mede a temperatura do corpo humano com um termômetro clínico de mercúrio em vidro,
procura-se colocar o bulbo do termômetro em contato direto com regiões mais próximas do interior do
corpo e manter o termômetro assim durante algum tempo, antes de fazer a leitura. Esses dois
procedimentos são necessários porque:
a) o equilíbrio térmico só é possível quando há contato direto entre dois corpos e porque demanda
sempre algum tempo para que a troca de calor entre o corpo humano e o termômetro se efetive.
b) é preciso reduzir a interferência da pele, órgão que regula a temperatura interna do corpo, e porque
demanda sempre algum tempo para que a troca de calor entre o corpo humano e o termômetro se
efetive.
c) o equilíbrio térmico só é possível quando há contato direto entre dois corpos e porque é preciso
evitar a interferência do calor específico médio do corpo humano.
d) é preciso reduzir a interferência da pele, órgão que regula a temperatura interna do corpo, e porque
o calor específico médio do corpo humano é muito menor que o do mercúrio e o do vidro.
e) o equilíbrio térmico só é possível quando há contato direto entre dois corpos e porque é preciso
reduzir a interferência da pele, órgão que regula a temperatura interna do corpo.

6. Para medirmos a temperatura de um objeto, utilizamos principalmente 3 escalas termométricas:


Celsius °C), Fahrenheit (°F) e Kelvin (K). A relação entre elas pode ser vista no quadro abaixo.

Utilizando a escala como referência, podemos dizer que 0°C e 50°C equivalem, em Kelvin, a?
a) 212 e 273.
b) 273 e 373.
c) 212 e 32.
d) 273 e 37.
e) 273 e 323.

12
Física

7. O texto a seguir foi extraído de uma matéria sobre congelamento de cadáveres para sua preservação
por muitos anos, publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 21.07.2002.
“Após a morte clínica, o corpo é resfriado com gelo. Uma injeção de anticoagulantes é aplicada e um
fluido especial é bombeado para o coração, espalhando-se pelo corpo e empurrando para fora os
fluidos naturais. O corpo é colocado numa câmara com gás nitrogênio, onde os fluidos endurecem em
vez de congelar. Assim que atinge a temperatura de – 321°, o corpo é levado para um tanque de
nitrogênio líquido, onde fica de cabeça para baixo.”
O Estado de S. Paulo

Na matéria, não consta a unidade de temperatura usada. Considerando que o valor indicado de – 321°
esteja correto e que pertença a uma das escalas, Kelvin, Celsius ou Fahrenheit, pode-se concluir que foi
usada a escala
a) Kelvin, pois trata-se de um trabalho cientifico e esta e a unidade adotada pelo Sistema
Internacional.
b) Fahrenheit, por ser um valor inferior ao zero absoluto e, portanto, só pode ser medido nessa escala.
c) Fahrenheit, pois as escalas Celsius e Kelvin não admitem esse valor numérico de temperatura.
d) Celsius, pois só ela tem valores numéricos negativos para a indicação de temperatura.
e) Celsius, por tratar-se de uma matéria publicada em língua portuguesa e essa ser a unidade adotada
oficialmente no Brasil.

8. Um termômetro com defeito está graduado na escala Fahrenheit, indicando 30 °𝐹 para o ponto de fusão
do gelo e 214 °𝐹 para o ponto de ebulição da água. A única temperatura neste termômetro medida
corretamente na escala Celsius é

a) 158.

b) 86.
c) 122.
d) 50.

e) 194.

9. Vários turistas frequentemente têm tido a oportunidade de viajar para países que utilizam a escala
Fahrenheit como referência para medidas da temperatura. Considerando-se que quando um
termômetro graduado na escala Fahrenheit assinala 32°F, essa temperatura corresponde ao ponto de
gelo, e quando assinala 212°F, trata-se do ponto de vapor. Em um desses países, um turista observou
que um termômetro assinalava temperatura de 74,3°F. Assinale a alternativa que apresenta a
temperatura, na escala Celsius, correspondente à temperatura observada pelo turista.
a) 12,2 °C.
b) 18,7 °C.
c) 23,5 °C.
d) 30 °C.
e) 33,5 °C.

13
Física

10. Os termômetros são instrumentos utilizados para efetuarmos medidas de temperaturas. Os mais
comuns baseiam-se na variação de volume sofrida por um líquido considerado ideal, contido em um
tubo de vidro cuja dilatação é desprezada. Num termômetro em que se utiliza mercúrio, vemos que a
coluna deste líquido “sobe” cerca de 2,7 cm para um aquecimento de 3,6 °C. Se a escala termométrica
fosse a Fahrenheit, para um aquecimento de 3,6°F, a coluna de mercúrio “subiria”:
a) 11,8 cm.
e) 3,6 cm.
f) 2,7 cm.
g) 1,8 cm.
h) 1,5 cm.

14
Física

Gabarito

1. C
Para a resolução da questão, basta passar as temperaturas médias da escala Celsius para a escala
Kelvin.
Para a média do estado de Pernambuco:
𝑇1 = 31 + 273 ∴ 𝑇1 = 304𝐾

Para Águas Belas, a temperatura média foi:


𝑇2 = 42 + 273 ∴ 𝑇2 = 315𝐾

2. D
A transformação da escala Celsius em Kelvin é realizada pela equação:

K = C + 273

Assim, para a temperatura de 250 C :

K = 250 + 273  K = 523 K

3. B

4. B

15
Física

5. B
Por meio da transpiração, a pele regula a temperatura interna do corpo humano. Assim, para obter o valor
dessa temperatura, devemos introduzir o termômetro em uma das aberturas do corpo, como, por
exemplo, a boca. O termômetro deve ficar algum tempo em contato com o corpo para que haja
transferência de calor e possa proporcionar o equilíbrio térmico entre o mercúrio (do termômetro) e o
interior desse corpo humano.

6. E
Usando a expressão que relaciona as escalas termométricas Celsius e Kelvim, vem:

7. C
O menor valor de temperatura na escala Celsius é -273ºC e na escala Kelvin é o zero absoluto.

8. D
Aplicando a equação de conversão:
T − 30 T − 32 T − 30 T − 32
=  =  46 T − 1.472 = 45 T − 1.350  T = 122 F.
214 − 30 212 − 32 46 45

Transformando para C :
TC 122 − 32
=  TC = 50 C.
5 9

9. C

10. E

16
Geografia

Crise de 29 e o Keynesianismo

Resumo

A Crise de 29, ou Grande Depressão, foi um momento de crise financeira das principais potências, que
acarretou uma crise mundial em 1929. É uma crise do Liberalismo. Com o otimismo pós-guerra (Primeira
Guerra Mundial), observou-se o aumento da produção possibilitado pelo Fordismo. Todavia, esse otimismo e
crescimento não se manifestaram no consumo, em parte, porque não houve aumento do poder de compra
dos trabalhadores. Assim, produzia-se mais do que se consumia. Genericamente, essas foram as condições
para a crise de superprodução de 1929. Cuidado!! Não é uma crise do Fordismo (modelo produtivo), e sim do
modelo econômico, Liberalismo.

O Liberalismo
O Liberalismo defendia a economia de livre mercado, ou seja, uma economia que se “auto-regula”. Ele tinha
também como características o individualismo e a defesa da propriedade privada. Foi na decadência do
mercantilismo e com o firmamento do capitalismo que surgiu a teoria do liberalismo econômico. Essa teoria
se baseava na não-intervenção de qualquer agente externo à economia (Estado, leis, políticas, reis), pois de
acordo com ela, o mercado consegue se auto-regular sem a intervenção do estado. É a ideia da “mão invísivel”
que regula a economia a partir dos demais princípios básicos como a livre concorrência, que causaria uma
espécie de seleção das melhores lojas e empresas, e da lei da oferta e da procura, na qual os preços se
autoregulam no mercado a partir da relação entre disponibilidade dos produtos e demanda.

A crise de 29
O consumismo era uma importante bandeira pregada nesse contexto no qual a capacidade de expandir o
mercado consumidor estava limitada. Com estoques cheios, os bancos concediam créditos, empréstimos
para que a população pudesse acessar a modernidade que estava sendo produzida. Outra característica de
uma democracia liberal é a redução de direitos trabalhistas, uma vez que é o estado o responsável por
assegurá-los. Ou seja, havia cosumo sem que houvesse de fato poder de compra por parte dos trabalhadores.
A crise de 29 portanto foi uma crise de superprodução e de concessão de créditos, que levou a quebra dos
bancos e da Bolsa de Valores de Nova York, assim como fechamento de fábricas, desemprego e
consequente redução do consumo.

Os dizeres: "O melhor padrão de vida do mundo. Não há jeito melhor que o jeito americano"
Em frente ao cartaz, desempregados na fila de alimentos durante a Grande Depressão.

1
Geografia

O Keynesianismo
O Keynesianismo, assim como o Liberalismo, é uma doutrina econômica, que foi instaurada para reaquecer a
economia no contexto de crise liberal. O cientista econômico John Maynard Keynes já vinha apontando para
a possibilidade de uma crise econômica devido a não interferência do Estado na economia. Ele defendia que
o Estado deveria ser atuante (forte) na economia, para ajudar o capitalismo nos momentos de crise, naturais
desse sistema. O estado seria portanto responsável por prover não somente os direitos básicos da população,
como acesso a serviços de saúde e educação, mas por realizar grandes obras em setores estratégicos como
transporte, energia e infraestrutura, além de controlar as empresas e a atuação financeira, ampliando o setor
estatal. O aumento da atuação pública garantiria portanto uma boa qualidade de vida e reaquecimento do
consumo. É o que ficou conhecido como estado de bem estar social, ou Welfare State. Após a crise do
Liberalismo, Keynes, que já apontava para seu esgotamento, passou a ser um grande referencial na economia.

O New Deal e a recuperação econômica


Franklin Delano Roosevelt, inspirado nas ideias de Keynes, lançou o New Deal (Novo Acordo), em 1933, para
recuperar a economia americana a partir do aumento do consumo. Lembre-se: a crise de 1929 tinha sido
resultado da superprodução e estagnação do consumo. Roosevelt fundamentou-se nas ideias de Keynes para
recuperar a economia. Fizeram parte das medidas desse Novo Acordo:
• Pleno emprego e estabilidade
• Aumento dos salários
• Menos horas de trabalho
• Aumento dos direitos trabalhistas e previdenciários
• Obras públicas em setores estratégicos
• Controle da produção
• Fiscalização bancária e de outras instituições financeiras
• Subsídios à pequenas empresas.

Todas essas ações buscavam o crescimento do número de empregos, da renda e do consumo, recuperando
a economia americana. Esse Estado forte na economia ficou conhecido como Estado Keynesiano ou Estado
do Bem-Estar Social. Nos Estados Unidos, foi responsável por consolidar o American Way of Life (estilo de
vida americano). Na Europa, está associado a diversos ganhos sociais pela população desse continente.

2
Geografia

Exercícios

1. “A depressão econômica gerada pela Crise de 1929 teve no presidente americano Franklin Roosevelt
(1933 - 1945) um de seus vencedores. New Deal foi o nome dado à série de projetos federais
implantados nos Estados Unidos para recuperar o país, a partir da intensificação da prática da
intervenção e do planejamento estatal da economia. Juntamente com outros programas de ajuda
social, o New Deal ajudou a minimizar os efeitos da depressão a partir de 1933. Esses projetos federais
geraram milhões de empregos para os necessitados, embora parte da força de trabalho norte-
americana continuasse desempregada em 1940. A entrada do país na Segunda Guerra Mundial, no
entanto, provocou a queda das taxas de desemprego, e fez crescer radicalmente a produção industrial.
No final da guerra, o desemprego tinha sido drasticamente reduzido”.
EDSFORD, R. America’s response to the Great Depression. Blackwell Publishers, 2000 (tradução adaptada).

A partir do texto, conclui-se que:


a) o fundamento da política de recuperação do país foi a ingerência do Estado, em ampla escala, na
economia.
b) a crise de 1929 foi solucionada por Roosevelt, que criou medidas econômicas para diminuir a
produção e o consumo.
c) os programas de ajuda social implantados na administração de Roosevelt foram ineficazes no
combate à crise econômica.
d) o desenvolvimento da indústria bélica incentivou o intervencionismo de Roosevelt e gerou uma
corrida armamentista.
e) a intervenção de Roosevelt coincidiu com o início da Segunda Guerra Mundial e foi bem sucedida,
apoiando- se em suas necessidades.

2. Ante a grande depressão de 1929, o economista John M. Keynes defendia o déficit público como uma
forma de enfrentar a recessão. Nos Estados Unidos, o Presidente Franklin Roosevelt, a partir de 1930,
financiou obras públicas a fim de diminuir o desemprego. A partir desse período, as mudanças na
política econômica propiciaram:
a) a oposição do governo norte-americano ao desenvolvimento do intervencionismo na economia.
b) a intervenção do Estado na economia, como estratégia de ampliação do mercado de trabalho.
c) a consolidação dos grupos econômicos que impediam a intervenção estatal.
d) o fechamento do comércio europeu ao capital norte-americano.
e) a livre aplicação do capital pela iniciativa privada.

3
Geografia

3. O New Deal visa restabelecer o equilíbrio entre o custo de produção e o preço, entre a cidade e o campo,
entre os preços agrícolas e os preços industriais, reativar o mercado interno – o único que é importante
–, pelo controle de preços e da produção, pela revalorização dos salários e do poder aquisitivo das
massas, isto é, dos lavradores e operários, e pela regulamentação das condições de emprego.
CROUZET,M. Os Estados perante a crise. In: História geral das civilizações. São Paulo: Difel, 1966(adaptado).

Tendo como referência os condicionantes históricos do entre guerras, as medidas governamentais


descritas objetivavam
a) flexibilizar as regras do mercado financeiro.
b) fortalecer o sistema de tributação regressiva.
c) introduzir os dispositivos de contenção creditícia.
d) racionalizar os custos da automação industrial mediante negociação sindical.
e) recompor os mecanismos de acumulação econômica por meio da intervenção estatal.

4. O colapso deflagrado no mundo pela crise financeira dos anos 20 teve como principal ato o craque da
Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929. Como consequência dessa crise, podemos
destacar:
a) os preços e salários subiram, aumentando a oferta de empregos na área industrial europeia.
b) a Europa recuperou sua prosperidade com altos investimentos dos fundos particulares norte-
americanos.
c) o Brasil manteve-se fora da crise com contínuos aumentos das exportações do café.
d) o mundo todo foi afetado drasticamente, quando a Inglaterra abandonou o padrão-ouro,
permitindo a desvalorização da libra.
e) nos primeiros anos da década de 30, a indústria alemã duplicou a sua produção, acarretando o
crescimento do comércio mundial.

5. A grave crise econômico-financeira que atingiu o mundo capitalista, na década de 30, tem suas origens
nos Estados Unidos. A primeira medida governamental que procurou, internamente, solucionar essa
crise foi o “New Deal”, adotado por Roosevelt, em 1933. Uma das medidas principais desse programa
foi o(a):
a) encerramento dos investimentos governamentais em obras de infraestrutura.
b) fim do planejamento e da intervenção do Estado na economia.
c) imediata suspensão da emissão monetária.
d) política de estímulo à criação de novos empregos.
e) redução dos incentivos à produção agrícola.

4
Geografia

6. “Cenas de agonia se passavam, nas salas de clientes dos vários corretores. Ali, os que poucos dias
antes haviam-se regalado em ilusões de riqueza, viam todas as suas esperanças esmagadas num
colapso tão devastador, tão além de seus mais desenfreados temores, que tudo parecia irreal.
Buscando salvar um pouco da ruína, mandavam vender suas ações "no mercado", quando descobriam
que não apenas haviam perdido tudo, mas ainda estavam em débito com o corretor.
E então, reviravolta irônica: a sacudida seguinte do louco mercado elevava os preços para onde eles
poderiam haver vendido e conseguido um substancial equilíbrio de caixa restante. Toda jogada era
errada naqueles dias. O mercado parecia uma coisa insensata, se vingava louca e impiedosamente dos
que julgavam dominá-lo."
24/out/1929 - BELL, Elliot V. New York Times. In LEWIS, John - O Grande Livro do Jornalismo. Rio de Janeiro: José Olympio,
2008, p 107.
O texto acima relata uma crise que

a) provocou transformações estruturais na economia europeia que, com déficit de produção, buscou
matéria-prima em outros continentes, dando início ao moderno imperialismo.
b) provocou uma reestruturação das instituições financeiras americanas com o objetivo de evitar a
ampliação da crise e a consequente contaminação da economia mundial.
c) não afetou a economia latino-americana, tradicionalmente agrária, tendo em vista que a crise foi
motivada fundamentalmente pela superprodução industrial.
d) demonstrou a fragilidade do capitalismo liberal e conduziu à adoção de medidas saneadoras que
ampliaram a participação do Estado na economia.
e) levou a Europa a adotar medidas livre-cambistas, como estratégia para conter o avanço da crise
financeira em seu território.

7. No fim da década de 20, após anos de prosperidade, uma grave crise econômica, conhecida como a
Grande Depressão, começou nos EUA e atingiu todos os países capitalistas. J. K. Galbraith, economista
norte-americano, afirma que “à medida que o tempo passava tornava-se evidente que aquela
prosperidade não duraria. Dentro dela estavam contidas as sementes de sua própria destruição.”
Dias de boom e de desastre in J.M. Roberts (org), História do Século XX.

São características da Crise de 1929:

a) o aumento da produção automobilística, a expansão do mercado de trabalho e a falta de


investimentos em tecnologia.
b) a destruição dos grandes estoques de mercadorias, o aumento dos preços agrícolas e o aumento
dos salários.
c) a cultura de massa com a venda de milhões de discos, as dívidas de guerra dos EUA e o aumento
do número de empregos.
d) a superprodução, a especulação desenfreada nas bolsas de valores e a queda da renda dos
trabalhadores.
e) o aumento do mercado externo, o mito do American way of life e a intervenção do Estado na
economia.

5
Geografia

8.

A história em quadrinhos apresenta uma característica fundamental do modo de produção capitalista


na atualidade e uma política estatal em curso em muitos países desenvolvidos.
Essa característica e essa política estão indicadas em:
a) liberdade de comércio – ações afirmativas para grupos sociais menos favorecidos
b) sociedade de classe – sistemas de garantias trabalhistas para a mão de obra sindicalizada
c) economia de mercado – programas de apoio aos setores econômicos pouco competitivos
d) trabalho assalariado – campanhas de estímulo à responsabilidade social do empresariado
e) livre circulação de mercadorias – projetos que visam diminuir as barreiras fiscais entre os Estados

6
Geografia

9. TEXTO I
A Europa entrou em estado de exceção, personificado por obscuras forças econômicas sem rosto ou
localização física conhecida que não prestam contas a ninguém e se espalham pelo globo por meio de
milhões de transações diárias no ciberespaço.
ROSSI, C. Nem fim do mundo nem mundo novo. Folha de São Paulo, 11 dez. 2011 (adaptado).

TEXTO II
Estamos imersos numa crise financeira como nunca tínhamos visto desde a Grande Depressão iniciada
em 1929 nos Estados Unidos.
Entrevista de George Soros. Disponível em: www.nybooks.com. Acesso em: 17 ago. 2011 (adaptado).

A comparação entre os significados da atual crise econômica e do crash de 1929 oculta a principal
diferença entre essas duas crises, pois:
a) o crash da Bolsa em 1929 adveio do envolvimento dos EUA na I Guerra Mundial e a atual crise é o
resultado dos gastos militares desse país nas guerras do Afeganistão e Iraque.
b) a crise de 1929 ocorreu devido a um quadro de superprodução industrial nos EUA e a atual crise
resultou da especulação financeira e da expansão desmedida do crédito bancário.
c) a crise de 1929 foi o resultado da concorrência dos países europeus reconstruídos após a I Guerra
e a atual crise se associa à emergência dos BRICS como novos concorrentes econômicos.
d) o crash da Bolsa em 1929 resultou do excesso de proteções ao setor produtivo estadunidense e a
atual crise tem origem na internacionalização das empresas e no avanço da política de livre
mercado.
e) a crise de 1929 decorreu da política intervencionista norte-americana sobre o sistema de comércio
mundial e a atual crise resultou do excesso de regulação do governo desse país sobre o sistema
monetário.

10. “Para Keynes (...) para criar demanda, as pessoas deveriam obter meios para gastar. Uma conclusão
daí decorrente é que os salários de desemprego não deveriam ser considerados simplesmente como
débito do orçamento, um meio por intermédio do qual a demanda poderia aumentar e estimular a oferta.
Além do mais, uma demanda reduzida significava que não haveria investimento suficiente para produzir
a quantidade de mercadorias necessárias para assegurar o pleno emprego. Os governos deveriam,
portanto, encorajar mais investimentos, baixando as taxas de juros (...), bem como criar um extenso
programa de obras públicas, que proporcionaria emprego e geraria uma demanda maior de produtos
industriais.”
O texto refere-se a uma teoria cujos princípios estiveram presentes
a) no “New Deal”, planejamento econômico baseado na intervenção do Estado, elaborado devido à
crise de 1929.
b) na obra MEIN KAMPF, que desenvolveu os fundamentos do nazismo: ideia da existência da raça
ariana.
c) no Plano Marshall, cujo objetivo era recuperar a economia europeia através de maciços
investimentos.
d) na criação da Comunidade Econômica Europeia, organização que visa o livre comércio entre os
países.
e) no livro O CAPITAL, onde se encontram os princípios básicos que fundamentam o socialismo
marxista.

7
Geografia

Gabarito

1. A
A questão evidencia a importância do Estado para recuperação da economia, retomando importante
conceito do intervencionismo keynesiano. Ressalta-se que, ingerência, é um substantivo feminino, cujo
significado corresponde ao ato ou efeito de ingerir(-se); introdução, intromissão. Nesse sentido,
ingerência do Estado, significa intromissão, intervenção do Estado e por isso Keynesianismo. A alternativa
E está errada, pois a intervenção de Roosevelt NÃO coincidiu com o início da Segunda Guerra Mundial.

2. B
O New Deal marca o início de um Estado interventor, com o objetivo de recuperar a economia norte-
americana a partir do consumo. Para isso, o Estado buscou fazer grandes investimentos garantindo o
pleno emprego.

3. E
O New Deal (Novo Acordo) foi a política implementada por Franklin Delano Roosevelt, presidente dos
Estados Unidos, para solucionar a crise econômica que assolou o país após a quebra da bolsa de Nova
Iorque. Essa política representou um rompimento com o modelo liberal vigente. Baseando-se no
Keynesianismo, o New Deal visava a solucionar a crise por meio da intervenção econômica do Estado.

4. D
Devido à forte junção entre capital financeiro e industrial, a crise de 1929 afetou todo o mundo. A Inglaterra
era um dos poucos países que garantiam uma paridade da sua moeda a um determinado peso em ouro.
Com o fim dessa paridade (padrão-ouro) e a desvalorização da libra, as referências monetárias se
tornaram artificiais.

5. D
Entre as principais medidas propostas pelo New Deal para a resolução dos impactos da crise de 1929,
podem-se citar o aumento dos salários, a estabilidade no emprego, a redução das jornadas de trabalho e,
consequentemente, a geração de novos empregos.

6. D
A crise da bolsa de Nova Iorque em 1929 foi caracterizada por um considerável aumento de produção,
não acompanhado pelo respectivo consumo. As empresas vendiam ações no mercado financeiro com
valor alavancado escorado na produção, mas a economia não dava contrapartida no consumo e as taxas
de juros praticadas eram altas atraindo investidores do mundo todo, resultando em um surto especulativo.
Com o estouro da bolha especulativa, ocorreram inúmeras falências e elevadas taxas de desemprego.
Ficou evidente a fragilidade do capitalismo liberal, que facilitou a condução da adoção de medidas
saneadoras que ampliaram a participação do Estado na economia, através do New Deal, política
implementada no primeiro governo de Franklin D. Roosevelt.

7. D
A crise de superprodução, a especulação financeira e a diminuição da renda dos trabalhadores devido às
demissões estão entre as principais características dessa crise.

8
Geografia

8. C
Na tirinha, Calvin tenta vender seu produto dentro da lógica capitalista e obter maior lucro, mas isso se
mostra impossível, pois não há procura que dê o retorno desejado. A Lei da Oferta e da Procura possui
limitações que podem obrigar os países a contrair dívidas externas e o Estado conceder incentivos fiscais.
No final da tirinha, ele pede para ser subsidiado. Subsídio significa uma concessão de dinheiro que o
governo oferece para determinadas atividades a fim de manter o preço do seu produto acessível para
estimular as vendas, as exportações.

9. B
A diferença entre as duas crises refere-se às suas causas. A crise de 29 está relacionada a uma
superprodução industrial e à falta de mercado no período em que o modelo fordista-taylorista estava em
destaque. Já a crise de 2008 está relacionada a uma grande oferta de crédito bancário, em que foi
desconsiderado o pagamento desse.

10. A
O New Deal, adotado por Roosevelt em 1933, foi um programa econômico de governo que adotava as
ideias de John M. Keynes, com o objetivo de recuperar a economia norte-americana após a crise de 1929.

9
Geografia

Fordismo e a produção em massa

Resumo

Para obter maior lucratividade, a indústria passou a aperfeiçoar as formas de trabalho e produção. É nesse
contexto que surgem os modelos produtivos, que consistem em um método de racionalização da produção.
O Fordismo (1914) e o Toyotismo (1970) são os dois modelos produtivos estudados pela Geografia, pois eles
transcendem a organização da fábrica.
O engenheiro norte-americano Frederick W. Taylor (1856-1915), visando a aumentar a eficiência produtiva,
estudou tempos e movimentos de operários e máquinas na linha de produção. Seus estudos ficaram
conhecidos como Taylorismo.
Henry Ford (1863-1947) já desenvolvia sua linha de montagem para aumentar sua produção, quando ouviu
falar das ideias de Taylor. Impressionado, Ford contratou o engenheiro para trabalhar na sua fábrica. O
Fordismo nasce dessa associação entre as ideias de Taylor e a prática de Ford. Por isso, o Fordismo também
é chamado de Fordismo-Taylorismo.
São características do Fordismo:
• Linha de montagem: É a famosa esteira de produção retratada no filme Tempos Modernos.
• Trabalho especializado (repetitivo): É a pura aplicação das ideias de Taylor. Quanto menor fosse a tarefa
executada pelo trabalhador, mais eficiente ele poderia ser. Com o tempo, a tendência era se tornar um
especialista naquela tarefa.
• Padronização: A repetição das tarefas exigia uma padronização da produção.
• Mão de obra alienada: O trabalhador executava apenas uma tarefa e não conhecia todo o método de
produção, apenas a sua função.
• Produção concentrada: Espacialmente, a fábrica fordista era concentrada em um local, produzindo e
armazenando (estoques lotados) tudo no mesmo espaço. A concentração espacial reunia no mesmo
espaço milhares de trabalhadores, o que facilitava a ação de sindicatos, por isso, a pressão sindical era
muito forte.

Ilustração da linha de montagem do Ford T. Disponível em: https://cargocollective.com/

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Geografia

Complexo Industrial da Ford. Adaptado de: https://i.wheelsage.org/

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Geografia

Exercícios

1. A introdução da organização científica taylorista do trabalho e sua fusão com o fordismo acabaram por
representar a forma mais avançada da racionalização capitalista do processo de trabalho ao longo de
várias décadas do século XX.
ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2009
(adaptado).

O objetivo desse modelo de organização do trabalho é o alcance da eficiência máxima no processo


produtivo industrial que, para tanto,
a) adota estruturas de produção horizontalizadas, privilegiando as terceirizações.
b) requer trabalhadores qualificados, polivalentes e aptos para as oscilações da demanda.
c) procede à produção em pequena escala, mantendo os estoques baixos e a demanda crescente.
d) decompõe a produção em tarefas fragmentadas e repetitivas, complementares na construção do
produto.
e) outorga aos trabalhadores a extensão da jornada de trabalho para que eles definam o ritmo de
execução de suas tarefas.

2. “No tempo em que os sindicatos eram fortes, os trabalhadores podiam se queixar do excesso de
velocidade na linha de produção e do índice de acidentes sem medo de serem despedidos. Agora,
apenas um terço dos funcionários da IBP [empresa alimentícia norte-americana] pertence a algum
sindicato. A maioria dos não sindicalizados é imigrante recente; vários estão no país ilegalmente; e no
geral podem ser despedidos sem aviso prévio por seja qual for o motivo. Não é um arranjo que encoraje
ninguém a fazer queixa. [...] A velocidade das linhas de produção e o baixo custo trabalhista das fábricas
não sindicalizadas da IBP são agora o padrão de toda indústria.”
SCHLOSSER, Eric. País Fast- Food. São Paulo: Ática, 2002. p. 221.

No texto, o autor aborda a universalização, no campo industrial, dos empregos do tipo Mcjobs
“McEmprego”, comuns em empresas fast-food. Assinale a alternativa que apresenta somente
características desse tipo de emprego.
a) Alta remuneração da força de trabalho adequada à especialização exigida pelo processo de
produção automatizado.
b) Alta informalidade relacionada a um ambiente de estabilidade e solidariedade no espaço da
empresa.
c) Baixa automatização num sistema de grande responsabilidade e de pequena divisão do trabalho.
d) Altas taxas de sindicalização entre os trabalhadores aliadas a grandes oportunidades de avanço
na carreira.
e) Baixa qualificação do trabalhador acompanhada de má remuneração do trabalho e alta
rotatividade.

3
Geografia

3.

THAVES. Jornal do Brasil, 19 fev. 1997 (adaptado).

A forma de organização interna da indústria citada gera a seguinte consequência para a mão de obra
nela inserida:
a) Ampliação da jornada diária.
b) Melhoria da qualidade do trabalho.
c) Instabilidade nos cargos ocupados.
d) Eficiência na prevenção de acidentes.
e) Desconhecimento das etapas produtivas.

4. Nas primeiras décadas do século XX, o engenheiro Frederick Taylor desenvolveu os princípios de
administração científica, que consistiam, basicamente, no controle dos tempos e dos movimentos dos
trabalhadores para aumentar a eficiência do processo produtivo. Ao adotar estes princípios em sua
fábrica, Henry Ford criava um novo método de produção. A inovação mais importante do modelo
fordista de produção foi:
a) a fragmentação da produção.
b) o trabalho qualificado.
c) a linha de montagem.
d) a produção diferenciada.
e) a redução dos estoques.

5. Em seus Princípios de Administração Científica, Frederick Taylor desenvolvia um sistema de


organização dos processos de produção que poderia ser aplicado em todo o tipo de empresa, mesmo
que os experimentos tenham ocorrido em empresas industriais. Taylor apresentava algumas formas
de organização do trabalho que incluem várias características, como:
a) O estímulo da produção através da qualificação da mão de obra.
b) A divisão do processo de fabricação em gestos complexos.
c) A medição e racionalidade no uso de matérias-primas e ferramentas de trabalho.
d) A liberdade para os trabalhadores escolherem a forma de trabalho.
e) A mensuração da produtividade final e não do tempo para a execução das atividades.

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Geografia

6. Os trabalhadores que construíam seus carros Modelo N, predecessor do Modelo T, dispunham as peças
e partes numa fileira no chão, punham-nas em trilhos deslizadores e arrastavam-nas, ajustando umas
às outras. Mais tarde, o dinamismo do processo tornou-se mais sofisticado. Ford dividiu a montagem
do Modelo T em 84 passos discretos, por exemplo, treinando cada um de seus operários em executar
apenas um dos passos. Contratou também o especialista em estudos de movimento, Frederick Taylor,
para tornar a execução ainda mais eficiente. Nesse meio tempo, construiu máquinas que poderiam
estampar as partes automaticamente e muito mais rapidamente do que o mais ágil dos trabalhadores.
Com base no texto, a produção fordista tem por característica a
a) flexibilização da produção.
b) produção padronizada.
c) produção por demanda.
d) utilização de trabalho escravo.
e) valorização do trabalho artesanal.

7. Utilize as informações abaixo para responder à questão.

Taylorismo Fordismo
• separação do trabalho por tarefas e • produção e consumo em massa
níveis hierárquicos • extrema especialização do trabalho
• racionalização da produção • rígida padronização da produção
• controle do tempo • linha de montagem
• estabelecimento de níveis mínimos de
produtividade. Pós-fordismo
• estratégia de produção e consumo em
escala planetária
• valorização da pesquisa científica
• desenvolvimento de novas tecnologias
• flexibilização dos contratos de trabalho

Pelas características dos modelos produtivos do momento da Segunda Revolução Industrial, é possível
afirmar que o fordismo absorveu certos aspectos do taylorismo, incorporando novas características.
Essa afirmação se justifica, dentre outras razões, porque os objetivos do fordismo, principalmente,
pressupunham:
a) elevada qualificação intelectual do trabalhador ligada ao controle de tarefas sofisticadas.
b) altos ganhos de produtividade vinculada a estratégias flexíveis de divisão do trabalho na linha de
montagem.
c) redução do custo de produção associada às potencialidades de consumo dos próprios operários
das fábricas.
d) máxima utilização do tempo de trabalho do operário relacionada à despreocupação com os
contratos de trabalhos.
e) racionalização dos estoques, diminuindo a disponibilidade dos produtos e a possibilidade de
crises econômicas.

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Geografia

8. As inovações na organização do processo de produção, desenvolvidas a partir do fim do século XIX e


início do XX, ficaram conhecidas a partir da derivação dos nomes de seus principais expoentes,
Frederick Winslow Taylor e Henry Ford. Além disso, o taylorismo e o fordismo caracterizam,
respectivamente, dois princípios de organização do trabalho, denominados:
a) empirismo e produção artesanal.
b) administração científica e linhas de produção.
c) administração científica e células de produção.
d) administração empírica e linhas de produção.
e) administração emotiva e produção dispersa.

9. No início do século XX, o desenvolvimento industrial das cidades criou as condições necessárias para
aquilo que Thomas Gounet denominou "civilização do automóvel". Nesse contexto, um nome se
destacou, o de Henri Ford, cujas indústrias aglutinavam contingentes de trabalhadores maiores que o
de pequenas cidades com menos de 10.000 habitantes. O nome de Ford ficou marcado pela forma de
organização de trabalho que propôs para a indústria.
Com base nos conhecimentos sobre a organização do trabalho nos princípios propostos por Ford,
assinale a alternativa correta.
a) A organização dos sindicatos de trabalhadores dentro da fábrica transformou-os em
colaboradores da empresa.
b) A implantação da produção flexível de automóveis garantiu uma variedade de modelos para o
consumidor.
c) A produção em massa foi substituída pela de pequenos lotes de mercadorias, a fim de evitar
estoques de produtos.
d) O método de Ford potencializou o parcelamento de tarefas, largamente utilizado por Taylor.
e) Para obter ganhos elevados, a organização fordista implicava uma drástica redução dos salários
dos trabalhadores.

10. Outro importante método de racionalização do trabalho industrial foi concebido graças aos estudos
desenvolvidos pelo engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor. Uma de suas preocupações
fundamentais era conceber meios para que a capacidade produtiva dos homens e das máquinas
atingisse seu patamar máximo. Para tanto, ele acreditava que estudos científicos minuciosos deveriam
combater os problemas que impediam o incremento da produção.
Taylorismo e Fordismo. Disponível em www.brasilescola.com. Acesso em: 28 fev. 2012.

O Taylorismo apresentou-se como um importante modelo produtivo ainda no início do século XX,
produzindo transformações na organização da produção e, também, na organização da vida social. A
inovação técnica trazida pelo seu método foi a
a) utilização de estoques mínimos em plantas industriais de pequeno porte.
b) cronometragem e controle rigoroso do trabalho para evitar desperdícios.
c) produção orientada pela demanda enxuta atendendo a específicos nichos de mercado.
d) flexibilização da hierarquia no interior da fábrica para estreitar a relação entre os empregados.
e) polivalência dos trabalhadores que passaram a realizar funções diversificadas numa mesma
jornada.

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Geografia

Gabarito

1. D
A racionalização da produção em larga escala levou à criação de um modelo produtivo altamente
fragmentado, em que os trabalhadores executavam atividades repetitivas dentro de uma cadeia de
produção.

2. E
Os fast-foods são um bom exemplo das heranças fordistas e demonstram como a sobreposição dos
tempos traz a historicidade nos novos modelos. Alta rotatividade, baixa qualificação e má remuneração
são características desse tipo de trabalho.

3. E
A organização interna da indústria e do trabalho fordista/taylorista é caracterizada pela adoação da linha
de montagem, produção em massa, grandes estoques e especialização do trabalho. Um dos impactos da
divisão e especialização do trabalho é que o operário não conhece a totalidade ou o conjunto das etapas
produtivas.

4. C
A linha de montagem foi a concretização material das ideias de Taylor, que buscavam uma maior
produtividade sobre o trabalho e, consequentemente, lucratividade. Foi a partir da linha de montagem que
se definiu o recorte temporal do Fordismo, sendo um componente fundamental desse modelo.

5. C
As ideias de Taylor tinham a intencionalidade de eliminar o controle dos trabalhadores sobre o processo
de produção. Consistia na divisão em etapas simples, capazes de serem reproduzidas por qualquer um.
Além disso, buscava-se a máxima racionalidade no uso de matérias-primas e ferramentas de trabalho.

6. B
As principais características do Fordismo são a linha de montagem e a produção padronizada.

7. C
A exploração do trabalhador assalariado presume aumentar a lucratividade, a mais-valia que o patrão
lucra. Ao mesmo tempo, em um sistema que busca a máxima produção, é preciso que os trabalhadores
tenham dinheiro para consumir seu produto final a fim de movimentar os estoques.

8. B
Os preceitos científicos de Taylor (administração científica) com a prática de Ford (linhas de produção)
fizeram um modelo eficiente de exploração e produção em massa.

9. D
o Fordismo apoiou-se na concepção de Taylor, caracterizando-se pela divisão do trabalho nas fábricas,
cuja produção é gerenciada pelo sistema Just-in-case, buscando ampliar o estoque dos produtos.

10. B
O Taylorismo compreende um sistema de organização industrial desenvolvido no século XX com o
objetivo de maximizar a produção. Seus objetivos são: utilização de métodos de padronização da

3
Geografia

produção para evitar o desperdício produtivo, adoção de métodos para evitar a fadiga dos trabalhadores
e disciplina da distribuição das tarefas.

4
Guia do Estudo Perfeito

Como montar um cronograma de estudos perfeito

Resumo

Montar um cronograma de estudos não é uma tarefa fácil. Porém, isso não quer dizer que seja impossível.
Ele não deve ser genérico, muito menos um daqueles cronogramas que você encontra pela internet. Ele deve
ser específico e adequado ao tempo que você possui para estudar. O cronograma perfeito é o seu cronograma.

Conheça sua rotina


Defina o horário que você acorda, toma café da manhã, almoça, janta
e lancha, vai à escola ou ao trabalho. Quais são aquelas tarefas que
você precisa fazer obrigatoriamente no seu dia a dia? Reflita se
algumas dessas tarefas são possíveis de eliminar.

Defina seus horários de estudos


Agora que já definiu suas obrigações, é possível quantificar
seu tempo de estudo. Comece preenchendo os horários
vagos com as aulas que irá assistir. É importante identificar
qual é o melhor horário de estudo. Para aqueles que sentem
muito sono depois do almoço, alocar o mais difícil para o
período da manhã pode ser uma melhor opção. É importante
que, ao definir os horários, você seja o mais específico
possível.
Descanso e lazer
Ninguém é uma máquina de estudar. Adicione no seu
cronograma períodos para descansar, além de separar
outros momentos para o lazer. Por exemplo, no final do seu
dia, você pode determinar no seu cronograma, após o jantar,
um período para acessar a internet, assistir a um episódio de uma série de comédia ou alguma outra coisa
que te ajude a relaxar.

Imprevistos e planejamento
É importante separar um tempo no seu cronograma para compensar os imprevistos que possam ocorrer
durante sua semana de estudos. Basta alocar uma carga horária no final de semana para compensar esses
imprevistos. Se tudo ocorrer bem, é possível transformá-los em horário de lazer.

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Guia do Estudo Perfeito

Planejar sua próxima semana é outro ponto fundamental. Reserve o período de 1 hora para
atualizar seu cronograma com as mudanças que achar necessário, além de ver quais
conteúdos serão estudados nesta nova semana. Muitos acreditam que não possuem tempo
para estudar, porém, esse problema pode ser uma questão de organização.

Como montar o cronograma


Existem diferentes ferramentas possíveis de serem usadas para montar um cronograma. Ao clicar na imagem
abaixo, no canto esquerdo, você será direcionado para uma publicação no grupo do Descomplica-Vestibulares
com um tutorial de como editar os cronogramas. Além do Excel ou Planilhas, é possível montar seu
cronograma utilizando o Google Calendar.

Vídeo tutorial explicando como baixar e editar os cronogramas

Exemplo de planejamento utilizando o Google Calendar,


elaborado pela aluna Camille Bellas

Outros recursos para se manter organizado


Ter uma agenda e definir seus objetivos diários, semanais e mensais pode ser um excelente recurso para se
manter organizado. O cronograma pode não atender às suas necessidades completamente. Assim, utilizar
esses recursos pode ser o diferencial. O Bullet Journal é um sistema cujo objetivo é acompanhar suas tarefas,
organizando o presente e planejando o futuro. Você precisa apenas de um caderno (quadriculado ou
pontilhado) e uma caneta. Clique nas imagens abaixo para conhecer um pouco mais sobre esse método.

Como organizar seu Bullet Journal


Vídeo que popularizou o método Bullet Journal

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Guia do Estudo Perfeito

Exercício

Elabore um cronograma bem específico da sua semana. Coloque os horários das suas obrigações, estudos,
imprevistos, lazer e diversas outras atividades. Tenha esse cronograma no papel ou em uma planilha do Excel
e vá monitorando seu rendimento. Lembre-se: ele não precisa ser fixo e sempre deve ser alterado para se
adaptar à sua rotina.

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História

Do Mundo Antigo ao Feudalismo

Resumo

A reflexão sobre o mundo feudal perpassa necessariamente o processo de crise do Império Romano e a
consolidação do cristianismo na Europa. Reconstruiremos este percurso para compreender como o
feudalismo marcou o período conhecido como Idade Média.

Crise e queda de Roma


A partir do século III, o Império Romano passou por intensas crises. As guerras de conquista não aconteciam
desde o século II d.C e, com isso, a obtenção de novos escravos foi interrompida. Com a diminuição na
quantidade de escravos, a disponibilidade dessa mão de obra no império começou a diminuir. Assim, esse
processo afetou a economia romana e causou a diminuição de sua produtividade, provocando,
consequentemente, um aumento no custo de vida em todo o império.
Para agravar esse cenário, os altos gastos para manter suas extensas fronteiras protegidas, além de invasões
de povos chamados de bárbaros, principalmente os germânicos, ajudaram a desestabilizar o Império.
Ocorreram diversas tentativas de restabelecer a estabilidade, como a divisão do território em duas partes:
Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em
Constantinopla, visando melhorar a administração.
No entanto, em meio às invasões ao Império Romano do Ocidente, houve um intenso processo de ruralização,
com o objetivo de fugir e buscar proteção. Tal fato culminou na queda de Roma, em 476, marcando o fim da
Idade Antiga e o início da Idade Média. Vale lembrar que essas invasões não foram todas agressivas, mas em
muitos casos um processo de migração para o interior das fronteiras do então império, em busca de
segurança e estabilidade. Esse processo provocou uma pluralidade cultural que forneceu as bases para o
feudalismo.

O Cristianismo

O nascimento de Jesus Cristo ocorreu durante o Império Romano, na atual região da Palestina, dando origem
ao cristianismo, segunda grande religião monoteísta. No entanto, a relação de Roma com os cristãos nem
sempre foi amigável. Os cristãos sofreram uma série de perseguições por não crerem nos deuses romanos e
nem cultuarem o imperador.
Com a expansão do cristianismo, o imperador Constantino, em 313 d.C, concedeu a liberdade de culto aos
cristãos. Porém, o cristianismo só veio a se tornar religião oficial do Império Romano quase 70 anos depois,
com o imperador Teodósio.
O surgimento do cristianismo não pode ser considerado um fator que levou à queda do império romano, no
entanto, seu crescimento, no contexto de crise do Império, é um dos marcos desse processo de declínio. No
momento de fragilidade, as concepções religiosas de salvação trouxeram conforto à população, contribuindo
para a sobrevivência do cristianismo mesmo após o fim do Império.

1
História

A Idade Média e o feudalismo

A Idade Média começou a se estruturar com a queda de Roma, quando começou a se desenvolver uma nova
estrutura social, política e econômica, caracterizada por uma sociedade rural, descentralizada e estamental.
O período durou mais de 1000 anos e pode ser dividido em Alta Idade Média e Baixa Idade Média. Nesse longo
período se consolidou o que ficou conhecido como o feudalismo, modo de produção que associava elementos
romanos e germânicos, como o teocentrismo, baseado na grande influência ideológica da Igreja Católica
Apostólica e na descentralização política que acontecia nos últimos anos do império romano.
No feudalismo, as relações políticas entre nobres eram baseadas no princípio da suserania e da vassalagem,
no qual um nobre doava terras conquistadas por ele (suserano) a outro nobre (vassalo) em troca de fidelidade
nos compromissos militares do suserano. Apesar da existência da figura do rei, seus poderes eram limitados,
já que o poder estava descentralizado entre diversos senhores feudais.

As relações de vassalagem

A economia feudal também ocorria de forma descentralizada, dentro de estruturas chamadas de feudos. Os
feudos se baseavam na atividade agrícola, realizada pelos servos, e, em geral, eram autossuficientes, ou seja,
produziam os principais produtos necessários à sobrevivência de seus habitantes, tendo pouca necessidade
de troca entre os feudos. Isso gerou um desaquecimento do comércio e das atividades urbanas. A sociedade
feudal se caracterizou por uma estrutura estamental. Os estamentos eram divididos entre os que guerreavam
(nobreza), os que rezavam (clero) e os que trabalhavam (servos). A mobilidade social era quase inexistente,
já que a posição ocupada era determinada pelo nascimento.

A sociedade feudal: rígida hierarquização social

2
História

Exercícios

1. O fenômeno da escravidão, ou seja, da imposição do trabalho compulsório a um indivíduo ou a uma


coletividade, por parte de outro indivíduo ou coletividade, é algo muito antigo e, nesses termos,
acompanhou a história da Antiguidade até o séc. XIX. Todavia, percebe-se que tanto o status quanto o
tratamento dos escravos variou muito da Antiguidade Greco-romana até o século XIX em questões
ligadas às divisões do trabalho.

As variações mencionadas dizem respeito:


a) ao caráter étnico da escravidão antiga, pois certas etnias eram escravizadas de preconceitos
sociais.
b) à especialização do trabalho escravo na Antiguidade, pois certos ofícios de prestígio eram
frequentemente realizados por escravos.
c) ao uso dos escravos para a atividade agroexportadora, tanto na Antiguidade quanto no mundo
moderno, pois o caráter étnico determinou a diversidade de tratamento.
d) à absoluta desqualificação dos escravos para trabalhos mais sofisticados e à violência em seu
tratamento, independente das questões étnicas.
e) ao aspecto étnico presente em todas as formas de escravidão, pois o escravo era, na Antiguidade
Greco–romana, como no mundo moderno, considerado uma raça inferior.

2. Em 24 de junho, dia de São João, os camponeses de Verson (na França) colhiam os frutos dos campos
de seu senhor e os levavam ao castelo. Depois, cuidavam dos fossos e, em agosto, faziam a colheita
do trigo, também entregue ao senhor. Eles próprios não podiam recolher o seu trigo, senão depois que
o senhor tivesse tirado antecipadamente a sua parte. No começo do inverno, trabalhavam sobre a terra
senhorial para prepará-la, passar o arado e semear. No dia 30 de novembro, dia de Santo André, pagava-
se uma espécie de bolo. Pelo Natal, “galinhas boas e finas”. Depois, uma certa quantidade de cevada e
de trigo. E mais ainda! No moinho, para moer o grão do camponês, cobrava-se uma parte dos grãos e
uma certa quantidade de farinha; no forno, era preciso pagar também, e o “forneiro” dizia que, se não
tivesse o seu pagamento, o pão do camponês ficaria malcozido e imprestável.
LUCHAIRE, La Société française au temps de Philippe Auguste. Adaptado

O texto nos revela as principais obrigações servis na idade medieval. Assinale a alternativa que associa
corretamente a obrigação ao trabalho realizado.
a) o servo pagava a talha quando ceifava os prados do senhor, levava os frutos ao castelo, cuidava
dos fossos e colhia o trigo.
b) o servo trabalhava apenas de 24 de junho a 30 de novembro em muitas atividades: dos cuidados
com os animais ao trabalho no campo.
c) o servo trabalhava e recebia salário, pois pagava no moinho pela moagem dos grãos e ao forneiro
pelo pão assado.
d) o servo devia a seu senhor a corveia, a talha e as banalidades pelo uso das instalações senhoriais
bem como presentes em datas festivas.
e) o trabalho servil era recompensado no Natal, quando o senhor dava aos servos bolos, finas e
gordas galinhas.

3
História

3. Igreja, em torno de 1030, proclamou que, segundo o plano divino, os homens dividiam-se em três
categorias: os que rezam, os que combatem, os que trabalham, e que a concórdia reside na troca de
auxílios entre eles. Os trabalhadores mantêm, com sua atividade, os guerreiros, que os defendem, e os
homens da Igreja, que os conduzem à salvação. Assim a Igreja defendia, de maneira lúcida, o sistema
político baseado na senhoria.
DUBY, Georges. Arte e sociedade na Idade Média, 1997. Adaptado.

Segundo essa definição do universo social, feita pela Igreja cristã da Idade Média, a sociedade medieval
era considerada
a) injusta e imperfeita, na medida em que as atividades dos servos os protegiam dos riscos a que
estavam submetidos os demais grupos sociais.
b) perfeita, porque era sustentada pelas atividades econômicas da agricultura, do comércio e da
indústria.
c) sagrada, contendo três grupos sociais que deveriam contribuir para o congraçamento dos homens.
d) dinâmica e mutável, na medida em que estava dividida entre três estamentos sociais distintos e
rivais.
e) guerreira, cabendo à Igreja e aos trabalhadores rurais a participação direta nas lutas e empreitadas
militares dos cavaleiros.

4. Analisando as condições de trabalho da Europa medieval, o historiador Marc Bloch afirmou:


O servo, em resumo, dependia tão estreitamente de um outro ser humano que, fosse ele para onde
fosse, esse laço o seguia e se imprimia à sua descendência. Essas pessoas, para com o senhor, não
estavam obrigadas apenas às múltiplas rendas ou prestações de serviços. Deviam-lhe também auxílio
e obediência, e contavam com a sua proteção.
BLOCH, Marc. A sociedade feudal. Lisboa: Edições 79, s/d., p. 294-295. Adaptado

De acordo com o texto, é correto afirmar que a servidão na Europa medieval


a) baseava-se na cobrança de taxas e no trabalho em troca de proteção e moradia.
b) organizava a produção monocultora de exportação que predominava no período.
c) proporcionava ampla mobilidade social para os servos e seus descendentes.
d) garantia aos servos a participação nas decisões políticas dentro dos feudos.
e) impedia a circulação dos trabalhadores nas lavouras dos territórios senhoriais.

4
História

5. Aquilo que dominava a mentalidade e a sensibilidade dos homens da Idade Média era o seu sentimento
de insegurança (…) que era, no fim das contas, a insegurança quanto à vida futura, que a ninguém estava
assegurada (…). Os riscos da danação, com o concurso do Diabo, eram tão grandes, e as probabilidades
de salvação, tão fracas que, forçosamente, o medo vencia a esperança.
Jacques Le Goff. A civilização do Ocidente medieval.

O mundo medieval configurou-se a partir do medo da insegurança, como retratado no texto acima.
Encontre a alternativa que melhor condiz com o assunto.

a) A crise econômica decorrente do final do Império Romano, a guerra constante, as invasões


bárbaras, a baixa demográfica, as pestes, tudo isso aliado a um forte conteúdo religioso de punição
divina aos pecados contribuiu para o clima de insegurança medieval.
b) A peste bubônica provocou redução drástica na demografia medieval, levando a crenças
milenaristas e apocalípticas, sufocadas, por sua vez, pela rápida ação da Igreja, disponibilizando
recursos médicos e financeiros para a erradicação das várias doenças que afetam seus fiéis.
c) O clima de insegurança que predominou em toda a Idade Média decorreu das guerras constantes
entre nobres – suseranos – e servos – vassalos, contribuindo para a emergência de teorias
milenaristas no continente.
d) As enfermidades que afetavam a população em geral contribuíram para a demonização de
algumas práticas sociais, como o hábito de usar talheres nas refeições, adquirido, por sua vez, no
contato com povos bizantinos.
e) A certeza da punição divina a pecados cometidos pelos humanos predominava na mentalidade
medieval; por isso, nos vários séculos do período, eram constantes os autos de fé da Inquisição,
incentivando a confissão em massa, sempre com tolerância e diálogo.

6. “Reconheço ter prendido mercadores de Langres que passavam pelo meu domínio. Arrebatei-lhes as
mercadorias e guardei-as até o dia em que o bispo de Langres e o abade de Cluny vieram procurar-me
para exigir reparações.”
Castelão do século XI.
O texto apresentado permite afirmar que, na Idade Média,
a) o poder da Igreja era, além de religioso, também temporal.
b) os senhores feudais eram mais poderosos do que a Igreja.
c) o clero era responsável pela distribuição das mercadorias.
d) o conflito entre Igrejas e nobreza aproximou o clero dos comerciantes.
e) o poder do papa era limitado pelos sacerdotes.

5
História

7. Quando ninguém duvida da existência de um outro mundo, a morte é uma passagem que deve ser
celebrada entre parentes e vizinhos. O homem da Idade Média tem a convicção de não desaparecer
completamente, esperando a ressurreição. Pois nada se detém e tudo continua na eternidade. A perda
contemporânea do sentimento religioso fez da morte uma provação aterrorizante, um trampolim para
as trevas e o desconhecido.
DUBY, G. Ano 2000 na pista dos nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998 (adaptado).

Ao comparar as maneiras com que as sociedades têm lidado com a morte, o autor considera que houve
um processo de:
a) mercantilização das crenças religiosas.
b) transformação das representações sociais.
c) disseminação do ateísmo nos países de maioria cristã.
d) diminuição da distância entre saber científico e eclesiástico.
e) amadurecimento da consciência ligada à civilização moderna.

8. Sou uma pobre e velha mulher,


Muito ignorante, que nem sabe ler.
Mostraram-me na igreja da minha terra
Um Paraíso com harpas pintado
E o Inferno onde fervem almas danadas,
Um enche-me de júbilo, o outro me aterra.
VILLON, F. In: GOMBRICH, E. História da arte. Lisboa: LTC, 1999.

Os versos do poeta francês François Villon fazem referência às imagens presentes nos templos
católicos medievais. Nesse contexto, as imagens eram usadas com o objetivo de:
a) redefinir o gosto dos cristãos.
b) incorporar ideais heréticos.
c) educar os fiéis através do olhar.
d) divulgar a genialidade dos artistas católicos.
e) valorizar esteticamente os templos religiosos.

9. O próprio Deus quis que entre os homens alguns fossem senhores e outros servos, de modo que os
senhores veneram e amam a Deus, e que os servos amam e veneram o seu senhor, seguindo a palavra
do apóstolo; servos, obedecei vossos senhores temporais com temor e apreensão; senhores, tratai
vossos servos de acordo com a justiça e a equidade.
Marvin Perry. Civilização Ocidental: Uma História Concisa.

A partir da leitura do texto é possível assinalar que a respeito da ordem social feudal, o clero:
a) propugnava por uma sociedade dinâmica e de camponeses questionadores;
b) afirmava que os direitos e deveres das pessoas não dependiam de sua posição na ordem social;
c) rebatia a avaliação de que a vontade de Deus tivesse qualquer relação com a ordem social;
d) considerava que a sociedade funcionava bem quando todos aceitavam sua condição e
desempenhavam o papel que lhes era atribuído;
e) era o maior interessado em questionar a ordem social injusta do feudalismo.

6
História

10. “A desagregação do Império no Ocidente e o caos trazido pelas invasões permitiram à Igreja não só
definir com maior clareza a sua doutrina, como especialmente ampliar e fortalecer as instituições já
criadas”.
ESPINOSA, Fernanda. Antologia de Textos Históricos Medievais. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1972

De acordo com o trecho acima, os fatores que contribuíram para o fortalecimento da Igreja foram o
caos trazido pelas invasões e a desagregação do Império do Ocidente, isto porque:
a) se estabeleceu na Europa uma crise política, que levou a Igreja a ter o controle sobre o Estado e
toda a sociedade.
b) a cada invasão o poder do imperador se fortalecia e dava segurança ao povo, que buscava na
Igreja apenas o apoio espiritual.
c) com a queda do império do Ocidente, a sociedade romana se urbanizou, facilitando o processo de
evangelização desenvolvido pela Igreja.
d) a situação política e social gerado pelo fim do império e as invasões criaram condições para o
fortalecimento do poder da Igreja.
e) o caos que se instalou no império do Ocidente estimulou a criação de comunidades cristãs que
praticavam o comunismo primitivo, atraindo centenas de camponeses

7
História

Gabarito

1. B
A escravidão no mundo antigo não estava relacionada ao determinismo étnico, logo, muitas pessoas
eram escravizadas como espólios de guerra ou por dívidas e, muitas vezes, realizavam importantes
funções públicas.

2. D
Os servos eram constantemente taxados – com os impostos citados na opção. Os seus senhores
cobravam parte da produção pelo uso da terra e dos equipamentos, em troca, o senhor lhes prometia
proteção contra invasores.

3. C
Essa divisão defendida pelos religiosos, com base na fé (sagrada) favorecia as classes que batalhavam
e oravam, ou seja, a nobreza e o clero.

4. A
Os servos, presos a terra, deviam uma série de obrigações ao senhor, cobradas na forma de impostos.

5. A
Nesse contexto, a ideologia medieval altamente religiosa atribuía uma explicação punitiva aos eventos
como a peste e as guerras. Deste modo, mantinham a estrutura social com base no medo divino.

6. A
No contexto da Idade Média, a Igreja concentrava muitos poderes em suas mãos, garantindo grande
influência sobre a vida dos homens e mulheres.

7. B
As mudanças sociais, culturais e econômicas realizadas entre o ano 1000 e o ano 2000 provocaram
alterações também na forma como o ser humano se relaciona com o mundo físico e espiritual, ou seja,
houve uma mudança nas representações sociais do que seria entendido como vida, morte e eternidade.

8. C
A maioria dos fiéis católicos durante a Idade Média não sabia ler e nem escrever, logo, para fins
educativos, os vitrais e as imagens católicas auxiliaram muito na difusão das ideias.

9. D
Em um mundo teocentrista, a igreja dominava o mundo das ideias, esta tinha a missão de manter o status
quo da servidão.

10. D
O clima de insegurança fortalecia a ideologia punitiva dos pecados junto com a promessa de remissão
no paraíso disseminada pela igreja.

8
História

Formação dos Estados Nacionais

Resumo

Para compreendermos a formação dos Estados Nacionais, é necessário que olhemos para a Baixa Idade
Média, período de crise do feudalismo, e que compreendamos os fatores que contribuíram para a
transformação do mundo feudal e o advento da Idade Moderna.

Cruzadas
As Cruzadas foram expedições militares organizadas pela Igreja Católica que aconteceram entre os séculos
XI e XIII, com o objetivo de conquistar Jerusalém, a chamada Terra Santa. Uma das principais consequências
da Cruzadas foi a abertura de rotas comerciais na Europa, contribuindo para o chamado renascimento
comercial, fato essencial para a compreensão das transformações que levaram ao declínio da Idade Média.

As Cruzadas, que contribuíram para a reabertura de rotas comerciais na Europa.

Crise do Século XIV e Centralização Política


O renascimento comercial ocorreu em paralelo a um renascimento urbano, já que uma série de inovações nas
técnicas agrícolas permitiram o aumento da produção e, como consequência disso, o crescimento
populacional. O aumento da população permitiu o crescimento das cidades, áreas externas aos feudos que
eram chamados de “burgos”. Esse processo, no entanto, foi freado em fins do século XIII, quando agravaram-
se as contradições entre o campo e a cidade da Idade Média. A produção agrícola não respondia às exigências
das cidades em crescimento e as terras férteis eram cada vez mais escassas. Somado a este cenário, um
período de fortes chuvas destruiu os campos e colheitas, contribuindo para que a Europa medieval fosse
mergulhada em um período de fome e miséria. Como consequência da fome, epidemias se alastraram
trazendo intensa mortalidade à população. A principal deles foi a peste negra, que amedrontou a população
e abalou a economia. Cidades ricas foram destruídas e abandonadas pelos seus habitantes. Os servos
morriam e as plantações ficavam destruídas por falta de cuidados. Nesse contexto de crise, os senhores
feudais começaram a receber menos tributos diminuindo seus rendimentos e, para manter a cobrança de
impostos, intensificaram a exploração dos camponeses e servos.
O recrudescimento da exploração feudal sobre os servos contribuiu para as revoltas camponesas que se
espalharam pela Europa no século XIV. A mortalidade trazida pelas chuvas, fome e peste negra foi ainda

1
História

ampliada pela longa guerra entre os reis da Inglaterra e França, que entre combates e tréguas, durou mais de
um século (1337/1453): a Guerra dos Cem Anos.

Revoltas camponesas marcaram a Baixa Idade Média

A solução para este cenário de crise foi justamente a centralização do poder político, que levou a formação
dos Estados Nacionais Modernos e do Absolutismo. Ele foi fruto de um processo que levou ao fortalecimento
do poder dos reis, caminho encontrado para supressão das revoltas camponesas. A nobreza feudal, que
detinha poder político sobre o feudo, se tornou uma nobreza cortesã detentora de privilégios na nova ordem
vigente. Foi, assim, essa aliança entre o rei e a nobreza que promoveu a centralização do poder político nas
mão dos reis absolutistas. Com a formação dos Estados Nacionais Modernos houve a criação de uma
burocracia administrativa, a criação de um exército nacional para estabelecer ordem pública na sociedade, a
unificação das leis e o surgimento de tarifas e tributos unificados. Nesse processo, a burguesia garantiu
elementos que levaram ao seu fortalecimento econômico, como a unificação dos pesos, medidas e moedas
e a dissolução dos impostos feudais.
O primeiro reino a utilizar o modelo de Estado Moderno foi Portugal. Ali, a centralização política ocorreu como
consequência de campanhas militares da Guerra da Reconquista - que objetivavam recuperar os territórios
da Península Ibérica dominados pelos mouros - , assim como na Espanha. Já na França, a vitória sobre a
Inglaterra na Guerra dos Cem Anos (1337 - 1453) firmou as bases para a consolidação do Estado Moderno,
enquanto na Inglaterra, o processo se deu após a Guerra das Duas Rosas (1455 - 1485).

Luis XIV – Rei absolutista da França, conhecido como o “Rei Sol”.

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História

Exercícios

1. “O que chamamos de corte principesca era, essencialmente, o palácio do príncipe. Os músicos eram
tão indispensáveis nesses grandes palácios quanto os pasteleiros, os cozinheiros e os criados. Eles
eram o que se chamava, um tanto pejorativamente, de criados de libré. A maior parte dos músicos
ficava satisfeita quando tinha garantida a subsistência, como acontecia com as outras pessoas de
classe média na corte; entre os que não se satisfaziam, estava o pai de Mozart. Mas ele também se
curvou às circunstâncias a que não podia escapar.“
Norbert Elias. Mozart: sociologia de um gênio. Ed. Jorge Zahar, 1995, p. 18 (com adaptações).

Considerando-se que a sociedade do Antigo Regime dividia-se tradicionalmente em estamentos:


nobreza, clero e 3.° Estado, é correto afirmar que o autor do texto, ao fazer referência a “classe média”,
descreve a sociedade utilizando a noção posterior de classe social a fim de:
a) aproximar da nobreza cortesã a condição de classe dos músicos, que pertenciam ao 3.° Estado.
b) destacar a consciência de classe que possuíam os músicos, ao contrário dos demais
trabalhadores manuais.
c) indicar que os músicos se encontravam na mesma situação que os demais membros do 3.° Estado.
d) distinguir, dentro do 3.° Estado, as condições em que viviam os “criados de libré” e os camponeses.
e) comprovar a existência, no interior da corte, de uma luta de classes entre os trabalhadores
manuais.

2.

Charge anônima. BURKE, P. A fabricação do rei. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. (Foto: Enem)

Na França, o rei Luís XIV teve sua imagem fabricada por um conjunto de estratégias que visavam
sedimentar uma determinada noção de soberania. Neste sentido, a charge apresentada demonstra
a) a humanidade do rei, pois retrata um homem comum, sem os adornos próprios à vestimenta real.
b) a unidade entre o público e o privado, pois a figura do rei com a vestimenta real representa o
público e sem a vestimenta real, o privado.
c) o vínculo entre monarquia e povo, pois leva ao conhecimento do público a figura de um rei
despretensioso e distante do poder político.
d) o gosto estético refinado do rei, pois evidencia a elegância dos trajes reais em relação aos de
outros membros da corte.
e) a importância da vestimenta para a constituição simbólica do rei, pois o corpo político adornado
esconde os defeitos do corpo pessoal.

3
História

3. “O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o
povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros
que, por muita piedade, permitem os distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo.”
MAQUIAVEL, N. O Príncipe, São Paulo: Martin Claret, 2009.

No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão sobre a Monarquia e a função do governante. A
manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na:
a) inércia do julgamento de crimes polêmicos.
b) bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
c) compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas.
d) neutralidade diante da condenação dos servos.
e) conveniência entre o poder tirânico e a moral do príncipe.

4. Vou-me embora pra Pasárgada


Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
BANDEIRA, Manoel. "Vou-me embora pra Pasárgada". In: VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA E OUTROS POEMAS. Rio de
Janeiro, Ediouro, 1997.

O reino imaginário de Pasárgada e os privilégios dos amigos do rei podem ser comparados à situação
da nobreza europeia com a formação das Monarquias Nacionais Modernas. A razão fundamental do
apoio que esta nobreza forneceu ao rei, no intuito de manter-se "amiga" do mesmo, conservando
inúmeras regalias, pode ser explicada pela (o):
a) composição de um corpo burocrático que absorve a nobreza, tornando esse segmento autônomo
em relação às atividades agrícolas que são assumidas pelo capital mercantil.
b) subordinação dos negócios da burguesia emergente aos interesses da nobreza fundiária,
obstaculizando o desenvolvimento das atividades comerciais.
c) manutenção de forças militares locais que atuaram como verdadeiras milícias aristocráticas na
repressão aos levantes camponeses.
d) repressão que as monarquias empreenderiam às revoltas camponesas, restabelecendo a ordem
no meio rural em proveito da aristocracia agrária.
e) completo restabelecimento das relações feudo-vassálicas, freando temporariamente o processo
de assalariamento da mão-de-obra e de entrada do capital mercantil no campo.

4
História

5.

As diferentes representações cartográficas trazem consigo as ideologias de uma época. A


representação destacada se insere no contexto das Cruzadas por:
a) Revelar aspectos da estrutura demográfica de um povo.
b) sinalizar a disseminação global de mitos e preceitos políticos.
c) utilizar técnicas para demonstrar a centralidade de algumas regiões.
d) mostrar o território para melhor administração dos recursos naturais.
e) refletir a dinâmica sociocultural associada à visão de mundo eurocêntrica.

6. O poder dos reis tinha, na época do absolutismo, respaldo em ideias de filósofos, como Hobbes, e
fortalecia a centralização de suas ações colonizadoras no tempo das navegações. Os reis do
absolutismo:
a) encontraram apoio dos papas da Igreja Católica que concordavam, sem problemas, com o
autoritarismo dos reis e a existência das riquezas vindas das colônias.
b) eram desfavoráveis ao crescimento político da burguesia, pois se aliavam com a nobreza
latifundiária e defensora da continuidade de princípios do feudalismo.
c) dominaram na Europa moderna, contribuindo para diminuir o poder do papa e reorganizar a
economia conforme princípios do mercantilismo.
d) fortaleceram as alianças políticas entre grupos da aristocracia europeia que queriam a
descentralização administrativa dos governos.
e) fizeram pactos com grupos da burguesia, embora fossem aliados da Igreja Católica e
concordassem com a teoria do ‘justo-preço’

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História

7. (...) entre os séculos XVII e XVIII ocorreram fatos na França que é preciso recordar. Entre 1660-1680,
os poderes comunais são desmantelados; as prerrogativas militares, judiciais e fiscais são revogadas;
os privilégios provinciais reduzidos. Durante a época do Cardeal Richelieu (1585-1642) aparece a
expressão “razão de Estado”: o Estado tem suas razões próprias, seus objetivos, seus motivos
específicos. A monarquia francesa é absoluta, ou pretende sê-lo. Sua autoridade legislativa e executiva
e seus poderes impositivos, quase ilimitados, de uma forma geral são aceitos em todo o país. No
entanto... sempre há um “no entanto”. Na prática, a monarquia está limitada pelas imunidades, então
intocáveis, de que gozam certas classes, corporações e indivíduos; e pela falta de uma fiscalização
central dos amplos e heterogêneos corpos de funcionários. Leon Pomer, O surgimento das nações.
Apud Adhemar Marques et al, História Moderna através de textos.

No contexto apresentado, entre as “imunidades de que gozam certas classes”, é correto considerar
a) os camponeses e os pequenos proprietários urbanos eram isentos do pagamento de impostos em
épocas de secas ou de guerras de grande porte.
b) a burguesia ligada às transações financeiras com os espaços coloniais franceses não estava
sujeita ao controle do Estado francês, pois atuava fora da Europa.
c) a nobreza das províncias mais distantes de Paris estava desobrigada de defender militarmente a
França em conflitos fora do território nacional.
d) os grandes banqueiros e comerciantes não precisavam pagar os impostos devido a uma tradição
relacionada à formação do Estado francês.
e) o privilégio da nobreza que não pagava tributos ao Estado francês, condição que contribuiu para o
agravamento das finanças do país na segunda metade do século XVIII.

8. O que se entende por Corte do antigo regime é, em primeiro lugar, a casa de habitação dos reis de
França, de suas famílias, de todas as pessoas que, de perto ou de longe, dela fazem parte. As despesas
da Corte, da imensa casa dos reis, são consignadas no registro das despesas do reino da França sob a
rubrica significativa de Casas Reais.
ELIAS, N. A sociedade de corte. Lisboa: Estampa, 1987.

Algumas casas de habitação dos reis tiveram grande efetividade política e terminaram por se
transformar em patrimônio artístico e cultural, cujo exemplo é:
a) o palácio de Versalhes.
b) o Museu Britânico.
c) a catedral de Colônia.
d) a Casa Branca.
e) a pirâmide do faraó Quéops.

6
História

9. TEXTO I
O Estado sou eu.
Frase atribuída a Luís XIV, Rei Sol, 1638–1715. Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br. Acesso em: 30 nov. 2011.

TEXTO II
A nação é anterior a tudo. Ela é a fonte de tudo. Sua
vontade é sempre legal; na verdade é a própria lei.
SIEYÈS, E–J. O que é o Terceiro Estado. Apud. ELIAS, N. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos
XIX e XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

Os textos apresentados expressam alteração na relação entre governantes e governados na Europa.


Da frase atribuída ao rei Luís XIV até o pronunciamento de Sieyès, representante das classes médias
que integravam o Terceiro Estado Francês, infere–se uma mudança decorrente da:

a) ampliação dos poderes soberanos do rei, considerado guardião da tradição e protetor de seus
súditos e do Império.
b) associação entre vontade popular e nação, composta por cidadãos que dividem uma mesma
cultura nacional.
c) reforma aristocrática, marcada pela adequação dos nobres aos valores modernos, tais como o
princípio do mérito.
d) Organização dos Estados centralizados, acompanhados pelo aprofundamento da eficiência
burocrática.
e) crítica ao movimento revolucionário, tido como ilegítimo em meio à ascensão popular conduzida
pelo ideário nacionalista.

10. Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval nascido talvez de um profundo
sentimento de insegurança, estava difundida no mundo rural, estava do mesmo modo no meio urbano,
pois que uma das características da cidade era de ser limitada por portas e por uma muralha.
DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV”. In: ARIÈS, P.; DUBY, G. História da vida privada da Europa Feudal à Renascença. São Paulo:
Cia. das Letras, 1990 (adaptado).

As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando
elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos. Este processo está diretamente
relacionado com:
a) o crescimento das atividades comerciais e urbanas.
b) a migração de camponeses e artesãos.
c) a expansão dos parques industriais e fabris.
d) o aumento do número de castelos e feudos.
e) a contenção das epidemias e doenças.

7
História

Gabarito

1. C
Apesar de conviverem em relação de proximidade com a corte, os músicos pertenciam ao terceiro estado,
assim como a burguesia, os camponeses, etc.

2. E
O estado se confundia com a própria pessoa do rei. Devido a isso, o soberano tendia a adornar-se assim
fortalecia a imagem do estado.

3. E
Maquiavel aconselhava o soberano a balancear o uso da força, afim de passar a imagem de um
governante justo.

4. D
O Rei surge como uma figura capaz de conter às revoltas, aspecto fundamental para compreendermos
a centralização monárquica e a formação dos Estados Nacionais.

5. C
Durante o período das cruzadas, um dos grandes objetivos católico foi a retomada de Jerusalém, cidade
considerada sagrada para muitas religiões. Logo, no mapa, podemos observar a cidade representada no
centro do mundo, como algo importante e disputado por todos.

6. C
O absolutismo foi a principal característica política das nações europeias durante a Idade Moderna,
caracterizado por forte centralização do poder e, nos Estados católicos, justificado como de origem
divina. Existe uma ideia comum de que, para os reis fortalecerem o seu poder, a nobreza e a Igreja tiveram
seu poder reduzido; essa interpretação é predominante nos livros didáticos, porém existem visões
diferentes, que reforçam o poder das velhas elites – nobreza e clero – no controle do Estado Moderno

7. E
Na França do Antigo Regime, entre os séculos XV e XVIII, a monarquia absolutista reconhecia privilégios
de alguns grupos sociais. Entre esses, a nobreza tinha imunidade fiscal e uma justiça particular. Tais
privilégios são anulados com a Revolução Francesa. O fragmento utilizado como apoio para a questão
mostra como a monarquia absolutista não foi exatamente absolutista, pois havia limitações ao seu poder.

8. A
O Palácio de Versalhes foi um grande simbolo da nobreza francesa, representando também os valores
dessa classe, o autoritarismo do absolutismo e os privilégios nobiliárquicos.

9. B
A transição do primeiro momento para o segundo é marcado pela Revolução Francesa, mostrando assim
a mudança dos próprios pensamentos sobre o que é o Estado e a nação. No primeiro momento, o Estado
era o absolutismo, o rei, no segundo, o soberano é o povo e seus desejos, que formam a nação.

8
História

10. A
O renascimento urbano e comercial representou principalmente um retorno da vida urbana e da
circulação de dinheiro e bens materiais entre as cidades e feudos. Assim, com o aumento desses bens,
os ataques, roubos e invasões também se ampliaram, tornando necessária a criação de fortalezas e
muralhas para proteger certas regiões.

9
Literatura

Gêneros literários: épico/narrativo

Resumo

Os gêneros literários
Os gêneros literários são conjuntos ou categorias que reúnem aspectos semelhantes de forma e conteúdo
em relação às produções literárias. Esse agrupamento também pode ser realizado de acordo com
características semânticas, contextuais, discursivas e sintáticas. O filósofo Aristóteles foi o primeiro a definir
os gêneros e os dividiu em três importantes classificações: épico ou narrativo, dramático e lírico.

Gênero épico/narrativo
No gênero épico, do grego “epikos”, há a presença de uma narrativa mitológica com temáticas grandiosas e
heróicas sobre a história de um povo e seus personagens. O narrador fala de um determinado passado e
apresenta também o espaço onde sucederam as ações. Em geral, o texto é constituído por versos e há a
presença de elementos míticos ou fantasiosos.
Duas obras muito conhecidas são “Ilíada” e “Odisseia”, heróis épicos da Grécia Antiga. Na Idade Média, Dante
Alighieri retoma a escrita com “Divina Comédia”; já na Era Moderna, Luís Vaz de Camões revive o gênero com
“Os Lusíadas”. Abaixo, você encontra um pequeno trecho de “Ilíada” e algumas características da lírica
épica:
“Torna ao conflito o herói; se à frente há pouco
Era atroz, o furor se lhe triplica.
Quando o leão, que assalta agreste bardo,
Sem rendê-lo o pastor golpeia e assanha,
Foge e a grei desampara; a pulo a fera
Trepa, amedronta o ermo, umas sobre outras
Atropela as lanígeras ovelhas,
Do redil sai ovante e ensangüentado:
Anda assim na baralha o cru Tidides.”

Já o texto gênero narrativo nasce na modernidade derivado do épico, no entanto, é constituído em prosa.
São exemplificados pelas novelas, romances, contos, etc. Por desenvolver uma estrutura diferente das
antigas obras épicas, ela é caracterizada por:
• Apresentação: Introdução dos personagens, tempo, espaço em que seguirá a narrativa.

• Desenvolvimento: parte da história é desenvolvida com base nas ações dos personagens, direcionando
a um momento de ápice.
• Clímax: momento da história de maior tensão, é o ápice da narrativa.
• Desfecho: finalização dos conflitos e desenvolvimentos, conclusão dos peronagens e de suas relações.
Leia, abaixo, um trecho da obra “Senhora”, de José de Alencar e identifique as características do texto
narrativo:
“Filho de um empregado público e órfão aos dezoito anos, Seixas foi obrigado a abandonar seus estudos na
Faculdade de São Paulo pela impossibilidade em que se achou sua mãe de continuar-lhe a mesada.

1
Literatura

Já estava no terceiro ano, e se a natureza que o ornara de excelentes qualidades lhe desse alguma energia
a força de vontade, conseguiria ele vencendo pequenas dificuldades, concluir o curso; tanto mais quanto um
colega e amigo, o Torquato Ribeiro lhe oferecia hospitalidade até que a viúva pudesse liquidar o espólio.
Mas Seixas era desses espíritos que preferem a trilha batida, e só impelidos por alguma forte paixão, rompem
com a rotina. Ora, a carta de bacharel não tinha grande solução para sua bela inteligência mais propensa à
literatura e ao jornalismo.”

Elementos do gênero épico/narrativo

Os elementos da narrativa são essenciais para o gênero, pois é por meio deles que ocorre o decorrer das
ações da história. Dividem-se em cinco:
• Personagem: São as pessoas presentes na narrativa. De acordo com sua importância, são denominados
como “protagonistas” (figuras principais) ou “coadjuvantes” (personagens secundários).
• Enredo: É o tema/assunto da história, que pode ser contada de maneira linear ou não-linear (respeitando
ou não a cronologia). E a partir dele que irá se desdobrar o decorrer da narrativa.
• Tempo: Podendo ser cronológico (que segue uma linearidade dos acontecimentos) ou de modo interior
e digressivo, é importante ressaltar que toda a narrativa é transmitida em um certo tempo para que se
façam os acontecimentos.
• Espaço: É o local em que se desenvolve a narrativa. Podendo ser físico ou psicológico, determinará onde
as ações irão acontecer.
• Narrador: Também chamado de “foco narrativo”, é a “voz” do texto, ou seja, é quem irá transmitir as
ideias presentes da narrativa.
Obs: É importante lembrar os tipos de narradores: há o narrador-personagem, que é aquele que narra e
também faz parte do enredo; há o narrador-observador, que não faz parte do enredo e narra a história em 3ª
pessoa e, por fim, há o narrador onisciente, que é aquele que narra e sabe os anseios e sentimentos dos
personagens.

2
Literatura

Textos de apoio:

TEXTO I
Cessem do sábio grego e do troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a musa antiga canta
Que outro valor mais alto se alevanta
CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas
TEXTO II
O arquivo
No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um os
poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a
agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia
pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo,
e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou
mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
(...)
A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome.
Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais
problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os
farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de
serviço, foi convocado pela chefia:
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de
amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse.
Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:

3
Literatura

— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de
pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O
senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se
fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-
se cinzento.
João transformou-se num arquivo de metal.
Victor Giudice

4
Literatura

Exercícios

1. Autorretrato falado
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,
aves, pessoas humildes, árvores e rios.

Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar


entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto
meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou
abençoado a garças.

Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que


fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!

Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço


coisas inúteis.

No meu morrer tem uma dor de árvore.


Manoel de Barros

Uma obra literária pode combinar diferentes gêneros, embora, de modo geral, um deles se mostre
dominante. O poema de Manoel de Barros, predominantemente lírico, apresenta características de um
outro gênero. Qual?
a) Gênero épico.
b) Gênero poético.
c) Gênero elegíaco.
d) Gênero dramático.
e) Gênero narrativo.

5
Literatura

2. “Musa, reconta-me os feitos do herói astucioso que muito


peregrinou, dês que desfez as muralhas sagradas de Troia;
muitas cidades dos homens viajou, conheceu seus costumes,
como no mar padeceu sofrimento inúmeros na alma,
para que a vida salvasse e de seus companheiros a volta.”
HOMERO. Odisseia. Tradução: Carlos Alberto Nunes. 5. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. Coleção Universidade. (Fragmento).

O texto acima é parte da cena de abertura do poema épico grego Odisseia. A partir da leitura atenta do
fragmento e dos conhecimentos acumulados sobre o gênero épico, podemos afirmar que este:
a) Tem como característica principal a existência de cinco fatores: tempo, espaço, narrador,
personagem e enredo.
b) Responde à necessidade humana de expressão da individualidade e da subjetividade, a partir da
presença marcante de um eu lírico.
c) Gira em torno, principalmente, do cuidado com a linguagem, concentrando-se mais na forma do
que no conteúdo.
d) Celebra, em estilo solene e grandioso, um acontecimento histórico protagonizado por um herói.
e) Concentra-se no diálogo como principal fio condutor da história.

3. Ed Mort só vai
Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Tenho um escritório numa galeria de Copacabana
entre um fliperama e uma loja de carimbos. Dá só para o essencial, um telefone mudo e um cinzeiro.
Mas insisto numa mesa e numa cadeira. Apesar do protesto das baratas. Elas não vencerão. Comprei
um jogo de máscaras. No meu trabalho o disfarce é essencial. Para escapar dos credores. Outro dia
entrei na sala e vi a cara do King Kong andando pelo chão. As baratas estavam roubando as máscaras.
Espisoteei meia dúzia. As outras atacarama mesa. Consegui salvar a minha Bic e o jornal. O jornal era
novo, tinha só uma semana. Mas elas levaram a agenda. Saí ganhando. A agenda estava em branco.
Meu último caso fora com a funcionária do Erótica, a primeira ótica da cidade com balconista topless.
Acabara mal. Mort. Ed Mort. Está na plaqueta.
VERISSIMO, L. F. Ed Mort: todas as histórias. Porto Alegre: L&PM, 1997 (adaptado).

Nessa crônica, o efeito de humor é basicamente construído por uma


a) segmentação de enunciados baseada na descrição dos hábitos do personagem.
b) ordenação dos constituintes oracionais na qual se destaca o núcleo verbal.
c) estrutura composicional caracterizada pelo arranjo singular dos períodos.
d) sequenciação narrativa na qual se articulam eventos absurdos.
e) seleção lexical na qual predominam informações redundantes.

6
Literatura

4. Em casa, Hideo ainda podia seguir fiel ao imperador japonês e às tradições que trouxera no navio que
aportara em Santos. […] Por isso Hideo exigia que, aos domingos, todos estivessem juntos durante o
almoço. Ele se sentava à cabeceira da mesa; à direita ficava Hanashiro, que era o primeiro filho, e
Hitoshi, o segundo, e à esquerda, Haruo, depois Hiroshi, que era o mais novo. […] A esposa, que também
era mãe, e as filhas, que também eram irmãs, aguardavam de pé ao redor da mesa […]. Haruo
reclamava, não se cansava de reclamar: que se sentassem também as mulheres à mesa, que era um
absurdo aquele costume. Quando se casasse, se sentariam à mesa a esposa e o marido, um em frente
ao outro, porque não era o homem melhor que a mulher para ser o primeiro […]. Elas seguiam de pé, a
mãe um pouco cansada dos protestos do filho, pois o momento do almoço era sagrado, não era hora
de levantar bandeiras inúteis […].
NAKASATO, O. Nihonjin. São Paulo: Benvirá, 2011 (fragmento).

Referindo-se a práticas culturais de origem nipônica, o narrador registra as reações que elas
provocam na família e mostra um contexto em que
a) a obediência ao imperador leva ao prestígio pessoal.
b) as novas gerações abandonam seus antigos hábitos.
c) a refeição é o que determina a agregação familiar
d) os conflitos de gênero tendem a ser neutralizados.
e) o lugar à mesa metaforiza uma estrutura de poder

5. Leia o texto a seguir e classifique-o de acordo com o gênero:

O lobo e o leão
Um Lobo, que acabara de roubar uma ovelha, depois de refletir por um instante, chegou à conclusão
que o melhor seria levá-la para longe do curral, para que enfim fosse capaz de servir-se daquela
merecida refeição, sem o indesejado risco de ser interrompido por alguém.
No entanto, contrariando a sua vontade, seus planos bruscamente mudaram de rumo, quando, no
caminho, ele cruzou com um poderoso Leão, que sem muita conversa, de um só bote, lhe tomou a
ovelha.
O Lobo, contrariado, mas sempre mantendo uma distância segura do seu oponente, disse em tom
injuriado, com uma certa dose de ironia: "Você não tem o direito de tomar para si aquilo que por direito
me pertence!"
O Leão, sentindo-se um tanto ultrajado pela audácia do seu concorrente, olhou em volta, mas como o
Lobo estava longe demais e não valia a pena o inconveniente de persegui-lo apenas para lhe dar uma
merecida lição, disse com desprezo: "Como pertence a você? Você por acaso a comprou ou, por acaso,
terá o pastor lhe dado como presente? Por favor, me diga, como você a conseguiu?"

a) Gênero lírico – crônica.


b) Gênero épico – anedota.
c) Gênero narrativo – conto.
d) Gênero lírico – poema.
e) Gênero narrativo – fábula.

7
Literatura

6. Menina
A máquina de costura avançava decidida sobre o pano. Que bonita que a mãe era, com os alfinetes na
boca. Gostava de olhá-la calada, estudando seus gestos, enquanto recortava retalhos de pano com a
tesoura. Interrompia às vezes seu trabalho, era quando a mãe precisava da tesoura. Admirava o jeito
decidido da mãe ao cortar pano, não hesitava nunca, nem errava. A mãe sabia tanto! Tita chamava-a
de ( ) como quem diz ( ). Tentava não pensar as palavras, mas sabia que na mesma hora da tentativa
tinha-as pensado. Oh, tudo era tão difícil. A mãe saberia o que ela queria perguntar-lhe intensamente
agora quase com fome depressa depressa antes de morrer, tanto que não se conteve e — Mamãe, o
que é desquitada? — atirou rápida com uma voz sem timbre. Tudo ficou suspenso, se alguém gritasse
o mundo acabava ou Deus aparecia — sentia Ana Lúcia. Era muito forte aquele instante, forte demais
para uma menina, a mãe parada com a tesoura no ar, tudo sem solução podendo desabar a qualquer
pensamento, a máquina avançando desgovernada sobre o vestido de seda brilhante espalhando luz
luz luz.
ÂNGELO, I. Menina. In: A face horrível. São Paulo: Lazuli, 2017.

Escrita na década de 1960, a narrativa põe em evidência uma dramaticidade centrada na


a) insinuação da lacuna familiar gerada pela ausência da figura paterna.
b) associação entre a angústia da menina e a reação intempestiva da mãe.
c) relação conflituosa entre o trabalho doméstico e a emancipação feminina.
d) representação de estigmas sociais modulados pela perspectiva da criança.
e) expressão de dúvidas existenciais intensificadas pela percepção do abandono.

7. TEXTO I
João Guedes, um dos assíduos frequentadores do boliche do capitão, mudara-se da campanha havia
três anos. Três anos de pobreza na cidade bastaram para o degradar. Ao morrer, não tinha um vintém
nos bolsos e fazia dois meses que saíra da cadeia, onde estivera preso por roubo de ovelha.
A história de sua desgraça se confunde com a da maioria dos que povoam a aldeia de Boa Ventura,
uma cidadezinha distante, triste e precocemente envelhecida, situada nos confins da fronteira do
Brasil com o Uruguai.
MARTINS, C. Porteira fechada. Porto Alegre: Movimento, 2001 (fragmento).
TEXTO II
Comecei a procurar emprego, já topando o que desse e viesse, menos complicação com os homens,
mas não tava fácil. Fui na feira, fui nos bancos de sangue, fui nesses lugares que sempre dão para
descolar algum, fui de porta em porta me oferecendo de faxineiro, mas tava todo mundo escabreado
pedindo referências, e referências eu só tinha do diretor do presídio.
FONSECA, R. Feliz Ano Novo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (fragmento).

A oposição entre campo e cidade esteve entre as temáticas tradicionais da literatura brasileira. Nos
fragmentos dos dois autores contemporâneos, esse embate incorpora um elemento novo: a questão
da violência e do desemprego.
As narrativas apresentam confluência, pois nelas o(a)
a) criminalidade é algo inerente ao ser humano, que sucumbe a suas manifestações.
b) meio urbano, especialmente o das grandes cidades, estimula uma vida mais violenta.
c) falta de oportunidades na cidade dialoga com a pobreza do campo rumo à criminalidade.
d) êxodo rural e a falta de escolaridade são causas da violência nas grandes cidades.
e) complacência das leis e a inércia das personagens são estímulos à prática criminosa.

8
Literatura

Texto para as questões 8 e 9


(…) Não resguardei os apontamentos obtidos em largos dias e meses de observação: num momento de
aperto fui obrigado a atirá-los na água. Certamente me irão fazer falta, mas terá sido uma perda irreparável?
Quase me inclino a supor que foi bom privar-me desse material. Se ele existisse, ver-me-ia propenso a
consultá-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com rigor a hora exata de uma partida, quantas
demoradas tristezas se aqueciam ao sol pálido, em manhã de bruma, a cor das folhas que tombavam das
árvores, num pátio branco, a forma dos montes verdes, tintos de luz, frases autênticas, gestos, gritos,
gemidos. Mas que significa isso?
Essas coisas verdadeiras não ser verossímeis. E se esmoreceram, deixá-las no esquecimento: valiam pouco,
pelo menos imagino que valiam pouco. Outras, porém, conservaram-se, cresceram, associaram-se, e é
inevitável mencioná-las. Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade.
(…) Nesta reconstituição de fatos velhos, neste esmiuçamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado.
Outros devem possuir lembranças diversas. Não as contesto, mas espero que não recusem as minhas:
conjugam-se, completam-se e me dão hoje impressão de realidade (…)
(RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. Rio, São Paulo: Record, 1984.)

8. A relação entre autor e narrador pode assumir feições diversas na literatura. Pode-se dizer que tal
relação tem papel fundamental na caracterização de textos que, a exemplo do livro de Graciliano
Ramos, constituem uma autobiografia – gênero literário definido como relato da vida de um indivíduo
feito por ele mesmo.
A partir dessa definição, é possível afirmar que o caráter autobiográfico de uma obra é reconhecido
pelo leitor em virtude de:
a) Conteúdo verídico das experiências pessoais e coletivas relatadas
b) Identidade de nome entre autor, narrador e personagem principal
c) Possibilidade de comprovação histórica de contextos e fatos narrados
d) Notoriedade do autor e de sua história junto ao público e a sociedade

9. Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis

Com a frase acima, o escritor lembra um princípio básico da literatura: a verossimilhança – isto é, a
semelhança com a verdade – é mais importante do que a verdade mesma. A melhor explicação para
este princípio é a de que a invenção narrativa se mostra mais convincente se:
a) Parecer contar uma história real.
b) Quer mostrar seu caráter ficcional
c) Busca apoiar-se em fatos conhecidos
d) Tenta desvelar as contradições sociais

9
Literatura

10. Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida.
Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre
houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
[...]
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início,
se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré- história já havia os monstros
apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois
juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida,
inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio
venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde
saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que
justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos
antecedentes.
LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector,
culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-
se essa peculiaridade porque o narrador
a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às
personagens.
b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos
que a compõem.
c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.
d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as
palavras exatas.
e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de
ficção.

10
Literatura

Gabarito

1. E
O poema apresenta características do gênero narrativo. Essa mistura dos gêneros - em que o verso se
aproxima da prosa - é uma herança da poesia modernista. Uma das características do gênero narrativo
que se mostra no poema de Manoel de Barros é a apresentação dos fatos numa sequência temporal, tal
como se dá quando contamos uma história. (Comentário Uerj)

2. D
O gênero épico é conhecido por exaltar grandes feitos, por trazer a imagem do herói.

3. D
O efeito de humor é obtido pela concatenação de sequências inusitadas/absurdas/estranhas: baratas
roubando objetos; o rosto do King Kong andando pela sala; uma ótica com uma balconista fazendo
topless.

4. E
O lugar à mesa nas práticas culturais nipônicas reflete uma pirâmide hierárquica na qual a mulher ocupa
o lugar mais baixo.

5. E
A fábula de Esopo apresenta os elementos característicos do gênero narrativo: enredo, personagens,
clímax, espaço e tempo.

6. D
A hesitação da menina em perguntar à mãe o sentido da palavra “desquitada”, somada ao clima gerado
após a pergunta, representa o estigma social em relação à figura da mãe solteira.

7. C
A falta de oportunidades econômicas e educacionais na cidade, que exige sempre referências na hora
do emprego, dialoga com a pobreza das áreas pobres, alimentando, assim, a criminalidade e violência.

8. B
Uma vez que se trata de uma autobiografia, aquele que está sendo biografado (personagem principal)
acaba por ser, também, o autor e o narrador de sua própria história.

9. A
A verossimilhança não pode ser confundida com veracidade. Por isso, parecer contar uma história real
é o mais importante.

10. C
Nesse fragmento de “A hora da estrela”, deparamo-nos com um narrador que tece reflexões sobre
questões existenciais (“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas”, continuarei a escrever”),
e sobre a própria construção de sua narrativa (“Como eu irei dizer agora, esta história...”)

11
Matemática

Potenciação

Resumo

A potenciação é uma multiplicação de fatores iguais, considere a multiplicação 2.2.2.2 = 16 , podemos


escrever essa multiplicação como 24 = 16, essa operação chamamos de potenciação, nesse caso o número
2 é a base, o número 4 o expoente e o número 16 é a potência.
Exemplos:
1) 32 = 3.3 = 9
2) 53 = 5.5.5 = 125
n
A multiplicação de fatores iguais representado por a onde a é
a base e n é o expoente, o expoente indica
a quantidades de fatores que serão multiplicados (nesse caso n fatores). Exemplo: 4 = 4.4.4 = 64 .
3

As propriedades básicas da potenciação são:


m+n
a) a .a = a
m n

No produto de potências de mesma base, conserva-se a base e soma os expoentes.


Exemplo: 2 .2 = 2
3 2 5

m−n
b) a : a = a
m n

Na divisão de potências de mesma base, conserva-se a base e subtrai os expoentes.


Exemplo: 3 : 3 = 3
4 2 2

c) a ( )
m n
= a m.n
Na potenciação de uma potência, conserva-se a base e multiplica os expoentes.

Exemplo: 2 ( ) 3 2
= 26

d) ( a.b ) = a .b
m m m

Potência de uma multiplicação ou de uma divisão, conserva-se as bases e distribui o mesmo expoente
nas bases.

Exemplo: ( 2.4 ) = 2 .4
2 2 2

e)

Exemplo:

1
Matemática

f) a = 1
0

Todo número com elevado ao expoente igual a zero, o resultado sempre será 1.

g) a = a
1

Todo número elevado ao expoente 1, o resultado será sempre o número da base.

h) 1m = 1
O número 1 elevado a qualquer expoente sempre resultará em 1.

m
−m 1
i) a = 
a
2
1 −2
Exemplo 2 =  
2

j) a = n am
n

1
Exemplo 3 =23
2

Notação científica
Serve para representar grandezas muito grandes ou muito pequenas a partir de potências de 10. A fórmula
n
da notação científica é: m.10 , onde m é a mantissa, ou seja um número racional maior que 1 e menor que
10 e n represente algum número inteiro que é a potência de 10, também chamado ordem de grandeza.
250000 = 2,5.105
Por exemplo:
0, 002 = 2.10−3

2
Matemática

Exercícios

1. Uma das principais provas de velocidade do atletismo é a prova dos 400 metros rasos. No
Campeonato Mundial de Sevilha, em 1999, o atleta Michael Johnson venceu essa prova, com a marca
de 43,18 segundos. Esse tempo, em segundo, escrito em notação científica é

a) 0,4318 × 102
b) 4,318 × 101
c) 43,18 × 100
d) 431,8 × 10−1
e) 4.318 × 10−2

2. A Agência Espacial Norte Americana (NASA) informou que o asteroide YU 55 cruzou o espaço entre a
Terra e a Lua no mês de novembro de 2011. A ilustração a seguir sugere que o asteroide percorreu sua
trajetória no mesmo plano que contém a órbita descrita pela Lua em torno da Terra. Na figura, está
indicada a proximidade do asteroide em relação à Terra, ou seja, a menor distância que ele passou da
superfície terrestre.

Com base nessas informações, a menor distância que o asteroide YU 55 passou da superfície da Terra
é igual a
a) 3,25 × 102 km.
b) 3,25 × 103 km.
c) 3,25 × 104 km.
d) 3,25 × 105 km.
e) 3,25 × 106 km.

3
Matemática

3. A gripe é uma infecção respiratória aguda de curta duração causada pelo vírus influenza. Ao entrar no
nosso organismo pelo nariz, esse vírus multiplica-se, disseminando-se para a garganta e demais partes
das vias respiratórias, incluindo os pulmões.
O vírus influenza é uma partícula esférica que tem um diâmetro interno de 0,00011 mm.
Disponível em: www.gripenet.pt. Acesso em: 2 nov. 2013 (adaptado).

Em notação científica, o diâmetro interno do vírus influenza, em mm, é


a) 1,1 × 10−1
b) 1,1 × 10−2
c) 1,1 × 10−3
d) 1,1 × 10−4
e) 1,1 × 10−5

4. Considere 𝑎 = 1150 , 𝑏 = 4100 e 𝑐 = 2150 e assinale a alternativa correta.

a) c ab

b) c ba

c) abc

d) ac b

5. Considere que o corpo de uma determinada pessoa contém 5,5 litros de sangue e 5 milhões de glóbulos
vermelhos por milímetro cúbico de sangue. Com base nesses dados, é correto afirmar que o número
6
de glóbulos vermelhos no corpo dessa pessoa é (use que 1L=dm³= 10 mm³):

a) 2,75.109
b) 5,5.1010
c) 5.1011
d) 5,5.1012
e) 2,75.1013

298 +450 −834


6. A fração 99 é igual a:
2 −3220 +2101

a) 1
11
b) −
6
c) 2
5
d) −
2
7
e)
4

4
Matemática

7. A expressão
2 0
(−5)² − 3² + (3)
1 1
3−2 + + 2
5
é igual a :

3150
a)
17
b) 90
1530
c)
73
17
d)
3150
e) – 90

8. Se 53𝑎 = 64, o valor de 5−𝑎 é:

a) 1/4

b) 1/40

c) -1/4

d) 1/20

9. No século III, o matemático grego Diofante idealizou as seguintes notações das potências:
x – para expressar a primeira potência;
xx – para expressar a segunda potência;
xxx – para expressar a terceira potência.
No século XVIII, o pensador e matemático francês René Descartes (1596 – 1650) introduziu as
notações x , x 2 , x 3 para potências, notações que usamos até hoje.
Fonte: GIOVANNI; CASTRUCCI; GIOVANNI JR. A conquista da matemática. 8 ed. São Paulo: FTD, 2002.

Analise as igualdades abaixo:

I.
(x y )
3 4 4
= x12 y16

−50 + 30 − ( −4 ) = 1
0

II.
1
20 +
2 = −2
1 0
−3
III. 4

5
Matemática

(4 0
+ 4−1 )  ( 40 − 4−1 ) =
5
3
IV.

Assinale a alternativa CORRETA.


a) Apenas as igualdades I e II são VERDADEIRAS.
b) Apenas as igualdades I, III e IV são VERDADEIRAS.
c) Apenas as igualdades II e IV são VERDADEIRAS.
d) Apenas a igualdade IV é VERDADEIRA.
e) Todas as igualdades são VERDADEIRAS.

1 3 1
1 2 −
(4) ⋅4 2 ⋅36 2 1 −1 −1
10. Se a = ( 25) e x = 3 − ( −3)  , então, é correto afirmar que
−1
=
b− 2
,

1
25  
10000 4

a) c<b<a
b) b<c<a
c) b<a<c
d) a<b<c
e) a<c<b

6
Matemática

Gabarito

1. B
43,18
A resposta é 43,18 =  10 = 4,318  101.
10

2. D
Utilizando a ideia de notação científica, temos: 325 mil km = 325 . 10³ km = 3,25 . 10² . 10³ = 3,25 . 105
km.

3. D
104
Tem-se que 0,00011mm = 0,00011 . = 1,1 . 10-4 mm.
104

4. A
a = 1150
b = 4100 = (42 )50 = 1650
c = 2150 = (23 )50 = 850
850  11501650  c  a  b

5. E
6
5,5 L= 5,5 dm³ = 5,5. 10 mm³. Número de glóbulos vermelhos: 5.106 . 5,5.106 = 27,5.1012 = 2,75.1013

6. B
298 +450 −834 298 +(22 )50 −(23 )34 298 +2100 −2102 298 (1+22 −24 ) 1.−11 11
= = = = =−
299 −3220 +2101 299 −(25 )20 +2101 299 −2100 +2101 299 (1−2+22 ) 2.3 6

7. C
2 0
(−5)²−3²+( ) 25−9+1 17 17 90 1530
3
1 1 = 1 1 1 = 10+18+45 = 73 = 17. =
3−2 + + + + 73 73
5 2 9 5 2 90 90

8. A
1
53𝑎 = 64 ⇔ (5𝑎 )3 = 43 ⇔ 5𝑎 = 4, logo 5−a =
4

7
Matemática

9. B

10. B

8
Matemática

Radiciação

Resumo

Radical
n
Simbolizado por é a raiz n-ésima de um número x com a seguinte propriedade:

 
Se  , ou seja, se n (ou índice) for par o número dentro da raiz (chamado radicando) tem
 
que ser maior que 0, caso o índice for ímpar, x pode assumir qualquer valor real. Considerando que
n , n  2

A radiciação é a operação inversa da potenciação da seguinte forma:


n
x n = x . Por exemplo: 5²=25 e
25 = 5 (quando o n estiver ausente, ele vale 2).

Propriedades.

xm = = 8:4 =
n n:p 8 4 4:4 2
a) xm:p . Exemplo:

b) m
x.y = m x.m y Exemplo: 2
2.4 = 2 2. 2 4
m
x x 5 35
c) m = . Exemplo: 3 =
y m
y 4 34

d)
m n
x = m.n x . Exemplo: 3 4
3 = 3.4 3 = 12 3

No caso da letra B, vale ressaltar que a expressão poderia ter sido escrita como 2
= 2
. E usando as

propriedades, pode ser reescrito como


2
= 2 2
= . Repare que apenas uma parte do radicando
saiu do radical. Isso acontece porque o expoente é maior que o índice mas não é múltiplo dele. No caso
2 4
= 2 2 2
= = .

1
Uma notação muito usual é a de representar a radiciação por um expoente fracionário. Exemplo: 27 3 = 3 27
2 m
ou 20 5 = 20 2 . Em geral: x n =
n
5
xm

1
Matemática

Racionalização
É o processo de multiplicar o denominador por algum número a fim de torna-lo um número racional, quando
ele for irracional. Exemplos:

1 2 2
. =
a) 2 2 2

1 3 −1 3 −1 3 −1
b) . = = . Nesse exemplo lembre do produto notável: (a+b)(a-b)= (a²-b²)
3 +1 3 −1 3−1 2

2 5+ 2 2 5 +2 2
c) . =
5− 2 5+ 2 3

3
6 22 63 4
d)
3
. = = 33 4
2 3
22 2

2
Matemática

Exercícios

√𝑎+√𝑎3 +√𝑎5
1. Para todo número real positivo a, a expressão é equivalente a
√𝑎

a) 1 + √𝑎 + 𝑎
b) 1 + 𝑎2 + 𝑎
c) √𝑎 + 𝑎
d) √𝑎 + 𝑎 2
e) 1+𝑎

2. Dentre outros objetos de pesquisa, a Alometria estuda a relação entre medidas de diferentes partes do
corpo humano. Por exemplo, segundo a Alometria, a área A da superfície corporal de uma pessoa
2
relaciona-se com a sua massa m pela fórmula 𝐴 = 𝑘. 𝑚3 , em que k é uma constante positiva. Se no
período que vai da infância até a maioridade de um indivíduo sua massa é multiplicada por 8, por quanto
será multiplicada a área da superfície corporal?
3
a) √16
b) 4
c) √24
d) 8
e) 64

3. Usando a tecnologia de uma calculadora pode-se calcular a divisão de 2 por 3


4 e obter um resultado
igual a:

a) 4.
3
b) 3.

c) 5.
3
d) 2.

e) 42 .

3
Matemática

237
4. Simplificando-se a expressão , obtém-se o número
235 + 238 + 239
19
a) 4

19
b) 2

c) 0,4

d) 0,16

2
37
e) 2

5. O valor exato da raiz cúbica de 1.728 é

a) 9.

b) 12.

c) 15.

d) 18.

e) 25.

3
3 +39
?
3
6. Quanto vale 3
3
a) 3
3
b) 9

c) 1+ 3 3

d) 1+ 3 9

e) 23 3

4
Matemática

1
2+
7. Simplificando a expressão 2 obtemos:
2 −1
11 2
.
a) 2

2
+ 3.
b) 2

7
+ 2 2.
c) 2

5 2
3+ .
d) 2

2+3 2
.
e) 2

8. Simplificando a expressão 3 2 − 2 18 + 3 72 obtemos:

a) 3 2.

b) 24 2 .

c) 15 2 .

d) −15 2 .

e) 2.

1 1
9. Seja A= e B= , então A + B é igual a:
3+ 2 3− 2

a) −2 2
b) 3 2
c) −2 3
d) 3 3
e) 2 3

5
Matemática

10. Se a = 16 e x = 1,25 quanto vale a x ?


a) 16
b) 32
c) 20
d) 36
e) 64

6
Matemática

Gabarito

1. B

2. B
Sendo A a área da superfície corporal de uma pessoa na infância e S a área da superfície corporal dessa
mesma pessoa na maioridade, de acordo com o enunciado, tem-se:

3. D
3
2 2 2 23 2
=  = =32
3 3 2 3 3 3
4 2 2 2

4. C

237 237
=
235 + 238 + 239 235 (1 + 23 + 24 )

22
=
25
2
=
5
= 0,4.
5. B
1728 3
576 3
192 3
64 2
3
32 2 → 33  23  23 → 3 1728 = 33  23  23 = 12
16 2
82
4 2
2 2

7
Matemática

6. C
3
3 +39 3
3 3
9
= +
3 3 3
3 3 3
9
= 1+ 3
3
= 1 + 3 3.

7. D
Simplificando a expressão, tem-se:

2+
2
1 
2 +

1 
2 +1
2
 ( 2 +1) 1 5+3 2 2 5 2 +6 5 2
= = 2 2 +3+ =  = =3+
2 −1 2 +1 1 2 2 2 2 2

8. C

− + = − + = − + =
= 3 2 − 6 2 + 18 2 = 15 2

9. E

1 3− 2
A= . = 3− 2
3+ 2 3− 2
1 3+ 2
B= . = 3+ 2
3− 2 3+ 2
A +B = 2 3

10. B

( )
1,25
ax = 161,25 = 24 = 25 = 32

8
Matemática

Triângulos: cevianas e pontos notáveis

Resumo

Ceviana
Ceviana é qualquer segmento que parte de um vértice de um triângulo e corta o lado oposto a esse vértice ou
seu prolongamento. São exemplos de cevianas: mediana, altura e bissetriz.

Mediana
Mediana é uma ceviana que liga o vértice de onde ela parte ao ponto médio do lado oposto a esse vértice.

Baricentro
O baricentro é exatamente o ponto de encontro das medianas. É o centro de gravidade (ponto de equilíbrio)
do triângulo.

Importante saber que se BD for uma mediana do triangulo temos algumas relações importantes:
BG = 2 DG
2
BG = BD
3
1
DG = BD
3
Obs: É importante ressaltar que um triângulo possui três medianas e a propriedade do baricentro funciona
com todas elas.

Altura
A altura é uma ceviana que parte de um vértice e faz 90° com o lado oposto ao mesmo ou seu prolongamento.
Ou seja, ela é perpendicular ao lado oposto a esse vértice ou seu prolongamento. De cada vértice do triângulo
parte UMA altura.

1
Matemática

Ortocentro
O ortocentro é exatamente o ponto de encontro das três alturas desse triângulo, podendo pertencer ao exterior
do triângulo, ou até mesmo coincidir com um de seus vértices.

Bissetriz
A bissetriz é uma ceviana que parte de um vértice do triângulo e que divide ao meio o ângulo referente a esse
vértice. Em um triângulo, de cada vértice parte UMA bissetriz.

Incentro
O incentro é o ponto de encontros das três bissetrizes internas do triângulo.

O incentro também é o centro da circunferência inscrita nesse triângulo, pois equidista dos três lados.
Repare que D é um dos pontos de tangência da circunferência com o triângulo.

2
Matemática

Mediatriz
Qualquer segmento de reta perpendicular a um lado do triângulo e que passa por seu ponto médio.
A reta r é a mediatriz do triângulo ABC relativa ao lado BC pois é perpendicular a BC e M é ponto médio
deste lado.

Circuncentro
Todo triângulo possui três mediatrizes que se encontram em um ponto denominado circuncentro,
simbolizado na figura pela letra C:

O Circuncentro é equidistante dos vértices do triângulo, logo, é o centro da circunferência circunscrita ao


triângulo.

Informações importantes:
• No triângulo equilátero, os pontos notáveis são coincidentes.
• No triângulo isósceles, a altura relativa à base também é bissetriz, mediana e mediatriz.
• A Mediatriz não é dita ceviana, pois não necessariamente parte do vértice.

3
Matemática

Segue um mapa mental sobre o assunto! :D

4
Matemática

Exercícios

1. Para fazer um experimento em sala de aula, um professor utilizou uma placa rígida uniforme com
formato de um triângulo escaleno e um pouco maior que um livro escolar. Assim, apoiando seu dedo
indicador em um ponto destacado na superfície da placa, o professor conseguiu equilibrá-la e mantê-
la paralela ao chão.
Esse feito ocorre pelo fato de o ponto destacado sobre a superfície ser
a) o ortocentro da placa triangular.
b) o ex-incentro da placa triangular.
c) o incentro da placa triangular.
d) o circuncentro da placa triangular.
e) o baricentro da placa triangular.

2. No triangulo obtusângulo MNP da figura, podemos afirmar que:

a) o baricentro se encontra na região externa do triângulo MNP.


b) o ortocentro se encontra na região externa do triângulo MNP.
c) o incentro se encontra na região externa do triângulo MNP.
d) o circuncentro se encontra na região interna do triângulo MNP.

3. Se I é incentro do triangulo ABC abaixo, os ângulos  , B̂ e Ĉ , são, respectivamente, iguais a:

a) 30°, 60° e 90°.


b) 55°, 65° e 60°.
c) 40°, 80° e 60°.
d) 100°, 60° e 20°.
e) 65°, 55° e 60°.

5
Matemática

4. No triangulo ABC a seguir, temos = e = . Sendo assim, os valores de x e y são,


respectivamente, iguais a:

a) 30 e 24.
b) 20 e 4.
c) 5 e 16.
d) 8 e 10.
e) 4 e 8.

5. No triangulo ABC abaixo, temos BM = CM , BAP ˆ = PAC


ˆ e AH perpendicular à BC e os pontos
M, P e H não são coincidentes. Podemos afirmar que:

I. AM é uma mediana e AH e uma altura


II. AP é uma mediatriz
III. AP é uma bissetriz
IV. AH é uma altura e AM é uma mediatriz

a) II e IV são verdadeiras.
b) I e III são verdadeiras.
c) I e II são verdadeiras.
d) III e IV são verdadeiras.
e) II e III são verdadeiras.

6
Matemática

6. Na figura, AN e BM são medianas do triângulo ABC. Se BM é igual a 12 cm, a medida do segmento


GM é igual a:

a) 10.
b) 9.
c) 8.
d) 6.
e) 4.

7. Em relação a um triangulo qualquer ABC, quais pontos notáveis estão posicionados necessariamente
na região interna do triangulo?
a) Baricentro e ortocentro.
b) Incentro e circuncentro.
c) Baricentro e circuncentro.
d) Incentro e ortocentro.
e) Baricentro e incentro.

8. Na figura abaixo, a circunferência de centro O está inscrita no triângulo ABC. Se os pontos D, O e E são
colineares e DE é paralelo a BC , com AC = 19 , BC = 21 e AB = 25 , então o perímetro do
triângulo ADE vale

a) 39
b) 39
c) 40
d) 44
e) 46

7
Matemática

9. Na figura, o ponto G é o baricentro do triângulo e a área de S1 é 6 cm². A área do triângulo ABC é:

a) 72 cm²
b) 62 cm²
c) 50 cm²
d) 42 cm²
e) 36 cm²

10. Na figura a seguir, temos dois triângulos equiláteros ABC e A’B’C’ que possuem o mesmo baricentro,
tais que AB / / A ' B ' , AC / / A ' C ' e BC / / B ' C ' . Se a medida dos lados de ABC é igual a 3 3 ea
distância entre os lados paralelos mede 2 cm, então, a medida das alturas de A’B’C’ é igual a

a) 11,5
b) 10,5
c) 9,5
d) 8,5
e) 7,5

8
Matemática

Gabarito

1. E
O baricentro de um triângulo é também seu centro de massa, ou seja, seu ponto de equilíbrio.

2. B
Todo triângulo obtusângulo possui ortocentro na região externa do triângulo.

3. C
Observe a figura:

Podemos montar o sistema:

Resolvendo o sistema, encontramos a = 20, b = 40 e c = 30.


Por sim, Â = 40, = 80 e = 60.

4. C
Pelo teorema do baricentro:
Y = 2 x 8 = 16
X = 10/2 = 5.

5. B
Já que BM = CM, então AM é uma mediana. Como AH é perpendicular a BC, então AH é altura do triângulo
ABC. Alternativa I verdadeira.
AP não é mediatriz pois não passa pelo ponto médio do segmento AC, que é o ponto M. Alternativa II
falsa.
AP é uma bissetriz pois BÂP = PÂC. Alternativa III verdadeira.
AH é uma altura, mas AM não é mediatriz por não ser perpendicular ao lado AC Alternativa IV falsa.

9
Matemática

6. E
Pelo teorema do baricentro, GM mede 1/3 do segmento BM ou seja, GM = 12/3 = 4.
Letra E.

7. E
O Circuncentro e o ortocentro estão localizados na região externa de triângulos obtusângulos.
Eliminando as alternativas ficamos com a letra E.

8. C
Se O é o centro da circunferência inscrita ao triângulo ABC, então O é o incentro do triângulo ABC. Assim,
é o encontro das bissetrizes de ABC. Traçando as bissetrizes AO e BO , formamos dois triângulos
isósceles: ADO e BEO. Dessa maneira, DO = AD e EO = BE . Por fim, o perímetro do triângulo CDE é
igual a AC + BC = 19 + 21 = 40 .

9. E
Sabemos que uma propriedade importante das medianas de um triângulo é de dividir o triângulo em 6
triângulos de mesma área. Assim, a área do triângulo ACD vale 6 x 6 = 36 cm².

10. B
Seja G o baricentro dos dois triângulos. Como a medida dos lados de ABC é 3 3 , temos que sua altura
é dada por:
l 3 3 3 3 9
= = .
2 2 2

Além disso, usaremos a propriedade que nos diz que o baricentro divide a altura em uma proporção 1:2.
1 9 3
Assim, o segmento GD abaixo mede  =
3 2 2

1
Agora, fica fácil ver que GD’ é equivale a da altura de A’B’C’. Como sabemos que DD’ = 2 cm, temos que
3
3 7
GD ' = +2= .
2 2
Por fim:
7 H 21
= H = = 10,5
2 3 2

10
Matemática

Triângulos: Condição de existência, lei angular, classificação e área

Resumo

Um triângulo é uma figura geométrica constituída a partir de três pontos distintos não colineares e segmentos
de reta que os liga.

Na figura acima, temos que A,B e C são chamados de vértices e os segmentos AB, BC e CA são os lados

Condição de existência
A condição de existência de um triângulo é:
Num triângulo ABC, qualquer lado é menor que a soma dos outros dois e maior que o módulo da diferença,
ou seja, considerando a, b e c os lados do triângulo:

b−c  a  b+c
a −c  b  a +c
a−b ca+b

Note que o triângulo de lados 5, 12 e 13 (comparando com a fórmula anterior a = 5, b = 12 e c= 13)

|12 − 13 | 5  12 + 13 =| −1| 5  25 = 1  5  25
| 5 − 13 | 12  5 + 13 =| −8 | 12  18 = 8  12  18
| 5 − 12 | 13  5 + 12 =| −7 | 13  17 = 7  13  17

Nesse caso é possível existir um triângulo de lados 5,12 e 13.

No entanto, se os lados fossem 5,1 e 7, teríamos:

| 5 − 1| 7  5 + 1 = 4  7  6

1
Matemática

Como essa desigualdade é falsa, não podemos construir um triângulo cujos lados medem 1, 5 e 7. Ou seja,
isso implica em um triângulo que não “fecha”:

Lei angular
Considere o triângulo abaixo:

Nele temos que α,β e γ são ângulos internos do triângulo. A lei angular dos triângulos diz que a soma dos
ângulos internos de um triângulo qualquer vale 180°. Nesse caso, α + β + γ = 180 .

Teorema do ângulo externo


Observe o triângulo abaixo

Temos que θ, λ e ε são chamados de ângulos externos do triângulo e o teorema do ângulo externo diz que
um ângulo externo tem a mesma medida que a soma de dois ângulos internos não adjacentes (ou seja, o que
não está ao lado dele). Nesse triângulo, temos que:`
θ = β + γ

λ = α + β
ε = γ + α

2
Matemática

Por que isso vale?


Observe que 𝜃 e 𝛼, são suplementares, ou seja, 𝜃 + 𝛼 = 180° ⇒ 𝜃 = 180° − 𝛼.
Vimos na lei angular que 𝛼 + 𝛽 + 𝛾 = 180°. Então, podemos substituir 180° pela soma dos ângulos internos.
α + β + γ = 180
 θ = α + β + γ −α = β + γ
θ = 180 − α 

Classificação do triângulo
Quanto aos lados
Equilátero: Apresenta os três lados congruentes
Isósceles: Apresenta os dois lados congruentes (e ângulos da base iguais)
Escaleno: Apresenta os três lados diferentes entre si

Quanto aos ângulos


Retângulo: Possui um ângulo interno de 90 graus (reto) e dois ângulos agudos.
Acutângulo: Possui três ângulos internos agudos (menor que 90 graus).
Obtusângulo: Possui um ângulo obtuso (maior que 90 graus) e dois ângulos agudos.

Note que um triângulo é classificado quanto aos lados e quanto aos ângulos.
Exemplo:

O triângulo acima é retângulo e isósceles.

3
Matemática

Área do Triângulo
Quando falamos do cálculo da área de uma figura plana, estamos querendo calcular a medida de sua
superfície. Seja b a base do triângulo e h a altura dele. Sua área é dada por:

bh
A=
2

Uma outra fórmula que nos é muito útil pode ser vista abaixo:

a  b  sen
A=
2

Temos, também, uma fórmula exclusiva para o cálcula da área de triângulos equiláteros:

L2 3
A=
4

4
Matemática

Exercícios

1. O remo de assento deslizante é um esporte que faz uso de um barco e dois remos do mesmo
tamanho. A figura mostra uma das posições de uma técnica chamada afastamento.

Nessa posição, os dois remos se encontram no ponto A e suas outras extremidades estão indicadas
pelos pontos B e C. Esses três pontos formam um triângulo ABC cujo ângulo BÂC tem medida de 170°.
O tipo de triângulo com vértices nos pontos A, B e C, no momento em que o remador está nessa
posição, é
a) retângulo escaleno.
b) acutângulo escaleno.
c) acutângulo isósceles.
d) obtusângulo escaleno.
e) obtusângulo isósceles.

2. Uma criança deseja criar triângulos utilizando palitos de fósforo de mesmo comprimento. Cada
triângulo será construído com exatamente 17 palitos e pelo menos um dos lados do triângulo deve ter
o comprimento de exatamente 6 palitos. A figura ilustra um triângulo construído com essas
características.

A quantidade máxima de triângulos não congruentes dois a dois que podem ser construídos é
a) 3
b) 5
c) 6
d) 8
e) 10

5
Matemática

3. Na figura abaixo, tem-se que AD = AE , ˆ mede 80º, então


CD = CF e BA = BC . Se o ângulo EDF
o ângulo ˆ mede:
ABC

a) 20º
b) 30º
c) 50º
d) 60º
e) 90º

4. Para decorar a fachada de um edifício, um arquiteto projetou a colocação de vitrais compostos de


quadrados de lado medindo 1 m, conforme a figura a seguir.

Nesta figura, os pontos A, B, C e D são pontos médios dos lados do quadrado e os segmentos AP e QC
medem 1/4 da medida do lado do quadrado. Para confeccionar um vitral, são usados dois tipos de
materiais: um para a parte sombreada da figura, que custa R$30,00 o m2, e outro para a parte mais clara
(regiões ABPDA e BCDQB), que custa R$50,00 o m2. De acordo com esses dados, qual é o custo dos
materiais usados na fabricação de um vitral?
a) R$ 22,50
b) R$ 35,00
c) R$ 40,00
d) R$ 42,50
e) R$ 45,00

6
Matemática

5. Observe a figura.

Nela, a, 2a, b, 2b, e x representam as medidas, em graus, dos ângulos assinalados. O valor de x, em
graus, é:
a) 100
b) 110
c) 115
d) 120
e) 130

6. Na figura abaixo, o ângulo x em graus pertence a qual intervalo?

a) [0,15]
b) [15,20]
c) [20,25]
d) [25,30]
e) [30,35]

7
Matemática

7. Na figura, AB = AC e CE = CF . A medida de β é:

a) 90°
b) 120°
c) 110º
d) 130°
e) 140°

8.

O triângulo PMN acima é isósceles de base MN. Se p, m e n são os ângulos internos do triângulo,
como representados na figura, então podemos afirmar que suas medidas valem, respectivamente,

a) 50, 65, 65

b) 65, 65, 50

c) 65, 50, 65

d) 50, 50, 80

e)
80, 80, 40

8
Matemática

9. Deseja-se fazer uma ligação entre o km 32 da BR-1 e o km 55 da BR-2, como mostra a figura.

Sabendo que essa ligação terá um número inteiro de quilômetros, quais as medidas, mínima e máxima,
respectivamente, que poderá ter?
a) 24 km e 86 km
b) 23 km e 87 km
c) 23 km e 86 km
d) 24 km e 87 km

10. Determine a medida do ângulo do vértice A do triângulo isósceles ABC, sabendo que
BC = CD = DE = EF = FA .

a) 15°
b) 20°
c) 25°
d) 30°
e) 35°

9
Matemática

Gabarito

1. E
Como ̅̅̅̅
𝑨𝑩 = ̅̅̅̅
𝑨𝑪, temos que o triângulo é isósceles. Como BÂC = 170º, o triângulo é obtusângulo.

2. A
O perímetro do triângulo é de 17 palitos. Temos que esse triângulo deve ter um lado medindo 6 palitos.
Desse modo, poderemos formar os triângulos com as seguintes medidas de lados, levando em
consideração a condição de existência de um triângulo:
6-6-5 ; 7-6-4 ; 8-6-3

3. A
Observe a figura:

Sendo o triângulo ABC isósceles (AB = BC), os ângulos da base AC têm a mesma medida α. Os triângulos
ADE e DCF são semelhantes porque são isósceles e possuem os ângulos dos vértices congruentes, logo
os ângulos de suas bases também são congruentes e medem δ. Analisando a figura ao lado, conclui-se
que:
ADE + EDF + FDC = 180
2δ + 80 = 180
2δ = 100
α = 80
2 α = 160
β = 20

4. B
A área da região clara pode ser calculada através do quádruplo da área do triângulo APB, visto que os
triângulos APB, APD, CQD e CQB são congruentes, possuindo mesmas áreas.
A área da região clara é igual à área da região sombreada e pode ser calculada através da diferença da
área do quadrado pela área clara:
1-0,25=0,75m².
Calcula-se o preço do vitral através do produto da área de cada região pelo preço do m² correspondente.
Preço= 0,25.50 + 0,75.30 = 12,5 + 22,5 = 35 reais.

10
Matemática

5. D
Sabemos que X é igual 2a + 2b, pois x é ângulo externo do triângulo que possui os ângulos 2b (oposto
pelo vértice) e 2a.
x = 2a+2b
x= 2(a+b)

e sabemos também que a+b+x=180, pois são ângulos de um triângulo.


Agora, substituímos o valor que encontramos de y na primeira, e colocamos nessa:

a+b+x=180
a+b + 2(a+b) = 180
a+b+2a+2b=180
3a+3b=180
simplificamos por 3:
a + b = 60

Agora voltamos na formula la de cima:


x = 2(a+b)
x = 2 . 60
x = 120.

6. B
1º triângulo:
y + 3x + 4x = 180
y + 7x = 180
y = 180 - 7x

2º triângulo:
y + z + 5x = 180
como y = 180 - 7x, então:
180 - 7x + z + 5x = 180
z = 2x

3º triângulo:
z + 6x + 2x = 180
2x + 6x + 2x = 180
10x = 180
x = 18º

11
Matemática

7. B
Observe a figura:

O triângulo CEF é isósceles, pois CE = CF. Logo, BÊD = CÊF = CFE = 40. Como ACB é externo ao triângulo
CEF, temos ACB = 40 + 40 = 80 graus.
O triângulo ABC é isósceles, pois AB = AC. Logo, ABC = ACB = 80. Como β é externo ao triângulo BDE,
temos β = 40 + 80 = 120 graus.

8. A
n = 180 − 115  n = 65
PM = PN  m = 65

Logo,
p = 180 − 2  65 = 50

9. A
Repare que que a ligação é um lado de um trângulo cujos outros dois lados medem 32 e 55. Assim, pela
condição de existência de um triângulo qualquer, temos:
55 − 32  x  55 + 32
23  x  87
Dessa maneira, seu comprimento mínimo é 24 e máximo é 86.

10. B
Como temos vários triângulos isósceles, e pelo teorema do ângulo externo, podemos fazer as seguintes
marcações:

- AEF é isósceles então Ê = Â = x.

12
Matemática

- O ângulo EFD é externo a AEF, então EFD = 2x.


- EFD é isósceles então EFD = EDF = 2x.
- O ângulo CED é externo a AED, então CED = 3x.
- CDE é isósceles então DEC = ECD = 3x.
- O ângulo CDB é externo a ACD, então CDB = 4x.
- CDB e ABC são isósceles então ACB = CDB = CBD = 4x.

Por fim:
4 x + 4 x + x = 180
9 x = 180
x = 20

13
Português

Palavras Invariáveis (Advérbios - conceito + locução adverbial +


posição)

Resumo

Advérbios
A função primordial do advérbio é modificar o adjetivo, o advérbio e, principalmente, o verbo para atribuir-lhe
uma circunstância. Há casos em que o advérbio pode atribuir circunstância a uma oração inteira. Observe os
exemplos:

Ficara completamente imóvel.


O homem caminhava muito devagar.
Eu me recuso, simplesmente.

A classificação dos advérbios ocorre devido à circunstância que expressam. Entre essas circunstâncias
listamos as seguintes: afirmação, assunto, causa, companhia, concessão, condição, conformidade, dúvida,
finalidade, instrumento, intensidade, lugar, meio, modo, negação, tempo, entre outras.

Locuções Adverbiais
São expressões formadas por mais de uma palavra que exercem papel semelhante ao advérbio. Iniciam-se
comumente por preposição e contribuem para ampliar a lista das circunstâncias adverbiais.
Exemplos: às cegas, às claras, à toa, a medo, à pressa, às pressas, à tarde, à noite, a fundo, às escondidas, às
vezes, ao acaso, de súbito, vez por outra, lado a lado, etc.

O capitão me olhou de alto a baixo.


Chegou de tardinha a Floripa.

Além disso, cabe destacar que a maioria dos advérbios e das locuções adverbiais pode mudar sua posição
dentro da frase. Isso ocorre devido ao destaque que o emissor deseja dar a uma determinada informação.

Resolverei o problema junto com você. (ordem direta)


Junto com você, resolverei o problema. (ordem inversa)
Resolverei, junto com você, o problema. (ordem inversa)

Note que nos exemplos anteriores não há alteração de sentido entre as frases. Preciso apenas resssaltar que,
devido ao deslocamento da locução adverbial, a vírgula se torna obrigatória.

1
Português

Exercícios

1. (UNIFESP) Considere a charge e as afirmações:

A charge é uma ilustração que tem como objetivo fazer uma sátira de alguém ou de alguma situação
atual por meio de desenhos caricatos.
I. O advérbio “já”, indicativo de tempo, atribui à frase o sentido de mudança;
II. Entende-se pela frase da charge que a população de idosos atingiu um patamar inédito no país;
III. Observando a imagem, tem-se que a fila de velhinhos esperando um lugar no banco sugere o
aumento de idosos no país.

Está correto o que se afirma em:


a) I apenas.
b) II apenas.
c) I e II apenas.
d) II e III apenas.
e) I, II e III.

2
Português

2. (ITA) (…) As angústias dos brasileiros em relação ao português são de duas ordens. Para uma parte da
população, a que não teve acesso a uma boa escola e, mesmo assim, conseguiu galgar posições, o
problema é sobretudo com a gramática. É esse o público que consome avidamente os fascículos e
livros do professor Pasquale, em que as regras básicas do idioma são apresentadas de forma clara e
bem-humorada. Para o segmento que teve oportunidade de estudar em bons colégios,
a principal dificuldade é com clareza. É para satisfazer a essa demanda que um novo tipo de
profissional surgiu: o professor de português especializado em adestrar funcionários de empresas.
Antigamente, os cursos dados no escritório eram de gramática básica e se destinavam principalmente
a secretárias. De uns tempos para cá, eles passaram a atender primordialmente gente de nível superior.
Em geral, os professores que atuam em firmas são acadêmicos que fazem esse tipo de trabalho
esporadicamente para ganhar um dinheiro extra. “É fascinante, porque deixamos de viver a teoria para
enfrentar a língua do mundo real”, diz Antônio Suárez Abreu, livre-docente pela Universidade de São
Paulo (…)
JOÃO GABRIEL DE LIMA. Falar e escrever, eis a questão. Veja, 7/11/2001, n. 1725.

O adjetivo “principal” (em “a principal dificuldade é com clareza”) permite inferir que a clareza é apenas
um elemento dentro de um conjunto de dificuldades, talvez o mais significativo. Semelhante inferência
pode ser realizada pelos advérbios:
a) avidamente, principalmente, primordialmente.
b) sobretudo, avidamente, principalmente.
c) avidamente, antigamente, principalmente.
d) sobretudo, principalmente, primordialmente.
e) principalmente, primordialmente, esporadicamente.

3.

Na passagem: “Assim as moscas nunca vão cair na sua teia”, as expressões em destaque
caracterizam-se, respectivamente, como advérbios de:
a) modo, negação e lugar
b) modo, tempo e lugar.
c) modo, negação e tempo.
d) tempo, modo e lugar.
e) tempo, lugar e modo.

3
Português

4. (UERJ)

Filme
Berenice não gostava de ir ao cinema, de modo que o pai a levava à força. Cinema era coisa que
ele adorava, sempre sonhara em se tornar cineasta; não o conseguira, claro, mas queria que a filha
partilhasse sua paixão, com o que se sentiria, de certa forma, indenizado pelo destino. Uma
responsabilidade que só fazia aumentar o verdadeiro terror que Berenice sentia quando se aproximava
o sábado, dia que habitualmente o pai, homem muito ocupado, escolhia para a sessão cinematográfica
semanal. À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa; e
quando o pai, chegado o sábado, finalmente lhe dizia, está na hora, vamos, ela frequentemente se punha
a chorar e mais de uma vez caíra de joelhos diante dele, suplicando, não, papai, por favor, não faça isso
comigo. Mas o pai, que era um homem enérgico e além disso julgava ter o direito de exigir da filha que
o acompanhasse (viúvo desde há muito, criara Berenice sozinho e com muito sacrifício), mostrava-se
intransigente: não tem nada disso, você vai me acompanhar. E ela o fazia, em meio a intenso
sofrimento.
Por fim, aprendeu a se proteger. Ia ao cinema, sim. Mas antes que o filme começasse, corria ao
banheiro, colocava cera nos ouvidos. Voltava ao lugar, e mal as luzes se apagavam cerrava firmemente
os olhos, mantendo-os assim durante toda a sessão. O pai, encantado com o filme, de nada se
apercebia; tudo o que fazia era perguntar a opinião de Berenice, que respondia, numa voz neutra mas
firme:
– Gostei. Gostei muito.
Era de outro filme que estava falando, naturalmente. Um filme que o pai nunca veria.
MOACYR SCLIAR. In: Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

No trecho “Era de outro filme que estava falando, naturalmente.”, o termo em destaque cumpre a função
de:
a) afirmar ponto de vista
b) projetar ideia de modo
c) revelar sentimento oculto
d) expressar sentido reiterativo

5. (Fuvest) Assinalar a alternativa que registra a palavra que tem o sufixo formador de advérbio.
a) desesperança
b) pessimismo
c) empobrecimento
d) extremamente
e) sociedade

6. De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa e com a gramática normativa e tradicional,


assinale a alternativa em que o termo destacado tem valor de advérbio.
a) Não há meio mais difícil de trabalhar.
b) Só preciso de meio metro de aniagem para sacos de carvão.
c) Encarou os meninos carvoeiros, esboçando meio sorriso.
d) Os carvões caíram no meio da estrada.
e) Achei o menino meio triste, raquítico.

4
Português

7. (UECE)
GRITO
Quadro que fundou o expressionismo nasceu de um ataque de pânico
Edvard Munch nasceu em 1863, mesmo ano em que O piquenique no bosque, de Édouard Manet,
era exposto no Salão dos Rejeitados, chamando a atenção para um movimento que nem nome tinha
ainda. Era o impressionismo, superando séculos de pintura acadêmica. Os impressionistas deixaram o
realismo para a fotografia e se focaram no que ela não podia mostrar: as sensações, a parte subjetiva
do que se vê.
Crescendo durante essa revolução, Munch – que, aliás, também seria fotógrafo – achava a
linguagem dos impressionistas superficial e científica, discreta demais para expressar o que sentia. (...)
Fruto de suas obsessões, O Grito não foi seu primeiro quadro, mas o que o tornaria célebre. A inspiração
veio do que parece ter sido um ataque de pânico, que ele escreveu em seu diário, pouco mais de um
ano antes do quadro: “Estava andando por um caminho com dois amigos – o sol estava se pondo –
quando, de repente, o sol tornou-se vermelho como o sangue. Eu parei, sentindo-me exausto, e me
encostei na cerca – havia sangue e línguas de fogo sobre o fiorde negro e a cidade. Meus amigos
continuaram andando, e eu fiquei lá, tremendo de ansiedade – e senti um grito infinito atravessando a
natureza”.
Ali nasceria um novo movimento artístico. O Grito seria a pedra fundadora do expressionismo, a
principal vanguarda alemã dos anos 1910 aos 1930.
Adaptado (Aventuras da História)
Sobre o advérbio “Ali”, é correto afirmar que indica:
a) um lugar distante da pessoa que fala.
b) um lugar diferente do lugar da pessoa que fala.
c) naquele ato, naquelas circunstâncias, naquela conjuntura.
d) hora, naquele momento.

8. (UFV) Em todas as alternativas há dois advérbios, exceto em:


a) Ele permaneceu muito calado.
b) Amanhã, não iremos ao cinema.
c) O menino, ontem, cantou desafinadamente.
d) Tranquilamente, realizou-se, hoje o jogo.
e) Ela falou calma e sabiamente.

5
Português

9. (PUC-CAMPINAS) Se o relógio da História marca tempos sinistros, o tempo construído pela arte abre-
se para a poesia: o tempo do sonho e da fantasia arrebatou multidões no filme O mágico de Oz
estrelado por Judy Garland e eternizado pelo tema da canção Além do arco-íris. Aliás, a arte da música
é, sempre, uma habitação especial do tempo: as notas combinam-se, ritmam e produzem melodias,
adensando as horas com seu envolvimento.

Considere o parágrafo e o verbete extraído do Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa.

aliás: advérbio. 1. De outro modo, de outra forma. Ex: sempre ajudou o filho, a. seria mau pai se não o
fizesse; 2. Além disso. Ex: a., não era a primeira sujeira que ele fazia; 3. Emprega-se em seguida a uma
palavra proferida ou escrita por equívoco; ou melhor, digo. Ex: estávamos em março, a., abril; 4. Seja
dito de passagem; verdade seja dita; a propósito. Ex: não aceitou o emprego, que a. é muito cobiçado;
5. No entanto, contudo. Ex: andar muito é cansativo, sem, a., deixar de ser saudável.

O sentido preciso com que a palavra “aliás” foi empregada no texto está indicado em:
a) 3
b) 2
c) 5
d) 4
e) 1

10. Em “Dos armários tirou as roupas de seda, das gavetas tirou todas as joias”, temos uma mudança na
ordem direta da frase, de modo que o advérbio ficou deslocado de sua posição mais habitual, que seria
após o verbo. Assinale a alternativa em que uma nova posição do advérbio não altera o sentido da frase
original nem gera ambiguidade:
a) Tirou as roupas dos armários de seda.
b) Tirou as roupas de seda dos armários.
c) Tirou dos armários de seda as roupas.
d) Dos armários de seda tirou as roupas.
e) Das roupas de seda tirou o armário.

6
Português

Gabarito

1. E
De acordo com a charge apresentada, é possível perceber que a fila de idosos esperando um lugar no
banco indica o aumento dessa faixa etária no país. Além disso, o advérbio “já” traz o sentido à frase de
que como o aumento dessa população é esperado, já chegou ao patamar de 10% no país.

2. D
Os advérbios “sobretudo, principalmente, primordialmente” são os que se enquadram o mesmo contexto
trazido pelo enunciado da questão em relação ao adjetivo “principal”, pois demonstram haver outros
fatores envolvidos.

3. B
“Assim” equivale a “desse modo”; “nunca” expressa a ideia de tempo, uma impossibilidade eterna; “na
sua teia” é o local onde a ação vai ou não ocorrer.

4. A
O advérbio de modo “naturalmente”, de acordo com o contexto apresentado no texto, apresenta uma
confirmação do ponto de vista do narrador.

5. D
O sufixo “mente” forma os advérbios de modo: apressadamente, felizmente, calmamente, etc.

6. E
Nas opções “A” e “D”, “meio” é substantivo. Nas opções “B” e “C”, numeral. Na alternativa E, “meio” é
advérbio de intensidade.

7. C
O advérbio “ali” que inicia o último parágrafo do texto é precedido do relato do próprio Munch sobre o
que aconteceu durante uma crise de ansiedade. Por isso, indica as circunstâncias e a conjuntura em que
o Expressionismo aconteceu.

8. A
Na letra “a”, apenas “muito” é advérbio. Na “b”, “amanhã” e “não”. Na “c”, “ontem” e “desafinadamente”.
Na “d”, “tranquilamente” e “hoje”. Na “e”, “calma” (subentende-se “calmamente”) e “sabiamente”.

9. D
O advérbio “aliás” introduz, por associação instantânea de ideias, um pensamento que, provocado por
situação presente, evoca outro que confirma e reforça a tese defendida, significando “por falar nisso”, “a
propósito”, “por sinal”.

10. B
A alternativa (A) apresenta ambiguidade, pois é possível ler que tanto as roupas podem ser de seda,
quanto os armários podem ser de seda. A alternativa (C) tem o seu sentido alterado. Na alternativa (D)
entende-se que os armários são feitos de seda e na alternativa (E), o sentido é alterado já que coloca que
ela tirou o armário de dentro das roupas de seda.

7
Português

Palavras Invariáveis (Advérbios - estílistica + semântica + comparação


adjetivo)

Resumo

Aspectos relevantes
Outro caso importante é que o advérbio pode modificar toda uma oração. Nesses casos, ele aparece
geralmente destacado no início ou no fim da oração separados por uma pausa, marcada na escrita por uma
vírgula. Por exemplo:
Todos compareceram, felizmente.

Concorrendo na frase vários advérbios terminados em “–mente”, é possível e usual o emprego desse sufixo
apenas no último; a menos que, por ênfase, prefira-se a repetição/eco. Veja os exemplos:

Estávamos calma, tranquilamente, aguardando a solução do caso.


“Que brilhe a correção dos alabastros sonoramente, luminosamente” (Cruz e Sousa)

Grau
a) comparativo
O comparativo dos advérbios é formado do mesmo modo que o dos adjetivos. Pode ser:
• De superioridade: Ele chegou mais cedo (do) que eu.
• De igualdade: Ele chegou tão cedo quanto o colega.
• De inferioridade: Ele deverá chegar menos cedo (do) que Marcos.

b) superlativo
O superlativo pode ser:
• Sintético: quando a alteração no grau for feita por acréscimo de um sufixo: Paulo chegou cedíssimo.
• Analítico: quando a alteração no grau for feita por um outro advérbio: Paulo chegou muito cedo.

Na linguagem popular, é comum o advérbio aparecer com sufixos aumentivo e diminutivo. É importante notar
que, nesses casos, o sufixo não tem valor diminutivo, e sim valor superlativo.

Moro pertinho de você.


Ficamos lonjão do palco.

1
Português

Exercícios

1. (ITA) Leia o texto abaixo e assinale a alternativa correta:


Sonolento leitor, o jogo do Brasil já aconteceu. Como estou escrevendo ontem, não faço ideia do que
ocorreu. Porém, tentei adivinhar a atuação dos jogadores. Cabe ao leitor avaliar minha avaliação e dar-
me a nota final.
TORETO, José Roberto. Folha de S. Paulo, 13/06/2002, A-1

Com o uso do advérbio em “Como estou escrevendo ontem...”, o autor:


a) marcou que a leitura do texto acontece simultaneamente ao processo de produção do texto.
b) adequou esse elemento à forma verbal composta de auxiliar + gerúndio, para guiar a interpretação
do leitor.
c) não observou a regra gramatical que impede o uso do verbo no presente com aspecto durativo
juntamente com um marcador de passado.
d) sinalizou explicitamente que a produção e a leitura do texto acontecem em momentos distintos.
e) lançou mão de um recurso que, embora gramaticalmente incorreto, coloca o leitor e o produtor do
texto em dois momentos distintos: passado e presente, respectivamente.

2.

Depois que comecei a tuitar diariamente, não consigo mais escrever com perfeição os relatórios.

As expressões destacadas apresentam, respectivamente, as circunstâncias de:


a) tempo e de modo.
b) tempo e de intensidade.
c) modo e de afirmação.
d) modo e de intensidade.
e) afirmação e de modo.

2
Português

3. (UNICAMP)

Considerando os sentidos produzidos pela tirinha, é correto afirmar que o autor explora o fato de que
palavras como “ontem”, “hoje” e “amanhã”
a) mudam de sentido dependendo de quem fala.
b) adquirem sentido no contexto em que são enunciadas.
c) deslocam-se de um sentido concreto para um abstrato.
d) evidenciam o sentido fixo dos advérbios de tempo.

4. (FUVEST) Tornando da malograda espera do tigre, alcançou o capanga um casal de velhinhos, que
seguiam diante dele o mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios particulares. Das
poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera que destinavam eles uns cinquenta mil-réis, tudo
quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir
uma boa roça.
- Mas chegará, homem? perguntou a velha.
- Há de se espichar bem, mulher!
Uma voz os interrompeu:
- Por este preço dou eu conta da roça!
- Ah! É nhô Jão!
Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham por homem de palavra, e de fazer o que prometia.
Aceitaram sem mais hesitação; e foram mostrar o lugar que estava destinado para o roçado.
Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus olhos descobriram entre os utensílios a enxada, a qual ele
esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa, que sem mais deu costas ao par de velhinhos
e foi-se deixando-os embasbacados.
José de Alencar, Til.
* moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito).

Considerada no contexto, a palavra sublinhada no trecho “mal seus olhos descobriram entre os
utensílios a enxada” expressa ideia de
a) tempo
b) qualidade
c) intensidade
d) modo
e) negação

3
Português

5. (UFPR)
PASSO NO RUMO CERTO
Na semana passada, a claque convocada para a inauguração de um aeroporto na cidade mineira
de Uberlândia ouviu de Lula a seguinte frase: "Quero dizer que a crise é extremamente grave. Em horas
de crise é preciso ter muita paciência para não tomar decisão precipitada, não se deixar levar pelo
estado emocional, mas, sim, pela razão". Embora o presidentejá tenha se manifestado a respeito da
dificil situação política em diversas ocasiões (não raro para negar a sua realidade, como se tudo não
passasse de uma alucinação coletiva promovida por prestidigitadores da elite, mas deixemos isso de
lado), foi a primeira vez que ele uniu a palavra "crise" um advérbio de intensidade, "extremamente", e
um adjetivo grandiloquente, "grave". O encadeamento de tais termos permite supor que Lula finalmente
(no que pode ser considerado um advérbio de alívio) reconheceu a existência da fissura ética, política
e criminosa que há mais de 100 dias se aprofunda mais e mais, levando o governo de cambulhada.
Nessa hipótese, e não se quer aqui evocar o doutor Pangloss, aquele personagem de Voltaire
para quem todos vivíamos no melhor dos mundos, é uma ótima notícia o presidente ter admitido que o
horizonte anda carregado. Pelo simples motivo de que, para sanar um problema, qualquer que seja eIe,
é preciso antes de mais nada reconhecer sua existência. Caberia agora a Lula contribuir para que a
resolução da crise seja efetiva, não deixando margem à impressão olfativa de que tudo terminará em
pizza. O presidente volta e meia afirma que não tem como interferir no andamento das investigações e
das punições. Não é verdade. Pelo peso de seu cargo, e sem extrapolar suas atribuições constitucionais,
Lula pode, sim, proceder a que corrompidos e corrompedores, no Legislativo e no Executivo, sintam na
carne e na biografia que não sairão impunes dos crimes de desvio de dinheiro público, formação de
quadrilha e tráfico de influência. Ao empenhar-se com afinco nesse objetivo, movido pela razão e sem
emocionalismos, o presidente prestaria ao mesmo tempo um grande serviço ao Brasil e a si próprio.
(VEJA, Editorial, 07 jul. 2005.)

Ao fazer menção a um "advérbio de alívio", o autor cria uma classificação de advérbio inexistente na
gramática tradicional para um advérbio que representa uma avaliação ou atitude do emissor do texto,
no caso uma atitude de alívio. Qual dos advérbios a seguir, em vez de modificar algum termo da oração,
denota uma avaliação ou atitude do emissor?
a) Além de provocar uma fissura ética, a crise comprometerá gravemente a imagem do governo.
b) As atitudes presidenciais devem ser enérgicas para que a crise seja cuidadosamente resolvida.
c) A fala do presidente mostra que ele agiu precipitadamente e se deixou dominar pela emoção.
d) O presidente se demorou, infelizmente, a reconhecer a existência da crise.
e) A crise política provém do fato de alguns políticos terem agido criminosamente.

6. Quando se perde o grau de investimento, corre-se o risco de uma debandada dos capitais estrangeiros,
aí é preciso tomar medidas mais drásticas do que se desejaria.
Joaquim Levy
O vocabulário grifado é:
a) advérbio, expressando a ideia de “nesse lugar”.
b) interjeição, traduzindo ideia de apoio, animação.
c) palavra expletiva (dispensável) ou de realce.
d) advérbio, expressando ideia de conclusão “então”.
e) substantivo, traduzindo ideia de “por outro lado”.

4
Português

7. Em qual das alternativas abaixo o advérbio em destaque é classificado como advérbio de tempo?
a) Não gosto de salada excessivamente temperada.
b) Ele calmamente se trocou, estava com o uniforme errado.
c) Aquela vaga na garagem do condomínio finalmente será minha.
d) Provavelmente trocariam os móveis da casa após a mudança.

8. (UERJ)

5
Português

O advérbio destacado é empregado para relativizar o sentido da palavra a que se refere em:
a) utilizá-las em história presumivelmente verdadeira? (l. 8-9)
b) Certamente me irão fazer falta, (l.17)
c) Afirmarei que sejam absolutamente exatas? (l.25)
d) desenterrarmos pacientemente as condições que a determinaram. (l.36-37)

9. (UERJ)

o espelho do humano é, antes de mais nada, o olhar do semelhante. (l. 15)

6
Português

Em “o espelho do humano é, antes de mais nada, o olhar do semelhante.” (l. 15), a expressão sublinhada
enfatiza uma ideia, tal como se observa em:

a) “A cultura contemporânea do narcisismo, ao remeter as pessoas a buscar continuamente o


testemunho do espelho,” (l. 13-14)
b) “Além disso, dentre todas as partes do corpo, o rosto é a que faz apelo ao outro.” (l. 20-21)
c) “A parte que se comunica, expressa amor ou ódio e, sobretudo, demanda amor.” (l. 21)
d) “A paciente francesa, que agradeceu aos médicos a recomposição de uma face humana, ainda
que não seja a “sua”,” (l. 29-30)

10. (USS Adaptada)

O vocábulo “muito” costuma ser classificado como advérbio de intensidade. Essa palavra deixa de
assumir papel adverbial no trecho:
a) isso corrói muito os laços humanos (l. 14)
b) é muito satisfatório ter outro parceiro (l. 16)
c) muito jovem não tem nem mesmo consciência (l. 18)
d) trata-se de uma situação muito ambivalente (l. 25)

7
Português

Gabarito

1. D
A combinação do tempo verbal presente com um advérbio de tempo que dá ideia de passado deixa clara
a intenção do autor de explicitar que a produção do texto não se dá no mesmo momento de sua recepção
pelo leitor.

2. A
O advérbio “diariamente” dá a ideia de tempo/frequência; já a locução adverbial “com perfeição’ diz
respeito ao modo de realização da ação.

3. B
Na tirinha, o significado dos advérbios “ontem”, “hoje” e “amanhã” são estabelecidos pela situação
comunicativa. O referencial do advérbio “hoje” é determinado, no primeiro quadrinho, pela fala do
personagem Mazzaropi, e, a partir dele, depreende-se o significado dos outros advérbios.

4. A
Nesse contexto, o advérbio “mal” é entendido com o mesmo sentido de “assim que”, conferindo ideia de
temporalidade.

5. D
O advérbio “infelizmente” projeta uma opinião sobre o que está sendo dito.

6. D
O advérbio “aí”, no contexto, possui ideia de conclusão: já que a perda do grau de investimento acarreta
o risco de debandada dos capitais estrangeiros, a conclusão é de que, nessas condições, “é preciso
tomar medidas mais drásticas do que se desejaria”. Assim, seria possível substituir “aí” por “então”, sem
prejuízo ao sentido original.

7. C
“Excessivamente” é um advérbio de intensidade; “calmamente” de modo e “provavelmente” de dúvida.

8. A
O advérbio “presumivelmente” indica que não há certeza sobre o que se fala, apenas é
presumível/provável.

9. C
O advérbio “sobretudo”, assim como a locução “antes de mais nada”, indica uma ideia de
importância/prioridade.

10. C
Apenas na letra C, a palavra “muito” equivale à quantidade (= ”diversos jovens”). Nos demais exemplos,
funciona como advérbio de intensidade.

8
Química

Métodos de separação de mistras heterogêneas

Resumo

Na aula de hoje, vamos descrever os diversos processos de separação das misturas heterogêneas. Esses
processos são de grande importância e largamente empregados nas indústrias químicas, como laboratórios
farmacêuticos, metalurgia, refinaria de petróleo, fábricas de cerâmicas e etc.

Filtração
Nesse processo quando a mistura é despejada sobre o filtro, o sólido não dissolvido fica retido no filtro e a
fase líquida passa.

Decantação
Processo utilizado para separar dois tipos de misturas heterogêneas.

Líquido e sólido: A fase sólida(barro), por ser mais densa, deposita-se(sedimenta-se) no fundo do recipiente
e fase liquida pode ser transferida para outro frasco. A decantação é usada, por exemplo, nas estações de
tratamento de água.

1
Química

Líquido e líquido: O líquido mais denso se permanece no fundo do funil de decantação e é escoado pela
torneira.

Centrifugação
Utiliza um equipamento chamado de centrífuga para aumentar a velocidade da decantação. Um exemplo de
mistura para aplicá-la é o sangue.

Sifonação
Após uma decantação, se não for possível retirar o líquido para o outro recipiente, podemos retirá-lo por
sifonação através de um sifão, da sucção e da ação gravitacional. Por exemplo, podemos trocar a água de
um aquário por intermédio de um sifão, deixando o cascalho no fundo do aquário.

2
Química

Separação magnética
É uma técnica que consiste em separar misturas em que um dos componentes é atraído por um ímã. Por
exemplo, separar limalha de ferro de areia.

Dissolução fracionada
Quando se tem uma mistura de sólidos em que apenas um desses componentes é solúvel em um
determinado solvente. Por exemplo: uma mistura de sal e areia. Ao adicionarmos água, apenas o sal irá se
dissolver.

Ventilação
É usada para dois componentes sólidos com densidades diferentes, por meio da aplicação corrente de ar
sobre a mistura. Exemplo: beneficiamento de arroz (separação dos grãos de sua palha).

3
Química

Levigação
Utiliza a força da água para separar o componente menos denso de uma mistura formada por sólidos. Um
exemplo de mistura para aplicá-la é ouro e cascalho.

Flotação
Método no qual um líquido, que não é capaz de dissolver nenhum dos componentes da mistura, é adicionado
a uma mistura formada por dois sólidos ou um sólido e um líquido para separá-los pela diferença
de desidade.

Peneiração ou tamisação
É a separação de sólidos com diferentes diâmetros de suas partículas. Exemplo: os pedreiros usam esta
técnica para separar a areia mais fina de pedrinhas.

(peneiras com diferentes “mesh”, medida de abertura das peneiras)

4
Química

Exercícios

1. Em Bangladesh, mais da metade dos poços artesianos cuja água serve à população local está
contaminada com arsênio proveniente de minerais naturais e de pesticidas. O arsênio apresenta
efeitos tóxicos cumulativos. A ONU desenvolveu um kit para tratamento dessa água a fim de torná-la
segura para o consumo humano. O princípio desse kit é a remoção do arsênio por meio de uma reação
de precipitação com sais de ferro (III) que origina um sólido volumoso de textura gelatinosa.
Disponível em: http://tc.iaea.org. Acessado em: 11 dez. 2012 (adaptado).

Com o uso desse kit, a população local pode remover o elemento tóxico por meio de
a) fervura.
b) filtração.
c) destilação.
d) calcinação.
e) evaporação.

2. Entre as substâncias usadas para o tratamento de água está o sulfato de alumínio que, em meio
alcalino, forma partículas em suspensão na água, às quais as impurezas presentes no meio aderem.
O método de separação comumente usado para retirar o sulfato de alumínio com as impurezas
aderidas é a
a) flotação.
b) levigação.
c) ventilação.
d) peneiração.
e) centrifugação.

3. Em visita a uma usina sucroalcooleira, um grupo de alunos pôde observar a série de processos de
beneficiamento da cana-de-açúcar, entre os quais se destacam:
I. A cana chega cortada da lavoura por meio de caminhões e é despejada em mesas alimentadoras
que a conduzem para as moendas. Antes de ser esmagada para a retirada do caldo açucarado,
toda a cana é transportada por esteiras e passada por um eletroímã para a retirada de materiais
metálicos.
II. Após se esmagar a cana, o bagaço segue para as caldeiras, que geram vapor e energia para toda
a usina.
III. O caldo primário, resultante do esmagamento, é passado por filtros e sofre tratamento para
transformar-se em açúcar refinado e etanol.
Com base nos destaques da observação dos alunos, quais operações físicas de separação de
materiais foram realizadas nas etapas de beneficiamento da cana-de-açúcar?
a) Separação mecânica, extração, decantação.
b) Separação magnética, combustão, filtração.
c) Separação magnética, extração, filtração.
d) Imantação, combustão, peneiração.
e) Imantação, destilação, filtração.

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Química

4. A natureza apresenta diversas substâncias importantes para o dia a dia do ser humano. Porém, a
grande maioria dessas substâncias encontra-se na forma de misturas homogêneas ou heterogêneas.
Por essa razão, ao longo dos anos, várias técnicas de separação de misturas foram desenvolvidas
para que a utilização de toda e qualquer substância fosse possível.
Disponível em: https://tinyurl.com/y8j567ag. Acessado em: 10.11.2017.

Um procedimento que permite separar, sem o uso de qualquer fonte de calor, uma mistura de água e
óleo de cozinha é a
a) decantação.
b) sublimação.
c) peneiração.
d) destilação.
e) filtração.

5. A natureza dos constituintes de uma mistura heterogênea determina o processo adequado para a
separação dos mesmos. São apresentados, a seguir, exemplos desses sistemas.
I. Feijão e casca
II. Areia e limalha de ferro
III. Serragem e cascalho

Os processos adequados para a separação dessas misturas são, respectivamente:


a) ventilação, separação magnética e destilação.
b) levigação, imantização e centrifugação.
c) ventilação, separação magnética e peneiração.
d) levigação, imantização e catação.
e) destilação, decantação e peneiração.

6. A química é a ciência que estuda a composição, estrutura e transformação da matéria. No meio em


que vivemos muitas vezes a matéria se apresenta como misturas e, para estudá-la ou utilizá-la,
precisamos separá-la. Para isso os químicos utilizam diferentes métodos de fracionamento. Sobre
esses métodos de fracionamento, é correto afirmar-ser que
a) água e óleo formam uma mistura heterogênea que pode ser separada por funil de transferência
com auxílio de um papel de filtro.
b) em uma estação de tratamento de água o técnico responsável adiciona, em uma das etapas do
tratamento, sulfato de alumínio, um agente coagulante que facilita a floculação de partículas
suspensas na água, formando assim uma mistura homogênea.
c) são utilizados para separar misturas homogêneas: destilação simples, catação e destilação
fracionada.
d) a separação magnética pode ser utilizada para misturas sempre que estas contenham metais.
e) são utilizados para separar misturas heterogêneas: decantação, separação magnética e
centrifugação.

6
Química

7. A extração de petróleo em águas profundas segue basicamente três etapas: i) perfuração, utilizando
uma sonda; ii) injeção de água pressurizada, que extrai o petróleo das rochas subterrâneas; e iii)
separação do petróleo misturado com água e pedaços de rochas.

A terceira etapa é realizada por meio dos métodos de:


a) decantação e filtração.
b) extrusão e evaporação.
c) sedimentação e flotação.
d) destilação e centrifugação.
e) evaporação e cromatografia.

8. O óleo de cozinha usado não deve ser descartado na pia, pois causa poluição das águas e prejudica a
vida aquática. Em Florianópolis, a coleta seletiva de lixo recolhe o óleo usado armazenado em garrafas
PET e encaminha para unidades de reciclagem. Nessas unidades, ele é purificado para retirar água e
outras impurezas para poder, então, ser reutilizado na fabricação de sabão e biocombustíveis.
Disponível em: http://portal.pmf.sc.gov.br/entidades/comcap/index.php?cms=reoleo&menu=5. Acessado em: 20 Jul. 2015.

Considerando essas informações e os processos de separação de misturas, é CORRETO afirmar:


a) Óleo e água formam uma mistura homogênea.
b) Para separar o óleo de cozinha de impurezas sólidas e água, podem ser usadas, respectivamente,
a filtração e a decantação.
c) O óleo é uma substância mais densa que a água.
d) A filtração é um método usado para separar a água do óleo.
e) Óleo é uma substância composta e água é uma substância simples.

9. Um grupo de pesquisadores desenvolveu um método simples, barato e eficaz de remoção de petróleo


contaminante na água, que utiliza um plástico produzido a partir do líquido da castanha de caju (LCC).
A composição química do LCC é muito parecida com a do petróleo e suas moléculas, por suas
características, interagem formando agregados com o petróleo. Para retirar os agrega dos da água,
os pesquisadores misturam ao LCC nanopartículas magnéticas.
KIFFER, D. Novo método para remoção de petróleo usa óleo de mamona e castanha de caju. Disponível em:
www.faperj.br.Acessoem: 31 jul. 2012 (adaptado).

Essa técnica considera dois processos de separação de misturas, sendo eles, respectivamente,
a) flotação e decantação.
b) decomposição e centrifugação.
c) floculação e separação magnética.
d) destilação fracionada e peneiração.
e) dissolução fracionada e magnetização.

7
Química

10. O derramamento de petróleo no Golfo do México, após a explosão da plataforma Deepwater Horizon,
trouxe uma consequência, dentre outras, a mistura de componentes oleosos na água do mar. Um
método utilizado para separar o óleo dessa água é a
a) filtração.
b) levigação.
c) sublimação.
d) decantação.
e) separação magnética

8
Química

Gabarito

1. B
Como um sólido volumoso de textura gelatinosa é formado, das alternativas fornecidas, a filtração seria
o processo utilizado, já que separaria fase sólida de fase líquida.

2. A
Nas estações de tratamento a água que será consumida pela população precisa passar por uma série
de etapas que possibilite eliminar todos os seus poluentes.
Uma dessas etapas é a coagulação ou floculação, com o uso de hidróxido de cálcio, conforme a reação:
3Ca(OH)2 + Aℓ2 (SO4 )3 → 2Aℓ(OH)3 + 3CaSO4

O hidróxido de alumínio (Aℓ(OH)3 ) obtido, que é uma substância insolúvel em água, permite reter em
sua superfície muitas das impurezas presentes na água (floculação). O método de separação
comumente usado para retirar o sulfato de alumínio com as impurezas aderidas é a flotação (faz-se
uma agitação no sistema e as impurezas retidas sobem à superfície da mistura heterogênea).

3. C
Foram realizadas as seguintes operações físicas de separação de materiais:
Separação magnética: um dos sólidos é atraído por um ímã. Esse processo é utilizado em larga escala
para separar alguns minérios de ferro de suas impurezas.
Extração: a cana é esmagada para a retirada do caldo.
Filtração simples: a fase sólida é separada com o auxílio de filtro de material adequado.

4. A
A decantação permite a separação de duas fases líquidas. Exemplo: água + óleo de cozinha

5. C
I. Feijão e casca: a separação é possível pela ventilação, onde uma corrente de ar, separa o sólido
menos denso, no caso a casca, do feijão.
II. Areia e limalha de ferro: como a limalha de ferro é atraída pelo ímã essa separação ocorre por
separação magnética.
III. Serragem e cascalho: separação ocorre pela peneiração, que separa o cascalho que são partículas
maiores da serragem que é menor.

6. E
a) Incorreta. Apesar de água e óleo serem uma mistura heterogênea, o papel filtro não irá reter o óleo,
durante um processo de filtração.
b) Incorreta. O agente coagulante, que facilita a floculação das partículas suspensas, fazendo com
que elas se aglutinem e se deposite no fundo do recipiente por decantação, formando assim, uma
mistura heterogênea.
c) Incorreta. A catação é um processo manual que separa misturas heterogêneas.
d) Incorreta. A separação magnética necessita que um dos componentes da mistura tenha
propriedades magnéticas e seja atraída por um ímã.

9
Química

e) Correta. Tanto a decantação, quanto a separação magnética e a centrifugação são processos de


separação de misturas heterogêneas.

7. A
Separação do petróleo misturado com água e pedaços de rochas: faz-se a sedimentação (decantação)
e posterior filtração (separação da fase sólida da líquida).

8. B
a) Incorreta. Água e óleo não se misturam, formam uma mistura heterogênea.
b) Correta. A filtração irá reter as sujidades maiores no papel filtro e a decantação irá fazer com que a
camada de óleo fique em cima e a água mais densa em baixo.
c) Incorreta. A água é mais densa, ficando na parte inferior da mistura.
d) Incorreta. A filtração é usada para separar misturas imiscíveis sólido- líquido.
e) Incorreta. Tanto o óleo quanto a água são substancias compostas por mais de um elemento químico.

9. C
Os agregados formados pelo plástico produzido a partir do líquido da castanha de caju (LCC) e pelo
petróleo não se misturam à água, ou seja, ocorre floculação.
As nanopartículas magnéticas são atraídas por imãs, ou seja, ocorre separação magnética.

10. D
Na decantação o óleo se separa da água devido à diferença de polarização (óleo = apolar, água = polar)
e de densidade.

10
Química

Métodos de separação de misturas homogêneas, tratamento de


água e esgoto

Resumo

Nesta aula iremos descrever os diversos processos de separação das misturas homogêneas. Esses
processos também são de grande importância e largamente empregados nas indústrias químicas.

Processos de separação das misturas homogêneas


Evaporação
A evaporação é utilizada para a separação de mistura
homogêneas onde temos pelo menos uma fase líquida e
uma fase sólida e a fase sólida é a de interesse. Por exemplo,
o sal de cozinha é extraído da água do mar por evaporação.
A água do mar é represada em grandes tanques, de pequena
profundidade, construídos na areia, chamados de salinas.
Sob a ação do sol e dos ventos a água do mar represada nas
salinas sofre evaporação e o sal de cozinha e outros
componentes sólidos vão se depositando no fundo dos
tanques.

Destilação simples
Ocorre de acordo com a diferença nos pontos de ebulição do solvente e soluto. Por aquecimento, em
aparelhagem apropriada com um condensador, apenas o líquido entra em ebulição, passando para o estado
gasoso, o qual é condensado e recolhido. Por exemplo: separação da mistura de sal e água.

1
Química
Destilação fracionada:
Usada na separação quando os componentes da mistura são líquidos e tem o ponto de ebulição muito
próximos. A técnica e a aparelhagem utilizadas na destilação fracionada são as mesmas empregadas na
destilação simples, com exceção de um aparelho adicional chamado coluna de fracionamento.
Por exemplo: separação da mistura dos componentes do petróleo em que, a cada temperatura alcançada, é
recolhido um componente.

Atenção!

A destilação fracionada é o método de separação utilizado para o separação das frações do petróleo.

2
Química
Fusão fracionada
Esse processo é baseado nas diferenças nos pontos de fusão dos
componentes de uma mistura. A mistura sólida é aquecida até que
um dos componentes se funda(liquefazer) completamente. Por
exemplo: separação em cada metal que compõe uma liga metálica.

Liquefação fracionada
É o processo de separação de uma mistura gasosa. Resfria-se a mistura até que os gases componentes
atinjam seu ponto de ebulição, passando assim para o estado líquido.
Por exemplo: separação do ar atmosférico, sabendo-se que o gás nitrogênio passa para o estado líquido
antes do gás oxigênio.

Cromatografia
Nesse processo, os componentes de uma mistura são separados pela sua interação com o solvente(fase
movél), que ao passar pela mistura interage com seus componemtes carreandos com diferentes
intensidades e assim os separando.

3
Química

Tratamento de água
A água que chega as nossas casas é submetida a uma série de tratamentos para reduzir a concentração de
poluentes até praticamente não apresentar riscos para a saúde humana. Esse tratamento é dividido em 7
etapas, são elas em sequência:
1. Coagulação: É quando a água bruta recebe, logo ao entrar na estação de tratamento, uma dosagem de
sulfato de alumínio. Este elemento faz com que as partículas de sujeira iniciem um processo de união.
2. Floculação: Quando, em tanques, continua o processo de união das impurezas, na água em movimento.
As partículas se transformam em flocos de sujeira.
3. Decantação: As impurezas, que se aglutinaram e formaram flocos, vão se separar da água pela ação da
gravidade, indo para o fundo dos tanques ou ficando presas em suas paredes.
4. Filtração: A água passa por grandes filtros com granulações diversas e carvão antracitoso (carvão
mineral). Aí ficarão retidas as impurezas que passaram pelas fases anteriores.
5. Desinfecção: É a cloração, para eliminar germes nocivos à saúde e garantir a qualidade da água até a
torneira do consumidor. Nesse processo pode ser usado o hipoclorito de sódio, cloro gasoso ou dióxido
de cloro.
6. Fluoretação: É quando será adicionado fluossilicato de sódio ou ácido fluorssilícico em dosagens
adequadas. A função disso é prevenir e reduzir a incidência de cárie dentária, especialmente nos
consumidores de zero a 14 anos de idade, período de formação dos dentes.
7. Correção: É a correção de pH, quando é adicionado carbonato de sódio para uma neutralização
adequada à proteção da tubulação da rede e da residência dos usuários e não haver corrosões.

Tratamento de esgoto
Como a água proveniente do tratamento do esgoto não é destinada ao consumo humano, o tratamento é
mais simples e menos criterioso, mas as especificações da água na saída da estação devem obedecer às
normas ambientais, dependendo do corpo hídrico em que o efluente for descartado. Esta água pode ser
reutilizada em sistemas de arrefecimento (resfriamento) e para geração de vapor nas indústrias.

4
Química
O principal método de tratamento de esgoto e efluentes é o do lodo ativado, que consiste na degradação dos
materiais orgânicos por bactérias aeróbias.

• Peneiramento ou gradeamento
O esgoto passa por grades ou peneiras para retenção de sólidos grandes;

• Caixa de areia
Aqui as areias, mais densas, são separadas do esgoto por decantação;

• Decantação primária
Em um decantador primário ocorre a sedimentação das outras partículas sólidas presentes;

• Aeração
Nos tanques de aeração, é inserido ar próximo à entrada de esgoto, fazendo multiplicar os
microorganismos presents no esgoto, para que degradem o material orgânico através de seu
metabolismo natural;

• Decantação secundária
Após a aeração, o efluente tratado é separado do lodo ativado, que é coagulado e decantado para o fundo
do tanque. Parte deste lodo é retornado ao tanque de aeração para contribuir com a degradação das
impurezas e o restante é separado para secagem e descarte apropriado. A água resultante pode ser
descartada em um corpo hídrico ou reutilizada.

5
Química

Exercícios

1. A farinha de linhaça dourada é um produto natural que oferece grandes benefícios para o nosso
organismo. A maior parte dos nutrientes da linhaça encontra-se no óleo desta semente, rico em
substâncias lipossolúveis com massas moleculares elevadas. A farinha também apresenta altos
teores de fibras proteicas insolúveis em água, celulose, vitaminas lipossolúveis e sais minerais
hidrossolúveis.
Considere o esquema, que resume um processo de separação dos componentes principais da farinha
de linhaça dourada.

O óleo de linhaça será obtido na fração


a) Destilado 1.
b) Destilado 2.
c) Resíduo 2.
d) Resíduo 3.
e) Resíduo 4.

6
Química

2. Normalmente as substâncias são obtidas em mistura, seja na natureza, seja em laboratórios como
produtos de reações químicas. Na maioria das vezes, é necessário separar os componentes de uma
mistura para que possam ser utilizados. Para a separação, recorre-se a técnicas baseadas em
diferenças de propriedades entre os componentes da mistura. O esquema mostra as etapas de
separação de uma mistura.

Considerando-se essas informações, é correto afirmar que as técnicas de separação empregadas em


1, 2 e 3 são, respectivamente,
a) centrifugação, destilação fracionada e recristalização fracionada.
b) decantação, destilação simples e sublimação.
c) filtração, destilação simples e decantação.
d) filtração, decantação e destilação simples.
e) decantação, flotação e fusão fracionada.

Texto para a próxima questão:


O fenômeno da chuva ácida está relacionado ao
aumento da poluição em regiões industrializadas. Os
agentes poluentes são distribuídos pelos ventos,
causando danos à saúde humana e ao meio ambiente.
Gases gerados pelas indústrias, veículos e usinas
energéticas reagem com o vapor de água existente na
atmosfera, formando compostos ácidos que se
acumulam em nuvens, ocorrendo, assim, a
condensação, da mesma forma como são originadas
as chuvas comuns.
Um desses gases, o SO2 , é proveniente da combustão
do enxofre, impureza presente em combustíveis
fósseis, como o carvão e derivados do petróleo. Ele leva à formação do ácido sulfúrico.
O esquema acima ilustra esse processo.

7
Química

3. O fenômeno da chuva ácida está relacionado ao


aumento da poluição em regiões industrializadas.
Os agentes poluentes são distribuídos pelos
ventos, causando danos à saúde humana e ao
meio ambiente.
Gases gerados pelas indústrias, veículos e usinas
energéticas reagem com o vapor de água
existente na atmosfera, formando compostos
ácidos que se acumulam em nuvens, ocorrendo,
assim, a condensação, da mesma forma como são
originadas as chuvas comuns.
Um desses gases, o SO2 , é proveniente da
combustão do enxofre, impureza presente em combustíveis fósseis, como o carvão e derivados do
petróleo. Ele leva à formação do ácido sulfúrico.
O esquema acima ilustra esse processo.

Uma forma de atenuar o fenômeno descrito seria a retirada do enxofre dos combustíveis derivados do
petróleo, como o diesel e o óleo combustível.
Esses dois combustíveis são obtidos do petróleo por
a) filtração.
b) sublimação.
c) decantação.
d) fusão fracionada.
e) destilação fracionada.

4. A figura representa a sequência de etapas em uma estação de tratamento de água.

Qual etapa desse processo tem a densidade das partículas como fator determinante?
a) Oxidação.
b) Floculação.
c) Decantação.
d) Filtração.
e) Armazenamento.

8
Química

5. A água é de suma importância à população, então, é extremamente necessário que essa água seja
tratada de maneira correta. Entende-se o tratamento de água como sendo um conjunto de
procedimentos físicos e químicos para torná-la potável. A figura a seguir mostra as etapas do
tratamento de água utilizado atualmente. A respeito do tratamento de água e das etapas referentes a
esse processo, assinale a alternativa CORRETA.

a) Na etapa da floculação, a água recebe uma substância denominada sulfato de alumínio,


responsável pela aglutinação dos flocos das impurezas, para que então sejam removidas.
b) Na fase da filtração, a água passa por várias camadas filtrantes, nas quais ocorre a retenção dos
flocos menores que ficaram na decantação, ficando a água livre de todas as impurezas.
c) O sulfato de alumínio, existente na floculação, possui caráter básico, por esse motivo é colocado
cloro na água para diminuir o seu pH.
d) A fluoretação é uma etapa adicional, que poderia ser dispensável, uma vez que já se faz o uso do
sulfato de alumínio.
e) As etapas do tratamento de água: floculação, decantação e filtração, são suficientes para que a
água fique em total condição de uso, não sendo necessária mais nenhuma etapa adicional para
que a água torne-se potável.

6. Algumas toneladas de medicamentos para uso humano e veterinário são produzidas por ano. Os
fármacos são desenvolvidos para serem estáveis, mantendo suas propriedades químicas de forma a
atender a um propósito terapêutico. Após o consumo de fármacos, parte de sua dosagem é excretada
de forma inalterada, persistindo no meio ambiente. Em todo o mundo, antibióticos, hormônios,
anestésicos, anti-inflamatórios, entre outros, são detectados em concentrações preocupantes no
esgoto doméstico, em águas superficiais e de subsolo. Dessa forma, a ocorrência de fármacos
residuais no meio ambiente pode apresentar efeitos adversos em organismos aquáticos e terrestres.
BILA, D. M.; DEZOTTI, M. Fármacos no meio ambiente. Química Nova, v. 26, n. 4, ago. 2003 (adaptado).

Qual ação minimiza a permanência desses contaminantes nos recursos hídricos?


a) Utilização de esterco como fertilizante na agricultura.
b) Ampliação das redes de coleta de esgoto na zona urbana.
c) Descarte dos medicamentos fora do prazo de validade em lixões.
d) Desenvolvimento de novos processos nas estações de tratamento de efluentes.
e) Reúso dos lodos provenientes das estações de tratamento de esgoto na agricultura.

9
Química

7. Durante qualquer atividade física ou esportiva, devemos tomar água para repor o que perdemos na
transpiração. Por esse motivo, é muito importante a qualidade da água consumida.
Pensando nisso, observe o esquema de uma estação de tratamento de água.

Sobre os processos usados no tratamento de água, assinale a afirmação correta.


a) A floculação facilita o processo de decantação.
b) A fluoretação é necessária para termos água potável.
c) Na decantação, temos agitação do sistema para facilitar a filtração.
d) O processo de filtração serve para eliminar os germes patogênicos.
e) Após o tratamento da água, temos no reservatório uma substância pura.

8. A escassez de água doce é um problema ambiental. A dessalinização da água do mar, feita por meio
de destilação, é uma alternativa para minimizar esse problema.
Considerando os componentes da mistura, o princípio desse método é a diferença entre
a) suas velocidades de sedimentação.
b) seus pontos de ebulição.
c) seus pontos de fusão.
d) suas solubilidades.
e) suas densidades.

9. Entre as substâncias usadas para o tratamento de água está o sulfato de alumínio que, em meio
alcalino, forma partículas em suspensão na água, às quais as impurezas presentes no meio aderem.
O método de separação comumente usado para retirar o sulfato de alumínio com as impurezas
aderidas é a
a) flotação.
b) levigação.
c) ventilação.
d) peneiração.
e) centrifugação.

10
Química

10. O petróleo é uma mistura de substâncias chamadas hidrocarbonetos, que pode dar origem a gasolina,
querosene, óleo combustível, óleo diesel, óleo lubrificante e também a substâncias que serão
posteriormente transformadas pela indústria petroquímica em plásticos, fertilizantes, vernizes e fios
para tecelagem.
O processo que permite a separação dessas substâncias a partir do petróleo bruto é conhecido como:
a) solidificação fracionada
b) dissolução fracionada
c) destilação fracionada
d) fusão fracionada
e) decantação

11
Química

Gabarito

1. E

2. B

3. E
Na obtenção de combustíveis derivados do petróleo é utilizado o processo de separação líquido - líquido
denominado destilação fracionada.

4. C
Na etapa de decantação as fases imiscíveis e que apresentam densidades diferentes são separadas
pela ação da gravidade.

5. A
a) Correta. A floculação é uma etapa do tratamento de água onde um composto químico, no caso o
sulfato de alumínio, aglutina os flocos de sujeira para promover a decantação e então ser removido.
b) Incorreta. A filtração embora retenha pequenas partículas que tenham passado da fase da
decantação, existem ainda impurezas, como micro-organismos patogênicos que somente a etapa

12
Química
de desinfecção é capaz de eliminar.
c) Incorreta. O sulfato de alumínio é formado a partir de uma base fraca e de um ácido forte, sendo,
portanto, um sal com caráter ácido.
d) Incorreta. A função do fluoretação é ajudar na prevenção de cáries dentárias.
e) Incorreta. Depois da filtração a água ainda passa por outras etapas, dentre elas a cloração que é
responsável eliminar micro-organismos patogênicos presentes e a fluoretação.

6. D
Desenvolvimento de novos processos nas estações de tratamento de efluentes pode minimizar a
permanência desses contaminantes nos recursos hídricos diminuindo a ocorrência de fármacos
residuais no meio ambiente.

7. A
A floculação facilita o processo de decantação, pois aglutina partículas sólidas.

8. B
A temperatura de ebulição da mistura conhecida como água doce é menor do que a temperatura de
ebulição da mistura conhecida como água do mar.

9. A
Nas estações de tratamento a água que será consumida pela população precisa passar por uma série
de etapas que possibilite eliminar todos os seus poluentes.
Uma dessas etapas é a coagulação ou floculação, com o uso de hidróxido de cálcio, conforme a
reação:
3Ca(OH)2 + A 2 (SO4 )3 → 2A (OH)3 + 3CaSO4

O hidróxido de alumínio (A (OH)3 ) obtido, que é uma substância insolúvel em água, permite reter em
sua superfície muitas das impurezas presentes na água (floculação). O método de separação
comumente usado para retirar o sulfato de alumínio com as impurezas aderidas é a flotação (faz-se
uma agitação no sistema e as impurezas retidas sobem à superfície da mistura heterogênea).

10. C
Destilação fracionada, pois trata-se de um processo que separa os componentes de uma mistura
homogênea, pela diferença do seu ponto de ebulição.

13
Redação

A dissertação argumentativa

Resumo

Dissertar e argumentar
Argumentar: Termo derivado do latim “argumentum”, a argumentação consiste no ato de convencer,
comprovar uma proposição ao interlocutor, no intuito de corroborar com aquilo que foi proferido. Demonstrar
a sua opinião sobre um determinado tema a fim de validar as suas ideias a outra pessoa pode ser um tipo de
argumento.
Dissertar: Trata-se de expor e discutir ideias, tem o foco na informação; é fazer juízo sobre um determinado
assunto e se posicionar diante dele, e para isso é preciso apresentar argumentos com criticidade e usando
da persuasão e do convencimento.

O texto dissertativo-argumentativo

O texto dissertativo-argumentativo é um texto opinativo que se baseia na defesa de uma perspectiva ou um


determinado ponto de vista acerca de um tema. Nele, a opinião do autor é fundamentada com explicações e
argumentos e quem escreve procura convencer o leitor - ou pelo menos tentar -, mediante a apresentação de
razões, por meio da evidência de provas e contando com um raciocínio coerente e consistente. Em outras
palavras, ao mesmo tempo em que o autor disserta sobre um determinado tema, tecendo comentários,
também tenta convencer e cativar o leitor com argumentos.
Para entender melhor o caráter persuasivo do texto, vejamos um exemplo. Em Janeiro de 2018, a
apresentadora Oprah Winfrey recebeu o Prêmio Cecil B. DeMille, concedido a figuras notáveis da indústria
audiovisual americana, durante o Globo de Ouro. Um dos momentos mais marcantes da entrega do prêmio
foi quando Oprah fez o seu discurso de agradecimento. Leia um trecho abaixo:
“Em 1982, Sidney recebeu o prêmio Cecil B. DeMille aqui no Globo de Ouro, e eu sei que, neste momento, há
algumas garotinhas assistindo eu me tornar a primeira mulher negra a receber esse mesmo prêmio. É uma
honra, é uma honra e é um privilégio compartilhar a noite com todas elas e também com os incríveis homens
e mulheres que me inspiraram, que me desafiaram, que me apoiaram e fizeram minha jornada até esse ponto
possível.
[...]
Então, eu quero hoje a noite expressar gratidão a todas as mulheres que sofreram anos de abuso e agressão
porque elas, como minha mãe, tiveram filhos para se alimentar e contas a pagar e sonhos para perseguir. São
as mulheres cujos nomes nunca conheceremos. São trabalhadoras domésticas e trabalhadoras agrícolas.
Elas estão trabalhando em fábricas, em restaurantes, estão nas universidades, engenharia, medicina e ciência.
Elas fazem parte do mundo da tecnologia, da política e dos negócios. Elas são nossos atletas nas Olimpíadas
e elas são nossas soldadas nas Forças Armadas. [...] Por muito tempo, não ouviam as mulheres, ou não
acreditavam nelas quando ousavam falar a verdade sob o poder desses homens. Mas esse tempo acabou.
Esse tempo acabou. Esse tempo acabou.
[...]
Então, eu quero que todas as garotas assistindo aqui, agora, saibam que um novo dia está no horizonte! E
quando esse novo dia finalmente amanhecer, será por causa de muitas mulheres magníficas, muitas das

1
Redação

quais estão aqui neste auditório, esta noite e alguns homens fenomenais, lutando para garantir que se tornem
os líderes que nos levam ao tempo em que ninguém nunca mais terá de dizer “Eu também”.”
Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/oprah-winfrey-faz-discurso-inspirado-contra-assedio-racismono-globo-de-
ouro-2018-22264789

Ao interpretar o texto, é possível notar que um dos argumentos utilizados por Oprah é a necessidade de as
mulheres se sentirem representadas e quebrarem barreiras a fim de obterem a igualdade de gênero, combater
a violência contra a mulher, o racismo, e exercerem a sua cidadania. A apresentadora cita vários exemplos ao
longo de seu discurso para defender o seu ponto de vista.

Características da dissertação-argumentativa
• Tese: A tese é a ideia que você pretende defender durante o seu texto. Ela deve estar relacionada ao tema
da proposta e ser apoiada por argumentos ao longo da sua redação.

• Objetividade e impessoalidade: Nesse gênero textual, é essencial que as opiniões sejam mostradas de
forma objetiva, ou seja, evitando trazer informações muito subjetivas, baseadas em convicções
individuais e argumentos pouco racionais, e buscando uma impessoalidade. No ENEM e em outros
vestibulares, o uso da 1ª pessoa geralmente não é recomendado, a não ser que a banca instrua o
candidato a essa opção. Desse modo, trabalhar com a 3ª pessoa pode distanciar melhor o autor das
opiniões apresentadas e, assim, deixá-las mais próximas de verdades absolutas.

• Estrutura específica: Em geral, para se obter maior clareza na exposição do ponto de vista, a estrutura
do texto é organizada em três partes:
− Introdução: apresenta-se o tema e o ponto de vista (tese) que será defendido;
− Desenvolvimento: desenvolve-se o ponto de vista (para convencer o leitor, é preciso usar uma sólida
argumentação, citar exemplos, recorrer a opiniões de especialistas, fornecer dados etc);
− Conclusão: dá-se um fecho coerente com o desenvolvimento, com os argumentos apresentados. No
caso da redação do ENEM, há a apresentação das propostas de intervenções sociais.

• Coerência e coesão: Na construção de qualquer texto, a produção de sentido, tanto de maneira abstrata
quanto formal (com palavras) é essencial. Dessa forma, a coerência, responsável por essas relações no
campo das ideias, e a coesão, que usa palavras nessa construção, precisam ser trabalhadas de maneira
bem rica na dissertação. Teremos, em outro momento, uma aula específica sobre isso, mas não se
esqueça dessa regra: seu texto precisa ter sentido.

• Estratégias argumentativas: São os elementos que contribuirão para o aprofundamento e validação de


seus argumentos. São inúmeras as estratégias, dentre elas temos:
− Exemplificação
− Alusão histórica
− Alusão cultural (filmes, séries, personagens, música, etc.)
− Interdisciplinaridade (referências a outras áreas do conhecimento, como Filosofia, Geografia,
Biologia, etc.)
− Argumentos de autoridade
− Dados estatísticos
− Causa e consequência
− Confronto entre ideias
− Analogias
− Métodos de raciocínio (dedução, indução e dialética)

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Redação

Exercícios

1. Analise a introdução abaixo:


O documentário americano, Blackfish, narra a história da baleia orca performática, Tilikun, responsável
por três mortes sua vida em cativeiro. Privado de explorar o oceano, o animal exerceu função de
entretenimento para o público por mais de 20 anos, garantindo sua liberdade apenas em 2017, com seu
falecimento. Esse cenário, que não só é presente com os mamíferos aquáticos, acomete todo reino
animal e sua exploração por parte dos seres humanos. Dessa forma, essa despreocupação histórica
com os seres não-racionais persiste na atualidade, uma vez que a lenta mudança do pensamento social
acarreta a desproteção desses por meio das leis.

Demonstre a estratégia de contextualização feita pelo autor.

2. Não adianta isolar o fumante


Se quiser mesmo combater o fumo, o governo precisa ir além das restrições. É preciso apoiar quem
quer largar o cigarro.
Ao apoiar uma medida provisória para combater o fumo em locais públicos nos 27 estados brasileiros,
o senado reafirmou um valor fundamental: a defesa da saúde e da vida.
Em pelo menos um aspecto a MP 540/2011 é ainda mais rigorosa que as medidas em vigor em São
Paulo, no Rio de Janeiro e no Paraná, estados que até agora adotaram as legislações mais duras contra
o tabagismo. Ela proíbe os fumódromos em 100% dos locais fechados, incluindo até tabacarias, onde
o fumo era autorizado sob determinadas condições.
Uma das principais medidas atinge o fumante no bolso. O governo fica autorizado a fixar um novo preço
para o maço de cigarros. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será elevado em 300%.
Somando uma coisa e outra, o sabor de fumar se tornará muito mais ácido. Deverá subir 20% em 2012
e 55% em 2013.
A visão fundamental da MP está correta. Sabe-se, há muito, que o tabaco faz mal à saúde. É razoável,
portanto, que o Estado aja em nome da saúde pública.
Época, 28 nov. 2011 (adaptado)

O autor do texto analisa a aprovação da MP 540/2011 pelo Senado, deixando clara a sua opinião sobre
o tema. O trecho que apresenta uma avaliação pessoal do autor como uma estratégia de persuasão do
leitor é:
a) “Ela proíbe os fumódromos em 100% dos locais fechados".
b) "O governo fica autorizado a fixar um novo preço para o maço de cigarros.’’
c) “O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será elevado em 300%.”
d) “Somando uma coisa e outra, o sabor de fumar se tornará muito mais ácido."
e) "Deverá subir 20% em 2012 e 55% em 2013."

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Redação

3. Censura moralista
Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo,
apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com
livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num
nunca acabar de problemas e de carências. Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm
dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as
pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais
têm tomado a peito investir em livros e em leitura.
LAJOLO, M. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 2 dez. 2013 (fragmento).

Os falantes, nos textos que produzem, sejam orais ou escritos, posicionam-se frente a assuntos que
geram consenso ou despertam polêmica. No texto, a autora
a) ressalta a importância de os professores incentivarem os jovens às práticas de leitura.
b) critica pesquisas tradicionais que atribuem a falta de leitura à precariedade de bibliotecas.
c) rebate a ideia de que as políticas educacionais são eficazes no combate à crise de leitura.
d) questiona a existência de uma crise de leitura com base nos dados de pesquisas acadêmicas.
e) atribui a crise da leitura à falta de incentivos e ao desinteresse dos jovens por livros de qualidade.

4. Leia com atenção o parágrafo abaixo:


“O cientista Karl Marx, durante a Idade Média, defendia o ideal de uma sociedade com distribuição
igualitária de renda, a fim de combater a desigualdade social. No entanto, ainda estamos longe de uma
sociedade que preze pelo bem-estar social de todas as classes, por isso, inúmeras mudanças precisam
ocorrer para alterar este cenário.”

Sabe-se que para construir um texto de cunho argumentativo é preciso defender um determinado ponto
de vista e, além disso, é preciso que as informações estejam corretas para validar a perspectiva
apresentada. De acordo com os seus conhecimentos, identifique os erros que o produtor do texto
cometeu ao defender as suas ideias.

5. Suponha que você leu uma redação com o tema “A corrupção na sociedade contemporânea” e o
parágrafo de introdução lhe chamou a atenção. Leia-o abaixo e explique, a partir de seus
conhecimentos, por que as informações apresentadas não são defendidas com profundidade.

“A população brasileira vive uma crise de representatividade, visto que todos os políticos existentes
exercem a corrupção. Por esse motivo, o cidadão sente-se desacreditado na política atual e percebe
que os candidatos dos partidos do PT (Partido do Trabalhador) e PSDB (Partido da Social Democracia
Brasileira) permanecem no poder.”

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Redação

6. O trecho dissertativo-argumentativo abaixo faz um breve comentário sobre “A importância da internet


no acesso à informação”. Leia-o com atenção:

“A globalização permitiu que os indivíduos usufruíssem, cada vez mais, do mundo tecnológico e, com
o advento da internet, proporcionou que os internautas se comunicassem de maneira mais rápida e
eficaz. Durante a Primavera Árabe, por exemplo, os libaneses lutaram contra o governo opressor vigente
e divulgaram sua insatisfação no mundo virtual”.

O trecho que você acabou de ler trata-se de um parágrafo introdutório de uma redação, entretanto, ele
está incompleto. Identifique o que falta para a construção do parágrafo argumentativo.

7. TEXTO I
Nesta época do ano, em que comprar compulsivamente é a principal preocupação de boa parte da
população, é imprescindível refletirmos sobre a importância da mídia na propagação de determinados
comportamentos que induzem ao consumismo exacerbado. No clássico livro O capital, Karl Marx
aponta que no capitalismo os bens materiais, ao serem fetichizados, passam a assumir qualidades que
vão além da mera materialidade. As coisas são personificadas e as pessoas são coisificadas. Em
outros termos, um automóvel de luxo, uma mansão em um bairro nobre ou a ostentação de objetos de
determinadas marcas famosas são alguns dos fatores que conferem maior valorização e visibilidade
social a um indivíduo.
LADEIRA, F. F. Reflexões sobre o consumismo. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br.
Acesso em 18 Jan.2015.

TEXTO II
Todos os dias, em algum nível, o consumo atinge nossa vida, modifica nossas relações, gera e rege
sentimentos, engendra fantasias, aciona comportamentos, faz sofrer, faz gozar. Às vezes
constrangendo-nos em nossas ações no mundo, humilhando e aprisionando, às vezes ampliando nossa
imaginação e nossa capacidade de desejar, consumimos e somos consumidos. Numa época toda
codificada como a nossa, o código da alma (o código do ser) virou código do consumidor! Fascínio
pelo consumo, fascínio do consumo. Felicidade, luxo, bem-estar, boa forma, lazer, elevação espiritual,
saúde, turismo, sexo, família e corpo são hoje reféns da engrenagem do consumo.
BARCELLOS, G. A alma do consumo. Disponível em: www.diplomatique.org.br.
Acesso em 18 jan 2015.

Esses textos propõem uma reflexão crítica sobre o consumismo. Ambos partem do ponto de vista de
que esse hábito
a) desperta o desejo de ascensão social.
b) provoca mudanças nos valores sociais.
c) advém de necessidades suscitadas pela publicidade.
d) deriva da inerente busca por felicidade pelo ser humano.
e) resulta de um apelo do mercado em determinadas datas.

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Redação

8. O último longa de Carlão acompanha a operária Silmara, que vive com o pai, um ex-presidiário, numa
casa da periferia paulistana. Ciente de sua beleza, o que lhe dá certa soberba, a jovem acredita que terá
um destino diferente do de suas colegas. Cruza o caminho de dois cantores por quem é apaixonada. E
constata, na prática, que o romantismo dos contos de fada tem perna curta.
VOMERO, M. F. Romantismo de araque. Vida Simples, n. 121, ago. 2012.

Reconhece-se, nesse trecho, uma posição crítica aos ideais de amor e felicidade encontrados nos
contos de fada. Essa crítica é traduzida
a) pela descrição da dura realidade da vida das operárias.
b) pelas decepções semelhantes às encontradas nos contos de fada.
c) pela ilusão de que a beleza garantiria melhor sorte na vida e no amor.
d) pelas fantasias existentes apenas na imaginação de pessoas apaixonadas.
e) pelos sentimentos intensos dos apaixonados enquanto vivem o romantismo.

9. Embora particularidades na produção mediada pela tecnologia aproximem a escrita da oralidade, isso
não significa que as pessoas estejam escrevendo errado. Muitos buscam, tão somente, adaptar o uso
da linguagem ao suporte utilizado: “O contexto é que define o registro de língua. Se existe um limite de
espaço, naturalmente, o sujeito irá usar mais abreviaturas, como faria no papel", afirma um professor
do Departamento de Linguagem e Tecnologia do Cefet-MG. Da mesma forma, é preciso considerar a
capacidade do destinatário de interpretar corretamente a mensagem emitida. No entendimento do
pesquisador, a escola, às vezes, insiste em ensinar um registro utilizado apenas em contextos
específicos, o que acaba por desestimular o aluno, que não vê sentido em empregar tal modelo em
outras situações. Independentemente dos aparatos tecnológicos da atualidade, o emprego social da
língua revela-se muito mais significativo do que seu uso escolar, conforme ressalta a diretora de
Divulgação Científica da UFMG: “A dinâmica da língua oral é sempre presente. Não falamos ou
escrevemos da mesma forma que nossos avós". Some-se a isso o fato de os jovens se revelarem os
principais usuários das novas tecnologias, por meio das quais conseguem se comunicar com
facilidade. A professora ressalta, porém, que as pessoas precisam ter discernimento quanto às
distintas situações, a fim de dominar outros códigos.
SILVA JR., M. G.; FONSECA, V. Revista Minas Faz Ciência, n. 51, set.-nov. 2012 (adaptado).

Na esteira do desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação, usos particulares da


escrita foram surgindo. Diante dessa nova realidade, segundo o texto, cabe à escola levar o aluno a
a) interagir por meio da linguagem formal no contexto digital.
b) buscar alternativas para estabelecer melhores contatos on-line.
c) adotar o uso de uma mesma norma nos diferentes suportes tecnológicos.
d) desenvolver habilidades para compreender os textos postados na web.
e) perceber as especificidades das linguagens em diferentes ambientes digitais.

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Redação

10. Leia com atenção o trecho abaixo:

“Com a taxa de obesidade crescendo, a população brasileira vê doenças como a diabetes e a


hipertensão aumentarem, sendo provenientes de uma má alimentação. Além disso, ingerir alimentos
em alta quantidade e não seguir uma dieta alimentar são problemas existentes na vida de muitos jovens
que sofrem de enfermidades cardiovasculares.”

O parágrafo é trecho de uma redação relacionada ao tema “Alimentação irregular e obesidade no


Brasil”, mas possui problemas ao apresentar um caráter argumentativo. Identifique as dificuldades
presentes no texto para a validação de um ponto de vista.

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Redação

Gabarito

A estratégia de contextulização que antecipa a tese é realizada pelo dcumentário “Blackfish”, uma vez
que a temática engloba a exploração animal.

D
No texto, o autor defende um ponto de vista: o cigarro faz mal à saúde. Para convencer os usuários a
deixarem de adquirir esse produto, o autor fala sobre os gastos financeiros, pois se houver um aumento
do preço para a venda de maço de cigarros, o custo para bancar o fumo será mais alto e muitos indivíduos
não irão querer manter esses custos.

D
No texto, a autora questiona a existência de uma crise de leitura e, com base nos dados de pesquisas
acadêmicas, opina que não há uma real crise de leitura entre os brasileiros porque eles “leem livros que
as pesquisas tradicionais não levam em conta”.

Para validar uma determinada perspectiva, é preciso que as informações contidas no texto estejam
corretas. O primeiro erro é afirmar que Karl Marx era um cientista e o segundo consiste em relacionar o
filósofo Karl Marx dentro da Idade Média, uma vez que este fez parte do século XIX. O conhecimento de
mundo é muito importante para a produção de textos argumentativos.

O produtor do texto apresenta argumentos generalizados e não aprofunda a explicação de sua


perspectiva, nem visa comprová-la. Ao dizer que “todos os políticos” exercem a corrupção, é preciso
provar essa informação, como também, é errôneo apontar partidos políticos e generalizá-los sem
evidências suficientes.

No trecho em questão não há a presença da tese, isto é, o ponto de vista a ser defendido pelo produtor
do texto para explicar o impacto da internet no acesso à informação.

B
Os dois textos discorrem sobre o consumismo e o modo como ele afeta o homem, seus desejos e seu
modo de se relacionar com os demais. Defendem, portanto, a perspectiva de que o consumismo provoca
mudanças nos valores sociais.

C
No texto, a personagem Silmara acredita que a sua beleza serviria de “porta-voz” para possibilidades de
ascensão social, no entanto, o texto evidencia que ela se enganou com esse pensamento, pois isso não
lhe garantiu necessariamente sorte na vida e nos relacionamentos.

E
O texto enfatiza a necessidade de o aluno saber utilizar as linguagens em diferentes contextos e
ambientes, o que evidencia o seu caráter argumentativo. Também é importante destacar a crítica feita à
escola, no texto, uma vez que “insiste em ensinar um registro utilizado apenas em contextos específicos”.

O produtor do texto focou na exposição de informações e não soube defender seu argumento. É preciso
abordar quais são os empecilhos da obesidade e da má alimentação, justificando a necessidade de os
indivíduos cuidarem de sua saúde a fim de prevenirem doenças cardiovasculares e a obesidade.

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Sociologia

Processo de Socialização

Resumo

Um dos fatores essenciais no âmbito da construção das sociedades é chamado de processo de socialização.
É justamente a partir desse processo que há a interação e integração dos indivíduos na sociedade a qual
pertencem, através do aprendizado de hábitos, regras e saberes vinculados a uma determinada cultura.
Assim, o processo de socialização permite a assimilação de hábitos culturais e guia o aprendizado social
dos indivíduos, que irão assimilar os valores e regras da sociedade específica da qual fazem parte. A
educação, por exemplo, é um componente fundamental do processo de socialização, a partir do qual as
crianças se reconhecem como parte de um todo social, geralmente pelo contato com a geração adulta.
Através da socialização nos tornamos seres sociais.
Todas as relações sociais estabelecidas pelos indivíduos ao longo de sua vida irão contribuir para o processo
de socialização. Pelo contato com as normas, valores e diferentes grupos sociais acontecerá a socialização
do indivíduo, numa teia complexa dentro da qual todas as pessoas moldarão seus hábitos e condutas. É
evidente que os processos de socialização são diferentes de acordo com a sociedade em questão. Podemos
dizer, nesse sentido, que o processo de socialização de uma criança educada num espaço urbano será
diferente, por exemplo, da socialização de uma criança que vive campo. Da mesma forma que podemos
perceber que o processo de socialização de uma criança numa determinada tribo indígena pode apresentar
muitas diferenças em relação ao mesmo processo numa outra tribo indígena.
Em geral, há dois tipos principais de socialização, a socialização primária e a socialização secundária. A
primeira diz respeito à socialização que ocorre através da família, quando a criança entrará em contato com
a linguagem e estabelecerá suas primeiras ralações sociais. Já aqui haverá a internalização de diversas
normas que serão fundamentais para o segundo estágio do processo de socialização. A escola também é
uma instituição que contribui para o estabelecimento uma socialização primária.
A socialização secundária diz respeito ao estabelecimento de papéis sociais que surgirão da relação e
interação com o mundo e com outros atores sociais além da própria família. Ou seja, um indivíduo já
socializado pelas instituições com esse objetivo continua adquirindo papéis sociais, intensificando a
complexidade de sua rede de relações sociais. Essa complexificação pode ser afetada por problemas
ocorridos na etapa de socialização primária, como a falta de internalização de normas e valores o que pode
levar o indivíduo a descumprir regras básicas de convivência social.

1
Sociologia

Exercícios

1. Nenhum dos filmes que vi, e me divertiram tanto, me ajudou a compreender o labirinto da psicologia
humana como os romances de Dostoievski – ou os mecanismos da vida social como os livros de
Tolstói e de Balzac, ou os abismos e os pontos altos que podem coexistir no ser humano, como me
ensinaram as sagas literárias de um Thomas Mann, um Faulkner, um Kafka, um Joyce ou um Proust.
As ficções apresentadas nas telas são intensas por seu imediatismo e efêmeras por seus resultados.
Prendem-nos e nos desencarceram quase de imediato, mas das ficções literárias nos tornamos
prisioneiros pela vida toda. Ao menos é o que acontece comigo, porque, sem elas, para o bem ou para
o mal, eu não seria como sou, não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas e as certezas que
me fazem viver.
(Mario Vargas Llosa. “Dinossauros em tempos difíceis”. www.valinor.com.br. O Estado de S. Paulo, 1996. Adaptado.)

Segundo o autor, sobre cinema e literatura é correto afirmar que


a) a ficção literária é considerada qualitativamente superior devido a seu maior elitismo intelectual.
b) suas diferenças estão relacionadas, sobretudo, às modalidades de público que visam atingir.
c) as obras literárias desencadeiam processos intelectualmente e esteticamente formativos.
d) a escrita literária apresenta maior afinidade com os padrões da sociedade do espetáculo.
e) as duas formas de arte mobilizam processos mentais imediatos e limitados ao entretenimento.

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Sociologia

2. Os seres humanos são formados socialmente. A sociologia aborda esse processo de constituição
social dos seres humanos com o termo “socialização”. Desde Marx e Durkheim, passando pela escola
funcionalista até chegar aos sociólogos contemporâneos, esse é um tema fundamental da sociologia,
mesmo sem usar esse termo. Alguns sociólogos atribuem um caráter repressivo e coercitivo ao
processo de socialização em determinadas épocas e sociedades. A socialização, na sociedade
moderna, seria diferente da que ocorre em outras sociedades. A letra da música a seguir apresenta
elementos desse processo de socialização moderna.

Pressão Social
Há uma espada sobre a minha cabeça Há uma espada sobre a minha cabeça
É uma pressão social que não quer que É uma pressão social que não quer que
eu me esqueça eu me esqueça

Que tenho que estudar Que eu tenho que conformar


que eu tenho que trabalhar conformar é rebelar
que tenho que ser alguém que eu tenho que rebelar
não posso ser ninguém rebelar é conformar

Há uma espada sobre a minha cabeça E quem conforma o sistema engole


É uma pressão social que não quer que e quem rebela o sistema come
eu me esqueça

Que a minha vitória é a derrota de alguém


e o meu lucro é a perda de alguém
que eu tenho que competir
que eu tenho que destruir
Plebe Rude. Disponível em: <http://www.vagalume.com.br/plebe-rude/pressao-social-original.html>.
Acesso em: 16/03/2016
A letra da música apresenta o processo de
a) socialização de grupos subalternos que são altamente competitivos e voltados para o lucro e a
vitória competitiva independente de qualquer consideração ética.
b) imposição dos valores dos pequenos comerciantes que precisam de educação escolar e
aprendem a ter o lucro como objetivo principal de sua empresa.
c) imposição de elementos da sociabilidade moderna, tais como escolarização e trabalho visando
ascender socialmente e vencer a competição social.
d) socialização nos países subdesenvolvidos, nos quais a falta de oportunidades e de riquezas gera
uma forte competição social.
e) imposição de uma socialização fundada na racionalização, marcada por uma valoração da razão
e dos sentimentos.

3
Sociologia

3. “Os sociólogos estabelecem distinção entre a socialização primária e a socialização secundária. A


socialização primária é o processo por meio do qual a criança se transforma num membro participante
da sociedade. A socialização secundária compreende todos os processos posteriores, por meio dos
quais o indivíduo é introduzido em um mundo específico. Qualquer treinamento profissional, por
exemplo, constitui um processo de socialização secundária.”
(BERGER, P. L. e BERGER, B., “Socialização: como ser membro da sociedade”. In FORACCHI, M. M. e MARTINS, J. S.,
Sociologia e Sociedade – Leituras de introdução à Sociologia.
Rio de Janeiro: LTC Editora, 1999. p. 213-4)

Considerando o texto acima reproduzido, é CORRETO afirmar que


a) a socialização é um fenômeno que ocorre apenas nos anos inciais da vida.
b) a socialização primária é aquela que ocorre no ambiente familiar e a secundária é aquela que
ocorre apenas nas escolas.
c) as pessoas nascidas em famílias bem estruturadas não precisam passar por processos de
socialização secundária.
d) apenas as sociedades industrializadas apresentam processos de socialização secundária.
e) a socialização é um processo que se inicia quando nascemos e nunca chega ao fim.

4. O que pode acontecer a um indivíduo caso ele não tenha possibilidade de se socializar com ninguém?
Assinale a alternativa correta sociologicamente.
a) Ele ficará sozinho e sem amigos, tornando-se uma pessoa violenta.
b) Ele provavelmente não sobreviverá em sociedade e terá grandes dificuldades para se comunicar.
c) Ele será encaminhado para uma instituição de caridade.
d) Ele não se reconhecerá como pessoa, uma vez que não terá conhecido o significado da palavra
“amor”.
e) Ele se tornará um empecilho para seus pais, um problema para a sociedade e não quererá viver.

2
Sociologia

5.

Os quadrinhos acima apresentam a construção de uma figura social, o monstro. Tendo em conta a
teoria sociológica, podemos dizer que:
a) O monstro surge a partir de um processo social que cria sujeitos rejeitados e desajustados.
b) O monstro é uma figura que já desde o nascimento se mostra desajustada em relação à
sociedade.
c) Somente as crianças são monstruosas.
d) Os monstros correspondem a uma forma de classificação escolar dos seus estudantes.
e) Há, na sociedade contemporânea, uma grande preocupação em fazer com que a monstruosidade
seja apagada da personalidade das pessoas.

3
Sociologia

6. Sei que os anos vão passando e eu amando mais você.


Dedicando sempre um amor sem fim,
bons momentos de paixão e de felicidade.
E eu sempre acreditei que o seu amor era verdade.

Você sempre jurou a mim eterno amor,


que um dia casaria comigo e seria feliz.
Mas você mentiu, e eu vi que estava errado.
Um dia vi você sair com o ex-namorado.

Eu vou te deletar, te excluir do meu Orkut.


Eu vou te bloquear no MSN.
Não me mande mais scraps, nem e-mails, PowerPoint.
Me exclua também e adicione ele.
Ewerton Assunção. Eu vou te excluir do meu Orkut.

A música, acima, acaba por apresentar um aspecto novo da socialização existente na sociedade
contemporânea. Que aspecto é esse?
a) O aumento da importância da internet como mediadora das relações sociais.
b) A relevância sociológica do amor para as relações amorosas.
c) A traição como fato social total.
d) A persistência da traição nas relações sociais.
e) O desejo pela posse de meios de comunicação.

7. Hoje em dia, muitos pais acreditam que, a partir de certa idade, devem delegar a educação de seus
filhos à escola, pois já cumpriram seu papel até ali, e nada podem acrescentar para o filho, não melhor
do que faria o colégio.
A questão é que estão enganados. Os pais são os melhores professores de seus filhos, e sempre serão.
Mas quando digo professores, não me refiro aos ensinamentos de matérias como o português ou a
matemática, e sim ao desenvolvimento de virtudes e capacidades relacionadas a todos os âmbitos de
seu ser, pois sabemos que o ser humano não é apenas composto por seu lado racional (aqui me refiro
aos aprendizados puramente escolares).
Fonte: <http://www.serfamilia.com.br/educacao/uma-parceria-ideal.html>. Acesso em 03 nov. 2012.

O discurso acima procura evidenciar a importância da família para a educação da criança. Do ponto
de vista sociológico, o que está ocorrendo é:
a) A democratização do ensino público.
b) A afirmação da autonomia individual em detrimento da sociedade.
c) A defesa da importância da família para a primeira socialização dos indivíduos.
d) A divisão da instituição educacional.
e) O aumento da anomia social.

4
Sociologia

8. “Socialização significa o processo pelo qual um indivíduo se torna um membro ativo da sociedade em
que nasceu, isto é, comporta-se de acordo com seus folkways e mores [...]. Há pouca dúvida de que a
sociedade, por suas exigências sobre os indivíduos determina, em grande parte, o tipo de
personalidade que predominará. Naturalmente, numa sociedade complexa como a nossa, com
extrema heterogeneidade de padrões, haverá consideráveis variações. Seria, portanto, exagerado dizer
que a cultura produz uma personalidade totalmente estereotipada. A sociedade proporciona, antes, os
limites dentro dos quais a personalidade se desenvolverá”.
Fonte: KOENIG, S. Elementos de Sociologia. Tradução de Vera Borda, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1967, p. 70-75.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar:


a) Existe uma interação entre a cultura e a personalidade, o que faz com que as individualidades
sejam influenciadas de diferentes modos e graus pelo ambiente social.
b) Apesar de os indivíduos se diferenciarem desde o nascimento por dotes físicos e mentais,
desenvolvem personalidades praticamente idênticas por conta da influência da sociedade em
que vivem.
c) A sociedade impõe, por suas exigências, aprovações e desaprovações, o tipo de personalidade
que o indivíduo terá.
d) O indivíduo já nasce com uma personalidade que dificilmente mudará por influência da sociedade
ou do meio ambiente.
e) São as tendências hereditárias e não a sociedade que determinam a personalidade do indivíduo.

9. “Pesquisadores das universidades britânicas de Glasgow e Bristol acompanharam os hábitos de 9.000


crianças nos últimos catorze anos. Concluíram que o ambiente no qual elas foram educadas teve tanta
influência nos casos de obesidade infantil quanto a herança genética. O estudo identificou oito fatores
que podem levar à obesidade a partir dos 7 anos, dos quais destacam-se, aqui, dois: crianças com
mais de 3 anos que permanecem diante da TV mais de oito horas por semana têm tendência ao
sedentarismo e à superalimentação; filhos de pais obesos podem, além de herdar características
genéticas de obesidade, imitar seu comportamento.”
(Veja, ano 38, n. 23, p. 37, 8 jun. 2005.)

Com base no texto, é correto afirmar:


a) O fato de filhos de pais obesos serem obesos indica que a causa da obesidade infantil é
necessariamente genética.
b) Escolarização e incidência de obesidade infantil são diretamente proporcionais, revelando o
equívoco dos conceitos sobre alimentação e saúde.
c) Fatores biológicos e a construção de hábitos alimentares no processo de socialização da criança
são determinantes na obesidade infantil.
d) A interdição das crianças à televisão é uma medida que elimina o risco da obesidade infantil.
e) O sedentarismo, a superalimentação e o ambiente no qual as crianças são educadas são fatores
de obesidade infantil circunscritos aos povos de origem anglo-saxã.

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Sociologia

10. Se vamos ter mais tempo de lazer no futuro automatizado, o problema não é como as pessoas vão
consumir essas unidades adicionais de tempo de lazer, mas que capacidade para a experiência terão
as pessoas com esse tempo livre. Mas se a notação útil do emprego do tempo se torna menos
compulsiva, as pessoas talvez tenham de reaprender algumas das artes de viver que foram perdidas
na Revolução Industrial: como preencher os interstícios de seu dia com relações sociais e pessoais;
como derrubar mais uma vez as barreiras entre o trabalho e a vida.
THOMPSON, E. P. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional.
São Paulo: Cia. das Letras, 1998 (adaptado).

A partir da reflexão do historiador, um argumento contrário à transformação promovida pela


Revolução Industrial na relação dos homens com o uso do tempo livre é o(a)
a) intensificação da busca do lucro econômico.
b) flexibilização dos períodos de férias trabalhistas.
c) esquecimento das formas de sociabilidade tradicionais.
d) aumento das oportunidades de confraternização familiar.
e) multiplicação das possibilidades de entretenimento virtual.

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Gabarito

1. C
[Resposta do ponto de vista da disciplina de Português]
É correta a opção [C], pois, no último período do texto, Mario Vargas Llosa afirma que a literatura é
elemento fundamental para a sua formação: “sem elas, para o bem ou para o mal, eu não seria como
sou, não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas e as certezas que me fazem viver”.

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]


A análise sociológica possível de ser feita em consonância com o argumento do texto é considerar a
leitura de obras literárias um elemento de socialização. Assim, a única alternativa que está de acordo
com essa linha argumentativa é a [C], dado que todo processo de formação é também um processo de
socialização.

2. C
A letra da música faz referência à imposição de valores e comportamentos exteriores aos indivíduos.
Tais valores representam o ideal de sucesso individual e de competitividade, típicos da sociedade
capitalista contemporânea.

3. E
A socialização corresponde ao processo pelo qual um indivíduo passa a fazer parte de uma sociedade,
incorporando hábitos, gostos, normas e símbolos que são próprios dessa sociedade. Pelo fato de a
sociedade estar sempre em mudança, esse processo nunca termina, tal como afirma a alternativa [E].

4. B
A alternativa [B] é a única correta. Um indivíduo que não se socializa é um indivíduo que não aprende a
linguagem social. Um exemplo clássico é o chamado Victor de Aveyron, garoto que foi encontrado em
uma floresta francesa no século XVIII.

5. A
A alternativa [A] é a única correta. O processo que cria “sujeitos monstruosos” é social, pois depende da
interação dos indivíduos e da consequente rejeição de alguns deles.

6. A
A internet cria novos ambientes de socialização e novas regras sociais que devem ser seguidas. Ainda
que a música pareça uma simples paródia ou brincadeira, ela consegue evidenciar a importância da
internet para as relações sociais contemporâneas.

7. C
A família tem um papel importante na socialização das crianças e é por isso que ela também carrega a
função de educá-la. Isso significa não somente educar de maneira escolar, mas valorizando sempre o
tipo de ser humano que a sociedade considera ideal.

8. A
Segundo a corrente interacionista da sociologia, no processo de socialização ocorre uma relação
dialética entre a cultura e a personalidade. A sociedade (ou cultura), construída pelo sujeito, o condiciona

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e determina qual a matriz sobre a qual o indivíduo pode construir sua personalidade pessoal. Nesse
sentido, podemos dizer que a individualidade é socialmente condicionada e, por isso, somente a
alternativa [A] é correta.

9. C
Uma análise sociológica do problema proposto permite relacionar o processo de socialização das
crianças com a obesidade infantil, dado que os filhos de pais obesos tendem a se manter obesos. Nesse
sentido, fatores de ordem social apresentam praticamente o mesmo efeito que fatores de ordem
biológica.

10. C
Pelo argumento do texto, a transformação do tempo livre em tempo de trabalho e produção fez com que
as pessoas se desacostumassem a ocupar seu tempo com relações sociais e pessoais. Esse seria o
desafio contemporâneo, bem expresso na alternativa [C].