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FRAQUEZA

DO MACHO

CLAUBER RAMOS
FRAQUEZA
DO MACHO

CLAUBER RAMOSS
Fraqueza do Macho

“Se tenho que me gloriar,


me gloriarei em minha fraqueza.”
(2 Cor. 11:30)

Não busco palavras,


Construções perfeitas
Ou sintaxes irrepreensíveis.
Procuro sentimentos.
Sentimentos presentes no meu dia-a-dia
E ocultados pela auto preservação.

Quero expor as mazelas da minha alma,


Trazer à luz as fraquezas encobertas
E a pobreza do meu coração.

Tenho medo, angústia, tristeza...


Sou inseguro e tenho falta de fé.
Sou fraco em coisas que às vezes
Pareço uma rocha.
Sou forte quando não deveria ser
E por isso sou independente.

Atitudes me faltam
Quando deveria agir,
Ações me atropelam
Quando deveria apenas ouvir.

3
Tenho necessidade de reconhecimento
E não sei lidar com ele,
Um elogio me desmonta
Tanto quanto não ser elogiado.

Sinto carência de afeto


E medo em demonstrá-lo
As pessoas me assustam,
O contato próximo me apavora.
É difícil abrir meu coração.
Expor opiniões é bem mais fácil
Do que expor a si mesmo.

“ Miserável homem que sou!


Quem me livrará o corpo desta morte? ”

Vou em frente, luto contra mim mesmo.


Com socos, tapas e pontapés
Esmurro o homem interior

Até que ele, sem forças para reagir,


Manifeste a verdadeira força que há na fraqueza.

Assim sigo a rascunhar os dias,


Por vezes tateando o Infinito.
Encharcado de humanidade.

4
Sinceramente Sem Cera

Sob o foco da luz a cera se derrete


Gota a gota, deixando à vista as imperfeições,
Falhas, fissuras e arranhões.

Rasga-se o véu da hipocrisia


E o que se vê é verdade,
Sem máscaras, nem vaidade,
A humanidade nua desfila no centro do palco.

A Beleza que surge da luz


É a mesma beleza de um vaso,
Que gasto pelo tempo,
Já perdeu os traços de fino acabamento.

Anacronicamente
Escondemos nossas imperfeições,
Sem nos dar conta que o belo,
Pela ótica de Deus, é justamente o inverso.

5
Tem Dias

Tem dias que nascem sombrios,


O corpo parece que não acorda,
Apenas vaga, levado por não sei o que.

Tem dias que nem o sol ilumina,


As nuvens estão por dentro
Congelando qualquer sentimento bom.

Tem dias que só mesmo Deus


Para tirar poesia desse monte de pedras!

Tem dias que só mesmo Deus!

6
Nada

Nada pra dizer...


(Só palavras soltas)
Nada pra escrever...
(Só versos mortos)
Nada pra cantar...
(Só uma voz rouca)
Nada pra pensar...
(Só esta ânsia louca)

Às vezes o nada é tudo!


Às vezes o nada é tudo o que tenho.

7
Ciclo

Já fui sólido
Um dia derreti,
Agora estou a ponto de evaporar
E recomeçar o ciclo

Já fui nuvem,
Já fui mar,
Agora sou apenas um iceberg no oceano.
E novamente me derreto.

Solidez,
Solidão.

8
Meus Pecados

Meus pecados são tantos, Senhor!


Sou tão humano!

Mas a cada queda,


Como um pai
Ajudando seu filho em seus primeiros passinhos,
Desenha-se um sorriso em seu rosto
E as sua mãos me chamam:
Vem!

Levanto e tento outra vez,


E quantas vezes for preciso.

9
Espelhos

Às vezes imagino Deus olhando para mim,


Como uma adolescente
Que se admira diante do espelho.

Outras vezes me sinto


Como um espelho embaçado de banheiro.
Ou ainda como um desses espelhos de parque
Que distorcem a realidade em patéticas figuras.

Às vezes imagino Deus olhando para mim.

10
Cinco

Cinco sentimentos
Negros, brancos ou sem cor,
Com cores frias e quentes
Que excitam a retina.

Cinco sentimentos
Com cheiro de humanidade,
(Às vezes insuportável!)
A embriagar minhas narinas.

Cinco sentimentos
De gosto doce, salgado e amargo,
Tudo ao mesmo tempo
Grudando no céu (da boca) da mente.

Cinco sentimentos
Que irritam e afagam a pele,
Como carícia suave
Ou como chute entre as pernas.

Cinco sentimentos
Pois entre o silêncio que incomoda o ouvido
E o barulho que faz a paz
Existe música.

11
Idas e Vindas

Quando perco a hora chego atrasado,


Quando perco moeda não tenho trocado,
Quando perco a calma, eu fico irado,
Quando perco a paz, estou estressado.

Quando perco a saúde, caio adoentado,


Quando perco uma chance, desanimado,
Quando perco a leveza, angustiado,
Quando perco a coragem, amedrontado.

Quando perco meu tempo, entediado,


Quando perco o rumo, desnorteado,
Quando perco um amigo, magoado,
Quando perco a poesia, enxergo nublado.

Nessas idas e vindas


Às vezes eu me perco de mim.
Nessas idas e vindas
É que às vezes eu me encontro.

12
Madrugada Morna

Acordo na madrugada morna,


Os olhos estão chumbados,
Mas a mente em turbilhão ricocheteia
Entre os oito cantos do quarto.
O ziguezaguear me deixa tonto e perplexo.
Pergunto: o que fazer?
A pergunta volta em um infinito ecoar de cachoeira.

Olho em volta e me detenho


Em duas pequenas mariposas,
Elas voam freneticamente
Em volta de um sol-miragem ao lado da cama.

Jogo para o lado o travesseiro


E atravesso o tempo a observar a ilusão da falsa luz
Que não as leva a lugar algum.
Persigo a mesma utopia.
Sou apenas mais um inseto
Neste mundo de sapos!
(Ouço novamente os ecos de meus
questionamentos).

Levanto, sigo desnorteado pelo corredor


Como quem foge de uma prisão,
Mas ainda me sinto preso.
Tomo um copo d’água, a sede continua.
Continua e nua, sede de não sei que.

13
Pela janela, entre as grades,
Observo os poucos carros que passam
Quebrando a monotonia da madrugada.

De onde eles estão vindo?


Para onde será que irão?
Meu Deus! Nem sei de mim,
Por que ainda me preocupo com tais coisas?

Olho para a rua


Como Narciso em frente ao espelho!
Olho para mim
Como a enfrentar a esfinge:
“Decifra-me ou te devoro!”

Volto pro quarto, arrumo o travesseiro,


Tento espantar a insônia
Que insiste em me chamar pra briga,

Olho ao lado
E vejo os corpos das duas mariposas,
Mortas debaixo do abajur que as seduziu.
Cadavérico fim de uma busca sem sentido!

A insônia persiste, é forte.


Mas eu também serei forte.

E assim vejo o primeiro raio da aurora


Por entre as frestas da cortina.

14
Esta Casa

A porta está fechada pode entrar se quiser...


Se quiser..., a porta está entreaberta, pode entrar...
A porta está aberta... Entra...
Tem janelas bem grandes, dá para ver a rua!

Pode sentar no sofá, pode tomar um café...


Pode deitar na minha cama... Vem... Se quiser...
Só não vá embora de repente,
Nem me deixe aqui sozinho, tenho medo!

Esta casa é tudo que tenho,


E ao mesmo tempo
É ela que me prende...
A porta está fechada...

15
A vida se encaixa em caixas:

Caixinha
de Surpresa

Caixa de
Pandora

CAIXA FORTE

CAIXA PRETA

CAIXÃO
16
Parto

Saí da escuridão do útero


Vou para a escuridão da sepultura,
Entre os dois abismos,
Num estreito feixe de luz, eu vivo.

Não sem sentido,


Não como se soubesse o real sentido,
Apenas vivo.

Sigo em plena gestação de alguns poucos anos,


Sendo formado a cada dia no útero da vida,
Lentamente, constantemente, integralmente...

Por vezes me sinto incomodado


E chuto o ventre que me acomoda,
Nestes momentos sinto a mão suave acariciar-me
E ouço a vida me falar com carinho:
- Calma, filho! Falta pouco para você nascer!

Talvez a palavra “Parto”


Seja irmã da palavra “Partir”!

17
Ontem Morri

Ontem morri,

Hoje estou morrendo

E amanhã morrerei mais um pouco.

Morro todos os dias.

Minhas células morrem todos os dias,

E dão lugar a outras tantas células.

Meu corpo que existiu no passado, não existe mais,

Cada célula dele foi trocada por outras novas células.

Tudo é novo, e isso é sinal que estou ficando velho...

Quem eu era já morreu.

Hoje eu sou um outro eu.

18
Banzo

Minha mãe fazia acrobacias com pedrinhas,


Às vezes com laranjas,
Outras vezes com os sete filhos.

Cantava quase o dia inteiro,


Gostava de dançar,
E em seus diários escrevia o que lhe vinha à mente.

Tinha um álbum de postais


Onde curtia o banzo da terra Natal
E a alegria de eternas lembranças.

Fazia um pudim de pão


Simples,
Mas com gosto de mãe.

Um dia ela me mostrou Deus


E algum dia, eu sei,
Deus me mostrará novamente ela.

19
Coleção de Sons

Arrumo minha coleção de sons


Faz tempo que não arrumava,
Deixei que o barulho das máquinas
Me tirasse o prazer de ouvi-los.

Guardo sons diversos:


Sons de criança brincando, correndo, pulando...
Subindo na goiabeira, caindo...
Indo pra cachoeira, rindo, rindo... mergulho da ponte,
Era a fonte da juventude e eu nem sabia!
Engrenagem de bicicleta,
Chão de barro, quedas e mais quedas.
Futebol no campinho,
Rodar pneu, caçar passarinho...

Arrumo minha coleção de sons,


A me deliciar com cada um deles.

20
Alpendre

Quando a minha mãe contava


Que na casa da minha avó
Havia um grande alpendre
Onde à tarde iam brincar.

Eu menino imaginava
Como seria esse lugar
De nome desconhecido
Mas repleto de poesia.

21
Triste Sorte

Num jardim qualquer,


Entre as pétalas de uma flor
Uma abelha atrasada se debate.

Presa naquela flor insensível


Ela luta a noite inteira,
Se exaurindo até a morte.

Nasce o dia, se abre a flor


E o corpo imóvel do inseto
No vão se decompõe.

Triste sorte da abelha


Morreu nos braços do seu amor.

22
Uma Onomatopeia Poética

Passa o trem e o trem que passa


Leva embora o pensamento
Passa o trem e o trem que passa...
Passa o trem e o trem que passa...

Passa o trem e o trem que passa


Como um lamento é sua voz:
Passa o trem e o trem que passa...
Passa o trem e o trem que passa...
Passa o trem e o trem que passa...
Passa o trem e o trem que passa...

23
O Julgamento do Tempo

A Dúvida pariu o Remorso,


E a Certeza o Arrependimento.
O Remorso morreu de noite,
Deixando a mãe em tal desalento.

Que sem filho e sem chão,


Igualmente ao julgamento de Salomão,
Disse que o Arrependimento era seu,
E que o filho da outra foi quem morreu.

Tal qual na história, a Certeza,


Em favor da criança, abriu mão.
Preterindo a razão em favor de sua cria.

E o Tempo, juiz de extrema esperteza,


Reconhecendo a mãe pela ação,
Mais uma justiça fazia.

24
Bate na Panela

Bate na panela

A panela tá vazia,

Bate na panela

Deixa a fome pra depois,

Bate na panela

Extravasa essa alegria,

Bate na panela

Mesmo que vazia,

Bate na panela

Já que a vida vem bater

Na panela que é você!

25
O Cabo da Enxada

Sou da cor da terra


Pois da terra fui criado,
Como a flor da primavera
Que brota no campo arado.

Ai de mim se fosse mato,


Não durava muito tempo,
Não cumpria o meu intento,
Não seria o que sou.

Ai de mim se fosse mato,


Logo a vida era ceifada
Pela foice do desprezo
Ou pelo fogo da queimada.

26
Amar é Dar

O amor não se guarda em cofre


Como um tesouro intocável,
O amor não se canta em odes de versos
sentimentais,
O amor não está nas flores entregues como
desculpa,
Amor que só se sente,
Não está nem perto de ser amor.

Creio no amor atitude


Creio no amor ação
Que se doa sem limite
Que se dá sem contenção

Amor de um gesto simples


Pequenas coisas do dia a dia
Capaz de criar um sorriso
Apenas com um olhar.

O amor que não tem medo,


Que não tem pressa,
Que não se ofende em esperar,
Que se alegra apenas com o fato de amar.

O amor não tem, ele sempre é tido.


Amar é dar, dar, dar...

27
Sobre a Amizade

A verdadeira amizade
Deixa marcas que não se apagam,
Nem pelo tempo, nem pela distância.

Marcas desenhadas
Não por grandes acontecimentos
Ou coisas extravagantes.

Marcas que surgem


Nas pequenas coisas,
Nos gestos feitos sem pretensão.
Na ajuda, no abraço, na presença,
Na palavra, no sorriso, no olhar...
Em coisas que fizemos e nem lembramos mais.

Nestes gestos imperceptíveis


(aos nossos olhos)
É que deixamos marcas e somos marcados.

Como se nossos amigos fossem lápis


Nas mãos de Deus
Enquanto Ele desenha em nós o que somos.

O que sou é a expressão de cada amigo


Que passou por mim e me acolheu
No abrigo de sua amizade.

28
Saudade

Na esquina da saudade descobri

Que o passado não é um momento

Perdido no tempo,

O passado é um lugar,

Lá pelas bandas da felicidade,

Um lugar que se chega por dentro.

29
Não há nada mais instigante do que nuvens!
Grandes torres de algodão
A esconder tempestades.

***

A Graça é como o pão da multiplicação,


Precisa ser passada de mão em mão
Para que o milagre aconteça.

***

Hoje é o dia de recriar anseios perdidos,


E costurar sonhos rasgados.

***

Contatos e informações
Clauber Ramos é poeta, compositor, cantor
e músico.
Reside atualmente em Curitiba, é casado
com Adriana Simões e tem duas filhas.

Seu CD POESIA DE RIO está disponível


no Spotify e Deezer.

Para informações e contato:


clauberramos1@gmail.com ou pelo
Facebook.

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