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outros títulos da coleção cult A Coleção Cult, é uma iniciativa do
Este sétimo livro da coleção cult, realizado com o apoio do Conse-
Centro de Estudos Multidisciplinares
Políticas Culturais para as Cidades
lho Estadual de Cultura da Bahia, aborda as políticas culturais para
• Teorias & políticas da cultura em Cultura da ufba. Ela tem como
• Políticas culturais no Brasil as cidades, em palestras proferidas por professores, pesquisadores,
objetivo publicizar reflexões na

coleção
c u lt
• Políticas culturais na Ibero-América profissionais, gestores públicos e políticos que têm se destacado no
debate sobre o tema, durante a realização do iv Ciclo de Debates sobre área de cultura, em um perpectiva
• Estudos da cultura no Brasil e em Portugal
• Transversalidades da cultura Políticas Culturais, em 2008. As políticas culturais para as cidades são Antonio Albino Canelas Rubim multidisciplinar, ampliando o
• Políticas culturais no governo Lula intercâmbio entre os estudiosos da
apresentadas sob múltiplos pontos de vista por teóricos e profissio-
nais oriundos das mais diversas áreas de atuação.
& Renata Rocha (Orgs.) cultura e contribuindo para consolidar
Para saber mais visite www.cult.ufba.br esta área multidisciplinar de estudos.

ISBN 978-85-232-0689-5
© 2010, by autores
Direitos para esta edição cedidos à edufba.
Feito o depósito legal.

coor denação editor ial  Flávia Goullart Mota Garcia Rosa


tr anscr ição  Mariana Dias de Araújo
r evisão  Cida Ferraz
nor malização  Os autores
diagr amação  Genilson Lima
foto da capa  Ingrid Klinkby
apoio  Conselho Estadual de Cultura da Bahia (cec-ba)

Textos adaptados das exposições proferidas no iv Ciclo de Debates em


Políticas Culturais: Políticas Culturais para as Cidades, realizado de 11 a 14
de agosto de 2008.

sistema de bibliotecas – ufba

Políticas culturais para as cidades / Antonio Albino Canelas Rubim & Renata Rocha
(orgs.). - Salvador : edufba, 2010.
212 p. - (Coleção cult)

Textos adaptados das exposições no iv Ciclo de Debates em Políticas Culturais :


Políticas Culturais para as Cidades, realizado de 11 a 14 de agosto de 2008.

isbn 978-85-232-0689-5

1. Política cultural. 2. Cidades e vilas. 3. Patrimônio cultural. 4. Política urbana.


5. Pluralismo cultural. I. Rubim, Antonio Albino Canelas. II. Rocha, Renata. III. Série.

cdd - 353.7

editor a filiada à:

edufba   Rua Barão de Jeremoabo, s/n – Campus de Ondina,


Salvador – Bahia  cep 40170 115   tel/fax 71 3283 6164
www.eduf ba.uf ba.br   eduf ba@uf ba.br
A r ede educ acional como
ba se par a aç ão e mediaç ão cultur al

Sérgio Coelho Borges Farias*

No que se refere ao tema desta mesa, desejo tentar *


Ator e Diretor Teatral. Professor do
refletir sobre o que é que nós queremos em relação Instituto de Humanidades, Artes e
Ciências Professor Milton Santos da
ao cidadão comum, no campo da cultura, para que Universidade Federal da Bahia.
possamos então identificar elementos para uma po-
lítica, para um debate sobre a questão cultural. Um
debate que leve em conta o que se espera realmente
do cidadão. Eu chamo de cidadãos comuns todos nós,
todas as pessoas que estão nas cidades, nos territórios
de cultura.
O que eu proponho é que não se considere cultura a mera
apreciação, o mero consumo de produtos artísticos, ou de ma-
nifestações tradicionais, mas que seja algo construído no dia a
dia e que inclua também o modo de ser e o modo de viver.
Então, o que a gente esperaria em termos do modo de ser, do
modo de viver das pessoas? Algo no sentido de intensificar ou
reforçar atitudes referentes à cooperação, à fraternidade, à feli-
cidade de modo geral. Algo que supere as questões referentes à
violência, competitividade, egoísmo etc.
Portanto, é preciso todo um trabalho em relação aos valo-
res que devem ser ressaltados para se chegar a uma situação de
Cultura na qual, esse cidadão, essa pessoa, possa viver de um
modo fraterno, cooperativo, no sentido de aumentar o grau de
felicidade das pessoas, de um modo geral, de pensar no coletivo.
E isso se aprende.
Cabe então colocar aqui como questão a relação entre cultura e
educação. Se isso se aprende, é preciso então fazer cultura como
se estivéssemos fazendo educação. Como se situa essa pessoa,
esse cidadão comum, em relação a tudo o que vem acontecendo
em termos de políticas públicas para essa população?
Para o desenvolvimento desses valores mencionados acima,
considerando que o trabalho cultural seja um trabalho educacio-
nal, precisamos não concentrar o trabalho cultural somente nos
campos do pensamento, do raciocínio e da lógica, mas trabalhar
também na direção do desenvolvimento das demais capacidades
humanas, que são, em geral, esquecidas pelas políticas públicas
de um modo geral e pela política educacional especialmente. São
as sensações, os sentimentos e a intuição. O trabalho educacional
em geral é concentrado no pensamento, no domínio cognitivo,
o que dificulta o trabalho com esses outros domínios.
É preciso contemplar o domínio psicomotor, que envolve a
dinâmica do corpo, de um modo geral, não somente a pessoa
sentada na cadeira, raciocinando, ouvindo, escrevendo, discu-
tindo, mas ela fazendo alguma coisa.

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O trabalho com a cultura, com a arte, mas a arte pensada em
termos de componente dessa cultura, que é algo mais amplo
do que somente o fazer artístico, é também fundamental no
domínio afetivo, no qual se formam e se consolidam as visões
de mundo.
Então, uma educação que esteja estruturada de modo a pro-
mover o desenvolvimento integral do ser, que seria esse de-
senvolvimento que possibilitaria uma atuação cultural mais
consequente do cidadão comum, será um fazer cultura, não
somente um consumir cultura, como muitas vezes é encarado o
trabalho cultural, quando se leva a cultura para o povo.
É importante apresentar coisas para as pessoas assimilarem
e assistirem, mas o trabalho precisa ser feito no sentido de inte-
grar a teoria com a prática, quer dizer, o pensar com o fazer, quer
dizer, pensar fazendo e fazendo para pensar. O trabalho cultural,
portanto, precisa ser feito numa perspectiva educacional, que
leve ao desenvolvimento integral do ser, contemplando essas
outras capacidades, não somente a capacidade intelectiva, do
raciocínio, da lógica, da memória.
Então, o trabalho cultural que leva ao desenvolvimento dessas
capacidades é exatamente um trabalho que possibilita a articu-
lação do fazer com o apreciar e com o contextualizar, que são
os três elementos fundamentais do campo da arte educação.
A relação da arte com a educação, nessa perspectiva do desen-
volvimento cultural, do desenvolvimento do ser integral, do
cidadão comum que está na cidade, é uma ação que está baseada
nesses três elementos fundamentais, no fazer articulado com o
apreciar, articulado com o domínio cognitivo, ou o contextuali-
zar articulado com o ref letir sobre a história daquele fazer, sobre
os elementos contextuais que estão envolvidos nessa realização,
para que daí resulte um novo tipo de comportamento que eu
acredito que seja o comportamento que a gente espera, em ter-
mos culturais, das pessoas.

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Espera-se um comportamento que seja propositivo, que con-
tenha uma ação concreta de transformação, que não seja somente
um estar vendo ou ref letindo sobre, sem realizar nada. Então é
algo que envolva o fazer e o refletir sobre o fazer, para o aperfei-
çoamento desse fazer.
Nesse sentido, a política cultural, a meu ver, deveria pensar
mais nessa articulação com a educação, no sentido de valorizar
todas as organizações que existem. A escola é uma organização
muito forte, mas não podemos nos limitar a ela em termos edu-
cacionais. Há também associações, grupos culturais, pontos de
cultura. Deve-se possibilitar a esses organismos, que permeiam
todos os locais da cidade, a realização desse trabalho educacional
na perspectiva do desenvolvimento cultural, do aperfeiçoamen-
to dos valores que entendemos serem importantes de se realizar,
de se concretizar.
Finalmente, permitam-me identificar três pontos funda-
mentais numa possível política de apoio a essas organizações,
no sentido do desenvolvimento de uma proposta de realização
cultural. Um deles é a questão do espaço físico, da possibilidade
dos espaços serem disponibilizados para os grupos que possam
realizar trabalhos culturais. O segundo ponto seria em termos de
disponibilizar equipamentos para a realização desses trabalhos
e o terceiro ponto seria o amplo acesso aos produtos culturais
já existentes, o que possibilitaria a apreciação da obra cultural,
o acesso ao que já vem sendo feito e já vem sendo proporcionado
pela sociedade.
Penso que essa articulação da política cultural com a educação
precisaria levar em conta, não só a estrutura educacional oficial,
a da rede escolar, mas também toda uma rede comunitária que
existe, é efetiva, onde já são promovidas muitas atividades.
É importante que nesses ambientes o trabalho educacional
seja feito na perspectiva do desenvolvimento cultural, melhor
dizendo, do aperfeiçoamento do comportamento cultural. Essa

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seria a formulação mais correta, a meu ver, na qual se levasse em
conta, não só a arte contemporânea, mas também as questões da
tradição e as questões das chamadas artes do convívio, que são
as festas, os encontros, as relações informais.
Nessas instâncias pode se realizar um trabalho educacional
na perspectiva de uma cultura mais orgânica, que leve a uma
mudança, a um aperfeiçoamento dos valores aprendidos, no
sentido do bem coletivo.

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