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Introdução à Mesa Temática de Sociologia da Comunicação

Sociedade dos Media: Comunicação, Política e Tecnologia


Isabel Babo Lança
Universidade Lusófona do Porto
Albertino Gonçalves
Universidade do Minho

O paradigma de uma racionalidade comunicacional ligada ao uso público da


razão argumentativa próprio da modernidade e da esfera pública política (Habermas)
deu lugar, na actual Sociedade dos Media, dotada de novos suportes tecnológicos, a
modalidades diversas de comunicação transversais que se cruzam entre si segundo um
modelo polifónico. Os fenómenos comunicacionais multiplicam-se, assim como se
pluralizam “ágoras virtuais” e espaços públicos plurais e inacabados de fronteiras
porosas que favorecem a recriação de movimentos políticos e socioculturais híbridos,
que irrompem nas arenas públicas.

Este quadro referencial poderá servir de pano de fundo a uma reflexão sobre a
Sociedade dos Media: Comunicação, Política e Tecnologia, conquanto esta ampla
temática convide por si mesma a uma variedade e disparidade de abordagens e
perspectivas. Diversidade esta que caracteriza os estudos de comunicação e da
sociedade dos media – objecto por excelência da sociologia da comunicação –, em
função de investigações caleidoscópicas de objectos empíricos múltiplos e pontos de
vista possíveis. É neste terreno heterogéneo e díspar que diferentes estudos têm lugar,
desde aqueles que se centram sobretudo na discussão de questões que interpelam a
sociedade, a comunicação e a cultura, aos que analisam directamente os media, as suas
representações, configurações e conteúdos.

Maria Helena Weber, partindo da centralidade da televisão na cultura


contemporânea e da centralidade da temática social como informação real e como
narrativa ficcional, coloca a questão de analisar como a organização da sociedade
(família, trabalho, instituições políticas) e as questões sociais (moral, violência, justiça,
saúde) estão no centro da produção mediática e como sociedade e indivíduo incorporam
as suas próprias representações produzidas pelos media, como consumidores de si
mesmos.

6º Congresso SOPCOM 2599


Tendo como quadro o mundo da óptica cosmopolítica (Beck) interpretado como
uma realidade transparente, no qual as diferenças e fronteiras devem ser entendidas
segundo o princípio de que, em essência, os outros são-nos idênticos, Lurdes Macedo
aborda uma reconstrução conceptual da percepção sobre as ambivalências das distinções
e contradições culturais. Acerca da condição de coabitação cultural e a partir de
reportagens analisadas na revista Veja, Alexandre Rossato Augusti propõe que se
reflicta sobre a influência dos media e dos valores individualistas na cultura quotidiana.

Traçada uma relação entre, por um lado, o barroco, o trágico e o grotesco e, por
outro lado, o cinema, os anúncios publicitários, os vídeos musicais e os videojogos,
Albertino Gonçalves investiga a trama de relações entre essas três formas do imaginário
e esses quatro géneros da comunicação, através do estudo de um mosaico de casos em
que analisa modalidades, procedimentos, reportórios e efeitos das relações entre os
imaginários e os géneros multimédia considerados.

No âmbito dos estudos sobre sociologia da comunicação e dos media, Filipa


Subtil revisita e reanalisa o contributo de Robert E. Park para a constituição de uma
sociologia da comunicação e dos media, a fim de melhor compreender a conexão entre
comunicação e interacção social e as relações entre comunicação, cultura e democracia.

No campo de uma teoria do acontecimento público, Vera V. França centra-se


num caso que durou cinco dias e cuja cobertura mediática foi realizada em tempo
integral, para discutir, entre outros, os próprios media enquanto instituição que se arvora
este tipo de papel e de intervenção, questões de visibilidade de protagonistas, e o
relacionamento que a televisão estabelece com outras instituições presentes, como a
polícia e a justiça. Isabel Babo-Lança coloca a questão do sentido da selecção dos
“acontecimentos do ano” efectuada pelos media, procurando indagar se esse
apuramento resulta da experiência pública (ou dos públicos) e se existe uma procura de
“acontecimentos fundadores” (Ricoeur) que (re)organizam um passado e expectativas
futuras.

Nos estudos sobre os media, Roberto Edson de Almeida, com recurso à análise
da conversação, analisa práticas conversacionais como debates, entrevistas (de rádio e
TV) e diálogos em programas de auditório, mostrando como esses fenómenos
comunicativos constituem práticas que reproduzem e/ou actualizam valores, normas e
representações correntes.

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Fábio Fonseca Ribeiro, considerando a participação do cidadão como
sustentáculo de uma cultura interactiva e central na reconfiguração do discurso
mediático, trata a participação como género central na programação de estações de rádio
– de acordo com o estudo efectuado ao programa Fórum da TSF – e televisão, como
género emergente na imprensa e potenciado nos espaços on-line. Concebendo a
televisão na sua inscrição na vida social, enquanto reflecte ao mesmo tempo que recria e
desloca valores e hábitos em ressonância ou não com expectativas da audiência,
Leonardo Gomes analisa como um programa televisivo opera um (re)enquadramento
das celebridades mediáticas, através do humor e da mobilização de elementos dos
próprios media. Marina Lopes Andalécio, utilizando os conceitos de performance,
celebridade e representação, conduz uma reflexão sobre como os participantes do
programa Ídolos, na tentativa de ocupar um lugar de celebridade, se performam a si
mesmos diante dos seus públicos.

No quadro da teoria social de Bourdieu e da distinção entre “corpo” e “alma”,


com a naturalização da percepção estética que é social, Rafael do Nascimento
Grohmann considera que pode analisar-se como essa distinção aparece no jornalismo.
Alguns exemplos em manchetes de jornais ilustram como a mostra da carne e do corpo
é considerada como vulgar e própria de classes mais baixas.

Em torno das representações nos media, Ana Horta apresenta resultados de uma
análise das representações do ambiente na publicidade – discurso mediático
directamente relacionado com o consumo e sensível às mudanças nos processos de
significação social –, em oito revistas de informação geral (Portugal, França e Itália).
Milene Migliano Gonzaga, em diálogos públicos: práticas culturais urbanas e suas
potências de sociabilidade, tenta compreender os usos, apropriações e participações dos
sujeitos nas cidades, articulando as experiências de escrita dos sujeitos na cidade e as
práticas culturais urbanas às formas de sociabilidade que são produzidas nesta dinâmica
comunicativa. Alberto Carrera Portugal conduz uma reflexão em torno do papel que os
media desempenham na construção e projecção do conceito de competitividade urbana.

Na sequência do estudo sobre a imagem mediática dos consumos, Susana


Henriques dá conta da existência de um jornalismo de mercado, mais direccionado para
o leitor consumidor do que para o leitor cidadão, que contém artigos detentores de um
discurso híbrido composto de elementos jornalísticos e publicitários, com reflexos nos

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consumos e estilos de vida. O estudo da imagem e mais especificamente do postal
ilustrado, como ocasião para revisitar autores como Warburg, Benjamin e Agamben, é
levado a cabo por Maria da Luz Correia que vê na imagem publicitária apropriável
veiculada pelos postais a peculiaridade de ser colectiva e repetida, íntima e singular.

Por fim, Andreia Fernandes Silva abre a reflexão em torno dos processos de
mudança e de recomposição que ocorrem na sociedade, tendo como ponto de partida as
noções de globalização, cultura, território, comunicação e localização, para abordar as
metamorfoses da cultura na galáxia global.

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