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RESUMO DA OBRA

SAGARANA: MINHA GENTE – GUIMARÃES ROSA

Personagens

Narrador - Homem da cidade que estava a passeio


pelas fazendas dos tios, no interior de Minas Gerais.
Chamavam-no "Doutor", gostava da prima Maria Irma, mas
casou-se com Armanda, filha de uma fazendeira. É o
protagonista do conto. Só sabemos que é um "Doutor" por
intermédio da fala de José Malvino, logo no início da narrativa:
"Se o senhor doutor está achando alguma boniteza...", fora isso,
nem mesmo seu nome é mencionado.
Santana - Inspetor escolar intinerante. Bonachão e
culto. Tem memória prodigiosa. É um tipo de servidor público
facilmente encontrável. Companheiro nas andanças do
narrador, tem mania de jogar xadrez, mesmo quando estão
Análise da obra andando a cavalo.
José Malvino - Roceiro que acompanha o protagonista
Narrado em primeira pessoa, tendo um narrador que na viagem para a fazenda do Tio Emílio. Conhece os caminhos
participa da história com visão limitada dos fatos que narra, e sabe interpretar os sinais que neles encontra. Atencioso,
Minha gente é um dos contos mais bem tramados do livro, com desconfiado, prestitavo e supersticioso.
a história principal emendada, alterada, recontada por Tio Emílio - Fazendeiro e chefe político, para ele é uma
pequenos detalhes e elementos dados pouco a pouco ao leitor. forma de afirmação pessoal. É a satisfação de vencer o jogo para
O foco narrativo ilumina os passos do protagonista, tripudiar sobre o adversário. Tio do narrador; sofreu mudança
mas também revela certas sutilezas que servem para esclarecer radical depois que se meteu na política.
o sentido mais profundo da história. Há uma partida de xadrez, Maria Irma - Prima do protagonista e primeiro objeto
narrada no início, que mostra como se deve entender o enredo de seu amor. É inteligente, determinada, sibilina. Elabora um
em si: um xeque, dado pelo protagonista, acaba se virando plano de ação e não se afasta dele até atingir seus objetivos. Não
contra ele próprio. Assim, a narração insinua ao leitor que as abre seu coração para ninguém, mas sabe e faz o que quer. Uma
aparências dos fatos escondem, mais que revelam, sua das filhas de Tio Emílio; no passado, o narrador e ela foram
verdadeira intenção. namorados de brincadeira. Tem cintura fina, olhos grandes,
É um conto que fala mais do apego à vida, fauna, flora pretíssimos. Passou alguns anos no internato.
e costumes de Minas Gerais que de uma história plana com Armanda - Filha de fazendeiros; estudou no Rio de
princípios, meio e fim. Os "causos" que se entrelaçam para Janeiro. Terminou casada com o narrador.
compor a trama narrativa são meros pretextos para dar corpo a Bento Porfírio - Empregado da fazenda de Tio Emílio.
um sentimento de integração e encantamento com a terra natal. Vaqueiro; gostava de pescar. Envolveu-se com uma prima
O lirismo dos temas do amor e da solidão transparece em casada (de-Loudes) e terminou assassinado a foice pelo marido
Minha gente. enciumado (Alexandre). É companheiro de pescaria do
O autor utiliza uma linguagem mais formal, sem protagonista.
grandes concessões aos coloquialismos e onomatopéias
sertanejas. Alguns neologismos aparecem: suaviloqüência, Resumo do conto
filiforme, sossegovitch, sapatogorof - mas longe da melopéia
vaqueira tão ao gosto do autor. A novidade do foco narrativo Caminham juntos, pelo sertão de Minas, a cavalo, o
em primeira pessoa faz desaperecer o narrador onisciente narrador, Santana e José Malvino. O narrador é um observador
clássico, entretanto quando a ação é centrada em personagens apaixonado das coisas do sertão: a paisagem, o céu, os pássaros,
secundárias - Nicanor, por exemplo - a oniscência fica as árvores... Tudo para ele merece elogios e observações. A
transparente. viagem chega ao fim: estão agora numa fazenda.
Muitas temáticas são desenvolvidas no conto, por Dois dias na fazenda, e o narrador achava tudo
exemplo: a saga da política no interior (tio Emilio); a honra mudado. Mas mudança de verdade notara no Tio Emílio:
sertaneja (morte do Bento Porfírio); os caprichos do Destino rejuvenescido, transfigurado. Logo, o narrador descobriu o
(casamento de Armanda com o narrador). porquê da mudança: Tio Emílio estava metido na política.
Aliás, esse último aspecto é desenvolvido também Sempre atendendo aos pedidos do povo, a qualquer hora,
num conhecido poema de Drummond, Quadrilha: mesmo à noite.
A prima Maria Irma, em conversa com o narrador, fez
João amava Teresa que amava Raimundo questão de informar que estava quase noiva. O narrador quis
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili saber de quem, mas ela fez mistério.
que não amava ninguém. Bento Porfírio, enquanto pesca com o narrador, vai-lhe
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o contando uma história. Agripino, bom parente, convidou Bento
convento, para ir ao arraial. Queria apresentá-lo à sua filha de-Lourdes:
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, quem sabe os dois podiam casar. Mas Bento não foi. Preferiu
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto uma pescaria misturada com farra, com mulher-da-vida e
Fernandes sanfona pelo meio. Tempos depois, "quando Bento Porfírio veio
que não tinha entrado na história. a conhecer a prima de-Lourdes, ela já estava casada com o
O cenário é a Fazenda Saco-do-Sumidouro (interior de Alexandre". Os primos foram-se vendo e gostando um do
Minas Gerais), do Tio Emílio, pai de Maria Irma.

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RESUMO DA OBRA
outro. Por pirraça e por falta do que fazer, Bento casou-se com
Bilica.
O narrador ficou na varanda até anoitecer. A prima
Irma mudou de modos e, na hora do jantar, sorriu diferente
para o narrador. Ele ficou desconfiado. "Mulher bonita, mesmo
sendo prima, é uma ameaça". E o narrador lembra bem o
conselho de Tertuliano Tropeiro: "Seu doutor, a gente não deve
de ficar adiante de boi, nem atrás de burro, nem perto de
mulher! Nunca que dá certo..." Noite sem estrelas, noite de roça.
O narrador foi dormir.
O narrador foi novamente pescar no poço com Bento
Porfírio. Depois de algum tempo, a história do adultério
continuou. O marido da prima, o Alexandre, não sabe que está
sendo enganado. De repente, o marido traíd????È?o surgiu de
trás de uma moita, foice na mão, e matou Bento com um só
golpe. O corpo caiu no poço, e o narrador, apavorado, não sabia
o que fazer. O assassino foi embora, o narrador correu para casa
e contou ao Tio Emílio o ocorrido. As ordens foram dadas: tirar
o morto do poço, avisar o subdelegado e ir atrás do assassino.
Não para matá-lo, mas para protegê-lo das autoridades.
Os dias vão passando, e o narrador começa a gostar da
prima Maria Irma. Por que não namorá-la? Um rapaz da cidade
veio visitá-la e trazer-lhe livros. Ela se enfeitou toda para o
receber. Por que não estava toda enfeitada na chegada do
primo? À noite, o narrador fica sabendo que o rapaz se chama
Ramiro e que é namorado da Armanda, uma amiga de Maria
Irma, filha da fazendeira do Cedro.
O narrador não se conteve e fez uma declaração de
amor à prima. Ela ouviu e, depois, disse que não acreditava. Ele
tentou convencê-la usando argumentos infantis. Em vão.
Depois de uma conversa séria com a prima e de obter
dele somente negativas, o narrador ameaçou ir embora. Ela
insistiu que ele ficasse: queria apresentar-lhe Armanda, a
namorada de Ramiro. Ele, teimoso, partiu no outro dia. Iria
para Três Barras, onde mora o seu tio Luduvico.
Em Três Barras, o narrador não conseguia esquecer
Maria Irma. Depois das eleições, com vitória do partido de Tio
Emílio, o narrador recebeu carta: ele, o tio, queria-o de volta. O
narrador ficou muito alegre e nem esperou o outro dia para
voltar.
De volta, o narrador foi apresentado a Armanda.
Foram passear a pé pelos pastos. Dali, do primeiro passeio, já
nasceu o namoro. Em pouco tempo, o noivado e, no mês de
maio, o casamento, ainda antes do matrimônio da prima Maria
Irma com Ramiro Gouveia.
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