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O FILÓSOFO E A TELOGIA

O FILÓSOFO E A TEOLOGIA

Etienne Gilson

Tradução de Tiago José Risi Leme. Santo André/ São Paulo: Academia Cristã/ Paulus, 2009.

G ilson não é, felizmente, um filó-


sofo que precise de maiores apre-
sentações entre os leitores da língua
O contexto histórico e o posi-
cionamento de Gilson também não
podem aqui ser ocultados. O pensa-
portuguesa. Seus muitos textos sobre dor é um cristão, um tomista confes-
Filosofia Medieval, sobre Santo Agos- so num tempo onde parece proibido
tinho, Santo Tomás já possuem uma se afirmar enquanto tal. Por isso, ao
boa divulgação entre nós. Por isso, pa- se denominar como filósofo, Gilson
rece vir em muito boa hora mais essa reafirma a possibilidade de uma for-
tradução da obra do filósofo. ma cristã e tomista de fazer filosofia.
O filósofo e a teologia é uma obra Por outro lado, seu posicionamento
que poderíamos denominar como um enquanto filósofo nunca deixou de
livro das memórias do pensador, uma dialogar com a teologia, em buscar
espécie de bio-bibliografia escrita por nela também a inspiração de sua fi-
um filósofo já amadurecido, no final losofia. Contudo, é instigante notar
dos anos 50 e no início dos agitados que o pensador não se denomina aqui
anos 60. A primeira coisa a se regis- teólogo, mas alguém interessado em
trar aqui, talvez, seja o próprio título. teologia, alguém que não abre mão
Por qual motivo Gilson opta pelo filó- dessa herança.
sofo e pela teologia? Por que não utiliza O livro é dividido em onze ca-
a filosofia e a teologia? No nosso en- pítulos. O primeiro deles intitula-se
tender, ao optar por falar como filó- as infâncias teológicas e aqui Gilson,
sofo, Gilson fala de sua vida, de suas como sugere, o nome, recapitula tre-
reflexões de sua experiência. Além do chos de sua vida e de sua experiência
mais, o texto não pretende falar da fi- religiosa. Contudo, seu intuito não é
losofia de modo geral ou vago, por aqui meramente relatar experiências.
isso a precisão do adjetivo se contra- Seu objetivo é, antes, fazer com que
ponto ao substantivo. as suas experiências possam ter algu-

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ma valia para outros. Críticas de alguns neo-tomistas, que


O capítulo segundo, intitulado pareciam ver nele uma ameaça e
universitas magistorum narra a experi- aproximações de alguns cristãos, que
ência de Gilson na universidade e sua enxergam em sua obra uma espécie
formação num ambiente marcada- de novo fôlego para as perspectivas
mente anti-religioso e hostil ao cris- cristãs no século XX. Gilson não se
tianismo e ao tomismo. afirma nem em uma posição, nem em
Já o capítulo terceiro segue a outra, mas tenta extrair de Bergson
narrar a experiência cristã e tomista aproximações significativas para o
do autor, bem como suas crises na tomismo. Seu objetivo é, ao mesmo
universidade. Por isso é que, não for- tempo, conseguir captar as diferenças
tuitamente, ele tem o singelo título deste em relação ao pensamento cris-
de a desordem. tão e tomista.
A teologia perdida é o título do As ausências da sabedoria é o
capítulo quarto. O título parece de assunto do sétimo capítulo, onde,
inspiração proustiana e não deixa de de certa forma, Bergson e a temática
ser algo do gênero. Trata-se de uma da filosofia francesa, de Descartes ao
tentativa de um filósofo cristão em re- dias de Gilson são novamente relem-
encontrar-se com a teologia perdida, brados, assim como ocorre também
ao menos no contexto de sua época e no capítulo oitavo, que é um retorno
na universidade francesa do período. a Bergson e, por isso mesmo, intitula-
O quinto capítulo denomina- se a resposta de Bergson
se a teologia reencontrada e é uma re- A filosofia cristã é o título do
memoração da alegria do pensador nono capítulo. Aqui Gilson parece es-
ao reencontrar-se com a herança te- pecialmente situado dentro da temáti-
ológica. Há aqui uma clara afirmação ca que lhe é mais atrativa. O pensador
do pensamento cristão e de quanto defende explicitamente a possibilidade
Gilson não abre mão, em momento de uma filosofia cristã, que seria dife-
algum, tanto da sua filosofia como da rente de alguns conteúdos da teologia
sua teologia. em si mesma, embora tenha profunda
O caso Bergson será o tema do afinidade com a mesma.
sexto capítulo. O autor de Matéria A arte de ser tomista é o título
e memória será um dos mais estuda- do décimo capítulo e aqui Gilson no-
dos pensadores franceses do período vamente mostra-se profundamente à
de Gilson. Bergson recebe, ao mes- vontade para suas considerações. Afi-
mo tempo, críticas e aproximações. nal, a retomada do tomismo no sé-

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O FILÓSOFO E A TELOGIA

culo XX não pode ser observada sem do tradutor na última página do li-
um estudo de pensadores como ele, vro, colocando junto dele o dia e o
Jacques Maritain e alguns outros. calendário litúrgico (28 de Agosto
E, por fim, o futuro da filoso- de 2008, festa de Santo Agostinho).
fia cristã se constitui no capítulo de Excetuando-se esta pequena gafe, que
número onze, fechando com clareza não parece adequada para uma tradu-
um texto de biográfico, filosófico e, ção acadêmica, o trabalho é altamente
ousaríamos dizer, até mesmo con- recomendável e vem a preencher mais
fessional. A tradução e a edição são uma lacuna nos estudos sobre filoso-
bem cuidadas, há apenas um equívo- fia cristã.
co, que é repetir novamente o nome

Marcio Gimenes de Paula

Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).


Professor adjunto do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe.
E-mail: magipa@bol.com.br

Endereço para correspondência:


Avenida Adélia Franco, 2850-
Bloco B/ apartamento 301
CEP: 49048-010 - Aracaju-SE

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