Sei sulla pagina 1di 6

Unidade 3.

Dimensões da ação humana e dos valores


3.1 A dimensão ético-política — análise e compreensão da experiência convivencial.
 A necessidade de fundamentação da moral: Análise comparativa de duas
perspetivas filosóficas (Kant e Mill)
 – A ética deontológica de Kant — o dever e a lei moral; a boa vontade; máxima,
imperativo hipotético e imperativo categórico; heteronomia e autonomia da
vontade; agir em conformidade com o dever e agir por dever;
 Críticas (objeções) à ética de Kant.

Ao longo dos tempos, os filósofos discutiram e propuseram diferentes modos de


valorar as ações e de classificá-las como morais ou não. Duas das perspetivas teóricas que
dominaram e continuam a dominar o panorama da ética normativa são as éticas
deontológicas e as éticas consequencialistas.
Assim, são designadas por éticas deontológicas todas as teorias morais segundo as
quais certas ações devem ou não ser realizadas, independentemente das consequências
que resultem da sua realização ou não realização. As éticas deontológicas opõem-se ao
consequencialismo porque consideram que existem atos que são corretos ou incorretos
em si mesmos. Romper uma promessa, matar ou roubar é sempre incorreto
independentemente das consequências boas ou más que possam resultar da ação.
Por éticas consequencialistas referimo-nos a todas as teorias morais segundo as
quais as ações são corretas ou incorretas em virtude das suas consequências. O utilitarismo
é a forma mais conhecida de consequencialismo. As éticas consequencialistas opõem-se às
éticas deontológicas porque consideram que as ações só podem ser avaliadas conforme os
seus resultados. Neste sentido, romper uma promessa será correto ou incorreto
dependendo das consequências boas ou más que resultem da ação.

ÉTICA DEONTOLÓGICA DE KANT

Ao procurar solução para a pergunta fundamental “O que devo fazer?”, Kant


começou por investigar a natureza da ação moral, isto é, começou por responder à questão
“O que é uma ação moral?”. As conclusões a que chegou foram fulcrais para o
desenvolvimento da Filosofia moral dos dois últimos séculos.
Partindo então do seu raciocínio, tal como nos é proposto na sua obra
“Fundamentação da Metafísica de costumes” coloca-se a questão: “Existirá no Homem
algo bom em si mesmo, algo absolutamente bom a partir do qual possamos fundamentar a
moralidade?”. Kant constata que nenhuma das qualidades humanas pode ser considerada
boa em si mesma, pois todas as virtudes, moderação nas emoções, calma na reflexão,
coragem, honra e perspicácia são coisas boas e desejáveis, é certo, mas podem também
ser prejudiciais e degenerar dependendo do uso que a vontade delas fizer. Desta forma,
nenhuma destas qualidades será boa se a vontade não for, ela mesma, boa. Assim, conclui
que só a boa vontade é boa em si mesma, isto é, absolutamente boa sem reservas. Neste
contexto, uma boa vontade é uma vontade que age por dever e o que a torna boa é a
intenção que subjaz à sua ação. É neste enquadramento que Kant distingue 3 tipos de
ação: as ações por dever, as ações conforme o dever e as ações contrárias ao dever.
Assim, considera-se uma ação por dever quando a minha atuação não persegue nenhum
interesse particular, nem é o resultado de uma inclinação ou de um desejo. Ajo por dever
quando a minha atuação é única e exclusivamente motivada pelo puro respeito à lei moral,
independentemente das consequências ou resultados da ação, mesmo que com o prejuízo
de todas as minhas inclinações ou desejos, ex: paro no sinal vermelho porque sei que esse
é o meu dever, sem mais. A ação conforme o dever acontece quando a minha atuação
cumpre a lei mas, simultaneamente, persegue um interesse particular ou é resultado de
uma inclinação ou de um desejo, ex: paro no sinal vermelho porque tenho medo de ser
apanhado pela polícia. Ajo contrariamente ao dever quando a minha atuação não cumpre
a lei, ex: não paro no sinal vermelho. É importante referir que, para Kant, só as ações por
dever são morais porque este não admite que se cumpra o dever em virtude das desejáveis
consequências que daí possam resultar porque aí estaríamos a ser levados pelas
circunstâncias e interesses do momento. Por exemplo, um automobilista que pare no sinal
vermelho do semáforo cumpre a lei, não há dúvida, contudo, a sua ação de parar e ceder
passagem pode não ser motivada pela intenção pura de respeitar a lei. A sua ação pode
não ser uma ação moral porque as razões que o levam a parar podem ser diversas: a sua
inclinação para se manter vivo, o medo de provocar um acidente ou o receio de ser
multado pelas autoridades. Neste caso, dizemos que a ação do automobilista é conforme o
dever, pois é uma ação legal, mas não uma ação por dever, ou seja, uma ação moral. Como
tal, o que determina a moralidade de uma ação não é a sua finalidade ou o propósito a
atingir, mas o querer que a origina. O valor moral da ação não reside no efeito que dela se
espera, mas na representação da lei em si mesma. No entanto, a questão essencial reside
no modo de como cumprir de forma moralmente correta o dever. A resposta a isto
encontra-se numa lei presente, segundo Kant, na consciência de todos os seres racionais.
Essa lei diz-nos, de forma muito geral, o seguinte: “Deves em qualquer circunstância
cumprir o dever pelo dever” e a lei moral diz-nos como cumprir esses deveres e qual a
forma completa de os cumprir. Assim, a razão dirigida para a ação e, fundamentalmente,
para a ação moral, atua segundo imperativos. Estes imperativos são princípios que
expressam a noção do dever ser, obrigando e exercendo pressão sobre a razão. Contudo,
dado que a vontade é livre, os imperativos não a determinam necessariamente, apenas
ordenam. Como tal, Kant ao investigar a natureza de tais princípios concluiu que os
imperativos são de dois tipos distintos: imperativos hipotéticos e imperativos categóricos.
Assim, os imperativos hipotéticos são princípios práticos que prescrevem que uma ação é
boa porque é necessária como meio para conseguir algum propósito/fim, tendo
geralmente a forma “Se queres x então terás de fazer y”. Já os imperativos categóricos são
princípios/obrigações práticas que prescrevem que uma ação é boa se e apenas se for
realizada por puro respeito à representação da lei em si mesma e representam a
necessidade prática da ação como um fim em si mesma e não como um meio para atingir
um fim. Estes têm a forma “Deves fazer x, sem mais”. Neste sentido, só estes princípios
são, para Kant, efetivamente leis da moralidade, dado o seu caráter exclusivamente formal.
Assim, como a lei moral não pode ser hipotética, o imperativo categórico terá de conter
uma forma válida para todos os Homens. Neste contexto, o imperativo categórico é
portanto uma única lei, a lei suprema da moralidade. No entanto, este pode ser formulado
de três formas diferentes, sendo que a formulação mais usual é “Age apenas segundo uma
máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal”.
Posto isto, o imperativo categórico é, desta forma, o único critério válido que devemos
seguir para decidir se um ato é ou não moralmente permissível e assim, se estamos
dispostos a que a regra que usamos para a nossa própria ação possa ser seguida por todas
as pessoas em qualquer circunstância. Se sim, o ato é permissível, caso contrário, devemos
rejeitá-lo como imoral e contrário à lei da razão prática. Não obstante, várias críticas
podem ser feitas à ética kantiana e uma das mais relevantes é a objeção das obrigações
morais e conflito de deveres absolutos. Vejamos: Uma certa pessoa tem de optar entre
duas possibilidades de ação (fazer A ou fazer B). Verifica-se que fazer A é moralmente
incorreto e fazer B é moralmente incorreto.
Verificamos que a teoria ética de Kant não saberia responder perante uma situação
de conflito, porque proíbe ambas as possibilidades de ação por estas se revelarem
moralmente incorretas, mas a verdade é que, perante uma situação destas, teríamos de
optar por uma das possibilidades. Se a teoria ética de Kant nos proíbe de optar por uma
delas, mas na realidade somos forçados a optar por uma, a teoria ética de Kant revela-se
incoerente. Incoerente porque aquilo que concluímos, por exemplo: existem casos em que
temos de mentir contradiz aquilo que Kant defende (não devemos mentir nunca e em
qualquer situação e isto porque para Kant as regras morais são absolutas. Outra objeção
levantada é a objeção das obrigações morais e consequências funestas. Vejamos: quem
não mentiria se, em determinada circunstância, dizer a verdade trouxesse o sério risco de
conduzir alguém à morte? É provável que Kant não o fizesse, mas, ao contrário do que
defendeu este filósofo, sempre que cumprir uma obrigação moral conduza a
consequências mais funestas e indesejáveis do que dizer uma mentira, parece razoável
para muitas pessoas admitir exceções. O facto da Ética Kantiana não dar atenção às
consequências da ação é um dos aspetos implausíveis da teoria. Em certos casos, as
consequências das ações parecem ser relevantes para a determinação do seu valor moral.
Por fim, outra das objeções levantadas à Ética Kantiana é o facto de ignorar o
papel das emoções na moralidade das nossas ações como a piedade ou a generosidade,
pois parece difícil que homem consiga agir assim tão desinteressadamente e destituído de
intenções.

ÉTICA UTILITARISTA DE STUART MILL

Contrariamente ao que fora perspetivado na ética kantiana, surge o utilitarismo


clássico de Stuart Mill que representou um importante papel no conjunto das reformas
políticas, económicas e sociais que se produziram no ocidente ao longo do século XIX.
Quando se afirma que o utilitarismo é uma ética consequencialista, o que se pretende
destacar é que este sistema avalia a correção ou incorreção das ações, apenas e só a partir
dos seus resultados ou consequências. Diz-nos Stuart Mill, “quem salva o semelhante de se
afogar, faz o que está moralmente correto quer o seu motivo seja o dever ou a esperança
de ser pago pelo seu incómodo; quem trai a confiança de um amigo é culpado de um crime
ainda que o seu objetivo seja servir outro amigo para com o qual tem deveres ainda
maiores ”. Posto isto, para as éticas consequencialistas o correto consiste em maximizar o
bom que, no caso do utilitarismo é, em sentido lato, o prazer. O utilitarismo é uma
doutrina hedonista: teoria, cuja origem remonta à Grécia Antiga, que considerou a
existência de prazeres morais e definiu a felicidade como o objetivo central da vida boa,
tendo como seu percursor Epícuro. Esta doutrina identifica o bom com o prazer e o mau
com a dor, sendo que a vida boa, a vida digna de ser vivida é aquela que persegue o prazer
e evita a dor. Assim, a moralidade reside no esforço para maximizar o prazer e para
procurar tanta felicidade quanta nos for possível. Este é o princípio geral do utilitarismo
conhecido como o princípio da maior felicidade: fundamento da moralidade e critério a
partir do qual se avaliam as boas e más ações. Para Mill, o objetivo da moral passa a ser
única e exclusivamente a realização de cada ser humano, neste Mundo, aqui e agora. O
princípio da utilidade exige que cada um de nós faça o que for necessário e estiver ao seu
alcance para promover a felicidade e evitar a dor. No entanto, Mill propõe na sua obra
“Utilitarismo” uma divisão qualitativa dos prazeres, ou seja, nem todos os prazeres se
equivalem: existem os prazeres inferiores e os prazeres superiores. Deste modo, segundo
Mill, os prazeres do espírito e de ordem intelectual, como apreciar uma obra de arte ou ler
um livro são sempre superiores aos prazeres inferiores ou do corpo como comer, beber ou
satisfazer os impulsos sexuais ainda que estes possam ser menos intensos e duradouros.
Daqui surge, uma das frases mais emblemáticas da filosofia de Mill a afirmação de que
“mais vale um homem insatisfeito do que um porco satisfeito” (explicar a frase). Neste
contexto, para Mill nenhuma felicidade humana é verdadeiramente possível sem um
sentido de dignidade (sense of dignity), que consiste na preferência pelos prazeres
superiores aos prazeres simplesmente corporais, disso são um testemunho exemplar os
“juízes competentes” que na experiência de ambos os prazeres preferem inequivocamente
os prazeres superiores, e se nalguns casos os homens preferem os prazeres inferiores é
porque, de acordo com o pensamento de Mill, perderam a capacidade de saborear os
prazeres mais elevados. Para Mill, ao avaliarmos as consequências previsíveis de uma ação
temos pois de considerar não apenas a quantidade, mas também a qualidade de prazer
que dela possa resultar. Porém, podemos colocar a questão “A nossa felicidade não
conta?”, isto é, se o critério da moralidade de um ato é a sua capacidade de promover a
felicidade geral, se a minha felicidade não é mais importante que a dos outros, será que
devo abdicar sempre da minha felicidade em prol da felicidade geral? A resposta utilitarista
de Mill não defende que tenhamos que renunciar à nossa felicidade ou a uma vida pessoal
em nome da felicidade do maior número, pois, qualquer sacrifício individual que não
aumente a felicidade geral é inútil. Neste sentido, o princípio da maior felicidade exige que
cada indivíduo se habitue a não separar a sua felicidade individual da felicidade geral, sem
deixar, por isso, de ter projetos, interesses e vida pessoal, pois este não exige que
renunciemos à nossa individualidade.
Embora o utilitarismo de Mill defenda uma tese bastante intuitiva e fácil de aceitar
acerca do caráter moral das ações, um dos problemas que enfrenta é ter algumas
consequências que entram em conflito com o nosso sentido moral mais comum. É
frequente os oponentes à teoria sublinharem as dificuldades em quantificar a felicidade e
a impossibilidade de prever todas as consequências.
Mas, como já referido acima o principal motivo de condenação do utilitarismo é o
facto do sistema utilitarista poder conduzir a consequências moralmente inaceitáveis. O
utilitarismo permite graves injustiças em nome da felicidade do maior número de pessoas.
Um embaraço frequentemente citado é a “objeção do bode expiatório”. Esta objeção
mostra que à luz do utilitarismo é moralmente justificável o sacrifício de um inocente em
nome da felicidade da maioria, ou seja, se do sofrimento a uma pessoa resultar um “saldo
positivo” em felicidade.
- Objeção dos limites da maximização (explicar)

Potrebbero piacerti anche