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TANATOLOGIA Medicina Legal | Eduardo Araújo

▪ FAMP – Med 1
“É a parte da medicina que estuda a morte e as suas repercussões na esfera jurídico – social.” A palavra tanatologia
origina-se do grego thanatus que quer dizer morte e do sufixo logia que significa estudo. É o ramo da medicina legal que
se ocupa do estudo da morte e dos fenômenos com ela relacionados.

A morte, na sua acepção mais simples, consiste na cessação total e irreversível das funções vitais. A morte não é um
instante, um momento, mas um verdadeiro processo em que há um progressivo desmantelamento que vai do
organismo como um todo passando por sistemas, órgãos, tecidos até chegar ao nível celular.

É a parte da medicina legal que estuda a morte e o morto, e suas repercussões na esfera jurídico – social.

A. Cadáver: “O corpo sem vida de homem ou de animal”  Defunto.


B. Natureza jurídica: “res extra commercium”
C. TANATOSEMIOLOGIA (MORTE+SINAL+ESTUDO): Parte da Tanatologia que estuda os sinais (fenômenos)
cadavéricos.
D. TANATODIAGNÓSTICO (MORTE+DIAGNOSE): Estuda o conjunto de sinais biológicos e propedêuticos que
permitem afirmar o estado de morte real.
E. CRONOTANATOGNOSE (TEMPO+MORTE+CONHECIMENTO): Estuda os meios de determinação do tempo
decorrido entre a morte e o exame cadavérico.
F. TANATOSCOPIA = TANATOPSIA = NECRÓPSIA (MORTE + VER = OBSERVAR): É o exame do cadáver para
verificação da realidade e da causa da morte.
G. TANATOCONSERVAÇÃO (MORTE+CONSERVAÇÃO): É o conjunto de técnicas empregadas para conservação do
cadáver com suas características gerais.
H. TANATOLEGISLAÇÃO (MORTE+LEGISLAÇÃO): É o conjunto de dispositivos legais concernentes à morte e ao
cadáver.

OBJETIVO

Estabelecer o diagnóstico da causa jurídica da morte, na busca de determinar as hipóteses de:

 Homicídio?
 Suicídio?
 Natural?
 Acidente?

Tanatologia Forense é o ramo das ciências forenses que partindo do:

 Exame do local
 Circunstâncias da morte
 Exame necroscópico
 Procura estabelecer:
o A identificação do cadáver
o O mecanismo da morte
o A causa da morte
o O diagnóstico diferencial médico-legal (acidente, suicídio, homicídio ou morte de causa natural).

CRITÉRIOS DE MORTE

1. Inconsciência
2. Apnéia
3. Midríase
4. EEC isoelétrico
5. Angiograma neg.

1.1.- Critério do C.F.M. P/ Definição (Resolução1346/91)

“O Conselho Federal de Medicina, no uso de suas atribuições que lhe confere a Lei nº 3.268/57, de 30 de setembro de
1957, regulamentada pelo Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958, e

CONSIDERANDO que a parada total e irreversível das funções encefálicas equivale à morte, conforme já estabelecido
pela comunidade científica mundial;

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CONSIDERANDO o ônus psicológico e material causado pelo prolongamento do uso de recursos extraordinários para o
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suporte das funções vegetativas em pacientes com parada total e irreversível da atividade encefálica; ▪ FAMP – Med 1

CONSIDERANDO a necessidade de judiciosa indicação e interrupção do emprego desses recursos;

CONSIDERANDO a necessidade de se adotar critérios para constatar, de modo indiscutível, a ocorrência de morte;

CONSIDERANDO que ainda há consenso sobre a aplicabilidade desses critérios em crianças menores de 2 anos;

Critérios:

Os critérios, no presente momento, para a caracterização da parada total e irreversível das funções encefálicas em
pessoas com mais de 2 anos são, em seu conjunto:

A. Clínicos: coma aperceptivo com arreatividade inespecífica, dolorosa e vegetativa, de causa definida. Ausência
de reflexos corneano, oculoencefálico, oculovestibular e do vômito. Positividade do teste de apnéia. Excluem-se
dos critérios acima, os casos de intoxicações metabólicas, intoxicações por drogas ou hipotermia.
B. Complementares: ausência das atividades bioelétrica ou metabólica cerebrais ou da perfusão encefálica;
1. O período de observação desse estado clínico deverá ser de, no mínimo, 6 horas.
2. A parada total e irreversível das funções encefálicas será constatada através da observação desses critérios
registrados em protocolo devidamente aprovado pela Comissão de Ética da Instituição Hospitalar.
3. Constatada a parada total e irreversível das funções encefálicas do paciente, o médico, imediatamente, deverá
comunicar tal fato aos seus responsáveis legais, antes de adotar qualquer medida adicional.
4. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.

Critérios atuais para um diagnóstico de morte:

 A morte atualmente é definida por critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução
1480/97) que a considera como sendo a parada total e irreversível das atividades encefálicas. É o que se
denomina morte encefálica.
 O critério antigo que considerava a morte como sendo a cessação total e permanente das funções vitais sofreu
modificações decorrentes dos modernos processos de transplante de tecidos e órgãos e foi necessário uma
revisão no sentido de estabelecer o exato momento de se considerar alguém morto.
 Não se pode admitir que um corpo só possa estar em dois estados: vivo ou morto. A morte é um processo, uma
sequência de eventos que ocorrem nos vários órgãos e sistemas de manutenção da vida.
 Deve-se procurar um conceito único de morte que sirva para todos os fins e não para atender, por exemplo,
critérios de transplante de órgãos.
 Os meios médico-legais tradicionais contribuem muito pouco para um pronto diagnóstico de morte pela
lentidão do aparecimento dos fenômenos cadavéricos determinantes de morte.
 “Um segundo pode ser a unidade de tempo que faça de um sujeito vivo um cadáver, mas também pode fazer
da morte um homicídio”. (Veja Dias).
 Atualmente a atenção se volta para a avaliação da atividade cerebral e ao estado de descerebração
ultrapassada como indicativo de morte real.
 “A morte como elemento definidor do fim da pessoa, não pode ser explicada pela parada ou falência de um
único órgão, por mais hierarquizado e indispensável que seja. É na extinção do complexo pessoal, representado
por um conjunto, que não era constituído só de estruturas, mas de uma representação inteira. O que morre é o
conjunto que se associava para a integração de uma personalidade”. (Genival Veloso de França).
1. Coma aperceptivo com ausência de atividade motora supra espinhal e apneia.
2. Ausência de atividade elétrica cerebral ou;
3. Ausência de atividade metabólica cerebral, ou;
4. Ausência de perfusão sanguínea cerebral.

Morte encefálica:

É aquela que compromete de forma irreversível a vida de relação e a coordenação da vida vegetativa.

 Segundo definição da Organização Mundial de Saúde: “o desaparecimento de todos os sinais de vida ou a


cessação das funções vitais, sem a possibilidade de ressuscitar. ”
 Segundo Hilário Veiga de Carvalho: “é a desintegração irreversível da personalidade, em seus aspectos
fundamentais morfo-fisio-psicológicos, de molde a fazer cessar a unidade bio-psicológica, como um todo
funcional e orgânico definidor daquela personalidade que assim se extingue”.
 Juridicamente a morte pode ser entendida como o desaparecimento permanente de todo sinal de vida, em um
momento qualquer depois do nascimento.
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ESCOLA DE MEDICINA DE HARVARD:

A. Inconsciência total e falta de resposta aos estímulos externos;


B. Ausência de respiração ou parada dos movimentos respiratórios por três minutos;
C. Ausência de reflexos;
D. Eletroencefalograma plano.

UNIVERSIDADES DE MINNESOTA E
PRITTISBURGO | CONFERÊNCIA DE ROYAL
COLLEGE | FACULDADE DE MEDICINA DO
REINO UNIDO

A. Coma profundo indiferente aos


estímulos externos;
B. Ausência de reflexos;
C. Hipotonia muscular;
D. Rigidez de descerebração;
E. Ausência de respiração
espontânea;
F. Eletroencefalograma plano;
G. Opcionais: Angiografia e
Cintilografia.

GENIVAL VELOSO

A. Coma irreversível com E.E.G. plano


por 30 min., com intervalo de 24 h.
Não deve prevalecer para crianças, hipotermia, uso de drogas. Depressoras do S.N.C. e distúrbios metabólicos
ou endócrinos;
B. Abolição dos reflexos cefálicos (Hipotonia, Midríase);
C. Ausência de respiração espontânea;
D. Causa da lesão cerebral conhecida;
E. Estrutura vitais do encéfalo lesados irreversivelmente.

Tipos de morte

 Natural: (subita, mediata e agonica) – morte por antecedentes patológicos ( estado mórbido adquirido ou de
uma pertubação congênita). É a que resulta da alteração orgânica ou perturbação funcional provocada por
agentes naturais, inclusive os patogênicos sem a interviniência de fatores mecânicos em sua produção.

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 Súbita: Morte imprevista, que sobrevém instantaneamente e sem causa manifesta, atingindo pessoas em
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aparente estado de boa saúde. ▪ FAMP – Med 1
 Violenta: tem origem por ação externa ( homicidio ou suicidio ou acidente). É aquela que tem como causa
determinante a ação abrupta e intensa, ou continuada e persistente de um agente mecânico, físico ou químico
sobre o organismo. Ex.: Homicídio, suicídio ou acidente.
 Morte Suspeita: ocorre de forma duvidosa (natural? Ou violenta?)
 Fetal: Morte de um produto da concepção antes da expulsão ou da extração completa do corpo da mãe
independente da duração da gravidez.
 Materna: Morte de uma mulher durante uma gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da
gestação, independente da duração ou localização da gravidez.
 Catastrófica: É toda morte violenta de origem natural ou de ação dolosa do homem em que por um mesmo
motivo, ocorre um grande número de vítimas fatais.
 Presumida: É a morte que se verifica pela ausência ou desaparecimento de uma pessoa, depois de transcorrido
um prazo determinado pela Lei.

Mortes naturais: podem ser lentas ou rápidas. É aquela que resulta de uma doença, pois é natural que um dia se morra.
Na sabedoria popular é chamada de “morte morrida”. Em alguns casos, quando a evolução da doença é extremamente
rápida, a morte, ainda que natural, pode parecer “suspeita”.

Mortes médico-legais: podem ser violentas ou suspeitas.

As suspeitas podem ser classificadas como:

1. Pela subtaneidade (morte súbita);


2. De violência oculta
3. De violência indefinida
4. De violência definida
5. De infortúnio do trabalho

**As causas de morte súbita são várias, havendo predomínio das por turbações cardiocirculatórias, respiratórias e
nervosas.

Morte violenta é a que não resulta de doença, mas de ato praticado por outra pessoa (homicídio), ou por si mesma
(suicídio), ou então em razão de acidentes, sempre existindo responsabilidade penal a ser apurada. Na sabedoria
popular definida como “morte matada”. O homicídio, o suicídio e os acidentes são a natureza jurídica da morte violenta.

As principais causas de acidentes são:

 Erro do condutor – 95%


 Erro dos pedestres – 15%
 Debilidade física do condutor – 6%
 Particularidades da estrada – 52%
 Debilidade física dos pedestres – 2%
 Condições atmosféricas desfavoráveis – 15%
 Condições desfavoráveis de iluminação – 31%
 Mau estado dos veículos – 12%

Nos casos de acidente de trânsito as principais causas de morte são:

 Trauma craniano – 52%


 Trauma torácico – 28%
 Trauma abdominal – 18%
 Trauma dos membros – 2%
 Traumas múltiplos – 54%

Morte Suspeita é toda aquela que após investigação cuidadosa das circunstâncias em que o óbito ocorreu e de seu local,
suscita razões para se suspeitar, de modo fundamentado, que sua causa tenha sido violenta, e não natural. A autópsia
esclarecerá se a morte foi de causa violenta ou natural, mas, em casos raros, nem ela poderá esclarecer a causa mortis
que será dada como indeterminada.

Morte Súbita e morte agônica: são dois importantes conceitos de morte, os de morte súbita (geralmente confundida
com suspeita) e seu oposto, a morte agônica. Morte súbita é a que apanha o indivíduo inesperadamente de modo

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rápido ou súbito. É geralmente imprevista e surpreende a todos: a pessoa falecida apresentava boa saúde, mas, na
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maioria dos casos, já era portadora de qualquer doença potencialmente fatal e inesperadamente falece. ▪ FAMP – Med 1

A morte agônica é aquela previsível e esperada, que culmina a evolução de uma doença ou de um grave estado pós-
traumático, sempre estando no prognóstico do médico.

CLASSIFICAÇÃO DA MORTE

a) Real
b) Aparente: entendida como um estado do organismo no qual as funções vitais se reduziram à um mínimo, tal que dão a
impressão errônea da morte. Ocorre nas intoxicações graves produzidas por soníferos, nos congelamentos, em
obstetrícia quando se pratica a reanimação dos recém-nascidos aparentemente mortos que sofrem de asfixia pálida.
**Não confundir “morte aparente” com catalepsia, um conceito bastante discutido em Medicina Legal ao medo de ser enterrado
vivo.
Na Inglaterra existe a Associação Britânica Para Prevenção de Inumação Precoce.

Quanto à reversibilidade:

1- Morte aparente:

Estados patológicos que simulam a morte = Intenso embotamento das funções vitais:

 Inconsciência
 Batimentos cardíacos imperceptíveis
 Movimentos respiratórios imperceptíveis ou ausentes

Exemplos:

 Coma epiléptico
 Catalepsia
 Estados sincopais
 Morte aparente do recém-nascido

Mais comum pela ação de energias externas:

 Asfixia
 Envenenamentos
 Eletroplessão
 Fulguração

CLASSIFICAÇÃO DOS FENÔMENOS CADAVÉRICOS

Para se constatar a certeza da morte é necessario a observação dos Fenomenos cadavericos

 Fenomenos abióticos: imediatos e consecutivos


 Fenomenos transformativos
o Destrutivos – autólise, putrefaçao e maceração.
o Conservadores – mumificação, saponificação, calcificação e corificação

Realidade da morte:
É a constatação do óbito pela presença dos fenômenos cadavéricos ou sinais tanatológicos que podem ser
1) Imediatos
2) Consecutivos ou mediatos
3) Transformativos

Fenômenos abióticos imediatos:


1. Inconsciência
2. Imobilidade
3. Cessação da Respiração (prova de Winslow)
4. Cessação da Circulação (Bouchut, Piga, Guérin e Frache)
5. Perda da sensibilidade (sinal de Josat);
6. Face hipocrática;

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7. ABOLIÇÃO DO TONUS MUSCULAR ( facies hipocratica , dilataçao pupilar ,abertura das palpebras , relaxamento do anus ,
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abertura da boca , presença de esperma no canal uretral. Perda da motilidade e do tono muscular (sinal de Reboillat) – ▪ FAMP – Med 1
midríase, relaxamento do esfíncter anal, queda de mandíbula, entre outros.

CONSECUTIVOS

1) Desidratação cadavérica;
2) Decréscimo de peso;
3) Pergaminhamento da pele;
4) Dessecamento das mucosas dos lábios
5) Fenômenos oculares (perda da tensão do globo ocular, opacificação da córnea, mancha esclerótica);
6) Algor mortis ou esfriamento cadavérico;
7) Livor mortis ou manchas de hipótase ou livor cadavérico
8) Rigor Mortis ou rigidez cadavérica.
**Obs: LAR – livor, algor e rigor = tríade da morte (PERGUNTA DE PROVA)**

Sinais oculares:

 Sommer e Larcher (dessecação da esclerótica, mostrando, no quadrante externo ou interno do olho, uma mancha de cor
enegrecida pela transparência do pigmento coroidiano)
 Stenon – Lewis (A tela viscosa é constituída pela mistura do líquido transudato do globo ocular, o qual se evapora na
superfície dos detritos do epitélio que se destacam da córnea e dos corpúsculos de poeira depositados, formando um fino
véu que recobre a superfície da córnea.
 Ripault (A córnea, algumas horas depois da morte, perde sua transparência e se torna turva. Este fenômeno, no entanto,
poderá ser observado no vivo, quando em estados agônicos prolongados. Após 8 h da morte, exercendo-se a pressão digital
literalmente no globo ocular, pode ocorrer a deformação da íris e da pupila)

 Esfriamento do corpo:
Fórmula de Rentoul e Smith

H = (N-C)
1,5

 Manchas de Hipoestase (ou livores cadavéricos):


 Começa com 2 a 3 horas
 Fixas após 12 horas
 Viscerais

 Rigidez cadavérica:
 Lei de Nysten:
 Começa 1 a 2 horas
 Máximo com 8 horas
 Desaparece após 36 a 48 horas
 Espasmo cadavérico

TARDIOS DESTRUTIVOS

1. Autólise
2. Maceração
3. Putrefação: Coloração, Gasoso,
4. Coliquativo, Esqueletização
5. Desidratação cadavérica
a. Apergaminhamento da pele
b. Ressecamento das mucosas
c. Modificações no globo ocular (esclerótica de sommer –larcher.
6. Esfriamento cadavérico (algor mortis)
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a. Estudo do esfriamento medio é de 1,5 º C/hora
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b. Hora da morte é igual temperatura reta normal (37,2º menos a temperatura retal no momento ▪doFAMP – Med 1
exame dividido por 1,5
7. Manchas de hipostase cutanea – Lividez cadavérica (livor mortis)
8. Rigidez cadavérica (Rigor mortis )

TARDIOS CONSERVADORES

1. Mumificação Saponificação

São tardio e podem ser divididos em dois grupos:


a) Destruidores:
Autólise: Chama-se autólise uma série de fenômenos fermentativos anaeróbicos que se verifica na intimidade da célula, motivadas
pelas próprias enzimas celulares, sem nenhuma interferência bacteriana, como se a célula estivesse programada para agir desta
forma em determinado momento.
Cessada a circulação, as células perdem a capacidade de trocas nutritivas e sofrem, pela ação de fermentos, a acidificação. É o início
da decomposição.
O meio vivo é neutro (pH entre 7,0 e 7,8). À medida em que o meio vai sofrendo a acidificação, a vida vai se tornando cada vez mais
improvável. Este fenômeno se dá pela predominância de íons H+ sobre os íons OH- nos tecidos e líquidos dos cadáveres. A variação
do pH nos tecidos é um sinal evidente de morte.
 Sinal de Labord (introduz-se uma agulha de aço bem polida no tecido e após 30 minutos, retira-se a agulha, no caso de
morte, permanece o brilho metálico)
 Sinal de Brissetmoret e Ambard (faz-se biópsia de fígado e baço com um trocador e constata-se a sua acidez com papel de
tornassol)
 Sinal de Lecha Marzo (coloca-se nos globos oculares o papel azul de tornassol, fecham-se as pálpebras por 3 minutos, se há
acidez – morte- há mudança de tonalidade).
 Sinal de De-Dominices (verificação da acidez da pele após escarificação com bisturi, sem atingir a derme, verificada pelo
papel de tornassol)
 Sinal de Silvio Rabelo (introduz-se um fio corado pelo azul de tornassol, através de uma agulha, numa dobra de pele e o fio
fica amarelado se há acide – morte.)
 Sinal da forcipressão química de Icard (pinça-se a pele, flui uma serosidade que no vivo é alcalina – neutra - e no morto é
ácida.)

Putrefação:
A putrefação cadavérica consiste na decomposição fermentativa da matéria orgânica por ação de diversos germes e alguns
fenômenos daí decorrentes.
O intestino é o ponto de partida da putrefação, com exceção nos recém nascidos, onde pode se iniciar por qualquer cavidade
corpórea, principalmente por via aérea. O aparecimento dos primeiros sinais de putrefação se dá no abdome (mancha verde).
A marcha normal da putrefação varia ainda conforme a ação de fatores intrínsecos (idade, causa mortis, constituição) e fatores
extrínsecos (temperatura, aeração, higroscopia do ar e etc.).
A causa mortis tem notável influência na marcha deste processo transformativo. As vítimas de graves infecções e grandes mutilações
putrefam-se mais rapidamente. O arsênico, os antibióticos e certos medicamentos podem retardar a putrefação. A temperatura muito
alta ou muito baixa retarda ou para a marcha da putrefação. Em certas regiões, como na Sibéria, os cadáveres se conservam
naturalmente.

Marcha da putrefação: embora não haja uma rigorosa precisão, a putrefação segue uma determinada evolução, passando por quatro
períodos:
1- Fase da coloração: inicia-se, em geral, pela mancha verde abdominal, localizada, preferencialmente, na fossa ilíaca direita; daí
difunde por todo o abdome, pelo tórax, cabeça e pelos membros. A tonalidade esverdeada vai escurecendo até chegar ao verde
enegrecido, dando ao cadáver um tom bastante escuro, esta tonalidade se dá pela formação de sulfometahemoglobina.

2- Fase gasosa: do interior do corpo vão surgindo os gases de putrefação (enfisema putrefativo), com bolhas na epiderme, de
conteúdo líquido hemoglobínico. O cadáver toma um aspecto gigantesco, principalmente na face, abdome e órgãos genitais
masculinos, dando-lhe a posição de lutador. Os gases fazem pressão sobre o sangue, que foge para a periferia e, pelo

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destacamento da epiderme, esboça na derme um desenho vascular – circulação póstuma de Brouardel. Sais de chumbo neutros
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evidenciam a presença de gases. ▪ FAMP – Med 1

3- Fase coliquativa: esta fase se manifesta pela dissolução pútrida do cadáver, cujas partes moles vão pouco a pouco reduzindo-se
de volume pela desintegração progressiva dos tecidos. O corpo perde sua forma, a epiderme se desprega da derme, o esqueleto
fica coberto por uma massa de putrilagem, os gases se evolam e surge um grande número de larvas e insetos.

4- Esqueletização: nesta fase, os ossos apresentam-se quase livres, presos apenas pelos ligamentos articulares. Os ossos resistem
por muito tempo, porém, vão perdendo pouco a pouco sua estrutura habitual, tornando-se cada vez mais frágeis e leves. — A
ação do meio ambiente e da fauna cadavérica destrói os resíduos tissulares, inclusive os ligamentos articulares, expondo os ossos
e deixando-os completamente livres de seus próprios ligamentos. Os cabelos e os dentes resistem muito tempo à destruição. Os
ossos também resistem anos a fio, porém terminam por perder progressivamente a sua estrutura habitual, tornando-se mais
leves, frágeis e, alguns, quebradiços.

TEMPO:
 Coloração: sete dias
 Gasosa: duas semanas
 Coliquativo: um a vários meses
 Equeletização: anos

Alcalóides cadavéricos:
 Putrefação de substâncias albuminoides
 Começam 2 a 4 dias, aumentam no vigésimo dia e desaparecem ao final da putrefação.
 Trimetilamina
 Midaleina
 Cadaverina e putrescina
** Bioquímica da putrefação As ptomaínas são encontradas nas primeiras fases da putrefação das substâncias albummóides. Sua
natureza depende do tempo de putrefação, não havendo no início surgimento de elementos tóxicos, pois neste instante predomina a
trimetilamina, oriunda da colina. Aos sete dias após a morte, começa a surgir um produto tóxico conhecido por midaleína. Aos 14
dias, a presença da cadaverina e da putrescina. As ptomaínas surgem dois ou quatro dias após a morte, aumentam em tomo do 20°
dia e desaparecem na fase final da putrefação. Dependem muito da presença ou da ausência do oxigênio, evoluem bem na
temperatura de 20 a 23°C e só se desenvolvem na presença da água.

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CRONOTANATOGENESE: ▪ FAMP – Med 1

 Estuda os meios de determinação do tempo transcorrido entre a morte e o exame necroscópico


 Dependem de variáveis
o Caracteristicas individuais
o Meio ambiente
o Tipo de Morte
 Esfriamento do cadáver
 Livor
 Rigidez
 Gases da putrefação
 Perda de peso
 Mancha verde abdominal
 Canais de sangue putrefeito
 Criosepia do sangue
 Crescimento de pêlos da barba
 Conteúdo estomacal
 Conteúdo vesical
 Fundo de olho (Reiman e prokop)
 LCR
 Pressão intraocular
 Potassio no humor vítreo

MACERAÇÃO
É um processo especial de transformação que sofre o cadáver do feto no útero materno, do sexto ao nono mês de gravidez. Esse
fenômeno pode ser séptico, de acordo com as condições do meio onde o corpo permanece. Como característica observa-se no
cadáver o destacamento de amplos retalhos de tegumentos cutâneos que se assemelham a luvas. Nas mãos, estes retalhos
apresentam as cristas papilares, conservando as impressões digitais por algum tempo e ainda a permanência das unhas. O corpo
perde a consistência inicial, o ventre se achata e os ossos se livram dos tecidos ficando como se estivessem soltos.

b) Conservadores: Os fenômenos conservadores se dividem em: mumificação, calcificação, corificação, saponificação e


congelação.

 Mumificação: é um processo transformativo conservador do cadáver, podendo ser produzido por meio natural ou
artificial.
Na mumificação por processo natural, são necessárias condições particulares que garantem a desidratação rápida, de
modo a impedir a ação microbiana responsável pela putrefação. O cadáver ficando exposto ao ar em regiões de clima
quente e seco perde água rapidamente, sofrendo acentuado dessecamento.
O cadáver mumificado apresenta-se reduzido em peso, pele dura, seca, enrugada e de tonalidade enegrecida, cabeça
diminuída de volume, a face conserva vagamente os traços fisionômicos; os músculos, tendões e vísceras destroem-se
pela pressão leve, transformando-se em pó, e os dentes e unhas permanecem bem conservados.

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 Saponificação ou adipocera: é um processo conservador que se caracterizada pela transformação do cadáver em
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substância de consistência untuosa, mole e quebradiça, de tonalidade amarelo-escura, dando uma aparência de cera ▪ou
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sabão. Surge depois de um estágio mais ou menos avançado de putrefação, quando certas enzimas bacterianas hidrolisam
as gorduras neutras, dando origem aos ácidos graxos, os quais em contato com elementos da argila se transformam em
ésteres.
Esse fenômeno pode surgir espontaneamente, em geral após a sexta semana da morte, sendo, porém, a água e o solo
responsáveis. Este processo está sujeito também a certas condições individuais, como idade, sexo, obesidade e doenças
que originam degeneração gordurosa.

 Calcificação: é um fenômeno transformativo conservador que se caracteriza pela petrificação ou calcificação do corpo.
Ocorre mais frequentemente nos fetos mortos e retidos na cavidade uterina, constituindo-se nos chamados litopédios
(criança de pedra).

 Corificação: é um fenômeno transformativo conservador muito raro, sendo encontrado em cadáveres que foram
acolhidos em urnas matálicas fechadas hermeticamente, principalmente de zinco. Por isso o corpo é preservado da
decomposição, em face da inibição dos fatores transformativos. O cadáver submetido a tal processo apresenta a pele de
cor e aspecto de couro curtido recentemente. Mostra-se como o abdome achatado e deprimido, a musculatura e a tela
subcutânea preservadas e os órgãos em geral amolecidos e conservados.

 Congelação: um cadáver submetido a baixíssima temperatura e por tempo prolongado vai se conservar integralmente por
muito tempo. Autores consideram que em temperaturas menores que 40º negativos pode-se obter uma preservação
quase indefinida, inclusive permitindo a conservação em condições vitais de alguns materiais orgânicos como ossos,
tecidos e espermatozoides.

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POSSE DO CADÁVER

O CADÁVER – Caro data vermis

Nada impede afirmar que o cadáver já não é mais pessoa e passa a se constituir numa coisa. Sua natureza jurídica é um fato
indiscutível: não pode ser pessoa, portanto é coisa. O direito só admite estas duas hipóteses. Sua Posse, em sentido estrito, pertence
à família, cabendo de início a posse as Estado para cumprimento de normas específicas e, definitivamente aos parentes. A qualquer
tempo o Poder Público possa ter direito a essa posse.

O corpo humano é de natureza extrapatrimonial. É res extra commercium inacessível aos negócios habituais. O cadáver não faz parte
da sucessão.

POSSE

 Direitos da sociedade:
o Imperativos de ordem médico-sanitário
o Imperativos de ordem legal
 Direitos da família:
o Sentimento de respeito aos mortos
 Direitos do de cujos:
o Não é sujeito de direitos
o Respeito à sua vontade

DESTINO DOS CADÁVERES

1. Inumação com ou sem necropsia;


2. Imersão;
3. Destruição;
4. Cremação.

INUMAÇÃO:

Inumar; Do lat. Inhumare = Sepultar, enterrar.

Lei dos Registros Públicos – Lei n° 6.015/1973

Art. 77 – Nenhum sepultamento será feito sem certidão de Oficial de Registro do lugar do falecimento, extraída após a lavratura do
assento de óbito, em vista do atestado de médico, se houver no lugar, ou, em caso contrário, de duas pessoas qualificadas que
tiveram presenciado ou verificado a morte.

CREMAÇÃO:

 Cremar;
 Do lat. Cremare;
 Incinerar, queimar o cadáver.

Art. 77 - § 2° – a cremação de cadáver somente será feita daquele que houver manifestado a vontade de ser incinerado, ou no
interesse da saúde pública, e se o atestado de óbito tiver sido firmado por dois médicos ou por um médico legista, no caso de morte
violenta, depois de autorizada pela autoridade judiciária.

ESTUDO OU PESQUISA

LEI N° 8.501, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1992

Art. 1° Esta lei visa disciplinar a destinação de cadáver não reclamado junto às autoridades públicas, para fins de ensino e pesquisa.
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Art. 2° O cadáver não reclamado junto às autoridades públicas, no prazo de trinta dias, poderá ser destinado às escolas de medicina,
Medicina Legal | Eduardo Araújo
para fins de ensino e de pesquisa de caráter científico. ▪ FAMP – Med 1

Art. 3° Será destinado para estudo, na forma do artigo anterior, o cadáver:

I. sem qualquer documentação;


II. identificado, sobre o qual inexistem informações relativas a endereços de parentes ou responsáveis legais.

§ 1° Na hipótese do inciso II deste artigo, a autoridade competente fará publicar, nos principais jornais da cidade, a título de
utilidade pública, pelo menos dez dias, a notícia do falecimento.

§ 2° Se a morte resultar de causa não natural, o corpo será, obrigatoriamente, submetido à necropsia no órgão competente.

§ 3° É defeso encaminhar o cadáver para fins de estudo, quando houver indício de que a morte tenha resultado de ação
criminosa.

§ 4° Para fins de reconhecimento, a autoridade ou instituição responsável manterá, sobre o falecido:

A. os dados relativos às características gerais;


B. a identificação;
C. as fotos do corpo;
D. a ficha datiloscópica;
E. o resultado da necropsia, se efetuada; e
F. outros dados e documentos julgados pertinentes.

Art. 4° Cumpridas as exigências estabelecidas nos artigos anteriores, o cadáver poderá ser liberado para fins de estudo.

Art. 5° A qualquer tempo, os familiares ou representantes legais terão acesso aos elementos de que trata o § 4° do art. 3° desta lei.

CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE - RESOLUÇÃO Nº 196 DE 10 DE OUTUBRO DE 1996

ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS

Princípios:

 Autonomia;
 Não maleficiência;
 Beneficência
 Justiça e equidade.

PEÇAS ANATÔMICAS E PARTES DO CADÁVER

Peças anatômicas e membros amputados não necessitam do preenchimento do atestado de óbito, mesmo que o destino seja o
sepultamento. A solução melhor é a incineração. Quando existirem partes ou parte de cadáver em casos de esquartejamentos,
explosões e, desde que haja uma identificação criteriosa, não há porque não expedir o respectivo atestado.

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