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UNIVERSIDADE IBIRAPUERA

DELISE DURÃES PACHECO

CRIMES CONTRA A SEGURIDADE SOCIAL

SÃO PAULO, 2018


DELISE DURÃES PACHECO

CRIMES CONTRA A SEGURIDADE SOCIAL

Trabalho de conclusão de curso apresentado como exigência para a conclusão


da graduação do curso de Direito da
Universidade Ibirapuera- UNIB
.

Orientador: Prof. Paulo Kim


SÃO PAULO, 2018

DEDICATÓRIA

Dedico esse trabalho a Deus, ​pois tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o
coração, como ao Senhor e não aos homens, sabendo que receberá do Senhor
o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus, fonte de toda inspiração e sabedoria, poder e


força, por me conceder o privilégio de entregar esse trabalho e realizar um dos
meus maiores sonhos.
Com imensa gratidão de reconhecimento aos meus pais, Ruidivaldo Leite
Pacheco e Helenice Durães Pacheco pela força, fé, entusiasmo e confiança que
a mim depositaram ao longo desses anos, auxiliando-me e fazendo com que
esse momento acontecesse. Aos meus irmãos verdadeiros amigos, por me
acompanharem cada momento da minha trajetória acadêmica e mesmo por
estarem distantes se fizeram presentes apoiando-me no que fosse necessário;
meus sobrinhos e a todos os meus familiares que acreditaram em mim.
Em especial, meu orientador Paulo kim que, com muito profissionalismo,
humildade e bondade, forneceu me todas as diretrizes para a conclusão desse
trabalho, bem como, agradecer a todos os professores que deixaram marcas
que serão frutos de conhecimentos teóricos e práticos para a minha
experiência profissional. A eles serei eternamente grata! Aos nossos
coordenadores do curso e a todos que trabalham nessa instituição, cada colega,
amigos, que contribuíram direta ou que indiretamente na realização deste
trabalho para que eu pudesse alcançar meus objetivos e finalizar este curso
com muita honra a todos meus sinceros agradecimentos.
EPÍGRAFE

“A justiça sustenta numa das mãos a balança que pesa o direito, e na outra, a
espada de que se serve para o defender. A espada sem a
balança é a força brutal; a balança sem a espada é a
impotência do direito”
(Rudolf Von Ihering)

RESUMO

O presente trabalho tem como escopo demonstrar a importância da seguridade


social e a sua essencialidade para a vida de todos aqueles que trabalharam e
planejaram para usufruir uma vida tranquila quando aposentarem.

Verificando os recursos necessários para garantir a proteção e a


SEGURANÇA para esses indivíduos. É essencial demonstrar o quanto os
crimes previdenciários tem influência negativa, pois devido às muitas fraudes
contra o sistema existe uma grande dificuldade em conceder o beneficio
previdenciário aos que realmente necessitam.

É necessário uma adequada fiscalização com imposição penais efetivas, para


conseguirmos combater as fraudes e assim garantir uma vida tranquila aqueles
que dependem dos benefícios que a legislação garante.

PALAVRAS CHAVES: CRIMES, SEGURIDADE SOCIAL.


ABSTRACT

The purpose of this paper is to demonstrate the importance of social security


and its essentiality for the lives of all those who work and plan to enjoy a quiet
life when they retire.

Checking the resources needed to ensure protection and SECURITY for these
individuals. It is essential to demonstrate how social security crimes have
negative influence, because due to the many frauds against the system there is
a great difficulty in granting welfare benefit to those who really need it.

It is necessary an adequate supervision with effective penal imposition, to be


able to fight fraud and thus guarantee a quiet life those who depend on the
benefits that the legislation guarantees.

KEY WORDS: CRIME, SOCIAL SECURITY.


LISTA DE SIGLAS

CF- CONSTITUIÇÃO FEDERAL

CP- CÓDIGO PENAL

STF- SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

INSS- INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL

MP- MINISTÉRIO PÚBLICO

ART- ARTIGO
SUMÁRIO

DEDICATÓRIA ....................................................
AGRADECIMENTOS...........................................................
EPÍGRAFE...............................................................
RESUMO..............................................................................................
ABSTRACT..............................................................................
LISTA DE SIGLAS.................................................................
1- INTRODUÇÃO...................................................

1.1- A SEGURIDADE SOCIAL COMO UM DIREITO HUMANO.........


1.2- DA EVOLUÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL NO MUNDO.........
1.3- DA EVOLUÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL....
1.3.1- CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
1.4- CONCEITO E FINALIDADE DA SEGURIDADE SOCIAL..
1.5- CRISE NA SEGURIDADE SOCIAL......................................

2- DOS CRIMES CONTRA A PREVIDÊNCIA SOCIAL

CONCEITO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO


2.1- DO CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
2.2- DO ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO
2.3- DA FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO
2.4- DA SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
2.5- INSERÇÃO DE DADOS FALSOS NO SISTEMA
PREVIDENCIARIO
2.6- MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE
SISTEMA DE INFORMAÇÃO.

3- CONCLUSÃO

4- REFERÊNCIAS
INTRODUÇÃO

O tema Seguridade social encontra-se regulamentado na Constituição Federal


de 1988, no título VIII, Da Ordem Social, capítulo II, seção I, do artigo 194 da
Constituição Federal, segundo o qual, esta é um conjunto integradas de ações
de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

A Seguridade Social tem como objetivo proteger a coletividade,


assegurando-os como um todo, por isso deve ser protegido pelo direito penal.
Alguns crimes já eram tipificados no Código Penal, com a Lei 9.983/2000,
foram inseridos no bojo do CP os delitos de apropriação indébita
previdenciária, sonegação de contribuição previdenciária e falsidade
previdenciária.

Gustavo Felipe Barbosa Garcia, em seu livro Curso de Direito da Seguridade


Social (2017, p. 13), diz que de forma mais explicativa, o Direito da
Seguridade Social é o ramo do Direito que estabelece um conjunto de medidas
e ações de proteção social às pessoas em relação a contingências que as
impeçam de ter suas necessidades básicas e de suas famílias, visando a
assegurar os direitos relativos à Previdência Social, à Assistência Social e à
Saúde.
A contingência social significa um evento, ou seja, algo que pode acontecer,
acarretando a perda ou diminuição dos ganhos, por exemplo, idade avançada,
invalidez, morte, doença, maternidade, acidente do trabalho, desemprego.
A proteção social como um todo, estabelecida por meio da Seguridade Social,
é conferida pelo Poder Público e por toda a sociedade, por intermédio de um
conjunto integrado de ações.

A Seguridade Social visa estabelecer um sistema de proteção aos indivíduos,


por meio do qual estes em conjunto com suas famílias possam ter suas
necessidades básicas supridas, bem como assegurados os direitos à saúde, à
assistência social e à previdência social.

Sabe-se que para que o Estado possa ter a efetivação de tais direitos,
garantindo a todos o que a legislação lhes assegura, algumas formas dependem
de custeio e da contribuição da pessoa que será beneficiada com o auxilio,
porém outros direitos sociais independem do pagamento de prestações, como
o direito à saúde. Cabe a Lei 8.212/1981, indicar como funciona o ciclo
operacional da Seguridade Social, desde seu custeio, aos benefícios e os
beneficiários. Portanto o principal objetivo deste trabalho é demonstrar a
importância da previdência, bem como os conceitos e definições de cada
crime, para que seja possível a identificação, pois só com a fiscalização
necessária conseguiremos combatê-los.
A SEGURIDADE SOCIAL COMO UM DIREITO HUMANO

Consoante a Constituição, a proteção social é direito fundamental, já


reconhecida pela mesma, mas também é um direito humano, acolhido em
declarações e pactos internacionais, visto que à previdência social visa à
proteção individual, garantindo aos beneficiários, sejam eles contribuintes ou
seus dependentes, condições de igualdade, assistência, estabilidade, saúde.

A previdência social é usualmente fixada como um direito humano de 2ª


geração, devido à proteção individual que proporciona aos beneficiários,
atendendo a condições mínimas de igualdade. Não obstante, como comentado
por ocasião da conceituação do RGPS, os riscos sociais são um problema de
toda a sociedade e não somente do particular. Isso já é um indicativo da
precariedade desta classificação. Ademais, para os que admitem a divisão
entre gerações ou dimensões, a seguridade social, com seu espectro mais
amplo de ações, com viés claramente solidarista somente poderá ser
enquadrada como direito de 3ª geração. (IBRAHIM, 2014, p. 78)

Entende-se como Direitos Humanos os direitos básicos de todos os seres


humanos, estes direito são universais, ou seja, aplicados a todos de forma igual
e sem discriminação. Logo, sendo à previdência social um Direito Humano,
essa deve ser garantida a todos; alguns doutrinadores descrevem quanto à
relação da seguridade social como direito humano, conceituando os direitos
sociais e demonstrando a sua interligação.

Fábio Zambitte Ibrahim no tocante ao conceito de direitos sociais (2014, 19ª


Ed. p. 78/79)- Os direitos sociais, incluindo aí a seguridade social, tiveram
alguma demora na sua admissão em âmbito internacional. Durante algum
tempo prevaleceu à concepção restrita dos direitos humanos, limitados às
garantias relativas à liberdade formal, incluindo direitos civis e políticos. A
situação começa a mudar com a Declaração Universal dos Direitos Humanos,
de 1948, a qual passa a prever alguns direitos sociais, incluindo a previdência
social (art. 22), ainda que de modo genérico. Muito embora a OIT já manifeste
a importância dos direitos sociais desde 1919, somente com a Declaração de
1948 e os Pactos de 1966 é que estes foram lançados efetivamente na arena
internacional.

Conforme Alexandre de Mores em seu livro Direitos Humanos Fundamentais


(2007, 8ª Ed. p. 24), quanto ao conceito de direitos sociais- Caracterizam-se
como verdadeiras liberdades positivas, de observância obrigatória em um
Estado Social de Direito, tendo por finalidade a melhoria das condições de
vida aos hipossuficientes, visando à concretização da igualdade social, que
configura um dos fundamentos de nosso Estado Democrático, conforme
preleciona o art. 1º, IV. A Constituição Federal consagra os direitos sociais a
partir do art. 6º;

Sempre foi uma preocupação de todas as pessoas garantirem uma vida digna e
ter assegurado um meio quando necessitassem dele. Levando em consideração
os direitos sociais e a obrigatoriedade do Estado de garantir uma condição
melhor de vida, a seguridade social encaixa-se perfeitamente nos Direitos
Humanos; tendo em vista que este visa corrigir as desigualdades sociais e
econômicas, procurando solucionar os graves problemas decorrentes da
“questão social” surgida com a Revolução Industrial (GARCIA, 2017, p. 85).

EVOLUÇÃO CONSTITUCIONAL NO MUNDO

O Direito Previdenciário é fruto da Revolução Industrial e do


desenvolvimento da sociedade humana, principalmente em decorrência dos
inúmeros acidentes de trabalho que dizimavam os trabalhadores. Este ramo do
direito visa à cobertura dos “riscos sociais, tomada à expressão no seu sentido
comum de acontecimento ​incertus an e incetus quando ​que acarrte uma
situação de impossibilidade de sustento próprio e da família”. (HORVATH
JÚNIOR, 2014, ED. 10ª Pag. 21, ​grifo do autor​)
Da Evolução Histórica da seguridade social

Tratando-se de evolução constitucional da seguridade social, é essencial para


um bom entendimento sobre o tema tratarmos sobre seus avanços, visto que
essa tem grande importância para que possamos apreender e interpretar toda
sua trajetória, da qual hoje resulta em uma assistência com segurança.

Desde que o homem é homem, tem se uma preocupação com o futuro,


considerando o aumento do povoamento do Brasil, surgiu à necessidade então
de hospitais, atendimento médico.

Segundo Fábio Zambitte Ibrahim: Como exemplo mais antigos da proteção


social brasileira, temos as “santas casas” (1543), atuantes no segmento
assistencial, e o montepio para a guarda pessoal de D. João VI (1808). Nesta
mesma época, em 1795, também foi criado o Plano de Benefícios dos Órfãos e
Viúvas dos oficiais da marinha. (IBRAHIM, 2014, p. 54)

Inicialmente a Constituição fazia parte de um contexto assistencialista, com a


Constituição Imperial de 1824- assegura socorros públicos (assistência à
população carente). Esta previsão constitucional não teve aplicação prática,
servindo no plano filosófico para remediar a miséria criada pelo dogma da
liberdade e da igualdade. (HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 27)

Em 10 de janeiro de 1835, é expedido decreto que aprovou os Estatutos do


Montepio da Economia dos Servidores do Estado (MONTEGRAL) que era
uma importante entidade de previdência privada. Em 1888, veio a Lei Nº
3.397 de 24 de Novembro de 1888, esta lei tratava das despesas gerais da
Monarquia para o exercício subsequente e prevê a criação de uma caixa de
socorros para os trabalhadores das estradas de ferro e da propriedade do
Estado. (HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 27)

Segundo Miguel Horvath Júnior (2014, p. 28), após a Proclamação da


República no ano de 1889, inicia-se um movimento de estabelecimento de
proteção associativa a vários segmentos da sociedade brasileira. Como fruto
deste movimento, vemos surgir:
O Montepio obrigatório para os empregados dos Correios com a edição do DECRETO Nº 9.212-1,
de 26 de março de 1889;
A Caixa de Pensões dos Operários da imprensa nacional, com a edição do DECRETO Nº 10.269,
de 20 junho de 1889, que criava o Fundo Especial de Pensões para os
trabalhadores das oficinas da Imprensa Régia cujo custeio advinha de um
dia de vencimento dos operários, os quais, após 30 anos de serviço,
tinham direito a uma renda mensal equivalente a 2/3 dos vencimentos
médios da função exercida por prazo superior a 24 meses

A Constituição de 1891 foi a primeira a conter a expressão “aposentadoria”, a


qual era concedida a funcionários públicos, em caso de invalidez. Os demais
trabalhadores não possuíam qualquer proteção.
Esse dispositivo é bastante emblemático, pois ajuda entender o tratamento
diferenciado dado à previdência social dos servidores e militares. Para tais
pessoas, a regra sempre foi a concessão de benefícios custeados,
integralmente, pelo Estado, enquanto a previdência social dos trabalhadores
em geral, criada posteriormente, já possuía a natureza contributiva desde sua
gênese. Tal diferença, comum em diversos países mundo afora, explica o fato
de, no Brasil, ainda termos um regime previdenciário segregado para
servidores (RPPS), muito embora a Constituição já preveja, também, sua
natureza contributiva. (IBRAHIM, 2014, p. 55)

Em 1919, com a Lei Nº 3.724, de 15 de janeiro – Lei do Acidente do


Trabalho, consagrando a responsabilidade objetiva do empregador, ou seja,
este é plenamente responsável por qualquer dano sofrido pelo trabalhador
durante o serviço, independente de culpa ou dolo, sendo obrigado, em virtude
disso, a indenizar o empregado. (HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 28)

Conforme Fábio Zambitte Ibrahim, (2014, p. 55) esse Decreto-Legislativo nº


3.724/19 criou o seguro de acidentes de trabalho no Brasil. Era incumbência
do empregador, o qual deveria custear indenização para seus empregados, em
caso de acidentes. Determinava o Decreto que o acidente de trabalho o de
trabalho obrigava o empregador a pagar uma indenização ao operário ou à sua
família. Eram excetuados apenas os casos de força maior ou dolo da própria
vitima ou de estranhos (art. 2º). Segundo ele a sistemática era precária, já que
não se assegurava o pagamento de quantias mensais, mas sim de um valor
único de indenização, que variava de acordo com o resultado do evento, desde
incapacidade temporária até a morte. Ainda sob a égide da Constituição de
1891, foi editada a Ley Eloy Chaves (Decreto-Legislativo nº 4.682, de
24/1/1923), a qual determinava a criação das caixas de aposentadorias e
pensões para ferroviários, por empresa;

Alguns Doutrinadores como Gustavo Filipe Barbosa Garcia, consideram a Lei


Eloy Chaves o marco da Previdência Social no Brasil, ao criar as Caixas de
Aposentadorias e Pensões aos ferroviários, em cada empresa de estrada de
ferro no Brasil.
O sistema, assim, era mantido pelas empresas, e não pelo Estado, com a
previsão dos benefícios de aposentadoria, pensão por morte e assistência
médica.
Nos anos seguintes, foram instituídas ​Caixas de Aposentadoria e Pensões
(IAPs),​ que abrangem e se estruturam em categorias profissionais.
O Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos foi o primeiro a ser
criado, em 1933, após o que foram instituídos outros, como dos comerciários,
bancários, industriários e estivadores. (GARCIA, 2017, p. 6)

A Constituição de 1934, de perfil democrático, além de fazer menção à


Assistência Social (art. 5º, inciso XIX, c), à saúde e assistência públicas (art.
10, inciso II), bem como a licenças, aposentadorias e reformas (art. 39, 8, d), é
a primeira a utilizar o termo “previdência”, adotado tríplice fonte de custeio,
ou seja, por meio de contribuições da União, do empregador e do empregado
(art. 121, §1º h). (GARCIA, 2017, p.7)
A Constituição de 1937 não trouxe novidades, a não ser o uso da palavra
“seguro social” como sinônimo de previdência social. Apesar de esta ser uma
forma evoluída daquele, a legislação brasileira nunca fez distinção entre
ambas. (IBRAHIM, 2014, p. 58).

A Constituição de 1946 foi a primeira a utilizar a expressão “previdência


social”, substituindo a expressão “seguro social”. Sob sua égide, a Lei nº
3.807, de 26/8/1960, unificou toda sua legislação securitária e ficou conhecida
como a Lei Orgânica da Previdência Social – LOPS. Na verdade, a unificação
da legislação foi um passo premeditado no sentido da unificação dos
institutos. Essa tarefa ficaria sensivelmente facilitada, se todos se
submetessem a um mesmo regime jurídico. (IBRAHIM, 2014, p. 58).

Em 1967 a Constituição Federal, trouxe algumas alterações importantes no


que tange a seara do direito previdenciário, como a redução do tempo de
serviço da mulher para trinta anos (em relação à aposentadoria integral), insere
como proteção social constitucionalizada o salário-família e prevê a criação do
seguro-desemprego. A Lei 5.316, de 14 de setembro, estatizou o seguro contra
acidente do trabalho (SAT), substituindo o sistema tradicional (ao dano
sofrido deve corresponder uma indenização, a cargo do empregador, e
transferível à entidade seguradora, mediante contrato de seguro obrigatório),
no qual este risco era em sua maioria controlado por seguradoras privadas,
com exceção dos Institutos Marítimos e dos Empregados de transporte de
Carga que administravam diretamente o risco de acidente do trabalho,
funcionando também como seguradoras. . (HORVATH JÚNIOR, p. 33).

A proteção social na área rural começou com a instituição do Fundo de


Assistência e Previdência do Trabalhador Rural – FUNRURAL, instituído
pela Lei nº 4.214, de 2/3/1963. O fundo constituía-se de 1% do valor doa
produtos comercializados e era recolhido pelo produtor, quando da primeira
operação ao Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários – IAPI.
(IBRAHIM, p. 60).

A Lei 5.859, de 1972, incluiu os empregados domésticos na esfera da


Previdência Social, tendo sido revogada pela LC 150, de 2015, que dispões
sobre o contrato de trabalho doméstico.
A Consolidação das Leis de Previdência Social (CLPS) foi aprovada pelo
decreto 77.077, de 1976. (GARCIA, p. 7/8).

De acordo Fábio Zambitte Ibrahim (2014, p. 61), a Lei nº 6.439/77 instituiu o


SINPAS (Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social), buscando a
reorganização da previdência social. O SINPAS agregava as seguintes
entidades:

I- Instituto Nacional de Previdência Social – INPS;


II- Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social –
INAMPS;
III- Fundação Legião Brasileira de Assistência – LBA;
IV- Fundação Nacional Bem-Estar do Menor – FUNABEM;
V- Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social –
DATAPREV;
VI- Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência
Social – IAPAS;
VII- Central de Medicamentos – CEME.

O SINPAS, o qual se submetia à orientação, à coordenação e ao controle do


Ministério da Previdência e Assistência Social – MPAS, tinha a finalidade de
integrar a concessão e manutenção de benefícios, a prestação de serviços, o
custeio de atividades e programas e a gestão administrativa, financeira e
patrimonial de seus componentes. (IBRAHIM, 2014, p. 61)

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Foi em 1988 quando se tratou pela primeira vez da Seguridade Social, a qual é
um conjunto de ações nas áreas de Saúde, Previdência e Assistência Social.
Esses direitos passaram a integrar os direitos sociais, que fazem parte dos
direitos fundamentais.

A Constituição de 1988 - instituiu a Seguridade Social no Brasil, prevendo


custeio tripartite entre União, Estados, Município e Distrito Federal;
protegidos pessoas físicas (trabalhadores e não trabalhadores) e
Empregadores. Possui três áreas de atuação: assistência social, assistência à
saúde e previdência social. (HORVATH, p. 35)

Conforme ainda Miguel Horvath Júnior (2014, p. 64):

​Com a promulgação da Constituição Federal, em 05 de outubro de 1988, o sistema de proteção


social no Brasil passou por uma significativa alteração. A mudança
promovida pela Constituição não é meramente semântica, mas implicou
na alteração dos valores e do alcance da proteção social no Brasil. O
sistema de proteção passou a ser universal, sendo regido, dentre outros,
pelo princípio da universalidade da cobertura e do atendimento. A
proteção foi estendida a todos os integrantes da sociedade, inclusive na
subárea previdenciária. Assim os direitos à previdência social não eram
mais exclusividade dos trabalhadores, mas de todos os integrantes da
sociedade brasileira. Fruto da universalização, surge o conceito de
segurado facultativo (toda e qualquer pessoa maior de 16 anos que,
independentemente do exercício de atividade remunerada, volitivamente
se à previdência social).

Do conceito e finalidade da Seguridade Social

No que tange ao conceito de seguridade social, esta teve essa expressão


adotada na Constituição de 1988, e consiste num conjunto de ações e politicas
sociais que tem como objetivo promover uma sociedade mais justa e
igualitária, ou seja, se valendo dois meios legais que a lei disponibiliza para
auxiliar o cidadão e ampara-lo em situações de premência.

Fábio Zambitte Ibrahim conceitua como: p. 5


Rede protetiva formada pelo Estado e particulares, com contribuições de todos, incluindo parte dos
beneficiários dos direitos, no sentido de estabelecer ações para o
sustento de pessoas carentes, trabalhadores em geral e seus
dependentes, providenciando a manutenção de um padrão mínimo de
vida digna.

A Seguridade Social de acordo a Constituição Federal, compreende o direito à


saúde, assistência Social e Previdência Social, estes elencados no art. 6º do
qual trata dos direitos sociais.
A respeito do tema, o artigo 194 da Constituição Federal dispõe:
A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de
iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar
os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar
a seguridade social, com base nos seguintes objetivos:
I - universalidade da cobertura e do atendimento;
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações
urbanas e rurais;
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
V - equidade na forma de participação no custeio;
VI - diversidade da base de financiamento;
VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante
gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos
empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

O objetivo do constituinte originário era criar um sistema protetivo. Até então


inexistente no nosso país, e certamente os autores da língua espanhola tiveram
sua influência na elaboração da norma. O Estado, pelo novo conceito seria
responsável pela criação de uma rede de proteção, capaz de atender aos
anseios e necessidades de todos na área social. (IBRAHIM, 2014, p. 5)

A Doutrinadora Marisa Ferreira dos Santos em seu livro Direito


Previdenciário Esquematizado, no que concerne ao assunto: p. 37
Pela definição constitucional, a seguridade social compreende o direito à saúde, à assistência
social e à previdência social, cada qual com disciplina constitucional e
infraconstitucional específica. Trata-se de normas de proteção social,
destinadas a prover o necessário para a sobrevivência com dignidade,
que se concretizam quando o indivíduo, acometido de doença, invalidez,
desemprego, ou outra causa, não tem condições de prover o sustento da
família.
É com a proteção dada por uns dos institutos componentes da seguridade social que se garantem
os mínimos necessários à sobrevivência com dignidade, à efetivação do
bem-estar, à redução das desigualdades, que conduzem à justiça social.

A finalidade da Seguridade Social é assegurar ao trabalhador e até mesmo os


que não contribuem uma estabilidade quando dela necessitarem; conforme
dispõe a Constituição Federal, tem o objetivo de implementar as politicas
públicas do artigo 194, que são saúde, assistência e previdência social.

Segundo o Doutrinador Miguel Horvath Júnior conceitua em seu livro Direito


Previdenciário sobre sua finalidade ele diz que (10ª Ed. p. 168)- Através da
relação jurídica previdenciária, é possível o amparo dos beneficiários
(segurados e dependentes) quando estes se deparam com eventos previamente
selecionados que os coloquem numa situação de necessidade social em virtude
da impossibilidade de obtenção de sua própria subsistência ou do aumento das
despesas.

Logo seguindo o raciocínio do autor, é evidente que sua finalidade é garantir


por meio da previdência auxilio e sustendo as pessoas que deles careçam; o
objetivo é criar um sistema protetivo para que todos tenham uma segurança.
 

CRISE NA SEGURIDADE SOCIAL

Dos Crimes contra a Previdência Social


No que tange ao conceito de Direito Penal, o Doutrinador Guilherme de Souza
Nucci, conceitua como: (2014, 7ª Ed. p. 77)- É o conjunto de normas jurídicas
voltado à fixação dos limites do poder punitivo do Estado, instituindo
infrações penais e as sanções correspondentes, bem como regras atinentes à
sua aplicação.
Miguel Horvath Júnior ao tratar da relação do direito penal com o direito
previdenciário conceitua em seu livro Direito Previdenciário como: (10ª ed., p.
163), “Direito Penal- O direito penal visa à proteção dos bens jurídicos.
Através dele, o Estado aplica o seu ius puniendi. O direito penal visa proteger
os bens jurídicos mais relevantes, dai porque os tipos penais previdenciários
encontrarem-se inseridos no Código Penal por força da lei nº 9.983/2000, que
cria diversos tipos penais, como, v. g., sonegação de recolhimento das
contribuições da Seguridade Social, apropriação indébita, falsidade material e
ideológica”.  
A tipificação de tais condutas encontrava-se no artigo 95 da Lei nº 8.212/1991,
com o advento da Lei nº 9.983/2000, tais crimes foram incorporados no
Código Penal.
Estes crimes contra a Previdência encontram-se descritos a partir do artigo
186-A do Código Penal, considerando a sua importância para que haja o
custeio e que continue assegurando a sociedade qualidade de vida, o objetivo
de haver à disposição sobre tais atos delituosos tem como principal finalidade
de coibir as fraudes que lesam o sistema e tiram o direito de pessoas que
realmente necessitem dele.
A Doutrinadora Marisa Ferreira dos Santos em seu livro Direito
Previdenciário Esquematizado, sobre o referido assunto enfatiza:
O Direito Previdenciário, ramo do Direito Público, apesar de ainda pouco
debatido pelos profissionais do Direito – em comparação com ramos que
lhe são diretamente afetos, como o Direito Administrativo ou o Direito
Tributário -, ganha cada vez mais importância.
A Previdência Social historicamente tem sido alvo de sucessivas crises
financeiras, ocasionadas por atos delituosos internos e externos. Com
isso, passou a receber proteção especial inclusive pela legislação penal,
com a previsão de condutas criminosas especificas. ¹

Quanto ao conceito de Crimes Contra a Previdência Social a mesma autora


descreve:
A despeito do entendimento predominante na doutrina sobre o conceito
de “crime previdenciário”, adotamos classificação distinta da maioria.
Quando não silencia, a doutrina ao tentar conceituar “crime
previdenciário”, baseia-se no rol fixado pela Lei n. 9.983/2000 e
especifica o sujeito passivo como sendo a Previdência Social. A razão
desse entendimento decorre do art, 5º do decreto-lei n. 65/37, que trazia
definição similar ao que hoje se pode chamar de “apropriação indébita
previdenciária”.

Portanto conforme demonstrado o principal objetivo ao colocar tais praticas


no CP, é para que houvesse um refreamento aos crimes que lesam tanto o
sistema. É de grande relevância tratar de cada um desses crimes para que
possamos ter um entendimento claro e assim podermos identificar cada um
deles para assim combater os atos ilícitos.

Conceito de Funcionário Público

Antes de adentrarmos em cada crime é importante tratarmos sobre o conceito


de funcionário público, este tem sua definição no artigo 327 do CP, o qual
teve acrescentado pela Lei 9.983/200 o § 1º, ampliando o conceito de
funcionário público para efeitos penais, o qual dispõe.
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais,
quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo,
emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo,
emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para
empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a
execução de atividade típica da Administração Pública. (Incluído pela Lei
nº 9.983, de 2000)
​§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores
dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em
comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da
administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou
fundação instituída pelo poder público.

No art. 327, o legislador definiu o conceito de funcionário publico, no § 1º os


funcionários por equiparação, e no § 2º encontramos as causas de aumento de
pena.

O art. 327 do CP ampliou o conceito de funcionário público para fins penais,


equiparando-o a quem exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal e quem trabalha pra empresa prestadora de serviço contratada ou
conveniada para execução de atividade típica da Administração Pública. Esta
previsão vem fechar o cerco penal em relação aos contratados da
Administração Pública, ou seja, prevê responsabilidade penal para os
detentores de cargo em comissão e os contratados por tempo limitado com
dispensa de concurso para atender necessidade temporária de excepcional
interesse público, nos termos do art. 37, IX da Constituição Federal.
(MIGUEL HORVATH JÚNIOR, 2014, 10ª Ed. p. 534/535).

Tendo definido o conceito de crimes previdenciários e funcionário público,


passaremos a analisar cada um dos tipos penais.

Da apropriação indébita previdenciária

O crime encontra-se previsto no Código Penal, introduzido pela Lei Nº 9.983,


de 14 de julho de 2000, o qual dispõe: 

​Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições


recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional.
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1​o​ Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância
destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento
efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham
integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou
à prestação de serviços
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas
ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência
social.
§ 2​o​ É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara,
confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou
valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma
definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
§ 3​o​ É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente
a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:
I – tenha promovido após o início da ação fiscal e antes de oferecida
a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive
acessórios; ou
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja
igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social,
administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas
execuções fiscais.

Segundo Marisa Ferreira dos Santos em seu livro Direito Previdenciário


Esquematizado (2017, 7ª Ed. p. 637).

Trata-se de delito omissivo próprio e, por isso, não é possível a tentativa.


A ação penal é publica incondicionada, proposta pelo Ministério Público Federal e com a
possibilidade de assistência por parte do Instituto do Seguro Social.
O Sujeito ativo: é o substituto tributário, ou seja, aquele que tem o dever de recolher determinada
quantia do contribuinte e de repassá-la ao órgão da Previdência Social.
Sujeito passivo: é o Estado, especificadamente o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),
autarquia federal.
A competência para processar e julgar a apropriação indébita previdenciária é da Justiça Federal.
O tipo objetivo consiste na conduta de “deixar de repassar à previdência social as contribuições
recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional”.
O tipo subjetivo é o dolo, acrescido da vontade livre e consciente do agente de apropriar-se dos
valores de que tem a posse anterior.

Para que haja a caracterização desse crime, faz se necessário que o agente
retenha os valores devidos à previdência social, ele deixa de repassar as
contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal.

Segundo Guilherme de Souza Nucci, em seu livro Manual de Direito Penal


quanto aos Elementos objetivos do tipo (2011, 7ª Ed. p. 768):
Deixar de repassar (não transferir) a contribuição previdenciária recolhida dos contribuintes, no
prazo e forma legal ou convencional (trata-se de norma penal em branco,
merecendo o complemento de outras leis e regulamentos.
Especialmente, deve-se consultar a Lei 8.212/91, que traz os prazos e as
formas legais para o repasse ser feito).

Sabe-se então que tendo as empresas a responsabilidade de recolher as


contribuições descontando-as, tem se a obrigação de repassar a Previdência
Social, caso contrário enquadra-se nesse crime.

O Doutrinador Fábio Zambitte Ibrahim (2014, 19ª Ed. p. 481), diz que: O
elemento subjetivo deste tipo penal é envolto em controvérsias. Pessoalmente,
acredito que para a caracterização do crime, não é suficiente a mera ausência
de repasse. Não se deve confundir o ilícito administrativo-tributário da
ausência de recolhimento com o crime, cuja identificação carece de
componente subjetivo, representado pelo dolo do agente. Deve existir a
consciência e vontade do agente em deixar de repassar os valores.

O Doutrinador Guilherme de Souza Nucci, em seu livro Manual de Direito


Penal (2011, 7ª Ed. p. 769)- quanto às causas de Extinção da punibilidade:

Se o agente espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições,


importâncias ou valores e presta informações devidas à previdência
social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do inicio da ação
fiscal (§ 2​o​).

Miguel Horvath Júnior em seu livro Direito Previdenciário (2014, 10ª Ed. p.
541), a respeito do perão judicial dispõe:

O perdão judicial é causa de extinção da punibilidade que consiste na possibilidade do juiz deixar
de aplicar a pena nos casos previstos em lei. É direito público subjetivo
do acusado, presentes as circunstâncias exigidas na lei, não podendo o
juiz negar aplicação do privilégio.
São requisitos obrigatórios para aplicação do perdão judicial:

a) O agente ser primário;


b) O agente ter bons antecedentes;
São requisitos secundários:

a) Pagamento das contribuições previdenciárias mais acessórios após o


inicio da ação fiscal, porem antes do oferecimento da denúncia;
b) O valor das contribuições devidas, inclusive acessórios ser inferior aos
valores mínimos para cobrança judicial (ajuizamento de execução fiscal),
R$ 10.000,00, de acordo com a Portaria MF nº 049, de 1º de abril de
2004.

Ambos os requisitos obrigatórios e pelo menos um dos requisitos secundários têm de estar
presentes para que o acusado tenha acesso ao perdão judicial.
A insuficiência de recursos por parte do contribuinte que reteve as contribuições não é motivo de
exclusão de culpabilidade que impeça a tipificação penal, pois estamos
diante da inexigibilidade de conduta diversa.

Estelionato

O crime de estelionato não foi alterado pela lei 9.983/2000, o qual continua
sendo regido pelo art. 171, § 3º do CP.
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou
mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro
meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
§ 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito
público ou de instituto de economia popular, assistência social ou
beneficência.

Fábio Zambitte Ibrahim, quanto ao referido assunto diz que: (CURSO DE


DIREITO PREVIDENCIÁRIO, 2014, 19ª Ed. p. 491)
É crime contra o patrimônio da seguridade social, sendo delito material, pois sua concretização
toma lugar com a obtenção da vantagem indevida, como o recebimento
de beneficio, oriundo de ardil praticado perante o INSS. É estelionato
qualificado, apesar de a qualificadora do § 3º não mencionar
expressamente a previdência social, conforme verbete nº 24 da Súmula
de Jurisprudência do STJ (“Aplica-se ao crime de estelionato, em que
figure como vítima entidade autárquica da Previdência Social, a
qualificadora do § 3º do art. 171 do Código Penal”).
Há grande divergência sobre a natureza deste ilícito: crime permanente, continuado ou
instantâneo? O melhor entendimento caminha no sentido do caráter
instantâneo do crime. Obtida a vantagem ilícita mediante a insídia,
mesmo que venha a ser paga em várias parcelas, como uma
aposentadoria, já estará configurado plenamente o crime, desde o
primeiro pagamento. Sem embargo, tal fato não impede,
necessariamente, o reconhecimento de seus efeitos permanentes.

Marisa Ferreira dos Santos, (2017, 7ª Ed, p. 662) no que se refere ao crime de
estelionato previdenciário entende que:
O objeto jurídico é o patrimônio da Previdência Social
O objeto material é a vantagem obtida.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.
O sujeito passivo é, em primeiro lugar, o Estado, na figura da Previdência Social e, em segundo
lugar o particular eventualmente prejudicado.
O tipo objetivo consiste na obtenção, pelo agente, para si ou para outrem, de vantagem ilícita.
Porém, há três outros requisitos para sua configuração. a) prejuízo alheio;
b) induzimento ou manutenção da vitima em erro, e c) utilização de
artificio ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
O tipo subjetivo é o dolo, consistente na vontade do agente de obtenção de vantagem ilícita, para
si ou para outrem, em prejuízo alheio. Trata-se de dolo especifico, na
escola clássica ou elemento subjetivo do tipo específico.

Ademais, no crime em questão, deve-se distinguir a hipótese em que o agente


pratica uma falsidade para possibilitar que outra pessoa receba a vantagem
indevida, do caso em que o agente, no próprio interesse, recebe o benefício
ilicitamente. Na primeira situação, apesar de a conduta produzir efeitos
permanentes quanto ao beneficiário, enquanto durar o recebimento ilícito, os
elementos do tipo penal já se materializam de forma instantânea.
Diversamente, na segunda hipótese, em que a conduta é praticada pelo próprio
beneficiário e renovada a cada mês, o crime tem a característica de ser
permanente, pois o agente pode fazer cessar a prática delituosa a qualquer
tempo. (GARCIA, 2017, p. 676)

Conforme Marisa Ferreira dos Santos, (2017, 7ª Ed, p. 662):


As hipóteses mais comuns são as de recebimento indevido de benefício previdenciário por pessoa
que não tem o direito de recebê-lo, por tratar-se de benefício diverso do
devido, ou porque o agente não é segurado da Previdência Social ou
dependente de um segurado; ou, então, a de percepção de valor superior
ao devido, de acordo com as circunstâncias do agente enquanto
segurado ou dependente.
Ademais a jurisprudência definiu, ao longo de muitos debates, que a natureza jurídica do
estelionato previdenciário depende, ao mesmo tempo, da qualidade do
agente que perpetra o delito e da qualidade do beneficiário do resultado
criminoso:
a) quando praticado pelo próprio beneficiário do resultado do delito, é crime permanente, enquanto
mantiver em erro o INSS.
b) quando praticado por terceiro, por meio de fraude, para beneficiar outra pessoa, é crime
instantâneo de efeitos permanentes, cujo termo inicial da contagem do
prazo prescricional é a data do pagamento indevido da primeira parcela.
(Com base no Informativo n. 516 do STJ)

O crime de estelionato tem causa de aumento de pena quando cometido contra


entidade autárquica da Previdência Social, seguindo entendimento
jurisprudencial, logo se a entidade tem finalidade social, há causa de aumento
de pena.

No que se refere à natureza deste ilícito o Supremo Tribunal Federal, tem


como entendimento jurisprudencial (HC 95379/RS rel. orig. Min Ellen Gracie,
red. p/ o acórdão Min. Cezar Peluso 25/08/2009):
EMENTA: AÇÃO PENAL. Prescrição da pretensão punitiva. Ocorrência. Estelionato contra a
Previdência Social. Art. 171, § 3º, do CP. Uso de certidão falsa para
percepção de benefício. Crime instantâneo de efeitos permanentes.
Diferença do crime permanente. Delito consumado com o recebimento da
primeira prestação do adicional indevido. Termo inicial de contagem do
prazo prescritivo. Inaplicabilidade do art. 111, III, do CP. HC concedido
para declaração da extinção da punibilidade. Precedentes. Voto vencido.
É crime instantâneo de efeitos permanentes o chamado estelionato
contra a Previdência Social (art. 171, § 3º, do Código Penal) e, como tal,
consuma-se ao recebimento da primeira prestação do benefício indevido,
contando-se daí o prazo de prescrição da pretensão punitiva.

Falsificação de documento público

O artigo 297 do CP trata sobre o crime de falsificação de documento público,


este crime já era tipificado no Código, recebendo o acréscimo dos parágrafos
3º e 4º pela lei 9.983/00, segundo o qual:
Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar
documento público verdadeiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime
prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o
emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível
por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o
testamento particular.
§ 3​o​ Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído
pela Lei nº 9.983, de 2000)
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que
seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que
não possua a qualidade de segurado obrigatório;
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou
em documento que deva produzir efeito perante a previdência social,
declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento
relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social,
declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado.
§ 4​o​ Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos
mencionados no § 3​o​, nome do segurado e seus dados pessoais, a
remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de
serviços.

A Lei nº. 9.883/2000 introduziu os §§ 3º e 4º ao art. 297 do Código Penal, que


prevê o delito de falsidade documental, criando-se, assim, o que se pode
chamar de “falsidade documental previdenciária”.
O objetivo jurídico é a fé pública, especificamente no que concerne à
veracidade dos documentos relacionados com a Previdência Social.
O objeto material são os documentos relacionados nos incisos I, II e III, que
assim como os documentos mencionados no § 2º, podem ser equiparados a
documentos públicos.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.
O sujeito passivo é o Estado, na figura da Previdência Social.(MARISA
FERREIRA, 2017, 7ª Ed. p. 657)
Gustavo Filipe Barbosa Garcia considera que incorre nas mesmas penas no
crime de falsificação de documento público quem insere ou faz inserir: (2017,
p. 671)
- na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova
perante a Previdência Social, pessoa que não possua a qualidade de
segurado obrigatório;
- na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir
efeito perante a Previdência Social, declaração falsa ou diversa da que
deveria ter sido escrita;
- em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da
empresa perante a Previdência Social, declaração falsa ou diversa da
que deveria ter constado.

Conforme Fábio Zambitte Ibrahim (2014, 19ª Ed, p. 489)- O crime do § 3º é


comissivo, pois traduz a ação de inserir dados falsos. Diversamente o crime do
§ 4º é omissivo, já que traduz uma omissão da empresa em relação a seus
segurados. Ambos os crimes são formais, não há necessidade de resultado ou
eventual prejuízo.

Neste crime é admissível à tentativa; a sua consumação se dá quando for


praticada qualquer das condutas previstas no tipo. É importante ressaltar que a
inserção de dados, falsificando ou alterando-os acarreta sérios prejuízos à
Previdência Social, pois os documentos são os meios de comprovação de que
o segurado pode fazer jus ao beneficio.

A Doutrinadora Marisa Ferreira dos Santos, (2017, p. 658), considera que o


referido crime trata-se de falsidade ideológica e não de falsidade material
propriamente dita, pois as condutas “inserir”, ou “fazer inserir”, nos
documentos em questão, “pessoa que não possua qualidade de segurado
obrigatório”, ou informações “falsas” ou “diversas” das que deveriam ter sido
escritas, não é o mesmo que falsificar o documento em si.
O dispositivo legal refere-se ao documento verdadeiro com informações falsas
(falsidade ideológica). No caso de falsificação da própria forma do
documento, a hipótese será de falsidade material, distinta do delito em
questão.
Essa diferenciação é importante, pois o exame de corpo de delito só é
indispensável nos casos de falsidade material. Por tais motivos, os §§ 3º e 4º
desse artigo deveriam ter sido inseridos, na verdade, no art. 299, que trata do
crime de falsidade ideológica.

Sonegação de contribuição Previdenciária


Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as
seguintes condutas:
 I - omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela
legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador
avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem
serviços;
 II - deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias
descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo
tomador de serviços;
 III - omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e
demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

O referido crime tem sua disposição no capitulo II, do Código Penal, que trata
Dos crimes praticados por particular contra a administração pública.
Conforme o artigo, para que haja a caracterização do mesmo, é necessária a
supressão ou redução das contribuições previdenciárias e omissão de
informações referentes a fato gerador.

Guilherme de Souza Nucci, em seu livro Manual de Direito Penal (2011, 7ª


Ed. p. 1070)
Suprimir (eliminar ou fazer desaparecer) ou reduzir (diminuir) contribuição social previdenciária
(espécie de tributo destinada à seguridade social) e a qualquer acessório,
mediante as seguintes condutas:
a) omitir (deixar de fazer ou mencionar algo) de folha de pagamento (montante total da
remuneração que o empregador irá pagar aos trabalhadores colocados a
seu serviço) da empresa ou de documento de informações previsto pela
legislação previdenciária segurados empregado (pessoa física que
prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a
dependência deste e mediante salário), empresário (titular de firma
individual urbana ou rural), trabalhador avulso (trabalhador urbano ou
rural sem vínculo, a diversas empresas, com intermediação do sindicato
da categoria) ou trabalhador autônomo (prestador de serviços de
natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas,
sem relação de emprego) ou a este equiparado.
b) deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias
descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador (pessoa que
admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço) ou pelo
tomador de serviços.
c) omitir, total ou parcialmente, receitas (é o faturamento da empresa ou do empregador, que
significa o ganho bruto das vendas de mercadorias e de serviços de
qualquer natureza) ou lucro auferidos, remunerações pagas ou creditadas
e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias.

A consumação do crime em destaque ocorre em razão de duas omissões


sucessivas, quais sejam: o descumprimento da obrigação acessória de declarar
o fato gerador da contribuição previdenciária; o consequente não recolhimento
dessa contribuição social. Como o crime é omissivo próprio, basta o dolo
genérico do agente, não sendo necessário o dolo específico, ou seja, a intenção
de fraudar a Previdência Social.
Entende-se que a sonegação de contribuição previdenciária também é crime
omissivo material, de modo que para sua consumação exige-se o dano efetivo
à Previdência Social. (GARCIA, 2017, p. 673)

Caso o agente espontaneamente, declare e confesse as contribuições,


importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social,
na forma definida em lei ou regulamento, terá a extinção da punibilidade,
sendo necessária somente a confissão antes do inicio da ação fiscal, não tendo
obrigatoriedade de já efetuar o pagamento. (IBRAHIM, p. 486)

Inserção de dados falsos no sistema

O artigo 313-A foi inserido pela Lei 9.983/2000 no Código Penal, esse tipo
visa coibir o crime de inserir ou facilitar a inserção de dados falsos no sistema,
com a pretensão de obter alguma vantagem indevida. O referido art. dispõe:
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de
dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos
sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública
com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para
causar dano: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Os delitos informáticos têm recebido cada vez mais importância do legislador,


como não poderia deixar de ser. Devido À dependência cada vez maior do
Estado de mecanismos informatizados para controle de suas tarefas, fraudes
dolosamente provocadas devem receber sanção de natureza penal, devido ao
alto potencial danoso que contêm. (IBRAHIM, 2017, p. 489)

O doutrinador Miguel Horvath Júnior, classifica o crime como: p. 537


Crime próprio (somente pode ser praticado por funcionário público); formal (não exige resultado
naturalístico para sua consumação); de forma livre e comissivo (exige
uma ação) excepcionalmente omissivo impróprio ou comissivo por
omissão (quando o agente tem o dever jurídico de evitar o resultado
conforme art 13, § 2º do Código Penal), instantâneo ( se consuma no ato
da inserção ou facilitação da inserção); unissubjetivo ( praticado por um
sujeito somente) ou plurissubsistente (quando a ação delituosa é
composta por vários atos admitindo-se o seu fracionamento). Crime
doloso (exige um dolo específico de obtenção de vantagem ilícita).
Admite a tentativa.
Vantagem indevida para si ou para outrem- via de regra a vantagem indevida a ser obtida tem
conteúdo econômico ainda que indireto. Porem em algumas situações
específicas a vantagem indevida para si ou para outrem pode não ter
conteúdo econômico, como, por exemplo, a inserção de dados visando o
reconhecimento entre os demais colegas ou para a obtenção de favores
de índole sexual.

Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informação


Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou
programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade
competente:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a metade se
da modificação ou alteração resulta dano para a Administração Pública
ou para o administrado

O referido artigo trata de um crime próprio, visto que este só pode ser
praticado por funcionário público, também é um crime formal, pois independe
de resultado para sua consumação e realizado por ação do agente; é necessário
que haja a mera modificação ou alteração dolosa, para que seja caracterizado o
ilícito penal.

A Doutrinadora Marisa Ferreira dos Santos, em seu livro Direito


Previdenciário Esquematizado conceitua o referido crime como: (2017, p.
669)
É, a princípio, delito de menor potencial ofensivo, aplicando-se, no que couber, as disposições da
Lei nº 9.099/95.
São dois os objetos jurídicos tutelados: a moralidade e o patrimônio da Administração Pública,
especialmente no que se refere aos seus sistemas de informações em si
e programas de informática.
Os objetos materiais são “o sistema de informação de programa de informática”.
O sujeito ativo é, necessariamente, o funcionário público, porem, diferentemente do tipo penal do
art. 313-A do Código Penal, não precisa ser aquele administrativamente
designado para aquela função.
Aplicam-se as mesmas regras sobre o conceito de funcionário público doa rt. 327 do Código Penal.
O sujeito passivo é o Estado e, para que se considere a relevância previdenciária, deverá sê-lo na
figura da Previdência Social. Secundariamente, o particular
eventualmente prejudicado.

1
1MARISA FERREIRA DOS SANTOS, DIREITO PREVIDENCIÁRIO ESQUEMATIZADO, 7ª Edição, Saraiva, 2017,
p.633.