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FUNÇOES DA PENA: ASPECTOS TEÓRICOS E SEUS DESDOBRAMENTOS NA

REALIDADE SÓCIO-ECONÔMICA BRASILEIRA

Ana Beatriz Martins Dos Santos1

RESUMO: O presente trabalho trata a respeito de uma breve discussão no que tange à função
da pena e os seus desdobramentos. É possível fazer uma distinção entre a presunção da teoria
da pena e o seu real alcance na realidade brasileira. Constata-se que, sob uma perspectiva social,
é preciso analisar a eficácia do sistema penal desde a raiz da criminalidade, até aos métodos
utilizados para evitar o aumento da criminalidade. Nesse ponto, ressalta-se a necessidade de,
além da implantação de políticas públicas para reduzir a desigualdade social, uma reforma no
sistema prisional a fim de que uma das mais importantes funções da pena, ressocialização dos
criminosos, seja efetivada no país.

PALAVRAS-CHAVE: Direito penal; Funções da pena; Controle social; Criminalidade;


Ressocialização;

INTRODUÇÃO

Desde o advento das sociedades primitivas, há a recorrência de conflitos e disputas entre


os seres humanos. Nessa época, as primeiras leis punitivas tinham um cunho exemplar e eram
muito violentas pois foram instituídas com a finalidade de reprimir, mesmo que por meio do
medo e da violência, o instinto “selvagem”, comum nas primeiras hordas, e instaurar a ordem
social. Um exemplo disso é o Código de Hamurabi, criado na época da antiga Mesopotâmia,
no qual a Lei de Talião “Olho por olho, dente por dente”, traz consigo um princípio de vingança.

No entanto, com a evolução da sociedade e com o surgimento do Estado, a punição


deixou de ser particular e passou a ser pública, ainda com o intuito de manter a ordem social,
mas, com a diferença de que a pena, teoricamente, não possui mais um caráter vingativo. Ela
agora passa a ter, primeiramente, um caráter preventivo, por meio da intimidação ou do
sentimento ético e moral da sociedade, e caso a conduta ilícita venha se concretizar, a pena tem

1
Ana Beatriz Martins Dos Santos. Acadêmica do curso de Direito da Universidade Federal do Piauí-
UFPI. Aluna do Laboratório de Ciências Criminais- IBCCRIM em Teresina/PI.
o objetivo, em caráter retributivo, de neutralizar a ação do delinquente e reeducá-lo para que
seja possível a sua reinserção, de forma, pacífica no âmbito social.

Dessa forma, é possível atentar para a nobre evolução do conceito da pena, e da sua
humanização ao longo do contexto histórico. Todavia, tal evolução muitas vezes não é
acompanhada pelo pensamento que muitas sociedades possuem sobre a função e aplicação da
pena, pois em muitas delas, como a brasileira, ainda existe o pensamento primitivo sobre
vincular a vingança à pena, além disso, há uma grande dificuldade em aplicar a teoria da função
punitiva na realidade vivenciada pelo Brasil.

A MISSÃO (FINS) DO DIREITO PENAL

O direito penal defende a sociedade ao proteger bens e valores por meio da aplicação
das leis penais. Já a pena, como uma sanção da lei penal, quando abstrata, intimida a todos ou
pela possível punição, ou pela execução exemplar, e quando concreta, retribui justiça ao
criminoso, pela contenção e ressocialização do mesmo. No entanto, Nilo Batista, acredita que
existem funções não declaradas da pena privativa de liberdade: a) o nível psicossocial; b) o
nível econômico-social (reprodução da criminalidade); c) o nível político (controle sobre as
classes dominadas e sobre opositores políticos)2. Essa maneira, relatada por Batista, de
conceituar os fins da pena é pertinente, pois coaduna com a realidade social do país.

No primeiro aspecto, de nível psicossocial, a pena detém a função de cobertura


ideológica, ou seja, ao enfatizar a criminalidade, o sistema penal desvia a atenção das
verdadeiras causas geradoras dessas condutas ilícitas. Um exemplo disso é o populismo
midiático vingativo da prisão, no qual a população marginalizada é o maior alvo de programas
policiais sensacionalistas que reforçam a relação estereotipada entre pobreza e crime. Assim, a
reação penal contra alguns infratores gera sensação de segurança, uma vez que a prisão
identifica o inimigo e o incapacita à pratica delituosa, porém, a solução penal não ataca as raízes
do problema, embora proporcione a ideia de que este tenha sido eliminado.

No segundo aspecto, de nível sócio- econômico, a pena serve como uma manutenção
do status quo de desigualdades, ao controle do mercado de trabalho e como proteção ao capital.
Isso porque, devido ao descaso do Estado em garantir políticas socioeconômicas, educativas
que diminuam a pobreza e, consequentemente, o crime, o índice de violência e, aliado a ele, a
prática de condutas criminosas está, majoritariamente, concentrado nas periferias. Dessa forma,

2
BATISTA, Nilo. Introdução crítica ao direito penal brasileiro. Rio de Janeiro: Revan, 11ª edição,
março de 2007. p. 113.
quando um indivíduo dessa classe social é apenado, na maioria das vezes, ele não será mais
considerado pela sociedade como um ser humano apto a retornar ao convívio social, pois,
sempre será um “ser” indigno de confiança. Esse estereótipo contribui para dar um novo status
inferior ao apenado, impedindo-o de ascender no meio social, e influenciar, portanto, a uma
futura carreira criminosa.

No nível político, pode-se depreender que a pena é útil para legitimar o


intervencionismo estatal repressivo. Essa ideia reforça as outras duas funções relatadas, já que,
a pena é mais facilmente aplicada sobre certo grupo de pessoas e com a constante identificação
de setores sociais com a criminalidade surge, estereotipada, a figura típica do delinquente.
Investir nessa “imagem do mal” é conferir poder ao Estado, que nela encontra pretexto seguro
para fortalecer sua atuação policial. Esses três aspectos em conjunto formam um ciclo
repetitivo, no qual desvirtua a verdadeira função da pena de prevenir o delito, e, quando for
transgredida a lei, de permitir a retratação e a ressocialização dos criminosos.

CONCLUSÃO

Colocada a discussão nesses termos, é possível inferir que o sistema penal brasileiro
não está sendo eficaz em conter a criminalidade. Isso é devido, principalmente, à falência do
sistema penitenciário, cujas prisões oferecem aos apenados condições degradantes de serviços
fundamentais à vida, e à não ressocialização dos criminosos, o que implica na alta taxa de
reincidência. Segundo Greco, as penas devem ser necessárias e suficientes à reprovação e
prevenção do crime. Assim, de acordo com a legislação penal brasileira, entende-se que a pena
deve reprovar o mal produzido pela conduta praticada pelo agente, bem como prevenir futuras
infrações penais.3

Desse modo, deve-se repensar no modo como o sistema penal pune os delinquentes, de
forma, que sanções mais rígidas nem sempre são eficazes em prevenir os atos ilícitos. A melhor
prevenção é atuar em remir as causas da criminalidade, tais como: desigualdade social, ausência
de políticas públicas, abuso de poder estatal e, posteriormente, investir em um sistema prisional
mais humano, no qual o transgressor não venha ser estereotipado como um “eterno” criminoso,
mas como um indivíduo capaz de se retratar pelo ato cometido e de ser reinserido na sociedade.

3
GRECO, Rogério. Código Penal: comentado. Niterói, RJ: Impetus, 5ª edição, 2011.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BATISTA, Nilo. Introdução crítica ao direito penal brasileiro. Rio de Janeiro: Revan, 11ª
edição, março de 2007. p. 113.

GRECO, Rogério. Código Penal: comentado. Niterói, RJ: Impetus, 5ª edição, 2011.