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O USO DA FITOACUPUNTURA PARA AMENIZAR OS SINTOMAS DA

SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL

Marcela Rosa Larozzi1


Msc. Luisa Regina Pericolo Erwig2
Marcelo Fabián Oliva3
Sérgio Franceschini4

RESUMO: Estima-se que 30% das mulheres sofrem com os sintomas mais comuns da Síndrome da Tensão Pré-
Menstrual, porém não há um tratamento eficaz para essa síndrome. Na visão da Medicina Tradicional Chinesa
(MTC), uma das principais causas da STPM é a estagnação de Qi do Fígado. Este artigo teve como objetivo
discutir as virtudes da fitoacupuntura nos meridianos da MTC para amenizar os sintomas de distensão abdominal
e das mamas; irritabilidade, mau humor, depressão e dor no hipocôndrio da STPM. Esta pesquisa é do tipo
revisão bibliográfica e de natureza preponderantemente qualitativa. Foram discutidos os conceitos para a
medicina ocidental e para a MTC, a terapêutica da fitoacupuntura como meio de tratamento para a STPM por
estagnção de Qi do Fígado e seus benefícios. Fundamentada pela MTC um possível uso da fitoacupuntura para a
referida síndrome é a utilização de sementes de mostarda no ponto VC6, do painço nos pontos F3 e BP6, erva
doce no ponto R3 e de maracujá nos pontos, VC17 e MC6. A fitoacupuntura pode ser utilizada como terapêutica
única ou complementar auxiliando o trabalho do acupunturista permeada com a filosofia chinesa.

Palavras-chave: Síndrome da Tensão Pré-Menstrual. Estagnação de Qi do Fígado. Fitoacupuntura. Medicina


Tradicional Chinesa.

1 INTRODUÇÃO

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, estima-se que 30% das mulheres


sofrem dos sintomas mais comuns da Síndrome da Tensão Pré-Menstrual (STPM)
provocando alterações físicas, psíquicas e sociais, que muitas vezes trazem conflitos de
relacionamento e afetam a produtividade no ambiente familiar, social, escolar e profissional
(MURAMATSU, 2001).
A STPM é caracterizada por mais de 150 sintomas que surgem entre 10 a 14 dias antes
do 1º dia do ciclo menstrual e que desaparecem com o início do fluxo, qualificados como
patologia quando afetam o dia-a-dia da mulher. A STPM é uma condição mal definida e
incompreendida em função de sua variação sintomatológica, pois não há consenso na maioria
dos seus aspectos. Por não se ajustar nos habituais raciocínios clínicos, que agrega

1
Pós-graduanda em Acupuntura pelo CIEPH.
2
Orientadora e Professora titular do curso de Acupuntura do CIEPH.
3
Especialista e Professor titular do curso de Acupuntura do CIEPH.
4
Especialista, Fitoterapeuta e Professor titular do curso de Fitoacupuntura da Casa da Terra.
manifestações somáticas e psíquicas, essa síndrome desafia a ciência médica, pois não é
claramente definida por seus sinais e sintomas, e sim pela temporalidade (ESPINA-FRANCA,
2007; NOGUEIRA; PINTO E SILVA, 1999, 2000).
Este artigo aborda a STPM a partir das perspectivas da Medicina Tradicional Chinesa
(MTC), uma ciência e filosofia milenar que aborda o ser humano de forma física, mental e
energética (MARCONI; PRESOTTO, 2005). A fitoacupuntura, prática que utiliza sementes
nos pontos dos meridianos da MTC, é fundamentada pelo pressuposto teórico da mesma e da
fitoterapia, esta que faz uso de plantas medicinais, e são assim definidas por possuírem
características energéticas e também um complexo fitoquímico capaz de produzir princípios
ativos que podem alterar o funcionamento dos órgãos e vísceras, restaurando o equilíbrio
homeostático orgânico, psíquico, energético e emocional (FERRO, 2008).
A fitoacupuntura foi introduzida no Brasil pelo Professor Sérgio Franceschini. Seus
estudos desta técnica foram comentados pela revista Istoé em 17 de junho de 1998.
Franceschini (s/p) define:

A fitoestimulação é uma técnica inovadora que associa a acupuntura com a


fitoterapia, o energético com científico, tendo como finalidade básica estimular
determinados pontos de acupuntura com sementes medicinais. Através desta técnica
que é simples mas eficiente, pode-se perceber a força e a eficiência da natureza.

Um dos grandes pressupostos para compreender a MTC, é entender o significado do Qi


para a mesma. Entendido como energia vital, o Qi é a base de todos os fenômenos, divide-se
em yin e yang, e proporciona indivisibilidade entre matéria e energia. Na fisiologia chinesa,
yang representa a função e yin, a estrutura e são divididos, respectivamente, em órgãos, Zang,
e vísceras, Fu. Yin e yang estão em um estado constante de equilíbrio dinâmico e quando um
deles está em desequilíbrio, afetam-se mutuamente, entrando num constante mecanismo
homeostático. A proporção entre yin e yang pode ser expressa em excesso ou deficiência de
Yin ou de Yang, ocasionados por plenitude/cheio ou deficiência/vazio de energia
(MACIOCIA, 2007).
Este artigo aborda a STPM por estagnação de Qi do Fígado, dada por sintomas de
plenitude, onde os principais são: distensão abdominal e das mamas antes do período
menstrual, irritabilidade, mau humor, depressão e dor no hipocôndrio (MACIOCIA, 2000).
Construído sob a hipótese da aplicação da fitoacupuntura amenizar os sintomas da
STPM por estagnação de Qi do Fígado, este estudo teve como objetivo geral discutir as
virtudes da fitoacupuntura nos meridianos da MTC para a redução dos sintomas da Síndrome
da Tensão Pré-Menstrual ocasionada pela deficiência do Qi do Fígado.
Concômitos ao objetivo mais abrangente, os objetivos específicos buscaram descrever:
o conceito da Síndrome da Tensão Pré-Menstrual na Medicina Tradicional Chinesa (MTC);
conhecer as possíveis causas da Síndrome da Tensão Pré-Menstrual para a Medicina
Tradicional Chinesa (MTC) e; conhecer as manifestações da Síndrome da Tensão Pré-
Menstrual ocasionada pela estagnação de Qi do Fígado e; discutir a inserção do paradigma da
fitoacupuntura para o acupunturistas.
Este artigo justifica sua relevância devido a STPM atingir muitas mulheres há várias
décadas, contudo, por não se conhecer ao certo sua causa e não haver tratamento biomédico
específico, o tema ainda é pouco explorado e não há um tratamento realmente eficaz para a
afecção (BARACAT; LIMA, 2005).
A fitoacupuntura é um método econômico, rápido, não invasivo, praticamente indolor, e
tem a possibilidade dos pontos permanecerem estimulados pelas sementes por um período de
7 dias.
A fitoterapia e a MTC, são dois conhecimentos já aceitos pela ciência, e a união destes
dois saberes deu a origem a um novo tratamento, a fitoacupuntura. O estudo desta prática é
relevante, pois é um método complementar à acupuntura, que estende o tratamento realizado
no consultório, instiga a autonomia dos pacientes com relação à sua saúde, além de ser uma
alternativa de tratamento baseado na MTC para pessoas, inclusive crianças e idosos, que não
se sentem confortáveis e confiantes com a aplicação de agulhas na acupuntura.

2 DESENVOLVIMENTO TEÓRICO

Para a MTC, o ser humano é resultado da união do Qi do Céu e da Terra, enfatizando a


interação do Qi humano e da natureza. Há ainda diferentes tipos de Qi humano, classificado
por suas funções, densidade e dureza. O Qi indica a atividade funcional dos sistemas internos
dentre as atividades funcionais de qualquer sistema. A medicina chinesa considera que a
relação da natureza-homem importante para determinar a etiologia, diagnóstico e o tratamento
(MACIOCIA, 2007).
Uma das possíveis subdivisões do Qi é em yin e yang. Na fisiologia chinesa, yang
representa a função e yin à estrutura. Desta forma são divididos em órgãos e vísceras,
chamados de Zang e Fu respectivamente. Cada Zang-Fu tem sua raiz yin e yang, ou seja,
estrutura e função, que se dividem e se complementam. Um exemplo prático de yin e yang é
a comparação de Qi (energia) e Xue (sangue, artérias, circulação), sendo Qi mais yang e Qi
mais yin (MACIOCIA, 2007).
Yin e yang estão em um estado constante de equilíbrio dinâmico, permeado pela
relatividade dos níveis de yin e yang. Quando um deles está em desequilíbrio, afetam-se
mutuamente, entrando num constante mecanismo homeostático. O máximo ou mínimo de yin
se torna yang, e vice-versa. A dinâmica de yin e yang pode ter como conseqüência, o excesso
de yin ou de yang e deficiência de yin ou de yang, que são ocasionados por plenitude ou vazio
de energia (MACIOCIA, 2007).
Cada Zang Fu e suas relações de yin e yang interagem e são caracterizadas pelos cinco
elementos, que representam as qualidades da natureza, seus movimentos e estações. De
acordo com Maciocia (1996, p. 24):

É importante repetir e estender a passagem do SHANG SHU: „Os Cinco Elementos


são Água, Fogo, Madeira, Metal e Terra. A Água umedece em descendência, o Fogo
chameja em ascendência, a Madeira pode ser dobrada e esticada, o Metal pode ser
moldado e endurecido, a Terra permite a disseminação, o crescimento e a colheita.
Aquilo que absorve e descende (Água) é salgado, o que chameja em ascendência
(Fogo) é amargo, o que pode ser dobrado e esticado (Madeira) é azedo, o que pode
ser moldado e enrijecido (Metal) é picante e o que permite disseminar, crescer e
colher (Terra) é doce.‟

Assim, baço-pâncreas e estômago fazem parte do elemento terra; pulmão e intestino


grosso do metal; rim e bexiga da água; Fígado e vesícula biliar da madeira e coração, mestre
do coração, intestino delgado e triplo aquecedor do fogo (ROSS, 1994).
Os Zang Fu têm relação de mãe-filho e avô-neto, esta relação se dá pela mãe que nutre
o filho e o avô que controla o neto, de maneira cíclica. A relação fisiológica de nutrição (ciclo
de geração) é dada respectivamente por: Terra, Metal, Água, Madeira e Fogo, e a relação
fisiológica de controle (ciclo de controle) é feita respectivamente por: Terra, Água, Fogo,
Metal, Madeira. Quando há uma desordem energética nestes ciclos encontramos as patologias
(ROSS, 1994).
A STPM na visão da MTC, assim como qualquer outro desequilíbrio, provém de uma
relativa falta de estabilidade entre yin e yang, Zang Fu e seus respectivos elementos,
ocasionando ora condição de vazio ora de cheio energeticamente. Os sintomas da STPM para
esta medicina em geral incluem depressão, tristeza, irritabilidade, ansiedade, letargia, perda de
concentração, agressividade, alterações de libido, alterações nos hábitos intestinais, erupções
cutâneas, desejos alimentares, choro, propensão a acessos de raiva, distensão abdominal e das
mamas e insônia. Estes sintomas podem variar em intensidade de muito moderados a muito
severos e são mais comumente encontrados no grupo etário de 30 a 40 anos (MACIOCIA,
2000).
Quanto à etiologia e patologia, os fatores que estão correlacionados com a síndrome
são: o estresse emocional, dieta e excesso de trabalho e de atividade sexual. O fator de maior
relevância para estabelecer a STPM para MTC é se o desequilíbrio for decorrente de uma
condição de plenitude (cheio) ou de deficiência (vazio). Se a estagnação do Qi do Fígado
surge independentemente de problemas emocionais é plenitude, se for secundária à
deficiência do sangue do Fígado, yin do Fígado, ou yin do Fígado e do rim, a condição é
vazia. Dentre todas as condições, neste projeto será abordado a estagnação de Qi do Fígado
por plenitude, onde os principais sintomas são: distensão abdominal e das mamas antes do
período menstrual, irritabilidade, mau humor, depressão e dor no hipocôndrio. (MACIOCIA,
2000).

2.1 A FISIOLOGIA DO CICLO MENSTRUAL NA PERSPECTIVA DA MEDICINA


OCIDENTAL

O ciclo menstrual inicia-se com a secreção de hormônios gonadotrópicos pela hipófise


anterior, o hormônio folículo estimulante, juntamente com secreções menores de hormônio
luteizante. Estes hormônios estimulam o crescimento dos folículos nos ovários, para que estes
iniciem a secreção de estrogênio. Este último produz um feedback negativo para inibir a
secreção dos hormônios gonadotrópicos. Após este estímulo, a hipófise passa a liberar
quantidades muito grandes dos dois hormônios gonadotrópicos, principalmente o luteizante.
Esta grande quantidade produzida faz com que se chegue à etapa final do desenvolvimento
dos folículos, fazendo com que normalmente um deles, produza a ovulação (GUYNTON,
1988).
O processo de ovulação ocorre dentre o 14º dia antes do início do ciclo, levando ao
desenvolvimento do corpo lúteo, que secretará grande quantidade de progesterona e alguma
de estrógeno. Este dois hormônios inibem a hipófise mais uma vez, diminuindo novamente a
produção dos dois hormônios gonadotróficos. Esta diminuição provoca a involução do corpo
lúteo, fazendo com que a produção de estrógeno e progesterona fiquem reduzidas. A hipófise
não estando mais inibida pelo estrógeno e progesterona inicia novamente a produção dos
hormônios folículo estimulante e luteizante, dando início a um novo ciclo (SILVERTHORN,
2003).
O estrógeno na realidade é um conjunto de três hormônios, estradiol, estriol e estrona
mas, por terem funções parecidas são tratados em conjunto, e chamados de estrógeno.
Durante o ciclo menstrual o estrógeno faz com que o endométrio (revestimento interno do
útero) aumente de espessura. Esta atuação ocorre cerca de onze dias depois de terminada a
menstruação (GUYTON, 1988).
A progesterona, secretada pelo corpo lúteo, produz um espessamento do endométrio, e
sua principal função é a de tornar disponível o suprimento de alimentos caso o óvulo seja
fecundado (GUYTON, 1988).

2.2 A FISIOLOGIA DO CICLO MENSTRUAL NA PERSPECTIVA DA MTC

A MTC estuda a relação das energias, dentro e fora do organismo. Existem várias
formas de energia que formam o Qi, são elas: Qi ancestral, Qi dos alimentos (proveniente da
alimentação e da água), Qi defensivo (comparado ao sistema imunológico), Qi torácico
(derivado do Qi dos alimentos e do ar), e Qi nutritivo (que nutre todos os zang, fu e sangue)
(ROSS, 1994).
Pela MTC, existem 12 meridianos principais, cada um corresponde a um zang ou fu. Os
meridianos se organizam através dos planos energéticos que são divididos em mais externos
(yang) e mais internos (yin), unindo alto e baixo. Os planos energéticos com polaridade yang
são: Taiyang (bexiga e intestino delgado); Shaoyang (vesícula biliar e triplo aquecedor) e
Yang Ming (estômago e intestino grosso), e os com polaridade yin são: Tai yin (baço-pâncreas
e pulmão); Juei yin (Fígado e mestre do coração) e Shao Yin (rim e coração) (PEREZ, 2006).
Os planos yang estão relacionados às vísceras e são encarregados de neutralizar as
energias patógenas (vento, umidade, calor, secura e frio), protegendo os órgãos. Os planos yin
estão relacionados com os órgãos e com o sangue, sendo que os órgãos são encarregados de
harmonizar energias internas e de reger a postura psico-física, produzir Qi e enviá-las a todo o
organismo (MACIOCIA, 2007).
Existe uma correspondência entre os três níveis energéticos yin e o sistema reprodutor
feminino. O nível energético Tai Yin (baço-pâncreas e pulmão) se relaciona com os ovários, o
Jue Yin (Fígado e mestre do coração) com as trompas e o Shao Yin (rim e coração) com o
útero. Desta forma, o ciclo menstrual consta de duas fases: A primeira é de exteriorização no
qual ocorre movimento de ascensão de Tai Yin, ou seja, a energia yin fica mais forte e
concentrada neste plano energético, que é o mais externo dos planos energéticos yin e a
segunda é de interiorização no qual ocorre movimento de concentração em Shao Yin, ou seja,
a energia fica maior no plano energético mais yin de todos (PEREZ, 2007).
Todas as formas de energia estão implicadas na ginecologia, mas cabe destacar a
energia ancestral, que neste projeto será denominada de energia Zhong. Esta energia é
resultante da união da energia yang; o espermatozóide, e da energia yin; o óvulo. A energia
Zhong é depositada no Rim, e circula por quatro meridianos denominados de vasos
maravilhosos: Chong Mai, Dai Mai, Ren Mai, e Du Mai (PEREZ, 2007).
Dos meridianos denominados de vasos maravilhosos, três deles desempenham funções
relevantes em ginecologia: o Ren Mai, Du Mai e Chong Mai. O Chong Mai tem função de
manter uma boa atividade de progesterona, se a boa atividade não ocorrer, a insuficiência
deste hormônio pode causar a STPM; o Ren Mai é responsável pela fecundação e o Du Mai
tem influência sobre os outros vasos maravilhosos, agindo em comunhão com estes (PEREZ,
2007).
Dos rins parte um tronco energético que chega ao útero, neste, há uma divisão do tronco
em três canais, que ocorre na altura do primeiro ponto do Ren Mai, localizado no períneo,
dando origem ao Ren Mai, Du Mai e Chong Mai. Este tronco energético e suas divisões,
explica a relação energética entre os rins, útero e estes vasos maravilhosos. Assim sendo,
estes vasos maravilhosos perdem seu equilíbrio, passam a não conservar a energia do sangue,
dando origem ao ciclo menstrual desregulado (PEREZ, 2007).
Todos os cinco órgãos estão relacionados com o ciclo menstrual: Rins, Fígado, Coração,
Baço e Pulmões. Os rins administram a energia ancestral e são responsáveis pela procriação.
O Fígado conserva o sangue e o trajeto interno do seu meridiano passa pelo Ren Mai, depois
de ter contornado a vulva, desta maneira o Fígado se relaciona com a energia yin que se
distribui em todo o baixo ventre. O coração é mestre do sangue, controlando-o. O baço
comanda, dirige e administra o sangue. A energia dos pulmões tem função de regular a
circulação sanguínea, além dos pulmões serem mestres absolutos do conjunto de energia
essencial do corpo (PEREZ, 2007).
Quando os cinco órgãos estão em harmonia o sangue circula corretamente, o ciclo
ocorre de maneira equilibrada e a menstruação se torna regular. Caso ocorra uma desordem
energética sobre a função dos zang, o ciclo se tornará alterado, e o mesmo ocorre de maneira
inversa, ou seja, caso ocorra desequilíbrio no ciclo, haverá influência sobre os zang (PEREZ,
2007).
Todos os cinco órgãos, seguindo a lei dos cinco movimentos, influem sobre a fisiologia
do ciclo menstrual à medida que, se faz necessário a elaboração de energia e de sangue,
porém o útero e sua relação com os rins tem um interação específica (PEREZ, 2007).
O útero faz parte das chamadas vísceras curiosas, como o cérebro, medula e o sistema
neuro-endócrino. Chamado de mar do sangue é formado pela energia ancestral dos rins e tem
função na formação do feto. Seu desenvolvimento é reforçado pela energia dos alimentos
depois do nascimento. A estreita relação entre útero, vasos reguladores e rins explica o
envolvimento que estes têm sobre o bom funcionamento do sistema reprodutor feminino
(PEREZ, 2007).
Na prática, uma alteração do Fígado e rim pode repercutir sobre o Chong Mai e Ren
Mai; e normalmente enfermidades ginecológicas são devidas a uma debilidade energética
destes dois zang, que levam ao esgotamento de energia do Chong Mai e Ren Mai. Portanto
um ponto de partida para se tratar a STPM, é o de fortalecer o conjunto da energia do Fígado
e rins, que por sua vez atuarão sobre os canais Ren Mai e Du Mai (PEREZ, 2007).

2.3 O USO DAS SEMENTES DE MOSTARDA NA AURICULOTERAPIA

A MTC possui microssistemas, ou seja, partes do corpo que contêm um mapa referente
a todo organismo. Dentre estes microssistemas, a auriculoterapia, que tem seu microssistema
na orelha, é um dos mais populares, devido aos seus excelentes resultados, levando a uma
grande aceitação das pessoas (GARCÍA, 2003).
Um dos métodos mais comuns na utilização dos pontos na auriculoterapia são as
sementes de mostarda (GARCÍA, 2003). Partindo deste histórico e princípios, se torna
possível utilizar sementes de mostarda também nos pontos dos meridianos da MTC, ou seja,
nos pontos somáticos referentes aos meridianos (GARCÍA, 2003).
As sementes de mostarda têm natureza rígida e bom tamanho para a aplicação, dando
maior credibilidade ao seu estímulo e ao tempo de permanência no local aplicado. Por sua
propriedade rubefaciente, produz estímulo na circulação de Qi e sangue, o que traz nutrição
ao organismo. No que se diz respeito à estagnação de Qi do Fígado, estará atuando para uma
melhora da estase sanguínea e energética (BOTSARIS, 2002).

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A STPM é caracterizada por mais de 150 sintomas que surgem entre 10 a 14 dias antes
do 1º dia do ciclo menstrual e que desaparecem com o início do fluxo, qualificados como
patologia quando afetar o dia-a-dia da mulher. A STPM é uma condição mal definida e
incompreendida em função de sua variação sintomatológica, pois não há consenso na maioria
dos seus aspectos. Por não se ajustar nos habituais raciocínios clínicos, que agrega
manifestações somáticas e psíquicas, essa síndrome desafia a ciência médica, pois não é
claramente definida por seus sinais e sintomas, e sim pela temporalidade (ESPINA-FRANCA,
2007; NOGUEIRA; PINTO E SILVA, 1999, 2000).
É possível relacionar a faixa etária e o índice de mulheres que têm STPM com o
aumento dos aspectos antropológicos que envolvem a mulher na sociedade atualmente, ou
seja, o comportamento da mulher ao lidar com cotidiano e deveres. O papel da mulher na
sociedade brasileira tem mudado significativamente nas últimas duas décadas como
conseqüência da crescente participação feminina como força de trabalho, chefe de família, nas
mudanças no controle da natalidade e na introdução da mulher na política (AQUINO et al,
1991).
A aceitação da participação eqüitativa da mulher nos mais diferentes âmbitos sociais
deveria ascender juntamente com o respeito e o consentimento de todos os tipos de
diversidades sociais, porém a cultura do patriarcalismo tem como conseqüência a falta de
mecanismos sociais para acompanhar a crescente inserção profissional da mulher (BONH,
2008).
As modificações no papel da mulher e suas possíveis influências na saúde são ainda
pouco exploradas, mas pode-se associar este cotidiano a alterações no sistema endócrino
feminino como conseqüência de uma maior variabilidade e intensidade do estresse
físico/emocional (AQUINO et al, 1991).
3.1 A STPM NA PERSPECTIVA DA MEDICINA OCIDENTAL

Há vários fatores que são hipoteticamente vistos como causadores da STPM atualmente,
como: A elevação de melonina; a influência da progesterona e seus metabólitos por
interferência na regulação do neutrotransmissor GABA (inibidor pré-sináptico com função da
regulação da função neural); contração cerebral dos neurotransmissores por ação dos
hormônios sexuais; alteração da atividade contrátil da musculatura lisa dos vasos, que
causariam a enxaqueca da STPM; baixo teor de vitaminas A, E e B6; níveis alterados de
zinco, cobre, magnésio e cálcio, que regulam a produção de neurotransmissores na corrente
sanguínea influenciando no sistema nervoso; afecção psiconeuroendócrina, ou seja, a
influência do fator psicológico; e por fim, os fatores culturais, como por exemplo, maior
queixa de dor em mulheres de uma nacionalidade do que em outra (BARACAT; LIMA,
2005).
O eixo hipotalâmico-hiposifiário-suprarenal (responsável por hormônios como,
serotonina, epinefrina, noraepinefrina e cortisol) está relacionado com o humor e apetite. Uma
alteração neste eixo supõe alterações destes hormônios durante a STPM (BARACAT; LIMA,
2005).
As endorfinas também têm efeito marcante sobre o humor e o comportamento, podendo
gerar durante a STPM os estados de fadiga, depressão, bem-estar, euforia, irritabilidade,
ansiedade, atitudes agressivas, modificações de apetite, distúrbios do sono, sudorese e
inquietações (BASTOS, 2006).
Os sintomas de retenção hídrica podem estar relacionados com o aumento da atividade
da supra-renal, com conseqüente elevação da aldesterona e liberação de vasopressina
(BARACAT; LIMA, 2005).

3.2 A STPM NA PERSCPECTIVA DA MTC

Segundo Maciocia (2000) o fator etiológico de maior relevância é o estresse emocional,


assim sendo, sentimentos de raiva, frustração, ressentimento podem causar estagnação de Qi
do Fígado, maior causa da STPM pela MTC.
A dieta é outro fator relevante como causa para STPM, pois o consumo de leite,
derivados e alimentos gordurosos levam à formação de muco. A combinação de muco com o
calor, causado pela estagnação de Qi do Fígado, tem como conseqüência distensão das
mamas, sensação de opressão torácica e alterações mentais (MACIOCIA, 2000).
Excesso de trabalho e de atividade sexual podem resultar em diminuição do yin do rim e
do yin do Fígado, e estes quando estão deficientes podem ocasionar a estagnação do Qi do
Fígado, tornando portanto a STPM causa secundária da deficiência de Yin do rim e do Fígado
(MACIOCIA, 2000).
As principais causas relacionadas com a STPM por plenitude são: estagnação de Qi do
Fígado e o calor no Fígado, e as por vazio são: deficiência do sangue do Fígado, do yin do
Fígado e yin do rim e por fim, do yang do baço e yang do rim (ROSS, 2003).
O yang dos rins pode se tornar deficiente devido ao frio e umidade externos; o yin dos
rins pode se tornar deficiente pelo calor externo, perda de sangue ou de líquidos orgânicos em
geral e excesso de drogas caloríferas; e o Qi dos rins pode se tornar deficiente por deficiência
congênita, doença crônica, idade, excesso de trabalho, fadiga sexual, parto, medo e pavor.
(ROSS, 1994)
Quando o Qi dos rins se torna deficiente, o yin do rim afeta diretamente o yin do Fígado
e o yang do rim afeta o yang do baço. A alteração da energia yin do Fígado influi no Chong
Mai (ambos envolvidos com o armazenamento de sangue), e a alteração da energia yang do
baço influi diretamente no Ren Mai (sendo que este é responsável, juntamente com o Chong
Mai, de assegurar que a circulação de sangue seja livre e desobstruída, principalmente no
abdômen inferior; e o baço juntamente com o Fígado são responsáveis de manter o sangue
dentro dos vasos sanguíneos) (ROSS, 1994).
Excesso de trabalho, estudo, preocupação, alimentação inadequada ou desregrada,
doença crônica, agressão de baço-pâncreas pelo Fígado, frio e umidade externos tornam Qi do
baço-pâncreas deficiente, como conseqüência o yang do baço também se torna deficiente
(ainda mais se o yang dos rins estiver deficiente), levando a diminuição do Qi do baço-
pâncreas, inabilidade do baço-pâncreas em governar o sangue e deficiência do baço-pâncreas
em transportar e transformar (ROSS, 1994).
O yin dos rins deficiente e distúrbios emocionais geram o yin do Fígado deficiente,
tornando o yang do Fígado hiperativo, podendo levar a estagnação de Qi do Fígado e fogo
crescente no Fígado, isto ocasiona em uma lesão ao fluxo livre de Qi, o que
consequentemente leva a estagnação de Qi e sangue (ROSS, 1994).
A função do Fígado de manter um fluxo desobstruído de Qi e sangue relaciona-se
diretamente com a fisiologia do ciclo menstrual. Comumente a estagnação de Qi do Fígado se
dá por deficiência do sangue e do Fígado, sendo estes a base do Qi do Fígado, portanto se o
sangue, característica yin do Fígado fica deficiente, o Qi do Fígado fica com sua raiz
enfraquecida gerando a estagnação (MACIOCIA, 2000; ROSS, 1994).
A estagnação do Fígado em geral tem como manifestações clínicas, sensação de
distensão do hipocôndrio e do tórax, dor no hipocôndrio, soluço, suspiro, náusea, vômito, dor
no epigástrico, anorexia, regurgitação ácida, eructação, sensação de pulsão no epigástrico,
distensão abdominal, diarréia, menstruação irregular, disminorréia, distensão pré-menstrual
das mamas, tensão e irritabilidades pré-menstruais, melancolia, depressão, estado mental
instável e estado temperamental, tristeza, sensação de agitação e sensação de dificuldade de
engolir. Porém os sintomas que são dor no hipocôndrio, distensão abdominal, depressão e
estado temperamental coincidem ou são similares com a maioria dos sintomas da STPM por
estagnação de Qi do Fígado por plenitude já citados anteriormente (MACIOCIA, 2007).
Quando ocorre estagnação torácica tem-se a sensação de plenitude na região, que muitas
vezes manifesta-se com suspiros. Manifestações de humor severas também são decorrentes da
estagnação (MACIOCIA, 2007).
Como já foi mencionada, a estagnação do Qi do Fígado pode dificultar a circulação no
Ren Mai, Du Mai e Chong Mai, afetando o útero e resultando na STPM (MACIOCIA, 2007).
A estagnação do Qi do Fígado é dada por um padrão de excesso, pois o indivíduo
comumente aparenta estar com energia “deficiente” devido às características de um quadro
depressivo, mas o verdadeiro quadro energético é de plenitude (MACIOCIA 2007).
Este padrão de excesso é dado por uma hiperatividade do yang do Fígado, causando a
deficiência deste e gerando sua estagnação. O yang do Fígado necessita do yin do Fígado, de
sangue, do yang do baço e do Qi do rim suficientes para conseguir se manter na região
inferior no corpo de forma estável e executar sua função de manter o fluxo livre de Qi do
Fígado, necessário para que o fluxo da menstruação ocorra de maneira adequada. Se algum ou
mais destes fatores se torna deficiente causará a hiperatividade do yang do Fígado, que pode
subir pelo corpo e manifestar como dor de cabeça, tontura, irritabilidade e alterações de
humor (ROSS, 2003).
No período pré-menstrual o yang cresce para tornar possível o início do fluxo menstrual
e mantê-lo. Caso houver excesso de movimento de Qi e sangue, dada pela hiperatividade do
yang do Fígado, poderá haver sintomas como dor de cabeça e tontura. A hiperatividade do
yang do Fígado continuada pode gerar a estagnação de Qi do Fígado, tornando o movimento
de Qi e sangue deficientes, que pode ocasionar os sintomas já citados por essa estagnação
(ROSS, 2003).
A hiperatividade do yang do Fígado pode ainda gerar fogo no Fígado. Se a mulher já
tem o quadro de fogo no Fígado, isso pode se tornar ainda mais forte no período pré-
menstrual, podendo levar a raiva, gritos e até violência física. O fogo no Fígado combinado
com a estagnação do Qi do Fígado pode levar a depressão alternando com explosões de raiva
(ROSS, 2003).
Através da visão da MTC, uma ciência e filosofia milenar que aborda o ser humano de
forma física, mental e energética relacionado ao seu meio antropológico, é possível um estudo
mais amplo da STPM, pois essa estuda o homem e a natureza em que se insere, unindo-os de
maneira harmônica em uma compreensão ampla de interferência mútua (MARCONI;
PRESOTTO, 2005).

3.3 A FITOACUPUNTURA

A fitoacupuntura no Brasil ainda é pouco explorada. Não há artigos científicos


publicados em base de dados que comprovem sua eficácia mas já é utilizada de forma
empírica como terapêutica. Franceschini (1993) observou o efeito das sementes chinesas
auriculares e teve a percepção que essas sementes sempre foram utilizadas por serem
pequenas, arredondadas, facilmente manuseadas e também por evitar o uso de agulhas
auriculares ou semi-permanentes tendo como única função pressionar o ponto de acupuntura.
Através de seus estudos constatou que além de selecionar os pontos de acupuntura como
terapêutica, também poderia associar a esta prática sementes que com propriedades e/ou
princípios ativos que tivesse efeitos terapêuticos relacionados com as patologias,
potencializando o efeito terapêutico. Direcionou suas pesquisas para analgesia e obteve bons
resultados. Posteriormente começou a utilizar a fitoacupuntura para diversas patologias. Criou
assim o método pacth (emplastro) fitoterápico e começou a utilizar a fitoacupuntura para
diversos distúrbios.
Franceschini (1993), biomédico especializado em acupuntura e fitoterapia, direcionou a
utilização de sementes e inflorescências específicas para cada desequilíbrio, potencializando o
efeito do estímulo nos pontos de acupuntura devido as sementes terem o potencial de alcançar
três ações distintas: estimular, energizar e atuar através de seus princípios ativos. Estas ações
são alcançadas através da pressão exercida pelas sementes na pele, sendo necessário essas
estarem bem fixadas.
A semente é repleta de energia pois, tem o potencial de se tornar uma planta, sendo que
essa, muitas vezes, será muito maior do que a própria semente. Desta forma, a semente
quando colocada sobre um ponto de acupuntura consegue fazer o equilíbrio entre as energias
yin e yang, pois a energia do ponto de acupuntura que está energicamente desequilibrado,
entra em consonância com a energia equilibrada da semente. Cada semente tem em sua
natureza energética a força para sedar ou tonificar o Qi dos pontos de acupuntura. Os efeitos
proporcionados desta terapêutica dependem dos pontos que selecionados para a aplicação da
fitoacupuntura, da escolha das sementes e da qualidade da mesmas (FRANCESCHINI, 1993).
A escolha das sementes dependerá de quatro fatores de acordo com a MTC; sua cor
(verde, vermelho, amarelo, branco e preto), seu sabor (azedo/ácido, amargo, doce, picante,
salgado), sua natureza (quente, morna, neutra, refrescante e fria) e seu movimento energético
(ascendente, descendente, centrípeto ou centrífugo), que estão relacionados com os 5
movimentos da MTC (madeira, fogo, terra, metal e água) atuando sobre os desequilíbrios
energéticos quando as sementes são fixadas sobre os pontos de acupuntura, agindo nos
meridianos de cada Zang/Fu e seus respectivos elementos e inter-relações.
(FRANCESCHINI, 1993).
É através do contato da semente com a pele que haverá o estímulo energético. As
propriedades energéticas da planta e seu princípio ativo passarão através dos poros da pele,
que ficam mais dilatados com o calor e mais contraídos com o frio. Outro fator que influencia
na absorção pela pele é a transpiração, pois a absorção é maior em meio líquido. Como
resposta do organismo, poderá haver um processo alérgico, que pode ser considerado como
positivo para uma melhor absorção devido a dilatação dos vasos e dos poros da pele, porém se
forem intensos deve-se interromper o tratamento retirando as sementes. (FRANCESCHINI).
A partir destas informações, para que haja maior transpiração, dilatação dos poros e um leve
processo alérgico as sementes afixadas deverão ser estimulados por pressão das próprias
pacientes para melhor passagem dos princípios ativos e das propriedades energéticas das
plantas e instigando o processo de cura, auto-conhecimento e autonomia das pacientes.
Franceschini (1993) elaborou uma tabela com as propriedades energéticas das sementes
e inflorescências:
Patologia/ Calor Frio Umidade/ Vento Xue/ Equilíbrio
Meridiano Fleuma Qi
Tansagem Anis Tansagem Fenogrego Erva doce Erva doce
ID Malva Feijão Malva Tuia Colza Mamão
Angélica Pimenta Grama Milho
Linhaça
Linhaça Pimenta Malva Fenogrego Colza Picão
IG Malva Romã Pimenta Tuia Grama Milho
Angélica Ruibarbo Linhaça Mamão
Cedrinho Abóbora Mostarda
Eucalipto Cravo Cânfora Cânfora Endro Gergelim
P Macela Mostarda Gengibre Erva Grama Milho
Amora Pimenta Pimenta moura Ipê roxo Mostarda
Angélica Romã Cebolinha Rosa Milho
Picão
Serralha Canela Canela Cânfora Impatiens Gergelim
C Trigo Cravo Gengibre Tuia Rosa Milho
Maracujá Feijão Tuia Serralha Papoula
Bambu Cebolinha Bambu Trigo Quina
Camélia Cebolinha Ameixa
Soja Angélica Angélica Angélica Cana do Abacate
B Linhaça Anis Soja brejo Mamão
Niger Endro Cereja
Camomila Anis Gengibre Feno Arroz Erva doce
E Painço Canela Malva grego Cevada Mostarda
Serralha Cravo Pimenta Louro Coentro
Soja Mostarda Ruibarbo Erva doce
Pimenta Soja Serralha
Alho Bucha
Tansagem Anis Tansagem Feno Cana do Abacate
R Trigo Canela Tuia grego brejo Funcho
Linhaça Cravo Tuia Rosa Quebra
Feno Trigo pedra
grego Alho Canela
Romã Caqui
Camomila Cravo Alcachofra Feno Carqueja Funcho
VB Painço Feno grego Colza Gergelim
Bucha grego Louro Endro Cássia
Pimenta Agrimônia
Carqueja Canela Ruibarbo Ruibarbo Colza Funcho
F Soja Feno Soja Soja Impatiens Mostarda
Tansagem grego Tansagem Tansagem Ipê roxo Abóbora
Bambu Mostarda Tuia Tuia Painço Cássia
Bambu Alho
Trigo Canela Gengibre Cânfora Arroz Gergelim
BP Painço Cravo Ruibarbo Gengibre Cevada Trigo
Macela Pimenta Tuia Ruibarbo Painço Cereja
Bucha Cebolinha Bucha Tuia Trigo
Agrimônia

Tabela 1 – Fitoacupuntura e Meridianos.


Fonte: Franceschini, 1993.

Para a STPM ocasionada por estagnação de Qi do Fígado é necessário utilizar-se de


pontos de acupuntura para dispersar a energia do mesmo, uma vez que o quadro de
estagnação energética é dado pelo excesso. É necessário acalmar o yang do Fígado, nutrir o
sangue e o ying do Fígado e diminuir a irritabilidade, como sugestão pode-se utilizar a
semente de Painço no ponto F3. Para nutrir o Rim e harmonizar seu Qi, uma vez que esse doa
sua energia para o Fígado pelo ciclo Mu-zi, pode-se utilizar o ponto R3 com o Funcho. Com o
objetivo de restabelecer o shen, acalmando a irritabilidade, melhorando o humor e diminuindo
a depressão (melancolia) e melhorar a distensão das mamas e o fluxo do Qi do Pulmão,
importante para nutrir o Rim, pode-se utilizar a semente de maracujá no MC6 e VC17. Para
eliminar a umidade, nutrir o sangue e o yin, melhorando a estase energética, distensão das
mamas, dor no hipocôndrio, distensão abdominal, retenção de líquidos e edemas pode-se
utilizar o Painço no BP6. Com o intuito de melhorar a qualidade do Qi geral e dos rins,
aumentando a vitalidade e diminuindo a depressão, harmonizar o sangue e eliminar umidade
sugere-se o uso da semente de mostarda (FOCKS, 2008).

4 MATERIAIS E MÉTODOS

Esta é uma pesquisa descritiva, de natureza preponderantemente qualitativa, do tipo


revisão bibliográfica, de laboratório quanto à coleta de informações, de documentos com
relação à fonte de informações e de temporalidade transversal. Esta pesquisa foi desenvolvida
pelo CIEPH no período de dezesseis de agosto a vinte e sete de outubro de dois mil e dez.

5 CONCLUSÃO

Este trabalho estudou as causas e os possíveis tratamentos através da fitoacupuntura


para a STPM ocasionada pela estagnação de Qi do Fígado e sua relação com os principais
sintomas: distensão das mamas e do abdômen, irritabilidade, mau humor, depressão e dor no
hipocôndrio.
A fitoacupuntura, terapêutica da fitoterapia aliada à MTC é um tratamento que pode ser
utilizado para amenizar os sintomas da STPM ocasionada pela estagnação de Qi do Fígado. A
aplicação de sementes em pontos de acupuntura pode ser utilizada como terapêutica singular
pelos acupunturistas como alternativa do tratamento tradicional com agulhas para pacientes
que têm medo das mesmas ou, como complementar ao tratamento da acupuntura para
potencializar seu efeito e dar continuidade ao tratamento realizado em consultório. O
acupunturista pode utilizar-se deste método como meio para promoção, manutenção e
tratamento da saúde com esta prática natural, simples, econômica, não invasiva e que prorroga
o tratamento do consultório.
As próprias pacientes que recebem a aplicação de fitoacupuntura como terapêutica para
a STPM são as responsáveis por estimularem as sementes. Sendo assim, instiga-se a reflexão
da sociedade de mulheres que têm os sintomas da síndrome possibilitando o aumento da
qualidade de vida dessas através da percepção de como os sintomas da STPM interferem no
modo de viver de cada mulher.
Assim, este tratamento instiga o autocuidado, o autoconhecimento e a autonomia,
através do resgate da responsabilidade do sujeito com sua saúde, possibilitando uma discussão
sobre o preceito desmedicalização social para a acupuntura.
Este artigo buscou subsidiar pesquisas que abordem a STPM com o direcionamento
pela MTC, utilizando-se da fitoacupuntura para estimular os pontos de acupuntura como
alternativa e/ou complementaridade de terapêutica. Espera-se que sejam exploradas
metodologias que propiciem ampliar estudos acerca da eficácia do tratamento com a
fitoacupuntura para a referida síndrome e outras patologias.

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