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COLÉGIO PEDRO II

EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO ENSINO BÁSICO –


EREREBÁ
Sociologia das relações étnico-raciais

Prof.ª Alline Cruz

Aluna: Vívian Caroline da Silva Pereira

O negro e a produção de conhecimento científico na área das ciências sociais

Em Racismo e sexismo na cultura brasileira, Lélia Gonzales (1984) faz uma


articulação entre racismo e sexismo e discute os efeitos que essa articulação causa na
mulher negra. A discussão se dá a partir das noções de mulata, doméstica e mãe preta.

Seguindo a epistemologia de Freud e Lacan, ela considera que os negros estão na


lata de lixo da sociedade brasileira e que o dominador tenta nos domesticar porque somos
infantilizados, ou seja, não possuímos fala. Assim, seguindo a lógica do dominador,
temos que ter alguém que fale nós, alguém que nos estude, nos apresente na academia.
Quando ela diz que o lixo vai falar, ela tira o negro do lugar de objeto de estudo para o
lugar do que fala por si mesmo, contando sua própria história.

Na sociedade, o negro sempre esteve relacionado com o que não é bom. O


malandro que não gosta de trabalhar, o irresponsável, o intelectualmente incapaz, ladrão,
uma criança grande. O que se sobra para a mulher negra, então, é ser a servente, a
doméstica, a faxineira. Daí xs negrxs têm que ser domesticados, enquadrados em um de
comportamento que o dominador (o branco) criou para não parecer negro. É uma neurose
cultural brasileira, o que em Ramos (1957) é chamado de patologia social do branco. O
mito da democracia racial mascara todo esse processo repressor, criando a falsa sensação
de harmonia.

Porém, nas manifestações da cultura brasileira pode-se ver traços da africanidade,


que a sociedade tenta mascarar, e também o lugar da mulher negra nessa formação
cultural. É durante o carnaval que o mito da democracia racial aparece com toda sua força
e aí a mulher negra deixa de ser a doméstica, a faxineira, a gata borralheira, para ser a
rainha do asfalto, adorada e desejada por homens brancos. Porém, passados os dias de
festa ela volta para o seu lugar de subalterna, da empregada doméstica. Mulata e
doméstica, então, são atribuições dadas ao mesmo sujeito, a mulher negra, porém essas
nomeações dependerão da situação em que a mulher negra se encontra. Se a mulher negra
está nas ruas, em seu cotidiano, ela será vista como a empregada, aquela que está sempre
para servir, mas o carnaval ela é quem manda, ela é a deusa que inebria os olhares dos
homens brancos. É uma relação que também objetifica a mulher negra, ela só tem valor
naquele momento específico, e um valor sexual.

No texto, Lélia diz que a resposta para essa confusão está nos tempos da
escravidão, e traz uma reflexão sobre o termo mucama, a escravizada moça e de estimação
que auxiliava nos serviços de dentro de casa ou acompanhava as pessoas da família e, por
vezes era ama-de-leite. A mucama tornou a vida da mulher branca mais fácil, ela fazia
todo o trabalho doméstico, cuidava das crianças, dela e da mulher branca, enquanto a
sinhá descansava ou fazia o que tinha vontade, na hora que queria. Deste modo a figura
da doméstica é uma deslizamento da figura da mucama. A doméstica é a mucama
permitida pela lei. Sua função permanece a mesma, a de servir aos donos da casa. Na
sociedade, ela deve ser ocultada, sua exaltação acontece apenas no carnaval.

Quando na função de cuidar do filho da mulher branca, a mulher negra é a mãe-


preta. Essa figura é a que, de acordo com Lélia, dá a rasteira na raça dominante. Como é
a mulher negra que cuida, alimenta, ensina, ela se torna a mãe dessa criança e a mulher
branca é a outra. A mulher branca, a esposa, está ali somente como progenitora, a que
pari os filhos brancos para o senhor. Além de cuidar dessa criança a mãe-preta acaba
transferindo, também, seus valores, crenças e conhecimentos. A tal rasteira mencionada
está aí. A dita cultura brasileira foi forjada no meio da raça dominante por mulheres
negras. Elas, através do seu trabalho de cuidar dos filhos das famílias brancas, incutia
neles sua cultura, africanizando o Brasil. É essa africanização, esses traços africanos que
os brancos tentam esconder na sociedade.

Aí vem a castração, a domesticação, e tudo que tiver ligado ao negro vai ser ruim,
negativo. Mas quando tem que falar da dita cultura brasileira, aí se lembram,
convenientemente, das marcas africanas aqui. Exaltam as expressões do português
brasileiro, samba, acarajé, o carnaval e usam a mulata pra representar a nossa gente, como
um produto de exportação. Aliás, é o carnaval é um dos instrumentos para se vender a
“cultura brasileira.”

Quando Lélia Gonzalez (1984) diz que o negro está na lata de lixo da
sociedade brasileira, ela está falando do apagamento de uma história, de uma memória.
Abdias nascimento (1980) coloca a memória como elemento fundamental para que xs
negrxs assumam suas raízes, sua história, sua cultura. Essa é uma estratégia da elite
dominante para manter seu status, seus privilégio, apagam da memória as lembranças
boas dos países da África. Essa estratégia é mantida pelo sistema de educação que até os
dias atuais, tratam do continente africano com memórias negativas, a pesar da Lei 10639
que obriga o ensino de história e da cultura africana e afro-brasileira no ensino básico.
Assim, tudo que é da África ou está ligado a esse continente é rejeitado.

O apagamento da memória visa gerar negações ou distorções sobre o saber, sobre


os conhecimentos científicos e filosóficos africanos. Abdias nos apresenta, então, alguns
pesquisadores negros que se dedicam a exorcizar as mentiras históricas, distorções sobre
África para restaurar um passado, pois ter passado nos permite ter responsabilidade sobre
o futuro do nosso povo. Entre estes cientistas está Cheik Anta Diop, que se dedica a
reconstruir a significação e os valores das antigas culturas e civilizações africanas. Diop
desmonta as verdades universais contadas a respeitos da antiguidade egípcia e grega. Ele
contesta a ideia de um Egito branco criada pela elite dominante para mostrar a origem
branca da civilização. Ele mostra, através de rigorosas análises, que fatores históricos,
condições mesológicas, somados a fatores não rácicos, a origem negra ado Egito.

A memória do negro brasileiro data do período escravocrata, com o extermínio


dos indígenas, os africanos escravizados foram os que trabalharam para erguer o Brasil.
De acordo com Abdias, o negro não é um corpo estranho no Brasil, ele não é lixo, ele é
o corpo e alma deste país, porém nunca foi tratado de como igual pela minoria branca.
Estes detém em suas mão o poder, a renda e muitos privilégios. Como diz o samba de
Mangueira, tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado. Quando o currículo
escolar privilegia conteúdos eurocentrado e deixando de lado a história e cultura africana
e afro-brasileira, está se provocando um apagamento da memória de um povo que é corpo
e alma do país. Esse apagamento é proposital, para servir a elite detentora de poder, os
brancos, que têm medo de perder seus privilégios sociais.
O branco se sentia inferior em número e em avanço cultural, sua saída, então, foi
o racismo. A ciência negra, portanto, verificaria o fenômeno mental e psiquiátrico que
motivou os europeus a escravizarem. O racismo que opera na sociedade brasileira é a
imposição de uma minoria branca-europeia sobre uma maioria negra de origem africana.
Para assegurar seu domínio, a minoria utiliza diversas estratégias, como o uso de violência
policial, violência econômica como formas de genocídio, a elaboração da democracia
racial que disfarça os privilégios brancos. Essa minoria branca também recorreria também
a produção de estereótipos e domesticação psicológica, a afirmação da excelência da
brancura e a degradação da estética da cor negra. É a patologia social do branco brasileiro.

A idealização da brancura ainda está viva na sociedade brasileira e é sintoma de


uma falta de integração social. Assim o problema do negro brasileiro é a patologia social
do branco. Uma minoria branca letrada criou tal problema devido a adoção de critérios
de trabalhos científicos não originados de suas circunstancias naturais diretas.

Os imigrantes europeus aqui chegaram e começaram a desfrutar dos privilégios


sociais concedidos pelos seus parceiros raciais. Os negros, então, com fim da escravidão,
perderam espaço no mercado de trabalho porque as vagas eram preenchidas por tais
imigrantes. O que restou ao negro foi o agrupamento em espaços conhecidos como
favelas, alagados, invasões, conjuntos populares. A estratégia para a sobrevivência foi o
aquilombamento, os quilombos permitiram a continuidade africana no Brasil. Se antes os
quilombos se localizavam em locais afastados como medida de segurança para os
escravizados fugidos, hoje aparecem em forma de redes de associações – escolas de
samba, afoxés, gafieiras, terreiros, tendas, centros. São quilombos permitidos pela elite
dominante.

Além do quilombismo, para derrotar o sistema dominante vigente o negro precisa,


também vencer sua intelligentsia, responsável pela cobertura da opressão através da
teorização científica. Essa teorização científica promove a inferiorização do negro, a
desumanização, opressão biossocial, a miscigenação sutil e o mito da democracia racial.
A intelligentsia, criou uma ciência eurocêntrica que serve aos interesses dos dominadores
e universalizada. A ciência europeia promoveu uma lavagem cerebral, retirando do povo
negro a dignidade, a integridade, a humanidade e a liberdade.

O negro necessita de um conhecimento científico que os ajude a formular


teoricamente o que sofreu em quase meio século de opressão. Essas experiências devem
ser interpretadas, sistematizadas, pelos próprios negros, a partir de seus próprios
interesses e visão de futuro. O quilombismo permitiria ao negro edificar esta ciência.
Somente a mobilização coletiva da população negra, das inteligências, junto com a
criação de uma teoria científica fundida à prática histórica contribuiria para a salvação do
povo negro que vem sendo exterminado pelo sistema dominante. Para o negro vencer a
neurose cultural brasileira dita por Lélia Gonzalez (1984), a patologia social do branco
(RAMOS, 1957), teria que juntar a comunidade negra e criar uma teoria científica própria
a partir de sua vivência. Assim, deixaria de ser o lixo social, passando a ser senhor de sua
própria história.
Referências

GONZALES, Lélia. "Racismo e sexismo na cultura brasileira". In: Revista Ciências


Sociais Hoje, Anpocs, 1984, p.223-244.
NASCIMENTO, ABDIAS. "Quilombismo: um conceito científico emergente do
processo histórico-cultural das massas afro-brasileiras". In: O Quilombismo.
Documentos de uma militância pan-africanista. Petrópolis: Vozes, 1980, p. 245-281.
RAMOS, Guerreiro. "Patologia social do 'branco' brasileiro". In: Introdução Crítica à
Sociologia Brasileira. Rio de Janeiro: Editorial Andes Ltda. 1957, p. 123-159; 171-
192.