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2019

VIDA
DEVOCIONAL
Desenvolvendo a intimidade com o
Senhor

Gildasio Jesus B dos Reis


MINISTRO PRESBITERIANO
I-1
I-2

1.1. Sumário

INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. I-4


I. DEFININDO VIDA DEVOCIONAL.......................................................................................... II-6
II. Consequência da falta de vida devocional ......................................................................... II-7
III. OBJETIVO DA VIDA DEVOCIONAL.................................................................................. III-9
a. DEVOÇÃO EM AÇÃO.................................................................................................... III-10
b. CONCENTRADA EM DEUS ........................................................................................... III-10
IV. PRINCÍPIOS PARA O EXERCÍCIO DA PIEDADE ......................................................................... IV-12
a. PRINCÍPIOS DE TREINAMENTO ................................................................................... IV-12
USANDO A PALAVRA DE DEUS ............................................................................................ IV-15
V. BUSCANDO A DEVOÇÃO PELA ORAÇÃO .......................................................................... V-18
ORANDO PELO CRESCIMENTO ....................................................................................................
Quatro motivos de John Owen para a vida de oração do pastor ............................................ V-19
VI. REVITALIZANDO NOSSA VIDA DE ORAÇÃO ................................................................. VI-21
A ORAÇÃO DO PAI NOSSO: ORAÇÃO MODÊLO................................................................... VI-21
Como não devemos orar..................................................................................................... VI-22
COMO DEVEMOS ORAR ...................................................................................................... VI-22
Prefácio da Oração do Pai-Nosso: ....................................................................................... VI-23
a. EXPRESSANDO nossa preocupação com a glória de Deus .......................................... VI-24
b. EXPRESSANDO nossa dependência DE Deus .............................................................. VI-25
VII. CADERNO DE ORAÇÕES: UM INSTRUMENTO PARA REVOLUCIONAR NOSSA VIDA DE
ORAÇÃO ................................................................................................................................. VII-28
VIII. LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA ............................................................................. VIII-29
Benefícios da Meditação na palavra ................................................................................. VIII-30
IX. DIAGNOSTICANDO NOSSAS DIFICULDADES NO ESTUDO DA PALAVRA...................... IX-31
A - IDENTIFICANDO NOSSAS DIFICULDADES: ...................................................................... IX-31
B. SUPERANDO NOSSAS DIFICULDADES: ....................................................................................
X. APRENDENDO A FAZER UM “DIÁRIO ESPIRITUAL” ...................................... X-37
COMO LER A Bíblia? ............................................................................................................ XI-39
B. É necessário se alimentar da Palavra de Deus. 2.2 ...................................... XI-40
Como ler a Bíblia e fazer seu devocional ........................................................................... XII-42
1. Tenha um plano de leitura bíblica ............................................................................ XII-42
2. Escolha o plano mais adequado para você ............................................................ XII-42
I-3

3. Lembre-se que a palavra de Deus é “viva e eficaz” ............................................. XII-43


4. A vida devocional é mais simples do que imaginamos ........................................ XII-43
5. Ore antes e depois da leitura bíblica ....................................................................... XII-44
6. Procure Cristo, procure Cristo, procure Cristo ....................................................... XII-44
7. Faça perguntas e procure respostas ....................................................................... XII-45
XII. CONFISSÃO: O discípulo buscando ................................................................................. XIII-46
O QUE É CONFISSÃO? ....................................................................................................... XIII-46
O QUE DEVEMOS CONFESSAR .......................................................................................... XIII-46
OBSTÁCULOS À CONFISSÃO .............................................................................................. XIII-47
OS ALARMES DE DEUS ...................................................................................................... XIII-49
Aplicando o ensino ........................................................................................XIII-51
Você reconhece facilmente suas falhas? Ou tenta encobri-las? ....................XIII-51
XI. O DISCÍPULO DE CRISTO E SEU CRESCIMENTO ESPIRITUAL...................................... XIV-52
O que não é crescimento espiritual .................................................................................. XIV-52
A Escritura: A chave mestra para o crescimento espiritual. ............................................. XIV-53
Sugestões práticas para seu relacionamento com a Palavra ............................................ XIV-55
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ................................................................................................ XIV-57
I-4

I. INTRODUÇÃO

“A oração particular é o teste de nossa sinceridade, o indicador de nossa


espiritualidade, o principal meio de crescimento na graça. A oração particular é a
única coisa, acima de todas as demais, que Satanás busca impedir, pois ele bem
sabe que, se ele puder ser bem-sucedido neste ponto, o cristão falhará em todos
os outros”

Um Guia para a oração fervorosa. Arthur W. Pink p. 149

“O teste definitivo da minha compreensão do ensino bíblico é a quantidade de


tempo que eu gasto em oração… Se todo o meu conhecimento não me conduz à
oração, certamente há algo de errado em algum lugar”.

LLOYD-JONES, David Martyn. Como está sua vida de Oração?1

Excesso de atividades e nossa vida devocional

Penso que na essência, todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas
e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os
dias: aconselhamentos, visitas, escrever artigos, fazer ligações telefônicas,
preparar estudos e sermões, separar tempo para planejar, reunir-se com a
liderança, etc.…

Obviamente, existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso
mundo é voltado para o sucesso. Em razão disso, em nossas muitas atividades
eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos. Orgulhamos por
ter uma grande Igreja, um grande coral, um grande…

Conscientemente ou não, corremos atrás de atender a um modelo ideal de


pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está
sempre ocupado, sem tempo para mais nada. Se estar atarefado é ser
importante, então preciso estar atarefado. Tornamo-nos daí pastores
compulsivos, onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas
atividades.

Sutilmente somos enganados, e por fazermos parte de uma sociedade


competitiva, constantemente temos que provar o nosso valor, a nossa utilidade,
e para tanto, procuramos nos manter sempre ocupado. 2 Como evitar cair na

1
http://igrejapuritana.blogspot.com/2014/02/como-esta-sua-vida-de-oracao-martyn.html
2
Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “No Nome de Jesus”,
onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante, ser espetacular e ser
poderoso.
I-5

armadilha do excesso de atividades? A resposta é a mais simples possível:


Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. Parece uma ousadia falar assim
aos pastores, mas aqui falo também como pastor – em nossa vida agitada e
cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de
aprofundarmos nossa vida espiritual. Solidão é o remédio contra o ativismo
pastoral.

Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15,16, que a ação interna
(oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação). O v.15 nos
informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e
o v.16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”. Jesus
percebeu o perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades,
negligenciando sua vida devocional.

O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus, sem, ao mesmo tempo,


imitar sua vida profunda de oração, torna-se um prejuízo para a fé e um
empecilho para o crescimento da igreja.

Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade de elas terem
um tempo a sós com Deus. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas
também, e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando
somos ordenados ao ministério.

Você está em uma rotina espiritual? O objetivo desse curso é desafiar seu
coração para investir e revigorar sua prática devocional.

Rev. Gildásio Reis


IBEL - Patrocínio, MG – dezembro de 2019
II-6

II. DEFININDO VIDA DEVOCIONAL


“Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face
continuamente” Sl 105.4

Escrevendo ao jovem pastor e líder Timóteo, Paulo orienta: “...Exercita-te,


pessoalmente, na piedade”. (I Tm 4.8b). Isso porque o pastor, o líder cristão não
pode ler a Bíblia apenas para preparar sermões, palestras e estudos bíblicos.
Isso pode nos levar pelo campo da banalização e da profissionalização do
ministério.

Há momentos em que, por qualquer motivo, a nossa vida devocional fica


estagnada. A leitura bíblica parece ser uma tarefa colossal, nossas orações
ficam mornas e fracas, e nosso amor por Deus diminui. Sentimos que estamos
presos em uma rotina espiritual, como se não tivéssemos nenhuma tração na
alma, como se estivéssemos apenas girando em nossas rodas espirituais. Estes
tempos de estagnação podem ser incrivelmente frustrantes e desanimadores.

1.2. 1.2. O que é vida devocional?

O termo “devocional” caracteriza a ação prática da devoção ou prestar devoção.


Devocional é um tempo que se separa para estar a sós com Deus, orando, lendo
a sua palavra, adorando, etc.

Devocional não é só um compromisso em sua agenda. Devocional é uma prática


que sustenta um relacionamento íntimo com o Senhor. A vida devocional é o
momento em que separamos para comunhão com Deus de maneira mais
pessoal. Momento para louvar, ler a bíblia, estudar e meditar mais sobre a
palavras de Deus.

Joe Beeke assim define:

A expressão “hora devocional” é empregada para descrever um período


regular diário, separado para um encontro com Deus por meio de sua
Palavra e pela oração. Um dos grandes privilégios do crente é ter
comunhão com o Deus Todo-poderoso. Isto fazemos ouvindo-o falar-nos
por intermédio de sua Palavra e falando nós a ele pela oração.

A vida devocional nunca deve ser vista como obrigação, mas sim como privilégio
para o cristão. No entanto, muitos não conseguem ver dessa maneira, pois ainda
não desfrutaram dos privilégios de ter um encontro diário com Jesus. Para
alguns, a grande dificuldade é conseguir entender o que leu na Bíblia. Para
II-7

outros é a dificuldade de separar um tempo, em meio a correria do nosso dia a


dia.

Contudo, uma vez que o momento devocional deve ser parte do nosso dia a dia,
os resultados aparecem na intimidade com o Senhor, no conhecimento da
Palavra e na sua aplicação.

Uma vida devocional disciplinada é assunto inteiramente pessoal, e não


ousamos relegá-lo a uma exigência profissional rotineira. Antes de sermos
Líderes, somos filhos de Deus, individualmente responsáveis e necessitados do
alimento espiritual diário. Como Líderes logo percebemos que alimentar o
rebanho de Deus requer que primeiro sejamos estudantes diligentes da Palavra.
Mesmo assim, uma das maiores armadilhas para o obreiro cristão, é permitir que
o período dedicado ao estudo pessoal substitua o período devocional particular.
Fazê-lo pode ser comparado a passar a semana inteira preparando um banquete
para hóspedes convidados, sem ter tempo de se sentar para comer.

No momento devocional diário, nos colocamos disponíveis para ouvir o Senhor.


A meditação na Palavra nos molda segundo a imagem de Cristo, enquanto
aprendemos os princípios pelos quais devemos viver e dirigir nossas vidas.
Desfrutamos de tudo o que advém do aprofundamento da comunhão com o
Senhor, através da oração e adoração.

1.3. 1.2. Consequência da falta de vida devocional

“Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração


perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo. ” (Hebreus 3:12)

O versículo acima nos alerta: “Cuidado”. Se não cuidarmos da nossa vida


espiritual, ficaremos apáticos. Ficaremos frios na fé, não vamos ter vontade de
orar, as dúvidas virão e penetrarão em nós, ao ponto de não conseguirmos crer
como antes.

Ausência de vida devocional leva à dureza do nosso coração e isso,


consequentemente, nos leva a um trágico processo de afastamento de Deus e
frieza na fé.
II-8

Veja esse processo:

1. Nossas orações particulares se tornam mais frias, formais e curtas.


2. As Escrituras se tornam menos relevantes para nós, a pregação mais
trabalhosa.
3. Começamos a trabalhar para Deus e não com Deus.
4. Examinamos a nós mesmos com menos frequência,
5. O afastamento nos leva a falar mais sobre Deus e menos com Deus.
6. A linha de separação entre piedade e impiedade vai se tornando mais
obscura.
7. Sentimos pouca convicção de pecado, e vamos tentando justificar
nossos erros.
8. Vamos deixando de amar os irmãos e começamos a pastorear a nós
mesmos.

Oração: Senhor, ajuda-me a priorizar aquilo que é mais importante em minha


vida, que é a Tua Palavra. Em nome de Jesus, amém
III-9

III. OBJETIVO DA VIDA DEVOCIONAL3

“O exercício físico é de pouco proveito; a piedade, porém, para tudo


é proveitosa, porque tem promessa da vida presente e da futura”
1 Tm 4.8

Não há maior elogio a um cristão do que chamá-lo de piedoso. Pode ser ele um
consciencioso pai; uma mãe amorosa; um zeloso obreiro eclesiástico; um
dinâmico porta-voz de Cristo ou um talentoso líder cristão. Tudo isso, porém, só
terá valor se a pessoa for piedosa.
As palavras piedoso e piedade aparecem apenas umas poucas vezes no Novo
Testamento; não obstante, a Bíblia toda é um livro sobre piedade. E quando, de
fato, essas palavras aparecem, estão carregadas de significado e instrução.

Tito 2.11-13 - 2 Pedro 3.10-12

Paulo, desejando destilar a essência da vida cristã em um breve parágrafo,


concentra-se na piedade, dizendo que a graça de Deus “nos ensina a renunciar
à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e
piedosa”, enquanto aguardamos a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (Tito
2.11-13). Em sua primeira carta a Timóteo, Paulo realça a piedade. Devemos
orar a favor de todos os que se acham investidos de autoridade, para que
vivamos vida tranquila e pacífica, com toda piedade e santidade. Devemos
exercitar-nos na piedade. (Cf. piedosa (2 Pedro 3.10-12).

Certamente, pois, a piedade não é um luxo espiritual opcional para uns poucos
cristãos excêntricos de uma era passada ou para algum grupo de super santos
de nossos dias. É, a um tempo, dever e privilégio de cada cristão perseguir a
bondade, exercitar-se na piedade e estudar com diligência sua prática. Para isso
não temos necessidade de nenhum talento ou equipamento especial. Deus deu
a cada um de nós “tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade” (2
Pedro 1.3). O mais comum dos cristãos tem tudo o de que necessita, e o mais
talentoso dos cristãos deve usar esses mesmos recursos na prática da piedade.

• Que é, pois, a piedade?


• Quais são as marcas de uma pessoa piedosa?
• Como a pessoa se torna piedosa?
• Que tem você em mente quando pensa na piedade?

3
BRIDGES, Jerry. Exercita-te na piedade. Editora Monergismo. 2016. (capítulo adaptado da obra de
Jerry Bridges.)
III-10

3.1. Devoção em ação – Gênesis 5.21-24

Logo em suas primeiras páginas, a Bíblia apresenta algumas pistas acerca da


piedade. Gênesis 5.21-24 fala de Enoque, pai de Matusalém. Num resumo muito
breve da vida de Enoque — apenas três versículos — duas vezes Moisés o
descreve como alguém que “andou com Deus”. O autor de Hebreus dá a
Enoque um lugar no grande “Rol de Honra da Fé”, no capítulo 11; porém vê a
Enoque de uma perspectiva ligeiramente diferente. Ele o descreve como alguém
que havia “agradado a Deus”. Aqui estão, portanto, duas pistas importantes:
Enoque andou com Deus e Enoque agradou a Deus. Essas duas afirmativas
deixam claro que a vida de Enoque centralizava-se em Deus; Deus era o ponto
focal, a estrela polar de sua existência.

Enoque andou com Deus, gozou de um relacionamento com Deus e agradou a


Deus. Poderíamos dizer, com precisão, que ele era devotado a Deus. Este é o
significado de piedade.

A palavra que o Novo Testamento emprega com referência à piedade, em seu


sentido original, transmite a ideia de uma atitude pessoal para com Deus, que
resulta em ações agradáveis a ele.

Esta atitude pessoal para com Deus é o que chamamos devoção. Porém, ela é
sempre devoção em ação. Não se trata apenas de um sentimento emocional, a
respeito de Deus. Não é o tipo de sentimento que nos domina quando cantamos
um antigo e majestoso hino de louvor ou um estribilho de adoração dos tempos
atuais. A devoção a Deus não é meramente um momento de leitura da Bíblia e
oração a sós, prática às vezes chamada de “devoções”. Embora esta prática seja
de vital importância para a pessoa piedosa, não devemos defini-la como
devoção.

3.2. Centrada em Deus

Devoção não é uma atividade; é uma atitude para com Deus. Atitude esta que
se constitui de três elementos essenciais:
1. O temor de Deus;
2. O amor a Deus;
3. O desejo de Deus.

O exercício da piedade é uma prática ou disciplina que se concentra em Deus.


Desta atitude para com Deus surgem o caráter e a conduta que geralmente
consideramos como piedade. Assim, com frequência tentamos desenvolver o
III-11

caráter e a conduta cristãos sem tomar o devido tempo para o desenvolvimento


da devoção centrada em Deus.
Tentamos agradar a Deus sem tomar tempo para andar com ele e estabelecer
um relacionamento com ele. Isto é impossível.
William Law emprega a palavra devoção num sentido mais amplo, que inclui tudo
o que se relaciona com a piedade — ações bem como atitude:

Devoção significa uma vida dada ou devotada a Deus. Portanto, devoto


[piedoso] é o homem que já não vive para a sua própria vontade, ou para
o caminho e espírito do mundo, mas para a exclusiva vontade de Deus;
que considera Deus em tudo; que serve a Deus em tudo; que faz todas
as partes de sua vida comum, partes da devoção [piedade], tudo
realizado em nome de Deus, e sob normas tais que se conformam à sua
Glória.

Ora, é óbvio que tal estilo de vida centrado em Deus não pode ser desenvolvido
e mantido sem um sólido fundamento de devoção a Deus. Só um forte
relacionamento pessoal com o Deus vivo pode impedir que tal compromisso se
torne opressivo e legalista. João escreve que os mandamentos de Deus não são
pesados. A vida piedosa não é cansativa, pois a pessoa piedosa é, antes de
tudo, devotada a Deus.

A devoção a Deus é, pois, o manancial do caráter piedoso. E esta devoção é a


única motivação que leva o comportamento do crente a tornar-se agradável a
Deus. Esta motivação é o que separa a pessoa piedosa da pessoa moral, da
benevolente ou da zelosa. A pessoa piedosa é moral, benevolente e zelosa por
causa de sua devoção a Deus. E sua vida assume uma dimensão que reflete a
imagem divina.
É pena que muitos cristãos não tenham esta aura de piedade. Podem ser muito
talentosos e bem apessoados, ou viver muito ocupados na obra do Senhor, ou
até bem-sucedidos em algumas áreas do serviço cristão e ainda não ser
piedosos. Por quê? Porque não são devotados a Deus. Podem ser devotados a
uma visão, ou a um ministério, ou à sua própria reputação de crentes, mas não
a Deus.
IV-12

IV. PRINCÍPIOS PARA O EXERCÍCIO DA PIEDADE4


“Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te,
pessoalmente, na piedade” 1 TIMÓTEO 4.7

O apóstolo Paulo não contava como certa a piedade de Timóteo, seu filho
espiritual. Embora Timóteo tivesse sido seu companheiro e colaborador durante
alguns anos, Paulo ainda achou necessário escrever-lhe: “Exercita-te,
pessoalmente, na piedade” (ARA). Se Timóteo necessitava deste estímulo,
certamente também dele necessitamos hoje.
Insistindo com Timóteo a que se exercitasse na piedade, Paulo empregou um
verbo do mundo dos desportes cuja raiz é traduzida em diferentes versões
bíblicas por “exercitar”, “disciplinar” ou “treinar”, e refere-se ao treinamento
dos jovens atletas para participação nas competições desportivas da época.

4.1. Cinco princípios de treinamento

Há, na exortação de Paulo a Timóteo, diversos princípios para o exercício da


piedade aplicáveis a nós, em nossos dias.

1) Responsabilidade pessoal. Paulo disse: “Exercita-te pessoalmente”.


Timóteo era pessoalmente responsável por seu progresso na piedade.

Nós, cristãos, podemos ser muito disciplinados em nossos negócios, nossos


estudos, nosso lar ou mesmo em nosso ministério, mas tendemos a ser
preguiçosos quando se trata de exercitar a vida espiritual. Preferimos orar,
dizendo: “Senhor, faze-me piedoso”, e esperar que ele, de alguma forma
misteriosa, “derrame” piedade em nossa alma. De fato, Deus opera de modo
misterioso para fazer-nos piedosos, mas primeiro temos de cumprir nossa
responsabilidade pessoal. Devemos exercitar-nos pessoalmente na piedade.

2) O objeto deste exercício era o crescimento na vida espiritual.

Em outro lugar Paulo incentiva Timóteo a progredir em seu ministério, mas aqui
o objetivo é a devoção de Timóteo a Deus e a conduta resultante dessa devoção.
Muito embora fosse um ministro cristão experiente, com boas qualidades,
Timóteo ainda necessitava crescer em algumas áreas da vida cristã.

4
BRIDGES, Jerry. Exercita-te na piedade. Editora Monergismo. 2016. (capítulo adaptado da obra de
Jerry Bridges.)
IV-13

Paul Tripp, em sua obra Vocação Perigosa chama a nossa atenção para dois
grandes perigos no ministério pastoral:

1º.) O perigo de confundir experiência ministerial com maturidade


espiritual.

Quanto mais tempo no ministério, mais obstáculos você terá conhecido, mais
tropeços terá tido e mais fácil será você pensar que chegou ao topo do sucesso.
Você não é mais inexperiente em seu ministério. Os empurrões e puxões do
ministério na igreja local não são mais novidade para você. Provavelmente você
não ficará mais surpreso pelo que acontecerá a seguir porque já viu quase de
tudo acontecer. Você veio a saber que ministério é guerra. Você sabe que
frequentemente ele é tão desapontador quanto empolgante. Você sabe que terá
ambos: os seus caluniadores e os seus defensores. Você conhece as pressões
que enfrentará, equilibrando ministério e família. Você sabe que o ministério da
igreja local passa por fases.5

Assim, toda essa experiência faz você sentir que é maduro, mas isso pode ser
um espelho perigoso e distorcido no qual olhar.

O fato é que há uma diferença crítica entre a sabedoria obtida pela


experiência e a obtida pela maturidade espiritual. Você pode saber
o que vai acontecer a seguir, porque já passou por essa experiência
algumas vezes, mas você pode não lidar bem com o que vai
acontecer a seguir porque lhe falta maturidade.

A experiência lhe ensinará algumas coisas, mas ela simplesmente não tem o
poder de torná-lo santo. Infelizmente, quando você deixa a experiência lhe dizer
que você é maduro, quando não o é, você deixa de se comprometer com a
mudança porque não acredita que ela seja necessária.6

2º.) O perigo de confundir conhecimento bíblico e teológico com


maturidade espiritual.

O conhecimento bíblico é vital, essencial, insubstituível, mas ele não deve ser
confundido com a verdadeira fé ou maturidade espiritual pessoal. A fé é
profundamente mais do que o que você faz com o seu cérebro. O conhecimento
é um aspecto da fé, mas não a define. Finalmente, fé é um investimento do

5
TRIPP. Paul. Vocação Perigosa. Ed. Cultura Crista. 2018. p.135
6
TRIPP. Paul. Op Cit., p.136
IV-14

coração que leva a uma forma radicalmente nova de viver a sua vida. A
maturidade espiritual é mais do que maturidade de conhecimento.

Não é nenhum exagero dizer que há toneladas de pastores instruídos


teologicamente que, na maneira como vivem e ministram, são imaturos
espiritualmente. O seu nível de conhecimento bíblico e teológico não é um
espelho seguro no qual olhar para avaliar a sua maturidade espiritual.

Lloyd.Jones mostra qual é o perigo que nos cerca caso valorizemos apenas o
conhecimento intelectual:

De muitas maneiras, o maior perigo com que todos nos defrontamos, é o perigo
de nos contentarmos com um conhecimento e uma apreensão meramente
intelectuais das coisas espirituais. Tal conhecimento é sumamente valioso, mas
se ficar nisso, poderá ser completamente inútil e, de fato, positivamente
danoso, porque poderá drogar-nos e deixar-nos numa condição em que
achamos que nada mais é necessário.7

3) Precisamos ter compromisso.

Ninguém alcança o nível da competição olímpica, ou mesmo nacional, sem o


compromisso de pagar o preço de treinamento diário e rigoroso. Do mesmo
modo, ninguém jamais se torna piedoso sem pagar o preço do exercício
espiritual diário que Deus planejou para nosso crescimento na piedade.
O conceito de compromisso ocorre repetidamente na Bíblia toda. Encontra-se no
clamor de Davi a Deus: “Eu te busco intensamente” (Salmo 63.1).

“Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração”


(Jeremias 29.13). Ocorre no esforço de Paulo por conseguir aquilo para o qual
Cristo Jesus o havia conquistado (Filipenses 3.12). Está por trás de exortações
tais como: “Segui… a santificação” (Hebreus 12.14), e “empenhem-se para
acrescentar à sua fé… a piedade” (2 Pedro 1.5-7). Parte alguma desta busca,
diligência ou esforço ocorrerá sem nosso compromisso.
A piedade tem bom preço e jamais entra em liquidação. Ela nunca vem de
maneira barata ou fácil. O verbo exercitar, que Paulo escolheu deliberadamente,
denota esforço perseverante, esmerado, diligente.
Ele estava bem cônscio do compromisso total que os atletas faziam para
conquistar uma coroa perecível. Pensando na coroa imperecível: a piedade que
para tudo é proveitosa, tanto na vida presente como na vindoura, o apóstolo
instou com Timóteo, e admoesta-nos hoje a que assumamos o tipo de
compromisso necessário ao exercício da piedade.

7
LLOYD.Jones, D.M. Os Puritanos – Suas Origens e Seus Sucessores. PES: São Paulo. 1993. p. 58
IV-15

4) Precisamos de um mestre competente.


Nenhum atleta, não importa quanta capacidade natural possa ter, consegue
preparar-se para as Olimpíadas sem um técnico competente que o obrigue ao
mais alto padrão de excelência e veja e corrija cada pequena falha. Do mesmo
modo não podemos exercitar-nos na piedade sem o ministério de ensino e
treinamento do Espírito Santo. Ele nos força ao mais elevado padrão espiritual
de excelência à medida que nos ensina, censura, corrige e treina por meio de
sua Palavra. Portanto, se desejarmos crescer na piedade, devemos expor-nos
regularmente ao ensino da Palavra de Deus.
5) Precisamos colocar em prática o que sabemos.
É a prática que desenvolve a perícia que torna o atleta competitivo em sua
modalidade de esporte. É a prática da piedade que nos capacita a sermos
cristãos piedosos. Não há atalhos para a perícia de nível olímpico; não há atalhos
para a piedade. É a fidelidade ininterrupta aos meios que Deus preparou, e que
o Espírito Santo usa, que nos proporciona crescimento na piedade. Devemos
exercitar a piedade do mesmo modo que o atleta se exercita na sua modalidade
esportiva.

4.2. USANDO A PALAVRA DE DEUS

É evidente que a Palavra de Deus desempenha papel decisivo no crescimento


da piedade. Uma parte destacada do exercício na piedade é, portanto, o tempo
que empregamos no estudo da Palavra de Deus. Existem cinco métodos de
ingestão da Palavra de Deus: ouvir, ler, estudar, memorizar e meditar. Esses
métodos são importantes para a piedade e precisam ser considerados um por
um.

1º.) Ouvir a Palavra de Deus.

Apocalipse 1.3: “Bem-aventurados aqueles (e) que leem (lê) e aqueles que
ouvem…”

Conforme Tito 1.1, o conhecimento da verdade é que conduz à piedade.

2º) O segundo método de absorção é a leitura pessoal da Bíblia.


Pela leitura da Bíblia temos a oportunidade de aprender diretamente do Grande
Mestre, o Espírito Santo. Já vimos que Enoque andou com Deus, o que significa
que ele desfrutava de comunhão pessoal com Deus. A leitura da Bíblia capacita-
nos, também, a gozar de comunhão com Deus. Ele fala a nós através de sua
Palavra, estimulando-nos, instruindo-nos e revelando-se. De Moisés se disse
que “O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo”
(Êxodo 33.11).
IV-16

3º.) O terceiro método de ingerir a Bíblia é estudá-la.

A leitura bíblica dá-nos amplitude, mas o seu estudo nos dá profundidade. O


valor do estudo bíblico reside na oportunidade de cavar mais fundo numa
passagem ou tópico, coisa que a simples leitura não proporciona. O estudo
requer maior diligência e intensidade mental; no estudo analisamos uma
passagem, comparamos texto com texto, fazemos perguntas, observações e
finalmente organizamos o fruto de nosso estudo, apresentando-o de maneira
lógica. Fazer anotações no material de estudo ajuda a esclarecer nossos
pensamentos, o que fortalece o conhecimento da verdade e ajuda-nos a crescer
na piedade.
Todo cristão deveria ser estudante da Bíblia. Provérbios 2.1-5. Observe os
verbos que foram grifados para efeito de destaque:

Meu filho, se você aceitar as minhas palavras e guardar no coração os


meus mandamentos; se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração
para o discernimento; se clamar por entendimento e por discernimento
gritar bem alto; se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-
la como quem busca um tesouro escondido, então você entenderá o que
é temer o Senhor e achará o conhecimento de Deus.

Os resultados da aplicação destes princípios ao estudo da Bíblia encontram-se


no versículo 5: “Então você entenderá o que é temer o Senhor e achará o
conhecimento de Deus” — dois dos conceitos fundamentais em nossa
devoção a Deus. Se quisermos exercitar-nos na piedade, devemos dar ao estudo
bíblico prioridade em nossa vida.

4º.) Memorização de passagens importantes é o quarto método de


absorção bíblica.

Sem dúvida o versículo clássico que fala da memorização da Bíblia é Salmo


119.11: “Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti”. A palavra
que no versículo 11 é traduzida por “guardei”, tem o sentido de “armazenar”,
verbo mais descritivo do verdadeiro significado do termo hebraico. Por exemplo,
em Provérbios 7.1, Salomão diz: “Meu filho… no íntimo guarde os meus
mandamentos”. Em Provérbios 10.14, ele diz: “Os sábios acumulam
conhecimento”. No Salmo 31.19, Davi fala da bondade que Deus reservou para
os que o temem. Essas passagens deixam claro que a ideia central do salmista
no versículo 11 do Salmo 119 era a de entesourar, conservar, armazenar a
Palavra de Deus no coração para o tempo de uma futura necessidade, época
em que ele toparia com a tentação e a Palavra de Deus o guardaria de ser
tentado.
Mas a Palavra de Deus guardada no coração faz mais do que proteger- nos do
IV-17

pecado. Ela possibilita o crescimento em todas as áreas da vida cristã.


Especificamente para nosso exercício na piedade ela nos habilita a crescer em
devoção a Deus e em caráter semelhante ao de Deus, que torna nossa vida
agradável a ele.

5º.) O quinto método para ingerir a Palavra de Deus é a meditação.

A palavra meditar, empregada no Antigo Testamento, literalmente significa


murmurar ou sussurrar, e, por inferência, falar consigo mesmo. Quando
meditamos nas Escrituras, conversamos com nós mesmos a respeito delas,
revolvendo na mente os significados, as implicações e as aplicações delas à
nossa própria vida.

Embora usemos o Salmo 119.11 em conexão com a memorização da Bíblia, ele


pode também apoiar a prática da meditação. O salmista diz que guardava a
Palavra de Deus no coração, no mais íntimo do ser. A mera memorização
apenas introduz as Escrituras em nossa mente. A meditação sobre essas
mesmas Escrituras abre-nos o entendimento, toca nossas afeições e fala à
nossa vontade. Este é o processo de guardar a Palavra de Deus no coração.

Se, porém, o processo de memorização bíblica aplica-se basicamente à


meditação, também é verdade que é o primeiro passo para a meditação. A
meditação na Palavra de Deus é ordenada em Josué 1.8 e recomendada no
Salmo 1.2. Ambos os versículos falam da meditação de dia e de noite, e não
apenas na hora devocional.

Andar com Deus implica ter comunhão com ele. Sua Palavra é absolutamente
necessária e central à nossa comunhão com ele. Para agradarmos a Deus é
preciso que conheçamos a sua vontade: como ele quer que vivamos, o que ele
deseja que façamos. Sua Palavra é o único meio pelo qual ele comunica essa
vontade a nós. É impossível exercitarmos a piedade sem constante, regular e
equilibrada ingestão da Palavra de Deus em nossa vida.

A ingestão da Palavra é o recurso fundamental do exercício da piedade, porém


não o único. No próximo capítulo estudaremos a maneira de desenvolver
devoção a Deus, através da oração.
V-18

V. BUSCANDO A DEVOÇÃO PELA ORAÇÃO


“Eu te busco de todo o coração; não permitas que eu me desvie dos
teus mandamentos.” Salmo 119.10

Conquanto todos nós, como cristãos, possuamos uma centralidade básica em


Deus como parte integrante de nossa vida espiritual, devemos crescer nesta
devoção a Deus. Devemos exercitar-nos pessoalmente na piedade; devemos
esforçar-nos por associar à nossa fé a piedade. Crescer em piedade é crescer
em devoção a Deus e em semelhança ao seu caráter.
Mas se queremos crescer na piedade cristã, na devoção a Deus, precisamos
depender do Espírito Santo para provocar este crescimento. O princípio do
ministério cristão que Paulo apresenta em 1 Coríntios 3.7, “nem o que planta
nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o
crescimento”, é tão verdadeiro quanto o é o princípio do crescimento na piedade.
Devemos plantar e regar mediante quaisquer meios de graça que Deus nos
tenha concedido, mas só Deus pode fazer que a devoção piedosa cresça em
nosso coração.

5.1. Orando pelo crescimento

Expressamos esta vital dependência de Deus orando para que ele nos faça
crescer em devoção a ele.
Davi orou: “Dá-me um coração inteiramente fiel, para que eu tema o teu nome”
(Salmo 86.11).
Paulo orava para que os cristãos efésios pudessem compreender a largura, e o
comprimento, e a altura, e a profundidade do amor de Cristo (Efésios 3.16-19).
E Davi orava para que pudesse morar na casa do Senhor, contemplar a sua
beleza e meditar no seu templo (Salmo 27.4).
Cada uma dessas orações reconhece que o crescimento em devoção a Deus
provém dele.

Se estivermos comprometidos com a prática da piedade, nossa vida de oração


o refletirá. Estaremos regularmente pedindo a Deus que nos aumente o temor
dele, que aprofunde a compreensão de seu amor e eleve o desejo de comunhão
com ele.
V-19

5.2. Quatro motivos de John Owen para a vida de oração do pastor8

John Owen9 entendeu as exigências e privilégios do ministério. Em um valioso


sermão pregado num culto de ordenação na sexta-feira de 8 de setembro de
1682, ele expôs em termos desafiadores e práticos o que realmente é a tarefa
do pastor. Em sua mente, estava a necessidade urgente de ministros orarem.
Nesta parte, examinaremos os motivos que ele nos fornece para orar e
pensaremos no que um pastor deve orar num artigo posterior.

Os motivos da oração são:

1. A oração é a prova de que estamos cumprindo nossos deveres ministeriais


plenamente: Owen está convencido de que a oração é inflexível, de que a
oração é a medida de um homem verdadeiramente cumprindo o seu ministério.
“Deixe-o pregar o quanto quiser, visitar o máximo que puder conversar com o
quanto conseguir”, mas sem oração não há evidência de que ele esteja
verdadeiramente cumprindo o seu ministério.
2. Este é o caminho pelo qual abençoamos nossas congregações: a habilidade
do ministro de abençoar o seu povo não é autoritária (não é algo que ele
administra), mas desejável e declarativa. A única maneira pela qual podemos ver
a verdadeira bênção recair sobre o povo de Deus, é pedir-lhe que o conceda.
Este é um ótimo motivo para orar.
3. Nenhum ministro no mundo pode manter o seu amor pela igreja se ele não
ora por eles: o ministério pastoral significa que o pregador está em contato com
as melhores e piores condutas e atitudes cristãs. Ele encontrará muitos motivos
para o desencorajamento, à medida que pastoreia as almas dos que estão sob
seus cuidados e “nada capaz de manter o seu coração com amor inflamado em
relação a eles, se não estiver orando por elas continuamente”.
4. Deus nos ensinará o que devemos pregar ao nosso povo através da
oração: orando pelos crentes, o pregador está constantemente trazendo à sua
mente quais são as necessidades mais profundas da congregação, e isto, por
sua vez, afeta o seu pensamento sobre o que ele pregará – ‘quanto mais oramos
por nosso povo, melhor nos será instruído o que pregar a eles’.

Para muitos de nós, no ministério, o tempo e a aplicação à oração é a batalha


mais difícil de todas, e as palavras de Owen nos dão grande incentivo para

8
http://www.seminariojmc.br/index.php/2018/06/29/quatro-motivos-de-john-owen-para-a-vida-de-
oracao-do-pastor/
9
Nascido em 1616, John Owen é um dos mais renomados teólogos puritanos. A Morte da Morte na Morte
de Cristo, é, provavelmente, o seu livro mais famoso e mais influente. Foi publicado em 1647, quando
Owen tinha 31 anos. É o livro mais completo e provavelmente o mais persuasivo já escrito sobre o “L” em
TULIP: expiação limitada. (Notas minhas)
V-20

buscar a face de Deus em favor daqueles a quem ministramos – é crucial para


a alegria de nossos corações, a saúde de nossas almas, a eficácia da nossa
pregação e o bem dos nossos ouvintes.
VI-21

VI. REVITALIZANDO NOSSA VIDA DE ORAÇÃO

Nossa vida cristã não é estática. Às vezes experimentamos momentos de fervor


espiritual, mas também podemos viver momentos de sequidão e frieza na fé. E quando
chega a esse ponto precisamos nos voltar para Deus e suplicar por sua renovação.
Precisamos buscar a restauração do primeiro amor, do entusiasmo pela expansão do
reino, do desejo de viver com um coração consagrado a Deus, desejo de orar e ler a
Palavra, coisas essas que corremos o risco de perdermos e às vezes sem nos dar conta.
Mas como podemos restaurar nossa vida de oração e intimidade com o Senhor?

Cremos que a oração é um recurso indispensável para revitalizar nossa vida com Deus
e nos levar a experimentar crescimento e transformação em nossa vida pessoal, em
nossos lares e em nossas igrejas. A prática da oração é a arte de entrar na presença de
Deus e, por meio da fé, com base no sacrifício de Cristo, falar com Deus com toda
liberdade por meio da palavra audível ou silenciosa.

Como disse John Bunnyan: “Oração é o derramar sincero, consciente e afetuoso da


alma diante de Deus por meio do Senhor Jesus Cristo, na graça do Espírito Santo”.10
Em outras palavras, orar é reconhecer o senhorio de Deus e a nossa inteira
dependência dEle. Pois na oração confessamos a estreiteza de nossos recursos e a
extrema largueza dos recursos de Deus. A prática da oração é um dos mais
extraordinários meios de graça11 de que o homem pode dispor. (Fp 4.6-7, Mt 7.7-8 e Tg
5.16b, Tg 4.2-3, 1 Pe 3.7 e Pv 28.9).

6.1. A ORAÇÃO DO PAI NOSSO: ORAÇÃO MODÊLO

A tão conhecida “Oração do Pai-Nosso” foi dada por Jesus para nos servir de
modelo, de orientação em nossas orações. Em Mateus 6:9 lemos “Vos orareis
assim...”, mostrando que esta deveria ser uma oração modelo. É preciso aqui
fazer uma advertência - Jesus não deu esta oração para ser simplesmente
repetida, mas para servir de bússola para nos orientar nas prioridades que
devem fazer parte de nossa vida de oração.12 No entanto, como disse Timothy
Keller, a Oração do Pai Nosso é um recurso subutilizado, em parte por ser
familiar demais. 13 Na aula de hoje vamos estudar essa “oração modelo” e
aprender o que ela significa em nossa comunhão com Deus.

10
BUNYAN, John. Um Tratado sobre a Oração. E-book. O Estandarte De Cristo.com. 2014. p.5 (acessado
em 27/12/2016)
11
Em resposta à pergunta 88 do Catecismo Menor de Westminster: “Quais são os meios exteriores e
ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção? ”, lemos: “Os meios exteriores e
ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos são as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os
sacramentos e a oração, os quais todos se tornam eficazes aos eleitos para a salvação. ”
12
R.C. Sproul, Discípulos Hoje. Editora Cultura Cristã. São Paulo. 2008. pg. 94
13
KELLER, Timothy. Oração – experimentando intimidade com Deus. Edições Vida Nova. São Paulo.
2016. p.118
VI-22

6.2. Como não devemos orar

Antes de nos ensinar as seis petições da sua oração, nos versos 5 a 8 de Mateus 6,
Jesus apresenta a maneira errada e a certa de orar.

a) Cuidado com o exibicionismo espiritual: Em relação à maneira errada


de orar, Jesus nos alerta sobre dois erros que facilmente podemos incorrer
em nossa vida de oração. Cuidado com o exibicionismo: Devemos cuidar
para não cair no mesmo exibicionismo espiritual da oração dos fariseus. “E
quando orares, não sereis como os hipócritas, porque gostam de orar em
pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos pelos
homens”(V.5). Eles usavam a oração para se auto promoverem.

b) Cuidado com a oração mecânica: O segundo alerta que Jesus faz está no verso
7 é que devemos evitar a oração mecânica, repleta de repetições. “E orando não
useis de vãs repetições, como fazem os gentios, que presumem que pelo muito
falar, serão ouvidos”. Jesus está proibindo qualquer tipo de oração com a boca,
quando a mente e coração não estão participando.

6.3. Como devemos orar

Agora, em relação à maneira correta de orar, Jesus nos ensina que devemos ter em
mente alguns princípios:

a) O Princípio da Exclusão. “Tu, porém, quando orardes entra no teu quarto


e feche a porta ...” v.6. O que Cristo está nos ensinando aqui é que
devemos excluir tudo aquilo que tenta nos desviar a atenção de estarmos
na presença de Deus. Devemos fechar a porta para não sermos distraídos
e perturbados, mas também para fugir aos olhos dos homens e para
ficarmos a sós com Deus

De nada adianta entrar no quarto, fechar a porta, se a todo tempo, estou cheio
de mim mesmo, pensando em meu próprio eu, orgulhando-me de minhas
orações. Com igual razão eu poderia estar orando nas ruas e praças14.

b) O Princípio da Percepção: “... orarás a teu Pai..” V. 6. Precisamos


perceber que estamos na presença de Deus. Perceber quem Deus é.
Deus nos convida a termos comunhão com ele; falar com ele sobre
nossos desejos e experiências – nossas necessidades, medos e feridas.
Precisamos entender, perceber que estamos na presença do Senhor dos

14
John Stott, A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU. São José dos Campos. 1997 p. 147
VI-23

senhores, Rei dos reis. Ele é aquele que me conhece, sabe de minhas
lutas e quer o melhor para mim (Ef. 3:20)

c) O Princípio da Confiança: “e teu Pai, que te vê em secreto, te


recompensará” V.6. Precisamos nos aproximar de Deus, com uma
confiança simples de uma criança. Precisamos ter a certeza de que Deus
é, verdadeiramente nosso Pai. Às vezes sentimos que nossas orações
não “passam do teto”. Contudo, nossos sentimentos não são a chave para
o atendimento nem para a resposta de Deus. Um princípio libertador, em
oração, e em nossa vida diária, é a confiança depositada em Deus, e não
em nossos sentimentos. Sentimentos são resultado da fé, não a base da
fé. Às vezes deixamos que nossos sentimentos determinem se vamos
orar, ou não. Porém, isto é um erro.

6.4. Prefácio da Oração do Pai-Nosso:

1) Pai nosso que estás no céu – v. 9 - "Que estás no céu" abre a oração
modelo lembrando-nos da sua infinita perfeição e da nossa imperfeição e o
abismo que nos separa. Devemos sim, nos aproximar de Deus como Pai, com
intimidade, mas com toda reverência, pois há um elemento de separação entre
nós e Deus. Devemos chegar a Deus com ousadia, porém nunca com arrogância
e pretensão. “Que estás no céu” serve para observar o seguinte: Quando
oramos, devemos lembrar quem somos e a quem estamos nos dirigindo15. Mas
também, chamar Deus de Pai, nos lembra da nossa posição em Cristo. 16
Ninguém pode chamar Deus de pai a menos que esteja certo de sua filiação pela
graça a família da fé.

A Oração do Pai-Nosso pode ser dividida em duas partes 17 : Primeira: Os


primeiros três pedidos expressam nossa preocupação com a glória de Deus.
Segunda: Os outros três pedidos devem expressar nossa dependência da Graça
de Deus.

Três primeiros expressam nossa Três últimos expressam nossa


preocupação com a Glória de Deus dependência de Deus

• Santificado seja teu nome • O pão nosso de cada dia


• Venha a nós o teu Reino • Perdoa-nos as nossas dívidas

15
R.C. Sproul, Discípulos Hoje, pg. 98
16
KELLER, Timothy. Oração – experimentando intimidade com Deus. Edições Vida Nova. São Paulo.
2016. P.119
17
John R.W. Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, ABU Editora, p. 150
VI-24

• Seja feita tua vontade • Não nos deixe cair em tentação, mas
Livra-nos do mal

Assim que Pedro e João foram soltos, dirigiram-se aos irmãos e promoveram
uma reunião de oração (At 4.23,24). Se intencional ou não, a igreja seguiu o
padrão da oração do Pai Nosso. Podemos perceber que a oração de Atos 4.23-
31 tem duas grandes divisões: 1ª.) O centro da oração é a pessoa de Deus. O
que eles dizem na sua oração salienta um dos propósitos mais importantes da
oração – glorificar a Deus; 2ª.) Na segunda divisão eles apresentam suas
necessidades.

6.5. EXPRESSANDO nossa preocupação com a glória de Deus

1.1. Santificado seja teu nome. O nome para o judeu representa a pessoa que
o usa, o seu caráter e a sua atividade. (João 17.1-5; 12.27,28; Sl 115.1).
Orar é um problema para muitas pessoas em nossos dias. E qual é o problema?
Não conhecem a Deus. É impossível ter prazer na oração quando não se
conhece a Deus e não se tem prazer nele. A quem estamos nos dirigindo? A
quem vamos orar? Temos que iniciar por este ponto. Não podemos começar
conosco mesmos.
1.2. Venha a nós o teu Reino. Orar que o seu reino "venha" é orar que ele
cresça à medida que as pessoas se submetam a Jesus através do testemunho
da Igreja, e que logo ele seja consumado com a volta de Jesus em glória para
assumir o seu poder e o seu reino. Estamos na oração “Venha o teu Reino”,
fazendo uma oração missionária. Estamos desejando que o evangelho tenha
sucesso alcançando homens e mulheres, tirando-os do domínio do pecado e do
reino das trevas, para o Reino de Deus (I Co 15:24-28; II Co 4:3-5 ).

1.3. Seja feita tua vontade. A vontade de Deus é "boa, aceitável e perfeita" (Rm
12.2; Mt 26.39 – Jesus no Getsêmane). “Assim na terra como no céu”. O que
Jesus nos incita a orar é que a vida na terra se aproxime o mais possível da vida
no céu, pois a expressão na terra como no céu parece aplicar-se igualmente à
santificação do nome de Deus, à propagação do seu reino e à consumação da
sua vontade.
VI-25

6.6. EXPRESSANDO nossa dependência DE Deus

1.1.O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje. O pão (mais simples de todos
os alimentos) representa também que devemos pedir por aquelas coisas
que precisamos para vivermos uma vida saudável, as coisas necessárias.
Esta oração não autoriza a pedirmos coisas para uma vida de luxo e
extravagâncias. O contentamento na vida não é adquirido através dos
bens que possuímos, mas por uma vida submissa a Deus. (Fl. 4: 11).

A oração não ensina somente a moderação, mas também a confiança expressa


em um Deus de amor (Salmo 37.25), eliminando assim a ansiedade quanto ao
futuro (Mt 6.34). Ensina ainda a total dependência de Deus, a humildade para
pedir ao Pai e a gratidão para compartilhar o pão com os demais.
A oração é um instrumento pelo qual confessamos duas coisas ao mesmo
tempo: a estreiteza de nossos recursos e a extrema largueza dos recursos de
poder e do amor de Deus. A prática da oração é um dos mais extraordinários
meios de graça de que o homem pode dispor.
1.2.Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos
nossos devedores.

O perdão é tão indispensável à vida e à saúde da alma como o alimento para o


corpo. Por isso, o pedido seguinte é: Perdoa-nos as nossas dívidas. O pecado é
comparado a uma "dívida", porque merece o castigo. Mas quando Deus perdoa
o pecado, ele cancela a penalidade e anula a acusação que há contra nós (Cl
2.13-15).
Uma lição desse ponto da oração do Senhor é que devemos aprender a
confessar os nossos pecados. “Perdoa-nos as nossas dívidas” é um pedido de
perdão pelos pecados cometidos. A prática da confissão é a decisão de
apresentar diante de Deus para se declarar culpado de pecados pessoais e
específicos, com o propósito de obter perdão e purificação, mediante a obra
vicária de Jesus Cristo.
A confissão verdadeira remove a crise provocada pelo pecado e restaura a
comunhão perdida. A comprovação de sua eficácia depende mais da fé do que
de sentimentos. Por meio da contínua confissão de qualquer transgressão e de
qualquer omissão é perfeitamente possível manter a higiene da alma (Salmo
38:18; Salmo 51:12, I João 1.7)
O acréscimo na oração “como nós temos perdoado aos nossos devedores”(Vs
14 e 15), não significa que o perdão que concedemos aos outros garante-nos o
direito de sermos perdoados. Antes, esta adição nos ensina que Deus perdoa
somente o arrependido, e uma das principais evidências do verdadeiro
VI-26

arrependimento é um espírito perdoador. Vemos esse ensino claramente


ilustrado na parábola do credor incompassivo (Mt 18:23-35). Sua conclusão é:
"Perdoei-te aquela dívida toda (que era imensa) . . .; não devias tu, igualmente,
compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?" (v. 33).
O ppropósito dessa parábola é deixar claro que, se nós recebemos o perdão de
Deus em Cristo devemos também mostrar este perdão ao nosso próximo que
porventura nos tenha ofendido. A recusa de perdoar pode ser um sinal de que
talvez a pessoa não tenha experimentado o maravilhoso perdão de Deus.
Precisamos levar em conta que todos nós temos a necessidade de perdoar. O
perdão faz bem e restaura nossos relacionamentos. Onde há relações partidas,
feridas não resolvidas, mágoas não tratadas e relacionamentos interrompidos,
está faltando perdão. Alguém já disse que guardar ressentimentos “equivale a
ingerir veneno esperando que aquele que nos ofendeu morra”. Neste
sentido, podemos entender que perdoar é drenar o veneno de nosso coração.
Perdoar é romper as cadeias da prisão que nos mantém escravos de um
passado inalterável. Quem se recusa a perdoar, armazenando mágoas em seu
coração, será atormentado por pensamentos e sentimentos interiores (Mt 18.23-
35, Salmo 32.3,4).
1.3.Não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal:

É sempre uma tragédia para a vida cristã e para a nossa comunhão com Deus
quando caímos em tentação. Por isso, nosso Senhor, na sua oração modelo nos
ensina a orar para não cairmos em tentação. Tentar é induzir ao pecado com o
objetivo de: nos enfraquecer, nos afastar de Deus, nos entristecer, roubar nossa
alegria cristã e gerar endurecimento em nosso coração, dentre outras coisas. A
tentação é universal e inevitável. Todos, sem exceção, em todo o lugar, passam
pelo crivo da tentação (João 17.15).

O melhor dos santos pode ser tentado pelo pior dos pecados. Por isso, não
devemos estimular, mas também não podemos ignorar esta realidade. Ser
tentado não é pecado. O cair é. “Não vos sobreveio tentação que não fosse
humana” (cf. 1Co 10.13). “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não
caia” (cf. 1Co 10.12).
Quais são algumas áreas de sua vida em que você precisa estar mais atento,
vigiando em oração para não cair diante das tentações?
"Não permitas que sejamos induzidos à tentação que nos possa derrotar,
mas livra-nos do maligno". Assim, por trás dessas palavras que Jesus nos deu
para orar, encontramos a implicação de que o diabo é o tentador. Satanás nos
tenta em momentos oportunos, quando estamos mais vulneráveis. Devemos nos
lembrar de que um dos momentos em que Jesus foi tentado foi quando estava
com fome. Satanás tenta nos momentos de carência, necessidade, onde
VI-27

podemos estar mais fragilizados. Satanás pode se aproveitar de algum momento


oportuno (Lucas 4.13).
Jesus foi tentado também quando estava só. Nestes momentos, somos mais
tentados. Após um momento de auge espiritual, tendemos a “baixar a guarda”.
Quando estamos debilitados, o inimigo sempre tentará no ponto fraco. Quando
estamos sós, somos mais tentados ainda, pois ninguém está vendo. Satanás
sabe qual é a área em que você será mais fácil de ser tentado.
Conclusão e aplicação
Os três pedidos que Jesus coloca em nossos lábios são magnificamente
completos. Incluem, em princípio, todas as nossas necessidades humanas:
materiais (o pão de cada dia), espirituais (perdão de pecados) e morais
(livramento do mal). O que fazemos, sempre que proferimos esta oração, é
expressar nossa dependência de Deus em cada setor da vida humana.
Qual é o lugar da oração em sua vida? Que importância ela tem para você?
Quão essencial ela é na sua vida cristã? Será que temos consciência de que
sem ela desfalecemos? Se a oração é tão indispensável, pôr que a faço tão pouco?
VII-28

VII. ADENDO

7.1. CADERNO DE ORAÇÕES: UM INSTRUMENTO PARA REVOLUCIONAR


nossa VIDA DE ORAÇÃO

Quantas vezes você já desejou orar pôr alguém ou pôr alguma coisa e
simplesmente se esqueceu? Você já pediu alguma coisa a Deus, e depois se
esqueceu de agradecer-lhe quando recebeu aquilo que pediu? Ou será que
você, como eu já tenho feito, orou de maneira tão genérica que não ficou
sabendo se Deus respondeu ou não sua oração?
George Müeller, um santo homem de oração, inglês, deixou-nos uma herança
espiritual. Deixou-nos um caderno de oração chamado “Os tratos de Deus com
George Müeller”. Nesse caderno há um registro de mais 50.000 respostas
específicas a orações. Manter um Caderno de Orações vai revolucionar seu
relacionamento com Deus. Será uma experiência estimulante para você. Daqui
a um ano, ou mesmo daqui a dez anos, você poderá olhar para trás como George
Müeller fez, e agradecer a Deus sua fidelidade em atender você nas suas
necessidades mais profundas e em dar tudo a você como seu filho.
Mantenha o seu Caderno de Orações junto `a sua Bíblia. E quando você estiver
se comunicando com Deus em oração e estudo bíblico, escreva seus louvores,
confissões, agradecimento, pedidos e intercessões.
Sua fé crescerá continuamente enquanto você constata as respostas específicas
às suas orações.
Manter um Caderno de Orações é mais ou menos a mesma coisa que marcar a
altura de um garotinho de quatro anos, fazendo uma marca na parede do quarto.
Quando ele fizer cinco, não sabe o quanto cresceu durante esse tempo, até que
vendo a marca atual pode compará-la com a anterior. Manter um Caderno de
Oração permitirá que você experimente a emoção de observar como Deus está
ajudando você a crescer na fé.
Toda vez que você se encontra com Deus sua fé se fortalece. Depois de alguns
meses olhe para trás e sua fé vai dar um salto quando você notar que foi dirigido
pôr Deus e que Ele respondeu às suas orações.
Seu Caderno de Orações pode também torná-lo muito humilde. Quando realizar
alguma coisa e começar a dizer: “Veja o que eu fiz ... olhe só o que realizei”, olhe
no seu Caderno de orações. Você pode descobrir que foi uma das respostas de
Deus às suas orações. Então, agradeça a Ele!
VIII-29

VIII. LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA

“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer


espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito,
juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração”.
Hebreus 4.12

Uma das formas de se obter crescimento físico, é através de uma alimentação


saudável e equilibrada. De forma semelhante, o cristão só tem um genuíno
crescimento e maturidade espiritual, se ele se alimentar frequentemente e
corretamente através da Palavra de Deus.

Leitura devocional é uma forma disciplinada de devoção e não mais um método


de estudo bíblico. Não me refiro aqui à leitura exegética que fazemos quando
procuramos investigar o texto bíblico ou aquela leitura de onde tiramos os
sermões e estudos bíblicos. Pelo contrário, a leitura devocional nunca deve ser
usada para algum outro propósito utilitário. É feita com o objetivo para conhecer
a Deus, colocar-se diante da Sua Palavra e ouvi-lo. A prática diária da leitura
devocional estabelece um padrão que se transforma na base para um
relacionamento sério e profundo com Deus.

A leitura devocional é uma forma de nos colocarmos diante de Deus e Sua


Palavra como de fato deseja ouvir, meditar, orar e contemplar. É dessa postura
que nasce, não apenas o prazer pela Palavra de Deus, mas também a
experiência transformadora do poder da Graça Divina.

Enumere algumas coisas que Deus diz que recebemos de sua Palavra?

a) Salmos 19:7: ________________________________________________


b) Salmos 119: 9, 11: ____________________________________________
c) Salmos 119:105: _____________________________________________
d) João 15:3: ___________________________________________________
e) João 17:17: __________________________________________________
f) Romanos 10:17: _______________________________________________

A Bíblia é comparada à que tipo de instrumento para operar em nossas vidas?

Hebreus 4:12: ____________________________________________________


VIII-30

8.1. Benefícios da Meditação na palavra

Salmo 1
v. 1 “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém
no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.

v. 2 Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.

v. 3 Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o
seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem-sucedido”

Davi inicia este Salmo afirmando que a Felicidade é uma marca da


Meditação. Verifique os resultados da meditação:
Ele é:
a) Estabilidade. Como árvore plantada
b) Produtividade: no devido tempo, dá o seu fruto
c) Vitalidade: cuja folhagem não murcha
d) Prosperidade: tudo quanto ele faz será bem-sucedido

Veja agora II Timóteo 2:16-17 o Propósito Quádruplo da Escritura:

8.2. A Autoridade da Palavra

"Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensino, para a repreensão, para
a correção, para a educação na justiça" (2Tm 3.16).
Toda Escritura é útil para:
a) Útil para o ensino. Ensinar - Pv 2:1-5; Jo 17:3
b) Útil para a correção. Corrigir as falhas / restaurar
c) Útil para a repreensão. Repreender o erro
d) Útil para a educação na justiça. Educar (maneira certa de viver

Não é suficiente ler a Palavra de Deus, mas deve ser nosso cuidado obter
algum proveito nela, para que nossas almas sejam nutridas nas palavras da
fé (1Tm 4.6). Por que mais a Escritura foi escrita senão para o nosso
proveito? Deus não nos deu sua Palavra apenas como uma paisagem para
ser contemplada, mas a entregou como um pai entrega um depósito de
dinheiro para que o filho o faça prosperar.18

18
Watson, Thomas . Como Ler a Bíblia . Edição do Kindle.
IX-31

IX. DIAGNOSTICANDO NOSSAS DIFICULDADES NO


ESTUDO DA PALAVRA19

9.1. Identificando nossas dificuldades na leitura da bíblia

01 - Todos nós encontramos problemas que impedem e dificultam nosso estudo


pessoal da Bíblia. Diferentes problemas surgem em diferentes épocas de nossa
vida. Quais são uma ou duas coisas que mais limitam seu aproveitamento da
Palavra?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

02 - Qual nota de zero a dez você daria a si mesmo quanto a seu estudo bíblico
pessoal no último mês? _________ (seja o mais sincero possível)

03 - Abaixo temos uma lista de alguns dos problemas mais comuns que
dificultam nosso estudo da Palavra. Marque com um “X” os problemas que você
está enfrentando agora.
a) ( ) Falta de motivação e dificuldade na concentração. Abrir a Bíblia para
o estudo pessoal é uma luta. Quando tenho tempo para descansar ou fazer o
que quero, encontro muitas outras coisas que acabo fazendo.
b) ( ) Falta de tempo. Minha vida é tão corrida que dificilmente encontro tempo
para o estudo pessoal da Bíblia. Quando procuro estudar a Bíblia, estou tão
cansado que é difícil aproveitar.
c) ( ) Falta de entendimento de português. O português é tão difícil para
entender que a leitura da Bíblia é uma luta.
d) ( ) Falta de entendimento do significado espiritual. Entendo o português,
mas tenho dificuldade em entender e interpretar a Bíblia.
e) ( ) Falta de entendimento de como a Bíblia se aplica à minha vida diária.
Eu leio e estudo a Bíblia, entendo o que estou lendo, mas tenho dificuldade em
ver como essa leitura se aplica à minha vida.
f) ( ) Falta em perceber mudanças na minha vida baseado no meu tempo
na Palavra. Procuro aplicar o que estou lendo, mas de uma forma ou outra essa
aplicação desaparece no decorrer ou no dia a dia de minha vida.

19
KORNFIELD, David E. Crescendo na Palavra. Editora Sepal. 1997
IX-32

g) ( ) Outro. Se o problema que você indicou acima na pergunta 1 é diferente


dos problemas citados aqui (de a a f) coloque um “X” aqui.

06 - Agora vamos tabular nossas respostas ao item acima. Vamos anotar aqui
quantos de nós indicaram cada um dos seguintes pontos como problemáticos.
a) b) c) d) f) g)
___ ___ ___ ___ ___ ___

07 - Qual é a área onde mais pessoas colocaram um “X”?


_______________________________________________

Quais serão os resultados se a pessoa não conseguir superar essa dificuldade?


_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

08 - Qual é a segunda área onde mais pessoas colocaram um “X”?


__________________________________________________

Quais serão os resultados se a pessoa não conseguir superar essa dificuldade?


_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
IX-33

9.2. Superando nossas dificuldades na leitura da bíblia

De forma muito simples, aqui seguem algumas dicas sobre como superar as seis
dificuldades indicadas acima:
01 - Quanto ao primeiro ponto, falta de motivação para estudar a Bíblia e
dificuldade na concentração, o que poderia nos ajudar nesta área?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________
Quando sentimos uma falta de motivação para estudar a Bíblia, eis algumas
coisas que podem nos ajudar:
A - Descansar. A maioria dos líderes da igreja leva uma vida tão corrida que
não tem energia emocional e espiritual para fazer algo que requer sua própria
iniciativa, mesmo que seja para seu próprio bem. O mandamento bíblico de
descansar um dia em sete se perde no ativismo evangélico. (Veja Gn. 2.2,3:
Ex. 20.8-11; 2 Co. 36.17-21).
B - Avaliar nossa saúde e nosso estado físico. Estamos dormindo o
suficiente? Fazendo exercício suficiente? Comendo bem, mas não comendo
demais? Se nosso estado físico não é bom, isso vai influenciar bastante em
nosso estado espiritual e em nossa motivação.
C - Mudar nosso ambiente. Às vezes, não temos um lugar sossegado para
meditar e estudar. Nesse caso, devemos procurar tal lugar.
D - Avaliar o quanto estamos envolvidos nas vidas de outras pessoas. Pode
ser que estejamos envolvidos demais, ou que não estejamos envolvidos o
suficiente. No primeiro caso, podemos nos afundar emocionalmente. No
segundo caso, precisaríamos procurar mais envolvimento, pois uma das coisas
que mais nos motiva a procurar respostas de Deus e de Sua Palavra é encontrar
pessoas necessitadas que precisam de alguma coisa além da que nós já temos
para dar.
E - Encontrar alguém para ser companheiro de estudo e de oração. Muitas
vezes uma segunda pessoa ou um grupo pequeno pode nos alentar bastante
em nossa vida espiritual. Veja Eclesiastes 4: 9 - 12.
F - Ordenar sua escrivaninha ou pelo menos ordenar os papéis e a lista de
coisas que você tem a fazer. A desordem tira a energia e motivação.
G - Usar uma versão popular da Bíblia como a Linguagem de Hoje ou a
Bíblia Viva. Muitas vezes, ouvir a Palavra de Deus em novas palavras traz um
refrigério espiritual. Especialmente se conhecemos muito bem a Bíblia, pode nos
abençoar bastante ouvir outras coisas sob uma nova perspectiva.
IX-34

02 - Quanto ao segundo ponto, FALTA DE TEMPO para estudar a Bíblia, o que


poderia nos ajudar nesta área?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
Os seguintes itens podem ajudar quando nos falta tempo para estudar a Bíblia.
A - Aprender a dizer “NÃO”. Se não aprendermos isto, nunca viveremos
segundo nossas prioridades. Sempre viveremos na “tirania do urgente”. Uma
forma de dizer “não” é nunca tomar um compromisso sem confirmar primeiro
com seu cônjuge e com o Senhor. Quando alguém pede alguma coisa, você
pode pedir um tempo para dar a resposta. Assim, consultando a Deus e seu
cônjuge, você terá muito mais possibilidades de uma vida mais sadia.
B - Escolher quais atividades vamos eliminar. Geralmente acrescentamos
uma atividade após outra, sem avaliar quais coisas vamos eliminar. Eliminar é
difícil. Mas é ainda pior não decidir suprimir algumas coisas. Se não dermos esse
passo, iremos cortar as pessoas que são mais próximas porque achamos que
elas vão entender nossa situação. Assim, o que sofre é nossa relação com Deus,
com nosso cônjuge se formos casados, e com nossos filhos.
C - Delegar. Com regularidade devemos fazer uma lista de nossas atividades e
pensar em quem poderia fazer essas atividades para nós e como poderiam ser
treinadas para que assumam nosso trabalho! Existem somente algumas coisas
que não podemos delegar. (Veja Atos 6:4).
D - Submeter-nos a um pastor, discipulador, ou líder que pode nos ajudar a
avaliar nossa vida e ordená-la melhor. Procure alguém que pareça ter a sua
própria vida em ordem.
E - Estabelecer um tempo e um lugar para encontrar-se com Deus cada dia.
Geralmente isso deve ser no começo do dia. O segredo de seu sucesso quanto
a isso será ir para a cama na hora certa. Se não fizer isto, será impossível
levantar-se diariamente na hora certa. Decida qual é a maior prioridade: as
atividades que você tem depois das dez horas, ou o encontro com o Senhor que
você pretende ter na manhã seguinte.
F - Avaliar nossa vida e nossas prioridades.

03 - Quanto ao terceiro ponto, NÃO ENTENDER BEM O PORTUGUÊS quando


lemos a Bíblia, o que poderia nos ajudar nesta área?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
IX-35

_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

Quando não estamos entendendo bem o português na Bíblia, há algumas coisas


que podem nos ajudar:
A - Procurar outra versão. A Bíblia Viva ou a Bíblia na linguagem de hoje são
muito boas.
B - Estudar em grupo. Estudar em grupo ajuda porque nos dá perspectivas
diferentes. Também nos ajuda quando expressamos nossa opinião e ouvimos o
que outras pessoas pensam a respeito. Tal grupo pode ser a família, a escola
dominical, um grupo no trabalho, ou um grupo pequeno da igreja que se reúna
com esse fim.
C - Comparar versões. Muitas vezes o texto pode ficar mais claro, tendo mais
de uma perspectiva.

04 - Quanto ao quarto ponto FALTA DE ENTENDIMENTO DO SIGNIFICADO


ESPIRITUAL do que lemos na Bíblia, o que poderia nos ajudar nesta área?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
Os seguintes itens podem nos ajudar quando não estivermos entendendo o
significado espiritual da Bíblia.
A - Estudar em grupo. Estudar a Bíblia em grupo pode nos ajudar, porque
outras pessoas podem compartilhar o significado espiritual que estão
aprendendo.
B - Aprender a usar recursos bíblicos como concordâncias, dicionários
bíblicos, enciclopédias e manuais bíblicos e livros que dão uma perspectiva
panorâmica da Bíblia e de cada livro da Bíblia. Também uma boa Bíblia de
estudo que possui notas no rodapé e referências nas margens é uma grande
ajuda. As três melhores são a Bíblia Vida Nova (Ed. Vida Nova), a Bíblia Anotada
(Ed. Mundo Cristão), e a Bíblia Thompson (Ed. Vida).
C - Anotar a pergunta e esclarecê-la junto a um líder espiritual (pastor,
presbítero, líder...)

05 - Quanto ao quinto ponto, FALTA DE ENTENDIMENTO DE COMO A BÍBLIA


SE APLICA À MINHA VIDA, o que poderia nos ajudar nesta área?
IX-36

Veremos isto mais adiante quando estudarmos o “Diário Espiritual”.


Desafio: Escolher o melhor local e horário para você ter o seu tempo a sós com
Deus, e compartilhar com um irmão a experiência.
X-37

X. APRENDENDO A FAZER UM “DIÁRIO


ESPIRITUAL”

Introdução: Um diário espiritual é um relatório de um encontro com Deus. Quero


sugerir uma forma simples de se fazer um diário espiritual. Precisamos
responder a apenas duas perguntas:

1) O QUE DEUS ESTÁ DIZENDO PARA MIM?

2) O QUE EU VOU FAZER COM BASE NISTO?

Vejamos:

10.1. O que Deus está dizendo para mim?

Isto pode tomar várias formas:

a) Você pode escrever na primeira pessoa como se Deus estivesse falando


diretamente para você.
b) Você pode escrever um tipo de oração expressando para Deus o que você
está sentindo com base numa passagem bíblica; ou,
c) Você pode fazer uma lista de suas observações, interpretações e
aplicações com base no seu estudo de uma passagem.

10.2. O que eu vou fazer com base nisto. Isto também pode tomar várias
formas:

a) Uma oração falando diretamente com o Pai, comprometendo-se a uma ação de


obediência.
b) Uma aplicação, indicando de forma mensurável ou objetiva, alguma coisa que
você pretenda fazer nesse dia ou dentro de alguns dias. Se você estiver sentindo
a importância de uma mudança que só vai se revelar em sua totalidade através
de semanas ou meses, pode anotar e então procurar saber qual seria o primeiro
passo para chegar a essa mudança maior. Então o anote.
c) Muitas vezes Deus está nos chamando a uma mudança de atitude. Nesses
casos, procure identificar alguma ação que ajudará a demonstrar se houve uma
mudança de atitude. Sem tal definição, fica muito difícil avaliar se você aplicou o
que Deus estava querendo ou não.
X-38

Abaixo transcrevo o diário da Jamili (minha esposa) como exemplo de Diário


Espiritual:
Texto: Marcos 10:46-52.

01 - O QUE DEUS ESTÁ DIZENDO PARA MIM?


Deus está dizendo que mesmo no meio de uma multidão que clama pelo Seu
nome, Ele pode dar sua atenção e cura para os meus problemas. Mesmo que
eu me sinta escondida no meio de tantos que buscam n’Ele resposta para tantas
coisas.
02 - O QUE EU VOU FAZER COM BASE NISTO?
Deus está querendo: que eu haja como aquele cego, que não parou de clamar
logo no primeiro obstáculo. Ele clamou até ouvir a voz de Jesus.
Aplicação: Devo ser mais persistente nas minhas orações. Não devo desanimar
quando a resposta demorar.
XI-39

XI. COMO LER A BÍBLIA?

A seguir algumas dicas, extraídas e adaptadas do livro de Watson, Thomas


. Como Ler a Bíblia. Edição do Kindle.

I. Se você quiser ter proveito na leitura, remova aquelas coisas que impedirão
o seu proveito. I Pedro 2.1-3
A lógica de Pedro: Agora somos novas criaturas em Cristo e fomos gerados pela
Palavra, precisamos nos alimentar desta Verdade para continuarmos a crescer
na vida cristã.

11.1. Remova o amor por todo pecado.

11.2. Precisamos arrancar da nossa vida esses pecados como se fossem


trapos imundos.

“Despojando-vos, portanto...” (v. 1) – Tiago compartilha o mesmo conselho


de Pedro quando escreve: “Portanto, despojando-vos de toda impureza e
acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a
qual é poderosa para salvar a vossa alma” (Tg 1.21).
Apresentado de maneira negativa: CINCO pecados são alistados.
Obviamente existem muitos outros pecados que impedem nosso crescimento na
vida cristã. Estes citados por Pedro (pecados de relacionamentos),
provavelmente porque eram os problemas que eles estavam enfrentando.
“Desembaraçar de todo peso e do pecado que tenazmente
nos assedia e correr com perseverança, a carreira que nos
está proposta” (Hb 12.1).
Assim, um cristão que experimentou o novo nascimento deve abandonar todos
os pecados que atrapalham o seu desejo pela Palavra de Deus
Que pecados são esses dos quais precisamos despojar-nos?
1) Maldade – O termo maldade (Kaká, em grego) é uma palavra geral para
todo o tipo de malícia. Desejar o mal para alguém.

2) Dolo – Essa palavra representa um espírito traiçoeiro. Refere-se a


alguém que conta uma mentira a fim de enganar os outros (2.22, 3.10;
cf. Mc 7.22- 23; Jo 1.47; Rm 1.29).
XI-40

3) “Hipocrisia” – Descreve qualquer comportamento que não seja genuíno


ou consistente com o que realmente acredita ou diz que acredita . Um
intérprete de um papel no teatro

4) “Inveja” –a inveja muitas vezes leva a ressentimentos, ódio, amargura e


conflitos (cf. 1Co 3.3; 1Tm 6.4; Tg 3.16).

5) “Toda sorte de maledicências” – Refere-se, essencialmente, a difamação do


caráter (cf. 2.12, 3.16, Tg 4.11). Fofoqueiro, caluniador, diz coisas boas diante
da pessoa, mas o deprecia por trás. Ele sempre fala mal quando a vítima não
está por perto.

Preciso abandonar estas práticas, caso contrário, não terei sequer


prazer na leitura da palavra.

11.3. 11.2. É necessário se alimentar da Palavra de Deus. (2.2)

“Desejai ardentemente...” (v. 2) – Pedro queria que seus leitores desejassem


ardentemente a Palavra como um bebê recém-nascido deseja o leite materno.

• A expressão “recém-nascida” identifica uma criança que acabara de


nascer e está chorando desesperadamente por alimento.

A palavra desejar expressa um intenso desejo, ou paixão insaciável (Sl


42.1,2)

Objetivo: Crescimento espiritual. (2.2)

“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para


redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus
seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (Timóteo 3.16-17).

II. Leia a Escritura com reverência. Pense que, em cada linha que lê, Deus
está falando com você.

III. medite sobre o que você leu. “Meditarei nos teus preceitos” (Sl 119.15).
A palavra no hebraico para meditar significa ser intenso na mente. Na
meditação deve haver a fixação dos pensamentos sobre o objeto. “Maria, porém,
guardava todas estas palavras, meditando-as no coração” (Lc 2.19).
XI-41

A meditação é a digestão da Escritura; a leitura traz uma verdade à nossa


cabeça; a meditação, ao nosso coração.

IV. Venha à leitura da Escritura com o coração humilde.


Reconheça como você é indigno de que Deus se lhe revele em sua Palavra. Os
segredos de Deus estão com os humildes. Diz-se que o chão onde o pavão senta
é estéril; o coração onde o orgulho tem assento é realmente estéril. Uma pessoa
arrogante desdenha dos conselhos da Palavra e odeia a reprovação. Tal pessoa
terá algum proveito? “Deus dá graça aos humildes” (Tg 4.6).

Os santos mais eminentes foram de pequena estatura a seus próprios olhos.


Como o sol no zênite, mostraram-se mais rebaixados quando estavam no ponto
mais elevado. Davi “compreendia mais do que todos os seus mestres” (Sl
119.99),

V. Tome nota especial daquelas partes da Escrituras que falam à sua


situação particular.

VI. Coloque em prática aquilo que você lê. “Guardo os teus preceitos” (Sl
119.56).

VII. Ore para que Deus lhe dê proveito na Escritura. “Eu sou o SENHOR, teu
Deus, que te ensina o que é útil” (Is 48.17). Faça a oração de Davi: “Abra meus
olhos, para que contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18).
XII-42

XII. COMO LER A BÍBLIA E FAZER SEU


DEVOCIONAL20
Talvez você deseje ser mais intencional na sua leitura bíblica em 2019. De fato,
há espaço para isso. Uma pesquisa recente aponta que Brasil é o 2º país que
mais gasta tempo nas redes sociais. Em média, gastamos mais de três horas
por dia nas redes sociais.

Queremos deixar aqui algumas dicas que podem ajudá-lo a interagir com a
palavra de Deus nesse ano de maneira sistemática e disciplinada.

12.1. 1. Tenha um plano de leitura bíblica


Há aqueles que defendem que a vida cristã deve ser guiada somente pela
espontaneidade, enquanto outros acreditam que tudo gira em torno da disciplina.
Nós acreditamos que ambos fazem parte da nossa caminhada. Há dias em que
o nosso coração está sedento por Deus e o deseja de maneira especial
(espontaneidade). Mas é verdade que há dias em que parecemos incrédulos e
nosso coração está tomado por frieza. Simplesmente não temos vontade de orar
nem de ler a palavra. Nesses dias, a disciplina devocional nos manterá no
caminho. Portanto, a vida cristã é uma caminhada nessa estrada de mão dupla:
espontaneidade e disciplina.

Nada melhor para manter uma vida disciplinada de leitura da palavra com um
plano de leitura bíblico. Aliás, naqueles dias em que o nosso coração se encontra
frio, por mantermos a nossa disciplina e recorremos à palavra de Deus (mesmo
sem vontade), Deus irá trazer vida a esse “vale de ossos secos”. Temos que crer
naquilo que Jesus mesmo disse: “As palavras que eu lhes disse são espírito e
vida” (Jo 6.63).

12.2. 2. Escolha o plano mais adequado para você


Duas coisas devem ser levadas em conta na escolha de um plano de leitura: o
ritmo de vida e a capacidade de leitura. Cada um tem um ritmo de vida diferente,
por isso não devemos cair na tentação de imitar a disciplina devocional de outros
irmãos. Há de se considerar também que há aqueles que leem com facilidade e
outros que ainda não têm esse hábito. Não há necessidade de escolher um plano
que vá te frustrar logo na primeira semana por não ter conseguido cumpri-lo.
Escolha um plano adequado à sua realidade e capacidade.

Lembre-se que o plano não deve virar um ídolo. Deus nos deu muitas
ferramentas que auxiliam no nosso crescimento e maturidade. Um plano de
leitura bíblica é uma dessas ferramentas. Mas temos que ter o devido cuidado

20
https://voltemosaoevangelho.com/blog/2019/01/como-ler-a-biblia-e-fazer-seu-devocional-em-2019/
XII-43

de não permitir que a ferramenta se torna o alvo em si. O alvo da nossa leitura é
conhecer mais a vontade de Deus. É experimentar, por meio da Palavra, aquele
convite feito pelo nosso Salvador: “Provai, e vede que o Senhor é bom“.
Quando o plano vira um ídolo, a leitura bíblica acaba virando algo que nos
sobrecarrega — ao invés de uma expressão da graça maravilhosa de Deus.

12.3. 3. Lembre-se que a palavra de Deus é “viva e eficaz”


Hebreus 4.12 diz: “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que
qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito,
juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração”.
Deus fala conosco de maneira extraordinária e rotineira através da palavra dele.
É extraordinário porque estamos lidando com o sobrenatural, um Deus vivo e
uma palavra viva. É rotineira, pois deve fazer parte do nosso dia a dia.

Se considerarmos isso como verdade, estaremos livres da culpa na nossa


disciplina devocional. É comum vermos pessoas desistindo na disciplina da
leitura bíblica por terem perdido alguns dias do plano de leitura, mas é nesse
momento que precisamos nos lembrar que a palavra de Deus é viva! Quando
perdemos um dia na nossa leitura, devemos prosseguir para o próximo dia
lembrando que a passagem que iremos considerar TAMBÉM É VIVA! Não há
necessidade de ficar “querendo tirar o atraso” e se se sentir culpado(a) achando
que está sendo reprovado no vestibular da devocional! Nossa sugestão é que
você deixe o atraso de lado e siga no caminho do próximo dia, tirando benefício
da sua leitura. Quando aparecer aqueles dias cheios de contratempos, dê graças
a Deus quando alguma leitura pode ser feita — mesmo não podendo fazer toda
a leitura prevista no plano. A ideia é se alimentar diariamente.

12.4. 4. A vida devocional é mais simples do que imaginamos


Precisamos quebrar um “tabu” quanto à disciplina devocional. Por lermos
biografias de homens e mulheres de Deus na história e aprendermos acerca da
devoção deles, pode ser que somos tentados a copiá-los.

Há também aqueles que nasceram em ambiente mais pietista, onde a devocional


deve ser feita de acordo com uma lista de exigências: tem que ser no seu quarto,
durar cerca de uma hora, deve-se ler tantos capítulos por dia e gastar um tempo
grande em oração.

Considerando que estamos vivendo em uma época diferente das biografias e


que não precisamos ter uma vida devocional para sermos aceitos por Deus
(Jesus Cristo já nos garantiu isso), devemos encaixar a disciplina devocional à
nossa realidade.

Se você usar o seu celular para ler a palavra, talvez dentro de um ônibus ou
metrô no caminho do seu trabalho, ou preferir no intervalo da sua faculdade, seja
XII-44

disciplinado assim mesmo! O nosso Deus não “habita no nosso quarto feito por
mãos humanas” e “vivemos, nos movemos e existimos nele” (At 17.24, 28).
Temos a promessa que podemos nos aproximar de Deus em todo momento e
em qualquer lugar. Não é o tempo da nossa devocional que conta, e sim se
fazemos com fé e em nome de Cristo Jesus.

Entendemos que a devocional não é o mesmo que estudo teológico, mas a


leitura direta da palavra de Deus (sem intermediários). Deixe os comentários,
livros teológicos e outras ferramentas para outra hora. A ideia da devocional é
ler o texto por você mesmo e aplicá-lo à sua vida. Tente focar naquelas partes
que você compreendeu bem no texto. As partes mais complicadas, estude
depois se quiser.

12.5. 5. Ore antes e depois da leitura bíblica


Ore antes da leitura para lutar contra seu próprio coração pecaminoso que se
distrai facilmente e tem outros prazeres mais elevados que o próprio Deus. A
própria palavra nos ensina isso:

“Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18).“Oro
também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que
vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa
herança dele nos santos” (Ef 1.18)

Medite sobre o que foi lido brevemente e ore depois da leitura aplicando o texto
bíblico ao seu coração. É assim que internalizamos a palavra de Deus em nós e
direcionamos a nossa oração à vontade divina e não à nossa. Nossa oração é
viciada, oramos sempre pelas mesmas coisas. Mas, se tivermos a disciplina de
orarmos o próprio texto que lemos, seja uma única palavra do texto ou um verso,
estamos nos submetendo em oração à “boa, perfeita e agradável vontade de
Deus” para as nossas vidas. É essa oração que Deus sempre responde!

12.6. 6. Procure Cristo, procure Cristo, procure Cristo


A Palavra de Deus é cheia de informações, detalhes e histórias inspiradoras.
Mas ela não existe para encher nossas cabeças de fatos e frases. Histórias em
si não salvam nossas almas. Antes, é por meio de Jesus Cristo que somos
perdoados e transformados. Por isso, ao ler uma passagem do texto bíblico, faça
essa pergunta: “Como esse texto aponta para a esperança que há em Jesus
Cristo?”; “Como esse texto revela a vontade Deus para o seu povo que confia
em Jesus Cristo?” As respostas serão mais claras em algumas passagens do
que outras. Mas procure fazer leituras que são cristocêntricas. “As Escrituras,”
disse Jesus Cristo em João 5.39, “testificam de mim.” Mais do que um livro de
histórias, a Palavra de Deus é a fonte da nossa esperança eterna.
XII-45

12.7. 7. Faça perguntas e procure respostas


Às vezes, podemos ter dificuldade em aplicar nossa leitura ao nosso dia-a-dia.
Pode ser que as aplicações não saltam das páginas. Lemos dois, três ou quatro
capítulos e ficamos com a pergunta: “O que esse texto tem a ver comigo hoje?”
Não tenha receio de fazer perguntas ao texto. Seguem alguns exemplos que
podem nos ajudar:

• O que esse texto diz acerca (revela sobre) da soberania ou santidade de


Deus?
• O que esse texto diz sobre a vida e obra do nosso salvador Jesus Cristo?
• Como esse texto aponta para o evangelho?
• Como esse texto desafia o não-cristão que crê que suas boas obras são
suficientes?
• Como esse texto confronta o meu orgulho?
• Como esse texto aponta a minha nova identidade em Cristo?
• Como esse texto revela que os “caminhos de Deus são mais altos do que
os meus”?
• Como esse texto me convoca à obediência? Ao descanso? À
evangelização? A confessar o meu pecado?
• Como esse texto conforta a minha luta com meu pecado? O que o texto
diz para mim na minha dor? Quando me frustro com as futilidades da
vida?
• Como esse texto me convida à adoração apesar das minhas
circunstâncias?
• Qual atributo divino está destaque? Qual promessa divina? Como posso,
em oração, agradecer ao meu Salvador pela forma que ele está descrito
aqui?
• Como esse texto encoraja a Igreja de Jesus Cristo a não perder sua
esperança? À não abandonar a doutrina genuína? À não tirar seus olhos
de Cristo?

É isso querido leitor. Que essas dicas sejam úteis para a nossa caminhada na
palavra nesse novo ano.
XIII-46

XIII. CONFISSÃO: O discípulo buscando restauração


“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos
perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” 1 Jo 1.9

Introdução
Na caminhada cristã, todos tropeçamos e nos sujamos de novo com o pecado.
Como voltar ao prumo? Como retomar o caminho de santidade e obediência
proposto por Deus? E o pecado é um grande obstáculo à nossa consagração.
A confissão verdadeira remove a crise provocada pelo pecado e
restaura a comunhão perdida ou arranhada.
Por meio da contínua confissão de qualquer transgressão e de qualquer omissão
é perfeitamente possível manter a higiene da alma e a comunhão com Deus.

13.1. 13.1. O que é confissão?

A confissão do pecado é uma providência tornada possível pela misericórdia


divina para sanar as fraquezas cometidas ao longo da caminhada cristã. A
confissão verdadeira remove a crise provocada pelo pecado e restaura a
comunhão perdida ou arranhada. Por meio da contínua confissão de qualquer
transgressão e de qualquer omissão é perfeitamente possível manter a higiene
da alma. Assim posto, a confissão é um meio que Deus nos concede para a
nossa consagração a Ele.

Aprecio a definição de confissão, elaborada pelo pastor Elben M. Lens Cesar,


que diz:

“A pratica da confissão é a arte de nos apresentarmos constantemente diante de


Deus para nos declararmos culpados de pecados pessoais e específicos, depois
de suficientemente alertados e repreendidos pela boa consciência, pela Palavra
de Deus e pelo Espírito, com o propósito de obter perdão e purificação, mediante
a obra vicária de Jesus Cristo”.

13.2. 13.2. O que devemos confessar

Algumas pessoas têm dificuldade de confessar. Não sabem exatamente o que


declarar diante de Deus. Porque a confissão deve ser consciente e precisa, aqui
estão algumas lembranças:
XIII-47

1. Confesse o pecado cometido.


Deus exige que você confesse "aquilo em que pecou" (Lv 5.5). Cite o pecado
pelo nome certo. Talvez seja a inveja, a maledicência, a dificuldade de perdoar,
a irritação, a palavra impiedosa, a indelicadeza, o egoísmo, a soberba, a
contenda, a lascívia, a falta de amor, a apropriação indébita, a profanação do
nome de Deus, o mau trato dispensado ao cônjuge ou ao filho, a acepção de
pessoas, a incredulidade para com Deus e muitas outras coisas. Declare sua
falha, desobediência e culpa.
2. Confesse a pecaminosidade latente.
Mesmo que você não tenha chegado ao ponto de satisfazer a vontade de pecar,
é justo que você lamente diante de Deus o potencial pecaminoso de que é
portador. Já é um transtorno e sinal de decadência a vontade de mentir, a
vontade de adulterar, a vontade de aparecer, a vontade de roubar, a vontade de
difamar. Nesse caso, você confessa não o pecado cometido, mas o pecado
desejado. Esse tipo de confissão é saudável, pois revela que você tem
consciência pessoal da queda, da vulnerabilidade e da necessidade do auxílio
do alto. Observe como o salmista se queixa de alguma coisa que o acompanha
sempre: "Pois estou prestes a tropeçar; a minha dor está sempre perante mim"
(Sl 38.17); "A minha ignomínia está sempre diante de mim" (Sl 44.15); "O meu
pecado está sempre diante de mim" (Sl 51.3). A melhor confissão da
pecaminosidade latente foi escrita e assinada por Paulo: "Eu sei que em mim,
isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Rm 7.18).
3. Confesse as faltas que lhe são ocultas.
Há pecados tão corriqueiros, costumeiros e generalizados que não são de
imediato e fácil discernimento. Mesmo assim devem ser confessados, a exemplo
de Davi: "Quem sou eu para saber os pecados que se escondem em meu
interior? Por favor, Senhor, perdoa estes meus pecados ocultos!" (Sl 19-12)
Junto com essa confissão, você deve fazer esta súplica: "Sonda-me, ó Deus, e
conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há
em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno" (Sl 139.23, 24).

13.3. 13.3. Obstáculos à confissão

O homem que cometeu adultério com Bate Seba e mandou matar o marido dela
admite que perdeu muito tempo enquanto calou os seus pecados. A mão de
Deus pesava sobre ele dia e noite e o seu vigor se tornou em sequidão de estio.
Ele precisava desesperadamente do perdão de Deus e da perfeita paz, que só
viriam depois da confissão. Davi mesmo se prejudicou e se desgastou
desnecessariamente, atrasando o processo da cura do pecado (Sl 32.1-5). É de
todo necessário conhecer e analisar os obstáculos que tornam morosa e tardia
a prática da confissão:
XIII-48

1. Orgulho
O pecador não quer admitir que pecou e resiste ao processo que o pode levar a
ter convicção de pecado. Ele diz: "Não pequei", quando deveria dizer exatamente
o contrário: "Pequei". O fariseu da parábola de Jesus chegava a dar graças a
Deus porque não era como os demais homens, nem ainda como aquele
publicano que se declarava culpado diante de Deus (Lc 18.9-14). Tais pessoas
preferem fugir a vida inteira da justiça divina, à semelhança de Caim: "Serei
fugitivo e errante pela terra" (Gn 4.14).
2. Consciência endurecida
O pecador não percebe o seu próprio pecado. Enxerga com facilidade e, às
vezes, com lentes de aumento o pecado alheio, mas é incapaz de se ver "infeliz,
sim, miserável, pobre, cego e nu", como aconteceu com o anjo da igreja em
Laodicéia. (Ap 3.17.) Este é um fenômeno comum. Quando acusado, o pecador
sempre pergunta: "Por que nos ameaça o Senhor com todo este grande mal?
Qual é a nossa iniquidade, qual é o nosso pecado, que cometemos contra o
Senhor nosso Deus?" (Jr 16.10.) Essa dificuldade leva o pecador às raias do
cinismo: "Em que desprezamos nós o teu nome?", "Em que o enfadamos?", "Em
que havemos de tornar?", "Em que te roubamos?" e "Que temos falado contra
ti?" (Ml 1.6; 2.17; 3.7, 8, 13.)
3. Medo de pecar outra vez
O pecador admite que pecou, mas já cometeu o mesmo pecado outras vezes e
não está suficientemente seguro de que não o cometerá mais. Então, ele prefere
não confessar a reincidência. Ele teme o cinismo, o que é uma virtude. Porém a
falta de confissão vai deixar a porta aberta ao pecado, além de trazer outros
prejuízos.
Se houver arrependimento, nada impede que ele volte à
confissão quantas vezes forem necessárias.
Ora, se Jesus nos ensinou a perdoar "até setenta vezes sete" (Mt 18.22), não
nos perdoaria o mesmo tanto se dele nos aproximássemos para dizer mais uma
vez: "Estou arrependido"? (Lc 17.3-4.)
4. Noção de pecado
O pecador não sabe ao certo o que é pecado. Ele é capaz de coar o mosquito e
engolir o camelo (Mt 23.24). Dá mais atenção à tradição cultural do que à Palavra
de Deus (Mt 15.6). Às vezes, só enxerga o pecado sexual; outras, só toma
conhecimento do pecado social. Para resolver essa dificuldade realmente séria,
é necessário recorrer ao conceito de pecado tão bem resumido nestas palavras:
"Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer
transgressão dessa lei".
XIII-49

13.4. 13.4. Os alarmes de Deus

Assim como a febre anuncia a existência de uma anormalidade qualquer no


organismo, Deus faz uso de alguns expedientes para levar o pecador à prática
da confissão. Entre eles, é possível mencionar:
1. A diminuição ou a perda da paz de Cristo
A paz interior é sinal de comunhão perene com Deus e de confiança nele: "Tu,
Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme" (Is 26.3).
Qualquer alteração dessa paz pode indicar a presença de algo errado no
comportamento. Daí a palavra de Paulo: "Seja a paz de Cristo o árbitro em
vossos corações" (Cl 3.15).
2. A interrupção brusca da alegria
A rigor, salvo algum momento de tribulação, a alegria é uma constante na vida
do crente. Basta lembrar a famosa advertência de Paulo: "Alegrai-vos sempre
no Senhor" (Fp 4.4). Mas a alegria não combina com o pecado: "Suporto tristeza
por causa do meu pecado" (Sl 38.18). A escassez de alegria está relacionada
com o pecado. Por essa razão, ao confessar o seu adultério com Bate-Seba,
Davi suplica ao Senhor: "Restitui-me a alegria da tua salvação" (Sl 51.12).
3. O desagradável senso de culpa e de sujidade espiritual
Invariavelmente o servo de Deus que comete pecado sente em seguida, ou
algum tempo depois, uma necessidade enorme de perdão e de purificação. A
experiência de Davi foi muito marcante quanto à sensação de imundícia moral.
Ele chegou a pedir a Deus: "Não me repulses da tua presença" (Sl 51.11).
Suplicou também que o Senhor o lavasse completamente da sua iniquidade e o
purificasse de seu pecado (Sl 51.2), para que ele ficasse "mais alvo que a neve"
(Sl 51.7).
4. A pressão da boa consciência
Se a consciência não for de todo perdida nem danificada, ela exerce um papel
acusatório muito válido. Jesus aguçou a consciência daqueles escribas e
fariseus que levaram à sua presença a mulher surpreendida em adultério, de tal
modo que eles abandonaram o local um por um, a começar pelos mais velhos,
deixando só Jesus e a mulher (Jo 8.9). A consciência pura gaba-se de feitos
tremendos.
5. O peso da mão do Senhor
A mão do Senhor abençoa (Ed 7.9; 8.18), mas também castiga (Êx 7.5; 1 Sm
5.6). A experiência de muitos coincide com a de Davi: "De dia e de noite sentia
a mão de Deus pesando sobre mim, fazendo com as minhas forças o que a seca
XIII-50

faz com um pequeno riacho" (Sl 32.4, BV). É esse estado de fraqueza que
aproxima o pecador da prática da confissão.
6. O confronto com a santidade de Deus
Um pequeno momento na presença da glória de Deus é suficiente para abalar
profundamente qualquer pecador. Ele enxerga claramente tanto a santidade
absoluta de Deus como a sua depravação pessoal. Então é capaz de reagir
como Pedro reagiu: "Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador" (Lc 5.8). Por
causa do pecado, o homem não suporta a glória do Senhor. O só ouvir a voz de
Deus na transfiguração de Jesus fez com que Pedro, Tiago e João caíssem de
bruços, tomados de grande medo (Mt 17.6). O mesmo aconteceu com os pais
de Sansão (Jz 13.20,22) e com João na ilha de Patmos (Ap 1.17). Também
Gideão (Jz 6.22) e Isaías (Is 6.5) estremeceram diante da presença do Senhor.
Deus ainda se manifesta em glória, ora por meio de um texto sagrado, ora por
meio de uma mensagem poderosa, ora por meio de uma experiência pessoal
com o Senhor.
7. A palavra acusatória de alguém
Em certos casos, os expedientes introspectivos até agora apresentados não dão
resultado ou não funcionam sozinhos. É preciso que alguém diga ao pecador
que ele pecou. Foi o que Nata fez com o rei Davi: "Tu és o homem" (2 Sm 12.7).
Ou o que Elias fez com o rei Acabe (1 Rs 21.17-29) e o que Paulo fez com Cefas
(Gl 2.11-14).
8. O escândalo
Os pecados ocultos podem ser confessados e perdoados sem que venham
obrigatoriamente a público. Quando, porém, isso não acontece, o escândalo é
uma necessidade. Trata-se de um expediente doloroso e de impacto, mas
extremamente útil para acabar com o pecado secreto e provocar a necessária
confissão: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei"
(Sl 32.4). Só depois de ter sido nacionalmente responsabilizado pela derrota dos
israelitas na tomada de Ai é que Acã confessou o seu crime: "Verdadeiramente,
pequei contra o Senhor, Deus de Israel, e fiz assim e assim" (Js 7.20). Judá, um
dos seis filhos de Jacó e Lia, só admitiu a hediondez de seu pecado e de sua
hipocrisia quando o seu relacionamento carnal com a nora Tamar veio à tona:
"Mais justa é ela do que eu" (Gn 38.26).
9. A disciplina eclesiástica
Pode acontecer que o pecador não enxergue ou não se valha das várias
oportunidades de confissão que Deus lhe dá. Nesse caso, para o bem dele e da
igreja, será necessária a disciplina eclesiástica. Essa medida terapêutica,
embora extrema, quando bem-feita pode dar excelente resultado. O membro da
igreja de Corinto que possuiu a mulher de seu próprio pai e que foi duramente
XIII-51

disciplinado por Paulo (1 Co 5.1-5) alcançou mais tarde a bênção da plena


restauração de seu vergonhoso comportamento (2 Co 2.5-11).

CONCLUSÃO

A resistência à prática da confissão não vale a pena. É uma experiência dolorosa


e desconfortável: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus
ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia
e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” (Sl 32.3,4)

Portanto, valorizemos a prática da confissão! Consideremos a advertência e a


promessa bíblicas: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará;
mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13)

APLICANDO O ENSINO

1. Você reconhece facilmente suas falhas? Ou tenta encobri-las?


2. De que forma você tem confessado seus pecados: superficial ou nominalmente?
3. No momento, há algum alarme de Deus soando em seu interior?

Estudo adaptado do livro Práticas Devocionais. Editora Ultimato. Elben Lenz


Cesar.
XIV-52

XIV. O DISCÍPULO DE CRISTO E SEU CRESCIMENTO


ESPIRITUAL
“Então, disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se
permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis
meus discípulos. E conhecereis a verdade, e a verdade
vos libertará. ” João 8.31,32
Introdução

A vida resulta em crescimento. Vida espiritual resulta em crescimento espiritual.


Ou, pelo menos deveria ser assim. Você' está crescendo? Se não estiver
crescendo, ou não estiver satisfeito com o seu índice de crescimento, a aula de
hoje vai lhe ajudar. Esteja certo de que Deus deseja que todo o crente atinja a
maturidade espiritual. Sua Palavra nos ordena.
"Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo..." (II Pedro 3:18).
É esta a nossa obrigação e nosso privilégio. A cada dia, podemos progredir em
nossa vida espiritual prosseguindo num conhecimento mais pleno, mais alto,
mais pessoal e experimental de Deus e de Cristo.

14.1. O que não é crescimento espiritual

Primeiramente precisamos saber que algumas pessoas têm ideias erradas


quanto ao que significa o crescimento espiritual.

1º.) O crescimento espiritual nada tem a ver com o favor de Deus. Deus não nos
ama mais à medida em que nos tornamos mais espirituais. Às vezes os pais
ameaçam seus filhos: "Se você fizer isso, Deus não vai mais gostar de você". De
forma nenhuma! O amor de Deus não é condicionado ao nosso comportamento.
Quando ainda éramos fracos, injustos, pecadores e inimigos (Romanos 5:6-10),
Deus provou seu amor por nós enviando-nos Seu Filho para morrer pelos nossos
pecados. Deus não nos ama mais apenas porque crescemos.
2º.) O crescimento espiritual nada tem a ver (necessariamente) com o tempo.
Não se mede crescimento espiritual pelo calendário. É possível uma pessoa ser
cristã durante meio século e ainda permanecer um bebê espiritual.
3º.) O crescimento espiritual nada tem a ver (necessariamente) com o
conhecimento.
Uma pessoa pode conhecer muitos fatos, ter muitas informações, mas isso não
é o mesmo que ter maturidade espiritual. A não ser que o conhecimento resulte
na sua conformidade a Cristo, ele será inútil. Para ter valor, este conhecimento
tem que transformar a vida.
XIV-53

4º.) O crescimento espiritual nada tem a ver com atividade.

Algumas pessoas pensam que crentes maduros são aqueles que estão sempre
ocupados. Mas a ocupação no trabalho da igreja não resulta em maturidade
cristã, e nem a substitui. Pode até ser um obstáculo ao que é realmente vital e
importante na vida do crente. No capítulo sete de Mateus, lemos sobre um grupo
que clamará por aceitação da parte de Cristo baseado em obras maravilhosas.
Mas Ele os lançará fora. Ocupação não resulta em salvação — menos ainda em
maturidade.

5º.) O crescimento espiritual nada tem a ver com prosperidade.

Algumas pessoas dizem: "Veja só como Deus tem me abençoado. Tenho


dinheiro, uma casa maravilhosa, um bom carro e um emprego seguro. Deus tem
me abençoado porque eu O tenho honrado." Não acredite nisso. Deus pode ter
permitido que você tivesse sucesso — ou até você mesmo pode ter forçado a
situação — mas isso não é sinal de crescimento espiritual. Veja II Coríntios 12:7-
10.

14.2. A Escritura: A chave mestra para o crescimento espiritual.

Chave mestra é uma chave projetada para abrir uma série pré-determinada de
fechaduras, como por exemplo todas as portas de um setor ou de um departamento. É
usada principalmente por motivos de segurança para agilizar o acesso em casos de
emergência. Podemos dizer que a Bíblia é a chave mestra para abrir todas as demais
portas que nos ajudarão em nosso crescimento espiritual.

Uma das declarações que a Bíblia faz de si mesma é que a Palavra de Deus É
viva. "Fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível,
mediante a Palavra de Deus, a qual vive e é permanente" (1 Pedro 1:23). Paulo
refere-se à Bíblia como a Palavra da Vida (Filipenses 2:16). O escritor de
Hebreus declara ser a Palavra de Deus viva e eficaz (Hebreus 4:12). Como a
Palavra de Deus está viva?

1) Primeiramente, a Bíblia está viva em si mesma. Em qualquer geração e idade,


toda pessoa que lê a Bíblia encontra vida e vigor. Estes livros ainda contêm
mistérios que homem nenhum penetrou. Cada vez que os lemos ficamos
deslumbrados ante a novidade.

a) A Bíblia é viva devido à sua atualidade. Você já folheou seus velhos livros de
escola? A maioria está desatualizada. A ciência continua a fazer novas
descobertas e novos livros são produzidos, no entanto, a Bíblia jamais se
desatualiza.
XIV-54

b) A Bíblia é viva porque ela discerne os corações. Possui uma percepção interior
surpreendente. A Bíblia é uma espada afiada de dois gumes que discerne os
pensamentos e os propósitos do coração (Hebreus 4:12). Revela exatamente
aquilo que somos. E por isso que aqueles que desejam permanecer no erro não
a leem. Ela os descobre. Estas são algumas das razões pelas quais dizemos
que a Palavra de Deus é viva em si mesma.

2) Em segundo lugar, a Bíblia transmite vida. Não apenas a contém, mas


transmite vida. O maior poder de qualquer organismo vivo é a capacidade de se
reproduzir. Os nossos pensamentos e palavras são incapazes disso.
Poderíamos falar o dia todo sem produzirmos vida espiritual. Mas a Palavra de
Deus é viva e reproduz vida. Tiago 1:18 nos diz: "Pois segundo o seu querer, ele
nos gerou pela palavra da verdade..." A Palavra de Deus é que faz isso. O
Espírito Santo utiliza se da Palavra para produzir novo nascimento. A única forma
de se tornar filho de Deus é ser gerado pela Palavra, a semente de nova vida.

3) Um terceiro aspecto - a Bíblia sustenta a vida espiritual. A vida exige alimento,


e a Palavra de Deus é esse alimento. Pedro disse: "Desejai ardentemente, como
crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja
dado crescimento para a salvação" (I Pedro 2:2).

Há outros lugares em que a Bíblia fala de si mesma como sustento: "Achadas as


Tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o
coração..." (Jeremias 15:16).

Paulo lembra a mesma coisa a Timóteo, vista de outro ângulo: "Expondo estas
cousas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as
palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido" (I Timóteo 4:6).
O alimento do crente é a Palavra de Deus. Precisamos dela
como um nenê precisa de leite, mas precisamos também crescer
para finalmente podermos comer carne.
4) Uma quarta razão pela qual dizemos que a Palavra de Deus vive é que ela
transforma a vida.

Paulo escreveu aos crentes de Éfeso recomendando que “Vos renoveis no


espírito do vosso entendimento" (Efésios 4:23). E em Romanos 12.2 o apóstolo
diz que a renovação das nossas mentes é algo que deve ocorrer para que
sejamos transformados. Mesmo como crentes, precisamos permitir que a
Palavra nos transforme. Não somos perfeitos ao nos tornarmos cristãos. O
Espírito Santo ainda tem muito a fazer para nos moldar conforme a imagem de
Cristo. Mesmo depois que entramos na família de Deus, a velha mente, com
seus hábitos de preocupação egoísta, com sua imaginação e apetites para as
XIV-55

coisas erradas ou duvidosas da vida - tudo isto tem que ser retirado. Como? Pela
Palavra de Deus.

A melhor coisa que pode acontecer na nossa vida, após a salvação, é aprender
a estudar a Palavra de Deus noite e dia. Pois quanto maior a devoção que
dedicamos no estudo da palavra, mais podemos contemplar o rosto de Jesus
Cristo através das páginas das Escrituras, mais o Espírito de Deus me
transforma segundo a imagem de Seu Filho. O estudo bíblico precisa se tornar
a paixão do nosso coração.

Todas as coisas boas vêm através dela. Se desejamos viver, a Palavra de Deus
nos vivifica. Se desejamos crescer, é a Palavra de Deus que nos dá o
crescimento. E se desejamos ser transformados, é enquanto focalizamos nossa
atenção em suas páginas que a Palavra de Deus nos transforma.

14.3. Sugestões práticas para seu relacionamento com a Palavra

Gostaria de sugerir cinco coisas específicas que você pode fazer a fim de usar
a Palavra de deus para o seu crescimento espiritual.

1) Primeiro: creia nela. Muitas coisas e muitas pessoas tentarão desviar sua
atenção e afeto, mas faça sua, a resposta de Pedro: "Senhor, para quem iremos?
Tu tens as palavras de vida eterna". (João 6:68). Creia na Bíblia. Aceite-a como
revelação de Deus.

2) Em segundo lugar, estude-a. Espero que, como Apoio, você se torne poderoso
nas Escrituras (Atos 18.24). Quando Jesus abriu e explicou as Escrituras aos
dois discípulos no caminho para Emaús, eles comentaram "Não nos ardia o
coração? " (Lucas 24.32). Estudar a Palavra deverá aquecer e inflamar o
coração.

3) Em terceiro lugar, ame a Palavra de Deus. Dê a ela do seu tempo e de sua


atenção como você faria com qualquer outro objeto de estimação. "Quanto amo
a tua lei! É a minha meditação todo o dia," diz o salmista (Salmo 119.57). Será
que você pode dizer isto?

4) Em quarto lugar, obedeça a Palavra de Deus. Faça o que ela diz. A obediência
a Deus não é opcional, nem é algo ao qual você se submete se tem vontade. É
obrigatória. Não seja um ouvinte apenas da Palavra. Tiago 1.22
XIV-56

CONCLUSÃO:

Na aula de hoje aprendemos que a Palavra de Deus é a grande chave para


ajudar você a crescer espiritualmente. No entanto, há outras chaves, cada uma
desvendando um novo tesouro do crescimento espiritual. Nas próximas aulas
estaremos estudando estas outras “chaves”. Cada uma é baseada nesta Chave
que estudamos hoje: a Palavra de Deus. Cada uma é um princípio que vamos
extrair da Palavra de Deus.

Aplicando o ensino

1. De acordo com a aula de hoje, que decisão prática você vai tomar para começar
a crescer na sua vida cristã? Compartilhe com a classe. Seja específico.
XIV-57

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
1) ASCOL, Thomas, O Supremo Dever do Pastor - artigo
2) BAXTER, Richard, O Pastor Aprovado (Reformado), Ed. PES
3) BRIDGES, Jerry. Exercita-te na piedade. Editora Monergismo. 2016.
4) DRESCHER, John M., Se Eu Começasse Meu Ministério de Novo, Ed.
Cristã Unida
5) FISHER, David, O Pastor do Séc. XXI, Ed. Vida
6) HUMMEL Charles E., Livres da Tirania da Urgência, Editora Press
7) JOWETT, John Henry, O Pregador Sua Vida e Obra, CEP
8) KELLER, Timothy. Oração – experimentando intimidade com Deus.
Edições Vida Nova. São Paulo. 2016.
9) KELLER, Timothy. Oração – experimentando intimidade com Deus.
Edições Vida Nova. São Paulo. 2016.
10) KORNFIELD, David E. Crescendo na Palavra. Editora Sepal. 1997
11) LLOYD.Jones, D.M. Os Puritanos – Suas Origens e Seus Sucessores.
PES: São Paulo. 1993
12) MACARTHUR John Jr, Redescobrindo o Ministério Pastoral, CPAD
13) MBEWE, Conrad, PUREZA PASTORAL (artigo
14) NOUWEN, Henri J.M., O Fruto da Solidão, Edições Loyola
15) ________________, A Espiritualidade do Deserto e o Ministério
Contemporâneo, Edições Loyola.
16) ________________, O Perfil do Líder Cristão do Século XXI, Editora
Atos
17) PETERSON, Eugene, Á Sombra da Planta Imprevisível, United Press
18) ________________ Um Pastor Segundo o Coração de Deus, Textus
19) SPROUL, R.C. Discípulos Hoje. Editora Cultura Cristã. São Paulo. 2008.
20) SPURGEON, H., O Chamado para o Ministério, PES
21) TRIPP. Paul. Vocação Perigosa. Ed. Cultura Crista. 2018.
22) STOTT, John. A Mensagem do Sermão do Monte. Editora ABU. São
José dos Campos. 1997
23) STOWELL, Joseph M. Pastoreando a Igreja, Ed. Vida

Rev. Gildásio Jesus Barbosa dos Reis