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SUMÁRIO

1 ORGANIZAÇÃO E FUNÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .............................. 4


1.1 Princípio da descentralização: artigo 10, Decreto-Lei 200/67: .............................. 5
1.2 Desconcentração ............................................................................................ 5
2. AUTARQUIAS: ................................................................................................. 7
2.1 Características: ............................................................................................... 7
2.2 Agência executiva ........................................................................................... 8
2.3 Agência reguladora ....................................................................................... 10
3. AUTARQUIAS FUNDACIONAIS OU FUNDAÇÕES AUTARQUICAS OU
FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO PÚBLICO: ................................................ 13
3.1 Características .............................................................................................. 13
4. FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO PRIVADO: ............................................ 13
4.1 Características: ............................................................................................. 13
5. EMPRESA PÚBLICA: ...................................................................................... 14
5.1 Características .............................................................................................. 14
6. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA: .............................................................. 15
6.1 Características .............................................................................................. 15
7. ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS (CONSÓRCIOS DE DIREITO PÚBLICO): AUTARQUIA
INTERFEDERATIVA: .......................................................................................... 15
8. CONSÓRCIOS PÚBLICOS DE DIREITO PRIVADO........................................... 16
9. PARAESTATAIS ............................................................................................. 16
9.1 Organizações Sociais (OS): ........................................................................... 17
9.2 Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP): ........................ 17
9.3 Entidades de Apoio ou Parcerias Voluntárias: Lei 13.019/2014.......................... 18
9.4 Serviços Sociais Autônomos (Sistema S): ....................................................... 19
10. PRINCÍPIOS ................................................................................................. 19
10.1 Princípio da Supremacia do Interesse Público: o interesse público é superior ao
interesse do particular, assim é possível verificar privilégios à Administração Público que
se justificam na supremacia do interesse público: .................................................. 19
10.2 Princípio da indisponibilidade do interesse público ......................................... 20
10.3 Princípio da Legalidade ................................................................................ 20
10.4 Princípio da impessoalidade ......................................................................... 20
10.5 Princípio da Moralidade................................................................................ 21
10.6 Princípio da publicidade ............................................................................... 21
10.7 Princípio da Eficiência .................................................................................. 21
10.8 Princípio da razoabilidade e proporcionalidade............................................... 22
10.9 Princípio da autotutela ................................................................................. 22
10.10 Princípio da ampla defesa e do contraditório ................................................ 23
11 AGENTES PÚBLICOS.................................................................................... 24
11.2 Forma de ingresso em cargo, emprego ou função: ......................................... 24
11.3 Concurso público......................................................................................... 26
11.4 Da estabilidade ........................................................................................... 29
11.5 Formas de provimento ................................................................................. 30
11.6 Acumulação de cargos................................................................................. 32
11.7 Regime remuneratório dos servidores ........................................................... 33
11.8 Teto das remunerações ............................................................................... 33
11.9 Regime Previdenciário Próprio do Servidor - SPPS ........................................ 35

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11.8 Direito de greve e de associação sindical ...................................................... 36
12. REGIME DISCIPLINAR ................................................................................. 37
12.1 Sindicância ................................................................................................. 38
12.2 Processo administrativo disciplinar ................................................................ 39
13. RECURSOS: ................................................................................................ 41
14. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO: .................................................... 41
14.1 Responsabilidade subjetiva e responsabilidade objetiva ................................. 42
14.2 Teoria do risco administrativo ....................................................................... 45
14.3 Teoria do risco integral ................................................................................. 46
14.4 Responsabilidade omissiva: subjetiva............................................................ 46
14.5 Poder Público garantidor da integridade de pessoas e coisas sob sua custódia 47
14.6 Responsabilização por atos judiciais: ............................................................ 48
14.7 Responsabilização decorrente de obra: ......................................................... 48
14.8 Responsabilidade Civil, Penal e Administrativa .............................................. 49
14.9 Ação de regresso ........................................................................................ 49
REFERÊNCIAS .................................................................................................. 52

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1 ORGANIZAÇÃO E FUNÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

O ESTADO desenvolve suas atividades por meio de três poderes:

PODER FUNÇÃO TÍPICA: para o FUNÇÃO ATÍPICA: função estranha àquela


Poder foi criado para que foi criado

Poder Função administrativa, Quando o Presidente da República adota


executivo conversão da lei em ato medidas provisórias ou quando o
individual e concreto. Executivo julga defesas e recursos
administrativos.
Poder Elaboração das leis, Quando administra seus órgãos, provendo
Legislativo função normativa cargos, concedendo férias, licenças etc.

Poder Aplicação da lei, quando Quando legisla sobre seu regimento


Judiciário invocado interno (tribunais), ou administra seus
servidores, inclusive fazendo concurso
público para ingresso deles.

O Decreto Lei n. 200/67 é o responsável por fazer a divisão entre a


administração direta e indireta (art. 4º e 5º), também é possível verificar nos
artigos 41, do Código Civil e no 37, XIX, da Constituição Federal.

A) Administração Direta: responsável pelos serviços integrados na


estrutura administrativa da presidência da República e dos Ministérios (Estados
Municípios e suas secretarias).

B) Administração Indireta: composta pelas Autarquias, Fundações


Públicas (de direito público ou privado), Sociedade de Economia Mista,
Empresas Públicas.

As funções da Administração Direta, podem ocorrer sob duas formas:


CENTRALIZADAS, dentro da própria administração Direta, ou
DESCENTRALIZADA, em que a função é deslocada para outra Pessoas
Jurídicas (para a Administração Indireta e as delegatárias).

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1.1 Princípio da descentralização: artigo 10, Decreto-Lei 200/67:

DESCENTRALIZAÇÃO: Outorga da prestação do serviço público para


outras entidades da Administração INDIRETA. Transfere a titularidade e
execução. Na delegação, só transfere a execução, através da concessão ou da
permissão.
Esses entes possuem personalidade jurídica, podem contrair direitos e
obrigações. Como regra, só tem personalidade processual aqueles que possuem
personalidade jurídica, órgãos não possuem capacidade processual, apesar de
terem capacidade jurídica, assim, deverão ser representados.

ATENÇÃO: em regra somente quem detém personalidade jurídica é que


possuí capacidade processual, exceção: Na defesa de suas
funções/prerrogativa institucionais, órgãos podem ter capacidade processual
relativa para atuar no polo ativo: entendimento jurisprudencial. Exemplo: Súmula
525, STJ.

1.2 Desconcentração

Órgão são criados por LEI, não mediante ato administrativo (art. 84, IV, a,
CF). Podem ser classificados conforme a esfera de atuação, posição estatal e a
composição

1) Classificação quanto à esfera de atuação:

a) Centrais: atuação nacional, estadual ou municipal (ex. Ministério da


Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal de
Saúde);

b) Locais: atuação específica em determinada parte do território (ex.


Unidade de Saúde de determinado bairro);

2) Classificação quanto à posição estatal:

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a) independentes: são os derivados da Constituição, representam os
Poderes do Estado. Não são subordinados hierarquicamente e somente são
controlados uns pelos outros. (ex: Congresso Nacional, Câmara dos Deputados,
Senado Federal, Chefias do Executivo, Tribunais e Juízes e Tribunais de
Contas).

b) autônomos: São os subordinados diretamente à cúpula da


Administração. Têm grande autonomia administrativa, financeira e técnica,
caracterizando-se como órgãos diretivos, com funções de planejamento,
supervisão, coordenação e controle das atividades que constituem sua área de
competência. Seus dirigentes são, em geral, agentes políticos nomeados em
comissão. (ex. Ministérios e Secretarias, bem como a Advocacia-Geral da União,
Ministério Público, Defensoria Pública e as Procuradorias dos Estados e
Municípios)

c) superiores: Possuem poder de direção, controle, decisão e comando


dos assuntos de sua competência específica. Representam as primeiras
divisões dos órgãos independentes e autônomos (ex. Gabinetes,
Coordenadorias, Departamentos, Divisões etc.)

d) subalternos: são órgãos de execução (ex. seções, unidade, agência


e os serviços)

3) Classificação quanto à composição:

a) simples: Também conhecidos por unitários, são aqueles que possuem


apenas um único centro de competência, sua característica fundamental é a
ausência de outro órgão em sua estrutura, para auxiliá-lo no desempenho de
suas funções.

b) compostos: São aqueles que em sua estrutura possuem outros


órgãos menores, seja com desempenho de função principal ou de auxílio nas

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atividades, as funções são distribuídas em vários centros de competência, sob a
supervisão do órgão de chefia.

c) singulares: São aqueles que decidem e atuam por meio de um único


agente, o chefe. Possuem agentes auxiliares, mas sua característica de
singularidade é desenvolvida pela função de um único agente, em geral o titular.

d) colegiados: São aqueles que decidem pela manifestação de muitos


membros, de forma conjunta e por maioria, sem manifestação de vontade de um
único chefe. A vontade da maioria é imposta de forma legal, regimental ou
estatutária.

2. AUTARQUIAS:

A) Comum: ou autarquias administrativas ou de serviço.

B) Especial: agências reguladoras

C) Corporativas: Conselhos Profissionais

D) Fundacionais: Fundações públicas de direito Público, chamadas pela


jurisprudência de Fundações Autárquicas.

2.1 Características:
A) Definição: Pessoa jurídica de direito público que presta serviço típico
da Administração Pública.
B) Criação/extinção: Criada por lei específica
C) Patrimônio: 100% público
D) Responsabilidade civil: Direta e objetiva. Estado responde
subsidiariamente/garantidor.
E) Regime pessoal: estatutário.
F) Regime de bens: públicos.

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G) Privilégios: tributários SIM quanto a impostos (art. 150, VI, a, CF) –
não tem imunidade quando foge da finalidade específica. Também tem
privilégios processuais (art. 183, CPC), prazo em dobro.
H) Controle: Tribunal de Contas (não há hierarquia e subordinação), só
controle de legalidade.
ATENÇÃO: a OAB não é autarquia, é uma entidade independente, pois:
-Não está vinculada a nenhum órgão administrativo
- Não está sujeita a controle ministerial
- Regime de pessoal: celetista (não exige concurso público)
- Não está sujeita ao controle do TC.
- Não integra Administração Direta ou Indireta
- É uma entidade SUI GENERIS

2.2 Agência executiva

O artigo 37, §8º, da Constituição Federal define que a autonomia


gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração
direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus
administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de
desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:

I - O prazo de duração do contrato;

II - Os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos,


obrigações e responsabilidade dos dirigentes;

III - a remuneração do pessoal.

Agências executivas não são autarquias ou fundações instituídas com tal


denominação, são entidades preexistentes que recebem a qualificação de
agência executiva, após a celebração de um contrato de gestão com o órgão da
Administração Direta em que está vinculada e passam a submeter-se a regime
jurídico especial. Esse contrato é realizado para obter melhoria na eficiência e
redução de custos (DI PIETRO, 2017, p. 599).

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Trata-se apenas de uma qualificação dada a uma autarquia ou fundação
que tenha um contrato de gestão com seu órgão supervisor, no caso um
ministério, cumprindo metas de desempenho, redução de custos e eficiência.
Assim, para ser uma agência executiva basta apenas uma qualificação dada por
um Ministro de Estado. Exemplos: Instituto Nacional de Metrologia,
Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro); Agência Nacional do
Desenvolvimento do Amazonas (ADA) e Agência Nacional do Desenvolvimento
do Nordeste (Adene) (ALVES, 2019, p. 57).
A previsão das agências executivas está na Lei 9.649/98, que dispõe
sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, e dá outras
providências. O artigo 51 estabelece os requisitos necessários para que uma
autarquia ou fundação seja qualificada como agência executiva:

I - Ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento


institucional em andamento;

II - Ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério


supervisor.

A qualificação é realizada por ato específico do Presidente da República,


segundo o §1º, do artigo 51, da Lei n. 9.649/98. Ao Poder Executivo incumbe o
dever de editar medidas de organização administrativa específicas para as
Agências Executivas, visando assegurar a sua autonomia de gestão, bem como
a disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros para o cumprimento
dos objetivos e metas definidos nos Contratos de Gestão.
O artigo 52, da referida lei, por sua vez, determina que os planos
estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional definirão
diretrizes, políticas e medidas voltadas para a racionalização de estruturas e do
quadro de servidores, a revisão dos processos de trabalho, o desenvolvimento
dos recursos humanos e o fortalecimento da identidade institucional da Agência
Executiva.
Em seus parágrafos, está determinado que os Contratos de Gestão das
Agências Executivas serão celebrados com periodicidade mínima de um ano e
estabelecerão os objetivos, metas e respectivos indicadores de desempenho da
entidade, bem como os recursos necessários e os critérios e instrumentos para

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a avaliação do seu cumprimento. E, o Poder Executivo definirá os critérios e
procedimentos para a elaboração e o acompanhamento dos Contratos de
Gestão e dos programas estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento
institucional das Agências Executivas.
Os Decretos 2.487/1998 e o 2.488/1998 disciplinam as agências
executivas federais, dispõe sobre a qualificação como Agências Executivas,
estabelece critérios e procedimentos para a elaboração, acompanhamento e
avaliação dos contratos de gestão e dos planos estratégicos de reestruturação
e desenvolvimento institucional das entidades qualificadas e definem medidas
de organização administrativa específicas para as autarquias como Agências
Executivas.
A qualificação poderá ser mediante iniciativa do Ministério supervisor,
desde que tenha anuência do Ministérios da Administração Federal e Reforma
do Estado, o qual verificará o cumprimento dos seguintes requisitos, pela
entidade candidata à qualificação (art. 1º, §1º, do Decreto 2.487/1998):

a) ter celebrado contrato de gestão com o respectivo Ministério


supervisor;

b) ter plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento


institucional, voltado para a melhoria da qualidade da gestão e para a
redução de custos, já concluído ou em andamento.

O ato de qualificação ocorre por meio de Decreto. A manutenção da


qualificação de agência executiva depende da renovação do contrato de gestão
e de que o plano estratégico de reestruturação e desenvolvimento institucional
tenha prosseguimento ininterrupto, até a sua conclusão. Se houver
descumprimento do plano estratégico de reestruturação e desenvolvimento
institucional, a entidade perde a qualificação de agência executiva.

2.3 Agência reguladora

Regular significa organizar determinado setor, assim como, controlar as


entidades que atuam nesse setor, “engloba toda forma de organização da
atividade econômica através do Estado, seja a intervenção através da

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concessão de serviço público ou o exercício de poder de polícia” (SALOMÃO
FILHO, 2001, p. 15).
São autarquias de regime especial, responsáveis pela regulamentação,
controle e fiscalização de serviços públicos transferidos ao setor privado.
Exemplos: ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica; ANATEL – Agência
Nacional das Telecomunicações; ANP – Agência Nacional de Petróleo; ANVISA
– Agência Nacional de Vigilância Sanitária; ANAC – Agência Nacional de
Aviação Civil e ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho, no direito brasileiro, já existiam


agências reguladoras, antes mesmo da inovação da nomenclatura, menciona
que durante o período de 1930-1945, existia o Comissariado de Alimentação
Pública (1918), o Instituto de Defesa Permanente do Café (1923), o Instituto do
Açúcar e do Álcool (1933), o Instituto Nacional do Mate (1938), o Instituto
Nacional Pinho (1941) e o Instituto Nacional do Sal (1940), todos eles autarquias
com a finalidade de regular a produção e o comércio (1975, p.253-257).
Segundo Di Pietro, no direito brasileiro existem dois tipos de agência
reguladoras:

a) As que exercem Poder de Polícia, com a imposição de limitação


administrativa;
b) As que regulam e controlam atividades que constituem objeto de
concessão, permissão ou autorização de serviço público
(telecomunicações, energia elétrica, transporte etc.) ou para
exploração de bem público (como o petróleo).

Esse segundo modelo de agência reguladora possuí o poder de


concessão, permissão e autorização, que antes eram desempenhados somente
pela Administração Direta, na qualidade de poder concedente. Essas agências
reguladoras possuem o poder de “fixar e alterar unilateralmente as cláusulas
regulamentares, os de encampação, intervenção, uso compulsório de recursos
humanos e materiais da empresa concessionária, poder de direção e controla
sobre a execução do serviço, poder sancionatório, poder de decretar a
caducidade e de fazer a reversão de bens da concessionária ao término da
concessão” (DI PIETRO, 2017, p. 602).

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Sabe-se que todo contrato de concessão (como os contratos
administrativos em geral) possui o duplo aspecto: o que diz respeito ao seu
objeto, referente à execução da atividade delegada ao particular; o que diz
respeito ao aspecto financeiro, referente aos direitos do contratado, que é, em
regra, empresa capitalista que objetiva o lucro; disso resulta a presença, na
concessão, de cláusulas regulamentares, que visam garantir que o serviço seja
prestado pela forma mais adequada ao interesse público, e de cláusulas
contratuais, que objetivam garantir o direito da concessionária ao equilíbrio
econômico-financeiro.
A lei 9.986/2000 e a lei n. 13.848/2019 vão regular a gestão e organização
das agências reguladoras, nelas está previsto que os dirigentes serão escolhidos
pelo Chefe do Executivos, dependendo da aprovação pelo Senado Federal. São
dirigidas por um colegiado, formado por 4 conselheiros ou diretores e 1
presidentes, diretor-presidente ou diretor-geral (Art. 4º, da lei 9.986/2000). Os
requisitos para ser presidente, diretor-presidente ou diretor-geral, estão
elencados no artigo 5º, da Lei 9.986/2000. Seu mandado será de 5 anos (a partir
da Lei 13.848/2019).
Art. 8º Os membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada ficam
impedidos de exercer atividade ou de prestar qualquer serviço no setor regulado
pela respectiva agência, por período de 6 (seis) meses, contados da exoneração
ou do término de seu mandato, assegurada a remuneração compensatória.
Nesse período, que antes era chamado de “quarentena”, pois antes da
alteração que trouxe a lei 13.848/2019, o prazo era de quatro meses, o ex-
dirigente fica proibido de exercer atividades ou prestar qualquer serviço no setor
regulado pela respectiva agência, por um período de seis meses (art. 8º, da Lei
9.986/2000) , contados da exoneração ou do término do mandato. Durante esse
período o dirigente continua vinculado à Agência, fazendo jus à remuneração
compensatória equivalente ao cargo de direção que exercia (DI PIETRO, 2017,
p. 603).

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3. AUTARQUIAS FUNDACIONAIS OU FUNDAÇÕES AUTARQUICAS OU
FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO PÚBLICO:

3.1 Características

A) Definição: Pessoa jurídica de direito público composta por um


patrimônio personalizado destinado pelo fundador para uma finalidade
específica.
B) Criação/extinção: Criada por lei ordinária
C) Patrimônio: 100% público
D) Responsabilidade civil: Direta e objetiva. Estado responde
subsidiariamente.
E) Regime pessoal: estatutário.
F) Regime de bens: públicos.
G) Privilégios: tributários SIM (art. 150, VI, a, CF) – não tem imunidade
quando foge da finalidade específica. Ex.: Casa doada e que não está sendo
usada, dever de pagar IPTU. Processuais (art. 183, CPC), prazo em dobro.
H) Controle: Tribunal de Contas (não há hierarquia e subordinação), só
controle de legalidade.

4. FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO PRIVADO:

4.1 Características:

A) Definição: tem como objetivo atividade de interesse social. É pessoa


de direito privado. Presta um serviço social para o Estado, vai atuar na área de
educação, saúde, moradia, previdência etc.
B) Criação/extinção: Autorizada por lei ordinária, criada por decreto, mas
tem área de atuação definia por lei complementar (art. 37, XIX, CF). Só cria
personalidade jurídica a partir do ato constitutivo dela, ou seja, o estatuto social
registrado no cartório de registro de pessoas jurídicas.
C) Patrimônio: poderá ser 100% público ou misto.

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D) Responsabilidade civil: Direta e objetiva. Estado responde
subsidiariamente.
E) Regime pessoal: Celetista/empregado público (apesar de submetido
à concurso).
F) Regime de bens: privados com prerrogativa de público.
G) Privilégios: Foro da Justiça Federal. Não tem prazo em dobro. Não
tem processuais. Tem imunidade tributária sobre a atividade principal, mas não
sobre os demais bens.
H) Controle: Tribunal de Contas.

5. EMPRESA PÚBLICA:

5.1 Características

A) Definição: para prestar serviço público ou explorar atividade


econômica, sob qualquer modalidade empresarial. É pessoa de direito privado.
B) Criação/extinção: Autorizada por lei ordinária, expedição de decreto
regulamentando, efetivada com registro dos atos consecutivos em cartório e na
Junta comercial.
C) Patrimônio: social público.
D) Responsabilidade civil: Direta e objetiva (se prestadora de serviço
público, Estado responde subsidiariamente). Direta e subjetiva (se exploradora
de atividade econômica, Estado não responde).
E) Regime pessoal: Celetista/empregado público.
F) Regime de bens: privados com prerrogativa de público quando
prestadora de serviço público.
G) Privilégios: não tem privilégio.
H) Controle: Tribunal de Contas.
I) Foro competente: Justiça Federal (se empresa pública federal, art.
109, I, CF), Justiça Estadual (se empresa estadual ou municipal).

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6. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA:

6.1 Características

A) Definição: para prestar serviço público ou explorar atividade


econômica, sob a forma de Sociedade Anônima. É pessoa de direito privado.
B) Criação/extinção: Autorizada por lei ordinária, expedição de decreto
regulamentando, efetivada com registro dos atos consecutivos em cartório e na
Junta comercial.
C) Patrimônio: misto, sendo que mais de 50% precisa ser público.
D) Responsabilidade civil: Direta e objetiva (se prestadora de serviço
público, Estado respondo subsidiariamente). Direta e subjetiva (se exploradora
de atividade econômica, Estado não responde).
E) Regime pessoal: Celetista/empregado público (apesar de submetido
à concurso, inclusive das subsidiárias: Liquigás).
F) Regime de bens: privados com prerrogativa de público quando
prestadora de serv. público.
G) Privilégios: Não tem.
H) Controle: Tribunal de Contas.
I) Foro competente: Justiça Estadual (súmula 556, STF e 42 do STJ,
exceção: só tem foro na justiça federal quando a União intervém como assistente
ou opoente, súmula 517, STF).

7. ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS (CONSÓRCIOS DE DIREITO PÚBLICO):


AUTARQUIA INTERFEDERATIVA:

É a união de dois ou mais entes para a prestação de um serviço público.


Aplica-se as regras pertinentes às autarquias. Prefeitos vão assinar o protocolo
de intenções que será submetido a câmara de vereador que vai ratificar a lei
municipal que vai confirmar a criação. A partir da ratificação da lei cria-se uma
entidade. Exemplo: Consórcio intermunicipal de saúde e saneamento básico: De

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acordo com as alterações que trouxe a lei 13.822/2019, os agentes públicos
serão celetistas.
É uma espécie de autarquia, vão adquirir personalidade jurídica a partir
da criação por lei e vai integrar a administração indireta de todos os entes
consorciados.
Somente o consórcio público de direito público pode exercer poder polícia.
A União não pode participar sozinha junto com municípios, o estado
também deverá integrar o consórcio, o mesmo se aplica aos consórcios públicos
de direito privado!

8. CONSÓRCIOS PÚBLICOS DE DIREITO PRIVADO.

Aplica-se as regras de fundação de direito privado. Consórcio: são


associações, entidades criadas para a prestação de serviços conjuntos. Vão ser
registrados em cartório para criar a entidade, então, a partir do registro do ato
constitutivo no órgão competente, da mesma forma que acontece com a
empresa pública ou sociedade de economia mista. O regime dos agentes
públicos será o celetista, de acordo com a lei 13.822/2019.

9. PARAESTATAIS

Paraestatais é o Terceiro Setor ou Entes de Cooperação. São entidades


particulares que atuam em pareceria com o Estado. Executam atividade de
interesse público sem finalidade lucrativa. Recebem alguns benefícios e se
submetem algumas restrições.

➢ Organizações Sociais (OS) – Lei 9.637/98


➢ Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) –
Lei 9.790/99
➢ Entidade de Apoio ou Parceiros Voluntários – Lei 13.019/2014
➢ Serviços Sociais Autônomos (Sistema S) – criado por lei, julgado
por J.E

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9.1 Organizações Sociais (OS):

➢ Pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, criadas por particulares
para a execução de serviços públicos não exclusivos do Estado, previstos
em lei. A lei 9.637/98 autorizou que fossem repassados serviços de: ensino,
pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do
meio ambiente, cultura e saúde.

➢ Celebram contrato de gestão (artigo 37, §8º);

➢ Dispensa licitação quando forem oferecer seu serviço contemplado no


contrato de gestão.

➢ Podem receber: recursos orçamentários, bens públicos através de uma


permissão de uso, recebem servidores públicos.

➢ O Poder Executivo poderá proceder à desqualificação da entidade como


organização social, quando constatado o descumprimento das disposições
contidas no contrato de gestão.

➢ OBS 1: A desqualificação será precedida de processo administrativo,


assegurado o direito de ampla defesa, respondendo os dirigentes da
organização social, individual e solidariamente, pelos danos ou prejuízos
decorrentes de sua ação ou omissão.

➢ OBS 2: A desqualificação importará reversão dos bens permitidos e dos


valores entregues à utilização da organização social, sem prejuízo de outras
sanções cabíveis.

➢ São fiscalizadas pelo Tribunal de Contas.

9.2 Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP):

➢ OSCIPs são Organizações criadas por iniciativa privada, semelhantes as


OS, mas com rol maior e diferente vínculo, não por contrato de gestão, mas
por termo de parceria.

➢ Recebem menos benefícios.

➢ Requisitos:
➢ Pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos

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➢ Devem ter sido constituídas e se encontrem em funcionamento
regular há, no mínimo, 3 (três) anos, desde que os respectivos
objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos
instituídos na lei 9790/99.

➢ Apresentem balanço patrimonial e demonstrativo de resultado do


exercício

➢ Declaração de isenção de Imposto de Renda

➢ Habilitação perante o Ministério da Justiça

➢ Desempenhar serviço social não exclusivo do Estado

➢ Não podem ser OSCIP: Artigo 2º da Lei 9.790/1999.

➢ Podem receber verba pública, mas não podem receber cessão de bens e
servidores.

➢ Não estão submetidas a concurso público.

➢ Controle: pela Administração Pública e Ministério da Justiça.

9.3 Entidades de Apoio ou Parcerias Voluntárias: Lei 13.019/2014.

➢ Não possuem fins lucrativos. Ex.: entidade de apoio em hospitais públicos e


universidades públicas, igrejas.

➢ São instituídas pelo Poder Público, por servidores públicos de certa entidade
estatal e com seus próprios recursos, sob forma de Fundação, Associação
ou Cooperativa.

➢ Não estão submetidas a concurso público.

➢ Sofrem controle do TCU e da entidade.

➢ Procedimento licitatório simplificado.

➢ Não desempenham atividades delegadas pelo Poder Público.

➢ Forma vínculo por meio de Convênio, através de Termo de Colaboração.

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9.4 Serviços Sociais Autônomos (Sistema S):

➢ Possuem personalidade de direito privado, para ministrar assistência e


ensino a certas categorias sociais ou grupos de profissionais vinculada ao
sistema sindical, sem fins lucrativos;

➢ São mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições parafiscais.

➢ São criados ou autorizadas por lei específica.

➢ Não são obrigadas a realizar concurso público (decisão do STF).

➢ Podem receber dinheiro público, como também gozam da


PARAFISCALIDADE: cobrança de contribuições dos associados – tem
natureza tributária, por tanto dinheiro público.

➢ São submetidas a fiscalização do Tribunal de Contas, para controle


finalístico.

➢ Ex.: Senai, Senac, Sesi, Sesc...

10. PRINCÍPIOS

10.1 Princípio da Supremacia do Interesse Público: o interesse público é


superior ao interesse do particular, assim é possível verificar privilégios à
Administração Público que se justificam na supremacia do interesse público:

A) Diversas formas de intervenção do Estado na propriedade privada,


como através da: Desapropriação (desde que assegurada justa e prévia
indenização). Requisição administrativa (uso da propriedade priva sem
remuneração, havendo indenização ulterior, se houver dano). Tombamento de
um imóvel histórico.

B) Cláusulas exorbitantes: que possibilitam a ADM PUB modificar ou


rescindir unilateralmente um contrato.

19
10.2 Princípio da indisponibilidade do interesse público

Limitar o princípio da supremacia do interesse público, pois o interesse


não será conforme o interesse do administrador, mas sim, na forma da lei. O
Estado, por exemplo, não pode renunciar recebimento de receitas devidas, salvo
se expressamente previsto em lei. Não poderá alienar um bem enquanto ele
estiver afetado a uma destinação pública específica. E mesmo desafetado,
deverá seguir a regras de licitação prévia.

10.3 Princípio da Legalidade

Todos, sem exceção, estão sujeitos ao império da lei. Quando não houver
previsão legal, não há possibilidade de atuação da Administração Pública.

10.4 Princípio da impessoalidade

Atuação da Administração Pública com critério objetivos e não pessoais,


não pode ser relevante para a pessoa, mas para o interesse coletivo. Quando
um agente pratica um ato, não é a pessoa, mas o Estado praticando-o. Exemplo:
vedada a propaganda do governo em obras. Art. 2º, III, da Lei 9.784/1999 ou a
remoção por punição.
Qualquer ato praticado com o objetivo diverso da satisfação do interesse
público será considerado nulo por desvio da finalidade.
Está ligado também com o princípio da isonomia, onde o próprio artigo 37,
II, da CF, impõe o dever da realização de concurso público como condição para
ingresso em cargo efetivo ou emprego público.
O artigo 37, inciso XXI, que exige a licitação para assegurar igualdade
entre todos os concorrentes.
Vedação ao nepotismo: Súmula vinculante nº 13.

20
10.5 Princípio da Moralidade

Honestidade, boa fé e não corrupção. Moralidade administrativa: não se


trata de um exame de oportunidade e conveniência, mas uma análise de
legitimidade, ou seja, um ato praticado em desacordo com a moral é nulo e não
meramente inoportuno ou inconveniente.
Ligado ao artigo 37, §4º, CF: versa sobre os atos de improbidade
administrativa.

10.6 Princípio da publicidade

Se admitem atos sigilosos quando:


➢ Nos casos de segurança nacional: seja ela de origem militar,
econômica, cultural etc. Nestas situações, os atos não são
tornados públicos. Por exemplo, os órgãos de espionagem não
fazem publicidade de seus atos.

➢ Nos casos de investigação policial: onde o Inquérito Policial é


extremamente sigiloso (só a ação penal que é pública).

➢ Nos casos dos atos internos da Administração Pública: nestes, por


não haver interesse da coletividade, não há razão para serem
públicos.

A publicidade dos atos administrativos é feita tanto na esfera federal


(através do Diário Oficial Federal), estadual (através do Diário Oficial Estadual),
quanto municipal (através do Diário Oficial do Município).
Nos Municípios, se não houver o Diário Oficial Municipal, a publicidade
poderá ser feita através dos jornais de grande circulação ou afixada em locais
conhecidos e determinados pela Administração.

10.7 Princípio da Eficiência

Foi inserido pela EC 19/1998. Mesma emenda que alterou o artigo 41 e


disse que o servidor público só será efetivado após a avaliação de desempenho.

21
Art. 39, §2º. CF: formação constantes.
Segundo a doutrina, ele pode ser descrito sob duas perspectivas:
1) Da atuação do servidor público espera-se o melhor desempenho
possível de suas atribuições, a fim de obter melhores resultados.

2) Quanto ao modo de organizar, estruturar e disciplinar a adm. pub., deve


ser o mais racional possível, com intuito de alcançar melhores resultados.

10.8 Princípio da razoabilidade e proporcionalidade

Não estão expressos na CF. Ato irrazoável ou desproporcional será


anulado, não revogado.
Anulação: vício de legalidade (poderá ser anulado tanto pela
Administração Pública, quanto pelo Poder Judiciário), seu efeito é ex tunc.
Revogação: ato lícito, que a Administração Pública pode revogar porque
não entende mais como conveniente ou oportuno, ou seja, não tem mais
interesse, trata-se de juízo de mérito. Seu efeito será ex nunc.
Controle de atos discricionários: toda vez que lei confere margem de
escolha ele deverá fazer dentro do razoável e proporcional.
Razoabilidade: Adequação e necessidade.
A proporcionalidade é a adequação entre fins e meios;

Exemplo: pena mais severa que a gravidade da infração.

10.9 Princípio da autotutela


Possibilita a Administração Pública controlar seus próprios atos,
apreciando quanto ao mérito e a legalidade.
Não exclui a apreciação da legalidade pelo Poder Judiciário: artigo 5º,
inciso XXXV, da CF.

22
10.10 Princípio da ampla defesa e do contraditório

Deve ser respeitado em processo judicial e no âmbito administrativo.


Corresponde ao direito de saber e poder se manifestar sobre as alegações.

Súmula vinculante n. 5: ausência de defesa técnica em processo


administrativo não gera nulidade.

Súmula vinculante n. 21: é inconstitucional a exigência de depósito prévio


para interposição de recurso administrativo.
Art. 5º, XXXV, CF: trata sobre o princípio da inafastabilidade da jurisdição,
somente o judiciário profere decisões com caráter de definitividade, assim, as
decisões administrativas não são definitivas e são passíveis de discussão no
judiciário. Não precisa de esgotamento da via administrativa para ter acesso ao
judiciário. Exceto na justiça desportiva, que precisa esgotar a via administrativa.

23
11 AGENTES PÚBLICOS

Agentes públicos é o conceito amplo para pessoas físicas que prestam


serviço público, tanto na administração direta, quanto na administração indireta.

• Espécies de agentes públicos1:


Particulares em Agentes estatais/
Agentes políticos: colaboração com a Militares
ADM: administrativos

• Função política • Jurados, mesários, • Os servidores • "Não há distinção


(chefes de titulares de públicos entre os servidores
executivo, membros serventia de estatutários. civis e os militares, a
do legislativo, cartório. •Empregados não ser pelo regime
secretários públicos. jurídico,
estaduais e •Servidores parcialmente
municipais, temporários. diverso" (DI PIETRO,
ministros de estado) 2017, p. 678).

Os servidores estatais ou chamados administrativos vão se subdividir


em três espécies:

Temporários: Celetista: Estatutários:

• Contratados com base no • Atividade permanente, • Atividade permanente,


artigo 37, IX, CF – de aprovado mediante aprovado mediante
excepcional; interesse; concurso de prova ou concurso de prova ou
Precisa ter lei da carreira prova e títulos. prova e títulos.
que diga qual o serviço • Ocupantes de emprego • Ocupantes de cargos
será temporário, quanto públicos. públicos.
tempo dura. É contrato • Contrados sob regime da • Contratados sob regime
em regime especial. legislação trabalhista estatutários.

11.2 Forma de ingresso em cargo, emprego ou função:

Segundo a redação do inciso II, do artigo 37, da CF, com redação dada
pela Emenda Constitucional n. 19/98:

1
Entram na categoria de militares: polícia militar, corpo de bombeiros e membros das
forças armadas (marinha, exército e aeronáutica).

24
a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação
prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo
com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma
prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração

A exigência de concurso público significa dizer que o procedimento é


aberto a todos que possam se interessar, neste sentido, são importantes duas
súmulas aprovadas pelo STF, que visam evitar restrições infundadas à
participação do candidato em concurso público:

Súmula 684, STF: inconstitucional o veto não motivado à participação


de candidato a concurso público.
Súmula 686, STF: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a
habilitação de candidato a cargo público.

O artigo 37, inciso II, dispensa o concurso público para os cargos em


comissão, todavia o inciso V regula essa livre escolha dos seus ocupantes:

V- As funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores


ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem
preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e
percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento;

Além disso a Súmula vinculante n. 13, Supremo Tribunal Federal, regula


essas nomeações para evitar violações ao princípio da impessoalidade, princípio
da moralidade e legalidade. Assim, regula pela proibição de nomeações de
cônjuge, companheiro, parente até 3º grau, em linha reta ou colateral, inclusive
por afinidade, para cargos em comissão, de confiança ou função gratificada, na
Administração Direta e Indireta.

ATENÇÃO: a aplicação da Súmula vinculante n. 13 diz respeito aos


cargos administrativo, o STF ao aprovar a súmula foi omisso quanto aos
cargos políticos, assim, eles não são afetados por ela. Ressalvadas situações
de fraude à lei, segundo o entendimento jurisprudencial.

25
Observe que o artigo 37, inciso II, da CF, fala somente na exigência de
concurso público para cargo ou emprego público, sem mencionar as funções,
segundo José Afonso da Silva (2003, p. 659) “deixa a Constituição, porém, uma
grave lacuna nessa matéria, ao não exigir nenhuma forma de seleção para
admissão às funções (autônomas) referidas no artigo 37, I, ao lado dos cargos e
empregos. Admissões a função autônoma sempre foram fontes de
apadrinhamentos, de abusos e de injustiças aos concursados”, todavia, Di Pietro
já discorda, sustentando que a função só existe para prazo determinado, para
atender necessidades temporárias e excepcionais ao interesse público, nos
termos do artigo 37, inciso IX, da CF, pois em razão da nova redação do artigo
V, a função de confiança, de livre provimento e exoneração, só poderá ser
possível nos limites da direção, chefia e assessoramento, que são preenchidas
por servidores ocupantes de cargo efetivo, já o cargos em comissão, até sofrem
menor restrição, porque seu preenchimento por servidor de carreira só é exigido
nas condições e percentuais mínimos previstos em lei (DI PIETRO, 2017, p. 695-
698).
Os casos excepcionais de interesse público dos contratos temporários
estão regulados no artigo 2º, da Lei 8.745/93. O artigo 4º, traz o prazo de
contratação, sendo possível a prorrogação em casos expressamente previstos
no parágrafo único do mesmo dispositivo. O artigo 9º, III e o artigo 5º,
estabelecem que o pessoal contratado temporariamente não poderá ser
novamente contratado, salvo na hipótese do artigo 2º, inciso I e IX, mediante
prévia autorização do Ministro do Planejamento de Estado do Planejamento,
Orçamento e Gestão e do Ministrado de Estado.
Os municípios que querem contratar temporariamente devem
estabelecer, por lei própria, as hipóteses de contratação e o regime jurídico
aplicado aos mesmos.

11.3 Concurso público

Ainda sobre o ingresso, o artigo 37, inciso III, da CF, fixa o prazo de dois
anos para a validade de um concurso público, podendo ser prorrogado por igual

26
período uma única vez. Essa prorrogação é a critério da Administração Pública,
não havendo direito subjetivo dos candidatos aprovados de prorrogação.
Diferente do direito subjetivo do candidato aprovado dentro do número de vagas,
ele possui o direito de nomeação.
O artigo 37, inciso IV, da CF, traz em sua redação que “durante o prazo
improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso
público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre
novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira”, significa dizer
que mesmo que a Administração Pública realize novo concurso, durante a
vigência do concurso anterior, os candidatos aprovados terão prioridade na
nomeação.
As pessoas portadoras de deficiência, o inciso VIII, do art., 37, da CF,
determina que “a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para
as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão”, tal
dispositivo não é autoaplicável, devendo o interessado adotar medidas judicias
cabíveis em caso de omissão do Poder Público na promulgação da lei. O
procedimento para a reserva de vagas aos portadores de deficiência está
regulado pela Decreto n. 3.298/99, que regulamenta a lei n. 7.853/89. No âmbito
federal, a lei n. 8.112/90, assegura 20% das vagas oferecidas em concursos para
portadores de deficiência (art. 5º, §2º). Esse percentual já muda na Resolução
n. 75/09, do CNJ, determina que no concurso para ingresso na magistratura “as
pessoas com deficiência que declararem tal condição, no momento da inscrição
preliminar, terão reservados, no mínimo 5% (cinco por cento) do total de vagas,
vedado o arredondamento superior”.
Quanto ao ingresso do servidor público também se aplica o disposto no
artigo 7º, inciso XXX, da CF, o qual veda diferenças de salário, de exercício de
função e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.
Contudo, essa proibição não é absoluta, não podemos deixar de observar o
artigo 39, §3º, da CF, principalmente no que estabelece a parte final, a qual
permite que o legislador, através de lei, estabeleça requisitos diferenciados de
admissão quando a natureza do cargo exigir, em razão do princípio da
razoabilidade. Exemplo: limitação de idade para cargos policiais, neste sentido

27
a Súmula 686, do STF: “O limite de idade para a inscrição em concurso público
só se legitima em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido”.

ATENÇÃO: É possível ação popular, nos termos do artigo 4º, inciso I,


da Lei n. 4.717/65, quanto ao ingresso de servidor público sem observância
dos procedimentos legais.

“Provimento é o ato do poder público que designa para ocupar cargo,


emprego ou função a a pessoa que preencha os requisitos legais. Distingui-se
da investidura, que é o ato pelo qual o servidor público é investido no exercício
do cargo, emprego ou função, abrangendo a posse e o exercício” (DI PIETRO,
2017, p. 768). O provimento é necessário para que possa ocorrer a investidura,
de acordo com o artigo 6º e 7º, da Lei n. 8.112/90.

Concurso 30 dias - 15 dias - Estágio 3 anos -


Nomeação
Público Posse Exercício probatório Estabilidade

A nomeação é ato de provimento, já a investidura se dá através da posse,


que poderá ser por procuração, segundo o artigo 13, §3º, da Lei n. 8.112/90. A
regra é que o concurso público seja aplicado para todos os servidores públicos,
exceto, é claro, para os cargos em comissão, que são de livre nomeação e
exoneração, pois serve para preservar o vínculo de confiança.
Contratados temporariamente (art. 37, IX, da CF) NÃO prestam concurso
público, todavia PODEM ser submetidos a processo seletivo simplificado.
➢ O prazo de validade do concurso público será ATÉ dois anos,
podendo ser prorrogável por uma vez, em igual período.
➢ O STJ e o STF entendem que o candidato aprovado dentro do
número de vagas previstas pelo edital tem direito subjetivo à
nomeação (desde que o certame esteja válido).

28
11.4 Da estabilidade

Em regra, após três anos de exercício (art. 41, caput, da CF), assim,
passando pelo estágio probatório o servidor nomeado por concurso público,
poderá perder seu cargo através das seguintes hipóteses:
a) por virtude de sentença judicial transitada em julgado
b) mediante processo administrativo
c) em razão da avaliação de desempenho
d) exoneração por violação ao limite com despesa de pessoal previsto no artigo
169, §4º, disciplinado pela LC n. 101/01. Neste caso haverá a perda do cargo
o servidor efetivo após a redução de 20% das despesas com cargos em
comissão e funções de confiança, exoneração de servidores não estáveis e
exoneração dos que adquiriram estabilidade sem concurso, de acordo com
o art. 33, da Emenda n. 19. Após estas medidas é que será possível a
exoneração de um servidor público concursado estável. A exoneração do
servidor dependerá de ato normativo motivado. O servidor fará jus a
indenização correspondente a um mês de remuneração por cada ano de
serviço. Seu cargo será considerado extinto por quatro anos (art. 169, §6º,
da CF);

Sempre garantindo ampla defesa e contraditório. De acordo com o artigo 19,


das ADCT:

O dispositivo excluiu o direito a essa estabilidade os professores


universitários, os ocupantes de cargos, funções e empregos de
confiança ou em comissão, além dos que a lei declara de livre
exoneração; no entanto, o tempo de serviço em cargo ou função de
confiança poderá ser contado para fins de estabilidade, desde que seu
ocupante seja servidor (DI PIETRO, 2017, p. 757).

A estabilidade depende de uma avaliação de desempenho,


regulada por lei complementar (Art. 41, §1º, inciso III, da CF). A avaliação é
realizada por uma comissão especial instituída para essa finalidade. O próprio
artigo 20, da Lei 8.112/90, refere que se o servidor não preencher as condições
necessárias para o exercício do cargo, referentes a moralidade, assiduidade,
disciplina, capacidade iniciativa, produtividade e responsabilidade, será
exonerado ex officio, desde que assegurado o direito de defesa (Súmula n. 21,
do STF e art. 5º, LV, da CF).

29
11.5 Formas de provimento

O provimento pode ser originário ou pode ser derivado. Originário é


quando o servidor se vincula pela primeira vez com o cargo, emprego ou função.
Pode ser através da nomeação como, também, da contratação, depende do
regime jurídico aplicado. Já o provimento derivado é aquele que depende de um
vínculo anterior (DI PIETRO, 2017, p. 769).

Súmula vinculante 43: É inconstitucional toda modalidade


de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia
aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em
cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.

Nas formas de provimento derivado vamos encontrar a promoção,


readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração e a recondução (Art. 8º, da
Lei n. 8.112/90).

A promoção corresponde a passagem do servidor público para um grau


maior de responsabilidade e maior complexidade de atribuições, permanecendo
dentro da mesma carreira para a qual foi nomeado.
A readaptação, de acordo com o artigo 24, da Lei 8.112/90, é a
investidura do servidor em cargo de atribuições compatíveis com a limitação que

30
sofreu em sua capacidade física ou mental, após verificação em inspeção
médica. Caso fique incapacitado, será aposentado por invalidez. Segundo o §2º,
do referido artigo, na readaptação é necessário ser respeitada a habilitação
exigida, o nível de escolaridade e a equivalência de vencimentos, se não houver
cargo compatível vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente,
até que haja uma vaga.
A reversão, conforme o disposto no artigo 25, da Lei 8.112/90, é o retorno
do servidor aposentado por invalidez, quando a junta médica oficial declarar que
não existem mais os motivos que levaram à aposentadoria ou, então, no
interesse da administração, desde que:

a) tenha solicitado a reversão;


b) a aposentadoria tenha sido voluntária;
c) estável quando na atividade;
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à
solicitação;
e) haja cargo vago.

O aproveitamento é o retorno à atividade do servidor que estava em


disponibilidade, esse servidor volta para cargo de atribuições e vencimentos
compatíveis com o que anteriormente ocupada, consoante artigo 30, da Lei n.
8.112/90.

Um servidor estará em disponibilidade (e, portanto, em inatividade) ou


porque 1) houve a extinção de seu cargo ou 2) houve a declaração de
desnecessidade do cargo. Permanece em disponibilidade até que haja
seu adequado aproveitamento em outro cargo. Um servidor em
disponibilidade recebe remuneração, por essa razão a Administração
Público tem o dever de aproveitá-lo em outro cargo o mais rápido
possível a fim de evitar a eterna inatividade remunerada (ROSSI, 2018,
p. 458).

A reintegração corresponde a volta do servidor público demitido, cuja


demissão foi invalidada por decisão judicial ou administrativa. Neste caso haverá
o ressarcimento de todas as vantagens que deixou de receber durante a sua
vacância, de acordo com o artigo 28, da Lei n. 8.112/90.
E, por fim, a recondução e a volta do servidor público ao cargo anterior
em razão da inabilitação em estágio probatório em outro cargo ou, então em

31
razão da reintegração de outro servidor ao cargo que está ocupando, conforme
o artigo 29 da Lei n. 8.112/90.

11.6 Acumulação de cargos

A regra é que o acúmulo de cargo remunerados seja vedado. Essa regra


é aplicada tanto para os servidores da administração direta, quanto das
autarquias, fundações, empresas públicas, sociedade de economia mista, as
subsidiárias, ou seja, qualquer empresa que o Estado tenha participação
acionária. Mas existe uma exceção, havendo compatibilidade de horários e
sendo:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de
saúde, com profissões regulamentadas.
Neste caso poderá haver a cumulação de cargos. Esse é o entendimento
a partir da análise do artigo 37, incisivos XVI e XVII, da Constituição Federal.
Existem outras normas referentes a cumulação de cargo:
a) Mandato de vereador e cargo, função ou emprego público (Art. 38,
III, da CF).
b) Juiz e o magistério (art. 95, parágrafo único, inciso I, da CF).
c) Membro do MP e o magistério (art. 128, §5º, II, d, da CF).
d) Policiais e bombeiros militares dos Estados, DF e Territórios,
poderão cumular cargo nos termos do artigo 37, XVI, da CF (art.
42, §3º, CF).

ATENÇÃO: No caso de agentes públicos aposentados,


é vedada a acumulação de proventos oriundos da
aposentadoria com a remuneração de outro cargo efetivo,
salvo nos casos que a própria Constituição Federal autoriza a
acumulação de cargo, previsto nos artigos referidos. “Como se
vê, a proibição somente atinge os ocupantes de cargos
efetivos, deixando as portas abertas para que os aposentados

32
acumulem proventos com os vencimentos de cargo em
comissão” (DI PIETRO, 2017, p. 725).

11.7 Regime remuneratório dos servidores

A emenda constitucional n. 19/98 modificou o sistema remuneratório dos


servidores públicos. A Constituição fala tanto em remuneração, quanto em
vencimentos para se referir à contribuição pecuniária que os servidores públicos
recebem. Cabe a legislação infraconstitucional dar o conceito legal.
A regra é que o valor recebido pelos servidores é composto por uma parte
fixa, chamada de remuneração ou vencimentos, e uma parte variável, de
acordo com o tempo de serviço, função, condições especiais de prestação do
serviço, que genericamente denominadas de vantagens pecuniárias,
compreendem entre adicionais, gratificações e verbas indenizatórias.

REMUNERAÇÃO OU
VENCIMENTOS

Vencimentos Vantagens
básicos pecuniárias

Adicionais Grastificações Indenizatórias

11.8 Teto das remunerações

Após diversas alterações e emendas constitucionais, a EC 41/03


estabeleceu uma nova redação ao artigo 37, inciso XI, da CF. Em uma leitura
conjunta, entre a Constituição Federal e demais normas relacionadas ao teto das
remunerações, temos como limites:

a) No âmbito federal o teto corresponde ao subsídio do Ministro do Supremo


Tribunal Federal;
b) No âmbito estadual, o teto é diferente para os servidores dos três poderes:
i. Poder legislativo: deputados

33
ii.
Poder executivo: governador
iii.
Poder judiciário: desembargadores (aqui também se incluem os
membros do MP e Defensores Públicos).
c) No âmbito municipal: teto é o subsídio do prefeito.

O texto abrange tanto regime remuneratório, quanto ao regime de


subsídios. Aplica-se aos servidores públicos ocupantes de cargos, funções e
empregos públicos. Este teto também atinge os proventos dos aposentados e a
pensão dos dependentes de falecidos. Significa dizer que alcança os servidores
da Administração Direta e Indireta, todavia, quanto às empresas públicas,
sociedade de economia mista e subsidiárias, aplica-se o teto somente se
receberem recurso da União, do estados, Distrito Federal e dos Municípios para
o pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral (de acordo com o
art. 37, §9º, da CF) (DI PIETRO, 2017, p. 714-715).

ATENÇÃO: Tema 377 de Repercussão Geral: Incidência do


teto remuneratório no caso de acumulação de cargos públicos:
O Plenário aprovou a seguinte tese para efeito de
repercussão geral, sugerida pelo relator da matéria, ministro Marco
Aurélio: “Nos casos autorizados, constitucionalmente, de
acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do artigo
37, inciso XI, da Constituição Federal, pressupõe consideração de
cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto
remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público”.

Para a aplicação do teto não serão consideradas as verbas indenizatórias


previstas lei, segundo o §11, do artigo 37, da Constituição Federal. Todavia, as
vantagens pessoas ou de qualquer outra natureza serão computadas para
efeitos do limite remuneratório.

34
11.9 Regime Previdenciário Próprio do Servidor - SPPS

Tanto a aposentadoria, quanto a pensão, possuem natureza de benefício


previdenciário e contributivo, de acordo com a Constituição Federal, em seu
artigo 40. Servidores ativos, inativos e pensionistas devem contribuir para o
SPPS.
Existem dois tipos de regime previdenciário: alguns servidores estão
sujeitos ao regime geral de previdência social (art. 201 e seguintes, da CF)
disciplinada pela Lei n. 8.212/91, outros estão sujeitos ao regimento
previdenciário próprio do servidor (Art. 40, da CF), disciplinada pela Lei n.
9.717/98. Esta última lei estabelece normas gerais, sem afetar a competência
dos estados (art. 24, XII, CF) e dos municípios (art. 30, II, CF), competência
suplementar, de estipular suas regras específicas. No âmbito federal, a matéria
está disciplina na Lei n. 10.887/04.
Independente do regime aplicado ser o RGPS ou RPPS, todos possuem
direito a aposentadoria por invalidez, compulsória e voluntária. O que varia é o
valor do provento e os requisitos exigidos para o recebimento do benefício. Para
os servidores vinculados ao RGPS aplica-se as normas relativas aos
empregados do setor privado.
Cargo em comissão
(ocupante exclusivo)

Cargo temporário
Art. 201 e ss,
RGPS
da CF Emprego público

Cargo efetivo não


amparado pelo RPPS*
Regime
Previdenciário União

Estados

Servidores DF
titulares de
RPPS Art. 40, CF
cargos
efetivos da: Municípios

Autarquias

Fundações

35
*A regra é que os detentos de cargo efetivo se enquadram no SPPS, mas
isso depende se o ente federado tenha criado um regime próprio para seus
servidores. Caso não tenha feito, seguirá o regime geral.

11.8 Direito de greve e de associação sindical

O artigo 37, inciso VI e VII, da CF, traz que:

VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação


sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos
em lei específica;
[...]

O primeiro inciso é autoaplicável, todavia o segundo pede expressamente


a definição em lei específica, lei para regulamentar o direito de greve, “como a
matéria de servidor público não é privativa da União, entende-se que cada esfera
de Governo deverá disciplinar o direito de greve por lei própria” (DI PIETRO,
2017, p. 718).

ATENÇÃO: O artigo 142, §3º, inciso IV, da Constituição


Federal veda a sindicalização e o direito a greve para os militares,
compreendido como aqueles que são membros das Forças Armadas.

Aos demais agentes públicos, cujo quais possuem o direito de greve,


existe uma lacuna na legislativa, isto porque a lei de greve 7.783/1989, lei geral
de greve do trabalhador, em tese não é aplicada aos servidores, uma vez que
ela traz expressamente no artigo 16 que, “para os fins previstos no artigo 37, VII,
da Constituição, lei complementar definirá os termos e os limites em que o direito
de greve poderá ser exercido”, isto é, quis o legislador esclarecer que esta não
é a lei específica que vai regular o direito de greve do servidor público.
Entretanto, temos que ter o cuidado de analisar o artigo 173, §1º. Inciso
II, pois o mesmo se refere que às empresas públicas, sociedade de economia
mista e subsidiárias, será aplicada o regime jurídico igual às empresas privadas,

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assim, significa dizer que as regras trabalhistas é que se aplicaram a estas
empresas.
Quanto aos demais servidores, que não possuem a lei específica,
inicialmente o Supremo Tribunal Federal entendeu que a norma constitucional
se trata de norma de eficácia limitada, não podendo ser aplicada enquanto não
for disciplinada em lei específica. Contudo, ao julgar os mandados de injunção
n. 670-ES, 708-DF e 712-PA, o STF decidiu em aplicar a lei geral de greve, até
que seja suprida a omissão legislativa. Mas esta autorização é restringida para
algumas categorias que estejam relacionadas a manutenção da ordem pública,
assim, não se aplicando para os policiais civis (DI PIETRO, 2017, p. 719).

ATENÇÃO: Haverá corte de ponto para os


servidores que estiverem em greve, sendo assim,
haverá desconto dos dias não trabalhados, todavia, o
STF admitiu a possibilidade de compensação dos dias
parados mediante acordo. O supremo também
entendeu que não haverá desconto se o motivo da
greve se deu em razão de uma conduta ilícita da
Administração Pública! (RE 456.530 e RE 693.456).

12. REGIME DISCIPLINAR

Segundo o artigo 143, da Lei 8.112/1990, a autoridade que tiver ciência


de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração
imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar,
assegurada ao acusado ampla defesa. As Sanções administrativas estão
previstas no artigo 127 da Lei 8.112/1990:

Art. 127. São penalidades disciplinares:


I - Advertência;
II - Suspensão;
III - demissão;
IV - Cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
V - Destituição de cargo em comissão;
VI - Destituição de função comissionada.

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➢ Penalidade mais grave: DEMISSÃO!

➢ Exoneração não é pena!

Para a aplicação das penalidades deve haver prévio Processo


Administrativo Disciplinar ou Sindicância. A Ação prescreverá na goram do artigo
142, da Lei 8.112/1990:

Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:

I - Em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão,


cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo
em comissão;

II - Em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;

III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência.

§ 1º O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se


tornou conhecido.

§ 2º Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às


infrações disciplinares capituladas também como crime.

§ 3º A abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar


interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade
competente.

§ 4º Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a


partir do dia em que cessar a interrupção.

12.1 Sindicância

Trata-se de processo administrativo disciplinar simplificado. Deve


respeitar o princípio do contraditório e da ampla defesa. Serve para apuração de
infrações leves. Após a apuração dos fatos, que não excederá 30 dias (podendo
ser prorrogado por igual período, art. 145), a sindicância resultará em:

➢ Arquivamento.
➢ Aplicação da pena de advertência ou, então, de suspensão até 30 dias.
➢ Bem como, pode resultar na instauração do processo administrativo
disciplinar.

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No caso de advertência ou suspensão até 30 dias, essas penalidades
poderão ser aplicadas pelo próprio chefe do departamento (art. 141, inciso III,
Lei 8.112/1990). Agora, se o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição
de penalidade de suspensão por mais de 30 (trinta) dias, de demissão, cassação
de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será
obrigatória a instauração de processo disciplinar.

12.2 Processo administrativo disciplinar

Sua interposição interrompe o prazo prescricional da aplicação da


penalidade. É instaurado por meio de uma portaria designa a comissão
processante. Comissão será composta por 3 servidores estáveis, designados
pela autoridade competentes, não poderá participar de comissão de sindicância
ou de inquérito, cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consanguíneo ou
afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau.

➢ Um dos 3 servidores será o presidente. Esse presidente deve ter


cargo de nível igual ou superior do acusado.

O processo disciplinar se desenvolve através de 3 fases:

1) Instauração, com publicação do ato que constituir a comissão;


2) Inquérito administrativo, que compreende instrução, defesa e relatório.
3) Julgamento.

Inquérito administrativo: se subdivide em 3 subfases

1) Instrução probatória: todos os meios de prova, inclusive prova


emprestada (S. 591, STJ)
2) Apresentação de defesa: 10 dias, podendo ser prorrogado pelo dobro
(se citado por edital, prazo de 15 dias, contados da última publicação
em edital; se houver mais de um acusado no processo, prazo comum
de 20 dias). Se não apresentar defesa, será declarada à revelia. Se
acontecer isso, será nomeado a ele um defensor dativo (que não
precisa ser advogado, S.V 5, desde que ele tenha nível igual ou
superior do acusado, de cargo ou escolaridade).

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3) Relatório: conclusivo (natureza de parecer pois a comissão vai apenas
opinar), não é vinculante! O relatório deverá indicar o dispositivo legal
e regulamentar transgredido, bem como as circunstâncias agravantes
ou atenuantes. O relatório é remetido a autoridade que determinou a
sua instauração para julgamento. O julgamento acatará o relatório da
comissão, salvo quando contrário às provas dos autos.

O trabalho da comissão até o envio para a autoridade deve durar no


máximo 60 dias, podendo ser prorrogado por mais 60 dias (art. 152), e ainda
poderá haver mais 20 dias para julgamento = 140 dias (prazo impróprio, seu
desrespeito não gera nulidade do processo – Súmula 592 do STJ).

Art. 155. Na fase do inquérito, a comissão promoverá a tomada de


depoimentos, acareações, investigações e diligências cabíveis,
objetivando a coleta de prova, recorrendo, quando necessário, a
técnicos e peritos, de modo a permitir a completa elucidação dos fatos.

Art. 156. É assegurado ao servidor o direito de acompanhar o


processo pessoalmente ou por intermédio de procurador, arrolar e
reinquirir testemunhas, produzir provas e contraprovas e formular
quesitos, quando se tratar de prova pericial.

§ 1º O presidente da comissão poderá denegar pedidos considerados


impertinentes, meramente protelatórios, ou de nenhum interesse para
o esclarecimento dos fatos.

§ 2º Será indeferido o pedido de prova pericial, quando a comprovação


do fato independer de conhecimento especial de perito.

Súmula vinculante n. 05: A falta de defesa técnica por advogado no


processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

Art. 141 – diz quem é autoridade competente:

I - Pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas do


Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo Procurador-Geral da
República, quando se tratar de demissão e cassação de aposentadoria
ou disponibilidade de servidor vinculado ao respectivo Poder, órgão ou
entidade;

II - Pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente


inferior àquelas mencionadas no inciso anterior quando se tratar de
suspensão superior a 30 (trinta) dias;

III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos


respectivos regimentos ou regulamentos, nos casos de advertência ou
de suspensão de até 30 (trinta) dias;

IV - Pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar de


destituição de cargo em comissão.

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13. RECURSOS:

A interposição de recurso não depende de caução, nem prévia garantia –


S.V n. 21! É possível questionamentos do julgamento por 3 formas:
Recurso: através da via hierárquica, tem prazo de interposição de 10
dias. Endereçado para autoridade superior.
Pedido de reconsideração: direcionado à autoridade que decidiu ou
praticou o ato. Tem prazo de 30 dias para interposição. Só poderá ser utilizado
quando houver novos argumentos ou provas suscetíveis de alterar a decisão.
Não cabe pedido de reconsideração do pedido de reconsideração, portanto, só
pode ser utilizado uma única vez.
Revisão: não tem prazo para sua interposição, pode ser requerida a
qualquer tempo, desde que tenha novos fatos. Apresentada a própria autoridade
julgadora. PROIBIDO o reformatio in pejus na revisão.

Atenção: Processo administrativo pode tramitar por no máximo 3


instâncias (a julgadora e mais duas) (art. 57, da Lei 9.784/99).

A Lei 9.784/99 dispõe sobre o processo administrativo no âmbito federal


e ela é subsidiária, isto é, deve ser utilizada depois da lei específica. Está lei
aplica-se a qualquer administrado!

14. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO:

Trata-se da obrigação do Poder Público de reparar os danos causados


pelos seus agentes, no exercício de suas atribuições, conforme o artigo 37, §6º,
da Constituição Federal:

§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado


prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito
de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

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Note que neste momento não estamos tratando sobre responsabilidade
criminal ou administrativa do agente, mas sim, da responsabilização do Poder
Público perante a terceiros, em razão de um dano causado pelo seu agente
público (terminologia genérica para agentes políticos, servidores públicos,
empregados públicos e particulares em colaboração com a administração
pública).

ATENÇÃO: agente de fato (decorre do princípio da segurança jurídica), se o


agente está aparentemente investido da função/cargo, seus atos praticados
geram dever de indenização, ainda que haja vícios na sua investidura.
Terá que demonstrar que mesmo o agente estando de folga identificou-
se como policial em investigação, portanto, agiu na condição de agente público,
assim, ensejando responsabilidade direta do Estado, no mínimo pela má escolha
do agente público, chamada culpa in vigilando

14.1 Responsabilidade subjetiva e responsabilidade objetiva

Quando se fala em responsabilização do Poder Público é importante


destacar que está culpa também poderá recair sobre o serviço, não propriamente
somente quanto ao agente público.
Quando se trata de responsabilidade subjetiva (veremos as hipóteses
logo mais), temos o dever do lesado com o dano de comprovar o dolo ou culpa
da Administração para ter o ressarcimento, isto é, para que obtenha indenização
por danos causados em razão de um omissão da administração pública, deverá
demostrar quatro elementos:

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Ação

Dano
Responsabilidade
SUBJETIVA
Nexo causal

A culpa se caracteriza
Dolo ou culpa pela imprudência,
imperícia ou negligência.

Diferente da responsabilidade objetiva, onde o quarto elemento (dolo ou


culpa) é excluído, sendo que o Poder Público já responde pelo dano causado
quando demostrado a ação, o dano e a relação entre estes dois, chamado de
nexo causal, o elemento subjetivo não precisa ser demonstrado para que a o
lesado consiga a reparação dos danos que sofreu.

Ação

Responsabilidade OBJETIVA Dano

Nexo causal

A responsabilidade civil pode em razão de:


➢ Atos unilaterais
➢ Comissivos
➢ Omissivos: subjetiva – regra
➢ Lícitos
➢ Ilícitos

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Condutas lícitas: princípio da isonomia/igualdade – eu não vou prejudicar um
para beneficiar outros. Assim, o estado (representando todos) deve arcar com
esse prejuízo.

Condutas ilícita: princípio da legalidade. Exemplo: interdição da fábrica por


poluentes, mais tarde se verifica que não era poluente, o Estado cometeu ilícito.

Quem pode configurar no polo passivo e ativo de uma demanda que


busca reparação de danos por danos causados pelo Poder Público ou
diretamente pelos seus agentes (nesta qualidade)?

1) POLO PASSIVO: Alcança todas pessoas de direito público:


➢ Administração direta: União, Estados, Distrito Federal e Municípios
➢ Autarquias
➢ Fundações de direito público

Bem como, as pessoas de direito privado:


➢ Sociedade de Economia Mista: prestadora de serviço público*
➢ Empresa pública: prestadora de serviço público*
➢ Fundação Pública de direito privado: prestadora de serviço público
➢ Pessoas privadas: concessionária, permissionária

*Não se incluem estatais que exploram atividade econômica:


Responsabilidade regida pelo direito privado.

CUIDADO: não é admissível o ajuizamento da ação contra a


administração pública e contra o agente em litisconsorte, de acordo com a tese
de repercussão geral, tema 940/2019: A teor do disposto no art. 37, § 6º, da
Constituição Federal, a ação por danos causados por agente público deve ser
ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de
serviço público, sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o
direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

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2) POLO ATIVO:

VÍTIMA: pode ser usuário ou não usuário do serviço público (conforme


posicionamento do STF). Atenção: nada impede que possa ser uma
agente pública o lesado. O valor da indenização deve abranger:
➢ O que vítima perdeu e gastou (danos emergentes)
➢ Deixou de ganhar (lucros cessantes)
➢ Danos morais
➢ Danos estéticos
➢ Correção monetária
➢ Juros de mora

Tese de repercussão geral, tema 130/2009: A responsabilidade civil das


pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público é objetiva
relativamente a terceiros usuários e não usuários do serviço, segundo decorre
do art. 37, § 6º, da Constituição Federal.

14.2 Teoria do risco administrativo

A Teoria do Risco Administrativo é a teoria adotada no Brasil como regra,


nela o Estado responde poderá responder sempre que houver a comprovação
dos elementos da responsabilidade objetiva, contudo, existe a possibilidade da
implicação de algumas excludentes da responsabilidade do Estado:

EXCLUDENTES que rompem o nexo de causalidade:

1) CASO FORTUITO (imprevisível) ou FORÇA MAIOR (natureza):


Art. 393, CC

2) CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA

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Contudo, se a vítima concorre com o dano o ônus é repartido entre o
Poder Público e a vítima, de acordo com a sua parcela de culpa no dano.

14.3 Teoria do risco integral

Confronta com a teoria do risco administrativo, pois não comporta


excludentes. Também é aplicada no Brasil, mas em alguns casos será possível
a aplicação da teoria do risco integral:

1) Dano ambiental: art. 14, §1º, da Lei 6938/81 + STJ, todos os


poluidores responderão objetivamente.
2) Atividade nuclear: Lei 6.453/77 e art. 21, XXIII, c, CF
Neste caso, se ocorrer um dano provocado por atividades que exploram
serviços e instalações nucleares de qualquer natureza, a industrialização e o
comércio de minérios nucleares e seus derivados, a responsabilidade será
objetiva, sem a possibilidade de nenhuma das excludentes vistas anteriormente.
3) Queda de aeronaves: ataque terrorista ou por guerra – Lei
10.744/03 e D. 5.035/2004, nestes casos a União assume a responsabilidade,
de atos terroristas ou de guerra, ocorridos em aeronaves de tenham matrícula
brasileiras e operada por empresa brasileiras. O ato pode ocorrer no Brasil ou
no Exterior. Excluída as empresas de taxi área.

14.4 Responsabilidade omissiva: subjetiva

Quando se tratar de responsabilidade por omissão da Administração


Pública, a regra é da aplicação da modalidade subjetiva, ou seja, deverá
comprovar a existência da deficiência ou falta do serviço público, que existe uma
má prestação do serviço público (demonstrar que se o serviço tivesse sido
prestado de forma regular, o dano não teria ocorrido).

➢ Não precisa provar a existência de um agente causador.

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➢ OMISSÃO CULPOSA: o Estado deveria agir e não age para evitar
o dano:

14.5 Poder Público garantidor da integridade de pessoas e coisas sob sua


custódia

Aqui encontramos uma exceção da responsabilidade subjetiva no caso de


omissão da Administração Pública, pois quando for o caso de estado estar na
posição de garantidor da integridade física de pessoas ou coisas sob sua
custódia, neste caso a responsabilidade aplicada é a objetiva, assim, ele
responderá por uma omissão específica.
Responde objetivamente por ação ou omissão, por exemplo, nos casos
de:
➢ Suicídio de preso – Art. 5, XLIX, CF, art. 948, CC.
➢ Aluno esfaqueia ou baleado dentro da escola.
➢ Paciente é agredido por um terceiro.

Neste tópico, importante ressaltar duas teses de repercussão geral


relacionadas ao tema de agentes penitenciários e estabelecimentos prisionais:

Tema 365/2017: Considerando que é dever do Estado, imposto pelo


sistema normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de
humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos
termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos,
inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em decorrência da
falta ou insuficiência das condições legais de encarceramento.

Tema: 592/2016: Em caso de inobservância do seu dever específico de


proteção previsto no art. 5º, inciso XLIX, da Constituição Federal, o Estado é
responsável pela morte de detento.

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14.6 Responsabilização por atos judiciais:

Existem divergência quanto ao tema, a regra é que não acarreta


responsabilidade civil atividades típicas de juízes, desembargadores e ministros.
Até mesmo para que estes agentes possam agir sem temos de que suas
decisões poderão ensejar em responsabilidade do Estado. Contudo, há exceção,
no caso do artigo 5º, inciso LXXV, CF – prisão por erro do judiciário ou preso
além do tempo da sentença.
Atenção: não cabe se foi absolvido no final e durante o processo houve
prisão cautelar ou preventiva.
Neste caso, o Juiz responde civilmente e regressivamente por perdas e
danos se agiu de forma dolosa ou fraudulenta (Art. 143, I, CPC).

14.7 Responsabilização decorrente de obra:

1) MÁ EXECUÇÃO DA OBRA: pelo estado – Responsabilidade objetiva.

CUIDADO: se foram empreiteiros contratados pelo estado (particular


contratado pelo estado – não é serviço público, mas execução de obra) a
responsabilidade é regida pelo direito privado (Art. 70, da Lei 8.666/93);
Para ter responsabilidade do estado, deverá ser comprovada a omissão
na fiscalização por parte do estado com o contratado.

2) RESPONSABILIDADE PELO SIMPLES FATO DA OBRA: a obra é


executada normalmente, conforme o projeto, todavia a existência dela por si só
é causa o dano, neste caso a responsabilidade é objetiva.
➢ Independentemente de quem estiver executando a obra.
➢ Não precisa haver irregularidade nela.
➢ A parte não precisa sofrer o ônus, mesmo que seja uma obra que
beneficia o coletivo.
Contudo, será necessário demonstrar que existe um dano anormal e
específico.

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14.8 Responsabilidade Civil, Penal e Administrativa

Admite-se cumulação, são independentes as esferas, segundo o artigo


125, da Lei 8.112/90). Exemplo: agente dirigindo de forma imprudentes carro
oficial atropela e mata 3º. Responde por administrativamente pela infração
disciplinar (imprudência), ficando sujeito a penalidades disciplinares (como
advertência, suspensão ou demissão), também responde penalmente, por crime
de homicídio culposo e, ainda, civilmente pela via da ação regressiva.
Contudo esta INDEPENDÊNCIA RELATIVA: se absolvido na esfera
penal nas hipóteses do inciso I e IV, do artigo 386, do CPP, a sentença de
absolvição penal poderá ser usada para rever a decisão na esfera administrativa
e civil. Mas, atenção a sentença de absolvição deverá ser com base (art. 386, I
e IV, do CPP):

➢ Na negativa de autoria
➢ Inexistência de fato

Assim, não cabe para absolvição por falta de prova!!!


Nestas hipóteses de absolvição o agente público poderá até ter
reintegrado, o servidor demitido.

Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-


se, sendo independentes entre si.

Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada


no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua
autoria.

14.9 Ação de regresso

Quando o agente público causa danos a terceiros, a Administração


Pública responde pelo prejuízo que ele causa, neste caso, de posse da sentença
que condenou a Administração Pública a pagar a vítima do dano, essa poderá
buscar administrativamente ou judicialmente a reparação do dano causado pelo
agente ao erário público, através do direito de regresso.

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Neste caso, a responsabilidade aplicada é a subjetiva, isto é, a Fazenda
Pública, por meio de seus procuradores, deve comprovar o dolo ou a culpa do
agente para obter o ressarcimento da quantia condenada a pagar a vítima, ou
seja, só será possível o regresso quando houver culpa ou dolo do agente!
Algumas observações importantes:

➢ Não pode ser descontado automaticamente da remuneração: deve


ser respeitado o princípio da ampla defesa e do contraditório.
Ainda, quando houver o desconto ele se limitará a 1/5 do
vencimento do agente.

➢ Comprovação do trânsito em julgado da ação indenizatória para


exercer o direito de regresso.

➢ Pode ser ajuizada mesmo se houve posterior alteração ou extinção


do vínculo (por exemplo, o agente pediu exoneração ou aposentou-
se).

A Denunciação a lide do CPC (art. 125) é proibida, o Estado quando


acionado para responder uma ação de responsabilidade civil, não poderá
chamar o agente para compor o polo passivo da demanda em litisconsórcio, no
intuito de, se perder a ação, já aproveitar a própria ação e cobrar do agente,
economizando relações processuais.

Atenção: Se o estado não identificar o agente, fica impossibilidade a ação de


regresso.

Nos casos de regresso aplica-se o disposto na Lei 4.619/65, a qual dispõe


sobre a ação regressiva da União contra seus agentes. O prazo prescricional
segundo a referida lei é de 60 dias (art. 2º). Cabe ao Procurador lotado no Estado
em que haja corrido o processo judicial cuja decisão contra a Fazenda haja
transitado em julgado e tenha condenado ao pagamento à vítima.

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Por fim, interessante destacar o artigo 28, da Lei de Introdução às Normas
do Direito Brasileiro (LINDB), que traz que não cabe responsabilização solidária
de servidor que edita parecer jurídico de caráter opinativo com o servidor que
pratica o ato baseado na opinião. Salvo, se comprovado dolo ou erro grosseiro:
“O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões
técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro”.

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REFERÊNCIAS

ALVES, Felipe Dalenogare. Direito administrativo: teoria e prática 1ª e 2ª fase


OAB. São Paulo: Rideel, 20189.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,


DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil03/constituicao/ constituicaocompilado.htm> Acesso em: 24 jun. 2017.

DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 30. ed. rev. atual e apl.
Rio de Janeiro: Forense, 2017.

FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Comentários à Constituição brasileira.


São Paulo: Saraiva, 1975, v.3.

SALOMÃO FILHO, Calixto. Regulação e atividade econômica: princípios e


fundamentos jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2001.

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