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ESTUDO-VIDA

DE
ÊXODO
VOLUME II

Witness Lee
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E UM
A EXPERIÊNCIA DE ISRAEL EM ELIM

Leitura da Bíblia: Êx 15:27; Nm 33:9; Jo 7:38-39; SI 92:12a; Lv 23:40; Ne 8:15;


Jo 12:13; Ap 7:9; Êx 24:4,1; Nm 11:16, 24-25; Lc 9:1; 10:1.

Após os filhos de Israel cruzarem o Mar Vermelho, a coluna de nuvem os guiou a Mara,
e depois, a Elim. Se verificarmos um mapa, perceberemos que eles não viajaram de acordo
com a concepção humana, mas de uma maneira que estava de acordo com a concepção
divina. Já enfatizamos que, quando os filhos de Israel realizaram o seu êxodo do Egito,
Deus não os guiou pelo caminho da terra dos filisteus (13:17). Pelo contrário, "fez o povo
rodear pelo caminho do deserto perto do Mar Vermelho" (13:18). Deus guiou-os delibe-
radamente para o sul, de modo que pudessem ser batizados no Mar Vermelho, o batismo
que lhes preparara em Sua criação. Tendo cruzado o Mar Vermelho, não se dirigiram para
o norte, à terra de Canaã, Deus guiou-os para o sul, para Mara.
Lembre-se de que o próprio Deus na coluna guiou o povo em sua jornada. Guiou-os
para que tomassem um caminho totalmente diferente daquele que está de acordo com a
concepção natural. Se estivéssemos lá, provavelmente teríamos dito: "Moisés, para onde
estamos indo? Estamos a caminho da boa terra ou indo para a Arábia?" A tais perguntas,
Moisés deveria ter replicado: "Não escolho o caminho que tomamos. A coluna nos guia.
Há apenas três dias, esta coluna protegeu-nos dos exércitos de Faraó. Não acha que
deveríamos confiar nela e seguir sua orientação?" Sem dúvida, os filhos de Israel espera-
vam ser guiados para o norte, à boa terra; todavia Deus os guiou para o sul, para Mara e
Elim. Podemos observar com isso que o Seu caminho é diferente do nosso.

I. A EXPERIÊNCIA DE RESSURREIÇÃO

A experiência de Israel em Elim é um quadro da experiência da vida de ressurreição.


Todos sabemos que a morte conduz-nos à ressurreição. Nosso conceito, todavia, é que essa
experiência de ressurreição deveria ser ascendente, não descendente. Em nossa opinião,
qualquer caminho que conduz para baixo não está em ressurreição. Em si mesma, a
ressurreição leva para cima, mas sua aplicação requer que tomemos um caminho descen-
dente, quando estamos nos céus, não sentimos necessidade de ressurreição. Mas, ao nos
encontrarmos numa situação baixa, conscientizamo-nos da necessidade da vida de ressur-
reição. Quando estamos na morte, até mesmo numa tumba, precisamos de ressurreição.
Por isso a experiência de Elim segue em direção descendente, rumo a Mara.
Ao considerarmos o significado espiritual de 15:27 de acordo com a nossa experiência,
precisamos lembrar que não devemos estudar a Palavra de Deus superficialmente. Deve-
mos fazê-lo de acordo com o caminho da vida, da maneira como o Senhor Jesus aplicou as
escrituras do Antigo Testamento aos Evangelhos. Esse caminho é profundo. Embora essa
narrativa seja bem curta, com apenas um longo versículo, precisamos gastar tempo para
estudar de maneira completa a experiência de Israel em Elim. Começaremos então a
perceber as riquezas contidas nesse versículo.

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Já enfatizamos que, em vez de irem para o norte — o caminho direto para a terra de
Canaã — os filhos de Israel viajaram para o sul. Sem dúvida, a boa terra era mais elevada
em altitude do que a terra do Egito. Mas o caminho para essa terra elevada era o sul, em
rota descendente. Isso indica que, para atingirmos um elevado destino, precisamos tomar
um caminho descendente.

II. O RESULTADO DA EXPERIÊNCIA DE MARA

Alguns leitores de Êxodo podem pensar que os filhos de Israel viajaram para o sul por
não terem fé suficiente para seguir diretamente rumo à terra de Canaã. Embora a sua falta
de fé fosse uma característica, mais tarde, esse não era o motivo de sua jornada para o sul.
Se eles não tivessem ido para o Mar Vermelho, não poderiam ter passado pelo batismo
que Deus lhes preparara. Precisavam passar pelas águas, a fim de serem salvos da tirania
de Faraó e dos egípcios. O sangue do cordeiro pascal salvou-os do julgamento de Deus,
mas a água do Mar Vermelho salvou-os dos exércitos de Faraó. Foram guiados ao Mar
Vermelho não porque fossem fracos na fé, mas por precisarem ser batizados. Como já
enfatizamos, mesmo depois de terem cruzado o Mar Vermelho, eles não seguiram
imediatamente o caminho para o norte. Ao contrário de nossa expectativa, a coluna de
nuvem guiou-os para baixo, de Sur a Mara. Após sua experiência em Mara, a coluna conti-
nuou dirigindo-os para baixo, a Elim.
A experiência de Israel em Elim tipifica a experiência da cruz. Após experimentarmos a
cruz, poderemos esperar uma ascensão. Porém desceremos outra vez, pois a experiência
de ressurreição se dirige para baixo. Se você for para cima, em vez de ir para baixo, não
experimentará ressurreição. Alguns cristãos pensam que Deus guia Seu povo só para
cima, nunca para baixo. Mas, de acordo com o quadro de Êxodo, a coluna de nuvem guiou
os filhos de Israel para baixo, de Mara a Elim.
Posso testificar que a jornada de Mara para Elim corresponde à minha experiência
espiritual. Depois de experimentar a vida crucificada, frequentemente eu esperava ficar
numa situação elevada. Muitas vezes, porém, acontecia exatamente o contrário, Deus
levou-me para baixo, para uma situação que era ainda mais baixa e mais difícil de
suportar. Não devemos ficar amedrontados com isso. Se seguirmos a coluna de nuvem
numa direção descendente, chegaremos a Elim, onde há doze fontes de água e setenta
palmeiras. Essa é a experiência de ressurreição, que resulta da experiência da cruz, a expe-
riência de Mara.

II. AS DOZE FONTES E AS SETENTA PALMEIRAS

Elim é um substantivo coletivo, que significa "poderosos", "fortes". Deriva de uma raiz
que quer dizer poderoso ou forte. De acordo com vários estudiosos, essa palavra também
significa um bosque de palmeiras. O primeiro significado pode ser aplicado às doze
fontes, e o segundo, às setenta palmeiras. Em Elim, havia doze fontes poderosas que
fluíam e setenta palmeiras que cresciam. Que quadro da vida de ressurreição!
Considere as doze fontes fluindo e as setenta palmeiras crescendo. As fontes jorravam, e
as palmeiras cresciam. Sem dúvida, as palmeiras de Elim não eram palmeiras anãs, e sim
gigantes, subindo bem alto no ar. É claro que a água das fontes corria para baixo. Em Elim,
portanto, notamos a água correndo para baixo e as árvores crescendo para cima. Esse é um
quadro da vida de ressurreição fluindo de Deus para dentro de nós e crescendo do nosso

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interior. Primeiramente, a vida de ressurreição flui de Deus para dentro de nós. O resul-
tado desse fluir interior é algo que cresce de nosso íntimo.
Já enfatizamos que, em Sua criação, Deus preparou o Mar Vermelho para servir de
batistério, onde Seu povo seria batizado. Agora, em Elim, percebemos a plantação de
Deus. Deus criou as doze fontes de água, mas plantou as setenta palmeiras. Assim, as
fontes estão relacionadas à Sua criação, e as palmeiras, à Sua plantação. O princípio é o
mesmo hoje, na vida da igreja.
Tudo o que se relaciona à experiência de Elim está de acordo com a soberania do
Senhor. Em Sua criação, Deus preparou as fontes; e, em Sua plantação natural, Ele provi-
denciou as palmeiras. É claro que os filhos de Israel não foram por acaso a Elim e lá
encontraram doze fontes e setenta palmeiras. Por que não havia naquele lugar onze fontes
e sessenta e nove palmeiras? Deus, em Sua soberania, colocou doze fontes e setenta
palmeiras em Elim com um propósito específico. Quando seguimos o Senhor como coluna
de nuvem, chegamos a um lugar de doze fontes que fluem e setenta palmeiras que
crescem.

IV. DOZE E SETENTA SÃO NÚMEROS PARA O POVO


DE DEUS LEVAR A CABO O SEU MINISTÉRIO

Na Bíblia, os números "doze" e "setenta" têm um significado espiritual. De acordo com a


Bíblia, doze é composto de quatro vezes três. A nova Jerusalém, por exemplo, tem doze
portas, três em cada um dos quatro lados da cidade. O número quatro tipifica as criaturas,
principalmente a humanidade, e o número três tipifica o Deus Triúno. O fato de haver três
portas em cada lado da Nova Jerusalém indica que entramos nesta cidade através do Deus
Triúno, isto é, através do Pai, do Filho e do Espírito. Mateus 28:19 diz que somos batizados
em nome do Pai, do Filho e do Espírito. Já que o número quatro tipifica a humanidade e o
número três o Deus triúno, quatro vezes três tipifica o mesclar de Deus com a humani-
dade. Sendo assim, o significado do número doze é a mescla da divindade com a huma-
nidade.
Tal mesclar não é temporal, mas eterno. Ao considerarmos a descrição da Nova Jerusa-
lém em Apocalipse 21 e 22, percebemos que o número doze é um número eterno, um nú-
mero usado na eternidade. Além disso, na Nova Jerusalém notamos que o mesclar da
divindade com a humanidade se relaciona à administração de Deus, pois a Nova Jerusa-
lém é o centro da Sua administração universal e eterna. O número doze também simboliza
a perfeição e a totalidade eternas. Esse número, portanto, tipifica o mesclar da divindade
com a humanidade para a realização completa e perfeita da administração de Deus eterna-
mente.
Se considerarmos a Nova Jerusalém, perceberemos o compreensível significado do
número doze. Deus é mesclado com o homem para efetuar Sua administração de maneira
completa. Nessa administração eterna não há falha. Pelo contrário, tudo é perfeito e
completo. No Antigo Testamento, os filhos de Israel, a raça escolhida por Deus, formavam
doze tribos. No Novo Testamento, o Senhor Jesus escolheu doze apóstolos. Essas doze
tribos e esses doze apóstolos estarão na Nova Jerusalém. As doze tribos serão as doze
portas, e os doze apóstolos, os doze fundamentos. Isso indica que as doze tribos e os doze
apóstolos destinam-se à administração eterna de Deus.
Agora podemos compreender o significado das doze fontes de Elim. Elas se destinam à
mescla da divindade com a humanidade. Simbolizam Deus como água fluindo para den-

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tro do Seu povo escolhido, para ser mesclado com Ele, a fim de realizar Sua adminis-
tração.
Os doze apóstolos do Novo Testamento eram fontes jorrando água viva. Deus fluía
deles para o interior dos que criam. O fluir das águas vivas, todavia, não está limitado aos
apóstolos. Todo aquele que crê em Cristo pode ser fonte viva. João 7:38 fala de rios de
água viva fluindo do mais íntimo do nosso ser. Os rios de João 7 são as mesmas fontes de
Êxodo 15. Tanto os rios como as fontes tipificam a vida divina em ressurreição. João 7:39
mostra que os rios de água viva se relacionam ao Espírito: "Isto Ele disse com respeito ao
Espírito que haviam de receber os que Nele cressem; pois o Espírito até esse momento não
era, porque Jesus não havia sido ainda glorificado". Jesus foi glorificado em Sua ressurrei-
ção (Lc 24:26). Imediatamente após a glorificação de Cristo em ressurreição, os discípulos
receberam o Espírito (Jo 20: 22). O Espírito é a vida divina em ressurreição, retratada pelas
doze fontes em Êxodo 15 e pelos rios de água viva em João 7. A vida divina em ressur-
reição flui de Deus para dentro do Seu povo, a fim de mesclar a divindade com a huma-
nidade. Esse mesclar leva a cabo a administração eterna de Deus.
Na Bíblia, o número setenta é composto de sete vezes dez. Como o número doze, sete
também significa perfeição e totalidade. Em contraste com o número doze, porém, ele tipi-
fica perfeição e totalidade no tempo dispensacional, não eterno. O livro de Apocalipse fala
de sete igrejas, sete candelabros de ouro, sete Espíritos, sete lâmpadas de fogo, sete olhos,
sete selos, sete trombetas e sete taças. Todos esses números sete se relacionam à dispen-
sação de Deus no tempo. Na eternidade, o número sete será substituído pelo número doze.
Na Bíblia, o número sete tanto é composto de seis mais um como de quatro mais três.
Em Gênesis 2, encontramos o número sete composto de seis mais um: os seis dias da obra
de Deus mais o dia do Seu descanso. Ocorre o mesmo em Apocalipse, onde os sete selos,
as sete trombetas e as sete taças são organizados em grupos de seis mais um. Em Apoca-
lipse, notamos também que o número sete é composto de quatro mais três. As sete igrejas,
por exemplo, pertencem a grupos de três e quatro.
O número seis representa o homem, que foi criado no sexto dia. Quando Deus, o único
Criador (tipificado pelo número um), é adicionado ao homem, o resultado é a comple-
mentação, a satisfação e o descanso. O único Criador é o Deus Triúno (tipificado pelo
número três), e o homem é uma criatura (tipificado pelo número quatro). Por um lado, o
Criador é adicionado ao homem para produzir o número sete; por outro lado, o Deus
Triúno é adicionado à Sua criatura, o homem, também para produzir o número sete. Em
qualquer dos casos, o número sete tipifica a adição de Deus ao homem, não o misturar de
Deus com o homem.
A primeira menção do número sete na Bíblia está em Gênesis 2:2, onde lemos que Deus
"descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito". O uso do número sete está
definitivamente relacionado ao tempo, não à eternidade.
Daniel 9:24 fala das setenta semanas de anos, que foram determinadas para os filhos de
Israel. Tais semanas também se relacionam à dispensação temporal de Deus, não à eterni-
dade. Além disso, as igrejas locais são tipificadas pelo número sete porque elas hoje se
destinam à dispensação de Deus no tempo. Todos esses exemplos indicam que o número
sete tipifica perfeição e conclusão, tanto dispensacional como temporalmente.
O número dez denota plenitude. Ao considerarmos nossos dez dedos das mãos e dos
pés, temos a impressão de plenitude. Uma vez que o sete tipifica conclusão e perfeição no
tempo e o dez tipifica plenitude, setenta, composto de sete vezes dez, tipifica conclusão e
perfeição no tempo para a dispensação total de Deus. O fato de haver setenta palmeiras
em Elim, em vez de apenas sete, indica essa plenitude da dispensação de Deus no tempo.
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As doze fontes e as setenta palmeiras estão todas em ressurreição. Em ressurreição,
obtemos o fluir das doze fontes para a eternidade e também para o tempo, o crescer das
setenta palmeiras para a dispensação de Deus.
Na Bíblia, há dois importantes casos em que os números doze e setenta são usados
juntos. Em Êxodo 24:1 e 4, lemos sobre os setenta anciãos e sobre as doze tribos de Israel.
Quando Moisés entrava em contato com Deus para a efetuação da Sua administração na
terra, o Senhor lhe ordenava trazer setenta anciãos de Israel. As doze tribos podem ser
comparadas às doze fontes, e os setenta anciãos, às setenta palmeiras. Encontramos um
outro caso no Novo Testamento. Em Lucas 9:1, o Senhor chamou seus doze apóstolos para
si, e, em 10:1, apontou também outros setenta. O uso dos números em cada caso é signifi-
cativo. Quando usados juntos, os números doze e setenta indicam que o povo do Senhor
deve levar a cabo o Seu ministério. O princípio é o mesmo em Êxodo 24 com as doze tribos
e os setenta anciãos e no Evangelho de Lucas com os doze apóstolos e os setenta discí-
pulos. Em ambos os casos, o povo do Senhor devia levar a cabo o Seu ministério. Deus tem
um ministério que deve ser levado a cabo pela vida que flui, tipificada pelas doze fontes, e
pela vida que cresce, tipificada pelas setenta palmeiras. Somente a vida que flui e cresce
pode cumprir o ministério de Deus.
No passado, falamos muito sobre a vida de ressurreição sem ter palavras para descrevê-
la. Agora, através do auxílio do quadro dos filhos de Israel em Elim, percebemos que a
vida de ressurreição inclui doze fontes e setenta palmeiras. Isso inclui a vida que flui de
maneira perfeita e completa para levar a cabo a administração de Deus pela eternidade.
Também inclui a vida que cresce para levar a cabo a administração de Deus, a fim de
expressar a vida que floresce (Sl 92:12), e regozijar-se em satisfação (Lv 23:40; Ne 8:15), e
ter vitória sobre a tribulação (Jo 12:13; Ap 7:9). Na Bíblia, as palmeiras tipificam a vida que
floresce. Também tipificam o regozijo na satisfação de vida e a vitória sobre a tribulação.
Por fim, a vida de ressurreição efetua o ministério de Deus, tanto dispensacionalmente no
tempo quanto na eternidade.
Tanto como igreja coletivamente quanto como cristãos individualmente, precisamos
experimentar a vida de ressurreição em Elim. Oh, a vida de ressurreição flui e cresce! Flui
de Deus para o nosso interior, e, através desse fluir, cresce para o alto, a fim de expressar
as riquezas e a vitória da vida divina.
Já enfatizamos que, na Bíblia, as palmeiras tipificam o florescer, o regozijar-se em satis-
fação e a vitória. O crescimento da vida que flui expressa as riquezas da vida divina e a
sua vitória sobre todas as coisas. Todos os que pertenciam à vasta multidão de Apocalipse
7 seguravam ramos de palmeiras e advinham da grande tribulação. Esses ramos de
palmeiras tipificam tanto as riquezas em vida como a vitória da vida.
Se considerarmos o quadro de Israel em Elim, perceberemos que é um quadro maravi-
lhoso da vida de ressurreição. Algo flui de Deus para dentro de nós, e cresce através desse
fluir para expressar as riquezas e a vitória da vida divina. Ao considerarmos esse quadro
de maneira um pouco mais profunda, creio que o Senhor nos falará mais acerca da vida de
ressurreição.

V. ACAMPARAM COMO UM EXÉRCITO

No fim de 15:27, lemos que os filhos de Israel "se acamparam junto das águas". A
expressão "acamparam-se" indica que o povo de Deus se formou como um exército. A
vida que flui e cresce supre o povo de Deus como Seu exército. Quando chegarmos ao
capítulo 17, veremos o povo de Deus entrando em batalha como exército. Em Elim, eles
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ficaram cheios do gozo da vida, o que os capacitou para o combate. Isso os tornou aptos a
lutar, a fim de levar a cabo o propósito de Deus para edificar Sua habitação.
No Sinai, o povo de Deus recebeu a visão celestial relacionada à edificação do taberna-
culo. A longa viagem do Egito ao Sinai não pôde ser feita sem luta. A princípio, o povo
não lutou por si mesmo, mas Deus lutou por eles e derrotou Faraó e seu exército, destru-
indo aquele e seus carros nas águas do Mar Vermelho. Após cruzar o Mar Vermelho e ter
as experiências de Mara e Elim, o povo de Deus fortaleceu-se como Seu exército e foi
qualificado a lutar pelo Seu propósito. Essa era a razão por que Deus não lutou por eles no
capítulo 17. Eles mesmos podiam lutar por causa da vida que fluía e crescia.
Se quisermos ser hoje fortalecidos como exército de Deus, também precisamos primeira-
mente, experimentar o fluir das doze fontes e o crescer das setenta palmeiras. Precisamos
da perfeita e completa vida que flui e cresce. Só então seremos qualificados e equipados
como exército, para lutar pelo propósito de Deus. Na restauração do Senhor, temos a
consciência de estarmos engajados numa luta espiritual. Não estamos simplesmente esta-
belecidos em nossas localidades, mas estamos acampados nelas. Para lutar, não basta
comer o cordeiro pascal com as ervas amargas e o pão asmo. Também precisamos experi-
mentar a cruz e a ressurreição, isto é, precisamos passar por Mara e chegar a Elim.
Ao considerarmos as implicações de 15:27, percebemos que também precisamos chegar
a Elim. Tenho a certeza de que, pelo menos até certo ponto, as igrejas, na restauração do
Senhor, estão se acampando em Elim, desfrutando das doze fontes e das setenta palmeiras.
Como agradecemos ao Senhor por esse quadro da vida de ressurreição! Você já viu as
fontes fluindo e as palmeiras crescendo? Você já percebeu que o resultado dessa vida que
flui e cresce é um exército fortalecido para lutar pelo propósito de Deus? Louvado seja Ele
por sermos o Seu exército acampado ao lado da vida que flui e cresce!

VI. DE MARA A ELIM

Em nossa experiência, precisamos não apenas da água doce, mas também da água que
flui. Isso significa, que precisamos da água que foi transformada de amarga em doce e
também da água que flui das doze fontes de Elim. Para termos a água que flui, precisamos
continuar de Mara, a experiência da cruz, até Elim, a experiência da ressurreição.
Da época de Madame Guyon e seus contemporâneos até a época da Sra. Penn-Lewis, o
povo do Senhor, em sua maioria, estava em Mara. Através do ministério da Sra. Penn-
Lewis, a experiência subjetiva da cruz foi restaurada de maneira completa. Nos anos
posteriores, o Senhor prosseguiu de Mara a Elim. Em Elim, Ele cuida de Sua plantação
com as doze fontes e as setenta palmeiras. Entretanto, muitos daqueles que buscam ao
Senhor ainda têm predileção por Mara e desejam nela permanecer. Não progrediram além
dos escritos da Sra. Penn-Lewis acerca da cruz. Pelo contrário, ainda enfatizam a expe-
riência da cruz. Não prestam, contudo, muita atenção às fontes que fluem e às palmeiras
que crescem. Seu principal testemunho está na maneira como o seu amargor foi mudado
em doçura mediante a aplicação da cruz. Os que se demoram em Mara têm a árvore que
cura, mas não as setenta palmeiras que crescem para expressar as riquezas e a vitória da
vida divina. Em Mara não há plantação. Há somente uma árvore cortada e lançada nas
águas amargas.
Não é minha intenção ignorar os que nos precederam na restauração do Senhor. Minha
intenção é enfatizar a necessidade de progredirmos de Mara até Elim, Precisamos prosse-
guir da árvore purificadora até as palmeiras que crescem e florescem. Em Sua restauração,

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hoje, Deus não quer que nos demoremos em Mara. Ele precisa que prossigamos até Elim e
sejamos fortalecidos lá como Seu exército.
Recentemente, recebi uma carta de alguém pedindo livros escritos pelos místicos de três
séculos atrás, em particular os escritos de Madame Guyon e do irmão Lawrence. Na
verdade, a autobiografia de Madame Guyon é uma história da experiência de Mara. O
mesmo é verdade sobre "A Imitação de Cristo". Os que enfatizaram a experiência de Mara
nos últimos três séculos não atentaram muito às doze fontes que fluíam nem às setenta
palmeiras que cresciam. O Senhor hoje quer que experimentemos as fontes que regam a
plantação de Deus, de modo que as palmeiras cresçam, a fim de expressar as riquezas de
Sua vida e vitória.
Porque em Mara não há plantação, mas apenas mudança de amargor em doçura, lá não
existe crescimento. Mas em Elim desfrutamos da lavoura de Deus e do bosque de palmei-
ras para expressar as riquezas da vida divina e a vitória completa da administração de
Deus. Em nossa experiência, as águas que foram mudadas de amargas em doces devem
tornar-se as águas que fluem, nas quais, pelas quais e com as quais crescemos como
palmeiras, para expressar a vida rica e a vitória total de Deus.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E DOIS

A EXPERIÊNCIA DO MANÁ

Leitura da Bíblia: Êx 16:1-30; Nm 11:1-10, 18-23, 31-34

O livro de Êxodo não foi escrito de acordo com doutrinas, mas de acordo com expe-
riência. Após os filhos de Israel cruzarem o Mar Vermelho, o Senhor os guiou a Mara. Lá o
povo murmurou, porque as águas eram amargas. Em vez de ficar zangado com eles por
isso, o Senhor mostrou a Moisés uma árvore purificadora, que transformou o amargor em
doçura. Apenas três dias antes, o povo de Deus havia experimentado Sua salvação no Mar
Vermelho. O exército de Faraó fora destruído, e o povo regozijara-se com louvores ao
Senhor. Em Mara, todavia, parece que o povo esquecera sua experiência do Mar Verme-
lho. Percebendo, contudo, que o Seu povo era criança e que essa era a primeira vez que
murmuravam, o Senhor não os puniu; pelo contrário, transformou as águas amargas em
doces.
De Mara, o povo foi guiado pelo Senhor até Elim, onde existiam doze fontes de água
fluindo e setenta palmeiras crescendo. A experiência do povo de Deus em Elim deve ter
sido muito empolgante. Sempre que chegamos a uma Elim em nossa experiência espiri-
tual, também ficamos muito empolgados. Após sua experiência maravilhosa em Elim, os
filhos de Israel "partiram de Elim, e toda a congregação dos filhos de Israel veio para o
deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai" (16:1). Como veremos, depois de experimenta-
rem a vida que flui e cresce em Elim, eles foram dirigidos a uma situacáo diferente, difícil.
Conforme a ordenação de Deus, há dia e também há noite. Por um lado, depois do dia
há noite; por outro, depois da noite há sempre um novo dia. Em nossa experiência com o
Senhor, precisamos tanto do dia quanto da noite. Precisamos da experiência do Mar
Vermelho e também do amargor de Mara. Necessitamos da empolgante experiência de
Elim e também da experiência do deserto de Sim.
O povo de Deus veio ao deserto de Sim "aos quinze dias do segundo mês, depois que
saíram da terra do Egito" (16:1), aproximadamente um mês após a páscoa do Egito, A
páscoa e as experiências do Mar Vermelho e de Elim foram todas maravilhosas. Após
todas essas experiências maravilhosas, porém, o povo foi guiado pela coluna de nuvem ao
deserto.

I. A CARNE DOS FILHOS DE ISRAEL AINDA PERDUROU


APÓS A EXPERIÊNCIA DE ELIM

A. Murmuraram Contra Moisés e Arão

Êxodo 16:2 diz: "Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e
Arão no deserto". Aqui percebemos três partes: os que murmuravam, os contra quem era
dirigida a murmuração, e o Senhor, que ouvia, às escondidas, as murmurações. De acordo
com o versículo 8, Moisés disse ao povo: "O Senhor ouviu as vossas murmurações, com
que vos queixais contra ele; pois que somos nós? As vossas murmurações não são contra

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nós, e sim contra o Senhor". Moisés ficou muito aborrecido com o povo por causa das suas
murmurações. Ficou muito mais aborrecido do que o próprio Senhor. Este o havia
encarregado de dizer ao povo que veriam Sua glória pela manha (v. 7). Também prometeu
fazer chover pão do céu para eles (v. 4).
Embora esta mensagem esteja intitulada de "A Experiência do Maná", o meu encargo na
verdade não é exaíamente o maná, mas é enfatizar que, depois da experiência maravilhosa
de Elim, a carne dos filhos de Israel ainda perdurava. O mesmo é verdade conosco em
nossa experiência espiritual. Depois de termos uma empolgante experiência em Elim com
as doze fontes que fluem e as setenta palmeniras que crescem, ainda somos atribulados
pela carne. A água viva de Elim não leva embora a carne. Esta é a razão porque as assim
chamadas experiências pentecostais não nos livram da carne. Os cristãos podem experi-
mentar o batismo do Espírito ou da assim chamada segunda bênção, mas ainda têm o
problema da carne. Até mesmo a genuína experiência com o batismo do Espírito não é
nada mais do que a experiência de Elim. Como o registro do capítulo 16 indica, a expe-
riência de Elim não resolve o problema com a carne.
Podemos novamente perceber, através dessa passagem, que o livro de Êxodo não está
escrito conforme a doutrina, mas segundo a experiência espiritual. De acordo com a com-
preensão doutrinária, a experiência das doze fontes que fluíam e das setenta palmeiras que
cresciam em Elim deveria fazer de nós santos maduros. Contudo as empolgantes expe-
riências de Elim nunca tiveram tal resultado. O murmurar dos filhos de Israel no capítulo
16 o comprova. Eles haviam sido redimidos e libertados do Egito, experimentaram a
purificação das águas em Mara e desfrutarem das fontes e palmeiras em Elim. Após todas
essas experiências, ainda foram capazes de mostrar o comportamento registrado no
capítulo 16, Se atentarmos a esse fato sob a perspectiva da doutrina, ele nos será de difícil
entendimento. Mas, se o olharmos do ponto de vista da nossa experiência, compreende-
remos facilmente o capítulo 16. Segundo nossa experiência espiritual, sabemos que as
horas empolgantes de Elim nunca levam os cristãos a se tornarem santos maduros.
Após termos uma experiência em Elim, o Senhor exporá a carne do nosso ser natural.
Esta é a razão porque até mesmo depois de termos a empolgante experiência das doze fon-
tes fluindo e das setenta palmeiras crescendo, descobriremos que ainda estamos vivendo
de acordo com a carne. As doze fontes saciam a sede de nosso espírito, mas não levam
nossa carne à morte. Na verdade, quanto mais experimentarmos das fontes que fluem,
mais a nossa carne será exposta. Se sua intenção é ocultar sua própria carne, você terá de
evitar a experiência das fontes e das palmeiras de Elim. A experiência das doze fontes de
Elim é sempre seguida por uma exposição da carne..
Anos atrás, li alguns livros sobre a experiência do batismo do Espírito Santo e da assim
chamada segunda bênção. Esses livros diziam que, uma vez que um cristão tivesse tal
experiência, todos os seus problemas estariam resolvidos. Certos livros chegaram a ponto
de dizer que o pecado seria até mesmo erradicado. Nossa experiência real, entretanto,
prova que tais afirmativas são falsas. Depois de desfrutarmos da água viva de Elim, nossa
carne será exposta. Ela não terá lugar onde se esconder. Em nossa experiência, há,
inevitavelmente, a mudança de dia para noite. Somos incapazes de aumentar o dia ou de
impedir que a noite venha.
É-nos importante ver além da superficialidade do cristianismo de hoje. Muitos cristãos
falam sobre a experiência do batismo do Espírito. Mas até mesmo aquelas genuínas expe-
riências do batismo do Espírito são, no máximo, a experiência de Elim. Já enfatizamos que
tais experiências podem saciar nossa sede, mas não tratam com nossa carne. Pelo contrá-
rio, elas, na verdade, expõem a carne totalmente. Essa foi a razão por que, após a expe-
10 | P á g i n a
riência de Elim, a carne dos filhos de Israel permaneceu e foi exposta. Não havia mudado
de maneira alguma.
De semelhante modo, embora possamos ter experiências empolgantes com as doze
fontes de Elim, logo descobriremos que nós mesmos estamos sem mudança. Saciar a sede
em nosso espíríto é uma coisa, mas lidar com o aspecto carnal do nosso ser natural é
outra. Não espere que as doze fontes de Elim mudem o que você é na carne. Tenho o
encargo de sermos profundamente sensibilizados com este ponto crucial. Se ficarmos
claros a esse respeito, seremos libertados da influência do conceito errôneo que prevalece
no cristianismo de hoje.
Porque a nossa carne perdura depois da experiência de Elim, precisamos prosseguir
com o Senhor de Elim deserto adentro, como está descrito em Êxodo 16. Esse deserto não é
um lugar específico. Simplesmente lemos que era o deserto entre Elim e o Sinai. Isso indica
que depois de bebermos da água viva em Elim, seremos introduzidos nesse tipo de lugar
indefinido. Nesse tipo de lugar indefinido nossa carne será exposta.

B. Exposta Por Falta de Suprimento de Vida Celestial

Como veremos agora, nossa carne é exposta pela carência de suprimento, por causa da
falta de Cristo como suprimento de vida celestial. Essa é a razão pela qual o maná foi
mencionado tanto em Êxodo 16 quanto em Números 11, com respeito à murmuração do
povo. Isso indica que o maná celestial foi dado para tratar com a nossa carne. Tal obra não
pode ser cumprida pelas fontes de Elim, somente pelo maná celestial.
O povo murmurou contra Moisés e Arão por desejar comida. Todavia, o seu murmurar
era na verdade contra o próprio Senhor. O povo bebera bastante água, mas ainda estava
faminto, porque nada tinha para comer. Sua fome não podia ser satisfeita pela água das
doze fontes que fluíam. Não importa a quantidade de água que podemos beber, ainda
assim a nossa fome permanece. Por um lado, nossa sede precisa ser saciada. Mas por
outro, nossa fome precisa ser satisfeita. As doze fontes só podem saciar a nossa sede, não
podem satisfazer a nossa fome.
A experiência cristão tem aspectos diferentes. Muitos cristãos, todavia, pensam que há
somente um aspecto: o batismo do Espírito Santo. De acordo com eles, a experiência do ba-
tismo é todo-inclusiva e satisfaz todas as necessidades de um cristão. Mas, de acordo com
as figuras de Êxodo, esse tipo de experiência não pode ser tudo. Sim, em Elim há doze
fontes, mas não se menciona a comida. Por isso o povo ainda estava faminto. Em seu
interior, faltava-lhes o suprimento necessário de vida. Tal carência de suprimento de vida
fez com que a carne fosse exposta. Sempre que nos falta o suprimento de vida, torna-se
impossível ocultar nossa carne. Se verificar sua experiência, perceberá que no dia exato em
que teve uma empolgante experiência em Elim, você teve a sensação interior de insatis-
fação. Essa insatisfação provém da falta do suprimento celestial de vida, de falta de Cristo
como o maná celestial. Em sua experiência, você ainda não participou de Cristo como o
seu suprimento de vida.
Todo cristão tem problemas com a carne e com a concupiscência da carne. Você sabe
quando quando a carne é tratada? Somente quando Cristo realmente se torna o nosso
suprimento diário de vida. Quando Cristo nos enche e nos satisfaz, tal satisfação fará com
que nossa carne seja levada à morte. Em princípio, essa é a experiência de todo cristão.
Após desfrutarmos do Senhor em Elim, descobriremos que ainda temos um problema com
a carne e com o desejo dela. Esse problema tem sua origem na fome. Bem no interior,
estamos subnutridos. Temos uma fome que não foi satisfeita. Em nossa experiência cristã,
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ainda não chegamos ao ponto de experimentarmos Cristo diariamente como nosso supri-
mento de vida que nos satura e satisfaz. Todavia, quando Dele desfrutarmos diariamente
como nosso suprimento celestial de vida, seremos plenamente satisfeitos. Nesse momento,
nossa carne será subjugada e nosso desejo será tratado. Mas a carne com a sua concupis-
cência não é tratada totalmente. Sempre que estivermos subnutridos e carecermos de
Cristo, sentiremos fome novamente. Isso levará ao ressurgimento da carne e da concupis-
cência, que voltarão à sua atividade.
Nossa carne permanecerá até estarmos em ressurreição e termos um corpo glorificado.
Embora esteja no Senhor por tantos anos, tenho de testificar que a carne ainda está comigo.
Se eu não estiver pleno de Cristo e satisfeito por Ele, minha carne ainda estará ativa. Não
pense que uma pessoa que esteve no Senhor por muitos anos atingirá o ponto em que já
não seja mais atribulada pela carne. Embora a carne possa ser tratada muitas vezes, até
mesmo centenas de vezes, ela ainda estará conosco. Mas sempre que estivermos preen-
chidos com Cristo como suprimento de vida celestial, a carne com sua concupiscência será
vencida. Se, todavia, carecermos Deus como nossa nutrição, a carne será exposta nova-
mente. O meu encargo nesta mensagem é o de simplesmente esclarecer este ponto a todos
os santos.
Se percebermos que a carne é sempre exposta quando carecemos de Cristo como nosso
suprimento diário de vida, seremos iluminados sobre a nossa experiência com o Senhor.
Talvez você tenha imaginado por que mesmo depois de ter certas experiências gloriosas
no Senhor, descobriu que sua carne é a mesma de sempre. Nesse momento, devemos
perceber nossa necessidade do maná celestial e também das doze fontes de Elim. Se o
apóstolo Paulo ainda estivesse na terra, até mesmo ele precisaria ser preenchido com
Cristo como o suprimento diário de vida, pois ele ainda seria atribulado pela carne.
Embora precisemos experimentar as doze fontes em Elim, também precisamos satisfazer
nossa fome com Cristo como o maná celestial. Dia a dia precisamos experimentar Cristo
como o nosso suprimento de vida.
O que mais nos ajuda em nosso viver diário com o Senhor não é o beber das doze fontes
de Elim, mas é o comer de Cristo como o maná celestial. A experiência de Elim surge de
vez em quando, e, como indica o relato, não era uma experiência contínua dos filhos de
Israel. Entretanto, o povo de Israel desfrutou do maná diariamente, por um período
quarenta anos. Com excecão dos sábados, eles recolheram o maná todas as manhãs,
durante todos aqueles anos. Isso indica claramente que a experiência do maná é diária e
contínua. Se experimentarmos adequadamente o comer diário de Cristo como nosso maná
celestial, nossa carne e concupiscência serão tratadas; mas toda vez que tivermos falta de
maná, a carne com a sua concupiscência aparecerão de novo. Essa é a razão pela qual a
experiência negativa registrada em Êxodo 16 seguiu a experiência positiva de Elim,
mostrada em 15:27.
A experiência negativa de Êxodo 16 se repete em Números 11. Já enfatizamos que,
quando o povo se queixou em Mara, o Senhor não se zangou com eles. Ao murmurarem
contra Moisés e Arão no deserto, entre Elim e o Sinai, o Senhor ficou um pouco aborrecido.
Mas, em Números 11, "queixou-se o povo de sua sorte aos ouvidos do Senhor; ouvindo-o
o Senhor, acendeu-se-lhe a ira, e fogo do Senhor ardeu entre eles, e consumiu as extremi-
dades do arraia!" (v. 19). Quando o povo se queixou desta vez, não houve necessidade de
Moisés dizer palavra alguma. Em Sua ira, o Senhor apareceu como um fogo ardente. O
versículo 2 diz: "Então o povo clamou a Moisés, e orando ele ao Senhor, o fogo se apagou".
O versículo 3 prossegue dizendo que o nome daquele lugar era Taberá, "porque o fogo do
Senhor se acendera entre eles".
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Precisamos perceber que essa experiência negativa se relaciona à experiência do maná.
Novamente vemos que sempre que nos falta Cristo como nosso suprimento de vida, a
carne é exposta. A concupiscência aparece porque estamos desnutridos. Não coloque sua
confiança na experiência passada com o Senhor. Não pense que, por estar no Senhor por
longo tempo, você não será mais atribuiado pela carne. Posso testificar que, embora seja
um homem idoso e tenha estado no Senhor há anos, ainda preciso Dele como meu atual
suprimento de vida. Lembre-se de que o maná era mandado a cada manhã e devia ser
recolhido todas as manhãs. Isso indica que não podemos armazenar o suprimento de
Cristo. O Cristo que experimentamos ontem não é suficiente para hoje. Se tentar preservar
o maná de ontem, você descobrirá que ele não poderá nutri-lo nem satisfazê-lo. Pelo
contrário, ele terá vermes e cheirará mal (Êx 16:20).
Que todos fiquemos impressionados com a necessidade de experimentarmos Cristo
diariamente como nosso suprimento de vida. É crucial ver que a falta do suprimento
celestial de Cristo leva nossa carne a ser exposta. Não importa quão empolgantes sejam as
experiências tidas no Espírito, ainda precisaremos participar diariamente de Cristo como
nosso maná celestial. Se estivermos subnutridos, nossa carne se levantará, e nossa concu-
piscência nos perturbará e criará obstáculos à nossa comunhão com o Senhor. A cada dia
precisamos estar plenos de Cristo como o maná celestial e sermos satisfeitos por Ele.

M. O TRATAMENTO DE DEUS PARA COM A CARNE DO SEU POVO

A. Ouviu-lhes a Murmuração e Mostrou-lhes Sua Glória

Prossigamos para ver como o Senhor trata a carne do Seu povo (16:4-30). Ele o faz
mostrando-lhes a Sua glória (16:7, 10). De acordo com a compreensão doutrinária de
muitos cristãos, uma pessoa carnal não pode ver a glória do Senhor. É significativo,
porém, que não lemos que a glória de Deus apareceu ao Seu povo quando estavam em
Elim. Mas a Sua glória apareceu-lhes quando murmuravam no deserto de Sim.
Atente a esse ponto da aparição da glória do Senhor à luz de sua experiência. Quando
teve uma experiência maravilhosa e empolgante em Elim, você teve a sensação da glória
de Deus ou simplesmente ficou enlevado com sua empolgação? Mas nos momentos em
que murmurava e se queixava, a glória do Senhor não lhe apareceu? Posso testificar que
muitas vezes a glória do Senhor apareceu-me quando me queixava, e essa aparição fez-me
ficar amedrontado. Em Elim há muita experiência empolgante, mas pouca aparição da
glória do Senhor de maneira definida. Ao murmurarmos contra o Senhor, entretanto, com
frequencia Sua glória nos aparece.
Enquanto os filhos de Israel seguiam ao Senhor no deserto e O buscavam, sua carne e a
cuncupiscência ainda estavam ativas. Já enfatizamos repetidas vezes que a razão disso foi
sua subnutrição. Murmuravam contra o Senhor, porque lhes faltava o suprimento ade-
quado de vida. Enquanto murmuravam, a glória de Deus lhes apareceu. Em princípio, já
experimentamos a mesma coisa. Ao seguirmos e buscarmos o Senhor, nossa atitude, ás
vezes, torna-se negativa, e nos queixamos e murmuramos contra a igreja ou contra os seus
responsáveis. Quando o fazemos dessa maneira, frequentemente vemos a glória do
Senhor. A aparição de Sua glória em momentos como esses é bem amedrontadora. As
vezes em que senti mais medo foram aquelas em que a glória do Senhor apareceu no meio
de minha murmuração e queixa. A razão por que me queixei foi a falta de Cristo como
minha nutrição.

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Em sua murmuração contra o Senhor, os filhos de Israel disseram: "Quem nos dera
tivéssemos morrido pela mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados
junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! pois nos trouxestes a este deserto, para
matardes de fome a toda esta multidão" (16:3). Em nossas queixas podemos dizer algo
assim: "Por que um dia entramos para a restauração do Senhor? O que está havendo na
restauração? Melhor seria se morrêssemos nas denominações!" Frequentemente, no meio
dessa nossa queixa, a glória do Senhor aparece, e ficamos temerosos.
Em Êxodo 16, lemos muitas vezes que o Senhor ouviu as murmurações do povo (v. 7b,
8b, 9b). De acordo com o versículo 12, o Senhor disse a Moisés: "Tenho ouvido as mur-
murações dos filhos de Israel." Esteja certo de que o Senhor ouve a sua murmuração. Além
disso, enquanto você murmura, Ele o está olhando, está observando tudo o que acontece.
Em 16:7, o Senhor disse que de manhã o povo veria a Sua glória. O versículo 10 diz:
"Quando Arão falava a toda a congregação dos filhos de Israel, olhavam para o deserto, e
eis que a glória do Senhor apareceu na nuvem". Quando a glória do Senhor apareceu ao
povo, isso os levou a pararem de murmurar. Em princípio, temos a mesma experiência. Às
vezes, por estarmos subnutridos, a nossa atitude tornou-se negativa enquanto buscávamos
o Senhor. Tal escassez de Cristo como nosso suprimento de vida levou-nos a murmúrios e
queixas. Naquelas horas, vimos a glória do Senhor interiormente e ficamos cheios de
temor. Como os filhos de Israel, somos frequentemente muito loquazes em nosso mur-
múrio e queixas, muito mais do que nos momentos em que testificamos pelo Senhor nas
reuniões. Mas a glória do Senhor aparece para fazer cessar nosso murmúrio e queixa.
Você diria que a glória do Senhor apareceu para resgatar o povo ou para condená-lo?
Ela surgiu com o propósito de resgatá-los por meio da condenação. Esse raciocínio
também pode ser confirmado por nossa experiência. Muitas vezes o Senhor chega para
salvar-nos, condenando-nos. Quando estamos subnutridos e nossa atitude é negativa,
tememos que o Senhor venha nos matar. Embora nos queixemos contra Ele, não cessamos
de buscá-Lo. No mesmo princípio, podemos nos queixar contra a igreja ou contra os
presbíteros; porém não estamos dispostos a desistir da vida da igreja nem a abandonar a
restauração do Senhor. Os irmãos, muitas vezes, vêm a mim com queixas contra a igreja.
Ao perguntar-lhes por que não a deixam e vão em busca de outro lugar, eles me dizem ser
impossível encontrar um lugar melhor. Quando lhes sugiro que parem de se queixar e
simplesmente se satisfaçam com a vida da igreja, dizem-me que também não o podem
fazer. Por um lado, não estão satisfeitos com a vida da igreja; mas, por outro, não desistem
dela. Várias vezes, aqueles que se queixam dessa maneira sobre a vida da igreja podem ter
uma profunda sensação da aparição da glória do Senhor em seu íntimo e temer que Ele
possa esmagá-los. Essa é a aparição da glória do Senhor para salvar-nos, condenando-nos,

8. Enviou-lhes Codornizes

Após Sua glória aparecer ao povo, o Senhor lhes enviou a carne que queriam. Mandou-
lhes codornizes (16:13; Nm 11:31) para satisfazer sua concupiscência de comida (16:12, Nm
11:18, 32), para mostrar-lhes Sua suficiência e discipliná-los com Sua ira (Nm 11:19-20, 33-
34).
Em Êxodo 16, o Senhor não tratou com o povo de maneira severa. Mas, quando mur-
muraram e se queixaram novamente em Números 11, Ele disse, por meio de Moisés: "Não
comerei um dia, nem dois dias, nem cinco, nem dez, nem ainda vinte; mas um mês inteiro,
até vos sair pelos narizes, até que vos enfastieis dela, porquanto rejeitastes ao Senhor, que
está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: "Por que saímos do Egito?" (v. 19-
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20). De acordo com o versículo 33: "Jeová feriu o povo com uma praga muito grande". Ele
então deu àquele lugar o nome de Quibrote-Taavá, que quer dizer "as tumbas da concu-
piscência" (v. 34)
Muitos cristãos tiveram tal experiência sob o aspecto espiritual. O Senhor satisfez-lhes a
concupiscência dando-lhes o que desejavam, e depois, espiritualmente falando, veio feri-
los, e eles sofreram morte espiritual. Quanto mais essas pessoas desfrutam ―codornizes‖,
mais elas permanecem mortificadas. Por um longo periodo de tempo, talvez por anos, elas
permancem mortificadas no espírito.
Somente após muitas coisas acontecerem aos filhos de Israel, o Senhou enviou-lhes o
maná. Isso indica que este não é dado de maneira simples. Muitos cristãos, porém, têm o
conceito errôneo de que ele é conseguido facilmente. Na verdade, podemos desfrutar do
maná somente quando certas condições são satisfeitas. Esta é a razão por que, embora um
versículo seja dedicado à experiência de Elim, dois capítulos abordam a experiência do
maná.
A experiência de Cnsto como o maná celestial não é tão simples como muitos cristãos
supõem. Os filhos de Israel não desfrutaram do maná logo após cruzarem o Mar
Vermelho. Pelo contrário, foi-lhes necessário passar pelas experiências de Mara e Elim.
Quando então sua carne foi exposta e eles foram disciplinados pelo Senhor, o maná veio.
Ocorre o mesmo conosco em nossa experiência com o Senhor. Cristo como o maná celestial
vem até nós dessa maneira.
Muitos irmãos têm a prática de gastar tempo com o Senhor bem de manhãzinha.
Porém, às vezes nenhum maná é recolhido durante essas horas. A razão da falta de maná é
que os requisitos para que este seja dado não forarn preenchidos. Êxodo 16 e Números 11
revelam que o maná só é dado quando certas condições são satisfeitas. Isso mostra que em
nosso andar cristão precisamos atingir um certo ponto antes de que este nos seja enviado.
Este é um princípio básico. O maná só é dado após nossa carne ser exposta em razão da
escassez do suprimento de vida interior. Ele é dado ao reconhecermos nossa necessidade
de algo mais do que as doze fontes de Elim. Precisamos do maná, precisamos de Cristo
como nosso suprimento devida celestial.
Quando os filhos de Israel murmuraram em Mara e o Senhor mostrou a Moisés a árvore
purificadora, Ele não tratou com o povo. Pelo contrário, a árvore foi lançada dentro da
água, e as águas amargas tornaram-se doces. Mas, em Êxodo 16, o Senhor disse a Moisés
que falasse ao povo tornando-os cientes de que Ele ouvira suas murmurações e lhes apare-
ceria em Sua glória. O Senhor ficou um pouco aborrecido com eles e os disciplinou. Após
efetuar tal disciplina, o maná foi enviado.

III. A MANEIRA COMO O MANÁ É ENVIADO

A. De Manhã

Consideremos brevemente a maneira como o maná é enviado (16:13-14; Nm 11-9). Ele é


sempre mandado de manhã. É significativo, entretanto, que as codornizes que satisfizeram
a concupiscência do povo viessem à tarde. O maná vem para refrescar-nos na manhã, ele
leva-nos a ter um novo começo.

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B. Com o Orvalho

Em segundo lugar, o maná vem com o orvalho. Números 11:9 diz; "Quando de noite
descia o orvalho sobre o arraial, sobre este também caia o maná". Em Êxodo 15 e 16, nota-
mos três tipos de água: as águas de Mara, as doze fontes de Elim e o orvalho do deserto.
Precisamos experimentar todos esses três tipos de água. Precisamos da águas que foi
mudada de amarga para doce, precisamos da água que flui das doze fontes e da água que
vem como orvalho. Na verdade, dou mais valor ao orvalho do que à água que flui das
fontes.
Quando alguns ouvem isso, podem lembrar-me de que não haverá orvalho na Nova
Jerusalém, mas somente o fluir do rio da água da vida (Ap 22:1 ). A razão de não haver
orvalho na Nova Jerusalém é que este vem durante o frio da noite, e não haverá noite na
Nova Jerusalém. Como já enfatizamos, em nossa experiência com o Senhor, temos, atual-
mente, tanto dia quanto noite. Após passar a noite, precisamos do orvalho—que é o
próprio Senhor — para regar-nos suave e delicadamente. Porque ainda precisamos passar
por muitas noites, muitas situações cheias de trevas, precisamos do orvalho refrescante
que nos regue. Manhã após manhã, a graça do Senhor desce sobre nós como orvalho
fresco.
Se quisermos desfrutar do maná durante a nossa hora com o Senhor de manhã, precisa-
mos experimenta-Lo como o orvalho. O maná não vem sozinho, mas vem sempre com o
orvalho. Na verdade, o orvalho vem primeiro e serve como base para o envio do maná. O
maná não vem com a água que foi mudada de amarga em doce, nem com a água que flui
das doze fontes. Vem com o orvalho. Sempre que tivermos o orvalho, teremos também o
maná. Isso quer dizer que, quando experimentamos a graça refrescante e purificadora do
Senhor, também O recebemos como nosso suprimento celestial de vida.
Não tome essa palavra sobre o orvalho como doutrina, mas receba-a como uma palavra
que corresponde à sua experiência. Até mesmo os mais jovens em nosso meio podem tes-
tificar que tal palavra se enquadra nas suas experiências. Em Elim, experimentamos a água
que flui das doze fontes, mas temos o orvalho. Tão logo saímos de Elim, sentimos uma
sequedão interior. Isso indica que precisamos experimentar o orvalho matinal, o orvalho
que é a base para o envio do maná.

C. A Volta do Acampamento

Números 11:9 também indica que o maná desce ao redor do acampamento. O acampa-
mento refere-se ao posicionamento do povo de Deus como um exército. Esse fato mostra
que a nutrição do maná destina-se também ao povo de Deus, como um exército, para
travar a batalha pelos Seus interesses na terra.
Nas mensagens posteriores, teremos muito mais a dizer sobre o maná. O ponto crucial
desta mensagem é que, depois de termos uma experiência empolgante e maravilhosa em
Elim, descobriremos que a carne ainda estará conosco. A exposição da carne é o resultado
de estarmos subnutridos. Isso revela a nossa necessidade de termos satisfeita a nossa fome
através de sermos saturados com Cristo dia a dia. Toda vez que não estivermos plenos
Dele, nossa carne com sua concupiscência aparecerão novamente.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E TRÊS

O TRATAMENTO DE DEUS PARA COM A CARNE DE SEU POVO

Leitura da Bíblia: Êx 16:14, 8-13a; Nm 11:1-6,10-23, 31-34.

O livro de Êxodo apresenta um quadro da salvação plena de Deus. Nesta, dois pontos
são cruciais. O primeiro é que Deus quer ser tudo para o Seu povo escolhido. Quer
trabalhar Sua própria pessoa dentro daqueles que para Si predestinou. Em segundo lugar,
levando em conta que Ele quer ser tudo para nós, Ele também não quer que façamos nada.
Pelo contrário, quer fazer tudo em nosso lugar.
Quando aplicamos esses dois pontos ao livro de Êxodo, percebemos que o próprio Deus
tratou com Faraó e com os egípcios. Não pediu aos filhos de Israel que lutassem para
serem libertados da tirania egípcia. Fez tudo para provocar a derrota total dos egípcios. Ao
confrontar-se com Faraó, tudo o que Moisés possuía era uma vara, um bastão morto. Deus,
realizou tudo para o Seu povo.
Precisamos atentar àquilo que Deus fez por Seu povo em menos de quarenta dias.
Mandou as pragas sobre os egípcios e, na noite da páscoa, matou os primogênitos.
Libertou depois, os filhos de Israel da mão de Faraó e os conduziu pelo Mar Vermelho,
onde o exército egípcio foi afogado. Além disso, levou o povo a Mara, onde transformou a
água amarga em doce. Guiou-os, posteriormente, em direção a Elim onde havia doze
fontes e setenta palmeiras.

I. A CONCUPISCÊNCIA ÁVIDA DO POVO

De acordo com 16:1, a congregação dos filhos Israel "veio para o deserto de Sim... aos
quinze dias do segundo mês, depois que saíram da terra do Egito". A páscoa aconteceu no
décimo quarto dia do primeiro mês. Por isso o registro do capítulo 16 descreve o que
ocorreu apenas nos trinta e um dias posteriores à páscoa. Ao percebê-lo pela primeira vez,
fiquei muito surpreso. Durante esse curto período de tempo, o povo de Deus presenciou
muitos milagres. Não ficaram, todavia, adequadamente impressionados com a suficiência
do Senhor. A páscoa foi um grande acontecimento, e a travessia do Mar Vermelho foi algo
ainda maior. Além disso, as experiências de Mara e Elim foram significativas. Entretanto,
quando foi ao deserto de Sim, e murmurou, e desejou as panelas de carne do Egito, o povo
parecia não ter tido experiência nenhuma.
Poucos leitores de Êxodo deram atenção adequada ao capitule 16. Esse capítulo, na
verdade, é maior do que o capítulo 12 ou 14. Naquele, temos a páscoa; no quatorze, a
travessia do Mar Vermelho; e, no dezesseis, o comer do maná. O comer do maná indica
que o povo de Deus atingiu o ponto em que começou a ser um povo celestial, um povo
cuja natureza começava a ser transformada com o elemento celestial.
Vários milagres nas Escrituras foram efetuados com as coisas físicas da criação de Deus.
O Senhor Jesus, por exemplo, alimentou a multidão com os pães e peixes (Mt 14:19). Mas
será que podemos dizer que o maná do capítulo 16 era um item da velha criação de Deus?
Nenhum estudioso pode dizer-nos qual era a substância ou o elemento do maná. Qual-

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quer que fosse sua substância, certamente não pertencia à velha criação. Na velha criação
não existe coisa tal como o maná.
No capítulo 16, há dois milagres: o envio das codornizes e o envio do maná. As codor-
nizes pertencem à velha criação. Um vento soprou da parte do Senhor e as trouxe (Nm
11:31). Isso, sem dúvida, foi um milagre, mas realizado através de coisas naturais e físicas.
O envio do maná, entretanto, foi diferente: veio do céu (Êx 16:4). Embora saibamos dessa
sua proveniência, não sabemos qual era o seu elemento constituinte. Não podemos dizer
qual era a sua essência, mas estamos cientes de que era uma comida diferente de toda
comida terrena. Participar do maná era ter uma dieta celestial. Essa comida celestial não
pertencia à velha criação.
As pessoas, invariavelmente, vivem de acordo com o que comem. Os nutricionistas
dizem-nos que somos o que comemos. Se comermos muito peixe, por exemplo, tornar-
nos-emos uma composição de peixe. Dia a dia, por um período de quarenta anos, os filhos
de Israel comeram maná. Como resultado, sua constituição era de maná. Podemos até
mesmo dizer que eles se tornaram maná. Embora não conheçamos sua essência, sabemos
que era esse o tipo de comida que levava o povo a se tornar celestial. Pelo comer dessa
comida celestial, tornamo-nos um povo celestial.
Ao dar ao Seu povo maná para comer, Deus indicava que Sua intenção era mudar-lhes
a natureza. Ele queria mudar-lhes o ser, a própria constituição. Eles já haviam passado por
uma mudança de lugar. Antes estavam no Egito; agora estavam com o Senhor no deserto,
um lugar de separação. Mas não basta a mudança de lugar, porque ela é muito exterior e
objetiva. Deve haver também uma mudança interior e subjetiva uma mudança de vida e
natureza. A maneira de Deus produzir tal mudança em Seu povo é pela dieta deles. Por
comer a comida egípcia, o povo de Deus constituiu-se com o elemento do Egito. O elemen-
to do mundo tornou-se a sua composição. Quando estavam no Egito, não participavam de
nada celestial, pois tudo o que comiam estava de acordo com a dieta egípcia e era egípcia
em natureza. Embora retirado do Egito e introduzido no deserto de separação, o povo de
Deus ainda estava constituído com o elemento do Egito. A Sua intenção agora era mudar-
lhes o elemento, modificando-lhes a dieta. Ele não queria que comessem coisa alguma
proveniente de uma fonte mundana. Já não lhes era mais permitido comer comida egípcia.
Deus queria alimentá-los com a comida do céu, a fim de constituí-los com o elemento
celestial. O Seu desejo era preenchê-los, satisfazê-los e saturá-los com a comida celestial, e
através disso torná-los um povo celestial.
Antes de enviar o maná do céu, Deus mandou as codornizes (16:13). Estas fizeram com
que o povo ficasse ainda mais carnal. A natureza e a substância das codornizes corres-
pondia à natureza e substância dos filhos de Israel. Com o maná, porém, isso não
acontecia, pois ele era de um outro tipo, de um outro reino e lugar. Assim, ao enviar o
maná, Deus mostrou que Sua intenção era mudar a composição de Seu povo. Ele não se
satisfaz com uma mera mudança de lugar. Também deve haver uma mudança de
constituição. Nós, povo de Deus da atualidade, somos uma composição de coisas terrenas,
uma composição do elemento egípcio. O objetivo de Deus, portanto, não é simplesmente
modificar o nosso comportamento, mas mudar o nosso ser interior, a própria origem
interna de nossa constituição. Embora a substância do Egito faça parte de nós, Deus
tenciona constituir-nos com um elemento celestial. É-nos vital vislumbrar isso.
Deus sabia que os filhos de Israel necessitavam de comida. Se tivessem fé no Senhor,
ter-se-iam encorajado um ao outro a simplesmente descansar Nele. E diriam: "O nosso
Deus conhece a nossa necessidade. Não há motivo de murmúrios nem queixas. Confiemos
Nele e descansemos. Lembremo-nos do que Ele fez por nós em dias recentes. Tratou com
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Faraó, matou os primogênitos, derrotou os egípcios, conduziu-nos através do Mar Verme-
lho e supriu todas as nossas necessidades." Mas, em vez de exercitar fé no Senhor, os filhos
de Israel aparentemente se esqueceram de tudo o que Ele lhes fizera. Em vez de louvá-Lo e
agradecer-Lhe por Seus feitos, murmuraram e se queixaram. As suas palavras foram
ásperas e horrendas, quando disseram a Moisés: "Quem nos dera tivéssemos morrido pela
mão de Jeová na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, e
comíamos pão a fartar! pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome a toda
esta multidão (16:3, hebraico). Até mesmo Moisés foi tocado pelo murmúrio do povo. Isto
se prova pelo fato de ele dizer: "pois que somos nós para que murmureis contra nós?"
(16:7). Ao proferir tal palavra, ele não foi vitorioso. Pelo contrário, isso foi um sinal de que
ele fora derrotado ao ser tocado pelas murmurações do povo. Se eu fosse ele, diria uma
palavra ainda mais forte, tal como: "Vocês se esqueceram de tudo o que lhes tenho feito?
Lembram-se das panelas de carne, mas não se lembram da tirania, do labor e dos sofri-
mentos no Egito. Tirei-os daquela tirania. Por que murmuram contra mim?" Comparado a
nós, ele foi vitorioso; mas não o foi de maneira absoluta.
Já enfatizamos que, em Sua salvação, Deus tenciona sermos tudo e fazer tudo por nós.
Ele é real, vivo, fiel e resoluto. Porque tem um objetivo em Sua salvação, não há neces-
sidade de Lhe pedirmos que tenha misericórdia de nós e que nos salve. Ele está traba-
lhando por nós e conhece todas as nossas necessidades. Se O conhecermos a Ele e aos Seus
caminhos, não nos queixaremos nem murmuraremos quando tivermos uma necessidade.
Pelo contrário, diremos: "Louvado seja o Senhor! Ele conhece todas as nossas necessidades.
Se Ele quer que não tenhamos uma refeição, então façamos um jejum com louvor e júbilo
diante de Sua pessoa. Mesmo se Ele retiver a comida por muitos dias, ainda assim nos
rejubilaremos. Ele conhece a nossa necessidade e enviará o suprimento na hora certa. Se
decidir que jejuemos, em vez de festejar, ainda assim O louvaremos. Ele sabe o que é
melhor para nós. Aceitemos com júbilo tudo o que Ele nos dá".
Se fosse essa a atitude dos filhos de Israel, Deus não enviaria as codornizes. Simples-
mente mandaria o maná, bem cedo, na manhã seguinte. O Seu propósito ao enviar o maná
era mudar a constituição do Seu povo. O maná produz uma mudança metabólica, em que
o elemento egípcio é substituído pelo celestial. Esse "metabolismo celestial leva o povo de
Deus a ser transformado. Em rótulo, os filhos de Israel não eram egípcios; mas, em
natureza e composição, não diferiam deles um pouco sequer. Ao dar o maná ao povo,
Deus parecia dizer: "Salvei-os posicionalmente do Egito, mas vocês ainda não foram
mudados quanto à maneira de ser. Vou mudar-lhes agora a constituição, transformando
sua dieta egípcia em celestial. Desse modo, mudar-lhes-ei a natureza e o ser, e os tornarei
um povo peculiar. Porque quero que sejam celestiais, não os alimentarei com nada que
tenha origem na terra. Enviarei, diariamente, uma comida celestial, uma comida do Meu
lugar de habitação no céu. Ela lhes mudará a composição". Que todos vejamos que a
intenção de Deus em Sua salvação é trabalhar-Se dentro de nós e mudar nossa consti-
tuição, alimentando-nos com a comida celestial.

II. O TRATAMENTO DE DEUS

Veremos agora como Deus tratou o Seu povo quando murmuravam e se queixavam da
falta de comida. Ao considerarmos esse ponto, precisamos perceber que todos, tendemos a
compreender a Bíblia de maneira natural. De acordo com nossa compreensão natural,
podemos pensar que em Êxodo 16, Deus estava simplesmente testando os filhos de Israel.
Podemos acreditar que Ele reteve, por vontade própria a comida, a fim de testar Seu povo
19 | P á g i n a
e expor a sua falta de fé. Alguns até mesmo poderão fazer referência a Hebreus 3:12 que
fala de um perverso coração de incredulidade. De acordo com esse ponto de vista os filhos
de Israel não tiveram fé suficiente para esperar, confiar e descansar em Deus, nem para
louvá-Io. Por causa de um perverso coração de incredulidade, eles se queixaram. Por esse
motivo, Deus os repreendeu. Então enviou codornizes à tarde e o maná de manhã. Então
enviou codornizes à tarde e o maná de manhã.
Essa compreensão de Êxodo 16 é muito superficial. Para se entender o capítulo dessa
maneira, não se exige a iluminação do Espírito Santo. Os que apreendem esse trecho desse
modo, poderão ler a Bíblia como uma criança de nível primário, que lê as palavras, mas
nada possui além de um conhecimento natural e superficial do que está lendo.
Se tivermos visão espiritual, perceberemos que Êxodo 16 revela a vontade do povo
redimido por Deus no sentido de querer viver uma vida natural. A Sua intenção, porém,
era de que eles viverem uma vida celestial. Desejando viver de maneira semelhante a do
Egito, o povo lembrou-se de como se sentava junto às panelas de carne, desfrutando da
comida egípcia. Mas a vontade de Deus era que eles já não mais comessem de tal alimento.
Queria que mudassem sua dieta e vivessem uma vida celestial. Desejava que se esque-
cessem da dieta egípcia e participassem da comida celestial, um tipo de comida que
ninguém jamais comera antes. Deus parecia dizer a Seu povo: "Até agora, ninguém comeu
comida celestial. Quero fazer de vocês um povo celestial, quero que tenham uma vida
celestial e que vivam de acordo com ela. A partir de agora, alimentá-los-ei com uma dieta
celestial."
Ao ler a Palavra, aprendi a não confiar em minha compreensão natural. Ao chegar a
esse capítulo de Êxodo, não fiquei satisfeito com a compreensão natural dessa porção. Eu
não quero tomar o tempo dos irmãos, falando de acordo com o conceito natural. Por isso
disse ao Senhor: "Se quiseres que eu fale deste capítulo, precisas dar-me a Tua luz e a Tua
visão. Mostra-me o que está em Tua mente a respeito dele." Enquanto orava, atentei ao
Senhor e considerei este capitulo à Sua presença, e a luz começou a brilhar. Sob o brilho da
luz, percebi que o ponto crucial aqui é que, embora o Seu povo quisesse continuar vivendo
a velha vida egípcia, a intenção de Deus era levá-lo a viver um outro tipo de vida. Porque
o Seu alvo era mudar-lhes a dieta, Ele não lhes enviou comida imediatamente após
entrarem no deserto. Em Sua sabedoria, Deus, por vontade própria, demorou a providen-
ciar-lhes comida. Se lhes tivesse mudado antes a dieta deles não teriam ficado adequada-
mente impressionados. Ele percebeu que, se esperasse até que tivessem uma necessidade e
então enviasse o maná celestial, ficariam impressionados de maneira mais profunda e
duradoura.
Os filhos de Israel se alimentaram de maná no deserto por um período de quarenta
anos. A Bíblia nos diz que somente duas vezes tiveram problemas a esse respeito. Em
Êxodo 16, o povo foi disciplinado por Deus. Essa disciplina treinou-os a não desejarem a
dieta egípcia. Mas, de acordo com Números 11, um ano mais tarde, o povo novamente
teve desejo daquela comida. Após serem disciplinados por Deus mais severamente em
Quibrote-Taavá, já não tiveram quaisquer problemas com a dieta celestial por Ele provi-
denciada. Deus certamente era um bom Pai para Seu povo. Primeiramente, os filhos de
Israel foram disciplinados no deserto. Depois, um ano mais tarde, aconteceu o mesmo em
Quibrote-Taavá. Se Ele enviasse o maná antes de o povo chegar ao deserto, não o teriam
apreciado, e provavelmente, nada aprenderiam. Após chegarem ao deserto e perceberem
que não havia comida, começaram a murmurar e a queixar-se. Na tarde daquele dia, Deus
enviou codornizes, a fim de satisfazer sua concupiscência. Na manhã seguinte, o maná
veio. Sem dúvida, isso os impressionou profundamente.
20 | P á g i n a
A. Satisfazendo a sua Concupiscência com Codornizes

A comida do Egito convinha à carne do povo de Deus. Quanto mais a ingeriam, mais
carnais se tornavam, pois aquela dieta se harmonizava com a carne do povo e a nutria. O
maná, porém, era uma comida de outro tipo. Vinha do céu e fazia com que os que o
comessem se tornassem celestiais. Quando murmuravam os filhos de Israel no deserto, tal
murmurar estava de acordo com sua carne. Isso significa que reclamavam segundo o
velho "ego", de acordo com o velho homem. Em seu murmurar, não estavam vivendo
como o povo redimido por Deus, mas como um povo natural.
A carne aqui não significa apenas a parte de concupiscência do nosso ser, mas a totali-
dade do nosso ser caído, do nosso velho homem. Embora o povo de Deus fosse redimido,
eles ainda viviam como egípcios, como quem não fora por Ele redimido. Por isso Deus
enviou codornizes, a fim de satisfazer-lhes as concupiscências carnais. A primeira vez que
as mandou se registra em Êxodo 16. Embora disciplinasse o povo, Sua disciplina nessa
ocasião não era severa. Na segunda vez, "se acendeu a ira de Jeová contra o povo, e o feriu
com praga mui grande" (Nm 11:33, hebraico). Números 11:34 prossegue dizendo: "Pelo
que o nome daquele lugar se chamou Quibrote-Taavá, porquanto ali enterraram o povo
que teve o desejo das comidas dos egípcios". Quibrote-Taavá significa "tumbas da concu-
piscência".
Antes de ferir o povo com grande praga, Deus enviou codornizes em abundância. De
maneira miraculosa, alimentou-os com codornizes por trinta dias (Nm 11:19-20). Em
Números 11:31, encontramos uma descrição do vasto número de codornizes: "Então
soprou um vento de Jeová, e trouxe codornizes do mar, e as espalhou pelo arraial quase
caminho de um dia, ao seu redor, cerca de dois côvados sobre a terra" (hebraico). Que
abundância de codornizes! A princípio, as pessoas ficaram alegres. Mas, por fim, as codor-
nizes se lhes tornaram um fastio, porque tinham de comê-las até a carne sair por suas
narinas (Nm 11:20). Em Números 11:33, lemos: "Estava ainda a carne entre seus dentes,
antes que fosse mastigada, quando acendeu a ira de Jeová contra o povo" (hebraico).
Precisamos aplicar o registro de Números 11 à nossa experiência. Se continuarmos a ter
desejos de coisas mundanas após sermos salvos, Deus no-las poderá dar. Suponha, por
exemplo, que você deseje um carro novo. Deus poderá dá-lo a você, a fim de satisfazer-lhe
a concupiscência, mas Ele não ficará feliz em fazê-lo. Pelo contrário, dará o que você
deseja, para mostrar-lhe a Sua glória, a Sua ira e a Sua suficiência. Da mesma maneira
como enviou codornizes em abundância aos filhos de Israel, poderá conceder-lhe tantos
carros, a ponto de se tornarem uma abominação para você. Deus lhe dará o que você
deseja, mas você poderá experimentar o Seu descontentamento. Mais cedo ou mais tarde,
os próprios carros que você desejou se lhe tornarão em aborrecimento.
Conheci alguns cristãos que tinham um grande amor por dinheiro quando ainda jovens
cristãos. Mas, depois que se tornaram ricos, o dinheiro que amavam tornou-se-lhes abomi-
nável. Além disso, sofreram morte espiritual. Todos os cristãos hoje precisam ouvir o ensi-
namento das Escrituras a esse respeito.
Quero encorajar todos os irmãos a não amarem o mundo e a não terem desejos segundo
a carne por coisas mundanas; isso, porém, é exatamente o que muitos cristãos fazem hoje.
Para satisfazer suas concupiscências, eles perseguem as coisas do Egito. Deus pode
permitir que obtenham o que desejam, mas isso não é um sinal positivo. Não pense que, se
Ele lhe der o que deseja, significa que concorda com você, que está contente com você, ou
que pretende edificá-lo. Pelo contrário, esse é um sinal de Sua ira e desprazer. A maioria

21 | P á g i n a
dos cristãos, hoje, foram atingidos por Deus em Sua ira. Por isso com eles não há vida,
somente morte espiritual.
Espero que todos os irmãos na restauração do Senhor, principalmente os jovens, apren-
dam a esquecer o mundo e a não ter desejos por coisas egípcias. O Deus que nos salvou é
real, vivo, fiel e resoluto, e Ele cuidará de nossas necessidades. Não é preciso desejarmos
coisas mundanas. Já não somos mais pessoas mundanas. Somos o povo escolhido por
Deus, e Ele quer que vivamos uma vida celestial. Posso testificar que o Senhor é fiel e
digno de nossa confiança. Através de minha experiência, aprendi a não agir de acordo
comigo mesmo. Qualquer coisa que eu faça em mim mesmo Lhe desagradará. Digo nova-
mente que o Senhor quer ser tudo para nós e fazer tudo por nós. É o Seu desejo dar-nos
alimento celestial, fazer chover maná sobre nós. Pela participação dessa comida celestial,
seremos um povo celestial, vivendo uma vida celestial. Isso nos fará totalmente diferentes
do povo do mundo.

B. Mostrando ao Povo a Sua Glória

Por meio da disciplina de Deus, os filhos de Israel viram a Sua glória, mas não a viram
de maneira agradável. Na mensagem anterior, enfatizamos que, frequentemente, ao mur-
murarmos contra o Senhor, Sua glória nos aparece. Mas quando somos corretos com Ele,
Sua presença pode não parecer particularmente perceptível. Nas reuniões da igreja, por
exemplo, você pode não sentir a presença do Senhor de maneira especial; mas, se tentar
entregar-se a alguma forma de entretenimento mundano, terá a forte percepeção da Sua
presença. O Senhor, em seu interior, pode ficar muito ativo, até mesmo irritado. Essa é a
glória do Senhor lhe aparecendo. Quando faz Sua vontade, pode não senti-Lo com você;
mas ao desobedecer-Lhe, terá a clara impressão de que está com você. Essa é a aparição da
Sua glória, mas não da maneira positiva.

C. Mostrando ao Povo a Sua Suficência.

Além disso, normalmente, através de algum tipo de experiência negativa, muitos de nós
chegamos a conhecer a suficiência do Senhor. Aprendemos, talvez de maneira vergonhosa,
que Ele é, em realidade, suficiente. Um irmão do Extremo Oriente, por exemplo, pode
chegar muito pobre a este país; mas, alguns anos mais tarde, tem um diploma de doutor e
um bom emprego. Ele agora pode testificar a suficiência de Deus. Outros podem testificar
que, embora quisessem uma casa de três quartos, Deus lhes deu uma de cinco. Nesse
ponto, Deus mostrou-lhes Sua suficiência. Ele, todavia, não o fez de maneira positiva, mas
negativa.
Com o Senhor não há escassez; em Números 11, porém, Moisés não o percebeu. Ele
disse ao Senhor que o povo se constituía de seiscentos mil homens de pé (v. 21). Conti-
nuou, perguntando ao Senhor; "Matar-se-ão para eles rebanhos de ovelha e de gado, que
lhes bastem? ou se ajuntarão para eles todos os peixes do mar, que lhes bastem?" (v. 22).
Percebemos aqui que Moisés imaginava como Deus haveria de suprir carne para seis-
centos mil homens mais mulheres e crianças por um período de trinta dias. De acordo com
o versículo 23, o Senhor respondeu a Moisés: "Ter-se-ia encurtado a mão de Jeová? Agora
mesmo verás se te cumprirá ou não a minha palavra" (hebraico). O Senhor não precisava
de rebanhos, manadas ou peixes. Sua intenção era enviar uma grande quantidade de co-
dornizes.

22 | P á g i n a
Muitos de nós podemos testificar que, após sermos salvos, recebemos o que desejá-
vamos. Na verdade, recebemo-lo em tal abundância, que saiu pelas nossas narinas e
levou-nos a sofrer morte espiritual. Quanto mais carros e casas um irmão tiver, por
exemplo, com mais problemas ele deparará. Por fim, essas coisas se lhe tornarão aborrece-
doras. Embora de maneira negativa, chegamos a ver que o Senhor é suficiente. Adoramo-
Lo então por Sua suficiência.
Como os filhos de Israel em Números 11, precisamos perceber a ira e a suficiência de
Deus. Então realmente saberemos que Ele é fiel para ir ao encontro das nossas necessida-
des. Em verdade, podemos, às vezes, ter muito mais do que precisamos. Mas, cedo ou
tarde, aprenderemos a não desejar coisa alguma. Poderemos até mesmo chegar a dizer ao
Senhor que não queremos mais carros nem casas. Em outras palavras, não queremos mais
codornizes. Pelo contrário, estaremos contentes com o maná celestial. O maná vem de ma-
neira simples e jamais causa problemas.
No início de seus anos de deserto, os filhos de Israel aprenderam a não desejar a comida
egípcia. Por um ano, não tiveram problemas com a sua dieta de maná. Mas, ao se quei-
xarem novamente, Deus os disciplinou e treinou de maneira severa. Depois dessa disci-
plina, eles aprenderam uma lição eterna. Daquele dia em diante, satisfizeram-se com a
dieta celestial. Continuaram a alimentar-se de maná por mais de trinta e oito anos. Você já
aprendeu a ficar satisfeito com a comida celestial e a não desejar as coisas do Egito? Como
povo redimido por Deus, não deveríamos desejar as coisas do mundo. Precisamos perce-
ber que o nosso Deus é real, vivo, fiel e resoluto. Porque nos salvou com um propósito,
certamente nos guiará e cuidará de nós à Sua maneira. Não é preciso nos preocuparmos
com as coisas, nem as desejarmos. Ele conhece todas as nossas necessidades e as satisfaz
na hora certa segundo a dieta celestial.
Quanto mais desfrutamos da comida que o Senhor nos envia, mais celestiais nos
tornamos. Esqueçamo-nos das panelas de carne do Egito e fiquemos felizes e satisfeitos
com a dieta celestial. Desfrutemos do suprimento celestial de Deus, de modo que possa-
mos ser um povo celestial em todos os sentidos, Então, embora andemos num deserto
terreno, seremos um povo celestial com uma dieta celestial. A fonte do nosso suprimento
não está na terra — está nos céus. A cada dia, Deus faz chover a comida celestial sobre nós,
de modo que possamos dela comer e tornarmo-nos um povo celestial.
A maneira de Deus tratar com a carne de Seu povo é mudar-lhe a dieta. Esse é o verda-
deiro tratamento da carne do povo de Deus. Deparando de maneira superficial com esse
ponto do tratar com a carne de maneira superficial, alguns mestres cristãos dizem ser ela
tratada pela cruz. Mas, continuando, como um todo ou sendo cortada em pedaços, ela
ainda permanece carne. O tratamento correto da carne vem através da mudança de dieta.
Quando estavam no deserto, os filhos de Israel queriam viver à velha maneira; dese-
javam as comidas do Egito. De acordo com Números 11:5, eles disseram: "Lembramo-nos
dos peixes que no Egito comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres,
das cebolas e dos alhos". Essa dieta egípcia constituiu o povo com o elemento do Egito, um
elemento que correspondia à sua carne. A intenção de Deus não é apenas tratar com a
carne de Seu povo, mas também fazer com que ela seja deixada de lado. O seu desejo é dar
ao Seu povo uma outra dieta e através dela reconstituí-los. Em Êxodo 16, notamos que sua
dieta já não mais consistia em comidas do Egito, mas tão somente em comida celestial.
Essa é a maneira de Deus tratar com a carne.
Como seres caídos, nós, na totalidade de nossa natureza caída, nada somos senão carne.
Mesmo se essa carne for cortada em pedaços, permanecerá carne. A maneira de Deus tra-
tar com ela é colocá-la de lado e não alimentá-la. Por isso Ele muda a dieta de Seu povo e
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lhes envia comida de que sua carne não gosta. Mudando-lhes a dieta e alimentando-os
com o maná do céu, Ele os faz ter uma constituição diferente. Esse é o ponto crucial de
Êxodo 16. Nesse capítulo, percebemos a mudança de dieta, que resulta na reconstituição e
transformação do povo escolhido por Deus.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E QUATRO

A MUDANÇA DE DIETA

Leitura da Bíblia: Êx 16:1-5, 13:31, 35; Nm 11:1-9, 16-20, 31-34; Jo 6:27, 31-35, 48-51, 57-58

Nesta mensagem, consideraremos a mudança de dieta mencionada no capítulo 16. Não


há nada tão crucial em todo o livro de Êxodo quanto essa passagem. Vimos, anteriormen-
te, a importância da páscoa no capítulo 12. Esta implica em redenção e regeneração,
porque nela temos o sangue do cordeiro para redenção e a sua carne para vida. Assim,
com a páscoa temos a redenção e a vida, dois pontos básicos. Em Êxodo 12, porém, não
analisamos o ponto decisivo da mudança de dieta. A intenção de Deus é mudar nossa
constituição, isto é, Ele pretende reconstituir-nos. Poucos leitores deste livro perceberam
que a reconstituição do povo de Deus está implícita no capítulo 16. O ponto crucial neste
capítulo é que Deus pretende reconstituir Seu povo redimido, mudando-lhe a dieta.
Êxodo apresenta uma figura clara da salvação de Deus, uma figura que não se encontra
em nenhum outro livro da Bíblia, nem mesmo nas epístolas de Paulo. Esse quadro nos
mostra que, em Sua salvação, Deus deseja trabalhar-Se dentro de nós, para ser tudo para
nós. Ele quer ser o nosso tudo, de modo que possamos ser edificados como Sua habitação
na terra. Para retratar isso, Êxodo se conclui com o estabelecimento do tabernáculo como a
habitação para a glória de Deus.
Para o cumprimento de Seu propósito, Deus não quer que Seu povo redimido seja algo
nem faça coisa alguma. Para que sejamos Sua habitação, Ele quer ser tudo para nós e fazer
tudo por nós. Isso indica que não devemos ser alguém nem fazer coisa alguma. Você está
disposto a ser ninguém? Você está também disposto a cessar de agir? Duvido que muitos
cristãos possam responder a essas perguntas de maneira positiva. Quando vivíamos no
mundo, não tínhamos um coração para o Senhor e não nos preocupávamos em fazer nada
para Ele. Mas, após entrarmos para a Sua restauração, imediatamente tivemos o desejo de
nos tornar algo ou de fazer alguma coisa por Ele. Isso ocorre tanto com os jovens quanto
com os velhos. Os velhos têm muitos planos e os jovens têm muito desejo e energia.
Embora queiramos ser algo e fazer tanto quanto possível, Deus dirá: "Não quero que você
faça nada nem quero que você seja coisa alguma. Deixe-me fazer e ser tudo para você."
Ao considerarmos essa figura da salvação de Deus, apresentada em Êxodo, notamos
que os filhos de Israel não deviam fazer nem ser coisa alguma. Sempre que faziam algo, o
Senhor se ofendia, até mesmo quando faziam algo de bom. Ele simplesmente queria que o
povo estivesse à Sua mão, de modo que pudesse trabalhar-Se dentro deles. Se tivermos
uma compreensão clara disso, teremos uma base sólida para entender o livro de Êxodo.
Quando chegamos ao capítulo 16, verificamos a importância da reconstituição. No
capítulo 12, o povo de Deus foi redimido, e no 14, foi libertado. Mas, embora redimidos,
salvos, resgatados e libertos, e embora suas necessidades tivessem sido supridas, ainda era
preciso serem reconstituídos. O povo de Deus necessita de uma nova constituição. O
ponto principal do capítulo 16 não é a redenção, a libertação e nem mesmo o suprimento,
o ponto primordial desse capítulo é a reconstituição através de uma mudança de dieta.
Embora os filhos de Israel tivessem sido redimidos e libertos, ainda eram egípcios em

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sua constituição. As células e as fibras de seu ser eram egípcios em natureza. No que diz
respeito à constituição, não havia diferença entre eles e os egípcios. Eles haviam sido
salvos, redimidos, resgatados e supridos, mas sua constituição era exatamente a mesma
daquele povo. Deus jamais poderia usar esse material para Sua habitação celestial.
O desejo de Deus é utilizar o Seu povo como o material para a edificação de Sua
habitação na terra. Contudo, apesar de o povo já não estar mais no Egito, ele ainda era
egípcio em sua constituição. O seu tecido era egípcio. Era uma composição desse ele-
mento, porque crescera no Egito e fora criado com a dieta egípcia de pepinos, melões,
cebolas e alho.
Tudo o que eles comiam era egípcio. A intenção de Deus não é introduzir uma porção
de egípcios redimidos nos céus, Ele pode libertar do Egito os que têm uma constituição
egípcia, mas não haverá de introduzi-los na Sua habitação. A fim de ser o material para
Sua habitação, o Seu povo deve ser reconstituído. Como os filhos de Israel, fomos hoje
libertados do Egito, do mundo, mas em nossa natureza e constituição ainda somos mun-
danos. Por isso nos é necessário compreender o ponto crucial do capítulo 16 sobre a
mudança de constituição.
Na época em que introduziu o Seu povo no deserto, Deus estava pronto a mudar-lhes a
constituição. Essa era a razão de não os suprir imediatamente com comida. Ao marcharem
para fora do Egito, carregaram consigo determinada quantidade de comestíveis egípcios.
Esse suprimento de comida sustentou-os durante mais ou menos um mês. Quando sua
comida egípcia acabou, o povo careceu de alimento. Embora conhecesse sua necessidade,
Deus não agiu imediatamente para ir ao encontro dela. Este é frequentemente, o princípio
de Deus ao trabalhar conosco. Ele sabe que precisa fazer algo para nós, mas não o faz, por
perceber que, se agir prematuramente, não seremos expostos. Por isso, em Êxodo 16, es-
perou silenciosamente nos bastidores, até que os filhos de Israel fossem expostos. Após
comer os últimos alimentos egípcios e não ter nada mais para a refeição seguinte, o povo
ficou atribulado. Ficaram tão aborrecidos, que se esqueceram dos milagres que Deus
fizera, e murmuraram e se queixaram a Moisés e Arão. Como já enfatizamos, ao murmu-
rarem, foram bem eloquentes. Mas, ao murmurarem e se queixarem, foram expostos. Duas
coisas a seu respeito foram expostas: que estavam constituídos pelo elemento egípcio e
que seu apetite, fome, sede e desejo ainda eram egípcios. Ao murmurarem, expressaram
seu desejo pela comida egípcia: "Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão de Jeová na
terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, e comíamos pão a
fartar!" (16:3, hebraico). Isso prova que o apetite deles era egípcio.
Suponha que Deus fizesse chover o maná antes de os filhos de Israel chegarem ao
deserto de Sim, e lá estivesse esperando por eles. Nesse caso, o povo não teria sido expos-
to, mas simplesmente comeria do maná; e o problema de sua constituição e apetite
egípcios não teria vindo à luz. Portanto, em Sua sabedoria, Deus não enviou o suprimento
celestial de maná até que o povo fosse exposto por meio da falta de alimentação.
Toda vez que estamos desnutridos somos expostos. Se estivermos sempre adequada-
mente supridos, muitas coisas permanecerão cobertas. Mas, quando nos falta a alimen-
tação adequada, somos invariavelmente expostos. Quando estão satisfeitos com boa
comida, a maioria das pessoas não pensa em roubar. Mas, se houver uma severa falta de
comida, muitas delas, educadas e cultas, tornar-se-ão ladras. Serão expostas devido à falta
de comida. De acordo com o registro de Êxodo 16, Deus não deu a Seu povo nada para
comer enquanto este não foi exposto. Era necessário que sua fome, apetite, desejo e
constituição egípcios fossem trazidos à luz.
Depois de o povo ser exposto, Deus apareceu para satisfazer sua concupiscência,
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enviando codornizes à tarde. De acordo com 16:12, o Senhor disse a Moisés: "Tenho
ouvido as murmurações dos filhos de Israel; dize-lhes: Ao crepúsculo da tarde comereis
carne, e pela manhã vos fartareis de pão e sabereis que eu sou Jeová vosso Deus"
(hebraico).
Precisamos ver o significado de Deus enviar as codornizes e o maná. Mandou as
codornizes para satisfazer o apetite egípcio do povo, mas enviou o maná para reconstituí-
lo. Além disso, com o envio das codornizes não havia regulamentos nem restrições. Deus
não disse ao povo a quantidade que deveriam juntar nem como fazê-lo. Elas foram man-
dadas de maneira livre e irrestrita, pois a carne não quer ter qualquer restrição. Em outras
palavras, porque a dieta egípcia não tem restrições, as codornizes foram enviadas de
acordo com ela, sem restrição nem regulamento. Os que comeram as codornizes não eram
restringidos nem regulados de modo algum. O envio do maná, pelo contrário, foi acompa-
nhado por vários regulamentos.
Alguns, podem ficar surpresos ao ouvir falar de regulamentos vindos juntamente com o
envio do maná. De acordo com sua compreensão, não há regulamentos com a graça. Na
verdade, há mais regulamentos com a graça do que com a lei. Se uma pessoa vive fora da
vida divina, ela pode ser seivagem e não ter restrições. A vida de Deus, entretanto, regula
e restringe. Quanto mais corretos formos adequados na vida, mais regulados seremos.
Tome o exemplo de dirigir um carro. Se o fizer sem regulamentos, você se arrisca a envol-
ver-se em sérios acidentes, podendo até mesmo morrer.
Os regulamentos sobre o envio e o comer do maná podem ser também ilustrados pela
observância das maneiras à mesa. Soube que algumas nacionalidades, como os ingleses e
os alemães, por exemplo, prestam muita atenção às maneiras corretas à mesa. Embora não
nos preocupemos com elas como um fim em si mesmo, precisamos ter certos regula-
mentos para comer corretamente. É-nos muito difícil desfrutar de nossa comida, se não
comemos de maneira correta. Você, por exemplo, pode ter gozo pleno de comer um bife
tentando cortá-lo com uma colher? Quanto mais corretos formos em comê-lo, mais desfru-
taremos dele. Não deveríamos ter a atitude de negligenciar os regulamentos ao comer,
preocupando-nos somente com a comida.
Percebemos que as codornizes foram enviadas absolutamente sem qualquer regula-
mento. Cobriam o acampamento, e os filhos de Israel reuniam-nas da maneira como
queriam. O envio do maná, entretanto, foi diferente. Para juntá-to, o povo tinha que levan-
tar cedo e colhê-lo antes de o sol esquentar. Além disso, em vez de coletar o maná de
maneira desenfreada, o povo era restringido ao juntá-lo. Em 16:16, encontramos a seguinte
ordenação do Senhor: "Colhei disso cada um segundo o que pode comer, um ômer por
cabeça, segundo o número de vossas pessoas; cada um tomará para os que se acharem na
sua tenda". Isso indica que Deus quer que cooperemos com os Seus regulamentos. Quando
o fazemos, na verdade estamos cooperando com o próprio Deus e somos um com Ele.
Obedecer aos regulamentos de Deus significa que somos como Ele e estamos de acordo
com Sua pessoa.
Encontramos um outro regulamento sobre o maná em 16:19, onde Moisés encarregou o
povo de não deixar qualquer quantidade deste para a manhã seguinte. Os que desobede-
ceram a esse regulamento descobriram que o maná "deu bichos e cheirava mal" (v. 20).
Além disso, aos filhos de Israel foi ordenado que no sexto dia juntassem "pão em dobro,
dois ômeres para cada um" (v. 22), pois não deveriam colhê-lo no sábado. Esses regula-
mentos também indicam que comer maná é estar de acordo com Deus.
Comer codornizes torna as pessoas selvagens e sem restrições, mas comer maná regula-
as e as leva a serem de acordo com Deus. Os que estão sendo constituídos hão de ser regu-
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lados. EIes se levantarão para juntar maná acordo com a ordenação de Deus, e juntá-lo-ão
segundo a Sua maneira e não conforme a própria cobiça. Deus não nos permite ser pregui-
çosos nem cheios de cobiça. Devemos ser diligentes, mas não devemos juntar o maná de
acordo com nossa cobiça. Aqueles dentre os filhos de Israel que juntaram quantidade
maior, ainda assim não receberam mais do que um ômer.
Espero que todos entendam o fato de que comer maná leva-nos a corresponder a Deus.
Quanto mais maná comemos, mais Lhe corresponderemos e seremos identificados com
Sua pessoa. O nosso comportamento e todas as nossas ações estarão, então, de acordo com
os Seus regulamentos. Desse modo, tornar-nos-emos aqueles que vivem, agem, se
comportam e andam de acordo com o que Deus é. O comer das codornizes, pelo contrário,
corresponde ao estilo, moda e maneira egípcios. Isto é selvagem e irrestrito. Mas o comer
do maná torna o nosso comportamento idêntico ao de Deus. Leva-nos a agir exatamente
como Ele.
O ponto crucial do capítulo 16 é a intenção que Deus tem de reconstituir Seu povo
redimido. Após nos redimir, salvar e livrar do mundo, Ele mudará nossa dieta, a fim de
transformar nossa constituição. O Seu alvo é eliminar qualquer traço da constituição
egípcia. Os estudantes de medicina sabem que uma nova dieta faz com que nossas células
e fibras sejam gradualmente mudadas. Quando cheguei a este país, vindo do Extremo
Oriente há muitos anos, estava constituído segundo a dieta chinesa. Mas ao longo dos
anos, fui reconstituído de acordo com a dieta americana. Isso ilustra o desejo que Deus tem
de reconstituir o Seu povo, mudando-lhe a dieta. Através da mudança desta, os seus
tecidos e fibras são reconstituídos.
Falamos diversas vezes sobre a dieta egípcia. Chegamos, agora, a um ponto importante,
a saber, o que é a dieta egícia e de que ela se constitui. Tal dieta significa todas as coisas de
que desejamos alimentar-nos, a fim de encontrar satisfação. Televisão, esportes, música,
revistas, jornais e outras formas mundanas de recreação podem nela estar incluídos.
Algumas pessoas não conseguem viver sem televisão ou jornais. Isso mostra que tais
coisas fazem parte de sua dieta egípcia. Outros ainda se alimentam de vitrines. Podem não
comprar nada, mas gostam de apreciar os objetos nas vitrines das lojas. Através dessas
ilustrações, podemos facilmente compreender que os Estados Unidos é o país líder com
relação à dieta egípcia. Aqui existe um rio Nilo moderno conduzindo todo tipo de supri-
mento mundano.
Antes de sermos salvos, todos tínhamos uma dieta egípcia; mas, depois de salvos, deve-
mos mudar nossa dieta. Muitos cristãos, entretanto, continuam vivendo de acordo com
sua velha dieta, mesmo depois de salvos. Isso quer dizer que continuam a ter fome e sede
das coisas do mundo. Alguns podem pensar que, ao falar de dieta egípcia, trato com a
questão de amar o mundo. Essa é uma maneira muito superficial de ver o assunto relacio-
nado à mudança de dieta. O ponto aqui é que tudo o que desejamos, aquilo de que temos
fome e sede, constitui a dieta de acordo com a qual o nosso ser foi constitu ido. Além dos
irmãos nas igrejas locais, poucos cristãos foram reconstituídos através de uma mudança de
dieta. Por ficar em lares de muitos cristãos no curso de minhas viagens, aprendi que o
apetite de muitos deles ainda é pelas coisas do Egito. Poucos têm fome ou sede genuínas
de Cristo.
No deserto, Deus deu aos filhos de Israel apenas maná para comer. De acordo com
Números 11:6, o povo se queixou: "Agora, porém, seca-se a nossa alma e nenhuma coisa
vemos senão este maná". Que maravilha foi Deus dar nada ao povo, além do maná! Isso
indica que Ele não lhes deu nada além de Cristo. Agradeço-Lhe porque muitas pessoas na
igreja não têm apetite por nenhuma outra coisa além de Cristo. Dia a dia, a fome de muitos
28 | P á g i n a
na igreja é de Cristo, e tão somente de Cristo. Temos sede Dele e desejamos contatá-Lo, ler
a Palavra, invocar o Seu nome e ler as mensagens impressas. Realmente o Senhor mudou a
dieta.
Posso testificar que vivo do Senhor Jesus Cristo, não de outra coisa qualquer. Frequen-
temente leio um jornal. Mas toda vez que ele se torna parte de minha dieta, imediatamente
me arrependo, confesso-o ao Senhor e peço-Lhe que me perdoe por me voltar para outra
coisa além Dele a fim de satisfazer o meu desejo. Sempre que temos fome ou sede de
alguma coisa além de Cristo, estamos errados.
É importante compreender esta mensagem de maneira correta. O meu encargo não é
liberar uma ordem aos irmãos sobre o amor do mundo, mas é enfatizar a necessidade de
uma mudança em nossa dieta. Que o Senhor possa levar embora o desejo e a fome de
qualquer coisa além de Cristo. Necessitamos de roupa e de uma habitação apropriada;
mas o nosso apetite, o nosso desejo não deve ser por essas coisas. O nosso apetite deve ser
por Cristo. Não deveríamos achar satisfação no vestir ou numa casa melhor. Deus mudou
nossa dieta das coisas do Egito para Cristo somente.
Isso não quer dizer que devemos viver como se fôssemos frades ou freiras. Não
deve-mos ser comos os "amishes", [Amish, seita protestante que se estabeleceu nos Estados
Unidos e Canadá durante o século XVIII] que se permitem vestir apenas de certas cores.
As irmãs precisam vestir-se de maneira conveniente, mas não devem ter uma avidez por
moda ou por estilo. Pelo contrário, o seu apetite deve ser por Cristo. Todos precisamos
dizer: "Senhor Jesus, eu Te amo. Quero Te respirar, beber e comer. Senhor, desejo festejar
em Ti". A nossa fome, sede, desejo e apetite devem ser por Cristo como maná celestial.
Por um período de quarenta anos, Deus não deu aos filhos de Israel nada para comer,
exceto o maná. Como já dissemos, ninguém sabe qual é sua essência ou elemento consti-
tuinte. Só sabemos que ele diariamente caía dos céus. Em João 6 também notamos que esse
maná celestial é um tipo de Cristo. Cristo veio de Deus para ser nossa dieta. Precisamos
comê-Lo, bebê-Lo e respirá-Lo. Precisamos de uma mudança em nossa constitução inte-
rior, não simplesmente de alteração em nosso comportamento exterior. Se quisermos ter
essa mudança interior, precisamos de uma mudança quanto ao suprimento de comida,
poís a comida que comemos é a fonte de nossa constituição. Os nutricionistas dizem-nos
que somos o que comemos. A comida que ingerimos entra em nosso interior organica-
mente e torna-se nossa constituição. Como povo de Deus da atualidade, precisamos ser
reconstituídos com Cristo como nosso próprio elemento. Dessa maneira, torna-nos-emos
Cristo no que diz respeito à nossa constituição. Através da mudança de dieta, recebemos a
essência celestial que nos reconstitui com Cristo. Essa mudança de constituição através de
uma mudança de dieta difere totalmente dos métodos de auto-aperfeiçoamento praticados
pela religião.

A DIETA EGÍPCIA

A. Torna Egípcias as Pessoas

A dieta egípcia leva as pessoas a se tornarem egípcias. Por exemplo, se as pessoas


gastam tempo vendo televisão, elas se tornam televisão. De semelhante modo, se gostam
de praticar certos esportes ou recreações, tornam-se constituídas daquele esporte ou
recreação. Tais ilustrações indicam que a dieta egípcia constitui as pessoas com o elemento
egípcio e as tornam egípcias em sua composição.

29 | P á g i n a
B. Vem ao Encontro da Concupiscência da Carne

Além disso, a dieta egípcia combina com a concupiscência da carne (16:3; Nm 11:4-5).
Qualquer coisa mundana tão-somente se ajusta ao gosto de nossa carne lasciva.

C. Provoca a Ira Santa de Deus

Além do mais, o desejo que o povo tinha pela dieta egípcia provocou a ira santa de
Deus (Nm 11:1). Foi em Sua ira e desagrado que Ele enviou codornizes.

D. Causa Morte

Por fim, a dieta egípcia resulta em morte (Nm 11:33-34). O resultado da dieta egípcia é
sempre morte espiritual. Porque muitos cristãos ainda desejam as coisas do Egito, sofrem
morte espiritual, sendo feridos pela ira santa de Deus.

II. A DIETA CELESTIAL

A. Torna Celestiais as Pessoas

A dieta celestial faz as pessoas serem celestiais. Tal dieta é, na verdade, o próprio Cristo.
Ele é a comida, o maná. Por essa razão, ao comê-Lo, tornamo-nos Cristo, isto é, Cristo tor-
na-se o nosso próprio elemento constituinte.

D. Cumpre o Propósito de Deus

A dieta celestial cumpre o propósito de Deus. Os que edificaram o tabernáculo não


eram egípcios. Eram aqueles que tinham uma constituição celestial. Pelo menos quatro
meses se passaram após os filhos de Israel saírem do Egito a começarem a edificar o
tabernáculo. Durante esse período de tempo, sua dieta foi mudada e sua constituição no
mínimo, estava em processo de transformação e substituição pelo elemento do maná. Ao
alimentar-se deste, o povo de Deus, por fim, tornou-se maná. Constituídos pelo maná, eles
puderam edificar o tabernáculo como a habitação de Deus. Esse quadro mostra que
somente aqueles que foram reconstituidos com Cristo é que estão qualificados para edi-
ficar a igreja como a habitação de Deus nesta era. Isso é o que significa dizer que a dieta
celestial cumpre o propósito de Deus.
Alho, cebola, melões e pepinos só eram bons para tornar egípcio o povo de Deus em sua
constituição. Tais coisas podiam satisfazer suas concupiscências, mas não capacitavam o
povo a cumprir o propósito de Deus. Para realizá-lo, o Seu povo tinha de ser reconstituído
com o maná. Isso revela que nossa constituição deve ser reestruturada através do comer
de Cristo. Ele precisa substituir a dieta egípcia. Para a edificação da igreja, todos precisa-
mos ser reconstituidos com Sua pessoa. Lembre-se de que aqueles que edificaram o taber-
náculo experimentaram uma mudança de dieta e começaram a ser reconstituídos com o
elemento do maná. Somente esse povo pode edificar a habitação de Deus. Na verdade, de-
pois de reconstituídos, eles mesmos passaram a ser a habitação de Deus.

30 | P á g i n a
C. Testa o Povo Com Relação à Vontade de Deus

A dieta celestial também nos testa com relação à vontade de Deus e prova onde estamos
(16:4-5, 16-30) Será que somos um com Deus e idênticos a Ele? O lugar onde estamos será
provado pelos regulamentos pormenorizados sobre o juntar do maná. Tais regulamentos
mostram se correspondemos ou não a Deus.

D. Mantém Vivas as Pessoas Para Cumprir o Propósito de Deus

A dieta celestial também mantém com vida o povo de Deus para cumprir o Seu propó-
sito (16:35; Jo 6:57). Por meio da dieta celestial, somos mantidos vivos pelo bem da habita-
ção de Deus, não para qualquer outro propósito.
É crucial que todos reconheçam a necessidade de mudança de dieta. Precisamos per-
guntar a nós mesmos se temos fome e sede, e que tipo de apetite temos. A nossa dieta deve
mudar de egípcia para celestial. Precisamos voltar das panelas de carne, peixe, pepinos,
dos melões, das cebolas e do alho para Cristo, a única comida celestial fornecida por Deus.
O fato de Cristo ser nossa dieta significa que Ele é tudo para nós. Ele é até mesmo a nossa
televisão, o nosso divertimento, música, jornais e esportes. Todos devemos ser capazes de
testificar que o Senhor mudou nossa dieta de muitos itens para um só: o maná celestial.
Numa mensagem futura, veremos as riquezas do maná em todos os seus aspectos. Que o
Senhor possa mudar nossa dieta, de modo que possamos ser reconstituídos com Cristo e
nos tornar a habitação de Deus. Junto com a mudança de dieta, precisamos de uma mu-
dança de apetite. Pergunto-me se os filhos de Israel realmente experimentaram uma
mudança de apetite. Eles devem ter comido o maná simplesmente porque foram forçados
a isso. Não tinham nada mais para comer.
O Senhor Jesus disse: ―Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste
para a vida eterna‖ (Jo 6:27). Hoje, todas as pessoas do mundo trabalham pela comida que
perece. Tal comida inclui televisão, esportes, música e divertimentos. Toda satisfação
desse tipo perecerá. O próprio Cristo é a única comida que não perece. Essa comida per-
manece para a vida eterna.
Por comida, entendemos tudo o que introduzimos em nosso interior visando à nossa
satisfação. Se compreendermos esse princípio, perceberemos que a comida mundana de
hoje consiste não apenas em comida física, mas também em todas as outras coisas pelas
quais as pessoas vivem, incluindo educação, dinheiro, posição, promoção, esportes e
divertimentos. As pessoas do mundo têm comida física e psicológica, mas não têm comida
espiritual. Em vez de trabalharem pela comida que permanece para a vida eterna, traba-
lham pela que perece.
O Senhor Jesus é o verdadeiro maná. Em João 6 Ele mostra que devemos buscá-Lo e
comê-Lo. Mas poucos cristãos percebem a necessidade de uma mudança de dieta. Todos
os que foram regenerados precisavam mudar sua dieta. Essa é a razão de Êxodo 16 ser
ainda mais crucial do que o capítulo 12. Neste, vemos um povo que foi redimido, mas não
reconstituído. À época do capítulo 14, o povo de Deus saíra do Egito, mas o Egito não saíra
deles. De acordo com sua constituição, eles ainda eram egípcios. Assim, a intenção de
Deus era transformar-lhes a constituição pela mudança de sua dieta. Na época em que os
filhos de Israel edificaram o tabernáculo, sua dieta foi mudada. A constituição deles, pro-
vavelmente, começava também a mudar. Quando edificavam o tabernáculo, eles não
comiam comida egípcia. Pelo contrário, sua dieta consistia em maná.
Além disso, após o tabernáculo ser erguido, eles gastaram muito tempo cuidando dele.
31 | P á g i n a
Tinham de desarmá-lo, carregá-lo e armá-lo de novo. Durante os seus anos de deserto, os
fihos de Israel nada fizeram, exceto comer maná e cuidar do tabernáculo. Não se envol-
veram com nenhuma outra atividade ou esforço. Isso mostra que Deus não lhes pediu que
fizessem nada, nem mesmo que se envolvessem com plantar, Deus os alimentou enviando
o maná do céu. O povo, simplesmente, o juntava, preparava, comia e cuidava do taberná-
culo. Que quadro maravilhoso é este.
Ao considerarmos esse quadro, notamos que Deus só quer que comamos de Cristo e
cuidemos da igreja, Sua habitação. Não devemos permitir-nos perder o interesse por essas
coisas. A cada dia, simplesmente comer Cristo e praticar a vida da igreja. Estamos aqui
para Cristo e a igreja, e para nada mais. Na opinião dos estranhos, nós, na restauração do
Senhor, gastamos o nosso tempo fazendo nada. Alguns até mesmo nos condenam, porque,
aparentemente, não efetuamos qualquer obra pelo Senhor. Porém, assim como os filhos de
Israel diariamente juntavam o maná e cuidavam da habitação de Deus, nós também come-
mos de Cristo todo dia e nos preocupamos com a vida adequada da igreja.

32 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E CINCO
A DIETA CELESTIAL — MANÁ

(1)

Leitura da Bíblia: Êx 16.4-5, 13b-15, 31; Nm 11:6b-9.

Se quisermos compreender a Bíblia, precisaremos de iluminação e visão celestiais. Isso


será principalmente verdade, se quisermos perceber o significado espiritual de vários pon-
tos do livro de Êxodo. Nas mensagens anteriores, verificamos que Êxodo é um livro de
figuras. Mas, se não tivermos luz ou visão para o lermos, não seremos capazes de captar o
significado de todas elas.
Muitos cristãos sabem que, durante os anos de peregrinação pelo deserto, os filhos de
Israel comeram maná. Mas poucos conhecem de maneira completa e adequada o signifi-
cado do maná em Êxodo 16. Podem estar familiarizados com a história de Êxodo, e podem
até mesmo saber que o maná é um tipo de Cristo como nossa comida; mas não têm uma
percepção plena da importância do comer registrado nesse capítulo.
O conceito de comer é uma concepção básica e subjacente na Bíblia. Ao revermos a
importância do comer nas Escrituras, precisaremos lembrar-nos do princípio da primeira
menção. De acordo com esse princípio, a primeira menção de algo na Bíblia governa o seu
significado por toda a Escritura. Após criar o homem, Deus lhe deu uma ordem e um
aviso acerca do comer: "De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do
conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certa-
mente morrerás" (Gn 2:16-17). Comer é uma concepção básica na palavra divina, porque
diz respeito ao relacionamento do homem com Deus. Por isso, após descrever a criação do
homem, a Bíblia fala do seu viver, que se relaciona ao comer.
Em Gênesis 1:26, observamos que homem foi criado à imagem de Deus e segundo a Sua
semelhança. As palavras "imagem" e "semelhança" indicam que o homem deve ser a
expressão de Deus. Imagem e semelhança, porém, são ambas um pouco exteriores. Não
envolvem necessariamente um conteúdo interior. Por esse motivo, Gênesis 2 mostra a
importância do comer do homem. Esse capítulo revela que a intenção de Deus para com o
homem era que este comesse da árvore da vida. Exteriormente, ele possuía a imagem e a
semelhança de Deus, mas interiormente, precisava tomar do fruto da árvore da vida para
o seu interior, como seu conteúdo. A árvore da vida, sem dúvida, é um símbolo de Deus
como vida para o homem. De acordo com o Seu eterno propósito, Deus criou o homem à
Sua imagem e conforme a Sua semelhança, de modo que este pudesse expressá-Lo. Depois
colocou o homem criado diante da árvore da vida (Gn 2:9) com a intenção de que este O
tomasse para dentro de si como sua própria vida. Essa é a primeira menção do comer nas
Escrituras.
Ao final da Bíblia, em Apocalipse 22, notamos outra vez a árvore da vida. O versículo
29 diz que, em ambos os lados do rio que flui do trono de Deus e do Cordeiro, está a
árvore da vida. O versículo 14 prossegue dizendo que os que lavam suas vestes, têm
direito à árvore da vida. O versículo 19 refere-se à nossa porção na árvore da vida. Todas
essas referências de Apocalipse 22 indicam que, na eternidade e por toda a eternidade, o
33 | P á g i n a
povo redimido por Deus comerá dessa árvore. Além disso, Apocalipse 2:7 diz que os
vencedores comerão da árvore da vida, que se acha no paraíso de Deus.
Após a queda do homem, Deus veio para redimir Seu povo. A páscoa é um quadro
completo de Sua redenção e também de Sua intenção e Seu objetivo quanto à redenção. De
acordo com a figura de Êxodo 12, a concepção de comer é básica e central também na
redenção. À época da páscoa, o sangue do cordeiro foi borrifado "em ambas as ombreiras,
e na verga da porta, nas casas‖ dentro das quais se comia o cordeiro (Ex 12:7). As pessoas,
depois, comiam da carne do cordeiro com pães asmos e ervas amargas (v. 8). Além disso, o
ponto principal de Êxodo 16 é o comer do maná. Esse capítulo não fala de comportamento
de conduta nem de auto-aperfeiçoamento, mas de comer. Em João 6, o Senhor Jesus disse
claramente ser Ele o verdadeiro maná, enviado do céu por Deus Pai para ser o alimento de
Seu povo escolhido. Por isso nos é vital aprender como comê-Lo. No versículo 32, o
Senhor Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés quem vos deu o
pão do céu; o verdadeiro pão de céu é meu Pai quem vos dá". O Senhor depois prosseguiu
dizendo que aquele que O comer viverá por Ele (v. 57). O maná também é mencionado em
Apocalipse 2:17, onde lemos que ao vencedor o Senhor dará "do maná escondido". Esses
versículos nos ajudam a ver que, na Bíblia, a concepção de comer é básica e central.
Todos já percebemos que, para vivermos corretamente, precisamos comer corretamente.
Se tomarmos veneno, por exemplo, certamente morremos. Li certa vez um artigo a dizer
que a dieta de uma pessoa pode afetar-lhe o humor. Segundo esse artigo o humor de uma
criança é particularmente afetado por sua dieta. Isso ilustra a importância do comer espi-
ritual correto. Se desfrutarmos de Cristo como o verdadeiro maná, certamente acharemos
difícil perder a calma. Como já enfatizamos em mensagem anterior, essa comida celestial
faz com que nossas concupiscências sejam restringidas. Trata também com a nossa ambi-
ção egoísta. Por um lado, o maná celestial nos nutre e nos cura; por outro, elimina de nós
as coisas negativas. Porque o comer é um ponto muito crucial, a regulamentação da dieta
do homem é outro assunto básico na Bíblia.
Você sabe o que acarretou a queda do homem? O homem caiu por comer incorreta-
mente. No mesmo princípio, somos salvos e curados por comer de maneira correta. O
homem caiu por comer o fruto da árvore do conhecimento, mas ele é salvo e restaurado
por comer da árvore da vida.

I. UM TIPO DE CRISTO

O maná é um tipo de Cristo (Jo 6:31-35, 48-51, 57-58). Como verdadeiro maná, Cristo foi
enviado por Deus Pai (v. 32) ao Seu povo escolhido, para que este vivesse por Cristo
(v. 57). Embora possamos reconhecer prontamente que o maná seja um tipo de Cristo, não
devemos considerar o assunto de maneira natural nem superficial. Ao considerarmos o
relato do envio do maná registrado em Êxodo 16, é-nos importante perceber o relaciona-
mento entre o nosso comer e nosso viver. Precisamos comer para viver. Esse é outro
princípio básico da Bíblia. Por isso, em João 6:57, o Senhor Jesus disse: "Quem de mim se
alimenta, por mim viverá". Sem comer, é-nos impossível viver.
Precisamos agora prosseguir, para vermos que a maneira pela qual vivemos depende
daquilo que comemos. Se comer bastante peixe, você será constituído pelo elemento do
peixe, porque absorverá a vida e a natureza do peixe é claro que você não será constituído
de peixe, se sua dieta incluir somente frango ou bife, e não peixe. O tipo de vida que temos
depende da comida que comemos.
De acordo com o quadro do livro de Êxodo, os filhos de Israel estavam destinados a ter
34 | P á g i n a
um viver celestial. Mas, quando saíram do Egito, levaram consigo comida egípcia. Durante
as primeiras semanas de sua viagem, comeram essa comida egípcia; mas, quando tal
suprimento acabou, o povo ficou inquieto e começou a murmurar e a queixar-se. Embora a
escassez de comida fosse um problema para o povo, constituiu motivo de alegria para
Deus, porque Lhe deu uma excelente oportunidade de mudar-lhes o viver. A Sua intenção
era mudar o viver deles de um viver egípcio para um celestial. Deus não queria simples-
mente ajustar, mudar ou regular exteriormente o povo; mas queria mudá-lo organica-
mente, alterando-lhe a dieta. Quando estavam no Egito, os filhos de Israel tinham muitas
coisas diferentes para comer, todas elas elementos da dieta egípcia. Mas Deus queria
mudar-lhes a dieta de muitos itens para um só, que era o maná vindo do céu.
Em Gênesis 2, a intenção de Deus era que a árvore da vida se tornasse a dieta exclusiva
do homem. Apocalipse 22 indica que a árvore da vida será a nossa dieta exclusiva pela
eternidade. Embora com doze tipos de frutos, haverá uma só árvore na Nova Jerusalém,
não muitas. No cristianismo de hoje, pelo contrário, há milhares de árvores, isto é, há
milhares de fontes de comida. Mas, na economia de Deus, há somente uma árvore: a
árvore da vida. Ela estava no jardim e estará na Nova Jerusalém.
Em Êxodo 16 e João 6, a árvore da vida aparece com o nome de maná. Se ler a Bíblia
cuidadosamente e com entendimento, você verá que o maná e a árvore da vida são inter-
cambiáveis. O maná é a árvore da vida, e a árvore da vida é o maná. Isso quer dizer que o
maná de Êxodo 16 era a árvore da vida de Gênesis 2, e que o maná de João 6 será a árvore
da vida de Apocalipse 22. O maná e a árvore da vida são termos diferentes para descrever
a mesma coisa. Deus não tem dois tipos de comida para Seu povo escolhido. Porque há
um só Deus, há também somente um tipo de comida. Cristo tanto é o nosso maná quanto a
nossa árvore da vida pela eternidade.
Temos um Deus, um Cristo e um Espírito. Também temos uma comida, uma dieta. As
pessoas do mundo, entretanto, vivem por meio de muitos tipos diferentes de comidas, Na
mensagem anterior, enfatizamos que elas podem viver de coisas tais como educação,
esportes e divertimentos. Assim como há supermercados de alimentos físicos, há também
supermercados psicológicos e religiosos de alimentos psicológicos e religiosos. Porque as
pessoas do mundo se alimentam de muitas coisas que não são Cristo, podemos considerá-
las adequadamente como os egípcios de hoje. Antes de sermos salvos, estávamos no Egito,
desfrutando da dieta egípcia com todas as outras pessoas não salvas. Mas fomos salvos e
realizamos o nosso êxodo do Egito. Deus agora tenciona mudar nossa dieta. Podemos,
entretanto, ainda, desejar sentar-nos ao lado das panelas de carne do Egito, alimentar-nos
de pepinos, melões, cebolas e alhos, ou desfrutar do peixe do Nilo. Por isso enfrentamos o
problema de termos mais de um elemento em nossa dieta. Temos também o problema de
viver por muitas outras coisas além de Cristo. Por exemplo, embora encoraje os jovens a
obterem uma boa educação, tenho de lembrá-los que não vivam dessa educação. A edu-
cação não deve tornar-se nossa dieta.
De acordo com a economia de Deus, devemos viver em Cristo e tão-somente Nele. Ele
deve ser a nossa única dieta, e devemos viver Dele. Não devemos viver por meio de
nenhuma outra comida. Tudo o que nos satisfaz, fortalece e sustenta é nossa comida. A
única comida a ser tomada para o nosso sustento, força e satisfação deve ser Cristo. Entre-
tanto muitos cristãos não O tomam como sua única fonte de satisfação, força e sustento.
Pelo contrário, tentam se satisfazer, sustentar e fortalecer por meio de outras coisas.
Porque Deus quer que vivamos através de Cristo, devemos ser sustentados, fortalecidos e
satisfeitos apenas por Cristo.
Já enfatizamos fortemente o fato de Deus querer mudar nossa dieta. Sua intenção é
35 | P á g i n a
suprimir a dieta mundana e limitar-nos a uma dieta de comida celestial, que é Cristo. Por-
que expressões tais como "tentação" e "amar ao mundo" têm sido usadas de maneira
leviana no cristianismo, prefiro não usá-las ao falar da revelação divina em Êxodo 16,
Desejo investigar sua dieta. De que você vive dia a dia? O que você come para se satis-
fazer, sustentar ou fortalecer? Todos precisamos enfrentar essas perguntas e respondê-las.
Todos devemos ser capazes de dizer: "O Senhor é o Único que me satisfaz. Fora Dele, não
tenho satisfação. Sou diariamente fortalecido e sustentado por Cristo. Ele é a única comida
em que me apoio".
Posso testificar que, por mais de cinquenta anos, não tenho sido satisfeito, fortalecido
nem sustentado por nenhuma outra coisa além de Cristo. Desde a época em que fui salvo,
com a idade de dezenove anos, Deus tem sido a comida que me sacia. Tenho obtido boas
coisas, mas nenhuma delas me satisfez uma vez sequer.
Cristo deve ser a nossa comida, satisfação, força e sustento. Isso não quer dizer, entre-
tanto, que não precisamos de certas coisas para o nosso viver humano. Precisamos de
várias coisas boas e úteis, incluindo, por exemplo, a educação. Mas não devemos permitir
que essas coisas se tornem nossa comida. Podemos precisar delas e tê-las, mas não
devemos viver por meio delas nem para elas. Nossa única comida é Cristo.
O Cristo que é nossa comida é o Cristo que se nos tornou subjetivo. Ele é o Deus proces-
sado, habitando no nosso espírito como o Espírito todo-inclusivo. Por um lado, Cristo está
no céu como o Senhor de tudo; por outro, Ele habita em nosso espírito como o Espírito
todo-inclusivo que dá vida. Olhamos para o Senhor nos céus e temos comunhão com o
Espírito em nosso espírito. Louvado seja o Senhor, porque Ele está dentro de nós subjeti-
vamente! O Seu propósito principal em ser-nos tão subjetivo é o de se constituir em nossa
comida, nosso suprimento de vida. Tudo o que venha a ser nossa comida e suprimento de
vida deve ser algo que entre em nós e depois seja por nós assimilado. Deve ser ingerido e
tornado parte do próprio tecido e fibra do nosso ser. Cristo é subjetivo para nós exata-
mente desse modo. Em 1 Coríntios 6:17, Paulo nos diz: "Aquele que se une ao Senhor é um
espírito com Ele". Toda vez que comemos determinada comida, uni-mo-nos a ela. Por
exemplo, quando como peixe no jantar, uno-me ao peixe. No mesmo princípio, quando
comemos Cristo como nossa verdadeira comida, unimo-nos a Ele e nos tornamos um
espírito com Ele. Assim, o Cristo, que é subjetivo para nós, a quem nos unimos e com
quem somos um espírito, é a nossa comida, o nosso maná celestial é crucial que o vejamos.
Ao dar estas mensagens sobre o livro de Êxodo, não me contento meramente com mi-
nistrar um estudo bíblico ou transmitir ensinamentos aos irmãos. O meu desejo é que
experimentemos todos esses pontos de maneira real e prática. Antes de dar esta men-
sagem, orei ao Senhor muitas vezes, para que todos possamos ver nossa necessidade de
viver Dele e por Ele. Não precisamos de ensinamentos, doutrinas nem conhecimentos
bíblicos. Precisamos tomá-Lo como nossa comida e viver por Ele. Alimentar-se de Cristo e
viver por Ele não deve ser uma prática ocasional. Pelo contrário, deve ser a maneira de
vivermos vinte e quatro horas por dia.
Durante os últimos meses, a maioria das confissões que tenho feito ao Senhor se
relaciona à minha falta quanto à questão de vivê-Lo, de ser um espírito com Ele. Todos os
dias, tenho tido muito a confessar-Lhe a esse respeito. Bem de manhã, eu oro; "Senhor,
concede-me a porção de graça para hoje, para que eu possa viver-Te e praticar o ser um
espírito Contigo". Por cerca de uma hora, posso ser bem sucedido em viver em um espírito
com o Senhor. Aí, então, tomo consciência do fato de que já não sou mais um espírito com
Ele. Então preciso confessar, pedir-Lhe perdão e voltar para Ele. Ser um espírito com o
Senhor é como respirar: não acontece de uma vez por todas, mas ocorre a cada momento.
36 | P á g i n a
No passado, eu achava difícil vencer certos pecados constantes. Agora, pela miseri-
córdia e graça do Senhor, já não sou mais perturbado por tais pecados. O que acho difícil
hoje é aprender a estar continuamente em um espírito com Ele. Essa é uma lição muito
difícil de aprender. Se eu mesmo não praticar o ser um espírito com o Senhor, meu minis-
tério então acerca desse ponto não terá realidade. Viver Cristo e viver por Cristo não deve
ser mera doutrina; deve ser o nosso viver prático diariamente. Eu mesmo preciso aprender
a viver dessa maneira. Em minha experiência, descobri que ser um espírito com o Senhor
requer grande sensibilidade. Os pecados habituais são rudes e grosseiros, mas viver em
um espírito com o Senhor é muito delicado e suave.
Quando jovem, eu imaginava por que o Senhor nos ordenara vigiar e orar (MT 26:41).
Imaginava que necessidade tinha eu de vigiar. Agora estou aprendendo que precisamos
vigiar, para não perdermos, interiormente, o contato com o Senhor. Precisamos ser vigi-
lantes, para não desligarmos nossa tomada espiritual nem ficarmos apartados de Cristo
em nossa experiência. Para ficarmos isolados de Cristo, não precisamos fazer algo gros-
seiro, tal como perder a calma, mas simplesmente olhar para o nosso marido ou esposa de
maneira indelicada. Precisamos voltar-nos ao Senhor, confessar e receber Seu perdão.
Precisamos, inclusive, pedir-Lhe que limpe nossos olhos. A razão de termos uma expres-
são indelicada em nossa face é que naquele momento não somos um espírito com O
Senhor.
A cada manhã, devemos pedir ao Senhor que nos dê a graça de sermos um espírito com
Ele naquele dia. Depois precisamos exercitar o ser um espírito com Ele de maneira prática
durante o dia todo. Se tentarmos praticá-lo, perceberemos que às vezes já não mais somos
um com Ele. Nossa experiência pode ser um pouco semelhante a uma lâmpada que, por
causa de algum problema elétrico, liga e desliga imprevisivelmente, Certa vez, tive uma
lâmpada assim em meu escritório e achei o caso muito problemático. Uma hora a luz esta-
va ligada, outra hora, desligada. Ligava e desligava o dia inteiro. Frequentemente, somos
assim em nossa experiência com o Senhor. Todos os que querem viver Cristo e ser um
espírito com Ele haverão de ser perturbados por tais experiências de liga-desliga.
Quando você estiver se preparando para dormir à noite, peça ao Senhor que o prepare
para praticar o ser um espírito com Ele no dia seguinte. Se nos esforçarmos por viver em
unidade com o Senhor, descobriremos que tomar Cristo como nossa comida nos tem sido
em grande parte uma questão de doutrina. Não tem sido ainda muita realidade em nossa
vida diária.
Muitos cristãos sabem que o maná é um tipo de Cristo. Mas simplesmente sabê-lo como
doutrina nada significa. A intenção de Deus é que vivamos por Cristo durante todo o dia.
Ele não quer que vivamos por coisa alguma além de Cristo. Precisamos de determinadas
coisas para o nosso viver, mas elas não devem tornar-se comida para nós. Cristo é a nossa
única dieta, e devemos viver por Ele e Dele somente. Que os nossos olhos possam ser
abertos para esse ponto decisivo.

II. A COMIDA EXCLUSIVA PARA O POVO DE DEUS

O maná celestial deve ser a comida exclusiva para o povo de Deus. Os filhos de Israel
até podiam dizer: "nenhuma coisa vemos senão este maná" (Nm 11:6b).
Com relação a Cristo como a única comida para o povo de Deus, desejo dizer uma
palavra sobre a unidade do ministério. Alguns cristãos dizem que há diferentes minis-
térios. No cristianismo de hoje, como já enfatizamos, há centenas de fontes; há também
centenas de assim chamados ministérios. Entretanto, na Bíblia, principalmente no Novo
37 | P á g i n a
Testamento, há somente um ministério. Os doze apóstolos todos tiveram parte no mesmo
ministério. Numa mensagem intitulada "O Ministério na Economia do Novo Testamento"
(ver "Mensagens da Verdade", nº 4), consideramos a verdade referente ao ministério na
economia do Novo Testamento. Já enfatizamos naquela mensagem que, aos olhos do
Senhor, há somente um ministério na era do Novo Testamento. Os doze apóstolos não
tiveram ministérios diferentes, Pelo contrário, todos compartilharam do único ministério
do Novo Testamento. Falando de Judas, Pedro afirmou que ele "era contado entre nós e
teve parte neste ministério" (At 1:17). Isto prova que os doze apóstolos estavam todos
"neste ministério". Isso indica que há um único ministério no Novo Testamento. Por isso,
quando oraram com referência a um substituto para Judas, os apóstolos pediram ao
Senhor que lhes mostrasse quem Ele escolhera "para preencher a vaga neste ministério"
(At 125).
O apóstolo Paulo também teve parte neste ministério. Em 2 Coríntios 4:1, ele disse:
"tendo (nós) este ministério..." Ele não disse: "Tenho eu este ministério", nem "temos estes
ministérios". Além disso, em 1 Timóteo 1:12, Paulo asseverou: "Sou grato... a Cristo Jesus
nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério". Neste versículo,
Paulo não diz: "Ele me colocou em meu ministério", mas diz que o Senhor o colocou no
único ministério do Novo Testamento.
Os apóstolos tinham apenas um ministério, porque ministravam o mesmo tipo de
comida. Todos sabem que, no Novo Testamento, há quatro evangelhos. Não podemos
negar que há diferenças entre eles. Mateus escreveu sob o ângulo da realeza; Marcos, sob o
ângulo do serviço; Lucas, da redenção através da humanidade adequada; e João, da vida
através da divindade de Cristo. Os evangelhos, contudo, apresentam uma única Pessoa.
Os escritores dos quatro evangelhos todos ministram o mesmo Cristo. Isso significa que,
apesar de os escritores dos evangelhos se diferirem quanto à ênfase, eles são um em seu
ministério. Cada um dos evangelhos é uma biografia da mesma Pessoa maravilhosa. No
mundo cristão de hoje, entretanto, há muitos ministérios diferentes. Tais ministérios têm
sido uma causa da divisão. Em vez de uma árvore com uma única dieta, há centenas de
árvores produzindo muitos tipos diferentes de comida.
Os que se opõem à restauração do Senhor às vezes dizem que as igrejas locais ouvem
somente uma pessoa—Witness Lee, e que não recebem o ministério de ninguém mais. Não
é verdade dizer que as igrejas ouvem somente a mim. Contudo declaro categoricamente
que todas as igrejas têm apenas um ministério. Nós, hoje, na restauração do Senhor, temos
o ministério exclusivo. É o mesmo hoje como era no início da restauração. Além disso, esse
ministério é o mesmo em todo o mundo. Nos Estados Unidos, Europa, Ásia, África e
Australásia, o ministério é um e o mesmo. Embora haja um único ministério na restau-
ração do Senhor, há centenas, e até mesmo milhares de pregadores. Mas todos eles falam a
mesma coisa, embora possam dizê-la sob diferentes ângulos. Louvado seja o Senhor pelo
ministério de Sua restauração! Todos estamos comendo de uma mesma árvore, da árvore
da vida. Não temos nenhuma outra fonte.
Na restauração do Senhor, não podemos aceitar nenhum ministério que não seja parte
do ministério. Caso contrário, seria ingerir alguma comida diferente do maná celestial.
Agradecemos ao Senhor, porque desde o princípio nos mostrou o que é o ministério de
Cristo, o ministério da vida. Temos uma árvore da vida, um maná. Ao longo dos anos que
tenho estado neste país, proferi milhares de mensagens. Mas todas elas têm transmitido
uma só comida e uma só dieta: a única comida para o povo de Deus.
Se o Senhor me permitisse, daria mensagem após mensagem acerca de doutrina. Mas
Ele não me permite falar de tais coisas. Quando proferia as mensagens do estudo-vida de
38 | P á g i n a
Apocalipse e Mateus, o Senhor me guardou de ser desviado da árvore da vida para o
conhecimento da profecia. Às vezes, entretanto, fazem-me perguntas relacionadas à profe-
cia da Bíblia; por exemplo, acerca das sessenta e duas semanas de Daniel 9. Tal pergunta
pode ser-me uma tentação. Quando abro a minha boca para responder a uma pergunta
como esta, lembro-me de que o meu encargo é ministrar Cristo como a única comida. Não
temos outra árvore chamada de árvore da doutrina ou árvore da profecia.
Na restauração do Senhor, preocupamo-nos com o trigo, não com a palha. Embora haja
milhares de grãos de trigo, todos eles produzem trigo, não algum outro tipo de manti-
mento. No mesmo princípio, a Bíblia produz somente Cristo como nossa única comida.
Por isso não aceitamos aqueles ministérios que transmitem outro tipo de comida.
De acordo com a Bíblia, Deus tem um só ministério, o ministério de Cristo, o ministério
da vida. Todos os que têm parte nele falam no mesmo tom e têm o mesmo objetivo. Sou
grato, porque durante os anos em que a restauração do Senhor tem estado neste país, o
nosso tom e objetivo têm sido os mesmos. A razão dessa unidade é que o nosso ministério
é um e a vida que ministramos aos irmãos também é uma.
Recebi o encargo de enfatizar a importância do único ministério da Bíblia e da restau-
ração do Senhor hoje, pois alguns nos criticam por não recebermos outros ministério.
Acham errado o fato de o ministério da restauração do Senhor ser um. Essa crítica acerca
do ministério é sutil, como o falar da serpente em Gênesis 3. Espero que esta palavra seja
um antídoto contra o veneno do sutil. Toda vez que alguém falar de maneira crítica a
respeito do único ministério da restauração do Senhor, devemos replicar que temos só um
ministério porque na Bíblia há somente uma árvore da vida. Uma vez que temos um Deus,
um Cristo, um Espírito com uma árvore da vida, também temos apenas um ministério,
Louvado seja o Senhor, porque em Sua restauração há somente um ministério! Porque o
ministério é único, não há divisões em nosso meio. Entretanto, se houvesse dois minis-
térios, haveria divisão. Se houvesse vinte ministérios, haveria vinte divisões. Agradecemos
ao Senhor, porque somos preservados em unidade, porque temos um só ministério.
Precisamos estar claros, entretanto, de que ter um ministério não significa que haja
apenas um pregador para todas as igrejas. Há mais de trezentos e cinquenta igrejas locais
hoje na terra. Como alguém poderia ser o único a falar em todas essas igrejas? Como já
enfatizamos, tanto no Extremo Oriente quanto no Ocidente, há muitos pregadores falando
a mesma coisa com o mesmo objetivo.
Porque o maná era a única comida para o povo de Deus, não lhes era permitido ter
qualquer escolha de acordo com o seu próprio gosto. Quanto à questão de comer, as
pessoas gostam de comer o que se ajusta a seus gostos pessoais. Em Hong-Kong, por
exemplo, há muitos restaurantes chineses que se especializam em diferentes tipos de
comida. Para a nossa comida física, podemos escolher em meio a uma grande variedade
de restaurantes chineses, assim como entre muitos estilos diferentes de cozinha oriental.
Mas na Nova Jerusalém haverá somente um tipo de comida e uma só dieta. De acordo
com a visão da Nova Jerusalém, em Apocalipse 22, o rio da água da vida flui do trono de
Deus e do Cordeiro, e ao longo do rio cresce a árvore da vida. Também é esse o caminho
da restauração do Senhor, onde temos Cristo como nossa única dieta.

39 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E SEIS
A DIETA CELESTIAL – MANÁ

(2)

Leitura da Bíblia: Êx 16:4-5, 13b-15, 31; Nm 11:6b-9

III. SUAS CARACTERÍSTICAS

Passemos agora às várias características do maná. Em Êxodo 10 e Números 11, encon-


tramos uma breve descrição dele. Nessa curta descrição, há pelo menos catorze aspectos.
Cada aspecto é uma de suas características.

A. Do Céu

A primeira característica do maná é que ele veio do céu (16:4a). Portanto ele é celestial.
Embora não conheçamos sua essência ou substância, sabemos que veio no céu. Em Êxodo
16:4, o Senhor disse a Moisés: "Eis que farei chover do céu pão". É difícil analisar o maná.
Sem dúvida, ele continha nutrientes para suprir todas as exigências do corpo físico do
homem; caso contrário, não teria sustentado o povo durante todos aqueles anos no
deserto. Por um lado, ele tem todos os elementos necessários para sustentar o corpo físico
do homem; por outro, é uma comida celestial.
Por não podermos analisar nem explicar o maná, também não podemos analisar nem
explicar o Senhor Cristo. Ele foi enviado do céu peio Pai, a fim de ser o verdadeiro maná.
Como pão que veio do céu, Ele é a comida pela qual vive o povo de Deus. Em João 6:51, o
Senhor Jesus disse: ―Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer viverá
eternamente". Quem pode analisar a essência de Cristo como nossa comida celestial? É
impossível examinar cientificamente a Sua substância. Mas, embora não possamos explicá-
Lo totalmente nem analisar-Lhe a essência, Cristo é, contudo muito real. Ele é invisível e
intangível, mas é substancial e sustenta o povo de Deus.
Desde a época do império romano até hoje, muitos governos terrenos e líderes mun-
diais tentaram deter o mover do Senhor na terra. Também tentaram destruir e aniquilar o
Seu Corpo. Mas todos os seus esforços foram vãos. O Corpo de Cristo não pode ser des-
truído, porque dentro da igreja há um conteúdo celestial, um elemento celeste, que a
sustenta em sua estada na terra. Porque Cristo transmite o Seu elemento para o interior da
igreja, nada pode destruí-la nem eliminá-la.
Assim como o maná sustentou quase dois milhões de pessoas no deserto por quarenta
anos, também Cristo, o verdadeiro maná, sustenta a igreja hoje. Esse maná não possui sua
fonte na terra, mas desce do céu, onde Deus está. Assim, este é não apenas a comida
celestial, mas também a comida divina. Por um lado, o Senhor Jesus é "o pão do céu"; por
outro, Ele é "o pão de Deus". Aquele que desceu do céu para ser nossa comida (Jo 6:32-33).

40 | P á g i n a
B. Com o Orvalho

Em Êxodo 16:13 e 14, notamos que o maná veio com o orvalho: "Pela manhã jazia o
orvalho ao redor do arraial. E quando se evaporou o orvalho que caíra, na superfície do
deserto restava uma coisa fina e semelhante a escamas". Esse objeto pequeno e redondo
era o maná. Números 11:9 também nos diz que o maná veio com o orvalho: "Quando de
noite descia o orvalho sobre o arraial, sobre este também caía o maná". É significativo que,
ao mandar as codornizes, Deus usou o vento; mas, ao mandar o maná, utilizou o orvalho.
Ele certamente podia ter enviado o maná sem o orvalho. O fato de este vir com o orvalho
deve ter um significado espiritual definido. Porque minha experiência a esse respeito
ainda não está completa, não posso explicar plenamente a razão de o maná cair com o
orvalho. Mas, de acordo com a experiência espiritual, posso enfatizar que o orvalho simbo-
liza a graça diária, a graça que recebemos a cada dia. No Salmo 133:3, lemos sobre o
"orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião". O orvalho do Hermom tipifica
a graça que desce dos céus. O Hermom, uma alta montanha, tipifica os céus, o lugar mais
alto, do qual aquele desce. O orvalho tipifica a graça do Senhor Jesus Cristo.
O orvalho difere da chuva, neve ou geada. É mais suave do que a chuva e não tão frio
como a geada. De acordo com Lamentações 3:22 e 23, a misericórdia de Deus, com o
orvalho, é refrescante a cada manhã. A misericórdia do Antigo Testamento, por fim,
resulta na graça do Novo Testamento. Por isso Jeremias usou a palavra misericórdia em
Lamentações 3. Toda manhã a graça do Senhor é tão fresca como o orvalho. Já enfatizamos
muitas vezes que a graça é Deus vindo até nós. Ao se achegar até nossa pessoa de maneira
positiva, cheio de misericórdia e compaixão, torna-se graça para nós. O maná sempre vem
por meio dessa graça.
Encorajamos os irmãos a praticarem a oração matinal no começo de cada dia. Porém,
embora possamos ter oração matinal regularmente, com frequência, durante nossa hora
com o Senhor de manhã, não experimentamos o frescor do orvalho. Como consequência,
não juntamos qualquer maná. Pelo contrário, a Palavra parece simplesmente letras pretas
em papel branco. Mas toda vez que experimentamos o orvalho na oração matinal,
sabemos que Deus vem até nós e nos visita. Tal visitação de Deus é o Senhor como nossa
graça.
Nossa experiência testifica que onde está o orvalho, aí está também o maná. Quando
temos o orvalho ao lermos a Palavra de manhã, esta nos é realmente comida. Se não
tivermos o orvalho refrescante não poderemos ter o maná que vem com ele. Esse quadro
do maná e do orvalho é muito precioso. Realmente um quadro é melhor do que mil
palavras! O orvalho da manhã é refrescante. Sem ele, sem essa graça, somos muito secos.
Mas com orvalho somos regados e refrescados. Graças ao Senhor porque o maná não vem
por si mesmo, mas com o orvalho.

C. De Manhã

Já enfatizamos que as codornizes chegaram à tarde, mas o maná foi enviado pela
manhã. Êxodo 16:21 diz que os filhos de Israel "colhiam-no, pois, manhã após manhã". O
fato de o maná chegar de manhã indica que ele nos dá um novo começo. Porque a terra
gira em seu eixo diariamente, todo dia temos um novo começo, uma nova volta. Também
temos novos começos mensalmente e anualmente. O maná não se relaciona a inícios
41 | P á g i n a
anuais ou mensais, mas a um novo começo diário. Se Deus enviasse o maná anualmente,
não poderíamos sobreviver. Se este fosse enviado mensalmente, não seríamos fortalecidos,
sustentados e satisfeitos. Graças ao Senhor porque Ele manda diariamente o maná. A cada
manhã podemos ter um novo início.
Em nossa experiência espiritual, precisamos dessas voltas diárias, desses novos
começos diários. Às vezes, no fim do dia, fico ansiosamente à espera da manhã seguinte e
de um novo começo. Ao ir para a cama à noite, posso dizer: "Senhor, depois de descansar
esta noite, espero ter um novo começo Contigo de manha". Louvado seja o Senhor por
cada novo dia, por cada novo início! O maná sempre nos traz esse início novo.
Também podemos dizer que cada novo começo nos traz maná fresco. Se deseja receber
maná do Senhor, você precisa orar: "Senhor, estou pronto para uma nova volta. Não quero
viver da mesma maneira do passado. Quero ter um novo começo Contigo". Ao chegar-se
ao Senhor de manhã, você está disposto a orar assim? Se Lhe disser que está pronto para
um novo início, você experimentará do orvalho, e com este o maná. Entretanto, se o seu
desejo for reviver o passado, viver o mesmo tipo de vida que tinha anos atrás, o maná não
virá até você.
A fim de obtermos maná, precisamos estar preparados para um novo início. Por minha
experiência, posso assegurar-lhes que o maná vem sempre que estamos dispostos a ter um
novo início. De manhã, cheguemos ao Senhor e digamos: "Senhor, quero um novo início.
Não quero ser o mesmo de ontem. Agradeço-Te, Senhor, porque em Tua soberania e em
Tua economia Tu nos ofereces um novo início a cada dia do ano". Se orar assim ao Senhor,
ansioso por um novo início, o maná virá de manhã com o orvalho.
Sobre o juntar do maná com o orvalho pela manhã, não precisamos de mais doutrina. O
que precisamos são mais experiências em nossa vida diária. Muitos anos atrás aprendemos
que o maná é um tipo de Cristo. É lamentável que entre os cristãos de hoje isso seja princi-
palmente uma questão de doutrina! Quando eu estava com os Irmãos, ensinaram-me
claramente que o maná tipifica Cristo, mas não fui auxiliado a juntá-lo dia a dia. Em vez
de vida, havia mera doutrina.
Muitas das boas coisas relacionadas a Cristo tornaram-se doutrinar tradicionais. Até os
incrédulos podem estar familiarizados com certas verdades sobra Cristo. Alguns até
podem perceber que o maná é um tipo de Cristo. O que precisamos não é doutrina tradi-
cional, porém mais experiências práticas na vida.
Milhares, e até mesmo milhões de pessoas, lêem a Bíblia sem receber a menor quanti-
dade de maná. Em sua leitura das Escrituras, não há nada senão letras pretas no papel
branco. Sob a influência da tradição, não se preocupam com receber nova luz. Não, estão
nem mesmo interessados em buscar tal luz. Contentam-se com a compreensão da Bíblia
conforme o conhecimento tradicional e segundo aspirações éticas. Querem aprender os
ensinamentos da Bíblia, a fim de aperfeiçoar o próprio comportamento. Abordam as
Escrituras do mesmo modo como os chineses fazem com os escritos clássicos da Confúcio.
Certa vez ouvi um missionário dizer que os ensinamentos da Bíblia são idênticos aos de
Confúcio. Que lamentável essa má compreensão da Palavra de Deus! Quando o Senhor
Jesus estava na Terra, os judaizantes não Lhe davam valor. Estavam totalmente ocupados
com as tradições de seus pais. A sua compreensão do Antigo Testamento estava de acordo
com o ensinamento e conhecimento tradicionais. Depois que Saulo de Tarso foi salvo, ele,
provavelmente, gastou bastante tempo verificando a sua experiência e o Antigo Testa-
mento. Certamente o fez de acordo com a orientação do Espírito, não segundo o conheci-
mento tradicional herdado de seus antepassados no judaísmo. Por isso Paulo recebeu luz e
revelação.
42 | P á g i n a
A nossa experiência hoje deve ser a mesma de Paulo. Posso testificar que recebo luz do
Senhor sobre a Palavra porque não me preocupo com as tradições do cristianismo. Se
ainda me preocupasse com a tradição religiosa, não receberia qualquer iluminação. Em
1964, fui aconselhado por determinada pessoa a não ensinar que Cristo é o Espírito,
embora essa verdade seja revelada no Novo Testamento. Disse-me que tal ensinamento
não seria aceito pelos cristãos de hoje. Porque as pessoas se preocupam tanto com o
ensinamento tradicional, estão cegas. Ano após ano, não recebem nova luz. Louvamos ao
Senhor, porque estamos recebendo nova luz quase que diariamente. Não devemos ser
limitados pelo que vimos anos atrás. Até mesmo os cientistas estão abertos a novas desco-
bertas. Se quisermos progredir espiritualmente, precisamos colocar de lado a tradição. Ao
chegarmos à Palavra, devemos esquecer o nosso conhecimento tradicional.
O cristianismo tornou-se uma religião de tradição que negligencia Cristo como reali-
dade. Os cultos de domingo pela manhã estão repletos de tradição. A situação em nosso
meio, na restauração do Senhor, deve ser totalmente diferente. Diariamente precisamos
prosseguir com o Senhor. Não deveríamos apenas ler a Bíblia, mas também tratar com a
Pessoa viva de Cristo, que habita em nós. Ao lermos as palavras da Escritura, precisamos
contatar essa Pessoa viva. Em vez de estarmos ocupados com doutrinas ou métodos,
devemos buscar desesperadamente o próprio Senhor. Se formos atrás Dele desse modo,
teremos um novo início com Sua pessoa a cada manhã.
O nosso momento com o Senhor pela manhã não deve estar de acordo com a tradição
ou costume. O costume de algumas famílias é levantar-se cedo e depois gastar tempo
lendo a Bíblia. Mas é possível que se leia a Palavra a cada manhã sem se juntar qualquer
maná, pois podemos não ter um contato vivo com o Senhor. As palavras impressas na
Bíblia não nos dão vida. Em João 5:39 e 40, o Senhor Jesus disse aos religiosos: "Examinais
as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de
mim. Contudo não quereis vir a mim para terdes vida". Se quisermos receber vida, preci-
samos ir ao Senhor. Para termos vida, precisamos ter Sua Pessoa.
Há uma grande diferença entre uma receita de algum remédio e o próprio remédio.
Não obtemos o remédio simplesmente estudando a receita. Todavia isso é exatamente o
que muitos cristãos fazem hoje. Em alguns casos, nem mesmo estudam adequadamente a
receita. Por um lado, o meu coração se alegra por causa do que o Senhor nos tem mos-
trado, por outro, ele dói por causa da situação entre os cristãos. Quem realmente se preo-
cupa com o próprio Senhor? Poucos na verdade se preocupam com Sua pessoa, apesar de
Ele ser tão vivo e tão acessível.
Em mensagem anterior, enfatizei que minha confissão cotidiana ao Senhor diz primeira-
mente respeito às minha faltas quanto ao permanecer um em espírito com Ele. Sabemos
que 1 Coríntios 6:17 nos diz que aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele.
Também sabemos que devemos viver de acordo com esse espírito mesclado. Mas quanto
vivemos, em verdade, nesse espírito? Talvez entre nós, na restauração do Senhor, isso se
tenha tornado doutrina em vez de prática real e genuína de vida. Em sua vida diária, a
questão de estar ligado ao Senhor em um espírito é uma prática ou é meramente uma
doutrina? Se isso for um mero conhecimento doutrinário, nada significa. É muito fácil
qualquer revelação tornar-se um ensinamento tradicional. Saiamos de todos os ensina-
mentos tradicionais e busquemos o próprio Senhor. Se o fizermos, a luz da Palavra
brilhará sobre nós.
Embora Êxodo 16 seja um capítulo extenso da Bíblia, muitos cristãos não têm dele uma
avaliação adequada, porque ainda estão sob a influência da tradição religiosa. Talvez nos
impressionássemos mais com esse capítulo, se fôssemos pessoas primitivas e incultas, sem
43 | P á g i n a
nenhum conhecimento das Escrituras. Se essa fosse a nossa situação, seríamos capazes de
ver mais facilmente que essa porção da Palavra revela a intenção que Deus tem de mudar
a fonte do nosso ser, o nosso próprio elemento constituinte. Seria uma compreensão super-
ficial de esse capítulo dizer simplesmente que o maná é comida celestial, que tipifica
Cristo. Esse tipo de compreensão doutrinária não tem efeito sobre o nosso viver. Pode,
inclusive, impedir-nos de receber a revelação de Deus dispensada nesse trecho da Palavra.
Porém, se nos voltarmos do ensinamento tradicional e orarmos sobre esse capítulo,
seremos iluminados para ver que, como cristãos, devemos viver apenas de Cristo.
Somente o Cristo vivo deve ser a comida pela qual vivemos dia a dia.
Que grande diferença há entre esta compreensão desse capítulo e o ensinamento
tradicional! Muitos de nós ouvimos ensinamentos sobre Cristo como maná quando
estávamos na religião. Mas qual é o seu efeito sobre nós? Não impediu que muitos se
entregassem a divertimentos mundanos. Alguns receberam ensinamentos superficiais a
respeito de não amar o mundo. Disseram-lhes que não tivessem fome dos pepinos e alhos
do Egito. Como foi superficial! A verdade profunda de Êxodo 16 é que Deus quer mudar
nossa dieta. O ponto crucial aqui não é se amamos ou não o mundo, mas se nossa dieta foi
ou não mudada. Há uma grande diferença entre aprender a não amar o mundo e ter uma
mudança de dieta.
Quando buscamos o Senhor para um novo começo e por causa do suprimento do maná,
precisamos voltar-nos para o nosso espírito. Todavia nos é fácil exercitar a mente em vez
do espírito. Porque é essa a nossa tendência, é um bom hábito contatarmos o Senhor na
Palavra antes de nos ocuparmos com as tarefas diárias. Depois de nos envolvermos com
muitas coisas, torna-se mais difícil exercitar o nosso espírito para contatar o Senhor. O que
devemos fazer, primeiramente, a cada manhã, é ir ao Senhor na Palavra e Dele nos
alimentar.

44 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E SETE
A DIETA CELESTIAL — MANÁ

(3)

Leitura da Bíblia: Êx 16:13b-15, 31-36; Nm 11:6b-9.

Na mensagem anterior, enfatizamos que o maná veio do céu (16:4) juntamente com o
orvalho (16; 13a-14; Nm 11:9), pela manha (16:13a, 21). Nesta mensagem, consideraremos
algumas outras de suas características.

D. Pequeno

Contrariando o conceito humano, o maná era algo pequeno (16:14b). As pessoas geral-
mente gostam de algo grande. Frequentemente, louvamos ao Senhor por Sua grandeza.
Todavia, onde você pode achar canções, de louvor pela pequenez de Cristo? Já analisamos
muitos hinários e não descobrimos nenhum hino sobre a pequenez de Cristo.
Os materiais de construção podem ser muito grandes, mas a comida deve ser suficiente-
mente pequena para caber dentro de nossa boca. A comida ingerida por nós deve ser
pequena o bastante para comermos. Se quisermos comer um pedaço grande de carne, pre-
cisaremos primeiro, cortá-lo em pequenos pedaços.
Ao longo dos séculos, poucos dos que creram no Senhor alcançaram uma apreciação
adequada do valor de Sua pequenez. Muitos consideram os quatro evangelhos como
registro de uma grande pessoa. Na verdade, eles não enfatizam a grandeza de Cristo. O
Senhor Jesus era, em realidade, um descendente de Davi, um descendente de uma família
real. Ele, todavia, nasceu numa manjedoura e foi criado no lar de um carpinteiro, em uma
cidade pequena e desprezada. Isso indica que o Senhor não fez uma demonstração de Sua
grandeza. Pelo contrário, preferiu ser pequeno aos olhos do homem.
De acordo com João 6, a multidão queria entronizar o Senhor Jesus como um rei, mas
Ele fugiu de tal exaltação. No dia seguinte voltou e apresentou-se como o pão da vida (Jo
6:35). Ele não queria ser um rei; queria ser alimento, para que Seu povo pudesse recebê-Lo
como vida e suprimento de vida. Em vez de grande, o Senhor queria ser pequeno, a fim de
ser-nos alimento.
Desde a ascensão de Cristo até hoje, os mestres cristãos tendem a enfatizar Sua gran-
deza e exaltação. Ele, todavia, ainda quer ser tão pequeno a ponto de podermos comê-Lo.
Os grandes reavivamentos na história da igreja não focalizaram a pequenez de Cristo.
Essa é a razão por que tais reavivamentos geralmente não duram muito. Além disso, a
corrupção do cristianismo sempre penetra através da porta da grandeza. Se a fecharmos,
nenhum elemento de corrupção entrará na Igreja.
Em Sua pequenez, o Senhor é totalmente diferente do nosso conceito natural a Seu
respeito. Mesmo nós, em Sua restauração, desejamos ver grandes coisas. Por causa do
desejo de grandeza, muitas das pessoas dos movimentos pentecostais ou carismáticos se
45 | P á g i n a
entregam à arrogância e aos exageros. Por isso precisamos descontar bastante dos relatos
de curas e milagres que, supostamente, ocorrem no Pentecostalismo de hoje. Alguns
podem gabar-se de que muitas curas são realizadas numa certa reunião, quando, na ver-
dade, não houve sequer uma cura genuína.
Alguns anos atrás, correram notícias relativas a um grande reavivamento que, suposta-
mente, estaria ocorrendo na ilha de Timor. De acordo com essas notícias, os milagres eram
comuns. Rumores se levantaram de que até mesmo pessoas ressuscitaram dentre os
mortos. Um antigo missionário que lá estava e que agora está na restauração do Senhor foi
a algumas dessas reuniões de reavivamento, a fim de observar o que se passava. Numa
reunião, o líder anunciou que dali a pouco a água se transformaria em vinho. Em dado
momento, esse irmão viu o líder tirar uma garrafa escondida e derramar o seu vinho num
vasilhame de água. Que falsidade! Admitem-se falsidades como essa porque muitos
cristãos têm o desejo de grandeza.
Milagres não são comida. Até mesmo um genuíno milagre de cura pode não nos ser
comida. O Senhor Jesus quer ser nossa comida. Pode ocorrer o fato de alguém ser curado
por Ele sem recebê-Lo como comida. As curas podem ser grandes e miraculosas, mas
ainda assim não terão a natureza de comida. É possível, porém, receber a cura divina de
maneira correta, de modo que através dela o Senhor se nos torne um suprimento de vida.
Tal tipo de cura não e exatamente grande; pelo contrário, é pequeno em aparência.
Aquelas coisas em nossa vida cristã, que não nos suprem com vida ou não são genuínas
nem normais, contrariam a natureza da comida. De acordo com o Evangelho de João, as
pessoas tentaram exaltar o Senhor Jesus, mas Ele sempre fugiu disso. Em João 2, os judeus
viram milagres realizados por Sua pessoa, mas Ele próprio não se comprometeu com eles
que ficavam impressionados com os milagres. Em João 3 Nicodemos veio ao Senhor Jesus
à noite.
Sem que nada de miraculoso ocorresse o Senhor foi vida para esse homem de uma
maneira bem comum, calma oculta, pequena e silenciosa. Essa é a maneira divina.
Até nós, na restauração do Senhor, podemos esperar ver grandes coisas acontecerem,
tal desejo tem, frequentemente aberto a porta a problemas, o desejo de grandeza, invaria-
velmente resulta em sofrimento. Tal sofrimento, contudo, pode ajudar a eliminar o desejo
de grandeza.
Porque a Bíblia não nos dá as dimensões do maná, não lhe conhecemos o tamanho.
Tanto em sua grandeza quanto em Sua pequenez, Cristo é imensurável. A descrição deta-
lhada do maná nas Escrituras simplesmente inclui uma palavra sobre sua pequenez. Cristo
é incomensurável sobre Sua pequenez. A descrição detalhada do maná nas Escrituras sim-
plesmente inclui uma palavra sobre sua pequenez. O maná é pequeno, a fim de ser inge-
rido como comida. Como o verdadeiro maná, Cristo é suficientemente pequeno para O
podermos ingerir, digerir e assimilar.

E. Fino

Uma outra característica do maná é a sua finura (16:14a). O maná era muito fino e
uniforme. Por natureza, somos ásperos e desequilibrados. Até mesmo em virtudes como a
bondade ou a humildade podemos ser ásperos e extremados. Raramente encontramos
uma pessoa que seja fina, uniforme e sóbria. Mas quando tomamos o Senhor Jesus como
nossa comida, desfrutando de Sua palavra como nosso suprimento de vida, tornamo-nos
sóbrios; tornamo-nos finos e equilibrados

46 | P á g i n a
F. Redondo

Em 16:14 percebemos que o maná era redondo. É difícil determinar se era redondo
como um floco ou como uma bola. A forma arredondada de um floco é circular ao passo
que a de uma bola é esférica. A palavra hebraica parece indicar que o maná era como um
floco. Mas em outro lugar lemos que se assemelhava à semente de coentro. Isso indica que
o maná era como uma bola.
A forma redonda do maná significa que Cristo é eterno, sem começo ou fim. Cristo é a
comida eterna para suprimento eterno sem limites. Quem quer que O coma terá vida
eterna com a natureza eterna e receberá suprimento eterno. Através do comer Dele,
tornamo-nos um povo eterno, aqueles que estão além do tempo. O comer de Jesus traz-nos
para fora do tempo e introduz-nos na eternidade. A vida que recebemos na regeneração é
uma vida eterna com uma vida eterna. Por recebermos tal vida tornamo-nos um povo
eterno. Em certo sentido, já somos eternos, embora, é claro, ainda estamos sujeitos ao
tempo. Quanto mais comermos do Senhor Jesus, mais eternos nos tornaremos.
O fato de o maná ser redondo indica que Cristo é eterno, indica que Cristo é eterno,
perfeito e pleno. Com o maná, não há escassez. O Senhor Jesus e Sua palavra são perfeitos
e plenos. Através do comer Dele, nós somos transformados. Quanto mais comermos do
Senhor e da Sua palavra, mais eternos, perfeitos e plenos nos tornamos. Nesta dieta de
maná celestial não há defeito ou escassez.

G. Branco

Êxodo 16-31 indica que o maná era branco. Era limpo e puro, sem qualquer tipo de
mistura. Nenhuma comida terrena é assim. Tudo o que comemos fora de Cristo e da Sua
palavra é um mistura. Somente Cristo e a Sua palavra são puros. Quanto mais festejamos
em Cristo e comemos Sua palavra, mais somos purificados e salvos de todo tipo de mis-
tura.
Se nos achegarmos, diariamente, ao Senhor Jesus, o tomarmos para dentro de nós e nos
alimentarmos da Sua palavra, submeter-nos-emos a um processo de purificação que nos
faz mais e mais puros. Aqueles que se alimentam de Cristo, por fim tornam-se simples e
puros. A maioria das pessoas é complicada. Como tais pessoas complicadas podem tornar-
se simples? A única maneira é comer do Senhor Jesus. À medida que O comermos e rece-
bermos a Sua palavra, mais simples nos tornamos. Dessa maneira, tornamo-nos singelos e
puros.
Quando tomamos Cristo como o nosso maná, não somente somos purificados e simpli-
ficados, como também nos tornamos brancos. Ser branco significa estar sem mancha. Ao
nos alimentarmos de Cristo as manchas dentro de nós são eliminadas. Embora possamos
ser bons em certos aspectos, podemos não ser brancos. Por exemplo, o nosso amor e a
nossa humildade podem ter certa cor natural. Na verdade, nenhuma de nossas virtudes
humanas é branca. Mas quanto mais ingerimos Cristo como nosso suprimento de vida,
mais a nossa cor natural é eliminada, e mais brancos nos tornamos.

47 | P á g i n a
H. Como Geada

O maná também era como geada (16:14). A geada é algo entre o orvalho e a neve. Tanto
o orvalho quanto a geada são refrescantes. Mas embora o orvalho refresque, ele não mata
germes. A geada, todavia, realmente os mata. Como maná Cristo não somente nos refresca
como também mata as coisas negativas dentro de nós. Toda vez que O experimentamos
como o suprimento de vida, somos aguados e refrescados e as coisas negativas dentro de
nós, como nossas atitudes negativas, são levadas à morte. Experimentamos tanto o refres-
car quanto o mortificar da geada.
Como o melhor tipo de ar condicionado, a geada também nos esfria. Todas as pessoas
mundanas são muito quentes em sua busca por prazeres pecaminosos e divertimentos
mundanos. Muitos dos cristãos de hoje também são muito quentes, muito febris, preci-
sando ser esfriados. Isto é especialmente verdade quanto àqueles no Pentecostalismo ou
nos movimentos carismáticos. Os que estão envolvidos em tal movimento precisam comer
maná e experimentar a geada. Na verdade todos precisamos da experiência da geada. Por
sermos muito quentes em certas coisas, precisamos nos tornar frios e sóbrios. Todos neces-
sitamos ser esfriados a fim de sermos refrescados de uma maneira correta. Quando parti-
cipamos de Cristo e de Sua palavra, somos aquietados e refrescados pela geada.

I. Como Semente de Coentro

Em 16:31 e Números 11:7 lemos que o maná era como semente de coentro. Isso indica
que, como comida, Cristo é cheio de vida. Quando Dele nos alimentamos, Sua pessoa
entra dentro de nós como uma semente. Comparada ao milho ou trigo, a semente de
coentro é pequena. Embora esta semente seja muito pequena, é cheia de vida e introduz o
elemento vida em nosso ser. Como tal semente, Cristo cresce dentro de nós.
Se tentarmos receber Cristo em Sua grandeza, estaremos errados. O Cristo que rece-
bemos como nutrição é pequeno como uma semente de coentro. O gozo normal e ade-
quado Dele é tomá-Lo como uma pequena semente cheia de nutrição.
Como o Espírito todo inclusivo que dá vida. Cristo não é grande. Ele é, na verdade
muito pequeno. Se não O fosse como poderia habitar em nós? Em nossa experiência diária
o Espírito é pequeno, não grande; mas aqueles que estão nos movimentos carismáticos tem
o Espírito de uma grande maneira. Eles querem que o mundo todo seja abalado por um
poderoso mover do Espírito. Alguns cristãos têm orado por isso anos a fio, porém tal fato
não aconteceu. Na igreja, o Espírito que dá vida move-se em nós e em nosso meio de uma
maneira pequena, aqui e ali, capturando pessoas para o Senhor. Embora o trabalho do
Espírito seja em pequena escala, ele nunca pára.
Em muitos casos, aqueles que são salvos de uma maneira espetacular não prosseguem
com o Senhor. Os que se convertem de uma maneira aparentemente discreta, porém, fre-
quentemente, prosseguem com Ele de um modo firme e absoluto. Como as sementes de
coentro que crescem sossegadamente sem empolgamentos, elas crescem gradual e positi-
vamente. Com elas não há nada especial, nada incomum, mas a vida cresce e se multiplica.
Essa é a maneira de desfrutar de Cristo, como uma semente de coentro cheia de vida.

J. Sólido

O fato de o maná também ser sólido está implícito na descrição de como as pessoas o
preparavam; eles o moia "em moinhos, ou num gral o pisava, e em panelas o cozia‖ (Nm
48 | P á g i n a
11:8). Para que fosse moído, batido e cozido, o maná tinha de ser sólido. Talvez fosse duro
como certos grãos.
Em sua experiência, Cristo é mole ou duro? No meu comer de Cristo, frequentemente
descubro que Ele é sólido, até mesmo duro. Contrariamos nosso conceito natural. Cristo
não é mole. Muitos cristãos, entretanto, gostam de admiti-lo. Mas o maná era tão sólido a
ponto de ter que ser batido, moído e cozido em panelas. Antes que os bolos pudessem ser
feitos de maná, este, primeiramente, tinha de ser moído.
Talvez você esteja imaginando o que isso significa. Quando era jovem, pensava que os
filhos de Israel simplesmente ajuntavam o maná, traziam-no às suas tendas e o comiam.
Números 11:8 incomodou-me por muito tempo. Comer não é algo simples. Depois de
ajuntá-lo, precisamos moê-lo, batê-lo e cozê-lo e então fazer bolos dele. Muitos cristãos
lêem a Bíblia, mas não recebem comida alguma porque lhes falta o moer, o bater e o cozer.
Diariamente, em nossa experiência precisamos moer Cristo, batê-lo e cozê-lo. As nossas
experiências são as mós, os lagares e as panelas para fazê-lo. Certas experiências são como
pedras de mós, ao passo que outras são como lagares e panelas. Através de tipos dife-
rentes de circunstâncias e situações, a Bíblia é comida por nós. Podemos ajuntar o maná,
mas podemos não tê-lo moído, batido ou cozido. Podemos ter só maná cru que não é
adequado para comer. Depois de moído, o maná é transformado em bolos. Para fazê-los,
precisamos de certas situações e circunstâncias. Necessitamos também de outros irmãos
com mais experiências para ajudar-nos a moer, bater e cozer o maná. Fora desse processo,
ele ainda não está pronto para ser comido.
Embora possamos ajuntar maná durante o nosso momento com o Senhor de manhã,
este pode ainda não estar pronto para ser comido. Mas através das nossas experiências em
circunstâncias diferentes, ele é moído, batido e cozido. Só então estará adequado para ser
ingerido.

K. Sua Aparência como a do Bdélio

Em Números 11:7 lemos que a aparência do maná era como a do bdélio (hebraico). É
difícil traduzir este versículo adequadamente. A versão King James diz que a cor era como
a do bdélio. Este tem sido interpretado como duas substâncias diferentes, tanto como uma
goma branca transparente quanto uma pérola branca. As pérolas produzidas pela resina
de certas árvores são muito parecidas com pérolas produzidas por ostras. Quando a goma
resinosa, que flui destas árvores, endurece, ela forma bolas semelhantes a pérolas. A
palavra bdélio nesse versículo pode referir-se a essas bolas. Assim, duas substâncias
podem ser chamadas de pérolas: uma produzida pelas ostras e a outra produzida pela
secreção da goma resinosa das árvores. Ambos os tipos de pérolas são brilhantes e trans-
parentes.
A palavra hebraica traduzida por "cor" ou ''aparência nesse versículo na verdade signi-
fica um olho. O maná tem um olho. O olho do maná é como o de uma pérola. Uma pérola
lembra um pouco um olho. Se examinar uma, você verá que é como um globo ocular.
Cada unidade do maná assemelhava-se a um globo ocular: redondo brilhante e transpa-
rente. Você já notou que seu globo ocular é transparente? Se não o fosse, seríamos cegos.
O nosso globo ocular é transparente como as lentes de uma câmera.
Quanto mais comermos de Cristo, mais olhos teremos e mais transparentes nos torna-
remos. Os quatro seres viventes em Apocalipse 4 estão "cheios de olhos por diante e por
detrás" e "cheios de olhos, ao redor e por dentro" (v. 6, 8) Os olhos são para os seres vivos

49 | P á g i n a
receberem luz e visão. O fato de os quatro seres viventes serem cheios de olhos indica que
são cristalinos em tocos os aspectos.
Um olho tipifica transparência. Com a exceção de nossos olhos, que são transparentes,
todo o nosso corpo é opaco. Se não tivermos Cristo, não teremos quaisquer olhos e sere-
mos totalmente opacos. Quando fomos salvos, começamos a ficar transparentes. Agora,
quanto mais desfrutamos de Cristo como o maná celestial, mais transparentes nos torna-
mos. Toda vez que estamos com irmãos que desfrutam de Cristo como comida, sentimos
que são transparentes. Como o maná Cristo é transparente. Quando O comemos, tornamo-
nos transparentes também.
Tal transparência por fim, tornar-se-á em nossa aparência. Se desfrutarmos de Cristo
dia a dia comendo-O como o maná com a aparência de bdélio, teremos o aspecto de Cristo,
a aparência de um globo ocular, e isso se tornará a nossa cor. Pelo comer de Cristo, a nossa
cor torna-se a Sua transparência. Dessa maneira, a transparência torna-se o nosso aspecto e
nossa cor.
O comer de Cristo leva-nos a ter mais olhos. Quanto mais O comemos e comemos a Sua
palavra mais nos tornamos criaturas vivas cheias de olhos. Às vezes desejo não ser limi-
tado por dois olhos físicos. Com mais olhos eu poderia ver bem mais. Se tivéssemos mais
olhos espirituais, seríamos muito mais brilhantes e transparentes. A maneira de se ter mais
olhos é comer mais de Jesus como o maná real com a aparência de bdélio, a aparência de
um globo ocular, brilhante e transparente. Quando estivermos na Nova Jerusalém, todo o
nosso ser será transparente, como o muro da cidade. Por ser totalmente transparente, a
glória de Deus pode brilhar através dele. Comendo Jesus, por fim, nos tornaremos trans-
parentes em todo o nosso ser.

L. O Seu Sabor como Óleo Fresco

Números 11:8 diz que o sabor do maná ―era como o de bolos amassados com azeite".
Óleo tipifica o Espírito Santo. Quando comemos Cristo como o nosso maná, saboreamos o
Espírito de Deus. O óleo aqui é fresco. O Espírito que saboreamos quando desfrutamos de
Cristo como maná é sempre fresco.

M. O seu sabor como de bolos de mel

Êxodo 16:31 diz que seu sabor era "como bolos de mel". O mel é doce; é a mistura de
duas vidas, o produto da vida animal e vegetal. As abelhas "do mel, que o produzem, rece-
bem o suprimento das flores, da vida vegetal. Como o nosso maná Cristo tem este ele-
mento da mistura da vida animal com a vegetal. Tal mistura é a nossa doce nutrição.
Já enfatizamos que o sabor do maná é como o de óleo fresco e também como o de bolos
de mel. O sabor do óleo fresco é perfumado, ao passo que o sabor do mel é doce. Aroma e
doçura são os dois aspectos mais importantes do paladar. O sabor do óleo representa o
aroma e o sabor do mel, a doçura. A comida saborosa é sempre aromática ou doce. Cristo
assemelha-se ao óleo e mel. O óleo é misturado com os bolos e o mel, com broas. Como
nossa comida, Cristo tem o aroma do óleo e do mel.
Em nosso desfrutar de Cristo, sentimos a Sua fragrância e doçura. Dentro Dele há o
sabor do óleo e do mel. Ele nunca é amargo ou salgado ao nosso paladar, mas é sempre
fragrante e doce.

50 | P á g i n a
N. Bom para fazer bolos

Após ser moído, as pessoas faziam bolos do maná (Nm 11:8). Esses bolos eram uma
forma de pão fino e muito nutritivo. Como os bolos feitos de maná, Cristo é rico em
nutrientes. A Bíblia diz que Ele é o pão que desceu do céu (Jo 6:41). O fato de Cristo ser
pão significa que Ele é comida rica em nutrientes. Este aspecto de Cristo como maná é
tipificado pelos bolos. A diferença entre pães e bolos é que o pão não é tão depurado
quanto aqueles. Louvado seja o senhor porque Ele é um bolo fino, repleto de nutrientes.

O. Um mistério

Finalmente o maná era um mistério. Na verdade, a palavra maná significa "O que é
isto?‖ Nenhum dos filhos de Israel sabia o que era maná. Você já notou que, ao descrevê-
lo, a Bíblia compara-o a certas coisas? Por exemplo, 16:14 diz que ele era tão pequeno como
a geada fina no solo, e 16:31 diz que era como a semente do coentro e que tinha um sabor
de bolos feitos com mel. Repetidamente as palavras ―como‖ e ―semelhante‖ são usadas. A
Bíblia na verdade não nos diz o que ele era por ser este misterioso.
Embora o maná viesse do céu e não pertencesse à velha criação, ele podia alimentar o
corpo físico do homem. Para tanto, ele devia conter certos elementos e minerais que
faziam parte da velha criação. Isso mostra o mistério do maná.
Como o maná verdadeiro, Cristo é misterioso. Ele não pode ser explicado cientifica-
mente. No Novo Testamento há varias indicações do mistério de Cristo. Após Sua ressur-
reição, por exemplo, Ele entrou num quarto fechado onde os discípulos estavam reunidos.
Estes, "surpresos e atemorizados acreditaram estarem vendo um espírito" (Lc 24:37).
Sabendo, que estavam perturbados, o Senhor disse: "Vede as minhas mãos e os meus pés,
que Sou Eu mesmo; apalpai-Me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos,
como vedes que Eu tenho" (v. 39). Na ressurreição, Cristo tornou-Se o Espírito que dá vida
(1Co 15:45b). Ele, todavia, tinha um corpo que podia ser visto e tocado. Os discípulos
podiam até mesmo ver as marcas dos cravos em Suas mãos e pés. É difícil dizer se Ele é,
hoje, espiritual ou material. Por um lado Cristo tem um corpo de carne e ossos. Por outro,
a Bíblia diz-nos que Ele habita em nós e está sendo formado em nosso interior (Gl 2:20;
4:19). Simplesmente não podemos explicá-Lo porque Ele é misterioso. Como maná, Cristo
é realmente um mistério.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E OITO
A DIETA CELESTIAL — MANÁ

(4)

Leitura da Bíblia Êx 16:31-36; Hb 9:4; Ap 2:17

Nesta mensagem chegamos a um assunto muito profundo sobre o maná: o guardar um


ômer de maná num vaso, diante do Senhor, para as futuras gerações (16:31-36). O manda-
mento para colocar esta porção de maná diante do Senhor era algo incomum. Em nenhum
outro lugar na Bíblia lemos que Deus tenha ordenado a Seu povo preservar alguma
comida diante Dele para as gerações vindouras. Mas após os filhos de Israel começarem a
desfrutar do maná, Deus encarregou-os de tomarem um vaso e colocarem dentro dele um
ômer de maná, e porem-no diante de Jeová (16:33, hebr). Mais tarde, veremos que o maná
foi colocado numa urna de ouro (Hb 9:4).
Qual é o significado do mandamento para preservar um ômer de maná, a comida celes-
tial destinada ao povo de Deus? Por que o maná foi colocado num vaso de ouro e posto
dentro da arca junto com as tábuas da aliança? O mana estava no vaso, o vaso na arca e
esta estava no Santo dos Santos. Além disso, o Santo dos Santos estava no tabernáculo e
este era rodeado pela cerca do átrio exterior. Dentro deste estava o tabernáculo, e no
interior deste último, o Santo dos Santos: dentro do Santo dos Santos estava a arca, dentro
da arca estava o vaso e no interior do vaso de ouro estava um ômer de maná.
Aparentemente, a arca era o objeto principal do tabernáculo. Na verdade, o maná guar-
dado no vaso colocado dentro da arca era o ponto crucial. O maná no vaso estava oculto
sob cinco camadas de coberturas. O verdadeiro ponto central era o maná no vaso de ouro.
Faríamos bem em perguntar a nós mesmos qual é o ponto central da nossa vida cristã.
Assim como o maná no vaso de ouro era o ponto crucial da habitação de Deus, também
Cristo como o maná comido por nós deve ser o ponto central de nosso ser. O tabernáculo
era a habitação de Deus no Antigo Testamento, e nós o somos hoje. Do ponto de vista da
experiência, podemos considerar-nos idênticos ao tabernáculo, pois este era o edifício de
Deus e nós também o somos. A igreja é o tabernáculo de Deus hoje. Somos coletivamente
idênticos ao tabernáculo por sermos parte da igreja. Como parte desta, o ponto central do
nosso ser deve ser o maná. Para descrever este maná de uma maneira ainda mais
completa, podemos dizer que ele é o Cristo que temos comido, digerido e assimilado pelo
Seu povo.
Agora podemos compreender por que Deus ordenou que uma certa quantidade de
maná fosse guardada num vaso de ouro diante Dele. Isso indica que o Cristo a quem
ternos comido, digerido e assimilado é o nosso centro. Qual é o centro do seu ser hoje?
Dizer que o nosso centro é o maná seria usar um termo do Antigo Testamento. Na
terminologia do Novo Testamento, devemos responder que o centro do nosso ser é o
próprio Cristo que comemos, digerimos e assimilamos. Posso ousadamente testificar que o
ponto central do meu ser é este Cristo.

52 | P á g i n a
IV. Um memorial diante de Deus

O maná guardado no vaso foi preservado para ser um memorial diante de Deus para as
gerações vindouras. Êxodo 16:32 diz: ―Dele encherás um ômer e o guardarás para as
vossas gerações, para que vejam o pão com que vos sustentei no deserto, quando vos tirei
do Egito". Ao considerarmos este relato sob o ponto de vista de nossa experiência, nota-
mos que quando participamos de Cristo dia a dia, nós também O estamos preservando.
Muitos cristãos porém não estão guardando muito de Cristo. Todos precisamos preservá-
lo. Antes de entrar na vida da igreja, eu não O preservara muito. Pela misericórdia do
Senhor, contudo posso testificar que durante os últimos trinta anos, O tenho preservado
bastante. Nesse ponto, estou muito contente com os jovens. Até mesmo eles em nosso
meio são abençoados ao preservarem uma boa quantidade de Cristo. A quantidade de
Cristo que preservamos depende da quantidade de Cristo que comemos. Quanto mais O
comermos, mais O preservaremos.
No Antigo Testamento o maná era preservado na proporção do ajuntar e comer. Em
16:33 Moisés disse a Arão que colocasse um ômer de maná num vaso. Ao colher e comer o
maná, alguns dos filhos de Israel podem ter sido ávidos, ao passo que outros, negligentes.
De acordo com 16:16 o povo ajuntava "um ômer por cabeça". No versículo 17, lemos que
os filhos de Israel "colheram, uns mais, outros menos". Entretanto, após medirem o maná
que haviam apanhado "não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhia
pouco" (v, 18). Os que ajuntavam com avidez o maná recebiam um ômer. E aqueles que
eram negligentes também recebiam um ômer. De acordo com a nossa medida o maná que
ajuntamos pode superar um ômer, mas segundo Deus, é exatamente um ômer. Em coisas
espirituais não devemos ser ávidos. Não importa quão capaz sejamos em ajuntar maná,
por fim todos recebemos um ômer.
Vimos que a quantidade do maná ajuntada a cada manhã chegava a um ômer para cada
pessoa. A quantidade de maná que era comida a cada dia também era de um ômer para
cada pessoa. Não importa quão grande fosse o apetite ou a capacidade de uma pessoa, ela
comia um ômer de maná. Por outro lado quem tivesse um apetite e uma capacidade
pequenos, também comia um ômer.
O fato de um ômer de maná ser guardado no vaso indica a sua quantidade a ser preser-
vada era a mesma ajuntada e comida. Isso mostra que não podemos guardar Cristo mais
do que ajuntamos e comemos. Pelo contrário, ajuntamos e comemos uma certa quantidade
e preservamos aquela mesma quantidade. Usando os termos do Antigo Testamento,
aquilo que ajuntamos e comemos mede um ômer, e o que preservamos também mede um
ômer. Não importa a quantidade ajuntada por nós, ainda temos um ômer. De semelhante
modo, não importa a quantidade que somos capazes de comer, ainda assim comemos tão
somente um ômer.
Aos filhos de Israel não era permitido guardar o maná para o dia seguinte. Em 16:19,
Moisés disse ao povo: "Ninguém deixe dele para a manhã seguinte". Entretanto, "não
deram ouvidos a Moisés, e alguns deixaram do maná para a manhã seguinte; porém deu
bichos e cheirava mal" (v. 20). Era necessário aos filhos de Israel comer sua quota de maná
a cada dia. Se o guardassem até a manhã seguinte, ele apodreceria. Isso indica que poupar
de acordo com o conceito natural não é bíblico.
Em Mateus 6:34, o Senhor Jesus diz-nos que não fiquemos ansiosos com o amanhã. Que
amanhã seja amanhã. Não se preocupe. Àqueles que se preocupam com o dia seguinte
tentarão poupar tanto quanto possível.
Tal poupança nunca se destina ao dia de hoje, mas sempre para amanhã. Não devi-
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amos, entretanto viver uma vida de amanhã. Só temos o hoje, não o amanhã. Ninguém
pode viver o dia seguinte. A cada manhã devemos simplesmente ajuntar maná. Não
devemos ser ávidos, nem negligentes, mas ajuntar maná segundo a palavra de Deus. Ele
nos diz para ajuntarmos maná de manhã e assim o fazemos de acordo com Sua pessoa.
Então após moê-lo, batê-lo ou cozê-lo, comemo-lo. Que paz e descanso é comer maná
assim diariamente. Temos uma vida descansada e pacífica sem preocupações e problemas
Todo dia comemos a nossa porção cotidiana de maná e vivemos um dia de cada vez.
O ponto aqui é que Deus ordenou ao povo guardar um ômer de maná, a exata quanti-
dade que ajuntavam e comiam a cada dia. Isso mostra que a quantidade de Cristo que co-
memos é a mesma que podemos preservar. Deus não nos ordena guardar qualquer outro
tipo de comida diante Dele. Mas exige que preservemos uma quantidade de Cristo igual à
quantidade que Dele comemos.

A. Cristo como o elemento reconstituinte do Povo de Deus

O fato de o Cristo que comemos ser o Cristo que preservamos indica que tudo o que
comemos de Cristo há de se tornar um memorial para as gerações vindouras. Somente o
Cristo que comemos e experimentamos é digno de lembrança. Sua pessoa, de que desfru-
tamos, será um memorial eterno, pois o Cristo que experimentamos e desfrutamos torna-
se a nossa própria constituição. Ele na verdade, torna-se o elemento reconstituinte do povo
de Deus, aquele elemento que os leva a serem recompostos. Nada do que somos, temos ou
fazemos é digno de lembrança. Somente o Cristo que se tornou a nossa constituição é
digno de ser um memorial eterno. Aquilo de que nos lembraremos na eternidade não será
nada mais além de Cristo. Geração após geração, Ele será o nosso memorial.
Quando alguns cristãos estiverem na eternidade, talvez não terão muito de Cristo para
lembrar. Por não estarem comendo muito de Sua pessoa hoje, não terão muito Dele para
recordarem. Todavia, se estivermos bem com o Senhor dia a dia e O comermos consis-
tentemente, teremos muito a dizer sobre Ele na eternidade. Lembrar-nos-emos das horas
maravilhosas que tivemos na vida da igreja comendo de Cristo e Dele desfrutando. Tudo,
o que desfrutamos de Cristo na igreja hoje tornar-se-á um memorial eterno. Este memorial
será preservado na presença de Deus, no Seu próprio ser.

B. Cristo como o suprimento celestial para o Povo de Deus,


para o lugar da habitação de Deus na Terra

Segundo a Bíblia, este memorial de maná indica que, como o verdadeiro maná, Cristo é
a fonte de suprimento para a habitação de Deus. Ele é o suprimento celestial para o povo
de Deus, para a Sua habitação na terra. Numa mensagem posterior, veremos que, com o
maná como seu suprimento, os filhos de Israel edificaram o tabernáculo. Este era um
símbolo dos filhos de Israel, que eram a verdadeira habitação de Deus, sendo supridos
com o maná e reconstituídos com ele. Nesse sentido, o suprimento do maná até mesmo se
tornou o tabernáculo.
O que será lembrado de Cristo por nós na eternidade terá dois aspectos: o aspecto do
desfrutar de Sua pessoa como nosso elemento reconstituinte e o aspecto de Cristo como o
suprimento para fazer de nós a habitação de Deus no universo. Esses dois pontos estão
claramente relacionados à nossa experiência na restauração do Senhor hoje. Pelo tomar
Cristo como o nosso suprimento de vida, reunião após reunião, Dele desfrutamos como o
nosso elemento constituinte e edificamos a habitação de Deus. Esses aspectos da nossa

54 | P á g i n a
experiência de Cristo tornar-se-ão um memorial na eternidade. Não pense que quando
estivermos na eternidade, não nos lembraremos da nossa experiência hoje. Pelo contrário,
lembrar-nos-emos de como desfrutamos de Cristo e de como O tomamos como nosso
suprimento para nos tornarmos a habitação de Deus. Este é o maná preservado como um
memorial diante de Deus.

V. O maná escondido

Abordaremos agora a questão do maná escondido. O memorial é o maná escondido.


Em Apocalipse 2:17 o Senhor Jesus diz: "Ao vencedor darei do maná escondido". O maná é
um tipo de Cristo como comida celestial capacitando o povo de Deus a prosseguir em Seu
caminho. Uma porção daquele foi preservado num vaso de ouro encerrado na arca. O
maná exposto era destinado ao desfrutar do povo de Deus de uma maneira pública; o
maná escondido, tipificando o Cristo escondido, é uma porção especial reservada para os
cristãos vencedores.
Já enfatizamos anteriormente que o maná exposto era aquele ajuntado pelos filhos de
Israel a cada manhã, o maná que era público. Mas o ômer de maná colocado no vaso e
guardado dentro da arca no Santo dos Santos era escondido. Este não se destinava à
congregação de uma maneira pública. Mas sob o ponto de vista de nossa experiência,
também é possível dizer que o maná público é aquele que não comemos, ao passo que o
escondido refere-se ao que comemos, digerimos e assimilamos. Toda a vez que comemos
maná, ele espontaneamente se torna maná escondido.
Precisamos nos lembrar de que somos idênticos ao tabernáculo no Antigo Testamento.
O nosso espírito bem dentro em nós, é o Santo dos Santos. Nele temos Cristo como a arca
de Deus. O maná não comido por nós permanece exposto sob o céu. Mas o que comemos
fica oculto em nosso interior. Muitos cristãos só conhecem o maná público. Por não
comerem Cristo como o seu maná, eles não têm o maná escondido. Mas para nós que o
estamos comendo diariamente, o maná exposto está se tornando o maná escondido.

A. Um ômer — A décima parte de um efa

Já enfatizamos que o maná guardado como um memorial tinha a medida de um ômer.


Em 16:36 lemos: "Um ômer é a décima parte do efa." Se você ler Números 18:26-30, notará
que a décima parte denota uma porção especial ao sacerdócio. Isso indica que o maná
escondido não tinha a congregação como destino em geral, mas para os sacerdotes, que
serviam em particular. Se, como filhos de Deus não comermos o maná, teremos apenas o
maná exposto, não o escondido. Sem o maná escondido, não seremos capazes de funcionar
como sacerdotes. Pelo contrário, simplesmente estaremos no meio do público geral, de
parte da congregação. Mas se comermos o maná, o digerirmos e o assimilarmos, teremos o
maná escondido. Espontaneamente, o maná que comemos leva a uma transformação que
nos transfere da congregação geral para o sacerdócio.
Quando os irmãos não funcionam na vida da igreja, eles não vivem como sacerdotes.
Porque deixam de comer o maná, são meramente uma parte da congregação. Se, entre-
tanto você comer o maná comum, este se tornará o maná escondido que o capacita a fun-
cionar na vida igreja. Assim, quanto mais come de Cristo, mais função exercita. Dessa
maneira você se tornará um sacerdote na realidade e na prática. Antes, sua pessoa era
simplesmente uma parte da congregação em geral, mas agora você é um sacerdote que
funciona. Anteriormente, estava do lado de fora do tabernáculo, mas agora você está

55 | P á g i n a
vivendo no Santo dos Santos. Comer maná realmente faz uma diferença. Este nos constitui
num tipo diferente de pessoas. Se não o comermos, simplesmente estaremos no meio da
congregação. Mas se o fizermos, seremos transformados em sacerdotes com o maná escon-
dido como nossa porção específica. O Cristo de que desfrutamos e experimentamos,
espontaneamente, torna-se a nossa porção específica. Ele é o maná oculto dentro de nós.
Nesta mensagem falei de acordo com a experiência, não de acordo com a doutrina. É
bem mais fácil falar sobre o maná exposto. É difícil, porém compreender o que significa o
maná escondido; entretanto, se o considerarmos sob o ponto de vista da nossa experiência,
teremos uma compreensão correta dele. Toda vez que comermos Cristo como o maná
comum, este torna-se escondido dentro de nós. Isso nos leva a sermos um tipo diferente
de pessoas. Antes éramos parte da congregação geral, mas agora estamos no sacerdócio.
Como sacerdotes que funcionam, servimos a Deus pelo desfrutar de Cristo como a nossa
porção específica.

56 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM TRINTA E NOVE
A DIETA CELESTIAL — MANÁ

(5)

Leitura da Bíblia: Êx 16:13b-15; 31-36; Hb 9:4; Ap 2:27

B. Num vaso de ouro

Em 16:33 notamos que um ômer de maná foi colocado num vaso e posto diante do
Senhor a fim de ser guardado para as gerações futuras. Hebreus 9:4 fala da urna de ouro
contendo o maná. O maná oculto estava, portanto, num vaso de ouro. O maná escondido
em um vaso de ouro indica que a nossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.
Em Colossenses 3:3 Paulo diz-nos que a nossa "vida está oculta juntamente com Cristo, em
Deus". O Cristo oculto em Deus é o maná escondido no vaso de ouro.
Na Bíblia, o ouro significa a natureza divina. De acordo com 2 Pedro 1:4, somos partici-
pantes desta. Somente a natureza de Deus, a natureza divina, pode preservar Cristo como
o nosso maná escondido. Louvado seja o Senhor porque dentro de nós temos um vaso de
ouro, ou seja, a natureza divina. Não podemos preservar Cristo em nossa mente e emoção;
podemos fazê-lo somente na natureza divina que temos dentro de nós através da
regeneração. Na verdade, a natureza divina em nosso íntimo é o próprio Deus. O maná no
vaso de ouro indica que o próprio Cristo de que desfrutamos como nosso suprimento de
vida é guardado na natureza divina que agora está no mais interior do nosso ser. Cristo é a
nossa porção especial de comida oculta na natureza divina. Ao tocarmos essa natureza, o
vaso de ouro, desfrutamos de Cristo como o maná escondido dentro dele.

C. Dentro da arca do testemunho no Santo dos Santos

O vaso de ouro com o maná escondido estava dentro da arca do testemunho no Santo
dos Santos (Hb 9:4). A maioria de nós percebe que a arca tipifica Cristo. Ele como o maná é
preservado na natureza divina e esta em Cristo é tipificada pela arca. Esse Cristo está em
nosso espírito, que, em nossa experiência, é o Santo dos Santos.
Novamente percebemos que isso é de difícil compreensão doutrinária. Todavia, se apli-
carmos tal figura do maná, do vaso de ouro e da arca à nossa experiência espiritual,
seremos capazes de compreendê-la. Todos podemos testificar que certamente desfrutamos
de Cristo, também vimos que a Sua pessoa de quem desfrutamos torna-Se a que preser-
vamos. Desfrutamos de um ômer de maná e também preservamos um ômer. O Cristo de
que desfrutamos é preservado na natureza divina a qual está dentro de nós. Esta está
totalmente em Cristo, a realidade da arca. Além disso, Ele está em nosso espírito. Quando
permanecemos no espírito, contatamos Cristo. Nele está a natureza divina que preserva o
Cristo que desfrutamos como o maná escondido.
O nosso espírito é para a igreja, na igreja e com a igreja. Esta não é composta do nosso

57 | P á g i n a
corpo ou alma, mas do nosso espírito. Efésios 2:22 diz-nos que a habitação de Deus está no
nosso espírito. Podemos até dizer que o nosso espírito, misturado com o Espírito divino, é
a igreja. Ao desfrutarmos de Cristo, preservamo-Lo na natureza divina que está em Sua
pessoa que, por sua vez, está no nosso espírito. Sendo o nosso espírito para a igreja, com a
igreja e na igreja, na experiência somos o tabernáculo de Deus hoje.

D. Diante do testemunho

Em 16:34 lemos que Arão pôs o vaso com um ômer de maná "diante do Testemunho
para o guardar". Alguns tradutores da Bíblia consideram o testemunho aqui referente à
arca. Discordamos fortemente desta interpretação. No Antigo Testamento, o testemunho
não se refere à arca; refere-se à lei de Deus, aos Dez Mandamentos. A arca era chamada de
"a arca do testemunho" porque as duas tábuas da lei foram colocadas dentro dela. Além
disso, o tabernáculo foi chamado de tabernáculo porque continha o testemunho na arca.
Assim, a arca era a arca do testemunho e o tabernáculo, o tabernáculo do testemunho. No
interior da arca no tabernáculo estava o testemunho de Deus, a lei. Se dissermos que o
testemunho em 16:34 refere-se à arca, então o vaso de ouro com o maná escondido deve
ter ficado fora dela, pois este versículo diz-nos que o vaso fora colocado diante do
testemunho. Pela leitura cuidadosa da Escritura, entretanto notamos que o vaso de ouro
estava dentro da arca junto com "a vara de Arão, que floresceu, e as tábuas da aliança" (Hb
9:4). O vaso de ouro deve ter sido colocado diante das duas tábuas dentro da arca.
Essa figura do vaso de ouro diante das tábuas do testemunho indica que o maná oculto
no vaso corresponde aos Dez Mandamentos. Isso quer dizer que o maná corresponde à lei
de Deus. O maná contido na natureza de Deus corresponde ao Seu testemunho que, por
sua vez, descreve a Sua natureza e sobre ela testifica. A lei é um testemunho daquilo que
Deus é. Como já enfatizamos muitas "vezes" a lei testifica que Ele é santo e justo e que é
luz e amor. Esses quatro atributos são os aspectos principais da descrição da natureza de
Deus proporcionada pela lei. A natureza da Deus é santa e justa, e Ele mesmo é luz e
amor. Os Dez Mandamentos descrevem tais atributos e deles testificam. O fato de o maná
escondido no vaso de ouro ser colocado diante do testemunho indica que ele corresponde
ao testemunho de Deus e satisfaz Seus requisitos.
Precisamos aplicar isso à nossa experiência cristã. A revelação na Bíblia indica que,
como pessoas regeneradas, temos o testemunho de Deus dentro de nós. Temos a lei da
vida (Rm 8:2), e temos uma consciência. Em nossa experiência aprendemos que nossos
"esforços na vida natural para cumprir os requisitos de Deus sempre terminam em
fracasso. Não há nada na vida natural que corresponda ao testemunho de Deus; entre-
tanto, quando participamos do maná como nosso suprimento de vida, este, que comemos,
torna-se o maná escondido. Tal maná escondido, preservado na natureza divina dentro de
nós, corresponde à lei da vida e satisfaz seus requisitos. Nas palavras de Romanos 8:4, os
justos requisitos da lei são preenchidos naqueles que andam de acordo com o espírito.
As tábuas da aliança na arca indicam que o testemunho de Deus está em Cristo. Esse
testemunho faz exigências sobre nós e requer certas coisas de nossa pessoa. Em nós mes-
mos não podemos cumprir essas exigências e requisitos, pois não há nada em nosso ser
que corresponda ao testemunho de Deus. Entretanto, ao ingerirmos Cristo como comida e
como o nosso suprimento de vida, o Cristo escondido, o Cristo como o maná escondido,
alinha-nos com o testemunho de Deus. Em outras palavras, o Cristo preservado dentro de
nós leva-nos a correspondermos ao testemunho de Deus.
Já vimos que, de acordo com 16:34, o vaso com o maná era posto "diante do Teste-
58 | P á g i n a
munho". Muitas versões põem em letra maiúscula a palavra testemunho. Se o testemunho
denota a arca, o vaso de ouro com o maná escondido então estava fora dela. Mas Hebreus
9:4 diz claramente que o vaso de ouro com o maná estava na arca. Por isso, o testemunho
em 16:34 não deve referir-se a ela, mas às tábuas do lei que estavam nela. Como isso é
significativo visto à luz da nossa experiência! O Cristo de que desfrutamos hoje não está
fora de nós, corresponde á lei de Deus; pelo contrário, está em nosso íntimo. Além disso,
este Cristo interior corresponde à lei, que também está dentro de nós. Louvamos ao
Senhor pela lei da vida dentro do nosso ser. Esta lei faz exigências, mas temos Cristo como
o maná interior, escondido para corresponder ao testemunho de Deus e cumprir suas
exigências. O Cristo que comemos e assimilamos, leva-nos a concordar com a lei interior
da vida. Assim, temos três itens cruciais: a comida, o testemunho e a correspondência da
comida com o testemunho. Aleluia pelo maná escondido na natureza divina correspon-
dendo às exigências da lei interior da vida! Por causa desta correspondência maravilhosa,
podemos ficar livres de toda luta, porfia e rivalidade interior. Podemos ficar em paz. Por
um lado, temos a lei com as suas exigências; por outro, temos Cristo como o nosso
suprimento de vida que corresponde à lei. Como resultado, podemos ficar em paz.
Nesse ponto precisamos ser lembrados de que essa experiência está relacionada com a
igreja e ocorre nela. Vimos que a igreja é o tabernáculo de hoje. Dentro da igreja como
tabernáculo de Deus, a Sua habitação, notamos três pontos interiores: o maná escondido, o
testemunho e a paz correspondente. Ao experimentarmos tais coisas do tabernáculo,
servimos a Deus e Este aceita o nosso serviço. Além disso, este é o lugar do falar de Deus,
o lugar do Seu oráculo.
Os diversos aspectos da experiência do maná escondido estão além do falar humano. É
melhor não dizermos muito a seu respeito. É suficiente ter um mapa para guiar-nos em
nossa experiência espiritual. Quando o lemos, compreendemos a nossa experiência e
sabemos onde estamos com relação ao maná escondido.

E. Aos vencedores para a edificação da habitação de Deus

De acordo com Apocalipse 2:17, o maná escondido destina-se aos vencedores. O maná
exposto destinava-se ao gozo do povo de Deus de uma maneira pública; o maná escon-
dido é uma porção especial reservada para os Seus vencedores que são vitoriosos quanto à
degradação da igreja mundana. Enquanto a igreja anda no caminho do mundo, esses
vencedores vêm à frente para permanecerem na presença de Deus no Santo dos Santos,
onde desfrutam do Cristo escondido como urna porção especial para o seu suprimento
diário.
Todo sacerdote correto é um vencedor. Não pense que é impossível ser vencedor. Você
pode tornar-se um desfrutando de Cristo como o maná. Coma do maná exposto e Cristo
terá um vencedor e também preencherá os requisitos da lei interior de vida e o introduzirá
na paz. Como resultado, você será um vencedor de acordo com Apocalipse 2:17.
De acordo com o Antigo Testamento, os filhos de Israel comeram o maná no deserto por
um período de quarenta anos. Mil e seiscentos anos mais tarde, porém, o Senhor Jesus
falou à igreja em Pérgamo, e a todas as sete igrejas na Ásia sobre o maná escondido.
Depois de todos esses séculos, Ele trouxe de volta seu povo ao maná. A intenção de Deus é
que todas as igrejas comam do maná. Entretanto, nas igrejas não devemos simplesmente
comer o maná exposto, mas também o escondido, que nos faz sacerdotes e vencedores.
Através do comer o maná escondido, receberemos uma pedrinha branca (Ap 2:17). Na
Bíblia uma pedra tipifica material de edificação. Se comermos o maná escondido tornar-
59 | P á g i n a
nos-emos sacerdotes e vencedores. Por fim, aquele nos transformará em pedras para a
edificação da habitação de Deus.
Nos tempos antigos, o comer do maná relacionava-se à edificação do tabernáculo como
a habitação de Deus. Hoje, o comer de Cristo como o maná escondido também está relacio-
nado à edificação do Seu lugar de habitação. A Bíblia revela substancialmente, que comer
o maná destina-se à edificação da habitação de Deus.
A nossa compreensão do maná escondido é limitada por nossa experiência. Não posso
ministrar a este respeito mais do que tenho experimentado. Pelo menos temos visto que
hoje estamos comendo Cristo e preservando-O. Simultaneamente, Ele está transformando-
nos em sacerdotes e vencedores. Também está fazendo de nós pedras brancas para a
edificação da habitação de Deus no espírito.
Muitos cristãos hoje estão buscando milagres sem perceberem que todos estes pontos
relacionados ao maná são verdadeiros milagres. Enquanto muitos buscam milagres super-
ficiais, nós desfrutamos dos mais profundos encontrados no maná. Dia a dia estamos
comendo Cristo e desfrutando Dele. Isso não é um milagre? Se o comer do maná pelos
filhos de Israel o era, certamente o nosso comer de Cristo hoje também é um milagre. Com
respeito ao maná, há milagre sobre milagre.
Até mesmo a quantidade da nossa porção diária de maná é miraculosa. Não importa
quão diligentes ou até mesmo ávidos possamos ser no ajuntar o maná, estaremos, por fim,
sempre com um ômer. Perceber isto nos levará a ficarmos em paz e a vivermos um dia de
cada vez. Não tente economizar maná para amanhã. Pelo contrário, viva pela provisão
miraculosa do Senhor hoje. O que você desfruta de Cristo será aquilo que é preservado
com Cristo na natureza divina. Isso ocorre totalmente em nosso espírito e está relacionado
à igreja. O Cristo que desfrutamos na igreja está escondido em Deus e preservado em Sua
natureza. A medida de Cristo que preservamos no vaso de ouro está na arca e corresponde
à lei de Deus. Tudo isso está no Santo dos Santos, que está no tabernáculo.
Aqueles que são ávidos podem tentar guardar maná para amanhã. Mas o maná que
você guardar dessa maneira não o alimentará no dia seguinte. Pelo contrário, dará bichos.
É estranho, todavia, que o ômer de maná ajuntado no vaso de ouro não tenha estragado
nem apodrecido. Permanece para sempre.
Em 16:21 lemos também que ao se aquecer o sol, o maná se derretia. Por um lado, este
último podia ser moído, batido e cozido. Por outro, derretia-se quando deixado à luz do
sol. Entretanto, o ômer de maná preservado no vaso de ouro não se derretia. Esta é uma
indicação adicional da natureza miraculosa da provisão do maná.
A intenção de Deus é dar a cada um de nós um ômer de maná, quer ajuntemos mais ou
menos. A medida de maná que recebemos depende de Deus, não de nós. A medida está na
Sua mão. Além disso, ao comer o maná, somos capazes, por fim de comer somente um
ômer. Isso indica que a quantidade de maná que comemos não é segundo o nosso apetite,
mas está de acordo com o arranjo do Senhor.
Quando alguns ouvem que o ajuntar e o comer do maná estão de acordo com Deus e
não com a nossa pessoa, eles podem dizer; "Não há motivo para sairmos a fim de ajuntar
maná. Quer o ajuntemos ou não, o Senhor terá misericórdia de nós. Entretanto, se esta for
a nossa atitude, isso não acontecerá. Precisamos fazer a nossa parte ajuntando o maná.
Quanto ao mais, o Senhor fará. Não importa a quantidade que ajuntarmos, receberemos
um ômer. De semelhante modo, não importa o quanto o possamos comer, por fim
ingeriremos somente um ômer. Não pense que por comer avidamente você poderá
participar de mais maná.
Todos os diferentes aspectos do maná são miraculosos. O fato de Deus enviar o maná é
60 | P á g i n a
um milagre que não pode ser explicado por nosso entendimento natural. No sexto dia, os
filhos de Israel ajuntavam uma porção dobrada a fim de ter suprimento para o dia do
sábado. Nesse caso, a porção extra não dava bichos. Esse acontecimento certamente está de
acordo com Deus. Além disso, notamos que o maná no vaso de ouro não se estragava nem
se derretia, o que revela que a experiência do maná não está de acordo com a regra do
homem. Deus é aquele que determina como ele deve ser ajuntado, comido e preservado.
Se tentarmos armazená-lo, dará bichos. Mas se Deus nos disser que devemos apanhar uma
porção por dois dias, o maná permanecerá novo. Se Ele então quiser que guardemos um
ômer de maná num vaso de ouro, aquela porção permanecerá para sempre.
Com respeito ao maná as regras não estão de acordo com a nossa concepção natural.
Isso indica que o gozo de Cristo não é segundo a maneira ou cálculo do homem. O nosso
desfrutar de Sua pessoa deve estar de acordo com Deus. A maneira de desfrutar de Cristo
depende totalmente das regras de Deus. Embora não possamos expressar isso totalmente
em palavras, podemos apreciá-lo segundo nossa experiência.
Podemos ser ávidos até mesmo em buscar o Senhor. Isso ocorre principalmente com os
jovens, que não gostam de ser limitados. Os ávidos, entretanto precisam ser reduzidos por
Deus. Podemos ajuntar bastante maná, mas Deus regular-nos-á e nos reduzirá a uma
medida adequada. Isso não implica, contudo, no fato de que devemos ser preguiçosos.
Além disso, não devemos tentar regular ou medir a nós mesmos. Devemos simplesmente
permitir que a medida celestial nos equilibre. Não importa quão ávidos sejamos em
ajuntar maná, por fim nos igualaremos aos outros, e não receberemos mais do que eles.
Não adianta, tentarmos nos ajustar. Os ávidos nunca serão preguiçosos e os preguiçosos
nunca serão ávidos. Tentar mudar nossa pessoa é apenas esforço religioso. Devemos sim-
plesmente buscar ao Senhor. O que recebermos Dele será um milagre de acordo com a Sua
misericórdia. Não importa a quantidade de maná que somos capazes de colher, depois
que ele for medido, cada um de nós terá um ômer.
Quando ouvem que não importa a quantidade de maná ajuntado, e que cada um rece-
berá um ômer, alguns podem dizer: "Então não devemos tentar fazer nada". Se lhe for
possível cessar tudo o que está fazendo, eu o encorajo a parar sua atividade. Na verdade,
porém, tudo depende do Senhor.
O ponto sobre o fato de que Deus nos equilibra pode não estar claro a todos os irmãos.
O maná em si e um milagre e o lidar com ele também o é. Tudo, relacionado a ele, é
miraculoso. A maneira pela qual foi enviado é miraculosa e a maneira de equilibrá-lo de
acordo com a medida celestial também o é. Torna-se difícil para nós compreender por que
após ajuntar tanto maná ainda assim recebemos só um ômer. No mesmo princípio,
também é de difícil compreensão o motivo por que aqueles que ajuntam menos que um
ômer também recebem um ômer. Tudo isso é miraculoso.
A Bíblia não nos diz que o maná se derretia após os filhos de Israel o trazerem para suas
tendas. Se, porém, ele fosse deixado a céu aberto, derreter-se-ia com o aquecimento do sol.
Talvez a temperatura nas tendas fosse mais alta do que a exterior; entretanto, o maná se
derretia quando deixado a céu aberto, mas não nas tendas dos israelitas. Tal fato mostra
que a experiência toda do maná não está de acordo com o conceito natural ou cientifico,
Além disso, ela não está de acordo, com o arranjo do homem. Os filhos de Israel tinham de
ajuntar, desfrutar e guardar o maná de acordo com Deus e Suas regras. O mesmo é
verdade a nosso respeito quanto à experiência de Cristo como o nosso suprimento de vida.
Vimos que o maná guardado no vaso de ouro permaneceu anos a fio sem se estragar ou
derreter. O principio aqui, como também tudo o mais relacionado ao maná, é que este era
uma provisão miraculosa do Senhor. Tal milagre, contudo, não era de curta duração. O
61 | P á g i n a
envio do maná era um milagre a longo prazo que continuou por cerca de quarenta anos.
Manhã após manhã, ele vinha de uma maneira miraculosa. Não importava onde estives-
sem os filhos de Israel em suas viagens, o maná vinha a cada manhã. O seu envio não
estava condicionado a um certo lugar. Embora ele, no deserto, fosse um milagre de longa
duração, não era tão duradouro quanto Cristo é para nós. Como nossa comida, Ele durará
pela eternidade. Ser participante de Cristo é um milagre. Não está de acordo com o
conceito natural e não pode ser compreendido através de investigação cientifica.
Se você não crê que ser participante de Cristo é um milagre, eu lhe pergunto por que,
no meio de um número tão vasto de cristãos hoje, você tem fome de Sua pessoa e tantos
outros não têm. Isso não é um milagre? Por que você participa de Cristo enquanto outros
não têm apetite por Ele? Entre os filhos na mesma família, alguns têm um coração por
Cristo e outros são indiferentes. Um grupo de cristãos pode ouvir as mesmas mensagens e
receber a mesma verdade espiritual, mas alguns buscam ao Senhor e outros não. Essa é
uma indicação a mais que o nosso participar de Cristo é miraculoso.
O tabernáculo no Antigo Testamento retrata a experiência espiritual. No tabernáculo
havia o Santo dos Santos. Dentro deste estava a arca e nela havia um pote de ouro con-
tendo maná. Tudo isso é uma figura da nossa experiência. No Santo dos Santos, o nosso
espírito, temos Cristo, a arca de Deus. Dentro Dele está o vaso de ouro, a natureza divina,
preservando o Cristo que desfrutamos. Esse quadro revela que o maná escondido é preser-
vado nas profundezas do nosso ser, no Cristo oculto e guardado na natureza divina. Esse
Cristo, oculto e preservado será um memorial pela eternidade.
Se nos perguntarem onde o maná escondido está hoje, não devemos dizer que está
simplesmente em nosso espírito. Devemos prosseguir e dizer que o maná escondido está
no vaso de ouro, que este está na arca e que a arca está no Santo dos Santos. Esse é um
quadro do nosso deleite de Cristo.
A Bíblia é um livro maravilhoso. Depois que os filhos de Israel começaram a comer o
maná, Deus ordenou-lhes que guardassem um ômer deste num vaso de ouro e o colo-
cassem na arca do testemunho. Sua intenção aqui é retratar a nossa experiência de Cristo.
Certos mestres cristãos não interpretam o quadro desta maneira porque a sua visão das
coisas é objetiva. De acordo com a interpretação deles, o Santo dos Santos se refere aos
céus. Se tal interpretação for correta, o vaso de ouro, então contendo o maná escondido,
estará bem longe de nós. Tal maneira de pensar aborda somente o aspecto celestial, não o
da experiência espiritual. Se nos preocupamos com o aspecto da experiência, precisaremos
interpretar a figura de uma maneira subjetiva. De acordo com este ponto de vista, o Santo
dos Santos refere-se ao nosso espírito. Onde está hoje o maná escondido? Está na natureza
divina dentro do nosso espírito. Se tivermos a experiência genuína de Cristo, daremos
valor a Ele e desfrutaremos Dele na natureza divina dentro do nosso espírito.
Hoje somos o tabernáculo de Deus. Como tal, temos a arca, Cristo, em nosso espírito. Já
enfatizamos muitas vezes que o vaso de ouro está na arca e que o maná está no vaso de
ouro. Em nossa experiência desfrutamos de três coisas preciosas: a arca, o vaso de ouro e o
maná. Quão subjetivo é Cristo como o maná escondido! Ele é o maná que comemos e
desfrutamos. Este era preservado como um memorial pela eternidade. O que você desfruta
de Cristo será preservado na natureza divina pela eternidade. Creio que, quando
entrarmos na eternidade, ficaremos mais claros a este respeito.
A figura de preservar o maná no vaso de ouro está relacionada à nossa experiência de
Cristo. Porque muitos cristãos não alcançam o significado dessa figura, somente percebem
que o maná é bom para comer, não fazendo idéia de que ele, que desfrutamos, deve ser
preservado como um memorial na natureza divina dentro de nós. Somos gratos ao Senhor
62 | P á g i n a
pela figura no final de Êxodo 16. Esta retrata a experiência de Cristo como o maná. Se O
comermos como tal, este será preservado na natureza divina em nosso interior. Esse maná
escondido é um memorial de Cristo como o suprimento para o povo de Deus a fim de
edificar a habitação de Deus. Tal memorial será uma lembrança pela eternidade. Tudo o
mais pode mudar, mas a nossa experiência de Cristo permanecerá pela eternidade. O que
desfrutamos de Sua pessoa tornar-se-á um memorial no futuro. Tudo o que comermos
Dele será preservado na natureza divina como um memorial eterno. Este é o significado
do quadro no final do capítulo 16.
Não devemos seguir aqueles mestres da Bíblia que interpretam essa figura somente de
uma maneira objetiva. Precisamos compreendê-la subjetivamente de acordo com a nossa
experiência. Se virmos o quadro da preservação do maná desta maneira, perceberemos
que somos o tabernáculo e que o conteúdo deste está dentro de nós. A arca e o teste-
munho, a lei da vida, estão dentro de nós. Além disso, o vaso de ouro com o maná está
dentro de nós como um memorial pela eternidade.

63 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA

A ÁGUA VIVA PROVENIENTE DA ROCHA FERIDA

(1)

Leitura da Bíblia: Êx 17:1-7; Nm 20:1-13; 1Co 10:1-4

Tendo já abordado o maná celestial no capítulo 16, atingimos, nesta mensagem, a água
viva que flui da rocha ferida (17:1-7)

O MANÁ E A ÁGUA VIVA

Precisamos atentar para a sequência de acontecimentos nos capítulos 16 e 17. No


capítulo 16 temos um quadro claro do maná, e no seguinte, o registro da água viva fluindo
da rocha ferida. Esta sequência não é acidental, mas está de acordo com a soberania do
Senhor. A mesma sequência é encontrada em João 6 e 7. Em João 6, lemos sobre o maná
celestial, e em João 7, sobre a água viva. Esta é mais uma indicação de que a sequência do
maná e da água viva está de acordo com o arranjo soberano de Deus.
Em Sua obra de criação, Deus preparou a rocha citada em Êxodo 17 e colocou-a exata-
mente no lugar geograficamente correto. Quando os filhos de Israel chegaram àquele
lugar, a rocha estava esperando por eles. No capítulo 17, não lemos que a Moisés foi
ordenado procurar uma rocha ou trazê-la ao povo. Pelo contrário, há uma clara indicação
de que a rocha já estava lá. Assim como Deus preparou o Mar Vermelho para servir como
um batistério para os filhos de Israel, também o fez uma rocha, provavelmente uma bem
grande, para servir como um tipo de Cristo no capítulo 17.
Após criar o homem, Deus o colocou num jardim com a árvore da vida e um rio
fluindo. A árvore da vida corresponde ao maná, que satisfaz a fome do homem, e o rio
fluindo corresponde a água viva, que sacia sua sede. Em Gênesis 2, a árvore da vida é
mencionada antes do rio. Mas em Apocalipse 22, o rio de água da vida é citado antes da
árvore da vida. De acordo com Apocalipse 22:1-2, a árvore da vida cresce no rio, ao passo
que em Apocalipse 22 a ordem é invertida? No estágio inicial, a árvore da vida é seguida
pelo rio, mas no estágio posterior, a árvore da vida cresce no rio que flui.
Este é um quadro da nossa experiência espiritual. Ao ouvirmos, pela primeira vez o
evangelho, recebermos a palavra de Deus. Receber a palavra é receber o maná. Após a
recebermos, o Espírito começou a fluir em nós como um rio. Esta foi a sequência no princí-
pio da experiência da salvação. Agora, à medida que prosseguimos na experiência espiri-
tual, o Espírito como um rio que flui, traz-nos o suprimento da palavra, o maná. No
princípio da nossa experiência cristã, tivemos primeiramente a palavra, e depois, o Espí-
rito; primeiro o maná e depois a água viva. Mas quando a nossa experiência de salvação
continua, a ordem é mudada, e o Espírito nos supre com a palavra. O Salmo 36:8 diz:
"Fartam-se da abundância da tua casa e da torrente das tuas delícias lhes dá de beber".
Este versículo refere-se ao estágio inicial da experiência da salvação de Deus. Aqui, a

64 | P á g i n a
abundância da casa de Deus (a palavra), precede o beber do rio das delícias de Deus (o
Espírito).
É significativo o fato de os filhos de Israel terem tido a experiência da água viva
registrada no capitulo 17 depois de começarem a comer do maná. Imediatamente após
começarem a comer do maná, eles foram guiados a um lugar onde não havia suprimento
de água. Longe de ser casual, esta sequência de acontecimentos ocorreu, de acordo, com o
arranjo soberano de Deus Esta sequência é parte do quadro nítido e completo de Sua
salvação plena apresentada em Êxodo. Como já enfatizamos várias vezes, este último é um
livro de figuras retratando a salvação de Deus. Ao considerarmos tais figuras precisamos
adorá-Lo por Sua soberania. Em sua criação, Ele fez os arranjos necessários. Depois, à
época certa, guiou Seu povo ao lugar onde a rocha estava esperando por eles.

SEGUINDO A ORIENTAÇÃO DE DEUS

Em 17:1, lemos que os filhos de Israel viajaram do acordo com o mandamento do


Senhor. Não o fizeram segundo sua própria opinião ou escolha. O mandamento do
Senhor, sem dúvida, estava relacionado à coluna de nuvem e de fogo, pela qual o povo foi
guiado em suas viagens. A coluna tipifica o próprio Senhor, que tomava a frente e guiava
o povo no seu caminho. Não havia necessidade de Deus dizer ao povo quando se movi-
mentar ou aonde ir. Ele simplesmente tinha que seguir a coluna. Dia e noite, uma alta
coluna ficava entre o céu e a terra. Durante o dia, ela possuía a aparência de uma nuvem, à
noite, assemelhava-se ao fogo. Em 13:22, lemos que o Senhor "não tirava a coluna de
nuvem de dia, nem a coluna de fogo de noite, de diante do povo". De acordo com
Números 9:17-18, "quando a nuvem se levantava do tabernáculo, os filhos de Israel se
punham em marcha, e no lugar onde a nuvem parava, aí os filhos de Israel se acampa-
vam. Segundo o mandado do Senhor os filhos de Israel partiam, e segundo o mandado do
Senhor se acampavam, (hebraico). Isso mostra que o mandamento do Senhor está relacio-
nado à coluna de nuvem e a de fogo. Toda a vez que esta se movia, de dia ou durante a
noite, os filhos de Israel viajavam. Assim através da coluna, Deus silenciosamente dava
ordens ao povo sobre as suas viagens.
Ao partirem do lugar onde comeram o maná pela primeira vez, os filhos de Israel
simplesmente seguiam a orientação do Senhor. Não se moviam e acordo com a sua prefe-
rência e não sabiam para onde estavam indo. Eles simplesmente seguiam a coluna,
enquanto esta os guiava a um lugar seco, um lugar, onde não havia suprimento de água,
mas onde existia uma imensa rocha. Aqui neste lugar, o povo de Deus experimentaria a
Sua salvação.

SETE EXPERIÊNCIAS NOTÁVEIS

Quando os filhos de Israel estavam no Egito, viram a força toda poderosa de Deus
demonstrada nas pragas trazidas miraculosamente sobre os egípcios pela intervenção
divina. Além disso, experimentaram a Páscoa e o êxodo, através dos quais foram liber-
tados da tirania de Faraó. Tendo feito o seu êxodo do Egito, eles cruzaram o Mar
Vermelho. Nas palavras de 14:22 diz: "os filhos de Israel entraram no meio do mar a pé
enxuto, e as águas eram um muro sobre eles à sua direita e à sua esquerda‖. Depois, em
Mara, o povo de Deus experimentou a mudança das águas amargas em doces. Passando
de Mara para Elim, eles experimentaram as setenta palmeiras crescendo e as doze fontes
de água fluindo. Depois disto, no capítulo 16, participaram do maná como a provisão do
65 | P á g i n a
Senhor. Num curto período de tempo, os filhos de Israel tiveram sete experiências extra-
ordinárias; as pragas no Egito, a Páscoa, o êxodo, a travessia do Mar Vermelho, a mudança
de águas amargas em doces, as setenta palmeiras e as doze fontes de águas e o maná
celestial. Se considerarmos nossa história espiritual, perceberemos que também temos tido
essas experiências básicas.

A NOSSA NECESSIDADE DE ÁGUA VIVA

Depois da sétima experiência, a do maná celestial, a coluna guiou os filhos de Israel a


um lugar onde teriam uma outra experiência—a experiência da água viva. Isso indica que
mesmo depois de termos experimentado Cristo como o nosso maná, ainda precisamos
experimentá-Lo como nossa água viva. Tanto na vida espiritual quanto na vida física
precisamos tanto beber quanto comer. Não podemos viver sem beber. A sede é inclusive,
mais séria do que a fome, pois uma pessoa morrera mais cedo de sede do que de fome.
Enquanto comemos nossa comida, precisamos de alguma coisa para beber. Também temos
necessidade de beber outras vezes durante o dia. Embora precisemos comer e beber. A
bebida é mais necessária que a comida. Assim em certo sentido, a água viva fluindo da
rocha ferida é mais crucial que o maná.
A água é também necessária para uma digestão correta. Se comermos comida sólida
sem nunca beber algum líquido o nosso estômago não será capaz de digerir nossa comida.
Para digestão e assimilação desta a água se faz necessária. O mesmo princípio se aplica
aos descrentes quando reagem à pregação do evangelho e se abrem para receber o Senhor.
Se eles tomarem a palavra do evangelho sem experimentarem o Espírito, não serão
capazes de digerir a palavra. Depois de a receberem, precisam experimentar o Espírito
para ajudá-los a digeri-la. Após receberem a palavra, eles precisam experimentar o
Espírito para ajudar na sua digestão.

FERIDA PELA AUTORIDADE DA LEI DE DEUS

Uma diferença importante entre o maná e a água da rocha é que o maná não apresenta
uma figura tão clara da morte de Cristo como a água. Isto, porém, não quer dizer que a
morte de Cristo não é vista na experiência do maná. No capítulo 16 lemos que o maná era
moído e batido. O moer e o bater retratam a morte de Cristo. Para ser nossa comida, Cristo
teve de sofrer morte. Mas esta figura da morte de Cristo não é tão clara como aquela de
ferir a rocha para liberar o fluir de água viva. O ferir da rocha e uma figura clara, completa
e plena da crucificação de Cristo.
Embora seja um tanto fácil moer a semente de coentro, é bem diferente fazer com que
uma imensa rocha seja ferida. O Senhor disse a Moisés que usasse a sua vara para ferir a
rocha, e dela sairia água para que o povo pudesse beber (17:6). Precisamos prestar
cuidadosa atenção ao fato de a rocha ser ferida pela vara de Moisés. Em tipologia, Moisés
simboliza a lei e a vara representa o poder e a autoridade da lei. A rocha, é claro, tipifica
Cristo. O ferir a rocha pela vara significa que Cristo foi ferido pela autoridade da lei de
Deus. Aos olhos de Deus, o Senhor Jesus foi levado à morte, não pelos judeus, mas pela lei
de Deus. Durante as três primeiras horas da Sua crucificação, Cristo sofreu debaixo da
mão do homem. Mas durante as últimas três horas, Ele sofreu porque foi ferido pelo poder
da lei de Deus.

66 | P á g i n a
A ROCHA E O ESPIRITO

Em muitos lugares, a Bíblia nos diz que Deus é a nossa rocha. Deuteronômio 32:18
refere-se a Deus como a rocha que nos gerou. Isto mostra que como a nossa rocha, Deus é
nosso Pai. Esta rocha é uma rocha geradora, cheia de vida. Em 2 Samuel 22:47 e Salmo
95:1, vemos que Deus é a rocha da nossa salvação. Além disso, esta rocha é a nossa força
(Sl 62:7) e o nosso refugio (Sl 94:22). Ela é o nosso esconderijo, proteção, cobertura e
segurança. Isaías 32:2 fala do Senhor como "a sombra de uma grande rocha numa terra
deserta". Quando estamos sedentos, podemos descansar debaixo da sombra lançada por
esta rocha e sermos refrescados. Esta rocha, que estava aguardando num lugar seco pelo
povo de Deus, fora ferida de modo que o povo pudesse ter água viva para beber.
A água que fluía da rocha ferida tipifica o Espírito. João 7:37-38 diz: "No último dia, o
grande dia da festa, Jesus levantou-se e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e
beba. Quem crê em Mim, como diz as escrituras do seu interior fluirão rios de água viva".
Esta palavra foi proferida no ultimo dia da festa dos tabernáculos. João 7:39 prossegue
dizendo: "Mas isto Ele disse com respeito ao Espírito, que aqueles que cressem Nele
haveriam de receber". Isto mostra claramente que a água que flui tipifica o Espírito.
Há muitos anos atrás li um artigo que dizia que em Jerusalém, nos tempos antigos
quando os israelitas celebravam a festa dos tabernáculos, eles erigiam uma rocha. Segundo
este artigo, sobre a rocha, as águas estavam fluindo como uma lembrança de que os
ancestrais dos judeus haviam vagado no deserto e bebido das águas que fluíram da rocha
ferida. Perto da rocha deve ter havido também tendas mostrando que os ancestrais
viveram em tendas e vagaram no deserto, mas tinham a rocha ferida com a água viva para
saciar sua sede. Tal figura poda ser literalmente considerada como um antecedente
quando o Senhor Jesus se levantou para chamar os sedentos a Ele e beberem.
Uma outra referência a água que flui está em João 19:34. Aqui lemos que depois que o
Senhor morreu na cruz, "um dos soldados feriu Seu lado com uma lança e imediatamente
saiu sangue e água". Isto foi prefigurado pela água fluindo da rocha ferida.

A ROCHA SEGUINDO O POVO DE DEUS

Paulo fala da água da rocha ferida em 1 Coríntios 10:4, onde diz que os filhos de Israel
"beberam todos da mesma bebida espiritual, porque beberam daquela Rocha espiritual
que os seguia, e aquela Rocha era Cristo". Paulo ousadamente nos diz que a rocha seguia o
povo de Deus em sua jornada através do deserto. Toda vez que eles viajavam, a rocha ia
com eles.
Gastei bastante tempo para descobrir que base Paulo tinha para dizer que a rocha ia
com os filhos de Israel através do deserto. Tudo o que fui capaz de descobrir e uma pista
em Êxodo 17 e Números 20. Em Êxodo 17, a rocha estava num lugar, rumo ao sul, no
deserto de Sim. Mas em Números 20, a rocha estava em Cades, rumo ao norte no deserto
de Sim. Porque houve uma disputa em ambos os lugares, o mesmo nome — Meribá — foi
usado em ambas as ocasiões. A rocha que foi ferida no sul por fim apareceu com os filhos
de Israel no norte. Além disso, o registro em Números 20 descreve um acontecimento que
ocorreu aproximadamente trinta e oito anos mais tarde do que o que está registrado em
Êxodo 17. Com estes fatos como base, Paulo podia dizer que a rocha seguiu os filhos de
Israel.
67 | P á g i n a
Precisamos crer na palavra de Paulo em 1 Coríntios 10:4, caso contrário falta-nos fé. Em
vez de colocarmos tanta fé na ciência, devemos confiar na palavra da Bíblia. As concepções
da ciência podem mudar, pois ela é totalmente desprovida de revelação divina, mas a
palavra de Deus nunca muda. De acordo com a palavra de Paulo em 1 Coríntios 10:4, a
rocha seguiu os filhos de Israel o caminho todo, de Horebe a Cades.

UMA COMPREENSÃO CORRETA

Já enfatizamos que esta rocha e uma rocha geradora e que também é a nossa salvação,
refúgio, força, descanso e refrigério. Ela é realmente tudo para nós. Através da encarnação,
Cristo veio a terra como a rocha. No Calvário o lugar determinado, Ele foi crucificado,
ferido pela lei de Deus com o seu poder e autoridade. O Seu lado foi ferido e a água viva
fluiu Dele. Esta água viva é o Espírito, o resultado final do Deus Triúno.
Esta não é a nossa interpretação de 17:1-6; é a interpretação apresentada pela própria
Bíblia. Quando colocamos juntos diversos versículos como peças de um quebra-cabeças,
vemos um quadro mostrando o significado do ferir a rocha pela vara de Moisés. Este
quadro revela que Cristo é a rocha que nos gera. Ele é a rocha da nossa salvação, refúgio,
força e descanso. Tendo sido ferida pelo poder da lei justa de Deus, Ele foi ferido e a água
viva fluiu para bebermos. A água é o Espírito como o resultado do Deus triúno. Esta água
sacia nossa sede e satisfaz plenamente o nosso ser. Esta e a compreensão correta do quadro
retratado em 17:1-6.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E UM
A ÁGUA VIVA PROVENIENTE DA ROCHA FERIDA

(2)

Leitura da Bíblia; Êx 17:1-7; Nm 20: 1-13; 1Co 10:1-4

Os Filhos de Israel tentando a Deus

Ao entrarem numa região onde não havia água, os filhos de Israel discutiram com
Moisés e tentaram a Deus (17:1-2; Nm 20:2-3). Eles haviam visto os milagres de Deus, mas
não conheciam os Seus caminhos (Sl 103:7).
Suponha que você estivesse no meio dos filhos de Israel na época, e que visse o poder
miraculoso de Deus exercido ao enviar as pragas sobre os egípcios. Depois disso, experi-
mentasse a Páscoa e um êxodo maravilhoso do Egito e passasse através do mar Vermelho
como se tivesse andando em terra seca. Depois, experimentasse a água que fora transfor-
mada de amarga em doce e desfrutasse das doze fontes e das setenta palmeiras em Elim.
Recentemente, começasse a tomar parte do maná celestial milagrosamente providenciado
por Deus. Agora, seguindo a orientação da coluna, você chega a um lugar no deserto onde
não há água. Se esta fosse a sua situação, o que faria? Você se queixaria a Moisés e conten-
deria com ele? Quando entramos nestas circunstâncias, podemos pensar que agradece-
ríamos ao Senhor. Mas se pudéssemos realmente fazer isto, seríamos os mais espirituais
dentre os irmãos.
Se estivéssemos em tal situação, certamente nos queixaríamos a Ele. Provavelmente, nos
esqueceríamos de tudo, inclusive de orar e nos queixaríamos da nossa situação. Como os
filhos de Israel, poderíamos dizer aos líderes: "Por que nos fizestes subir do Egito, para nos
matarem de sede a nós, a nossos filhos, e aos nossos rebanhos?" (17:3). Não creio que
nenhum de nós haveria de louvar ao Senhor ou oferecer-Lhes graças. Pelo contrário,
culparíamos os líderes e acharíamos faltas neles.
Em 17:2, lemos que "o povo contendeu com Moisés e disse: Dá-nos água para beber."
Enquanto os filhos de Israel contendiam com Moisés e tentavam ao Senhor, no meio deles
estava a coluna, permanecendo entre a terra e o céu. Mas na própria presença desta
coluna, o povo queixava-se a Moisés.
Reagindo contra o povo, Moisés disse: "Por que contendeis. comigo? Por conseguinte
tentais a Jeová?" (v. 2 Hb.) O povo parecia esquecer-se de que a coluna estava com eles.
Podemos considerar-nos superiores aos filhos de Israel e pensar que em tal situação
nunca contenderíamos, queixar-nos-íamos ou tentaríamos ao Senhor. Precisamos perceber
que para os filhos de Israel a coluna estava fora deles, mas para nós hoje, a coluna está
dentro de nós. Frequentemente quando nos queixamos sobre o porquê nos metemos num
ambiente ou circunstâncias, temos a profunda sensação interior de que o Senhor que
habita no nosso interior introduziu-nos nesta situação. Muitos de nós podemos testificar
que muitas vezes quando nos queixamos, sentimos a presença do Senhor dentro de nós.
Às vezes, temos este tipo de experiência quando nos queixamos dos presbíteros da igreja
ou os acusamos acerca de algo que eles fizeram. Enquanto os criticamos, ficamos cônscios
69 | P á g i n a
da coluna em nosso interior. Por isso, não devemos pensar que 17:1-6 descreve somente os
filhos do Israel. Este trecho da Palavra também é um quadro de nós hoje.
Se os filhos de Israel conhecessem os caminhos de Deus, eles não teriam contendido
com Moisés ou tentado ao Senhor, pelo contrário, teriam percebido que a sua libertação do
Egito não foi iniciada ou levada adiante por eles. Foi totalmente iniciativa de Deus, efetu-
ada por Sua decisão. Deus mandou Moisés ao povo para dizer-lhes que Ele faria todo o
necessário para tirá-los do Egito e introduzi-los no deserto onde poderiam servir ao
Senhor. O povo então se teria lembrado de que no Egito eles haviam visto os atos pode-
rosos de Deus. Isto lhes teria dado a certeza de que Deus iria de encontro a todas as suas
necessidades. Eles também teriam compreendido que não estavam na presente situação
por sua própria escolha, mas pela orientação do Senhor. O Senhor os havia guiado até lá e
Ele estava presente com eles, como indicado pela coluna que ficava entre o céu e a Terra.
Assim não havia necessidade de se preocupar com o suprimento de água. Deus certa-
mente não lhes permitira morrer de sede, mas providenciaria a água que eles precisavam.
Por isso eles podiam ficar em paz.
Se os filhos de Israel fossem assim tão espirituais, eles não só teriam dado graças ao
Senhor, mas tê-lo-iam louvado com cânticos e danças. Eles poderiam ter proclamado com
confiança: "O nosso Deus trouxe-nos para cá. Ele tem o seu plano e há de proporcionar-nos
todo o necessário para o nosso viver". Embora esta devesse ser a atitude do povo de Deus,
a atitude verdadeira deles foi totalmente diferente. Parece que haviam se esquecido de
tudo o que Deus lhes havia feito. Além disso, eles inclusive ignoravam a presença do
Senhor na coluna. Contenderam com Moisés e questionaram se o Senhor estava ou não no
meio deles.
Para que não sejamos tentados a rir ou criticar os filhos de Israel, precisamos perceber
que a nossa situação hoje é a mesma. Em 17: 1-6 temos uma fotografia de nós mesmos. Em
doutrina e em ensinamento podemos estar claros e confiantes, mas quando estamos na
situação real, esquecemo-nos de tudo o que sabemos. Pode parecer-nos até mesmo que
não há Deus, porque podemos perguntar se Deus está ou não em nosso meio.

Massá e Meribá

Em 17:7 lemos que o nome daquele lugar foi chamado de Massá e Meribá por causa da
contenda dos filhos de Israel e porque tentaram ao Senhor. O nome original deste lugar,
talvez o nome nativo, fosse Refidim. Massá significa provado, testado, tentado, experimen-
tado. Meribá significa contenda ou luta. Massá era um lugar de teste. Três partes estavam
envolvidas no teste em Massá: Moisés, os filhos de Israel e Deus. Israel testou a Deus e
Este testou a Moisés por um lado e os filhos de Israel por outro. Assim em Massá, todas as
três partes foram testadas. O Salmo 81:7 confirma o fato de Deus ter posto Israel num teste
em Massá e Meribá, porque lá diz que Ele provou o povo "nas águas de Meribá". O único
que passou no teste em Massá foi Deus. Moisés e os filhos de Israel falharam. Embora
Moisés e os filhos de Israel tenham falhado neste teste, Deus não os condenou.
Deus testou o povo propositadamente guiando-os pela coluna a um lugar seco. Depois
de guiar o povo a um lugar sem água, Deus ficou silencioso e nada fez por certo tempo. Se
Ele tivesse providenciado água viva imediatamente, o povo não teria sido exposto. Para
expô-lo, Deus deliberadamente omitiu-se em saciar a sede deles. Isto os colocou em teste.
Como já enfatizamos, porque eles contenderam com Moisés e tentaram a Deus, eles
falharam no teste de Deus. Se conhecessem os caminhos de Deus, entretanto, teriam
passado no teste em Massá. Eles teriam dito: "O Senhor trouxe-nos aqui com um propó-

70 | P á g i n a
sito. Ele nunca nos deixará perecer. Pelo contrário, certamente irá de encontro ás nossas
necessidades. Vamos agradecer-lhe, cantar-lhe louvores e dançar diante Dele".
Moisés também fracassou no teste em Massá. Naquela época, Moisés era idoso, com
mais de oitenta anos de idade. Porque ele era um ancião, devemos supor que ele fosse
paciente. Mas nesta situação ele não o foi. Quando os filhos de Israel contenderam com ele,
ele reagiu imediatamente perguntando por que contendiam com ele e tentavam ao Senhor.
Parece como se Moisés estivesse dizendo: "Não há motivo de contenderem comigo. Não
fiz nada errado. Vocês não percebem que não fui eu quem os guiou a este lugar?" A reação
de Moisés à contenda do povo indica que nesta situação ele foi derrotado. Como o resto
dos filhos de Israel, ele não passou no teste.
Embora Moisés reagisse â queixa do povo, no capítulo 17 ele não o fez tão fortemente.
Depois de falar-lhes, ele clamou ao Senhor, dizendo: "O que farei a este povo? Eles estão
quase me apedrejando (v. 4). É difícil dizer se Moisés aqui está orando ou fazendo uma
acusação. Ao clamar ao Senhor, ele parecia estar fazendo uma acusação contra o povo.
Se você tivesse sido Moisés, como acha que teria reagido? Doutrinariamente podemos
ter mais conhecimento do que ele, mas na verdade não somos melhores do que ele.
Segundo a nossa compreensão doutrinaria, sabemos que Moisés devia ter dito: "Senhor,
agradeço-Te pela Tua fidelidade, Louvo-Te e adoro-Te por trazer-nos a esta região seca.
Senhor, mesmo que não haja água neste lugar, olho para Ti e creio em Ti, o Teu supri-
mento chegará a tempo." Moisés, entretanto, não orou assim. Por um lado, ele reagiu aos
filhos de Israel, por outro, acusou-os de quererem apedrejá-lo. Tudo isto mostra que em
Massá, Moisés foi um fracasso.

Um fracasso sério

Embora o Senhor não condenasse Moisés e os filhos de Israel pelo seu fracasso em
Massá em Êxodo 17, Ele realmente condenou-os pelos seus fracassos em Cades em
Números 20. Quando o povo se queixou outra vez sobre a falta de água, Moisés, tendo
aprendido a lição em Massá, não reagiu a princípio. Mas incapaz de tolerar a situação, ele
por fim reagiu bem fortemente dizendo: "Ouvi agora, rebeldes, porventura faremos sair
água desta rocha?" (Nm 20:10). E então desobedecendo à ordem do Senhor em falar à
rocha, ―Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes‖ (v. 11). Ao fazer isto, Moisés
violou a economia de Deus. Como resultado ele foi proibido de introduzir os filhos de
Israel na boa terra. De acordo com Números 20:12, o Senhor disse a ele e a Arão: "Porque
não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isto não introdu-
zireis este povo na terra que eu lhes dei" (hebraico). Como sua irmã Miriam, que morreu
em Cades, Moisés e Arão haveriam de morrer no deserto. Eles não teriam participação no
introduzir o povo na terra de Canaã.
O incidente em Êxodo 17:1-6 ocorreu no princípio da sua peregrinação no deserto,
quando os filhos de Israel apenas haviam começado a seguir ao Senhor. Por esta razão,
embora os filhos de Israel se comportassem deploravelmente e embora Moisés mesmo fra-
cassasse, Deus não ficou zangado com eles. Na verdade, Ele estava totalmente preparado
para enfrentar a situação. Como já enfatizamos, em Sua obra de criação, Ele preparou a
rocha que havia de ser ferida. Aí então por meio da coluna, Deus guiou-os a este exato
lugar. Mesmo embora o povo contendesse com Moisés e tentasse a Deus, o Senhor não
ficou zangado com eles. Trinta e oito anos mais tarde, em Cades, a situação ficou bem
diferente. Nesta época, a maioria daqueles que estavam em 17:1-6 já havia morrido. Isto
quer dizer que aqueles presentes em Cades eram da nova geração, aqueles que haviam

71 | P á g i n a
nascido no deserto. Nos capítulos anteriores a Números 20, um grande número de pessoas
fora morta pelo Senhor. Em Números 20:1, lemos sobre a morte de Miriam. Depois da sua
morte, a contenda em Cades acerca da falta de água se desencadeou.
Este exemplo da contenda do povo foi quase no fim dos seus anos de peregrinação. Por
isso, o Senhor ficou muito zangado com eles. Além disso, o Senhor foi rigoroso ao tratar
com Moisés.
Em Êxodo 17, o fracasso de Moisés consistiu somente em contender com os filhos de
Israel. Mas em Números 20 ele não somente reagiu à contenda do povo, como também
quebrou o princípio básico da redenção de Deus. Cristo tipificado pela rocha, só devia ser
ferido uma vez. Esta foi a razão de em Números 20:8 o Senhor ter ordenado a Moisés que
falasse à rocha, não que a ferisse. A rocha já fora ferida em Êxodo 17. Entretanto, Moisés
falhou ao feriar a rocha pela segunda vez. Os cristãos ao longo dos séculos fizeram a
mesma coisa, na verdade crucificando a Cristo novamente. Fazer isto é uma séria violação
do princípio de Deus da Sua redenção e administração. Muito mais que simplesmente
uma questão pessoal, este foi um ponto relacionado à administração. Esta foi a razão de
Deus tratar tão severamente com Moisés
Precisamos aprender deste fracasso de Moisés a sermos cuidadosos em nossas reações
para que não toquemos na administração de Deus. Quando perdemos a calma, precisamos
ser atentos, em não agirmos de modo a quebrar um princípio básico da redenção e
administração de Deus. É extremamente sério reagir de tal maneira a tocar a adminis-
tração de Deus.

Expostos pela sequidão

Vimos que a escassez de água é um teste tanto para Deus quanto para o Seu povo. Em
nossa vida familiar ou na vida da igreja, Deus frequentemente permite-nos chegar a um
estado de sequidão. Isto é especialmente verdade na vida da igreja. Não há nenhuma
igreja local que está sempre fluindo água viva. Às vezes na vida da igreja chagamos a
Mara, onde as águas são amargas. Em outras ocasiões chegamos a Elim, onde há doze
fontes de água fluindo. Entretanto, raramente ficamos em Elim muito tempo. Debaixo da
orientação de Deus, nós na igreja, por fim seremos trazidos a Massá onde não há nem um
pouco de água. Aqui somos colocados em teste. Quando há abundância de água para
beber, é fácil nos comportarmos de uma maneira correta. Todos os irmãos agem como
cavalheiros e as irmãs são agradáveis. Mas quando não há nada para beber, podemos nos
tornar contenciosos e desgovernados, talvez até mesmo lançando fora toda a restrição. A
situação é a mesma na vida conjugal. Quando tudo é agradável e positivo, o marido e a
esposa podem ser humildes, afáveis e gentis. Mas quando somos levados a um lugar seco
em nossa vida conjugal, o nosso comportamento passa por uma mudança drástica. Em vez
de bondade e gentileza, há murmuração e contenda. Quando há comida suficiente para
todos, não há luta, mas quando há falta de comida, até mesmo aqueles que normalmente
se comportam como damas e cavalheiros vão lutar por ela. De semelhante modo, quando
há um suprimento adequado de água para beber, podemos ser educados e permitir que os
outros bebam primeiro. Mas quando estamos com sede e insatisfeitos por causa da falta de
água, vamos lutar e brigar por nós mesmos. Desta maneira, na vida da igreja e na vida
familiar, nós somos expostos.
Na verdade, o Senhor nos introduz num estágio seco propositalmente com o objetivo de
nos expor. Em tal situação o Senhor nos testa e nós O testamos. Ele nos testa para ver como
vamos reagir. Será que vamos orar, louvar e agradecer ao Senhor ou vamos mur-murar e
72 | P á g i n a
nos queixar? Além disso, os líderes entre o povo do Senhor também são testados pela
sequidão assim como Moisés e Arão o foram. Eles são testados tanto por Deus quanto pelo
povo de Deus. Todavia, entre todas as partes testadas, Deus é o Único que sempre passa
pelo teste. Raramente os servos de Deus ou os líderes entre o povo passam pelo teste.
Ainda mais raramente o povo como um todo passa pelo teste.

As águas de contenda

Ezequiel 47:19 e 48:28 falam das águas de contenda em Cades. Em cada caso, a palavra
hebraica para "contenda" é Meribá, o nome dado ás águas em Números 20:13. A água que
flui da rocha ferida deve ser água de paz. Mas por causa da nossa falha, ela se torna a água
de Meribá, a água de contenda, briga e discórdia. Embora Deus seja fiel e misericordioso,
nós somos pecadores infiéis. Por esta razão, a água que devia ser de paz é chamada de
água de contenda.
De acordo com a nossa opinião, Deus não deveria suprir água viva àqueles que são
pecadores e infiéis, mas Ele não reteve o suprimento de água; pelo contrário, Ele usou a lei
para ferir o Seu Cristo de modo que aquela água viva pudesse fluir para saciar a nossa
sede. Isto revela a fidelidade e a misericórdia de Deus.
O quadro em Êxodo 17 da água viva que flui da rocha ferida expõe a pecaminosidade e
infidelidade do povo de Deus e a falha dos Seus servos. Nós que servimos ao Senhor
precisamos tomar a liderança no meio do povo de Deus em confessar a nossa falha. Fre-
quentemente reagimos de uma maneira negativa quando os testes vêm. Simplesmente não
somos capazes de passar nos testes colocados sobre nós por Deus e Seu povo. Embora
Deus seja fiel e misericordioso, nós somos pecadores, assim como os filhos de Israel o
eram. Embora eles tivessem sido redimidos, em Massá ainda se comportavam como peca-
dores. Cristo foi ferido por nós para que a água viva pudesse fluir Dele para saciar a sede
do povo pecador. Nesta figura vimos um aspecto importante do evangelho. Em Êxodo 17,
Moisés tinha mais de oitenta anos de idade e em Números 20, ele tinha quase cento e vinte
anos. Mas em nenhuma das duas vezes ele passou no teste. A contenda que rebenta por
causa da falta de água coloca-nos num difícil teste. Quando o Senhor permite a igreja
entrar em tal estágio de sequidão, nem mesmo Seus servos lideres são capazes de passar
no teste. Toda vez que nos falta Cristo como água viva para saciar a nossa sede, automá-
ticamente nos sujeitamos ao teste de Deus. Por causa da falta de água, os cristãos de hoje
estão sujeitos a um teste após o outro. Lutas, porfias, contendas e críticas são lugar comum
por causa desta escassez.
Para que possamos aprender uma lição, às vezes o Senhor nos guia até uma terra seca.
Aqui temos a oportunidade de testar Deus e sermos testados por Ele. Tanto o Seu povo em
geral quanto Seus Servos em particular são testados. Mas como já enfatizamos repetida-
mente, só Deus é capaz de passar no teste. Ele somente está qualificado. Isto mostra a
seriedade de ter pouco de Cristo como água viva para saciar a nossa sede. Como é deci-
sivo para nós termos a Ele para ir de encontro a esta necessidade!
Numa mensagem posterior veremos que para que as águas vivas fluam de nós, preci-
samos ser um com Cristo ao sermos feridos. Ele foi ferido e nós também precisaremos ser
feridos. Se não formos identificados com Ele neste ponto, não haverá maneira de a água
viva fluir de nós. Todos nós precisamos ser identificados com o Cristo ferido de modo que
a água viva possa fluir.

Comendo, bebendo e respirando


73 | P á g i n a
Na Bíblia, fala-se mais sobre a água espiritual, ou água da vida, do que sobre comida
espiritual. É bem mais fácil para os que leem as Escrituras serem impressionados com o
beber da água da vida. Até mesmo quando estávamos nas denominações, ouvíamos men-
sagens sobre o beber da água viva, mas muito raramente, se é que pelo menos uma,
ouvimos algo acerca de comer comida espiritual. Na Palavra beber é mais vital do que
comer.
De acordo com a revelação nas Escrituras, o comer está no beber e o beber está no
respirar. Alguns cristãos viram a importância do beber, mas não a necessidade do respirar.
Embora possamos ter a doutrina do beber, sem respirar não teríamos uma maneira prática
de beber água viva. Se quisermos comer, precisamos beber; e se quisermos beber preci-
samos respirar. Se tivermos Êxodo 16, mas não Êxodo 17, teremos o comer sem o beber.
Na prática, não podemos ter um sem o outro, porque o comer está sempre no beber.
A sequência no Evangelho de João indica isto. No capítulo 6, João fala de comer o maná.
Depois, no capítulo 7 ele prossegue abordando o beber da água viva. A sequência de
comer e beber em João é a mesma daquela em Êxodo, onde temos o maná no capítulo 16 e
água no 17.
Se formos iluminados pelo Senhor, percebemos que precisamos mais de beber do que
de comer. Por esta razão, em 1 Coríntios, Paulo enfatiza o beber mais do que o comer. Em
1 Coríntios 13:13 ele diz que todos bebemos de um só Espírito. Se não bebermos, não
seremos capazes de comer. O beber inclui o comer. Isto quer dizer que a comida espiritual
está incluída na água da vida. Assim, sem a água da vida não podemos ter nenhuma
comida espiritual.
De acordo com Apocalipse 22:1 e 2, a árvore da vida cresce no rio da água da vida. Isto
revela que onde quer que a água da vida flua, lá crescerá a árvore da vida. A água traz a
árvore para nós. A água é a fonte, porque ela é a água da vida, não a árvore da vida; ela
procede do trono de Deus e do Cordeiro. O fato de o rio correr do trono e o fato de a
árvore crescer no rio indica que o beber da água da vida é até mais crucial do que comer
da árvore da vida.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E DOIS
A ÁGUA DA VIDA EM RESSURREIÇÃO

Leitura da Bíblia: Êx 17:6; 1Co 10:4, 12:13; Jo 4:10, 14:7, 7:38-39, 19:34; Ap 22:1-2, 17, 21:6

Acerca da água fluindo da rocha ferida em 17: 6, há mais questões que são espirituais e
misteriosas. Para compreendê-las precisamos ver que todo registro na Bíblia tem um
significado espiritual. Não devemos tentar entender qualquer porção do relato bíblico
simplesmente de acordo com letras pretas no branco. Por exemplo, o relato do envio do
maná em Êxodo 16 tem certos aspectos espirituais. Ao considerarmos estes aspectos desco-
brimos que o maná é muito misterioso. Ninguém pode dizer o que era o maná. Ele era
misterioso porque vinha do céu. No mesmo princípio, a água que fluía da rocha ferida
também é misteriosa.
Porque o maná vinha do céu, é fácil perceber que ele era misterioso, mas podemos não
reconhecer os aspectos misteriosos da água que fluía da rocha ferida. Em vez disso,
podemos considerar que isto era algo natural, algo meramente relacionado à terra. Mas
como tanta água poderia sair de uma única rocha? Será que a rocha era uma fonte ou um
manancial? Como ela podia ser a origem da água? Além disso, água da rocha é física ou
espiritual? Se dissermos que é física porque fluía de uma rocha real, o que faremos com a
palavra de Paulo em 1 Coríntios 10:4, onde ele diz que o povo "todos beberam da mesma
fonte espiritual, porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia? Segundo este
versículo, tanto a água quanto a rocha eram espirituais.
Qualquer coisa espiritual é misteriosa. Assim o beber espiritual e a rocha espiritual são
ambos misteriosos. Para que algo seja misterioso isto significa que não pode ser totalmente
explicado, embora possa ser desfrutado e experimentado. Tanto o maná quanto a água
viva da rocha ferida são espirituais e misteriosos.
Que base Paulo tinha para dizer que a rocha era espiritual? Talvez a sua base fosse a
abundância de revelações que ele recebera do Senhor acerca de coisas no céu, na terra e
debaixo da terra. Tendo sido instruído por Gamaliel, Paulo tinha conhecimento completo
do Antigo Testamento. Sem dúvida, através da revelação do Senhor dada a ele seus olhos
foram abertos para ver o significado de muitas coisas no Antigo Testamento. Isto deve ter
lhe dado a certeza para dizer que o maná, a água e a rocha eram todos espirituais. Mas seja
qual for a base de Paulo, temos a confiança de que a sua interpretação era correta.
A água é misteriosa naquilo que fluía da rocha que seguia o povo em sua jornada pelo
deserto. É claro que tal rocha não podia ser física ou material. Como uma rocha física e real
poderia viajar com o povo? O fato de Paulo dizer que a rocha seguia o povo indica que ela
era uma rocha viva. Daí, esta rocha era espiritual e misteriosa. Quando refletimos sobre a
questão da água da vida em ressurreição, precisamos ficar impressionados com os
aspectos espirituais e misteriosos da água da rocha ferida.
A água que saía da rocha é a água da vida em ressurreição. A ressurreição denota algo
que foi levado à morte e que está vivo de novo. Também denota a vida que brota de algo
que passou através da morte. A água viva em Êxodo 17 saiu de uma rocha. Porque Deus
fez com que a água saísse de uma rocha? Sendo o Todo-poderoso, não havia necessidade
de Ele usar uma rocha. Ele podia simplesmente ter aberto o chão e feito com que a água
75 | P á g i n a
viva brotasse. Na Bíblia, esta rocha fala da redenção de Deus e da encarnação de Cristo.
Também fala da humanidade de Cristo e da Sua morte. A água que fluiu da rocha ferida
brotou após a encarnação, o viver humano e a morte. Fluiu somente depois que estes
passos maiores de Cristo foram cumpridos. A Bíblia nos diz claramente que a rocha era
Cristo. Como podia Ele que é Deus, tornar-se uma rocha? Isto implica na encarnação e o
viver humano. Para ser a rocha, Cristo tinha de encarnar-se e viver entre os homens por
um período de tempo. Por fim, quando estava na cruz, Ele foi ferido pela autoridade da lei
de Deus. Assim, 17:6 é um versículo profundo. Implica na encarnação de Cristo, o Seu
viver humano e Sua morte.
É fácil ver que o ferir da rocha tipifica o ferir de Cristo em Sua crucificação. Agora
precisamos prosseguir para ver que a água da vida flui em ressurreição. Não poderia fluir
até que Cristo tivesse passado pela encarnação, pelo viver humano e pela morte. A água
da vida hoje ainda está fluindo, em ressurreição. Frequentemente cantamos sobre beber a
água viva, mas quando cantamos estas canções ou lemos versículos como 1 Coríntios
12;13, duvido que muitos de nós percebam a água viva que estamos bebendo em ressur-
reição. Em João 4:10, o Senhor Jesus disse a mulher Samaritana: ―se conheceras o dom de
Deus e Quem é o que te pede: Dá-me de beber, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva‖.
A água viva a que o Senhor se refere é a água da vida em ressurreição. Antes de o Senhor
Jesus ser ferido na cruz, esta água não estava disponível para bebermos.
De acordo com João 7:38 e 39, os rios de água viva estão relacionados à ressurreição de
Cristo. Aqui vemos que o Espírito como a água viva poderia ser recebido somente depois
que o Senhor Jesus fosse glorificado, isto é, somente depois que Cristo tivesse sido crucifi-
cado e entrado na ressurreição. A glorificação falada em João 7:39 refere-se à glorificação
de Cristo em Sua ressurreição. Lucas 24: 26 diz que na ressurreição, Cristo entrou em Sua
glória. Assim, quando ressurgiu, Ele foi glorificado. Após a glorificação de Cristo em
ressurreição, a água viva fluiu. O Espírito como rios de água viva pôde ser experimentado
pelos cristãos, somente depois de Cristo ter passado pela encarnação, viver humano e
morte, e depois de Ele ter entrado na ressurreição
Quando o Senhor Jesus estava na cruz, "um dos soldados feriu o Seu lado com uma
lança, e imediatamente saiu sangue e água" (Jo 19:34). Muitos cristãos prestam atenção
somente ao sangue que fluiu do lado ferido do Senhor, mas não à água. Note que em João
19:34, o sangue é mencionado primeiro e depois a água. Isso indica que primeiro somos
redimidos e depois recebemos o Espírito.
Embora tenhamos enfatizado que a água da vida flui em ressurreição, ainda não demos
uma definição de ressurreição. Ressurreição é difícil de definir. Para compreendê-la corre-
tamente, precisamos da revelação de toda a Bíblia. Na verdade o centro da Bíblia é a
ressurreição. Você pode ficar surpreso em ouvir que a ressurreição é na verdade o próprio
Deus. Em João 11:25, o Senhor Jesus disse: ―Eu sou a ressurreição e a vida‖. Neste versí-
culo a ressurreição vem antes da vida. Segundo o nosso conceito, entretanto, temos a vida
primeiro e depois a ressurreição, mas na sequência divina a ressurreição vem antes da
vida.
A indicação de que a ressurreição é o próprio Deus, está no fato de que Aquele que se
disse ser a ressurreição, era Deus encarnado. Ele era a Palavra que era Deus que se tornou
carne (Jo 1:1, 14). Em 11:25, Este mesmo declarou-se ser a ressurreição. Traçando inversa-
mente, vemos que a ressurreição era Jesus, Jesus era o Verbo feito carne e o Verbo era
Deus. Isto mostra que a ressurreição é o próprio Deus.
Alguns podem imaginar como Deus poderia ser a ressurreição uma vez que a ressur-
reição envolve a morte. Sem morte, não pode haver ressurreição. Como Deus poderia mor-
76 | P á g i n a
rer ou ser envolvido na morte, a fim de ser ressuscitado? Para provar que Ele é a
ressurreição, Deus teve que entrar na morte. Não havia outro meio de provar que Ele é a
ressurreição.
Para entrar na morte, Deus teve de se encarnar. Ele teve de ter um corpo humano com
uma vida e natureza humanos. O próprio Deus é que Se encarnou e passou através do
viver e morte humanos, também entrou em ressurreição. Qualquer coisa que passa pela
morte e surge vivo está em ressurreição. Como ressurreição, Deus é Aquele que Se
encarnou, experimentou o viver humano é passou pela morte. Agora em ressurreição, Ele
é vitorioso, triunfante e transcendente.
Precisamos que o Senhor amplie a nossa visão ao ler a Bíblia. Se tivermos uma visão
mais ampla veremos que através da encarnação, o Deus eterno passou pela porta que O
introduziu no contato com muitas dificuldades, obstáculos e pressões do viver humano,
coisas as quais Ele não era sujeito na eternidade. Mas como Aquele que se encarnou, Ele
experimentou estes sofrimentos, entrando por fim inclusive na morte. A ressurreição de
Cristo não foi meramente o resultado da Sua saída do túmulo, mas foi também o resultado
de trinta e três anos e meio de viver humano com as suas dificuldades e obstáculos.
Nenhum obstáculo dificuldade ou situação contrária foi capaz de vencê-Lo ou retê-Lo,
mas pelo contrário, Ele passou por todas estas coisas e as subjugou. Ele venceu todas as
coisas negativas, inclusive a morte, o Hades e o túmulo. Isto é Deus em Cristo como
ressurreição.
Porque a água da vida está em ressurreição, ela é vitoriosa é triunfante; ela transcende
toda coisa negativa. Quando bebemos desta água, tornamo-nos pessoa em ressurreição e
da ressurreição.
Olhemos agora para três figuras retratadas nas Escrituras: a rocha ferida com água
fluindo dela; Cristo na cruz com sangue e água fluindo do Seu lado ferido; e Deus no
trono, do qual fluí o rio de água da vida. Estas figuras não tipificam três tipos diferentes de
águas, uma que flui da rocha, outra que flui do corpo de Jesus e ainda outra fluindo do
trono de Deus. Não, a água nestas figuras refere-se a uma única água. Por que então a
Palavra retrata separadamente a rocha, o corpo de Jesus e o trono? Além disso, qual é a
origem da água que flui? É a rocha, o corpo físico de Jesus ou o trono? De acordo com
Apocalipse 22:1, a origem da água viva é o trono de Deus. Este versículo revela que o rio
de água da vida procede do trono.
O trono de Deus com a corrente de água viva existia bem antes de Jesus ser crucificado
e da rocha ser ferida. A água viva procedente do trono começou a fluir antes da morte de
Cristo, não depois dela. De acordo com a sequência na Bíblia, a rocha vem primeiro, o
corpo físico de Jesus em segundo e o trono em terceiro, mas na verdade este vem primeiro.
O fluir da água viva começou do trono. Antes de a rocha ser ferida e antes de Cristo ser
crucificado, a água viva já fluía do trono. Não pense que Apocalipse 22:1 retrata somente
o que vem depois de Êxodo 17 e João 19. Esta é uma figura de algo da eternidade, de algo
que inclui a Bíblia inteira. Isto indica que a água viva estava fluindo antes da encarnação
de Cristo. A encarnação, entretanto, foi um passo a mais no fluir da água viva. Deus fluiu
do Seu trono para uma manjedoura e também para dentro do lar de um carpinteiro. Trinta
e três anos e meio mais tarde, Deus fluiu através da cruz e depois continuou a fluir em
ressurreição.
A Bíblia conta a história do fluir de Deus. Ao longo dos séculos, Deus tem fluído e
ainda está fluindo hoje. No Seu fluir, Ele passou pela encarnação, pelo viver humano e
pela morte, e depois Ele entrou em ressurreição. Agora em ressurreição, Ele é a água viva
para nós bebermos. Portanto, a água da vida que desfrutamos hoje está em ressurreição.
77 | P á g i n a
A água viva tem muitos ingredientes, muitos elementos. Toda a vez que bebemos desta
água viva de uma maneira correta, ela nos supre com todos os elementos e substâncias na
água. Estes elementos trabalham interiormente em nós. Aqueles que enfatizam as assim
chamadas experiências pentecostais pensam que estão bebendo bastante água quando
falam em línguas. Na verdade recebem muito pouco suprimento de vida, se é que recebem
algum. Mas em nossa experiência desfrutamos da obra interior desta água fluindo com
todos os seus ingredientes. A água fluindo em nós não é a água sem o elemento da
encarnação, mas é a água que inclui a encarnação, o viver humano e a morte, a água da
vida em ressurreição. Nada pode vencê-la ou subjugá-la, porque ela é ressurreição e é vida
Nesta mensagem tenho encargo de enfatizar que a água da vida está em ressurreição.
Na verdade, a própria água é ressurreição. Isto significa que o Espírito, tipificado pela
água que flui, é a ressurreição. A ressurreição é o Deus Triúno: o Pai como a fonte, Cristo,
o Filho como o curso e o Espírito como o fluir. Hoje estamos bebendo a água viva em
ressurreição. Esta água passou através da encarnação, do viver humano e da morte.
Porque esta água está em ressurreição, quanto mais a bebemos, mais estamos fora da
nossa condição natural e somos triunfantes sobre obstáculos e dificuldades. Esta água viva
liberta-nos do mundo e de todo tipo de coisa negativa. Porque a água da vida é ressur-
reição, desfrutamos da ressurreição ao participarmos dela.

I. A Água da Vida Sendo o Deus Triúno Fluindo Para Ser a Nossa Vida

A água da vida é o Deus Triúno que flui para ser a nossa vida. Dizer que a água da vida
é o Deus Triúno pode chocar aqueles que são sistemáticos e dogmáticos em sua teologia.
Eles podem considerar herética tal afirmação. O fato de a água viva fluir do trono de Deus
e do Cordeiro indica que Deus o Pai é a fonte, que Deus o Filho é o curso e que Deus
Espírito é o fluir. Segunda Coríntios 13:13 confirma isto. Neste versículo Paulo diz: "A
graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo, seja com
todos vós" (grego) Aqui temos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão, ou o fluir do
Espírito. Este é o Deus Triúno como a água viva. Hoje a própria água da vida que estamos
bebendo é o Deus Triúno fluindo para ser a nossa vida.
Quando leem tais afirmações, alguns podem argumentar que a água da vida não é o
próprio Deus fluindo, mas o fluir da vida de Deus. O que é então, a vida de Deus? Não
temos meios de responder a esta pergunta plenamente ou explicar adequadamente o que é
a vida de Deus. Mas da nossa experiência sabemos que a água viva é o próprio Deus
Triúno.
Não tente compreender a Trindade de uma maneira doutrinária. Pelo contrário, procure
conhecer o Deus Triúno de uma maneira experiencial. Dia a dia podemos experimentar o
fluir do Pai, do Filho e do Espírito. Posso testificar que diariamente tenho um bom
desfrutar do Deus Triúno. Fora desse fluir não seria capaz de suportar todas as dificul-
dades e obstáculos que enfrento tantas vezes. Louvado seja o Senhor pela experiência do
fluir do Deus Triúno como nossa água da vida.

II. Deus Corporificado em Cristo para Atingir a Humanidade

A. Encarnado Para Viver Entre os Homens

Para que possa fluir para o nosso interior, Deus Se corporificou em Cristo para atingir a
humanidade (Jo 1:14). Isto significa que Deus Se encarnou para viver entre os homens. O
78 | P á g i n a
Senhor Jesus viveu na terra por trinta e três anos e meio. Quando o homem Jesus viveu na
terra Deus vivia Nele. Este é um fato da história.

B. Crucificado Para Ser Liberado

Quando era criança, sentia muito por Jesus ter sido colocado na cruz. A minha compre-
ensão da crucificação de Cristo estava de acordo com a minha concepção natural. Sem a
crucificação, não teria havido qualquer maneira para Deus corporificado em Cristo ser
liberado. Através da encarnação, Deus tornou-Se confinado e limitado no Senhor Jesus.
Mas pela crucificação, Ele foi libertado deste confinamento e desta limitação. O Senhor
Jesus foi certa vez um grão isolado de trigo. Se não tivesse caído na terra e morrido, teria
ficado Ele só (Jo 12:24), e aquilo que estava dentro Dele não teria sido liberado. Mas
porque caiu na terra e morreu, Ele foi liberado. Aquele único grão gerou muitos grãos. A
vida, a natureza e todas as riquezas divinas foram liberadas pela crucificação de Cristo.

C. Ressuscitado Para Ser o Espírito Que Dá Vida

Depois de passar pela encarnação e crucificação Cristo foi ressuscitado para tornar-Se o
Espírito que dá vida (1Co 15:45). Sem cessar sinto o encargo de enfatizar que Cristo hoje é
o Espírito que dá vida.
Do principio ao fim, a Bíblia é uma revelação do Deus Triúno. Em Gênesis 1:26 Deus
refere-Se a Si mesmo como "nós". Isto é uma referência à natureza triúna da Trindade.
Embora a Bíblia fale de muitas coisas, o ponto central é que o Deus Triúno foi processado
através da encarnação, do viver humano, crucificação e ressurreição para tornar-Se o
Espírito todo inclusivo que dá vida. Nunca me canso de declarar este fato maravilhoso. O
fluir do Deus Triúno é inextinguível. Se lermos a Bíblia do ponto de vista divino veremos
que o ponto central da sua revelação diz respeito ao Deus Triúno e ao processo pelo qual
Ele passou para Se tornar o Espírito que dá vida.

III. O Espírito Sendo a Água da Vida

O Espírito — o Espírito que dá vida — é a água da vida (Jo 7:38-39). Já enfatizamos


que a água da vida é o Deus Triúno. Agora estamos dizendo que o Espírito é a água da
vida. Alguns podem imaginar se a água da vida é o Espírito ou é o Deus Triúno. A
maneira correta de compreendermos a revelação divina na Bíblia acerca disto é dizer que a
água da vida é o Espírito, o Espírito é o Deus Triúno e o Deus Triúno é a água da vida. O
que está revelado na Bíblia traz-nos um círculo completo. Em João 1:1 lemos que no
princípio era o Verbo, que o Verbo estava com Deus e que o Verbo era Deus. João 1:14
prossegue dizendo que o Verbo Se tornou carne. Cristo, na carne, o último Adão, tornou-
Se o Espírito, e o Espírito é o Verbo (Ef 6:17). Se preferirmos analisar doutrinariamente esta
maravilhosa revelação e debater sobre ela em vez de desfrutá-la, nós sofreremos perda. As
riquezas divinas são nos acessíveis para beber. Se participarmos delas, seremos nutridos e
ricamente supridos, mas se meramente as investigarmos e analisarmos, privar-nos-emos
deste gozo e suprimento.

79 | P á g i n a
A. Fluindo de Deus no Trono

O Espírito que dá vida como a água da vida flui de Deus no trono (Ap 22:1). Por um
lado, Aquele que Se senta no trono é Deus, por outro, a água da vida que Dele procede no
trono traz Sua autoridade. Quando bebemos desta água, recebemos autoridade como
também poder. Somos subjugados pela água viva fluindo do nosso interior.
Além disso, a água viva fluindo do trono de Deus conduz-nos às riquezas da vida
divina. Isto está indicado pelo fato de a árvore da vida crescer na água da vida (Ap 22: 2);
porque as riquezas da vida divina são levadas na corrente da água viva, recebemos estas
riquezas toda vez que bebemos desta água.

B. Fluindo Através do Cristo Ferido

O Espírito flui através do Cristo ferido através do Cristo tipificado pela rocha ferida
(Êx 17:6; 1Co 10:4). Este fluir inclui a humanidade, o viver humano e a morte de Cristo.
Não podemos experimentar sentir ou desfrutar da humanidade do Senhor. Exceto pelo
fluir da água viva dentro de nós. Quanto mais bebemos desta água, mais experimentamos
e desfrutamos da humanidade, do viver humano e da morte de Cristo.

C. Fluindo em Ressurreição

1. Com o Poder da Ressurreição de Cristo e Com a Sua Ascensão e Entronização

O Espírito como a água da vida flui em ressurreição com o poder da ressurreição de


Cristo (Fp 3:10), com a ascensão de Cristo e com a entronização de Cristo, incluindo a
glorificação, o senhorio e o encabeçamento. Embora seja difícil de explicar, tudo isto se
torna a nossa experiência pelo beber da água viva. Podemos testificar que temos sabo-
reado a ressurreição, a ascensão e a entronização de Cristo.

1. Para a Formação do Corpo de Cristo

O fluir da água da vida em ressurreição é para a formação do Corpo de Cristo (1Co


12:13). Porque todos bebemos do mesmo Espírito, podemos ser um corpo. O beber do
único Espírito em ressurreição faz-nos membros do Corpo e edifica-nos como o corpo.

2. Fará a Preparação do Corpo de Cristo

O fluir da água viva em ressurreição é também para a preparação da noiva de Cristo.


De acordo com Apocalipse 22:17, o Espírito e a noiva fazem soar o chamado para vir e
beber da água da vida. A noiva é preparada pelo beber. A água que a noiva bebe é o
Espírito. Pelo beber do Espírito, a noiva torna-se uma com o Espírito. Isto não deve ser
apenas uma doutrina ou ensinamento, mas deve ser algo que praticamos em nosso viver
diário. Se bebermos a água viva dia a dia, o Corpo de Cristo será edificado e a noiva de
Cristo será preparada.

80 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E TRÊS
BEBENDO A ÁGUA DA VIDA

(1)

Leitura da Bíblia: Êx 17:3a, 6; Jo 7:37-39; 4:10, 14; 1Co 10:4;


12:13, 3; Ap 21:6; 22:1-2, 17; At 2:17a,21

Na Bíblia, o princípio básico acerca do relacionamento do homem com Deus é que o


homem precisa comer e beber Dele. Porque o comer e o beber são tão comuns em nossa
vida diária, os grandes mestres e estudiosos da Bíblia nunca deram muita atenção a eles.
Mas nas Escrituras, o comer e o beber são coisas decisivas.

O comer e o beber em Gênesis, Apocalipse e no Evangelho de João

Depois do relato da criação do homem, há a menção da árvore da vida e de um rio que


―saía do Éden para regar o jardim‖ (Gn 2:9-10). A árvore da vida era para o comer do
homem, e o rio fluindo era para o seu beber. Assim sendo, no princípio da Bíblia, o comer
e o beber são apresentados com respeito ao relacionamento entre Deus e o homem.
No fim da Bíblia também lemos sobre comer e beber. Em Apocalipse 21 e 22 ambos são
fortemente enfatizados. De acordo com Apocalipse 21:6, o Senhor "dará livremente a quem
tem sede, da fonte da água da vida". Em 22:1 vemos o "rio da água da vida, brilhante como
cristal, que procede do trono de Deus e do Cordeiro", e no versículo 2 lemos que ―de um
lado e do outro do rio estava a árvore da vida". O rio da água da vida flui do trono, e a
árvore da vida cresce no rio. Em Apocalipse 22:14 há uma promessa relacionada ao comer,
e 22:17 um chamado relacionado ao beber. O versículo 14 diz que aqueles que lavam suas
vestes têm direito à árvore da vida, e o versículo 17 diz que quem quiser, tome livremente
da água da vida. No versículo 14 temos a promessa de comer da árvore da vida e no 17
temos o chamado para beber da água da vida. Portanto, podemos dizer que a Bíblia
conclui com uma palavra sobre comer e beber.
No Evangelho de João, o evangelho que enfatiza a deidade de Cristo, também há refe-
rências ao comer e ao beber. De acordo com este Evangelho, Deus Se encarnou de modo
que possamos comer e beber Dele. O capítulo 6 aborda o comer de Jesus como o maná
celestial, como o verdadeiro pão, o pão vivo, o pão de Deus. No versículo 57, o Senhor
Jesus fala uma palavra clara, forte e definida acerca do comer: "Quem de Mim se alimenta
por Mim viverá. O capítulo 7 prossegue dizendo para beber da água viva. No último dia
da festa dos tabernáculos, o grande dia da festa, o Senhor Jesus levantou-Se e exclamou;
"Se alguém tem sede venha a Mim e beba" (v. 37). O capítulo 3 de João aborda a regene-
ração, e o capítulo 4 o beber da água viva. Neste capítulo, uma mulher samaritana sedenta
vem ao poço para tirar água. No poço ela se encontra com o Senhor Jesus, que fala com ela
e lhe diz que a água viva pode ser encontrada Nele. Em certo ponto Ele diz à mulher: "Se
conheceras o dom de Deus, e Quem é que te fala, dá-Me de beber, tu Lhe pedirias e Ele te
daria água viva" (v. 10). Depois, no versículo 14, Ele diz que a água que Ele dá tornar-se-á
81 | P á g i n a
naquela que beber "uma fonte de água jorrando para a vida eterna" (v. 14), Estas palavras
sobre a água viva são de peso e de grande significado.

A maneira de Deus trabalhar a Si mesmo dentro de nós

Não devíamos considerar o comer e o beber falado na Bíblia como algo comum. Pelo
contrário, estes pontos são decisivos. É pelo comer e pelo beber que nós, o povo escolhido
de Deus O tomamos para dentro de nós. Ao longo dos anos, temos enfatizado repetida-
mente que a intenção de Deus é trabalhar a Si mesmo para dentro de nós para ser a nossa
vida e o nosso tudo. Mas ainda precisamos ser impressionados com o fato de que a mane-
ira que Ele trabalha a Si mesmo para o nosso interior é através do nosso comer e beber
Dele.

Como comer e beber o Senhor

Quando estava na China continental há mais de trinta anos atrás, não via a luz sobre o
comer e beber o Senhor tão claro como hoje. Nos primeiros anos do meu ministério, pré-
gava bastante o evangelho, frequentemente pregando sobre o tema de Deus como água
viva para satisfazer-nos, eu até traduzi a música: "Nunca, Nunca com Sede Outra Vez", do
inglês para o chinês. Eu amava esta música, era profundamente impressionado por ela e a
usava na minha pregação do evangelho com bastante frequência, mas embora pregasse a
Deus como a água viva que sacia a sede do homem, eu mesmo não sabia como beber dela.
Que coisa ridícula era pregar sobre beber a água viva quando eu mesmo na verdade não
entendia como beber! Nós cristãos frequentemente fazemos coisas ridículas como esta. A
maioria dos crentes sabe que Cristo é o maná celestial, mas poucos sabem como comê-Lo.
A primeira mensagem que liberei sobre comer Jesus foi em 1953. Antes daquela época
não sabia a maneira de comê-Lo e bebê-lo, mas tendo sido iluminado pelo Senhor a este
respeito, comecei, em 1958, a falar sobre a nossa necessidade de comer Dele. Depois de dar
a primeira mensagem neste tema, um irmão, que era professor da Universidade de
Formosa, aproximou-se de mim e disse-me que soava grosseiro falar sobre comer de Jesus
(a palavra chinesa que eu usei significa comer tudo, devorar). Lembrei este irmão que eu
não era o primeiro a falar sobre comer do Senhor. Mostrei-lhe João 6:57, onde o Senhor
Jesus diz que quem Dele se alimenta, por Ele viverá. Disse-lhe que estava simplesmente
seguindo ao Senhor e repartindo as Suas palavras. Quando o irmão ouviu isto, ele não
teve mais nada para replicar.
Ao longo dos séculos, os cristãos têm falado sobre o comer e o beber, mas dificilmente
alguém soube como fazê-lo. Os cristãos têm escrito muitos livros de "como fazer"; livros
com temas tais como: como orar, como vencer o pecado e como ser vitorioso. Mas você
conhece um livro que nos fale sobre como comer Jesus ou como beber a água viva? Mas
como já enfatizamos, o comer e o beber de Jesus são pontos extremamente decisivos.

Fatos, não parábolas ou metáforas

Quando eu era jovem, disseram-me que aquelas passagens que falam de comer e beber
o Senhor são apenas parábolas ou metáforas. Fui ensinado que não podíamos na verdade
comer Jesus; que isto é simplesmente uma figura de linguagem, uma metáfora. Mas recen-
temente tenho considerado sobre o comer e beber do Senhor e fiquei impressionado com a
palavra de Paulo em 1 Coríntios 10:4. Paulo aqui não fala que a rocha era um tipo de
82 | P á g i n a
Cristo ou símbolo, mas diz claramente que a rocha era Cristo. Em 1 Coríntios 10:3-4, Paulo
fala da comida espiritual, da bebida espiritual e da rocha espiritual. Faltando-nos a ousa-
dia de Paulo, podemos enfraquecer a força da sua declaração dizendo que a rocha tipifica
Cristo. Antes eu não tinha a ousadia de dizer que a água que fluía da rocha era espiritual.
Para a minha compreensão, aquela água era física, não espiritual. Além disso, eu não
ousava dizer que a rocha da qual a água fluía era uma rocha espiritual. Mas Paulo diz
ousada e categoricamente que era uma rocha espiritual a que seguia os filhos de Israel no
deserto. Aí então ele prossegue dizendo, não que a rocha era um tipo de Cristo, mas que
ela era o próprio Cristo. Se fôssemos dizer isto sem a palavra de Paulo como base, certa-
mente seríamos condenados como heréticos.
Não deveríamos considerar, o comer e o beber de Jesus como parábolas ou metáforas.
Quero declarar categoricamente que são fatos. Diariamente, até mesmo a toda hora, eu
como e bebo do Senhor Jesus. Em João 6 Ele diz que veio do céu para ser a nossa comida.
Isto não é uma parábola ou uma metáfora proferida, é um fato divino. Cristo é a nossa
comida e a nossa bebida. Em João 7:37-38 Ele prossegue dizendo que quem tiver sede
pode vir a Ele e beber, e que do seu ser interior fluirão rios de água viva. Isto é um fato
celestial.
Embora o comer e o beber sejam tão comuns em nosso viver diário, na Bíblia eles são
pontos de significado crucial. Como já enfatizamos, é pelo nosso comer e beber Dele que
Deus trabalha a Si mesmo dentro de nós. Pelo comer e beber tomamo-Lo para o nosso
interior e Ele Se torna um conosco organicamente. Ao comermos e bebermos certos ele-
mentos, estes são ingeridos por nós e se tornam um conosco em substância e em essência.
Por exemplo, como os vegetais e a carne do jantar podem tornar-se um conosco? A única
maneira é comendo-os. Quando comemos e bebemos, a nossa comida torna-se uma
conosco organicamente e, quando é digerida e assimilada na verdade torna-se parte do
nosso ser, nosso próprio tecido e fibra. Perceber isto vai ajudar-nos a ver a importância de
comer e beber na Bíblia. Comer e beber o Senhor é algo de tremendo significado. Oh, como
precisamos comê-Lo e bebê-Lo.

A Importância do beber

Segundo o relato bíblico, o beber é mais importante do que o comer. Apocalipse 22:17
não diz que quem estiver faminto pode vir e comer; diz que quem tiver sede pode vir e
beber a água da vida. Isto indica que no conceito divino, beber é mais decisivo que do que
comer.
Em Gênesis 2, a árvore da vida é mencionada primeiro, e depois o rio. Mas no fim da
Bíblia, em Apocalipse 22, a água da vida é mencionada primeiro, depois a árvore da vida.
De acordo com Apocalipse 22:1-2, a árvore da vida cresce na água da vida, um fato que
claramente indica que é a água viva que conduz à árvore. Isto implica que o comer está
incluído no beber, e que o beber é mais básico do que o comer. Isto também é provado
pelo fato de que em nossa vida física podemos sobreviver mais tempo sem comer do que
sem beber.
De acordo com a sequência na Bíblia, a comida é apresentada primeiro e depois a água.
Isto é verdade tanto no livro de Gênesis quanto no livro de Êxodo. Êxodo 16 fala de
comida, do maná celestial e depois o capítulo 17 prossegue falando da água que flui da
rocha ferida. A mesma sequência é encontrada nos capítulos iniciais de Apocalipse. Apo-
calipse 2:7 diz: "Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra
no paraíso de Deus". A árvore da vida não é mencionada até Apocalipse 7:17, onde lemos
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que o Cordeiro no meio do trono ―os guiará às fontes de águas da vida". No fim de Apoca-
lipse, entretanto a ordem é invertida. Todos sabemos que tanto na fala quanto na escrita, a
palavra final é decisiva é conclusiva. A palavra conclusiva de Apocalipse, até mesmo de
toda a Bíblia, coloca o beber antes do comer. A revelação do pensamento básico de Deus
conclui não com o comer, mas com o beber. Apocalipse 22:17 diz-nos que aqueles que têm
sede podem vir e beber. Por um lado, a Bíblia é profunda, por outro, ela é prática. Na sua
praticabilidade, ela conclui com um chamado relacionado ao beber. Com isto vemos a
importância vital do beber.
Se não soubermos como beber, não poderemos ser cristãos corretos. Quando alguém
ouve tal afirmação, pode pensar sobre todos os cristãos que vieram antes de nós, a maioria
dos quais não sabia a maneira de beber da água da vida. Entretanto, muitos deles beberam
dela. Da mesma maneira, as pessoas que viveram há séculos atrás, não sabiam nada sobre
vitaminas, o que não quer dizer entretanto, que não as tivessem ingerido jamais, toma-
vam-nas sem perceberem. No mesmo princípio, muitos daqueles cristãos que vieram antes
de nós tiveram muitas experiências de beber a água viva. Mas é um fato eles não saberem
como bebê-la. Desfrutaram do beber, mas não estavam cientes disso.
Nesta mensagem e também na seguinte, tenho encargo não só com o beber em si, mas
particularmente com o estar ciente disso. Diariamente tomo vitaminas consciente e propo-
sitalmente, diferente daqueles que tomam-nas sem qualquer conhecimento delas. De
semelhante modo, se tivermos o método de beber seremos capazes de beber consciente e
propositalmente. Teremos tanto o conhecimento de como beber como também o verda-
deiro beber da água viva.
Até mesmo o salmista no Antigo Testamento tinha a experiência de beber. O Salmo 36:8
diz: ―e nas torrentes das tuas delícias lhes dá de beber". O único rio inclui muitas delícias,
muitas alegrias. Até mesmo antes de o Senhor Jesus vir, os santos do Antigo Testamento
experimentaram o gozo do beber. Mas quando Deus veio em carne, Ele enviou o chamado
claro de vir a Ele e beber (Jo 7:37). Beber é vital para a nossa vida diária.

O Ministério Completador e o Ministério Remendador

O Novo Testamento foi escrito por muitos autores diferentes, inclusive Mateus, Marcos,
Lucas, Pedro, Tiago, Judas e Paulo. Em Colossenses 1:25, Paulo diz que ele "se tornou um
ministro segundo o mordomado de Deus, que me foi concedido para convosco, a fim de
completar a palavra de Deus". Paulo foi comissionado com o ministério de completar a
palavra de Deus. Sem os seus escritos a revelação divina na Bíblia não estaria completa. Se
os seus escritos não fossem incluídos nas Escrituras, a Bíblia seria como uma frase incom-
pleta. Assim, as epístolas de Paulo são necessárias para o cumprimento da palavra de
Deus.
O ministério de João é um ministério de reparação. Depois da revelação divina ter sido
completada através de Paulo, houve bastante estrago. João chegou para consertar o que se
quebrara. A Bíblia conclui com o ministério completador de Paulo e o ministério remen-
dador de João. Como sabemos, o livro da Apocalipse, escrito por João é o último na Bíblia.
Em ambos os ministérios, de Paulo e de João, isto é, tanto no de completar quanto no de
remendar, as questões de comer e beber estão fortemente enfatizadas. Paulo aborda tanto
o comer quanto o beber no livro do 1 Coríntios. Em 1 Coríntios 3:2, Paulo diz aos cristãos
em Corinto: "vos alimentarei". Esta palavra implica em comer. Depois, em 1 Coríntios
12:13, Paulo prossegue dizendo que a todos nós foi dado beber de um único Espírito. Em 1
Coríntios 10:3-4, Paulo aborda tanto o comer quanto o beber: "E todos eles comeram de um
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só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual, porque bebiam de uma pedra
espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Paulo ministrava comida e bebida espiritual
aos irmãos. O seu ministério era um ministério de alimentar e suprir água para saciar a
sede do povo de Deus.
O Evangelho de João foi escrito pelo menos vinte anos após o último escrito de Paulo.
Uma vez que o ministério de João é reparador, também o seu Evangelho é reparador. Pro-
blemas haviam sido causados por alguns que se chamavam de cristãos mas não criam na
deidade de Cristo. No seu Evangelho, João consertou o dano causado por esta falta de fé
na deidade de Cristo. Além disso, já enfatizamos que no próprio Evangelho que enfatiza a
deidade de Cristo, o comer e o beber também são enfatizados. Também vimos que no livro
de Apocalipse, achamos referências tanto ao comer quanto ao beber. Isto indica definitiva-
mente que o ministério de João, como aquele de Paulo, sublinha a importância do comer e
beber do Senhor. Sem o comer e o beber, não há maneira de sermos cristãos corretos. É de
vital importância que aprendamos como beber a água viva. Há a necessidade de prestar-
mos atenção a tudo que a Bíblia revela acerca da como beber do Senhor.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E QUATRO
BEBENDO DA ÁGUA DA VIDA

(2)

Leitura da Bíblia: Êx. 17:3a, 6; Jo 7:37-39; 4:10, 14; 1Co 10:4; 12:13, 3;
Ap 21:6; 22:1-2, 17; At 2:17a, 21

Nesta mensagem vamos considerar o que é revelado na Bíblia a respeito da maneira de


beber a água da vida. Posso testificar que levei mais de trinta anos para descobrir como
beber da água viva. Na mensagem anterior ressaltei que, embora tenha pregado muito
sobre o beber da água viva, eu mesmo, não sabia como beber. Posteriormente, perguntei a
mim mesmo: "Você prega tanto sobre beber; mas você sabe como beber? Tive de admitir
que não sabia. Vim a perceber a urgência de descobrir a maneira adequada de beber. O
que faria, se após uma mensagem sobre beber a água viva, alguém me perguntasse como
beber? Suponha que alguém se aproximasse de você e dissesse: "Creio que Cristo é a água
viva, e tenho sede Dele. ―Por favor, diga-me como beber desta água viva‖. Como você
responderia tal pergunta?
Nem todos os segredos divinos da Bíblia são revelados de uma maneira clara e
evidente. Em Sua sabedoria, Deus às vezes revela Seus segredos de uma maneira bem
oculta. Estes segredos estão registrados e revelados na Bíblia, mas não estão de todo
abertos. Por exemplo, a Bíblia manda-nos crer, mas não nos diz como. Por muitos anos,
ao pregar o Evangelho, tenho dito às pessoas que creiam no Senhor. Sempre que alguém,
pergunta como crer, fico atrapalhado. O que você diria se alguém lhe perguntasse como
crer no Senhor Jesus? Diria a esta pessoa, de uma forma doutrinária, que a fé vem pelo
ouvir. Se simplesmente lhe disser que creio, que fará se perguntar como crer? A maior
resposta para esta questão é que cremos invocando o nome do Senhor Jesus. Não deve-
ríamos dar respostas complicadas sobre como crer para os não salvos. Não tente explicar
que pelo crer entramos numa união orgânica com o Senhor. Tais explicações somente os
confundirão. Diga àqueles que querem crer no Senhor que simplesmente abram suas
bocas e invoquem; "Oh Senhor Jesus". A maneira de crer no Senhor é invocar o Seu nome.
Assim como a Bíblia não nos diz como crer, também não nos diz como beber a água da
vida. A Escritura simplesmente diz que se temos sede devemos ir ao Senhor e beber. Se
formos ao Senhor e Lhe perguntarmos como beber, Ele pode dizer: "Se você tem sede e
quer beber, simplesmente beba". Aprendemos a beber, bebendo. Assim, a maneira de
beber é um pouco parecida com a maneira de crer no Senhor. A maneira de beber não é
exatamente a mesma de crer, mas são aproximadas. Ao considerarmos como beber,
gostaria de apresentar, de uma maneira prática e simples, o que tenho aprendido em mais
de trinta anos de estudo. Esta palavra é dirigida àqueles que crêem no Senhor, não para os
descrentes.

86 | P á g i n a
I. Posicionados para beber

Como crentes, fomos posicionados para beber. Este é o primeiro aspecto da ciência de
beber. Primeira Coríntios 12:13 diz: ―Porque em um espírito todos nós fomos batizados em
um só corpo, quer judeus, quer gentios, quer escravos, quer livres, e a todos nós foi dado
beber de um só espírito" (grego). Pelo batismo fomos posicionados para beber. Uma vez
tendo sido batizados no Senhor, temos a posição para beber da água viva. Antes de sermos
salvos estávamos longe da água viva, mas agora que fomos salvos, somos trazidos de
volta à água e posicionados para bebê-la. Por exemplo, há uma fonte em nosso local de
reunião. Mas, para que possamos beber desta fonte, a nossa boca deve estar na posição
correta. Da mesma forma, para beber da água viva, primeiro devemos estar posicionados
para beber. O batismo nos dá esta posição. Graças ao Senhor por todos nós estarmos
posicionados para beber.

II. A necessidade de sede

Embora tenhamos sido posicionados para beber, não beberemos a menos que estejamos
sedentos. Para beber a água da vida é preciso ter sede (Êx 17:13a; Jo 7:37; Ap 21:6). Milhões
de cristãos hoje não têm sede do Senhor. Que misericórdia é ter sede! Posso testificar que
dia após dia estou sedento pelas águas vivas. Se não oro por certo período de tempo,
torno-me consciente da minha sede. É uma misericórdia termos sede das águas vivas,
especialmente quando muitos cristãos não têm. Muitos de nós podemos testificar que
durante o dia estão conscientes da sede interior. Esta sede nos leva a orar e contatar o
Senhor. De uma maneira simples podemos dizer; "Senhor Jesus, tenho sede de Ti, e quero
ter contato Contigo". Se sentirmos que nossa sede não é suficiente, precisamos orar:
"Senhor, aumenta a sede no meu interior". Todos nós precisamos desta sede pelo Senhor.

III. Achegando-se ao Senhor

Precisamos também achegar-nos ao Senhor. Em João 7:37, o Senhor Jesus convida os


sedentos a achegarem-se até Ele e beber. De semelhante modo o Espírito e a noiva fazem o
chamamento para vir e beber da água viva (Ap 22:17). Embora estejamos posicionados
para beber e tenhamos sede, ainda precisamos nos achegar ao Senhor dia após dia.
Precisamos nos achegar ao Senhor continuamente, até mesmo vinte e quatro horas por dia.
Se dissermos ao Senhor que queremos nos achegar a Ele durante todo o dia certamente Ele
responderá nossa oração. Diga ao Senhor: ―Senhor, não quero deixar de me achegar a Tl.
Quero achegar-me a Ti vinte e quatro horas por dia, até mesmo quando estiver dormindo.
Não importa o que estejamos fazendo, podemos nos achegar ao Senhor, invocando-O.
Sempre que invocamos o nome do Senhor Jesus, achegamo-nos a Ele.

IV. Pedindo ao Senhor

Para beber a água viva, precisamos pedir ao Senhor por esta água. Em João 4:10 o
Senhor disse à mulher samaritana: "Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede:
Dá-me de beber, tu Lhe pedirias e Ele te daria água viva".

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V. Invocando o Senhor

Embora estejamos posicionados para beber e possamos estar sedentos, e embora pos-
samos nos achegar ao Senhor e fazer-Lhe súplicas, não bebemos na verdade até que invo-
quemos o nome do Senhor (At 2:21). Em 1 Coríntios 12 encontramos o segredo do beber. O
versículo 13 diz que todos nós temos bebido de um único Espírito, e o versículo 3 nos diz
que ninguém pode dizer Senhor Jesus a não ser no Espírito Santo (grego). Beber do
Espírito é invocar ―Senhor Jesus‖. Sempre, que invocamos o nome do Senhor desta
maneira espontaneamente bebemos a água viva.
Em 1 Coríntios 12 vemos que a água é o Espírito, pois o versículo 13 fala de beber de
um só Espírito. A maneira de beber do Espírito é invocar o nome do Senhor. Se temos sede
e invocamos "Senhor Jesus" imediatamente bebemos do Espírito. O nosso invocar é o
nosso beber. De acordo com 1 Coríntios 12:3, quando invocamos "Senhor Jesus", estamos
no Espírito. Posso testificar que sempre que invoco o Senhor do profundo interior do meu
espírito, tenho convicção e consciência de que estou no espírito tocando o Senhor.
Por muitos anos fiquei perturbado com a palavra de Paulo em 1 Tessalonicenses 5:17
sobre o orar sem cessar. Imaginava como era possível orar sem cessar. Agora vejo que
podemos orar sem cessar simplesmente invocando o nome do Senhor Jesus continua-
mente. O segredo de beber do Espírito em 1 Coríntios 12 é também o segredo de orar sem
cessar. Uma vez que podemos invocar o Senhor sem cessar, é-nos possível orar sem cessar.
A não ser quando estamos dormindo, podemos continuamente invocar o nome do Senhor.
Talvez invocar o Senhor tornar-se-á por fim parte do nosso viver, de tal forma que pode-
remos invocá-lo até mesmo quando estivermos dormindo. Como aqueles que buscam o
Senhor e têm sede Dele, deveríamos continuamente invocar o Seu nome. Sempre que
invocamos "Senhor Jesus", temos a profunda sensação interior de que o Senhor é verda-
deiramente um conosco no espírito.
Podemos invocar o Senhor a qualquer hora e em qualquer lugar. Quando você é ten-
tado a perder a calma, invoque "Senhor Jesus". Em vez de tentar suprimir sua raiva,
invoque ―Senhor Jesus‖. Se invocar o Senhor nesta hora, a água viva fará com que sua
raiva seja subjugada. Invocar o Senhor verdadeiramente é beber da água viva.
Alguns cristãos não concordam com o invocar o nome do Senhor, preferindo em vez
disso, contatá-Lo silenciosamente. Não digo que devemos invocar o nome do Senhor de
uma maneira barulhenta. Entretanto, desejo ressaltar que invocar o nome do Senhor ocupa
um lugar importante nas Escrituras. A palavra hebraica para invocar significa gritar,
exclamar, isto é, chamar. A palavra grega para invocar significa chamar uma pessoa,
chamá-la pelo nome. Portanto, invocar de acordo com a Bíblia é chamar uma pessoa pelo
nome audivelmente. Muito embora a oração possa ser silenciosa, o chamar é audível. O
Senhor Jesus é uma pessoa viva, próxima e disponível. Sempre que invocamos o Seu
nome, Ele nos responde.
Por muitos anos fui um cristão silencioso. As reuniões que participava eram tão silen-
ciosas que poderia até ouvir um alfinete cair. Posteriormente, entretanto, comecei a pra-
ticar e invocar o nome do Senhor de acordo com a Bíblia. Quando invocamos o Seu nome,
bebemos dá água viva.
Enfatizamos que a palavra invocar significa clamar ou chamar uma pessoa pelo nome.
Indica que quando chamamos, "Senhor Jesus", olhamos para Ele em oração. Assim, não
apenas chamamos o nome do Senhor, mas também Invocamo-Lo. Quando chamamos Seu
nome, oramos a Ele. Suponha que você chame "Senhor Jesus" enquanto está dirigindo seu
carro. Isto não é meramente invocar o nome do Senhor, mas também uma maneira de
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olhar para Ele e orar a Ele. Beber a água viva de uma maneira adequada é invocar o nome
do Senhor.
Quero enfatizar o fato de que em qualquer hora e em qualquer lugar podemos beber a
água viva invocando o Senhor. Por muitos anos tive o conceito de que tinha que ser formal
em meu contato com o Senhor. Pensava que antes de poder contatá-Lo em oração, tinha
que estar devidamente vestido e ia então a um lugar onde podia tanto ficar de pé quanto
ajoelhado diante Dele. Agora tenho gozo em invocar o Senhor em qualquer lugar e a
qualquer hora. Quando bebo da água viva, não me importo com qualquer espécie de
formalidade. Apenas sei que toda vez que chamo ―Senhor Jesus", não importa onde esteja,
realmente desfruto do Senhor.
Às vezes posso me tornar cônscio de um pesado encargo em meu interior. Espontanea-
mente começo a invocar o nome do Senhor, pode ser até quando estou me vestindo bem
cedo de manhã. Que gozo! Como sacia a minha sede! Invocando o Senhor desta maneira,
sou fortalecido interiormente para carregar meu pesado encargo.
Muitos ainda podem pensar que para orar ao Senhor e invocá-Lo precisamos ser corte-
ses e reverentes, orando numa hora e num lugar próprios. Este é um conceito religioso e
não é de modo algum prático. O Senhor é nossa água viva. Se nos preocuparmos mais com
a cortesia ou reverência do que com o beber, o Senhor dirá: "Não quero sua reverência.
Quero que beba da água viva. Não quero que Me reverencie — quero que beba de Mim. A
maneira de honrar-Me é beber-Me". Como isto é diferente do conceito religioso sobre
reverência e formalidade! Aqueles que cantam solenemente "Santo, Santo, Santo" não
bebem muito do Senhor. Em vez de nos preocuparmos com formalidade religiosa,
digamos: "Senhor Jesus, estou aqui. Não estou num santuário adorando-Te de uma
maneira religiosa. Estou aqui para beber de Ti pelo invocar o Teu nome".
No passado encorajei a muitos santos a gastarem tempo sozinhos com o Senhor a cada
manhã. Embora não volte atrás quanto a esta palavra, agora posso dizer que se você
souber como beber do Senhor, poderá esquecer sobre tentar separar um período de tempo
para contatá-Lo. Invoquemos o Senhor, não importa onde estejamos ou o que estejamos
fazendo. Logo que acordamos de manhã, devemos beber da água viva, invocando o nome
do Senhor. Quando estamos nos lavando ou nos vestindo, podemos beber da água da
vida. Precisamos nos esquecer de toda formalidade e nos preocuparmos com a água viva.
Formalidades não servem senão para matar. O que precisamos é assimilarmos o Senhor
Jesus de uma maneira pura, invocando-O. Aí então, teremos o suprimento de água viva.
Invocar o Senhor espontânea e informalmente é muito melhor do que se aproximar
Dele do uma maneira religiosa com reverência, formalidade e solenidade. Prefiro ouvir os
jovens invocando o Senhor a caminho do local de reunião, do que ouvir um coro cantando
hinos de uma forma religiosa. Como é bom ouvir os santos clamando ao Senhor: "Senhor
Jesus, eu Te amo Senhor, estou aqui para beber e desfrutar de Tl". Isto é bem melhor do
que um culto formal e religioso. Percebo que isto pode chocar as pessoas religiosas. Mas
sei do que estou falando. Bebendo da água da vida frequentemente fico fora de mim de
alegria no Senhor. Encorajo todos vocês a praticarem o invocar o nome do Senhor conti-
nuamente. Quanto mais O invocarem mais beberão da água viva.
Recentemente compartilhamos sobre opiniões e o prejuízo que causam tanto à vida
cristã quanto à vida da igreja. O modo de tratar completamente com nossas opiniões é
invocar o Senhor Jesus. Normalmente, quando somos fortes em nossas opiniões, paramos
de invocar o Senhor. Aqueles que têm muitos argumentos, raramente O invocam. O
mesmo pode ser verdade a respeito de uma irmã que é infeliz com seu marido. Devido a
sua infelicidade ela pode não estar disposta a orar e invocar o Senhor. Algumas vezes faço
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lembrar tal irmã que embora seu marido a tivesse ofendido, o Senhor Jesus certamente
não. Depois, posso perguntar a ela porque não quer falar com o Senhor. Mas, frequente-
mente a irmã ainda se recusará a invocar o Senhor. Porque não há o invocar, não há o
beber da água viva. Assim, em vez do suprimento de vida, há morte e sequidão. Levan-
temo-nos contra tal mortificação. Quando for tentado a discutir com seu marido ou esposa,
beba da água viva invocando o nome do Senhor.

VI. Recebendo e tomando pela fé

Finalmente, bebemos a água da vida pelo receber e tomar pela fé. De acordo com João
7:39, recebemos o Espírito como a água viva crendo em Cristo. Apocalipse 22:17 fala de
tomar da água da vida de graça. Quando invocamos o nome do Senhor espontaneamente
recebemos a água viva. Quanto mais invocarmos, mais creremos e quanto mais crermos
mais receberemos e tomaremos a água viva.
Invocar o nome do Senhor resolve todos os nossos problemas. Se você tem aflição e
preocupação, invoque o Senhor. Se está decepcionado, desencorajado ou desviado,
invoque-O. Invoque-O quando estiver fraco e quando estiver forte. Pelo invocar, você
recebe e toma a água viva.

VII. O beber e a adoração a Deus

Um problema básico entre os cristãos, especialmente no melo do cristianismo organi-


zado, está relacionado com a adoração religiosa de Deus. Até mesmo muitos incrédulos
têm o conceito de adorar a Deus de uma maneira religiosa. Aqueles que se importam com
Deus pensam que devem adorá-Lo como o Poderoso e Transcendente. Consideram o Deus
Todo Poderoso como o objeto de sua adoração. Este conceito faz parte de sua própria
natureza.
Porque a Bíblia nos fala para adorarmos a Deus, não podemos dizer que o pensamento
de adorá-Lo está incorreto. Mas como O adoramos? Em João 4:23 e 24 o Senhor Jesus disse
à mulher samaritana, que tinha levantado uma questão acerca da adoração: ―Mas vem a
hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em
verdade; porque são estes que o Pai procura para Seus adoradores. Deus é espírito; e
importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade‖. A palavra do Senhor
revela claramente que devemos adorar a Deus. Entretanto, ainda resta a questão sobre
como adorá-Lo. Os judeus e os israelitas têm suas maneiras de adoração, e aqueles que
estão na igreja Católica e nas denominações têm suas maneiras. Na verdade, todas as dife-
rentes maneiras religiosas de adoração são incorretas. Mesmo a mulher samaritana em
João 4 tinha um conceito errôneo sobre o modo de adorar a Deus. O Senhor Jesus revelou-
lhe que a adoração adequada a Deus não está num certo lugar físico, está no nosso
espírito.
De acordo com João 4, adorar a Deus em nosso espírito é beber Dele. Não considere
Deus como um objeto de adoração que você então adora em espírito. Neste caso, o órgão
(o espírito) está correto, mas a maneira ainda é incorreta. Prostrar-mo-nos diante de Deus
não é a maneira adequada de adorá-Lo; beber Dele como a água viva, é. Deus, não quer
ser o objeto de nossa adoração. Em vez disso, Ele vem como a água viva para nós
bebermos. Quando bebemos Dele como a água da vida, adoramo-Lo de uma maneira
genuína. Beber do Senhor com nosso espírito é verdadeiramente adorá-Lo.

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A reunião da mesa do Senhor é uma reunião de adoração. Lembrar do Senhor à Sua
mesa é adorá-Lo. A maneira de adorar o Senhor nesta reunião não é ajoelharmos ou nos
prostrarmos, mas comer o pão e beber o vinho em memória Dele. Comer e beber consti-
tuem a verdadeira adoração. Não nos lembramos do Senhor exercitando nossa mente ou
recordando certas coisas. Lembramo-nos Dele comendo e bebendo. Lembrar do Senhor
comendo e bebendo é adorá-Lo.
Poucos cristãos têm visto que a intenção de Deus é trabalhar a Si mesmo para dentro de
nós. Muitos crentes somente percebem que Deus é Deus, que somos Suas criaturas, que
nos tornamos caídos, e que por causa do Seu amor Deus enviou Seu Filho para morrer por
nós na cruz e cumprir a redenção. Cristãos genuínos também percebem que Cristo ressur-
giu e depois enviou o Espírito Santo para conduzir-nos ao arrependimento, levar-nos a
crer Nele e recebê-Lo como nosso Salvador. Então, de acordo com o nosso conceito
natural, a Bíblia é usada como um livro de ética para ensinar os crentes a glorificar a Deus
na sua vida diária. Finalmente, é dito aos cristãos que após a morte, ou após o Senhor
voltar, passarão a eternidade com Ele. É claro que a Bíblia ensina tais coisas. Entretanto,
estes ensinamentos são superficiais. Não são o cerne da revelação de Deus na Bíblia. O
âmago da revelação divina é que Deus nos criou e nos redimiu com o propósito de
trabalhar-Se dentro de nós para ser a nossa vida. Na restauração do Senhor precisamos ter
uma visão mais completa desta revelação. Se tivermos esta visão completa, nosso conceito
de adoração será orientado por ela.
O Deus Triúno trabalha a Si mesmo para dentro do nosso ser quando comemos e
bebemos Dele. Como nossa comida e água, Ele entra dentro de nós para ser um conosco
organicamente. O que tomamos para dentro de nós, comendo e bebendo, torna-se um
conosco desta maneira. Penetra em nossas fibras e torna-se nosso tecido orgânico.
Quando o alimento que tomamos comendo e bebendo é digerido e assimilado, torna-se
elemento constituinte. Assim somos uma constituição do que comemos e bebemos. Isto é
verdade tanto no âmbito espiritual quanto no físico. Através do comer e beber, a noiva
torna-se uma com o Espírito. De acordo com Apocalipse 22:17, o Espírito e a noiva falam
como um para chamar os que têm sede para beber da água da vida.
Se virmos que a intenção de Deus é trabalhar a Si mesmo para dentro de nós, automá-
ticamente comeremos e beberemos Dele. As mães sabem que os bebês comem e bebem
automaticamente, não se preocupando com qualquer formalidade, maneira ou regra. As
crianças são melhores no comer e beber do que os adultos. Nosso comer e beber frequente-
mente são prejudicados pela atenção toda que damos às maneiras à mesa. Algumas vezes,
quanto mais dermos atenção às maneiras, menos desfrutaremos da nossa comida. Ouvi de
um embaixador chinês que participou de um formal Jantar oficial na Alemanha. Porque
estava tão preocupado com a etiqueta correta e com as maneiras à mesa, não desfrutou
nada da comida. Passou o tempo observando como os outros se conduziam no jantar e
como usavam os talheres. As maneiras à mesa impediram-no de comer. As crianças não
são assim. Quando minha netinha nos visita, frequentemente sua avó lhe dá alguma coisa
para comer. Minha neta desfruta da sua comida de uma maneira espontânea e informal.
Ela é um bom exemplo de como deveríamos prestar menos atenção, às informalidades e
mais ao comer e beber.
No momento exato em que o Senhor Jesus falava com a mulher samaritana, os sacer-
dotes no templo estavam adorando a Deus de uma maneira formal, sistemática e prescrita.
Mas, aonde estava Deus nesta hora? Estava no templo com os sacerdotes, ou estava com a
mulher junto ao poço em Samaria? Como todos sabemos, Ele estava com a mulher samari-
tana. Ele a encontrou num lugar aberto, longe do templo e do altar, sem as formalidades e
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rituais religiosos. Posteriormente, esta mulher samaritana bebeu da água viva e ofereceu
verdadeira adoração a Deus. Nesta hora, a verdadeira adoração a Deus foi oferecida não
pelos sacerdotes no templo, mas pela mulher samaritana que estava bebendo da água
viva. Os sacerdotes adoraram a Deus em vão; a mulher samaritana adorou-O em reali-
dade, bebendo Dele para dentro do seu ser. O Espírito como a água viva foi infundido
nela. Deus estava procurando a adoração real, e Ele a recebeu desta mulher samaritana
que bebeu do Espírito como a água viva.
Hoje os cristãos precisam ver o que é a verdadeira adoração. Eles condenam aqueles
que estão na restauração do Senhor como heréticos, quando eles próprios são heréticos e
ignorantes da verdade. Como os sacerdotes no templo, são cegos para o que é a verdadeira
adoração. Em João 4, o Senhor Jesus não perdeu tempo falando a judeus típicos segundo a
maneira de adorar do Antigo Testamento. Pelo contrário, Ele conversou com uma mulher
imoral e semigentia a respeito da adoração que satisfaz o coração de Deus. Esta mulher
adorou a Deus em seu espírito, bebendo Dele como a água que sacia a sua sede. Assim,
Deus foi adorado por ela de uma maneira genuína. Como isto é diferente desta adoração
religiosa, formal.
Ao longo dos séculos, a maioria da adoração cristã tem sido como aquela dos sacerdotes
no templo. Somente um pequeno número tem adorado a Deus no espírito, bebendo Dele
como a água viva. Mas como já ressaltamos enfaticamente nesta mensagem, esta é a
maneira correta de adorá-Lo. Precisamos admitir que em grande parte, a nossa maneira de
reunir está ainda inconsciente ou subconscientemente sob a influência da nossa experiên-
cia religiosa passada. Quanto mais penetramos na verdadeira adoração de Deus, bebendo
Dele como a água viva no espírito, mais percebemos quão superficiais têm sido as nossas
práticas. Pela misericórdia do Senhor cheguei a ver a adoração que Deus deseja. Por causa
da visão que tive, não me importo com religião, nem mesmo com nossas próprias práticas.
De fato, não temos nenhuma necessidade de práticas. A nossa necessidade é ver que nosso
Deus hoje passou pelo processo de encarnação, viver humano, crucificação, ressurreição,
ascensão e entronização, para nós bebermos. Ele é este Espírito composto e nós temos um
espírito com o qual bebemos Dele. Em espírito somos um com Ele. Se tivermos esta visão,
o ponto central da revelação divina na Bíblia, saberemos como beber do Senhor como a
água da vida.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E CINCO
O FLUIR DA ÁGUA DA VIDA

Leitura da Bíblia: Êx 17:6; Jo 4:14; 7:38; Ap 22:2

Vemos na Bíblia que o beber e o fluir da água da vida caminham juntos. O beber está
ligado ao fluir, e o fluir é um com o beber. Em João 4:14, o Senhor Jesus diz: "Aquele,
porém, que beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; pelo
contrário, a água que Eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna". Vemos
aqui que se bebermos da água da vida, esta água tornar-se-á uma fonte dentro de nós
jorrando para a vida eterna. Este jorrar é o que referimos como sendo o fluir da água da
vida. Encontramos o mesmo princípio em João 7:37 e 38, onde o Senhor Jesus disse que
quem cresse e bebesse Dele: "do seu interior, fluirão rios de água viva". Assim, o beber e o
fluir são dois aspectos de uma mesma coisa.

O Beber e o Fluir

Sem o fluir da água da vida, o nosso beber é em vão. De fato, se não fluirmos, não
seremos capazes de continuar a beber. O beber é anulado pela falta do fluir. O beber
genuíno da água da vida depende do fluir.
Vamos usar uma mangueira de água como ilustração. Por um lado, a mangueira recebe
a água da torneira; por outro, flui a água. Tanto a entrada quanto a saída são necessários.
O receber e o fluir ocorrem simultaneamente. Se não bebermos, não poderemos fluir; e se
não o fluirmos, não poderemos continuar a beber.
É uma questão séria ter o nosso beber anulado pela falta do fluir. De tantos crentes
genuínos em Cristo que têm bebido da água viva, poucos experimentam o fluir desta
água. Posteriormente, isto lhes acarreta o cessar de beber. Se não houver qualquer fluir do
seu interior, você não poderá continuar a receber a água viva pelo beber. Somente o fluir
pode manter a corrente interior em movimento. Não é o beber, o receber, que mantém o
curso da corrente, mas é o fluir da água que faz isto. Muitos cristãos ou não bebem nem
um pouco, ou acham que o seu beber não tem proveito algum. A razão disto é que embora
possam beber, eles não fluem. A falta do fluir faz com que o beber não tenha qualquer
proveito. Isto é muito sério. Por isso, nesta mensagem, tenho o encargo de enfatizar o fato
de que, quanto à experiência da água viva, o fluir da água é até mais importante do que o
beber dela. Sim, a nossa experiência da água viva começa com o beber. Mas se não há fluir,
não há maneira de continuarmos a beber. Se o fluir não acompanha o nosso beber, o nosso
beber cessará. A nossa experiência testifica que isto é verdadeiro.

A Seriedade de Perdermos a Nossa Sede

Além do mais, a falta do fluir pode causar um desaparecimento da nossa sede. Antes de
bebermos da água da vida pela primeira vez, havia uma sede em nosso interior. É muito
bom ter tal sede, mas é horrível perdê-la. A verdadeira pregação do Evangelho não é
principalmente ministrar a água da vida aos outros; é estimular uma sensação de sede no
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interior deles. Quando as pessoas estão sedentas é fácil convencê-las a beber. O vendedor
de Deus sabe como despertar nas pessoas a aspiração e o desejo de comprar o produto que
estão vendendo. Sem tal aspiração ou desejo, as pessoas não terão qualquer interesse,
mesmo nos artigos mais preciosos. Isto ilustra o fato da sede ser crucial.
Pela misericórdia do Senhor temos tido sede Dele através da pregação do Evangelho.
Não posso me esquecer de como minha sede foi estimulada pelo ouvir certa mensagem do
Evangelho, há mais de cinquenta e cinco anos atrás. Estava tão sedento que poderia ter
bebido um oceano de água. Uma mensagem criou uma sede no meu interior que tem
permanecido até agora. Embora cinquenta e cinco anos tenham se passado desde que ouvi
aquela maravilhosa mensagem, ainda tenho sede da água viva.
Precisamos ser sensibilizados sobre como é crucial fluir a água da vida. Se o fluir cessar,
o nosso beber cessará; e se nosso beber cessar, perderemos nossa sede. Assim, antes que a
nossa sede possa ser reavivada e recuperada, teremos que passar por um período de morte
espiritual. Após passar por tal período de sequidão, seremos estimulados pelo Senhor em
sua soberana misericórdia a nos arrependermos e retornarmos a Ele. A nossa sede será
reavivada e começaremos a beber outra vez. Estou profundamente preocupado acerca do
grau da nossa sede. Muitos entre nós têm tido a experiência de perder a sede. Se
quisermos manter nossa sede, precisaremos conser-var o fluir e o beber.

Entrada e Saída

Doutrinariamente falando, para fluir a água da vida, precisamos ter nossa sede saciada
(Jo 4:14). Isto significa que se não formos enchidos com a água viva, não poderá haver
qualquer transbordar. O fluir vem do transbordar, e o transbordar vem do fato de termos a
nossa sede saciada. Do ponto de vista da experiência, entretanto, não precisamos aguardar
até que nossa sede seja saciada para fluirmos.
Desde que já começamos a beber do Senhor para saciarmos a nossa sede, precisamos
prestar atenção ao fluir. Muitos de nós começaram a beber a água da vida há muito
tempo. O nosso problema está muito mais relacionado com o fluir do que com o beber. Na
pregação do Evangelho aos incrédulos, gostaria de enfatizar a importância do beber, mas
ao ministrar aos crentes, gostaria da enfatizar a importância do fluir. Como crentes, já
começamos a beber da água viva. A nossa necessidade é o fluir da água.
É difícil dizer se alguém está bebendo ou não, mas podemos dizer facilmente se uma
pessoa está fluindo ou não. Voltemos novamente à ilustração da mangueira de água. Não
podemos ver a entrada de água, mas podemos ver a saída. Da mesma forma não podemos
ver o fluxo da água viva entrando em você, mas podemos ver o fluxo dela saindo de você.
Podemos não saber se a água está ou não fluindo para dentro de nós, mas certamente
saberemos quando ela está fluindo para fora de nós. Tal saída é evidente para qualquer
um.

O Fluir pelo Falar

Talvez você esteja imaginando o que significa o fluir da água da vida de um modo
prático. O fluir pode ser comparado ao lavar alguma coisa com jatos de água. Lavar um
cano é enchê-lo com água para limpeza; é lavá-lo por uma súbita corrente de água. Como
cristãos, do nosso ser interior deveria haver uma corrente de água viva. Para ter esta
corrente, este forte fluir, precisamos invocar o nome do Senhor Jesus e orar. Também é útil
cantar ao Senhor.
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O que é particularmente útil para provocar o fluir interior, é falar ao Senhor, pelo
Senhor, para o Senhor, no Senhor e com o Senhor. Quanto mais falarmos desta forma, mais
fluiremos. Se não houver alguém com quem pudermos falar devemos falar com as coisas
do nosso quarto. Fale à escrivaninha, à porta, às paredes. Fale para toda e qualquer coisa.
Se você tem um animal de estimação em sua casa, fale com ele. Fale com o cachorro, o
gato, os pássaros ou o peixe. Muitos podem considerar esta prática ridícula, mas posso
testificar da diferença que faz. Os cristãos não devem ser mudos, silenciosos. Pelo
contrário, devemos ser aqueles que borbulham e manam vida. Todos temos alguma coisa
que podemos falar. Podemos falar às janelas, às portas, aos tijolos e pedras. Quando fala-
mos, algo do Senhor Jesus é liberado. Pelo falar somos como uma mangueira, que tem
tanto a entrada quanto a saída de água.
A quantidade da entrada está em proporção com o da saída. A quantidade de água que
flui que sai de nós, determina o quanto de água pode entrar em nós. Em outras palavras, o
quanto fluímos, determina o quanto da água viva que podemos beber.
Muitos de vocês podem estar muito secos, até mesmo ressecados. A razão desta sequi-
dão pode ser porque você não fala. Porque não fala, não permite que a água viva flua.
Encorajo-o a falar, fluir a água viva através do falar. Isto pode soar como muito estranho,
mas posso testificar que é prático e eficaz.

O Falar nas Reuniões da Igreja

Precisamos falar de muitas formas. Primeiro, precisamos pregar o Evangelho aos


incrédulos. Depois, precisamos falar a verdade aos crentes, aos companheiros cristãos.
Também devemos falar nas reuniões da igreja. Porque falo tanto no ministério, tenho
seguido a prática de ficar um pouco quieto nas reuniões. Minha intenção ao fazer isto é
dar oportunidade para os outros falarem. Por exemplo, durante os últimos quarenta e
cinco anos, não fui nem uma vez à mesa dar graças e louvores ao Senhor ao tomar o pão e
o cálice. Isto não significa, entretanto, que não tenha encargo para tanto. Algumas vezes
tenho tido encargo muito forte a respeito disto, especialmente quando os santos estão
dormentes em espírito, e a reunião fica tão vagarosa que a hora adequada para distribuir o
pão e o cálice passa sem alguém mover-se para fazer algo sobre isto. Em tal situação, o
tempo para o doce desfrutar do comer passa e a oportunidade é perdida. Quando o pão é
finalmente passado, muito do prazer do comer já se foi. Muitas vezes, na reunião da mesa
do Senhor temos falhado quanto ao passar o pão e o cálice no momento certo. Às vezes
ninguém nem mesmo agradece ao Senhor pelo pão e pelo cálice. Pelo contrário, todos são
vagarosos e silenciosos. Recentemente, cheguei a lamentar a restrição que impus a mim
mesmo, muito embora o meu objetivo tenha sido dar oportunidade aos santos de funcio-
narem ao falar e orar. Como todos, preciso fluir louvores e graças nas reuniões da igreja,
fazendo isto, liberamos outros para fluírem com a água viva. Todos nós precisamos ser
liberados nas reuniões. Não se sentem, simplesmente aguardando os outros funcionarem.
Em vez disso, funcionem ativamente e falem ao Senhor, e aproveitem toda oportunidade
para fluir com a água viva.
Muitas vezes os santos vêm até mim com queixas sobre as reuniões. Estes santos têm-
me dito que as reuniões são muito fracas, muito pobres. Geralmente, quando ouço tais
queixas e críticas, não discuto. Posso nem mesmo replicar. Entretanto, gostaria de apro-
veitar a oportunidade agora para enfatizar que aqueles que se queixam sobre o nível das
reuniões da igreja, devem eles mesmos tomar parte da responsabilidade disto. Talvez a
reunião fosse pobre porque eles ficaram silenciosos, pouco dispostos a liberar o fluir da
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água viva. Todos nós temos muitas oportunidades para falar nas reuniões. Mesmo nas
reuniões que são dedicadas ao ministério da Palavra, há oportunidade para tanto antes
quanto depois de a mensagem ser dada.
Também, todos podem orar nas reuniões de oração e oferecer louvores e ações de
graças nas reuniões da mesa do Senhor. Todas as reuniões da igreja são abertas aos santos.
Precisamos funcionar fluindo a água da vida. De acordo com Efésios 5:18-20 e Colossenses
3:16, os cristãos deveriam estar falando continuamente, cantando, salmodiando e dando
graças.

O Melhor Repelente

Quando permanecemos silenciosos e nos recusamos a falar, é bem mais fácil ficarmos
enraivecidos ou perder a calma. Entretanto, se estamos continuamente falando, cantando,
e dando graças, será difícil perdermos a calma. Isto indica que o fluir da água da vida é
um repelente que leva embora as coisas negativas, todos os ―mosquitos‖, ―escorpiões‖ e
―ratos‖. A vida cristã é uma vida de luta. Dia e noite, lutamos contra coisas negativas que
procuram nos influenciar e nos arrastar para baixo. Necessitamos de um repelente para
afugentar estes bichos. Falar é o melhor repelente.
Suponha que eu viaje de avião para visitar a igreja de determinada cidade. Se durante o
vôo, permaneço silencioso, não orando, louvando, ou invocando o Senhor Jesus, serei
perturbado por pensamentos negativos ou disperso. Os escorpiões podem vir não isolada-
mente, mas aos bandos. Pensamentos negativos podem fervilhar em minha mente, pensa-
mentos concernentes a certos irmãos ou talvez concernentes à maneira pela qual minha
mulher me tratou alguns dias antes, ou sobre a maneira que meus filhos aparentemente
tem me ignorado. Se falho em repelir estes "escorpiões", estes pensamentos negativos,
através do falar, não terei ânimo para ministrar para o Senhor quando chegar ao meu
destino. Posso mesmo nem sentir qualquer encargo em mim.
Suponha, entretanto, que minha situação seja bem oposta. Em vez de permanecer
silencioso, continuamente profiro louvores, orações, agradecimentos e invoco o nome do
Senhor. Porque falo, a água viva flui do meu interior continuamente. Quando sou cumpri-
mentado pelos irmãos, espontaneamente direi: "Louvado seja o Senhor‖! Além do mais
terei o encargo de ministrar vida à igreja ali.
Quando estamos secos espiritualmente, é fácil ficarmos irritados ou enraivecidos.
Quando não estamos fluindo a água viva, facilmente perdemos a calma com nosso marido
ou esposa. Entretanto quando estamos transbordando com a água viva, nossa irritação,
raiva e mau humor se esvaem. Que diferença faz estar fluindo a água da vida!

Jorrando para a Vida Eterna

O genuíno reavivamento é uma questão de fluir, borbulhar. Leiamos João 4:14 nova-
mente: "Aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede, para
sempre; pelo contrário, a água que Eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida
eterna". Uma característica de uma fonte de água é que ela flui incessantemente. Qualquer
coisa que não flua não pode ser uma fonte. Ao contrário, pode ser como o Mar Morto, que
não tem qualquer saída de água. Quando bebemos da água viva, ela se torna em nós uma
fonte de água a jorrar para a vida eterna. A frase "jorrando para a vida eterna" é difícil de
ser entendida. Não creio que qualquer cristão, mesmo entre nós, entenda isto totalmente.
O que significa jorrar para a vida eterna? Isto se refere ao presente ou à eternidade?
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Refere-se a ambos. Mas o que significa dizer que a água viva jorra agora para a vida
eterna? Isto é misterioso. O fluir da água viva, o jorrar desta água, sempre nos leva a uma
situação onde há plenitude de vida. De acordo com minha experiência, sempre que a água
da vida flui do meu interior, sou levado a uma situação que é cheia e transbordante de
vida. Isto é o que significa água viva a jorrar para a vida eterna.
Suponha que eu visite um irmão em sua casa. Entretanto, em todos os sentidos estou
mudo, seco, gelado e morto. Se esta for minha situação, não haverá nenhum jorrar para a
vida eterna. Em vez disto, este irmão e eu seremos arrastados cada vez mais para baixo,
para morte. Mas se enquanto estou a caminho da casa deste irmão, fluo a água viva
falando, a água estará jorrando em mim para a vida eterna. Então nesta visita, a água viva
continuará a fluir. Pelo fluir da água da vida, seremos levados a uma condição que é
transbordante de vida de uma maneira prática. Isto é o que significa jorrar para a vida
eterna.
Quanto mais falarmos, mais seremos levados a um estágio onde estaremos transbor-
dando a vida eterna. Esta deveria ser nossa experiência em nossa vida diária e também nas
reuniões da igreja. Caso contrário, nossas reuniões serão como representações teatrais.
Não vamos às reuniões para representar; vamos para testificar, expressar, expor o fluir da
água viva que experimentamos dia após dia.
A respeito do fluir da água da vida pelo falar, o cristianismo da hoje está bem longe do
alvo. Os fundamentalistas insistem em certas formalidades. Estas formalidades levam as
pessoas à morte, não a vida eterna. No pentecostalismo, ao contrário, há algum falar.
Embora muito deste falar seja ridículo, é melhor do que não falar nada, pode até mesmo
proporcionar um pequeno proveito espiritual. Contudo, não há necessidade de nós, na
restauração do Senhor, falarmos como os que estão no pentecostalismo. Em vez disto,
temos muito a dizer sobre Cristo como nossa vida e, sobretudo que tem vindo à luz
através do ministério da Palavra. Quanto temos para falar um para o outro! Não vamos ser
nem como os fundamentalistas, nem como os pentecostais, mas, em vez disto, vamos
juntos fluir a água da vida pelo falar.
Este fluir, esta corrente, que vem pelo falar, fará surgir a vida. Produzirá o jorrar para a
vida eterna. Quanto mais falarmos, cantarmos, orarmos e louvarmos, mais fluir haverá
entre nós. Vamos agarrar toda oportunidade para fluirmos nas reuniões da igreja. Não
vamos perder tempo em mudez, em silêncio, mas usar cada minuto para fluir a água da
vida. Tal falar não somente nos levará a uma situação onde estaremos transbordantes de
vida, mas também nos introduzirá à plenitude do Espírito. Quanto mais falarmos, mais
seremos guiados à plenitude do Espírito.

Identificados com o Cristo Ferido

Se quisermos fluir a água da vida, também precisaremos estar identificados com o


Cristo ferido (Êx 17:6; Jo 7:38). A rocha ferida tipifica o Cristo encarnado em Sua crucifi-
cação. Numa mensagem anterior enfatizamos que na cruz Cristo foi ferido por Deus.
Precisamos ser identificados com esta Pessoa ferida. Isto quer dizer que nossa vida huma-
na, nossa vida natural, deve ser ferida de modo que a água viva possa fluir. Não há
necessidade, entretanto, de tentarmos ferir a nós mesmos. Simplesmente, se formos um
com o Cristo ferido, identificados com Ele, experimentaremos a crucificação da nossa vida
natural. Então, assim como a vida divina de Cristo flui como água viva através do feri-
mento da sua vida humana, também nós experimentamos o fluir da água da vida através

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do ferimento da nossa vida natural. Somente quando nossa vida natural for ferida é que a
vida divina será liberada de nós.
Se falarmos sem estarmos identificados com o Cristo ferido, o nosso falar, até mesmo o
nosso louvor e a nossa oração serão naturais. Precisamos ser um com Cristo de um modo
real e prático. Aí então experimentaremos o ferimento da vida natural que ocorreu Nele e
com Ele no momento da Sua crucificação. Se estivermos identificados com o Cristo ferido
desta maneira, a água viva fluirá, não de modo natural, mas de uma maneira pura, sem
mistura. O que quer que resulte de nós em oração, louvor ou testemunho, será o fluir da
vida divina em sua pureza.
Quando somos identificados com Cristo em sua morte, nossa vida humana natural é
levada na morte. Aí, o que quer que seja liberado em nós, será a própria vida de Deus: a
vida divina, eterna. Esta vida é a água da vida. Se estivermos identificados com o Cristo
ferido, o que for liberado de nós será puro. Não haverá mistura da vida divina com a vida
natural.
Além do mais, este fluir nos introduzirá a uma situação transbordante com a vida
eterna. De acordo com Apocalipse 22:1 e 2, o suprimento de vida está na água da vida,
pois a árvore da vida cresce no rio da vida. Quando a água da vida flui no nosso interior,
somos supridos ricamente. Além disto, toda a igreja receberá o rico suprimento de vida.
Oh! Como precisamos de tal fluir!
Encorajo vocês a orarem sobre o fluir de água da vida e porem em prática o que
ouviram nesta mensagem. Entretanto, precisamos deixar para trás os ensinamentos e
práticas tradicionais do cristianismo. Todos nós precisamos esquecer a influência do nosso
passado no cristianismo. O que falamos nesta mensagem está de acordo com a pura
Palavra de Deus, não de acordo com a tradição do cristianismo. O que precisamos não é da
tradição cristã, mas do fluir da água da vida. Se praticarmos este fluir pelo falar e formos
identificados com o Cristo ferido, teremos não somente um rio, mas os rios ditos pelo
Senhor Jesus em João 7:38. Rios de água viva fluirão do nosso ser interior.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E SEIS
A DERROTA DE AMALEQUE

Leitura da Bíblia: Êx 17:8-16; 1Pe 2:11; Dt 25:17-19; 1Sm 15:2;


Rm 7-24; 8, 34b; Hb 7:25; Gl 5:16-17; Rm 8:13; Nm 24:20

É importante ver que o livro de Êxodo é um quadro completo da salvação plena de


Deus. Este fato é confirmado pelo quadro apresentado em 17:8-16. No capítulo dezesseis
temos o maná do céu como o suprimento de vida, e no capítulo dezessete, a água viva
fluindo da rocha ferida para saciar nossa sede. Ai, então, em 17:8-16, temos a guerra contra
Amaleque. Para ser carreto, esta sequência não é absolutamente acidental, mas pelo con-
trário, está de acordo com o plano de Deus. Segundo o quadro nos capítulos dezesseis e
dezessete, depois de recebermos o suprimento de vida celestial e a água viva da rocha
ferida, estaremos prontos para lutar contra Amaleque.
A batalha contra Amaleque foi a primeira luta em que os filhos de Israel se envolveram.
Quando estavam no Egito, eles não lutaram. No Mar Vermelho, houve guerra entre Deus e
Faraó, mas os próprios filhos de Israel não lutaram contra o exército de Faraó. No entanto,
no capitulo dezessete, vemos os filhos de Israel envolvidos numa batalha contra Ama-
leque. Muitos estudiosos da Bíblia percebem que esta luta retrata o conflito entre a carne e
o Espírito. Isto indica que, ao prosseguirmos com o Senhor, o primeiro combate é entre a
carne e o Espírito. O fato do primeiro combate em que os filhos de Israel se envolveram ter
sido contra Amaleque, indica que depois de termos sido salvos e batizados, o primeiro
conflito que experimentamos será a luta entre a carne e o Espírito que nos regenerou.
Do capítulo quatorze até o dezessete, temos um retrato das muitas experiências pelas
quais passamos após o batismo. Estas experiências incluem as experiências em Mara e
Elim, o comer do maná celestial para satisfazer a nossa fome e o beber da água viva para
saciar a nossa sede. Depois destas experiências, estaremos equipados e prontos para lutar
contra a carne. Isto é confirmado pela nossa experiência com o Senhor. Depois de termos
sido salvos e batizados, tivemos as experiências em Mara e Elim. Então, comemos o maná
e bebemos a água viva. Somente aí descobrimos o quanto a carne nos estorva em seguir ao
Senhor. A carne é o inimigo que nos atrapalha em prosseguir com o Senhor. Neste ponto, a
carne é um inimigo ainda maior do que o mundo.

I. O SUSTENTO PARA COMBATER

Se estivermos interiormente famintos e sedentos, não seremos capazes de lutar contra a


carne. Para lutar, precisamos primeiro ter satisfeita a nossa fome e saciada a nossa sede.
Precisamos do maná, a comida celestial, e da água da rocha, a água viva. Somente assim
teremos força para lutar. O maná e a água viva sustentaram os filhos de Israel em sua luta
contra Amaleque. Sem este sustento, os filhos de Israel não poderiam ter se envolvido
nesta batalha. Ocorre o mesmo em nossa experiência espiritual. Se não desfrutarmos dia-
riamente do maná celestial e bebermos da água viva constantemente seremos derrotados
pela carne e subjugados por ela. Aqueles cristãos que, não participam do maná e não
bebem da água viva já estão subjugados pela carne. Sem o maná e a água viva, esponta-
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neamente seremos um com a carne e andaremos de acordo com ela. Somente quando
somos supridos por Cristo e de Cristo, e temos saciada nossa sede pelo Espírito que dá
vida, é que estaremos prontos então para lutar contra a carne.
Êxodo 17:8 diz: "Então veio Amaleque e pelejou contra Israel em Refidim". Este versí-
culo indica que Amaleque tomou a iniciativa de lutar contra os filhos de Israel. Amaleque
atacou-os por causa da inveja. Os amalequitas ouviram o que ocorrera aos filhos de Israel
e ficaram enciumados. Por isso, Amaleque saiu para lutar contra o povo de Deus.
Toda vez que não estamos satisfeitos com Cristo e não supridos pelo Espírito que dá
vida, somos subjugados pela carne, mas toda vez, que nos levantamos e desfrutamos de
Cristo como nosso maná e bebemos do Espírito que dá vida como a água viva, já não
somos mais subjugados pela carne. As atividades da carne são, é claro, instigadas por
Satanás, que trabalha através dela. A carne não pode tolerar o nosso gozo de Cristo e o
nosso beber da água viva. Por isso, ela se levanta para lutar contra nós e tenta subjugar-
nos.
Antes de começarmos a desfrutar de Cristo como nossa comida e do Espírito que dá
vida como nossa água viva, não tínhamos consciência alguma de que a carne estava
lutando contra nós. Até esta hora, estávamos totalmente subjugados por ela. Vivíamos na
carne, agíamos por ela e andávamos de acordo com ela. Tudo o que fazíamos era na carne.
Todavia, não tínhamos nenhuma preocupação de que a carne era tão ativa e prevalecente.
Éramos vitimas desamparadas, à mercê do poder maligno da serpente, Satanás. A
serpente podia trabalhar em nós e sobre nós e não tínhamos consciência disto. Mas, um
dia começamos a participar da comida celestial e beber da água viva. Aí então começamos
a nos levantar de debaixo da mão de Satanás e a recusar sermos vítimas por mais tempo. É
nesta hora que Satanás instiga a carne a lutar contra nós. Muitos de nós podem testificar
isto. Podemos testificar que após começarmos a desfrutar de Cristo e a beber da água viva,
a carne se levantou para lutar contra nós. Louvado seja o Senhor porque temos o maná
celestial e a água viva para sustentar-nos quando lutamos contra a carne!
Dia a dia somos supridos com o maná, o Cristo celestial, como nossa porção. O Senhor
Jesus ensinou-nos a orar: "O pão nosso do cada dia dá-nos hoje". Cada dia precisamos orar
assim: "Senhor, dá-nos neste dia a nossa porção diária de Cristo". Gosto de orar desta
maneira. Frequentemente digo: "Senhor, agradeço-Te por outro novo dia. Peço-Te que me
dês a porção de graça deste dia". Todo dia precisamos de uma porção particular da graça,
de Cristo como nosso suprimento de vida. Também precisamos do Espírito como a água
viva. Temos tanto o Cristo celestial como o Espírito que dá vida. O Cristo celestial é o
nosso maná para satisfazer a nossa fome e o Espírito é a água viva para saciar a nossa
sede. Você desfruta deste maná e da água viva todo dia? Posso testificar que hoje desfrutei
da minha porção de Cristo e bebi bastante da água viva. Por isso não sou subjugado pela
carne. A minha fome foi satisfeita e a minha sede saciada, Assim, tenho algo para compar-
tilhar com os santos. A água viva pode fluir do meu ser interior para saciar a sede dos
outros.
Mesmo quando participamos de Cristo como o maná celestial e bebemos do Espírito
como a água viva, Amaleque está perto para lutar contra nós. Precisamos estar cônscios do
fato de que Amaleque, a carne, está sempre conosco. Imediatamente depois de desfru-
tarmos do Senhor na oração matinal, alguma coisa pode acontecer, talvez na mesa do
desjejum, para provocar a carne. A carne tem inveja do nosso gozo de Cristo. Dai Satanás
excita a carne para lutar contra nós a fim de impedir-nos de seguir ao Senhor.
A única razão do ataque de Amaleque foi a sua inveja do povo de Deus. Ele não queria
ver um povo tão radiante e vitorioso. Os filhos de Israel se satisfizeram com o maná
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celestial e beberam a maravilhosa água viva. Nas palavras de Paulo, a da rocha fluindo
água viva os estava seguindo (1Co 10:4). Os filhos de Israel devem ter ficado muito felizes
com o maná e a água viva. Você não ficaria feliz se estivesse lá? Não havia necessidade de
se preocuparem com comida. Eles tinham o suprimento diário do maná celestial. Além
disso, eles podiam beber da água fluindo da rocha ferida. Que cena maravilhosa! Suponha,
pelo contrário, que os filhos de Israel não tivessem nem maná nem água viva. Em tal caso,
o povo, sem dúvida alguma, teria discutido e até brigado entre si. Tal situação não teria
feito o inimigo ficar enciumado. Mas Amaleque foi provocado pelo ciúme ao ouvir a
respeito de um povo radiante, feliz e vitorioso. Incitado pela inveja, ele lutou contra eles
com a intenção de destruí-los.
Muita atenção é dada nas Escrituras à luta entre a carne e o Espírito. Esta batalha está
registrada não só em Êxodo 17, mas também em 1 Samuel 15. A Bíblia tem muito a dizer
sobre Amaleque. A razão disto é que na história da experiência cristã, a carne ocupa
bastante espaço. Se você fosse escrever a biografia de qualquer cristão, você teria de
dedicar uma atenção considerável à carne. Do lado negativo, a vida cristã é uma história,
um registro da carne. Diariamente no nosso andar cristão somos atribulados pela carne,
Talvez até, mesmo quando você está sentado nas reuniões da igreja, você se lembra de
certas ofensas ou de como outros o trataram mal. Os seus pensamentos acerca destas
ofensas podem estar na carne. Depois da reunião, você pode ser fortemente atacado pela
carne. Amaleque pode vir lutar contra você. Do lado negativo, a vida cristã está relacio-
nada principalmente com a carne. De muitas maneiras diferentes, a carne se levanta para
atacar-nos.

II. AMALEQUE

A. Belicoso, Destruidor, Perturbador

O nome Amaleque significa belicoso. A carne gosta de lutar e nunca quer conservar a
paz. Além disso, a carne é muito destrutiva. O maior destruídor da vida cristã é a carne. A
carne destrói a nossa vida conjugal, familiar e da igreja. Ela procura destruir todas as
coisas positivas. Veja o quanto a carne tem destruído desde que você se tornou um cristão.
A carne não só é belicosa e destrutiva, mas também é extremamente perturbadora. Se
você ler Romanos 7, verá que perturbação é causada pela carne. De acordo com àquele
capítulo, Paulo estava tão perturbado que até clamou: "Desventurado homem que sou!
Quem me livrará do corpo desta morte?" (v. 24). Aparentemente esta perturbação era
causada pelo pecado. Na verdade, ela foi causada pela carne. Quão belicosa, destrutiva e
perturbadora é a carne!

B. Um Descendente de Esaú

Amaleque era um descendente de Esaú (Gn 36:12), o irmão gêmeo de Jacó. Esaú e Jacó
eram bem próximos, isto indica que a carne, tipificada por Esaú, é próxima do nosso ser
regenerado, tipificado por Jacó. Isto indica que a carne pertence ao primeiro homem, e o
nosso ser regenerado, ao segundo.
A Bíblia fala de dois Amaleques diferentes. O Amaleque mencionado em Gn 14:7 é dife-
rente daquele descendente da Esaú. Entretanto, alguns estudiosos da Bíblia, não cientes
desta distinção, pensam que estes dois são o mesmo. Precisamos estar claros, portanto, de
que a Bíblia nos fala de dois Amaleques diferentes. O Amaleque em Êxodo 17 descendia
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de Esaú. Daí, foi o segundo Amaleque, que descendia de Esaú, que perturbou o povo de
Deus. O nosso enfoque é com este Amaleque. A nossa carne é o descendente de Esaú. Isto
significa que a carne é do primeiro homem. Isto é, o velho homem. A carne é o resultado, a
geração, do primeiro homem.

C. Próximo a Jacó

Já enfatizamos que assim como Esaú era próximo a Jacó, também a carne é próxima do
nosso ser regenerado. A Bíblia em lugar nenhum diz-nos que os descendentes de Esaú
cessaram de existir. Pelo contrário, os edomitas, descendentes de Esaú, foram constante-
mente um problema para os Israelitas.

D. Lutando Contra Israel

Vimos que Amaleque, um dos descendentes de Esaú, foi o primeiro a lutar contra os
filhos de Israel. Esta luta é um quadro da carne lutando contra os cristãos. Pedro refere-se
a esta luta: "Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes
das paixões carnais que fazem guerra contra a alma (1Pe 2:11).

E. O primeiro inimigo no Caminho de Israel para a Boa Terra

Amaleque foi o primeiro inimigo dos filhos de Israel encontrado no caminho para a boa
terra (Dt 25:17-18; 1Sm 15:2). Isto indica que a nossa carne é a primeira entre todos os
nossos Inimigos. Ela lidera o pecado, o mundo e Satanás a lutar contra nós. A carne, o
pecado, o mundo e Satanás estão todos inter-relacionados. Estas quatro coisas estão
interligadas. A mais importante entre elas na luta contra os cristãos é a carne. Satanás, o
pecado e o mundo estão todos subordinados à carne. Quando em nossa experiência cristã
prática, a carne é levada à morte, o mundo não pode reter-nos, o pecado não pode operar e
Satanás fica impotente para trabalhar sobre nós. A razão de o mundo ser prevalecente, do
pecado ser forte e de Satanás ser ativo, é que ainda estamos na carne. Estes três inimigos
são todos dependentes da carne. Daí, a carne é o nosso mais proeminente inimigo. Por esta
razão, a Bíblia dá um quadro completo de Amaleque como o primeiro inimigo a lutar
contra os filhos de Israel. Muitos de nós podemos testificar que desde à hora em que
começaram pela primeira vez a buscar ao Senhor e a andar no Seu caminho, a carne
começou a lutar contra elas. A carne é o inimigo líder em estorvar-nos no prosseguir com o
Senhor.
Debaixo da orientação de Deus, os filhos de Israel, tinham um objetivo que era o de
entrar na boa terra. O propósito de Amaleque em atacar o povo de Deus era impedi-los de
entrar nesta terra. Também temos o objetivo de entrar no Cristo todo-inclusivo com a
nossa boa terra e possuí-Lo como esta terra. Fomos salvos, fizemos um êxodo maravilhoso
do Egito, cruzamos o Mar Vermelho e viajamos através do deserto, onde tivemos muitas
experiências maravilhosas. Todavia, ainda não atingimos o objetivo, ainda não entramos
no Cristo todo-inclusivo. Sabendo que este objetivo está à nossa frente, o inimigo, Ama-
leque, esforça-se por impedir-nos de atingir este objetivo. É-nos crucial reconhecer que o
alvo de Satanás em incitar a nossa carne e lutar contra nós, é impedir-nos de ter o gozo
pleno de Cristo. O propósito da carne em guerrear contra nós é impedimos de entrar em
Cristo como a terra todo-inclusiva. Precisamos admitir que poucos cristãos, mesmo no
nosso meio, entraram de uma maneira completa no gozo pleno do Cristo todo-inclusivo.
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Temos sido atrapalhados, principalmente, pela carne. Embora possamos desfrutar do
Senhor na oração matinal, a carne frequentemente nos ataca logo em seguida. Este ataque
pode impedir-nos de desfrutar do Cristo todo-inclusivo durante o dia. Como resultado,
por todo o dia, temos pouco gozo de Cristo. O propósito da carne em lutar contra nós,
portanto, é impedir-nos de desfrutar Cristo plenamente.

III. A DERROTA DE AMALEOUE

A. Por Homens Fracos

Para derrotar Amaleque, o Senhor usou homens fracos (Êx 17:9; Rm 7:24). Em 17:9,
Moisés disse a Josué; "Escolhe-nos homens, e sai, peleja contra Amaleque". A palavra
hebraica para homens neste versículo denota aqueles que são fracos". Aos olhos de Deus,
os filhos de Israel eram homens fracos. O mesmo é verdade sobre os cristãos hoje. Você
pode pensar que um certo irmão é muito forte, mas, aos olhos de Deus, ele na verdade é
fraco. A nossa fraqueza é provada pelo fato de que podemos ser facilmente derrotados, até
pelos nossos filhos e netos. Um irmão pode até ser derrotado por uma expressão infeliz na
face de sua esposa. Não devíamos nos considerar fortes. Não, somos fracos. Deus, entre-
tanto, não usa os fortes para lutar contra Amaleque. A Josué foi dito que escolhesse
homens fracos para a batalha. Nós escolheríamos os fortes, mas Deus escolheu aqueles que
são fracos. Os vitoriosos sobre Amaleque são homens fracos.

B. Com Moisés levantando Sua Mão no Cume do Monte

Aparentemente a batalha contra Amaleque foi combatida por homens fracos, mas na
verdade ela o foi pelo próprio Deus. Isso é provado pelo fato de que vitória ou derrota foi
decidida pela mão levantada de Moisés. Êxodo 17:11 diz: "E aconteceu que, quando
Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia
Amaleque". Moisés levantando a sua mão no cume do monte tipifica o Cristo Ascenso,
intercedendo nos céus (Rm 8:34b; Hb 7:25). A vitória ou a derrota não dependia da luta
dos homens fracos. Embora eles tivessem de lutar, a vitória não dependia deles, dependia
da mão levantada de Moisés com a vara de Deus. Embora nos seja necessário lutar contra
Amaleque, não devemos pensar que, pela nossa luta, possamos ser vitoriosos. Pelo com-
trário, somos qualificados somente para derrota. Em nossa luta, precisamos reconhecer a
necessidade de não lutar em nós mesmos, mas a lutar por meio de Moisés e Josué.

C. Com Josué Lutando Pelo Povo

Por um lado, Moisés levantou sua mão no cume do monte, por outro, Josué lutava pelo
povo (17:10a, 13). Vimos que o maná tipifica Cristo e que a água viva tipifica o Espírito.
Precisamos agora prosseguir para enfatizar que Moisés tipifica o Cristo celestial, e Josué, o
Espírito que habita no nosso interior lutando contra a carne (Gl 5:16-17; Rm 8:13). Muitos
cristãos percebem que, em tipologia, Josué simboliza Jesus. De fato, a palavra grega Jesus é
o correspondente ao nome hebraico Josué. Embora Josué tipifique Jesus, em Êxodo 17
Josué tipifica o Espírito. De acordo com a figura em Êxodo 17, o Cristo celestial, tipificado
por Moisés, está intercedendo e o Cristo em nosso interior, tipificado por Josué está
matando o inimigo. O maná, a água viva, Moisés e Josué, todos tipificam Cristo. Cristo é o
suprimento de vida, a água viva. Aquele que intercede nos céus. Aquele que está no nosso
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interior lutando contra o inimigo. Em resumo, Cristo é tudo. A figura em Êxodo é muito
clara a este respeito.
Não é coincidência Cristo ser tipificado em Êxodo de todas estas maneiras. Em Sua
soberana sabedoria, Deus preparou estes tipos e arranjou-os em uma sequência maravi-
lhosa. Primeiro, temos o maná e a água viva, depois temos Moisés no cume do monte e
Josué lutando na batalha. Todos precisamos chegar a conhecer Cristo como o maná
celestial, a água viva, o Moisés intercessor e o Josué lutador. Também precisamos experi-
mentar Cristo no aspecto do maná, da água viva, como Aquele que intercede e Aquele que
luta. Como o Espírito que habita no nosso interior, Cristo é o nosso Josué presente, prático,
lutando contra a carne e levando-a à morte. Nesta batalha precisamos cooperar com Ele.
Quando Ele luta, também devemos lutar. Mas a nossa luta em si mesma não vale nada.
Mesmo assim Cristo ainda deseja que lutemos juntos com Ele. Esta é a maneira da derrotar
Amaleque, a maneira de derrotar a carne.

IV. O DESTINO DE AMALEQUE

A. A Sua Memória Sendo Apagada de Debaixo do Céu

O destino de Amaleque, em primeiro lugar, é ter a sua memória apagada de debaixo do


céu. Em 17:14, o Senhor disse e Moisés: "Totalmente riscarei a lembrança de Amaleque de
debaixo do céu" (hebraico). Não importa o quão forte, teimosa ou prevalecente a carne
possa ser, a sua lembrança será apagada. Isto indica o ódio de Deus contra a carne. De
acordo com Romanos 8:7 e 8, a carne é um inimigo de Deus. Ela não tem nem a intenção,
nem a habilidade de obedecer a Deus. Daí o destino da carne é ser apagada.
Em Êxodo, entretanto, Amaleque não foi apagado. Em 1 Samuel 15 vemos que os
amalequitas ainda existiam e eram bem fortes. Entretanto, Deus decidiu que a carne devia
ser apagada. Isto ocorrerá durante a era do reino no milênio. Hoje ainda é hora de lutar-
mos contra a carne. Mas quando o reino vier, a carne será apagada de debaixo do céu.

B. Deus Fará Guerra com Amaleque de Geração em Geração

Deus é forte assim contra a carne porque com Amaleque há uma mão contra o trono do
Senhor. Êxodo 17:16 diz: ―Porque ele disse: Porque há uma mão contra o trono de Jeová,
Jeová fará guerra com Amaleque de geração em geração‖ (hebraico). A carne é uma mão
contra o trono, contra o governo de Deus. Porque a carne se opõe ao trono do Senhor, o
Senhor precisa lutar contra ela. O Senhor terá guerra contra Amaleque de geração em
geração.
A carne está em rebelião contra Deus e contra o Seu trono. A carne é feia simplesmente
porque ela é contra o trono, a administração e o plano de Deus. Este é um ponto de grande
significado. Mas poucos cristãos percebem que a carne é tão maligna. A carne não comete
simplesmente pequenos pecadilhos, mas é uma mão contra o próprio trono de Deus. Pelo
fato de a carne ser uma mão contra o Seu trono, Deus decidiu guerrear contra ela. Amale-
que, a carne, ainda é uma mão contra e administração de Deus. Isto quer dizer que a nossa
carne está em rebelião contra a administração governamental de Deus. Tudo o que Deus
faz governamentalmente, a carne se opõe. Por exemplo, entre muitos cristãos, a carne
fortemente se opõe à igreja, porque a igreja é a administração de Deus. A igreja é despre-
zada e muitas palavras de blasfêmia são ditas a respeito dela. Isto é uma indicação de que

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a carne aos olhos de Deus é rebelde. Realmente, a carne é uma mão contra o trono do
Senhor. Portanto, o Senhor há de lutar contra esta rebelde e apagará a sua memória.

C. O Nome de Jeová-Nissi invocado no Altar como um Memorial

Em 17:15, lemos que ―Moisés erigiu um altar e deu-lhe o nome de Jeová-Nissi". O nome
Jeová-Nissi significa Jeová minha bandeira. Para Jeová ser a nossa bandeira significa que
Jeová Deus é a nossa vitória. Moisés erigiu um altar e então lhe deu o nome de Jeová-Nissi.
O altar simboliza a cruz que trata com a nossa carne (Gl 5:24). Por um lado, a nossa carne
precisa ser apagada, por outro, a cruz deve ser um memorial. Pela cruz desfrutamos a
vitória do Senhor. Isto significa que pelo altar desfrutamos Jeová-Nissi.
O altar erigido e denominado por Moisés em Êxodo 17 significa que a cruz de Cristo é
um memorial da nossa vitória. Pela cruz experimentamos o Senhor como nossa bandeira.
Desfrutamos Dele como nosso vencedor e desfrutamos da vitória através da cruz do
Senhor. De acordo com o livro de Gálatas, a carne deve ser colocada de lado, mas a cruz
deve tornar-se a nossa glória. Paulo declara que ele não se gloriava na circuncisão, mas na
cruz de Cristo. A lembrança da carne precisa ser apagada e um memorial da cruz deve ser
erigido. Precisamos nos lembrar da cruz de Cristo através da qual desfrutamos do Senhor
como nossa bandeira, nossa vitória. Esta cruz é o memorial de que a carne foi apagada.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E SETE
A LUTA CONTÍNUA CONTRA AMALEQUE

Leitura da Bíblia: Êx 17:9-16; 1Sm 15:1-33; Rm 8:7-8,13; Gl 5:17-25

Os capítulos de um até dezessete de Êxodo, formam uma seção completa. Nesta seção
temos um quadro completo da salvação de Deus, um quadro que inclui tanto o tratamento
com o mundo quanto o tratamento com a carne. O povo escolhido de Deus estava no
cativeiro no Egito, que tipifica o mundo. Deus então veio para tratar com o mundo, para
cumprir a redenção e libertar o seu povo do mundo. Depois, eles desfrutaram o supri-
mento do maná celestial e da água viva. Aí então, em Êxodo 17, Deus tratou com
Amaleque, isto é, com a carne.
Se tivermos uma visão geral dos primeiros dezessete capítulos de Êxodo, veremos um
quadro da salvação de Deus que começa com o tratamento com o mundo e conclui com o
tratamento com a carne. Este quadro capacita-nos a perceber que, como o povo escolhido
de Deus, estivemos certa vez sob a tirania do mundo. Mas depois que fomos redimidos,
salvos e libertados, começamos a desfrutar da provisão divina do maná e da água viva.
Um dia, entretanto, tivemos de enfrentar um inimigo muito subjetivo: a carne. Este
inimigo procura perturbar-nos, ocupar-nos e até destruir-nos.
A seção seguinte do livro, dos capítulos 18 até 40, é uma longa seção relacionada ao
reino. Isto indica que depois de termos sido libertados do mundo, desfrutarmos da
provisão divina, e tratarmos com a carne, estaremos no reino. Que boas novas são essas!
Talvez você nunca tenha percebido que estes capítulos estão relacionados ao reino. A sua
única percepção pode ter sido que estes versículos abordam a edificação do tabernáculo
como a habitação de Deus. É decisivo perceber, porém, que fora do reino não há possibi-
lidade de a casa de Deus vir a existir. Somente quando derrotarmos o inimigo, vencermos
o mundo e tratarmos completamente com a carne é que estaremos no reino. No reino é-
nos possível edificar o tabernáculo como o lugar da habitação de Deus. O princípio é o
mesmo com a edificação do templo. Depois de Davi ter lutado a batalha contra os inimigos
e obtido a vitória, Salomão desfrutou do reino. Neste gozo, o templo foi edificado. Na
segunda seção de Êxodo, dos capítulos 18 até 40, vemos que o povo redimido de Deus
ficou no gozo do reino. Tendo sido libertados do mundo e tendo tratado com a carne, eles
foram capazes de edificar o tabernáculo como a habitação de Deus.
De acordo com o Novo Testamento o Diabo, o mundo e a carne são chamados de
inimigos de Deus (Mt 13:25, 39; Rm 8:7-8, Tg 4:4). Em Êxodo, Satanás é tipificado por
Faraó; o mundo pelo Egito, e a carne, por Amaleque. Depois de estes três inimigos serem
tratados, o reino de Deus vem.

1. AMALEQUE — A CARNE CHEIA DE INIMIZADE CONTRA DEUS

No Antigo Testamento, nenhum inimigo é tratado mais completamente do que Ama-


leque, porque Amaleque é um tipo de carne é o ultimo inimigo contra o reino de Deus. A
carne é o que impede a igreja de ser edificada adequadamente. Enquanto a carne perma-
nece como um problema, o reino não pode vir. O reino chega somente depois que a carne
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foi tratada. Pelo bem da vida da igreja, precisamos tratar com a nossa carne. Se a carne não
for tratada, não pode haver reino de Deus. Aí então, sem a realeza de Cristo, o seu
encabeçamento, não há maneira de o Corpo ser edificado. Esta é a razão porque, durante
os últimos mil e novecentos anos, tem havido bem pouca edificação da igreja. As confu-
sões e divisões entre os cristãos hoje ocorrem principalmente por causa da carne de Ama-
leque. Entre os cristãos, Amaleque é forte. Por causa disto, não temos o reino de Deus de
uma maneira prática. Sem o reino, é impossível ter a edificação. Entre a grande maioria de
cristãos, não é possível nem mesmo falar sobre a edificação da igreja.
Agradecemos ao Senhor porque pela Sua misericórdia e graça, nós, na Sua restauração,
aprendemos algo da importância de tratar com a carne. Embora a carne permaneça um
problema, não ousamos deixar sem restrições a nossa carne. Simplesmente não temos a
ousadia de ficar na carne. Entretanto muitos cristãos são extremamente ousados em ficar
na carne. Quão forte é Amaleque hoje! Porque Amaleque prevalece, não há reino e não há
edificação.
Nos seus escritos, Paulo trata completamente com a carne. Ele usa certas expressões
para mostrar que a carne é inimizade contra Deus. Por exemplo, em Romamos 8:7 ele diz
que "a mente posta na carne é inimizade contra Deus, porque não está sujeita a lei de
Deus, nem o pode estar". A carne é horrível pela simples razão de não estar sujeita à lei de
Deus. Do ponto de vista de Deus, a carne está ilegal. A ilegalidade prevalece entre muitos
cristãos hoje. A carne é ilegal em sua incapacidade de sujeitar-se a Deus.
Em 8:8 Paulo prossegue dizendo: "E os que estão na carne não podem agradar a Deus.
A carne não está sujeita à lei de Deus, não pode estar sujeita à lei de Deus, e não pode
agradar a Deus. Portanto, aos olhos de Deus, não há lugar para a carne. Ela precisa ser
aniquilada.
A carne denota a totalidade do velho homem caído. Daí, a carne não se refere simples-
mente a uma parte de nosso ser, mas a todo nosso ser caído. De acordo com Romanos 6:6,
o velho homem foi crucificado com Cristo. Porque o velho homem não tem mais espe-
rança, Deus colocou-o na cruz com Cristo. Como veremos, precisamos cooperar com Deus
naquilo que Ele fez crucificando a carne (Gl 5:2). O destino da carne é ser levada a morte.
Não importa como a carne possa nos parecer, aos olhos de Deus ela é rebelde e vil. Por
esta razão, Deus decidiu apagar o nome de Amaleque.

II. JEOVÁ GUERREANDO COM AMALEQUE


DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

Deus também determinou em ter guerra com Amaleque de geração em geração. Em


muitos lugares no Antigo Testamento vemos que o povo de Deus lutou contra Amaleque.
Vemos isto em Juízes 3:13-15; 5 14; 6:3; 7:12-14; l Samuel 15:2-9; 32-33; 27:8; 30:1-17; 2
Samuel 8:12; 1 Crônicas 4:42-43. Vemos a guerra com Amaleque até no livro de Ester (3:1-
6; 9:7-10), onde lemos que Hamã era um agaguita, um descendente de Agague, rei de
Amaleque, que foi cortado em pedaços por Samuel (2Sm 15:33). Embora Agague fosse
morto, alguns dos seus descendentes sobreviveram. Hamã foi um descendente posterior
de Agague. Deus odeia a carne tipificada por Hamã. De acordo com o livro de Ester, a
carne trabalha de uma maneira oculta para arruinar gradativamente o povo de Deus e até
matá-lo. Hamã hoje, a carne, tenta trabalhar na igreja. A conspiração de Hamã em ani-
quilar os filhos de Israel foi por fim exposta e frustrada. Ester foi estimulada a tratar com
Hamã, a carne oculta. Através da sua ajuda, Hamã foi levado à morte. Assim, vemos que o

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livro de Ester é uma história da guerra de Deus com Amaleque, a continuação do estado
de guerra com Amaleque de geração em geração.

III. COMO LUTAR CONTRA AMALEOUE

A. Orando com o Cristo Intercessor

Chegamos agora à importante questão de como lutar contra Amaleque. Em primeiro


lugar, lutamos orando com o Cristo intercessor (Êx 17:11). Moisés com a mão levantada no
cume do monte tipifica Cristo intercedendo nos céus. Lemos em 17:12 que quando as mãos
de Moisés ficaram pesadas, "Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um dum lado e outro
do outro, e assim lhe ficaram as mãos firmes até o por do sol". O que significa isto? Já
realçamos o fato de Moisés ser aqui um tipo de Cristo intercedendo por nós nos céus. Mas
não podemos dizer que as mãos de Cristo são pesadas, não é? Certamente Cristo não
precisa de ninguém para sustentar suas mãos. Não há Arão nem Hur nos céus ajudando
Cristo em Sua intercessão. Parece, então, que o tipo não se encaixa totalmente. Mas uma
vez que a Bíblia foi inspirada por Deus, deve haver aqui algo relacionado à nossa experi-
ência espiritual.
Se considerarmos estes versículos a luz da nossa experiência, compreenderemos que
para tratar com a carne não só precisamos da intercessão de Cristo nos céus, mas nós
mesmos precisamos orar. Alguns mestres cristãos realçam o trabalho objetivo de Cristo
nos céus. Eles enfatizam que Cristo está agora nos céus intercedendo por nós. Outros dão
muita atenção à importância de jejuar e orar. Se alguém é perturbado pela carne num certo
aspecto, eles o aconselham a jejuar e orar. Pela nossa experiência precisamos tanto do
aspecto objetivo quanto do subjetivo. Como já citamos, Moisés orando no cume do monte
tipifica Cristo intercedendo por nós nos céus. Mas o fato de Moisés precisar de Arão e Hur
para sustentarem suas mãos simboliza a nossa necessidade de orar. Enquanto Cristo está
orando nos céus, precisamos orar aqui na terra. Quando oramos, somos um com Moisés
no cume do monte. Mas quando levamos a carne à morte, somos um com Josué lutando no
vale.
Embora o Cristo intercessor não precise de ninguém para sustentar Suas mãos, preci-
samos que as nossas mãos de oração sejam sustentadas. É fácil elas ficarem, pesadas.
Sabemos que para tratar com a nossa carne precisamos orar. Mas frequentemente nossas
mãos tornam-se pesadas. Assim precisamos da ajuda de Arão e Hur.
Arão, o sumo sacerdote, tipifica o sacerdócio, e Hur, que era da tribo de Judá, tipifica a
realeza. Ao neto de Hur, Bezalel, foi dada a perícia de trabalhar nas instalações do taberná-
culo (31:2-5). Como veremos quando considerarmos os últimos capítulos de Êxodo, o
tabernáculo, o edifício de Deus, foi construído pelo sacerdócio e pela realeza. As nossas
orações precisam ser sustentadas pelo sacerdócio e pela realeza. Às vezes, as nossas mãos
de oração tornam-se pesadas não porque nos falta o desejo de orar, mas porque falta-nos o
incentivo e encorajamento. Isto significa que podemos estar necessitando Arão e Hur, ne-
cessitando do sacerdócio e da realeza.
O sacerdócio está relacionado ao Santo dos Santos. Em nossa experiência o Santo dos
Santos está sempre relacionado ao nosso espírito. Dai, ser pesado em oração indica um
problema ou alguma falta em nosso espírito. Por alguma razão, o nosso espírito não é
acurado ativo ou positivo com o Senhor. Isto faz com que a nossa oração se torne pesada.
A nossa experiência confirma isto. Em tais horas pesadas não devemos tratar com a nossa
oração tentando orar mais. Pelo contrário, devemos tratar com o nosso espírito. No nosso
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espírito há falta de sacerdócio. Precisamos de Arão, o sumo sacerdote, para fortalecer o
nosso espírito.
Uma outra razão de sentir pesado na oração é a rebelião contra a realeza. Se você disser
que não é rebelde, então preciso perguntar-lhe sobre a questão da desobediência. Você
pode dizer que nunca foi desobediente em relação ao Senhor? Por exemplo, uma irmã
pode sentir uma restrição do Senhor impedindo-a de ir a uma loja, mas ela pode desobe-
decer a esta restrição e ir assim mesmo. No decorrer de um só dia podemos desobedecer
ao Senhor muitas vezes. Vamos contra a autoridade, a realeza, no nosso interior. Por isso,
por causa da escassez de realeza, facilmente ficamos pesados na oração.
A nossa oração, também se torna pesada quando não nos preocupamos com a edifi-
cação do tabernáculo. Hur está relacionado com a edificação. De fato, a direção do livro
de Êxodo é rumo à edificação do tabernáculo. Já chamamos a atenção ao fato de Bezalel, o
neto de Hur, ser agraciado com o dom, da parte da Deus, de ser perito em trabalhar com
vários aspectos do tabernáculo. Isto indica que a nossa oração precisa ter a visão da
edificação da igreja. O que Deus está fazendo hoje é direcionado a este objetivo. Se a nossa
vida de oração não tem em vista a edificação da igreja, a nossa oração não durará muito.
Mas se tivermos o sacerdócio e a realeza e preocuparmo-nos com a edificação do taber-
náculo, a igreja, a nossa vida de oração então não será pesada, pelo contrário, será susten-
tada pelo sacerdócio e pela realeza, e terá em vista a edificação da igreja. Ai então seremos
capazes de lutar contra a carne, Amaleque, por meio da nossa oração.
Em nossa oração devemos ser um com Cristo nos céus. Precisamos unir-nos com Cristo
e sermos um com Ele em Sua intercessão. Devemos fazer da Sua a nossa oração; a Sua
intercessão a nossa oração instantânea. Sustentados pelo sacerdócio e pela realeza, isto é,
estimulados em nosso espírito e subjugados sob a autoridade de Deus, precisamos orar
com Ele no trono nos céus. Além disso, a nossa oração deve ser direcionada para o
objetivo da edificação da casa de Deus. Se tivermos estes fatores: o sacerdócio, a realeza e a
edificação de Deus em vista — não creio que a nossa oração possa ser detida. A figura de
Arão e Hur sustentando as mãos de Moisés é um retrato da união em oração entre Cristo e
nós. Quando Cristo intercede, nós oramos, juntamo-nos a Ele em Sua intercessão. Esta é a
maneira correta de orarmos ao tratar com a carne.
Tratar com a carne não é algo superficial, porque todo o nosso ser caído é carne. Em
certo sentido, a carne é exatamente nós mesmos. Tratar com a carne é muito mais difícil do
que tratar com o mundo ou com o pecado. Para tratar com a totalidade do nosso ser caído
precisamos de muita oração em união com a intercessão do Cristo celestial. Para orar desta
maneira, precisamos estar identificados com Cristo e sermos um com Ele. Enquanto Ele
ora nos céus, oramos junto com Ele. Se quisermos orar desta maneira, precisaremos ser
estimulados em nosso espírito pelo sacerdócio e subjugados pela realeza. Também preci-
samos preocupar-nos com a edificação de Deus. Aí então teremos o suporte necessário
para sustentar a nossa vida de oração.
Em 17:12 lemos que Arão e Hur tomaram uma pedra e puseram-na sob Moisés, e ele
sentou-se nela. Isto indica que a nossa vida de oração deve ter uma base sólida. Quando
era jovem, aprendi a orar, mas a minha oração não tinha uma base sólida. Isto também é
verdade com relação a muitos cristãos hoje. Eles aprenderam a orar, mas falta-lhes uma
base sólida para a sua vida de oração. Não creio que, de acordo com o contexto de Êxodo
17, a base forte para nossa vida de oração é Cristo diretamente. Pelo contrário, creio que a
pedra usada como base forte refere-se à nossa percepção de que nós mesmos não somos
capazes de sustentar uma vida de oração. É o reconhecimento do fato de que precisamos
de suporte. Em nossa vida natural, como Moisés, não somos capazes de perseverar em
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oração. Simplesmente não conseguimos continuar nossa oração durante todo o dia. Assim,
precisamos sentir a nossa fraqueza. Esta percepção dá-nos a base forte que precisamos
para nossa vida de oração.
Quando estiver para orar, você precisa perceber que em si mesmo não é capaz de orar.
Toda pessoa que ora pode testificar que não é possível ter uma vida de oração sem uma
base forte. Precisamos de algo sólido para sustentar a nossa vida de oração. Toda vez que
você orar, diga ao Senhor: ―Senhor, não sou capaz de continuar em oração. Preciso de uma
base sólida para a minha oração, e tomo-Te como esta base".
Lemos que Moisés orou até o anoitecer. Podemos ter horas agradáveis de oração cedo,
na parte da manhã, mas geralmente não conseguimos continuar até ao meio dia, muito
menos ate ao fim do dia. Você é capaz de permanecer no espírito de oração desde manhã
cedo até ao meio dia? Provavelmente poucos entre nós somos capazes do fazer isto.
Moisés foi capaz de orar até o anoitecer porque tinha uma rocha, uma base sólida, para
sentar-se, e porque tinha Arão e Hur sustentando-o. Seja encorajado a dizer ao Senhor.
"Senhor, não sou capaz de orar sem cessar. É-me fácil perder a calma ou fofocar. Mas não
consigo orar continuamente. Senhor posso orar por pouco tempo, mas não o dia inteiro".
Se você disser isto ao Senhor, irá descobrir que está sentado numa rocha. Ai então terá
uma base; sólida para a sua vida de oração.
Tenho encargo de compartilhar este ponto porque percebo que um dos maiores proble-
mas que enfrentamos é este da nossa vida de oração. Se quisermos ter a nossa vida de
oração preservada, precisamos cuidar de quatro pontos: a base sólida, o sacerdócio, a
realeza e a edificação do tabernáculo. Ai então a nossa vida de oração será sustentada.
O versículo 11 diz: "E aconteceu que, quando Moisés levantava sua mão, Israel preva-
lecia; quando ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque". Isto indica que toda vez que a
nossa vida de oração torna-se pesada, a nossa carne prevalece. Sabemos disto por experi-
ência. Somente uma vida correta de oração pode derrotar a nossa carne. Não pense que
porque você foi salvo há muito tempo e teve certas experiências espirituais, a sua carne já
não se torna mais prevalecente. É um fato de que se a sua oração cessar, a carne esponta-
neamente se mostrara ser igual a dos incrédulos. Não importa quão rica possa ser a nossa
experiência espiritual, esta não fará com que nossa carne seja aperfeiçoada. A nossa carne
nem será influenciada por ela. A carne não pode ser influenciada, mudada ou aperfei-
çoada, mesmo depois de você ter sido cristão há décadas. Se a sua oração cessar, a sua
carne será a mesma hoje como era antes de ser salva. Porque a carne não muda nem
melhora, precisamos orar sem cessar.
Vimos que a oração genuína leva-nos a sermos identificados com o Cristo celestial. A
experiência de identificação com Cristo, nos céus ocorre através de uma vida correta de
oração. Toda a vez que oramos de maneira genuína, desfrutamos de uma união celestial
com Cristo. Esta oração, entretanto, depende de uma base sólida, do sacerdócio, da realeza
e do objetivo da edificação de Deus.

B. Levando a Carne à Morte com o Espírito de luta

Também lutamos contra Amaleque levando à morte a carne com o Espírito de luta (Rm
8:13; Gl 5:17, 24). Romanos 6:6 diz que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo.
Entretanto, em Romanos 8:13, vemos que ainda precisamos, pelo Espírito, levar à morte as
práticas do corpo. Além disso, em Gálatas 5:24, Paulo nos diz que aqueles que pertencem a
Cristo crucificaram a carne. Se não crermos que o velho homem foi crucificado com Cristo

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na cruz, não seremos capazes de tratar com a nossa carne. Baseado no fato de que o nosso
velho homem já foi crucificado, temos a ousadia e coragem de levar a carne à morte.
De acordo com Romanos 8:13, quando levamos à morte as práticas do corpo, o Espírito
trabalha conosco. Isto quer dizer que o quanto o Espirito trabalha depende do quanto
estamos dispostos a fazer. Se crucificarmos a carne, o Espírito imediatamente trabalhará
junto conosco. Todos nós apreciamos a obra do Espírito. Mas o Espírito não trabalha a
menos que trabalhemos, o Espírito ajuda aqueles que a si mesmos se ajudam. Mas é um
fato que até mesmo quando nos esforçamos em nos ajudar, ainda não somos capazes de
realizar nada. Precisamos do Espírito e o Espírito precisa da nossa cooperação. Ele espera
que nos ajudemos. Tão logo fizermos isto, Ele chega para fazer tudo por nós. Pelo Espírito
que habita em nós, levamos assim à morte as práticas do corpo.
Em princípio, o ponto é o mesmo em Gálatas 5. De acordo com o contexto deste
capítulo, o Espírito e a carne estão lutando entre si. Entretanto, aqueles que são de Cristo
ainda devem crucificar sua carne. Quando o Espírito luta contra a carne, crucificamos a
carne. Isto é obtido pela nossa cooperação com o trabalhar do Espírito.
Por um lado, precisamos orar com Cristo, por outro precisamos matar a carne com o
Espírito de luta. Cristo hoje tanto está nos céus quanto dentro de nós como o Espírito
combatente. Nos céus Ele é o Moisés que intercede, e em nós é o Josué guerreiro. Preci-
samos estar em união com o Cristo celestial para cooperarmos com o Cristo que habita no
nosso interior. Aí então, de uma maneira muito prática, a carne será levada à morte.

C . Levando à Morte Tudo o que é Bom ou Mau que é da Carne

Se quisermos lutar contra Amaleque, precisamos levar à morte tudo que é da carne seja
bom ou mau. Na verdade, nada da carne é bom, mas aos nossos olhos alguns aspectos
dela parecem bons.
Em 1 Samuel 15:3, o Senhor encarregou Saul de: "vai e fere a Amaleque, e destrói total-
mente a tudo o que tiver; nada lhe poupes, porém matarás homem e mulher, meninos e
crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos". Embora Saul destruísse totalmente
todo o povo a fio de espada, ele "poupou Agague e o melhor das ovelhas e dos bois, e o
animais gordos e os cordeiros e o melhor que havia, e não os quiseram destruir totalmente;
porém a toda coisa vil e desprezível destruíram" (1Sm 15:9). Saul desculpou-se por seu ato
dizendo que "o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para sacrificar ao Senhor"
(1Sm 15:15). É difícil dizer se Saul estava ou não mentindo. Ele pode ter guardado o
melhor das ovelhas e bois para seu próprio uso, não para sacrificar ao Senhor. De acordo
com 1 Samuel 15:12 Saul erigiu um monumento, talvez para comemorar a sua vitória
sobre Amaleque. Isto indica que ele não se preocupou com a palavra ou intenção de Deus,
mas com o seu gozo e glória. Quando Samuel inquiriu de Saul o que fizera, Saul continuou
a desculpar-se dizendo que obedecera a voz do Senhor, mas "o povo tomou do despojo,
ovelhas e bois, o melhor designado à destruição para oferecer ao Senhor" (v. 21). Isto
indica que a carne maligna foi destruída, ao passo que ao aspecto aparentemente bom da
carne foi permitido ficar.
Frequentemente destruímos a carne maligna, mas preservamos a carne escolhida, a boa.
Todos nós temos certos pontos bons, certas coisas nas quais pensamos que somos
melhores do que os outros. Estes aspectos da carne são as "ovelhas balindo e os bois
mugindo". Toda vez que declaramos ser melhor do que os outros, permitimos que o balido
de ovelhas e o mugido de bois sejam ouvidos. Saul declarou ter executado a ordem do
Senhor, mas Samuel disse: "Que balido, pois, de ovelhas é este nos meus ouvidos, e o
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mugido de bois que ouço?" (v. 14). Quando Saul declarou que estes foram guardados para
serem dados em sacrifício ao Senhor, Samuel replicou: "Tem porventura o Senhor tanto
prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça a sua palavra? Eis que o
obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros.
Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria e a obstinação é como a idolatria e culto a
ídolos do lar" (v. 22, 23). Os pregadores sempre falam nestes versículos, mas em vez de
obedecer e dar ouvidos, entre os cristãos de hoje há muito balido de ovelhas e mugido de
bois. Se quisermos tratar com a nossa carne, precisamos tratar com ela completamente,
levar totalmente à morte tudo o que é bom ou mau. Enquanto houver algo da carne, isto
tem de ser tratado.

D. Pela Obediência a Palavra do Senhor

Lutar contra Amaleque também requer obediência a palavra do Senhor (1Sm 15:22-23).
Na época de Saul, a obediência era apenas a palavra de uma maneira exterior. Hoje preci-
samos obedecer à unção interior. Toda vez que desobedecemos à unção em nosso interior,
a carne imediatamente torna-se prevalecente. Mas se obedecermos sempre à unção inte-
rior, oraremos com Cristo e cooperaremos com o Espírito em nosso interior. Isto nos capa-
citará a vencer a carne e levá-la à morte. Esta é a maneira de lutarmos contra a carne.

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ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E OITO
AMALEQUE VERSUS REALEZA

Leitura da Bíblia: Êx 17:12, 16; 1Sm 15:2-3, 7-9, 10-29

Um princípio básico na Bíblia é que as coisas espirituais reveladas no Novo Testamento


são retratadas pelas figuras ou tipos no Antigo Testamento. Isto é verdade no caso da
carne, tipificada por Amaleque. Em seus escritos, Paulo trata com a carne de uma maneira
completa. Na Bíblia toda não há palavras mais fortes acerca da carne do que as usada por
Paulo em Romanos 3. No versículo 7, Paulo diz que "a mente posta na carne é inimizade
contra Deus" e que "não está sujeita à lei de Deus, nem pode estar". No versículo seguinte
ele prossegue dizendo que "aqueles que estão na carne não podem agradar a Deus". Em
Gálatas 5, Paulo também fala forte e enfaticamente sobre a carne. Mas se tivéssemos
somente Romanos 8 e Gálatas 5, ainda acharíamos difícil ter uma compreensão adequada
do que é a carne, porque na Bíblia o termo "carne" é usado de muitas maneiras diferentes
com muitos significados diferentes. Assim, é difícil conhecer a carne e tratar com ela.

I. ISMAEL, O RESULTADO DA CARNE,


VERSUS
ISAQUE, O RESULTADO DA GRAÇA

Agradecemos ao Senhor pelas figuras da carne proporcionadas pelo Antigo Testa-


mento. Uma destas figuras é a de Ismael no livro de Gênesis. Depois que o homem caiu
muitas vezes, até ter atingido em Babel o ponto mais baixo, Deus veio chamar Abraão e
prometeu-lhe fazer certas coisas. Em Seu contato com Abraão, Deus não exigiu que
Abraão fizesse coisa alguma senão deixar a terra de seu pai. Os estudiosos da Bíblia
percebem que o contato de Deus com Abraão estava relacionado com a promessa que Ele
fizera a Abraão. Em Gênesis 12 temos a promessa, e em Gênesis 15, a promessa ratificada
tornou-se uma aliança. Em Gênesis 17, a circuncisão tornou-se o sinal, ou selo, da aliança
ratificada em Gênesis 15. A promessa de Deus a Abraão foi repetida ao seu filho, Isaque, e
ao seu neto, Jacó. Deus havia prometido que Ele faria algo para Abraão, que levaria a
todas as nações na terra a serem abençoadas. Que grande promessa era esta! A natureza
da promessa de Deus a Abraão era graça. Isto significa que Deus não queria que Abraão
fizesse qualquer coisa para cumprir esta promessa. Em vez disso, Deus queria fazer tudo
por ele. Como Abraão, tudo o que somos e temos é da carne. Além disso, tudo o que
somos capazes de fazer está de acordo com a carne. Para nós, fazer algo para cumprir a
promessa de Deus significa exercitar a nossa carne de alguma maneira. Esta foi a razão de
Deus não ter requerido de Abraão fazer qualquer coisa para cumprir a promessa. Deus
queria fazer tudo. Isto é graça.
Todavia, Abraão agiu conforme a proposta de Sara para produzir uma semente através
de Hagar. Fazendo isto, Abraão exercitou sua carne e o resultado, o produto final, foi
Ismael. Deus queria que Abraão tivesse fim, mas na idade de 86 anos, Abraão tomou
Hagar e produziu Ismael através dela. Nos treze anos seguintes, Deus não lhe apareceu.

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Depois, quando Abraão tinha noventa e nove anos, Deus veio repreendê-lo e reafirmar a
promessa que lhe fizera. Naquele momento, Abraão percebeu que errara.
O resultado do exercitar a carne é Ismael. Ismael é contra Isaque, que é o resultado, o
produto da graça. Graça é Deus tornando-se tudo para nós. Mais propriamente, graça é
Deus como nossa força e gozo. Deus prometera a Abraão que lhe daria um filho. Mas Deus
não queria que Abraão produzisse a semente. Portanto, Deus esperou até que Abraão se
considerasse como morto, totalmente incapaz de gerar um filho. Ai então, quando, tanto
aos olhos de Abraão como aos de Sara, era impossível que eles tivessem um filho, Deus
veio capacitá-los para terem uma criança. Segundo o registro de Gênesis, o nascimento de
Isaque foi à vinda do Senhor. Quando Isaque nasceu, Deus veio. Isto é claro, não significa
que Isaque era o Filho de Deus, significa que Isaque nasceu, não através do exercitar da
carne do homem, mas de acordo com a graça de Deus, de acordo com a visitação de Deus.
Isaque, portanto, é o resultado da graça. Ismael, o resultado da carne do homem, e contra
Isaque,
Isaque foi uma pessoa produzida pela graça de Deus para cumprir o eterno propósito
de Deus. Este é um ponto de grande significado. Assim, é uma coisa muito séria ser contra
Isaque. Para Ismael, o resultado da carne, ser contra Isaque, o resultado da graça de Deus,
é rebelião, uma grande rebelião contra o propósito eterno de Deus.
É muito difícil definir adequadamente o que é a carne. Nesta mensagem gostaria de
colocar uma definição particular de carne: a carne denota algo que não trabalha pela graça.
A graça é o Deus Triuno tornando-se tudo para nós e fazendo tudo por nós. O Novo
Testamento revela que a graça não se refere a bênçãos materiais. De acordo com o Novo
Testamento, graça é o próprio Deus, não apenas sendo o nosso gozo, mas também fazendo
tudo por nós. Tudo o que fazemos é da carne, mas tudo o que Deus faz por nós é graça. Se
eu falar em mim mesmo, sem depender de Deus, o meu falar é da carne, mesmo se o
assunto for a Bíblia ou doutrina espiritual. Isto indica que até falando sobre coisas espiri-
tuais ou bíblicas, podemos estar na carne. Tudo o que fazemos, bom ou mau, fora da
graça, é da carne. Por exemplo, se um irmão ama sua esposa pelo ego e não pela graça, o
seu amor é da carne.
Em certo sentido, a assim chamada carne boa é ainda mais odiada por Deus do que a
carne má. Em 1 Samuel 15, vemos que Deus odiava os aspectos bons de Amaleque.
Portanto, tudo o que fazemos sem depender de Deus e sem confiar Nele é da carne, não
importando quão bom isso possa ser. Qualquer coisa que não é feita por Deus, é da carne.
Se eu o visitar por mim mesmo e não por Deus, isto é da carne. Se eu orar por outros sem
depender de Deus, mas orar no ego, esta oração é da carne. Não pense que a carne refere-
se somente às coisas malignas ou à concupiscência. É óbvio que tais coisas são da carne.
Mas a carne também inclui coisas boas. Note as palavras "melhor" e "escolhido" em 1
Samuel 15. Saul poupou o melhor gado e despojo escolhido. As coisas que são "as
melhores" e "as escolhidas" estão relacionadas à carne. Por isso, dizemos outra vez que
tudo o que fizermos sem o Espírito, sem depender de Deus e confiar Nele, não importa
quão bom possa parecer, é da carne. Tudo o que tiver a sua fonte em nós mesmos é um
Ismael.
Isaque tipifica Cristo. Portanto, o resultado da carne tipificado por Ismael é contra
Cristo. A intenção de Deus é trabalhar Cristo dentro de nós. Mas a carne trabalha de uma
maneira que é contra Cristo. O resultado, o produto, da carne é contra Isaque. Toda vez
que exercitamos a nossa carne, produzimos um Ismael, e este Ismael é invariavelmente
contra Cristo. Ismael corta-nos da graça e separa-nos de Cristo. Por esta razão, em João 15,
o Senhor Jesus disse que fora Dele nada podemos fazer. Entretanto fizemos muitas coisas
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boas fora de Cristo; mas todo o bem que fizemos fora de Cristo é um Ismael que é contra
Cristo.
Ismael nos impede de cumprir o propósito eterno de Deus. Não podemos cumprir o
propósito de Deus enquanto exercitamos a nossa carne, sem confiar em Deus, depender
Dele e sem viver em unidade com Ele.
Estamos acostumados a fazer tantas coisas fora de Cristo. Todos nós condenamos coisas
pecaminosas, mas poucos condenam coisas boas, até aquelas coisas aparentemente espiri-
tuais que são feitas fora de Cristo. Você alguma vez se condenou por ter orado por certa
coisa na carne? O resultado de orar na carne também será um certo tipo de Ismael. Este
Ismael é contra Cristo e nos impede de desfrutarmos da graça para o cumprimento do
propósito eterno de Deus.
A carne do homem é contra a graça de Deus. Isto significa que tudo o que o homem faz
fora do próprio Deus é um impedimento ao Seu propósito. Esta é uma questão séria. De-
vemos admitir que ainda fazemos muitas coisas pelo exercício da nossa carne. Alguns,
entretanto, podem negar que exercitam a carne. Mas eles também não dependem do
Senhor. Enquanto falharmos em repousar no Senhor, estaremos na carne e estaremos exer-
citando a carne. Simplesmente por não estarmos confiando no Senhor, estaremos, conse-
quentemente, vivendo na carne.
Precisamos aprender a não fazer nada pelo exercitar da nossa carne. Às vezes quando
minha carne estava forte, não ousei nem mesmo falar com um irmão. Percebi que qualquer
coisa que eu dissesse seria da carne. Assim, a melhor coisa a fazer era fazer nada. Nestas
horas só posso dizer: "Senhor, perdoa-me, não posso fazer nada, porque não ouso gerar
um Ismael, não tenho a ousadia de fazer coisa alguma".

II. AMALEQUE CONTRA A REALEZA

A segunda figura da carne é a de Amaleque no livro de Êxodo. Nesta figura vemos


como tratar com a carne, um tema que abordamos na mensagem anterior. Se quisermos
tratar com a carne, tipificada por Amaleque, devemos estar identificados com o Cristo que
intercede nos céus e nos unirmos ao Espírito lutador no nosso interior. Nesta mensagem
precisamos ver que a carne não só é contra a graça, mas é também contra a realeza. Por
isso, a carne precisa ser completamente tratada antes que o reino de Deus possa vir. Onde
há carne, não pode haver o reino de Deus. Somente quando a carne é tratada torna-se
possível a vinda do reino.
Em Romanos 8:7 Paulo diz que não é possível a carne estar sujeita a Deus. O reino de
Deus denota a autoridade de Deus pela qual todas as coisas se tornam sujeitas a Ele. Mas
não é possível à carne estar sujeita a Deus. Ela é totalmente oposta ao Seu trono.

A. UMA MÃO CONTRA O TRONO DE JEOVÁ

Em Êxodo 17:16 vemos que Amaleque é uma mão contra o trono de Jeová. Aos olhos de
Deus, Amaleque era considerado uma mão contra o Seu trono. Isto indica que Amaleque
tentou derrubar o trono de Deus, assim como Satanás uma vez tentou. Êxodo 17:16 diz
que, porque há tal mão contra o trono de Jeová, Deus terá guerra contra Amaleque de
geração em geração (hebraico). Com isto vemos que Amaleque é contra a autoridade de
Deus.
Todo aspecto da nossa carne, seja bom ou mau, é um inimigo à autoridade de Deus. A
carne não se importa com Deus nem com a Sua autoridade. Sempre que estamos na carne,
115 | P á g i n a
consideramo-nos indivíduos que não são obrigados a submeter-se ao trono de Deus.
Pensamos que temos uma posição e nossos próprios direitos. Tal atitude rebelde tem a sua
fonte em Satanás. Satanás, porém, é um com a nossa carne. O principio de Satanás não é
vir a nós diretamente, mas é vir através de outros ou de algo em nós mesmos. Por
exemplo, Satanás veio a Eva na forma de uma serpente. Em Mateus 15, Pedro, um discí-
pulo que amava o Senhor Jesus, foi utilizado por Satanás. Satanás veio ao Senhor em
Pedro e através dele. Frequentemente a nossa carne serve como uma capa para Satanás.
Sempre que exercitamos a nossa carne, Satanás está oculto dentro de nós. Logo, como o
próprio Satanás, a carne é contra a autoridade de Deus. De acordo com a figura em Êxodo
17, Amaleque é uma mão contra o trono de Deus.

B. HUR, DA TRIBO DE JUDA, SUSTENTANDO


A MÃO INTERCESSORA DE MOISÉS CONTRA AMALEOUE

Quando a mão intercessora de Moisés ficou pesada, houve a necessidade do suporte


pelo sacerdócio, representado por Arão e pela realeza, a qual, por sua vez, era represen-
tada por Hur que era da tribo de Judá. Porque Amaleque é uma mão contra o trono de
Deus, há a necessidade da mão intercessora ser sustentada pela realeza na guerra contra
Amaleque. A realeza é um suporte para a nossa vida de oração. Se não estamos sob a
autoridade de Deus, mas somos rebeldes, a nossa vida de oração está acabada. Mas quanto
mais estamos sujeitos a Deus e à Sua autoridade, maior será o nosso desejo de orar.
Quando nos rebelamos contra Deus e rejeitamos a Sua autoridade, o nosso apetite pela
oração desaparece. Suponha que com respeito a uma certa questão você desobedeça à
unção interior. Como resultado, por certo período de tempo, talvez muitos dias, você não
tem desejo de orar. Assim, é crucial aprendermos a honrar a realeza de Deus, honrar a
autoridade de Deus. A nossa atitude deve ser: "Senhor, não quero fazer nada sem Ti.
Preciso de Ti como minha graça. A carne é simplesmente eu mesmo fazendo coisas fora de
Ti. Não quero viver sem Ti como minha graça". Todos precisamos orar com tal espírito.
Também devemos orar: "Senhor, ajuda-me a honrar a Tua autoridade, Tua realeza e
sempre sujeitar-me a Ti. Senhor, Tu tens a autoridade. Preciso obedecer-Te e estar sujeito a
Ti. Se mantivermos tal atitude, o nosso apetite e desejo de orar aumentará. Se, por
exemplo, formos guiados pelo Senhor a ir fazer compras, estaremos cheios de oração ao
irmos. Enquanto a rebelião mata o nosso apetite de oração, a obediência aumenta o desejo
de orar.
Porque Amaleque está envolvido com o reino de Deus, precisamos do sustento tanto do
sacerdócio quanto da realeza a fim de lutarmos contra Amaleque. Se tentarmos tratar com
a carne sem nos importarmos com a autoridade de Deus, estamos errados. Em princípio,
nós mesmos somos contra o reino de Deus. Precisamos do suporte da realeza, de Hur, em
nossa vida de oração. Continuamente devemos olhar para o Senhor obtendo graça para
estarmos sujeitos à Sua autoridade. Desta maneira honramos a autoridade de Deus e
fortalecemos a realeza na nossa experiência.

C. O REINO VINDO DEPOIS DA GUERRA CONTRA AMALEQUE

Em Êxodo 18, temos um tipo, uma figura, do reino de Deus. O fato de esta figura ser
apresentada depois da guerra contra Amaleque indica que quando Amaleque é tratado,
imediatamente chega o reino com a realeza. Isto também indica que Amaleque é contra a
realeza.
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D. O REI SAUL PERDENDO A SUA REALEZA

Em 1 Samuel 15, uma outra porção da Palavra acerca de Amaleque, vemos como o Rei
Saul perdeu a sua realeza. Embora Saul fosse corretamente ungido para ser rei, ele perdeu
a realeza por causa da maneira que lidou com Amaleque. Com isto devemos aprender a
ser cuidadosos ao tratar com a carne. Podemos tratar com ela de maneira a perdermos a
nossa realeza.
De acordo com Apocalipse 5:10, nós cristãos fomos salvos para sermos não só sacer-
dotes, mas também reis. Somos os Arãos e Hurs de hoje. Nascemos dentro de uma família
real, uma família de reis. Pedro diz que somos um sacerdócio real (1Pe 2:9). Mas, poucos
cristãos percebem que são reis por nascimento. Aqueles que têm alguma percepção deste
fato podem prestar pouca atenção a ele. Uma vez que somos reis devemos conduzir-nos
como reis.
Quando contatamos certos cristãos, sentimos que eles têm a realeza, a autoridade, mas
quando contatamos outros crentes, sentimos que lhes falta a realeza. Eles estão bem mais
abaixo do nível da realeza. Uma vez que nascemos reis e seremos reis no futuro, é-nos
importante exercitar a nossa realeza hoje.

1. Não Destruindo Totalmente a Amaleque

Saul perdeu a realeza porque não destruiu totalmente a Amaleque. De acordo com 1
Samuel 15:3, Saul fora encarregado de: "vai e fere a Amaleque, e totalmente destrói a tudo
quanto tiver; nada lhe poupes, porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de
peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos". Tudo o que pertencia a Amaleque devia ser
destruído completamente. Nada devia ser poupado. Embora Saul tivesse destruído os
Amalequitas, ele não o fez de uma maneira absoluta.

2. Poupando a Agague, o Rei dos Amalequitas, e o Melhor do Gado

Primeira Samuel 15:9 diz: "E Saul e o povo pouparam a Agague e o melhor das ovelhas
e dos bois, e os animais gordos e os cordeiros e o melhor que havia, e não os quiseram
destruir totalmente, porém toda coisa vil e desprezível destruíram". Saul poupou o melhor
das ovelhas e a "seleção das coisas que deviam ter sido totalmente destruídas" (v. 21.
hebr.). Isto retrata o fato de que pela experiência, damos valor aos bons aspectos da nossa
vida natural, a nossa virtude natural, por exemplo, e não queremos destruí-las. Todos
damos valor aos bons pontos da nossa carne. Todos nós somos Sauls. Quando somos en-
carregados por Deus para destruir a carne, destruímos as coisas negativas, tais como o
nosso humor. Mas poucos estão dispostos a destruir os bons aspectos da vida natural. Não
importa que tipo de pessoa possamos ser, todos damos valor às partes escolhidas do nosso
ser natural. Mas devemos ser encorajados pelo fato de que o Senhor ainda está traba-
lhando sobre nós e dentro de nós. Pelo Novo Testamento podemos ver que Paulo e João
foram libertados da sua carne. Eles destruíram totalmente a Amaleque.
Precisamos que uma luz intensa brilhe sobre nós para mostrar-nos que tudo o que
somos na vida natural é Amaleque. O Amaleque dentro de nós deve ser totalmente des-
truído. Não devíamos ter nenhuma desculpa para poupar qualquer aspecto do Amaleque
dentro de nós.

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Saul tentou desculpar-se pelo seu fracasso em destruir completamente a Amaleque.
Primeiro, ele declarou que "o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois" (v. 15). Não
consigo descobrir um versículo em 1 Samuel 15 que nos diga que Saul queria matar todo
gado, mas o povo recusou-se a fazê-lo. Creio que Saul estava mentindo ao culpar o povo
por isto. Saul deve ter ficado muito feliz com a sua vitória sobre Amaleque. Ele até erigiu
uma coluna, um monumento para si mesmo para servir como um memorial da sua
façanha (v. 12. ASV).
Em segundo lugar, Saul disse a Samuel que o melhor das ovelhas e bois havia sido
poupado com o propósito de oferecer sacrifício a Deus (v. 15 e 21). Não creio, entretanto,
que Saul tivesse tal coração para o Senhor. Pelo contrário, creio que ele estava mentindo a
Samuel sobre o propósito de poupar as melhores ovelhas e bois.
Quando li 1 Samuel 15, não tive confiança de que em mim mesmo sou melhor do que
Saul. Reconheço que o quadro de Saul retrata o que está em mim. Em questão de arranjar
desculpas, podemos até ser piores do que Saul. Toda desculpa é uma mentira. Isto
também é verdade conosco. Nunca tente desculpar-se para o Senhor. Nenhuma desculpa
consegue permanecer diante Dele.
Não se desculpe pelo seu fracasso em destruir totalmente a carne. Não diga que você
tem um hábito particular e não pode fazer nada quanto a isso. A declaração de que você
não pode destruí-la é uma mentira. Se revermos o nosso passado, veremos quantas vezes
fracassamos em destruir totalmente a carne. Nós não obedecemos à ordem de Deus de
destruir totalmente Amaleque. Muito poucos dentre o povo do Senhor são absolutos em
destruir a carne. Esta é a razão de, em nossa vida prática diária, não termos muita sen-
sação da realeza. Porque não destruímos Amaleque totalmente, em nossa experiência, o
reino não veio plenamente.
Recentemente, numa certa reunião, enfatizei o fato de que todos nós temos caracte-
rísticas peculiares que nos impedem de desfrutar de Cristo. Uma outra coisa que causa
dano a nossa vida espiritual são os nossos hábitos, que preservam os bons aspectos dá
carne. Temos o hábito de destruir os aspectos malignos da carne e preservar os bons
aspectos. Poucos entre nós verdadeiramente odeiam a "boa carne". Entretanto, precisamos
chegar a odiar todos os aspectos da carne, porque ela é contra a graça e impede-nos de
desfrutar de Cristo. Também devemos odiar a carne porque ela é contra a realeza.
Poupar os bons aspectos da carne resulta numa escassez definitiva de autoridade espi-
ritual. A muitos crentes falta o peso da autoridade espiritual, simplesmente não trataram
completamente as suas particularidades. Cultura, opiniões, peculiaridades e hábitos, são
todos lugares onde a carne se oculta, e estes causam dano à nossa vida espiritual. Porque
poupamos os bons aspectos da carne, estes aspectos consomem a nossa realeza, a nossa
autoridade. Como aqueles que têm estado no Senhor por muitos anos e que O amam e O
buscam, devíamos ter um peso espiritual considerável. Devíamos estar cheios com a rea-
leza, com a autoridade divina. Mas em muitos casos, o oposto é verdade. Porque não
destruíram o "Agague" dentro deles, nem o melhor gado de Amaleque, a muitos santos
falta autoridade, realeza, peso espiritual.

3. Mau aos Olhos da Jeová por Poupar o Melhor do Gado para Sacrificar a Ele

Deus não aceitou a desculpa de Saul de que o povo poupara o melhor do gado e dos
bois para oferecer como um sacrifício ao Senhor. Deus ordenara a Saul destruir totalmente
tudo o que pertencia a Amaleque e Saul não tinha desculpa. Deus não queria o melhor do
gado para ser usado como um sacrifício para Ele. Aos Seus olhos, tal coisa era má (1Sm
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15:19). Isto indica que podemos considerar determinada coisa como apropriada para ser
oferecida ao Senhor, mas para Ele é perversidade apresentá-la como um sacrifício.
Considere como ilustração o caso de Caim, cujo sacrifício era mau aos olhos de Deus.
Muitos dos cristãos de hoje estão oferecendo coisas que Deus considera más. Eles dizem
estar envolvidos num serviço espiritual, mas Deus diz que a sua oferta é má porque tem
sua fonte na carne. Qualquer coisa apresentada e sacrificada a Deus que tem sua origem
na carne é má aos Seus olhos.

4. Cometendo um Pecado Presunçoso por Oferecer Sacrifícios


a Deus Segundo a Vontade do Homem

Por oferecer sacrifícios a Deus de acordo com a vontade do homem, Saul cometeu um
pecado de presunção. Samuel lhe disse: "Tem Jeová tanto prazer em ofertas queimadas e
sacrifícios, como em obedecer à voz de Jeová? Eis que obedecer é melhor do que sacri-
fícios, e dar ouvidos do que a gordura de cordeiros" (1Sm 15:22. hebr.). Oferecer algo a
Deus de acordo com a nossa própria vontade é presunçoso. Até mesmo se apresentarmos
algo bom, ainda estaremos cometendo um pecado presunçoso. Deus não ordenara a Saul
poupar o gado escolhido e apresentar-lhe como sacrifício. Saul foi presunçoso em fazer
isto. Isto é pecaminoso.

5. Cometendo Rebelião como o Pecado de Feitiçaria e


a Obstinação como Iniquidade e Idolatria

Em 1 Samuel 15:23, Samuel prosseguiu dizendo: "Porque a rebelião é como o pecado de


feitiçaria, e a obstinação é como a iniquidade e idolatria". A feitiçaria envolve contato com
um demônio. A palavra de Samuel a Saul indica que poupar a nossa carne é um ato de
rebelião que introduz-nos em contato com os demônios. Oferecer um sacrifício da maneira
que Saul fez não é na verdade oferecer sacrifício a Deus, é entrar em contato com os
demônios. Tal rebelião é como o pecado de feitiçaria.
Além disso, a obstinação de Saul era como iniquidade e idolatria. A palavra hebraica
traduzida por iniquidade em 1 Samuel 15:23 significa ídolos da vaidade. A obstinação de
Saul era como a adoração a um ídolo vão. Ele na verdade não estava adorando ao Senhor,
mas estava adorando um ídolo de vaidade. Saul pode ter pensado que estava adorando ao
Deus verdadeiro, mas na verdade estava servindo a um ídolo. A palavra de Samuel a Saul
significa que, por causa da sua rebelião, Saul se envolvera com demônios e com ídolos de
vaidade.
Se em vez de destruirmos totalmente a nossa carne, pouparmos certos bons aspectos
dela, também nos tornaremos envolvidos com demônios. Poupar a carne boa e depois
oferecê-la a Deus é odioso para Ele porque nesta prática os demônios estão envolvidos. Os
ídolos de vaidade também estão envolvidos. Se quisermos seguir a palavra do Senhor para
destruir totalmente a carne, teremos a realeza e estaremos no reino de Deus. Mas se
falharmos em cumprir a Sua palavra para destruir Amaleque, nós mesmos nos cortaremos
da autoridade de Deus e nos uniremos aos demônios e aos ídolos de vaidade.
É-nos crucial ver o que a carne é e como ela se opõe à graça e a realeza de Deus. Se
formos descuidados em tratar com a carne, nós, como Saul, perderemos a nossa realeza, e
depois espontaneamente nos uniremos ao poder das trevas. Aparentemente somos o povo
de Deus, mas na verdade estaremos adorando o ídolo de vaidade. Quão sério é isto! A
rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação como ídolo de vaidade. Que o Senhor
119 | P á g i n a
possa ter misericórdia de nós para que aprendamos o que é a carne e como tratá-la total-
mente.
O registro na Bíblia acerca de Amaleque nos ensina que devemos estar em temor e
tremor diante de Deus ao fazer coisas boas. Todos nós tememos fazer o mal, mas podemos
não ter o menor temor em fazer o bem. O retrato de Amaleque no Antigo Testamento
mostra-nos que fazer o bem de acordo com as nossas próprias escolhas é até pior do que
fazer o mal porque é contra o próprio trono de Deus. O sacrifício de Caim parecia bom,
mas era na verdade um ato de rebelião contra o trono de Deus e contra a Sua economia. De
semelhante modo, Saul poupou o melhor do gado de Amaleque com a intenção de
oferecê-lo a Deus como um sacrifício. Isto foi uma rebelião, que está relacionada à feiti-
çaria, ao contato com demônios. Muito do que os cristãos supostamente fazem hoje para
Deus é na verdade rebelião contra a Sua economia e envolve contato com demônios.
Sem 1 Samuel 15:22 e 23, não perceberíamos que o ato de Saul foi um ato de rebelião
relacionado à demônios. Mas a palavra de Samuel expôs a natureza do que Saul fizera.
Aparentemente Saul tinha a intenção de oferecer sacrifício a Deus, mas na verdade o seu
sacrifício estava relacionado à demônios. Isto revela a importância de perceber que seja lá
o que for que fizermos fora da graça de Deus e fora da dependência Dele e da confiança
Nele, é da carne. E tudo o que é da carne é contra o trono de Deus. Ela será usada pelo
sutil, o inimigo de Deus para impedir o Seu propósito.
Muitos dos cristãos hoje poupam os melhores aspectos da carne e os oferecem a Deus.
Os crentes são até encorajados a oferecerem o melhor da vida natural a Deus. Ao apre-
sentar tais ofertas, o povo redimido de Deus não rejeita a carne e não depende de Deus.
Pelo contrário, entre muitos cristãos hoje, as atividades da carne são estimuladas. Somente
o Senhor sabe quanta atividade cristã hoje está relacionada aos demônios e assim é um
obstáculo para o propósito de Deus.
Debaixo da luz da Palavra de Deus, precisamos aprender que ao servirmos a Deus,
precisamos estar em temor e tremor para que não falhemos em confiar Nele ou depender
da Sua graça. Devemos estar temerosos de fazer até mesmo as melhores coisas em nós
mesmos ou de acordo com a nossa própria vontade. Precisamos confiar no Senhor e
depender da Sua graça. Devemos até ser ainda mais temerosos em fazer o bem do que em
fazer o mal. Todos sabemos que Deus condena o mal, mas agora precisamos aprender que
até fazendo o bem, podemos dar oportunidade à carne de produzir um Ismael. Também
podemos dar terreno a Agague, rei de Amaleque.

120 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM QUARENTA E NOVE
UM TIPO DO REINO

Leitura da Bíblia: Êx 18; Dt 1:9-18

Aparentemente Êxodo 18 não é um capítulo difícil. Entretanto, na verdade é o capítulo


do livro de Êxodo mais difícil de ser compreendido. Para compreender este capítulo, preci-
samos perceber que, em princípio, Êxodo é uma ilustração da salvação plena de Deus.
Cada acontecimento e história relatados neste livro é parte deste retrato. Nesta mensagem
consideraremos a parte da salvação de Deus retratada no capítulo dezoito.
Alguns leitores da Bíblia gostariam de saber por que o capítulo dezoito está incluído no
livro de Êxodo. Podem pensar que seria melhor ir direto do capítulo dezessete ao
dezenove, da derrota dos amalequitas à montanha de Deus, onde o povo recebeu a visão
celestial. O capítulo dezoito parece ficar isolado, sem conexão tanto com o capítulo
dezessete quanto com o dezenove. Entretanto, se levarmos em conta o princípio de que
Êxodo é um livro de ilustração, retratando a salvação plena de Deus, quereremos saber o
significado de Êxodo 18 em relação a este retrato. Qual é o significado deste capítulo na
salvação de Deus?

I. A HISTÓRIA

Se lermos cuidadosamente os livros de Números e Deuteronômio, descobriremos que o


que foi relatado em Êxodo 18 não foi escrito de acordo com a sequência histórica. Os even-
tos em Êxodo 18 não ocorreram imediatamente após os relatados em Êxodo 17. Na reali-
dade, os eventos no capítulo dezoito ocorreram após a construção do tabernáculo e não
muito antes de os filhos de Israel iniciarem sua jornada com o tabernáculo até a boa terra.
Portanto, de acordo com a sequência histórica, o capítulo dezoito deveria vir após o
quarenta. Deuteronômio 1:6-18 comprova isto. O tempo ao qual Moisés se refere em
Deuteronômio 1:9 foi o tempo que os filhos de Israel estavam para iniciar sua jornada com
o tabernáculo até a boa terra. Nesta ocasião, Moisés disse ao povo que sozinho não poderia
suportar o peso, a carga e a contenda deles (Dt 1:12 hebr.). Esta foi a ocasião em que foram
designados capitães sobre milhares, centenas, cinquentas e dezenas.

II. A DOUTRINA

Uma vez que estas coisas ocorreram após Êxodo 40, por que estão registradas em Êxodo
18 e inseridas entre os capítulos dezessete e dezenove? Para responder a esta pergunta
precisamos reconhecer um outro princípio importante: a Bíblia foi escrita principalmente
para nos dar uma revelação completa da economia de Deus. Por esta razão, muitas vezes o
relato bíblico não está de acordo com a sequência histórica. O Evangelho de Mateus, por
exemplo, não foi escrito de acordo com a sequência histórica, antes, foi escrito de acordo
uma disposição doutrinária especial. O Evangelho de Marcos, pelo contrário, foi escrito de
acordo com a sequência dos acontecimentos históricos. Mateus dispôs os fatos de acordo
com o significado doutrinário. Este princípio se aplica à localização de Êxodo 18.
121 | P á g i n a
Esteja certo de que o livro de Êxodo não relata todas as coisas que aconteceram aos
filhos de Israel quando deixaram o Egito e passaram o primeiro período de tempo no
deserto. O mesmo princípio se aplica aos quatro Evangelhos. Os Evangelhos não incluem
tudo que o Senhor Jesus fez em Sua vida na terra. Os escritores dos Evangelhos selecio-
naram certas coisas e as colocaram juntas com o propósito de apresentar um panorama da
revelação divina. Êxodo foi escrito no mesmo princípio e para o mesmo propósito. O pro-
pósito de Êxodo não é dar-nos uma história detalhada de todas as coisas que aconteceram
aos filhos de Israel; foi escrito para apresentar um panorama completo da salvação plena
de Deus.
Em Êxodo 17 Amaleque é derrotado. Isto significa a submissão da carne que estorva o
povo de Deus de prosseguir com Ele. Após a derrota de Amaleque, há necessidade de
alguma coisa para retratar o reino de Deus. Sob a inspiração divina, Moisés inseriu um
evento que ocorreu mais tarde de forma a preencher a lacuna entre os capítulos dezessete
e dezenove e mostrar-nos que na salvação plena de Deus, o reino vem depois da derrota e
da submissão da carne. Após a derrota de Amaleque, o reino é necessário para a edificação
da habitação de Deus na terra.
Temos ressaltado repetidamente que Amaleque tipifica a carne, o inimigo de Deus den-
tro do homem. Satanás é o inimigo de Deus. Através da queda, do homem, Satanás gerou
um outro inimigo de Deus. Este inimigo, a carne do homem é a inimiga de Deus dentro do
homem. Aos olhos de Deus, os dois maiores inimigos Seus são Satanás e a carne. Num
certo sentido, Satanás também está no homem caído. Mas o verdadeiro inimigo subjetivo
de Deus no homem é a carne. Por esta razão, Deus odeia a carne do homem.
De acordo com o Novo Testamento, quando a carne do homem é derrotada e subju-
gada, imediatamente o reino de Deus é introduzido. Este ponto está claramente indicado
em Gálatas 5:17-25. Gálatas 5:17 diz: "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito
contra a carne, porque são opostos entre si". O versículo 21 nos diz que aqueles que
praticam as coisas da carne não herdarão o reino de Deus. O versículo 24, usando a frase
"crucificaram a carne", refere-se à cruz. Quando a carne é crucificada, o reino está presente
conosco. Isto é confirmado pela nossa experiência. O Espírito é contra a carne. No Espírito
há o poder para crucificar a carne. Quando o Espírito com o poder da cruz derrota nossa
carne e a leva a ser subjugada, o reino de Deus está conosco.
As quatro palavras cruciais em Gálatas 5:17-25 são: carne, Espírito, crucificado
(referindo-se à cruz), e reino. Cada um destes quatro termos pode ser simbolizado por
uma cor: a carne pelo preto, o Espírito pelo verde, a cruz pelo vermelho e o reino pelo
azul. Pode até ser útil assinalar estas palavras em nossas Bíblias com estas cores. A carne
certamente é negra, enquanto o Espírito é verde, cheio de vida. A cruz vermelha trata, com
a carne negra. Isto traz o reino simbolizado pelo azul, a cor do céu. Se focalizarmos nossa
atenção nestes quatro termos, seremos iluminados. Em nossa experiência hoje temos o
negro da carne, o verde do Espírito, o vermelho da cruz e o azul do reino.
O livro de Êxodo é composto de duas partes principais. Os capítulos um até dezessete
constituem a primeira parte, e os capítulos dezenove até quarenta, a segunda parte. Na
primeira parte vemos que nós, os que caímos, fomos redimidos, salvos e libertados. Além
disso, vemos que passamos pelo Mar Vermelho e entramos no deserto, onde desfrutamos
da provisão de Deus e derrotamos a carne. Que maravilhosa salvação é esta!
Na segunda parte, do capítulo dezenove até ao quarenta, temos a revelação da edifi-
cação da morada de Deus na terra. Vários capítulos nesta seção dizem respeito à lei.
Entretanto, este fato não deve impedir-nos de ter uma visão completa do livro de Êxodo. O
propósito deste livro é mostrar a salvação plena de Deus para a edificação da Sua morada.
122 | P á g i n a
No primeiro capítulo vemos o povo escolhido por Deus numa condição caída no Egito,
mas no último capítulo vemos o tabernáculo como o lugar da habitação de Deus,
No começo do livro de Êxodo os filhos de Israel, o povo escolhido de Deus, estavam
debaixo da tirania do mundo. Deus salvou-os, libertou-os, resgatou-os e fez deles a Sua
morada na terra. Assim, o ponto central do livro de Êxodo não é a entrega da lei. Sim, este
livro categoricamente registra o decreto da lei. Mas, se apenas prestarmos atenção a isto,
não veremos que o panorama completo do livro de Êxodo engloba a salvação de Deus
para a edificação da Sua morada. Nos primeiros dezessete capítulos deste livro temos um
retrato de como Deus salvou Seu povo, libertou-o, resgatou-o, e o proveu no deserto. Ele,
então, o trouxe ao Monte Sinai para dar-lhe a visão da edificação da Sua morada de forma
que pudesse edificá-la de acordo com esta visão.
Se lermos o livro de Êxodo de acordo com o conceito natural, enfatizaremos a entrega
da lei. Para nós, o livro de Êxodo será primariamente um relato de como Deus deu os
mandamentos, as ordenanças e estatutos através de Moisés. Entretanto se tivermos o
ponto de vista espiritual, divino, ao lermos este livro, perceberemos que Êxodo não é pri-
mariamente uma história da entrega da lei, mas é uma narrativa de como Deus salvou Seu
povo escolhido e lhe deu uma visão celestial de forma que pudesse edificar Sua morada na
terra.
Muito embora possamos dar atenção tanto ao decreto da lei quanto ao modelo do taber-
náculo, no profundo do nosso interior, o nosso conceito pode ser que Êxodo é primaria-
mente para o decreto da lei. Podemos dar mais atenção à lei do que ao tabernáculo.
Entre as duas principais partes de Êxodo, a parte sobre a salvação de Deus e a sobre a
Sua edificação, é necessário uma seção sobre o reino. Sem o reino não há resultado,
nenhuma consequência da salvação de Deus. Esta é exatamente a situação entre muitos
cristãos hoje em dia. Porque poucos cristãos tratam totalmente com a carne, não encon-
tramos entre eles o resultado adequado da salvação de Deus, isto é, o reino. Um cristão
pode ser fundamentalista, fiel às Escrituras e ético. Contudo, pode ser ao mesmo tempo
carnal. Pode amar os outros, ser bastante humilde, mas o seu amor e humildade podem
ser carnais. Mesmo seu trabalho de pregar o evangelho pode ser realizado na carne. Ao
pregarmos o evangelho podemos ser gentis, agradáveis e humildes, sempre falando ama-
velmente com os outros e nunca discutindo com eles. Mas todo este comportamento apa-
rentemente bom pode ser carnal. Uma coisa é pregar o evangelho no Espírito e outra coisa
é pregar o Evangelho na carne. O que fazemos não é a primeira preocupação de Deus; Ele
se preocupa com os meios com os quais fazemos as coisas, se as fazemos pelo Espírito ou
pela carne.
Há muitos cristãos que não são capazes de entender esta palavra sobre a carne. Des-
frutam da salvação de Deus até certo ponto, mas no seu desfrutar não há um resultado
adequado. Se desfrutamos da salvação de Deus a ponto de derrotarmos Amaleque, de
tratar com o inimigo de Deus no nosso interior, teremos o reino de Deus como consequên-
cia, o resultado da salvação de Deus. Em todos os meus anos no ministério, nunca vi um
grupo de cristãos que conhecesse tão bem a carne e que tivesse o devido temor de agir na
carne como os santos na restauração do Senhor hoje. Por esta razão, temos o reino como o
resultado da salvação de Deus.
Quando estamos na carne somos facilmente ofendidos pelos outros. Mas, quando esta-
mos no Espírito, o oposto acontece. É muito difícil alguém nos ofender. Além do mais, a
carne tem sua própria preferência, sua própria maneira de fazer as coisas. Por exemplo,
muitos cristãos gostam de fazer um relato de quanto dinheiro deram para alguma coisa.

123 | P á g i n a
Esperam receber um reconhecimento público por isto. Isto é da carne. Muito do que os
cristãos fazem hoje é feito na carne.
Alguns que criticam a restauração do Senhor têm dito que estamos sob o controle de
alguém. Entretanto, é fato que não estamos sob o controle de alguém ou de alguma coisa.
Não controlo os outros, e os outros não me controlam. Além do mais, os presbíteros não
controlam os santos. Mas, todos nós estamos sob o controle do Espírito vivo junto com o
operar da cruz. Isto mata a carne. Posso testificar que o Espírito com a cruz impede-me de
discutir com minha esposa. Algumas vezes, uma palavra negativa tem estado na ponta da
minha língua, mas o Espírito vivo com a operação da cruz vem subjugar a carne. Porque
tanto minha mulher quanto eu experimentamos a morte da carne, temos uma vida
conjugal pacifica. Se esta for nossa experiência em casa e na vida da igreja, então estare-
mos vivendo no reino.
Em vez de explicar o reino, o livro de Êxodo dá-nos uma ilustração dele. Êxodo é um
livro de figuras, não um livro de explicações ou definições. Êxodo não tenta definir a
redenção de Deus, em vez disso, apresenta o quadro da Páscoa. Neste livro não há defi-
nições doutrinárias, mas uma retratação completa da economia de Deus. No capitulo
dezoito não há menção da palavra reino, mas há um retrato claro do reino. Se lermos este
capítulo tendo a devida compreensão, veremos que é um retrato do reino de Deus.

III. O RETRATO DO REINO

A. O Israel de Deus Tendo Derrotado o Inimigo Seu

Agora consideraremos o retrato do reino em Êxodo 18. Como enfatizamos, o reino é


introduzido após Amaleque, o inimigo de Deus, que tipifica a carne, ter sido derrotado
(17:13-16). O Novo Testamento revela que o reino veio quando o povo escolhido de Deus
derrotou Seu inimigo. Antes de o reino ser apresentado em Êxodo 18, o inimigo de Deus
dentro de nós, tipificado por Amaleque, é derrotado no capítulo dezessete.

B. Os Gentios Vindo para Louvar a Deus e Adorá-Lo

A Bíblia também indica que quando o reino vem como um resultado da derrota do
inimigo de Deus, os gentios que estão buscando a Deus virão adorá-Lo. Estes gentios são
representados por Jetro (18:1, 5, 10-12). Jetro, o sogro de Moisés era um sacerdote de
Midiã. De acordo com Juízes 6:3, os midianitas eram chegados aos amalequitas. Os midia-
nistas e os amalequitas eram de certa forma misturados entre si. Depois que os amale-
quitas foram derrotados, alguns dos midianistas foram ao povo de Deus de uma maneira
bastante piedosa. Jetro era um sacerdote não de ídolos, mas do verdadeiro Deus. Louvou a
Deus, adorou-O e ofereceu sacrifícios a Ele. Portanto, Jetro representa os gentios que se
voltam a Deus e se tornam os que buscam a Deus no reino.

C. A Igreja Participando do Reino

Quando o reino vem, a igreja participa dele. De fato, a igreja será autoridade gover-
nante no reino. No capítulo dezoito, a igreja é representada por Zípora, a mulher de
Moisés obtida por ele durante a sua rejeição por parte de Israel (2:13-22). Muitos estu-
diosos da Bíblia percebem que Zípora tipifica a igreja gentia ganha por Cristo durante a
época em que os filhos de Israel O rejeitaram. Mesmo hoje, Cristo é ainda rejeitado pelos
124 | P á g i n a
judeus. Durante este período de rejeição, Cristo ganha a igreja gentia, tomando-a do
mundo gentio, exatamente como Moisés ganhou uma mulher gentia.
Por isso no capitulo dezoito temos três pontos principais: a derrota do inimigo, a vinda
dos gentios para adorar a Deus, e a igreja representada por Zípora. Colocando estes
pontos juntos temos uma ilustração do reino. Alguns podem discordar com a afirmação de
que o reino é retratado no capítulo dezoito. Entretanto, não estamos indo longe demais
quando fazemos esta afirmação. Se Paulo não nos tivesse dito que a Páscoa era um retrato
de Cristo, quem teria tido ousadia de dizer isto? O apóstolo Paulo tomou a dianteira para
alegorizar o livro de Êxodo quando nos disse que Cristo é nossa Páscoa. Além do mais, o
maná e a rocha ferida também são tipos de Cristo, e a água da rocha é um tipo do Espírito.
Também ressaltamos que no capítulo dezessete Amaleque tipifica a carne, Moisés tipifica
o Cristo ascendido intercedendo por nós e Josué tipifica o Espírito em nosso interior,
lutando por nós. Com tudo isto como fundo, é correto dizer que Jetro e Zipora no capítulo
dezoito também têm um significado tipológico. Jetro e Zípora seriam meras figuras histó-
ricas? Certamente que não. Afirmar isto é falhar em perceber que Êxodo e um livro de
figuras. Assim como Faraó representa Satanás e o Egito representa o mundo, assim
também Jetro tipifica os gentios, e Zipora, a igreja gentia. De acordo com o principio de
que todos os itens em Êxodo são figuras, os pontos no capítulo dezoito não devem ser
considerados como exceções. Sabemos que o capítulo dezoito retrata o reino porque aqui
vemos que após o povo de Deus ter derrotado o Seu inimigo, os gentios piedosos volta-
ram-se para o povo de Deus para louvá-Lo, adorá-Lo e oferecer sacrifícios a Ele. Também
vemos que a igreja gentia está prevalecendo. Quando todas estas três coisas acontecem ao
mesmo tempo, há o reino de Deus.
Podemos aplicar a figura de Êxodo 18 à nossa situação como cristãos dos dias de hoje.
Sabemos pela nossa experiência que quando nossa carne é derrotada, os incrédulos se
voltam para nós. É bom que todas as igrejas estejam pregando ativamente o evangelho.
Entretanto, se vivemos na carne e falhamos em derrotar Amaleque, podemos laborar
muito na pregação do evangelho, mas poucos incrédulos se converterão. Mas se primeiro
derrotamos e subjugamos a nossa carne e então saímos para contatar as pessoas e pregar-
lhes o evangelho, Jetro virá até nós. Isto significa que os incrédulos converter-se-ão desta
maneira. Quando pregamos o evangelho pelo Espírito vivo através da operação da cruz,
mortificando a carne, as pessoas voltar-se-ão para nós aonde quer que formos. Além do
mais, a igreja, simbolizada por Zípora, tornar-se-á prevalecente. Assim, a pregação correta
do evangelho deve ser o reino. Nas palavras de Mateus 24:14, o evangelho do reino deve
ser pregado a toda a terra habitada.
O evangelho deve ser o reino. Se vivermos na carne, os outros não se voltarão a Deus
através de nós, não importa quão duro trabalhemos na pregação do evangelho. Devemos
ser aqueles que derrotam Amaleque. Aí então, Jetro, representando os gentios, voltar-se-á
para Deus através de nós, e a igreja tornar-se-á prevalecente.
D. A Autoridade e Regulamento do Reino

Em 18:13-27 temos uma ilustração da autoridade e da ordem do reino. Cristo, simboli-


zado por Moisés, é a Cabeça da autoridade, e debaixo do encabeçamento de Cristo há a
ordem da autoridade.
Alguns mestres da Bíblia dizem que a proposta de Jetro a Moisés estava de acordo com
a maneira humana de organização. C. I. Scofield diz que esta maneira organizacional foi
rejeitada por Deus em Números 11:11-17, 24-30. Entretanto, se estudarmos cuidadosa-
mente Êxodo 18, Deuteronômio 1 e Números 11, veremos que estes trechos da Palavra
125 | P á g i n a
dizem respeito a dois eventos diferentes e que o último não abole o anterior, pelo con-
trário, fortalece-o. Enquanto Números 11 fala de setenta anciãos, não há menção de
anciãos em Êxodo 18 ou Deuteronômio 1. Em vez disto, nestes capítulos lemos sobre
capitães. Uma vez que os filhos de Israel deveriam ser pelo menos dois milhões em
número, os capitães de milhares, centenas, cinquentas e dezenas devem ter chegado aos
milhares. Estes capitães devem ser distinguidos dos setenta anciãos.
Se compararmos Êxodo 18 e Deuteronômio 1 com Números 11, veremos que Números
11 aborda um assunto diferente do que é abordado em Êxodo 18 e Deuteronômio 1. Nestes
dois capítulos lemos do peso, da carga e da contenda do povo. Mas Números 11 descreve
a rebelião do povo contra Deus, Por causa desta rebelião, Moisés se queixou ao Senhor:
"Eu sozinho não posso levar a todo este povo, pois me é pesado demais" (Nm 11:14). O
Senhor então disse a Moisés que reunisse setenta homens dos anciãos de Israel (v. 16). A
rebelião em Números é muito diferente do peso, da carga e da contenda mencionada em
Êxodo 18 e Deuteronômio 1. O propósito do relato em Êxodo 18 e Deuteronômio 1 é
manter a boa ordem entre o povo de Deus no Seu reino, enquanto que em Números 11 é
cuidar do relacionamento entre Deus e o Seu povo. Diariamente, talvez centenas de
problemas eram trazidos a Moisés. Isto levou Jetro a propor que Moisés escolhesse capi-
tães de milhares, centenas, cinquentas e dezenas para ajudá-Lo. Os problemas tratados em
Êxodo 18 e Deuteronômio 1 foram relativamente menores, mas Números 11 trata com o
sério resultado do nosso relacionamento adequado com Deus. Esta é a razão porque o
Espírito de Deus veio sobre os setenta anciãos que se tornaram profetas. Estes setenta não
substituíram os capitães de milhares, centenas, cinquentas e dezenas.
Meu objetivo em enfatizar esta questão é ajudar-nos a ver que a proposta de Jetro foi
muito positiva. Ela ilustra a ordem debaixo da autoridade divina no reino de Deus. Ajuda-
nos a ver que no reino de Deus não há desordem. Pelo contrário, debaixo do encabeça-
mento de Cristo, representado por Moisés, todas as coisas estão em ordem. Debaixo do
encabeçamento de Cristo todas as coisas e todas as pessoas estão em ordem.
Se numa igreja local todas as questões, grandes e pequenas, são levadas aos presbíteros,
esta igreja é fraca. Não é o reino de Deus de uma maneira prática. Se uma igreja local é
verdadeiramente o reino de Deus, não haverá somente os presbíteros, mas também os
capitães. Temos visto que na figura em Êxodo 18, Zípora representa a igreja. O que os
capitães representam então? Representam o manter as coisas em boa ordem. Assim como
não havia necessidade de todas as coisas serem levadas a Moisés, assim também não há
necessidade na igreja dos dias de hoje de todas as coisas serem levadas aos presbíteros. Em
vez disto, deve haver capitães na vida da igreja, os quais debaixo do encabeçamento de
Cristo, resolvem os problemas e mantêm a ordem.
Suponha que dois irmãos tenham problema um com o outro. Se há necessidade de
chamar os presbíteros, o reino de Deus não está presente na igreja de uma maneira prática.
Há uma falta evidente de vida e autoridade. Mesmo entre um pequeno número de irmãos
e irmãs, deveria haver um capitão, alguém que possa lembrar os demais sobre o Espírito e
a cruz. Se houver um capitão para fazer isto, o problema entre os irmãos será resolvido, e a
ordem será mantida. A presença dos capitães na vida da igreja é um sinal do reino. É uma
indicação de que temos Cristo, simbolizado por Moisés, como nossa Cabeça e que estamos
todos debaixo do encabeçamento Dele.
Nesta mensagem ressaltamos repetidamente que Êxodo 18 apresenta uma figura do
reino. Neste capítulo vemos quatro aspectos desta figura: a derrota de Amaleque, a carne,
pelo povo de Deus, a vinda dos gentios piedosos para buscar a Deus, o prevalecer da
igreja gentia, e a manutenção da ordem correta. Quando estes quatro pontos são colocados
126 | P á g i n a
juntos, temos o reino de Deus como resultado do desfrutar da salvação e provisão de
Deus.
Nos primeiros dezessete capítulos de Êxodo, o povo escolhido de Deus desfrutou da
Sua salvação e provisão. Agora, no capítulo dezoito, temos o resultado deste desfrutar — o
reino como a esfera, o ambiente, onde o povo de Deus pôde receber a visão do padrão da
morada de Deus e edificar o tabernáculo de acordo com este padrão. Porque o reino é
necessário para a edificação da morada de Deus, Moisés sob a inspiração divina, inseriu
um fato de Deuteronômio 1 entre os capítulos dezessete e dezenove do livro de Êxodo, de
forma a completar a ilustração da salvação plena de Deus. De acordo com a nossa expe-
riência, podemos testificar que após desfrutarmos a salvação e provisão de Deus, somos
introduzidos no Seu reino, onde tudo está em ordem. Como louvamos ao Senhor por isto.
A presença do reino capacita-nos a edificar o tabernáculo como a habitação de Deus.

127 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA
INTRODUZIDOS NA PRESENÇA DE DEUS E NO SEU CONHECIMENTO

Leitura da Bíblia: Êx 19:1-25; 3:1, 12; 5:1, 3a

Se lermos o livro de Êxodo no espírito, com bastante oração, e assim entrarmos no


significado espiritual deste livro, veremos que ele retrata a salvação de Deus desde o início
até a sua consumação. Êxodo é composto de duas seções principais, do capítulo um até o
dezoito, e do dezenove até o quarenta. Na primeira seção vemos a salvação de Deus, a Sua
provisão, a vitória sobre a carne, e, no capítulo 18, um quadro do reino de Deus. Depois
que o povo de Deus, escolhido e chamado, foi introduzido no reino, eles estavam prontos
para cumprir o propósito de Deus: edificar a Sua habitação na terra. Nesta mensagem
chegamos à segunda seção de Êxodo, que diz respeito à habitação de Deus.
O ponto principal nos capítulos dezenove até o quarenta é que o povo que Deus salvou
foi introduzido na Sua presença e no Seu conhecimento. Usando os termos do Novo Tes-
tamento, o povo foi introduzido na comunhão com Deus. Nos primeiros dezoito capítulos
de Êxodo não há qualquer indicação que os filhos de Israel tenham sido introduzidos na
comunhão com Deus. Embora o povo tivesse experimentado a Sua salvação, desfrutado da
Sua provisão e entrado no Seu reino, eles ainda não haviam sido introduzidos em tal
comunhão. Mas a partir do capítulo dezenove, eles foram introduzidos na comunhão com
Ele.
Êxodo 3:1 fala da montanha de Deus: Horebe. Em 3:12, o Senhor disse a Moisés:
"Quando tirares o povo do Egito, servireis a Deus neste monte". No capítulo dezenove
vemos os filhos de Israel no monte de Deus, o Monte Sinai, o lugar onde Deus haveria de
contatar Seu povo. Em 3:12, Deus disse que Seu povo O serviria no monte de Deus. É algo
multo significativo servir a Deus. Em 5:1, Moisés disse a Faraó que deixasse ir o povo para
celebrar uma festa ao Senhor no deserto. De acordo com 5:3, o povo devia fazer uma
jornada de três dias deserto adentro e lá sacrificar ao Senhor. Sacrificar a Deus é oferecer-
Lhe algo, e celebrar-Lhe uma festa é desfrutar junto com Deus daquilo que Lhe é ofere-
cido. Até o fim do capítulo dezoito não vimos ainda o serviço, o sacrifício, nem a festa.
Embora o povo de Deus tivesse muitas experiências e muito gozo eles ainda não haviam
começado a servi-Lo.
Nos capítulos doze até quatorze vimos que o povo de Deus experimentou a Sua
redenção e a Sua salvação. Nos capítulos quinze, dezesseis e dezessete eles desfrutaram da
provisão de Deus. As águas amargas se tornaram doces, o povo desfrutou das doze fontes
e das setenta palmeiras em Elim, e participaram do maná e da água viva da rocha ferida.
Através da salvação e da provisão de Deus, o Seu povo foi conduzido a uma posição de
estar no reino de Deus. Na mensagem anterior vimos que o capitulo dezoito é uma figura,
um tipo do reino. Agradecemos ao Senhor pala luz que Ele nos mostrou neste capítulo.
Nos primeiros anos do meu ministério, liberei várias mensagens sobre Êxodo 19. A
maioria daquelas mensagens, entretanto, era baseada nos pontos negativos. Nestas mensa-
gens, prefiro distanciar-me dos pontos negativos e enfatizar os positivos. Precisamos ter
uma impressão positiva de Êxodo 19 e 20. Muitos mestres cristãos enfatizam os aspectos

128 | P á g i n a
negativos destes capítulos, dizendo que a lei é boa e espiritual, mas que somos carnais e a
lei não pode ajudar-nos.
Êxodo é na verdade, muito positivo porque aqui o povo escolhido de Deus foi intro-
duzido na comunhão com Ele.
A distância entre o Egito e o Monte Sinal correspondia a uma jornada de três dias. Creio
que esta foi a razão de Moisés dizer a Faraó que os filhos de Israel deveriam fazer uma jor-
nada de três dias deserto adentro. Além disso, 4:27 diz que Arão foi encarregado por Deus
de ir ao encontro de seu irmão Moisés, no monte de Deus, no deserto. Embora a distância
do Egito ao Monte Sinal pudesse ser percorrida em três dias, os filhos de Israel levaram
mais de dois meses, embora pudéssemos ter entrado em comunhão com Deus imediata-
mente após termo sido salvos, em vez disso, em nossa experiência a maioria de nós viaja,
jornadeia e vagueia. Contudo, ao vaguear desfrutamos da provisão de Deus. Mesmo que a
nossa jornada possa estar debaixo do cuidado de Deus e de acordo com a Sua orientação,
ainda assim não estamos em comunhão com Ele. Mas em Êxodo 19 temos um ponto muito
precioso: Deus agora introduz o Seu povo redimido na Sua presença. Antes daquela
época, eles haviam ouvido sobre Deus. Todavia, não haviam ouvido a voz de Deus direta-
mente. O mesmo é verdade entre os muitos cristãos hoje. Embora tivessem ouvido sobre
Deus, não experimentaram o falar direto de Deus. Antes de chegarem ao monte de Deus,
os filhos de Israel haviam ouvido sobre Deus através da pregação e do ensino de Moisés.
Mas aqui Deus os introduziu diretamente na Sua presença. Ele desceu sobre o monte,
apareceu ao povo e lhes falou. Assim, eles ouviram a voz de Deus direta e pessoalmente; e
não indiretamente, através de um mediador. Na presença de Deus, eles ouviram o Seu
falar direto.
Não deveríamos ler o livro de Êxodo simplesmente de acordo com as letras pretas no
papel branco, pelo contrário, deveríamos considerar tudo, em cada capítulo deste livro, co-
mo uma figura. Já enfatizamos que todos os itens em Êxodo são uma figura. O Egito é uma
figura do mundo e Faraó é uma figura de Satanás. De semelhante modo, o cordeiro pascal,
a travessia do Mar Vermelho, o maná, a água viva da rocha ferida, e Amaleque também
são figuras. Além disso, Zípora, Jetro e os capitães no capítulo dezoito são figuras relacio-
nadas ao reino. Agora, no capítulo dezenove, temos um retrato da comunhão entre o povo
redimido de Deus e Ele mesmo. Aqui, o povo de Deus foi introduzido na Sua presença e
no Seu conhecimento. Eles foram introduzidos na comunhão de Deus e com Deus. De
acordo com o retrato apresentado neste capitulo, Deus está presente na terra, no cume do
monte, e o povo se encontra ajuntado à volta do monte. Que visão maravilhosa!

I. TENDO EXPERIMENTADO A SALVAÇÃO PLENA DE DEUS

Se quisermos entrar em comunhão com Deus, precisamos experimentar a Sua salvação


plena. Precisamos ser salvos da condenação do pecado, do mundo e de Satanás, conforme
vimos nos capítulos de um a quatorze. Aí então, precisamos desfrutar da rica provisão de
Deus (15:1 a 17:7), vencer a carne (17:8-16), e ser introduzidos no reino de Deus (18:1-27).
Se não tivermos tal experiência e gozo, não seremos capazes de ter comunhão com Deus.
A nossa experiência espiritual se encaixa com a dos filhos de Israel. Primeiro somos
salvos do pecado, do mundo e de Satanás. Aí então, desfrutamos da provisão de Deus. As
águas amargas foram transformadas em doces, e comemos do maná, da comida celestial, e
bebemos da água viva que flui da rocha ferida. Através do gozo destas provisões divinas,
somos equipados para vencer a carne e subjugá-la. Não devemos desculpar-nos dizendo
129 | P á g i n a
que somos fracos. Se nos escusarmos desta maneira, não chegaremos ao monte de Deus.
Quanto mais desculpas dermos, mais distante estaremos do monte de Deus.
Precisamos dizer: "Sim, sou fraco, mas o Senhor não é. Tenho Moisés, o Cristo celestial,
intercedendo por mim, e tenho Josué, Cristo como o Espírito que dá vida, habitando no
meu interior e lutando por mim.‖ Temos o Espírito vivo com a cruz operando para tratar
com a nossa carne. Uma vez que a carne é aniquilada, imediatamente estamos no reino. Aí
então, no reino somos guiados à presença de Deus para desfrutar da comunhão com Ele.
Êxodo certamente é um retrato da nossa experiência espiritual. Se considerarmos a nossa
experiência, perceberemos que ela corresponde ao relato neste livro.

II. INTRODUZIDOS NA PRESENÇA DE DEUS

A. No Monte Sinal

Os filhos de Israel foram introduzidos na presença de Deus no Monte Sinai (19:11). O


significado do Monte Sinal é que este é o lugar para Deus falar. No Monte Sinai Deus não
fez milagres. Ele simplesmente falou. Juntamente com o falar de Deus, há também a visão
celestial. Por isso, o significado espiritual do monte de Deus é que este é o lugar do falar
de Deus com a visão de Deus. Primeiro os filhos de Israel ouviram Deus falando, e depois
viram a visão. Esta visão era o padrão do lugar da habitação de Deus na terra.
Quando nos ajuntamos nas reuniões da igreja, devemos ter o falar de Deus com a Sua
visão. Em muitos dos assim chamados cultos religiosos hoje, não há o falar de Deus, nem a
visão da parte de Deus. Que gozo é ouvir o falar direto de Deus e ver a visão de Deus nas
reuniões da igreja! Reunião após reunião, podemos ter o falar de Deus e ver mais da Sua
visão. É algo grande ouvir o falar de Deus e ver a Sua visão, principalmente a visão acerca
da Sua habitação. É de vital importância que cheguemos ao genuíno monte de Deus, ao
monte de Deus na terra hoje.
Segundo o registro na Bíblia, Deus frequentemente falava de um monte. O Senhor Jesus
deu a constituição do reino dos céus do alto de uma montanha com Seus discípulos (Mt
5:1-2). Também foi sobre um monte que Ele proferiu a profecia acerca do fim da era (Mt
24:3). Deus o Pai falou a Pedro e ao outro discípulo enquanto estavam no monte da
transfiguração (Mt 17:1-2, 5). João foi levado a um alto monte para ver a visão do novo céu
e nova terra com a Nova Jerusalém. Assim, em nossa experiência precisamos sair do Egito,
cruzar o Mar Vermelho e viajar pelo deserto até que cheguemos ao monte de Deus. Neste
monte somos introduzidos na presença de Deus. Sem ela, o que dissermos ou fizermos
nada significará. A Sua presença é tudo para nós. Muitos de nós podemos testificar que,
toda vez que nos reunimos no nome do Senhor, desfrutamos da Sua presença, ouvimos o
Seu falar vemos a Sua visão no monte de Deus.

B. Através da Santificação

Através da santificação somos introduzidos na presença de Deus. Êxodo 19:10 diz: ―E


Jeová disse a Moisés: Vai ao povo e santifica-os hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes"
(hebr.). Os versículos 14 e 22 também falam de santificação. Ser santificado é ser separado
do mundo para Deus. Quando os filhos de Israel se reuniram em torno do Monte Sinai,
estavam bem longe do Egito. Eles estavam separados do mundo. No Monte Sinai, eles
viviam na presença de Deus, tendo sido santificados, separados para Deus de uma
maneira absoluta. Quando nos ajuntamos nas reuniões da igreja, também devemos estar
130 | P á g i n a
separados do mundo para Deus. Louvado seja o Senhor porque somos um povo santifi-
cado!

C. Em Ressurreição

Êxodo 19:11 diz: "e estejam prontos para o terceiro dia: porque no terceiro dia o Senhor
à vista de todo o povo descerá sobre o Monte Sinai". É significativo que este versículo não
fale do segundo ou quarto dia, mas do terceiro dia. Nas Escrituras, o terceiro dia tipifica a
ressurreição. Estar em ressurreição significa que o que é velho se foi e que agora estamos
totalmente numa situação e posição novas.
Antes de Deus falar ao povo, este se preparou. Se Deus tivesse vindo para falar-lhe no
primeiro dia, eles não estariam prontos. Suponha que você estivesse entre os filhos de
Israel durante aqueles dias de preparação. O que é que teria feito? É claro que não desper-
diçaria tempo em conversa vã, pelo contrário, você teria orado: "Senhor, mostra-me
qualquer coisa que me separa de Ti. Senhor, não quero ter nada entre mim e Ti". Você teria
usado o seu tempo para preparar-se a fim de encontrar-se com Deus. Você lançaria fora
uma coisa após a outra até estar em ressurreição, pronto para encontrar o Senhor. Em vez
de entregar-se às críticas e fofocas ou queixas, você oraria até estar em ressurreição, até
que as coisas velhas tivessem passado e você estivesse numa nova posição.

D. Para Ouvir o Falar de Deus

Tendo sido introduzido na presença da Deus, o Seu povo ouviu o Seu falar (v. 9). Isto é
comunhão. Ter o falar de Deus é estar na Sua presença.
III. INTRODUZIDOS NO CONHECIMENTO DE DEUS

Toda vez que somos introduzidos na presença de Deus e entramos em comunhão com
Deus espontaneamente somos introduzidos no conhecimento de Deus. Antes de chegar-
mos na comunhão com Deus, somos ignorantes de muitas coisas. Não conhecemos o
mundo nem a edificação de Deus. Não conhecemos o altar, o candelabro, a mesa dos pães
da proposição, nem a arca. Tudo o que é revelado nos capítulos 25 a 40 corresponde ao
que Paulo descreve como o pleno conhecimento de Deus. Muitos cristãos hoje ignoram o
que é a igreja. Não conhecem a base da igreja, o conteúdo nem a função da igreja. Antes de
os filhos de Israel serem introduzidos na presença de Deus, o que sabiam eles sobre o átrio
exterior, o lugar santo ou o Santo dos Santos? Será que sabiam algo sobre a arca feita de
madeira de acácia revestida com ouro? Claro que não! Eles eram ignorantes quanto a estas
coisas.
Quando chegarmos ao capítulo 20, veremos que a lei é uma revelação e descrição do
próprio Deus. A lei mostra que tipo de Deus Ele é. Antes de serem introduzidos na pré-
sença de Deus, os filhos de Israel não tinham tal conhecimento Dele, embora tivessem
experimentado da Sua salvação, desfrutado da Sua provisão, derrotado Amaleque e sido
introduzidos no reino.

A. Para Conhecer a Graça de Deus

Na comunhão com Deus, conhecemos primeiramente a Sua graça. Em 19:4, o Senhor


disse: "Tendes visto o que eu fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia, e vos
cheguei a mim". Isto é graça. Isaías 40:31 diz: "mas os que esperam no Senhor renovam as
131 | P á g i n a
suas forças, sobem com asas como águias". Aqueles que confiam no Senhor serão carré-
gados em asas de águias. Do lado da experiência, é a isto que Paulo se refere em 1
Coríntios 15:10: "Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a Sua graça que me foi
concedida, não se tornou vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles, todavia não eu,
mas a graça de Deus comigo". Tudo o que experimentamos da salvação e da provisão do
Senhor é uma experiência das asas da grande águia. Talvez você tenha sido salvo há
muitos anos sem perceber que Deus o levou sobre asas de águia. Você tem sido carregado
pela graça de Deus, e esta graça tem feito tudo por você. Primeiro, Cristo é o nosso
cordeiro pascal, depois Ele é uma águia.
Toda vez que recordo meus anos com o Senhor fico cheio de gratidão. Por mais de
cinquenta anos tenho sido objeto da Sua misericórdia e graça. No curso de todos estes
anos tenho sido levado pelas asas de uma grande águia. Muitas coisas têm ocorrido não
segundo a minha expectativa. Agradeço ao Senhor por tantas coisas que aconteceram não
de acordo com a minha maneira, mas de acordo com a Sua maneira. Ele sempre sabe o que
preciso. Nunca esperei vir a este país, mas o Senhor trouxe-me para cá. Você alguma vez
sonhou que estaria onde está agora? Eis algumas palavras de um hino escrito por Charles
Wesley:

―É esta misericórdia toda. Imensa e livre;


―Porque, ó meu Deus, ela me encontrou‖.

Que misericórdia é ser carregado nas asas de uma grande águia! No monte de Deus, os
filhos de Israel podiam dizer: "Senhor, não estamos aqui por nós mesmos. As Tuas asas
fortes nos tiraram do Egito e nos conduziram pelo deserto até este lugar, onde estamos na
Tua presença".
Quando ouvimos a voz do Senhor e recebemos a Sua revelação, conhecemos a Sua
graça. Quanto mais permanecemos em Sua comunhão, mais conhecemos a Sua graça e
percebemos que devemos tudo a ela. Ano após ano, temos sido conduzidos pela graça de
Deus. Toda manhã eu oro: "Senhor, agradeço-Te por outro novo dia para viver-Te. Senhor,
peço-Te que faças este dia cheio de Ti. Por favor, dá-me a porção da graça deste dia:
Concede-me hoje a graça para que eu possa viver-Te e praticar ser um espírito contigo".

B. Para Conhecer a Santidade de Deus

Na comunhão com o Senhor também começamos a conhecer a santidade de Deus


(19:10-24). Êxodo 19 mostra a seriedade de honrar a santidade de Deus, precisamos santi-
ficar-nos porque o próprio Deus é santo e o lugar onde Ele habita é santo. Em Êxodo 19, o
Monte Sinai era uma montanha santa porque Deus descera sobre ele. Porque a montanha
era santa, um limite foi fixado, além do qual não era permitido aos filhos de Israel passar.
No versículo 21, o Senhor disse a Moisés: "Desce, adverte ao povo que não traspasse o
termo até ao Senhor para vê-Lo, a fim de muitos deles não perecerem". Moisés respondeu:
"O povo não poderá subir ao monte Sinai, porque Tu nos advertiste, dizendo: Marca limite
ao redor do monte e santifica-o" (v. 23). A isto o Senhor respondeu: "Vai, desce; depois
subirás tu e Arão contigo" (v. 24). Somente Moisés e Arão tiveram o privilégio de cruzar a
fronteira. Para ser correto, eles sabiam que o seu Deus era um Deus santo. Em muitos
lugares o Senhor ordena ao povo: "Sereis santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou
santo" (Lv 19:2). Porque Deus é santo, o povo tinha que se santificar. Para servir a um
Deus santo, eles tinham que ser um povo santo.
132 | P á g i n a
Não devemos tomar esta palavra acerca da santidade de Deus como uma mera dou-
trina. Se você considerar a sua experiência, verá que em sua comunhão com o Senhor,
primeiramente você Lhe é grato pela Sua misericórdia e graça, aí então você passa a
perceber a necessidade de santidade. Na presença de Deus precisamos ser santos. Se
quisermos permanecer em comunhão com Ele, precisamos nos santificar e também tudo o
que está relacionado conosco. Não devemos cruzar, o limite da santidade de Deus. Esta é
uma lição muito importante encontrada em Êxodo 19.
Porque este capítulo apresenta os detalhes da comunhão com Deus, eu o aprecio muito.
Posso testificar que seu registro corresponde à minha experiência. Depois de conhecer a
graça do Senhor, sinto a necessidade de santidade, de santificação. A santificação é o
aspecto experiencial da santidade. Quando a santidade de Deus se torna a nossa experi-
ência, isto é santificação. Precisamos ser separados do mundo para Deus. Isto é honrar o
limite da santidade de Deus. Entretanto todos podem testificar que perdemos a comu-
nhão com Deus toda vez que violamos o limite da Sua santidade. Somente enquanto man-
temos a santidade é que a nossa comunhão com Deus prossegue.

C. Para Ser a Propriedade Pessoal de Deus e o Seu Tesouro Particular

Em comunhão com Deus tornamo-nos a propriedade pessoal e o tesouro particular de


Deus (19:5). A expressão hebraica no versículo 5 tem um duplo sentido, significa tanto
propriedade pessoal quanto tesouro particular. Por exemplo, uma irmã pode possuir um
anel muito precioso. Aquele anel é a sua propriedade pessoal e também é o seu tesouro
particular. Ela não o venderia por nada. De semelhante modo, quando o povo remido por
Deus foi introduzido na sua presença, ele se tornou a Sua propriedade pessoal e o seu
tesouro particular. Oh, podemos nos tornar a propriedade pessoal de Deus! Podemos ser
tão queridos e preciosos para Ele que nos tornamos o Seu tesouro particular. Isto mostra a
íntima afeição que existe em nossa comunhão com Deus. A nossa comunhão com o Senhor
precisa chegar a tal ponto de desfrutarmos tal afeição íntima com Ele e Ele conosco. Que
Deus diga que somos o Seu tesouro particular, a Sua propriedade pessoal. Quão íntimo,
amável e precioso é! Quando entramos em tal comunhão com Deus, Ele nos considera tal
tesouro e propriedade.

D. Para Ser um Reino de Sacerdotes Para Deus

De acordo com 19:6, os filhos do Israel deviam ser um reino de sacerdotes para o
Senhor. Quando permanecemos na presença do Senhor, tornamo-nos um reino de sacer-
dotes para Ele. O que é retratado acerca disto no Antigo Testamento é cumprido no Novo.
Nós os que cremos, somos um reino de sacerdotes para Deus (Ap 1:6). Como sacerdotes,
vivemos na presença do Deus, desfrutando Dele como nossa porção, e até mesmo Ele
desfruta de nós como Seu tesouro. Este é um deleite mútuo. Se tal coisa pôde existir nos
tempos do Antigo Testamento, muito mais deve ela ser a nossa experiência na era do
Novo Testamento! O que é descrito no Antigo Testamento é simplesmente uma figura, no
Novo Testamento temos a realidade. Louvado seja o Senhor porque somos o Seu tesouro
particular e sacerdotes de Deus desfrutando-O como tudo para nós!

E. Para Ser Uma Nação Santa

133 | P á g i n a
Por fim, tornamo-nos uma nação santa (19:6). O desfrutar mútuo entre Deus e o Seu
povo separa-o para Ele mesmo. Nada nos separa tanto para Deus quanto este deleite
mútuo. Quando Deus desfruta de nós como Seu tesouro particular e nós desfrutamos Dele
como tudo para nós, somos totalmente separados de tudo que não é Deus, para o próprio
Deus. Como resultado, tornamo-nos uma nação santa.
Êxodo 19 é um capítulo precioso. Sim, fala de trovão, nuvem e fumaça. Se não nos
preocuparmos com a santidade de Deus, não experienciaremos estas coisas. Entretanto,
Moisés e Arão não temiam o trovão. Percebiam que o trovão, a nuvem e a fumaça não
eram para eles, pois a sua porção era a presença de Deus com o Seu falar e o Seu gozo.
Não precisamos ter medo de Deus, porque Ele nos estima como Sua propriedade pessoal.
Somos sacerdotes para Ele e uma nação santa. Que necessidade teríamos de ficar com
medo?
Que tremenda diferença há entre Êxodo 1 e Êxodo 19! No capítulo um o povo de Deus
estava no Egito sob a tirania de Faraó. Mas no capítulo dezenove eles estão no monte de
Deus, tendo se tornado o tesouro particular de Deus. Aqui eles desfrutam de Deus ao
máximo e são separados para Ele. Embora agradeçamos ao Senhor por este quadro,
agradecemos-Lhe muito mais porque hoje podemos desfrutar da sua realidade, do seu
cumprimento.

134 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA E UM
O TESTEMUNHO DE DEUS: REVELANDO-O AO SEU POVO

Leitura da Bíblia: Êx 20:1-17; 16:34; 25:16; 27:21; 31:18; 25:21-22;


26:33-34; 38:21; 34:28; Nm 1:50, 53; Dt 4:13; Sl 19:7.

No capítulo dezenove, os filhos de Israel foram introduzidos na presença de Deus e


começaram a ter comunhão com Ele no Seu monte. Na mensagem anterior enfatizamos
que, nesta comunhão com Deus, Seu povo veio a conhecer e graça e a santidade de Deus.
Durante esta comunhão a lei foi dada (20:1-17)

I. A LEI COMO O TESTEMUNHO DE DEUS

Êxodo 20 não tem sido compreendido correta e adequadamente por muitos leitores. É
comum pensar-se que este capítulo nos conta como a lei foi dada. Isto está correto, mas
não é o conceito básico, principal. O conceito básico neste capítulo é que Deus revela a Si
mesmo ao Seu povo, e assim os capacita a conhecer que tipo da Deus eles estavam se
aproximando e com que tipo de Deus estavam tendo comunhão. Era importante para os
filhos de Israel conhecerem não somente os atributos divinos, tais como graça e santidade,
mas também conhecer o próprio Deus.
Em 20:4, as palavras imagem e semelhança são usadas. Gênesis 1:26, um versículo que
fala da criação do homem, também usa as palavras imagem e semelhança. Deus criou o
homem à Sua imagem e conforme a Sua semelhança. Da maneira que são usadas em
Gênesis 1:26, as palavras imagem e semelhança referem-se à Pessoa de Deus, ao próprio
Deus e ao que Ele é. Portanto, o homem foi feito de acordo com o que Deus é.
Em 20:4, entretanto, estas palavras são usadas como uma advertência: ―Não farás para ti
imagem de escultura, ou semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem debaixo na
terra, nem nas águas debaixo da terra". No versículo 3 o Senhor diz: ―Não terás outros
deuses diante de mim". A palavra "diante‖ aqui na verdade significa junto com, além de.
Assim, o Senhor parecia estar dizendo: "Eu sou o Único. Diante de Mim, além de Mim,
vocês não devem ter nenhum outro deus. Não devem ter qualquer outra imagem ou seme-
lhança. A única imagem ou semelhança que devem ter deve ser a Minha. Eu sou único e
ciumento. Não façam para vocês imagem ou semelhança de nenhuma coisa.‖ Estes versí-
culos indicam que os Dez Mandamentos falam primeiramente da imagem e semelhança
de Deus. Em outras palavras, estes mandamentos nos apresentam o próprio Deus. Isto
indica que a lei não consiste meramente em mandamentos para guardarmos. Acima de
tudo, a lei é um testemunho que tipo de Deus o Senhor é.
Quanto à questão da lei, há um princípio importante: o tipo de lei que uma pessoa faz
expressa o tipo de pessoa que ela é. Por exemplo, se os criminosos pudessem fazer leis,
eles legalizariam o crime. Além disso, um país atrasado teria leis incivilizadas, ao passo
que uma sociedade altamente culta teria leis de elevado padrão cultural. Este princípio
aplica-se também ao próprio Deus. Deus é o legislador. Ao dar a lei, Ele nunca haveria de
legalizar o crime ou o pecado. Ele nunca legalizaria o roubo ou o adultério, porque Ele não

135 | P á g i n a
é tal tipo de Deus. Somente o deus da feitiçaria legalizaria tais coisas. Uma lei é sempre
uma revelação do tipo de pessoa que a decretou.
A primeira função da lei não é expor-nos, mas revelar Deus a nós. Anos atrás, enfatizei
o fato de que a função da lei era expor-nos. Nesta mensagem, porém, desejo enfatizar o
ponto de que a principal função da lei é revelar Deus a nós. Depois que Deus introduziu o
Seu povo na Sua presença para ter comunhão com Ele, servi-Lo, contatá-Lo, adorá-Lo e até
festejar com Ele, Ele Se lhes tornou conhecido. Antes disso Deus não havia revelado ao Seu
povo que tipo de Deus Ele é. É verdade que em Gênesis 17 Deus disse a Abraão que Ele
era perfeito, Todo-poderoso e Todo-suficiente. Mas, esta não era uma revelação adequada
do próprio Deus. Somente quando chegamos a Êxodo 20 é que temos uma revelação de
como é o nosso Deus. Porém esta revelação não é dada diretamente, pelo contrário, ela é
dada indiretamente através da lei. Aparentemente Êxodo 20 diz respeito à apresentação da
lei. Na verdade, este capítulo diz respeito à revelação do próprio Deus. Ao decretar a lei,
Deus se fez conhecido pelo Seu povo. Através da lei, eles foram capazes de compreender
que tipo de Deus Ele é. A legislação divina é uma revelação do próprio Deus. Se quiser-
mos compreender esta porção da Palavra corretamente, precisamos guardar firmemente
este conceito na mente.
Deuteronômio 4:13 fala de "dez mandamentos", ao passo que Êxodo 34:28 fala de "dez
palavras" (hebraico). A expressão "dez palavras" é significativa. Deus considera os dez
mandamentos, as dez leis, como dez palavras. Esta expressão é uma indicação adicional de
que a lei é uma revelação do próprio Deus, uma vez que as palavras que uma pessoa fala
são uma revelação dessa pessoa.
Êxodo 20 não diz claramente qual é o primeiro mandamento, qual o segundo, e assim
por diante. Embora os mandamentos quarto até o décimo estejam claramente identifi-
cados, é difícil determinar o primeiro, o segundo e o terceiro. Os judeus compreendem isto
de uma maneira, os católicos de outra, e os protestantes ainda de outra maneira. Para
termos a compreensão correta dos Dez Mandamentos, devemos ver que eles na verdade
começam com o versículo 2. O versículo 1 é a introdução e depois os versículos 2 e 3
continuam: "Eu sou, Jeová teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses diante de Mim‖ (hebr.). Os versículos 2 e 3 compõem o primeiro
mandamento. Note que no primeiro mandamento o titulo ―Jeová teu Deus" é usado. O
mesmo é verdade em cada um dos quatro mandamentos seguintes. Entretanto, embora a
expressão: "Jeová teu Deus" seja usada em cada um dos cinco primeiros mandamentos, ela
não é usada em nenhum dos últimos cinco. O uso do título Jeová nos versículos de 2 a 11
nos dá razão para ligarmos o versículo 3 com o versículo 2 e assim consideramos o
versículo 2 como parte do primeiro mandamento. O segundo mandamento é encontrado
nos versículos de 4 a 6. Aqui nos é ordenado a não fazermos imagem ou semelhança
esculpida de qualquer coisa que haja nos céus, na terra ou debaixo da terra, nem nos incli-
narmos a elas, porque o Senhor é um Deus ciumento. O terceiro mandamento, acerca de
não tomar em vão o nome do Senhor, é encontrado no versículo 7; e o quarto, acerca do
dia do sábado. Está registrado nos versículos de 8 a 11. O quinto mandamento (v. 12) é
sobre honrar nosso pai e nossa mãe. Os cinco mandamentos restantes são encontrados nos
versículos de 12 a 17.
Se lermos cuidadosamente o registro dos Dez Mandamentos, veremos que eles estão
divididos em dois grupos de cinco. Como já indicamos, no primeiro grupo, o titulo sagra-
do: "Jeová teu Deus" é usado com respeito a cada mandamento. Mas no segundo grupo de
cinco, o nome de Jeová não é mencionado nem uma vez. Portanto, o uso do nome do
Senhor é um fator determinante ao considerarmos o arranjo dos Dez Mandamentos.
136 | P á g i n a
O arranjo dos Dez Mandamentos pode ser entendido segundo a maneira judaica, a
católica, a protestante ou a bíblica. De acordo com a maneira judaica, o versículo 2 diz
respeito ao primeiro mandamento, e os versículos de 3 a 6 ao segundo.
De acordo com a maneira católica, o versículo 2 não é considerado parte do primeiro
mandamento, somente os versículos do 3 a 6. Além disso, o versículo 17 é considerado
como dois mandamentos distintos. De acordo com a maneira seguida pela maioria dos
protestantes, que é próxima à maneira bíblica, o versículo 3 é considerado o primeiro man-
damento, e os versículos de 4 a 6, o segundo. Dessa forma o versículo 17 é considerado
como o décimo mandamento. Todavia, como já enfatizamos, o versículo 2 deve ser incluí-
do ao versículo 3 como parte do primeiro mandamento. Isto é necessário para ter o título
sagrado, Jeová, incluso em cada um dos cinco primeiros mandamentos. De acordo com a
maneira bíblica, o primeiro mandamento inclui os versículos 2 e 3; o segundo, os
versículos de 4 a 6; o terceiro, o versículo 7; o quarto, os versículos de 8 a 11; o quinto, o
versículo 12; e do sexto mandamento até o décimo, respectivamente, os versículos de 13
até 17.
A Bíblia nos fala claramente que os Dez Mandamentos foram escritos em duas tábuas
de pedra pelo próprio Deus. Os primeiros quatro mandamentos são relacionados a Deus,
ao passo que os últimos seis são relacionados ao homem. Alguns leitores de Êxodo podem
pensar que os primeiros quatro mandamentos, os concernentes a Deus, deveriam ser ins-
critos numa tábua de pedra, ao passo que os seis últimos, os mandamentos acerca do
homem, na segunda tábua. Entretanto, os Dez Mandamentos tiveram que ser divididos
em dois grupos de cinco. Isto indica que o quinto mandamento, acerca de honrar os pais, é
classificado entre os primeiros quatro mandamentos, relacionados ao próprio Deus.
Por muitos anos não fui bem sucedido em meus esforços por encontrar uma razão para
isso. Finalmente vi que a razão está ligada à nossa origem como seres humanos. Em Lucas
3 as gerações humanas são delineadas de volta até sua origem em Adão, e depois Deus.
Isto indica que ao honrarmos nossos pais, honramos a nossa própria origem, que no fim
é o próprio Deus.
A prova de que Deus queria classificar o quinto mandamento junto com os quatro
primeiros, reside no fato de que o título sagrado "Jeová teu Deus" é usado neste manda-
mento, mas não o é em nenhum dos últimos cinco mandamentos. Deve haver uma razão
para o nome divino ser mencionado em cada um dos quatro mandamentos concernentes a
Deus e no primeiro mandamento concernente ao homem, mas em nenhum dos outros
cinco mandamentos concernentes ao homem. A razão é que ao honrar os nossos pais, nós
nos lembramos da nossa origem. Muitas vezes tenho perguntado a incrédulos quem é o
pai deles.
Depois, peço-lhes que delineiem a sua ascendência o mais distante possível, até que
tenham que chegar à sua origem, ao próprio Deus. Os nossos antepassados humanos
fazem-nos lembrar de Deus, remetem-nos a Deus e nos trazem de volta a Deus como nossa
origem. Por isso, é uma coisa muito séria uma pessoa desprezar seus pais. Desprezar os
nossos pais, é desprezar a nossa fonte; a nossa origem; principalmente quando perce-
bemos que a nossa origem não é, na verdade, o nosso pai humano, mas o próprio Deus.
A nossa fonte, como seres humanos, é Deus. Aqueles que não crêem em Deus deveriam
perguntar, a si mesmos de onde eles vieram. Deveriam delinear a sua origem até descobrir
a sua fonte. Aqueles que fizerem isto, honestamente, perceberão, por fim, que a sua
origem é Deus. Honrar os nossos país é lembrarmos-nos da nossa origem. Creio que esta é
a razão porque o quinto mandamento foi inscrito na mesma tábua que os primeiros quatro
mandamentos concernentes ao próprio Deus. Creio também que esta é a razão porque o
137 | P á g i n a
quinto mandamento inclui o nome: "Jeová teu Deus".
Posso testificar da bênção que recebemos por honrar nossos pais. Em Efésios 6:2 e 3
Paulo apontou o fato do mandamento sobre honrar o nosso pai e nossa mãe ser o primeiro
com uma promessa. De acordo com Êxodo 20:12, se honrarmos os nossos país, os nossos
dias sobre a terra prolongar-se-ão. Isto se refere à bênção de uma vida longa. A bênção da
longevidade está relacionada a Deus como nossa fonte, porque somente Ele, a origem da
vida, pode proporcionar-nos uma vida longa. Esta é outra razão para o quinto manda-
mento estar relacionado nos primeiros quatro concernentes a Deus. Este mandamento
encaminha-nos a Deus e indica que Ele é a fonte de vida. Se guardarmos este manda-
mento, Deus certamente, nos dará uma vida longa. Se quisermos que a nossa família e o
nosso país sejam abençoados por Deus, precisamos, honrar os nossos pais e, assim nos
lembrar do próprio Deus como nossa fonte.
Espero que os jovens na restauração do Senhor honrem seus pais e não os ofendam.
Mas isto não quer dizer que eles devem seguir seus pais se estes exigirem que neguem ao
Senhor ou adorem ídolos. A palavra de Deus deve ser o nosso padrão. Contanto que seus
pais não exijam nada do que é contrário ao padrão da Bíblia, os jovens devem obedecer-
lhes. De acordo com a palavra de Paulo em Efésios 6, este é o caminho para desfrutar a
bênção de uma vida longa.

II. UMA REVELAÇÃO DO QUE DEUS É

Vimos que em 34:20, os Dez Mandamentos são chamados "as dez palavras de Deus". De
acordo com a Bíblia, palavras denotam expressão. As palavras ditas por uma certa pessoa,
são a expressão daquela pessoa. Se uma pessoa ficar silenciosa ela será um mistério. Não
há maneira de saber o que está dentro dela. Quanto mais falamos, mais somos expressos, e
aquilo que está em nosso interior é exposto. Isto se aplica aos Dez Mandamentos como as
dez palavras de Deus. Os mandamentos não são meramente leis, mas também a expressão
de Deus. Através destas palavras, Deus revelou a Si mesmo a nós.

A. Ciumento

Quando era bem jovem, pensava que Deus era tolerante. Quando li na Bíblia que Ele é
um Deus ciumento, fiquei perturbado. Para mim, ciúme não era uma coisa positiva. Certa-
mente não desejaria ser considerado uma pessoa ciumenta. Preferiria muito mais ser visto
como uma pessoa bondosa, tolerante e receptiva. Muitos dos que têm tal conceito de Deus
pensam que todas as religiões são iguais. Não gostam de ouvir, em nossa pregação do
evangelho, que o hinduísmo, o budismo e o islamismo estão errados. Tais pessoas pre-
ferem pensar que Deus é tolerante e nem um pouco ciumento. Mas, como os Dez Manda-
mentos revelam, Deus é ciumento e Ele não tolera ídolos. Fora dos Dez Mandamentos, não
haveria maneira de percebermos desta forma que Deus é estrito ou ciumento, Deus quer
que O amemos e tão somente a Ele. Se amarmos a alguém ou alguma coisa em Seu lugar,
Ele ficará com ciúmes. Assim, os dez Mandamentos primeiro revelam o ciúme de Deus,
até mesmo Seu ódio (Rm 9:13). O ciúme resulta em ódio. A Bíblia não só diz que Deus é
amor, mas também que Ele é ciumento. Em 2 Coríntios 11:2 Paulo se refere ao ciúme de
Deus (grego). As dez palavras, a expressão de Deus, revelam que Deus é único. Ele é um
Deus ciumento, Ele não dará lugar a nenhum outro deus. Não permita que nada mais seja
o seu deus. Não tome a educação ou a riqueza como o seu deus, somente Deus deve ser o
seu Deus.

138 | P á g i n a
B. Santo

Os Dez Mandamentos também revelam que Deus é santo. O quarto mandamento, que
diz respeito ao guardar o sábado está relacionado à santidade de Deus, ao fato Dele ser
separado de todas as coisas. De acordo com Gênesis 2, Deus santificou o sétimo dia, ou fê-
lo santo. Assim, o sábado como o sétimo dia é um sinal da santidade de Deus, da Sua
separação. Embora muitos judeus e adventistas de sétimo dia guardem o sábado, poucos
conhecem o verdadeiro significado de guardar um dia ao Senhor. Poucos percebem que o
sábado é um sinal da santidade de Deus. Embora os gentios sejam comuns, o povo de
Deus foi separado para Ele. Como um marco de separação, um dia é separado para Ele.
Guardar este dia os identifica como o povo de Deus, santo e separado. Além disso, isto
revela que o próprio Deus a quem adoramos é santo, separado. Como Seu povo, preci-
samos ter um sinal, uma marca da nossa separação de tudo o que não é o próprio Deus,
Isto revela que o nosso Deus é santo.

C. Amoroso

Os versículos 12 até 14 revelam que Deus é um Deus de amor. Se não honrarmos os


nossos país, isto significa que não os amamos. De semelhante modo, se amarmos aos
outros não roubaremos deles. Em Mateus 22:37-40, o Senhor Jesus respondeu aos Seus
opositores deixando claro que toda a lei é cumprida no amar a Deus e ao homem. Deve-
mos amar não só o Senhor com todo nosso ser, mas devemos também amar os outros
assim como amamos a nós mesmos. Em Gálatas 5:14, Paulo diz: "Pois toda a lei é cum-
prida em uma palavra, nisto: amarás ao teu próximo como a ti mesmo". Se considerarmos
os Dez Mandamentos em profundidade, veremos que neles o amor de Deus é revelado.
Êxodo 20:5 e 6 dizem que Deus visita a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e
quarta gerações daqueles que O odeiam, mas que Ele mostra misericórdia até milhares de
gerações dos que O amam e guardam seus mandamentos. O amor de Deus também é
revelado nestes versículos. Deus cobrará a iniquidade até a terceira e quarta gerações, mas
àqueles que O amam, Ele mostrará misericórdia por mil gerações. Nisto vemos a bondade
amorosa de Deus. Se você odiar a Deus, Ele visitará a sua família por três ou quatro
gerações. Isto quer dizer que Ele imputará sobre você este ódio a Ele durante esse número
de gerações. Mas se amarmos a Deus, a Sua misericórdia será sobre nós por mil gerações.
Na Bíblia mil denota plenitude. Por exemplo, o salmista disse que um dia nos átrios do
Senhor é melhor que mil (Sl 84:10). Desfrutar a misericórdia de Deus plenamente é
desfrutá-Lo por toda eternidade. A Sua misericórdia é sem fim. Embora a ira de Deus
possa ser contada, a Sua misericórdia é incontável.

D. Justo

Os Dez Mandamentos também revelam que o nosso Deus é justo. Porque Ele é justo, Ele
visitará aqueles que O odeiam por três ou quatro gerações. Se Ele falhasse em fazer isto,
Ele não seria um Deus justo. Ele precisa agir assim para indicar que Ele é justo. Se você o
odiar Ele tratará com você de acordo com a Sua justiça. Ao mesmo tempo, entretanto, Ele é
misericordioso e amoroso.
E. Verdadeiro

139 | P á g i n a
Êxodo 20:16 diz: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo". Este mandamento
revela que Deus é verdadeiro. Evitar dizer falso testemunho significa que devemos falar a
verdade e não mentir. Este mandamento diz respeito a mentiras que prejudicam os outros.
Isto indica que precisamos ser honestos e verdadeiros.
Aqueles que dizem mentiras estão em trevas, mas aqueles que falam a verdade estão na
luz. Como o Deus verdadeiro, Deus é o Deus de luz. Também já lemos que Ele próprio é
luz e que Nele não há, absolutamente trevas (1Jo 1:5). Isto quer dizer que com Deus não há
falsidade. Satanás, pelo contrário, é o pai das mentiras (Jo 8:44). Como tal, ele é o deus das
trevas e o poder das trevas. Com Satanás não há veracidade. Por isso, Satanás é das trevas.
Mas com o nosso Deus há tanta fidelidade quanto veracidade. Porque Ele é luz, Ele não
pode mentir. A luz é a fonte da verdade.
Se penetrarmos nas profundezas destes versículos, veremos que a luz está implícita nos
Dez Mandamentos. Na verdade estas dez palavras são palavras de luz. O mesmo é
verdade até mesmo quanto às leis feitas pelo homem. Se numa cidade ou pais não
houvesse leis, aquela cidade ou pais estaria em trevas. Mas onde há lei, há luz. A lei
sempre ilumina. Ela torna clara a situação de uma pessoa. As dez palavras de Deus, os
Dez Mandamentos, são palavras de luz, e elas mostram que o nosso Deus é um Deus de
luz. Nele não há falsidade nem há sombras. Em todos os aspectos Ele é verdadeiro, porque
Ele é luz. Se os pecadores viessem às dez palavras de Deus registradas em Êxodo 20, eles
veriam a luz e seriam iluminados. Suponha que uma certa pessoa tenha roubado algumas
coisas. Quando tal pessoa ler o mandamento acerca de roubar, ela será iluminada. A lei
divina brilhará sobre ela. As dez palavras nos iluminam com a luz que vem de Deus. Oh,
os Dez Mandamentos certamente são uma revelação do nosso Deus! Quando penetramos
nas profundezas destas dez palavras, vemos que Deus é ciumento, santo, amável, justo e
verdadeiro.

F. Puro

Estas palavras revelam também que Deus é puro. A Sua pureza toca o nosso ser inte-
rior. Enquanto os primeiros nove mandamentos estão relacionados à conduta, externa, o
décimo está relacionado ao pecado oculto dentro de nós, principalmente em nossos pensa-
mentos. Na verdade o primeiro mandamento também está relacionado à nossa condição
interior. Ter um outro deus além do Deus verdadeiro é principalmente uma questão inte-
rior. Entretanto, fazer uma imagem ou semelhança de algo é um ato exterior. Assim, o
primeiro mandamento toca a nossa condição interior e o mandamento sobre cobiça, da
mesma forma, toca a nossa condição interior. O primeiro e o último mandamentos juntos
expõem a idolatria e a cobiça em nosso interior. Interiormente estamos cheios de ídolos e
cobiça. Colossenses 3:5 diz que a cobiça é idolatria. Paulo refere-se à cobiça em Romanos 7.
Quanto mais tentamos deter a cobiça, mais cobiça levanta-se em nós. Assim, em Romanos
7, Paulo não estava preocupado com os nossos atos exteriores, mas com o problema
interior da cobiça.
O fato do sermos cobiçosos indica que não somos puros. Só Deus é puro, pois aqueles
que são puros não cobiçam. Cobiçamos porque somos impuros e sujos. Se o nosso coração,
desejo e intenção fossem puros em tudo, não seríamos cobiçosos.
O mandamento acerca da cobiça revela a pureza de Deus. Sob a luz deste mandamento,
todos precisamos ver que interiormente não somos puros. Todos nós temos uma certa
quantidade de cobiça. Mas porque Deus é puro, Nele não há cobiça.

140 | P á g i n a
Porque a lei é uma revelação de Deus, ela é o testemunho de Deus. De acordo com
31:18, as duas tábuas de pedra, nas quais os Dez Mandamentos foram escritos, são
chamadas de "as duas tábuas do testemunho". Isto indica que a lei era o testemunho de
Deus. Quando as tábuas da lei foram colocadas dentro da arca, o testemunho foi colocado
nela. Além disso, o maná no pote de ouro foi colocado diante das tábuas da lei. Todavia,
lemos em 16:34 que fora "colocado diante do Testemunho para ser guardado". Isto prova
que a lei era o testemunho. O Salmo 19:7 é mais uma indicação disto. Aqui, no paralelismo
frequentemente encontrado na poesia hebraica, lemos: "A lei do Senhor é perfeita e resta-
ura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices‖. A lei do Senhor é,
portanto, o testemunho do Senhor. Como o testemunho do Senhor, a lei testifica do tipo de
Deus que o nosso Senhor é. Porque a lei, o testemunho de Deus, foi colocada na arca, esta
também era chamada de arca do testemunho (25:21-22; 26:33-34), e porque a arca estava no
tabernáculo, o tabernáculo era chamado de tabernáculo do testemunho (38:21; Nm
1:50, 53) A lei era o testemunho, a arca era a arca do testemunho, e o tabernáculo era o
tabernáculo do testemunho.
A lei é um tipo, uma figura do Cristo que exprime Deus, descreve Deus e expressa
Deus. A lei é, portanto, um tipo de Cristo como testemunho de Deus. É-nos crucial ver que
a lei é um testemunho que revela Deus a nós. Como um tipo de Cristo, ela tipifica Cristo
como o testemunho de Deus. Aquele que descreve Deus, e O expressa de uma maneira
plena e adequada. Assim como a lei, que são as dez palavras de Deus que O revelam ao
Seu povo, também Cristo é a Palavra de Deus revelando Deus a nós.

141 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA E DOIS
A LEI SENDO A PALAVRA VIVA DE DEUS, INFUNDINDO SUA
SUBSTÂNCIA NAQUELES QUE O BUSCAM COM AMOR

Leitura da Bíblia: Êx 20:1-17; 34:28; 31:18; Dt 4:13; Sl 19:7-8

Ao considerarmos a apresentação da lei relatada em 20:1-17, precisamos perceber que


este evento ocorreu no monte de Deus, aonde o povo de Deus havia sido levado para ter
comunhão com Ele.

I. A LEI

Quando era jovem, fui influenciado por certos livros de teologia sistemática a consi-
derar a lei como alguma coisa negativa. Acerca da lei, a impressão negativa foi feita não
somente em minha mente, mas em todo o meu ser. Por muitos anos daí por diante, pensei
de forma negativa acerca da lei. Como pessoa sob a graça de Deus, eu não estava sob a lei,
não me importava com ela. No que me dizia respeito, a lei na Bíblia não era positiva,
Entretanto, gradualmente vim a compreender, principalmente lendo o livro de Êxodo que
nada que é de Deus ou que vem de Deus jamais pode ser negativo. Pelo contrário, tudo o
que vem de Deus tem de ser positivo. Isto é verdade, portanto, sobre os Dez Manda-
mentos relatados em 20:1-17.
Se considerarmos a lei somente de acordo com o nosso conhecimento mental, vê-la-
emos de uma forma negativa. Mas se percebermos que a lei foi dada numa situação
positiva, veremos que a lei é a palavra viva de Deus, a qual infunde a Sua substância
naqueles que O buscam com amor. Paulo diz que a lei foi decretada através de anjos (Gl
3:19). Entretanto, não há nenhuma menção de anjos em Êxodo 20. De acordo com este
capítulo, a lei foi dada diretamente pelo próprio Deus.
Concernente a apresentação da lei, o versículo 1 de Êxodo 20 tem grande significado:
"Então falou Deus todas estas palavras". A conjunção "então" une o capítulo vinte com o
capítulo dezenove. Vimos que em Êxodo 19 Deus levou Seu povo ao Seu monte para ter
comunhão com Ele. Deus tirou o povo do Egito e reuniu-o junto de Si no Seu monte. Isto
significa que Deus desceu do céu até a terra para ter comunhão com Seu povo. É claro que
era impossível para o homem subir ao céu, aonde Deus estava. Mas em Êxodo 19, Deus
desceu a um monte particular, onde pôde encontrar-se com Seu povo. Neste mesmo lugar
onde Deus estava Se encontrando com Seu povo e onde eles estavam contatando-O em
comunhão, a lei foi dada. Alguns teólogos podem negligenciar tal ilustração da apresen-
tação da lei. Podem ter a tendência de excluir Deus e se concentrarem na lei de uma forma
negativa. Esta foi a razão porque, quando jovem, tive a impressão de que Deus nos céus
deu a lei ao Seu povo na terra através de anjos. De acordo com este conceito, Deus estava
bem longe do Seu povo quando a lei foi dada, e eles não tinham meios de entrarem em
contato com Ele. Segundo esta maneira de ver, o Deus que deu a lei não contatou o povo, e
o povo que recebeu a lei não se encontrou com Deus.
Quando era jovem, também fui ensinado que, de acordo com João 1, que a lei foi dada
através de Moisés, mas que Deus não veio ao homem até o tempo da encarnação de Cristo.
142 | P á g i n a
Entretanto, em Êxodo 19 e 20, vemos que Deus desceu para encontrar-Se com Seu povo
antes da encarnação de Cristo. Mesmo antes da época de Êxodo 20, Deus apareceu a
Abraão. Mas aquela foi uma aparição em pequena escala. Em Êxodo 19 e 20, mais de dois
milhões de pessoas estavam reunidas no monte de Deus quando Deus desceu para visitá-
los e dar-lhes Sua lei.
Após Deus ter trazido o povo do Egito ao monte de Deus, Ele começou a ter comunhão
com eles e a falar com eles. Êxodo 31:18 indica que Ele comungou com eles. Lá no Seu
monte, Deus estava conversando, falando, tendo comunhão com o homem. De acordo com
19:4-6, Deus disse que Ele os tinha carregado em asas de águia e os trouxera para Ele
mesmo. Também disse que eles seriam Sua possessão particular, Seu tesouro peculiar, e
seriam para Ele um reino de sacerdotes e uma nação santa. Estas palavras foram parte da
própria conversação positiva entre Deus e Seu povo. Tal conversação não foi o decreto de
certas leis; foi um período de comunhão no qual Deus falou com o Seu povo.
Como 20:1 indica, a apresentação dos Dez Mandamentos foi a continuação desta
conversa em comunhão. O versículo não diz: "Então Deus deu mandamentos ao povo".
Diz: "Então falou Deus todas estas palavras". O que temos no capítulo vinte não é uma
mera lista de mandamentos. O fato de 20:1 dizer que "Deus falou todas estas palavras"
mostra que os Dez Mandamentos são as palavras de Deus. Em 34:28 os mandamentos são
mesmo chamados "as dez palavras" (heb.). De acordo com 2 Timóteo 3:16, toda Escritura é
soprada por Deus (gr.). Isto indica que a Escritura é o sopro de Deus. O falar de Deus é o
Seu sopro. Sempre que Deus fala, o Seu sopro transmite o Seu elemento para aqueles que
recebem a Sua palavra.
A conjunção "então" no início de 20:1 é muito importante, pois conecta o capítulo vinte
ao dezenove. O capítulo vinte é assim a continuação do falar de Deus no capitulo deze-
nove. Como vimos, os Dez Mandamentos são palavras de Deus e são mesmo chamados de
as palavras de Deus. Você já ouviu falar que os Dez Mandamentos são as dez palavras?
Há uma grande diferença entre palavras e mandamentos. Mandamentos são exigências
que devemos guardar e cumprir. As palavras de Deus, entretanto, são o Seu sopro, pois o
falar de Deus é o Seu sopro. Falando, Ele sopra algo para fora Dele mesmo e para dentro
daquele que ouve a Sua palavra. O fato dos Dez Mandamentos serem chamados de as dez
palavras significa que não são simplesmente leis para nós obedecermos. Estes manda-
mentos não são simplesmente diversos decretos de legislação divina. Deus não deu sim-
plesmente ao Seu povo dez leis, dez mandamentos; em comunhão com eles Ele proferiu as
dez palavras. Se os mandamentos fossem nada mais do que leis, o povo de Deus não
poderia senão se esforçar ao máximo para guardá-los. Mas, desde que os Dez Manda-
mentos são também palavras de Deus, o próprio sopro de Deus, é possível para aqueles
que buscam a Deus em amor receber estas palavras para dentro deles como o próprio
sopro de Deus.
À luz disto, peço-lhes que considerem a experiência de Moisés em passar quarenta dias
em comunhão com Deus no monte. Quando desceu do monte, ele tinha algo mais do que
os Dez Mandamentos inscritos em duas tábuas de pedras, ele era um homem que tinha
sido totalmente infundido com o elemento de Deus. Durante aqueles dias de comunhão no
monte, Moisés experimentou uma infusão divina, a infusão da substância de Deus para
dentro do seu próprio ser. Entretanto, esta questão não tem tido seu devido lugar entre os
cristãos, os quais, na maioria, dizem que Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos e que
quando Moisés viu os filhos de Israel adorando ídolos, atirou as tábuas de pedra com
raiva, quebrando-as. A Bíblia indica que Moisés recebeu não somente duas tábuas de
pedra, mas que o próprio elemento de Deus havia sido infundido Nele e feito sua face
143 | P á g i n a
brilhar. Embora Moisés pudesse atirar as duas tábuas e quebrá-las, ele não poderia livrar-
se da transfusão que recebera durante o seu tempo de comunhão com Deus no monte.
Em princípio, isto também é verdade em nossa experiência com, o Senhor, embora pos-
samos não ser capazes de guardar os mandamentos, não podemos nos livrar do que é
infundido em nós quando ouvimos as palavras de Deus nas horas de comunhão com Ele.
Em meu ministério frequentemente tenho dito às pessoas que se permanecermos no
Senhor de acordo com João 15, espontaneamente viveremos a vida da videira. É claro que
não há necessidade de os ramos de uma videira se esforçarem para guardar qualquer
mandamento. Eles simplesmente permanecem na videira e vivem a vida dela. Embora
tenha ministrado há muito tempo nesta linha, tenho desejado saber sobre João 14:21 e 23,
dois versículos que parecem muito semelhantes aos mandamentos em Êxodo 20. João
14:21 diz: "Aqueles que têm os Meus mandamentos e os guarda, esse é o que Me ama", e o
versículo 23 diz: "Se alguém Me ama guardará a Minha palavra". Pelo menos até certo
ponto, estas palavras do Senhor Jesus parecem ser uma repetição da palavra em Êxodo 20.
A razão disto é que, no que diz respeito aos princípios básicos de vida, o Antigo e o Novo
Testamento são os mesmos. Em nós mesmos não somos capazes de guardar os manda-
mentos de Deus no Antigo Testamento ou o do Senhor no Novo. A respeito deste assunto,
Paulo disse em Romanos 7 que não nos é possível guardar a lei. Em particular, Paulo trata
do mandamento concernente à cobiça, um mandamento que diz respeito não somente ao
nosso comportamento exterior, mas também à nossa condição interior. Embora em nós
mesmos não sejamos capazes de cumprir todos os mandamentos, podemos permanecer no
Senhor e experimentá-Lo permanecendo em nós para podermos ser infundidos com Ele.
Considere novamente a experiência de Moisés no monte. Porque, tinha recebido uma
transfusão maravilhosa de Deus, pôde permanecer em Deus, e Deus pôde permanecer
Nele. Como resultado de tal infusão e permanecer mútuo, Moisés pôde guardar os manda-
mentos de Deus, não pelos seus próprios esforços, mas pela substância de Deus que havia
sido infundida Nele.
Neste ponto, gostaria de chamar sua atenção para o titulo desta mensagem: "A Lei
Sendo a Palavra Viva de Deus Infundindo a Sua Substância Naqueles Que O Buscam Com
Amor". A lei não é somente uma lista de mandamentos divinos; é a palavra viva de Deus
que infunde a substância de Deus naqueles que O buscam com amor. Se considerarmos os
Dez Mandamentos unicamente como leis e então tentarmos guardá-los, não abordamos a
lei de modo adequado. Não devemos aplicar os Dez Mandamentos desta forma. Pelo
contrário, deveríamos ser aqueles que amam a Deus e O buscam. Neste ponto deveríamos
ser como Paulo em Filipenses 3, alguém que por amor perseguia a Cristo, até mesmo
corria atrás Dele. Por amor ao Senhor devemos persegui-Lo, contatá-Lo e permanecer na
Sua presença, habitando junto com Ele. Se fizermos isto, dia após dia, seremos infundidos
com Deus. Então, automaticamente andaremos de acordo com a lei de Deus, guardaremos
as exigências da lei, não pelos nossos próprios esforços, mas com o que tem sido infundido
em nós do Senhor através do nosso contato com Ele. Uma vez que fomos completamente
infundidos com a substância de Deus, Ele mesmo, do nosso interior, guardará a Sua
própria lei. Devemos lembrar que a lei foi dada no monte de Deus, no lugar onde o povo
de Deus pôde ser infundido com a Sua substância. Assim, não deveríamos considerar a lei
simplesmente como Seus mandamentos, mas como a palavra e o testemunho de Deus, o
qual não somente O expressa, mas também infunde a Sua substância naqueles que O
buscam com amor.
II. DUAS ESPÉCIES DE PESSOAS QUE TRATAM COM A LEI

144 | P á g i n a
A. OS QUE BUSCAM A DEUS COM AMOR

Agora vamos ver como dois diferentes tipos de pessoas tratam com a lei. Estes dois
tipos de pessoas são os que buscam a Deus com amor (Mt 22:36-38) e os que guardam a
letra da lei, os judaizantes. Entre aqueles que buscaram a Deus com amor, vamos consi-
derar a experiência dos salmistas no Antigo Testamento e Simeão e Ana no Novo Testa-
mento.
1. Os salmistas

De acordo com o livro de salmos, os salmistas amavam a lei ao máximo. Alguns podem
ensinar que a lei é algo negativo, mas os salmistas valorizavam a lei. Por muitos anos
fiquei inquieto com isto. Eu até diminui um pouco a importância da lei no livro "Cristo e a
Igreja Revelados e Tipificados nos Salmos", onde ressaltei o contraste entre a lei no Salmo
1 e Cristo no Salmo 2. Ainda creio ser correto fazer um contraste entre a lei em letras e
Cristo. Amaram-se a lei fora de Cristo perdemos o alvo. Entretanto, é correto amar a lei
como um testemunho de Deus e como um tipo de Cristo. Vamos agora considerar
algumas passagens dos Salmos que indicam como os salmistas trataram com a lei de Deus.

a. Amando a Deus

Os salmistas amavam a Deus. O salmo 18:1 diz: "Eu te amo, Senhor, força minha". No
73:25 temos o testemunho de alguém que amou a Deus de modo absoluto: ―Quem mais
tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra‖. O escritor deste salmo
amou a Deus de tal maneira que nem no céu, nem na terra ele tinha outro alguém além do
próprio Deus.
b. Buscando a Deus

Os salmistas eram também aqueles que buscavam a Deus. O Salmo 42:1 e 2 diz: "Como
suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti ó Deus, suspira a minha alma. A
minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei e me verei perante a face de
Deus?" O escritor deste salmo tinha sede de Deus, buscando-O como uma corça suspira
pela água. O Salmo 43:4 mostra como o salmista buscava a Deus como a sua maior alegria,
e o 119:2 e 10, como ele buscou a Deus de todo o seu coração.

c. Habitando com Deus

No Salmo 27:4 vemos o desejo do salmista de habitar com Deus: "Uma coisa peço ao
Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor, todos os dias da minha vida,
para contemplar a beleza do Senhor, e meditar no Seu templo". O salmista aspirava morar
na casa de Deus toda a sua vida. Um desejo semelhante é expresso em 84:1-7. Aqueles que
lêem estes versículos seguramente ficam impressionados com a doçura do morar com
Deus. O Salmo 90:1 declara: "Senhor, Tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração".
Uma vez mais vemos o desejo do salmista de morar com Deus e até mesmo em Deus. O
mesmo desejo é expresso em 91:1, onde o salmista declara: "O que habita no esconderijo
do Altíssimo, e descansa à sombra do Onipotente". Vemos nestes versículos alguma coisa
além do cuidado com a letra da lei. O salmista aspirava habitar no lugar secreto da
presença de Deus. Aqueles que têm tal aspiração certamente serão infundidos com o
elemento de Deus.
145 | P á g i n a
d. Contemplando a Sua Formosura

O Salmo 27:4 também expressa a aspiração dos salmistas de contemplarem a formosura


do Senhor. Contemplar a formosura do Senhor é vê-Lo face a face. A mesma aspiração é
encontrada em 105:4: "Buscai o Senhor e o Seu poder, buscai perpetuamente a Sua face".

e. Infundido com as Riquezas de Deus

Em suas experiências, os salmistas também foram infundidos com as riquezas de Deus.


O Salmo 52:8 diz: "Quanto a mim, porém, sou como a oliveira verdejante, na casa de Deus,
confio na misericórdia de Deus para todo sempre". Como a árvore absorve as riquezas do
solo, os salmistas absorviam as riquezas de Deus. Eles eram como oliveiras plantadas na
casa de Deus, e estavam sendo infundidos com as riquezas de Deus de tal forma que
podem crescer espiritualmente. Como oliveiras, cresceram com as riquezas infundidas
Neles.
Os Salmos 92:13 e 14 também revelam que os salmistas foram infundidos com as
riquezas de Deus: "Aqueles que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios
do nosso Deus. Eles ainda na velhice produzirão frutos e serão cheios de seiva e verdor"
(heb.). Vemos aqui quatro aspectos do ser infundidos com as riquezas de Deus: plantados
na casa, florescer, dar fruto, e estar cheio de seiva e verdor. O que temos aqui não é
ensinamento ou teologia, mas a experiência do Deus vivo como o suprimento de vida. Os
salmistas não eram meramente pessoas que guardavam a lei, eram aqueles que buscavam
a Deus e foram infundidos com as Suas riquezas. Portanto, foram plantados, floresceram,
deram frutos, e estavam cheios de seiva e verdor. Através de tal infusão de Deus, esponta-
neamente foram fortalecidos para guardar a lei e viver expressando a lei.
A experiência dos salmistas era a mesma em princípio daquela revelada no Novo Testa-
mento. De acordo com o Evangelho de João, quando permanecemos no Senhor, Ele nos
infunde com o Seu elemento, e absorvemos a seiva viva da videira. Aí então produziremos
fruto. Esta não é uma questão de guardar a lei, é uma questão de viver expressando a lei.
O Salmo 92:10 diz: "Porém meu chifre te exaltará como o chifre do boi selvagem: serei
misturado com óleo novo" (heb.). No Antigo Testamento o óleo é uma tipificação do Deus
Triúno como o Espírito. Ser misturado com óleo novo é, pois, ser misturado com a
novidade do Espírito. Isto não é simplesmente aprender ou se esforçar para guardá-la. É
buscar a Deus de forma a ser totalmente misturado com a novidade do Espírito, para que
espontaneamente possamos vivê-Lo e ter um andar cotidiano que corresponda ao que Ele
é. Repetindo, isto não é guardar a lei, mas é viver Deus, e ter assim um viver cotidiano que
corresponde à lei de Deus. Em vez de tentar guardar a lei, devemos viver a lei sendo
infundidos com as riquezas de Deus.

f. Desfrutando das Riquezas da Vida

Os salmistas também desfrutaram das riquezas da vida. O salmo 36:8 e 9 diz: "Fartam-
se da abundância da Tua casa, e na torrente das Tuas delícias lhes dás de beber. Pois em Ti
está o manancial da vida; na Tua luz vemos a luz". Estes versículos se parecem muito com
um trecho do Novo Testamento. Em princípio, os salmistas desfrutaram do Deus Triúno
da mesma forma que fazemos hoje. Estar satisfeito com a gordura da casa de Deus e beber
dos rios dos Seus prazeres são desfrutar do Deus Triúno. Dizer que com Ele está a fonte da
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vida, significa que com Ele está a origem de suprimento de vida. Outra vez vemos que os
salmistas não estavam tentando guardar as exigências da lei, mas estavam buscando a
Deus. Ao perseguirem a Deus, foram infundidos com Ele. Espontaneamente viveram não
somente de acordo com a lei dada por Deus, mas também de acordo natureza de Deus. O
viver deles automaticamente correspondeu à lei de Deus, que era uma expressão da Sua
natureza. Portanto, viveram a natureza de Deus. O viver deles era uma expressão da Sua
natureza. Em vez de serem aqueles que se empenhavam para guardar a lei eram aqueles
que a viviam. Agradecemos ao Senhor por nos mostrar esta importante questão.

g. Supridos por Deus para Guardarem a Sua Palavra

Além disso, os salmistas foram supridos por Deus para guardarem a Sua Palavra, a lei.
O Salmo 119:57 diz: "O Senhor é minha porção: eu disse que guardaria as Tuas palavras".
Quando os dois pontos neste versículo são colocados juntos, vemos que os salmistas foram
supridos por Deus como Sua porção e foram, assim, capacitados para guardarem as Suas
palavras. O uso da palavra "porção" lembra-nos Colossenses 1:12, onde Paulo nos diz que
Cristo é a porção dos santos. Porque Deus era a porção dos salmistas, estes podiam
guardar a palavra de Deus, a qual se referiam como a lei.
Para guardar a palavra de Deus, a palavra da lei, os salmistas tomaram Deus como a
sua porção. Não deveríamos pensar que em nós mesmos somos capazes de guardar a lei
de Deus. Guardar os mandamentos da lei é algo grande e não somos suficientes para
tanto. Se quisermos guardar a lei, precisamos que Deus seja nossa porção. Somente
quando desfrutamos Dele e somos supridos com Ele é que somos capacitados para
guardar a lei. Novamente vemos que, em princípio, a experiência dos salmistas no Antigo
Testamento era a mesma que a nossa hoje em dia.

h. Valorizando a Lei de Deus

Como aqueles que buscavam a Deus com amor, os salmistas valorizavam a lei de Deus.
O Salmo 119:14 diz: ―Mais me regozijo com o caminho dos Teus Testemunhos do que com
todas as riquezas‖. O Salmo 119:72 continua "Para mim vale mais a lei que procede da Tua
boca, do que milhares de ouro ou de prata". Então em 119:127 o salmista prossegue
dizendo: "Amo os Teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado".
Estes versículos revelam que os salmistas não somente amavam a Deus, mas também
valorizavam a Sua lei, que para eles era a palavra e o Testemunho de Deus. Eles
valorizavam a lei de Deus mais do que a prata e o ouro. Eles valorizavam a palavra de
Deus.
i. Provando a Doçura da Lei

O Salmo 119:103 diz: "Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! mais que o mel
a minha boca". Este versículo indica que os salmistas provaram a doçura da lei. Quão pre-
cioso era para eles o doce sabor da palavra de Deus!

j. Esperando na Palavra de Deus e Habitando Nela

147 | P á g i n a
Os salmistas também esperavam na palavra de Deus, a lei, e habitavam nela. O Salmo
119:147 o 148 indicam isto: "Antecipo o alvorecer do dia e clamo; na tua palavra espero
confiante. Os meus olhos antecipam as vigílias noturnas para que eu medite nas tuas
palavras‖. Bem cedo de manhã antes do alvorecer, os salmistas esperavam na palavra de
Deus e habitavam nela. Com isto vemos que os salmistas desfrutaram da palavra de Deus
na oração matinal.
Todos estes versículos mostram que os salmistas foram pessoas que buscavam a Deus
com amor. Espontaneamente foram infundidos com Deus e viveram expressando a lei de
Deus. O mesmo deveria ocorrer conosco hoje. Se formos infundidos com Cristo, viveremos
Cristo. Como a lei era a palavra de Deus, assim também Cristo, tipificado pela lei, é a
palavra de Deus. Como os salmistas amavam a lei de Deus, valorizavam-na, provavam-na,
esperavam nela, meditavam nela, da mesma forma deveríamos amar a Cristo hoje, valo-
rizá-Lo, prová-Lo, esperar Nele e permanecer Nele e até mesmo habitar Nele. Longe de ser
negativa, a lei como a palavras viva de Deus é muito positiva.

2. Simeão e Ana

Simeão e Ana estavam também entre os que buscavam a Deus com amor. Enquanto
esperavam Cristo, o Espírito Santo estava sobre eles (Lc 2:25). Eles também tiveram a
revelação do Espírito Santo (Lc 2:26) e andaram pelo espírito (Lc 2:27). Permanecendo no
templo, serviram a Deus com jejuns e orações (Lc 2:37). Assim desfrutaram de Deus e
receberam a Sua infusão. Como os salmistas, eles espontaneamente viveram a lei de Deus,
e o viver deles correspondia à expressão de Deus. Porque tinham sido infundidos com a
substância de Deus, puderam viver uma vida que correspondia à lei como a expressão de
Deus.

3. Os que Guardavam a Letra da Lei

1. Os Judaizantes

Chegamos agora a uma categoria totalmente diferente de pessoas que trataram com a
lei de Deus, os judaizantes. Quando a lei estava nas mãos dos salmistas ela era amável.
Mas quando estava nas mãos dos judaizantes, tornou-se algo negativo. De acordo com
Mateus 15:8, os judeus não tinham um coração por Deus. De acordo com Gálatas 6:12-13,
eram legalistas e dogmáticos nas letras da lei. Quão diferentes eles eram dos salmistas, os
quais amavam a Deus e tinham um coração por Ele! Porque os salmistas eram vivos e ricos
na experiência com Deus, não eram legalistas e dogmáticos como os judeus.

2. Saulo de Tarso

Antes de ser salvo, Saulo de Tarso era zeloso pela lei (Fp 3:5-6). Como um judeu, era
mesmo um blasfemador de Deus e perseguidor de homens (1Tm 1: 13). Quando era Saulo,
o judeu, ele não amava verdadeiramente a Deus. Pelo contrário, era zeloso pela lei de
acordo com a tradição religiosa. Por esta razão, quando Saulo se converteu a Cristo, ele
repudiou a lei. Por isso Paulo desdenhou a lei mal-interpretada pelos judeus.

III. OS VERDADEIROS ADORADORES DE DEUS

148 | P á g i n a
Quando contrastamos a situação dos que buscavam a Deus com amor com aqueles que
guardavam a letra da lei, vemos que nesta questão, o princípio é o mesmo tanto no Antigo
quanto no Novo Testamento. Se amarmos o Senhor, buscar-mo-Lo com todo nosso
coração, permanecermos Nele e desfrutarmos das Suas riquezas, a Sua substância será
infundida em nós. Espontaneamente Ele próprio tornar-Se-á nosso viver. Assim, o que é
expresso pelo nosso viver será a expressão de Deus. Este tipo de viver corresponde à lei de
Deus. Como resultado, tornamo-nos verdadeiros adoradores de Deus. Os verdadeiros
adoradores de Deus são aqueles que estão de acordo com o que Deus é, aqueles que
correspondem ao que Deus é, e aqueles que refletem o que Deus é. O guardar a lei não
pode fazer de alguém um verdadeiro adorador; um verdadeiro adorador é alguém que foi
infundido com Deus e vive expressando Deus, alguém que desta forma se torna uma
pessoa de acordo com o que Deus é, e corresponde ao que Ele é. O viver de tal pessoa
corresponde ao viver de Deus, e reflete o que Ele é. Este é o testemunho vivo de Jesus.
Ressaltamos repetidamente que, em princípio, o desfrutar dos santos do Antigo Testa-
mento era o mesmo que o dos santos do Novo Testamento. Vimos que se permanecermos
em Deus e formos infundidos com Ele, automaticamente viveremos expressando-O. O
nosso viver então corresponderá à lei de Deus, porque seremos um com Ele e O vive-
remos. Portanto, em nossa experiência, a lei, Deus e Cristo serão um.
Se lemos Êxodo 20 nesta luz, este capítulo será totalmente novo. Veremos que os Dez
Mandamentos, dados ao povo do Deus no monte enquanto comunicavam-se com Ele,
foram palavras recebidas em comunhão com Deus. Estas palavras trazem a transfusão do
elemento de Deus, o qual capacita o Seu povo a ter um viver que corresponde ao que Ele é.
A diferença crucial entre os salmistas e os judeus era que os salmistas buscaram a lei
com Deus, enquanto os judeus seguiram a lei totalmente à parte de Deus. A situação é a
mesma hoje na maneira em que diferentes cristãos usam e Bíblia. Se formos os salmistas de
hoje, buscaremos a Bíblia, a Palavra de Deus, com amor pelo Senhor e por Sua Palavra.
Entretanto, é possível que estudiosos da Palavra leiam a Bíblia sem terem verdadeira-
mente um coração pelo Senhor. A intenção deles pode ser ganhar conhecimento com o
qual formulem uma teologia sistemática. Por isso, os estudiosos das Escrituras podem se
tornar os judaizantes de hoje.
Quando o Senhor Jesus estava na terra, os judeus não estavam dispostos o contatá-Lo
de uma maneira positiva. Eles queriam conhecer a Bíblia, mas estavam buscando o conhe-
cimento das Escrituras à parte de Cristo. Por esta razão, o Senhor Jesus lhes disse: "Exami-
nais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam
de Mim. Contudo, não quereis vir a Mim para terdes vida" (Jo 5:39-40). Também nós
podemos ser aqueles que buscam o conhecimento da Bíblia à parte do próprio Senhor.
Sem dúvida é possível ler a Bíblia à parte de Cristo. Mas se orarmos-lermos a palavra,
estaremos em contato com o Senhor quando a lermos. Esta é a razão porque valorizamos o
orar-ler.
Se virmos que a lei é a palavra de Deus e se percebermos que a palavra de Deus é o Seu
sopro, então veremos que a lei é a expressão do próprio Deus. A lei tipifica Cristo, pois Ele
é Aquele que verdadeiramente expressa Deus. Alguns estudiosos da palavra não viram
que a lei é a palavra de Deus e que a palavra é o sopro de Deus. Na verdade a lei, a
palavra, o sopro e Deus são todos um. O próprio Cristo é a lei viva de Deus. Para nós,
Cristo é a verdadeira lei, a Sua palavra, a Sua expressão e o Seu sopro. Podemos ser gover-
nados por Ele e viver de acordo com Ele. No coração de Deus, a lei, é de fato o próprio
Cristo. Deus não nos dá uma lei que seja separada de Cristo. A lei que Ele dá é Cristo

149 | P á g i n a
como Sua expressão e Seu próprio sopro. Portanto, Cristo é a nossa lei, o próprio Cristo
que é a palavra de Deus, o seu sopro e a sua expressão.
É um terrível erro seguir o estudo da teologia sistemática de tal forma a separar a Bíblia,
ou a revelação de Deus, do próprio Deus! Hoje devemos dar atenção à advertência de não
separar a palavra de Deus de Cristo. A palavra de Deus é Seu sopro e Sua palavra é algo
que procede Dele, que não somente O expressa, mas também transmite a Si mesmo para
nós, de modo que possamos recebê-Lo. Se tomarmos a palavra de Deus unicamente como
letras mortas, tornamo-nos os judeus de hoje, aqueles que são zelosos pelo conhecimento
da lei, mas que não estão buscando verdadeiramente a Deus com um coração apaixonado.
Mas se tomarmos a palavra como o sopro de Deus e formos através dela infundidos com a
Sua substância, tornar-nos-emos os salmistas de hoje, aqueles que O buscam com amor.
Quando lemos 20:1-17 precisamos prestar atenção ao fato de que os cinco últimos man-
damentos são dados de uma maneira diferente da dos primeiros cinco. No caso dos últi-
mos cinco, simplesmente lemos que não devemos matar, cometer adultério, roubar, jurar
falso ou cobiçar. Os primeiros cinco mandamentos, entretanto são dados numa atmosfera
cheia de amor, até mesmo de intimidade. Os versículos 2 e 3 o Senhor não diz: "O primeiro
mandamento é que não deveis ter nenhum deus além de Mim". Pelo contrário, o Senhor se
apresenta ao Seu povo de um modo bem especial: "Eu sou Jeová teu Deus, que te tirou da
terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim" (Heb.), esta é
uma palavra de amor. Ao lembrar o povo que Ele os salvara e libertara da servidão, Deus
lhes fala como se fosse um rapaz cortejando uma moça. Suas palavras são palavras de
amor.
A palavra de amor no versículo 6 é muito importante. Nos versículos 5 e 6 o Senhor fala
de amor e de ódio. Se odiarmos ao Senhor, Ele visitará nossas iniquidades até terceira e
quarta geração. Mas, se amarmos o Senhor, Ele estenderá misericórdia para milhares de
gerações. Tal palavra foi dita numa atmosfera de amor e intimidade. O Senhor quis saber
se Seu povo O amaria ou O odiaria. Até mesmo os mandamentos a respeito de não tomar
o nome do Senhor em vão e guardar o dia do sábado foram proferidos numa atmosfera de
amor.
Muitos cristãos negligenciam este aspecto da apresentação dos Dez Mandamentos. Eles
não viram o fato de que os primeiros cinco mandamentos, os quais se referem ao próprio
Deus, foram dados numa atmosfera de amor e intimidade. Pelo contrário, ao falar da lei,
muitos estudiosos da Palavra prestam toda a atenção à letra da lei e ignoram por completo
a atmosfera de amor na qual a lei foi decretada. Eles não percebem que a própria lei é a
expressão de Deus.
Vimos que a palavra do Senhor Jesus em João 14:21-23 é semelhante àquela proferida
pelo Senhor em 20:4-6. Em 20:4-6 o Senhor disse que se O amássemos, Ele mostraria mise-
ricórdia a milhares de gerações. Em João 14 o Senhor Jesus disse que se amássemos e
guardássemos a Sua palavra, Ele e o Pai nos amariam e fariam em nós morada. Em ambos
os casos, as palavras proferidas são palavras de amor. Não é muito dizer que toda a Bíblia
foi escrita numa atmosfera de amor e intimidade.
A Bíblia pode mesmo ser considerada como a história da corte de Deus para com o
homem. O Cântico dos Cânticos é uma esplêndida ilustração deste fato. Este livro, escrito
numa atmosfera plena de intimidade, é um livro de amor. Se amarmos o Senhor, certa-
mente valorizaremos a Sua palavra e quereremos guardá-la. O Senhor então mostrará
misericórdia para milhares de gerações.
A lei é a palavra de Deus e a palavra de Deus é o sopro de Deus. Através das Suas
palavras, Deus sopra a Si mesmo para dentro de nós infundindo-nos com a Sua substância
150 | P á g i n a
e fazendo-nos a Sua expressão. Com a substância divina infundida dentro de nós, automa-
ticamente viveremos uma vida que corresponde ao que Deus é. Tanto o Novo quanto o
Antigo Testamento falam sobre isto.
Vimos que o próprio Cristo é a lei, palavra, sopro e expressão verdadeiros de Deus.
Hoje devemos considerar a Bíblia como o sopro de Deus. Orando-lendo a Palavra, inspi-
ramos o elemento de Deus para dentro de nós. Desta forma somos infundidos com o que
Deus é, e espontaneamente começamos a viver Cristo. Nosso viver então corresponderá
com o que Deus é. Desta forma tornar-nos-emos a expressão viva de Deus, a Sua lei viva.
Se orarmos-lermos 20:1-17 adequadamente, estes versículos introduzir-nos-ão em Deus
e a substância de Deus será transfundida para dentro de nós. Quanto mais contatarmos
Deus desta forma, mais seremos saturados com Ele. Como consequência espontaneamente
viveremos de uma maneira que corresponde à lei de Deus. Em vez de tentarmos guardar a
lei, expressaremos a lei. Longe de sermos judeus, tornar-nos-emos os salmistas de hoje,
aqueles que buscam o Senhor com amor. A chave aqui é o nosso amor pelo Senhor e pela
Sua palavra. Se O amarmos e guardarmos a Sua palavra, Ele virá até nós e fará Sua mo-
rada conosco. Quão maravilhoso! A Bíblia verdadeiramente é um livro de amor.
Em conclusão, deixem-me repetir, a lei como a palavra de Deus é o Seu sopro para nós
O inspirarmos de modo a termos a força da vida para vivermos expressando a lei, que
corresponde à natureza e expressão de Deus.

151 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA E TRÊS
DEUS BUSCA PESSOAS QUE O AMAM AO
DAR A SUA LEI AO SEU POVO

Leitura da Bíblia: Êx 20:1-12; 3:14-15; Jr 31:3, 32; 2:2;


Os 2:19-20; Is 54:5; Ez 16:8; Jo 14:21, 23.

Na mensagem anterior vimos que a lei é a palavra viva de Deus que infunde a Sua
substância nos que O buscam com amor. Este é um ponto de vista novo acerca da lei.
Aqueles que buscam a Deus amam a Sua lei como Sua palavra viva. Através de tal amor a
Deus e à Sua palavra, eles são infundidos pela substância de Deus e vivem de uma forma
que corresponde ao que Ele é. Nesta mensagem prosseguiremos abordando uma questão
que pode parecer até mesmo inusitada. É o fato de que Deus estava buscando pessoas que
O amavam quando deu a Sua lei ao Seu povo no Antigo Testamento. A intenção de Deus
ao dar a lei ao Seu povo escolhido era que eles se tornassem aqueles que O amavam.
Quatro profetas — Isaías, Jeremias, Ezequiel e Oséias — falaram de Deus como o
Marido dos filhos de Israel, e o Seu povo como Sua esposa, Sua mulher. Embora estes
quatro profetas tivessem vivido em épocas diferentes e em lugares diferentes, todos
tiveram o mesmo conceito acerca desta questão. Para aqueles que são religiosos, isto pode
soar muito estranho, até mesmo ofensivo, dizer que Deus tem uma esposa. Contudo, a
Bíblia fala claramente de Deus como um Marido. Como Deus pode ser um Marido senão
tiver uma esposa? Todos os crentes sabem que Deus é o Criador, o Redentor e o Salvador,
mas muitos não percebem que Deus é também um Marido e que o Seu povo é Sua esposa.
Deus e o Seu povo são um casal universal maravilhoso, isto é revelado tanto no Antigo
Testamento quanto no Novo Testamento. Dirigindo-se à igreja em Corinto Paulo diz: "vos
tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo"
(2Co 11:2). De acordo com o Novo Testamento, a igreja composta de todos os crentes é a
esposa de Cristo. Da mesma forma, Israel no Antigo Testamento foi desposada por Deus,
casada com Ele. Jeremias 2:2 fala do "o amor das suas bodas" (Heb.). Oséias 2:19 a 20 diz:
"Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em
benignidade, e em misericórdias; desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao
Senhor." Precisamos prosseguir e perguntar quando, onde, e como Deus desposou Israel
para Si mesmo. Encontramos um indício em Jeremias 2:2, onde o Senhor diz: "Lembro-me
de ti, da gentileza de tua juventude, do amor do teu casamento, de como me seguiste no
deserto, numa terra que não foi semeada" (Heb.). A palavra gentileza aqui significa ser
gentil, agradável, cortês. Este sentimento de afeição e esta atitude em relação a Deus nos
primórdios de Israel foi um memorial para Deus. O "amor do teu casamento‖ é um tipo
particular de amor. Há muitos tipos diferentes de amor. O amor dos pais pelos filhos é
diferente daquele dos filhos pelos seus pais. O amor que os amigos têm um para com o
outro já ó outro tipo de amor. O amor em Jeremias 2:2 é comparável àquele que existe
entre um homem e uma mulher que estão para casar. Este tipo de amor é muito diferente
daquele dos pais pelos filhos, dos filhos pelos pais, e de uma pessoa pelos seus amigos. A
palavra amor em Jeremias 2:2 refere-se ao amor evidenciado num cortejar, um amor
romântico. Refere-se, em particular, à resposta da mulher ao amor do homem que a está
152 | P á g i n a
cortejando. Deus disse a Israel que Ele Se lembrava da resposta ao Seu amor cortejador na
sua juventude.
Em Jeremias 2:2, o Senhor especificamente menciona "o amor do seu casamento‖. Esta
expressão denota o amor de Israel no tempo do seu noivado com o Senhor. Neste versí-
culo o Senhor parece estar dizendo a Israel: "Casei-me com você, e você e eu estávamos
compromissados. Desde a época do nosso compromisso de casamento, você teve um amor
especial por Mim. Nunca pude esquecer-Me do amor da tua juventude, quando você se
compromissou comigo e Me seguiu no deserto." Aqui o Senhor fala de quatro coisas das
quais Ele se lembra: Seu povo, a suavidade da sua juventude, o amor do seu casamento a
como eles O seguiram no deserto. Jeremias 2:2, portanto, fala claramente do compromisso
de Israel com Deus.
Onde e quando ocorreu este compromisso? Ezequiel 16:8 diz: "passando eu por junto de
ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; estendi sobre ti as abas do meu manto,
e cobri a tua nudez; dei-te juramento, e entrei em aliança contigo, diz o Senhor Deus; e
passaste a ser minha". De acordo com o contexto do capítulo, este versículo se refere ao
êxodo e à época posterior a ele. Do profundo amor pelo Seu povo, o Senhor entrou numa
aliança com eles. Esta aliança foi decretada no monte de Deus, através da apresentação da
lei (Êx 20:1-12). Você já compreendeu que a apresentação da lei foi uma transação na qual
o povo de Deus se tornou compromissado com Ele?
Como veremos, a lei é uma aliança de compromisso, um papel de compromisso. Jere-
mias 31:32 indica isto: "Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os
tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança,
não obstante eu os haver desposado, diz o Senhor". A aliança aqui é aquela mencionada
em Ezequiel 16:8, feita no monte de Deus, após Deus ter trazido o povo da terra do Egito.
Note que em Jeremias 31:32 Deus fala Dele mesmo como um Marido tomando-os pela
mão. Isto indica que quando Deus deu a lei, Ele estava cortejando o Seu povo. Vimos que
tanto Ezequiel 16:8 quanto Jeremias 31:32 usam a palavra aliança, uma palavra que se
refere à lei dada em Êxodo 20. A lei foi um papel de compromisso, uma aliança de com-
promisso. Quando Deus deu a lei, Ele Se casou com Israel, e Israel tornou-se compro-
missado com Ele. Através da lei como um papel de compromisso, Deus oficialmente
desposou os filhos de Israel e tornou-se Marido deles, como indica Jeremias 31:32.
Duvido que muitos cristãos pensem que a lei é um papel de compromisso de casa-
mento. No mundo ocidental é usado um anel como sinal de compromisso. Mas no oriente
é comum que ambas as partes assinem um papel de compromisso, um acordo de compro-
misso conjugal. Ao assinar tal papel revela a importância do compromisso e serve como
prova de que certo homem e certa mulher estão compromissados em casamento. Em
Gênesis 24, o servo de Abraão providenciou o compromisso de casamento de Rebeca com
Isaque. Este compromisso era um noivado, um contrato de casamento. O casamento de
Israel com Deus ocorreu no monte de Deus em Êxodo 20, e a lei foi o papel oficial decla-
rando as condições para este compromisso matrimonial.
A lei deu os termos para este compromisso entre Deus e Seu povo. As condições para o
compromisso de Deus com Israel foram os Dez Mandamentos. Se não interpretarmos a
apresentação dos Dez Mandamentos desta forma, como explicaríamos Jeremias 2:2, que
fala da gentileza da juventude de Israel e do amor do seu casamento? Sem dúvida, a época
posterior ao êxodo do Egito foi o período da juventude de Israel. Podemos dizer que os
primeiros dezenove capítulos de Êxodo são capítulos nos quais Deus estava cortejando,
namorando e até mesmo "marcando encontros" com Seu povo. Ele queria ser seu único
amado. Seu desejo era que o povo O amasse e tão somente a Ele. Assim, Deus era o único
153 | P á g i n a
enamorado buscando o amor do Seu povo. Deus tinha de ser o Amado de Israel, e o povo
tinha de ser o Seu amor.
Quando consideramos os Dez Mandamentos dados em Êxodo 20, vemos que os últimos
cinco mandamentos foram dados de uma maneira simples e direta. Deus ordenou ao povo
não matar, não cometer adultério, não roubar, não dar falso testemunho, e não cobiçar
(20:13-17). Entretanto, os cinco primeiros mandamentos foram dados numa atmosfera de
intimidade. O versículo 2 diz: ―Sou Jeová teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa
da servidão‖. Esta não é uma palavra de legalidade; é a palavra de amor. Falando intima-
mente ao Seu povo, o Senhor diz: "Sou Jeová teu Deus". O Senhor é Aquele que era, que é,
e que será para sempre. Como tal, Ele tirou Seu povo da servidão. No versículo 3, o Senhor
continua: "Não terás outros deuses diante de mim". Aqui o Senhor está dizendo ao povo
que ele não deveria ter qualquer outro amor além Dele. Ele deve ser seu único Amado.
Esta foi a primeira condição do compromisso entre Deus e Seu povo. Qualquer homem
que despose uma mulher deve exigir que ela não ame qualquer homem além dele. Ele
insiste em ser seu único amado. Na verdade, a palavra sobre não ter qualquer outro deus
além do Senhor é um mandamento. Este mandamento, entretanto, é também uma com-
dição de amor do compromisso do povo de Deus com Ele. Se compararmos este manda-
mento com os cinco últimos mandamentos, veremos que é dito em amor como uma com-
dição de compromisso.
No versículo 4 o Senhor prossegue dizendo: "Não farás para ti Imagem de escultura,
nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas
águas debaixo da terra". Aqui encontramos uma outra condição para este compromisso.
Deus não quer que Seu povo faça imagem de coisa alguma. Da mesma forma, quando um
jovem se torna compromissado com uma jovem, ele não quer que ela tenha fotografias de
qualquer outro homem. Ele quer que ela tenha retratos somente dele. Caso contrário, ele
ficará ofendido. O mandamento sobre não ter imagens é também uma condição do com-
promisso.
O versículo 5 continua: "Não vos inclinareis diante delas, nem as servireis: pois Eu,
Jeová teu Deus, sou um Deus zeloso" (Heb.). Sendo um marido ciumento, o Senhor queria
que Seu povo servisse a Ele e tão somente a Ele. Isto também é verdade no compromisso
humano. Todo homem noivo é ciumento em relação à sua noiva.
Nos versículos 5 e 6 o Senhor disse que Ele visitaria a iniquidade dos pais sobre os
filhos até a terceira e quarta geração daqueles que O odiassem e mostraria misericórdia até
mil gerações para com aqueles que O amassem e guardassem Seus mandamentos. Esta é
também uma palavra dita enquanto Deus cortejava Seu povo, buscando um povo para
amá-Lo. Desde a criação do mundo até o tempo de Êxodo 20, Deus estava só. Em certo
sentido, Ele estava só, era "solteiro". Ao dar a lei ao Seu povo, Ele estava cortejando-o,
dizendo-lhe que se ele O amasse, Ele mostraria misericórdia aos seus descendentes por mil
gerações, um período de tempo que levaria até a eternidade,
Em 20:7 o Senhor declara esta condição de compromisso: "Não tomarás o nome de
Jeová teu Deus em vão; pois Jeová não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão"
(Heb.). O Senhor não quer que Seu povo use Seu nome de uma maneira indevida. Como
Seu Amado, Ele quer que eles honrem Seu nome e O usem com amor. Da mesma forma,
um jovem quer que a mulher comprometida com ele honre seu nome e fale de modo
conveniente, cheio de amor e apreço.
Os versículos de 8 a 11 dizem "Lembrai-vos do dia do sábado, para conservá-lo santo.
Sete dias trabalharás, e fareis toda a tua obra; mas o sétimo dia é o sábado de Jeová teu
Deus; nele não farás qualquer trabalho; tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo,
154 | P á g i n a
nem tua serva, nem teu gado, nem teu estrangeiro que está dentro das tuas portas; pois em
seis dias Jeová fez o céu e a terra, o mar e tudo que há neles, e descansou no sétimo dia;
portanto Jeová abençoou o dia de sábado, e fê-lo santo". Exatamente como uma mulher
usa um anel como sinal do seu compromisso, o guardar o dia do sábado era um sinal de
que o povo de Deus estava compromissado com Ele. Um jovem, quando dá um anel de
compromisso a quem ama, quer que ela o use como sinal de que está compromissada com
ele. Ele ficaria multo aborrecido se ela não usasse tal sinal.
Em 20:11 nos é dito que Deus "abençoou o dia do sábado e o fez santo". Isto significa
que o dia do sábado era santificado, colocado à parte. É por isso que guardar o sábado
deveria ser um sinal de compromisso. Toda mulher que está compromissada para se casar
é "santificada"; ela é marcada, separada, para certo homem. Ela é a única que tem o direito
de usar o anel de compromisso do seu amado. Isto a separa de todas as outras mulheres.
Em Efésios 1:13 nos é dito que quando fomos salvos, recebemos o selo do Espírito. Este
selo é nosso anel de compromisso, um sinal da nossa separação e santificação. Em Êxodo
20, o dia do sábado devia ser sinal de separação do povo de Deus para Ele. Como condição
do compromisso, Ele exigiu que Seu povo mostrasse um sinal de que ele Lhe pertencia e
que era absolutamente para Ele. O sábado era um símbolo que declarava que o povo de
Deus pertencia somente a Ele. Os adventistas do sétimo dia, em seu legalismo e dogma-
tismo a respeito do sábado, ignoram o verdadeiro significado do dia do sábado como um
símbolo de que o povo de Deus pertence a Ele como sua amada, sua esposa. Louvamos ao
Senhor por mostrar-nos que a lei é um papel de compromisso. Quando a lei foi decretada
no Monte Sinal, foram dados os termos do compromisso do povo de Deus para com Ele.
Ainda um outro termo de compromisso é mencionado no versículo 12: "Honra a teu pai
e a tua mãe; para que os seus dias possam ser longos na terra que Jeová teu Deus te deu"
(Heb.). Numa mensagem anterior, ressaltamos que honrar nossos pais é seguir nossa
origem de volta até a fonte. Por fim, a nossa fonte é o próprio Deus. Compromissando-se
com os filhos de Israel, Deus quis que eles se lembrassem Dele como sua fonte.
Os cinco primeiros mandamentos foram dados de uma maneira íntima como termos do
compromisso de Deus e Seu povo. Cada mandamento usa a expressão "Jeová teu Deus",
uma expressão pronunciada intimamente muitas vezes enquanto Deus amorosamente
cortejava Seu povo. Ele ficou sozinho bastante tempo, e agora estava buscando o amor
deles. Em Êxodo 20 Deus não estava buscando companheiros para amizade, Ele estava
buscando companheiros para o amor. Ao dar Sua lei ao povo, Ele estava buscando aqueles
que pudessem amá-Lo. Depois de proferir os primeiros cinco mandamentos desta forma
amável, Deus prosseguiu decretando outros cinco mandamentos, ordenando-os com cinco
"nãos". Um homem também pode ordenar à sua noiva certos "nãos". Ao ficar noivo do Seu
povo, Deus estabeleceu um maravilhoso exemplo de como deveria ser um compromisso.
Os irmãos jovens entre nós podem aprender de Deus neste ponto. Agradecemos ao Senhor
pela Bíblia de nos dar tal exemplo maravilhoso de compromisso.

I. DEUS DESEJANDO EXPRESSAR-SE ATRAVÉS DE UM POVO

O desejo de Deus é expressar-Se através de um povo. Ele quer fazer deste povo a Sua
habitação. Além disso, este povo deve tornar-se a expressão de Deus, correspondendo à
Sua lei. Uma vez que a lei de Deus é a expressão do que Deus é, corresponder à lei é
corresponder a Deus. O povo de Deus pode ter tal correspondência unicamente amando-O
e sendo infundido com a Sua substância.

155 | P á g i n a
II. TENDO DEUS BUSCADO O SEU POVO
COMO O AMADO BUSCA O AMOR

De acordo com Cântico dos Cânticos, o homem é o amado e a mulher é aquela que
amorosamente o busca, é o seu amor (1:13-16). Assim, o amado é o marido, enquanto que
o seu amor é a esposa. A Bíblia revela que no Antigo Testamento Deus buscou Seu povo
como o Amado buscando alguém para ser o Seu amor, a Sua esposa. Se você ler Êxodo de
1 a 20 nesta luz, verá que nestes capítulos Deus veio muitas vezes cortejar o Seu povo.
Após cortejá-lo, Ele Se compromissou com ele no Monte Sinai.

A. TENDO-SE REVELADO A ELES COMO JEOVÁ


SEU DEUS, O GRANDE EU SOU

Em Êxodo 3:14-15, o Senhor Se revelou ao Seu povo como Jeová seu Deus, o grande Eu
Sou, Aquele que era, que é, e que será para sempre. Aquele que Se revelou assim ao povo
era Aquele que estava buscando pessoas para amar.

B. AMANDO-OS COM AMOR ETERNO

Em Jeremias 31:3 o Senhor disse a Seu povo: "Com amor eterno eu te amei, por isso com
benignidade te atraí". Em outro lugar é nos dito que Deus amou Jacó, mas aborreceu Esaú
(Rm 9:13). Parece não haver razão para o amor de Deus por Seu povo. Ele simplesmente os
amou, quase como se estivesse cego pelo amor. Ele continuou a amar o Seu povo até
quando eles não Lhe foram fiéis. O amor cega as pessoas. O melhor amor é este tipo de
amor cego. Se você não for cego, não será capaz de amar corretamente. Se os seus olhos
estiverem abertos para todas as faltas daquele que ama, você haverá de querer uma
separação, ou mesmo um divórcio. Mas se você amar cegamente considerará seu marido
ou esposa o melhor. Ao amar Seu povo, Deus parecia fechar Seus olhos e amá-los cega-
mente. Em questão de amor, não seja mais sábio do que Deus. Siga-O para amar seu
cônjuge cegamente.
Quando era jovem, ficava imaginando se Deus não errara em amar Israel. Embora Jacó
fosse um suplantador, Deus o amou. Deus ainda ama Israel com um amor eterno, tal qual
Ele amou quando proferiu as palavras de amor em Jeremias 31:3. Muitas nações podem
levantar-se contra Israel, mas Deus continua a amar Seu povo com um amor eterno.

C. TRATANDO COM ELES COMO SUA ESPOSA

Porque Deus era o Amado buscando Seu povo para ser Seu amor, Ele tratou com eles
como Sua esposa. Isto está indicado claramente em Jeremias 2:2; Oséias 2:19-20; Isaías 54:5;
e Ezequiel 16:8.

D. REVELANDO A ELES O QUE ELE É AO DAR-LHES A SUA LEI


DE UMA FORMA ENAMORADA

156 | P á g i n a
Temos ressaltado repetidamente que a lei de Deus foi dada de uma forma enamorada.
Ao dar a Sua lei ao povo desta forma, Deus fê-los conhecer que tipo de Deus Ele é. Em
cada um dos cinco primeiros mandamentos, Ele Se referiu intimamente como "Jeová teu
Deus". Revelando-Se com um Deus ciumento, Ele exigia que eles não tivessem nenhum
outro amor além Dele. Ele estava buscando seu amor de forma que guardasse os Seus
mandamentos para expressá-Lo. O mesmo conceito é encontrado em João 14:21 e 23. O
versículo 21 diz: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me
ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e Eu também o amarei e Me
manifestarei a ele". Como em Êxodo 20:1-12, aqui vemos o amor do Senhor cortejando e
buscando um povo que O ame. Em João 14:23 o Senhor continua: "Se alguém Me ama,
guardará a Minha palavra; e Meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada".
No Novo Testamento, assim como no Antigo, Deus é um homem cortejador. Os manda-
mentos em 20:1-12 foram dados não de modo legalista, mas de modo cortejador. Ao dar a
lei ao Seu povo, Deus queria que eles se tornassem Seus amados.
Se não amarmos a Deus, não seremos capazes de guardar os Seus mandamentos, e
assim não seremos capazes de expressá-Lo. O objetivo do compromisso é introduzir duas
pessoas na unidade. Num casamento, um homem e sua esposa tornam-se uma só carne.
Da mesma forma, Deus e Seu povo escolhido tornam-se um através do compromisso que
ocorreu em Êxodo 20. Esta unidade entre Deus e o Seu povo, e entre marido e mulher, é
um principio básico nas Escrituras. Entretanto, muitos mestres bíblicos negligenciam este
aspecto da apresentação dos Dez Mandamentos. Em vez disto, eles enfatizam a distância
entre Deus e Seu povo e o fato de que Deus queria que eles guardassem os mandamentos.
Não podemos negar o fato de que os Dez Mandamentos serviram como um documento de
compromisso e que o compromisso de Deus com o Seu povo introduziu-os na unidade.
Num casamento adequado, um homem e sua mulher tornam-se mais e mais um na
medida em que passam os anos. Gradualmente eles se tornam um em hábitos, caracte-
rísticas e expressão. Da mesma forma, por fim o povo escolhido por Deus tornar-se-á o
mesmo que Ele é, e assim verdadeiramente expressa-Lo-á. Precisamos ser infundidos com
o Senhor como nosso marido, tornando-nos mais e mais parecidos com Ele. Aí então
tornar-nos-emos a Sua expressão. De acordo com a Bíblia este princípio básico aplica-se
tanto ao casamento humano quanto ao relacionamento de amor entre Deus e Seu povo.
A função de um documento de compromisso é fazer duas partes, o homem e a mulher,
um. No mesmo princípio, a função da Palavra de Deus é fazer-nos um com Deus. Para
Deus dizer que Ele desposou Israel significa que Ele levou o Seu povo a tornar-se um com
Ele, como uma mulher é uma com seu marido. As palavras de Deus levaram a Sua esposa
a ser uma com Ele. A mais alta função da lei é trazer o povo escolhido de Deus à unidade
com Ele. Os Dez Mandamentos não são simples regras decretadas por Deus como a mais
alta autoridade no universo. A lei é um documento de compromisso que nos leva até Deus
e nos faz ser um com Ele. Isto também é verdade a respeito da Bíblia. A função primária
da Bíblia é levar-nos até Deus e fazer-nos um com Ele. Porque amamos a Deus, também
amamos a Sua palavra. Quando as Suas palavras infundem-No para dentro de nós,
tornamo-nos um com Ele em vida, natureza e expressão. Esta compreensão da lei como a
palavra viva de Deus e da Bíblia, revela ainda mais a função intrínseca da lei e da Bíblia, a
Palavra de Deus.

157 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA E QUATRO
GUARDANDO A LEI DE DEUS, AMANDO-O E A SUA PALAVRA
E TORNANDO-SE UM COM ELE

(1)

Leitura da Bíblia: Gn 1:26; Jr 31:3, 32; 2:2; Jo 3:29; Mt 9:15; Ef 5:25-27; 2Co 11:2;
Ap 19:7; Jo 21:15-17; 2Co 5:14-15; Jo 14:21, 23; Ct 1:2-4.

Nesta mensagem continuaremos a nossa exposição a respeito da apresentação de Deus


da Sua lei ao povo em Êxodo 20. Como todos os estudiosos da Bíblia percebem, a lei é um
assunto muito importante tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.
Se quisermos ter uma compreensão adequada da apresentação da lei por Deus nas
Escrituras, precisamos saber como esta questão está relacionada com o principal assunto
da Bíblia como um todo. Para entender qualquer livro, ou mesmo parte de um livro,
primeiro precisamos aprender qual é o assunto principal do livro. Suponha que o tema de
um certo livro seja o amor e ainda que neste livro haja também muitas referências ao
assunto da lei. Se um leitor do livro tomar estas referências fora do contexto e der a elas
uma ênfase inadequada, mudará o tema do livro de amor para lei. Procurando entender o
lugar da lei de Deus nas Escrituras, muitos cristãos fizeram exatamente isto. Falhando em
entender a lei à luz do tema principal da Bíblia como um todo, eles não têm uma visão
adequada e equilibrada da lei.
Ressaltamos várias vezes que virtualmente todas as coisas no universo têm dois lados,
ou dois aspectos. Por exemplo, num período normal de vinte e quatro horas temos tanto o
dia, quanto a noite. Não seria um absurdo alguém insistir que há somente o dia, ou
somente à noite? Evidentemente quando a noite se vai, surge um novo dia. Não podemos
nem prolongar o dia nem estender a noite. Esta ilustração do dia e da noite pode ser apli-
cada à apresentação da lei da parte de Deus. Concernente à lei, há dois aspectos, dois
lados; o aspecto da "noite" o lado negro, e o aspecto do "dia" o lado brilhante. Nestas
mensagens estamos abordando o aspecto do "dia", não o aspecto da "noite", o qual aborda-
remos mais tarde. Precisamos dar ênfase adequada a ambos os aspectos. Agora que es-
tamos abordando o aspecto do "dia" da lei, ressaltamos o que é claro e brilhante. Mas
quando nos voltarmos para o aspecto da "noite", ressaltaremos o que é negro. Não tenho a
intenção de enganar o povo do Senhor falhando em ressaltar os dois aspectos. Ao consi-
derar os dois aspectos da apresentação da lei por Deus, não sou contraditório. Pelo
contrário, simplesmente estou apresentando os dois lados da verdade.
Concernente a apresentação da lei por Deus ao Seu povo, o principal aspecto não é o da
"noite". Deus não criou o universo de forma que pudesse haver a noite. A noite é neces-
sária, mas não é o objetivo de Deus. O objetivo de Deus é ter um dia eterno. Um versículo
que fala da Nova Jerusalém na eternidade, Apocalipse 21:25, diz: "Nela não haverá noite".
Além disto, Apocalipse 22:5 declara: "então já não haverá noite". Quando o propósito de
Deus tiver atingido seu cumprimento final na Nova Jerusalém, não haverá noite naquela
cidade eterna. Por isto vemos que o objetivo de Deus é ter o dia e não à noite.

158 | P á g i n a
Como Paulo diz, somos "do dia" ou mesmo "filhos da luz (dia)", (1Ts 5:8, 5). Entretanto,
ao discutir a apresentação da lei de Deus, muitos mestres cristãos colocam uma ênfase
muito grande no aspecto da "noite". De forma nenhuma estou afirmando que eles não dão
nenhuma atenção para o lado do "dia". Simplesmente estou ressaltando o fato da ênfase
deles estar no aspecto da "noite". Assim, certamente há a necessidade de abordarmos o
lado do "dia" da lei tanto quanto o lado da "noite".
Se quisermos ter a percepção adequada do que a lei de Deus é, precisamos conhecer
qual é o propósito eterno de Deus. O propósito eterno de Deus é ter um povo para
expressá-lo. Para que este propósito seja cumprido, Deus precisa transmitir a Si mesmo
para dentro do Seu povo escolhido e trabalhar a Si mesmo neles. Esta é a razão porque, de
acordo com Gênesis 1:26, Deus criou o homem de uma maneira bastante peculiar à Sua
próprio imagem e de acordo com a Sua semelhança. Deus criou o homem à Sua própria
imagem e de acordo com a Sua semelhança de forma que o homem pudesse tomar a Deus
e contê-Lo. Deus quer que o homem seja o Seu recipiente. Esta é a razão porque a Bíblia
fala do homem como um vaso, um vaso de honra e de glória (Rm 9:23). O homem é um
vaso para conter Deus.
O Novo Testamento revela clara e enfaticamente que em Cristo e através de Cristo Deus
chegou até nós para dispensar a Si mesmo para dentro de nós. Deus não veio simples-
mente visitar-nos. Ele deseja Sua morada conosco. O Senhor Jesus disse: ―Se alguém me
ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele
morada" (Jo 14:23). Em Colossenses 1:27 Paulo fala de "Cristo em vós, a esperança da
glória". Outros versículos também indicam definitivamente que Cristo está em nós (Rm
8:10; 2Co 13:5; Gl 2:20; 4:19). Sabemos por Efésios 4:6 que o Pai está em nós e de João 14:17
e Romanos 8:11 que o Espírito habita em nós. Primeira João 4:12 diz: "Deus permanece em
nós". O versículo 15 do mesmo capitulo declara: "Aquele que confessar que Jesus é o Filho
de Deus, Deus permanece Nele, e ele em Deus". Esta questão de permanecer em Deus e
Deus permanecer em nós é repetida várias vezes em 1 João. Por muitas vezes o Novo Tes-
tamento ressalta que Deus habita em nós. Somos até chamados de templos de Deus (1Co
3:16, 6:19) e a Sua habitação, a Sua casa (Ef 2:22, 1Tm 3:15). O próprio Deus mora em nós.
Efésios 3:17 indica que Cristo está fazendo Seu lar em nossos corações. Somente quando
Deus trabalha a Si mesmo em nosso ser somos capazes de expressá-lo.
Muitos cristãos hoje negligenciam esta questão crucial de Deus dispensar a Si mesmo
para dentro de nós e trabalhar a Si mesmo em nós. Quando expomos este ponto e enfati-
zamos a sua importância, somos acusados por alguns de ensinar o panteísmo ou até
mesmo "evolução até Deus". Que cegueira! Sim, ensinamos que Deus deseja trabalhar a Si
mesmo no homem, mas certamente não ensinamos que o homem está evoluindo para a
Trindade, ou que o homem atingirá algum dia o status de deidade.
Aqueles que nos acusam de termos tal doutrina estão em trevas. Outra vez precisamos
enfatizar esta questão básica, que de acordo com a revelação divina nas Escrituras, Deus
deseja ser um com o Seu povo e fazê-lo um com Ele. Não temos o entendimento pleno de
quão intensamente Deus deseja ser um conosco e fazer-nos um com Ele. Aqueles que
pensam que isto é "evolução até Deus‖ são crassos ignorantes da economia de Deus
revelada no Novo Testamento. À luz da Palavra de Deus, vemos que Ele quer entrar e
habitar em nós e fazer-nos permanecer Nele. Desta forma, Ele e nós, nós e Ele, tornamo-
nos um.

159 | P á g i n a
I. O GUARDAR A LEI DE DEUS, AMANDO-O

Embora Deus seja divino e nós humanos, ainda nos é possível sermos um com Ele. Mas
para que Deus seja um conosco e para nós sermos um com Ele, deve haver amor entra nós
e Deus. A menos que haja um amor mútuo, não é possível para um homem e uma mulher
viverem juntos como marido e mulher e permanecerem verdadeiramente como um. A
unidade genuína entre um homem e sua esposa é totalmente uma questão de amor. O
amor é o motivo e o incentivo para tal unidade. Se eu não amasse a minha esposa, não
poderia viver com ela em unidade. Para duas pessoas serem uma unidade, devem amar
um ao outro. Isto também é verdade para o relacionamento entre Deus e Seu povo.
Sem Deus estamos vazios e tudo é vão. Se não tivéssemos Deus teríamos de dizer como
o escritor de Eclesiastes "Vaidade de Vaidades! Tudo é vaidade" (1:2). Mas, uma vez que
temos Deus, temos a realidade.
A nossa necessidade de Deus pode ser comparada à necessidade que uma mulher tem
de um marido e mais ainda, Deus necessita de nós como um homem necessita de uma
esposa. Nenhum amor é mais doce do que aquele entre um homem e sua esposa. Este tipo
de amor é necessário para guardar a lei de Deus. Guardamos a lei de Deus amando-O e
amando a Sua Palavra e tornando-nos um com Ele.
O amor que devemos ter por Deus não é o amor que os pais têm pelos seus filhos, nem
o amor honroso que os filhos têm pelos seus pais, nem o amor que os amigos têm um pelo
outro e também não é o amor compassivo que uma pessoa rica tem por um pobre. O amor
que precisamos ter pelo Senhor é o amor afetuoso como aquele entre um homem e sua
mulher. Nosso amor pelo Senhor deveria ser aquele que é expresso em Cântico dos
Cânticos, onde temos uma descrição bela e tocante do profundo e terno amor afetuoso
entre o amado (Senhor) e aquela que ele ama (O Seu amor, Sua apaixonada). Este amor é
tão doce e íntimo que está além da nossa capacidade de descrevê-lo adequadamente.
Os cristãos frequentemente dizem que a Bíblia é um livro de amor. Podem citar João
3:16, sobre o amor de Deus pelo mundo, 1 João 3:1 sobre o amor de Deus Pai pelos Seus
filhos, ou Efésios 5:25, sobre o amor de Cristo pela igreja. Entretanto, eles podem não
perceber que o amor nestes versículos não é apenas o amor de Deus pelo mundo, ou o
amor de Deus Pai pelos Seus filhos, mas é também o amor de Cristo, o Marido, por Sua
Esposa, o amor afetuoso revelado em Cântico dos Cânticos. O amor entre Deus e Seu povo
desven-dado na Bíblia é sobretudo o amor afetuoso entre um homem e uma mulher.

A. O AMOR DE DEUS POR SEU POVO

1. Cortejando-o

De acordo com o Antigo Testamento, Deus amou Israel com este amor afetuoso. Em
Jeremias 31:3 o Senhor disse ao Seu povo escolhido: "Com amor eterno eu te amei, por isso
com benignidade te atraí". O que temos aqui não é o amor entre amigos, nem o amor de
uma pessoa rica por um pobre, mas é um amor cortejador, um amor que conduz a um
noivado e casamento. Porque o Senhor tem tal amor pelo Seu povo, "os tomei pela mão,
para os tirar da terra do Egito" (Jr 31:32). Este é também o amor em Jeremias 2:2, um
versículo que fala do amor das bodas de Israel. O amor revelado na Bíblia é sobretudo este
amor de namoro, noivado e casamento.
Como enfatizamos na mensagem anterior, ao tirar o Seu povo do Egito e ao dar-lhe a
Sua lei, Deus estava cortejando-o, namorando-o, e procurando conquistar o seu afeto. Por
160 | P á g i n a
mais estranho que possa soar à primeira vista, Deus realmente corteja o Seu povo. Porque
Ele nos tem cortejado, hoje estamos na vida da igreja. Nosso Deus não é somente o Deus
processado, o Deus Triúno que passou pela encarnação, viver humano, crucificação,
ressurreição, e ascensão de forma a vir até nós como o Espírito que dá vida todo-inclusivo.
Ele também é o Deus cortejador, o Deus que vem até nós e namora-nos, procurando con-
quistar nossa afeição. Este tipo de amor foi evidenciado em Êxodo 20 quando Deus veio
até o Seu povo e deu-lhe a Sua lei.
Quando chegamos à revelação divina na Bíblia, não devemos estar entretidos com nada
que possa cegar-nos para a luz do Senhor. Pelo contrário, precisamos abrir todo nosso ser
interior para o Senhor. Anos atrás, não via tão claramente como vejo hoje, que no Antigo
Testamento Deus veio ao Seu povo da maneira que um pretendente corteja uma jovem.
Mas, recentemente em minha leitura de Êxodo 20 abri-me para o Senhor de uma maneira
nova. Não me importei com o que sabia sobre este capítulo. Estava aberto para o que o
Senhor me dissesse. Posso testificar que depois disto a luz chegou.
Em 1932 dei mensagens sobre este capitulo. Aquelas mensagens, entretanto, enfati-
zaram o aspecto da "noite" da apresentação da lei. O que o Senhor me mostrou recente-
mente diz respeito ao lado do "dia", em particular ao fato de que a lei dada em Êxodo 20
funciona como um documento de compromisso, um contrato de compromisso.

2. Um Livro de Compromisso (Noivado)

Por causa da luz do Senhor através da Sua palavra tenho a coragem de dizer que a
Bíblia inteira é um livro de compromisso (noivado). Nas Escrituras temos um relato de
como Deus corteja o Seu povo escolhido e por fim o desposa. O Deus Triúno como o
Marido pela eternidade desfrutará uma doce vida conjugal com Sua esposa, Seu povo
escolhido e redimido. A Nova Jerusalém será mesmo chamada de esposa do Cordeiro (Ap.
21:9). A conclusão da Bíblia é o casamento de Deus com Seu povo. Uma vez que a Bíblia
termina desta maneira, realmente ela pode ser chamada de um livro de noivado. O tema
principal das Escrituras é o noivado de Deus com o Seu povo. Se este não fosse o tema
principal da Bíblia, ela não seria concluída com uma palavra acerca do casamento univer-
sal de Deus com os Seus redimidos.
Recentemente pude ver que a velha aliança era uma aliança na qual Deus desposou o
Seu povo. Tanto Ezequiel 16:8 quanto Jeremias 31:32 referem-se a isto. Em Ezequiel 16:8
Deus disse ao Seu povo: "Passando por junto de ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo
de amores; estendi sobre ti as abas do meu manto, e cobri a tua nudez; dei-te juramento, e
entrei em aliança contigo, diz o Senhor Deus; e passaste a ser minha". A aliança aqui é a
velha aliança, baseada na lei de Deus. Ezequiel 16:8 indica que o tempo em que Deus
entrou em aliança com o Seu povo era "tempo de amores". Isto significa que a aliança de
Deus com o Seu povo era uma aliança de noivado, um matrimônio. Entrando em tal
aliança com o Seu povo. Deus fê-lo casar-se Consigo e Ele o desposou.
Jeremias 31:32 confirma isto: "Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em
que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto quebraram a minha
aliança, não obstante eu fosse um marido para eles, disse Jeová" (hebr.). Note que aqui
tanto as palavras aliança, quanto marido são usadas. Mais uma vez vemos que ao fazer a
velha aliança com os filhos de Israel, Deus desposou o Seu povo e tornou-Se o Seu Marido.
Isto prova que a velha aliança era um papel de noivado, um contrato de compromisso.
Com a nova aliança o princípio é o mesmo. Jeremias 31 refere-se à velha aliança, a
aliança de matrimônio, e também à nova aliança que o Senhor faria com o Seu povo
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(v. 31). Uma vez que a velha aliança era uma aliança de matrimônio, a nova deve ser da
mesma natureza. Tanto a velha quanto a nova aliança são alianças de compromisso.
Aplicando este fato na narração da apresentação da lei em Êxodo 20, vemos que ao dar a
lei ao Seu povo, Deus queria que ele se tornasse um com Ele, que se tornasse Sua própria
esposa. Para que tal compromisso ocorra, é absolutamente necessário um amor afetuoso
como aquele entre um homem e sua esposa.

B. Recebendo a Vida de Deus

1. O Tipo de Adão e Eva

Quando entramos neste relacionamento de amor com o Senhor, recebemos a Sua vida,
tal como Eva recebeu a vida de Adão. Se Eva não tivesse recebido a vida de Adão, ela não
poderia ter sido uma com ele. Depois que Deus criou o homem, trouxe para ele "todos os
animais do campo, e todas as aves do céu... para ver como este lhes chamaria; e o nome
que o homem desse a todos os seres viventes, este seria o nome deles" (Gn 2:19). Em
Gênesis 2:20 lemos claramente que ―para o homem, todavia, não se achava uma auxilia-
dora que lhe fosse idônea". Entre o gado, as aves, e as feras do campo, Adão não encontrou
uma companheira; ele não achou nenhuma parceira. Deus então fez que um sono pro-
fundo caísse sobre Adão, tomou uma de suas costelas, e edificou da costela uma mulher
(Gn 2:21-22, hebr.). Quando a mulher foi apresentada para Adão ele declarou "é osso dos
meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada"
(v. 23). Por fim, Adão encontrou sua companheira, sua parceira. Sem dúvida, Adão e Eva
amavam um ao outro, pois Eva recebeu sua vida de Adão e até mesmo era Adão. Ela e
Adão tinham uma vida e uma natureza. Cada fibra, tecido e célula de Eva tinham sua
origem em Adão e eram parte de Adão. De acordo com Efésios 5, Adão e Eva retratam
Cristo e a igreja. Exatamente como Eva saiu de Adão e possuía a sua vida e natureza,
assim a igreja saiu de Cristo e possui a Sua vida e natureza.

2. O Amor e a Vida

Devido à existência de tal relacionamento entre Cristo e a igreja, recebemos a vida do


Senhor toda vez que dizemos a Ele que O amamos. Sabemos, pela nossa experiência que
quando dizemos: "Senhor Jesus, eu te amo", somos infundidos com Sua vida. Muitos
cristãos não percebem que se amarem o Senhor Jesus, Ele virá para dentro deles para ser
sua vida, o seu suprimento de vida. As criancinhas frequentemente cantam "Oh, como
amo Jesus!" e os jovens podem invocar o Senhor, expressando o seu amor por Ele. Mas tais
expressões de amor pelo Senhor não deveriam estar limitadas às crianças e aos jovens.
Mesmo aqueles que são mais velhos também precisam dizer: "Senhor Jesus, eu te amo". A
nossa necessidade de expressarmos nosso amor pelo Senhor desta maneira pode até ser
maior do que aquela dos jovens. Precisamos dizer ao Senhor, cada vez mais, o quanto O
amamos.
Durante alguns meses atrás estive buscando fervorosamente o Senhor para vivê-Lo de
modo adequado. Dia após dia estive orando, pedindo-Lhe que me mostrasse o segredo de
vivê-Lo. Sem dúvida, parte do segredo é dizer ao Senhor repetidamente que O amamos.
Sempre que dizemos ao Senhor que O amamos, Ele nos supre com Sua vida. É esta vida
que nos capacita a nos tornar um com Deus e fazê-Lo um conosco.

162 | P á g i n a
3. Um Processo de Concepção Divina

Pelo fato de as verdades da Bíblia serem tão profundas, não podemos entendê-las a
menos que usemos ilustrações e parábolas. Isto é verdade a respeito do que a Bíblia diz
sobre como a vida de Deus entra em nós. A vida de Deus não vem para dentro de nós
como a água derramada num copo. Recebemos a vida de Deus através de um processo de
concepção divina. O fato de sermos nascidos de Deus (Jo 1:12-13) indica que a vida de
Deus entra em nós através da concepção. O nascimento sempre envolve a concepção de
vida.
Fui condenado por ensinar o mesclar de Deus com o homem. Permita-me perguntar,
como poderíamos ser concebidos por Deus e nascermos Dele sem sermos mesclados com
Ele? João 3:6 diz: ―O que é nascido da carne, é carne; o que é nascido do Espírito, é
espírito". Nossa vida física é um retrato da vida espiritual. Em princípio, o nascimento
espiritual é idêntico ao nascimento físico. Os dois tipos de nascimento envolvem a
concepção de vida. Através da concepção e do nascimento, recebemos a vida de Deus.
Na restauração do Senhor enfatizamos os aspectos subjetivos da verdade na Bíblia.
Muitos religiosos ficam ofendidos por isto. Apontando o fato que Cristo é grande, que Ele
foi glorificado e entronizado nos céus, eles perguntam como este Cristo exaltado poderia
ser nossa comida. Alguns até mesmo nos ridicularizam, perguntando qual é a nossa base
para dizer que Cristo é comestível. Em sua cegueira ignoram a verdade subjetiva de que
Cristo, o pão da vida, é de fato comestível. Ele mesmo disse: "Quem de mim se alimenta,
por mim viverá" (Jo 6:57). Comer Cristo e viver através Dele certamente são pontos muito
subjetivos.

C. Duas Ilustrações da Unidade

1. O enxerto

Vimos que é a vida de Deus que nos faz um com Deus. Esta unidade em vida pode ser
ilustrada pelo enxerto do ramo de uma árvore em outra. O enxerto envolve um processo
metabólico. Hastes mortas podem ser fixadas, colocadas ou amarradas juntas, mas não
podem ser enxertadas uma na outra. Somente coisas vivas podem ser enxertadas.
Duas substâncias para serem enxertadas juntas, devem ser semelhantes em vida.
Sabemos que a nossa vida humana natural não é a mesma que a vida divina. De acordo
com Gênesis 1, há um princípio de que cada vida é segundo a sua espécie. Mas embora a
vida humana não seja a vida divina, ela foi criada de acordo com a vida divina, porque o
homem foi feito à imagem de Deus e segundo a Sua semelhança. Somente a vida humana,
não qualquer outro tipo de vida, foi feito de acordo com Deus. Porque a vida humana e a
vida divina são semelhantes em certos aspectos, elas podem ser enxertadas uma na outra.
Uma vez ocorrendo enxerto, a seiva da vida divina fluirá para dentro da vida humana e
produzirá uma unidade maravilhosa entre Deus e o homem. Como, então, poderemos ser
um com Deus e Ele um conosco? Esta unidade vem pelo enxerto da vida humana na vida
divina e a vida divina na vida humana. João 15 diz claramente que nós somos os ramos em
Cristo, que é a videira. Segundo a ilustração usada por Paulo em Romanos 11, somos
ramos enxertados em Cristo. Agora, enquanto permanecermos em Cristo e Ele em nós, nós
e Ele, Ele e nós, compartilharemos de uma única vida e um único viver. Esta unidade em
vida e em viver faz-nos realmente um.

163 | P á g i n a
2. Marido e Esposa

A nossa unidade com o Senhor também está ilustrada nas Escrituras pela unidade entre
um homem e sua esposa. Um marido e sua esposa são um, tanto em natureza quanto em
vida. Por fim, depois de muitos anos, um homem e mulher que desfrutaram de uma
genuína vida conjugal tornar-se-ão um até mesmo na expressão. Durante a lua de mel, um
marido e sua esposa são um em amor. Com mais tempo, eles tornam-se um em vida. Mas
por fim aqueles que desenvolvem uma vida conjugal adequada, tornam-se um em expres-
são, isto é um quadro de nosso relacionamento com o Senhor. Primeiro somos um com Ele
em amor, depois tornamo-nos um com Ele em vida e natureza, e por fim seremos um com
Ele em expressão. Quando somos um com Ele em amor, experimentamos a Sua vida e
desfrutamos da Sua natureza. Quando vivemos a Sua vida e andamos de acordo com a
Sua natureza, tornamo-nos a Sua expressão.
Já enfatizamos na mensagem anterior que a lei é uma descrição daquilo que Deus é. Isto
significa que a lei é a expressão de Deus. Se nos tornarmos um com Deus em amor, vida,
natureza e expressão, automaticamente guardaremos a Sua lei. Não haverá necessidade de
nós utilizarmos a nossa mente para guardá-la porque espontaneamente viveremos de
acordo com a lei de Deus.

D. A Lei Valorizada, Não Mudada

É importante ver que no Novo Testamento, os Dez Mandamentos são repetidos, desen-
volvidos e valorizados. Na verdade, o ensinamento no Novo Testamento vai além dos Dez
Mandamentos. Qualquer um que rejeita a lei de Deus também precisa rejeitar o Novo
Testamento todo, que reitera de modo mais amplo, a lei decretada no Antigo Testamento.
Em Mateus 5, o Senhor Jesus completou a lei e valorizou-a. Mais de uma vez Ele disse:
"Ouvistes o que foi dito... mas eu vos digo..." (Mt 5:21-22, 27-28, 31-32, 33-34, 43-44). O
Senhor Jesus não veio com intenção de abolir a lei. Ele mesmo disse: "Não penseis que vim
para abolir a lei e os profetas; não vim para abolir, mas para cumprir" (Mt 5:17). Acerca da
lei, o ensinamento do Novo Testamento é essencialmente igual ao ensinamento dos Dez
Mandamentos.
Quando alguns lêem isto, eles podem refletir sobre o quarto mandamento, quanto a
guardar o Sábado. Até mesmo com respeito ao Sábado, o Novo Testamento não muda em
principio. No Antigo Testamento, o sétimo dia era um memorial, um marco da criação de
Deus. Mas porque nós, os santos na igreja, fomos regenerados na ressurreição de Cristo
(1Pe 1:3), não somos agora simplesmente a criação de Deus, mas também a Sua recriação.
Diferente de Adão, não somos aqueles que vivem na criação de Deus, mas somos aqueles
que vivem na ressurreição de Cristo. Daí, o nosso dia comemorativo já não é mais o sétimo
dia, mas o oitavo, o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição. De acordo com Atos
20:7, os discípulos se reuniam neste dia, não no sétimo dia, para a mesa do Senhor. De
acordo com 1 Coríntios 16:2, também neste dia as coisas materiais eram colocadas à parte
para o uso de Deus. Além disso, em Apocalipse 1:10, João diz que ele estava em espírito no
dia do Senhor, que era o primeiro dia da semana. Uma vez que há um dia comemorativo,
tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, é correto dizer que acerca do quarto manda-
mento, não há mudança em princípio. Porque os santos do Antigo Testamento viviam na
criação de Deus, o seu dia comemorativo era o sétimo dia. Mas porque nós, os santos do
Novo Testamento, estamos em ressurreição, o nosso dia comemorativo é o oitavo. Atual-
mente, o dia foi mudado do sétimo para o oitavo dia. Porém, Deus não anulou o princípio
164 | P á g i n a
de colocar à parte um dia para o Senhor. Outra vez vemos que, em princípio, a Bíblia toda,
o Antigo e o Novo Testamento, é igual em relação à lei.

E. O Objetivo Final de Deus

O alvo final de Deus é fazer-nos um com Ele. A maneira de nos tornarmos um com Ele é
pelo amor, vida, natureza e expressão. O nosso amor por Deus deveria ser como aquele de
uma esposa pelo seu marido, o próprio amor retratado em Cântico dos Cânticos. Amando
assim ao Senhor, recebemos o Seu suprimento de vida. Já liberamos muitas mensagens
sobre vida e edificação baseadas em Cântico dos Cânticos (ver Vida e Edificação em
Cântico dos Cânticos). Através do nosso amor afetuoso pelo Senhor Jesus, somos supridos
de vida. Quando esta vida cresce, a edificação ocorre. Na verdade, o crescimento de vida é
a edificação. Amando ao Senhor como o nosso Marido, e experimentando e desfrutando
da Sua vida e natureza, tornamo-nos a Sua expressão. Cântico dos Cânticos descreve esta
sequência. Por fim, num sentido muito real, o pretendente em Cântico dos Cânticos torna-
se o seu amado. Os dois, o homem e a mulher, tornam-se um totalmente, até mesmo em
expressão, vivendo como se fossem uma pessoa.
Na unidade entre um homem e sua esposa, vemos a maneira correta de guardar a lei.
Não guardamos a lei através do exercício da nossa mente e vontade. Guardamo-la amando
ao Senhor como o nosso Marido. Todos nós precisamos de tal amor doce, íntimo, terno
entre nós e o Senhor. Devemos amá-Lo como uma mulher ama seu marido. Todos nós,
jovens e velhos igualmente, precisamos deste tipo de amor. Quanto mais amarmos ao
Senhor desta maneira, mais participaremos da Sua Vida e espontaneamente nós O vive-
remos de acordo com a Sua natureza, Aí então, o nosso viver automaticamente tornar-se-á
o guardar a Sua lei. Aquilo que manifestarmos será de acordo com a lei como Sua des-
crição, definição e expressão.
Como veremos numa mensagem posterior, se tentarmos guardar a lei de Deus sem
termos tal amor afetuoso por Ele, estaremos em trevas, condenados, expostos e até mortos
pela lei de Deus. Este é o aspecto negro da lei, o aspecto da "noite". Nesta mensagem, a
nossa preocupação tem sido considerar o aspecto brilhante, o aspecto do "dia". Conside-
rando este aspecto, vemos que podemos guardar a lei de Deus somente através de amá-Lo
e nos tornarmos um com Ele.

165 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA E CINCO
GUARDANDO A LEI DE DEUS, AMANDO-O E A SUA
PALAVRA E TORNANDO-SE UM COM ELE

(2)

Leitura da Bíblia: Gn 1:26; Jr 31:3, 32; 2:2; Jo 3:29; Mt 9:15; Ef 5:25-27;


2Co 11:2; Ap 19:7; Jo 21:15-17; 2Co 5:14-15; Jo 14:21, 23; Ct 1:2-4.

Esta mensagem é uma continuação da mensagem anterior.

II. O ROMANCE DE DEUS COM O HOMEM

A. Criando o Homem com o Propósito de Ter um Complemento

Através dos séculos, Deus tem tido um romance com o homem. Pois criou o homem,
com o propósito de ter um complemento (Gn 1:26). A Sua intenção em criar o homem não
foi primordialmente para ter servos. Se lermos a Bíblia de uma maneira pura, sem
qualquer preocupação, perceberemos que o propósito do Deus ao criar o homem era obter
um complemento. Deus não é um guerreiro; Ele é alguém que ama, Ele criou o homem
segundo a Sua própria imagem. Isto significa que Ele criou o homem de modo que este
pudesse amá-Lo. Deus estava sozinho na eternidade, podemos até dizer, que Ele era
solitário. O Seu desejo de amor não poderia ser satisfeito pelos anjos. Por isso, Deus criou
o homem de acordo com o Seu próprio ser. Deus é amoroso, Ele quer que o homem O
ame. Desta forma haverá um relacionamento mútuo de amor entra Deus e a humanidade,
aqueles que foram criados para serem o Seu complemento.

B. Escolhendo Israel para Ser a Sua Esposa

O Antigo Testamento indica claramente que Deus veio para escolher Israel para ser a
Sua esposa. Em Jeremias 31:3 o Senhor diz: "Com amor eterno Eu te amei, por isso com
benignidade te atrai". Quando Deus apareceu para o Seu povo, Ele "marcou encontro" com
ele e mais tarde até mesmo o namorou. De acordo com Ezequiel 16, Deus amou Israel
quando o viu no deserto. O versículo 8 descreve este amor: "Passando Eu por junto de ti,
vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; estendi sobre ti as abas do meu manto, e
cobri a tua nudez; dei-te juramento, e entrei em aliança contigo, diz o Senhor Deus; e
passaste a ser minha". Entrando em aliança com Israel Deus compromissou-O consigo
mesmo. Jeremias 2:2 também fala desta aliança, deste noivado: "Lembro-me de ti, da
ternura da tua juventude, do amor do teu noivado, de como tu me seguias no deserto,
numa terra que não foi semeada" (hebr.). Este versículo indica que a aliança foi promul-
gada no deserto após Deus ter tirado os filhos de Israel do Egito. Os capítulos um até o
dezenove de Êxodo foram o tempo da juventude de Israel. O Senhor lembrou-se da
ternura da juventude de Israel e do amor do seu noivado. Fico imaginando o quanto Israel
realmente amou a Deus desta maneira. Talvez neste versículo o Senhor estivesse consolan-
166 | P á g i n a
do a Si mesmo, como um jovem que tenta encorajar-se quando aquela a quem ama falha
em corresponder ao seu cortejo. Tal jovem pode ser encorajado até mesmo se aquela a
quem ama olhar para ele. Em que lugar dos primeiros dezenove capítulos de Êxodo
pudemos ver o amor do noivado de Israel para com Deus? Onde pudemos encontrar tal
amor entre marido e esposa? Embora nos seja difícil encontrar, Jeremias 2:2, entretanto,
nos diz que o Senhor Se lembra do amor do noivado de Israel e da ternura da sua juven-
tude. Parece-me que Israel não era tão terno, polido ou cortês para com o Senhor. Não
obstante, Jeremias nos diz que Ele Se lembrava da ternura da juventude da Israel. As
expressões usadas em Jeremias 2:2 revelam o quanto Deus amava os filhos de Israel. Em
certo sentido, podemos dizer que Deus estava cego por causa do Seu amor pelo povo.
Após criar o homem, Ele escolheu um povo, os filhos de Israel, para ser Sua esposa.

C. Vindo para Ser o Noivo para a Noiva

Quando o Senhor Jesus veio, Ele veio como o Noivo para a noiva. Muitos cristãos estão
familiarizados com a declaração de João Batista: "Eis o Cordeiro de Deus" (Jo 1:29). Entre-
tanto, poucos compreendem que João também se referia ao Senhor como o Noivo. Em João
3:29 ele diz: "O que tem a noiva é o noivo". Esta palavra está incluída num capitulo sobre a
regeneração (Jo 3:3-6). O objetivo da regeneração é produzir e preparar a noiva para o
Noivo. Uma vez que Cristo é Aquele que terá a noiva, Ele é o Noivo. Como Deus encar-
nado, Cristo não veio somente para ser o nosso Redentor e Salvador, mas também, veio
para ser nosso Noivo.
Em Mateus 9:15 o Senhor Jesus referiu-se a Si mesmo como o Noivo. Para os religiosos
cegos que estavam inquirindo-O sobre o jejum, o Senhor disse: "Podem acaso estar tristes
os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em
que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar‖. Ao tratar com a questão levan-
tada pelos discípulos de João, o Senhor revelou-Se como o Noivo vindo para receber a
noiva. Na sua cegueira, os religiosos não puderam ver que Cristo era o Noivo. É decisivo
que os nossos olhos estejam abertos para verem o Senhor como nosso Noivo.

D. Regenerando a Igreja para Ser Sua Noiva

O Senhor Jesus regenerou a igreja de forma que ela pudesse ser a Sua noiva (Jo 3:3, 5.
29-30). O Senhor é o Noivo com a vida e a natureza divinas. Se quisermos ser a Sua noiva,
precisamos ter também a vida e a natureza divinas. Para isto, a regeneração é necessária.
Se não possuíssemos esta vida e natureza, nunca poderíamos ser o complemento de
Cristo. Em João 3 vemos que esta regeneração nos qualifica para sermos a noiva de Cristo.
Somente depois de termos sido regenerados com a vida divina e recebido, portanto, a
natureza divina, podemos nós, pecadores, ser tomados por Cristo para sermos o Seu amor.
Ele é tão elevado, possuindo a vida e a natureza divinas, e nós somos tão baixos. Como
podemos tornar-nos o Seu complemento? Isto somente é possível pela regeneração.
Através da regeneração recebemos uma outra vida, a vida divina. Nesta vida e por esta
vida somos qualificados para sermos o complemento de Cristo e para nos unir com Ele.

E. Casando-Se com a Sua Redimida como Sua Esposa


167 | P á g i n a
No fim desta era Cristo virá para desposar a Sua redimida e para tomá-la como Sua
esposa (Ap 19:7). A era atual é uma era de "encontros", namoro e noivado entre Deus e o
Seu povo. No fim desta dispensação, haverá um dia glorioso de casamento, a época em
que Cristo casar-se-á com os Seus redimidos. Esta revelação do casamento entre Cristo e os
Seus redimidos é a maior revelação na Bíblia.

F. Desfrutando de uma Vida Conjugal Pela Eternidade

Bem no fim da Bíblia vemos que Deus desfrutará de uma vida conjugal com o Seu povo
na eternidade e pela eternidade. Pela eternidade, no céu e na nova terra, a Nova Jerusalém
será a esposa do Cordeiro (Ap 21:9). Este é o cumprimento do romance de Deus revelado
nas Escrituras.

III. TODA A BÍBLIA SENDO UM ROMANCE DIVINO

A Bíblia toda é um romance divino. Isto significa que a Bíblia é um livro muito Roman-
tico. Isto é particularmente verdade em Cântico dos Cânticos. Certos modernistas duvi-
dam se Cântico dos Cânticos deveria ser incluído na Bíblia. Mesmo alguns genuínos
mestres cristãos têm tido dúvidas acerca deste livro. Quando era jovem, também imagi-
nava porque tal livro estava na Bíblia, um livro concernente ao romance entre um homem
e uma mulher. Este livro é um retrato do relacionamento de amor entre nós e Cristo. De
acordo com Cântico dos Cânticos, o nosso relacionamento com o Senhor deveria ser muito
romântico. Se não houver romance algum entre nós e o Senhor Jesus, então somos cristãos
religiosos, não cristãos românticos. Se você deseja saber o que quero dizer com romance,
animo-o a ler e orar-ler Cântico dos Cânticos. Orar-ler este livro de romance fará com que
você se torne romântico para com o Senhor. Você ficará fora de si mesmo de amor por Ele.
A Bíblia é um romance divino, e o nosso relacionamento com o Senhor deveria tornar-se
cada vez mais romântico.

A. Repleto de ―Encontros" de Deus com o Homem

Como um romance divino, a Bíblia é um relato completo do interesse amoroso de Deus,


e até mesmo dos Seus "encontros" com o homem. Várias vezes nas Escrituras, Deus vem
ao homem desta maneira. A vinda de Deus a Jacó em Betel pela primeira vez (Gn 28:10-22)
e também pela segunda vez (Gn 35:9-15) constituem dois exemplos disto. Um outro exem-
plo é a vinda de Deus a Moisés no Monte Horebe (ÊX 3:1-17).

B. Repleto da Corte de Deus para com o Homem

A Bíblia também está repleta de relatos sobre Deus cortejando o homem. Como um
jovem deseja dar constante atenção à mulher que está cortejando, a ponto de aborrecê-la,
assim o Senhor nos "aborrece" cortejando-nos. A Bíblia relata a corte de Deus para com o
Seu povo. No Novo Testamento vemos que quando o Senhor Jesus chamou os Seus discí-
pulos, Ele os estava cortejando. Várias vezes o Senhor Jesus aborreceu Pedro nesta forma
cortejadora. É significativo que não foi Pedro quem veio ao Senhor, mas foi o Senhor quem
chegou até Pedro. Em João 21 o Senhor inquiriu de Pedro: ―Simão, filho de João, amas-Me
mais do que estes outros?" (v. 15). Duas vezes mais perguntou-lhe: "Tu me amas?' (vs. 16-
168 | P á g i n a
17). Fazendo estas perguntas a Pedro, o Senhor Jesus estava cortejando-o. Ele não queria
que Pedro O amasse tal como uma criança honra aos pais, um amigo cuida de outro
amigo, ou um rico se compadece de um pobre. Pelo contrário, o Senhor queria que Pedro
O amasse com um amor afetuoso, com um amor semelhante àquele que uma jovem tem
pelo homem que ama.
Não deveríamos ler João 21 à parte de João 3. Aquele que estava perguntando a Pedro
se Ele O amava, era o próprio Noivo que veio para ter a noiva. Baseado na revelação do
Senhor Jesus como o Noivo em João 3, vemos que a Sua conversa com Pedro no capítulo
vinte e um foi conduzida na forma de namoro.
O mesmo é verdade na palavra do Senhor em João 14:21, 23. No versículo 21 o Senhor
diz: "Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, esse é o que Me ama; e aquele
que Me ama, será amado por Meu Pai, e Eu também o amarei e Me manifestarei a ele‖.
Esta é uma palavra proferida pelo Noivo à Sua noiva. É uma palavra de "encontro" e de
corte. No versículo 23 o Senhor continua: ―Se alguém me ama, guardará a minha palavra,
e o meu Pai o amará e viremos para ele e faremos nele morada". O Pai e o Filho fazendo
morada naquele que ama ao Senhor Jesus é uma referência ao viver junto da vida
conjugal. Compartilhar da mesma morada com o Senhor Jesus é viver com Ele como Sua
esposa.
Embora o Senhor frequentemente falasse como um Noivo conversando com Sua noiva,
poucos cristãos têm percebido este aspecto da Sua palavra. A tendência tem sido tomar a
palavra do Senhor num sentido totalmente diferente. Portanto, espero que esta palavra
acerca do "encontro" e a corte de Deus para com o Seu povo venha revolucionar nosso
conceito. A vinda do Senhor até nós, é o "encontro" e a corte Dele para conosco.

C. Tanto a Velha quanto a Nova Aliança Sendo Alianças de Casamento

Na mensagem anterior ressaltamos que tanto a Velha quanto a Nova Aliança eram
alianças de casamento, alianças de noivado.

1. Todo o Antigo Testamento Proferido Desta Forma

Como um todo, o Antigo Testamento foi proferido nesta forma, de uma aliança de
noivado. Esta é razão porque Isaías, Jeremias, Ezequiel e Oséias, todos se referem ao povo
de Deus como Sua esposa. Embora o Seu povo quisesse divorciar-se Dele, o Senhor trouxe-
os de volta para Si mesmo. Ele os desposaria novamente. Veja como a palavra desposar é
usada em Oséias 2:19 e 20: ―Desposar-te-ei comigo para sempre, sim, desposar-te-ei
comigo em justiça, e em juízo, e em amorosa bondade, e em misericórdias. Desposar-te-ei
comigo em fidelidade, e conhecerás Jeová" (hebr.). Nestes versículos o Senhor usa a
palavra desposar três vezes. O tempo futuro indica que isto se refere ao segundo compro-
misso do povo do Senhor com Ele, o casamento em que a mulher divorciada é trazida de
volta ao Senhor, como o Seu marido. Isto indica que a Velha Aliança era de casamento de
compromisso.

2. A Lei Dada Desta Forma

Como indicamos, a lei foi dada na forma de um documento de compromisso, de um


contrato de noivado. Quando Deus apresentou a lei ao Seu povo no Monte, Ele estava

169 | P á g i n a
desposando-os Consigo mesmo. Ao dar-lhes a lei, Ele estava procurando estimulá-los a
amá-Lo e a não ter nenhum amado além Dele.

3. Todo o Novo Testamento Escrito Desta Forma

Todo Novo Testamento foi escrito na forma de romance e corte. O Evangelho de Mateus
fala de Cristo como um Noivo, e o livro de Apocalipse refere-se ao casamento do Cordeiro
e conclui com a revelação da Nova Jerusalém como a esposa do Cordeiro. Além disto, em
2 Coríntios 11:2 Paulo expressa o mesmo conceito quando diz: "Porque zelo por vós com
zelo de Deus, visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um
só esposo, que é Cristo". Aqui vemos que Paulo percebeu que ele havia despo-sado a igreja
para Cristo, o Seu Marido. Então, em Efésios, Paulo se refere ao amor de Cristo pela
igreja, advertindo os maridos a amarem as suas esposas "como também Cristo amou a
igreja, e a Si mesmo se entregou por ela" (Ef 5:25). Daí, todo o Novo Testamento foi escrito
numa atmosfera de romance. O Senhor é Aquele que nos corteja, e nós somos o Seu amor,
a Sua esposa. Por fim, no final do Novo Testamento, temos o casamento de Cristo com o
Seu povo.

4. A Bíblia Inteira Sendo a Palavra Cortejadora de Deus

Toda a Bíblia é a palavra cortejadora de Deus. Na Bíblia vemos que Deus está buscando
o novo amor. Quando o Senhor perguntou a Pedro se ele O amava, Ele estava cortejando
Pedro, buscando o seu amor afetuoso. Como um todo, a Bíblia é uma palavra de tal
namoro divino.

5. Um Amor Responsivo, Afetuoso, Necessário


Para Manter a Palavra Cortejadora de Deus

Se quisermos, guardar a palavra cortejadora de Deus, precisamos de um amor respon-


sivo, afetuoso para com Ele. Pedro foi solicitado para amar o Senhor desta forma, e Paulo
foi constrangido a amar o Senhor com tal amor (2Co 5:14-15). Todos os cristãos precisam
amar o Senhor desta maneira. (Jo 14:21, 23).
Como temos visto, este tipo de amor que corresponde, afetuoso descrito em Cântico dos
Cânticos, onde temos um retrato do amor entre o Amado e o Seu amor (Ct 1:2-4).

IV. GUARDAR A LEI DE DEUS TORNANDO-NOS UM COM ELE

Na mensagem anterior ressaltamos que guardamos a lei de Deus amando-O. Ainda


mais, guardamos a lei de Deus tornando-nos um com Ele. Tal unidade está relacionada
com o fato de que a lei era um documento de compromisso, uma aliança de matrimônio. O
objetivo de Deus, ao dar a lei era fazer o Seu povo escolhido um com Ele, como uma
esposa é uma com seu marido. A lei, portanto introduziria a substância de Deus para
dentro Deles, conduzi-los-ia até Deus e os uniria com Deus para dentro deles, em vida e
natureza. Esta união de Deus com o Seu povo em vida e natureza é retratada pelo tipo de
Adão e Eva em Gênesis 2:18-24. Tudo isto indica que a lei de Deus pode ser conservada
somente por aqueles que amam a Deus e são um com Ele em vida, natureza e expressão.
A Bíblia realmente é um livro de namoro, e nosso Deus é um Deus cortejador, Algumas
pessoas podem discordar da afirmação de que Deus é um Deus cortejador. Mas a menos
170 | P á g i n a
que não consideremos a Bíblia, devemos admitir que isto é a verdade. A Bíblia revela
claramente que Deus está cortejando o homem.
Muitas canções evangelísticas falam do chamamento do Senhor e muitos pregadores
dizem que os crentes são as pessoas chamadas por Deus. É claro que isto é verdade. Entre-
tanto, o chamamento de Deus para os pecadores virem até Ele é a Sua maneira de cortejá-
los. O Seu chamamento é a Sua corte, para que o Seu povo sequioso não só seja salvo, mas
também seja a Sua noiva amando-O de modo afetuoso.
É pela soberania do Senhor que Cântico dos Cânticos foi incluído nas Escrituras. Entre-
tanto, alguns assim chamados cristãos discordam da inclusão de Cântico dos Cânticos na
Bíblia, vendo-o como um livro secular, não como um livro sagrado. Mas, de fato, Cântico
dos Cânticos é o mais sagrado dos livros. Neste livro, aquele que busca diz: "Eu sou do
meu amado, e o meu amado é meu" (6:3). Se não tivéssemos Cântico dos Cânticos, prová-
velmente não teríamos tal expressão a respeito do nosso relacionamento com o Senhor. O
hino "Amado com amor eterno" tem uma linha no coro que diz: "Eu sou Dele, e Ele é
meu". Isto é uma referência a Cântico dos Cânticos. Dizer que "Eu sou do meu amado" não
significa que Ela seja o Amo possuindo-nos como seus servos. Significa que somos o Seu
amor.
Este relacionamento não é aquele entre amo e escravo, mas o relacionamento afetuoso
entre o marido e a mulher. Cântico dos Cânticos é o livro mais romântico jamais escrito.
Ainda assim este livro diz respeito ao relacionamento amoroso entre Deus e o Seu povo
escolhido. Ele apresenta um retrato da vida conjugal de Cristo com aqueles que O amam.
Gostaria de lembrá-lo que o tema desta mensagem é sobre guardar a lei de Deus através
de amá-Lo e à Sua palavra, e tornando-nos um com Ele. Guardar a lei de Deus tem muito a
ver com amá-Lo, como uma esposa ama ao seu marido. Enfatizamos repetidamente que ao
dar a lei, Deus estava namorando o Seu povo. Desde que a lei foi dada como um contrato
de noivado, não deveríamos tentar guardá-la à parte de amarmos o Senhor e sermos um
com Ele.
Alguns mestres cristãos pensam que no Novo Testamento, Deus abandonou a lei. Isto
está longe da verdade. O conteúdo da lei junto com a redenção pode ser considerado um
resumo da Bíblia inteira. Além disto, concernente a lei de Deus, o conteúdo do Novo
Testamento é essencialmente o mesmo daquele dos Dez Mandamentos. Por exemplo, ao
longo da Bíblia toda nos é dito para não termos nenhum outro deus além do único Deus
verdadeiro. Deus é um Deus ciumento, e não devemos ter qualquer deus além Dele. Paulo
refere-se ao ciúme de Deus em 2 Coríntios 11:2, onde ele indica que devemos ser uma
virgem pura para Cristo. O Senhor deve ser o nosso único Amado. Isto é ensinado não
somente nos Dez Mandamentos, mas em todas as Escrituras.
A Bíblia toda ensina que não deveríamos adorar ídolos. Esta ordem não está limitada
aos Dez Mandamentos. Além disto, toda a Bíblia nos ensina a usar o nome do Senhor ade-
quadamente e nunca tomá-lo em vão. Mais uma vez este mandamento não está limitado à
lei.
Em princípio, nem mesmo o quarto mandamento, acerca de guardar o sábado, está
restrito à lei. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, o povo de Deus devia ter um
dia comemorativo como um sinal de que pertenciam ao Senhor. Na velha criação este dia
era o sábado, o sétimo dia da semana. Mas na nova criação é o oitavo dia, o primeiro dia
da semana o dia da ressurreição de Cristo. Como aqueles que vivem na nova criação em
ressurreição, o nosso dia comemorativo é o oitavo dia, não mais no sétimo. Embora o dia
tenha mudado para nós na nova criação, o princípio não mudou. Durante o milênio, a
humanidade restaurada continuará a observar o sétimo dia (Is 66:23). Baseado neste fato,
171 | P á g i n a
os Adventistas do Sétimo Dia argumentam que os crentes nesta era devem continuar a
observar o sábado. Entretanto, no milênio vindouro o sábado será observado, não pelo
povo regenerado por Deus, mas pela humanidade restaurada e preservada, mas ainda não
regenerada. Embora eles sejam restaurados ao estado do homem na época da criação, eles
não terão a vida divina em ressurreição. Enquanto eles são o povo do sétimo dia, nós
somos o do oitavo dia. Mas em ambos os casos a Bíblia ensina que o povo de Deus deve
ter um dia em particular, como sinal da sua separação para o Senhor.
Vimos que os primeiros quatro mandamentos são mantidos ao longo das Escrituras. O
mesmo é verdade com os últimos seis mandamentos concernentes a honrar os pais, não
matar, não cometer adultério, não roubar, não apresentar falso testemunho e não cobiçar.
Se abandonarmos a lei, poremos de lado toda a Bíblia.
Embora não devamos abandonar a Lei, deveríamos ser cuidadosos para não abusarmos
dela, para não empregá-la mal. Tanto a lei em particular quanto a Bíblia como um todo
deveria ser usada de uma maneira apropriada. Se tentarmos guardar a lei sem contatar a
Deus, abusaremos dela. Da mesma forma, se nos aproximarmos da Bíblia sem tocarmos o
Senhor, empregaremos mal as Escrituras. Os judaizantes cometeram o erro de tentar
cumprir a lei sem contatar Deus. Assim, eles não se tornaram o Seu complemento, aqueles
que guardam a Sua lei amando-O e sendo um com Ele. Em princípio, muitos cristãos estão
cometendo o mesmo erro hoje. Embora leiam e estudem a Bíblia, eles fazem isto sem
contatar o próprio Senhor. Enquanto ensinam aos outros o conhecimento da Bíblia, eles
não os encorajam a contatar o Senhor na Palavra. Por conseguinte, eles se tornam os judai-
zantes de hoje, abusando e empregando mal a Palavra de Deus.
Nós na restauração do Senhor, apreciamos o orar-ler a Palavra. Não queremos ler a
Bíblia sem contatar o Senhor de uma maneira viva. Devemos nos precaver de ler a Bíblia
sem orar e tocar o Senhor. Se contatarmos o Senhor na Palavra, seremos um com Ele de
uma maneira prática em nossa experiência. Tornar-nos-emos então o Seu complemento.
Amando o Senhor como o nosso Amado, sendo um com Ele, até mesmo nos tornando o
Seu amor, a Sua palavra tornar-se-á o suprimento de vida para nós. A lei é a condensação
da Sua palavra. Sempre que contatarmos o Senhor de uma maneira direta e íntima,
tornando-nos um com Ele, Sua palavra suprir-nos-á de vida. Através desta vida nós
crescemos, tornando-nos a Sua expressão e vivemos de uma forma que corresponde ao
que Ele é. Tal viver corresponde à lei de Deus e à Sua palavra. Esta é a maneira apropriada
de usarmos a lei e a Palavra de Deus.

172 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA E SEIS
A MANEIRA COMO AQUELES QUE BUSCAVAM A DEUS
NO ANTIGO TESTAMENTO DESFRUTAVAM DA SUA LEI

(1)

Leitura da Bíblia: Salmos 119:1-2, 14-16, 20, 30, 35, 36, 40, 42-43, 45, 47-48,
54, 55, 58, 66, 70, 74, 77, 80, 92, 94, 97, 103, 111, 114, 117, 119, 127,
131-132, 135, 140, 147, 159, 162. 165, 167-170, 172-174; 19:10b

O Salmo 119 é um salmo que trata especificamente da lei. Sendo o maior trecho no livro
de Salmos, este salmo foi escrito de acordo com a sequência das letras do alfabeto
hebraico, com cada uma das suas vinte e duas seções usando oito versículos para cada
uma das trinta e duas letras hebraicas. Assim, este salmo de cento e setenta e seis
versículos tem mais versículos do que todo o livro de Efésios. Devido à sua extensão, é
difícil explaná-lo de uma forma resumida.
As mensagens anteriores sobre a lei de Deus devem-nos servir de ajuda para a compre-
ensão do Salmo 119. O Salmista não escreveu este salmo segundo a teologia. Antes, foi
escrito de acordo com o seu sentimento e experiência, de acordo com o profundo desejo do
seu coração, e segundo o seu desfrutar da lei. Os salmistas expressaram sua fome, sede, e
desejo pelo Senhor. Como todos os salmos, o Salmo 119 é cheio de desejo, não de doutrina.
O versículo 131, diz, ―Abro a boca e aspiro; porque anelo os teus mandamentos". Aqui o
salmista usa a palavra "anelo", uma palavra também usada no salmo 42:1. ―Como suspira
(anela) a corça pelas correntes das águas, assim por Ti, ó Deus, suspira (anela) a minha
alma‖. Em certa versão a nota diz que em hebraico a palavra anelo se refere ao desejo de
uma fonte de água fria depois de sofrer um calor abrasador. O uso desta palavra nos
salmos 119:131 e 42:1 mostra o profundo sentimento e o desejo dos salmistas. Os salmistas
tinham sede e suspiravam por Deus. Por isso, embora o Salmo 119 tenha muito a dizer
sobre a lei, não fala sobre a lei segundo a perspectiva da doutrina, mas do ponto de vista
da experiência espiritual. Este salmo foi escrito por alguém que lidava com a lei desfru-
tando-a. Nesta mensagem e na próxima examinaremos o salmo 119, para vermos de que
maneira buscavam a Deus no Antigo Testamento e desfrutavam da Sua lei.

I. BUSCANDO A DEUS

O Salmo 119:2 nos diz que aqueles que desfrutavam da lei de Deus no Antigo Testa-
mento eram os que buscavam a Deus: "Bem-aventurados os que guardam as suas pres-
crições, e o buscam de todo o coração‖. O escritor do Salmo 119 era um destes. Muitos
cristãos não estão familiarizados com a expressão "os que buscam a Deus", embora este
conceito seja bíblico. De acordo com o Salmo 119, buscar a Deus está relacionado com
guardar a lei. Se você tenta guardar a lei sem ter um coração de busca a Deus, os seus
esforços serão vãos. Era esta a séria falha dos judaizantes no tempo de Paulo. Tentando
guardar a lei sem buscar a Deus com todo o seu coração, eles fracassaram, em seus

173 | P á g i n a
esforços para cumprir as exigências da lei. Se quisermos andar de acordo com a lei de
Deus, devemos buscá-Lo com todo o nosso coração.

II. AMANDO E LEMBRANDO O SEU NOME

O Salmo 119:132 diz, "Volta-Te para mim, e tem piedade de mim segundo costumas
fazer aos que amam o teu nome‖. Este versículo indica que o salmista amava o nome do
Senhor. O versículo 55 diz, "Lembrei-me, Senhor, do teu nome, durante a noite, e guardei a
tua lei‖. (Hebr.) Quando o salmista acordou durante a noite, ele se lembrou do nome do
Senhor. O que nos lembramos durante a noite revela nosso verdadeiro interesse, aquilo
que nos ocupa. O que você pensa quando acorda durante a noite? Se você é alguém que
busca a Deus, lembrar-se-á do Seu nome. O Seu nome será o seu interesse especial. Jovens,
espero que quando vocês acordarem durante a noite, não se fixem em coisas mundanas,
mas se lembrem do doce e precioso nome do Senhor. Como os santos do Antigo Testa-
mento, que todos nós possamos amar o nome do Senhor e lembrar-nos Dele, mesmo no
meio da noite.

III. SUPLICANDO POR SEU SEMBLANTE

O Salmo 119:58 diz, "Suplico por tua face com todo o meu coração" (Hebr.). A versão de
João Ferreira de Almeida usa a palavra graça em vez de face. Realmente, buscar a face de
alguém é buscar a Sua graça. Se suplicarmos pela face do Senhor, por Seu semblante, rece-
beremos graça. Frequentemente as crianças pequenas buscam intensamente a face de suas
mães; para elas, nada é mais amável do que contemplar a face da sua mãe. Nós também
deveríamos buscar o Senhor com tal intimidade, suplicando por seu semblante. O sem-
blante do Senhor traz a Sua graça para aquele que O busca. Para tudo o que o salmista
precisava, ele suplicava pelo semblante de Deus.
O Salmo 105:4 diz: ―Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua
presença‖. De acordo com este versículo, precisamos continuamente buscar a face de
Deus. Então, no Salmo 42:5, o salmista louva a Deus "Pela ajuda do seu semblante‖. De
uma forma profundamente pessoal e íntima, o salmista buscou a ajuda do semblante do
Senhor.

IV. PEDINDO PARA QUE O SEU ROSTO RESPLANDEÇA SOBRE ELES

Os que buscavam a Deus no Antigo Testamento também oravam para que o rosto do
Senhor resplandecesse sobre eles. O 119:135 diz: "Faze resplandecer o teu rosto, sobre o teu
servo‖. Este pensamento está fundamentado no segundo aspecto da bênção sacerdotal em
Números 6:24-26: "O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto
sobre ti, e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz‖. Sem
dúvida, esta bênção tríplice se refere à bênção da Trindade: a bênção do Pai, do Filho e do
Espírito. Com respeito à bênção do Filho, há menção do rosto do Senhor resplandecendo
sobre o povo. Orar para que o rosto de Deus resplandeça, é também encontrado no Salmo
4:6 e no 80:3, 7, 19, onde o salmista ora: "Restaura-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu
rosto‖. Os santos buscadores no Antigo Testamento não eram pessoas que simplesmente
se esforçavam para guardar a lei em letras. Eles buscavam a Deus com amor, de uma
maneira íntima, até mesmo pedindo a Ele que fizesse Seu rosto resplandecer sobre eles.

174 | P á g i n a
Se não tivermos tal coração para buscar o Senhor, não nos importaremos com o resplan-
decer da Sua face. Mesmo se Ele fizesse resplandecer a Sua face sobre nós, não ficaríamos
cientes desse resplandecer. Para percebermos o resplandecer do rosto do Senhor, preci-
samos de um coração que busca. Se formos aqueles que buscam o Senhor de uma maneira
íntima, perceberemos o resplandecer de Seu rosto. De acordo com 2 Coríntios 4:6, pode-
mos experimentar este resplandecer. "Porque Deus que disse: De trevas resplandecerá luz
– Ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da
glória de Deus na face de Cristo". Louvado seja o Senhor porque podemos experimentar o
resplandecer da Sua face!

V. ANDANDO NA SUA PRESENÇA

Se a face do Senhor resplandecer sobre nós, automaticamente andaremos na sua pre-


sença. Em 119:168 o salmista declara: "Na tua presença estão todos os meus caminhos‖.
Isto indica que o seu caminhar era na presença do Senhor. Esta é uma indicação clara de
que o salmista era um com o Senhor.
Embora a questão de unidade com Deus seja revelada plenamente no Novo Testa-
mento, também há indícios dela no Antigo Testamento. O Salmo 90:1 diz, ―Senhor, tu tens
sido o nosso refúgio de geração em geração‖.
Este versículo, escrito por Moisés, indica que ele experimentou o Senhor como sua habi-
tação. Deus era seu lar, sua habitação. Mas note que Moisés fala de "todas as gerações".
Isto nos diz que os santos do Antigo Testamento, em todas as gerações, tiveram a
experiência de habitar em Deus. Os que buscavam a Deus no Antigo Testamento, habita-
vam Nele, eram um com Ele. Habitar em Deus é ser um com Ele. Como poderiam estes
sequiosos habitar em Deus sem estar Nele e serem um com Ele?
Se estudarmos cuidadosamente os Salmos, veremos que os que buscavam a Deus no
Antigo Testamento tornaram-se um com Ele através do seu apreciar e desfrutar da lei. Eles
não somente andavam na presença de Deus, mas habitavam em Deus, experimentando-O
como sua habitação.

VI. CONSIDERANDO A LEI DE DEUS COMO A SUA PALAVRA

Repetidamente o escritor do Salmo 119 fala da lei de Deus como a Sua palavra. Há uma
diferença significativa entre a lei e a palavra. A lei é uma questão de mandamentos que
exigem ou requerem de nós que guardemos certas regras ordenadas por Deus. Muito
embora a lei exija, ela não pode por si mesma suprir vida. Paulo se refere a isto em Gálatas
3:21: ―Porque se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade
seria procedente de lei‖. Embora a lei não possa dar vida, a palavra de Deus pode suprir-
nos com vida. As palavras proferidas por Deus são o seu sopro (2Tm 3:16, grego). De
acordo com a Bíblia, a palavra de Deus também é vida, comida e água. Deveria ser o nosso
suprimento de vida diariamente. Entretanto, se lidarmos com a lei unicamente como a lei,
e não como a palavra de Deus, não receberemos o suprimento da vida através da lei. Não
haverá para nós sopro, comida, água ou nutrição. Pelo contrário, tomaremos a lei da
mesma forma que os judaizantes fizeram. Mas, se considerarmos a lei não somente como a
lei, mas também como a palavra de Deus, receberemos através dela vida, sopro, comida e
água viva. Segundo a palavra do Senhor Jesus em João 6:63, as Suas palavras são Espírito e
vida.

175 | P á g i n a
O Salmista se refere à lei como a palavra de Deus pelo menos trinta e sete vezes no
Salmo 119. Em vez de simplesmente declarar que ele amava a lei de Deus, o salmista
declarou que amava a palavra de Deus. Isto prova que ele considerava a lei de Deus como
a Sua palavra viva.
A Bíblia é a palavra de Deus, mas se a tomarmos unicamente como letras pretas no
papel branco, e não contatarmos o Senhor diretamente enquanto lemos, ela se tornará um
livro morto para nós. Paulo disse: "A letra mata, mas o espírito dá vida‖' (2Co 3:6). Neste
versículo a palavra grega para "letra‖ é a mesma usada, por Paulo em 2 Timóteo 3:15
falando das Sagradas Escrituras.
Se a Bíblia for tomada apenas como letras, ela matará. Contudo, "o espírito dá vida. Se
contatamos o Senhor em nosso espírito, enquanto lemos a Bíblia, a Palavra se tornará
espírito e vida para nós. Será o sopro de Deus na nossa experiência espiritual. Toda vez
que lemos a Palavra, precisamos tocar a fonte da Palavra, e esta fonte é o próprio Deus.
Já ressaltamos inúmeras vezes que através da Palavra, que é soprada por Deus (2Tm
3:16, grego), podemos aspirar Deus para dentro de nós. Certas pessoas, que estão à
procura de erros, têm distorcido nossas palavras, citando-nos fora de contexto, e criti-
cando-nos por ensinarmos que os crentes podem aspirar Deus para dentro deles. Chamam
a isto blasfêmia e uma palavra da carne. Segundo as Escrituras, a palavra de Deus é o Seu
sopro. Oh, como Deus deseja que O aspiremos para dentro de nós. Agradecemos-Lhe por
tornar isto real em nossa experiência.

A. Crendo Nela

Considerando a lei de Deus como a Sua palavra, o salmista orou na palavra: "Ensina-me
bom juízo e conhecimento, pois creio nos teus mandamentos‖ (119:66). Segundo o Novo
Testamento, a primeira exigência para tomarmos a Palavra de Deus é que creiamos nela.
Precisamos crer na sua legitimidade, precisão, autoridade e poder.

B. Escolhendo-A

Juntamente com os que buscavam a Deus no Antigo Testamento, nós também devemos
escolher a palavra de Deus. O Salmo 119:30 diz, "Escolhi o caminho da fidelidade; decidi-
me pelos teus juízos‖. O versículo 173 diz, "Venha a tua mão socorrer-me, pois escolhi os
teus preceitos‖. Que escolha maravilhosa é esta! Todos nós precisamos tomar uma forte
decisão em favor da palavra de Deus.

C. Levantando Suas Mãos para Ela

Em 119:48 encontramos uma expressão diferente: ―Para os teus mandamentos levanta-


rei as minhas mãos‖. O que significa levantar nossas mãos para a palavra de Deus? Se
considerarmos como levantamos nossa mão para saudar alguém, seremos capazes de
entender. Levantar nossas mãos para a palavra do Senhor é acolhê-la, demonstrar que a
recebemos calorosamente e lhe dizemos "Amém". Muitos de nós espontaneamente temos
levantado nossas mãos quando inspirados pela palavra de Deus. Portanto, levantar nossas
mãos para a palavra de Deus significa recebê-la alegremente.

176 | P á g i n a
D. Amando-A

Os que buscavam a Deus no Antigo Testamento amavam a palavra de Deus. O escritor


do Salmo 119 fala onze vezes do amor à palavra de Deus (vs. 47, 48, 97, 113, 119, 127, 140,
159, 163, 165, 167). Também posso testificar que amo a Palavra de Deus. Nenhum livro é
tão amável quanto a Bíblia.

E. Deleitando-Se Nela

O Salmista também se deleitava com a palavra de Deus (119: 16, 24, 35, 47, 70, 77, 92,
174). Ele desfrutava da palavra e encontrava nela uma fonte de deleite. Na palavra de
Deus há gozo para ser encontrado. Diariamente precisamos separar um tempo para nos
deleitarmos na Palavra santa.

F. Provando-A

O salmista inclusive provava a palavra de Deus: "Quão doces são as tuas palavras ao
meu paladar‖ (vs. 103). Observe que o escritor não diz, "Quão doce é a tua lei!‖ Pelo
contrário, declara: "Quão doces são as tuas palavras!" Se considerarmos a lei como nada
mais do que os mandamentos de Deus, ela não será doce para nós. Mas se percebermos
que a lei de Deus é a Sua Palavra para nossa nutrição e suprimento de vida, desfrutaremos
de seu doce sabor. De acordo com a sua experiência, o salmista percebia que a lei era a
doce palavra de Deus. Não era meramente uma lista de mandamentos para o controlar,
mas era uma palavra cheia de gozo e suprimento de vida, uma palavra que ao seu paladar
era mais doce do que o mel.

G. Regozijando-Se Nela

Quando provamos a palavra de Deus, regozijamo-nos nela. O Salmista diz. "Mais me


regozijo com o caminho dos teus testemunhos‖ (119:14), e ―Os teus testemunhos... consti-
tuem o prazer do meu coração (v. 111). No versículo 162 o salmista testifica do seu regozijo
na palavra: "Regozijo-me com as tuas promessas, como quem acha grandes despojos‖.
Regozijar é mais do que estar meramente alegre. Podemos estar alegres silenciosa-
mente, mas necessariamente usamos a nossa voz para nos regozijarmos. Há uma diferença
entre fazer um barulho alegre e ter uma voz alegre. Quando nos regozijamos, louvando ao
Senhor e até mesmo gritando, fazemos um barulho alegre para Ele. Para certos oposicio-
nistas, isto é confusão. Condenam-nos por fazermos um barulho alegre para o Senhor.
Apesar disso, devemos ser aqueles que se regozijam no Senhor e na sua palavra.
Se você nunca se regozijou espontaneamente lendo a Bíblia, talvez nunca tenha sido
plenamente inspirado pela palavra. Sempre que somos ajudados pela Bíblia de uma ma-
neira viva, espontaneamente nos regozijamos na Palavra.

H. Cantando-A

O salmista diz, ―Os teus decretos são motivo dos meus cânticos, na casa da minha pere-
grinação" (119:54). O salmista cantava a palavra de Deus. Não temos muita experiência
disto. Precisamos aprender com o salmista a cantar as palavras da Bíblia. Encorajo a todos
os santos a cantarem a Palavra de Deus.
177 | P á g i n a
I. Respeitando-A

Além disso, o salmista respeitava todos os mandamentos do Senhor (119:6). No versí-


culo 117 ele declara, ―Sempre atentarei para os teus decretos‖.
Se queremos ser os que buscam ao Senhor genuinamente, devemos respeitar a Sua
palavra.

J. Tendo um Coração Sadio para com Ela

O Salmo 119 diz, ―Seja o meu coração irrepreensível nos teus decretos‖. Precisamos ter
um coração sadio na palavra de Deus. Tal coração é saudável, não tendo qualquer doença
espiritual relacionada à palavra de Deus. Para com a palavra de Deus, não deveríamos
estar doentes em nosso coração. Precisamos ser curados de toda doença espiritual de
forma que o nosso coração seja puro e saudável com relação à palavra de Deus.

K. Inclinando Seus Corações para Ela

Em 119:36, aquele que buscava o Senhor orou: ―Inclina-me o coração aos teus testemu-
nhos e não à cobiça‖. Depois, no versículo 112 ele declara, "Induzo (tenho inclinado), o
coração a guardar os teus decretos, para sempre, até o fim‖. Precisamos de um coração
inclinado à palavra de Deus. Porque frequentemente o nosso coração tende a se apartar da
palavra de Deus, precisamos orar para que o nosso coração se volte para a palavra de
Deus e se incline a ela. O Salmista orou desta forma e também pôde testificar que ele
mesmo inclinou o seu coração para os decretos do Senhor. Por um lado, precisamos orar
para que o Senhor venha inclinar o nosso coração à Sua palavra; por outro, precisamos
exercitar o nosso espírito para trazer de volta o nosso coração à palavra e fazê-lo inclinar-
se a ela. Precisamos tanto de um coração sadio, quanto de um coração inclinado à palavra
de Deus.

L. Buscando-A, Desejando-A, Esperando Nela


Com Oração e Confiando Nela

Os que buscavam a Deus no Antigo Testamento também buscavam a palavra de Deus,


(119:45, 94) desejavam-na (vs. 20, 40, 131), esperavam nela com oração (vs. 43, 74, 114, 147)
e confiaram nela (v. 42).
De acordo com a nossa experiência, estas questões estão ligadas a termos um coração
sadio na Palavra e inclinarmos nosso coração para ela. Se o nosso coração é sadio na
Palavra de Deus e está inclinado para a ela, nós a buscaremos. Muitas pessoas lêem a
Bíblia e não ganham nada dela porque seus corações não estão corretos. Certo estudante
admirou a versão chinesa da Bíblia e algumas vezes a citava. Entretanto, não recebeu
ajuda da leitura da Palavra, e morreu sem ser salvo. Até mesmo os cristãos podem estudar
a Bíblia e ensiná-la sem ser ajudados por ela. A razão deste vazio é que eles têm um
problema nos seus corações. Seus corações não são sadios, nem estão verdadeiramente
inclinados para a Palavra de Deus. Mas, se o nosso coração for correto, não só buscaremos
a Palavra, como também a desejaremos, esperaremos e confiaremos nela.
Porque o Salmo 119 está cheio de desejo, inspiração, iluminação e nutrição, ele nos
ajuda a compreender o aspecto "dia" da lei e nos ensina a desfrutar da lei de Deus como a
Sua palavra viva. O escritor deste salmo não era nem um teólogo, nem um mestre da

178 | P á g i n a
Bíblia, mas era alguém que escrevia expressando a sua experiência e o seu gozo na lei de
Deus. Quando lemos o Salmo 119, vemos que aquilo que enfatizamos nas mensagens
anteriores, acerca do aspecto "dia" da lei está correto.
A montanha onde a lei foi dada é chamada tanto de Monte Horebe quanto de Monte
Sinai. O Monte Horebe tem uma referência especial quanto ao aspecto "dia" da entrega da
lei, enquanto que o Monte Sinal tem uma aplicação particular ao aspecto "noite" da lei.
Além disso, quando a lei foi dada, havia dois tipos de pessoas. Moisés e seus auxiliares
eram de um tipo, os que experimentavam a presença de Deus na montanha. Mas, aqueles
aos pés da montanha, eram de outro tipo, os que tremiam em trevas ao ser dada a lei. Para
Moisés e para aqueles que estavam com ele, a montanha era o Monte da Deus, mas para o
resto do povo, era o Monte Sinai. Nestas mensagens nós não estamos ao pé da montanha,
mas no topo dela, recebendo a infusão do Senhor. Em suas experiências, os salmistas e
todos os outros que buscavam a Deus no Antigo Testamento, estavam na montanha e
recebiam a transfusão divina. Porque Deus foi infundido neles, os salmistas usaram
expressões maravilhosas e até mesmo estimulantes para falar das suas experiências com
Ele e do seu desfrutar da Sua palavra.
O Salmo 1 indica que a lei, quando tomada de forma apropriada como palavra de Deus,
pode ministrar-nos vida. Aqueles que se deleitam na lei do Senhor e se concentram nela de
dia e de noite, são como árvores plantadas junto a correntes de água (vs. 2-3). Como
enfatizaremos na próxima mensagem, a palavra hebraica traduzida como meditar significa
concentrar-se. A palavra hebraica implica em adoração e oração. Se contatarmos a lei de
Deus concentrando-nos na Sua palavra em adoração e oração, na nossa experiência, a lei
tornar-se-á uma corrente de água, e seremos árvores plantadas junto às águas. No Salmo 1,
esta é a indicação de que a lei pode nos suprir e nos regar.
Como já enfatizamos em 2 Coríntios 3:6, Paulo diz que a letra mata. Se a lei nos mata ou
nos supre com vida, depende de como lidamos com ela. Se considerarmos a lei como a
palavra viva de Deus, através da qual contatamos o Senhor e permanecemos Nele, a lei se
tornará um canal para nosso suprimento de vida. A fonte da vida é o próprio Senhor. A lei
em si não é tal fonte, mas é um canal através do qual a substância e a vida divinas são
trazidas a nós para nosso suprimento e nutrição. Que bênção é receber a lei desta forma!
Na Bíblia, aqueles que buscavam a Deus intensamente não foram os únicos que manu-
searam a lei de Deus. Os fariseus, escribas e judaizantes também manuseavam a lei. Nos
quatro evangelhos vemos um retrato daqueles que eram zelosos pela lei e pela exposição
tradicional da lei. Para eles a lei não era um canal de vida, mas letras mortas que os leva-
ram à morte. Em contraste, os idosos, Simeão e Ana foram nutridos e regados pela lei. É
difícil dizer onde Gamaliel se encontra. Sendo um famoso mestre da lei, ele pode não ter
estado nem no "dia" nem na "noite". Talvez estivesse na ―penumbra‖. Simeão e Ana são
pessoas representativas do aspecto "dia", os fariseus e os judaizantes, do aspecto "tene-
broso", e Gamaliel, da "penumbra".
Hoje, ao nos aproximarmos da Bíblia, podemos estar tanto no "dia", quanto na "noite".
Pela misericórdia do Senhor, podemos testificar que, com relação à Bíblia, nós na restau-
ração do Senhor, estamos no "dia". À medida em que lemos a Palavra de Deus, experimen-
tamos o amanhecer, não o anoitecer. Mas, muitos quando lêem a Bíblia, estão na "noite".
Como Paulo disse sobre os judeus, há um véu sobre os seus corações ao lerem as Escri-
turas (2Co 3:14). Eles estão cobertos por suas tradições e conceitos naturais. Assim, em
suas experiências, a Bíblia se torna um livro de letras mortas. Como os antigos fariseus,
escribas e judaizantes, manuseiam a Palavra sem contatar diretamente o Senhor.

179 | P á g i n a
Em vez de exercitarem seus espíritos, eles confiam no seu entendimento natural. Além
disso, frequentemente são zelosos por manter sua tradição religiosa. Mas, sempre que nos
achegamos à Palavra, precisamos contatar o Senhor. Quando chegamos ao Senhor na
Palavra, precisamos ter fome e sede Dele, e procurar desfrutar Dele. Esta busca pelo
Senhor está bem expressa nas linhas de um hino:

Venho a Ti, Querido Senhor


Meu coração tem sede de Ti
De Ti comer, de Ti beber.
Desfrutar-Te plenamente.

Apenas por contemplar Tua face


Clama o meu coração
Desejo profundamente beber de Ti
E minha sede satisfazer.

Ao orar-lermos a Palavra, devemos buscar a gloriosa e radiante face do Senhor. Então,


na nossa experiência, a Palavra de Deus será uma fonte de suprimento de vida e nutrição.
Estaremos no "dia", não na "noite".

180 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA E SETE
A MANEIRA COMO AQUELES QUE BUSCAVAM A DEUS
NO ANTIGO TESTAMENTO DESFRUTAVAM DA SUA LEI

(2)

Leitura da Bíblia: Sl 119:1, 11, 14-16, 31-32, 34-35, 45, 57-52, 59, 72-73, 57,
95, 99, 102, 106, 111, 127-128, 130, 148, 157, 161-162, 166, 176.

Se lermos o Salmo 119 cuidadosamente, veremos que o salmista considerava a lei de


Deus como a palavra de Deus. Como todos os outros salmos, este salmo não foi escrito de
acordo com a doutrina ou com a teologia, mas de acordo com o profundo sentimento e
desejo do salmista.
O escritor do Salmo 119 usa muitos termos diferentes para expressar como desfrutava
da lei de Deus como Sua palavra viva e como ele a manuseava com a palavra de Deus. Na
mensagem anterior ressaltamos que o salmista inclinava o coração para ela (vs. 36),
buscava-a (vs. 45) e desejava-a (vs. 20). No versículo 74 ele declara: "Na Tua palavra tenho
esperado". Esperar por alguma coisa é aguardar por ela. Quando o salmista disse que es-
perava na palavra de Deus, ele queria dizer que estava aguardando na palavra e espe-
rando por ela. Ele estava esperando em Deus por uma palavra. Além disto, ele punha sua
confiança na palavra de Deus (vs. 42). Quando colocamos todos estes aspectos juntos, des-
cobrimos que eles correspondem à nossa experiência espiritual. Tendo um coração incli-
nado para a Palavra de Deus, buscamos a Palavra, desejamo-na e nela esperamos. Então,
colocamos a nossa confiança na palavra que recebemos de Deus.

M. Meditando Nela

Em muitos versículos o salmista diz que ele meditava na palavra de Deus (15, 23, 48, 78,
99, 148, heb). Em cada um destes versículos a versão revista e atualizada de João Ferreira
de Almeida usa a palavra meditar. Entretanto, no Salmo 55:17, a versão revista e atuali-
zada de João Ferreira de Almeida traduz a mesma palavra hebraica como "farei queixas".
Esta palavra hebraica é também usada em Gênesis 24:63, onde nos é dito que Isaque saiu
ao campo para meditar. O Salmo 143:5 também usa esta palavra: "Lembro-me dos dias de
outrora; pondero todas as Tuas obras; medito nas obras das Tuas mãos" (heb.). Rica em
significado, a palavra hebraica para meditar ou refletir subentende curvar-se, conversar
consigo mesmo, exprimir-se. De acordo com o Antigo Testamento, meditar na Palavra de
Deus é desfrutar dela, nela refletir.
Meditar na Palavra é "ruminar" como uma vaca comendo grama (Lv 11:3). Quando me-
ditamos na Palavra de Deus devemos "ruminar". Se ingerimos a Palavra muito depressa
não teremos muito prazer. Mas se "ruminarmos", enquanto recebemos a Palavra, o nosso
prazer aumentará.
Quando meditamos na Palavra de Deus, desfrutando-a e até mesmo mastigando-a
como uma vaca que rumina, oraremos espontaneamente. A oração também está incluída
181 | P á g i n a
no meditar da Palavra. Além disto, podemos conversar conosco mesmos ou começarmos a
louvar o Senhor. Podemos ficar tão inspirados pela Palavra que vamos querer gritar os
nossos louvores ao Senhor.
Normalmente o meditar na Palavra será mais lento e acurado do que orar-ler a Palavra.
Por exemplo, um nosso meditar sobre Êxodo 20:2 podemos dizer para nós mesmos;
"Lembra-te que Jeová é o teu Senhor. Ele te tirou da terra do Egito, da casa da servidão.
Agora tu estás fora. Amem! Ó Senhor, eu Te adoro porque me tirastes do cativeiro"! Em
todo o nosso meditar na Palavra de Deus, conversando com o Senhor ou conosco mesmo
devemos ser espontâneos e cheios de gozo. Podemos nos inclinar para adorar ao Senhor,
ponderar a Palavra, recordá-la, ou nos dar uma repreensão. Tudo isto está incluído na
prática do meditar da Palavra de Deus. Qualquer pessoa, que busca genuinamente o
Senhor, que medita nos Dez Mandamentos de uma maneira viva, desfrutará do Senhor,
adorá-Lo-á, orará, conversará consigo mesmo na presença do Senhor e ainda louvá-Lo-á. É
claro que aquele que toma a lei de Deus desta forma não a aplicará como letras mortas,
mas tomá-la-á como a palavra viva de Deus.
Meditar na Palavra de Deus é desfrutar da Sua Palavra como o Seu sopro, é o contatar a
Deus na Palavra; é ter comunhão com Ele, adorá-Lo e orar a Ele pela e com a Palavra. Me-
ditando na Palavra de Deus desta maneira seremos infundidos por Deus, inspirá-lo-emos
para dentro de nós e receberemos nutrição espiritual.
Quanto ao meditar na Palavra de Deus, o versículo 147 diz: "Antecipo o alvorecer do
dia e clamo; na Tua palavra espero confiante". Vemos aqui que o salmista levantou-se
antes do alvorecer, clamou e esperou na palavra de Deus. O versículo 148 prossegue
dizendo: "Meus olhos evitam as vigílias noturnas, para que possa meditar na Tua palavra"
(hebr.). O salmista levanta-se durante a noite para meditar na palavra de Deus. Meditar na
Palavra envolve mais do que simplesmente refletir nela. Meditamos na Palavra, conver-
sando com Deus, adorando-O, desfrutando Dele, recebendo graça Dele e conversando
conosco mesmos na presença do Senhor. Não podemos descrever adequadamente a prá-
tica do meditar na Palavra de Deus e o gozo que isto proporciona.
Os que buscavam a Deus no Antigo Testamento meditavam na Sua Palavra viva. Manu-
seavam a Palavra de Deus de maneira diferente a daquela seguida por muitos hoje, que
exercitam principalmente as suas mentes para estudarem a Palavra na letra. Quando os
salmistas meditavam na Palavra de Deus, eles falavam com Deus, oravam, adoravam-No e
até mesmo se inclinavam diante Dele. Na presença de Deus, eles falavam para si mesmos
da Sua misericórdia, salvação e suprimento de graça. Meditar na Palavra desta maneira é
até mais rico, amplo e inclusivo do que orar-ler, pois, inclui oração, adoração, gozo,
conversa, reverência e até mesmo o levantar de mãos para receber a palavra de Deus.
Também inclui regozijo, louvor, clamor e até mesmo pranto diante do Senhor. No livro "O
PEREGRINO", há um lugar onde o peregrino lê a Bíblia e chora, grita e se arrepende. Isto
indica que ele não somente leu as Escrituras, mas também nela meditou. Se meditarmos na
Palavra de Deus, deleitar-nos-emos com ela. Às vezes podemos chorar diante do Senhor
ou cantarmos hinos de louvor para Ele.
O salmista aguardava pela palavra do Senhor, esperava nela e levantava-se antes do
alvorecer para clamar ao Senhor que ele necessitava da Sua palavra. Ele então, meditava
na Palavra, adorava ao Senhor, orava a Ele e recebia o Seu suprimento. Ele também falava
para si mesmo e instruía-se com a Palavra de Deus. Tudo isto faz parte do meditar na
Palavra de Deus.

N. Considerando-A
182 | P á g i n a
Além de meditar na Palavra de Deus, o salmista também a considerava (119:95). Em
nossa experiência espiritual também consideramos a Palavra de Deus. Durante o dia todo
podemos considerar o que desfrutamos do nosso meditar na Palavra pela manhã. Recor-
dando o nosso desfrutar do Senhor na Palavra, receberemos mais e mais nutrição da
Palavra.

O. Reputando-A como Reta acerca de Todas as Coisas

O salmista também reputava a Palavra de Deus reta acerca de todas as coisas (vs. 128).
A palavra "reta" aqui não significa reta como o oposto de incorreta. Significa direita, pre-
cisa, exata em todas as coisas. Quando meditamos na Palavra e a consideramos, observa-
remos que ela é precisa em todas as coisas.

P. Penetrando Nela

O versículo 130 diz: "A revelação (penetração) das Tuas palavras esclarece". Quando
penetramos na Palavra de Deus vemos a luz. A palavra hebraica para penetrar significa
uma abertura, um portão e implica em adentrar. A Palavra de Deus tem uma entrada atra-
vés da qual podemos entrar nela. Aprendamos a penetrar na Palavra de Deus. A luz não
está fora da Palavra, está na Palavra. Quando penetrarmos na Palavra de Deus, estaremos
na luz que nela brilha.

Q. Aprendendo-A

Após penetrarmos na Palavra, nós a aprendemos. O versículo 73 indica que Deus nos
criou de maneira tal que pudéssemos ter entendimento da Sua Palavra e pudéssemos
aprender os Seus Mandamentos. O versículo 71 diz: "Foi-me bom ter eu passado pela
aflição, para que aprendesse os teus decretos". Este versículo indica que Deus levanta
circunstâncias para nos disciplinar de forma que possamos aprender a Palavra. Através do
sofrimento e aflição aprendemos a Sua lei. Interiormente, temos faculdades criadas por
Deus através das quais podemos entender a Sua Palavra, e, exteriormente, temos o am-
biente e as circunstâncias através das quais somos disciplinados. Deus permite que seja-
mos afligidos para que possamos aprender a Sua Palavra.

R. Valorizando-A

O salmista também valorizava a Palavra de Deus. Ele a valorizava como se fossem


grandes despojos (vs. 162), como sendo todas as riquezas (vs. 14). Acima de milhares de
ouro e de prata (vs. 72, 127) e como um legado perpétuo (vs. 111). Despojos referem-se a
valores tomados do inimigo. Se meditarmos na Palavra, o inimigo será derrotado e nós
ajuntaremos muito despojo, tornar-nos-emos então, ricos e possuiremos ouro e prata, os
quais se tornarão, a nossa herança. Nos tempos antigos, quando um rei conquistava os
seus inimigos, ele se apoderava do ouro e da prata. Da mesma forma, quando desfrutamos
da Palavra e derrotamos o inimigo através da Palavra, obteremos despojo do inimigo con-
quistado. Teremos então, as riquezas, o ouro e a prata e a herança,
Alguns podem retrucar que o que disse sobre o valorizar a Palavra de Deus está muito
em termos da experiência. Se não entendermos a questão desta maneira, como poderíamos
183 | P á g i n a
valorizar a Palavra como nosso despojo? Precisamos meditar na Palavra e experimentar
vitória sobre o inimigo através dela, teremos então, o despojo, o despojo será as nossas
riquezas; as riquezas serão o nosso ouro e prata e isto se tornará a nossa herança. Posso
testificar que, na sua maioria a minha herança me chegou desta forma. Quando o inimigo
é derrotado através da Palavra, ganho ouro e prata como minha herança.

S. Guardando-A no Seu Coração

O versículo 11 diz: "Guardo (escondo) no coração as Tuas palavras, para não pecar
contra Ti". O tesouro deve ser escondido. Entretanto, muitas pessoas gostam de mostrar as
suas riquezas em vez de ocultá-las. Esta não é a maneira bíblica. De acordo com a Bíblia,
deveríamos esconder o nosso tesouro. Deveríamos valorizar a Palavra de Deus e escondê-
la no nosso coração.

T. Lembrando-Se Dela e Não A Esquecendo

O versículo 52 indica que o escritor do Salmo 119 lembrava-se da Palavra de Deus. Se


escondermos a Palavra em nossos corações, lembrar-nos-emos dela. Lembrar-se da Pala-
vra é recordarmos, rememorarmos o nosso gozo dela. Os salmistas certamente estavam
ocupados manejando a Palavra de Deus. Eles meditavam nela, consideravam-na, escon-
diam-na nos seus corações e lembravam-se dela.
No versículo 16 o salmista declara: ―Não me esquecerei da Tua palavra", e no versículo
93 ele diz: ―Nunca me esquecerei dos Teus preceitos". Precisamos nos exercitar para não
esquecermos a Palavra de Deus. É difícil lembrar-mo-nos da Palavra, mas é fácil esquecê-
la. Podemos ouvir muitas ricas mensagens da Palavra e num período de tempo bem curto
esquecê-las todas. Portanto, precisamos nos exercitar para lembrar-mo-nos da Palavra de
Deus e não a esquecermos.

U. Assombrando-Nos com Ela

No versículo 161 o salmista diz: "... Porém o que o meu coração teme (assombra-se) é
com a Tua palavra". Nós também devemos ficar assombrados com a Palavra de Deus. A
respeito disto, devemos temer e tremer (vs. 120). Paulo usa tal expressão tanto em 1 Corín-
tios 2:3 quanto em Filipenses 2:12.

V. Apegando-Se a Ela

O versículo 31 diz: "Aos teus testemunhos me apego" (hebr.). Precisamos nos agarrar à
Palavra de Deus, apegarmo-nos a ela.

W. Não A Deixando, Não Se Desviando Dela, Não Se


Apartando Dela e Não Se Extraviando Dela

Como o salmista, não devemos deixar a Palavra de Deus (vs. 87), nem nos desviarmos
dela (vs. 51, 157, hebr.), nem nos apartarmos dela (vs. 102) e nem nos extraviarmos dela
184 | P á g i n a
(vs. 110 hebr.). Desviar-se da Palavra é diferente de extraviar-se dela. Apartar-se é ir numa
outra direção específica, mas desviar-se é virar-se sem qualquer direção, regra ou controle.
De vez em quando, certas coisas acontecem para nos fazer desviar da Palavra de Deus.
Mas, não devemos nos desviar da Palavra, apartarmo-nos dela ou nos extraviarmos dela.

X. Voltando Os Seus Passos Para Ela

O versículo 59 diz: "Considero os meus caminhos, e volto os passos para os teus teste-
munhos". Em vez de nos afastarmos da Palavra, devemos voltar os nossos passos para ela.

Y. Guardando-A, Observando-A, Praticando-A e Efetuando-A

Somos encorajados a guardar, observar, praticar e efetuar a Palavra de Deus pelo menos
vinte e oito vezes no Salmo 119. O versículo 33, por exemplo, diz: Ensina-me, ó Jeová, o
caminho dos teus decretos, e eu os guardarei até o fim" (hebr.). No versículo 69 o salmista
diz: "Eu guardo de todo o coração os teus preceitos". O salmista usou todos estes verbos
diferentes para mostrar como ele utilizava a Palavra de Deus.

Z. Andando Nela e Percorrendo o Seu Caminho

O versículo 1 diz: "Bem aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na


lei de Jeová" (hebr.), e o versículo 32 diz: "Percorrerei o caminho dos teus mandamentos‖.
O salmista andava na Palavra e percorria o caminho da Palavra. Isto indica que ele vivia
de acordo com a Palavra de Deus.
Gosto muito do versículo 48: "Minhas mãos também levantarei para os teus manda-
mentos, os quais tenho amado; e meditarei nos teus estatutos" (hebr.). Aqui vemos que
primeiro o salmista amava a Palavra; segundo, ele lhe dava boas vindas, e terceiro, ele
desfrutava da Palavra e nela meditava. Nós também precisamos amar a Palavra de Deus,
recebê-la calorosamente, meditá-la e desfrutá-la. Através de tal gozo da Palavra, adorare-
mos a Deus, conversaremos com Ele, oraremos a Ele e conversaremos conosco mesmos
diante Dele. Algumas vezes podemos gritar ou chorar; outras, podemos nos deleitar com a
Palavra, ou dar a nós mesmos um mandamento. Desfrutaremos a Palavra de Deus não
somente na Sua presença, mas também com a Sua presença. Nunca deveríamos separar a
Palavra do Senhor do próprio Senhor. Quando meditamos na Sua Palavra, desfrutamos do
Senhor e temos comunhão com Ele. Falamos com Ele e Ele fala conosco. Assim, há um
tráfego espiritual entre nós e o Senhor.
Aqueles que buscam o Senhor e tornam-se um com Ele pelo desfrutar da Sua Palavra,
automaticamente, têm uma vida que corresponde à lei como testemunho de Deus, pois
eles serão infundidos pelo Doador da Lei. Aquele que dá a lei tornar-se-á o viver deles.
Vimos que a intenção de Deus no livro de Êxodo era introduzir o Seu povo neste gozo
Dele mesmo e em tal condição diante Dele. Deus os trouxe ao Monte de Deus para que
eles pudessem receber a Sua palavra. Tendo recebido a palavra, eles, então, puderam
meditar nela, orar ao Senhor, adorá-Lo e ter comunhão com Ele. Deus deu a lei para o Seu
povo desta maneira íntima, referindo-Se a Si mesmo, repetidamente, como "Jeová, o teu
Deus‖. Portanto, quando consideramos o aspecto "dia" da lei, vemos que Deus deu a lei ao
Seu povo na forma de gozo. Porque ela é a Palavra de Deus, é também o sopro de Deus.
Aqueles que recebem a lei de Deus desta forma inspiram Deus para dentro de si mesmo,
meditando na Sua palavra.
185 | P á g i n a
ESTUDO-VIDA DE ÊXODO
MENSAGEM CINQUENTA E OITO
A FUNÇÃO DA LEI DE DEUS COMO SUA PALAVRA VIVA
PARA AQUELES QUE O BUSCAM COM AMOR

Leitura da Bíblia: Sl 119:11, 25, 28, 41, 49-50, 57-58, 65-66, 76, 98. 101, 103, 105,
114, 116-117, 133, 135, 165, 175b; Sl 19:7-8; Ef 6:17-18a; 5:18-20; Cl 3:16-17

Nesta mensagem, outra mensagem sobre o aspecto "dia" da lei, consideraremos a


função da lei de Deus como Sua palavra viva aos Seus amantes buscadores. Se quisermos
saber como a lei de Deus funciona deste modo, devemos considerar a lei não somente
como regras e mandamentos dados por Deus, mas muito mais do que isto, como a palavra
que procede da boca de Deus. O Salmo 119:13 fala dos "juízos da Tua boca", o versículo 72
fala da "lei que procede da Tua boca" e o versículo 88 fala dos "testemunhos oriundos de
Tua boca". Estes versículos indicam que a lei procedeu da boca de Deus. Como a palavra
viva de Deus, a lei é o sopro divino, o próprio sopro de Deus.
Além disto, se quisermos desfrutar da função da lei de Deus como a Sua palavra viva,
precisamos ser os que buscam a Deus com amor, aqueles que O buscam impulsionados
pelo amor. Se não considerarmos a lei de Deus como o Seu sopro e se não O buscarmos
com amor, não experimentaremos a função positiva da lei. Podemos ler as palavras da lei,
mas não seremos supridos com o que Deus é através da lei e ela não operará em nós de
uma maneira positiva. Em outras palavras, não experimentaremos a função da lei de Deus
como Sua palavra viva.
Suponha que você queira usar uma determinada máquina elétrica. Para que funcione,
ela deve ser ligada numa tomada elétrica. É tolice esperar que uma máquina funcione se
não for ligada. Quando a corrente elétrica entrar na máquina, ela funcionará. Além disto,
você precisa estar alerta e prestar atenção à máquina. Não deve ligá-la e depois ir dormir,
espe-rando que ela funcione por si mesma. Da mesma forma, se quisermos que a Palavra
de Deus funcione adequadamente na nossa experiência, precisamos estar "ligados" à
corrente divina sempre que a lermos. Fazemos isto tomando a Palavra para dentro de nós
como o próprio sopro de Deus. Também não devemos estar sonolentos ou indiferentes.
Devemos ser aqueles que buscam a Deus genuinamente. Aí então, em nossa experiência,
teremos as funções da Palavra de Deus.
Quando falamos da função da lei como a palavra viva de Deus, estamos na verdade
falando da função ou operação do próprio Deus. A função da Palavra de Deus é a
operação de Deus. Porque a Palavra de Deus é o Seu sopro, ela é uma com Deus. Assim
como não é possível separar o sopro de uma pessoa viva dela própria, assim também não
podemos separar a Palavra de Deus do próprio Deus. Este é o erro cometido por muitos
judeus ao lerem o Antigo Testamento e por muitos cristãos ao lerem a Bíblia como um
todo. Eles lêem e estudam as Escrituras, mas ao fazerem isto não têm um contato direto
com Deus. O resultado é que em suas mãos a Bíblia torna-se um livro de letras mortas.
Em João 5:39 e 40 o Senhor Jesus disse aos fariseus: "Examinais as Escrituras,
porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim; contudo
não quereis vir a Mim para terdes vida".
186 | P á g i n a
Embora os antigos religiosos examinassem as Escrituras, eles as separavam do próprio
Senhor e não vinham a Ele para receberem a vida eterna. A vida eterna está em Cristo. Se
lermos a Bíblia sem contatá-Lo, não receberemos vida. Assim, em nossa experiência, a
Bíblia tornar-se-á um livro de letras mortas. A vida é uma Pessoa viva, o próprio Cristo.
Não devemos separar as Escrituras desta Pessoa viva. As funções da lei como a palavra
viva de Deus são na verdade, o mover e o trabalhar do próprio Deus.
Como palavra viva de Deus, a lei dá luz ao homem (Sl 119:105). Somente Deus é luz (1Jo
1:5). As letras impressas da Bíblia, em si mesmas, não são luz e não podem-nos dar luz. A
Bíblia em letras pode no máximo nos dar conhecimento. A luz somente vem do próprio
Deus. Assim, se quisermos receber luz da Palavra de Deus, devemos contatar Deus ao lê-
la. Isto indica que a função da Palavra de Deus é a função do próprio Deus, é o próprio
Deus trabalhando. Por isto, não queremos usar a Bíblia para criar uma teologia
sistemática. O nosso alvo é desfrutar da Palavra com as suas funções vivas.
Não há dúvida de que ao lermos a Bíblia precisamos exercitar a nossa mente para
entender as palavras e os termos da Escritura. Podemos gastar horas para estudar uma
única palavra usando livros de referência e concordâncias. Pela experiência posso testificar
que tal estudo é exaustivo para a alma. Algumas vezes até mesmo suprime o espírito.
Entretanto, este tipo de estudo da Palavra de Deus é útil se nosso objetivo for
experimentar e desfrutar das funções vivas da Palavra. Por um lado, precisamos ser
exercitados para estudar as Escrituras. Por outro lado, haverá um tempo para esquecer o
estudo e exercitar o nosso espírito para orar com a Palavra e sobre a Palavra, buscando
contatar o Senhor na Palavra e através dela. Se contatarmos o Senhor orando com a
Palavra, dela receberemos vida. A Palavra então, não será letras mortas, pois através do
exercitar do nosso espírito tocaremos Naquele que é vivo na Palavra.
Antes de começar a ministrar a Palavra aos santos, precisava gastar um bom período de
tempo contatando o Senhor desta forma. Caso contrário, não teria vida alguma para com-
partilhar. Preparo-me para uma mensagem não somente estudando a Palavra, mas princi-
palmente inspirando o Senhor para dentro de mim, orando, louvando e agradecendo ao
Senhor. Em minhas orações ao Senhor não me importo com a linguagem, com a gramática
ou com a redação. Meu único desejo é expressar alguma coisa ao Senhor para poder
contatá-Lo de uma maneira viva. Se estivermos preocupados com a redação da nossa ora-
ção o nosso espírito ficará enfraquecido. Mas se esquecermos a redação e exercitarmos o
nosso espírito na oração, contataremos Aquele que é vivo.
Continuamente precisamos ir à Palavra com o propósito de recebermos nutrição e
refrigério. Esta abordagem da Bíblia está bem expressa num hino sobre ser alimentado
pela Palavra:

Meu coração está faminto, meu espírito está sedento;


Venho a Ti, Senhor, buscar o Teu suprimento;
Tudo que preciso não é senão a Ti.
Tu podes satisfazer a minha fome e a minha sede,
Alimenta-me, Senhor Jesus, dá-me de beber,
Satisfaça toda a minha fome, sacia toda minha sede;
Inunda-me com alegria, sê a força da minha vida,
Satisfaça toda a minha fome, sacia toda a minha sede.
Hino nº 81
Se nos achegarmos à Bíblia com o espírito expressado neste hino seremos nutridos e
refrigerados. Entretanto, muitas vezes não vamos à Palavra desta forma. Nem oramos, e

187 | P á g i n a
nem desejamos contatar o Senhor. Em vez disto, apenas lemos as palavras da Bíblia com
os nossos olhos e tentamos entendê-las com a nossa mente. Não temos nem coração nem
espírito para contatar o Senhor. Neste caso, quanto mais lermos a Palavra, mais exaustos
ficaremos. Precisamos exercitar o nosso espírito ao lermos a Palavra e desejarmos contatar
o Senhor. O Salmo 119 está repleto deste desejo. Por esta razão, para o salmista a lei era a
palavra viva de Deus. A sua maneira de contatar a Palavra de Deus e o próprio Deus era
exercitar todo o seu ser como uma expressão do seu sentimento íntimo e desejo profundo.
Quando lia a palavra, ele clamava a Deus, buscando-O ardentemente.
Quando lermos a Palavra de Deus, não devemos somente orar, mas também cantar ao
Senhor. Isto é, ler a Palavra salmodiando (nos tempos antigos os salmos eram cantados e
não simplesmente lidos ou falados). Orar requer mais exercício do espírito do que falar e
cantar requer ainda mais exercício do espírito do que orar. Ao cantarmos podemos
penetrar verdadeiramente no nosso espírito. Precisamos cantar mais, tanto nas reuniões,
quanto na nossa vida diária.

O coro de um hino bem conhecido "Abençoada certeza" diz:

Esta é a minha história, esta é a minha canção,


Louvar ao meu Salvador o dia inteiro.
Esta é a minha história, esta é a minha canção,
Louvar ao meu Salvador o dia inteiro.

Muitos cristãos têm cantado este hino, mas poucos têm louvado o seu Salvador o dia
inteiro. O que você pensa que aconteceria se louvássemos ao Senhor o dia inteiro? Sem
dúvida seríamos totalmente imersos no Senhor.
Efésios 6:17 e 18 nos dizem: "Tomai também o capacete da salvação e a espada do
Espírito, que é a Palavra de Deus; com toda a oração e súplica, orando em todo o tempo no
Espírito‖. Paulo aqui não está nos dizendo para fazermos duas coisas — receber a Palavra
de Deus e também orar. Pelo contrário, como indica claramente a construção gramatical,
ele está nos ordenando receber a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, por meio de
toda oração e súplica. Estes versículos se referem ao orar-ler, à prática de tomar a Palavra
de Deus por meio de oração. Como poderemos receber a Palavra por meio de oração, se
não oramos com e sobre a Palavra? Receber a Palavra pela oração obviamente requer que
ore-mos a Palavra.
Embora tenhamos falado frequentemente sobre orar-ler, não enfatizamos adequada-
mente a questão do orar em todo o tempo no espírito. Primeira Tessalonicenses 5:17 nos
diz: "Orai sem cessar‖. Precisamos orar em todo o tempo, mesmo quando somos tentados
a ficar irados com a nossa esposa ou marido, ou a fofocar sobre os santos. Se orarmos em
tais ocasiões, a nossa prece matará estas coisas negativas. Orar é a melhor forma de
silenciar-mos a nossa língua fofoqueira.
Em Efésios 6:18 Paulo fala tanto da oração quanto da súplica. A oração é generalizada,
enquanto que a súplica é específica. Não devemos ter apenas algumas horas determinadas
para orarmos, mas devemos orar em todo o tempo. Você é tentado a brigar com sua
mulher ou com o seu marido? Ore! Você está a ponto de perder a calma? Ore! Você está
quase criticando alguém? Ore! Ore em todo o tempo. Ore, não importa onde esteja ou o
que esteja fazendo. Orar em todo o tempo no espírito matará todos os "germes" e as
"pestes" e produ-zirá o rico suprimento de nutrição divina. É-nos crucial recebermos a
Palavra por meio de toda oração e súplica, orando em todo o tempo no espírito.
188 | P á g i n a
Em Efésios 5:18 e 19 Paulo nos intima: "Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com
salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais". Não
deveríamos apenas orar, mas também cantar e salmodiar. Os cristãos na época de Paulo
provavelmente cantavam os salmos do Antigo Testamento, talvez usando certas melodias
hebraicas. Hoje devemos orar-ler, cantar-ler e até mesmo salmodiar-ler. Devemos
salmodiar os versículos da Bíblia. Cantar a Palavra é mais inspirador do que simplesmente
lê-la. O salmo é um tipo de canto que inclui a meditação. O cantar em si mesmo não inclui
muita meditação, mas ao salmodiarmos meditamos na Palavra. Às vezes poderemos
adorar ao Senhor, ter comunhão com Ele ou até conversar conosco mesmos na presença do
Senhor. Esta é a maneira de recebermos nutrição da Palavra. Tomando a Bíblia desta
maneira, rece-beremos as riquezas de Deus através da Palavra. A Palavra escrita, torna-se
então, o canal através do qual as riquezas de Deus são transmitidas a nós. Mas, se
quisermos receber estas riquezas devemos ter um contato vivo, orgânico, dinâmico com o
Senhor sempre que tocar-mos a Palavra de Deus.
Se estivermos cheios do espírito, daremos graças ao Senhor e faremos tudo em Seu
nome. Por muitos anos não pude entender o que significava fazer tudo em nome do
Senhor. É claro que eu fui ensinado que isto significava fazer todas as coisas em unidade
com Ele. Entretanto, isto era, sobretudo uma doutrina, não uma prática real. Agora vejo
que quando contatamos a Palavra de uma maneira viva, orando, cantando, salmodiando e
dando graças, somos saturados do Senhor e nos tornamos um com Ele. Depois, o que quer
que fizermos na nossa vida cotidiana será no nome do Senhor.
De acordo com Efésios 5, a submissão da esposa ao marido e o amor do marido por sua
esposa são o transbordamento do estar cheio do espírito. Não há necessidade de uma
esposa se esforçar para se submeter ao seu marido ou do marido exercitar-se para amar a
sua esposa. Em nós mesmos não somos capazes de cumprir com estas exigências. Para as
esposas serem submissas aos seus maridos e os seus maridos amarem as suas esposas, eles
devem estar cheios do espírito, cantando, salmodiando e dando graças ao Senhor. Se um
irmão fizer isto, ficará saturado do Senhor e automaticamente amará a sua esposa, não
importando como ela o trate.
De 1969 a 1971, muitos santos no "Elden Hall" em Los Angeles praticavam cantar e
louvar ao Senhor em suas vidas diárias. Naquela época muitas famílias viviam perto do
local de reunião e frequentemente os sons do canto, do orar-ler e do louvar podiam ser
ouvidos das casas dos santos. Este canto e este louvor conduziam às reuniões. As reuniões
começavam bem antes da hora marcada. Muitas vezes a reunião iniciou-se na rua com o
canto e com o louvor dos santos que caminhavam para o local de reunião. Na realidade, as
reuniões começavam de manhã cedo, à medida que os santos contatavam o Senhor
cantando, orando-lendo e louvando.
Nos anos mais recentes, a nossa tendência tem sido derivar de volta aos hábitos da
tradição religiosa. Podemos ler a Palavra e orar algumas vezes e então irmos às reuniões
na hora marcada, mas falta-nos uma vida diária no espírito. Contudo, naquela época no
"Elden Hall" os santos tinham esta vida diária.
Efésios 5:20 fala em dar graças em tudo e 6:18 em orar em todo o tempo. Não
devemos orar somente em algumas determinadas horas, mas em todo tempo. Além disto,
devemos dar graças a Deus em todo o tempo e por tudo. Esta é a maneira de recebermos a
Palavras de Deus.
A Palavra de Deus não é simplesmente letras pretas no papel branco, mas é o
próprio sopro de Deus e até mesmo o próprio respirar de Deus. Somente quando temos
um contato contínuo, pessoal, vivo e íntimo com o Senhor durante todo o dia, é que
189 | P á g i n a
verdadeiramente vivemos através de O respirarmos. A nossa vida física depende da
respiração. Quando uma pessoa pára de respirar, morre. Da mesma forma, vivemos Cristo
através de O respirarmos. Mas onde está Cristo para que possamos respirá-Lo? Ele está no
Espírito e o Espírito está corporificado na Palavra. Sempre que formos à Palavra de uma
maneira viva, de modo a respirarmos o Senhor, e não apenas para estudarmos a Bíblia
como letras, unimo-nos orgâ-nicamente a Ele. Aí então, tudo o que Ele é, a Sua vida e as
Suas riquezas, será canalizado para dentro de nós. Como resultado, em nosso viver diário
seremos saturados Dele e Ele e nós seremos um. Por sermos um com Ele de tal maneira,
tudo o que fizermos, faremos Nele.
O meu encargo nesta mensagem está relacionado com
este ponto crucial: ao manejarem a lei de Deus os salmistas abriam-se ao Senhor,
consideravam a lei como a palavra viva de Deus e contatavam o próprio Deus. Os salmos
são cheios do espírito de oração, cheios de desejo e clamores por Deus. Em suas orações e
salmos os salmistas meditavam na Palavra de Deus. Automaticamente o elemento de Deus
era transmitido para dentro deles e eram saturados e permeados por este elemento. Para
eles a lei não era apenas várias exigências, mandamentos e regras, mas um meio pelo qual
podiam receber o suprimento da vida divina. Porque os salmistas eram amantes
buscadores do Senhor, eram saturados da Pessoa divina. Daí tudo que faziam era feito no
nome de Deus. Quando manuseavam a Palavra de Deus, eles se tornavam um com Deus e
experimentavam as funções da Sua Palavra. Todas as diversas funções da Palavra
são as ações de uma Pessoa viva. Por exemplo, a Palavra nos conforta, nos fortalece e nos
sustenta. Estas são as ações do próprio Deus porque é Ele quem nos sustenta, conforta,
fortalece e preenche. Todas as funções da lei como a palavra viva de Deus, tais quais são
reveladas no Salmo 119, são os atos e atividades de uma Pessoa viva. Mas se falharmos em
contatar o Senhor enquanto lemos a Palavra, a Palavra não funcionará desta maneira em
nossa experiência. Na realidade, não é a Palavra que tem estas funções, é o próprio Deus
que opera de diversos modos. Contatamos Aquele que é vivo através da Palavra e somos
infundidos e saturados Dele, de modo que Ele Se torna a nossa vida e nosso próprio ser.
Em nossa experiência Ele funciona para nos dar vida e luz e para nos sustentar, fortalecer
e consolar. As reuniões da igreja deveriam ser
uma continuação da nossa vida diária. Deveríamos cantar e louvar em nossa vida diária e
depois continuarmos o nosso canto e louvor nas reuniões. Mas se louvarmos ao Senhor
nas reuniões sem louvá-Lo em nossa vida diária, as nossas reuniões serão uma represen-
tação e nós seremos os atores. Não devemos ir às reuniões para representar, mas para
expressar o que somos em nossa vida diária. Recentemente ressaltamos que para
vivermos Cristo dia após dia, em tudo o que fizermos, precisamos orar. Orar sem cessar
significa respirar o Senhor continuamente. Em tudo que fizermos — no comer, no vestir,
no conversar com os outros e em todos os deta-lhes do nosso viver diário — precisamos
orar. Do acordo com Efésios, precisamos dar graças em tudo e orar todo o tempo. Aí então
faremos tudo no nome do Senhor. Isto é viver Cristo. Colossenses 3:17 nos diz: "E tudo o
que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por
Ele graças a Deus Pai". Para fazermos tudo no nome do Senhor, precisamos ser aqueles
que estão continuamente cantando, salmodiando, Lou-vando e dando graças.
Também precisamos ser aqueles que
se unem ao Deus Triúno através da Palavra. A Palavra é um meio através do qual
podemos contatar o Senhor e receber o Seu suprimento. Sem usar a Palavra você
encontrará dificuldade para compor uma oração ou uma expressão de louvor. Mas é fácil
orar e louvar quando usamos a Bíblia. Usamos os versículos da Escrituras como material
190 | P á g i n a
para a nossa oração, louvor, canto e salmos. Por meio deste exercício com a Palavra, você
será saturado do Deus Triúno. Aí você fará tudo no nome do Senhor. Enquanto cantamos
e salmodiamos a Palavra, o Deus Triúno é introduzido para dentro de nós e nós somos
introduzidos para dentro Dele. Esta é a maneira de permitirmos com que a Palavra
funcione em nossa experiência. Colossenses 3:16
diz: "Habite ricamente em vós a palavra de Cristo". Para que a palavra de Cristo habite em
nós, ela deve ser uma Pessoa. Não é possível que algo que não seja vivo habite em nós.
Somente um organismo vivo pode habitar em nós. O habitar ricamente em nós a palavra
de Cristo, significa que ela nos permeia e é assimilada para dentro de nosso ser interior.
Em
Colossenses 3:16 a palavra ―ricamente‖, modifica ―habitar‖. Quando a palavra de Cristo
habita em nós ricamente, ela permeia, satura e sustenta todas as partes do nosso ser
interior. Cristo é insondavelmente rico e Suas riquezas estão corporificadas na Sua
Palavra. Assim, quando a Sua Palavra habita em nós, vive em nós e move-se em nós, ela
nos leva a ficarmos saturados das Suas riquezas.
A maneira de permitirmos com que a palavra de Cristo habite ricamente em
nós é "em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos espirituais,
com gratidão em nossos corações para Deus" (Cl 3:16). Devemos ser aqueles que não
apenas lêem a Bíblia, mas também oram, cantam e salmodiam a Bíblia e até mesmo
agradecem a Deus com as palavras da Bíblia. Quando tomamos a Palavra de Deus desta
maneira, Deus opera através dela.

DANDO LUZ E VIDA


Nos Salmos 119 e 19 vemos pelo menos vinte e seis funções da lei de Deus como Sua
palavra viva para aqueles que O buscam com amor. Já apontamos que a Palavra de Deus
nos dá luz. Ela também nos dá vida (119:25, 50, 107, 154). Se você ler o Salmo 119 cuidado-
samente, observará que a palavra vivificar é usada várias vezes. A palavra hebraica tradu-
zida como vivificar, igual à palavra grega, significa dar vida. A Palavra de Deus nos dá
luz, depois ela nos vivifica, nos dá vida. Consequentemente vivemos através da Palavra
viva, isto é, vivemos através do próprio Deus.

RESTAURANDO A ALMA E ALEGRANDO AO CORAÇÃO

Uma outra função da Palavra de Deus é restaurar a alma do homem e alegrar ao


coração do homem (Sl 19:7-8). Precisamos não somente ser vivificados pela Palavra, mas
também restaurados por ela, principalmente quando estamos deprimidos, reprimidos ou
oprimidos. Após trabalhar o dia todo no seu emprego, você pode estar debaixo da
opressão de satanás e pode estar precisando de restauração. No seu caminho do trabalho
para casa, tome algum tempo para ler, orar e cantar a Palavra. Você descobrirá que a
Palavra restaurará a sua alma e fará com que o seu coração se alegre.

TRAZENDO SALVAÇÃO

A Palavra de Deus também nos traz salvação (Sl 119:41, 70). Precisamos de salvação a
cada dia, até mesmo a cada momento. A Palavra viva de Deus nos traz a salvação instan-
tânea e contínua de Deus.
FORTALECENDO, CONSOLANDO E NUTRINDO

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A Palavra de Deus nos fortalece (vs. 28), consola (vs. 76) e nutre (vs. 103). O salmista
disse que a Palavra de Deus era doce ao seu paladar, mais doce do que o mel à sua boca.
Isto indica que ele era nutrido pela Palavra.

SUSTENTANDO, GUARDANDO EM SEGURANÇA


E PROPORCIONANDO ESPERANÇA

Enquanto a Palavra de Deus nos nutre, ela nos sustenta. A Palavra nos mantém de pé.
Ela também nos guarda seguros e nos leva a ter esperança (vs. 116-117, 49). Quando
experi-mentarmos a função da Palavra viva não ficaremos sem esperança, pelo contrário,
seremos esperançosos em tudo. Em Filipenses 1:20 Paulo podia falar da sua mais ardente
expecta-tiva e esperança.

LEVANDO-NOS A DESFRUTAR DE DEUS COMO NOSSA PORÇÃO

A Palavra de Deus também nos leva a desfrutar de Deus como nossa porção (vs. 57). Se
quisermos desfrutar de Cristo como a nossa porção na Palavra, deveremos não só estudá-
la, mas também recebê-la de uma maneira viva através do cantar, orar, salmodiar e dar
graças.

LEVANDO-NOS A DESFRUTAR DO SEMBLANTE DE DEUS

Através da Palavra nós desfrutamos do semblante de Deus (vs. 58) e do resplandecer da


Sua face (vs. 135). Enquanto os filhos de Israel tinham medo e tremiam ao pé do Monte
Sinai, Moisés estava no cume do monte desfrutando do resplandecer do semblante do
Senhor. A nossa situação deve ser aquela de Moisés no cume do monte, não aquela dos
filhos de Israel ao pé do monte. Devemos estar no cume do monte sob o resplandecer da
face de Deus.

LEVANDO-NOS A DESFRUVAR DE DEUS COMO NOSSO REFÚGIO E ESCUDO,


E A DESFRUTAR DA AJUDA E DO BOM TRATAMENTO DE DEUS

Através da Palavra podemos desfrutar de Deus como nosso refúgio e escudo (vs. 114) e
também desfrutar da ajuda de Deus e do Seu bom tratamento (vs. 175, 65). De todas as
maneiras Deus nos trata bem. O Seu cuidado é compreensivo; Ele vai ao encontro de cada
necessidade nossa. Até mesmo a Sua repreensão é um aspecto do Seu bom tratamento. Se
penetrarmos na Sua Palavra de uma maneira viva, desfrutaremos do Seu bom tratamento.

FAZENDO-NOS SÁBIOS E NOS DANDO ENTENDIMENTO

O Salmo 119:98 diz: "Os Teus mandamentos me fazem mais sábios que os meus
inimigos", e o versículo 99 diz: "Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres,
pois os Teus testemunhos são o meu meditar" (hebr.). Estes versículos indicam que a
Palavra de Deus nos faz sábios. Quanto mais penetrarmos na Palavra, mais sábios nos
tornaremos.

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DANDO DISCERNIMENTO E CONHECIMENTO

A Palavra de Deus também nos dá bom discernimento e conhecimento (vs. 66, hebr.).
Para muitos cristãos hoje falta discernimento. Eles são como aqueles que não podem
discer-nir o seu polegar dos outros dedos. Precisamos ter bastante discernimento. A
Palavra de Deus nos dá o discernimento e o conhecimento necessários.

GUARDANDO-NOS DO PECADO E DE TODO CAMINHO MAU

O versículo 11 diz: "Guardo no coração as Tuas palavras, para não pecar contra Ti". De
acordo com este versículo, a Palavra de Deus nos guarda do pecado. A Palavra também
guarda os nossos pés de todo o caminho mau (vs. 101).

GUARDANDO-NOS DOS TROPEÇOS, FIRMANDO OS NOSSOS


PASSOS E LEVANDO-NOS A VENCER A INIQUIDADE

A Palavra de Deus também nos guarda dos tropeços (vs.165), firma os nossos passos e
nos leva a vencer a iniquidade (vs. 133). Nenhuma iniquidade terá domínio sobre nós. Pelo
contrário, dominaremos todas as coisas más, pois a Palavra de Deus nos fará domina-
dores, vencedores.

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