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Instituição: Espaço Holístico BH

Curso: Acupuntura

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO


Tratamento de Transtorno do Pânico Pela
Medicina Tradicional Chinesa

Aluna: Renata Paula Martins Loureiro

Orientador: Florita Oliveira

Data: Dezembro/2019
SUMÁRIO:

1 - Introdução: ................................................................................................................ 3
2 - Fundamentação Teórica - O que é a Sindrome do Pânico pela Medicina
Tradicional: ................................................................................................................. 5
2.1 - Sintomatologia: ....................................................................................................... 6
2.2 - Diagnóstico: ............................................................................................................ 7
2.2 Acupuntura como tratamento complementar da síndrome do pânico .............. 13
2.3 - Prevenção: ............................................................................................................... 9
3 - Tratamento Convencional: ..................................................................................... 10
4 - Tratamento pela medicina chinesa: ....................................................................... 13
4.1 - Estudo de caso pela Acupuntura e explicação dos princípios e pontos usados:
.................................................................................................................................... 16
4.2 - Discussão: .............................................................................................................. 22
4.3 - Conclusão: ............................................................................................................. 23
5 - Referências Bibliográficas: ..................................................................................... 24
1 - Introdução:

Como massoterapeuta, escolhi este tema por ser pertinente entre vários
pacientes. O Dia a dia tão corrido e com pouco tempo para si mesmo, tem transformado
a ansiedade natural, em diversos distúrbios devido a sua intensidade.

A ansiedade é um estado emocional que faz parte da vida. Encontrar a pessoa


por quem se está apaixonado causa ansiedade assim como a entrevista para um novo
emprego. Antes de uma prova, por exemplo, esse estado de ânimo é produtivo, fazendo
com que o estudante esteja alerta e preparado para o desafio.

Mas quando a ansiedade passa a afetar negativamente o dia-a-dia há um


problema. Se alguém não consegue mais seguir sua rotina, seja no trabalho, na escola ou
na vida social, pode estar sofrendo de um transtorno de ansiedade. A síndrome do
pânico faz parte destes transtornos.

“Muitas pessoas podem ter síndrome do pânico e não saberem por não
reconhecerem os sintomas”, alerta Ana Luiza Lourenço Simões Camargo, psiquiatra do
Einstein.

A síndrome se desenvolve principalmente em adultos jovens, por volta dos 25


anos, mas pessoas de qualquer idade podem apresentar o problema. As maiores vítimas
são as mulheres, que recebem de duas a três vezes mais diagnósticos da síndrome do
pânico que os homens. Segundo a Dra. Ana Luiza, ainda não há uma confirmação
científica que relacione a maior incidência às mulheres.

“Alguns casos no sexo masculino podem ser subdiagnosticados pelos homens


buscarem menos auxílio”, analisa a psiquiatra.

Um estudo do National Comorbidity Survey (NCS), dos EUA, aponta que 71%
das pessoas com síndrome do pânico são mulheres e apenas 29%, homens.

A síndrome ou transtorno do pânico levou considerável tempo para ser


reconhecida como doença, devido aos inúmeros sinais que apresenta. Trata-se de uma
condição mental psiquiátrica que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico
esporádicos, intensos e muitas vezes recorrentes. Essa moléstia já atinge 4% da
população mundial sendo três vezes mais em mulheres do que nos homens. É muito
extensa a faixa etária atingida por esse mal, embora grande parte esteja entre os 20 e 40
anos, no auge do período profissional.

O perfil do paciente que é atingido pela crise do medo é de uma pessoa com a
mente muito ágil e perfeccionista, com tendência a assumir responsabilidades além do
seu próprio limite. Quando a vida traz uma situação inesperada e traumatizante
(geralmente perda de entes queridos e abalos financeiros) o nível de estresse é tão alto
que este indivíduo entra em crise, caracterizada por taquicardia (batimentos acelerados e
intensos do coração), sudorese sem febre, enjôos, dor de cabeça e no tórax, sendo muito
confundida com um infarto.

O sentimento de impotência perante os sintomas físicos e a falta de controle


emocional levam ao desespero, com a nítida impressão de morte próxima. Geralmente,
estes sintomas físicos o fazem buscar ajuda em prontos-socorros e clínicas de
emergências. O susto dá vez para o alívio e ao mesmo tempo à frustração ao saber que
não se trata de nenhuma patologia física.

Gradativamente o doente, com medo das crises, vai afastando-se dos seus
afazeres diários e procura não entrar em contato com situações que ameacem
desencadear outras crises (como ambientes cheios de pessoas, transportes públicos e
lugares fechados). Ele se isola cada vez mais no único lugar que julga ser seguro, o
próprio lar.

Embora toda essa sintomatologia dê a impressão de que a indisposição é


progressiva e incurável, quando diagnosticada apresenta resultados positivos e rápidos
durante o tratamento. A grande demora encontra-se na análise, pois os sintomas
acobertam a verdadeira causa do problema, que é emocional. Se o indivíduo começa a
ter frequentes palpitações, procura um cardiologista, se sofre de dores durante as crises
procura um neurologista ou reumatologista.
2 - Fundamentação Teórica - O que é a Sindrome do Pânico pela Medicina
Tradicional:

O transtorno do pânico (TP) é caracterizado pela presença de ataques de pânico


recorrentes que consistem em uma sensação de medo ou mal-estar intenso acompanhada
de sintomas físicos e cognitivos e que se iniciam de forma brusca, alcançando
intensidade máxima em até 10 minutos. Estes ataques acarretam preocupações
persistentes ou modifi cações importantes de comportamento em relação à possibilidade
de ocorrência de novos ataques de ansiedade.

Os pacientes com TP seguem um padrão longo (que pode se estender a até uma
década) de visitas às emergências médicas antes do diagnóstico à procura de uma causa
orgânica para seus sintomas. Portanto, além de psiquiatras, também médicos em geral e,
em especial, aqueles que trabalham com atenção primária e serviços de emergência
médica devem estar familiarizados com os critérios do TP. O conhecimento desses
profissionais é de extrema importância ao considerarmos a alta prevalência dos ataques
de pânico na população em geral e anecessidade de saber diferenciar os ataques de
pânico isolados da síndrome completa (o TP) e de outros problemas médicos que podem
se apresentar como uma crise de ansiedade.

Além do sofrimento psíquico e do prejuízo funcional vivenciados pelos


pacientes com TP, ele está associado a uma série de outros desfechos que,
empiricamente, justificam seu tratamento como um problema de saúde pública.
Pacientes com TP têm maiores taxas de absenteísmo e menor produtividade no trabalho;
maiores taxas de utilização dos serviços de saúde, procedimentos e testes laboratoriais;
um risco aumentado, independente das comorbidades, de ideação de suicídio e de
tentativas de suicídio; e, em mulheres pós-menopáusicas, parece estar relacionado à
morbidade e mortalidade cardiovasculares

No entanto, cabe ressaltar que a associação com mortalidade cardiovascular


ainda é controversa e pode se restringir a uma população específica.
2.1 - Sintomatologia:

Um ataque de pânico consiste no surgimento súbito de medo ou desconforto


intensos e inclui, no mínimo, quatro dos seguintes sintomas físicos e emocionais:

 Dor ou desconforto no tórax


 Uma sensação de engasgo
 Vertigens, instabilidade postural ou desmaios
 Medo de morrer
 Medo de enlouquecer ou de perder o controle
 Sensações de irrealidade, estranhamento ou distanciamento do meio em
que vive
 Agitação ou arrepios
 Náuseas, dores gástricas ou diarreia
 Sensação de dormência ou formigamento
 Palpitações ou frequência cardíaca acelerada
 Falta de ar ou sensação de asfixia
 Sudorese
 Tremores ou espasmos

Você sabia que, Embora os ataques de pânico causem sintomas que afetam o
coração e outros órgãos vitais, eles não são perigosos.Muitas pessoas com síndrome do
pânico também têm sintomas de depressão.

Os sintomas geralmente alcançam seu ponto máximo em até 10 minutos e


desaparecem em alguns minutos e, por essa razão, o médico pouco consegue detectar,
exceto o medo que a pessoa sente de sofrer outro ataque aterrador. Uma vez que os
ataques de pânico podem ocorrer sem motivo aparente, a pessoa afetada com frequência
antecipa e se preocupa com a possibilidade de ter outro ataque – um quadro clínico
denominado ansiedade antecipatória – e então tenta evitar as situações que ela associa à
ocorrência de ataques de pânico anteriores.

Tendo em vista que os sintomas de um ataque de pânico envolvem muitos


órgãos vitais, as pessoas costumam pensar que têm algum problema de saúde grave
afetando seu coração, pulmões ou cérebro. Por exemplo, um ataque de pânico pode dar
à pessoa a sensação de que está tendo um ataque cardíaco. Por isso, é possível que a
pessoa visite repetidamente o médico de família ou o pronto‑socorro no hospital. Se não
for feito o diagnóstico correto do ataque de pânico, as pessoas podem ter a preocupação
adicional de que um problema médico grave foi negligenciado. Embora os ataques de
pânico causem incômodo, às vezes extremo, eles não são perigosos.

A frequência dos ataques pode variar muito. Algumas pessoas têm ataques
semanais, ou até diários, que ocorrem durante meses, ao passo que outras têm vários
ataques diários seguidos por semanas ou meses sem ataques.

2.2 - Diagnóstico:

O TP está classificado no Diagnostic and Statistical Manual of Mental


Disorders, Fourth Edition, Text Revision (DSM-IVTR)34, dentro do grupo dos
transtornos de ansiedade, e os critériosdefinidos pelo DSM-IV-TR são muito
semelhantes aos encontrados na Classificação Internacional de Doenças 10 (CID-10).

O diagnóstico do TP é essencialmente clínico. Os critérios diagnósticos para TP


segundo o DSM-IV-TR são apresentados na Tabela 1. Diversos autores propuseram
subtipos de TP baseados na apresentação sintomática do ataque (tipo
cardiorrespiratório, autonômico/somático, cognitivo), período do dia em que o ataque
ocorre (diurno, noturno), idade de início (precoce e tardio), curso (limitado, crônico),
etc. No entanto, ainda não há consistência na defi nição desses subtipos, especialmente
pelo manejo semelhante do ponto de vista terapêutico;

Um dos pontos chaves na avaliação dos pacientes com ataques de pânico é o


diagnóstico diferencial, especialmente pela interface que essa apresentação tem com
outros problemas clínicos de saúde. Assim, embora o diagnóstico do TP seja
essencialmente clínico, uma série de situações clínicas e psiquiátricas têm apresentações
que incluem ataques de pânico ou que se assemelham a ele. Assim, o algoritmo de
avaliação dos ataques de pânico inclui: ataques secundários a uma condição clínica (por
exemplo, hipertireoidismo, feocromocitoma), ao uso ou abstinência de substâncias (por
exemplo, abuso de cocaína, abstinência de álcool), a transtornos de ansiedade (como o
TP) e a outros transtornos psiquiátricos.
Em virtude do caráter agudo do ataque de pânico, seu diagnóstico diferencial é
essencial nas emergências médicas e deve ser guiado segundo a apresentação clínica. A
avaliação de doenças clínicas de acordo com a sintomatologia apresentada é essencial
para um bom manejo dos ataques. O abuso de estimulantes, bem como a abstinência de
depressores do sistema nervoso central, deve ser avaliado na anamnese como possível
responsável dos ataques. Uma história detalhada das medicações e drogas em uso pelo
paciente deve ser colhida, especialmente a história de consumo de álcool, cafeína,
cocaína, nicotina, broncodilatadores e hipnóticos sedativos. Caso o ataque não possa ser
mais bem explicado por nenhuma condição clínica ou pelo uso ou abstinência de
substâncias, deve-se proceder à investigação diagnóstica para transtornos psiquiátricos,
com atenção especial para os transtornos de ansiedade e, principalmente, para o TP.

2.3 - Prevenção:

Se você tem ou conhece alguém que está com esse problema, saiba que evitar
locais ou qualquer coisa que te lembra os maus momentos não irá te livrar de passar por
esta situação, pois como você não pode ter controle de todos os eventos que te rodeia,
em algum momento você passará por mais uma crise. Se enclausurar do mundo também
não lhe trará a solução, ao contrário, só alimentará mais ainda o seu medo.

Primeiro, busque o tratamento com um médico especialista, ele existe e é muito


eficaz. E abaixo deixamos também algumas dicas de como amenizar esta situação tão
chata e desconfortante:

No momento em que está começando o ataque:

 Ao começar a sentir levemente os sintomas, procure um lugar fresco e que sinta


seguro;
 Nunca saia correndo, não faça nada que alimente mais seu desespero;
 Sente-se ou fique agachado, como lhe parecer mais confortável;
 A respiração é sua aliada, inspire profundamente e solte lentamente pela boca, faça
isso por alguns minutos;
 Procure manter a calma, desvie seu pensamento para outro assunto;
 Pensar em soluções de assuntos que deixou pendente é também uma forma de
distração;
 Use seus sentidos: observe o que acontece a sua volta, algum aroma que chame sua
atenção, um som, algo que possa tocar;
 Se você já está em tratamento, tome os medicamentos prescritos pelos profissionais.
 Prevenção antes de qualquer problema:
 Aprenda a praticar atividades que ensinem o relaxamento, como Yoga e Pilates;
 Procure não se estressar;
 Evite locais muito lotados que te causam desconforto;
 Tome muito cuidado com bebidas que estimulem o sistema nervoso como álcool e
bebidas com cafeína.
O mais importante é se livrar do pensamento do que desencadeou o ataque. Se
gosta de música leve com você sempre um celular, ou um aparelho com músicas que
você gosta e fones de ouvidos para relaxar.

Saia do conforto de seu lar com algo que te distrai facilmente só para você poder
usar nos momentos extremos. Se tiver alguém com quem você pode contar neste
momento peça a ajuda, a companhia pode fazer os sintomas sumirem mais rapidamente.

3 - Tratamento Convencional:

Atualmente os tratamentos mais indicados são os que combinam


medicação ansiolítica como benzodiazepínicos e antidepressivos com psicoterapia. Esta
última visa entre muitas coisas auxiliar o paciente no resgate da autoconfiança
necessária ao domínio das crises, através da consciência de si próprio. É bom lembrar
que ansiedade é uma sensação inerente ao ser humano e que o leva a tomar decisões,
agir, defender-se do perigo. O grande problema é quando essa percepção torna-se
presente de maneira exacerbada em nossas vidas, diminuindo o prazer de trabalhar,
estudar, e comprometendo os relacionamentos de modo geral.

Medicamentos:

A maioria dos antidepressivos – antidepressivos tricíclicos, inibidores da


monoaminoxidase (IMAOs), inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs),
moduladores da serotonina e inibidores de recaptação de serotonina- noradrenalina
(IRSNs) – são eficazes (consulte a tabela Medicamentos usados no tratamento dos
transtornos de ansiedade).

Benzodiazepínicos funcionam mais rapidamente que os antidepressivos, mas


podem causar dependência farmacológica e, provavelmente, são mais propensos a
causar sonolência, falta de coordenação, problemas de memória e demora em reagir.

ISRSs ou IRSNs são os medicamentos preferidos porque são tão eficazes quanto
outros medicamentos e, geralmente, apresentam menos efeitos colaterais. Por exemplo,
eles são muito menos propensos a causar sonolência e eles não causam dependência
farmacológica; porém, se interrompidos bruscamente, a maioria dos ISRSs e IRSNs
pode causar sintomas desconfortáveis de abstinência.
Inicialmente, as pessoas podem receber um benzodiazepínico e um
antidepressivo. Assim que o antidepressivo começa a fazer efeito, a dose do
benzodiazepínico costuma ser reduzida e, em seguida, suspensa. Contudo, em algumas
pessoas, um benzodiazepínico é o único tratamento eficaz em longo prazo.

O tratamento medicamentoso pode prevenir ou reduzir significantemente o


número de ataques de pânico. Contudo, sem psicoterapia, é possível que os
medicamentos não ajudem a pessoa a se preocupar menos sobre ataques futuros e parar
de evitar situações que causam os ataques de pânico.

A utilização de um medicamento pode ser necessária por longos períodos, pois


os ataques de pânico podem reaparecer após a suspensão do medicamento.

Psicoterapia:

Há diversas formas eficazes de psicoterapia. A terapia de exposição, um tipo de


psicoterapia, geralmente ajuda. A terapia de exposição envolve a exposição gradual e
repetitiva da pessoa, de forma imaginária ou, às vezes, real, àquilo que desencadeia o
ataque de pânico. A terapia de exposição é repetida até que as pessoas se tornem muito
confortáveis com a situação provocadora de ansiedade. Para aumentar a chance de que a
pessoa se sinta confortável durante a exposição, muitas vezes ela aprende técnicas de
relaxamento para serem usadas antes de confrontar a situação provocadora de
ansiedade. Por exemplo, respirar de modo uniforme e lento é uma maneira confiável de
reduzir a ansiedade que pode desencadear um ataque de pânico.

Na terapia de exposição, a pessoa é repetidamente exposta à situação ou objeto


temidos, tanto literalmente como usando a imaginação. Ela sente a ansiedade
repetidamente até que o estímulo temido acaba perdendo seu efeito. Esse processo
denomina-se habituação.

Normalmente, o médico inicia com o nível de exposição mais baixo que pode
ser facilmente tolerado pela pessoa. Por exemplo, é possível que ele peça à pessoa que
olhe para o objeto temido à distância. O médico então orienta a pessoa a se tranquilizar
ao afirmar ser pouco provável que o objeto à distância lhe causará algum dano. Se a
pessoa apresentar batimentos cardíacos acelerados ou sentir falta de ar, ela é orientada a
responder a isso respirando fundo e lentamente ou fazer outros exercícios de
relaxamento (por exemplo, imaginar uma cena tranquila).
Quando a pessoa se sentir confortável naquele nível de exposição, ela é
gradativamente exposta a um contato cada vez mais próximo à situação ou ao objeto,
mas apenas até o momento em que os sintomas passam a ser desconfortáveis. Depois
disso, ela é novamente orientada a se tranquilizar ao afirmar que é pouco provável que o
objeto lhe cause dano e repetir os exercícios de relaxamento. A pessoa é exposta a um
contato cada vez mais próximo até que ela consiga tolerar uma interação normal com a
situação ou o objeto. Algumas vezes, é preciso apenas algumas sessões de exposição.
Duas variantes da terapia de exposição são a exposição por inundação e a exposição
gradual.

Na exposição por inundação, as pessoas são expostas ao estímulo desencadeador


da ansiedade durante uma ou duas horas. Essa técnica tende a ser desagradável e,
frequentemente, não é bem tolerada. A exposição gradual confere à pessoa um maior
grau de controle sobre a duração e a frequência das exposições.

A terapia cognitivo-comportamental também pode ser eficaz. A pessoa é


instruída a:

 Não evitar situações que provocam ataques de pânico


 Reconhecer quando seus medos não têm justificativa
 Reagir ao ataque ao respirar de modo lento e controlado ou usar outras
técnicas que promovem o relaxamento

A psicoterapia de apoio, que inclui instrução e tratamento psicológico, é


benéfica, pois um terapeuta pode fornecer informações gerais sobre o transtorno, seu
tratamento e as chances reais de melhora, além do apoio decorrente de uma relação de
confiança com o profissional da saúde.
4 - Tratamento pela medicina chinesa:

De acordo com Campiglia (2004) Vectore (2005) e Silva (2007) a Medicina


Chinesa e portanto a própria acupuntura tem como base o princípio de que o indivíduo
precisa estar em harmonia com as forças primordiais da natureza, que os chineses
chamam de YIN e YANG (dois princípios opostos e complementares que compõem
todo o universo), essa harmonia provoca um equilíbrio significativo a saúde, porém o
desequilíbrio gera um processo patológico.

Para Reich (1974) as fórmulas mais importantes acerca do encontro entre o


psíquico e o somático é a fórmula da energia, no conceito de “unidade funcional” ou
“identidade básica”. Ele considera que a fonte de todos os acontecimentos humanos é a
bionergia, o que significa que as atitudes corporais e as atitudes mentais-emocionais se
correspondem, podendo substituir-se e influenciar-se mutuamente. Cada região do
corpo possui um determinado desempenho, pode emprestar-se para representar uma
zona específica de conflito energético entre o psíquico e o somático. Tais conflitos são
cargas emocionais inclusas a episódios vitais do passado, os quais, mal
“metabolizados”, fixam e atualizam-se, criando obstáculos diversos à vida. Quando
mobilizados, podem liberar ou disseminar energia, promovendo a consciência das
circunstâncias vividas, a expressão emocional, antes contida, e a organização de um
novo modelo psico/ corporal.

Na Medicina Ocidental, a síndrome do pânico, pode ser tratada de algumas


formas: através de drogas (tratamento clínico-medicamentoso), tratamento conservador,
tais como, exercícios físicos e Psicoterapia.

2.2 Acupuntura como tratamento complementar da síndrome do pânico

O cuidado pela Medicina Chinesa, no que tange a acupuntura refere-se a cuidado


holístico, ou seja, uma terapêutica que reconheça a conexão entre a mente, o corpo e o
espírito.
O plano anatômico do organismo humano, a partir da tradição oriental da
acupuntura, é permeado de sítios superficiais e profundos onde os meridianos e canais
orgânicos cursam e possuem alta condutividade de potencial elétrico. Nestas regiões
transitam o QI carreado de informações neuroquímicas específicas e com alto poder de
auto-organização quando devidamente ligado um circuito terapêutico (SANTOS;
LEITE; HECK, 2011).

Para Schwartz (p. 25, 2008) “o acuponto é determinado como um ponto da pele
de sensibilidade espontânea ao estímulo e à resistência elétrica reduzida. Possui um
diâmetro de 0,1 a 5 cm, entretanto é uma área de condutividade elétrica amplamente
aumentada comparada às áreas da pele ao redor”. Tais pontos, estão localizados
próximos a articulações e bainhas tendíneas, vasos, nervos, e septos intramusculares, na
ligação músculotendínea, nos locais de maior diâmetro do músculo e nas regiões de
penetração dos feixes nervosos da pele quando um ponto de acupuntura é puncionado,
ocorre sensação de parestesia elétrica ou calor, denominada como “D e QI” (HWANG
e EGERBACHER, 2006).

O tratamento pela acupuntura fortalece o organismo, reduzindo a necessidade de


medicamentos. Compreende a integração mente-corpo como um círculo de interação
entre os sistemas internos e os aspectos emocionais, passível de ser consolidado através
da Essência, o QI e a Mente (AUTEROCHE; NAVAILH, 1992).

A cura ocorre quando o QI (força vital) do indivíduo é mobilizado e corrigido,


de maneira a restituir o correto fluxo da energia. A visão holística adotada pela
Medicina Tradicional Chinesa destaca que os pensamentos e as emoções influenciam
diretamente na força vital, aumentando, ou ao contrário, o fluxo de energia pelo corpo.
Tal processo é considerado uma via de mão-dupla, pois o psiquismo não pode ser
separado dos órgãos. As perturbações psíquicas, concernentes às emoções, podem
perturbar diretamente os órgãos e as alterações orgânicas podem agir sobre o psiquismo.
O psiquismo é o YANG, depende da energia YANG oriunda do ar e da luz, no entanto o
psiquismo é alimentado pela força YIN, proveniente dos alimentos e da terra.
Considerando que o fluxo do QI influencia a psique, tem-se que as emoções locadas nos
órgãos atuam causando insuficiências ou plenitudes.

O Coração, o órgão mais YANG dos órgãos, é a sede da mente, age sobre a vida
intelectual, equilibrando a razão e mantendo a energia mental. O Baço-Pâncreas atua
sobre o consciente, facilitando a concentração do pensamento e a compreensão. O Rim,
o órgão mais YIN, é o gerador de energia, atua sobre os processos de tomada de
decisão, conservando a vontade e a vitalidade. O Fígado, considerado a sede das
emoções da alma, mantém o livre fluxo da energia do corpo, atuando sobre a ação, a
inveja e o ciúme. O Pulmão capta a energia vital, atuando na defesa do organismo e nas
perdas afetivas e o vaso-governador e o vaso-concepção atuam sobre a percepção da
realidade (CAMPIGLIA, 2004).

Os sentimentos que causam plenitude, excessos de YANG são identificados pelo


descontentamento, pesar, obsessão, preocupação, como também pelo silêncio e pela
ociosidade. Os sentimentos que causam insuficiência, vazio de YIN, são identificados
pela alegria, medo e fadiga. A acupuntura contempla cinco emoções: alegria, tristeza,
reflexão, cólera e medo, o estado de saúde está condicionado à harmonia entre as cinco
emoções, as alterações emocionais levam aos quadros de excesso ou deficiência
(VECTORE, 2005).

Castro (2007) afirma que as principais causas da síndrome do pânico são:


deficiência do JING dos Rins; Deficiência de QI e de Sangue; Deficiência do QI do
Fígado e da Vesícula Biliar; Deficiência do QI do Coração e da Vesícula Biliar; Fogo
do Coração e

e Sobrecarga do Fígado. Essas seis possibilidades não são restritivas o paciente


pode apresentar uma ou mais dessas ou ainda outras síndromes, isoladamente ou em
conjunto. Uma vez identificadas às causas, a terapêutica pode ser elaborada em
acupuntura.
4.1 - Estudo de caso pela Acupuntura e explicação dos princípios e pontos
usados:

Resumo clínico da doença – o diagnóstico pela medicina tradicional chinesa e


princípios de tratamento por intermédio da acupuntura

Com base nas entrevistas realizadas com a paciente e na apalpação dos pulsos,
que apresentavam, principalmente, sinais de coração em excesso e baço deficiente ou
estagnado e rim bastante deficiente, levantou-se a hipótese diagnóstica, dentro da
perspectiva da medicina tradicional chinesa, de que a ansiedade ocorria, de acordo com
Auteroche e Navailh (1992), Ross (2003) e chonghuo (1993), por excesso de fogo no
coração, e, possivelmente, fleuma por insuficiência do baço, que, nessa situação, não
conseguia retirar a umidade adequadamente. Essa hipótese foi reforçada pelo exame da
língua, que constantemente se apresentava grossa, redonda, edemaciada, sem saburra,
com marcas de dentes e com petéqueas na região correspondente ao coração.

Além disso, foi possível ainda fazer uma conjetura utilizando a teoria dos cinco
elementos descrita por Yamamura (2001) e Xinong (1999), estabelecendo suposições
que, devido a traumas emocionais sofridos, como, por exemplo, uma contínua tristeza e
frustração devido à doença e morte do pai e, posteriormente, do tio, a paciente tivesse
elevado intensamente o receio e a preocupação consigo mesma e com a família, o que
continuamente foi debilitando o baço ao longo dos anos. com o baço debilitado, esse
começou a exigir mais energia do coração, o que fez com que o fogo do mesmo ficasse
elevado. A deficiência do baço e a própria tristeza e magoa contínua podem ter
debilitado o pulmão, o que contribuiu para agredir ainda mais o rim, também debilitado
pelo receio.

Nessa perspectiva, com o coração em excesso e o rim debilitado, a água do rim


não conseguiu mais controlar o fogo do coração, e o shen ficou agitado, surgindo então
os sintomas característicos da ansiedade (fenômeno assim denominado no ocidente).
Assim sendo, para reverter esse quadro, optou-se essencialmente pelo tratamento
recomendado na medicina tradicional chinesa, por Auteroche e Navailh (1992), Ross
(2003) e chonghuo (1993), que é “acalmar o coração, remover a estagnação do baço e
fortalecer o baço e o rim” por meio da inserção de agulhas em pontos específicos do
corpo que, combinados, apresentam essa finalidade, ou seja, pela acupuntura.
Relato do caso – método do tratamento realizado e explicação dos princípios e
pontos utilizados

No tratamento dos sintomas da paciente, foram utilizados os pontos de


acupuntura abaixo relacionados, que apresentam (dentre outras) as seguintes funções de
acordo com Focks (2005) e Ross (2003):

R3 – (terceiro ponto do canal de energia do rim) Regula o equilíbrio do yin e do


yang, fortalece e estabiliza a mente e as emoções, equilibra a labilidade emocional, a
deficiência do qi do rim; tonifica o rim e beneficia a essência e tonifica o sangue.

R6 – (sexto ponto do canal de energia do rim) Tonifica o yin do rim, a


deficiência do rim, nutre o yin, principalmente quando existe excesso de fogo no
coração, promove o sono e os fluidos corpóreos.

C7 – (sétimo ponto do canal de energia do coração) Tonifica o coração, equilibra


o yin e o yang, estabiliza o coração, clareia a mente, acalma a mente e as emoções,
regula o espírito, tonifica o sangue, tonifica o yin do coração, elimina o fogo.

CS6 – (sexto ponto do canal de energia do coração/sexualidade) Move a


estagnação e acalma irregularidades do qi, remove a estagnação de sangue e fleuma,
acalma o espírito, remove a estagnação do qi do pulmão, tonifica o coração; é indicado
para dor, choque e traumatismo.

CS7 – (sétimo ponto do canal de energia do coração/sexualidade) Acalma o


espírito, move a estagnação e regula o qi do coração e do estômago.

E25 – (vigésimo quinto ponto do canal de energia do estômago) Regula o


estresse emocional, regulariza o qi.

E36 – (trigésimo sexto ponto do canal de energia do estômago) Fortalece o baço


e o estômago para produzirem qi e sangue, que eliminam a umidade; faz subir o qi,
tonifica o sangue e o qi, estabiliza a mente e as emoções, regulariza o qi defensivo e
nutritivo.

P5 – (quinto ponto do canal de energia do pulmão) Resfria e acalma o pulmão,


trata a retenção de fleuma no pulmão, trata a deficiência de yin no pulmão.
P7 – (sétimo ponto do canal de energia do pulmão) Expele o vento externo,
fortalece o pulmão melhorando a circulação do qi defensivo, remove a estagnação do qi
do pulmão, remove as emoções estagnadas do pulmão, como a tristeza e a mágoa
reprimidas.

P9 – (nono ponto do canal de energia do pulmão) Tonifica o qi do pulmão,


tonifica o yin do pulmão, fortalece os vasos sanguíneos e a circulação do sangue.

IG4 – (quarto ponto do canal de energia do intestino grosso) Remove o vento


exterior, remove o calor, relaxa a tensão muscular, move estagnações do sangue, acalma
a hiperatividade do yang do fígado, acalma a mente, tonifica o qi e o sangue.

IG11 – (décimo primeiro ponto do canal de energia do intestino grosso) Expele o


vento exterior, remove o calor, relaxa a tensão muscular e alivia a dor, acalma a
hiperatividade do yang do fígado, resolve a umidade.

F3 – (terceiro ponto do canal de energia do fígado) Move a estagnação do qi e


do sangue, acalma a hiperatividade do yang do fígado, elimina o vento do fígado e
reduz espasmos e dor; tonifica o sangue e acalma o espírito.

F14 – (décimo quarto ponto do canal de energia do fígado) Move a estagnação


do qi do fígado, elimina a umidade calor do fígado; utilizado para congestionamento
mental e emocional.

VC4 – (quarto ponto do canal de energia do vaso da concepção) Fortalece o jing,


o qi, o yin e o yang do rim, dispersa a estagnação do qi.

VC6 – (sexto ponto do canal de energia do vaso da concepção) Tonifica a


deficiência e move a estagnação do qi.

VC12 – (décimo segundo ponto do canal de energia do vaso da concepção)


harmoniza a preocupação e a insegurança, tonifica a deficiência do qi e do yang do
baço, move a estagnação e regula a rebelião do qi do estômago.

VC15 – (décimo quinto ponto do canal de energia do vaso da concepção)


Acalma o espírito quando este está agitado pelo fogo do coração ou obstruído pela
fleuma no coração.
VC17 – (décimo sétimo ponto do canal de energia do vaso da concepção)
Dispersa a estagnação do qi, remove a estagnação do qi do coração, do sangue do
coração, do qi do pulmão e do aquecedor superior.

BP3 – (terceiro ponto do canal de energia do baço-pâncreas) move a estagnação


do qi do baço, tonifica a deficiência e fortalece o baço, resolve o esgotamento e o
embotamento mental por umidade e fleuma.

BP6 – (sexto ponto do canal de energia do baço-pâncreas) Tonifica o baço, o qi


e o sangue, elimina a umidade, tonifica o yin, acalma a mente, regula o qi do fígado.

BP9 – (nono ponto do canal de energia do baço-pâncreas) Elimina a umidade.

TA4 – (quarto ponto do canal de energia do triplo aquecedor) Tonifica a


deficiência do qi do rim, remove o excesso do vento e calor e a estagnação do qi.

TA5 – (quinto ponto do canal de energia do triplo aquecedor) Remove vento e


calor e a estagnação do qi do fígado.

Yintang – (ponto extra localizado no entre as sobrancelhas) Acalma a mente,


diminui cefaléia, tonturas e a sensação de peso na cabeça; é utilizado em casos de
estados de ansiedade, de distúrbios do sono e em estados de confusão mental.

A seleção e a utilização desses pontos ocorreram a partir de breve investigação


oral da paciente e do exame dos pulsos e da língua em cada sessão. Dentro da
perspectiva teórica da acupuntura, é possível identificar a qualidade da energia qi dos
órgãos do corpo, a saber, pulmão, baço-pâncreas, ming men (órgão da medicina chinesa
correspondente a um dos rins), coração, fígado e rim, por intermédio do exame dos
pulsos do paciente (Auteroche & Navailh, 1992; Flaws, 2005; Yamamura, 2001;
Xinong, 1999). Procedimento semelhante pode ser realizado pelo exame da língua, que
apresentará, em áreas específicas (correspondentes aos órgãos do corpo), sinais como
edemas, palidez, vermelhidão, rachaduras, saburras de diversas espessuras e tonalidades
(Maciocia, 2003; Xinong, 1999). A partir do exame da língua e dos pulsos, a qualidade
da energia de cada órgão pode ser classificada como normal, em excesso, estagnada,
deficiente ou inexistente, sendo que cada uma dessas características acarretará uma
sintomatologia diferenciada no paciente, que é tratado com a estimulação, a sedação ou
a harmonização de pontos de acupuntura específicos (Maciocia, 2003).
A estimulação de um ponto de acupuntura é feita com a inserção da agulha no
mesmo sentido do fluxo do canal de energia, deixando-se a agulha inserida no corpo por
um tempo reduzido, aproximadamente 10 a 15 minutos. Já a sedação do ponto é feita de
modo oposto: a agulha é inserida no sentido contrário ao fluxo de energia do canal, e é
deixada por tempo maior, mais de 30 minutos. Por sua vez, a harmonização de um
ponto de acupuntura é feita com a inserção perpendicular da agulha no canal de energia,
e a mesma é deixada por um tempo médio, de 20 a 25 minutos (Auteroche &
Auteroche, 1996; chonghuo, 1993; Xinong, 1999). Nesse tratamento, foram realizadas
10 sessões de acupuntura, realizadas inicialmente uma vez por semana, com duração
média de 50 minutos; entretanto, a paciente já relatava alguma melhora dos sintomas a
partir da quarta sessão. como caráter ilustrativo, segue a descrição geral dos pulsos da
paciente e dos pontos utilizados durante as sessões de acupuntura.

1ª, 2ª, 3ª e 4ª Sessões -

Situação geral dos pulsos:

Pulmão: normal

Coração: excesso

Baço-pâncreas: deficiente

Fígado: deficiente

Ming Men: inexistente

Rim: deficiente

Diferentes pontos utilizados ao longo das sessões:

R3, R6, E36, BP3, BP6, P5, BP9, P7, VC4 e VC12 – Tonificando, para
fortalecer o rim, nutrir o sangue, retirar a umidade e fortalecer o baço, melhorar a
absorção e a circulação do qi, fortalecer o pulmão, equilibrar as emoções e remover
estagnações.

F3, C7, CS6, CS7, IG4 – Harmonizando, para estabilizar as emoções,


harmonizar o coração, o sangue o qi e o shen.
A partir da quarta sessão, a paciente relatou uma significativa diminuição dos
sintomas que a trouxeram ao atendimento, informou sentir grande alívio das sensações
desagradáveis que sentia antes e que agora apresentava uma permanente sensação de
tranquilidade.

5ª e 6ª Sessões - Situação geral dos pulsos: Pulmão: normal coração: excesso


Baço-pâncreas: inexistente Fígado: deficiente Ming Men: inexistente Rim: deficiente
Diferentes pontos utilizados ao longo das sessões:

Vc4, P7, BP3, BP6, BP9, E36, R3 – Tonificando, para fortalecer pulmão, baço e
rim, tonificar e melhorar a circulação de qi e xue.

F3, F14, CS6, CS7, IG4, C7, E25, VC17, VC12 – Harmonizando, para retirar
obstruções e estagnações do fígado, harmonizar o coração e o shen, regular as emoções
e melhorar a circulação de qi e xue.

Na sexta sessão, a paciente relatou ter suspendido por decisão própria a


utilização do antidepressivo natural que estava utilizando. Declarou que estava se
sentido muito melhor desde que havia começado o tratamento, e acreditava que não
haveria mais necessidade de realizar uma sessão por semana, tendo sido acordado que, a
partir de então, as sessões iriam ocorrer a cada 15 dias. A partir desse momento, o
principal foco do tratamento foi o de manter o padrão alcançado, a fim de evitar novo
surgimento dos sintomas.

7ª, 8ª, 9ª e 10ª Sessões - Situação geral dos pulsos

Pulmão: normal coração: normal Baço-pâncreas: deficiente Fígado: normal


Ming Men: deficiente Rim: deficiente Pontos utilizados:

P7, E36, BP6, BP9, VC6, VC12, BP3 – Tonificando, para fortalecer o rim, o qi e
o xue e remover estagnações.

R3, F3, TA5, VC6, VC15, E25, IG4, C7, Yintang – Harmonizando, para manter
o fluxo suave do qi e do xue, retirar estagnações e manter a estabilidade das emoções.
4.2 - Discussão:

A medicina tradicional chinesa entende que a maioria dos distúrbios emocionais


e psíquicos tem em sua base uma desarmonia entre as energias dos diversos órgãos do
organismo, com especial destaque para as energias do coração e do rim (Auteroche &
Navailh, 1992; chonghuo, 1993; Ross, 2003). Isso fica claro quando se observa que, no
entendimento chinês, distúrbios emocionais ou psíquicos são demonstrações de
distúrbios do espírito (shen) do indivíduo, sendo que, em chinês, a palavra shen tanto
significa espírito quanto rim, e que o coração (xin) é o lugar de moradia do espírito
(shen). Nesse sentido, é possível fazer a leitura metafórica de que o espírito não
consegue encontrar condições adequadas para habitar a sua morada, por isso fica
conturbado, e essa perturbação se manifesta por sintomas como, por exemplo, aqueles
típicos da ansiedade descritos pela Psicologia e pela medicina ocidentais.

No caso da paciente em questão, a desarmonia foi observada por meio de


entrevistas e de técnicas próprias da acupuntura, como a palpação do pulso e o exame da
língua. Após a delimitação do diagnóstico, o tratamento visou a restabelecer o equilíbrio
do espírito, tendo como base os protocolos de tratamento indicados por Auteroche e
Navailh (1992), Ross (2003) e chonghuo (1993). Por essa razão, a base do tratamento
foi harmonizar o coração e fortalecer o pulmão e o baço, para melhorar a absorção de qi
(energia) e a circulação do qi (energia) e do xue (sangue) para assim fortalecer o rim e
restabelecer o equilíbrio entre este e o coração.

É importante destacar que o tratamento realizado por meio da acupuntura não


proporciona curas milagrosas ou o fim total das patologias dos pacientes, como
destacam campiglia (2004), Ross (2003) e Vectore (2005). O tratamento pela
acupuntura ocorre de modo processual, sendo que o restabelecimento da saúde se dá de
modo gradual e está diretamente relacionado a condições externas (ambientais,
climáticas, sociais e históricas) e internas (alimentação, estados emocionais,
espiritualidade), com as quais o sujeito se relaciona (campiglia, 2004; Vectore, 2005).
Um exemplo de que o tratamento é processual, e não final e definitivo, pode ser
observado nas últimas sessões realizadas, na quais, apesar de a paciente não mais relatar
sentir os sintomas que a trouxeram ao tratamento, ainda apresentava alterações nos
pulsos.
4.3 - Conclusão:

Como referido, a acupuntura não é uma técnica que propicia curas milagrosas de
nenhum tipo de patologia que se pretende tratar; em vez disso, o restabelecimento da
saúde é sempre realizado por um processo contínuo e gradual. No caso do tratamento
em questão, esse restabelecimento gradual pôde ser notado a partir do relato da
paciente, que afirmou ter apresentado melhora dos sintomas a partir da quarta sessão de
acupuntura, o que correspondeu a um mês de tratamento. Com a continuidade dos
atendimentos, a partir da sexta sessão, a paciente realizou por conta própria a suspensão
dos medicamentos que usava, e relatou a redução significativa dos sintomas iniciais,
decidindo continuar com o contrato mínimo pré-estabelecido das dez sessões para
melhorar ainda mais o equilíbrio obtido.

Por se tratar de uma sintomatologia bastante antiga, foi aconselhado à paciente


que mantivesse uma regularidade das sessões de acupuntura após o tratamento inicial ou
que continuasse com algum acompanhamento psicológico, visto que o tratamento
basicamente realizou a diminuição da intensidade dos sintomas apresentados, não
podendo ser atribuída uma cura definitiva. Desde então, a paciente não apresentou mais
os sintomas na mesma intensidade que apresentava no início das sessões de acupuntura,
sendo que, atualmente, continua realizando acompanhamento pela acupuntura com uma
sessão por mês, apenas em caráter preventivo e para a manutenção do seu bemestar
geral.
5 - Referências Bibliográficas:

http://www.saude.mt.gov.br/

http://www.scielo.br/

https://www.einstein.br/estrutura/check-up/saude-bem-estar/saude-
mental/sindrome-panico

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-
98932010000100015

Auteroche, B., & Navailh, P. (1992). O diagnóstico na medicina chinesa. São


Paulo: Andrei.

Campiglia, H. (2004). Psique e medicina tradicional chinesa. São Paulo: Roca.

Chonghuo, T. (1993). Tratado de medicina chinesa. São Paulo: Roca.

Conselho Federal de Psicologia (2002). Resolução nº 05/2002 – Dispõe sobre a


prática da acupuntura pelo psicólogo.

DSM-IV. (2002). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (C.


Dornelles, Trad., 4a ed. rev.). Porto Alegre: Artmed.

Flaws, B. (2005). O segredo do diagnóstico pelo pulso (C. da S. Garrido, Trad.).


São Paulo: Roca.

Focks, C. (2005). Atlas de acupuntura: com seqüência de fotos e ilustrações,


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Homes, D. S. (1997). Psicologia dos transtornos mentais (S. Costa, Trad., 2a


ed.). Porto Alegre: Artes Médicas.

Kaplan, H. I., Sadok, B. J., & Greb, J. A. (1997). Compêndio de psiquiatria:


ciências do comportamento e psiquiatria clínica (D. Batista, Trad., 7aed.). Porto Alegre:
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Maciocia, G. (2003). Diagnóstico pela língua na medicina chinesa (M. I.


Garbino Rodrigues, Trad.). São Paulo: Roca.