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CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA

PORTARIA Nº 1.004 DO DIA 17/08/2017

MATERIAL DIDÁTICO

CIÊNCIAS NEUROLÓGICAS

0800 283 8380


www.faculdadeunica.com.br
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SUMÁRIO

UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ..................................................................................... 3


UNIDADE 2 – FILOGÊNESE DO SISTEMA NERVOSO ............................................ 9
UNIDADE 3 – BASES ESTRUTURAIS DO SISTEMA NERVOSO .......................... 15
3.1 MENINGES ......................................................................................................... 18
3.2 MEDULA ESPINHAL .............................................................................................. 18
3.3 TECIDO NERVOSO .............................................................................................. 19
3.4 OS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS ............................................................................... 20
3.5 O TRONCO ENCEFÁLICO ...................................................................................... 21
3.6 O CEREBELO ...................................................................................................... 22
UNIDADE 4 – OS NEURÔNIOS ............................................................................... 24
4.1 ESTRUTURA DO NEURÔNIO .................................................................................. 25
4.2 CLASSIFICAÇÃO DOS NEURÔNIOS ......................................................................... 27
4.3 AS SINAPSES - TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO ENTRE CÉLULAS ..................... 29
UNIDADE 5 - ESPECIALIZAÇÃO E FUNÇÃO DOS HEMISFÉRIOS ...................... 31
UNIDADE 6 – A PLASTICIDADE CEREBRAL/NEURAL E A MEMÓRIA ............... 35
6.1 PLASTICIDADE NEURAL ........................................................................................ 35
6.1.1 Desenvolvimento ....................................................................................... 35
6.1.2 Aprendizagem ........................................................................................... 35
6.1.3 Após lesão neural...................................................................................... 36
6.2 MEMÓRIA ........................................................................................................... 38
6.2.1 Memória de Longo Prazo ou de Longa Duração ....................................... 40
6.2.2 Memória de Curto Prazo ou de Curta Duração ......................................... 41
6.2.3 Perda de Memória ..................................................................................... 41
6.2.4 Déficit de memória .................................................................................... 43
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 54

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO

Ao longo das últimas décadas, os cientistas, mais especificamente aqueles


que lidam com as neurociências, têm se debruçados sobre estudos que levem a
compreender o cérebro e sua impressionante capacidade de receber e filtrar
informações.
Neurologia é a especialidade da Medicina que estuda as doenças estruturais
do Sistema Nervoso Central (composto pelo encéfalo e pela medula espinhal) e do
Sistema Nervoso Periférico (composto pelos nervos e músculos), bem como de seus
envoltórios (que são as meninges).
Doença estrutural significa que há uma lesão identificável em três níveis:
1. Genético-molecular (mutação do material genético DNA);
2. Bioquímico (alteração de uma proteína ou enzima responsável pelas reações
químicas que mantêm as funções dos tecidos, órgãos ou sistemas); ou,
3. Tecidual (alteração da natureza histológica ou morfológica própria de cada
tecido, órgão ou sistema).
Em outras palavras, existe uma alteração neuroanatômica ou
neurofisiológica que produz manifestações clínicas, as quais devem ser
interpretadas, portanto, a base do raciocínio da Neurologia Clínica é exatamente o
exercício de associação dos sintomas e sinais neurológicos apresentados pelo
paciente (diagnóstico sindrômico) com o tipo de função alterada e com a estrutura
anatômica a ela associada (diagnóstico anatômico ou topográfico) (REED, 2004).
Dentre as doenças tratadas pela Neurologia temos:
Dores de cabeça (cefaleia);
Epilepsia;
Distúrbio do sono;
Mielopatias;
Neuropatias;
Doenças vasculares encefálicas;
Doenças neuro-degenerativas;
Neuro-infecções (meningite, por exemplo).
A Neurologia de maneira geral e as neurociências novas em muito podem
contribuir para o avanço da inclusão social. Abaixo temos algumas definições

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importantes para compreendermos, ao longo do curso, o desenvolvimento cognitivo


do ser humano:
a)Neurociência trata do desenvolvimento químico, estrutural e funcional,
patológico do sistema nervoso. As pesquisas científicas começaram no início do
século XIX. Nessa ocasião, os fisiologistas Fristsch e Hitzig relataram que a
estimulação elétrica de áreas específicas do córtex cerebral de um animal evocava
movimentos, e os médicos Broca e Wernicke confirmaram, separadamente, por
necropsia, danos cerebrais localizados em pessoas que tiveram déficits de
linguagem após algum acidente.
Em 1890, Cajal, neuroanatomista1, estabeleceu que cada célula nervosa é
única, distinta e individual. O cientista Sherrington, estudando reações, relatou que
as células nervosas (neurônios) respondem a estímulos e são conectadas por
sinapses.
Em 1970, desenvolveram-se novas técnicas e produção de imagens,
produzindo com clareza o encéfalo e a medula espinhal em vida, fornecendo
informações fisiológicas e patológicas nunca antes disponíveis. Dentre as técnicas,
existem a tomografia computadorizada axial (TCA), a tomografia por emissão de
pósitrons (PCT) e a ressonância magnética (RM).
b)Neurociência molecular investiga a química e a física envolvida na função
neural. Estuda os íons e suas trocas necessárias para que uma célula nervosa
conduza informações de uma parte do sistema nervoso para a outra. Reduzindo ao
nível mais fundamental, a sensação, o movimento, a compreensão, o planejamento,
o relacionamento, a fala e muitas outras funções humanas que dependem de
alterações químicas e físicas.
c)Neurociência celular considera as distinções entre os tipos de células no
sistema nervoso e como funciona cada tipo respectivamente. As investigações com
os neurônios recebem e transmitem informações, e os papéis das células não
neurais do sistema nervoso são questões ao nível celular.
d)Neurociência de sistemas tem a finalidade de investigar grupos de
neurônios que executam uma função comum, por meio de circuitos e conexões.

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Os neuroanatomistas estudam a estrutura do sistema nervoso, em nível microscópico e
macroscópico, dissecando o cérebro, a coluna vertebral e os nervos periféricos fora dessa estrutura.
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Como exemplo, têm-se posição e movimento do sistema musculoesquelético para o


SNC, e o sistema motor, que controla os movimentos.
e)Neurociência comportamental estuda a interação entre os sistemas que
influenciam o comportamento, o controle postural, a influência relativa de sensações
visuais, vestibulares e proprioceptivas no equilíbrio em diferentes condições.
f)Neurociência cognitiva atua nos estudos do pensamento, da
aprendizagem, da memória, do planejamento, do uso da linguagem e das diferenças
entre memória para eventos específicos e para a execução de habilidades motoras.
g)A neurofisiologia estuda as funções do sistema nervoso, utilizando
eletrodos para estimular e gravar a reação das células nervosas ou de áreas
maiores do cérebro. Muitas vezes o neurofisiologista separa as conexões nervosas
para avaliar seus resultados.
h)A neuropsicologia estuda as relações entre as funções neurais e
psicológicas. Para estes especialistas a pergunta chave é: qual área específica do
cérebro controla ou media as funções psicológicas? Utilizam como método o estudo
do comportamento ou mudanças cognitivas que acompanham lesões em partes
específicas do cérebro.
De acordo com os estudos das neurociências, os processos de
aprendizagem modelam o cérebro através das sinapses produzidas nos/pelos
neurônios como será visto adiante.
Eles dissolvem conexões pouco utilizadas ou fortalecem as ativas de uso
frequente. [...] Até idade avançada, sinapses serão fortalecidas ou enfraquecidas por
novos estímulos, experiências, pensamentos e ações, o que [...] possibilita aprender
durante toda a vida (FRIEDRICH; PREISS, 2006, p. 52-53). Sendo assim, ensinar é
estimular a produção de sinapses, tornar possíveis estímulos intelectuais que
acionem o cérebro e favoreçam a aprendizagem.
O caminho que faremos nesta apostila tem como objetivo fornecer as bases
do conhecimento científico para compreendermos o mecanismo de aprender, uma
vez que o cérebro e o sistema nervoso central são os organizadores dos nossos
comportamentos.
Ao prefaciar o livro de Marta Relvas (2010) intitulado “Neurociência e
Educação”, Luiza Elena L. Ribeiro do Valle foi muito feliz ao dizer que o

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conhecimento é o caminho que pode conduzir cada um ao despertar para o mundo


exterior a partir da compreensão das próprias características e é assim que
podemos realizar ideais e projetos. A realização pessoal que se atinge na profissão
depende de uma busca continuada dos conhecimentos que aperfeiçoam o “fazer” e
engrandecem o “ser”. Quando as soluções e dúvidas se tornam acessíveis por meio
de uma linguagem compreensível que traduz o conhecimento e a aplicação dele,
desfaz-se o abismo entre o professor e o aluno, pontuando com a aceitação, em
lugar das críticas, dando espaço para um relacionamento mais verdadeiro e para o
desenvolvimento de potencialidades.
Existem princípios da neurociência que estabelecem as relações entre como
o cérebro aprende e as estratégias que podem ser criadas em sala de aula, a saber:
Aprendizagem, memória e emoções ficam interligadas quando ativadas pelo
processo de aprendizagem. A aprendizagem sendo atividade social, os
alunos precisam de oportunidades para discutir tópicos. Ambiente tranquilo
encoraja o estudante a expor seus sentimentos e ideias;
O cérebro se modifica aos poucos fisiológica e estruturalmente como
resultado da experiência. Aulas práticas/exercícios físicos com envolvimento
ativo dos participantes fazem associações entre experiências prévias com o
entendimento atual;
O cérebro mostra períodos ótimos (períodos sensíveis) para certos tipos de
aprendizagem, que não se esgotam mesmo na idade adulta. Assim fazem-se
ajuste de expectativas e padrões de desempenho às características etárias
específicas dos alunos, usando de unidades temáticas integradoras;
O cérebro mostra plasticidade neuronal (sinaptogênese), mas maior
densidade sináptica não prevê maior capacidade generalizada de aprender.
Os estudantes precisam sentir-se “detentores” das atividades e temas que
são relevantes para suas vidas. Atividades pré-selecionadas com
possibilidade de escolha das tarefas aumentam a responsabilidade do aluno
no seu aprendizado;
Inúmeras áreas do córtex cerebral são simultaneamente ativadas no
transcurso de nova experiência de aprendizagem. Valem as situações que

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reflitam o contexto da vida real, de forma que a informação nova se “ancore”


na compreensão anterior;
O cérebro foi evolutivamente concebido para perceber e gerar padrões
quando testa hipóteses. Deve-se promover situações em que se aceite
tentativas e aproximações ao gerar hipóteses e apresentação de evidências.
Pode-se fazer uso de resolução de “casos” e simulações;
O cérebro responde, devido a herança primitiva, às gravuras, imagens e
símbolos. Vale propiciar ocasiões para alunos expressarem conhecimento
através das artes visuais, música e dramatizações (BARTOSZECK;
BARTOSZECK, 2009).
Os pesquisadores acima acreditam que mesmo usando rotineiramente tais
estratégias, as quais atuam nas transformações neurobiológicas que produzem a
aprendizagem e fixação do conhecimento na estrutura cognitiva da mente, os
professores em geral desconhecem como o cérebro e o sistema nervoso funcionam
como um todo na esfera educacional, daí a importância em conhecer mais
profundamente o seu funcionamento.
Guerra, Pereira e Lopes (2004, p. 1) já haviam identificado tal
desconhecimento e necessidade ao inferirem que

educar é promover a aquisição de novos comportamentos. As estratégias


pedagógicas utilizadas pelo educador no processo ensino-aprendizagem
são estímulos que levam à reorganização do sistema nervoso em
desenvolvimento, o que produz as mudanças comportamentais. O educador
está cotidianamente atuando nas transformações neurobiológicas cerebrais
que levam à aprendizagem. No entanto, desconhece como o cérebro
funciona.

Aos que buscam especializar-se em Neuropsicopedagogia, desejamos


concomitantemente muito estudo, aprofundamento nos conteúdos que se seguem e
a crença de que cada ser é único, especial e merecedor de nossa atenção.
Ressaltamos também que embora a escrita acadêmica tenha como
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar,
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores,

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incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma


redação original.
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se
muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir
para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos.

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UNIDADE 2 – FILOGÊNESE DO SISTEMA NERVOSO

O estudo da evolução humana que também podemos chamar de filogênese


nos leva a compreender melhor a adaptação sensório-motora dos seres vivos e, por
consequência, dos sujeitos aprendentes, pois mesmo os mais primitivos dos
humanos tiveram de se ajustar continuamente ao meio ambiente, que também é
mutável, para sobreviverem enquanto indivíduo e ainda como espécie (RELVAS,
2009).
Para Sarnat (1981 apud RIBAS, 2006), do ponto de vista anatômico, há três
maneiras básicas de se estudar o sistema nervoso central (SNC). A primeira
consiste em estudar a simples disposição espacial das suas estruturas já
desenvolvidas, campo de estudo denominado neuroanatomia; a segunda, em
estudar o seu desenvolvimento ontogenético; e a terceira, em estudar o seu
desenvolvimento filogenético – ocorrido ao longo da chamada evolução das
espécies, o que é feito principalmente através da paleontologia e da anatomia
comparada.
Ribas (2006) analisa que para a discussão de considerações de ordem
anatômica pertinentes a questões comportamentais, paralelamente às relevantes
contribuições experimentais em animais e às observações clínicas em seres
humanos, a análise dos conhecimentos existentes sobre a evolução filogenética das
estruturas nervosas é particularmente útil, uma vez que ela nos possibilita fazer
especulações sobre o aparecimento, o desenvolvimento e o embricamento dessas
estruturas e as possíveis características e comportamentos dos seus respectivos
elementos evolutivos.
Ao propiciar uma visão progressiva das complexidades nervosa e
comportamental ao longo da evolução, a análise filogenética também acarreta, a
cada passo, questionamentos sobre a própria conceituação de termos como
consciência e psiquismo, entre outros, principalmente por propiciar especulações
sobre os possíveis paralelos comportamentais existentes entre as diferentes
espécies e o próprio ser humano (RIBAS, 2006).
Em relação ao processo evolutivo, é importante lembrar que este diz
respeito a mudanças que ocorreram por força de fatores, principalmente ambientais,
que influenciaram todos os seres vivos, e não através de simples adições terminais
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de novas estruturas. Os processos evolutivos têm como principais denominadores


comuns a adaptação, a expansão da diversidade e o aumento da complexidade.
Ao longo de milhões de anos, o SNC dos vertebrados se desenvolveu até
atingir a complexidade do SNC humano, e é particularmente interessante e intrigante
como o desenvolvimento embrionário e fetal do SNC humano refaz grosseiramente
este mesmo curso (HAECKE; GOULD, 1977 apud RIBAS, 2006).
As maiores dificuldades dos estudos filogenéticos evidentemente se devem
à escassez de informações sobre os elementos já extintos, ao longo tempo
necessário para observação de quaisquer mudanças evolutivas naturais ou
experimentais e à veracidade das inferências sugeridas pelos estudos de anatomia
comparada. O desenvolvimento de técnicas de sequenciamento do DNA
seguramente propiciará avanços neste campo, dadas as suas possibilidades de
comparar genomas de diferentes espécies e mesmo de espécies extintas (RIBAS,
2006).
As figuras abaixo nos mostram: A) a evolução filogenética no homem em
comparação a outros animais; B) a evolução embriológica e fetal do SNC no ser
humano

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Fonte: Ribas (2006, p. 334)

São condições fundamentais para que o indivíduo se adapte ao meio


ambiente: a irritabilidade, a condutibilidade e a contratilidade.
Por meio da irritabilidade ou sensibilidade, a célula detecta as modificações
do meio ambiente. Essa sensibilidade celular causada por um estímulo é conduzida
à outra parte da célula pela condutibilidade, possibilitando uma resposta a esse
estímulo. Essa resposta pode ser o encurtamento da célula pela propriedade
chamada contratilidade que é uma reação que normalmente acontece no sentido de
fugir a um estímulo nocivo ou para se aproximar de um estímulo agradável
(mecanismo de defesa, por meio da motricidade).
Em seres ainda mais complexos (por exemplo, metazoários), as células
musculares responsáveis pela contratilidade foram ficando na parte mais interior do
animal. Na superfície, ficaram as células sensórias responsáveis pela identificação
do estímulo. Essa distância entre as células sensórias e as musculares foi
compensada pela especialização de células exclusivas para permitir a
condutibilidade da informação colhida na superfície, levando-as até o interior do ser,
para que houvesse uma resposta, que pode ser de repulsão ou de aproximação,

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dependendo do teor do estímulo. Esses neurônios são células nervosas


responsáveis por motricidade e sensibilidade do corpo.
A evolução filogenética providenciou para que essas células especializadas
em conduzir sinais se agrupassem e formassem um sistema nervoso central. Esse
sistema de comando conta com neurônios sensitivos ou aferentes, que são
responsáveis pela coleta de informações oriundas do meio ambiente. Essas
informações ou sinais são enviados ao centro de comando formado pelo sistema
nervoso central para que este elabore e retorne uma determinada reação ou
resposta. Essa resposta é possível graças aos neurônios eferentes ou motores,
podendo denominar-se motricidade voluntária.
As respostas podem ser elaboradas e retomadas a partir de qualquer ponto
do sistema nervoso central, como encéfalo, medula oblonga, tronco encefálico, etc.
Os reflexos patelares, observados no joelho do homem quando se bate com um
martelete nessa região, o que provoca o estiramento involuntário da perna para
frente, é um exemplo de reação a partir da medula oblonga, denominando-se de
motricidade involuntária.
Um terceiro tipo de neurônio trouxe um considerável aumento do número de
sinapses, o que aumentou consideravelmente a complexidade do sistema nervoso.
Esse neurônio foi denominado de neurônio de associação. Ele associa os diversos
tipos de informações e elabora as respostas a serem dadas ao estímulo. Seria o
rudimento da inteligência, capaz de elaborar a compreensão, o raciocínio, a
linguagem, ainda que primitiva, porém diferenciada dos outros seres vivos.
O crescimento do número de neurônios de associação aconteceu de forma
agrupada e em uma das extremidades dos seres vivos, o que seria mais tarde a sua
cabeça. Durante os deslocamentos, os animais percebiam mais rapidamente as
mudanças do meio por intermédio desses neurônios agrupados nessa extremidade
e podiam elaborar respostas mais rápidas, livrando-se de perigos, para encontrar
alimento, para perpetuar a espécie ou para se manter nos territórios e sobreviver.
Essa extremidade especializou-se em explorar ambientes e, por isso, foi
aparelhada com boca, olhos, ouvidos, pele e nariz, enfim, todos os órgãos dos
sentidos. Em virtude da sua importância, esse agrupamento de neurônios foi
protegido por um crânio e deu ao homem a capacidade de elaborar tarefas mais

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finas, como um simples movimento de pegar o garfo e levá-lo à boca ou segurar um


lápis e realizar um registro no papel.
O crescimento gradual do encéfalo observado na escala filogenética atinge
seu maior grau de complexidade no ser humano.
Os neurônios de associação situados no encéfalo foram os responsáveis
pelo surgimento das funções psíquicas superiores. Chegava, assim, ao ápice da
evolução do sistema nervoso. Daí em diante, o homem foi capaz de sentir, pensar,
relacionar-se afetiva e emocionalmente, utilizando a motricidade corporal (os
músculos voluntários e involuntários e as vísceras) como canal de expressão dos
sentidos (RELVAS, 2009).
Observando a estrutura do sistema nervoso, percebemos que ela tem partes
situadas dentro do cérebro, da coluna vertebral e outras distribuídas por todo corpo.
As primeiras recebem o nome coletivo de sistema nervoso central (SNC), e as
últimas, de sistema nervoso periférico (SNP).
É no sistema nervoso central que está a grande maioria das células, seus
prolongamentos e os contatos que fazem entre si. No sistema nervoso periférico,
estão relativamente poucas células, mas há um grande número de prolongamentos
chamados fibras nervosas, agrupadas em filetes alongados chamados nervos.
É possível dizer que a evolução do sistema nervoso central (SNC) dos
animais vertebrados se deu na direção do aumento de complexidade, com um
gradativo e marcante aumento do tamanho cerebral, resultado de um crescente
número de neurônios e do surgimento progressivo de novas estruturas cerebrais
(particularmente o córtex cerebral) e de sua expansão.
O caminho de evolução do SNC percorrido pelo seres humanos se deu em
direção à crescente intercomunicação entre neurônios, levando ao desenvolvimento
de novas estruturas neuronais, que nos possibilitam uma mais rica percepção
consciente do mundo em que vivemos e uma mais efetiva adaptação a diferentes
ambientes. O processo evolutivo levou (até pela complexidade de suas dimensões e
potencialidades) à separação de funções entre os nossos hemisférios corticais,
criando-nos, de um lado, um “cérebro” cognitivo, racional e analítico e, de outro, um
“cérebro” intuitivo, afetivo e emocional.

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Da existência destes dois modos operacionais surge-nos, se soubermos


integrá-los harmoniosamente, a potencialidade de um processo de consciência
bastante ampliado e de uma vida mais plena, criativa e amorosa.
É preciso também notar que o processo de interação entre os neurônios não
é fixo, mesmo após o nosso desenvolvimento e maturação iniciais. Ao contrário,
dada a plasticidade entre as conexões sinápticas e à ação variável de substâncias
transmissoras e moduladoras, o cérebro deve ser entendido como um conjunto de
sistemas funcionais altamente dinâmicos com amplas potencialidades de reajuste e
até de recuperação.
Finalmente é preciso considerar que o homem não é um organismo
acabado. Seu cérebro continua em constante evolução biológica adequando-se
sempre a novas circunstâncias, e em busca do equilíbrio (SCHMIDEK; CANTOS,
2008).

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UNIDADE 3 – BASES ESTRUTURAIS DO SISTEMA


NERVOSO

Dentre os sistemas que compõem o organismo humano, neste estudo, o


nosso maior interesse está no sistema nervoso, composto pelo sistema nervoso
central - SNC (encéfalo e medula) e sistema nervoso periférico - SNP.
São funções essenciais do sistema nervoso:
• Ajustar o organismo ao ambiente;
• Perceber e identificar as condições ambientais externas, bem como as
condições reinantes dentro do próprio corpo;
• Elaborar respostas que adaptem a essas condições;
• Função sensorial, integrativa e motora.

O sistema nervoso é um tecido originário de um folheto embrionário


denominado como ectoderme, mais precisamente de uma área diferenciada deste
folheto embrionário, a placa neural. Inicialmente, a placa neural contém cerca de 125
mil células, que vão dar origem a um sistema que é composto por aproximadamente
100 bilhões de neurônios no futuro.
A placa neural, aproximadamente na 3ª semana de gestação, se fecha,
formando um tubo longitudinal (tubo neural) que na sua região rostral ou anterior,
sofre uma dilatação que dará origem a uma parte fundamental do Sistema Nervoso
Central, o Encéfalo. Nos pontos de encontro ou fechamento das extremidades da
placa neural, no recém formado tubo neural, forma-se a crista neural que dá origem
a componentes que a neuro-anatomia nomina como elementos periféricos e
componentes celulares gliais.

O Sistema Nervoso pode ser classificado de várias formas, sendo a


classificação mais comum aquela que o divide em:
a) sistema nervoso central (SNC), aquele que está contido no interior do
chamado “estojo axial” (canal vertebral e crânio), ou seja, o encéfalo e a medula
espinhal;
b) sistema nervoso periférico (SNP), aquele que é encontrado fora deste
estojo ósseo, que se relaciona com o esqueleto apendicular, sendo os nervos
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(axônios) e gânglios (formações de corpos neuronais ganglionares dispersas em


regiões do corpo ou mesmo dispostas ao longo da coluna vertebral, como os
gânglios sensitivos).
No entanto, também podemos dividir o sistema nervoso funcionalmente em
somático ou de vida de relação, que lembra o sistema nervoso que atua em todas as
relações que são percebidas por nossa consciência; e, em visceral ou vegetativo,
aquele interage de forma inconsciente, no controle e na percepção do meio interno e
vísceras. Tanto o somático quanto o vegetativo, possuem componentes aferentes
(sensitivos) e eferentes (motores) (DIAS; SCHNEIDER, 2006).

“Organograma do Sistema Nervoso”

O SNC (sistema nervoso central) recebe, analisa e integra informações. É o


local onde ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens. O SNP (sistema
nervoso periférico) carrega informações dos órgãos sensoriais para o sistema
nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos e
glândulas). O SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao
telencéfalo (hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e
tronco cefálico (que se divide em: bulbo, situado caudalmente; mesencéfalo, situado
cranialmente; e, ponte, situada entre ambos).
Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa
craniana, protegendo o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula - também
denominada raque) e por membranas denominadas meninges, situadas sob a
proteção esquelética: dura-máter (a externa), aracnóide (a do meio) e pia-máter (a

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interna). Entre as meninges aracnóide e pia-máter há um espaço preenchido por um


líquido denominado líquido cefalorraquidiano ou líquor.
O Sistema Nervoso Central (encéfalo e medula espinhal) está contido em
um estojo ósseo denominado estojo axial. Este estojo é constituído pelo crânio, que
abriga o encéfalo e a coluna vertebral, formada por vértebras nos segmentos
cervical, torácica (ou dorsal) e lombar que contém em sua luz (no canal vertebral ou
forame vertebral) a medula espinhal, que se entende somente até a primeira
vértebra lombar. Já na região lombo-sacral o canal vertebral abriga a cauda equina e
o filum terminale.
Ilustração do SNC:

A palavra córtex vem do latim para “casca”. Isto porque o córtex é a camada
mais externa do cérebro. A espessura do córtex cerebral varia de 2 a 6 mm. O lado
esquerdo e direito do córtex cerebral são ligados por um feixe grosso de fibras
nervosas chamado de corpo caloso. Os lobos são as principais divisões físicas do
córtex cerebral. O lobo frontal é responsável pelo planejamento consciente e pelo
controle motor. O lobo temporal tem centros importantes de memória e audição. O
lobo parietal lida com os sentidos corporal e espacial. o lobo occipital direciona a
visão.

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3.1 Meninges
O sistema nervoso central é protegido por três envoltórios formados por
tecido conjuntivo, denominados, como meninges, sendo estas, na ordem do interior
para o exterior:
1. Piamáter (Acolada mais intimamente ao sistema nervoso, é impossível de ser
totalmente removida sem remover consigo o próprio tecido nervoso);
2. Aracnóide (Situada entre a Pia e Duramáter, é provida de trabéculas que
permite a circulação do líquor);
3. Duramáter (Trata-se do envoltório mais externo e mais forte, que em conjunto
com a Aracnóide é denominada como paquimeninge);
=>O conjunto, piamáter e aracnóide é denominado leptomeninge.

3.2 Medula espinhal


Etimologicamente, medula significa miolo e indica tudo o que está dentro. A
medula espinhal é assim denominada por estar dentro do canal espinhal ou
vertebral. A medula é uma massa de tecido nervoso alongada e cilindróide, situada
dentro do canal vertebral, sem ocupá-lo completamente e ligeiramente achatada
ântero-posteriormente. Tem calibre não uniforme por possuir duas dilatações, as
intumescências cervical e lombar, de onde partem maior número de nervos através
dos plexos braquial e lombossacral, para inervar os membros superiores e inferiores,
respectivamente.
Seu comprimento médio é de 42 cm na mulher adulta e de 45 cm no homem
adulto. Sua massa total corresponde a apenas 2% do Sistema Nervoso Central
humano, contudo inerva áreas motoras e sensoriais de todo o corpo, exceto as
áreas inervadas pelos nervos cranianos. Na sua extremidade rostral, é contínua com
o tronco cerebral (bulbo) aproximadamente ao nível do forame magno do osso
occipital. Termina ao nível do disco intervertebral entre a primeira e a segunda
vértebra lombares. A medula termina afilando-se e forma o cone medular que
continua com o filamento terminal-delgado, filamento meníngeo composto da pia-
máter e fibras gliais. Algumas estruturas são de extrema importância na fixação da
medula, como o ligamento coccígeo que se fixa no cóccix, a própria ligação com o

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bulbo, os ligamentos denticulados, a emergência dos nervos espinhais e a


continuidade da dura-máter com o epineuro que envolve os nervos.
A medula espinhal recebe impulsos sensoriais de receptores e envia
impulsos motores a efetuadores tanto somáticos quanto viscerais. Ela pode atuar em
reflexos dependente ou independentemente do encéfalo. Este órgão é a parte mais
simples do Sistema Nervoso Central, tanto ontogenético (embriológico) quanto
filogeneticamente (evolutivamente).
Daí o fato de a maioria das conexões encefálicas com o Sistema Nervoso
Periférico ocorrer via medula.

3.3 Tecido Nervoso


No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substância
cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca por seus
prolongamentos. Com exceção do bulbo e da medula, a substância cinzenta ocorre
mais externamente e a substância branca mais internamente.
A unidade funcional e estrutural do sistema nervoso é o neurônio ou célula
nervosa. São os neurônios que fazem a ligação entre as células receptoras dos
diversos órgãos sensoriais e as células efetoras, nomeadamente músculos e
glândulas. Os neurônios são células muito especializadas que apresentam um ou
mais prolongamentos, ao longo dos quais se desloca um sinal elétrico.
Podem ser classificados, com base no sentido em que conduzem impulsos
relativamente ao sistema nervoso central, em: neurônios sensoriais ou aferentes –
os que transmitem impulsos do exterior para o sistema nervoso central; neurônios
motores ou eferentes – os que transmitem impulsos do sistema nervoso central para
o exterior; neurônios de conexão – os que conduzem impulsos entre os outros dois
tipos de neurônios.
O Tecido Nervoso é composto basicamente por dois tipos celulares:
a) os neurônios, que são a unidade fundamental do tecido nervoso, cuja função é
receber, processar e enviar informações; estes, após o nascimento geralmente não
se dividem, os que morrem, seja naturalmente ou por efeitos de toxinas ou
traumatismos, jamais serão substituídos;

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b) células gliais (neuróglia) que são as células que ocupam os espaços entre os
neurônios, com função de sustentação, revestimento, modulação da atividade
neuronal e defesa; diferente dos neurônios, essas células mantém a capacidade de
mitose. Os neurônios são compostos basicamente por três estruturas: corpo celular,
dendritos e axônio.

3.4 Os hemisférios cerebrais


O telencéfalo compreende os dois hemisférios cerebrais, direito e esquerdo,
e uma pequena linha mediana situada na porção anterior do III ventrículo.
Os dois hemisférios cerebrais são incompletamente separados pela fissura
longitudinal do cérebro, cujo o assoalho é formado por uma larga faixa de fibras
comissurais, denominada corpo caloso, principal meio de união entre os dois
hemisférios. Os hemisférios possuem cavidades, os ventrículos laterais direito e
esquerdo, que se comunicam com o III ventrículo pelos forames interventriculares.
Cada hemisfério possui três polos: frontal, occipital e temporal; e três faces:
súpero-lateral (convexa); medial (plana); e inferior ou base do cérebro (irregular),
repousando anteriormente nos andares anterior e médio da base do crânio e
posteriormente na tenda do cerebelo.

Telencéfalo Diencéfalo Mesencéfalo Metencéfalo Mieloencéfalo

O Diencéfalo (tálamo e hipotálamo):


Todas as mensagens sensoriais, com exceção das provenientes dos
receptores do olfato, passam pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral. Esta é
uma região de substância cinzenta localizada entre o tronco encefálico e o cérebro.
O tálamo atua como estação retransmissora de impulsos nervosos para o córtex
cerebral. Ele é responsável pela condução dos impulsos às regiões apropriadas do
cérebro onde eles devem ser processados. O tálamo também está relacionado com
alterações no comportamento emocional; que decorre, não só da própria atividade,
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mas também de conexões com outras estruturas do sistema límbico (que regula as
emoções).
O hipotálamo, também constituído por substância cinzenta, é o principal
centro integrador das atividades dos órgãos viscerais, sendo um dos principais
responsáveis pela homeostase corporal. Ele faz ligação entre o sistema nervoso e o
sistema endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas endócrinas. É o
hipotálamo que controla a temperatura corporal, regula o apetite e o balanço de
água no corpo, o sono e está envolvido na emoção e no comportamento sexual.
Tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o mesencéfalo.
Aceita-se que o hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções.
Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva,
enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à
tendência ao riso (gargalhada) incontrolável. De um modo geral, contudo, a
participação do hipotálamo é menor na gênese (“criação”) do que na expressão
(manifestações sintomáticas) dos estados emocionais.

3.5 O tronco encefálico


O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se
ventralmente ao cerebelo. Possui três funções gerais:
(1) recebe informações sensitivas de estruturas cranianas e controla os
músculos da cabeça;
(2) contém circuitos nervosos que transmitem informações da medula
espinhal até outras regiões encefálicas e, em direção contrária, do encéfalo para a
medula espinhal (lado esquerdo do cérebro controla os movimentos do lado direito
do corpo; lado direito de cérebro controla os movimentos do lado esquerdo do
corpo);
(3) regula a atenção, função esta que é mediada pela formação reticular
(agregação mais ou menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes,
separados por uma rede de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco
encefálico). Além destas 3 funções gerais, as várias divisões do tronco encefálico
desempenham funções motoras e sensitivas específicas.

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Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se


agrupam em núcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam em feixes
denominados tractos, fascículos ou lemniscos. Estes elementos da estrutura interna
do tronco encefálico podem estar relacionados com relevos ou depressões de sua
superfície. Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou emitem fibras
nervosas que entram na constituição dos nervos cranianos. Dos 12 pares de nervos
cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico.

3.6 O cerebelo
Situado atrás do cérebro está o cerebelo, que é primariamente um centro
para o controle dos movimentos iniciados pelo córtex motor (possui extensivas
conexões com o cérebro e a medula espinhal). Como o cérebro, também está
dividido em dois hemisférios. Porém, ao contrário dos hemisférios cerebrais, o lado
esquerdo do cerebelo está relacionado com os movimentos do lado esquerdo do
corpo, enquanto o lado direito, com os movimentos do lado direito do corpo.
O cerebelo recebe informações do córtex motor e dos gânglios basais de
todos os estímulos enviados aos músculos. A partir das informações do córtex motor
sobre os movimentos musculares que pretende executar e de informações
proprioceptivas que recebe diretamente do corpo (articulações, músculos, áreas de
pressão do corpo, aparelho vestibular e olhos), avalia o movimento realmente
executado. Após a comparação entre desempenho e aquilo que se teve em vista
realizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para que o
desempenho real seja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo relaciona-se
com os ajustes dos movimentos, equilíbrio, postura e tônus muscular.
Quadro resumo das funções dos componentes do sistema nervoso

• Pensamento
• Movimento voluntário
Córtex Cerebral • Linguagem
• Julgamento
• Percepção
• Movimento
Cerebelo • Equilíbrio
• Postura
• Tônus muscular

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• Respiração
Tronco encefálico • Ritmo dos batimentos cardíacos
• Pressão Arterial
• Visão
Mesencéfalo • Audição
• Movimento dos Olhos
• Movimento do corpo
Tálamo • Integração Sensorial
• Integração Motora
• Comportamento Emocional
• Memória
Sistema límbico • Aprendizado
• Emoções
• Vida vegetativa (digestão,
circulação, excreção etc.).

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UNIDADE 4 – OS NEURÔNIOS

Segundo Pimentel e Santos (2008), a vida humana depende de informações


e os neurônios têm uma função primordial no processo de recebimento de todas as
informações que vão ao cérebro. É através da rede neural que toda a consciência de
informações e níveis de conhecimentos são formados. Esta célula nervosa, o
neurônio, tem a capacidade tanto de receber quanto de responder a mensagens que
chegam ao cérebro.
Os neurônios são portadores de sinais carregados de informações e
significados, estes sinais trafegam a mensagem por todo o sistema neuronal do
corpo humano. Isto é realizado graças aos nervos motores que conduzem seus
sinais a centenas de quilômetros por hora. Estas mensagens são codificadas em
padrões flexíveis que são transmitidos por sinais, visões, sons, movimentos, etc.
(McCRONE, 2002).
A capacidade dos neurônios de transmitir informações é conferida pelos
seus prolongamentos: o axônio e os dendritos. Estes últimos recebem as
informações provenientes de células nervosas e os axônios se encarregam de
conduzir tais informações através de impulsos nervosos e repassá-los a outras
células. Nos vertebrados, a maioria dos axônios é revestida por uma substância
esbranquiçada chamada bainha de mielina. É esta substância a responsável pela
velocidade com que os impulsos nervosos (informações) serão conduzidos.
(COSENZA, 2004).
Este processo de mielinização ocorre nos primeiros meses e anos de vida
do indivíduo e, portanto, quanto mais mielinizados forem os axônios, mais
rapidamente acontecem a recepção e a resposta das mensagens percebidas no
entorno, sendo assim, mais rapidamente acontece a aprendizagem (PIMENTEL;
SANTOS, 2008).
No cérebro, cada neurônio está conectado a vários milhares de vizinhos,
esta conexão é chamada de sinapse e podem ser elétricas e químicas. O formato do
neurônio e o padrão das conexões é o que vai determinar o nível da informação.
Estas informações, mesmo que superficiais, dão uma ideia da importância dos
bilhões de neurônios e de trilhões de conexões sinápticas no processo de
aprendizagem.
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Segundo Schmidek (2005), do ponto de vista evolutivo nós, seres humanos,


herdamos dos nossos ancestrais os neurônios, que praticamente não mudaram ao
longo de toda a evolução. Há bilhões de anos eles permanecem com o mesmo
aspecto geral e têm o mesmo mecanismo básico de funcionamento, sendo em
essência os mesmos neurônios em um rato, em um jacaré ou em um peixe e até
mesmo em um invertebrado.
Aliás, foi a partir de um certo tipo de neurônio que ocorrem em moluscos (os
chamados “neurônios de axônio gigantes”, encontrados em lulas e polvos) que se
descobriram muitas das propriedades funcionais das nossas células nervosas
(SCHMIDEK, 2005).
O grande segredo que faz nosso sistema nervoso tão diferente de outro
organismo vivo é basicamente o enorme número de neurônios que compõem o
nosso cérebro e o incrível número de interligações que essas células fazem
(SCHMIDEK; CANTOS, 2008).
O cérebro humano é proporcionalmente o maior e o mais pesado entre todos
os animais e a formação completa do mesmo, dentro dos limites de normalidade, vai
desde meados da terceira semana de gestação quando se inicia a formação da
placa neural embrionária, para só se completar por volta do quinto ano de vida, com
a plena mielinização dos neurônios corticais. Para que os axônios de muitos tipos de
neurônios consigam transmitir mensagens com rapidez e precisão, eles precisam
estar maduro. Isto acontece quando o mesmo é envolvido por uma camada especial
de gordura e proteína (a mielina), que atua como isolante elétrico e facilita a
transmissão do impulso nervoso. Assim, a maturação das células cerebrais, faz com
movimentos complexos, os níveis de coordenação e controle motor fino só sejam
alcançados após o término da formação da mielina (KOLB; WHISHAW, 2002).
Mas o que são neurônios?
São básica e essencialmente as células nervosas que estabelecem
conexões entre si de tal maneira que apenas um neurônio pode transmitir a outros
os estímulos recebidos do ambiente, gerando uma reação em cadeia.
4.1 Estrutura do neurônio
Sua estrutura é e composta por três partes distintas: corpo celular, dentritos
e axônios.

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Estrutura básica de um neurônio

Fonte: Ferneda (2006, p. 25)

Os corpos celulares dos neurônios estão concentrados no sistema nervoso


central e também em pequenas estruturas globosas espalhadas pelo corpo, os
gânglios nervosos. Os dentritos e o axônio, genericamente chamados fibras
nervosas, estendem-se por todo o corpo, conectando os corpos celulares dos
neurônios entre si e às células sensoriais, musculares e glandulares.
O Corpo Celular ou Pericário contém núcleo e citoplasma, onde estão
contidos ribossomas, retículo endoplasmático granular e agranular e aparelho de
Golgi. Centro metabólico do neurônio, este tem como função sintetizar todas as
proteínas neuronais e realizar a maioria dos processos de degradação e renovação
de constituintes celulares. Do corpo celular partem prolongamentos: dendritos (que
assim como o pericário, recebem estímulos) e axônios.
Os Dendritos geralmente são curtos, possuem os mesmos constituintes
citoplasmáticos do pericário. Traduzem os estímulos recebidos em alterações do
potencial de repouso da membrana, que envolvem entrada e saída de determinados
íons, causando pequenas despolarizações (excitatória) ou hiperpolarizações
(inibitória). Os potenciais gerados nos dendritos se propagam em direção ao corpo
e, neste, em direção ao cone de implantação do axônio.
O Axônio é um prolongamento longo e fino, que pode medir de milímetros a
mais de um metro, originado do corpo ou de um dendrito principal, a partir de uma
região denominada cone de implantação. Possui membrana plasmática (axolema) e
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citoplasma (axoplasma). O axônio é capaz de gerar alteração de potencial de


membrana (despolarização de grande amplitude) denominada potencial de ação ou
impulso nervoso, e conduzi-lo até a terminação axônica, local onde ocorre a
comunicação com outros axônios ou células efetuadoras. O local onde é gerado o
impulso é chamado zona de gatilho. Esta especialização de membrana é devido à
presença de canais de sódio e potássio, que ficam fechados no potencial de
repouso, mas que se abrem quando despolarizações os atingem.

4.2 Classificação dos neurônios


Os neurônios são classificados em:
• Multipolares – possuem vários dendritos e um axônio; conduzem potenciais
graduáveis ao pericário, e este em direção à zona de gatilho, onde é gerado o
potencial de ação;
• Bipolares – possuem um dendrito e um axônio;
• Pseudo-unipolares – corpos celulares localizados em gânglios sensitivos, de
onde parte apenas um prolongamento que logo se divide em dois ramos, o
periférico (que se dirige à periferia, formando terminações nervosas
sensitivas) e o central (que se dirige ao sistema nervoso central,
estabelecendo contato com outros neurônios).

Como os axônios não possuem ribossomas, toda a proteína necessária à


manutenção destes deriva do pericário (fluxo anterógrado), e para que haja a
renovação dos componentes das terminações é necessário um fluxo oposto, em

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direção ao corpo (fluxo retrógrado). Esse fluxo de substâncias e organelas através


do axoplasma é denominado fluxo axoplasmático.
Os neurônios muitas vezes funcionam como células excitáveis, ou seja,
comunicam entre si ou com células efetuadoras (células musculares e secretoras)
usando basicamente uma linguagem elétrica, as alterações do potencial de
membrana. A membrana celular separa o meio intracelular, onde predominam íons
com cargas negativas e certa quantidade do íon potássio (K+), do meio extracelular,
onde predominam cargas positivas, Sódio (Na+), Cálcio (Ca+) e certa quantidade do
íon Cloro (Cl-).
Essa diferença de cargas entre o meio interno e o meio externo estabelecem
um potencial elétrico de membrana, que em geral nos neurônios, quando em
repouso, é de aproximadamente -70mv. Na membrana, estão presentes canais
iônicos seletivos, que se abrem ou fecham, permitindo a passagem de íons de
acordo com o gradiente de concentração.
A despolarização e a repolarização de um neurônio ocorrem devido as
modificações na permeabilidade da membrana plasmática. Em um primeiro instante,
abrem-se “portas de passagem” de Na+, permitindo a entrada de grande quantidade
desses íons na célula. Com isso, aumenta a quantidade relativa de carga positiva na
região interna na membrana, provocando sua despolarização. Em seguida abrem-se
as “portas de passagem” de K+, permitindo a saída de grande quantidade desses
íons. Com isso, o interior da membrana volta a ficar com excesso de cargas
negativas (repolarização). A despolarização em uma região da membrana dura
apenas cerca de 1,5 milésimo de segundo (ms).
O estímulo provoca, assim, uma onda de despolarizações e repolarizações
que se propaga ao longo da membrana plasmática do neurônio. Essa onda de
propagação é o impulso nervoso, que se propaga em um único sentido na fibra
nervosa. Dentritos sempre conduzem o impulso em direção ao corpo celular, por
isso diz que o impulso nervoso no dentrito é celulípeto. O axônio por sua vez,
conduz o impulso em direção às suas extremidades, isto é, para longe do corpo
celular; por isso diz-se que o impulso nervoso no axônio é celulífugo.
A velocidade de propagação do impulso nervoso na membrana de um
neurônio varia entre 10cm/s e 1m/s. A propagação rápida dos impulsos nervosos é

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garantida pela presença da bainha de mielina que recobre as fibras nervosas. A


bainha de mielina é constituída por camadas concêntricas de membranas
plasmáticas de células da glia, principalmente células de Schwann. Entre as células
gliais que envolvem o axônio existem pequenos espaços, os nódulos de Ranvier,
onde a membrana do neurônio fica exposta.
Nas fibras nervosas mielinizadas, o impulso nervoso, em vez de se propagar
continuamente pela membrana do neurônio, pula diretamente de um nódulo de
Ranvier para o outro. Nesses neurônios mielinizados, a velocidade de propagação
do impulso pode atingir velocidades da ordem de 200m/s (ou 720km/h ).

4.3 As sinapses - transmissão do impulso nervoso entre células


Um impulso é transmitido de uma célula a outra através das sinapses (do
grego synapsis, ação de juntar). A sinapse é uma região de contato muito próximo
entre a extremidade do axônio de um neurônio e a superfície de outras células.
Estas células podem ser tanto outros neurônios como células sensoriais, musculares
ou glandulares. As terminações de um axônio podem estabelecer muitas sinapses
simultâneas.
Na maioria das sinapses nervosas, as membranas das células que fazem
sinapses estão muito próximas, mas não se tocam. Há um pequeno espaço entre as
membranas celulares (o espaço sináptico ou fenda sináptica).
Quando os impulsos nervosos atingem as extremidades do axônio da célula
pré-sináptica, ocorre liberação, nos espaços sinápticos, de substâncias químicas
denominadas neurotransmissores ou mediadores químicos, que tem a capacidade
de se combinar com receptores presentes na membrana das célula pós-sináptica,
desencadeando o impulso nervoso. Esse tipo de sinapse, por envolver a
participação de mediadores químicos, é chamado sinapse química.
Os cientistas já identificaram mais de dez substâncias que atuam como
neurotransmissores, como a acetilcolina, a adrenalina (ou epinefrina), a
noradrenalina (ou norepinefrina), a dopamina e a serotonina.
Sinapses Neuromusculares – a ligação entre as terminações axônicas e as
células musculares é chamada sinapse neuromuscular e nela ocorre liberação da
substância neurotransmissora acetilcolina que estimula a contração muscular.

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Sinapses Elétricas – em alguns tipos de neurônios, o potencial de ação se


propaga diretamente do neurônio pré-sináptico para o pós-sináptico, sem
intermediação de neurotransmissores. As sinapses elétricas ocorrem no sistema
nervoso central, atuando na sincronização de certos movimentos rápidos.

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UNIDADE 5 - ESPECIALIZAÇÃO E FUNÇÃO DOS


HEMISFÉRIOS

Apesar do nosso cérebro ser divido em dois hemisférios, não existe relação
de dominância entre eles, pelo contrário, eles trabalham em conjunto, utilizando-se
dos milhões de fibras nervosas que constituem as comissuras cerebrais e se
encarregam de pô-los em constante interação. O conceito de especialização
hemisférica se confunde com o de lateralidade (algumas funções são representadas
em apenas um dos lados, outras no dois) e de assimetria (um hemisfério não é igual
ao outro).
Segundo Lent (2002), o hemisfério esquerdo controla a fala em mais de 95%
dos seres humanos, mais isso não quer dizer que o direito não trabalhe, ao
contrário, é a prosódia do hemisfério direito que confere à fala nuances afetivas
essenciais para a comunicação interpessoal. O hemisfério esquerdo é também
responsável pela realização mental de cálculos matemáticos, pelo comando da
escrita e pela compreensão dela através da leitura. Já o hemisfério direito é melhor
na percepção de sons musicais e no reconhecimento de faces, especialmente
quando se trata de aspectos gerais. O hemisfério esquerdo participa também do
reconhecimento de faces, mas sua especialidade é descobrir precisamente quem é
o dono de cada face.
Da mesma forma, o hemisfério direito é especialmente capaz de identificar
categorias gerais de objetos e seres vivos, mas é o esquerdo que detecta as
categorias específicas. O hemisfério direito é melhor na detecção de relações
espaciais, particularmente as relações métricas, quantificáveis, aquelas que são
úteis para o nosso deslocamento no mundo. O hemisfério esquerdo não deixa de
participar dessa função, mas é melhor no reconhecimento de relações espaciais
categoriais qualitativas. Finalmente, o hemisfério esquerdo produz movimentos mais
precisos da mão e da perna direitas do que o hemisfério direito é capaz de fazer
com a mão e a perna esquerda (na maioria das pessoas).
O conceito de dominância hemisférica surgiu para explicar a relação entre a
atividade dos dois hemisférios, no sentido de que determinadas funções linguísticas
exercidas predominantemente pelo hemisfério esquerdo exerceriam uma
dominância sobre as funções do hemisfério direito. Entretanto, estudos mais
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recentes mostraram que os dois hemisférios não interagem através do domínio de


um sobre o outro, mas sim através da especialização de certas funções, ou seja, um
dos hemisférios é encarregado por um grupo de funções, enquanto o segundo
encarrega-se de outras. O que é importante ressaltar é que ambos trabalham em
conjunto. Esse novo conceito é chamado de especialização hemisférica.
Pesquisas têm mostrado que o conceito de especialização hemisférica é
fundamental no entendimento do processamento de informações. Essas evidências
indicam que raramente a especialização hemisférica significa exclusividade
funcional. Por exemplo: o hemisfério esquerdo controla a fala em mais de 95% dos
seres humanos, mais isso não quer dizer que o direito não participe também dessa
função.
Resumindo, estudos revelaram que o hemisfério direito percebe e comanda
funções globais, categoriais, enquanto o esquerdo se encarrega das funções mais
específicas relacionadas com a linguagem.

Fonte: Lent (2004, p. 645)

Sendo mais específico em termo da localização dos hemisférios no cérebro,


evidências têm indicado que o aspecto ventral do córtex posterior parietal (VCPP)
está associado ao processamento de informações auditórias, especialmente no que
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se refere ao processamento da linguagem. Entretanto, o processamento de


informações visuo-espaciais parece ser mais limitado à porção dorsal do córtex
posterior parietal (DCPP). Em suma, o direito do DCPP é mais ativado durante
atividades não verbais e espaciais e o esquerdo do VCPP é mais ativado durante
atividades verbais, ou seja, a alça fonológica é associada ao funcionamento do
hemisfério esquerdo e o esboço visuo-espacial do hemisfério direito.
CARACTERÍSTICAS DE CADA HEMISFÉRIO
HEMISFÉRIO ESQUERDO HEMISFÉRIO DIREITO
Verbal: usa palavras para nomear, Não verbal: percepção das coisas com
descrever e definir; uma relação mínima com palavras;
Analítico: decifra as coisas de maneira Sintético: unir coisas para formar
sequencial e por partes; totalidades;
Utiliza um símbolo que está no lugar de
Relaciona as coisas tais como estão
outra coisa. Por exemplo o sinal +
nesse momento;
representa a soma;
Abstrato: extrai uma porção pequena de Analógico: encontra um símil entre
informação e a utiliza para representar a diferentes ordens; compreensão das
totalidade do assunto; relações metefóficas;
Temporal: se mantém uma noção de
tempo, uma sequência dos fatos. Fazer Atemporal: sem sentido de tempo;
uma coisa e logo outra, etc.;
Racional: extrai conclusões baseadas Não racional: não requer uma base de
na razão e nos dados; informações e fatos reais; aceita a
suspensão do juízo;
Digital: utiliza números; Espacial: ver as coisas relacionadas a
outras e como as partes se unem para
formar um todo;
Lógico: extrai conclusões baseadas na Intuitivo: realiza saltos de
ordem lógica. Por exemplo: um teorema reconhecimento, em geral sob padrões
matemático ou uma argumentação; incompletos, intuições, sentimentos e
imagens visuais;
Linear: pensar em termos vinculados a Holístico: perceber ao mesmo tempo,
ideias, um pensamento que segue o concebendo padrões gerais e as
outro e que em geral convergem em estruturas que muitas vezes levam a
uma conclusão. conclusões divergentes.
HABILIDADES ASSOCIADAS À ESPECIALIZAÇÃO DE CADA HEMISFÉRIO
HEMISFÉRIO ESQUERDO HEMISFÉRIO DIREITO
Escrita à mão --
Símbolos Relações espaciais
Linguagem Figuras e padrões
Leitura Computação matemática
Fonética Sensibilidade a cores
Localização de fatos e detalhes Canto e música
Conversação e recitação Expressão artística
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Seguimento de instruções Criatividade


Escuta Visualização
Associação auditiva Sentimentos e emoções
MANEIRAS DE CONSCIÊNCIA DE CADA HEMISFÉRIO
HEMISFÉRIO ESQUERDO HEMISFÉRIO DIREITO
Lógico Intuitivo
Sequencial Azaroso
Linear Holístico
Simbólico Concreto
Baseado na realidade Orientado à fantasia
Verbal Não verbal
Temporal Atemporal
Abstrato Analógico

Uma vez que as últimas pesquisas têm demonstrado que a aprendizagem é


melhor, mais agradável e duradoura quando estão envolvidos os dois hemisférios,
para o professor e/ou especialista que irá trabalhar com a Neuropsicopedagogia
ficam algumas sugestões.
Ao pensar em Artes não pense e planeje somente uma aula de Artes, pense
nas invasões inglesas, na geografia do Uruguai, em tabelas de multiplicar, no corpo
humano, nos tempos verbais, enfim, utilize da interdisciplinaridade e enriqueça as
aulas.
É preciso levar os alunos a desenvolverem todo seu potencial e isto passa
necessariamente por trabalhar intuição, razão, emoção, imaginação, percepção,
enfim, desenvolver as capacidades analíticas e verbais.

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UNIDADE 6 – A PLASTICIDADE CEREBRAL/NEURAL E A


MEMÓRIA

6.1 Plasticidade neural


A plasticidade neural refere-se à capacidade que o SNC possui em modificar
algumas das suas propriedades morfológicas e funcionais em resposta às alterações
do ambiente. Na presença de lesões, o SNC utiliza-se desta capacidade na tentativa
de recuperar funções perdidas e/ou, principalmente, fortalecer funções similares
relacionadas às originais (OLIVEIRA, SALINA; ANNUNCIATO, 2000).
A plasticidade do SNC ocorre, classicamente, em três estágios:
desenvolvimento, aprendizagem e após processos lesionais.

6.1.1 Desenvolvimento
Na embriogênese, tem-se a diferenciação celular, em que células
indiferenciadas, por expressão genética, passam a ser neurônios. Após a
proliferação, migram para os locais adequados e fazem conexões entre si
(ANNUNCIATO; SILVA, 1995).
Os neurônios dispõem de uma capacidade intrínseca sobre sua posição em
relação a outros neurônios, e seus axônios alcançam seus destinos graças aos
marcadores de natureza molecular e à quimiotaxia. A secreção de substâncias
neurotróficas, neste caso, os fatores de crescimento ajudam o axônio na busca de
seu alvo (LINDEN, 1993). A maturação do SNC inicia-se no período embrionário e
só termina na vida extra-uterina.
Portanto, sofre influências dos fatores genéticos, do microambiente fetal e,
também, do ambiente externo, sendo este último de grande relevância para seu
adequado desenvolvimento.

6.1.2 Aprendizagem
Este processo pode ocorrer a qualquer momento da vida de um indivíduo,
seja criança, adulto ou idoso, propiciando o aprendizado de algo novo e modificando
o comportamento de acordo com o que foi aprendido. A aprendizagem requer a
aquisição de conhecimentos, a capacidade de guardar e integrar esta aquisição

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(MANSUR; RADONOVIC, 1998) para posteriormente ser recrutada quando


necessário.
A reabilitação física, entre outros fatores, tem por objetivo favorecer o
aprendizado ou reaprendizado motor, que é um processo neurobiológico pelo qual
os organismos modificam temporária ou definitivamente suas respostas motoras,
melhorando seu desempenho, como resultado da prática (PIEMONTE; SÁ, 1998).
Durante o processo de aprendizagem, há modificações nas estruturas e
funcionamento das células neurais e de suas conexões, ou seja, o aprendizado
promove modificações plásticas, como crescimento de novas terminações e botões
sinápticos, crescimento de espículas dendríticas, aumento das áreas sinápticas
funcionais (KLEIM; BALLARD; GRRENOUGH; 1997 apud OLIVEIRA, SALINA;
ANNUNCIATO, 2000), estreitamento da fenda sináptica, mudanças de conformação
de proteínas receptoras, incremento de neurotransmissores.
A prática ou a experiência promovem, também, modificações na
representação do mapa cortical (ARNSTEIN, 1997 apud OLIVEIRA, SALINA;
ANNUNCIATO, 2000).
Pascual-Leone et al. (1995 apud OLIVEIRA; SALINA; ANNUNCIATO, 2000)
demonstraram que a aquisição de uma nova habilidade motora, neste caso, tocar
piano, reorganizava o mapa cortical, aumentando a área relacionada aos músculos
flexores e extensores dos dedos. Em um estudo com leitores de Braille, verificaram
que o dedo indicador utilizado para a leitura tem maior representação cortical que o
dedo contralateral.
Jueptner et al (1997) e Grafton et al (1998 apud OLIVEIRA; SALINA;
ANNUNCIATO, 2000), por sua vez, encarregaram-se de mapear as áreas do SNC
que são ativadas durante o processo de aprendizagem motora, em que eram
realizados movimentos com as mãos, e verificaram que várias regiões agem em
conjunto, como o córtex motor primário, o córtex pré-motor, a área motora
suplementar, a área somatossensorial, os núcleos da base, entre outras.

6.1.3 Após lesão neural


A lesão promove no SNC vários eventos que ocorrem, simultaneamente, no
local da lesão e distante dele. Em um primeiro momento, as células traumatizadas

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liberam seus aminoácidos e seus neurotransmissores, os quais, em alta


concentração, tornam os neurônios mais excitados e mais vulneráveis à lesão.
Neurônios muito excitados podem liberar o neurotransmissor glutamato, o qual
alterará o equilíbrio do íon cálcio e induzirá seu influxo para o interior das células
nervosas, ativando várias enzimas que são tóxicas e levam os neurônios à morte.
Esse processo é chamado de excitotoxicidade (SILVA, 1995). Ocorre, também, a
ruptura de vasos sanguíneos e/ou isquemia cerebral, diminuindo os níveis de
oxigênio e glicose, que são essenciais para a sobrevivência de todas as células
(OLIVEIRA; SALINA; ANNUNCIATO, 2000)
A falta de glicose gera insuficiência da célula nervosa em manter seu
gradiente transmembrânico, permitindo a entrada de mais cálcio para dentro da
célula, ocorrendo um efeito cascata (RAFFINI, 1999).
De acordo com o grau do dano cerebral, o estímulo nocivo pode levar as
células nervosas à necrose, havendo ruptura da membrana celular, fazendo com
que as células liberem seu material intracitoplasmático e, então, lesem o tecido
vizinho; ou pode ativar um processo genético denominado apoptose, em que a
célula nervosa mantém sua membrana plasmática, portanto, não liberando seu
material intracelular, não havendo liberação de substâncias com atividade
próinflamatória e, assim, não agredindo outras células (LINDEN, 1996; VEGA;
ROMANO SILVA, 1999).
A apoptose é desencadeada na presença de certos estímulos nocivos,
principalmente pela toxicidade do glutamato, por estresse oxidativo e alteração na
homeostase do cálcio.
A lesão promove, então, três situações distintas: (a) uma em que o corpo
celular do neurônio foi atingido e ocorre a morte do neurônio, sendo, neste caso, o
processo irreversível; (b) o corpo celular está íntegro e seu axônio está lesado; ou,
(c) o neurônio se encontra em um estágio de excitação diminuído (SILVA, 1995).
Os mecanismos de reparação e reorganização do SNC começam a surgir
imediatamente após a lesão e podem perdurar por meses e até anos (SILVA, 2000).
São eles:
a) Recuperação da eficácia sináptica – Este processo consiste em fornecer
ao tecido nervoso um ambiente mais favorável à recuperação. Assim, nesta fase, a

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recuperação é feita por drogas neuroprotetoras (RAFFINI, 1999), que visam a uma
melhor oferta do nível de oxigenação e glicose, à redução sanguínea local e do
edema (VILLAR, 1997);
b) Potencialização sináptica – Este processo consiste em manter as
sinapses mais efetivas, por meio do desvio dos neurotransmissores para outros
pontos de contatos que não foram lesados;
c) Supersensibilidade de denervação – Em caso de denervação, a célula
pós-sináptica deixa de receber o controle químico da célula présináptica (RIBEIRO-
SOBRINHO, 1995); para manter seu adequado funcionamento, então, a célula
promove o surgimento de novos receptores de membrana pós-sináptica;
d) Recrutamento de sinapses silentes – No nosso organismo, em situações
fisiológicas, existem algumas sinapses que, morfologicamente, estão presentes, mas
que, funcionalmente, estão inativas. Essas sinapses são ativadas ou recrutadas
quando um estímulo importante às células nervosas é prejudicado. No caso de lesão
das fibras principais de uma determinada função, outras fibras que estavam
dormentes poderão ser ativadas;
e) Brotamentos – Este fenômeno consiste na formação de novos brotos de
axônio, oriundos de neurônios lesados ou não-lesados. O brotamento pode ser
regenerativo: ocorre em axônios lesados e constitui a formação de novos brotos
provenientes do segmento proximal, pois o coto distal, geralmente, é rapidamente
degenerado. O crescimento desses brotos e a formação de uma nova sinapse
constituem sinaptogênese regenerativa. O brotamento pode ser colateral: ocorre em
axônios não lesionados, em resposta a um estímulo que não faz parte do processo
normal de desenvolvimento. Este brotamento promove uma sinaptogênese reativa
(ANNUNCIATO, 1994; OLIVEIRA, SALINA; ANNUNCIATO, 2000).

6.2 Memória
A capacidade do ser humano de lembrar ou não de situações, fatos,
acontecimentos é mais um dos campos de estudo das neurociências. O termo
memória tem sua origem etimológica no latim e significa a faculdade de reter e/ou
readquirir ideias, imagens, expressões e conhecimento.

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É o registro de experiências e fatos vividos e observados, podendo ser


resgatados quando preciso. Isso faz com que a memória seja a base para
aprendizagem, pois, com as experiências que possuímos armazenadas na memória,
temos a oportunidade e a habilidade de mudar o nosso comportamento, ou seja, a
aprendizagem é a aquisição de novos conhecimentos, e a memória é a fixação ou a
retenção desses conhecimentos adquiridos.
Para se construir a memória, passamos por um processo de assimilação. E
é por meio desse processo que enviamos as informações para a memória de curta
ou de longa duração. Neste momento, o hipocampo é ativado. O hipocampo ajuda a
selecionar onde os aspectos importantes para fatos, eventos serão armazenados e
está envolvido também com o reconhecimento de novidades e com as relações
espaciais, tais como: o reconhecimento de uma rota rodoviária. É ele que filtra os
dados, usa e joga fora informações de curto prazo e se encarrega de enviar outras
para diferentes partes do córtex cerebral. Essas informações se envolvem em uma
verdadeira “sopa química” que passa a provocar “intercâmbio” entre os neurônios.
Nesta fase, o hipocampo, descansa e quem passa a trabalhar é o lobo frontal.
O lobo frontal funciona como um “coordenador geral” de todas as memórias
e é responsável pela guarda das informações, bem como de classificá-las de acordo
com seus diferentes tipos. Nessa área cerebral, as diferentes memórias se
completam dando origem ao raciocínio.
É o lobo frontal que acessamos quando “vasculhamos” nossa memória à
procura de informações guardadas no córtex. Essa parte do cérebro é
extremamente complexa e, por isso, bastante sensível. A idade, a depressão, o
estresse e, também, a sobrecarga de informações afetam a nossa memória. O
volume de informações sobrecarrega o lobo frontal, que, em muitos momentos, nos
“desligam” ou geram aqueles “brancos” que tantas vezes nos desesperam.
A memória não está localizada em uma estrutura isolada no cérebro: ela é
um fenômeno biológico e psicológico, envolvendo uma aliança de sistemas cerebrais
que funcionam juntos.
O processo de memorização é complexo, envolvendo sofisticadas reações
químicas e circuitos interligados de neurônios. As células nervosas ou os neurônios,

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quando são ativadas, liberam hormônios ou neurotransmissores que atingem outras


células nervosas por meio de ligações denominadas sinapses.
Podemos entender perfeitamente que quanto mais conexões, mais memória!
Os fatos antigos naturalmente têm mais tempo de se fixar em nosso banco
de dados e é daí sua melhor fixação, o que não ocorre com fatos recentes, que têm
pouco tempo para se fixarem e ainda podem ter sua capacidade de fixação alterada
por razões relacionadas a variações de estado emocional ou a problemas de ordem
física.
Cada célula cerebral (ou neurônio) contribui para o comportamento e para a
atividade mental, conduzindo ou deixando de conduzir impulsos. Todos os
processos da memória são explicados em termos destas descargas.
As alterações decorrentes da aprendizagem e da memória são chamadas
plasticidade, como vimos no início desta unidade.
Quando a célula é ativada, desencadeia-se a liberação de substâncias
químicas nas sinapses, chamadas neurotransmissores, tornando-as mais efetivas,
com melhor capacidade de armazenagem da informação no interior da célula.
Assim, neurônios “exercitados” possuem um número maior de ramificações
(dendritos) se comunicando com dendritos de outros neurônios, quando
estimulados.
Para que as memórias sejam criadas, é preciso que as células nervosas
formem novas interconexões e novas moléculas de proteínas, carregando as
informações “impressas” no interior da célula.

6.2.1 Memória de Longo Prazo ou de Longa Duração


A memória de longo prazo armazena as informações por um longo período,
mas a capacidade de armazenamento é limitada. Pode ser dividida em Declarativa e
Não declarativa. A primeira é a memória para fatos e eventos, reúne tudo que
podemos evocar por meio de palavras. A segunda é aquela para procedimentos e
habilidades.
Pode ser de Procedimentos quando se referir às habilidades e aos hábitos,
como, por exemplo, dirigir e nadar.

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Pode ser de Dicas quando for evocada, resgatada por meio de dicas, como
acontece quando ouvimos sons ou sentimos algum odor que nos lembram de
uma situação há tempos vivida.
Será Associativa quando nos fizer associar um determinado comportamento a
um fato. Um bom exemplo é quando salivamos ao ver um prato apetitoso e
lembrarmos o quanto é saborosa aquela comida e, naturalmente, nosso
organismo responde a essa lembrança.
E, finalmente, a memória poderá ser Não Associativa quando for resgatada
por meio de estímulos repetitivos. Ocorre, por exemplo, quando ouvimos o latido de
um cão pequeno. Esse tipo de latido não nos causará medo porque saberemos
relacioná-lo com o de um animal que não ofereça perigo.

6.2.2 Memória de Curto Prazo ou de Curta Duração


A memória de curto prazo não forma “arquivos”. Nela, guardamos
informações que serão utilizadas dentro de pouco tempo. Logo após sua utilização,
esquecemos os dados nela armazenados.
Exemplo: Local onde estacionou o carro; o conteúdo decorado para uma
prova. envolver eventos datados, isto é, relacionados ao tempo. E, será, Semântica
quando envolver o significado das palavras ou quando envolver conceitos
atemporais (NETTO, 2006).

6.2.3 Perda de Memória


A perda de memória pode estar associada a determinadas doenças
neurológicas, a distúrbios psicológicos, a problemas metabólicos e, também, a
certas intoxicações. A forma mais frequente de perda de memória é conhecida
popularmente como “esclerose” ou demência.
A demência mais comum é a doença de Alzheimer que se caracteriza por
perda acentuada de memória acompanhada de graves manifestações psicológicas,
como, por exemplo, a alienação.
Estados psicológicos alterados como o estresse, a ansiedade e a depressão
podem também alterar a memória.

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A falta de vitamina B1 (tiamina) e o alcoolismo levam à perda de memória


para fatos recentes e, com frequência, estão associados a problemas de marcha e
confusão mental.
Doenças da tireoide, geralmente, acompanham-se de comprometimento de
memória.
O uso de medicação tranquilizante (“calmantes”) por tempo prolongado
provoca a diminuição da memória e favorece também a depressão, o que leva a
uma situação que pode se confundir com a demência.
A vida sedentária, com excesso de preocupações e insatisfações, bem como
a dieta deficiente, favorecem a perda de memória.
Contrariamente ao esquecimento comum ocorrido normalmente no dia-a-dia
de nossas vidas, existem algumas doenças e injúrias no cérebro que causam séria
perda de memória e, também, interferem com a capacidade de aprender. A esta
instabilidade, dá-se o nome de Amnésia (NETTO, 2006).
Fatores que podem causar perda total ou parcial da memória:
• Concussão;
• Alcoolismo crônico;
• Drogas e medicamentos;
• Tumor cerebral;
• Encefalite.
Entretanto, a contínua atividade intelectual, como leitura, exercícios de
memória, palavras cruzadas e jogo de xadrez, auxilia a manutenção da memória.
O estilo de vida ativa com atividade física realizada regularmente e uma
dieta saudável são pontos importantes para a manutenção da memória.
A diminuição da memória que ocorre na terceira idade, na maioria das
vezes, é absolutamente benigna, mas, frequentemente, por falta de melhor
informação, angustia o idoso que tem dificuldade de aceitá-la como um fato normal.
Semelhante ao que ocorre com exercícios musculares realizados para se
manter a boa forma física, a atividade cerebral também deve ser realizada com
frequência, sempre procurando estimular nossos principais sentidos: olfato, paladar,
tato, visão e audição, bem como nossa memória e inteligência(NETTO, 2006).

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O declínio de nossas funções mentais que ocorre com a idade se deve, em


grande parte, à falta de atividade mental que, com frequência, segue paralelamente
ao envelhecimento. É sabido claramente que o declínio mental que ocorre com a
idade pode ser evitado.
Estimular as nossas percepções, nossa memória (recente e antiga), noções
espaciais, habilidades lógicas e verbais, etc. por meio de exercícios cerebrais
auxiliam a manter a memória ativa que pode e deve ser feita diariamente, durante as
atividades normais, como o caminhar, durante as refeições ou mesmo durante os
fazeres do cotidiano (NETTO, 2006).

6.2.4 Déficit de memória


A memória de trabalho (MT) refere-se à habilidade temporária de manter e
manipular informações que o indivíduo precisa para mantê-la gravada. A MT é um
sistema da memória explícita e declarativa, pelo fato da mesma requerer
participação ativa e consciente.
A MT possui três componentes básicos que processa informações:
1) fonológicas (alça fonológica);
2) visuo-espaciais (esboço visuo-espacial); e,
3) um sistema que controla a atenção e é responsável pela coordenação de
diferentes funções cognitivas (executivo central).
A alça fonológica é responsável pelo processamento do material linguístico
e, portanto, concorre para o aprendizado de novas palavras. Consiste de dois
subcomponentes: o armazenador fonológico, que retém a informação linguística, e a
alça articulatória, que é responsável pela reverberação subvocal – renovação da
representação fonológica que vai se perdendo no armazenador fonológico (LOBO;
ACRANI; ÁVILA, 2008).
O componente de estocagem está presente mesmo em crianças muito
jovens, ao passo que o outro processo emerge a partir dos sete anos. Na alça
fonológica, a informação auditiva (input auditivo) é armazenada no sistema de
estocagem fonológica de curto prazo seguindo duas prováveis rotas: ao buffer de
output fonológico (programação da fala) ou ao processo de reverberação (a partir do
qual a informação retorna ao sistema de armazenamento).

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A memória de trabalho fonológica pode ser avaliada por meio da repetição


de pseudopalavras, mais ou menos extensas, e com maior ou menor similaridade
com palavras do idioma em questão (SANTOS; BUENO, 2003). A memória de
trabalho, por meio da alça fonológica, interage com o conhecimento de longo prazo.
Desta forma, acredita-se que características individuais possam influenciar o
processo de aprendizado de novas informações e novas palavras. Outras variáveis
como o tipo do estímulo linguístico, sua extensão ou proximidade com palavras
reais, conhecimento prévio dessas palavras mais ou menos próximas, bem como a
forma de apresentação do estímulo, também podem influenciar esse desempenho
(PURVES et al, 2005; KESSLER, 1997).
Enfim, habilidades de memória de trabalho assumem papel importante no
desenvolvimento da fala e linguagem, fato comprovado em diversos estudos
envolvendo tarefas de memória fonológica de trabalho.
O déficit na MT pode ser associado a um dos componentes acima citados.
Problemas na alça fonológica ou no esboço visuo-espacial pode gerar problemas de
aprendizados geralmente observados durante o desenvolvimento da criança. Esses
déficits de aprendizado, sem a presença de retardo mental, podem variar entre:
déficits na leitura, na escrita e na área de cálculos.
Quando o componente executivo central é afetado, desorganizações
cognitivas mais sérias ocorrem. Geralmente, são observadas em casos de retardo
mental e esquizofrenia, problemas de déficit de atenção, habilidade de raciocinar e
capacidade de manter e manipular informações de atividades abstratas (NETTO,
2006).
Um déficit da memória de trabalho (MT) pode ser apresentado de várias
maneiras, entre elas as mais comuns são: a inabilidade de concentrar-se e prestar
atenção. O déficit também pode ser apresentado através da dificuldade de realizar
uma nova atividade que tenha per si vários passos de instruções para que seja
realizada (NETTO, 2006).
O déficit na MT pode também parecer um déficit na memória episódica.
Neste caso, avaliações neurológicas e neuropsicológicas podem mostrar o declínio
na consolidação de informações. Entretanto, para que informações sejam
transferidas para a memória episódica ela tem que ser retida primeiramente na MT.

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A memória episódica tem uma referência temporal e é uma memória de fatos


sequenciados. Ela é um subtipo da memória explícita ou declarativa que pode ser
descrita através de palavras (BUDSON; PRICE, 2005).
Uma doença como Alzheimer pode prejudicar mais do que um sistema de
memória. Pesquisas nessa área são necessárias para ampliar o entendimento sobre
tipos de memória. Esse conhecimento é muito importante para que os profissionais
possam aprimorar tanto na área de diagnóstico quanto na de tratamentos de déficits
da memória (NETTO, 2006).
Sobre os problemas de memória relacionados aos déficits de linguagem,
leitura e compreensão, é verdade que podemos ler e reler algo o quanto desejarmos
e o quanto for necessário, no entanto, isso não pode ser feito através da linguagem
falada.
O distúrbio Específico da Linguagem (DEL) é um transtorno associado ao
desenvolvimento da linguagem quando na ausência de qualquer outro transtorno.
Esse distúrbio não inclui criança com deficiência físicas ou mentais, tais como,
surdez, problemas emocionais ou depravação severa do meio ambiente. No entanto,
DEL refere-se a crianças com inteligência não verbal normal, e com déficit na
linguagem expressiva e/ou receptiva.
Resultados indicam que, crianças com DEL têm uma capacidade reduzida
na alça fonológica da memória de trabalho (MT). Elas não apresentam nenhum
problema na descriminação perceptual do estímulo auditório, mas têm grande,
dificuldade em repetir três e quatro sílabas sem sentido quando comparadas com
um grupo de controle. Esses resultados sugerem que DEL ocorre devido ao pobre
processamento ou retenção de informação fonológica na MT (NETTO, 2006).
Tem sido também constatado na literatura que crianças com problemas de
leitura e compreensão, demonstram déficits na alça fonológica. No entanto, o
esboço visuo-espacial encontra-se intacto e o executivo central não apresenta
qualquer problema (LENT, 2004; NETTO, 2006).
Assume-se que a criança que tem dificuldade de leitura apresenta uma
deficiência na habilidade de processamento fonológico. Isso pode dificultar a
compreensão da escrita. De acordo com essa perspectiva, observa-se que, quando

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ocorre um desenvolvimento na capacidade do processamento fonológico da criança,


o problema de leitura começa a desaparecer (GATHERCOLE et al, 2005).
Distúrbio da aprendizagem em matemática também pode ser derivado do
funcionamento deficiente da MT. Os componentes da MT têm um papel crucial no
cálculo e na solução de problemas aritméticos. Por exemplo, crianças com problema
de aprendizado na área da matemática, quando comparados com crianças da
mesma idade, têm dificuldade em realizar várias outras atividades que necessitam
da MT (WILSON; SWANSON, 2001).
De acordo com resultados como esse, parece que a representação visuo-
espacial de informação numérica e os aspectos fonológicos necessário para
decompor e entender um problema de matemática pode ser a causa do mau
desempenho entre crianças com déficits de aprendizado de matemática (WILSON;
SWANSON, 2001).
No entanto, problemas no componente executivo central também podem ter
uma importante contribuição nos déficits de aprendizado em matemática. A falta de
coordenação em várias atividades relacionadas com a contagem e a solução de
problemas aritméticos envolvendo palavras, pode ser uma das consequências de
déficit no componente executivo central da MT. Por exemplo, tem sido observado
que indivíduos com baixo desempenho em atividades matemáticas, apresentam
uma capacidade reduzida no processamento de informações do componente
executivo central da MT (ASCRAFT; KIRK, 2001).
Sobre as condições genéticas e suas relações com o déficits na alça
fonológica, Baddeley; Gathercole; Papagno (1998 apud Netto, 2006) diz o seguinte:

Déficits na MT têm sido associados com problemas mais severos nas


capacidades cognitivas. Parece claro que certas condições genéticas que
levam aos distúrbios do desenvolvimento cognitivo podem estar associadas
a déficits específicos da MT. Por exemplo, déficits na memória fonológica é
uma característica da Síndrome de Down. Também tem sido mostrado que
crianças com síndrome de Prader-Willi, uma desordem genética
caracterizada pelo atraso no desenvolvimento da linguagem, tem
relativamente intacto o componente executivo central e o esboço visuo-
espacial, mas apresenta déficit na alça fonológica da MT, talvez esteja
relacionado com a capacidade de retenção fonológica.

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Essas descobertas são consistentes com o fato de que a alça fonológica tem
um papel fundamental no desenvolvimento geral na área da linguagem,
especialmente na aquisição do vocabulário.

O começo de um novo tempo...


Inclusão escolar, diversidade, igualdade, respeito às diferenças são cenários
atuais que revelam uma relação íntima entre educação e saúde, mediados pela
neurociência.
Vimos que a neurociência é uma ciência recente que estuda o sistema
nervoso central, bem como sua complexidade, através de bases científicas,
dialogando também com a educação, através de uma nova subárea, a neurodidática
ou neuroeducação. Este ramo novo da ciência estuda educação e cérebro,
entendendo este último como um órgão “social”, passível de ser modificado pela
prática pedagógica (RELVAS, 2009).
Conceituamos também, lá na introdução, outros ramos da ciência que
buscam persistente e paulatinamente conhecer os mistérios e o funcionamento do
cérebro, da memória, e, dentre outros objetivos, contribuir para a educação no
processo de aprendizagem.
Enfim, são várias as disciplinas que contribuem para o avanço do
conhecimento e segundo a OCDE (2002), a neurociência cognitiva é a mais
recentemente estabelecida, e provavelmente a mais importante.
Técnicas como neuroimagem, incluindo tanto a Ressonância Magnética da
Imagem funcional (IRMf) e Tomografia de Emissão Pósitron (PET), juntamente com
a Simulação Magnética Transcraniana (TMS) e a Estretroscopia Infravermelha
Próxima (NIRS), estão permitindo os cientistas compreenderem mais claramente os
trabalhos do cérebro e a natureza da mente. Em particular, tais técnicas podem
começar a iluminar velhas questões sobre o aprendizado humano e sugerir
caminhos pelos quais a provisão educacional e a prática do ensino podem melhor
ajudar os aprendizes jovens e adultos (OCDE-2002).
Estas poderosas ferramentas de imagem funcional do cérebro aliadas à
integração de diversas disciplinas que investigam a aprendizagem humana e

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desenvolvimento a fim de reunir educação, biologia e ciência cognitiva, terão forte


impacto na profissão da educação.
Não há dúvidas de que os professores devem começar imediatamente a
explorar quais as formas mais indicadas de responder a toda essa revolução que
dominará o cenário educacional neste novo milênio (SANTOS, 2011).
Guerra (2004) ressalta com propriedade que a promoção de estratégias
pedagógicas realizadas com o objetivo de atuarem no sistema nervoso, deveria
requerer o conhecimento de como funciona este cérebro, objeto de estudo da
neurobiologia. A educação, portanto, teria que ter como uma das áreas
fundamentais para o seu desenvolvimento, tais conhecimentos, afinal o cérebro é o
órgão principal da aprendizagem.
Hoje sabemos que o sucesso do indivíduo está ligado ao bom desempenho
escolar, por isso, um número cada vez maior de crianças são atendidas por
neuropediatras, psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos e, mais recentemente,
neuropsicopedagogos (SANTOS, 2011).
Relvas (2010) afirma que termos como “distúrbios, dificuldades, transtornos,
discapacidades, problemas”, são encontrados na literatura e, muitas vezes, são
empregados de forma inadequada, porque a presença de uma dificuldade de
aprendizagem não implica necessariamente um transtorno.
Uma dificuldade pode ser transitória, não ligada a uma alteração funcional
do sistema nervoso, como por exemplo, uma inadequação pedagógica, um
problema emocional da criança, enfim, dificuldades que a criança passa em algum
momento de sua vida, passível de ser superado. A expressão transtorno de
aprendizagem deve ser reservada para dificuldades primárias ou específicas, que se
deve a alterações do sistema nervoso central.
No sistema nervoso central ocorrem modificações funcionais e de condutas,
que dependem dos contingentes genéticos de cada um, associados ao ambiente
onde está inserido, sendo este responsável pelo aporte sensitivo-sensorial, que vem
por meio da substância reticular ativada pelo sistema límbico, que contribui com os
aspectos afetivo-emocionais da aprendizagem. Relvas (2010) descreve, passo a
passo, o caminho desses estímulos, relatando aspectos importantes e
desconhecidos totalmente pelos professores, dentre eles:

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O córtex cerebral, nas áreas do lobo temporal, recebe, integra e organiza as


percepções auditivas;
As áreas do lobo occipital, recebem, integram e organizam as percepções
visuais;
As áreas temporais e occipital se ligam às áreas motoras do lobo frontal,
situadas na terceira circunvolução frontal, responsável pela articulação das
palavras. A circunvolução frontal ascendente é responsável pela expressão
da escrita (grafia);
A área parieto-temporoccipital é responsável pela integração gnósica, e as
áreas pré-frontais, pela integração práxica, desde que essas funções sejam
moduladas pelo afeto e pelas condições cognitivas de cada um.
Segundo a mesma autora, essa complexa rede de funções sensitivo-motora,
motora-práxica, controlada pelo afeto e pela cognição, deve ser associada à função
do cerebelo na coordenação, não só das funções perceptivas e motoras, mas
também das funções cognitivas do ato de aprender. As alterações funcionais e
neuroquímicas envolvidas produzem modificações mais ou menos permanentes no
sistema nervoso central, isso é aprendizagem. Portanto, o ato de aprender é um ato
de plasticidade cerebral, modulado por fatores intrínsecos (genéticos) e extrínsecos
(experiências). Sendo assim, dificuldades para a aprendizagem seriam resultados de
algumas falhas intrínsecas ou extrínsecas desse processo.
Para Fonseca (2007), cognição é sinônimo de “ato ou processo de
conhecimento” ou algo que é conhecido através dele e funções cognitivas seriam o
processo de adquirir algo que é conhecido através dele, ou seja, seriam os
processos mentais que nos permitem pensar, raciocinar e resolver problemas.
As principais funções cognitivas seriam: atenção, percepção, memória,
linguagem e funções executivas. É a partir da relação entre todas estas funções que
entendemos a grande maioria dos comportamentos, desde os mais simples até as
situações de maior complexidade, exigindo atividades cerebrais mais elaboradas,
onde a educação cognitiva torna-se crucial para a escola regular.
Assim sendo, aprender envolve a simultaneidade da integridade
neurobiológica e a presença de um contexto social facilitador, portanto, o ensino de
competências cognitivas ou o seu enriquecimento não deve continuar a ser ignorado

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pelo sistema de ensino, ora assumindo que tais competências não podem ser
ensinadas ou ora assumindo que elas não precisam ser ensinadas. Ambas as
assunções estão profundamente erradas: primeiro porque as funções cognitivas de
nível superior podem ser melhoradas e treinadas e, segundo, porque não se deve
assumir que elas emergem automaticamente por maturação, ou simplesmente por
desenvolvimento neuropsicológico (SANTOS, 2011).
Segundo Fonseca (2007), desenvolver o potencial de aprendizagem com
programas de enriquecimento cognitivo não é uma futilidade, na medida em que o
potencial não se desenvolve no vazio, nem apenas por instrução convencional; para
que ele se desenvolva é preciso que seja estimulado e treinado intencionalmente.
Antes que se perguntem porque voltamos o foco para as funções cognitivas,
justificamos que ao longo do curso de Neuropsicopedagogia irão justamente
estudar, refletir, analisar as contribuições dos estudos do sistema nervoso para a
questão da aprendizagem no ambiente escolar.
A escola do futuro deve privilegiar no treino cognitivo não só formas de
pensamento analítico, dedutivo, rigoroso, convergente, formal e crítico, como formas
de pensamento sintético, indutivo, expansivo, divergente, concreto e criativo,
interligando-os de forma harmoniosa.
A escola, deve e pode, portanto, ensinar funções cognitivas que estão na
base de aprendizagens, simbólicas ou não. Com ensino mediatizado, com prática e
treino, as funções ou competências cognitivas de qualquer aluno, seja ele deficiente
ou não, podem ser melhoradas, aperfeiçoadas, uma vez que todos possuem um
potencial de aprendizagem para se desenvolver de forma mais eficaz do que
efetivamente tem feito (SANTOS, 2011).
Os dados de inúmeras pesquisas científicas na área de educação cognitiva
são extremamente encorajadores, eles ditam e recomendam que mais esforços
devem ser conduzidos pela escola nesse sentido; se não tentarmos, o custo e o
desperdício do potencial humano podem ser incalculáveis. É falso e displicente
supor que as crianças deficientes não dispõem da capacidade de aprendizagem,
nelas essa disposição é outra, mais lenta e diferente, mas isso não quer dizer que tal
condição esteja extinta ou ausente (FONSECA, 1995).

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A escola do futuro deve atender as diversidades, aos diferentes estilos de


aprendizagem, E nesse sentido, Fonseca, (1997) faz referência a perspectiva da
formação do educador para lidar com essa diversidade, não podendo esta formação
ser centrada apenas numa visão pedagógica, reducionista, mas deve também
contemplar fatores:
neurobiológicos (Organização intrínseca do sistema nervoso, que preside as
funções da atenção, percepção e conceituação, deficiências sensoriais,
auditivas, visuais e cinestésicas, biologia da linguagem, problemas motores,
problemas de comunicação, problemas somáticos, etc.); e,
psicoemocionais (Privação sensorial, interação mãe e filho, padrões
perceptivos e adaptativos, desenvolvimento motor, psicomotor, cognitivo,
emocional e social, etc.).
A partir das relações entre estes fatores, poder-se-á construir uma formação
científico-pedagógica dos professores na perspectiva da educação inclusiva.
Fonseca (2007) conclui afirmando que a educação cognitiva deve ser um
componente prioritário e não acessório da educação, que não pode ser
negligenciada ou subutilizada por profissionais da educação inclusiva, não podendo
estes profissionais desconhecer as vantagens e os benefícios da intervenção
pedagógica neste domínio das Neurociências e práticas pedagógicas inclusivas.
Para Cosenza e Guerra (2011), o grande desafio que a educação apresenta
às neurociências é a proposição de temas relevantes a serem estudados em
aprendizes com cérebros diferentes, como autistas, crianças com dificuldades de
aprendizagem, deficiência intelectual, síndrome de Down, superdotação/altas-
habilidades, entre outros. Sabemos que hoje prevalece a política da escola inclusiva
onde educar na diversidade será o maior desafio do educador contemporâneo.
Os estudos e descobertas de estratégias pedagógicas específicas,
considerando um funcionamento cerebral distinto, são condições imprescindíveis
para tornar a educação inclusiva uma realidade, encarada com responsabilidade,
onde professores utilizem conhecimentos pautados em evidências científicas.
Conhecer o funcionamento cerebral de nossos aprendizes, sabendo que o processo
de aprendizagem é mediado por suas estruturas e funções, é um importante passo
afinal o cérebro é o órgão da aprendizagem (COSENZA; GUERRA, 2011).

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Santos (2011) parte do pressuposto de que aprender é promover a aquisição


de novos conhecimentos, modificabilidade cognitiva e comportamental e de que todo
esse processo resulta do funcionamento cerebral, portanto, compreender as bases
neurobiológicas da aprendizagem torna-se fundamental na formação do professor
no século XXI.
Os sistemas de ensino devem assegurar a inclusão escolar de alunos com
necessidades educacionais especiais e nenhum sistema de ensino poderá impor
uma homogeneidade ou normalidade ideal.
Educar na diversidade é hoje o grande desafio dos professores que irão lidar
em sala de aula, cada vez mais heterogêneas, com alunos com deficiências,
transtornos, dificuldades, enfim, modalidades diferentes de aprender (SANTOS,
2011).
A atenção à diversidade de capacidades, motivações e interesses dos
alunos é um objetivo que os profissionais da educação estão tentando abordar há
muitas décadas com maior ou menor sucesso. Mas agora é chegada a hora, a
educação inclusiva é lei, nenhuma criança poderá ficar excluída da escola regular.
Como ensinar da melhor maneira que esses cérebros possam aprender?
Como esses cérebros se organizam, funcionam, quais as limitações e
potencialidades desses alunos? Quais as intervenções adequadas para promover a
aquisição da leitura e da escrita pautadas em evidências científicas?
Tais questionamentos precisam ser respondidos pelos educadores que
devem, urgentemente, buscar cursos onde possam conhecer as bases
neurobiológicas do processo de aprender, para através desse conhecimento, que
não é ofertado em cursos de formação superior, desenvolver melhores estratégias
pedagógicas (SANTOS, 2011).
O sujeito cerebral que a neurociência nos trouxe como novo conceito nos faz
compreender que existe uma biologia, uma anatomia, uma fisiologia naquele cérebro
que aprende, que é único na sua singularidade dentro da diversidade de alunos em
sala de aula.
É preciso conhecer as características individuais dos alunos, quer sejam
aqueles com necessidades educacionais especiais, quer sejam os alunos que
seguem o fluxo normal, contidas nos princípios humanos que reconhecem sua

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diversidade, a fim de traçar o melhor atendimento a ser ofertado para que ele possa
desenvolver todas as suas capacidades.
Sem dúvida, esse conhecimento fará com que os profissionais da educação
e da saúde busquem conhecimentos neurobiológicos advindos das neurociências e
de suas subáreas a fim de que possam lidar com essa diversidade de alunos em
sala de aula construindo com esses conhecimentos, novas competências
pedagógicas, promovendo através destas, práticas pedagógicas inclusivas,
respeitando as diversidades e a singularidade de nossos aprendizes (SANTOS,
2011).

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REFERÊNCIAS
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