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Tribunal Judicial da Comarca de ·····

Proc. n.º 4 /15


1ª Secção de Execução - Juiz 2

Meritíssimo Juiz de Direito

Belmiro, NIF ·····, residente em ·····, executado nos autos em referência,


vem deduzir embargos de executado contra o exequente Ambrósio, o
que faz nos termos e com os seguintes fundamentos:

1. A execução de que a presente oposição à execução é apenso


baseia-se numa sentença declarativa de condenação, transitada
em julgado em 29.11.2014, no Tribunal Judicial de ·····, 2.° Juizo.
proc. n.° 3377/14.3TBVLG, na qual embargante e a embargada,
no âmbito de uma acção especial de cumprimento de
obrigações pecuniárias, efectuaram o seguinte acordo:

1.º

A ré (ora executada) reconhece-se devedora ao Autor da quantia de


1.725.07€;

2.º

A quantia referida supra será paga nos seguintes termos:

a) Metade, ou seja. 862.52€ até ao dia 04/12/2014. a enviar para o


escritório da Ilustre Mandatária do Autor:

b) a outra metade será paga no prazo de 15 dias a contar da (data em


que o autor comunicar aos réus a conclusão dos trabalhos a que reporta
o ponto seguinte.

3.º

O Autor, (aqui exequente) no prazo de 8 dias a contar do recebimento


da quantia referida no ponto 2.º, a), deverá proceder ao início da
reparação e conclusão dos trabalhos invocados pelos réus na oposição
de f Is. 14 e ss.;

4.º

A conclusão dos trabalhas referidos em 3, deverá ocorrer no prazo


máximo de 15 dias a contar do seu início;

5. º

A ré (ora executa) deverá facultar o acesso à sua habitação ao autor


para realização dos trabalhos referidos em 3., o que deverá ser
solicitado por este previamente com a Indicação da data e hora;

6.º

Custas em partes iguais, prescindindo mutuamente das de parte e


procuradoria na parte disponível.

2. Tal acordo foi homologado por sentença pela Ex.ma Sra. Dra.
Juiz titular do processo, referindo nomeadamente, que: Tal
acordo integra contrato de transacção, é objectivo e
subjectivamente válido por versar sobre direitos disponíveis e
ser outorgado por quem para ele tem legitimidade art. n.º 287º
d), do C. Civil, e art. 283. °, e ss.. do nC.P.C. É, por isso, válido e
como tal se declara e homologa, consequentemente
condenando-se as partes a cumpri-lo nos seus precisas termos,
julgando-se assim, extinta a instância e cessada a causa,
ordenando-se o oportuno arquivamento dos autos".

3. Acontece que, quando a ora embargante se ofereceu para


cumprir o acordo atrás discriminado nomeadamente pagando
metade da quantia que se obrigou a pagar, € 862.53.
"oitocentos e sessenta e dois Euros e cinquenta e três cêntimos
os, antes do dia 4.12.2014", tal quantia não lhe foi aceite, tendo
o embargado pura e simplesmente exigido que a embargante
pagasse a totalidade da quantia que se tinham obrigado a pagar
(€ 1.725.07). antes de dar início a qualquer tipo de reparação o e
conclusão dos trabalhos.

4. Tal exigência viola de forma clara e abusiva o acordo efectuado


pelo exequente e executado, tendo ficado claro para a ora
embargante que o exequente pretendia receber a totalidade da
quantia acordada, desta forma escapulindo-se à obrigacão de
reparar e concluir os trabalhos por si iniciados, conforme tinha
sido acordado na transacção homologada por sentença que
atrás se aludiu, pelo que, após a transacção mencionada, agiu o
exequente de má -fé, pois, não desconhecia a forma como
pretendeu alterar o acordo transitado em julgado, exigindo
quantias que ainda não lhe era lícito exigir e claramente
furtando-se à reparação e conclusão dos trabalhos.

5. Assim, o embargado recusou ilegitimamente a 1ª prestação,


oferecida pelo ora embargante, pretendendo receber a
totalidade sem efectuar quaisquer tipo de reparações, sendo
prova disso a execução a que aludem os autos, pois o que o
mesmo sempre o quis foi receber tudo de uma vez, sem os
custos que significariam para si a reparação a que se obrigou no
título executivo em causa.

O Direito

Conforme refere o n.° 1 do artigo 815.° do C.C. o seguinte:

"A mora faz recair sobre o credor o risco da impossibilidade


superveniente da prestação, que resulte de facto não imputável a
dolo do devedor", pelo que constituindo-se o recorrido em mora,
teria após a mesma necessariamente de se oferecer para receber
o pagamento a que se recusou (uma prestação, não tudo),
devendo oferecer em simultâneo a reparação a que se obrigou
por acordo homologado por sentença.

Assim sendo, vem o ora embargante invocar «a excepção de não


cumprimento sendo entendimento pacífico que tal figura se aplica
ao contrato de empreitada, nos casos de cumprimento defeituoso
(vide P. de Lima e A. Varela, Código Civil anotado, II, pág. 573;
Pedro Romano Martinez, Contrato de Empreitada, pág. 208, e
Cumprimento Defeituoso, em especial na compra e venda e na
empreitada, 324 e segs; e Acs. do S.T.J. de 18/02/03, C.J., S.T.J.,
2003, 2.°, 103, e Ac. do Tribunal da Relação do Porto de 14-6-99,
CJ, 1999, 3.°, 211).

A excepção de não cumprimento integra-se literalmente na


hipótese vertida na al. g) do art. 729º do nCPC, ou seja, está
dentro das possibilidades de fundamentar a oposição a uma
execução baseada em sentença, pois importa factos extintivos e
modificativos da obrigação, posteriores ao encerramento da
discussão no processo de declaração.

Pelo que, o prazo reverteu-se a favor do aqui embargante pois, o


embargado a actuar de tal forma fez recair sobre si o risco da
impossibilidade superveniente da prestação por parte da
embargante (confrontar artigo 815°, n.° 1 do C.C.).

A invocação desta excepção pelo aqui embargante constitui um


meio de defesa para a execução plena do contrato de empreitada,
sendo um legítimo meio de pressão contra o embargado que
reclama aqui o seu crédito sem pretender cumprir, como garantia
contra a consequência de uma inexecução que pode vir a tornar-
se definitiva.

A quantia exequenda deve ser exigível, isto é, deve estar vencida.


E no caso dos autos não ficou demonstrado esse vencimento,
sendo certo que essa prova incumbe ao exequente, cf art.715º do
nCPC. (Cfr.ª Ac. TRP de 12-10-2010, Proc. 3377/07.3TBVLG-
C.P1 Rel.:MARIA EIRÓ).

Assim sendo falta um pressuposto processual - exigibilidade da


obrigação - sendo admitida a oposição à execução nos termos do
art. 715 do nCPC.

Termos em que deverão os presentes embargos


ser recebidos com consequente absolvição do
pedido executivo.
Valor da Acção: o da execução.
Rol de testemunhas: nome, profissão e morada.
Junta: procuração forense e DUC comprovativo do pagamento da taxa
de justiça.

O Advogado