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FACHI - FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS DE ITABIRA

CREDENCIADA PELO DECRETO DE 17/02/1981


Curso: Direito Tipo de atividade: Atividade
pontuada
Disciplina: Direito Penal III
Professor: Pedro Paulo da Cunha Ferreira
Período/turma: 4º Noturno Data: data da prova II
Aluno(a): Lívia Renata Barcelos Soares Valor: 15,0 Nota:
Instruções:
 O trabalho deve ser entregue na data da prova II de Direito Penal III;
 As referências e menções feitas à obra consultada e/ou outro texto doutrinário devem ser
devidamente referenciadas, consoante as regras da ABNT;
 O trabalho deve ser elaborado manuscritamente e entrega em versão física;
 Não se receberá trabalhos via email ou yammer.

1. Com base na consulta de pelo menos duas obras doutrinárias de referência, elabore de
forma sintética o estudo dos tipos penais abaixo destacados. Destaca-se que o estudo
deve conter a análise dogmática do tipo penal: bem jurídico, sujeitos do crime, tipo
objetivo, tipo subjetivo, consumação e tentativa, pena e ação penal, formas
qualificadas e agravadas (se houver), bem como as causas de aumento e redução de
penal.

a). art. 138; 139, 140, 141 e 142 CP


CALÚNIA

Art. 138 – Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Pena – detenção de 06 meses a 02 anos, e multa.

Noção: A calúnia é a falsa imputação a alguém de fato tipificado como crime.

Sujeito ativo: qualquer pessoa, nada impedindo a coautoria ou participação.

Objeto jurídico: A honra objetiva.

Sujeito passivo: qualquer pessoa. Também serão ofendidos os loucos ou menores; os mortos
podem ser caluniados (artigo 138, §2º) e seus parentes serão o sujeito passivo. Com relação à
pessoa jurídica, há grande controvérsia na doutrina.

Elemento objetivo: atribuir falsamente a alguém a prática de um crime. Trata-se de crime de


ação livre que pode ser cometido por meio de palavra escrita ou oral, gestos e símbolos. Pode
ser explícita (inequívoca), implícita (equívoca) ou reflexa (atingindo também terceiros). Essa
falsidade em relação a imputação pode ser concernente à existência do fato criminoso como
também à autoria do crime. Duas são as figuras: 1. imputar falsamente e 2.
propalar ou divulgar, bastando que uma só pessoa tome conhecimento.

Elemento subjetivo: dolo. A certeza ou suspeita fundada, mesmo errôneas, do agente quanto
à ocorrência de crime praticado pelo sujeito passivo, é erro de tipo, que exclui o dolo. Exige-
se o dolo específico (animus injuriandi vel diffamandi), ou seja, o agente tem consciência e
vontade de atingir a honra da vítima. Exclui-se o crime se praticado em momento de exaltação
emocional ou em discussão.

Consumação: quando chega ao conhecimento de terceira pessoa.

Tentativa: não é admitida se a calúnia for proferida verbalmente, mas se praticada por escrito
e não chegar ao conhecimento de terceiro por qualquer razão, poderá ser admitida.

Propalação e divulgação:
§1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo ser falsa a imputação, a propala (relata
verbalmente) ou divulga (relata por qualquer outro meio).
§2º - É punível a calúnia contra os mortos.
É necessário o dolo direto. Havendo erro ou mesmo dúvida quanto à referida falsidade, não
se caracteriza o crime.

Exceção da verdade:
§3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I – se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por
sentença irrecorrível;
II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no inciso I do art. 141;
III – se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.
Como regra, admite exceção da verdade, ou seja, admite que o "Réu" prove que a "Vítima"
realmente praticou o crime que lhe foi imputado. No entanto, nos casos do §3º, há uma
presunção juris et de jure de que a imputação é falsa, respondendo o agente por ela. Mas se o
"Réu" conseguir provar que o fato que imputou à "Vítima" é verdadeiro ele será absolvido.

Ação penal: privada – queixa-crime (art.145/CP).

Concurso de crimes: tem-se admitido a continuidade delitiva com outros delitos contra a
honra. A calúnia é absorvida pelo crime de denunciação caluniosa (art. 339/CP). Neste último
crime, o agente tem a intenção de prejudicar a vítima perante as autoridades constituídas e,
fazendo com isso, que se inicie uma investigação policial ou até mesmo uma ação penal.

DIFAMAÇÃO

Art. 139 – Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:

Pena – detenção de 03 meses a 01 ano, e multa.

Noção: Difamação é a imputação a alguém de fato ofensivo à sua reputação.

Sujeito ativo: qualquer pessoa.

 Objeto jurídico: A honra objetiva.


 Sujeito passivo: qualquer pessoa, incluindo menores e doentes mentais. Há
crime de difamação contra pessoas jurídicas, já que tem imagem a preservar e o
que este crime visa proteger é a honra objetiva, ou seja, o que terceiros pensam
a respeito de determinada pessoa, sendo esta jurídica ou física. Não é possível difamação
impessoal, contra as instituições.

Elemento objetivo: atribuir a alguém um fato desonroso, mas que não seja crime. O fato deve
ser determinado. A imputação não precisa ser falsa, pois ainda que verdadeira, constituirá
crime. Como a calúnia, a difamação pode ser explícita, implícita e reflexa.

Elemento Subjetivo: dolo de imputar a alguém fato desonroso. É indispensável o animus


diffamandi. Não é exigido que o agente tenha consciência da falsidade da imputação, porque
mesmo que verdadeiro, constitui crime.

Consumação: com o conhecimento, por terceiro, da imputação.

Tentativa: admissível se a imputação (escrita ou gravada) não chegar ao conhecimento de


terceiro. Se praticada verbalmente, não admite a tentativa.

Exceção da verdade: a regra é que não cabe a exceção de verdade para o crime de difamação,
pois independe ser o fato verdadeiro ou não.
Parágrafo único: A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público
e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
Assim sendo, se o agente provar que o fato que imputou à vítima é verdadeiro, será absolvido
do crime.

Concurso de crimes: pode haver crime continuado de difamação e com outros crimes contra
a honra. Havendo várias ofensas no mesmo contexto fático ocorre concurso formal.

INJÚRIA

Art. 140 – Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Pena – detenção de 01 a 06 meses, ou multa.

Noção: A injúria é a ofensa ao decoro ou dignidade de alguém.

Sujeito ativo: qualquer pessoa.

Sujeito passivo: qualquer pessoa, excluídas aquelas que não possuem capacidade de entender.
A ofensa deve se dirigir a pessoas determinadas.

Elemento objetivo: ofender a honra subjetiva de alguém, atingindo atributos morais, físicos,
intelectuais, sociais. Quando se diz honra subjetiva, trata-se do que a própria pessoa estima de
si mesmo, ou seja, o que ela própria pensa a seu respeito. A dignidade, disposta no caput do
artigo, é atingida quando se atenta contra os atributos morais da pessoa, já o decoro, por sua
vez, é ferido quando atinge os atributos físicos ou intelectuais da vítima.

Elemento subjetivo: dolo – animus infamandi ou injuriandi (dolo específico).

Consumação: quando a vítima toma conhecimento.


Tentativa: não admitida se real ou verbal, entretanto, se escrita sim, ou seja,
depende do meio empregado.

Distinção: difere da calúnia e da difamação, por não conter a imputação de fato preciso e
determinado. A ofensa contra funcionário público é desacato (art. 331/CP), e a morto é
vilipêndio a cadáver (art. 212/CP).

Concurso de crimes: nada impede que o pratique dois ou mais crimes contra a honra de uma
ou várias pessoas, com a mesma conduta, ocorrendo concurso formal. É possível crime
continuado.

Perdão judicial na injúria: provocação e retorsão


§1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I – quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria. Quando o artigo
estabelece que tenha sido a ofensa provocada diretamente, está implicando que deve estar as
partes presentes, frente a frente.
II – no caso, de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
Tem-se entendido que o provocador não pode, depois de injuriado, pleitear o reconhecimento
do benefício.

Injúria real:
§2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:
Pena – detenção, de 03 meses a 01 ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
A contravenção de vias de fato fica absorvida pela injúria real. Para que se caracterize a injúria
real, é necessário que a agressão seja aviltante, isto é, que possa esta causar vergonha ou
desonra à vítima.

Injúria qualificada pelo preconceito:


§3º - Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou
origem:
Pena – reclusão, de 01 a 03 anos e multa.
Diferentemente, a lei 7.716/89 prevê os delitos de racismo, por meio de manifestações
preconceituosas generalizadas ou pela segregação racial.

4. DISPOSIÇÕES COMUNS

Art. 141 – As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de 1/3, se qualquer dos crimes é
cometido:

I – contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;


II – contra funcionário público, em razão de suas funções;
III – na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação
ou da injúria;
IV - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria.

Parágrafo único: Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena
em dobro.

Formas Qualificadas: I – Chefe de Estado compreende não só o soberano, como o primeiro-


ministro. II – é indispensável que a ofensa seja cometida por motivo da função pública do
ofendido. Se praticada na presença do funcionário, pode configurar desacato. III – por meio
que facilite: site, muros, outdoors, imprensa etc. IV – para a sua incidência é
indispensável que o autor da ofensa saiba ser o ofendido idoso ou portador de
deficiência.

5. EXCLUSÃO DO CRIME

Art. 142 – Não constituem injúria ou difamação punível:

I – a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;
II – a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a
intenção de injuriar ou difamar;
III – o conceito desaprovável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que
preste no cumprimento de dever do ofício.

Parágrafo único: Nos casos dos incisos I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá
publicidade.

Imunidade judiciária: intuito de assegurar às partes e aos seus procuradores em juízo a maior
liberdade na defesa judicial. Não está incluído o Juiz, que não é parte, nem as autoridades
policiais e auxiliares.

Imunidade da crítica: tutela interesse da cultura, estando o autor da obra exposto a risco de
crítica. Há crime se há a intenção de ofender.

Imunidade pelo conceito desfavorável de funcionário: quando a manifestação é necessária


ao interesse público. Pode haver crime se houver excesso ou abuso.

Imunidade parlamentar(inviolabilidade): arts. 53, caput, 27, 1º e 29, VIII/CF.

b). art. 147, 147, 148 e 149 CP


Constrangimento ilegal
Art. 146 – Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver
reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou
a fazer o que ela não manda:
Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Aumento de pena
§ 1º – As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime, se
reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas.
§ 2º – Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência. (CONCURSO
MATERIAL)
§ 3º – Não se compreendem na disposição deste artigo: (excludentes da tipicidade).
I – a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal,
se justificada por iminente perigo de vida;
II – a coação exercida para impedir suicídio.
Sujeito ativo – Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do constrangimento ilegal.
Sujeito passivo – É indispensável que possua capacidade de autodeterminação.
Para que haja constrangimento ilegal é necessário que seja ilegítima a pretensão do sujeito ativo, ou
seja, que o sujeito ativo não tenha o direito de exigir da vítima determinado comportamento – porque
se tiver o direito estará incurso no crime de exercício arbitrário das próprias razões.
O sujeito para realizar o tipo, pode empregar violência, grave
ameaça ou qualquer outro meio capaz de reduzir a resistência do ofendido.
Trata-se de delito subsidiário, constituindo-se elemento de vários tipos penais.
Só existe a conduta dolosa.
Caso tenha objetivo econômico passaremos ao crime de extorsão. (Art. 158 do CP)
É delito material. Consuma-se no momento em que a vítima faz ou deixa de fazer alguma coisa. E,
tratando-se de delito material, em que pode haver fracionamento das fases de realização, admite a
tentativa, desde que a vítima não realize o comportamento desejado pelo sujeito ativo por
circunstâncias alheias a sua vontade.
A ação penal é pública incondicionada.
No caso de emprego de arma, teremos o concurso material do crime de constrangimento ilegal com
o crime previsto na lei de armas, uma vez que com a edição desta lei específica o porte e uso da arma
passou a ter pena isoladamente maior do que o aumento previsto na qualificador do tipo em estudo.
LEI 10.826/2003
Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido
Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório
ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver
registrada em nome do agente.
Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda
que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,
acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação
legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou
artefato;
II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de
uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade
policial, perito ou juiz;
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar;
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou
qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado;
V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou
explosivo a criança ou adolescente; e
VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição
ou explosivo.

Ameaça
Art. 147 – Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de
causar-lhe mal injusto e grave:
Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único – Somente se procede mediante representação
A ameaça se diferencia do constrangimento ilegal (art. 146 do CP), porque neste o agente busca uma
conduta positiva ou negativa da vítima e aqui, na ameaça, o sujeito ativo pretende tão
somente atemorizar o sujeito passivo.
Sujeito Ativo – Qualquer pessoa
Sujeito Passivo – Pessoa com capacidade de entendimento.
Trata-se de crime subsidiário, constituindo meio de execução do
constrangimento ilegal, extorsão, etc.
A ameaça tem que ser verossímil, por obra humana, capaz de instituir receio, independente de causar
ou não dano real a vítima.
Trata-se de crime formal, não sendo necessário que a vítima sinta-se ameaçada.
Consuma-se a ameaça no instante em que o sujeito passivo toma conhecimento do mal prenunciado,
independentemente de sentir-se ameaçado ou não (crime formal). Contudo, é possível a tentativa,
quando a ameaça é realiza por escrito.
Só é punível a título de dolo. Sendo posição vencedora em nossos Tribunais a de que o delito exige
ânimo calmo e refletido, excluindo-se o dolo no caso de estado de ira e embriaguez.
A ação penal é pública, porém somente se procede mediante representação.

Sequestro e cárcere privado


Art. 148 – Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado:
Pena – reclusão, de um a três anos.
§ 1º – A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60
(sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005)
II – se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital;
III – se a privação da liberdade dura mais de 15 (quinze) dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005)
V – se o crime é praticado com fins libidinosos. (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005)
§ 2º – Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento
físico ou moral:
Pena – reclusão, de dois a oito anos.
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.
Sujeito Passivo: Qualquer pessoa.
O crime de sequestro é permanente.
O consentimento do ofendido exclui o crime. Ex: retiro espiritual.
A duração da privação de liberdade é irrelevante.
O crime só é punido a tipo de dolo.
São delitos materiais e permanentes, uma vez que o tipo descreve a conduta e o resultado.
É possível a tentativa.
A ação penal é pública incondicionada.
Observe-se que na causa de aumento (§1º, II) relativo à internação da vítima, deve existir o dolo de
sequestrar camuflando o sequestro com a internação.
Aqui é necessário distinguir o dolo de sequestrar, da conduta relacionada aos Arts. 22 e 23 da Lei
3.688/41 (contravenções penais) relativo à contravenção conhecida como intervenção irregular.
Art. 22. Receber em estabelecimento psiquiátrico, e nele internar, sem as formalidades legais, pessoa
apresentada como doente mental:
Pena – multa, de trezentos mil réis a três contos de réis.
§ 1º Aplica-se a mesma pena a quem deixa de comunicar a autoridade competente, no prazo legal,
internação que tenha admitido, por motivo de urgência, sem as formalidades legais.
§ 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa de quinhentos mil réis a
cinco contos de réis, aquele que, sem observar as prescrições legais, deixa retirar-se ou despede de
estabelecimento psiquiátrico pessoa nele, internada.
Art. 23. Receber e ter sob custódia doente mental, fora do caso previsto no artigo anterior, sem
autorização de quem de direito:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil
réis a cinco contos de réis.
Já no caso do fim libidinoso (previsto no § 1º, V) nunca é demais lembrar que
abrange homem ou mulher, uma vez que o tipo “rapto” foi revogado pela lei 11.106/2005.
O tipo diz respeito ao fim libidinoso. E esgota-se na finalidade. Contudo, se o agente praticar o ato
sexual, responderá em concurso material de crimes: Sequestro + Estupro. Neste caso, aplicar-se a o
sequestro do caput, sem o aumento de pena pelo fim libidinoso para que não incorra em bis idem.
Preliminarmente quem sequestra não quer matar, já que se sequestra pessoa viva. Contudo, se a
pessoa for maltratada e não morrer (§ 2º) a pena será de 2 a 8 anos. Já se a morte for culposa a pena
será menor do que os maus tratos. Incoerência.

Redução a condição análoga à de escravo


Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a
trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de
trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída
com o empregador ou preposto:
Pena – reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
(Redação dada pela Lei n. 10.803/2003)
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:
I – Cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retêlo
no local de trabalho;
II – Mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos
pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
§ 2º A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:
I – Contra criança ou adolescente;
II – Por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. (Parágrafos
acrescentados pela Lei n. 10.803/2003)
Objeto jurídico: Protege-se a liberdade individual.
Ação nuclear: A redução a condição análoga à de escravo consiste na submissão total do
sujeito passivo ao poder de outrem, suprimindo seu status libertatis. A Lei n. 10.803/2003
procurou elencar os modos pelos quais a redução a condição análoga à de escravo pode darse:
mediante submissão a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, mediante a sujeição a
condições degradantes de trabalho, mediante restrição, por qualquer meio, de sua locomoção
em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto. Todas essas ações (submissão,
sujeição ou restrição) podem ser praticadas pelo emprego de fraude, ameaça violência. Trata-
se de crime de ação livre. O consentimento da vítima é irrelevante, pois a submissão do
indivíduo a condição análoga à de escravo afronta um dos princípios mais elementares do
Estado Democrático de Direito, qual seja, o da dignidade da pessoa humana. Convém notar
que esse crime é bastante comum em fazendas no interior dos Estados, bem como em fábricas
que contratam mão de obra de imigrantes estrangeiros clandestinos para trabalho em
condições desumanas e degradantes.
Princípio da consunção: Alguns crimes acabam sendo absorvidos pela conduta do art. 149
do CP. É o caso da ameaça, do constrangimento ilegal e do cárcere privado.
Sujeito ativo: Qualquer pessoa pode praticar o delito.
Sujeito passivo: Qualquer pessoa, independente da raça, sexo ou idade.
Elemento subjetivo: É o dolo, consistente na vontade de submeter outrem ao seu poder, de
forma a suprimir-lhe a liberdade de fato. Não há previsão da forma culposa do delito.
Momento consumativo: É crime material, de forma que sua consumação se dá no
momento em que o sujeito logra reduzir a vítima a condição análoga à de escravo. Por se tratar
de crime permanente, é possível o flagrante enquanto perdurar a submissão. O início da
contagem do prazo prescricional se dá com a cessação da permanência.
Tentativa: É possível.
Figuras equiparadas (§ 1º): Nas mesmas penas da figura constante do tipo básico incorre
quem: (a) cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim
de retê-lo no local de trabalho; (b) mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se
apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de
trabalho.
Aumento de pena: De acordo com o § 2º do art. 149, a pena será aumentada de metade se o
crime for cometido: (a) contra criança ou adolescente; (b) por motivo de preconceito de raça,
cor, etnia, religião ou origem (sobre as normas que vedam qualquer forma de discriminação,
em razão de raça, cor, etnia, religião ou origem; vide comentários ao crime de injúria
qualificada no CP, art. 140, § 3º).
Ação penal: Cuida-se de crime de ação penal pública incondicionada.

c). 150 CP
Violação de domicílio
Art. 150 – Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou
tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Pena – detenção, de um a três meses, ou multa.
§ 1º – Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou
de arma, ou por duas ou mais pessoas:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.
§ 2º – Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é cometido por funcionário público, fora dos casos
legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder.
§ 3º – Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências:
I – durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II – a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência
de o ser.
§ 4º – A expressão “casa” compreende:
I – qualquer compartimento habitado;
II – aposento ocupado de habitação coletiva;
III – compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.
§ 5º – Não se compreendem na expressão “casa”:
I – hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta,
salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior;
II – taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.
Protege-se a Inviolabilidade Constitucional.
Constituição Federal: art. 5, XI –“a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para
prestar socorro, ou durante o dia, por determinação judicial.”
O tipo tem que ser analisado levando-se em conta a norma constitucional.
Sujeito ativo: Qualquer pessoa.
Sujeito passivo: Quem tem o direito de admitir ou excluir alguém de sua casa.
Para haver permanência é necessário que entrada tenha sido licita, permitida.
Trata-se de Crime de mera conduta, porque se protege o aspecto psicológico de quem mora na casa,
e não a casa em si.
O nome “casa” também abrange escritórios, consultórios (local de trabalho), local onde se exerce
o animus domicili, como saveiros, barcos ou quartinhos.
A jurisprudência não agasalha no conceito de “casa” – a boléia do caminhão ou os locais usados por
mendigos para dormir em calçadas ou locais públicos.
Direito de convivência de casal. Em igualdade de condições prevalece a vontade que proibir. Ex.
Marido proíbe a permanência de amigo da esposa no apartamento onde mora o casal.
O STF entende que não há crime na entrada do amante da esposa infiel no lar conjugal, com o
consentimento daquela e na ausência do marido, para fins amorosos. (RTJ, 47/734)
Direito de filhos. No caso dos filhos, enquanto menores, prevalece a vontade dos pais. Depois de
maiores, podem receber os amigos em casa.
Direito de intimidade. Empregados. Não se reconhece.
Propriedades comuns. Não há qualquer restrição quando o espaço é comum. Contudo, em áreas
comuns reservadas, o assunto será regido pelo Regimento Interno.
Em locais de grande extensão, preserva-se tão somente para os efeitos do tipo – o local onde se exerce
a intimidade. Ex. Grande fazenda, neste caso protege-se a intimidade da casa sede onde ficam as
pessoas.
Elemento normativo do tipo: se eu permito, exclui-se a tipicidade.
Cabe tentativa – inclusive para tentar permanecer.
Não há violação de domicílio em casa abandonada. Contudo, não se pode confundir casa abandonada,
com casa temporariamente desabitada. Ex. Casa de praia.
Ação Penal Pública Incondicionada.

d). art. 155 e art. 157 CP


Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena
de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
§ 5º - A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos, se a subtração for de veículo automotor que
venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
1. Classificação Doutrinária
Crime comum, material, doloso, de dano, de forma livre, comissivo em regra,
instantâneo ou permanente, unissubjetivo, plurrisubsistente, não transeunte e
admite tentativa. Entendemos exequível o cometimento de furto por omissão.

2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa, salvo o proprietário ou possuidor da coisa.


3. Sujeito Passivo: É a pessoa física ou jurídica que detenha a posse ou propriedade da coisa.
4. Objeto Material
A conduta criminosa recai sobre a coisa alheia móvel, que são considerados os animais, aeronaves,
os navios, os títulos de crédito, os talões de cheques, os frutos, as árvores, etc. O furto de gado é
conhecido como abigeato. As coisas de uso comum também podem ser objeto de furto como a água
e luz. A coisa abandonada (rês derelicta) e a coisa de ninguém (rês nullius) não podem ser objeto
material de furto, pois não são coisas alheias. Se o agente pensou que se tratava de coisa abandonada
e dela se apoderou haverá erro de tipo que excluirá o dolo.
Quanto a cadáver, se a subtração for com intuito de lucro haverá caso de furto, caso contrário, o
crime será de subtração de cadáver, previsto no art. 211 do CP. Quem subtrair cadáver de faculdade
de medicina com o fim de retirar o ouro existente na arcada dentaria incorrerá em crime de furto.
5. Objeto Jurídico: Tutela-se a posse e a propriedade.
6. Tipo objetivo
Subtrair significa retirar, pegar coisa alheia móvel, ou seja, qualquer objeto ou substância corpórea
que tenha valor econômico e que possa ser removida, destacada ou deslocada de um lugar para o
outro.

Coisa alheia para os juristas não é só a pertencente a outrem, mas também a que se acha
legitimamente na posse de terceiro.

O tipo exige o ânimo do agente em assenhorar-se da coisa alheia. Doutrina e jurisprudência


admitem o furto cometido por ladrão contra outro ladrão, reconhecendo, contudo, como sujeito
passivo, o proprietário original da coisa.

7. Tipo Subjetivo
O tipo requer dois elementos subjetivos: o primeiro dolo do agente é genérico, a vontade livre e
consciente de subtrair coisa alheia móvel. O segundo exige uma finalidade especial, o dolo
específico, o fim de assenhorar-se da coisa em definitivo, contido na expressão "para si ou para
outrem" (animus furandi)
O furto de uso, ou seja, a fruição da coisa momentaneamente sem efetivo prejuízo ao ofendido, com
restituição da coisa no estado em que antes se encontrava não é contemplado pela norma penal em
estudo. O furto de uso somente será reconhecido se não era exigível outra conduta do agente a não
ser sacrificar direito alheio, como subtrair o veículo da vítima para socorrer o filho ao hospital, por
exemplo.

Será excluído o dolo e, consequentemente, o fato será considerado atípico se o agente subtrair coisa
alheia pensando ser própria (erro de tipo).

É pacifico na jurisprudência o reconhecimento do estado de necessidade em caso de furto famélico.


É imperativo que a conduta do agente se realize com o único objetivo de saciar a fome, num estado
de extrema penúria, não podendo esperar mais, por ser a situação insuportável e que somente por
meio do ato ilícito consiga resolver o problema de falta de alimentação.
8. Consumação
Ocorre no momento em que o agente tem a posse tranquila da coisa, ainda que
por pouco tempo. Consuma-se quando a coisa sai da esfera de disponibilidade
e de proteção da vítima e ingressa na disponibilidade do sujeito ativo.

Para a jurisprudência do STF, para a consumação dos crimes de furto e de roubo basta a posse do
bem em poder do agente, independentemente de vigilância da vítima ou posse tranquila, de modo
que a fuga logo após o furto caracteriza a inversão da posse, e o furto está consumado mesmo
havendo perseguição imediata e consequente retomada do objeto (teoria do amotio).
Sendo crime instantâneo, a consumação se verifica no exato instante em que o delito é cometido.
O crime também restará consumado quando a coisa estiver ocultada, mesmo encontrando-se perto
da vítima.

9. Tentativa
Crime material, exigindo assim o resultado naturalístico, a tentativa é perfeitamente admissível na
hipótese de o agente não conseguir subtrair a coisa por circunstâncias alheias à sua vontade.
Também caracteriza a tentativa na hipótese de ser perseguido pela polícia e preso logo após a
subtração, pois a coisa não saiu da esfera de proteção e disponibilidade da vítima.

10. Furto e a desistência voluntária, arrependimento eficaz, arrependimento posterior e crime


impossível
Diferentemente da tentativa em que a não consumação ocorre por circunstâncias alheias à vont ade
do agente, na desistência voluntária e no arrependimento eficaz (art. 15), a execução é interrompida
pela própria vontade do agente (medo, remorso, baixa qualidade do objeto material, dor de barriga).
Ocorre desistência voluntária, por exemplo, se A ingressa na residência de B, mas por qualquer
motivo, desde que voluntário, desiste de prosseguir e foge sem nada levar. Responde por invasão
de domicílio. Arrependimento é considerado eficaz se A subtrai um livro de B e antes de ter sua
posse tranquila devolve o objeto. Sua conduta foi de encontro com à continuidade do processo de
execução de uma típica iniciada.

Desistência voluntária e arrependimento eficaz


Art. 15. O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o
resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
Arrependimento posterior
Art. 16. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena
será reduzida de um a dois terços.
O arrependimento posterior é uma causa especial de diminuição de pena e só tem aplicação nos
crimes materiais, pois seu reconhecimento se verifica com a reparação do dano ou a restituição da
coisa. O indivíduo que, voluntariamente, decorrido de alguns dias após o furto de um veículo,
arrepende-se e comunica à vítima o local onde o mesmo se encontra será beneficiado por esta
entidade criminal.

11. Repouso Noturno


É o período em que as pessoas descansam de acordo com os costumes de cada região do País, a
vítima encontra-se mais vulnerável e por isso a pena será aumentada de um terço. Doutrina e
jurisprudência são pacíficas ao admitirem sua aplicação apenas ao furto simples.
12. Furto de Pequeno Valor e Criminoso Primário
Se o criminoso é primário e é de pequeno valor a coisa furtada o juiz pode
substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços
ou aplicar somente a pena de multa. Primário é o sujeito que não é reincidente, isto é, aquele que
mesmo cometendo outros crimes ainda não foi definitivamente condenando. Pequeno valor é aquele
em que a coisa furtada não ultrapassa o valor equivalente ao salário mínimo vigente à época do fato
criminoso.

13. O Privilégio e o Furto Qualificado


Segundo reiterada jurisprudência do STJ, não se aplica ao crime de furto qualificado o beneficio
previsto no parágrafo 2º do art. 155 do CP, uma vez que a existência da qualificadora inibe a
aplicação do privilégio, não obstante a primariedade e o pequeno valor ou pequeno prejuízo, em
razão da flagrante incompatibilidade.
14. Furto de Energia Elétrica
Equipara-se a coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.

Captar energia antes de sua passagem pelo aparelho medidor configura o delito, considerado
permanente, possibilitando, assim, a prisão em flagrante do agente enquanto perdurar seu efeito. Se
o agente, porém, alegrar o relógio de luz e passar a pagar metade da energia elétrica consumida, o
crime será de estelionato.

A ligação clandestina para a utilização de TV por assinatura, conhecida como "gato", para nós, não
pode se equiparada a furto de energia elétrica. O fato é ilícito, mas não chega a ser típico. A conduta
deve ser apurada na esfera cível. A energia elétrica quando subtraída depois e armazenada, causa
perda patrimonial, diferentemente do sinal de TV a cabo, em que sua utilização não gera dano, isto
é, não há perda de energia de valor econômico, mas ausência de ganho por parte da empresa.

15. Furto Qualificado


A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:

I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;


A violência aqui é empregada contra obstáculo que está impedindo a subtração da coisa.

II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;


Abuso de confiança é a quebra da fidelidade, do vínculo de amizade existente entre algumas
pessoas. Emerge de uma condição particular de lealdade. É preciso gozar absolutamente de
confiança para incidir na qualificadora.

Fraude é o ardil na prática do crime, o engodo, a mentira, o embuste, utilizados para facilitar a
subtração da coisa. A conduta do agente nesta espécie de furto é no sentido de subtrair os bens da
vítima iludindo-a momentaneamente, o delito é cometido sempre sobre a vigilância da vítima. A
qualificadora também se aplica quando a vítima não tem capacidade de entender o caráter ilícito do
fato, como o doente mental ou uma criança.

Difere do estelionato, pois neste a vítima é enganada, seu consentimento é viciado pelo erro. A
própria vítima faz a entrega da vantagem ilícita ao agente. O sujeito, mediante fraude, cria no
espírito da vítima um sentimento distorcido da realidade. No furto com fraude
haverá sempre subtração como a ladra profissional que se finge de doméstica
para furtar a casa que se empregou.

Escalada é a qualificadora que se caracteriza pelo ingresso no local pretendido por via anormal
demandando um esforço incomum do agente para vencer o obstáculo existente, como numa
residência subindo uma árvore ou um muro alto, ou ainda escavando um túnel etc.

Destreza é a habilidade manual do agente, por exemplo, o batedor de carteira.

III - com emprego de chave falsa;


Considera-se chave falsa todo e qualquer instrumento, com ou sem forma de chave como a gazua,
moca, alfinete, arame etc. Capaz de abrir fechadura ou dispositivo análogo. Se a verdadeira chave
encontra-se na fechadura haverá o furto simples, pois "porta fechada com chave na fechadura é
porta aberta", mas se for conseguida ardilosamente para o cometimento do delito, como, por
exemplo, subtraí-la da bolsa da vítima para depois adentrar sua residência, qualificadora será
fraude.

IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.


A norma busca impedir a somatória de forças para o cometimento do crime, enfraquecendo, assim,
a resistência do ofendido. Basta que apenas um dos agentes seja culpável. Desse modo, nada impede
para a sua configuração a participação de inimputáveis.

16. Furto e o Concurso de Crimes: Ao furto nos demais crimes contra o patrimônio aplicam-se as
regras do concurso material, formal e do crime continuado.
17. Parágrafo 5º do art. 155
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a
ser transportado para outro Estado ou para o exterior.

Requer o tipo penal o elemento subjetivo especial (dolo específico), ou seja, deve o agente ter
consciência de que está ultrapassando os limites de um Estado ou país com o objeto material. É
necessário, portanto, para a consumação do delito, que o veículo tenha transportado as fronteiras
do Estado ou do território nacional.

O crime de subtração de veículo que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior
só se consuma após o seu exaurimento.

18. Concurso de Qualificadoras


Incidindo duas ou mais qualificadoras no furto o entendimento prevalente é de que apenas uma será
aplicada, servindo aos demais como agravantes genéricas. Há, todavia, quem entenda que a
pluralidade de qualificadoras interfere na dosagem da pena como circunstância judicial.

Art. 157.
Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa,
ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega
violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do
crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para
o exterior;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
§ 3º - Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além
de multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.

1. Classificação Doutrinária
Crime comum, material, instantâneo, de forma livre, de dano, unissubjetivo, comissivo ou omissivo
impróprio, plurissubsistente, complexo e admite tentativa.

2. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.


3. Sujeito Passivo
Pode ser qualquer pessoa, mas sendo crime que tem tutelados vários objetos jurídicos, nada impede
o surgimento de dois ou mais ofendidos, como ocorre, por exemplo, com aquele que sofre violência
e o outro que tem o bem subtraído durante a ação criminosa.

Em regra, porém, sujeito passivo é o titular do direito da propriedade ou da posse.

4. Objeto Material: A conduta criminosa recai sobre a pessoa e coisa alheia móvel.
5. Objeto Jurídico
A lei tutela o patrimônio (posse e propriedade), a vida, a integridade física, a saúde e a liberdade
pessoal, daí ser considerado crime complexo em que são conjugados emprego de violência ou
ameaça e a subtração patrimonial.

6. Tipo Objetivo
O tipo refere-se à subtração de coisa móvel alheia, mas é acrescido pelo emprego de violência,
grave ameaça ou qualquer outro meio que reduza a possibilidade de resistência da vítima. A
violência pode ser:

A) física (vis absoluta) que compreende as vias de fato, lesão corporal leve, grave ou morte (essas
duas últimas qualificam o delito);
B) moral (vis compulsiva) que se constata em atemorizar ou amedrontar a vítima com ameaças,
gestos ou simulações, como a de portar arma, por exemplo. A ameaça pode ser dirigida à vítima ou
a terceiro;
C) imprópria é a que reduz a capacidade de resistir, como a superioridade física do agente, colocar
droga na bebida da vítima, jogar areia nos seus olhos, hipnotizá-la, induzi-la a ingerir bebida
alcoólica até a embriaguez etc.
O roubo difere do furto qualificado pelo rompimento de obstáculo porque neste a violência é
exercida contra a coisa, naquele, contra a pessoa. Em outras palavras, roubo nada mais é que um
furto cometido com violência ou grave ameaça contra a pessoa.
Objetos que estão presos ao corpo como brinco, corrente, relógio, pulseira etc.,
e que são arrancados pelo ladrão caracterizam o roubo. Quando soltos como
boné, óculos, bolsa, celular etc., o crime é de furto.

Não se aplica no furto o princípio da insignificância, haja vista que a conduta do agente revela
maior periculosidade e atinge não apenas o patrimônio do ofendido, mas também a sua integridade
física, sua saúde e até sua vida em caso de latrocínio.

Institutos como o crime impossível, o roubo de uso, o pequeno valor da coisa, o estado de
necessidade etc., que podem ser admitidos no furto não o são no roubo por tutelar outros bem
jurídicos e não apenas o patrimônio do ofendido.

7. Tipo Subjetivo
O tipo requer dolo duplo: o primeiro, genérico, consistente na vontade livre e consciente de subtrair
coisa móvel alheia mediante violência ou grave ameaça; o segundo, elemento subjetivo especial do
tipo, exige que a subtração seja para o agente ou para terceiro. É o dolo específico dos clássicos
contido na expressã o "para si ou para outrem".

8. Consumação do roubo impróprio


Predomina na doutrina o entendimento de que o crime consuma-se quando o agente tem a posse
tranquila da coisa, ainda que por pouco tempo ou quando a coisa subtraída sai da esfera de proteção,
de disponibilidade da vítima. Também se diz consumado o delito quando a vítima não recupera os
objetos subtraídos, mesmo em casos de prisão em flagrante. Restará consumado ainda quando a
vítima permanece dominada pelo autor do roubo no interior do veículo, perdendo a disponibilidade
do bem.

Na jurisprudência, porém, tem-se entendido como consumado o delito quando ocorre a subtração
dos bens da vítima, mediante violência ou grave ameaça, ainda que, em seguida, o próprio ofendido
detenha o agente e recupere a res.
9. Tentativa
No roubo próprio o entendimento é pacífico no sentido de sua admissibilidade. Ocorre quando o
agente após o emprego de violência ou grave ameaça não consegue efetivar a subtração da coisa
por circunstâncias alheias à sua vontade nem tem a posse tranquila da coisa, ainda que por breve
tempo.

10. Roubo impróprio


É aquele em que o agente logo depois de subtraída a coisa emprega violência contra a pessoa ou
grave ameaça a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para
terceiro.

No roubo próprio a violência ou grave ameaça é praticada antes ou durante a subtração da coisa.
No impróprio ela é cometida logo depois de subtraída a coisa para assegurar a impunidade do crime
ou a detenção da coisa.
Na hipótese de o agente ser surpreendido pela vítima em sua residência e
abandonar o objeto material empregando violência para a fuga, o crime a ser
reconhecido é o de tentativa de furto em concurso material com lesão corporal.

11. Tentativa de roubo impróprio


Entendemos não ser possível a tentativa de roubo impróprio. Ou o agente emprega a violência ou a
grave ameaça, logo depois de subtraída a coisa e o crime se consuma, ou não subtrai a coisa, mas
emprega violência para fugir e, então, o crime será de tentativa de furto em concurso material de
lesão corporal.

E outra partem deve-se reconhecer o furto e não o roubo impróprio na ação do agente que após a
subtração se desvencilha do ofendido que o agarra, sem contudo, ameaçá-lo ou agredi-lo e foge
com a res.
12. Causas de aumento de pena
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
O fundamento da agravante reside no maior perigo que o emprego da arma envolve motivo pelo
qual é indispensável que o instrumento usado pelo agente (arma própria ou imprópria), tenha
idoneidade para ofender a incolumidade física.

Com o cancelamento da Súmula 174 do STJ que autorizava o aumento de pena quando o agente
utilizava arma de brinquedo para cometer o crime, esta conduta passou a ser considerada uma grave
ameaça relacionada ao roubo simples.

II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;


A doutrina prevalente assevera que não há necessidade de estarem todos os agentes presentes no
local do crime, basta haver o concurso de duas ou mais pessoas.

III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
A norma tutela aqueles que transportam valores. Qualquer tipo de valor como ouro, dinheiro, pedras
preciosas etc. O agente deve saber que a vítima está a transportar valores, dolo direto, portanto.

IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado
ou para o exterior;
Para a consumação do delito é necessário que o veículo seja levado para outro Estado ou país, não
havendo, assim, possibilidade de ocorrer tentativa. Ou leva e ingressa com o veículo em outro
Estado ou país e o crime está consumado, ou não ingressa e o crime será de furto ou roubo conforme
a circunstância.

V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.


objeto do agente, após o emprego da violência ou grave ameaça, é manter a vítima em seu poder e
assim facilitar a subtração. A restrição de liberdade da vítima deve ser por tempo razoável,
suficiente para que o agente consuma o delito sem ser descoberto pela polícia.

13. Pluralidade de causas de aumento de pena


Muito comum na prática a incidência de mais de uma majorante no roubo. Diverge a doutrina
quanto à aplicação da pena. A primeira corrente entende que o juiz aplicará apenas uma majorante
e a outra funcionará como circunstância judicial na fixação da pena-base. A
segunda assevera que o número de majorantes deve ser proporcional ao número
de causas presentes. Duas ou mais permitem ao juiz aumento a pena de dois
quintos até a metade.

14. Qualificadoras do roubo


Se a violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de 7 a 15 anos, além de multa; se
resulta morte, a reclusão é de 20 a 30 anos, sem prejuízo de multa. Trata-se de crime considerado
qualificado pelo resultado em que as lesões graves ou morte podem advir de dolo ou culpa.

O tipo fala em violência que deve ser entendida como física e não moral, logo se a vítima num
roubo, mediante grave ameaça, vier a morrer em virtude de uma parada cardíaca, o crime será de
roubo em concurso material com homicídio e não de latrocínio.

15. Homicídio consumado e roubo consumado: Haverá latrocínio.


16. Homicídio tentado e roubo tentado: Haverá tentativa de latrocínio.
17. Tentativa de homicídio e roubo consumado: Haverá tentativa de latrocínio.
18. Homicídio consumado e roubo tentado
Haverá latrocínio. Doutrina e jurisprudência têm considerado consumado o latrocínio quando
ocorre a morte da vítima, ainda que o agente não tenha logrado apossar-se da coisa que pretendia
subtrair.

19. Roubo com pluralidade de vítimas


Doutrina e jurisprudência são unanimes em reconhecer o concurso formal quando o delito é
cometido contra várias vítimas num mesmo contexto. Assim, lesionou o patrimônio de duas
vítimas, aplica-se o concurso formal.

De outra parte, quando o agente mediante mais de uma ação ou omissão, praticar vários roubos
(crimes considerados da mesma espécie) e pelas condições de tempo (nao pode ultrapassar 30 dias),
lugar (devem ser próximos), maneira de execução (modus operandi) e outras semelhantes, devem
os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, poderá se reconhecer o crime
continuado. Isto é uma ficção jurídica, pois há uma pluralidade de delitos, mãos legislador presume
que eles constituem um só crime, apenas para efeito de sanção penal. Nesses casos, aplica-se a regra
do art. 71, ou seja, dependendo das circunstâncias jurídicas, a pena de um só dos crimes poderá ser
aumentada até o triplo.
Referências bibliográficas

CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal, parte especial. 8 ed. v. 2, São Paulo: Saraiva, 2008.

GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: parte especial, v. 2, RJ: Impetus, 2006.

HUNGRIA, Nelson. Comentários ao Código Penal