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Cópia do "Memorando para todos os Oficiais", escrito pelo Comandante do

"USS Clark", CMDR HEWLETT THEBAUD, USN, em outubro de 1942

Este memorando foi escrito durante o endoutrinamento para a inspeção do "USS Clark". Poste-
riormente, foi enviado a todos os navios e estabelecimentos navais norte-americanos, pelo
"Chief of Naval Personnel", dado o valor óbvio de suas palavras e a aplicação geral que têm os
preceitos nele contidos. Ele também nos mostra como as Marinhas são todas parecidas umas
com as outras, "por dentro"........ apesar de notar-se que este Memorando foi especialmente
dirigido aos oficias da Marinha Norte-Americana.

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U.S.S CLARK
MEMORANDO PARA TODOS OS OFICIAIS

Neste momento, em que estamos pondo em serviço um navio novo, todos iniciando atividades num
ambiente inteiramente novo e, praticamente, estranhos uns aos outros, pode ser importante vocês terem
a idéia dos pontos de vista, gostos, aversões, desejos e particularidades do seu Comandante.
Deste modo, estabeleci umas tantas observações, algumas de minha própria autoria, outras não, na es-
perança de que elas lhes possam dar uma visão que os auxilie a compreender minha filosofia sobre a
vida naval.
Não se pode conceber um navio sem uma liderança organizada. É obvio que é condição essencial a
uma organização militar um sistema estabelecido para controlar homens. A Marinha nos dá esse siste-
ma. Somos apoiados por toda uma engrenagem de leis, regulamentos e costumes. Esta maquinaria nos
auxilia bastante; mas, isto é um subsídio - é um meio para se conseguir um fim - é um item necessário,
mas que deverá representar uma demonstração de vontade e não de constrangimento. O fim procurado
é a coordenação das forças individuais para produzir o esforço máximo concentrado na realização do
objetivo visado.
Jamais seremos verdadeiros líderes, enquanto nossos homens nos obedecerem somente porque são
compelidos pela lei. Só poderemos ser considerados líderes quando nossos homens nos olharem com
confiança, quando se mostrarem ansiosos por conhecer nossos desejos, ávidos por ganharem nossa a-
provação e prontos a se lançar, a uma palavra nossa, na execução de nossas ordens, sem mesmo consi-
derá-las certas ou erradas. Como poder-se-á conseguir isso? Como poderemos despertar tal sentimento
nos homens deste navio? A resposta é simples, mas de difícil realização:
"DANDO EXEMPLO. PRATICANDO O QUE PREGAMOS".
Pela manhã, quando subirmos ao convés, imaginemos como desejaríamos que fosse todo homem da
guarnição e, em seguida, experimentemos sermos nós mesmos esse homem.
Os homens, inconscientemente, imitam os oficiais.
Constantemente, nos postamos diante deles como exemplo. Se nos mostrarmos militares ativos, deci-
sivos em nossa conduta, eles nos imitarão, tentarão ser como nós. Mas, se nos mostrarmos desassea-
dos, descuidados e parecermos sofredores congênitos da "doença do cansaço", não há corretivos que
façam com que os homens o sejam assim. Se nos mostramos ativos, enérgicos, entusiasmados, satisfei-
tos e mesmo o melhor, nosso exemplo será contagioso.
"Um navio, como a Marinha, é tão bom quanto os homens que o guarnecem, nunca melhor".
Os oficiais podem guiar, influenciar, modificar seus homens; mas o êxito de seus esforços depende do
exemplo que derem em todas as suas ações e da observância do lema "Praticar o que prega". Pouca
coisa há mais infamante, destrutiva da disciplina e da lealdade do que o oficial cuja filosofia de vida é

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baseada no princípio "faça o que digo e não o que faço".
Conheça a sua profissão no mar. A bagagem científica de muitos oficiais mostra que, conquanto eles
sejam capazes de fazer o diagrama de um aparelho de rádio ou esquema de um motor diesel, são, en-
tretanto, muitas vezes, deficientes, deploravelmente, em marinharia elementar, em regras para evitar
abalroamentos no mar, no conhecimento das diferentes espécies de balizamento, em como arriar ou re-
bocar uma embarcação no mar etc.. Qualquer que seja a sua especialidade, você deve ser um marinhei-
ro. Quero que vocês conheçam, mais que qualquer outro, todos os homens e todo o material de seu de-
partamento, os esguichos, as mangueiras, o alagamento dos paióis, as portas estanques, e como mano-
brar tudo isso. Saibam onde as coisas estão guardadas. Quero que todos os oficiais de bordo, pessoal-
mente, sejam capazes de, sem auxílio de ninguém, rondar a amarra, largar o ferro, passar a boça, meter
dentro o ferro. Em caso de incêndio, colisão ou outra qualquer emergência, conduzam seus homens va-
lendo-se dos conhecimentos adquiridos previamente. Sejam capazes de manobrar por qualquer um de-
les, e, quando o fizer, façam-no realmente.
Vocês sabem, teoricamente, muito mais do que qualquer marinheiro. O mesmo acontece com todos os
oficiais procedentes da Escola Naval. Entretanto, vocês têm visto, como eu mesmo já vi, uma porção
de oficiais cristalizados como manequins, receosos de cometer erros. Se seus poderes de observação
não são aguçados, desenvolvam-nos com um treinamento consciencioso. Quando vocês subirem ao
passadiço ou andarem pelo convés, aprendam, instintivamente, a observar. Treinem constantemente,
até que consigam notar sem esforço, e memorizar coisas, tais como: a direção do vento, se ele está re-
frescando ou não; se o céu está encobrindo; a ausência do pavilhão do Almirante do mastro onde está
normalmente içado; algum navio atracou a contrabordo do navio-tanque; algum outro esteja em faina
de pintura ou preparando-se para suspender etc..
E, nessas observações, nunca se esqueça do seu navio.
Se você ver chicotes de lambais pendurados na borda ou se a bandeira estiver enrascada, não faça "vis-
ta grossa" unicamente porque você não está de serviço - faça alguma coisa. Todos estamos de serviço
as 24 horas do dia, embora não necessariamente de serviço sempre. Do mesmo modo, se você regres-
sar para bordo às 0300 horas e não ver no convés o contramestre, não desça ao camarote e esqueça o
fato por não estar de serviço, não sendo, por conseqüente, sua obrigação verificar a ocorrência. Se você
proceder assim, será infinitamente mais faltoso que o contramestre que estava na Praça de Máquinas
ou na coberta tomando café.
Não é a competência do oficial que fixa o seu valor para a Marinha, mas sim o modo como ele a usa.
O caráter de um homem revela-se em todas as ações.
Dizem que a responsabilidade nos torna todos covardes. Muitos de nós somos bastante propensos a cri-
ticar e dizer como agiríamos se estivéssemos nesta ou naquela situação. Entretanto, quando nos cai so-
bre os ombros a responsabilidade do êxito ou fracasso de operações que nos pareciam tão elementares,
quando as consideramos apenas como espectadores, achamos essa responsabilidade tão desencorajante

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para aquele conceito que delas fazíamos que, freqüentemente, seguimos o caminho de menor resistên-
cia - a prudência exagerada.
Qualquer idiota pode criticar - a maior parte deles o faz.
Não achem defeitos constantemente em seus homens; não deixem de cuidar deles; não os protejam ex-
cessivamente.
Quase todo homem que possui cérebro pode fazer funcionar uma máquina bem construída; porém, é
preciso muito mais cérebro para fazer funcionar, com sucesso e continuamente, a máquina humana.
Não permitam que um homem deixe uma entrevista com vocês levando no coração um ressentimento.
Quero que vocês sintam a mesma responsabilidade quando um homem fracassa como quando o motor
se desajusta.
Quero que vocês usem como o homem a mesma observação, atenção e cuidado que dispensam ao mo-
tor.
Quero que vocês sintam um sentimento pessoal de fracasso pelo infeliz que se tornou um desertor e
um debochado.
Peço-lhes que considerem a solução do problema humano com a crença de que o pessoal que vocês
controlam e comandam pode ser arruinado ou aperfeiçoado pelo esforço individual, pela observação
própria, pela previsão, pelo cuidado e pela inteligência de cada um de vocês.
Nunca dêem uma ordem que não possa ser cumprida; nunca dêem uma ordem a não ser que realmente
tenham a intenção de vê-la executada.
Lembrem-se de que vocês não são, de modo algum, senhores absolutos nem mesmos de suas proprie-
dades, e aquilo que fizerem que lhes cause um descrédito temporário, poderá trazer um descrédito pe-
rene à nossa Nação.
Nenhuma questão importante deverá ser decidida sem a prévia consideração do seu efeito sobre a efi-
ciência deste navio para a guerra.
Saibam quando dizer não e tenham coragem para fazê-lo.
Lidando com homens é bom relembrar que muitas vezes não é "o que" vocês fazem que importa, mas
"como" vocês o fazem. Cultivem uma personalidade que inspire obediência.
Vocês certamente se recordam daqueles professores da escola que conseguiram manter em silêncio e
com ordem uma sala cheia de garotos somente com um olhar em volta, de vez em quando, enquanto
outros estavam em constante apreensão, punindo a todo o momento - o tumulto aumentava na mesma
proporção das penas impostas.
Cultivem uma personalidade. Os ingredientes são: atitude calma, voz e disposição mental sob perfeito
controle, uma firme convicção da justeza da sua causa e uma determinação firme de ver sua causa tri-
unfante. Também você deve saber onde tem o seu nariz.
Tentem ganhar para este navio a reputação de que nenhum outro pode ser melhor - vocês nunca o con-
seguirão - ninguém jamais o conseguiu - mas vale a pena tentar!

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É impossível haver disciplina sem silêncio. O mesmo se dá com a eficiência. Sempre que uma faina
geral, tal como atracar, desatracar, inspecionar licenciados, receber sobressalentes, efetuar pagamento
etc., estiver sendo executada, insista para que haja silêncio absoluto, exceto daqueles que estão dando
as necessárias ordens.
Em assunto referentes à conduta pessoal, uniforme etc., esperem que eu lhes sirva de exemplo.
Há certos costumes que reprovo inteiramente, tais como:
- deixar de responder, prontamente, a continência;
- usar colarinhos não engomados com jaquetão, no porto;
- usar uniformes desasseados, desbotados, rasgados ou velhos, salvo quando em serviço na máquina;
- estar na Praça D'Armas em uniforme mescla ou fora do uniforme;
- passear ou permanecer no convés com as mãos nos bolsos das calças. Se sentir frio nas mãos, colo-
que-as nos bolsos do dolmã ou nos bolsos laterais da japona. Isso é bem marinheiro. Os bolsos da
japona foram feitos para esse fim;
- mascar "chicletes", estando uniformizado;
- debruçar-se na amurada ou em qualquer outro objeto do convés, parecendo assim estar sofrendo
"doença do cansaço";
- deixar de barbear-se antes de 0800 horas;
- estabelecer conversas vulgares, incultas, não proveitosas, especialmente com marinheiros ou na pre-
sença deles;
- portar lápis ou canetas aparecendo nos bolsos do uniforme; e
- mostrar, de repente, uma energia exagerada e um zelo excessivo quando, inesperadamente, aparece
o Comandante.
No mar, em assuntos de uniformes, sigam o meu exemplo.
Evitem, como uma praga, a critica hostil às autoridades, mesmo aquelas que, embora de caráter pejora-
tivo e impensada, não tenham intenção hostil.
A crítica destrutiva, que nasce na Praça D' Armas, espalha-se rapidamente e mata o espírito de navio.
A Almirante Lord Jervis disse:
"A disciplina começa na Praça D' Armas. Não receio o marinheiro. São as conversações indiscretas
dos oficiais e sua presunçosas discussões das ordens recebidas que produzem todos os nossos males",

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