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EDITORIAL Hodie mihi, cras tibi A frase em latim é antiga, no entanto, continua uma
EDITORIAL Hodie mihi, cras tibi A frase em latim é antiga, no entanto, continua uma
EDITORIAL Hodie mihi, cras tibi A frase em latim é antiga, no entanto, continua uma
EDITORIAL Hodie mihi, cras tibi A frase em latim é antiga, no entanto, continua uma
EDITORIAL Hodie mihi, cras tibi A frase em latim é antiga, no entanto, continua uma

EDITORIAL

Hodie mihi, cras tibi

A frase em latim é antiga, no entanto, continua uma

máxima irrevogável para os homens, o nosso tempo é uma história e o fim sempre está ali se aproximando silenciosamente, a ampulheta derramando um pouco mais de areia a cada presente sentido. Somos os filhos do tempo sendo devorados por Cronos pouco a pouco, e que não nos enganemos, a fome infinita do deus só é saciada com a vida. Quando olhamos para o passado vemos todas as ilusões que podemos criar, tudo o que foi pode ser outra vez na nossa memória, é possível sentir e ver, lembrar é editar a vida vivida. Quando, por outro lado, é para o futuro que dirigimos nossos olhos, as possibilidades são infinitamente maiores, tudo está

lá, pois não está aqui, o longe é diferente, é melhor. Situação difícil para nós, do passado resta a memória, e só, no futuro o nada, porque se esticamos muito a vista encontramos a certeza inevitável: é lá que o livro termina.

O passado e o futuro existem, mas não podem ser

experimentados, são ideais vívidos do desejo que se move em todas as direções do tempo. O que existe

é o hoje, somente ele, nossa ínfima parcela de

eternidade, nossa chama divina brilhando intensamente para que o presente se confirme como encantado. Nossa revista traz o registro de um presente único, um tempo que foi guardado nestas páginas para ser lembrado como um período de desejo de conhecimento e de buscas por novas possibilidades para a educação.

Boa Leitura!

Gustavo Brito

04 CULTURA LEITURA Amanda Damasceno fala sobre a experiência com o Clube do Livro. 05
04 CULTURA LEITURA Amanda Damasceno fala sobre a experiência com o Clube do Livro. 05
04 CULTURA LEITURA Amanda Damasceno fala sobre a experiência com o Clube do Livro. 05
04 CULTURA LEITURA Amanda Damasceno fala sobre a experiência com o Clube do Livro. 05

04 CULTURA LEITURA Amanda Damasceno fala sobre a experiência com o Clube do Livro.

05 AUTORES NOVOS

Rafaella Cintra apresenta as reflexões de Lyah.

06 FORMANDO LEITORES ‐

ENTREVISTA

A revista Hodie entrevista o Círculos de Leitura.

07 LARA MOREIRA ‐ ARTIGO

Um dia que não esqueceremos. Comentário de Muryel e Fallone.

10 AMANDA CAIXETA ‐ LITERATURA

A distopia de Orwell.

11 DOMÍNIO PÚBLICO

Hotel Sete de Setembro, do gênio da raça Lima Barreto.

Os meninos‐poeira de Bárbara Fonseca

raça Lima Barreto. Os meninos‐poeira de Bárbara Fonseca COLABORADORES Editor e diretor responsável: Gustavo

COLABORADORES

Os meninos‐poeira de Bárbara Fonseca COLABORADORES Editor e diretor responsável: Gustavo Santana Miranda

Editor e diretor responsável: Gustavo Santana Miranda Brito Redatora­chefe: Amanda Damasceno Editor­assistente: Alisson Rodrigues de Paula Colaboradores: Rafaella Cintra, Lara Moreira, Muryel Almeida, Rafael Fallone, Bárbara Fonseca Editora de Literatura: Amanda Caixeta

Imagem da capa: Paul Klee, Highway and Byways (1929), editada por Gustavo Brito e João Gabriel.

Produtora: Patrícia Nonato Vieira

Design: João Gabriel Brito e Gustavo Brito

Alunos que participaram desta edição: Amanda de Oliveira Caixeta, Drielly Oliveira de Araújo, Renata Santana Braga de Sousa, Arthur, Maria Carolini Candida Pires, Victor Reis de Oliveira, Vitor Fornieles Ganzriegler, Rafaella Martins Freitas Cintra, Izabella da Cruz Scalia, Leticia Assis Michalczyk Rocha, Giulia Barbieri Salustio, Marília Gabriela Mendes Maranhão, Stefany da Silva Rodrigues, Livia Ferreira Brito, Lara Alves de Souza Moreira, Diego Queiroz Santana de Souza, Larissa Veridiane Coutinho, Johnathan Pedroso da Rocha, Natalia Ramos de Amorim, João Orestes Martins de Farias, Daniel Claudino Lupo,Thaynara Romão, Thaís Carneiro de Moraes, Felipe Greyck, Igor Rodrigues de Moraes, Lucas Henrique Santiago Dourado, Luiz Cesar de Camargo Ferro, Marcus Paulo Faustino, Phillip ALexandre Almeida Guedes, Vinícius Fernandes Vasconcelos, Vyctor Américo, Amanda Damasceno, Alisson Rodrigues de Paula, Rafael Fallone, Muryel Almeida, Ana Carolina Finotti, Alisson Américo, Bárbara Fonseca, Iago dos Reis

Aviso de Copyright: Todas as imagens utilizadas nesta edição foram retiradas da internet. A publicação das imagens de Paul Klee e da fotografia de Lima Barreto possui caráter unicamente pedagógico.

de Lima Barreto possui caráter unicamente pedagógico. Unidade Bueno: 62 3254‐6600 Unidade Jardim Goiás: 62

Unidade Bueno: 62 3254‐6600

Unidade Jardim Goiás: 62 3091‐6607

Unidade Planalto:

62 3236‐6500

CULTURA

LEITURA

O Meu Clube do Livro

N ão gostaria que este texto tivesse um ar declamatório, mas acho que vai ser difícil escapar dele, pois

falarei de uma das experiências mais transformadoras que vivenciei (e vivencio) durante meus anos de formação na escola.

Proponho que você imagine um lugar no qual

o diálogo é a ferramenta de construção do

conhecimento e a leitura a fonte onde buscamos os temas para os nossos debates; os relacionamentos não passam pela hierarquia burguesa das escolas particulares e a liberdade de pensamento é incentivada constantemente. Esse lugar é, para mim, o Clube do Livro, que talvez, mais do que ter me apresentado alguns autores fundamentais, tenha me trazido o desejo de aprender a ler o mundo e a mim mesma. Foi lá que conheci Thomas Mann, George Orwell, William Shakespeare, Machado de Assis, Fiódor Dostóievski, Michel Foucault e tantos outros que permitiram que eu entendesse que a

Literatura, a Filosofia, a Crítica, a Psicologia,

a História não estão separadas em grupos

didáticos, mas antes, se irmanam na tentativa de ampliar e esclarecer aquilo que chamamos de Humano. A leitura assumiu, desde então, um papel essencial na minha vida, pois com

os olhos dos mestres posso ver mais e melhor. O Clube se tornou mais que um grupo de estudos, ele me ajudou a perceber quem sou e o que quero, aprendi a defender

ajudou a perceber quem sou e o que quero, aprendi a defender Sobre aprender a ler

Sobre aprender a ler o mundo

aquilo que acredito, a escutar o que o outro tem para dizer e a aceitar suas ideias, os encontros me auxiliaram na construção de uma visão mais ampla da realidade que existe dentro e fora de mim. Experiências como essa deviam ser vividas por todas as pessoas: a sensação de descobrir um novo mundo a cada livro aberto é indescritível e encontrar pessoas que estejam dispostas a conversar sobre a sociedade a partir do que lemos é maravilhoso. O Clube do Livro é uma parte muito importante da minha vida, graças a ele, ao professor Gustavo, aos meus colegas e a todos os livros que eu li, eu tenho uma noção do que sou e de como é o mundo. Durante os três anos que participei do Clube, cresci e fui me moldando de acordo com o que aprendia, hoje sei que a leitura desempenhou um grande papel na minha formação até aqui e que será de grande importância no meu futuro.

Só tenho que agradecer por ter participado deste projeto e de ter tido a oportunidade de estudar Literatura da forma que estudei, sei que essa experiência vai me abrir ainda mais portas e que boa parte do que serei sempre carregará um pouco desse grupo que me acolheu com carinho e me ensinou tanto.

Amanda Damasceno

Paul Klee, Dream City (1921) AUTORES NOVOS Keep looking at me M adrugada. Tempo fresco,

Paul Klee, Dream City (1921)

AUTORES

NOVOS

Keep looking at me

M adrugada. Tempo fresco, poderia usar um casaco agora se quisesse. Sou

tomada pelo sono e fica mais difícil separar o real do imaginário. Não posso confiar em meus olhos ao olhar pela janela. Fito com um pouquinho mais de coragem esse breu do lado de fora e acabo vendo a mim mesma, talvez com uma certa arrogância. Tento procurar significados para os meus devaneios; o que significa essa nova presença, e num momento de utopia, imagino um futuro estranho. Volto abruptamente ao presente, culpo a sonolência por estar tendo pensamentos tão errôneos, tão distantes dessa realidade absurda. Sinto um certo receio em dormir e ter sonhos caóticos, como essa fragmentação de personalidade. Pego um livro e o folheio, sem prestar muita atenção naquele monte de letras grafadas por alguém tão alienado quanto essa personagem, talvez. Deito‐ o na escrivaninha e volto a olhar pela janela. Percebo a vontade de ver aqueles olhos de novo. Aqueles olhos grandes, selados em segredos que em poucas olhadelas possuem minha atenção. Sinto vontade de desvendá‐ los. Pensar que vejo aqueles olhos há tanto tempo e nunca prestara atenção. Não consigo me lembrar o que me fez prestar logo agora. Tudo anda tão automático e ver seu brilho faz com que o mundo torne a ter vida. A importância disso pra mim é tão

genuína e me prende, curiosamente. Aqueles olhos olham pra mim e tentam derreter o gelo nos meus, enquanto os meus tentam derreter‐se. Mas não consigo deixar que isso dure muito tempo. Logo desvio o olhar e quando volto, seus olhos ficaram tão frios quanto os meus. Tento reacender a chama de curiosidade que parece tão

presente naqueles olhos, mas ela já está camuflada pelo falso desinteresse. Me

deixam aturdida e confusa

cada uma de minhas ações tentando não afastá‐la e não dar a entender o sentimento errado. Percebo uma pequena mudança de hábitos. Afinal, hoje choveu e senti algo muito diferente do que costumava sentir. Novas lembranças começam a florescer e a chuva não tem mais o mesmo clima nostálgico. Tudo está diferente. Uma alegria quase iminente. Tento me esquecer do mundo e daqueles olhos. Deito‐me na cama, o dia está quase amanhecendo. O fim da noite e de meus pensamentos turbulentos.

Meço

Rafaella Cintra é responsável pelo blog:

http://myheartisntyours.blogs pot.com, lá encontramos as reflexões da personagem Lyah.

pelo blog: http://myheartisntyours.blogs pot.com , lá encontramos as reflexões da personagem Lyah. Novembro, Ano 1 5

FORMANDO LEITORES

ENTREVISTA

Os Círculos de Leitura

Projeto criado há oito anos com a missão de estimular jovens de escolas da periferia da Grande São Paulo a ler e, principalmente, compreender o que lêem.

HODIE: O que buscam os Círculos de Leitura? Círculos de Leitura: O Projeto Círculos de Leitura busca apoiar o jovem no desenvolvimento de sua identidade, comunidade e cidadania. A leitura e debate em grupo criam um espaço para adolescentes que querem dividir suas experiências e ampliar seu universo de conhecimento e idéias através das palavras e do vínculo com o outro.

"Ao conhecer as obras desses grandes homens, acabamos por nos reconhecer nelas"

HODIE: Quando surgiram os Círculos?

Círculos de Leitura: Em 2000 o projeto

Círculos de Leitura foi criado, com um primeiro grupo de alunos na Escola Municipal do Conforja, em Diadema. Entre 2000 e 2010 mais de 7500 alunos foram atendidos na Grande São Paulo através de Círculos conduzidos por jovens multiplicadores. HODIE: Como são os encontros?

Círculos de Leitura: Nos Círculos de Leitura os encontros são semanais.

: Nos Círculos de Leitura os encontros são semanais. Sentamos‐nos em círculo, para que cada um

Sentamos‐nos em círculo, para que cada um

possa ver os demais participantes. A leitura é feita em voz alta, pois valorizamos a sonoridade das palavras, seu ritmo, sua musicalidade. A magia do texto vai entrando pelos ouvidos, sua compreensão passa pelo som das palavras, pelas imagens que elas evocam. A inteligência de um texto passa pela emoção que em nós desperta. HODIE: Quem participa?

de Leitura: Os Círculos são

Círculos

dirigidos para jovens na faixa etária de 12 a 19 anos, cursando a rede pública de ensino básico. A participação voluntária é chave para incentivar o poder de escolha do adolescente, e seu envolvimento com o grupo HODIE: O que vocês lêem?

de Leitura: Nos Círculos de

Círculos

Leitura, nossos amigos íntimos são: Homero, Platão, Shakespeare, Saramago, Guimarães

Ao

Rosa, Machado de Assis e tantos outros

conhecer as obras desses grandes homens, acabamos por nos reconhecer nelas. Tudo o que elas trazem também está em nós, uma vez que falam da experiência humana, comum a todos os tempos. HODIE: O que os participantes levam dos Círculos, além do gosto pela leitura?

Círculos de Leitura: Quando percebemos

que esse grande patrimônio da humanidade nos pertence, nos vemos fazendo parte de algo maior, nosso presente ganha novos significados. Adquirimos um sentimento de identidade, de pertencimento, que facilita nossa inserção na vida social e nos torna responsáveis em manter vivo o patrimônio desses homens extraordinários.

LARA MOREIRA

ARTIGO

The Spirit Day

Um dia que não esqueceremos

V inte de outubro de 2010. Quarta‐ feira. Um dia que deveria entrar para história. Poucos tomaram

conhecimento do significado dessa quarta. Não foi comentado por nenhuma celebridade. Não saiu no Jornal Nacional. A data foi batizada “Dia do Espírito” (Spirit Day) ou “Quarta‐feira Roxa” (Purple Wednesday), e mobilizou mais de três milhões de pessoas ao redor do mundo. Confuso? Acalme‐se. Você vai entender já. O Dia do Espírito foi uma ideia de uma jovem canadense, chamada Brittany McMillan. O objetivo da mobilização era homenagear os sete garotos homossexuais que cometeram suicídio devido a ataques homofóbicos nos últimos meses. Nas palavras da própria Brittany, “Roxo representa o Espírito na bandeira LBGTQ, e isso é o que nós gostaríamos que todos vocês sentissem: Espírito”. A canadense ainda pediu: “Por favor, vistam roxo no dia 20 de outubro. Avisem seus amigos, familiares, empregados, vizinhos e colegas de escola”. E foi assim, passando de amigo em amigo, vizinho em vizinho, colega em colega, que a manifestação se espalhou ao redor do mundo, como um vírus do bem. E o resultado foi um só: o sucesso. Não só no Canadá onde Brittany vive, mas também nos Estados Unidos, México e até mesmo no Brasil. Milhões de homens e mulheres, crianças, jovens e adultos, homossexuais e heterossexuais saíram às ruas de roxo em

protesto contra a homofobia. Parece um ato pequeno, quase medíocre diante da gravidade do problema que a homofobia é na sociedade hoje em dia. Mas já diziam nossas avós, é de grão em grão que a galinha enche o papo. Hoje, conseguimos o apoio de três milhões de pessoas. Amanhã podem ser seis. E quem sabe, nove, depois de amanhã. E o que é a homofobia? Vamos começar analisando a palavra. Homo significa igual. Fobia, do grego, significa medo. Então podemos entender “Homofobia” como medo, aversão, ódio ou discriminação contra um indivíduo que tenha preferência por um outro indivíduo “igual”, ou seja, do mesmo sexo. Os homofóbicos são divididos em níveis. Existem aqueles que sentem aversão à homossexualidade, porém não passam disso; aqueles que podem chegar a ofender verbalmente, ou humilhar; e aqueles que chegam ao cúmulo de agredir fisicamente um homossexual. Uma pesquisa promovida pelo Instituto Perseu Abramo em abril deste ano confirma a triste realidade: 25% dos brasileiros são homofóbicos, sendo 19% destes, medianamente homofóbicos e 6% fortemente homofóbicos. Pouca coisa? Pode parecer, mas certamente não é. A mesma pesquisa comprova que os homofóbicos geralmente têm conceitos atrasados para o modelo de sociedade liberal em que vivemos hoje. Quando perguntado:

têm conceitos atrasados para o modelo de sociedade liberal em que vivemos hoje. Quando perguntado: Novembro,

“Se você tivesse filhos pequenos e descobrisse que o professor deles é ”

homossexual, você

respondeu que mudaria de professor. A pesquisa mostra ainda, que os homens mais velhos tendem a ser mais preconceituosos: o índice de homofobia entre homens de 35 a 44 anos é de 21%, contra 48% daqueles com mais de 60 anos de idade. Alguns duvidam do mal que a discriminação pode causar na vida de uma pessoa. Mas o preconceito tem consequências terríveis, principalmente na vida dos jovens, já que é fato que as pessoas estão se assumindo homossexuais muito mais cedo. Ao contrário do que muitos pensam, a homofobia deixa sim, marcas. Elas podem variar de depressão, falta de apetite, insônia, perda do prazer ao realizar qualquer atividade e medo de sair de casa, até (nos casos mais graves) o suicídio. Prova disso é a criação do Dia Do Espírito: como já foi dito, é uma homenagem aos sete jovens gays que cometeram suicídio. Para compreender um pouco mais sobre como a homofobia é aterrorizantemente prejudicial, vamos conhecer a história de alguns desses sete jovens.

E a maioria absoluta

Tyler Clementi tinha 19 anos e era estudante da Universidade de Rutgers. Tyler se jogou de uma ponte após descobrir que seu colega de quarto o havia transmitido via Internet tendo relações com seu namorado. Outro caso aterrorizante foi o de Asher Brown, de apenas 13 anos. Ele era aluno da oitava série nos arredores de Huston, e segundo sua família, sofreu preconceito, discriminação, e foi humilhado até morrer. De acordo com os pais, “Asher era provocado por ser pequeno. Por suas crenças religiosas. Pelo

por ser pequeno. Por suas crenças religiosas. Pelo modo como se vestia. E por ser gay.

modo como se vestia. E por ser gay. Seus atacantes satirizavam atos de sexo gay nas

aulas de educação física.”. E um terceiro caso, talvez o mais chocante de todos, é o do pequeno Seth Walsh, um estudante também

de treze anos. Outro caso de uma criança que

sofreu ataques homofóbicos até não suportar

mais viver. Os ataques vinham pela Internet, pessoalmente e até mesmo por telefone. Seth

foi encontrado morto pela sua mãe, enforcado

numa árvore no quintal de casa. Ele passou mais de uma semana vivo no hospital graças a aparelhos de suporte de vida, antes de morrer.

Infelizmente, essas histórias não são

as únicas. Como elas, existem milhares e

milhares ao redor do planeta. Milhares de corações que pararam de bater; milhares de olhos que jamais verão o mundo novamente; milhares de bocas que nunca mais vão se abrir num sorriso; milhares de crianças que decidiram jogar suas vidas fora pelo ódio dos seus colegas; milhares de almas que nos deixaram pra sempre. Todos nós temos o sagrado direito de não gostar de algo ou de alguém. Mas também temos o sagrado dever de respeitar cada criatura vivente, seja ela uma pequena joaninha ou um ser humano. Não gostar de gays é uma coisa; agredi‐los e humilhá‐los até

levá‐los à morte é outra totalmente diferente.

O que falta na sociedade hoje em dia é

respeito. Queremos que todos respeitem nossas opiniões, verdades e pensamentos. Porém, não respeitamos os das outras pessoas.

Temos que acordar para o mundo em que estamos, e perceber que discriminar um homossexual não vai fazer de você uma pessoa melhor. Além do preconceito contra

os próprios homossexuais, o alvo constante dos homofóbicos têm sido aquelas pessoas (heterossexuais) que defendem os gays. Segundo essas pessoas, nós não deveríamos “compactuar com essas bobagens”. E mais uma vez temos um exemplo claro da estupidez de alguns. O que podemos fazer é simplesmente ignorar, e jamais sentir vergonha de defender uma causa na qual acreditamos, por preconceito. Quanto aos jovens, a situação é mais grave ainda. Sejam eles meninos ou meninas, adolescentes gays de 10 a 20 anos têm sofrido cada vez mais com o bullying. Os colegas de escola fazem brincadeiras maldosas com essas crianças, sem pensar nas consequências. Seus colegas, que deveriam estar do lado deles, não estão. Não há mais motivos para sair de casa. Ir aonde, fazer o quê? Não se pode colocar o pé pra fora de casa que já escuta um “bicha” daqui, um “veado” dali, e quando a vítima dá por si, já não tem mais motivo algum para querer viver. A solução pra acabar com tanto sofrimento muitas vezes é o suicídio. E assim terminou a história desses sete jovens, e de muitos outros, meninos e meninas. Jovens que nunca nem ao menos responderam aos seus agressores. Jovens que terminaram suas vidas pendurados em árvores, no fundo de rios. Jovens cujo único pecado foi nascer num planeta onde diferenças não são aceitas nem respeitadas. Se os agressores dessas crianças pensassem nos seus atos, os números de homossexuais que morreram por preconceito não seriam tão altos. E os números não mentem. Por isso, antes de rir de alguém, mesmo que de “brincadeira”, por qualquer motivo, pense bem. Heterossexualismo é amor. Homossexualismo é amor. Homofobia e preconceito têm outro nome: estupidez.

Muryel & Fallone Comentam :

A solução da crise de gêneros, assim como a maioria dos problemas sociais, está na educação. A única forma para resolver esse dilema é trabalhando nas mentes de nossas crianças, acostumando primeiramente as nossas ‐ já que a educação se baseia no exemplo‐ que antes dessas definições de gênero, há a diferenciação entre nossas personalidades, habilidades, enfim, existe uma diferença de pessoa para pessoa e nunca de um grupo para outro. A educação iria fazer com que memes como a aceitação, o respeito, a compaixão e tantos outros, achassem novos receptores que no futuro seriam transmissores dessas ideias. Afinal, por mais que se tente definir os grupos, sempre haverá indivíduos que fogem dos estereótipos. O que deve existir entre nós é a verdadeira aceitação da diversidade como parte da natureza.

O que deve existir entre nós é a verdadeira aceitação da diversidade como parte da natureza.

Paul Klee, Diktator (1933)

Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em
Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em
Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em
Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em
Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em
Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em
Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em
Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em
Paul Klee, Diktator (1933) AMANDA CAIXETA A Distopia de Orwell LITERATURA O livro 1984, lançado em

AMANDA CAIXETA

A Distopia de Orwell

LITERATURA

O livro 1984, lançado em 1949, é uma das grandes e majestosas obras de George Orwell. Nela o

autor relata, através de Winston Smith, um regime político totalitário, num periodo em que o mundo estava dividido em três nações: Letásia, Eurásia e Oceania, as quais vivam em guerra constante e inacabável, determinada pelas diferentes e suspeitas alianças feitas entre tais paises. O livro é marcado pela opressão da polícia do pensamento, responsável por ir em busca dos que cometiam uma crimidéia, isto é, os que cometiam o “deslize” de pensar de maneira diferente da imposta pelo Ministério. Para impedir, então, cada vez mais esses “deslizes”, é formulada a Novilíngua, a qual será responsável por reduzir o vocabulário, até se chegar ao ponto de não existir nenhuma possibilidade da formulação de ideias próprias, e contrárias ao Partido, deixando as pessoas sem outra opção além de amar o Big Brother, ou em bom português, o Grande Irmão.

Por meio de tal leitura pode‐se chegar à conclusão de que o Grande Irmão é uma figura inexistente. Contando que ele nunca realizou uma aparição pública apesar de sempre estar presente através de cartazes pela rua e através das pessoas, que amam e idolatram tal personagem, devido à manipulação do partido, que propaga os grandes feitos do Big Brother usando o slogan “O Grande Irmão zela por ti”.

Os principais ideais da obra estão

enquadrados na política duplipensar, eles propõem ideias opostas, como se ambas fossem verdadeiras. Nunca negando nem

uma nem outra. Como é perceptível no lema do partido Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força. Sempre com o objetivo de suprimir

a individualidade o partido vai

influenciando a população, através de

supostos eventos patrióticos, como os “Dois minutos de ódio”. E quem não participava dos eventos de forma correta e empolgante era acusado de cometer uma crimidéia e corria o risco de ser pego pela polícia do pensamento que

iria vaporizar o suspeito.Não apenas o

matando, mas acabando com qualquer indício de que tal já existiu. Portanto, 1984 não pode ser considerado de modo algum apenas mais um livro de política, pois ele apresenta uma distopia e uma previsão da nossa realidade. Expondo de maneira espetacular a manipulação à qual somos submetidos e a vigilância crescente proporcionada pela tecnologia e, principalmente, o controle da linguagem que leva ao controle da memória, permitindo ao partido editar o passado, o presente e o futuro de acordo com suas necessidades. Por isso é aconselhável a todos que leiam a grande obra de Orwell, que continua e continuará sendo uma grande lente de aumento para observarmos a sociedade em que vivemos.

continua e continuará sendo uma grande lente de aumento para observarmos a sociedade em que vivemos.

LimaBarreto(1881­1922)

LimaBarreto(1881­1922) L i nos jornais que um grupo de senhoras da nossa melhor sociedade e gentis

L i nos jornais que um grupo de senhoras da nossa melhor sociedade e gentis senhoritas

inauguraram, com um chá dançante, a dez mil‐réis a cabeça, o Hotel do Sr. Carlos Sampaio, nas encostas do morro da Viúva. Os resultados pecuniários de semelhante festança, segundo diziam os jornais, reverteriam em favor das crianças pobres, das quais as referidas senhoras e senhoritas, agremiadas sob o título de "Pequena Cruzada", se fizeram espontâneas protetoras. Ora, não há nada mais belo que a Caridade; e, se não cito aqui um profundo pensamento a respeito, motivo é não ter ao alcance da mão um dicionário de "chapas". Se o tivesse, os leitores veriam como eu ia além do esteta Antônio Ferro, que saltou no cais Mauá, para nos ofuscar, com os seus trapos de José Estêvão, Alexandre Herculano e outros que tais! Felizmente não o tenho e posso falar simplesmente ‐ o que já é

DOMÍNIO

PÚBLICO

Hotel Sete de Setembro

Careta 5‐8‐1922

Lima Barreto

uma vantagem. Quero dizer que semelhante festa, a dez mil‐réis a cabeça, para proteger crianças

pobres, é uma injúria e uma ofensa, feita a essas mesmas crianças, num edifício em que o governo da cidade gastou, segundo ele próprio confessa, oito mil contos de réis.

justo que a

municipalidade do Rio de Janeiro gaste tão vultosa quantia para abrigar forasteiros ricos e deixe sem abrigo milhares de crianças pobres ao léu da vida? O primeiro dever da Municipalidade não era construir hotéis de luxo, nem hospedarias, nem zungas, nem quilombos, como pensa o Sr. Carlos Sampaio. O seu primeiro dever era dar assistência aos necessitados, toda a espécie de assistência. Agora, depois de gastar tão fabulosa quantia, dar um bródio para minorar o sofrimento da infância desvalida, só uma coisa resta dizer à edilidade: “passem bem!”

Um dia é da caça e outro é do caçador. Digo assim, para não dizer em latim: "Hodie mihi, cras tibi". Nada mais ponho na carta.

Adeus.

Pois

é

Os Meninos‐poeira

Nas ruas, sem nome,

sem família, com fome

e rancor, os meninos‐

poeira lutam todos os dias para amanhecer o outro. Uma moeda dada no semáforo, uma roupa velha doada durante o Natal, um brinquedo quebrado são os atos caridosos que aliviam

as nossas consciências.

A poeira social que são

os meninos de rua é varrida para debaixo dos nossos tapetes de concreto e asfalto para não incomodar os olhos dos filhos legítimos da cidade; os invasores sujos, por outro lado, poluem a vista como a poeira dos móveis, mas não mais que isso. São crianças invisíveis existindo sob os nossos pés.

Bárbara Fonseca

mas não mais que isso. São crianças invisíveis existindo sob os nossos pés. Bárbara Fonseca Novembro,

Professor Gustavo Brito

85844962

Professor Gustavo Brito 85844962 Unidade Bueno Setor Bueno, Av. T-30, nº 2.736 62 3254-6600 Unidade Jardim

Unidade Bueno

Setor Bueno, Av. T-30, nº 2.736 62

3254-6600

Unidade Jardim Goiás

Esquina com Rua 14 , Jardim Goiás

62 3091-6607

Unidade Planalto

Av. São Bartolomeu esq. com av. São Carlos, Jd. Planalto

62 3236-6500