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Universidade Federal do Rio Grande

Instituto de Ciências Humanas e da Informação


Bacharelado em Arqueologia
Arqueologia do Capitalismo III Professora: Adriana Fraga
Aluno: Guilherme Dias / Matrícula: 71629

Arqueologia Histórica, Moderna e da Super modernidade

A Arqueologia Histórica, da modernidade e supermodernidade são vertentes da disciplina


arqueológica voltadas para construção de narrativas no passado recente. Esse posicionamento
temporal acarreta em uma série de peculiaridades e expressões únicas durante a construção dos
esforços de pesquisa, gerando metodologias e resultados distintos. O presente ensaio tem como
objetivo analisar uma dessas particularidades e suas consequências: a interação dos discursos
arqueológicos com documentos escritos, e a contribuição possível das narrativas materiais para o
estudo de sociedades com grande produção documental.

Como um ponto inicial, me aprofundarei nas definições dos campos da Arqueologia


Histórica, moderna e da supermodernidade. Na América, a Arqueologia Histórica é tida como o
estudo do período da conquista e expansão europeia no continente, criando um demarcador
funcional e simples para pesquisas. No entanto, em estudos situados em outros locais, a divisão se
perde, sendo preferidas outra demarcações, variando para todo o período pós-difusão da escrita até
circunscrições mais específicas, como períodos posteriores ao fim do medievo (Orser, 1996).

Segundo Diogo M. Costa, as primeiras atuações da Arqueologia Histórica, se deram na


busca por lugares e figuras importantes para a história nacional e oficial, como campos de batalha,
fortes militares, povoações iniciais, e etc., tendo como papel apenas a confirmação dos relatos
escritos e sua ilustração através dos objetos resgatados. Foi somente a partir da década de 1960, por
influência de movimentos sociais, que muitos trabalhos passaram a ter como enfoque o estudo dos
processos de dominação e resistências de minorias normalmente obliviadas pela “memória oficial”.
Essa mudança de paradigma implicou numa reconfiguração de métodos e técnicas, passando de
simples recolecções de artefatos, para busca de dados dos mais variados tipos, com métodos inter e
trans disciplinares, e focados na construção de narrativas alternativas (Johnson, 1996; Leone, 1995).
Devido a sua própria origem associada uma “subalternidade” a História, um dos primeiros
esforços a serem realizados foi a demonstração dos potenciais que o campo oferecia ao estudo de
sociedade passadas, buscando se desconstruir a infalibilidade do registro documental, e o caráter
único dos resultados obtidos pelos trabalhos arqueológicos (Orser, 1995).

No Inicio da era moderna (até o pós Segunda Guerra Mundial) o afeto (sentimento e
corporeidade) dominante era a miséria. No século XIX a narrativa comum era de que o capitalismo
poderia levar qualquer um ao enriquecimento. O segredo público² dessa narrativa era a miséria do
povo e da classe trabalhadora em geral, e a revelação dessa miséria foi levada a cabo por
revolucionários da época. A primeira onda de movimentos sociais do mundo moderno foi uma
máquina de luta contra a miséria. Táticas como greves, lutas salariais, organização política, apoio
mútuo, cooperativas e fundo de ajuda foram efetivas para lutar contra o poder da miséria garantindo
um mínimo necessário para se viver na época.

Quando a miséria parou de funcionar como estratégia de controle, o sistema mudou para o
tédio. Durante a metade do século XX a narrativa dominante era de que a qualidade de vida – que
aumentara desde de o acesso ao consumo, à saúde e a educação – estava subindo. Todos nos países
ricos estavam felizes, e os países pobres estavam no caminho do progresso. A recuperação da
controle através do capitalismo foi exitosa, o sistema fordista – baseado em empregos fixos de
longos expediente, que desenvolveu uma renda garantida, consumismo, massificação da cultura e
cooptação do movimento trabalhista que prevaleceu até a década de oitenta – foi responsável pelo
grande tédio ao qual essa pessoas foram submetidas. O capitalismo de meios do século XX deu todo
o material necessário para a sobrevivência, mas não deu oportunidades de vida: era um sistema
baseado em alimentação à força até o ponto de saturação. Ruibal defende que a supermodernidade
é definida através da massificação do consumo e da destruição. Eu complemento que a dimensão do
consumo não é apenas material, mas é também afetiva. A ´´realidade virtual´´ que vivemos nas
redes sociais (que é também um não lugar), não é apenas um espelho ou diário do nosso cotidiano,
mas somos dela (rede social) produtos.

Os argumentos desenvolvidos nesse sentido são centrais para a pergunta elencada nesse
texto. Orser afirma que o registro escrito é por natureza seletivo. Ele envolve tanto um saber
específico, a escrita, quanto o que é escrito e o que será preservado. Em geral, principalmente para
períodos mais recuados, a imensa maioria do registro escrito se trata de uma produção documental
relacionada a grupos ligados ao poder governamental e/ou de grande influência. Não só isso, como
também os assuntos a serem tratados se limitam ao que é necessário de se preservar e comunicar.
Por essas qualidades, a escrita não só é limitada no sentido de quem a reproduz, como
também dos discursos elencados nos documentos, constituindo-se em uma ferramenta por
excelência da agencia de poderes sociais estabelecidos, justificando medidas e fortalecendo um
passado “oficial” (Orser, 1996)
Tem-se buscado mostrar que ela (a
cultura material) não é uma simples
serva ou auxiliar da documentação
escrita e da ciência da História, pois a
cultura material pode não só
complementar as
informações textuais, como fornecer
informações de outra forma não
disponíveis e até mesmo confrontar-se às
fontes escritas (Davies 1988:21; Small
1995:15; Kepacs 1997: 193).

Nas últimas duas décadas, preocupados com a análise da sociedade, os arqueólog@s


históricos, cada vez mais, focalizado sua atenção nos mecanismos de dominação e resistência e, em
particular, nas características materiais do capitalismo (ORSER, Chaerles. Historical Archaeology
of the Modern World: 1996). Diferentemente, o registro arqueológico apresenta uma dimensão
distinta, a produção material das sociedades, uma forma de registro que apesar de também sofrer
seus graus de controle nas formas de preservação e rememoração, atinge um espectro mais amplo
da sociedade. Ao escapar pelas frestas do discurso hegemônico, os vestígios materiais permitem um
olhar sobre pontos mudos e contraditórios não abrangidos pelo discurso escrito, permitindo não só
enfoque em grupos subalternos e processos de dominação, como também aspectos cotidianos e não
registrados das sociedades como um todo (Johnson, 1996).

(...) é a política de classes a responsável pela


omissão de imigrantes, crianças, mulheres,
escravos e Afro-americanos livres, nos modelos
de comportamento social que são criados a
partir das narrativas históricas. Essas políticas
suprimem, não apenas, os próprios explorados,
como suas histórias, deixando a arqueologia
histórica como seu meio para que sejam
ouvidos”. (Mark, Leone, An historical
archaeology of capitalism, Blackwell, 1995).

Concluindo, a Arqueologia Histórica, da contemporaneidade e da super modernidade não


são apenas complementos da História ou dos documentos escritos devido a sua própria
especificidade: contribuir com a dimensão material da vida humana para o estudo de sociedades
passadas. Essa contribuição não só permite um olhar diferenciado, como também suscita e reforça
um debate necessário dentro da formação de identidades e memórias coletivas, permitindo a
construção de discursos divergentes e empoderando e visibilizando grupos subalternos.

Referências:
Deetz, J. 1977. In Small Things Forgotten. The archaeology of early american life.
New York: Achor Press/Doubleday
Johnson, M.H. 1996. An Archaeology of Capitalism. London, Blackwell.
Leone, M.P. 1995. A historical archaeology of capitalism, Blackwell.
Orser, C.E. 1996. A Historical Archaeology of the Modern World. New York, Plenum.
COSTA, D.M. 2013. Algumas abordagens teóricas na arqueologia histórica
brasileira