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(Publicado no jornal O DIA em 28.05.

2019)
Coluna: PIAUÍ PRESENTE
PIAUÍ 2017: “EM SE PLANTANDO, TUDO DÁ”
Ou: Agricultura Familiar e Agronegócio acertando o (com)passo

Antonio José Medeiros


Sociólogo, professor aposentado da UFPI

O que os piauienses estão plantando em sua “terra querida, filha do sol do


equador”? Com a palavra o IBGE.
Se lemos conjuntamente os dados do Censo Agropecuário (Censo) e da Produção
Agrícola Anual: Lavouras Permanente e Temporária (PAA), ambos de 2017, podemos ter
uma boa visão do (com)passo da agricultura no Piauí, considerando para cada produto:
a) o número de estabelecimentos produtores, b) os hectares plantados, c) a quantidade
produzida e d) o valor da produção adicionado ao PIB.
Do total de 9.996.869 hectares utilizados pelos 245.623 estabelecimentos, 1,66%
(166.118 hectares) são utilizados para lavouras permanentes e 14,32% (1.429.991
hectares) para lavouras temporárias. Para termos um parâmetro de comparação: no
Paraná, dos 14.736.374 hectares utilizados pela agropecuária, 1,40% são utilizados para
lavouras permanentes e 42,03% para lavouras temporárias. O grande diferencial,
portanto, é a produção agrícola temporária.
Dos 40 produtos da lavoura permanente listados pelo IBGE, o Piauí produz 24; e
dos 32 produtos da lavoura temporária, o Piauí produz 16.
Nas lavouras permanentes, a quantidade produzida total é de 168.597
toneladas e o valor adicionado ao PIB é de R$ 131.970.000,00 em 2017.
Os destaques são: a castanha de caju com R$ 57.998.000,00 de valor da
produção, ocupando 76.376 hectares em 12.059 estabelecimentos; e a banana com R$
50.457.000,00, produzindo 23.849 toneladas em 1.857 hectares de 1.166
estabelecimentos. Representam 87,13% do volume e 79,02% do valor da produção.
O coco-da-baía (da praia, como chamamos) contribui com 10 milhões de frutos
e R$ 9 milhões, cultivado em 635 hectares de 214 estabelecimentos. A manga contribui
com 555 toneladas e R$ 4,6 milhões, cultivada em 530 hectares de 172
estabelecimentos. A goiaba com 1,3 toneladas e R$ 3,4 milhões, cultivada em 147
hectares de 51 estabelecimentos. E a laranja com 296l toneladas e R$ 1,6 milhões,
cultivada em 213 hectares de 97 estabelecimentos.
Como se pode observar, exceto o caju, todos os outros produtos são cultivados
em pouquíssimos estabelecimentos, pois o Censo só considera os que cultivam pelo
menos 50 pés.
Os demais produtos, cada um isoladamente, não chegam a 500 toneladas em
volume e a R$ 1 milhão e não utilizam 100 hectares de terra e não envolvem 50
estabelecimentos. Estamos falando de quantidades e valores anuais. Produção física e
e contribuição ao PIB, relativamente pequenas, portanto.
A produção de uva, por exemplo, é ainda pequena: 240 toneladas em 10
hectares, mas revela uma grande produtividade e adição de valor; contribui com R$ 960
mil, já acima de maracujá, mamão, limão e tangerina.
Nas lavouras temporárias, a quantidade produzida total é de 4.874.115
toneladas, num valor de R$ 3.797.067.000,00, utilizando 1.516.479 hectares.
Os grandes destaques são: a soja que responde por 59,48% da produção
(1.988.17 toneladas) e 41,44% do valor adicionado ao PIB (R$ 2.199.299.000,00); e o
milho, que responde por 29,53% da produção (1.439.469 toneladas) e 21,90% (R$
809.958.000,00) do valor adicionado.
Mas, apenas 275 dos 245.000 estabelecimentos cultivam soja; uma produção
muito concentrada territorial e economicamente. O milho é produzido em 131.196
(53,4%) estabelecimentos, mas o valor da produção está concentrado 79% em 10
municípios.
A cana de açúcar ocupa o 3º lugar em quantidade produzida (829.102 toneladas)
e 4º lugar em valor da produção (R$ 809.950 milhões), mas é produzida em apenas 1.787
estabelecimentos e o valor da produção está concentrada em três municípios.
O feijão continua sendo produzido em um grande número de estabelecimentos,
156.670 (63,6%), mas ocupa o 9º lugar em valor da produção (R$ 23.761.000,00).
O arroz em 2017 só era produzido em 37.352 estabelecimentos e com R$
97.132.000, 00 de valor da produção e a mandioca em 21.614 estabelecimentos e com
R$ 91.13223.000,00 de valor da produção. Merecem registro ainda o melão (1.983
estabelecimentos e R$ 69.977.000,00 de valor da produção e a melancia (20.695
estabelecimentos e R$ 30.935.000,00 no valor da produção). Os demais produtos não
chegam a R$ 1.000.000,00 no valor anual de sua produção.
Duas características se destacam. Em primeiro lugar, os produtos tradicionais da
agricultura familiar – arroz, feijão, milho, mandioca – exceto o feijão e o milho, estão
sendo produzidos em um número relativamente pequeno de estabelecimento; ou o
volume da produção, em especial no caso do milho, se concentra na mão de grandes
produtores.
Em segundo lugar, a contribuição da agricultura ao valor adicionado ao PIB é
extremamente concentrado em dois produtos: soja e milho. O que aponta para a baixa
produção e produtividade da agricultura familiar, embora seja bom lembrar que parte
desta produção não é captada no cálculo do PIB, no caso de autoconsumo.
E o uso de tecnologia e financiamento? Veremos no próximo artigo.