Sei sulla pagina 1di 492

© 1984 Living Stream Ministry

Edição para a Língua Portuguesa


© 1988 Editora Árvore da Vida

Título do original em inglês:


Life-Study of Genesis

ISBN 85-7304-217-6

3ª Edição — Março/2005 — 5.000 exemplares

Traduzido e publicado com a devida autorização do Living Stream Ministry e todos os


direitos reservados para a língua portuguesa pela Editora Árvore da Vida.

Editora Árvore da Vida


Rua Gravi, 71 — Saúde — CEP 04143-050
Tel.: (11) 5071-8879 — São Paulo — SP — Brasil
Home Page: http://wwvv.arvoredavida.org.br
E-mail: editora@arvoredavida.org.br

Impresso no Brasil

As citações bíblicas são da Versão Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida, 2 a


Edição, e Versão Restauração (Evangelhos), salvo quando indicado pelas abreviações:
BJ— Bíblia de Jerusalém
lit. — tradução literal do original grego ou hebraico
IBB-Rev. — Imprensa Bíblica Brasileira, versão Revisada
KJV – King James Version
NVI — Nova Versão Internacional
TB — Tradução Brasileira
VRC — Versão Revista e Corrigida de Almeida
MENSAGEM CINQÜENTA E OITO

VIVENDO EM COMUNHÃO COM DEUS (9)

APRESENTAR ISAQUE EM OFERTA (2)


Na última mensagem vimos como Abraão
ofereceu seu filho Isaque de acordo com a exigência
de Deus. O relato em Gênesis 22 não somente é uma
história importante, mas também tem um significado
subentendido, porque é um retrato expressivo de
Cristo em vários aspectos. Embora não possamos
encontrar o título de Cristo nem o nome de Jesus
neste capítulo, muitos aspectos de Sua pessoa são
representados de maneira subentendida. Nesta
mensagem, precisamos ver os aspectos de Cristo
descritos neste capítulo.

(c) Isaque Tipifica Cristo


Isaque tipificava Cristo. Vimos que Abraão
respondeu ao chamado divino, indo ao monte Moriá
e oferecendo Isaque. Isso é história. Todavia, se
observarmos essa questão sob o ponto de vista da
revelação de Deus, veremos que o que Abraão fez
com Isaque é uma figura expressiva daquilo que o Pai
fez com Seu Filho amado. Na viagem ao monte Moriá,
dois jovens servos os acompanhavam. No terceiro dia,
Abraão pôs os dois servos de lado, dizendo: “Eu e o
rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos
para junto de vós” (22:5). Desse ponto em diante, o
relato foi diferente. Já não era mais uma história de
quatro pessoas: o pai, o filho e os dois servos. Era
agora um relato de Abraão e seu filho Isaque.
Tomando a lenha para a oferta queimada, Abraão
colocou-a sobre Isaque, que a carregou até o topo do
monte Moriá. Compare isso com João 19:17, que diz:
“Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio,
carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado
Calvário, Gólgota em hebraico”. Isaque trilhou, a
caminho do monte Moriá, a mesma vereda que o
Senhor Jesus mais tarde trilhou a caminho do
Gólgota. Antes de Cristo carregar a cruz e andar até o
Calvário, o Gólgota, Isaque carregara a lenha para a
oferta queimada e trilhara o mesmo caminho. E
Jesus foi crucificado na mesma montanha em que
Isaque fora colocado sobre o altar. Assim, vemos que
Abraão foi um tipo do Pai, e Isaque-com a lenha
sobre si -foi um tipo do Unigênito Filho de Deus.
Isaque foi levado como um cordeiro para o altar.
Jesus também “como cordeiro foi levado ao
matadouro” (Is 53:7).
Enquanto subiam ao monte Moriá, Isaque disse:
“Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o
holocausto?” (22:7). Abraão respondeu: “Deus
proverá para si, meu filho, o cordeiro para o
holocausto” (22:8). Aqui vemos que o filho teve
comunhão com o pai. Você não crê que, enquanto
carregava a cruz a caminho do Calvário, Jesus teve
comunhão com o Pai? E não crê que o Pai conversou
com Seu Filho? Eu creio. Se disser que a Bíblia não
registra isso, direi que Gênesis 22 nos fala assim.
Precisamos ter a visão acrescida de um ouvido atento,
a fim de ouvirmos a conversa celestial a caminho do
monte Moriá. Abraão e Isaque prefiguraram o Pai e o
Filho, e sua comunhão a caminho do monte Moriá foi
uma figura expressiva a descrever como Jesus, o
Filho, teve comunhão com o Pai enquanto carregava
a cruz na subida ao Calvário. Embora não tenhamos
uma explicação clara, com palavras evidentes a esse
respeito no Novo Testamento, temos, na verdade, a
figura no Antigo Testamento; e uma figura é melhor
do que mil palavras. A figura de Gênesis 22 retrata
algo que as palavras não podem explicar. Embora os
escritores do Novo Testamento não descrevam a
amorosa comunhão entre o Pai e o Filho a caminho
do Calvário, isso está claramente descrito na figura
de Gênesis 22. Como precisamos enxergar essa figura.
Conforme veremos, quase todo item relacionado com
o tipo em Gênesis 22 é visto em João 19.
Vamos considerar agora alguns pormenores de
Isaque como um tipo de Cristo. Isaque era o único
filho de Abraão (22:2, 12, 16). Isso tipifica Cristo
como o único Filho de Deus (103:16). Isaque era o
filho amado de Abraão (22:2) e Cristo era o Filho
amado do Pai, em quem Ele se comprazia (Mt 3:17).
Em 22:5, vemos que Isaque escolheu a vontade de
seu pai, e, em Mateus 26:39, notamos que Cristo
escolheu a vontade do Pai. Na figura em Gênesis 22,
observamos que Isaque, um homem crescido, foi
obediente até à morte (22:9-10). De acordo com o
registro deste capítulo, na questão de oferecer Isaque,
nem este nem a esposa Sara foram consultados por
Abraão. Simplesmente tomou seu filho, colocou
lenha sobre ele, levou-o até ao monte, amarrou-o e
deitou-o sobre o altar. Não lhe deu oportunidade
para dizer coisa alguma. Contudo, Isaque aceitou-lhe
a vontade e foi obediente até à morte. De semelhante
modo, quando estava para morrer, o Senhor Jesus
disse: “Não seja como eu quero, e, sim, como tu
queres” (Mt 26:39). Em Filipenses 2:8, lemos que
Cristo foi obediente até à morte. Observe novamente
a figura: Isaque foi obediente até o altar. Não
somente seguiu o pai até ao pé do monte, mas
também lhe obedeceu, levando a lenha e sendo
amarrado. Não resistiu. Mesmo quando o pai o
deitou sobre o altar, tomou o cutelo e estendeu a mão
para matá-lo, não se rebelou. Foi obediente até à
morte. Se considerarmos todos esses aspectos de
Isaque como um tipo de Cristo, conforme está
retratado no Antigo Testamento, veremos que foram
soberanamente organizados, ajustando-se
perfeitamente à palavra clara da revelação do Novo
Testamento.
Aos olhos de Deus, Isaque estava morto.
Exatamente quando Abraão estava para matar seu
filho, o Anjo do Senhor interveio do céu, dizendo-lhe:
“Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhe faças”.
O Anjo do Senhor aqui é, na verdade, o próprio Deus.
Isso está provado pelo versículo 12, onde o Anjo do
Senhor disse a Abraão: “Pois agora sei que temes a
Deus, porquanto não me negaste o filho, teu único
filho”. “Me” aqui é o próprio Deus. Veja que o Anjo
do Senhor não disse “Lhe”, mas “Me”. Abraão, o pai,
levou seu filho à morte, mas o Anjo do Senhor o
ressuscitou dos mortos. De semelhante modo, Atos
2:24 diz que Deus ressuscitou Cristo de entre os
mortos.

(d) Isaque Substituído por um Carneiro


Isaque foi substituído por um carneiro, isto é,
por um cordeiro. Gênesis 22:13 diz: “Tendo Abraão
erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso
pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o
carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu
filho”. Vemos aqui que o filho não foi morto, mas o
carneiro, o cordeiro. Quem foi morto na cruz: o Filho
de Deus ou o Cordeiro de Deus? O Cordeiro de Deus
é que foi morto. Cristo é o Filho de Deus, mas ao ser
morto na cruz, foi substituído pelo Cordeiro de Deus.
João 1:14, falando do Filho de Deus, diz: “Vimos a
sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Mas
João 1 :29 diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo! “ Aqui vemos que o Filho de Deus
foi substituído pelo Cordeiro de Deus. O Cordeiro de
Deus – não o Filho de Deus – foi crucificado. Na
crucificação, o Filho foi substituído por um carneiro.
Em 22:8, Abraão profetizou que Deus proveria
um cordeiro para o holocausto. O Cordeiro eterno foi
designado por Deus desde a eternidade (1Pe 1:19-20).
Em 22:13, vemos “um carneiro preso pelos chifres
entre os arbustos”. Na Bíblia, chifres representam
poder de luta. Cristo tem o poder de luta, mas ficou
preso entre os arbustos. Estes representam a
humanidade. Somos os arbustos, e Cristo, o Cordeiro
de Deus, ficou enredado em nós e não pôde escapar.
Foi preso por Sua natureza humana, de modo que
pudesse ser oferecido como nosso substituto. Cristo,
como o Cordeiro de Deus, estava disposto a ter Seus
chifres presos pela humanidade. Ao vermos esse
quadro claro, precisamos dizer: “Senhor, obrigado.
Tu estiveste disposto a ficar enredado por nós”.
O Filho de Deus foi substituído na cruz pelo
Cordeiro de Deus. Num sentido positivo, divino, o
Filho de Deus jamais foi crucificado. O Cordeiro de
Deus, sim, foi crucificado. Ninguém poderia
crucificar o Filho de Deus. Louvemo-Lo porque
esteve disposto a ser um pequeno cordeiro,
colocando Seus chifres entre os seres humanos e
ficando enredado por nós. Assim, observamos que
não somente este Filho de Deus se tornou o Cordeiro
de Deus, mas também foi substituído pelo Cordeiro
de Deus. Embora não tenhamos tal figura no Novo
Testamento, vemo-la no Antigo Testamento. Ao lado
das palavras claras dos quatro Evangelhos
precisamos das figuras do Antigo Testamento.

1) Provido por Jeová-jiré


O carneiro que substituiu o filho no altar foi
provido por Jeová-jiré (22:14). O título “Jeová-jiré”
tem dois significados: “Jeová proverá” e “Jeová verá”.
Não há somente uma provisão, mas também uma
visão. Dentro da provisão temos a visão. Observe a
cruz: quanta provisão e quanta visão temos nela.
Posso testificar que, na cruz, recebi tanto a provisão
quanto a visão. Antes da cruz, era carente, mas na
cruz, obtive a provisão divina. Antes da cruz estava
cego, não tinha visão; mas na cruz, pela provisão,
pude ver. Minha visão agora está tão clara. Não
somente fui provido, mas também iluminado.
Mesmo muitos dos jovens podem testificar que, antes
de irem à cruz, eram pobres e cegos. Mas um dia,
foram à cruz e encontraram a provisão e a visão.
Possa o Espírito de sabedoria ajudar-nos a perceber a
profundidade do significado que há no fato de o Filho
de Deus ter sido substituído pelo Cordeiro de Deus,
cujos chifres ficaram presos pela humanidade.

2) Prefigurou Cristo como Nosso Substituto


O Cordeiro de Deus, que substituiu o Filho de
Deus, foi o nosso substituto (1 Pe 3:18). Assim como
o carneiro foi morto em lugar de Isaque, também o
Cordeiro de Deus sofreu a crucificação por nós.
Quando menino, ouvindo a pregação do evangelho,
fiquei sabendo que Cristo sofreu a morte em nosso
benefício, mas não pude compreendê-la
completamente. Somente ao ver a clara figura de
Gênesis 22 é que fui capaz de compreender como
Cristo foi nosso substituto. O carneiro foi morto em
lugar de Isaque. Essa é uma figura a mostrar que
Cristo, o Cordeiro de Deus, foi morto na cruz por nós.
Todos deveríamos ter ido à cruz, mas o Senhor nos
substituiu pelo Cordeiro de Deus. A isso todos
devemos dizer: “Louvado seja o Senhor! O Cordeiro
de Deus, que é o Filho de Deus, foi o nosso
substituto”.
Ao fazer-se nosso substituto, o Cordeiro de Deus
tornou-se grande e significativo. Em Apocalipse, o
único título de Cristo é “o Cordeiro”. Em Apocalipse
5:5, ao ver o rolo que ninguém no céu ou na terra era
digno de abrir, o apóstolo João chorou. Então um dos
anciãos lhe disse: “Não chores: eis que o Leão da
tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o
livro e os seus sete selos”. Imediatamente após, João
viu o Cordeiro: “Então vi, no meio do trono e dos
quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um
Cordeiro”. Em Gênesis 22, observamos a semente
daquele Cordeiro. Essa semente cresceu em João
1 :29 e foi colhida no livro de Apocalipse. Por fim, o
trono de Deus torna-se o trono de Deus e do Cordeiro,
do qual procede o rio da água da vida com a árvore
da vida crescendo às suas margens (Ap 22:1-2). Tudo
isso prova que a Bíblia não é um livro feito pelo
homem. É certamente a revelação divina. Que figura
de Cristo é revelada em Gênesis 22!

(e) Abraão Abençoado por Deus


1) Com a Descendência Multiplicada
Abraão foi abençoado por Deus. Essa bênção não
se refere a coisas materiais. Muitos de nós tivemos a
impressão errônea no passado, pensando que a
aquisição de um bom emprego ou receber benefícios
materiais significassem bênçãos do Senhor. Já nos
disseram que contássemos as nossas bênçãos uma
por uma, verificando coisas tais como nossa posição,
promoção, esposa, casa e filhos. Embora não diga
que tais coisas não sejam bênçãos, digo que não são
bênçãos de ouro, mas bênçãos de barro. Em Gênesis
22, Deus não abençoou Abraão dessa maneira. Pelo
contrário, abençoou-o com a descendência
multiplicada, dizendo: “Deveras te abençoarei e
certamente multiplicarei a tua descendência como as
estrelas dos céus e como a areia na praia do mar”
(22:17). Não me importa a bênção material, importa-
me a multiplicação. Gostaria, primeiramente, de ver
cinqüenta igrejas neste país, depois cem, e então mil.
Também gostaria de ver, deste país, a multiplicação
se propagando para a África, Australásia, Europa e,
até mesmo, de volta a Jerusalém. Essa é a bênção que
eu quero ver.
Abraão foi abençoado com dois tipos de pessoas:
um comparado às estrelas dos céus (22:17; 15:5) ;
outro, à areia da praia (22:17) , que também se
assemelha ao pó da terra (13:16). Se você observar a
história e as profecias relativas aos descendentes de
Abraão, verá que eles são de duas categorias: uma
celestial e outra terrena. Nós, os cristãos, somos as
estrelas, os descendentes celestiais de Abraão; os
judeus genuínos, o povo terreno de Deus, são a areia,
o pó. Posteriormente, os judeus serão os sacerdotes
de Deus na terra e ensinarão todas as nações. Isso
está profetizado claramente em Zacarias 8:20-23.
Por que os judeus são descritos ora como areia, ora
como pó? O mar representa o mundo corrompido por
Satanás, e o pó vem da terra criada por Deus. Os
judeus foram restaurados para a criação de Deus. Daí
serem representados pela areia, que é o pó à beira-
mar. Embora sejam pessoas terrenas, não são o pó
sob o mar, mas o pó, a areia, na praia. Foram
separados do mar corrupto, do mundo corrompido
de Satanás. Entretanto, as estrelas não somente são
separadas do mundo corrompido, como também são
celestiais.
De acordo com Apocalipse 20:8-9, no fim do
milênio, Gogue e Magogue lutarão contra o
acampamento dos santos e contra a cidade amada. O
acampamento dos santos é o acampamento de todas
as estrelas celestiais; a cidade amada, Jerusalém, é a
cidade da areia separada. As duas categorias dos
descendentes de Abraão – que naquele tempo
estarão cuidando dos interesses de Deus no universo-
serão atacadas por Gogue e Magogue sob a instigação
de Satanás. Será a última guerra do universo, uma
guerra entre o povo do diabo e os descendentes de
Abraão.
A estrela é semeada como uma semente em
Gênesis 22 e será colhida em Apocalipse 20 e 21. A
Nova Jerusalém é composta pelas doze tribos de
Israel, que representam os santos do Antigo
Testamento, mais os doze apóstolos, que
representam os crentes do Novo Testamento. Os
representados pelos apóstolos são as estrelas
celestiais, e os representados pelas doze tribos são a
areia da praia. Esses dois povos, posteriormente,
serão edificados juntos na Nova Jerusalém eterna,
que será a consumação final e máxima da
descendência de Abraão. Essa é a bênção de Deus
para Abraão.
Depois de vermos isso, precisamos dizer:
“Louvado seja o Senhor; a bênção de Deus não é uma
boa casa, carro, títulos, promoção, esposa ou filhos. É
a multiplicação dos santos na restauração de Deus e a
multiplicação das igrejas”. Espero que, um dia, uma
parte da Nova Jerusalém seja a nossa multiplicação
como bênção de Deus para nós. Naquele tempo,
todos os carros e casas terão desaparecido. Somente
a multiplicação na bênção de Deus permanecerá para
sempre. Veremos a bênção da multiplicação de Deus
na Nova Jerusalém pela eternidade.
Aqui, em Gênesis 22, vemos um princípio básico,
isto é: tudo o que Deus nos dá será multiplicado. Deu
um Isaque a Abraão, e este Lho ofereceu de volta.
Então, este único Isaque foi multiplicado em estrelas
e areia sem conta. Se não o oferecesse de volta a Deus,
talvez Abraão tivesse somente um Isaque. Mas sendo
oferecido de volta a Deus, Isaque foi multiplicado na
Nova Jerusalém. Essa é a maneira de ter o dom de
Deus multiplicado em nós: oferecer-Lhe de volta
aquilo que Ele nos deu.

2) Com Cristo Como Seu Único Descendente


A bênção de Deus a Abraão posteriormente
resulta em Cristo como o único descendente, em
quem todas as nações da terra serão abençoadas
(22:18; GI3:16). Em Gálatas 3:16, Paulo fala de um
único descendente-Cristo. Todos estamos incluídos
neste único descendente. Não estamos todos em
Cristo? Você conhece o verdadeiro significado da
pequena expressão “em Cristo”? Ela é usada muitas
vezes no Novo Testamento. Em Cristo fomos
justificados. Em Cristo somos santificados. Em Cristo
temos a filiação. Tudo o que nos diz respeito está em
Cristo. Aleluia! estamos em Cristo! Somos, na
verdade, uma parte de Cristo. Por fim, todas as
estrelas celestiais mais a areia terrena estarão em
Cristo. Como já enfatizamos no passado, a Nova
Jerusalém será um Cristo grande, corporativo. Nos
quatro Evangelhos temos o Cristo individual, mas no
fim de Apocalipse temos o Cristo corporativo,
incluindo todos os verdadeiros crentes.
Neste único descendente, Cristo, todas as nações
da terra serão abençoadas. Será que os Estados
Unidos, a Alemanha, o Japão, a China e a Grã-
Bretanha não foram abençoados? Essa é a bênção de
Deus. Que todos possamos esperar que a bênção a ser
recebida de Deus por nós será a multiplicação a
resultar em Cristo, o único descendente. A
multiplicação, que se espalhará pela Europa, África e
por toda a terra, deve ser simplesmente Cristo. Todas
as igrejas na terra serão tão-somente a multiplicação
de Cristo.

(f) Cristo Revelado de Três Maneiras


Em Gênesis 22, Cristo é revelado de três
maneiras: como o Anjo do Senhor (22:11-12, 15-18;
Êx 3:2-6) , como o carneiro (ou cordeiro) (22:13; Jo
1:29) e como o descendente de Abraão (22:18;
GI3:16). Quando Abraão estendeu a mão para matar
Isaque, o Anjo do Senhor o impediu. Viu, então, um
carneiro e matou-o, oferecendo-o em lugar do filho.
Depois disso, tomou-se uma bênção em
multiplicação. Tal multiplicação resulta em Cristo
como o único descendente. Vemos aqui o Anjo do
Senhor detendo, o carneiro substituindo e o
descendente trazendo a bênção. Todos os três são
Cristo. Isso é muito misterioso pelo fato de Cristo ser
tudo. Cristo foi Aquele que impediu Abraão de matar
seu filho. Tomou-se então, imediatamente após, o
carneiro preso nos arbustos para substituir o filho.
Depois da crucificação, tomou-se seu único
descendente na bênção de Deus. O Anjo do Senhor,
que era Cristo, providenciou o carneiro, um tipo de
Cristo que, por fim, resultou no descendente, que
também é Cristo. Cristo é tudo. Não temos um Cristo
pequeno, limitado. Temos um Cristo grande e
ilimitado, que é tudo. Louvado seja o Senhor!
MENSAGEM CINQÜENTA E NOVE

VIVENDO EM COMUNHÃO COM DEUS (10)

(9) A MORTE E O SEPULTAMENTO DE SARA


Nesta mensagem, chegamos a Gênesis 23,
capítulo que registra a morte e o sepultamento de
Sara. Quando jovem, não conseguia enxergar por que
este capítulo se incluía no livro de Gênesis. Não podia
entender por que, tendo Abraão feito tão grandes
coisas que não estão registradas, vinte versículos
foram usados para descrever como despendeu seu
tempo, energia, dinheiro e até mesmo sua polidez
para adquirir um sepulcro. Mas a Bíblia não
desperdiça quaisquer palavras. Já que toda palavra
da Bíblia é o sopro de Deus, o capítulo 23 deve ser
muito significativo. Se considerarmos Gênesis 1 e 2
significativos, precisamos considerar também
importante o capítulo 23. Todo cristão aprecia
Gênesis 1 porque nos oferece um registro da criação
de Deus. Apreciamos Gênesis 1 não simplesmente
como um registro de criação, mas também como um
registro de vida. Fala-nos da imagem e do domínio de
Deus relacionados com o homem criado por Ele.
Apreciamos também Gênesis 2 porque nos fala da
árvore da vida. Entretanto, poucos de nós apreciam
um sepulcro. Contudo, Gênesis 23 está focalizado na
questão do sepulcro e nos fornece um relato
pormenorizado da compra de um túmulo. Mais
detalhes estão incluídos neste trecho do que em
qualquer outro registro do livro de Gênesis.
Enquanto todos os outros registros são bem breves,
este proporciona um relato claro e completo de onde
estava localizado o sepulcro, quem o possuía, como
foi comprado e a quantia que Abraão pagou por ele.
Esse sepulcro é mencionado de maneira muito
marcante, pois lemos que não somente Sara, mas
também Abraão, Isaque, Rebeca, Jacó e Lia foram
enterrados lá. É muito significativo que os nomes de
Abraão, Isaque e Jacó sejam os componentes do
título divino de Deus, que é o Deus da ressurreição
(Mt 22:32).
Gênesis 23 é uma janela através da qual
podemos ver a Nova Jerusalém. A Nova Jerusalém
não é encontrada neste capítulo, mas pode ser vista
por meio dele. Este trecho é como um telescópio: por
ele podemos ver o tabernáculo eterno, que está bem
longe, no futuro.
Gênesis 21 oferece-nos o registro do nascimento
de Isaque. Certamente, isso foi digno de menção. Em
seguida, no mesmo capítulo, lemos que Abraão
redimiu um poço, plantou uma tamargueira e
invocou o nome de Jeová, EI Olam. Como vimos, no
capítulo 22 temos a oferta de Isaque. Depois, no
capítulo 23, temos a morte e o sepultamento de Sara.
Esses três capítulos abrangem, pelo menos, trinta e
sete anos. Embora várias coisas devam ter ocorrido
com Abraão nesses trinta e sete anos, somente quatro
delas são mencionadas: o nascimento de Isaque, o
viver em Berseba, a oferta de Isaque, e a morte e o
sepultamento de Sara. Esses três capítulos excluem
muitas coisas que, de acordo com o nosso conceito,
são importantes; mas incluem um registro
pormenorizado da morte e do sepultamento de Sara.
Por causa disso, precisamos atentar para Gênesis 23.

(a) Em Hebrom — o Lugar de Comunhão com


Deus
Ao final do capítulo 22, Abraão, Sara e Isaque
estavam habitando em Berseba, vivendo, sem dúvida,
perto do poço da aliança e da tamargueira. Isso era
uma miniatura da vida da igreja, pois esta sempre se
fixa junto a um poço de água viva e de uma
tamargueira. De repente, no início do capítulo 23,
somos informados da morte de Sara. Embora Abraão,
Sara e Isaque estivessem vivendo em Berseba, Sara
morreu e foi sepultada em Hebrom, no lugar de
comunhão com Deus. Sara prosseguiu de Berseba
para Hebrom. De semelhante modo, se o Senhor
adiar Sua volta, eu gostaria de viver na vida da igreja
e morrer em comunhão com Deus.
Observando-se um mapa, Hebrom está entre
Berseba (ao sul) e Jerusalém (ao norte). Está no
caminho de Berseba a Moriá, onde se localiza
Jerusalém. Se o Senhor tardar Sua volta, gostaria de
ser sepultado num lugar que esteja a caminho da
Nova Jerusalém. Onde você está vivendo hoje? Todos
precisamos responder que estamos vivendo em
Berseba, na igreja, junto ao poço de água viva e da
tamargueira. Nossa vida da igreja é a Berseba de hoje.
Antes de o Senhor voltar, alguns dos mais velhos
podem deixar Berseba-a vida da igreja-, morrer em
Hebrom e esperar lá pela Nova Jerusalém. Hebrom
não é somente um lugar de comunhão com Deus; é
também um caminho para Jerusalém. A caverna de
Macpela, em Hebrom, é a passagem para a Nova
Jerusalém. Talvez algum dia ouçamos Sara testificar:
“Quando entrei na caverna de Macpela, entrei pelo
portão que leva à Nova Jerusalém”. Sara não foi
simplesmente sepultada na caverna de Macpela; está
agora dormindo lá, aguardando o dia em que
despertará e se encontrará na Nova Jerusalém.

(b) A Morte Prematura de Sara


Sara morreu com a idade de cento e vinte e sete
anos (23:1-2). Embora esta possa parecer agora uma
idade avançada, era, naquela época, uma idade muito
prematura para se morrer. Abraão viveu cento e
setenta e cinco anos (25:7) , morrendo trinta e oito
anos depois da morte de Sara. Esta não deveria ter
morri do com tão pouca idade. Sua morte, trinta e
sete anos após o nascimento de Isaque (17:1, 17;
21:5) , foi anormal.

(c) O Sofrimento de Abraão


Abraão e Sara foram o melhor casal em todo o
universo. Realmente se amavam, jamais cogitando
em divórcio ou separação. Quando Abraão foi
privado de sua esposa, isso foi uma grande perda
tanto para ele quanto para Isaque. Isaque foi um
filho que amava a mãe, e ela, sem dúvida, amava-o
muito. Na idade de trinta e sete anos, ele ainda estava
solteiro e vivia com sua mãe. Ao casar-se com a idade
de quarenta anos (25:20) , a Bíblia até nos diz que
Isaque se casou na tenda de sua mãe (24:67). De
repente, rompeu-se o amor entre Abraão e Sara e
entre Sara e Isaque, porque Sara, a esposa e mãe,
fora levada por uma morte anormal. Por causa disso,
Abraão sofreu grandemente.
Se você ler a história de Abraão verá que Deus
estava sempre tirando as coisas dele. Ló separara-se
dele, Eliezer fora rejeitado, Ismael lançado fora e
Isaque oferecido a Deus no altar. E agora, sua
querida esposa era levada pela morte. Por que
provações e sofrimentos Abraão passou! De acordo
com nossa concepção natural, Abraão, alguém que
estava tão bem com Deus, não deveria ter sofrido
todas essas coisas. No capítulo 22, Isaque fora
oferecido a Deus e devolvido a Abraão em
ressurreição. Repentinamente, enquanto Abraão
desfrutava uma vida feliz com sua esposa Sara e seu
filho Isaque, Sara – o fator de sua felicidade – foi
levada. A felicidade nessa família dependia de Sara, a
esposa e a mãe. Ao morrer, a atmosfera, a vida e a
felicidade familiar foram todas levadas embora, e a
própria família se foi. Que sofrimento para Abraão!
Como chamados de Deus, não devemos esperar ter
uma vida feliz aqui na terra. Precisamos seguir os
passos de Abraão à procura de uma terra melhor, de
uma cidade com fundamentos (Hb 11:10, 16). Nossa
vida temporária na terra é a vida de um viajante. Por
essa causa, Abraão prestou pouca atenção ao seu
lugar de habitação e erigiu simplesmente uma tenda.
Foi um peregrino, um forasteiro à procura de um
lugar permanente de habitação.
Abraão viveu trinta e oito anos sem o auxílio de
Sara (25:7). Na Bíblia, o número trinta e oito é o
número dos sofrimentos, provações e testes. Os filhos
de Israel sofreram provações e testes no deserto por
um período de trinta e oito anos. Como vimos, Isaque
tinha quarenta anos ao se casar. Na Bíblia, o número
quarenta também representa provações, tentações e
testes. Ainda temos outro número neste capítulo –
quatrocentos – que é dez vezes quarenta. A primeira
vez que o número quatrocentos é usado na Bíblia é
em Gênesis 15:13, onde Abraão soube que seus
descendentes seriam afligidos por quatrocentos anos.
Aqui, em 23:16, lemos que Abraão comprou o
sepulcro pelo preço de quatrocentos sidos de prata,
tudo a indicar que isso foi um teste, uma provação,
um sofrimento.
Ao ler este capítulo no passado, talvez você não
tenha tido o sentimento de que Abraão estava
sofrendo. Mas atente para duas palavras usadas no
versículo 2: “lamentar” e “chorar”. Abraão lamentou
e chorou por causa de Sara, porque perdera sua
felicidade e sua vida familiar. As palavras hebraicas
traduzi das como “lamentar” e “chorar” indicam
muito mais do que somente lamento e choro. Abraão,
já em idade avançada, sofreu intensamente com a
perda de sua esposa, ficando profundamente ferido.
Seu grande sofrimento é demonstrado pelos números
trinta e oito, quarenta e quatrocentos.

(d) o Testemunho de Abraão


Abraão, que sofrera a perda de sua querida
esposa, teve um testemunho muito forte. Os heteus
dirigiram-se a ele como senhor e chamaram-no
“príncipe de Deus” (v. 6). As palavras hebraicas
traduzidas para “príncipe de Deus” podem também
significar “um príncipe poderoso”. Em hebraico, a
palavra usada para poderoso é a mesma usada para
Deus. Abraão expressou Deus como um príncipe de
Deus e fez-se respeitável como um príncipe poderoso.
Aos seus próprios olhos era um forasteiro; mas aos
olhos das pessoas era um poderoso príncipe de Deus.
Foi realmente um homem de peso.
Todos precisamos ter peso e manifestar o
mesmo tipo de testemunho expresso por Abraão. Na
nossa vizinhança, trabalho e escola, não devemos ser
leves nem permitir que os outros nos olhem com
desdém. Precisamos ter peso, e os outros devem ter-
nos em alta conta. Embora não devamos ter a nós
mesmos em alta conta, precisamos sê-lo aos olhos
dos outros. Espero que os professores de 10 Grau
digam que os irmãos jovens da igreja, seus alunos de
classe, são príncipes poderosos. Irmãos jovens, não
somente orem com ousadia nas reuniões. Vocês
também devem ter peso nas escolas. Ter
simplesmente bom comportamento não significa
muito. Precisamos ter peso. Ouro e diamante são
pesados, mas pipoca e algodão-doce são leves. Se
você for ouro ou diamante, terá peso. Como
chamados de Deus, nós, cristãos, devemos ser
pesados de tal modo que as pessoas fiquem surpresas
e digam: “Por que este jovem tem tanto peso? Ele
nem é comum nem anormal. Entretanto, embora seja
um jovem normal, nele não há leveza. Tem de ser um
príncipe!”
Temos peso porque temos Deus em nós. Os
chamados precisam invocar o nome de Jeová, EI
alam. Quanto mais Abraão invocava esse título do
Ser Divino, mais pesado se tornava. Deus é ouro. Se
O invocarmos, tornar-nos-emos ouro. Quanto mais
invocarmos o Deus de ouro, mais do Seu elemento
ouro será infundido em nosso ser. Veja a diferença
entre a madeira comum e a madeira petrificada. A
madeira comum é leve, mas a madeira petrificada é
pesada. É até mais pesada que a própria pedra,
porque minerais pesados foram sedimentados dentro
dela. Todos nascemos leves, mas renascemos para ser
pesados. Além do nosso renascimento, temos o
processo de transformação. A madeira se petrifica
mediante o fluir contínuo da água. Esse fluir de água
leva embora o elemento madeira e acrescenta em seu
lugar o elemento de vários minerais, tornando a
madeira uma pedra preciosa e pesada.
Não é suficiente sermos meramente bons
vizinhos. Precisamos ser filhos de Deus que têm peso.
Como Seus escolhidos, estamos agora sob Sua
infusão. Precisamos ser tão fortes e pesados que as
pessoas digam que somos um príncipe poderoso, um
príncipe de Deus.
Como um príncipe poderoso, Abraão era
respeitável (23:6). Respeitava os outros e recebia em
troca o seu respeito. Também era sábio (23:3-13).
Neste capítulo vemos que Abraão teve uma maneira
sábia de se comunicar com as pessoas, falando-lhes
de maneira inteligente e simpática. Além disso, foi
honesto e não tirou vantagem de ninguém (23:14-16).
Sua intenção era comprar o sepulcro. Quando este
educadamente lhe foi oferecido como presente,
Abraão, depois de saber que o seu valor era
quatrocentos siclos de prata, concordou em pagar
toda a quantia. Não agarrou a oportunidade para
tirar vantagem dos outros nem regateou o preço. Deu
a Efrom o preço pedido, pagando a quantia toda,
entregando todo o dinheiro. De semelhante modo
não devemos impressionar as pessoas com a nossa
mesquinhez, mas devemos mostrar-lhes nossas
riquezas. Esse é o nosso testemunho. Sinto-me mal
com o baixo nível de moralidade do cristianismo de
hoje. Como é pobre o padrão de comportamento
existente! Precisamos expressar Deus, mostrando
que nós, filhos de Deus, temos peso, respeito e
honestidade. Devemos estar prontos para sofrer
perdas, mas não para tirar vantagem dos outros. Se
perdemos ou ganhamos, isso nada significa. Como
precisamos aprender a ser honestos e respeitáveis,
expressando Deus de maneira pesada.

(e) Um Sepulcro à Escolha


O versículo 6 refere-se à “escolha” do sepulcro,
mencionando o melhor sepulcro. Quando estava na
terra, o Senhor Jesus não teve uma boa” habitação.
Mas depois de morrer, foi colocado num sepulcro
muito bom (Mt 27:57-60). Viveu num lar pobre, mas
foi sepultado num rico túmulo. Na Bíblia, isso é um
princípio. Não devemos viver numa boa casa, mas
devemos preparar a melhor sepultura. Abraão
atentou mais ao sepulcro do que à tenda. Gênesis não
diz uma palavra sobre o modo como Abraão levantou
sua tenda, quanto pagou por ela ou exatamente onde
a levantou. Armou sua tenda como alguém que
acampa nas montanhas por alguns dias. Como
verdadeiro campista, esteve acampado a vida inteira.
Não se importava muito com a tenda, mas ficou
muito preocupado com o sepulcro. Neste capítulo,
encontramos uma descrição completa, em
pormenores, da caverna de Macpela no campo de
Efrom. Nem mesmo a cidade de Jerusalém, no
Antigo Testamento, é descrita de maneira tão
minuciosa.
Vamos agora considerar o significado disso. À
luz do Novo Testamento, podemos ver que Abraão foi
chamado por Deus e percebeu que era um forasteiro,
um viandante, à procura de uma cidade permanente
e de uma pátria superior (Hb 11:9-10, 16). Enquanto
procurava essa pátria superior, sua querida esposa
morreu repentinamente. Mas ele não desistiu de sua
fé. Nem disse a Isaque: “Isaque, sua mãe e eu temos
procurado por uma cidade com fundamentos e por
uma pátria superior que Deus nos prometeu. Sempre
tivemos essa expectativa. Agora sua mãe está morta.
Como ela vai chegar lá? Que devemos fazer?
Provavelmente nosso Deus não é digno de confiança,
e talvez não devamos mais crer Nele”. Abraão não
falou dessa maneira. Quando examinamos o registro
de Hebreus, vemos que ele não ficou desapontado
nem perdeu sua fé. Pelo contrário, teve uma forte fé
no Deus de ressurreição, crendo que sua querida
esposa estaria naquela cidade e naquela pátria
superior. Essa fé implica ressurreição.
Gênesis 23 não é um capítulo relativo à
ressurreição; é um capítulo referente à porta para a
ressurreição. Em Gênesis 23, Sara não ingressou na
ressurreição, mas entrou pela porta. De acordo com a
percepção de Abraão, a morte de Sara foi a entrada
pela porta da ressurreição. Abraão não considerou
levianamente esse assunto. Embora pudesse ser um
pouco negligente quanto à própria tenda, não o foi
em relação ao sepulcro de sua esposa. Sua intenção,
ao comprar a caverna de Macpela, não foi somente
sepultar nela Sara, mas também a si mesmo lá. A
palavra Macpela, em hebraico, significa “duplo” ou
“dobro”. Todos os sepultados nesta caverna foram
parte de um casal: Abraão e Sara, Isaque e Rebeca,
Jacó e Lia (23:19; 25:9; 49:29-32; 50:13). Bem dentro
de si, Abraão estava cheio de expectativa de que,
algum dia, sua esposa estaria na cidade que tem
fundamentos. Isso implica ressurreição. Pouco antes
de sua morte, Jacó encarregou seus filhos de o
sepultarem na caverna de Macpela. Embora não
fosse fácil, nos tempos antigos, levar Jacó do Egito
para ser enterrado em Canaã, seus filhos fizeram isso
para ele (50:13). Com isso podemos perceber que,
estando para morrer, Jacó não considerou a morte
como um fim, mas como um estágio, como a porta
para uma pátria superior.
Abraão estava cheio de esperança quanto à
ressurreição. Até deve ter amado mais o corpo morto
de sua esposa do que a amara enquanto viva. Se
pudesse falar, Sara ter-lhe-ia dito: “Abraão, por que
você é tão bom para comigo depois de morta?
Quando estava viva, você nunca providenciou uma
boa tenda para mim. Agora que estou morta, você
paga tanto dinheiro para comprar uma caverna onde
sepultar-me? Por que comprou uma caverna com um
campo e árvores? Que está fazendo? “ Abraão então
lhe responderia: “Sara, você precisa perceber que não
está sendo sepultada aqui. Só vai descansar aqui.
Preparei-lhe o melhor quarto, onde pode descansar
enquanto espera por aquele dia. Se tal dia estiver
muito longe, eu virei para ser um com você e
descansaremos juntos. É por isso que comprei tanto
o campo como a caverna. Observe a vida no campo.
Não é um lugar de morte – é um lugar de vida”.
Na Bíblia, o campo representa o crescimento de
vida, isto é, a ressurreição. Isso continua sendo
verdade ainda hoje. Se você não crê na ressurreição,
peço-lhe que considere um campo de trigo. Não
muito depois de os grãos serem plantados,
ressuscitam novamente. Em 1936, eu pregava o
evangelho a um grupo de estudantes na Universidade
de Ching-Hua, na China. Uma noite, depois que
preguei, um jovem estudante veio a mim e, querendo
que lhe explicasse a questão da ressurreição, disse-
me: “Não tenho problemas com o cristianismo, mas
não consigo crer na ressurreição. Como podemos nós,
na era moderna, científica, crer numa coisa
supersticiosa como a ressurreição? Como pode uma
pessoa morta ser ressuscitada? E, mesmo assim, vejo
que esse é um dos principais ensinamentos da Bíblia”.
Eu lhe disse que isso era de fácil explicação. Através
da janela do quarto em que estávamos, podíamos ver
os campos de trigo. Eu disse: “Observe os campos de
trigo. Está vendo o trigo que cresce lá? Você não
consegue ver ressurreição nestes campos? A semente
é semeada no solo, morre e, posteriormente, o trigo
aparece. Isto é ressurreição”. Essa simples ilustração
convenceu-o, e ele foi salvo. Hoje é um dos
cooperadores líderes na ilha de Formosa.
Um campo crescendo simboliza ressurreição,
mas a madeira cortada representa morte. Abraão não
colocou Sara num lugar de morte, mas num lugar de
vida, num lugar pleno de ressurreição. A caverna
onde foi sepultada estava no extremo do campo
(23:9), e havia muitas árvores por perto (23:17).
Suponha que a caverna de Macpela fosse rodeada por
pilhas de madeira cortada. Toda vez que alguém
olhasse, imediatamente teria o sentimento de que era
um lugar de morte, um lugar de término. Mas a
caverna de Macpela não é um lugar de término, é um
lugar pleno da expectativa da ressurreição. Está no
caminho da ressurreição. Neste lugar, Sara poderia
dormir descansadamente enquanto esperava por
aquele dia vindouro. Se pudesse falar, talvez dissesse:
“Não estou esperando num lugar de morte. Estou
num lugar de vida. Veja o campo e as árvores. Algum
dia estarei em ressurreição”. Sua morte não
desapontou Abraão em sua busca por uma pátria
superior e por uma cidade com fundamentos. Pelo
contrário, estimulou sua expectativa quanto ao dia
vindouro. Por isso ele dedicou muita atenção e
despendeu grande soma em dinheiro a fim de
comprar o sepulcro para Sara, para si mesmo e para
os seus descendentes. Se tivermos a luz do Novo
Testamento, perceberemos que isso demonstra a
expectativa da ressurreição. Uma vez mais digo que o
sepulcro é um corredor, uma passagem para a cidade
tão esperada, a Nova Jerusalém. Aleluia! a caverna
de Macpela fica no caminho de Jerusalém!
Sabemos que Gênesis 23 indica a expectativa da
ressurreição porque o Senhor Jesus disse que o Deus
de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó não é o
Deus de mortos, mas de vivos (Mt 22:31-32). Aos
nossos olhos, Abraão, Isaque e Jacó estão mortos;
mas aos olhos de Deus, estão vivos.
O nosso antepassado, Abraão, chamado por
Deus, não se preocupava muito com o presente, mas
atentava para o futuro. O sepulcro escolhido era para
o futuro. Em princípio, nós também não deveríamos
providenciar uma casa melhor para o presente, mas
uma passagem para o futuro. Não estamos aqui pelo
hoje, mas pelo amanhã. Se o Senhor tardar Sua volta,
todos entraremos por essa porta. Não devemos dar
tanta atenção ao presente, mas sim ao futuro.
Devemos viver numa tenda, procurando a cidade que
tem fundamentos.
MENSAGEM SESSENTA

VIVENDO EM COMUNHÃO COM DEUS (11)

O CASAMENTO DE ISAQUE — UM VIVER


PRÁTICO EM UNIÃO COM O SENHOR
A Bíblia revela que o propósito eterno de Deus é
expressar-se por meio de um corpo coletivo, e que
esse propósito se cumpre pela vida divina. Se
quiséssemos sondar as profundezas do livro de
Gênesis, precisaríamos ver esses dois itens. Em
Gênesis 1 :26, vemos que o homem foi feito à imagem
de Deus. Não se fala aqui de um homem individual,
mas de um homem corporativo. Podemos dizer que
assim é a humanidade: um corpo coletivo com
capacidade para expressar a imagem de Deus. Em
Gênesis 2, notamos que, para o cumprimento do
propósito de Deus, precisamos ter a vida divina,
representada pela árvore da vida. Nesses dois
capítulos encontramos duas palavras cruciais –
imagem e vida. A imagem revela o propósito eterno
de Deus, e a vida desvenda a maneira de Deus
cumprir o Seu propósito. Jamais considere Gênesis
como um simples registro da criação de Deus
acrescido pela história de alguns patriarcas. Essa
maneira de ver é muito superficial. Ao mergulharmos
nas profundezas deste livro, percebemos que não é
simplesmente um registro de criação e de história,
mas uma revelação do propósito eterno de Deus e a
Sua maneira de cumpri-lo.

(10) O CASAMENTO DE ISAQUE


Com esses dois pontos em mente, vejamos agora
Gênesis 24. Todos os que lêem Gênesis pensam que
este capítulo trata do registro de um casamento.
Entretanto, o importante aqui não é o casamento,
mas o que o casamento indica, subentende e tipifica.
Quando estávamos em Gênesis 1 e 2, vimos que os
aludidos capítulos não são meramente um relato da
criação de Deus, mas um registro de vida. Tudo o que
neles se encontra está relacionado com a vida. Tudo o
que não se relaciona à vida está excluído. Se você os
ler cuidadosamente, verá que muitos aspectos da
criação de Deus são omitidos pelo fato de não
estarem relacionados com a vida. Partindo do mesmo
princípio, somente os aspectos da história de Abraão
relacionados com a vida estão registrados nos
capítulos 21-24.
O livro todo de Gênesis, com apenas cinqüenta
capítulos, compreende mais de dois mil e trezentos
anos, os primeiros vinte e três séculos da história
humana. Se Gênesis fosse um registro de história,
precisaria de centenas de capítulos para abranger
esse período. O fato de tão longo período ser tratado
em somente cinqüenta capítulos prova que Gênesis
não é um registro de história. Digo outra vez que,
embora aparentemente seja um registro de história,
Gênesis na verdade é um registro a mostrar o
propósito eterno de Deus e a maneira de cumpri-lo
pela vida. Tudo o que não se relaciona ao propósito
de Deus e ao seu cumprimento pela vida não está
registrado neste livro.
Os capítulos 21-24, que compreendem quarenta
anos (25:20) , mencionam cinco itens principais: o
nascimento de Isaque, seu crescimento, sua oferta
em holocausto, a morte e o sepultamento de Sara, e o
casamento de Isaque. Embora breve, esse registro é
muito significativo. Vemos, nesse trecho, um
nascimento e crescimento corretos. Tal nascimento e
crescimento produziram um holocausto para a
satisfação de Deus. Após o nascimento e o
crescimento no capítulo 21, temos o holocausto no
capítulo 22. Então, como já estudamos no capítulo 23,
deparamos com a morte de Sara e um relato
pormenorizado de seu sepultamento. A seguir, no
capítulo 24, há um casamento maravilhoso. Mas esse
capítulo não é simplesmente o registro de um
casamento: é um relato de profundo significado e
importância quanto à vida.

(a) Um Viver Prático em União com o Senhor


De acordo com a compreensão comum da
maioria dos cristãos, o ponto principal desse capítulo
está em Isaque, um tipo de Cristo como o Noivo, e
Rebeca, um tipo da igreja como a Noiva. Esse,
entretanto, não é o ponto principal. O ponto
primordial é o viver prático em união com o Senhor
para o cumprimento do Seu propósito. Não devemos
entender a Bíblia de acordo com o nosso
conhecimento ou tradição comum, mas precisamos
voltar à Palavra pura. Sempre que lermos qualquer
trecho das Escrituras, precisamos esquecer-nos de
tudo o que aprendemos no passado e devemos olhar
para o Senhor como algo novo. Há cinqüenta anos, li
Gênesis 24 cuidadosamente, dando o melhor de mim
para lembrar todos os pontos. Entretanto, ao chegar
agora a este capítulo, não me importo com o que tive
no passado. Gosto de chegar a este trecho da Palavra
como se o estivesse lendo pela primeira vez. Posso
testificar que recentemente vi algo novo nesse
capítulo.
Você já percebeu que, em Gênesis 24, podemos
observar um vi ver prático em união com o Senhor?
Como vimos, Deus tem um propósito, e o
cumprimento desse propósito se faz pela vida. Esses
são dois pontos governantes na compreensão da
Bíblia. Se quisermos entender Gênesis 24,
precisamos aplicar esses dois pontos governantes.
Por que Gênesis 24 nos oferece tal registro do
casamento de Isaque? Se lêssemos somente o
capítulo 24 não poderíamos ver o propósito desse
relato. Para responder essa pergunta, precisamos ler
os três capítulos anteriores. Gênesis 21:12 diz: “Por
Isaque será chamada a tua descendência”. Deus
chamou Abraão com um propósito. Para o
cumprimento desse propósito, Deus prometeu dar-
lhe a boa terra e mais o descendente que herdaria a
terra. O propósito eterno de Deus é expressar-se de
maneira corporativa. Para ter tal expressão
corporativa, Deus precisa ter um povo. Esse povo é o
descendente de Abraão. Além disso, para existir um
povo para expressá-Lo corporativamente, há a
necessidade da terra. Qual é então o objetivo do
casamento em Gênesis 24? É simplesmente
proporcionar a um homem solteiro uma vida feliz,
confortável? Não! Se você considerar a Bíblia como
um todo, verá que o casamento de Isaque foi
totalmente para o cumprimento do propósito eterno
de Deus. Sem o casamento, como poderia ele ter
gerado descendência? Se quisesse ter a descendência
para o cumprimento do propósito eterno de Deus,
esse homem solteiro deveria casar-se. Depois que
Abraão foi testado no capítulo 22, Deus lhe disse:
“Deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a
tua descendência como as estrelas dos céus e como a
areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a
cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas
as nações da terra” (22:17-18). Aqui também temos a
descendência para o cumprimento do propósito de
Deus. Assim, o casamento de Isaque nem foi comum
nem foi simplesmente para seu viver humano, mas
para o cumprimento do propósito eterno de Deus.

1) Abraão
O viver de Abraão foi um viver prático em união
com o Senhor. Abraão não teve repentinamente uma
visão na qual Deus lhe disse que tinha um elevado
propósito a executar na terra; que necessitava dele;
que Isaque precisava casar-se, a fim de que fosse
cumprido o Seu propósito. Não existe tal visão no
capítulo 24. Pelo contrário, o relato de Gênesis é
comum e humano. De acordo com esse registro, um
homem, já em idade avançada, teve um filho.
Quando o filho tinha trinta e sete anos, a esposa do
primeiro e não do segundo, morreu, e o esposo
sepultou-a de maneira bem significativa. Pai e filho,
ambos viúvo e solteiro, foram deixados sozinhos,
vivendo juntos naquela triste condição, durante três
anos. O filho deve ter dito: “Pai, onde está minha
mãe? “, e o pai deve ter replicado: “Filho, onde está a
tua esposa? “ O pai sentia-se responsável para cuidar
do seu filho. Talvez tenha dito: “Perdi minha esposa e
meu filho agora tem quarenta anos. Certamente esta
é a hora exata para ele se casar. Mas estamos
rodeados pelos cananeus, nenhum dos quais jamais
seria aceito por Deus”. Não há registro algum de que
Deus lhe tenha dito: “Abraão, deixe-Me encarregá-lo
de enviar alguém ao seu próprio país, a fim de
conseguir uma esposa para Isaque. Jamais lhe
permitirei tomar uma cananéia como esposa para seu
filho”. Embora não haja registro algum de que Deus
lho tenha dito, Abraão teve tal compreensão. De onde
o deduziu? Do seu viver consoante a concepção de
Deus.
Abraão foi um homem que viveu em união com
Deus. Se eu viver em união com certo irmão dia após
dia, não haverá necessidade de que ele me venha
dizer muitas coisas. Já estarei sabendo do que ele
gosta e do que ele não gosta, o que lhe agrada e o que
o ofende. Se eu o amar e viver em união com ele, tudo
o que eu disser e fizer estará de acordo com aquilo de
que ele gosta ou desgosta. Sinto dizer que muitos
cristãos não vivem em união com Deus. Quando
surgem assuntos importantes, ajoelham-se e oram:-o
Senhor, qual é a Tua vontade? “ Depois disso, não
seguem a vontade de Deus, mas sua própria
concepção. Não conheceremos a vontade de Deus
orando dessa maneira. Se quisermos conhecê-la,
precisaremos viver em união com Ele. Se vivermos
em tal união, Ele não terá necessidade de dizer-nos o
que deseja, porque já o estaremos sabendo, sendo um
com Ele.
Embora estivesse aflito por cuidar do casamento
do filho, Abraão não aceitaria uma cananéia por
esposa de Isaque. Se fôssemos Abraão, possivelmente
teríamos tomado o caminho mais fácil, e talvez
disséssemos: “Há muitas moças aqui na terra de
Canaã. Por que não posso escolher uma delas para
esposa de meu filho? Deve haver alguma aqui bem
perto! “ Abraão não pensou dessa maneira, mas
enviou o seu servo mais velho para longe, de volta ao
país de onde viera, a fim de encontrar uma esposa
para Isaque, Embora Deus jamais lhe houvesse dito
que o fizesse, o que ele fez estava de acordo com a
vontade e com a concepção interior de Deus. Como
vimos, Abraão conhecia a vontade e a mente do
Senhor, porque estava vivendo numa união prática
com Ele.
Abraão não era a única pessoa a ter tal viver.
Todos os mencionados neste capítulo estavam
vivendo numa atmosfera de união com Deus. Abraão,
o servo mais velho, Rebeca, Labão, Betuel e Isaque,
todos estavam vivendo em união com Deus. Espero
que, nas igrejas, todos vejam que precisamos hoje de
tal viver para o cumprimento do propósito de Deus.
Não precisamos orar e buscar a vontade de Deus;
precisamos viver em união com Ele. Se assim
vivermos, partilharemos de Sua concepção: seja lá o
que for e o que quer que pensemos e façamos, tudo
estará de acordo com o Seu sentimento. Deus não
terá necessidade de dizer coisa alguma porque
sentiremos o que Ele sente, conhecendo o Seu
sentimento interior, por vivermos em união com Ele.

a) Agiu de Acordo com a Economia de Deus


Abraão agia de acordo com a economia de Deus
(24:3-8). O modo como agiu, a fim de obter uma
esposa para Isaque, tinha por finalidade o
cumprimento do eterno propósito de Deus.
Aspiramos a ver todos os casamentos nas igrejas
sendo para o cumprimento do propósito de Deus.
Esse tipo de casamento requer um viver diário em
união com Deus. Irmãos jovens, se tudo o que fazem
está de acordo com a economia de Deus, até o seu
casamento será a execução da Sua economia. Vocês
precisam dizer: “Senhor, o que faço hoje, aqui, deve
estar de acordo com a Tua economia. Estou solteiro
agora, mas um dia estarei casado. Que o meu
casamento seja para a Tua economia”. Essa é a
principal revelação em Gênesis 24. O principal item
deste capítulo não é que Isaque seja um tipo de Cristo
como o Noivo, e Rebeca, um tipo da igreja como a
Noiva. Digo novamente que o principal ponto aqui
revelado é o viver prático de conformidade com a
economia de Deus para o cumprimento do Seu
eterno propósito. Precisamos de uma vida que se
pareça com a de Abraão. Sua motivação, sua ação e
tudo o que ele fez estavam de acordo com a economia
de Deus.
Duvido que Abraão estivesse tão esclarecido
acerca da economia de Deus como estamos hoje.
Entretanto, ele disse a seu servo que Deus o chamara,
que prometera dar a terra à sua descendência, e que,
portanto, o servo deveria ir à terra de sua parentela a
fim de encontrar uma esposa para Isaque. À luz de
toda a Bíblia, podemos perceber que isso era a
execução da economia de Deus. Como precisamos de
tal vida hoje! A nossa motivação, a nossa ação e tudo
o que fazemos devem ser o cumprimento da
economia de Deus. Isso não requer simplesmente
que conheçamos a vontade de Deus e, então, façamos
determinadas coisas. Não, precisamos de um viver
diário que esteja em união com Deus. Precisamos ser
tal tipo de pessoa. Se assim for, tudo o que dissermos
será a expressão de Deus e tudo o que fizermos será
para o cumprimento do Seu propósito. Essa é a vida
de que precisamos hoje para a vida da igreja. Não
diga: “Oh! Não conheço a vontade do Senhor com
referência ao meu casamento ou ao meu estudo.
Preciso jejuar e orar por três dias e três noites”.
Deixe-me dizer-lhe honestamente que, embora o
tenha tentado por vários anos, isso nunca funcionou
muito bem comigo.
Veja o exemplo de Abraão, o primeiro dos
chamados por Deus. Sendo ele o primeiro chamado,
vemos no seu caso o princípio da primeira menção.
Não agiu à maneira tradicional e religiosa de hoje,
jejuando e orando para perscrutar a vontade do
Senhor. Nem teve repentinamente um sonho em que
visse Rebeca na terra da Caldéia a esperar por seu
servo. Com o versículo 40, Abraão andou diante do
Senhor. Como pessoa que andava na Sua presença,
não precisou jejuar nem orar para conhecer Sua
vontade. Por andar na presença do Senhor, tudo o
que fazia era a vontade de Deus e estava de acordo
com a Sua economia.

b) Encarregou Seu Servo com o Próprio


Senhor
Abraão não incumbiu seu servo de ser fiel e
honesto ou de fazer um bom trabalho, mas
encarregou-o com o próprio Senhor (24:2-3, 9, 40-
41). Percebemos, nesse trecho, que a atmosfera na
qual Abraão vivia era o próprio Senhor.
Encarregando seu servo com o Senhor, conduziu-o
bem para dentro do próprio Senhor. De semelhante
modo, não deveríamos abarrotar as pessoas com
nossa sabedoria ou mesmo com nosso amor, mas
com o próprio Senhor.

c) Creu no Senhor Soberano


Abraão creu no Senhor soberano, dizendo a seu
servo que Deus enviaria Seu anjo com ele e levaria a
bom termo sua jornada (24:40). Parecia estar
dizendo: “Deus enviará adiante Seu anjo. Embora
você seja o meu enviado para fazer o trabalho, eu
creio em Deus. Em certo sentido, não creio que você
possa executar tal serviço, mas confio no Deus vivo.
Você não precisa estar com encargo ou preocupar-se.
Vá simplesmente e faça o serviço, porque o meu Deus
enviará o Seu anjo a fazer a obra por você”. Que vida
tinha Abraão! Se estivéssemos em seu lugar, é bem
possível que disséssemos: “Meu servo, você precisa
perceber que passei por muitas experiências. Deixe-
me agora dar-lhe um mapa e contar-lhe tudo sobre o
povo e seus costumes”. Abraão não fez assim. Pelo
contrário, somente incumbiu seu servo de servir por
intermédio do Senhor, assegurando-lhe que Deus
enviaria Seu anjo diante dele e levaria a bom termo a
sua jornada. Vemos aqui a fé viva de Abraão.

2) O Servo Mais Velho

a) Fiel na Responsabilidade
O servo mais velho de Abraão foi fiel na
responsabilidade (24:5, 9, 33, 54, 56). Seguiu as
pegadas de seu amo, sendo fiel. Creio que recebeu
uma infusão da vida de seu senhor, observando como
Abraão tudo fizera pela confiança no Senhor. Como
resultado, o servo também confiou em Deus.

b) Confiou no Senhor para Sua


Responsabilidade
O servo de Abraão confiou no Senhor para sua
responsabilidade (24:12, 21, 42). Orou a Ele de
maneira clara, humilde e simples. Qualquer um que
verdadeiramente crê em Deus é simples. Quando
chegou ao poço próximo à cidade de Naor, orou,
dizendo: “Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão,
rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para
com o meu senhor Abraão! Eis que estou ao pé da
fonte de água, e as filhas dos homens desta cidade
saem para tirar água; dá-me, pois, que a moça a
quem eu disser: Inclina o cântaro para que eu beba; e
ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos
teus camelos, seja a que designaste para o teu servo
Isaque; e nisso verei que usaste de bondade para com
meu senhor” (24:12-14). Sua oração foi
imediatamente respondida. Antes mesmo de acabar
de falar, Rebeca aproximou-se com o cântaro sobre o
ombro. Quando lhe pediu de beber, ela não somente
lhe deu de beber a ele, mas também tirou água para
todos os seus camelos. Depois disso, o servo ficou
claro de que Rebeca era a escolhida, dando-lhe
conseqüentemente um pendente e duas pulseiras.

c) Buscou Orientação de Deus na


Situação
O servo conheceu a vontade de Deus, buscando a
Sua orientação na situação (24:13-21, 26-27, 48-49).
Também podemos ver a soberania de Deus em nossa
situação. Ninguém disse ao servo que fosse a Naor,
cidade do irmão de Abraão. Ele simplesmente foi lá e
junto ao poço encontrou Rebeca, a neta de Naor.
Nada foi acidental, tudo fora ordenado antes da
fundação do mundo e foi cumprido por meio do
servo de Abraão, um homem que confiou em Deus.

3) Rebeca

a) Casta. Bondosa e Diligente


No versículo 16, lemos que Rebeca era “mui
formosa de aparência, virgem”. Ela era casta e pura,
além de bondosa e diligente (24:18-20). Quando o
servo de Abraão lhe pediu de beber, ela
imediatamente lhe deu. Tirou também água para os
seus camelos. Era um trabalho difícil para uma jovem
tirar água do poço e derramá-la no bebedouro para
que dez camelos bebessem; mas ela o fez. Se as
jovens irmãs quiserem estar debaixo da soberania de
Deus, principalmente com relação a seu casamento,
precisam ser bondosas e diligentes. Qualquer jovem
que seja grosseira e desleixada ficará solteira.
Quando as pessoas lhes pedirem que façam uma
coisa, vocês deverão fazer duas. E a segunda deverá
ultrapassar em muito a primeira. Vocês deverão não
somente dar de beber a um homem, mas também
tirar água para seus dez camelos. Se o fizerem,
estarão qualificadas a obter um marido, seu Isaque.
Tais são alguns conselhos para todas as jovens irmãs
solteiras.

b) Decidida
Rebeca era decidida (24:57-58, 61). Embora
jamais tivesse visto Isaque, estava disposta a ir para
ele sem hesitação. Não disse à mãe: “Mamãe, eu
nunca vi Isaque. Talvez devesse corresponder-me
com ele primeiramente e depois pedir-lhe que nos
visite. Então poderia decidir se me caso com ele ou
não”. Ela não falou dessa maneira. Embora seu irmão
e sua mãe estivessem hesitando, querendo que ela
ficasse ao menos dez dias, ela disse: “Irei”. Era
decidida.
Nos últimos quarenta anos, vi inúmeras jovens
irmãs que desenvolveram problemas mentais como
resultado de pensarem sobre o casamento. Algumas
gastaram dias, semanas, meses e até anos, a pensar
se certo irmão seria ou não o que Deus lhes havia
preparado. Quando uma dessas tais irmãs vinha a
mim com problemas desse tipo, eu lhe dizia, com um
tom de repreensão: “Se você sente que ele é o irmão,
case-se com ele cegamente. Mas se ele não é tal,
esqueça-o, e não fale mais a esse respeito. Quanto
mais você reflete, mais aborrece a Deus, a si mesma e
a mim. Como posso dizer-lhe sim ou não? Se disser
sim, você argumentará que não o conheço bem. Se
disser não, você se sentirá infeliz porque já se
apaixonou por ele. Não pense mais sobre o assunto.
Ou você se casa com ele ou o esquece”. Fui categórico
em dizer-lhes isso. Jovens irmãs, se quiserem casar-
se, precisam aprender a ser bondosas, diligentes e
decididas.

c) Submissa
Rebeca também foi submissa (24:64-65).
Quando viu Isaque e percebeu quem ele era, “tomou
o véu e se cobriu”. Irmãs, não coloquem um pedaço
de pano sobre a cabeça como decoração ou
ornamento. Isso deve ser um sinal de sua submissão.
Se você é casada, já não é mais o seu próprio cabeça.
Seu marido é seu cabeça, e sua cabeça deve ser
coberta. Esse é o verdadeiro significado do
casamento.

4) Labão e Betuel
Labão e Betuel estavam no temor do Senhor
(24:29-31). Ambos também foram muito
hospitaleiros (24:31-33). A hospitalidade sempre
introduz uma bênção maior. Para Rebeca, filha de
Betuel e irmã de Labão, tomar-se esposa de Isaque
foi grande bênção. Tal bênção foi assegurada por
serem eles hospitaleiros. Se não o fossem, mas, pelo
contrário, rejeitassem o servo de Abraão, aquele
casamento maravilhoso jamais teria ocorrido. Além
disso, aceitaram a soberania do Senhor, dizendo:
“Isto procede do Senhor, nada temos a dizer fora da
sua verdade” (24:50-51, 55-60). Labão e Betuel
reconheceram que os acontecimentos eram obra do
Senhor, e que eles mesmos não tinham o direito de
dizer coisa alguma sobre o assunto. Vimos aqui a
atmosfera de sua vida, uma vida em união com Deus.

5) Isaque
Isaque não era um homem de atividade, pois ele
nada fez. Simplesmente habitou junto a um poço,
próximo a um lugar de água viva. Gênesis 24:63 diz:
“Saíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde”.
Os tradutores da Bíblia ficam preocupados com a
tradução desse versículo em hebraico. Algumas
versões interpretam tal passagem como Isaque indo
ao campo para orar; outros dizem que ele foi ao
campo para adorar. Pode ter ocorrido que Isaque
estivesse meditando na presença do Senhor,
possivelmente refletindo sobre o próprio casamento.
Perdera a mãe, não tinha uma esposa, e o servo mais
fiel viajara. Isaque não sabia se o servo haveria de
voltar algum dia. A família não tinha segurança nem
proteção; e ele estava numa situação de desespero.
Então saiu ao campo para buscar o Senhor e meditar
diante de Deus. Enquanto meditava, Rebeca chegou.
Depois que o servo lhe disse tudo o que ocorrera,
Isaque assumiu o que seu pai fizera por ele, e
desposou Rebeca (24:66-67). Seu casamento foi uma
herança, não uma disputa. Não lutou por uma esposa.
Herdou o que o pai fizera por ele. Nada fez para obter
uma esposa. Somente assumiu o que o pai lhe
assegurara. Agindo dessa maneira, foi um com o
Senhor, de modo que se pudesse cumprir nele o
propósito de Deus. Teve um casamento real e sólido,
sem uma cerimônia de matrimônio.

6) Cumpriu o Propósito de Deus


O casamento de Isaque cumpriu posteriormente
o propósito de Deus (21:12b; 22:17-18). A vida dos
que estão neste capítulo não foi meramente para o
próprio viver humano de cada um, mas foi uma vida
que resultou no cumprimento do propósito eterno de
Deus, uma vida que gerou Cristo e produziu o reino
de Deus para a Sua economia.
MENSAGEM SESSENTA E UM

VIVENDO EM COMUNHÃO COM DEUS (12)

O CASAMENTO DE ISAQUE UM TIPO DE


CRISTO DESPOSANDO A IGREJA
A Bíblia é um livro divino composto de conceitos
divinos. Por isso, ela contém muitos registros
maravilhosos, dentre os quais Gênesis 24. Este
capítulo não somente desvenda um viver em unidade
com Deus, como também implica algo mais profundo
que o viver humano. Essa é a razão por que se toma
difícil à mente humana sondar as profundezas da
Bíblia. Na superfície de Gênesis 24 temos um registro
do viver humano, mas nas suas profundezas, há algo
divino. Embora seja fácil visualizar a superfície, é
difícil penetrar nas profundezas.

(b) Um Tipo de Cristo Desposando a Igreja


Em Gênesis 24 observamos um casamento que é
um tipo de Cristo desposando a igreja. Não podemos
encontrar um versículo sequer no Novo Testamento
que diga que este casamento é um tipo de Cristo
desposando a igreja. O Novo Testamento, entretanto,
revela-nos claramente que Isaque, o filho de Abraão,
era um tipo de Cristo, sendo o único descendente de
Abraão (Gl 3:16). Com base no fato de que Isaque era
um tipo de Cristo, podemos inferir que o casamento
de Isaque era um tipo do casamento de Cristo. Por
ser a Bíblia um livro divino composto de conceitos
divinos, podemos vê-los em suas várias passagens.
Por exemplo, todos estamos familiarizados com a
história de José. Embora não haja palavra alguma no
Novo Testamento a dizer que ele era um tipo de
Cristo, qualquer leitor da Bíblia pode reconhecer que
sua história se parece muito com a de Cristo. Alguns
mestres da Bíblia dizem que nada deveríamos
alegorizar nas Escrituras, a menos que o Novo
Testamento o indique como sendo alegoria, como
sendo um tipo de certas coisas espirituais. Mas não
deveríamos insistir nisso, porque, embora o Novo
Testamento não o diga, todo mestre da Bíblia
reconhece José como um excelente tipo de Cristo.
Quando lemos sua história, vemos que ela descreve a
vida de Cristo. Muitos incidentes de sua vida-como o
ter sido traído-são semelhantes aos da vida de Cristo.
No mesmo princípio, já que Isaque é um tipo de
Cristo e já que seu casamento se parece com o
casamento de Cristo, podemos dizer que o casamento
registrado em Gênesis 24 é um tipo de casamento de
Cristo.
Em Gênesis 24 notamos quatro pessoas
principais: o pai, o filho, o servo e a noiva. Isso é
muito significativo. Quando atentamos para o Novo
Testamento, percebemos que o Deus Triúno está
trabalhando em conjunto a fim de obter uma noiva
para o Filho. Qual é o tema do Novo Testamento? Se
você disser que é somente Jesus como o nosso
Salvador, eu direi que isso é bom, mas não todo-
inclusivo. O tema do Novo Testamento é o Deus
Triúno – o Pai, o Filho e o Espírito – trabalhando em
cooperação a fim de obter a noiva para o Filho. O Pai
elaborou o plano, o Espírito executa-o e o Filho
desfruta o que o Pai planejou e que o Espírito executa.
Quem é a noiva? A noiva é uma parte da raça
humana que desposará o Filho e se tomará Seu
complemento. Mateus 28:19 fala do Pai, do Filho e
do Espírito. Em Atos e nas Epístolas vemos como o
Espírito trabalha de acordo com o plano do Pai a fim
de obter a noiva para o Filho. Ao final do Novo
Testamento, no livro de Apocalipse, vemos a noiva.
Apocalipse 19:7 diz: “Porque vindas são as bodas do
Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (VRC). Por
fim, toda a Nova Jerusalém, a cidade-mulher, será a
noiva (Ap 21:2, 9-10). Embora esse termo “cidade-
mulher” possa parecer estranho, nada há de errado
com seu uso, porque a Nova Jerusalém será uma
mulher, a esposa do Cordeiro, o complemento do
Filho de Deus. A Nova Jerusalém inteira é
simplesmente um registro do Deus Triúno
trabalhando em cooperação a fim de ganhar uma
parte da raça humana para ser a noiva, o
complemento do Filho.

1) O Plano do Pai
Em primeiro lugar temos o plano do Pai. De
acordo com a versão de João Ferreira de Almeida,
Efésios 3:11 fala do “eterno propósito que estabeleceu
em Cristo Jesus nosso Senhor”. A palavra “propósito”
é um termo arcaico para a palavra mais moderna
“plano”. Quando falamos do plano de Deus,
referimo-nos ao Seu propósito. Na eternidade
passada Deus fez um plano, um plano de ter a igreja
para Cristo (Ef 3:8-11). O plano de Deus não é
somente ter um grupo de pecadores nem ter um
grupo de redimidos. Tal concepção é muito
superficial. O Seu plano é ter uma noiva para Seu
Filho.
Ouvimos dizer várias vezes que Cristo veio para
salvar os pecadores. Mas você já ouviu alguma
mensagem dizendo que Cristo veio para conseguir
uma noiva? João 3:29 diz: “O que tem a noiva é o
noivo”. Nos quatro Evangelhos, o Senhor disse a Seus
discípulos que Ele era o Noivo (Mt 9:15). Ele veio não
somente para salvar os pecadores, mas também para
obter a noiva. Somos ainda pecadores? Não, somos a
noiva! Louvado seja o Senhor, pois não somos mais
pecadores; somos a noiva! Devemos ainda nos
achegar diante de Deus, confessando-Lhe nossos
pecados de maneira suplicante? Não! Precisamos nos
achegar a Ele com alegria, dizendo:
“Louvado seja o Senhor! Estou tão feliz porque já
não sou mais um pecador. Sou uma parte da noiva!
“ Cristo não veio meramente para ser o nosso
Salvador e Redentor. Ele também veio para ser o
Noivo. Deus não planejou salvar um grupo de pobres
pecadores e introduzi-los todos no céu, mas planejou
tomar uma parte da raça humana e fazer dela o
complemento do Seu querido Filho. Por fim, no novo
céu e na nova terra não haverá um grupo de míseros
pecadores; haverá a noiva, a Nova Jerusalém, a
esposa do Cordeiro.
Como vimos, Deus Pai planejou tomar da raça
humana uma noiva para Seu Filho. Abrãao, um tipo
do Pai, encarregou seu servo, um tipo de Espírito
Santo, de tomar uma esposa para seu filho; não
dentre as filhas dos cananeus, mas dentre a parentela
de Abraão (24:4, 7). Em tipologia, isso indica que o
complemento de Cristo deve provir da raça de Cristo,
não dos anjos nem de qualquer outra criatura.
Encarnando-se Cristo como homem, a humanidade
tornou-se a Sua raça. Não a considere tão pobre. A
humanidade não é pobre. Por ser a raça de Cristo, ela
é querida e preciosa para Deus. Somente dela Deus
pode obter o complemento para Seu Filho. Portanto,
todos precisamos orgulhar-nos de ser uma parte dela,
e dizer: “Louvado seja o Senhor porque sou um
homem! Graças a Ele por eu não ter sido criado como
parte da raça angélica, mas como parte da raça
humana”.
Em Gênesis 2 vemos que Deus levou os seres
vivos a Adão para que este lhes desse nomes. Adão
disse: “Esse é um cão e aquele é um gato. Isto é um
macaco e aquilo é um jumento”. Quando olhou para
todas aquelas criaturas não encontrou entre elas o
seu complemento. Assim, Deus fez cair um profundo
sono sobre ele, tomou uma de suas costelas e edificou
uma mulher como seu complemento (2:21-22).
Assim, Adão e Eva eram da mesma raça, o que
prefigura que o complemento de Cristo precisa vir de
Sua raça, a raça humana. Todos nós fomos criados
raça humana, e como parte da raça humana todos
renascemos. Somente a raça humana está qualificada
para ser o complemento de Cristo.

2) A Missão do Espírito
Enquanto o pai tinha um plano, o servo recebeu
uma incumbência, uma missão (v. 33). Abraão
incumbiu-o de ir à sua raça e tomar para seu filho
uma esposa. Isso quer dizer que Deus Pai
comissionou Deus Espírito. O Novo Testamento
revela essa comissão divina.

a) Conseguir a Noiva Escolhida


Assim como Abraão encarregou seu servo de
conseguir a noiva escolhida (vs. 10-21) , também
Deus Pai comissionou Deus Espírito para obter a raça
humana. Todos podemos testificar que, em
determinado tempo, o Espírito de Deus veio até nós.
Talvez você diga: “Não percebi que Deus Espírito veio
a mim. Apenas sei que alguém pregou-me o
evangelho”. Enquanto aquela pessoa lhe pregava o
evangelho, você foi atraído pelo que ela dizia e se
dispôs a recebê-lo. Embora não compreendesse tudo
o que ela dizia, algo profundo em seu íntimo estava
respondendo. Em nossa mente, muitos de nós
pensávamos: “Não gosto disso”, mas nas profundezas
de nosso espírito dizíamos: “Isso é muito bom”. No
início do meu ministério na China preguei bastante o
evangelho. Quando os chineses esclarecidos-que
consideravam o cristianismo uma religião estrangeira
– ouviram nossa pregação, disseram em sua mente:
“Isto é uma religião estrangeira; não gosto”. Mas
como muitos deles mais tarde puderam testificar,
enquanto pensavam dessa forma, algo em seu íntimo
dizia: “É disso que eu preciso”. O que os levou a
responder interiormente dessa maneira? Foi o
Espírito Santo alcançando-os. Rebeca jamais sonhou
ser escolhida por esposa de Isaque. De acordo com o
costume da época, ela simplesmente foi tirar água do
poço, no fim da tarde. Mas nesse dia algo especial
aconteceu. Antes de ela chegar ao poço, o servo de
Abraão já estava lá. Isso indica a vinda do Espírito à
raça humana (v. 10). Antes de ouvirmos a pregação
do evangelho ou de virmos a uma reunião de
evangelização, o Espírito Santo já estava nos
esperando.
Em Gênesis 24, o servo de Abraão, que se
chegara ao poço (v. 11), pediu à mulher que lhe desse
de beber (v. 17). Em João 4, o Senhor Jesus, que
chegara ao poço de Jacó (Jo 4:6) , também pediu
água à uma mulher. Os pregadores dizem
freqüentemente que estamos sedentos e que
precisamos da água viva para saciar nossa sede. Mas
você já ouviu dizer alguma vez que o Espírito Santo
está sedento e precisa de você para saciar a Sua sede?
Em Gênesis 24 vemos um servo sedento após sua
longa viagem; e, em João 4, vemos um Salvador
sedento depois de Sua cansativa viagem. Quem
estava sedento em Gênesis 24: o servo ou Rebeca?
Era o servo. De semelhante modo, quem estava mais
sedento em João 4: o Senhor Jesus ou a mulher
samaritana? Era o Senhor Jesus. Assim, quando
pregamos o evangelho, precisamos dizer às pessoas
que o Pai, o Filho e o Espírito estão sedentos delas.
Rebeca não tinha a sensação de sede nem sentia
a necessidade de um marido. O servo é quem estava
sedento. Na hora em que ele chegou à cidade de Naor
estava sedento, tanto física quanto espiritualmente,
sedento da mulher que seria a esposa apropriada
para o filho de seu amo. Em João 4 o Senhor Jesus
também estava sedento, tanto física quanto
espiritualmente. Enquanto você lê essa mensagem, o
Espírito Santo está, mesmo agora, sedento de você.
Você vai dar-Lhe de beber para saciar Sua sede?
Quando ouvíamos a pregação do evangelho no
passado, não percebíamos que o Espírito Santo
estava sedento de nós. Podemos ter pensado: “Por
que este pregador está tão ansioso de convencer-me?
“ A insistência não era do pregador, mas da sede do
Espírito. Enquanto ouvia a pregação do evangelho,
você não sentiu que alguém estava desejoso de tê-lo?
Na época em que foi salvo também sentiu que alguém
o perseguia. Por um lado, você disse: “Não gosto
disso”; por outro, algo em seu íntimo disse: “Você
não pode fugir”.
Quando foi tirar água do poço naquele dia,
Rebeca ignorava totalmente os fatos, não tendo idéia
do que estava para acontecer-lhe. Não percebeu que,
ao dar de beber a um homem e tirar água para seus
camelos, ela seria apanhada. Mas o pai distante fizera
um plano de tomar uma mulher da sua raça como
esposa para seu filho, e incumbira seu servo de
executar esse plano. Assim, o servo chegou à cidade
de Naor e, propositadamente, esperou lá, ao lado do
poço. Era um verdadeiro caçador perseguindo uma
esposa para Isaque. Se Rebeca nunca tivesse falado
ao servo jamais teria sido apanhada. Mas o que
aconteceu não dependia dela. O servo já orara ao
Senhor para que lhe desse sucesso, dizendo: “Dá-me,
pois, que a moça a quem eu disser: Inclina o cântaro
para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei
ainda de beber aos teus camelos, seja a que
designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que
usaste de bondade para com meu senhor” (v. 14).
Enquanto ainda falava dessa maneira, Rebeca chegou.
Quando lhe pediu de beber, ela não só deu a ele, mas
também disse: “Tirarei água também para os teus
camelos, até que todos bebam” (vs. 18-19). Embora
não percebesse, agindo dessa forma, Rebeca foi
apanhada.
Muitos de nós podemos testificar que, no
princípio, não tínhamos boa impressão de Cristo.
Mas em dado momento algo bem profundo dentro
em nós começou a amá-Lo. Quando jovem não
compreendia muito a respeito de Cristo, mas amava-
O. Embora não pudesse explicar o que sentia então,
simplesmente comecei a amá-Lo. Mas agora percebo
a razão: na eternidade o Pai planejara apanhar-me.
Embora eu seja apenas um pequeno homem, sou
mais que digno de ser apanhado por Deus. De acordo
com o Seu plano todos fomos apanhados por Ele.
Pergunto-lhes: Vocês pretendiam ser salvos ou ser
um cristão? Nenhum de nós o queria. Mas um dia
ouvimos o nome de Jesus e reagimos a Ele com amor.
Esse é o sinal de que fomos escolhidos. Quem
conduziu o servo à cidade de Naor, onde Rebeca
habitava? E quem conduziu Rebeca ao poço onde o
servo estava esperando? Sem dúvida foi o Espírito de
Deus. O fato de sermos salvos não dependeu de nós,
mas resultou do plano do Pai e da incumbência do
Espírito.
O servo de Abraão, por fim, chegou até Rebeca
por meio da água que satisfaz (v. 14). Os escolhidos
de Deus são a água que satisfaz o Espírito Santo. O
Espírito Santo hoje vem buscar os escolhidos de Deus,
como Cristo fez no poço de Sicar (Jo 4:7). Se alguém
Lhe responde e satisfaz Seu desejo é um sinal de que
este é um dos escolhidos para Cristo e que ele será
ganho pelo Espírito Santo para Cristo.

b) Trazer as Riquezas de Cristo à Noiva


O Espírito também traz as riquezas de Cristo à
noiva (vs. 10, 22, 47, 53). Após os camelos acabarem
de beber, o servo colocou um pendente de ouro no
nariz de Rebeca e duas pulseiras em suas mãos (v.
22). A melhor maneira de se apanhar uma pessoa é
pegá-la pelo nariz. O fato de Rebeca ter um pendente
no nariz e pulseiras nos pulsos significava que ela
fora apanhada. Depois de lhe dar tais coisas, o servo
lhe perguntou: “De quem és filha? peço-te que me
digas. Haverá em casa de teu pai lugar em que eu
fique, e a comitiva? “ (v. 23). Uma vez trazido ao lar
de Rebeca, o servo testificou as riquezas de Isaque.
Depois que o irmão de Rebeca, Labão, e seu pai,
Betuel, aceitaram a proposta do servo, ele deu a
Rebeca mais das riquezas de Isaque: artigos de prata,
de ouro e vestidos (v. 53). Deu também objetos
preciosos ao irmão e à mãe dela. Isso é exatamente o
que João 16:13-15 revela sobre o Espírito. Nesses
versículos o Senhor Jesus disse que o Espírito não
falaria de Si mesmo, mas glorificaria o Filho. Tudo o
que o Pai tem é Dele, e o Espírito recebe Dele e o
revela aos discípulos. Suponha que o servo de Abraão
tivesse dito a Labão: “É difícil para Abraão ganhar a
vida em Canaã, e seu filho não tem saúde. Fui
enviado para conseguir uma auxiliadora para ele”.
Você pensa que, ao ouvir tal coisa, Rebeca diria: “Eu
irei? “ Pelo contrário, diria não e teria fugido. O
testemunho do servo de Abraão, porém, não foi
pobre, mas muito rico. O servo disse que o Senhor
abençoara seu amo Abraão, que este se tornara
grande e dera todas as coisas ao filho Isaque, e que
seu amo o incumbira de encontrar uma esposa para
seu filho. Ao ouvir tal testemunho, Rebeca foi atraída
para Isaque e se dispôs a ir para ele.
Esse é um quadro de como o Espírito Santo vem
até nós testificando as riquezas de Cristo. Cristo hoje
é o designado para herdar todas as riquezas do Pai.
Sabemos isso porque o Espírito nos falou a esse
respeito por meio das Escrituras. Por causa do
testemunho do Espírito todos fomos atraídos para
Cristo. Todo salvo que ama e busca o Senhor foi
atraído dessa maneira. Não nos importam as coisas
que as pessoas do mundo buscam. Temos prazer em
vir às reuniões da igreja e dizer ao Senhor Jesus o
quanto O amamos. Oh! nós O amamos, nós O
buscamos e O louvamos! E dizemos repetidas vezes:
“Senhor Jesus, eu Te amo”.
Rebeca percebeu as riquezas de Isaque mediante
os presentes trazidos pelo servo de Abraão.
Percebemos hoje as riquezas de Cristo, que Ele
recebeu do Pai, mediante os presentes que o Espírito
nos dispensou. Antes de encontrar Isaque na boa
terra, Rebeca participara e desfrutara da sua herança.
Ocorre o mesmo conosco ao participarmos da
herança de Cristo. Antes de encontrá-Lo,
desfrutamos os presentes do Espírito, como um
antegozo do desfrute completo de Suas riquezas.

c) Convencer a Noiva
O Espírito também convence a noiva (24:54-58).
Depois que o servo, prefigurando o Espírito, trouxe
as riquezas a Rebeca, esta ficou convenci da e
prontificou-se a casar com Isaque. Embora seus
parentes quisessem que se demorasse um pouco mais,
ela, depois de ouvir o testemunho do servo de Isaque,
disse: “Irei” (24:58). Dispôs-se a ir a Isaque, à terra
de Canaã. De semelhante modo, estamos dispostos a
ir a Cristo. Embora jamais O tivéssemos visto, fomos
atraídos a Ele, e O amamos (1 Pe 1:8). Mesmo não
tendo visto Isaque, Rebeca o amou. Quando ouviu a
seu respeito, simplesmente o amou e quis dirigir-se a
uma terra longínqua para estar com ele. Uma vez que
estejamos dispostos a ir a Cristo, é um sinal de que
somos a Rebeca escolhida. Ao observar os jovens
amando Jesus eu dizia: “O que todos estes jovens
estão fazendo aqui? Por que não buscam as coisas do
mundo? “ Mas bem no meu íntimo eu sabia a razão.
Todos fomos convencidos de que Cristo é o
Maravilhoso. Ele é o mais amável em todo o universo.
Como O amamos! Quando cavalgava seu camelo para
estar com Isaque, Rebeca deve ter dito muitas vezes:
“Isaque, eu te amo! Isaque, quero ver-te e estar
contigo! “ Hoje ocorre o mesmo conosco. Enquanto
estivermos fazendo nossa longa jornada, diremos
repetidas vezes: “Jesus, eu Te amo. Jesus, desejo
ardentemente encontrar-Te e estar na Tua presença”.

d) Conduzir a Noiva a Cristo


Por fim, o servo conduziu Rebeca a Isaque (24:51,
61-67). Embora fosse uma longa jornada, ele a
conduziu e a apresentou como noiva a Isaque. O
Espírito Santo convenceu-nos, e agora está
conduzindo-nos a Cristo. Embora seja uma longa
jornada, Ele, por fim, nos apresentará a Cristo como
Sua amada noiva.

3) A Resposta da Igreja
Agora precisamos considerar a resposta da igreja.
Como vimos, Rebeca respondeu imediatamente,
dispondo-se a ir com o servo a Isaque. Embora em
nossa natureza velha e caída haja relutância em
seguir de imediato o Senhor, não podemos negar que
também existe dentro de nós a disposição de segui-
Lo. Mesmo estando nessa velha natureza, ainda nos é
fácil seguir o Senhor. É muito mais fácil segui-Lo do
que não segui-Lo, Não acredite na mentira do
inimigo quando diz que você pode ser facilmente
impedido de seguir o Senhor. Diga-lhe: “Nada pode
frustrar o meu desejo de seguir o Senhor. No meu
íntimo há um ardente desejo de segui-Lo”. Satanás é
um mentiroso. Às vezes, ele até mesmo mente por
meio de pregadores que falam coisas negativas e
dizem-nos que não podemos amar o Senhor Jesus.
Não acredite nessas mentiras, mas declare: “Não! Eu
posso e amo o Senhor Jesus! “ Podemos até mentir a
nós mesmos, dizendo: “Sou tão fraco. Simplesmente
não posso seguir o Senhor. É melhor dar meia-volta e
retroceder”. Temos de rejeitar essa mentira e dizer:
“Jamais retrocederei. Seguirei o Senhor Jesus”.
Jamais acredite na mentira de que você não ama o
Senhor. Diga ao inimigo: “Eu amo o Senhor Jesus. O
fato de amá-Lo não está na dependência da minha
capacidade de amar. Depende do fato de Ele ser tão
amável. Sendo Ele tão amável, não consigo deixar de
amá-Lo”. Se lhe desse um par de sapatos velhos, você
os rejeitaria, dizendo: “Não me importam! “ Mas se
eu lhe der alguns diamantes, facilmente se agradará
deles, não porque você tenha capacidade de amá-los,
mas porque eles são maravilhosos. De semelhante
modo, não amamos o Senhor Jesus porque somos
capazes de amar; nós O amamos porque Ele é muito
amável. Em Gênesis 24, não foi Rebeca quem se
mostrou capaz de amar Isaque e corresponder ao seu
amor; Isaque é que se mostrou amável.

a) Fazer o que o Espírito Espera


A nossa resposta ao Espírito Santo é sempre
fazermos o que Ele espera. O servo de Abraão
esperava que Rebeca lhe desse de beber e, então,
tirasse água para seus dez camelos; e Rebeca fez
exatamente o que ele esperava (24:18-20) , saciando
a sede do servo. Freqüentemente nós, de maneira
inconsciente, fazemos o que o Espírito Santo espera,
satisfazendo Seu desejo, agindo sem saber qual a Sua
expectativa. Agir assim é um sinal de que estamos
sob o mover do Espírito.
b) Recebeu os Presentes
Após fazer o que o servo esperava, Rebeca
recebeu os presentes. Primeiramente, o servo
colocou-lhe um pendente de ouro no nariz. Embora
hoje as madames gostem de usá-las nas orelhas, o
pendente, neste trecho, é posto no nariz de Rebeca.
Ao ler o Cântico dos Cânticos, fiquei surpreso de ver
que o Senhor não estima os ouvidos do que O busca.
Pelo contrário, estima seu nariz, dizendo: “Teu nariz,
como a torre do Líbano voltada para Damasco”, e “o
sopro das tuas narinas perfuma como o aroma das
maçãs” (Ct 7:4-8; BJ). No Cântico dos Cânticos 2:3, o
que busca diz: “Qual a macieira entre as árvores do
bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo
muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o
seu fruto é doce ao meu paladar”. Por estar
desfrutando as maçãs, seu nariz tinha o aroma delas.
Que isso quer dizer? A função do nariz é cheirar.
Colocar um pendente de ouro no nariz de Rebeca
significava que sua função de cheirar fora apanhada
pela natureza divina. Uma vez estando com esse
pendente em nosso nariz, teremos o cheirar e o
paladar divinos. Como diz o livro de Hebreus, já
provamos o dom celestial, a boa palavra de Deus e as
obras do poder da era vindoura (Hb 6:4-6). Antes de
ser salvo, eu tinha um gosto particular. Todavia, após
receber o Senhor, meu gosto mudou. Recebi o gosto
divino. Há algum pendente de ouro em seu nariz? O
seu nariz é como a alta torre do Líbano? Conforme
atesta Levítico 21:18 (IBB-Rev. ) , pessoa alguma que
tivesse nariz chato poderia servir como sacerdote.
Todos precisamos ter um nariz alto, não chato.
Nós, os salvos, temos o olfato divino com o
paladar divino. Por termos tal percepção, há muitas
coisas nas lojas que não podemos comprar. Que nos
leva a não comprar essas coisas? O pendente de ouro
em nosso nariz. Pelo nosso nariz com o pendente de
ouro sentimos que existe algo errado com certos
artigos nas lojas. Porque temos tal nariz, não
precisamos que os outros nos digam o que fazer ou o
que não fazer. O nosso olfato e o nosso paladar
dizem-nos o que se ajusta ao gosto de Deus e o que
não se ajusta. Precisamos ter um nariz como torre
alta e um nariz com o aroma das maçãs. O nosso
nariz espiritual precisa ser uma torre alta no Espírito
e precisa estar com o aroma de Cristo. Quanto mais
desfrutarmos Cristo como a macieira, mais teremos
um nariz cheio do Seu aroma de maçã.
O servo também colocou duas pulseiras nos
pulsos de Rebeca (24:22, 47). Em certo sentido, ela
foi algemada. De acordo com o conceito do Novo
Testamento, isso significa que recebemos a função
divina (Rm 12:4). Quanto mais somos algemados
pelo Espírito, mais presentes (os dons) recebemos
Dele. Não só ganhamos o sabor divino, como
também adquirimos a função divina. As duas
pulseiras dadas a Rebeca tinham dez sidos de peso e,
assim, podiam cumprir as exigências dos
mandamentos de Deus. O peso do pendente de ouro
em seu nariz, pelo contrário, era de apenas meio sido.
Esse meio sido significa o primeiro gosto, o antegozo.
A metade que experimentamos indica que a outra
metade, o sabor completo, está-se aproximando.
Enquanto por um lado o sabor é apenas parcial, por
outro, as funções são completas. Não diga que tem
apenas a meia função. Não, a sua função, o seu
talento está completo. Todos têm ao menos um
talento completo. O gosto que recebemos do Espírito
Santo é apenas parcial, mas a função divina que Dele
recebemos é completa.
Rebeca também recebeu artigos de prata, de
ouro e vestidos (24:53) , tudo a indicar as riquezas de
Cristo. A princípio, recebeu um pendente de ouro no
nariz e duas pulseiras nos pulsos. Após aceitar a
incumbência do servo, mais riquezas lhe foram
trazidas. De semelhante modo, após entrarmos para
a vida da igreja e aceitarmos a comissão do Espírito,
as riquezas de Cristo – artigos de prata, de ouro e
vestidos – foram trazidas para o nosso deleite.
Por meio de todos esses pormenores podemos
perceber que o registro de Gênesis 24 é inteiramente
divino e subentende o conceito divino. Essa alegoria
não é minha; está assim registrada. Por que o
pendente de ouro tinha somente meio sido e não três
quartos de siclo? Por que as pulseiras eram de dez
siclos e não de nove ou onze? Por que o servo não
distribuiu todas as riquezas até ser aceita sua
incumbência? Tudo isso se ajusta à revelação do
Novo Testamento. Estamos desfrutando hoje não só
o pendente de ouro em nosso nariz e as pulseiras em
nossos pulsos, mas também os artigos de prata, de
ouro e vestidos. Na vida da igreja todas as riquezas de
Cristo são nossas.

c) Seguir o Espírito
Depois de receber e desfrutar todas essas
riquezas, Rebeca seguiu o servo, viajando num
camelo pelo deserto, até encontrar Isaque (24:58, 61-
65). De semelhante modo, estamos seguindo o
Espírito, fazendo uma longa jornada sobre um
“camelo”. Quando encontrarmos Cristo,
desmontaremos do nosso “camelo”. Todas as
conveniências modernas como telefones, automóveis
etc. são os nossos camelos hoje. Rebeca viajou pelo
deserto sobre um camelo, e nós estamos viajando
pelo deserto sobre os “camelos” de hoje. De acordo
com Levítico 11, o camelo é imundo, ainda que seja
útil. Muitas das conveniências de hoje não são limpas
aos olhos de Deus. Todavia capacitam-nos a viajar
pelo deserto. Quando O encontrarmos,
abandonaremos os “camelos”.

4) O Casamento do Filho
Num sentido positivo, o filho, Isaque, nada fez.
Isso indica que tudo é planejado pelo Pai e executado
pelo Espírito. Tudo o que o Filho faz é receber a noiva.
Isaque recebeu Rebeca ao cair da tarde (24:63-
64) , implicando que o casamento de Cristo será ao
crepúsculo da era. Ao terminar esta era, Cristo virá
encontrar Sua noiva.
Isaque conduziu Rebeca para dentro da tenda de
sua mãe e amou-a (24:67). Como vimos, Sara
tipificava a graça. Assim, isso quer dizer que Cristo
nos encontrará tanto em graça como em amor.
Esse capítulo termina com essas palavras:
“Assim foi Isaque consolado depois da morte de sua
mãe”. Se eu fosse o escritor, teria dito que Rebeca foi
confortada após sua longa viagem. Mas a Bíblia não
diz assim. Não atente para o seu conforto, para a sua
satisfação; pelo contrário, atente para o conforto de
Cristo, para a satisfação Dele. Se Ele não tiver
conforto e satisfação também não poderemos tê-los.
Nossa satisfação depende da Dele. Nosso conforto é o
Seu conforto, e a Sua satisfação é a nossa. Cristo está
agora esperando pelo Seu conforto. Quando o terá?
No dia do Seu casamento. Esse dia chegará.
MENSAGEM SESSENTA E DOIS

NÃO TENDO MATURIDADE ALGUMA NA


VIDA
A Bíblia é uma revelação completa. O conteúdo
dessa revelação é o propósito eterno de Deus. Como
já enfatizamos várias vezes, o Seu propósito eterno é
trabalhar a Si mesmo dentro de um homem coletivo,
de modo a poder ter uma expressão corporativa no
universo. Se quisermos compreender qualquer trecho
da Bíblia de maneira correta, precisaremos guardar
na mente essa questão.
Nesta mensagem, chegamos a Gênesis 25.
Muitos anos atrás, eu não gostava da primeira parte
desse capítulo. Entretanto, uma vez que não há
palavra alguma desperdiçada na Bíblia, este trecho
de Gênesis 25 deve ser muito significativo. Se não
mantivermos diante de nós o objetivo da revelação da
Palavra Sagrada, seremos incapazes de ver o
significado desta parte de Gênesis 25. Pela Sua
misericórdia, o Senhor nos tem mostrado a
profundidade deste trecho da Palavra.
Tanto em Gênesis como em Romanos lemos
claramente que Abraão era bastante velho ao gerar
Isaque. Romanos 4:19 diz que Abraão considerava o
próprio corpo já amortecido. Ainda assim, quarenta
anos após o nascimento de Isaque, ele casou-se
novamente (25:1), e, ao ter cento e quarenta anos,
ainda gerou seis filhos (25:2). Como se explica isso?
Se aos cem anos era tão velho como uma pessoa
morta, certamente deveria parecer muito mais
amortecido ao casar-se de novo, aos cento e quarenta
anos. No capítulo 23, Sara morreu e foi sepultada. No
capítulo 24, Abraão providenciou uma esposa para
Isaque; e, no capítulo 25, ele próprio casou-se
novamente. Que significa isso?
Gênesis 25 também inclui um registro do
nascimento de Jacó e de Esaú. Por que tal registro
maravilhoso incluiu, no mesmo capítulo, os nomes
dos seis filhos da concubina de Abraão? O registro
dos seis filhos de Abraão é negativo, ao passo que o
registro do nascimento de Jacó e Esaú é positivo. Se
fosse compor este capítulo, você colocaria juntos
esses dois relatos? Nenhum de nós o teria escrito
assim. Todavia, conforme a inspiração do Espírito
Santo, isso deve ser muito significativo.

e. Não Teve Maturidade de Vida


Se considerarmos atentamente todos esses
aspectos, perceberemos bem no íntimo do nosso
espírito que a intenção do Espírito Santo nesse
capítulo é mostrar que Abraão não era uma pessoa
amadurecida na vida. Embora fosse velho
fisicamente, era imaturo em sua vida espiritual.
Como vimos, o propósito de Deus é trabalhar a
Si mesmo no interior de uma pessoa corporativa, de
modo a poder ter uma expressão corporativa. Para
executá-lo, Ele criou os céus, a terra e o homem com
um espírito como seu órgão receptor (Zc 12:1). Esse
homem foi criado à Sua imagem para expressá-Lo, e
com o Seu domínio para representá-Lo em Sua
autoridade. Em Gênesis 3, vemos que Satanás
injetou-se no homem, e este tornou-se caído. De
Gênesis 3 a 11, o homem teve pelo menos quatro
quedas. Após a quarta queda, Deus veio e chamou
Abraão para fora da raça caída e o estabeleceu por
pai da raça chamada. A intenção de Deus, ao fazer
dele o pai da raça chamada, era trabalhar a Si mesmo
para dentro daquela raça para o cumprimento do Seu
propósito. Embora não tivesse a oportunidade de
trabalhar a Si mesmo para dentro da raça criada, da
raça adâmica, Deus agora tinha uma oportunidade de
trabalhar a Si mesmo para dentro da raça chamada,
da raça abraâmica. O registro da última metade de
Gênesis 11 à primeira parte de Gênesis 25 mostra o
quanto Deus trabalhou nessa pessoa. Entretanto, ao
chegarmos ao fim do registro da vida de Abraão,
vemo-lo uma pessoa amadurecida em vida e
expressando Deus em todos os aspectos? Não.
Abraão ainda não era tal pessoa.
Muitos cristãos apreciam Abraão em demasia.
Embora o respeite e não o menospreze, preciso
salientar que, como indica o registro de Gênesis, ele
não estava amadurecido na vida divina. Gênesis 24 é
maravilhoso, mas não com respeito à vida de Abraão,
e, sim, com referência à sua atividade. Abraão fez
algo maravilhoso ao escolher para seu filho uma
esposa apropriada. Todavia, logo após, ele próprio
casou-se novamente. Gênesis 25 não diz: “Depois de
encontrar uma boa esposa para Isaque, Abraão viveu
com eles na presença do Senhor por mais de trinta
anos. Um dia, chamando Isaque e Rebeca, impôs
suas mãos sobre eles, abençoou-os, e, então, partiu
para junto do Senhor”. Se fosse esse o registro, nós o
apreciaríamos, dizendo: “Aqui está um santo maduro
na vida”. Qual é a prova da maturidade na vida? É
abençoar os outros. Quando jovens, recebemos
bênçãos dos outros. Mas quando já maduros,
transmitimos bênçãos aos outros. Embora velho,
Abraão não abençoou ninguém. Isso prova que ele
não tinha maturidade na vida.
(1) DESPOSOU QUETURA APÓS A MORTE
DE SARA
O registro de Gênesis 25 não é de bênção; pelo
contrário, é o relato de um novo casamento. Abraão
desposou Quetura após a morte de Sara. Casar de
novo é um sinal de maturidade na vida? Claro que
não!

(2) GEROU OUTROS SEIS FILHOS DEPOIS


DE ISAQUE
A vida de Abraão pode ser dividida em três
partes: a primeira com Ismael, a segunda com Isaque
e a terceira com os seis filhos. Ismael foi produzido
pela carne de Abraão e Isaque, pela graça de Deus. E
os seis filhos? Foram produzidos por mais carne
ainda. Após o nascimento de Ismael, a carne de
Abraão foi tratada, e a graça chegou para substituí-la.
Mas depois que Isaque nasceu e cresceu, ela tornou-
se ativa novamente. Na primeira parte, com Ismael,
sua carne tinha intensidade um, mas na terceira
parte, com os seis filhos, ela tinha intensidade seis,
tendo sido intensificada seis vezes. Enquanto a carne
mais jovem produziu um Ismael, a carne mais velha
produziu seis filhos.
A Bíblia é honesta, ao dizer-nos que Abraão
desposou Quetura e gerou seis filhos por meio dela.
Ocorre, porém, que ele conhecia a vontade de Deus.
Gênesis 25:5 diz-nos: “Abraão deu tudo o que possuía
a Isaque”. Isaque era o único herdeiro, o herdeiro
escolhido, designado e estabelecido por Deus.
Nenhum dos outros filhos foram reconhecidos como
herdeiros (v. 6) , pois eram todos filhos da concubina
e, à semelhança de Ismael, foram rejeitados por Deus.
Abraão teve duas concubinas. A primeira gerou
Ismael e a segunda gerou seis filhos. Mas Deus não
quis nenhum deles. Tanto antes como depois do
nascimento de Isaque, Abraão fez algo que Deus não
queria. Como poderíamos afirmar que tal vida era
madura?

(3) MORREU SEM MATURIDADE DE VIDA


A intenção de Gênesis 25 é mostrar que Abraão
não teve maturidade de vida. Morreu sem ela, pois,
como vimos, morreu sem abençoar ninguém.
Embora bondoso, não estava maduro na vida divina.
É certo que o admiremos, mas precisamos perceber
que ele teve uma grande carência. Foi chamado, teve
fé e viveu em comunhão com Deus; mas usando um
termo do Novo Testamento, não teve suficiente
transformação.
Que é transformação? Gostaria novamente de
usar o exemplo da madeira petrificada. Quando a
água flui através dela, o elemento madeira é levado
embora e os elementos minerais são sedimentados
em seu lugar. Ao serem os elementos minerais
sedimentados nela, a madeira é transformada em
pedra. Isso é petrificação. Somos madeira e o fluir da
água viva precisa levar embora o nosso elemento
natural e introduzir em nosso ser todos os elementos
espirituais, divinos, celestiais e santos. Dessa
maneira somos transformados.
Se você ler outra vez os capítulos 23 a 25
perceberá que Abraão não foi uma pessoa totalmente
transformada. Foi uma pessoa que viveu em
comunhão com Deus, agiu de acordo com Sua
orientação, mas não foi transformado por completo.
Pelo contrário, casou-se de novo e exercitou a carne
que já fora tratada por Deus, gerando seis outros
“Ismaéis”. Embora possamos ser como Abraão,
precisamos ver que, em si mesmo, ele não foi um
padrão completo.

(4) SEPULTADO COM SARA NA CAVERNA


DE MACPELA
Sem dúvida, Abraão morreu em fé. Seus dois
filhos, Isaque e Ismael, sepultaram-no na caverna de
Macpela (25:9-10) , adquirida por ele para sepultar
Sara, em Gênesis 23. Seus filhos devem tê-lo
sepultado de acordo com o seu desejo.

f. Precisou de Jacó e de Isaque para a Sua


Completação
Embora fosse bom, Abraão não foi completo. Ele
teve de ser completado e aperfeiçoado pela vida de
Jacó e Isaque. De acordo com o sentido do registro
divino, Abraão, Isaque e Jacó não são três indivíduos
separados. De semelhante modo, o Deus deles, o
Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó,
não são três Deuses, mas o único Deus Triúno. Em
Abraão vemos Deus Pai; em Isaque vemos Deus
Filho; em Jacó vemos Deus Espírito. O Pai, o Filho e
o Espírito, os três em um, são o único Deus Triúno.
No mesmo princípio, Abraão, Isaque e Jacó são uma
única pessoa triúna. Sendo três em um, formam uma
pessoa completa na experiência de vida.

(1) JACÓ FOI ESCOLHIDO


No registro de Abraão observamos a questão do
chamamento. De acordo com a revelação divina,
entretanto, o chamamento não é o primeiro item. A
escolha de Deus precede o Seu chamamento. Foi
quando Abraão estava adorando ídolos na Caldéia
que chegou a hora do chamamento de Deus e não a
de Sua escolha. O momento da escolha de Deus
ocorreu antes da fundação do mundo. Na eternidade
passada Abraão foi escolhido; na Caldéia ele foi
chamado. Mas onde está o registro da escolha de
Abraão? Está em Gênesis 25, no registro da escolha
de Jacó. Em si mesmo Abraão não teve escolha. Sua
escolha estava em Jacó. A vida de Abraão não teve
nem um início pleno nem um fim completo, pois ele
não teve nem escolha nem maturidade de vida, as
quais se encontram em Jacó. Em outras palavras, até
onde diz respeito a essa experiência de vida, Abraão,
por si mesmo, não pode posicionar-se como uma
pessoa completa aos olhos de Deus. Ele precisa de
Jacó e de Isaque. Essas três pessoas, Abraão, Isaque e
Jacó, representam a experiência espiritual de um
homem completo. No registro da vida de Jacó não há
menção alguma de ter sido chamado. Onde e quando
Jacó foi chamado? Foi chamado com Abraão em
Gênesis da mesma maneira que Abraão foi escolhido
com Jacó. Em Abraão vemos claramente o
chamamento de Deus, mas não notamos a escolha
nem a maturidade de vida.
Em Gênesis 25 temos três genealogias: a
genealogia dos filhos de Quetura (vs. 2-4) , a
genealogia dos filhos de Ismael (vs. 13-16) e a
genealogia de Isaque (vs. 19-26). Nas primeiras duas
genealogias não se observa a escolha de Deus.
Nenhum dos filhos de Quetura ou de Ismael foi
escolhido por Ele. Mesmo Esaú, alguém nascido de
Isaque, não foi escolhido. De todos os referidos neste
capítulo, apenas um é escolhido – Jacó. Essas três
genealogias são colocadas juntas num mesmo
capítulo com um objetivo definido: mostrar o tipo de
pessoa que Deus rejeita e o tipo de pessoa que Ele
escolhe. Deus escolheu o mais travesso, Jacó, cujo
nome significa “suplantador”, “o que segura o
calcanhar”. Em lugar de Deus, jamais teríamos
escolhido tal suplantador travesso. Todavia, Jacó foi
a Sua escolha. Vemos neste capítulo que o que
Abraão produziu não foi do agrado de Deus. Nenhum
dos seus seis filhos foi escolha de Deus. Ao gerá-los,
tudo o que fez resultou em nada. De semelhante
modo, nenhum dos descendentes de Ismael foi
escolhido por Deus. Depois de vinte anos de casado,
Isaque “orou ao Senhor por sua mulher, porque ela
era estéril; e o Senhor lhe ouviu as orações, e Rebeca,
sua mulher, concebeu” (v. 21). Rebeca deu à luz
gêmeos, sendo o segundo a escolha de Deus. De mais
de vinte nascimentos registrados neste capítulo,
todos foram vãos, exceto um. Neste capítulo Deus
parecia estar dizendo a Abraão: “Você gerou muitos
filhos pela sua carne, mas tudo é vão. Nenhum
daqueles que são o resultado da sua carne é Minha
escolha”.
. Esse capítulo revela que a vida à qual falta
maturidade sempre labutará em vão. Se não
estivermos maduros em vida, ainda que possamos
ser muito ativos fazendo muitas coisas, todo o nosso
labor será vão. Nada disso está de conformidade com
a escolha de Deus. Abraão foi um santo querido, com
uma vida muito boa, mas sua vida não foi madura, e
ele fez muitas coisas vãs. Nada do que proveio de sua
carne foi escolha de Deus. Você quer ter uma vida
como essa? Pelo registro da vida de Abraão, vemos
que ele não foi completo. Como revela esse capítulo,
para a sua completação e seu aperfeiçoamento, Jacó
precisou ser escolhido.

(2) A MATURIDADE DE VIDA EM JACÓ


Abraão também precisou da maturidade de vida
existente em Jacó. De acordo com o livro de Gênesis,
a primeira pessoa a abençoar os outros foi
Melquisedeque (14:18-19). Como nos revela o livro de
Hebreus, Melquisedeque era um tipo de Cristo. Mas
Abraão, mesmo estando muito velho, bem mais velho
que a idade total alcançada por Jacó, jamais
abençoou alguém. Embora tivesse recebido a bênção,
ele jamais a transmitiu a outros. Depois de
Melquisedeque, a pessoa seguinte a abençoar outros
foi Isaque. Mas esse abençoou às cegas; foi enganado
e não abençoou de maneira clara. Antes, acabou por
abençoar a pessoa errada, conferindo a Jacó o direito
de primogenitura ao invés de Esaú (Gn 27). Todavia,
como revela o registro do final de Gênesis, embora
não enxergasse nitidamente, Jacó abençoou de
maneira bem clara. Depois de se tornar maduro
abençoava a quem quer que encontrasse. Aonde fosse,
nada fazia exceto abençoar os outros. Conduzido à
presença de Faraó, a primeira coisa que fez foi
abençoá-lo (47:7). Depois de conversar um pouco
com Faraó, abençoou-o novamente (47:10). Jacó não
foi somente uma pessoa abençoada, como também
abençoava.
Apesar de ser fácil receber uma bênção, não é
fácil abençoar os outros. Um neto não pode abençoar
seu avô, porque ao neto falta a maturidade de vida.
Por ser maduro, Jacó abençoou a todos que
encontrou, inclusive Faraó, que era um incrédulo, um
rei gentio. Jacó não sentia que tinha de fazer alguma
coisa por alguém; seu encargo era simplesmente
abençoar os outros.
Considere o caso de Jacó abençoando os dois
filhos de José (48:8-20). Quando Jacó colocou sua
mão direita sobre Efraim ao invés de Manassés, o
primogênito, José ficou descontente e tentou mover a
mão direita do pai para a cabeça de Manassés,
dizendo: “Não assim, meu pai, pois o primogênito é
este; põe a tua mão direita sobre a cabeça dele”
(48:18). Mas Jacó recusou-se e disse: “Eu sei, meu
filho, eu o sei” (48:19). Jacó parecia estar dizendo:
“Posso ser cego fisicamente, mas estou muito claro
espiritualmente. Você não sabe o que estou fazendo,
mas eu sei”. Aqui vemos que Jacó abençoou os dois
filhos de José com uma bênção rica, clara e plena.
Ele também abençoou seus doze filhos de
maneira muito clara. Tais bênçãos são o fundamento
das profecias básicas da Bíblia. Se desejamos
conhecer as profecias da Bíblia, precisamos voltar ao
seu fundamento, aos seus elementos básicos, como
vimos nas bênçãos conferidas por Jacó a seus doze
filhos. Jacó podia abençoá-los de maneira plena de
revelação divina, pois estava totalmente amadurecido
na vida divina. Nasceu um Jacó, mas foi
transformado em Israel. Nasceu um suplantador, um
segurador de calcanhar, mas foi transformado em
príncipe de Deus. Tornou-se muito consciente e cheio
de vida. Quando estamos claros e cheios de vida nada
podemos fazer senão abençoar. Isso é um sinal de
maturidade.
Como vimos, Abraão, Isaque e Jacó formam uma
pessoa completa na experiência de vida. Abraão não
abençoou porque não teve maturidade de vida.
Isaque, tendo alguma maturidade, mas carecendo
das riquezas da maturidade de vida, abençoou de
maneira cega. Jacó, maduro em vida, abençoou de
maneira plena e clara. Tudo o que ele disse foi a
palavra divina, e tudo o que ele abençoou foi uma
profecia referente à economia de Deus para com
todos os Seus filhos. Por fim tornou-se Israel, a
expressão de Deus.
Se tivermos luz por parte das Escrituras como
um todo, veremos que o livro de Gênesis é uma
miniatura da revelação completa da Bíblia inteira. No
final de Gênesis vemos um homem chamado Israel,
uma pessoa transformada que é transparente, clara e
cheia de vida. O Israel transformado é uma semente,
uma miniatura da Nova Jerusalém. No princípio de
Gênesis temos o homem criado à imagem de Deus.
Ao final de Gênesis observamos uma pessoa
transformada, um homem não apenas à imagem de
Deus exteriormente, mas alguém em quem Deus
trabalhou a Si mesmo, fazendo dele Sua expressão.
Embora muitos cristãos apreciem Abraão, sua vida
não foi suficientemente elevada. A vida de Israel foi
muito mais elevada.

(3) ISAQUE DESFRUTOU A HERANÇA


Para a sua completação, Abraão também
precisou que Isaque desfrutasse a herança (24:36;
25:5). Desde o dia em que Abraão foi chamado por
Deus, Este começou a despojá-lo de coisas. Em
primeiro lugar levou seu irmão, e, depois, seu pai.
Mais tarde rejeitou Eliezer; depois ordenou-lhe que
lançasse fora Ismael e oferecesse Isaque no altar.
Depois de devolver-lhe Isaque, Sara morreu. Sua vida
não foi de deleite, mas de despojamento. A vida de
Isaque, pelo contrário, foi cheia de deleite. Ele nada
fez; simplesmente herdou tudo o que seu pai tinha.
Em nossa vida cristã temos tanto as experiências
de Abraão como as de Isaque. Por um lado estamos
sempre sendo despojados, pois Deus rejeita tudo o
que temos. Ele parece dizer: “Você gosta disso, mas
Eu não. Você quer dar isso, mas Eu não aceito. Você
quer preservar isso, mas Eu o rejeito”. Num sentido
muito bom, Ele sempre age de modo contrário aos
nossos desejos e intenções. Abraão queria levar
consigo seu pai, mas este morreu. Queria ter Ló, mas
este se separou dele. Queria Eliezer para ser o seu
herdeiro, mas este foi rejeitado. Queria manter
Ismael, mas Deus ordenou-lhe que lançasse fora o
filho da serva. Amava seu filho Isaque, mas Deus
exigiu que este Lhe fosse oferecido sobre o altar.
Pouco depois, Sara, sua querida esposa, foi levada.
Duvido que Abraão tivesse muito tempo para deleite.
Mas há outro lado em nossa vida cristã.
Enquanto sofremos o despojar, desfrutamos a nossa
herança. É por isso que os registros de Abraão e
Isaque se sobrepõem, ao passo que os registros dos
que os precederam – como Abel, Enoque e Noé – não
se sobrepõem. O registro de Isaque é mesclado com o
de Abraão. Enquanto Abraão sofria, Isaque
desfrutava. Enquanto Abraão chorava, Isaque se
regozijava. Isso indica que nossa vida cristã é uma
vida de noite e manhã. A noite está à nossa mão
esquerda e a manhã, à nossa mão direita. Na vida
cristã, noite e manhã andam juntas. Muitas vezes fui
incapaz de determinar se estava na noite ou na
manhã. Enquanto estava na manhã, estava na noite;
e, enquanto estava na noite, estava na manhã. Por
um lado, eu era Abraão sendo despojado de tudo, e,
por outro, eu era Isaque desfrutando a herança.
Todos fomos escolhidos com Jacó. Fomos
chamados e cremos com Abraão. Por sermos
despojados com Abraão e estarmos desfrutando com
Isaque, um dia todos estaremos amadurecidos com
Jacó. Não devemos dizer que certo irmão é um Jacó,
um Abraão ou um Isaque. Devemos chamá-lo um
Jacó-Abraão-lsaque. Ele é Jacó no início e no fim, e é
Abraão mais Isaque no meio. Esses três são uma
pessoa completa. Como vimos, a maturidade de vida
não está com Abraão nem com Isaque, mas com Jacó.
O sinal da maturidade de vida é a bênção. Vi
milhares de cristãos. Quase todos têm suplantado ou
reclamado. Alguns queixam-se dos presbíteros, dos
irmãos e de todas as igrejas. Parece que a única igreja
de que gostam é a Nova Jerusalém. Queixar-se é um
sinal de imaturidade. Quando amadurecer, você não
se queixará, mas abençoará, dizendo: “Ó Deus,
abençoa todos os irmãos e todas as igrejas”. Para o
que está amadurecido na vida, a mão suplantadora
transformou-se em mão abençoadora. Quanto mais
maduro se tomar, mais você abençoará os outros.
Não somente abençoará os bons, mas também os
maus, e até mesmo os piores.
A vida de Abraão foi maravilhosa e tem sido
apreciada pelos cristãos ao longo dos séculos. Mas
como vimos, ele não foi maduro na vida divina. O
nosso Deus não é somente Deus Pai, mas também
Deus Filho e Deus Espírito. Não é somente o Deus de
Abraão, mas também o Deus de Isaque e o Deus de
Jacó. Que todos possamos ver que precisamos de
todos os três aspectos: da vida de Abraão mais a de
Isaque e a de Jacó. O Deus Triúno está trabalhando a
Si mesmo dentro de nós como Pai, Filho e Espírito, a
fim de tomar-nos Sua expressão plena. Ele é o Deus
Triúno, e precisamos também ser uma pessoa com
três aspectos nas experiências espirituais da vida
divina. Precisamos ser totalmente transformados.
Quando estivermos plenamente transformados, Deus
terá o cumprimento do Seu propósito.
MENSAGEM SESSENTA E TRÊS

HERDANDO GRAÇA
Enfatizamos nas mensagens anteriores que,
segundo a experiência de vida, Abraão, Isaque e Jacó
são três partes de uma pessoa completa e' que por
isso não deveríamos considerá-los como três
indivíduos separados. Se percebermos a vida contida
no livro de Gênesis veremos que, aos olhos de Deus,
essas três pessoas são uma unidade completa em
experiência de vida.

3. O Segundo Aspecto-a Experiência de


Isaque a. Herdou Graça
Nesta mensagem chegamos ao segundo aspecto
da experiência do chamado: a experiência de Isaque
(21:1-28:9; 35:28-29). Não é fácil aos cristãos
compreenderem essa experiência. É-lhes fácil, pelo
contrário, compreender os três pontos principais da
experiência de Abraão: ser chamado, viver pela fé e
viver em comunhão com Deus. Mas que diremos
sobre Isaque? Ao lermos o registro de sua vida, nos
capítulos 21 a 28, que vemos sobre a experiência de
vida? Não vemos que ele foi chamado, viveu pela fé
em Deus, nem que viveu em comunhão com Deus. De
acordo com Gênesis, vemos como ele nasceu, casou-
se e gerou dois filhos. Mas é difícil dizer que
experiência de vida encontramos nesse relato. No
registro da vida de Isaque está subentendida a
experiência da graça. O que ele experimentou foi o
herdar a graça de Deus. Essa graça não foi revelada
tão plenamente no Antigo Testamento como o foi no
Novo, porque ela, na verdade, veio por meio de Jesus
Cristo (Jo 1:17). Depois de Cristo vir, há uma plena e
total revelação da graça, e no Novo Testamento tal
palavra é usada repetidas vezes. O Novo Testamento
inclusive termina com a menção da graça: “A graça
do Senhor Jesus seja com todos” (Ap 22:21). A Bíblia
começa, no Antigo Testamento, com as palavras: “No
princípio criou Deus os céus e a terra” e termina, no
Novo Testamento, com: “A graça do Senhor Jesus
seja com todos”. Embora o registro de Gênesis
relativo a Isaque não tenha o termo “graça”, esta,
todavia, está lá subentendida. Por essa razão, a
muitos é bem difícil entender a Bíblia. Na Bíblia pode
existir algo sem que se registre um termo para
denominá-lo, Embora a experiência de Isaque esteja
registrada em Gênesis, é difícil designá-la como
experiência de graça.
De acordo com a revelação do Novo Testamento,
até onde diz respeito à experiência de vida, Abraão,
Isaque e Jacó não deveriam ser considerados como
três indivíduos separados, mas como aspectos da
experiência de vida de uma pessoa completa. Abraão
representa o aspecto de ser chamado, de viver pela fé
em Deus e de viver em comunhão com Ele. Isaque
representa o aspecto de herdar a graça e de desfrutar
a herança. Jacó representa o aspecto de ser escolhido,
de ser tratado pelo Senhor e de ser transformado
num príncipe de Deus. Na experiência de vida há o
aspecto do desfrutar, o desfrutar da graça. A maioria
de nós já ouviu mensagens dizendo que a vida cristã
deveria ser uma vida de sofrimento, uma vida de
carregar a cruz e de gemer em oração. Você não
ouviu mensagens dizendo-lhe que hoje não é tempo
de desfrutar, mas de sofrer e de carregar a cruz, e que
o nosso desfrute começará na época em que o Senhor
voltar? Não digo que isso seja errado, mas digo que é
somente um aspecto da vida cristã. Há um outro
aspecto: o de desfrutar.
No sentido bíblico e experiencial, graça significa
desfrute. A graça é o desfrute em nossa vida cristã.
Nossa vida cristã tem três aspectos: o de Abraão, o de
Isaque e o de Jacó. Em Abraão não podemos ver
muito desfrute. Embora tenha sido abençoado e
enriquecido, não teve muito de~eite. Perdeu seu pai e
Ló tornou-se-lhe um desgosto. Eliezer, em quem
confiava, foi rejeitado; Ismael, o filho gerado pelo seu
próprio esforço, mediante sua concubina, foi lançado
fora. Depois que Isaque nasceu, Deus exigiu que ele
Lhe fosse sacrificado como oferta queimada. Não
muito tempo depois de Isaque lhe ser devolvido,
Abraão perdeu sua querida esposa. Por toda a sua
vida podemos ver o aspecto de perda. Embora a
Bíblia não mostre que ele tenha sofrido muito,
sabemos que perdeu quase tudo. Isso é toda a vida
cristã? Se for, então ela é apenas uma vida de perdas.
Mas a questão de perda é somente um aspecto da
vida cristã. Romanos 5:2 não diz: “Temos o acesso
para esta perda na qual estamos firmes”. Mas diz:
“Obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça
na qual estamos firmes”. Deus não tem intenção de
manter-nos em perda; Sua intenção é introduzir-nos
na graça, no deleite.
Deus quer introduzir-nos no gozo da graça, mas
há um estorvo à Sua graça: o ego. Nós mesmos somos
o estorvo. Embora Cristo tenha vindo, e com Ele a
graça, e embora tenh~mos sido introduzidos na graça
na qual estamos firmes, o maior estorvo a ela somos
você e eu. Dessa forma, antes de podermos ter a
experiência de Isaque, precisamos de Abraão, que
representa o primeiro aspecto da experiência de vida.
A vida de Abraão revela que, se quisermos desfrutar a
graça de Deus e ter o gozo pleno das Suas riquezas,
precisamos ser tratados, circuncidados e cortados. Se
Abraão não fosse circuncidado, Isaque jamais teria
nascido. Este só chegou após a circuncisão de Abraão.
Depois de circuncidado em Gênesis 17 é que Deus lhe
disse que Isaque nasceria (17:19). Por fim, no
capítulo 21, Isaque nasceu. Veio com a visitação de
Deus; nasceu pela visitação de Deus. A visitação de
Deus equivaleu ao nascimento de Isaque. Deus
visitou Sara e essa visitação tornou-se o nascimento
de Isaque. Isso é graça.
Deus veio para ser desfrutado pelos Seus
chamados. Entretanto, se quisermos ter esse deleite,
o ego deve sair. Uma vez que o ego se vá, Isaque virá.
Isso significa que a graça vem. Não é fácil perder o
ego. Para que ele se vá, precisamos sofrer perda. Você
está disposto a perder a si mesmo? Não creio que
alguém esteja disposto a tanto. Todavia, precisamos
perder a nós mesmos antes que a graça possa vir.
Perder o ego é perder a nossa face. Quando
preservamos nossa face, perdemos a graça. Se
quisermos recebê-la, precisamos perder aquela.
Irmão, quando você trata com sua esposa no seu
viver diário, precisa estar preparado para perder a si
mesmo. Se o fizer, a graça virá. Depois que Abraão foi
circuncidado, Isaque veio. Este é o princípio.
Conosco, o ego deve ir; então a graça virá.
Precisamos primeiramente ser Abraão, depois é que
nos tornamos Isaque.
Não foi fácil para Abraão perder a si mesmo.
Num bom sentido, Deus o forçou a isso. Quando o
chamou, Deus não lhe disse: “Abraão, você precisa
perder a si mesmo, e então Eu virei para ser a sua
graça e o seu gozo”. Não, quando o chamou, Deus
prometeu abençoá-lo. A bênção do Antigo
Testamento equivale um pouco à graça do Novo
Testamento. Qual é a diferença entre bênção e graça?
Quando Deus nos dá algo gratuitamente, ISSO é
bênção. Quando, porém, essa bênção é trabalhada
dentro do nosso ser, ela torna-se graça. Deus
prometeu a Abraão que o abençoaria. Trabalhada
dentro de Abraão a bênção tornou-se graça. O seu
ego e o seu homem natural eram o mais forte estorvo
para a bênção de Deus, forçando-O a tratar com ele.
O mesmo é verdade em nossa experiência. Todos
fomos chamados, e Deus deu-nos as bênçãos em
Cristo (Ef 1:3). Todavia, depois de chamados, ainda
estamos em nós mesmos e exercitamos o nosso
próprio esforço para obter a bênção de Deus. Quando
jovem, percebi que minha carne não era boa. Ao me
dizerem que ela tinha sido pregada na cruz, fiquei
muito feliz. Comecei, então, a exercitar meu próprio
esforço para crucificá-la. Entretanto, ao exercitar
meu próprio esforço, estorvei a graça de Deus. O
eliminar da carne já fora feito; não era necessário o
meu esforço. Ainda assim eu – o ego – estava
tentando pregar minha carne na cruz. Tal ego era o
maior estorvo para a graça de Deus; separou-me da
graça. Se considerarmos nossa experiência passada,
veremos que, após ouvirmos as boas novas, tentamos
várias vezes por nós mesmos alcançar as coisas
ouvidas na pregação. O nosso próprio esforço tem
sido um estorvo para a graça de Deus. Por esta causa,
Ele tem sido forçado a tratar conosco.
Ser chamado por Deus, viver pela fé Nele e viver
em comunhão com Ele, tem por finalidade desfrutá-
Lo. Fomos chamados para desfrutar Deus;
precisamos aprender a viver pela fé Nele a fim de que
possamos ter o Seu desfrute e precisamos viver em
comunhão com Ele para podermos participar de
todas as Suas riquezas. Tudo isso tem uma finalidade
– o desfrute de Deus. Mas não vemos tal desfrutar
com Abraão; vemo-lo com Isaque. Todos tivemos ao
menos alguma experiência de ser chamados por Deus,
de viver pela fé Nele, em comunhão com Ele, e de
sofrer perdas. Somos hoje verdadeiros Abraãos. Mas
também podemos testificar que, para nossa surpresa,
em meio à nossa perda houve algum deleite.
Enquanto sofríamos a perda, inconscientemente
desfrutávamos algo. Ao sofrermos qualquer
tratamento da parte de Deus, simultaneamente
tínhamos algum deleite. Enquanto éramos o Abraão
sofredor, também éramos o Isaque desfrutador. Por
essa razão, o registro relativo a Isaque não vem logo
após o registro referente a Abraão. Pelo contrário,
está mesclado com o registro da vida desse último.
Enquanto Abraão ainda estava lá, Isaque chegou,
porque ambos não eram dois indivíduos separados
na experiência de vida, mas dois aspectos da
experiência de uma única pessoa completa.
Precisamos tanto das experiências de Abraão como
das de Isaque. Talvez hoje mesmo você tenha
determinada experiência e diga: “Não sei por que isso
me aconteceu”. Mas bem em seu íntimo você sabe.
Em meio à sua perda, você ganha e desfruta Cristo.
Essa é a experiência de Isaque.
Se apenas tivéssemos Abraão sem Isaque,
ficaríamos muito desapontados com tal registro.
Diríamos: “Qual é a vantagem de ser o pai da fé se
isso é somente uma questão de sofrer perda?
“ Entretanto, quando vemos a experiência de Isaque,
dizemos: “Agora compreendo por que Abraão sofreu
tanta perda. Todas as experiências negativas de
Abraão eram para o deleite positivo com Isaque”.
Abraão era para Isaque. Adquiriu muita fortuna,
tendo sido abençoado e expandido, mas deu tudo o
que tinha a Isaque (24:36; 25:5). Ele sofreu para o
ganho de Isaque. Quanto mais aquele sofria, mais
este ganhava. Eu diria: “Pobre Abraão, você tão-
somente é uma pessoa sofredora. Tudo o que ganhou
por meio de seu sofrimento não foi para si mesmo,
mas para Isaque”. Todos precisamos perceber que
hoje não somos apenas Abraãos, mas também
Isaques. Se você me dissesse: “Irmão, você é um
pobre Abraão, sempre sofrendo”, eu replicaria: “Você
não sabe que também sou um Isaque? Tenho sofrido
perda para que eu possa ganhar. Perco como Abraão
e ganho como Isaque. Não sou apenas Abraão. O meu
nome é Abraão-lsaque. Pelo lado da perda sou
Abraão; pelo lado do ganho sou Isaque”.
Somos tanto Abraão como Isaque. Como Abraão,
fomos chamados por Deus, aprendemos a viver pela
fé Nele e em comunhão com Ele. Ao mesmo tempo,
como Isaque, nada fazemos exceto desfrutar tudo o
que ganhamos da experiência de Abraão. Que tipo de
experiência você mais aprecia: a de Abraão ou a de
Isaque? Sem a experiência do primeiro não podemos
ter a do segundo. Deus está tratando conosco como
tratou com Abraão, para que possamos ter a
experiência de Isaque.
A questão da graça tem sido oculta, escondida e
velada através dos anos. Que é graça? Graça é algo de
Deus trabalhado dentro do nosso ser, operando
dentro de nós e fazendo coisas por nós. Não é nada
exterior. A graça é Deus em Cristo trabalhado dentro
do nosso ser para viver, trabalhar e fazer coisas por
nós. Em 1 Coríntios 15:10, Paulo diz: “Mas, pela graça
de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi
concedida, não se tornou vã, antes trabalhei muito
mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça
de Deus comigo”. Essa palavra é bem profunda.
Paulo não disse: “Pela graça de Deus, tenho o que
tenho. Tenho um bom carro, um bom emprego e uma
boa esposa pela graça de Deus”. Ele nem mesmo
disse: “Pela graça de Deus, faço o que faço”. Não é
uma questão de fazer, ter ou trabalhar. É totalmente
uma questão de ser. Daí Paulo dizer: “Mas, pela graça
de Deus, sou o que sou”. Isso significa que a própria
graça de Deus tinha sido trabalhada dentro do seu
ser, fazendo dele aquele tipo de pessoa. Em Gálatas
2:20, Paulo diz: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo
vive em mim”. Se colocarmos este versículo junto
com 1 Coríntios 15:10, veremos que a graça é
simplesmente Cristo vivendo em nós. É “não eu, mas
a graça de Deus”, “não eu, mas , Cristo”. A graça não
está fora de nós ou ao nosso lado. E a Pessoa divina,
o próprio Cristo trabalhado dentro do nosso ser para
ser o elemento constituinte do nosso ser. Por causa
da falta de revelação, os cristãos têm compreendido
erroneamente ou interpretado mal a graça, pensando
ser ela algo exterior a eles. Mas graça é simplesmente
o Deus Triúno trabalhado dentro do nosso ser para
ser o que deveríamos ser, e para viver, trabalhar e
fazer coisas por nós de modo a podermos dizer: “Eu
sou o que sou pela graça de Deus. Não eu, mas a
graça de Deus”.
Todos fomos ensinados a ter um bom
comportamento e a amar uns aos outros. Como
resultado, tentamos ter um bom comportamento e
amar os outros. Mas não importa se podemos amar
os outros ou não, pois Deus jamais reconhecerá o
nosso amor. Abraão foi bem-sucedido ao gerar
Ismael, mas Deus o rejeitou. Deus parecia dizer:
“Não, Abraão, não é isso o que quero. Quero algo
trabalhado e operado em você. Você gerou Ismael
sem a Minha visitação. Eu estava no céu e você estava
na terra gerando Ismael. Por ele não estar
relacionado Comigo e com a Minha visitação, jamais
o reconhecerei. Um dia visitarei Sara e a Minha
visitação gerará Isaque. Só a ele reconhecerei”. Se
amarmos os outros em nós mesmos, Deus jamais
reconhecerá tal amor por não se originar de Sua
visitação. Ele quer visitar-nos, entrar em nós, viver
por nós e até amar os outros por nós. Ele somente
reconhecerá esse tipo de amor. O seu amor é um
Ismael; o amor fruto da visitação de Deus é um
Isaque. Se você é humilde ou orgulhoso, desonesto
ou honesto, isso nada significa. Deus não reconhece
nada que sai de você à parte de Sua visitação. O que
não é proveniente da graça não é reconhecido, não é
contado por Deus. Todos precisamos dizer:-o Senhor,
nada farei sem a Tua visitação. Senhor, se não me
visitares e não operares algo por meio de mim e em
mim, nada farei. Não odiarei nem amarei, não serei
orgulhoso nem humilde. Quero ser vazio. Senhor,
sem a Tua visitação eu nada sou”. A visitação de Deus
é a graça prática. Quando amo os outros e sou
humilde pela visitação de Deus-não pelo meu próprio
esforço-, isso é o deleite da graça.
Como vimos, a intenção de Deus é trabalhar-se
dentro de um homem corporativo a fim de poder ter
uma expressão corporativa. Essa é a concepção
básica da revelação divina da Bíblia. Esse é o
propósito eterno de Deus. Ele chamou Abraão com o
objetivo de trabalhar-se dentro dele, mas este tinha
um ego forte. Tal ego natural era o mais forte estorvo
ao propósito de Deus. O mesmo é verdade conosco
hoje. O propósito de Deus é trabalhar-se dentro de
nós para ser a nossa vida e até mesmo o nosso viver,
mas o nosso ego natural atrapalha. Por isso, Deus
precisa cortar-nos e tratar conosco, de modo a poder
entrar em nós para ser tudo para nós. Deus não
precisa que amemos os outros e sejamos humildes
para que a sociedade seja aperfeiçoada. Se quiser
uma sociedade melhor, Ele somente terá de dizer
“sociedade melhor”, e ela virá a existir. Ele chama à
existência coisas que não existem (Rm 4:17) , e não
precisa da nossa ajuda. Deus quer trabalhar a Si
mesmo dentro de nós para ser a nossa humildade e o
nosso tudo. Ele quer que digamos: “Senhor, nada sou
e nada farei. Simplesmente me abro a Ti a fim de
poderes entrar, fazer o Teu lar em mim, viver em
mim e fazer tudo por mim. Senhor, Tu vives, e eu
desfrutarei o Teu viver. Toda vez que fizeres algo em
mim, eu direi: “Louvado sejas, Senhor. Isto é
maravilhoso! Não sou eu o autor; sou um desfrutador,
apreciando tudo o que estás fazendo por mim”.
A intenção de Deus é tratar com Abraão para que
Isaque possa vir. Sua intenção é tratar com o nosso
ser natural, para que possamos ter a plena
experiência Dele em Cristo trabalhada em nós como
o nosso gozo. Tenho experienciado a vida conjugal
por quase cinqüenta anos, provando muito deleite e
muito sofrimento. Antes de casar, eu realmente
amava o Senhor e freqüentemente Lhe dizia o quanto
O amava. Depois de casar, fui a Ele e assegurei-Lhe,
dizendo: “Senhor, porque Te amo, quero ser o
melhor marido”. Por fim, fracassei. Fui a Ele e
confessei todas as minhas falhas. Após experimentar
a unção, fiquei feliz e decidi outra vez tentar ser o
melhor marido. Mas falhei novamente, e essa
experiência de altos e baixos repetiu-se várias vezes.
Mais tarde, até dei uma mensagem onde dizia: “A
vida cristã tem muitas noites e manhãs. Nunca fique
desapontado com seus fracassos. Tão-somente espere
algumas horas e estará outra vez na manhã”. Durante
muitos anos passei por dias e noites, noites e dias.
Um dia recebi a revelação e disse: “Homem estúpido,
quem o ensinou a proceder assim? Cristo está aqui,
esperando para ser sua graça. Você precisa dizer:
'Senhor, nada sou e nada posso fazer. Mesmo que
pudesse fazer algo, isso jamais seria reconhecido por
Ti. Vem, Senhor, e faze o Teu trabalho, e sê o melhor
marido por mim. Esse é Teu trabalho, não meu. Tu
me incumbiste e eu Te devolvo a incumbência e Te
peço que a executes. Senhor, sê Tu o melhor marido,
e eu Te louvarei por isso”'. Sempre que orava assim, o
Senhor sempre fazia o melhor. Isso é graça. Graça é
Deus trabalhando a Si mesmo dentro do nosso ser
como nosso gozo. O próprio Deus hoje não é somente
Deus Pai, mas também Deus Filho e Deus Espírito.
Além disso, Deus Espírito é o Espírito da graça (Hb
10:29) , e esta graça é a graça de vida (1Pe 3:7) , que é
“a graça multiforme” (1Pe 4:10) , a “toda a graça”
(1Pe 5:10) , e a “graça suficiente” (2 Co 12:9). O Deus
Triúno é tal graça, e esta graça agora está com o
nosso espírito (GI 6:18). A graça é a Pessoa divina do
Deus Triúno como o Espírito habitando dentro do
nosso espírito. É o Espírito da graça habitando
dentro do nosso espírito para ser o nosso gozo de
modo a podermos desfrutar Deus como nossa vida e
nosso tudo, até mesmo como o nosso viver. É por isso
que todas as epístolas de Paulo terminam com estas
palavras: “A graça seja convosco”. Por exemplo, 2
Coríntios 13:13 diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo,
e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo
sejam com todos vós”. A graça não está fora de nós:
está em nós. Como quer que o chamemos – Espírito
da graça ou Espírito de vida – isso é algo vivo e
divino em nosso espírito. Realmente temos tal
realidade divina, o próprio Deus Triúno em nosso
espírito como nossa graça e nosso gozo. Quando Ele
ama os outros por meio de nós, esse amor é o nosso
deleite. Quando Ele vive e se expressa por nosso
intermédio, esse viver é também o nosso deleite. Dia
e noite podemos desfrutar o Seu viver por meio de
nós.
Por que sofremos, então? Porque o nosso ego, o
homem natural, ainda está aqui e precisa ser tratado.
Louvado seja Ele porque nenhum tratamento é vão.
Qualquer tratamento Seu é uma quebra do nosso
homem natural a fim de que possamos desfrutá-Lo
mais como nossa graça. Assim, temos Abraão e
Isaque; temos o sofrimento da perda e o desfrute do
ganho. Esse ganho não é de coisas exteriores, mas
Daquele que habita interiormente, isto é, do Espírito
da graça e da graça da vida. Novamente digo que
qualquer presente que Deus nos dê exteriormente
será, no máximo, uma bênção. Quando tal presente é
trabalhado dentro do nosso ser, tornando-se o
elemento de vida em nosso interior, isso é graça. A
bênção deve tornar-se graça. No Antigo Testamento,
Deus deu muitas coisas a Seu povo como bênçãos,
mas todas aquelas coisas eram simplesmente
bênçãos exteriores. Antes de Cristo vir, nenhuma
delas foi trabalhada dentro do povo de Deus. Cristo
não veio somente para morrer por nós na cruz, mas
também para, após Sua morte, tornar-se o Espírito
que dá vida a fim de entrar em nosso ser. Assim, no
Novo Testamento, temos os termos “em Cristo” e
“Cristo em vós”. Ele agora está em nós e nós estamos
Nele. Tudo o que Deus nos dá em Cristo foi
trabalhado em nosso ser e tornou-se graça, tornou-se
o nosso deleite. Não estamos agora simplesmente sob
Sua bênção; estamos em Sua graça e Sua graça está
em nós. De que você está desfrutando hoje: da
bênção ou da graça? O Novo Testamento jamais diz:
“A bênção seja convosco”. Pelo contrário, diz
repetidamente: “A graça seja convosco”.

(1) NASCEU DA GRAÇA


Depois que a força natural e o esforço próprio de
Abraão foram tratados por Deus, Isaque nasceu
(17:15-19; 18:10-14; 21:1-7). Isso implica que Isaque
nasceu da graça, que é representada por Sara (GI
4:24-28, 31). O registro de Gênesis define esse tempo
do nascimento de Isaque como “tempo da vida”
(18:10, 14-hebr.). Toda vez que o esforço da vida
natural cessa, tal é o tempo da vida. No tempo da
vida, algo nasce em graça. A graça está relacionada
com a vida, e a vida anda de mãos dadas com a graça.
Por isso, a graça é chamada de “graça da vida” (1 Pe
3:7-VRC).

(2) CRESCEU NA GRAÇA


Isaque cresceu em graça (21:8). Pela sua história,
vemos que ele nada fez. Nasceu e foi criado. Não digo
que tenha crescido, mas que foi criado. Como um
fazendeiro que planta maçãs em seu pomar, Deus
cuidou de Isaque como uma árvore de Seu pomar.
Isaque foi criado por Deus em graça.
A Segunda Epístola de Pedro 3:18 exorta-nos a
“crescer na graça”. Isso indica que crescer é o
alimentar e o regar revelados por Pedro em 1 Pedro
2:2 e por Paulo em 1 Coríntios 3:2 e 6. Crescer na
graça é crescer no deleite de tudo o que Cristo é para
nós como nossa comida espiritual e nossa água viva.
Todas as riquezas que Cristo é para nós destinam-se
ao nosso crescimento em vida. Quanto mais
desfrutamos as riquezas de Cristo (Ef3:8) mais
crescemos em vida (4:15).

(3) TORNOU-SE O HERDEIRO NA GRAÇA


Isaque também tornou-se o herdeiro na graça
(Gn 21:9-12). Tudo o que seu pai tinha era seu,
porque Abraão dera todas as suas riquezas ao seu
único herdeiro. De semelhante modo, não devemos
ter prazer em nós mesmos. Todo o prazer da herança
deve estar na graça.

(4) OBEDECEU NA GRAÇA


Isaque também obedeceu na graça (22:5-10). Ao
ler Gênesis 22 no passado, não conseguia
compreender como Isaque, um jovem, pôde ser tão
obediente. Por fim, vi que ele foi obediente por estar
saturado da graça. Estava totalmente na graça e sua
obediência também estava na graça. Tal obediência
introduziu a provisão de Deus. Ocorre o mesmo
conosco. Toda vez que obedecemos na graça,
encontramos a provisão de Deus. A graça de Deus é
poderosa, capacitando-nos a suportar qualquer coisa.
Paulo disse a Timóteo: “Fortifica-te na graça que está
em Cristo Jesus” (2 Tm 2:1). A graça pode, inclusive,
reinar sobre todas as coisas (Rm 5:21). Não devemos
decair dela (Gl 5:4) , mas, pelo contrário, devemos
ser confirmados por ela (Hb 13:9). Quanto mais
estivermos na graça, mais provisão dela
encontraremos e mais dela participaremos.

(5) HERDOU TUDO DO PAI


Isaque herdou todas as coisas de seu pai (24:36;
25:5). Foi pela graça, não por seu próprio esforço,
que ele se tornou o herdeiro das riquezas do pai.
Nada lhe foi exigido para poder herdá-las, e ele nada
fez pela herança. Foi absoluta e incondicionalmente
fruto da graça.
No Novo Testamento todos os crentes chamados
são herdeiros da graça absoluta e incondicional de
Deus. Ele chamou-nos e nos abençoou com todas as
bênçãos espirituais em Cristo (Ef 1 :3). Em Cristo Ele
colocou-nos na graça a fim de que nos tornássemos
os herdeiros da graça, herdando todas as riquezas da
plenitude divina como nosso deleite. Nossa vida
cristã deve ser como a de Isaque, nada fazendo por
nós mesmos, mas herdando e desfrutando tudo o que
o Pai tem. Na herança da graça, precisamos cessar o
esforço da nossa vida natural, de modo que possamos
manter-nos abertos e disponíveis para desfrutar a
graça.

(6) HERDOU A PROMESSA FEITA A SEU PAI


Isaque herdou não somente tudo o que seu pai
tinha, mas também a promessa que Deus fizera a
Abraão com referência à boa terra e à única semente,
Cristo, em quem serão abençoadas todas as nações
da terra (26:3-5). Essa promessa, na verdade, era
para o cumprimento do propósito de Deus, a fim de
que Ele pudesse ter um reino na terra onde
expressar-se por meio de um povo. Tanto a boa terra
como a semente são para a formação de um reino
para Deus na terra. Nesse reino, Deus pode ser
totalmente expresso na semente; dentro da qual Ele
trabalhará a Si mesmo e que será transformada à Sua
imagem. Essa era uma promessa feita a Abraão e
herdada por Isaque. Hoje temos o seu cumprimento
e estamos desfrutando o Deus Triúno como nossa
graça. É mediante o nosso desfrute da graça que o
reino de Deus será percebido e Deus em Cristo será
totalmente expresso pela eternidade.
MENSAGEM SESSENTA E QUATRO

DESCANSANDO E DESFRUTANDO
Agradecemos ao Senhor por haver-nos dado, no
Antigo Testamento, um quadro claro e maravilhoso
da experiência de vida. No Novo Testamento temos a
revelação da experiência de vida, mas não temos dela
um quadro tão claro como observamos no Antigo
Testamento. Estamos todos familiarizados com o
provérbio que nos diz que uma figura é melhor do
que mil palavras. Embora tenhamos despendido
muitos anos a refletir sobre a experiência de vida
revelada no Novo Testamento, não podemos ter
certeza disso somente por meio das palavras do Novo
Testamento. Precisamos também das figuras do
Antigo Testamento. Pela misericórdia do Senhor
temos visto através dos anos que todas as histórias
do Antigo Testamento descrevem os diversos
aspectos da experiência de vida. Bem no íntimo sinto
que o Senhor nos mostrou o quadro completo e
capacitou-nos a compreender o seu significado real.
Como já enfatizamos, há três aspectos na
experiência de vida de todo cristão: o de Abraão, o de
Isaque e o de Jacó. Se não tivéssemos essa visão clara,
apenas haveríamos de considerar Abraão, Isaque e
Jacó como três indivíduos separados. Mas após
recebermos a revelação e a compreensão à luz do
Novo Testamento, percebemos que esses três
homens não são três indivíduos separados, mas três
aspectos de uma única pessoa completa na
experiência de vida. Alguns, achando difícil acreditar
que Abraão, Isaque e Jacó representam três aspectos
de uma pessoa completa, podem argumentar: “Como
você pode dizer que Abraão não é uma pessoa
completa? Abraão é só Abraão, e o mesmo é verdade
com relação a Isaque e Jacó”. Se você não crê que
essas três pessoas são três aspectos da experiência
completa de uma única pessoa, eu lhe pergunto: Você
pode ver a escolha de Deus em Abraão? O primeiro
item de nossa experiência com Deus é a Sua escolha,
feita antes da fundação do mundo. Vemos isso
claramente no Novo Testamento (Ef 1:4), mas não
podemos vê-lo na experiência de Abraão. Assim, no
que diz respeito à escolha de Deus, Abraão precisa de
mais alguém para aperfeiçoá-lo, A escolha, que não
podemos encontrar na vida de Abraão, está revelada
na de Jacó. Além de sermos escolhidos, nós, cristãos,
também somos chamados. Em Isaque não vemos
nem escolha nem chamamento. Dessa forma, em si
mesmo, Isaque não é completo. O seu chamamento
está em Abraão, assim como a escolha deste está em
Jacó. Por meio desses dois exemplos, todos
deveríamos ficar convencidos de que Abraão, Isaque
e Jacó constituem três aspectos de uma única pessoa
completa na experiência de vida. Em certo sentido,
somos todos Abraãos, porque fomos chamados e
aprendemos a viver pela fé em Deus em comunhão
com Ele. Por termos sido também colocados em
posição de graça, somos igualmente Isaques. Além
disso, como veremos nas mensagens posteriores,
somos também Jacós.
O aspecto de Isaque desvenda a questão da graça.
Não apenas fomos chamados e aprendemos a viver
pela fé em Deus e em comunhão com Ele, mas
estamos diariamente desfrutando algo de Deus. Se
não tivermos qualquer gozo em nossa vida cristã, não
seremos capazes de vivê-la. Caso contrário, seríamos
muito miseráveis. Glória ao Senhor porque temos
não só o aspecto de Abraão, mas também o de Isaque,
que é o aspecto da graça. A graça simplesmente
significa o desfrutar Deus. É o próprio Deus
tornando-se o nosso gozo em nosso espírito. Muitas
vezes temos dificuldades atribulando-nos mental e
emocionalmente. Todavia, enquanto sofremos em
nossa mente e emoção, há uma doce sensação no
íntimo do nosso espírito. Parece que, se não
tivéssemos tal sofrimento, não teríamos tal gozo. O
sofrimento cristão traz-nos o gozo cristão. No
momento em que invocamos o nome do Senhor
Jesus e O recebemos como o nosso Salvador,
começamos a ter esses dois aspectos em nossa
experiência. Talvez, na própria noite em que você
recebeu o Senhor Jesus, sua esposa o tenha feito
passar por maus bocados, discordando de você pelo
fato de tornar-se cristão, e chamando a isso de tolice.
Ela imediatamente começou a persegui-l o, e você
sofreu em sua mente, emoção e sentidos. Mas
enquanto sofria, em seu íntimo sentia algo doce que o
levava a ficar alegre. Dessa forma, desde o princípio
de sua vida cristã, você teve tanto o aspecto de
sofrimento, tipificado por Abraão, como o aspecto de
gozo, prefigurado por Isaque.

b. Descansando e Desfrutando
Na mensagem anterior vimos que Isaque herdou
graça. Com ele, tudo era uma questão de graça.
Nasceu na graça, cresceu na graça e foi feito herdeiro
da graça. Nesta mensagem precisamos ver que nele
deve ser observada também a questão do gozo. Sua
vida foi uma vida de descanso e gozo. O relato de sua
vida não indica que tenha sofrido muito. Pelo
contrário, revela que ele estava sempre descansando.
Isso é provado pelo seu meditar no campo (24:63).
Poderia ele meditar, se não estivesse calmo e
descansando? Não. Para meditarmos, precisamos
estar descansando. Se estivermos atribulados,
seremos incapazes de descansar. Isaque estava
sempre descansando. Em Gênesis 24 ele perdera sua
mãe, não tinha uma esposa e seu servo partira para
longe. Ainda assim ele não estava atribulado. Foi ao
campo para meditar, não para clamar ao Senhor. Não
disse:-ó Senhor, que eu devo fazer? Perdi minha mãe,
não tenho uma esposa e meu servo partiu. Senhor,
tem misericórdia de mim! “ Isaque não clamou desse
modo. Ao invés disso meditou.
Embora não possamos encontrar a palavra
“descansando” no relato da vida de Isaque, todavia,
este fato lá se encontra. Isaque era uma pessoa muito
descansada. Apesar das dificuldades encontradas
com os filisteus com relação aos poços, ele estava
sempre em descanso. Embora enfrentasse algumas
dificuldades, ele mesmo não se perturbava. Enquanto
os filisteus contendiam pelos poços, ele continuava
tranqüilo. Parecia estar dizendo: “Se vocês não
quiserem que eu fique aqui, à beira deste poço, irei
para outro lugar. Quando forem aborrecer-me lá, irei
para outro lugar ainda”. Com isso vemos que era
realmente uma pessoa tranqüila. Você é sempre
tranqüilo? Considere sua experiência nas últimas
vinte e quatro horas. Será que nada o aborreceu nem
o levou a perder sua tranqüilidade? A maioria de nós
precisaria admitir que estivemos intranqüilos. Isso
mostra que, embora sejamos Isaques, não estamos
sempre descansando. Recentemente, eu estava
fazendo um trabalho difícil e exaustivo sobre o livro
de Apocalipse, mas posso louvar ao Senhor porque,
enquanto trabalhava, estava muito tranqüilo e podia
dizer: “Nada tenho e nada posso fazer. Não tenho
necessidade de fazer nada porque o Senhor está
fazendo tudo”. Todos precisamos ser pessoas
tranqüilas.
Isaque não apenas descansava, mas também
desfrutava.
Toda a sua vida foi uma vida de deleite. Quando
já velho, ainda tinha o gosto por “comida saborosa”, e
pediu a Esaú que saísse ao campo e lhe preparasse a
carne de que ele gostava (27:1-4). Quando Rebeca
ouviu isso, disse a Jacó que fosse apanhar duas crias
de cabrito, a fim de que ela preparasse a carne para
Isaque (27:5-10). Por fim, depois que Jacó e Esaú
chegaram com a carne, Isaque teve uma porção
dobrada. Esaú, Rebeca e Jacó estavam ocupados,
mas Isaque apenas se sentou para desfrutar a carne.
Com isso vemos que ele era uma pessoa que
desfrutava sempre da provisão da graça. Esse
desfrutar era o seu destino.
Desfrutar também é o nosso destino. Irmãos
jovens, não se preocupem em conseguir uma esposa.
Se ficar descansando e cheio de alegria, a melhor
esposa virá até você. Em nossa vida cristã existe o
aspecto do gozo. Tenho-me esforçado desde os doze
anos. Agora, após quase sessenta anos, posso
testificar que muitas vezes o meu esforço atrapalhou
a vinda do gozo. Se não me houvesse esforçado, o
gozo teria vindo muito mais cedo e de maneira mais
rica. Por que o esforço atrapalha o gozo? Porque o
gozo é o nosso destino. Todos fomos predestinados a
isso. Irmãos jovens, esqueçam-se do seu esforço.
Simplesmente vão para casa, orem, louvem e
durmam. Na manhã seguinte levantem-se, façam
uma boa oração matinal e comam um farto desjejum.
Não se preocupem com encontrar uma esposa.
Rebeca virá até você. Esse é o gozo, que é o nosso
destino. Não somos filhos de Deus? Como poderiam
os filhos de Deus ser pessoas miseráveis? Precisamos
declarar: “Louvado seja o Senhor porque sou um
filho de Deus! O Deus todo-poderoso, todo-suficiente,
é meu Pai! “A palavra pai implica abundante provisão.
Uma vez que tenhamos um pai rico, temos a provisão
e não temos necessidade de nos preocuparmos.
Deveríamos simplesmente desfrutar essa provisão
abundante. Esse é o nosso destino.

(1) VIVENDO EM BEER-LAAI-ROI


Embora o gozo seja o nosso destino, precisamos
ainda nos importar com o lugar onde o temos.
Consideremos os nomes dos lugares onde Isaque teve
gozo. Primeiramente, esteve em Beer-Laai-Roi, que
quer dizer “o poço do Vivente que me vê”, ou “Aquele
que se revela” (24:62; 25:11). Em Beer-Laai-Roi,
Deus nos visita e se nos revela. A seguir, teve algum
gozo no poço chamado Eseque, que quer dizer
“contenda”. Eseque era um lugar de contenda, de luta
e de discórdia. Posteriormente, esteve em Sitna
(26:21), que significa “inimizade”, “ódio” ou
“oposição”. Mais tarde foi para Reobote, que tem um
significado positivo: “lugares amplos” ou “caminhos
espaçosos” . Por último, habitou em um lugar
chamado Seba, que significa “um juramento” (26:22-
33). Assim, Beer-Seba significa “o poço de um
juramento”. Isaque desfrutou graça em cada um
desses cinco lugares.
Antes de considerarmos o significado desses
lugares, precisamos ver onde Isaque cresceu. Ele foi
criado em Berseba, ao lado do poço e da tamargueira.
Antes de se casar, deixou Berseba e foi para a terra do
sul (24:62). Como já vimos, ir para o sul, na Bíblia,
significa descer. Não creio que Abraão tenha deixado
Berseba ou Hebrom quando Isaque o fez, mas
permaneceu ou em Berseba ou em Hebrom. Após
morrer-lhe a mãe e ir-se o seu servo, Isaque desceu
para a terra do sul. Depois voltou. A versão de João
Ferreira de Almeida diz: ele “vinha de caminho de
Beer-Laai-Roi”. Em hebraico, diz-se que “ele voltou
da ida para Laai-Roi”, querendo dizer que regressou
de Laai-Roi. Ao regressar de Laai-Roi ganhou uma
esposa. Se houvesse permanecido em Laai-Roi, não
voltando a Berseba ou Hebrom, teria perdido tal
encontro com Rebeca. Quando regressou da ida a
Laai-Roi, Rebeca chegou. O servo de Abraão não
sabia que Isaque deixara o lugar onde aquele estava.
Foi pelo Senhor que Isaque voltou de seu caminho
descendente. Retomou porque estava destinado para
o gozo.
Todos temos tido experiências semelhantes.
Após descermos, dizemos repentinamente: “Oh!
tenho de voltar”. E o momento do nosso regresso é a
hora exata em que Rebeca chega. Já experimentei
isso muitas vezes. Eu descera e, então, de repente,
disse a mim mesmo: “Preciso voltar”. Tão logo
regressei, o gozo chegou.
Assim que Isaque voltou de sua ida para longe, o
gozo chegou. Pelo regresso à posição correta ele
obteve uma esposa. Entretanto, após seu casamento,
ele e a esposa viajaram novamente em direção ao sul.
Gênesis 25:11 diz que, depois da morte de Abraão,
Isaque habitou junto do poço de Laai-Roi. Como
resultado de haver descido, ele achou-se em
inimizade com os filisteus.
Precisamos ver um quadro claro do registro
referente a Isaque. Ele não desceu tanto até o Egito,
mas foi para o sul até a Filistia, terra dos filisteus. De
acordo com o registro de Gênesis, o povo de Deus
tem dificuldades sempre que vai em direção ao sul.
Abraão passou por problemas no Egito e na terra dos
filisteus. Seu filho Isaque também encontrou
problemas ao ir à Filistia, porque enfrentou
contendas e inimizades com os filisteus. Embora
desfrutasse caminhos espaçosos-a amplidão-em
Reobote, não conseguiu lá a aparição do Senhor. Em
Laai-Roi, Sitna e Reobote, não havia aparição do
Senhor. O Senhor não lhe apareceu até que ele subiu
a Berseba. Na própria noite em que subiu de Reobote
para Berseba, o Senhor lhe apareceu (26:23-24).
Aqui precisamos ver um ponto crucial sobre o qual
muitos cristãos não estão claros. Como cristãos,
somos destinados a ter algum gozo. Onde quer que
estejamos, certos ou errados, somos destinados ao
gozo. Até mesmo quando desceu para Laai-Roi,
Isaque ainda desfrutava um poço, o poço do Vivente
que nos vê e que se nos revela. Alguns podem dizer:
“Isso é maravilhoso. Uma vez que eu tenha o Vivente,
que me vê e que se revela a mim, isso é o suficiente”.
Ao lermos a Bíblia, entretanto, precisamos guardar o
princípio da primeira menção. Laai-Roi,
primeiramente mencionado em 16:14, era o lugar
para onde Hagar fora após fugir de Sara. Uma vez
que Sara representa a graça, a fuga de Hagar significa
que ela deixara a posição de graça. No deserto, num
lugar de sofrimento, Deus a visitou. Assim, Laai-Roi
era um lugar onde alguém que deixara a posição de
graça podia ainda ter algum gozo pela visitação de
Deus.
No passado, pode ser que tenhamos questionado
se a nossa posição era correta, sentindo-nos um
pouco fora da posição de graça. Mesmo pairando essa
dúvida em nosso íntimo, ainda tínhamos algum gozo
e nos consolávamos, dizendo: “Se eu estivesse errado
não teria este deleite. Mas aqui tenho o poço do
Vivente que me visita. Tendo tal gozo, este lugar deve
estar correto”. Mas não está correto de todo. Por um
lado, somos destinados ao gozo, e em qualquer lugar
teremos uma porção disso. Por outro lado, podemos
ter este gozo na posição errada; não no lugar em que
Abraão plantou a tamargueira, mas no lugar onde
Hagar fugiu da graça. Laai-Roi era o lugar daquela
que fugira da graça, mas que ainda desfrutava um
pouco a visitação de Deus. Quase todos nós temos
tido essa experiência. Duvidávamos de nossa posição,
mas ainda tínhamos algum gozo e sentíamo-nos
confirmados por isso. Não tome esse gozo como
confirmação. Ainda que ele seja o nosso destino,
podemos tê-la em um terreno incorreto, em Beer-
Laai-Roi e não em Berseba.
Um poço significa gozo e satisfação. Durante
toda a sua vida, Isaque jamais sofreu sede. Aonde
quer que fosse, a um lugar certo ou errado, havia lá
um poço. Sua vida foi marcada por um poço. Alguns
podem argumentar conosco dizendo: “Você diz que
estou errado em minha posição, em minha base. Por
que tenho, então, um poço aqui? “ O fato de desfrutar
um poço não justifica sua posição porque o gozo é o
seu destino. No passado, muitos de nós
sustentávamos o conceito religioso de que, se
estivéssemos errados, Deus desistiria de nós e não
teríamos mais gozo algum. Mas não importa quão
errados possamos estar; ainda somos filhos do nosso
Pai e Ele jamais desistirá de nós. Posso ser a criança
mais travessa, mas cada dia continuo a desfrutar a
provisão de meu pai. Esse desfrutar é o nosso destino,
a nossa porção.
Quando alguns ouvem que Isaque tinha sempre
um poço aonde quer que fosse, podem pensar que,
uma vez tendo também esse gozo por destino, eles
podem ir aonde quiserem. Não pensem assim. Vocês
podem ter um poço para o próprio gozo, mas
perderão a aparição do Senhor e serão incapazes de
cumprir o propósito eterno de Deus. Mais tarde
veremos que o Seu propósito jamais poderá ser
cumprido em Laai-Roi, Eseque, Sitna ou mesmo em
Reobote, mas só poderá ser cumprido em Berseba;
nós precisamos permanecer lá. Se assim o fizermos,
experimentaremos a aparição do Senhor e teremos a
base para herdar as promessas a fim de cumprir o
Seu propósito eterno. Embora possamos ter poços-
até mesmo “um poço de água viva” (26:19, hebr.)-em
outros lugares, tais poços não podem capacitar-nos a
cumprir o Seu propósito eterno. Seu propósito
somente poderá ser cumprido no poço próximo à
tamargueira em Berseba.
Mesmo tendo Isaque algum gozo em todos os
lugares onde havia um poço, Deus não estava
satisfeito e usou o ambiente para forçá-lo a regressar
a Berseba. Deus parecia dizer: “Isaque, você se
estabeleceu, mas não no lugar certo. Levantarei
contenda que forçará o seu regresso a Berseba”.
Isaque estava descendo, mas Deus usou as
circunstâncias, forçando-o a subir de Beer-Laai-Roi
para Berseba. Uma vez que Isaque não tinha um
coração para voltar, Deus precisou forçá-lo a
regressar ao Seu lugar.
Alguns mestres cristãos têm encorajado os
cristãos a seguirem o exemplo de Isaque em não
contender com os outros. De acordo com esse
ensinamento, quando cavamos um poço e outros o
tomam, devemos simplesmente tolerar tal fato e
entregar-lhes o poço. Se formos a outro lugar,
cavarmos outro poço e outros o tomarem, não
deveremos lutar por ele, mas caminhar ainda a um
outro lugar. Por fim, chegaremos a um terceiro lugar,
um lugar de caminhos espaçosos. Mas tal
ensinamento não vislumbra o propósito de Deus, que
é conduzir Isaque de volta a Berseba, lugar onde
Deus lhe aparece. Em Berseba, após a aparição do
Senhor, Isaque edificou um altar, invocou o nome do
Senhor e armou a sua própria tenda (26:24-25). Não
edificou altar em nenhum outro lugar. A aparição do
Senhor, com a Sua promessa e o testemunho, todos
foram em Berseba. Somente nesse lugar Isaque
recebeu a promessa para o cumprimento do
propósito eterno de Deus. Não a recebeu em Beer-
Laai-Roi, o lugar do Vivente que vê e que se revela;
nem em Eseque, o poço da contenda; nem ainda em
Sitna, o poço da inimizade; nem mesmo em Reobote,
o poço dos caminhos espaçosos. Embora tivesse gozo
em todos esses lugares, somente teve a aparição do
Senhor (que é diferente da mera visitação de Deus)
em Berseba. Somente num único lugar, em Berseba,
ele poderia herdar a promessa e ter uma vida de
testemunho para o cumprimento do propósito de
Deus. Somente em Berseba, o poço do juramento,
podemos ter a aparição do Senhor, herdar a
promessa, edificar um altar, invocar o nome do
Senhor e armar uma tenda como testemunho. Aqui,
somente aqui, podemos cumprir o propósito eterno
de Deus.
O gozo que podemos ter em qualquer lugar-
porque esse é o nosso destino-não é uma
confirmação ou uma justificação da nossa posição. A
exatidão da nossa posição somente pode ser
determinada pela aparição do Senhor, não apenas
pelo gozo. Em muitos lugares tivemos gozo, mas
mesmo assim continuávamos com a profunda
sensação de não termos a aparição do Senhor. Além
disso, em tais lugares não edificamos um altar, não
armamos uma tenda, nem invocamos o nome do
Senhor do íntimo do nosso espírito. Embora
possamos ter algum gozo em qualquer outro lugar,
somente em Berseba podemos cumprir o propósito
de Deus.

(2) ASSEGUROU UMA NOIVA ESCOLHIDA


Vimos que Isaque desfrutou todos os poços.
Aonde quer que fosse havia lá um poço para seu
desfrute. Isso revela que, estando nós certos ou
errados em nossa posição, existe sempre um poço
para a nossa satisfação. Além de desfrutar os poços,
Isaque assegurou uma noiva escolhida (24:61-67).
Ganhou-a sem fazer nada. Enquanto meditava no
campo, ela veio-lhe ao encontro. Isaque não era uma
pessoa ativa, mas uma pessoa que desfrutava. Seu pai
e seu servo tudo fizeram para assegurar-lhe uma
noiva. Ele nem mesmo foi a Rebeca; Rebeca veio-lhe
ao encontro. Em toda a história, jamais ouvi outro
caso em que a noiva fosse ao encontro do noivo.
Todas as atividades naturais cristãs são apenas um
tipo de suplante, um tipo de agarrar o calcanhar.
Jamais suplante ou agarre o calcanhar dos outros.
Rebeca é sua porção, e ela virá. Antes da fundação do
mundo foi estabelecido que ela seria sua. Você crê
nisso? Ousa proclamar isso? Isaque recebeu sua
Rebeca simplesmente meditando no campo, e não
fazendo qualquer outra coisa. Isso é desfrutar.

(3) GANHOU FILHOS GÊMEOS


Depois de vinte anos sem filhos, Isaque ganhou
gêmeos (25:20-21, 26b). Deus não disse em Sua
promessa que Isaque, o único descendente de Abraão,
seria aquele em quem todas as famílias da terra
seriam abençoadas? Suponha que ele jamais tivesse
um filho. Como, então, poderia tal promessa ser
cumprida? E se essa promessa não fosse cumprida,
como seria executado o propósito de Deus? Assim,
não somente Isaque necessitava de um filho, mas
também Deus precisava de um descendente de
Isaque. Porque Isaque não percebeu isso durante
vinte anos, Deus nada fez. Deus tinha uma
necessidade e queria fazer algo a esse respeito, mas
exigia a cooperação do lado humano. Por vinte anos
Isaque ficou somente desfrutando, não se
importando com a necessidade de um filho. Mas
depois de vinte anos percebeu que tinha tal
necessidade e que ela correspondia à de Deus. Ao
percebê-lo, orou a Deus, e Deus respondeu à sua
oração.
O mesmo é verdade conosco hoje. Quando
percebermos que a nossa necessidade corresponde à
Sua, e então orarmos de acordo, Deus responderá a
nossa oração. Na verdade, Sua resposta à nossa
oração é o cumprimento do Seu propósito. Nossa
necessidade deve ser a Sua necessidade, e a oração
por nossa necessidade deveria também ser a oração
por Sua necessidade. Quando a nossa necessidade
corresponder à de Deus, e quando então orarmos por
nossa necessidade, a de Deus será também satisfeita.
Quando Isaque orou por um filho, qual necessidade
era maior: a de Isaque ou a de Deus? Certamente a de
Deus era maior. Todavia, a necessidade maior de
Deus somente poderia ser cumprida na necessidade
menor de Isaque. Somente quando o homem percebe
a própria necessidade e ora por ela, Deus tem como
vir, a fim de satisfazer a Sua necessidade. Deus tem
um propósito, e temos uma necessidade que
corresponde ao propósito de Deus. Mas Ele nada
pode fazer, até que percebamos nossa necessidade e
oremos por ela. Deus, então, responde à nossa oração,
satisfazendo nossa necessidade para o cumprimento
do Seu propósito. Por fim, Isaque teve um filho –
Jacó – que não somente lhe satisfez a necessidade,
mas também cumpriu o propósito eterno de Deus. De
Jacó veio Cristo, que introduziu a igreja, o reino e a
Nova Jerusalém. Todas essas coisas eternas
aconteceram por meio da necessidade de Isaque
sendo satisfeita, que corresponde à necessidade de
Deus.
Desfrutar é o nosso destino, e aonde quer que
formos haverá um poço. Mas no desfrutar da graça
de Deus, precisamos oferecer-Lhe nossa cooperação
humana, para que Ele possa cumprir Seu propósito
eterno por meio de nós. Isso quer dizer que o nosso
desfrute da graça jamais será em vão porque tal
desfrute do nosso lado toma-se, por fim, do lado de
Deus, o cumprimento do Seu propósito.

(4) RECEBEU UMA COLHEITA


CENTUPLICADA E TORNOU-SE GRANDE
Isaque recebeu uma colheita centuplicada e
tomou-se grande (26:12-14). “Tornou-se grande e
continuou a engrandecer-se, até que se tornou muito
grande” (hebr.). A palavra “grande” em 26:13 (hebr.)
significa “rico”. Tornou-se rico cumprindo o dever
normal de semear e mediante a bênção do Senhor.
Isso também foi uma espécie de gozo, mas tal gozo
não estava na posição adequada. Isaque deve ter dito
a si mesmo: “Minha posição deve ser correta. Se não
fosse correta, como poderia o Senhor abençoar-me
com todas essas riquezas? “ Mas Deus deve ter dito:
“Isaque, você se estabeleceu aqui e ganhou grandes
riquezas, mas Eu não concordo com sua posição.
Levantarei circunstâncias que o forçarão a deixar este
lugar”. Que o Espírito Santo possa mostrar-nos tal
quadro vívido. Por um lado há o desfrute correto; por
outro, existe a posição incorreta. Mesmo que nos
falte a posição correta, podemos continuar a ter o
gozo. Mas não pense que esse desfrutar justifica a sua
posição. Ao termos o gozo, nossa necessidade é
satisfeita. Entretanto, para o cumprimento do
propósito eterno de Deus, precisamos ficar na
posição adequada. Todavia, ainda que não estejamos
na posição adequada, Deus ainda nos concederá Sua
rica provisão. Isso é maravilhoso! Que Deus
maravilhoso! Que provisão magnífica! Fomos
destinados ao desfrute. Mesmo estando errados em
nossa posição, podemos ainda ter gozo abundante.
Mas Deus não permitirá que fiquemos. Usará as
circunstâncias ao nosso redor para trazer-nos de
volta à posição correta, a fim de que o cumprimento
do Seu propósito possa ocorrer.
(5) DESCOBRIU O “POÇO DE ÁGUA VIVA”
Antes de voltar a Berseba, Isaque teve gozo sobre
gozo, graça sobre graça. Depois de receber a colheita
centuplicada, encontrou o “poço de água viva” e
chegou aos “lugares espaçosos”, aos “caminhos largos”
(Reobote-26:15-22). Embora tivesse gozo em
abundância, sua posição não estava correta, e ele foi
forçado a deixar os caminhos largos e voltar a
Berseba.

(6) VOLTOU A BERSEBA


Quando Isaque regressou a Berseba (26:23-33),
o Senhor imediatamente lhe apareceu, falando-lhe e
confirmando Sua promessa, dizendo: “Eu sou o Deus
de Abraão, teu pai. Não temas porque eu sou contigo;
abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua descendência
por amor de Abraão, meu servo” (26:24). Então, aqui
em Berseba, Isaque começou a ter o testemunho
correto. Edificou um altar, invocou o nome do
Senhor e armou a sua tenda (26:25). Em Berseba,
Isaque teve uma vida para o cumprimento do
propósito eterno de Deus. Por fim, aqui em Berseba,
os opositores foram subjugados (26:26-31). Berseba é
o lugar certo, o lugar onde podemos ter a posição
correta. E a posição correta significa muito, tanto
para Deus como para nós.
MENSAGEM SESSENTA E CINCO

TENDO FRAQUEZA NATURAL COMO


ABRAÃO E VIVENDO UMA VIDA NATURAL
COMO JACÓ
Nas duas últimas mensagens relativas a Isaque
vimos que ele foi o herdeiro da graça, que descansou
e desfrutou ao longo de toda a sua vida. Precisamos
ver agora que, nesta pessoa que desfrutava graça,
ainda havia fraqueza e vida natural. É-nos difícil
compreender esse ponto. E pela nossa concepção
religiosa natural sempre pensamos que, se somos
naturais, não podemos ter o deleite da graça. De
acordo com nossa concepção religiosa, o deleite da
graça depende do grau de nossa espiritualidade. Em
nossos ensinamentos e exortações, principalmente ao
lidar com nossos parentes e filhos, dizemos que, para
desfrutarmos a graça de Deus, precisamos ser bons, e
que se assim não formos, estaremos separados de
Sua graça. Provavelmente nenhum de nós jamais
pensou que participar da graça de Deus não depende
de sermos espirituais. Pelo contrário, todos
pensamos que devemos ser espirituais a fim de
desfrutarmos a Sua graça.
Isaque foi um modelo, um padrão do desfrutar a
graça de Deus. Em toda a Bíblia, dificilmente
encontraremos outra pessoa que tenha desfrutado a
graça como Isaque. Ao longo de toda a sua vida ele
nada fez a não ser desfrutar a graça de Deus. Sua vida
foi uma vida de desfrutar a graça. Todavia, nele
percebemos exatamente a mesma fraqueza natural já
observada em Abraão. Além disso, nele também
notamos a vida natural de Jacó. Como Jacó, Isaque
viveu de maneira natural. Jacó amava seu filho José
conforme o seu gosto natural (37:3-4) e isso causou
problemas na família. Os irmãos de José odiavam-no
por causa do amor parcial que seu pai lhe dedicava.
Isaque também amava Esaú com parcialidade,
amando-o por ser ele um habilidoso caçador, que
podia obter a caça que o pai apreciava (25:27-28).
Assim Esaú era o “filhinho do papai”. Com isso
vemos que Isaque e Jacó eram semelhantes no
tocante à vida natural.
Se você disser que Isaque não enganou ninguém,
eu realçarei que sua esposa Rebeca era a sua
auxiliadora no engano. Em certo sentido, Isaque
diferia de Jacó na questão de suplantar, mas tal falha
era preenchida por Rebeca. Toda esposa é uma parte
do marido, seu complemento e perfeição. Sem
Rebeca, Isaque provavelmente não teria sido Um
especialista em enganar. Mas com Rebeca, ele
certamente se tomou o mesmo que Jacó. Este
aprendeu a suplantar por meio de sua mãe
suplantadora, e esta foi o complemento suplantador
de seu pai Isaque. Portanto, em Isaque percebemos a
vida natural de Jacó.
Isaque desfrutava a graça. De acordo com nossa
concepção natural, uma pessoa que tenha uma
fraqueza natural e viva na vida natural, jamais
poderá desfrutar a graça de Deus. Este é o nosso
conceito, não a palavra de Deus. Na Bíblia, não
podemos ver Isaque como sendo muito espiritual.
Era um homem que ainda tinha fraqueza natural e
vivia ainda na vida natural. Por que, então, teve tal
deleite da graça de Deus? Simplesmente porque Deus
ordenara daquela maneira. Com todos nós, cristãos,
há o aspecto da ordenação de Deus. Como já
enfatizamos, é o nosso destino desfrutar a graça de
Deus. Este destino foi preestabelecido antes da
fundação do mundo. Não pense que, por ser você
espiritual, tem então o privilégio de desfrutar a graça
de Deus; e que, por não ser espiritual, não pode então
desfrutar Sua graça. Isso é um conceito religioso e a
Bíblia não ensina assim. Depois de ouvirem que a
graça a ser desfrutada não depende de nossa
condição espiritual, alguns poderão dizer: “Se não
precisamos ser espirituais para desfrutar a graça de
Deus, sejamos então não-espirituais”. Não diga assim.
Nem o sermos espirituais nem o não sermos nos
auxiliarão a desfrutar a graça de Deus. É
inteiramente uma questão da ordenação de Deus, e
isso não depende do que somos nem do que podemos
fazer. Conosco há o aspecto de Isaque. Foi-nos
ordenado por Deus o desfrutar a graça. Se formos
espirituais, não desfrutaremos mais a graça; e, se não
formos espirituais, também não perderemos a graça
de Deus. Mas não devemos dizer: “Façamos o mal
para que venha o bem”. Não desperdice seu tempo
tentando ser espiritual ou não-espiritual. Diga
simplesmente:-o Senhor, eu Te adoro pela Tua
ordenação. Tu me ordenaste desfrutar a graça”. Pelo
menos somos todos uma parte de Isaque. No nosso
ser há o aspecto de havermos recebido a ordenação
de Deus quanto ao deleite de Sua graça.
Quando você mais desfruta a graça: quando
sente que é espiritual e bom aos olhos de Deus ou
quando está abatido e sente que é totalmente
indigno? Tenho desfrutado muito mais a graça
quando estou abatido. Contudo, não devemos dizer:
“Fiquemos abatidos para que possamos desfrutar a
graça ao máximo”. Se você tentar proceder assim,
isso não irá funcionar. Outra vez digo que isso não
depende de nós, mas da ordenação de Deus. Espero
que minha palavra não vá encorajá-los a ser
espirituais nem a ser não-espirituais. Antes, espero
que ela os encoraje a ser nada. Mas não tentem ser
nada, porque sua tentativa ainda será algo. Se, porém,
você puder dizer: “Irei para casa e me esquecerei de
tudo”, então isso será maravilhoso. No relato da vida
de Isaque vemos uma pessoa que desfrutou a graça
de Deus em todos os aspectos. Você acredita que um
homem com tal deleite na graça de Deus ainda
pudesse ter a fraqueza natural de mentir de maneira
evidente? Ele mentiu de modo a sacrificar sua
própria esposa. Talvez disséssemos: “Se eu fosse essa
pessoa jamais mentiria daquela maneira”. Não diga
isso. Podemos até desfrutar graça mais intensa e,
mesmo assim, mentir mais categoricamente que
Isaque.
Veja sua própria experiência. Embora jamais
tenha mentido para sacrificar sua esposa, você já
mentiu categoricamente para sua esposa. Nos meus
primeiros anos, eu era muito influenciado pelos
conceitos religiosos, acreditando que os cristãos,
principalmente os assim chamados cristãos
espirituais, jamais mentiam. Descobri depois que os
cristãos, inclusive os assim chamados espirituais,
também mentem. Não somente as pessoas do mundo
mentem, mas também mentem as pessoas espirituais
e cristãs. Essa é a situação da raça caída. Que fazer,
então? Não devemos fazer nada. Deus nos escolheu
dessa raça caída, e Sua ordenação chegou até nós.
Isso não quer dizer que, quando procedemos bem ou
nos tornamos espirituais aos olhos de Deus, então
recebemos mais graça. Apesar de jamais tentar agir
bem ou ser espiritual, Isaque desfrutou a graça
continuamente. Não os encorajo a ser religiosos ou
não-religiosos. Não os encorajo a ser coisa alguma,
porque o desfrutar a graça de Deus não depende de
sermos espirituais.
Isaque queria abençoar seu filho Esaú.
Entretanto, misturou a bênção com o seu gosto
natural. Em 27:3-4 ele disse a Esaú: “Agora, pois,
toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, sai ao
campo, e apanha para mim alguma caça, e faze-me
uma comida saborosa, como eu aprecio, e traze-ma
para que eu coma, e te abençoe antes que eu morra”.
Ele parecia estar dizendo: “Esaú, antes de morrer, eu
gostaria de comer da caça uma vez mais. Se você me
conseguir alguma, então o abençoarei”. Aqui o vemos
misturando a bênção de Deus com o seu próprio
gosto natural. Embora possamos ficar perplexos ao
ver como essa pessoa poderia abençoar os outros,
Isaque assim o fez.
Ele, que não era religioso como nós, não estava
ciente de não ser espiritual. Suponha que você seja
um pai que queira dar uma bênção a um de seus
filhos. Creio. que seria muito cauteloso e estaria
alerta, orando, jejuando e não ousando falar na carne
de acordo com o próprio gosto natural. Se você fosse
um irmão chinês, certamente não diria ao filho a
quem estava para abençoar: “Filho, vá a um
restaurante chinês, traga-me comida chinesa e, então,
eu o abençoarei”. Nenhum irmão chinês ousaria fazer
isso porque somos todos assim muito religiosamente
cônscios de sermos espirituais. Todos diríamos:
“Agora que eu estou para abençoar meu filho, preciso
estar com o Senhor e não ter o meu gosto natural”.
Isaque, entretanto, foi ousado, dizendo a Esaú:
“Antes de eu morrer, gostaria de comer da caça mais
uma vez. Consiga-me a caça que aprecio e eu o
abençoarei”. Isaque foi honesto ao dizer: “E te
abençoe” (27:4). Que mistura! Isaque, que desfrutava
continuamente a graça de Deus, abençoou cegamente,
mas abençoou na fé, e sua bênção foi honrada por
Deus (Hb 11 :20).
Ao ler esse trecho da Palavra, quando jovem, eu
era incapaz de compreender como podia haver aqui
tanta mistura. E dizia: “Isaque, que você está
fazendo? Se quiser comer da caça, não fale então
sobre a bênção. Você não deve misturar seu gosto
natural com a bênção de Deus. Como pode Deus
honrar uma bênção que está misturada com seu
gosto natural? “ Ao dizer claramente a Esaú que o
abençoaria se este lhe preparasse alguma caça para
comer, Isaque não estava cônscio de ser religioso.
Estava totalmente distante da religião. Não havia
religião em seu conceito. Se lá estivéssemos, ter-lhe-
Íamos dito: “Isaque, não fale assim. Se quiser ter seu
gosto natural, não fale sobre a bênção de Deus. Deus
jamais honrará sua bênção. Você está inteiramente
errado”. Mas Isaque teria respondido: “Do que você
está falando? Nunca ouvi essa conversa religiosa.
Não tenho tal conceito. Não tenho qualquer
consciência religiosa. Sei somente duas coisas: que
quero satisfazer meu gosto e que quero abençoar
meu filho. Depois de comer um pouco de carne,
abençoarei meu filho. Não sei o que significa ser
espiritual ou religioso. Só sei que sou o pai, que ele é
meu filho, e que o maior sempre abençoa o menor”.
Quando jovem, perturbava-me muito com isso,
sendo incapaz de entender como Isaque, que
desfrutava tanto a graça de Deus, podia ainda ter a
mesma fraqueza natural de Abraão e a mesma vida
natural de Jacó.
Precisamos ver esses dois pontos com bastante
clareza. Primeiramente, a graça não está baseada
naquilo que somos. Se somos bons ou maus,
espirituais ou não, isso nada significa. Porque Deus
ordenou que fôssemos o objeto da Sua graça, a graça
vem até nós e não podemos rejeitá-la. Em segundo
lugar, como já mencionamos várias vezes, Abraão,
Isaque e Jacó não são três pessoas separadas na
experiência de vida, mas representam três aspectos
da experiência de uma pessoa completa. É por isso
que em Isaque podemos ver tanto Abraão como Jacó.
Isaque teve a fraqueza natural de Abraão e a vida
natural de Jacó.

c. Teve Fraqueza Natural como Abraão


Como vimos, Isaque teve a mesma fraqueza
natural de Abraão (cf. 20:1-2, 11-13). Você não tem
fraqueza natural? Mesmo a pessoa mais consciente
espiritualmente tem alguma fraqueza natural. Que
tipo de fraqueza você tem? Embora todos tenhamos
alguma fraqueza natural, nenhum de nós pode
determiná-la. Sabemos que a temos, mas não
sabemos o que é. Se você estiver certo de que uma
questão particular é sua fraqueza natural, então ela
não o é. Antes de Isaque ser exposto no capítulo 26,
ele provavelmente jamais houvera percebido que sua
fraqueza natural era a mesma de Abraão. Deve ter
pensado que sua fraqueza era uma dentre muitas
outras coisas. Mas um dia ele foi para o sul e ela foi
exposta.
Por nós mesmos jamais poderemos conhecê-la.
Ela precisa ser exposta. Nenhum de nós é capaz de
compreender a própria fraqueza. Você mesmo pode
não conhecer sua fraqueza natural, mas ela está clara
para qualquer outra pessoa porque lhe foi exposta.
Qualquer pessoa que fique com você por algum
tempo haverá de enxergá-la. De acordo com o seu
próprio conceito religioso, tendo alguma fraqueza
natural, você estará separado da graça. Mas a graça
de Deus ainda está com você. No princípio, eu
também pensava assim, mas aprendi que a graça não
depende do que somos. Todo objeto da graça divina
tem um ponto fraco. Não pense que o apóstolo Paulo
não tinha fraquezas. Pedro, João e Paulo, todos
tiveram suas fraquezas, mas os seus pontos fracos
não os impediram de desfrutar a graça de Deus.
Todos temos a nossa fraqueza natural. Só houve uma
pessoa na história que não a teve: Jesus Cristo.
Não os estou encorajando a ser ou não
espirituais, mas estou encorajando-os a ser ousados
no desfrute da graça. Não fiquem privados do seu
desfrute da graça por causa de seu conceito religioso.
Joguem fora o seu conceito e louvem ao Senhor por
serem vocês o objeto da graça divina. Embora
sejamos incapazes de determinar nossa fraqueza
natural, estamos cientes de que a temos. Outros,
como a nossa esposa, marido ou colegas de quarto
conhecem qual é a nossa fraqueza. Embora os outros
a reconheçam, é-nos difícil conhecê-la. Pode ser que
alguns de nós ignorem sua fraqueza natural até que
vejamos o Senhor face a face. Louvado seja o Senhor
por sermos cegos à nossa fraqueza natural. Se assim
não fosse, estaríamos impedidos de desfrutar a graça.
Embora não os esteja encorajando a manter sua
fraqueza natural, digo-lhes que é bom desconhecê-la.
Quando ficamos cientes de certa fraqueza, nossos
conceitos religiosos impedem-nos de desfrutar a
graça. Mas quando desconhecemos nossa fraqueza, a
única coisa que sabemos é desfrutar a graça do
Senhor. Em Gênesis 26 a fraqueza natural de Isaque
foi subitamente exposta. Tal exposição, todavia, não
o impediu de desfrutar a graça de Deus. Em outras
palavras, a exposição de sua fraqueza natural não o
impediu de confiar em Deus.
Isaque, deixando Berseba, viajou para baixo,
para o sul, não para o Egito, mas para um lugar
próximo ao Egito (26:1-2). A intenção de Deus era
que Seu povo escolhido ficasse na boa terra. Toda vez
que a fraqueza natural do Seu povo se levantava, eles
sempre desciam. Não podemos encontrar sequer um
único exemplo em que o povo de Deus, estando fraco,
subiu rumo ao norte. A pior coisa a fazer era descer
ao Egito. E foi isso o que Abraão fez (12:10). A
segunda vez que caminhou rumo ao sul, ele foi
somente até à Filistia, a terra dos filisteus (20:1).
Quando Isaque, repetindo a história da caminhada
de Abraão para baixo, rumou para o sul, Deus
interveio e avisou-o dizendo: “Não desças ao Egito.
Fica na terra que eu te disser” (26:2). A intenção de
Isaque deve ter sido descer ao. Egito, mas Deus
ordenou-lhe habitar na terra que Ele lhe diria.
Embora não permanecesse exatamente no lugar certo,
Isaque ainda teve paz para desfrutar a graça de Deus.
Ele absolutamente não tinha a consciência de ser
religioso. Como é bom não ter senso de religiosidade!
Todavia, uma vez que o inimigo tenha injetado algo
dentro do nosso conhecimento, toma-se
extremamente difícil extraí-lo. O meu encargo nesta
mensagem é dizer-lhes que o desfrute da graça de
Deus não depende de sermos religiosos. Em Isaque
vemos uma pessoa totalmente sem religiosidade, e
ainda assim desfrutou a graça de Deus o tempo todo.
Isaque não somente se afastou do lugar certo,
como também mentiu ao sacrificar sua esposa (26:6-
7), exatamente como Abraão fizera. Todavia, ele e sua
esposa foram preservados pelo cuidado soberano de
Deus (26:8-11). Foi a graça de Deus que o guardou de
sacrificar sua esposa.

d. Viveu na Vida Natural como Jacó


Em Isaque, não somente houve a fraqueza
natural, mas também a vida natural. Ele ainda vivia
em sua vida natural. Não viveu a assim chamada vida
espiritual todo o tempo. Depois de ter orado, Deus
lhe deu dois filhos: Esaú e Jacó. Isaque amava Esaú
porque este era um habilidoso caçador, e ele
“saboreava de sua caça” (25:27-28). O seu amor pelo
primogênito estava inteiramente na vida natural, de
acordo com o seu gosto natural, da mesma maneira
que o amor de Jacó para com José (37:3-4). Já que o
marido tomara a dianteira em ter um amor parcial, a
esposa o acompanhou. Esaú, um “perito caçador”,
era o filhinho do papai; e Jacó, um “homem pacato”,
que habitava em tendas, era o filhinho da mamãe.
Toda mãe ama um filho que fica quieto ao seu redor.
Mãe nenhuma preferiria uma criança travessa, que
gosta de praticar esportes o dia inteiro. Na família de
Isaque, o pai dedicava um amor parcial a Esaú, e a
mãe tinha um amor parcial por Jacó. Que tipo de
vida era essa? Era, por acaso, uma vida espiritual,
uma vida de ressurreição? Não. Embora não fosse
pecaminosa, era uma vida natural. Não devemos
pensar que somos diferentes, porque todo pai tem
algum amor parcial. Se tivesse muitos filhos, você
amaria mais um deles do que os outros, de acordo
com seu gosto, e todos os seus filhos saberiam quem
é o objeto do seu amor parcial. Tal amor parcial não
está de acordo com o nosso espírito, mas com o nosso
gosto natural. Amamos determinado rapaz ou moça
porque ele ou ela se encaixa ao nosso gosto natural.
Isso é vida natural.
A vida natural sempre causa problemas. Desse
amor parcial na família de Isaque veio a necessidade
de suplantar. Rebeca queria que seu filho predileto
recebesse a bênção. Em Gênesis 27:5-7 vemos que ela
teve grande habilidade para suplantar. Ensinou ao
filho como suplantar. No capítulo 30, Jacó enganou
seu tio Labão na questão do gado (vs. 31-43). O
princípio é o mesmo no capítulo 27. Rebeca preparou
carne saborosa e colocou pele de cabrito nas mãos e
no pescoço de Jacó. Quando o sentiu pelo tato,
Isaque foi levado a dizer: “A voz é de Jacó, porém as
mãos são de Esaú” (27:22). Aqui vemos Jacó
aprendendo a habilidade de suplantar por meio de
sua mãe, que era uma parte de seu pai. Em certo
sentido, a mãe trapaceou o pai, significando que a
segunda parte de uma pessoa trapaceou a primeira
parte da mesma pessoa. Todo esse trapacear
doméstico é um auto trapacear. Por fim, todos na
família foram trapaceados. Quando estava lendo este
capítulo, eu dizia: “Rebeca, você pensou ser esperta.
Na verdade você foi estúpida. Não sabia que Deus
ordenara que Jacó fosse o primeiro? Não havia
necessidade de você o ajudar”. Rebeca, que tentou
ajudar o filho, perdeu-o. Gênesis não nos diz quanto
tempo ela viveu. Deve ter morri do antes de Jacó
retomar da casa de Labão. Isso significa que ela
perdeu o filho por trapacear. Provavelmente ela não
viveu para vê-lo outra vez. Pensou ajudá-lo, mas na
verdade, por causa do seu suplantar, perdeu-o.
É difícil crer que uma pessoa como Isaque ainda
pudesse ter tal fraqueza natural e viver tal vida
natural. Ele sofreu por causa de sua vida natural
(26:34-35; 27:41-46; 28:6-9). Embora estivesse
sempre desfrutando a graça, havia um aspecto de
sofrimento em sua vida. Tanto Isaque como Rebeca
sofreram por viver de maneira natural, pois as
mulheres de Esaú lhes foram “amargura de espírito”
(26:34-35).
Por causa do amor parcial nessa família, Esaú
odiava Jacó e queria matá-lo. Quando ouviu isso,
Rebeca disse a Jacó que fugisse para a casa de Labão,
irmão dela, e lá ficasse, até que a ira de Esaú
desaparecesse. Mas Rebeca contou a Isaque uma
outra história (27:46). Parecia estar lhe dizendo: “As
esposas de Esaú nos levaram a tanta amargura de
espírito que não suportarei viver se Jacó tomar uma
esposa assim. Devemos mandá-l o para longe, a fim
de conseguir uma esposa”. Ela disse a mesma coisa
de duas maneiras diferentes. Toda esposa sábia faz
assim, contando uma história de duas maneiras.
Como muitas esposas hoje, Rebeca mentiu a Isaque
dizendo-lhe a verdade. Sua intenção era mandar Jacó
embora, protegendo-o de Esaú, mas ela não o disse a
Isaque. Pelo contrário, disse-lhe que estava cansada
de suas noras gentias e que não queria que Jacó
tivesse tais esposas, sugerindo a Isaque que o
enviasse a tomar uma esposa de sua própria raça. De
acordo com a sua intenção, isso era uma mentira. De
acordo com seu falar, entretanto, era a verdade. E
isso causou sofrimento.
Enquanto desfrutava a graça, Isaque também
sofria por causa do seu viver na vida natural. A vida
natural não impedirá a graça, mas nos causará
sofrimento. Não diminuirá a quantidade da nossa
graça, mas aumentará a medida do nosso sofrimento.
Uma vez que você tenha um aspecto da sua vida
natural, ele o levará a sofrer. Se não quiser sofrer,
não deve viver na vida natural. Não exercite sua
esperteza, sua sabedoria para ajudar Deus, nem faça
qualquer coisa na sua vida natural. Isso somente
aumentará seu sofrimento. É melhor que não
vivamos em nossa vida natural.
Embora Isaque vivesse em sua vida natural,
Deus era soberano sobre todas as coisas. Em certo
sentido, a vida natural ajudou a soberania de Deus.
Este predestinara que Jacó tivesse o direito de
primogenitura e participasse da bênção do
primogênito. Embora o suplantar de Rebeca a fizesse
sofrer, este foi soberanamente usado por Deus para
cumprir o Seu propósito. Tudo estava debaixo da Sua
soberania para o cumprimento do Seu propósito.
Portanto, todos podemos dizer: “Louvado seja o
Senhor, ainda que eu seja bom ou mau, espiritual ou
não, o propósito de Deus está sendo cumprido. Não
importa o que aconteça, estou sob a graça e no
desfrute da graça”. Nada deve impedir-nos de
desfrutar a graça. Todavia, se quisermos evitar o
sofrimento, não devemos viver na vida natural.

e. Não Teve Muita Maturidade na Vida


Isaque teve alguma maturidade de vida, mas não
muita. Embora tenha abençoado, fê-lo cegamente
(27:21-29). Sua bênção esteve de acordo com seu
gosto natural (27:1-4). Abençoou cegamente, não
apenas física, mas também espiritualmente, porque
fora cegado pelo seu gosto natural. Entretanto,
realmente abençoou pela fé (Hb 11 :20). Disse que
sua alma (hebr.) abençoaria, mas por fim não foi a
sua alma que abençoou, mas o seu espírito concedeu
a bênção, e sua bênção tomou-se uma profecia.
Ninguém pode profetizar na alma. Se quisermos
profetizar, precisamos estar em nosso espírito. Assim
Isaque abençoou no espírito pela fé.
A fé não depende do que somos, depende do que
vemos. Toda vez que você quiser exercitar a fé, não
deverá olhar para si mesmo, para o que é nem para o
ambiente ao seu redor. Você precisa olhar para o que
Deus é e para o que Ele diz. Então será capaz de
exercitar sua fé em Deus e na Sua palavra. Isaque
abençoou dessa maneira pela fé. De acordo com sua
situação, ele não estava qualificado para ter fé. Mas
não levou em conta o que era; olhou para Deus e para
Sua promessa, abençoando seu filho pela fé e no
espírito. Se quisermos ter fé precisamos olhar para
longe de nós mesmos, pois, se assim não o fizermos,
a fé desaparecerá. Olhe para Deus e veja o que Ele
falou em Sua palavra. Então simplesmente pronuncie
o que Deus já falou. Isso é fé. Isaque abençoou seu
filho dessa maneira.

f. Morreu na Fé em Plenitude de Dias


Embora não haja qualquer menção na Bíblia de
que tenha sido muito espiritual, Isaque não morreu
em condição miserável. Morreu na fé, em plenitude
de dias (35:28-29). Isso é provado pelo fato de que
seus filhos o enterraram junto com sua esposa
Rebeca, na caverna de Macp6ela (49:30-32). Antes
de morrer deve ter incumbido os filhos de o
enterrarem na caverna de Macpela, onde Abraão e
Sara tinham sido sepultados. Isso prova que Isaque
tinha a fé de Abraão.
MENSAGEM SESSENTA E SEIS

SENDO ESCOLHIDO
Nesta mensagem, chegamos ao registro de uma
das mais interessantes pessoas do livro de Gênesis-
Jacó. Gênesis nos oferece o relato de nove grandes
pessoas. As cinco primeiras-Adão, Abel, Enos,
Enoque e Noé-são consideradas como cinco pessoas
separadas. Embora houvesse algum relacionamento
espiritual entre eles, rigorosamente falando, Adão,
Abel, Enos, Enoque e Noé nada têm a ver um com o
outro. Todavia, quando chegamos aos últimos
quatro: Abraão, Isaque, Jacó e José, vemos que, no
que diz respeito à experiência de vida, eles não
devem ser considerados como quatro indivíduos
separados. Como já enfatizamos, não notamos o
aspecto de escolha em Abraão. O primeiro item do
registro de Abraão é o chamamento. Mas de acordo
com a revelação do Novo Testamento, a experiência
com Deus não começa por Seu chamamento, mas por
Sua escolha. Primeiramente, Deus nos escolheu,
depois nos predestinou, e por fim nos chamou. Após
Seu chamamento, temos o perdão, a redenção, a
justificação, a regeneração e a salvação completa de
Deus. Nisso podemos ver que não há em Abraão o
início da experiência com Deus. Tal início está em
Jacó, porque nele vemos a escolha de Deus. No
registro de Jacó, entretanto, não encontramos o
chamamento de Deus. Portanto, dizemos mais uma
vez que Abraão, Isaque e Jacó mais José não são
quatro pessoas separadas, mas quatro aspectos de
uma experiência completa de vida. Abraão, Isaque e
Jacó mais José, cada um representa um aspecto da
experiência de vida. Como veremos, Jacó é o aspecto
da vida transformada, e José representa o aspecto do
domínio, o aspecto reinante dessa vida transformada.
De acordo com a revelação do Novo Testamento,
os crentes foram primeiramente escolhidos por Deus
na eternidade passada, antes da fundação do mundo
(Ef 1:4). Depois, foram predestinados de acordo com
a Sua escolha. Isso também ocorreu na eternidade
passada. Então, no tempo, Ele nos chamou. Em Seu
chamamento, que vem depois da Sua predestinação,
recebemos perdão, redenção, justificação,
regeneração e salvação completa. Além de tudo isso,
precisamos ser transformados. Dia a dia estamos sob
o processo de transformação de Deus, para sermos
introduzidos não somente à filiação completa, mas
também à realeza. Nascemos filhos de Deus, filhos
reais, e estamos submetendo-nos ao processo de Sua
transformação, para que futuramente possamos ser
reis.
Não notamos a realeza em Abraão ou Isaque.
Vemo-la em José, que era uma parte de Jacó.
Quando este foi bem recebido no Egito, Faraó
aparentemente reinava sobre o mundo. Na realidade,
o verdadeiro rei não era Faraó, mas José. Este,
porém, não se firmou por si mesmo, mas por seu pai.
Assim, naquela época, o mundo era governado por
Jacó, mediante José.
Todos os santos estão sob o processo de
transformação a fim de se tomarem reis. Assim, a
experiência correta, adequada e completa se processa
desde a escolha de Deus até à nossa realeza. A
escolha ocorreu na eternidade passada, e a realeza
será para a eternidade futura. A realeza é o nosso
destino. Deus nos escolheu e predestinou na
eternidade passada, a fim de sermos reis na
eternidade futura. Com Abraão não vemos a escolha
na eternidade passada nem a realeza na eternidade
futura. Em outras palavras, o registro de sua vida não
tem o início nem o fim da experiência com Deus,
ambos encontrados em Jacó. No registro da vida
deste, observamos um começo muito bom e também
um fim adequado. Jacó, o suplantador, o que
agarrava o calcanhar, foi transformado em príncipe
de Deus. Por fim, não era mais Jacó, mas tomou-se
Israel. Se lermos cuidadosamente o Novo
Testamento, veremos que esse nome, por fim,
aparece na Nova Jerusalém (Ap 21:12). Embora
Israel esteja na Nova Jerusalém, os nomes de Abraão,
Isaque e Jacó não são lá encontrados.

4. O Terceiro Aspecto – a Experiência de Jacó


Abraão, Isaque e Jacó mais José são uma
unidade completa na experiência de vida. Não
deveríamos considerá-los como quatro indivíduos
separados, mas como quatro aspectos diferentes da
experiência completa de uma pessoa. Agora
chegamos ao terceiro aspecto: o de Jacó. Em Abraão
observamos o chamamento de Deus, a justificação
pela fé, o viver pela fé em Deus e em comunhão com
Ele. Já em Isaque, notamos a herança da graça, o
descanso e o desfrute. Em Isaque não vemos a
justificação pela fé porque isso é abrangido pela
experiência de Abraão. Mas nele temos a herança e o
desfrute da graça, que não encontramos no registro
de Abraão. Nisso verificamos os aspectos diferentes
da experiência de vida. Em Jacó vemos a escolha e os
tratamentos de Deus. Embora todos gostemos de
herdar e desfrutar a graça, não nos agradam os
tratamentos. Em Jacó não vemos o aspecto de
desfrute; pelo contrário, observamos o aspecto dos
tratamentos de Deus. Por suplantar tanto, a mão de
Deus estava sempre sobre ele. O seu suplantar
introduziu os tratamentos de Deus. Deus deve ter
dito: “Jacó, você é capaz de suplantar, mas Eu sou
capaz de tratar com você. Os Meus tratamentos
acompanharão cada passo do seu suplantar”. Isso
não era punição de Deus; eram os Seus tratamentos
visando a transformação de Jacó.
Quando ponderava sobre esta mensagem na
presença do Senhor, ri, ao perceber que Jacó
começou a lutar mesmo antes de nascer. Rebeca
concebeu e “os filhos lutavam no ventre dela” (25:22).
Tal luta provavelmente começou com Jacó, não com
Esaú. Este deve ter-se mantido na defensiva. Jacó
deve ter dito: “Esaú, você não deveria caminhar à
minha frente. Eu devo ser o primeiro”. Esaú então
deve ter retrucado: “Não, eu estou na sua frente. Eu
tenho de sair primeiro”. As duas crianças lutavam, e
a mãe, sendo incapaz de tolerar tal coisa, consultou o
Senhor a esse respeito (25:22). Debaixo da soberania
de Deus, Esaú saiu primeiro, mas Jacó não parou de
lutar. Depois de sair o irmão, agarrou-lhe o calcanhar
(25:26). Por essa causa foi-lhe dado o nome de Jacó,
que significa “o que agarra o calcanhar”. Sendo Jacó
tal segurador de calcanhar, Deus precisou tratar com
ele. O resultado de tal tratamento foi a transformação.
Em idade madura, Jacó já não era mais Jacó-
tornara-se Israel, um príncipe de Deus. Por fim, Deus
colocou sob ele o mundo todo, inclusive Faraó.
Digo novamente que essas quatro pessoas
constituem uma unidade completa na experiência
com Deus. Somos todos Abraão, Isaque e Jacó mais
José. Atualmente, estamos ainda sob o processo da
transformação. Mas um dia, todos nos tomaremos
Israéis, os príncipes de Deus, governando com °
nosso “José” sobre o mundo inteiro.

a. Foi Escolhido
Em Jacó vemos a escolha de Deus (25:21-26; 1
Pe 2:9). Você crê que foi escolhido? Como sabe?
Embora possamos apoiar-nos na Palavra de Deus e
dizer: “Sei que fui escolhido porque a Bíblia assim me
diz”, eu ainda faria esta pergunta: Como sabemos,
pela nossa experiência, que fomos escolhidos por
Deus? Nós o sabemos pelo fato de que não podemos
fugir Dele. Nos últimos cinqüenta anos de minha
vida cristã tentei muitas vezes fugir do Senhor. Eu até
Lhe disse: “Senhor, estou cansado da vida cristã,
estou fugindo”. Embora tentasse fugir, não pude
fazê-lo. Enquanto alguns obreiros cristãos temem
que você se afaste do Senhor, eu tenho a audácia de
encorajá-lo a se afastar Dele. Faça o melhor que
puder, dizendo-Lhe: “Senhor, não Te amo mais.
Estou farto de ser cristão”. Pode dizer isso ao Senhor,
mas Ele replicará: “Você está farto de Mim? Isso não
é da sua conta. Você pode estar farto, mas Eu não
estou. Aonde você vai: ao Egito? Se for lá, Eu também
irei para esperá-lo. Quando lá chegar, descobrirá que
Eu já estou lá”. Fomos todos apanhados, e não há
escapatória. Isso é uma prova categórica de que
fomos escolhidos por Deus.

(1) ANTES DO SEU NASCIMENTO


Jacó foi escolhido antes do seu nascimento,
antes mesmo da fundação do mundo (25:22-23; Rm
9:11; Ef 1 :4). Como Jacó, também fomos escolhidos
antes de nascermos. Na eternidade passada, antes de
começar a criar qualquer coisa, Deus nos escolheu.
Embora possamos considerar-nos bem pequenos,
somos suficientemente grandes para que Deus fixe
em nós Sua atenção. Até mesmo antes da fundação
do mundo, Ele atentou para nós, escolhendo-nos na
eternidade passada. No início do meu ministério,
inquietava-me o fato de que muitos dos meus amigos,
que estavam bem próximos de se tomarem cristãos,
não se salvaram. Mas muitos que estavam bastante
longe do Senhor e dos quais eu pensava que jamais
seriam salvos, acabaram por salvar-se. Alguns deles
foram salvos depois de comparecerem a somente
uma reunião de evangelização. Parece que foram
salvos sem uma razão palpável. Na verdade, foram
salvos porque Deus os escolheu. Jacó, o travesso, o
que segurava o calcanhar, o suplantador, foi
escolhido por Deus. Foi isso o que determinou o seu
futuro. A escolha de Deus foi a origem, o início da
vida de Jacó. Não pense que você foi salvo por acaso.
Não, o fato de termos sido salvos foi o cumprimento
da escolha de Deus.

(2) DE ACORDO COM A PRESCIÊNCIA DE


DEUS .
O fato de sermos escolhidos por Deus ocorreu de
acordo com a Sua presciência (1 Pe 1 :2; Rm 8:29).
Gosto da palavra presciência. Antes de nascermos,
Deus já nos conhecia. Na eternidade passada, Ele nos
escolheu e nos predestinou de acordo com a Sua
presciência.

(3) NÃO PELO SEU PRÓPRIO ESFORÇO


Jacó não foi escolhido por Deus pelo seu próprio
esforço (25:22-23, 26). De semelhante modo, o fato
de sermos escolhidos não está de acordo com o nosso
esforço. Jacó foi um tanto tolo. É claro que ele não
tinha o conhecimento que temos. Se soubesse que
fora escolhido, ele não teria necessidade de lutar, e
poderia dizer: “Esaú, você pode sair primeiro. Não
importa quem saia primeiro; eu fui escolhido. Não
importa a sua rapidez ou a minha lentidão. O direito
de primogenitura é meu porque fui escolhido”. Mas
por não ter essa revelação, Jacó lutou.

(4) NÃO POR SUAS PRÓPRIAS OBRAS


Romanos 9:11, referindo-se a Jacó e Esaú, diz: “E
ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham
praticado o bem ou o mal (para que o propósito de
Deus, quanto à eleição prevalecesse, não por obras,
mas por aquele que chama) “. Neste versículo vemos
que o fato de Jacó ter sido escolhido não foi por
causa de suas próprias obras. Antes de as crianças
terem feito o bem ou o mal, Deus disse a Rebeca, a
mãe, que “o mais velho será servo do mais moço”
(Rm 9:12). Isso prova que a escolha de Deus não
depende de nossas obras. Se somos bons ou maus,
isso nada significa.

(5) PELO DEUS QUE CHAMA


Romanos 9:13 diz: “Amei a Jacó, porém me
aborreci de Esaú”. Ao ler o registro de Jacó e Esaú,
ainda jovem, senti pena de Esaú e disse: “Esaú era
muito melhor do que Jacó. Por que Deus disse que
odiava a Esaú e amava a Jacó? “ Não diga que Deus
não é justo. Ele é Deus. Ele é o Autor, o Criador. Sua
escolha não depende de nós, mas pertence-Lhe
totalmente. Não provém de nossa luta ou obras, “mas
daquele que chama”. Não somos o Criador-Ele o é.
Em Romanos 9, Paulo, respondendo aos que se lhe
opunham, parecia dizer: “Vocês não percebem que
são somente um pedaço de argila e que Deus é o
Oleiro? O Oleiro não tem o direito de fazer da massa
o que quiser? “ Com isso vemos que o fato de sermos
escolhidos deve-se inteiramente ao Deus que chama.

(6) PELA MISERICÓRDIA DE DEUS


A escolha de Deus também provém de Sua
misericórdia (Rm 9:14-16). Deus disse a Moisés:
“Terei misericórdia de quem me aprouver ter
misericórdia, e compadecer-me-ei de quem me
aprouver ter compaixão” (Rm 9:15). Todos somos
objetos da Sua misericórdia. Como Lhe agradecemos
por Ele ter tido misericórdia de nós! “Assim, pois,
não depende de quem quer, ou de quem corre, mas
de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9:16).

(7) PELA GRAÇA DE DEUS


A escolha de Deus também provém de Sua graça
(Rm 11 :5). É um pouco difícil entender a
misericórdia e a graça, considerando-as relacionadas
com a escolha de Deus. Embora tenhamos sido
escolhidos e conhecidos previamente por Deus na
eternidade passada, quando Ele veio chamar-nos
estávamos numa situação deplorável, situação que
exigiu . a Sua misericórdia. O inimigo, o diabo,
poderia ter-Lhe dito: “Olhe para este que é a Tua
escolha. Quão miserável ele é! “ Deus, então, poderia
ter-lhe respondido: “Satanás, você não percebe que
esta é uma oportunidade muito boa para Eu mostrar
a Minha misericórdia? Sem tal pessoa miserável,
como poderia mostrar a Minha misericórdia? Se
todos fossem perfeitos e à altura do Meu padrão, Eu
não teria ninguém em quem mostrar misericórdia.
Satanás, este escolhido é a pessoa adequada para ser
objeto da Minha misericórdia”. E quanto à graça?
Como vimos, a graça é algo de Deus trabalhado
dentro do nosso ser. Embora fôssemos tão miseráveis,
Ele não nos rejeitou. Pelo contrário, apesar das
acusações de Satanás, Ele teve misericórdia de nós.
Ele deve ter dito ao inimigo: “Satanás, não somente
mostrarei misericórdia aos Meus escolhidos, mas
também trabalharei a Mim mesmo dentro deles”.
Quando Deus é trabalhado dentro do nosso ser, isso é
graça. Não somos somente objeto da Sua
misericórdia; somos também objeto da Sua graça.
Estamos sob a Sua misericórdia, e Sua graça está
dentro de nós. Posso testificar que estou sob a
misericórdia divina e que em mim há a graça divina.
Tudo isso se deve à escolha de Deus. Essa não é
também a sua experiência? Todos podemos testificar
que, embora muito miseráveis e dignos de pena,
Deus veio e nos proporcionou a Sua misericórdia, e
nós nos arrependemos. Naquele exato momento, algo
divino – a graça de Deus – foi produzido em nós.
Agora estamos não apenas sob a Sua misericórdia,
mas temos também a Sua graça, a pessoa viva de
Cristo, como Espírito, dentro de nós. Essa é a escolha
de Deus. No relato da vida de Jacó, vemos algo que
pode ser denominado misericórdia e algo que pode
ser denominado graça.

(8) SEGUIDA PELA PREDESTINAÇÃO DE


DEUS
A escolha de Deus na eternidade passada foi
seguida pela Sua predestinação (Rm 8:29; Ef 1 :5). É
difícil explicar o significado da palavra predestinação.
De acordo com o grego, quer dizer “pré-marcado”.
Deus nos marcou de antemão. Antes de nascidos,
Deus nos viu e conheceu de antemão. Não só fomos
escolhidos por Ele na eternidade passada, também
fomos pré-marcados, e Sua marca está agora sobre
nós. Até os anjos sabem que fomos pré-marcados.
Assim, predestinação significa que Deus nos marcou
de antemão para um certo destino – para sermos
Seus filhos. Escolheu-nos e predestinou-nos para a
filiação (Ef 1 :4-5).

(9) SEGUIDA PELO CHAMAMENTO DE


DEUS
A escolha de Deus é seguida pelo Seu
chamamento (Rm 8:28). Deus nos escolheu na
eternidade passada e chamou-nos no tempo. Não
podemos experimentar a Sua escolha ou
predestinação, mas todos experimentamos o Seu
chamamento. Todos fomos “fisgados”. Posso
firmemente testificar que, um dia, quando ainda um
jovem estudante muito ambicioso, fui “fisgado” pelo
Senhor. Embora tentasse ao máximo escapar do
anzol, jamais o consegui. Todo cristão teve a mesma
experiência. Estávamos seguindo o nosso caminho, e,
então, um dia, o Senhor nos “fisgou”. Que podemos
fazer? Não temos escolha. Quanto mais tentamos
escapar do anzol, mais ele prende. Este anzol é
suficientemente grande para cobrir todo o universo.
Aonde quer que formos, o anzol estará lá. Se você
escapar para um cassino, descobrirá que o anzol está
lá. Isso é o que significa ser chamado. Muitos pais
repreendem seus filhos fisgados por Deus, dizendo-
lhes: “Por que você é tão estúpido? Por que precisa ir
às reuniões todas as noites? Não sabe que tem um
futuro? “ Vamos às reuniões porque fomos
apanhados pelo anzol divino. Quem lhe pode resistir?
Ninguém. Quando esse anzol divino vem visitá-lo,
não pode haver resistência. Esse é o chamamento do
Senhor, Sua graciosa visitação.

(10) PARA O PROPÓSITO DE DEUS


Fomos escolhidos e chamados para o propósito
de Deus (Rm 9:11). Poucos cristãos sabem qual é esse
propósito. Quando jovem, ouvi mensagens e mais
mensagens, e li livros após livros a respeito de
Abraão. Tais mensagens e livros falavam de
justificação pela fé e de Abraão como sendo o pai da
fé, mas nenhum deles jamais disse que Deus o
chamou com um propósito. Em Abraão não podemos
ver esse propósito, porque ele não teve maturidade
de vida. Não vemos o início da experiência com Deus
em Abraão nem vemos o fim adequado da vida
correta em sua experiência. Repentinamente, quando
Abraão vivia na Caldéia, Deus brilhou sobre ele, e ele
foi “fisgado”. Deus o chamou, e ele foi apanhado. Mas
o verdadeiro início não começou na Caldéia;
começou com a escolha de Deus antes da fundação
do mundo. Esse início não se encontra em sua vida,
mas na de Jacó. Vimos que no final ele teve um
segundo casamento. Depois de ficar tão velho, casou-
se novamente e gerou seis filhos. Isso certamente não
é maturidade de vida. Não o vemos transformado
num príncipe de Deus. Se formos considerar o
princípio e o fim da experiência com Deus,
precisamos chegar até Jacó. A experiência de Jacó
com Deus começou na eternidade passada e durará
até a eternidade futura.
Qual é o propósito do chamamento de Deus? É
transformar em reis os Seus chamados. Podemos ver
esse propósito em Jacó, mas não em Abraão ou
Isaque. Este último apenas sabia comer “carne
saborosa”. Se você lhe perguntasse sobre o seu
propósito na vida, ele poderia dizer: “O meu
propósito na vida é desfrutar”. Nada mais ele sabia.
De semelhante modo, a maioria dos cristãos não
sabem hoje qual é o propósito de sua vida. Eles
podem dizer: “Fomos salvos para viver uma vida feliz,
para ter paz e alegria hoje, e ir para o céu no futuro”.
Mas o Novo Testamento revela claramente que o
propósito da escolha, da predestinação e do
chamamento de Deus é a filiação (Ef 1:4-5; gr.).
Fomos predestinados para a filiação. Não somos
filhos comuns; somos filhos reais, filhos da família
real, destinados para ser reis. Romanos 8:29 diz:
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também
os predestinou para serem conformes à imagem de
seu Filho”. Esse é o propósito de Deus. O Seu
propósito ao escolher-nos, predestinar-nos e chamar-
nos é transformar em filhos reais uns míseros
pecadores, de modo que, uma vez completado o
processo de transformação, possamos reinar como
reis.
Gênesis 1 :26 revela que o propósito de Deus ao
criar o homem era que este pudesse expressá-Lo à
Sua imagem e representá-Lo com o Seu domínio. O
Novo Testamento também diz que fomos feitos
sacerdotes e reis (Ap 1 :6; 20:6). Como sacerdotes,
temos conosco a imagem de Deus para expressá-Lo;
como reis, temos o Seu domínio para representá-Lo.
No reino milenar, nós O expressaremos à Sua
imagem como Seus sacerdotes e exerceremos o Seu
domínio com a Sua autoridade, para governar sobre a
terra como reis. Agora, estamos diariamente
submetendo-nos ao processo de transformação de
modo a podermos ter Sua imagem total e exercer a
Sua autoridade.
Se olharmos para nós mesmos, diremos:
“Quanto mais me olho, menos me pareço com um
filho de Deus, muito menos com um rei. Quão
miserável sou! Embora já salvo por muitos anos,
ainda sou tão pobre”. Louvado seja o Senhor porque
percebemos que somos tão pobres. Não fique
frustrado ou desencorajado. É por essa causa que
estamos sob o processo da transformação de Deus.
Dos cinqüenta capítulos do livro de Gênesis,
vinte e cinco e meio são dedicados ao relato de Jacó
mais José. Nesses capítulos, vemos que Jacó estava
sob os tratamentos e disciplina de Deus. Todos os
que se envolviam ou se relacionavam com ele,
tornavam-se instrumentos do tratamento de Deus:
pai, mãe, irmão, tio, esposas e filhos. Contudo,
quando finalmente saiu do forno, tornou-se um
príncipe de Deus.
Qual o objetivo da experiência de Jacó? Era para
que ele tivesse paz, alegria e uma vida feliz? Se lhe
disséssemos isso, Jacó poderia replicar: “Não
concordo com você. Em toda minha vida, não tive
muita paz, nem mesmo quando estava no ventre de
minha mãe. Deus não me colocou como primeiro;
tive de lutar por isso. E quando perdi a luta, não tive
paz. Enganei meu irmão, e ele quis matar-me. Minha
mãe, então, ajudou-me a fugir para o meu tio Labão.
Esse era ainda mais esperto que eu para trapacear.
Não me fale de paz. Não tive muita paz ou alegria,
mas tive muitos tratamentos”. O propósito de Deus
para com Jacó não era dar-lhe paz, alegria e uma vida
feliz, e depois levá-lo para o céu. O Seu propósito era
tratar com esse suplantador miserável, até que ele
fosse transformado num príncipe de Deus, tendo a
Sua imagem para expressá-Lo e exercendo o Seu
domínio para representá-Lo. Esse é o propósito de
Deus. Quando chegamos ao fim de Gênesis,
percebemos que Israel foi exatamente tal tipo de
pessoa. Quando viu Faraó, não disse uma palavra.
Simplesmente estendeu as mãos e abençoou-o (47:7,
10). Jacó teve a imagem de Deus, expressando-O de
maneira completa. Além disso, por meio de José, ele
foi aquele que teve domínio sobre toda a terra,
representando Deus aqui. Assim, ao final de Gênesis,
vemos o propósito de Deus, o objetivo da Sua escolha.
Hoje estamos no caminho de Jacó. Todos fomos
chamados, justificados e estamos desfrutando a graça
de Deus. Ao mesmo tempo, estamos sob Seus
tratamentos. Não é só um dedinho de Deus que está
sobre nós, mas também Seu polegar. Esse é o Seu
tratamento e a Sua transformação. Isso fará de nós
não só um filho de Deus, mas também um Israel, um
príncipe de Deus.
MENSAGEM SESSENTA E SETE

SENDO TRATADO (1)


O livro de Gênesis contém as biografias de nove
grandes pessoas: Adão, Abel, Enos, Enoque, Noé,
Abraão, Isaque, Jacó e José. O registro mais longo é o
da vida de Jacó, ocupando quase metade do livro de
Gênesis. Por que Gênesis dedica tantas páginas a essa
pessoa? Se você o ler cuidadosamente, verá que o
relato referente a Jacó, diferindo do de Abraão, inclui
muitos pormenores. A biografia de Enoque ocupa
menos de meio capítulo de extensão, e a de Enos
alcança uns poucos versículos. Embora Noé fosse
uma pessoa importante, Gênesis não lhe dá muitas
páginas. A razão de ser tão longo o registro relativo a
Jacó é que, na experiência de vida, nada consome
tanto tempo como a transformação. Fomos
chamados num instante, salvos num momento, e
Deus nos perdoou e regenerou em menos de um
minuto. A transformação, entretanto, requer o tempo
de nossa vida inteira. Desde o dia em que fomos
salvos, temos sido submetidos ao processo de
transformação.
Em Abraão vemos o chamamento e a justificação
de Deus. Em Isaque vemos uma pessoa que estava
sempre desfrutando a graça. Parece que ele de nada
queria saber nem queria exercitar qualquer coisa de
si mesmo. Quando Jacó o enganou, ele percebeu que
algo estava errado, pois disse: “A voz é de Jacó,
porém as mãos são de Esaú” (27:22). Se eu fosse
Isaque, teria estudado a questão por um longo tempo
antes de abençoar alguém. Ele duvidou que fosse
Esaú. Conhecendo a voz de seus filhos, embora
ouvisse distintamente a voz de Jacó, “não o
reconheceu” (27:23). Isso quer dizer que ele não
gostava de exercitar seu discemimento. Não era
relaxado no comer, mas era negligente ao exercitar
seu discemimento. Não há muito espaço no livro de
Gênesis dedicado ao aspecto de Isaque.

b. Foi Tratado
Em Jacó não vemos o chamamento ou a
justificação de Deus nem verificamos o desfrutar da
graça. Pelo contrário, percebemos como ele foi
tratado por Deus (25:19-32:21). Mesmo quando
estava no ventre de sua mãe, Deus tratou com ele. Ao
longo de toda a sua vida esteve constantemente sob o
tratamento de Deus. Esse tratamento era para a sua
transformação. Nasceu um suplantador, um
segurador de calcanhar. A intenção de Deus, todavia,
era ter um príncipe de Deus. Como tal suplantador
poderia tomar-se um príncipe de Deus? Somente
pela transformação. É fácil mudar uma edificação
material, mas é difícil mudar um suplantador em
príncipe de Deus. Isso não pode ser feito de uma
noite para outra; leva uma vida inteira. Por
representar o aspecto da transformação, Jacó tem
uma biografia tão extensa.
Em 25:19-34; 27:1-46 e 28:1-5 vemos quatro
pessoas: Jacó, Esaú, Isaque e Rebeca-cada qual
diferente dos outros. Embora Jacó e Esaú fossem
gêmeos, eram inteiramente diferentes um do outro.
“Esaú saiu perito caçador, homem do campo; Jacó,
porém, homem pacato, habitava em tendas” (25:27).
Jacó era quieto, sutil e engenhoso; e Esaú era
selvagem, rude e fisicamente forte. Quando ambos
lutavam no ventre de sua mãe, Esaú venceu por
causa de sua força. Enquanto Jacó estava lutando
para sair primeiro, Esaú parecia dizer: “Que está
fazendo? Deixe-me sair primeiro”. Jacó era
engenhoso na mente, e Esaú era forte no corpo.
Quando soube que Jacó o enganara, ameaçou matá-
lo. Parecia dizer-lhe: “Jacó, você me suplantou.
Minha mente não pode derrotar a sua, mas um dia eu
o matarei”. Nisso vemos que eles eram
absolutamente diferentes.
Isaque e Rebeca também eram diferentes um do
outro. Rebeca era esperta, engenhosa, habilidosa e
capaz de manipular a família toda. Tanto
desenvolveu a habilidade de Jacó como dirigiu o
próprio marido. Isaque estava inteiramente sob o seu
controle. Como resultado de sua manipulação, tanto
Esaú como Isaque foram suplantados. Os dois não
foram somente suplantados por Jacó, mas também
por Rebeca. Quando Isaque mandou embora Jacó,
poderia pensar que a iniciativa era sua. Na verdade,
tudo fora começado por Rebeca. Depois que ela disse
a Isaque algumas poucas palavras, este enviou Jacó
para Labão (28:1-5). Rebeca manipulou o próprio
marido nesse ponto.
Isaque, Rebeca e Esaú trabalharam em conjunto
para o bem de Jacó. Deus usou os três para
transformar Jacó. Nisso vemos que todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que são chamados
por Deus (Rm 8:28). Mais tarde veremos que Labão,
bem como as esposas, servas, filhos e filhas de Jacó
foram usados por Deus para a sua transformação.
Toda circunstância, situação e pessoa encontrada no
registro da vida de Jacó, tudo foi usado para
transformar esse suplantador num príncipe de Deus.
Não podemos encontrar uma história que nos
fale tanto de transformação como a de Jacó. Ele foi
escolhido e predestinado. O propósito de Deus com
ele era transformá-lo num príncipe de Deus. Este não
gosta de transformar pessoas de alto nível, honestas,
direitas, simples e boas. Prefere transformar
suplantadores como Jacó. Que tipo de pessoa você é?
É bom, direito e honesto ou é um Jacó? Todos nós,
inclusive as irmãs, somos Jacós. Você já não
suplantou os outros? Irmãs, vocês provavelmente já
suplantaram sua mãe, marido e filhos. Alguns sogros
têm suplantado seus genros, e alguns tios têm
suplantado seus sobrinhos. Não pense que você seja
tão bom. Não me considero tão bom como Abraão ou
Isaque. Não, considero-me como um Jacó. Saber que
somos Jacós deveria ser um encorajamento para nós.
Não diga: “Oh! sou tão ruim e baixo. Não sou uma
pessoa de alto nível”. Se for assim, louvado seja o
Senhor. Você é a pessoa certa para conhecer a
misericórdia e a graça de Deus.
Deus não escolheu as pessoas boas. Se
tivéssemos feito a escolha, provavelmente todos
teríamos preferido Esaú a Jacó. Falando
comparativamente, Esaú era melhor que Jacó.
Jamais enganou ou suplantou alguém. Mas Deus
escolheu Jacó e não Esaú. Todos os escolhidos por
Deus são travessos. Se você é bom, então não deve ter
sido escolhido por Deus. Enquanto Abraão é o
exemplo de justificação pela fé, Jacó é o exemplo de
ser escolhido. Você foi escolhido? Então deve ser um
Jacó, porque Deus só escolhe Jacós. Deus é Deus, e
precisamos adorá-Lo como Deus. Ele soberanamente
escolheu Jacó, o que era um suplantador.

(1) FOI O SEGUNDO A NASCER


Deus soberanamente preparou o ambiente e as
circunstâncias relacionadas com a vida de Jacó.
Ainda no ventre da mãe, Jacó e Esaú lutavam para
ver quem nasceria primeiro (25:22-26). Jacó era sutil
e parecia estar dizendo: “Estamos ambos no ventre.
Quem sair primeiro será o primogênito e terá o
direito de primogenitura. Não posso perder tal
direito”. Assim, Jacó começou a lutar. Sob a
soberania de Deus, sua mente era esperta, mas ele
não tinha muita força física. Esaú, pelo contrário, não
era muito inteligente, mas era fisicamente forte e
derrotou o irmão, não lhe permitindo nascer
primeiro. Embora Esaú fosse trapaceado pela mente
de Jacó, este foi derrotado pela força do irmão. Se
Jacó tivesse tanto uma mente esperta como grande
força física, conseguiria o que quisesse e seu irmão
nada poderia fazer. Mas Deus foi muito sábio e
parecia dizer: “Jacó, permitirei que você tenha uma
mente esperta, mas não lhe darei força física. Seu
irmão pode ser estúpido, mas Eu o farei mais forte
que você. Você terá uma mente esperta, e ele terá um
corpo forte”. Assim, mesmo antes de nascer, Jacó
fora derrotado por Esaú e acabou nascendo em
segundo lugar.
Embora Esaú o vencesse, Jacó não admitiria que
fora derrotado. Pelo contrário, agarrou o calcanhar
de Esaú (25:26), indicando que se recusava a admitir
a derrota. O mesmo é verdade conosco. Muitas vezes
somos derrotados pelo nosso Esaú, mas não o
admitimos, e ainda lhe agarramos o calcanhar. As
vezes as irmãs são derrotadas pelo marido, mas
recusando-se a admitir a derrota, seguram-lhe o
calcanhar. Outras vezes, os maridos são derrotados
pela esposa e tornam-se seguradores de calcanhar.
Talvez, hoje, você possa ter tido tal experiência.
Somos todos Jacós. Deus nos escolheu, e estamos sob
Sua mão disciplinadora.
Deixem-me compartilhar algo da minha própria
experiência. Tenho estado em muitas igrejas. Em
todas elas, os presbíteros sentiram que estavam sob o
meu tratamento, mas eu também me senti passando
pelo tratamento deles. Nas primeiras igrejas que
visitei, não estava muito claro mais tarde, porém, tive
certeza quanto à mão disciplinadora de Deus.
Comecei a perceber que um dos presbíteros era meu
Esaú, que outro era meu Isaque, que outro ainda era
a minha Rebeca, e que eu era o Jacó deles. Eu
precisava de todos eles. Deus jamais pode estar
errado. Todos os cooperadores, presbíteros e irmãs
responsáveis que Deus me tem dado, todos têm sido
sempre o meu oposto. Por exemplo, eu preferiria ter
uma pessoa cuidadosa; todavia, Deus não ma deu.
Mas todo tratamento me tem sido um benefício.
Todo incidente tem ajudado a transformar-me um
pouco mais. Quando certas coisas acontecem, fico
descontente com todos os queridos Isaques, Rebecas
e Esaús. Mas bem no íntimo do meu coração posso
dizer: “Louvado seja o Senhor. Sou grato por todos e
por tudo”.
Não foi por acaso que Jacó nasceu a Isaque e
Rebeca, e que Esaú foi seu irmão. Tudo isso foi
arranjado previamente pelo Pai para a transformação
de Jacó. Desde o ventre de sua mãe, ele precisava de
alguém fisicamente mais forte que ele.
Freqüentemente dizemos que os gêmeos são iguais.
Mas se Jacó e Esaú tivessem sido semelhantes, Jacó
nunca poderia ser tratado. Ele era um homem pacato,
que sempre exercitava a mente; e Esaú era um
caçador, que exercitava a força física. Assim, Esaú era
exatamente o que ele precisava.
Não fique insatisfeito com sua vida conjugal,
pois o seu cônjuge é o melhor para você. De cem
pessoas casadas, provavelmente nenhum marido
diria que está satisfeito com sua esposa, e
provavelmente, nenhuma esposa diria que está
satisfeita com seu marido. Antes de casarmos, todos
tínhamos um sonho quanto à vida conjugal. Por fim,
o nosso casamento veio a ser o oposto do nosso
sonho. Mas o que quer que o nosso marido ou esposa
venha a parecer, é o presente de Deus para nós, e é
exatamente o que precisamos. Por toda a minha vida,
jamais encontrei uma pessoa divorciada cujo
segundo casamento tenha sido melhor que o
primeiro. Sei de alguns que se casaram quatro vezes,
e disseram que cada casamento foi pior que o
anterior. O casamento dos escolhidos por Deus está
sob Sua soberania. Rebeca foi conduzida a Isaque e
tornou-se sua esposa. Boa ou má, ela era o destino de
Isaque. Ele não teve escolha. Tenho tido muita
experiência na vida espiritual, humana e conjugal, e
posso adverti-los a não terem sua própria escolha. Se
a fizerem, vocês sofrerão.

(2) FORÇADO A DEIXAR A MÃE QUERIDA E


O LAR PATERNO
Observe o quadro da experiência de Jacó. Não
foi sua escolha ter Esaú como irmão nem Isaque e
Rebeca como pais. O pai Isaque, a mãe Rebeca e o
irmão Esaú foram todos uma combinação exata para
a sua necessidade. Como vimos, ainda no ventre de
sua mãe, Jacó lutou e esteve sob o tratamento da mão
soberana de Deus. Desde o início de sua vida, ele foi
derrotado. Tal foi o início da sua transformação.
Seu pai era uma pessoa que desfrutava, que não
exercitava muito discernimento. Pessoa simples, só
desfrutava a graça o dia inteiro. Ele não gostava de
pensar, de refletir ou de exercitar muito. Não gostava
de fazer nada. Enquanto meditava no campo, Rebeca
veio-lhe ao encontro. Isaque simplesmente
desfrutava. Se o céu estava limpo ou nublado, não
fazia qualquer diferença para ele. Contanto que
pudesse comer e desfrutar, estava satisfeito. Quando
Jacó lhe veio disfarçado de Esaú, ele não exercitou
seu discernimento. Quando Rebeca se preocupou
com a possibilidade de Jacó casar-se com uma das
filhas de Hete (27:46), ele o chamou e insistiu em que
ele não desposasse qualquer das filhas de Canaã,
enviando-o em seguida a Labão, irmão de Rebeca. A
sua simplicidade era para o benefício de Jacó. Se ele
não fosse tão simples, mas exercesse maior controle,
teria sido difícil a Jacó conseguir o direito de
primogenitura e receber a bênção.
Como já enfatizamos, Rebeca era o contrário de
Isaque. Era cheia de preocupação, exercitando a
mente dia e noite pensando num modo de conseguir
para Jacó o direito de primogenitura. Deve ter
observado constantemente o relacionamento entre
Isaque e Esaú. Se não estivesse observando, como
poderia ter ouvido a conversa entre os dois a respeito
da bênção? (27:1-5). Depois de ouvir tal conversa às
escondidas, imediatamente chamou Jacó e disse-lhe
o que fazer (27:6-13). Porque Isaque e Rebeca eram
tão diferentes um do outro, Jacó obteve o direito de
primogenitura e recebeu a bênção.
Esaú era uma pessoa descuidada. Sobre o direito
de primogenitura, ele parecia dizer: “Jacó, você quer
o direito de primogenitura? Isso não tem grande
significado para mim. Se me der algo de comer, eu o
cederei a você”. Com isso vemos que ele era rude e
descuidado. O pai simples, a mãe engenhosa e o
irmão rude e descuidado levaram Jacó a sofrer e a ser
tratado.
Depois que Jacó conseguiu o direito de
primogenitura (25:27-34) e a bênção do pai (27:5-29),
Esaú passou a odiá-lo e quis matá-lo (27:41). Quando
Rebeca o soube, disse a Jacó que fosse para a casa de
Labão, irmão dela, até que se amainasse a fúria de
Esaú (27:32-45). Depois de dizer isso a Jacó, ela
manipulou o pai para que este mandasse embora o
filho. Isso conduziu Jacó ao poço da transformação
de Deus. Embora fosse difícil abandonar a querida
mãe e o lar paterno, Jacó foi forçado a fugir (27:42 -
28:5). Não teve alternativa. Foi forçado a fugir para
uma terra estranha. Mais tarde veremos que o lar de
Labão lhe foi um fomo. Labão, Lia, Raquel, as servas
e todos os filhos foram usados por Deus para
queimar Jacó de todos os lados. Este sofreu de todos
os ângulos, em todos os cantos e sob todos os
aspectos. Deus o colocou em tal situação para que ele
pudesse ser transformado.
Ao lermos Gênesis 25, 27 e 28, vemos que a mão
soberana de Deus estava sobre Jacó para transformá-
lo. Naquela hora, entretanto, ele não percebeu que
estava sob a transformação de Deus. Só conhecia a
rudeza e o ódio do irmão, a esperteza da mãe e a
simplicidade do pai. Na verdade, ele estava sob o
tratamento de Deus dia após dia. Dia algum foi
desperdiçado. Todas as pessoas que encontrou e tudo
o que lhe aconteceu foram para ele um tratamento.
Jacó certamente representa o aspecto da
transformação em nossa vida espiritual. Se
quisermos saber o que é transformação, precisamos
ler repetidas vezes a sua história.
Lendo-a, fiquei totalmente convencido a respeito
da mão disciplinadora de Deus. Depois de começar a
compreender isso, percebi que tudo o que ocorre
entre os outros e eu mesmo, é um tratamento para
mim. Os presbíteros, os irmãos e irmãs, minha
esposa e meus filhos não são os culpados. Tudo está
sob a mão soberana de Deus, como um tratamento
para o meu benefício. Eu preciso de tudo isso. Talvez,
amanhã eu precise de outro tratamento. O Senhor
sabe que tipo de esposa, marido, filhos, parentes e
netos precisamos. Nada ocorre por acaso. Tudo foi
pré-arranjado e acontece de acordo com o plano e
com o programa de Deus. Nada acontece muito tarde
ou muito cedo. Tudo ocorre no devido tempo. Por fim,
diremos: “Pai, obrigado pela Tua mão soberana.
Obrigado pelo Teu tratamento, pelo Teu pré-arranjo
e por tudo o que fizeste. Agora sei que tudo está sob a
Tua soberania. Sou apenas um Jacó escolhido sob a
Tua mão”.
Você pensa que Jacó gostou de ir para a casa de
Labão? Não, ele foi forçado. Não foi enviado por seu
pai ou por sua mãe; foi enviado pela mão soberana de
Deus. Sim, Jacó era a escolha de Deus, e Este
planejou dar-lhe o direito de primogenitura.
Entretanto, Deus sabia que o Seu escolhido requeria
muita transformação. Assim, não era apenas uma
questão do direito de primogenitura ou da bênção;
era também uma questão de transformação. Do
primeiro ao último dia, a mão de Deus esteve sobre
Jacó. Como precisamos agradecer e louvar o Senhor!
Ele nos escolheu e predestinou, e agora estamos sob
Sua mão soberana de modo a podermos ser tratados
dia após dia. Ele está tratando conosco por meio de
todo tipo de pessoa e circunstâncias. No passado, um
irmão me disse: “Todos em minha vida foram
preparados por Deus, exceto minha esposa”. Eu lhe
respondi: “Irmão, sua esposa é a pessoa número um
que Deus lhe preparou”. Sem exceção, todas as
pessoas em nossa vida são usadas por Deus para
nossa transformação.

(3) A SOBERANIA DE DEUS AO CUMPRIR O


PROPÓSITO DE SUA ESCOLHA
Precisamos agora considerar a soberania de
Deus ao cumprir o propósito de Sua escolha.
Primeiramente, precisamos ver que Esaú desprezou e
vendeu o direito de primogenitura (25:30-34). Este
direito, que Deus quer dar ao Seu povo escolhido,
inclui três coisas: expressar Deus, representá-Lo e
participar do Seu reino. Todos fomos escolhidos para
expressar Deus à Sua imagem, representá-Lo com
Seu domínio e participar do Seu reino. O reino
prático de Deus hoje está na vida da igreja. Pelo
nosso segundo nascimento, todos obtivemos o direito
de primogenitura, de modo a podermos expressar
Deus à Sua imagem, representá-Lo com Seu domínio
e participar do Seu reino, tanto na igreja hoje como
no reino no futuro. Toda pessoa regenerada tem tal
direito de primogenitura.
Por causa do seu amor pelos prazeres físicos, isto
é, por causa do seu amor ao mundo e aos prazeres
mundanos, Esaú desprezou o seu direito de
primogenitura (Hb 12:16-17). O que vendeu o direito
não deveria culpar ao que comprou. Embora Jacó
tivesse sido astuto ao comprá-lo, Esaú estava
disposto a vendê-lo. O negócio não poderia ter sido
consumado apenas por um dos lados. Como Esaú,
muitos cristãos regenerados têm desprezado o seu
direito de primogenitura, amando os prazeres
mundanos e não se preocupando com a preciosidade
do direito de primogenitura de Deus. A maioria deles,
hoje, são assim. Não se preocupam com expressar
Deus, com representá-Lo ou com estar em Seu reino,
na vida da igreja. Assim, quando o reino vier, eles
não terão parte nele. Em sua vida, hoje, eles têm
vendido o seu direito de primogenitura. Por causa do
prazer das coisas físicas, eles têm negligenciado e
desprezado o seu direito de primogenitura. Se se
preocupassem com a expressão, a representação e o
reino de Deus, permaneceriam na vida correta da
igreja, que é o reino de Deus na atualidade.
Como agradecemos ao Senhor porque, em meio
à degradação de hoje, Ele nos colocou na vida da
igreja, onde, na prática, estamos no reino de Deus, e
onde praticamos expressar Deus e representá-Lo.
Aqui, no Seu reino prático, estamos desfrutando o
nosso direito de primogenitura. Ficamos aborrecidos
com qualquer coisa que nos estorve de expressá-Lo
ou que nos impeça de representá-Lo, e sentimo-nos
mal quando qualquer coisa nos separa da vida
adequada da igreja. Se você é um cristão que não
pratica hoje a expressão e a representação de Deus
em Seu reino prático, então provavelmente você é
alguém que está desprezando o seu direito de
primogenitura. Seja cuidadoso! Nenhum de nós
deveria desprezar tal direito, desistindo dele por um
pequeno desfrute de coisas físicas. Pelo contrário,
precisamos desprezar todas as coisas do mundo hoje.
Nada é tão precioso quanto o nosso direito de
primogenitura. Nada é mais valioso do que expressar
Deus, representá-Lo e participar de Seu reino. Se
permanecermos na vida da igreja, desfrutando o
nosso direito de primogenitura, teremos parte no
reino vindouro, onde expressaremos Deus e O
representaremos para o Seu propósito. Esse é o nosso
direito de primogenitura. Que todos possamos ser os
Jacós de hoje, não os Esaús. Devemos louvar ao
Senhor por Sua escolha e agradecer-Lhe por Sua
transformação; mas também precisamos ser
admoestados a honrar e respeitar o nosso direito de
primogenitura.
Deus foi soberano no desprezo de Esaú e na
conseqüente venda de seu direito de primogenitura,
na engenhos idade de Rebeca em seu amor parcial, e
na cegueira de Isaque ao abençoar. Tudo o que Esaú,
Rebeca e Isaque foram e fizeram cooperou para o
bem de Jacó, para que Deus pudesse soberanamente
cumprir o propósito de Sua escolha. Louvado seja
Deus por Sua soberania! E graças ao Senhor por Seu
tratamento para conosco em todas as situações.
MENSAGEM SESSENTA E OITO

SENDO TRATADO (2)

(4) O SONHO EM BETEL


Nesta mensagem chegamos a uma reviravolta
crucial na vida de Jacó-o seu sonho em Betel (Gn
28:10-22). Embora estejamos familiarizados com a
história de seu sonho, duvido que conheçamos o seu
verdadeiro sentido. Se quisermos conhecer o
significado desse sonho, precisamos compreender
por que Jacó o teve, onde e quando. Por que não o
teve enquanto estava em casa de seus pais? Uma vez
encontrada a resposta a essa pergunta, veremos o
que ele significa para todos nós.

(a) Vagava em Sua Jornada Solitária


Jacó teve esse sonho enquanto vagava em sua
jornada solitária (28:10). Ele nascera numa família
muito boa. Tinha um pai excelente, uma mãe
adorável e um irmão singular. Antes da fundação do
mundo, Deus o escolhera e o predestinara para ter o
direito de primogenitura. Em sua história vemos a
intenção de Deus e o desejo do homem. Deus queria
que ele fosse o primeiro, e ele também queria ser o
primeiro, não o segundo. Assim, o seu desejo
correspondia à intenção de Deus. Isso indica que, se
temos um desejo que corresponde à intenção de Deus,
tal desejo então deve ter origem em Deus e não em
nós. Deus quer dar-nos o direito de primogenitura, e
nós também desejamos ser os primeiros. Esse desejo
não é errado; é absolutamente correto. Precisamos,
entretanto, aprender a lição de não exercitarmos
nossa habilidade e força naturais, tanto para cumprir
a intenção de Deus, como para satisfazer o nosso
desejo. Nossa força e habilidades naturais são um
problema.
Ao fazermos um paralelo entre o livro de Gênesis
e os outros livros da Bíblia vemos que Deus queria
dar a Jacó o direito de primogenitura, e que este, por
sua vez, desejava obtê-lo. Sua força natural,
entretanto, precisava ser tratada. Portanto, Deus
soberanamente o levou a ser o segundo. Embora o
houvesse escolhido para ser o primeiro, Deus levou-o
a nascer em segundo lugar, para que ele pudesse
aprender que o seu homem natural era totalmente
indigno e precisava ser cortado fora. Deus quer dar-
nos o direito de primogenitura, mas o nosso homem
natural não está qualificado para tanto. Precisamos
ser transformados. Por saber que Jacó precisava de
transformação, Deus o fez segundo em vez de
primeiro. Sem tal estruturação divina, o homem e a
força natural de Jacó jamais teriam sido expostos. Se
Deus o tivesse colocado à frente de Esaú, ele poderia
julgar-se muito espiritual. Não teria lutado, por já ser
o primeiro. Mas Deus sabia o que havia dentro dele e
colocou Esaú por primeiro, de modo a poder expor o
homem natural de Jacó. Mesmo enquanto estavam
no ventre da mãe, Jacó lutava para sair primeiro.
Esse foi o arranjo de Deus.
Tudo o que nos acontece está de acordo com o
arranjo de Deus. Não se considere muito pequeno
para ser digno de tal arranjo divino. Deus tem para
nós um propósito-dar-nos o direito de primogenitura.
Uma vez que o nosso homem natural não esteja
qualificado para tanto, Ele precisa transformar-nos.
Não o faz simplesmente por Sua mão criadora, mas
mediante um longo processo, que somente pode ser
efetuado por meio de todas as circunstâncias da vida.
Como vimos, Deus usou Isaque, Rebeca e Esaú para
tratar com Jacó. Embora essas três pessoas jamais se
reunissem em conferência para discutir como tratar
com Jacó, assim mesmo trabalharam em boa
coordenação para tal finalidade, porque tudo estava
sob a mão soberana de Deus. Este arranjou as coisas
para Esaú nascer primeiro. Providenciou também
que Esaú fosse fisicamente forte, porém que não
fosse hábil para exercitar a mente. Embora não
pudesse exercitá-la muito bem, podia utilizar sua
força física para derrotar o irmão. Além disso, Deus
arranjou para que Jacó tivesse um pai que só sabia
comer e desfrutar. Mesmo percebendo algo errado
quando Jacó lhe veio disfarçado de Esaú, Isaque só se
preocupou em comer. Essa é a razão por que se
tornou cego. Enquanto, por um lado, Isaque era
neutro, Rebeca, por outro, muito esperta, era parcial,
favorecendo muito o seu amado filho. Essas três
pessoas trabalharam juntas para levarem Jacó a
deixar sua querida mãe e o lar de seu pai, tornando-
se um andarilho solitário.
Nos tempos antigos, era algo grande viajar de
Berseba até o lugar em que Labão vivia. Não era
insignificante Jacó deixar sua mãe, seu pai e o
ambiente em que fora criado, e fazer tão longa
jornada. Tornando-se um andarilho solitário, deve
ter sofrido muito em sua viagem.
Se você considerar o seu passado com uma
compreensão adequada, perceberá que sua
experiência foi a mesma de Jacó. Poucos de nós
fomos salvos quando estávamos num bom lar, sob o
cuidado de nossa mãe amorosa. A maioria de nós foi
salva quando estávamos sozinhos e forçados a sofrer.
Alguns tinham perdido a mãe, pai, noiva, esposa,
marido ou filhos, e haviam ficado sozinhos. Em
princípio, na época em que muitos de nós fomos
salvos, estávamos sofrendo e éramos solitários. Nos
anos que passamos sob o cuidado de nossa mãe
amorosa, o sonho celestial não veio. Quando foi que o
primeiro sonho do céu veio a você? Todos já tivemos
tal sonho. O primeiro sonho de nossa vida espiritual
foi a nossa salvação. Como veremos, toda visão
espiritual é um sonho. Em que tipo de situação você
estava ao ter o seu primeiro sonho? Como muitos de
nós podemos testificar, a nossa situação não era nada
agradável. Alguns sofriam, outros estavam sozinhos,
e outros ainda estavam num ambiente desagradável.
Fomos forçados a sofrer, a vagar e a tornar-nos
pessoas solitárias. Quando, de acordo com a nossa
consciência, perdemos tudo na terra e ficamos
sozinhos a sofrer, o primeiro sonho celestial então
nos veio.

(b) Dormiu Desabrigado, Tendo uma Pedra


por Travesseiro
Ao falar de Jacó, Gênesis 28:11 diz: “Tendo
chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois já era
sol-posto; tomou uma das pedras do lugar, fê-la seu
travesseiro, e se deitou ali mesmo para dormir”. Ele
estava no deserto e não tinha lugar onde alojar-se.
Precisando de algo onde repousar a cabeça enquanto
dormia, tomou uma pedra e fê-la seu travesseiro.
Que significa isso? Significa que toda a atividade
humana fora removida. Não havia casa, nem
alojamento, nem coisa alguma feita pelo homem.
Tudo naquele lugar era obra de Deus. Quando Jacó
estava em casa, a situação era muito diferente. Tudo
ali fora feito pelo homem. Mas naquela noite no
deserto não havia nada feito pelo homem. Tudo
naquele ambiente fora feito por Deus. Se você
examinar sua experiência passada verá que o
primeiro sonho de sua vida espiritual veio numa hora
em que quase tudo feito pelo homem foi removido e
posto de lado. Tudo o que restou foi o céu e a terra
criados por Deus. Quando vivia em casa, Jacó podia
alojar-se numa habitação feita pelo homem e
descansar num travesseiro feito pelo homem. No
deserto, entretanto, precisou reclinar a cabeça sobre
uma pedra criada por Deus.
Se eu fosse Jacó, teria sido mais esperto, usando
madeira ou argila, em vez de uma pedra. Não creio
que eu pudesse repousar sobre uma pedra. Mas ele
não usou madeira nem argila. Como veremos, é
muito significativo o fato de ele utilizar uma pedra
por travesseiro. Se você fosse Jacó teria usado argila
ou pedra? Eu teria feito um travesseiro de argila e
descansado sobre ele a cabeça. Mas isso seria algo
feito pelo homem. A pedra que Jacó usou por
travesseiro, pelo contrário, era algo criado e
preparado por Deus.
Como quase todos os chamados podem testificar,
antes de serem salvos foram forçados a sofrer, a ficar
sozinhos e a viver num ambiente em que tudo feito
pelo homem tornara-se nada. De acordo com a sua
compreensão, tudo o que era feito pelo homem
resultava em nada, e eles confiaram na criação de
Deus, nas coisas feitas por Deus. Foi em tal hora que
veio o sonho do céu.
O princípio é o mesmo hoje. Se você quiser uma
outra visão celestial, então precisa passar por algum
sofrimento. Quando os irmãos o fazem passar por
uma dificuldade ou quando sua esposa lhe causa
problemas, o sonho celestial provavelmente haverá
de vir outra vez. Se estiver sempre feliz e numa
situação agradável, talvez não venha sonho algum. A
maioria das visões celestiais vêm numa hora em que
você está sofrendo ou sob tratamento médico. Quase
todas as visões que tenho tido me vêm nas épocas de
sofrimento. Ninguém gosta de sofrer. Mas quando o
sofrimento nos vem sob a mão soberana de Deus não
podemos rejeitá-lo, dizendo: “Sofrimento, não gosto
de você. Vá embora”. Quanto mais dizemos assim,
mais rapidamente os sofrimentos nos perseguem. Sei,
por minha própria experiência, que a visão quase
nunca vem quando estamos felizes; vem quando
estamos sofrendo. Se estamos felizes na maravilhosa
vida da igreja, o sonho celestial não pode vir. Mas ao
sermos atribulados pelos irmãos, irmãs e presbíteros,
o sonho vem. Se você não teve um sonho celestial
desde que foi salvo, isso pode comprovar que você
não tem sofrido. Se não houver sofrimento, pode não
haver sonho. Mas sempre que estamos privados de
tantas coisas feitas pelo homem e somos conduzidos
ao lugar onde há somente coisas criadas por Deus,
isto é, quando somos separados daquilo que é do
homem e colocamos nossa confiança no que é de
Deus, a visão celestial vem. Ela vem dessa maneira.
Observe a experiência de Jacó. Foi escolhido e
predestinado por Deus. Mas porque lutava e se
esforçava por obter o que Deus queria dar-lhe,
encontrou-se em dificuldades. Deus então apareceu
soberanamente para forçá-lo a deixar seu lar,
conduzindo-o a uma situação em que ele estava
sozinho e sem o auxílio humano. Suponha que você
fosse Jacó, precisando deixar seu lar, sua família, e
ficando extremamente só. Como se sentiria? Se eu
estivesse no lugar dele, teria ficado totalmente
frustrado. Todavia, naquela mesma hora, o sonho
veio.

(c) Sonhou com uma Escada que Prefigura


Cristo
Gênesis 28:12 diz: “E sonhou: Eis posta na terra
uma escada, cujo topo atingia o céu; e os anjos de
Deus subiam e desciam por ela”. O ponto central
deste sonho era uma escada. Nele, por acaso, a
escada desce do céu? Não, já estava na terra, e Jacó
só precisou ter uma visão dela. Antes de ter o sonho,
ele não podia vê-la. Isso significa que tudo o que é
necessário para receber o direito de primogenitura já
existia muito antes de sermos salvos. O problema é
que não podíamos vê-lo. Precisávamos ter uma visao,
a fim de enxergá-lo. Não pense que Jacó viu em seu
sonho a escada baixando, como Pedro viu o lençol
descendo do céu (At 10:9-16). Jacó não viu algo
baixando; viu algo que já estava na terra. Não lemos
que a escada atingia a terra, mas que ela estava
“posta na terra” e “cujo topo atingia o céu”. Era uma
escada já existente na terra, não descendo do céu.
Que dizer dos anjos de Deus na escada? Quando
lia a seu respeito nos anos passados, sempre pensava
que eles desciam e subiam. Mas esse versículo diz-
nos que eles subiam e desciam. Isso significa que
estavam lá antes de Jacó ter o sonho. Quando este os
viu, eles estavam primeiramente subindo e depois
descendo. Se Jacó tivesse visto a escada baixando do
céu, e os anjos de Deus descendo por ela, seu sonho
poderia ser tomado como resposta ao seu desejo ou à
sua oração. Se ele tivesse dito:-ó Deus, estou só e
quero ter uma visão celestial”, e uma escada baixasse
do céu, com os anjos descendo por ela, isso seria uma
resposta à sua oração. Mas não foi exatamente assim.
Mesmo sem orar, ele viu de repente uma escada
posta na terra, cujo topo atingia o céu. O fato de os
anjos subirem e descerem por ela indica que o sonho
não era uma resposta à oração de Jacó, mas que tudo
fora planejado previamente por Deus.
Não pense que sua salvação foi uma resposta às
suas orações. Antes de orar, a salvação já estava lá
esperando por você. Não foi que tenha orado, e,
então, de repente, a salvação desceu do céu e caiu
sobre você. Não, antes de ser salvo, a salvação já o
esperava, mas você precisou ser forçado a deixar seu
lar e toda situação feita pelo homem, e ser conduzido
a um ambiente de solidão. Então seus olhos foram
abertos para ver o que já estava lá.
No versículo 12, diferente de João 1:51, não
lemos que Jacó viu o céu aberto. Ele não viu o céu
aberto, porque este já estava aberto antes mesmo de
ele chegar àquele lugar. Quando o céu lhe foi aberto
para a sua salvação? Você jejuou, orou e clamou ao
Senhor para que lhe abrisse o céu, e, então, de
repente, viu o céu aberto? Não, o céu jamais esteve
fechado ao povo escolhido de Deus. Embora ele nos
esteja aberto, ainda precisamos chegar a Betel.
Podemos não querer vir aqui, mas não temos escolha.
Como Jacó, fomos forçados a vir. Muitos de nós
entramos para a vida da igreja porque não tivemos
escolha. Fomos forçados a isso. Você pode dizer: “Se
eu tivesse uma possibilidade, sairia da vida da igreja”.
Mas graças ao Senhor, você não tem possibilidade.
Talvez já tenha dito: “Não gosto dessa situação na
vida da igreja. Quero sair”. Mas louvado seja o
Senhor porque isso é impossível. Todos fomos
forçados a vir até Betel, lugar onde vemos a escada já
existente. Não há necessidade de implorarmos e
esperarmos que os céus se nos abram. Uma vez que
se abram nossos olhos, vemos que a escada já está lá.
Isso é a visão, o sonho celestial. Nesse sonho, não
vemos uma escada baixando; vemos a escada que já
está aqui.
Quando chegamos ao Novo Testamento, vemos
que Cristo é a escada vista por Jacó. Em João 1:51,
Jesus disse a Natanael: “Em verdade, em verdade vos
digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus
subindo e descendo sobre o Filho do homem”. Cristo
é Aquele que traz o céu à terra e a terra ao céu.
Primeiramente, Ele traz o céu à terra e, então, Ele
liga a terra ao céu. Gênesis 28:12 diz que a escada
estava “posta na terra”. De acordo com o nosso
conceito, Cristo foi embora da terra. Mas segundo o
conceito de Deus, Ele foi posto na terra e ninguém
pode removê-Lo. Por dezenove séculos e meio as
pessoas têm tentado ao máximo abalar essa escada,
mas têm sido incapazes de o fazer. Não pense que
Cristo esteja descendo. Não, Ele já foi posto na terra.
De acordo com o seu sentimento interior, profundo,
onde estava Cristo quando você foi salvo-no céu ou
na terra? De acordo com o seu próprio conceito
natural, Ele estava no céu. Mas de acordo com seu
sentimento interior, Ele estava diretamente diante de
você, porque Ele fora posto na terra. Todos já
experienciamos isso. Por causa da influência da
religião, entretanto, prosseguimos com a nossa
idealização mental ao invés de ficarmos com nossa
experiência. Em nossa experiência de salvação, Cristo
estava na terra.
O nosso Cristo-que é a escada a trazer o céu à
terra e a ligar a terra ao céu – está agora não só no
céu, mas também aqui na terra. Ele foi posto na terra
e se estende até o céu, com o objetivo de vir até nós e
conduzir-nos a Ele. Como já enfatizamos, no sonho
de Jacó os anjos subiam e desciam pela escada. Eles
estão esperando para subir. Creio que toda vez que
um pecador recebe o Senhor Jesus e é salvo, muitos
anjos sobem ao céu para levar as boas novas. Em
primeiro lugar, sobem alegremente ao céu, e depois
descem imediatamente com boas coisas para o novo
crente. Esse movimento não começa no céu; começa
na terra, indo aos céus e voltando novamente. De
semelhante modo toda vez que nos arrependemos e
dizemos: “Senhor, quero ganhar mais de Ti e ser
mais ganho por Ti”, os anjos, que são autênticos
mensageiros, levam as notícias aos céus.
Cristo, o Enviado, Aquele que traz o céu à terra e
liga a terra ao céu, está aqui na terra neste instante.
Muitas vezes, em meu quarto, tive a sensação de que
Cristo estava lá. Tão logo Lhe respondia, parecia que
alguns anjos, movendo-se mais rápidos do que um
foguete, subiam ao céu para relatar as boas novas.
Muitos de nós podemos testificar que, em algumas
ocasiões, tivemos tal tempo maravilhoso com o
Senhor que não há palavras para descrever o que
aconteceu. Aquilo foi uma prova categórica de que os
anjos estavam lá subindo e descendo. Então,
enquanto continuávamos a ter esses momentos com
o Senhor, fomos um pouco mais longe com Ele, e os
anjos alegremente subiram outra vez ao céu para
relatar algo novo, a fim de, logo a seguir, descerem
com mais coisas boas para nós.
De acordo com a visão adequada, os anjos de
Deus estão subindo e descendo. Não há necessidade
de orarmos ou jejuarmos. Precisamos simplesmente
ser forçados pela mão de Deus a deixar tudo o que é
humano e entrar num ambiente onde temos um
sonho, e os nossos olhos cegos sejam abertos. Então
diremos: “Amém, Senhor Jesus. A escada está aqui, e
os anjos estão subindo e descendo por ela”. Quando
fomos salvos, algo assim aconteceu conosco. Mas não
tivemos palavras para explicá-la. Hoje Cristo, a
escada, o centro do universo, está aqui. Essa escada
foi posta na terra e está esperando que a vejamos e a
toquemos repetidas vezes. Sempre que temos uma
visão, pode ser que não tenhamos compreensão ou
palavras para descrevê-la, mas sentimos que uma
escada está posta diante de nós. Sempre que
desfrutamos alguma experiência espiritual, sentimos
bem em nosso íntimo que algo diante de nós ou
dentro de nós está nos ligando ao céu, e que, se o
tocamos, tocamos o céu. Isso é Cristo.
Freqüentemente, quando temos uma experiência a
mais na vida da igreja, sorrimos e dizemos: “Por que
não vi isso antes? Como fui tolo! Algo foi posto na
terra e chega até o céu, e, quando eu o toco, ele me
conduz e me liga ao céu”. Isso é a escada. Como
veremos na próxima mensagem, tal escada produz
Betel, a casa de Deus, a porta do céu. Usando o termo
de hoje, isso produz a igreja.
O sonho em Betel não foi de Jacó; foi totalmente
de Deus. Jacó perdera tudo e estava completamente
frustrado. Tornara-se um caso sem esperança e sem
solução. Mas para sua grande surpresa, em meio à
sua frustração, o sonho veio. Que é esse sonho? É
simplesmente uma visão, um quadro. Em nossa
experiência, a escada estava lá, mas não a víamos.
Agora que temos a visão, notamos a escada que
estava lá todo o tempo. Esse é o significado do sonho
de Jacó.
Toda experiência espiritual é um sonho. Não
posso dizer-lhes quantos sonhos tive por todos esses
anos. Chegar à vida da igreja é um sonho. Conhecer a
prática da igreja também é um sonho. Muitas vezes
dissemos: “Amigo, esta experiência é tão boa que até
parece um sonho. Que sonho eu tive! “ Quanto mais
sonhos tivermos, melhor será, porque quanto mais
sonhos tivermos, mais tocaremos na escada e mais a
desfrutaremos.
O centro de todo sonho espiritual é Cristo como
a escada, Aquele que traz o céu à terra e liga a terra
ao céu. Toda vez que, em nosso íntimo, temos uma
profunda sensação de que fomos introduzidos no céu,
ligados a ele, feitos um com ele, e que ele foi feito um
conosco, essa é uma experiência de Cristo.
Deveríamos deixar de lado as nossas tentativas de
vencer o pecado e as fraquezas. A experiência correta
de vida é ter um sonho de Cristo como a escada
celestial, que foi posta na terra e que nos introduz no
céu. Não tente vencer o pecado nem superar sua
fraqueza. Quando você tocar essa escada, estará no
céu, o céu será seu e haverá um trânsito incessante
entre a terra e o céu, e entre o céu e a terra. Você terá
tudo o que precisar, e todas as coisas negativas
estarão debaixo de seus pés. Essa é a experiência de
Cristo como a escada celestial.
Não ore para que a escada desça até você. Quer
ore ou não, por ser um escolhido de Deus e ter um
desejo que corresponde à Sua intenção, mais cedo ou
mais tarde você será forçado a chegar a Betel, onde
terá um sonho. A finalidade desse sonho é sempre
vermos Cristo como a escada. Essa escada celestial
resulta em Betel, a casa de Deus, a igreja. Em Gênesis
28:10-22, vemos o Cristo que gera a igreja. Isso é
verdadeiramente um sonho.
MENSAGEM SESSENTA E NOVE

SENDO TRATADO (3)


Gênesis 28:10-22 é a palavra mais crucial da
revelação de Deus. Se conhecermos a Bíblia,
perceberemos que aqui está uma reviravolta radical,
um novo começo na revelação divina. Nos primeiros
vinte e sete capítulos de Gênesis a expressão “casa de
Deus” (Betel, em hebraico) não é usada. Neste
capítulo, porém, esta questão é revelada. A casa de
Deus não é simplesmente um lugar, mas é uma
composição viva de pessoas vivas. Onde estiverem
essas pessoas, aí também estará a casa de Deus. Não
depende, portanto, do lugar, mas das pessoas. Se as
pessoas se movem, o lugar deixado por elas já não é
mais a casa de Deus. Como pode um lugar ser
chamado de “casa de Deus”? Somente quando a casa
de Deus viva e real – uma composição viva de
pessoas vivas – estiver lá.
Gênesis 1 :26 diz que o homem foi feito à própria
imagem de Deus. Isso é maravilhoso. O homem é
homem, não é Deus. Ele tem, entretanto, a imagem
de Deus. Em outras palavras, ele se parece com Deus.
É correto falar assim. Se alguém tem a sua imagem,
certamente se parece com você. É muito significativo
que Deus tenha feito o homem à Sua própria imagem.
Em 2:7, vemos que o homem foi feito à imagem
de Deus, formado do pó. Você percebe que foi feito
do pó? Ninguém é exceção. Não fomos feitos do ouro,
diamante ou aço; fomos todos feitos do pó. O pó é
precioso? Você colocaria uma porção de pó em seu
bolso e o guardaria? Ninguém faria isso. Entretanto,
fomos feitos do pó. Romanos 9:21 revela que somos
vasos de barro. O pó e o barro são quase a mesma
coisa. Quando a água é adicionada ao pó, este se
torna barro. De acordo com a nossa constituição
material, não somos preciosos.
Em Gênesis 28, o termo muda de pó para pedra.
A pedra, nesse capítulo, torna-se o descanso para o
homem de pó (28:11), pois a pedra agora sustém o pó.
É muito significativo que Jacó, um homem de pó,
tenha repousado sobre uma pedra. Veja o quadro do
capítulo 28. Aqui vemos um homem cansado,
solitário, frustrado e empoeirado, um homem incerto
quanto ao seu futuro. Precisando de descanso, ao
pôr-do-sol, “tomou uma das pedras do lugar, fê-la
seu travesseiro, e se deitou ali mesmo para dormir”
(28:11). A maneira de se conhecer a Bíblia é pela
própria Bíblia. Se lêssemos apenas Gênesis 28, não
saberíamos o que isso significa. Mas quando lemos a
Bíblia toda com a luz celestial, notamos o significado
da pedra desse capítulo. Quando Pedro veio pela
primeira vez ao Senhor, Este mudou-lhe o nome,
dizendo: “Tu és Simão, o filho de João; tu serás
chamado Cefas (que quer dizer Pedro) “ (Jo 1:42).
Aproximadamente três anos depois desse primeiro
encontro com o Senhor, Pedro, respondendo-Lhe
uma pergunta, disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus
vivo” (Mt 16:16). O Senhor Jesus então lhe disse: “Eu
te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a
minha igreja” (Mt 16:18). O Senhor parecia dizer:
“Pedro, lembra-se do primeiro dia em que veio a
Mim e Eu lhe dei o nome de pedra? Isso não deveria
ser apenas um nome – deveria ser um fato. Pedro,
você é uma pedra. Edificarei a Minha igreja sobre
esta rocha”. Assim, Mateus 16:18 revela que a pedra
destina-se à edificação da igreja.
Que é a igreja? Em 1 Timóteo 3:15 diz-se que a
igreja é a casa do Deus vivo. Por fim, na eternidade, a
casa do Deus vivo será a Nova Jerusalém. Em
Apocalipse 21, vemos que a Nova Jerusalém não é
edificada com barro ou pó, mas com pedras preciosas.
Falando da Nova Jerusalém, Apocalipse 21:11 diz: “O
seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima,
como pedra de jaspe cristalina”. Isso não é alegoria
de minha parte; é a revelação divina.
Precisamos olhar para a Bíblia com uma visão
panorâmica. Em Gênesis 1 e 2 vemos que, embora
feito à imagem de Deus, o homem era constituído de
pó. Enquanto a imagem se destina à expressão de
Deus, o pó certamente não é conveniente para isso.
Logo, há a necessidade de transformação.
Transformação não é meramente uma mudança de
forma, mas é também uma mudança de natureza,
porque a palavra transformação denota uma
mudança metabólica. Precisamos ter uma mudança
de natureza, para que a nossa natureza e aparência
possam não ser mais como aquela do pó. Em Gênesis
2, o homem é pó; em Apocalipse 21, entretanto, ele é
pedra preciosa. Na eternidade, não haverá
necessidade de limpeza. Enquanto estivermos nessa
terra poeirenta, precisaremos limpar-nos cada dia.
Mas porque não haverá pó na Nova Jerusalém, não
haverá também necessidade de limpá-lo. Todo o pó
será transformado em pedras preciosas.
Em Gênesis 2 temos um homem de barro e, em
Gênesis 28, vemos um homem de barro descansando
sobre uma pedra. A Bíblia verdadeiramente foi
escrita por Deus. Em nenhum outro livro
encontramos um trecho como 28:10-22. Essa
passagem é curta, mas crucial, profunda e
significativa, incluindo a Bíblia toda em seu alcance.
Em 28:11, vemos a pedra que Jacó usou por
travesseiro. Como todos sabem, um travesseiro é algo
sobre o qual se descansa. Em 28:18, essa pedra-
travesseiro torna-se uma coluna. Um travesseiro
serve para descanso, mas uma coluna é usada para
sustentar uma construção. No templo construído por
Salomão havia duas colunas principais (1 Rs 7:21).
Gálatas 2:9 diz que Tiago, Pedro e João eram colunas
na igreja. Além do mais, Apocalipse 3:12 diz que os
vencedores serão colunas no santuário de Deus. Em
Gênesis 28 temos a pedra, o travesseiro e a coluna.
Mas isso não é tudo. Por fim, essa coluna torna-se
Betel, a casa de Deus. Além disso, nesse curto trecho
da Palavra, observamos uma escada posta na terra,
cujo topo atingia o céu (28:12). É impossível que
qualquer homem tenha escrito esse trecho. Como
Jacó poderia ter sonhado dessa maneira? De acordo
com a história humana, ninguém jamais teve um
sonho assim. Mas Jacó viu uma escada pela qual os
anjos de Deus subiam e desciam. Isso significa que os
anjos já estavam lá, esperando a hora de subir.
Quando Jacó viu a escada em seu sonho, os anjos
devem ter subido imediatamente ao céu para relatar
as novas de que ele viera e vira a escada. Depois de
acordar de seu sono, percebeu que aquele lugar era
não somente a casa de Deus, mas também a porta do
céu (28:17).
Além de todos esses itens maravilhosos, ainda há
um outro muito importante neste capítulo – o nosso
viver. Muitas vezes, quando pregamos o evangelho,
os pecadores perguntam: “Se eu crer em Jesus, Ele
vai cuidar do meu viver? “ Alguns santos fazem
perguntas semelhantes: “Se eu amar o Senhor e viver
para Ele, que acontecerá com minha sobrevivência?
Não precisarei importar-me com isso? “ Todos temos
o problema de ganhar a vida. Entretanto, neste curto
relato, vemos que Deus cuida do nosso viver. Como
veremos, cuidar do nosso viver é secundário. Em
28:15, o Senhor disse a Jacó: “Eis que eu estou
contigo, e te guardarei por onde quer que fores”. O
Senhor aqui parecia estar dizendo: “Jacó, estarei com
você e tomarei conta do seu viver. Dar-lhe-ei pão
para comer e roupa para vestir”. Isso corresponde à
palavra do Senhor em Mateus 6:33: “Buscai, pois, em
primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas
estas cousas vos serão acrescentadas”. Se buscarmos
o Seu reino, Deus certamente cuidará da nossa
sobrevivência.
Embora Deus houvesse prometido estar com
Jacó e guardá-lo, este ainda propôs-Lhe um negócio,
dizendo: “Se Deus for comigo, e me guardar nesta
jornada que empreendo, e me der pão para comer e
roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz
para a casa de meu pai, então o Senhor será o meu
Deus” (28:20-21). Note a palavra “então” de Gênesis
28 :21. Se Deus fizesse várias coisas para Jacó, então
este O tomaria como o seu Deus. Caso contrário, não
haveria negócio. Jacó parecia dizer: “Se me deres
comida e roupa, e cuidares do meu viver, então Te
tomarei como meu Deus; esta coluna será a Tua casa,
e Te devolverei o dízimo de tudo o que me deres”.
Esse foi um acordo comercial muito lucrativo. Jacó
estava dizendo: “Senhor, Tu deves primeiro dar a
mim, e depois então eu darei a Ti. Se me deres um
cruzeiro, eu Te devolverei dez centavos”. Deus diz
que, se buscarmos o Seu reino, Ele nos dará o pão.
Mas nós dizemos que Deus primeiro deve dar-nos
pão e, então, buscaremos Seu reino. Não há
necessidade de você fazer tal negócio com o Senhor.
Simplesmente seja um vaso de barro e permita que o
Senhor trabalhe em você, e Ele lhe acrescentará tudo
o que você precisa. A palavra acrescentar de Mateus
6:33 subentende que algo básico já foi dado e que as
outras coisas simplesmente nos são adicionadas.
Como veremos, Deus nos dará a terra, a semente e a
bênção. A tudo isso Ele acrescentará comida, roupa e
as outras coisas de que precisamos para o nosso viver.
Gosto muito desse trecho da Palavra porque é muito
amplo, alcançando a Bíblia toda, de Gênesis 1 a
Apocalipse 22. É por isso que digo que esse é um
trecho crucial. Alcança tudo, desde o pó até a pedra,
da criação à edificação da casa de Deus. Alcança os
problemas relacionados com o pão, as vestes, a casa
de Deus, a escada e as coisas celestiais.
Nesta passagem, Jacó primeiramente encontrou
descanso, e por fim recebeu a promessa de que não
haveria problemas quanto à comida e às vestes.
Todos estão procurando descanso. O descanso
sempre inclui satisfação. Se não estivermos
satisfeitos, jamais poderemos estar em descanso.
Toda vez que chegamos ao Senhor, a primeira coisa
que recebemos é o descanso. Como pessoas solitárias,
frustradas, que não sabem para onde caminham,
precisamos de descanso. Como os que parecem estar
desesperançados, que não têm futuro e que perderam
quase tudo, desejamos ardentemente o descanso.
Louvado seja o Senhor por Seu descanso! Esse
descanso é sobre a pedra, e essa pedra está no
mesmo lugar em que está a casa de Deus. Aqui é o
nosso lugar de descanso.
(d) Encontrado por Deus pela Primeira Vez
Em Gênesis 28:13, notamos que Jacó foi
encontrado por Deus pela primeira vez. Todos
precisamos ser encontrados por Deus. Isso é básico.
Jacó nasceu numa família piedosa. Abraão, Isaque,
Sara e Rebeca eram todos pessoas piedosas. Embora
seja bom nascer numa família piedosa, ainda
precisamos ter o nosso próprio encontro direto,
pessoal, com Deus. Todos em seu lar podem comer,
mas você ainda precisa ser uma pessoa que come por
si mesma. Não diga: “Oh! meu avô era Abraão, minha
avó era Sara, e meus pais são Isaque e Rebeca”. E
você? Todos em sua família são pessoas que comem,
mas você come por si mesmo? Sobre Deus, Jacó
adquirira conhecimento, mas ainda não havia
comido nada. Nascera numa família piedosa, mas
antes do sonho de Betel, ele mesmo não tivera um
encontro direto com Deus. Para sua grande surpresa,
entretanto, ali em Betel, Deus o encontrou pela
primeira vez. Jacó não tinha intenção de encontrar
Deus. Era Deus quem estava lá esperando por ele.
Descera do céu e estava lá na terra.
A experiência da mulher samaritana em João 4 é
semelhante à experiência de Jacó em Gênesis 28. O
Senhor Jesus, que descera do céu, foi
propositadamente ao poço para encontrá-la. Para
aquela mulher samaritana, o poço de Jacó era Betel,
e Jesus estava lá como a escada celestial. Se, como
Jacó, ela tivesse tido um sonho real, veria os anjos
subindo ao céu, levando boas notícias de que ela
encontrara o Senhor. Os anjos poderiam ter dito: “A
mulher samaritana pecadora, aquela de tantos
maridos, e que vive agora com um homem que não é
o seu marido, veio a Jesus! “ A situação era a mesma
quando você veio ao Senhor. Jesus, a escada celestial,
estava esperando por você. No dia em que foi salvo,
você teve o seu primeiro sonho e foi encontrado por
Deus pela primeira vez. Como isso é maravilhoso! Se
examinar a sua experiência, dirá: “Louvado seja o
Senhor! Agora entendo o que me aconteceu naquele
dia. Antes de ser salvo, a escada celestial já fora posta
na terra, e Deus estava lá esperando para encontrar-
me”.
Ao encontrar Jacó pela primeira vez, Deus lhe
disse: “Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e
Deus de Isaque” (28:13). Isso implica que Deus
estava para ser o Deus de Jacó. Todos
experimentamos o Deus de Abraão e o Deus de
Isaque. Uma vez que o Deus de Abraão é o Deus da
justificação, e o Deus de Isaque é o Deus da graça,
isso significa que experimentamos o Deus da
justificação e o Deus da graça. Embora tenhamos
experimentado tal Deus, precisamos também
encontrar e experimentar o Deus de Jacó. Isso
significa que Ele será para nós o Deus da
transformação, o Deus dos tratamentos. Conhecer o
Deus de Abraão significa sermos justificados, e
conhecer o Deus de Isaque significa desfrutarmos da
Sua graça. Mas precisamos também ter um sonho em
que o Deus de Jacó nos diga: “Serei o seu Deus. Serei
o Deus de um segurador de calcanhar, de um
suplantador. Quanto mais você suplantar, melhor Eu
poderei tratá-lo. Quanto mais segurar os calcanhares
dos outros, mais o colocarei no forno. Ser-lhe-ei o
Deus de Jacó”. Posteriormente a Bíblia diz que Deus
é o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de
Jacó, e que esse Deus não é Deus de mortos, mas de
vivos (Mt 22:32). O meu Deus não é somente o Deus
de Abraão e o Deus de Isaque; também é o Deus de
Jacó, o Deus dos tratamentos, que me disciplina o dia
todo. Se ficarmos somente com o Deus de Abraão e o
Deus de Isaque, jamais O experimentando como
Deus de Jacó, não teremos a transformação
necessária. Qual Deus você ama: o Deus de Abraão, o
Deus de Isaque ou o Deus de Jacó? Amamos o deleite,
e nenhum de nós gosta dos tratamentos. Deus é o
Deus Triúno-o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.
Esteja preparado – um dia você O encontrará como o
Deus de Jacó.
Freqüentemente, os irmãos e irmãs gostam de
cantar a respeito da gloriosa vida da igreja. Todavia,
quanto mais permanecemos na gloriosa vida da
igreja, mais somos tratados. Quase todos nós
podemos testificar que, desde que entramos para a
vida da igreja, Deus nos tem tratado. Antes de entrar
para a igreja não tínhamos muitos problemas. Mas
depois que nela entramos e começamos a cantar
acerca da gloriosa vida da igreja, as coisas
começaram a acontecer uma após outra. Você
poderia dizer: “Que é isso? Tal vez eu esteja errado”.
Não, você não está errado; está certo. Porque você
está no caminho certo, no caminho da transformação,
todas essas coisas lhe têm acontecido.
Deus mede o nosso ambiente e tudo o que nos
acontece. Por exemplo, ele pode permitir que você
tenha uma pequena doença, mas tal doença é medida
e não o matará. Isso é semelhante ao que Ele fez com
Jó, quando determinou a Satanás que não fosse além
de certo limite (Jó 2:6). Isso é o Seu tratamento. Nos
capítulos seguintes de Gênesis não observamos Jacó
desfrutando muito. Pelo contrário, aonde quer que
fosse, Deus lá estava a tratar com ele. Deus parecia
dizer: “Eu sou o Deus de Jacó. Por fim, quero ser o
Deus de Israel. Quando sua transformação se
completar, Meus tratamentos com você terminarão”.

(e) Recebeu a Promessa de Deus pela


Primeira Vez
Nenhum dos tratamentos de Deus vem sem uma
promessa. Sempre que sofremos um tratamento, há
junto dele uma promessa. Quanto mais tratamentos
sofrermos, mais promessas obteremos. Em 28:13-15
vemos a promessa de Deus a Jacó. De acordo com a
experiência deste, a promessa de Deus não veio antes
de Seu tratamento. A promessa não significa que
primeiramente teremos provisão de comida e vestes.
Primeiramente teremos a terra, a descendência e
seremos uma bênção para todas as famílias da terra.
Aqui vemos três coisas: a terra, a descendência e a
bênção. De acordo com a sólida revelação da Bíblia, a
terra é para o reino. Em Sua criação, Deus fez o
homem à Sua própria imagem e deu-lhe o domínio
sobre a terra. Assim, a terra é para o domínio, para o
reino. A descendência é para a expressão, para a
expansão da imagem. Em 28:13 e 14, temos as
mesmas duas coisas encontradas em Gênesis 1 :26-a
imagem e o domínio. Após isso, tomamo-nos uma
bênção. Nossa bênção é simplesmente Cristo, porque
Ele se toma nossa bênção para os outros.
Se examinarmos a nossa experiência, veremos
que toda vez que recebemos algum tratamento de
Deus, recebemos a terra, e vem-nos a sensação de
que estamos no reino. Posteriormente, sentimos que
algo de Deus é expresso por meio de nós e se irradia
de nós. Isso é a descendência. Além disso, tomamo-
nos uma bênção para os outros: para os nossos
vizinhos, parentes, amigos e para todos à nossa volta.
A promessa de Deus não somente foi dada a Jacó.
Em princípio, ela também nos é dada. Quando
estamos sob o Seu tratamento, somos participantes
da terra, da descendência e da bênção. Temos parte
no território e na expressão de Deus, e nos tomamos
uma bênção para os outros.
Deus conhece a nossa necessidade. Em Gênesis
28:15, Ele disse a Jacó: “Eis que eu estou contigo, e te
guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a
esta terra, porque te não desampararei, até cumprir
eu aquilo de que te hei referido”. Deus estava aqui
prometendo dar-lhe comida e roupa, e conduzi-l o
em paz de volta à terra de seu pai. As pessoas na
religião nada conhecem acerca da terra, da
descendência e da bênção. Freqüentemente, ao
darem um testemunho, dizem algo assim: “Louvado
seja o Senhor, pois Sua presença está sempre comigo.
Recentemente, fiz uma viagem a Chicago, e a
presença de Deus estava comigo. Ao longo de todos
esses anos, Ele me tem dado comida, vestes e tudo o
que preciso”. Raramente ouvi um testemunho em
que alguém dissesse: “Louvado seja o Senhor! Depois
que Ele tratou comigo, o meu território tem sido
expandido. Deus realmente me tem transformado.
Ele está expandindo, por meio de mim, a Sua
expressão. Que bênção se seguiu a isso! “

(f) Sua Reação

1) Chamou o Lugar de “Casa de Deus”


Chegamos agora à reação de Jacó. Em primeiro
lugar, após acordar do seu sono, chamou aquele lugar
de “casa de Deus” (28:17). Onde conseguiu ele esse
conceito de casa de Deus? Abraão não o conhecia.
Como já enfatizamos, não encontramos tal termo
antes de Gênesis 28. Abraão, Isaque e Jacó, todos
viveram em tendas. Por que, então, Jacó não disse
“tenda de Deus”, mas “casa de Deus”? Com certeza,
isso não foi apenas um sonho, mas uma revelação.
Embora não visse verdadeiramente a casa de Deus,
Jacó denominou o que viu como a casa de Deus,
dizendo: “É a casa de Deus”. Obviamente, isso
proveio da revelação divina.
Deus revelou Sua economia não somente por
palavras claras, mas também pela vida dos seres
humanos. Jacó, homem que vivia totalmente num
nível humano, teve um sonho. Naquele sonho, ele viu
algo, e, após levantar-se, disse: “É a casa de Deus”.
Sem dúvida, tal conceito de casa de Deus veio do
próprio Deus.

2) Chamou o Lugar de “Porta do Céu”


Jacó também chamou o lugar onde encontrou
Deus de “porta do céu” (28:17). Tudo o que ele viu lá
apontava para o céu. Era um lugar na terra, porém se
ligava ao céu. Por isso, ele o chamou de “porta do
céu”. Toda vez que temos uma visão espiritual,
sentimos que estamos na porta do céu. Estamos na
terra, mas vemos e experimentamos as coisas do céu.

3) Fez da Pedra-Travesseiro uma Coluna e a


Ungiu
Gênesis 28:18 diz: “Tendo-se levantado Jacó,
cedo, de madrugada, tomou a pedra que havia posto
por travesseiro, e a erigiu em coluna, sobre cujo topo
entornou azeite”. É estranho o fato de Jacó haver
levantado a pedra corno urna coluna. Se eu estivesse
em seu lugar, jamais teria feito tal coisa com aquela
pedra. Qual é o significado disso? Sem dúvida
corresponde à revelação total da Bíblia. A coisa mais
marcante aqui é a unção da pedra com óleo. Foi pela
soberania que o óleo estava lá. Onde Jacó o obteve?
Será que ele, um fugitivo, trouxe-o consigo ao fugir
de casa? Não sei. De acordo com a minha opinião,
derramar óleo sobre a pedra só poderia causar urna
grande sujeira. Mas de acordo com a Bíblia, esse ato é
muito significativo. Na Palavra, a pedra, sem dúvida,
representa um homem transformado, um vaso de
barro mudado numa pedra. Em tipologia, o óleo
representa a terceira Pessoa de Deus atingindo os
homens. Quando Deus os alcança, Ele é o Espírito.
Assim, a pedra erigida em coluna, tendo sobre si o
óleo derramado, é um símbolo de que o homem
transformado é um com o Deus Triúno. O Deus
Triúno agora não está somente no céu, mas também
num homem transformado, e é um com ele. Tal
homem é a expressão de Deus na terra. Quando você
olha para a pedra, vê o óleo. E quando olha para o
homem transformado, de pé, na terra, você vê a
expressão de Deus. Corno Jacó soube que devia
derramar óleo sobre a pedra? Antes do capítulo 28
não há registro desse tipo de ação. Depois de acordar
de seu sonho, entretanto, ele fez isso.

4) Chamou o Lugar de “Betel”


Após derramar óleo sobre o topo da coluna,
àquele lugar Jacó “deu o nome de Betel” (28:19). Por
que deu ele o nome de Betel, “casa de Deus”?
Enquanto ungia a coluna, ele estava sob a unção do
Espírito. A coluna representava ele mesmo, o Jacó
transformado. Não creio que naquela hora ele
estivesse entendendo o que fazia. Ele não estava tão
claro corno estamos hoje. Em João 1:51, o Senhor
Jesus disse a Natanael: “Em verdade, em verdade vos
digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus
subindo e descendo sobre o Filho do homem”. O
título “Filho do homem” indica que Deus não é mais
apenas Deus, mas também tornou-se um homem.
Isso revela que Deus não está mais somente nos céus,
mas que Ele se tornou um homem vivendo na terra.
A escada fora posta na terra porque Deus se tornara
um homem. Antes de encarnar-se, não podia ser
chamado de Filho do homem. Quando o Senhor
Jesus disse a Natanael que este veria os anjos
subindo e descendo sobre o Filho do homem,
Natanael deve ter percebido imediatamente que tal
era o cumprimento do sonho de Jacó.
O sonho de Jacó é a revelação de Cristo, porque
Cristo -a escada-é o centro, o ponto focal desse sonho.
Com essa escada celestial ternos um céu aberto, o
homem transformado, a unção sobre esse homem e a
edificação da casa de Deus com esse homem. A vida
da igreja hoje é o cumprimento completo do sonho
de Jacó, porque ela é a porta do céu, o lugar onde
estão a coluna e a escada, o lugar onde os anjos
sobem aos céus levando as boas novas e descem à
terra trazendo algo celestial. Betel está aqui na vida
da igreja. Somos a Betel de hoje. Em Gênesis 28,
tanto o lugar corno a pedra foram chamados de Betel.
A pedra não foi apenas chamada de Betel, mas
também foi feita Betel. Por que aquele lugar foi
chamado de Betel? Porque a pedra de Betel estava lá.
A vida da igreja é assim. Todos precisamos ter esse
sonho maravilhoso.

5) Fez um Juramento
Quando Deus faz urna promessa, não temos
necessidade de prestar-Lhe um juramento. Se eu
fosse Jacó, simplesmente diria: “Senhor, obrigado”.
Mas em vez de agradecer ao Senhor e louvá-Lo, Jacó
fez um juramento solene de que tomaria Deus como
seu Deus, faria da pedra-coluna a casa de Deus e Lhe
daria o dízimo de tudo o que Este lhe desse, com a
condição de que Deus fosse com ele, de que o
guardasse, provendo-o de pão e vestes, e o
conduzisse em paz, de volta à casa de seu pai (28:20-
22). O juramento de Jacó foi condicional. O fato de
estarmos na vida da igreja também é condicional.
Embora estejamos todos felizes aqui, na vida da
igreja, temos em nosso íntimo uma condição e
dizemos: “Permanecerei na vida da igreja e serei uma
parte dela enquanto Deus me der pão”. Embora
possamos não dizê-lo em palavras, isso, todavia, está
bem lá dentro de nós. Suponha que você perca o seu
emprego e fique desempregado por muitos meses, e
que, depois disso, fique muito doente. Ainda irá
cantar a gloriosa vida da igreja? Não somente não
haverá vida da igreja, mas provavelmente não haverá
nem mesmo uma coluna. O seu amor pelo Senhor e
pela igreja é condicional. Quando Jacó prometeu dar
o dízimo a Deus, isso queria dizer que, se Deus nada
lhe desse, então ele nada daria a Deus. Jacó parecia
dizer: “Vamos fazer um acordo. Se Tu quiseres algo
de mim, então deves primeiro dar-me algo. Se nada
me deres, que poderei dar-Te?”
Jacó cria em Deus? Sim. Se não cresse, não teria
falado sobre o fato de Deus estar com ele. Mas já que
acreditava em Deus, por que ainda tinha uma
condição em seu juramento? Porque era humano,
exatamente como nós hoje. Por um lado cremos em
Deus e, por outro, temos uma condição. Dificilmente
alguém ama o Senhor incondicionalmente. Ouvi
muitos irmãos e irmãs dizerem que se consagraram
totalmente ao Senhor. Toda vez que ouço tais
testemunhos, pergunto: “Você é realmente absoluto
para com o Senhor? “ Se o Espírito Santo fosse
realizar um balanço de sua experiência, é bem
provável que seria exatamente a de Jacó. O meu
registro, por certo, é exatamente o mesmo que o dele.
Mas não há necessidade de nos preocuparmos com o
nosso viver. Deus dar-nos-á a terra, a descendência e
a bênção, e, além de tudo isso, cuidará do nosso viver,
providenciará comida, vestes e tudo o que
precisamos. Se buscarmos em primeiro lugar o reino
de Deus, o Pai nos dará tudo o que precisamos para o
nosso viver. Esse é o sonho de Jacó.
MENSAGEM SETENTA

SENDO TRATADO (4)


Ao lermos o relato referente a Jacó no livro de
Gênesis, precisamos lembrar-nos de que a Bíblia
inteira é a palavra da vida. Contém ensinamentos,
histórias, profecias e tipos, a maioria dos quais não se
relacionam aparentemente à vida. Mas sendo toda
ela a palavra de Deus como vida, não deveremos
considerar seus relatos como meras histórias.
Precisamos olhar para o Senhor, a fim de que Ele
possa mostrar-nos a vida em todos os seus registros.
A maioria dos cristãos tem considerado os trechos do
livro de Gênesis como meras histórias,
negligenciando a vida encontrada neles. Quando
éramos jovens, muitos de nós gostávamos de ouvir os
relatos da Bíblia. Sem dúvida, suas histórias são as
melhores que há. Que o Senhor possa dar-nos um
modo de receber a nutrição de vida em todos os seus
registros.
Já ressaltamos que, no que diz respeito à
experiência de vida, Abraão, Isaque, Jacó e José não
devem ser considerados como quatro indivíduos
separados. Na experiência de vida; tais pessoas
constituem uma unidade completa. Em Abraão
vemos o chamamento de Deus, a justificação pela fé,
o viver pela fé em Deus e em comunhão com Ele. Na
experiência com Deus, entretanto, não há somente o
chamamento, a justificação, a fé e a comunhão.
Fomos também escolhidos e predestinados. Em
Abraão, Isaque e Jacó, observamos vários aspectos
da experiência de vida. Somente ao colocarmos essas
três pessoas junto com José é que notamos a
completação da experiência de vida. Vimos que Jacó
precisa de José para completá-lo. O Novo
Testamento revela claramente que fomos
predestinados para a filiação de Deus (Ef 1 :5), até
mesmo para ser Seus filhos reais. Todos os Seus
filhos serão reis. Lemos, em Apocalipse, que os
santos serão co-reis com Cristo, para governarem
sobre as nações no reino (Ap 2:26-27; 20:4, 6). Não
se observa a realeza em Abraão nem em Isaque.
Mesmo no próprio Jacó não se pode vê-la. Mas ela se
revela claramente em José. À época dos últimos
capítulos de Gênesis, o mundo todo estava sob o
governo de Faraó. Este, entretanto, era somente uma
figura de proa. O verdadeiro governante da terra
naquela época era José. Porque este representava o
próprio pai, o governante sobre a terra era na
verdade Jacó. Este dominou por meio de seu filho
José, que era o aspecto governante de sua vida. As
experiências de Abraão, Isaque, Jacó e José, por
conseguinte, constituem uma única experiência
completa de vida. Tal experiência com Deus começa
pela escolha e termina com a realeza.
Gênesis 1 :26 revela que o objetivo de Deus em
Sua criação do homem era que este O expressasse à
Sua imagem e O representasse com o Seu domínio.
Embora vejamos algo de Deus em Abraão, não vemos
nele muito da Sua imagem. Além disso, não
observamos em Abraão ou Isaque o domínio de Deus.
Dificilmente podemos percebê-lo no próprio Jacó. O
domínio de Deus é visto em José. Em Jacó mais José,
a Sua imagem e o Seu domínio estão claramente
revelados. Por fim, Jacó foi chamado Israel, o
príncipe de Deus. Seu nome inclui o nome de Deus.
Em seu nome transformado, temos o nome de Deus.
Porque fora realmente transformado à Sua imagem,
no seu nome havia a Sua expressão. Por um lado,
Jacó tinha a expressão, por outro, José tinha o
domínio. Assim, como uma unidade completa,
expressavam e representavam Deus. Se quisermos
ver isso, precisamos ter iluminação espiritual.
Precisamos orar, dizendo: “Senhor, abre nossos olhos.
Não queremos apenas ler as histórias da Bíblia e
obter algum conhecimento delas. Queremos ver nelas
a luz da vida e ser nutridos pela vida que elas
contêm”.
Em Abraão não podemos ver muito do
tratamento de Deus. Nem o vemos em Isaque,
porque Deus jamais tratou com ele. Este
simplesmente gostava de comer. Segundo a nossa
opinião, nenhum de nós concordaria com isso, e
diríamos: “Deus, por que me tratas todo tempo? Por
que não disciplinas Isaque? Este até vendeu a Tua
bênção por carne saborosa”. Em 27:3 e 4, Isaque
disse a Esaú: “Sai ao campo, e apanha para mim
alguma caça, e faze-me uma comida saborosa, como
eu aprecio, e traze-ma para que eu coma, e te
abençoe antes que eu morra”. Se um irmão hoje
fizesse isso, diríamos: “Irmão, você não deveria fazer
isso. É muito carnal e mundano”. Mas Isaque não foi
repreendido por fazê-lo. De fato, embora abençoasse
cega e erroneamente, Deus honrou sua bênção. Isso
indica claramente que ele não representa a vida que
foi tratada por Deus. A vida de Jacó é a vida que
representa os Seus tratamentos. Inúmeras vezes
Deus não permitiu que Jacó se fosse; pelo contrário,
manteve sobre ele Sua mão.
Conforme o capítulo 29, ao chegar à casa de
Labão, Jacó foi colocado numa sala de transformação.
Como vimos, Isaque, Rebeca e Esaú cooperaram para
forçá-lo a fugir de seu lar. Isaque era simples,
despreocupado e pouco disposto a exercitar o seu
discernimento. Essa era a sua disposição e o seu
caráter. Rebeca, entretanto, era esperta, engenhosa e
manipuladora. Sendo esposa e mãe forte, controlava
a fanu1ia toda. Esaú, o irmão, não era muito
inteligente, mas era fisicamente forte e parecia dizer:
“Jacó, não sei como exercitar a minha mente como
você faz, mas sei como utilizar meus punhos. Você
pode ser esperto, mas um dia eu o matarei”. Essas
três pessoas cooperaram juntas como equipe para
expulsar Jacó, forçando-o a deixar sua querida mãe e
o lar de seu pai. Sabemos que Jacó sofreu em sua
jornada pelo fato de ter erguido a voz e chorado, ao
ver sua prima Raquel (29:11). Ele ficou muito
solitário. Tudo o que experimentara antes de chegar
à casa de Labão serviu simplesmente para introduzi-
lo na sala de transformação. No capítulo 29, portanto,
ele foi admitido nesse compartimento.

(5) A SOBERANIA DE DEUS GUIOU JACÓ AO


ENCONTRO DE RAQUEL E LABÃO
Deus soberanamente guiou Jacó ao encontro de
Raquel e Labão (29:1-14). Após viajar uma distância
muito longa, ele chegou a certo lugar, supondo ser o
lugar em que vivia seu tio Labão. A Bíblia não diz que
Jacó procurava às apalpadelas o lugar certo,
movendo-se daqui para ali. Não, ela diz que ele
chegou a um só lugar e imediatamente descobriu que
era o lugar em que Labão vivia. Depois de conversar
brevemente com algumas pessoas junto ao poço, ele
encontrou Raquel, a filha de seu tio Labão. Foi pela
soberania de Deus que Raquel veio, e não Lia.
Sabemos que tal foi o preparo soberano de Deus,
porque em 28:15 Este já lhe prometera, dizendo: “Eis
que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer
que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não
desampararei, até cumprir eu aquilo de que te hei
referido”. Deus foi fiel e manteve a Sua Palavra,
controlando os passos de Jacó e conduzindo-o a
Raquel. Em 24:13-32, Rebeca e Labão foram
encontrados pelo servo de Isaque. Aqui, Raquel e
Labão são encontrados pelo próprio Jacó. Nisso
percebemos a soberania de Deus.
Todos somos os escolhidos de Deus. Se crê que é
um escolhido de Deus, então precisa crer que tudo o
que lhe acontece provém de Deus. Tudo o que nos
aconteceu no passado ou está acontecendo no
presente provém Dele. Jamais fique descontente com
sua situação. Como um dos escolhidos de Deus, o seu
destino está na mão de Deus e o seu futuro está sob
Sua direção. A sua entrada para a vida da igreja não
foi por acidente. Ocorreu pela mão de Deus que o
escolheu. Não só estamos debaixo do Seu polegar,
mas também em Sua mão. Toda vez que vai apanhar
algo, você o segura firmemente na mão. Não tema
estar sob o polegar de Deus, porque isso é um sinal
de que está na Sua mão. Simplesmente diga:
“Louvado seja o Senhor! Estou sob o Seu polegar e
em Sua mão”. Como Jacós de hoje, estamos todos na
mão de Deus.

(6) A TRAPAÇA DE LABÃO AO CASAR SUAS


DUAS FILHAS COM JACÓ
Quando Jacó lhe disse ser parente de Labão e
filho de Rebeca, Raquel correu a contar a seu pai
(29:12). Em 29:13 e 14, Labão “correu-lhe ao
encontro, abraçou-o, beijou-o, e o levou para casa
(. . .) Disse-lhe Labão: De fato, és meu osso e minha
carne” (29:14). Labão era um político. Depois de Jacó
permanecer com ele por um mês, ele, pensando que o
sobrinho lhe poderia ser útil, disse: “Acaso, por seres
meu parente, irás servir-me de graça? Dize-me, qual
será o teu salário? “ (29:15). Labão estava
imaginando como agarrar, manter e utilizar Jacó.
Ninguém no livro de Gênesis é mais esperto que ele.
Nem mesmo Jacó poderia vencê-lo em esperteza.
Embora Jacó fosse esperto, Deus foi ainda mais e
parecia dizer-lhe: “Jacó, você é esperto. Mas ainda
vou-lhe preparar um que é mais esperto que você”.
Labão não nasceu por acaso; nasceu de acordo com a
preparação de Deus, para o bem da transformação de
Jacó. Antes de se efetuar uma cirurgia, muitos
instrumentos são preparados. De semelhante modo,
Labão-que lembrava uma faca curva-foi preparado
para Jacó.
Labão parecia estar dizendo ao sobrinho: “Você
não deveria servir-me por nada. Diga-me quanto
você quer por salário”. Jacó amava a Raquel, e disse:
“Sete anos te servirei por tua filha mais moça, Raquel”
(29:18). O amor toma cega e tola as pessoas. Quando
li essa história, eu disse: “Jacó, você foi estúpido. Não
deveria dizer que trabalharia sete anos por Raquel.
Deveria dizer que trabalharia sete meses”. Como
alguém tão engenhoso como Jacó poderia mostrar-se
tão tolo? Simplesmente porque amava Raquel e
queria obtê-la a qualquer custo. Entretanto, ele
também era muito esperto, percebendo que se
propusesse um tempo curto de emprego, Labão não
concordaria com o negócio. Portanto, por medo de
perder Raquel, ofereceu-se para trabalhar sete anos
para Labão, de modo a poder tê-la como sua esposa.
Não é algo insignificante trabalhar por um período
tão longo. Se eu fosse Jacó, ofereceria primeiramente
trabalhar sete meses, e, então, negociaria com o tio
quanto ao tempo.
Labão foi ganancioso, roubando o sobrinho por
sete anos. A Bíblia não diz que, depois de se
expirarem os sete anos, ele chamou Jacó e lhe disse
que era hora de se casar com Raquel. Não, foi Jacó
quem lhe disse: “Dá-me minha mulher, pois já
venceu o prazo, para que me case com ela” (29:21).
Ele parecia dizer: “Labão, meus sete anos se
cumpriram. Onde está a minha esposa? Trabalhei
para você, e agora deve pagar-me o meu salário”.
Labão era muito esperto. Depois de reunir todos os
homens daquele lugar e dar uma festa, tomou Lia,
sua filha, conduziu-a a Jacó, e “coabitaram” (29:22-
23). A festa aconteceu durante o dia, mas o
casamento foi à noite. Naquela noite Labão enganou
Jacó, dando-lhe Lia, sua filha mais velha, em lugar de
Raquel. Quando descobriu, na manhã seguinte, que
Labão o enganara, Jacó disse: “Que é isso que me
fizeste? Não te servi eu por amor a Raquel? Por que,
pois, me enganaste? “ (29:25). Ele não se importava
com Lia, cujos olhos eram baços, mas amava Raquel,
que era “formosa de porte e de semblante” (29:17).
Depois que o sobrinho se queixou a ele, Labão disse:
“Não se faz assim em nossa terra, dar-se a mais nova
antes da primogênita. Decorrida a semana desta, dar-
te-emos também a outra, pelo trabalho de mais sete
anos que ainda me servirás” (29:26-27). Labão
realmente era uma faca curva. Jacó, todavia,
concordou com esse arranjo, sendo enganado pelo tio
para trabalhar por um total de catorze anos por
Raquel, a esposa de sua preferência.
A mão soberana de Deus estava nessa situação.
Jacó amava Raquel, mas Deus soberanamente a
manteve longe dele. Por outro lado, Jacó não
trabalhou um dia sequer por Lia, e esta lhe foi dada
como um presente gratuito, como um acréscimo.
Nisso vemos que Deus lhe permitirá ter a sua
preferência, mas você precisará pagar o preço dela.
Sua preferência sempre lhe custará muito, porque,
além de lha conceder, Deus lhe dará também um
acréscimo. Deus parecia estar dizendo: “Jacó, você
ama Raquel? Eu lha darei, mas você precisa pagar o
preço. Depois de pagar este alto preço, Eu lhe darei
um acréscimo. Esse acréscimo é de acordo com a
Minha vontade”.
Raquel era a esposa de Jacó segundo a sua
escolha e preferência, mas Lia era sua esposa
segundo o conceito e vontade de Deus. Prova disso se
encontra em 49:31, onde lemos que Jacó sepultou Lia
na caverna de Macpela, a maravilhosa caverna onde
Abraão, Sara, Isaque e Rebeca foram sepul tados.
Note que Lia-não Raquel-foi sepultada lá. Deus é
coerente. Aos Seus olhos há somente uma esposa
para cada marido. Deus não lhe reconheceu Raquel
como esposa, porque ela era a preferência dele. Lia
era a sua verdadeira esposa. Além de conceder a Jacó
a sua preferência, Deus também lhe ensinou muitas
licões. De semelhante modo, você, um obreiro do
Senhor, pode preferir certo irmão como cooperador.
Mas tal cooperador é escolhido por você segundo a
sua preferência, não por Deus segundo a Sua vontade.
O nosso Deus é grande. Se você quiser a sua
preferência, Ele pode dizer: “Permitir-lhe-ei ter a sua
preferência. Mas essa é uma boa oportunidade para
Eu dar-lhe alguns tratamentos e transformação, e
ensinar-lhe algumas lições. Por fim, Eu lhe darei
como seu verdadeiro cooperador aquele a quem Eu
escolhi e de quem você não gosta”.
Deus deu Lia a Jacó. Este a amava?
Provavelmente não. Em 29:31, lemos que “Lia era
desprezada”. Primeiramente ela foi desprezada por
Raquel, e depois por Jacó, sem dúvida influenciado
por Raquel. Alguns têm ensinado que Deus jamais
nos permite ter a nossa escolha. Esse ensinamento
não é correto. Deus lhe permitirá ter a sua escolha,
mas junto com ela você receberá certa dose de
tratamento e transformação.

(7) A COMPETIÇÃO, A INVEJA E A LUTA


ENTRE AS DUAS ESPOSAS DE JACÓ PARA
GERAREM FILHOS
As duas esposas de Jacó competiram para gerar
filhos. Tal competição colocou-o no fomo, fazendo-o
parecer uma formiga num fomo quente. Quatro
mulheres, as duas filhas de Labão e suas duas
respectivas servas, tomaram difícil a vida dele. Se ele
não houvesse tido preferência, teria somente uma
esposa. Por fim, por causa de sua preferência, foram-
lhe dadas quatro esposas. Como vimos, Raquel, a
esposa de sua escolha, não lhe era a esposa
verdadeira; sua esposa verdadeira era Lia, de quem
ele não gostava. Por causa da rivalidade entre Raquel
e Lia, as duas servas, Bila e Zilpa, foram-lhe dadas
por esposas (30:4, 9). Essas quatro mulheres
formaram um time jogando contra Jacó. Quando
comparamos Jacó com Isaque vemos que este último
era muito simples. Não tinha preferências, mas
aceitava tudo e todos que viessem a ele. Assim, foi-
lhe dada a melhor esposa, Rebeca. No caso de Isaque,
não houve complicações. Mas muitas complicações
ocorreram no caso de Jacó porque este teve uma
preferência. O fato de ele ter a própria preferência,
contudo, estava também debaixo da soberania de
Deus. Não se despreze, dizendo: “Eu simplesmente
me odeio. Por que não nasci simples? “ Pelo contrário,
você deveria louvar a Deus por não ser simples,
dizendo:-o Senhor, obrigado por não me teres criado
uma pessoa simples. Louvado sejas, Senhor, por eu
ser tão complicado”. Você alguma vez agradeceu a
Deus e louvou-O dessa maneira? Não diga: “Oh! sinto
pelos erros que cometi no passado”. Até mesmo os
seus erros estão debaixo da soberania de Deus. Se
muitos de nós não tivéssemos jamais cometido erros,
provavelmente não estaríamos hoje na vida da igreja.
Louvado seja o Senhor porque os nossos erros nos
trouxeram à vida da igreja. Louvado seja Deus por
Sua soberania!
Eu rio toda vez que leio o trecho em que Labão
trapaceia Jacó. Em toda a história humana,
provavelmente jamais houve uma outra vez em que
um sogro tenha usado tal truque para com seu genro.
Somente na Bíblia lemos tal coisa. Durante a noite,
Jacó sonhava estar tendo sua escolha; mas quando o
dia amanheceu, viu que lhe fora dada uma de quem
ele não gostava. Vemos aqui a soberania de Deus.
Posteriormente, além de Lia e Raquel, duas outras
esposas lhe foram dadas. Ele certamente não queria
ter quatro esposas. Como todos os irmãos casados
podem testificar, uma esposa é suficiente. Mas Jacó
não mais tinha a própria escolha. Quatro esposas lhe
foram dadas, e nada havia que ele pudesse fazer a
respeito. Foi cercado por elas, e já não era mais livre
para fazer o que queria.
Um dia, Rúben, o primogênito de Jacó, achou
algumas mandrágoras no campo e as deu à sua mãe
Lia (30:14). De acordo com Cantares de Salomão 7:13,
mandrágoras são um tipo de fruta do amor. Quando
Raquel quis as mandrágoras, Lia lhe disse: “Achas
pouco o me teres levado o marido, tornarás também
as mandrágoras de meu filho? “ (30:15). A isso
Raquel respondeu que Lia poderia ter Jacó por
aquela noite em troca das mandrágoras de Rúben.
Quando Jacó voltou do campo, Lia saiu-lhe ao
encontro e disse: “Esta noite me possuirás, pois eu te
aluguei pelas mandrágoras de meu filho” (30:16).
Jacó perdera a sua liberdade. Era corno urna bola de
voleibol, jogada de urna pessoa para outra; estava
nesta situação difícil porque suas esposas competiam
urna com a outra quanto ao gerar filhos.
Ao lermos a história de Jacó, precisamos adorar
a Deus por ser tão soberano, justo e resoluto. Jacó
amava Raquel, não Lia. Mas a desprezada Lia lhe deu
quatro filhos (29:31-35), enquanto a amada Raquel
era estéril (30:1-2). Gênesis 29:31 diz: “Vendo o
Senhor que Lia era desprezada, fê-la fecunda; ao
passo que Raquel era estéril”. Embora fosse
desprezada, Lia achou favor aos olhos de Deus.
Quando deu à luz ao seu prirnogênito, Rúben, cujo
nome significa “eis, um filho”, ela disse: “O Senhor
atendeu à minha aflição” (29:32). O seu segundo
filho foi chamado de Simeão, cujo nome significa
“ouvindo”. Depois de dar à luz a Simeão, ela disse:
“Soube o Senhor que era preterida, e me deu mais
este” (29:33). O seu terceiro filho foi chamado Levi,
cujo nome significa “unido”. Quando este nasceu, Lia
exclamou: “Agora, desta vez, se unirá mais a mim
meu marido, porque lhe dei à luz três filhos” (29:34).
Em 29:35 lemos que Lia “de novo concebeu, e deu à
luz um filho; então disse: Esta vez louvarei o Senhor.
E por isso lhe chamou Judá; e cessou de dar à luz”. O
nome Judá significa “louvor”. Após gerar esses
quatro filhos, ela nada mais tinha a fazer, exceto
louvar ao Senhor.
Quando Raquel viu que não dera ao marido filho
algum, teve inveja da irmã e disse a Jacó: “Dá-me
filhos, senão morrerei” (30:1). Quando ouviu isso,
Jacó ficou irado e disse: “Acaso estou eu em lugar de
Deus que ao teu ventre impediu frutificar? “ (30:2).
Você acha que ele teve muito gozo nesta situação?
Não, estava constantemente atribulado. Raquel,
então, deu-lhe sua serva Bila por esposa (30:3-4).
Deus também foi soberano nesta questão. Bila gerou
dois filhos: Dã, cujo nome significa “julgando”, e
Naftali, cujo nome significa “minha luta” (30:5-8).
Quando nasceu Dã, Raquel declarou: “Deus me
julgou e também me ouviu a voz e me deu um filho”
(30:6). Se Deus a justificou ou não, isso é conhecido
apenas por Ele. Mas segundo a compreensão de
Raquel, Deus a justificou. Quando Bila gerou Naftali,
Raquel disse: “Com grandes lutas tenho competido
com minha irmã, e logrei prevalecer” (30:8). Em
hebraico, a palavra “poderoso” deste versículo
(“grande”, na versão de Almeida) é a palavra para
Deus. Assim, essa frase pode ser traduzida corno
“lutas de Deus”. Isso não significa que Raquel tenha
lutado com Lia; quer dizer que ela foi a Deus muitas
vezes, dizendo:-o Deus, Tu deves julgar e justificar.
Deste quatro filhos à minha irmã Lia, mas a mim não
deste nenhum”. Ela lutou dessa maneira com as
“lutas de Deus”. Em outras palavras, lutou na
presença de Deus e após o nascimento de Naftali
pensou que prevalecera e ganhara a questão. Dã e
Naftali, todavia, não foram gerados por ela, mas por
sua serva.
Ao ver que a serva de Raquel gerara dois filhos,
Lia pareceu dizer: “Se Raquel pôde dar sua serva a
Jacó, então por que não posso fazer o mesmo? Deixe-
me fazer isso também! “ Então deu a Jacó por esposa
sua serva Zilpa, e esta lhe deu dois filhos: Gade e Aser
(30:9-13). Gade significa “afortunado” e Aser, “feliz”.
Quando Gade nasceu, Lia disse: “fortunada! “ (30:11),
e quando Aser nasceu, ela disse: “É a minha
felicidade! porque as filhas me terão por venturosa”
(30:13). Num bom sentido, Lia foi afortunada porque
dera a Jacó quatro filhos de si mesma e mais dois por
meio de sua serva. Pensou que era feliz e que todas as
mulheres a abençoariam. Em hebraico, as palavras
“feliz” e “abençoado” têm a mesma raiz. Assim, uma
pessoa feliz é uma pessoa abençoada, e uma pessoa
abençoada é uma pessoa feliz. Este era o conceito de
Lia. Deus lhe deu dois outros filhos: Issacar e
Zebulom (30:17-20). Issacar significa “aluguel”.
Quando este nasceu, ela disse: “Deus me
recompensou, porque dei a minha serva a meu
marido” (30:18). Em seu íntimo, ela deve ter
pensado que Issacar lhe nascera por alugar Jacó ao
dar a Raquel as mandrágoras de Rúben. Essa é uma
indicação a mais da competição entre essas duas
mulheres. Quando Zebu 10m nasceu, Lia disse:
“Deus me concedeu excelente dote; desta vez
permanecerá comigo meu marido, porque lhe dei seis
filhos” (30:20). Ela parecia dizer: “Não quero que
Jacó me deixe. Quero que permaneça comigo”. Neste
relato vemos claramente a competição entre as duas
esposas de Jacó.
A esta altura, Raquel ainda não gerara filho
algum de si mesma. Consideremos a cronologia. Jacó
foi para a casa de Labão aproximadamente no ano de
1760 a. c., e se casou aproximadamente em 1753 a. c.
Oito anos mais tarde, José nasceu. Sob a mão
soberana de Deus, Raquel esteve estéril, não gerando
filho algum até que oito anos se passassem. Deus
então lhe deu um filho, a quem ela chamou José,
dizendo: “Dê-me o Senhor ainda outro filho” (30:24).
O significado do nome José-”aumentando”-indica
que Raquel queria que Deus lhe desse outro filho.
Seu desejo foi cumprido seis anos mais tarde com o
nascimento de Benjamim (35:16-20). Dar à luz a
Benjamim foi-lhe uma prova muito difícil, custando-
lhe a vida. Ao dar à luz a Benjarnim, enquanto morria,
Raquel “deu-lhe o nome de Benoni; mas seu pai lhe
chamou Benjamim” (35:18). Benoni quer dizer “filho
da minha dor”. Como é significativo o fato de Jacó ter
mudado o nome de seu filho para Benjamim, que
significa “o filho da mão direita”. Na Bíblia,
Benjamim é um tipo de Cristo. Primeiramente, Cristo
era Benoni, o Filho da dor (Is 53:3), mas depois se
tornou Benjamim, o Filho à mão direita de Deus (Mt
26:64).
Raquel deu à luz dois filhos, mas ao gerar o
segundo perdeu a própria vida. Isso significa que
Jacó ganhou seu último filho ao custo de sua amada
esposa. Tais experiências foram como facas que o
cortavam em pedaços. Amava Raquel, mas esta era
estéril. Depois de gerar José, esta esperava ter um
segundo filho. Seu desejo foi cumprido com o custo
de sua vida. Jacó amava José e Benjamim. Entre
todos os seus doze filhos, eles eram seus dois
favoritos. Embora ele houvesse ganho esses dois
filhos, Deus jamais lhe permitiu ter, ao mesmo tempo,
Raquel – a querida esposa – e mais esses dois filhos
favoritos. Nos capítulos seguintes veremos o quanto
ele sofreu por causa de José e Benjamim. Em tudo
isso ele esteve constantemente sob o operar da mão
soberana e transformadora de Deus.
Como é significativo ler esses trechos, e como é
útil ver a vida que eles contêm. Embora pareçam
muito longos, eles contêm muito suprimento para
nós. Quanto mais consideramos o registro referente a
Jacó, mais percebemos que a nossa história é a
mesma que a dele. Aos olhos de Deus, sua história é a
história de todos nós. Somos os Jacós de hoje,
debaixo da mão de Deus, pois Ele está agora
efetuando o Seu trabalho transformador em nós.
Graças a Ele por Sua mão e graças a Ele por Seu
trabalho transformador. Não importa a nossa
situação, o ambiente e as circunstâncias: estamos
sempre sob Sua mão transformadora.
MENSAGEM SETENTA E UM

SENDO TRATADO (5)


O registro de Jacó em Gênesis 30 e 31 é muito
interessante. Baseados nos dois princípios – de que a
Bíblia não contém palavras supérfluas e de que tudo
nela é a palavra da vida – precisamos olhar para o
Senhor, de modo a podermos ver a vida nesse relato.
Gastei um tempo considerável neste trecho da
Palavra. Muitos anos atrás eu o tomava apenas como
uma história. Entretanto, após perceber que tudo o
que se encontra na Bíblia é a palavra da vida, comecei
a buscar vida nesse trecho. Depois de iluminado,
percebi que esse registro está cheio de vida.
Todos os itens principais de Gênesis 30:25-43 e
31:1-16, 38-42 podem ser classificados sob três
títulos: o espremer de Labão, os truques de Jacó e a
bênção de Deus. As três partes principais neste relato
são: Labão, Jacó e Deus. Duas dessas partes são
visíveis e uma invisível. Labão, a primeira parte,
espremeu Jacó; e Jacó, a segunda parte, trapaceou
Labão. Nenhum desses dois partidos, entretanto,
pôde conseguir a decisão final. Essa foi tomada pelo
terceiro partido, invisível, o próprio Deus. Não
importa o quanto Labão tenha espremido Jacó. O tio
estava destinado a perder, não importando que
trapaças o sobrinho tenha usado contra ele. Não
foram elas que o tomaram rico. A última palavra não
foi dita por Labão nem Jacó; foi falada por Deus, o
Senhor de tudo. Se quisermos ver a vida nesta
passagem da Palavra a fim de recebermos o
suprimento de vida que ela contém, precisamos
prestar atenção a essas três partes. Se as virmos,
conseguiremos apreciar esse trecho.
Como já enfatizamos, Abraão representa uma
vida justificada e vivida em comunhão com Deus, e
Isaque representa a vida que desfruta a graça de
Deus. Em Jacó notamos o terceiro aspecto da vida
espiritual: a transformação. Jacó, um homem sujeito
à mão transformadora de Deus, representa a vida de
transformação. O fato de Labão espremer Jacó, foi
pela soberania de Deus. Jacó precisava da mão
espremedora de Labão, e Deus a usou para a
transformação de Jacó.
Ao ler a história da vida de Jacó, não a leia para
os outros. Leia-a para si mesmo, porque você é o
único Jacó. Até as irmãs são Jacós. Enquanto muitas
irmãs têm maridos Labões, elas, as esposas astutas,
são Jacós. Já que elas são tão astutas, Deus lhes deu
maridos como Labão para espremê-las. Todavia,
também podemos dizer que muitos maridos Jacós se
casaram com esposas Labões. Quase todo marido é
astuto. Embora determinado irmão casado possa
parecer um cavalheiro, ele é, na verdade, um astuto
Jacó. Todo marido aplica truques à própria esposa.
Mas não importa quão astutos possamos ser:
Deus é soberano. O registro a respeito de Jacó é
a nossa biografia e autobiografia. O registro na Bíblia
é a nossa biografia, e o registro do nosso viver diário
é a nossa autobiografia. Estamos escrevendo a nossa
autobiografia dia após dia. Ao lidarmos com os
outros, somos astutos; ao sofrermos o tratamento
dos outros, somos espremidos.
Jacó foi escolhido para ser a expressão de Deus.
Como poderia tal suplantador tornar-se a expressão
de Deus? Não por correção exterior, mas somente
por meio do processo de transformação. Como a
transformação pode ser efetuada? Somente por
sermos colocados, pelo preparo soberano de Deus,
num determinado ambiente e sob a mão de certas
pessoas. Ele é soberano ao preparar o nosso
ambiente. Aos irmãos e irmãs que estão para se casar
brevemente eu diria esta palavra: Irmãos, não
pensem que vocês estão para se casar com uma boa
irmã. Não, vocês se casarão com um Labão espreme
dor. Irmãs, estejam preparadas. Vocês não se casarão
com um gigante espiritual, mas com um astuto Jacó.
Deus é soberano neste assunto.
Embora Ele nos tenha escolhido, somos
suplantadores, os que agarram os calcanhares, e
precisamos ser transformados, quer gostemos ou não.
Tenho ouvido muitos dizerem em nosso meio:
“Senhor Jesus, eu Te amo”. Você sabe o que significa
dizer isso ao Senhor? Significa que você concorda
com o Seu tratamento. Quando você diz: “Senhor
Jesus, eu Te amo”, está, na verdade, dizendo:
“Senhor Jesus, sou um Contigo e estou pronto para
Tu me tratares”. Provavelmente, jamais tenha
percebido o que envolve a frase: “Senhor Jesus, eu Te
amo”. Suponha que uma jovem diga a umjovem que
o ama. Essa palavra implica muita coisa, e não
deveria ser dita negligentemente. Por falar esta
simples palavra, ela se dispõe a ele. De semelhante
modo, ao dizermos: “Ó Senhor Jesus eu Te amo”,
somos apanhados por Ele e ficamos envolvidos no
processo de transformação. Como muitos de nós
podemos testificar, não tínhamos problemas antes de
começarmos a amar o Senhor. Mas desde que
começamos a dizer: “Senhor Jesus, eu Te amo”,
começamos a ter um problema após o outro. Esses
problemas” todavia, não nos matam. Às vezes
podemos ser tão afligidos por eles que queremos
morrer. Mas em determinada hora, o Senhor dirá:
“Você pode querer morrer, mas não o permitirei.
Mantê-lo-ei vivo para que possa ser transformado.
Não o predestinei para morrer. Predestinei-o para ser
conforme a imagem do Filho primogênito de Deus”.
Se tratarmos desse trecho da Palavra nessa luz,
veremos que ela é muito viva.

(8) O ESPREMER DE LABÃO


Consideremos agora o espremer de Labão
(30:25-43; 31:1-16, 38-42). No capítulo 29, ele
recebera Jacó com hospitalidade (29:14). Um pouco
depois, deve ter descoberto que o sobrinho era bem
astuto e poderia proporcionar-lhe muito lucro.
Parecendo bondoso, ele disse a Jacó: “Acaso, por
seres meu parente, irás servir-me de graça? Dize-me,
qual será o teu salário? “ (29:15). Ele parecia estar
dizendo: “Jacó, não é justo você ficar comigo sem ser
remunerado. Diga-me o que quer”. Ele deve ter
percebido que Jacó se apaixonara por sua filha
Raquel, e ele deve ter dito em seu íntimo: “Jacó, não
lhe permitirei ter minha filha por preço barato. Você
a ama, e eu lha darei, mas tem de pagar o preço”.
Labão era sábio e não disse isso a Jacó, mas
conhecia-lhe o coração. Quando perguntou a Jacó a
respeito de salário, este lhe disse: “Sete anos te
servirei por tua filha mais moça, Raquel” (29:18).
Como já enfatizamos, o amor cega as pessoas e as
toma tolas. Porque o seu amor por Raquel o tomou
tolo, Jacó empenhou-se em trabalhar por sete anos
para obtê-la. Se eu fosse ele, não teria trabalhado
mais do que doze meses. Labão ficou satisfeito com a
oferta do sobrinho. Quando esses sete anos
terminaram, entretanto, Labão nada fez a respeito do
casamento de Jacó com Raquel. Isso mostra que ele
não tinha coração. Assim, Jacó foi forçado a dizer:
“Dá-me minha mulher, pois já venceu o prazo, para
que me case com ela” (29:21). Mas Labão lhe deu Lia
ao invés de Raquel. Quando Jacó percebeu a fraude,
Labão se justificou, dizendo que não era costume em
seu país dar a filha mais jovem antes da primogênita
(29:26). Sobre Raquel, Labão disse: “Decorrida a
semana desta, dar-te-emos também a outra, pelo
trabalho de mais sete anos que ainda me servirás”
(29:27). Observamos aqui o espremer de Labão. Se
você se lembrar do seu passado, verá que também foi
espremido, talvez por seu esposo ou esposa. Labão
era engenhoso e manhoso, e Jacó não podia derrotá-
lo, Em duas oportunidades, Jacó disse que Labão lhe
mudara o salário dez vezes (31:7, 41). E queixou-se a
ele, dizendo: “Vinte anos permaneci em tua casa;
catorze anos te servi por tuas duas filhas, e seis anos
por teu rebanho; dez vezes me mudaste o salário”
(31:41). E acrescentou: “Se não fora o Deus de meu
pai, o Deus de Abraão, e o Temor de Isaque, por certo
me despedirias agora de mãos vazias” (31 :42). Ele
parecia dizer: “Labão, não somente trabalhei catorze
anos por suas filhas e seis anos por seu rebanho e
você nem mesmo esteve disposto a deixar-me possuir
minhas esposas, filhos e rebanhos. Você tentou retê-
los a todos”. Quantos sofrimentos Jacó passou sob a
mão espremedora de Labão!
Labão espremeu-o de muitas maneiras.
Enganou-o, para que trabalhasse para ele catorze
anos, a fim de obter suas duas filhas, e então fê-lo
trabalhar mais seis anos por seus rebanhos (31:41).
Como vimos, mudou-lhe dez vezes o salário,
provavelmente reduzindo-o toda vez que o mudava.
Quanto mais exigia de Jacó, menos lhe pagava.
Exigia também que este reembolsasse qualquer rês
morta por feras ou roubada (31:39). Como isso era
injusto! Labão achava isso totalmente justo e parecia
dizer: “Seja cuidadoso com meu rebanho. Você deve
restituir qualquer rês apanhada por feras ou
roubada”. Você agüentaria trabalhar sob tal mão
espremedora? Jacó, entretanto, era paciente, e
suportou a mão espremedora de Labão por vinte
anos. Às vezes, o tio deve ter ameaçado Jacó,
dizendo: “Se não quiser trabalhar para mim segundo
as minhas exigências, então pode ir embora. Ficarei
com minhas filhas, meus netos e meus rebanhos”.
Jacó ficava amedrontado com tal possibilidade.
Embora tivesse se tomado grande, Jacó ainda temia
Labão. Quando fugiu, ficou com medo de dizer ao tio
que partia, temendo que este lhe roubasse as esposas,
filhos e rebanhos. Labão era um nativo e Jacó um
estrangeiro. É sempre fácil para um nativo tratar com
um estrangeiro. Labão deve ter ameaçado o sobrinho
com a perda de tudo. Jacó, entretanto, perseverou.
Além disso tudo, Labão levou-o a ser consumido pelo
calor de dia, e pelo frio de noite (31:40). Porque
Labão o tratou dessa maneira, Jacó pôde dizer: “E o
meu sono me fugia dos olhos” (31 :40). Enquanto
pastoreava o rebanho do tio, Jacó ficava a céu aberto
e não tinha lugar onde dormir. Não havia sombra
para o calor do dia nem proteção contra o frio da
noite. Naquela região, a temperatura é quente
durante o dia e fria à noite. Enquanto sofria o calor e
o frio, fugia-lhe o sono, porque estava sob o espremer
de Labão. Por fim, como já enfatizamos, Labão
tentou reter as esposas, os filhos e os rebanhos de
Jacó (30:26; 31:14-15, 42). Enquanto nenhum de nós
se disporia a trabalhar para alguém como Labão,
Jacó o fez por vinte anos. Por todo esse tempo esteve
sob a mão espremedora de Labão.
Se lermos o registro nessa luz, diremos: “Senhor,
como Te adoro. Desde o dia em que comecei a Te
amar, as coisas aconteceram comigo do mesmo modo
e segundo o mesmo princípio”. Olhe para trás, para
os seus anos de vida da igreja, e lembre-se das vezes
que foi espremido. Exatamente como o Jacó natural
precisava de um Labão que o espremesse, assim
também a nossa disposição natural precisa ser
espremida. A mão espremedora de Labão não existia
por acaso. Foi preparada com antecedência pelo
Deus soberano. Isaque, Rebeca e Esaú foram usados
por Ele para colocar Jacó no fomo da transformação,
e Labão era o fogo ardente neste fomo. Todas essas
pessoas foram usadas por Deus para a transformação
de Jacó. Não se queixe de sua situação. Às vezes,
enquanto me queixava, repentinamente via a luz, e
Deus parecia dizer-me: “Por que você se queixa? Não
sabe que isso é arranjo Meu? Sua esposa, seus filhos
e todos os seus irmãos na igreja foram previamente
organizados por mim. É tolice você se queixar”. Sua
esposa, marido e filhos são exatamente o que sua
disposição precisa. Podemos estar errados, mas Deus
jamais pode cometer um erro. Tudo provém de Sua
mão e não há necessidade de queixas. Ao invés de
nos queixarmos, devemos simplesmente dizer:
“Agradeço-Te, Senhor, por este Labão tão proveitoso”.

(9) A ARTIMANHA DE JACÓ


Embora fosse espremido e ameaçado por Labão,
Jacó ainda podia aplicar-lhe truques (30:31-43). Um
dia, Jacó disse ao tio que queria voltar para o seu
próprio país, e que Labão deveria dar-lhe suas
esposas e filhos, pelos quais o servira tantos anos
(30:25-26). Labão respondeu: “Ache eu mercê diante
de ti: fica comigo. Tenho experimentado que o
Senhor me abençoou por amor de ti” (30:27). Labão
parecia bondoso, mas, no fundo, era astuto. Pessoas
astutas são sempre bondosas. Qualquer pessoa
bondosa para com você é astuta, mas alguém que lhe
demonstre franqueza é honesto. Labão foi muito
astuto com Jacó, dizendo ter percebido que recebera
a bênção de Deus por tê-lo consigo. E quando Labão
lhe disse: “Fixa o teu salário, que te pagarei”, Jacó
respondeu: “Tu sabes como te venho servindo e como
cuidei do teu gado. Porque o pouco que tinhas antes
da minha vinda foi aumentado grandemente; e o
Senhor te abençoou por meu trabalho. Agora, pois,
quando hei de eu trabalhar também por minha casa?”
(30:28-30). Ele parecia dizer: “Tenho trabalhado
aqui por muitos anos, mas ainda não posso prover a
minha própria casa. Quando serei capaz de cuidar da
minha própria família?” Labão, percebendo que se
ele partisse, partiria com ele a bênção de Deus,
parecia dizer: “Fique comigo; não me importa o
quanto devo pagar-lhe. Diga-me apenas o que quer.
Estando nós sob a bênção de Deus, tudo irá muito
bem”. Agora vemos que Jacó, que sofrera o espremer
de Labão, tinha uma maneira de roubar a riqueza do
tio e enriquecer-se. Quando este lhe perguntou o que
deveria dar-lhe por salário, Jacó disse: “Nada me
darás; tornarei a apascentar e a guardar o teu
rebanho, se me fizeres isto: Passarei hoje por todo o
teu rebanho, separando dele os salpicados e
malhados, e todos os negros entre os cordeiros, e os
malhados e salpicados entre as cabras; será isto o
meu salário. Assim responderá por mim a minha
justiça, no dia de amanhã, quando vieres ver o meu
salário diante de ti; o que não for salpicado e
malhado entre as cabras, e negro entre as ovelhas,
esse, se for achado comigo, será tido por furtado”
(30:31-33). Jacó parecia estar dizendo: “Tio Labão,
prometa-me uma coisa, e eu ficarei: tire do seu
rebanho toda rês saplicada, malhada e negra, e deixe
todas as brancas comigo. De agora em diante, as
reses salpicadas, malhadas e negras serão minhas”.
Labão pensou que essa era uma excelente sugestão,
pois sabia que rebanho branco só poderia produzir
reses brancas, e que não poderia produzir salpicado,
malhado ou negro. Assim, tirou do seu rebanho todo
gado que não era puramente branco e deu-os nas
mãos de seus filhos (30:34-35). O rebanho deixado
para Jacó era puramente branco. Provavelmente,
pensando que este houvesse caído novamente em sua
armadilha, Labão “pôs a distância de três dias de
jornada entre si e Jacó; e Jacó apascentava o restante
dos rebanhos de Labão” (30:36). Como veremos, isso
deu ao sobrinho a oportunidade de aplicar truques
em Labão.
Para aplicar seus truques, Jacó tomou varas de
álamo, de aveleira e de plátano, e lhes removeu a
casca, em riscas abertas, deixando aparecer a
brancura das varas (30:37). Colocou, então, essas
varas riscadas diante dos rebanhos, nos bebedouros,
“e conceberam quando vinham a beber” (30:38). Em
30:39, lemos que “concebia o rebanho diante das
varas, e as ovelhas davam crias listadas, salpicadas e
malhadas”. Ele então separava este rebanho do de
Labão. Além disso, quando as ovelhas mais fortes
concebiam, “punha Jacó as varas à vista do rebanho
nos canais de água, para que concebessem diante das
varas. Porém, quando o rebanho era fraco, não as
punha: assim as fracas eram de Labão, e as fortes de
Jacó” (30:41-42). Dessa forma, as saplicadas,
malhadas e listradas eram as mais fortes, e as
brancas, as mais fracas. Não creio que o esquema de
Jacó funcionasse realmente; era só uma invenção de
sua mente esperta. Mas se funcionou ou não o truque,
os resultados apareceram, e Jacó pensou que o seu
plano fora bem-sucedido.
Quando percebeu que o semblante de Labão já
não lhe era favorável como antes, então o Senhor lhe
disse: “Torna à terra de teus pais, e à tua parentela; e
eu serei contigo” (31 :2-3). Então, de acordo com
31:4-5, “Jacó mandou vir Raquel e Lia ao campo,
para junto do seu rebanho”, e disse-lhes que o
semblante de seu pai mudara em relação a ele.
Depois disso, relatou-lhes um sonho que tivera na
época em que o rebanho concebia. Nesse sonho, ele
viu que “os machos, que cobriam as ovelhas, eram
listados, salpicados e malhados” e ouviu o Anjo de
Deus dizendo: “Levanta agora os olhos e vê que todos
os machos que cobrem o rebanho, são listados,
salpicados e malhados, porque vejo tudo o que Labão
te está fazendo” (31:10-12). Quando li o relato deste
sonho no passado, duvidei de sua veracidade. Pensei
que Jacó estivesse mentindo, porque não queria
divulgar seu truque às duas esposas. Por fim,
descobri que o sonho não era uma mentira, porque,
ao contá-lo, Jacó disse que o Anjo do Senhor lhe
falara, dizendo: “Eu sou o Deus de Betel, onde
ungiste uma coluna, onde me fizeste um voto” (31:13).
Uma vez que essa palavra não pode ser falsa, o sonho
deve ter sido verdadeiro. Enquanto Jacó aplicava
truques em Labão com as varas escorchadas, Deus
lhe falou num sonho, levando-o a perceber que todos
os carneiros que cobriam as ovelhas eram listados,
salpicados e malhados. Dessa maneira, Deus mostrou
a Jacó que este não adquirira o rebanho pelo seu
truque, mas pela Sua soberania. O princípio aqui é o
mesmo de quando Jacó ganhou o direito de
primogenitura. Enquanto Jacó fazia o máximo para
obtê-lo, na verdade, tal direito lhe foi dado.
Aparentemente, obtivera o direito de primogenitura
por meio do seu truque; na verdade, isso lhe fora
dado pela soberania de Deus. De semelhante modo,
ele aparentemente ganhou as riquezas do rebanho
por meio dos seus truques; mas, na verdade, tais
riquezas lhe advieram pela soberania de Deus.
Há um problema difícil nesse trecho da Palavra.
No capítulo 30, lemos que somente as ovelhas
brancas estavam concebendo diante das varas; mas
no sonho, carneiros salpicados, malhados e listados-
não brancos-cobriam as ovelhas. Como podemos
conciliar tudo isso? Há duas maneiras. A primeira é
dizer que o sonho era uma mentira. Não posso
aceitá-la. A segunda é dizer que isso é uma questão
de soberania de Deus. Segundo essa maneira, Deus
mudara em salpicado, malhado e listado o rebanho
branco, à semelhança da maneira como mudara para
bênçãos as maldições de Balaão (Nm 23:11-12; 24:10).
Não importa, todavia, a maneira como explicamos
essa ocorrência; eu, por mim, não creio que o
rebanho salpicado, malhado e listado foi concebido
por causa do truque de Jacó, mas mediante a
soberania de Deus. O sonho de Jacó no capítulo 31
revela que foi a soberania de Deus que na verdade
produziu tais resultados. Compare novamente isso
com o caso de Jacó obtendo o direito de
primogenitura. Se Deus não tivesse sido soberano
naquela situação e não lhe houvesse dado o direito de
primogenitura, Jacó jamais o obteria por meio de
truques. O princípio é o mesmo aqui. Jacó não se
tornou rico por seus truques, mas pela soberania de
Deus. Ele foi escolhido por Deus e estava sob Sua
bênção. Não havia necessidade de tentar truques
para enriquecer-se. Por estar sob a bênção de Deus,
Este lhe concedeu Sua bênção. Aparentemente, Jacó
conseguiu essas riquezas mediante o sucesso de sua
artimanha, mas, na verdade, elas lhe foram dadas
pela mão soberana e abençoadora de Deus. Em
princípio, hoje ocorre o mesmo conosco. Somos
também os escolhidos de Deus e estamos sob Sua
bênção. Não há necessidade de lutar ou aplicar
truques para obtenção da bênção de Deus. Este nos
concederá toda bênção que precisamos. Apesar disso,
depois de sermos salvos, todos lutamos e aplicamos
truques para obtê-Ia. Em muitos casos, parecia que a
bênção vinha por meio de nossa luta e de nossos
truques. Na verdade, ela nos chegava pela soberania
de Deus. Ocorre o mesmo com tudo o que se
relaciona conosco. Não deveremos pensar que
qualquer bênção advenha dos nossos esforços bem-
sucedidos. Pelo contrário, precisamos perceber que
toda bênção, material ou espiritual, vem-nos
mediante a soberania de Deus.

(10) A BÊNÇÃO DE DEUS


Precisamos agora considerar a bênção de Deus.
Este abençoou Labão por causa de Jacó (30:27, 30).
Por meio de Sua bênção, Deus preservou Jacó do
espremer de Labão (31:7-12, 16, 42). Precisamos
curvar-nos, adorar a Deus e aprender a lição de não
nos importarmos com o quanto somos espremidos
pelos outros. Como pessoas escolhidas por Deus,
estamos debaixo de Sua bênção. Embora os outros
possam espremer-nos, não precisamos aplicar-lhes
truques. Quanto mais truques aplicarmos, maior
espremer sofreremos. Mas quer apliquemos truques
ou não, a bênção será nossa, porque o nosso destino é
tê-la.
Jacó começou a aplicar truques no ventre de sua
mãe e não parou até ser transformado. Somente ao
chegarmos aos últimos capítulos de Gênesis é que
percebemos que ele parou de aplicar truques. Depois
de ser transformado num príncipe de Deus, não mais
aplicou qualquer truque. De semelhante modo,
somente depois de sermos totalmente tratados e
transformados é que cessaremos de aplicar truques.
Como já enfatizamos, há três partes principais
neste relato: o espremer, a aplicação de truques e a
bênção. Deus poderia ter dito a Labão: “Labão, usarei
o seu espremer como um meio para transformar Jacó,
o Meu escolhido. Você não pode privá-lo da Minha
bênção. Quanto mais o espremer, mais Eu o
abençoarei”. Além disso, Deus poderia ter dito a
Jacó: “Jacó, você não ficou rico por causa de seus
truques, mas por causa da Minha bênção soberana.
Você colocou o rebanho branco diante das varas
escorchadas, mas o sonho indica que os resultados
não vieram por causa dos seus truques. Aos Meus
olhos, o rebanho branco, na verdade, era salpicado,
malhado e listado. A Minha bênção soberana, e não
os seus truques, é que o fizeram rico”. Todos
precisamos aprender a não temer qualquer situação
ou condição opressiva e a não aplicar truques.
Embora você possa continuar a aplicar truques aos
outros, um dia, a sua natureza astuta será tratada.
Embora Jacó fosse astuto, Deus ainda o
abençoava. No sonho, Deus não o repreendeu. Pelo
contrário, consolou-o, dizendo: “Vejo tudo o que
Labão te está fazendo” (31:12). Deus viu seu
sofrimento e sua aflição sob a mão de seu tio, e
pareceu dizer-lhe: “Eu sou o Deus de Betel, o Deus de
seu pai. Eu cuidarei de você”. Quando lemos este
relato vemos que Deus não se importou com o que
Jacó fez; só se importou com o Seu propósito. Tudo o
que ele fez foi para a edificação e para a
transformação de Jacó.
MENSAGEM SETENTA E DOIS

SENDO TRATADO (6)

(11) A PEDRA COM O ÓLEO DERRAMADO


SOBRE ELA, E A CASA DE DEUS
O sonho de Jacó é o ponto mais decisivo em todo
o livro de Gênesis (28:10-22). Nem mesmo 1 :26 é tão
decisivo como o sonho de Jacó no capítulo 28. Um
dos aspectos mais impressionantes desse sonho é a
pedra. Depois de viajar muito, Jacó, cansado e
solitário, tomou uma pedra, fê-la seu travesseiro e
dormiu a céu aberto. Essa deve ter sido a primeira
vez na história que um homem usou uma pedra por
travesseiro. Você já reclinou a cabeça sobre uma
pedra para descansar? Jamais fiz isso.
Primeiramente, Jacó fez daquela pedra um
travesseiro. Depois, erigiu-a em coluna (28:18). Um
travesseiro serve para descansar, uma coluna serve
para edificar. Você percebe que um dia o seu
travesseiro se tomará uma coluna? Mais tarde,
observaremos o que é esse travesseiro. Em 28:22,
Jacó disse: “E a pedra, que erigi por coluna, será a
casa de Deus”. Além da pedra, da coluna e da casa,
havia o óleo derramado no topo da pedra (v. 18).
Como poderia ele, um andarilho solitário, ter óleo
consigo? Não sei. Todavia, cedo de madrugada, ele
derramou óleo sobre a pedra. Assim, neste sonho, há
quatro elementos básicos: a pedra, a coluna, a casa e
o óleo. Esses quatro itens são os fatores básicos com
os quais a Bíblia se compõe. Como já mencionamos
várias vezes, a intenção de Deus é fazer do homem
Sua expressão corporativa. No livro de Gênesis não
conseguimos ver que Deus tenha conseguido tal
expressão. Em 1 :26, numa declaração do Seu
propósito ao fazer o homem, lemos que este foi feito
à imagem de Deus. Mas aqui não notamos que Deus
tenha ganho Sua expressão. Não conseguiu Sua
expressão com Adão, Abel, Enos, Enoque, Noé,
Abraão ou Isaque. Quando chegamos a Jacó, vemo-lo
um suplantador, um segurador de calcanhar, um
jovem muito astuto. À luz de toda a Bíblia sabemos
que esse jovem suplantador foi escolhido por Deus e
predestinado para ter o direito de prirnogenitura.
Antes da fundação do mundo, na eternidade passada,
Deus o predestinara para ter o direito de
primogenitura. Como já enfatizamos, esse direito
inclui três coisas: expressar Deus como sacerdotes,
representá-Lo como reis, e possuir a Sua herança
como herdeiros. Esse direito de prirnogenitura
destina-se inteiramente à expressão corporativa de
Deus na terra. Os acontecimentos de Gênesis 28
ocorreram vinte e dois séculos aproximadamente
após a criação de Deus. Deus chamou Abraão
aproximadamente dois rnil anos após a criação de
Adão, e o período entre Abraão e Jacó foi cerca de
duzentos anos. Nesse longo período, Deus não obteve
o que pretendia.
Enquanto Jacó, um jovem suplantador, metido
em encrencas por causa de sua ação suplantadora,
estava em sua jornada solitária, teve um sonho. O
que viu foi um sonho; não era ainda um fato, porque
ele ainda era um suplantador. Em seu íntimo,
provavelmente, ele ainda estava agarrando o
calcanhar de Esaú. Como poderia esse suplantador
ser a casa de Deus? Isso era impossível. Assim,
naquela época, o seu sonho era apenas um sonho.
Por exemplo, embora nos seja impossível descer na
lua agora mesmo, podemos sonhar que pousamos
nela. Isso pode ser um sonho, mas não é um fato.
Precisamos ter sonhos em nossa vida espiritual. Já
tive vários sonhos no passado e gostaria de ter outro
hoje. Se não teve sonhos desde que foi salvo, sua
situação deve ser bem lamentável. Quantos sonhos
você teve desde que foi salvo? Toda visão espiritual é
um sonho.
Qual é o significado de um sonho? O princípio de
um sonho é que nele algo impossível lhe acontece. O
fato de termos sido salvos foi um sonho, o sonho
inicial em nossa vida espiritual. Embora sermos
salvos fosse uma impossibilidade, nós o fomos.
Entrar na vida da igreja também era um sonho
espiritual. Todos os que entraram na vida da igreja
tiveram um sonho em que algo impossívellhes
aconteceu. Gosto desses sonhos celestiais.
Como vimos, no sonho celestial de Jacó quatro
coisas foram reveladas: a pedra, a coluna, a casa e o
óleo. Essas quatro coisas raras vezes são encontradas
antes de Gênesis 28. Por exemplo, exceto pela pedra
de ônix em 2:12 nenhuma pedra é mencionada nos
vinte e sete capítulos e meio anteriores. Encontramos,
entretanto, a menção dos tijolos usados para a
edificação da cidade diabólica e da torre demoníaca
de Babel (11:3). Quando estudamos o capítulo 11,
enfatizamos que os tijolos representam a obra
humana, o resultado do esforço humano, utilizando o
barro. Toda religião é representada por tijolos,
porque toda religião é um esforço humano utilizando
o barro. A humanidade é barro, e a religião trabalha
sobre a humanidade para produzir tijolos. Nenhuma
coluna é mencionada antes de Gênesis 28. Quando a
Bíblia fala da cidade e da torre de Babel, nenhuma
coluna é mencionada. Não pense que a Bíblia seja
vulgar. Ela não é vulgar; pelo contrário, é única. No
templo construído por Salomão havia duas grandes
colunas (1 Rs 7:21). Em Gálatas 2:9 lemos que Pedro,
Tiago e João eram colunas da igreja. Além disso, em
Apocalipse 3:12, vemos que os vencedores serão
edificados como colunas no templo de Deus. Da
mesma forma que a coluna, nem a casa, nem o óleo
são mencionados antes do capítulo 28. Abraão,
Isaque e Jacó, todos habitavam em tendas. Mas
depois de seu sonho em Betel, Jacó não falou de
tenda; falou da casa de Deus. Esses quatro itens,
portanto, são mencionados pela primeira vez em
Gênesis 28.
Como vimos, na Bíblia, a primeira menção de
um item sempre estabelece um princípio. Quando
Pedra veio pela primeira vez ao Senhor, Este mudou-
lhe o nome de Simão para Cefas (Jo 1:42), dizendo:
“Tu és Simão, o filho de João; chamar-te-ás Cefas”
(que quer dizer Pedra-BJ). Cerca de três anos mais
tarde, o Senhor perguntou aos Seus discípulos:
“Quem diz o povo ser o Filho do homem? “ (Mt 16:13).
Depois que Pedra disse: “Tu és o Cristo, o Filho do
Deus vivo”, o Senhor Jesus lhe disse: “Também te
digo que tu és Pedra, e sobre esta pedra [lit. ] [racha]
edificarei a minha igreja” (Mt 16:16, 18). Ao dizer isso,
o Senhor fez Pedra lembrar-se do que Ele fizera três
anos atrás, mudando-lhe o nome de Sirrião para
Cefas. Mais tarde, ao escrever sua primeira epístola,
Pedra disse: “Também vós mesmos, como pedras que
vivem, sois edificados casa espiritual” (1 Pe 2:5).
Neste único versículo, Pedro menciona tanto a pedra
como a casa. Em 1 Coríntios 3, Paulo teve um
conceito semelhante, dizendo aos cristãos em Corinto
que eles eram o edifício de Deus (1 Co 3:9). Em 1
Coríntios 3:10, Paulo diz-nos que devemos atentar à
maneira como edificamos. Precisamos ser cuidadosos
em como e com o que edificamos, porque o nosso
trabalho será testado pelo fogo. Se edificamos com
ouro, prata e pedras preciosas, nossa obra
permanecerá. Assim vemos que, em 1 Coríntios 3,
Paulo também fala da pedra para a edificação de
Deus. Quando chegamos ao livra de Apocalipse, o
final máximo e definitivo da Bíblia, observamos uma
cidade edificada com pedras preciosas. De acordo
com o princípio da Bíblia, uma cidade é sempre a
expansão de uma casa. Quando uma casa é
intensamente expandida, toma-se uma cidade. Não
haverá templo na Nova Jerusalém, porque o templo
ter-se-á expandido até uma cidade. Tal cidade será
uma casa expandida, edificada com pedras preciosas.
Como a Bíblia é consistente! Por meio de todos esses
trechos da Palavra, vemos que pedra é o material
para a edificação da casa de Deus.
Que é a casa de Deus? Ela é simplesmente a
satisfação, o descanso e a expressão de Deus. O tipo
de casa na qual vive expressa o tipo de pessoa que
você é. Se você for uma pessoa suja, terá uma casa
suja; e se for uma pessoa limpa, terá uma casa limpa.
Há dez anos, fui levado à assim chamada área “hippie”
de San Francisco. Não podia crer que as pessoas
pudessem viver num ambiente tão sujo. Embora não
visse “hippie” algum naquela hora, pude dizer, pelas
condições dos seus alojamentos, que eram pessoas
sujas e desleixadas. Nossa casa é a nossa expressão.
Se você visitar a casa de uma farrulia japonesa,
saberá, somente por andar em seus cômodos, que é
habitada por japoneses. O mesmo é verdade com o
alojamento de um escocês. De semelhante modo, a
casa de Deus é a Sua expressão. Por fim, Sua casa
será expandida até ao tamanho de uma cidade, e tal
cidade terá a mesma aparência de Deus. De acordo
com Apocalipse 4:2 e 3, Deus tem a aparência de
jaspe; e, de acordo com Apocalipse 21 :22, toda a
Nova Jerusalém também terá a aparência de jaspe.
Isso significa que a cidade terá a aparência de Deus e
será a Sua expressão. Podemos até mesmo dizer que
essa cidade será a expansão de Deus.
Embora a pedra e a casa sejam muito cruciais,
ainda temos a necessidade do óleo. Em tipologia, o
óleo representa Deus alcançando o homem. Deus é
triúno. O Pai é a fonte, o Filho é o curso e o Espírito é
a corrente a nos alcançar. O fato de Jacó derramar
óleo sobre a pedra representa o Deus Triúno fluindo
para chegar até o homem. Deus está no céu, mas Ele
foi derramado sobre o homem. Quando o Deus
Triúno alcança o homem, faz dele a Sua casa. Antes
de ser derramado o óleo sobre a pedra, essa era
simplesmente uma pedra. Mas depois que se
derramou óleo sobre ela, a pedra tomou-se a casa de
Deus.

(a) Sem Lar e Sem Descanso


Em Gênesis 28, Jacó estava sem lar e sem
descanso (28:10). Quando o homem está sem lar,
Deus também está (Is 66:1). Assim, em Gênesis 28,
tanto Jacó como Deus estavam sem abrigo. De
semelhante modo, quando o homem está sedento,
Deus também está, e quando o homem está
insatisfeito, Deus também está. Quando o Senhor se
aproximou do poço de Sicar (Jo 4), Ele estava com
sede, e uma mulher sedenta veio até Ele. Tanto a
mulher samaritana como o Senhor Jesus estavam
sedentos. Quando o homem está sem lar e sem
descanso, Deus também está. Gênesis 28 é um
quadro a mostrar que tanto Deus como o homem
estavam sem lar. Qual é o verdadeiro lar do homem?
Pela eternidade, o seu lar será Deus. Se você não tem
Deus, não tem um lar. Pessoa alguma não-salva
poderá jamais sentir-se em casa, porque o verdadeiro
lar do homem é Deus. Qual é o lar de Deus? O
homem. O lar do homem é Deus e o lar de Deus é o
homem. Sempre que o homem está separado de Deus,
ambos ficam sem lar. Um divórcio, por exemplo,
sempre afeta tanto o marido quanto a mulher. Não
podemos dizer que a mulher está divorciada sem que
o marido também esteja. Assim, quando o homem
está sem lar, Deus também fica sem lar; mas quando
estamos no lar, Deus também tem um lar. Quando
temos Deus como nosso lar, tomamo-nos o Seu lar.
Naquela noite, em Gênesis 28, Jacó estava separado
de Deus, e ambos estavam sem lar. Estando Jacó sem
lar, estava também sem descanso. Uma pessoa sem
lar é uma pessoa sem descanso. O lar é doce lar
porque nele há descanso. Muitas vezes, depois de
regressarmos de uma longa viagem, depois de
voltarmos para casa, dizemos: “Louvado seja o
Senhor, estou em casa! “ Isso significa que podemos
descansar. Mas naquela noite, Jacó e Deus estavam
sem lar e sem descanso.

(b) A Pedra
Observamos que Jacó tomou uma pedra e fê-la
seu travesseiro. Por anos a fio não conseguia
compreender o significado disso. Embora não
possamos compreendê-lo segundo a palavra exterior,
podemos compreender de acordo com a nossa
experiência interior. Antes de sermos salvos, não
tínhamos descanso. Sempre sentíamos que, ou
estávamos no ar ou no fundo do mar. Nada tínhamos
de sólido a nos manter, apoiar ou sustentar. Embora
você possa ter sido um milionário, seu dinheiro não
pôde apoiá-lo. Pelo contrário, ele privava de paz e
descanso. Velhos ou jovens, homens ou mulheres,
antes de sermos salvos não tínhamos nenhuma base
firme. Mas um dia fomos salvos e algo aconteceu em
nosso íntimo. O que experimentamos bem lá dentro
produziu algo que se tomou o nosso apoio sólido.
Depois de salvos, tivemos problemas. Todavia, bem
dentro de nós, tínhamos a certeza de que havia uma
rocha sólida sobre a qual podíamos descansar. Essa
rocha sólida é a própria natureza, o próprio elemento
de Cristo, que foi trabalhado dentro do nosso ser.
Como homens, fomos feitos do pó da terra (2:7).
Romanos 9 indica que somos vasos de barro, não de
pedra. Se eu fosse Jacó, faria um monte de barro e
descansaria sobre ele. Aos olhos de Deus, entretanto,
o barro jamais pode ser o nosso descanso. Nossa vida
e nosso ser humano naturais não podem ser o nosso
descanso. Não importa o quanto estudamos nem a
posição que temos. Não tendo a natureza divina
dentro de nós, somos apenas barro. Esse barro não
pode ser o nosso apoio sólido. Nenhum de nós achou
descanso até que fôssemos salvos. Naquele dia,
entretanto, algo divino, algo de Cristo foi trabalhado
dentro de nós e tornou-se o nosso apoio sólido. Esse
é o nosso descanso, o nosso travesseiro. O nosso
travesseiro é o elemento divino, o próprio Cristo, que
foi trabalhado dentro do nosso ser. Estando nós em
nossa jornada, tivemos repentinamente um sonho
em que o próprio Cristo era trabalhado dentro de nós.
A Sua natureza é a rocha que foi trabalhada em nossa
natureza de barro. Assim, temos uma rocha sobre a
qual podemos reclinar a cabeça.
Os incrédulos dizem freqüentemente dos
cristãos: “Percebi que, na hora dos problemas, vocês
têm paz interior. Por que não a temos? “ A razão pela
qual eles não têm paz é que não está neles o elemento
divino. Têm apenas o barro do elemento humano
caído. Se quiser saber sobre quão pobre é o barro,
derrame água sobre ele. Depois de algum tempo ele
se tornará lama. Mas quanto mais você joga água
sobre uma pedra, mais limpa e brilhante ela se torna.
Deixe que os problemas venham. Eles são águas que
lavam. Todo problema que vem a um cristão é como
água purificadora. Agradeço a Deus porque fui
purificado muitas vezes pelas dificuldades. Esteja
preparado para ser purificado. Desde o dia em que
fomos salvos, tivemos uma pedra sobre a qual
pudemos reclinar a cabeça. Não importa, agora, quão
profunda e escura seja a noite; podemos descansar a
cabeça sobre essa pedra. Duvido que haja outro
escrito cristão a mostrar que a pedra de Gênesis 28
representa o próprio elemento divino que tem sido
trabalhado dentro do nosso ser a fim de se tornar o
travesseiro para nossa vida humana. Os incrédulos
não têm esse travesseiro. O travesseiro deles é o
pobre barro da natureza humana. Mas o nosso
travesseiro é uma pedra, o elemento divino, o próprio
Cristo, que foi trabalhado dentro de nós. Quanto
mais dificuldades temos, mais precisamos desse
travesseiro. Aparentemente, não se pode descansar
sobre uma pedra. Mas de acordo com a nossa
experiência, ela nos proporciona um descanso real.
Essa pedra não é o Cristo objetivo, o Cristo distante
de nós; é o Cristo trabalhado em nosso ser, o Cristo
subjetivo, no qual podemos reclinar a cabeça. Esse é
o Cristo que se torna a nossa experiência, Aquele cujo
elemento divino foi trabalhado dentro de nós. Esse
Cristo é o travesseiro da nossa vida humana. Louvado
seja o Senhor por esse travesseiro!
Depois de ter o sonho, Jacó erigiu a pedra em
coluna (28:18). A pedra sobre a qual reclinamos a
cabeça deve tornar-se um material de construção.
Antes de entrarmos na vida da igreja, não
conseguíamos entender isso. Mas agora, tendo
entrado na igreja, percebemos que a mesma pedra
sobre a qual reclinamos a cabeça para descansar deve
tornar-se uma coluna, isto é, a pedra deve tornar-se o
material para o edifício de Deus. Louvado seja o
Senhor porque fomos salvos e estamos no descanso.
Mas que dizer sobre o descanso de Deus? Ele não
pode ter descanso até que a pedra sobre a qual
descansamos seja erigida em coluna para a Sua
edificação. Deus não levantará essa coluna-nós é que
precisamos fazê-lo. O nosso travesseiro deve ser
levantado para ser uma coluna. Em outras palavras, a
nossa experiência de Cristo deve tornar-se uma
coluna.
Não creio que, além de nós, outros cristãos
saibam que o que experimentaram de Cristo deva ser
erigido como uma coluna. Antes de entrarmos na
vida da igreja não erigimos uma coluna. Mas depois
de entrarmos nela, dia após dia estamos erigindo a
nossa experiência de Cristo como uma coluna. Não é
mais apenas um travesseiro, porém uma coluna. Não
é apenas uma questão do nosso descanso; é uma
questão da edificação de Deus para o Seu descanso.
Esse Cristo que você experienciou é simplesmente o
seu descanso ou é o material de construção para a
casa de Deus? A resposta pode ser provada pela
nossa experiência. Primeiramente, colocamos a
cabeça sobre Cristo e encontramos descanso. Por fim,
transformamos nossa experiência de Cristo em
coluna, em material para a edificação de Deus. Tudo
o que tenhamos experimentado de Cristo deve
tomar-se material para a edificação da casa de Deus.
Em outras palavras, o que foi o nosso travesseiro
deve tomar-se uma coluna. Que você tem hoje: um
travesseiro ou uma coluna?
Não há edifício no seio da maioria dos cristãos
porque, no máximo, eles têm apenas um travesseiro,
não uma coluna. Antes de entrarmos para a igreja,
também tínhamos somente um travesseiro para o
nosso descanso. Mas pouco depois de entrarmos na
igreja, erigimos a nossa experiência de Cristo em
coluna, transformando-a em material valioso para a
casa de Deus. Há quarenta e cinco anos, o meu
travesseiro levantou-se para tornar-se uma coluna.
Já não era simplesmente um travesseiro sob a minha
cabeça; era uma coluna para a edificação da casa de
Deus. Enquanto um travesseiro é bom para o nosso
descanso, Deus precisa de uma casa onde descansar.
Como essa casa pode ser edificada? Somente por
erigir em coluna o nosso travesseiro. Primeiramente
temos a pedra; depois temos a edificação.

(c) o Óleo Derramado sobre a Pedra


Jacó não só erigiu a pedra em coluna, como
também derramou óleo sobre ela (28:18). Muitos
cristãos falam a respeito de batismo do Espírito
Santo. Não há necessidade de se falar muito sobre
isso. Uma vez que você tenha erigido o seu
travesseiro para torná-lo uma coluna, o óleo será
derramado sobre ele. Quanta experiência de óleo
temos tido desde que entramos na vida da igreja e
que o nosso travesseiro foi erigido para se tomar uma
coluna! Quanta experiência do Espírito Santo! Posso
testificar que quando digo: “Travesseiro, levante-se”,
experimento o derramamento do Espírito Santo.
Tenho experimentado o batismo do Espírito Santo
muitas vezes. Quando se levantar o seu travesseiro, o
óleo será derramado. Não digo isso em vão. Isso pode
ser provado por nossa experiência. Quando dizemos:
“Senhor Jesus, eu Te amo”, podemos ficar um pouco
empolgados. Mas quando vamos mais longe e
dizemos: “Senhor Jesus, eu amo a Tua igreja”,
ficamos tão empolgados que com dificuldade
podemos conter-nos. Alguns cristãos nos condenam,
dizendo que fazemos a igreja mais importante que
Cristo. Por que falamos sobre a igreja? Porque
quanto mais falamos sobre ela, mais empolgados
ficamos. Todos nós gostamos de sobremesa-sorvete,
torta e doce. A vida da igreja é como uma sobremesa.
Se você tiver apenas Cristo sem a igreja, sua refeição
pode ser como umas poucas fatias de pão judeu: é
sólido, mas não é sobremesa. A vida da igreja é a
melhor sobremesa, uma sobremesa que é até maior
que a refeição. É por isso que as pessoas da igreja
gostam de dizer: “Amém, Senhor. Eu Te amo e amo a
igreja. Sou por Cristo e a igreja. Consagro-me a Cristo
e à igreja”. Quando o travesseiro é erigido para
tomar-se coluna, ele é plenamente batizado. Esse é o
batismo genuíno do Espírito Santo. Em João 1
também temos o batismo, a pedra e o sonho de Jacó
(1:33, 42, 51).

(d) A Casa de Deus


Depois de derramado o óleo sobre a coluna, esta
tomou-se a casa de Deus. Ao dizermos: “Senhor
Jesus, eu Te amo e amo a igreja”, o resultado é a casa.
Antes de virmos para a igreja, éramos individualistas.
Mas desde que viemos para a igreja e testificamos o
quanto a amamos, descobrimos que toda vez que
somos individualistas perdemos a sobremesa. Em vez
da sobremesa, temos um remédio amargo. Ao
desfrutar a maravilhosa vida da igreja, você terá
sobremesa todos os dias' quando tiver a menor
partícula de individualismo, você começará a
experimentar o remédio amargo. Não há nem mesmo
a necessidade de ser individualista. Mesmo se disser
que não gosta de determinado irmão, você sentirá
um gosto amargo. Se disser: “A vida da igreja é
maravilhosa, mas não gosto daquela irmã”, não
haverá sobremesa. Temos, às vezes, um remédio
coberto de açúcar. Pouco depois, todavia, a cobertura
de açúcar se derrete e sentimos o gosto amargo.
A experiência genuína de Cristo torna-se o
material de edificação, e este material de edificação é
usado na edificação da casa de Deus. Deus aqui tem
descanso e satisfação, e aqui também temos descanso
e satisfação. O sonho de Jacó foi cumprido pela
primeira vez quando os filhos de Israel erigiram o
tabernáculo, depois de serem libertados do Egito.
Aquela foi a primeira casa de Deus entre os homens,
o primeiro cumprimento do sonho de Jacó. O
tabernáculo indicava que Deus e o homem acharam
descanso, que a habitação de Deus na terra era a
satisfação e descanso tanto para Deus como para o
homem. Depois que os filhos de Israel construíram o
templo na boa terra, Deus teve aqui uma casa mais
sólida. Então, no Novo Testamento, temos a igreja
como a casa de Deus (1 Tm 3:15). Por fim, no novo
céu e na nova terra, teremos a Nova Jerusalém como
a eterna habitação de Deus (Ap 21:1-3). Lá, Deus e
nós, teremos o eterno descanso e desfrutaremos
satisfação eterna. Todos estamos hoje no
cumprimento do sonho de Jacó. Não só temos a
pedra e a coluna, como também a casa. De fato,
somos a casa (Hb 3:6). Essa casa é a composição da
divindade mais a humanidade, a composição do Deus
Triúno com os seres humanos. Temos aqui a casa que
se torna o descanso, tanto para Deus como para o
homem. Estamos, agora, não apenas no sonho, mas
também no cumprimento dele. Graças ao Senhor
pela pedra, pela coluna, pela casa e pelo óleo.
Experimentamos todos os quatro na vida da igreja.
MENSAGEM SETENTA E TRÊS

SENDO TRATADO (7)


Toda Escritura é soprada por Deus (2 Tm 3:16,
gr.), e a Bíblia inteira é um livro de vida. Você
realmente crê que Gênesis 31-o capítulo a ser tratado
nesta mensagem-é o sopro de Deus? Quando jovem,
eu pensava que, por certo, toda palavra ou frase de
Efésios fora inspirada por Deus, mas não gostava de
Gênesis 31 tanto quanto de Efésios. Você acredita que
o relato deste capítulo seja palavra de vida? Não há
aqui menção de vida. Pelo contrário, há menção de
roubo de ídolos do lar e de conversa diplomática. Isso
é palavra de vida? Se quisermos ver como Gênesis 31
é palavra de vida, precisamos considerá-lo junto com
toda a Bíblia.
Em Gênesis 28, estando a caminho da casa de
Labão, Jacó teve um sonho. O significado daquele
sonho era a revelação de como Deus estava desejoso
de ter uma casa na terra, e que a Sua intenção era
fazer do Seu escolhido uma pedra, um material para
Sua edificação. O Jacó revelado em Gênesis 31,
entretanto, é o material adequado para a edificação
da casa de Deus? Não, ele não era um cavalheiro, mas
um homem sutil à época do sonho. Você crê que um
homem sutil como Jacó poderia tomar-se o material
precioso para a edificação da casa de Deus na terra?
Se responder “sim”, é porque você se reconhece como
Jacó. Todos nós somos Jacós. Mas o Jacó sutil está
destinado a ser o material para a edificação da casa
de Deus. Este capítulo revela que, por meio dos Seus
tratamentos, tal pessoa sutil pode tomar-se o
material para a habitação de Deus. Este capítulo dá
continuidade ao registro dos tratamentos de Deus
para com o Seu escolhido. Porque nos fornece uma
visão dos tratamentos de Deus para com Jacó,
certamente este capítulo é palavra de vida.
Jacó permaneceu com Labão por vinte anos. Em
31:7, disse que o tio lhe mudara dez vezes o salário. O
número dez representa a completação de certo
tratamento. Jacó parecia estar dizendo: “Labão não
mudou meu salário nove vezes, mas dez. Tratou-me
de maneira completa”. O número vinte, o dobro do
número da completação, é composto de duas vezes
dez. Deus colocou Jacó sob a mão de Labão por vinte
anos, de modo que ele pudesse ter um tratamento
completo. Mas depois de se acabarem os vinte anos,
vemos, em Gênesis 31, que Jacó ainda não era uma
pessoa totalmente transformada. Podemos descobrir
este fato decepcionante ao dizer: “Se o processo de
transformação não pode ser completado em vinte
anos, então quanto tempo levará? O Senhor pode
voltar antes de ele se completar”. Se você, todavia,
comparar o Jacó deste capítulo com o de alguns dos
capítulos anteriores, verá que ele certamente
experimentou um pouco de transformação. Uma
grande mudança ocorreu nele, após despender vinte
anos com Labão. No início desses vinte anos, ele era
realmente um suplantador; no fim de tal tempo,
entretanto, demonstrou ao menos um pouco de
transformação. Ao lermos o capítulo 31, observamos
que o Jacó sutil fora submetido a uma mudança
significativa. Mas embora tivesse sido um pouco
transformado, ele ainda foi muito natural neste
capítulo.
Talvez você esteja imaginando como este
capítulo revela a natureza de Jacó. Este estava com
medo de Labão, provavelmente percebendo que não
podia derrotá-lo. Admitiu que era incapaz de o fazer.
Esta é a razão por que fugiu do tio, afastando-se às
escondidas. Se tivesse sido ousado, estando seguro de
que poderia ter derrotado Labão, ele não teria fugido.
Pelo contrário, diria: “Labão, você me tratou muito
mal. Agora vou deixá-lo. Adeus! “ Mas Jacó não
ousou fazer isso. Pelo contrário, fugiu às ocultas. E,
estando Labão a perseguir o sobrinho fugitivo, Deus,
em sonho, falou àquele, na noite anterior ao seu
encontro com o sobrinho, dizendo: “Guarda-te, não
fales a Jacó bem nem mal” (31:24). Labão era mais
astuto que Jacó, mas desta vez, Deus o forçou a ser
honesto. Labão inclusive revelou a Jacó o que Deus
lhe falara, dizendo: “Está no poder da minha mão
ferir-te, mas o Deus de teus pais falou-me a noite
passada, dizendo: Guarda-te, não fales a Jacó bem
nem mal” (31 :29, hebr.). Se eu fosse Labão, jamais
teria falado disso a Jacó. Ele, contudo, foi
suficientemente tolo para falar dessa forma. E, então,
após censurar Labão por revistar-lhe as posses, Jacó
disse: “Deus me atendeu ao sofrimento, e ao trabalho
das minhas mãos, e te repreendeu ontem à noite”
(31 :42). Jacó parecia dizer: “Labão, você tem poder
em sua mão, mas eu tenho Deus comigo. O seu poder
não pode derrotar o meu Deus”. Por causa do que
Labão lhe dissera, Jacó tomou-se bastante rude para
com ele. Essa foi uma reação do seu homem natural.
Se ele tivesse sido realmente espiritual, ao ouvir o
relato do sonho, do tio, teria dito simplesmente:
“Louvado seja o Senhor. O Senhor, obrigado”. Jacó
poderia ter dito: “Labão, uma vez que o Deus de meu
pai lhe falou, não tenho necessidade de dizer nada.
Louvado seja Ele! “ Mas mesmo se dissesse assim,
Jacó teria exposto a cauda do seu homem natural. Se
nem mesmo essa cauda restasse, ele nada diria,
exceto: “Louvado seja o Senhor, tio Labão”. E então
se voltaria ao Senhor dizendo:-o Senhor, eu Te louvo.
Como Te agradeço, porque estou em Tuas mãos”.
Depois de ouvir como Deus falara a Labão, instando
para que nada lhe fizesse, Jacó tomou-se ousado em
repreender Labão face a face, enfatizando como este
lhe revistara a bagagem, fazendo-o anteriormente
assumir com a perda do que fora roubado, e
mudando-lhe dez vezes o salário (31:36-41). Jacó
parecia dizer: “Veja o que você fez! Servi-o por vinte
anos, e você mudou dez vezes o meu salário. Agora
revistou todas as minhas coisas e nada encontrou.
Que significa isso? “ Embora possa parecer franqueza,
isso é franqueza do homem natural. Jacó aqui é
revelado não como um homem mau ou sutil, mas
como um homem natural. Isso indica que ele ainda
não fora totalmente transformado.
Antes do capítulo 32, não há registro de que Jacó
tenha orado. Em 32:3-4, ele enviou mensageiros a
Esaú, ordenando-lhes que se dirigissem a Esaú como
seu senhor. as mensageiros voltaram, dizendo:
“Fomos a teu irmão Esaú; também ele vem de
caminho para se encontrar contigo, e quatrocentos
homens com ele” (32:6). Quando ouviu esta notícia,
Jacó ficou com medo e orou sobre isso ao Senhor.
Temendo que Esaú estivesse planejando matar a ele e
à sua família, Jacó foi forçado a orar. De acordo com
o registro de Gênesis, esta foi a sua primeira oração.
Antes disso, ele nunca orara, porque sempre tivera
sua própria maneira. Quando fugiu de Labão, usou
sua maneira habilidosa, conversando com suas
esposas, num tom muito convincente, persuadindo-
as a ficar de seu lado contra o pai delas. Diferente de
Esaú, Jacó não era um bom lutador, mas certamente
era um bom orador.
O relato de Gênesis 31 expõe a nossa própria
situação, fornecendo-nos um quadro nítido do que
somos. Essa certamente é palavra de vida. Embora a
palavra “vida” não seja mencionada neste capítulo, a
própria vida no Evangelho de João-o Evangelho da
vida-é encontrada aqui. Em João 10:10, o Senhor
Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida e a
tenham em abundância”. A maneira de se ter vida
abundantemente está em Gênesis 31, não em João 10.
Gênesis 31 é uma revelação do nosso ser.
Ao longo de todos os meus anos de ministério,
tenho visto muitos casos referentes ao
relacionamento marido-mulher, e freqüentemente
pedem-me que sirva de mediador entre marido e
esposa. Toda irmã que me pediu que servisse de
mediador entre ela e o marido esperava que, após
orar por eles, o seu marido se transformasse num
anjo. Muitos de nós ainda se agarram a esse conceito.
Algumas irmãs podem dizer a si mesmas: “Meu
marido é tão lamentável. Certamente, se os
presbíteros e as irmãs líderes orarem por ele, o
Senhor o transformará num anjo. Se meu marido não
pode ser um presbítero na igreja, ele pode ao menos
ser um diácono”. a Senhor certamente haverá de
responder a essa oração, contudo Ele não o fará de
acordo com a nossa maneira, mas de acordo com a
Sua maneira. E a maneira do Senhor não é mágica.
Não espere que, num dia, o seu marido seja
transformado num anjo, e que você seja capaz de
testificar tal fato na próxima reunião da igreja.
Muitos de vocês estão na vida da igreja há vários
anos. Talvez você tenha orado ao Senhor para si
mesmo, pedindo-Lhe que o transforme. Você já foi
transformado? Deve admitir que ainda é um pouco
natural. Nas reuniões, todos parecemos
transformados, mas como você se parece à mesa de
jantar com sua esposa? Muitos de nós devemos
admitir que somos exatamente o mesmo que Jacó em
Gênesis 31. Louvo o Senhor porque tem havido uma
mudança significativa em muitos irmãos com o
passar dos anos. Mas onde você está hoje-em Gênesis
48 ou em Gênesis 31? Você precisa admitir que, no
máximo, está no capítulo 31. Não podemos ter
maturidade de vida, transformação de vida, de uma
noite para outra, ou mesmo em poucos anos. É algo
que dura a vida inteira; não cresce como um
cogumelo.
Se você estudar a biografia de Jacó verá que
ainda no ventre de sua mãe Deus começou a tratar
com ele. A vida natural de Jacó percebeu que havia
dois no ventre. Embora tentasse ao máximo nascer
primeiro, Deus permitiu que o seu irmão saísse antes.
Desde aquele tempo, capítulo após capítulo, vemos a
sua luta. Mas no fim do livro de Gênesis sua luta
termina. Ao adorar a Deus, as mãos suplantadoras
agora se apoiavam no cabo do seu cajado, o símbolo
da sua vida peregrina na terra (Hb 11 :21). Ao final de
Gênesis, ele estava totalmente transformado.
Somente no fim da sua vida é que sua transformação
se completou. A transformação exige a nossa vida
inteira, não espere que ela seja realizada em uns
poucos anos. Creio que todo dia e mesmo toda hora,
algo está operando para a nossa transformação. Isso,
todavia, leva muito tempo. Dos cinqüenta capítulos
desse livro, o registro referente a Jacó ocupa mais da
metade. Esse é o mais longo registro de uma vida
transformada. O Senhor Jesus pode salvar-nos
instantaneamente, podemos consagrar-nos
prontamente, e podemos até entrar para a igreja bem
depressa, mas leva longo tempo para sermos
transformados. Precisamos ter muitos altos e baixos.
Às vezes, num dia temos três altos e três baixos. Esse
é o nosso ser natural, a nossa vida natural.
Quanto à escolha e transformação de Deus, Jacó
é o protótipo da Bíblia. Romanos 9 no-lo diz. Mas por
todas as gerações, poucos cristãos viram isso,
pensando que os capítulos referentes a Jacó fossem
simplesmente histórias interessantes. Poucos cristãos
vêem esses capítulos como registro do modelo de
uma vida transformada.

(12) A MUDANÇA DA SITUAÇÃO DE JACÓ


No capítulo 31, as circunstâncias que envolviam
Jacó mudaram de repente. Os seus primos passaram
a invejá-lo (31:1) e o semblante do seu tio se mudara
em relação a ele (31:2). Essa mudança era para o
benefício de Jacó. Nesse capítulo, ele estava no meio
do processo de transformação. Deus soberanamente
prepara tudo para a nossa transformação.
Precisamos crer nisso. Nada em Gênesis 31 foi
acidental; tudo foi planejado. Pela soberania de Deus,
Labão teve muitos filhos. No passado, pensava que
teria sido melhor para Jacó se o tio não tivesse tido
outros filhos, além das duas filhas. Mas Labão teve
muitos filhos. Nos vinte anos em que Jacó
permaneceu com Labão, este e seus filhos o
consideraram um lucro para eles. Labão admitiu que
a permanência de Jacó com ele era uma bênção
(30:27). Mas 31:1 diz que “ouvia Jacó os comentários
dos filhos de Labão, que diziam: Jacó se apossou de
tudo o que era de nosso pai; e do que era de nosso pai
juntou ele toda esta riqueza”. Isso é um fato. De
acordo com o relato de Jacó, Deus revelou num
sonho como tomou o rebanho de Labão e o deu a
Jacó (31:11-12). Com o passar dos anos, os filhos de
Labão viram diminuir os rebanhos de seu pai e
crescer continuamente os de Jacó. A certa altura,
ficando invejosos de Jacó, não mais puderam tolerar.
Isso não ocorreu por acaso. Ao mesmo tempo, “Jacó,
por sua vez, reparou que o rosto de Labão não lhe era
favorável, como anteriormente” (31 :2). Nos vinte
anos passados, o rosto de Labão pode ter sorrido
para Jacó, por ser este a causa do seu lucro. Mas
depois de perceber que Jacó já não era mais a causa
do seu lucro, o seu semblante mudou em relação a ele.
Quando alguém vê que você está sendo a causa dos
seus lucros se dissiparem, o seu semblante se mudará
em relação a você. Não creia que as pessoas sejam
realmente boas para você. Todas são egoístas e vivem
para si mesmas. Depois de permanecer com Labão
por catorze anos, Jacó disse-lhe que ia partir (30:25-
26). Entretanto, ele, na verdade, pode não ter tido
vontade de partir. Isso foi apenas a sua política para
ganhar algo do tio. Este viu claramente que a bênção
de Deus estava com o sobrinho e não queria que ele
partisse. Portanto, negociaram e concordaram
quanto aos termos pelos quais Jacó permaneceria
com Labão por outro período. Mas após alguns anos
mais, Labão percebeu que todo o aumento ficara para
Jacó, e assim mudou o seu semblante em relação a
ele. Isso também foi pré-arranjado por Deus. Por já
ser tempo de Jacó voltar, Deus preparou para que os
seus primos expressassem seus sentimentos e para
que Labão mudasse seu semblante.
Jacó deve ter ficado seriamente perturbado
quanto a ficar ou partir. Neste ponto, Deus interveio
e lhe disse: ''Toma à terra de teus pais, e à tua
parentela; e eu serei contigo” (31 :3). Se fosse uma
pessoa completamente transformada, Jacó
imediatamente louvaria ao Senhor e Lhe diria que
Nele confiava para a Sua orientação clara. Mas não
orou. Pelo contrário, chamou suas duas esposas para
junto de seu rebanho, não ousando falar-lhes na
presença do tio. Depois de comunicar-lhes a
mudança das circunstâncias, consentiram elas em
deixar seu pai (31:4-16). Tais mudanças na situação e
no ambiente ao redor de Jacó foram todas pré-
arranjadas por Deus.

(13) JACÓ FOGE DE LABÃO


Todas as mudanças no ambiente ao redor de
Jacó indicaram que ele deveria voltar para casa. E ele
voltou, mas não de maneira nobre. Você acha que ele
fugiu de Labão de maneira correta? Não, ele fugiu de
Labão às ocultas. Mas que aconteceria se ele não
fugisse de Labão da maneira como fez? Labão teria
utilizado o seu poder para deter suas filhas, as servas
e todos os netos. E provavelmente teria dito ao
sobrinho: “Jacó, se quiser ir, então vá, mas deve
deixar comigo todos e tudo”. Porque temia isso, Jacó
fugiu às escondidas.
Embora não fosse correta a sua maneira de
partir, Deus permitiu que isso ocorresse. Por ainda
não estar amadurecido, ele teve um ponto fraco. Por
que não colocou ele sua confiança em Deus? Uma vez
que Deus é todo-poderoso e todo-capaz, Jacó deveria
ter confiado Nele para a proteção de suas esposas e
filhos. É fácil falar de confiar em Deus, mas não é
fácil praticá-10. Confiar em Deus não é uma questão
de doutrina. Se você fosse Jacó, ousaria chegar a
Labão e dizer: ''Tio Labão, estou de partida”? Não é
fácil fazer isso, porque requer maturidade de vida e
crescimento de fé. A fim de termos a medida
necessária de fé, precisamos de crescimento de vida.
Jacó, contudo, não o tinha.
Não o condeno; pelo contrário, solidarizo-me
completamente com ele. Muitas vezes nós também
fomos colocados em situações em que não tínhamos
escolha, exceto fugir, escapar sorrateiramente. Seria
fácil repreender Jacó por não deixar Labão
publicamente, de maneira honrada e nobre. Mas se
examinarmos a nós mesmos, veremos que muitas
vezes fizemos coisas sem deixar que nosso marido ou
esposa ficasse sabendo.
Neste capítulo, lemos que Jacó roubou o coração
de Labão (31:20, hebr.). Enquanto Jacó roubava
interiormente o coração de Labão, Raquel roubava
exteriormente os ídolos do lar (v. 19). Até entre
aquelas pessoas tementes a Deus ainda havia ídolos.
Esses não eram ídolos de templo, mas ídolos
domésticos, ídolos que eles adoravam em seus lares.
Porque eram tão importantes, Raquel os roubou e
Labão os procurou. Não pense que, por ser um santo
chamado por Deus, Jacó tinha uma farru1ia muito
correta. Aparentemente alguns de nós temos uma
farru1ia muito adequada, mas Deus sabe que ainda
temos alguns ídolos do lar. Se a Bíblia não tivesse
mencionado tais ídolos, ninguém jamais teria
acreditado que Labão ou Jacó os tivessem em sua
farru1ia. Mas mesmo a fraqueza de Jacó ao roubar o
coração de Labão foi permitida por Deus.
Todos cometemos erros, mas Deus jamais pode
errar. Certamente, não foi nobre da parte de Jacó
fugir, mas até isso estava sob a permissão de Deus.
Não se arrependa de seus erros, porque até eles
trabalham para a sua transformação. Nenhum de nós
é plenamente honesto, nobre, fiel ou honrado.
Somente o Senhor Jesus é tal pessoa. Todos temos os
nossos pontos fracos, as nossas fraquezas naturais.
Jacó fugiu de Labão porque era fraco na fé e fraco na
capacidade de sacrificar. Talvez ele até dissesse: “Não
importa o que perderei, ainda que seja a minha vida,
tenho de ser honesto com Deus”. É fácil falar assim,
mas tente praticar. Quando chega a hora, você
também foge e rouba o coração de alguém. Todos os
nossos erros, até mesmo as nossas más ações, estão
sob a soberania de Deus, e Ele os utiliza para
transformar-nos. Não o estou, todavia, encorajando a
cometer erros. Espero que você não cometa erro
algum. Há quarenta anos, eu insistia junto às pessoas
para que não cometessem erros. Mas já não o faço
mais, porque percebo que é tolice. Não importa com
que firmeza eu o encoraje a não cometer erros; você
continuará a cometê-los. Ninguém quer cometer
erros. Posso testificar que, dia após dia, ano após ano,
tenho orado ao Senhor para que Ele me guarde de
cometer erros. Embora odeie os erros e não tenha
intenção de cometê-los, ainda cometo alguns grandes
erros. Que, então, adianta eu insistir junto aos outros
para que não cometam erros? Se fosse professor de
ética, ordenar-lhe-ia que não cometesse erros. Mas
não sou professor de ética. Sou alguém que o está
ajudando a ser transformado.
Para transformar-nos, Deus usará nossos erros.
Posso testificar que, se eu não tivesse cometido certos
erros, não estaria tão transformado como estou hoje.
A maior parte da transformação na minha vida me
veio pelos meus erros. Nada me atribula mais do que
eles. Toda vez que pensava estar certo, o Senhor
permitia-me cometer um erro. Nada ajuda mais a
nossa transformação do que os nossos erros. Isso não
significa que eu esteja dizendo que devemos fazer o
mal para que venha o bem. Não! Se você cometer um
erro intencionalmente, tal erro não ajudará a sua
transformação. Ele o deprimirá e o condenará. Mas
enquanto tentamos ao máximo evitar erros, podemos
orar:-ó Senhor, mantém-me na Tua presença, e
jamais me permitas cometer erros. Senhor, eu temo e
tremo na Tua presença”. Embora possamos orar
assim, após certo tempo poderemos cometer ainda
outro erro, e o Senhor o usará soberanamente para a
nossa transformação.

(14) LABÃO PERSEGUIU JACÓ


Como vimos, Labão perseguiu Jacó e o alcançou
(31 :22-25). Labão tinha poder para feri-lo, mas Deus
o advertiu num sonho para que não lhe fizesse nada
(31:24). Embora nada pudesse fazer, Labão fez o que
todos os seres humanos fazem -queixou-se. Exprimiu
sua ira por meio de queixas por causa da fuga de Jacó
(31:26-29). Queixar-se é a melhor maneira de
ventilar a própria ira. Em seguida, Labão acusou Jacó
de roubar-lhe os ídolos (31:30-35), e depois, não
sendo achados os ídolos, este o repreendeu pelo seu
mau comportamento (vs. 36-42). Depois disso, o tio
se conteve e, muito astuto, mudou de atitude,
fazendo uma aliança de paz com o sobrinho. Este é
um bom exemplo de diplomacia humana.
Este capítulo revela que homem algum é digno
de confiança. No capítulo 27, a mãe de Jacó, Rebeca,
pensou que Labão pudesse ser uma proteção e uma
ajuda para o seu amado filho Jacó. Assim, ela lhe
enviou Jacó. Mas veja o que Labão lhe fez. Nenhum
ser humano, mesmo o seu parente mais próximo, é
digno de confiança. Jamais coloque sua confiança em
qualquer ser humano. Se percebermos que somos os
chamados de Deus e que estamos agora sendo
submetidos ao Seu processo de transformação,
precisamos também perceber que tudo é uma
questão da mão de Deus. Não é uma questão de
alguém ser digno de confiança. Por um lado, não
deveríamos confiar em nenhum ser humano, por
outro, deveríamos agradecer ao Senhor porque todos
no ambiente ao nosso redor estão sob a Sua mão
soberana para o nosso próprio bem. Você pode
pensar que tem um tio fiel e digno de confiança. Mas
tal tio não será muito útil à sua transformação.
Depois de lermos este capítulo repetidas vezes,
podemos ver que não devemos colocar nossa
confiança em ninguém nem culpar ninguém. Seja o
nosso tio honesto ou não, ainda precisamos dizer:
“Louvado seja o Senhor. Deus é soberano. Não estou
nas mãos de meu tio, mas na mão soberana de Deus.
Até mesmo o meu tio que não é digno de confiança
está na mão de Deus para o bem da minha
transformação”. Todos precisamos ver isso e saber
que nada no ambiente ao nosso redor é digno de
confiança. Não confie em qualquer coisa, em
qualquer pessoa ou em qualquer solução. Tudo e
todos no ambiente ao nosso redor são instrumentos
soberanamente usados por Deus para a nossa
transformação. Se, para o bem de sua transformação,
você precisa de uma pessoa honesta, Deus lha dará.
Mas na maioria das vezes, precisamos de um Labão e
de primos como os seus filhos. Não se queixe, mas
agradeça a Deus por todos, dizendo: “Senhor,
agradeço-Te por todos os meus primos. E agradeço-
Te pelo meu tio, e até pelas minhas fraquezas”.
Louvado seja o Senhor porque até as nossas
fraquezas são meios empregados por Deus para a
nossa transformação.
Na cena retratada neste capítulo, a pessoa
decisiva é o Deus invisível com a Sua mão invisível.
Este capítulo não é meramente uma história de vida
humana; é a revelação do Deus transformador com a
Sua mão transformadora. Todos precisamos ver o
Deus revelado neste capítulo. O elemento decisivo
não é Labão nem Jacó, mas o Deus oculto, que, de
maneira soberana, prepara o ambiente à nossa volta
para a nossa transformação. Neste capítulo Ele está
oculto, ainda que alerta, sabendo a hora exata de
intervir e de falar a Jacó ou a Labão. Ele faz tudo o
que tem intenção de fazer. Assim, a pessoa decisiva
aqui é o Deus soberano, transformador. Se virmos
esse quadro, descansaremos Nele, crendo que tudo o
que somos e onde quer que estejamos, tudo está bem,
porque tudo está sob a mão soberana do Deus
transformador.
MENSAGEM SETENTA E QUATRO

SENDO TRATADO (8)


Gênesis 32 e 33 contêm uma experiência muito
estranha na vida de Jacó, o escolhido. Já enfatizamos
que ele não confiou no Senhor. Desde que nasceu,
exercitou sua habilidade natural para fazer as coisas
por si mesmo. No capítulo 31, fugiu de Labão, e Deus
o livrou da mão usurpadora do tio. Por Labão ter dito
que Deus o advertira a que não molestasse o
sobrinho, aproveitou-se Jacó da oportunidade para
repreendê-l o ousadamente (31:24, 36). O Senhor,
entretanto, fizera Jacó passar ileso por aquela
dificuldade. Havia, contudo, diante de Jacó, outro
problema sério: seu irmão, Esaú.

(15) O TEMOR DE JACÓ A ESAÚ


Jacó estava num dilema. Atrás dele estava Labão,
e diante dele, Esaú. Creio que enquanto fugia de
Labão e voltava à terra de seus pais, ele foi
grandemente perturbado por esses dois homens.
Tanto lhe era difícil permanecer com Labão quanto
voltar ao lugar onde estava Esaú. Pela misericórdia
de Deus, ele foi libertado de Labão, mas agora
precisava enfrentar Esaú.

(a) Encontrado pelos Anjos de Deus


Gênesis 32:1-2 diz: “Também Jacó seguiu o seu
caminho, e anjos de Deus lhe saíram a encontrá-lo.
Quando os viu, disse: Este é o acampamento de Deus.
E chamou àquele lugar Maanaim”, que significa “dois
acampamentos”. Enquanto seguia seu caminho,
provavelmente pensava num modo de enfrentar seu
irmão. Talvez dissesse a si mesmo: “Fiquei livre do
meu tio, mas como lidarei com Esaú, meu irmão?
“ Para sua surpresa, os anjos de Deus vieram-lhe ao
encontro, indicando que o protegeriam. Os anjos de
Deus estão sempre invisivelmente presentes com o
Seu povo escolhido. Neste exemplo, eles apareceram
a Jacó, e este os viu. Não viu um pequeno número de
anjos; pelo contrário, viu dois acampamentos deles.
Isso nos faz lembrar o Salmo 34:7, que diz: “O anjo
do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os
livra”. A presença dos dois acampamentos de anjos
deve ter sido um grande encorajamento para este
atribulado Jacó. Todavia, ele ainda temia que seu
irmão pudesse matá-lo.

(b) Ainda Confiava na Própria Força


Depois de ver os dois acampamentos de anjos,
ele deveria ter-se sentido confortado. Não confiou,
todavia, nesses dois acampamentos de anjos. O
objetivo de Deus ao mostrar-lhe essa visão foi, sem
dúvida, confortá-lo, fortalecê-lo e levá-lo a confiar
nos Seus exércitos celestiais. Mas ele não colocou sua
confiança no que viu. Pelo contrário, ele, que ainda
confiava em sua própria força (32:3-5), imitou os
dois acampamentos dos anjos de Deus, dividindo as
pessoas que estavam com ele em dois grupos. Ao
invés de colocar sua confiança naquilo que vira,
copiou-lhes a técnica. Embora possamos apenas
supor o que Jacó estava pensando ao fazer isso
(talvez imaginasse que cada um dos dois grupos de
sua casa seria protegido por um dos dois
acampamentos dos anjos), uma coisa está clara-ele
não exercitou sua confiança em Deus nem na visão
dos anjos; pelo contrário, gastou seu tempo e sua
energia exercitando sua habilidade natural. Os
versículos 7 e 8 dizem: “Então Jacó teve medo e se
perturbou' dividiu em dois bandos o povo que com
ele estava, e os rebanhos, os bois e os camelos. Pois
disse: Se vier Esaú a um bando e o ferir, o outro
bando escapará”. Essa era a sua esperteza. Mas, na
verdade, não era muito inteligente, pois, se Esaú
pudesse atacar o primeiro acampamento de mulheres
e filhos, por que também não poderia atacar o
segundo? Mas essa divisão do seu povo foi o melhor
que Jacó pôde fazer.

(c) Também Invocou o Senhor


Depois de fazer tais arranjos, ele provavelmente
ainda não estava tranqüilo. Assim, ele fez algo
incomum: orou (32:9-12). Este é o primeiro registro
de que ele tenha orado em toda a sua vida (28:20-22
foi o seu juramento, não sua oração a Deus). Nos
vinte anos em que esteve sob a mão espremedora de
Labão, não há registro de que tenha orado. Embora
Labão lhe tivesse mudado dez vezes o salário, ele não
orou. Em princípio, somos todos Jacós. Recebemos a
promessa de Deus e chegamos a conhecê-Lo, mas
ainda assim não oramos. Não importa o que nos
aconteça, não oram? s. Em vez de exercitarmos o
espírito para orar, exercitamos a mente para refletir e
a nossa força natural para enfrentar cada problema.
Jacó não orou quando estava com Labão; pelo
contrário, empregou sua força natural para controlar
a situação. Mas, agora, estando prestes a enfrentar
Esaú, foi conduzido a um lugar onde não mais tinha
habilidade. Toda a sua habilidade, técnica,
capacidade e força foram esgotadas. Quando soube
que Esaú estava vindo com quatrocentos homens,
ficou amedrontado. O máximo que pôde fazer foi
dividir o seu povo em dois grupos, pensando que, se
o primeiro fosse sacrificado, o segundo poderia ser
poupado. Porque isso era o melhor que podia fazer,
Jacó viu-se forçado a orar. E ele fez uma oração
muito boa. Ela foi muito melhor do que as orações da
maioria dos cristãos de hoje. Ele disse: “Deus de meu
pai Abraão, e Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que
me disseste: Toma à tua terra, e à tua parentela, e te
farei bem” (32:9). Aqui vemos que Jacó orou,
apoiando-se na palavra do Senhor. A melhor maneira
de orar é tomar a palavra de Deus como base para a
sua oração. Jacó parecia estar dizendo: “Senhor, Tu
não disseste que me farias bem? Agora, eu me apóio
na Tua palavra, e Te peço que faças algo a esse
respeito”. Embora esse versículo pareça indicar que
ele era bem experimentado em oração, não há
nenhum indício nos relatos anteriores de que ele
absolutamente tenha orado.
No versículo 10, Jacó disse: “Sou indigno de
todas as misericórdias e de toda a fidelidade, que
tens usado para com teu servo; pois com apenas o
meu cajado atravessei este Jordão; já agora sou dois
bandos”. Gosto da expressão de Jacó aqui. Ele
parecia dizer: “Senhor, a minha capacidade é tão
pequena que ela não pode conter toda a Tua
misericórdia e fidelidade”. Ele foi aqui muito
humilde na presença de Deus, confessando-se
indigno da rica misericórdia e fidelidade de Deus
para com ele, e confessando que passara o Jordão
somente com seu cajado, mas que o Senhor o fizera
crescer até se tomar dois grupos. Aqui vemos uma
figura nítida de dois acampamentos nos céus e dois
grupos na terra. Devido a isso, o escolhido deveria
estar perfeitamente tranqüilo. No versículo seguinte,
Jacó continuou, dizendo: “Livra-me das mãos de meu
irmão Esaú, porque eu o temo, para que não venha
ele matar-me, e as mães com os filhos”. Vemos aqui o
temor de Jacó a Esaú.
O ponto alto de sua oração está no versículo 12:
“E disseste: Certamente eu te farei bem, e dar-te-ei a
descendência como a areia do mar, que, pela
multidão, não se pode contar”. Nesta parte da sua
oração, Jacó tocou a economia de Deus porque falou
da descendência. Orar assim não é somente apoiar-se
na palavra de Deus, mas é também tocar o Seu
coração. Deus escolheu Jacó com a finalidade de
conseguir uma descendência para o cumprimento do
Seu propósito, que é ter uma expressão corporativa
de Si mesmo na terra. Ele provavelmente não
entendia isso, mas ainda assim orou muito bem.
Quando estudamos essa oração, vemos que ela foi
maravilhosa em todos os aspectos. Espero que todos
oremos dessa maneira.

(d) A Luta Posterior por Si Mesmo


Depois de fazer tão maravilhosa oração, Jacó
certamente deveria estar tranqüilo. Mas ele ainda
estava ativo. Ao invés de dormir, “separou do que
tinha um presente para seu irmão Esaú” (32:13).
Dividiu esse presente em nove rebanhos e “entregou-
os às mãos dos seus servos, cada rebanho à parte, e
disse aos servos: Passai adiante de mim, e deixai
espaço entre rebanho e rebanho” (32:16). O objetivo
disso era ver qual seria a atitude de Esaú em relação
a ele. Jacó foi esperto, mandando a Esaú um presente
de nove rebanhos, com um espaço entre cada
rebanho. Isso aumentava a distância entre ele e Esaú,
dando-lhe tempo para saber o que o irmão faria, de
modo a ter a oportunidade de preparar-se para a
batalha.
Examine o quadro todo. Primeiramente, Jacó
dividiu o seu povo em dois grupos. Então, depois de
fazer uma excelente oração, deveria ter ido dormir
em paz. Mas em vez disso, formou nove rebanhos
para presentear Esaú, a fim de aumentar a distância
entre si e o irmão, dando-se, assim, tempo para
preparar-se para a situação. Esse é o retrato de uma
experiência muito estranha. Por um lado, Jacó orou
com seriedade; mas, por outro, exercitou sua
sabedoria. Essa é uma fotografia de nós mesmos.
Embora Jacó fizesse isso somente uma vez, eu já o fiz
muitas vezes. Por um lado, tentei ao máximo
preparar-me para ficar à altura de enfrentar uma
situação problemática; por outro, orei com seriedade
ao Senhor. Não importa quão boa possa ter sido a
minha oração; eu ainda não confiava nela. Jacó orou
muito bem, mas não teve confiança em sua oração.
Se a tivesse, provavelmente não seria tão ativo depois
dela. Se eu fosse um dos servos de Jacó, poderia ter-
lhe dito: “Jacó, depois de fazer tal oração, você não
precisa esforçar-se tanto”.
Jacó chamou aos nove rebanhos de “presente”,
mas, na verdade, eram um suborno. Não creio que
ele tivesse um coração tão bom e amável para com
seu irmão Esaú. Esse presente não brotou de um
coração de amor, mas de um coração de temor. a seu
objetivo era aplacar o irmão. Ele até disse: “Eu o
aplacarei com o presente que me antecede” (32:20).
Enquanto o povo e os servos de Jacó dormiam
pacificamente, ele próprio não podia descansar.
Ficou desesperado diante do Senhor. Era uma
questão de vida ou morte. Ele previa que uma
matança lhe vinha ao encontro, estando convicto de
que Esaú mataria a ele e sua farru1ia. Por isso não
tinha paz. De repente, quando Jacó foi deixado
sozinho, “lutava com ele um homem, até ao romper
do dia” (32:24). Esse combatente não era um anjo,
mas o próprio Senhor na forma de um homem.
Somente a Bíblia poderia ter esse tipo de história.
Para a surpresa de Jacó, na escuridão da noite,
enquanto estava desesperado, um homem veio até ele,
tentando ao máximo subjugá-lo. Porque Jacó não
desistia, os dois lutaram a noite toda, até o romper do
dia. Antes disso, ele estava com medo de ser morto.
Agora, estava com medo de ser derrotado nesse
combate, e usou todas as suas energias nessa luta. a
Senhor não o subjugou imediatamente para poder
mostrar-lhe o quanto ele era natural, e como era
grande a sua força natural. Por fim, o Senhor tocou o
nervo da sua coxa, fazendo-o ficar manco. Mesmo
assim, Jacó não a deixou ir até que Ele o abençoasse.
Examinaremos isso mais profundamente na
mensagem seguinte.
No seu sonho em Betel, Jacó recebeu a firme
promessa do Senhor. Este lhe disse: “Eis que eu estou
contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te
farei voltar a esta terra, porque te não desampararei,
até cumprir eu aquilo de que te hei referido” (28:15).
Além disso, quando chegou a hora de deixar Labão, o
Senhor lhe disse: “Torna à terra de teus pais, e à tua
parentela; e eu serei contigo” (31:3). Mas Jacó ainda
confiava em si mesmo e utilizava a própria
capacidade e habilidade naturais para salvar-se da
situação difícil. Também teve uma hora de desespero
diante do Senhor. Podia parecer que, depois de tudo
isso, ele já não faria mais nada. Mas no capítulo 33
vemos que ele ainda não cessara de lutar. Não há
indicação, mesmo nesse capítulo, de que ele confiasse
no Senhor.
Depois de lutar com o Senhor que lhe viera na
forma de um homem, “levantando Jacó os olhos viu
que Esaú se aproximava, e com ele quatrocentos
homens” (33:1). Depois de todas as promessas do
Senhor, depois de sua oração e depois de lutar com o
Senhor, Jacó ainda tinha algo novo por fazer. Dividiu
novamente suas esposas e filhos. Sua primeira
divisão foi uma divisão do seu povo em dois grupos,
de acordo com os dois acampamentos de anjos. A sua
segunda divisão foi aquela dos nove rebanhos para
presentes. Mas agora, depois de reconsiderar a
questão, redividiu o seu povo de acordo com o seu
coração. “Então passou os filhos a Lia, a Raquel e às
duas servas. Pôs as servas e seus filhos à frente, Lia e
seus filhos atrás deles, e Raquel e José por últimos”
(33:1-2). Porque amava a Raquel e José, Jacó
colocou-os por últimos. Até aqui, no derradeiro
instante, Jacó ainda exercitava a própria habilidade
para enfrentar a situação. As duas servas e seus filhos
foram os primeiros, para serem um sacrifício se
necessário. O segundo grupo, incluindo Lia e seus
filhos, vinha a seguir. Raquel, aquela a quem ele
amava tanto, e seu filho, José, vinham ao final. Esse é
o trabalho do suplantador, daquele que é totalmente
natural. Tivera as promessas de Deus, as disciplinas e
os sofrimentos, a excelente oração, a luta e as
divisões anteriores do seu povo; mas, ainda assim,
ele fez algo mais. Isso é o que eu quero dizer quando
falo que esse capítulo relata uma estranha
experiência.
(e) A Saudação de Esaú a Jacó
Depois de tudo isso, quando viu Esaú, Jacó foi
ousado, ainda que humilde, de ir à frente para
encontrá-lo (33:3-4). O versículo 3 diz: “E ele mesmo,
adiantando-se, prostrou-se à terra sete vezes, até
aproximar-se de seu irmão”. Em certo sentido, ele foi
honesto e fiel para com suas esposas e filhos, e foi à
frente para encabeçar a fila. A aproximação de Jacó
dessa maneira surpreendeu grande mente Esaú, e
este “correu-lhe ao encontro e o abraçou; arrojou-se-
lhe ao pescoço, e o beijou; e choraram” (33:4). Tanto
Jacó como Esaú choraram. Com isso vemos que
todos os temores de Jacó provinham da sua própria
preocupação, e que tudo o que ele fizera resultou vão.
Ele não precisava dividir o seu povo em dois grupos,
fazer a melhor oração, apresentar nove rebanhos
como presente a Esaú, lutar com o Senhor em forma
de homem e dividir suas esposas, filhos e servas pela
segunda vez. Se tivesse realmente conhecido a Deus e
confiado Nele, teria ficado continuamente em paz,
dizendo: “Não me preocupo com Esaú, porque Deus
prometeu conduzir-me de volta à terra de meu pai.
Ele até me disse que voltasse, e tenho a certeza de
que Ele me levará lá. Não importa o que Esaú possa
fazer-me, não me preocupo, porque o meu Deus deu-
me a Sua palavra”.
Todos precisamos aprender da experiência de
Jacó. Não precisamos fazer tanto. Não somos os
Jacós de hoje, os escolhidos? Certamente que somos.
Deus não nos deu a Sua promessa? Certamente que
sim. Os acampamentos de anjos não nos circundam?
Precisamos crer que sim. Podemos pensar que certas
pessoas são nossas inimigas. O inimigo, Satanás,
pode injetar pensamentos em nossa mente relativos a
Labão ou Esaú. Todos esses pensamentos são vãos.
Recorde o seu passado. Você já não fez muitas coisas
que por fim se revelaram inúteis? Tudo o que fizemos
resultou vão. Muitas vezes já disse a mim mesmo:
“Homem, você é realmente estúpido. Desperdiçou o
seu tempo e energia em fazer coisas vãs. Nada do que
fez lhe foi de ajuda, porque o Senhor não as utilizou”.
Certamente Jacó jamais sonhou que Esaú lhe viria ao
encontro com tal ardente amor. Deus deteve Labão,
falando-lhe num sonho, e também suscitou o amor
fraternal de Esaú para com Jacó. Assim Esaú não lhe
veio com ódio ou desejo de vingança; pelo contrário,
veio-lhe com um amor fraternal e caloroso. Esaú se
esquecera do sofrimento que Jacó lhe causara. Mas
Jacó, o suplantador, não se esquecera do que fizera
ao irmão. Nisso vemos os atos maravilhosos de Deus.
Gostaria de dizer uma palavra, principalmente
aos irmãos e irmãs jovens. Sem dúvida, vocês amam
ao Senhor. Por amá-Lo, vocês têm certeza de que são
escolhidos. Como escolhidos, a promessa, o propósito
e o destino do Senhor são para vocês. O Senhor nos
encarregou a todos de avançar em direção ao objetivo,
para continuarmos até à terra do nosso Pai, onde
poderemos desfrutar as riquezas do Senhor para o
Seu propósito eterno. Assim, simplesmente
precisamos desfrutar paz Nele. Não fique aborrecido
por qualquer Labão ou Esaú. Não importa o que
aconteça, simplesmente descanse Nele. Se não puder
aceitar a minha palavra agora, espere algum tempo, e
descobrirá que todas as coisas que o preocupavam
resultarão em nada. Nada precisa fazer, porque, na
verdade, não há nenhum problema real, seja diante
ou atrás de você. Aparentemente, há muitas
dificuldades; na verdade, por ser você um dos
escolhidos de Deus sob o Seu cuidado todo-suficiente,
não há, absolutamente, dificuldade alguma. Vocês
são os escolhidos de Deus, garantidos por Sua
promessa e incumbidos de Seu propósito. Agora
estão a caminho. Não me importa toda a oposição e
boatos. Muitas vezes eu me rio deles. Uma vez que
estejamos no caminho para atingir o propósito de
Deus e uma vez que tenhamos a Sua promessa como
Seus escolhidos, tudo está muito bem.
Esses dois capítulos são um retrato revelando
que tipo de Deus é o nosso Deus. Posso testificar Sua
bondade e fidelidade. Se Jacó era indigno de toda
bondade e fidelidade do Senhor, eu sou ainda mais
indigno que ele. Não importa qual seja a situação à
nossa volta, o Senhor está aqui. Nós O temos, a Sua
promessa, o Seu propósito e os Seus exércitos.
Esqueça-se de sua habilidade e de sua capacidade
para enfrentar a situação. Jacó foi muito habilidoso,
dividindo o seu povo, primeiramente de uma
maneira e depois de outra. Como vimos, a segunda
divisão do seu povo estava de acordo com o desejo do
seu coração, em preservar Raquel e José. Mas nada
do que ele fez foi de utilidade, tudo resultou vão. Que
excelente exemplo isso é-nos hoje.
Quando preparava esta mensagem, fui
grandemente ajudado. Disse a mim mesmo: “Pobre
homem, você ainda é pelo menos um pouco
semelhante a Jacó. Por um lado, você tem a palavra
de Deus, confia Nele e tem orado a Ele. Por outro
lado, você ainda tem tantos tipos de divisão. Por fim,
a pessoa a quem você teme é alguém que o ama”.
Muitas vezes, aqueles a quem tememos tornam-se
nossos auxiliadores. Isso aconteceu a Jacó com
relação a Esaú. Jacó tinha muitas riquezas e
precisava de ajuda para transportá-las. Esaú trouxe-
lhe o auxílio de quatrocentos homens, mas Jacó ficou
com medo quando ouviu isso. As pessoas a quem ele
temia eram, na verdade, os seus auxiliadores.
Às vezes a Bíblia tem um jogo de palavras. Havia,
por exemplo, dois acampamentos de anjos, e Jacó
dividiu também o seu povo em dois grupos. Mais
tarde, dividiu o rebanho em nove partes. Quando
Esaú os olhou, não os chamou de rebanhos, mas de
acampamentos, dizendo: “Qual é o teu propósito com
todos esses bandos que encontrei? “ (33:8). Esaú
parecia dizer: “Jacó, você mandou esses grupos para
lutarem contra mim? Que significa isso? “ Jacó
replicou: “Para achar graça aos olhos de meu
senhor . . . Toma, peço-te, a minha bênção, que te foi
trazida” (33:8, 11-VRC). Note que Jacó mudou a
palavra de presente para bênção. Aparentemente, ele
dizia: “Esaú, não venho para lutar contra você, mas
para dar-lhe esta bênção. Esses não são
acampamentos, mas são a minha bênção para você”.
Depois disso, Jacó e Esaú ficaram em paz.
Esaú, tendo um bom coração, disse a Jacó:
“Partamos, e caminhemos; eu seguirei junto de ti”
(33:12). Jacó, todavia, ainda estava um pouco
temeroso do irmão, e não queria ficar muito tempo
em sua presença. Usando novamente sua esperteza,
disse: “Meu senhor sabe que estes meninos são
tenros, e tenho comigo ovelhas e vacas de leite; se
forçadas a caminhar demais um só dia, morrerão
todos os rebanhos. Passe meu senhor adiante de seu
servo; eu seguirei guiando-as pouco a pouco, no
passo do gado que me vai à frente, e no passo dos
meninos, até chegar a meu senhor em Seir” (33:13-
14). Em outras palavras, Jacó estava dizendo: “Por
favor, deixe-me. Não quero permanecer com você.
Enquanto está aqui, sinto-me ameaçado”. Quando
Esaú disse: “Então permite que eu deixe contigo da
gente que está comigo”, Jacó respondeu: “Para quê?
Basta que eu alcance mercê aos olhos de meu senhor”
(33:15). Enquanto pudesse ver a face de Esaú ou a
face de seus homens, Jacó não podia ter paz. Muitas
vezes, depois de passarmos por certa situação, a
cauda do problema ainda fica dentro de nós, e não
queremos ser lembrados disso. Na verdade, aquilo
não foi algo problemático, mas adorável. Esaú veio-
lhe com um coração amoroso. Mas o temor de Jacó
ainda não fora totalmente acalmado. Essa é uma
figura nítida de nossa experiência.
Se fosse Jacó, poderia dizer a mim mesmo:
“Homem tolo, você não precisa fazer nada. Você tem
a promessa do Senhor, e está se movendo em direção
ao Seu propósito. Viu os Seus anjos, e Ele mesmo até
lutou com você, mudando-lhe o nome para Israel, e
dando-lhe uma bênção. Do que mais precisa? Você
não deveria fazer nada”. Jacó, pelo contrário, ficou
muito ocupado, correndo como formiga numa
frigideira quente. Nesses dois capítulos, não há pista
alguma de que ele tenha tido qualquer prazer.
Duvido mesmo de que tenha comido ou dormido
bem. Ficou constantemente ocupado, pensando em
como enfrentar a situação e em como lidar com Esaú.
Mesmo quando este lhe veio de maneira amorosa,
ainda assim não confiou, e pediu-lhe que fosse à sua
frente. Na verdade, Jacó estava dizendo: “Esaú, não
fique aqui. Tome os seus quatrocentos homens e vá
na frente. Seus homens me amedrontam. Não quero
nenhum deles comigo”. Que estranha experiência foi
essa!

(16) A VOLTA DE JACÓ A CANAÃ


Deus é fiel e, por fim, Jacó regressou a Canaã
(33:17-20). O versículo 18 diz: “E Jacó chegou a
Salém, cidade de Siquém” (hebr.). Isso também pode
ser traduzido: “E chegou Jacó são e salvo à cidade de
Siquérn”. Ele voltou a Canaã pelo caminho de “Salém”
(v. 18), a segunda metade da palavra Jerusalém,
significando “paz”, “segurança”. Assim, o fato de Jacó
regressar a Canaã pelo caminho de “Salém” queria
dizer que ele chegara com segurança, em paz. Em
uma das mensagens posteriores, veremos que Jacó
seguiu os passos de Abraão. De acordo com o
capítulo 12, quando Abraão entrou em Canaã, a
primeira cidade que visitou foi Siquém. Jacó também
chegou em segurança a essa cidade. Isso prova que
Deus manteve a Sua palavra e cumpriu a Sua
promessa, porque prometera a Jacó conduzi-lo de
volta a salvo, à terra de seus pais. Jacó não fez essa
jornada por' si mesmo, mas Deus a fez por ele. Aqui,
em Siquém, Jacó fez as mesmas duas coisas que o
avô fizera: armou sua tenda e erigiu um altar (33:18,
20). Começava agora a ter um testemunho. Nos vinte
anos anteriores, não tivera o altar nem a tenda,
indicando que não tivera a vida adequada para um
testemunho de Deus. Agora, voltando à posição
correta, no lugar correto, tinha uma vida com o
testemunho de Deus. Aqui vemos que este escolhido
de Deus foi conduzido de volta pela graça de Deus, à
posição correta, para o cumprimento do propósito
eterno de Deus.
MENSAGEM SETENTA E CINCO

SENDO QUEBRADO

c. Sendo Quebrado
Gênesis 32:22-32 relata uma experiência
decisiva na vida de Jacó, o escolhido de Deus. Esse é
realmente um trecho extraordinário da Palavra
Sagrada. É único, e não há outra passagem na Bíblia
que se pareça com ele. Todavia, pela falta de
experiência, a maioria dos cristãos não tem prestado
a devida atenção a essa parte das Escrituras. Nesta
mensagem, pela misericórdia do Senhor, precisamos
atentar a essa experiência vital na vida de Jacó, a fim
de sermos ajudados por ela.
A experiência de Jacó neste capítulo é muito
prática, pessoal e íntima. Que poderia ser mais
íntimo do que lutar com alguém pelo menos metade
de uma noite? O Senhor, em forma de homem, lutou
com Jacó “até ao romper do dia” (32:24). Deus
jamais lutaria com um estranho ou com um pecador
descrente. Note que não está escrito que o homem
“veio” lutar com Jacó. Não há versículo algum que
diga: “Enquanto Jacó permaneceu lá sozinho,
examinando o seu problema, o Senhor veio lutar com
ele”. Não, simplesmente se diz: “E lutava com ele um
homem”, indicando que o homem já estava lá e que
não havia necessidade de ele vir. Isso revela que o
Senhor estivera com Jacó o tempo todo.
Por que o Senhor começou repentinamente a
lutar com Jacó? Certamente deve haver uma razão.
Foi por causa do antecedente de Jacó. Ao voltar à
terra de seu pai, ele teve dois problemas: Labão na
sua retaguarda, e Esaú na sua frente. Uma vez livre
da mão usurpadora de Labão, ele agora se via
desesperado ao encarar o próximo confronto com seu
irmão Esaú. Foi nesse momento que a luta aconteceu.
Os mensageiros de Jacó haviam regressado com a
notícia de que Esaú lhe vinha ao encontro com
quatrocentos homens. Ao ouvir tal notícia, Jacó ficou
aterrorizado. De acordo com sua compreensão, se
Esaú lhe viesse para dar as boas-vindas, não haveria
necessidade dos quatrocentos homens. A ele parecia
que Esaú era como um capitão vindo com um
exército. Sem dúvida, pensou que Esaú estivesse
vindo para matá-lo. Supondo isso, foi forçado a orar.
Após fazer uma excelente oração, dividiu em nove
rebanhos seu presente de animais a Esaú. Mas
mesmo assim não tinha paz, porque o seu problema
ainda estava diretamente diante dele. Portanto, como
dizem os versículos 22 e 23: “Levantou-se naquela
mesma noite, tomou suas duas mulheres, suas duas
servas e seus onze filhos, e transpôs o vau de Jaboque.
Tomou-os e fê-los passar o ribeiro; fez passar tudo o
que lhe pertencia”. Depois disso, ficou sozinho e,
provavelmente, ponderou sobre a situação,
imaginando o que fazer no caso de Esaú atacá-lo. Seu
fardo era pesado, sua situação era séria e ele estava
desesperado.
A Bíblia não fornece indícios de que Jacó tenha
orado ao ficar só. Muitas vezes, você ora quando não
está atribulado; mas não ora quando está
profundamente atribulado. Quanto mais atribulado
estiver, menos vai orar. Porque o problema é grave e
a situação é séria, você simplesmente não pode orar.
Por quê? Porque você ainda não foi nocauteado. Não
importa quão sério seja o problema, você não foi
nocauteado. Como Jacó, por um lado, não podemos
continuar; mas, por outro, também não oramos. Pelo
contrário, permanecemos lá, refletindo sobre a
situação, perguntando-nos o que fazer.
Enquanto Jacó refletia sobre como enfrentar o
seu problema, para sua grande surpresa, um homem
começou a lutar com ele. Digo novamente que não
lemos que o homem veio e lutou com ele. O texto diz
simplesmente: ''E lutava com ele um homem”. Ao
lermos hoje esse trecho da Palavra, percebemos
imediatamente que esse homem era o Senhor. Mas
no início da luta, Jacó não percebeu que esse homem
era Deus. Ele deve ter julgado o seu lutador como
sendo um dos quatrocentos homens de Esaú. Quando
esse homem começou a lutar com ele, Jacó recusou
deixá-lo prevalecer. Talvez dissesse em seu íntimo:
''Este homem veio prender-me, mas não lhe
permitirei”.
A esta altura, precisamos fazer quatro perguntas.
Primeira-por que o Senhor, como um homem, lutou
com Jacó? Que necessidade havia disso? Quando
apareceu a Abraão, o Senhor o fez como o Deus da
glória. Mas aqui não O vemos aparecendo a Jacó,
mas lutando com ele como um homem. Em segundo
lugar -como poderia o Senhor, o Todo-poderoso, não
prevalecer sobre Jacó, um pequenino homem?
Terceiro-por que o Senhor esperou tanto, antes de
tocar a articulação da coxa de Jacó? Por que não o fez
desde o início? O Senhor deve ter lutado com Jacó
por aproximadamente seis horas, começando talvez à
meia-noite e continuando até o amanhecer. Por que o
Senhor tolerou essa luta por tanto tempo? Em quarto
lugar-por que o Senhor recusou-se a dizer a Jacó o
Seu nome? Em várias outras ocasiões, o Senhor
revelou o Seu nome às pessoas, dizendo-lhes quem
Ele era. Mas aqui, depois de Jacó pedir-Lhe que
revelasse Seu nome, Este recusou-se a dizer-lhe,
mantendo-o em segredo. Embora não me diga capaz
de oferecer resposta completa a todas essas questões,
podemos, contudo, por meio da nossa experiência,
respondê-las, ao menos parcialmente.
Nesse trecho da Palavra não temos uma aparição
do Deus da glória nem uma visitação do Senhor. Este
primeiramente apareceu a Abraão como o Deus da
glória (At 7:2). Mais tarde, em Gênesis 18, visitou-o e
partilhou com ele uma refeição. Mas a experiência de
Jacó nesse capítulo não foi uma aparição de Deus
nem uma visitação do Senhor: foi um tratamento.
Quando você foi salvo, o Senhor lhe apareceu. Várias
vezes, depois disso, você ainda teve visitações doces e
agradáveis do Senhor. Mas além da Sua aparição
quando somos salvos e da Sua visitação nos
momentos de comunhão, há momentos em que Ele
trata conosco. No princípio desses tratamentos não
notamos que Ele está presente. Pensamos que nosso
marido, esposa ou algum presbítero nos está fazendo
passar por maus bocados. Por fim, percebemos que
não é o nosso marido, a nossa esposa ou algum dos
presbíteros: é Deus quem está aqui, tratando conosco.
Isso nos fornece resposta à primeira pergunta
referente à luta do Senhor, em forma de homem, com
Jacó. Deus não trata conosco de maneira visível,
aparecendo como o Deus da glória. No princípio de
todo tratamento, sempre pensamos que alguma
pessoa está lutando conosco. Freqüentemente, a luta
dura um longo período. Com Jacó, isso deve ter
durado seis horas, mas conosco podem ser seis
semanas, seis meses ou até seis anos. Irmãs, há
quanto tempo vocês lutam com seu marido? Talvez
lutem com ele todos os dias. Vocês percebem que
entre nós, cristãos, não pode haver separação ou
divórcio. Mas certamente sentem liberdade de
discutir com eles. Talvez até digam a si mesmas: “É
uma infelicidade eu ter-me casado com esse homem.
Já que não posso divorciar-me, posso ao menos
discutir com ele”. Algumas esposas lutam com o
marido há muito tempo. O mesmo, certamente, é
verdade conosco, os maridos, porque também
lutamos com nossa esposa. Para muitos de nós, a
vida conjugal é uma vida de luta. Embora possamos
pensar que lutamos com nosso marido ou esposa, a
outra parte, na verdade, não é nosso marido, nossa
esposa, um presbítero ou qualquer circunstância: é o
próprio Senhor quem está lutando conosco. Em
nossa experiência percebemos, por fim, que o Senhor
está aqui. Uma irmã, por exemplo, poderá dizer
finalmente: “Não é o meu marido quem luta comigo:
é o Senhor”. Se entendermos a resposta à primeira
pergunta, seremos capazes de responder às outras
três. Ao aparecer para salvar-nos, o Senhor se revela
como o Senhor da glória, mas em Seus tratamentos
para conosco Ele se mantém secreto. Toda vez que
estamos sob um tratamento, pensamos que ele se
origina de uma pessoa ou uma situação, não o
consideramos como proveniente do Senhor.
Entretanto, sempre que um tratamento chega,
precisamos perceber que o Senhor está ali. Não
pergunte o Seu nome. Freqüentemente as irmãs me
perguntam: “Irmão Lee, por que o Senhor me deu um
marido assim? “ E freqüentemente os irmãos dizem:
“Irmão Lee, o Senhor não conhece todas as coisas? Já
que Ele as conhece, porque não faz algo com minha
esposa? “ A resposta é que o tratamento do Senhor é
um segredo. Por meio da experiência de Jacó
podemos perceber o nome Daquele que está lutando
conosco. Para uma irmã, o nome do Senhor pode ser
“marido”, e, para um irmão, o nome do Senhor pode
ser “esposa”. Em alguns casos, o nome do Senhor
pode ser “um presbítero difícil de se tratar”.
Se quisermos ser honestos e abertos, muitos
teremos de admitir que há em nós perguntas
relativas ao próprio casamento. Muitos perguntam:
“Por quê? “ Um irmão pode perguntar: “De todas as
irmãs jovens da igreja, como me aconteceu de casar
justamente com esta? “ Sempre que somos tratados,
não reconhecemos logo que isso é obra do Senhor. Às
vezes o percebemos, mas recusamos admiti-lo. Se
admitíssemos, certamente pararíamos de lutar
imediatamente. Por isso lutamos ao máximo para
não sermos subjugados; esforçamo-nos para
subjugar a outra parte, não percebendo, na maioria
dos casos, que na verdade estamos lutando com o
Senhor.
Consideremos agora a segunda e terceira
perguntas. Se o Senhor nos subjugasse
imediatamente, como poderíamos ser expostos?
Alguns podem perguntar: “Tenho orado por minha
esposa há anos. Por que o Senhor não me responde?
Por que ela nunca muda? “ A resposta é que você
precisa ser exposto. O Senhor lutou com Jacó, a fim
de expor o quão natural ele era. Essa exposição
exigiu-lhe pelo menos metade de uma noite. Também
precisamos de muito tempo de problemas. Muitos de
nós ainda estamos lutando. O Senhor está tentando
subjugá-lo, mas você está lutando para subjugar as
circunstâncias. Talvez a sua esposa esteja sendo
usada pelo Senhor para subjugá-lo, mas você utiliza a
própria força para derrotá-la. Por isso a luta continua.
Espeto que, nesta mensagem, a luz brilhe sobre você,
e você diga: “Oh! agora eu vejo! Há anos tenho lutado.
Agora vejo que o objetivo disso é expor o quão
natural eu sou. O problema não está em minha
esposa-está em minha força natural. Ainda sou
apenas um homem natural”.
Que havia de errado com Jacó para que o Senhor
precisasse lutar com ele? Nada havia de errado. A
razão pela qual o Senhor lutou com ele é que ele
ainda era muito natural. O tratamento aqui não é
relativo a nada pecaminoso; é com a vida natural, o
homem natural. Leva muito tempo para expor a
nossa vida natural. Precisamos de um longo período
de luta antes que essa exposição venha a ocorrer. No
decorrer desse período de luta, a nossa natureza,
como a de Jacó, é completamente exposta. Quando
lemos os capítulos 31, 32 e 33, percebemos como
Jacó era natural. Ele fora tratado e sofrera muito,
mas no capítulo 32 ainda era natural. Não confiou no
Senhor, e mostrou-se inteiramente incapaz de
expressá-Lo. Era natural e sua expressão estava cheia
de si mesmo.
Em determinado instante nessa noite de luta, o
Senhor tocou a articulação da coxa de Jacó. O
versículo 25 diz: “Vendo este que não podia com ele,
tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se ajunta
da coxa de Jacó, na luta com o homem”. O Senhor
tocou-lhe o tendão da coxa. Esse é o nosso músculo
mais forte. A intenção do Senhor não era subjugá-lo,
mas expô-10. Depois de expor a sua vida natural, o
Senhor tocou-lhe a coxa. Esta foi imediatamente
deslocada e Jacó ficou coxo. Como enfatiza o
versículo 31, ele “manquejava de uma coxa”.
Depois que sua coxa foi deslocada, Jacó deve ter
pensado em seu íntimo: “Este lutador é mais forte do
que eu. Não me matou, mas verdadeiramente me
tocou e me tomou coxo”. Percebendo ser aquele
lutador mais forte que ele, Jacó pediu-lhe que o
abençoasse (32:26). Duvido que, mesmo nessa hora,
Jacó tivesse percebido ser Deus o lutador. Depois de
tocá-lo, o lutador lhe disse: “Deixa-me ir, pois já
rompeu o dia” (32:26). Mas Jacó retrucou: “Não te
deixarei ir, se me não abençoares”. Depois de dizer
isso, o Senhor lhe perguntou o nome (v. 27).
Conhecendo-lhe já o nome, por que lhe fez o Senhor
essa pergunta? Perguntou-lhe exatamente para levá-
lo a perceber quem ele era e para forçá-lo a admitir
que ele ainda era Jacó, o suplantador. Depois de Jacó
mencionar o próprio nome, o lutador disse: “Já não
te chamarás Jacó, e, sim, Israel: pois como príncipe
lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste”
(32:28). O nome Israel significa “o que luta com
Deus”. Muitos cristãos sabem que ele significa “o
Príncipe de Deus”; mas como esclarecem os melhores
léxicos e traduções tal significado é secundário. O
primeiro significado do nome Israel é “o que luta com
Deus”.
Depois de ouvir que seu próprio nome fora
mudado para Israel, “o que luta com Deus”, Jacó
imediatamente percebeu que esse lutador era Deus.
Talvez tenha dito em seu íntimo: “Oh! Esse é Deus, e
Ele chamou-me de o que luta com Deus”. E então
disse: “Dize, rogo-te, como te chamas? “ (32:29). O
Senhor replicou: “Por que perguntas pelo meu nome?
“. E não o disse a Jacó. Em nossa experiência, o
Senhor que nos trata é sempre um segredo. Todavia,
embora não lhe revelasse o próprio nome, Ele o
abençoou. Depois de abençoá-l o, não há registro de
que o tenha deixado. O Senhor estivera com Jacó
todo o tempo e, mesmo depois da luta, ainda
permanecia lá. Não chegou nem se foi; simplesmente
lutou com Jacó. Se essa foi a experiência de Jacó nos
tempos do Antigo Testamento, é até mais verdadeira
em nossa experiência hoje. O Senhor jamais nos
deixará. Toda vez que necessitarmos de um
tratamento, Ele nos proporcionará o tratamento
exato que precisamos.
O versículo 30 diz: “Àquele lugar chamou Jacó
Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha
vida foi salva”. Depois que o Senhor o abençoou, ele
percebeu claramente que o lutador era Deus, e deu
àquele lugar o nome de Peniel, que significa “a face
de Deus”.
Após considerarmos a experiência de Jacó nesse
capítulo, podemos pensar que ele tenha sido
transformado por ela. Na verdade não houve
transformação alguma, pois o capítulo 33 revela-o
ainda como Jacó. Não houve mudança em sua
maneira de viver. Estava ainda a planejar, a dividir e
a fazer todo o possível para enfrentar as situações.
Embora não houvesse mudança em sua maneira de
viver, contudo observamos uma alteração definitiva
em sua vida: esta fora tocada. Depois dessa
experiência em Peniel, ele passou a coxear. Tanto
antes como depois de o Senhor o haver tocado, ele
podia fazer qualquer coisa, mas depois que o Senhor
o tocou, tudo o que ele fazia, fazia-o coxeando.
Com todos nós, cristãos, há dois tipos de falhas e
fraquezas -as sem coxeadura e as com coxeadura. Por
exemplo, podemos perder a calma com ou sem
coxeadura. Posso irar-me contra um irmão, mas até
nesse perder a calma os outros notarão que coxeio.
Se você nada fizer, os outros serão incapazes de
perceber sua coxeadura. Mas quanto mais Jacó agia,
mais o seu coxear era exposto. Deixem-me dizer-lhes,
entretanto, que não devemos tentar imitar uma
coxeadura. A imitação jamais funciona.
Nós, nas igrejas na restauração do Senhor,
somos os Seus escolhidos. Estamos em Sua mão, em
Seu caminho e, tenho plena certeza, estamos também
sob o Seu tratamento. Se o percebe ou não, se o
reconhece ou não, se o admite ou não, o fato é que
você está sob o tratamento de Deus. Mais cedo ou
mais tarde terá a sensação de que foi tocado por Ele.
Quando essa hora chegar, você saberá que está coxo,
e nunca mais será o mesmo. Você poderá ainda ter as
próprias fraquezas, mas jamais será o mesmo. Se
você ainda consegue ser o mesmo, isso é um indício
de que jamais experimentou o toque do Senhor.
Com Jacó, o toque do Senhor foi uma vez por
todas. Mas conosco pode haver muitos toques. O
princípio, todavia, é o mesmo. Muitos de nós podem
testificar que, desde o dia em que começamos a amar
o Senhor, principalmente após virmos para a vida da
igreja e começarmos a seguir o Senhor em Sua
restauração, achamo-nos em circunstâncias de
tratamento. Lutávamos constantemente. Por um
longo período, não percebemos que o Senhor estava
tratando conosco. Um dia, Ele repentinamente nos
tocou e ficamos mancos. Depois disso, já não mais
éramos os mesmos. Talvez ainda fôssemos naturais
ou fracos, mas não mais éramos os mesmos.
Não espero que, com um toque, todo o seu viver
seja mudado e que você seja totalmente
transformado. Não, com Jacó o toque ocorreu no
capítulo 32, mas a maturidade, a ceifa, não se
manifestou plenamente antes do capítulo 47. Do
capítulo 26 até 32 houve várias falhas, fracassos e
erros. Mesmo depois de tocado por Deus, ele
aparentemente não mudou muito no capítulo 33;
mas na verdade, em vida, ele teve uma grande
mudança. Antes do capítulo 32, ele era natural,
jamais tendo sido tocado pelo Senhor. Depois do
capítulo 32, entretanto, tudo o que ele fez, fê-l o
coxeando. Daí por diante, a impressão que ele
deixava às pessoas era bem diferente. Quando se
inclinou diante de Esaú, ainda era natural, mas o seu
coxear testificava o toque do Senhor. Você alguma
vez percebeu que, ao andar em direção a Esaú e
inclinar-se diante dele, Jacó coxeava? Esaú não viu
um Jacó inteiro, mas aleijado. Aqui percebemos que,
embora não houvesse mudança em seu viver, uma
alteração ocorrera em sua vida. Não era o seu viver
exterior que fora tocado pelo Senhor; era a força
interior, natural. O tendão de sua coxa fora tocado.
Poucos cristãos percebem o significado crucial
dessa experiência de Jacó neste trecho da Palavra. A
maioria dedica a sua atenção a tratar com o pecado
exterior, com as ações erradas e com as coisas
mundanas, jamais pensando que a sua própria vida
natural, a própria força natural precisa ser tocada.
Mas o Senhor não está apenas preocupado em mudar
o nosso viver exterior; Ele deseja muito mais tocar a
nossa vida natural. Discutindo ou não com sua
esposa, se a sua vida natural não for tocada, você
ainda será natural. Aos olhos de Deus não há muita
diferença entre perder a calma com sua esposa e
controlar o próprio temperamento. Se perder a calma,
você será você; se controlar o próprio temperamento,
você ainda será você mesmo. Mas tendo sido tocado,
embora exteriormente Jacó ainda fosse o mesmo de
antes, interiormente a sua vida natural fora tratada.
Humanamente falando, é claro, gosto de ver os
irmãos e as irmãs mudarem suas atitudes com
relação aos seus cônjuges. Mas, lá no íntimo, se o seu
ser interior ainda permanece o mesmo, eu não
aprecio tal mudança exterior. Quando você se
comporta mal, é difícil para o Senhor trabalhar-se em
seu íntimo. Mas quando você é bom ocorre o mesmo.
Na verdade, pode até ser mais difícil para o Senhor
trabalhar-se em seu íntimo por ser você tão bom.
Não é uma questão de mudança ou melhoria
externas; é uma questão de toque interior. O seu
tendão interior, a sua força natural interna precisa
ser tocada pelo Senhor. Todos precisamos desse
toque.
Quando agimos como Jacó, podemos ser tocados
repetidas vezes, pois conosco o toque pode não ser
uma vez por todas. Depois de lutarmos um pouco,
teremos a profunda convicção de que fomos tocados.
O Senhor sempre nos toca até certo ponto decisivo.
Sempre que Ele toca uma parte específica, ficamos
coxos e não mais podemos ser os mesmos em nosso
ser interior. Daí para diante coxeamos e já não mais
somos inteiros.
Entre milhares de pessoas na vida da igreja há
muitos tipos diferentes: o esperto, o sábio, o
engenhoso, o orgulhoso, o arrogante. De acordo com
a religião, a maneira correta é mudar o nosso
comportamento exterior. Mas a maneira de Deus, a
maneira da vida, é diferente. Deus não disse: “Jacó,
lutei com você, toquei-o, mudei-lhe o nome e dei-lhe
a Minha bênção. De agora em diante, você não
deverá exercitar a própria esperteza ou utilizar sua
força natural para enfrentar a situação com o seu
irmão Esaú. Não mais seja astuto. Confie em Mim e
deixe-Me cuidar desse problema”. Não há tal relato
na Bíblia. Há simplesmente o registro de Jacó sendo
tocado. O Senhor tocou-lhe a coxa, mudou-lhe o
nome e deu-lhe a Sua bênção-isso é tudo. Nenhum
sermão, nenhuma instrução lhe foi dada. Tudo o que
Jacó fez depois disso-como dividir a família em três
grupos-proveio de si mesmo. Freqüentemente, após
tocar-nos, o Senhor não nos diz o que fazer. Em vez
disso, abandona-nos a nós mesmos, permitindo-nos
fazer o que queremos. Se examinarmos a nossa
experiência, veremos que é assim mesmo.
Os que cuidam dos outros, principalmente os
presbíteros, são inclinados a instruir as pessoas.
Freqüentemente dizem: “Irmão, você cometeu um
erro. Agora que o Senhor o abençoou, não mais
deverá tratar sua esposa do mesmo modo.
Certamente, pelo bem da glória do Senhor, você
precisa mudar”. As irmãs, engajadas no pastorear,
podem exortar as outras, dizendo: “Irmã, você não
deve mais discutir com seu marido. Você não deve
fazer isso, não deve fazer aquilo”. Essa é a nossa
maneira, mas não é a do Senhor. Depois de tocar a
coxa de Jacó e abençoá-lo, o Senhor não lhe deu
quaisquer instruções. Nem mesmo lhe disse uma
palavra. Pelo contrário, depois daquele toque, Jacó
ainda exercitou a própria força natural. Ele parecia
dizer aos seus: “Vocês todos fiquem para trás.
Deixem-me ir à frente para ver meu irmão Esaú”.
Mas andando em direção ao irmão, fê-lo de maneira
claudicante. Que diferença entre o nosso conceito
natural e a maneira de Deus! Que diferença entre a
prática religiosa e o toque do Senhor!
Não quero saber das instruções que lhe são
dadas; pelo contrário, gosto de ver que, um por um,
muitos de vocês são tocados pelo Senhor.
Freqüentemente as irmãs vêm a mim queixando-se
do marido. Entretanto, enquanto o acusam diante de
mim, fico feliz, porque, em suas acusações, percebo
que elas coxeiam. Talvez há poucos dias elas tenham
vindo a mim sem qualquer sinal de toque. Mas, agora,
embora ainda se queixem e acusem o marido, uma
coxeadura definitiva é perceptível. Não as repreendo
porque fico feliz ao vê-las tocadas. Um toque é
melhor que todos os tipos de instruções. O toque do
Senhor em nossa vida natural é muito melhor do que
uma centena de mensagens. Essa, hoje, é a nossa
necessidade.
O versículo 31 diz: “Nasceu-lhe o sol, quando ele
atravessava Peniel; e manquejava de uma coxa”.
Após o toque, o sol levantou-se sobre Jacó. Ele estava
manco, mas estava na luz. Todo aquele, na
restauração do Senhor, que tiver luz, deverá ser um
coxo. Ninguém sob a luz permanece inteiro; todos os
que estão sob a luz do brilhar celestial são coxos. Na
noite escura, Jacó era forte, e todo o seu ser
permanecia inteiro. Mas depois de tocado, o sol se
levantou sobre ele e ficou pleno de luz. Estava sob o
brilho da luz celestial, embora fosse um homem coxo.
Por estarmos realmente na mão do Senhor e
seguindo o Seu caminho, muitos de nós estão tendo
esse tipo de experiência.
MENSAGEM SETENTA E SEIS

APÓS SER QUEBRADO


Em 2 Timóteo 3:16 é dito que toda Escritura é
soprada por Deus. Você acredita que Gênesis 34-o
capítulo a ser tratado nesta mensagem-seja soprado
por Deus? Precisamos confiar no Senhor para que
Ele nos mostre como esse trecho da Palavra é o sopro
de Deus. Quando ainda jovem, após ler uma ou duas
vezes capítulos como Gênesis 34, estando já bem fixa
a história em minha memória, eu passava adiante.
Toda vez que chegava a esse capítulo, na minha
leitura do Antigo Testamento, lembrava-me de que a
filha de Jacó fora violada, de que seus filhos mataram
impiedosamente pessoas e saquearam a cidade . . . e
passava adiante. O Senhor nos mostrou, entretanto,
que até mesmo esse capítulo é o sopro da vida.
Embora haja vida nesse trecho da Palavra, é preciso
experiência para apreciá-lo.

(4) APÓS SER QUEBRADO


Para captarmos a vida que há no capítulo 34,
precisamos olhar tanto para frente como para trás.
Antes desse capítulo, Jacó fora libertado de todos os
seus problemas. Por vinte anos ficara retido sob a
mão espremedora de Labão, sendo por isso muito
atribulado. Por fim, sendo-lhe impossível
permanecer por mais tempo com Labão, deixou a
casa do tio. Deus lhe comunicara o desejo de que ele
voltasse à terra de seus pais. Jacó, entretanto, não
podia esquecer o que lá ocorrera, porque fora ele
quem enganara o seu pai Isaque e suplantara seu
irmão Esaú. Embora estivesse disposto a regressar à
terra de seus pais, ele tinha de encarar o grande
problema de enfrentar seu irmão Esaú. Tomando,
todavia, a palavra do Senhor e utilizando sua própria
habilidade e esperteza, fugiu de Labão, não o
informando de que estava saindo. Escapando do tio,
venceu a sua primeira dificuldade, que era estar sob
sua mão espremedora. Mas depois houve uma
segunda dificuldade: Labão o perseguiu e finalmente
o alcançou. Mas Deus interveio, dizendo a Labão que
não falasse nem bem nem mal a Jacó. Assim, este
fora inteiramente livrado da mão do tio. Mas o
problema maior-enfrentar Esaú _ ainda estava
diante dele. Por causa disso teve uma longa noite de
luta contra um adversário não identificado, que, na
verdade, era o próprio Senhor. Mas Jacó superou
essa crise, e o Senhor o livrou do problema com Esaú.
Depois disso, não mais teve dificuldades por certo
tempo.

(a) Voltou Apenas Até Siquém


Depois de libertado de todos esses problemas,
“Jacó partiu para Sucote, e edificou para si uma casa,
e fez palhoças para o seu gado” (33:17). Sucote ficava
a leste do Jordão. Isso significa que, estando ainda
em Sucote, Jacó ainda não cruzara o rio Jordão para
entrar no seio da terra de Canaã. Gênesis 33:17 não
diz que Jacó entrou em Canaã. A terra de Canaã não
é mencionada até o versículo seguinte, onde lemos
que ele chegou em segurança à cidade de Siquém,
“que está na terra de Canaã” (33:18). Aos olhos de
Deus, mesmo viajando para Sucote e edificando lá
uma casa para si, Jacó ainda não voltara ao coração
da boa terra. Construindo uma casa para si e
palhoças para seus rebanhos, vemos o quanto Jacó
ainda era natural, vivendo para si. Ele certamente
negligenciou o sonho que tivera em Betel. Ao fugir de
Esaú tI;, era um sonho em que vira uma escada que
ligava a terra ao céu. Ao acordar do sonho, dera
àquele lugar o nome de Betel e derramou óleo sobre a
pedra que usara como travesseiro dizendo: “E a
pedra; que erigi por coluna, será a casa de Deus”
(28:22). Em Betel, ele fizera um voto a Deus
prometendo que a pedra seria a casa de Deus. Em
outras palavras, prometera a Deus edificar-Lhe uma
casa. Certamente Jacó se esquecera disso. Se eu
estivesse lá ter-lhe-ia perguntado: “Jacó, por que
você voltou? Deus quer que você construa uma casa
para si mesmo e abrigos para seus rebanhos? E a casa
de Deus? “ Quando Jacó era um estrangeiro em terra
alheia, podíamos simpatizar com ele porque é difícil
a qualquer um ser forasteiro, mas agora ele voltara ao
território da terra da promessa de Deus.
Se ler cuidadosamente o Antigo Testamento,
você verá que o território a leste do Jordão jamais foi
reconhecido como sendo a melhor parte da boa terra.
Quando as duas tribos e meia chegaram a esse
território foram atraídas por ele. Isso levou Moisés a
desagradar-se deles. Receberam essa terra mas
perderam algumas das bênçãos de Deus. Quando os
assírios atacaram os filhos de Israel, primeiramente
chegaram a terra a leste do Jordão, e essas duas
tribos e meia foram as primeiras a serem capturadas
(1 Cr 5:26). As cidades estratégicas, como Jerusalém
e Belém, acham-se no coração da terra, ao ocidente
do Jordão. Por isso o território a leste do Jordão,
onde se localizava Sucote, não estava no coração da
terra da promessa de Deus.
A Bíblia nos proporciona um registro muito
breve da permanência de Jacó em Sucote. Por fim,
ele percebeu que lá não era o lugar apropriado para
ficar com Deus, e cruzou o Jordão, viajando para
Siquém. Em sua viagem de volta à boa terra, ele
cruzou três rios: o Eufrates, o Jaboque e o Jordão.
Voltando a Siquém, ele estava seguindo os passos de
seu antepassado Abraão (cf. 12:5-6). Isso indica que
Jacó fora reconduzido ao caminho correto. Em
Siquém, ele erigiu uma tenda e edificou um altar
(33:18-20), revelando que começara a viver a vida de
tenda e a ter o altar do testemunho. Era muito
melhor do que edificar uma casa para si e palhoças
para seus rebanhos. Em Sucote, ele nada edificou
para Deus. Em Siquém, pelo contrário, nada erigiu
para si mesmo ou para seus rebanhos; antes, edificou
um altar para Deus e erigiu uma tenda para o seu
próprio viver. Como foi bom que ele não só seguiu os
passos do seu antepassado, como também teve a vida
de tenda e o altar do testemunho.
Isso era bom, mas não era Betel. Se você ler o
capítulo 12, verá que, após chegar a Siquém, Abraão
continuou até Betel (12:6-8). Jacó teve seu sonho em
Betel (28:10-22). Quando o Senhor lhe disse que
voltasse à terra de seus pais, tal era uma indicação de
que ele deveria voltar a Betel para cumprir o seu voto
de edificar uma casa para Deus. Simplesmente não
consigo compreender se ele se esquecera do seu
sonho ou se não estava disposto a pagar o preço. Mas
ele primeiramente chegou a Sucote e depois
prosseguiu até Siquém. Em Siquém começou a viver
como um chamado. Antes disso, jamais vivera como
tal. Usando termos cristãos de hoje, ele jamais vivera
a vida cristã. Antes daquele tempo, ele esteve
suplantando o tempo todo. Essa era a vida que ele
vivera desde o nascimento. Suplantara os outros e
agarrara os seus calcanhares. Entretanto, na hora em
que Esaú veio-lhe ao encontro, ele fora quebrado.
Embora Esaú lhe viesse com um coração bom e
honesto, Jacó, mesmo depois de ter sido quebrado,
ainda estava a suplantar. Suplantando até o último
minuto, ele chegou em segurança a Siquém, onde
começou a viver uma vida de tenda com um altar de
testemunho.
Embora ele tivesse uma tenda com um altar em
Siquém, isso não estava à altura do padrão de Deus.
Havia uma tenda para Jacó, mas não havia uma casa
para Deus. Um altar fora construído para Deus, mas
Este ainda não tinha uma casa. Segundo o Antigo
Testamento, a edificação do altar deve conduzir-nos
à edificação do templo. Na reconstrução do templo, o
primeiro item a ser restaurado foi o altar (Ed 3:1-3).
Tanto diante do tabemáculo como diante do templo
estava o altar. Ocorre o mesmo em nossa experiência.
Temos primeiramente, uma consagração absoluta, e
edificamos um altar; prosseguimos, então, até chegar
à edificação da igreja, à casa de Deus.

(b) Precisou Ainda de Tratamento na Sua


Situação
Embora fosse bom o que ele tinha em Siquém,
Jacó ainda p~ecisa~a de tratamento na sua situação
(34:1-31), porque ainda nao regressara a Betel. Ele
deve ter ficado muito feliz e conte~te em Siquém, que
significa “ombro” e representa força. DepOIS de
Abraão chegar a Siquém, foi fortalecido. A
e~periência de Jacó deve ter sido a mesma. Ele até
adquiriu Ia um pedaço de terra e armou nele sua
tenda (33:19). É claro que ele foi fortalecido para
viver lá como um dos chamados de Deus. Apesar
disso, ainda não havia atingido o objetivo de Deus.
Um dia, algo subitamente aconteceu: sua única filha
Diná, foi violada (34:1-2). Àquela época, Jacó tinha
onze filho~ e u~a fil~a. S. e ele tivesse onze filhas e
um filho, a situação sena muito diferente, porque, se
uma de suas filhas fosse violada, seria menos grave
do que tal ocorrência com sua única filha. Foi algo
muito sério o fato de a sua única filha ter sido violada.
Esse acontecimento incomum e extraordinário
deve ter vindo de Deus. Diná foi ver as filhas da terra
(34:1). Se não tivesse agido assim jamais teria sido
violada. Por sair a ver as filhas da terra, encontrou-se
em dificuldades, e tal infelicidade aconteceu. Você
acha que isso foi um acidente? Jacó e os de sua casa
devem ter pensado dessa forma, mas aos olhos de
Deus não era assim; isso ocorreu sob Sua mão
soberana. Não significa que Deus a queria violada,
mas quer dizer que esse acontecimento infeliz
ocorreu sob Sua mão soberana para aperfeiçoar Jacó,
o Seu escolhido.
O princípio é o mesmo hoje. Deus tinha um
propósito com Jacó, e Ele certamente tem um
propósito com cada um de nós, os Seus chamados. O
Seu propósito com Jacó não era que este pudesse
seguir os passos de seu antepassado, erigir uma
tenda, edificar um altar, ser fortalecido e estabelecido.
Nenhum desses itens é o cumprimento do Seu
propósito. Em resumo, o Seu propósito é ter aqui a
Sua casa, edificar Betel aqui na terra. Siquém foi bom
para Jacó, mas jamais poderia satisfazer o desejo de
Deus. Por isso, estando Jacó estabelecido, satisfeito e
feliz, esse acontecimento infeliz lhe sobreveio.
Se ele tivesse onze filhas e um só filho, o seu
filho único teria sido incapaz de fazer qualquer coisa
a respeito, e não lhe teria causado dificuldades. Mas
quando a sua única filha foi violada, todos os seus
filhos se levantaram (34:7-31). Não podiam tolerar
isso. Por fim, dois deles-Simeão e Levi-mataram
todas as pessoas do sexo masculino na cidade de
Siquém e saquearam a cidade. Considere a situação
de Jacó. Era o escolhido e o chamado de Deus, o Seu
testemunhador na terra. Estava seguindo o caminho
do pioneiro dos chamados de Deus, vivendo numa
tenda e adorando a Deus por meio de um altar. Era o
único testemunho de Deus na terra. Mas veja o que
aconteceu. A sua única filha fora violada. Como isso
poderia acontecer a um homem que apenas
começava a viver a vida dos chamados de Deus, a
vida de uma tenda com um altar? Se eu fosse Jacó,
provavelmente ficaria em dúvida e diria: “Que é isso?
Amo ao Senhor mais do que nunca. Tão logo começo
a ter uma vida correta, seguindo os passos de Abraão,
isso me acontece. Por quê? “ Seguindo os métodos
enganadores de seu pai, os filhos de Jacó planejaram
um esquema para obter vingança. Aceitaram o
pedido de Hamor e Siquém de maneira dolos a,
dizendo-lhes que poderiam levar Diná, com a
condição de que todos os homens entre eles fossem
circuncidados (34:13-17). Tal proposta agradou a
Hamor e a Siquém, e estes prontamente a aceitaram
(34:18-19). Então, no terceiro dia, quando todos os
homens sofriam por causa da circuncisão, Sirneão e
Levi, irmãos de Diná, “tomaram cada um a sua
espada, entraram inesperadamente na cidade, e
mataram os homens todos. Passaram também ao fio
da espada a Hamor e a seu filho Siquém; tomaram a
Diná da casa de Siquém, e saíram” (34:25-26).
Depois disso, prosseguiram saqueando a cidade e
agarrando todas as ovelhas, bois, jumentos, riquezas,
mulheres e crianças. Chegaram até a tomar tudo o
que havia nas casas (34:27-29). Jacó refere-se a essa
matança em Gênesis 49:5-7.
Em Êxodo 32, a mão assassina de Levi tornou-se
uma bênção. Quando os filhos de Israel adoraram o
bezerro de ouro, Moisés disse: “Quem é do Senhor,
venha até mim. Então se ajuntaram a ele todos os
filhos de Levi” (v. 26). Então, Moisés disse: “Cada um
cinja a espada sobre o lado, passai e tornai a passar
pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu
irmão, cada um a seu amigo, e cada um a seu vizinho.
E fizeram os filhos de Levi segundo a palavra de
Moisés” (vs. 27-28). Aqui, em Gênesis 34, Levi,
juntamente com Simeão, mataram a todos os
homens da cidade de Hamor. Mais tarde, perto do
monte Sinai, os descendentes de Levi mataram os
adoradoresdo bezerro de ouro. Posteriormente, em
Números 25:7 e 8, um dos descendentes de Levi
matou os fornicadores. Por causa da iniciativa
tomada em Êxodo 32, os levitas tornaram-se
sacerdotes de Deus.
Veja a situação enfrentada por Jacó neste
capítulo: sua filha fora violada, e seus filhos
enganaram o povo, matando-os e saqueando-lhes a
cidade. É essa a família do chamado de Deus, a
família daquele que era o único testemunhado r de
Deus na terra? Por que tudo isso lhe ocorreu? Diná,
os onze filhos e todas as pessoas mortas foram um
sacrifício para o aperfeiçoamento de um único
homem-Jacó. Talvez você possa não crer que o
Senhor sacrifique muitos para o seu próprio bem.
Mas sacrificar muitos para o aperfeiçoamento de um
é algo grandioso. Em Gênesis 34, essa era a única
pessoa, na qual, com a qual e por meio da qual o
propósito eterno de Deus podia ser cumprido. Diná,
os onze filhos e todos os homens da cidade de
Siquém poderiam ter sido poupados; mas se Jacó, o
exclusivo, fosse ferido, que aconteceria ao propósito
eterno de Deus? Freqüentemente o Senhor
sacrificará os outros a favor do seu aperfeiçoamento.
Eu mesmo tenho visto e experimentado isso. Se você
tiver a visão, será capaz de perceber que ainda hoje o
Senhor está sacrificando muitos outros, para que
você possa ser aperfeiçoado. Siquém, Hamor, todos
os seus conterrâneos, e mesmo Diná e os outros onze
filhos foram sacrificados a favor de Jacó. Tudo o que
se registra nesse capítulo ocorreu para o seu
aperfeiçoamento.
Em 34:30, Jacó disse a Simeão e Levi: “Vós me
afligistes e me fizestes odioso entre os moradores
desta terra, entre os cananeus e os ferezeus; sendo
nós pouca gente, reunir-se-ão contra mim e serei
destruído, eu e minha casa”. Jacó parecia estar
dizendo: “Vocês fizeram tudo ficar lamentável para
mim. Tornaram-me repugnante entre todos os povos
desta terra. Agora não tenho mais paz nem segurança.
Se os povos nos atacarem, seremos mortos”. Ele
chegara a Siquém em paz e segurança. Agora estava
numa situação onde toda a sua segurança se acabara.
Provavelmente, já não podia dormir bem. Sua filha
fora violada, e agora, por causa do problema causado
por seus filhos, não podia mais permanecer em
Siquém. Em 35:1, Deus lhe falou: “E levanta-te, sobe
a Betel, e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te
apareceu, quando fugias da presença de Esaú, teu
irmão” (hebr.). Note a conjunção “e” no princípio
desse versículo. Isso significa que essa palavra dita a
Jacó pelo Senhor vem imediatamente após os
acontecimentos do capítulo anterior. Depois do que
lhe aconteceu, Jacó seria capaz de aceitar tudo o que
Deus quisesse dizer-lhe. Se Este lhe houvesse falado
a mesma palavra alguns dias antes, Jacó poderia
retrucar: “Será que Deus disse algo? Isso deve ser a
minha imaginação. Tenho seguido os passos dos
meus antepassados, vivendo a vida de tenda e
adorando a Deus com o altar, da maneira correta. Por
que devo deixar este lugar? “ Sem dúvida, Deus tinha
intenção de dizer-lhe tal palavra um pouco antes. Em
Siquém, tudo estava bom para Jacó, mas isso não
podia satisfazer o desejo de Deus. Antes da
dificuldade do capítulo 34, Deus não podia falar-lhe.
Se falasse, Jacó não O teria ouvido. Mas agora,
depois que a filha fora violada, que os filhos
causaram problemas, e que ele próprio perdera a sua
paz e segurança e refletia sobre o que fazer, Deus
interveio e falou-lhe, dizendo que subisse a Betel.
Depois que tudo isso aconteceu, ele pôde atentar à
palavra de Deus quanto a subir a Betel. Sem estarmos
num ambiente difícil, freqüentemente somos
incapazes de ouvir a palavra de Deus. Este não é tão
tolo a ponto de falar-nos uma palavra em vão. Pelo
contrário, espera, até que certas coisas nos
aconteçam.
Deus ordenou a Jacó que subisse a Betel.
Entretanto, de acordo com a geografia, Betel se
localiza ao sul de Siquém. Estando Betel ao sul, por
que Deus não disse: “Desça até Betel”? Não podemos
compreender isso segundo a nossa visão natural.
Deus parecia dizer-lhe: “Jacó, você ainda está baixo
porque não chegou ao nível do Meu desejo. Você
deve levantar-se e subir até Betel”. Deus falou-lhe de
maneira significativa e cuidadosa, dizendo-lhe que
subisse até Betel, para lá habitar e edificar um altar
ao Deus que lhe aparecera quando fugia de seu irmão
Esaú. Essa palavra é curta, mas o seu significado é
profundo. Em outros termos, Deus parecia dizer:
“Jacó, esqueceu-se do seu voto. No mínimo você se
esqueceu de cumpri-la. Depois daquele sonho em
Betel, você fez um voto de edificar uma casa para
Mim. Que me diz disso? Pedi-lhe que voltasse,
libertei-o da mão de Labão, livrei-o do seu problema
com Esaú e trouxe-o de volta pacífica e seguramente
à terra dos seus antepassados. Mas não o fiz para que
você se estabelecesse. Esse não é o Meu propósito. O
Meu propósito é que você prossiga até o lugar onde
teve o sonho, onde prometeu edificar-Me uma casa.
Não fique em Siquém, porque esse não deve ser o
lugar da sua habitação. Esse é simplesmente um
lugar no caminho para Betel. Agora, suba a Betel,
habite lá e edifique um altar ao mesmo Deus que lhe
apareceu”.
Não considere este trecho simplesmente como
uma história relativa a Jacó. Tome-o como a sua
própria biografia. Posso testificar que fiz o mesmo
que Jacó. Simplesmente esqueci o meu voto, a minha
consagração. Creio que todos fizemos uma
consagração ao Senhor, principalmente numa época
de provação ou dificuldade. Fizemos um voto,
dizendo: -o Senhor, se me conduzires em segurança
por meio de todas essas dificuldades, eu me
consagrarei a Ti, e Te tomarei como meu Deus, e Te
edificarei uma casa neste lugar”. Em princípio, todos
fizemos um voto semelhante a esse. Mas você o
cumpriu? Provavelmente nenhum de nós o cumpriu.
Com isso vemos que todos somos Jacós. A história
dele é na verdade a nossa autobiografia. Fazer um
voto ao Senhor e consagrar-nos a Ele é uma coisa;
mas cumprir o nosso voto e tornar efetiva a nossa
consagração pode requerer o sacrifício de uma filha,
de onze filhos, de um Siquém, de um Hamor e de
muitas outras pessoas e coisas. A vida cristã é
freqüentemente uma vida tormentosa. Ao ouvirmos
pela primeira vez o evangelho, possivelmente
pensamos que, após nos tornarmos cristãos, nossa
vida seria pacífica, e não haveria mais tempestades.
Talvez pensássemos que o nosso barco navegaria
seguramente em Cristo, sem uma tempestade sequer.
Mas ao longo de mais de cinqüenta anos de minha
vida cristã tem havido uma tempestade após outra.
Por fim, cheguei à conclusão de que a vida cristã é
cheia de tempestades. Qual é o objetivo delas?
Embora não estivesse claro há cinqüenta anos, hoje
compreendo perfeitamente. Na verdade, não é uma
questão de tempestades ou paz-é totalmente uma
questão de estarmos ou não sendo transformados
para a edificação de Deus, a fim de cumprirmos o Seu
propósito. A sua vida é tormentosa porque você é
teimoso, porque é muito parecido com Jacó. Você
precisa de muitas tempestades, porque ainda não foi
transformado num Israel. Você pode dizer-se: “Estou
em Siquém e tudo está seguro. Naveguemos
pacificamente”. Tal paz pode durar um tempo curto,
mas repentinamente vem uma tempestade, a sua
Diná é violada, e tudo vira confusão. Essa é a nossa
vida. Não culpe Deus. Somos nós que tornamos tão
difícil o Seu trabalho em nós. Embora jamais
tenhamos orado: “Senhor, manda-nos uma
tempestade”, todo tipo de tempestade nos tem
sobrevindo. Mas nenhuma tempestade nos matou.
Após lutarmos no meio de tantas delas, ainda
estamos vivendo. O Senhor certamente sacrificou
muitas coisas pelo nosso bem. Amados, muitos de
vocês ainda são jovens. Vocês se acham agora no
barco, e é muito tarde para se arrependerem e
pularem fora. Vocês precisam de tempestades.
Os acontecimentos do capítulo 34 causaram
profunda impressão em Jacó. Quando já velho, ao
conceder sua bênção aos seus doze filhos, ele foi
incapaz de esquecer-se do que fizeram Simeão e Levi.
Em 49:5-6, Jacó disse: “Simeão e Levi são irmãos; as
suas espadas são instrumentos de violência. No seu
conselho não entre minha alma, com o seu
agrupamento minha glória não se ajunte; porque no
seu furor mataram homens, e na sua vontade
perversa jarretaram touros”. De acordo com a
palavra de Jacó, Simeão e Levi não só mataram
homens, mas tambémjarretaram bois, cortando-lhes
os nervos para aleijá-los. Jacó nunca esqueceu isso.
Essa foi a pior dificuldade por que ele passou. Foi-lhe
muito mais pesada do que o seu problema com Esaú.
Isso o aterrorizou grandemente, levando-o a temer
que o povo da terra pudesse atacá-lo e matá-lo,
Mesmo na hora de abençoar os filhos, ele não podia
confiar neles. E disse: “No seu conselho não entre
minha alma”, isto é, que ela permaneça longe deles. A
dificuldade que Simeão e Levi lhe causaram tocou-
lhe as profundezas do ser. Depois desses
acontecimentos, Jacó imediatamente seguiu a
palavra do Senhor, subindo a Betel. A partir daquele
instante, ele começou a ser transformado. Antes
disso, ele não tivera qualquer mudança.
Jacó deixou Padã-Arã e, perseguido pelo tio, fora
livrado de sua mão. Fora também livrado da sua
dificuldade com Esaú e chegara a Sucote, onde
construíra uma casa para si e abrigos para seus
rebanhos. Acredito que ele não tenha tido paz para
permanecer lá. Assim, viajou rumo a Siquém,
seguindo os passos do seu antepassado e começando
a ter a vida correta de tenda com o altar do
testemunho, a fim de viver como um chamado de
Deus. Mas a sua vida em Siquém não estava à altura
do padrão de Deus. O objetivo de Deus é ter Betel, a
Sua casa na terra. Como Jacó, muitos irmãos e irmãs
hoje ainda estão vivendo em Siquém. Seguiram os
passos dos que os antecederam e foram fortalecidos.
Têm a vida de tenda com um altar de testemunho, e
vivem como chamados de Deus, mas o Seu desejo
não está satisfeito porque ainda não estão à altura do
Seu padrão. Por causa disso, certas coisas infelizes
lhes acontecem repetidas vezes para o preparo de seu
coração, a fim de que ouçam a palavra de Deus para
levantarem-se e subirem a Betel, habitarem ali e
edificarem um altar. Precisamos perceber todos esses
passos. Na próxima mensagem veremos que, no
capítulo 35, Jacó começou a ser transformado. Sua
transformação começou após o Senhor lhe falar sobre
subir a Betel.
Hoje, quase todos os cristãos sequiosos são como
Jacó, vivendo uma boa vida em Siquém, mas
negligenciando o propósito de Deus em Betel. Porém,
o Senhor, em Sua restauração, quer que passemos
por Siquém e subamos a Betel; que, passando da
nossa vida individual, subamos à vida corporativa da
igreja. Se ainda não chegamos à vida corporativa da
igreja, ainda temos pouco do propósito de Deus. É
por isso que não importa a excelência de Siquém: não
temos paz e segurança satisfatórias. Isso nos força a
seguir a palavra do Senhor, deixando Siquém e
subindo a Betel, para termos a vida correta da igreja
em Sua casa na terra.
MENSAGEM SETENTA E SETE

UMA VISÃO GERAL DO EDIFÍCIO DE DEUS


NAS ESCRITURAS OS SETE OLHOS
O livro de Apocalipse é a consumação da Bíblia.
Se ele não existisse, faltaria à Bíblia uma conclusão
adequada. Como livro de consumação, quase tudo
nele é algo previamente mencionado no Antigo
Testamento. Se atentarmos à letra impressa, nada
veremos que se relacione ao edifício de Deus em
Apocalipse 4 e 5. Existe, todavia, a questão dos sete
olhos, que são os sete Espíritos de Deus. Há um
segredo para a compreensão dos sinais e símbolos do
livro de Apocalipse: sempre que um símbolo aparecer
nesse livro, descubra onde ele é mencionado no
Antigo Testamento. Em Apocalipse 1, por exemplo,
temos os candelabros (ou candeeiros) como símbolo
das igrejas. Para compreendermos seu significado,
precisamos ler Êxodo 25, onde se menciona pela
primeira vez o candelabro, e também Zacarias 4,
onde ele é mencionado pela segunda vez. De acordo
com o mesmo princípio, se quisermos saber o que
são os sete olhos de Deus, precisaremos também
voltar ao Antigo Testamento.
Os sete olhos são mencionados em Zacarias 3:9 e
4:10. Esse livro subentende que os sete olhos, que são
as sete lâmpadas, estão relacionados com o Espírito.
Quando Zacarias perguntou ao anjo: “Que é isto? “ o
anjo respondeu-lhe: “Esta é a palavra do Senhor a
Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo
meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (4:4, 6).
Essa palavra implica que as sete lâmpadas se
relacionam com o Espírito de Deus. O livro de
Apocalipse diz-nos claramente que esses sete olhos-
representados pelas sete lâmpadas-são os sete
Espíritos de Deus. Zacarias revela que os sete olhos
de Deus, que são as sete lâmpadas do candelabro, são
também os sete olhos da pedra. Por meio dos sete
olhos, Cristo-como Leão e Cordeiro, revelado em
Apocalipse 5-está relacionado com a pedra
mencionada em Zacarias 3. Portanto, Aquele que tem
sete olhos é não apenas o Cordeiro-Leão, mas
também a pedra. Ele é o Cordeiro-Leão-pedra: Leão
para destruir o inimigo; Cordeiro para redimir-nos;
pedra para edificar a casa de Deus.

O OBJETIVO DA ECONOMIA DE DEUS


A economia de Deus não se destina à salvação.
Esta não é nem o objetivo nem a consumação de Sua
economia. É simplesmente um procedimento, um
processo para atingir o Seu objetivo. O objetivo de
Deus é a edificação da Sua eterna habitação. Esse
edifício é a igreja hoje e a Nova Jerusalém na
eternidade.

CRISTO COMO PEDRA PARA O EDIFÍCIO


DE DEUS
Muitos cristãos estão familiarizados com Atos
4:12, que diz: “E não há salvação em nenhum outro;
porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome,
dado entre os homens, pelo qual importa que
sejamos salvos”. Usei este versículo várias vezes ao
pregar o evangelho. Dizia ousadamente às pessoas
que somente um nome, em todo o universo, poderia
salvá-las. Não era o nome de Confúcio ou de Platão:
era o nome de Jesus. Aprendi, mais recentemente,
que o Jesus de Atos 4:12 é a pedra. O versículo
anterior diz: “Este Jesus é a pedra rejeitada por vós,
os construtores, a qual se tornou a pedra angular”. Se
lermos Atos 4:10-11, veremos que esta pedra é
claramente identificada com Jesus Cristo de Nazaré.
Jesus Cristo, Aquele que foi crucificado e que
ressuscitou de entre os mortos, é a pedra rejeitada
pelos edificadores judeus. Ele se tornou a principal
pedra angular e não há salvação em nenhum outro.
Os que O rejeitaram, não só rejeitaram o Salvador,
como também a pedra de edificação, até mesmo a
principal pedra angular.
A pedra angular ou de canto une os muros de
uma construção. No canto de um edifício há várias
pedras, mas, uma entre elas é chamada de principal
pedra angular. Os Judeus, na antiga Palestina, davam
atenção a três tipos de pedra ao construírem suas
casas: a pedra fundamental, a pedra angular e a
pedra de topo. O edifício era construído sobre a
pedra fundamental; os seus lados eram ligados pela
pedra angular; e, no teto, localizava-se a pedra de
topo. Essas três pedras sustentavam e protegiam
todo o edifício. Em Isaías 28:16, Cristo é a pedra
fundamental (IBB-Rev.) ; em Zacarias 4:7, Ele é a
pedra de topo (ou de remate) ; em Atos 4:10-12, é a
pedra angular. Em Atos 4, Pedro não só pregou
Cristo como Salvador, mas também como a pedra
fundamental e como a principal pedra angular que
une as paredes. Pedro tinha essa concepção porque
percebera que a redenção de Deus em Cristo é para a
Sua edificação. Assim, em sua primeira epístola, ele
pôde dizer: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive,
rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus .
eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras
que VIvem, sois edificados casa espiritual” (1 Pe 2:4-
5a).

A REDENÇÃO DE DEUS DESTINANDO-SE AO


SEU EDIFÍCIO
Entre todas as mensagens de evangelho dadas
hoje, dificilmente alguma se refere à edificação de
Deus. A pregação do evangelho, no cristianismo,
certamente se desvia do alvo. Porquanto ainda
estamos sob a influência do cristianismo,
simplesmente não temos a impressão de que a
redenção de Deus em Cristo destina-se à edificação.
Na concepção de muitos cristãos a salvação é tudo.
Muitos hinos louvam ao Senhor como Cordeiro,
dizendo: “Digno é o Cordeiro”. Mas dificilmente
encontramos um hino que diga: “Digna é a pedra”. Se
você se levantar numa reunião de cristãos e louvar a
Cristo, dizendo: “Digna é a pedra”, pensarão que você
ou ficou louco ou adotou um conceito particular. Essa
é a situação atual. O Senhor, entretanto, em Sua
restauração, conduziu-nos mais adiante. Não apenas
vemos-como Martinho Lutero viu-que Cristo é o
Cordeiro para a nossa redenção a fim de sermos, pela
fé, justificados Nele. Vemos também que este
Cordeiro tem sete olhos, que são também os sete
olhos da pedra de edificação. A economia de Deus
não se destina à redenção; destina-se à Sua habitação
com o homem por meio da redenção. Porque o
homem caiu, houve necessidade de redenção. A
redenção é o processo pelo qual o homem caído é
reconduzido de volta a Deus para o cumprimento de
Sua economia a fim de edificar a Sua habitação. Mas
o pobre cristianismo permanece atado ao
procedimento, aos meios, esquecendo e
negligenciando o propósito de Deus. Por essa causa
precisamos trombetear em alta voz estas palavras:
“Digna é a Pedra”.
Consideremos agora alguns versículos de Mateus
21. O versículo 9 diz: “E as multidões, as que O
precediam e as que O seguiam, clamavam: Hosana ao
Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do
Senhor! Hosana nas maiores alturas! “ Esse versículo,
que bradaram em alta voz nas calorosas boas-vindas
ao Senhor Jesus, é uma citação do Salmo 118:26, que
diz: “Bendito o que vem em nome do Senhor”. Quem
é esse “o” mencionado neste versículo? A resposta
está no versículo
22 do mesmo salmo: “A pedra que os
construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal
pedra, angular”. Os versículos 22 e 23 do Salmo 118
são mencionados pelo Senhor Jesus em Mateus 21:42.
O Salmo 118:23-24 diz: “Isto procede do Senhor, e é
maravilhoso aos nossos olhos. Este é o dia que o
Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”. O
“dia que o Senhor fez” é o dia da ressurreição. Nesse
dia, o Senhor Deus fez de Jesus de Nazaré a pedra
angular. Esse é o dia que o Senhor fez, e nos
regozijaremos e nos alegraremos nele. Em todo o dia
do Senhor, no Domingo, deveríamos regozijar-nos e
alegrar-nos.
Quando os edificadores judeus se perturbaram
diante das boas-vindas dadas ao Senhor Jesus, e se
enciumaram, Ele lhes disse, em Mateus 21 :42:
“Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os
construtores rejeitaram, essa tornou-se cabeça de
ângulo; isso procede do Senhor, e é maravilhoso aos
nossos olhos”? O Senhor Jesus parecia dizer: “Vocês
não ouviram o povo louvando-Me, a dizer: Bendito
seja Aquele que vem em nome do Senhor? O seu
louvor era uma citação do Salmo 118. Neste salmo há
um outro versículo. Vocês nunca o leram? Diz que a
pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a
principal pedra, angular. Isso é ação do Senhor, e é
maravilhoso aos nossos olhos”. Ao citar esse
versículo do Salmo 118, o Senhor declarou que o povo
judeu, como construtores do edifício de Deus, não
apenas rejeitou o Salvador, mas também a pedra de
construção. Como resultado dessa rejeição, eles não
teriam parte na edificação de Deus. Precisamos ser
profundamente tocados pelo fato de que não fomos
salvos meramente para sermos salvos. Fomos salvos
para podermos ser parte da edificação de Deus.
Quando pregamos o evangelho, não devemos pregar
apenas salvação e redenção, mas também a
edificação de Deus, dizendo às pessoas que, se elas
não receberem o Senhor Jesus, não terão a principal
pedra de edificação e não partilharão da edificação de
Deus. O objetivo de Deus em Sua salvação é a Sua
habitação, a Nova Jerusalém. Em nossa pregação do
evangelho, nós, como Pedro, precisamos dizer às
pessoas que a redenção de Deus em Cristo destina-se
a que elas se tornem parte da habitação de Deus.

O PROPÓSITO ETERNO DE DEUS


Na mensagem anterior vimos que Deus disse a
Jacó que subisse a Betel (Gn 35:1). Por fim, a Nova
Jerusalém será a Betel eterna. Jacó nunca edificou
nada, mas os seus descendentes edificaram,
primeiramente o tabernáculo e depois o templo. O
livro de Apocalipse diz que a Nova Jerusalém é o
tabernáculo de Deus, e que lá o próprio Deus e o
Cordeiro são o templo (Ap 21:22). Isso é Betel. O
propósito eterno de Deus é ter essa habitação, e nisso
Ele está hoje trabalhando. Mesmo na época em que
Jacó viveu, Deus estava trabalhando nele com vistas
à Sua habitação, a Betel.
Precisamos ser iluminados e completamente
saturados da idéia de que, neste universo, Deus está
realizando uma única coisa-edificando a Sua
habitação eterna. Em nada mais Ele está interessado.
A criação e a salvação destinam-se ambas a esse
propósito. Não importa quais bênçãos Ele tenha
concedido a nós: elas também se destinam a esse
propósito. Vários cristãos, entretanto, fizeram de
outras coisas o objetivo: a salvação, a espiritualidade,
a santidade e a vitória. Mas essas são meras “casas”
pessoais, individuais, não a edificação de Deus. A
espiritualidade é uma casa pessoal, individual. Se
você não se preocupar com o propósito de Deus, até
mesmo a sua salvação pode tornar-se um lar pessoal.
Se tivéssemos uma visão clara do objetivo de Deus,
sentir-nos-Íamos tristes com a situação atual. Quase
todo cristão está edificando sua própria casinha. Para
alguns, o falar em línguas é uma morada;
para outros, a santidade é uma casa; para outros
ainda, a espiritualidade é um abrigo. Hoje, raramente
algum cristão se preocupa com a edificação de Deus.
Por essa causa temos a ousadia de dizer que nós, na
restauração do Senhor, somos os únicos cristãos que
se preocupam com a edificação de Deus. Se todos nos
preocuparmos com Sua edificação, Deus terá feito
algo grandioso em nosso meio. Fico apreensivo,
todavia, porque, após ler esta mensagem, alguns
ainda poderão dizer: “Não estou interessado nisso.
Quero ter paz e alegria. Prefiro que o irmão Lee dê
mais mensagens sobre a misericórdia e a graça de
Deus, e diga como o Senhor quer dar-nos Sua alegria
e derramar Suas bênçãos sobre nós”. É possível que
até a alegria, a paz e as bênçãos sejam entorpecentes.
A maioria dos ensinamentos ministrados, semana
após semana, nas capelas e catedrais, são
entorpecentes. Enquanto esteve lá, você foi drogado.
Você não ouviu uma palavra clara, que
proporcionasse luz à sua mente. Espero que, por
meio desta mensagem, toda nossa mente se torne
sóbria, e que sejamos ousados em declarar: “Só me
importa a edificação de Deus. Não importa a minha
salvação, a minha alegria, a minha paz, a minha
santidade ou a minha espiritualidade”. Se você se
preocupar com a edificação de Deus, tudo-inclusive a
salvação, a santidade, a vitória, a espiritualidade, a
paz e a alegria-será seu.

UMA VISÃO GLOBAL DO ANTIGO


TESTAMENTO
Precisamos ter uma visão global da edificação de
Deus revelada na Bíblia. A Bíblia é um grande livro,
contendo milhares de itens. Se não tivermos uma
visão global, poderemos facilmente perder-nos.
Precisamos perceber seus pontos principais. Depois
de trabalhar com a raça de Adão, Deus veio para ter
um novo começo, chamando Abraão para ser o pai de
outra raça, a raça chamada. Deus já não mais estava
trabalhando com a raça criada, mas com a raça
chamada. Abraão foi seguido por Isaque e por Jacó.
Se não tivermos uma visão global, não
compreenderemos o propósito de Deus ao chamar
Abraão nem o Seu propósito para com Isaque ou
Jacó, o suplantador. Quando este fugia de seu irmão
Esaú teve um sonho (28:10-22). Depois de acordar,
disse algumas palavras que eram uma profecia
maravilhosa. Deu àquele lugar o nome de Betel, e até
levantou a pedra que usara por travesseiro, a fim de
que se tomasse uma coluna. Betel, então, não era
apenas um lugar, mas também uma coluna com óleo
derramado sobre si. Essa foi a maior profecia de toda
a Bíblia, porque controla a Bíblia inteira. Depois de
proferi-la, Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus for
comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo,
e me der pão para comer e roupa que me vista, de
maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai,
então o Senhor será o meu Deus; e a pedra, que erigi
por coluna, será a casa de Deus” (28:20-22). Deus
foi-lhe fiel e conduziu-o de volta, em segurança. Jacó,
todavia, não cumpriu o seu voto. Pelo contrário,
estabeleceu-se em dois lugares: primeiramente em
Sucote, e depois em Siquém. Por fim, levantou-se
uma tempestade e Jacó perdeu a sua própria paz e
segurança. Naquele exato momento, Deus interveio e
falou-lhe: “Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali”
(35:1). Jacó não teve a verdadeira Betel durante sua
vida. Jamais viu a casa de Deus. Somente quando
Moisés tirou os filhos de Israel do Egito e erigiu o
tabernáculo é que Betel foi substantificada entre os
filhos de Israel. Mais tarde, o tabernáculo foi
substituído pelo templo planejado por Davi e
construído por Salomão. Nessa época, Betel foi
estabelecida na terra.
Antes da edificação do tabernáculo, entretanto,
havia a casa de Israel, que era quase o mesmo que a
casa de Deus, pois o nome Israel inclui o nome de
Deus. As duas últimas letras da palavra Israel-el-
formam uma das palavras hebraicas para Deus.
Quando Israel se multiplicou chegando a ser a casa
de Israel, isso significava que aquela casa era a casa
de Deus. A casa de Israel, portanto, era a casa de
Deus. A única diferença era que a casa de Israel não
tinha uma forma definida como um tabernáculo ou
um templo. Contudo, uma vez que a família de Jacó
se havia tomado a casa de Israel, aos olhos de Deus
ela era igual à Sua casa. Por fim, entre os da casa de
Israel havia o tabernáculo e, após este, o templo,
simbolizando ambos a casa de Israel como a
habitação de Deus. Essa é a história de Betel. Mais
tarde, o templo foi destruído pelo exército da
Babilônia, e os filhos de Israel mantidos cativos por
setenta anos. Depois disso, foi assinado um decreto
para se reedificar o templo (Ed 1:1-3). Assim, do
começo ao fim do Antigo Testamento, temos apenas
umas poucas coisas: Jacó, sua casa, o tabernáculo, o
templo e a reedificação do templo. Essa é a visão
global do Antigo Testamento.

UMA VISÃO GLOBAL DO NOVO


TESTAMENTO
Todos esses pontos principais do Antigo
Testamento são meros tipos. Por essa razão, havia
necessidade de o Senhor Jesus vir como realidade.
Quando se encarnou, Ele estabeleceu um tabernáculo
para Deus e tabernaculou entre nós (Jo 1:14, gr.). Em
João 2, Ele revelou aos judeus que não era somente o
tabernáculo, mas também o templo de Deus (2:18-
21). Assim, estando na terra, Ele era tanto o
tabernáculo quanto o templo. Quando Pedro, o
apóstolo líder, foi-Lhe trazido pela primeira vez, o
Senhor mudou-lhe o nome de Simão para Cefas, que
significa “uma pedra” (Jo 1:42). Em João 1:51, o
Senhor Jesus disse a Natanael: “Em verdade, em
verdade vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de
Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem”.
Essa palavra indica que o cumprimento do sonho de
Jacó baseava-se na Sua edificação da casa de Deus.
Depois de aproximadamente três anos com Seus
discípulos, o Senhor Jesus conduziu-os para fora da
atmosfera e do dominio religioso, indo até à fronteira
da assim chamada “Terra Santa”, e ali lhes fez esta
pergunta: “Vós (. . .) quem dizeis que eu sou? “ (Mt
16:15). Depois de Pedro dizer-Lhe: “Tu és o Cristo, o
Filho do Deus vivo”, o Senhor retrucou-lhe:
“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta
pedra [rocha-lit. ] edificarei a minha igreja, e as
portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt
16:16, 18). O Senhor revelou que Ele era a rocha, e
disse que Pedro era uma pedra. Essa palavra deve ter
causado profunda impressão em Pedro, pois, algum
tempo depois, este mesmo repreendeu os
edificadores judeus, parecendo dizer-lhes: “Vocês,
edificadores judeus, levaram-No à cruz, rejeitando
totalmente a pedra de edificação. Mas Deus O
ressuscitou e O fez a pedra de esquina”. Em 1
Coríntios 3:11, Paulo diz que a igreja é edificada sobre
Cristo como fundamento e, em sua primeira epístola,
Pedro diz que todos os que se achegam ao Senhor
serão pedras vivas edificados juntos como casa
espiritual (1 Pe 2:4-5). Isso é Betel, a casa de Deus.
Por fim, essa Betel será expandida para consumar-se
na Nova Jerusalém. Por um lado, a Nova Jerusalém
será o tabernáculo de Deus entre os homens; por
outro, nela, o próprio Deus e o Cordeiro serão o
templo. Essa é a visão global da edificação de Deus.

A RUA PRINCIPAL
Ao analisarmos qualquer mapa, precisamos
descobrir as ruas principais. Essa questão da
edificação é a rua principal da Bíblia. Através dos
séculos, milhares de livros cristãos têm sido escritos,
mas a maioria deles tem-se desviado da rua principal.
Ao invés disso, têm dirigido sua atenção a ruas
menores. Santidade, perfeição quanto ao pecado,
espiritualidade, línguas e curas são algumas dessas
ruas menores. Todos os que se concentram nessas
coisas perderão o alvo, que é Betel, a casa de Deus.
Em Deuteronômio 12:5-6 Deus parecia dizer: “Vocês
não devem apresentar suas ofertas queimadas e
dízimos no lugar de sua própria escolha. Vocês
precisam ir ao lugar que Eu escolhi para o Meu nome
e para a Minha habitação”. Esse lugar, hoje, é a igreja,
pois, no Novo Testamento, percebemos que a igreja é
o lugar que o Senhor escolheu para o Seu nome e
para a Sua habitação. Muitos mestres cristãos
famosos têm dito que dois ou três reunidos em nome
do Senhor Jesus são a igreja. Dizem isso porque estão
cegos e não têm a visão da rua principal.

UMA LIMPEZA TOTAL PARA A EDIFICAÇÃO


DE DEUS
Essa questão da edificação de Deus é de grande
significado. Dia e noite, está chegando o encargo
referente à edificação da casa de Deus. Creio que nos
próximos anos esse encargo aumentará, e que
mensagem após mensagem será dada sobre a
edificação de Deus. Hoje, o Espírito Santo está
extraindo da mina da Palavra todo o ouro destinado à
edificação.
Na próxima mensagem veremos o que Jacó fez
após Deus dizer-lhe que se levantasse e subisse a
Betel. Ele fez uma limpeza completa, não apenas em
si mesmo, mas também em toda a sua casa. Poucos
cristãos hoje têm tido esse tipo de limpeza. Quando
Jacó e sua fanu1ia deixaram Labão, Raquel, a esposa
amada, furtou os ídolos do lar (31:34). Antes do
capítulo 35, não lemos que Jacó tenha feito algo a
esse respeito. Simplesmente tolerou o fato de sua
esposa ter trazido consigo tal abominação. Mas
depois de Deus falar-lhe que subisse a Betel, “então
disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele
estavam: Lançai fora os deuses estranhos, que há no
vosso meio, purificai-vos, e mudai as vossas vestes”
(35:2 _ (hebr.). Não apenas jogaram fora os deuses
estranhos, como também mudaram suas roupas, isto
é, despiram-se do velho homem e vestiram-se do
novo homem (Ef 4:22-24). Gênesis 35:4 diz: “Então
deram a Jacó todos os deuses estrangeiros que
tinham em mãos, e as argolas que lhes pendiam das
orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que
está junto a Siquém”. Vemos aqui que brincos (ou
argolas) equivalem a ídolos, e que Jacó os enterrou a
ambos. Ele fez essa limpeza completa, dizendo ao
povo que eles estavam subindo a Betel e que lá
deveriam erigir um altar para Deus (35:3).

A IGREJA COMO O TABERNÁCULO


Mais tarde, o tabernáculo foi construído. Muitos
itens estão relacionados com o tabernáculo. No átrio
exterior havia o altar e a bacia; no Lugar Santo havia
a mesa dos pães da proposição, o candelabro e o altar
do incenso; e, no Santo dos Santos, havia a arca do
testemunho contendo a urna de ouro, a vara que
florescera e as tábuas do testemunho. Tudo isso se
destina a Betel. Cada passo da vida de Jacó envolvia-
se com Betel. Isso é um tipo. Hoje temos Betel na
igreja, pois a igreja é o tabernáculo cheio de conteúdo.
Nela temos o altar, a bacia, a mesa dos pães da
proposição, o altar do incenso e a arca do testemunho.
Todas as coisas no tabemáculo destinam-se à
edificação da igreja.

NOSSA NECESSIDADE DE UMA VISÃO


GOVERNANTE
Todos precisamos orar: “Senhor, mostra-me essa
visão govemante. Oh! eu preciso ter essa visão
global”. Aqui nessa visão temos tudo-santidade,
espiritualidade, dons, cura. Hoje, após dezenove
séculos, podemos perceber por que o Senhor Jesus
ainda não voltou-é que Betel ainda não foi
solidamente edificada. O Senhor tem estado e ainda
está esperando pela consumação da Sua edificação.
Em Mateus 16:18, Ele disse: “Edificarei a Minha
igreja”. Essa palavra não pode ser vã; certamente
será cumprida. Nosso encargo hoje é por isso.
Quando checo com meu espírito, dia após dia e noite
após noite, o encargo está vindo. Tal encargo não é
questão de doutrina, mas de o Senhor edificar a Sua
igreja. Todos precisamos dizer: “Senhor, ajuda-me a
superar todas as outras coisas. Senhor, só me
importa a edificação da Tua igreja”. Essa é hoje a
restauração do Senhor. Essa é a edificação de Betel e
o cumprimento do sonho de Jacó. Temos encargo por
isso!
Tenho participado de reuniões da mesa do
Senhor desde 1932. Posso testificar que jamais
desfrutei tanto uma reunião como desta de hoje à
noite1. Esse é mais um indício de que o Senhor está
na iminência de nos fazer voltar de todas as coisas
menores para o Seu alvo maior-Betel. Quando você
participava da assim chamada comunhão nas
denominações, antes de vir para a vida da igreja,
ouviu falar alguma vez de unidade, de Corpo, de
Betel? Mas nesta noite, na mesa do Senhor, nós
declaramos a todo o universo que somos um, e que
somos Betel, a casa de Deus. Quem pode negar isso?
Ao fazermos essa declaração, temos a plena
satisfação, a prova de que o Senhor está satisfeito
com Betel, com a edificação de Sua casa. Irmãos e
irmãs, todos precisamos preparar-nos para esse
encargo. De agora em diante veremos o Senhor
percorrendo toda a terra para edificar a Sua igreja.
Ele cumprirá plenamente a Sua profecia-”Edificarei a
minha igreja”.

1
Ano de 1976.
MENSAGEM SETENTA E OITO

SENDO TRANSFORMADO (1)


A Bíblia começa com a criação de Deus e termina
com a Sua habitação. Todos precisamos ficar
impressionados com essas duas palavras: criação e
habitação. A consumação da Bíblia é a eterna
habitação de Deus. Se quisermos conhecer a Bíblia,
precisamos guardar fixas em nossa mente essas duas
coisas-a criação e a habitação de Deus. Vimos que o
livro de Gênesis contém quase todas as sementes das
verdades relativas à economia de Deus. Talvez, a
última semente deste livro seja a de Betel, a
habitação de Deus. Não só na conclusão da Bíblia;
mas até mesmo na última parte de Gênesis,
percebemos o fim consumado da economia de Deus-
Betel, a habitação de Deus. A palavra Betel significa
“casa de Deus” ou “templo de Deus”, “lugar de
habitação de Deus”.
O livro de Gênesis faz menção às biografias de
oito grandes pessoas: Adão, Abel, Enos, Enoque, Noé,
Abraão, Isaque e Jacó com José. Precisamos incluir a
vida de José como parte da vida de Jacó. Em Adão,
vemos a criação de Deus; em Jacó, temos a habitação
de Deus: Betel. Em Jacó, não observamos apenas a
escolha de Deus. A maioria dos mestres cristãos tem
gasto um tempo considerável na questão da escolha
de Jacó. Sim, a escolha de Deus está no início, mas
qual é o fim, o objetivo final da Sua escolha? É Betel,
o lugar de habitação de Deus. Ele nos criou, escolheu,
chamou e salvou com o propósito de ter uma
habitação pela eternidade. Essa semente da
edificação, como todas as outras sementes do livro de
Gênesis, desenvolve-se por toda a Bíblia. Se
quisermos compreender o significado dessa semente,
precisamos considerar a Bíblia toda.
Depois de Jacó, temos a casa de Israel. A casa de
Israel era, na verdade, a casa de Deus. Após a saída
do Egito, houve na casa de Israel a edificação do
tabernáculo, e, após o tabernáculo, houve a
edificação do templo. Assim, o Antigo Testamento é
um registro de oito grandes homens-de Adão a Jacó-
mais o tabernáculo e o templo. A edificação,
destruição e reedificação do templo nos conduz ao
final do Antigo Testamento. E, que observamos no
Novo Testamento? Novamente, temos duas coisas
principais: o tabernáculo, que era Jesus (Jo 1:14), e o
templo, que é a igreja (l Co 3:16). A consumação da
igreja como templo é a Nova Jerusalém. Uma
maneira significativa e simples de se memorizar a
Bíblia é lembrar os oito grandes homens, de Adão a
Jacó, o tabernáculo e o templo como tipos do Antigo
Testamento, e o tabernáculo e o templo como
realidade no Novo Testamento, resultando tudo
finalmente na Nova Jerusalém. Esses treze itens
compreendem a Bíblia inteira.
Qual é o tema da Bíblia? Alguns podem dizer que
talvez seja a queda do homem, a redenção de Deus, o
nosso arrependimento, o perdão de Deus, a nossa
regeneração e a nossa salvação. Todas essas coisas
obviamente se encontram na Bíblia. Outros podem
ressaltar que ela menciona coisas tais como serpentes,
escorpiões e rãs. A Bíblia, contendo mais de mil
capítulos, não é um livro simples. Mesmo um
capítulo pode conter muitos pontos. Mas qual é o
tema da Bíblia? Estudá-la é como estudar um ser
humano. Ainda que os estudantes de medicina
tenham estudado anatomia e fisiologia durante
séculos, eles não esgotaram o estudo do corpo
humano, que é apenas um terço do ser humano.
Sabem algo a respeito do corpo humano, mas nada
sabem sobre a alma e o espírito humanos. O homem
é muito complexo. Contudo, ainda assim, ele é um
homem, uma unidade completa. Não podemos
referir-nos a ele como sendo um coração, um rim, ou
um nariz. Ele tem um nariz, mas não é o nariz, e o
nariz não é o homem. Alguns dizem que o tema da
Bíblia é justificação. A justificação está incluída na
Bíblia, mas não é o tema, da mesma forma que o
nariz do homem não é o próprio homem. Se
quisermos saber qual é o tema da Bíblia, precisamos
ver que ela nos fala de oito homens, começando por
Adão na criação de Deus, e chegando a Jacó com a
casa de Deus, Betel. E seguindo-se a isso, temos o
tabernáculo e o templo no Antigo Testamento, e a
realidade deles no Novo Testamento, consumando-se
tudo na Nova Jerusalém. Apocalipse 21 diz que a
Nova Jerusalém é o tabernáculo de Deus, e que Deus
e o Cordeiro são o templo nela. Assim, a Nova
Jerusalém é o resultado final e máximo de Betel.

d. Sendo Transformado
À época do capítulo 35, Jacó deveria ter
aproximadamente cem anos. Mesmo tendo passado
por várias coisas, não lemos que ele tenha feito uma
limpeza geral antes desse capítulo. Sofreu muitas
coisas ao relacionar-se com seu irmão, com seu tio e
com seus primos, padecendo por vinte anos nas mãos
de seu tio Labão. Mas Gênesis nunca nos diz que ele
se tenha purificado ou que tenha feito uma limpeza
de si mesmo ao ser submetido a tais sofrimentos.
Antes, lemos trechos que falam de sua esperteza e de
seu suplantar. Mas como veremos, ao dizer-lhe Deus
que se levantasse e subisse a Betel, Jacó fez uma
limpeza geral. A primeira vez que Deus lhe apareceu
foi num sonho (28:10-22), onde ele viu o céu aberto e
uma escada estendida da terra ao céu com os anjos
subindo e descendo por ela. Quando acordou, foi
inspirado a chamar aquele lugar de Betel, e a pedra
que usara por travesseiro, erigiu-a como coluna, e
despejou óleo sobre ela. Depois disso, prometeu que,
se Deus o conduzisse em segurança de volta à casa de
seus pais, então a pedra que ele erigira por coluna
seria a casa de Deus (28:22). Nesse sonho, Deus lhe
fez uma graciosa visita, levando-o em espírito, sem
dúvida alguma, a falar sobre a Sua economia eterna.
Se não tivesse sido inspirado pelo Espírito de Deus,
como poderia Jacó, um suplantador, falar uma
palavra sequer que revelasse o propósito eterno de
Deus? Seria impossível. Deus desvendou-lhe o desejo
de Seu coração, que é ter Betel.
Aquele sonho em Betel, contudo, não mudou
Jacó plenamente. Parece que, depois que o sonho se
acabou, a inspiração voltou aos céus. A sua maneira
de viver não foi afetada. O mesmo ocorre conosco.
Em Betel, Jacó profetizou de maneira maravilhosa,
falando da casa de Deus, mas parece que a profecia
voltou aos céus. Assim como Jacó, muitos de nós
tivemos um sonho, uma revelação ou uma inspiração,
em que proferimos uma palavra de profecia, se não
para os homens, ao menos para os anjos. Mas no dia
seguinte, continuamos a viver da mesma maneira
que sempre vivemos. Após o sonho de Betel, Jacó
continuou o seu suplantar, principalmente no seu
relacionamento com Labão, como se jamais tivesse
tido o sonho. Em verdade, após o sonho, ele foi ainda
mais Jacó do que antes.
No capítulo 33, ele ainda era Jacó. O sonho
celestial e os sofrimentos não o haviam mudado. Mas
algo aconteceu no capítulo 34 que tocou o seu
coração. Sua única filha fora
violada, e seus filhos lhe causaram um grave
problema, matando pessoas e saqueando-lhes a
cidade. Tais fatos tocaram profundamente Jacó e o
levaram a efetuar uma virada radical. Depois disso,
Deus apareceu para falar com ele.

(1) O LEMBRETE DE DEUS-DE VOLTA A


BETEL
Deus não lhe fez nenhum sermão. Antes, porque
o seu coração fora tocado e como conseqüência ele
estava pronto a ouvir a palavra de Deus, Este
simplesmente lhe disse: “Levanta-te, sobe a Betel, e
habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu,
quando fugias da presença de Esaú, teu irmão” (35:1).
Vemos aqui que Deus lhe ordenou fazer quatro
coisas: levantar-se, subir a Betel, habitar lá, e ali
edificar um altar ao Deus que lhe havia aparecido. A
virada ou a mudança que Jacó efetuou no capítulo 35
foi muito significativa.

(2) A RESPOSTA DE JACÓ


Em 35:2-7 encontramos a resposta de Jacó à
palavra de Deus. Antes desse capítulo, não temos
registro de um homem que estivesse andando na
presença de Deus, purificando a si mesmo e a toda a
sua casa. O versículo 2 diz: “Então disse Jacó à sua
família, e a todos os que com ele estavam: Lançai fora
os deuses estranhos, que há no vosso meio, purificaí-
vos, e mudai as vossas vestes”. Para o simples
objetivo de subir a Betel, Jacó e todos os que estavam
com ele tiveram de fazer uma limpeza geral e
purificar-se. Nesse capítulo, Deus não disse: “Jacó,
você está indo para Betel, a fim de edificar lá um
altar; perceba que precisa ser santo. Eu sou santo e
você também precisa ser santo. Precisa livrar-se de
todos os seus deuses estranhos, purificar-se de toda
imundícia e mudar suas vestes”.
Recentemente, um cristão idoso, um homem que
fora pregador por mais de quarenta anos, perguntou-
me se ensinávamos os nossos a vestir-se de
determinada maneira. Observara o modo de os
irmãos e irmãs se vestirem, e perguntou se os
ensinávamos a fazê-lo assim. Respondi-lhe que, nos
últimos catorze anos, jamais determinamos qualquer
regulamento referente a roupas. Entretanto,
qualquer um que tenha sido tocado por Deus com
referência à Sua habitação, sentirá que algo
interiormente o está impulsionando a limpar-se e a
purificar-se. Você pode tolerar certas imundícias e
liberdades em sua vida, mas sempre que toca a igreja
e leva a sério o fato de o Senhor ter a vida da igreja,
algo interiormente o constrange com relação àquelas
coisas que não combinam com a vida da igreja.
Imediatamente após Deus ordenar-lhe que se
levantasse e subisse a Betel, Jacó exortou seu povo a
livrar-se dos deuses estranhos, a purificar-se e mudar
as próprias vestes. Mais tarde, notaremos que a
mudança das vestes significa a mudança do nosso
modo de viver, isto é, despir a velha maneira de vida
e revestir-se do novo homem. Ainda que Deus não
lhe ordenasse que agisse assim, algo no íntimo de
Jacó exigiu-lhe isso. Se ele fosse incumbido de ir a
um lugar mundano, não sentiria necessidade de
purificar-se. Pelo contrário, estaria pronto a sujar-se
ainda mais. Mas ele teve tal mudança radical porque
fora tocado por Betel, pelo eterno lugar de habitação
de Deus.

(a) Fez uma Limpeza Completa

1) Lançaram Fora seus Deuses Estranhos-os


Ídolos
Primeiramente, Jacó disse à sua casa e a todos os
que estavam com ele que lançassem fora os deuses
estranhos existentes entre eles (35:2). Quando Jacó e
sua casa fugiam de Labão, Raquel levou consigo os
ídolos do lar (31:34-35). Antes do capítulo 35, Jacó
jamais ordenara a Raquel que os lançasse fora. Mas
depois de Deus dizer-lhe que subisse a
Betel, todos precisavam abandonar seus deuses
estranhos, seus ídolos. Isso é um tipo, uma sombra,
que é desenvolvido em toda a Bíblia. De acordo tanto
com o Antigo Testamento quanto com o Novo, a
primeira coisa que precisamos eliminar para o bem
da habitação de Deus, são os ídolos.
Muitos podem declarar que nunca tiveram nada
a ver com ídolos. Materialmente falando, pode ser
verdade a sua afirmativa de não ter ídolos. Mas
precisamos saber espiritualmente falando, o que
representa um ídolo. Um fdolo é qualquer coisa que
substitui Deus. Sua educação, ambição, posição,
nome, desejo e intenção podem substituir Deus em
sua vida, tornando-se, assim, ídolos. Se olhar a
questão sob esse prisma, então terá de admitir que
você tem tido muitos deuses estranhos. Se um
parente seu ou amigo substitui Deus em sua vida,
então tal lhe será um ídolo. Nossos pais, cônjuges e
filhos podem todos tornar-se nossos ídolos.
Você sabe por que as pessoas adoram ídolos?
Sem dúvida, elas o fazem por causa da sedução de
Satanás. Mas existe também uma razão no lado
humano para isso. Elas adoram ídolos para conseguir
vida longa e felicidade. Satanás as engana, dizendo-
lhes que, se não adorarem ídolos, não terão vida
longa e felicidade; mas se os adorarem, então terão
vida longa e felicidade. A felicidade inclui muitas
coisas: dinheiro, posição, ambição, fama, um nome.
Muitos adoram ídolos movidos pelo desejo de terem
saúde. Por que você tem algo que substitui Deus?
Simplesmente porque tal coisa pode fazê-lo feliz.
Diferente de Raquel, Jacó não tinha ídolos literais,
mas em seu suplantar ele os tinha. Na verdade, o seu
próprio suplantar era um ídolo. Por que ele
suplantava os outros? Por causa do seu desejo de
felicidade e gozo. O homem, na atualidade, perdeu
Deus e, seguindo deuses estranhos, procura sua
alegria nos ídolos. Mas Deus é a nossa vida longa e a
nossa felicidade. Quando Deus lhe falou acerca de
Betel, Jacó recebeu a revelação sobre o seu viver, e
percebeu que sua vida na terra não se destinava à sua
própria felicidade. Sua vida destinava-se a Betel, a
casa de Deus. Assim, Betel tomou-se o seu alvo, o
destino de sua vida humana na terra. Antes o seu
objetivo era a sua própria felicidade. Agora seu alvo e
destino tinham sido substituídos. Seu alvo já não era
mais algo para si mesmo, mas algo totalmente para
Deus. Em Siquém, ele tinha tudo. Mas face ao
problema causado por seus filhos perdera sua paz e
segurança. Em tal situação, Deus parecia dizer-lhe:
“Jacó, suba à Minha casa. Aqui em Siquém você não
tem paz nem segurança. Essas duas coisas estão em
Betel. Você precisa subir até lá”. Assim, Betel tomou-
se o seu alvo e destino. Ele percebeu que o objetivo
da casa de Deus era santo, não era algo comum.
Ninguém poderia entrar na casa de Deus com ídolos,
poluição, e roupas velhas e imundas. Por isso,
exortou sua casa e todos os que com ele estavam a
lançarem fora todos os deuses estranhos.

2) Purificaram-se
Jacó também exortou todos a se purificarem
(35:2). Precisamos não apenas jogar fora os deuses
estranhos, mas também purificar todo o nosso ser.
Em outras palavras, todo o nosso ser, nossa maneira
de viver e nossa expressão precisam ser mudados.
Isso não é apenas regeneração ou uma pequena
mudança de vida. Pelo contrário, é uma
transformação total. Aqui, em Gênesis 35, Jacó foi
transformado.
Na Bíblia, a nossa purificação significa a limpeza
de toda poluição. Todo o nosso ser precisa ser
purificado de qualquer coisa que seja poluição aos
olhos de Deus. Em 2 Coríntios 7:1, Paulo diz: “Tendo,
pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de
toda impureza, tanto da carne, como do espírito,
aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.
A concepção de Paulo em 2 Coríntios 6 e 7 era a
mesma de Jacó em Gênesis 35. Porque os coríntios
eram o templo de Deus, Paulo disse-lhes que se
purificassem. Não pode haver ~cordo entre o templo
de Deus e os ídolos (2 Co 6:16). Idolos são ídolos, e o
templo de Deus é o templo de Deus. Que lado você
escolhe? Se o dos ídolos, então vá para os ídolos; se o
do templo de Deus, então venha para o templo sem
nenhum ídolo.
Quando você entrou para a igreja, ninguém lhe
disse nada, mas algo em seu íntimo o convenceu
profundamente de que certas coisas tinham de sair
para o benefício da vida adequada da igreja. Todos
tivemos tal limpeza ao virmos para a igreja. Naquela
hora, jogamos fora muitos, ou talvez todos os deuses
estranhos, renunciando às coisas, aos assuntos e até
mesmo às pessoas em que confiávamos para obter a
felicidade, dizendo: “Não quero mais guardar essas
coisas. Todos os ídolos estranhos precisam sair”. Na
vida da igreja, nenhum centímetro de chão pode ser
cedido aos deuses estranhos. Além do mais, ao
entrarmos na vida da igreja, fomos purificados. Nós,
pelo menos, aspirávamos a ser puros ao dizermos:
“Pelo bem da vida da igreja, eu quero ser puro em
todo o meu ser, em toda a minha mente, emoção e
vontade”. Tivemos o mesmo desejo que Jacó teve. No
dia em que o seu povo subiu a Betel, todos se
purificaram, e, entre eles, não mais havia deuses
estranhos.
Muitos de nós, inclusive eu, percebemos que não
somos muito bons. Talvez ainda hoje você tenha dito:
“Oh! eu não sou muito bom. Meus pensamentos não
são muito puros”. Compare, entretanto, sua atual
maneira de viver com o seu passado. Mesmo não se
orgulhando de si mesmo, você precisará dizer:
“Senhor, obrigado. Não estou muito satisfeito comigo,
mas quando comparo o presente com o passado,
tenho de agradecer-Te e louvar-Te por ser eu bem
diferente do que era”. Ainda que não estivesse
maduro no capítulo 35, Jacó, sem dúvida, havia
mudado do que era anteriormente. Na próxima
mensagem, veremos como, na verdade, ele estava
radicalmente transformado. Deus mudou-lhe
novamente o nome, de Jacó para Israel. Disse-lhe
que não mais deveria chamar-se Jacó, mas Israel.
Conheço muitos de vocês há doze anos ou mais.
Sei que muitos de vocês hoje estão descontentes
consigo. Quando alguém lhes pergunta como estão,
de acordo com o costume vocês dizem: “Tudo bem”.
Contudo, de acordo com o seu sentimento interior,
não estão tão bem assim. Talvez tenham acabado de
arrepender-se, chorando diante do Senhor, mas se
alguém lhes pergunta como estão, vocês dizem que
estão bem. Embora possam dizer “tudo bem” a um
irmão, vocês jamais dirão isso ao Senhor. Não
deveríamos ser orgulhosos nem desapontados.
Comparem-se com o que vocês eram há doze anos.
Não houve uma grande mudança? Quem nos
mudou? Temos de admitir que não mudamos a nós
mesmos; fomos mudados por permanecermos em
Betel, na vida da igreja. Se você deliberadamente se
afastar da vida da igreja por algumas semanas, sua
feiúra anterior voltará, seu rabo de raposa se tornará
visível, sua língua de serpente será reativada e todos
os seus “bichos” entrarão em atividade. Mas se você
continuar vindo às reuniões da igreja, contatando a
vida mais e mais vezes, o rabo de raposa será
removido, a língua de serpente será cortada e os
“bichos” serão destruídos. Tão logo você venha para a
igreja, todos os “bichos” serão exterminados.
A vida da igreja é a mais eficaz purificação.
Experimentei recentemente uma grande purificação
na reunião de oração. Enquanto estava sentado na
reunião, unindo-me às orações, fui lavado e
purificado. Não diria que fui purificado pelas orações,
mas pela igreja. A igreja é uma grande banheira,
onde todos somos lavados e purificados. Se ela não
tiver essa função, temo que não permaneça por muito
tempo como igreja. Uma vez que ela seja igreja,
funcionará dessa maneira. Freqüentemente, quando
chega a hora de irmos à reunião da igreja, algo
interior começa a purificar-nos, dizendo-nos para
nos limparmos. Em nossa caminhada para a reunião,
freqüentemente oramos: “Senhor, estou indo para a
reunião. Perdoa-me por isto, limpa-me e livra-me
daquilo”. Essa é a purificação para se subir a Betel.
Vamos todos purificar-nos, pois precisamos levantar-
nos, subir a Betel e encontrar o nosso Deus. Não
podemos encontrá-Lo de maneira velha e poluída.
Precisamos ser purificados. Essa purificação não é
esforço nosso, mas trabalho da mão divina sobre nós.
Quando cuidarmos de Sua Betel, Sua mão nos
purificará.

3) Mudaram Suas Vestes


Além de lançarem fora os deuses estranhos e de
se purificarem, eles mudaram as suas vestes (35:2).
De acordo com a Bíblia, mudar as vestes significa
mudar a própria maneira de viver. Efésios 4:22-24
revela-nos que a velha maneira de viver era a vida da
humanidade caída, e que a nova maneira de viver é a
da igreja. A igreja é a nova criação, regenerada; e a
humanidade é a velha criação, caída. Quando não
éramos salvos, vivíamos à maneira da velha criação
caída. Agora, após sermos salvos, regenerados e
introduzidos na vida da igreja, precisamos ter uma
nova maneira de viver. Precisamos despir-nos do
velho homem e revestir-nos do novo. Despir-se do
velho homem é abandonar as velhas vestes, a velha
maneira de vida, e revestir-se do novo homem é
revestir-se da nova maneira de vida, a igreja.
Após lançarmos fora os deuses estranhos e nos
purificarmos, precisamos mudar nossas vestes, nossa
maneira de viver. Não deveremos mais expressar a
nós mesmos de uma forma velha, mas devemos
expressar-nos como a igreja, como o novo homem, na
nova maneira de vida. Éramos a velha criação, caída,
mas agora somos a nova criação, regenerada. Muitos
de nossos parentes, amigos, colegas e vizinhos
podem testificar que, após entrarmos na vida da
igreja, nossa maneira de viver foi drasticamente
mudada. A igreja mudou e continua a mudar a nossa
maneira de viver. Isso tem por alvo Betel.

4) Enterraram Seus Brincos


O versículo 4 diz: “Então deram a Jacó todos os
deuses estrangeiros que tinham em mãos, e as
argolas que lhes pendiam das orelhas; e Jacó os
escondeu debaixo do carvalho que está junto a
Siquém”. (hebr.). Não só os ídolos foram enterrados,
mas também os brincos (as argolas). Os brincos se
destinam ao embelezamento próprio e foram
tratados da mesma forma que os ídolos. Os
ornamentos, brincos das pessoas, são equivalentes
aos ídolos aos olhos de Deus. Quando lançaram fora
os deuses estranhos, os da casa de Jacó também
jogaram fora seus brincos. Isso indica que, para a
consciência deles, seus brincos eram tão abomináveis
quanto seus deuses estranhos. Depois de tocarem a
igreja, muitas irmãs têm tido a mesma convicção e
têm-se despido desse tipo de ornamento abominável.
Isso não é algo relacionado com a moralidade, mas à
casa de Deus.
Deus não exortou Jacó a fazer tal limpeza.
Tampouco lhe disse: “Jacó, você precisa dizer à sua
casa e a todos os que o acompanham que façam uma
limpeza e que se purifiquem”. Por que, então, Jacó os
exortou a assim proceder? Porque a casa de Deus não
é uma questão individual. Não é apenas Jacó. A casa
de Deus precisa ser a casa de Jacó tornando-se a casa
de Israel. A Betel verdadeira não era o tabernáculo;
eram os filhos de Israel. De semelhante modo,
precisamos ver que hoje somos a igreja. Precisamos
ser purificados não somente por estarmos
caminhando para Betel, mas porque vamos ser Betel.
Precisamos lançar fora todos os deuses estranhos e
ornamentos abomináveis, purificando-nos e
mudando nossas vestes. Lançar fora os deuses
estranhos também significa lançar fora todas as
confianças estranhas. Precisamos ser lavados em
todo o nosso ser-interiormente e exteriormente-de
toda poluição, e precisamos mudar nossa maneira de
vida. Tudo isso tem por finalidade a vida da igreja.

5) Amedrontaram Seus Inimigos


O versículo 5 diz: “E, tendo eles partido, o terror
de Deus invadiu as cidades que lhes eram
circunvizinhas, e não perseguiram aos filhos de Jacó”.
É muito encorajador ver que os seus inimigos
estavam aterrorizados. Pelo problema causado por
seus filhos, Jacó estava temeroso de que o povo da
cidade lutasse contra ele e o matasse. Mas depois que
Jacó e todos os seus acompanhantes lançaram fora os
ídolos, purificaram a si mesmos e mudaram suas
vestes, o terror de Deus caiu sobre os povos das
cidades. A sua limpeza e purificação aterrorizaram o
inimigo. Isso indica que se, pelo bem da vida da
igreja, lançarmos fora todos os deuses estranhos e
ornamentos abomináveis, se nos purificarmos e
mudarmos nossas vestes, os demônios e os pecados
constantes serão aterrorizados. Não haverá
necessidade de lutar para vencer; o inimigo ficará
aterrorizado e a vitória será nossa. Você alguma vezjá
aterrorizou os pecados? Alguma vez aterrorizou
ajogatina, a bebida ou o cigarro? Talvez ache difícil
vencer tais coisas. Se for assim, isso significa que
você não lançou fora os deuses estranhos, não se
purificou e não mudou as próprias vestes. Se fizer
tudo isso, todos os “bichos”, “escorpiões” e “doninhas”
ficarão aterrorizados e fugirão e se esconderão.
Tenho lido alguns livros referentes à vitória sobre o
pecado e sobre o mundo. Há quarenta ou cinqüenta
anos, eu pratiquei o que li em tais livros. Contudo,
por mais que assim agisse mais derrotado eu ficava
porque não estava na igreja. Estar na igreja, lançando
fora as confianças estranhas, purificando-nos e
mudando nossas vestes, aterroriza o pecado e o
mundo, e nos dá a vitória. Você está perturbado pela
pequena “doninha” do seu temperamento? Ela será
aterrorizada. Gênesis 35:5 diz que o povo das cidades
não ousou perseguir Jacó. Deus lhe deu uma jornada
auspiciosa até Betel. Quando estamos na igreja, todas
as “doninhas” ficam aterrorizadas.

(b) Subiram a Betel


Depois de fazer uma limpeza geral, Jacó e todo o
seu povo se levantaram e subiram a Betel (35:3, 6).
Em Betel, ele edificou um altar a Deus, e “ao lugar
chamou El-Betel” (v. 7), percebendo que Deus, para
ele, era Deus em Betel. Precisamos responder ao
chamamento ou lembrete de Deus e subir à igreja,
onde podemos edificar o altar de nossa verdadeira
consagração e experienciar Deus de maneira prática.
Depois de virmos para a igreja, todos percebemos a
necessidade de uma real consagração. Por meio de tal
consagração, experienciamos Deus sendo para nós
Deus em Sua casa-a igreja.

(3) A LIMPEZA DE DEUS


O versículo 8 diz: “Morreu Débora, a ama de
Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel, debaixo do
carvalho que se chama Alom-Bacute”. Por muito
tempo, não pude entender por que, neste contexto,
Débora, a ama de Rebeca, morreu. Não existem
palavras desperdiçadas na Bíblia. Débora era uma
ama da mãe de Jacó, Rebeca. Esta deve ter morrido
antes do regresso de Jacó. Assim, Débora deve ter
sido muito amada por ele, como um consolo no lugar
de sua mãe. Na hora em que Jacó teve a experiência
de Betel, Débora, seu consolo, foi levada por Deus.
Como muitos de nós podemos testificar, quando
lançamos fora nossos deuses estranhos, purificando-
nos, mudando nossas vestes e entramos para a vida
da igreja, Deus interveio para levar nossas “Déboras”,
nossas amas-secas. Muitos de nós tivemos uma
“Débora”, algo ou alguém amável, simpático e
consolador. Mas no dia em que viemos para a vida da
igreja, Deus espontaneamente retirou nossa ama, e
nossa “Débora” morreu. A vida da igreja é uma vida
que não precisa de governantas. Nenhuma das
pessoas da igreja precisa de uma ama-seca. Mas,
desculpem-me dizer, alguns de nós ainda gostamos
de ter algumas amas que se condoam de nós, que nos
consolem e nos acalentem, como uma mãe cuida de
uma criança. Qualquer palavra proferida
positivamente em relação às amas-secas endereça-se
aos bebês. Após estar na igreja por tanto tempo, você
ainda precisa de alguém que cuide assim de você?
Todavia, mesmo os mais idosos ainda desejam uma
“Débora” que os acalente e cuide deles. Entretanto, se
levarmos Deus a sério com relação a Betel, Ele
retirará nossas amas-secas.
Nesses versículos, percebemos que três coisas
foram enterradas: os ídolos, os brincos e a ama.
Todos foram sepultados sob um carvalho. O carvalho
é um símbolo de vida florescente. Assim, todos os
deuses estranhos, todas as coisas destinadas ao
próprio embelezamento e mais as amas-secas são
sepultados sob a vida florescente, especialmente a
vida na igreja. Isso não é uma doutrina, mas é algo
que corresponde à nossa experiência. A vida na igreja
floresce como um carvalho, mas, debaixo dele, estão
as “Déboras”. Jogamos fora os ídolos e removemos os
brincos, mas Deus conduz à morte as “Déboras”. Essa
é uma purificação real, tanto do nosso lado quanto do
lado de Deus. Nós lançamos fora, e Deus leva embora.
Lançamos fora os deuses estranhos, os brincos, a
poluição, as vestes; e Deus leva embora as amas. Na
vida da igreja não precisamos de solidariedade ou de
cuidados. Todas as nossas “Déboras” precisam ser
enterradas.
O carvalho sob o qual se enterrou Débora
situava-se “ao pé de Betel” (35:8). Isso significa que a
nossa experiência de remover e de sepultar nossa s
“Déboras” não se localiza em um plano elevado; pelo
contrário, está abaixo do nível da igreja. A igreja,
como casa de Deus, está no plano mais elevado, e
nela precisamos ter algumas experiências que se
situem também no plano mais elevado, tais como a
experiência de Cristo como nossa vida e como nossa
pessoa. Experimentar o sepultamento de nossas
“Déboras” é ainda muito baixo; está abaixo de Betel.
Assim, ao carvalho se chamou Alom-Bacute-o
carvalho do choro. Isso não é algo digno do nosso
regozijo.
MENSAGEM SETENTA E NOVE

SENDO TRANSFORMADO (2)


Gênesis contém as sementes de quase todas as
verdades da Bíblia. Se observarmos sempre esse
princípio na análise de certos pontos nele registrados,
reconheceremos que eles são desenvolvidos nos
livros seguintes. Em outras palavras, para
compreendermos qualquer ponto de Gênesis,
precisamos seguir o seu desenvolvimento até algum
outro lugar das Escrituras. Sem os outros livros,
simplesmente não conseguimos compreender
Gênesis, Ele não é um mero livro de histórias. Se
queremos obter a vida, o suprimento, a revelação e a
visão de todos os pontos nele encontrados,
precisamos então seguir o seu desenvolvimento em
todos os livros subseqüentes da Bíblia.
A verdade referente à casa de Deus foi semeada
no capítulo 28. Se você ler a Bíblia cuidadosamente,
perceberá que a casa de Deus foi mencionada pela
primeira vez nesse capítulo. Fala-se da casa de Deus,
Betel, em uma visão dada a Jacó de maneira
extraordinária. Primeiramente ele teve um sonho,
que depois foi interpretado sob a inspiração divina.
Nesse sonho, ele viu o céu aberto e uma escada posta
na terra, ligando-a aos céus. Pela escada, os anjos de
Deus subiam e desciam. Como em qualquer sonho,
primeiramente temos os fatos desse sonho, e depois a
interpretação correta. Jacó não tinha um Daniel para
interpretar-lhe o sonho; pelo contrário, esse
suplantador tornou-se o seu próprio Daniel. Sem
dúvida fez um excelente trabalho de interpretação,
dizendo: “Quão temível é este lugar! É a casa de Deus,
a porta dos céus” (28:17). Ele disse que esse lugar,
Betel, era temível. Se você quer ir até ao céu, deve
passar por esse lugar temível, pois a casa de Deus é a
porta do céu.
Depois de seu sonho, fez também um voto: “Se
Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que
empreendo, e me der pão para comer e roupa que me
vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de
meu pai, então o Senhor será o meu Deus” (28:20-21).
Em vez de falar a Deus em íntima oração, ele fez um
voto. Como parte de seu voto, disse que a pedra
erigida em coluna seria a casa de Deus (28:22). Em
seu voto, vemos uma interpretação posterior do seu
sonho. Ao acordar, Jacó disse que aquele lugar era a
casa de Deus. Prometeu, então, que a pedra usada
como travesseiro seria erigida em casa de Deus.
Percebemos nesse trecho que a casa de Deus será
edificada com a pedra em que Jacó depositava sua
confiança. Tal pedra usada como travesseiro é uma
sombra, uma prefiguração, um tipo de Cristo.
Somente Ele é a rocha real, capaz de ser o travesseiro
sobre o qual podemos reclinar nossa cabeça cansada.
O próprio Cristo em que descansamos tornar-se-á a
casa de Deus. Esse é o material para a edificação da
casa de Deus. Em Gênesis 28 temos a primeira
menção da pedra para a edificação de Deus. No
capítulo 2, é claro, a pedra de ônix é mencionada,
mas não de maneira clara. A pedra na qual está a
nossa confiança tornar-se-á a casa de Deus. Isso
significa que o Cristo que experimentamos como
nosso descanso e confiança se tomará o material de
edificação para a casa de Deus.
No capítulo 35, a visão de Betel aparece
novamente. Desta vez, entretanto, não apenas como
um sonho, mas como uma realidade. Não
simplesmente uma visão, mas um fato e uma
experiência. A diferença entre os capítulos 28 e 35 é
que o capítulo 28 era apenas um sonho. Betel, a porta
do céu, a escada, os anjos-tudo era visto num sonho.
Podemos, no máximo, dizer que esse sonho era uma
visão. Ainda não havia o fato, a realidade. O
cumprimento do sonho só ocorre realmente no
capítulo 35.

(4) EM BETEL
Nesta mensagem, precisamos considerar a
experiência de Jacó em Betel (35:6-7, 9-15). Em
Gênesis 35, ele foi submetido a uma grande mudança.
Como vimos na última mensagem, ele correspondeu
à exortação de Deus, levantando-se e subindo a Betel
após uma limpeza completa. Essa limpeza completa
não foi realizada apenas por ele, mas por todos os
que com ele estavam. Ele não estava preocupado
apenas consigo, mas com todos os seus
acompanhantes. Essa é uma prova categórica de que
ele tivera uma mudança radical e completa. Sem
dúvida, fora transformado.

(a) Jacó Edificou um Altar a Deus


Jacó subiu a Betel, “ele e todo o povo que com
ele estava. E edificou ali um altar, e ao lugar chamou
El-Betel” (35:6b-7a). A primeira coisa que fez em
Betel foi edificar um altar. Embora houvesse
edificado um altar em Siquém, não o chamou de “El-
Siquérn”. Ele não podia usar o título de Deus para o
altar edificado em Siquém. Isso significa que o altar
de Siquém não tocara o coração de Deus; não era o
altar que Ele desejava. De semelhante modo,
podemos erigir altares em vários lugares, sem
edificar o altar que Deus quer. Você pode edificar um
altar em Las Vegas, mas não pode chamá-lo de altar
de Deus em Las Vegas. Mas, ao responder à palavra
de Deus, levantando-se e subindo a Betel, habitando
lá e erigindo-Lhe um altar, Jacó edificou-o de acordo
com o desejo de Deus, não de acordo com a própria
intenção. Deus não lhe pediu que edificasse um altar
em Siquém, porque lá não era a Sua escolha. O Seu
desejo era conduzi-lo de volta a Betel. Assim, o altar
edificado em Siquém não estava de acordo nem com
o desejo de Deus nem com a Sua palavra. Mas porque
o altar de Betel fora edificado na palavra de Deus,
Jacó teve a ousadia de chamá-lo “El-Betel”.
Você pode fazer várias coisas para Deus, tais
como pregar o evangelho e prestar-Lhe outros
serviços. Pode, inclusive, estabelecer uma reunião e
chamá-la de igreja. Você não terá, todavia, a
confiança ou a ousadia de dizer que isso é algo de
Deus. Isso é verdade até nas pequenas coisas. Você
pode amar um irmão, por exemplo, mas não tem a
ousadia de chamar tal sentimento de amor de Deus.
Embora ame tal irmão, você não o ama na palavra de
Deus. Pelo contrário, ama-o de acordo com a sua
própria escolha e com o seu próprio gosto pessoal.
Porque ele provém de você, você não pode dizer que é
“EI-amor”, o amor de Deus. Não pode chamá-lo de
amor de Deus, até que ame as pessoas de acordo com
a palavra de Deus, e não de conformidade com o seu
próprio gosto. Quando Deus lhe disser que ame
determinado irmão, você deverá amá-lo segundo a
Sua palavra. Se amar assim ao irmão, o seu amor
então será o amor de Deus.
Muitos missionários saíram ao campo das
missões, sem ter a certeza de que as suas missões
eram realmente “EI-missão”. Vários me disseram que,
enquanto trabalhavam, não tinham paz. Não tinham
a confiança, a certeza ou a ousadia de afirmar que o
seu trabalho missionário era obra de Deus. Estavam
em dúvida a esse respeito, e não podiam ligar à obra
o nome de Deus.
Muitos cristãos hoje formam grupos. Os maiores
tornam-se as denominações, e os menores
permanecem grupos livres. Os fundadores, todavia,
não têm a confiança para chamá-los de igreja.
Quando nós, entretanto, na restauração do Senhor,
dizemos que somos a igreja, eles se ofendem. Bem
em seu íntimo, falta-lhes a segurança para dizer que
são a igreja. Um homem é um homem e uma mulher
é uma mulher. Você não pode chamar um homem de
mulher. Há cinqüenta anos, comecei a dizer: “Isto é a
igreja”. Quanto mais eu dizia, mais confiante me
tornava, porque isto realmente é a igreja. Se não for a
igreja, que será então? Sou um homem. Quanto mais
digo que sou um homem, mais certeza tenho de que o
sou. Se você não me chamar de homem, então do que
me chamará? Você poderá fazer muitas coisas
diferentes-iniciar um trabalho missionário,
estabelecer uma reunião, formar um estudo bíblico -
mas tudo isso poderá ser apenas um bom trabalho
realizado em Siquém, não em Betel. Por isso você não
pode chamar a tal trabalho de “El-Betel”. Ao edificar
o altar em Betel, entretanto, Jacó teve a ousadia de
chamá-lo “El-Betel”.
Um altar significa consagração. Ele é edificado
com a finalidade de oferecer coisas a Deus. Antes de
entrar para a vida da igreja, consagrei-me
inteiramente ao Senhor. Depois de entrar para a
igreja, entretanto, renovei a minha consagração. Tal
consagração renovada diferiu totalmente daquela que
fizera anteriormente. Muitos de nós podem testificar
tal fato. Você pode ter-se oferecido ao Senhor várias
vezes antes de entrar para a igreja, mas depois disso,
você teve a profunda convicção de que precisava
oferecer-se novamente, e que havia uma grande
diferença entre essa consagração e qualquer outra
anterior. Sua consagração passada, no máximo
estava no altar de Siquém; não estava no altar de
Betel. A consagração feita antes de entrar na igreja é
uma coisa, e a consagração feita na igreja é outra.

(b) Deus Apareceu a Jacó


Depois de edificado o altar, Deus apareceu
novamente a Jacó (35:9). A experiência de Jacó foi
um pouco diferente da de Abraão. Quando Deus
apareceu a este pela primeira vez não havia altar.
Mas Deus apareceu a Jacó, não apenas em Betel, mas
diante do altar. Antes de entrarmos para a vida da
igreja, tivemos alguma experiência com a aparição de
Deus. Não estávamos, entretanto, em Betel, diante do
altar. Estar ao lado do altar em Betel faz uma grande
diferença. Agora, após entrarmos para a igreja e
edificarmos um altar, Deus aparece novamente.
Muitos de nós podemos testificar que, após
entrarmos para a vida da igreja e nos consagrarmos
novamente ao Senhor, tivemos a profunda convicção
de que o Senhor nos apareceu. Tivemos a Sua
aparição em nossa experiência pessoal. Não foi uma
mera doutrina. Tão logo edificamos um altar em
Betel, tivemos a aparição de Deus. Isso não deveria
acontecer esporadicamente, mas deveria ser uma
experiência contínua. Diariamente, e até mesmo cada
hora, deveríamos experimentar a aparição do Senhor.
Em outras palavras, deveríamos andar
continuamente na Sua presença.

(c) Deus Abençoou Jacó


Ao aparecer a Jacó em Betel, Deus o abençoou
(35:9).
Quantas bênçãos recebemos desde que
chegamos a Betel e edificamos um altar! Quando
jovem, eu gostava do hino que diz: “Conte as suas
bênçãos; nomeie-as uma por uma”. Eu o encorajo a
contar as suas bênçãos, fazendo uma lista de todas as
que você tem experimentado na vi'Cia da igreja.
Como são profundas as bênçãos na igreja! Fora da
igreja, ninguém pode ter as bênçãos encontradas em
Betel.

(d) Deus Lembrou Jacó do Seu Novo Nome


Na aparição que fez a Jacó em Betel, Deus
também o lembrou do seu novo nome, dizendo: “O
teu nome é Jacó. Já não te chamarás Jacó, porém
Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel” (35:10).
Deus parecia dizer-lhe: “Jacó, não mudei o seu
nome? Por que você ainda chama a si mesmo de
Jacó? Eu agora o lembro de que seu nome não é mais
Jacó, e que você deve chamar a si mesmo de Israel.
Não se chame mais de Jacó, porque isso significa que
você vive, anda, comporta-se e tem o seu ser à
maneira de Jacó. Você deve viver, andar e ter o seu
ser como Israel. Você não sabe que lutou Comigo e
Me venceu? Deve mostrar ao universo que é um v.
encedor. Você não é apenas um príncipe de Deus,
mas um lutador de Deus. E deve viver dessa maneira”.
Essa lembrança tinha uma razão de ser: o problema
causado pelos filhos de Jacó e o seu conseqüente
temor e perda de ousadia. Embora tivesse sido
ousado ao lutar com Deus, foi tímido ao enfrentar o
povo da cidade. Na verdade, ele os temia. Mas ao
Iernbrá-lo do seu novo nome, Israel, Deus parecia
dizer: “Você não tem necessidade de temê-los. Se tem
medo, isso significa que você esqueceu o nome que
lhe dei. Dei-lhe o nome de 'lutador de Deus'. Se você
pode lutar com Deus, então certamente pode lutar
com qualquer um. Se pode vencer-Me, a quem então
não haverá de vencer? Jacó, você não precisa temer
ninguém. Dei-lhe o nome de Israel. Não fiquei
ofendido por você lutar Comigo; pelo contrário,
gostei disso. Por isso dei-lhe o nome de 'lutador de
Deus'. De agora em diante, você não deve mais ser
um suplantador, mas um lutador de Deus. Aonde
quer que for deverá proclamar: 'Sou o lutador de
Deus! Chegou o lutador de Deus! ' Jacó, comporte-se
como um lutador de Deus. Por que você tem de ser
tão tímido? Depois que obedeceu à Minha palavra
para subir até Betel, todo o povo das cidades o temeu.
Não precisa ter medo deles. Por que você deveria ser
ainda Jacó? Esqueça-se de ser Jacó e chame a si
mesmo de Israel”.
O nome Jacó significa “suplantador”, “segurador
de calcanhar”. Qual deles você prefere-um
suplantador ou um lutador de Deus? O nosso nome
original era Jacó, mas agora o nosso nome é Israel.
Você crê nisso? Se assim for, então por que ainda tem
medo do próprio temperamento? Por que não se
levanta e diz: “Temperamento, você precisa saber que
sou um lutador de Deus. Sou Israel”. Seja lá o que for
que você tema, isso se tomará a sua porção. Se você
teme perder a calma, fique certo de que a perderá.
Mas se disser ao seu temperamento que é Israel, o
lutador de Deus, o “bichinho” do seu temperamento
desaparecerá. Alguns poderão dizer: “Não sinto que
sou Israel”. Ninguém lhe pediu que sentisse. Deus
não disse: “Jacó, você não sente que é Israel? “ Se
Deus houvesse agido assim, Jacó certamente teria
replicado: “Não, jamais me senti como Israel. De
acordo com a minha percepção, ainda sou Jacó”.
Atente à palavra de Deus. Que é mais digno de
confiança: a sua percepção ou a palavra de Deus?
Esqueça-se dos seus sentimentos, considerações,
compreensão e visão natural, e ouça a palavra de
Deus e o Seu lembrete. Ele já disse que o nosso nome
seria Israel. Por que, então, você ainda é Jacó?
Doravante, todos precisamos ser Israéis. Aqui, em
Betel, Jacó começou a chamar-se Israel. Você se diria
um Israel? Você tem a audácia de proclamá-lo ou
ainda se diz muito fraco? Estamos em Betel e somos
Israéis. Tanto Betel quanto Israel terminam com as
letras “el”, indicando que ambos os nomes implicam
o nome de Deus. Não olhe para si mesmo; ouça o
lembrete de Deus. Isso deveria encorajar-nos e
preparar-nos para a promessa de Deus.

(e) Deus Prometeu a Jacó

1) Ser Fecundo e Multiplicar-se


No versículo 11, Deus disse a Jacó: “Eu sou o
Deus Todo-poderoso (Todo-suficiente-lit.) ; sê
fecundo, e multiplica-te”. Esse é o primeiro item da
promessa de Deus. Em Betel, Deus prometeu que ele
seria fecundo e multiplicar-se-ia. Todos nós, na vida
da igreja, incluindo o menor e o mais jovem,
precisamos crer nessa promessa e proclamar o seu
cumprimento, dizendo: “Senhor, não concordo em
ser um cristão solitário. Apóio-me na Tua promessa
de ser fecundo e multiplicar-me”. Se você fizer isso,
após algum tempo haverá trinta por um, depois
sessenta por um, e por fim cem por um. Quando
jovem orei muitas vezes dessa maneira, e o Senhor
realmente respondeu às minhas orações. Todos
precisamos orar para sermos multiplicados. O
Senhor responderá à nossa oração e honrará Sua
promessa. O caminho da restauração do Senhor é
estreito, e jamais se tomará um movimento de massa.
Nenhum movimento de massa pode ser a restauração
do Senhor porque esta é uma questão de vida
multiplicadora. Veja as plantas: elas têm vida e se
multiplicam. Vivemos com uma vida divina, e esta é
uma vida multiplicadora. Temos a confiança de que
nos multiplicaremos. Orem por isso e permaneçam
na Sua promessa, guardando a Sua palavra. Alguns
podem dizer que isso foi apenas uma promessa feita
a Jacó, e que nenhuma das promessas do Antigo
Testamento se destina a nós hoje. Falando
literalmente, isso é verdade. Mas todas as promessas
feitas a Israel são tipos. Por estarmos hoje na
realidade, as promessas em tipologia também se
destinam a nós. Apóie-se na palavra do Senhor e
diga: “Senhor, o que prometeste a Jacó era uma
sombra, mas isso tem de ser uma realidade para
mim”.

2) Ser uma Nação com Reis


Deus também fez uma promessa a Jacó, dizendo:
“Uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis
procederão de ti” (35:11). Em primeiro lugar,
notamos uma “multidão de nações”, indicando
multiplicação; depois, temos reis, indicando o reino.
Posteriormente a Jacó, houve a nação dos seus
descendentes; e, depois, houve o reino dos seus
descendentes sob Davi e Salomão. À época do Novo
Testamento, houve o reino sob o seu descendente
Jesus Cristo. Na era vindoura, haverá o reino milenar
e, depois disso, o reino eterno no novo céu e na nova
terra. Essa questão de reis exige para o seu
cumprimento todos os livros subseqüentes do Velho
e do Novo Testamento. Apocalipse 11:15 é uma parte
dessa promessa feita a Jacó: “O reino do mundo se
tomou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará
pelos séculos dos séculos”. Até mesmo a igreja, na
atualidade, como reino de Deus na terra, está
incluída nessa promessa. Estou cônscio de que,
quando ouvirem isso, alguns haverão de argumentar
comigo, dizendo que, face à mistura da igreja com
Israel, estou ensinando coisas erradas. Falando
literalmente, isso pode ser correto, mas lembre-se de
que tudo na vida de Jacó era um tipo a ser cumprido
por nós. Não fique satisfeito por ter uma ou duas
pessoas salvas por meio de você. Pelo contrário, você
deve dizer: “Senhor, não estou contente com isso.
Quero ver o reino. Preciso da multiplicação que
resultará no reino”. Isso é algo grande. Você tem fé
para tanto? Todos precisamos dizer: “Senhor, terei fé
para ser multiplicado, não para o meu império, mas
para o Teu reino”.

3) Herdar a Terra Juntamente com a Sua


Descendência
Outro aspecto da promessa de Deus a Jacó é
mencionado no versículo 12: “A terra que dei a
Abraão e a Isaque, dar-te-ei a ti e, depois de ti, à tua
descendência”. Aqui fez-se a Jacó a promessa de
herdar a terra com a descendência. Essa promessa é
como uma imensa montanha. Não pense que a terra
mencionada seja simplesmente a estreita faixa de
terra da Palestina. Aquela estreita faixa de terra era
um tipo de Cristo como a boa terra. Cristo, como a
boa terra para a nossa possessão, por fim, será a
pedra que cai do céu em Daniel 2. Essa pedra se
tomará uma montanha a encher toda a terra. Você
crê que toda a terra será uma grande montanha e que
não haverá planície, mas apenas uma santa
montanha? Essa grande montanha é Cristo.

(f) A Reação de Jacó à Promessa de Deus


Nos versículos 14 e 15 percebemos a reação de
Jacó à promessa de Deus. Sempre que o Senhor nos
fala, precisamos reagir. Não devemos ser estúpidos,
mudos ou mortos. Porque estou vivo, reajo a tudo o
que dizem as pessoas. Se um irmão não reage a nada
que lhe digo, concluirei que ou ele é mudo ou está
morto. Quando falo a meus netos, eles se mostram
muito ativos e inquietos porque estão vivos. Quando
Deus lhe falou, Jacó reagiu imediatamente.

1) Levantou uma Coluna de Pedra


O versículo 14 diz que “Jacó erigiu uma coluna
de pedra no lugar onde Deus falara com ele”. A
primeira coisa que Jacó fez em reação à palavra de
Deus foi repetir o que fizera em Betel pela primeira
vez-levantar uma coluna de pedra. Nada de
verdadeiro do nosso primeiro sonho com o Senhor
pode ser esquecido. Quando retomamos à visão,
precisamos repeti-la. Em 28:18, Jacó erigira como
coluna a pedra que usara por travesseiro, e chamara
a coluna de Betel. Ele repetiu tal gesto no capítulo 35.
Esse é um ponto decisivo. Bem em seu íntimo, Jacó
estava convicto de que fora incumbido por Deus de
edificar-Lhe uma casa na terra. Talvez Jacó dissesse a
si mesmo: “Jamais poderei esquecer-me da minha
experiência em Betel. Agora, depois de regressar a
Betel, Deus me falou muito mais do que antes. Há
muitos anos erigi uma pedra como coluna para a Sua
casa. Agora, depois de ouvi-Lo novamente, preciso
repetir isso”. Jacó fizera um voto de edificar a Deus
uma casa na terra. Por fim, isso foi completado por
Salomão, que edificou o templo como casa de Deus.

2) Derramou uma Libação sobre a Coluna


Chegamos agora a um ponto preponderante: o
derramamento da libação sobre a coluna (35:14). No
capítulo 28, Jacó derramou óleo sobre a pedra
erigida em coluna. Mas no capítulo 35 há um
desenvolvimento adicional. Antes de derramar óleo
sobre a coluna, ele derramou uma libação sobre ela.
Poucos de nós, provavelmente, conhecemos o
significado da libação. Se consultar quaisquer
comentários para conseguir uma definição disso,
você não obterá resultados. Mas ao lermos outros
versículos, como Números 15:1-5; 28:7-10; Filipenses
2:17 e 2 Timóteo 4:6, vinculando-os à nossa
experiência, podemos compreender o verdadeiro
sentido da libação.
De acordo com os sete primeiros capítulos de
Levítico, Deus incumbiu o Seu povo de apresentar
várias ofertas, sem mencionar a libação, porque esta
era uma oferta adicional. Mais tarde, Deus ordenou a
Moisés que o Seu povo, após entrar na boa terra,
tinha de oferecer-Lhe a libação, além das ofertas
básicas mencionadas nos sete primeiros capítulos de
Levítico. A libação era, então, acrescentada às ofertas
básicas. Estas incluíam a oferta queimada, a oferta de
manjares, a oferta pacífica, a oferta pelo pecado e a
oferta pela transgressão. Além de todas essas ofertas
básicas, os filhos de Israel tinham de apresentar a
libação (Nm 15:1-10; 28:7-10). (A libação
mencionada em Êxodo 29:40-41 destinava-se à
consagração dos sacerdotes, e a libação mencionada
em Levítico 23:13, 18 e 37 destinava-se às prirnícias
oferecidas a Deus após terem entrado os israelitas na
boa terra e trabalhado nela-Lv 23:10.) Tanto em
Filipenses 2:17 como em 2 Timóteo 4:6, Paulo se
considerava uma libação. Em Filipenses 2:17, ele
disse: “Entretanto, mesmo que seja eu oferecido por
libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, alegro-
me e com todos vós me congratulo”. Paulo, neste
trecho, disse aos filipenses que estava sendo
derramado como libação sobre o seu sacrifício ou
oferta (a palavra grega pode ser traduzida de ambas
as maneiras). Paulo parecia estar dizendo: “Vós,
filipenses, estais ofertando algo a Deus. Estou feliz
por ser derramado como libação sobre a vossa oferta”.
Um pouco antes de ser martirizado, ele disse a
Timóteo: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido
por libação, e o tempo da minha partida é chegado”
(2 Tm 4:6). Sobre o que a libação era derramada? De
acordo com o Antigo Testamento, ela sempre era
derramada sobre uma das ofertas básicas. Quando
estava para ser martirizado, sobre o que Paulo estava
sendo derramado como libação?
Como veremos, ele estava sendo derramado
sobre Cristo. De acordo com Levítico, podemos
oferecer Cristo a Deus como as ofertas básicas.
Oferecendo-O dessa maneira, temos alguma
experiência Dele. Tal experiência nos faz felizes e
tomamo-nos pessoas cheias de alegria com o novo
vinho. Pela oferta de Cristo a Deus, ficaremos plenos
do novo vinho. Teremos vinho dentro de nós. Por fim,
esse vinho saturará todo o nosso ser, e nós mesmos
realmente nos tomaremos vinho. Quando Paulo disse
que estava sendo derramado como libação, ele
mesmo-por meio da sua rica experiência de Cristo-
era o vinho que estava sendo derramado como
libação sobre o Cristo que ele experimentara e
oferecera a Deus. Se você pudesse verificar junto aos
mártires, como Pedro e Paulo, todos eles
testificariam que o seu martírio foi apenas uma
libação do seu ser inteiro sobre o Cristo da sua
alegria. Todos os mártires foram derramados como
libação sobre Cristo para Deus. Experienciaram
Cristo a tal ponto que, quando O apresentaram a
Deus como as ofertas básicas, eles mesmos também
foram derramados como libação sobre Cristo. Se
tivermos a genuína experiência de Cristo dia após dia,
ela nos encherá tanto de gozo como de vinho divino.
Ficaremos, então, embriagados com o vinho, e nos
tornaremos vinho para Deus, dizendo:-o Deus,
gostaria de ser derramado sobre Cristo como libação
a Ti”. Freqüentemente, na reunião da mesa do
Senhor, tenho percebido que alguns santos
experimentaram Cristo a tal ponto que, ao
apresentarem Cristo a Deus na mesa do Senhor,
havia um indício, em suas orações e louvores, de que
estavam prontos a se derramarem sobre Cristo a
Deus. Essa é a libação, e ela somente pode ser
experimentada em Betel.
A semente da libação é semeada em Gênesis 35.
Se quisermos compreender isso, precisamos ler
Números 15 e 28, Filipenses 2:17 e 2 Timóteo 4:6.
Então compreenderemos que precisamos não só
oferecer Cristo a Deus como as ofertas básicas, mas
também como a libação. Precisamos estar cheios de
regozijo, experienciando Cristo, de modo a poder
tomar-nos vinho para Deus e estar dispostos a ser
derramados como libação sobre Cristo a Deus. Tal
experiência é profunda e bem subjetiva. Você pode
dizer:-o Deus Pai, ofereço-me como libação sobre
Cristo a Ti”. Embora possa dizer assim, se ainda não
experienciou Cristo a ponto de estar pleno de
regozijo e embriagado com o vinho celestial, você não
terá o regozijo e a disposição para ser derramado
como libação a Deus. Na vida da igreja, há a
possibilidade e o potencial de tão intensa experiência
de Cristo, a ponto de ficarmos saturados do vinho
divino e até mesmo de nos tomarmos vinho. Oh! na
vida da igreja estou cheio de alegria e disposto a ser
derramado sobre Cristo como libação para a
satisfação de Deus.
Deus tem prazer em beber vinho. Ele não quer o
vinho feito de uvas, mas o vinho feito de Cristo que
nos satura. Deus não está interessado em uvas; Ele
está interessado em você com Cristo. Precisamos
tomar-nos vinho experienciando Cristo. O único
lugar em que podemos nos tomar o vinho de Deus é
na igreja. Posso assegurar-lhe que, na igreja, a sua
experiência de Cristo o conduzirá ao ponto em que
você estará cheio de alegria celestial e se tomará o
vinho divino e estará disposto a ser derramado sobre
Cristo para a satisfação de Deus. Essa é a reação de
Israel em Betel. Tenho confiança absoluta de que, de
agora em diante, haverá muitas reações como essas
nas igrejas. Muitos queridos santos dirão: “Senhor,
estou tão saturado do Teu gozo que estou bêbado.
Tomei-me vinho para satisfazer meu Deus. Agora
estou disposto a ser derramado, até mesmo a ser
martirizado”. Lembre-se de que Paulo disse que ele
próprio já estava sendo derramado sobre Cristo para
a satisfação de Deus. Na vida da igreja, todos
precisamos ser saturados da alegria celestial, de
modo a podermos estar prontos e dispostos ao
sacrifício, a sermos derramados sobre Cristo para a
satisfação de Deus. Na vida da igreja, todos podemos
experienciar Cristo, até o ponto de sermos dispostos
a ser derramados como libação.

3) Derramou Óleo sobre a Coluna


Como já enfatizamos no capítulo 28, derramar
óleo sobre a coluna representa o derramamento do
Espírito de Deus sobre o Seu povo escolhido para a
edificação da Sua casa. Mas nesse trecho o
derramamento do óleo sobre a coluna segue-se ao
derramamento da libação sobre ela. Isso indica que o
fato de nos derramarmos como libação a Deus
acarreta o derramamento do Espírito de Deus para a
Sua satisfação. Quanto mais nos derramarmos com
Cristo como uma oferta a Deus para a Sua casa, mais
virá o derramamento do Espírito de Deus. A
edificação da casa de Deus precisa disso.

4) Chamou o Lugar de Betel


O versículo 15 diz: “Ao lugar onde Deus lhe
falara, Jacó lhe chamou Betel”. Em Gênesis 28, Jacó
chamou o lugar de Betel, mas em Gênesis 35, estando
convencido de que era Betel, ele outra vez chamou
aquele lugar pelo seu nome. Quanto mais
permanecermos na igreja e mais experienciarmos
Cristo nela, mais teremos certeza de que isso é Betel,
e mais ousados seremos em dizer: “Isto é a igreja, e
eu estou nela”. Isso não é simplesmente um termo,
muito menos uma designação ou denominação, mas
é a nossa convicção e nossa proclamação do fato.
Temos plena certeza de que isso é Betel. Louvado seja
o Senhor porque todos podemos dizer: “Estou agora
em Betel. Isso é a igreja”.
MENSAGEM OITENTA

SENDO TRANSFORMADO (3)

(5) A EXPERIÊNCIA EM BETEL


Temos visto que muitas das sementes cruciais da
verdade estão semeadas no livro de Gênesis. A casa
de Deus, Betel, é uma delas. Poucos cristãos, todavia,
sabem o que é essa experiência da casa de Deus. Sem
dúvida, muitos têm conhecimento de que, de acordo
com o Novo Testamento, a casa de Deus simboliza a
igreja (1 Tm 3:15). Mas onde está a vida da igreja
prática e correta? Embora haja milhões de cristãos na
terra, bem poucos têm a genuína vida da igreja.
Muitos apenas se sentam no meio da congregação
para o culto dominical pela manhã e ouvem um
ministro ou pastor. Essa, porém, não é a vida da
igreja prática e correta como é revelada na Bíblia. De
acordo com a Bíblia, na genuína vida da igreja, todo
salvo deve ser um membro vivo e operante. Todo
membro do Corpo de Cristo tem de funcionar. Os
membros não apenas funcionam, mas também vivem
juntos para expressar Deus em Cristo de maneira
viva e diária. Essa é a vida prática da igreja revelada
na Bíblia. As verdades relativas a ela acham-se
lançadas como sementes em Gênesis.
Antes do capítulo 35, Deus era chamado de Deus
de determinada pessoa, por exemplo, o Deus de
Abraão ou o Deus de Isaque. Era o Deus de pessoas
individuais. Mas em 35:7 temos “El-Betel”, o Deus da
casa de Deus. Não mais simplesmente o Deus de
indivíduos, porém agora o Deus de um corpo coletivo,
da casa de Deus. Muitos cristãos somente O
experimentam como o seu Deus individual. Poucos
chegam à experiência Dele como o Deus da casa de
Deus. Quanta experiência você tem Dele como o
Deus de um corpo coletivo? Todos precisamos
experimentá-Lo de tal maneira que Ele não nos seja
apenas Deus individualmente, mas também o Deus
da casa de Deus. Há uma grande diferença entre os
dois.
Em Gênesis 35, vemos uma virada radical e
decisiva. Poucos filhos de Deus, entretanto,
apreciam-na. Lêem esse capítulo repetidas vezes,
sem reconhecer a virada radical contida nele. Antes
desse capítulo, Deus era o Deus de indivíduos: o
Deus de Abel, o Deus de Enos, o Deus de Enoque, o
Deus de Noé, o Deus de Abraão e o Deus de Isaque.
Mas aqui Ele já não é mais apenas o Deus de
indivíduos, porém, El-Betel, o Deus da casa de Deus.
Em hebraico, “EI” quer dizer Deus. No título El-Betel,
a palavra hebraica designadora de Deus é usada duas
vezes, tanto no início como no fim do título. Em certo
sentido, o Deus da casa de Deus é duplo. Precisamos
admitir que ainda não temos muita experiência disso,
mas agradecemos ao Senhor porque, após entrarmos
para a vida da igreja, tivemos alguma experiência
Dele sendo para nós o Deus de um corpo coletivo. Na
vida da igreja, experienciarno-Lo corporativamente,
e não apenas individualmente. Todos podemos
testificar que o Deus que experienciamos na vida da
igreja é muito mais rico e doce que o Deus que
experienciamos em nossa vida individual. É por isso
que gostamos de gastar mais tempo na vida da igreja.
Individualmente podemos experienciar o Deus de
Abraão ou
Deus de Isaque, mas não podemos experienciar
Deus como Deus de Betel. Só podemos experienciar o
Deus da casa de Deus na vida da igreja. Se há muitos
anos lhe falassem do Deus de um corpo coletivo, isso
lhe teria soado como língua estrangeira. Mas hoje já
não nos é tão estranho. Estamos familiarizados com
tal experiência e a apreciamos muito mais do que a
nossa experiência individual de Deus.
Isso, entretanto, não significa que não haja o
aspecto de se experienciar Deus de maneira
individual. Mesmo hoje ainda existe esse aspecto.
Jamais se esqueça de que as verdades da Bíblia têm
dois aspectos. Isso também é verdade com relação à
experiência de Deus, porque essa experiência tem
tanto um aspecto corporativo como um aspecto
individual. Muitos cristãos hoje ou não têm a
experiência de Deus ou têm somente a experiência
individual Dele. Falta-lhes a experiência de Deus de
maneira corporativa. Mas reunião após reunião da
vida da igreja experienciamos Deus de maneira
corporativa.
A essa altura, preciso dizer uma palavra honesta
a alguns de vocês. Embora se reúnam conosco todas
as semanas, vocês não têm a experiência corporativa
de Deus. Por exemplo, vocês oram diariamente em
sua vida privada, mas nunca oram nas reuniões da
igreja. Nas reuniões, vocês são observadores, como
espectadores de um jogo de futebol. Assistem ao jogo
dos outros, mas vocês mesmos não jogam. Jamais
participam das reuniões. Além disso, alguns de vocês
criticam os que participam, dizendo que são muito
ousados ou rápidos. Mas . . . e vocês? Estão aqui para
serem críticos, espectadores ou para participar da
vida da igreja? Isso indica que alguns em nosso meio
não apreciam o experimentar Deus de maneira
corporativa. Alguns ainda não oram nas reuniões. Se
lhes pedirem que orem, vocês sempre haverão de
desculpar-se. Isso revela que vocês consideram os
outros sacerdotes, mas vocês mesmos se julgam
pessoas comuns. Ao agirem assim, vocês estabelecem
uma hierarquia de clérigos e leigos. Aos olhos de
Deus, isso é herético. Todos precisamos orar para
destruir tal sistema de clérigos e leigos. De acordo
com os meus registros, a reunião de oração em
Anaheim é melhor do que em qualquer outra igreja.
Visitei quase todas as igrejas, e posso testificar que a
reunião de oração em Anaheim é a melhor. A razão é
que não há nela clérigos ou leigos. Embora muitos
orem, ninguém completa uma oração por si mesmo.
Pelo contrário, podem ser necessários muitos de nós
para terminar uma oração. Na maneira antiga,
tradicional, quando alguém orava, não somente
terminava uma oração, mas até duas ou três outras
ao mesmo tempo. Assim, ou as pessoas
absolutamente não oravam, ou faziam
sucessivamente muitas orações. Mas em Anaheim,
após alguém orar brevemente, outro o seguirá. Dessa
forma, muitos cooperam para apresentar uma única
oração. Essa é a experiência de El-Betel, a
experiência corporativa de Deus.
Gênesis 35 é uma virada radical da experiência
individual para uma experiência corporativa de Deus.
Antes desse capítulo, não se menciona EI-Betel.
Eloim foi revelado no primeiro capítulo, e Jeová no
segundo. Mais tarde, Deus disse a Jacó que Ele era o
Deus de Abraão e o Deus de Isaque. Mas, como já
enfatizamos, no capítulo 35 vemos um novo título
divino-EI-Betel, o Deus da casa de Deus.
Em algum lugar nesta mensagem veremos o
significado de Deus afirmar a Jacó que o seu nome
não era mais Jacó, mas Israel. Deus lhe disse: “Israel
será o teu nome” (35:10), e Jacó parecia responder-
lhe: “Teu nome é El-Betel”. Quem é você hoje: Jacó
ou Israel? Que significa Israel? Responder que
significa “lutador de Deus” é muito doutrinário.
Israel é o povo da igreja, e El-Betel é a vida da igreja.
Somos o povo da igreja na vida da igreja. Isso não é
doutrina, é experiência. O povo da igreja é um povo
pleno de Deus, e a vida da igreja é uma vida
corporativa de Deus. O povo da igreja é um povo
pleno de Deus vivendo junto para desfrutar e
expressar Deus. Isso é Israel em El-Betel,

(a) O Altar de Jacó


Em Betel, Jacó edificou um altar (35:6-7). A sua
experiência do altar foi progressiva. Quando teve a
visão em Betel (28:18-19), ele não erigiu um altar.
Embora fizesse um excelente trabalho ao interpretar
o próprio sonho, ele somente erigiu uma coluna.
Durante os anos em Padã-Arã, ele não edificou um
altar em que oferecesse algo a Deus. Ao invés disso,
empregou muitos artifícios para suplantar Labão.
Depois de deixar Padã-Arã, retomou primeiramente
à parte leste do Jordão, até Sucote (33:17). Em 33:17-
18, a Bíblia não diz que Sucote estava “na terra de
Canaã”, como o faz com Siquém. Em Sucote, ele
edificou uma casa para si e abrigos para o seu gado,
mas não erigiu um altar para Deus. Isso revela que
ele se preocupava consigo e com o próprio gado, e
não com Deus. Por fim, deixou Sucote e viajou para
Siquém, na terra de Canaã, onde armou sua tenda e
erigiu um altar (33:18-20). E chamou àquele altar
“El-eloé-lsrael” que significa “o Deus de Israel”. Esse
altar foi edificado ao Deus da experiência individual e
pessoal de Jacó. Ao chamar o altar de El-eloé-lsrael,
ele estava, na verdade, chamando-o de Deus de si
mesmo. Muitos cristãos são assim. Buscam
experiências espirituais para si próprios
individualmente. Aprenderam como experienciar
Cristo e como confiar individualmente em Deus. Este
não lhes é o El-Betel, mas o El-eloé-lsrael. Mas
poucos cristãos se preocupam com Deus sendo-lhes o
Deus da casa de Deus. Pelo contrário, quase todos os
cristãos sequiosos preocupam-se com Deus sendo-
lhes o Deus deles. Alguns deles podem até afirmar:
“Deus não era o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e
o Deus de Jacó? Que há de errado em dizer que Deus
é o meu Deus? Oh! este Deus maravilhoso é o meu
Deus! “ Talvez o livro de Gênesis deles não tenha
mais de trinta capítulos. Eles precisam continuar até
o capítulo 35 e ver que Deus não mais é somente o
Deus de indivíduos, mas o Deus da casa de Deus. Em
Betel, no capítulo 28, em Padã-Arã e em Sucote, Jacó
não tinha altar. Em Siquém ele edificou um altar.
Embora fosse bom edificar um altar em Siquém, este
não foi edificado na casa de Deus, não foi edificado
na vida da igreja. Ao invés disso foi erigido num lugar
um pouco afastado da vida da igreja. Se consultar um
mapa, você verá que Siquém não estava muito
distante de Betel. A palavra Siquém significa “ombro”,
representando força. Quando Jacó chegou a Siquém,
foi fortalecido porque Siquém era um lugar de
fortalecimento. De semelhante modo, quando
chegamos à nossa “Siquém”, somos também
fortalecidos. Quase todos os reavivamentos do
cristianismo de hoje ocorrem em “Siquém”. Tais
reavivamentos apenas fortalecem as pessoas. Muitos
cristãos precisam de uma “Siquém”, de um
reavivamento, ao menos uma vez por ano, para que
possam ser fortalecidos. Nenhum dos participantes
de tais movimentos se importa com a vida da igreja.
Preocupam-se apenas com fortalecer as pessoas a
prosseguirem na vida cristã. Nada do que se refere à
igreja é tratado por eles.
O altar erigido em Siquém foi chamado de “El-
eloé-lsrael”, significando o nome de Deus relacionado
com um indivíduo; não “El-Betel”, designando o
nome de Deus relacionado com um corpo coletivo.
Alguns podem dizer: “Não é bom ser fortalecido em
Siquém? “ Observe o que aconteceu a Jacó no
capítulo 34. Depois de estabelecer-se em Siquém,
sobrevieram-lhe problemas. Ele tinha uma tenda
para sua habitação e um altar onde sacrificar algo a
Deus. Embora pudesse estar satisfeito, Deus não
estava. Assim, a experiência do capítulo 34 era
necessária. Sobrevieram-lhe problemas que lhe
fizeram perder a sua paz. Depois disso, em 35:1, Deus
podia dizer: “Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali;
faze ali um altar ao Deus que te apareceu”. Este
parecia dizer a Jacó: “Não quero que você fique em
Siquém. Não é suficiente simplesmente ser
fortalecido na vida cristã. Uma vida fortaleci da não
pode satisfazer-Me. Desejo a vida da igreja. Não
quero força-quero a casa de Deus. Não quero que
você permaneça em Siquém, mas que suba a Betel”.
Depois de chegar a Betel, Jacó erigiu um altar e
chamou-o de “El-Betel”.
A experiência de altar para Jacó foi uma
progressão. Não houve altar em Padã-Arã nem em
Sucote. O altar em Siquém foi erigido ao Deus da sua
experiência individual; não um altar para
experimentar Deus de forma corporativa. A
experiência individual de Deus é boa, mas é
insuficiente. Precisamos prosseguir da experiência
individual para a corporativa.
Um altar destina-se à consagração.
Provavelmente todos vocês se consagraram ao
Senhor. Mas onde ocorreu essa consagração-em
Siquém ou em Betel? Foi uma experiência de El-eloé-
lsrael ou de El-Betel? Antes de entrar para a igreja,
consagrei-me mais de uma vez. Mas a consagração
que fiz após entrar para a igreja foi muito mais
elevada do que qualquer consagração anterior. A
minha consagração anterior à vida da igreja era
somente para mim. Era para que eu fosse santo,
espiritual, vitorioso e aceitável a Deus. Mas a
consagração posterior ao meu ingresso na vida da
igreja foi diferente. Quando você vive de maneira
individualista, não precisa de muita consagração.
Depois de casar-se, todavia, descobre que seu
cônjuge é um causador de problemas, e que você
precisa consagrar-se para enfrentar essa nova
situação. Você pode dizer ao Senhor: “Senhor, antes
de me casar, consagrei-me a Ti para ser santo,
espiritual e vitorioso. Agora que me casei, preciso
consagrar-me a Ti para essa nova situação. Gosto de
janelas abertas, mas minha esposa as quer fechadas.
Preciso de uma consagração que enfrente essa
situação”. Tal consagração é nova e diferente. Mais
tarde virão os filhos e isso requererá uma
consagração posterior. Quando você entra para a vida
da igreja, não encontra apenas um causador de
problemas, mas centenas deles. Muitos temem vir a
Anaheim, pensando ser ela muito grande e julgando
os seus presbíteros muito rigorosos. Preferem, então,
ir a uma localidade menor. Isso indica que, quando
entramos para a igreja, precisamos de uma
consagração muito maior. Quando você se casa,
precisa de uma consagração. Quando tem filhos,
precisa de uma consagração maior. E quando você
entra para a igreja, especialmente para a igreja em
Anaheim, precisa da maior consagração. Sem a mais
elevada consagração, você não suportará a vida da
igreja em Anaheirn. Você pode dizer a si mesmo:
“Oh! como Anaheirn é difícil! Há 'policiais' por toda a
parte. Simplesmente não consigo adaptar-me a esta
situação”. Já que não pode ajustar-se a ela, você
precisa edificar um altar que se ajuste a ela. Como
todos sabemos, diante do templo havia um altar e
ninguém podia entrar no templo sem primeiro deter-
se no altar. Você precisa parar no altar e oferecer-se,
colocando-se sobre ele para ser sacrificado. Então,
após ter sido ressuscitado, você estará livre para
ingressar no templo.
Qual o significado de um altar? Um altar
destina-se ao sacrifício. Alguns já disseram: “A vida
da igreja é boa, mas não consigo suportar aqueles
irmãos responsáveis! “ Outros já disseram: “Aprecio
a vida da igreja, mas não agüento as irmãs
responsáveis! Elas são santas demais. A santidade
delas me mata! “ Para onde você deveria ir-voltar a
Siquém ou a Padã-Arã? Você não tem alternativa,
exceto subir ao altar em Betel e ser morto. O altar em
Siquém é individual, mas o altar em El-Betel é
corporativo. Esse é o altar da casa de Deus, e você
precisa apresentar-se sobre ele para a casa de Deus.
Fiz isso muitas vezes e, anos atrás, fui sacrificado.
Agora, ninguém mais pode ofender-me. Você não
pode ofender a ninguém que tenha sido morto. Se
não aceitar essa palavra e não edificar um altar em
El-Betel, não permanecerá para sempre na igreja.

Um dia você sairá ou ficará indiferente. Quando


estiver feliz, você virá às reuniões; mas quando
estiver infeliz, não virá. Parece que a igreja é a igreja,
que você é você, e que você e a igreja nada têm a ver
um com o outro. Se não se tornar indiferente, você
irá embora porque foi ofendido. A igreja está cheia de
ofensores. Fui morto há muito tempo a favor da vida
da igreja na China. Assim, nenhum de vocês poderá
matar-me novamente. Não posso mais ser ofendido
por vocês. Essa é a experiência do altar edificado em
Betel. Se ainda pode ser ofendido, isso significa que,
embora possa ter um altar em Siquém, você não tem
um altar em Betel. Ter um altar em Betel significa ter
uma consagração para a vida da igreja. Você precisa
oferecer-se propositadamente e especificamente ao
Senhor para a vida da igreja. Se o fizer, jamais será
ofendido. Pelo contrário, estará preparado para
provações, testes e sofrimentos. Todos precisamos de
tal altar. Essa é a experiência em Betel, a experiência
da vida da igreja.
Se você ler novamente do capítulo 28 ao 35,
atentando à questão do altar, perceberá a progressão,
desde a inexistência dele até ao mais elevado, o altar
em El-Betel, Precisamos de uma consagração
específica e definida para a vida da igreja. Precisamos
dizer: “Senhor, eu agora faço uma consagração total e
específica a Ti, não para que eu possa ser espiritual,
santo ou vitorioso, mas para que possa experienciar a
Tua casa e nela permanecer”. Em 1 Timóteo 3:15,
Paulo disse a Timóteo: “Se eu tardar, fiques ciente de
como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja
do Deus vivo”. Precisamos experimentar Deus em
Sua casa e portar-nos convenientemente nela. Isso
requer uma consagração definida e um altar especial.
O altar comum, normal, que experimentamos no
passado, não é adequado para tanto. Todos
precisamos da consagração mais elevada no altar em
Betel.
Nos séculos passados, muitos livros foram
publicados por mestres cristãos sobre o tema
consagração. Mas até onde conheço, nenhum deles
diz aos cristãos que se consagrem à casa de Deus. O
famoso livro da sra. Hannah W. Smith, O Segredo de
uma Vida Cristã Feliz, dá grande ênfase à questão da
consagração, mas somente com vistas a uma vida
cristã feliz. Ela até considera a consagração como
segredo da vida cristã feliz, mas nada diz da vida da
igreja. A Convenção Keswick, com a qual a sra. Smith
tem muito a ver, enfatizou também a consagração.
Na verdade, nos primeiros dias, as mensagens dadas
na Convenção Keswick centralizavam-se na
consagração. Entretanto, pelo que sei, nada se
mencionou sobre a consagração para a vida da igreja.
Na maioria dos reavivamentos do cristianismo a
consagração é enfatizada, mas dificilmente alguém
ouve a menção da consagração para a casa de Deus.
Porquanto os cristãos não viram a vida da igreja,
todos os seus altares são, no máximo, edificados em
“Siquém”. Mas na restauração do Senhor, atualmente,
precisamos edificar o nosso altar em Betel.
Precisamos da consagração mais elevada para a vida
da igreja, a fim de cumprirmos o propósito eterno de
Deus e satisfazer o desejo do Seu coração.
(b) A Aparição de Deus
Jacó também experimentou um avanço na
questão da aparição de Deus. Este lhe apareceu em
sonho no capítulo 28, mas tal aparição não foi sólida
nem substancial. Nada do que vemos num sonho é
substancial. Pode ser verdadeiro, mas não é concreto.
Daniel viu em sonho uma grande imagem de um
corpo humano (Dn 2:19), mas essa imagem não era
tão substancial como um corpo humano real, e as
duas pernas de ferro do sonho não eram tão sólidas
como as duas partes do Império Romano. Embora
visse em sonho tais coisas, Daniel não tinha
experiência delas. De semelhante modo, mesmo
tendo a aparição de Deus em seu sonho, somente em
El-Betel Jacó experimentou consistentemente a
aparição de Deus. O Senhor falou-lhe em Padã-Arã
(31:3), mas isso não foi uma sólida aparição. Em 35:1,
o Senhor também lhe falou, mas isso também não foi
uma aparição concreta. Somente em El-Betel ele
experienciou a Sua aparição de maneira substancial.
Tal é o progresso da aparição de Deus na experiência
de Jacó.
Muitos de nós podemos testificar que, antes de
entrarmos para a igreja, tivemos alguma experiência
da aparição de Deus. Este nos apareceu, mas tal
aparição não foi concreta. Entretanto, depois de
virmos para a vida da igreja e permanecermos nela
por algum tempo, podemos testificar que aqui a
aparição de Deus não apenas é real, mas também
consistente. Se alguém abandonasse a vida da igreja
após permanecer nela por algum tempo, jamais
poderia negar que, enquanto esteve nela,
experimentou a aparição de Deus de maneira
concreta. Antes dela, a aparição de Deus, ao contrário,
era bem vaga. Mas Sua aparição na igreja é sempre
substancial. É tão concreta que parece até que
podemos tocá-la. A melhor experiência da aparição
de Deus ocorre somente na igreja.

(c) A Bênção de Deus


Também há uma progressão quanto à bênção de
Deus. Na visão em Betel (28:13-15), em Padã-Arã e
em Siquém (31 :3; 35:1), Jacó não recebera a bênção
de Deus. Este realmente abençoou-o em Peniel, mas
não o fez de maneira consistente (32:29). Não lhe
fora dada nenhuma bênção substancial de Deus,
porque ele ainda não estava no lugar onde Deus
queria que ele estivesse. Vemos que Deus o abençoou
em Peniel, mas não lemos de que maneira isso
ocorreu. No capítulo 35, todavia, em Betel, a bênção
se mostrou concreta. Lá, Deus abençoou Jacó,
dizendo: “Eu sou o Deus Todo-poderoso (Todo-
suficiente -lit.) ; sê fecundo, e multiplica-te; uma
nação e multidão de nações sairão de ti, e reis
procederão de ti. A terra que dei a Abraão e a Isaque,
dar-te-ei a ti e, depois de ti, à tua descendência”
(35:11-12-(hebr.). Esses são os itens concretos da
bênção de Deus em Betel.

(d) A Experiência de Jacó quanto ao Seu Novo


Nome
Em Betel, Jacó experimentou o seu novo nome.
Este fora mudado em Peniel (32:28, 30), mas ele só o
experimentou em Betel (35:10). Em Betel, todo o ser
de Jacó foi mudado, e ele se tornou uma nova pessoa:
Israel. Não importa o quanto éramos bons como
cristãos antes de entrarmos para a vida da igreja; não
éramos novos. Mas, depois de entrarmos para ela,
algo dentro de nós exigiu que fôssemos novos.
Tivemos de ser um novo marido, um novo pai, um
novo filho. Todos experimentamos tal exigência
interior diariamente. Percebemos que, de agora em
diante, precisamos ser outra pessoa. Essa é a
experiência da transformação.
A vida da igreja é uma vida de transformação. Na
igreja, todos estão sob o processo de renovação.
Estamos sendo renovados dia a dia (Rm 12:2; 2 Co
4:16). Não estamos sendo corrigidos, porque isso
nada significa, mas estamos sendo renovados. A
igreja é inteiramente um novo homem (Ef 2:15), e a
vida da igreja é a vida de Israel transformado. É uma
vida nova com uma nova pessoa e um novo ser. Aqui,
em Betel, experimentamos a nova vida, que é Deus
em Cristo. Aqui, na vida da igreja, estamos nos
tornando mais novos todos os dias. Quanto mais
permanecemos na vida adequada da igreja, mais
novos nos tornamos. A sua idade cronológica pode
tornar-se mais avançada, mas o seu ser torna-se mais
novo. Todos os irmãos e irmãs mais velhos devem
tornar-se mais novos, mais vivos, mais fortes e mais
cheios de frescor. No seu compartilhar, precisam
falar mais alto e mais rápido que os jovens. Espero
que todos os pontos desta mensagem se tornem sua
experiência prática. Na vida da igreja, precisamos da
consagração mais elevada, da consagração para a
casa de Deus, não para o enriquecimento individual.
Se tivermos isso, então receberemos a aparição de
Deus de maneira substancial e desfrutaremos Sua
bênção total. Então, diariamente tornar-nos-emos
mais e mais novos. Essa é a experiência em Betel, a
experiência da vida da igreja.
MENSAGEM OITENTA E UM

SENDO TRANSFORMADO (4)


Precisamos continuar as considerações
referentes à experiência em Betel. Nesta mensagem
chegamos à promessa de Deus.

(e) A Promessa de Deus


Pode ser que já estejamos bem familiarizados
com o termo “promessa”. Neste trecho da Palavra,
entretanto, a promessa de Deus não é comum. O
Deus que fez a promessa no capítulo 35 é o Deus
todo-suficiente (v. l l, (hebr.). Precisamos estar
atentos à revelação dos títulos de Deus constantes no
livro de Gênesis. No capítulo 1, Ele é apenas revelado
como Eloim; e no capítulo 2, vemos o título Jeová
(traduzido como Senhor na versão de JFA). Eloim é o
título de Deus como Criador em relação à Sua
criação; Jeová é o Seu título em Seu relacionamento
com o homem, revelando como Deus está
relacionado com o homem. O título “todo-suficiente
Deus” ou “Deus todo-suficiente” não é revelado até
17:1, onde Deus disse a Abraão: “Eu sou o Deus Todo-
poderoso: anda na minha presença, e sê perfeito”
(hebr.). No passado, não percebíamos
adequadamente o significado desse título.
Pensávamos que simplesmente significava Deus
sendo tudo para nós. Sem dúvida, é correto dizer que
a todo-suficiência de Deus significa que Ele é tudo
para nós. Mas qual o propósito de se revelar esse
título de Deus? Já liberei várias mensagens no
passado com referência a tal título, dizendo às
pessoas que isso denota que Deus é rico, e que é o
nosso suprimento todo-suficiente. Ele é tudo para
suprir todas as nossas necessidades. Em certo
sentido isso era certo. Deus é todo-suficiente para
suprir-nos, mas para que Ele nos supre? Será
simplesmente para que possamos ser salvos ou
espirituais? Não. Se quisermos ver o objetivo de Deus
ser o Suficiente, precisamos ler Gênesis 35 e
cornpará-lo com Gênesis 17.
O propósito de Deus revelar-se como o Deus
todo-suficiente tem por finalidade a Sua edificação.
Assim como Eloim se destina à Sua criação, o Deus
todo-suficiente tem por finalidade a Sua edificação.
Não queira compreender a Palavra Sagrada por sua
própria imaginação. Entenda a Bíblia pela própria
Bíblia, comparando um trecho da Palavra com outro.
Como sabemos que Eloim se destina à criação de
Deus? Todos os estudiosos da Bíblia concordam em
que a primeira menção de um item estabelece na
Bíblia um princípio para tal coisa específica. A
primeira menção de Eloim é registrada em Gênesis 1.
Nesse capítulo, Deus se revela por meio de Sua
criação. Isso, portanto, estabelece o princípio de que
Eloim basicamente denota o Deus que cria, o Deus
Criador.
Gênesis 17:1, a primeira menção do Deus todo-
suficiente -”EI-Shaddai”-revela claramente o
significado desse título. Antes dessa época, Abraão
fora chamado por Deus com o propósito de tornar-se
o pai de muitos chamados. Deus não queria que ele
cumprisse tal encargo pelo exercício da sua força
natural, e não lhe deu um filho até que a sua força
natural fosse exaurida. Abraão, entretanto, nem O
compreendeu adequadamente, nem teve suficiente fé
Nele para tanto. Pelo contrário, aceitou a proposta de
sua esposa no sentido de gerar um filho usando sua
força natural com uma concubina. Deus ficou
ofendido com tal gesto e não conversou com Abraão
por treze anos. Não pense que Deus não possa ser
ofendido ou que Ele sempre haverá de ser paciente
com você. Em lugar algum da Bíblia lemos que Ele
seja todo-paciente. No caso de Abraão, Ele ficou
ofendido, não pelo pecado, mas por Abraão exercitar
sua força natural. Na economia de Deus, nada O
ofende mais do que o exercício da própria força
natural. Sempre que alguém chamado por Deus usar
sua força natural para fazer algo para o cumprimento
do Seu propósito, Ele ficará ofendido. Em certo
sentido, usar a sua força natural é para Ele um
insulto. Ele não precisa da sua ajuda. O exercício da
sua força natural quer dizer que você é capaz de
ajudá-Lo. Isso indica que Ele não é suficiente e que
necessita de você para ajudá-Lo. Quando falou a
Abraão novamente, após um intervalo de treze anos,
Deus lhe disse: “Eu sou o Deus todo-suficiente”. Se
ler cuidadosamente esse capítulo, você verá que o
fato de Deus ser todo-suficiente é para que
produzamos os materiais para a Sua casa.
Gênesis 17 e 35 correspondem-se pelo menos sob
três aspectos. Primeiramente, ambos os capítulos
revelam que Deus é todo-suficiente. Ele revelou esse
título divino tanto a Abraão quanto a Jacó. Em
segundo lugar, em ambos os capítulos ocorre uma
mudança de nomes. O nome Abrão foi mudado para
Abraão, e o nome Jacó foi mudado para Israel. Na
vida espiritual, a mudança de nome significa
transformação, não apenas troca de rótulos. Você
pode dizer: “Witness Lee, você fez algo errado.
Doravante, não é mais Witness Lee, mas Charles
Ford”. Essa mudança de rótulo nada significa. De
acordo com a Bíblia, mudar o seu nome é mudar o
seu ser. Antes você era Abrão; agora é Abraão. Antes
você era um Jacó suplantador; agora é Israel, o
lutador de Deus. Essa é uma mudança, não de rótulo,
mas do seu ser, da sua própria constituição. Assim, o
capítulo 17 fala da transformação de Abraão e o
capítulo 35 fala da transformação de Jacó.
Em terceiro lugar, temos em ambos os capítulos
a promessa de Deus. A promessa feita a Abraão é
repetida na promessa feita a Jacó. A promessa que
Deus fez a Jacó no capítulo 28 foi indefinida. Em
28:14, Deus lhe disse: “A tua descendência será como
o pó da terra”. Se eu fosse Jacó, diria: “Senhor, não
quero que meus descendentes sejam como pó. Ao
invés de milhões de partículas de pó, eu prefiro ter
alguns reis”. Embora a promessa de Deus no capítulo
28 fale de pó, a Sua promessa no capítulo 35 fala de
reis e nações (v. 11). Uma nação denota um reino. A
promessa de Deus em 35:11 é uma repetição da Sua
promessa em 17:6. Em ambas as passagens, Ele
prometeu que nações e reis apareceriam. No sonho
de Jacó em Betel, Deus disse-lhe que sua
descendência seria como o pó. Mas agora, na
experiência real de Betel do capítulo 35, a promessa
de Deus aperfeiçoou-se. Aqui não há menção de pó.
Em vez de pó há nações e reis. O centro da promessa
neste capítulo é ser fecundo e multiplicar-se para
gerar nações com reis. Assim, Gênesis 17 e 35
correspondem-se em três aspectos: na revelação do
título divino, o Deus todo-suficiente; na mudança dos
nomes humanos; na promessa de multiplicação para
gerar nações com reis.
Agora podemos ver o propósito do título “Deus
todo-suficiente”. Ele destina-se à edificação da casa
de Deus. Todos precisamos aceitar essa palavra. O
Deus todo-suficiente destina-se à edificação de Betel.
Deus é todo-suficiente para a vida da igreja, para a
edificação de Sua casa na terra. Você não pode
experienciar o Deus todo-suficiente de maneira
individualista. Para experienciar o Deus todo-
suficiente, você precisa estar em Betel, na casa de
Deus, na vida da igreja.
Essa verdade é comprovada pela nossa
expenencia.
Antes de virmos para a vida da igreja, muitos de
nós tivemos alguma experiência de Deus. Mas como
todos podemos testificar, não O experienciamos
como o Todo-suficiente. Embora O experienciasse de
várias maneiras, não O experienciei como o Todo-
suficiente até que entrei para a vida da igreja.
Contudo, após estar na igreja por muitos anos, posso
dizer: “Aleluia! que experiência do Deus todo-
suficiente eu tenho na vida da igreja! “ Deus é por
demais todo-suficiente para que seja experimentado
apenas por uns poucos cristãos individuais. Como
indivíduos, somos muito limitados. A todo-
suficiência de Deus requer um corpo coletivo.
Precisamos da casa a fim de experimentarmos esse
aspecto Dele.
Tivemos recentemente uma maravilhosa reunião
de oração aqui em Anaheim. Creio que aquela
reunião permanecerá como um memorial pela
eternidade. Todas as palavras das orações foram
exclusivas. Oramos pela mulher em dores de parto e
pelo filho varão vitorioso, vencedor. Foi maravilhoso!
Jamais poderíamos orar assim na individualidade de
nossos quartos. Precisamos estar na igreja. Qualquer
santo da localidade que tenha perdido aquela reunião
de oração certamente perdeu algo grandioso. Essa é
uma experiência, não de Eloim ou de Jeová, mas do
Deus todo-suficiente. Naquela reunião de oração,
estivemos acima do terceiro céu, desfrutando o Deus
todo-suficiente. Somente na igreja é possível
perceber a todo-suficiência do nosso Deus.
Quando ouço a oposição dos nossos críticos, não
sinto ódio contra eles; pelo contrário, sinto-me cheio
de compaixão. Quantas coisas eles estão perdendo! A
sua religião tradicional os atrapalha e os impede de
participar do mover atual do Senhor. Que Deus todo-
suficiente estamos experienciando no Seu mover
atual! Essa não é uma compreensão ou um ensino
doutrinário, mas é a nossa experiência de Deus na
vida da igreja. O Deus todo-suficiente é revelado para
a edificação de Betel e Ele é experienciado na vida da
igreja.
O termo “casa de Deus” do Antigo Testamento
deve ser interpretado, no Novo Testamento, como “a
igreja”. Em 1 Timóteo 3:15, Paulo disse: “Para que, se
eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na
casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e
baluarte da verdade”. Para nós, hoje, Betel não é uma
história, é a igreja do Deus vivo. A Betel no Antigo
Testamento é um tipo da experiência prática da vida
da igreja. Que pobreza existe atualmente no
cristianismo! A maioria dos cristãos pensa em Betel
como história do passado. Não percebem que a vida
da igreja hoje é Betel. Não entendem isso porque não
têm a vida da igreja. Louvado seja o Senhor porque,
na Sua restauração, temos a vida da igreja!
Na vida da igreja, nossa experiência do Deus
todo-suficiente está crescendo dia a dia, e até mesmo
minuto a minuto. A nossa vida da igreja em Anaheim
cresceu grandemente nos últimos dois anos. Se
comparar janeiro de 1977 com janeiro de 1975, você
perceberá a diferença. Sem dúvida, 1977 será um
grande ano na restauração do Senhor. Em outubro
deste ano haverá em Taipé uma conferência
internacional das igrejas. Somente o Senhor sabe o
que acontecerá nessa época ou mesmo na próxima
semana. Creio que algumas coisas muito
significativas estão para acontecer. A vida da igreja
está avançando, avançando dia e noite. Muitos de nós
podemos testificar que a vida da igreja avançou desde
a tarde de hoje. Aleluia! o Deus todo-suficiente
destina-se à vida da igreja, à Betel de hoje!

1) Não em Padã-Arã
Em Padã-Arã, Deus não fez promessa alguma a
Jacó (31:3). Por que Deus não lha fez naquele lugar?
Sem dúvida, não houve alteração por parte de Deus,
porque Deus nunca muda. Promessa alguma foi feita
a Jacó em Padã-Arã porque aquele não era o lugar
correto. Em Padã-Arã, ele não estava na posição
correta para receber a promessa de Deus. Se
quisermos recebê-la, precisamos estar no lugar certo.
Eu lhes afirmo categoricamente que muitas coisas só
podem ser recebidas na vida da igreja. Fora dela,
você não terá a posição para receber tais coisas.

2) Nem em Sucote nem em Siquém


Por fim, Jacó deixou Padã-Arã e viajou até
Sucote, que significa “abrigos” (33:17). Em Sucote,
que ficava na fronteira da boa terra, ele construiu
uma casa para si e abrigos para o seu gado, mas não
erigiu um altar para Deus. Mais tarde, viajou de
Sucote para Siquém. Vimos que, em Siquém, ele
erigiu um altar. Mas tal altar foi construído no lugar
de sua própria satisfação, e não no lugar da satisfação
de Deus. Assim, Deus mudou as circunstâncias ao
seu redor, para que ele pudesse receber o estímulo e
o encargo de levantar-se e subir até Betel. Nem em
Sucote nem em Siquém ele recebeu a promessa de
Deus.

3) Somente em Betel
Somente em Betel Deus lhe fez a Sua promessa
(35:11-12). A promessa do capítulo 35 é mais sólida
do que a que lhe foi feita em sonho (28:13-14). Antes
de virmos para a igreja, jamais tivemos uma
promessa sólida vinda de Deus para nós. As
promessas mais sólidas são sempre dadas na vida da
igreja. A nossa experiência mostra-nos que na vida
da igreja quase todo dia é dia de promessa. Isso
significa que todo dia é cheio de expectativas. Fora
dela não temos esperança. Você tinha esperança
antes de entrar para a vida da igreja? Não, só tivemos
decepção e desencorajamento. Mas agora, na vida da
igreja, tudo é muito definido e significativo. De
manhã, à tarde e à noite nós temos esperanças. Todas
essas esperanças são as promessas que recebemos
todos os dias.
Todas as promessas feitas por Deus e recebidas
por nós na vida da igreja destinam-se à edificação de
Deus. Não se destinam ao nosso casebre, à nossa
cabana. No passado, alguns de nós desejavam
edificar uma pequena casa de santidade, e algumas
irmãs esperavam edificar a pequena cabana de uma
boa vida conjugal. Muitas esposas que não
conseguiram uma vida conjugal agradável buscam
encontrá-la no cristianismo. Mesmo depois de
entrarem para a vida da igreja muitas irmãs ainda
têm em seu íntimo a esperança de encontrar na igreja
a vida conjugal feliz que sempre almejaram. A
intenção delas não é a edificação da casa de Deus; é a
edificação da pequena cabana de sua própria vida
conjugal. Mas a experiência de muitos de nós é esta:
quando nos esforçávamos para edificar uma pequena
cabana para nós mesmos, Deus soprou sobre ela. Em
minha experiência passada, anos atrás, Deus
primeiramente soprou para longe o teto, e depois as
paredes. Depois disso a minha cabana acabou. Mas
não pense que todo o povo da igreja seja miserável
por ter sido demolida a cabana de sua vida conjugal.
Temos uma vida conjugal muito melhor, não em
nossa pequena cabana, mas na casa de Deus. Hoje,
na vida da igreja, posso testificar a vida conjugal
maravilhosa que tenho, e gabar-me dela ao inimigo.
Se você não tivesse a vida da igreja, que vida conjugal
miserável seria a sua! Ao tentar edificar uma pequena
cabana para nós mesmos, fomos malsucedidos. Mas
ao trazermos nossa vida conjugal para dentro da
igreja descobrimo-nos numa mansão. Louvado seja o
Senhor porque estamos aqui tendo por alvo a casa de
Deus!
Antes de vir para a vida da igreja, tentei também
edificar um casebre de paciência. Como muitos de
vocês sabem, sou uma pessoa rápida. É preciso um
grande dispêndio de energia para uma pessoa rápida
ser paciente. Detesto até ouvir o sinal ? e ocupado
quando uso o telefone. Percebendo, quando Jovem,
que me faltava paciência, tentei construir um casebre
de paciência. Também fiz o máximo para edificar
casas de santidade e vitória. Queria muito ser
vitorioso sobre o meu temperamento. Uma pessoa
rápida é impaciente, e a impaciência nos leva a
perder a calma. Eu estava muito cônscio de que era
impaciente, impuro e derrotado. Embora tentasse
edificar casas de paciência, santidade e vitória, eu
não obtinha êxito em nenhuma dessas construções.
Quando entrei para a vida da igreja, não me esqueci
imediatamente dessas casas. Pelo contrário, ainda
tentei construí-las. Mas um dia, vi que era tolice
construir tais casinhas, pois eu já tinha uma grande
casa-a vida da igreja. Uma vez que estejamos na vida
da igreja, a paciência, a santidade e a vitória serão
nossas.
Deixem-me compartilhar com vocês algo que
experimentei muitas vezes. Quando estava prestes a
perder a calma, eu pensava na igreja, e
imediatamente a minha ira desaparecia. Talvez eu até
dissesse a mim: “Estou para perder a calma com os
presbíteros”. Mas pela misericórdia do Senhor,
pensava na igreja, e a minha ira se desvanecia. Não
há nem mesmo a necessidade de experimentar a vida
da igreja. Até mesmo um pensamento sobre ela pode
suprimir a nossa ira. Você pode dizer: “Irmão Lee,
isso é superstição. Como é que um pequeno
pensamento sobre a vida da igreja pode levar embora
a sua ira? “ Não consigo explicar isso, mas já
experimentei que até um pensamento sobre a igreja
pode fazê-lo vitorioso. Se você viver realmente na
vida da igreja, quanta santidade e vitória terá!
Quando você chegar à Nova Jerusalém, ainda estará
buscando santidade, humildade e paciência? Não, na
Nova Jerusalém todo esse vocabulário será eliminado.
Não haverá paciência, mas haverá o próprio Deus
como o Deus todo-suficiente. Na vida da igreja temos
hoje uma miniatura da Nova Jerusalém; nenhum
outro cristão experimenta tanto a santidade como
nós. Não estamos edificando nossas choças e cabanas.
Somos apenas pelo edifício único-a casa de Deus.
Essa casa é uma habitação mútua. Tanto nós como
Deus habitamos aqui. Louvado seja o Senhor por
estarmos agora na vida da igreja, experimentando-O
de maneira corporativa!
A promessa de Gênesis 35:11, feita pelo Deus
todo-suficiente, é para que sejamos principalmente
fecundos e nos multipliquemos. Parece que isso faz
lembrar a pregação do evangelho. Embora possa
haver alguma semelhança entre essa promessa e a
pregação do evangelho, a pregação do evangelho hoje
é uma maneira de dar fruto. Enquanto a pregação do
evangelho pode ser uma atividade externa, produzir
fruto é um transbordar interior de vida. Ser fecundo e
multiplicar-se significa gerar filhos, produzir algo das
riquezas de nossa vida interior. Isso só pode ocorrer
por meio do transbordar da rica vida interior.
Suponha que todos nós fôssemos “macacos”, e
Deus dissesse: “Macacos, sejam fecundos”. Se fosse
esse o caso, muitos “macacos” seriam gerados.
Certamente, Ele não deseja tal tipo de multiplicação.
Deus quer a multiplicação de Israel, não de Jacó.
Como vimos, o nome Israel tem em si as letras
hebraicas para Deus-El. A nossa multiplicação deve
ser a multiplicação de Deus. A multiplicação de
“macaco” não é a multiplicação de Deus, porque
“macaco” não tem em si a essência, o elemento de
Deus. Falta-lhe o “EI”. Mas Israel contém algo de
Deus. Precisamos ser transformados para a
multiplicação. Antes de Abrão tomar-se Abraão,
Deus jamais lhe disse para ser fecundo. Se houvesse
falado essa palavra antes de Abrão tomar-se Abraão,
teria sido multiplicado o homem natural, não o
transformado. Somente após ser
Abraão circuncidado e haver experimentado a
mudança de nome é que Deus prometeu fazê-lo
“fecundo extraordinariamente” (17:6). O mesmo
ocorreu com Jacó. No capítulo 28, Deus não
prometeu que ele seria fecundo e multiplicar-se-ia.
Lá, Ele apenas disse que a descendência de Jacó seria
como o pó. Mas isso é diferente do capítulo 35. Aqui,
Deus prometeu que ele seria fecundo e multiplicar-
se-ia, e disse-lhe que dele sairiam nações com reis.
Isso não é a multiplicação de “macacos”, mas de
Israéis.
Ao pregar o evangelho, muitos cristãos geram
“macacos”, que não são bons para a vida da igreja.
Você quer ter uma multiplicação de “macacos”? Não.
Precisamos ter a multiplicação de Israéis. Para isso,
precisamos ser transformados de J acós em Israéis,
porque somente Israel pode gerar Israel. É por isso
que a promessa neste capítulo se baseia no fato de
Jacó ser transformado. Isso também se destina à
edificação da casa de Deus.
Embora eu tenha conduzido algumas pessoas ao
Senhor antes de entrar para a vida da igreja,
nenhuma delas entrou para a vida da igreja.
Introduzi-as no cristianismo, mas apesar de quanto
tentei, não consegui levá-las para a vida da igreja.
Contudo, após entrar para a igreja, centenas de
outras pessoas conduzi das ao Senhor em minhas
primeiras pregações não apenas se salvaram, como
também entraram para a vida da igreja. Você pode
dizer: “Irmão Lee, antes de você entrar para a igreja,
era Jacó, e, assim, gerou outros Jacós”. Isso é
verdade, mas depois de entrar para a vida da igreja e
experimentar transformação, quase todos os que eu
trouxe ao Senhor se tomaram material para a
edificação da vida da igreja, para a edificação da casa
de Deus. Há uma grande diferença entre a pregação
do evangelho e tal tipo de multiplicação. Não estamos
meramente pregando o evangelho para o exercício de
certas atividades externas; estamos vivendo a vida da
igreja para gerar o fruto correto, com vistas à vida da
igreja.
Note que o versículo 11 não diz que essa
multiplicação se destina a Betel. Pelo contrário, ela
indica nações com reis. Isso revela, ou pelo menos
implica, que a vida correta da igreja deve ser o reino.
O resultado de nossa multiplicação precisa ser a vida
da igreja, e essa vida da igreja tem de ser o reino.
Há um problema quanto à interpretação da
expressão “uma multidão de nações” do versículo 11.
Quantas nações, na verdade, saíram de Jacó?
Somente a nação de Israel. Além disso, em 17 :5,
Abraão é chamado o “pai de uma multidão de nações”
(hebr.). Quais são as muitas nações das quais Abraão
é pai? Não creio que Deus conte as nações árabes,
porque são os descendentes de Ismael. Somente uma
nação, a nação. de Israel, saiu de Abraão. Precisamos
da Bíblia toda para desenvolver qualquer das
sementes encontradas no livro de Gênesis. Sem
dúvida, Israel era uma nação, um reino. A igreja, o
milênio e a Nova Jerusalém na eternidade também
serão reinos.
Mesmo hoje, a vida da igreja deve ser uma nação,
um reino. A nossa multiplicação deve resultar em
nações. Isso significa que qualquer que seja o fruto
que demos, tudo deve resultar na vida da igreja, que
será um genuíno reino de Deus com reis. Não
estamos aqui apenas para a vida da igreja, mas
também para o reino. Para a igreja não precisamos
de muita disciplina, mas para o reino precisamos de
considerável disciplina.
No fim do Evangelho de Marcos, o Senhor disse
aos Seus discípulos: “Ide por todo o mundo e
proc1amai o evangelho a toda a criação”. (Mc 16:15).
Ao final de Lucas está escrito: “E que em seu nome se
proclamasse arrependimento para perdão de pecados
a todas as nações” (Lc 24:47). Entretanto, em Mateus
28:19, o Senhor disse: “Ide, portanto, fazei discípulos
de todas as nações”. O Evangelho de Mateus diz
respeito ao reino e nele a vida da igreja hoje é o reino.
Mateus 16:18-19 assim o indica: “Sobre essa rocha
(lit.) edificarei a Minha igreja, e as portas do Hades
não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do
reino dos céus”. Nesses versículos as palavras “igreja”
e “reino” são intercambiáveis. Isso revela que a igreja
é o reino e o reino é a igreja. A vida da igreja hoje
precisa ser o reino. Por não haver reino no
cristianismo, podemos dizer que nele não há a igreja
correta. No cristianismo não há discipulado, não há
disciplina. Precisamos gerar frutos que serão
discípulos genuínos, os que estarão sob a disciplina
divina, de modo que a vida da igreja possa realmente
ser o reino. Na vida da igreja hoje há a necessidade
de disciplina. Se não aceitarmos essa disciplina hoje,
como poderemos esperar reinar na era do reino? Se
você jamais foi disciplinado sob a autoridade de Deus,
não saberá como governar sobre as nações. A vida da
igreja é uma preparação para o reino e nela estamos
agora sendo disciplinados para ser co-reis com Cristo.
MENSAGEM OITENTA E DOIS

SENDO TRANSFORMADO (5)

(f) Os Feitos de Jacó

1) Erigiu uma Coluna


Nesta mensagem, ainda continuaremos na
experiência em Betel. Em 35:14, estando em Betel,
Jacó erigiu por fim uma coluna de pedra, do mesmo
modo que fizera após ter o sonho quando esteve em
Betel pela primeira vez (28:18). Lá, a coluna de pedra
fora chamada de casa de Deus (28:22). Se Jacó não a
tivesse chamado de casa de Deus, jamais
perceberíamos que a coluna de pedra destinava-se à
edificação da casa de Deus. Considerá-la-íamos
simplesmente um pedaço de rocha. Mas agora
sabemos que ela pode tomar-se uma casa. Isso indica
que a coluna se tomará um edifício, a casa de Deus.
No livro de Gênesis há dois tipos de colunas: a
coluna de pedra (28:18; 35:14) e a coluna de sal
(19:26). Que tipo de coluna você quer ser?
Certamente, todos queremos ser colunas de pedra.
Esta indica edificação em força. Salomão erigiu duas
colunas no pórtico do templo (1 Rs 7:21). À primeira
chamou Jaquim, que quer dizer “Ele estabelecerá” e à
segunda denominou Boaz, que significa “Nele há
força”. A coluna de pedra não só representa
edificação, mas edificação em força. A coluna de sal
indica vergonha, por ser ela inútil para o propósito de
Deus. A esposa de Ló, uma das pessoas chamadas por
Deus, tornou-se uma coluna de vergonha. Deveria ser
material para a edificação, mas por sua degradação
tornou-se material de vergonha.
Na seqüência deste Estudo-Vida temos visto
repetidas vezes que quase tudo em Gênesis é uma
semente da verdade que se desenvolve nos livros
posteriores da Bíblia. A maneira de estudar
Apocalipse é fazer justamente o contrário. Se quiser
entender Apocalipse, você precisará localizar os seus
pontos, retomando aos livros anteriores. Nesta
mensagem, precisamos acompanhar o
desenvolvimento da semente da coluna.

a) Um Esboço Geral aa. Para o Templo


Após edificar O templo, Salomão acrescentou
propositalmente duas colunas. De acordo com a
nossa concepção natural, pensaríamos que ele
deveria, primeiramente, edificar as colunas, e, depois,
o templo. Mas somente após construir o templo é que
ele edificou duas colunas, colocando-as diante do
templo (1 Rs 7:15-22). Se pudéssemos ver esse
templo, os nossos olhos teriam primeiramente
focalizado, não o templo em si, mas essas duas
colunas. O tamanho delas é aparentemente
desproporcional ao tamanho do templo. Mas o seu
tamanho desproporcional é significativo: indica que
as duas colunas do templo são como um gigantesco
anúncio. Hoje, quando nos aproximamos de certo
edifício, há um sinal designando-lhe a natureza. De
semelhante modo, diante do templo havia dois sinais
a dizer: “Deus estabelecerá” e “Nele há força”. Essas
duas colunas declaram a todo o universo, inclusive à
humanidade, a Satanás e a todos os anjos caídos, que
o Senhor estabelece, e que a força está no edifício. A
Bíblia diz enfaticamente que a primeira coluna é
chamada Jaquim e a segunda Boaz. Já enfatizamos
que o nome Jaquim significa “Ele estabelecerá” e que
o nome Boaz quer dizer “Nele há força”. Isso revela
claramente que a edificação da casa de Deus depende
totalmente da coluna. É por essa razão que Jacó não
edificou a casa de Deus, mas apenas erigiu uma
coluna.
No capítulo 28, Jacó ainda era um suplantador.
Esse suplantador, todavia, recebeu tanto a visão
quanto a interpretação. Interpretou a própria visão, o
próprio sonho, erigindo uma coluna e chamando-a de
casa de Deus. Tal interpretação foi muito melhor do
que a interpretação de Daniel quanto aos sonhos de
Nabucodonosor. Daniel meramente interpretou;
nada erigiu nem tomou qualquer atitude. Jacó,
todavia, não apenas interpretou verbalmente o
próprio sonho, dizendo: “Esta é a casa de Deus”, mas
também erigiu uma coluna, chamando-a de casa de
Deus. Como poderia Jacó, um suplantador não-
arrependido, não-regenerado e não-transformado,
fazer tal coisa maravilhosa? Todavia, ele a fez, e todos
nós precisamos dizer: “Obrigado, Jacó, por abrir os
céus, de modo a podermos ver a casa de Deus”.
Para a edificação da casa de Deus, os céus foram
abertos para um suplantador. Creio nisso porque a
Bíblia no-lo diz assim. Não confio em meu próprio
conceito porque, de acordo com ele, seria impossível
a um suplantador fazê-lo. Eu poderia facilmente crer
que uma pessoa piedosa e íntegra como Daniel, um
homem de oração diária, pudesse ter interpretado
um sonho espiritual. Mas não parece justo nem
lógico que um suplantador o faça. Mas Jacó o fez
espontaneamente. Isso é totalmente uma questão de
graça. Como diz Romanos 9:11, “não por obras, mas
por aquele que chama”. Romanos 9:13 diz: “Amei a
Jacó, porém me aborreci de Esaú”. A graça não é
uma questão de justiça. Não interrogue a Deus,
dizendo: “Senhor, por que odeias a Esaú? Para mim,
ele é muito melhor que Jacó. É injusto amares a Jacó
e odiares a Esaú”. A isso Deus replicaria:
“Simplesmente amo a Jacó e odeio a Esaú. Que você
tem a dizer sobre isso? Quando odeio, tenho a
posição para odiar, e quando amo tenho a graça para
amar”. Quem é você? Esaú ou Jacó, um homem bom
ou um suplantador? Todos precisamos confessar que
somos Jacós, os seguradores de calcanhar, os
suplantadores. A igreja está cheia de seguradores de
calcanhar. Se você não é um segurador de calcanhar,
perderá a graça de Deus. Somos verdadeiros
seguradores de calcanhar, mas o somos em graça.
Ninguém pode negá-lo. Posso gritar e declarar:
“Louvado seja o Senhor, porque sou um segurador de
calcanhar em graça. A graça me faz diferente”.
Embora Jacó fosse um suplantador no capítulo
28, ao chegarmos ao capítulo 48, vemo-lo
completamente transformado em um homem de
Deus. Esse homem de Deus é a coluna. Em certo
sentido, a casa de Deus foi edificada com essa coluna.
Quando você entra no templo de Deus no universo, a
primeira coisa que vê é esse homem-Deus, esse Israel,
em pé, diante do edifício de Deus. Depois de
transformado em Israel, Jacó permaneceu diante do
edifício de Deus, como um anúncio da casa de Deus.

bb. Para a Edificação da Igreja


Ao prosseguirmos até o Novo Testamento,
percebemos que o Senhor Jesus veio pela encarnação.
A Sua encarnação foi o erigir de um tabemáculo (Jo
1:14). Esse tabemáculo, erigido para que Deus
pudesse habitar entre os homens, era um precursor
do templo. Quando vê um rapazinho, você sabe que
ele será um homem adulto. De semelhante modo,
quando vê o tabemáculo, você percebe que o templo
está para vir. Como tabemáculo, Jesus foi a indicação
de que o templo de Deus estava para surgir. É por
essa razão que o Senhor mudou o nome de Simão, o
representante do primeiro grupo de discípulos, para
Cefas, que significa “pedra” (Jo 1:42). Em Mateus
16:18, depois de Pedro responder à pergunta do
Senhor “Quem dizeis que Eu sou? “ com as palavras
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, o Senhor Jesus
retrucou-lhe: ''Tu és uma pedra” (gr.). O Senhor
parecia estar dizendo: “Eu sou Cristo, a rocha; e você
é uma pedra a ser edificada sobre Mim, para a
edificação da Minha igreja”. Em sua primeira epístola,
Pedro disse mais tarde: “Também vós mesmos, como
pedras que vivem, sois edificados casa espiritual” (1
Pe 2:5). Considere também o caso do apóstolo Paulo.
Antes, ele era um opositor da edificação de Deus,
fazendo todo o possível para persegui-Ia, danificá-la
e devastá-la. Mas estando a caminho de Damasco
para perseguir a igreja, foi apanhado pelo Senhor e
tomou-se não apenas o material para a edificação
como também um sábio mestre construtor (1 Co
3:10-lit.).
Em Gálatas 2:9, Paulo disse que Tiago, Cefas e
João eram reputados colunas. Naquela época, eles
eram respeitados pelos santos como colunas. As
colunas de 1 Reis 7:21 referem-se à construção do
templo de Deus no Antigo Testamento, mas as
colunas de Gálatas 2:9 referem-se à edificação da
casa de Deus no Novo Testamento. Muitos cristãos
sabem que Pedro e João eram discípulos e apóstolos,
mas poucos percebem que eles eram também colunas.
Não foram apenas discípulos discipulados pelo
Senhor e apóstolos que discipularam, que ensinaram
e edificaram os outros; foram também colunas,
anúncios do edifício de Deus no Novo Testamento. Se
você chegasse a Pedro, João e Tiago, eles não lhe
falariam de doutrina ou de religião. Pelo contrário,
do mesmo modo que as colunas diante do templo não
expressavam religião, ensinamentos ou
mandamentos, mas o templo, eles também
expressariam a casa de Deus. Quando alguém via as
duas colunas diante do templo, imediatamente
percebia que o templo estava lá. De semelhante modo,
quando vemos Pedro, Tiago e João, percebemos que
o edifício da casa de Deus está lá. Muitos cristãos
vêem as coisas com óculos coloridos. Quando você
lhes fala de Pedro, eles simplesmente o vêem como
um apóstolo. Você percebe que Pedro é uma coluna?
Por muitos anos, toda vez que pensava em Pedro e
João, eu os considerava como apóstolos, não como
fortes colunas. Recentemente, entretanto, o Senhor
revolucionou o meu conceito. Agora, toda vez que
penso em Pedro, Tiago e João, penso nas três
grandes colunas em pé diante de mim. Quando
vemos tais colunas, não pensamos em religião ou
doutrina, mas na casa de Deus. Tais colunas
permanecem de pé no universo para expressar Betel,
o templo de Deus.

cc. Na Nova Jerusalém


Não pense que nessa questão de colunas eu
esteja fazendo alegorias da Bíblia. As letras D-e-u-s
formam a palavra “Deus”, e as letras m-e-u formam a
palavra “meu”. Isso não é alegoria, é leitura. Deus, o
melhor redator, imprimiu algumas palavras bem
claras para a nossa compreensão. Primeiramente, em
Gênesis 19:26, Ele imprimiu uma coluna negativa, a
coluna de sal. Ao mencioná-la, Ele nos pergunta se
queremos tomar-nos uma coluna de sal. No capítulo
28, temos a coluna de pedra, e, em 1 Reis 7, temos as
duas colunas diante do templo. Em Gálatas 2:9, as
colunas são mencionadas novamente, agora
relacionadas com o templo de Deus no Novo
Testamento. Em Apocalipse 3:12, o Senhor fala outra
vez da coluna, dizendo: “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna
no santuário do meu Deus”. A coluna neste versículo
não se refere ao templo do Antigo Testamento nem
do Novo Testamento, mas à Nova Jerusalém no reino
vindouro e na eternidade. O templo de Deus se
desdobra em três estágios, três dispensações: o
estágio do Antigo Testamento, o do Novo Testamento,
e o do reino e da eternidade. O Primeiro Livro dos
Reis capítulo 7 fala do estágio do Antigo Testamento;
Gálatas 2:9 abrange o estágio do Novo Testamento;
Apocalipse 3:12 refere-se ao edifício de Deus na era
do reino e na eternidade. Essa é a maneira de Deus
redigir. Colocamos juntas as letras D-e-u-s e lemos a
palavra “Deus”. De semelhante modo, colocamos
juntos 1 Reis 7:21, Gálatas 2:9 e Apocalipse 3:12, e
podemos dizer: “Agora compreendo por que, ao
interpretar a visão da casa de Deus-Betel _, Jacó
erigiu uma coluna. A coluna é um indicador, um
anúncio, uma designação da casa de Deus”.
Em 1 Reis 7:21, havia apenas duas colunas, e em
Gálatas 2:9 por sua vez, havia só três colunas.
Quantas colunas haverá na era vindoura? O número
não será escrito pelo Senhor, mas por você e por mim.
Ninguém sabe quantas colunas haverá. Podemos
simplesmente dizer: “Quem quiser poderá ser”.
Quem quiser poderá ser uma coluna no templo de
Deus. A porta está bem aberta. Diferente de certas
universidades notáveis que só aceitam um número
limitado de candidatos, não há limitação quanto ao
número dos que desejam ser e que podem tomar-se
colunas no templo de Deus na era vindoura. O
número, seja mil ou um milhão, está aberto. Se o
número fosse limitado a dois, nenhum de nós teria
possibilidade. Ser-nos-ia impossível ser colunas. Mas
o número não é limitado. Ao contrário, é: “Quem
quiser poderá ser”. Você está disposto a ser urna
coluna? Eu estou. Quanta misericórdia o Senhor tem
para conosco!
Observe o tamanho do Santo dos Santos no
tabernáculo: era um cubo de dez côvados em cada
lado (Êx 26:8, 16). O Santo dos Santos no templo era
um pouco maior, sendo um cubo de vinte côvados em
cada lado (1 Rs 6:20). Mas veja como será grande o
Santo dos Santos na Nova Jerusalém vindoura. Toda
a cidade, com doze mil estágios de comprimento,
largura e altura (aproximadamente dois mil e
duzentos quilômetros, quase a distância entre São
Paulo e Salvador), será um Santo dos Santos
ampliado (Ap 21:16). Para o pequeno Santo dos
Santos, duas colunas eram suficientes. Mas quantas
colunas serão necessárias para o Santo dos Santos
ampliado? A resposta é: “Quem quiser poderá ser”.
Há um lugar para você. Se você não ocupar aquele
lugar, haverá uma vaga na eternidade.
Tenho lido e estudado a Bíblia por mais de
cinqüenta anos. Ela é muito profunda, e ninguém
pode entendê-la totalmente. Creio que o que lhes
estou ministrando nesta mensagem foi cavoucado
das profundezas desse livro. No Antigo Testamento,
as duas colunas indicavam o templo de Deus; no
Novo Testamento, três colunas expressam o Seu
edifício. Mas as colunas no reino vindouro e na Nova
Jerusalém na eternidade serão inumeráveis. Hoje,
quem quiser pode ser uma delas.

dd. A Necessidade de se Estar em Betel


Precisamos agora considerar a maneira de se
tornar uma coluna. Creio que todos nós, jovens e
velhos, estamos ansiosos por sabê-lo. Se você quiser
saber como tornar-se uma coluna, precisa considerar
cinco lugares diferentes: o lugar da mulher de Ló,
que se tornou uma coluna de sal; o lugar onde Jacó
erigiu uma coluna, em Betel; o lugar em que Salomão
edificou as duas colunas; o lugar de Pedro, Tiago e
João, colunas na igreja do Novo Testamento; o lugar
da igreja em Filadélfia, onde vemos que quem quiser
poderá ser uma coluna. A sua posição é a da mulher
de Ló? A tal pergunta, você certamente responderá:
“Não! “ Mas será que a sua posição é a de Jacó, a das
duas colunas no templo, a das três colunas no Novo
Testamento e a de Filadélfia em Apocalipse 3:12? A
isso você tem de responder: “Sim! “, porque a sua
posição deve fundar-se em cada um desses quatro
lugares. Primeiramente, você precisa tomar a posição
de Jacó; a seguir, a das colunas de Salomão; depois, a
das três colunas, e, finalmente, a posição de Filadélfia.
Se quiser ser uma coluna na Nova Jerusalém
vindoura, você precisa escapar do lugar da mulher de
Ló. Enquanto ficar nele, você não poderá ser uma
coluna de pedra. Lembre-se do aviso do Senhor em
Lucas 17:32: “Lembrai-vos da mulher de Ló”. Muitos
cristãos estão hoje na posição da mulher de Ló. Isso é
verdade até com alguns de nós. Parece que muitos
não se preocupam com o tornar-se uma coluna de sal
ou de pedra. Mas você tem de se preocupar. Se não se
preocupar agora, haverá de preocupar-se algum dia.
Algum dia, você não só se arrependerá da sua
indiferença, mas também a lamentará.
Depois de escaparmos da posição da mulher de
Ló, precisamos chegar a Betel. No decorrer dos
últimos cinqüenta anos, temos recebido o encargo de
Deus com respeito a Betel. Simplesmente não
podemos fugir da igreja. Somos condenados por isso
e as pessoas dizem que somos muito extremistas com
respeito a ela. Acusam-nos de sermos radicais pela
igreja e de não nos importarmos com a pregação do
evangelho, com o ensino da Bíblia e com outros tipos
de obras cristãs. A minha resposta a tal acusação é a
seguinte: “Ainda não sou suficientemente pela igreja;
ainda não estou suficientemente 'louco' pela igreja”.
Não pense que isso seja conceito meu. Se você ler o
Novo Testamento, verá que as colunas-Pedro, Tiago e
João, e também Paulo-eram “loucos” pela edificação
de Deus. Através dos anos, muitos têm argumentado
contra mim, dizendo: “Ao pregarmos o evangelho
ganhamos almas, ensinamos às pessoas a Bíblia e
ajudamo-las a amar o Senhor. Isso não é
suficientemente bom? “ A minha resposta é: “Onde
está a igreja? Em Mateus 16:18, o Senhor Jesus disse:
'Edificarei a minha igreja'. Onde está essa igreja
edificada? Será que a palavra do Senhor pode falhar
em seu cumprimento? Onde, com que, e de que
modo Ele vai edificar a Sua igreja? “Agora é a hora da
edificação da igreja. Aqui e agora, conosco, o Senhor
está edificando a Sua igreja. Muitos cristãos dedicam
sua atenção ao estudo das profecias. A maior profecia
é a palavra do Senhor em Mateus 16:18: “Edificarei a
minha igreja”. Não se preocupe com Israel, com o
anticristo, com o Império Romano restaurado ou
com os dez chifres. Pelo contrário, dedique toda a sua
atenção à afirmativa do Senhor em Mateus 16:18. Ao
longo dos séculos e mesmo hoje, a igreja ainda não
foi edificada. Por essa razão temos tanto encargo por
ela.
Se quiser ser uma coluna de pedra, você precisa
estar em Betel. Betel é o lugar exclusivo. O lugar da
mulher de Ló é o lugar certo para se tomar uma
coluna de vergonha, e Betel é o local correto para se
tomar uma coluna para a edificação. Quando alguns
cristãos ouvirem isso, dirão: “Irmão Lee, você quer
dizer que somente os que estão na igreja podem
tomar-se colunas de pedra? Que dizer dos que não
estão na igreja? “ A minha resposta é: “A maneira
mais certa de se tomar uma coluna é entrar para a
igreja”. Todos estamos familiarizados com a
necessidade de seguro. Você pode ter sorte de jamais
sofrer um acidente, mas ainda assim seria prudente
fazer um seguro. Quando os que estão fora da igreja
contendem comigo sobre esse assunto, eu
freqüentemente digo: “Amigo, tenho paz dentro de
mim. Se meu caminho é certo ou errado, realmente
não me importa. Mas sei que enquanto permanecer
neste caminho, estarei em paz. E quanto a você?
Enquanto discute comigo, você tem paz? “ Muitos já
me disseram: “Não, não tenho paz”. Eu então tenho
replicado: “Por que tenho paz e você não? É que você
não está no caminho. Por favor, não discuta comigo”.
A todos os nossos amigos cristãos eu diria esta
palavra: “Venham a Betel e entrem para a igreja. Ela
é a melhor companhia de seguros. Aqui todos
estamos seguros”. É significativo que, nos capítulos
28 e 35, Jacó tenha erigido uma coluna em Betel, na
casa de Deus. Hoje, a casa de Deus é a igreja. Em 1
Timóteo 3:15, Paulo disse: “Para que, se eu tardar,
fiques ciente de como se deve proceder na casa de
Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte
da verdade”. Se você quiser ser uma coluna de pedra,
precisa estar aqui em Betel.

ee. Subiu Duas Vezes a Betel


Jacó subiu a Betel duas vezes. De acordo com a
minha experiência, isso indica que todos entramos
duas vezes para a igreja. Primeiramente, entramos
num sonho; depois, em realidade. Em 1925, tive um
sonho claro, mas somente sete anos mais tarde, em
1932, é que entrei na realidade e na prática da vida
da igreja. Muitos de vocês tiveram experiência
semelhante. Quando você entrou pela primeira vez,
isso foi um sonho por um bom período. Você
possivelmente esteve num sonho por vários anos.
Mas depois desse período, não estando mais em
sonho, você pôde dizer: “Oh! estou na vida da igreja,
real e praticamente. Os anos passados foram um
sonho. Graças ao Senhor por manter-me nele, mas
agora tenho a experiência real”. Primeiramente, Jacó
teve o sonho. Mais de vinte anos depois, ele foi
introduzido na experiência.
Se você comparar os capítulos 28 e 35, perceberá
uma grande diferença entre eles. Tudo no capítulo 28,
por ser sonho, é um pouco vago, indefinido. Na
experiência do capítulo 35, entretanto, tudo é
definido e prático. Não obstante, agradecemos ao
Senhor porque o sonho no princípio era uma figura
real. Tudo na realidade é o mesmo que no sonho.
Nisso não há diferença. A única diferença é que o
sonho é indefinido e a realidade é definida.
Precisamos tanto do sonho como da prática.
Louvamos ao Senhor por hoje estarmos na prática da
vida da igreja.
Na prática de Betel, no capítulo 35, Jacó não só
erigiu uma coluna, mas também derramou sobre ela
uma libação. No capítulo 28 não houve o derramar
da libação, somente do óleo. Mas aqui, antes do óleo,
houve o derramar da libação. Essa experiência é
muito subjetiva. Em Betel, primeiramente temos o
sonho, e depois a realidade. Na realidade, edificamos
uma coluna e nos derramamos sobre ela. Isso é muito
significativo. Jacó não derramou a libação sobre si
mesmo ou sobre a terra. Derramou-a sobre a coluna.
Veremos mais sobre isso em outra mensagem.

ff. o Cristo em Quem Descansamos é


Constituído uma Coluna
De acordo com 28:18, Jacó “tomou a pedra que
havia posto por travesseiro, e a erigiu em coluna”
(hebr.). A coluna era a pedra que ele usara por
travesseiro. Essa pedra descreve Cristo como nosso
descanso. Jacó não teve esse sonho em sua própria
casa, mas viajando em sua peregrinação. Como Jacó,
somos também peregrinos. Enquanto viajamos em
nosso caminho, temos a visão da igreja. Todo
peregrino fica cansado e necessita de descanso. Onde
podemos encontrar esse descanso? A resposta é a
palavra do Senhor em Mateus 11 :28: “Vinde a Mim
todos os que labutais e estais sobrecarregados, e Eu
vos darei descanso”. Cristo é a pedra na qual
podemos colocar nossa pesada carga e encontrar
descanso. O Cristo no qual descansamos é o elemento
constituinte da coluna. Nós mesmos não somos o
material para a edificação da coluna. Tal material
deve ser o Cristo no qual descansamos e que
experimentamos, o Cristo trabalhado em nosso ser
que se constitui uma coluna.
No cristianismo de hoje é muito difícil às pessoas
terem a constituição da coluna, porque poucos têm
sido instruídos a experimentar Cristo de maneira
subjetiva. Quando você estava no cristianismo,
alguma vez lhe disseram como experimentar Cristo
sendo trabalhado em seu íntimo? Recentemente, eu
disse a alguns irmãos e irmãs que nós, na igreja,
precisamos não só amar ao Senhor e viver para Ele,
mas também viver por meio Dele. Oh! há uma
enorme diferença entre viver para Cristo e viver por
meio Dele. Se vive para Cristo, você é quem faz as
coisas para Ele, mas você permanece você, e Cristo
não é trabalhado em seu íntimo. Viver por meio de
Cristo, entretanto, significa que Ele está sendo
trabalhado dentro de nós. Por termos Cristo
trabalhado em nosso ser, tomamo-nos o material
para a edificação. A pedra para a coluna é
primeiramente Cristo. Depois, é o Cristo
experimentado por nós e trabalhado em nosso íntimo.
Atualmente, essa pedra não é simplesmente Cristo,
mas Cristo dentro de nós. Ele é trabalhado dentro do
nosso ser, e nós nos tomamos um com Ele. Dessa
maneira, tomamo-nos o material de edificação para a
coluna.
Essa experiência somente é possível na vida da
igreja. O mínimo que podemos dizer é que a maior
possibilidade de se ter essa experiência está na vida
da igreja. A razão disso é que fora dela, na assim
chamada religião cristã, poucos são ensinados a ter
Cristo trabalhado dentro deles. Tenho plena certeza
de que, doravante, mensagens e mais mensagens nos
serão dadas, ensinando-nos a viver por meio de
Cristo. Esse trabalhar de Cristo em nosso ser é a
verdadeira transformação. Quando o Seu elemento é
adicionado a nós, tomamo-nos o material para a
edificação da coluna. Isso tudo ocorre em Betel, o
lugar onde Jacó estava.
Em 1964 fui convidado para falar a certo grupo
em Dallas. Meus anfitriões, que apreciavam meu
ministério, foram muito gentis. Disseram-me,
todavia, tanto por indiretas como por palavras claras,
que as pessoas em Dallas não estavam prontas para
ouvir algo acerca da igreja. Disseram: “Irmão Lee,
por favor, solidarize-se conosco e não diga palavra
alguma acerca da igreja”. Não lhes prometi atender o
pedido. Pelo contrário, eu disse: “Percebo claramente
a situação. Mas asseguro-lhes que quanto mais falo
de Cristo e O ministro como vida às pessoas, mais
elas desejam ter a igreja. Mesmo se não dissesse
palavra alguma acerca da igreja e apenas ministrasse
Cristo como vida, elas ainda desejariam a igreja”. Na
última reunião, tive o encargo de falar-lhes uma
palavra acerca da igreja. Quando me levantei e lhes
pedi que lessem Romanos 12, ficaram desapontados.
Mas disse a mim mesmo: “Não me preocupa se os
ofende ou não. Se não libero o meu encargo, não
consigo viver”. Disse então uma palavra forte sobre a
igreja, e eles se ofenderam com isso. Mais tarde,
soube que certo irmão, Benson Phillips, que ainda
não entrara para a vida da igreja, assistira àquela
última reunião. Muitos haviam orado por ele.
Naquela reunião, a única a que ele assistiu, ele foi
apanhado para a vida da igreja. Embora eu tivesse
ofendido aquelas pessoas, o Senhor ganhou o irmão
Benson. Hoje, ele se tomou uma coluna.

gg. Aperfeiçoado para Ser uma Coluna


Como se pode dizer que alguém se tomou uma
coluna? Na igreja, percebemos que, se determinados
irmãos são levados, tudo entra em colapso; mas se
eles estão presentes, são colunas a sustentar todo o
edifício. O Senhor não está preocupado com os que se
ofendem; Ele se importa com os que se tomarão
colunas. As colunas somente podem ser
aperfeiçoadas em Betel. Em outras palavras, elas só
podem ser erigidas em Betel. Nenhuma coluna para a
casa de Deus foi erigida alguma vez fora de Betel. Se
Benson Phillips não houvesse entrado para a igreja,
mas permanecesse numa denominação, não poderia
ter sido aperfeiçoado para ser uma coluna. Foi
aperfeiçoado em Betel, na vida da igreja. Após
experienciarmos Cristo de maneira subjetiva e
estarmos absoluta e definitivamente na vida da igreja,
ainda assim precisaremos de muito aperfeiçoamento.
Consideremos agora as colunas mencionadas em
Gálatas 2:9. Quando o Senhor chamou a Pedra, este
era um pescador. Era rude, grosseira e imperfeito.
Mas depois de o Senhor gastar três anos e meio
trabalhando em seu íntimo, ele foi aperfeiçoado e, no
dia de Pentecoste, foi erigido em coluna. Quando
Pedro se levantou no dia de Pentecoste, os anjos
devem ter-se rejubilado, dizendo: “Este é Boaz. É o
sinal de que a edificação de Deus está chegando”. Se
ler o livro de Atos, você verá que Pedro era uma
coluna erigida diante do templo de Deus no Novo
Testamento.
Jovens, esta é uma palavra do íntimo do meu
coração. A restauração do Senhor está se espalhando,
e tenho certeza de que se expandirá em boa
velocidade. Mas a capacidade de expansão da
restauração do Senhor depende das colunas. Creio
que haverá igrejas em todas as grandes cidades deste
país e em todos os países importantes da terra. Para
isso, há a necessidade de colunas. Espero que vocês,
jovens, vejam isso. Se virem isso, dirão: “Senhor, não
posso negar que me designaste para o Teu caminho, e
que eu ouvi a Tua palavra atual. Percebo que preciso
experimentar Cristo de maneira subjetiva, e que
preciso ser aperfeiçoado na vida da igreja, em Betel.
Senhor, tem misericórdia de mim e concede-me a
graça de que necessito”.
A esta altura, gostaria de falar-lhes algo sobre
um certo irmão. Em 1968, enquanto estudava
medicina na Alemanha, ele escreveu-me uma carta.
Sete anos antes, em 1961, eu o conhecera fazendo o
segundo grau em Manila. Naquela época, eu passava
cerca de quatro meses por ano em Manila,
principalmente para ajudar os jovens. No verão de
1961 fui com muitos daqueles jovens sequiosos a um
acampamento na montanha. Aquela conferência de
jovens esteve grandemente sob a bênção de Deus, e
todos eles, inclusive esse irmão, ficaram
profundamente tocados pelo Senhor. Um pouco
depois, ele foi para a Alemanha estudar. De repente,
sete anos mais tarde, recebi uma carta dele dizendo-
me que, enquanto estudava medicina, teve o encargo
de Deus para desistir do seu estudo e trabalhar para
o Senhor. Dizia-me que tivera contato com um
famoso pregador, mas que este o desencorajara,
dizendo-lhe que continuasse seus estudos. Esse
irmão disse-me que, não tendo condições de
continuar, decidira escrever-me. Respondi à sua
carta de maneira simples, convidando-o a vir a Los
Angeles para a conferência e treinamento de verão,
dizendo-lhe que poderíamos assim ter mais
comunhão. Ele aceitou o convite e veio a Los Angeles.
Mais tarde, no verão, ele se juntou a nós na viagem
ao Extremo Oriente. Embora seus pais tentassem
convencê-lo a retomar seus estudos de medicina, pela
graça de Deus ele venceu a oposição deles e regressou
a Los Angeles, onde permaneceu por três ou quatro
anos. Naquela época, sendo um jovem que não
conhecia quase nada, o Senhor o aperfeiçoou para ser
uma coluna. Ele agora está na Europa. Antes de ir,
muitos lá já estavam preparados para se opor à
restauração do Senhor. Temiam a minha ida. Para a
grande surpresa deles, o Senhor enviou um pequeno
irmão. Creio que quando este foi para a Europa, os
anjos nos céus se rejubilaram, dizendo: “Aleluia! o
sinal do templo de Deus está chegando! “ Hoje,
ninguém na Europa pode derrotar esse pequeno
irmão. Recentemente, disseram-me que ele, que
esteve fora da Alemanha por certo tempo, é
desesperadamente necessário lá e precisa retomar.
Jovens, o meu encargo é que percebam que a
responsabilidade de vocês é tremenda. Se nos anos
vindouros muitos de vocês forem aperfeiçoados como
esse irmão, a restauração do Senhor se expandirá
rapidamente. Quanto o Senhor tem feito na Europa
por meio dele! Que você imagina que o Senhor
poderia fazer se tivesse cem jovens como ele? o meu
encargo não é simplesmente liberar uma mensagem.
É ajudá-los a ver que hoje todos nós temos a
oportunidade de ouro de sermos aperfeiçoados e
feitos colunas. Por estarmos em Betel, a nossa
oportunidade é muito maior que a de Pedro. Este
estava nos Evangelhos, no princípio do Novo
Testamento; mas nós estamos no fim do Novo
Testamento, em Apocalipse 3:12. Creio que a
oportunidade que temos hoje é única na História.
Jamais houve anteriormente tal vida da igreja como
há hoje em Anaheim; e o ministério da Palavra do
Senhor jamais foi tão brilhante e rico em outras
épocas. Não exercite sua mente nem se agarre à sua
própria opinião. As suas opiniões não o levarão a
lugar algum. Abandone-as, ame o Senhor, tome-O
como sua vida e pessoa, e viva por meio Dele na vida
da igreja. Aprenda com esse irmão. Nos anos em que
estava em Los Angeles, ele devorou, absorveu e se
encharcou de tudo sobre a igreja e deste ministério.
Sigam-no em não saberem nada e em serem
diariamente saturados da vida da igreja e da Palavra
de Deus. Se fizerem isso, creio que, após alguns anos,
muitos de vocês se tornarão colunas. Então, aonde
quer que vocês forem, a coluna, o sinal do edifício de
Deus, irá com vocês. Todos estamos na igreja e sob
este ministério. Hoje realmente é uma oportunidade
de ouro ordenada pelo Senhor.
MENSAGEM OITENTA E TRÊS

SENDO TRANSFORMADO (6)


Ainda tenho encargo com referência à coluna.
Com base no princípio de que quase tudo no livro de
Gênesis é uma semente que se desenvolve nos livros
seguintes da Bíblia, chegamos a 1 Reis 7:13-22, uma
impressionante passagem da Palavra com referência
às colunas. No chamamento de Jacó, o fato de ele ser
transformado relacionava-se principalmente com
essa questão da coluna. Após o seu sonho em Betel,
ele erigiu uma coluna (28:18). Quando regressou a
Betel, erigiu novamente uma coluna (35:14). Ao fazê-
lo pela primeira vez, ele disse: “E a pedra, que erigi
por coluna, será a casa de Deus” (28:22). Isso indica
que a coluna não apenas era uma coluna, mas
também se tomaria Betel, a casa de Deus. Em 1 Reis
temos a primeira menção do templo. Antes havia o
tabemáculo, mas não o templo. A característica mais
marcante do exterior do templo eram as duas colunas.
Em 1 Reis 7 temos um quadro pormenorizado delas.
Tenho encargo para, após havermos considerado a
semente da coluna em Gênesis, observarmos agora o
seu desenvolvimento nos livros seguintes do Antigo
Testamento. Mais tarde, consideraremos a sua
consumação no Novo Testamento.

b) Com Referência à Edificação do Templo

aa. Por Salomão, por meio de Hirão


As colunas do templo foram construídas por
Salomão por meio de Hirão, “que trabalhava em
bronze (. . .) cheio de sabedoria, e de entendimento, e
de ciência para fazer toda obra de bronze” (l Rs 7:14).
Muito do que se encontra no Antigo Testamento,
como o tabemáculo e o templo, é uma sombra, um
tipo. Precisamos conhecer o cumprimento de todos
esses tipos. Salomão era um tipo de Cristo, e Rirão
era um tipo das pessoas com dons do Novo
Testamento. Sem dúvida, o apóstolo Paulo era uma
pessoa com dons. Ele foi o Rirão do Novo
Testamento. Efésios 4:11-12 diz: “E ele mesmo
concedeu uns para apóstolos, outros para profetas,
outros para evangelistas, e outros para pastores e
mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos”.
As pessoas com dons são dadas pelo Cabeça ao Corpo
para aperfeiçoar os santos. O fato de as colunas não
serem construídas diretamente por Salomão, mas por
Salomão por meio de Rirão, indica que hoje Cristo
não edifica diretamente as colunas, mas o faz por
meio de pessoas com dons. Precisamos, assim,
submeter-nos às mãos das pessoas com dons,
exatamente como o bronze era sujeito às mãos
habilidosas e bem dotadas de Rirão.

bb. Duas Colunas


De acordo com 1 Reis 7:15, Rirão “formou duas
colunas”. Na Bíblia, o número dois é o número do
testemunho. Essas duas colunas estavam diante do
templo como um testemunho. O sentido da coluna no
livro de Gênesis é o de testemunho. Depois de fazer
um acordo com Labão, Jacó “tomou uma pedra, e a
erigiu por coluna” (31 :45), e essa coluna era um
testemunho (31 :51-52). Sem dúvida, quando Jacó
erigiu a coluna no capítulo vinte e oito, seu conceito
também era o de testemunho. Sob a inspiração do
Espírito de Deus, ele disse que esse testemunho seria
a casa de Deus. O templo do Antigo Testamento
certamente era um testemunho de Deus. O princípio
hoje é o mesmo com respeito à igreja. De acordo com
1 Timóteo 3:15, a casa de Deus, a igreja, é a coluna.
Isso significa que a igreja, como um todo, permanece
na terra para testemunhar Deus ao universo. As duas
colunas diante do templo no Antigo Testamento
eram, portanto, um forte testemunho do edifício de
Deus.

cc. De Bronze
Chegamos agora a um ponto decisivo-as duas
colunas eram feitas de bronze (l Rs 7:15). Em Gênesis,
a coluna é de pedra, mas em 1 Reis 7, as colunas são
de bronze. Uma pedra denota transformação.
Embora sejamos barro, podemos ser transformados
em pedra. Mas que significa o bronze? Significa
julgamento de Deus. O altar à entrada do tabemáculo,
por exemplo, era recoberto de bronze, indicando o
julgamento de Deus (Êx 27:1-2; Nm 16:38-40). A
bacia também era feita de bronze (Êx 30:18). Além
disso, a serpente de bronze colocada numa haste
(Nm 21:8-9) também testificava de Cristo sendo
julgado por Deus a nosso favor (Jo 3:14). Em
tipologia, portanto, o bronze sempre simboliza o
julgamento de Deus. O fato de as duas colunas serem
feitas de bronze indica claramente que, se quisermos
ser colunas, precisamos perceber que estamos sob o
julgamento de Deus. Não devemos apenas estar sob o
julgamento de Deus, mas também sob o nosso
próprio julgamento. Como Paulo em Gálatas 2:20,
precisamos dizer: “Fui crucificado. Fui crucificado
porque não sirvo para nada na economia de Deus.
Sou apenas qualificado para a morte”. Muitos irmãos
são inteligentes e capazes, e muitas irmãs são muito
boazinhas. Precisamos reconhecer, entretanto, que
na verdade, não servimos para nada. Não valemos
sequer um vintém. Somos bons apenas para morrer.
Dizer: “Fui colocado de lado, condenado e destinado
a morrer” é um tipo de autojulgamento. Qual é o seu
julgamento a respeito de si próprio? Você deve
responder: “O julgamento de mim mesmo é que não
sou bom para nada e que fui crucificado”.
Se você se acha qualificado a ser uma coluna,
então já está desqualificado. Deixem-me dizer algo
sobre a prática do irmão Nee com referência à
indicação de presbíteros. Ele dizia que alguém que
ambicionasse o presbiterato, jamais seria um
presbítero. Então, muitos de nós na China dizíamos:
“Não fique pensando que você pode ser presbítero e
não tenha a ambição de ser um. Se você ambiciona o
presbiterato, jamais poderá ser um presbítero”.
Quando cheguei pela primeira vez a Xangai, em 1933,
conheci certo irmão. Mais tarde descobri que ele
tinha muita vontade de ser um presbítero. O irmão
Nee disse-me que só porque ele desejava tanto ser
presbítero, não estava qualificado para sê-lo, Quem
quer que ambicione ser um presbítero está
desqualificado para ser um. Em maior ou menor grau,
como alguns irmãos podem testificar, temos
praticado isso nesses anos nos Estados Unidos.
Alguns poucos entre nós têm buscado o presbiterato;
eles até se mudaram de um lugar para outro,
procurando uma oportunidade para ser presbítero.
Depois de perceber que o presbiterato em certa
localidade já fora preenchido, mudaram-se para
outra, onde havia maiores oportunidades. Tais vagas,
entretanto, somente poderiam ser preenchidas pelos
que não ambicionavam ser presbíteros. Uma vez
descoberta a ambição de um irmão pelo presbiterato,
ele estará totalmente desqualificado por toda a
eternidade. A razão disso é que tal irmão não é uma
pessoa sob o julgamento de Deus. Todos precisamos
dizer: “Não sou qualificado. Sou pobre, pecaminoso,
caído e corrupto”. Além disso, precisamos dizer:
“Senhor, sou tão caído, pecaminoso e corrupto. Como
poderia assumir a responsabilidade de ser
presbítero? Não estou qualificado para tanto”. Essa é
a experiência do bronze. Justificar ou qualificar a nós
mesmos é estar aquém da experiência do bronze. Os
que experimentam o bronze são os que estão
constantemente sob julgamento.
Nos primeiros anos, na China, eu às vezes
imaginava por que o irmão Nee era tão rigoroso
nessa questão. Por fim, aprendi que todo o que
ambicionar ser um líder em qualquer aspecto da vida
da igreja, tornar-se-á um problema. Não houve
exceção alguma nesse ponto. Todavia, todos os que se
tomaram de real proveito para a edificação da igreja
foram os que não se julgaram qualificados para a
liderança. Pelo contrário, sempre disseram: “Não
estou qualificado. Sou muito carente. A minha
disposição não é adequada, e ainda estou muito na
minha vida natural. Não me considero bom”. Dizer
isso não é somente estar sob o julgamento de Deus, é
estar também sob autojulgamento. Como você se
avalia? Não diga: “Ninguém mais serve, exceto eu”.
Toda vez que disser isso, estará acabado, e o Senhor
jamais colocará o Seu selo sobre essa sua avaliação de
si próprio. Todos nós precisamos ter a percepção de
que somos caídos, corruptos e ruins. Todos
precisamos sentir que em nós, isto é, em nossa carne,
não habita bem algum (Rm 7:18). Deveríamos dizer:
“Não sirvo para nada, exceto para a morte. Como os
irmãos poderiam pensar que eu devo ser um dos
presbíteros? Fico aterrorizado com tal possibilidade”.
Não falo isso em vão. Nos anos passados, alguns
disseram: “Por que o irmão Fulano de Tal foi
indicado para presbítero e eu não? “ Ele foi indicado
em seu lugar porque você se sente qualificado. A sua
auto-aprovação o desqualifica. O Senhor jamais
escolherá alguém que se considera qualificado. Se
você se acha qualificado, então você nada tem a ver
com o bronze. Pelo contrário, você faz de si mesmo
ouro. A experiência do bronze significa que estamos
sob o julgamento de Deus e sob o nosso próprio
autojulgamento. Todos precisamos aplicar essa
palavra a nós mesmos, dizendo: “Senhor, tem
misericórdia de mim, porque em mim não há nada
de bom”. Essa é a razão de termos sido crucificados.
Se pensamos que há algo bom em nós, somos
mentirosos.
Em Gálatas 2:20, Paulo disse: “Já não sou eu
quem vive, mas Cristo vive em mim”. Também
podemos aplicar a sua palavra em 1 Coríntios 15:10,
que diz: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a
sua graça, que me foi concedida, não se tomou vã,
antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia
não eu, mas a graça de Deus comigo”. Em Gálatas
2:20, ele diz: “Não eu, mas Cristo”, e em 1 Coríntios
15:10, ele volta a dizer: “Não eu, mas a graça de
Deus”. Paulo parecia estar dizendo: “Tudo o que sou,
sou pela graça de Deus. Por mim mesmo, nada sou.
Por mim mesmo, jamais poderia ser um apóstolo ou
ministro da palavra viva de Deus. Laborei mais do
que os outros, mas não fui eu quem laborou-foi a
graça de Deus”. Essa é a experiência do bronze.
Em tipologia e figura, as duas colunas de bronze
de 1 Reis 7 dizem-nos que precisamos estar sob o
julgamento de Deus, bem como sob o nosso
autojulgamento. Precisamos julgar a nós mesmos,
considerando-nos nada e apenas qualificados a ser
crucificados. Digo isso não só aos irmãos, mas
também às irmãs. Nenhum de nós é bom para nada.
Precisamos considerar-nos como aqueles sob o
julgamento de Deus. Se um presbítero não está sob o
julgamento de Deus, não pode ser um bom
presbítero; e se uma irmã responsável não está sob o
julgamento de Deus, não pode ser uma irmã
responsável adequada. Percebo claramente e posso
testificar que, para ministrar a Palavra de Deus,
preciso sempre estar sob autojulgamento. Embora
possa despender pouco tempo orando positivamente
pela reunião, posso gastar longo tempo em
autojulgamento, considerando-me carente, indigno,
carnal e natural. Às vezes, até gemo e lamento,
dizendo:-o Senhor, quando virá o tempo em que eu
poderei ministrar a Tua palavra sem a minha carne?
Não pensem que enquanto estou aqui ministrando a
vocês, eu seja muito bom. Não, sou muito carente.
Por estarmos na vida natural e na velha criação,
somos miseráveis. Precisamos servir sob o
julgamento de Deus e ministrar sob a nossa própria
percepção do julgamento de Deus. Sou alguém que já
foi julgado. O meu ser natural, a minha carne e eu
mesmo, tudo foi julgado por Deus, e ainda estou sob
esse julgamento. Se tivermos essa percepção, tornar-
nos-emos então bronze.
Embora brilhe, o bronze não tem glória. No
brilho do ouro, pelo contrário, existe glória. O brilho
do bronze significa que estamos sob o julgamento de
Deus. Se um presbítero brilha como bronze, ele então
é um presbítero que esteve e ainda está sob o
julgamento de Deus. Ele não é um candelabro de
ouro testemunhando a glória de Deus; é uma coluna
de bronze, em pé, para o julgamento de Deus. Você
tenciona ser uma coluna, um líder no meio dos filhos
de Deus? Se assim for, então precisa ser colocado sob
o julgamento de Deus. Espero que o Espírito Santo
lhe fale isso. No templo de Deus não há orgulho,
vanglória. No templo de Deus, as colunas são de
bronze. Os que levam o encargo são seres julgados.
Todos os presbíteros são irmãos que têm estado e
ainda estão sob o julgamento de Deus. Além disso,
esse julgamento é totalmente percebido por eles
mesmos. Eles reconhecem que estão sob o
julgamento de Deus porque são pecaminosos, caídos
e corruptos, porque nada existe de bom neles e
porque não estão qualificados para nada na
economia de Deus. Eu poderia repetir várias vezes
esta palavra. Você sabe por que há tanta luta no
cristianismo? É porque não há bronze. Não há
julgamento por parte de Deus. Pelo contrário, todas
as “colunas” são colunas de madeira. Quanto mais
responsabilidade assume na vida correta da igreja,
mais você precisa perceber que está sob o julgamento
de Deus. Você é somente bronze sob o julgamento de
Deus. Não se desligue desse julgamento nem mesmo
por um instante. Pelo contrário, você deve
permanecer sob a realidade do julgamento de Deus e
permanecer na experiência do bronze.

dd. Cada Peça com Dezoito Côvados de


Altura
As colunas tinham “dezoito côvados de altura” (1
Rs 7:15). Como veremos, a circunferência de cada
coluna era de doze côvados. Dezoito côvados é a
metade de três unidades de doze côvados. Em outras
palavras, dezoito é a metade de três unidades
completas. As três unidades representam o próprio
Deus Triúno que se tem dispensado a nós. Se
quisermos ser colunas, precisamos primeiramente
julgar a nós mesmos, e depois ser preenchidos,
saturados e permeados do Deus Triúno. Enquanto eu
refletia por que cada coluna tinha a metade de três
unidades completas, o Senhor disse: “Homem
estúpido, você já não deu várias mensagens dizendo
que as tábuas do tabemáculo tinham cada uma um
côvado e meio de largura? E não realçou que
nenhuma tábua poderia permanecer por si mesma,
mas precisava estar junto à outra? Não vê que o
mesmo ocorre com as colunas? Assim como as duas
tábuas juntas formavam três unidades completas,
também as duas colunas formam três unidades
completas”. Então eu respondi: “Agora entendo,
Senhor. Obrigado, Senhor”.
Se você quiser ser uma coluna, precisa ser
preenchido, saturado e permeado do Deus Triúno.
Não importa, todavia, o quanto você já tenha sido
preenchido por Ele; você ainda será somente uma
parte. No máximo, será uma metade. Você jamais
poderá ter Deus completamente. O próprio Deus que
está em você também está em seu irmão. Porque você
não é uma unidade completa, precisa dos outros para
completá-lo. Todos os gigantes espirituais imaginam
que podem ser completos individualmente. Mas a
Bíblia revela que cada um é apenas uma metade.
Cada tábua do tabemáculo era uma metade (Êx
26:15-16), e cada uma das colunas do templo também
é uma metade.
Ao ouvirem isso, alguns poderão dizer: “O irmão
Lee está fazendo alegorias da Bíblia”. Mesmo que
seja assim, eu tenho base para fazê-las. Por que a
Bíblia não diz que as colunas tinham dezessete ou
dezenove côvados de altura? Seria possível fazer
alegorias se elas tivessem tal altura? Não, seria
impossível. Mas enquanto eu O buscava, o Senhor
mostrou-me que, neste trecho da Palavra, doze é a
unidade completa, e dezoito é uma unidade e meia.
Isso indica que, embora possamos estar plenos do
Deus Triúno, Ele jamais se depositará em cada um de
nós individualmente de maneira integral. Não
interessa quanto Dele possamos ganhar, não somos o
todo, mas apenas uma parte. Precisamos um do
outro, Preciso de você, e você precisa de mim. O
Senhor sempre enviou Seus discípulos dois a dois
(Me 6:7; Lc 10:1; At 13:2). Não sou o número trinta e
seis. No máximo, sou o número dezoito. Não importa
a sua altura, você precisa perceber que só tem dezoito
côvados, e que precisa dos outros. Não diga: “Sou
perfeito e completo. Todos vocês precisam de mim,
mas eu não preciso de vocês”. É tolice dizer isso. No
máximo, podemos ter somente dezoito côvados.
Algumas irmãs sonham ser plenas de Deus. Mas não
importa o quanto estejam plenas Dele, jamais
poderiam ser mais do que meia unidade. Elas
precisam dos outros.

ee. Doze Côvados de Circunferência


Chegamos agora à circunferência das colunas.
Em 1 Reis 7:15 diz-se: “Um fio de doze côvados era a
medida de sua circunferência”. No que diz respeito à
linguagem, a composição deste versículo é bastante
peculiar. Ao invés de falar simplesmente em
circunferência, diz que “um fio de doze côvados” as
envolvia. Até mesmo essa tradução não é exata,
literal; tem um pouco de interpretação. Uma versão
diz: “uma circunferência de doze côvados”. Essa é
mais simples, e eu a prefiro. A Bíblia, entretanto, não
desperdiça palavras, e precisamos considerar o
significado da verdadeira composição desse versículo.
Induz-nos a usar uma linha como fio para medir a
circunferência das colunas. O objetivo disso é
impressionar-nos com a completação e perfeição do
nosso ser misturado com Deus em Sua administração
eterna. O número sete, que representa perfeição e
completação no mover de Deus dessa era, é composto
de quatro mais três. Isso representa adição. Mas o
número doze, que é composto de quatro vezes três, é
uma questão de multiplicação, indicando que a
criatura está misturada com o Deus Triúno, e que
esse misturar deve ser completo e perfeito na
administração eterna de Deus. As colunas não são
quadradas, retangulares ou triangulares; são
cilíndricas, circulares, significando que sua perfeição
é eterna.
Quando colocamos juntos o bronze, a altura de
dezoito côvados e a circunferência de doze côvados,
vemos que, para sermos colunas, precisamos estar
sob o julgamento de Deus e precisamos estar total,
completa e inteiramente saturados Dele. Precisamos
ser bronze e ter doze côvados de circunferência. Não
importa, entretanto, quão completamente tenhamos
sido misturados com Deus; ainda somos apenas uma
metade. Precisamos ainda de outra metade. Se algum
presbítero for assim, com certeza será um presbítero
proeminente. Se qualquer irmã responsável for assim,
será uma excelente irmã. Tal tipo de pessoa
certamente pode assumir a responsabilidade.
O nosso problema é que não condenamos a nós
mesmos. Pelo contrário, nós nos defendemos,
justificamo-nos, aprovamo-nos e desculpamo-nos.
Dizemos freqüentemente: “Isso não foi erro meu; foi
erro do irmão Fulano de Tal. Sou sempre cuidadoso.
Não estou errado”. Isso é autovindicação. Após
vindicarmos a nós mesmos, começamos então a nos
justificar e a aprovar-nos. Não precisamos ser
testados, porque já aprovamos a nós mesmos. Aos
nossos olhos, não há problema algum conosco. Às
vezes, entretanto, somos surpreendidos num erro.
Começamos então a nos desculpar, dizendo, talvez:
“Cometi aquele erro porque a reunião foi muito longa
e eu estava muito cansado”. Freqüentemente temos
nossas saídas. Temos quatro grandes saídas:
autovindicação, autojustificação, auto-aprovação e
autoperdão. Até mesmo ao sermos apanhados num
erro, ainda nos desculpamos. Uma irmã, por exemplo,
pode dizer: “Eu datilografo mal porque os outros têm
as melhores máquinas, e a pior dão a mim”. No
passado, tive muita autovindicação, autojustificação,
auto-aprovação e autoperdão.
Raramente um marido ou uma esposa, no início
de uma discussão, dizem: “Sinto muito. O erro é meu.
Por favor, perdoe-me”. Pelo contrário, a esposa diz:
“Você sabe por que eu sou tão dura com meu
marido? Porque ele sempre chega atrasado. Durante
todo o meu casamento, o seu costume de atrasar-se
me causou problemas”. O marido então vai retrucar:
“Minha esposa nunca se solidariza comigo. Estou
ocupado e tenho muito trabalho a fazer. Quando fico
sobrecarregado assim, como posso não chegar tarde?
“ Isso é autovindicação, autojustificação, auto-
aprovação e autoperdão. Se diariamente
crucificássemos essas quatro coisas, não haveria
contenda alguma em nossos lares.
Não basta sermos simplesmente o número
quatro. Precisamos ser o número sete-quatro mais o
Deus Triúno. Isso, entretanto, ainda é o estágio
inicial, não a consumação, que é o número doze. Para
sermos o número doze, precisamos ser preenchidos,
saturados e permeados de Deus. Quando estamos
totalmente saturados e plenos de Deus, tornamo-nos
adequados à Sua administração eterna. Todavia,
como já enfatizamos, mesmo depois de nos
tornarmos o número doze, ainda temos somente
dezoito côvados de altura. Somos apenas meia
unidade. Se todos fôssemos assim, não haveria
problemas. Ao invés de contender com os outros,
condenaríamos a nós próprios, dizendo: “Senhor,
preciso de Ti. Fui crucificado, e Cristo vive em mim.
Não mais eu, mas é a graça de Deus que está comigo”.
Isso é o bronze, o julgamento e os doze côvados, o
mesclar de Deus com o homem. Por sermos, no
máximo, apenas uma metade, precisamos dos outros
para a economia e administração de Deus. Se você
orar sobre tais pontos, verá que esta é a coluna que
pode arcar com a responsabilidade na casa de Deus.

ff. Dois Capitéis


No topo de cada uma das colunas havia um
capitel de cinco côvados de altura (1 Rs 7:16). Os
capitéis eram as coberturas das colunas. O fato de
cada capitel ter cinco côvados de altura, e não seis ou
sete, é significativo. Como já enfatizamos várias vezes,
o número cinco na Bíblia denota responsabilidade.
Veja a sua mão: os quatro dedos e o polegar servem
para assumir a responsabilidade. Se tivéssemos
apenas quatro dedos, não poderíamos arcar com a
responsabilidade de maneira adequada. O número
quatro representa a criatura e o um representa o
Deus único. Quando o Deus único é adicionado aos
seres humanos, o nosso número se torna cinco.
Os Dez Mandamentos, por exemplo, foram
escritos em grupos de cinco em duas tábuas de pedra,
e as dez virgens foram divididas em cinco sábias e
cinco néscias. Os dois capitéis de cinco côvados de
altura, portanto, indicam o arcar com a
responsabilidade. Se você disser que alegorizo,
replicarei que tenho base para tanto, porque não
vemos capitéis de quatro côvados e meio de altura,
ou de seis, mas de cinco. A altura somada dos dois
capitéis totaliza dez côvados. O número dez
representa plenitude em responsabilidade. Tanto os
Dez Mandamentos como as dez virgens indicam
plenitude. O número dez, portanto, na Bíblia, revela
a plenitude da responsabilidade humana em relação
a Deus. Os nossos dez dedos para trabalharmos e os
dez artelhos para nos movermos e andarmos,
indicam isso.

gg. Obra de Rede e Ornamentos Torcidos


Em 1 Reis 7:17 fala de “obra de rede, e
ornamentos torcidos em forma de cadeia para os
capitéis que estavam sobre o alto das colunas; sete
para um capitel e sete para o outro”. A que se refere a
obra de rede e os ornamentos torcidos? Depois de
consultar várias versões, descobri que a rede lembra
uma treliça, uma estrutura com pequenos buracos
quadrados, que sustenta uma videira. Além do mais,
a palavra “obra” neste versículo implica um trabalho
artístico. Assim, a obra de rede é um trabalho
artístico de rede, e a obra torcida é um trabalho
artístico de torceduras. Como veremos, esse trabalho
artístico de rede destina-se ao cultivo de lírios. Essa
treliça é a base para os lírios. Em certo sentido, é uma
rede de sustentação para os lírios. A obra de
torcedura é como um entrelaçado circundando o lado
externo do capitel. Assim, sobre os capitéis estão a
obra de rede e os ornamentos torcidos.
Que tudo isso significa? Vimos que o número
cinco, a altura dos capitéis, denota responsabilidade,
e que duas vezes cinco significa plenitude de
responsabilidade. Mas por que também há nesses
capitéis obras de rede e ornamentos torcidos?
Enquanto exercitava meu encargo para compreender
isso, o Senhor mostrou-me que essa é uma situação
complexa e de elementos entrelaçados. O encargo e
responsabilidade exercidos pelos irmãos colunas na
família, na igreja e no ministério estão sempre numa
situação complexa e de elementos entrelaçados.
Podemos freqüentemente gostar de endireitar tais
situações, mas não conseguimos fazer isso. Se você
conseguir endireitar uma situação complicada,
surgirão três outras em seu lugar. Se tentar esclarecer
uma questão, a situação se tornará ainda mais
obscura. Quanto mais você tenta fazê-la
compreensível, mais mal-entendida ela se torna. Não
diga: “Na noite passada, o irmão Fulano de Tal estava
muito descontente com sua esposa”. Se falar assim,
você ficará envolvido. Quanto mais tentamos
explicar-nos, mais mal-entendidos somos, e isso
caminhará progressivamente. Pela experiência de
muitos anos, aprendi que a melhor maneira de evitar
mal-entendidos é falar tão pouco quanto possível. Às
vezes, você não deveria nem mesmo dizer à sua
esposa as palavras: “Louvado seja o Senhor”. Se
assim o disser, ela poderá responder: “Por que você é
tão espiritual? Não percebe que o seu louvor me
condena? Quando louva o Senhor, você está dizendo
que é espiritual e que eu sou carnal”. A vida da igreja
é um ornamento envolto numa cadeia, e o
presbiterato é uma treliça das mais intrincadas e com
a mais forte corrente.
Sei de um amado irmão que mantém o conceito
de que onde quer que ele esteja, os que estão à sua
volta devem ser como anjos. Precisam todos ser
muito espirituais, indo cedo para a cama e
levantando-se de manhãzinha para orar-ler a Palavra.
Se todos forem celestiais, então esse amado irmão
ficará feliz. Mas não há lugar na terra como esse
vislumbrado por ele. Em muitos lares, alguns ficam
conversando até altas horas, e depois dormem até
tarde pela manhã. Após se levantarem, alguns ainda
podem queixar-se do frio e dajanela aberta a noite
toda, e outros podem queixar-se de que o ambiente
estava tão abafado que se sentiram como que
sufocados.
Cada situação enfrentada pelos membros da
igreja é uma rede, uma treliça, circundada por uma
coroa de pontas e espinhos. Tenho uma grande
família e também estou numa grande igreja. Tenho
muitos filhos e netos, muitos amados irmãos e irmãs.
Onde quer que eu esteja, em Taipé ou em Anaheim,
não posso escapar da rede e da torcedura. Em certo
sentido, Anaheim é maravilhosa, mas está cheia de
redes e cadeias. Até mesmo os anjos sabem que estou
constantemente numa situação complexa e
entrelaçada. Meus filhos e todos os problemas a mim
trazidos pelos irmãos e irmãs nas igrejas criam-me
mais redes. É nosso destino estar nessa situação.
Precisamos não apenas assumir a responsabilidade
em tal situação complexa e entrelaçada, mas também
viver no meio dela.

hh. Os Capitéis São de Obra de Lírios


Para arcar com a responsabilidade nesta
situação complexa, precisamos viver pela fé em Deus.
Em 1 Reis 7:19 diz-se: “Os capitéis que estavam no
alto das colunas eram de obra de lírios”. O lírio
representa uma vida de fé em Deus. Primeiramente,
precisamos condenar a nós mesmos, percebendo que
somos caídos, incapazes, desqualificados, concluindo,
enfim, que nada somos. Depois, precisamos viver
pela fé em Deus, não pelo que somos ou pelo que
podemos fazer. Precisamos ser um lírio, existindo
por aquilo que Deus é por nós, não pelo que somos
(Mt 6:28, 30). O nosso viver na terra hoje depende
Dele. Como poderíamos arcar com responsabilidades
na vida da igreja complexa e entrelaçada? Em nós
mesmos, somos incapazes de fazê-lo, mas podemos
fazê-lo vivendo pela fé em Deus. Não eu, mas Cristo
que vive em mim: isto é o lírio. Não sou eu que arco
com a responsabilidade-é Ele. Vivo, não por mim
mesmo, mas por Ele; e ministro, não por mim
mesmo, mas por Ele. Vocês, irmãs, que são mães na
vida da igreja, precisam dizer: “Não sou mãe na
igreja por mim mesma, mas por Ele”. Em Cantares
2:1-2, a que procura diz: “Sou o lírio dos vales”. O
Senhor, então, replica: “Qual o lírio entre os espinhos,
tal é a minha querida entre as donzelas”.
Que arquiteto terreno planejaria uma coluna de
bronze sustentando capitéis de bronze com obra de
lírio em seu topo? Humanamente falando, isso não é
significativo; mas do ponto de vista espiritual, é de
grande significado. Por um lado, somos o bronze
julgado e condenado; por outro, somos os lírios vivos.
O bronze significa “não eu”, e o lírio significa “mas
Cristo”. Os que são lírios podem dizer: “A vida que
agora vivo, vivo pela fé de Jesus Cristo”. Com tudo
isso podemos perceber que somos lírios arcando com
uma responsabilidade impossível numa situação
complexa e entrelaçada, cheia de torceduras e
cadeias. Os presbíteros não deveriam dizer: “Senhor,
leva embora essas complicações”. Ao contrário,
deveriam esperar por mais complicações. Estou bem
certo de que quanto mais você orar para que as
complicações sejam reduzidas, mais elas ocorrerão.
Toda rede é a base, o solo onde crescem os lírios.
De acordo com o contexto, sendo de torceduras,
a cadeia era uma forma de decoração. Mas tal
decoração é cheia de complicações. Quando você for
à minha casa, não espere que tudo por lá seja claro e
simples. Se ficar comigo por algum tempo, descobrirá
várias complicações e queixas. Mas tudo isso é a
beleza da minha família, porque tudo é uma
torcedura, uma coroa. Todo presbítero espera que a
vida da igreja seja limpa como um bolo de feijão
chinês, onde cada pedaço é cortado quadrado e limpo.
Querem eles que tudo na igreja seja exato e fino. O
único lugar onde isso ocorre é no cemitério. A vida
adequada da igreja, como a vida da igreja em
Anaheim, é uma obra de rede e ornamentos torcidos.
Este é o lugar onde os presbíteros assumem
integralmente a responsabilidade. Isso não pode ser
compreendido simplesmente estudando-se essa
passagem, mas interpretando-a à luz da nossa
experiência.

ii. Duzentas Romãs


O versículo 20 diz: “Perto do bojo, próximo à
obra de rede, os capitéis que estavam no alto das
duas colunas tinham duzentas romãs, dispostas em
fileiras em redor, sobre um e outro capitel”. Aleluia
pelas duzentas romãs. À volta de cada capitel havia
uma projeção, como que um ventre. Circundando a
projeção de cada capitel havia duas fileiras de cem
romãs em cada uma. Isso indica duas vezes uma
expressão centenária das riquezas da vida. Se entrar
em contato com esses presbíteros que diariamente
assumem responsabilidades em situações complexas
e entrelaçadas, você verá que eles expressam as
romãs, as riquezas da vida. Todas as queixas,
insatisfações e chamadas telefônicas aborrecedoras,
por fim, formam uma projeção cheia de romãs. Como
isso é maravilhoso!

jj. Os Capitéis com Quatro Côvados de


Diâmetro
O diâmetro de cada um dos capitéis era de
quatro côvados (1 Rs 7:19). Isso indica que o número
doze, a circunferência das colunas, é composto de
quatro vezes três. Enquanto a circunferência da
coluna era de doze côvados, o diâmetro dos capitéis
era de quatro côvados. Isso implica que as colunas
com seus capitéis são o número quatro, isto é, as
criaturas, seres humanos, mas eles são multiplicados
pelo Deus Triúno. Sendo mesclados com o Deus
Triúno, eles, por fim, tomam-se o número doze. Se
você colocar tudo isso junto, verá que é muito
significativo. Implica que os que julgam e condenam
a si mesmos e se consideram nada serão capazes de
assumir integralmente a responsabilidade em meio a
uma situação complicada, porque não vivem por si
mesmos, mas por Deus. Finalmente, não expressam a
sua própria capacidade, qualificação, inteligência,
compreensão e sabedoria-expressam as romãs, as
riquezas da vida, multiplicadas por duzentos.

kk. Duas Colunas Levantadas no Pórtico do


Templo
Por fim, lemos que os nomes das duas colunas
eram Jaquim e Boaz (1 Rs 7:21). Jaquim significa
“Ele estabelecerá”, e Boaz, “Nele há força”. Essas
duas colunas erguidas no pórtico testificavam que o
Senhor estabelecerá a Sua edificação e que a força
genuína está na edificação. Mesmo hoje, a edificação
da igreja dá esse testemunho. Por meio dos
pormenores do quadro de 1 Reis 7, vemos como
podemos ser uma coluna na edificação de Deus,
julgando a nós mesmos, vivendo pela fé, assumindo a
responsabilidade e expressando as riquezas da vida.
MENSAGEM OITENTA E QUATRO

SENDO TRANSFORMADO (7)


Nesta mensagem dedicaremos novamente a
nossa atenção às duas colunas do templo. Vimos que,
quando esteve pela primeira vez em Betel, Jacó erigiu
em coluna a pedra que usara por travesseiro, e
chamou-a de casa de Deus (28:18, 22). Já
enfatizamos repetidas vezes que quase tudo no livro
de Gênesis é uma semente que se desenvolve nos
livros subseqüentes da Bíblia. O desenvolvimento
pleno da semente da coluna está em Apocalipse 3:12,
onde o Senhor Jesus diz: “Ao vencedor, fá-lo-ei
coluna no santuário do meu Deus”. Entre Gênesis e
Apocalipse há muitos trechos da Palavra referentes à
coluna. Sempre que as duas colunas do templo são
mencionadas, temos maiores detalhes a seu respeito.
Nem todos os seus aspectos são encontrados num só
trecho.
Os cristãos, hoje, têm pouca preocupação com a
edificação de Deus, que se destina ao cumprimento
da Sua economia. Embora a maioria a negligencie, a
Bíblia a enfatiza categoricamente. Se quisermos
conhecer a edificação de acordo com a maneira
bíblica, precisamos primeiramente ver a coluna,
porque ela é o anúncio do edifício de Deus. Se
percebermos o significado das colunas e decidirmos
tomar-nos uma delas, então estaremos a caminho da
edificação de Deus. A coluna é tão decisiva que a
Bíblia a menciona repetidas vezes. Por não
entenderem a edificação de Deus, a maioria dos
cristãos não atenta àqueles trechos da Escritura que
mencionam a coluna. Mas pela misericórdia do
Senhor, fomos tão profundamente impressionados
pela coluna que simplesmente não podemos fugir
dela. A Bíblia não desperdiça palavras. Assim, tudo o
que ela revela é significativo e crucial para nós.
Porque Deus, neste tempo do fim, está completando
a Sua edificação, precisamos considerar
cuidadosamente o significado das colunas e como
podemos tomar-nos uma delas.
Gostaria de enfatizar agora três aspectos
positivos e dois negativos acerca das colunas
abordados na última mensagem. Os três aspectos
positivos são o bronze, o lírio e as romãs. As colunas
eram feitas de bronze. No topo do capitel havia os
lírios, e, à sua volta, as romãs. Duvido que qualquer
projetista humano colocasse juntas essas três coisas.
Mas quão decisivo e significativo é isso tudo para
nós! O bronze representa morte sob julgamento.
Precisamos estar sob julgamento, percebendo que
para nada prestamos senão para a morte, e que
fomos crucificados (GI2:20). Além do mais, todos
fomos sepultados no batismo (Rm 6:4). Somos,
assim, um povo sob o julgamento da morte. Mas após
a morte vem a ressurreição, e o lírio cresce sobre nós
em ressurreição. As romãs que circundavam o capitel
representam a expressão das riquezas da vida.
Portanto, nas colunas vemos morte, ressurreição e
expressão de vida. Louvado seja o Senhor porque
muitos de nós podem testificar que, dia após dia,
somos o bronze que faz crescer os lírios e que
expressa as romãs. Você não é uma pessoa assim? Se
não for, então não está qualificado a ser uma coluna e
nada tem a ver com a edificação de Deus.
Os dois aspectos negativos das colunas são a
rede e a torcedura. A rede e a torcedura representam
a situação complexa e entrelaçada. A rede é uma
grade composta de filetes que se entrecruzam. Isso
indica que, em nossa experiência, estamos sendo
diariamente anulados. Quando isso ocorre, somos
tolhidos pela torcedura. Muitas vezes nós, irmãos,
recebemos um corte da parte da nossa querida
esposa. Embora possamos desejar escapar da
situação, somos tolhidos pelas cadeias e não
conseguimos escapar. Podemos ser cortados em
pedaços, mas nem um só pedaço poderá escapar. As
irmãs todas podem testificar o mesmo em relação a
seu marido. Alguns na vida da igreja dizem que não
podem suportar o cortar dos presbíteros. A torcedura,
todavia, também está lá. Na vida da igreja, temos
tanto a rede quanto a torcedura. Louvado seja o
Senhor por essas duas coisas negativas, porque o
bronze, o lírio e as romãs só podem ser unidos por
elas.
Pouco depois de salvo, fiquei sabendo que eu
fora crucificado com Cristo. Mas não entendia como
essa crucificação poderia ser na prática aplicada a
mim. É aplicada pela rede, pela grade. Sem a rede e a
torcedura, a nossa co-crucificação com Cristo e o Seu
viver em lugar do nosso viver seriam mera doutrina.
Podemos conhecer a doutrina de ser crucificados
com Cristo e recitar Gálatas 2:20 repetidamente
apenas para descobrir que isso não funciona. Eu fiz
isso inúmeras vezes sem sucesso. Repeti as palavras:
“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu
quem vive, mas Cristo vive em mim”. Mais tarde,
experimentei a rede e a torcedura na vida da igreja.
Foi por meio dessas duas coisas negativas que a
crucificação e a ressurreição de Cristo foram
aplicadas na prática à minha vida. Por fim, os três
aspectos positivos e os dois negativos tomam-se uma
unidade. Temos o bronze, o lírio e as romãs ligados
pela rede e pela torcedura. Todos os cinco são ligados
à coluna.

ll. Os Dois Cálices dos Dois Capitéis no Topo


das Duas Colunas, com Dois Côvados de
Altura
Além de todos os pontos apresentados na última
mensagem, precisamos tratar agora de nove pontos
adicionais. Deus, a Sua Palavra e o Seu tratamento
para conosco não são simples.
No topo dos capitéis que estavam sobre as
colunas havia dois cálices (2 Cr 4:12-13; 1 Rs 7:41).
Cada cálice, incluindo a rede, tinha dois côvados de
altura (veja definição abaixo). Que significa isso? Os
cálices são curvos. (A versão JFA traduz a palavra
“cálice” como “globos”.) No topo de cada capitel
havia dois cálices, um sobre o outro. À volta dos
capitéis havia “cadeias como um colar”, ou “cadeias
em colar” (2 Cr 3:16-hebr.) que dividiam o capitel em
duas seções. A primeira seção era a base. Embora 1
Reis 7:16 diga que os capitéis tinham cinco côvados
de altura, 2 Reis 25:17 diz que os capitéis tinham três
côvados de altura. A razão disso é que três côvados é
a altura da base do capitel, e cinco côvados é a altura
de todo o capitel. Em outras palavras, havia três
côvados para a base e dois para os cálices. Aqui, o
número três não representa o Deus Triúno. Pelo
contrário, representa o processo de ressurreição. Na
Bíblia, dois números-três e oito-representam
ressurreição. Três representa o processo da
ressurreição, e oito, o primeiro dia de uma nova
semana, denota o frescor da ressurreição, o novo
início em ressurreição. Os três côvados da base do
capitel estão intimamente relacionados com a rede e
à torcedura. Isso revela que a rede e a torcedura
destinam-se ao processo de ressurreição. Além disso,
o número dois, a altura dos dois cálices, representa o
testemunho. Os dois côvados dos dois cálices nos
dois capitéis das duas colunas representam o
testemunho vivendo como um lírio para expressar as
riquezas da vida.
Se você ler todos os trechos referentes às duas
colunas, perceberá que os cálices são compostos pela
rede, pela torcedura, pelos lírios e pelas romãs. As
romãs não estão na base do capitel, mas na torcedura
que circunda os cálices. A rede cobre os cálices, a
torcedura circunda os cálices, as romãs estão sobre a
torcedura e o lírio cresce sobre a rede. Todas essas
coisas juntas são o cálice. Se considerar tudo isso à
luz de sua experiência, perceberá, por meio do cortar
da rede e da restrição da torcedura, que você vive
como um lírio para expressar as riquezas da vida de
Cristo. Esse é um testemunho vivo saído do processo
de ressurreição.
Em nossos lares, estamos na rede e somos
restringidos pela torcedura. Isso também é verdade
quanto aos irmãos e irmãs na igreja. Os que servem
no escritório, sem dúvida, já experimentaram lá a
rede e a torcedura. Quando um irmão e eu
trabalhávamos no hinário, cortamos um ao outro
muitas vezes. Admito que lhe dei um grande número
de cortadas, mas ele também me cortou, ao menos
um pouco. Esse irmão agora é responsável pelo
escritório em Anaheim. Certamente que em seu
escritório há muita rede e torcedura. Mas juntamente
com a rede e a torcedura, há também os três dias.
Todos os que servem no escritório estão no caminho
de três dias, isto é, estão no processo de ressurreição.
Os lírios aparecem no topo dos cálices ao
terceiro dia. Não importa que sejamos bons, gentis
ou humildes, porque nada disso é lírio. Pelo contrário,
é nossa vida natural. Quanto mais experimentamos o
cortar, mais o lírio cresce ao terceiro dia. Todo irmão
deseja ter uma boa esposa e toda irmã quer um
marido gentil. Não importa, entretanto, quão bons e
gentis sejamos; não somos lírios. O lírio somente
cresce ao terceiro dia, em meio à rede e à torcedura.
Quando, em meio a todas as situações complexas e
entrelaçadas, chegarmos ao terceiro dia, o lírio
crescerá. Então teremos as romãs, a expressão das
riquezas da vida. Isso é o cálice-a glória, a beleza, a
decoração e a coroa. Isso é um testemunho. Espero
que o Espírito lhes fale mais a esse respeito. Todos
fomos julgados e precisamos julgar a nós mesmos
com o julgamento de Deus. É fácil ser uma coluna de
bronze e dizer: “Sou caído, corrupto, pecaminoso, e
para nada presto, exceto para a morte”. Mas passar
pelos três dias do processo de ressurreição em meio
ao cortar da rede e à restrição da torcedura é muito
difícil. Mas quanto mais estivermos na rede e na
torcedura, mais estaremos nos três dias, mais o lírio
crescerá e mais das romãs expressaremos. Então nos
tomaremos um testemunho vivo, não de algo natural,
mas do processo de ressurreição sob o cortar da rede
e sob a restrição da torcedura. Não há escapatória.
Precisamos permanecer na rede e na torcedura. É
exatamente como ser enterrado por três dias e voltar
pelo processo da ressurreição. Quando passamos por
essa experiência, o lírio cresce e as romãs são
expressas. Toda coluna precisa sustentar o
testemunho de viver pela fé, para expressar as
riquezas de Cristo por meio do processo de
ressurreição, sob o cortar da rede e a restrição da
torcedura. O bronze das duas colunas diante do
templo indica que estamos sob o julgamento da
morte, que nos introduz no processo de ressurreição,
representado pelos três côvados de altura da base dos
capitéis. Tal processo de ressurreição nos conduz por
meio da rede e da torcedura, para fazer crescer o lírio
e gerar as romãs para o testemunho. Essa é a
maneira de a coluna arcar com a responsabilidade
indicada pelos cinco côvados, a altura total dos
capitéis.
Os cálices dos capitéis não eram quadrados, mas
arredondados. Essa curvatura indica que viver pela fé
em Deus e assumir a responsabilidade em meio a
todas as complicações não é uma lei, mas algo flexível.
Quando vivemos no Espírito, nada é lei. Pelo
contrário, somos flexíveis em qualquer situação.
Tanto os jovens como os velhos são legalistas. Os
velhos têm a sua velha maneira legalista, e os jovens
têm a sua nova maneira legalista. Por essa razão
recuso dar muitas instruções durante os
treinamentos. Se as der, todos os jovens as tomarão
como uma nova maneira legalista. Quase todo cristão
é um legalista quadrado. Se não somos quadrados,
somos triangulares ou até pentagonais. Algumas das
irmãs mais velhas gostam de um horário fixo, tanto
para comer como para dormir. Esse legalismo tem
matado muitos dos jovens. Embora seja bom você ser
metódico, pelo bem dos outros você precisa ser
flexível. Alguns presbíteros são muito quadrados.
Outros, porém, são tão redondos, que chegam a ser
políticos. Um político não tem lados. Embora
devêssemos ser redondos, não deveríamos ser
“politicamente” redondos. Os que servem no
escritório devem ser redondos. Se você for quadrado
no seu servir, matará a todos. Ao invés de quadrado,
você precisa ser flexível, para ajustar-se a qualquer
situação. Essa é a maneira como devemos ser em
nosso viver diário. Quando estamos em meio à rede e
à torcedura, precisamos ser flexíveis.

mm. Quatrocentas Romãs Quatrocentas


Romãs nas Duas Redes
Em 2 Crônicas 4:13 é dito que havia
“quatrocentas romãs para as duas redes, isto é, duas
fileiras de romãs para cada rede, p. ara cobrirem os
dois globos [ou cálices] dos capitéis que estavam no
alto das colunas”. Havia quatrocentas romãs nas
duas redes, com duas fileiras para cada rede, a cobrir
os dois cálices dos capitéis no alto das colunas. Por
que não se diz que havia trezentas ou quinhentas
romãs? O Senhor Jesus disse que devemos frutificar
a trinta, a sessenta e a cento por um (Mt 13:8). O
aumento de cento por um é o mais elevado. Podemos,
assim, expressar as riquezas da vida a cento por um.
Sabemos que o número quatro simboliza a nós,
criaturas humanas. A manifestação das riquezas da
vida a cento por um recai sobre as criaturas. O fato
de as quatrocentas romãs serem organizadas em
duas fileiras para cada uma das duas colunas indica
um testemunho. Precisamos ser fortes, não
simplesmente declarando que somos o testemunho
de Jesus, mas tendo um testemunho pelo viver.
Precisamos de um testemunho da experiência das
riquezas da vida de Cristo a quatrocentos por um.
Embora possamos ter problemas na vida da igreja,
em nosso trabalho e em casa, temos também a vida
do lírio, que, na Bíblia, representa uma vida vivida
pela fé em Deus. O Senhor sabe que diariamente eu
tenho problemas e mais problemas. Se vivermos por
nós mesmos, não poderemos suportá-los. Mas somos
lírios entre espinhos (Ct 2:2). Os espinhos são
justamente os problemas. A nossa esposa, os filhos,
os netos, os presbíteros e os cooperadores são todos
“espinhos”. Embora esteja rodeado por tantos
“espinhos”, eu louvo ao Senhor porque ainda estou
vivendo. Não fui “picado” até morrer. Estou vivendo
hoje, não como um gigante, mas como um lírio. Não
vivo pela minha habilidade, mas pela fé no meu Deus.
Sou apenas um lírio entre espinhos. Quanto mais
espinhos houver, melhor, porque eles darão
oportunidade a que a habilidade do Senhor se
expresse. Somos diferentes das pessoas do mundo
que não têm Deus em quem confiar.
Muitos cristãos sequiosos procuram uma vida da
igreja celestial sob todos os aspectos. Querem que
todos, nesta vida da igreja celestial, sejam anjos. Não
estou imaginando isso; realmente tenho encontrado
pessoas assim. Muitos desses sequiosos têm viajado
de “igreja” em “igreja”, à procura dessa tal “igreja”
celestial. Se encontrassem uma, essa “igreja” celestial
deles logo seria exposta como sendo mais do que
terrena. A maneira de determinar se uma igreja é
correta ou não faz-se principalmente pela base da
igreja, não pela nossa medida de “celestialidade” da
igreja. Hoje, na terra, não existe uma igreja angélica
celestial. Pouco depois de entrar para a vida da igreja,
você se descobrirá em meio a “espinhos”, e dirá:
“Pensei que todos aqui fossem anjos. Mas vejo agora
que muitos deles não são anjos, mas espinhos. Não
posso suportar tal situação”. Embora eu possa ser um
“espinho” para você, você também é um “espinho”
para mim. Por fim, “espinhamo-nos” uns aos outros e
nos amamos mutuamente. Tal “espinhar” ajuda-nos
a crescer. Nos últimos três anos, em Anaheim, esse
“espinhar” tem-nos ajudado a crescer. Se tudo na
igreja fosse macio e angélico, não haveria o
testemunho das riquezas da vida.

nn. De Cem Romãs, Noventa e Seis Ficavam


Expostas ao Ar Livre
De cem romãs, noventa e seis ficavam expostas
ao ar livre (Jr 52:23). Se cada fileira tivesse cem
romãs, por que Jeremias 52:23 fala repentinamente
em noventa e seis? Por causa do registro de Jeremias
52:23 a respeito da destruição das colunas pelo
exército de Babilônia, alguns julgam que quatro das
romãs de cada fileira da torcedura tenham sido
quebradas. Mas se você ler cuidadosamente esse
capítulo, perceberá que não foi esse o caso. A versão
de Almeida diz: “Havia noventa e seis romãs aos
lados”. Essa tradução não é correta. As palavras
hebraicas traduzidas para “os lados” deveriam ser
“em direção ao ar”. Assim, esse versículo deveria ser:
“Havia noventa e seis romãs em direção ao ar; as
romãs todas sobre a obra de rede ao redor eram cem”.
Note que todas as romãs sobre a rede eram cem.
Todas estavam lá, mas somente noventa e seis
estavam em direção ao ar. A palavra hebraica
traduzida por “lado”, na versão de Almeida, é ruach,
a mesma palavra para espírito, vento, respiração e ar.
Ruach denota algo real, ainda que invisível. A New
American Standard Version diz que havia noventa e
seis “romãs expostas”. A nota de margem, todavia,
traz a tradução literal de “voltadas para o vento”, que
quer dizer em direção ao vento ou ao ar.
Noventa e seis romãs estavam expostas, e quatro,
cobertas. Que isso significa? Noventa e seis é
composto de doze vezes oito. Doze representa
completação eterna; oito representa ressurreição, e o
ar representa o Espírito. Portanto, a expressão das
riquezas da vida é eternamente completa, em
ressurreição, e no Espírito. Essa é a natureza e a
atmosfera da nossa expressão de vida. A nossa
expressão das riquezas da vida é doze, eterna; não é
sete, temporal. Além disso, também o número é oito,
o frescor da ressurreição, não o número três, o
processo da ressurreição. Aqui não há o processo de
ressurreição, mas o frescor, o princípio, o novo início
da ressurreição. Também é totalmente uma questão
de Espírito. O fato de as noventa e seis romãs serem
expostas ao ar livre quer dizer que a expressão das
riquezas da vida está na realidade do ar espiritual,
que é invisível. Podemos senti-lo, mas não podemos
tocá-lo, Em João 3:8, o Senhor Jesus falou tanto do
vento quanto do Espírito, dizendo: “O vento sopra
onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde
vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido
do Espírito”. A regeneração do Espírito lembra o
mover do vento. O vento sopra e o Espírito regenera.
A nossa expressão das riquezas da vida não somente
é eterna e no frescor da ressurreição, mas está
totalmente na atmosfera do Espírito. Toda vez que as
pessoas virem sobre nós a expressão das riquezas da
vida haverão de sentir imediatamente que estão no
Espírito e que há um vento, um ar e uma atmosfera
fresca ali. Por outro lado, toda vez que entrarmos
numa situação cheia de morte, sentir-nos-emos
abafados. Mas quando estivermos numa situação
plena da expressão das riquezas da vida, achar-nos-
emos numa atmosfera espiritual e sentiremos
presente aquele ar refrescante. Isso é o que
significam noventa e seis romãs em direção ao ar.

00. De Quatrocentas Romãs, Dezesseis


(Quatro de Cada Cento) Estavam Escondidas
De cada cem romãs, quatro estavam escondidas.
Pelo fato de a Bíblia não desperdiçar palavras, deve
haver algum significado relacionado com a nossa
experiência nesse versículo. A única maneira de eu
conseguir entender isso é pela experiência. O fato de
aquelas quatro entre as cem romãs estarem
escondidas indica que, enquanto a nossa expressão
das riquezas da vida é eterna, em ressurreição e no
Espírito, o nosso ser natural, representado pelo
número quatro, precisa ser coberto. A nossa vida
natural, o nosso ser natural e o nosso ego precisam
estar totalmente ocultos. Embora eu tenha procurado
descobrir como essas romãs estavam ocultas, fui
incapaz de conseguir. É um mistério conhecido
apenas pelo Senhor. Todavia, se examinarmos a
nossa experiência, diremos: “Amém”. Quando as
riquezas de Cristo são expressas, os outros podem ver
a expressão eterna das riquezas da vida em
ressurreição e na atmosfera do Espírito, mas é difícil
dizer onde se encontra o nosso homem natural.
Como é significativo ver que o nosso ego está
coberto! Por outro lado, toda vez que o “eu” aparece,
o grande número quatro estará lá, mas o noventa e
seis se irá. Ao invés de ar, haverá somente a vida
natural, o velho homem e o ego. Mas toda vez que o
número quatro desaparecer, teremos as noventa e
seis romãs, a rica expressão da vida de Cristo exposta
ao ar.

pp. Colunas Ocas, com a Espessura de


Quatro Dedos
Jeremias 52:21 diz: “A grossura era de quatro
dedos; era oca”. Cada coluna era um cilindro cujas
paredes tinham quatro dedos de espessura, e dentro
de cada coluna havia um grande espaço vazio. Isso
significa que a edificação de Deus é feita pela criatura
humana-representada pelo número quatro-
preenchida pelo Espírito. A coluna de bronze, sem
dúvida, é a criatura humana julgada e condenada.
Dentro da criatura julgada há um espaço vazio que
precisa ser preenchido por uma realidade invisível.
Não devemos ser de barro, finos e cheios de areia,
porque então não haverá espaço vazio no interior.
Pelo contrário, precisamos ser de bronze, com quatro
dedos de espessura, e ocos. Aí, então, será possível ao
nosso espaço vazio ser preenchido pela realidade,
pelo Espírito.

qq. Duas Colunas Medindo Trinta e Cinco


Côvados de Altura, com um Côvado Coberto
Em 2 Crônicas 3:15 diz-se: “Fez também diante
da casa duas colunas de trinta e cinco côvados de
altura” (hebr.). As duas colunas tinham uma altura
somada de trinta e cinco côvados, com um côvado
coberto. Na última mensagem eu disse que cada uma
das tábuas do tabernáculo tinha um côvado e meio de
largura. Tais tábuas eram dispostas horizontalmente,
lado a lado. Mas com as colunas não se deve atentar
somente à horizontalidade, mas também à
verticalidade. As colunas eram medidas
verticalmente, uma colocada sobre a outra. Isso
indica que a edificação de Deus não é apenas
horizontal, mas também vertical, tendo uma parte
oculta. Embora seja fácil a dois irmãos ficarem lado a
lado, é difícil a um estar sob o outro. Também é
difícil estar acima dos outros. Se se quiser um edifício
forte, ele precisará ser vertical. Quanto mais vertical
for, maior espaço haverá. Deveríamos não só ficar
lado a lado um do outro, mas também um sobre o
outro. Para permanecermos lado a lado, não há
necessidade de sacrifício ou de que se cubra parte
alguma. Mas se quisermos permanecer verticalmente,
haverá a necessidade de que alguma parte fique
coberta. o Primeiro Li vro dos Reis 7:15 diz que cada
coluna tinha dezoito côvados de altura, mas 2
Crônicas 3:15 indica que as duas colunas tinham
trinta e cinco côvados de altura. De acordo com 2
Crônicas 3:15, está faltando um côvado. Este côvado
deve ter sido coberto e sacrificado. Um livro de
referência diz que meio côvado ficou dentro de cada
pedestal. Não aceito tal explicação, porque a Bíblia
não diz que as colunas tinham um pedestal ou base.
Outro livro de referência diz que um côvado se
perdeu na junção com o capitel. Creio que esta é a
explicação correta. Isso significa que, para se ficar
vertical, há necessidade de sacrifício. Se considerar a
sua experiência, você verá que não há necessidade de
sacrifícios para se ficar lado a lado com os outros.
Mas se quiser ficar sob alguém, como a coluna sob o
capitel, você precisará sacrificar-se. Se não se
sacrificar, não poderá ter alguém sobre si. Você até
expulsará ou saltará sobre os outros. Para permitir
que outros estejam sobre você, é preciso que você
ceda e sacrifique uma parte de si mesmo. Irmãs,
vocês precisam sacrificar-se, de modo que possam ter
alguém sobre si. Vocês deverão ser medidas não só
horizontalmente, mas também verticalmente. Ao
longo dos anos, tenho sempre estado sob alguém.
Estar sob os outros é sustentá-los e ser parcialmente
cobertos por eles. Por meio desse sacrifício é que
poderemos ter o edifício vertical.

rr. A Obra de Rede e a Obra de Torcedura nos


Dois Capitéis; Sete em Cada Uma
O Primeiro Livro dos Reis 7:17 diz: “Havia obra
de rede e ornamentos torcidos em forma de cadeia
para os capitéis que estavam sobre o alto das colunas;
sete para um capitel e sete para o outro”. Aqui vemos
que a obra de rede e a obra de torcedura dos dois
capitéis eram em número de sete para cada um. Isso
indica que todas as situações complexas são
temporais, não eternas. Todas as situações de cortar,
os quebrantamentos e as opressões, ainda que
completos, são temporais, porque estão no número
sete. Um dia, tudo isso terminará, e não haverá mais
obra de rede e de torcedura. Ao invés de obra de rede
e de torcedura teremos uma coroa de ouro.

ss. O Número Três Oculto


Note que, nessas duas colunas, o número três
está oculto. Isso indica que o Deus Triúno está oculto.
O fato de as colunas terem doze côvados de
circunferência e os capitéis quatro côvados de
diâmetro implica a presença do número três. O
número três, o Deus Triúno, é real, mas invisível. Em
qualquer situação, Ele é real, mas está oculto.
tt. O Bronze, o Lírio e as Romãs, Todos nas
Duas Colunas
O bronze, o lírio e as romãs estão todos nas duas
colunas. Isso revela que a morte, a ressurreição e a
expressão da vida são todos um testemunho na
edificação de Deus. Hoje, estamos aqui com esse
testemunho. Todos esses pontos são cruciais, e
espero que vocês gastem tempo orando e tendo
comunhão sobre eles, até que eles entrem em vocês e
se tornem sua experiência. Então saberemos o que
são as colunas e como poderemos tornar-nos uma
delas.
MENSAGEM OITENTA E CINCO

O CONSTRUTOR DAS COLUNAS – O


HABILIDOSO HIRÃO (1)
Nesta mensagem, um parêntese em nosso estudo
sobre as colunas, ponderaremos sobre Hirão, o
construtor delas (1 Rs 7:13-15). Em 1 Reis e 2
Crônicas, a Bíblia fala muito acerca de Hirão.
Embora Davi e Salomão houvessem preparado
homens habilidosos para a edificação do templo,
Hirão é o único deles mencionado pelo nome. A
Bíblia não apenas menciona o seu nome, mas
também fornece o seu antecedente de maneira
pormenorizada e significativa, falando-nos de sua
mãe, de seu pai e do próprio Hirão. Ao estudar a
Bíblia, precisamos perceber que ela não tem palavras
supérfluas. Tudo o que enfatiza ou repete, é
significativo. Em vez de considerar algum versículo
como mera redundância, precisamos descobrir o
significado de cada repetição.
Embora gastasse bastante tempo para estudar as
duas colunas em 1 Reis 7, há quase cinqüenta anos,
não me veio qualquer luz. Somente percebi que os
nomes das duas colunas eram J aquim, significando
“Ele estabelecerá”, e Boaz, querendo dizer “Nele há
força”. Mas por estarmos considerando o sonho de
Jacó e sua experiência em Betel, comecei a estudar
novamente essas duas colunas. Desta vez, uma
grande luz, como a luz do quarto dia (Gn 1:14-19),
brilhou sobre mim. Em meu estudo referente às
colunas, descobri que vários versículos mencionam
Rirão, o seu construtor. Soube, pelo falar interior do
Espírito, que deveria atentar para esse fato.
Enquanto considerava as colunas, veio-me também a
luz com relação à mãe e ao pai de Rirão, cujos nomes
não são mencionados nas Escrituras. Fiquei
especialmente aborrecido com o fato de que, de
acordo com o texto hebraico, 1 Reis 7:14 diz que
Rirão era da tribo de Naftali. Quando considerei
todas essas coisas mais profundamente, percebi que
precisava de uma mensagem inteira para liberar o
meu encargo sobre o construtor das colunas.
Ao ouvir algo a respeito do construtor das
colunas, você poderá dizer: “Não acho que eu possa
ser um construtor. Se a misericórdia e a graça de
Deus fizerem de mim uma coluna, eu me darei por
satisfeito”. Mas não seja tão limitado. A graça de
Deus é ilimitada. Ela pode não só fazer de você uma
coluna, mas até mesmo um construtor de colunas.
Embora não esteja dizendo que todos nós seremos
colunas ou construtores de colunas, creio que, nos
anos vindouros, muitos, até mesmo algumas irmãs,
tornar-se-ão colunas. Se você não crê nesta palavra
agora, peço-lhe que espere alguns anos. Então verá
muitas colunas levantadas na restauração do Senhor.
Quando chegar aquela hora, eu ficarei feliz. Além do
mais, creio que muitos de nós também nos
tornaremos Hirãos, os construtores de colunas. Deus
precisa desses Hirãos, Somente um templo foi
construído à época de Salomão, mas hoje muitas
igrejas locais precisam ser edificadas. Quantos
Hirãos serão necessários para tal obra! Toda igreja
precisa de ao menos um Rirão. Toda vez que há um
Rirão numa igreja, ela está na glória. Graças ao
Senhor por haver levantado muitos Hirãos no
passado. Mas creio que, no futuro, Ele aperfeiçoará
muitos outros Hirãos,
I. SUA MÃE ERA UMA DAS FILHAS DE DÃ
Vejamos agora o elemento constituinte ou a
constituição de um Hirão. Precisamos conhecer a
constituição dos que são construtores, não do edifício
em geral, mas especificamente das colunas.
Primeiramente, a mãe de Rirão era “uma mulher das.
filhas de Dã” (2 Cr 2:14). Não se pode dizer se Dã
aqui indica a tribo de Dã ou a cidade de Dã. Sem
dúvida, certamente se refere ao povo de Dã, porque a
cidade de Dã também era do povo da tribo de Dã. O
pai de Hirão era um tírio, um homem de Tiro, país
pagão. Logo, a mãe era da terra santa, . e o pai era de
um país pagão. Por estranho que pareça, a Bíblia diz
que o próprio Rirão era da tribo de Naftali (1 Rs 7:14).
Portanto, a mãe era de Dã, o pai de Tiro, e ele próprio
de Naftali. Como poderia ser da tribo de Naftali, se a
mãe era de Dã e o pai de Tiro? A Bíblia não nos diz. É
um segredo. A luz do Novo Testamento, podemos
descobrir o significado desse segredo. O Novo
Testamento desvenda-nos que nascemos homens
mundanos e pecaminosos, mas fomos regenerados e
transformados, para sermos homens em ressurreição.
Ser um homem em ressurreição pela regeneração e
transformação é ser transferido para o seio da tribo
de “Naftali”, e não mais ser de “Dã” ou de “Tiro”.
Tomemos o exemplo de um presbítero que tenha
sido transformado. Ele não deveria ser um cavalheiro,
mas um homem transformado. Embora seja filho de
uma mulher de “Dã” e de um homem de “Tiro”, ele
precisa ser transferido para a condição de pessoa da
tribo de “Naftali”. Na vida da igreja, a tribo de
“Naftali” é a tribo da transformação. Por estarmos
nessa tribo, não somos mais o mesmo que nossa mãe
“danita” e nosso pai “tirio”. Você pode pensar que
seja exagero afirmar que Naftali pode ser
interpretado como a tribo da transformação. Mas
continue a ler e certamente se convencerá de que é
assim. Entre as doze tribos, somente uma, a de
Naftali, é a tribo da transformação. Judá é a tribo da
realeza, Levi, a do sacerdócio, e José, a da porção
dobrada. Naftali é a tribo da ressurreição. Estar em
ressurreição significa estar na transformação.
A tribo de Dã é a tribo da idolatria, que levou o
povo de Deus a tropeçar e a sair do Seu caminho.
Gênesis 49:17 diz: “Dã será serpente junto ao
caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os
talões do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás”.
De acordo com Juízes 18, foi exatamente isso que os
danitas fizeram. Tomaram as imagens de Mica, que
este tinha em sua casa, mais o sacerdote que este
contratara para servir em sua casa. Juízes 18:31 diz:
“A imagem de escultura, feita por Mica,
estabeleceram para si”. Esse foi o maior tropeço para
os filhos de Israel, a mordida da víbora, que levou à
queda o cavaleiro. Além do mais, Jeroboão, rei das
tribos do Norte, erigiu bezerros de ouro em Betel e
em Dã, para fazer tropeçar os filhos de Deus (1 Rs
12:28-30). Por essa razão, de 1 Crônicas 2 até 9, onde
todas as outras tribos de Israel são mencionadas
pormenorizadamente, não se fala de Dã. Ali Dã é
cortada fora do registro do povo de Deus. Além disso,
em Apocalipse 7, onde se fala do selo dos filhos de
Israel, Dã também não é mencionada.
Consideremos ainda alguns pormenores
relacionados com a tribo de Dã. Gênesis 49:17 diz
que Dã era “serpente junto ao caminho, uma víbora
junto à vereda”. Era uma víbora, uma cobra venenosa,
picando as patas dos cavalos, “e faz cair o seu
cavaleiro por detrás”. Na corrida da economia de
Deus, essa víbora pica o cavalo e faz cair para trás o
cavaleiro. Tal palavra de 49:17 não foi dita por um
difamador, mas por Jacó, como parte de sua bênção a
seus filhos. Ao chegar a hora de conceder sua bênção
a Dã, ele precisava ser fiel à inspiração de Deus.
Imediatamente após proferir as palavras registradas
em 49:17, Jacó disse: “A tua salvação espero, ó
Senhor”. Isso significa: “Senhor, salva-me desta
serpente, desta víbora”. Em 49:16, Jacó dissera: “Dã
julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel”.
Jacó, aqui, estava orando para que Dã pudesse
continuar como uma das tribos. Isso significava que
Dã corria o perigo de ser omitido. Então, a oração de
seu pai também foi uma predição. Deus ouviu-lhe a
oração. No livro de Ezequiel percebemos que, no
milênio vindouro, a tribo de Dã será restaurada (Ez
48:1).
Esses pormenores relativos a Dã indicam que
uma mãe, “mulher das filhas de Dã” é uma mãe em
pecado. Todas as mães são mães em pecado. No
Salmo 51:5, Davi disse: “Em pecado me concebeu
minha mãe”. O fato de a mãe de Rirão ser de Dã
indica que a sua origem, como a nossa, era de pecado.
Até o apóstolo Paulo disse ser o maior dentre os
pecadores (1 Tm 1:15). Espiritualmente falando, aos
olhos de Deus, a mãe de Paulo também era “uma
filha de Dã”, Todos precisamos confessar que nossas
mães também são de “Dã”. Se você quiser tornar-se
um construtor de colunas, precisa primeiramente
admitir que é uma pessoa nascida em pecado.
Podemos parecer bonzinhos, humildes, gentis,
mansos e puros, mas por ser nossa mãe uma das
“filhas de Dã”, nossa origem por nascimento é a
mesma da serpente. Em Mateus 23:33, o Senhor
Jesus dirigiu-se aos religiosos como a “serpentes” e
“raça de víboras”. Se você me dissesse: “Irmão Lee,
você não é bom; você é de uma raça de víboras”, eu
inclinaria a cabeça, concordando. Em nós, isto é, em
nossa carne, não habita bem algum (Rm 7:18). Todos
precisamos reconhecer qual é a nossa origem:
nascemos de uma mulher da tribo de “Dã” a tribo da
serpente, picando as patas do cavalo e levando o
cavaleiro a cair para trás na economia de Deus.

II. SEU PAI ERA TÍRIO


O pai de Rirão era um tírio, um homem de Tiro
(1 Rs 7:14). De acordo com Ezequiel 28, Tiro era um
lugar de comércio (Ez 28:16). Tiro era um centro
comercial, um lugar de comércio internacional, como
a Hong Kong de hoje. Porque estava cheia de
mercadorias, ela era uma com Satanás (Ez 28:12).
Ezequiel28 revela que o rei de Tiro era um com
Satanás, e até mesmo a própria corporificação de
Satanás. Onde há comércio, aí também está Satanás,
pois ele está no comércio. Se você quiser ver Satanás
hoje, vá à cidade comercial de Hong Kong.

III. O CASAMENTO DE SEUS PAIS FOI


CONTRÁRIO ÀS LEIS SANTAS DE DEUS
O casamento dos pais de Rirão foi contrário à lei
santa de Deus (Dt 7:3). Uma mulher da tribo da
serpente casou-se com um homem do país de
Satanás. Que combinação! Essa mulher da tribo da
serpente casou-se com um homem do país de Tiro,
por causa das riquezas, do comércio.
Não apenas nos dias de Rirão, mas também hoje
é preciso habilidade para ganhar dinheiro. Por isso é
que existem tantas escolas técnicas. Tais escolas
técnicas ensinam especializações técnicas e
comerciais que capacitam as pessoas a ganhar
dinheiro. O único objetivo dessas instituições e
universidades é treinar as pessoas para que sejam
técnicos em ganhar dinheiro.
Eu os encorajo a todos para que aprendam como
ganhar dinheiro. Eu tenho encorajado meus netos a
estudar medicina. Embora alguns santos tenham
tentado desencorajá-los da medicina, dizendo-lhes
que só precisam ler a Bíblia e amar ao Senhor, eu
lhes tenho dito: “Não ouçam tais conversas. Os que
dizem assim não conhecem a vida. Vocês precisam
dar ouvidos ao seu avô. Ele conhece a vida melhor do
que todos vocês. Estudem medicina”. Um dos meus
netos me levou a sério e tirou nota dez em todas as
matérias no primeiro ano básico dos seus estudos de
medicina. Não pense que isso seja um tipo de amor
pelo mundo. Como vocês perceberão, tenho um
propósito definido ao agir assim. Rirão tornou-se o
construtor das colunas. Mas se o pai dele não fosse
um tírio, ele não teria tido a habilidade para construí-
las. Todos nascemos de uma mãe “danita”, e todos
precisamos de um pai “tírio”. Quanto mais tírio for
nosso pai, melhor. Se você acha que estou indo longe
no que digo, peço-lhe que leia esta mensagem até o
final.

IV. TORNOU-SE ALGUÉM DA TRIBO DE


NAFTALI
De acordo com o texto hebraico, em 1 Reis 7:14,
lemos que Rirão era da tribo de Naftali. Embora sua
mãe fosse uma danita e seu pai um tírio, Rirão
passou posteriormente a pertencer à tribo de Naftali.

A. Uma Corça Liberta


Em 49:21, Jacó disse: “Naftali é uma gazela
solta; ele profere palavras formosas”. Jacó aqui fala
de Naftali de maneira altamente favorável. Uma
corça não parece ter relação com palavras
maravilhosas. Não podemos, entretanto, entender a
Bíblia de acordo com nossa mente natural, mas de
acordo com a própria Palavra.

1. Confiou e Alegrou-se em Deus


Uma corça representa uma pessoa que confia em
Deus numa situação desesperadora. Habacuque 3:17
e 18 diz: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja
fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os
campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam
arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado,
todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da
minha salvação”. Os que confiam em Deus e Nele se
regozijam em meio a uma circunstância
desesperadora, numa situação em que se cortou toda
fonte de suprimento, são corças.

2. Andou por Lugares Altos


Habacuque 3:19 diz: “O Senhor Deus é a minha
fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me
faz andar altaneiramente”. Os que confiam em Deus
andam, não por vales, mas pelo topo das montanhas.
Se você não souber como exercitar a fé em Deus em
meio a uma situação desesperadora, então haverá de
rastejar pelos vales quando chegar tal momento.
Você jamais andará e saltará por sobre os montes.
Somente os que confiam em Deus em meio a uma
situação desesperadora podem saltar por sobre o pico
das montanhas. As pessoas podem dizer: “Veja! A
figueira não floresce, a vide não dá fruto, a oliveira
finge que produz, os campos não dão mantimento, os
rebanhos foram arrebatados dos apriscos e não há
gado nos estábulos. Oh! a situação é desesperadora, e
estamos liquidados! “ Quando ouvir tais palavras,
você então deverá dizer: “Louvado seja o Senhor!
Agora é a hora de eu confiar Nele”. Se você for assim,
não ficará desencorajado. Pelo contrário, saltará e
pulará como uma corça por sobre o pico dos montes.

3. Viveu em Ressurreição
A corça é também mencionada no título do
Salmo 22, que diz: “Segundo a melodia: Corça da
manhã”. Esse salmo fala da ressurreição em Cristo
por meio da crucificação. O primeiro versículo foi
dito pelo Senhor Jesus na cruz: “Deus meu, Deus
meu, por que me desamparaste? “ O versículo 22,
todavia, diz: “A meus irmãos declararei o teu nome;
cantar-te-ei louvores no meio da congregação”. Este
versículo é mencionado em Hebreus 2:12, que
relaciona o Cristo ressurreto à igreja. O Salmo 22,
portanto, cantado segundo a melodia da corça da
manhã, fala sobre Cristo em ressurreição para a
igreja. No Antigo Testamento, a corça refere-se não
somente a uma pessoa que confia em Deus e anda
por sobre o pico dos montes, mas também àquela que
vive em ressurreição para a congregação de Deus,
para a vida da igreja.
Você é uma “corça” ou uma “tartaruga”? Nunca
vi uma tartaruga saltando por sobre o pico dos
montes. As tartarugas são encontradas em lugares
baixos, junto às águas. Os que confiam em Deus não
são “tartarugas”, mas “corças”. Estão em ressurreição
para a congregação de Deus, para a igreja. Somente
pela regeneração e pela transformação podemos ser
tal tipo de pessoa. Nafta1i é a tribo da corça, e uma
corça representa uma pessoa regenerada e
transformada, uma pessoa que confia em Deus, que
anda por sobre o topo dos montes, e que vive em
ressurreição para a vida da igreja. Que maravilha!

B. Fala Palavras Bonitas


Naftali também fala palavras maravilhosas.
Naftali ficava na terra da Galiléia (Mt 4:15). Todo o
primeiro grupo de apóstolos proveio da Galiléia, e em
Atos 1:11 são mencionados como “varões galileus”.
Desses galileus, pessoas de Naftali, vieram palavras
maravilhosas, isto é, a pregação do evangelho. No
Novo Testamento, vemos que a palavra saída desses
galileus era a palavra da vida (At 5:20), a palavra da
graça (At 14:3), a palavra da salvação (At 13:26), a
palavra da sabedoria (1 Co 12:8), a palavra do
conhecimento (1 Co 12:8) e a palavra da edificação
(At 20:32).

V. MORREU SEU PAI TÍRIO, FICANDO


VIÚVA SUA MÃE DANITA
O apóstolo Paulo era realmente um Hirão. Não
sei quem foi a mãe dele, mas, espiritualmente
falando, estou certo de que ela era uma “filha de Dã”,
uma filha da tribo da serpente. Sem dúvida, em
princípio, o pai de Paulo era um “tírio”. Paulo cresceu
“aos pés de Gamaliel” (At 22:3), um doutor da lei.
Naquela época, a lei era a mais elevada ciência entre
os judeus, e quem se tornasse um doutor da lei era
considerado alguém bem proeminente. Gamaliel
ensinou a Paulo tudo acerca da religião dos seus
antepassados. O estudo de Paulo, aos cuidados de
Gamaliel, equivaleria hoje ao estudo num seminário.
Embora um seminário não ensine comércio e seja
assim diferente de um colégio técnico, o princípio de
ambos é o mesmo, no sentido de que ambos ensinam
conhecimento.
Considere também o exemplo de Moisés. Este
nasceu de mãe judia, mas cresceu no seio da família
real do Egito. Atos 7:22 diz: “E Moisés foi educado
em toda a ciência dos egípcios, e era poderoso em
palavras e obras”. Ele foi um estudioso no Egito.
Paulo foi um perito em conhecimento religioso, e
Moisés foi um perito em conhecimento secular.
Todavia, mais uma vez, o princípio é o mesmo. Por
fim, tanto Moisés quanto Paulo se tornaram
construtores de colunas. Em 1 Coríntios 3:10 Paulo
diz ser um “prudente mestre construtor” (gr.). Tanto
Moisés como Paulo tiveram uma mãe “danita” e um
pai “tírio”. A farru1ia real egípcia foi o pai “tírio” de
Moisés, pois lá ele aprendeu toda a ciência do Egito.
Essa era a fonte de sua habilidade egípcia. O
ensinamento de Gamaliel foi a fonte do
conhecimento de Paulo. Dessa maneira, Gamaliel
tornou-se o pai “tírio” de Paulo.
Precisamos agora ver um ponto crucial: todos os
pais “tírios” precisam morrer. Hirão aprendeu a
comercializar com seu pai tírio, mas, por fim, este
veio a morrer. No que diz respeito a Moisés, a família
real do Egito morreu e foi cortada fora. Depois que
Moisés aprendeu tudo dos egípcios, aquela fonte
egípcia foi liquidada. Da mesma maneira, após Paulo
ter aprendido tudo de Gamaliel, a fonte de Gamaliel
foi estancada. De igual modo, todos precisamos ser
filhos de uma viúva. Nosso pai precisa morrer, mas
nossa mãe viúva deve permanecer. Nosso pai egípcio
ou nosso Gamaliel precisa morrer, deixando-nos
como filhos de uma mãe viúva. Isso significa que a
fonte de nossa habilidade religiosa ou secular precisa
morrer, mas a fonte do nosso ser humano ainda
precisa existir. Hoje, todos precisamos ter um pai
falecido e uma mãe viúva.
No tempo de Moisés, ninguém poderia entender
o plano de Deus para o tabernáculo como ele, porque
ninguém mais havia ganho toda a ciência dos
egípcios. Ele adquiriu a ciência dos egípcios antes dos
quarenta anos. Após obtê-la, julgou-se qualificado
para livrar seu povo das mãos dos egípcios (At 7:23-
25), mas falhou no seu esforço. Após fugir do Egito,
viveu no deserto por quarenta anos. Aos oitenta anos,
considerou-se um homem morto. No seu salmo, o
noventa, ele diz que as pessoas esperam viver até os
setenta, e os mais fortes podem chegar aos oitenta (SI
90:10). Aos oitenta anos, Moisés deve ter dito a si
mesmo: “Estou no fim. Que posso fazer? Quarenta
anos atrás eu poderia ter feito algo, mas hoje não
posso fazer nada. Não estou ainda morto, mas estou
morrendo”. Enquanto estava morrendo lá no deserto,
um dia Moisés viu a sarça ardente (Êx 3:2). Embora
ardesse, a sarça não se consumia. Nessa visão, Deus
parecia dizer-lhe: “Moi sés, vou fazê-lo arder sem se
consumir. Não preciso de você como combustível.
Aos quarenta anos, você tinha muito combustível,
mas agora você está velho e seco, e não tem mais o
combustível. Vim para fazê-lo arder”. À época dessa
visão, o pai “tírio” de Moisés finalmente morrera.
Mais tarde, quando guiou os filhos de Israel pelo
deserto, o que ele aprendera no palácio real tornou-
se útil. Porque os outros não tiveram toda a ciência
dos egípcios, ninguém mais poderia ter feito no
deserto a obra que ele fez.
O princípio é o mesmo para um irmão que
adquiriu muito conhecimento bíblico no passado. Tal
conhecimento da Bíblia é o seu pai “tírio”. Mas esse
pai “tírio” precisa morrer. A fonte do seu
conhecimento bíblico deve terminar. A essa altura,
então, tudo o que ele aprendeu no passado tornar-se-
á útil em ressurreição, e ele será capaz de liberar uma
palavra, como poucos. Assim como a ciência dos
egípcios tornou-se útil ao Moisés ressurreto, assim
também tudo o que aprendemos na faculdade, no
seminário ou no estudo bíblico tornar-se-á útil em
ressurreição. Todavia, se o nosso pai “tírio” ainda
viver e permanecermos na vida natural, a habilidade
“tíria'' para nada servirá na edificação do templo de
Deus.
Encorajo todos os jovens a obter um diploma
universitário. Não façam da espiritualidade uma
desculpa para não estudar. Pelo contrário, estudem
com mais diligência do que os estudantes seculares,
obtenham as notas mais altas e prossigam por outros
graus de especialização. Não parem com um só título
de pós-graduação, mas consigam dois ou três.
Aprendam também a falar várias outras línguas.
Ganhem as habilidades “tírias” e o conhecimento
“egípcio”. Tornem-se doutores em biologia, medicina
ou física nuclear. Mas depois deixem que o seu pai
“tírio” morra. Já lhes disse como encorajei meu neto
a estudar medicina. Agora vou dizer-lhes o que
realmente está em meu coração. Depois que ele
terminar os estudos de medicina, eu lhe direi:
“Esqueça-se de que é um médico e deixe de usar sua
capacidade para interpretar a Bíblia”. O seu preparo
médico o tornará muito útil. Jovens, ganhem todo o
conhecimento moderno, tirem o diploma
universitário, e depois dêem um adeus ao seu pai
“tírio”. Concluam os estudos do seminário, e depois
digam: “Seminário, obrigado e adeus. Não tenho
mais nada a ver com você, porém usarei a habilidade
que aqui ganhei”.
Jovens, vocês todos precisam estudar. Não usem
as três mensagens semanais de Estudo-Vida como
desculpa. Vocês tanto devem estudar com seriedade,
como também devem ler as mensagens de Estudo-
Vida. Caso contrário, eu não teria confiança em vocês
porque o Senhor também não a teria. Vocês precisam
adquirir o conhecimento “tírio” e ser diplomados
pela “Universidade de Tiro”. Mas depois de
ganharem sua educação “tíria”, vocês precisam
colocar seu pai “tírio” num caixão e enterrá-lo, de
modo que sua mãe “danita” se torne uma viúva.
Então vocês serão da tribo de Naftali, úteis em
ressurreição para a edificação de Deus.
Alguns poderão perguntar-me sobre os apóstolos
Pedro e João, enfatizando que eles não tinham
educação superior, e que, em Atos 4:13, foram
descritos como “homens sem instrução e indoutos”.
Isso, sem dúvida, é verdade. Mas quem foi o
principal edificador de colunas no Novo Testamento?
Sem dúvida foi Paulo. Pedro escreveu apenas duas
epístolas, mas Paulo escreveu catorze. Pedro até
reconheceu a própria deficiência, ao recomendar os
escritos de Paulo, dizendo: “Nosso amado irmão
Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi
dada” (2 Pe 3:15). E até confessou que alguns dos
escritos de Paulo eram difíceis de entender (2 Pe
3:16). Pedro parecia estar dizendo: “Vocês precisam
ler os escritos de Paulo para aprender algo mais
profundo do que eu lhes posso dar”. Precisamos hoje
de Pedros, mas também precisamos de Paulos, os
que podem escrever mais epístolas. Alguns ainda
dirão: “E o apóstolo João? Não escreveu ele um
evangelho com vinte e um capítulos, além do livro de
Apocalipse, com vinte e dois capítulos? “ A educação
“tíria” de João só o capacitou até aí; ele não pôde
fazer o que Paulo foi capaz de fazer. João podia dizer:
“No princípio era o Verbo (a Palavra-lit.) “, “A vida
estava nele, e a vida era a luz dos homens” e “Eis o
Cordeiro de Deus”. João podia dizer às pessoas que,
se cressem Nele, teriam a vida, mas, se não cressem,
morreriam. Contudo, não foi capaz de escrever os
capítulos 4 ou 7 de Romanos, ou o livro de Efésios. Se
lhe pedissem que o fizesse, ele poderia responder:
“Não sou capaz de fazer. Vão ao irmão Paulo”. João
estava qualificado a ter a visão da grande meretriz e
da Nova Jerusalém, mas não foi ele quem escreveu
livros como Romanos, Efésios e Hebreus.
Existe hoje, na restauração do Senhor, a
necessidade de pessoas possuidoras da educação
mais elevada. Jovens, vocês precisam esforçar-se por
ganhar a melhor educação. Arranjem o seu horário
cotidiano da seguinte maneira: sete horas e meia
para dormir, uma e meia para comer, uma para
ginástica, oito para o estudo, e seis para as coisas
espirituais. Se vocês despenderem assim sua energia,
aos trinta anos serão capazes de iniciar o seu
ministério, como o Senhor Jesus o fez (Lc 3:23).
Continuem seus estudos até os trinta anos. Se muitos
tomarem esse caminho, não teremos falta de
construtores de colunas.
Não se casem muito cedo. Não gosto de ver os
irmãos casando-se antes dos vinte e cinco anos. Não
tomem tão cedo a responsabilidade de um casamento
e de filhos. Pelo contrário, usem o seu tempo e a sua
energia para os estudos. A idade de vinte e seis anos é
suficiente para os irmãos começarem a ter filhos.
Além disso, não gosto de ver as irmãs casando-se
antes dos vinte e dois anos. Se elas se casarem muito
cedo e tiverem filhos muito cedo, poderão ficar
sobrecarregadas, e até mesmo prejudicadas. Sigam o
esquema que lhes recomendei até os vinte e cinco
anos, e vejam qual será o resultado. Isso certamente é
bom para a restauração de Deus.
Você está ansioso por ser um Hirão? Se estiver,
então você precisa estar ligado ao seu pai “tírio”,
aprender a habilidade e o comércio “tírio”, e ganhar a
ciência dos “egípcios”. Não pare muito cedo os seus
estudos. Consiga o seu mestrado, ou, de preferência,
doutoramento. Todas as pessoas na vida da igreja
devem ser cultas. Não somos ignorantes nem
possuidores de uma educação inferior. Pelo contrário,
devemos ter a mais aprimorada educação.
Precisamos adquirir toda a ciência dos “egípcios”,
mas não devemos trabalhar para os “egípcios”-
devemos trabalhar para o santo tabemáculo.
Devemos ser capazes de dizer: “Conheço medicina e
física nuclear, mas não estou trabalhando para isso.
Estou trabalhando para a edificação da igreja.
Aprendi uma profissão, mas não estou ocupado com
ela. Estou edificando as colunas para o templo do
meu Deus”. Para isso, o nosso pai “tírio” precisa
morrer, a nossa mãe “danita” precisa ficar viúva e
precisamos pertencer à tribo de “Naftali”, a tribo da
transformação. Seja uma pessoa cheia de
conhecimento, mas não use o seu conhecimento para
negócios seculares. Use-o totalmente para o trabalho
de edificação do Senhor. A sua vida e o seu ser devem
não só ser transformados, mas também transferidos.
Você não mais deve ser de “Dã” ou de “Tiro”, mas
integralmente de “Naftali”. Como corças libertadas,
devemos confiar em Deus, andar por sobre o cume
dos montes e viver em ressurreição para a vida da
igreja, liberando palavras de vida, de graça, de
salvação, de sabedoria, de conhecimento e de
edificação. Se formos assim, então seremos
construtores de colunas.
MENSAGEM OITENTA E SEIS

O CONSTRUTOR DAS COLUNAS – O


HABILIDOSO HIRÃO (2)
Nesta mensagem continuaremos as
considerações referentes ao construtor das colunas, o
habilidoso Rirão (1 Rs 7:13-14; 2 Cr 2:13-14).
Não é fácil conhecer a Bíblia. Às vezes, ao
encontrarem dificuldade em determinada passagem,
os tradutores dizem que há erro no manuscrito.
Todavia, ao mergulharmos nas profundezas da
revelação da Bíblia, precisamos adorar a Deus.
Freqüentemente, o que à primeira vista parece um
engano dos manuscritos torna-se uma verdade
misteriosa oculta nas Escrituras. Isso é verdade com
respeito a 1 Reis 7:14. A versão de João Ferreira de
Almeida traduz o versículo como: “Era este [Rirão]
filho duma mulher viúva, da tribo de Naftali”. De
acordo com esta tradução e com a compreensão da
maioria dos tradutores, o complemento “da tribo de
Naftali” refere-se à palavra “viúva”. Isso significaria
que esse versículo diz que a viúva era da tribo de
Naftali, mas 2 Crônicas 2:14 diz que Rirão era “filho
duma mulher das filhas de Dã”. Como poderia uma
filha de Dã ser também da tribo de Naftali? Alguns
tradutores, negligenciando o texto hebraico de 1 Reis
7:14, tentaram ao máximo conciliar tal divergência,
mas falharam. Ao estudarmos o texto hebraico,
vemos que esse versículo deveria ser traduzido assim:
“Filho de uma mulher viúva; e ele era da tribo de
Naftali”. Assim, Rirão, o filho, era da tribo de Naftali.
Isso resolve o problema.
Neste registro de Rirão, o construtor de colunas,
observamos três povos: o de Dã, o de Tiro e o de
Naftali. A mãe de Rirão era de Dã, o pai era de Tiro, e
ele próprio tornou-se alguém da tribo de Naftali. Não
sabemos como um homem, cuja mãe era de Dã e cujo
pai era de Tiro, poderia pertencer à tribo de Naftali.
Somente sabemos que a Bíblia no-lo diz assim.

VI. A TRANSFERÊNCIA MISTERIOSA DE


HIRÃO PARA A TRIBO DE NAFTALI
A Bíblia é profunda, e muitas coisas nela
reveladas são misteriosas. Embora pareça não haver
razão para Rirão ser da tribo de Naftali, a Bíblia diz
claramente que ele era dessa tribo. Se considerarmos
o significado de Dã, de Tiro e de Naftali, adoraremos
a Deus. Dã era o povo da serpente que pica o cavalo
na corrida de Deus (Gn 49:17), e Tiro, um centro
cheio de comércio, relacionava-se a Satanás (Ez
28:12, 16). Que maravilha ver um homem nascido de
uma mulher do povo da serpente e de um homem do
povo que se relacionava a Satanás, podendo depois
tornar-se alguém da tribo de Naftali.
Naftali é uma gazela (Gn 49:21), que é útil a
Deus. A descrição dela no registro do Antigo
Testamento é muito significativa. De acordo com a
Bíblia, ela representa uma pessoa que confia em
Deus em meio a uma situação desesperadora. Por
causa dessa confiança, o Senhor a leva a andar, e
mesmo a saltar, por sobre os lugares altos (Hc 3:17-
19). O título do Salmo 22 revela que a corça também
representa o próprio Cristo que, havendo passado
pelo sofrimento da crucificação, entrou em
ressurreição para o bem da igreja. Hebreus 2:11-12
revela que o Cristo ressurreto destina-se à igreja. A
corça, portanto, representa uma pessoa que confia
em Deus, que anda por sobre o cume dos montes, e
que vive por meio do Cristo ressurreto para a
edificação de Deus.
Que você prefere ser: uma serpente, um “tírio”
ou uma corça? Eu, é claro, prefiro ser alguém da tribo
de Naftali, confiando em Deus, andando por sobre os
lugares altos e vivendo no Cristo ressurreto para a
edificação de Deus. Rirão era uma pessoa assim.
Ao lerem isto, alguns poderão pensar que seja
uma mera alegoria ou inferência. Não é errado fazer
inferência. Se vemos as letras P-A-l, podemos
corretamente inferir que elas compõem a palavra
“Pai”. Tal inferência é não só correta, como também
necessária. Para fazer inferências relacionadas com o
que se encontra na Bíblia, precisamos primeiramente
conhecer a própria Bíblia. Muitos dos que não
conhecem o significado da tribo de Dã ou do país de
Tiro haverão de dizer: “Dã é Dã e Tiro é Tiro. Não nos
importam todas essas coisas”. Gênesis 49:21 diz:
“Naftali é uma gazela solta; ele profere palavras
formosas”. Talvez você jamais tenha prestado
atenção a esse versículo. Naftali é uma corça, que é
libertada e fica à vontade. Essa corça desconhece
cativeiro e não é aprisionada em aprisco algum; pelo
contrário, é livre para escalar o cume dos montes.
Precisamos ser tais pessoas, livres de todo cativeiro e
de qualquer aprisco feito pelo homem.
Precisamos agora perguntar como um homem
nascido de uma mãe danita e de um pai tírio poderia
tornar-se alguém da tribo de Naftali. Isso é
misterioso. Um trecho da história pessoal de cada
cristão deveria ser misterioso. Todo cristão tem uma
história misteriosa. Quando jovem, eu gostava de
jogar futebol. Podia jogar futebol o dia todo. Mas
quando fui jogar novamente depois de salvo, uma
coisa estranha ocorreu. Enquanto esperava que a
bola viesse até mim, descobri que meus pés não
podiam mover-se. Quando ela me vinha, eu
simplesmente não podia jogar. Antes, eu era o mais
rápido para correr e conduzi-la, mas agora já não
podia mover-me, e, por fim, desisti daquele jogo. Os
outros ficaram chocados, e alguns perguntaram:
“Que aconteceu? “ Eu respondi: “É-me difícil dizer”.
Isso é misterioso. Você não teve experiências
misteriosas como essa? Se não, então duvido que
você seja meu irmão ou irmã no Senhor. Embora eu
fosse um jogador de futebol nato, de repente tomei-
me uma outra pessoa. Já faz cinqüenta e cinco anos
desde que deixei o futebol.
Há um elemento misterioso em nossa vida
regenerada. Sim, nascemos de uma mãe “danita” e de
um pai “tírio”, mas fomos regenerados para ser uma
outra pessoa. Mesmo os jovens em nosso meio
podem testificar que certas coisas misteriosas lhes
aconteceram. Parte de suas histórias humanas é
misteriosa. Quanto mais você toma este caminho,
mais misterioso se toma. Minha esposa precisa
admitir que várias vezes não pôde compreender-me.
Às vezes, algo faz com que a ira suba dentro de mim;
mas, poucos minutos depois, começo a dizer:-ó
Senhor Jesus! Louvado seja o Senhor! Amém!
“ Embora minha esposa exercite sua habilidade para
compreender o que ocorre em meu interior, ela
simplesmente não o consegue. Porque isso é tão
misterioso, eu apenas posso dizer: “Louvado seja o
Senhor! “ Como isso é misterioso!
Tanto Dã quanto Tiro são visíveis, mas Naftali é
invisível. As pessoas podem ver que eu nasci de meu
pai e de minha mãe naturais, mas não podem ver
como me tomei tal pessoa misteriosa. Todo “naftalita”
espiritual é invisível e misterioso. E, quanto a você,
as pessoas não deveriam ser totalmente capazes de
compreendê-lo. Se os seus colegas de escola podem
entender tudo a seu respeito, você está acabado. Você
não é um maravilhoso cristão, porque um
maravilhoso cristão não deve ser assim tão
compreensível. Antes, você deve ser um enigma para
os seus colegas de classe ou de trabalho. Você
também tem de ser uma pessoa misteriosa em sua
vida conjugal. Embora sua querida esposa possa ser
uma boa irmã, você deve ser um pouco misterioso
aos seus olhos. Se assim não for, não creio que você
seja um bom irmão. As irmãs, igualmente, devem ser
um pouco misteriosas para com o marido. Diante do
Senhor, posso testificar que não compreendo
determinadas coisas em minha esposa. Ela não
deveria ter capacidade para suportar tanto, mas por
causa da vida misteriosa em seu interior ela é capaz
de suportar muito mais do que eu penso. Nós,
cristãos, temos uma origem e uma fonte misteriosa.
Temos até mesmo um misterioso Principiador dentro
de nós.
É-nos um segredo a maneira como Hirão tomou-
se alguém da tribo de Naftali. Precisamos inclinar a
cabeça e adorar a Deus pelo seu elemento misterioso
oculto na história de Hirão. Como é maravilhoso que
sua história não apenas registre que sua mãe era da
tribo da serpente, e seu pai da nação do comércio, um
país relacionado com Satanás, mas que ele próprio se
tomou alguém da tribo de Naftali. Então, a sua
história implica a existência de uma parte misteriosa
em sua vida, que foi usada por Deus para a Sua
edificação. Embora não se mencione na Bíblia a razão
desse ponto, podemos entender, de acordo com a
nossa experiência, que essa é a parte misteriosa de
nossa vida cristã. Quanto maior for tal porção
misteriosa, melhor, porque essa é a parte que tomou
Hirão alguém da tribo de Naftali e que o fez
construtor das colunas. De semelhante modo, é essa
parte misteriosa que nos toma bons para a edificação
de Deus. Não devemos viver como alguém nascido de
“Dã” ou de “Tiro”. Pelo contrário, precisamos viver
como alguém que foi transferido para o seio da tribo
de Naftali. Aleluia! Hoje, não sou de “Dã” ou de
“Tiro”-sou da tribo de “Naftali”.

VII. O PAI TÍRIO (FONTE DA HABILIDADE


SECULAR) PRECISOU MORRER PARA QUE
O FILHO (QUE APRENDEU SUA
HABILIDADE POR MEIO DO PAI
MUNDANO) POSSA SER LIBERTADO DO
VÍNCULO MUNDANO
O pai tírio de Hirão morreu. Que diferença seria
se sua mãe é que tivesse morrido, em vez de seu pai!
Se fosse esse o caso, tal registro não se encaixaria em
nossa experiência, e seria impossível alegorizar tal
porção da Palavra. Louvado seja o Senhor porque o
nosso “pai”, não a nossa “mãe”, morreu. Isso significa
que a fonte da habilidade secular foi cortada fora por
Deus. O pai representa a fonte da habilidade, e a mãe,
a existência humana. Se nossa “mãe” morresse e o
nosso “pai” ainda vivesse, seríamos “fantasmas”,
totalmente envolvidos com o mundo. Precisamos
continuar a existir como humanos. Até mesmo Paulo
diz: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou
eu quem vive” (GI2:20). O velho homem, o velho
“pai”, foi crucificado, mas, ainda assim continuamos
a existir. Aquele “eu” que continua a existir é a “mãe”
de nossa existência.
Moisés é um bom exemplo. Foi criado no seio da
farru1ia real egípcia, onde aprendeu toda a ciência
dos egípcios. Aos quarenta anos considerava-se
qualificado para libertar seu povo da mão usurpadora
dos egípcios. Fracassou, todavia, porque seu pai
“tírio”, sua conexão com o Egito, ainda existia. Isso
significa que a fonte de sua habilidade ainda não fora
cortada fora. O Senhor interveio para desfazer aquela
conexão, e Moisés fugiu para o deserto. Embora seu
pai “tírio”-a família real egípcia-houvesse morrido, o
próprio Moisés continuava a existir. E a “mãe” viúva
permaneceu. Ele continuava a viver, e ela já não mais
estava ligada a seu marido.
Apliquemos isso à nossa própria experiência.
Você pode conseguir doutoramento pela
Universidade de São Paulo. Mas após obtê-lo, a USP
precisa morrer. Isso não quer dizer que você deve
morrer. Você precisa continuar a existir, mas sua
existência deve ser de uma viúva, separada da fonte
mundana. Você continua a possuir a sua habilidade,
mas a origem e a fonte dela foi cortada fora. A sua
existência que continua é a “mãe”, e a fonte de sua
habilidade que é cortada fora, é o seu “pai” falecido.
Você agora possui a habilidade sem a fonte, e sua
existência humana não está mais ligada à sua origem
mundana.
Muitos dos jovens irmãos e irmãs não têm
equilíbrio, e dizem: “Estamos na restauração do
Senhor e à espera da Sua volta. Ele pode voltar em
dois anos. Por que, então, haveríamos de nos
preocupar com terminar o segundo grau e preparar-
nos para a faculdade? Deveríamos gastar o nosso
tempo com orar-ler e ter comunhão com os outros
irmãos e irmãs. Já que o Senhor vai voltar em breve,
por que gastar o nosso tempo lendo e estudando?
“ Se é essa a sua atitude, pode ser que o Senhor tarde
Sua vinda até que você aprenda a estudar. Na
verdade, você não deveria ter por objetivo apenas
terminar o segundo grau, mas também tirar o
diploma de faculdade, e até conseguir doutoramento.
Sei o que está no coração dos jovens. Muitas irmãs
pensam que é suficiente diplomar-se no segundo
grau, ou até no primeiro grau. Elas podem dizer:
“Nós, irmãs, não seremos presbíteros. Por que gastar
o nosso tempo na escola? Já não é suficiente
aprender a datilografar e ganhar um salário mínimo
por mês? Vamos gozar uma vida cristã fácil e uma
vida da igreja feliz”. Irmãs, vocês precisam
abandonar esse conceito. Não importa o quanto
amam ao Senhor. Se mantiverem tal conceito, jamais
Lhe serão. muito úteis. Nenhum tempo gasto em
estudo é desperdiçado. Como jovens, vocês precisam
usar o seu tempo para estudar. Embora o Senhor
possa voltar dentro de alguns anos, mesmo assim
vocês ainda precisam estudar e aprender a arte “tíria”.
Se tiverem menos de vinte e três anos, o seu tempo
precisa ser dedicado à sua educação. Vocês deveriam
terminar o seu curso universitário aos vinte e dois ou
vinte e três anos. Isso não é um regulamento da
igreja na restauração do Senhor; é um ensinamento
meu. De agora em diante, quando jovens irmãos e
irmãs vierem a mim, eu lhes perguntarei em que ano
terminaram a escola. Se alguém com a idade de vinte
e dois anos me disser que ainda não terminou o
segundo grau, não desperdiçarei meu tempo falando
com ele. Tal pessoa, quatro anos atrasada na escola,
deve ser mentalmente retardada, e seria incapaz de
entender a minha comunhão sobre a Bíblia. Mas se
um irmão me disser que está em fase adiantada de
seu curso universitário, eu ficarei feliz em falar com
ele sobre as profundezas da Bíblia.
Embora você deva fazer o máximo para obter um
grau avançado de educação, após consegui-lo, precisa
estar preparado para cortar os laços mundanos. Não
queime o seu diploma (você precisará dele para os
negócios), mas diga em seu interior: “Meu pai 'tírio'
morreu. O dia da minha formatura será o dia do seu
funeral”. Depois de esforçar-se durante anos para
obter o seu diploma, você deverá colocar o seu pai
“tírio” num caixão e enterrá-lo. Jamais se gabe de
ter-se formado numa universidade. Após Moisés
deixar a família real egípcia ele nunca a mencionou
novamente. Aquela família estava enterrada. Mas
muitos cristãos com o título de doutor gostam de
colocar o “dr”. à frente de seus nomes. Cinqüenta ou
sessenta anos atrás, as pessoas gostavam de dizer que
eram diplomadas por Oxford ou Cambridge. Embora
alguns se orgulhem de sua educação, após
conseguirmos os nossos diplomas, precisamos
enterrar Cambridge, Oxford e todas as outras
universidades. O pai de nossa habilidade “tíria”
precisa morrer e ser enterrado. A habilidade é útil,
mas o pai dela tem um cheiro horrível.
Enquanto vocês lêem esta mensagem, podem
dizer que não entendem sobre o que estou falando.
Isso é misterioso e não há necessidade de entendê-lo.
Os melhores cristãos são os que estudam
diligentemente, e depois parecem esquecer que
ganharam um diploma. Seus parentes e amigos
incrédulos não entenderão isso. Para eles, é estranho
que dediquemos tanto tempo e trabalho para obter
um diploma, e depois não o respeitemos. Louvado
seja o Senhor por eles não nos compreenderem. Esse
é um outro aspecto do nosso mistério cristão. Nós,
cristãos, temos vários aspectos misteriosos. Por
exemplo, sei de alguns cristãos que gastam
livremente dinheiro com os outros e não consigo
mesmos. Os parentes não compreendem por que eles
são tão rigorosos consigo mesmos e tão generosos
com os outros. Nós, cristãos, precisamos ser pessoas
possuidoras de uma história misteriosa. Como é
misterioso o ato de conseguirmos um diploma e
depois cortarmos fora o nosso pai “tírio”!
Se esse pai não morrer, ele nos atará ao mundo,
e nossa educação se tornará o laço mais forte. Em
meu ministério, ao longo dos anos, aprendi que
nenhuma pessoa com alta educação pode
compreender a Bíblia, a menos que corte fora tal laço
mundano. O fato de orgulhar-se de sua educação o
impedirá de conhecer as Escrituras. Não importa
quão culto seja, você precisará humildemente dizer
ao Senhor, como uma criancinha que precisa
aprender, que todo o seu ser está totalmente vazio.
Você deverá ser capaz de dizer: “Senhor, embora eu
tenha três títulos de doutoramento, não sei nada.
Não estou pleno por causa da minha educação. Estou
vazio em meu espírito, em minha mente e em todo o
meu ser”. Muitos profissionais de elevada educação
estão totalmente cheios. Por essa razão, mesmo
depois de salvos, são incapazes de receber qualquer
coisa da Palavra. O seu orgulho tomou conta deles.
Precisamos cortar o elo que nos liga ao nosso pai
“tírio” e tornar-nos como uma criança que não sabe
nada. Embora tenhamos conhecimento, não devemos
ser orgulhosos nem enchidos por ele; pelo contrário,
devemos estar vazios. Se agirmos assim, seremos
capazes de compreender a Bíblia. Precisamos de
alguns irmãos e irmãs com títulos de doutoramento.
Seria muito benéfico se tivéssemos alguns com
doutoramento em grego ou hebraico bíblicos.
Também seria útil que alguns se doutorassem em
ciência espacial e física nuclear. A igreja não deveria
ser pobre nem estar num nível baixo. Pelo contrário,
deveria ter as pessoas mais notáveis da terra. Jovens,
isso deve tornar-se o encargo de vocês.

VIII. A MÃE DANITA-REPRESENTANDO A


EXISTÊNCIA HUMANA-PERMANECEU
VIÚVA
Embora o pai “tírio” deva morrer, a mãe
“danita”-a nossa existência humana-deve
permanecer viúva. Jovens, se acolherem esta palavra,
daqui a alguns anos vocês serão capazes de dizer:
“Senhor, eu Te agradeço por aquela palavra referente
ao pai 'tírio' e à mãe 'danita'. Consegui o
doutoramento; entretanto, o pai desse diploma
morreu, mas a mãe 'danita' ainda vive. Como filho
desta mulher viúva, ainda possuo as minhas
habilidades”. Se agir assim, você certamente será útil
nas mãos do Senhor.
Embora creiamos que o Senhor venha logo,
mesmo assim devemos esperar ter uma longa vida na
terra para o uso do Senhor. No início do meu
ministério, eu fazia repetidamente a oração de
Salomão por sabedoria quanto ao agir em meio ao
povo de Deus (1 Rs 3:7, 9). Posso testificar que Ele
respondeu às minhas orações, ajudando-me tanto a
aprender como comportar-me na casa de Deus, como
a agir no meio dos irmãos. Além disso, tenho
freqüentemente orado para que o Senhor me dê vida
longa. Não quero aprender as coisas de Deus, e
morrer logo depois. Pelo contrário, quero viver uma
vida longa, de modo que tudo o que aprendi possa ser
útil. Todos os jovens deveriam ter a mesma atitude, e
dizer: “Senhor, sei que virás logo. Mas não quero ver-
Te em ressurreição; quero ver-Te no arrebatamento.
Quero viver uma vida longa até que venhas, não para
que eu possa ter gozo, mas para que eu possa ser útil
ao Teu propósito na terra”.
Quando minha mãe morreu, em 1945, eu chorei.
Embora tenha passado por muitos sofrimentos desde
então, raramente chorei em todos esses anos.
Todavia, em 1972, quando vieram notícias de que o
irmão Nee morrera, eu chorei. Chorei porque o
conhecera intimamente, porque passara muitos anos
com ele e dele recebera grande ajuda para a
restauração do Senhor. Ano após ano, ele via coisas
novas e tinha novas experiências. Quase tudo o que
aprendeu, ele passou para mim. De 1952 até ir para o
Senhor em 1972, ele ficou na prisão. Estou certo de
que, nesses vinte anos, ele aprendeu muitas coisas,
mas não proferiu nenhuma palavra. Essa é a
verdadeira razão pela qual eu chorei. Como seria
diferente a situação hoje, se o irmão Nee ainda
estivesse vivo em nosso meio. Embora agradeça ao
Senhor pelos que estão carregando a arca comigo, eu,
todavia, constantemente tenho um profundo
sentimento de solidão. Se o irmão Nee e os meus
outros cooperadores mais próximos ainda vivessem,
eu não teria tal sentimento. Quando estava com eles
na China havia alguns mais experimentados com os
quais eu podia ter comunhão. Podia colocar-lhes
questões, e eles sempre me proporcionavam a ajuda
de que necessitava. Mas, hoje, quando coloco tais
questões diante dos irmãos, sinto que estou só.
Espero que nos anos vindouros todos vocês tenham
em sua companhia muitos outros ao seu nível.
O fato de que nosso pai “tírio” precisa morrer e
nossa mãe precisa continuar a viver significa que
devemos pedir ao Senhor que nos dê uma vida longa.
Devemos dizer: “Senhor, não quero morrer cedo.
Quero viver até os oitenta ou noventa anos. Se não
vieres até então, estou disposto a morrer. Mas ainda
prefiro viver até que venhas”. Todos nós,
especialmente os jovens, devemos crer assim. o
Senhor tem sido misericordioso, respondendo às
minhas orações por uma vida longa. Mas não pense
que nunca tive qualquer doença ou moléstia. Tive
uma úlcera estomacal, e levei dois anos e meio para
recuperar-me de um caso sério de tuberculose
pulmonar. Para que a nossa existência humana
permaneça, precisamos enfrentar qualquer fraqueza.
Diga ao Senhor que você não quer um corpo fraco,
doentio. Não pense que uma pessoa espiritual tenha
de ser fisicamente fraca. Não mantenha o conceito de
que somente sendo fisicamente fraco é que poderá
aprender a confiar no Senhor. Esse conceito é
espiritual demais. E se você for espiritual demais,
não será na verdade nem um pouco espiritual. Pelo
contrário, deverá dizer: “Senhor, não concordo com
ter um corpo doentio. Dá-me um bom apetite, uma
digestão adequada e o melhor dos sonos. Senhor,
promete-me, como prometeste a outros, que minha
força será como os meus dias. Todos os dias deverão
ser cheios de força. Não quero despender um dia
sequer preguiçosamente na cama. Rejeito tal tipo de
existência. Quero ter uma existência forte, saudável e
útil ao Teu propósito”.
Além de orar dessa maneira, você também
precisa aprender a cuidar corretamente do seu corpo.
Não seja negligente em seu comer. O Senhor deu-me
uma boa esposa, que controla o meu comer. Se não
fosse ela, eu aproveitaria todas as oportunidades para
comer sobremesa. Mas por causa de sua preocupação
com a minha dieta, eu hoje tenho saúde. Como,
diariamente, as comidas mais saudáveis. Não cometa
um suicídio gradual anos a fio, comendo sem
sabedoria, mas aprenda a manter-se saudável. Cuide
de seu corpo, para que sua mãe “danita” viúva
continue vivendo. O nosso propósito não é a nossa
saúde, mas a nossa utilidade para o Senhor.
Apesar das oposições, rumores e críticas, o
Senhor está abrindo portas em todo o país. Ele nos
deu uma porta aberta, que ninguém pode fechar. Mas
faltam-nos colunas. Recentemente, ouvimos
testemunhos do que o Senhor está fazendo em vários
lugares. Não temos, todavia, colunas que estejam à
altura do mover do Senhor. Portas também estão-se
abrindo na Europa, mas não há colunas suficientes.
Precisamos admitir que temos falta delas. Essa falta
se deve à situação passada. Mas começando agora,
precisamos cortar fora o nosso passado e prosseguir.
Os jovens precisam levantar-se e dizer a todo o
universo que a situação passada acabou. Jovens,
falem ao Senhor: “Nós, jovens, não temos história.
Todos nos levantaremos. Senhor, tem misericórdia
de nós e faze tudo o que puderes nos próximos anos
para converter-nos em colunas”. Esse é o meu
encargo. Desejo ver, daqui a alguns anos, muitos
jovens prontos a serem enviados. Se tivermos duas
fortes colunas que vão a um dos novos lugares,
dentro de poucos meses três outras localidades serão
levantadas. As portas abertas sempre se multiplicam
dessa forma. Vamos para um lugar, e nossa ida para
lá abre outros lugares. Tudo depende das colunas.
A maioria dos mais velhos entre nós
desperdiçaram muitos anos. Todos os anos gastos no
cristianismo foram desperdiçados. Anos e anos se
passaram, mas tudo permanece o mesmo. Os nossos
jovens não devem ser assim. Mesmo um mês precisa
fazer diferença. Os irmãos e irmãs mais velhos,
todavia, não devem ficar desapontados. Não é tarde
demais para eles prosseguirem. Há uma grande
necessidade daqueles que podem pastorear outros.
Todos devemos esforçar-nos para nos tomar úteis.
Estou certo de que o caminho que estamos
tomando agora é absolutamente correto. Não
considere nenhum outro -mergulhe nesta corrente e
permaneça nela. Use essa oportunidade para
aprender, para ser treinado, ajustado, saturado do
Senhor e tomar-se útil a Ele. Todos precisamos
aprender este caminho e jamais voltar ao velho.
Odeio o velho caminho. De acordo com ele, muitos
vão às reuniões e expõem suas opiniões, julgando-se
muito experientes. Quando os irmãos ministram a
Palavra, eles “discernem” a mensagem (na verdade
estão sendo críticos), querendo determinar se os
irmãos estão ou não sendo fiéis às Escrituras. Não é
nossa responsabilidade discernir os irmãos. Deixem
que o Senhor cuide disso. Pelo contrário, vocês
precisam aprender as suas próprias lições e ter todos
os tratamentos necessários para torná-los úteis.
Todos devemos ter essa atitude. Não pensem que
vocês estão velhos demais para ser usados. Todos os
que quiserem podem tornar-se úteis.
Isso não é uma doutrina, é a minha comunhão
prática com todos vocês, principalmente com os mais
jovens. Jovens, espero que todo o seu ser se abra, de
modo que vocês possam tomar uma clara decisão, e
então digam: “Senhor, é isso. Doravante, farei todo o
possível para aprender tudo o que preciso aprender.
Senhor, peço-Te que me ajudes neste ponto. Depois
de me formar, meu pai 'tírio' terá de morrer, mas
minha mãe 'danita' terá de continuar a existir.
Senhor proporciona-me tal tipo de viver, para que eu
possa ser útil a Ti”.

IX. A HABILIDADE SECULAR É ÚTIL PARA A


EDIFICAÇÃO DE DEUS SOMENTE EM
RESSURREIÇÃO, APÓS MORRER O PAI
MUNDANO E SER TRANSFERIDO O FILHO
EDUCADO PARA A TRIBO DE NAFTALI
A habilidade secular adquirida somente será útil
para a edificação de Deus em ressurreição, isto é,
após haver morri do o pai mundano e após termos
sido transferidos para a tribo de Naftali. Após haver
morrido seu pai “tírio” e ter enviuvado sua mãe
“danita”, você não pode mais permanecer como uma
pessoa natural. Tudo o que é natural é um
desperdício. Ao invés de naturais, precisamos
exercitar-nos a estar em ressurreição em todos os
aspectos do nosso viver. Esse é um grande ponto.
Quanto mais se exercitar a permanecer em
ressurreição, mais útil você será. Você precisa estar
em ressurreição até mesmo em seu relacionamento
com sua esposa. Todas as habilidades adquiridas
precisam estar em ressurreição.
Anos atrás, eu freqüentemente escrevia uma
carta duas ou três vezes, porque, após a primeira
escrita, sentia que algumas frases estavam muito
naturais, e não em ressurreição. Depois, destruía a
carta e começava outra vez. Após exercitar-me a
escrevê-la, ainda esperava um dia, antes de colocá-la
no correio. O meu propósito, ao agir assim, era
determinar se aquela carta estava ou não realmente
em ressurreição. Todos precisamos aprender a agir e
a ter o nosso ser em ressurreição. Esse é um ponto
básico.

X. O NAFTALITA TRANSFERIDO PRECISOU


SER PROCURADO EM TIRO E CONDUZIDO
AO REI SALOMÃO, EM JERUSALÉM, ONDE
ESTÁ A EDIFICAÇÃO DE DEUS
Rirão foi conduzido de Tiro ao rei Salomão, em
Jerusalém. Isso significa que o naftalita transferido
deve ser procurado em Tiro, e conduzido ao rei
Salomão, em Jerusalém, onde está a edificação de
Deus (1 Rs 7:13-14). O rei Salomão era um tipo de
Cristo, e Jerusalém, o lugar da edificação de Deus,
representa a igreja. O Salomão de hoje e o edifício
atual de Deus estão ambos na igreja. Num sentido
exato, a igreja, hoje, é Jerusalém. Embora seu pai
“tírio” tenha morrido, sua mãe “danita” viúva
continue a existir e você esteja em ressurreição, você
ainda precisa vir para a igreja porque é nela que está
a edificação de Deus. Este não edificará o Seu templo
em Tiro. Embora possa ser bastante útil, se você
permanecer em Tiro, será inútil no que diz respeito à
edificação de Deus. Se permanecer em Tiro, você
mesmo poderá estar qualificado, mas a sua posição, a
sua base, estará incorreta. O Senhor precisa buscá-lo
em Tiro e trazê-lo a Jerusalém. Se o seu pai “tírio”
morrer, se sua mãe “danita” continuar a viver como
viúva, e você estiver em ressurreição e vier para
Jerusalém, então você será útil à edificação de Deus.

XI. OS FATOS RELACIONADOS COM MOISÉS


E JOSUÉ, E COM PAULO E TIMÓTEO
Você provavelmente está familiarizado com os
fatos relacionados com Moisés e Josué (Nm 27:15-
23) e com Paulo e Timóteo (1Tm 1:1-3; 2Tm 1:1-2; 6-
8; 2:1-3). Moisés e Paulo primeiramente tomaram-se
eles mesmos colunas, e mais tarde tomaram-se
edificadores de colunas. Moisés edificou a Josué, e
Paulo edificou a Timóteo. Moisés, na verdade, não
introduziu os filhos de Israel no descanso; Josué,
uma coluna edificada por ele, é quem o fez. De
semelhante modo, Paulo edificou a Timóteo, e este se
tomou uma coluna em pé a sustentar o testemunho
da igreja. Tanto no caso de Moisés quanto no de
Paulo vemos que os seus pais “tírios” haviam
morrido. Em Filipenses 3:7, falando do seu passado
religioso, Paulo disse: “Mas o que para mim era lucro,
isto considerei perda por causa de Cristo”. Ele
aprendera muito aos pés de Gamaliel (At 22:3), mas
Gamaliel, a fonte da sua habilidade, tinha de ser
cortado fora. Todavia, a existência humana de Paulo
permaneceu. Posteriormente, tanto Moisés quanto
Paulo estavam em ressurreição. Foram também
conduzidos de ''Tiro'' ao lugar onde estava a
edificação de Deus. Com Moisés, tal edificação foi o
tabemáculo, e, com Paulo, foi a igreja. A História
registra que tanto Paulo quanto Moisés foram mais
do que úteis nas mãos de Deus. Não foram somente
colunas, mas também edificadores de colunas. Essa é
a necessidade da igreja hoje. Para satisfazê-la, todos
precisamos orar ao Senhor, dizendo-Lhe: “Senhor,
para o bem da Tua edificação, faze de mim uma
coluna e um edificador de colunas”.
MENSAGEM OITENTA E SETE

SENDO TRANSFORMADO (8)


Vimos que Jacó por duas vezes erigiu uma
coluna em Betel (28:18, 22; 35:14). Não só erigiu
uma coluna, mas também a chamou de “casa de
Deus”. Como já enfatizamos repetidas vezes, quase
todos os itens do livro de Gênesis são sementes de
verdades que se desenvolvem nos livros seguintes da
Bíblia. Conhecer esse princípio é essencial para a
nossa compreensão do livro de Gênesis. Se
quisermos entendê-lo, precisamos acompanhar o
desenvolvimento dos itens nele contidos ao longo dos
livros subseqüentes da Bíblia, até que atinjam a sua
consumação final e máxima no livro de Apocalipse.
Nas mensagens passadas consideramos o
desenvolvimento da coluna em 1 Reis, 2 Crônicas e
Jerernias. Vamos agora seguir esse desenvolvimento
através do Novo Testamento, onde observamos uma
palavra clara referente a três aspectos das colunas: os
apóstolos como colunas da igreja, a igreja como um
todo sendo coluna e os vencedores como colunas na
Nova Jerusalém.

c) Com Referência à Edificação da Igreja

aa. Os Apóstolos São Colunas da Igreja


Gálatas 2:9 diz que Tiago, Cefas e João eram
reputados como colunas. Aqui, Pedro é chamado
Cefas. Sabemos que Cefas era Pedro e Pedro era
Cefas. Ao usar o nome Cefas nesse versícuIo, a Bíblia
nos faz lembrar a mudança do nome de Pedro.
Quando foi conduzido pela primeira vez ao Senhor,
Este mudou-lhe o nome de Simão para Cefas, que
significa “uma pedra” (Jo 1:42, lit.). Sem dúvida, essa
mudança de nome indicava que a intenção do Senhor
era transformá-lo numa pedra para a edificação de
Deus. Embora estejamos acostumados a ler sobre
Pedro e João, em Gálatas 2:9 Paulo de propósito fala
de Cefas e João para mostrar-nos que, se quisermos
tomar-nos colunas, precisamos ser transformados. O
Simão natural precisa ser transformado em Cefas,
uma pedra.
Precisamos agora considerar a questão de como
um homem natural pode tomar-se uma coluna na
igreja. Isso só pode ocorrer por meio da
transformação. De acordo com o Novo Testamento, a
transformação depende da regeneração. Pela
regeneração, uma nova vida é colocada dentro de nós.
Essa vida é uma vida que nos transforma. Pelo nosso
nascimento natural, herdamos uma vida natural,
velha e pecaminosa. Essa é totalmente inútil para
tomar-nos colunas. Mas graças ao Senhor, a
regeneração dispensa ao nosso interior uma vida
diferente da nossa vida natural. Essa nova vida é a
vida divina, a própria vida de Deus. No Evangelho de
João, essa vida é chamada de vida eterna (Jo 3:16). A
vida eterna semeada em nosso interior à época de
nossa regeneração é a semente da transformação.
Aleluia! todos os regenerados recebem essa vida
divina! Todos temos essa semente da transformação.
Todavia, embora muitos cristãos dediquem bastante
atenção à regeneração, muito poucos atentam à
transformação. Poucos cristãos ouviram alguma vez
uma mensagem sobre transformação, e deve até
mesmo haver alguns entre nós que nunca oraram
pela sua própria transformação. Eu fortemente
insisto com vocês para que orem por sua
transformação. Antes, precisávamos de regeneração;
agora, precisamos de transformação. Um ser humano
é composto de três partes: espírito, alma e corpo (1
Ts 5:23). Quando cremos no Senhor Jesus,
invocamos o Seu nome, aplicamos o Seu sangue e O
recebemos como nosso Redentor e nossa vida, o
Espírito divino entrou em nosso espírito como o
Espírito da vida. Como resultado, fomos regenerados
e recebemos a vida divina, que foi semeada dentro
das profundezas do nosso ser como a semente de
transformação; mas e quanto à nossa alma, que é
composta de mente, vontade e emoção? Temos a vida
divina em nosso espírito, mas ainda precisamos ser
transformados na mente. Romanos 12:2 prova isso:
“Transformai-vos pela renovação da vossa mente”. A
transformação ocorre pela renovação da nossa mente,
emoção e vontade. Essas três partes básicas internas
do nosso ser necessitam de transformação. Tal
transformação nos fará pedras para a edificação de
Deus.
Pela regeneração e pela transformação, tomamo-
nos pedras para o edifício de Deus. Hoje, o edifício de
Deus é a igreja, a casa de Deus, o templo de Deus. Em
1 Pedro 2:4-5 é revelado que Cristo é a pedra viva, e
que, quando nós, os regenerados, nos achegamos a
Ele, também nos tomamos pedras vivas para sermos
edificados casa espiritual, que é a igreja como templo
de Deus. O edifício de Deus hoje é a igreja, mas no
futuro será a Nova Jerusalém. Se lermos
cuidadosamente Apocalipse 21, veremos que a Nova
Jerusalém será a expansão do templo de Deus. Hoje,
o templo de Deus é uma casa; mas na eternidade o
templo de Deus será uma cidade, certamente muito
maior que uma casa. A Nova Jerusalém será
edificada com pedras preciosas (Ap 21:18-20) ; nela
não haverá pó, barro ou madeira. O nosso destino é
ser pedras preciosas, edificadas na Nova Jerusalém.
Chegamos agora ao ponto crucial de como o
barro pode ser transformado em pedra. Fomos feitos
barro (Gn 2:7; Rm 9:21, 23), mas o Novo Testamento
revela que somos pedras. Parece haver uma
contradição aqui. Sob o aspecto natural, somos
barro; mas sob o espiritual, o aspecto transformado,
somos pedras. Mas como ocorre essa transformação
de barro em pedra? Transformação é a adição de
Cristo ao nosso ser. Ser transformado não é apenas
ter Cristo dispensado para dentro do nosso espírito; é
também tê-Lo expandido do nosso espírito para todo
o interior do nosso ser. Muito poucos cristãos têm
visto isso.
Recentemente, soube de um grupo de cristãos
que argumentam fervorosamente que Cristo está
somente no terceiro céu e que não está em nós. A
Bíblia revela, e também pregamos, que Cristo hoje
está no terceiro céu à direita de Deus. Todavia, Ele
também está em nós. Ambos os pontos são tratados
em Romanos 8. Romanos 8:34 diz que Cristo está à
direita de Deus intercedendo por nós, e Romanos
8:10 diz que Cristo está em nós. Assim, Ele está tanto
no céu quanto em nós. Mas esses cristãos perguntam:
“Cristo não ressurgiu com um corpo de carne e osso?
Já que Ele ressurgiu com um corpo de carne e osso,
como poderia entrar em você? “ De acordo com a
Bíblia, uma vez por todas cremos que Cristo
ressuscitou fisicamente com um corpo de carne e
ossos (Lc 24:39). Mas ouçam isto: No dia da
ressurreição, o Cristo ressurreto, com um corpo de
carne e ossos, entrou numa sala trancada (Jo 20:19-
20). Como Ele entrou na sala? Com certeza não
apareceu como um fantasma (Lc 24:37, 39).
Reverentemente temos de confessar que não
conseguimos elucidar essa questão.
Colossenses 1 :27 diz: “Cristo em vós, a
esperança da glória”. Embora tenha ressuscitado com
um corpo de carne e osso, Cristo tomou-se o Espírito
que dá vida em ressurreição (1 Co 15:45). Como
Espírito que dá vida, Ele está em nosso espírito (2
Tm 4:22). Além disso, Ele está crescendo e se
expandindo em nosso interior. Quanto mais Dele nos
é acrescentado, mais somos transformados de barro
em pedra. Duvido que os que se recusam admitir que
Cristo está neles sejam capazes de ser transformados.
Sem dúvida, não poderiam liberar uma mensagem
sobre transformação. Mas não estamos preocupados
com mensagens apenas-estamos preocupados com a
transformação. Precisamos ser transformados, e isso
só é possível por meio da adição de Cristo ao nosso
interior diariamente. Manhã após manhã precisamos
ganhar mais de Cristo. Cada dia, Ele tem de ser cada
vez mais adicionado ao nosso ser.
Veja o exemplo de Pedro, um pescador galileu.
Era rude, inculto e de disposição impulsiva. Era
rápido no falar, no agir e em cometer erros. Tinha
também o ponto positivo de ser rápido para
arrepender-se, para voltar atrás. O Pedra nos
Evangelhos foi finalmente mudado nas Epístolas em
uma outra pessoa chamada Cefas. Podemos tomar,
como uma ilustração disso, a sua reação lenta à visão
de Atos 10:9-16. Há uma diferença marcante entre o
Pedra lento de Atos 10 e o Pedro rápido dos
Evangelhos. Além disso, as suas duas epístolas
revelam que ele se tomara uma pessoa cautelosa. Por
meio disso, vemos que a sua disposição fora mudada
e que o seu ser fora transformado. Ele tomara-se
inteiramente outra pessoa. A sua palavra referente a
Paulo (2 Pe 3:15-16) prava que ele fora transformado
e tomara-se outra pessoa.
Lembre-se de que, um dia, Paulo o repreendeu
face a face (GI 2:11). Se colocarmos Gálatas 2 ao lado
de 2 Pedro 3, notaremos que o Pedra repreendido por
Paulo falou palavras gentis referentes a este, e ditos
positivos acerca de seus escritos. Na maioria das
situações hoje, se um irmão repreender o outro, este
não perdoará ao que o repreendeu. Porque esta é a
prática, raramente um irmão repreende o outro. No
cristianismo de hoje, raramente ouvimos repreensões,
mas palavras políticas. Alguns podem louvar os
outros face a face, mas os criticam pelas costas. Essa
é a prática política do cristianismo de hoje. Na sua
maioria, os cristãos são políticos. Paulo, pelo
contrário, não era um político; era um repreensor
franco, direto e reto. Até a Pedro ele repreendeu. De
acordo com o nosso conceito, Pedro deveria dizer-
lhe: “Quem é você? Quando eu era o apóstolo líder,
você era ainda umjovem perseguidor da igreja. Agora,
na condição de um recém-chegado, não tem a
qualificação nem a posição para repreender-me”.
Pedro, entretanto, não reagiu assim. Em sua palavra
em 2 Pedro 3, reconheceu-se inferior a Paulo ao
escrever sobre a economia de Deus. Admitiu que
algumas coisas ditas por Paulo eram profundas e de
difícil compreensão. Essa atitude indica que ele não
era mais natural, mas fora transformado em outra
pessoa. Espero que, daqui a alguns anos, muitos de
vocês estejam tão transformados que venham a ser
honestos, francos e diretos ao repreender os outros e
que os que forem repreendidos estejam
suficientemente transformados para receber tal
repreensão. Ao lermos o Novo Testamento, vemos
claramente que Pedro foi transformado em Cefas,
uma das colunas da igreja. Pedro, uma pedra viva,
disse que nós também somos pedras vivas. Isso
significa que, para sermos colunas, precisamos ser
transformados tendo Cristo adicionado ao nosso ser.

bb. A Igreja é a Coluna da Verdade


Lemos também, no Novo Testamento, que a
igreja toda é a coluna. Em Primeira Timóteo 3:15 diz:
“Se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder
na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e
baluarte da verdade”. É difícil entender a palavra
“verdade” nesse versículo. Alguns dizem que significa
doutrina. Embora isso seja correto, é inadequado.
Em grego, a palavra “verdade” denota algo real e
sólido. Assim, verdade significa realidade. A verdade,
entretanto, não é apenas uma realidade sólida, mas
também a expressão dessa realidade. A verdade não é
doutrina vã; é a expressão da realidade, doutrina
constituída com realidade e conduzindo a própria
realidade. A igreja é a coluna sustentando a verdade,
isto é, sustentando a expressão da realidade.
A realidade sustentada pela igreja é revelada em
1 Timóteo 3:16: “Evidentemente, grande é o mistério
da piedade: Aquele que foi manifestado na carne, foi
justificado em espírito, contemplado por anjos,
pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido
na glória”. A “verdade” do versículo 15, a expressão
da realidade, é o mistério da piedade do versículo 16.
O mistério da piedade é Deus manifestado em carne.
Quando estava na terra, Cristo era Deus manifestado
em carne. Exteriormente era um homem em carne;
interiormente, na realidade e na verdade, Ele era
Deus. Deus, em Sua realidade, foi manifestado no
homem Jesus. Deus era realidade, e Jesus, como um
homem em carne, era a manifestação de Deus. Isso é
a própria verdade mencionada no versículo 15, e esse
é o mistério da piedade. Piedade significa
semelhança de Deus. O mistério da piedade é o
mistério da semelhança de Deus. Quando Jesus viveu
na terra como um homem em carne, as pessoas que
O contemplavam viam Nele a semelhança de Deus.
Embora fosse um homem, Ele expressava Deus. Tal
semelhança de Deus era um mistério. O mistério da
piedade precisa continuar hoje com a igreja.
A igreja é a continuação do mistério da piedade.
Na mensagem oitenta e seis vimos que os cristãos
têm uma parte misteriosa em seu ser. Em princípio, a
igreja toda deveria ser um mistério. Se alguns
incrédulos vierem à nossa reunião e observarem a
situação, não serão capazes de compreendê-la.
Embora nos consideremos comuns e simples, os
incrédulos dirão: “Que é isto? Que os atrai a essas
reuniões? Não há diversão nem orador notável.
Quem são essas pessoas? Não parecem modernas
nem antiquadas. Não podemos definir que tipo de
pessoas elas são”. A razão disso é que somos
misteriosos. Não pense que me refiro à nossa
aparência externa. Refiro-me a algo de Deus
manifestado em nós. Porque é real-embora invisível-
isso é difícil de se definir. Se a igreja for
simplesmente pura, cristalina, gentil, humilde e
santa, teremos perdido o alvo. Ela deve ser a
continuação da manifestação de Deus em carne. Para
alguns dos nossos críticos, a continuação da
manifestação de Deus na igreja é uma forma de
evolução até Deus. Acusar-nos de ensinar evolução é
para nós uma calúnia, e para o Senhor, uma
blasfêmia. A vida adequada da igreja é uma
continuação da manifestação de Deus em carne. Tal
manifestação é a verdade sustentada pela igreja como
coluna. Se como igreja mantivermos esse testemunho,
seremos capazes de dizer que somos a continuação
do mistério da piedade.
Não queremos expressar a nossa própria
santidade ou qualquer coisa de nós mesmos.
Queremos apenas expressar o nosso Deus e vê-Lo
manifestado em nossa carne. Admitimos que ainda
somos carne, mas o Deus que vive em nosso espírito
será manifestado, expresso em nossa carne. Essa
manifestação não deve ser simplesmente individual,
mas corporativa. A vida adequada da igreja é a
manifestação corporativa de Deus em carne.
A única maneira pela qual a igreja pode ser a
expressão corporativa de Deus em carne é pela
transformação. Todos, na igreja, precisam ser
transformados. Ocasionalmente, referimo-nos aos
irmãos mais velhos ou aos mais jovens. Todavia, na
igreja, não deveríamos pensar em alguns como mais
velhos e em outros como mais jovens, porque todos
estamos sendo transformados. Embora possamos
não estar ainda plenamente transformados, estamos
ao menos no processo de transformação. Esqueça a
sua idade e concentre-se no fato de que você está no
processo de transformação. Se ainda me julgo um
chinês, estou acabado. Na igreja, não há velho nem
jovem, chinês ou americano, judeu ou grego (Cl 3:11).
Na igreja estamos sendo transformados tendo Cristo
adicionado a nós. Você não deveria ser um irmão
velho ou jovem, mas um irmão a quem Cristo está
sendo adicionado diariamente. Os velhos podem
precisar lembrar os jovens de não os chamar de
irmãos mais velhos, e os jovens podem precisar pedir
aos mais velhos que não se refiram a eles como
irmãos jovens. Além disso, não deveremos referir-
nos a alguns irmãos como “baianos” e a outros como
“paulistas”. Não há “baianos” nem “paulistas” na
igreja; há somente irmãos transformados. Não há
preto, branco, amarelo, vermelho, judeu ou grego;
pelo contrário, há somente pessoas transformadas-
pessoas nas quais Cristo está sendo adicionado
diariamente, e que são a expressão de Deus em Cristo.
Essa é a igreja como coluna a sustentar e a manter o
mistério da piedade.
Após ouvirem as mensagens sobre Rirão, o
construtor das colunas, vários jovens foram
motivados a continuar seus estudos. Isso é excelente.
Para ser um habilidoso construtor de colunas, você
precisa adquirir uma boa educação e ter a
experiência da eliminação dessa fonte de educação.
Todavia, se obtiver o mais elevado diploma, mas
ainda lhe faltar Cristo, você ainda não será nada. O
elemento fundamental para torná-lo uma coluna não
é um grau universitário; é Cristo sendo-lhe
adicionado. Não importa quantos diplomas você
consiga; se lhe faltar Cristo, você não poderá ser uma
coluna. O elemento básico para uma coluna não é sua
educação nem sua capacidade, mas o seu Cristo, o
próprio Cristo adicionado ao seu ser. Esse é o fator
essencial para ser constituído uma coluna. Essa deve
ser a continuação da manifestação de Deus em carne.
d) Consumado na Nova Jerusalém
Precisamos, agora, continuar até as colunas da
Nova Jerusalém. Apocalipse 3:12 diz: “Ao vencedor,
fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí
jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do
meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova
Jerusalém, que desce do céu, vinda da parte do meu
Deus, e o meu novo nome”. Neste versículo vemos a
consumação da coluna na Nova Jerusalém.

aa. o Vencedor-que Guarda a Palavra do


Senhor, e Não Nega o Seu Nome-Feito uma
Coluna no Templo Expandido de Deus
De acordo com Apocalipse 3:12, todos podemos
tornar-nos colunas na Nova Jerusalém. Em
Apocalipse 3:8, o Senhor Jesus disse: “Tens pouca
força, entretanto guardaste a minha palavra, e não
negaste o meu nome”. Em Apocalipse 3:11, Ele voltou
a dizer: “Conserva o que tens, para que ninguém
tome a tua coroa”. Primeiramente, o Senhor diz aos
da igreja em Filadélfia que eles têm pouca força, mas
guardaram a Sua Palavra e não negaram o Seu nome.
E depois lhes diz que guardem o que têm. Precisam
guardar a palavra do Senhor e não negar o Seu nome.
Se assim fizermos, seremos vencedores, e o Senhor
escreverá sobre nós o nome do Seu Deus, o nome da
Nova Jerusalém e o Seu novo nome. Precisamos,
agora, considerar o que significa guardar a palavra do
Senhor e não negar o Seu nome. Essas questões são
profundas e de difícil explicação.
Uma compreensão superficial de guardar a
palavra do Senhor é que o Senhor fala certa palavra, e
nós a guardamos. Ele nos diz que façamos algo, e nós
o fazemos. Isso é correto, mas é superficial. Para
guardar a palavra do Senhor, precisamos fazer duas
coisas: do lado positivo, precisamos captar tudo o
que Ele é para dentro de nós; e, do lado negativo,
precisamos matar todos os nossos conceitos e
opiniões. Não é simplesmente uma questão de o
Senhor dizer-nos que amemos uns aos outros, ou que
lavemos os pés uns dos outros, e nós então
procedermos assim, amando os outros e lavando-lhes
os pés. Essa compreensão é muito superficial. A
palavra do Senhor representa o próprio Senhor. Se
quisermos receber a palavra como expressão do
próprio Senhor, precisamos abandonar nossas
opiniões e conceitos.
As suas opiniões o estorvam de guardar a
palavra do Senhor. Provavelmente, você poucas vezes
tem guardado a Sua palavra, porque tem sido
impedido por suas opiniões. Nesta mensagem,
estamos falando sobre transformação. Como
Romanos 12:2 revela, a transformação
primeiramente trata com a mente. Somos
transformados pela renovação da mente, que é a
fonte dos nossos conceitos e opiniões. Ser
transformado é ter mortos os nossos conceitos e
opiniões. Nenhum de nós pode dizer que não tem
opiniões ou conceitos. Alguns poderão perguntar:
“Deveríamos ser tábuas de madeira, sem quaisquer
sentimentos, sem conhecimento ou sem sentido?
“ Certamente que não. Precisamos estar vivos. Mas
quanto mais vivos estivermos, mais cheios de
opiniões e conceitos estaremos. Quanto mais oro
sobre isso e analiso minha experiência, mais percebo
que guardar a palavra do Senhor é realmente ser
transformado.
A maneira de ser transformado é receber a
palavra do Senhor para dentro de nós e guardá-la.
Muitos de nós não guardamos a Sua palavra porque
somos impedidos por nossas opiniões e conceitos.
Todos têm opiniões. Os que ministram,
freqüentemente oram para que o Senhor remova as
opiniões dos que ouvem a Palavra, a fim de que estes
possam lançar fora os véus dos seus conceitos. Uma
palavra pode ser proferida claramente, mas os seus
conceitos e opiniões podem estorvá-lo de guardá-la.
Se quisermos guardar a palavra do Senhor,
precisamos primeiramente abandonar as nossas
opiniões, e depois ter o Senhor Jesus adicionado ao
nosso ser.
Consideremos agora o que significa não negar o
nome do Senhor. Um nome sempre denota uma
pessoa. Quando chamo o nome de um irmão, o
próprio irmão vem a mim. Não negar o nome do
Senhor, portanto, significa não negar a Pessoa do
Senhor.
Todos os nomes denominacionais, como batistas,
metodistas, luteranos e presbiterianos, devem ser
abandonados. Um nome significa muita coisa.
Embora possa não percebê-lo, se tomar uma
designação denominacional, você na verdade estará
rejeitando o nome de Cristo, e, assim, estará
rejeitando a Pessoa de Cristo. Embora você possa não
ter intenção de o fazer, isso, todavia, é um fato. Se
não é sua intenção negar o nome de Cristo, você
então não deverá adotar qualquer designação
denominacional. No passado, alguns missionários e
pastores me consultaram a respeito desse assunto.
Todos me disseram que não se preocupavam com as
designações denominacionais. Eu disse-lhes que, já
que ~ão se importavam com tais nomes, deveriam
renunciar a eles. E uma questão séria tomar outro
nome acima do nome do Senhor. Aparentemente,
para muitos, não basta ser simplesmente um cristão.
Tomam, então, outros nomes e dizem: “sou um
luterano”, “sou um presbiteriano”, ou “sou um
batista”. Fazer isso é negar o nome do Senhor. Há
cento e cinqüenta anos, os Irmãos Unidos viram luz
sobre esse problema e renunciaram a todos os outros
nomes, declarando que guardavam um só nome-o
nome do Senhor Jesus Cristo. Esse é o único nome.
Todavia, não é meramente um nome em letras, mas
um nome em Pessoa. Se não negarmos o nome do
Senhor, então temos a Sua pessoa como nossa, e a
Sua pessoa torna-se a nossa designação. Ao trabalhar
talvez numa grande companhia com centenas de
empregados, você não tem necessidade de rotular-se
como cristão. Você simplesmente precisa expressar a
Pessoa de Cristo. Falhar no expressar a Pessoa de
Cristo, na verdade, significa negar o Seu nome.
Precisamos viver de tal maneira que Ele seja expresso
por meio de nós. Se O expressarmos, Aquele a quem
expressamos se tornará, nas palavras dos outros, a
nossa designação. Os outros dirão que somos cristãos.
A Pessoa que expressamos torna-se o nosso nome, a
nossa designação. As pessoas não dirão que você é
um argentino ou um brasileiro. A única designação
que haverão de dar-lhe é a de cristão.
Há aproximadamente quarenta anos, havia um
irmão empregado numa grande companhia. Seus
colegas de trabalho o chamavam de “Jesus”. Quando
o viam, diziam: “Este é Jesus”, de uma maneira
aparentemente escarnecedora. Na época em que o
Japão invadiu a China, muitos dos empregados dessa
firma planejaram escapar. Precisando deixar para
trás dinheiro e outros valores, procuraram alguém a
quem pudessem confiar seus pertences. Após refletir
sobre as diversas possibilidades, decidiram
finalmente confiar seu dinheiro e pertences ao irmão,
àquele a quem chamavam de “Jesus”. Isso mostra
que eles estavam confiando em Jesus. O irmão, é
claro, jamais disse que o seu nome era Jesus. Pelo
contrário, ele expressava a Pessoa de Jesus em seu
viver, e sua vida era essa designação. Esse é o
verdadeiro significado de não negar o nome do
Senhor. A igreja em Filadélfia vivia pelo Senhor, e
Sua vida era expressa por aquela igreja. Portanto, a
Sua Pessoa tornou-se o nome daqueles santos.
Guardar a palavra do Senhor e não negar o Seu
nome significam renunciar às nossas opiniões e
conceitos, receber a palavra do Senhor para dentro
de nós e ganhar mais e mais do próprio Senhor. Se
fizermos isso, expressá-Lo-emos como uma Pessoa.
O nome dessa Pessoa é Jesus. Guardar a palavra do
Senhor não é meramente uma questão doutrinária, e
confessar o Seu nome não é simplesmente fazer
algumas afirmações. Guardar a Sua palavra significa
recebê-Lo para dentro do nosso ser, abandonando os
nossos conceitos e opiniões, de modo que Ele possa
ter uma base dentro de nós; e não negarmos o Seu
nome é viver e expressar Cristo como uma Pessoa, de
tal forma que Ele se tome a nossa designação. Isso
significa transformação.

bb. Guardar o Nome do Deus de Cristo, o


Nome da Cidade do Deus de Cristo e o Novo
Nome de Cristo
Em Apocalipse 3:12, o Senhor disse que
escreveria sobre o vencedor “o nome do meu Deus, e
o nome da cidade do meu Deus, a Nova Jerusalém,
que desce do céu, da parte do meu Deus, e o meu
novo nome”. Em Apocalipse, Cristo chamou a Deus
de “Meu Deus”, porque neste livro Ele está na
posição de um Enviado, um Enviado por Deus para
levar a cabo Sua economia. O Senhor também
manteve essa posição nos quatro Evangelhos, sempre
permanecendo na posição Daquele que fora enviado
por Deus. Fora enviado por Deus e procedia Dele,
para levar a cabo o Seu propósito. Jamais agiu de
acordo com a própria vontade, mas sempre de acordo
com a vontade de Deus (Jo 6:38). Mesmo quando
estava na cruz, Ele disse: “Deus meu, Deus meu, por
que me desamparaste? “ (Mt 27:46). Nós também
devemos permanecer hoje nessa posição, dizendo:
“Sou um enviado. Fui enviado pelo Senhor para
cumprir o Seu propósito. ~ão tenho nenhuma outra
posição, opinião ou conceito. E a vontade Dele, não a
minha, que deve ser feita”. Dizer “meu Deus” revela
que não agimos por nós mesmos, mas que estamos
fazendo a vontade de Deus. Não estamos trabalhando
pela nossa carreira; estamos cumprindo o Seu
propósito. O fato de você ter o nome “meu Deus”
escrito sobre si, designa-o como esse tipo de pessoa.
Você, do mesmo modo que o Senhor Jesus quando
estava na terra, não está fazendo a sua própria
vontade, mas está cumprindo a vontade de Deus.
Você não age por si mesmo, mas constantemente
anda na vontade de Deus. Esse é o significado do
nome “Meu Deus”.
O Senhor também prometeu escrever sobre o
vencedor o nome da Nova Jerusalém, a cidade do Seu
Deus. Isso é profundo. Quer dizer que a Nova
Jerusalém é uma edificação, não de acordo com a
vontade de homem algum, mas de acordo com a
vontade de Deus. Todos os edificadores nessa cidade
são pessoas como o Jesus revelado pelos quatro
Evangelhos: não agem de acordo com a própria
vontade, mas de acordo com a vontade de Deus.
Somente as pessoas assim têm a qualificação para
serem rotuladas com o nome da cidade do Deus de
Cristo, a Nova Jerusalém.
Finalmente, em Apocalipse 3:12, o Senhor
prometeu escrever sobre o vencedor o Seu novo
nome. Se somos o tipo de pessoa descrita nesta
mensagem, certamente teremos novas experiências
de Cristo. A maioria dos cristãos têm somente a
limitada experiência de Cristo como seu Redentor.
Poucos têm a experiência de Cristo como a sua vida.
E muitos dos que O experimentam como vida, ainda
o fazem de maneira superficial. Qual a extensão de
sua experiência de Cristo? A sua experiência Dele não
deve ter uma pequena fração de centímetros, mas
quilômetros de comprimento: Cristo não é apenas o
nosso Redentor e a nossa vida-Ele é o nosso Rei,
Profeta, Sacerdote, luz, poder, justiça, santidade,
transformação e muitas outras coisas. Alguns hinos
do nosso hinário dão uma lista de mais de cinqüenta
itens daquilo que Cristo é para nós. Quanto mais você
O experiencia, mais novo Ele é para você, e mais do
Seu nome será escrito sobre você. Em primeiro lugar,
Ele é escrito sobre você como Redentor. Depois, é
também escrito como vida, luz, humildade, paciência
e amor. O Seu nome é inesgotável. A escrita do Seu
nome sobre você depende da sua experiência. Quanto
mais você O experimentar, maior será a extensão da
escrita do Seu nome. É como uma câmera de cinema,
que opera enquanto se move o automóvel no qual
está o cinegrafista. Quando o automóvel pára, a
câmera também pára. Ninguém pode dizer qual será
o novo nome de Cristo falado nesse versículo, porque
é simplesmente a designação da sua nova experiência
de Cristo. Quando você experienciar Cristo de
determinada maneira, tal aspecto Dele se tornará a
sua designação, o Seu novo nome escrito sobre você.
Se quisermos tornar-nos colunas, precisamos ser
transformados tendo Cristo adicionado muitas vezes
a nós. Assim, a nossa experiência Dele será
aumentada, e diremos: “Não a minha vontade, mas a
Sua vontade”; nã