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Governador Cid Ferreira Gomes Vice Governador Domingos Gomes de Aguiar Filho Secretária da Educação Maria
Governador Cid Ferreira Gomes Vice Governador Domingos Gomes de Aguiar Filho Secretária da Educação Maria

Governador Cid Ferreira Gomes

Vice Governador Domingos Gomes de Aguiar Filho

Secretária da Educação Maria Izolda Cela de Arruda Coelho

Secretário Adjunto Maurício Holanda Maia

Secretário Executivo Antônio Idilvan de Lima Alencar

Assessora Institucional do Gabinete da Seduc Cristiane Carvalho Holanda

Coordenadora da Educação Profissional – SEDUC Andréa Araújo Rocha

Apostila de Meio Ambiente

CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO

Engenheiro de Minas José Chaves Neto

2013

Tópico

ÍNDICE

Página

1- Objetivos

03

2- Introdução

04

3- Conceitos básicos

06

4- Impactos ambientais da atividade de mineração

07

5- Fatores que influenciam a natureza e a extensão dos impactos ambientais

26

6- Delimitação dos impactos causados pela mineração

28

7- Exemplos no Brasil do efeito da mineração no meio ambiente

41

8- A questão econômica

46

9- Engenharia Ambiental

47

10- Demanda crescente

48

11- O impacto positivo da mineração

50

12- O bom exemplo da VALE e da MRN

53

13- Exemplos positivos de fechamento de mina

57

14- Licenciamento Ambiental

60

15- Barragens e depósitos de rejeitos

61

16- Controle de vibrações, ruídos e pó

64

17-

Revegetação e reflorestamento

77

18- Paralisação temporária e fechamento de mina

79

19- Insumos e resíduos

82

20- Plano de Controle de Impactos Ambientais na Mineração (PCIAM)

84

21- Conclusões

116

22- Bibliografia

116

1- Objetivos

O presente curso objetiva identificar e descrever ao aluno, os processos de recuperação ambiental de áreas degradadas através de revegetação, construção de barragens e depósitos de rejeitos. Também busca apresentar os processos de reaproveitamento e reuso dos rejeitos do tratamento de minérios e por fim, propor alternativas de solução com vistas a recuperação do meio ambiente.

de solução com vistas a recuperação do meio ambiente. Deve ficar claro que uma das premissas

Deve ficar claro que uma das premissas do curso e seu material é a de que

mineração e meio ambiente podem e devem conviver de maneira harmoniosa (histórico e desenvolvimento sustentável). Figura - Pousada e churrascaria alocadas na área revegetada do pit da mina.

- Pousada e churrascaria alocadas na área revegetada do pit da mina. Mineração – Meio ambiente

2- Introdução

Mineração é um termo que carrega com sigo um pesado significado, destruição. Em nosso passado a mineração se inicia na pré-história com a obtenção de silex e cherte com o objetivo de fazerem armas e utensílios domésticos. A partir daí tornou-se cada vez mais avançada a tecnologia para extração e beneficiamento do minério com melhor teor e melhor qualidade. Uma Jazida e voltada para o mineral que extrai tornando cada mineração individual e especifica. A principal diferença e a mais importante encontram-se nos tipos de lavra (céu aberto ou subterrânea). Para o futuro é indispensável a existência da mineração, como conseqüência disso é considerada um bem público devido seus produtos serem utilizados em tudo que esta a nossa volta. Baseado nisso a sua maior preocupação é a recuperação de áreas degradadas em sua exploração. Os impactos que a mineração pode causar na comunidade que esta inserida e dentro de sua própria organização são alarmantes. De forma sucinta são descritos abaixo:

1- Os recursos hídricos são tomados por partículas sólidas vindas do processo de pesquisa, beneficiamento e da infra-estrutura; óleos, graxas e elementos químicos deixados no solo podendo alterar águas subterrâneas - poluindo a matéria prima indispensável para a atividade humana. 2- A geologia de sua área é perdida após a abertura da cava modificando de forma brusca o relevo, podendo causar erosões voçorocas e assoreamentos. 3- O solo é alterado de forma drástica após a retirada da cobertura vegetal para abertura da cava e construção de vias de acesso altera de gravemente em sua permeabilidade. 4- A vegetação da área pode ser perdida se não retirada de forma cuidadosa catalogando todas as espécies que poderão ser usadas para recuperação da área.

5-

A fauna também deve ser catalogada, fazendo controle de refugio aos bichos após a destruição de seu habitat.

6-

A qualidade do ar é alterada, provocada por veículos pesados e leves que circulam na empresa e no desmonte de rocha onde partículas sólidas finas desprendem-se formando uma nuvem de poeira alastrando a uma grande distancia.

7- Ruídos e vibrações gerados pelos desmontes de rocha podendo ser amenizado com outras técnicas. 8- As condições socioeconômicas da comunidade serão interferidas voltando sua formação profissional e estrutura da cidade para a mineração. A mineração é um dos setores básicos da economia do Brasil, contribuindo de forma decisiva para o bem estar e a melhoria da qualidade de vida das presentes e futuras gerações. É importante reconhecer e manter sob controle os impactos que esta atividade provoca no meio ambiente, assim proporcionando um meio ambiente adequado para as futuras gerações que estão por vir. As alterações do equilíbrio ecológico e o impacto da atividade humana sobre o planeta começaram a se transformar em assunto de preocupação de alguns cientistas e pesquisadores durante a década de 60 e ganharam dimensão política a partir da década de 70., sendo que atualmente são um dos assuntos mais polêmicos do mundo. Não é mais possível implantar qualquer projeto ou discutir qualquer planejamento sem considerar o impacto sobre o meio ambiente. As atividades humanas, as chamadas econômicas, alteram o meio ambiente, sendo a mineração e a agricultura as duas atividades econômicas básicas da economia mundial. Através destas, o homem extrai recursos naturais que alimentam toda a economia. Sem elas, nenhuma das atividades subseqüentes pode existir. A mineração e a agricultura, junto com a exploração florestal, a produção de energia, os transportes, as construções civis (urbanização, estradas, etc.) e as indústrias básicas (químicas e metalúrgicas) são os causadores de quase todo o impacto ambiental existente na terra. O impacto das demais atividades econômicas torna-se pouco significativo quando comparado às citadas anteriormente. A mineração, evidentemente, causa um impacto ambiental considerável. A atividade minerária altera intensamente a área minerada e as áreas vizinhas, onde são feitos os depósitos de estéril e de rejeito. Além do mais, quando temos a presença de substâncias químicas nocivas na fase de beneficiamento do minério, isto pode significar um problema sério do ponto de vista ambiental. Figura – Aspecto do terreno remanescente de uma lavra a céu aberto abandonada.

Figura- Remoção dos topos da montanha pelas minas de carvão, na região de Appalachia/EUA 3-

Figura- Remoção dos topos da montanha pelas minas de carvão, na região de Appalachia/EUA

pelas minas de carvão, na região de Appalachia/EUA 3- Conceitos básicos Os recursos minerais são bens

3- Conceitos básicos

Os recursos minerais são bens esgotáveis e não renováveis. Por esse fato, tendem a escassez à medida que se desenvolve a sua exploração. Antes de discutirmos mais detalhadamente a questão ambiental, é necessário se conhecer algumas definições técnicas muito utilizadas na para alguns termos utilizados na área de mineração:

Beneficiamento ou tratamento: processamento da substância mineral extraída, preparando-a com vistas à sua utilização industrial posterior.

Bota-fora: local para deposição do estéril da mina e, às vezes, para o rejeito da usina de beneficiamento.

Capeamento: Camada estéril que recobre a jazida mineral e que deve ser retirada para efeito de extração do minério na lavra a céu aberto.

Estéril: termo usado em geologia econômica para as substâncias minerais que não têm aproveitamento econômico.

Jazidas minerais: Massa individualizada de substância mineral ou fóssil, aflorando à superfície ou existente no interior da terra, em quantidades e teores que possibilitem seu aproveitamento em condições econômicas favoráveis.

Mina: é a jazida mineral em fase da lavra, abrangendo a própria jazida e as instalações de extração, beneficiamento e apoio.

Mineral: é toda substância natural formada por processos inorgânicos e que possui composição química definida.

Minério: mineral ou associação de minerais que pode, sob condições econômicas favoráveis ser utilizado como matéria prima para a extração de um ou mais metais.

Rejeito: rochas ou minerais inaproveitáveis presentes no minério e que são separadas deste, total ou parcialmente, durante o beneficiamento.

Figura- Mineração de carvão no Rio Grande do Sul, processo de recuperação de áreas mineradas.

do Sul, processo de recuperação de áreas mineradas. 4- Impactos ambientais da atividade de mineração.

4- Impactos ambientais da atividade de mineração.

Assim como toda exploração de recurso natural, a atividade de mineração provoca impactos no meio ambiente seja no que diz respeito à exploração de áreas naturais ou mesmo na geração de resíduos. Segundo CPRM (2002), os principais problemas oriundos da mineração podem ser englobados em cinco categorias: poluição da água, poluição do ar, poluição sonora, subsidência do terreno, incêndios causados pelo carvão e rejeitos radioativos. A seguir, serão relatadas algumas atividades de exploração mineral onde são abordados os impactos ambientais gerados durante o processo de exploração e disposição de seus resíduos.

Já na fase inicial (prospecção geológica) de um do projeto de mineração, os conflitos se iniciam com a chegada mesma da equipe de prospecção ao local de estudo geológico, como é facilmente identificável numa pequena localidade, geralmente, aonde estranhos se dirigem e iniciam frenético trabalho de amostragem e eventuais perfurações, com interações entre tal equipe e a comunidade local possuindo vários graus de confiabilidade, embora, quase sempre, “meio-que-misteriosa”! Nesta fase, há o início de falsas expectativas, otimistas ou pessimistas, que se avolumam de forma incontrolada, caso deixadas ao acaso. Nos dias que correm, quando de um trabalho de prospecção geológica, numa determinada área ou localidade, sem histórico de atividade mineira anterior, é comum o envio, primeiro, de “olheiros”, geralmente especialistas em psicologia de grupo ou antropologia, que possam identificar o “quem-é-quem” naquela particular comunidade, ou comunidades vizinhas, preparando o terreno para a equipe geológica vir a executar seu trabalho, dessa forma minimizando riscos de falsas expectativas e comunicação. A prospecção geológica e, mais tarde, os estudos propriamente ditos, ocasionam perturbações ao meio-ambiente, quer através de desmatamentos, quer através da obtenção de amostras, quer através da utilização de equipamentos, podendo, inclusive, gerar exposições de afloramentos com suas consequências nem sempre inocentes, por exemplo, focos produtores de drenagem ácida. Em suma, uma boa campanha de prospecção geológica e mais tarde estudos geológicos, deve visar a MINIMIZAÇÃO das massas envolvidas (amostras tomadas, pontos de amostragem, água utilizada e descartada e dejetos produzidos); minimização da energia utilizada equipamentos e maquinaria) assim como na minimização dos efluentes

gerados pela atividade de amostragem e fontes de energia utilizada, diesel, por exemplo, bem como impactos ecológicos durante operações de desmatamento e perfuração. Por outro lado, como já observado, deverá buscar uma maximização da satisfação social, tal como definida anteriormente, através da geração de clima favorável a uma boa percepção publica do que está ocorrendo e/ou ocorrerá, bem como minimizando falsas, sejam pessimistas ou otimistas, expectativas.

Figura – Etapas e procedimentos básicos para a recuperação de áreas degradadas. Mineração – Meio

Figura – Etapas e procedimentos básicos para a recuperação de áreas degradadas.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 11

4.1. Alguns dos principais tipos de extração mineral no Brasil 4.1.1. Carvão O carvão catarinense foi descoberto em 1822. Durante o século XIX predominavam as pequenas produções, com extração totalmente manual, possibilitando uma lavra seletiva. No início do século XX, principalmente a partir de 1930 e 1940, foram elaboradas as primeiras leis que obrigavam o consumo, pelas indústrias nacionais, de 10 e 20%, respectivamente, do carvão nacional em substituição ao importado. A partir de 1961 foi abandonada a mineração seletiva, e o produto minerado continha de 60 a 65% de estéril, tornando seu transporte antieconômico ao Lavador Central de Capivari. Assim, foram instalados prélavadores nas bocas das minas para produzir o chamado "carvão pré-lavado”, com 28 a 32 % de cinzas, o qual era enviado ao Lavador de Capivari. Os rejeitos xistoso e piritoso produzidos nos pré-lavadores foram sendo depositados, durante décadas, próximos aos pré-lavadores, causando grande impacto ambiental, principalmente devido à presença da pirita. As drenagens ácidas são provenientes dos rejeitos contendo sulfetos, em forma de pirita, que ao ficarem expostos à água e ao ar, oxidam-se gerando acidez. Este passivo ambiental até hoje causa danos aos recursos hídricos da região. Os Governos Federal e Estadual e o mineradores de carvão de Santa Catarina foram condenados em Sentença da Justiça Federal, em janeiro de 2000, a promover toda a recuperação ambiental da região afetada pela mineração carvão no prazo de três anos. Com o objetivo de atender a sentença citada, os réus criaram um Comitê Gestor que está desenvolvendo estudos e trabalhos de recuperação ambiental, que resultou no Projeto Conceitual para Recuperação Ambiental da Bacia Carbonífera Catarinense, elaborado pelo CETEM, CANMET, órgão do Natural Resources do Canada e SIECESC Sindicato da Indústria de Carvão do Estado de Santa Catarina. No caso da mineração de carvão, a céu aberto, que geralmente abrange grandes áreas, pode ocorrer a poluição nas águas e no ar e por isso, requer um sistema rígido de recuperação da área pós-minerada.

Na região carbonífera de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul a poluição hídrica causada pela drenagem ácida é provavelmente o impacto mais significativo das operações de mineração e beneficiamento do carvão mineral. Essa poluição decorre da infiltração da água de chuva sobre dos rejeitos gerados nas atividades de lavra e beneficiamento, que alcançam os corpos hídricos superficiais e/ou subterrâneos. Essas águas adquirem baixos valores de pH (< 3), altos valores de ferro total, sulfato total e vários outros elementos tóxicos que impedem a sua utilização para qualquer uso e destroem a flora e a fauna aquática.

Figura- Rio contaminado por rejeitos de extração de carvão no município de Siderópolis (SC). (foto: Célio Yano)

no município de Siderópolis (SC). (foto: Célio Yano) Figura- Rejeito de carvão em Criciúma (SC). O

Figura- Rejeito de carvão em Criciúma (SC). O material bruto extraído em solo brasileiro, com altos teores de cinza e enxofre, é considerado de baixíssima qualidade. Em algumas áreas, chega-se a descartar 75% do que é extraído. (foto:

Célio Yano)

áreas, chega-se a descartar 75% do que é extraído. (foto: Célio Yano) Mineração – Meio ambiente

Figura- Além dos acidentes de trabalho, os mineiros estão expostos a outra grave ameaça, a pneumoconiose. Causada pela inalação contínua da poeira do carvão, a doença reduz a expectativa de vida do portador, uma vez que restringe a entrada de ar pelas vias respiratórias. (foto: Célio Yano)

entrada de ar pelas vias respiratórias. (foto: Célio Yano) 4.1.2. Ouro Na província aurífera do Quadrilátero

4.1.2. Ouro

Na província aurífera do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, a presença do elemento tóxico arsênio merece destaque no que se refere aos efeitos da mineração no meio ambiente. Em Nova Lima e Passagem de Mariana, funcionaram, por várias décadas, fábricas de óxido de arsênio, aproveitado como subproduto do minério. Os rejeitos de

minério ricos em arsênio foram estocados às margens de riachos ou lançados diretamente nas drenagens, provocando grande comprometimento ambiental do solo e água.

4.1.3. Chumbo, Zinco e Prata

As minas de chumbo, zinco e prata do Vale da Ribeira/SP estiveram ativas durante longo período do século XX, especialmente nas décadas de 70 e 80. Os materiais resultantes dos processos de metalurgia e refino do minério de chumbo foram estocados nas margens do rio Ribeira. As últimas minas e a refinaria encerraram suas atividades em novembro de 1995. Segundo a CPRM foram realizados estudos na população infantil, nos municípios de Adrianópolis e Cerro Azul no Paraná e, Ribeira e Iporanga em São Paulo, envolvendo análises de Chumbo total em sangue e arsênio em urina. As concentrações de chumbo no sangue foram superiores aos limites aceitos pelos padrões técnicos internacionais.

Figura – Pilha de rejeito no vale do ribeira/PR de chumbo.

Figura – Pilha de rejeito no vale do ribeira/PR de chumbo. Figura – Mineradora Plumbum instalada

Figura – Mineradora Plumbum instalada a beira do rio no Vale do Ribeira/PR.

Plumbum instalada a beira do rio no Vale do Ribeira/PR. 4.1.4. Agregados para Construção Civil Os

4.1.4. Agregados para Construção Civil Os bens minerais (areia, argila e brita) de emprego direto na construção civil, por sua importância para os setores de habitação, saneamento e transportes, são considerados como bens minerais de uso social. A produção desses minerais, por fatores mercadológicos, impõe sua atuação próxima dos centros consumidores, caracterizando-se como uma atividade típica das regiões metropolitanas e urbanas. O índice de clandestinidade dessa atividade é significativo e preocupante. Os impactos ambientais

provocados são grandes e descontrolados, degradando ambientes de delicado equilíbrio ecológico (dunas e manguezais), alterando canais naturais de rios e os aspectos paisagísticos. No geral as cavas são utilizadas como bota-fora da construção civil e até mesmo como lixões.

Figura – Lavra em cava em pedreira localizada no município de Eusébio.

em cava em pedreira localizada no município de Eusébio. 4.1.5. Garimpos A garimpagem provoca impactos ambientais

4.1.5. Garimpos A garimpagem provoca impactos ambientais comuns a todas as áreas submetidas a esse tipo de extração rudimentar e predatória, principalmente a contaminação dos recursos hídricos. No Brasil existem diversas áreas, localizadas nos estados de Minas Gerais e Bahia, que historicamente possuem atividades garimpeira. Os principais impactos ambientais decorrentes dessa atividade são:

a)

desmatamentos e queimadas;

b)

alteração nos aspectos qualitativos e no regime hidrológico dos cursos de água;

c)

queima de mercúrio metálico ao ar livre;

d)

desencadeamento dos processos erosivos;

e)

turbidez das águas e mortalidade da ictiofauna;

g)

fuga de animais silvestres;

h)

poluição química provocada pelo mercúrio metálico na biosfera e na atmosfera.

4.2. Conseqüências da Mineração no Meio Ambiente 4.2.1. Degradação da Paisagem O principal e mais

4.2. Conseqüências da Mineração no Meio Ambiente 4.2.1. Degradação da Paisagem O principal e mais característico impacto causado pela atividade minerária é o que se refere à degradação visual da paisagem. Não se pode, porém, aceitar que tais mudanças e prejuízos sejam impostos à sociedade, da mesma forma que não se pode impedir a atuação da mineração, uma vez que ela é exigida por essa mesma sociedade.

Figura – Lavra de rochas ornamentais em matacões, Rio Grande do Sul. Pedreira desenvolvida sem planejamento e pouco mecanizada

Grande do Sul. Pedreira desenvolvida sem planejamento e pouco mecanizada Mineração – Meio ambiente e Mineração

4.2.2.

Ruídos e Vibração

O desmonte de material consolidado (maciços rochosos e terrosos muito compactados) é feito através de explosivos, resultando, em conseqüência, ruídos quase sempre prejudiciais à tranqüilidade pública. Para minimizar estes impactos podem ser adotadas certas medidas:

- orientação da frente de lavra; - controle da detonação. A onda de choque gerada por explosivos apresenta comportamentos distintos, de acordo com a distância e o tipo de material. Um método para suavizar os impactos causados pela detonação consiste em provocar uma descontinuidade física no maciço rochoso. Para evitar ruídos decorrentes dos equipamentos de beneficiamento, deve-se

aproveitar ao máximo os obstáculos naturais ou então criar barreiras artificiais, colocando o estoque de material beneficiado ou a ser tratado entre as instalações e as zonas a proteger.

4.2.3. Tráfego de Veículos O tráfego intenso de veículos pesados, carregados de minério, causa uma

série de transtornos à comunidade, especialmente naquela situação mais próxima às áreas de mineração, como: poeira, emissão de ruídos, freqüente deterioração do sistema viário da região.

4.2.4. Poeira e Gases

Um dos maiores transtornos sofridos pelos habitantes próximos e/ou os que trabalham diretamente em mineração, relaciona-se com a poeira. Esta pode ter origem tanto nos trabalhos de perfuração da rocha como nas etapas de beneficiamento e de transporte da produção. Estes resíduos podem ser solúveis, ou particulares que ficam em suspensão

como lama e poeira. A contribuição da mineração para a poluição do ar é principalmente uma poluição por poeira. A poluição por gases a partir da mineração é pouco significativa, e em geral de restringe à emissão dos motores das máquinas e veículos usados na lavra e beneficiamento do minério.

4.2.5. Contaminação das Águas

Quanto à poluição das águas provocada pela mineração, a maior parte das minerações no Brasil provoca poluição por lama. A poluição por compostos químicos solúveis, também existe e pode ser localmente grave, mas é mais restrita. O controle no caso de lama é termicamente simples, mas pode requerer investimentos consideráveis. As minerações de ferro, de calcário, de granito de areia e argila, da bauxita, de manganês, de cassiterita, de diamante e várias outras, provocam em geral poluição das águas apenas por lama. O controle tem que ser feito através de barragens para contenção e sedimentação destas lamas. As barragens são muitas vezes os investimentos mais pesados em controle ambiental realizado pelas empresas de mineração. Por outro lado, estas barragens servem também para recirculação de água e podem não ser considerados investimentos exclusivos de controle ambiental. Além da poluição por lama, muitas minerações provocam poluição de natureza química, por efluentes que se dissolvem na água usada no tratamento do minério ou na água que passa pela área de mineração. As minerações de ouro podem apresentar problemas mais complexos de contaminação das águas, por usarem cianetos altamente tóxicos no tratamento do minério. Além disso, muitos minérios de ouro são ricos em arsenopirita e provocam contaminação por arsênico. Pode-se dizer com segurança que o problema ambiental mais sério provocado pela mineração no Brasil, é a contaminação por lama e por mercúrio de rios da Amazônia, causada pelos garimpos de ouro. Como os "garimpeiros" usam uma tecnologia rudimentar, o controle ambiental é difícil e a contaminação só não é muito mais grave porque os rios da Amazônia são muito volumosos e a área é ainda pouco povoada.

Figura- Mortandade de peixes causada por despejo de mercúrio em rio.

Figura- Mortandade de peixes causada por despejo de mercúrio em rio. Mineração – Meio ambiente e

Figura- Degradação oriunda do trabalho do garimpeiro.

Figura- Degradação oriunda do trabalho do garimpeiro. 4.2.6. Rejeito e Estéril A disposição final de rejeitos

4.2.6. Rejeito e Estéril A disposição final de rejeitos não constitui problema mais sério, quando destinados aos trabalhos de recuperação das áreas. Entretanto, durante a fase da lavra devem ser observados cuidados especiais para que estes não sejam lançados no sistema de drenagem.

Quando esses depósitos ficam muito volumosos, tornam-se, por si mesmos, instáveis e sujeitos a escorregamentos localizados. No período de chuvas, devem ser removidos e transportados continuamente até as regiões mais baixas e, em muitos casos, para cursos de água. A repetição contínua do processo provoca o transporte considerável desse material, ocasionando gradativamente o assoreamento dos cursos de água. Além do volume provindo do material estéril, devem ser consideradas as quantidades advindas da área das próprias jazidas e o material produzido pela decomposição das rochas e erosão do solo.

O problema pode ser minimizado através do adequado armazenamento do material estéril e sua posterior utilização para reaterro de áreas já mineradas e de tanques de decantação que retenham os sedimentos finos na própria área, preservando a hidrografia.

Figura - O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Rio Verde em Macacos/MG, ocorrido em 2001, atingiu cerca de 43 hectares e assoreou 6,4 quilômetros do leito do Córrego Taquaras.

4.3. Impactos em áreas urbanas Segundo IBAMA (2006), a mineração em áreas urbanas e periurbanas

4.3. Impactos em áreas urbanas Segundo IBAMA (2006), a mineração em áreas urbanas e periurbanas é um dos fatores responsáveis pela degradação do subsolo. Atualmente, junto às grandes metrópoles brasileiras, é comum a existência de enormes áreas degradadas, resultante das atividades de extração de argila, areia, saibro e brita. A proximidade de pedreiras de centros habitados é uma decorrência natural da forte influência do custo dos transportes no preço final do produto. Isso ocorre, principalmente, com os agregados, devido ao seu baixo valor unitário. Os fatores geológicos ligados à localização natural da jazida e ao grande volume das reservas, proporcionando longa vida útil aos empreendimentos, são fatores rígidos e imutáveis que impedem a mudança das áreas de extração. Por outro lado, o crescimento desordenado e a falta de planejamento urbano facilitam a ocupação de regiões situadas nos arredores das pedreiras, provocando o fenômeno de "sufocamento" das mesmas e originando um quadro crescente de conflitos sociais.

O consumo de agregados constitui-se em um importante indicador da situação econômica e social de uma nação. Enquanto os EUA consomem, anualmente,

cerca de 7,5 t por habitante de agregados e a Europa Ocidental, de 5 a 8 t por habitante/ano, no Brasil, o consumo está pouco acima de 2 t por habitante/ano. Mesmo dentro do país, os níveis de consumo de agregados têm diferenças significativas. O consumo no Estado de São Paulo chega a 4,5 t/hab/ano, enquanto que, em Fortaleza e Salvador, não atinge 2 t/hab/ano (Valverde, 2001). Os efeitos ambientais estão associados, de modo geral, às diversas fases de exploração dos bens minerais, como à abertura da cava, (retirada da vegetação, escavações, movimentação de terra e modificação da paisagem local), ao uso de explosivos no desmonte de rocha (sobrepressão atmosférica, vibração do terreno, ultralançamento de fragmentos, fumos, gases, poeira, ruído), ao transporte e beneficiamento do minério (geração de poeira e ruído), afetando os meios como água, solo e ar, além da população local. Segundo BACCI (2006), os efeitos ambientais estão associados, de modo geral, às diversas fases de exploração dos bens minerais, como à abertura da cava, (retirada da vegetação, escavações, movimentação de terra e modificação da paisagem local), ao uso de explosivos no desmonte de rocha (sobrepressão atmosférica, vibração do terreno, ultralançamento de fragmentos, fumos, gases, poeira, ruído), ao transporte e beneficiamento do minério (geração de poeira e ruído), afetando os meios como água, solo e ar, além da população local. Exemplo: A área de estudo abrange uma pedreira de diabásio, localizada dentro da malha de expansão urbana, na região noroeste do município de Campinas, Estado de São Paulo (Figura abaixo). A ocupação populacional ocorre nas porções leste e nordeste da pedreira. A nordeste da cava, distante 250 m, encontram-se as construções comerciais mais próximas e, acerca de 800 m, começam as primeiras casas do bairro residencial Vila Boa Vista.

Identificação dos aspectos e impactos ambientais A atividade da pedreira em questão resume-se no decapeamento,

Identificação dos aspectos e impactos ambientais A atividade da pedreira em questão resume-se no decapeamento, desmonte da rocha com uso de explosivos, carregamento e transporte do minério e seu posterior beneficiamento, produzindo brita e "pó de pedra", utilizados diretamente na usina de asfalto e como agregado na construção civil. Para identificar e avaliar os aspectos e impactos da pedreira, foram utilizados os dados de levantamento sismográfico obtidos durante o período de um ano de monitoramento dos desmontes, num total de 28 desmontes e 146 medições realizadas (Bacci, 2000). Os quadros apresentados foram elaborados segundo a metodologia utilizada na norma ISO 14001 (1996) e serviram, inicialmente, para identificar as principais fontes que geravam reclamações por parte da comunidade e, num segundo momento, como instrumento para avaliação de desempenho ambiental, dentro de um Sistema de Gestão Ambiental. As atividades descritas nos quadros 1, 2, 3 e 4 são as que ocorrem nas diferentes fases de lavra, no beneficiamento e na manutenção das instalações administrativas.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 24
Mineração – Meio ambiente e Mineração 25
Mineração – Meio ambiente e Mineração 26
Mineração – Meio ambiente e Mineração 26

5- Fatores que influenciam a natureza e a extensão dos impactos ambientais.

Ao extraírem-se os bens minerais da crosta terrestre, automaticamente, gera-se uma alteração bastante profunda que modifica a estrutura física de seu jazimento - localização. Essas alterações, advindas da atividade mineral, podem provocar maior ou menor impacto, conforme os fatores geográficos, o método de lavra utilizado e o tipo de minério extraído.

5.1. Fatores Geográficos

Os depósitos minerais encontram-se onde as condições geológicas são favoráveis à sua formação. A este condicionante dá-se o nome de "rigidez locacional da jazida". Alguns fatores geográficos estão relacionados à posição do jazimento, tais como:

densidade da população, topografia, clima e aspectos sócio-econômicos, dentre outros, que poderão influir de forma positiva ou negativa na extração econômica destas riquezas. Normalmente a oposição à mineração é mais intensa em regiões de alto valor cênico ou locais de condições favoráveis a raras espécies de flora e fauna. Quanto ao clima, o mecanismo de transporte da poluição originária da mina ao meio ambiente está diretamente relacionado ao regime pluviométrico, temperatura, umidade, direção dos ventos, dentre outros. Sua principal influência é, portanto, sobre a intensidade da poluição, considerando a distância sobre a qual o impacto da mineração é perceptível. No que diz respeito aos aspectos sócio-econômicos, tais como: a criação de empregos, circulação de riquezas, incremento do comércio e serviços, fortalecimento do setor público através da arrecadação de impostos, dentre outros fatores, pode-se constatar que, sem dúvida alguma, a atitude do público, em geral, é condicionada, em parte, pela

condição econômica da região e a natureza desta comunidade.

5.2. Tipo de Lavra

O método de lavra utilizado na exploração das substâncias minerais é um dos principais fatores determinantes do nível de impacto ao ambiente, tendo grande influência na natureza e na extensão do impacto ambiental. A escolha do método mais adequado depende de certas características das jazidas e às vezes, de fatores externos não controláveis. A grande maioria dos bens minerais é lavrada por métodos tradicionais a céu aberto (em superfície) ou subterrâneo (em subsuperfície).

Os maiores riscos de comprometimento ambiental ocorrem na lavra a céu aberto, onde se tem um maior aproveitamento do corpo mineral, gerando maior quantidade de estéril, poeira em suspensão, vibrações e riscos de poluição das águas, caso não sejam adotadas técnicas de controle da poluição. A lavra de minerais industriais, freqüentemente, apresenta um alto potencial impactante. Em contrapartida, poucos minerais, desta classe, são tóxicos e o uso de reagentes químicos no tratamento destes é limitado. Por isto, os principais problemas ambientais deste tipo de minerais são o impacto visual, o abandono das lavras, a poeira, o ruído e a vibração.

Figura– Exemplos de lavra mal planejada em pedreiras localizadas nos municípios e Itaitinga (A) e Maracanaú (B).

nos municípios e Itaitinga (A) e Maracanaú (B). Figura – Ambiente subterrâneo e sua interação com

Figura – Ambiente subterrâneo e sua interação com o meio ambiente natural.

– Ambiente subterrâneo e sua interação com o meio ambiente natural. Mineração – Meio ambiente e
As maiores consequências ou riscos ambientais no exterior das explorações subterrâneas:  Águas ácidas e

As maiores consequências ou riscos ambientais no exterior das explorações subterrâneas:

Águas ácidas e contaminadas com metais pesados;

Deposição de escombros e rejeitados que podem poluir o solo e as aguas e ocasionar impacto visual;

Subsidência devida á lavra subterrânea e presença de falhas;

Impacto paisagístico pela instabilidade biológica na zona;

Desaparição das linhas d águas superficiais, drenagem ao subsolo e posterior contaminação.

6-

Delimitação dos impactos causados pela mineração.

6.1- Formulação dos problemas

As atividades mineradoras causam impactos diretamente ao meio ambiente. Tanto no garimpo, quanto, na extração de minérios que se encontram no solo e subsolo. Muito de seus danos são irreversíveis. Assim, a exploração de uma jazida deve-se levar em consideração sua viabilidade econômica e ambiental. Com a abertura de deposito mineral em lavra (mina, garimpo) a geologia da área é perdida modificando o relevo podendo ocasionar erosões e assoreamentos. A produção de maneira inadequada dos minerais pode ter formas direta ou indiretamente quanto à degradação ambiental; gerando chuvas ácidas, o aquecimento global, poluição de reservatórios de água, etc. Além de gerar problemas sócio-ambientais, onde muitas

famílias são remanejadas de seus locais para dar lugar às empresas mineradoras. Como também a questão visual de deposito mineral. Apesar dos problemas causados ao meio ambiente, a mineração é inevitavelmente essencial a humanidade uma vez que possibilita qualidade de vida e desenvolvimento sustentável. O maior desafio da indústria mineral é reduzir essas interferências no meio ambiente para níveis mais admissíveis, nos seus diferentes estágios de exploração, produção, utilização e disposição de resíduos. É preciso uma análise do avanço que a exploração mineral possui bem como sua degradação ao ambiente. Assim, devem-se levar em conta os benefícios e malefícios acarretados pela indústria mineradora. Para que muitos dos problemas sejam solucionados rege-se a necessidade de uma política conservadora que fiscalize; tanto ao ambiente, quanto, as atividades realizadas pelas mineradoras, bem como melhoria de condições de trabalho as pessoas que atuam no ambiente. Uma vez que estão sujeitas a diversos fatores de riscos. Sabendo que de uma forma ou de outra, todos necessitamos dos recursos minerais explorados, faz se necessário a recuperação de áreas degradadas pelas mineradoras. Deve-se haver o incentivo de cursos ligados a mineração; desde a sua implantação como projeto até seu desativamento recuperando a área degradada. A tendência da indústria mineradora é o crescimento. Para que cresça de forma organizada faz-se necessário um estudo detalhado de seus riscos e benefícios que propicia a toda sociedade. Nas grandes jazidas, a reconstituição da paisagem é quase impossível na questão do tempo e econômica. Porém, através de condução adequada das operações de lavra e de um projeto de recuperação, que visem o futuro, a degradação ambiental pode ser reduzida e até eliminada. Sendo assim, os cuidados para a recuperação das áreas mineradas vão desde a concepção do plano de lavra até a implantação do projeto que visem o reflorestamento de forma consciente, buscando de forma simples levar as comunidades o conhecimento dessa área tão questionada nos dias atuais. A mineração a céu aberto gera diversos impactos ao meio ambiente. Destrói completamente as áreas da jazida, as bacias de rejeito e as áreas utilizadas para o depósito estéril. Tais impactos provocam danos e desequilíbrios no ciclo da água, no solo, no ar, no subsolo e na paisagem em geral, e são perceptíveis por toda a população, visto que as áreas destruídas jamais voltarão a ser como eram.

Os impactos causados podem ser intensos e extensos. Por exemplo, quanto à intensidade, o impacto da mineração de argila depende da topografia original da área, da característica e do volume de material que foi extraído da jazida, do método usado para a extração, do quanto foi aproveitado, etc. Enquanto à extensão, destaca-se a erosão do material da superfície por ação das águas da chuva, que causam a poluição dos recursos hídricos, refletindo assim diretamente na bacia onde a mina se localiza. Esses impactos, além de prejudicarem os proprietários, afetam também todo o ambiente circunvizinho.

Os danos também podem ser de ordem direta e indireta. Os diretos modificam as características físicas, químicas e biológicas do ambiente, que originam um forte impacto visual, já que a fauna, a flora, o relevo e o solo são completamente transformados. Os indiretos proporcionam mudanças na diversidade das espécies, no ciclo natural dos nutrientes, instabilidade no ecossistema, alterações no nível do lençol freático e no volume de água encontrado na superfície. As alterações na topografia podem causar mudanças na direção das águas de escoamento superficial, fazendo com que áreas que anteriormente eram atingidas pela erosão tornem-se áreas de deposição e vice-versa. Contaminações com produtos químicos no solo decorrentes do derramamento de óleos e graxas das máquinas que são operadas na área também ocorrem com grande freqüência. 6.2 Impactos causados pela extração dos minérios • Mineração de Carvão Como é realizada a céu aberto geralmente compreende grandes áreas, causando grande poluição da água e do ar, sendo necessário assim um sistema rígido de recuperação das áreas depois de explorada. Por exemplo, na região carbonífera de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, há a poluição hídrica causada pela drenagem ácida, que é proveniente da infiltração da água da chuva juntamente com resíduos tóxicos originados pelas atividades de lavra e beneficiamento, que alcançam os corpos hídricos e tornam as águas impróprias para qualquer uso, já que alteram seu pH, elevando os valores de ferro e sulfato e destruindo a fauna e a flora local.

Foto-Rio Sangão contaminado com drenagem ácida da mineração do carvão –Forquilhinha (SC).

• Mineração de Ouro Como exemplo, pode-se citar o Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, onde

• Mineração de Ouro Como exemplo, pode-se citar o Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, onde há uma elevada presença do elemento tóxico arsênio, decorrente desse tipo de exploração. Em Nova Lima e Passagem de Mariana, funcionaram, por várias décadas, como fábricas de óxido de arsênio, aproveitado como subproduto do minério. Os rejeitos de minério ricos em arsênio foram estocados às margens de riachos ou até mesmo lançados diretamente nas drenagens, provocando comprometimento ambiental do solo e dos recursos hídricos. Foto – Efeito de destruição da exploração de ouro na Amazônia.

Efeito de destruição da exploração de ouro na Amazônia. • Chumbo, Zinco e Prata Como exemplo

• Chumbo, Zinco e Prata Como exemplo existe as minas de chumbo, zinco e prata do Vale da Ribeira, que estiveram ativas durante longo período do século X, especialmente nas

décadas de 70 e 80. Os materiais resultantes dos processos de metalurgia e refino do minério de chumbo foram estocados nas margens do rio Ribeira. As últimas minas e a refinaria encerraram suas atividades em novembro de 1995. Depois de estudos realizados juntamente com a população infantil nos municípios de Adrianópolis e Cerro Azul, no Paraná, e em Ribeira e Iporanga, em São Paulo, envolvendo uma análise da quantidade

total de chumbo e arsênio encontrados no sangue e urina das crianças constatou-se que as concentrações de chumbo no sangue foram superiores aos limites permitidos pelo Centers for Disease Control - CDC (1991).

• Agregados para construção civil (areia, argila e brita) Os impactos causados pela extração desses materiais são de grandes

proporções, pois afetam ambientes de delicado equilíbrio ecológico, como dunas e manguezais e alteram canais naturais de rios e aspectos da paisagem. Normalmente as cavas são utilizadas como depósitos da construção civil e até como lixões.

• Garimpos

É uma extração rudimentar, que provoca principalmente a contaminação dos recursos hídricos. Porém, diversos impactos ocorrem e já ocorreram devido a essa atividade mineradora. Dentre eles estão: desmatamentos, queimadas, alteração nos aspectos qualitativos e no regime hidrológico dos cursos de água, desencadeamento dos processos erosivos, turgidez das águas, morte da ictiofauna, poluição química provocada pelo mercúrio metálico na biosfera e na atmosfera. No Brasil, existem diversas áreas onde já houveram atividade garimpeira, localizadas nos estados de Minas Gerais e Bahia. 6.3 Principais danos causados pela mineração

• Degradação da Paisagem Como é possível constatar, a partir do que já foi apresentado, o maior impacto

causado pela atividade mineraria é a degradação visual da paisagem da área de extração. Tais mudanças são prejudiciais, mas devem ser admitidas, uma vez que a atividade de mineração é imprescindível para a sociedade.

• Ruídos e vibrações Muitas extrações de minérios são feitas através da utilização de explosivos, gerando assim ruídos, prejudiciais a saúde e bem estar da sociedade. A onda de choque gerada por eles apresentam comportamentos distintos, que dependem da distância e do tipo de material usado na explosão.

• Tráfego de veículos O tráfego freqüente de veículos pesados, carregados de minérios, causa uma série de transtornos à comunidade circunvizinha da mina de exploração: poeira, emissão de ruídos e freqüente deterioração do sistema viário da região são alguns deles.

• Poeira e Gases Um das maiores contrariedades sofridas pelos habitantes localizados próximos e/ou aos que trabalham de maneira direta na extração de minerais, relaciona-se com a poeira. Estas partículas suspensas podem ter sido originadas tanto nos trabalhos de perfuração das rochas como nas etapas de beneficiamento e de transporte dos minerais extraídos. Estes resíduos podem ser solúveis, ou partículas que ficam em suspensão como lama e poeira. A contribuição da mineração para a poluição do ar é principalmente causada pela produção de poeira. A poluição por gases é pouco relevante, uma vez que em geral se restringe à emissão pelos motores das máquinas e dos veículos utilizados na lavra e no beneficiamento dos minérios.

Figura – Instalações de britagem nos municípios de Caucaia (A) e Itaitinga (B), em que se observa grande emissão de pó.

e Itaitinga (B), em que se observa grande emissão de pó. Figura- Carreta de perfuração hidráulica

Figura- Carreta de perfuração hidráulica provida de sistema de ventilação local exaustora.

• Contaminação das Águas A maior parte das minerações no Brasil provoca poluição por lama.

• Contaminação das Águas A maior parte das minerações no Brasil provoca poluição por lama. A poluição por compostos químicos solúveis é mais rara. As minerações de ferro, calcário,

granito, areia, argila, bauxita, manganês, cassiterita, diamante e várias outras, provocam normalmente poluição das águas apenas por lama. O controle deve ser feito por meio de barragens para a contenção e sedimentação destas lamas. As barragens são na maior parte das vezes os investimentos mais pesados em controle ambiental realizados pelas empresas de mineração. Muitas minerações provocam também poluição de natureza química, por efluentes dissolvíveis na água usada tanto no tratamento do minério como na água que passa pela área da extração. As minerações que extraem ouro podem apresentar problemas mais sérios e complexos de contaminação das águas, principalmente por usarem cianetos altamente tóxicos no tratamento do minério.

• Rejeito e Estéril

Quando destinados à recuperação das áreas, os rejeitos não causam problemas sérios. Porém, quando esses depósitos ficam muito volumosos, tornam-se instáveis e sujeitos a escorregamentos localizados. Em períodos de chuvas, devem ser removidos para áreas mais baixas continuamente, e em muitos casos, para cursos de água. A repetição intensa desse processo provoca gradativamente o assoreamento dos cursos de água.

A repetição freqüente desse processo provoca o transporte considerável desse material, gerando gradativamente um processo de assoreamento dos cursos d’água.

O problema pode ser minimizado por meio de um armazenamento adequado do material

estéril e sua posterior utilização para reaterro de áreas já mineradas. 6.4. Degradação e Recuperação de áreas impactadas Um dos problemas centrais que envolvem a questão de desmatamento no

Brasil é resultante do estabelecimento de sistemas de utilização de terras de forma não sustentáveis, que originam as “áreas degradadas”, caracterizadas pelo elevado nível de danos ambientais e de pequena capacidade de suporte humano (FAO, 1985). A maior parte das áreas degradadas nos Neotrópicos é proveniente de sistemas impróprios de uso de áreas que geram lucros em curto prazo, porém com um alto custo de degradação para o meio ambiente e subdesenvolvimento socioeconômico em longo prazo. Podem-se dividir

as áreas degradadas em duas categorias principais, levando em consideração a cobertura

da vegetação em: florestas secundárias e pastos abandonados. Além destes, ressalta-se as

áreas degradadas provenientes de atividades de mineração.

Os fatores que contribuem para a degradação do solo, em ordem decrescente de participação relativa nas áreas degradadas no mundo, são:

1. Superpastejo da vegetação (34,5% das áreas mundiais degradadas);

2. Desmatamento ou remoção da vegetação natural para a agricultura, florestas comerciais, construção de estradas e urbanização (29,4%);

3. Atividades agrícolas, incluindo inúmeras variedades de práticas agrícolas, tais como:

uso de forma inadequada de fertilizantes, uso de água para irrigação de baixa qualidade,

uso inapropriado de maquinários agrícolas e ausência de práticas para a conservação do solo (28,1%);

4. Exploração intensiva da vegetação para fins domésticos, como combustível, cercas

etc., expondo o solo diretamente à ação dos agentes causadores da erosão (6,8%); 5. Atividades industriais ou bioindustriais que geram a poluição do solo (1,2%). A conceituação de uma área degradada é bastante polêmica na sociedade, admitindo-se várias definições baseando-se no enfoque desejado. Logo, é possível afirmar que a degradação acontece a partir do momento que a vegetação e fauna nativa são destruídas, removidas ou expulsas, a camada mais fértil do solo é afetada e a qualidade de vazão do sistema hídrico é alterada. Um ecossistema degradado é aquele no qual, após perturbações, teve suprimida, juntamente com sua vegetação, os seus meios de regeneração. Apresenta,

portanto, baixa capacidade de recuperação, isto é, seu retorno ao estado anterior pode não acontecer ou ser extremamente vagaroso. Existe também o ecossistema perturbado que é aquele que sofreu distúrbios, mas manteve seus meios de regeneração bióticos. A ação humana nesse processo é dispensável, mas pode auxiliar na recuperação, pois a natureza pode se encarregar dessa tarefa. Nas áreas degradadas, a ação humana para a recuperação é indispensável, pois elas já não dispõem daqueles eficientes mecanismos para sua regeneração. Nas atividades de extração de minérios, as principais fontes que causam a degradação são: a deposição de resíduos ou rejeitos provenientes do processo de beneficiamento dos minerais e a deposição do material não aproveitável, produzido do decapeamento superficial.

Além dessas fontes que causam degradação, outras podem ser ressaltadas são elas: lançamento de resíduos domésticos e hospitalares, de esgoto sanitário, vazamentos ou derrames de óleos, ácidos e outros produtos químicos, além da contaminação por elementos que liberam radiação e a poluição visual do local. Os objetivos da recuperação de uma área degradada devem obedecer a requisitos individuais e o plano feito para sua recuperação deve deixar claro, inicialmente, o nível de recuperação a ser alcançado. Existem diversos utilizações para as quais as áreas degradadas podem ser destinadas, como o cultivo/pastagens, reflorestamento, área urbana, parques e áreas para recreação, ou simplesmente, abandoná-las à sucessão vegetal (Griffith, 1980). A vegetação pode ser tida como um elemento de atuação e utilização nos programas de recuperação de áreas degradadas, assumindo diferentes papéis, baseando-se na situação encontrada (Fonseca, 1989). Dentre as alternativas para a recuperação dessas áreas, o reflorestamento para destinação múltipla envolve uma quantidade, mais significativa de benefícios, tanto de caráter social como ecológico. Contudo, e sempre de acordo com o projeto estabelecido, o destino final da área recuperada deverá ser objeto de um estudo conjunto dos componentes de ordem social, ecológica e econômica envolvidos. É preciso estabelecer qual o objetivo inicial a ser alcançado com a recuperação, pois as áreas degradadas podem tanto ser “restauradas” como “reabilitadas” (Cairns, 1988; Viana, 1990).

Restauração trata-se de uma série de tratamentos que visam recuperar a forma original do ecossistema, isto é, sua estrutura original. Geralmente recomendado para ecossistemas raros e ameaçados, demanda mais tempo e requer um investimento maior. Reabilitação refere-se a uma série de tratamentos que buscam a regeneração de uma ou mais funções do ecossistema. Essas funções podem ser produção econômica e/ou ambiental. Geralmente, as principais justificativas para os reflorestamentos de proteção do meio ambiente abrangem a recuperação imediata dos benefícios ambientais. Essa questão em muitos casos não é avaliada com coerência, e a restauração da forma (composição e diversidade de espécies, estrutura trófica etc.), torna-se prioridade frente à recuperação das utilidades do ecossistema, ou seja, da sua função ambiental (Viana, 1990). Vários autores procuraram sistematizar as técnicas de recuperação de áreas degradadas (Willians, 1982; Griffith,1992; Silveira et al., 1992; Adeam, 1990; Daniels, 1994; Pompéia, 1994;Jesus, 1994; Griffith et al., 1996), todavia os sistemas devem ser específicos para cada situação, agrupando, entre outros fatores, a localização, clima, topografia, estabilidade do terreno, solo, vegetação e a natureza do(s) agente(s) causador(es) da degradação. É fato que, depois de desenvolvido o escopo do sistema a ser adotado, e suscetível de alterações durante a implantação das atividades previstas, assim como nas suas manutenções, dando uma dinâmica toda especial às técnicas de recuperação. As técnicas existentes para utilização da vegetação como um agente restaurador de áreas que sofreram degradação são recentes e envolve a regeneração natural, o plantio de espécies arbóreas e arbustivas e a hidrossemeadura (Silva, 1993). Cada situação deve ser estudada para a escolha da técnica que mais se adequada e não são raros os exemplos em que todas elas são utilizadas eu uma mesma área. Jesus (1994) ainda recomenda, que além da implantação desse plano de recuperação, a necessidade indispensável de sua manutenção, garantindo o estabelecimento dos plantios realizados e que devem se prolongar, pelo menos, por um período de dois anos. Na recuperação de áreas oriundas de degradação ao longo de ferrovias e reservatórios de água, assim como na implantação de cinturões verdes, são usados técnicas de plantio de árvores para resgate de biodiversidade, contenção de erosão, florestas de produção e amenização paisagística (FRDSA,1992; FRDSA, 1993; Jesus et al., 1984; Jesus & Engel, 1989, Jesus, 1992). Nestes trabalhos, os autores

indicam a recuperação por meio da implantação e manutenção dos plantios realizados, sendo que na implantação desse projeto estejam incluídas as atividades de preparo do solo, controle das formigas cortadeiras, coveamento, adubação e plantio. As manutenções são feitas para garantir o estabelecimento dos plantios realizados e são indicadas normalmente durante um período de dois ou três anos posteriores ao plantio. Neste período estão inseridas as atividades de roçada manual, coroamento, controle daquelas formigas e o replantio.

FOTO - Viveiro de mudas de espécies arbóreas nativas. Mineração de areia Ponte Alta, São Paulo.

nativas. Mineração de areia Ponte Alta, São Paulo. 6.5 Medidas de Recuperação e Reabilitação Ambiental As

6.5 Medidas de Recuperação e Reabilitação Ambiental As medidas de recuperação têm por finalidade corrigir impactos ambientais negativos, verificados em determinada atividade mineradora, e exigem soluções especiais adaptadas às condições já estabelecidas. Essas soluções, geralmente utilizadas em mineração, respaldam-se em observações de campo e literatura técnica e não raramente envolvem aspectos do meio físico. As principais áreas de um empreendimento mineiro onde medidas de recuperação podem ser aplicadas são:

a) Áreas lavradas:

Algumas das medidas usualmente empregadas são: retaludamento, revegetação (com espécies arbóreas nas bermas e herbáceas nos taludes) e instalação de sistemas de drenagem (com canaletas de pé de talude, além de murundus - morrotes feitos

manualmente na crista dos taludes) em frentes de lavra desativadas. A camada de solo superficial orgânico pode ser retirada, estocada e reutilizada para as superfícies lavradas ou de depósitos de estéreis e/ou rejeitos. A camada de solo de alteração pode ser retirada, estocada e reutilizada na construção de diques, aterros, murundus ou leiras de isolamento e barragens de terra, remodelamento de superfícies topográficas e paisagens, contenção ou retenção de blocos rochosos instáveis, redimensionamento de cargas de detonação em rochas e outras.

Figuras - Mudas de espécies arbóreas nativas plantadas em bermas rochosas, dispostas junto à crista do talude inferior e Remodelamento setorizado do perfil de bancadas finais , com colocação de aterro (solo de alteração), cobertura de solo superficial e plantio de gramíneas em placas. Pedreira Cantareira, Mairiporã (SP).

gramíneas em placas. Pedreira Cantareira, Mairiporã (SP). b) Áreas de disposição de resíduos sólidos: As medidas
gramíneas em placas. Pedreira Cantareira, Mairiporã (SP). b) Áreas de disposição de resíduos sólidos: As medidas

b) Áreas de disposição de resíduos sólidos:

As medidas usualmente empregadas são: revegetação dos taludes de barragens (neste caso somente com herbáceas) e depósitos de estéreis ou rejeitos, redimensionamento e reforço de barragens de rejeito (com a compactação e sistemas de drenagens no topo);instalação, à jusante do sistema de drenagem da área, de caixas de sedimentação e/ou novas bacias de decantação de rejeitos; redimensionamento ou construção de extravazores ou vertedouros em barragens de rejeito; tratamento de efluentes (por exemplo: líquidos ou sólidos em suspensão) das bacias de decantação de rejeitos; tratamento de águas lixiviadas em pilhas de rejeitos ou estéreis; tratamento de

águas subterrâneas contaminadas. Figura – Revegetação implantada com uso de herbáceas (gramíneas) em talude de via de circulação interna.

(gramíneas) em talude de via de circulação interna. Figura- Canaleta de drenagem revestida de concreto para
(gramíneas) em talude de via de circulação interna. Figura- Canaleta de drenagem revestida de concreto para

Figura- Canaleta de drenagem revestida de concreto para captação e condução de água e retenção de sedimentos provenientes da unidade de beneficiamento. Mineração de areia Viterbo Machado Luz, São Paulo.

c) Áreas de infra-estrutura e circunvizinhas: Algumas medidas possíveis são: captação e desvio de águas

c) Áreas de infra-estrutura e circunvizinhas:

Algumas medidas possíveis são: captação e desvio de águas pluviais;

captação e reutilização das águas utilizadas no processo produtivo, com sistemas

adicionais de proteção dos cursos de água naturais por meio de canaletas, valetas,

murundus ou leiras de isolamento; coleta (filtros, caixas de brita, etc.) e tratamento de

resíduos (esgotos, óleos, graxas) dragagem de sedimentos em depósitos de assoreamento;

implantação de barreiras vegetais; execução de reparos em áreas circunvizinhas afetadas

pelas atividades de mineração, entre outras de acordo com o problema da região.

Figura - Sistema de tanque e caixa de brita para retenção de óleos e graxas.

tanque e caixa de brita para retenção de óleos e graxas. Figura - Barreira em faixa

Figura - Barreira em faixa composta de eucaliptos, instalada entre a área da lavra e o local de disposição de bota-foras. Pedreira Embu.

7- Exemplos no Brasil dos efeitos da mineração no meio ambiente.

Inicialmente, voltemos a lembrar de que os minérios, tanto metálicos como não-metálicos, são utilizados, como é sabido, em uma infinidade de produtos humanos, da construção civil a bens industriais. No entanto, como a mineração em geral trabalha bem distante das cidades, poucas pessoas se dão conta dos seus extraordinários impactos ambientais. O máximo que a maioria das pessoas já viu foram as pedreiras urbanas, enquanto elas ainda eram toleradas em cidades como Rio de Janeiro, que deixaram enormes cicatrizes na paisagem citadina. Essas pessoas não se dão conta do assustador volume de resíduos decorrente dessa atividade. A tabela seguinte revela o montante de exploração de três minerais metálicos:

 

Resíduos de Mineração e Rendimento (2000)

Metal

Resíduo (milhões de ton)

Produção (milhões de ton)

% que virou metal

Ferro

2.113

845

40

Cobre

1648

15

0,91

Ouro

745

0,0025

0,00033

Fonte: Worldwatch Institute

Como se vê, a produção mundial de ouro, em 2000, foi de 2,5 mil toneladas, mas os resíduos gerados (estéreis e rejeitos) não foi inferior a 745 milhões toneladas. Uma razão de quase 300 mil quilos de resíduos para um quilo de ouro. Isso significa que 99,99967% da mineração de ouro era puro descarte, obrigatoriamente disposto em algum lugar. Com o avanço tecnológico, já é possível o processamento de minério com teores de ouro ainda mais baixos. Mesmo o minério de ferro, seguramente um dos que apresenta maior rendimento, tem o metal em menos da metade da sua massa. Embora 40% tenham sido aproveitados como matéria-prima, 2 bilhões e 113 milhões de toneladas foram descartados apenas no ano de 2000. Outros metais, como alumínio, chumbo ou prata, oferecem igualmente pequenos percentuais de aproveitamento no minério. Certo, se a humanidade quer manter um nível elevado de conforto material, é inevitável a atividade mineral. No entanto, essa é possivelmente a atividade econômica com menos cuidados com os problemas ambientais. A distância dos centros urbanos e de pessoas conscientes favorece tal desleixo, embora algumas mineradoras, como seria de se

esperar, tenham progredido bastante nesse item. Entretanto, como um todo, o setor ainda deixa muito a desejar. A mineração consome volumes extraordinários de água: na pesquisa mineral (sondas rotativas e amostragens), na lavra (desmonte hidráulico, bombeamento de água de minas subterrâneas etc.), no beneficiamento (britagem, moagem, flotação, lixiviação etc.), no transporte por mineroduto e na infra-estrutura (pessoal, laboratórios etc.). Há casos em que é necessário o rebaixamento do lençol freático para o desenvolvimento da lavra, prejudicando outros possíveis consumidores. Frente a tudo isso, uma série de impactos pode ocorrer: aumento da turbidez e conseqüente variação na qualidade da água e na penetração da luz solar no interior do corpo hídrico; alteração do pH da água, tornando-a geralmente mais ácida; derrame de óleos, graxas e metais pesados (altamente tóxicos, com sérios danos aos seres vivos do meio receptor); redução do oxigênio dissolvido dos ecossistemas aquáticos; assoreamento

de rios; poluição do ar, principalmente por material particulado; perdas de grandes áreas

de ecossistemas nativos

No Brasil, a participação da mineração na poluição total é possivelmente maior, em função da posição relativa dessa atividade na produção econômica nacional e de uma fiscalização mais frouxa. Quem desejar mesmo ver o intenso grau de degradação ambiental causado por minas de ferro basta ir a cidades como Itabirito, em Minas Gerais. A gipsita, mineral abundante na natureza, quando parcialmente desidratada (calcinada), dá origem ao gesso, um produto muito usado na construção civil, entre outras aplicações. No Brasil, é explorada principalmente na Bacia do Rio Araripe, na fronteira comum de Pernambuco com o Piauí e o Ceará. Nessa região, a fonte energética usada no processo de calcinação é a lenha da Caatinga. As calcinadoras de gesso são as principais consumidoras de energéticos florestais da região do Araripe, utilizando 56% da produção, seguidas da siderurgia, com 33%. Em 2007, somente em Pernambuco (de longe, o maior produtor), as calcinadoras queimaram 1.102.800 metros cúbicos de lenha. Nas calcinadoras os problemas de poluição são bastante difíceis de controlar, visto que a maior parte delas trabalha com fornos rudimentares e altamente poluentes. A poluição mais visível nas calcinadoras é a proveniente da emissão de gases e particulados no ar. Os diversos combustíveis utilizados para a calcinação - lenha, óleo, coque e gás -, na queima, produzem compostos que são lançados diretamente no ar sem

humano etc.

ou

de

uso

que passe por um filtro. Entrevistados sobre o uso de filtros nas chaminés das calcinadoras, muitos empresários revelaram desconhecer o produto ou disseram que são muito caros e/ou desnecessários, porque o órgão ambiental não exigia tal medida (Quadro abaixo).

Quadro – Fontes de Poluentes nas Unidades Calcinadoras e Seus Impactos

 

Equipamentos/

Meio Impactado (Local e Áreas de Influência)

 

Fontes

Máquinas

 

Sumário de Impactos ou Alterações do Ambiente

 

Britador

 

Processos de britagem, moagem e transporte por meio de máquinas geram particulados finos, são lançados no ar e aí permanecem, sendo carregados pelas correntes aéreas, atingindo grandes distâncias e extensão espacial. Como conseqüências mais importantes citam-se a contaminação do ar, do solo, do ambiente e dos trabalhadores, através dos pulmões, o que pode gerar silicose, entre outras doenças respiratórias. Produção de ruído e condições de audibilidade comprometida nas pessoas que trabalham nas proximidades das máquinas. Quando os particulados se depositam no solo pode ocorrer a sulfurização, ou seja, a contaminação por enxofre e seus compostos, aumentando o teor desses elementos.

FÍSICO

Balança

Ar, água e solo

Moinho

BIOLÓGICO

Correias

transportadoras

Flora e fauna

Roscas

SOCIAL

elevatórias

Homem

Fixas

Silos de

armazenagem

   

O

processo de calcinação emite considerável quantidade

FÍSICO Ar, água, solo

de particulados, poeiras, cinzas e gases, gerando

Fornos

líquidos nocivos ao meio ambiente, que muitas vezes ficam impregnados nas engrenagens dos fornos.

BIOLÓGICO Flora e fauna

SOCIAL

O

grau de poluição depende do tipo de forno; de acordo

com o alcance dos poluentes, as áreas afetadas sofrem processos de sulfurização do solo e da água, aumento do pH, entre outros. Geração de calor (poluição térmica) e ruído, a utilização de combustíveis nas fornalhas gera gases como CO 2 , SO 2 , NO x , compostos de enxofre e carbono nocivos ao homem e ao meio – flora e fauna.

Homem

   

FÍSICO

Emissão de poeiras do solo, gases de combustão e queda do material transportado. Contaminação do ar pela queima de combustíveis e emissão de poeiras do material transportado.

Ar, solo,

Caminhões,

Móveis

vagonetes,

BIOLÓGICO Flora e fauna

empilhadeiras e

 

outros.

 

SOCIAL

Homem

Outras minerações são motivo de polêmica, como a de minério de ferro em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. O município, localizado em uma região particularmente sensível do ponto de vista ambiental, o Pantanal, é imprópria para siderúrgicas e mineração, apesar das minas que já operam no local. Estas e as

siderúrgicas previstas estão no caminho de um importante corredor ecológico. O possível desmatamento decorrente da instalação do pólo minero-siderúrgico de Corumbá é uma das maiores preocupações de quem trabalha com a conservação do Pantanal.

A MMX Mineração e Metálicos S.A., do grupo EBX, encarna hoje na

região do Pantanal o melhor e o pior papel que uma empresa pode exercer quando o assunto é preservação do meio ambiente. De positivo, se tornou a principal parceira e financiadora da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) do pólo minero-industrial de Corumbá. Um projeto de quase um milhão de reais que será executado pela COPPE/UFRJ e que estudará a capacidade ambiental da região de suportar, ou não, de forma sustentável, a instalação e expansão de diversas empresas ligadas ao setor de mineração e gás, entre outros que constituirão o pólo. A previsão é que esse estudo fique pronto no fim do ano. O medo dos ambientalistas é que uma nova Cubatão surja em pleno Pantanal. Empresas do porte da Vale do Rio Doce e Rio Tinto Brasil, instaladas no local, retiraram o apoio à avaliação na última hora. Já a MMX manteve o compromisso e aceitou arcar com grande parte dos custos do estudo. Por outro lado, a mineradora tem sido acusada de usar de influência política para acelerar a sua instalação no pólo e atropelar o processo de licenciamento ambiental. A MMX firmou um Termo de Compromisso de Conduta com o Ministério Público Estadual de Corumbá em que se compromete a não comprar carvão oriundo do Pantanal. Mas até agora não revelou de onde exatamente ele virá, alegando segredo

comercial. No estudo e relatório de impacto ambiental do empreendimento (EIA-RIMA) lê-se que a empresa tem um cadastro de fazendas que vendem carvão em diversos municípios do estado, incluindo Anastácio, que fica dentro do Pantanal. Mas vários

especialistas, entre eles Sandro Menezes, biólogo e coordenador do Projeto Pantanal da ONG Conservação Internacional, garantem que não há base florestal legalmente instalada no Mato Grosso do Sul suficiente para abastecer a MMX com carvão e muito menos o pólo inteiro, que pode chegar a ter 14 siderúrgicas.

O possível desmatamento estimulado pelo pólo de Corumbá é uma das

maiores preocupações de quem lida com a conservação do Pantanal. Segundo a ONG Conservação Internacional, 17% da cobertura vegetal original desse bioma já foram destruídos. A MMX pretende consumir 225 mil toneladas/ano de carvão vegetal no primeiro ano (25 caminhões tipo gaiola por dia) oriundos do próprio estado e 30%

importados da Bolívia e do Paraguai. Segundo o IBAMA existem cinco mil carvoarias ilegais no Mato Grosso do Sul – cinco foram fechadas recentemente no Pantanal. Se não houver uma forte vigilância dos órgãos ambientais, a vegetação nativa vai virar cinza. A poluição do ar também causa apreensão. Os ventos que sopram predominantemente na direção de Corumbá e da Bolívia carregarão todo o material particulado que as siderúrgicas expelirem – poeira rica em carvão e outras substâncias tóxicas. Segundo Sonia Hess, doutora em Engenharia Química da UFMS de Campo Grande, esse tipo de poluição afeta a saúde da população. “Esses particulados estão relacionados à hipertensão e a acidentes vasculares, problemas respiratórios e cardíacos”. Parecer técnico da Embrapa Pantanal também alerta que, no caso de acidentes e vazamento de resíduos, o risco de contaminar os mananciais com substâncias extremamente tóxicas, como fenóis e metais pesados, é enorme. Na área existem algumas nascentes, piscinas naturais (que originaram balneários frequentados pela população local) e o córrego Piraputangas. Dependendo de certas condições, pode-se formar nesse riacho o gás cianídrico, altamente letal a seres humanos e peixes. Como ele deságua na baía do Jacadigo, que se conecta ao rio Paraguai, haveria uma contaminação em cadeia. Não se pode esquecer que a mineradora Urucum (da Vale do Rio Doce) já secou o córrego Urucum, contaminando-o com resíduos de ferro. Se a MMX começar a operar antes da conclusão do estudo da COPPE, não haverá tempo para a conclusão de estudos aprofundados sobre o impacto ambiental da atividade na região. E se vários empreendimentos isolados forem sendo licenciados sem se saber quantos serão, quanta energia e água usarão e se a região comporta tantas siderúrgicas, a degradação ambiental sairá do controle.

8- A questão econômica.

Historicamente, a atividade de mineração é a que tem mostrado o nível mais baixo de compromisso social e ambiental em comparação, por exemplo, com a exploração de petróleo. É um dos negócios onde os interesses de lucros imediatos mais flagrantemente passam por cima dos interesses públicos, como demonstram exemplos no mundo inteiro. É um dos setores mais conservadores e mais resistentes a ajustes ambientais. Esse comportamento está causando forte retração na indústria minerária nos Estados Unidos, que tem optado por investir em minas/projetos localizados em outros

países.

Fatores econômicos tornam os custos de recuperação ambiental menos suportáveis para essa indústria do que para a de petróleo (e até a de carvão mineral). São eles: margens de lucro mais baixas; resultados econômicos mais imprevisíveis; custos mais altos para restaurar o ambiente natural; poluição mais impactante e mais duradoura; menos capital para enfrentar essas despesas; e até mesmo qualidade inferior de mão-de-obra.

Por tudo isso, é um dos setores onde mais frequentemente os custos ambientais costumam ser repassados para a sociedade. Os contribuintes norte-americanos estão enfrentando, nos últimos anos, uma despesa extra de US$ 12 bilhões para limpeza e restauração ambiental de suas minas (Diamond, 2005). Para se reduzir os grandes impactos da mineração, será necessário aumentar as exigências ambientais e a fiscalização, obrigando a mudanças no comportamento das mineradoras. Os preços dos minerais devem igualmente refletir o enorme custo sócio-ambiental da sua exploração, embora isso vá implicar no aumento do preço final dos produtos. Isso seria uma vantagem, ao contrário do que supõem os economistas, pois aumentaria a eficiência e diminuiria o desperdício no uso dessas matérias-primas. Mas, assim, voltamos a um assunto recorrente: o atual nível de consumo da sociedade global é insustentável. Se desejarmos diminuir as profundas consequências da mineração, a par das medidas citadas e de muitas outras, precisamos controlar nossa síndrome consumista.

Figura - Desenvolvimento de processos de instabilização (erosão e escorregamentos) em antiga frente de lavra desativada e abandonada. Mineração de caulim Caolinita, Embu-Guaçu.

desativada e abandonada. Mineração de caulim Caolinita, Embu-Guaçu. Mineração – Meio ambiente e Mineração 48

9- Engenharia Ambiental.

A engenharia ambiental é um ramo da engenharia que estuda os problemas ambientais de forma integrada nas suas dimensões ecológica, social, econômica e tecnológica com vista a promover o desenvolvimento sustentável. O engenheiro ambiental deverá saber reconhecer, interpretar e diagnosticar impactos ambientais negativos e positivos, avaliar o nível de danos ocorridos no meio ambiente e propor soluções integradas de acordo com o direito do ambiente vigente. Essa é uma das profissões que mais imediatamente responde ao sobe e desce da economia. "Vivemos um período de mercado em alta nos últimos anos, graças ao aquecimento da economia e ao aumento dos investimentos em alguns setores, inclusive com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para o saneamento. Hoje, vivemos um momento mais estável", avalia Lafayette Dantas da Luz, coordenador do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da Escola Politécnica da UFBA. Mas isso não significa estagnação. Os formados continuam se inserindo rapidamente no mercado de trabalho. As áreas que mais oferecem oportunidades são as de saneamento, gestão e manejo das águas, gestão e manejo ambiental e saúde pública. As oportunidades são maiores no Sul e no Sudeste, em áreas de concentração industrial ou agrícola. Na Região Norte, apresentam boas oportunidades os setores de exploração de recursos naturais, como mineração, que necessitam de sistemas de tratamento de efluentes e cuidados com o meio ambiente. As regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, historicamente mais carentes de serviços sanitários, oferecem boas chances de contratação.

É o ramo da engenharia voltado para o desenvolvimento econômico sustentável, que respeita os limites de exploração dos recursos naturais, e para o projeto, a construção, a ampliação e a operação de sistemas de água e esgoto. O engenheiro que atua nessa área desenvolve e aplica as mais diferentes tecnologias para proteger o ambiente dos danos causados pelas atividades humanas. Sua principal função é preservar a qualidade da água, do ar e do solo. Para isso, planeja, coordena e administra redes de distribuição de água e estações de tratamento de esgoto e supervisiona a coleta e o descarte do lixo. Também avalia o impacto de grandes obras sobre o meio ambiente, para prevenir a poluição de mananciais, rios e represas. Esse profissional é responsável pela

prevenção contra a poluição causada por indústrias. Em agências de meio ambiente e em polos industriais, controla, previne e trata a poluição atmosférica. Pode, ainda, monitorar o ambiente marinho e costeiro, atuando na prevenção e no controle de erosões em praias.

Figura - Aterro sanitário de Vila Albertina instalado em área da antiga Pedreira Cantareira, São Paulo.

em área da antiga Pedreira Cantareira, São Paulo. 10- Demanda crescente Ao se discutir a questão

10- Demanda crescente

Ao se discutir a questão ambiental não é possível analisá-la de forma isolada. É necessário compreender que a sociedade tem evoluído e com isso a demanda por alimentos e produtos e conseqüentemente por minérios tem se mantido em patamares elevados e em muitos casos é ainda crescente. Duas décadas depois de a competição global ter levado as minas de Kosaka à extinção, essa parte do Japão está novamente repleta de rumores sobre novos tesouros, que são na verdade elementos raros e outros minerais encontrados na terra que são cruciais para muitas tecnologias japonesas e, até agora, eram importados quase exclusivamente pela China, líder mundial em mineração de minerais raros.

A esperança desta cidade por um retorno da mineração não se encontra no subsolo, mas

A esperança desta cidade por um retorno da mineração não se encontra no subsolo, mas no que o Japão chama de mineração urbana – a reciclagem de metais e minerais valiosos das enormes reservas de equipamentos eletrônicos usados do país, como telefones celulares e computadores. "Nós literalmente descobrimos ouro em telefones celulares", disse Tetsuzo Fuyushiba, ex-ministro da terra e agora membro do partido da oposição, que recentemente visitou Kosaka para o levantamento da usina de reciclagem. Os objetivos de Kosaka se tornaram especialmente importantes para o Japão nas últimas semanas. No mês passado, em meio a uma crise diplomática com Tóquio, a China começou a bloquear as exportações de certos minerais raros para o país. O corte tem causado problemas em fábricas japonesas porque as matérias-primas são cruciais para produtos tão diversos quanto carros híbridos elétricos, turbinas eólicas e telas de computador. Em Kosaka, a Dowa Holdings, empresa de mineração local há mais de um século, construiu uma usina de reciclagem com uma fornalha de 200 metros de altura que derrete antigos componentes eletrônicos para a extração de metais valiosos e outros minerais.

eletrônicos para a extração de metais valiosos e outros minerais. Mineração – Meio ambiente e Mineração

As peças recuperadas vêm de todo o Japão e do exterior, inclusive dos Estados Unidos. Embora o Japão seja pobre em recursos naturais, o Instituto Nacional de Ciência dos Materiais, um grupo de pesquisa ligado ao governo, diz que equipamentos eletrônicos usados no país contêm estimadas 300 mil toneladas de minerais raros. Embora esse valor seja pequeno se comparado às reservas da China, responsável por 93% dos minerais raros do mundo, fazer uso dessa mineração urbana pode ajudar a reduzir a dependência do Japão de seu vizinho, dizem analistas.

a dependência do Japão de seu vizinho, dizem analistas. 11- O impacto positivo da mineração. Estudo

11- O impacto positivo da mineração.

Estudo mostra que mineração ajuda municípios a crescerem. Dados da Fundação João Pinheiro foram computados em 2009 e 2010: Itabira, berço da Vale, está entre os que mais cresceram. Belo Horizonte, capital mineira do estado de Minas Gerais, está entre as seis cidades que mais geram riqueza no país, segundo estudo realizado pela Fundação João Pinheiro, órgão estatal encarregado de fazer pesquisas socioeconômicas da região. Os dados foram computados em 2009 e 2010 e dão conta ainda que o crescimento nominal da economia mineira em 2010 em relação a 2009 foi de 22,4%. “Este comportamento esteve fortemente associado ao desempenho das atividades da mineração, que apresentaram recuperação da crise de 2008/2009 e resultaram, de maneira geral, no crescimento expressivo do PIB dos municípios mineradores”, diz o relatório. Promover o desenvolvimento local é uma das formas que as empresas têm de se fazer presente na economia do país de forma positiva, agregando valor não só com geração de emprego e renda. Tanto assim que, numa resolução anunciada no ano passado, os países membros da Organização das Nações Unidas

reconheceram oficialmente “a necessidade de se aplicar um enfoque mais inclusivo, equitativo e equilibrado ao crescimento econômico, algo que promova o desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza, a felicidade e o bem-estar de todos os povos”. A Vale, que está presente na maioria dos municípios mineradores de Minas Gerais, em 2012 investiu US$ 1,342 bi em ações socioambientais. No ano passado, a Fundação Vale, que busca promover do desenvolvimento dos territórios onde a empresa atua, beneficiou 745 mil pessoas ao redor do mundo, direta ou indiretamente.

745 mil pessoas ao redor do mundo, direta ou indiretamente. Itabira, Minas Gerais, em 1978. Um

Itabira, Minas Gerais, em 1978.

Um dos objetivos da mineradora é ser a empresa de recursos naturais global número um em criação de valor de longo prazo, com excelência, paixão pelas pessoas e pelo planeta. Segundo a diretora executiva de sustentabilidade, Vania Somavilla, gerar desenvolvimento local está entre as metas prioritárias, mas é importante que a região não fique dependente da empresa: "Em parceria com o governo e com a sociedade civil, é possível fazer a cadeia girar, gerando riqueza, troca, inserção de moeda. Nosso sonho é trabalhar cada vez mais todo mundo junto em prol do desenvolvimento".

Vista da cidade de Itabira do alto do Pico do Amor. Exemplo de um lugar

Vista da cidade de Itabira do alto do Pico do Amor.

Exemplo de um lugar onde a mineração contribuiu para alavancar a economia local é o município mineiro de Itabira, o berço da companhia, que hoje está entre os cem maiores geradores de riqueza segundo os dados da Fundação João Pinheiro. A cidade aumentou em 0,2% sua participação nas contas nacionais. É prova de que mineração, indústria que tem a extração de recursos na natureza de sua atividade, também pode compartilhar valor e gerar riqueza para as comunidades.

No Brasil, merece destaque, por exemplo, a empresa de mineração Vale, que no último Relatório de Sustentabilidade informou, entre outros temas, os avanços em relação ao uso eficiente da água nas suas operações. No seu relatório, a Vale indica que o índice médio de recirculação em 2012 foi de 77%, um aumento de sete pontos percentuais em relação a 2011. Com isso, a Vale deixou de captar 1,227 bilhão de metros cúbicos de água de fontes naturais, o equivalente a cerca de duas vezes o consumo anual da cidade do Rio de Janeiro. Parte desse resultado é reflexo dos investimentos em tecnologias voltadas para o desenvolvimento de programas e ações focadas na redução da demanda e do consumo de água. A empresa indica que em 2012 foram investidos cerca de US$ 125,9 milhões na gestão de recursos hídricos na Vale. Por exemplo, na Mina do Sossego, localizada em Canaã dos Carajás, no Pará, a recirculação de água na usina de beneficiamento do cobre chega a 99%. O crescimento é resultado de melhorias que paulatinamente vêm sendo adotadas desde 2008, quando foi feito o balanço hídrico do projeto e desenvolvidas ações para diminuir o uso de água nova. Com o resultado na mina de Sossego, houve uma redução anual no

volume total de água captada de 900 mil metros cúbicos - que anteriormente era

bombeada do Rio Parauapebas -, uma quantidade suficiente para abastecer uma cidade de

12 mil habitantes por um ano.

Já no Complexo Minerador de Carajás, em Parauapebas, sudeste paraense,

devido às mudanças no processo de

peneiramento do minério de ferro, que passou a ser feito a partir de sua umidade natural,

eliminando a necessidade de água nova. Carajás representa cerca de 5% de toda a

captação de água da empresa. Vale observar que das dez operações da vale com maior

captação de água, nove estão em regiões com “risco de estresse hídrico” (potencial de

escassez está abaixo de médio), fato que por si só justifica a preocupação e investimentos

da empresa.

houve uma redução de 24% na captação

Assim, nota-se a clara tendência das empresas de mineração para que os

com os diversos esforços de

cooperação pela água, contribuindo, assim, para garantir os múltiplos usos do insumo,

atuais e futuros. Muitas empresas, como já dito, tem procurado participar ativamente de

ações de engajamento para o desenvolvimento de políticas públicas a partir de discussões

globais e locais sobre a água uma vez\ que se percebe que não cabe somente ao setor

privado ou ao setor publico (mas sim a ambos em conjunto) a adoção das medidas

necessárias para a manutenção e/ou recuperação de aquíferos.

EXEMPLOS DE MUNICÍPIOS MINERADORES E SEUS

resultados obtidos por elas reflitam o alinhamento

RESPECTIVOS IDH EM COMPARAÇÃO AO IDH DO ESTADO IDH

IDH

Município

UF Mineral

Estado

Município

Itabira - MG

Ferro

0.766

0.798

Araxá - MG

Nióbio

0.766

0.799

Nova Lima - MG

Ouro

0.766

0.821

Catalão - GO

Fosfato

0.773

0.818

Cachoeiro de

Rocha

Itapemirim - ES

Ornamental

0.767

0.770

Parauapebas - PA

Ferro

0.720

0.740

Barcarena - PA

Bauxita

0.720

0.769

Presidente Figueiredo - AM

Cassiterita

0.713

0.742

12- O bom exemplo da VALE e da MRN.

Tão importante quanto discutir o impacto da mineração no meio ambiente é conhecer medidas (muitas vezes simples e com custo relativamente baixo) que empresas do setor têm adotado. Também se deve conhecer a política ambiental de tais empresas, na maioria das vezes, exposta nos sites das mesmas. Em junho de 2013, foi inaugurado na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), um vagão-tanque para reutilização de água. Antes utilizado para transporte de combustível, o vagão, localizado no pátio de Costa Lacerda, em Santa Bárbara (MG) foi reciclado para coletar água. O sistema de drenagem capta água da chuva e armazena no vagão, que funciona como uma caixa d’água. A capacidade dele é de 60 mil litros e a água captada pelo novo sistema será utilizada, principalmente, para irrigação dos jardins e aspersão de vias não pavimentadas.

dos jardins e aspersão de vias não pavimentadas. Vagão transformado em tanque reservatório Dentre as

Vagão transformado em tanque reservatório

Dentre as “ações práticas”, vale destacar o conceito adotado pela Vale desde 2011 que iniciou estudos com o objetivo de avaliar os conceitos e aplicabilidade da ‘pegada hídrica’ em suas operações. Este indicador aponta o consumo de água doce direta e indiretamente envolvido no processo produtivo de bens de consumo e serviços. A empresa desenvolveu um projeto para avaliar a aplicação técnica, metodológica, institucional e econômica da pegada hídrica, além de ter promovido um encontro interno para divulgar o tema e avaliar suas implicações nas atividades de mineração.

No seu site, a empresa indica (veja quadros na próxima página) que compreendeu ser necessário verificar na prática a aplicação de algumas metodologias

existentes para a quantificação da pegada e o potencial de correlação deste indicador em relação às condições naturais de disponibilidade hídrica das diferentes regiões onde a Vale atua.

Nos dias 11 e 12 de junho de 2013, a Mineração Rio do Norte, através de seu Departamento de Controle Ambiental, participou do Fórum de Tecnologias para Saneamento Básico e Industrial (FTEC), realizado na cidade de São Paulo. O evento reuniu profissionais da área de mineração, órgãos regulamentadores, indústria, companhias de saneamento e empresas de tecnologia do mundo inteiro para discutir as melhores práticas e inovação para tratamento de águas, efluentes, aproveitamento energético de lodo, reuso de água, tecnologia da informação e automação para estações de tratamento de água de e efluentes, entre outros.

A MRN participou do fórum com o tema Plano de Gestão de Águas nas Indústrias de Mineração. “O evento permitiu o compartilhamento das experiências das empresas de diferentes segmentos de negócio nas questões do gerenciamento das águas”, afirma o químico da MRN, Jeferson dos Santos. Para ele, é necessário repensar novas formas de produzir e de racionalizar o uso da água. “É fundamental que as empresas priorizem ações para preservação dos recursos hídricos e proponham novas tecnologias para recuperação da qualidade da água utilizada e processos avançados para reuso e tratamento efluentes”, finaliza. A MRN controla a qualidade dos recursos hídricos das áreas do porto e das minas, de acordo com as condicionantes ambientais. O objetivo principal é mitigar as possíveis interferências das atividades desenvolvidas pela empresa sobre os corpos hídricos na área de Porto Trombetas, bem como nas áreas do entorno da companhia.

Água Fechar a torneira enquanto se escovam os dentes e não deixar o chuveiro aberto

Água

Fechar a torneira enquanto se escovam os dentes e não deixar o chuveiro aberto durante todo o banho. Essas são algumas práticas adotadas nas casas de pessoas conscientes da importância da preservação de um dos recursos mais essenciais para a nossa sobrevivência: a água. Em nossa empresa, não seria diferente.

Com investimentos em tecnologia de reaproveitamento e controle, buscamos evitar o desperdício e utilizar os recursos hídricos de forma sustentável e eficaz. Também desenvolvemos programas de educação ambiental, tanto para nossos empregados, quanto para os habitantes das comunidades em que estamos presentes.

Nas etapas de desenvolvimento dos projetos, realizamos estudos que analisam a disponibilidade de água nas regiões. Esse investimento permite a análise detalhada de captação e consumo de água.

Resíduos Para obter os minérios que comercializamos, precisamos separar, nas rochas, a parte aproveitável do
Resíduos Para obter os minérios que comercializamos, precisamos separar, nas rochas, a parte aproveitável do

Resíduos

Para obter os minérios que comercializamos, precisamos separar, nas rochas, a parte aproveitável do material que não tem valor mineral – os rejeitos. A Vale desenvolve iniciativas para armazenar esses resíduos da maneira mais adequada e reutilizá-los. As pilhas e barragens que armazenam esses resíduos podem ser utilizadas para um novo processo de mineração, com o uso de tecnologias em desenvolvimento pela Vale. Além disso, alguns desses rejeitos de mineração podem ser utilizados na produção de cimento, cerâmica e até adubo. Diminuir os resíduos não minerais, como pneus, plástico e outros materiais utilizados em nossas operações, é também preocupação da Vale. Parte desse material é enviado para reciclagem, criando renda para as comunidades próximas.

13- Exemplos positivos de fechamento de minas.

O Brasil é um dos países com maior potencial de mineração do planeta.

Suas terras abrigam mais de 50 tipos de minerais de valor comercial, como o ferro, o

manganês e a bauxita, dos quais o país possui a segunda maior reserva mundial.

Em 2007, o setor de mineração movimentou 70 bilhões de dólares no país,

o equivalente a pouco mais de 5% do PIB. Apesar da pujança, essa atividade econômica

tem um lado sombrio - que aparece, sobretudo, quando se esgota a exploração de uma

mina. Não raro, grandes minas são o maior pólo de atratividade de uma região. Cidades

inteiras passam a viver em função da atividade mineradora, que gera empregos, moradias,

escolas, saneamento básico, iluminação, estradas e, não menos importante, impostos. Quando a mina se exaure e é desativada, os impactos econômicos e sociais no entorno são enormes. "É preciso fazer uma análise global do fechamento e estudar as questões críticas da região para que, quando a mineradora se retirar, não haja uma derrocada econômica", afirma a bióloga Maria Sulema Pioli, da consultoria internacional ERM, especializada em recursos ambientais. Até pouco tempo atrás, quando a atividade mineradora acabava, as empresas simplesmente iam embora. Um exemplo é a vila das minas do Camaquã, no município de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul. Operada desde 1942 pela Companhia Brasileira do Cobre (CBC), a mina teve suas atividades encerradas em 1996 e toda a estrutura existente - casas, hotel, cinema, clube - foi simplesmente abandonada. "Hoje as empresas são obrigadas pela legislação a reparar as áreas degradadas, ou seja, têm de deixar o terreno o mais próximo possível do que era antes", diz o engenheiro de minas Victor Eilers, também consultor da ERM. Como o terreno resultante da mineração é muito pobre, recuperá-lo é uma atividade trabalhosa. Pela legislação, o plano de recuperação ambiental de áreas degradadas deve ser traçado antes mesmo do início das operações - e é um requisito para obter o licenciamento. "As companhias mais preocupadas com sua imagem têm feito o chamado plano social de fechamento, que, além da questão ambiental, leva em conta os aspectos socioeconômicos do encerramento da atividade", diz Eilers. Um dos exemplos mais notáveis é o projeto de implantação de um complexo urbano na extinta mina de Águas Claras, no município de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Durante 30 anos, a mina foi explorada pela MBR, empresa controlada pela Vale. No início de 2003, a mina foi fechada - após a retirada de quase 300 milhões de toneladas de minério de ferro ao longo de três décadas. Em seu auge, na década de 80, a mina empregou 2 000 trabalhadores. Na época de seu fechamento, esse número havia se reduzido a 500. A estimativa da empresa era que o fim da atividade de mineração iria afetar a vida de quase 200 000 moradores do entorno. Em vez de esperar o prazo se esgotar para então definir o que fazer, a MBR decidiu se antecipar. O primeiro passo foi dado em 1999, quando a empresa contratou o consultor e professor da Fundação Dom Cabral Michel Abras para coordenar um estudo que identificasse maneiras de reduzir os

impactos do fechamento da mina. O trabalho envolveu 40 profissionais de diversas áreas

- de consultorias ambientais a escritórios de arquitetura e urbanismo. O resultado é um

plano que prevê a transformação da antiga mina de Águas Claras em uma minicidade, com áreas residenciais e comerciais, hospital, museu, parques e um centro de pesquisa. Com essa infra-estrutura, a idéia é transformar a região num pólo de eventos. "A antiga mina está localizada numa área interessante da região metropolitana de Belo Horizonte e é capaz de atrair eventos que normalmente seriam realizados no tradicional eixo Rio–São Paulo", diz Abras. "Outro fator que pesou na nossa decisão é que, nesse tipo de atividade, 95% da renda gerada fica na própria comunidade". O fim da atividade de mineração sempre causa enorme impacto na população do entorno. As maiores empresas do setor começam a se mexer para amenizar

o problema. Só agora, depois que toda a burocracia envolvendo a obtenção de licenças

para a recuperação da área foi resolvida, é que as obras vão de fato começar. O primeiro passo para a implantação do complexo de Águas Claras é a construção de um centro administrativo regional da Vale em Minas Gerais. Atualmente, a mineradora possui vários escritórios de administração espalhados em Belo Horizonte. O plano é reunir tudo em uma sede própria a ser erguida na antiga mina. Esse deverá ser o único empreendimento bancado integralmente pela empresa. O restante da execução deverá ocorrer em um sistema de permuta - a Vale cederá o terreno a incorporadoras interessadas em investir em projetos na área. A mineradora espera gerar

pelo menos 20 000 postos fixos de trabalho com os novos empreendimentos. A estimativa é que o produto interno bruto do município de Nova Lima cresça 20% graças à iniciativa. A conclusão de todo o empreendimento deve levar 20 anos. Embora projetos como o de Águas Claras ainda sejam exceção na história da mineração brasileira, lá fora os exemplos começam a se multiplicar. Em 2001, a canadense Teck Cominco apresentou um programa que se tornou referência em todo o mundo: o fechamento da mina de zinco, chumbo e prata que a empresa mantinha na

cidade de Kimberley, na província de Colúmbia Britânica, e que fora explorada por quase um século. Com o apoio do governo local, o terreno foi vendido para uma incorporadora

e transformado em estação de esqui. Hoje, a maior vocação econômica da cidade é o

turismo: além da estação de esqui, Kimberley ganhou três campos de golfe e atrai visitantes de várias regiões.

Depois da iniciativa da Teck Cominco, o Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM, na sigla em inglês), que reúne as principais empresas e associações do setor no mundo, decidiu publicar um guia oficial para o fechamento de minas. Entre outras recomendações, o manual sugere a participação da comunidade nas decisões sobre o futuro aproveitamento de uma mina desativada. A mineradora anglo-australiana BHP Billiton possui seu próprio guia de padronização de fechamentos desde 2004. A Vale e a Alcoa atualmente estão editando seus manuais - sinal evidente de que a preocupação com a vida pós-mineração já atinge as principais companhias do setor. "Apesar de a legislação brasileira exigir apenas o mínimo, as partes interessadas no assunto, como acionistas, clientes e funcionários, exercem pressão suficiente sobre o setor para as empresas se organizarem espontaneamente", diz a consultora Maria Sulema. "Nenhuma delas mais quer ser vista como vilã."

Figura - Estacionamento e depósito de materiais de construção Madeirense, instalado em área de antiga pedreira, São Paulo.

instalado em área de antiga pedreira, São Paulo. Figura - Raia olímpica da Cidade Universitária, instalada

Figura - Raia olímpica da Cidade Universitária, instalada em antiga área de extração de areia em planície aluvionar do rio Pinheiros, São Paulo.

14- Licenciamento Ambiental. O processo de licenciamento de nossas atividades é realizado junto aos órgãos

14- Licenciamento Ambiental.

O processo de licenciamento de nossas atividades é realizado junto aos órgãos ambientais competentes. Dependendo do objetivo da licença ou autorização, a mesma pode ser de competência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e Agência Nacional de Águas (ANA). O órgão ambiental, por sua vez, estabelece prazos de análise diferenciados para cada tipo de licença (em função das peculiaridades da atividade), bem como para a formulação de exigências complementares. Nossos processos de licenciamento são realizados conforme prevê a Resolução Conama nº 237/1997, obedecendo às etapas: licenciamento prévio (LP), licenciamento de instalação (LI) e licenciamento de operação (LO). Em cada fase de licenciamento são desenvolvidos os respectivos estudos ambientais para instrução do processo, tais como, Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental – EIA/RIMA, Projeto Básico Ambiental – PBA, Relatório de Controle Ambiental e Plano de Controle Ambiental – RCA/PCA e Inventários Florísticos e Faunísticos. Todas as etapas do processo de licenciamento têm prazos estabelecidos para tramitação de documentos, realização de estudos ou relatórios de impacto

socioambiental e execução de condicionantes (obrigações, medidas ou atividades exigidas pelo órgão licenciador) como pressuposto para a respectiva licença. O objetivo das etapas é adequar o empreendimento às medidas de proteção, preservação, conservação e melhoria do meio ambiente.

15- Barragens e depósitos de rejeitos.

15.1 - Classificação das Barragens de Mineração

De acordo com o declarado pelos empreendedores no Relatório Anual de Lavra, o DNPM classificou as barragens de mineração em cinco classes: A, B, C, D ou E. Para sua classificação, fora utilizado o Quadro para Classificação de Barragens para Disposição de Resíduos e Rejeitos em consonância com a Resolução CNRH Nº 143, de

10 de julho de 2012. Neste ambiente é possível identificar a classificação das barragens de mineração inseridas e não inseridas na PNSB. Todas as informações utilizadas para esta classificação são de responsabilidade do empreendedor, inclusive as coordenadas das barragens por eles declaradas. Abaixo é possível ver a distribuição espacial das barragens de mineração classificadas dentro da Política Nacional de Segurança de Barragens e as que não estão inseridas nesta Política.

15.1 – Legislação específica.

LEI Nº 12.334, de 20 de Setembro de 2010 PORTARIA DNPM Nº 416, de 03 DE Setembro de 2012 - Retificada Resolução CNRH nº 143, de 10 de julho de 2012 Resolução CNRH nº 143, de 10 de julho de 2012 - anexo I Resolução CNRH nº 143, de 10 de julho de 2012 - anexo II Resolução CNRH nº 144, de 10 de julho de 2012 Retificação Portaria 416 - DOU 14-09-2012 Retificação Portaria 416 – DOU 18-12-2012 Em especial, o aluno deve atentar para a Portaria DNPM nº 416, de 03 de setembro de 2012 do Diretor-Geral do DNPM publicada em 05/09/2012, a qual cria o Cadastro Nacional de Barragens de Mineração e dispõe sobre o Plano de Segurança, Revisão Periódica de Segurança e Inspeções Regulares e Especiais de Segurança das Barragens de Mineração conforme a Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, que dispõe sobre a Política Nacional de Segurança de Barragens, explicita que, os

empreendedores que possuam barragens de mineração (seja em construção, operação ou desativadas) devem apresentar e submeter à aprovação dos órgãos fiscalizadores cronograma para implantação do Plano de Segurança da Barragem, até 20 de setembro de 2012, além de outras obrigações legais. Exposto isto, o DNPM criou uma página especifica sobre a temática de Segurança de Barragens de Mineração em seu sítio eletrônico para diálogo direto com os empreendedores mineiros. Neste ambiente será possível ao empreendedor enviar o referido cronograma além de poder visualizar a Classificação das Barragens de Mineração sob sua responsabilidade e cadastrá-las, caso ainda não o tenha feito, dentre outras diversas funcionalidades. Para acessar a página explicitada, deve-se entrar no sítio eletrônico da autarquia (www.dnpm.gov.br) e clicar no tópico de “Barragens” na página inicial do referido sítio eletrônico.

PORTARIA Nº 416, DE 03 DE SETEMBRO DE 2012 Cria o Cadastro Nacional de Barragens de Mineração e dispõe sobre o Plano de Segurança, Revisão Periódica de Segurança e Inspeções Regulares e Especiais de Segurança das Barragens de Mineração conforme a Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, que dispõe sobre a Política Nacional de Segurança de Barragens. Art. 1º Esta Portaria define a sistemática de cadastramento das barragens fiscalizadas pelo DNPM, a periodicidade e o conteúdo mínimo das respectivas informações e a periodicidade de atualização, a qualificação do responsável e equipe técnica, o conteúdo mínimo e o nível de detalhamento do Plano de Segurança da Barragem, da Revisão Periódica de Segurança da Barragem e das Inspeções de Segurança Regulares e Especiais das Barragens de Mineração. Parágrafo único. A exceção do Capítulo I que se aplica a toda e qualquer barragem de mineração, os demais dispositivos desta Portaria aplicam-se as barragens de mineração inseridas na Política Nacional de Segurança de Barragens, ou seja, que apresentem pelo menos uma das seguintes características:

Todas as barragens de mineração construídas a partir da data de publicação desta Portaria deverão conter projeto “como construído” – “as built”. Segurança de Barragens Compete ao Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, no âmbito de suas atribuições, fiscalizar a pesquisa e a lavra para o aproveitamento mineral, bem como as

estruturas decorrentes destas atividades, nos Títulos Minerários, concedidos por ela e pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Todavia com a promulgação da Lei Nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens destinadas à acumulação de água para quaisquer usos, à disposição final ou temporária de rejeitos e à acumulação de resíduos industriais e cria o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens, esta Autarquia assume também a atribuição de fiscalizar a implementação dos Planos de Segurança das barragens de mineração a serem elaborados pelos empreendedores, conforme previsto na referida Lei. Neste contexto, o DNPM articular-se-á com os outros órgãos envolvidos na PNSB no sentido de regulamentar a referida Política, publicando normativas com o referido fim. Tais normativas contêm obrigações e responsabilidades tanto dos empreendedores quanto da referida autarquia, como por exemplo, a classificação das barragens de mineração, deliberadas pela Lei Nº 12.334, de 20 de setembro de 2010. De acordo com a mesma legislação, as barragens de mineração inseridas na Política Nacional de Segurança de Barragens devem apresentar pelo menos uma das seguintes características:

I - altura do maciço, contada do ponto mais baixo da fundação à crista, maior ou igual a 15m (quinze metros); II - capacidade total do reservatório maior ou igual a 3.000.000m³ (três milhões de metros cúbicos); III - reservatório que contenha resíduos perigosos conforme normas técnicas aplicáveis; IV - categoria de dano potencial associado, médio ou alto, em termos econômicos, sociais, ambientais ou de perda de vidas humanas, conforme definido no art. 6°. Neste sentido e vislumbrando atender os dispositivos em Lei, o DNPM criou um ambiente eletrônico para diálogo direto com os empreendedores mineiros possibilitando esta interface. Neste ambiente será possível ao empreendedor visualizar a Classificação das Barragens de Mineração sob sua responsabilidade (onde tal classificação fora gerada a partir dos dados informados no RALWEB, ano-base 2011, utilizando o Quadro para Classificação de Barragens para Disposição de Resíduos e Rejeitos) e enviar ao DNPM o cronograma de implantação do Plano de Segurança da Barragem das barragens de mineração sob sua responsabilidade.

Além destas funcionalidades, este sítio eletrônico permitirá ao empreendedor visualizar informações sobre os tópicos abordados na referida Lei como Revisões Periódicas de segurança de Barragens, Inspeções de Segurança Regulares de Barragens e Inspeções de Segurança Especiais de Barragens e caso não tenha cadastrado suas barragens de mineração poderá fazê-lo.

16- Controle de vibrações, ruídos e pó.

A preocupação quanto a um maior controle de vibrações teve início com o desenvolvimento do desmonte utilizando explosivos e seus impactos nas áreas próximas às minas. Lembrando que o desmonte de minério nas pedreiras (e em muitas outras minas) é feito através do uso de explosivos, temos como um dos resultados ruídos quase sempre prejudiciais à tranquilidade pública. Não obstante o desejo de locar-se tais empreendimentos em regiões mais afastadas dos centros urbanos existem locais onde esse objetivo não pôde ser atingido e certas jazidas ou pedreiras que foram gradualmente envolvidas pela urbanização. Nestes casos, o deslocamento de ar causado por frequentes detonações e a intensidade da onda de choque, que se propaga por toda a massa rochosa, pode colocar em risco as construções situadas nas vizinhanças. Para minimizar estes impactos podem ser adotadas certas medidas:

- orientação da frente de lavra; - controle da detonação.

Os aspectos referentes à altura das bancadas e ao planejamento de desmonte e de fogo são de grande importância no que se referem à segurança, custos e danos, merecendo, pois, estudos especiais. A onda de choque gerada por explosivos apresenta comportamentos distintos, de acordo com a distância e o tipo de material. Um método para suavizar os impactos causados pela detonação consiste em provocar uma descontinuidade física no maciço rochoso. Fazendo-se uma série de furos subverticais e paralelos a um mesmo plano e detonando-os com pequena quantidade de explosivos de força elevada, pode-se criar uma falha artificial que limita a propagação das ondas de choque. Este método apresenta-se muito eficaz quando existem habitações, monumentos históricos ou grandes obras de engenharia nas proximidades das pedreiras. Para evitar ruídos decorrentes dos equipamentos de beneficiamento, deve-se aproveitar ao máximo os obstáculos naturais ou então criar barreiras artificiais, colocando o estoque de material beneficiado ou a ser tratado entre as instalações e as

zonas a proteger. Os trabalhos, tanto nas frentes de lavra como nas etapas de beneficiamento, devem ter periodicidade e horários rígidos, devendo os habitantes que residem nas vizinhanças serem devidamente avisadas sobre quaisquer eventuais mudanças.

Um dos maiores transtornos sofridos pelos habitantes próximos às minerações relaciona-se com a poeira. Esta pode Ter origem tanto nos trabalhos de perfuração da rocha como nas etapas de beneficiamento e do transporte da produção. Essa poeira apresenta uma fração muito fina, que fica durante muitas horas em suspensão no ar, espalhando-se por extensas áreas.

O pó oriundo da perfuração da rocha é de pequena monta, não sendo pois, computado como poluente em grande escala. Entretanto, esse pó é nocivo aos trabalhadores que operam nas frentes. As perfuratrizes devem ser equipadas com dispositivos adequados de controle de pó, seja sistema de injeção de água, seja por sistema de aspiração.

As instalações de beneficiamento (britagem, peneiramento, moagem e

ensacamento), por sua vez, produzem quantidades muito grandes de poeira e de finos. O despoeiramento das instalações de pedreiras pode ser feito de diversas maneiras, de acordo com cada caso, mas, de um modo geral, existem as seguintes possibilidades:

- eliminação do pó através de nebulização de água;

- despoeiramento através da renovação do ar.

Figura– Exemplos de inibidores de poeira usados em pedreiras da RMF: sistema de chuveiros nos britadores no município de Itaitinga (A) e carro pipa molhando as vias de acesso no município de Pacatuba (B).

e carro pipa molhando as vias de acesso no município de Pacatuba (B). Mineração – Meio

Ainda sobre os efeitos da exposição a particulados, merece menção do caso de exposição ao pó de quartzo onde se comprovou o aumento de incidência de tuberculose nos trabalhadores de tais minas. Pequenas partículas de quartzo (sílica) atingem as profundezas dos pulmões e danificam as células que removem materiais estranhos presentes no ar. Estas células são a primeira linha de defesa contra a tuberculose. Uma vez que os pulmões estejam polvilhados com sílica, o aumento do risco de contrair a doença persiste por toda a vida. A silicose em geral progride ou se desenvolve depois da aposentadoria. Ela impede a respiração e pode levar à insuficiência cardíaca. Nas minas da África do Sul a exposição descontrolada ao pó de quartzo tem sido associada com altos níveis de tuberculose há muito tempo e o fato de que naquele país haver um fraco controle e propagação do HIV/Aids aumentaram os casos de novas infecções a níveis sem precedentes.

Tanto na África do Sul, no Brasil ou em qualquer outro país, o segredo é o controle do pó, pois já se sabe por diversos estudos e estatísticas que a maior parte das doenças ocupacionais se origina de aerossóis no trabalho. As mineradoras devem se tornar mais conscientes sobre o controle do pó lembrando que apenas a proteção respiratória (uso de máscaras) nem sempre é suficiente. O controle de origem não pode ser subestimado, seja pelo uso de métodos úmidos ou por artifícios da engenharia, como ventilação local ou sistemas especializados e equipamentos.

No geral, em termos de legislação, objetivando melhor regulamentar a atividade de lavra e assim poder controlar e minimizar os impactos (ruído, pó, vibrações, poluição de águas etc.) é de grande importância conhecer e adotar no dia a dia dos trabalhos de mina as Normas Reguladoras de Mineração (NRMs), abaixo descritas. 1.1 Objetivo 1.1.1 As Normas Reguladoras de Mineração – NRM têm por objetivo disciplinar o aproveitamento racional das jazidas, considerando-se as condições técnicas e tecnológicas de operação, de segurança e de proteção ao meio ambiente, de forma a tornar o planejamento e o desenvolvimento da atividade minerária compatíveis com a busca permanente da produtividade, da preservação ambiental, da segurança e saúde dos trabalhadores.

1.2 Disposições Gerais

1.2.1 Para efeito das NRM, entende-se por indústria de produção mineral aquela que abrange a pesquisa mineral, lavra, beneficiamento de minérios, distribuição e comercialização de bens minerais.

1.2.1.1 Para efeito das NRM, o termo pesquisa mineral abrange a execução dos trabalhos

necessários à definição da jazida, sua avaliação e a determinação da exeqüibilidade do seu aproveitamento econômico compreendendo, entre outros, os seguintes trabalhos de campo e laboratório:

a) levantamentos geológicos em escala conveniente;

b) estudos dos afloramentos e suas correlações;

c) levantamentos geofísicos e geoquímicos;

d) aberturas e escavações visitáveis e execução de sondagens no corpo mineral;

e) amostragens sistemáticas;

f) análises físicas e químicas das amostras e dos testemunhos de sondagens;

g) ensaios geometalúrgicos e de beneficiamento dos minérios ou das substâncias minerais

úteis e

h) acompanhamento de lavra.

1.2.1.2 Para efeito das NRM, entende-se por jazida toda massa individualizada de

substância mineral ou fóssil, aflorante ou existente no interior da terra, e que tenha valor econômico.

1.2.1.3 Para efeito das NRM, entende-se por mina a jazida em lavra, ainda que

temporariamente suspensa.

1.2.1.4 Para efeito das NRM, o termo mina abrange:

a) áreas de superfície e/ou subterrânea nas quais se desenvolvem as operações

mencionadas no item 1.2.1.5 e

b) toda máquina, equipamento, acessório, instalação, obras civis utilizados nas atividades

a que se refere o item 1.2.1.5.

1.2.1.5 Para efeito das NRM, entende-se por lavra o conjunto de operações coordenadas

objetivando o aproveitamento industrial da jazida até o beneficiamento das mesmas, inclusive.

1.2.1.6

Para efeito das NRM, entende-se por lavra ambiciosa aquela conduzida sem

observância do plano aprovado ou efetuada de modo a impossibilitar o ulterior aproveitamento econômico da jazida.

1.2.1.7 Para efeito das NRM, entende-se por beneficiamento de minérios o tratamento

visando preparar granulometricamente, concentrar ou purificar minérios, por métodos físicos ou químicos sem alteração da constituição química dos minerais.

1.2.1.8 Para efeito das NRM, entende-se por sistema de disposição a forma e o

procedimento no qual é depositado solo, estéril, rejeitos ou produtos, de maneira controlada, tendo em vista os aspectos de segurança e estabilidade com o mínimo de impacto ao meio ambiente.

1.2.1.9 Para efeito das NRM, entende-se por responsável pela mina o profissional

legalmente habilitado para a execução dos trabalhos previstos no empreendimento mineiro, formalmente indicado pelo empreendedor. 1.2.1.9.1 Para efeito das NRM, entende-se por responsável pelo beneficiamento de

minérios o profissional legalmente habilitado para a execução dos trabalhos previstos no empreendimento mineiro, formalmente indicado pelo empreendedor.

1.2.1.10 Para efeito das NRM, entende-se por empreendedor, todo:

a) detentor de registro de licença;

b) detentor de permissão de lavra garimpeira;

c) detentor de alvará de pesquisa;

d) detentor de concessão de lavra;

e) detentor de manifesto de mina;

f) detentor de registro de extração;

g) aquele que distribui bens minerais;

h) aquele que comercializa bens minerais e

i) aquele que beneficia bens minerais.

1.2.1.11 Toda atividade minerária no país deve ser desenvolvida em cumprimento ao disposto no Código de Mineração e legislação correlativa.

1.2.1.12 As NRM regulam o CM e diplomas legais e seu cumprimento é obrigatório para

o exercício de atividades minerárias, cabendo ao Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM a fiscalização de suas aplicações através de profissionais legalmente habilitados.

1.2.1.13

O DNPM, a seu critério, pode revisar as NRM bem como complementá-las com

instruções técnicas, manuais, diretrizes, recomendações práticas ou outros meios de aplicação compatíveis.

1.2.1.14 O empreendedor que admita trabalhadores como empregados deve organizar e

manter em regular funcionamento, em cada estabelecimento, uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes na Mineração – CIPAMIN, na forma prevista na Norma Regulamentadora n° 22 – NR-22, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.

1.2.1.15

Uma vez efetivada a instalação da CIPAMIN, esta deve ser comunicada ao

DNPM.

1.2.1.16

O DNPM pode, a seu critério, ter acesso aos registros e relatórios da CIPAMIN,

bem como realizar reuniões e inspeções acompanhado de representantes da mesma. 1.2.1.17 As condições de conforto e higiene nos locais de trabalho são aquelas

estabelecidas na NR-22/MTE, item 22.37, subitens 22.37.1 a 22.37.5 ou legislação posterior.

1.2.1.18 Devem ser mantidos organizados e atualizados as estatísticas e relatórios, laudos

e perícias de acidentes de trabalho, doenças profissionais e incidentes perigosos assegurando acesso à essa documentação ao DNPM.

1.2.1.19 Em caso de acidentes relevantes ou que acarretem impactos ao meio ambiente ou

riscos que interfiram no processo produtivo ou ao trabalhador, é obrigatório:

a) comunicação imediata ao DNPM;

b) apresentação da descrição do acidente, suas causas e as medidas mitigadoras e

c) a critério do DNPM apresentar relatórios periódicos que contemplem o monitoramento

da situação de risco constatada.

1.2.1.20 Os acidentes, incidentes perigosos e doenças profissionais devem ser analisados

segundo metodologia que permita identificar as causas principais e contribuintes que levaram à ocorrência do evento, indicando as medidas de controle para prevenção de novas ocorrências. 1.2.1.20.1 Para efeito das NRM, entende-se por incidente perigoso qualquer ocorrência imprevista que modifique a rotina dos trabalhos, que implique na alteração das condições normais de operação e que potencialmente poderia levar a perdas econômicas de monta, lesões graves ou morte de pessoas.

1.2.1.21

Em caso de ocorrência de acidente fatal é obrigatória a adoção das seguintes

medidas:

a) comunicar o acidente, de imediato, à autoridade policial competente, à Delegacia Regional do Trabalho – DRT e ao DNPM e

b) isolar o local diretamente relacionado ao acidente, mantendo suas características até sua liberação pela autoridade policial competente.

1.2.1.22 Os casos omissos e as dúvidas suscitadas decorrentes da aplicação das NRM

serão dirimidos pelo DNPM.

1.2.1.23 A aplicação das NRM não exclui a observância de disposições pertinentes

estabelecidas em legislações específicas expedidas pelos demais órgãos que regulamentem a espécie.

1.3 Aplicação

1.3.1 As NRM aplicam-se a todas as atividades de pesquisa mineral, lavra, lavra

garimpeira, beneficiamento de minérios, distribuição e comercialização de bens minerais, na forma do Código de Mineração e legislação correlativa.

1.4 Das Responsabilidades e Direitos

1.4.1 Das Responsabilidades do Empreendedor

1.4.1.1 Cabe ao empreendedor e ao responsável pela mina a obrigação de zelar pelo

estrito cumprimento das NRM, prestando as informações que se fizerem necessárias aos órgãos fiscalizadores.

1.4.1.2 O empreendedor ou o responsável pela mina deve obrigatoriamente indicar aos

órgãos fiscalizadores os responsáveis pelos setores técnicos das áreas de pesquisa

mineral, produção, beneficiamento de minérios, segurança, mecânica, elétrica, topografia, ventilação, meio ambiente, dentre outros.

1.4.1.3 O empreendedor deve informar aos responsáveis pelas empresas contratadas a

obrigatoriedade do cumprimento das NRM.

1.4.1.3.1 Em todas as situações, cabe à empresa contratada observar complementarmente as demais Normas Regulamentadoras conforme a Portaria nº 3214/78/MTE, quando aplicável.

1.4.1.4 Toda mina e demais atividades referidas no item 1.3 devem estar sob supervisão

técnica de profissional legalmente habilitado, nos termos da legislação vigente.

1.4.1.4.1

O empreendedor deve realizar estudos e trabalhos, quando exigidos pelo

DNPM, a serem desenvolvidos por profissional legalmente habilitado e especializado ou por entidade capacitada, consideradas suas especificidades.

1.4.1.5 O empreendedor deve elaborar e executar planos de lavra e procedimentos, que

propiciem a segurança operacional, a proteção dos trabalhadores e a preservação ambiental, elaborados por profissional legalmente habilitado.

1.4.1.6 Todo empreendimento mineiro deve ter um sistema que permita saber os nomes

de todas as pessoas que se encontram no ambiente de trabalho, assim como suas prováveis localizações.

1.4.1.6.1 Todo visitante deve ser obrigatoriamente informado dos riscos inerentes ao

ambiente de trabalho, das medidas de prevenção de segurança e saúde e dos procedimentos em caso de acidentes.

1.4.1.6.2 Cabe ao empreendedor fornecer os equipamentos de segurança aos visitantes.

1.4.1.7 Compete ainda ao empreendedor, ou por delegação, ao responsável pela mina:

a) interromper todo e qualquer tipo de atividade que exponha os trabalhadores a condições de risco grave e iminente para sua saúde e segurança;

b) garantir a interrupção das tarefas, quando proposta pelos trabalhadores, em função da

existência de risco grave e iminente, desde que confirmado o fato pelo superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis e

c) fornecer às empresas contratadas as informações sobre os riscos potenciais nas áreas

em que desenvolverão suas atividades.

1.4.1.8 O empreendedor ou responsável pela mina coordenará a implementação das

medidas relativas à segurança e saúde dos trabalhadores das empresas contratadas e proverá os meios e condições para que estas atuem em conformidade com as NRM.

1.4.1.9 Em locais de trabalho com risco à saúde do trabalhador, a empresa deve possuir

um sistema de monitoramento do ambiente e controle dos parâmetros que afetam a sua saúde, implementando o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMSO, conforme estabelecido na NR-07/MTE.

1.4.1.10 Cabe ao empreendedor elaborar e implementar o Programa de Gerenciamento de Riscos – PGR, contemplando os aspectos das NRM, incluindo, no mínimo, os relacionados a:

a) riscos físicos, químicos e biológicos;

b) atmosferas explosivas;

c) deficiências de oxigênio;

d) ventilação;

e) proteção respiratória, de acordo com a Instrução Normativa n° 1, de 11/04/94, da

Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho;

f) investigação e análise de acidentes do trabalho;

g) ergonomia e organização do trabalho;

h) riscos decorrentes do trabalho em altura, em profundidade e em espaços confinados;

i) riscos decorrentes da utilização de energia elétrica, máquinas, equipamentos, veículos e

trabalhos manuais;

j) equipamentos de proteção individual de uso obrigatório, observando-se no mínimo o

constante na Norma Regulamentadora n° 6, de que trata a Portaria n° 3.214, de 8 de

junho de 1978, do Ministério do Trabalho e Emprego;

l) estabilidade do maciço;

m) plano de emergência e

n) outros resultantes de modificações e introduções de novas tecnologias.

1.4.1.11. O PGR deve incluir as seguintes etapas:

a) antecipação e identificação de fatores de risco, levando-se em conta, inclusive, as

informações

b) avaliação dos fatores de risco e da exposição dos trabalhadores;

c) estabelecimento de prioridades, metas e cronograma;

d) acompanhamento das medidas de controle implementadas;

e) monitorização da exposição aos fatores de riscos;

f) registro e manutenção dos dados por, no mínimo, vinte anos e

g) avaliação periódica do programa.

1.4.1.12 O PGR, suas alterações e complementações devem ser apresentados e discutidos

nas reuniões da CIPAMIN, para acompanhamento das medidas de controle.

1.4.1.13 O PGR deve considerar os níveis de ação acima dos quais devem ser dotadas

medidas preventivas, de forma a minimizar a probabilidade de ultrapassagem dos limites de exposição ocupacional, implementando-se princípios para o monitoramento periódico da exposição, informação aos trabalhadores e o controle médico, considerando as seguintes definições:

do Mapa de Risco elaborado pela CIPAMIN, quando houver;

a) limites de exposição ocupacional são os valores de limites de tolerância previstos na

Norma Regulamentadora n° 15 de que trata a Portaria n° 3.214, de 8 de junho de 1978, do MTE, ou, na ausência destes, valores que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva, desde que mais rigorosos que aqueles;

b) níveis de ação para agentes químicos são os valores de concentração ambiental

correspondentes à metade dos limites de exposição, conforme definidos na alínea "a" anterior e

c) níveis de ação para ruído são os valores correspondentes a dose de zero vírgula cinco

(dose superior a cinqüenta por cento), conforme critério estabelecido na Norma

Regulamentadora n° 15, de que trata a Portaria n° 3.214, de 8 de junho de 1978, do MTE, Anexo I, item 6.

1.4.2 Das Responsabilidades do Trabalhador

1.4.2.1 Cumpre ao Trabalhador:

a) zelar pela sua segurança e saúde ou de terceiros que possam ser afetados por suas

ações ou omissões no trabalho, colaborando com o empreendedor, para o cumprimento

das disposições legais e regulamentares, inclusive das normas internas de segurança e

e

b) comunicar, imediatamente, ao seu superior hierárquico as situações que considerar

representar risco para sua segurança e saúde ou de terceiros.

saúde

1.4.3 Dos Direitos do Trabalhador

1.4.3.1 São direitos do Trabalhador:

a) interromper suas tarefas sempre que constatar evidências que representem riscos

graves e iminentes para sua segurança e saúde ou de terceiros, comunicando

imediatamente o fato a seu superior hierárquico que diligenciará as medidas cabíveis e

b) ser informado sobre os riscos existentes no local de trabalho, que possam afetar sua

segurança e saúde. 1.5 Mecanismos e Instrumentos de Informação e Controle

1.5.1 As NRM constituem uma base para a elaboração e análise dos seguintes documentos, de apresentação obrigatória ao DNPM:

a) Plano de Pesquisa;

b) Requerimento de Guia de Utilização;

c) Requerimento de Registro de Extração;

d)

Requerimento de Grupamento Mineiro;

e)

Relatório Final de Pesquisa;

f)

Plano de Aproveitamento Econômico – PAE;

g)

Plano de Lavra – PL;

h)

Relatório Anual de Lavra – RAL;

i)

Plano de Fechamento, Suspensão e Retomada das Operações Mineiras;

j)

Plano de Controle de Impacto Ambiental na Mineração – PCIAM;

l)

Projeto Especial em Cumprimento de exigência.

1.5.1.1 Os documentos acima caracterizados devem ser elaborados por técnico

legalmente habilitado, no que couber.

1.5.2 Cabe ao DNPM estabelecer as instruções relativas à elaboração dos documentos

referidos no item anterior.

1.5.3 É condição necessária para o início dos trabalhos de desenvolvimento de uma mina

a apresentação do plano de lavra – PL, ressalvada a legislação específica do registro de licença e da permissão de lavra garimpeira.

1.5.3.1 O PL deve ser apresentado quando do requerimento do registro de licença, nos

termos da Portaria Nº 266/2008, que trata do regime de licenciamento, do requerimento da concessão de lavra como parte integrante do PAE ou quando exigido pelo DNPM e do

requerimento do registro de extração nos termos do § 2º do art. 4º do Decreto nº 3.358, de 2 de fevereiro de 2000.

1.5.3.2 Para efeito das NRM, entende-se por PL o projeto técnico constituído pelas

operações coordenadas de lavra objetivando o aproveitamento racional do bem mineral.

1.5.3.3 Deve ser apresentado ao DNPM o correspondente PL, para cada nova mina

aberta, no perímetro da concessão, independentemente do PAE aprovado.

1.5.4 Não é permitida a modificação no PAE e no PL sem prévia aprovação do DNPM.

1.5.4.1 O Projeto Especial é aquele que introduz modificações e que consiste no

planejamento de todas as necessidades suplementares e modificações do PL, PCIAM, Plano de Resgate e Salvamento, notadamente referente às mudanças de métodos, processos ou escala de produção.

1.5.5 Deve ser incluído como parte do PL o Plano de Emergência previsto no PGR.

1.5.5.1 O Plano de Resgate e Salvamento é parte obrigatória do PL, devendo ser

atualizado anualmente e mantido disponível na mina para o Agente Fiscalizador do DNPM.

1.5.6 O PCIAM é parte obrigatória do PL.

1.5.6.1 No PCIAM deve figurar todas as medidas mitigadoras e de controle dos impactos

ambientais decorrentes da atividade minerária, especialmente as de monitoramento e de reabilitação da área minerada e impactada.

1.5.6.2 A critério do DNPM podem ser exigidas modificações no PCIAM.

1.5.7 O Plano de Fechamento de Mina é parte obrigatória do PAE.

1.5.8 A critério do DNPM pode ser exigida a apresentação do Plano de Lavra Anual –

PLA, relativo às atividades a serem realizadas no ano seguinte, com apresentação ao DNPM até o dia 1º (primeiro) de dezembro.

1.5.9 Os ruídos, vibrações e ultralançamentos decorrentes dos trabalhos de mineração não

podem ultrapassar os limites estabelecidos pelas normas vigentes.

1.5.9.1 A critério do DNPM podem ser exigidos relatórios de controle e monitoramento

de ruídos, vibrações e ultra lançamentos

1.5.10 Os efeitos de subsidência e movimentação de terrenos decorrentes da atividade

minerária devem ser previstos no Plano de Lavra e devidamente controlados, monitorados e seus registros mantidos disponíveis para fiscalização.

1.5.11 Em caso de identificação de cavernas durante o desenvolvimento das atividades

minerárias, o processo de extração no local deve ser interditado temporariamente, comunicado ao DNPM que emitirá parecer conclusivo.

1.5.12 Em caso de ocorrência de fósseis ou materiais de interesse arqueológico o

empreendedor deve interditar a área e comunicar ao DNPM que emitirá parecer conclusivo.

1.5.13 Os dados de monitoramento devem ser registrados, atualizados e estar disponíveis

para a fiscalização.

1.5.14 O empreendedor deve comunicar ao DNPM as providências adotadas.

1.5.15 A critério do DNPM pode ser exigido a apresentação de relatórios periódicos com

a finalidade de avaliar o comportamento do aqüífero. 1.5.15.1 Em função da análise dos relatórios o DNPM pode exigir a implementação de medidas que solucionem os problemas constatados.

1.6 Fiscalização (veja Portaria DNPM 263/10 – DOU 16/07/10). 1.6.1 Os empreendedores que exerçam atividades de pesquisa mineral, lavra e

beneficiamento de minérios, distribuição ou comercialização de bens minerais, são obrigados a facilitar ao Agente Fiscalizador do DNPM a inspeção de instalações, equipamentos, trabalhos e demais áreas, e ainda fornecer-lhes informações sobre:

a) a produção e características qualitativas dos produtos;

b) condições técnicas e econômicas da execução dos serviços ou da exploração das atividades mencionadas no caput deste artigo;

c) mercado e preços médios de venda;

d) quantidade e condições técnicas e econômicas do consumo de produtos minerais e

e) relatórios e registros sobre segurança, saúde ocupacional e controle ambiental.

1.6.1.1 O responsável por quaisquer das atividades constantes do item 1.6.1 deve destacar

profissional qualificado para acompanhar o Agente Fiscalizador do DNPM durante a fiscalização. 1.6.1.2 O Agente Fiscalizador do DNPM terá acesso aos livros e demais registros e documentos do empreendimento. 1.6.1.3 Aos processos resultantes da ação fiscalizadora é facultado, anexar quaisquer documentos quer de pormenorização de fatos circunstanciais, quer comprobatórios, podendo o Agente Fiscalizador, no exercício das funções de inspeção da atividade minerária, usar de todos os meios legais à comprovação da infração. 1.6.2 Constatada lavra ambiciosa pela inobservância do plano pré- estabelecido, o titular será autuado pelo Agente Fiscalizador do DNPM com aplicação da sanção prevista no art. 100, III, por inadimplemento da obrigação imposta no inciso II do art. 54, ambos do Regulamento do Código de Mineração, desde que a lavra não tenha dificultado ou comprometido o ulterior aproveitamento econômico da jazida, hipótese em que deverá ser observado o disposto no item seguinte. 1.6.3 Constatada lavra ambiciosa com o comprometimento do ulterior aproveitamento econômico da jazida, o empreendimento será interditado, total ou parcialmente, pelo Agente Fiscalizador do DNPM, com aplicação da sanção prevista no art. 100, V, por inadimplemento da obrigação imposta no inciso VII do art. 54, ambos do Regulamento do Código de Mineração.

1.6.4

Constatada situação de grave e iminente risco, o empreendimento será interditado,

total ou parcialmente, pelo Agente Fiscalizador do DNPM, até a eliminação dos motivos que levaram à interdição.

1.6.5 Constatado o vencimento da licença ambiental sem que o titular comprove, no

momento da vistoria, que requereu a renovação da licença no prazo de 120 (cento e vinte) dias da expiração do prazo de sua validade nos termos do § 4º do art. 18 da Resolução CONAMA nº 237, de 17 de novembro de 1997, o empreendimento será interditado, total ou parcialmente, até que o titular apresente o protocolo do pedido de renovação naquele prazo ou nova licença.

1.6.6 A interdição total ou parcial da atividade será suspensa tão logo o titular comprove,

junto ao DNPM, o saneamento de todas as irregularidades apontadas e o cumprimento das exigências determinadas no ato da interdição.

1.6.7 Em caso de risco que não exija interdição imediata, o Agente Fiscalizador do

DNPM definirá prazos e providências adequadas, junto com o responsável pela mina ou

pelo setor, para o restabelecimento das condições de operação, segurança, higiene e de controle ambiental.

1.6.8 As infrações às NRM e instruções complementares terão as penalidades aplicadas

conforme o disposto no Código de Mineração e legislação correlata.

1.6.9 Compete ao DNPM elaborar as instruções relativas ao cumprimento das NRM.

17- Revegetação e reflorestamento.

Dentre os diversos impactos que a atividade de mineração causa um dos mais perceptíveis é o desmatamento e a alteração da camada de solo. Na verdade, normalmente a atividade de lavra causa três problemas ao solo: perda da camada superficial, alteração da estrutura e perda da matéria orgânica. E tais problemas certamente afetarão a recuperação e recomposição da flora após o encerramento da lavra em determinada área. A recuperação de áreas degradadas pela mineração normalmente envolve atividades que têm o objetivo de restabelecer a vegetação. O acompanhamento dos resultados dessa atividade é muitas vezes inexistente ou conduzido de maneira não sistemática. O maior esforço de um plano de recuperação ambiental é definir e adotar um conjunto de indicadores com a finalidade de facilitar a tarefa de avaliação dos resultados da recuperação ambiental em áreas de extração de areia. O emprego de indicadores adequados facilita a compreensão e a interpretação dos resultados da revegetação para

diferentes categorias de interessados, como empresários, agentes públicos e a comunidade em geral.

Uma premissa básica em qualquer projeto é a preferência por plantas nativas de modo a se restaurar a área o mais semelhante possível à situação anterior. Para o acompanhamento de projetos de revegetação de áreas, podemos destacar cinco indicadores a serem acompanhados:

1-

Aspecto visual

2-

Densidade de plantas.

3-

Altura média de plantas

4-

Número de espécies arbóreas

5-

Mortalidade de mudas

de espécies arbóreas 5- Mortalidade de mudas Mina em fase de recuperação ambiental. Vale a pena

Mina em fase de recuperação ambiental.

Vale a pena também destacar um exemplo prático de sucesso. Todos os anos, de janeiro a maio, durante o período chuvoso na região amazônica, a MRN inicia um ciclo de recuperação florestal de áreas mineradas. O reflorestamento é realizado em conformidade com as atividades de lavra da bauxita, previstas no plano quinquenal de operações da empresa. De 1979 a 2012, foram reabilitados 4.688 hectares, tendo sido plantadas 9,2 milhões de mudas de 450 espécies arbóreas nativas. Somente em 2012, foi reflorestada com 113 espécies nativas uma área de 208 hectares de minas em operação e outros 20 hectares de minas em processo de fechamento.

As espécies são produzidas no Viveiro Florestal, que funciona em Porto Trombetas, e todas as espécies que plantamos são da região. Nenhuma espécie exótica é utilizada. Cabe ressaltar, ainda, os benefícios variados das espécies usadas no reflorestamento. Algumas são produtoras de frutos, servem de atração para a fauna, podem ser usadas no paisagismo, no uso medicinal ou têm ainda alto valor comercial, como é o caso da madeira de lei. Entre as espécies estão: castanha do Pará, sucupira, muruci da mata, andiroba, breu rosa, piquiá, gombeira, açaí, acapu, envira preta, amapá amargo e achuá sapotilha. O viveiro da MRN tem capacidade de produção anual de 500 mil mudas e a empresa também compra sementes para o reflorestamento, das comunidades quilombolas Boa Nova e Saracá, localizadas no entorno da empresa. A atividade de reflorestamento é pensada nos mínimos detalhes: desde o preparo eficiente da área até o cuidado com o banco de sementes no solo. A adubação correta e o controle de pragas nas mudas, por exemplo, demonstram o nível de detalhamento desse processo. Até a área ocupada por cada planta é pensada. Cada espécie ocupa uma área de seis metros quadrados. Essa divisão de espaço na hora do plantio, somada a outros fatores técnicos de reflorestamento, garante o crescimento adequado das espécies. O processo de revegetação também inclui os taludes (paredes inclinadas) das estradas de acesso às minas e paredes dos tanques de rejeito. A técnica utilizada nesses casos é a hidrossemeadura. Em 2012, foram hidrossemeados 2,11 hectares.

18- Paralisação temporária e fechamento de mina

18.1 Plano de paralisação temporária

As atividades de mineração são temporárias, isto quer dizer que, após a escassez da substancia mineral ou mesmo por alguma mudança governamental ou de mercado que venham inviabilizar a extração, ocorrerá o abandono da área. A legislação mineral vigente - Portaria N° 237 de 18/10/01 retificada pela Portaria N° 12 de 22/01/02, considerando entre outras, a necessidade de estabelecimento de ação integrada com outras Instituições que atuam na atividade mineral publicou as Normas Reguladoras de Mineração – NRM, as quais atentam particularmente ao interesse social no aproveitamento racional dos bens minerais, a minimização dos impactos ambientais decorrentes da atividade mineira, bem como a melhoria das

condições de saúde e segurança no trabalho, esta em sintonia com o que exige a Política Nacional do Meio Ambiente – “o empreendedor deverá recuperar o ambiente degradado por ele mesmo”. A NRM 20 trata da suspensão, fechamento de mina e retomada das operações mineiras, e determina que, o titular da área deverá efetivar as ações somente após prévia comunicação e autorização do DNPM. A paralisação das operações mineiras, após comunicação prévia, sendo

obrigatório o pleito ao Ministro de Estado de Minas e Energia, solicitando a cessação de caráter temporário das operações mineiras, em requerimento justificativo caracterizando

o período pretendido, devidamente acompanhado de instrumentos comprobatórios, nos quais constem:

a) relatório dos trabalhos efetuados e do estado geral da área e suas possibilidades

futuras;

b)

caracterização das reservas remanescentes, geológicas e lavráveis;

c)

atualização de todos os levantamentos topográficos da área;

d)

planta da mina na qual conste as áreas utilizadas, a disposição de materiais, sistemas

de

disposição, vias de acesso e outras obras civis;

e)

áreas recuperadas e por recuperar;

f)

planos referentes a:

I - monitoramento do lençol freático;

II - controle do lançamento de efluentes com caracterização de parâmetros controladores;

III - manutenção das instalações e equipamentos;

IV - drenagem da área e de atenuação dos impactos no meio físico e especialmente o meio hídrico;

V - monitoramento da qualidade da água e do ar para minimizar danos aos meios físico, biológico e antrópico e

VI

- retomada das operações;

g)

medidas referentes à:

I - bloqueio de todos os acessos à área e, quando necessário, manutenção de vigilância

do empreendimento de modo a evitar incidentes e acidentes com pessoas e animais e

garantir a integridade patrimonial;

II - proteção dos limites da propriedade mineira e

III - desativação dos sistemas elétricos;

h) riscos ambientais decorrentes da suspensão;

i) atualização dos estudos tecnológicos e de mercado dos bens minerais objeto da

concessão;

j)

descrição detalhada dos elementos de suporte indicando as suas localizações em planta

l)

esquema de suspensão das atividades no qual conste:

I - plano seqüencial de desmobilização das operações mineiras unitárias e

II - eventuais reforços ou substituição dos elementos de suporte visando facilitar a

posterior retomada das operações.

18.2 Plano de retomada das operações.

A retomada das operações deve ser precedida de comunicação ao DNPM,

dentro do prazo de validade da suspensão autorizada, devidamente acompanhada de Projeto de Retomada das Operações Mineiras, o qual deverá enfocar no mínimo os seguintes aspectos:

a) reavaliação do estado de conservação da área, suas instalações, equipamentos e outros

sistemas de apoio;

b)

reexame das condições de higiene, segurança e proteção ao meio ambiente e

e)

revisão do Plano de Lavra.

A

retomada das operações mineiras só é permitida após manifestação favorável do

DNPM.

18.3 Plano de fechamento definitivo.

Para o fechamento de mina, após comunicação prévia, é obrigatório o pleito ao Ministro de Estado de Minas e Energia, solicitando a cessação definitiva das operações mineiras, em requerimento justificativo devidamente acompanhado de instrumentos comprobatórios, demonstrando ter realizado os trabalhos de lavra dentro

dos padrões técnicos exigidos pela legislação em vigor e que as reservas de minério de interesse foram exauridas, nos quais constem:

a) relatório dos trabalhos efetuados;

b) caracterização das reservas remanescentes;

c) plano de desmobilização das instalações e equipamentos que compõem a

infra-estrutura do empreendimento mineiro indicando o destino a ser dado aos mesmos;

d) atualização de todos os levantamentos topográficos da área;

e) planta da área na qual constem as áreas impactadas recuperadas e por recuperar, áreas

de disposição de materiais, sistemas de disposição, vias de acesso e outras obras civis;

f) programa de acompanhamento e monitoramento relativo a:

I- sistemas de disposição e de contenção;

II- taludes em geral;

III- comportamento do lençol freático e IV- drenagem das águas;

g) plano de controle da poluição do solo, atmosfera e recursos hídricos, com

caracterização de parâmetros controladores; h) plano de controle de lançamento de efluentes com caracterização de parâmetros

controladores; i) medidas para impedir o acesso à área de pessoas estranhas e interditar com barreiras os acessos às áreas perigosas;

j) definição dos impactos ambientais nas áreas de influência do empreendimento levando

em consideração os meios físico, biótico e antrópico;

l) aptidão e intenção de uso futuro da área;

m) conformação topográfica e paisagística levando em consideração aspectos sobre a

estabilidade, controle de erosões e drenagens;

n) relatório das condições de saúde ocupacional dos trabalhadores durante a vida útil do

empreendimento mineiro e

o) cronograma físico e financeiro das atividades propostas.

Considerando a vida útil da jazida, em relação a Reserva Total de minério aprovada junto ao DNPM, as medidas para a reabilitação e uso futuro da área, caso o titular venha a proceder na paralisação definitiva do empreendimento, deverão abordar os seguintes tópicos:

Reflorestamento com espécies nativas das áreas do entorno da bancada e, inclusive recuperando a fauna da região; plantio de espécies frutíferas (preferencialmente nativas compõem a base alimentar da fauna);

Incentivar a preservação das áreas localizadas, principalmente, em área delimitada como Área de Preservação Permanente;

Transferência dos equipamentos existentes na área de lavra para outros locais ou empresas interessadas em sua aquisição;

Arrendamento ou venda da área remanescente para vizinhos do empreendimento que estejam interessados em agregar a seu patrimônio o terreno disponível do empreendedor;

Arcar com todas as despesas de rescisão dos funcionários, terceirizados em geral, bem como os impostos que incidirem sobre a atividade do empreendedor;

Desta forma, o empreendedor, estará indo de encontro às políticas ambientais e mineiras vigentes, podendo no futuro fazer uso desta ou de outras áreas que apresentem potencial econômico que viabilizem sua explotação.

19-Insumos e resíduos.

Um bom Plano de Aproveitamento Econômico ou um Plano de Lavra, obrigatoriamente tem no seu escopo um item específico destinado à descrição de insumos e resíduos gerados na atividade e como tais serão tratados. A seguir, temos reproduzido parte de um plano de lavra de uma pedreira onde podemos observar todos os detalhes sobre o tema.

Os insumos a serem utilizados e os resíduos a serem gerados nas atividades da mineração, e que possam gerar algum tipo de agressão ao meio ambiente, necessitam de uma linha de conscientização (identificação) e medidas de controle. Portanto a empresa deverá realizar campanhas de conscientização junto aos funcionários sobre os resíduos a serem gerados por tal tipo de empreendimento. Como principais insumos destacam-se:

Energia Elétrica: a empresa é atendida pela COELCE com a ligação de rede elétrica no empreendimento, sendo o consumo mensal estimado em 25.000 kWh. Água Potável: a empresa utilizará água potável para o consumo de seus funcionários. O acondicionamento na área do empreendimento é em garrafões de 20 litros. O consumo médio mensal estimado é da ordem de 500 litros. Água Industrial: nas operações de lavra, não haverá uso de água, sendo apenas utilizada para lavagem do equipamento e higienização, e será obtido através de 01 (um) poço que será bombeada e transportada para uma caixa com capacidade de 1.000 litros instalada na área de infra-estrutura. O consumo médio mensal estimado será de 2.000 litros.

Óleo Diesel: O abastecimento do equipamento de lavra será realizado em postos de combustíveis situados na cidade de Itaitinga/CE, sendo o combustível estritamente necessário armazenado em tambores de 200 litros. O consumo mensal estimado será de 10.000 litros. Óleo Lubrificante: Tem sua utilização na lubrificação e resfriamento dos sistemas e motor do equipamento envolvido nas operações mineiras. O consumo médio mensal será de 200 litros, considerando-se a programação de manutenção preventiva indicada pelos fabricantes dos equipamentos. A troca e manuseio serão realizados nos postos de combustíveis instalados na cidade próxima à mina. Papéis/plásticos: Referem-se aos materiais de escritório e algumas embalagens na oficina. Resíduos sólidos: Papéis e plásticos provenientes do escritório onde se propõe que seja promovida a conscientização dos funcionários para a separação destes materiais em caixas de papelão ou embalagens de plásticos, que deverão ser armazenados, acondicionados e periodicamente enviados para a fábrica de recicláveis localizado no município de Itaitinga. Ressalta-se que o material particulado considerado será mínimo. Resíduos Químicos: Os efluentes provenientes da lavagem de veículos e equipamentos tratam-se de óleo lubrificante, graxas e combustíveis para o acionamento do motor do equipamento de lavra. Estes produtos, após o uso (óleo queimado), são adequadamente armazenados em galões de 200 litros sendo, posteriormente, vendido a empresas de recuperação de óleos. Mesmo assim, aconselha-se a manutenção permanente dos veículos para evitar vazamentos de óleo e consumo exagerado, bem como a higiene nas instalações da oficina, não despejando sob hipótese alguma os resíduos no solo e cursos d’água. Resíduos Gasosos: São gerados em baixa taxa pelos gases resultantes dos motores à combustão dos veículos e equipamentos a óleo diesel. Para minimizar a emissão dos gases dos veículos (CO e NOx) é necessário que os mesmos sejam submetidos constantemente à revisão e manutenção dos motores; evitando desta forma o mau funcionamento dos motores, e conseqüentemente, a emissão gasosa elevada. Resíduos Sanitários: Estes são resultantes do banheiro serão enviados para uma fossa séptica. A manutenção das fossas será periódica, verificando-se o nível do reservatório e, quando da necessidade de descarte, se contratará uma empresa capacitada e de bom

conceito no mercado. É imprescindível procurar saber da empresa contratada qual será o destino final do resíduo e se a mesma toma os devidos cuidados para com o meio ambiente. Salienta-se que o destino final dos resíduos sanitários deve ser para aterros sanitários e não despejá-los aleatoriamente em acostamentos de estradas ou rios/riachos e mananciais de água.

20- Plano de Controle de Impacto Ambiental na Mineração (PCIAM)

Todo Plano de Aproveitamento Econômico tem como um de seus capítulos principais o Plano de Controle de Impactos Ambientais na Mineração (PCIAM). Conforme Resolução CONAMA 01/86, impacto ambiental é definido como "qualquer

alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente, afetem:

I - a saúde, a segurança e o bem estar da população;

II - as atividades sociais e econômicas;

III - a biota;

IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;

V - a qualidade dos recursos ambientais".

A importância da conservação e controle ambiental é inquestionável, principalmente levando-se em conta o aspecto fundamental do eco-desenvolvimento que

visa utilizar de forma racional e sustentável o ambiente e os recursos naturais nele contidos.

O Plano de Controle de Impacto Ambiental na Mineração (PCIAM), através do

diagnóstico das condições ambientais atuais e análise do Projeto de Lavra, definem os impactos ambientais gerados com as atividades mineiras, apresentando mecanismos para minimização ou eliminação dos mesmos com a redução dos níveis de poluição, bem como maximizar as medidas de proteção ambiental programadas, promovendo a conservação dos recursos naturais e proteção do meio ambiente através do controle e recuperação de áreas degradadas.

a flora, a fauna, os fungos e outros organismos. A biota da Terra abrange a biosfera.

Figura – Área de antiga mina de carvão na região de Butiá, Rio Grande do Sul, recuperada e devolvida aos proprietários do solo.

do Sul, recuperada e devolvida aos proprietários do solo. 20.1 - CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS 20.1.1

20.1 - CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS

20.1.1 - Identificação dos Impactos Ambientais

A identificação dos impactos ambientais na área de influência do projeto torna-se fundamental para uma tomada de decisão, quanto à melhor escolha das medidas a serem adotadas visando à neutralização ou minimização dos impactos adversos. O método normalmente adotado é denominado de “Check List” e foi elaborado de acordo com as informações obtidas no diagnóstico ambiental da área de influência da atividade mineira. A metodologia adotada (vide tabela na próxima página) consiste na identificação e enumeração dos impactos, a partir da diagnose ambiental realizada por especialistas dos meios físico, biótico e sócio-econômico. Os especialistas deverão relacionar os impactos decorrentes das fases de implantação e operação do empreendimento, categorizando-os em positivos ou negativos, conforme o tipo da modificação antrópica que esteja sendo introduzida no sistema analisado. Tabela - Conceituação dos atributos utilizados no “Check List” .

ATRIBUTOS

PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO

SÍMBOLO

CARÁTER

BENÉFICO

 

Expressa a alteração ou modificação gerada por uma ação do empreendimento sobre um dado componente ou fator ambiental por ela afetado.

Quando o efeito gerado for positivo para o fator ambiental considerado.

+

ADVERSO

 

Quando o efeito gerado for negativo para o fator ambiental considerado.

-

 

PEQUENA

 

MAGNITUDE

Quando a variação no valor dos indicadores for inexpressiva, inalterado o fator ambiental considerado.

P

Expressa a extensão do impacto, na medida em que se atribui uma valoração gradual às variações que as ações poderão produzir num dado componente ou fator ambiental por ela afetado.

MÉDIA

 

Quando a variação no valor dos indicadores for expressiva, porém sem alcance para descaracterizar o fator ambiental considerado.

M

GRANDE

 

Quando às variações no valor dos indicadores for de tal ordem que possa levar à descaracterização do fator ambiental considerado.

G

 

CURTA

 

DURAÇÃO

Existe a possibilidade da reversão das condições ambientais anteriores à ação, num breve período de tempo, ou seja, que imediatamente após a conclusão da ação, haja a neutralização do impacto por ela gerado.

1

É o registro de tempo de permanência do impacto depois de

MÉDIA

 

concluída a ação que o gerou.

É necessário decorrer um certo período de tempo para que o impacto gerado pela ação seja neutralizado.

2

 

LONGA

 

Registra-se um longo período de tempo para

a

permanência do impacto, após a conclusão

da ação que o gerou. Neste grau serão também incluídos aqueles impactos cujo tempo de permanência, após a conclusão da ação geradora, assume um caráter definitivo.

3

IMPORTÂNCIA

 

Ns

Estabelece a significância ou o quanto cada impacto é importante na sua relação de interferência com o meio ambiente e

NÃO-SIGNIFICATIVA

intensidade da interferência do impacto sobre

o

meio e em relação aos demais impactos, não

implica na alteração da qualidade de vida.

quando comparados com outros impactos.

moderada

Mo

Intensidade do impacto sobre o meio ambiente e em relação aos outros impactos assume dimensões recuperáveis. quando adverso, ocorre uma queda na qualidade de vida e quando benéfico, assume uma melhoria na qualidade de vida.

significativa

Si

Intensidade da interferência do impacto sobre o meio ambiente e junto aos demais impactos acarreta como resposta social, perda quando adverso ou ganho quando benéfico, da qualidade de vida.

A representação das classificações será indicada através de simbologia

destinada à valoração de atributos do impacto considerado (tabela 2, abaixo).

Tabela 2 – Simbologia de valoração.

CARATER

IMPORTÂNCIA

(+) = BENÉFICO

Si

= SIGNIFICATIVA

(- ) = ADVERSO

Mo = MODERADA

(+/-) = INDEFINIDO

Ns= NÃO SIGNIFICATIVA

MAGNITUDE

DURAÇÃO

G

= GRANDE

L

= LONGA

M

= MÉDIA

I = INTERMEDIÁRIA

P= PEQUENA

C

= CURTA

MEIO FÍSICO

Morfologia

O principal impacto ambiental gerado será na morfologia das áreas de lavra, pois

com a lavra do minério, ocorrerá a alteração no perfil topográfico original, podendo expor

a área aos fenômenos de dinâmica superficial, como erosão e assoreamento das drenagens

naturais.

Foto – Alterações na paisagem topográfica e drenagem natural que devem ser evitadas no planejamento da lavra.

O projeto considera a lavra no sistema de bancadas escalonadas de forma ascendente, desenvolvendo-se em

O projeto considera a lavra no sistema de bancadas escalonadas de forma ascendente, desenvolvendo-se em níveis de produção, com o layout final projetado contemplando a reabilitação dos taludes do bota-fora, sendo as bancadas de lavra mantidas verticalizadas. Recursos Hídricos Analisando os parâmetros atuais do meio ambiente identificou-se e os seguintes impactos que poderão ocorrer com a implantação do projeto:

Contaminação química - Os únicos agentes químicos capazes de alterar as características químicas da água são as disposições de resíduos sólidos e líquidos (lixo, graxas / óleos e esgotos) resultantes das operações dos equipamentos - não havendo processamento químico no desmonte de rocha. O óleo e a graxa são imiscíveis na água, alteram as características da cor e consequentemente da qualidade. Sua ingestão provoca distúrbios no organismo, que a depender da concentração ingerida, pode provocar a morte da fauna aquática e terrestre que utilizam as águas da área (inclui-se o ser humano). Mudanças de Ph - Quanto à mudança de Ph, observa-se que o minério a ser extraído não apresenta substâncias solúveis capazes de alcalinizar as águas, bem como minerais, que poderiam gerar alguma acidificação. Contaminação física por arraste de sólidos em suspensão - As fontes detectadas que podem gerar concentração de partículas sólidas em suspensão ou tração é a erosão de

superfícies descobertas (áreas decapeadas / pátios internos e pilhas de rejeito e armazenamento do material decapeado) e as águas utilizadas que geraram lama e/ou polpa.

Diminuição da capacidade de infiltração e aumento do risco de escorregamentos - Estas situações poderão ocorrer em virtude do material particulado (poeira) gerado no processo de extração (furação) e pátios de operação (movimentação de maquinários), aliados ao fator vento, formarem uma espécie de camada impermeável junto ao solo - dificultando assim, a infiltração das águas superficiais que podem gerar carreamento dos solos, podendo transportar considerável quantidade de sedimentos, causando como impacto negativo, uma alteração no aporte das drenagens pontuais. Salienta-se que o material sólido, gerado com as operações mineiras, pode modificar a qualidade do meio ambiente, no entanto, é necessário ressaltar que o mesmo não é perigoso para o ecossistema afetado, uma vez que pode ser enquadrado na norma da ABNT NBR 10.004 como resíduo da classe III (resíduo inerte). Normalmente as drenagens da área só mantêm água em seus leitos durante os períodos de chuva, o qual escoa rapidamente para níveis mais baixos, exceto onde acumula em escavações naturais originadas por erosão diferenciada. Solos A vegetação e solo serão os primeiros elementos a serem retirados, uma vez que estão sotopostos ao minério e na preparação dos depósitos de materiais e pátios de operação. A retirada do solo deverá ocorrer concomitante ao desmatamento, liberando assim a área a ser decapeada. A remoção do solo e vegetação terá efeitos diretos na meso e micro fauna, que mantêm relações físicas e biológicas e dependem dos substratos fornecidos pelo solo e pela vegetação. Os impactos com a remoção refletirão ainda na alteração e mistura dos horizontes do solo, modificação no perfil topográfico do terreno, alteração nas propriedades físicas, modificação da estrutura do solo devido à degradação, aumento da compactação e da diminuição da permeabilidade e lixiviação dos nutrientes. A implantação da área de infra-estrutura implicará na retirada de solo e na necessidade de construção de sistema de fossa séptica devendo ser tomado cuidados especiais quanto à disposição final dos resíduos - risco da contaminação química do solo.

Para avaliar os impactos que poderão ocorrer nos solos consideram-se, sobretudo, as características climáticas da região, a geomorfologia, a cobertura vegetal, a hidrogeologia, o tipo de solo e o projeto mineiro. Dentre os impactos ambientais causados ao solo pelo projeto mineiro, os mais relevantes são a remoção da vegetação e do próprio solo, sendo denominado de material de decapeamento. Em segundo lugar pode-se citar a contaminação, caso ocorra vazamentos de óleo dos maquinários, derramamento de óleo queimado, lavagem de equipamentos e despojamento direto nos solos, e também, pela disposição indevida de lixo. Desta forma, pode-se considerar que as causas dos impactos no solo serão a perdas físicas (retirada da cobertura vegetal e do próprio solo) e a disposição indevida de resíduos sólidos e líquidos (rejeito, entulhos, óleos e graxas) - trazendo como efeitos diretos, respectivamente, a erosão / degradação / redução da capacidade de infiltração e a contaminação química. Em geral a espessura da cobertura de capeamento sendo pequena (aproximadamente 40 cm), apresentando-se pouco desenvolvida com material (fragmentos de rochas) disposta em diversas profundidades e em termos pedológicos apresentam seqüência O e A de horizontes de solo e o horizonte B e C com material areno-argiloso. Atmosfera A modificação na qualidade da atmosfera (poluição), que poderá ser causada no projeto da mineração, será conseqüência principal da poeira (material particulado) e do ruído a ser gerado, com alguma influência dos gases resultantes da combustão dos motores, ocasionando geração de gases e odores, sendo considerado insignificante a poeira e os gases com relação às denotações com explosivos industriais. Poeira (Material Particulado) - O pó gerado pelas atividades de lavra é composto principalmente por partículas sólidas, tendo-se como principais causas a perfuração corte da rocha e trânsito de veículos nas áreas de servidão e secundariamente, a ação do vento sobre superfícies descobertas como pátios de operação e de estocagem (pilhas de material decapeado e rejeitos).

Foto – Poluição do ar por material finamente particulado.

Gases - Os efluentes gasosos são resultantes da emissão de gases de combustão dos maquinários

Gases - Os efluentes gasosos são resultantes da emissão de gases de combustão dos maquinários e desmonte da rocha. Seus indicadores são as fumaças que se encontram com certos gases, principalmente, SO 2 , CO 2 e NO 2 . Salienta-se, entretanto, que a proporção e concentração destes gases é baixa, em função do porte e número de equipamentos e veículos locados no projeto e no volume de rocha a ser fragmentada anualmente. Ruídos - Os impactos negativos dos ruídos são decorrentes principalmente do deslocamento dos equipamentos e secundariamente pela detonação das cargas de explosivos industriais. O ruído dos maquinários é contínuo, podendo prejudicar o sistema auditivo/nervoso dos funcionários, enquanto que a detonação das cargas explosivas são pouco freqüentes. Os impactos sonoros são pouco significativos aos transeuntes e não atingem as pessoas que residem nas proximidades das áreas de lavra, a aproximadamente 500 m.

Como critério de avaliação a NBR 10151 (2000) “Avaliação de Ruído em Área Habitadas Visando o Conforto da Comunidade”, que é dada como referencia em casos de ruído ambiental pela Resolução CONAMA nº 01 de 08 de Março de 1990. Na etapa de Diagnóstico Ambiental devem ser executadas medidas do nível de pressão sonora em alguns pontos préselecionados de forma que caracterize-se o parâmetro ruído na área de influência do projeto visando obter o nível de pressão sonora existente antes da instalação. Os resultados obtidos indicarão os locais, próximos as rodovias, habitações, etc. o nível de ruído é elevado ou não.

Considerase que o nível de pressão sonora equivalente gerado por cada equipamento individualmente é de 85 dB(A) medidos acerca de 5 metros de distância. O nível depressão sonora permitido para uma área com ocupação industrial é de 70 dB(A) no período diurno e 60 dB(A) no noturno de acordo com a NBR 10151 (2000). Medidas do nível de pressão sonora devem ser efetuadas na área do projeto mineiro após o inicio da operação de maneira que seja possível a verificação dos parâmetros utilizados. Não havendo alteração as medidas devem ter a freqüência anual, durante os dois primeiros anos de maneira que seja possível a identificação da elevação do nível de ruído devido ao desgaste dos equipamentos. Este trabalho deve ser apresentado em forma de laudo, atender os requisitos da norma ABNT NBR 10151 (2000).

Hidrografia e relevo:

da norma ABNT NBR 10151 (2000).  Hidrografia e relevo:  Pedologia e geodinâmica:  MEIO
da norma ABNT NBR 10151 (2000).  Hidrografia e relevo:  Pedologia e geodinâmica:  MEIO

Pedologia e geodinâmica:

 Hidrografia e relevo:  Pedologia e geodinâmica:  MEIO BIÓTICO Fauna O impacto à fauna
 Hidrografia e relevo:  Pedologia e geodinâmica:  MEIO BIÓTICO Fauna O impacto à fauna

MEIO BIÓTICO Fauna O impacto à fauna será evidenciado pelo comprometimento dos seus habitats, que causará a migração das espécies autóctones e raras. Desta forma, o ecossistema se tornará

alterado, com modificações nas cadeias tróficas e com variação da capacidade de carga do meio, identificando-se:

- Desmatamento que culmina na destruição dos habitats;

- Ruídos e vibrações provenientes da movimentação dos equipamentos e da detonação

das cargas explosivas, que acabam por afugentar a macrofauna;

- Comprometimento do local de dessedentação da fauna terrestre por contaminação de

resíduos (como lixo, óleo, lubrificantes e graxas) dispostos em locais improvisados;

- Destruição parcial da meso e micro fauna com a remoção do solo e da cobertura vegetal por manterem uma forte relação de dependência dos substratos fornecidos pelo solo e pela vegetação;

- Diminuição das espécies com populações limitadas pelo incremento da caça, com o

possível aumento da população humana limítrofe a área do empreendimento, o que poderá gerar também, a destruição de nichos ecológicos. Vegetação A vegetação da área a ser impactada pode estar relativamente degradada, principalmente para fins agropastoris, identificando-se:

- A remoção da vegetação na área de lavra e servidões, com perda do banco natural de

sementes do solo, afetará a revegetação natural, pois não haverá mais sementes que possam germinar espontaneamente, causando a diminuição da densidade de espécies importantes no ecossistema;

- Desmatamento que causará a erosão do solo nas áreas circundantes o que facilitará a

lixiviação de nutrientes e alteração das características do solo;

- Retirada do solo, somada as emissões de poeira e ação do vento, ocasionarão resíduos

particulados na atmosfera, dificultando a evapotranspiração das folhas, diminuindo a capacidade de infiltração da água da chuva pelo solo nas áreas. Ecossistema O avanço da lavra pode não irá gerar um impacto muito significativo no aspecto do ecossistema propriamente dito. Isto porque, se na porção a ser minerada, a vegetação poderá ser rala, a camada de solo ser delgada (dificilmente ultrapassando a ordem de 10 cm), e a população da fauna poderá deslocar-se às áreas vizinhas, que serão de proteção e conservação ambiental (Planta de Zoneamento Ambiental - Anexo Plantas).

Mesmo assim, salienta-se que o desmatamento, os ruídos/vibrações e também, as emissões de material particulado (principalmente) e gases, poderão modificar a qualidade de vida da população nas áreas limítrofes. Nas áreas de lavra e servidões poderão não ocorrer extensa e densa cobertura vegetal, árvores de médio e grande porte (nativas), nem uma fauna diversificada (poucas espécies), fatores estes condicionados à degradação já previamente existente, definindo-se na Planta de Zoneamento Ambiental as áreas definidas para conservação e proteção (Área de Conservação Ambiental - ACA e Área de Proteção Permanente - APP), minimizando a geração de impactos negativos à flora/fauna. Desta forma, assegura-se o desenvolvimento sustentável, mantendo-se sadio o meio ambiente no contexto fauna e flora. O principal impacto direto que pode ocorrer com relação à fauna, são os ruídos e vibrações (impacto na atmosfera - sonoro), que poderá afastar algumas espécies da região, refletindo de modo “indireto” na relação com alguns moradores da região - dificulta a caça. Quanto aos impactos principais sobre a vida humana, destacam-se:

- A poeira que atinge o aparelho respiratório dos operários não é perceptível em curto

prazo, isto porque o corpo humano possui defesas próprias capaz de evitar o acúmulo de poeiras no organismo, contudo a o incremento do risco com relação aos funcionários envolvidos nas operações de lavra, pois estarão expostos diretamente as fontes geradoras

de material particulado, seguindo em menor relevância aos transeuntes;

- Os ruídos dos maquinários envolvidos no empreendimento atingem o aparelho auditivo

de forma gradual, e, irreversível, podendo causar deficiência auditiva de forma lenta ou rápida, a depender da proximidade e nível de ruído dos equipamentos, sendo os transeuntes praticamente são pouco afetados. Recomenda-se o controle do material particulado (poeira) por umectação das áreas de servidão como forma coletiva, minimizando a quantidade de material particulado no setor operacional, corrigindo o efeito bloqueador das partículas em suspensão na evapotranspiração das folhas. A utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) por parte dos funcionários terá ação de forma individual com relação ao material particulado e aos ruídos/vibrações.

Vegetação e manguezal.

 Vegetação e manguezal.  Fauna  MEIO ANTRÓPICO A população residente nas proximidades da área

Fauna

 Vegetação e manguezal.  Fauna  MEIO ANTRÓPICO A população residente nas proximidades da área
 Vegetação e manguezal.  Fauna  MEIO ANTRÓPICO A população residente nas proximidades da área

MEIO ANTRÓPICO A população residente nas proximidades da área do projeto caso for pequena com distancia mínima de 500 m, com residências de pequeno porte, raramente com poço próprio para obtenção d’água, em geral, utilizam-se de cacimbas ou coletam água em épocas de chuva ou utilizam poços comunitários. Desta forma, os impactos que modificam a qualidade atmosférica (ruídos - equipamento / maquinário / furação - emissão de poeira e gases) não serão tão expressivos, sendo que, adotando-se as medidas de controle ambiental programada e, considerando-se a geração de empregos diretos e indiretos para a população e a movimentação de recursos na região, tais impactos serão desprezíveis. Uma vez que não detectados impactos adversos diretos na população local, as medidas mitigadoras deverão ser direcionadas para os riscos induzidos, que poderão atingir os operários locados no projeto e transeuntes nas áreas limítrofes. Nível de Empregos e Nível de Vida

A atividade econômica do município poderá ser pouco diversificada, sendo distribuída nas áreas da produção agrícola, pecuária e no comércio varejista. Nas áreas limítrofes ao projeto caso a maioria das famílias se ocupar de atividades relacionadas ao cultivo de subsistência, e pequenas criações de animais (suínos, bovinos, caprinos e galináceos), e terá de forma direta e indireta com a implantação do projeto, fonte complementar para a renda familiar, ou seja, do ponto de vista da população residente nas localidades próximas ao empreendimento mineiro, à atividade deverá ser de grande importância. Fatores como a falta de recursos públicos, projetos governamentais de incentivo ao desenvolvimento do setor agropecuário, ampliam a carência na população local, oferecendo, o setor mineiro na região, alternativa de emprego, principalmente no período de maior estiagem. O aumento da circulação de renda que o empreendimento gerará, poderá evitar o êxodo da população local, que migra para os centros desenvolvidos, buscando trabalhos temporários. Desta forma, a implantação do projeto no contexto da economia local e do município, provocará impacto positivo de significativa importância, através da oferta de empregos, aumento da arrecadação de impostos e tributos, pagamento de royaltes e circulação de divisas no comercio varejista. Valores Paisagísticos Com a implantação do projeto, o impacto visual se tornará evidente nas áreas de lavra, devido à retirada da cobertura vegetal, solo, material de capeamento e principalmente pela extração de minério, alterando a superfície topográfica. O desenvolvimento da lavra e conseqüentemente a modificação da paisagem, ocorrerá alteração no habitat natural, porém não irá gerar impacto significativo com relação ao ecossistema propriamente dito, pois a população da fauna das áreas de lavra poderá deslocar-se às áreas vizinhas de conservação e proteção. O planejamento racional para implantação, operação e abandono da lavra, visando o aproveitamento racional do recurso natural minimizará o impacto visual inerente ao processo de extração. Por outro lado a reabilitação das áreas degradadas deverá provocar um aumento qualitativo na paisagem local, pois se a Prefeitura Municipal não possuir aterro sanitário para resíduos sólidos, sendo estes depositados na forma de lixões em vários pontos do município, impactando os ecossistemas limítrofes com relação ao impacto visual e

potencializando a possibilidade de transmissão de variadas enfermidades através dos vetores correlacionados.

Lixão da cidade e área plantada na região do projeto.

Lixão da cidade e área plantada na região do projeto.  Aspectos gerais (casas e saúde)
Lixão da cidade e área plantada na região do projeto.  Aspectos gerais (casas e saúde)

Aspectos gerais (casas e saúde)

na região do projeto.  Aspectos gerais (casas e saúde) 20.1.2 - Avaliação dos Impactos Ambientais
na região do projeto.  Aspectos gerais (casas e saúde) 20.1.2 - Avaliação dos Impactos Ambientais

20.1.2 - Avaliação dos Impactos Ambientais As atividades envolvidas no desenvolvimento de projetos de mineração geram impactos no meio ambiente (seja negativo ou positivo, respectivamente prejudicial ou benéfico), porém, a sociedade necessita dos bens minerais para sobrevivência e conforto, desta forma, é fundamental a utilização dos recursos naturais de modo consciente, analisando-se o ecossistema e o projeto, avaliando as consequências relacionadas, desenvolvendo técnicas ambientalmente sadias para sanar os riscos inerentes à implantação dos empreendimentos mineiros. Se área do projeto mineiro encontra-se degradada com relação à fauna e flora, isto é, não se observa grandes áreas de vegetação nativa e a fauna que nela habitava, também

está bem reduzida, em função da extração de madeira para utilização de lenha e carvão e desenvolvimento de atividades agropastoris, sem o planejamento adequado com relação à reestruturação das áreas impactadas. Geralmente são apresentadas tabelas que indicam as relações dos principais impactos e seus respectivos indicadores, as possíveis alterações ambientais com as atividades da mineração, às causas e os efeitos dos mesmos, sendo considerado obras civis – Construção de acessos, sistema de drenagem e edificações civis. Desta forma procurando esclarecer à sociedade, aos órgãos públicos e ao minerador, os impactos que a atividade poderá causar no meio ambiente. A avaliação setorial dos componentes é realizada considerando-se os parâmetros do projeto de lavra, analisando-se, sem o gerenciamento ambiental, a implantação do gerenciamento ambiental e a valorização do projeto somado ao gerenciamento ambiental. Analisando os dados apresentados nas tabelas várias conclusões são realizadas como por exemplo: constata-se que os efeitos adversos estão concentrados no meio físico e biótico, enquanto os impactos benéficos predominam no meio sócio econômico. A implantação do gerenciamento ambiental (Controle, Recuperação e Monitoramento) neutraliza e/ou minimiza os impactos adversos gerados pelo projeto e corroborando para a tomada de decisão positiva quanto à implementação do empreendimento.

20.1.3 - Medidas Mitigadoras e Avaliação Qualitativa No desenvolvimento do projeto será necessário o estabelecimento

20.1.3 - Medidas Mitigadoras e Avaliação Qualitativa

No desenvolvimento do projeto será necessário o estabelecimento de ações

e atividades visando à prevenção e mitigação dos impactos negativos e à maximização dos impactos positivos programados com a implantação do empreendimento mineiro.

O Gerenciamento Ambiental define e coordenar o conjunto de princípios, normas, tarefas e seus executores que têm por fim a implantação das ações/atividades previstas pelo PCIAM.

O Monitoramento Ambiental corresponde ao acompanhamento da

evolução da implementação das medidas preconizadas no PCIAM, avaliando, periodicamente, seus efeitos/resultados e propondo, quando necessário, alterações,

complementações e/ou novas ações e atividades ao plano original.

As principais medidas mitigadoras, necessárias para a minimização dos impactos adversos, são apresentadas considerando o meio físico, biótico e antrópico.

Exemplo de medidas mitigadoras:

FATOR

IMPACTO

 

CAUSA

 

EFEITO

 

INDICADORES

MEDIDAS

DE

AMBIENTAL

CONTROLE

PAISAGEM

 

- Impacto visual

-

Desmatamento

 

-

Alteração

das

-

Eliminação

total

ou

-

Remodelar o terreno com vistas a

- Mudança

do

- Abertura de frente

propriedades

parcial

da

morfologia

integração paisagística com as áreas circunvizinhas

relevo

de lavra

visuais

(forma,

natural

-

Disposição

de

linha, cor textura)

-

Plantio de árvores (cortina verde)

Rejeitos

-

Eliminação

de

- Uso de tecnologia adequada visando minimizar danos ambientais

- Acessos

 

elementos nativos

- Pistas

-

Indução

de

 

- Rampas

 

elementos estranhos

ATMOSFERA

-

Alteração

da

 

- Perfuração da rocha

-

Poluição

-

Aumento de sólidos

 

- Manutenção/regulagem das máquinas.

qualidade do ar

- Detonação

de

atmosférica

em suspensão (poeira)

-

Ruído

explosivos

-

Poluição sonora

-

Fumaça e gases em

-

Uso de equipamento individual de

-

Emissão de gases

-

Mudança

no

suspensão

segurança

-

 

Uso

de

comportamento

Aumento no nível do ruído

-

Plantio de árvores (cortina verde) - Controle na fonte geradora da

equipamentos

de

da fauna

lavra

e

tráfego

de

-

Diminuição

do

Aumento do número de acidentes

-

emissão - Uso de água em forma de

máquinas e veículos

efetivo faunístico

-

Aumento de doença

 

aspersão na redução da emissão de poeira.

auditiva, psicológica

e

-

riscos de acidentes

 

Meio Físico

Morfologia A lavra será desenvolvida em área de geomorfologia relativamente plana desta forma haverá o impacto com relação ao contexto morfológico, pois com o desenvolvimento da lavra, a geometria e o volume serão alterados de maneira irreversíveis. O desenvolvimento das operações como definido no projeto com relação à geometria das bancadas, minimizará o impacto visual e maximizará a segurança das operações, sendo programado para controle ambiental:

- A direção das operações de lavra deverá ser realizada por técnico legalmente

habilitado, que deverá realizar o acompanhamento e monitoramento do avanço das

frentes de lavra e das áreas de servidão, minimizando o desenvolvimento desnecessário de áreas e os impactos inerentes;

- A reabilitação das áreas de servidão e infra-estrutura, através do nivelamento,

adequação dos perfis e revegetação, minimizará o impacto visual quando da exaustão das áreas de lavra. Avaliação Qualitativa: Adotando-se as medidas de controle ambientais programadas, os impactos ambientais adversos serão minimizados, sendo, portanto admissíveis, em função da localização geográfica da área. Recursos Hídricos As medidas de controle para evitar que a qualidade da água seja alterada devem atentar-se para conter os sólidos em suspensão, bem como para o armazenamento correto dos resíduos sólidos e líquidos. Para tanto programa-se as seguintes medidas:

- Construção do sistema de drenagem, composto de canaletas de drenagem principal e

secundária, dissipadores de energia e caixas de sedimentação, para as áreas de lavra e

servidão (depósitos de materiais, pátios de operações, acessos);

- Delimitação e proteção das Áreas de Proteção Permanente (APP) das drenagens da área,

evitando que ocorra erosão nas suas margens. Cumprindo estas recomendações, a água superficial ou pluvial poderá escoar naturalmente, com pouco e/ou desprezível arraste de

partículas, dispersando-se em campos de vegetação (que retém boa parte do material em suspensão); não atingindo deste modo, a drenagem (evitando conseqüências como assoreamento/ inundações e alteração da cor da água);

- Para evitar a contaminação química das águas superficiais e subterrâneas o melhor que se tem a fazer é a prevenção. Cuidado nas operações com efluentes químicos (óleos e graxas), armazenamento e transporte dos resíduos sólidos e líquidos para empresas de reciclagem e/ou locais que apresentem aterros sanitários, manutenção freqüente dos equipamentos para evitar vazamentos. Monitoramento e manutenção da fossa séptica e utilização de banheiro químico na área de lavra. Avaliação Qualitativa: Conclui-se que, identificados os focos de poluição (causa dos impactos, indicadores e efeitos) e adotadas as medidas de controle ambiental mencionadas, os impactos que o empreendimento mineiro poderá causar nas águas

superficiais e subterrâneas, serão anulados (neutros), ressaltando que as drenagens da área não são perenes, ocorrendo fluxo d’água somente nos períodos de maior pluviosidade. Solos A minimização e correção dos impactos com relação aos solos da área serão ampliadas com a adoção das medidas de controle ambiental programadas:

- O capeamento deverá ser armazenado para reutilização na reabilitação das áreas

degradadas, bem como, utilizado como lastro para a implantação da vegetação ao redor

da área de lavra;

- A retirada da cobertura vegetal e do solo, que dá sustentabilidade a cobertura, dar-se-á no decorrer do avanço da frente de lavra de maneira gradual, desenvolvendo-se áreas de acordo com o cronograma de implantação, com intervalo anual de produção, armazenar nos pátios de estocagem definidos e utilizado diretamente no plantio da vegetação ao redor das áreas de lavra e nas vias de acesso;

- Reflorestar e/ ou promover o plantio de árvores exóticas e gramíneas nas áreas

circundantes à lavra (recuperar a capacidade de retenção e infiltração da água, evitando a erosão e degradação no solo);

- Criação de cercas vivas para separar as ambiências da lavra, pátios e depósitos,

minimizando os impactos negativos da lavra;

- A contaminação química dos solos poderá ser evitada tomando medidas de segurança

preventiva, aliada a conscientização de pessoal envolvido nas atividades mineiras. Avaliação Qualitativa: Conclui-se que, mesmo que sejam adotadas todas as medidas de controle ambiental sugeridas para minimizar os impactos sobre os solos, ainda assim, não se poderá evitar a perda deste material (não se consegue a reposição deste material na íntegra), ocorrendo perdas na remoção, transporte, armazenamento e reposição. Portanto, considera-se que os impactos negativos nos solos ocorrerão, em maior ou menor intensidade (impacto pouco expressivo/admissível), se implementado as medidas programadas.

FOTO – Revegetação implantada com herbáceas (gramíneas) em talude de via de circulação interna. Mineração de areia Viterbo Machado Luz, São Paulo.

Atmosfera A modificação na qualidade atmosférica (poluição) será conseqüência do material particulado (poeira) e

Atmosfera A modificação na qualidade atmosférica (poluição) será conseqüência do material particulado (poeira) e ruídos/vibrações gerados, com pouca influência dos gases resultantes da combustão dos motores de combustão e detonação das cargas explosivas (se houver), ocasionando a geração de gases e odores. O grau ou nível de poluição do ar e deposição de partículas sólidas sobre os recursos ambientais está condicionado às condições climáticas da região - períodos de seca, chuva e incidência de ventos, deste modo programa-se a adoção das seguintes medidas de controle ambiental:

- No caso do material particulado será necessário à umectação, utilizando caminhão pipa,

das vias de acesso, do pátio de operações e depósitos de materiais, evitando-se a emissão de poeira nas áreas de servidão, atuando como forma de controle coletiva, sendo que, em função dos fatores climáticos da região, apresentado dois períodos - estação seca e estação chuvosa, prevendo-se a freqüência mínima para umectação de 01 (uma) vez ao dia nos períodos de chuva e 03 (três) vezes ao dia nos períodos de estiagem, devendo o caminhão-pipa se deslocar de modo lento em toda a extensão e largura nas vias de acesso

e pátios e depósitos, umedecendo a camada superficial das áreas, sendo a freqüência ampliada não obtendo-se os resultados programados;

- A emissão e concentração dos gases gerados (sobretudo CO e NOx) são baixas,

podendo ser considerados desprezíveis em função das operações serem desenvolvidas em áreas abertas de ampla dispersão e dissipação, não ocorrendo concentração expressiva, a ponto de ser nocivo ao meio ambiente. Para minimizar os impactos a manutenção

preventiva dos equipamentos deverá ser realizada conforme a programação indicada

pelos fabricantes e os desmontes de rocha realizados de forma regular e espaçada, com monitoramento da razão de carga;

- Os ruídos e vibrações acústicas podem ser minimizados com o desenvolvimento de

cortina vegetal circundando as áreas de lavra e servidões (cinturão verde). A manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos e veículos auxiliará na redução de ruídos contínuos.

- A utilização por parte dos funcionários envolvidos diretamente nas operações de lavra

de equipamento de proteção individual (EPI), mascara anti-pó e protetor auricular, terá

efeito individual e pontual como medida de controle. Avaliação Qualitativa: Adotando-se as medidas de controle programadas e aplicando-se a legislação ambiental e as normas de segurança e medicina do trabalho, os impactos ambientais adversos serão minimizados, sendo considerados admissíveis.

FOTO - Barreira vegetal em linha única composta de eucaliptos, instalada entre a via de circulação interna e a pilha de estocagem do produto. Pedreira Mariutti, Itapecerica da Serra.

do produto. Pedreira Mariutti, Itapecerica da Serra.  Meio Biótico Fauna Na região existe ocorrência de

Meio Biótico

Fauna Na região existe ocorrência de varias espécies faunística, não refletindo uma situação pontual, havendo áreas próximas à do projeto também diversificadas no ponto de vista faunístico, que poderão servir como refúgios para a fauna, desde que sejam tomadas às medidas de proteção e preservação deste habitat. Os impactos sobre a fauna poderão ser minimizados com a adoção das medidas de controle ambiental programadas:

- Desmatamento gradual, permitindo que os animais migrem para áreas não impactadas,

através de corredores de vegetação que atuarão como zonas de conservação e proteção, com o deslocamento das espécies autóctones na procura de água e alimentos;

- A manutenção e regulagem dos equipamentos e o condicionamento acústico através de

reflorestamento circundando as frentes de lavra e de servidão, irão mitigar os impactos que irão colaborar no aumento do “stress” das espécies faunísticas (ruídos e as vibrações); - A construção do sistema de drenagem, deposição adequada dos resíduos e outras medidas de saneamento básico, evitarão a contaminação das águas subterrâneas e superficiais, não comprometendo a biota aquática e locais de dessedentação da fauna terrestre. Avaliação Qualitativa: Os impactos na fauna são sempre significativos no contexto da extração mineral em lavra a céu aberto. Todavia, adotando-se as medidas de controle ambiental sugeridas acima, pode-se de forma qualitativa, avaliar os impactos como admissíveis.

FOTO - Bota-fora com revegetação das bermas com gramíneas. Pedreira Embu, Embu-SP.

das bermas com gramíneas. Pedreira Embu, Embu-SP. Flora Os impactos na vegetação serão minimizados

Flora Os impactos na vegetação serão minimizados através do desenvolvimento das medidas programadas:

- Reconstituição das condições naturais ou de condições alternativas que permitam a instalação das espécies florísticas que serão impactadas;

- Revegetação das áreas degradadas, através da seleção de espécies exóticas e/ou autóctones de rápido crescimento e por espécies autóctones de diversos nichos

ecológicos, restabelecendo as funções mecânicas, hidrológicas e microclimáticas, assim corno a estrutura ecológica da comunidade;

- Introdução de espécies autóctones pioneiras para reforçada a instalação da flora e

progressivamente, pela colonização de espécies secundárias e climáticas;

- A recuperação da vegetação deverá ser praticada através da semeadura direta (em covas

ou a lanço), plantio de estruturas vegetais (como bulbos, rizomas ou estacas), plantio de mudas (produção em viveiros ou em coletas de campo) e regeneração natural (brotamento ou chuva de sementes);

- O desmatamento gradual irá amenizar a erosão do solo devido à retirada da cobertura vegetal, permitindo menor lixiviamento de sedimentos para as áreas limítrofes;

- Controle do material particulado através da umectação das vias de acesso e áreas de

servidão, minimizando a poeira no setor operacional, corrigindo o efeito bloqueador das partículas, em particular na evapotranspiração das folhas.

Avaliação Qualitativa: Os impactos na vegetação são sempre significativos no contexto da extração mineral em lavra a céu aberto, porém adotando-se as medidas de controle ambiental recomendadas e desenvolvendo a revegetação das Áreas de Proteção Permanente (APP) e o desenvolvimento de cortinas vegetais como medidas compensatórias, irão de forma qualitativa, avaliar os impactos como admissíveis. Ecossistema Nos projetos de mineração os impactos no ecossistema são sempre significativos e no presente caso pontuais. Todavia, adotando-se as medidas de controle ambiental programadas e revegetando as Áreas de Proteção Permanente (APP) como medida compensatória, pode-se avaliar os impactos como admissíveis.

FOTO - Revegetação da superfície de topo da pilha de bota-fora, com o plantio direto de mudas de espécies arbóreas nativas e exóticas, mas sem colocação de solo superficial. Pedreira Itapiserra, Itapecerica da Serra- SP.

 Meio Antrópico Nível de Emprego e Nível de Renda As medidas mitigadoras recaem nas

Meio Antrópico

Nível de Emprego e Nível de Renda As medidas mitigadoras recaem nas ações maximadoras e nos programas e planos de proteção ambiental, já que o ser humano está inserido no contexto do ecossistema e necessita dos recursos naturais para sobrevivência e conforto. Os benefícios sócio-econômicos justificam o desenvolvimento do empreendimento. Assim, o aumento do nível de empregos gerará impacto positivo nas comunidades circunvizinhas, valorizando as pequenas propriedades (royaltes), além de aumentar a arrecadação para o Estado e Município. O programa de monitoramento ambiental contribuiria para formação de uma consciência ecológica nas pessoas envolvidas direta e indiretamente com o empreendimento. Avaliação Qualitativa: Os impactos no meio são positivos e muito significativos neste tipo de empreendimento. Com a adoção das medidas de controle ambiental sugeridas, incluindo a reabilitação das APP e ACA, pode-se, de forma qualitativa, avaliar os impactos como positivos e muito significativos. Valores Paisagísticos Durante a implementação do empreendimento deverão ser adotadas diversas medidas de controle dos impactos visuais:

- Dissimulação das operações por meio de barreiras vegetais; - Seleção e a redução do desmatamento no traçado das vias de acesso interno, de forma a reduzir o impacto visual;

- Reflorestamento com espécies nativas e/ou exóticas (principalmente frutíferas) das APP e ACA para fins ornamentais e de lazer. Avaliação Qualitativa: Os impactos na paisagem são sempre significativos no contexto da extração mineral em lavra a céu aberto. Todavia, adotando-se as medidas de controle ambiental, sugeridas acima, diminuir-se-á consideravelmente a degradação do meio, podendo-se de forma qualitativa, avaliar os impactos como admissíveis.

20.2 - PROGRAMAS DE MONITORAMENTO AMBIENTAL Conforme a análise dos diversos impactos esperados com a implantação e

operação do projeto serão necessárias medidas visando à mitigação da absorção de impactos negativos e a maximização dos impactos benéficos.

O programa de monitoramento ambiental objetiva o desenvolvimento de medidas

visando mitigar e/ou compensarem os impactos ambientais adversos inerentes ao projeto, além de programar ações com a finalidade de maximizar os impactos positivos.

O minerador deverá atender as diretrizes das legislações mineral, ambiental, de

segurança e medicina do trabalho em vigor, bem como inserir os funcionários em programas de qualidade total e educação ambiental, facilitando as ações programadas no projeto. Os programas que deverão ser implantados durante o desenvolvimento do projeto,

serão:

Educação Ambiental

A grande maioria dos funcionários e moradores residentes nas localidades próximas da área do projeto possui baixo nível educacional, devido à precária situação do setor educacional da região, além da necessidade de utilização da mão de obra infantil como complemento orçamentário das famílias. A educação ambiental surge como estratégia para adoção de medidas compensatórias e de controle ambiental.

A importância de um trabalho integrado com a comunidade local criará subsídios

eficazes para o desenvolvimento da região, seja como incentivando o manejo adequado dos recursos naturais ou contribuindo para melhorar qualitativamente o nível de vida, através da reflexão, discussão e finalmente tomada de iniciativa com relação às questões ambientais.

As ações do programa de educação ambiental deverão ser realizadas envolvendo todos os segmentos afetados diretamente pelo projeto e constará, de no mínimo três etapas:

1 o Etapa: Produção de Material Educativo e de Divulgação - Este material objetiva gerar subsídios à comunidade envolvida, para que possam avaliar a importância da extração dos recursos minerais para produção de bens de consumo como as rochas ornamentais. Deverá constar de técnicas visuais e linguagem adequada à realidade local. 2 o Etapa: Capacitação de Recursos Humanos - Através de cursos de educação ambiental ministrados por especialistas na área e destinados a lideranças comunitárias, técnicos, educadores e moradores da região. O método objetiva a identificação de problemas para a definição de ações visando à exploração dos bens minerais, estabelecimento de uma política permanente de conscientização da população e a divulgação da tecnologia de exploração das áreas de lavra. Figura - Programa de Capacitação Profissional

de lavra. Figura - Programa de Capacitação Profissional 3 o Etapa: Campanhas de Conscientização - Nesta
de lavra. Figura - Programa de Capacitação Profissional 3 o Etapa: Campanhas de Conscientização - Nesta

3 o Etapa: Campanhas de Conscientização - Nesta etapa deverá ser realizado intercâmbio com a comunidade local, objetivando integrá-la aos processos do projeto e enfocando a necessidade de consumo dos bens naturais e a importância da preservação desses recursos. Estas campanhas deverão propor educação ambiental nas escolas, órgãos de classe, sindicatos dentre outros, enfocando a relação benefício econômico versos custos ambientais. A produção de material educativo e de divulgação referente às atividades mineiras, é fundamental tanto para segurança de transeuntes como para se criar uma consciência ambiental.

Monitoramento Ambiental O Monitoramento Ambiental, correspondente à evolução da implementação das medidas programadas no projeto, avaliando, periodicamente, seus efeitos/resultados e propondo, quando necessário, alterações, complementações e/ou novas ações e atividades ao projeto original, estabelecendo de forma contínua a avaliação e o controle, dos impactos ambientais efetivos inerentes aos processos definidos e, sobretudo visa por em prática as ações diretas para um efetivo equilíbrio ambiental. Esta atividade deverá ser realizada pelo técnico legalmente habilitado pelas operações do projeto, responsável pela elaboração de relatórios periódicos de avaliação e fiscalização dos órgãos competentes.

Retirada, Armazenamento e Monitoramento do Solo

Procedimentos para a retirada, o armazenamento e a reposição, visando à racionalização e perdas do solo: