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Doi: 10.5212/Uniletras.v.36i2.

0008

Letramento digital, práticas sociais e


implicações pedagógicas

Digital literacy, social practices and


pedagogical implications
Rosiney Aparacida Lopes do Vale*
Marilúcia Santos Domingos Striquer**

Resumo: As atuais formas de leitura decorrem do surgimento de novas práticas


sociais, oriundas da vida moderna que, por sua vez, requerem que o sujeito
assuma outras ou novas habilidades para lidar com as atividades de leitura e
escrita. Numa retrospectiva histórica, constatamos que, da antiguidade clássica
até a modernidade, deparamo-nos com uma série de modificações no ato de ler,
dependendo das diferentes materialidades que serviram de suporte para os textos.
Posto que o surgimento do computador e, mais ainda, da Internet desencadeou
novos elementos para se pensar a questão do letramento, redirecionando os modos
de ver esse novo conceito, pretendemos, no presente artigo, apresentar uma breve
explanação sobre a história da leitura, enfocando as mudanças dos suportes, bem
como a mudança no perfil dos leitores frente ao surgimento de novas tecnologias.
Apresentamos também uma experiência que tivemos com uma professora do ensino
fundamental II, no laboratório de informática de uma escola estadual, e propomos
uma reflexão sobre o papel do professor diante da necessidade de lidar com novas
ferramentas na prática docente.
Palavras-Chave: Letramento digital; História da leitura; Ensino de leitura

Abstract: The present forms of reading emerge from new social practices, derived
from modern life that demands that the subject adopts other or new abilities to
deal with the reading and writing activities. A historical retrospective demonstrates
that, from classical antiquity to modernity, there has been a series of modifications
in the act of reading, depending on the different materialities that supportedthe
texts. Because of the emergence of the computer and, in particular of the Internet
that contributed with new elements to think about literacy, changing the forms of
understanding this new concept, this article intends to present a brief explanation

*
Mestre em Filologia e linguística da língua portuguesa. Professora da Universidade Estadual do Norte do Paraná
(UENP), campus de Jacarezinho. E-mail: rosineyvale@uenp.edu.br
**
Professora Adjunta da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), campus Jacarezinho. Doutora em Estudos
da Linguagem. E-mail: marilucia@uenp.edu.br.

Uniletras, Ponta Grossa, v. 36, n. 2, p.211-222, jul/dez. 2014


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of the history of reading, focusing on the changes of support, as well as the change
in readers’ profile due to the new technologies. The article also presents athe
experienceof a teacher fromthe final years of elementary schoolin the computer lab
of a state school, and proposes a reflection about teachers´ role concerningthe need
to deal with new tools in their teaching practices.
Keywords: Digital literacy; History of reading; Teaching of reading.

Introdução notícia, seja em jornal impresso ou em um


site na internet; ler um texto de opinião em
As atuais formas de leitura decorrem
um blog; se relacionar com outra pessoa via
do surgimento de novas práticas sociais,
facebook; enviar um currículo para uma
oriundas da vida moderna que, por sua vez,
empresa via e-mail; se cadastrar em um
requerem que o sujeito assuma outras ou
curso a distância na homepage do curso etc.
novas habilidades para lidar com as ativida-
Ocorre que, de um modo geral, as pessoas
des de leitura e escrita, como, por exemplo,
participam cotidianamente de práticas so-
para fazer uso de ferramentas como o car-
ciais diversificadas, mediadas pela leitura e
tão magnético, o caixa eletrônico, as redes
pela escrita, ou ainda, estão imersos em prá-
sociais virtuais, hoje, comuns à vida dos ci-
ticas de letramento.
dadãos. Dessa forma, as discussões sobre o
Portanto, nossa compreensão e defesa
conjunto de capacidades de todas as ordens
é a de que cabe a escola criar, continuamen-
necessárias à execução das diversas práticas
te, práticas de letramento no sentido que
de leitura vêm crescendo acentuadamente,
Baltar (2008) lhe conferem: projetos que
e, nas últimas décadas, o assunto ganhou
organizam “estratégias de ensinagem para
ainda mais repercussão e passa por diversas
que os estudantes tenham acesso a práticas
mudanças de foco na busca de que tais dis-
letradas situadas, [e que] também viabili-
cussões contribuam para que as práticas de
zam o agir desses estudantes em atividades
leitura estejam cada vez mais afinadas com
significativas de linguagem que ocorrem
as necessidades reais dos leitores.
em diferentes esferas sociais” (BALTAR,
Daí a urgência das instituições escola-
2008, p. 564- inserção das pesquisadoras).
res assumirem a missão de desenvolverem
Este artigo, então, tem o objetivo de
tais capacidades, no caso, desenvolverem as
apresentar uma breve explanação sobre a
capacidades de linguagem de seus alunos
história da leitura, enfocando as mudan-
para que eles possam participar das diver-
ças dos suportes, bem como a mudança no
sas e diferentes práticas de leitura e escrita
perfil dos leitores frente ao surgimento de
existentes atualmente na sociedade. Isto é,
novas tecnologias, e propor uma reflexão
é dever da escolar, de acordo com a Diretriz
sobre o papel do professor diante dos letra-
Estadual de Educação (PARANÁ, 2009), le-
mentos digitais.
var o aluno a ter capacidades para ler uma

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Breve história da leitura: suportes e papiro), também chamado de volumen, e o


leitores códice (ou códex), livro já com páginas, que
Em História da leitura no mundo ociden- irá substituir o rolo a partir do sec. II d. C.
tal, Cavallo e Chartier (2002) expõem que: O códice apresentava um custo menor, na
medida em que se podiam utilizar os dois
Todos aqueles que podem ler os textos lados do suporte. Fora do Egito, o produto
não os leem da mesma forma e, em utilizado para a confecção do códice era o
cada período, é grande a distância en-
pergaminho, produto animal que podia ser
tre os grandes letrados e os menos há-
preparado em toda parte. “O códex coloca-
beis leitores. Contrastes, igualmente,
entre normas e convenções de leitura -se como instrumento mediador entre a lei-
que definem, para cada comunidade tura na Antiguidade e as maneiras de ler na
de leitores, usos legítimos do livro, Idade Média” (CAVALLO; CHARTIER, 2002,
maneiras de ler, instrumentos e pro- p.19).
cessos de interpretação. Contrastes, Com o passar do tempo, as páginas do
enfim, entre as expectativas e os in- códice e o pergaminho foram substituídas
teresses muito diversificados que os pelo papel, e, atualmente, temos ainda a tela
diferentes grupos investem na prática
do computador como um novo espaço para
da leitura (p.6).
a escrita e para a leitura dos escritos (SOA-
A afirmação supracitada ilustra o quão RES, 2012). O que não significa simples mu-
densas foram as mudanças ocorridas com dança de suporte, uma vez que, segundo
o ato de ler, desde a antiguidade, e o quão Cavallo e Chartier (2002),
importante é o conhecimento das etapas pe-
As formas produzem sentido e que
las quais a leitura passou até os dias atuais, um texto se reveste de uma significa-
para compreendermos melhor os elemen- ção e de um estatuto inéditos quando
tos que permeiam a relação leitura/leitor. mudam os suportes que o propõem à
Afinal, é a partir do conhecimento das prá- leitura. Toda história das práticas de
ticas do passado que podemos refletir sobre leitura é, portanto, necessariamente
as atuais, num exercício de compreensão e uma história dos objetos escritos e das
tentativa de não cometer os mesmos erros e palavras leitoras (p. 6).
de aprimoramento de novas ações. Assim, os referidos autores enfatizam
Da antiguidade clássica até á moder- a existência de diferenças entre os senti-
nidade, deparamo-nos com uma série de dos atribuídos pelo autor e por seus leito-
modificações no ato de ler. Inicialmente, res, destacando as diversas possibilidades
referimo-nos aqui ao período que abrange de interpretação de uma obra, acarretadas,
a civilização grega e a romana, observa- dentre outros fatores, pelo suporte que a
mos o uso de diferentes materialidades que veicula, posto que o texto não é uma abstra-
serviram de suporte para os textos, dentre ção, ele só existe graças à maneira como é
eles: as tabuinhas feitas de argila ou madei- transmitido.
ra, o livro na forma de rolo (o livro-rolo de

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De forma um pouco mais específica O modo como o texto se estrutura no


sobre os textos veiculados pelas práticas di- computador (incluindo a apresenta-
gitais, ou virtuais, defende Chartier (1998) ção e a formatação do texto) dimen-
que, siona a materialidade de texto de um
modo diferente daquele lido ou escri-
A inscrição do texto na tela cria uma to no papel. A própria maneira como
distribuição, uma organização, uma o “manuseamos”, indo e voltando,
estruturação do texto que não é de fazendo destaques, inserções, entre
modo algum a mesma com a qual se outras ações, nos obriga a novos co-
defrontava o leitor do livro em rolo nhecimentos e novas estratégias de
da Antiguidade ou o leitor medieval, leitura e de escrita (p. 54).
moderno e contemporâneo do livro
manuscrito ou impresso, onde o texto Enfim, para Chartier (apud SOARES,
é organizado a partir de sua estrutu- 2002), “o texto na tela [é] uma revolução
ra em cadernos, folhas e páginas. O do espaço da escrita que altera fundamen-
fluxo sequencial do texto na tela, da talmente a relação do leitor com o texto, as
continuidade que lhe é dada, o fato maneiras de ler, os processos cognitivos” (p.
de que suas fronteiras não são mais 152 – inserção da pesquisadora). E, mais que
tão radicalmente visíveis, como no
isso, essa mudança de suporte acarreta o
livro que encerra, no interior da sua
que se tem chamado de “um novo letramen-
encadernação ou de sua capa, o texto
que ele carrega a possibilidade para o to, isto é, um novo estado ou condição para
leitor de embaralhar, de entrecruzar, aqueles que exercem práticas de escrita e de
de reunir textos que são inscritos na leitura na tela” (CHARTIER apud SOARES,
mesma memória eletrônica: todos es- 2002, p. 152), o já mencionado letramento
ses traços indicam que a revolução do digital. Enfim, são as mudanças de suporte
livro eletrônico é uma revolução nas convergindo para uma concomitante mu-
estruturas do suporte material do es- dança de perfil também dos leitores, e tam-
crito assim como nas maneiras de ler
bém passam pela questão da postura física
(p. 12-13).
(corporal) diante do texto, pelas escolhas,
É nesse sentido que Soares (2002) de- pelos comportamentos e pelas estratégias
fende que a leitura - e também a escrita -, de abordagem ao texto.
feita por meio da tela de um computador
acarreta outras formas de letramento, apon- Letramento digital: mesmos caminhos,
tando, então, para um “letramento digital”, novos rumos

e ainda destaca as possíveis “mudanças so-


Pensar a questão do letramento nos in-
ciais, cognitivas e discursivas” geradas pelo
teressa no sentido de buscar verificar o que
suporte.
de fato muda com as novas práticas de lei-
Em convergência, Goulart (2011) afir-
tura, possibilitadas pelo computador ligado
ma que, à internet. Em decorrência de nosso foco é

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que primeiramente reconhecemos a defi- escrita para o cotidiano de crianças e jovens


nição que Soares (2002) atribui à noção de em idade escolar.
letramento, explicada pela autora. Segundo Soares (2005, p.47) explica que alfabe-
esta há uma tizar e letrar são duas ações distintas, mas
inseparáveis, pois o ideal seria alfabetizar
Imprecisão que, na literatura edu-
cacional brasileira, ainda marca a
letrando, ou seja, ensinar a ler e escrever no
definição de letramento, imprecisão contexto das práticas sociais da leitura e da
compreensível se se considera que o escrita, de modo que o indivíduo se tornas-
termo foi recentemente introduzido se, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado.
nas áreas das letras e da educação. En- E isso inclui, no atual contexto, os usos de
tretanto não há, propriamente, uma escrita que caracterizam a entrada do com-
diversidade de conceitos, mas diversi- putador conectado à Internet na vida das
dade de ênfases na caracterização do pessoas, letrando-as, inclusive, digitalmen-
fenômeno (p. 144).
te. Afinal, não é mais possível ficar alheio às
Ou seja, de acordo com a autora, o ter- mudanças que essas novas formas de comu-
mo letramento é recente e surgiu justamen- nicação digital trouxeram para a nossa vida
te a partir da necessidade de se observar o cotidiana, independentemente da escola.
estado de quem sabe ler e escrever, em con- No contexto atual, os processos de in-
traposição a uma preocupação anterior, que teração passam a envolver novas formas
se voltava apenas para o estado ou condição de conhecimento estratégico ou esquemas
de alfabetismo. Tal necessidade veio como para lidar com tecnologias na vida diária e
consequência da compreensão de que é pre- habilidade para ler/produzir textos típicos
ciso não apenas saber ler e escrever, mas sa- da era da multimídia e da informação. Em
ber fazer uso efetivo da leitura e da escrita, outras palavras, ao lado dos textos impres-
respondendo às demandas sociais. sos, da exigência de saber ler criticamente,
Nessa mesma linha de raciocínio, Klei- recuperar e processar informação, agora
man (1995, p. 19) considera que “podemos também se faz necessário, entre outras coi-
definir hoje o letramento como um con- sas, saber lidar com imagens e representa-
junto de práticas sociais que usam a escri- ções gráficas.
ta, enquanto sistema simbólico e enquanto Por conseguinte, se discutir letramen-
tecnologia, em contextos específicos, para to já não era/é uma tarefa fácil. Como ve-
objetivos específicos”. mos, no contexto atual, esses novos elemen-
O surgimento do computador e, mais tos relacionados à era digital vêm acalorar
ainda, da Internet, nesse contexto, veio a discussão, fazendo com que repensemos
trazer novos elementos para se pensar a as nossas ações, bem como a nossa prática
questão do letramento, redirecionando os pedagógica.
modos de ver esse novo conceito, uma vez E nesse universo de modificações e
que não apenas indicou novos modos de es- exigências de novas habilidades de letra-
tar na sociedade como trouxe a linguagem

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mento, atesta Rojo (2007), os atos de ler e danças consideráveis em nossa sociedade.
escrever são ainda mais fundamentados na Dentre essas mudanças, merece destaque a
interação virtual que em nossas interações criação de outros gêneros textuais, soman-
cotidianas, no mundo atual, o que torna re- do-se aos tantos que já circulam em nossa
levante e urgente o estudo e a discussão so- sociedade letrada. “Entre eles, podemos
bre letramentos digitais. citar o chat, o hipertexto, a multimídia, a
Assim, pensar no tema Letramento Di- hipermídia, os banners publicitários, a li-
gital leva-nos a ponderar sobre os impactos teratura digital em toda a sua diversidade
das novas tecnologias nas práticas letradas e, provavelmente, alguns outros que ainda
e de ensino e a observar que os eventos de não somos capazes de mencionar” (COSCA-
letramento que ocorrem com a interme- RELLI, 2006, p.65)
diação da Internet exigem novas práticas e Então, nesse oceano de novos gêne-
habilidades de leitura e de escrita (SOARES, ros textuais e, consequentemente, de no-
2002). Por certo, a reflexão gira em torno do vas práticas e demandas sociais, o papel do
modo como esses novos suportes, em espe- professor, como mediador, pensando numa
cial o computador, podem ser ferramenta concepção de ensino e de aprendizagem
útil também na escola, no apoio às práticas que visem a um ensino como construção de
pedagógicas, simplificando e dinamizando conhecimento, como uma via de mão du-
o cotidiano da sala de aula. pla, implicando o diálogo e, portanto, não
Vale lembrar que “o termo ‘ tecnologia tratando os aprendizes como máquina deco-
da informação’ não é, necessariamente, si- dificadoras, ganha um contorno especial (RI-
nônimo de computador hardware e software. BEIRO, 2006, p.90). Não que o professor não
Todavia o computador pode ser considera- tenha sido visto como figura importante no
do como o principal representante dessa processo de ensino e de aprendizagem, mas
tecnologia (...)”. (NETO, 2006, p. 51) A novi- hoje isso se torna ainda mais patente, uma
dade do computador é que, segundo Char- vez que,
tier (1998) pela primeira vez, no mesmo su-
O professor precisa, então, além de
porte, o texto, a imagem e o som podem ser guiar-se pelas orientações dadas pe-
conservados e transmitidos. Todas mídias los PCN, atualizar-se com relação às
muito conhecidas das sociedades atuais, tecnologias intelectuais disponíveis
mas que agora se apresentam simultanea- no mundo de hoje”. (...) ‘É, hoje, tarefa
mente. do professor ensinar’ os alunos a bus-
car a informação e a fazer a triagem
dela (RIBEIRO, 2006, p. 86- 87- grifos
O professor como mediador de conhe-
cimentos: a leitura na era digital
do autor).
Os professores precisam encarar esse
Em concordância com Coscarelli desafio de se preparar para essa nova
(2006), apregoamos que não há dúvidas de realidade, aprendendo a lidar com os
que o advento da internet provocou mu- recursos básicos e planejando formas

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de usá-los em suas salas de aula aprendizagem, isto é, conforme a noção que


(COSCARELLI, 2011, p. 31). o professor tem desses processos e do que
Esses encaminhamentos são necessá- sejam as devidas ferramentas é que ele di-
rios em função de todo aparato tecno- recionará suas ações didáticas. Isso porque,
lógico,
conforme Corrêa (2006),
dos gêneros que deles emergiram e, Os recursos tecnológicos são mutá-
principalmente, da mudança que eles cau- veis e o sujeito é quem determina o
saram nas orientações às práticas pedagó- uso que fazemos desses recursos. Es-
gicas docentes que preocupam os professo- sas intenções se referem aos paradig-
res, gerando, às vezes, desconfiança e medo mas educacionais e comunicacionais
nesses profissionais, pois vários elementos presentes na escolha e na utilização
estão envolvidos nessa trama. Se antes já dos diferentes recursos tecnológicos
(p. 44).
era difícil ensinar os alunos a ler no papel
impresso, a fazer a chamada leitura crítica, O computador, por si só, não vai mudar
reflexiva que vem sendo alardeada há muito a educação, não vai mudar as concepções de
tempo, como então proceder diante desse professor/aluno e de ensino/aprendizagem
novo suporte de leitura? Como orientar a que os envolvidos na educação têm. São os
leitura desses alunos? Como colaborar para objetivos, os conteúdos curriculares toma-
que não se percam no emaranhado de infor- dos como objeto de ensino, o contexto ime-
mações que a internet veicula? “Como auxi- diato que comandam as ações pedagógicas,
liá-los a estabelecer uma interação dialógica pois, assim, como defende Coscarelli (2011,
com os conteúdos abordados na rede, na p. 27), “cada situação de aprendizagem re-
perspectiva bakhtiniana do termo?” (SAN- quer uma estratégia diferente, e o computa-
TOS, 2003, p.308). Que tipo de navegação dor pode ser útil em várias dessas ocasiões,
propor aos alunos? Como lidar com o hiper- bastando para isso que o professor planeje
texto digital? Novas tecnologias para quê e atividades, mais dirigidas ou menos, con-
por quê? (GOULART, 2011). forme o momento”.
Antes, porém, de procurarmos respos- Em decorrência, orienta Corrêa (2006)
tas para todas essas questões, faz-se neces- que,
sário perceber que inovações tecnológicas
não significam, literalmente, inovações Devemos construir uma nova arti-
culação entre tecnologia e educação-
pedagógicas; não basta apenas trocar as
aquilo que chamaríamos de uma visão
práticas educativas. Só é possível utilizar os crítica, apesar do desgaste da palavra
recursos tecnológicos na sala de aula como “crítica”-ou seja, compreender a tec-
ferramentas de auxílio para o ensino e para nologia para além do mero artefato,
a aprendizagem escolar a partir do mo- recuperando sua dimensão humana
mento que o professor faz opções, as quais e social. As tecnologias que favorecem
revelam suas concepções de ensino e de o acesso à informação e aos canais de

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comunicação não são por si mesmas, E, ressaltamos, assim configura-se


educativas, pois, para isso, dependem uma situação histórica na qual não é mais
de uma proposta educativa que as possível falsear a educação. Os caminhos
utilize enquanto mediação para uma precisam ser repensados e planos traçados
determinada prática educativa (p. 46-
para que, mais do que discutir conceitos
47).
e nomenclaturas, possamos refletir sobre
Nesse contexto, na era digital que se meios para tornar a escola um espaço que
consolida, mais uma vez, e não poderia ser realmente esteja focado em ampliar as pos-
diferente, a missão a ser cumprida tem de sibilidades dos leitores no uso desse novo
ser realizada a várias mãos; o professor não suporte, o computador, apontando meios
pode ser visto como um ser isolado e nem para o enfrentamento pedagógico dessa
tão pouco como o responsável pelos proble- questão, e alargando o universo das práticas
mas. Ele não é o vilão do cenário, há ques- sociais necessárias à vida em sociedade. Re-
tões bem abrangentes que permeiam essa ferimo-nos ao dever da escola, e nesse caso
discussão, como bem pontua Coscarelli dos professores, de, no processo de ensino
(2011, p. 31): “Aproveito para alfinetar a uni- e de aprendizagem, articular as referências
versidade e os centros de formação de pro- de mundo que os alunos já possuem com as
fessores: o que têm feito para preparar os novas tecnologias, oportunizando, assim,
professores para essa realidade?”. E muitas maior acesso à inclusão social e, consequen-
outras questões poderíamos também somar temente, maior acesso aos bens culturais
a essas; e não se trata de defender a escola produzidos pela humanidade.
ou o professor, mas tão somente de ampliar A rigor, é necessário tornar os leitores/
a visão em relação aos problemas que se de- alunos manipuladores de textos e suportes,
lineiam. exploradores de possibilidades (RIBEIRO,
Em favor disso, podemos citar, por 2011, p.135). Mesmo sendo fruto de tempos
exemplo, a investigação realizada por San- de computadores e demais instrumentos de
tos (2003), buscando esclarecer modalida- comunicação digitais e, principalmente da
des de uso da internet em situações de ensi- internet, nossos alunos, mesmo dominando
no fundamental. Sua pesquisa revelou que com maior naturalidade esses recursos, não
prescindem da figura do professor, que faça
Os professores demonstraram inte-
a mediação entre as informações veiculadas
resse e vontade de inovar, mas esta-
vam de mãos vazias, sem instrumen- e os modos de registrar e trabalhar, no sen-
tos teóricos e empíricos para isso, de tido de organizar, todo esse arsenal a que
modo que o uso da internet ainda serão expostos.
é bastante limitado, embrionário e Quanto aos professores, há uma co-
aquém das possibilidades desse pode- brança para que se adaptem a essa nova rea-
roso meio de comunicação e informa- lidade, uma cobrança que gera desconforto,
ção (SANTOS, 2003, p. 311). na medida em que o seu aprendizado fora

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baseado em outros recursos. O novo geral- o desenvolvimento de uma atividade (a cria-


mente assusta, mas não podemos permitir ção de um e-mail pelos alunos) que a profes-
que numa sociedade em constante mutação sora propôs, e que foi desenvolvida em um
a educação permaneça estática, arcaica e dia, em dois horários, cada um com 50min.
avessa às novas necessidades de seus ato- O laboratório de informática estava
res.1 Nunca foi tão necessário ensinar a ler e equipado com 42 computadores, que ope-
a escrever, pois, conforme postula Carrière ram com o sistema Linux. Posto que nem
(apud MARCUSCHI, 2003), uma pessoa só todos os equipamentos estavam em condi-
pode utilizar um computador se ela souber ção de uso, a maioria dos alunos tinha que
ler e escrever, o que exige ainda, diferente se sentar em dupla. Havia também algumas
de antigamente, mais conhecimentos sobre dificuldades tais como: internet muito lenta
novos signos não verbais. e travando, isso quando não caia e os alunos
A fim de averiguar no nosso entorno tinham que reiniciar as atividades, tornan-
como os professores estavam agindo dian- do a prática cansativa e desanimadora para
te da tarefa de lidar com atividades que a maioria deles.
envolvessem os alunos e o laboratório de Apesar das dificuldades técnicas cita-
informática, acompanhamos uma profes- das, e da dificuldade de alguns deles quan-
sora de uma escola pública do município de to ao próprio manuseio do computador, o
Jacarezinho/PR, durante um mês. A referi- objetivo da aula, que era criar um e-mail, a
da professora, formada no curso de Letras partir das instruções lidas no site Yahoo, foi
desde 1987, levava os seus alunos do 6º ano cumprido e em tempo hábil. Alguns alunos
do ensino fundamental, período da tarde, necessitaram da ajuda da professora, ou-
para o laboratório de informática, pelo me- tros, mais rápidos e habituados com o uso
nos uma vez por mês. A frequência era essa do computador, deram conta da atividade
porque havia outros professores e outros e dedicaram-se a auxiliar ou a atrapalhar os
alunos que precisavam se reversar para usar colegas. A professora demonstrou não saber
o laboratório. bem o que fazer em vários momentos.
Nossa intenção ao acompanhar a pro- A esse respeito, faz-se pertinente os
fessora era analisar o modo como ela prepa- dizeres de Carla Viana Coscarelli em seu
rava as atividades que iriam ser propostas artigo “Alfabetização e letramento digital”,
para os alunos e como conseguia dar conta quando menciona que “o fato de usar a
de auxiliá-los. informática nas aulas não transforma
Para a coleta de dados, optamos pela instantaneamente o ensino em alguma coisa
observação direta das aulas no laboratório ‘moderna’ ou ‘eficiente’” (2011, p. 26). Tais
de informática. Para o momento, relatamos palavras fazem sentido nesse contexto, na
medida em que, muito embora a professora
demonstrasse as melhores intenções e
1
Estamos nos referindo aos docentes, em sua maioria,
que ainda são da mesma geração da década de 90, que fosse muito dedicada, percebemos que
não conviveram com as TIC desde pequenos.

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lhe faltavam instruções para que houvesse seria uma ótima oportunidade pra o entre-
de fato uma finalidade naquilo que se tenimento, para a diversão e aprenderiam
propunha. A insegurança dela deixava os muito com essa “brincadeira séria”.
alunos dispersos e inquietos. Durante a Nesse sentido, relembramos o alerta
atividade, alguns alunos questionaram: de Coscarelli sobre a necessidade de “os pro-
“professora, pra que serve o e-mail?”. fessores se preparem para operar desemba-
Acreditamos que a escolha dessa ati- raçadamente com esse instrumental. Isso
vidade, pela professora, poderia se caracte- não significa ser expert em informática,
rizar como produtiva, e segundo Coscarelli mas familiarizar-se com os recursos básicos
(2011), é uma atividade prazerosa e que con- necessários à utilização dessa tecnologia”
tribui para o letramento digital dos alunos. (2011, p. 40).
A autora ressalta que a estrutura do texto Quanto ao comportamento dos alu-
e-mail, as formas de fazer abertura e fecha- nos, eles ficaram muito agitados e pediram
mento desse gênero textual, as variações de ajuda o tempo todo, falaram e riram alto,
registros usados nele, bem como abrevia- tornando o ambiente, a maioria das vezes,
ções, emoticons, etiquetas da Net são assun- ensurdecedor. A professora sozinha, sem
tos que podem ser abordados e discutidos auxilio não deu conta de controla-los, além
com os alunos. No entanto, não foi isso que do que, queriam terminar tudo “correndo”
presenciamos durante a aula observada. para entrar nos “joguinho”.
Nesse caso específico, a atividade ficou res- No que tange ao interesse pelas aulas
trita a produção do e-mail como já mencio- ditas “diferentes”, é evidente que ele existe.
nado, não houve “gancho” com a sua disci- As crianças adoram o fato de usar o compu-
plina em nenhum momento e em nenhum tador, no entanto o que pode prejudicar o
sentido. Tão pouco a professora conseguiu andamento das tarefas é o fato de elas terem
“controlar” a leitura dos alunos sobre as ins- que fazer atividades para as não veem tem
truções de como fazer o e-mail, os passos a sentido. Na outras aulas presenciadas, mui-
serem seguidos. tas relutaram em realizar a tarefa, alegando
Lembramos, ainda, que minutos antes que era “muito chata”, “sem graça”, “pra que
de acabar a aula, a professora pediu para vim aqui fazer isso?”.
que os alunos copiassem o Login e a senha Enfim, observamos que, embora a pro-
no caderno. Muitos não sabiam o que Login fessora seja muito dedicada e tenha um ob-
significava e por isso, não conseguiam as- jetivo ao propor a atividade, não consegue
sociar sua função. Não foi trabalhado, por deixar isso claro para os alunos. Isso preju-
exemplo, o envio do e-mail entre os eles, o dica o andamento da aula. Desse modo, ao
que poderia ser avaliado como resultado usar o computador como meio alternativo
positivo ou negativo, quem sabe, acerca dos para trabalhar, foi perceptível sua falta de
objetivos e resultados finais pressupostos habilidade e mesmo de entendimento so-
para essa determinada aula. Além do que, bre o que estava fazendo. A impressão que

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Letramento digital, práticas sociais e implicações pedagógicas

tivemos é que a professora queria usar o cundos são os campos a serem explorados
laboratório mais para parecer mostrar que no terreno da leitura e das novas tecnologias
estava atenta às práticas modernas de ensi- e o quão diversas são as formas de aborda-
no-aprendizagem. Porém, dado o exposto, gem, diversas, mas não menos importantes
as atividade ficavam restritas ao entreteni- umas das outras.
mento. É bom lembrar que a história da leitu-
Ratifica-se com isso, o que Santos ra e dos seus suportes, como também a da
(2003) expôs sobre o interesse e a vontade humanidade de maneira geral, é história de
de inovar dos professores e das dificuldades adaptação, sempre. A rigor, não há nada que
que enfrentam com a falta de instrumentos se possa dizer completamente estranho, por
teóricos e empíricos para isso. Há muito mais que isso possa parecer; o que, na ver-
que se fazer ainda, para que o trabalho com dade, o leitor faz
a leitura e a escrita nas escolas, via meios
É reconhecer certas características,
tecnológicos, nesse caso o computador e a deduzir outras, empregar a familia-
internet, se tornem realmente eficazes. Não ridade que já possui, sua experiência
adianta sair da sala de aula, trocar a lousa de leitura pregressa, num suporte que
pela tela do computador, se não houver an- demandará novas reações. Ao explo-
tes disso um entendimento do que se vai rar o novo material e aplicar conhe-
fazer. A prática docente aponta para novos cimentos prévios, o leitor acaba por
aprendizados, e o professor como mediador chegar a uma nova forma de manipu-
de conhecimentos está diante de mais um lar (navegar!) o objeto novo, que pas-
sa, então, a fazer parte de um univer-
desafio.
so de possibilidades que jamais será
E a tarefa não é fácil. Realmente são fechado (RIBEIRO, 2011, p.131).
muitas as angústias, as indagações, as dú-
vidas, os medos, os anseios e os desejos. De E nesse contexto, no espaço educativo,
nossa parte, colocamo-nos no mesmo pata- as práticas pedagógicas, estarão melhor
mar daqueles que buscam respostas para as centradas, no momento em que for possível
suas inquietações (O quê fazer? Como fa- realmente “estar trabalhando na direção
zer?) e vamos erguendo castelos que ora pa- de incorporar novos saberes/modos de
recem construídos em terra firme ora sobre conhecer (...) Desse modo, aqueles que
areia movediça. fazem a ‘cultura escolar’ devem refletir sobre
como incorporar as novas tecnologias”
Considerações finais (GOULART, 2011, p.55).
Indubitavelmente, a questão dos
Posto que nossa pretensão neste texto, suportes de leitura tem relevância no
não fora trazer respostas, esperamos que os processo de ensino/aprendizagem;
pontos arrolados, embora breves, tenham contudo, tal discussão faz sentido, à medida
sido suficientes para evidenciar o quão fe- que seja gerida paralelamente à criação de

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Recebido para publicação em 30 de Jun. 2014.
Aceito para publicação em 22 de maio 2015.

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