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Boa Nova para cada dia / março 2019

Gonçalo Miller Guerra, s.j. (Semanas)


Manuel Morujão, s.j. (Domingos)

Tempo Comum
Tempo da Quaresma – Cinzas / S. José, Esposo da Virgem Santa Maria /
Anunciação do Senhor

Sex, 1 – Semana VII do Tempo Comum


1ª Sexta-Feira
Sir 6, 5-17 / Slm 118 (119), 12.16.18.27.34.35 / Mc 10, 1-12
A palavra amável multiplica os amigos. (1ª Leit.)

Sim, é verdade, mas não deve ser (só) essa a nossa motivação. Somos
amáveis porque gostamos dos nossos amigos. Somos amáveis porque
somos educados. Somos amáveis porque temos autodomínio. E,
finalmente, somos amáveis porque Deus é amável connosco. Somos
amáveis porque sabemos o que é serem amáveis connosco. Deus
ama-nos, normalmente, através dos outros. Se bem que também o
faça diretamente. Essa amabilidade de Deus torna-nos amáveis.

Sáb, 2 – Semana VII do Tempo Comum


1º Sábado
Sir 17, 1-13 / Slm 102 (103), 13-18 / Mc 10, 13-16
Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele. (Evang.)

Numa festa em que eu estava, uma criança de 3 (?) anos brincava


despreocupadamente. De repente, viu a mãe e correu para ela depois
de ter dado um berro que lhe saiu cá do fundo: «mãe!!». Um adulto
não faria isto. A criança de três anos tem uma entrega completa à
mãe. É esta entrega que Deus quer de nós. E Deus quer isso porque é
o que nós precisamos. Peçamo-lo.

Dom, 3 – Domingo VIII do Tempo Comum – Ano C


Sir 27, 5-8 / Slm 91 (92), 2-3.13-16 / 1 Cor 15, 54-58 / Lc 6, 39-45
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O livro de Ben Sira é o mais lon- ria por Nosso Senhor Jesus Cris-
go e o mais rico em ensinamentos to». O triunfo de Cristo ressusci-
entre os livros sapienciais. Nesta tado será completo, tornando o
passagem é posta particular aten- nosso corpo frágil e corruptível
ção sobre as palavras que dizemos. num corpo imortal e glorioso. A
As nossas palavras são o nosso re- morte para o cristão é esta ope-
trato. Poderemos adaptar assim o ração, tão misteriosa quanto ma-
conhecido ditado popular: Diz-me ravilhosa, tornando a nossa vida
como falas e eu te direi quem és. eternamente incorruptível.
Usando a imagem do autor sa- Jesus, no Evangelho, dá-nos
grado, a nossa boca deverá ser instruções sobre o modo como
como um crivo que não deixa cultivar relações fraternas: não
passar as palavras contamina- nos juntarmos aos que fazem o
das com azedume e ira, vaidade mal, porque acabaremos perdi-
e impaciência e qualquer outro dos e acidentados como um cego
veneno de egoísmo. A Palavra de quando é guiado por outros ce-
Deus desta leitura desafia-nos a gos; com realismo, importa cair
um exame de consciência sobre o na conta de que também nós
que dizemos em palavras e comu- somos imperfeitos e limitados
nicamos com gestos e atitudes. A e, portanto, devemos ser com-
nossa boca não pode ser nunca preensivos com os defeitos e
um vulcão donde sai a lava mor- fraquezas dos outros; é preciso
tífera do ódio e outros malefícios. investir na própria qualidade de
A nossa boca deve ser como um vida, pois de um espinheiro não
jardim de bem-me-queres e amo- podemos esperar que nos ofereça
res perfeitos. frutos alimentícios e gostosos.
S. Paulo fala-nos de um tema Cristo é mestre exímio em
que sempre preocupou a huma- transmitir mensagens profundas
nidade: o que nos espera depois através de imagens simples. Tam-
da morte? É um mistério ao qual a bém nisto é modelo que devemos
fé em Cristo, vencedor da morte, imitar. O importante na vida é ter
dá uma resposta esclarecedora e um coração bom, que será fon-
entusiasmante. Assim, o Apósto- te donde jorra espontaneamen-
lo Paulo nos exorta: «permanecei te bondade. Uma vida autêntica
firmes e inabaláveis», em ação de não engana e a sua bondade aca-
graças a Deus «que nos dá a vitó- bará sempre por vir ao de cima.

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Importa investir na qualidade da rência das flores e ramagens: «o
raiz, que é o nosso coração, e não homem bom, do bom tesouro do
nos preocuparmos com a apa- seu coração, tira o bem».

Seg, 4 – Semana VIII do Tempo Comum


Sir 17, 20-28 / Slm 31 (32), 1.2.5.6.7 / Mc 10, 17-27
Falta-te uma coisa: (…) dá o dinheiro aos pobres. (Evang.)

Há pessoas que nunca se sentem a ganhar dinheiro. E há pessoas


que nunca se sentem a gastar. São os poupados e os gastadores.
Algumas vezes, os grandes gastadores dão grandes gorjetas, grandes
presentes, grandes esmolas. Os muito poupados, normalmente,
não o fazem. Mas ambos os grupos cedem a impulsos e não a uma
caridade pensada e rezada. É isso que eu hoje proponho ao leitor
que faça para ultrapassar a sua inclinação natural: que pense e reze o
gastar do seu dinheiro.

Ter, 5 – Semana VIII do Tempo Comum


Sir 35, 1-15 / Slm 49 (50), 5-8.14.23 / Mc 10, 28-31
Nós deixámos tudo para Te seguir. (Evang.)

Obviamente, S. Pedro está triste por o seguimento de Jesus não lhe


ter proporcionado o gozo de que ele estava à espera. Aquele andar
atrás de Jesus, de um lado para o outro, a pregar e a curar não devia
encher-lhe as medidas. Ele queria alguma coisa que compensasse ter
deixado as redes e a família. Provavelmente, estava com saudades e
ainda não tinha uma missão. A missão dá um sentido às nossas vidas
e suaviza-nos as saudades das cebolas do Egito. Hoje, o leitor peça
para si um forte sentido de missão.

TEMPO DA QUARESMA

Qua, 6 – Cinzas
Joel 2, 12-18 / Slm 50 (51) 3-6.12-14.17 / 2 Cor 5, 20 – 6, 2 / Mt 6, 1-6.16-18
Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens. (Evang.)

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A nossa sociedade tende a premiar, dar relevo, condecorar as
pessoas que se distinguem de alguma maneira. E isso é bom,
porque dá um exemplo às gerações seguintes. Outra coisa é
pormo-nos em bicos de pés para mostrarmos os nossos feitos. É
isso que Jesus condena. E não devemos ficar amargurados com a
falta de reconhecimento da sociedade, porque devemos fazer as
coisas gratuitamente. Hoje, o leitor peça gratuidade para o seu
bem-fazer.

Qui, 7 – Féria depois das Cinzas


Deut 30, 15-20 / Slm 1, 1-4.6 / Lc 9, 22-25
Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo. (Evang.)

Entenda-se: renunciar a si é renunciar à parte que nos afasta de


Deus. Mas a renúncia é muito difícil. Estamos habituados à nossa
sombra, gostamos dela, estamos viciados nela, quando alguém
nos chama a atenção, reagimos mal… A minha experiência, leitor,
é que a oração ajuda muito a erradicar o pecado, uma vez ele
identificado. Para além de pormos todos os meios necessários.
Mas a oração (a mim) suaviza-me muito a luta. O leitor
experimente.

Sex, 8 – Féria depois das Cinzas


Is 58, 1-9 / Slm 50 (51), 3-6.18-19 / Mt 9, 14-15
O jejum que Me agrada é (…) levar roupa aos que não têm que vestir... (1ª Leit.)

Tanto o Antigo como o Novo Testamento insistem neste aspeto;


logo, deve ser importante. Mas muitos de nós ainda lhe somos
indiferentes ou fazemos pouco. Parece-me que é falta de Deus
dentro de nós. (De mim.) Falta de empatia com Deus. Às vezes,
excesso de oração vertical verbal, porque se a oração verbal é de
coração atinge o outro. Mas, muitas vezes, a oração é feita com um
coração tão frio que não é capaz de sentir os que têm frio. Peçamos
um coração de carne.

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Sáb, 9 – Féria depois das Cinzas
Is 58, 9-14 / Slm 85 (86), 1-6 / Lc 5, 27-32
Se tirares do meio de ti toda a opressão, os gestos de ameaça e as palavras
ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, brilhará
na escuridão a tua luz. (1ª Leit.)

Hoje peçamos a graça de um coração suave, aberto ao outro, empático.


O profeta Isaías fala do pão que é nosso. Estará ele a pensar que
podíamos passar privações para partilhar com os pobres? Acho que
isso nem passa pela cabeça. Mais facilmente faríamos sacrifícios para
proporcionar uma operação ao nosso cão. Claro que o nosso cão é mais
valioso do que um pobre. O nosso cão tem um partido. Os pobres não.

Dom, 10 – Domingo I da Quaresma – Ano C


Dt 26, 4-10 / Slm 90 (91), 1-2.10-15 / Rm 10, 8-13 / Lc 4, 1-13

A oferta das primícias, dos pri- ros, aos órfãos e às viúvas.


meiros frutos, é muito mais que Esta leitura da Palavra de Deus
uma tradição do povo hebreu. é colocada no início da Quares-
É a proclamação da sua fé em ma como um desafio à conver-
Deus Criador e Senhor de tudo. são penitencial da partilha, da
Na celebração litúrgica dos pri- doação generosa. Só quem se
meiros frutos da terra, que são converte ao amor caritativo para
oferecidos a Deus, fonte de tudo com o próximo é que prova ter-
o que vive e respira, o sacerdote -se convertido verdadeiramente
não reza um credo de verdades a Deus. Se alguém se diz amigo
teóricas, mas faz uma síntese da de Deus e é inimigo do próximo
história de salvação realizada por está a ser mentiroso.
Deus em favor do seu povo. S. Paulo apresenta-nos uma
Ocorre a natural pergunta: que das mais antigas confissões de
destino se dava às primícias ofe- fé: confessar com a boca que Jesus é
recidas no templo? Queimavam- o Senhor e acreditar com o coração
-se? Eram dadas aos sacerdotes? que Deus O ressuscitou dos mortos.
Nada disso, pois eram oferecidas Esta confissão de fé era usada
aos privilegiados de Deus: aos no rito do batismo dos primei-
pobres, aos levitas, aos forastei- ros tempos da Igreja. «Acreditar
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com o coração» significa com a tinuam atuais na Igreja de Cristo,
vida real, onde cada um prova o formada por mulheres e homens
que pensa e diz com palavras. frágeis, mas nunca abandonados
No Evangelho encontramos Je- pela graça providencial de Deus.
sus a ser tentado pelo diabo. Não As tentações de Jesus são-nos
se trata da descrição de um cro- apresentadas em três quadros:
nista que narra os pormenores conversão das pedras em pão;
de um acontecimento. É antes oferta do poder e glória dos rei-
uma lição de catequese, a fim de nos da terra; atirar-se do pinácu-
sabermos como vencer as tenta- lo do Templo para ser sustenta-
ções, à imitação do mestre Jesus. do pelos anjos. São uma síntese
As tentações de Jesus ocorrem de todas as tentações, represen-
no deserto, que tem um forte tando o modo errado de nos re-
sentido bíblico: é um lugar de lacionarmos com as coisas, com
provação, mas também um con- as pessoas e com Deus.
texto propício à revelação de O facto de Cristo ter sido tenta-
Deus. Aí Jesus Se sentiu «cheio do, sem viver num plano super-
do Espírito Santo» e venceu -humano, acima de toda a sedu-
«toda a espécie de tentações». ção do mal, é um forte exemplo
Nesta narração aparece o drama para nós. Ele mesmo nos en-
que Jesus viveu na sua consciência; sinou a rezar, pedindo assim a
o combate que teve de travar para Deus: «Não nos deixeis cair em
ser fiel à vontade do Pai: as tenta- tentação, mas livrai-nos do mal».
ções do êxito imediato, da glória Não pedimos para não ser tenta-
mundana e do prestígio, do apro- dos (nisso nos distanciaríamos
veitamento do próprio poder para de Cristo), mas para vencermos
sua vantagem. Tentações que con- as tentações unidos a Ele.

Seg, 11 – Semana I da Quaresma


Lev 19, 1-2.11-18 / Slm 18 B (19), 8-10.15 / Mt 25, 31-46
Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos,
também a Mim o deixastes de fazer… (Evang.)

A civilidade tem muitas coisas que tocam a caridade. Uma delas é


deixar falar as pessoas à vez. Nas conversas, não raro imperam os
mais enérgicos, os que falam mais alto e reagem mais depressa. As
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pessoas educadas dão espaço aos pequeninos, àqueles que falam mais
baixo, que reagem mais lentamente. Parece que aqui ser educado
coincide com ser cristão. Nas suas conversas, o leitor esteja atento
àqueles que tentam interpor uma palavra com uma voz mais baixa,
uma atitude mais tímida...

Ter, 12 – Semana I da Quaresma


Is 55, 10-11 / Slm 33 (34), 4-5.6-7.16-17.18-19 / Mt 6, 7-15
O pão nosso de cada dia nos dai hoje. (Evang.)

Hoje, a minha proposta é que o leitor reze por África. Muitos países de
África têm matérias-primas suficientes para serem países com grande
abundância de bens, com muito mais do que o pão de cada dia, mas
como são mal geridos, têm grande parte das suas populações a passar
mal. Portugal é um país praticamente sem matérias-primas mas que
nós conseguimos desenvolver bastante. Hoje, dêmos graças a Deus por
isso e rezemos para que em África haja o pão nosso de cada dia.

Qua, 13 – Semana I da Quaresma


Jon 3, 1-10 / Slm 50 (51), 3-4.12-13.18-19 / Lc 11, 29-32
Fazei nascer dentro de mim um espírito firme. (Salmo)

Um espírito firme é aquele que subjaz ao nosso temperamento, que


pode ser mais em linha reta ou mais às curvas. Algumas pessoas são
como a tartaruga, outras como a lebre, outras têm dentro de si a síntese
da tartaruga com a lebre. Seja como for, todas têm de rezar para terem
um espírito firme. O Espírito de Deus que nos orienta e motiva. O resto
é uma questão de temperamento. Rezemos por um espírito firme.

Qui, 14 – Semana I da Quaresma


Est 4, 17 n.p-r.aa-bb.gg.hh / Slm 137 (138), 1-2a.2bc-3.7c-8 / Mt 7, 7-12
(…) não tenho ninguém senão Vós. (1ª Leit.)

Como seria se só tivéssemos Deus? Enlouqueceríamos por falta


de relação humana? Ficávamos com uma doença mental? Ou
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Deus chegava-nos? Nunca chegaremos a estar numa situação de
um isolamento completo mas o ponto a que eu quero chegar é se
Deus é, de facto, uma realidade viva para o leitor. Estou como que
a perguntar se Deus é (de) uma tal realidade para o leitor que lhe
fizesse companhia no caso de um isolamento completo. Até que
ponto Deus é uma realidade viva para o leitor?

Sex, 15 – Semana I da Quaresma


Ez 18, 21-28 / Slm 129 (130), 1-8 / Mt 5, 20-26
Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao sinédrio e quem lhe chamar
louco será submetido à geena do fogo. (Evang.)

Chamar imbecil a alguém já supõe uma certa dureza de coração e a


doença mental ainda é um estigma muito grande. Hoje façamos um
exame de consciência sobre a doença mental: como é que o leitor olha
para os doentes mentais na sua família, na sua congregação religiosa,
no seu emprego, entre os seus amigos? Provavelmente, não conhece
alguns porque eles têm tendência a esconder-se. Porque será?

Sáb, 16 – Semana I da Quaresma


Dt 26, 16-19 / Slm 118 (119), 1-2.4-5.7-8 / Mt 5, 43-48
Orai por aqueles que vos perseguem. (…) Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é
perfeito. (Evang.)

Jesus diz para rezarmos por quem nos persegue e não por quem
nos perseguiu. Rezar por quem nos persegue é rezar por quem nos
está a perseguir neste momento. Isso é muito difícil, porque temos
a ferida da ofensa aberta. Estamos a rezar por quem nos está – neste
momento preciso – a infligir uma dor. Hoje, peçamos essa graça.

Dom, 17 – Domingo II da Quaresma – Ano C


Gn 15, 5-12.17-18 / Slm 26 (27), 1.7-9.13-14 / Fl 3, 17 – 4, 1 / Lc 9, 28b-36

Encontramos nesta passagem vez que se afirma que alguém


do livro do Génesis a primeira teve fé no verdadeiro Deus. O

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verbo hebraico usado para ex- obras, à nossa vida concreta.
primir que Abraão «acreditou» Jesus sobe a um monte para rezar,
em Deus significa apoiar-se numa no recolhimento da solidão, longe
base sólida e segura. Não se trata das multidões que O seguiam. É
da adesão intelectual a verdades profundamente significativo que
dogmáticas, mas sim da confian- Jesus, Filho de Deus, sinta a neces-
ça incondicional numa pessoa. É sidade de rezar e o faça, repetidas
esta a fé do cristão. vezes e por largo tempo.
A fé de Abraão verifica-se na Neste contexto de oração, deu-se
adesão total ao Senhor, que lhe a transfiguração. A glória de Jesus,
prometeu ter uma descendência Filho de Deus, tornou-se visível
mais numerosa do que as incon- na sua humanidade: «Enquanto
táveis estrelas do céu. E Deus re- orava, alterou-se o aspeto do seu
compensa-o estabelecendo com rosto e as suas vestes ficaram de
ele uma aliança de perene fideli- uma brancura refulgente». Como
dade. A iniciativa da aliança é de na agonia de Jesus no jardim das
Deus, absolutamente gratuita e oliveiras, também aqui estes três
incondicional. Também hoje a apóstolos deixaram-se vencer
aliança de amor entre Deus e cada pelo sono. É a nossa incapacidade
um de nós é gratuita, incondicio- de assumir responsabilidades em
nal e perene, resistindo a qual- ocasiões decisivas, o nosso passar
quer infidelidade da nossa parte. ao lado sem cair na conta do que
S. Paulo exorta a comunidade se passa de importante.
cristã de Filipos, e a todos nós Pedro apresenta o seu plano de
hoje, a não nos entrincheirarmos construir três tendas, a fim de
em tradições e rituais que não são prolongar, senão eternizar, a be-
próprios de amigos da cruz de leza consoladora da experiência
Cristo, que deu a vida por nós. da transfiguração. Como anota
É-nos pedido para «permane- S. Lucas: «Não sabia o que estava a
cermos firmes no Senhor», sem dizer». Mas Jesus, que nos aparece
nos agarrarmos às coisas da ter- nos Evangelhos como peregrino,
ra, porque somos peregrinos da sempre a caminho, não consente
«nossa pátria que está nos Céus». neste pedido. A meta das nossas
A fé em Cristo não pode ficar no experiências de consolação no Se-
acreditar nos dogmas enunciados nhor está na vida quotidiana, no
num credo, mas tem de descer às cumprimento dos nossos deveres.

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Da nuvem do mistério de Deus É o convite que Deus Pai tam-
veio uma voz: «Este é o meu bém hoje nos faz. Escutar a voz
Filho, o meu Eleito: escutai-O». de Jesus e seguir a sua boa nova.

Seg, 18 – Semana II da Quaresma


Dan 9, 4b-10 / Slm 78 (79), 8-9.11.13 / Lc 6, 36-38
No Senhor, nosso Deus, está a misericórdia e o perdão. (1ª Leit.)

E depois o Evangelho diz-nos que a condição de sermos perdoados


é perdoar. Atentemos a estas duas realidades. Perdoamos e somos
perdoados. Parece justo. O leitor imagine que perdoávamos mas não
éramos perdoados. Isso seria verdadeiramente revoltante. Daí que o
nosso perdão venha de Deus e não dos homens, porque o perdão de
Deus é infalível, enquanto o dos homens não é. O leitor peça a graça
de perdoar sempre.

Ter, 19 – S. José, Esposo da Virgem Santa Maria (Solenidade)


2 Sam 7, 4-5.12-14.16 / Slm 88 (89), 2-5.27.29 / Rom 4, 13.16-18.22 / Mt 1,
16.18-21.24 ou Lc 2, 41-51
Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura. (Evang. de Lucas)

Hoje podemos rezar por duas intenções. Ou pelos pais que perdem
os filhos ou pelos pais que não entendem a vocação dos filhos.
Há pais que perdem os filhos em acidentes de viação ou desastres
naturais, em guerras ou porque os filhos fogem de casa ou porque
os próprios pais põem os filhos fora de casa. E também há pais que
não percebem a vocação dos filhos. Às vezes, são vocações religiosas,
outras vezes é só porque não era aquela a vocação que os pais
tinham sonhado para o seu filho.

Qua, 20 – Semana II da Quaresma


Jer 18, 18-20 / Slm 30 (31), 5-6.14.15-16 / Mt 20, 17-28
Eles abrem uma cova para me tirar a vida. Lembrai-Vos que me apresentei diante
de Vós, para Vos falar em seu favor. (1ª Leit.)

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Assim nós fizéssemos com quem nos magoa. Eu tenho muita
dificuldade nisso. Quando uma pessoa me magoa (muito), não
quero pensar nela, porque pensar nela lembra-me essa mágoa. Eu
acho que temos de começar por pensar, rezar pelas pessoas que nos
magoaram num passado já algo distante. Depois, vamos chegando
até às pessoas que nos magoam no presente. Além de pedirmos essa
graça. Precisamos mesmo da força de Deus.

Qui, 21 – Semana II da Quaresma


Jer 17, 5-10 / Slm 1, 1-2.3.4.6 / Lc 16, 19-31
Eles têm Moisés e os profetas. (Evang.)

Nós temos toda a Bíblia, a nossa relação com Deus, dentro disso a
nossa relação com o Espírito Santo, as leituras da Missa e outras
coisas. Isso vai-nos alimentando. Vamos meditando em coisas
antigas, vendo-as sob novas perspetivas ou saboreando gostos
antigos, encontrando coisas novas nas quais ainda não tínhamos
caído na conta. Mas todas estas coisas têm de cavar fundo e depois
têm de se transformar em vida. Peçamos essa graça ao Senhor,
porque isto não é fácil.

Sex, 22 – Semana II da Quaresma


Gen 37, 3-4.12-13a.17b-28 / Slm 104 (105), 16-21 / Mt 21, 33-43.45-46
Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos. (Evang.)

O que é que isto quereria dizer na nossa vida? Que nos tira a
missão? Não. Ainda que nós tenhamos o nosso pecado. Assim,
há um processo dinâmico entre o plano de Deus para nós, a
frustração desse plano pelo pecado, a nossa redenção e consequente
prossecução do plano de Deus. (Salvaguardando sempre a
nossa liberdade de, querendo, nos rebelarmos contra o plano
que discernimos Deus ter para nós.) Assim, hoje, rezemos pelo
cumprimento da nossa missão.

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Sáb, 23 – Semana II da Quaresma
Miq 7, 14-15.18-20 / Slm 102 (103), 1-4.9-12 / Lc 15, 1-3.11-32
Naquele tempo, (…) os pecadores aproximavam-se de Jesus. (Evang.)

Hoje em dia há grandes pecados por causa dos quais se reza muito pelas
vítimas. Estou a lembrar-me das vítimas do terrorismo, das vítimas dos
ditadores, das vítimas de organizações criminosas que traficam pessoas,
que traficam droga, que têm escravos, etc., das vítimas da pedofilia
e outros. Mas, ao mesmo tempo que rezamos pelas vítimas, temos
sempre de rezar pela alma, pela salvação dos criminosos. Foi isso que
Nossa Senhora pediu em Fátima. Hoje, rezemos por esta intenção.

Dom, 24 – Domingo III da Quaresma – Ano C


Ex 3, 1-8a.13-15 / Slm 102 (103), 1-4.6-8.11 / 1 Cor 10, 1-6.10-12 / Lc 13, 1-9

A leitura do livro do Êxodo te pairando acima das nuvens. É


apresenta-nos o chamamento de um Deus que assume as nossas
Deus a Moisés, que misteriosa- angústias e problemas como sen-
mente Se revela por meio de uma do seus, disponível a fazer tudo
sarça que arde sem se consumir. o que seja para nosso bem e sal-
O fogo é das imagens bíblicas vação. O nosso Deus, como no-
mais comuns para indicar a pre- tavam os rabinos, é alguém que
sença de Deus. Baste recordar as toma a iniciativa de vir em nosso
línguas de fogo no Pentecostes. socorro, pois o texto bíblico não
Israel, antes de conhecer a afirma que os israelitas gritaram
Deus como pai e esposo, como ao Senhor, mas foi o Senhor que
rei e pastor, conheceu-O como ouviu os seus gritos de angústia
libertador: «Eu vi a situação mi- perante tantas injustiças.
serável do meu povo no Egito; Na comunidade de Corinto, ha-
escutei o seu clamor provocado via cristãos que estavam conven-
pelos opressores. Conheço, pois, cidos que lhes bastava o batis-
as suas angústias. Desci para o mo para alcançarem a salvação.
libertar das mãos dos egípcios». S. Paulo adverte-os que as graças
O nosso Deus não é como os de Deus, como é especialmente o
deuses do olimpo, distante das batismo, não produzem um efei-
desgraças humanas, gloriosamen- to automático, como se se tratas-
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se de magia espiritual. A fé pre- engenheiros e artistas que cons-
cisa de obras que a comprovem. truíram mal uma torre. De tudo
Ser cristão não é um estatuto que o que acontece há que tirar lições
se conquistou, mas uma graça à positivas. Por isso, Jesus recorda
qual nos temos de abrir cada dia. que o importante é levar uma
Jesus, no Evangelho, faz um in- vida que agrade ao Senhor, con-
sistente apelo à conversão. Não vertendo-nos das nossas malda-
entra na discussão da injustiça de des e pecados.
Pilatos ter mandado assassinar A parábola da figueira é usada
galileus que estavam no templo, por Cristo para nos apresentar a
profanando assim um lugar sa- extraordinária paciência e solici-
grado. Clarifica que os infortú- tude de Deus. S. Lucas, o evange-
nios e desastres que acontecem, lista da misericórdia, retrata-nos
como os 18 homens que morre- Deus cheio de esperança e com-
ram com a queda da torre de Si- preensão com a dureza do nosso
loé, não são um castigo de Deus. coração, disponível para nos dar
Jesus não entra na discussão «po- sempre mais uma oportunidade
lítica», condenando Pilatos e os para nos convertermos.

Seg, 25 – Anunciação do Senhor (Solenidade)


Is 7, 10-14; 8, 10 / Slm 39 (40), 7-11 / Hebr 10, 4-10 / Lc 1, 26-38
Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade. (Salmo)

E o salmo continua: «Então clamei: “Aqui estou…”». Todos nós


devemos dizer isto a Deus e podemos ter muitas surpresas com o
bem que Deus tem para nos dar. Porque há aquela frase de Jesus:
«Quem Me quiser seguir pegue na sua cruz…», mas não nos
devemos esquecer que Jesus ressuscitou. E que provavelmente Jesus
foi feliz – ou mesmo muito feliz – durante trinta e três anos porque
Jesus era filho de Nossa Senhora – que devia ser uma mãe ótima – e
dileto do Pai. Hoje, o leitor agradeça a Deus todas as coisas boas que
Deus lhe tem dado.

Ter, 26 – Semana III da Quaresma


Dan 3, 25.34-43 / Slm 24 (25), 4-9 / Mt 18, 21-35
Assim procederá (…) meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar... (Evang.)
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Algumas pessoas dizem-me que têm uma mágoa dentro delas e que
por isso não conseguem perdoar. Temos de esclarecer que perdoar
não é a ausência de mágoa. A mágoa é a ferida interior que nos
causaram. Nós já perdoámos quando já conseguimos rezar pela
pessoa que nos fez mal. A mágoa é independente disso. A mágoa
depende da profundidade da ferida que nos infligiram.

Qua, 27 – Semana III da Quaresma


Deut 4, 1.5-9 / Slm 147, 12-13.15-16.19-20 / Mt 5, 17-19
Aquele que os praticar e ensinar [aos mandamentos] será grande… (Evang.)

O leitor repare que praticar vem antes de ensinar. Parece-lhe


que alguém que não sabe guiar pode ensinar a guiar? Não tem a
experiência para acompanhar o aluno, para lhe ensinar a prática,
para lhe ensinar tudo o que não está nos livros. No amor, o que
ensina é a prática. As palavras expressam, esclarecem, iluminam.
Ensina-se a amar amando. É assim que todos aprendemos a amar:
sendo amados. Hoje, o leitor peça pelos casais desavindos.

Qui, 28 – Semana III da Quaresma


Jer 7, 23-28 / Slm 94 (95), 1-2.6-9 / Lc 11, 14-23
Quem não junta comigo dispersa. (Evang.)

O que será juntar com Cristo? Vejamos! O que é que nós podemos
juntar com Cristo? Todos os dons do Espírito Santo, quando os
pomos em prática. E também o amor. O leitor já reparou que
quando amamos muito alguém, o amor vai crescendo? Vamos
juntando amor dentro de nós, capacidade de amar, para estar à nossa
disposição quando for preciso, quero dizer, quando se nos deparar
uma pessoa difícil de amar. O leitor reze por esta intenção.

Sex, 29 – Semana III da Quaresma


Os 14, 2-10 / Slm 80 (81), 6-11.14.17 / Mc 12, 28b-34
Escuta, Israel. (Evang.)

14 Boa Nova - março 2019


«Escuta, Israel», quer dizer: Israel, presta atenção. É o que nos faz
falta, muitas vezes. Quantas vezes não ouvimos as leituras da Missa
só com um ouvido, ou lemos a Palavra mecanicamente? Muitas
vezes. Porque é que eu digo isso? Porque temos muita dificuldade
em aplicar a Palavra ao nosso dia a dia, em amolecer o nosso coração
de pedra. Quantas vezes pensamos (ou não pensamos): o que é que
eu posso fazer por Deus ou pelo meu próximo?

Sáb, 30 – Semana III da Quaresma


Os 6, 1-6 / Slm 50 (51), 3-4.18-21 / Lc 18, 9-14
Alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros. (Evang.)

Será que o leitor despreza alguém? Se calhar, não. Será que se


sente superior a alguém? Se calhar, sim. Se calhar também se sente
inferior a outras pessoas. Na inteligência? No estatuto social? Na
riqueza? Todos nós temos pessoas abaixo e acima de nós. Mas,
embora a nossa cabeça saiba isso, podemos amar toda a gente com o
nosso coração. Sempre haverá diferenças, mas nós podemos não nos
deixar encandear por essas diferenças. Rezemos por isso.

Dom, 31 – Domingo IV da Quaresma – Ano C


Jos 5, 9a.10-12 / Slm 33 (34), 2-7 / 2 Cor 5, 17-21 / Lc 15, 1-3.11-32

A celebração da Páscoa do povo amor inalterável. Deus ama-


de Israel tornava presente uma -nos não porque merecemos o
história de libertação da escravi- seu amor, mas porque precisa-
dão no Egito e a presença contí- mos dele como alimento essen-
nua de Deus, que acompanhou o cial. Assim é a gratuidade do
seu povo nas agruras do deserto, o amor desmedido que o Senhor
alimentou com o maná até o fazer nos oferece.
entrar na terra prometida. Não se O apóstolo Paulo dirige uma
trata de uma celebração saudosa forte exortação à conversão
do passado, mas da presença ativa dos cristãos de Corinto e a nós
e fiel na vida atual do povo eleito. também, como «embaixador de
As infidelidades do povo nun- Deus»: «Nós vos pedimos, em
ca fizeram desistir Deus do seu nome de Cristo, reconciliai-vos
Boa Nova - março 2019 15
com Deus». Podemos encontrar música e danças, em clima de re-
aqui também uma exortação à conciliação festiva.
reconciliação sacramental neste Esta parábola é contada por Je-
particular tempo da Quaresma. sus a fim de Se justificar do pró-
A justiça de Deus coincide com prio comportamento, considera-
a sua misericórdia, presente que do escandaloso pelos escribas e
o Senhor nos quer oferecer e do fariseus, que se julgavam justos:
qual todos necessitamos. «Este homem acolhe os peca-
No Evangelho encontramos um dores e come com eles». Aqui
texto de profunda beleza literária encontramos o pai a organizar
que nos revela a imagem real do um banquete festivo para quem,
nosso Deus desmedidamente segundo a justiça humana, mere-
amoroso. É comum chamarmos cia castigos e humilhações. Deus,
«Parábola do Filho Pródigo», representado pelo pai, não Se
mas este título é muito parcial, importa com a sua honra ofen-
pois omitimos que o filho mais dida, mas ocupa-Se em reabilitar
velho também era pecador. a dignidade do filho, que chegou
Além disso, a personagem fun- a casa como um pobre miserável
damental é o Pai dos dois filhos. esfarrapado. «A glória de Deus é
Assim, poderíamos intitular esta o homem cheio de vida», como
história de Jesus: «Parábola do afirma Santo Ireneu. O pai da
Pai excessiva e incorrigivelmen- parábola, imagem de Deus, não
te misericordioso». tem a mínima observação que
Que seria do nosso mundo se denote ira ou desejo de vingança,
fosse um acumular de histórias como mostra o filho mais velho.
como a do filho que abandonou Apenas se empenha em fazer
a casa paterna, para fazer enve- festa a quem se converte. Esta é
nenar a sua liberdade com liber- a ideia fixa de Deus, o seu impe-
tinagens até ficar reduzido a um rativo categórico também hoje
guardador de porcos? Jesus, com a nosso respeito: «Tínhamos de
esta parábola, revela-nos que não fazer festa e alegrar-nos, porque
há becos sem saída, mas qualquer este teu irmão estava morto e
vida desastrada pode terminar na voltou à vida; estava perdido e
casa do Pai, com beijos e abraços, foi reencontrado».

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