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DIMENSÕES

BIOLÓGICAS E
BIOQUÍMICAS DA
ATIVIDADE
MOTORA

Salma Hernandez
Estrutura e função da célula
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Definir as funções de cada uma das estruturas celulares.


 Identificar a estrutura e as funções das mitocôndrias no organismo.
 Descrever os processos de especialização celular.

Introdução
Todos os seres vivos são constituídos por células (menos os vírus). As
células são nossas menores unidades constituintes, no entanto, possuem
funções capazes de determinar nossas vidas. Assim, lançar o olhar sobre
essas unidades é de extrema importância para o reconhecimento de
suas estruturas e funções que regulam todo nosso organismo, incluindo
processos que se iniciam desde a concepção da vida (na fecundação do
óvulo e espermatozoide) e determinam nossa saúde e características
físicas e fisiológicas.
Neste capítulo, vamos aprofundar nosso conhecimento acerca das
estruturas e funções celulares com ênfase na organela mitocôndria, cuja
função regula a respiração celular, isto é, a forma como a célula produz
energia. Além disso, descobriremos como uma única célula, tão pequena,
pode formar um organismo complexo como um indivíduo humano por
meio da análise dos processos de especialização celular.

A célula e suas unidades


Refletindo as células enquanto unidades constituintes de todos os seres vivos,
ainda, como menor unidade anatomofisiológica do corpo humano e tendo
em vista a importância das células segundo suas funções, vamos lançar um
olhar microscópico sobre as células e aprofundar nosso conhecimento sobre
suas estruturas.
2 Estrutura e função da célula

Inicialmente, vamos observar as células animal, vegetal e bacteriana do


ponto de vista de suas estruturas. As células possuem componentes principais
como membrana plasmática (que envolve toda a célula, isolando-a do meio
externo), citoplasma (espaço entre a membrana plasmática e o núcleo, com
exceção das células bacterianas) e organelas (estruturas com funções especí-
ficas para o metabolismo celular).
Observando a Figura 1, é possível identificar estruturas semelhantes entre
as três células (membrana externa, citoplasma — exceção bactérias — e
organelas), no entanto, as células vegetal e animal possuem mais estruturas
em comum quando comparadas com a célula bacteriana, além disso, ambas
são consideradas eucariontes (possuem núcleo definido) enquanto a célula
bacteriana é procarionte (material genético disperso).
Outra forma de analisar as células é por meio de seu ciclo de vida, seja
para regeneração ou cicatrização. Assim, as células podem ser classificadas
como lábeis, estáveis ou permanentes. As lábeis são aquelas que possuem
um ciclo de vida curto, por exemplo, as hemácias (células do sangue), que
são renovadas/destruídas a cada 120 dias. Já as células estáveis geralmente
não se dividem, e sim se proliferam quando estimuladas, por exemplo,
células das glândulas do fígado, pâncreas, salivares etc. Por fim, as células
permanentes não se dividem e nem se proliferam, como as células do sis-
tema nervoso central e músculos. Nesse caso, quando há uma injúria nessas
células, ocorre reposição por tecido conjuntivo (AMABIS; MARTHO, 2006;
LOPES; ROSSO, 2013).
Observados os tipos de células, vamos analisar suas principais estruturas
e detalhar suas funções. As células são revestidas por uma camada externa,
a membrana celular, denominada membrana celular na célula animal, pa-
rede celular na vegetal, e cápsula na bacteriana. A função dessa membrana
é realizar a troca de substâncias com o meio externo, isto é, essa membrana
é semipermeável e por isso realiza a permeabilidade seletiva, pois permite
a passagem de certas substâncias enquanto impede outras. Essa função é
possível por causa de sua constituição lipoproteica (lipídeos e proteínas). Sua
função específica é reconhecer substâncias no meio extracelular e sinalizar
suas estruturas internas para possíveis ações internas da célula; além disso, é
por meio da membrana que ocorre o transporte de substâncias de dentro e de
fora da célula (ALBERTS et al., 2017b; AMABIS; MARTHO, 2006; COOPER;
HAUSMAN, 2007; LOPES; ROSSO, 2013).
Estrutura e função da célula 3

Figura 1: a) Célula animal; b) célula vegetal; c) célula bacteriana.


Fonte: Adaptada de Alberts et al. (2017a, p. 25).
4 Estrutura e função da célula

Quanto ao transporte de substâncias por meio da membrana, podem ocorrer


por transporte passivo, ativo ou por meio de vesículas. No transporte passivo,
as moléculas e íons perpassam a membrana sem requerer energia da célula.
Nesse tipo de transporte, a concentração da substância de dentro e de fora
da célula é que determina a passagem. Assim, podem ocorrer por difusão
simples (as moléculas de um soluto passam pela membrana permeável, do
local mais concentrado para o menos concentrado, isto é, a favor do gradiente
de concentração). Também podem ocorrer por osmose (mesmo mecanismo,
mas agora contra o gradiente de concentração) ou por difusão facilitada (que
ocorrem a favor do gradiente de concentração e por meio de proteínas de
canal ou carregadoras).
Já o transporte ativo ocorre quando a troca de moléculas e íons da célula
para com o meio externo e vice-versa exigem energia celular. Esse trans-
porte ocorre contra o gradiente de concentração e é promovido por proteínas
transportadoras. Por fim, o transporte por meio de vesículas pode ocorrer
por endocitose (processo para capturar partículas sólidas — fagocitose — ou
líquidas — pinocitose) ou por exocitose (processo de eliminação de substâncias
para fora da célula) (ALBERTS et al., 2017b; AMABIS; MARTHO, 2006;
COOPER; HAUSMAN, 2007; LOPES; ROSSO, 2013).

Um exemplo de transporte ativo de nossas células é a


bomba de sódio e potássio que ocorre, por exemplo,
dentro de nossas células nervosas e no processo de con-
tração muscular. Neste vídeo (BOMBA, 2016), será possível
observar também que nesse processo da bomba de sódio
e potássio há participação do transporte passivo por meio
das proteínas de canal que ajudam a manter o potencial
de repouso.

https://goo.gl/BGFrdj

Diante disso, fica evidente a importância da membrana externa da célula,


já que ela não somente protege a célula como é vital para a troca de substân-
cias promovendo algumas ações importantes para o bom funcionamento do
organismo e consequentemente da vida.
Estrutura e função da célula 5

O núcleo não faz parte do citoplasma e abriga o material genético da cé-


lula, controlando a atividade celular; dentro do núcleo se inicia o processo de
replicação do DNA, transcrição e processamento do RNA, porém o processo
de tradução (parte final da tradução gênica) ocorre no citoplasma. O núcleo é
envolto pela carioteca, que possui constituição membranosa justapostas com
um espaço interno. Nessa membrana, há poros circundados por estruturas
proteicas que regulam a entrada e a saída de substâncias no núcleo, processo
semelhante à membrana celular. As outras partes que formam o núcleo com-
preendem o nucléolo (uma região próxima da carioteca que é constituída por
RNA ribossômicos e proteínas), o nucleoplasma (espaço onde se encontram
mergulhados os filamentos de cromatina, proteínas ribossômicas, moléculas
de ATP, nucleotídeos, íons etc.) e por fim o material genético (composto de
longos filamentos de DNA condensados e associados a proteínas) (ALBERTS
et al., 2017b; AMABIS; MARTHO, 2006; COOPER; HAUSMAN, 2007;
LOPES; ROSSO, 2013).
Assim, a membrana plasmática e o núcleo constituem estruturas muito
importantes para a vida celular, pois a primeira, além de realizar a delimitação
da célula, tem como principal função regular a entrada e a saída de substân-
cias dela, e a segunda possui o material genético da célula e, determinando,
portanto, a vida celular. Agora vamos analisar as estruturas que se localizam
dentro da membrana celular, mergulhadas no líquido gelatinoso (denominado
hialoplasma) do citoplasma.

O citoplasma e suas organelas


O citoplasma ou hialoplasma é formado por um material gelatinoso, o citosol,
que contém em sua constituição água, proteínas, glicídios, lipídios, bases
nitrogenadas e íons, e preenche o espaço entre a membrana plasmática e o
núcleo. Mergulhadas nessa gelatina encontram-se as organelas. Cabe ressalvar
que, como as células procariontes, como as bactérias, possuem um citoplasma
muito simples (não possuem núcleo e poucas organelas), vamos analisar as
organelas presentes nas células animais e vegetais (que são consideradas
eucariontes — núcleo definido).
O retículo endoplasmático é formado por tubos, canais e bolsas interconec-
tadas que se estendem desde a membrana plasmática até a carioteca. Pode ser
classificado como liso ou rugoso mediante a presença ou não de ribossomos
aderidos à sua membrana. O retículo endoplasmático rugoso (RER) produz
proteínas, as quais possuem papel tanto dentro como fora da célula (por exem-
6 Estrutura e função da célula

plo, as enzimas digestivas do organismo humano são sintetizadas pelo RER),


enquanto o retículo endoplasmático liso (REL) produz lipídeos e esteroides.
O complexo de Golgi é constituído por um conjunto de bolsas achatadas.
Essa organela recebe as proteínas sintetizadas pelo RER carregadas por meio
de vesículas transportadoras, e sintetiza polissacarídeos e lisossomos. Os
lisossomos, por sua vez, são vesículas produzidas pelo complexo de Golgi com
enzimas digestivas responsáveis pela digestão intracelular. Os peroxissomos
se assemelham ao lisossomo, mas, em vez de enzimas digestivas, contêm
enzimas chamadas oxidases. Sua principal função é decompor moléculas
orgânicas, como aminoácidos e lipídios, produzindo peróxido de hidrogênio,
que neutraliza substâncias tóxicas à célula, como o álcool. Depois disso, o
peróxido de hidrogênio é degradado por outra enzima, a catalase.
Os ribossomos são corpúsculos constituídos por RNA ribossômico e pro-
teínas, responsáveis pela síntese proteica. Essas organelas são compostas de
proteínas e ácido ribonucleico e podem ser encontradas livres no citoplasma,
mas também aderidas no retículo endoplasmático, nas mitocôndrias e nos
cloroplastos das células vegetais. A quantidade dessa organela é variável de
acordo com a fase da divisão celular mediante a requisição da síntese proteica.
Centríolos são estruturas cilíndricas formadas por microtúbulos que atuam
na divisão celular esticando-se e expondo os cromossomos. Essas organelas
também podem formar cílios e flagelos, para tanto, migram do centrossomo
para a periferia da célula e crescem por alongamento de seus microtúbulos.
O citoesqueleto é uma rede de proteínas organizadas em microtúbulos,
microfilamentos e filamentos intermediários. Sua função é conferir forma e
manter a estrutura da célula evitando rompimento da membrana plasmática.
Promove vários tipos de movimento, como o de contração das células mus-
culares, o ameboide, o dos cílios e dos flagelos e a ciclose, que desloca as
organelas pelo citoplasma.
Os flagelos são longos e poucos permitem a locomoção das células em meio
líquido, como nos espermatozoides e nos protozoários. Os cílios, por sua vez,
são curtos e numerosos. As mitocôndrias são formadas por duas membranas,
uma interna e outra externa. As dobras internas da membrana formam as cristas
mitocondriais. O interior é preenchido pela matriz mitocondrial, líquido viscoso
que contém RNA, DNA, ribossomos, enzimas e íons. São responsáveis pela
respiração celular, processo que produz ATP, molécula que armazena energia.
As células vegetais ainda apresentam outras duas estruturas denominadas
plastos e vacúolos. Os plastos podem ser leucoplastos (não possuem pigmento,
sua função é sintetizar e armazenar substâncias de reserva) e cloroplastos
(contêm clorofila, são verdes, realizam a fotossíntese). Os vacúolos participam
Estrutura e função da célula 7

da digestão intracelular e do equilíbrio osmótico da célula, ocupam grande


parte do citoplasma, armazenam substâncias que podem ser úteis ou tóxicas)
(ALBERTS et al., 2017b; AMABIS; MARTHO, 2006; COOPER; HAUSMAN,
2007; LOPES; ROSSO, 2013).
Entre todas as organelas da célula, vamos destacar as mitocôndrias, que
possuem função da ação vital da respiração celular, e é, através desse processo
que há obtenção de energia para a célula. Assim, no próximo tópico, vamos
analisar a fundo as estruturas e funções das mitocôndrias.

Mitocôndrias: usinas de energia celular


As mitocôndrias são organelas diferenciadas das demais encontradas no citosol,
isso porque elas apresentam o próprio DNA (diferente do DNA do núcleo celular),
além da importante e vital função que é a respiração celular, isto é, obtenção
de energia celular. Acredita-se que as mitocôndrias tenham sido originadas de
bactérias que desenvolveram um relacionamento simbiótico, vivendo no interior
de células maiores (endossimbiose). O genoma mitocondrial é formado por
moléculas circulares de DNA que estão copiados em cada mitocôndria celular,
sendo seu tamanho variado de acordo com as diferentes espécies de seres vivos,
por exemplo, o genoma das células humanas possui 16Kb enquanto algumas
leveduras apresentam um genoma mitocondrial de 80kb e algumas plantas mais
de 200kb. E, assim como as células bactérias, reproduzem-se por fissão binária
(ALBERTS et al., 2017b; AMABIS; MARTHO, 2006; LOPES; ROSSO, 2013).
Essas organelas estão envoltas por uma dupla membrana lipoproteica. A
membrana externa é semelhante às demais membranas das outras organe-
las, são lisas, compostas de lipídeos e proteínas que controlam a entrada e a
saída de moléculas. A membrana interna é separada da externa pelo espaço
intermembranas, é menos permeável que a externa, possui invaginações ou
dobras que formam as cristas mitocondriais.
As cristas mitocondriais se estendem para o interior ou matriz da mitocôn-
dria (um espaço preenchido por substância viscosa no qual estão localizadas
as enzimas respiratórias). Ainda na matriz são encontrados os ribossomos,
organelas que sintetizam proteínas necessárias para a própria mitocôndria, e,
por essa característica, são classificadas como semiautônomas. Esses ribos-
somos são diferentes daqueles encontrados no citosol da célula e semelhantes
aos das bactérias. Outra característica comum a bactérias e mitocôndrias é
a presença de moléculas circulares de DNA (AMABIS; MARTHO, 2006;
LOPES; ROSSO, 2013). A Figura 2 apresenta a estrutura de uma mitocôndria.
8 Estrutura e função da célula

Figura 2. Mitocôndria com parte cortada para mostrar sua estrutura.


Fonte: Adaptada de Alberts et al. (2017b, p. 26).

Cada um desses compartimentos desempenha diferentes funções, sendo


que a matriz e a membrana interna representam os principais compartimentos
funcionais das mitocôndrias. A matriz contém o genoma mitocondrial e as
enzimas responsáveis pelas reações centrais do metabolismo oxidativo. Isso
significa que é na matriz mitocondrial que ocorre grande parte da geração de
energia celular pela respiração celular, um processo de oxidação de moléculas
orgânicas, como os ácidos graxos e glicídios como a glicose (que é a principal
fonte de energia utilizada pelos organismos heterótrofos). No caso dos organismos
autótrofos, também é a glicose, porém ela é obtida pelo processo de fotossíntese.
Assim, nas células animais (seres heterótrofos), a geração de glicose a partir
da respiração celular ocorre pelas diversas moléculas, enzimas e íons que
acontecem em três etapas: glicólise, ciclo de Krebs e fosforilação oxidativa,
processo muito energético que gera, ao final, 30 moléculas de ATP (adenosina
trifosfato — a moeda energética da célula).
A glicólise é um processo bioquímico que acontece no citoplasma em que
a molécula de glicose (C6H12O6), proveniente da alimentação, é quebrada em
duas moléculas menores de ácido pirúvico ou piruvato (C3H4O3), liberando
pouca energia (apenas duas moléculas de ATP). Assim, o ácido pirúvico adentra
a mitocôndria por transportadores específicos situados na membrana das
mitocôndrias, chamados de MCT, por meio do transporte ativo, que transporta
o piruvato do sarcoplasma (citoplasma da célula muscular) para o interior
da mitocôndria, onde ocorre o ciclo de Krebs e também é substrato para a
fosforilação oxidativa (que serão descritos a seguir), portanto a glicólise é uma
condição importante para que todo o processo da respiração celular aconteça.
Estrutura e função da célula 9

Bioquimicamente falando, a glicólise é um processo que envolve 10 reações


químicas por meio de diferentes enzimas que geram e consomem ATPs. Por
não envolver o oxigênio nesse processo, a glicólise é classificada como a etapa
anaeróbia da respiração celular.
Portanto, na ausência de oxigênio ou na inibição dessa via, os organismos
realizam a respiração anaeróbia — glicólise. No entanto, em condições de
anaerobiose, é possível que se chegue a outros subprodutos como o ácido
lático e o álcool, reação química denominada fermentação lática ou alcoólica,
e não glicólise.
O ciclo de Krebs ocorre, portanto, dentro da matriz mitocondrial, e a
função desse ciclo é promover a quebra de produtos finais dos carboidratos e
lipídeos e diversos aminoácidos. Essas substâncias são convertidas em acetil-
-CoA (acetil coenzima A) a partir da descarboxilação oxidativa do piruvato
e liberam CO2, H2O além da síntese de ATP e íons energizados de H+. Esses
íons são captados por NAD+ e FAD (receptores de elétrons de hidrogênio),
originando o NADH e FADH2 liberando íons de H+.
Então, ocorre o início do processo de fosforilação oxidativa ou cadeia
respiratória, no qual os elétrons liberados passam por uma cadeia de proteínas
transportadoras localizadas na membrana interna da mitocôndria; essa passa-
gem pelas proteínas é denominada por cadeia respiratória, processo durante o
qual são geradas mais moléculas de ATP. Ao final da cadeia respiratória, íons
menos energizados de H+ se combinam com átomos de O2 formando água e
liberando O2. Embora o oxigênio só participe da fosforilação oxidativa, o ciclo
de Krebs não ocorre sem a presença dele. Assim, essas etapas são consideradas
a etapa aeróbia do processo de respiração celular (AMABIS; MARTHO, 2006;
LOPES; ROSSO, 2013).
Também é importante destacar que as células procariontes realizam respi-
ração celular de maneira similar aos eucariontes, porém a diferença está em
“onde” essas reações acontecem. Os seres procariontes realizam a glicólise
basicamente sobre a forma de fermentação com o subproduto piruvato no cito-
plasma, similarmente aos eucariontes. O piruvato que será aproveitado para o
ciclo de Krebs pela membrana interna celular dos procariontes é metabolizado
no citoplasma, enquanto nos eucariontes ocorrerá na matriz mitocondrial; por
fim, a fosforilação oxidativa ou cadeia respiratória que acontece na membrana
interna da mitocôndria nos eucariontes, ocorre na face interna da membrana
plasmática dos procariontes.
Vamos analisar agora como as células se diferenciam para desempenhar
diferentes funções no nosso organismo completo e complexo.
10 Estrutura e função da célula

Especialização celular
Imaginar a menor unidade de nosso organismo (a célula) é importante e torna-
-se bastante fácil mediante nossos equipamentos e tecnologia, com o uso de
microscópio, por exemplo. Mas fascinante mesmo é imaginar como as células se
diferenciam para desempenhar tantas e diferentes funções em nosso complexo
organismo. Esse processo que determina as funções das células é chamado
de especialização ou diferenciação, pois inicia em uma única célula e, por
meio da especialização, vai distinguir as várias funções celulares (AMABIS;
MARTHO, 2006; LOPES; ROSSO, 2013).
Tudo começa com as células embrionárias, nas quais, após a fecundação,
a vida do organismo inicia-se com apenas uma única célula. Nesse sentido,
todas as demais células que dela se originarem pela divisão celular (mitose)
terão as mesmas informações genéticas, no entanto, exercerão funções di-
ferentes por conta da expressão gênica, isto é, ocorrerá inibição ou ativação
de determinados grupos de genes responsáveis por definir a função de cada
uma das células. Isso, além de determinar sua função, acarreta em algumas
mudanças na estrutura das células.
Após a fecundação de um óvulo por um espermatozoide, a vida (zigoto)
inicia-se formando uma primeira célula que passará pelo processo de divisão
até chegar às oito células — células-tronco totipotentes; nesse momento,
cada uma das células é capaz de formar um ser completo, quando inserida
em um óvulo. Mas a primeira especialização/diferenciação celular ocorre
quando o zigoto está com 100 células e atinge o estágio da blástula ou
blastocisto.
As células que compõem a massa externa da blástula darão origem aos
anexos embrionários, enquanto as células da massa interna darão origem a
todos os tecidos e órgãos do embrião. Às células da massa interna é dado o
nome de células-tronco embrionárias, as quais são classificadas como pluri-
potentes, sendo responsáveis e capazes de formar todos os tipos de tecidos. À
medida que a especialização celular vai avançando, vão surgindo as primeiras
células envolvidas com a formação de tecidos específicos: são as células-tronco
multipotentes. Num organismo já formado, ocorrerão apenas dois tipos de
células: as células-tronco multipotentes e as células unipotentes. Essas últimas
correspondem a células que já sofreram diferenciação completa, mas que não
possuem a capacidade de originar outras células se não as delas. A Figura 3
ilustra o processo de especialização celular.
Estrutura e função da célula 11

Figura 3. Processo de especialização celular.


Fonte: Adaptada de Becris/Shutterstock.com.

Embora esse processo de especialização seja, no mínimo, fascinante, ainda


não se sabe ao certo como ou qual é o comando recebido pelas células que é
responsável por determinar sua especificidade, assim como não se sabe como
estas compreendem o seu destino e função dentro do organismo. Até o momento,
sabe-se somente que a definição acontece durante o crescimento do embrião
para formação dos tecidos nervoso, sanguíneo, adiposo, muscular e ósseo.
Assim, concluímos que as células são as menores unidades constituintes
dos seres vivos e que, embora pequenas, possuem funções vitais para a manu-
tenção da vida por meio do trabalho ordenado de suas organelas, bem como a
capacidade de originar tecidos que, por sua vez, desempenharão determinadas
funções em um organismo, constituindo, por exemplo, um ser humano.
12 Estrutura e função da célula

ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017a.
ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017b.
AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Fundamentos da biologia moderna: volume único. 4. ed.
São Paulo: Moderna, 2006.
BOMBA de sódio-potássio: membranas e transporte. Vídeoaula ministrada por Khan
Academy em Português. [S. l.], 2016. 1 vídeo (7min19s). Disponível em: <https://goo.
gl/BGFrdj>. Acesso em: 15 out. 2018.
COOPER, G. M.; HAUSMAN, R. E. A célula: uma abordagem molecular. 3. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2007.
LOPES, S.; ROSSO, S. Bio: volume único. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
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