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UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS


INSTITUTO DE FILOSOFIA, SOCIOLOGIA E POLÍTICA CURSO DE
LICENCIATURA EM FILOSOFIA

CARLOS OLIVEIRA JACQUES NETO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO

ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO INFANTE DOM HENRIQUE

PORTO ALEGRE, OUTUBRO DE 2019


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1. INTRODUÇÃO

O presente relatório visa desenvolver as observações do acadêmico do curso


de licenciatura em Filosofia da Universidade Federal de Pelotas-RS durante as
atividades da cadeira de Estágio I na Escola Estadual de Ensino Médio Infante Dom
Henrique.
Como a formação do aluno é a licenciatura em Filosofia, faz-se necessário
destacar a importância deste primeiro estágio supervisionado, pois o caminho
trilhado é de um futuro professor de filosofia. A experiência, os primeiros contatos
com a realidade do ensino, o contato com a escola e os alunos, com os
trabalhadores do ensino, com a comunidade que está inserida na vida da colégio,
são momentos cruciais na vida do futuro docente. É certo que o filosófo deve ter um
olhar mais aguçado para perceber os fatos e relações sociais que estão para além
do visto, a postura reflexiva e crítica, a valorização do campo conceitual, a
fundamentação das proposições, estão no sangue deste profissional, mas tratando-
se de um futuro professor, a contiguidade com o mundo da educação levam a ter na
mente a seguinte indagação: Que sujeito queremos formar? Qual a sociedade que
desejamos? Sim, estes paradigmas determinarão a nossa postura em sala de aula,
pois seremos mais um professor a serviço de um sistema educacional reducionista,
conservador, o qual visa apenas a formar uma mão de obra útil e dócil ao sistema?
A aproximação do estagiário com a realidade prática do mundo do trabalho no
sistema educacional proporciona um saber do que seja o dia a dia de um professor,
as suas dificuldades, pois vivemos em uma sociedade que não valoriza o educador,
despreza a educação e a cultura, para tanto, observamos que os professores da
rede de ensino público passam o seu pior momento de vida, eis que enfrentam a
violência dos governos de plantão com salários sem reajustes e parcelados. Que
tipo de educação esperar de um pais que trata o ensino como mercadoria?
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2. CARACTERIZAÇÃO DA PARTE CONCEDENTE

2.1 Dados Gerais


A instituição condente do estágio, Escola Estadual Infante Dom Henrique é
um educandário público, mantida pelos cidadãos rio-grandenses e administrada pelo
governo estadual. O colégio está situado na rua Gonçalves Dias, número 1022, no
bairro Menino Deus, cidade de Porto Alegre, capital. A escola está situada numa
região urbana, em um bairro de classe média, assim, o público do colégio é bem
variado, alunos da classe média, egressos do ensino particular, eis que muitas
famílias, face a crise econômica do estado e do pais, obrigam os pais a matricularem
seus filhos no ensino público. Cabe salientar que as escolas públicas já foram
referências na educação, escolas com uma conceituação de excelência,
profissionais valorizados e tratados com dignidade, bem diferente da realidade dee
hoje, onde a escola pública é vista com depreciação e quem lá trabalha ou estuda,
com certeza enfrenta grandes dificuldades economicas, sociais e culturais, não há
como comparar com o ensino privado, claro que ainda temos exceções e escolas
públicas de grande qualidade, mas estas, com certeza, mantém-se nesse padrão de
primazia, graças ao talento e a dedicação dos trabalhadores do ensino.
2.2 Histórico da Concedente
A Escola Dom Henrique guarda uma estrutura boa, possui salas de aula
amplas e limpas, biblioteca, cozinha que fornece a merenda escolar, quadra de
esportes, aberta e coberta, horta comunitára, e preserva uma boa relação com a
comunidade, pois agrega em suas instalações, um grupo de escoteiros, um grupo de
tratamento dos Alcoólicos Anonimos, abriga um policial militar, o qual serve como
garantia de segurança, pois a escola já sofreu invasões e depredações várias vezes.
Como toda instituição de ensino do estado, a escola vive os seus piores
momentos, pois já trabalhou nos três turnos, abrigava uma escola de jovens e
adultos no turno da noite, havia mais de quinze turmas, turnos manhã e tarde. Hoje
a educação ficou reduzida a cinco turmas do ensino médio: duas turmas do primeiro
anos, uma do segundo ano e duas do terceiro ano, todas funcionando apenas no
turno da manhã.
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2.3 Nomes da Equipe diretiva


O corpo dirigente da escola é composta por uma gestão, a qual assumiu a
direção do colégio neste ano. O Diretor é o professor Sandro dos Santos Inácio. o
Coordenador pedagógico é o professor Eduardo de Almeida.
2.4 Nome do Supervisor do estágio
O responsável e orientador do estágio é o professor de filosofia Leonardo
Barcellos da Cunha.
2.5 Turnos de funcionamento
Atualmente a escola funciona apenas no turno da manhã, horários de início
das aulas às 7h45 minutos e o último horário, sexto período encerra as atividades às
12h45 minutos.
2.6 Distribuição de vagas
A distribuição das vagas atualmente está bastante reduzida, pois uma escola
que já abrigou mais de quinze turmas, hoje acolhe cento (112) e doze alunos.
2.7 Contexto municipal e regional da escola
A escola está situada numa região urbana, bairro Menino Deus da cidade de
Porto Alegre, as condições estruturais do entorno são de uma qualidade média, pois
comparadas com as realidades das escolas de periferia, a situação é acima da
média, bairro residencial de classe média que abriga grandes empreendimentos
comerciais.
2.8 Dados do IDEB escolar atualizados
A escola atualmente está sem IDEB, conforme o coordenador pedagógico,
quando a atual gestão assumiu a direção não encontrou vários documentos e o
registro histórico da escola. Em consuta ao site do INEP, colocando os dados da
isntituição aparece - “Escola sem Ideb ou sem cadastro no Censo da Educação
Básica de 2017.”
2.9 Dados do censo escolar atualizados
Conforme explicação acima, a informação permanece prejudicada.
2.10 Número de estudantes com laudo e principais incidências
Atualmente a escola conta com cento e doze (112) alunos matrículados.
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2.11 Número de turmas


A escola abriga cinco (5) turmas
2.12 Número total de professores e número de professores de filsofia
A instituição conta com quinze (15) professores no total, tendo apenas um
professor de filosofia.
2.13 Número de professores necessários e professores afastados em
linceça de saúde
Para completar o quadro de professores seriam necessários vinte (20)
professores. No momento não há professores em licença saúde na escola.

3. ELEMENTOS DA PESQUISA – AS OBSERVAÇÕES E OUTRAS


ATIVIDADES DO ESTÁGIO
3.1 Descrição física
Conforme salientamos acima, o entorno da escola possui uma estrutura
acima da média para os padrões das escolas públicas. Existem quarteis da brigada
militar, posto e hospitais de saúde, a região é coberta pela rede de transportes
públicos, todo o bairro possui saneamento básico, ruas pavimentadas e com
calçadas em estado razoável. A escola possui um laboratório de informática,
biblioteca, está sendo implementada uma sala de línguas e uma videoteca. Há um
grande número de salas de aula, dois andares, mas as salas ocupadas são pouca,
pois como afirmado acima, atualmenta a escola possui apenas cinco turmas.
A sala dos professores é ampla, a escola possui uma cozinha, mas não tem
uma cantina para as refeições dos alunos. A nova gestão da escola organizou uma
horta comunitária, as quadras de esporte são bem frequentadas pelos estudantes,
duas quadras, uma coberta e uma localizada em espaço aberto.
3.2 Gestão escolar
A nova gestão da escola assumiu a pouco a direção da escola, para dar uma
visão mais detalhada das dificuldades e dos objetivos da direção colocamos as
entrevistas que realizamos com o Diretor e o Coordenador pedagógico da escola.
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Entrevista com o Diretor da Escola professor Sandro dos Santos Inácio

1. Qual o seu tempo de atuação na área da Educação? Doze anos. E


na direção escolar? A gestão assumiu a direção neste ano.
2. Qual a sua formação? Formado História e Sociologia.
3. Possui preparação/formação específica para atuar na área de gestão
escolar? Sim
4. Quais as maiores dificuldades encontradas frente à direção da
escola?
As maiores dificuldades é a falta de professores e de funcionários, fato
que exige que o diretor, o coordenador e os professores assumam as
tarefas de manutenção da escola. A falta de verbas e a burocracia da
SEC também contribuem para o atraso nos atendimentos das
demandas urgentes e necessárias da escola, tais como a adaptação
da estrutura da escola para atender os alunos portadores de
necessidades especiais. A questão da segurança também preocupa a
direção, eis que a escola já sofreu várias invasões com furtos e danos
dos materiais da escola. As verbas estão sendo aplicadas no reforço
da segurança, grades, cameras de seguranças, muros, portões da
escola, o teto da escola foi recentemente reparado.
5. Que outros profissionais atuam junto com você? Qual a função
destes?
Atuam o coordenador pedagógico, uma secretária que atua na
administração e uma professora que coordena a portaria da escola.
Somos poucos, mas os professores colaboram, todos atuam até fora
do horário de trabalho para manter a escola num padrão mínimo,
priorizamos as demandas dos alunos e da comunidade do bairro.
6. Quais as características que considera essenciais para um bom
diretor? O diálogo! Exercemos essa prática para o entendimento com os alunos e a
comunidade escolar.
7. Qual a participação dos pais e da comunidade com a direção?
Os pais participam dos encontros trimestrais do Conselho de Classe
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8. Qual é o foco principal da sua função?


Conseguir administrar os recursos para atender as demandas da
escola. Hoje aguardamos os recursos prometidos pela SEC para
podermos receber os alunos com necessidades especiais.
9. Como a equipe diretiva vê o IDEB de sua escola? Consideram essa
avaliação importante para o desempenho da escola? Como?
Essa questão você pode ver com o Educardo (professor coordenador
pedagógico)
10. Como avalia o trabalho realizado com alunos com deficiências na
esscola?
Os próprios professores se cotizaram e ajudaram a modificar uma sala
de aula aqui no térreo para recebermos uma aluna com necessidades
especiais. Transferimos uma turma do primeiro andar para o térreo.
Abri mãos das minhas férias, eu e outros professores, para realizarmos
as obras que a escola necessitava.
11. Como são investidas as verbas e qual o papel do Conselho
Escolar?
Todo o investimento está concentrado nas obras de manutenção do
prédio e também nos reparos para aprimorarmos a segurança da
escola.
12. Quais os principais problemas administrativos encontrados?
A maior dificuldade foi quanto a documentação da escola, pois a antiga
gestão não deixou nenhum documento. Assim, estamos reconstruíndo
o histórico da escola.

Nesta conversa com o diretor, percebemos que realmente ele está sempre
envolvido em alguma reforma da escola, como ele mesmo frisou, “se queres me
encontrar, o último lugar será na minha sala.” Outra prática que nos chamou a
atenção, desde o primeiro dia das nossas observações na escola, é a boa relação
da equipe diretiva com os alunos. A receptividade do diretor com os alunos é muito
próxima.
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Agora passamos a relatar a nossa conversa com o professor coordenador


pedagógico.

1. Identificação
1.1 Nome:
Eduardo de Almeida
1.2 Tempo de serviço de atuação na função de coordenador:
Estou na função desde o início do ano, assumi com a nova gestão.
1.3 Formação acadêmica:
Sou formado em Ciências Biológicas
1.4 Mestado ou doutorado em educação?
Doutorado em Bioquimica
2. Ações Pedagógicas
Entrevista com o professor Eduardo de Almeida, professor coordenador
pedagógico da escola, iniciou na coordenação em maio de 2019 quando assumiu a
nova gestão diretiva da escola.
Formado em Ciências Biológicas, Doutorado em Biologia, sua rotina de
trabalho é junto aos professores, elaboram os planos dos cursos para atenderem o
conteúdo mínimo a ser ministrado durante o ano letivo de 200 horas.
3. Como é a Rotina de Trabalho?
Atende as inspeções do CRE, no momento trabalha junto com os professores
na recuperação do trimestre, alunos precisam de uma frequência mínima de 75% e
uma nota mínima de 50 em 100, caso contrário há reprovações, uma das causas
maiores da evasão escolar.
4. Quais as principais funções de um coordenador?
As principais funções do coordenador é o trabalho junto aos professores, seu
trabalho é fundamental para unir a direção, o corpo docente e pais, enfim, a
articulação de ações coordenadas com a comunidade escolar.
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A recuperação no 1º Ano do Ensino Médio é permitida em uma matéria,


trabalham com avaliações, graus de zero a cem, exigida nota mínima de 50 para
passar. As avaliações são de acordo com o sistema de provas objetivas, pois todos
professores têm presente de que a avaliação descritiva seria melhor, avalia e
oferece mais qualificações ao aluno, mas o sistema estrutural das escolas,a falta de
professores e a sobrecarga de trabalho são fatores que levam os professores a
optarem pelas provas objetivas.

As demandas mais frequentes da Escola são a segurança, pois quando a


nova gestão assumiu a escola estava em um estado de abandono e com registros
de várias invasões e furtos, desde a merenda escolar até o material didático. Assim,
optou-se, num primeiro momento em consertar e pintar a escola, a reforma do teto
da escola, agregar aparelhos de segurança, tais como grades, extintores de
incêndio, câmeras de vigilância, fato que reduziu as tentativas de furtos da Escola.
As demandas de longo prazo são uma maior integração com a comunidade escolar,
eis que já foram abertos espaços para a participação dos pais e da comunidade, tais
como a criação do Conselho Escolar, da horta comunitária, da criação de um espaço
para um grupo de escoteiros, estes se reúnem aos sábados e com um ambiente
próprio dentro da Escola. Foi criado também um grupo de A.A., com encontros
também semanais.
5. Qual é o projeto político pedagógico da escola? Qual a sua
relevância no contexto escolar? Quem elabora?
Quanto ao PPP da Escola, o mesmo está em construção, pois a nova gestão
não encontrou registros e vários documentos, tais como o PPP. A nova gestão criou
um Conselho Escolar, participação dos professores e pais de alunos com encontros
quadrimestrais. A composição é de um professor por turma mais um pai de aluno.
6. Qual a linha pedagógica da sua escola?
Como o projeto político está em implementação, ainda não há uma
formalização do documento, mas a linha geral é o planejamento e a administração
da verba reduzida em prol das ações coordenadas da direção e da comunidade
escolar em prol da qualificação dos espaços escolares e do aprendizado dos alunos.
7. O que é a inclusão escolar? Como ocorre em sua escola e qual
o papel da coordenação nesse trabalho?
Quanto à inclusão escolar, a escola ainda não está preparada para receber de
forma adequada os alunos que são portadores de necessidades especiais. Até o
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momento existe uma aluna portadora de necessidades especiais, a aluna é


cadeirante, mas a direção da escola transferiu a sua turma para o andar térreo.
Segundo a coordenação há uma negociação entre o Ministério Público e a SEC para
que sejam alocadas mais verbas para as escolas implementarem o livre acesso aos
alunos com necessidades especiais.
Uma realidade infelizmente presente no ambiente escolar é um grande número de
pessoas em tratamento contra a depressão emocional.
8. A escola oferece projetos no chamado turno inverso?
A escola ainda não tem a oferta dos chamados turnos inversos, mas é uma
realidade a ser incluída nos projetos da gestão escolar. Mantemos palestras sobre
Educação sexual, mas a escola é aberta quanto a questões de gênero, não temos
problemas, os alunos convivem numa boa e respeitam os colegas que manifestam
outras opções de gênero.
9. Quanto ao Ideb da escola, como o senhor vê essa questão?
Hoje é o avaliado a partir dos exames dos alunos no ENEM, eis que não
encontramos os registros e documentos das gestões anteriores quando assumimos
a direção da escola.
10. Quanto a evasão escolar?
A evasão é baixa. Estamos realizando um trabalho mais próximo da
comunidade escolar, com as famílias dos alunos que apreseentam dificuldades no
desempenho.
11. Como ocorre a gestão de conflitos em sua escola?
Hoje mantemos uma relação muito próxima com os alunos e a comunidade.
Quando surge uma questão mais delicada, buscamos esclarecer com o professor,
com o aluno.
12. Como se identifica uma boa escola?
Acredito que a construção de um espaço aos alunos, aos professores e a
comunidade escolar. A conversa franca e aberta é a nossa prática, pois muitas
demandas dos alunos não conseguir, eis que as verbas da SEC estão reduzidas e
os entraves burocraticos que temos que vencer leva uma eternidade. Mas estamos
abertosas iniciativas dos alunos. Agora, eles estão se organizando para elegerem
um grêmio estudantil, apoiamos e estimulamos a participação democrática dos
alunos. O que sabemos é existem ações que tornarão frágeis as ações dos grêmios
estudantis, as fontes de rendas serão eliminadas, pois as carteirinhas, antes
gestionadas pelos alunos, agora serão fornecidas pelo SEC.
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13. Como são organizadas as avaliações? Há alguma orientação


específica quanto a isso?
Não adotamos a avaliação de conceitos. Trabalhamos com as notas de zero a
cem. O aluno precisa atingir cinquenta (50) para passar e não ficar em recuperação.
As recuperações são no fim do trimestre, o aluno precisa atingir o mínimo de setenta
e cinco por cento de frequência. As avaliações ficam a critério dos professores, mas
a maioria aplica provas objetivas e trabalhos.

Entrevista com o professor supervisor do estágio – professor de


filosofia Leonardo Barcellos da Cunha

1. Qual o seu tempo de atuação como professor?


Tenho dez (10) anos no magistério. Sou formado em Filosofia e História.
Mestradp em Museologia na Universidade Católica do Chile. Tenho especialização
em História do Brasil. Aqui na escola leciono essas duas matérias, História e
Filosofia.
2. Como é a sua metodologia de aula?
Trabalho muito com textos, vídeos, passo um vídeo ou apresento uma aula e
um texto e peço que os alunos façam uma produção textual. Gosto muito de
debates, da troca de ideias, pois os alunos demonstram o domínio das leituras, isso
torna a produção oral deles muito boa.
3. Quanto a avaliação, como o senhor entende?
A avaliação é na forma da análise de textos, os alunos produzem uma escrtia
e a avaliação é sobre a produção e a participação dos alunos nos debates.
4. Como é o seu planejamento, o cronograma das aulas?
Trabalho muito com Platão e os gregos antigos, abordo o período do
iluminismo, Maquiavel, trabalho muito com Marx. Os alunos gostam muito de
trabalhar com os textos do Platão.
5. Como o senhor o momento da escola, quais as dificuldades que
enfrenta?
Posso falar porque eu fui aluno aqui na escola, eram tempos diferentes, a
escola pública era valorizada. A Escola trabalhava nos três turnos, tinhamos perto de
oitocentos (800) alunos, hoje estamos com cinco turmas e só no turno da manhã.
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6. Quanto a redução de turmas e alunos ao quê o senhor atribui


esse fato?
Acredito que o bairro possa influenciar muito, pois o Menino Deus é um bairro
de classe média, de pessoas de uma idade avançada. Assim, a redução da
natalidade nas famílias é um fator que contribui com essa redução. Aqui no bairro os
pais enviam os seus filhos para os colégios particulares, a escola pública perdeu
muito do seu prestígio. Penso que a SEC quer fechar a escola. Estamos trabalhando
para reverter essa situação, professores e a direção da escola, estamos mais
próximos da comunidade, mas penso que a situação está bem complicada, a escola
está numa área muito valorizada economicamente.
7. Como o senhor entende a função social do professor?
O professor tem que trabalhar na formação crítica do aluno, para tanto ele
precisa ter conhecimento da história, da filosofia, da sociologia, tem que ter uma
mente aberta e crítica.

3.3 Perídos das observações


Diante do fato de que a escola trabalha só no turno da manhã, as nossas
obervações têm sido neste período. Procuro chegar antes dos horários iniciais das
aulas, às 7h45 minutos, para observar a movimentação dos alunos e professores.
Aproveito para conversar com os professores na sala, antes de começarem as suas
aulas.
3.4 Horário e carga horária das observações na escola
Até o momento completei onze horas de observações na escola. O diretor
assina e carimba os meus horários de chegada e saída.
4.0 Análise dos documentos
Estou no aguardo da documentação, o coordenador ficou de providenciar e
me passar.
5.0 Considerações Finais

Posso afirmar que, no primeiro dia de observação na escola, diante dos


alunos e professores, senti uma satisfação imensa, e pensei – este é o meu lugar –
é aqui que devo expressar a transposição dos conhecimentos, das pesquisas, das
competências e habilidades absorvidas durante as aulas e os trabalhos indicados
pelos professores e tutores da universidade.
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A graduação, a licenciatura em Filosofia é um sonho que está se realizando e


espero que, em breve, possa estar na sala de aula contribuindo com a formação dos
jovens.
Assim, as observações do estágio são fundamentais para o futuro trabalhador
da educação, o contato com a realidade da comunidade escolar, a conversa com os
alunos, professores e direção, tornam-se um indicador das dificuldades a serem
enfrentadas, pois a educação no Brasil vive momentos de depreciação. Entendo que
as grandes nações, as culturas que se desenvolveram e atingiram índices de
desenvolvimento economico e cultural foram aquelas que priorizaram e investiram
na qualidade dos profissionais da educação, bem como nos modelos de ensino.
Assim, lembro das leituras do grande mestre Darcy Ribeiro, um grande defensor da
liberdade e do enaltecimento da Educação – dizia ele que – “se os governantes não
construirem escolas, em 20 anos falatrá dinheiro para construir presídios – sábias
palavras do educador, pois chegamos ao momento em que o Estado dirige suas
reduzidas verbas para aprisionar o povo sem educação, o povo negro e pobre, eis
que a educação virou uma mercadoria nas mãos das escolas privadas – quem tem
dinheiro paga – quem não tem vai para a escola pública que está em processo de
desmonte.
Qual a função social do professor? Que tipo de Sujeito queremos formar? São
questões que devem passar pela reflexão do futuro professor, ainda mais sendo um
pensador das áreas humanas, da filosofia, a grande tocha que iluminou civilizações
e culturas no aprimoramento dos saberes e das relações sociais e economicas entre
os homens.
Nas primeiras observações constatei algo que já era do conhecimento geral,
as dificuldades das escolas do ensino público são gritantes, mas um fator ainda
mantém a chama da educação de pé, o entusiasmo e a dedicação dos professores,
pois mesmo com salários parcelados, carga horária sobrecarregada, ainda assim, lá
estão cedo nas escolas para receberam os alunos com um sorriso, sempre com uma
palavra de motivação, que vocação e inspiração, os deuses e as musas ainda
protegem estes idealistas!
Acredito que a função social dos educadores seja a formação de cidadãos
conscientes, livres, críticos, reflexivos e independentes, este é o espírito da filosofia!
Apesar de ainda sofrermos os impactos de uma educação conservadora e, quase,
retrógrada, a qual entende que a escola deva formar indivíduos aptos a servirem ao
sistema mercantil, sujeitos desprovidos de crítica e reflexões fundamentadas, claro,
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essas qualidades, atrapalham o desenvolvimento da mercadoria, exige-se indivíduos


que sejam dóceis e saibam operar as engrenagens da máquina.
Estamos no meio do caminho, e lá estão as pedras, mas cabe ao trabalhador
da educação exercer a sua cidadania junto a sua comunidade e indagar se essas
pedras servirão para a construção de muros ou de pontes.
Pensamos que o professor deve atuar como facilitador na aprendizagem dos
alunos, ou seja, romover e desenvolver a habilidade da leitura reflexiva/crítica nos
alunos através dos textos filosóficos e que possam extrair/incorporar
significações/relações com a situação da sua comunidade, competência de
relacionar, comparar e adotar uma posição consciente com capacidade de resolução
e defesa da tese escolhida, bem como a capacidade de ceder e adotar pensamentos
contrários, face aos argumentos e exposição dos outros colegas, ou seja,
desenvolver a competência da criatividade para habilitar a compreensão das várias
hipóteses e alternativas diante de um problema filosófico apresentado.
Aprimorar as capacidades argumentativas com suportes fáticos e
fundamentados em paradigmas teóricos filosóficos. Desenvolver competências
comunicativas nos parâmetros do exercício dialógico respeitoso e democrático, para
tanto, a habilidade da leitura crítica e do poder de síntese destacam-se nas
atividades desenvolvidas nas aulas.
A capacidade para a racionalidade crítica torna-se uma meta deste plano, pois
habilita o estudante a posição crítica diante dos fatos, perceber que não há uma
solução conclusiva e uma única posição a ser enfrentada ou analisada, todas
referências sofrem pelo inacabado, exigem uma visão de eterna reconstrução, de
um caminho por aprender e revisar constantemente as teses adotadas, enfim,
compreender que há uma grande tarefa em apreoximar as distância entre os
saberes teorizados e as práticas no campo social, afinal, somos limitados pela
condição de humanidade, mas potencializados para a utopia, eis que nos
aperfeiçoamos continuamente nas relação e interações com os demais pares da
nossa sociedade.
Com base no conteúdo e no material usado nas metodologias de aula,
proporcionar que o aluno desenvolva a sua vontade de aprimoramento pessoal e
cultural. Para tanto, a utilização dos textos e saberes históricos/filosóficos,
proporcionem a compreensão e a valorização dos primados teóricos da democracia,
visando uma participação crítica, solidária e humanitária em suas atitudes perante a
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comunidade. Desenvolver a potencialdiade da praxis nos encaminhamentos das


resoluções apresentadas ao exercício consciente da cidadania.

5 - Referências:
ARISTÓTELES. A Política, 1.ed., São Paulo: Lafonte, 2017;
PLATÃO. A República, Livro VII, Alegoria da Caverna. Martin Claret, São
Paulo, 2002;
ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo: Antissemitismo, Imperialismo e
Totalitarismo, Tradução Roberto Raposo, 8. ed., São Paulo, Companhia das Letras,
2018;
ARENDT, Hannah. Condição Humana. Tradução Roberto Raposo, 10. ed.,
São Paulo, Forense Universitária, 2009;
CHEVALLARD, Yves, La Transposition Didatique, 1.ed., Grenoble, Pensée
Sauvage, 1991;
FAZENDA, Ivani, Dicionário em Construção, Interdisciplinaridade, 2.ed., São
Paulo, Cortez, 2002;
FOUCAULT, Michel, Microfísica do Poder, 1.ed., São Paulo: Paz e Terra,
2014;
GALLO, Sílvio, Filosofia Experiência do Pensamento, 1.ed., São Paulo,
Scipione, 2014;
HOBBES, Thomas, O Leviatã, 2.ed., São Paulo, Martin Claret, 2008;
LEBRUN, Gérard, O que é poder. 11.ed., São Paulo: Brasiliense, 1991
MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização, Uma Interpretação Filosófica do
Pensamento de Freud, LTC, 8. ed., São Paulo, 1982;
MASCARO, Alysson L. Filosofia do Direito, 4. ed., Atlas, São Paulo, 2014;
MINISTÉRIO DA CULTURA, Orientações Curriculares para o Ensino Médio,
Brasília,
PERRENOUD, P., Construir as competências desde a escola, Porto Alegre,
Artes Médicas, 1997;
VELLOSO, Renato, Lecionando Filosofia para Adolescentes, 2.ed., São
Paulo, Vozes, 2015;