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Ibson Junior

Mente Aberta:
Evolução dos
Pensamentos

Porto Alegre, 2016, 1a edição

ISBN: 978-85-89569-70-5
Copyright © 2016 by Autores
Mente Aberta: Evolução dos Pensamentos

Organização: Ibson Junior

Produção: Ibson Junior, Tendy Porã

Iniciativa: Antenados no Planeta

Edição: Editora Conceito

Capa: Jonas Stefan

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

J619 Junior, Ibson (Org.). Mente Aberta: Evolução dos Pensamentos


conceito, 2016. 21 x 29,7 cm
308p.

1. Literatura 2. Poesia 3. Artes Plásticas


I. Título II. Junior, Ibson
CDU: 82-1

Todos os direitos de publicação reservados à Editora Conceito. Não é permitida a reprodução


total ou parcial deste volume, sob quaisquer meios (eletrônico, digital ou mecânico), sem
permissão expressa dos autores.

Impresso no Brasil 2016

EDITORA CONCEITO
Av. Carlos Gomes, 101/1202, Auxiliadora, Porto Alegre, RS, 91780-050
(51) 8588-9357
www.editoraconceito.com.br editoraconceito@yahoo.com.br
PREFÁCIO

“Um poema, como uma obra de arte é uma coisa que se acrescenta ao mundo”, já dizia
Ferreira Gullar.

E eu “acrescento”, depois de 20 anos publicando livros, como editor, que esta obra
organizada pelo ativista cultural e líder do grupo Antenados no Planeta, Ibson Junior,
acrescentará, e muito, para o prazer da leitura.

Trata-se de uma iniciativa louvável, reunir beletristas do Brasil inteiro, com suas
características e linguagens próprias em um livro digital (e quem sabe impresso) e
disponibilizá-lo, sem fins lucrativos, a todos os que desejarem acrescentar pontos em
sua existência humana.

O livro, por si só, nos leva a um mundo inesgotável e infinito. A começar que um livro é
eterno (veja o exemplo da Bíblia, que tem quase quatro mil anos), e portanto, é um
registro que fica para gerações futuras.

Então, ao participarmos de uma obra literária estaremos deixando nossa marca no


mundo.

O segundo destaque que faço, é que o livro sempre vai ter a cumplicidade de um autor
(ou vários).

Nele cabe o que o autor imaginar. E nós sabemos que os escritores são criativos por
natureza. Então, você consegue visualizar as infinitas possibilidades?

Caríssimo leitor, este livro é uma pequena amostra (afinal são mais de 300 fragmentos
de histórias de vidas reais ou imaginárias), do que acredito: o livro molda vidas, dá
esperança e cria momentos de prazer sem igual!

Usufrua cada momento, cada imagem, cada sonho e cada sensação aqui encontrada.
Deixe-se “acrescentar”! Permita-se novas experiências de vida, novos lugares
imaginados ou criados pelos autores, pois tenho certeza que você não será mais o
mesmo, depois de ler este livro que tem em mãos.

Cezar Brites
Jornalista
ÍNDICE

1- Arte de Viver

2- Iguais em suas diferenças

3- Riqueza de memória

5- Olhares diferentes Diante do Novo

6- Identidade

7- Sonho de Ser

8- Corpo Aberto

9- Parada Obrigatória (Placas de trânsito e sentimentos em transe)

10- Pincel

11- A flor da luta

12- Brisa do Mar

13- Espalhe

14- Star Formation Dreams

15- O que você tem nesta cabeça

16- Lavadeiras

17- Lampião e Maria Bonita Sob o Pé de Maracujá

18- Barcos

19- Moça com o violão

20- Casa da Felicidade

21- Universo Particular

22- Beijo da insônia

23- Lúcida Loucura

24- O tempo

25- Flutuar

26- Mente Sentida!


27- Ribalta

28- Vastidão

29- Pomar da Minha Mente

31- Olhar Contemporâneo

32- Ser mulher

33- Fashion

34- Solitário

35- Multiverso

36- Descanso de Rita

37- On the Edge

38- O Amanhecer de um Camponês

39- Evolução

40- Tigre

41- Prisão de Mim Mesma

42- Antropofagia

43- Inicial

44- Artiliza-se

45- Eterno Compasso

46- O quanto vale a vida?

47- Casa Branca

48- Insipiência

49- Vem Voar

50- Mentes Perceptivas

51- Morte

52- A trajetória da vida no meio do tempo

53- Menino com o barquinho

54- Reflexão ao Pôr do Sol

55- Voar além

56- Praia do Sono Que Me Faz Dormir


57- A busca da mente pela mente

58- Michael Phelps

59- Dimensão das Cores

60- Desejo de Criar

61- Ipê Amarelo

62- Casa Poesia

63- Cosmo - Consciência

64- Respira

65- Metamorfose

66- Liberdade de sermos nós mesmos

67- Sonhar é viver

68- Sobrevoando o mundo

69- Mente Aberta

70- FUGINDO NUMA TELA DE VAN GOGH

71- Mente Poeta

72- Mente

73- Amor no Sertão

74- Joia Cósmica

75- Nicolas Cage

76- Kyloren

77- Luiz Carlos Melo S/N

78- O Globo 2

79- A Beleza Mentirosa

80- {des}evolução

81- Chaves

82- Fada das Flores

83- Por Um Mundo Melhor

84- Caminhar é preciso

85- Show de Rock


86- Ideias Inversas

87- A FIXIDEZ DA CORRUPÇAO

88- Nua e Livre

89- Mente Que Não Mente

90- A Tribo

91- Revolução mental

92- Mundo Abstrato

93- Esquizofrenia

94- Viaje

95- Paz Interior

96- Explosão de Cores

97- Entardecer em Paquetá

98- Metamorfose de Pensamento

99- Dança das Sombras

101- Minha Querida

102- Paradisíaco

103- Decálogo

104- Um dia ela mudou

105- Adeus sem despedida

106- Rua da Frente

107- Emoções

108- (A Corda)

109- Garo(t)a Intempestiva

110- Insiste

111- Invento

112- Só Quem Acredita Cresce

113- O Quintento

114- Mãos

115- Olho
116- Barcos no Rio

117- Clémentine Lévy

118- Deadpool

119- Pinóquio

120- Bailarina Solitária

121- Abstrato

122- 27

123- Sê Mente

124- Motorista

125- Flor de Calcaçada

126- Paradigmas

127- Regresso

128- Jogando a vida

129- Contemplar

130- Mente Aberta

131- Plano em aberto

132- Primavera Chegou!

133- Carmen Espanhola

134- Estrada do Sol

135- Fim de Tarde

136- Wildenberg

137- Pôr do Sol na Mata

138- Há algo estranho no mar I

139- Pica-pau

140- Jader Damaná S/N

141- Razão

142- Somos Diferentes

143- Mundo mentiroso

144- Gente Grande


145- Prostituída

146- A FLOR PERFUMA A MÃO DE QUEM A ESMAGA

147- Mistério Transcendente

148- O peso do amanhã...

149- Fazer o sol brilhar

150- Já é tempo

151- Vida sem amor

152- Fato estético

153- Toque

154- Doce depressão

155- Intoxicação

156- Artelibre

157- Nostalgia

158- O olho que tudo vê

159- Ouro Psicodelico Preto

160- Leila Madeiro Lessa S/N

161- De olho no futuro

162- Sem título

163- Antídoto da mente

164- Limitar-se é morrer aos poucos

165- REINVENTAR (de mente aberta)

166- Longe de Preceitos

167- ANTIMATÉRIA (?)

168- Reflexo do pouco que precisamos comparado ao que existe no mundo

169- Vastidão

170- Viagem ao centro da minha loucura!

171- Brincadeira

172- Girassóis

173- Sagrado
174- Detached

175- Self

176- Deus é você

177- Pai e Filho

178- Jader Damaná S/N

179- Petrus Vinicius S/N

180- 26

181- Kether

182- A magia de Itaenga

183- DURANTE O BANHO (DE BANHEIRA...)

184- E as lembranças?

185- Desejo um calor no inverno

186- Planitude

187- Paradoxos e fragmentos

188- Marcela Oliveira

189- Democracia do cão

190- Real Realidade

191- O primeiro instante...

192- Colonia

193- Liberdade

194- A bica

195- Cerejeira

196- Jader Damaná S/N

197- Verde que te quero verde

198- A cor da natureza

199- Artemente

200- Pixano

201- Os encontros do tempo

202- A metafísica do ébrio


203- Ponto de Vista

204- VERDE E AMARELO, AZUL E BRANCO!

205- Marcela Oliveira

206- Brilhos eternos

207- Possibilidades

208- Se foi

209- Sangue perdido

210- Pelo & Apelos

211- Geometria

212- YY

213- Microfone

214- O poeta dos pássaros

215- 7 DiCapri

216- Auto Retrato Remix

217- Cachoeira

218- Petrus Vinicius S/N

219- Ian Someharder

220- Há algo estranho no mar II

221- Batman

222- Borboletas nos seus olhos

223- Sentir Saudade

224- Bilhete de cabeceira em despedida

225- Versos Escuros

226- Telma Estêvão

227- Apoteose!

228- Olhares

229- (Em Uma Boa Viagem)

230- A chuva vai caindo

231- Espelho sem reflexo


232- Madeira de Demolição

233- Crazy

234- Nada sei

235- Uma mente aberta um olhar atento

236- Há algo estranho no mar III

237- Petrus Vinicius S/N

238- Trem de ideias

239- Onça

240- Tuiuiús sobre jacarés

241- Olhar da cidade

242- Filme destalhista

243- Só Quem Acredita Cresce

244- Vicio

245- Complexo Pós-Dimensional

246- O lar

247- A poesia é minha terapia

248- A mentira de Berta

249- Valor na vida

250- Paradigmas

251- Dimensão de vidro

252- Douglas Jefferson Mariano S/N

253- De olhos em você

254- Casa na Árvore

255- Sex

256- John Lennon

257- Leitura

258- Amy Winehouse

259- Pensador

260- Sob um olhar infatil


261- Casario mineiro I

262- O samba

263- Exício

264- Catedral do Silêncio

265- Mente Aberta

266- Sou Livre

267- Pobre humanidade

268- Horas que não passam

269- Busco a luz

270- Interior vs. Exterior

271- Para o espaço, de (a) Lacuna

272- Caseiro mineiro II

273- A Ruiva

274- Onça Pintada

275- Retro

276- Marlyn Moroe

277- Composição com a mão de gesso

278- Maravilhas do mundo

279- Portão de Casa de Monte Alegre

280- Emoção

281- Maria Alice S/N

282- Mais fiel que um cão

283- Uma carta ao coração

284- A Viagem

285- Vozes

286- Despertar da consciência

287- Ideias inversas

288- Água irmã

289- Mundo Abstrato


290- In Versão de Valores

291- Gritos de realidade

292- Maria Fumaça

293- Caseiro mineiro III

294- Carmem Miranda

295- Natureza morta

296- Cotidiano

297- Olhar de menina

298- Aquarela

299- A solta nos gerais

300- Capoeira Regional

301- Veneza
Artista: Ibson Junior

Arte de Viver
Abram os portões
Que a arte vai passar
Sensibilizando a todos até contagiar
Todos os corações

Agindo de dentro pra fora


Transformando o agora
Em um momento
de vários sentimentos

Trazendo a cura pra alma


O amor
que vem e que salva

A alegria
que ousa e nunca falta...

A paz
que acalenta e acalma

Em cada detalhe
Por toda parte
Tudo é arte

E essa arte de viver


É a mesma arte de amar
Que faz o novo renascer
E o velho se eternizar

Em plena liberdade
de expressar sua verdade
A arte nasce do improviso
do pensamento que vai fluindo...

E é nessa natural conexão


Que surge a evolução
O fruto da dedicação
A inspiração!

1
Artista: Eduarda Isabel Hübbe Pacheco

Iguais em suas diferenças


Moro na crítica, na história, na palavra
Revistas, jornais e livros – todos conhecem o meu nome!
Moro nas estradas, nas entradas, nas espadas
Que abrem as mentes fechadas
Vivo na criança que implora por uma esperança
Na voz de um idoso que aceita as provanças
Vivo na mão de um político que gera confiança
Na voz de um adolescente que apoia a liderança
Que fecham as ideias de que a paz precisa de fiança
Felicidade é o que ofereço aos que aceitam conviver comigo
É que não faz sentido viver discutindo sobre quem é certo ou errado
Somos todos iguais em suas diferenças, igualdade é aceitar todas as crenças
Basta respeitar e aceitar, o outro também quer continuar (sendo feliz!)
Eu peço, por favor, lute para que eu permaneça
Mesmo nesse mundo com tanta descrença
Preciso contar agora, afirmar de uma vez
Que mente aberta é o meu nome!

2
Artista: Dora Oliveira

Riqueza de memória

Não lembro o que comi


No almoço ontem.
Lembro-me perfeitamente
Do livro que li.
Viagem benfazeja...
Alumbramento...
Reverberação...
Nas páginas do tablet.

Não sei o número do CPF, RG e PIS.


Recordo-me bem do beija-flor
Que visitou a minha sala
E do riso encantador
Da criança desconhecida,
Querendo colher a rosa
Estampada em minha blusa.

Não consigo me lembrar


Quanto recebi por um trabalho,
Na semana passada.
Sei que fiz bem feito,
Com esmero e prazer.

Esqueci
Quanto paguei de telefone,
Mês passado.
Consegui cantar “Travessia” inteirinha
Sem errar a letra,
Sem desafinar!

Não sei que dia vence


A prestação do micro-ondas,
Mês que vem.
Sei que haverá uma superlua,
Será primavera, vou à praia
E vou de trem,
Mês que vem.

3
No porta-joias da memória
Guardo o aroma do café fumegante,
Transbordando reminiscências...
Mimos maternos, alianças eternas.
O doce dos lábios extasiantes.
O afago dos abraços.
Histórias de vidas entrelaçadas
Em colares cintilantes.

Quanto às coisas práticas,


Têm os blocos de notas,
As agendas eletrônicas.
Para isso servem os computa(dores).

4
Artista: Telma Maria da Conceição

Olhares diferentes Diante do Novo


Mente aberta não é fácil para quem é tradicional
São ideias e princípios
Que para alguns não é normal.

Em pleno século XXI não é de se admirar


Que o preconceito aflore o peito
De quem não se deixe envolver
Pelo novo, pelo belo, pelo o que nos faz crescer!

Gente assim é como pedra


Rocha firme que não cede
Não se importa com o próximo,
E esse, que pena , mas só perde.

A coluna da indiferença
Não deve permanecer
No contemporâneo diferente
Que evolui para a gente ver
Que nada é estático
E que há transformação
Responsável pela mudança
De toda e qualquer ação.

5
Artista: Anderson Rosa

Identidade

Há “coisas” intensas

Assim como existe o vazio

Sou da teoria do preencher

E da prática também

As vezes somos vazios

Com pensamento preenchido

Carregado de referências alheias

Há muita cópia e bastante papel

Não basta ocupar espaço

É necessário saber o que colocar

Se não for aceito por ser diferente

Por ser autor da sua própria vida

É porque você não é um objeto

Para combinar na estante alheia

6
Artista: Diogo Oliveira

Sonho de Ser

Sonho de voar
Borboleta
Pendurada sem fios
No ar!
Desejos de partir
Sem destino.
Ânsia de menino
Pra voltar.
O céu do olho aberto!
O mapa da mão alinhada!
O verso da poesia rimada!
Alívios vãos do corpo nu!
A alma em cima da cancela!
O gavião no chão do céu!
Contagem regressiva de todas as horas!
O espaço entre o aqui e o além
É tudo que protege do desconhecido:
A face sem desenhos
O medo do escuro
A morte é o fim da vida?
Onde começa o tempo
Que ficou pra trás?
Cabeça de sonhar quimeras
Quem dera pudesse dar dinheiro
Aos pobres, aos que já não pedem nada
Lhes falta até o verbo que já habitava
No início da criação do homem.
Não tem o pão, nem o que Ele pisou.
A noite é como uma prostituta
Antiga, longa e negra sobre o mundo todo
Fumando seu cigarro sem pensar nas horas
E quando ato feito, levanta e vai embora.
Cabeça louca de pensar lonjuras.
Pra lá de muito longe no sertão bem dentro
Onde bicho e homem se confundem.
Por dentro das caatingas feito um boi brabo.
Silêncio de ferro esmagando meus olhos.
As borboletas mortas no asfalto
Ouço as vozes do sono chegando:
Feche seus olhos isso é um assalto.

7
Artista: Claudia Gomes da Cunha

Corpo Aberto

O que me flui pelo poros


- além dos pêlos -
É seiva.
Sou árvore que brota do âmago
Da terra
Do barro.
Cresço vigorosa pelo caule
- tronco;
Por acaso adoro caules.
Sigo fluente
Braços e cabelos
- pelos.
Raízes peregrinas
Sigo deserto afora
Tentativa de libertar outras árvores.
Eu panfleto folhas
Falando isso de crescer,
Contando que cada árvore é única
E a gente só tem que se abraçar.
A flora é enorme, deixa ser livre!
Deixa ser amor,
Amor é fotossíntese!
Se abra em copa,
Verdes galhos,
Tenras folhas
E ganhe o céu!
Abra flores,
Desabroche frutos:
Amadureça!
Mas ainda é deserto,
Minha voa ecoa no ar.
Não desisto,
Caminho, canso,
De mim flui a seiva
Da persistência.
Pra fluir melhor
Depilo os pelos
- mas só se eu quiser.

8
Artista: Eliane Luna

Parada Obrigatória (Placas de trânsito e sentimentos em transe)

Dei preferências e fui ao sentido proibido.


Achei que podia caminhar lado a lado e acabei por ultrapassar
Não podia manter o sentido.
Acorrentei-me pelo caminho, quando podia seguir em frente.
Havia duplo sentido em todo lugar, andei em círculos.
Foram muitos os avisos.
Tudo era proibido.
Cruzei vias
Encontrei entroncamentos oblíquos
Junções sucessivas
Pistas irregulares
Saliências.
Projetei cascalhos
Encontrei animais!
Mas ao atravessar a alfândega do meu pensamento
Descobri que nenhuma distância limita a minha chegada.
Estarei onde eu quiser e nenhuma ordem me fará parar!

9
Artista: Brunno Vianna

Pincel
Em um barco de papel
Deixei a poesia navegar
Pintei de amarelo o sol
E colori de azul o mar.

O infinito fica do meu jeito


Pequenino, mas perfeito
Nele é que cabe o meu pensamento
Que balança e dança
Com o soprar do vento.

A brisa uiva com preguiça


Eis o mar, eis o céu
Eis a tinta, eis o papel
Eis a poesia
Eis o pincel.

10
Artista: Marina Mohallem

A flor da luta

Nasci da terra, e não da sua costela


Nasci flor, e não sua donzela
Nasci menina, já fui calada
Nasci pétala pisoteada
Nasci espinho, então lutei
Mesmo nos dias que sangrei
Cresci fortaleza absoluta
Sou a única flor que luta
Sou no mundo quem eu quiser
Deixa-me então ser MULHER!

11
Artista: Ana Paula Campos
Título da obra: Brisa do Mar

12
Artista: Andréa Espíndola

Título da obra: Espalhe

13
Artista: Eduardo S. Pereira
Título da obra: Star Formation Dreams

14
Artista: Jose Luiz Nunes
Título da obra: O que você tem nesta cabeça

15
Artista: Dson Pereira
Título da obra: Lavadeiras

16
Artista: Eduardo Lima
Título da obra: Lampião e Maria Bonita sob o pé de maracujá

17
Artista: Dora Guedes
Título da obra: Barcos

18
Artista: Fernando Queiroz
Título da obra: Moça com o violão

19
Artista: Crystian Marques
Título da obra: Casa da Felicidade

20
Artista: Jorge Gouvea
Título da obra: Universo Particular

21
Artista: Cesar Luis Theis

Beijo da Insônia

Insônia na corrente sanguínea,


Nem vinho chama o anjo dos sonhos,
Errante exilada do mundo de Morfeu,
A alma voa nas asas de pensamentos.

Corpo extenuado, do fardo, da jornada.


Desvela-se loucura, emerge do silêncio.
Não encontra alento em sonho ou fantasia.
Máquina de pensamentos e perguntas.

Metamorfoses envelhecem a alma,


Na constante metástase a loucura.
A voz, pingos de chuva na água,
Nascer da consciência, o pensar.

Então, decifra mapas estelares,


Constrói naves espaciais aladas,
E o conhecimento conduz além,
Até a consciência do existir.

22
Artista: Ibson Junior

Lúcida Loucura

Eu sei,
Eu sou louco
Louco pela vida...
E a vida é assim, tão louca!

Vivo loucamente na sensatez


Mas isso é loucura...
E o que não é?
Loucamente falando...

Vivemos em mundo onde as pessoas se acham normais


Mas são todas tão iguais,
Pessoas que se fazem menores,
Pessoas que se acham melhores,
Se acham & acham
Mas não se encontram...
De boa? Isso é loucura!

É por isso que na normalidade dos fatos,


Prefiro parecer normal,
Mas viver como um louco,
Ver no simples algo sensacional
E ter a virtude de que fazer a diferença é pra poucos...

Tudo isso pode até parecer loucura


Mas sinto muito se isso não tiver cura

Eu quero mais é viver pra aproveitar


Se é loucura ou não eu vou me jogar
Vou seguir sempre fazendo diferente
Pensando louca a mente.

23
Artista: Patrick Duarte

O tempo
O tempo mostra quem é quem
Quem foi tudo e hoje não é ninguém
Quem mente e quem diz a verdade
Quem é fiel e quem age na falsidade
O tempo derruba e arranca mascaras
De pessoas que não tem personalidade
E precisam fingir ser quem não é pra viver na realidade
O tempo trás tristeza e felicidade
Mostra o que é de mentira e o que é de veracidade
O tempo traz vitorias e derrotas
Te derruba e te conforta
Te levanta e te enforca
O tempo mostra o que é e o que não é
Te deixa sem expectativas mais também te deixa com esperança e fé
O tempo leva pessoas que você nunca imaginaria afastado
Mas também traz pessoas que você nunca imaginaria do seu lado
O tempo traz a vida e a morte
O azar e a sorte
Mostra o que pode e o que não pode
O tempo não tem descrição
Muito menos discriminação
O tempo é o mesmo para todos então
O tempo é o que move esse mundão
O tempo nos permite errar
Mas também nos ajuda a acertar
O tempo explica tudo
O tempo é tudo
O tempo dispara
O tempo não para

24
Artista: Cristiane Kovacs Cardoso

Flutuar
Preso no peso do mundo
O poeta sem métrica,
Lógica, grades e censuras
Abre a mente,
Um pouco mais.
Lagarta em casulo,
Aos poucos, suas asas
Úmidas desprendem-se
O levam aos altos voos
Por céus longínquos
E além, além.
Para ele basta:
Que fale a crítica,
Que cante a mélica,
Que dispare a bélica...
Ao som do universo
Seu corpo estrelado
Chega à Lua
Onde tudo é leve.
E lá, ele flutua.

25
Artista: Graziela de Souza Santos

Mente sentida!
Abrir a mente
É, antes de tudo,
Abrir o coração
Para a sua própria humanidade!
Abrir a mente
É sentir
Antes de tudo,
A si mesmo
Para que em si mesmo
Se possa sentir o outro
E, assim, ter a mente aberta
Para sentir
As batidas de tantos corações
Que pulsam
Desejando o raciocínio
Tão sentido
No bom olhar,
De uma mente
Tão humanamente
Aberta!

26
Artista: Louise Bogéa Ribeiro

RIBALTA

O nosso mundo
É diferente do meu
Que no fundo
É igual ao seu

Conectados na curiosidade
Permanecemos antenados
Temos mais capacidade
Somos libertados

Tente
Não se assuste
Experimente
Faça um reajuste

Nesta trilha
Evite a rotina
À novidade
Dê boas-vindas

Política
Religião
Na polêmica
Perceba a exceção
Diga sim
À nação

27
Artista: Téia Camargo

VASTIDÃO

Na imensidão o abrigo acolhedor;


O horizonte nos reduz à pequenez;
Somos tanto. Somos tão pouco.
A claridade nos ofusca a retina;
Luz intensa revelando o pormenor;
Impactantes perspectivas;
Infinitas probabilidades.

28
Artista: Alberto José de Araújo

Pomar da Minha Mente

Aqui,
Curto minhas dores
Encurto a distância
Entre o "eu" exterior
E o "in" interior

Aqui,
Sinto minhas flores
No jardim de minha frente
No pomar de minha mente

Aqui,
Apago minhas chamas
No incêndio de minha alma
No bálsamo pra minhas chagas

Aqui,
Depuro minhas lágrimas
Nos córregos de minha retina
Nos igarapés de minhas artérias

Aqui,
Sou um pouco para dentro
Estou um pouco para fora
A mesma onda que chega, leva

Aqui,
Como um mar imenso,
Busca a costa
Pra sair da solidão

Aqui,
Me encontro ora em marés altas,
Ora me recolho em marés baixas,
Aviso aos navegantes, acenda o farol

Aqui
Buscando o porto
Andando na plataforma torto
Pra adentrar o barco do tempo

Aqui
Ouço o eco abafado
Do meu próprio silêncio
No ritmo da inspiração, da expiração

29
Aqui
Trago o ar da existência
E canto a vida e a poesia
E mergulho na paz da escrita

Aqui
Em meio a melancolia
Levanto com as mãos a terra
Do jardim e planto uma roseira

Aqui
Em meio a tanta tristeza
Ouço o chamado da brisa
Não vejo, mas sinto o aroma

Aqui
Nas rimas soltas
Nas feridas expostas
Nas chamas apagadas

Aqui
Quem canta, não espanta
Nem males, ou marés,
Somente canta porque ama

Aqui
Este amor à natureza
Da vida plena, não só de aparências
Dotada de uma certa humaneza

Aqui
Me permito ousar
Quiçá desafiar
Regras, dogmas

Aqui
Na busca da utopia
Que re-nasce a cada dia
Na raiz de uma dália

Aqui
Sento-me ao banco
Na sombra do arvoredo
Em um cantinho do cerebelo.

30
Artista: Marinho Abrahão da Gama Júnior

OLHAR CONTEMPORÂNEO

Destruo o muro

Que impede o meu pensar

Sou mente aberta

Nada pode me parar

Livre de preconceitos

longe de dogmas

Conhecimento é direito

Aprendo a toda hora

Vivo a liberdade

De ultrapassar todas as fronteiras

Dispenso a vaidade

Meu destino é a dianteira.

31
Artista: Maria Isabel Mascaro

SER MULHER

Não quero flores


Quero respeito
Não quero elogios
Quero os meus direitos
Não me dê presentes
Me dê ouvidos
Não quero ter
Quero ser
Não aceito um pedaço
Exijo o meu espaço
Não preciso de pena
Tenho asas
E com elas vôo
Pra onde eu quiser

32
Artista: Paulo Lionetti
Título da obra: Fashion

33
Artista: Rodrigo Abrão Campos
Título da obra: Solitário

34
Artista: Rodrigo Fulaneto de Souza
Título da obra: Multiverso

35
Artista: Luiz Salomão Zalcbergas
Título da obra: Descanso de Rita

36
Artista: Carlos Franco
Título da obra: On the Edge

37
Artista: Fatima Camargo
Título da obra: O Amanhecer de um Camponês

38
Artista: Guna
Título da obra: Evolução

39
Artista: Jessé Almeida Junior
Título da obra: Tigre

40
Artista: Jonas Stephan
Título da obra: Prisão de Mim Mesma

41
Artista: Álamo Pascoal das Neves Filho
Título da obra: Antropofagia

42
Artista: Luiz Barretto

Inicial

Vejam bem meus senhores,


Ouçam aqui minhas senhoras,
Não escrevo para vocês,
Nem espero que entendam
Do que estou falando.
Não escrevo pro teu adorno,
Não espero teu comentário
Não lhes reconheço autoridade
E, para ser sincero,
Não quero ser a sua.
Só escrevo o que vejo
Mesmo sem pensar
Registro meus olhos
Coordenando a minha mão
Mas vocês, não se interessam.
Querem só belas formas
Frases feitas e de efeito,
Querem ficar angustiados
Pelo que não conhecem
Só para parecerem corretos e belos.
Ouçam aqui, meus senhores,
Vejam bem, minhas senhoras,
Rasguem esse breve poema.
Escrevo para os verdadeiros
Não para gente de papel.

43
Artista: Stefany Almeida

Artiliza-se
Fragmenta-se
Em nada se torna
Partícula de liberdade
Liberta-se
Se abre para o novo que vem
Artiliza-se
Do passado
Dos retalhos que nos fazem
Enlinhado pensamento
Em linhas coloridas
Novelo lã laço de fita
Espicha emaranhado
Teia que cresce nas mãos do tempo
Evolui pensamento
Mente que se abre para o novo
Liberta-se
Fragmenta-se
Sê partícula
Multiplica
Evolui

44
Artista: Alessandra Almeida

Eterno Compasso

As antigas perspectivas

Tão ínfimas ficaram

Como espuma ao vento

Calidamente se desmancharam

Tudo mudou

Quando a mente se abriu

A visão do andar de baixo

Rapidamente foi esquecida

Degrau subido é nível avançado

Sem mais espaço para outra descida

Tudo muda

Quando a mente se abre

O bobo que fui ontem

Decerto, hoje não sou mais

Estou aberto a mudança

Hoje sou o bono que um dia ficará pra trás

Tudo mudará

Pois a mente se abrirá.

45
Artista: Demerson Poesia

O quanto vale a vida?

Vivemos e morremos
E o que há entre essas palavras?
Vivemos esquecendo que a segunda palavra ocorre frequentemente,
E o que fazer?
Viver.
Não simplesmente viver
Mas sugar o que existe de construtivo e saudável
Saudável no sentido de bom, do prazer do amor.
Pois o amor é um sentimento incerto
Que muitos tentam compreender
A razão dessa existência
Só o coração pode dizer,
Se a vida é passageira, passamos então.
Deixando nossos passos positivos no caminho da certeza
De uma certeza onde faz acreditar
Que foram de contribuição para um amor
E não para fazer alguém chorar.
Somos o que fazemos para outro acreditar
Somos vistos e observados
Somos uma sociedade em pleno estágio,
Vivemos sempre assim
Ao aprender,
Mas nem tudo a vida vai absorver
Depende de nossas intenções e instintos,
Onde vai mostrar que o quanto vale a vida
Vale o que você de bom está preparado para doar

46
Artista: Miguel Lima

Casa Branca

Foi em um dia prorrogado pela esperança:


Um homem com idade para ser meu pai
Disse-me que meu lugar era a Casa Branca,
Pois eu enxergava o mundo colorido de mais.
Em outro dia, feita uma mudança de casa,
Uma mulher com idade para ser minha mãe
Disse-me que a Casa Branca era minha morada,
Pois eu falava só para as paredes escutarem.
E inclusive sem dia, sem casa e sem chão,
Um menino com idade para ser eu mesmo
Disse-me que sobre a Casa Branca tinham razão,
Pois eu era mais um ser eu mesmo a esmo.
Foi então que ninguém (de forma que fosse alguém)
Disse-me que o branco era a união de todas as cores;
Que conversar com paredes fazia entender-se bem;
E que ser a esmo era não ter casa a prender as dores.

47
Artista: Priscila Mancussi

Insipiência

Conhecido conhecimento
Ignorado pelos ignorantes
Afronta aos arrogantes
Penumbra dos preguiçosos

Faltam argumentos
Faltam vozes
Gritos abafados
Mentes vazias

Ninguém ouve
Ninguém lê
Apenas perambulam
Invisível ninguém vê

E o conhecido conhecimento
Ousa perguntar
Como opinar pelo mundo
Se o conhecimento lhe faltar?

Falta lhe empatia


Falta lhe aceitar
Opiniões alheias
Ninguém gosta de escutar

E ninguém salva o planeta


Colorido não tem variedade
Uma cor só vale
Então só há uma verdade

Mas a superioridade
Está na mente de quem aceita as contrariedades
Que enxerga as cores de verdade
E contribui para a humanidade.

48
Artista: Eduardo Sussumo

Vem voar
Não temas Vem voar
Atire-se Vem voar
Sem culpa Vem voar
Liberte-se Vem voar
Sem destino Vem voar
Vem voar Voar...
Vem amar
Amar...

49
Artista: Karina Soares

Mentes perceptivas

Mentes inteiras precisam abrir-se para receber o conhecimento de partes isoladas


Partes isoladas de conhecimento compõem, intencionalmente, inteligências dispersas,
Inteligências dispersas unem-se a uma teoria exata formulando ideias concretas,
Ideias concretas agem a favor das mentes originais e amplas,
Que estão dispostas a visualizarem os outros lados do mundo, a outra dimensão do
céu.
Mentes abertas são perceptivas e errôneas
Mas sensíveis a ponto de captar uma informação
Que pode ser reciclada e usufruída com êxito.
Mentes abertas são atentas e pretenciosas
São atenciosas com o barulho que o universo faz
São capazes de detectar aquilo que poderia, rapidamente,
Torná-las ainda mais autênticas.
Mentes abertas absorvem possibilidades
Não são irracionais e nem possuem uma certeza absoluta,
Mas estão sempre dispostas a descobrir uma nova verdade restrita ao conhecimento.
Mentes abertas transformam e capacitam
Recorrem aos que sabem, e aos que não sabem
E certamente tornam-se algo além da distância que representa a sabedoria,
Pois estão sempre em busca de uma dimensão que as diferencie e amplie
São infinitas.

50
Artista: Juliana Aguiar

Morte

Sonhos deitados

À sombra da bananeira;

Muitos, mutilados

Por não pensarem da mesma maneira.

51
Artista: Juliana Aguiar

A trajetória da vida no meio do tempo

O tempo enganou-me

Avisou-me que daria tempo

Que ainda era cedo

Pediu-me calmamente para esperar

Tempo cruel

Deixei-me acreditar em seu lento sussurro

Acreditei na sua promessa

Que os meus sonhos viriam

Sonhei vivenciar o essencial

Essência do meu viver

Conquistas que dariam sentido a trajetória

Tempo cruel

Só depois de “muito tempo”

Revelou-me que era para acordar e executá-los

52
Artista: Fernando Queiroz
Título da obra: Menino com barquinho

53
Artista: Paulo Henrique Ramos
Título da obra: Reflexão ao Pôr do Sol

54
Artista: Andréa Espíndola
Título da obra: Voar além

55
Artista: Elisandra Corrêa de Campos
Título da obra: Praia do Sono Que Me Faz Dormir

56
Artista: Jesualdo Candido
Título da obra: A Busca da Mente Pela Mente

57
Artista: Rodrigo Lima Roreli
Título da obra: Michael Phelps

58
Artista: Felippo Masi
Título da obra: Dimensões das Cores

59
Artista: Lucas Campos
Título da obra: Desejo de Criar

60
Artista: Wander Melo
Título da obra: Ipê Amarelo

61
Artista: Sabrina Dalbelo
Título da obra: Casa Poesia

62
Artista: Juliana S. Valis

COSMO - CONSCIÊNCIA

No sonho, o silêncio mais profundo da alma

Ultrapassa a mesmice e o abismo de tudo,

Como um réquiem de luz no amor que te acalma,

Além da dor que produz o grito mais mudo...

E no infinito das artes, a finitude do dia

Esvai-se na cor do pensamento profundo,

Como um sopro de luz, um suor que anuncia

Emoções, sentimentos, muito além desse mundo...

Pois agita no tempo algo sem dimensão,

Energia que flui pelos trechos da lida,

Sinfonia de sonhos que um dia se vão

Diluindo na alma a consciência da vida...

E será que a ciência comprova a verdade ?

O que será a "Verdade" em cada sopro de luz ?

Enigmas quânticos que vêm, cedo ou tarde,

Na tempestade de tudo que o silêncio produz,

Somos átomos múltiplos da humanidade,

Em pequenas viagens que o tempo conduz.

63
Artista: Rafael Augusto Fachini

RESPIRA

Sinta a vibração da vida


Em consonância com suas atitudes,
Sintonize seus pensamentos
Com suas palavras,
Organize tudo em uma coisa só…

Destrua as estruturas hipnóticas


Que lhe fazem ser sempre da mesma forma,
Vá para outros caminhos,
Se (re)construa.

Mude os hábitos
Que te deixam preso entre o antes e o depois,
Force-se a entender o agora,
Sinta o agora, viva o agora… Agora.

Fale tudo o que for possível,


Não deixe calar o que está preso à garganta…
Vomite tudo o que está encalhado
No fundo do ser…

Expresse-se, se mostre.
Não tenha medo de ser verdadeiramente,
Esqueça as leis, dogmas, sociedade,
Apenas revele o que se é.

Deixe a metamorfose da vida acontecer,


Não se prenda a antigos “eus”,
Liberte-se…

Rompa com as correntes de dúvidas


Que você mesmo tem confeccionado.
Siga, caminhe e, acima de tudo, respire.
Respire. Res-pire.

64
Artista: Maria Apparecida Sanches Coquemala

Metamorfose
Já fui a medida de todas as coisas.
Já fui a juíza das sentenças inapeláveis.
Já fui a mais sábia, a mais intelectual
De todos, homens e mulheres.
Já fui campeã em todas as áreas.
A minha medida tinha a exatidão
Dos mais célebres pregadores fanáticos.
A minha sentença tinha a lucidez
Dos mais famosos cérebros iluminados.
Meus conhecimentos abrangiam
Os mais diversos campos,
Ciências, Artes, Filosofia, Crenças...
Eu era doutora em todas as áreas.
Mas o tempo foi passando, foi mostrando
Quanto era plástico o meu metro.
Tudo se mostrou imperfeitamente mensurável,
Desde a asa de um inseto até a galáxia distante.
Injustas, mostraram-se as minhas sentenças,
Quando imparcialmente examinadas
As causas próximas e as remotas do delito,
O meio, a genética, o espetáculo...
Todos os meus conhecimentos
Se corrigiram ao longo do tempo,
Mostrando-me socraticamente
Que a única certeza neste mundo
De incertezas é que nada sabemos.

65
Artista: Fabiana Miranda Vicente

Liberdade de sermos nós mesmos

O mundo ás vezes parece ser cruel aos que se mostram ser diferentes,
Pois vivemos numa sociedade sedenta de amor, respeito, somos carentes.
Mas será que, depois de tantas brigas; guerras, sangue e morte, nós nada fomos
capazes de aprender?
Se não resgatarmos nossa humanidade á tempo, muitos inocentes ainda irão morrer.
Gosto de pensar que o mundo ainda tem solução; aprendi que é melhor ser feliz do que
ter razão.
Também não consigo entender como nós; sendo seres mortais e tão dependentes,
Temos coragem de ferir nossa própria raça, matar a sangue frio nossa gente.
É preciso entender, que sejamos negro ou branco; rico ou pobre, possuidor de
conhecimentos extraordinários ou não,
Nada disso importa ou nos define determinado nosso valor.
O que realmente nos transforma é a nossa capacidade de amar; seja na alegria ou na
dor.
Construa seu legado, e que seja ele mais do que as mãos podem tocar,
Um dia saberemos que, um coração que ama e perdoa, há de nos bastar.
Quero construir meu castelo e nele viver minhas histórias ou fantasias,
Pois a vida é de fato, uma deliciosa descoberta.
Mas quero viver tudo isso, respeitando o meu próximo, de coração, e “Mente Aberta”.

66
Artista: Sandra Taís Amorim

Sonhar é viver

Asas a mente
Sentimento dormente
Viajar pelo mundo
Nos sonhos do coração
Sem sair do lugar, sem sair do chão.
Sonhos freqüentes
Solução dos problemas
Voar sem escalas
Viajar sem malas.
Imaginação é tudo
Não podemos desanimar
Encontramos a saída
É só procurar.
Sonhar é viver
Em laços e abraços
Em tantos percalços
Viajar é esquecer.
Sonhar na mudança
Dá-nos esperança
De um mundo melhor
No olhar de criança.
Dar asas a mente
Abre a janela a frente
Almejamos o impossível
Num um sonho incrível.

67
Artista: Eriberto Henrique da Silva

SOBREVOANDO O MUNDO

Sinto-me dentro de uma nuvem carregada,


Nuvem que passa sobre a cidade,
Soltando gotas de chuva.
Preciso sair dessa nuvem,
Preciso descer como essa chuva,
Molhar a grama, escorrer pelas valas,
Descer as ladeiras e desaguar nas marés,
Lavando minha cidade presa em seus sistemas.
Quem eu sou?
Sou a poesia!
Sou a alma do poema que ganha vida nas mãos do poeta,
Sou os olhos da criança infante que corre pelas escadarias
Buscando a pipa que foi cortada.
E nesse mundo de muitos mundos,
Sou as asas dos pássaros sempre abertas,
Os sonhos que não morrem depois do acordar,
O sorriso espontâneo na esmola ganhada.
Sou o pão da comunhão,
O verso que se desprende do papel em forma de ações,
Abrindo mentes,
Entrando em cavernas virgens para libertar,
Almas que muitos calabouços.
Eu sou liberdade sem pudor,
A boca vermelha de baton,
As pernas cruzadas na recepção.
O amor declamado no brilho do olhar,
O abraço na chegada e na saída, e a porta sempre aberta para o novo.
Eu sou a servidão!
A enxada que trabalha no campo,
As cortinas abertas no palco,
Eu sou seu coração pulsando, e o universo diante dos seus olhos.
Em fim,
Sou uma nuvem carregada,
Nuvem que passa sobre a cidade,
Soltando gotas de chuva.

68
Artista: Alessandra Brito

Mente aberta

A alienação é a convicção

Que se assemelha a uma canção

Onde só se o ouve o refrão

De uma entonação

Sem emoção

Que se define em uma única repetição

Que inibe a ação

Seja de grupos ou de uma nação

Onde se afirma o controle e submissão

Negando uma mente em constante reflexão

69
Artista: André Luís Soares

FUGINDO NUMA TELA DE VAN GOGH

Cansado das vãs teorias,


Busco a letargia
Dos alienados felizes.
Não quero saber da política,
Viro as costas ao feio
E à hipocrisia.
Entrego-me à incoerência...
Só vou ouvir os pássaros
E apreciar as orquídeas!
Chega de tantas mentiras,
Da esperança perdida
Da pesada leitura.
Fico à margem dos dias,
Da falsa engrenagem
Das tristes notícias.
Cedo-me à ignorância...
Só vou ouvir os pássaros
E apreciar as orquídeas!
Farto das ideologias,
Dos beijos de Judas,
Das falas prolixas.
Renego as tramas noturnas,
As turvas matizes
E as falácias da vida.
Rendo-me à intolerância...
Só vou ouvir os pássaros
E apreciar as orquídeas!

70
Artista: Robinson Silva Alves

Mente poeta

De repente
Abro os olhos
Enxergo no escuro
Descubro mundos
Atrás dos muros
Na minha garganta
Ecoa um grito
Um grito de alerta
Palavras pulsam
A letra desperta
Com descalços pés
Trilho os caminhos
Na estrada incerta
Caminho liberdade
Que a todos liberta
Meus ouvidos ouvem
O clamor dos oprimidos
Cicatrizes abertas
Do meu povo sofrido
Sepulto para sempre
Meus preconceitos
Um desejo de mudança
Ecoa no meu peito
Faço então
A grande descoberta
Descubro que agora
Tenho a mente aberta
Sou sonhador
Sou poeta.

71
Artista: Cristina Cacossi

Mente

Não vazia, sombria


Nem parada, sem nada
Não tumultuosa, medrosa
Nem indisciplinada ou atordoada
Tampouco frustrada, desencontrada
Nem desiludida, sem vida
Menos ignorante, distante
Nem poluída ou retraída
Talvez anuviada, não acabrunhada
Nunca analfabeta, sem meta
Mais ativa, criativa
Aberta, alerta
Somente mente
Que entende gente.

72
Artista: Chrystian Marques
Título da obra: Amor no Sertão

73
Artista: Eduardo S. Pereira
Título da obra: Joia Cósmica

74
Artista: Renan Santos
Título da obra: Nicolas Cage

75
Artista: Jullius Barbosa
Título da obra: Kyloren

76
Artista: Luiz Carlos Melo
Título da obra: S/N

77
Artista: Fatima Camargo
Título da obra: O globo 2

78
Artista: Raíssa Haizer Couto
Título da obra: A Beleza Mentirosa

79
Artista: Rafael Augusto Fachini
Título da obra: {des}evolução

80
Artista: Weslley Jardim
Título da obra: Chaves

81
Artista: Ana Paula Campos
Título da obra: Fada das Flores

82
Artista: Luan da Costa Pedro

Por um mundo melhor

O fator determinante,

Do bem constante,

É a aceitação,

De um diferente irmão,

O sorriso aromatizante,

Que enobrece bastante,

Qualquer semelhante,

E o acolhe a todo instante,

Depende de você,

A tua existência,

Em clara evidência,

Em sã consciência,

Tenha paciência,

Pratique a obediência,

E eleve a tua essência,

Ao amor pelo próximo,

Sem imprudência.

83
Artista: Joana de Souza Ferreira

Caminhar é preciso

Final do dia sobras e sombras.


Corpo e mente urgem.

Os sins e os nãos pesam.


Vou rastreando e mapeando um novo dia.
Quero um novo dia!
Oportunizar-me mais...

Esperança...Esperanço...
Surge um novo dia!
Deparo-me com o cansaço do ontem,
A angústia do hoje,
A alegria contida,
A dor acolhida, a idealização de sonhos,
o gosto da vitória,

O desejo de caminhar...
Ser incompleto, insaciável,
Labirinto de ganhos, perdas, buscas, lutas,
Ora tudo, ora nada.
Sigo...

84
Artista: César do Rego Freitas Dabus Maluf

Show de Rock
Quando ouvir nosso som chegando,
Nosso rock‟n‟roll te energizando,
Não pense em nada, nem fuja para qualquer direção.
Simplesmente junte-se a nós nessa energia,
Que tal magia, envolve todo nosso coração.
De onde venho, tenho a missão
De transmitir amor a cada nota que toco,
Arrancando de meu instrumento a fúria dos deuses que invoco,
Para iluminar e espantar as trevas de nossos corações,
Dando esperanças e forças às nossas emoções,
Na musicalidade suave e pura de um suspiro;
Me libertando de mim mesmo, num ecstasy musical eu deliro,
Ao ar livre, num pulo, num berro e num giro,
Que ao findar do solo, no chão me atiro.
Tiro meu chapéu para uma nova constituição;
Levanto minha guitarra e proclamo uma revolução!
Berro na luta contra a desigualdade,
O racismo e à desumanidade!
Seja como eu, taque o foda-se à sociedade,
À frieza e falsidade dos bons costumes,
Aqueles que não mudam nem a base de mil perfumes,
E berre a favor do amor e da felicidade.
Não me importo com os livros que lê,
Com as roupa que usa, ou a religião que crê,
Apenas liberte-se de si mesmo que
Encontrará sua verdadeira arte!
Pule, grite, rebele-se! Mostre sua cara!
Mate os conservadores de enfarte,
Leve os fãs à loucura, à Marte!
Nesta guerreira conquista da liberdade
Onde cada cidadão possui direito a esta vida,
A esta humanidade.
Me ajoelho no chão e rezo,
Peço para a música e seu poder de cura,
Para meus versos e textos da literatura,
Que cure esse mundo pobre que desprezo.
É o poeta, não a poesia,
Que faz o poema ter sentimentos,
Portanto, a todo momento,
Canto minha alforria
Com o coração aberto,
A visão das altas montanhas
E do mar infinito descoberto.
Canto para os livres,
Para ser livre!

85
Artista: Edison Oliveira Gil Filho

Ideias Inversas

Tomou o próprio cérebro

Botou na cabeça e disse;

Menino não se aborreça,

Mas prefiro ser eu mesmo

Do que ter uma ideia avessa,

Não que eu seja um sábio,

Ou que você não mereça,

Mas raciocinar como você,

Fará com que eu pereça,

Pega o teu encéfalo doido

E bota ele na cabeça,

Para que nunca mais esqueça

Que inverter miolo em crânio,

Apaga a luz da chama acesa!

86
Artista: Fernanda Claudia Araujo da Silva (Bendecas)

A FIXIDEZ DA CORRUPÇAO

Muda-se o mundo, mudam-se as pessoas.


Mudam-se os tempos, mudam-se os nexos.
Mudam-se os pensamentos que ultrapassam a rigidez da concepção da mente, por
isso mudam-se as palavras e os contextos.
Mudam-se os olhares e as atitudes, muda-se o referencial de lugar.
O tempo brama por mudança de gestos e de gastos!
O efêmero mundo alcança suas novas escolhas, mas só a corrupção é incólume.
As vicissitudes das condutas corruptíveis enrijecem as mentes austeras
e tornam insociável o sistema.
O hirto perfil dos indivíduos invade a sociedade corrompendo-a,
e deixando-a a mercê da deturpação moral.
A perversão da conduta social alicia-se à fixidez da corrupção.
Até quando? Para onde? Para que? Demanda a corruptela e inquire-se à moral.
Quando muda a corrupção? É o mistério de um dilema que não muda.
De uma perplexidade angustiada, de uma hesitação insaciável e de uma metamorfose
inalcançável.

87
Artista: Katia Regina da Silva Castañeda

NUA e LIVRE

Mulher nasci, NUA e LIVRE.


Que bonito! Sim! NUA e LIVRE
Porém, quanto mais eu crescia
Uma nova etiqueta surgia
Muitas iniciando-se com o não faça isso menina!
Arrastei-as anos a fio
Sem entender porque assim reagia
Culpei-me de erros, abusos e grosserias
Que a mim não pertencia
Hoje, amanhã ou outro dia
O Não transcendeu em minha vida
NÃO AO ABUSO
NÃO A VIOLÊNCIA
NÃO AO FEMINICIDIO
NÃO AO MACHISMO
DIGO NÃO! FICOU CLARO?
Chamem se quiserem de rebeldia
Mulher nasci, NUA e LIVRE.

88
Artista: Marcelo Bonadeu (Tchelo)

MENTE QUE NÃO MENTE

A mente aberta não mente,

Acrescentando o prefixo se

Temos sementes

Do conhecimento para espalharmos

Em novas mentes!

A mente que não mente

Há de se questionar

De que adianta buscar conhecimento

Formação, informação

Se a mente selecionar

E o novo, o diferente

Não pode entrar!

Por isso lembre-se

Se só nadar na tua praia

Cuidado, pode estar indo na onda!

89
Artista: Marcelo Bonadeu (Tchelo)

A Tribo

A tribo fica a céu aberto

São bem-vindos

Todos que amam a verdade

Almas entorpecidas

Conhecem o abismo

Escombros do coração, rimas

Cada um com suas ruínas e pedras

Aqui curamos as feridas

Olhamos dentro dos olhos

Descobrimos o sentido do corpo retalhado

Aqui atitude cheira a pólvora

Pega fogo não engana

As palavras são escritas e sentidas

Fica a vontade de reaprender

Adormecer dores, plantar flores

Aqui temos boca e coração

Uma marca na pele, uma energia


O novo que floresce e acontece
Aqui remédios não curam
O sol nunca mente
E tudo liberta

90
Artista: Luis Marcelo Santos

Revolução Mental

Faça, lute, force, forje a sua jornada


Veja, aprenda, reveja o mundo que te cerca
Sinta, reflita, desafie os paradigmas
Não tema, não recue, não se culpe
Abra sua mente, amplie suas visões, reveja suas opiniões
Viva plenamente, liberte sua mente
Conheça e entenda, respeite e permita
Até ao que não é como tu, quando com igual valor
Mesmo que dele não concorde
Descubra, reveja, transforme, contribua
Para um mundo melhor ousar, construir, forjar
Por meio de uma mente aberta o começar
Ouvir sem atacar, falar sem impor, arriscar discordar
Sem temer ser diferente, ampliar aos horizontes de sua mente
Desde que ao outro não agrida
Sem guerras, nem retaliações, tais realizações
A verdadeira mente aberta a tudo recebe
De possibilidades e caminhos e sonhos e ousadias
Revolução, mais estupenda ação quando sob a compreensão
De que tudo é possível desde que com o cuidado
De não ferir, agredir, punir aos que nos rodeiam
Sob essa a mente aberta que não se limita, mas aceita limites
De todo o seu ousar sem o provocar pelo provocar, quando sim o aprimorar
De um mundo melhor conforme está a lhe lapidar

91
Artista: Emanuela Ribeiro Rodrigues

Mundo Abstrato

Cansa-me o mundo
Muda o cansaço
Câncer no tudo
Mundo de caça
Cala-se o mudo
Canta o galo
Calo do Escuro
Escuto e calo
Cato o escudo
Descuido o falo
Falo absurdo
Abismo eu caio
Avisto tudo
Tanto ensaio
Saio escuso
Custo e salto.
Curso de tudo
Rio de asfalto
Entra o intruso
Cruza o gato
Gato netuno
Cura do mato
Trato obscuro
Mundo abstrato

92
Artista: Jesualdo Candido
Título da obra: Esquizofrenia

93
Artista: Dson Pereira
Título da obra: Capoeira Regional

94
Artista: Andréa Espíndola
Título da obra: Viaje

95
Artista: Eduardo S. Pereira
Título da obra: Paz Interior

96
Artista: Guna
Título da obra: Explosão de Cores

97
Artista: Elisandra Corrêa de Campos
Título da obra: Entardecer em Paquetá

98
Artista: Isaqui da Luz Santos
Título da obra: Metamorfose de Pensamento

99
Artista: Wellington Senil
Título da obra: Dança das Sombras

100
Artista: Jonas Stefan
Título da obra: Minha Querida

101
Artista: Paulo Henrique Ramos
Título da obra: Paradisíaco

102
Artista: OSVALDO COPERTINO DURTE

Decálogo

Não te levarás muito a sério,


Não serás a antena de nada,
Embora o nada não lhe chegue.

Não viverás em inspiração,


Nem acreditarás em ideia súbita:
Poesia não é idolatria,
Não é o fogo do céu,
Nem o sopro dos anjos.

Não tratarás as palavras como tuas convidadas.


Elas não precisam de batismo,
Rejeitam véus e crisálidas, e te rejeitam.

Dormirás com elas


E de cada uma lamberás o corpo
E serás habitado com o nada.

Não praticarás metáforas pútridas.


Teu melhor verso não passará de assovio de surdo:
O céu sem o inferno,
Surtos de elisão.

Não perscrutarás o estilo,


Mas sabes que não sobrevirás sem um.
A tua fome será a tua loucura.

Não escreverás mandamentos.


Se escreverdes, (ócio,
Tentação ou transgressão do ofício),
Não acreditarás neles
: a poesia não é suicídio.

Não serás dogmático.


Não levantarás tua espada
Contra o castelo da forma,
Nem tua língua afiada
Contra o poder do verbo.

Não sois nada diante do verbo.


Mas se calares,
Musgo ou lodo,
Estarás morto ou ainda
não tereis nascido.

103
Artista: Alessandra Almeida

Um dia ela mudou

Mas é que com uma vida inteira de satisfações


Não houve troféu, medalhe.
Nada ganhara além de ilusões
Justificativa, justificativa.

Em contrapartida, do lado de lá das celas,


Reinava a liberdade do ser.
Mas ela não sabia se a vida era tão mais bela.
Ponderava, ponderava.

(O tempo corre de indecisos, já ia dar sete horas)

Diriam que ela, depois de velha ficara assanhada


Os vizinhos cochichando, filhos reclamando,
No túmulo, marido se revirando.
Mas o espelho teimava: “Ainda estas tão apanhada!”
Perspectivas, perspectivas.

Batom, celular, rede social,


Mas cabelos grisalhos e rugas de expressão.
Oras, os tricôs estavam em dia,
Que mal havia em ser uma velhinha atual?
Eis a questão, eis a questão.

O namorado chegou e a porta do carro abriu


(costumes de outrora)
Aquela noite. Finalmente, após quase setenta anos
O prazer ela descobriu.
Tempos modernos, tempos modernos.

A vizinha da frente se perguntou


Onde este mundo iria parar
Porque quisera ela
Também ter um tabu para quebrar.
(((Abra a mente, abra a mente.)))

104
Artista: Anderson Rosa

Adeus sem despedida

Não sabia o que era o adeus

Nem queria saber

Só sei que agora que ele se fez presente

Constatou seu lado frio e amargo sabor

Havia tanto amor para liberar

Havia tanto abraço para apertar

Havia tantos sentimentos ocultos a revelar

Mas o silêncio abafado predominou

A vida não espera

A vida não avisa quando termina

A vida é viva e se vai naturalmente

O ontem é passado

O hoje e o amanhã são improváveis

O agora é vida, celebre!

105
Artista: Diego Oliveira (Di Graveto)

Rua da Frente

Hábito o silêncio das horas insones


Que reduz carros, bichos e homens
À matéria sondando o sereno.

Oculto-me nos cantos e nas quinas


Nas bocas, nos olhos dos que não dormem
Na morte dos que têm fome.

Somos sonhos, somos homens!


As paredes me abraçam
Me esmagam lentamente.

O corpo, abro o cardápio novamente


Mas não temos mais dinheiro
Vamos vagar na rua da frente.

O cheiro do rio me acalma


O som das águas nas pedras
Queria me atirar nelas.

A noite é grande
Imensa, incomensurável
Me escondo nos seus mistérios

Nos seus muros


Nos seus medos
Suas praças em ruínas
Suas ruas, seus mendigos
Sua senda, sua sina
Ainda que só menina
É: acaba, ruir, passar.

106
Artista: Mario Rezende

EMOÇÕES

Sentir emoção é chorar uma falta,


dar a volta por cima e se achar.
Sentir emoção é cantar uma vitória,
é festejar uma glória.
Sentir emoção é um chute na bola, é o grito de gol.
Sentir emoção é corar de vergonha por deslize inesperado.
É olhar nos olhos de alguém e encontrar os teus.
É receber a criança que chega e se despedir de quem vai.
Sentir emoção é olhar ao redor e encontrar todo mundo;
é amar o filho, o pai, a mãe, o irmão, o cônjuge, o amigo.
Sentir emoção é amar o que ainda não nasceu
e também o que já morreu.
Sentir emoção é ter amor no coração.
Sentir emoção é ganhar e perder.
Sentir emoção é dar topada,
é cantar no chuveiro.
Sentir emoção é puxar o peixe que vem na linha,
é comer a toda hora, é não ter o que comer.
Sentir emoção é ver o sol que brilha,
é brilhar sem ver o sol.
Sentir emoção é observar a chuva que chora,
é ter o universo aqui, ao alcance das mãos.
Sentir emoção é despertar de um sonho,
é namorar, brigar, separar e reatar.
Sentir emoção é pisar na grama,
saltar e cair rolando de rir.
Sentir emoção é viver com pouco dinheiro
e ter despesa de sobra.
Sentir emoção é dar leão quando jogou na cobra.
Sentir emoção é botar para fora,
xingar, gritar, gargalhar e aplaudir.
Sentir emoção é engolir, calar, pensar e chorar.
Sentir emoção é chegar ao orgasmo.
Sentir emoção é tudo aquilo enfim,
que mexe, assim, de repente, com o ânimo da gente.

107
Artista: Adriele Reis

(A corda)

Dormiu com sua parte inimiga, em pensamentos se perdeu o seu eu.


Avistaram uma corda num armário antigo e qualquer, aquele dia diferente a ti lhe amanheceu.

Possuídos sussurravam juntos.


"Você quer" "Você quer" a parte
Inferior do teu ser.

Seus olhos tristonhos procurava o


Deus, que sua mãe lhe dizia para
Depositar sua fé.

Mediram a longevidade dos pés como alto. Entre pequenos espaços no tempo se perguntava o porquê.
Pegou um banquinho que nem era seu, apoiou-se sobre ele seu verdadeiro eu.
Ao deixar o seu corpo pensou no que fez, enxergou o futuro e o talvez. Se arrependeu.
Tentou voltar de onde saiu, depois de ver o futuro que ele aboliu, a tempestade que só ele poderia
cessar.

Todas as pessoas que em ti se espelhou, que fizeram de ti uma referência e lutou, aquelas pessoas
também deixaram de existir.
Ao sacudir o próprio corpo, se convenceu de era louco, que tudo fugia do real, sua idéia de ser imortal,
também terminou.

Longe ouvia vozes, não era a hora da partida, exibiam-se, acusavam-no.


Respondeu-lhes dizendo, o mundo é grande demais para um ser tão pequeno, missão destinada a si ter.
Covarde, Covarde, Covarde o sol já vai nascer.

108
Artista: Ana Camila Campos

Garo(t)a Intempestiva

Quando eu olhei pela janela


Vi a chuva lá fora
Parecia distante
Garoa fina, insistente
Podia parar... não via a hora
Era refrescante, mas dolorida
Necessária – para aliviar a ferida
Tão serena, tão singela
Mas que fazia a disputa pelos toldos concorrida
Todos queriam um abrigo
Eu queria ser livre
Estava ali, no meu canto
Tudo escuro, teto baixo
Nem um grito se escutava
O silencia ecoava
Só olhava para fora:
Aquela água caía como prece
Escorria da janela_
Da alma
Inundava o quarto_
E a cama
Tudo alagado
Eram lágrimas
E eu não enxergava
Era tempestade dentro de mim

109
Artista: Guilherme Afonso Poersch

Insiste

E cai o primeiro segundo.


Ela se abaixa e junta do chão.
É difícil segurar um punhado de horas
Equilibradas em uma só mão.
Mais alguns segundos.
Mais uma vez ela se dobra ao tempo.
Nessa deixa caem outros minutos.
Um segundo registra o momento.
Ao passo em que derruba,
Um passo se demora.
Juntando o tempo perdido
Com a ilusão de não perder nem um segundo.

110
Artista: Brunno Vianna

Invento

O vento leva a semente


E traz para a gente
Pétalas de flor
Testemunha o assobio
Movimenta o rio
Dança com a folha
Que voa
Canta às aves e às nuvens
Refaz as marés
E os caminhos dos mares
Sem chegar ele já foi embora
Permanece aqui dentro
Invade lá fora
Sacode o sorriso de quem chora
Beija os corações dos anjos
Se faz perto, deserto
Se faz longe, distante
Se faz vento, invento
Livre, leve e constante.

111
Artista: Francisco Ribeiro

Só Quem Acredita Cresce

Ninguém começa gigante,


Essa é a lei do destino.
Continuar pequenino
É não se ver importante.
Cresça sem ser arrogante,
Que você sobe e não desce.
Um novo caminho acesse,
Pense certo e evolua,
Que a vitória será sua.
Só quem acredita cresce.

De um sonho pequenino
Nasceram muitos castelos.
Mente e coragem são elos
Que mudam qualquer destino.
Peça aparato divino,
Que isto somente acresce.
Força com fé não descresse,
Quem tem fé, coragem tem;
Agindo assim, age bem.
Só quem acredita cresce.

Lembre-se que o seu caminho,


Você tem que construir.
Nunca pense em desistir:
Isto seria mesquinho.
E, vindo um redemoinho,
Mesmo que forte viesse,
Não vai lhe causar stress,
Você supera esta dor.
Quem é forte é vencedor;
Só quem acredita cresce.

Nas estradas dessa vida,


Sempre tem desfiladeiro.
E quem consegue primeiro,
Galgar a sua subida,
Tem vitória garantida.
Quem vence não se entristece,
Se insistir permanece
No topo dessa montanha.
Quem não tem fé pouco ganha;
Só quem acredita cresce.

112
Artista: Dson Perereira
Título da obra: O Quinteto

113
Artista: Jose Luiz Nunes
Título da obra: Mãos

114
Artista: Jhey Sweet
Título da obra: Olho

115
Artista: Denise Storer
Título da obra: Barcos no Rio

116
Artista: Weslley Jardim
Título da obra: Clémentine Lévy

117
Artista: Jullius Barbosa
Título da obra: Deadpool

118
Artista: Luiz Carlos Melo
Título da obra: Pinóquio

119
Artista: Jusi Ferreira
Título da obra: Bailarina Solitária

120
Artista: Rodrigo Abrão Campos
Título da obra: Abstrato

121
Artista: Marcelo Stoenescu
Título da obra: 27

122
Artista: Alessandra Almeida

Sê Mente

É preciso ter cuidado;


Eles estão à espreita,
No encalço do desavisado.
É preciso ter cuidado;
Antes que seja tarde o bote dado,
Quem fica esperto não se sujeita
É preciso ter cuidado;
Eles estão à espreita.
Não deixa eles te porem rédea,
E partirem pro ataque.
Traça logo uma estratégia;

Não deixa eles te porem rédea,


Pra que você fique sempre na média
E jamais nesta vida se destaque.
Não deixa eles te porem rédea,
E partirem pro ataque.

Corre, abre essa mente,


Antes de vir o cabresto.
Que te faz parar de ser gente.
Corre, abre essa mente,
Aceita o novo que vem em frente
Não dê a eles pretexto.
Corre, abre essa mente,
Antes de vir o cabresto.

123
Artista: Ana Camila Campos

Motorista

Motorista,

A lotação está vazia

O seu farol já não ilumina meu caminho

Deve ser o “mal” - contato

No fim eu ocupei o lugar passageiro

E acabou assim aquela viagem

Nem saiu do lugar

Deixou ela morrer

Nem sequer esquentou o motor

Foi pro ferro velho

Virou ferrugem

E a carcaça?

Sobrou não...

Nem coração

124
Artista: Sabrina Dalbelo

FLOR DE CALÇADA

Viajei sozinha
Caminhei devagar
Respirei profundamente
Entre pó e chuvas
Fui e voltei e vivi
Muitas vidas e muitas vezes
Nadei em vasos raros
Perfumei jantares e encontros
Regados a ouro e mel e sabores
Amei uma só vez
Nenhuma pessoa
Amarguei da solidão dos que
Observam muito
E não perdem nada
De mente viva e velha
Aberta e dada
Ao requinte do simples
Desde a chegada
Vou começar uma outra era
Uma nova caminhada
Tomar chá com bolo bem sentada
Na pontinha do trono
Da minha velha calçada
Onde habito uma fresta mínima
Aberta da pedra dura
Empoeirada

125
Artista: Sarah Gomes

Paradigmas

Negros foram escravizados pela sua cor

Mulheres não podiam votar

Pessoas que tiveram que casar sem amor

Dois iguais não podiam se juntar

Esses ideais que foram quebrados

Por homens e mulheres que um dia acreditaram

Paradigmas que estão ultrapassados

Por mentes abertas que a humanidade mudaram

Somos a nação que clamou pelo fim da ditadura

Que ainda luta pela igualdade social

Do câncer que nos mata é necessário a cura

Nenhum ser humano deveria viver como marginal

Ergam-se as pessoas que possuem o dom da compreensão

É chegada a era da liberdade mental

Onde o conhecimento pode ocasionar transformação

Para livrar o mundo daquilo que é mal.

126
Artista: João Alberto Pizzolatti Neto

REGRESSO

Quando fecharam a porta porque minha pele não era clara,


Prédios instantaneamente se transformaram em casas,
As largas avenidas de asfalto
Logo esfarelaram-se em barro,

Quando me impediram de rezar para meus santos,


Ternos e vestidos converteram-se em panos,
Dos carros brotaram carroças,
Depois ninguém mais sabia o que era uma roda,

Quando me espancaram por amar outro homem,


Num estalo o céu viu os aviões sumirem,
Em seus lugares, zepelins e balões,
Em seguida voar estava apenas nas ficções,

Quando disseram que ela era propriedade do marido,


Nações inteiras se resumiram em povoados e tribos,
As televisões tornaram-se rádios,
E no lugar de filmes, contos falados,

Quando os povos foram separados pelas ditaduras,


As doenças já não tinham mais cura,
Morria-se de gripe, varíola e peste negra,
Computadores viraram livros, que foram queimados nas fogueiras,

Quando enfim iniciou-se a nova guerra,


Atacaram-se com paus e pedras,
Nenhum exército possuía mísseis ou metralhadoras,
Mesmo assim o ódio pelo outro espalhou-se de forma arrasadora,

Quando a grande guerra teve um fim,


A vida não sorriu para ninguém, nem a você nem a mim,
E como sempre acontece quando reina a intransigência,
De cidades inteiras, só restou a poeira.

127
Artista: Adenilza Almeida Lira

JOGANDO A VIDA

Um casal que se encontra:


É par.
Um trio de amigos:
É ímpar.

Início de jogo:
É par.
Um belo blefe:
É ímpar.

Um desejo a dois:
É par.
Um prazer a dois:
É ímpar.

Ter um filho:
É par.
Ouvir a primeira palavra:
É ímpar.

O primeiro passo:
É par.
Um dia na escola:
É ímpar.

Namorar na juventude:
É par.
Começar tudo de novo:
É ímpar.

128
Artista: Mickael Alves da Silva

Contemplar

Não posso tocar teu íntimo

Mesmo adentrando teu corpo

Não o posso tocar

A sublime essência

Faz de cada um, uma ilha

Um universo particular

O que penetra seu olho

É somente seu

Teu olhar na minha memória

É somente meu

Não posso tocar teu íntimo

Mas posso contemplar

O que a luz que vem de ti

Pode me mostrar

129
Artista: Martinho Martins da Silva

Mente Aberta

O teu inimigo tem a mente fechada.


É o que dizes.
Porém, se pensas dessa forma, e tendo inimigo, sua mente está apenas entre
aberta.
Ela está impedindo-o de olhá-lo por completo pela fresta.
Quem sabe os braços dele não estejam abertos a um abraço?
Saiba, portanto, que a mente aberta em demasia, poderá inflar-se a tal ponto
de ir arrogância adentro.
A mente abrange fantasia, imaginação, meditação, reflexão...
Fantasie, portanto, teu ego arrogante a ponto de ignora-lo e verá a fresta se
abrindo.
Notará então, que não precisará pular a janela abrindo a porta.
Medite, reflita então.
Verá desta forma a superação de tuas limitações.
Só de mente aberta, elevarás teu curso vital.
Ponderarás então teus horizontes intrínsecos de tua alma numa necessidade
de possuir, indo de encontro ao teu destino às vezes intrincado.
De mente aberta, apropriadamente suplantarás tuas limitações.

130
Artista: Francisco Samuel de Sousa e Silva

Plano em aberto

Quando criança queria ser adulto


Quando adulto desejava ser criança
Quem na juventude temia a velhice
Na velhice sente nostalgia pela juventude perdida

Pois o amanhã sempre cobiçado


Quando chega já é o ontem desdenhado
Pois ao coração do homem o desejo é ouro
Já a conquista, fogo consumidor
Porque vencida a montanha
A descida, já não é tão honrosa assim

Assim é a mente humana


Uma porta que se abre
Entre o passado e o futuro
Mas que pula o presente

Pois o não ter


Alimenta a força de vontade
Enquanto o obter
Furta o entusiasmo

Assim se alternam as ideias do mundo


Em paradoxos sem fim
Onde o homem ao vencer
Perde
E por isso mesmo
Tem a esperança de novamente ser.

131
Artista: Ana Paula Campos
Título da obra: Primavera Chegou!

132
Artista: Dora Guedes
Título da obra: Carmen Espanhola

133
Artista: Chrystian Marques
Título da obra: Estrada do Sol

134
Artista: Fernando Queiroz
Título da obra: Fim de Tarde

135
Artista: Rodrigo Lima Roreli
Título da obra: Wildenberg

136
Artista: Luiz Salomão Zalcbergas
Título da obra: Pôr do Sol na Mata

137
Artista: Nanja Brasileiro
Título da obra: Há algo estranho no mar I

138
Artista: Wander Melo
Título da obra: Pica-pau

139
Artista: Jader Damaná
Título da obra: S/N

140
Artista: Rodrigo Fulaneto de Souza
Título da obra: Razão

141
Artista: Maria Isabel Mascaro

SOMOS DIFERENTES

Somos todos diferentes


Cada um tem um passado
Um sonho, uma vocação

Somos todos conscientes


Cada um tem um presente
Um parente, uma consideração

Somos todos consequentes


Cada um tem uma mente
Um futuro, uma intenção.

142
Artista: André Fellipe Marques Fernandes

Mundo mentiroso

Você sempre viveu de verdade.


Um dia, percebe que a verdade em que vivia era mentira.
Daí, passa a viver na mentira, sabendo da verdade.
Até que outro dia, acaba descobrindo que tudo é tão mentira,
Que acaba dizendo umas verdades
E quem vive de verdade no mundo da mentira
Diz que você não é de verdade.
Por isso, você tenta dizer a verdade,
Mas a sua verdade é uma mentira
No mundo verdadeiro vivido pelo mentiroso.
Então, você fica indignado
Por saber que, de verdade,
Todos apenas querem viver na mentira.

143
Artista: Kesianne Suelen Barbosa Ferreira

GENTE GRANDE

Gente grande sabe o bastante


E não se intimida em ser pequeno
Diante das mil facetas a
Que esconde este universo
Aprende a cada dia o
Segredo da transformação
Sabe que ser grande de verdade
Implica em responsabilidade
Em saber que não se sabe
Nessa fugaz busca do ser
O caminho da perfeição
É uma trilha a percorrer
Dia após dia!
Aprendiz!
Recria
Aprimora
Toda forma
De saber
Faz do conhecimento um vício e
Redescobre...
A cada dia um pouco mais da sua
ESSÊNCIA!

144
Artista: Sandra Regina Pereira Santos Ferreira
Prostituída

Devido algumas qualidades


Fizeram de mim uma montanha
Depois começaram me escalar

Devidos alguns bons frutos


Fizeram de mim uma árvore
Depois começaram me derrubar

Devido às minhas próprias correntezas


Fizeram de mim um rio
Depois começaram me represar

Devido às minhas próprias saídas


Fizeram de mim juros
Depois começaram me cobrar
Me comparando a uma estrada
Nas minhas falhas jogaram pedras e concreto
Depois começaram me pisar

Ao chegarem as dificuldades
Minhas fraquezas não souberam considerar
Imediatamente puseram alguém em meu lugar.

145
Artista: Tarcísio Moreira de Queiroga Júnior

A FLOR PERFUMA A MÃO DE QUEM A ESMAGA

Viver é uma verdadeira viagem


O que levou, leva e levará em sua bagagem?
Prepare-se para a longa estrada
Nunca se sabe qual a próxima parada
Zele pelo tempo e cada momento
Sem competição, sem linha de chegada.

Desampare-se das lágrimas


Opte pelo ato e efeito de sorrir
Muito custou, mas aprendi.
Lembre-se na sua jornada,
A flor perfuma a mão de quem a esmaga.

Não se deixe desmotivar


Não importa onde estiver ou aonde chegar
Sem pestanejar, sempre ilumine.
Se o verdadeiro acende ninguém conseguirá apagar

Fuja da manipulação e seus tentáculos


As águas dos rios desviam dos obstáculos
Continua seu rumo não importa os percalços

Versos evaporam com a madrugada


E insisto em ressaltar

A flor perfuma a mão de quem a esmaga!

146
Artista: Juliana Silva Valis

MISTÉRIO TRANSCENDENTE

Existem tantas coisas que não se explicam,


O sentido da vida é o mistério do mundo,
É a solidão das palavras jamais ditas,
É o que existe na alma de mais profundo...

Somos todos mistérios para nós mesmos,


Somos todos impérios de perguntas sós,
Entre os reflexos de sonhos, vagando a esmo,
No labirinto infinito que habita em nós...

E, lá fora, enquanto a noite voa,


Enquanto o céu ecoa o brilho do luar,
Muitos falam de amor, como palavra boa,
Mas poucos sabem, no fundo, amar !

Hoje não sei o que dizer no fim,


Não sei se é cômico, estranho ou sério,
Mas o sentido de tudo que passa, assim,
Ultrapassa a mente humana, em seu mistério.

147
Artista: Rafael Augusto Fachini

O peso do amanhã…

O barulho das folhas arrastadas nos pés,


Som que mais parece pedido de socorro...
Ás vezes passo horas indagando:
Para onde foi a empatia humana?

Risos histéricos frente ao concreto sem vida,


Em contrapartida, aqui jaz várias vidas no chão.
Servirão quem sabe, de apoio para copos de cerveja,
Ou enfeites de canto de mesa, mais lindas do que flor.

E as flores, todas artificiais,


Sonhando em um dia ser naturais...
E serem regadas por cascatas de amor.

Mas a humanidade se perde em seu próprio consumo,


Vai vagando dopada, sem rumo...
Comprando vasos falsos de flor.

Seres pequenos, egoístas, bípedes...


Egocentricamente constituídos,
Se esquecem de que a vida é mais que isso,
E somos apenas poeira do que já se foi.

A vida, que me tudo está...


Espera apenas o ser humano acordar
E se lembrar da reminiscência do amor.

A vida.
As escolhas...
O peso do amanhã.

148
Artista: Eriberto Henrique da Silva

FAZER O SOL BRILHAR

Vamos abrir todas as portas,


Escancarar as janelas.
Atravessar os oceanos com velas soltas,
Vamos desbravar mundos,
Abraçar nossos irmãos,
Aprender novas culturas,
Aceitar as diferenças,
E dormi felizes diante das estrelas no céu.

Vamos nos posicionar acima dos sistemas,


Praticar o bem,
Semear flores, caridades.
Sabendo o quanto é preciso amar,
Reconhecer esse amor e praticar esse amor.

Vamos voar por ai,


Doar o que não precisamos a quem precisar,
Compartilhar sentimentos,
Colhendo trabalho,
Colhendo suor
O suor de quem dedica a sua vida e fazê-la uma libertação.

Vamos sentir emoções,


Chorar,
Sorrir,
Pagar micos,
E voltar para nossos lares com a mente aberta,
E a consciência tranqüila,
De quem é capaz de fazer o sol brilhar.

149
Artista: Joana de Souza Ferreira

Já é tempo

Vozes dizem: já é tempo!


A situação denuncia que é hora.
Hora de não mais sobreviver ao relento.
É tempo de fugir das esporas.

Momento de libertar o corpo e a mente.


Extinguir o que apavora.
Viver o que de direito é, sem sofrimento.
Reconhecer o outro na exata hora.

Tantos a gritar descontentes...


Lamentações, inquietações pela demora,
Revoltas, lutas e os sem sentimentos
Leva-os a dizer: É chegada a hora!

150
Artista: César do Rego Freitas Dabus Maluf

Vida Sem Amor

Viver uma vida sem amor,


É viver uma vida sem vida;
Uma vida cinza, ferida,
Tempestuosa em amargor.

Viver uma vida sem amor,


É viver uma vida sem sentido;
Um viver perdido,
Sem luz interior.

Viver uma vida sem amor,


É como o próprio réquiem compor:
Oitavas acima, oitavas abaixo, um amplo coro;
Grito de morta vida em choro.

Viver uma vida sem amor


É como vive uma flor
Vazia: sem mel,

Respirando ar poluído,
Diluído,
Num sonho impetuoso de beijar o céu.

151
Artista: Álamo Pascoal das Neves Filho
Título da obra: Fato estético

152
Artista: Derly Júnior
Título da obra: Toque

153
Artista: Wellington Seli
Título da obra: Doce depressão

154
Artista: Felippo Masi
Título da obra: Intoxicação

155
Artista: Stefany Almeida
Título da obra: Artelibre

156
Artista: Jorge Gouvea
Título da obra: Nostalgia

157
Artista: Jesualdo Candido
Título da obra: O olho que tudo vê

158
Artista: Jefferson Reis de Santana
Título da obra: Ouro Psicodélico Preto

159
Artista: Leila Madeiro Lessa
Título da obra: S/N

160
Artista: Richardson Costa
Título da obra: De olho no futuro

161
Artista: Edison Oliveira Gil Filho

Sem título

Com intenção
De adubar peito
De gente,
Eu às vezes
Planto
Um verso diferente,
E percebo
Que fértil – mesmo,
É a semente
Que germina
Não na alma,
Mas na mente.

162
Artista: Lucio Roberto Panza da Silva

Antídoto da mente

A dança vadia das letras


Éter na lauda escrita
Pela condução das musas neutras
Palavras edificam uma mesquita
Não sei o que eu quero
O segredo está nas flores
Mas eu sei o que eu não quero
Cortina de dores
Uma mão estendida
Redefino a história
Cicatrizo as feridas
Bravura e memória
Desconstrução e construção
Um novo olhar, espécie nova
Existe um céu azul, então?
Os povos se unem em verso e prosa.

163
Artista: Ana Carolina Cerqueira Chaves

LIMITAR-SE É MORRER AOS POUCOS

Ontem,
José,
Surdo de nascença,
Fez-me questionar.
Encontrei-o na roda de dança,
Dando passos a bailar.
Perguntei-lhe gestualmente
Como poderia ele o ritmo encontrar.
Ele disse-me apenas:
Dou meus jeitos,
Posso não ouvir,
Mas não me restrinjo a por isso não dançar,
Já que isso é fácil,
Dois para lá
Dois para cá.
E por fim,
Gesticulou:
De dois em dois,
Aprendi que as limitações psicológicas são maiores que as físicas.
De dois em dois,
Comecei realmente a viver.

164
Artista: Juliana Silva Valis

REINVENTAR (de mente aberta)

Às vezes, é preciso reinventar os dias,


Descortinar rapidamente o sol,
Rabiscar as nuvens além das paredes dos sonhos
E definir outro céu que receba o tempo...

Às vezes, é preciso descobrir outros mares,


Pincelar outros ares nos labirintos das letras,
E arquitetar sonhos jamais vistos,
E construir projetos revolucionários
Sobre novos alicerces de esperança...

Sim, às vezes, é preciso muito mais que palavras


(já perdidas em tantas outras vezes),
É preciso que "as vezes" se reinventem
E reciclem as hipóteses desgastadas,
Os discos arranhados
E as ideias perdidas na mente...

Hoje, cansei de rótulos e ruídos,


Rastros e resquícios,
Estereótipos e reverências,
Recalques e refinamentos,
Rancores, roncos e rompantes,
Cansei de preconceitos e restos na retaguarda do tempo,
Porque é preciso, ao menos, um momento em que tudo,
Sim, praticamente tudo,
Pare, de fato, pra que possamos ouvir
O que apenas o tempo quer nos dizer.

165
Artista: Marinho Abrahão da Gama Júnior

LONGE DE PRECEITOS

Aprendo
Lendo
A cada momento
E num instante, entendo.
Ao cair do vento
Que recebo no relento
Me vejo atento
A todo conhecimento
Tenho a cabeça
Que jamais eu esqueça
De portas abertas
para opiniões incertas
Erros e acertos
Corrigindo seus preceitos
Sei que um dia terá jeito
O nojento do preconceito.

166
Artista: Patrícia Zago

ANTIMATÉRIA (?)

Minhas células,
poeira cósmica,
uma saudade eterna
d‟outras eras...

Saudade das „estrelas‟!

Esse corpo,
essa matéria feita d‟átomos,
de minúsculos „planetas‟...

Sente falta de casa...

Uma saudade tão imensa!


do lar sideral, da Divina Sapiência!

Minhas células,
nesse corpo,
nessa poeira cósmica,
nessa esfera...

Eu, na Terra, antimatéria... (?)

167
Artista: Dionnath Fernandes

Reflexo do pouco que precisamos comparado ao que existe no


mundo

Em uma hora boa resolvo sair para relaxar a mente,


Assim que puxo o Beatles para cabeça
Chegando no lugar onde se reúne o alternativo,
Me aparece alguém extremamente louco
Que me pede um cigarro.
Achando que estou com dois últimos cigarros
Vejo que vou dividir com alguém que não vai nem lembrar,
Mas porque lutar para tudo ser de todo mundo
E não dividir meus últimos cigarros?!
Abro a carteira e ganho um premio por isso
Vejo que tenho três cigarros.
Sigo com minha tranquilidade mental
Para uma volta inteira nas raízes da praça,
Vejo que no lugar dos alternativos de mente relaxada frequentam,
Alguém que luta para provar que não é doente
Educadamente me pede um cigarro,
Me agradece com a simples prova que não precisa de cura.
Lembro logo do filme que acabei de assistir,
Filme de uma livre comunidade hippie,
Comunidade que presa dividir tudo para todos
E aceitar os desejos verdadeiros de cada um.
Fui terminar a volta na praça e vejo outro alguém,
Que me cumprimenta também com vontade de relaxar a mente
E com desejo no meu ultimo cigarro,
Ele também vendo isso humildemente pede só uma trago.
Vejo que as pessoas querem o que você tem,
Mas uns querem só o necessário,
Outros querem seu suor e ainda falam que isso é necessário.

168
Artista: José Terra

VASTIDÃO

Naufrago-me no amor dos pobres de espírito


Entre o trabalhador e a aventureira
a romântica e o desempregado
o vizinho e a amante
a boizinha e o marginal
o cozinheiro e o cabeleireiro
a balzaquiana e a senhora

Poesia, não falo do amor-geladeira


Deixo esse tipo de amor para meus mestres se pronunciarem
Meus mestres são duendes azuis

O erotismo se enche no meu corpo


Como uma consagração de machos e fêmeas

O lirismo me agita Poeta e me entrega à mulher


Como um pássaro de luz

A esperança me embriaga num cálice de vinho


E escrevo poemas viscerais ao mundo dos pobres

Sou metade homem e metade animal

169
Artista: Nina Rodrigues

‘Viagem ao centro da minha loucura!

Voei, pousei, andei, andei e parei.


Toquei guitarra, flauta, violão e coração.
Voei, voei alto, cai, despenquei,
me esborrachei no chão.

E agora onde estou?


Um redemoinho de perguntas me sugou.
Está me levando ao centro da terra
Que Julio Verne criou.

Essas tecnologias super avançadas


Retardam meu conhecimento humanissíssimo idiota.
E as drogas? Nos deixam mais sóbrios do que essa fumaça,
Esse cheiro de óleo diesel queimado no ar.

Aventura! A vida é uma grande aventura.


Sobriedade! A morte é sobriedade e loucura.
Viver, morrer! Lutar para viver, morrer para vencer!
Gritar, calar! O dólar é o papel higiênico desses filhos da puta.

O meu mundo em preto e branco


Está se diluindo, sumindo, caindo, despencando...
Ah! E agora mudarei meu rumo completamente,
Pois ao longo desse vômito eu fui caindo, despencando
E agora que eu cai estou bem mais consciente.

170
Artista: Tiago Ozéng

Brincadeira

Maldade, em quais olhos você está?


Palavra, quantos significados posso te dar?

Pessoas, por que escolher o pior?


É tanto melindre que chega a dar dó.

Saber brincar se aprende de pequeno.


Não se permitir, pode ser o teu veneno.

É muito choro pra pouca vela,


Mas agora é isso o que me espera.

Eu demorei a me ligar
Como a situação, de fato, está.

MALDADE, EM QUAIS OLHOS VC ESTÁ?


Nos de quem brinca ou nos de quem quer interpretar?

É TANTO MELINDRE QUE CHEGA A DAR DÓ.


Não brinca, explica, se não vai dar nó.

PALAVRA, QUANTOS SIGNIFICADOS POSSO TE DAR?


O usual, inocente? ou o que eu quero enchergar?

PESSOAS, POR QUE ESCOLHER O PIOR?


nessa brincadeira, eu prefiro estar só.

171
Artista: Fátima Camargo
Título da obra: Girassóis

172
Artista: Guna
Título da obra: Sagrado

173
Artista: Carlos Franco
Título da obra: Detached

174
Artista: Humberto José Maziero
Título da obra: Self

175
Artista: Fellipo Mansi
Título da obra: Deus é você

176
Artista: Wellington Gonçalves
Título da obra: Pai e Filho

177
Artista: Jader Damaná
Título da obra: S/N

178
Artista: Petrus Vinicius
Título da obra: S/N

179
Artista: Marcelo Stoenescu
Título da obra: 26

180
Artista: Lucas Campos
Título da obra: Kether

181
Artista: Tiago Ozéng

A Magia de Itaenga

A Dureza ligou convidando a Melancolia pra uma festa...


A Melancolia disse assim:
"tá comigo a Culpa, a Indecisão, a Preguiça e um Que Resta"

A Dureza se utilizou de um argumento descabido


"Em Lagoa de Itaenga tudo fica mais bonito."

Foi da boca pra fora


E a Melancolia Percebeu,
Mais ficou admirado
Com a magia que aconteceu.

Ao chegar em Itaenga
Aconteceu a mutação:

A Culpa virou Amor,


Indecisão virou Paixão.
O Que Resta não mudou,
Mas aumentou a diversão

Chegou Boa Energia


Riso Fácil e Vibração
E a Preguiça nessa vibe
Se transformou em Disposição.

A Dureza não mudou,


Mas se esbaldou em felicidade.
A Melancolia até sorriu,
Mas vai morrer de saudades.

182
Artista: Patrícia Zago

DURANTE O BANHO (DE BANHEIRA...)

Fiz um exame profundo de consciência...

Vasculhei todos os arquivos,


na velha estante, na mesma prateleira...

Não sei se foi por uma mera coincidência,


fiz um exame profundo,
e, também, uma boa limpeza!

Tudo o que já não prestava,


tudo o que restava já, imundo, joguei no lixo...

Afoguei na banheira!

Ah, foi um grande alívio!


senti uma leveza... duma tal maneira,
que remocei uns 20 anos, na minha cabeça!

Organizados todos os arquivos,


bem limpa a prateleira...

A velha estante continua tinindo, uma beleza!

183
Artista: Nina Rodrigues

E as lembranças?

E as lembranças?
Seram esquecidas por uma perda
Ou serão guardadas e relembradas com um sorriso?

E as lembranças?
Seram soterradas pela tristeza
Ou seram limpadas as pressas?

Não deixe que seu olhar perca seu brilho,


Não deixe que um sorriso morra
No rosto de quem ainda permanece vivo.

Não deixe que as lembranças morram


Com quem não está mais aqui.
Viva! Junte as lembranças e sorria,
Sorria para a vida!

184
Artista: Dionnath Fernandes

Desejo um calor no inverno

Que teu olhar seja uma luz na escuridão


Me cobre com tua seda
Faça com que me sinta no verão
Sem pensar em ter certeza
Mesmo que seja como a lua
Que chegou de surpresa
Que seja lindo como o por do sol
Quero provocar teu sorriso
Grudar como um caracol
De vagar, sem correr riscos
"No caracol dos teus cabelos"
Que tem a cor de fim de tarde
Ficando preso entre meus dedos
Com o desejo de fazer arte

185
Artista: Neide Germano

Plenitude

Boreal, meridional
Oriente, Ocidente
Rotação e translação
Acontecem plenamente

Dias , meses, anos, séculos


Antecedem os milênios
Na pura essência do amor
somos todos seres plenos

O arrebol no alvorecer
E o crepúsculo no Oriente
Dizem que já vai nascer
Outro dia para a gente

O tempo do templo é rei


Paira a meditação
O equilíbrio do universo
Vai da mente ao coração

A mente plena se vai


Rega o solo do amor
Quem medita s eleva
Na transcendência do som

186
Artista: Dai Pinheiro

Paradoxos e fragmentos

A tristeza é como rio caudaloso


Ora escorre pelos olhos
Ora ecoa em poesia
Seguindo o seu curso de dor...
Um morrer sereno a cada dia
Do amanhecer no cantar do galo
Da noite dos morcegos infames
Das ventanias de madrugada
Que fazem o lixo voar pelas ruas
Provocando o silêncio...
Sem borrar vai versando o momento
Em bossa and roll!
Mais um trago profundo
Mais um gole bem farto
E uma sinfonia de arcanjos
Surge em meio ao caos
Tingindo de cores e acordes
A tristeza insensata
Que passou aqui na porta
E já mandou lembranças...

187
Artista: Marcela Oliveira

Palavra muda
silenciosa feito vento em tempo de estia
Que não é minha
apenas calou-se por dentro
Feito menino que brinca de esconder

Fugida do nada
recolhida numa artéria qualquer
Recém- saída do meu pobre rico coração
palavra fugitiva
Das polícias que trago em meu peito

Calada e solene
minutos de silêncio em respeito
Antes que se visse o pavio
e bem no seu fim
Se ouvisse o grito infinito

E não era dor


E não era dor
E não era dor
Era o amor alforriado

188
Artista: Filipe Picasso

Democracia do cão

Na ponta da mente todo uma decisão


Nos olhos da gente toda uma premonição
Na boca da gente todo um gosto de aflição
Na garganta sedenta toda uma exclamação

Nós somos o futuro


Pro bem dessa nação
Não digam as crianças
Que não tem mais solução!

Nós somos o futuro


Pro bem desse país
Perguntem para os velhos
A razão de ser daqui!

Nem todos sabem bem


Aquilo o que dizer
Se escondem em ignorância
E nao veem razão pra crer

Que amada mãe gentil


A puta do Brasil
Nao chora só pelos índios
E os que na senzala ninguém viu

Nós somos o futuro


Pro bem dessa nação
Nao digam as crianças
Que não tem mais solução!

Nós somos o futuro


Pro bem desse país
Perguntem para os velhos
A razão de ser daqui!

189
Artista: GABRIEL KIELBLOCK PANNUNZIO

Real Realidade

Estamos todos morrendo lentamente.


Na verdade, vermes e parasitas já nos dominam, estamos podres por dentro.
Respiramos ódio, vingança, dor, tristeza, revolta.
São pequenas coisas que deixam um homem louco.
Estamos todos loucos, ninguém é mais são nesse mundo.
Todos temos demônios dentro de nós.
Mas a maioria finge que está tudo bem, e fingem perfeitamente.
Se perfumando, sorrindo, em meio a balbúrdia, se “amando”.
Enjaulam seus demônios e seguem suas belas vidas.
Seguem suas vidas fingindo viver.
A diferença é que eu não faço questão disso.
Aceito as coisas como são.
Penso, “que merda de vida esses putos tem
vão da vagina de suas mães para suas sepulturas
sem sentir o gosto amargo que é a vida”.
Isso é a vida, eu realmente a vivo.
E isso dói, dói muito.
Mas é real.
Se essas pessoas não estão prontas pra a realidade
É melhor que pintem as paredes com seus miolos
E os vermes que os consumiram sua podridão.

190
Artista: Beto Santos

O primeiro instante...

Não te esqueço nenhum instante...


Teu olhar no meu olhar fixo e penetrante,
Teu jeito de menina,
Tua beleza de mulher,
Com esse charme Que não tem como disfarçar.
A alegria que sentia em meu ser,
Como quisesse procurar...
Assim não dá!
... Fico desconcentrado,
não da pra pensar por Que?
Nem sei explicar.
Tudo fica complicado,
meu ser transtornado.
Mas não tenho coragem pra falar,
O primeiro instante...
O impacto marcante,
Hoje eu acordei pensando em você,
E ainda não te esqueci,
Amanha vou te ver outra vez ...
... Como um sonho que se fez realidade.

191
Artista: Carlos Franco
Título da obra: Colônia

192
Artista: Álamo Pascoal das Neves Filho
Título da obra: Liberdade

193
Artista: Denise Storer
Título da obra: A bica

194
Artista: Dora Guedes
Título da obra: Cerejeira

195
Artista: Jader Damaná
Título da obra: S/N

196
Artista: Jessé Almeida Junior
Título da obra: Verde que te quero verde

197
Artista: Jusi Ferreira
Título da obra: Cor da natureza

198
Artista: Stefany Almeida
Título da obra: Artemente

199
Artista: Renan Santos
Título da obra: Pixano

200
Artista: Raíssa Haizer Couto
Título da obra: Os encontros do tempo

201
Artista: Dai Pinheiro

A metafísica do ébrio

A cidade dorme sob os arranha-céus


As meretrizes trabalham no sinal
Vendendo prazer na madrugada.
Nos bares, mais tragos e porres.

Mais uma dose para esquentar,


Bola oito na caçapa da esquerda
“Uma bela tacada senhor!”
Gritam os bêbados nas mesas.

Pede a conta ao garçom inquieto


E a tradicional saidêra para partir
Dia de hoje, cara de ontem.
Tudo acaba em mais uma ressaca.

202
Artista: Tiago Ozéng

Ponto De Vista

Tinha sol
Era dia
Era luz
Era cor

Tinha choro
Era açoite
Era medo
Era dor.

Com diferentes olhos


Diferente é a visão
Na senzala do negro
No terraço do patrão

No entanto era sabido


Por todos que lá estavam
Pra viver bem e rico
Que os brancos escravizavam

Se sabia também
E por isso se açoitava
Era o medo dos poucos ricos
De uma revolta da negrada

Os negros eram maioria


Muitos, ricos em sabedoria
E de muçulmanos letrados
O levante surgiria.

Cansados dos maus tratos


Do Jugo, da humilhação
Foi Malê a insurreição
O negro, que não era parvo
E partiu pra revolução

As revoltas aconteceram
O massacre se confirmou
De toda essa estupidez
só uma conclusão ficou

Pouco importa teu cargo


Pouco importa tua cor
Se não sabes de quem é o sangue
Que esta terra encharcou.

203
Artista: Patrícia Zago

VERDE E AMARELO, AZUL E BRANCO!

Vergonha de minha Pátria?


Meu pedaço de chão nesse mundo,
Meu refúgio, meu lar garantido?
Nenhuma...

Vergonha é dessa gentalha que a governa!

Minha Pátria é terra de muitas promessas...


(bem sei... E, de poucas cumpridas!)

É leito de verdes anseios, berço de rios compridos!

Meu pedaço de chão nesse mundo


É também refúgio de corações aturdidos,
Meu lar, e d‟outros muitos...

Vergonha de minha Nação? Nenhuma...

Vergonha é dessa gentalha que a governa,


Sem vergonha...

Que não honra o seu pedaço de chão,


Tão garrido!
Seu lar, e d‟outros muitos...
(ah, gentalha... Que governa com ingratidão!)

Minha terra adorada é falha,


Mas, inda sim é minha Pátria amada...

Leito de verdes anseios, berço de rios compridos!

Meu pedaço de chão nesse mundo,


Meu refúgio!
Vergonha? Nenhuma...

204
Artista: Marcela Oliveira

Pendurei toda roupa suja


no varal da alma,
que me fica entre o quintal
dos sapotis ( doces como mel, talvez mais)
e a garagem das frustrações ( amargas como Domingos).
A demora pra secar não será dolorosa.
Tempos de chuva são para que nos tornemos pacientes mesmo.
E se a chuva cai, aprendo.
Cada gota é um segundo do relógio de Deus.
Esse tempo passa, evapora,
no calor dos dias -a dias e há dias e adias
o que tens pra fazer com a desculpa de que o tempo não há. Há, há.

Mas as roupas lá estão, estendidas, desencardindo,


mas lembro - faço questão e gosto - que são as sujas.
Nunca mais serão as mesmas.
Cada lavagem, cai um pouco da tinta da vida
e desbotam certas crenças.

Deixo secar.
Quero que sequem bem.
Que pinguem os pingos.
Que despinte a tinta.
Que a chuva manche de marcas do tempo de Deus.
Minha garagem está vazia.
Meu sapotizeiro está cheio.
Tomo um sem nem usar ponta -de -pés.
O prazer está logo a mão.
Me delicio com a chuva que não cessa.
Doce como mel, talvez mais.
E nem Domingo é.

205
Artista: Nina Rodrigues

BRILHOS ETERNOS...

Brilhos eternos.
Luz que ilumina meu coração.
É o brilho dos teus olhos
Que olha nos meus olhos com escopo.
Toca-me o corpo!
Leva-me a boca palavras doces.
Trouxesses tristeza,
Mas, amor nunca me trouxe.
Feridas em meu coração:
Nunca irão sarar.
Adagas estão cravadas em mim...
Ah! Meu coração sofre de amores gris.

206
Artista: Neide Germano

POSSIBILIDADES

A roda roda
A crisálida crisálida
O crisol acrisola
O crisma crisma
A lisa alisa
A linha alinha
A lixa lixa
A cola cola
O divergente diverge de gente
O açúcar açucara
O alimento alimenta
A laranja alaranja
A casa casa
O olho olha
O vento venta
A corda acorda
O vermelho avermelha
A doméstica domestica
A marca marca
A banda abanda
O abano abana
O bafo abafa
O baixo abaixa
O abade abadia
A bala abala
A tranca tranca
A trama trama
O cantador canta a dor
Assim como
O orador
O fingidor
O vendedor
O cuidador
O sofredor
O contador...

207
Artista: Eduardo Machado

Se foi

Escândalos mentais, solidões estatais,


Como esconder tais mananciais?
Esclarecer tais ideais...

Cantigas só fazem mais e mais o fogo queimar,


Queria ao menos ter um momento de te enxergar,
Poderia mil vezes dizer, mas como você vai entender o que não quer deixar entrar?

Deixe essa roda a ladeira descer,


Pois meu trabalho, já estou fazendo, tento te esquecer.
Só basta você ao menos uma vez entender.

Já faz dois meses você bateu a porta,


Ao frio do ar da rua que se tornou tão torta.
As gotas e salpicos dessa chuva congelante, já não insiste no tato... E como isso corta.

Quero que em algum momento minha mente reflita,


E depois de um dia triste que assim como eu tanto se precipita,
Eu consiga saber da desgraça que conduz ao abismo e em mim abita.

Teu beijo negar...


Ah, como queria ele agora nesse lugar.
Mas como disse já faz dois anos que não posso te encontrar.

208
Artista: Bruno Lopes Curiel

Sangue perdido

A vaca também é amiga


Não é cachorro
Mas também tem vida
No abatedouro pede socorro
Almejando viver mais um dia

Pobre galinha botadeira


Dia e noite acordada
Frente a faca açougueira
Numa granja desalmada
Alma amaldiçoada

E o porco, então?
Mais um pobre coitado
Morto, jogado no chão
Corpo inerte, parado
E o mundo continua calado

E assim vai todo dia


A carne na mesa
Sangrando inocentes
Ocultando a tristeza
De nossa natureza

209
Artista: Lilian Porto

Pelos & apelos

Se me arrasto
Se me apronto
É mero apelo
É mero espanto

Se meus pelos se alevantam


É todo espanto
É todo pranto
É apelo gramatical!

Não sei se falo dos meus pelos


Ou reclamo dos apelos
Porque ambos
Permeiam o ridículo.

210
Artista: Elke Lubitz

Geometria

É tudo sempre o começo


Dependendo do ângulo, é o começo da vida
Em outra geometria, é o começo da morte
Tudo é sempre infinito .

Na geometria de dentro, a vida nunca termina .


Na ilusão de fora , a morte é aquilo que não tem fim

Somos seres de ocasos


Somos feitos de poentes
Somos matéria infinita como o lado onírico de tudo
Espelhos de uma eternidade

211
Artista: Jhey Sweet
Título da obra: YY

212
Artista: Wellington Gonçalves
Título da obra: Microfone

213
Artista: Eduardo Lima
Título da obra: O poeta dos pássaros

214
Artista: Rodrigo Lima Roreli
Título da obra: 7 DiCapri

215
Artista: Jose Luiz Nunes
Título da obra: Auto Retrato Remix

216
Artista: Jusi Ferreira
Título da obra: Cachoeira

217
Artista: Petrus Vinicius
Título da obra: S/N

218
Artista: Renan Santos
Título da obra: Ian Someharder

219
Artista: Nanja Brasileiro
Título da obra: Há algo estranho no mar II

220
Artista: Jullius Barbosa
Título da obra: Batman

221
Artista: Malu Lambert Ratliff

Borboletas nos seus olhos

Eu não me sinto bem


Eu só me sinto só
Onde estão todos aqueles
Que me prometeram
Sempre estar aqui

Depois de todo esse tempo


Será que voltar às lâminas é a melhor solução?
Será que a luz vai surgir outra vez?
Será que verei novamente
As borboletas em seus olhos?

Há muito tempo
As pessoas me disseram para nunca desistir
Mas há horas que tudo que vejo é escuridão
E onde está você?
Que olhou nos meus olhos e disse
"Não importa o que aconteça,
Eu vou ficar com você"

Finalmente sabem como eu me sinto por dentro


A razão pela qual as lâminas deslizam em minha pele
Por que você veio atrás de mim,
Quando o que eu mais queria
Era me esconder um pouco mais

"Não me deixe só,


Não me deixe só"
E mesmo assim
Você se foi
Levando as borboletas no seu olhar

As flores murcharam quando a porta fechou


Mil palavras ficaram ao vento
Mas a promessa que você me fez...
Por que você disse "Eu vou voltar"
Se você ia me abandonar?
Eu só queria ver novamente
As borboletas no seu olhar...

222
Artista: Beto Santos

Sentir Saudade...

Mais uma noite estou aqui.


Na varanda sentindo o frio permanecer....
em meu rosto o vento que toca lembra você.
... saudade!
Quero você de volta.
onde te encontrar?
Não consigo viver...

223
Artista: Dai Pinheiro

Bilhete de cabeceira em despedida

Lembre-se de mim!
Quando a lágrima mais triste e dolorosa
Escorrer da tua face num dia de chuva,
Estarei ali a enxugar o teu pranto,
E consolar-te na inconsolável amargura.

Nas tardes frias...


Tu lembrarás do calor do meu abraço
A envolver-te com ternura e paz.
Agora jaz, no esquecimento eterno,
Dos braços gélidos, rígidos,
De um célebre morto.

Lembre-se do meu riso!


A ecoar nos corredores da sala,
Escassos momentos a embelezar
A perenidade da minha triste face
Em dias felizes e voláteis.

Esquece da minha matéria!


Era suja, pecaminosa, doentia,
Prato preferido dos vermes hediondos
Que estão a devorar famintos
O que um dia foi admirado.

Guarda contigo as loucuras


Das minhas surrealidades
A alma, a essência da poesia,
Onde imortalizei meus anseios.
Com amor: o poeta.

224
Artista: Filipe Lourenço

Versos escuros

Escuro mas nem tanto


a vida uma loucura
o momento um encanto
uma sede-luxuria
um riso-canto

Uma lembrança
uma volta no ciclo
uma esperança
a embaraçar

Uma saudade sem fim


cicatriz recente
um meio, outro assim
um olhar diferente
uma saída afim

Um passado-presente
uma dor-paciência
outra volta-sequencia
uma nostalgia saliente

uma pausa
um passo
um ato-causa
e ressoa o compasso
gira-mundo e apaga
gira, chove e alaga
grita, foge e afaga
deita, dorme e acaba.

225
Artista: Telma Estêvão
Soa, beija e acaricia
Sem cessar os meus ouvidos
E os meus poemas.

Mesmo sem dares conta


As tuas palavras humildes
Vão desordenando todos os meus sentidos
Entram em mim e erguem-me
Cativam e adocicam os meus verbos e tempos .

Ou será simplesmente a minha audição


Que imagina a tua voz e os meus lábios
Moldam o que quero ouvir?

Mesmo sem me aperceber


A alma vai dando ais sem termo
E calorosos gemidos ao anoitecer

Vai sentindo o teu e o meu querer.

Sem a tua voz eu perco o rumo


E o silêncio fala alto…

226
Artista: Nina Rodrigues

Apoteose!

De todas as minhas alucinações,


De todas as minhas loucuras,
Você foi a melhor de todas.

Não que eu esteja confundindo-me com outra pessoa,


Não que eu esteja querendo convencer-te de tudo,
De nada, de quase nada e de outras coisas.

Sempre serei submissa a ti


E tu sabes disso, então não me convide a ser igual.
Se tenho uma apoteose por ti,
Não significa que eu não seja anormal.

Eu só não me entendo um pouco.


Teu endeusamento acaba com minhas forças,

Vivo discutindo com o vento que te arrasta pra longe.


Oh! E eu me amo tanto por te amar...
Sinto em mim um amor análogo a tristeza.

Por ser análogo, me bate uma hipocondria


E um desejo insano de me afogar numa laguna
Só para te ter mais perto de mim.

Mesmo que isso valha minha vida,


Mesmo que isso tome conta da minha consciência.
Serei sua ama, serei sua escrava.

Submergindo-me nas suas ordens


Com todo o amor e paciência.
Ode! Ode a minha imensa e interminável Apoteose.

227
Artista: Elke Lubitz

Olhares

Eu, cópia infiel


De mim
Eco de um sonho
Um rabisco na
Paisagem
Indiferente
Sou folha seca
Que pende
Ao cair da tarde
Sente
A dor do dia
Velho
Como se novo
Fosse
Morrer

228
Artista: Dionnath Fernandes e Adeildo Jeverson

(Em Uma Boa Viagem)

Num barquinho a boiar


Com a bela no mar
Sem vela
Sem pressa
Tenho a bela
É só flutuar
Sem se preocupar
Onde vou parar

A luz do luar
Ondas a se enrolar
A visão de um violino
Requebrando pro's meus ouvidos
Olhos que escutam ruídos

Um pandeiro de pele branca


Que samba
Pra fora do nosso batuque
É, não me dê ouvidos
Não me escute
Vai curtir
Se quiser ouvir

Você cor de ouro


É a gaita que eu precisava
Que suavemente tocava
Um blues é pouco
Precisamos dos dez mil anos
Dos sons loucos

Clara que ajeita a sombra


"Sua trança escorrega no seu peito"
Não tem jeito
Claro, é Clara que tira
E a Sombra olhar no nosso brilho
Concordamos com seu olhar bonito
"Acesos para nós"

E em uma Boa Viagem


Iremos continuar
Num barquinho a boiar
Com a bela no mar
Sem vela
Sem pressa
Tenho a bela
É só flutuar
Sem se preocupar
Onde vou parar

229
Artista: João Ornelas

A CHUVA VAI CAINDO

A chuva cai, molhando


O ouvido fica escutando
O silencio da noite, quebrando
Na noite que vai chorando.
Recostado na caminha
Aconchegando a colchinha
Que o frio vai tapando.
E a chuva continua caindo
Um arrepio de frio, surge
No olhar o vidro da janela
Com a chuva, escorregando nela.
Olho a lua, observando
O amor de quem vai cuidando.
O mundo, continua rebolando
A praia, a janela vai mostrando
A onda empurra a areia, peneirando
Onde só a agua, vai nadando
Espalhada na areia, espraiando
E o húmido da água, molhando
Sem molhar, quem está observando.
O vidro tapa, mas podemos ver
A chuva caindo, no seu recolher.
Ela parte, num vapor subindo
Caindo, quando o peso já não pode
Cai uma gota, e a outra vai descendo.
O chover entristece o dia
Numa luz que desvanece.
A flor no jardim, enverdece
Florescendo, a flor amanhece
Alegrando quem passa
E o olhar rejuvenesce.

230
Artista: Jonas Lucas

Espelho sem reflexo

Bem resolvido estive por muito tempo


Até parar para refletir sobre mim mesmo
Então percebi, meio desanimado
Que não tenho nada além de caos dentro de mim

Não posso ficar sozinho comigo mesmo


Eu sou um monstro predador
Que devora sem dó, que gosta de sangue
E minha presa sou eu mesmo

Em um espelho há muito mais que imagem


Em um olhar há muito mais que ódio
Em um desconhecido há muito mais que uma interrogação
No escuro há muito mais que apenas imaginação.

231
Artista: Jessé Almeida Junior
Título da obra: Madeira de Demolição

232
Artista: Pualo Lionetti
Título da obra: Crazy

233
Artista: Jonas Stefan
Título da obra: Nada sei

234
Artista: Leandro Gonçalves de Sousa
Título da obra: Uma mente aberta um olhar atento

235
Artista: Nanja Brasileiro
Título da obra: Há algo estranho no mar III

236
Artista: Petrus Vinicius
Título da obra: S/N

237
Artista: Richardson Costa
Título da obra: Trem de ideias

238
Artista: Thiago de Barros
Título da obra: Onça

239
Artista: Wander Melo
Título da obra: Tuiuiús sobre jacarés

240
Artista: Lucas Campos
Título da obra: Olhar da cidade

241
Artista: João Ornelas

Filme detalhista

E se eu não for tudo que penso?


E se tudo que eu penso não for?
E se não mostro a verdade em si?
E se a verdade em si não se mostra?

Quantas variáveis devem existir no universo…


Quantas dúvidas num simples átomo
Quem sabe o que seria desvendado
Se a vida fosse um filme detalhista

Quem sabe quantas lembranças me fizeram criar esse poema


Quem sabe quantos acasos tiveram que ocorrer para isso
Quem sabe quantos ventos tiveram que soprar, quantas estrelas a brilhar
Quem sabe quantos precisaram morrer e quantos precisaram nascer

Eu não mando em nada, absolutamente nada


Tudo que faço é observar esse filme
Aproveitar ao máximo o fantástico clímax
E aceitar com dignidade o gran finale.

242
Artista: Francisco Ribeiro

Só Quem Acredita Cresce

Ninguém começa gigante,


Essa é a lei do destino.
Continuar pequenino
É não se ver importante.
Cresça sem ser arrogante,
Que você sobe e não desce.
Um novo caminho acesse,
Pense certo e evolua,
Que a vitória será sua.
Só quem acredita cresce.

De um sonho pequenino
Nasceram muitos castelos.
Mente e coragem são elos
Que mudam qualquer destino.
Peça aparato divino,
Que isto somente acresce.
Força com fé não descresse,
Quem tem fé, coragem tem;
Agindo assim, age bem.
Só quem acredita cresce.

Lembre-se que o seu caminho,


Você tem que construir.
Nunca pense em desistir:
Isto seria mesquinho.
E, vindo um redemoinho,
Mesmo que forte viesse,
Não vai lhe causar stress,
Você supera esta dor.
Quem é forte é vencedor;
Só quem acredita cresce.

Nas estradas dessa vida,


Sempre tem desfiladeiro.
E quem consegue primeiro,
Galgar a sua subida,
Tem vitória garantida.
Quem vence não se entristece,
Se insistir permanece
No topo dessa montanha.
Quem não tem fé pouco ganha;
Só quem acredita cresce.

243
Artista: Jessica Bittencourt Gimenez

Vicio

A moléstia destrói o corpo


A paixão passageira vicia
Torna a alma doente
Ou saudável demais
Ate chegar a ignorância
Ou o saber de tudo
Já entoada com o tédio
Ou com alegrias
Esperando a morte aparecer logo
Vicio...

244
Artista: Fábio Dantas Amaral Lisbôa da Silva

Complexo Pós-Dimensional

Algo
Deixa-me marca
Cicatriz...

Algo
Faz-me suspirar
Refletir...

Reflito
Colocado em risco
Romântico, dramático...

Sinto algo instável


Sentimental e tempestuoso...

Algo
Lírico e afetuoso
Obtuso e transversal...

Algo tal
Vaga-me próximo, oriundo de galáxia distante
Corrói-me os sensos inconstantes...

Talvez seja isso


Algo pós-dimensional
Simplesmente não compreensível
A mim
Um mero mortal.

245
Artista: FRANCISCO BANDEIRA LIMA JUNIOR

O lar

Extensão do corpo, que à alma conduz,


egrégora da nossa força vibratória,
no lar convivemos em treva, ou em luz,
construímos nele, nossa própria história.

Campo de energias, parte da memória,


que além das paredes e pisos, produz.
lugar que a família só atinge a glória
quando abre as portas para o bom Jesus.

Tem que ser o zelo algo imprescindível,


para não torná-lo, além de horrível,
com todo um aspecto tétrico de abandono.

O lar não é só concreto e mobília,


mas sim um abrigo de paz da família
e nítido reflexo da alma do dono.

246
Artista: Alberto José de Araújo

A poesia é minha terapia

No divã me rendo às palavras,


E enquanto lavras
As pedras brutas,
Garimpo poemas.

No divã da poesia,
Enquanto padeço de aleivosia
Os dedos fazem rabiscos,
Descrevem a minha teimosia.

Mas se não fora esta análise,


Nem léxica ou sintática
Não falaria do declive
E da pungente dor d´alma.

Ah, o que dizem estes traços


Na depressão que me resta
Aparar neste dia de aresta
E abrir-me sem laços...

247
Artista: João Paulo Hergesel

A mentira de Berta

Berta, a estagiária,
Está geando em seu fosso:
A face triste
Traz a lã da echarpe
Enlaçada no pescoço.

Todos olham, advertem:


Há de haver uma explicação!
Verte suor na venta
Com os 25 graus
De verão.

Berta (amém!) Tira o cachecol,


Desencaixando o véu da inocência
E revelando a mancha
Que desmanchou a confiança
Em seu próprio patrão.

As colegas, em combinação,
Disfarçam, suspeitam,
Peitam o chefe com o olhar.
“Óleo de ameixa
Me deixa com comichão”.

Berta mente abertamente.


A mente aperta em pressão:
Nem sendo muito mente aberta
Para cegar-se à violação.

248
Artista: Olidnéri Bello

Valor na vida

Só depois de boa e percorrida estrada,


você pode realizar as próprias escolhas.
Enquanto mísero zigoto, na arquibancada
da vida, não foram suas as qualidades ou as falhas.

De quem foram? De Deus ou do Destino???


Interessante é imaginar o porquê de tudo que somos.
Nossa cor de pele e de olhos, nossa altura e cultura.
Nosso país, nossos costumes, nossa família...
Com certeza, uma construção com muito atino.
Nesse contexto, importa o que compomos;
deixando mazelas e covardias em plena sepultura.
Num casebre tosco ou numa rica e cibernética parafernália,
importa um coração amigo, humilde, compreensivo e generoso;
uma mente formada pela cooperação e pelo senso de justiça sempre operoso.

Podemos mudar muitas coisas, falar outro idioma, viver em outro lugar.
Bronzear a pele, alisar os cabelos e com o Eyeball Tattoo nos arriscarmos,
a fim de sermos vistos diferentes. O que não pode mudar é a vontade de lutar;
de ver o outro como irmão e de, com os desafios, nos comprazermos!
Que seria a vida, se não fosse o arrojamento dos destemidos?
Se não fosse a dor suprimida e os louros dos esforços auferidos?

Viver é construir um caminho perscrutado.


Hora gasta em vão pode ajudar a continuar mais tarde,
só não pode virar rotina de um juízo atado.
Não julgue, não seja o dono da verdade e, na vida, um covarde!

249
Artista: Ricardo Lacava Bailone

Paradigmas

Quebrando arcaicos modelos,


De velhas ficções sociais,
Mostrando o oposto do dito „certo‟
Das coisas que parecem normais.
Reter-se no medo do vício,
Ou tomar um cálice ao sabor,
Desposar com medo e sem paixão,
Ou viver liberto um grande amor,
Fazer-se o que não é,
Dar sermão sobre o que nunca praticou,
Batismo para quem quiser,
Comunhão para quem pagou.
Como pode o louco ser o melhor?
Como pode um negro com pujança?
Como pode riqueza sem suor?
Ostentada por avareza, matrimônio, aliança?
Falta de pudor tida como um pormenor,
Consumo exacerbado, fingimento em alternância,
Pregam religião, sexo, boa conduta (mas fazem pior),
Porcos fantasiados, austeros com ganância.
Dentre tantas hipocrisias,
As ficções sociais, eu deixo de molho,
Não me vista de branco no dia de minha morte,
Sou um agnóstico pensante que escolho,
Morrerei desprezado como um pirata,
Sem dente, maltrapilho, caolho!

250
Artista: Francisco Samuel de Sousa e Silva

Dimensão de vidro

Entre a realidade e o sonho


Sim, existe uma porta

Mas uma porta transparente.

Estando num mundo vemos o outro


Assim sempre estão presente
Ambos
Na gente
A realidade de o sonho

Em um sonho real.

Tem uma porta transparente


E talvez seja por isso
Que dormimos em um
E de repente
Acordamos no outro.

251
Artista: Douglas Jefferson Mariano
Título da obra: S/N

252
Artista: Wellington Senil
Título da obra: De olhos em você

253
Artista: Rodrigo Fulaneto de Souza
Título da obra: Casa na Árvore

254
Artista: Paulo Lionetti
Título da obra: Sex

255
Artista: Janice Cumerlatto
Título da obra: John Lennon

256
Artista: Mauricio Ferreira
Título da obra: Leitura

257
Artista: Joseane Santiago
Título da obra: Amy Winehouse

258
Artista: Humberto José Maziero
Título da obra: Pensador

259
Artista: Antonio Carlos da Silva
Título da obra: Sob um olhar infantil

260
Artista: Gilberto Maciel
Título da obra: Casario mineiro I

261
Artista: Alex Bruno Ibrahim

O Samba

O sambista é brasileiro
pioneiro da liberdade
conhece bem a escravaria
foi vitima da aristocracia
permanece inocente
mistura -se com alegria
hoje em dia faz parte de mesma etnia
e ainda não é respeitado como deveria

262
Artista: Tarcísio Moreira de Queiroga Júnior

Exício

Nas molduras de hoje tudo se torna status,


Apenas um click tem de ser de imediato,
Mundo virtual paradoxo do contato,
Expor fotos do que consome:
Roupas, viagens, até seu prato.
Queiroga humildade vou bem obrigado!
Minha indignação segue o relato
Sociedade estilo ninho de rato
Cada um por si, nada sensato
Da sociedade sou só o substrato.

Quem é que te suga mais?


Políticos, bancos ou sindicato?
Roma também sugava seu povo,
Com aquele lance de triunvirato!

Brasil investimento vira sonegação,


Milhões com muito pouco, poucos cheios de milhão,
Frutos dos liberais e conservadores,
Sujos playboys e nobres senhores
Praticam o exercício do exício dos reais valores,
A essência permanece mesmo que destruam as flores.

263
Artista: Anderson de Magalhães Hazenfratz

CATEDRAL DO SILÊNCIO

Hoje não exerci meu enfadonho oficio


Aparei meus polegares e médios
Joguei os trapos nas costas e sai

Contando os blocos de pedra pelos caminhos,


Tentando sentir o cheiro do vento

Subi os monte das lembranças


Para ver se passado estava lá
Não encontrei ninguém

Apenas a esquecida estrada de ferro


Com seus dormentes e pedras
Levou – me aos escombros da catedral do silêncio

Lá não se orava para deuses


Nem haviam altares e adornos de santos
Somente vagas e contorcidas imagens na parede
E o aroma sufocante dos pneus queimados.

Depositei flores nas lápides dos velhos amigos


E chorei copiosamente por aqueles que sobraram

264
Artista: NEWTON DE SOUZA NAZARETH

MENTE ABERTA

Por que fechar os olhos para as evidências?


Por que dar as costas à moda e tendências?
Por que ignorar o mundo ao seu lado?
Por que se esconder numa bolha... Isolado?

Cada segundo novos acontecimentos,


Com uma sequência de ciclos e eventos,
A mais de quinhentos quilômetros por hora,
Que o futuro parece acontecer agora.

A vida não para, e se vê no dia a dia,


A transformação dos fatos como magia.
O que antigamente era feio e reprovável,

Hoje é moderno e totalmente aceitável.


Com a mente aberta abrace a realidade.
Dando as mãos a si mesmo... É a felicidade!

265
Artista: Franciedson José da Silva

Sou Livre

Não sou branco ou preto, nem gay ou hétero;


Sou humano e não preciso de um rótulo para me encaixar na sociedade.
Em uma terra onde escolhemos sermos branco ou preto,
Escolho ser cinza, não uma mistura dos dois e sim nenhum dos dois.
Não preciso ser isso ou aquilo, não preciso de uma falsa felicidade;
Deixe-me ser uma metamorfose, deixe-me ser livre!
Livre de suas regras!
Livre de seus nomes e preconceito!
Não sou produto para ser rotulado.
Sou humano!
E como tal, sou o que quero ser!

266
Artista: Jacqueline Maria da Silva (Mari Godoi)

Pobre humanidade

Só queria ser livre como um pássaro


Voar sem fronteiras,
Sem limites:
Sem besteira.
Mas com palavras cortam minhas asas;
Com olhares reprovadores pesão sobre mim
Não me deixam voar;
A não ser cair,
Mas não me importo;
Não vou mudar.
Sou assim!
Feliz do meu jeito,
E quem se incomoda
Só dou um conselho
Abra sua mete,
E veja a sua frente
Veja que o amor não é o problema
E sim a falta dele;
Cuidado, podes não ser o próximo;
Mas estas na fila da tua própria intolerância
Talvez seja isso
Talvez falte amor no coração das pessoas;
Se todos o compartilhassem
Não estaríamos assim;
Matando-nos;
Julgando-nos;
E quem sabe um dia
Viveríamos em paz.

267
Artista: Thainá Nascimento da Silva

Horas que não passam

Tic tac tic tac


O relógio parece não parar
Anda ponteiro, ponteiro anda
Para a hora passar

Toc toc back back


É o som da impaciência
Pés no ar, objetos no chão
Observo a essa cena

Faz frio, faz calor


Senta e logo levanta
A alma é pequena
Para tanta cobrança

Então a corda no pescoço


Olhos a se revirar
Lá se foi mais um de tedio
De tanto esperar

Os sinos já não batem


Por isso o relógio se calou
Mas continua o barulho
Por que o tempo não parou

268
Artista: Maria Apparecida Sanches Coquemala

Busco a Luz

Escarpado é o caminho até o alto da montanha.


Busco o Absoluto, a Infinitude, a Verdade.
Busco o Amor perfeito, busco a Divindade
Que não encontro nos templos, livros sagrados,
Mas vislumbro na flor desabrochando,
No brilho das estrelas nas trevas da noite,
Num sorriso, num olhar, numa frase solta,
Até no silêncio que mais que a palavra
Pode me dizer tudo.
Busco a Verdade na Filosofia, na Ciência
Que para mim têm um quê de revelação divina,
De modo tal que não posso separá-las.
Admiro a inteligência, a bondade me comove.
Amo o talento musical, o literário, o pictórico.
Dali me apaixona. Rosa me encanta.
A Sonata ao Luar me remete ao mais puro amor.
Nem sempre atendo ao que a minha natureza pede.
Vivo entre seres sociais, há que respeitar as leis,
Mesmo que por vezes anti-naturais e desmedidas.
Sou eu e a minha circunstância, como disse Ortega.
Caminho para o alto da montanha...
Busco a luz na plenitude...

269
Artista: Alberto José de Araújo

Interior vs. Exterior

De mim? Nada digo.


No caminho, assim sigo:
Falante
Das coisas do entorno;
Silente
Ás coisas do interno.

De mim? A tudo ligo


No pergaminho, história vivo
Distante
Das coisas do interior;
Diante
Das ameaças do exterior.

270
Artista: Livia Leite

Para o espaço, de (a) Lacuna

A saudade bate devagarinho


E dá o ritmo aos sentimentos
De dorzinha aguda

E faz com que coisas elementares


Se tornem aquilo que representa
A felicidade

Como o abraço
Que é um movimento circular
E que se torna
O espaço perfeito no mundo

Como o consolo
Que são palavras poucas
Quase mudas

Como o grito
Que me enfurece
E de mim sai tudo aquilo que faz morbo
e que se dilui em córregos de choros

Como a presença
Que quando nula parece sempre ter mais
Ar
Dor

271
Artista: Gilberto Maciel
Título da obra: Casario mineiro II

272
Artista: Antonio Carlos da Silva
Título da obra: A Ruiva

273
Artista: Wilton Carlos
Título da obra: Onça Pintada

274
Artista: Janice Cumerlatto
Título da obra: Retro

275
Artista: Joseane Santiago
Título da obra: Marlyn Moroe

276
Artista: Mauricio Ferreira
Título da obra: Composição com a mão de gesso

277
Artista: Jhey Sweet
Título da obra: Maravilhas do mundo

278
Artista: Denise Storer
Título da obra: Portão de Casa de Monte Alegre

279
Artista: Rodrigo Abrão Campos
Título da obra: Emoção

280
Artista: Maria Alice
Título da obra: S/N

281
Artista: Alex Bruno Ibrahim

Mais fiel que um cão

Encontro nas cordas do violão


a cura de minha solidão
a terapia que alivia
a dor da mente e o coração

Um poço de maravilhosas
mensagens de amor e comunhão
Mundo sem competição
apenas querendo união
amigo mais fiel que um cão
é o meu violão

Até na tristeza
ele fala e eu fico feliz
numa positiva vibração

282
Artista: Thainá Nascimento da Silva

Uma carta ao coração

Escrevo essa carta para lhe pedir


Que enquanto ainda vivo,
Imploro a ti
Esmola ao pobre mendigo
Ouso pedir ainda mais
O objeto que em seu peito habita
Aquele objeto sagrado
Que a te amar, permita

Mas não tenha pressa com a resposta


Por que quem bate a tua porta...
É paciente de montão

283
Artista: Aparecida Gianello dos Santos

A viagem

Desfazendo as marras...
Nada de conversas fúteis,
Nada de sorrisos caros...
Nada mais me prende,
Nada mais me salva...
Quero encher a alma,
Varrer a mente...
Tudo por uma aventura!
Vou fazer as malas...
Mas, devo ir antes
À lojinha da esquina...
Vou comprar de um tudo:
De Machado a Coralina...
É chegada a hora...
Partirei, finalmente,
Na mais louca viagem
Rumo adentro.

284
Artista: Renan Alvarenga Santos da Silva

Vozes

À medida que me percebo refém


Na contramão, meu espírito se liberta
A desvendar o engendro das intencionalidades
Que todos tecemos sobre todos
Pelo impulso de enredar

Sem perceber, somos sardinhas


Às vezes, suricatos abelhudos
Caçamos um horizonte comum
Entre tantas espécies

Por isso, quero permitir ao bem-te-vi


Cantar seu “bem te vi”
Enquanto o curupaco repete
Repete, repete...
Repete cantos dos outros
Desentendido de sentidos
Afinado na imitação

285
Artista: Francisco Bandeira Lima Junior

Despertar da consciência

Quando são, o espírito se faz hígido,


Desprendido, ao tomar as decisões,
Aquecendo, fervilha um lado frígido,
Anulando o calor das emoções.

Sem murmúrios e sem lamentações,


É-se ver o seu íntimo, menos rígido,
Flexível e moldando condições,
O oposto de um corpo termorrígido.

Dobra o ônus da carga, isso é verdade!


E aumentando a responsabilidade
Multiplica-se a sua resistência...

Queira um mundo de paz, sem fome e guerra,


Queira sempre um melhor planeta terra,
Mas primeiro desperte a consciência.

286
Artista: Edison Oliveira Gil Filho

Ideias Inversas

Tomou o próprio cérebro


Botou na cabeça e disse;
Menino não se aborreça,
Mas prefiro ser eu mesmo
Do que ter uma ideia avessa,
Não que eu seja um sábio,
Ou que você não mereça,
Mas raciocinar como você,
Fará com que eu pereça,
Pega o teu encéfalo doido
E bota ele na cabeça,
Para que nunca mais esqueça
Que inverter miolo em crânio,
Apaga a luz da chama acesa!

287
Artista: Gabriel Araújo dos Santos

Água irmã

Água Irmã que vem dos montes e das serras,


que se desloca das profundezas,
e cantarolando palmilhas tortuosos caminhos.
E refrescando e fertilizando vales,
levas esperanças a desesperançados que em levas perambulam.
Rostos transfigurados pela doença e desnutrição!
Sofridas gentes que em teu leito buscam o sustento!
Derradeira esperança de uma vida que se esvai...
E tudo é torpor! E lágrimas se misturam ao lamento da água amiga,
que rastejando e a lamber a Terra,
companheira na ingente e perseverante lida,
a custo persevera no seu leito,
que morrendo, morrendo...aos poucos se cala...
A vida em seu todo em tragédia transformada,
Tal a ganância dos poderosos
que vêem na Irmã Natureza
não um parceiro do cotidiano e salutar viver,
mas a presença do inimigo de suas ferocidades,
que levam a todos a um eterno padecer!
E choram os Céus!
E choram as matas!
E choram as aves!
E chora a Terra, a vida enfim!
Silenciam os peixes...
De derradeiro se ouve um grito fundo e triste:
O RIO DOCE MORREU!!!

288
Artista: Emanuela Ribeiro Rodrigues

Mundo Abstrato

Cansa-me o mundo
Muda o cansaço
Câncer no tudo
Mundo de caça
Cala-se o mudo
Canta o galo
Calo do Escuro
Escuto e calo
Cato o escudo
Descuido o falo
Falo absurdo
Abismo eu caio
Avisto tudo
Tanto ensaio
Saio escuso
Custo e salto.
Curso de tudo
Rio de asfalto
Entra o intruso
Cruza o gato
Gato netuno
Cura do mato
Trato obscuro
Mundo abstrato

289
Artista: Ana Rita de Souza Correia

In Versão de Valores

No meio da discussão
O famoso figurão
Me chamou foi de palhaço
Disse que eu era criança
Com um dedo riscou traço
Cortando minha esperança

Na hora fiquei sem jeito


Calei a voz, doeu meu peito
Se eu fosse sempre criança
Se eu fosse mesmo palhaço
Fazia uma outra dança
Assim, nesse passo a passo:

Botava a língua prá fora


Pulava uma cabriola
E saía rebolando
Mas não para ir embora
Inventava uma viola
Continuava cantando

Voce que me escuta agora


Me calcule, sem demora:
Com quanto nariz vermelho
Se pinta um velho pentelho?
E a cobra da cobiça,
Com quantos paus se atiça?

Então saía feliz


Segurando meu nariz
Quebrado na portaria
Subia o morro contente
E contava a toda gente
O que o doutor não queria

Mas a festa que eu queria


Encheu o céu de alegria
Ficou foi linda demais
Pois prá cada figurão
Tem muito Zé e João
Não manda nada, mas faz

290
Artista: Ibson Junior

GRITOS DE REALIDADE

Brilha semelhante a uma estrela


Queima como o sol
A vida...
O tesouro celestial

A extensão do desconhecido
A propagação da energia

Valorização de um átomo
Cachoeira de sentimentos
Nuvens e sonhos
Gritos de realidade

O vulcão em erupção
A chuva de emoções
Duvidas de outrora
Sensações e a bússola do instinto

Cicatrizes do tempo
O caule da árvore
As digitais do pensamento
A experiência singular

Luz que guia


Olhos que choram
E lavam e levam
O retrato do agora...

O reflexo da sombra
O sopro do vento
A verdade mutável
E a direção das ondas do mar

Tudo segue seu cursor


Inclusive o nada
O mistério que afaga o Ser
A imprevisão da continuidade...

291
Artista: Antonio Carlos da Silva
Título da obra: Maria Fumaça

292
Artista: Gilberto Maciel
Título da obra: Caseiro mineiro III

293
Artista: Joseane Santiago
Título da obra: Carmem Miranda

294
Artista: Wilson Carlos
Título da obra: Natureza Morta

295
Artista: Mauricio Ferreira
Título da obra: Cotidiano

296
Artista: Janice Cumerlatto
Título da obra: Olhar de menina

297
Artista: Wellington Gonçalves
Título da obra: Aquarela

298
Artista: Luiz Salomão Zalcbergas
Título da obra: A solta nos gerais

299
Artista: Dson Pereira
Título da obra: Capoeira Regional

300
Artista: Wilson Carlos
Título da obra: Veneza

301
AGRADECIMENTOS

É com muita alegria que estamos entregando essa obra para a sociedade,
deixando o legado que através da união, da coletividade é que as coisas ganham
um sentido ainda maior.

Que todos possam onde quer que estejam valorizar e promover a Arte!

Queremos agradecer a todos que estiveram envolvidos e todos que ajudaram


nessa conquista, nessa belíssima realização, àqueles que tiveram a mente aberta
e propagaram a energia do bem, a positividade.

APOIO:

REALIZAÇÃO:

302