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AULA 1

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Profª Wiviany Mattozo de Araujo


CONVERSA INICIAL

Bem-vindo à aula 1 da disciplina de Teorias da Aprendizagem! A ementa


desta disciplina abrange uma ampla discussão sobre a relação entre pensamento
filosófico, pedagógico e psicológico, e as diferenças entre o processo de
aprendizagem analisadas por teorias comportamentais e por teorias cognitivas.
Também propõe a análise da dimensão construtivista e interacionista em Jean
Piaget e Lev Vygotsky, além da psicologia histórico-cultural de Vygotsky, assim
como o aprofundamento nas ideias sociointeracionistas sobre o desenvolvimento
e a aprendizagem, a aprendizagem mediatizada, a zona de desenvolvimento
proximal, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores: pensamento,
linguagem, sensação e percepção, atenção e concentração, memória, mediação,
formação de conceitos, imaginação, criatividade e raciocínio lógico.
Nesta primeira aula, abordaremos como pensamento filosófico mudou ao
longo do tempo, influenciado pelas relações sociais, e como esse fato modifica as
ideias sobre o processo de conhecimento e aprendizagem.

CONTEXTUALIZANDO

O que é aprendizagem? O que a aprendizagem significa para você? O que


você já aprendeu hoje? Essas questões nos trazem reflexões importantes como,
por exemplo: quantas vezes paramos para nos perguntar sobre nosso próprio
processo de aprendizagem ou daqueles que convivem conosco, sejam familiares,
colegas ou alunos? O quanto aprendemos no cotidiano e não nos damos conta?
Desse modo, discutir diferentes teorias sobre o processo de aprendizagem
se torna relevante em diferentes escalas, do nível pessoal ao profissional.
Poderíamos utilizar muitos exemplos diários, como aprender a cozinhar com
técnicas modernas uma nova receita ou ainda como utilizar aplicativos disponíveis
em smartphones para se deslocar no espaço, entre outros.
Podemos aprender a executar essas tarefas sozinhos, com o auxílio de
uma pessoa próxima, de um profissional da área ou de alguém que disponibilizou
um tutorial na internet. Portanto, o processo de aprendizagem permeia as
atividades cotidianas da vida em sociedade, pois mesmo que alguém execute uma
tarefa por um longo período do mesmo jeito, esta pode sofrer adaptações e
alterações, o que obrigará o domínio de um novo processo de aprendizagem para
essa atividade, mesmo que quem a execute tenha experiência. Isto posto, vamos

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investigar ao longo da disciplina as diferenças entre as teorias que buscam
explicar o processo de aprendizagem e quais mecanismos são/foram utilizados
para esta finalidade.

TEMA 1 – A RELAÇÃO ENTRE A FILOSOFIA E A PEDAGOGIA

Ao longo da história, o pensamento humano foi mutável e evolutivo. A forma


de ver o mundo depende de cada indivíduo e das relações estabelecidas em
sociedade. Assim, ideias que eram pensadas e aceitas num dado tempo e espaço
hoje são compreendidas de outra maneira, como as reflexões de pensadores pré-
socráticos, como Protágoras (480–410 a.C.), que afirma que o “homem é a medida
de todas as coisas”, em que buscou explicar como ocorre a compreensão e a
representação das coisas e do mundo (Nogueira, 2015, p. 28).
Assim, as representações ligadas ao ideal de ensino e aprendizagem
também se modificaram e se transformaram com o tempo. Pensar a relação entre
a filosofia, a psicologia e a pedagogia para a construção do conhecimento exige
discutir diferentes formas de conhecimento, pois “a linha que separa as histórias
da pedagogia e da psicologia da história da filosofia é muito tênue, tamanho é o
vínculo existente entre estas áreas na fundação da ciência moderna atual”
(Nogueira, 2015, p. 33).
Por exemplo, ao falarmos do conhecimento ligado a religião, como a leitura
de livros de cunho religioso e o ensinamento de dogmas, estamos falando de um
conhecimento teológico, baseado num modelo cristão de educação.
Há também o conhecimento baseado na filosofia, que dá base ao
conhecimento científico da atualidade e que sustenta métodos experimentais e
racionais sobre o homem. Nesse cenário, podemos citar Francis Bacon (1561–
1626) e René Descartes (1596–1650), importantes nomes que contribuiram
significativamente com o avanço da ciência moderna.
Destacam-se também nomes que contribuiram com o conhecimento
filosófico contemporâneo, como Karl Marx (1818–1883) e Friedrich Engels (1820–
1895). Marx e Engels não produziram sobre questões educacionais, mas sim
sobre o pensamento ocidental, as condições reais de vida e de trabalho na
sociedade (Nogueira, 2015, p.27). Assim, o conhecimento filosófico foi construído
pelo esforço do questionamento sobre os problemas humanos e em relação ao
meio social, sendo o objeto da análise de ideais e conceitos.

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Desse modo, o conhecimento científico é o tipo de conhecimento que busca
leis e sistemas com o propósito de explicar de modo racional o observado. Para
que seja produzido, esse conhecimento exige uma investigação e procedimentos
de verificação para comprovar ou refutar uma hipótese. Contudo, o conhecimento
científico pode ser alterado, reformulado, aprimorado e testado continuamente,
devendo ser divulgado e benéfico socialmente.
Em contrapartida, há o senso comum, que se refere ao modo de pensar da
maior parte da população. Esse conhecimento é baseado na experiência, na
vivência e nas observações, tendo como base as crenças e tradições, além dos
sentidos. Portanto, o senso comum abrange o conhecimento informal,
fundamentado no que se sente e no que se aprende em sociedade. Por exemplo,
cortar os cabelos na lua crescente faz com que os fios cresçam mais rápido?
Comer manga com leite faz mal para o organismo? Gatos de três cores são
sempre fêmeas? Chá de camomila ou suco de maracujá servem para acalmar?
Todas essas questões fazem parte do conhecimento popular e são muito
importantes; no entanto, o conhecimento científico baseado numa consciência
filosófica é contrário ao senso comum. A filosofia deve contribuir eminentemente
para o desenvolvimento do espírito problematizador voltado aos problemas
associados à condição humana.

TEMA 2 – CONCEITO DE APRENDIZAGEM

O conceito de aprendizagem é extremamente complexo e envolve


inúmeros fatores e processos pelos quais compreendemos conceitos de temas
específicos e que podem garantir mudanças permanentes no comportamento do
indivíduo. Todos nós estamos sempre aprendendo algo novo, seja ao fazer um
curso novo, ao mudar de emprego, ao aprender um novo idioma. Esse processo
ocorre no sistema nervoso central (SNC) e passa pelos sentidos. A aprendizagem
é um produto da experiência do indivíduo e depende das condições
neurobiológicas e ambientais, que resultam numa mudança de comportamento.
Deste modo, a mudança de comportamento é estruturada por meio das
diversas relações emocionais. Portanto, ao aprender algo temos o resultado da
interação de estruturas mentais com o ambiente. Por exemplo, uma pessoa em
situação de vulnerabilidade e que aprende a utilizar os alimentos em sua
totalidade, consegue extrair mais nutrientes e melhorar a qualidade de vida da
própria família e da comunidade em que está inserida. Do mesmo modo, quando

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uma criança recebe os estímulos adequados em conjunto, tanto do ambiente
familiar como principalmente da escola que frequenta, a probabilidade de se
desenvolver e aprender com mais facilidade é potencializada.
Ou seja, quando a educação é construída pelo sujeito da aprendizagem no
ambiente escolar/familiar, predomina a ressignificação do sujeito com novas
formas de comunicação, habilidades e competências. No processo de
aprendizagem há a participação, mediação e interação, e estes elementos
compõem um ambiente propício para a aprendizagem, envolvendo seres ativos e
autores do processo relacionado ao conhecimento. Os fatores que influenciam
diretamente esse processo estão ligados à cognição, como a percepção, atenção
e memória; aos fatores sociais e culturais, como o ambiente familiar, a
comunidade e os valores sociais e estereótipos; aos fatores biológicos, através
das conexões neurais e fisiológicas e da herança genética; e aos fatores
emocionais.
A taxonomia dos objetivos educacionais, também chamada Taxonomia de
Bloom (1956), propõe uma classificação dos níveis de aprendizagem: “A
taxonomia de Bloom (1956) valoriza a formulação de objetivos educacionais
verificáveis que permitem, por meio de avaliações sistemáticas, o conhecimento
do diagnóstico da aprendizagem dos alunos” (Monteiro; Teixeira; Porto, 2012).
Essa teoria explica que os objetivos educacionais podem ser divididos em
diferentes domínios para que a aprendizagem ocorra de modo apropriado. São
eles: a) o domínio psicomotor (saber-fazer), que envolve atividades com
habilidades motoras e de manipulação; b) o domínio cognitivo (saber-saber), que
compreende atividades intelectuais e de interpretação, exigindo que estratégias
sejam pensadas para a execução de uma ação; e c) o domínio afetivo (saber-
estar, ser), que se relaciona com a sensibilidade, as atitudes e os valores
transferidos socialmente (Monteiro; Teixeira; Porto, 2012).
A aprendizagem apresenta múltiplas visões, os processos e as
circunstâncias em que ocorre podem variar, e isso proporciona diferentes
resultados, que dependem diretamente do papel do professor, da escola e do
próprio educando. Diferentes teorias convergem para pontos comuns, como a
ideia de que os individuos são agentes ativos na busca e construção do
conhecimento, principalmente dentro de um contexto significativo.
Dessa forma, ao pensarmos no papel do formador, este deve exercer a
função de facilitador do processo de ensino-aprendizagem, sendo o principal
objetivo levar os educandos a aprender. Consequentemente, o professor deve
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produzir situações que favoreçam a aprendizagem, que permitam ao aluno
reproduzir um determinado conceito teórico, além de desenvolver a autonomia
para resolver problemas e buscar soluções. Outrossim, a aprendizagem
proporciona o aumento da criticidade, proatividade e criatividade, dentre outras
qualidades que tornam o aluno personagem principal e autônomo.
O professor precisa construir situações para que os alunos possam
participar das aulas, e isso ocorre na fase do planejamento das aulas. A
participação é fundamental para que o professor consiga avaliar como, sobre o
quê, quando e o quanto os seus alunos estão aprendendo. Também não há
dúvidas de que essa é uma chance avaliar se os objetivos traçados estão sendo
cumpridos e diante de quais circunstâncias.

TEMA 3 – ETAPAS DA APRENDIZAGEM

O processo de aprendizagem é realizado em diferentes etapas, passando


pelos sentidos humanos. É preciso compreender que há facilitadores nas etapas
da aprendizagem, sendo estes a capacidade de uma pessoa responder aos
desafios que a vida em sociedade lhe proporciona o tempo todo, seja quando
criança até a velhice. Para isso, constata-se que há diferentes tipos de
aprendizagem, bem como várias etapas que compõem esse processo.
No tema anterior da nossa aula, verificamos que o aluno deve desenvolver
a capacidade de discutir um conceito teórico e ampliar a autonomia em resolver
problemas e buscar soluções de modo simples e coerente. Para realizar essas
tarefas, devemos lembrar que a aprendizagem tem um caráter pessoal e único, e
que os efeitos dela se tornam visíveis pela mudança de atitude e comportamento,
sendo estes observáveis de várias maneiras. Essas manifestações são expostas
pelo sujeito que aprendeu e transformam sua vida; por exemplo, durante o
processo de alfabetização, a criança, ao aprender a ler, passa a conhecer um
novo universo, o que altera sua noção de tempo e espaço.
Para o professor, entender o processo de aprendizagem se torna
indispensável. É necessário compreender o que se passa na cabeça do sujeito
que aprende. Esse entendimento propicia maior efetividade durante o processo
de aprendizagem. Para isso, deve-se levar em consideração conceitos e
características, teorias e métodos, e principalmente as etapas escolhidas para que
a aprendizagem seja contínua.

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Outro ponto a se considerar é que jovens e adultos aprendem de distintas
maneiras, pois a percepção de vida é diferente, portanto, a faixa etária influencia
a forma de se pensar o processo de aprendizagem. Sabendo que esse processo
passa pelos sentidos humanos e é devolvido em forma de perguntas, respostas e
informações através da linguagem da parte motora, podemos classificar a
aprendizagem em vários domínios, como o cognitivo, associado ao conhecimento,
às informações e capacidades intelectuais; o afetivo, ligado aos sentimentos, às
emoções e atitudes; e o psicomotor, que envolve a coordenação motora.
Dentro do domínio cognitivo, o conhecimento é um processo que exige que
o sujeito reproduza uma noção, ideia ou procedimento que lhe foi ensinado; a
compreensão é a explicação de um tema de modo diferente do que lhe foi
ensinado; a aplicação é a construção de uma nova forma de realizar uma
atividade; a análise é a capacidade de verificar informações e dados, constituindo
uma relação nova entre eles; a síntese é o agrupamento de informações para
construir novos dados e criar novas descrições do objeto ou da situação, sendo
essa uma possibilidade de o aluno criar uma produção inovadora e pessoal.
Cada domínio apresenta habilidades diferenciadas, como por exemplo, no
domínio cognitivo as habilidades são voltadas para a compreensão, análise,
memorização, síntese e avaliação; no domínio afetivo as habilidades são voltadas
para a receptividade e a organização, as respostas rápidas e a caracterização se
evidenciam; já no domínio psicomotor, as habilidades envolvem movimentos
corporais básicos, movimentos reflexos, comunicação corporal não discursiva,
além da percepção física e emocional.
A avaliação apresenta os processos cognitivos mais complicados, sendo
esta utilizada para conferir o nível de conhecimento sobre uma informação, uma
teoria ou uma ideia, na qual critérios podem ser usados para a avaliação. Esses
processos resultantes da aprendizagem devem evidenciar o que o aluno aprende,
independente do conhecimento que possuía anteriormente. Portanto, entende-se
que a avaliação deve ser um processo cumulativo, pois o conhecimento cognitivo
depende do anterior e dá subsídios a novos processos de aprendizagem, sendo
esta um fenômeno plural e interativo.
Portanto, no processo de aprendizagem há o input da informação, e essa
informação é organizada por nossas habilidades. O output, por sua vez, é a
aprendizagem, ou seja, a mudança do estado anterior pelo conhecimento
adquirido. As etapas existentes na execução do processo de aprendizagem
dependem diretamente da natureza de como a tarefa foi proposta e solicitada,
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seja pelo argumento de diferentes capacidades ou pela cobrança de níveis de
respostas variados. Consequentemente, o professor pode favorecer as situações
para o processo de ensino-aprendizagem por meio de atividades coletivas e/ou
individuais.
Para discutir essa questão, proponho um exemplo voltado para a educação
infantil. Todos, em algum momento da vida, já conviveram com crianças
pequenas, e isso proporciona variados níveis de entendimento sobre o processo
de aprendizagem infantil. Do nascimento aos seis anos de vida é possível
perceber mudanças significativas e visíveis, que envolvem questões sociais,
culturais e ambientais do meio em que a criança está inserida, e as características
apropriadas as tornam parecidas com as pessoas e o local em que vivem.
Desse modo, questões norteadoras podem ser inseridas para pensarmos
sobre como essas transformações acontecem com as crianças. Assim, qual a
capacidade de absorção de conhecimento da criança em cada fase da educação
infantil? Como a presença de pessoas adultas instiga novos conhecimentos? Qual
a relação entre o estímulo dado por adultos nas etapas da aprendizagem da
criança? Ao nascer a criança apresenta saltos de desenvolvimento, e a
quantidade de estímulo oferecida por parte dos adultos, cuidadores e/ou
professores, ao longo dos primeiros anos de vida, reflete diretamente no
desenvolvimento do processo psicomotor. As brincadeiras e os jogos propostos
também são preponderantes.
Portanto, o processo educacional centrado na aprendizagem envolve uma
coautoria entre a criança e a comunidade adulta onde ela se insere, sendo o
conhecimento constantemente construído. Durante as etapas da aprendizagem,
tanto na educação infantil como no ensino básico, o professor tem a possibilidade
de atuar como facilitador da aprendizagem, por meio de estímulos e da mediação
entre os saberes pré-existentes e os que passarão a adquirir.
Sendo assim, o papel do professor se destaca com a aplicação de tarefas,
jogos e atividades úteis que funcionem como estratégias para despertar os
processos cognitivos, afetivos e motores na busca pela resolução de problemas e
pela potencialização das formas de pensar ao propor experiências nas diferentes
etapas do processo de aprendizagem, a prática, repetição, imitação, reprodução
ou criação de novos modelos, tanto individualmente como em grupo, que se utilize
de situações-problema e que permita ao aluno descobrir, associar, estruturar,
analisar, contextualizar essas situações. Todos estes elementos proporcionam o
aprender aprendendo – ou seja, a construção de um saber muito mais profundo.
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TEMA 4 – ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM
A aprendizagem é um processo contínuo, pois vivemos num mundo em
constante transformação. Desse modo, estamos aprendendo a todo instante por
diversos objetivos, sejam pessoais e/ou profissionais. Muitas vezes há frustração
nesse processo, pela dificuldade em experimentar algo novo, pela falta de domínio
e articulação ou mesmo por estratégias que não despertam o interesse. No
entanto, o processo de aprendizagem ocorre ininterruptamente.
Esse fato é o que garante a aquisição de novos conhecimentos, por mais
difícil que pareça. Assim, falar em estratégias para o processo de aprendizagem
é discutir sobre as capacidades e habilidades existentes e que durante o processo
de aprendizagem foram aprimoradas pelas competências desenvolvidas. Afinal
de contas, o homem não nasce sabendo andar ou falar, escrever ou ler. Mas, ao
nascermos inseridos num contexto social, aprendemos essas funções e as
executamos com facilidade; dessa maneira, o que no início pareceu complexo e
difícil passamos a fazer espontâneamente.
Assim sendo, do nascimento até o início da vida adulta o ritmo de
aprendizagem é acelerado, o que significa que, quando adultos, reduzimos esse
ritmo, mas continuamos sempre a aprender. Portanto, as crianças estão em
constante aprendizado, incitadas pela curiosidade e pelo interesse em temáticas
variadas. É por isso que as crianças perguntam o tempo todo, desde o
funcionamento de objetos até comportamentos sociais. Como não aprendemos
da mesma forma, passamos a desenvolver diferentes estratégias de
aprendizagem que nos permitem o envolvimento ativo com o objeto do
conhecimento. Por exemplo, a bola é um objeto esférico usado em vários esportes
e brincadeiras, que pode ter diversos tamanhos, texturas e características. Como
aprendemos a diferenciar esse objeto e usá-lo para determinadas finalidades?
A aprendizagem exige interação, troca de experiências do indivíduo com o
meio em que está inserido, além da relação de troca com sua comunidade
educativa. Portanto, uma criança ao ganhar uma bola de presente passa a
interagir com esse objeto, mas a forma de relação dependerá do contexto social
em que ela está inserida, bem como das correlações existentes naquele meio.
Poderíamos utilizar inúmeros exemplos, como os sinais de trânsito, a forma de
cumprimento, o vestuário, dentre outros.
Ao falar sobre estratégias no processo de ensino-aprendizagem é preciso
discutir quais são as expectativas em relação às instituições de ensino, da

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educação infantil ao ensino superior. Na educação infantil espera-se que, por meio
do uso de brincadeiras e situações do cotidiano, os alunos sejam estimulados a
se desenvolver utilizando o raciocínio lógico, os cinco sentidos, a capacidade de
se comunicar e se socializar na escola, em casa e na comunidade. Essas
estratégias utilizam e estimulam a criatividade e autoconfiança, dão a percepção
de limites e respeito ao próximo e a si mesmo, além de transmitir ensinamentos
sobre convívio em equipe, cooperação e ajuda ao próximo, bem como
desenvolver a consciência ambiental e de respeito ao meio vivo, desde cuidados
com animais e a destinação correta de resíduos até a compreensão sobre
alimentação. No ensino superior temos problemas relacionados a métodos que
não proporcionam aos alunos formas diversificadas nde aprendizagem por falta
de didática, recursos e até mesmo de tempo.
Em vista disso, devemos refletir que os exemplos utilizados anteriormente
são tarefas relativamente simples e sem mistério, no entanto, nem todos
conseguem executá-las, seja por falta de uma formação adequada ou por
recursos escassos. Alguns desses exemplos fazem parte da realidade de
professores da rede de ensino dos municípios brasileiros, seja ela privada ou
pública.

TEMA 5 – AS ESCOLAS DE PENSAMENTO PSICOLÓGICO

As escolas de pensamento são grupos de pesquisadores e pensadores que


possuem ideias parecidas e/ou que dialogam entre si trabalhando num mesmo
tema ou temas coincidentes, buscando resolver problemas comuns e
compartilhando ideais teóricos. A aprendizagem é um processo contínuo e ativo,
e o homem se apropria do conhecimento para desenvolver sua vida, suas relações
cotidianas, reproduzindo crenças, tradições e costumes, em conjunto com uma
evolução tecnológica e moderna.
A história da ciência moderna é dotada de uma constante evolução do
saber, com novas ideias substituindo as anteriores ou as aprimorando por meio
dos avanços tecnológicos que possibilitam um aprofundamento sobre as áreas do
conhecimento. Neste tema, faremos uma breve recapitulação das escolas de
pensamento psicológico e como elas estão diretamente relacionadas às teorias
da aprendizagem que veremos nas próximas aulas da disciplina.

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Figura 1 – Evolução histórica das escolas de pensamento psicológico

Fonte: Nogueira, 2015, p. 51.

A primeira escola de pensamento psicológico foi o Estruturalismo, que teve


seu início ainda no século XIX influenciando várias áreas da ciência moderna, pois
reflete vários elementos estruturantes básicos. O objeto de estudo da Psicologia
Estruturalista consiste na experiência consciente subordinada ao sujeito que a
vivencia, voltando-se aos fatos estruturais da mente (Nogueira, 2015, p. 46). Na
sequência, o movimento denominado de Funcionalismo ganhou mais espaço e o
pragmatismo dos problemas do mundo real se destaca nessa linha de
pensamento. Nomes como Darwin e sua Teoria da Seleção Natural surgem, e a
diferença essencial é que as estruturas passaram a ser associadas a um enfoque
empirista.
O enfoque empirista também está presente na Teoria Comportamental, a
qual veremos na segunda aula desta disciplina. A Teoria Comportamental ou
Behaviorismo é a ideia de que o comportamento humano é influenciado pelo meio
e moldado de fora para dentro. O maior nome dessa teoria é Skinner, e sua
concepção se construiu com base na ciência experimental, priorizando a
investigação com sustentação no comportamento humano passível de
observação e quantificação (Nogueira, 2015, p. 47). Para esse autor, o
comportamento é resultado do ambiente, por meio dos estímulos e do reforço
positivo ou negativo recebidos.
Em paralelo ao behaviorismo, houve a Psicologia da Forma, mais
conhecida como Escola da Gestalt. Trata-se de uma teoria que estuda como os
seres humanos percebem os objetos, as ações e a sensação de movimento.
Alguns dos exercícios dessa análise envolvem a ilusão de ótica, e a ideia principal

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é que compreender o todo é mais do que simplesmente entender as partes; assim,
a visão do todo ganha destaque em um rigoroso método empirista, pois “os
psicólogos dessa escola enfatizavam que percebemos os objetos e figuras como
um todo completo, ao contrário de pedaços ou parte isoladas de informação
sensorial” (Nogueira, 2015, p. 47).
Já a Psicologia Humanista ganha destaque no processo educativo, dado
que tem como objetivo a significação do que é estar vivo para o ser humano.
Desse modo, essa teoria se destaca por beneficiar o ideal sobre saúde, bem-estar,
crescimento e realização, uma ideia que não se pautava na doença, contrapondo-
se aos paradigmas anteriores. Um dos principais autores sobre esse tema é Carl
Rogers (1902–1982).
Outra importante concepção é a Psicologia da Educação, que tem como
objeto de estudo o sujeito nos processos de ensino-aprendizagem, preocupando-
se com os métodos utilizados. Nessa linha de pensamento se concentram estudos
baseados nos problemas cotidianos, em métodos e teorias que visam auxiliar os
procedimentos práticos de ensino e dos instrumentos de avaliação, além da
preocupação com as questões afetivas e socioculturais do ambiente escolar,
caracterizando esse processo como um intercâmbio entre o educando e o
educador. Nessa corrente de pensamento, Piaget (1896–1980) e Wallon (1879–
1962) são grandes autores que se preocuparam com a compreensão do sujeito
que aprende, da infância até a vida adulta, e com o desenvolvimento psicológico
da criança, respectivamente.
Baseada no materialismo histórico e dialético surge a psicologia social,
enfatizando o caráter concreto da consciência e das relações entre estímulo e
resposta. Essa concepção propõe que o homem é constituído no e pelo social, e
que sofre mudanças contínuas pautadas no contexto histórico, político,
econômico, cultural e social.
Para a psicologia social, o principal teórico é Vygotsky (1896–1934), que
apresentou uma nova forma de pensar, unindo sujeito e objeto na análise. Essas
relações estavam pautadas no estímulo e na resposta obtidos em conjunto com a
produção cultural humana. Esse teórico foi o “grande fundador da escola soviética
de psicologia, principal corrente que deu origem a uma perspectiva crítica da
psicologia” (Nogueira, 2015, p. 49).
Outros importantes teóricos também fazem parte das escolas do
pensamento psicológico, como David Ausubel (1918–2008), que discutia o

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conceito de aprendizagem significativa e realizava importantes pesquisas sobre a
formação dos significados no ato da cognição.

FINALIZANDO

Nesta aula construímos um panorama da concepção humana com base em


três grandes áreas que dão sustentação para a nossa disciplina de Teorias da
Aprendizagem, sendo elas as ideias do que é filosofia, psicologia e pedagogia.
Desse modo, vimos como o conhecimento evoluiu e mudou ao longo dos
séculos. Por exemplo, discutimos a diferença entre o conhecimento científico e o
senso comum, lembrando que o primeiro busca leis e métodos que expliquem de
modo racional o que está sendo observado, podendo ser reformulado ou mudado
de acordo com novas experiências e estudos científicos, e o segundo faz
referência ao pensamento e conhecimento da maior parte da população, baseado
nas experiências cotidianas, herdadas da comunidade ou da família, ou em
crenças religiosas e tradicionais. O senso comum faz parte do dia a dia das
pessoas, e é muito interessante quando um professor usa essa ferramenta para
contextualizar sua aula.
Vimos também o conceito de aprendizagem, suas etapas e características,
e como esse processo altera a vida de quem aprende. Lembrando que os
inúmeros fatores que envolvem a aprendizagem desencadeiam mudanças
permanentes no comportamento do indivíduo e como a todo instante, mesmo que
em escalas diferentes, estamos aprendendo algo novo, nossa conduta se altera,
pois a aprendizagem ocorre no sistema nervoso central (SNC), partindo da
experiência e das condições ambientais.
Analisamos os objetivos educacionais propostos para compreender melhor
o processo de ensino-aprendizagem, sendo eles: o domínio psicomotor, que
compreende as habilidades motoras em saber-fazer; o domínio cognitivo, que
envolve as atividades de interpretação e análise em saber-saber; e o domínio
afetivo, que apresenta relação com valores, sensibilidade e atitudes em saber-ser.
Além disso, analisamos o uso de diferentes estratégias que devem ser
usadas nesse processo e que resultam em diferentes respostas. A aprendizagem
é uma ação constante, por isso o que estudamos hoje e as informações que temos
podem não ser as mesmas daqui a alguns anos: elas podem se modificar
completamente ou o conhecimento sobre determinado assunto pode se ampliar,
pois as informações evoluem continuamente.

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Por fim, analisamos brevemente as escolas de pensamento psicológico,
iniciando com o Estruturalismo e a ideia de uma psicologia experimental,
passando pelo Funcionalismo e seu pragmatismo, até o Behaviorismo e a ideia
de que o homem é um ser passível de ser moldado pelo meio em que vive, sendo
fruto de estímulos e reforços positivos ou negativos. Outras concepções envolvem
a Psicologia Humanista, a Psicologia da Educação e a Psicologia Social, sendo
estas muito relevantes para os estudos sobre o processo de ensino-
aprendizagem.

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REFERÊNCIAS

BARONE, L. M. C.; MARTINS, L. C. B.; CASTANHO, M. I. S. Psicopedagogia:


teorias da aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.

LAKOMY, A. M. Teorias Cognitivas da aprendizagem. Curitiba: InterSaberes,


2014.

MONTEIRO, I. G.; TEIXEIRA, K. R. M.; PORTO, R. G. Os níveis cognitivos da


Taxonomia de Bloom: existe necessariamente uma subordinação hierárquica
entre eles? In: ENCONTRO DA ANPAD, 36., 2012, Rio de Janeiro. Anais..., Rio
de Janeiro: ANPAD, 2012. Disponível em:
<http://www.anpad.org.br/admin/pdf/2012_EPQ1887.pdf>. Acesso em: 11 dez.
2017.

NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem: um encontro entre


os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos. Curitiba: InterSaberes,
2015.

PILETTI, N. Aprendizagem: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2013.

RODRIGUES, J. A taxonomia de objetivos educacionais: um manual para o


usuário. 2. ed. Brasília: UnB, 1994.

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AULA 1

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Texto de abordagem teórica


Leitura do capítulo 1 (“As bases históricas da filosofia, da psicologia e da educação: um
diálogo que permeia a pedagogia”) do livro: NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da
aprendizagem: um encontro entre os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos.
Curitiba: InterSaberes, 2015. p.17-60.
Disponível em:
<http://aulaaberta.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788544301593/pages/17>.
Acesso em: 11 dez. 2017.

Texto de abordagem prática


GIUSTA, A. S. Concepções de aprendizagem e práticas pedagógicas. Educação em
Revista, Belo Horizonte, v. 29, n. 1, p. 20-36, mar. 2013. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
46982013000100003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 11 dez. 2017.

Saiba mais
NADIA BOSSA. A Aprendizagem. YouTube, 5 de agosto de 2014. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=BaC65DQFn7I>. Acesso em: 11 dez. 2017.

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AULA 2

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Profª Wiviany Mattozo de Araujo


CONVERSA INICIAL

Bem-vindo à aula 2 da disciplina de Teorias da Aprendizagem! No primeiro


tema desta aula, vamos discutir algumas das principais ideias sobre
aprendizagem ao longo do tempo, divididas aqui em inatismo, empirismo e
construtivismo. Nosso objetivo é construir uma linha do tempo sobre o processo
de aprendizagem nas diferentes linhas de pensamento para que, ao verificarmos
as principais teorias nas aulas, possamos entender as diferenças e similaridades
entre elas, além de permitir que as bases conceituais do conhecimento sejam
consolidadas para a vida acadêmica.
Na sequência, vamos analisar a teoria comportamental ou behaviorismo,
aprofundando a análise sobre o funcionamento dessa teoria, quais são os
principais autores que representam essa linha de pensamento, como surgiu e foi
aplicada no âmbito escolar, e como essa forma de pensar o processo de ensino-
aprendizagem ainda está presente nas práticas docentes atuais.

CONTEXTUALIZANDO

Ao falar sobre teoria comportamental sempre vem a ideia de reforço


positivo e negativo, não é mesmo? Sugiro uma reflexão com base nas seguintes
frases:

1. Ter um emprego e ir trabalhar todos os dias.


2. Um professor que elogia seus estudantes quando estes respondem
corretamente a uma questão.
3. Um gato tem petisco como recompensa por apertar uma campainha.
4. Um professor libera um aluno da prova final porque esse estudante
apresentou bom comportamento.
5. Uma criança faz birra na rua pedindo um brinquedo, o pai compra o
brinquedo e a birra para.
6. Um sujeito recebeu choque elétrico quando deu uma resposta errada.
7. Um adolescente bagunçou o quarto e não o limpou, então sua mãe disse
que ele não poderia sair com seus amigos.

O que as frases citadas possuem em comum? Você consegue identificar


essas situações no cotidiano? Até que ponto utilizar essa forma de pensamento é
proveitoso? O tempo todo estamos condicionados e praticando reforço positivo,
negativo, punições, tanto na vida pessoal como no ambiente profissional e

02
escolar. Assim, vamos retomar essa reflexão ao final da nossa aula para
entendermos porque ela é tão enraizada nas nossas atitudes.

TEMA 1 – INATISMO, EMPIRISMO E CONSTRUTIVISMO

Sabe-se que o processo de aprendizagem é definido de acordo com


diferentes perspectivas teóricas. Para este tema, dividimos em três grandes ideias
o entendimento sobre a aprendizagem.
O primeiro deles é o inatismo, que tem relação direta com a ideia do saber
congênito. Esta linha de pensamento começa com os gregos e representa o início
do conhecimento racional baseado em explicações concretas para compreender
o mundo real. Nesse período temos conhecidos filósofos que acreditavam que o
saber era inato, como Platão (427–347 a.C.), que considerava que a pessoa
nascia com o saber e defendia a tese de que a alma precede o corpo, tendo
acesso ao conhecimento antes de nascer.
Assim, o inatismo é o conceito que diz que as pessoas nascem já com
habilidades, conhecimentos, qualidades e dons hereditários. Essa perspectiva
propõe que o professor deve auxiliar o aluno na organização do conhecimento,
como se fosse um florescimento de ideias adormecidas no subconsciente.
Sabemos que essa ideia se encontra em desuso, principalmente por não
encontrar respaldo científico. No entanto, parte desse discurso é encontrado nas
salas de aula da atualidade, quando professores justificam que alguns alunos não
têm habilidades para aprender determinados assuntos.
Numa reportagem veiculada na revista Nova Escola em 5 de novembro de
2010, há comentários sobre o tema, como: “Platão diz que o homem nasce com
certas características físicas e que elas justificam a posição social de cada um.
Ser apto a governar ou trabalhar como auxiliar é resultado de uma vontade divina.
Não se considera nenhuma possibilidade de mudança” (Santomauro, 2010).
A segunda ideia é baseada no empirismo e a capacidade de absorção de
conhecimento, sendo uma perspectiva contrária à anterior, baseada em
Aristóteles (384–322 a. C.). Ao falar sobre empirismo, deve-se entender que todos
possuem a capacidade de aprender, no entanto, esse fato só irá ocorrer como
fruto de uma experiência, sendo as informações recebidas pelos sentidos.
A corrente de pensamento que utiliza o empirismo propõe que a
memorização, imitação e repetição sejam usadas para que o processo de ensino-
aprendizagem seja efetivo. As ideias que mais se encaixam nessa explicação

03
utilizam o exemplo de uma esponja, na qual as informações são acumuladas e
reorganizadas à medida que novas informações são inseridas nesse sistema.
Utiliza-se também a ideia de que o aluno é como uma tábula rasa a ser
preenchida.
Nessa ideia podemos retomar nomes que citamos na primeira aula deste
módulo, como Francis Bacon (1561–1626) e outros, que em seus manuscritos
preconizavam que a escola seria capaz de formar pessoas racionais e que
aprenderiam a substituir respostas erradas pelas corretas por meio do
conhecimento científico.
Como citado, a forma de pensar empirista persiste até a atualidade nas
escolas e em muitas famílias – basta pensarmos que muitos acreditam que o
professor, e somente ele, é o detentor do conhecimento; outros propõem que a
repetição de atividades leva à perfeição ou ainda que o reforço negativo, com
punições e castigos, é válido dentro do processo de aprendizagem, do mesmo
modo que a premiação de destaques seria um estímulo positivo para todos os
envolvidos. Todos esses exemplos são conhecidos, mas é importante ressaltar
que acumular informação não é sinônimo de conhecimento adquirido. É preciso
muito mais nesse processo.
A terceira ideia é o construtivismo, que é uma perspectiva que propõe que
o sujeito que aprende tem potencialidades e habilidades próprias, mas se o meio
em que está inserido é problemático, a aprendizagem pode não ocorrer. Ou seja,
para que o processo de aprendizagem aconteça, é preciso que as organizações,
os espaços e o meio sejam propícios.
Assim, no construtivismo é necessário que o sujeito seja presente e atuante
no processo de aprendizagem. É preciso que exista a ação sobre o objeto, para
que então ocorra a transformação da informação em conhecimento. Um dos
principais nomes dessa corrente de pensamento é Jean Piaget (1896–1980), e
sua contribuição se dá pela influência exercida em inúmeras pesquisas. Outro
importante nome foi Paulo Freire (1921–1997), filósofo brasileiro de
reconhecimento internacional.
Na dimensão construtivista, o aluno deve ser desafiado para que a
aprendizagem seja efetiva, por meio de contextualização, ações, entre outros
contextos que funcionem como fundo de cena. O docente deve ser responsável
por construir um bom planejamento que leve em consideração as demandas e
questões, pensando em métodos que desafiem os alunos.

04
Há outras correntes de pensamento que visam explicar o processo de
aprendizagem, como o sociointeracionismo de Lev Vygotsky (1896–1934) e Henri
Wallon (1879–1962), que sugere que a aprendizagem ocorre pela relação do
sujeito com o meio em que está inserido, seja no ambiente familiar, no meio
escolar com os professores ou com seus colegas, bem como com o próprio
conteúdo.

TEMA 2 – PRECURSORES DO BEHAVIORISMO

O termo behaviorismo tem origem inglesa e quer dizer “comportamento”.


Essa concepção abrange diferentes teorias psicológicas, mas o ponto em comum
é a ideia de que o comportamento pode ser modificado e/ou moldado. Vamos
dividir esse conteúdo em três ramos para melhor explicar essa forma de pensar.
O início dessa teoria é marcado por John Watson (1878–1958), para quem
a psicologia precisa estudar o comportamento visível e observável, não os
processos mentais internos. O modelo S-R, em que S é o estímulo do ambiente e
R a resposta do organismo, vigorava e era visto como preponderante para que o
comportamento humano fosse sistematizado. Watson é o responsável pelo
behaviorismo metodológico, no qual acreditava-se ser possível controlar e prever
as formas de comportamento humanas. Essa ideia tinha como base experimentos
realizados por outro autor sobre o condicionamento do comportamento, tomando
como exemplo a salivação dos cachorros ao verem comida, pois ao escutarem
qualquer barulho ou referência a alimentos, os animais apresentavam salivação.
Watson se enquadrava como um behaviorista metodológico, e sua busca
era por uma psicologia de métodos subjetivos que permitia agrupar condições de
previsão e controle das ações. No entanto, o problema desse método era
estabelecer a relação entre o mundo real objetivo e o mundo abstrato. Assim, os
estudos se concentravam em lidar com o que é compartilhado e acessível para a
sociedade, criando a ideia de que potencialmente todos poderiam ser controlados
em função de variáveis existentes no meio, descrevendo as atitudes e ações do
comportamento e dando-lhes uma interpretação fisiológica.
Assim, esse autor afirma que se deve analisar o comportamento
observável, quantificado e possível. Para a teoria comportamental, a
aprendizagem é uma mudança ou aquisição de comportamentos observáveis,
desencadeados pelos estímulos externos ou ambientais. “A relevância de
estabelecer similaridade entre os problemas resolvidos, bem como a repetição é

05
usada como mecanismo para favorecer o insight e a transferência da
aprendizagem” (Lakomy, 2008).
Com uma proposta filosófica sobre o comportamento humano surge o
behaviorismo radical de Skinner. Esse teórico não aceitava a atuação de fatores
cognitivos interferindo no comportamento dos indivíduos, e isso não ocorria por
limitação metodológica, mas sim por este se recusar a acreditar que o indivíduo
poderia ser único e homogêneo.
Assim, essa perspectiva não admite que a mente e as causas mentais
sejam utilizadas para explicar qualquer comportamento, porque isso seriam fatos
ficcionais, os quais deveriam ser evitados. Portanto, a hereditariedade ganha
força, assim como a situação do ambiente, seu passado e futuro influenciam
diretamente o comportamento do indivíduo.
É nessa formulação que Skinner propõe a ideia do condicionamento
operante, que sugere que o meio irá moldar os hábitos básicos que as pessoas
executam e que isso só mudaria caso ocorresse uma modificação no ambiente,
fazendo com que o comportamento se ajustasse rapidamente adquirindo novas
formas de ação e resposta. Além disso, o reforço contínuo seria importante para
a manutenção do novo comportamento. Essa teoria é muito conhecida nos
estudos pedagógicos, e nós a veremos nos próximos temas desta aula.
O behaviorismo é a filosofia da ciência do comportamento humano e
ignora a consciência e os estados mentais. Nessa forma de pensar, as
condições da mente e suas intenções são associadas às atitudes e ações
adotadas pelo indivíduo, deixando de ser uma área restrita da psicologia
para adentrar as questões desenvolvidas pela neurociência. No entanto,
essa área perde espaço para teorias mais atuais por não ter suficiente
embasamento teórico capaz de explicar os fenômenos da linguagem e
aprendizagem.

TEMA 3 – CARACTERÍSTICAS DA TEORIA COMPORTAMENTAL

O behaviorismo é a filosofia da ciência do comportamento humano e


ignora a consciência e os estados mentais. Para essa área de
pensamento, o conhecimento prévio e a cognição não são levados em
consideração, pois, como vimos anteriormente, o comportamento é
adquirido durante a vida, sendo resultado dos estímulos do ambiente e das
respostas do corpo.

06
Uma das características dessa teoria é que a aprendizagem não é
explicada por meio de processos cognitivos, e nem consegue sustentar atividades
ligadas às áreas criativas da ciência, como o ensino de arte, música, literatura e
até mesmo matemática. Também não há a consciência do sujeito como ser ativo
no processo de aprendizagem nem um aprofundamento na personalidade ou
entendimento dos problemas psíquicos, limitando-se ao controle do
comportamento.
Os experimentos realizados para análise do comportamento se utilizavam
de animais, como ratos e cachorros, e o resultado era o produto dos traços
comuns entre homens e animais. Assim, entende-se que a própria noção de
comportamento era limitada, pois os resultados eram obtidos em laboratório, com
condições ambientais controladas. Portanto, os experimentos não conseguiam
reproduzir todos os elementos e as relações presentes na vida cotidiana, o que
sem dúvidas altera o resultado do estudo.
Muitas das relações empiristas podem ser explicadas pelo uso do senso
comum, e se as orientações geradas nessa teoria são válidas, o próprio
pesquisador se coloca em posição delicada, afirmando que foi condicionado a
responder a tais questionamentos por meio dos estímulos presente no ambiente,
e isso pode significar que os resultados obtidos não são verdadeiros. Além de
trabalhar na maior parte do tempo com princípios gerais, não levando em
consideração os problemas e conflitos individuais, o homem é assim
desumanizado. Como exemplo podemos nos aproximar de práticas de repetição
utilizadas com crianças que apresentam dificuldades na aprendizagem ou o uso
de aulas de reforço com a mesma metodologia aplicada nas aulas regulares.
Sendo o comportamento a palavra-chave da teoria de Skinner, a
aprendizagem se concentra na capacidade de estímulos e repressão aos
comportamentos desejáveis e/ou indesejáveis. A ideia do controle objetivo dos
estímulos presentes no ambiente determina as respostas do indivíduo; para tanto,
o meio desencadeia as mudanças do comportamento, resultando num processo
de condicionamento entre estímulo e resposta.

TEMA 4 – CONCEITOS DA TEORIA COMPORTAMENTAL

Inserido no behaviorismo radical, Skinner teve grande relevância na


psicologia, mas suas pesquisas contribuíram principalmente com os estudos
pedagógicos. Essa vertente radical da teoria comportamental teve grande

07
aceitação nos Estados Unidos e no Brasil também. Por esse motivo ainda temos
a reprodução desse modo de pensar em todos os níveis de ensino.
Como citado anteriormente neste material, para Skinner o comportamento
de toda e qualquer pessoa poderia ser modificado controlando os estímulos
ambientais. Sua teoria sempre estava voltada para uma proposta filosófica sobre
a forma de comportamento humano e não uma área de estudos experimentais.
Uma das experiências mais conhecidas desse teórico é a caixa de Skinner,
a qual se resumia em experimentos com ratos, tornando possível a descrição dos
estímulos pela observação. Esses estímulos foram identificados e classificados
em três: reforço positivo, reforço negativo e punição pelo erro.
Os reforços se resumem em estímulos e resultados produzidos pelo
indivíduo. O reforço positivo proporciona satisfação e elogios, sendo aplicado
após a realização do comportamento desejado, criando a perspectiva de que a
ação se repita. Já o reforço negativo é aplicado aos comportamentos indesejados,
mas em menor quantidade, pois o corpo tende a não repetir as ações devido aos
estímulos aversivos.
Consequentemente, o ensino passa a ser obtido quando o sujeito a ser
ensinado é submetido a condições de controle e seu comportamento ideal é
alcançado por meio dos reforços positivos e negativos, principalmente
incentivando um comportamento com um estímulo até que esse comportamento
se torne automático. Assim sendo, a aprendizagem se torna mecânica e
concentrada na obtenção de novos e desejáveis comportamentos.
A punição ou castigo ocorre como consequência do comportamento
inadequado do indivíduo. Num primeiro momento, o ato de punir parece o oposto
da recompensa, e tem-se a impressão de que, ao punir, o comportamento não se
repetirá. No entanto, sabe-se que o castigo sozinho não diminui um tipo de
comportamento. Podemos usar como exemplo professoras que deixam seus
alunos sem intervalo recreativo para punir comportamentos indisciplinados.
O condicionamento operante visa explicar como os comportamentos
adquiridos durante seu desenvolvimento ocorrem, sendo este ser ativo no
processo pela probabilidade de ocorrer um estímulo seguido da resposta
condicionada. Portanto, conforme o sujeito precisa realizar algo ou sobreviver, o
comportamento buscará atingir o resultado esperado, tendendo a se repetir.
Skinner denomina de operante exatamente esse mecanismo de repetição.

08
E o que Skinner apresenta de diferente dentro dessa concepção na
contribuição à instituição escolar? Para esse teórico, não havia a possibilidade de
excluir o ser de sua essência social, pois a ideia é que esta inclui-se naquele.
Prova disso é que a família é levada em consideração no processo de
aprendizagem, pois nos primeiros anos de vida é no seio familiar que se inicia o
processo educacional da criança. Tudo é aprendizado: andar, falar, comer, vestir-
se e comportar-se de acordo com aquela sociedade em que a criança está
inserida.
E se estamos falando de teoria comportamental, é óbvio que há
reforçadores para que o comportamento desejável seja obtido, como a atenção
recebida, a constante aprovação dos que convivem com a criança, as
recompensas por comer um determinado alimento ou a punição por não executar
uma tarefa. No entanto, cada um desses elementos é aplicado em maior ou menor
grau a depender do nível sociocultural da família e das tradições que esta adota.
Além do núcleo familiar, o processo de aprendizagem continua de maneira
informal por meio do convívio com membros da comunidade que exercem certo
controle ético, ou seja, que definem o que é certo ou errado naquele local. Por
exemplo, se um sujeito frequenta uma igreja, ele deve se enquadrar nos costumes
preconizados naquele ambiente, desde o modo de falar, de se vestir e de se
relacionar com os membros daquela comunidade e com outras pessoas, como
conduzir suas relações afetivas e respeitar os costumes, se houver algum tipo de
proibição.
Skinner aponta a escola como um dos principais agentes no controle
comportamental, porque muitas vezes a família escolhe a instituição de ensino
que dará continuidade aos ensinamentos iniciados em casa e na comunidade.
Como exemplo, podemos citar as escolas particulares religiosas, que são
escolhidas por seguirem os mesmos ideais da família em questão.
No ensino escolar público, há o controle comportamental, mas essa
supervisão ocorre pensando que estas crianças adquirirão comportamento
adequado para conviver em sociedade. A ideia é que o aluno seja passivo e
receptor do conhecimento transmitido pelo professor, cujo principal papel é criar
e modificar comportamentos dos alunos para que estes realizem os trabalhos
exigidos e possuam uma postura padrão. Então, a questão é: quem já vivenciou
algumas dessas situações, como treinos e competições escolares de exercícios e
práticas que recompensavam os destaques e melhores alunos, seja em

09
desempenho físico ou intelectual, com boas notas, promoções, diplomas de honra
e mérito, entre outros?
Outros exemplos poderiam ser expostos aqui, pois parte dos professores
das escolas brasileiras utilizam métodos baseados na teoria comportamental. No
entanto, a maior parte desses docentes não tem a consciência dessa aplicação,
pois estão reproduzindo suas memórias sobre aquilo que viveram no seu período
escolar, ou repetindo técnicas aprendidas no processo de formação docente.

TEMA 5 – BEHAVIORISMO NA ESCOLA

Na teoria comportamental, o professor figura como um dos principais


elementos no processo de ensino-aprendizagem dos sujeitos. Para Skinner,
ensinar é um ato importante que facilita a aprendizagem, e o aluno deve ser
dependente do professor, pois quem é ensinado aprende mais rápido do que
quem não é.
Nessa teoria, a escola deve ser organizada e programar reforços a serem
oferecidos aos alunos, para que estes mantenham o comportamento desejado,
pois aprender a ter o comportamento desejado facilitaria o processo de
aprendizagem dos conteúdos programáticos. Por exemplo, no treinamento do
aluno para memorizar as contas matemáticas de multiplicação, ao acertar as
respostas o sujeito atinge tanto o objetivo do acerto como do comportamento
adequado pela repetição mecânica. Desse modo, encontramos salas de aula em
que a repetição constante é incentivada, o que levaria à memorização e
consequentemente ao aprendizado.
Sendo o professor o conhecedor do assunto, é responsabilidade dele a
transmissão do conhecimento de forma clara e objetiva, pois ele é o responsável
pela aprendizagem, como já mencionado. Assim, o aluno é o receptor passivo das
informações e cumpridor de ordens. Para tanto, é necessário que o professor
construa um planejamento centrado nos conteúdos obrigatórios, nas condições e
ferramentas externas disponíveis. Esses estímulos são os reforços aplicados aos
alunos, o que ao final do processo geraria a alteração de comportamento. Dentro
do planejamento sistemático, a organização desses estímulos e a obtenção de
respostas a serem premiadas ou reforçadas com punição já estão previstos.
Na construção do planejamento pedagógico a ação docente é programada
e centrada nos conteúdos, e a interação entre os alunos não é valorizada, pois a

010
aprendizagem depende do treino e do exercício executado por cada aluno, seja
por meio da memorização ou outro método.
Outra questão diz respeito ao ambiente. Desse modo, a construção de uma
sala de aula montada para estimular o aluno e que propicie o ambiente adequado
para a execução das atividades é de extrema importância. Ao organizar a sala de
aula, o professor passa a mensagem do que pretende alcançar com o exemplo e
o incentivo de comportamentos esperados. Essas são as chamadas estratégias
de ensino, que servem para o professor prever os resultados esperados com a
montagem de uma situação de aprendizagem. Além disso, a depender do
resultado, o professor tem a possibilidade de rever sua estratégia de ensino,
tornando-a mais eficaz.
Para Skinner, outro ponto relevante envolve as condições dos indivíduos
para o desenvolvimento da aprendizagem, sejam elas físicas, psíquicas e/ou
sociais. Um sujeito em situação de vulnerabilidade apresentará maior dificuldade
em aprender, pois seu organismo estará debilitado e não responderá de forma
adequada aos estímulos recebidos. Por exemplo, quantas crianças em áreas
carentes fazem sua única refeição completa e adequada no ambiente escolar?
Isso fará com que esse sujeito apresente dificuldade de concentração,
principalmente pela falta de nutrientes no organismo, gerando uma resposta
inadequada aos estímulos recebidos. Outro exemplo: crianças com problemas em
casa apresentam dificuldade de aprendizagem? Com certeza problemas
familiares se refletem nas atividades escolares.
Os dois exemplos citados mostram como o sujeito em condição física,
social ou psíquica precária tende a apresentar dificuldades no processo de
aprendizagem. Isso exigirá que o professor crie mais atividades de fixação e
memorização, visando a um melhor resultado.
Ao analisarmos a teoria comportamental e refletirmos sobre as práticas
pedagógicas existentes na atualidade, fica evidente que essa teoria mesma está
presente mesclada a outras teorias. Diante do exposto e das leituras sobre
Skinner, observa-se a proposta do autor de que o reforço, tanto positivo quanto
negativo, deve ser usado com moderação e de forma correta. Por exemplo, um
aluno indisciplinado em sala assume tal postura para chamar a atenção e
atrapalhar. A lógica ideal seria elogiar e recompensar aqueles que estão
comportados.
Assim, o reforço positivo fica evidente por meio da oralidade, de notas e
premiações, entre outros, e ao aplicar esse reforço positivo incentivando o bom
011
comportamento, a tendência é que ele se repita. Em contrapartida, ao perder
pontos ou deixar de participar de alguma atividade interessante, espera-se que o
aluno modifique seu comportamento.
Nesse ponto é relevante que o professor atue com cautela, pois o excesso
de reforços negativos e punições pode gerar o efeito oposto, principalmente se
forem aplicados em conjunto com o abuso de autoritarismo dentro da escola.
Ao conhecer mais profundamente o behaviorismo com base em Skinner,
percebe-se que é necessária uma visão mais humanizada e cuidadosa no uso e
na aplicação dessas técnicas repetitivas e de memorização. Para determinados
conteúdos é válida a utilização de parte dessas técnicas, mas é preciso observar
cada caso individual e coletivamente.
“Esse é especificamente o processo real de ensino-aprendizagem de
Skinner: não é um ato espontâneo, assim como o ensino não deve deixar para
trás a individualidade de aprendizado de cada aluno” (Remor, 2016).
O processo de ensino-aprendizagem no ambiente escolar não se restringe
somente ao conteúdo básico de português e matemática: ele vai muito além! O
sistema educacional deve se preocupar em proporcionar subsídios aos alunos
para que eles sejam capazes de viver em sociedade. Com base nisso, é
responsabilidade do professor criar demandas e mecanismos capazes de auxiliar
os alunos no processo de aprendizagem do conteúdo básico, para que os
estudantes utilizem esses conteúdos na sua vida.
Como já citado, o planejamento é de extrema importância para uma
atuação docente de qualidade e voltada para o crescimento dos alunos. Essa
situação se torna explícita na medida em que há a necessidade de
contextualização e associação a situações reais na aplicação dos conteúdos.
Como professores, tornamo-nos responsáveis por oferecer um ensino útil e de
qualidade.
Por fim, ao falarmos sobre teoria comportamental é preciso desmistificar a
ideia de que essa teoria é ruim e não pode ser aplicada na atualidade, pois o que
há são equívocos na interpretação de autores que disseminam sua própria leitura
do tema.

012
FINALIZANDO

Nesta aula construímos uma comparação entre algumas das principais


ideias sobre as teorias da aprendizagem; na sequência exploramos o que significa
a teoria comportamental, quais são suas principais características e sua presença
no ambiente escolar.
No primeiro tema vimos como o inatismo, empirismo, construtivismo e
outras formas de pensar o processo de aprendizagem permeiam as escolas na
atualidade. Para relembrar, o inatismo se refere ao saber como sendo congênito.
Dessa forma, a pessoa receberia a carga de conhecimento antes de nascer e ao
longo da sua vida despertaria esse conhecimento que está adormecido. O filósofo
que sustenta essa forma de pensar é Platão, e essa teoria justificaria o fato de
algumas pessoas terem mais facilidades em determinadas áreas, alegando que
elas nasceram com um dom.
Sobre o empirismo, retomamos ideias baseadas no filósofo Aristóteles e a
concepção de que o aluno funcionaria como uma folha em branco esperando que
o conhecimento seja construído do zero, pois o empirismo desconsidera o
conhecimento prévio existente. Essa forma de se pensar a aprendizagem é
amplamente utilizada na atualidade. Isso se verifica no uso de atividades de
memorização, repetição, entre outras, sem a utilização de uma situação-problema
que tenha por objetivo treinar o aluno para melhorar seu desempenho. Observa-
se o empirismo também na aplicação de reforços positivos e/ou negativos para
elogiar e punir, respectivamente.
Já em relação ao construtivismo, a proposta é que o aluno seja desafiado
todo o tempo a construir juntamente com o professor seu conhecimento. O papel
do professor ganha destaque, exigindo um bom planejamento de atividades
questionadoras e de variados métodos que estimulem novas formas de pensar.
Vimos também que existem outras linhas de pensamento sobre o processo de
aprendizagem, como o sociointeracionismo de Vygotsky, em que se sugere que a
aprendizagem acontece por meio da interação.
Ao explorarmos a teoria comportamental ou behaviorismo, entendemos
que ela é baseada no empirismo, mas amplamente utilizada ainda na atualidade.
O modelo é baseado em estímulos programados no ambiente e em
respostas esperadas por parte do sujeito através do comportamento. Desse
modo, vimos que a palavra-chave é comportamento, que é controlado pelos

013
estímulos. Esses estímulos podem ser reforços positivos ou negativos, e ainda
podem existir punições.
O autor dessa teoria apresentou um famoso experimento, chamado de a
caixa de Skinner, que conseguia mostrar como o condicionamento operante
ocorre por meio do controle do comportamento. O ambiente em que o sujeito se
insere também altera a resposta condicionada, seja pela estrutura do núcleo
familiar, das relações socioculturais ou econômicas.
A teoria comportamental ainda é muito presente nas escolas brasileiras,
mas discutimos como interpretações equivocadas distorceram parte da teoria
proposta por Skinner, e nem sempre a aplicação dela na escola é ruim. Por
exemplo, o uso da memorização é importante em algumas áreas do
conhecimento, como na geografia e na matemática, entre outras.
Por fim, as questões lançadas na nossa contextualização pareceram
familiares? Todas elas foram extraídas de situações cotidianas, como quando
elogiamos nossos alunos ao agirem corretamente ou damos uma bronca ao
aprontarem. Esses são reforços que enfatizam a forma ideal de se comportar.
Mas, por exemplo, se o professor compensa um aluno com um doce ou presente
por acertar uma resposta e os demais não ganham, esse fato pode gerar um
conflito e originar problemas entre os alunos e/ou com o professor.

014
REFERÊNCIAS

BARONE, L. M. C.; MARTINS, L. C. B.; CASTANHO, M. I. S. Psicopedagogia:


teorias da aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.

LAKOMY, A. M. Teorias Cognitivas da aprendizagem. Curitiba: InterSaberes,


2014.

NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem: um encontro entre


os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos. Curitiba: InterSaberes,
2015.

PILETTI, N. Aprendizagem: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2013.

REMOR, I. Behaviorismo na educação. Filosofia do cotidiano, 1 out. 2016.


Disponível em: <http://filosofiadocotidiano.org/behaviorismo-na-educacao/>.
Acesso em: 11 dez. 2017.

SANTOMAURO, B. Inatismo, empirismo e construtivismo: três ideias sobre a


aprendizagem. Revista Nova Escola, 5 nov. 2010. Disponível em:
<https://novaescola.org.br/conteudo/41/inatismo-empirismo-e-construtivismo-
tres-ideias-sobre-a-aprendizagem>. Acesso em: 11 dez. 2017.

015
AULA 2

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Texto de abordagem teórica


Leitura do capítulo dois (“Behaviorismo: da fundação às contribuições para a educação”) do
livro: NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem: um encontro entre os
pensamentos filosóficos, pedagógico e psicológico. 2.ed. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 61-
98. Disponível em:
<http://aulaaberta.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788544301593/pages/61>.
Acesso em: 11 dez. 2017.

Texto de abordagem prática


BRAGA, A. W. V.; IBIAPINA, M. L.; NEVES, M. V.; BARROS, F. M. B.; SOUZA, J. S. A Teoria
Behaviorista de Skinner: análise acerca de suas implicações na educação do Ceará.
CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 1., 2004, Campina Grande. Anais..., Campina
Grande: Realize, 2014. Disponível em:
<http://www.editorarealize.com.br/revistas/conedu/trabalhos/Modalidade_1datahora_15_08
_2014_22_44_20_idinscrito_33384_04f8bcfa24041dea2cb24b55e664ef4d.pdf>. Acesso
em: 11 dez. 2017.

Saiba mais
DIDATICS. Behaviorismo (1): Metodológico e Radical. YouTube, 25 maio 2017. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=ipHFpXAgjiA>. Acesso em: 11 dez. 2017.

______. Behaviorismo (2): Comportamento Operante. YouTube, 30 maio 2017. Disponível


em: <https://www.youtube.com/watch?v=s4NM1kK5zUc>. Acesso em: 11 dez. 2017.

______. Behaviorismo (3): Implicações Pedagógicas. YouTube, 6 jun. 2017. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=UkrlNh90BFg>. Acesso em: 11 dez. 2017.

01
AULA 3

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Profª Wiviany Mattozo de Araujo


CONVERSA INICIAL

Bem-vindo à aula 3 da disciplina de Teorias da Aprendizagem! Nesta aula,


vamos discutir sobre a dimensão construtivista em Jean Piaget e suas
contribuições no processo de ensino-aprendizagem. Os temas estão divididos
para conhecermos a trajetória deste teórico e para que suas ideias sejam
assimiladas. No tema 1, falaremos sobre a definição de cognição, e de como esse
processo constante permeia nossas vidas, além de analisarmos os fatores que
desencadeiam esse movimento. No tema 2, abordaremos quem foi Jean Piaget,
o modo como este teórico iniciou suas pesquisas e desenvolveu suas ideias e de
que forma suas contribuições são relevantes até os dias atuais. No tema 3,
trataremos sobre o sujeito epistêmico de Piaget, teoria esta que investiga a origem
do conhecimento, ou seja, a forma como se aprende desde o início até o fim da
vida num processo de interação com os objetos. No tema 4, abordaremos os
estágios para a aprendizagem, referindo-nos do nascimento à vida adulta. No
tema 5, vamos associar o conteúdo com os processos existentes na escola.
Por fim, nesta aula, vamos explorar o que é o educar e aprender para
Piaget, pois este é um ato composto por diferentes estímulos em que a criança,
ou o aluno, deve ser vista não pelo que ela é, mas sim pelo que pode se
transformar, vir a ser.

CONTEXTUALIZANDO

Ao falar sobre práticas construtivistas, devemos pensar na relação aluno-


professor-conhecimento. Sob essa ótica, podemos provocar estímulos em busca
de respostas que o sujeito seja capaz de dar, assim como é preciso compreender
que a aprendizagem ocorre de modo diferente para cada um.
O indivíduo está sempre em busca de respostas frente a uma situação e
suas atitudes são essenciais para o desenvolvimento da aprendizagem.
Pensando na atuação docente, como age um professor numa prática baseada em
teoria construtivista?
No primeiro exemplo, um professor de matemática vai explicar um
conteúdo sobre números racionais, dirige-se ao quadro e explica o conteúdo
citando exemplos, pede a participação dos alunos e passa exercícios de fixação,
corrigindo-os ao final. No segundo exemplo, o conteúdo é o mesmo, mas, durante
a aula, a professora usou calculadoras e uma folha de atividades que os alunos

02
deveriam resolver em duplas e trios. Na realização da atividade, a professora foi
respondendo as dúvidas que surgiam e, por fim, os alunos explicaram as
respostas a que chegaram e tentaram usar exemplos do dia a dia para ilustrar a
situação.
Qual a diferença entre os exemplos? Nota-se que são práticas diferentes,
não é mesmo? No primeiro caso, há a explicação do conteúdo e a busca pela
correta resolução dos exercícios. No segundo, a professora propôs situações e
atividades visando uma melhor comunicação entre os alunos e si própria,
atendendo individualmente, em equipe e a turma toda, anotando os principais
elementos no quadro.
Por fim, com esses exemplos, vamos pensar nas práticas docentes com
que temos contato? Lembrando que toda forma de conhecimento é válida e que
o planejamento docente é essencial para o pleno desenvolvimento das atividades.

TEMA 1 – DEFINIÇÃO DE COGNIÇÃO

Estudos que envolvem o desenvolvimento do ser humano compõem um


espectro sobre relações e complexidades em todos os seus aspectos, sejam da
relação com o mundo, com a vida em sociedade, em diferentes fases da vida. A
cognição é vista com o um processo por meio do qual conhecemos e atribuímos
significado à realidade a partir de experiências sensoriais, representações,
pensamentos, lembranças, dentre outros.
Com base no dicionário Aurélio (2017), cognição é “função da inteligência
ao adquirir conhecimento”, no entanto, essa definição é rasa e superficial quando
pensamos em tudo que este termo pode significar. Desse modo, a aprendizagem
pode ser idealizada como a aquisição de novas informações e sua relação com o
conhecimento pré-existente, contudo, o ato de aprender não é delimitado a
adquirir estas novas informações, e sim tem o propósito de aumentar, aprofundar,
organizar e até mesmo corrigir conhecimentos já existentes, associando o novo
ao existente.
Para pensar em teorias cognitivas é necessário entender que estas, num
primeiro momento, consistem em um conjunto de proposições que visam explicar
o processo de construção do conhecimento humano e o seu desenvolvimento. Em
um segundo momento, essas teorias buscam gerar informações que nos levem a
conhecer como se processa interiormente a aprendizagem. Portanto, a

03
aprendizagem não pode ser considerada dissociada dos processos mentais,
como atenção, percepção, memória, raciocínio etc.
Assim, nesse processo de reflexão, a consciência do que somos, fazemos,
escutamos, falamos e lembramos pode nos render processos para os quais não
dispomos de todas as respostas, mas conseguimos estabelecer conexões
relevantes a cada ser, o que gera resultados e leituras únicas, pois os processos
cognitivos são internos e não observáveis diretamente.
Processos cognitivos podem ser de modo pessoal e envolver expectativas,
pensamentos, desejos, crenças individuais, dentre outros. Estes processos
também podem ser influenciados por questões ambientais, utilizando-se de
recursos materiais existentes, da ideia do mundo físico. Por fim, os processos
cognitivos dependem de atos individuais, de escolhas, de elementos que
envolvem o comportamento.
Outros fatores relevantes para o processo de desenvolvimento da
inteligência e da aprendizagem que devemos levar em consideração são: a ideia
do nível de desenvolvimento das atividades; quais são os processos de maturação
e a fase em que este sujeito se encontra; quais são os conhecimentos prévios
existentes; a linguagem estabelecida para a comunicação verbal e/ou não verbal;
o nível de interação social; e a descoberta da afetividade.

TEMA 2 – A IMPORTÂNCIA DE JEAN PIAGET

“Os neurônios não raciocinam” (Piaget, 1967, p.32, apud Nogueira, 2015).
É por meio dessa citação que iniciamos nossa discussão sobre um dos mais
importantes teóricos do processo de aprendizagem. O biólogo suíço Jean Piaget
(1896-1980) investigou o desenvolvimento da inteligência e como este processo
ocorria em diferentes fases da vida. Para ele, o sujeito constrói seu conhecimento,
sua aprendizagem, por meio da interação com o meio, seja ele físico ou social.
Especula-se que a teoria desenvolvida por Piaget é a mais abrangente e,
mesmo que em alguns aspectos ela tenha sido questionada ou refutada, é
inegável sua preponderância e influência em teorias mais modernas. O autor
propõe que a inteligência envolve ações biológicas de adaptação ao meio físico e
às organizações onde se inserem, e esse processo exige um constante equilíbrio.
Portanto, o desenvolvimento intelectual seria uma ação similar ao sistema
biológico humano.

04
Para entender Piaget é preciso compreender que sua curiosidade e seu
interesse pelo conhecimento consistiam em suas principais características. Tanto
que, aos 19 anos, se graduou em Ciências Naturais e, aos 22, finalizou sua tese
de doutorado, na qual teve contato com a teoria da evolução das espécies de
Charles Darwin.
Piaget afirmava que todos temos potencial para realizar operações como
observar, classificar, explicar, organizar, fazer conexões, abstrair, concluir, dentre
outras. Estas ações nos diferenciam e permitem que relações sejam
estabelecidas. Um exemplo que podemos citar é o fato de os Beduínos (povo
nômade do deserto) conseguirem se localizar, reconhecer e se deslocar na
paisagem em que estão inseridos; assim como a população Quéchua e Aimará
(povos tradicionais dos Andes) sabem se deslocar pelas montanhas em
segurança. Ambos os exemplos são capazes de reconhecer seu espaço
geográfico e classificá-lo.
Ao iniciar os estudos sobre o desenvolvimento cognitivo, Piaget percebeu
que existia uma evolução gradativa com o passar da idade da criança, e o que
mais lhe chamou a atenção foram as respostas erradas dadas pelas crianças. Ele
propunha que, para entender a inteligência, era preciso uma investigação dupla,
primeiro observando o desempenho da pessoa em questão, e depois buscando
entender por que motivos a pessoa desempenhava aquele determinado papel,
englobando os pensamentos envoltos às ações.
Consequentemente, Piaget dizia que os pesquisadores estavam
aprendendo independentemente de o resultado esperado ter sido alcançado, ou
seja, tanto fazia se a resposta dada fosse certa ou errada, o objetivo era entender,
com base nas observações, como as crianças construíam seus sistemas lógicos
de raciocínio. Ele se utilizou de crianças, principalmente seus filhos, para concluir
que as crianças possuem formas coerentes de pensamento, diferentemente dos
adultos, portanto, o que pode ser uma resposta errada, talvez no raciocínio de
uma criança pareça certo.
Assim, para o sujeito que aprende, é uma relação constante de
sobreposição de níveis de conhecimento do menor para o maior, desse modo,
cada processo de aprendizagem envolve o conhecimento pré-existente para o
novo, revendo o que já se sabe, podendo ser a confirmação ou a mudança de
uma ideia.
Os princípios que fundamentam a teoria piagetiana envolvem a ideia do
construtivismo, em que o conhecimento resulta da ação do sujeito que pensa,
05
produz, reflete, sobre os objetos do conhecimento. Outra importante ideia é o
interacionismo, em que o sujeito resulta de trocas realizadas com o meio ou com
os objetos de conhecimento, retomando, aqui, o que envolve a cognição, como a
relação direta com os sentimentos, valores, crenças e ideias.

TEMA 3 – EPISTEMOLOGIA GENÉTICA

Para falarmos sobre a teoria desenvolvida por Piaget é necessário pensar


na ideia do sujeito epistêmico, que executa papel de centralidade, lembrando que
vimos, nos temas anteriores, que a proposta é entender como os mecanismos e
processos de pensamento ocorrem em diferentes fases da vida. Vale ressaltar
também a compreensão sobre a formação do pensamento lógico e matemático.
Com base na relação entre o sujeito e o objeto, sendo essa a relação entre
meio físico e social, postulando que há relações contínuas entre si, em que um
constitui o outro mutuamente, podemos dizer que a origem do conhecimento se
encontra no próprio sujeito, sendo o pensamento lógico uma construção da
interação homem-objeto, que difere completamente da ideia de empirismo em que
o pensamento lógico seria inato ou uma resposta a estímulos externos. A
interação entre o sujeito e os objetos pode ser ativada pela ação dos seres com
estes objetos no meio físico e social. E tanto as experiências sensoriais e motoras
quanto o raciocínio servem de base para a inteligência, ou para a formação do
pensamento lógico.
O homem possui condições biológicas para desenvolver o conhecimento,
mas isso só ocorre a partir do momento que há a interação com o objeto. Todavia,
só a relação com o objeto também não é suficiente, pois é preciso o exercício do
raciocínio, do pensar. Sendo o pensamento lógico o resultado de um processo de
reflexão interna, os mecanismos que envolvem estes processos complexos e
relacionados entre si apresentam inúmeros fatores entrelaçados.
Assim, na epistemologia genética, o processo de construção do
conhecimento engloba o processo desde o nascimento à vida adulta, mas o
enfoque é no desenvolvimento infantil. Com a percepção dos “erros” em respostas
infantis, Piaget percebeu que estas eram consideradas erradas, pois estavam
baseadas numa forma de raciocíonio do adulto.
Nesse contexto, o conceito de equilibração ou adaptação se torna
essencial. Com base em fatores considerados invariantes, que nada mais são do
que suas estruturas biológicas, envolvendo elementos sensoriais e neurais que

06
permanecerão ao longo da vida do indivíduo, é como uma espécie de herança
genética que possibilita o surgimento das estruturas mentais iniciais. Já os fatores
variáveis são elementos que se transformam com a interação com o meio,
buscando a adaptação a situações reais que o cercam. Os fatores variantes são
representados por meio de esquemas.
Com tais características entre os fatores variantes e invariantes, o conceito
de equilíbrio é permeado pela irregularidade e pelos desajustes no organismo, o
que exige uma constante adaptação a ser restabelecida. Posto que sempre
surgem novos desafios na relação entre sujeito e meio, o desequilíbrio se instaura.
Para recuperar o equilíbrio, o indivíduo precisa acionar dois mecanismos de
inteligência, distintos e indissociáveis, que se complementam: a assimilação e a
acomomodação (Nogueira, 2015, p.127).
A adaptação resulta do equilíbrio existente entre o processo de assimilação
e acomodação, em que a interação entre os dois modifica e/ou cria novos
esquemas mentais, permitindo que o sujeito possa interagir de melhor forma com
o meio em que está inserido (Nogueira, 2015, p.128).
O mecanismo de assimilação corresponde à ação do sujeito sobre o objeto,
integrando-o a uma estrutura já existente, portanto, nesse momento, não há
alteração nas estruturas de conhecimento. Esse processo é contínuo pela
tentativa do indivíduo de interpretar e compreender a realidade em que se insere,
tendo que se adaptar a ela constantemente.
Já o mecanismo de acomodação consiste na transformação e/ou mudança
das estruturas do sujeito por força da ação do objeto, para que a assimilação
possa se realizar. É quase impossível pensar em uma situação em que ocorra
assimilação sem acomodação, pois, em raras exceções, um objeto é igual ao
outro ou uma situação é exatamente igual a uma já vivenciada.
Como supracitado, a relação entre estes mecanismos visa permitir maiores
condições de o indivíduo interagir com o mundo. Desse modo, a aprendizagem
contínua e a maturação crescente do indivíduo, em conjunto com os processos
de assimilação, acomodação e busca pelo equilíbrio, proporcionam a adaptação
necessária para as interações.
Para Piaget, o principal objetivo da inteligência é contribuir com a
adaptação ao meio, e esses processos de adaptação formam uma tendência que
permeiam diferentes meios, como reflexos, costumes e hábitos, que permitem a
convivência. Por meio da inteligência construímos representações mentais
complexas, símbolos, dentre outros elementos que nos proporcionam um
07
desenvolvimento cognitivo capaz de dar respostas cada vez mais complexas ao
ambiente.

TEMA 4 – A APRENDIZAGEM EM ESTÁGIOS: DA INFÂNCIA À VIDA ADULTA

O processo de aprendizagem, para Piaget, era composto por uma série de


equilíbrios e adaptações. A noção de esquemas de ação foi um grande avanço
proposto, principalmente pelo entendimento sobre a primeira infância, pois, até
então, o processo de aprendizagem infantil era baseado nas estruturas mentais
de um adulto. Entendeu-se que estes processos ocorrem em fases ou etapas, e
o resultado, na atualidade, era uma educação infantil com atividades criadas e
voltadas para as diferentes fases, além de propiciarem às crianças vivências,
interações, experiências, ampliando o nível de desenvolvimento cognitivo.
Para relembrar, existem fatores e interações necessários para o pleno
desenvolvimento, que é a maturação ou o desenvolvimento orgânico e
psicomotor, as experiências ativas ou as experiências com os objetos, as
interações sociais baseadas nas relações de troca e a ideia que discutimos no
tema anterior, a equilibração, que consiste nos mecanismos que promovem a
modificação e a criação de esquemas motores ou mentais.
Ao pensarmos o desenvolvimento da inteligência em estágios, podemos
citar muitos exemplos. Ao nascer, o ato de chorar, sugar, puxar e prender é
comum; conforme a criança vai crescendo, outros esquemas de ação passam a
fazer parte do seu dia a dia, como imitar, representar, classificar. Com o fim da
primeira infância, esquemas mentais para ordenar, relacionar e abstrair marcam
essa passagem, e também quando aprendem argumentar, deduzir, inferir.
Cada uma dessas fases recebe uma denominação: sensório-motor, pré-
operatório, operacional concreto e operacional formal. Essas fases marcam os
avanços intelectuais na infância até a juventude. Cabe ressaltar que Piaget propôs
uma faixa de idade, mas os marcos de passagem podem variar, nem sempre
correspondendo à idade cronológica de nascimento. No entanto,
independentemente do ritmo, a criança vai passar e superar tais períodos, levando
em consideração as questões familiares, sociais, culturais e biológicas em que
vive.
Podemos pensar nas crianças que vivem próximas a nós. Aquelas que
convivem todo o tempo com outras crianças, que convivem com familiares
próximos, como irmãos, primos, tios, avós, que frequentam o ambiente escolar,

08
dentre outros aspectos, aprendem a manipular e interagir com os objetos com
base nessas interações sociais, sendo estas extremamente importantes para o
desenvolvimento intelectual, racional, moral e linguístico. Inicialmente, essas
experiências se baseiam no empirismo, nas relações concretas, até a evolução e
desenvolvimento do pensamento formal, abstrato.
Piaget considerou quatro fases, dividas em faixas etárias, de acordo com
as características de desenvolvimento, principalmente por aquilo que o sujeito
consegue fazer melhor (Furtado, 1999). As fases são:

1. Estágio sensório-motor;
2. Estágio pré-operatório;
3. Estágio operacional-concreto;
4. Estágio operacional-formal.

Estágio sensório-motor (de 0 a 2 anos): O primeiro estágio começa com


o nascimento da criança e seus reflexos sensório-motores, herdados e instintivos,
para suprir o impulso básico da sobrevivência, e as funções mentais limitam-se
ao exercício dos aparelhos reflexos inatos. Aos poucos, a criança vai
aperfeiçoando seus movimentos e reflexos, passa a adquirir habilidades, sendo
um período marcado por expressivas e rápidas transformações mentais. É nessa
fase que as funções psicológicas básicas se estabelecem em relação à
percepção, aos avanços motores, ao intelectual, ao afetivo e ao social.
No início desse período, a criança explora seu corpo, coloca tudo na boca,
traz tudo para si e com o auxílio do corpo ele os explora, se apropriando, aos
poucos, desse mundo exterior desconhecido, tanto no sentido físico como nas
relações sociais. É sabido que a inteligência aparece aos primeiros sinais de
interação, mas não é expressa por meio da linguagem simbólica, portanto, os
esquemas de ação se constroem com base na percepção e em movimentos que
se tornam organizados. Além do mais, a noção de espaço é também construída
nesse período, partindo da noção do próprio corpo para a consciência externa, e
a noção de tempo é o aqui e o agora para a criança.
Estágio pré-operatório (dos 2 aos 7 anos): A passagem do estágio
sensório-motor para o pré-operatório é marcada pelo aparecimento da linguagem.
Já sabemos que a inteligência é anterior a esse processo, mas o desenvolvimento
dessa função simbólica depende da evolução da inteligência, dos processos
cognitivos.

09
Por meio da linguagem, as mudanças são profundas, tanto intelectual como
afetivamente. A criança passa a ser capaz de se socializar por meio dessa função
simbólica, construindo novos conceitos e uma noção de pensamento coletivo. A
visão ainda parte do eu para o mundo, no entanto, “a linguagem possibilitará a
troca e a comunicação entre a criança e seu meio sociocultural, pois permitirá a
ela representar o que se encontra ausente e se comunicar com o ambiente social”
(Nogueira, 2015, p.133).
É nessa fase que o adulto consegue constituir uma relação de troca efetiva
com a criança, na qual suas ações passam a ser copiadas por serem fortes e
grandes. Também é preciso ressaltar que o pensamento da criança pré-operatória
é egocêntrico, por isso, nessa fase, é normal ver a criança falando consigo mesma
como num monólogo, pois ela ainda não consegue criar esquemas para
argumentar com o outro. Além disso, a função simbólica que envolve desenho,
jogos e imitação se desenvolvem, transformando a forma de pensar individual e
coletiva.
Quem já conviveu com crianças nesse estágio vai se lembrar de uma
questão bem comum, a fase dos porquês, que chegam a ser infinitos por um
período! Isso ocorre devido ao pensamento egocêntrico da criança, que não
consegue enxergar uma realidade além daquela conhecida, ou do seu próprio
ponto de vista. Outro ponto a ser considerado envolve a utilização da intuição por
parte da criança para resolver seus problemas, portanto, as ações são baseadas
numa inteligência prática que resulta do prolongamento das ações não verbais da
fase sensório-motora, e que será muito útil na vida adulta. Além do que, é durante
essa fase que a criança aprende a marcar o tempo passado e futuro (do jeito dela).
Estágio operacional-concreto (dos 7 aos 12 anos): Neste estágio, a
mudança é marcada pelos avanços mentais em relação a novas construções
mentais. A criança passa a estabelecer relações entre os objetos e o seu estado,
e as ações são executadas mentalmente, independentemente do manuseio dos
objetos. “Por exemplo, nessa fase se perguntarmos qual é a vareta maior, entre
várias, a criança será capaz de responder acertadamente comparando-as
mediante a ação mental, ou seja, sem precisar medi-las usando a ação física”
(Laurindo, 2014).
Nessa fase, a criança aprende a se concentrar trabalhando sozinha. Por
outro lado, há uma maior facilidade de se estabelecer trabalhos em equipe,
principalmente na aplicação de jogos que tenham regras estabelecidas. Portanto,

010
a mudança intelectual e social da fase anterior é substituída pelas relações de
opiniões diferentes.
Outro ponto é a substituição da ludicidade, tão utilizada durante a educação
infantil, por uma visão mais crítica e lógicas das ideias e ações. Assim, mesmo
que a criança raciocine adequadamente, os esquemas mentais e de ações
executadas mentalmente representam objetos e situações imaginadas de modo
concreto. Nesse momento, também surgem as noções de peso, volume,
velocidade, espaço e tempo. Portanto, a realidade passa a ser vista com base na
razão, na qual pensamento e ação são operações mentais importantes.
Estágio operacional-formal (12 anos em diante): Neste estágio, se
ampliam as capacidades de raciocinar, formando esquemas conceituais
abstratos, os quais tornam possível a execução de operações mentais dentro de
uma lógica formal. Esse pensamento abstrato também pode ser chamado de
pensamento hipopético-dedutivo. Essa fase, marcada pelo início da adolescência,
envolve a capacidade de propor novos modos de pensar, novas condutas que
desencadeiam discussões entre os adolescentes, seus pais e professores, e que
são importantes para que a criança adquira autonomia.
Essa fase também pode ser chamada de idade da razão, que combina com
o período da adolescência, onde podem surgir “interesses pelas causas sociais,
a capacidade de abstração, teorização, experimentação, e o conhecimento e
compreensão sobre doutrinas e teorias filosóficas” (Nogueira, 2015, p.137).
O padrão intelectual alcançado nesse momento persistirá pela vida adulta
e se desenvolve com o tempo, pois o desenvolvimento da inteligência nunca
acaba, considerando que estamos constantemente aprendendo. Portanto, uma
ampliação do conhecimento em extensão e profundidade pode ocorrer. Aqui,
podemos usar como exemplo um conteúdo que aprendemos no Ensino
Fundamental, como os tipos de clima em geografia ou operações de matemática
básica, depois, no Ensino Médio, em que serão expostos os mesmos temas, mas
as abordagens passam a ser diferentes, pois não há a aquisição de novos
esquemas mentais, mas sim um aprofundamento do conteúdo.

TEMA 5 – O CONSTRUTIVISMO DE PIAGET NA ESCOLA

O construtivismo na escola pode ser visto como um método de ensino ou


uma ferramenta de planejamento, no entanto, esse não era o objetivo de Piaget,
sendo assim, essa teoria não apresenta uma preocupação didática, mas a ideia

011
de que a observação dos alunos nos permite entender que a assimilação dos
conteúdos ocorre de modo diferente e nem sempre ao mesmo tempo. Além, é
claro, da proposta, que consiste em entender como a inteligência é construída,
principalmente na infância, buscando mais do que esperar respostas prontas.
Os objetivos educacionais são estabelecidos com mais clareza, pois a
teoria psicogenética propõe parâmetros sobre o processo de pensamento da
criança relacionados aos estágios do desenvolvimento.
O construtivismo na sala de aula deve levar em consideração o
desenvolvimento do educando, contextualizando o mundo físico e social em que
a escola está inserida. Em relação à aprendizagem, é necessário entender os
processos dinâmicos e sociais de caráter ativo, bem como a ideia de que a
aprendizagem ocorre num movimento espiralado, considerando o conhecimento
prévio dos alunos e respeitando que este conhecimento é uma construção pessoal
e ativa do educando.
Na teoria comportamental, o erro é associado a um processo negativo no
processo de aprendizagem. Já no construtivismo, os erros passam a ser
entendidos como estratégias usadas pelo aluno na sua tentativa de aprendizagem
de novos conhecimentos (Brasil, 1998).
O processo de ensino-aprendizagem com base construtivista vê o aluno
como um sujeito ativo na construção do seu próprio conhecimento e na apreensão
dos conteúdos. A representação pessoal da realidade e dos objetos deve ser
considerada, pois este fator é individual e influencia diretamente no processo,
além das experiências, interesses e, já supracitado, os conhecimentos prévios.
Todos esses elementos possibilitam a compreensão e a integração do novo
conhecimento em construção.
O professor tem um papel decisivo como agente mediador da construção
do conhecimento, e deve considerar a reflexão, a discussão, a criatividade e a
participação, dentre outros aspectos que poderíamos citar. É por meio do
professor que as dinâmicas e atividades são estabelecidas dentro da escola,
sendo esta uma comunidade de discussão com objetivos claros, e um
planejamento e formação permanente com todos os envolvidos. Sendo assim, a
escola se torna um ambiente de compartilhamento que visa facilitar a
aprendizagem e convivência dos alunos.
A escola, em associação com a família, cria o ambiente para que o
processo de ensino-aprendizagem seja mais efetivo, pois a capacidade de
aprender se relaciona diretamente com oportunidades de troca e interação entre
012
indivíduos, sejam estes da mesma idade ou não. Sendo esses estímulos
essenciais, podemos observar no ambiente escolar a diferença dos níveis de
aprendizagem em crianças que são estimuladas e que possuem mais facilidade
em aprender. Um exemplo que podemos citar é a criança que tem contato com
livros desde cedo e chega à escola mais familiarizada, apresentando facilidade no
processo de letramento e alfabetização, diferente das crianças que não possuem
esse contato. No entanto, o próprio autor propõe que essa diferença pode ser
temporária a depender dos estímulos a serem recebidos.

FINALIZANDO

Nesta aula, discutimos sobre processos cognitivos pelos quais damos


significado à realidade, com base em nossas experiências sensório-motoras, as
representações têmporo-espaciais, aos nossos pensamentos e lembranças.
Com base nesses processos cognitivos, relembramos que existem teorias
que formam um conjunto de proposições para explicar o conhecimento humano,
o desenvolvimento da inteligência, e, principalmente, que buscam entender como
as informações são processadas internamente envolvendo processos mentais,
como o uso da memória, da percepção, da atenção e do raciocínio.
Nesta aula, abordamos a teoria cognitiva baseada em Jean Piaget,
importante e conhecido teórico que preconizava que todos possuem potencial
para a aprendizagem, realizando atos como explicar, organizar, fazer conexões,
abstrair, concluir, dentre outros. E, principalmente, que independentemente do
resultado, certo ou errado, estamos constantemente aprendendo.
A percepção deste autor foi voltada para diferentes fases da vida, mas o
desenvolvimento infantil foi para onde se deram as principais contribuições.
Lembrando que este autor percebeu que as crianças respondem de maneira
errada em determinadas situações com base num pensamento adulto, mas, para
elas, a resposta está correta.
Sugerimos que exemplos sejam sempre utilizados, como é o caso de um
copo de tamanhos diferentes e com água pela metade. Um adulto sabe dizer que
a diferença na altura da água dentro dos recipientes se deve pelas proporções
dos copos, no entanto, para uma criança, essa é uma resposta difícil dependendo
da idade. O copo menor dará a impressão de estar mais cheio. Por isso, sempre
devemos entender em qual estágio da aprendizagem a criança se encontra para
compreender sua resposta.

013
Desse modo, as crianças gradualmente aprendem e se inserem nas regras,
valores e símbolos, sendo estes elementos resultado da maturidade psicológica.
Isto ocorre com base em mecanismos mentais de assimilação e acomodação.
Vimos que a assimilação consiste na ideia de incorporar objetos aos esquemas
mentais já existentes e a acomodação envolve as modificações dos sistemas de
assimilação. A busca constante por equilíbrio e readaptação desses esquemas
mentais proporcionam maior e melhor qualidade de vida ao sujeito. E, como
supracitado, é essencial compreender o estágio de desenvolvimento da criança e
respeitar seu processo de aprendizagem.
Outra questão que devemos pensar com base nessa teoria é que, na
procura por respostas diante de uma situação complicada, a aprendizagem ocorre
envolvendo o que os meios físico e social oferecem, sendo assim, os desafios,
sejam eles quais forem, funcionam como um estopim para a busca de novas
soluções.

014
REFERÊNCIAS

BARONE, L. M. C.; MARTINS, L. C. B.; CASTANHO, M. I. S. Psicopedagogia:


teorias da aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.

BEHAVIORISMO na educação. Filosofia do Cotidiano, 1 out. 2016. Disponível


em: <http://filosofiadocotidiano.org/behaviorismo-na-educacao/>. Acesso em: 28
dez. 2017.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares


Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília, DF,
MEC/SEF, 1998.

FURTADO, O.; BOCK, A. M. B.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução


ao estudo de psicologia. 13.ed. São Paulo: Saraiva, 1999.

LAKOMY, A. M. Teorias Cognitivas da aprendizagem. Curitiba: InterSaberes,


2014.

LAURINDO, G. S. 2014. Psicologia construtivista: aplicação de provas


piagetianas. Portal Educação, 22 abr. 2014. Disponível em:
<https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/pedagogia/psicologia-
construtivista-aplicacao-de-provas-piagetianas/56382>. Acesso em: 28 dez.
2017.

NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem: um encontro entre


os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos. Curitiba: InterSaberes,
2015.

PILETTI, N. Aprendizagem: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2013.

SANTOMAURO, B. Inatismo, empirismo e construtivismo: três ideias sobre a


aprendizagem. Revista Nova Escola, 5 nov. 2010. Disponível em:
<https://novaescola.org.br/conteudo/41/inatismo-empirismo-e-construtivismo-
tres-ideias-sobre-a-aprendizagem>. Acesso em: 28 dez. 2017.

015
AULA 3

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Texto de abordagem teórica


Os professores e a concepção construtivista
Leitura do capítulo um do livro:
COLL, C. et al. O construtivismo na sala de aula. Tradução de Cláudia Schilling. 6. ed. São
Paulo: Ática, 2009. p. 9-29. Disponível em:
<http://aulaaberta.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788508061976/pages/9>.
Acesso em: 28 dez. 2017.

Texto de abordagem prática


A epistemologia genética de Piaget e o construtivismo
ABREU, L. C. et al. A epistemologia genética de Piaget e o construtivismo. Revista
Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, 2010, v. 20, n. 2, p. 361-366.
Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/jhgd/article/viewFile/19973/22059>. Acesso em:
28 dez. 2017.

Saiba mais
Jean Piaget – Fases do desenvolvimento
Assista ao vídeo disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=EnRlAQDN2go>.

01
AULA 4

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Profª Wiviany Mattozo de Araujo


CONVERSA INICIAL

Bem-vindo à aula 4 da disciplina de Teorias da Aprendizagem! Nesta aula


vamos discutir sobre o sociointeracionismo em Vygotsky, teórico relevante que
contribuiu com a psicologia e a educação durante o século XX. Sabemos que nem
todos conhecem o seu nome e nem toda a complexidade da sua obra, no entanto,
qualquer pessoa inserida no âmbito escolar já teve contato com algumas das suas
ideias ou do seu pensamento teórico.
Assim sendo, no primeiro tema vamos explorar quem foi Vygotsky e como,
para esse teórico, o ensino passou a ser entendido como um processo social. No
segundo tema vamos abordar o conceito de pensamento verbal e como esse
importante sistema simbólico influencia no modo de vida. No terceiro tema vamos
discutir a ideia da zona de desenvolvimento proximal, principalmente em relação
ao convívio de crianças de diferentes faixas etárias. No quarto tema iremos falar
sobre a aprendizagem mediada e sobre como a mediação acontece. No quinto
tema vamos retratar as ideias de Vygotsky no ambiente escolar, construindo a
visão do professor e do aluno.
Por fim, nosso objetivo é entender que para este teórico é a sociedade a
responsável pelo desenvolvimento, crescimento e maturação das ações
humanas, pois o desenvolvimento sociocultural transforma e supera as relações
com o ambiente natural em que a criança está inserida.

CONTEXTUALIZANDO

Ao falar sobre sociointeracionismo surgem muitas dúvidas, mesmo essa


sendo uma das teorias mais conhecidas na pedagogia contemporânea. Vygotsky
proporcionou ao professor uma importância no papel de mediador na contrução
do conhecimento. Pensando nesse papel e no convívio escolar, quantas
atividades nossos educandos executam sem entenderem o porquê, ou sem uma
contextualização com base na realidade conhecida, dentre outros problemas que
poderíamos enumerar.
Quantas vezes pensamos em como elaborar critérios efetivos que avaliem
aos alunos, não só pelo conhecimento adquirido naquele momento, mas com
base em suas habilidades? Quantas vezes paramos para refletir e construir uma
autocrítica que nos faça crescer nesses processos?

02
Com base em conteúdos históricos, qual é a grande dificuldade encontrada
por nossos alunos? Eles conseguem estabelecer relações entre fatos históricos
apresentados nos conteúdos programáticos com sua própria realidade? Para
superar essas barreiras, quais atividades podem ser pensadas e executadas com
base no sociointeracionismo? Por exemplo, a compreensão do mundo por parte
do educando é de extrema relevância, é desse modo que este se tornará um
sujeito autônomo, estabelecendo relações que permitam o crescimento tanto
científico como para as vivências e experiências.
Desse modo, são fundamentais as atividades com o intuíto de favorecer
aos educandos a criação e formulação de problemas, que envolvam seu contexto
de vivência auxiliando na construção de uma identidade histórica, tanto individual
como coletivamente. Por fim, poderíamos pensar na construção de identidade,
seja em relação à família, às classes, às etnias, ao gênero, dentre outros, tão
relevantes no contexto atual em que vivemos.

TEMA 1 – VYGOTSKY E O ENSINO COMO PROCESSO SOCIAL

Sabe-se que há inúmeras teorias utilizadas para explicar os processos de


ensino-aprendizagem. Então, qual a importância de Lev Vygotsky para a
pedagogia? Quais foram suas principais contribuições? Como suas ideias são
relevantes até a atualidade? Essas respostas envolvem uma complexa discussão
e nós iremos construí-la no decorrer desta aula ao abordarmos as diferentes
partes do pensamento elaborado por este autor, entendendo os diversos
contextos dessa visão.
Lev Vygotsky (1896-1934) era um bielorrusso contemporâneo a Jean
Piaget (1896-1980) que investigou o desenvolvimento cognitivo, contribuindo com
a compreensão da forma de aprendizagem das crianças, trazendo uma visão
social para o tema. Este teórico propunha que as capacidades psíquicas, como
pensar, falar, sentir, lembrar, emocionar, expressar, entender, interpretar, dentre
outras, são oriundas das nossas relações sociais. E a associação dessas funções
mentais estão presentes no que conhecemos como consciência, sendo esta o
resultado das relações sociais e individuais de cada um.
Para tanto, suas ideias se baseavam no materialismo histórico e dialético.
Vygotsky afirmava que a aprendizagem constitui um componente essencial para
o desenvolvimento das características humanas, pois suas ideias envolviam a
reorganização de uma nova ciência e de uma nova forma de pensar o homem. Ao

03
se deparar com a biografia ou a trajetória de vida desse autor, vamos entender
que o contexto em que este se inseria explica a influência marxista recebida por
ele. Vygotsky, apesar de uma vida curta, conseguiu organizar suas ideias e
publicações.
Os estudos desse autor apresentam ligação direta com os problemas da
sociedade russa da época e com a revolução de 1917 vivida por este, desse modo
é possível perceber suas preocupações em conceber uma nova visão do homem,
sendo este não só produto do meio, mas sim um ser constituído historicamente
nas relações sociais, e nessa correlação o homem internaliza e interpreta
diferentes processos.
Sobre a influência marxista, Vygotsky se destacou por construir
associações psicológicas entre a teoria marxista e as questões psicológicas
concretas. “Por meio da construção de uma nova psicologia pautada na
historicidade do homem e de sua totalidade, possibilitou a compreensão da
constituição do sujeito e de sua subjetividade dentro de um processo” (Nogueira,
2015, p. 151) que caminha em direção ao próprio sujeito.
Com a base da dialética marxista, Vygotsky construiu sua teoria sobre
aprendizagem, mas recebeu duras críticas por não usar como plano de fundo a
luta de classes, por isso teve sua obra censurada por um período de 20 anos na
União Soviética. Também, para seus estudos visitou comunidades para pesquisar
a relação entre o nível de escolaridade, conhecimento e influência das tradições
culturais no desenvolvimento cognitivo.
Podemos citar como a maior contribuição de Vygotsky a ideia que envolve
o pensamento e a linguagem, baseada numa realidade concreta construída
socialmente. A linguagem é extremamente importante, pois é a responsável pela
transmissão da cultura; é por meio dela que o contexto histórico, cultural e social
é apreendido. Um exemplo é que, ao nascer, a criança é uma significação dentro
de um universo de significações. Desse modo, o ensino e a aprendizagem podem
ser entendidos como uma razão de desenvolvimento (não que cada etapa do
processo de aprendizagem equivalha a uma etapa desse desenvolvimento, pois
este processo não é linear).

TEMA 2 – O CONCEITO DE PENSAMENTO VERBAL

Sobre a evolução humana, o que nos diferencia dos demais animais? Quais
são as relações que o indivíduo estabelece que os outros animais não conseguem

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fazer com a mesma profundidade? A resposta envolve o fato de o indivíduo ter
desenvolvido a linguagem, passando a verbalizar seus sentimentos e ações.
Sabemos do poder das palavras! Sabemos também que é por meio das palavras
que o ser humano pensa. Ao ler o material desta aula e assistir nossos vídeos,
utilizamos das palavras para nos conectarmos.
A linguagem pode ser verbal e gestual, e é parte integrante de um sistema
simbólico importante que nos auxilia na formação e organização do pensamento,
na generalização e abstração que ocorrem por meio da linguagem. Com base
nisso organizamos e compreendemos o mundo em que vivemos, é com base nas
palavras que interpretamos o mundo em que vivemos.
Por meio da linguagem entendemos diferentes atividades, sendo estas as
responsáveis pela constituição das relações humanas e de transformação do
mundo, pois a todo instante o homem se apropria e executa atividades que
permeiam a realidade, e nessa ação há a apropriação e a internalização do novo,
além da articulação entre o que já se conhecia com o novo.
Vygotsky foi inovador para compreender as relações existentes entre
pensamento e linguagem, pois sua proposta era compreender como estes se
comportavam em relação ao outro e como interagiam em suas fases iniciais. Para
isso, analisou o desenvolvimento infantil e pôde constatar que mesmo antes de
dominar a linguagem, a criança já demonstrava capacidade de organização,
resolução de problemas práticos, uso de instrumentos e meios para alcançar seus
objetivos.
E qual a diferença entre essas atividades humanas para as dos demais
animais? Os animais executam atividades para a satisfação biológica, seja ela
fome, reprodução e manutenção da espécie. Situação diferente para o ser
humano, que desenvolve suas capacidades cerebrais para suas atividades
motivado por causas socioculturais, sendo esta uma apropriação da experiência
humana. “Isso ocorre porque, à medida que o indivíduo adquire a capacidade de
planejar, abstrair, reconhecer conexões causais e de antecipar os acontecimentos
imediatos, ele passa a reproduzir sua forma humana de existência” (Nogueira,
2015, p. 153).
Desse modo, entendemos que o ser humano tem o seu desenvolvimento
cognitivo e uso do pensamento de forma generalizante por meio da linguagem,
pois seu intercâmbio social e sua organização de pensamento ocorrem por estes
signos. Significação que envolve toda e qualquer atividade humana, além de
compor a ideia da subjetividade também.
05
Outrossim, há mediação existente entre o sujeito e o objeto (inserido no
mundo); e a estrutura da língua que uma pessoa fala influencia a maneira com
que esta pessoa perceba e interpreta o universo. Portanto, a linguagem é um
instrumento de relação mediada; por exemplo, não nos comunicamos com o outro
por transmissão de pensamento, e sim por meio de signos.
A criança também é capaz de entender que se ela derrubar um objeto da
mesa ela poderá se abaixar para pegar ou solicitar alguém que pegue para ela.
Esse tipo de conhecimento é chamado de primário ou de fase pré-verbal das
estruturas de pensamento e independe da linguagem verbal. Alguns primatas
executam estas tarefas, como pegar uma vareta e cutucar árvores em busca de
comida, como larvas, insetos e mel.
Então, mesmo que a criança não controle a linguagem, seus significados e
sistema simbólico, ela se utiliza de instrumentos para realizar suas manifestações
verbais, como sorrir e chorar, em que estes têm a função de controlar a carga
emocional, mas também servem como contato social e comunicação. Essa fase
pode ser associada ao estágio sensório-motor que vimos na aula 3 sobre Piaget,
em que a criança é muito mais guiada pelos próprios sentidos, seja por meio de
sons ou gestos.
Vygotsky sugere que em torno dos dois anos aproximadamente a criança
começa a compreender a relação entre linguagem e pensamento, passando
assim a ter novas formas de cognição. A fala deixa de ser repetição de sílabas
para assumir uma função simbólica, como a ampliação do vocabulário. Desse
modo, os signos são instrumentos psicológicos que expressam o que é externo
ao sujeito e que o conectam ao outro por meio das atividades. Assim, a linguagem
e o pensamento subsidiam o planejamento, pois diante da fala do outro temos a
representação do que o outro pensa.
Nesse sentido, o pensamento e, principalmente a linguagem ganham
significados. O que é o significado ao falarmos de palavras? Significado é muito
mais do que o simples conceito de uma dada palavra ou signo, pois envolve a
realidade ou o contexto em que a palavra foi usada.
No entanto, sabemos que nem sempre o significado nos é dado
diretamente, pois as ações e pensamentos humanos são muito mais complexos,
como em relação aos sentimentos e emoções. Por isso, é preciso compreender
que há fatos internos que dão amplitude aos significados e assim, temos a ideia
de sentido. O sentido abrange a subjetividade dos signos, envolve os sentimentos
e a emoção que permeiam as relações humanas.
06
“O significado e o sentido não podem ser compreendidos separadamente:
devem se apresentar dentro do simbólico e do emocional, cognição e emoção
sempre juntas, pois quando se realiza uma significação, a emoção está sempre
presente” (Nogueira, 2015, p. 156). Aqui, podemos citar um ditado muito
conhecido popularmente: as palavras possuem inesgotáveis sentidos porque
fazem parte da nossa emoção.
Desse modo, cada palavra ganha um sentido real moldado pela experiência
individual e social do sujeito em uma determinada sociedade, e que será expresso
naquele contexto histórico e social. Por exemplo, ao falarmos a palavra gato. Qual
é o sentido e significado? A palavra determina um tipo específico de animal
mamífero domesticado. Independente da região brasileira, das experiências e
elementos diferentes, todo mundo saberá o que é um gato e qual seu conceito
(desde que todos falem português!).
Mas o desafio envolve mais. Quais são os sentidos que conhecemos para
esta palavra? O que a palavra gato representa para você? Falar em sentido é lidar
com complexidade e emoções, nas quais cada pessoa terá sua experiência, suas
vivências, facilidades e limitações. Então, uma pessoa alérgica vai associar a
palavra gato ao seu problema, outra ao seu amado bicho de estimação, e tantos
outros sentidos que podem ser dados a uma mesma palavra. Outro exemplo se
dá quando aprendemos um idioma novo e, com ele, todo um universo de signos
e símbolos deve ser incorporado.

TEMA 3 – O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL

Uma das preocupações de Vygotsky era entender o desenvolvimento em


relação ao processo de aprendizagem e da linguagem, assim, a aprendizagem no
âmbito escolar ganhou espaço associado ao desenvolvimento cognitivo das
crianças. Para este autor, a criança iniciava seu processo de aprendizagem antes
de ir para a escola, sendo assim, o crescimento da criança e toda sua evolução
desde que ela nasce é um complexo processo de ensino-aprendizagem.
Desse modo, quando a criança inicia sua vida escolar já possui pré-
-conceitos formados, no entanto, em muitos casos, ao iniciar o Ensino
Fundamental I, esses pré-conceitos não são levados em consideração ou o
conhecimento científico não é associado ao conhecimento existente.
O professor decide se avalia seus alunos por suas deficiências e o
conteúdo já apreendido, fazendo um trabalho inicial de retomada de conceitos e

07
associação destes com a realidade vivida, estimando as potencialidades
existentes naqueles alunos. As decisões associadas são valiosas para a
construção do melhor caminho a ser tomado como estratégia no processo de
ensino-aprendizagem.
Avaliar as dificuldades do aluno é importante, mas perceber suas
particularidades e potencialidades é muito mais relevante no contexto
sociointeracionista, pois não há um estudate igual ao outro. Podemos citar as
diferentes as habilidades que existem e que fazem com que cada criança evolua
a seu tempo.
Então, nesse processo de aprendizagem há muitas dificuldades para a
ação docente? Dificuldades estas que envolvem lidar com individualidades e
tempos de resposta diferentes? A resposta será sim se o professor assumir uma
postura de detentor do conhecimento e de único responsável pela aprendizagem
na sala de aula. Por outro lado, é uma oportunidade para criar troca de experiência
entre os alunos.
Por meio de estudos experimentais, Vygotsky percebeu que os conceitos
demoram para se formar, tendo seu início na infância e se completando na
puberdade, quando o jovem passa a construir pensamentos mais complexos
dentro das suas funções intelectuais. Além dos pensamentos complexos também
passam a existir os conceitos potenciais, que servem para que novas formas de
conhecimento sejam apreendidos.
Esses conceitos podem ter origem no período antes do convívio escolar,
mas a maioria deles nós formamos por meio do conteúdo ensinado na escola, em
que estes recebem a denominação de conceito científico, e devem ser
relacionados com a vida cotidiana, ou melhor, com conceitos cotidianos. Ao
realizar esta relação, o conhecimento se torna mais próximo aos alunos.
Na teoria formulada por Vygotsky, a proposta era que os alunos
convivessem em sala de aula composta de crianças mais adiantadas com outras
que precisavam de apoio para desenvolver seus conhecimentos. Esse
envolvimento pode partir tanto de crianças com diferentes faixas etárias como de
crianças da mesma idade, mas com níveis de desenvolvimento variados.
Se numa mesma turma de Ensino Fundamental II em que as crianças
possuem a mesma idade mental, mas que ao receberem a proposta para
solucionar um problema conseguem resolver sozinhas ou utilizam o conhecimento
de colegas próximos e mais experientes, qual seria sua análise?

08
Ao solicitar ajuda a um colega mais velho ou a um adulto, essa criança vai
se aproximar da sua zona de desenvolvimento proximal (ZDP), que é
caracterizada pela distância entre o nível de desenvolvimento real (NDR), ou seja,
aquilo que a criança consegue resolver sozinha, sem auxílio de outras pessoas; e
o nível de desenvolvimento potencial (NDP), em que a criança estabelece troca
com outro aluno.
Para explicar melhor esses dois níveis de desenvolvimento infantil, o real
(NDR) abrange as funções mentais, que é o resultado das habilidades e
conhecimentos adquiridos pela criança, todavida, nessa questão não aborda só
que ela conseguiria produzir, mas sim o que ela viria a fazer com o auxílio de um
colega mais experiente ou de um adulto, podendo ser este o professor ou um
familiar próximo.
"O nível de desenvolvimento real caracteriza o desenvolvimento mental
retrospectivamente, enquanto a zona de desenvolvimento proximal caracteriza o
desenvolvimento mental prospectivamente" (Vygotsky, 2007, p. 97). Essa ideia é
chave para entender o nível de aproveitamento da criança na escola, pois a zona
de desenvolvimento proximal que a criança apresenta hoje é o nível de
desenvolvimento real do futuro, sendo assim, aquilo que a criança executa hoje
com auxílio de alguém, logo o fará sozinha, pois a zona de desenvolvimento
proximal também representa as funções que ainda não estão amadurecidas, e
sabendo que o processo de aprendizagem é um fluxo contínuo de raciocínio, a
todo instante haverá alterações.
Então, com esse conceito percebemos que a integração nos diferentes
níveis de desenvolvimento é essencial para o processo de aprendizagem. Para o
estudante, sendo o aprendizado seu ponto central, o professor tomará como base
o conhecimento real para auxiliar a criança na construção da zona de
desenvolvimento proximal, atividade que pode ser executada por ela, ou orientada
com auxílio de outro aluno.
Como supracitado, a troca de experiências permite que o professor não
seja a única fonte de informação em sala de aula, até porque se pensarmos na
atualidade, esse é um papel que não cabe ao professor, e nem diminui a
importância da presença docente. Aliás, esse é um tópico que muitos docentes já
discutiram: seria possível o professor perder importância em decorrência da
interação entre os colegas de sala e do uso da tecnologia?
O professor atua como mediador, formando equipes mistas de alunos em
diferentes níveis de aprendizagem, na proposta de atividades que desafiem e
09
estimulem aos alunos, pois o menos experiente aprenderá com o que sabe mais
e esse estímulo é orientado pelo professor. Nesse processo, a ideia é que todos
saiam ganhando ao realizar tarefas com assistência, tanto para que passem a
executar sozinhos as tarefas, como para que os mais experientes se aperfeiçoem
nas habilidades.
Sobre as atividades que estimulem a zona de desenvolvimento proximal, o
professor deve adotar variadas estratégias para a turma e para os diferentes tipos
de alunos. Esse cuidado envolve desde dar oportunidades para todos mostrarem
suas competências e habilidades, como para não colocar alunos que avançam
mais lentamente no desenvolvimento da aprendizagem em condição de
inferioridade.
Outra questão que envolve a zona de desenvolvimento proximal é que esta
tem limite, pois há momentos em que a criança precisa trabalhar sozinha. E nesse
ponto, mais uma vez, é papel do professor intervir e planejar atividades que
auxiliem o desenvolvimento individual e coletivo da turma. Por fim, outro cuidado
deve se relacionar com propostas mal aplicadas com desafios impossíveis de se
resolver, com a formação equivocada de grupos homogêneos.

TEMA 4 – A APRENDIZAGEM MEDIADA

Uma das características da criança ao se desenvolver é explorar o mundo


ao seu redor utilizando seus sentidos. O bebê, por exemplo, ao começar a interagir
leva tudo à boca para conhecer melhor, apertando, mordendo, colocando os
dedos, usando seu corpo como uma extensão desse conhecimento do exterior e
tudo isso faz com que ele conheça diferentes texturas, cheiros, sabores, dentre
outros elementos que poderíamos citar.
Num primeiro momento parece que somente a relação direta com os
objetos é capaz de desencadear a aprendizagem, no entanto, se pensarmos em
mais exemplos, vamos perceber que a interação nem sempre ocorre diretamente
com o objeto de conhecimento, e é sim mediada. Dois ótimos exemplos para quem
convive com crianças pequenas são as tomadas elétricas em casa e as gavetas
dos armários: aguçadas pela curiosidade, as crianças tendem a mexer e ao serem
repreendidas e/ou levaram um pequeno choque ou um dedo espremido,
aprendem que não devem mexer e brincar com ou em tais situações.
Assim, a existência de um elemento intermediário faz com que a mediação
ocorra, sendo essa resultante da internalização e transformação das interações e

010
trocas sociais realizadas pelo indivíduo, existindo um elo intermediário que se
coloca entre o ser humano e o mundo a ser descoberto.
A aprendizagem mediada auxilia a construção do conhecimento, e este é
resultante dos processos mentais superiores que englobam a ideia de planejar
ações, conceber consequências para a tomada de decisões, o uso da imaginação,
manipulação de objetos, dentre outros. E esses fatores ocorrem com o uso de
instrumentos e signos linguísticos os quais contribuem com a vivência e atuação
do indivíduo no mundo, sendo este um agente ativo e transformador.
Os elementos mediadores propostos por Vygotsky envolvem os
instrumentos, que ao interferir no processo de conhecimento entre a criança e o
mundo, aumentam as possibilidades de transformações, assim, com uma faca
podemos cortar as frutas, legumes e carnes, com os copos podemos beber
diferentes tipos de bebidas, e assim por diante, até o uso de instrumentos
altamente tecnológicos para executar uma determinada tarefa. Isso não ocorre
em outras espécies animais, alguns até utilizam elementos da natureza para
auxiliar em tarefas, mas nenhum com o grau de transformação e raciocínio
humano.
Além dos instrumentos, outro elemento mediador são os signos, que nada
mais são que a forma, o objeto e a representatividade de algo. Vimos nessa aula
que os signos compõem a linguagem, como exemplo temos a palavra manga, que
significa uma fruta, mas pode ser também a parte de uma roupa. Ao
pronunciarmos as palavras, elas vêm carregadas de signos com os quais
interpretamos nossa vida em sociedade. Por meio dos signos, também, temos a
liberdade em nos referir a objetos, ações e situações em diferentes espaços e
tempos, sendo assim, as relações mentais utilizam desses elementos mediadores
para que o processo de aprendizagem ocorra e possamos aprofundar e expandir
nosso conhecimento.
A aprendizagem mediada também ocorre por meio da experiência, como
ocorre com a ideia de que brincar com fogo queima (nem todo mundo precisa se
queimar para adquirir esse conhecimento), ou o cuidado que temos que ter ao
entrar em piscinas fundas e no mar, pois mesmo que se saiba nadar há o risco de
afogamento. Os exemplos utilizados nos permitem entender que o conhecimento
pode ser adquirido por meio de conversas, conselhos e observação, pois criamos
a representação mental sobre a possibilidade da ação em questão e
internalizamos o conhecimento.

011
Por fim, o caminho da aprendizagem mediada pode ser resumido pela
relação entre os elementos, sejam eles instrumentos e/ou signos, e a ação de
outra pessoa. É nesse sentido que a aprendizagem mediada é tão discutida na
atualidade, pois esta pode fazer com que o professor assuma um destaque
privilegiado no processo de ensino-aprendizagem, como um elo entre o aluno e o
conhecimento disponível.

TEMA 5 – O SOCIOINTERACIONISMO DE VYGOTSKY NA ESCOLA

Vygotsky apresenta um aprofundamento em questões sobre os processos


de aprendizagem. Seus estudos se baseiam na compreensão do homem como
um ser que se forma e se transforma vivendo em sociedade. Outro ponto-chave
desse teórico foi o fato de atribuir ao professor um papel de agente estimulador
do desenvolvimento do aluno.
O desenvolvimento intelectual bem feito não envolve a ideia de uma escola
conteudista, pois o importante era ensinar a pensar, ou melhor, a construir
diferentes formas de raciocínio, com os quais estes alunos seriam capazes de
solucionar problemas, buscar alternativas de resoluções.
A escola com base no sociointeracionismo de Vygotsky tende a oferecer
possibilidades de desenvolvimento mais aprofundadas, sendo este um espaço de
aprendizagem das relações humanas, principalmente associadas ao momento
histórico vivido. Além de também reunir formas de ação organizadas e
sistematizadas para compor um currículo que leve em consideração questões
mais humanizadas, pensando em objetivos, atividades e avaliações diferenciadas
que propiciem ao aluno a criação de uma autoconsciência.
O professor assume o papel de agente mediador do conhecimento,
devendo considerar a reflexão e a compreensão da dimensão do diálogo como
postura necessária em suas aulas, a necessidade em despertar no aluno o sentido
da curiosidade, os desafios cotidianos e a transformação da realidade.
Além disso, o professor deve criar estratégias que despertem no aluno a
independência e o estímulo do seu conhecimento potencial, criando zonas de
desenvolvimento potencial a todo instante, sejam estas por meio de atividades
individuais, em grupos de trabalho desafiadores ou usando técnicas motivadoras
que facilitem o processo de aprendizagem. Nestes grupos, com a orientação do
professor, devem ser criados ambientes de participação ativa, de colaboração e
de constantes trocas.

012
Mas a responsabilidade da construção do conhecimento não deve estar só
nas mãos da escola e dos educadores. Nessa perspectiva, a aprendizagem deve
ser uma atividade conjunta e colaborativa, e os alunos devem assumir
responsabilidades, devem e podem ter espaço nos processos dialogados.
No entanto, o professor é quem irá propor o planejamento de todo o
processo, que dará espaço para as trocas entre os alunos, que proporcionará
atividades diferenciadas e desafiadoras, e que delimitará em quais momentos
determinadas atividades são mais importantes, trazem mais resultados, dentre
outros. Por fim, no processo de ensino com base nessa teoria, o saber deve ser
antecipado pensando no que o aluno não sabe fazer ou não domina por completo,
promovendo dessa maneira saltos de desenvolvimento nos educandos.

FINALIZANDO

Nessa aula abordamos uma importante teoria cognitiva com base em Lev
Vygotsky, teórico que em sua vasta obra se preocupou com o papel da escola no
desenvolvimento mental das crianças, e sem dúvidas faz parte dos estudos atuais
da pedagogia contemporânea.
Para este autor o sujeito que aprende é interativo com os outros e com o
meio que está inserido, por isso, as pessoas devem ser ativas trocando
experiências e ideias. Para ele, a aprendizagem é uma experiência social e
interativa, que pode ser mediada por meio de elementos como instrumentos e
signos, sendo estes essenciais para que a aprendizagem seja efetivada.
Ao falar do conceito de pensamento verbal, vimos que pensamento e
linguagem são indissociáveis. A linguagem pode ser verbal e/ou gestual, fazendo
parte de um sistema simbólico muito maior que propicia a organização do
pensamento, a forma como enxergamos o mundo. Por exemplo, é por meio dos
signos da nossa linguagem que vamos criando nossas interpretações das
relações sociais, e ao aprender outra língua, aprendemos um novo sistema de
signos para que possamos compreender como outra sociedade vive.
Sobre os signos, estes funcionam como o que significa algo para cada
indivíduo, carregados de simbologia, emoção e sentimentos. É por meio dos
signos que a linguagem falada e escrita se transforma em um elo no processo de
aprendizagem.
Para que a aprendizagem ocorra, Vygotsky propôs que a interação social
deve acontecer dentro de um processo, chamado de zona de desenvolvimento

013
proximal (ZDP), que seria a distância entre o que se sabe, sendo este o nível de
desenvolvimento real (NDR), e aquilo que o indivíduo apresenta potencialidade
para aprender, sendo este o nível de desenvolvimento potencial (NDP).
Assim, a aprendizagem ocorre na zona de desenvolvimento proximal, local
em que o que é conhecimento real pode ser feito sozinho e o potencial, aquele
que precisará de ajuda para se executar.
Nesta aula, também falamos sobre a relevância da aprendizagem mediada,
e de como esta auxilia a construção do conhecimento, pois resulta na ampliação
de processos mentais superiores que proporcionam ao educando independência
no planejamento de ações, no discernimento em executar ações, na tomada de
decisões etc. Processos estes que se bem desenvolvidos contribuem para as
relações sociais do indivíduo como agente ativo e transformador.

014
REFERÊNCIAS

BARONE, L. M. C.; MARTINS, L. C. B.; CASTANHO, M. I. S. Psicopedagogia:


teorias da aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.

LAKOMY, A. M. Teorias cognitivas da aprendizagem. Curitiba: InterSaberes,


2014.

NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem: um encontro entre


os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos. Curitiba: InterSaberes,
2015.
PILETTI, N. Aprendizagem: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2013.

REMOR, I. Behaviorismo na educação. Filosofia do cotidiano. Disponível em:


<http://filosofiadocotidiano.org/behaviorismo-na-educacao/>. Acesso em: 6 nov.
2017.

SANTOMAURO, B. Inatismo, empirismo e construtivismo: três ideias sobre a


aprendizagem. Revista Nova Escola. 2010. Disponível em:
<https://novaescola.org.br/conteudo/41/inatismo-empirismo-e-construtivismo-
tres-ideias-sobre-a-aprendizagem>. Acesso em: 3 nov. 2017.

VYGOTSKY, L. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos


psicológicos superiores. 7ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

015
AULA 4

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Texto de abordagem teórica


Leitura para os capítulos dois, três e quatro do livro:
OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-
-histórico. 5. ed. São Paulo: Scipione, 2010. p. 27-82. Disponível em:
<http://aulaaberta.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788526219366/pages/27>.
Acesso em: 9 jan. 2018.

Texto de abordagem prática


DUARTE, N. A Escola de Vygotsky e a educação escolar: algumas hipóteses para uma
leitura pedagógica da psicologia histórico-cultural. Psicologia USP, São Paulo, v. 7, n.1-2,
1996. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771996000100002>.
Acesso em: 9 jan. 2018.

Saiba mais
Vídeo 1
PREFEITURA DE Duque de Caxias. Teorias psicogenéticas: Piaget e Vygotsky. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=XcVQsUENF6A>. Acesso em: 9 jan. 2018.

Vídeo 2
AUGUSTO, O. Lev Vygotsky: breve vida e obra. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=YJla-2t-HRY>. Acesso em: 9 jan. 2018.

01
AULA 5

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Profª Wiviany Mattozo de Araujo


CONVERSA INICIAL

Bem-vindo à aula 5 da disciplina de Teorias da Aprendizagem! Nesta aula


vamos discutir sobre o processo de formação de conceitos para Lev Vygotsky,
com enfoque principal na palavra como instrumento mediador para a construção
do conhecimento. Vamos construir um paralelo entre Lev Vygotsky e Jean Piaget,
pois estes importantes teóricos influenciam muitas das atividades escolares
atuais; nessa relação vamos entender quais são os pontos convergentes entre as
ideias e as diferenças existentes.
No terceiro tema, vamos abordar a teoria da afetividade de Henri Wallon,
buscando entender a afetividade não pelo senso comum, mas como um elemento
essencial para o desenvolvimento humano. Ao propor sua teoria, Wallon divide o
desenvolvimento em cinco estágios e nós iremos analisar as principais
características de cada fase.
Por fim, vamos abordar dois conceitos que nos farão compreender o
pensamento infantil: o conceito de sincretismo e o de emoção nas diferentes fases
da vida.

CONTEXTUALIZANDO

Ao falar sobre a formação de conceitos, o que vem à cabeça? Além dos


conceitos, devemos pensar sobre como as palavras funcionam em nossas vidas,
assim, o que significam as palavras? Como são entendidas? Como se
transformam em elementos mediadores da nossa aprendizagem ao longo da
vida? Como as palavras criam um universo em nossas mentes?
Todos esses questionamentos servem para refletirmos sobre o poder das
palavras. Essa discussão é feita pelo senso comum e por algumas áreas do
conhecimento. Mas devemos contextualizar para o processo de ensino-
-aprendizagem, afinal é por meio da linguagem expressa na maior parte do tempo
em palavras que nos comunicamos.

TEMA 1 – A FORMAÇÃO DE CONCEITOS EM VYGOTSKY

Vygotsky formulou sua teoria tendo por base o desenvolvimento do sujeito


como consequência de um processo histórico-social, dando destaque para o
papel da linguagem, do pensamento e da aprendizagem, e que o conhecimento é
adquirido pela interação do indivíduo com o meio.

02
Sobre o processo de formação de conceitos, estes estão diretamente
relacionados ao pensamento e à linguagem, além das questões culturais que
servem como subsídio para a construção dos significados, do sentido das
palavras, além de se envolverem no processo de internalização do conhecimento.
Para isso, o autor propõe que nossas funções psíquicas superiores são mediadas
pelos processos culturais, e que a forma como aprendemos no ambiente escolar
vai ser diferente do que aprendemos na vida cotidiana.
Nessa concepção, o funcionamento do cérebro é entendido numa base
biológica com limites e possibilidades de desenvolvimento. Por exemplo, a
linguagem e a memória são construídas no convívio social por meio das suas
relações com o mundo e, desse modo, podemos definir estas ações como
conscientes e intencionais que auxiliam na organização da sociedade.
Como vimos na aula anterior, a mediação e a linguagem são essenciais
para entender o processo de aprendizagem proposto por Vygotsky, mas outro
elemento essencial que devemos explorar é a cultura, pois é esta quem fornece
ao indivíduo os sistemas simbólicos necessários para compreensão da realidade.
Isso envolve um universo de significações que nos permitem entender e
interpretar o mundo real, nos dando suporte para construir nossas próprias
relações, histórias e ressignificações de conceitos e informações.
O processo de internalização é essencial para que a informação externa
seja apropriada e assimilada, para isso as funções mentais, como pensamento,
memória, percepção, atenção, dentre outras, sejam ativadas. Por isso, a interação
social e a linguagem são fundamentais para a aprendizagem. E o que
desencadeia o pensamento? Podemos dizer que o pensamento é motivado por
interesse, afeto, desejo, necessidades etc., e que dentro do processo de
aprendizagem podem ser despertados por meio de diferentes instrumentos.
Esses instrumentos podem ser fornecidos pelos hábitos culturais,
lembrando que para esse teórico, o sujeito deve ser ativo e interativo no processo
de aprendizagem, e que os instrumentos são usados como mediação para que o
indivíduo se aproprie do conhecimento e o transforme internamente.
Já que a linguagem possui papel tão relevante no processo da
aprendizagem, é preciso compreender que para nós ela serve como comunicação
e forma nossa estrutura de pensamento generalizada. Portanto, é por meio da
linguagem que nos comunicamos com as outras pessoas de modo simples e estas
experiências nos permitem criar categorias, conceitos, abstrações, dentre outros;

03
assim, ao falar a palavra sapo, a qual conceito somos lembrados? Um animal? Ou
à ideia da transformação de um príncipe?
Desse modo, as palavras podem ser entendidas como signos mediadores,
em que cada palavra fará parte de uma categoria ou classe de objetos, que
representará um determinado signo, em uma representação na classe e desse
conceito. No entanto, os conceitos são construções culturais e nesse processo de
internalização e aprendizagem, muitos atributos são construídos e as categorias
vão sendo ampliadas. Como exemplo, podemos pensar na palavra cadeira. Qual
o significado para a criança ao aprender este conceito? Em quantas categorias
esta palavra se enquadra? Este exercício pode ser feito com outras palavras do
nosso cotidiano e que vão nos mostrar a amplitude das categorias que criamos
com os conceitos das palavras.
Para Vygotsky, o pensamento verbal não nasce conosco e nossos
conceitos são construções das vivências sociais e das internalizações que
ocorrem ao longo da vida. E na proposta de Vygotsky para a formação de
conceitos são utilizados dois estímulos: o objeto da atividade e o papel do signo;
para o desenvolvimento do pensamento conceitual é preciso três fases: o
pensamento sincrético, o pensamento por complexos e o pensamento por
conceitos. Vamos analisá-los a seguir.
O pensamento sincrético é o estágio em que a criança consegue juntar
objetos, mas sem relação concreta, ou seja, os objetos se aproximam por
semelhança que a própria criança estabelece. Já o pensamento por complexos
pode ser definido quando a criança cria ligações concretas por meio das
experiências vividas socialmente, mas ainda sem abstrações efetivas.
A diferença entre o pensamento complexo e um conceito reside na ideia de
que o conceito agrupa elementos e conexões entre os elementos, sem a
necessidade de existir uma ligação direta e concreta. O pensamento por complexo
pode ser associativo (figuras geométricas quadradas), por coleções (animais),
difuso (diferentes formas e cores de figuras geométricas) e pseudo conceito, que
é a ligação entre o pensamento complexo e a formação de conceitos.
A partir do pensamento complexo com a criação da abstração se
estabelece o pensamento por conceitos, que nada mais é do que o
amadurecimento em relação aos signos, pois as palavras servem para diferentes
construções intelectuais e permitem a comunicação social.
A palavra é um signo mediador na formação de conceitos e depois se
tornam símbolos, que são categorizadas culturalmente por meio dos diferentes
04
modos de vida. E desse modo, a palavra nos auxilia na organização das ideias e
pensamentos.
A palavra codifica a experiência, possibilita a transmissão da experiência
de indivíduo a indivíduo e a assimilação dos conceitos. É preciso entender que a
palavra não é somente um estereótipo e possui muitos significados, como
exemplo podemos citar as palavras manga, sonho, braço. A palavra funciona
como um elo que traz uma rede de conexões e significados, que conduz o
pensamento.
Estes conceitos podem ser espontâneos ou científicos. Os espontâneos
são adquiridos na vida cotidiana e a partir das interações imediatas na família e
na comunidade; os conceitos científicos são adquiridos no ambiente escolar, na
universidade, de modo formal com o auxílio de um adulto.

TEMA 2 – A RELAÇÃO ENTRE PIAGET E VYGOTSKY

Estudar Jean Piaget e Lev Vygotsky nos permite compreender a evolução


da ciência, além de entender o processo de aprendizagem. Neste tema vamos
criar paralelos entre os dois teóricos, estabelecer comparações entre suas
principais semelhanças e diferenças, e a aplicação de suas ideias no ambiente
escolar.
Piaget e Vygotsky foram contemporâneos, ambos nasceram no final do
século XIX e desenvolveram seus estudos no século XX, com a diferença que
Vygotsky morreu jovem aos 34 anos e Piaget veio a falecer em 1980. Ambos
realizaram experiências com crianças de diferentes idades para construir suas
teorias.
No processo de aprendizagem, as teorias se baseiam na cognição. Para
Piaget, a palavra-chave para suas ideias é a construção do conhecimento e os
conceitos principais envolvem a assimilação, acomodação, além dos esquemas
mentais, os estados de equilíbrio e o entendimento sobre os estágios de
desenvolvimento em cada fase da vida. Para Vygotsky, a palavra-chave é a
interação social, e os principais conceitos abordados são a mediação simbólica,
com o uso de instrumentos e signos que servem para estimular a zona de
desenvolvimento proximal.
Os dois teóricos discutiram sobre a relação do indivíduo com o mundo e
como essa influência é relevante para o processo de aprendizagem. Piaget usava
o termo adaptação para expressar a importância do conhecimento prévio, e como

05
este não poderia ser deixado de lado, pois a todo instante estamos aprendendo e
evoluindo com essas novas informações que são adquiridas. Vygotsky reforçava
a ideia de que a aprendizagem é fruto do processo de socialização do indivíduo
com o mundo, e que o conhecimento é adquirido de partes para o todo.
Nessa questão, o papel dos fatores internos e externos ao desenvolvimento
é visto de modo diferente nas duas teorias. Para Piaget, este é um processo de
maturação biológica e na construção do entendimento do que é real, o
conhecimento parte do individual para o social, sendo um movimento espontâneo,
ou seja, a criança o elabora espontaneamente de acordo com seu estágio de
desenvolvimento.
Em relação aos fatores internos e externos que influenciam no
desenvolvimento, Vygotsky privilegia o ambiente social como fator preponderante
ao processo de aprendizagem e, na construção do real, parte da ideia de que é
do social para o individual que o conhecimento acontece, a partir das relações
interpessoais num primeiro momento e, na sequência, da internalização da
informação. Assim, os elementos culturais ganham destaque no processo, bem
como o contexto e o modo de vida do indivíduo.
Quando os autores discutem sobre o papel da linguagem no
desenvolvimento e a relação entre liguagem e pensamento, há diferenças: na
teoria piagetiana, o pensamento aparece antes da linguagem e, em Vygotsky,
esse é um processo simultâneo, em que pensamento e linguagem aparecem
juntos. Também no papel da aprendizagem, Vygotsky propõe que esta ocorre
antes do desenvolvimento, enquanto para Piaget esse é um movimento contrário,
em que primeiro há o desenvolvimento e, na sequência, a aprendizagem.
Outras diferenças encontradas são que, para Piaget, as ajudas externas
não eram aceitas para mensurar a evolução mental do indivíduo, pois isso poderia
influenciar no resultado, já Vygotsky as aceitava e considerava as interferências
externas essenciais para o processo evolutivo do sujeito.
O papel do professor e da escola é muito discutido para ambos. O processo
piagetiano envolvia a ideia de que desequilibrar os esquemas mentais dos alunos
a partir do conhecimento prévio traria muito resultado no processo de
aprendizagem, já para Vygotsky a proposta compreendia a ideia de intervir na
zona de desenvolvimento proximal, sendo que isto influenciaria na distância entre
o que o aluno sabe, domina e o que ele pode fazer com o auxílio de um mediador.
E se falamos do papel do professor e da escola, qual seria o perfil dos
alunos para estes teóricos? E este é um ponto de convergência entre Piaget e
06
Vygotsky! Para ambos, os alunos devem ser participantes ativos no processo de
construção do conhecimento, sendo coautores responsáveis pelo seu
aprendizado, sendo questionadores. Estratégias como leitura pela associação de
imagens, dedução de conceitos por meio da lógica sem exercícios de fixação,
aprendizado de regras por meio de leitura e entendimento do mundo real eram
fundamentais. Por fim, os erros devem ser respeitados como um processo de
crescimento e elaboração do conhecimento.

TEMA 3 – HENRI WALLON E A TEORIA DA AFETIVIDADE

Falar em afetividade no processo de aprendizagem é uma das questões


mais relevantes na atualidade. O educador Henri Wallon (1879-1962) se
aprofundou nessa questão estudando a criança e “construiu sua teoria baseando-
-se em um enfoque interacionista, em que os aspectos do desenvolvimento
surgem na interação de predisposições genéticas com a variedade dos fatores
ambientais” (Nogueira, 2015, p. 175). Sendo essenciais, assim, a relação entre a
vida cotidiana e as questões específicas determinada pela sociedade e cultura em
que o sujeito está inserido.
Para este autor, é preciso compreender o indivíduo em sua totalidade, seu
processo de aprendizagem – que envolve instrumentos que auxiliam na
construção do conhecimento, da atividade motora e principalmente, da
afetividade. Ao longo da sua vida, Wallon participou das duas grandes guerras
mundiais, como médico na primeira e como resistência ao nazismo na segunda.
Esses, dentre outros fatos de sua trajetória, marcam a forma de construção de
sua teoria, como a influência humanista recebida da família e de suas posições e
escolhas políticas.
Muitos exemplos podem ser usados para ilustrar as ideias de Wallon, um
deles é quando o adulto cuidador incentiva o bebê a andar, sejam os pais, avós,
tios. Imagine a seguinte situação, o adulto começa a estimular a criança colocando
objetos no caminho que sirvam como apoio e ao mesmo tempo, ao perceber que
a criança começa a se equilibrar sozinha, expressa em gestos a vontade de
recebê-la e qual é a reação da criança? É a tentativa de caminhar em sua direção.
Esse exemplo mostra como um estímulo é usado para que a criança amplie
seu conhecimento, no caso aprender a andar, podendo até apresentar
dificuldades iniciais que, com o incentivo, são superadas, resultando no
desenvolvimento mais rápido da criança. Pensando nesse exemplo, todos nós

07
somos afetados por elementos externos a nós, seja por outras pessoas, por
objetos que temos contato e/ou informações que recebemos do ambiente em que
estamos inseridos; além das influências internas que se relacionam com nossos
sentimentos, como alegria, medos, expectativas e que nos fazem reagir.
Essas questões supracitadas fazem parte da condição humana de vida
afetiva e são essenciais para nosso desenvolvimento. Assim, a teoria de Wallon
traz importantes contribuições, mas é preciso cuidar “para não cairmos em uma
visão reducionista, que fragmenta a pessoa” (Nogueira, 2015, p. 181), e nem para
não associar o conceito à ideia de amor e carinho somente. Lembrando que o
indivíduo recebe influências e estímulos afetivos a todo instante, podendo estes
ser positivos ou negativos.
A teoria walloniana propõe dois fatores, são estes orgânicos e sociais, e
que juntos compõem as condições de desenvolvimento das diferentes fases da
vida. Assim, ao estudar sobre a criança, a inteligência não deve ser o fator
fundamental para o desenvolvimento, mas sim que três áreas conjuntas atuem de
forma associada, são elas as áreas motora, afetiva e cognitiva.
Desse modo, a depender do estágio de desenvolvimento, a criança pode
não ter plena consciência, mas o estímulo recebido associado ao aprendizado
alcançado não regride. Assim, quando um bebê é presenteado com um jogo de
formas geométricas para montar, toda vez que recebe um estímulo e acerta,
aprende qual é o caminho, mas ao contrário, se ao errar receber uma repressão
oral ou gestual, como uma bronca, isso poderia fazer com que a aprendizagem se
torne mais lenta e até mesmo problemática.
Então, se o desenvolvimento depende da capacidade biológica do indivíduo
e do meio em que este se insere, todo seu processo de aprendizagem dependerá
dos estímulos recebidos. Uma criança em perfeitas condições só vai aprender a
jogar se neste ambiente houver pessoas que estabeleçam essa troca, ou vai
aprender a falar e a reproduzir falas dos adultos se estiver num meio que desperte
isso. Nesse sentido, há o processo imitativo da criança, no qual esta reproduz
desde os movimentos gestuais, como a fala dos adultos com quem convive, e
suas potencialidades serão desenvolvidas a depender destas relações.
Assim a infância pode ser considerada um momento diferenciado de
crescimento e amadurecimento, em que serão desenvolvidas características
próprias a cada pessoa e de sua personalidade, e que serão bases fundamentais
e constituintes desse sujeito quando adulto. Por isso, é preciso refletir sobre o

08
tratamento dado às crianças e não compará-las aos comportamentos adultos, pois
a criança tem sua própria maneira de interpretar o mundo em que se insere.
Portanto, o autor observa que o comportamento da criança é uma evolução
e com o passar da idade suas funções se tornam mais complexas e capazes de
novas aprendizagens em conexão com o conhecimento já adquirido. Para
entender os estágios, é preciso descrever os conjuntos básicos que sustentam
essa teoria, que são os conjuntos: motor, afetivo e cognitivo.
No conjunto motor temos as funções pelos movimentos do corpo,
essenciais pela questão do equilíbrio e do deslocamento têmporo-espacial, sendo
estes necessários para que a aprendizagem ocorra! É preciso movimentar o corpo
no processo de aprendizagem, mas um engano pode ocorrer aqui: ao falar desse
movimento não é somente fazer esportes ou deslocar o corpo rapidamento pelo
tempo e espaço, de fato, envolve todas nossas ações, pois ao ler um livro ou fazer
uma atividade concentrada estamos usando nosso conjunto motor.
Ainda sobre a motricidade, a imitação não ocorre na hora da observação,
vale lembrar que a reprodução dos movimentos a serem imitados podem levar
dias ou semanas para acontecer (Nogueira, 2015, p. 187).
No conjunto afetivo temos as funções relacionadas à emoção e aos
sentimentos: “as emoções consistem essencialmente em sistemas de atitudes
que respondem a uma determinada espécie de situação” (Wallon, 2005, p. 140
citado por Nogueira, 2015, p. 189). Assim, nossas emoções são responsáveis por
parte do nosso processo de aprendizagem e interferem diretamente no nosso
bem-estar e comportamento.
Saber lidar com as emoções e os sentimentos é necessário, pois cada fase
tem uma forma de passar por esses conflitos, por exemplo, ao nascer, a criança
é totalmente dependente e se entende como uma extensão do corpo da mãe. No
entanto, com o passar dos anos essa noção vai aumentando e a criança passa a
experimentar vários tipos de sentimentos, como ciúmes, empatia, egoísmo, dentre
outros, e desse modo se estabelecem os valores morais que são aprendidos na
vida familiar e em sociedade.
No conjunto cognitivo temos as funções relacionadas à aquisição e
transformação do conhecimento, pocesso esse que envolve nossa memória,
linguagem, atenção, aprendizagem etc., além do desenvolvimento, que é a
resposta da união entre os fatores biológicos e sociais. Em resumo, Wallon propõe
que o desenvolvimento da cognição se dá desde o nascimento e que nossas
funções intelectuais se aprimoram ao longo da vida.
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O autor divide o entendimento sobre os estágios de desenvolvimento em
cinco partes em que a afetividade e a inteligência vão se alternar. São estas: o
estágio impulsivo-emocional, sensório-motor e projetivo sendo o segundo,
personalismo, categorial e puberdade e adolescência. Veremos sobre estas fases
no próximo tema.
Por fim, no início da vida a afetividade é usada para a interação com as
pessoas e para expressar os sentimentos, depois a criança começa a andar e a
manipular os objetos, e assim por diante. Essas mudanças mostram como
evoluímos e vamos aumentando nossas funções ao longo do tempo.

TEMA 4 – OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO

Como citamos, para Wallon existem estágios de desenvolvimento


marcados pela relação entre a maturação orgânica do indivíduo com as condições
ambientais. Para isso, cada fase é composta por características próprias, ritmo
descontínuo marcado por rupturas que mudam o perfil do indivíduo a cada etapa
da vida. As rupturas são necessárias e associadas com a maturidade alcançada
em cada fase, sendo o desenvolvimento um ato progressivo. Para entender
melhor sobre os estágios de desenvolvimento propostos por Wallon, vamos
explorar as características principais de cada fase.
No estágio denominado de impulsivo-emocional, que vai do nascimento até
o primeiro ano de idade, a criança demonstra sua afetividade por meio dos
movimentos involuntários e descoordenados, reage ao contato corporal pela
sensibilidade dos músculos e dos órgãos. Nessa fase, a criança é totalmente
dependente do meio externo e é incapaz de resolver seus problemas sozinha, ou
seja, é preciso que um adulto esteja sempre próximo, seja a mãe ou um cuidador.
Num primeiro momento, que representa o impulsivo, a criança responde às
necessidades do organismo. Após os três meses de idade, a criança inicia o
desenvolvimento da comunicação por meio das relações emocionais, das trocas
estabelecidas com quem está mais próximo e principalmente por atividades que
desenvolvem a compreensão do corpo, atividades circulares em que a repetição
leva ao conhecimento de objetos e ações. Nessa fase é relevante que a criança
seja acariciada, carregada e embalada para o seu bom desenvolvimento.
A ruptura para o estágio sensório-motor e projetivo, que vai de um a três
anos de idade, ocorre com a criança falando e andando (mesmo com dificuldade),
e esta começa a ter curiosidade pelo mundo exterior. Por isso, quando a criança

010
começa a andar se inicia a fase em que ela quer ir para todos os lados, explorar
todos os ambientes, estabelecendo uma interação constante com os objetos, além
de se tornarem curiosas para aprender nomes, como funcionam as coisas, e
porque estão naquele local e condição, sendo a linguagem fator essencial para a
aprendizagem.
No terceiro estágio, denominado de personalismo, que vai dos três aos seis
anos, a criança passa a entender a diferença entre ela, outras crianças e os
adultos e é nessa fase também que ocorre a construção da personalidade e um
aprofundamento da consciência corporal. Num primeiro momento a criança
aprende a confrontar para se afirmar e a demonstrar um forte sentimento de
posse; depois vem a sedução e uma forte necessidade em ser admirada,
aprendendo a lidar com os sentimentos de sucesso e fracasso; e finalmente, a
imitação, quando ela não se satisfaz mais com suas próprias qualidades e busca
no outro o modelo do que ela gostaria de ser, além de criar uma vida secreta e
dissimular sentimentos quando necessário.
O próximo estágio é o categorial, que vai dos seis aos onze anos de idade,
e se caracteriza pela criança continuar seu desenvolvimento afetivo, motor e
cognitivo, em que suas atividades estão voltadas para as atividades intelectuais.
A criança aprende a se entender como pessoa em diferentes grupos, como na
família, nos grupos sociais, na escola, e que em cada local haverá um papel a ser
exercido, seja como filho, aluno, colega de classe, dentre outros.
No quinto estágio, chamado de puberdade e adolescência, que ocorre
aproximadamente aos onze ou doze anos de idade, a característica predominante
é de ruptura entre a criança e o adulto, crise que afeta as dimensões afetiva,
cognitiva e motora. A ruptura se dá pela necessidade do jovem em se apropriar
do corpo e das ideias em transformação, pois toda essa mudança exigirá uma
nova compreensão de quem ele é para construir seu lugar na sociedade, sua
identidade autônoma, sua autoafirmação e seus questionamentos.
Nessa fase é natural que os adolescentes deem mais importância aos seus
pares do que a outros adultos para suas afirmações perante as perguntas: Quem
sou eu? Quais são meus valores? E quem quero ser no futuro? Toda essa relação
conflituosa é necessária para que a criança dê vez ao adolescente questionador,
para que seus valores morais sejam estabelecidos e auxiliem o convívio em
sociedade.
Por fim, os estágios são marcações temporais que expressam o
desenvolvimento do sujeito, sendo que a afetividade se torna uma facilitadora do
011
processo de ensino-aprendizagem. E é relevante pensar que, mesmo quando
adultos, a afetividade exerce importante papel nas nossas relações,
possibilidades, limitações, motivações, dentre outros, a diferença essencial deve
residir na ideia de que o adulto consegue, em teoria, estabecer a ideia concreta
de quem é como pessoa inserida num contexto social, com seus valores, suas
decisões e escolhas.

TEMA 5 – OS CONCEITOS DE EMOÇÃO E SINCRETISMO

Neste tema vamos discutir dois conceitos utilizados por Henri Wallon, a
emoção e o sincretismo. Primeiro abordaremos a emoção, pois a afetividade é
expressa pela emoção, e esta pode ser resumida como a primeira expressão da
afetividade, sendo uma ação orgânica do corpo, não controlada pela razão,
expressa pela tensão muscular, alteração dos batimentos cardíacos e até mesmo
da respiração.
Como exemplo, temos desde um bebê que tem suas emoções ativadas por
estímulos viscerais e pelo toque da pele, ou seja, chora porque sente dor ou fome,
sorri quando recebe um carinho que desperta boas sensações. Ou uma situação
de perigo, no caso, uma pessoa adulta sofre uma violência na rua e age de acordo
com suas emoções (pode sair correndo, gritar, tudo sem pensar muito nas
consequências do ato).
Não há dúvidas de que a emoção é a forma mais significativa da
afetividade, pois as emoções servem como indicadores para nossa vida em
sociedade, seja por expressões de euforia, felicidade, ou de cansaço e
desmotivação. Essa situação é válida para vários segmentos da vida cotidiana,
seja no emprego, nas relações amorosas e para os docentes, na sala de aula,
assim, compreenderem o que motiva e o que cansa os alunos facilitando no
controle e planejamento das atividades e das relações diárias.
As emoções podem ser definidas como um complexo composto de
atitudes, sendo expressas pelo tensionamento das relações e da intenção
empregada na situação, pois cada atitude pode ser relacionada com uma ou mais
situações do cotidiano. É ela a responsável em dar rapidez às respostas do
organismo, com determinados padrões em que são liberados maior ou menor
intensidade nessas emoções, sendo um instrumento de sociabilização entre os
sujeitos.

012
Podemos dizer então que a emoção propicia relações entre os indivíduos,
seja por meio do amor, amizade, raiva, dentre outras circunstâncias exteriores.
Um exemplo que podemos aplicar é quando uma criança faz birra; essa atitude é
um momento de crise para a criança, em que suas emoções estão afloradas e em
conflito; a reação do adulto quando não compreende a situação da criança e perde
o controle é um erro, não há como conversar com a criança no meio do conflito, é
preciso esperar para conversar depois sobre o acontecido, pois a criança não age
com intencionalidade, ela apenas ainda não sabe lidar com todas as emoções que
sente.
Nessa questão, entramos no conceito de sincretismo, que nada mais é do
que o jeito de pensar das crianças, que parece ser sem lógica para os adultos. O
conceito representa o processo de reunir ideias para explicar as coisas,
misturando sem um limite distinto a realidade e a fantasia, enxergando o mundo
de modo único e generalizado.
Por exemplo, ao nascer temos uma percepção grosseira do nosso entorno
e aos poucos, adquirindo informações e conhecimento, essa percepção vai
melhorando até desenvolvermos o pensamento em categorias, em que a criança
passa a ser capaz de explicar os objetos e elementos. A criança evolui seu
pensamento sincrético por meio de suas capacidades cognitivas e pelos estímulos
que recebe do meio; também o pensamento infantil é feito em pares
complementares, ou seja, a criança relaciona objetos para poder explicá-los.
E é assim que surgem as famosas mirabolantes explicações infantis!

FINALIZANDO

Nessa aula abordamos conteúdos relacionados a três grandes teóricos da


pedagogia. No primeiro tema discutimos o processo de formação de conceitos e
de como estes estão diretamente ligados ao pensamento e à linguagem, bem
como se relacionam com as questões culturais que servem como base para a
construção dos significados, do sentido das palavras.
Vimos também que Vygotsky propõe que as funções psicológicas
superiores são mediadas pelos processos culturais, e que a forma como
aprendemos no ambiente escolar vai ser diferente do que aprendemos na vida
cotidiana. Outro ponto a ser lembrado é sobre como a palavra funciona como um
signo mediador na formação de conceitos, tornando-se símbolos, e que podem

013
ser categorizadas culturalmente, auxiliando na organização das ideias e
pensamentos.
No segundo tema construímos uma relação entre as teorias de Piaget e
Vygotsky, uma vez que ambos teóricos se baseiam nos processos cognitivos para
suas ideias. Uma diferença discutida é que para Piaget a palavra-chave é a
construção do conhecimento e os conceitos principais envolvem a assimilação,
acomodação, além dos esquemas mentais, os estados de equilíbrio e o
entendimento sobre os estágios de desenvolvimento em cada fase da vida. Já
para Vygotsky, a palavra-chave é a interação social, e os principais conceitos
abordados são a mediação simbólica, com o uso de intrumentos e signos que
servem para estimular a zona de desenvolvimento proximal.
No terceiro tema abordamos as ideias de Henri Wallon, importante
educador francês que propõe que é preciso compreender o indivíduo em sua
totalidade, e que seu processo de aprendizagem envolve instrumentos para a
construção do conhecimento, além da atividade motora e da afetividade.
Wallon divide o desenvolvimento humano em estágios em que a afetividade
e a inteligência vão se alternar. São estes: o estágio impulsivo-emocional,
sensório-motor e projetivo, personalismo, categorial e puberdade e adolescência.
Por fim, vimos que o conceito de emoção e sincretismo são relevantes para
entender a aprendizagem, pois o pensamento sincrético nos acompanha durante
a infância e as emoções farão parte de nossas vidas em sociedade.

014
REFERÊNCIAS

BARONE, L. M. C.; MARTINS, L. C. B.; CASTANHO, M. I. S. Psicopedagogia:


teorias da aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.

LAKOMY, A. M. Teorias cognitivas da aprendizagem. Curitiba: InterSaberes,


2014.

NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem: um encontro entre


os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos. Curitiba: InterSaberes,
2015.
PILETTI, N. Aprendizagem: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2013.

REMOR, I. Behaviorismo na educação. Filosofia do cotidiano. Disponível em:


<http://filosofiadocotidiano.org/behaviorismo-na-educacao/>. Acesso em: 6 nov.
2017.

SANTOMAURO, B. Inatismo, empirismo e construtivismo: três ideias sobre a


aprendizagem. Revista Nova Escola. 2010. Disponível em:
<https://novaescola.org.br/conteudo/41/inatismo-empirismo-e-construtivismo-
tres-ideias-sobre-a-aprendizagem>. Acesso em: 3 nov. 2017.

VYGOTSKY, L. A formaçao social da mente: o desenvolvimento dos processos


psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

015
AULA 5

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Texto de abordagem teórica


Leitura do capítulo 1 da parte II do livro:
LEITE, S. A. da S. (Org.). Afetividade e práticas pedagógicas. 2. ed. 1ª reimpr. São Paulo:
Casa do Psicólogo, 2011. p. 15-46. Disponível em:
<http://aulaaberta.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788573964493/pages/16>.
Acesso em: 9 jan. 2018.

Texto de abordagem prática


FERREIRA, A. L.; ACIOLY-RÉGNIER, N. M. Contribuições de Henri Wallon à relação
cognição e afetividade na educação. Educar, Curitiba, n. 36, p. 21-38, 2010. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/er/n36/a03n36.pdf>. Acesso em: 9 jan. 2018.

Saiba mais
Vídeo 1
CONCURSO Professor. Henri Wallon. (Coleção Grandes Educadores). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=BgLiZLAa4hA>. Acesso em: 9 jan. 2018.

Vídeo 2
CARDOSO, D. Estágios de desenvolvimento Wallon. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=CeDVt98BJcw>. Acesso em: 9 jan. 2018.

01
AULA 6

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Profª Wiviany Mattozo de Araujo


CONVERSA INICIAL

Bem-vindo à aula 6 da disciplina de Teorias da Aprendizagem! Nesta aula,


vamos discutir diferentes autores visando ampliar nosso conhecimento sobre os
processos de ensino-aprendizagem. É preciso pensar no ambiente escolar e em
todo processo educativo como um local de práticas que proporcionem uma
formação integral.
No primeiro tema, vamos discutir as contribuições de Henri Wallon para o
ambiente escolar, levando em consideração a ação do professor, do aluno e da
atuação pedagógica. No segundo tema, abordaremos as ideias de David Ausubel
e a aprendizagem significativa, em que definiremos a forma como esse processo
ocorre e quais são as estruturas de conhecimento necessárias para que exista
essa significação. No terceiro tema, falaremos sobre a teoria de Carl Rogers,
importante autor que propõe a aprendizagem centrada no indivíduo, em que
barreiras devem ser transpostas para que relações interpessoais auxiliem no
processo.
No quarto tema, vamos entender um pouco mais sobre a teoria das
inteligências múltiplas de Howard Gardner, teoria esta que conhecemos por
discutir diferentes tipos de inteligências, as quais são aplicadas, pelo menos em
partes, na escola atual. No quinto e último tema vamos discutir a importância da
reflexão sobre teorias da aprendizagem e como estas podem compor práticas
pedagógicas mais eficientes e voltadas para o aluno.
Por fim, na última aula do módulo, espera-se que o desempenho seja
produtivo e que possamos melhorar sempre mais, tanto nas práticas pedagógicas
como na vida.

CONTEXTUALIZANDO

Ao falar sobre o processo de aprendizagem na atualidade, muitos


questionamentos surgem, por exemplo: Qual é o papel do professor? Quais as
responsabilidades dos alunos e da família? Como a equipe pedagógica pode
auxiliar de modo mais adequado? Como a gestão e o planejamento devem ser
feitos?
Todas essas questões suscitadas e tantas outras que poderíamos listar
fazem parte das discussões sobre teorias da aprendizagem. Há inúmeras teorias

02
formuladas e que podem ser aplicadas nas práticas pedagógicas para auxiliar e
melhorar a relação entre professor-aluno, aluno-aluno e de todos os envolvidos.
Todas as teorias apresentam suas particularidades, de modo que é preciso
conhecer cada uma delas para compreender as fases do desenvolvimento, os
conceitos de maturidade, significação e tantos outros elementos. Há escolas que
colocam em prática um tipo de teoria, outras deixam livre para que o professor
escolha. Independentemente de onde e em que contexto nos inserimos,
professores, gestores, pais, é necessário conhecer diferentes formas de entender
o processo de ensino-aprendizagem para que as práticas ganhem maior fluidez e
cosciência.

TEMA 1 – HENRI WALLON E O AMBIENTE ESCOLAR

Pensar no ambiente escolar como um local que proporcione uma formação


integral na atualidade é normal, mas, há décadas, as ideias de Henri Wallon
(1879-1962) foram inovadoras. Este teórico da aprendizagem dizia que o
desenvolvimento intelectual e cognitivo envolvia muito mais do que o cérebro, e
isso desconstruiu a ideia de que somente a memória era necessária à construção
do conhecimento.
Wallon é o responsável por trazer a emoção como um fator importante para
o processo de ensino-aprendizagem, pois suas ideias se baseiam em elementos
interligados, que são a afetividade, a inteligência, o movimento e a formação do
eu como consciência individual.
Como vimos na aula anterior, considerar as emoções é essencial para
compreender o desenvolvimento de uma pessoa, sendo por meio delas que, na
escola, o aluno exterioriza suas vontades, suas ideias, seus desejos. Além disso,
as manifestações emocionais tendem a expressar um universo importante das
relações humanas, no entanto, em modelos tradicionais pedagógicos, essas
questões não são consideradas.
Desse modo, a afetividade recebe destaque, pois a emoção é orgânica,
altera a respiração, os batimentos cardíacos e até mesmo nossas expressões e
tônus muscular. Assim, as transformações do corpo e da mente da criança, em
seu sistema neurovegetativo, demonstram elementos importantes da
personalidade e do caráter do indivíduo.
Sentimentos como alegria, tristeza, raiva, euforia, medo, entre outros, são
necessários para que o sujeito estabeleça relação com o meio. Ao pensarmos nas

03
nossas vidas e nossas relações, podemos perceber que a emoção causa impacto
e se espalha no meio em que estamos inseridos, ou seja, podemos dizer que a
afetividade é essencial para o desenvolvimento do homem em sociedade.
A escola, para Wallon, é a instituição que tem por finalidade prover
atividades para desenvolver na criança o caráter afetivo, social e intelectual, é a
ideia de humanizar a inteligência considerando o indivíduo em sua totalidade, bem
diferente do que é proposto pelos métodos tradicionais de ensino, que só
priorizam a resposta pelo desempenho na sala de aula.
Os métodos pedagógicos devem levar em conta a formação de seres
afetivos, intelectuais e pensantes, portanto, os elementos que envolvam a
afetividade, as emoções, o movimento corporal e o espaço físico se encontram na
mesma condição. A prática pedagógica precisa ser pautada nas necessidades
das crianças como um todo e promover o seu desenvolvimento em cada um dos
seguintes aspectos: afetivo, cognitivo e motor.
Tanto a prática pedagógica como os objetos devem ser organizados e
planejados com variedade para que despertem o interesse nos alunos. Como
exemplo, podemos usar a proposta de uma sala de leitura para o Ensino
Fundamental 1, em que a criança deve ter a liberdade e escolher se quer ficar
sentada na cadeira, num pufe, deitada, ou até fazendo mímicas ao apresentar ou
ouvir uma história. Além disso, os temas devem extrapolar os conteúdos
programáticos para auxiliar no processo de descoberta do mundo e do sujeito
inserido nele.
O professor deve estabelecer relações afetivas com os alunos para que o
processo de ensino e aprendizagem seja facilitado, assim, ele deixa de ser o
agente exclusivo de informação e formação das crianças, uma vez que essa
interação também assume um papel fundamental no desenvolvimento e na
aprendizagem de cada uma delas.
É também papel do professor mediar as interações das crianças entre si e
delas com os objetos de conhecimento, despertando o desenvolvimento das
potencialidades existentes, pois o docente deve entender que todo aluno tem
potencial para desenvolver suas inteligências, desde, é claro, que seja estimulado.
Os estímulos motores devem ser usados no trabalho pedagógico
priorizando a qualidade, a representação do movimento e o resultado que
despertará no sujeito, levando em consideração que as emoções se manifestam
por meio da organização dos espaços de desenvolvimento.

04
Sobre essas relações que a teoria walloniana propõe, podemos pensar nas
seguintes questões: Por que o ambiente escolar, no que concerne ao espaço, não
pode ser diferente? Por que a sala de aula não pode ter outra disposição para que
exista maior possibilidade de movimento para as crianças e para o professor em
interação com elas? Entre os recursos pedagógicos disponíveis, eles são variados
para que despertem na criança a ludicidade? Será que há variação adequada de
atividades que propiciem a aprendizagem da criança levando em conta sua
totalidade como sujeito?
Com base nessa teoria, é possível repensar o processo de ensino-
aprendizagem da atualidade. No geral, as escolas atuais não conseguem
estabelecer uma fluidez de movimento para seus alunos, seja pela rigidez na
divisão das disciplinas e horários, seja pela disposição das carteiras em sala, ou
pelo uso dos mesmos recursos didáticos diários e, até mesmo, pela falta de
orientação nas discussões que envolvem temas delicados.
Aplicar essa teoria é difícil para escolas, professores, equipe pedagógica e
até mesmo para os pais, pois aplicar ideias mais humanizadas em uma sociedade
de trocas constantes, de velocidade de informações, de competições em
diferentes setores da vida, torna-se um desafio para todos os envolvidos. Seria
preciso que as emoções, em diversos sentidos, fossem trabalhadas e valorizadas
desde o ambiente familiar até chegar no ambiente escolar.
A dicotomia sujeito e relações sociais deve ser superada nas atividades,
pois o sujeito está inserido em todas as relações sociais. Assim, a interação social
e o contato constante com o outro auxilia no processo de formação do indivíduo.
Portanto, a educação precisa integrar tais dimensões aos seus objetivos, às suas
práticas, visando a construção de um sujeito mais humanizado e socialmente
integrado ao meio em que vive.
A atividade para o indivíduo no processo de ensino-aprendizagem deve
valorizar as ideias, a espontaneidade, bem como priorizar as discussões
metodológicas.

TEMA 2 – DAVID AUSUBEL E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

David Ausubel (1918-2008) foi um importante pesquisador norte-americano


que se preocupava com o processo de ensino-aprendizagem e buscava uma
teoria que pudesse auxiliar professores em suas práticas pedagógicas na sala de

05
aula. Esse teórico ganhou destaque na educação brasileira com a busca por uma
eficiência maior em entender e evitar a repetência na educação básica.
A teoria de Ausubel foi resultado de sua insatisfação com a educação
recebida durante a vida escolar, fato esse que o motivou a buscar novas formas
de compreender o processo de aprendizagem, de modo que suas ideias se
baseiam na teoria cognitiva para explicar a aprendizagem, mesmo levando em
consideração a importância das experiências afetivas.

A teoria da aprendizagem significativa é a ideia principal e pode ser


definida como um processo onde a informação se relaciona a estruturas
do conhecimento já existente no indivíduo, assim, seria a criação de
conhecimentos que se relacionam com o conhecimento prévio que o
sujeito tem. Podemos dizer que essa teoria mudou a forma de enxergar
o ensino, fora do quadrado estímulo-resposta e reforço e/ou punição,
mas sim sugeria a aprendizagem significativa que gerariam mudanças
conceituais e se enquadraria nos ideais construtivistas (Bruini, 2017).
Os novos conhecimentos adquiridos se conectam com o conhecimento pré-
existente que o aluno já possui, mas como isso funciona? Ausubel denominou de
“subsunçor” o conhecimento prévio, que pode ser definido como as estruturas de
conhecimento usadas com frequência, em maior ou menor escala, para que
ocorra a aprendizagem significativa, associado ao subsunçor, ou seja, ao
conhecimento prévio.
Desse modo, podemos dizer que a aprendizagem significativa só acontece
quando um novo conhecimento se associa a um conceito já existente na cognição
do sujeito. Os subsunçores são consideradas estruturas hierárquicas e
representam as experiências sensoriais, de modo que a aprendizagem
significativa é decorrente da quantidade e das modificações desses subsunçores.
Em resumo, a partir do conhecimento já existente, novas conexões se
formam e se ampliam, formando novos conceitos e transformando o
conhecimento, dando significado ao que se está aprendendo. Pensando nessa
lógica, para que novas informações se estabeleçam como aprendizagem, é
preciso que elas se conectem e se associem aos conceitos já existentes, e estas
conexões nada mais são do que trazer (ou levar) para a realidade do aluno o que
se está abordando, criando mecanismos de associação.
Nesse sentido, para que ocorra a aprendizagem significativa, o processo
de ensino-aprendizagem deve buscar estruturas já existentes, como se
consultasse um banco de informações. Ou seja, as novas informações devem
fazer sentido para os alunos, pois a aprendizagem utiliza ferramentas como a
descoberta, a percepção e a recepção para acontecer. Aqui, ressaltamos a

06
importância de o professor planejar suas atividades e variar os recursos didáticos
aplicados.
Em relação à hierarquia das estruturas cognitivas, Ausubel propõe que os
“conceitos e proposições mais inclusivos estão no topo da hierarquia e abrangem
conceitos e proposições menos inclusivos, com menor poder de generalização”
(Ronca, 1980, apud Nogueira, 2015, p. 214). E aqui, é possível usar a ideia do
conhecimento em forma de pirâmide, em que a base geralmente tem o conceito
mais abrangente, atribuindo significância até chegar aos conceitos abstratos.
E qual é o desafio em relação a essa metodologia? O professor precisa
determinar quais são os conceitos mais abrangentes que envolvem uma temática
para desenvolver a disciplina e incluir o que é mais específico, facilitando o
processo de aprendizagem do aluno, pois, com o uso de conceitos adequados, a
aprendizagem se torna significativa, com a assimilação de informações.
O processo supracitado é o caminho mais comum que as crianças utilizam
para aprender, assim, a formação de conceitos ou de um conjunto de conceitos
envolvendo generalizações que facilitam a aprendizagem significativa. A
assimilação ocorre por meio da integração das novas informações aos conceitos
pré-existentes, função dos subsunçores.
Seguindo essa ideia, é papel do professor recorrer a recursos que
introduzam temas e facilitem a aprendizagem, ou seja, o planejamento dos
conteúdos deve abordar toda a matriz curricular, utilizando-se de organizadores
que estabeleçam pontes entre o que o aluno já sabe e o conteúdo a ser abordado,
tornando a aprendizagem realmente significativa.
Portanto, com base nessa teoria, como você iniciaria uma aula? Pense num
tema e exercite a ideia de contextualizar o conteúdo. Principalmente, reflita sobre
quais seriam os recursos usados para que despertassem no aluno a curiosidade
pelo tema novo, associando-o ao que ele já conhece, seja associado ao
conhecimento científico como ao conhecimento empírico. Ressaltamos que esse
despertar deve ser feito sempre no início das tarefas e explicações, para que o
sujeito possa integrar o que já sabe com o que está sendo apresentado de
novidade.
Outro ponto relevante envolve a disposição do aluno em aprender, os
materiais utilizados e a identificação e variação dos recursos didáticos aplicados.
As questões de adaptação do vocabulário usado devem ser feitas para a faixa
etária abordada, pois a familiaridade auxilia a aproximar o aluno do conteúdo.

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Há também outras formas de organizar a formação de conceitos com o uso
de mapas conceituais. Esses mapas funcionam como diagramas que
estabelecem relações entre os conceitos e facilitam a visualização do conteúdo
tanto pelo aluno como pelo docente. Ao serem construídos, devem ser claros,
completos e objetivos.
Os mapas conceituais podem ser utilizados em todas as disciplinas, podem
ser dados prontos pelo professor e podem ser usados como uma atividade de
montagem, na qual o aluno deve dispor de informações sobre como construir essa
ferramenta. Este recurso pode ser usado amplamente em todo processo de
ensino-aprendizagem, sendo um excelente mecanismo de revisão, fixação e
consulta dos conteúdos, bem como possibilitador de conexões entre os
conhecimentos pré-existentes e as novas informações adquiridas.
A aprendizagem pode ser feita de várias formas: mecânica (por meio da
memorização), receptiva (com a seleção dos conteúdos por outra pessoa),
descoberta (quando o próprio sujeito realiza suas descobertas) e significativa
(com base na relação dos conceitos). Para Ausubel, a partir do momento em que
a aprendizagem recebe significação, ela é mais facilmente assimilada.
Com a compreensão de conceitos e diferentes proposições, a avaliação
desse processo de ensino-aprendizagem deve ser feita com base na busca de
soluções de situações-problema, momento em que o aluno se sinta desafiado a
aplicar, na prática, aquilo que aprendeu. Exemplo: uma atividade pode ser
repetida com diferentes fundos de cena para que os alunos a resolvam, assim,
seria possível constatar se as novas informações foram assimiladas e conectadas
ao conhecimento prévio, tornando-se uma nova ferramenta para os alunos. Esse
processo de avaliação serve para verificar se o aluno desenvolveu as habilidades
desejadas.
A teoria da aprendizagem de Ausubel apresenta um papel importante na
atualidade, pois é preciso ser objetivo, facilitar o entendimento do aluno, criar
mecanismos de aprendizagem que conectem as informações com o
conhecimento pré-existente, principalmente levando em consideração a realidade
em que o sujeito está inserido. Por fim, podemos afirmar que a aprendizagem
significativa é relevante para alunos, professores e todo ambiente escolar.

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TEMA 3 – CARL ROGERS E A APRENDIZAGEM CENTRADA NA PESSOA

O humanismo de Carl Rogers (1902-1987) influenciou a psicologia e trouxe


importantes contribuições para a área da educação no processo de ensino-
aprendizagem com ideias simples e acessíveis, originadas da convivência e
observação de seus filhos e pacientes. A teoria rogeriana pode ser aplicada a
todos os tipos de relação, seja dos ambientes familiar, escolar, social ou
profissional, pois a ideia central é entender a pessoa como um todo, buscando
estabelecer relações interpessoais.
Ao transpor as relações interpessoais para a aprendizagem, estas
deveriam ser significativas e de qualidade. As ideias deste teórico são
consideradas avançadas para o seu tempo, o que lhe conferiu muitas críticas,
principalmente pela relação estabelecida com o paciente, em que este não era
mais visto como um doente, e sim como uma pessoa que estava apta a conviver
em sociedade, mesmo com suas limitações.
Suas ideias teóricas recebiam resistência por parte da comunidade
acadêmica e escolar, e isso ocorre até a atualidade. Por exemplo, em suas obras,
Rogers deixa claro que é contra a teoria comportamental, pois considerava que
esta era uma forma de manipular e desrespeitar o outro, ignorando seus
sentimentos, e defendia que a mudança de comportamento deveria ser resultado
da aprendizagem signifivativa.
As potencialidades do indivíduo seriam uma tendência da nossa evolução,
tanto para humanos como para todos os organismos do planeta, incluindo as
plantas, sendo constantemente atualizadas, e particularmente para os homens,
nossa forma de vida social, cultural e econômica.
Seguindo essa questão, a ideia é de que o corpo saberia o que é bom por
meio do uso dos sentidos, por exemplo: o uso do olfato para identificar alimentos
estragados ou do paladar para saber se é saboroso. Mas essa questão esbarra
nas relações sociais e culturais, na forma como o indivíduo é ensinado, e até
mesmo doutrinado, a seguir padrões e a responder quando recebe uma
recompensa.
Essas relações também podem gerar conflitos, de modo que o autor sugere
que as pressões sociais geram problemas e expectativas e podem desencadear
defesas psicológicas que traumatizam o indivíduo e transformam a vida de quem
sofre e das pessoas que convivem próximo a ele.

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Pensando, então, num relacionamento interpessoal com afetividade, a
aprendizagem significativa é entendida como aquilo que realiza a modificação no
modo de agir, nas ações futuras, nas atitudes, na personalidade, dentre outros,
com uma visão otimista do homem. Rogers aplicava, em seu consultório, a terapia
centrada na pessoa e transpunha os resultados para a área da educação. Isso o
fez criar a teoria da aprendizagem centrada na pessoa.
A relação entre professor e alunos deve seguir na mesma direção, com a
realização de trocas, autenticidade e transparência. Para ensinar, é preciso ir além
de transmitir o conhecimento, é necessário despertar a curiosidade, chamar a
atenção e relacionar as informações com a realidade do aluno, é fazer com que o
aluno se torne confiante de quem ele é e seja capaz de ir além. Assim, o processo
educativo é para a vida, para todas as relações em sociedade.
Rogers aponta as tarefas mecânicas como prejudiciais porque não
consideram o indivíduo como um ser completo. Se os sentimentos e as relações
não são consideradas, o aprendizado é esquecido. Como exemplo, podemos
dizer que um sujeito inserido numa sociedade com baixa tecnologia vai repetir os
ensinamentos recebidos por seus antepassados, mas a questão é, será que o que
está sendo reproduzido é o suficiente? Muitos dos conhecimentos serão válidos
por toda vida, no entanto, alguns podem cair em desuso ou serem substituídos
por outros conhecimentos considerados mais modernos.
Esse exemplo nos permite entender que, mais importante do que saber
especificamente um conteúdo, é preciso instruir os educandos para que eles
sejam capazes de se adaptarem a diferentes situações, numa ideia de
aprendizagem contínua, em que as trocas e os questionamentos para evolução
da ciência sejam constantes.
Desse modo, o professor assume o papel de facilitador da aprendizagem,
não sendo o responsável pela transmissão do conhecimento, mas, sim, de auxiliar
o aluno no processo, instigando-o a novos desafios e tornando-o mais consciente
desse processo transformador.
Nesse papel, o docente é o suporte necessário ao aluno, buscando
estratégias no ambiente, usando recursos articulados dentro de um bom
planejamento com base no conteúdo programático obrigatório, criando aulas
interessantes e que despertem nos alunos o desejo pelo saber, além de auxiliar
na produção de ambientes favoráveis e que contribuam para a interação pessoal
dos alunos.

010
É essencial instigar a curiosidade inerente aos animais, principalmente aos
seres humanos, empregando materiais diferenciados de pesquisa, propiciando a
significação no processo de ensino-aprendizagem. O professor orienta a busca
pelo conhecimento e deseja que seus alunos se tornem protagonistas do seu
processo de aprendizagem. Um dos problemas na atualidade é a valorização do
ensino sem levar em consideração o contexto em que está inserido, lembrando
que, para Rogers, o ambiente psicológico também é um elemento do processo de
aprendizagem.
Como supracitado, o professor como facilitador deve ser autêntico consigo
e com os demais, expondo suas qualificações e também suas dificuldades. O
autor, ainda, propõe que o professor se mostre como realmente é, expondo
defeitos e qualidades, sentimentos, desejos, alegrias, raiva, tristeza, pois essa
atitude poderia garantir proximidade e confiança dos alunos. O professor também
deve ser afetivo, carinhoso, demonstrar apreço e confiança pelo que o aluno
representa, considerar as atitudes, sejam elas positivas ou negativas, pois
representam a imaturidade dos alunos em transformação.
Nessa temática, o autor sugere que o professor seja compreensivo e
empático para com seus alunos, compreendendo as atitudes sem julgamento e
considerando o que acontece na vida do aluno naquele momento. Uma sugestão
é que o professor não deve excluir ou segmentar as turmas, e sim integrar e
fortalecer os vínculos entre os educandos. O resultado será muito significativo,
tanto em relação ao conhecimento escolar-científico como em relação à vida e à
capacidade desenvolvida de se colocar no lugar do outro.
Não julgar aos alunos e estabelecer uma relação de respeito se torna uma
premissa nessa teoria, pois todos devem ser de confiança e importantes,
independentemente da realidade em que vivem. No entanto, é preciso esclarecer
que este teórico não demonstrava uma preocupação com a definição de práticas
pedagógicas, pois achava que a pessoa só aprendia aquilo que estava disposto a
aprender, relacionando-se diretamente com as experiências pessoais.
Por fim, a relação entre professor e aluno é importante nessa teoria,
principalmente para que os alunos se tornem independentes e autônomos. Os
erros são considerados parte do processo, com orientações para que outro
caminho seja adotado, além da orientação para que o aluno tenha maturidade e
estabeleça uma autoavaliação consciente.
Nesse sentido, Rogers sugere que contratos sejam estabelecidos entre os
alunos e entre o professor e o aluno, com critérios claros e regras a serem
011
seguidas por todos, de modo que, ao fim do contrato, a avaliação seria mútua. A
aprendizagem centrada na pessoa é um desafio e, se usada, tende a despertar
nos alunos um processo de amadurecimento decorrente das responsabilidades e
a possibilidade de domínio e segurança para com as situações cotidianas.

TEMA 4 – HOWARD GARDNER E A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Nesta teoria, Howard Gardner afirma que todos dispomos de capacidades


diferentes, ou múltiplas inteligências, as quais usamos para resolver problemas,
criar projetos e/ou objetos, e contribuir social e culturalmente. As ideias desse
autor, desde suas primeiras publicações, baseavam-se em Piaget, e, associado a
isso, seu conhecimento sobre música e arte o fizeram refletir sobre a capacidade
intelectual humana, o que, ao se tornar público, ocasionou grande impacto na
educação.
Para o teórico, as inteligências são um conjunto de habilidades que
interagem constantemente nas atividades de soluções de problemas, criação,
elaboração e produção, por isso não podem ser medidas. Pode-se dizer, então,
que a teoria das inteligências múltiplas é uma alternativa para o conceito de
inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos
uma performance, maior ou menor, em qualquer área de atuação.
Para construir sua teoria, Gardner observou grandes pesquisadores e
entendeu que a inteligência humana é específica, pois nem todo mundo é
excelente em todos os aspectos e áreas. Outra relevante observação foi em
relação a pessoas com algum tipo de problema cerebral, em que percebeu a
existência de habilidades individuais independentemente do problema e também
realizou mapeamentos cerebrais.
Com base nisso, estabeleceu vários tipos de inteligência, como a lógico-
matemática, linguística verbal, musical espacial, entre outras. Em resumo, os tipos
de inteligência envolvem capacidades e habilidades de realizar operações
numéricas, aprender idiomas, usar a escrita e a fala como ferramentas,
reconhecer a disposição do/no espaço, usar o corpo, se relacionar com os outros,
ser capaz de construir reflexões, entre outros exemplos.
Podemos nos perguntar, então: quais de nossas capacidades são inatas e
quais são desenvolvidas? Essa questão envolve a ideia de que nós nascemos
com potencialidades que ainda serão moldadas pela vida em sociedade; conforme
as oportunidades que recebemos, as vamos desenvolvendo, no entanto, ao nos

012
depararmos com um processo de ensino-aprendizagem rígido, muitas dessas
aptidões são deixadas de lado. Por exemplo, uma criança que desenha muito
bem, mas, na escola, essa capacidade nunca é explorada, provavelmente não
desenvolverá plenamente essa qualidade. Por tentar se enquadrar no modelo de
ensino tradicional, o erro está em não valorizar os potenciais existentes.
Percebendo que há diferentes habilidades para atividades específicas, é
preciso entender que as capacidades podem ser independentes, mas não
acontecem isoladamente no comportamento.
No ambiente escolar, é preciso levar os alunos a encontrar seu equilíbrio
dentro das suas competências para que possam servir à sociedade de forma
construtiva. O docente deve entender que todo aluno tem potencial para
desenvolver suas inteligências desde que seja estimulado, além de assumir o
papel de mediador no desenvolvimento das potencialidades do aluno, e a escola
deve ter como objetivo desenvolver as várias inteligências dos alunos.

TEMA 5 – TEORIAS DA APRENDIZAGEM NA ESCOLA

Neste tema, vamos repensar algumas ideias sobre as teorias da


aprendizagem e como estas podem compor práticas pedagógicas mais eficientes
e voltadas para o aluno. Como diria Saviani, um importante pesquisador brasileiro,
os problemas escolares são decorrentes de uma complexidade associada a
diversos fatores, como condições de saúde física e mental, fatores psicológicos e
cognitivos, condições familiares e sociais.
É preciso rever o papel da escola como um todo, pois esse ambiente
poderia proporcionar aos alunos o desenvolvimento do intelecto, contribuindo com
a transformação da visão de mundo, com a melhora da qualidade de vida, com a
aplicação de valores éticos e morais.
Paulo Freire, um dos maiores pesquisadores em educação no mundo,
também nos diz que a escola deve ser um local de construção coletiva do saber,
considerar as lutas e necessidades dos alunos, transformando-os em sujeitos
ativos de sua própria história. Desse modo, como vimos durante toda a disciplina,
não cabe à escola trabalhar com ameaças, punições, repetições exaustivas, é
preciso ir muito além.
Um ponto delicado é a formação contínua de gestores e professores, pois
a falta de conhecimento e a ausência de teorias de ensino fazem com que
professores reproduzam normativas arcaicas, desinteressantes, muitas vezes

013
baseadas em experiências pessoais de outro tempo que já não mais pode ser
aplicado na atualidade.
Pensando nessas questões, devemos buscar relações de trocas com os
alunos, respeitando e orientando a formação de crianças e jovens. No contexto
atual, em que vivemos um mundo globalizado, conectado por meio do avanço dos
meios de transportes e de telecomunicações, principalmente em relação ao uso
das tecnologias da informação, é essencial que as instituições se adaptem, que
usem tecnologias e metodologias de ensino que proporcionem o crescimento
intelectual.
Nesse contexto, o papel do docente vem ao encontro do que muitas teorias
da aprendizagem propõem, que o professor é o orientador dos estudos, mediador
e estimulador do processo de ensino-aprendizagem, além de o aluno assumir a
postura de protagonista na condução desse processo. Para isso, na atualidade,
discute-se a adoção de metodologias ativas na sala de aula, que podem envolver
uma enorme quantidade de tipos, como a aplicação de estudos de caso, aula de
campo, de laboratório, simulações e aplicação de situações-problema.
Nessa ideia, as aulas devem pensar nos interesses dos alunos, visando
potencializar o que o indivíduo pode desenvolver de melhor, tornando o aluno um
agente ativo na sociedade e consciente das suas ações. Assim, os estímulos são
planejados nas atividades, e o professor usa habilidades como interpretar,
analisar, sintetizar, comparar, entre outras, com o auxílio da tecnologia, para que
as aulas sejam inovadoras e atraentes.

FINALIZANDO

Nesta aula, abordamos conteúdos relacionados a diferentes teóricos que


propõem um olhar atento ao processo de ensino-aprendizagem. Retomamos as
ideias de Wallon e discutimos a responsabilidade deste em trazer a emoção como
um fator relevante para o ensino-aprendizagem, pois suas ideias se baseiam em
elementos conectados, como afetividade, inteligência, movimento e formação do
eu como consciência individual.
Dessa forma, considerar as emoções é importante para compreender como
uma pessoa se desenvolve e se transforma, e é por meio delas que, na escola, o
aluno exterioriza suas vontades. Por isso, o professor e toda a equipe pedagógica
devem estar atentos aos sinais que são dados.

014
Na sequência, abordamos as ideias de Ausubel e seu modelo de
aprendizagem significativa. Para entender este processo, vimos que estruturas de
conhecimento existentes são usadas com frequência, em maior ou menor escala,
para que ocorra a aprendizagem significativa, associadas ao subsunçor, ou seja,
ao conhecimento prévio. Desse modo, assim como teóricos anteriores que usam
abordagens cognitivas, vimos que considerar o que o aluno sabe e conhece da
realidade é essencial para que a aprendizagem ocorra.
Também falamos sobre a proposta de Rogers com a ideia de
relacionamentos interpessoais com afetividade, de modo que a aprendizagem se
tornaria significativa, sendo esta entendida como aquilo que realiza a modificação
no modo de agir, nas ações futuras, nas atitudes, na personalidade, entre outros,
com uma visão otimista do homem. Esse autor usava sua experiência com
pacientes em consultório e a transpunha para a área da educação, criando a teoria
da aprendizagem centrada na pessoa, em que a relação professor e aluno deve
seguir na mesma direção, com a realização de trocas, autenticidade e
transparência.
Outra teoria que abordamos foi a das inteligências múltiplas de Gardner,
ideia essa que transformou a forma de pensar as atividades no ambiente escolar,
e, principalmente, mudou a forma de enxergar as diferenças entre os alunos. As
inteligências são um conjunto de habilidades que interagem constantemente nas
atividades de soluções de problemas, criação, elaboração e produção e, por isso,
não podem ser medidas.
No último tema, discutimos um pouco sobre metodologias diferenciadas
que estão na moda, ideias essas que prezam pelo estímulo intelectual dos alunos,
com atividades e aulas planejadas que promovam habilidades como interpretar,
analisar, relacionar, comparar, entre outras. O uso da tecnologia também é muito
presente, pois o apoio desses recursos pode potencializar o processo de
aprendizagem, no entanto, se mal aplicado, pode atrapalhar o andamento.
Por fim, entender um pouco mais sobre as teorias da aprendizagem nos
proporciona um olhar mais crítico sobre o processo de ensino-aprendizagem e
deve despertar questionamentos sobre a condução das práticas pedagógicas
atuais.

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REFERÊNCIAS

BARONE, L. M. C.; MARTINS, L. C. B.; CASTANHO, M. I. S. Psicopedagogia:


teorias da aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.

BEHAVIORISMO na educação. Filosofia do Cotidiano, 1 out. 2016. Disponível


em: <http://filosofiadocotidiano.org/behaviorismo-na-educacao/>. Acesso em: 28
dez. 2017.

BRUINI, E. C. Aprendizagem significativa. Brasil Escola, 2017. Disponível em:


<http://educador.brasilescola.uol.com.br/trabalho-docente/aprendizagem-
significativa.htm>. Acesso em: 29 dez. 2017.

LAKOMY, A. M. Teorias Cognitivas da aprendizagem. Curitiba: Intersaberes,


2014.

NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem: um encontro entre


os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos. Curitiba: Intersaberes,
2015.

PILETTI, N. Aprendizagem: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2013.

SANTOMAURO, B. Inatismo, empirismo e construtivismo: três ideias sobre a


aprendizagem. Revista Nova Escola, 5 nov. 2010. Disponível em:
<https://novaescola.org.br/conteudo/41/inatismo-empirismo-e-construtivismo-
tres-ideias-sobre-a-aprendizagem>. Acesso em: 28 dez. 2017.

SAVIANI, D. Escola e democracia. 17 ed. São Paulo: Autores associados, 1987.

VYGOTSKY, l. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos


psicológicos superiores. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

016
AULA 6

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Texto de abordagem teórica


Capítulos 18 a 21 do livro:
ANTUNES, C. As inteligências múltiplas e seus estímulos. Campinas, SP: Papirus, 2015.
Disponível em:
<http://aulaaberta.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788544900604/pages/99>.
Acesso em: 29 dez. 2017.

Texto de abordagem prática


Artigo em revista:
PONTES NETO, J. A. S. Teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel: perguntas
e respostas. Série-Estudos, Campo Grande, MS, n. 21, p. 117-130, jan./jun. 2006.
Disponível em: <http://www.gpec.ucdb.br/serie-estudos/index.php/serie-
estudos/article/view/296/149>. Acesso em: 29 dez. 2017.

Saiba mais
Vídeo 1: Aprendizagem significativa: do que estamos falando?
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=TsHtAa2sOko>

Vídeo 2: 8 Inteligências Múltiplas – o porquê das coisas


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ED22l31R0Go>

Vídeo 3: Aprender a aprender


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Pz4vQM_EmzI>

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