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JEAN RODRIGO GARCIA

ANÁLISE EXPERIMENTAL E NUMÉRICA DE RADIERS


ESTAQUEADOS EXECUTADOS EM SOLO DA REGIÃO
DE CAMPINAS/SP

CAMPINAS
2015

i
ii
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL, ARQUITETURA E
URBANISMO

JEAN RODRIGO GARCIA

ANÁLISE EXPERIMENTAL E NUMÉRICA DE RADIERS


ESTAQUEADOS EXECUTADOS EM SOLO DA REGIÃO
DE CAMPINAS/SP

Tese de Doutorado apresentada à Faculdade de


Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da
Unicamp, para obtenção do título de Doutor em
Engenharia Civil, na área de Estruturas e Geotécnica.

Orientador: Prof. Dr. PAULO JOSÉ ROCHA DE ALBUQUERQUE

ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO FINAL DA


TESE DEFENDIDA PELO ALUNO JEAN RODRIGO GARCIA E
ORIENTADO PELO PROF. DR. PAULO JOSÉ ROCHA DE
ALBUQUERQUE.

ASSINATURA DO ORIENTADOR

______________________________________

CAMPINAS
2015

iii
Ficha catalográfica
Universidade Estadual de Campinas
Biblioteca da Área de Engenharia e Arquitetura
Elizangela Aparecida dos Santos Souza - CRB 8/8098

Garcia, Jean Rodrigo, 1980-


G165a GarAnálise experimental e numérica de radiers estaqueados executados em solo
da região de Campinas/SP / Jean Rodrigo Garcia. – Campinas, SP : [s.n.], 2015.

GarOrientador: Paulo José Rocha de Albuquerque.


GarTese (doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de
Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo.

Gar1. Prova de carga. 2. Fundação em radier. 3. Análise numérica. 4. Análise de


elementos finitos. 5. Estacas de concreto. 6. Planejamento experimental. I.
Albuquerque, Paulo José Rocha de,1964-. II. Universidade Estadual de
Campinas. Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo. III. Título.

Informações para Biblioteca Digital

Título em outro idioma: Experimental and numerical analysis of piled rafts executed in soil of
the Campinas/SP region
Palavras-chave em inglês:
Load test
Ratf foundation
Finit Elements
Numerical analysis
Finite element analysis
Concrete piles
Experimental design
Área de concentração: Estruturas e Geotécnica
Titulação: Doutor em Engenharia Civil
Banca examinadora:
Paulo José Rocha de Albuquerque [Orientador]
David de Carvalho
Armando Lopes Moreno Júnior
Maurício Martines Sales
Renato Pinto da Cunha
Data de defesa: 25-05-2015
Programa de Pós-Graduação: Engenharia Civil

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Resumo

GARCIA, Jean Rodrigo. Análise experimental e numérica de radiers estaqueados


executados em solo da região de Campinas/SP. Tese (Doutorado) – Faculdade de
Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP), 2015.

Nesta pesquisa, analisou-se o comportamento de quatro radiers estaqueados,


executados a partir de conjuntos de blocos compostos por estacas mecanicamente
escavadas a trado, com 5 m de comprimento e 0,25 m de diâmetro (), executados em
solo de diabásio da região de Campinas/SP. Para tanto, foram executados blocos de
fundação tipo radier estaqueado, compostos de uma, duas, três e quatro estacas,
espaçadas de 5. Esses blocos de fundação foram ensaiados a partir de provas de carga
do tipo estática e lenta (SML), seguindo as prescrições da NBR12131/2006. As estacas
foram instrumentadas em profundidade com strain-gages posicionados no topo e na
ponta, com a finalidade de avaliar o mecanismo de distribuição de carga em
profundidade, assim como avaliar as parcelas de contribuição de cada elemento (estaca
e radier) na capacidade do radier estaqueado. Para melhor entender o comportamento
desse tipo de fundação utilizou-se de análises tridimensionais (3D) por elementos finitos,
por meio do software LCPC-Cesar. O modelo constitutivo utilizado foi de Mohr-Coulomb,
que leva em consideração o comportamento elastoplástico do solo. Os resultados
experimentais apontaram uma contribuição média devido ao contato radier-solo de 21%
e 79% devido às estacas (lateral + ponta), em relação à capacidade total delas. Os
resultados numéricos, justificados pela dificuldade em representar o efeito de
escorregamento do contato entre o elemento de fundação e o solo, demonstraram maior
participação pelo contato (36%) e menor parcela devido às estacas (64%). As análises
numéricas de grupos de estacas, comparadas aos radiers estaqueados, demonstraram
que a maior participação da resistência de ponta é gerada em função da existência do
efeito de contato.

Palavras-chave: radier estaqueado; análise numérica 3D; elementos finitos; análise


experimental.

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Abstract

GARCIA, Jean Rodrigo. Experimental and numerical analysis of piled rafts executed
in soil of the Campinas / SP region. Thesis (Doctorate) – School of Civil Engineering,
Architecture and Urbanism, State University of Campinas (UNICAMP), 2015.

This research analyzed the behavior of four piled rafts executed from sets of blocks
composed by bored piles. The piles (5m long, 0.25m diameter) were executed in diabase
soil from the region of Campinas/SP. With this purpose, foundation blocks comprising one,
two, three and four piles with spacing of 5 diameter were executed in contact with the soil.
These foundation blocks underwent slow maintained load tests (SML) per prescriptions of
NBR12131/2006. The piles were instrumented at depth with strain-gages placed at the
top and at the tip in order to assess the mechanism of load distribution in depth, and also
to asses the percentage of contribution of each element (pile and radier) on the capacity
of the piled rafts. To get a better understanding of this type of foundation, three-
dimensional (3D) finite element analyses were made by means of the LCPC-Cesar
software program. The constitutive model used was the Mohr-Coulomb, which takes the
elastoplastic behavior of the soil in consideration. The experimental results indicated a
mean contribution via contact of 21% and 79% due to the piles (lateral + tip) in comparison
to their total capacity. The numerical results, justified by the difficulty to represent the effect
of 'breaking' the contact between the foundation element and the soil, demonstrated
greater participation of the contact (36%) and a smaller percentage due to the piles (64%).
In comparison with the foundation blocks with contact, the numerical analyses from which
the contact was eliminated demonstrated that the greater participation of tip resistance is
generated as a function of the existence of the contact effect.

Key words: piled raft; 3D numerical analysis; finite elements; experimental analysis.

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SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS .......................................................................................... XIX

LISTA DE TABELA ........................................................................................XXXIII

LISTA DE SÍMBOLOS ................................................................................... XXXV

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 1

1.1 JUSTIFICATIVA ........................................................................................... 3


1.2 OBJETIVO .................................................................................................. 3

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................... 5

2.1 HISTÓRICO DE RADIER ESTAQUEADO ........................................................... 5


2.2 APLICAÇÃO DE RADIER ESTAQUEADO ......................................................... 10
2.3 SISTEMAS DE FUNDAÇÃO .......................................................................... 14
2.4 EFEITO DO CONTATO RADIER SOLO EM FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS .............. 16
2.4.1 Bulbo de tensões em radiers estaqueados .................................................. 21
2.5 PROJETO DE RADIER ESTAQUEADO ............................................................ 23
2.5.1 Filosofia de projeto de Randolph .................................................................. 33
2.5.2 Etapas de projeto ......................................................................................... 34
2.6 MECANISMO DE INTERAÇÃO RADIER X ESTACAS .......................................... 36
2.7 MÉTODOS DE ANÁLISE .............................................................................. 40
2.7.1 Método simplificado...................................................................................... 43
2.7.2 Método híbrido ............................................................................................. 45
2.7.3 Trabalhos empregando Métodos Numéricos ............................................... 46
2.8 ESTACAS COMO ELEMENTOS REDUTORES DE RECALQUES ........................... 49
2.9 CONDIÇÕES PARA APLICAÇÃO DE RADIER ESTAQUEADO .............................. 51
2.10 RECALQUES EM FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS ............................................... 53
2.11 ESTUDOS EM RADIERS ESTAQUEADOS: EXPERIMENTAL E NUMÉRICO ............. 63

3 MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................ 91

3.1 CAMPO EXPERIMENTAL ............................................................................ 91


3.1.1 Localização geográfica................................................................................. 91
3.1.2 Geologia local............................................................................................... 93
xi
3.1.3 Geotecnia local............................................................................................. 95
3.1.4 Ensaios de campo ...................................................................................... 102
3.2 PARÂMETROS DO SOLO PARA A ANÁLISE NUMÉRICA .................................. 105
3.2.1 Propriedades mecânicas do solo por meio de ensaios laboratoriais ......... 106
3.3 ESTUDOS EXPERIMENTAIS – ESTACAS E BLOCOS ..................................... 107
3.3.1 Estacas-teste e de reação.......................................................................... 107
3.3.2 Radiers estaqueados ................................................................................. 111
3.3.3 Características mecânicas do concreto ..................................................... 118
3.3.4 Instrumentação das estacas-teste ............................................................. 121
3.3.5 Montagem da prova de carga .................................................................... 124
3.3.6 Execução das provas de carga .................................................................. 126

4 MODELAGEM NUMÉRICA ........................................................................ 129

4.1 ANÁLISES COMPARATIVAS COM CASOS DA LITERATURA ............................. 130


4.1.1 Estaca isolada quadrada ............................................................................ 130
4.1.2 Radier sobre 9 estacas quadradas e carga no pilar central ....................... 131
4.1.3 Radiers Sobre 9 e 15 Estacas (Poulos et al., 1997). ................................. 133
4.2 DEFINIÇÃO DO SEMIESPAÇO DO MODELO NUMÉRICO.................................. 134
4.2.1 Teste de convergência ............................................................................... 136
4.2.2 Modelagem numérica dos radiers .............................................................. 140
4.3 ANÁLISE NUMÉRICA COMPARATIVA PARA UMA ESTACA EXPERIMENTAL ........ 142

5 RESULTADOS E ANÁLISES ..................................................................... 145

5.1 RADIER ESTAQUEADO COMPOSTO DE 1 ESTACA ....................................... 147


5.1.1 Radier estaqueado experimental de 1 estaca ............................................ 148
5.1.2 Radier estaqueado numérico de 1 estaca .................................................. 152
5.1.3 Grupo de estacas SC1 NUM ...................................................................... 157
5.1.4 Comparação entre CC1 EXP x CC1 NUM ................................................. 163
5.1.5 Comparação entre CC1 NUM x SC1 NUM ................................................ 169
5.2 RADIER ESTAQUEADO COMPOSTO DE 2 ESTACAS ..................................... 175
5.2.1 Radier Estaqueado CC2 EXP .................................................................... 175
5.2.2 Radier Estaqueado CC2 NUM ................................................................... 179
5.2.3 Grupo de estacas SC2 NUM ...................................................................... 185
5.2.4 Comparação entre CC2 EXP x CC2 NUM ................................................. 190
xii
5.2.5 Comparação entre CC2 NUM x SC2 NUM ................................................ 197
5.3 RADIER ESTAQUEADO COMPOSTO DE 3 ESTACAS ..................................... 203
5.3.1 Radier Estaqueado CC3 EXP .................................................................... 203
5.3.2 Radier Estaqueado CC3 NUM ................................................................... 207
5.3.3 Grupo de estacas SC3 NUM ...................................................................... 213
5.3.4 Comparação entre CC3 EXP x CC3 NUM ................................................. 218
5.3.5 Comparação entre CC3 NUM x SC3 NUM ................................................ 225
5.4 RADIER ESTAQUEADO COMPOSTO DE 4 ESTACAS ..................................... 231
5.4.1 Radier Estaqueado CC4 EXP .................................................................... 231
5.4.2 Radier Estaqueado CC4 NUM ................................................................... 235
5.4.3 Grupo de estacas SC4 NUM ...................................................................... 241
5.4.4 Comparação entre CC4 EXP x CC4 NUM ................................................. 247
5.4.5 Comparação entre CC4 NUM x SC4 NUM ................................................ 253

6 SÍNTESE DAS ANÁLISES ......................................................................... 259

7 CONCLUSÕES .......................................................................................... 287

8 RECOMENDAÇÕES PARA PESQUISAS FUTURAS ................................ 289

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 291

APÊNDICE A ..................................................................................................... 303

APÊNDICE B ..................................................................................................... 307

APÊNDICE C ..................................................................................................... 309

APÊNDICE D ..................................................................................................... 313

APÊNDICE E ..................................................................................................... 315

APÊNDICE F ..................................................................................................... 317

ANEXO A ........................................................................................................... 319

xiii
xiv
Dedicatória

À minha esposa Ana Maria, pela compreensão, incentivo e


participação em mais esta etapa de nossas vidas.

À minha filha Mariana, um anjo enviado por Deus.

Aos meus pais Francisco e Mercedes, pela vida, amor e


ensinamentos ao longo da minha existência.

xv
xvi
Agradecimentos

A Deus, que é a luz que sempre iluminou os caminhos da minha vida.

Ao amigo e professor, Paulo José Rocha de Albuquerque, pelos ensinamentos,


generosidade, compreensão e incentivo ao longo de todos esses anos. Sua amizade é
algo inestimável!

Ao Professor David de Carvalho, pelas tantas contribuições ao longo do desenvolvimento


do trabalho.

Ao Professor Pérsio Leister de Almeida Barros, pelos ensinamentos sobre análise


numérica.

Aos irmãos Jacqueline e José Francisco, pelo incentivo e exemplo de vida. Aos sobrinhos
Pedro Henrique, Maria Júlia e Ramón, pelos momentos de descontração.

Aos amigos Emanuelle e Osvaldo, pelo auxílio, incentivo, compartilhamento de


conhecimentos e desafios superados durante a realização desta pesquisa.

Ao amigo e professor Osvaldo de Freitas Neto, pelos ensinamentos sobre o software


Cesar 3D.

Aos técnicos do Laboratório de Mecânica dos Solos e Estradas "Luiz Eduardo Meyer" e
do laboratório de estruturas: José Benedito Cipriano, Wagner Pizani Guidi, Reinaldo
Leite, Anderson Silvestre da Luz e Ademir de Almeida, pela contribuição na
implementação do projeto de pesquisa em sua fase experimental na FEC-UNICAMP.

Ao colega Roberto Kassouf, pelos serviços prestados no campo experimental.

À Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP) e à FAEPEX,


pelo apoio financeiro.

Ao Departamento de Geotecnia e Transporte (DGT-Unicamp), pelo apoio a essa


pesquisa.

À DYWIDAG, em nome do Eng. José Luiz, pelo apoio à pesquisa, com doação dos
tirantes utilizados nas estacas de reação das provas de carga.

À Mendes Júnior, que me possibilitou conquistar mais este degrau.

À Graciela Paparazo pela revisão gramatical e ortográfica desta tese.

xvii
xviii
LISTA DE FIGURAS
Figura 2.1. Formas de ruptura de um radier estaqueado (modificado PHUNG, 1993). .... 6
Figura 2.2. Efeito do contato em estaca isolada (modificado POULOS, 1968). ............... 6
Figura 2.3. Fatores de incremento na capacidade de carga das estacas e do bloco devido
à interação bloco/estacas (AKINMUSURU, 1980). .......................................................... 8
Figura 2.4. Modelo Estaca “T” (DÉCOURT, 1996). .......................................................... 9
Figura 2.5. Commerzbank Tower em Frankfurt: (a) foto da estrutura; (b) disposição das
estacas no radier (KATZENBACH ET AL., 1994)........................................................... 10
Figura 2.6. Edifício Messeturm em vista e corte (KATZENBACH ET AL., 2005). .......... 11
Figura 2.7. Planta do edifício Messeturm: distribuição e cortes do radier estaqueado. .. 11
Figura 2.8. Edifício Burj Khalifa (HERNÁNDEZ, 2014). .................................................. 12
Figura 2.9. Perspectiva do radier estaqueado do Burj Khalifa (HERNÁNDEZ, 2014). ... 12
Figura 2.10. Introdução da armação da estaca escavada durante a construção do Burj
Khalifah (FOUNDATION, CONCRETE AND EARTHQUAKE ENGINEERING, 2014). .. 13
Figura 2.11. Contorno da máxima carga axial. (POULOS, 2008)................................... 14
Figura 2.12. Sistemas de fundação: (a) Estaca isolada, (b) grupo de estacas, (c) radier
estaqueado (BEZERRA, 2003). ..................................................................................... 15
Figura 2.13. Distribuição de cargas entre estacas (MANDOLINI et al., 2005)................ 18
Figura 2.14. Porcentagem de distribuição de cargas no radier estaqueado (MANDOLINI
et al., 2005). ................................................................................................................... 18
Figura 2.15. Curvas carga x recalque para o radier isolado, para estaca isolada, para o
radier estaqueado e para a soma das parcelas do radier isolado e estaca isolada (WU et
al., 2002). ....................................................................................................................... 19
Figura 2.16. Pequeno e grande radiers estaqueados (VIGGIANI et al., 2012) .............. 21
Figura 2.17. Pequeno radier estaqueado (VIGGIANI et al., 2012) ................................. 22
Figura 2.18. Redução de recalque diferencial com inserção de estacas na porção central
do radier (RANDOLPH, 1994). ....................................................................................... 25
Figura 2.19. Projeto esquemático da abordagem com estacas redutoras de recalque
(RANDOLPH, 1994). ...................................................................................................... 26
Figura 2.20. Relação entre custo e benefício da técnica de fundação em radier
estaqueado (DE SANCTIS ET AL., 2002). ..................................................................... 27
xix
Figura 2.21. Conceito de radier estaqueado (KATZENBACH ET AL., 2000) ................. 29
Figura 2.22. Configuração dos sistemas (MANDOLINI, 2003). ...................................... 30
Figura 2.23. Dados experimentais obtidos por Mandolini et al. (2005)........................... 31
Figura 2.24. Gráfico para seleção de uma abordagem de projeto adequado para
fundações (MANDOLINI, 2005)...................................................................................... 33
Figura 2.25. Curvas carga x recalque para radier estaqueado de acordo com várias
filosofias de projeto (POULOS, 2001). ........................................................................... 37
Figura 2.26. Diferentes interações que afetam o comportamento de sapata estaqueada
(EL-MOSSALAMY e FRANKE, 1997). ........................................................................... 38
Figura 2.27. Relação carga x recalque de uma estaca isolada comparada com o
comportamento de estacas de um grupo de estacas e com estacas de uma sapata
estaqueada (EL-MOSSALLAMY e FRANKE, 1997). ...................................................... 39
Figura 2.28. Relação carga x recalque de uma estaca isolada e estacas individuais de
uma sapata estaqueada (EL-MOSSALLAMY e FRANKE, 1997). .................................. 39
Figura 2.29. Mecanismos de interação em radiers estaqueados (HAIN e LEE, 1978)... 45
Figura 2.30. Mobilização de carga e recalque obtidos a partir de uma estaca flutuante e
por uma estaca sob radier de largura infinita (BURLAND, 1995). .................................. 51
Figura 2.31. Substituição do grupo de estacas pelo “pilar equivalente” (CASTELLI E
MAUGERI, 2002) ........................................................................................................... 56
Figura 2.32. Solução de um grupo de estacas (SAĞLAM, 2003). .................................. 58
Figura 2.33. Transferência de carga em grupo de estacas (SAĞLAM, 2003). ............... 59
Figura 2.34. Fatores para o cálculo do recalque imediato médio de uma área carregada
(CHRISTIAN e CARRIER, 1978) .................................................................................... 60
Figura 2.35. Variações da média e COV de Rs de grupos de estacas com carga
normalizada (XU e ZHANG, 2007). ................................................................................ 62
Figura 2.36. Sistema reduzido de prova de carga (EL-GARHY, 2013). ......................... 65
Figura 2.37. Casos estudados de radiers com estacas no centro (El-GARHY, 2013). .. 65
Figura 2.38. (a) Variação da taxa de melhoria de carga, LIR, com o número de estacas
com 10 mm de recalque e (b) Compartilhamento de carga entre radier e estacas para o
centro do radier estaqueado (EL-GARHY, 2013). .......................................................... 67
Figura 2.39. Esquema de medição de carga nas provas de carga (SOARES, 2011) .... 68
xx
Figura 2.40. Cargas para o recalque máximo das fundações em grupos de estacas
(SOARES, 2011) ............................................................................................................ 69
Figura 2.41. Curva carga x recalque obtidos para os radiers isolado e estaqueado
(SOARES, 2011). ........................................................................................................... 69
Figura 2.42. Representação da malha de elementos finitos usada nas análises (e.g. 3x3
matriz, Lp = 16 m): (a) típica malha 3D de FE e condições de contorno; (b) Vista lateral
(CHO et al., 2012). ......................................................................................................... 71
Figura 2.43. Malha de Elemento finito típico: (a) malha de FE-3D; (b) vista em planta; (c)
vista lateral (CHO et al., 2012). ...................................................................................... 72
Figura 2.44. Carga x recalque médio normalizado de UR, PR: (a) argila mole; (b) argila
rija (CHO et al., 2012). ................................................................................................... 73
Figura 2.45. Recalque diferencial normalizado com grupo de estaca-radier, taxa de área
do radier (argila mole): (a) 3x3; (b) 4x4 (CHO et al., 2012). ........................................... 74
Figura 2.46. Recalque médio normalizado x fator de segurança global (CHO et al., 2012).
....................................................................................................................................... 74
Figura 2.47. Planta dos radiers ensaiados experimentais e numéricos (ANJOS, 2006).75
Figura 2.48. a) Elemento triangular da malha de elemento finito em 2D para elemento
sólido 3D; b) Planta dos radiers ensaiados numericamente (JANDA et al., 2009). ........ 76
Figura 2.49. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados obtidas
experimentalmente e numericamente (JANDA et al., 2009)........................................... 76
Figura 2.50. Curvas versus carga x recalque obtidas numericamente com o Plaxis 3D
para os grupos de estacas (g) e para os radiers estaqueados (r) (JANDA et al., 2009).77
Figura 2.51. Esquema longitudinal das estacas defeituosas (FREITAS NETO, 2013). . 78
Figura 2.52. Distribuição de cargas entre o radier e a estaca defeituosa no radier
estaqueado composto de uma estaca CD1 (FREITAS NETO, 2013). ........................... 79
Figura 2.53. Distribuição de cargas entre o radier e as estacas no radier estaqueado CD3
(EXP). (FREITAS NETO, 2013). .................................................................................... 79
Figura 2.54. Distribuição de cargas entre o radier e as estacas no radier estaqueado CD4
(EXP). (FREITAS NETO, 2013). .................................................................................... 80
Figura 2.55. Recalque obtido via análise numérica para os radiers estaqueados com uma
estaca defeituosa cada (FREITAS NETO, 2013). .......................................................... 81
xxi
Figura 2.56. Perspectiva FEM-3D do radier estaqueado (ALNUIAM et al., 2013).......... 82
Figura 2.57. Carga nas estacas com diferentes espessuras do radier e relação s/d: a)
s/d=4 e b) s/d=10 (ALNUIAM et al., 2013). .................................................................... 83
Figura 2.58. Carga nas estacas com diferentes: (a) larguras e (b) diâmetros (ALNUIAM
et al., 2013). ................................................................................................................... 83
Figura 2.59. Malha de elementos finitos da fundação em radier estaqueado (n=25 e
L=16m) (BOURGEOIS et al., 2012). .............................................................................. 84
Figura 2.60. Malha de elementos finitos da fundação em radier estaqueado modelado em
duas fases (BOURGEOIS et al., 2012). ......................................................................... 84
Figura 2.61. Interação solo-estaca: (a) ao longo do comprimento da estaca; (b) na ponta
das estacas (BOURGEOIS et al., 2012). ....................................................................... 85
Figura 2.62. Leis de interação em diagrama tensão-deformação (a) atrito lateral e (b)
ponta da estaca (BOURGEOIS et al., 2012). ................................................................. 86
Figura 2.63. Radier estaqueado de 3x3 no estudo paramétrico (FATTAH et al., 2014). 87
Figura 2.64. Influência dos parâmetros na absorção de carga pelas estacas sob o radier:
(a) efeito da espessura –tc; (b) diâmetro da estaca – D; (c) comprimento da estaca – L e
(d) relação S/D (FATTAH et al., 2014). .......................................................................... 88
Figura 3.1. Localização do campo experimental ............................................................ 92
Figura 3.2. Localização do campo experimental na UNICAMP (Google Earth - capturada
em 14 de junho de 2014). .............................................................................................. 92
Figura 3.3. Mapa geológico de Campinas (INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS, 2011). ..... 94
Figura 3.4. Locação das sondagens e do poço no Campo Experimental. ..................... 96
Figura 3.5. Valores de Sucção em profundidade (GON, 2011). ..................................... 98
Figura 3.6. Teor de umidade durante a realização das provas de carga. ...................... 99
Figura 3.7. Valores de WL, WP, WC e IP (GON, 2011).................................................. 100
Figura 3.8. Distribuição granulométrica com defloculante (GON, 2011). ..................... 101
Figura 3.9. Valores de coesão e ângulo de atrito (GON, 2011).................................... 102
Figura 3.10. Valores de NSPT em profundidade (RODRIGUEZ, 2013). ........................ 103
Figura 3.11. Valores de Tmáx em profundidade (RODRIGUEZ, 2013). ......................... 103
Figura 3.12. Valores médios de qc, fs e Rf (modificado RODRIGUEZ, 2013).............. 104
Figura 3.13. Parâmetros médios do perfil geológico do campo experimental. ............. 107
xxii
Figura 3.14. Equipamento de perfuração utilizado ....................................................... 108
Figura 3.15. Execução das estacas escavadas. .......................................................... 108
Figura 3.16. Armadura das estacas-teste. ................................................................... 109
Figura 3.17. Armadura das estacas de reação............................................................. 109
Figura 3.18. Colocação das armaduras das estacas- teste. ........................................ 110
Figura 3.19. Detalhe da instrumentação instalada nas estacas-teste. ......................... 110
Figura 3.20. Estaca-teste concretada e proteção da instrumentação. ......................... 110
Figura 3.21. Armadura da estaca de reação depois de inserida no furo. ..................... 111
Figura 3.22. Implantação topográfica do tirante de reação. ......................................... 111
Figura 3.23. Estaca de reação concretada com tirante em arranque. .......................... 111
Figura 3.24. Geometria dos radiers estaqueados. ....................................................... 111
Figura 3.25. Detalhe da armadura do bloco de 1 estaca. ............................................. 112
Figura 3.26. Perspectiva 3D da armação do bloco de 1 estaca. .................................. 112
Figura 3.27. Detalhe da armadura do bloco de 2 estacas. ........................................... 112
Figura 3.28. Perspectiva 3D da armação do bloco de 2 estacas. ................................ 112
Figura 3.29. Detalhe da armadura do bloco de 3 estacas. ........................................... 113
Figura 3.30. Perspectiva 3D da armação do bloco de 3 estacas. ................................ 113
Figura 3.31. Detalhe da armadura do bloco de 4 estacas. ........................................... 113
Figura 3.32. Perspectiva 3D da armação do bloco de 4 estacas. ................................ 113
Figura 3.33. Exemplo de radier estaqueado. ............................................................... 114
Figura 3.34. Armadura do radier de 1 estaca (CC1 EXP). ........................................... 114
Figura 3.35. Concretagem dos radiers de 1 estaca (CC1 EXP). .................................. 114
Figura 3.36. Armadura do radier de 2 estacas (CC2 EXP). ......................................... 114
Figura 3.37. Concretagem do radier de 2 estacas (CC2 EXP). .................................... 114
Figura 3.38. Armadura do radier de 3 estacas (CC3 EXP). ......................................... 115
Figura 3.39. Concretagem do radier de 3 estacas (CC3 EXP). .................................... 115
Figura 3.40. Armadura do radier de 4 estacas (CC4 EXP). ......................................... 115
Figura 3.41. Concretagem do radier de 4 estacas (CC4 EXP). .................................... 115
Figura 3.42. Radier estaqueado CC3 EXP com laterais escavadas. ........................... 116
Figura 3.43. Radier estaqueado CC2 EXP com laterais escavadas. ........................... 116
Figura 3.44. Distribuição dos blocos estaqueados testes e estacas de reação. .......... 117
xxiii
Figura 3.45. Strain gages colados ao CPs de concreto. .............................................. 118
Figura 3.46. Corpos de prova instrumentados para rompimento. ................................ 118
Figura 3.47. Prensa de ruptura..................................................................................... 118
Figura 3.48. Processo de rompimento com sistema de aquisição de dados. ............... 118
Figura 3.49. Curva tensão-deformação dos corpos de prova ensaiados. .................... 119
Figura 3.50. Posicionamento da instrumentação ao longo do fuste da estaca. ........... 121
Figura 3.51. Strain Gage EXCEL. ................................................................................ 122
Figura 3.52. Fixação da roseta extensométrica............................................................ 122
Figura 3.53. Ligações ao extensômetro. ...................................................................... 123
Figura 3.54. Ligação dos fios de conexão. ................................................................... 123
Figura 3.55. Ligações completas.................................................................................. 123
Figura 3.56. Aplicação de resina protetora. .................................................................. 123
Figura 3.57. Instrumentação completa e pronta para aplicação. .................................. 123
Figura 3.58. Croqui em vista frontal do Sistema de Reação Principal. ......................... 124
Figura 3.59. Detalhe “A” de travamento superior na viga de reação com a porca (Dywidag,
2014). ........................................................................................................................... 125
Figura 3.60. Detalhe “B” da emenda entre tirantes (Dywidag, 2014). .......................... 125
Figura 3.61. Sistema de reação da prova de carga do radier estaqueado CC1. .......... 126
Figura 3.62. Medidores de recalque no radier de 1 estaca. ......................................... 127
Figura 3.63. Medidores de recalque no radier de 2 estacas. ....................................... 127
Figura 3.64. Sistema de aquisição de dados durante uma prova de carga. ................. 128
Figura 3.65. Detalhe do QuantumX Assistant 840, da HBM. ....................................... 128
Figura 3.66. Software Catman Easy, durante realização de prova de carga. .............. 128
Figura 4.1. Valores de constante de recalque versus rigidez relativa, obtidos com o LCPC
– CESAR para uma estaca isolada com 20 metros de comprimento e relação H/L igual a
4,0 (FREITAS NETO, 2013). ........................................................................................ 131
Figura 4.2. Resultados obtidos para radier sobre 9 estacas quadradas de 17 metros de
comprimento (FREITAS NETO, 2013). ........................................................................ 132
Figura 4.3. Valores de recalque médio no radier de 15 estacas, carga admissível igual a
12 MN e FS igual a 2,60, obtidos na literatura e pelo método dos elementos finitos (LCPC-
Cesar) (FREITAS NETO, 2013). .................................................................................. 134
xxiv
Figura 4.4. Modelo Numérico (BRINKGREVE, 2002). ................................................. 135
Figura 4.5. Deslocamentos na extremidade da malha de elementos finitos. ............... 137
Figura 4.6. Variação do recalque em função do número de nós. ................................. 138
Figura 4.7. Variação do recalque em função do número de elementos. ...................... 139
Figura 4.8. Dimensão da malha de elementos finitos e condições de contorno. .......... 139
Figura 4.9. Perspectiva da malha de elementos finitos do radier estaqueado CC1 NUM.
..................................................................................................................................... 140
Figura 4.10. Perspectiva da malha de elementos finitos do radier estaqueado CC2 NUM.
..................................................................................................................................... 140
Figura 4.11. Perspectiva da malha de elementos finitos do radier estaqueado CC3 NUM.
..................................................................................................................................... 141
Figura 4.12. Perspectiva da malha de elementos finitos do radier estaqueado CC4 NUM.
..................................................................................................................................... 141
Figura 4.13. Curva carga x recalque experimental e numérica de 1 estaca. ................ 142
Figura 4.14. Transferência de carga obtida pela análise numérica de 1 estaca........... 143
Figura 5.1. Cargas de ruptura para os radiers estaqueados experimentais. ................ 147
Figura 5.2. Curva carga x recalque do radier estaqueado de 1 estaca. ....................... 148
Figura 5.3. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado de 1 estaca.
..................................................................................................................................... 149
Figura 5.4. Distribuição de carga no radier estaqueado de 1 estaca. .......................... 150
Figura 5.5. Variação do fator de segurança e recalque para o radier de 1 estaca. ...... 151
Figura 5.6. Deslocamentos no radier estaqueado CC1 NUM por estágios de carga. .. 152
Figura 5.7. Compressão no radier estaqueado CC1 NUM por estágios de carga........ 153
Figura 5.8. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC1 NUM. ......................... 155
Figura 5.9. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC1 NUM.
..................................................................................................................................... 155
Figura 5.10. Distribuição de carga no radier estaqueado CC1 NUM. ........................... 156
Figura 5.11. Fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC1 NUM. ..... 157
Figura 5.12. Deslocamentos no grupo de estacas SC1 NUM por estágios de carga. .. 158
Figura 5.13. Compressão no grupo de estacas SC1 NUM por estágios de carga. ...... 159
Figura 5.14. Curva carga x recalque do grupo de estacas SC1 NUM. ......................... 160
xxv
Figura 5.15. Transferência de carga média na estaca do grupo de estacas SC1 NUM.
..................................................................................................................................... 161
Figura 5.16. Distribuição de carga no grupo de estacas SC1 NUM. ............................ 162
Figura 5.17. Fator de segurança e recalque para o grupo de estacas SC1 NUM. ....... 163
Figura 5.18. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC1 EXP x CC1 NUM.
..................................................................................................................................... 164
Figura 5.19. Distribuição de Carga entre CC1 EXP x CC1 NUM. ................................ 165
Figura 5.20. Transferência de carga na estaca dos radiers estaqueados CC1EXP e
CC1NUM. ..................................................................................................................... 166
Figura 5.21. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC1 EXP x
CC1 NUM. .................................................................................................................... 166
Figura 5.22. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC1 EXP x CC1 NUM. ........................................................................... 167
Figura 5.23. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC1 EXP x CC1 NUM. ................................................................................................. 168
Figura 5.24. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC1 NUM x SC1 NUM.
..................................................................................................................................... 170
Figura 5.25. Distribuição de carga entre CC1 NUM x SC1 NUM. ................................ 171
Figura 5.26. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC1 NUM x
SC1 NUM. .................................................................................................................... 172
Figura 5.27. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC1 NUM x SC1 NUM. ........................................................................... 173
Figura 5.28. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC1 NUM x SC1 NUM. ................................................................................................ 173
Figura 5.29. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC2 EXP. ........................ 176
Figura 5.30. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC2 EXP.
..................................................................................................................................... 176
Figura 5.31. Distribuição de carga no radier estaqueado CC2 EXP............................. 177
Figura 5.32. Variação do fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC2
EXP. ............................................................................................................................. 178
Figura 5.33. Deslocamentos no radier estaqueado CC2 NUM por estágios de carga. 180
xxvi
Figura 5.34. Compressão no radier estaqueado CC2 NUM por estágios de carga...... 181
Figura 5.35. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC2 NUM. ....................... 182
Figura 5.36. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC2 NUM.
..................................................................................................................................... 183
Figura 5.37. Distribuição de carga no radier estaqueado CC2 NUM. ........................... 184
Figura 5.38. Fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC2 NUM. ..... 184
Figura 5.39. Deslocamentos no grupo de estacas SC2 NUM por estágios de carga. .. 186
Figura 5.40. Compressão no grupo de estacas SC2 NUM por estágios de carga. ...... 187
Figura 5.41. Curva carga x recalque do grupo de estacas SC2 NUM. ......................... 188
Figura 5.42. Transferência de carga média na estaca do grupo de estacas SC2 NUM.
..................................................................................................................................... 189
Figura 5.43. Distribuição de carga no grupo de estacas SC2 NUM. ............................ 189
Figura 5.44. Fator de segurança e recalque para o grupo de estacas SC2 NUM. ....... 190
Figura 5.45. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC2 EXP x CC2 NUM.
..................................................................................................................................... 191
Figura 5.46. Distribuição de Carga entre CC2 EXP x CC2 NUM. ................................ 192
Figura 5.47. Transferência de carga na estaca dos radiers estaqueados CC2EXP e
CC2NUM. ..................................................................................................................... 193
Figura 5.48. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC2 EXP x
CC2 NUM. .................................................................................................................... 194
Figura 5.49. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC2 EXP x CC2 NUM. ........................................................................... 195
Figura 5.50. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC2 EXP x CC2 NUM. ................................................................................................. 196
Figura 5.51. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC2 NUM x SC2 NUM.
..................................................................................................................................... 198
Figura 5.52. Distribuição de carga entre CC2 NUM x SC2 NUM. ................................ 199
Figura 5.53. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC2 NUM x
SC2 NUM. .................................................................................................................... 200
Figura 5.54. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC2 NUM x SC2 NUM. ........................................................................... 201
xxvii
Figura 5.55. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC2 NUM x SC2 NUM. ................................................................................................ 202
Figura 5.56. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC3 EXP. ........................ 203
Figura 5.57. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC3 EXP.
..................................................................................................................................... 204
Figura 5.58. Distribuição de carga no radier estaqueado CC3 EXP............................. 205
Figura 5.59. Variação do fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC3
EXP. ............................................................................................................................. 206
Figura 5.60. Deslocamentos no radier estaqueado CC3 NUM por estágios de carga. 208
Figura 5.61. Compressão no radier estaqueado CC3 NUM por estágios de carga...... 209
Figura 5.62. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC3 NUM. ....................... 210
Figura 5.63. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC3 NUM.
..................................................................................................................................... 211
Figura 5.64. Distribuição de carga no radier estaqueado CC3 NUM. ........................... 211
Figura 5.65. Fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC3 NUM. ..... 212
Figura 5.66. Deslocamentos no grupo de estacas SC3 NUM por estágios de carga. .. 214
Figura 5.67. Compressão no grupo de estacas SC3 NUM por estágios de carga. ...... 215
Figura 5.68. Curva carga x recalque do grupo de estacas SC3 NUM. ......................... 216
Figura 5.69. Transferência de carga nas estacas do grupo de estacas SC3 NUM. ..... 217
Figura 5.70. Distribuição de carga no grupo de estacas SC3 NUM. ............................ 217
Figura 5.71. Fator de segurança e recalque para o grupo de estacas SC3 NUM. ....... 218
Figura 5.72. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC3 EXP x CC3 NUM.
..................................................................................................................................... 219
Figura 5.73. Distribuição de Carga entre CC3 EXP x CC3 NUM. ................................ 220
Figura 5.74. Transferência de carga nas estacas dos radiers estaqueados CC3EXP e
CC3NUM. ..................................................................................................................... 221
Figura 5.75. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC3 EXP x
CC3 NUM. .................................................................................................................... 222
Figura 5.76. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC3 EXP x CC3 NUM. ........................................................................... 223

xxviii
Figura 5.77. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC3 EXP x CC3 NUM. ................................................................................................. 224
Figura 5.78. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC3 NUM x SC3 NUM.
..................................................................................................................................... 226
Figura 5.79. Distribuição de carga entre CC3 NUM x SC3 NUM. ................................ 227
Figura 5.80. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC3 NUM x
SC3 NUM. .................................................................................................................... 228
Figura 5.81. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC3 NUM x SC3 NUM. ........................................................................... 229
Figura 5.82. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC3 NUM x SC3 NUM. ................................................................................................ 230
Figura 5.83. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC4 EXP. ........................ 231
Figura 5.84. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC4 EXP.
..................................................................................................................................... 232
Figura 5.85. Distribuição de carga no radier estaqueado CC4 EXP............................. 233
Figura 5.86. Variação do fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC4
EXP. ............................................................................................................................. 234
Figura 5.87. Deslocamentos no radier estaqueado CC4 NUM por estágios de carga. 236
Figura 5.88. Compressão no radier estaqueado CC4 NUM por estágios de carga...... 237
Figura 5.89. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC4 NUM. ....................... 238
Figura 5.90. Transferência de carga nas estacas do radier estaqueado CC4 NUM. ... 239
Figura 5.91. Distribuição de carga no radier estaqueado CC4 NUM. ........................... 240
Figura 5.92. Fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC4 NUM. ..... 241
Figura 5.93. Deslocamentos no grupo de estacas SC4 NUM por estágios de carga. .. 242
Figura 5.94. Compressão no grupo de estacas SC4 NUM por estágios de carga. ...... 243
Figura 5.95. Curva carga x recalque do grupo de estacas SC4 NUM. ......................... 244
Figura 5.96. Transferência de carga média na estaca do grupo de estacas SC4 NUM.
..................................................................................................................................... 245
Figura 5.97. Distribuição de carga no grupo de estacas SC4 NUM. ............................ 246
Figura 5.98. Fator de segurança e recalque para o grupo de estacas SC4 NUM. ....... 246

xxix
Figura 5.99. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC4 EXP x CC4 NUM.
..................................................................................................................................... 247
Figura 5.100. Distribuição de Carga entre CC4 EXP x CC4 NUM. .............................. 248
Figura 5.101. Transferência de carga nos radiers estaqueados CC4 EXP e CC4 NUM.
..................................................................................................................................... 250
Figura 5.102. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC4 EXP x
CC4 NUM. .................................................................................................................... 250
Figura 5.103. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC4 EXP x CC4 NUM. ........................................................................... 251
Figura 5.104. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC4 EXP x CC4 NUM. ................................................................................................. 252
Figura 5.105. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC4 NUM x SC4 NUM.
..................................................................................................................................... 254
Figura 5.106. Distribuição de carga entre CC4 NUM x SC4 NUM. .............................. 255
Figura 5.107. Fator de segurança e recalque dos radiers estaqueados CC4 NUM x SC4
NUM. ............................................................................................................................ 256
Figura 5.108. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC4 NUM x SC4 NUM. ........................................................................... 257
Figura 5.109. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC4 NUM x SC4 NUM. ................................................................................................ 258
Figura 6.1. Curvas carga x recalque para os radiers experimentais (CC1 EXP, CC2 EXP,
CC3 EXP e CC4 EXP). ................................................................................................ 259
Figura 6.2. Curvas carga x recalque dos radiers numéricos. ....................................... 260
Figura 6.3. Curvas carga x recalque dos grupos de estacas numéricos. ..................... 260
Figura 6.4. Carga de ruptura dos radiers estaqueados. ............................................... 262
Figura 6.5. Carga de ruptura de radiers estaqueados x grupos de estacas. ................ 264
Figura 6.6. Carga média na ponta das estacas nos radiers estaqueados experimentais.
..................................................................................................................................... 266
Figura 6.7. Participação da resistência de ponta nos radiers estaqueados experimentais.
..................................................................................................................................... 266
Figura 6.8. Resistência por atrito lateral por radier estaqueado CC EXP. .................... 267
xxx
Figura 6.9. Participação do atrito lateral para os radiers estaqueados CC EXP. ......... 268
Figura 6.10 Carga devido ao contato por radiers estaqueados CC EXP. .................... 269
Figura 6.11 Participação devido ao contato para os radiers estaqueados CC EXP. .... 270
Figura 6.12. Curvas de tensão aplicada no solo pelos radiers estaqueados ............... 270
Figura 6.13 Participação de carga entre atrito lateral, ponta e contato radier solo para os
radiers estaqueados experimentais. ............................................................................. 271
Figura 6.14 Variação das relações de área dos radiers estaqueados CC EXP. .......... 273
Figura 6.15 Variação da carga de ruptura pela relação de área dos radiers estaqueados
CC EXP. ....................................................................................................................... 273
Figura 6.16 Carga em função de (Aest) / (Atotal)............................................................. 274
Figura 6.17 Participação de carga em função de (Aest) / (Atotal). ................................... 274
Figura 6.18 Variação da carga de ruptura em fundação da relação de áreas dos radiers
estaqueados experimentais.......................................................................................... 275
Figura 6.19 Participação de carga em função de (Aliq) / (Atotal)..................................... 276
Figura 6.20 Comparativo da participação do atrito lateral entre os radiers estaqueados
experimentais e numéricos em relação à carga total da estaca. .................................. 277
Figura 6.21. Comparativo da participação da ponta entre os radiers estaqueados CC EXP
e CC NUM em relação à carga total da estaca. ........................................................... 278
Figura 6.22 Comparativo da participação das estacas dos radiers estaqueados......... 278
Figura 6.23. Contribuição do contato radier solo entre os radiers estaqueados........... 279
Figura 6.24 Comparativo da participação da ponta entre o radier estaqueado e o grupo
de estacas em relação à carga total da estaca. ........................................................... 281
Figura 6.25 Comparativo da participação do atrito lateral entre o radier estaqueado e o
grupo de estacas em relação à carga total da estaca. ................................................. 281
Figura 6.26 Recalque médio normalizado com fator de segurança global para os radiers
estaqueados experimental e numérico. ........................................................................ 282
Figura 6.27 Recalque médio normalizado com fator de segurança global para os radiers
estaqueados x grupo de estacas.................................................................................. 283
Figura 6.28 Participação entre a carga das estacas () e do radier (Pr) em relação à carga
total do radier estaqueado experimental (Pt). .............................................................. 284

xxxi
Figura 6.29 Variação de Kpr em função da carga de ruptura para os radiers estaqueados
experimentais. .............................................................................................................. 285
Figura C.0.1. Curvas carga x recalque para os radiers estaqueados experimentais (CC1
EXP, CC2 EXP, CC3 EXP e CC4 EXP). ...................................................................... 309
Figura C.0.2. Curvas carga x recalque para os radiers estaqueados numéricos (CC1
NUM, CC2 NUM, CC3 NUM e CC4 NUM). .................................................................. 309
Figura C.0.3. Curvas carga x recalque para os grupos de estacas (SC1 NUM, SC2 NUM,
SC3 NUM e SC4 NUM). ............................................................................................... 310
Figura D 0.1. Resultado do método da rigidez para o radier estaqueado CC1 EXP .... 313
Figura D 0.2. Resultado do método da rigidez para o radier estaqueado CC2 EXP .... 313
Figura D 0.3. Resultado do método da rigidez para o radier estaqueado CC3 EXP .... 314
Figura D 0.4. Resultado do método da rigidez para o radier estaqueado CC4 EXP .... 314

xxxii
LISTA DE TABELA
Tabela 2.1. Métodos de cálculo em radier estaqueado (FREITAS NETO, 2013)........... 41
Tabela 2.2. Fórmulas empíricas para RS do grupo de estacas em solo arenoso. .......... 54
Tabela 2.3. Parâmetros dos materiais usados nas análises. ......................................... 72
Tabela 2.4. Resumo das configurações de estacas numéricas: análises realizadas. .... 73
Tabela 3.1. Índices Físicos (GON, 2011). ...................................................................... 97
Tabela 3.2. Classificação do solo através do ensaio CPT. .......................................... 105
Tabela 3.3. Parâmetros do solo determinados em laboratório (GON, 2011). .............. 106
Tabela 3.4. Propriedades dos tirantes especiais informadas pelo fabricante. .............. 109
Tabela 3.5. Características geométricas dos radiers estaqueados. ............................. 112
Tabela 3.6. Resultados do ensaio de resistência a compressão.................................. 119
Tabela 3.7. Parâmetros do concreto empregados nas análises numéricas. ................ 120
Tabela 4.1. Parâmetros geométricos e elásticos utilizados nas análises do caso de uma
estaca isolada quadrada (FREITAS NETO, 2013). ...................................................... 131
Tabela 4.2. Parâmetros geométricos e elásticos utilizados nas análises do caso do radier
sobre 9 estacas quadradas (FREITAS NETO, 2013). .................................................. 132
Tabela 4.3. Parâmetros utilizados nas análises do caso do radier sobre 9 e 15 estacas
por Poulos et al., (1997) (FREITAS NETO, 2013). ....................................................... 133
Tabela 4.4. Resultados dos testes de refinamento da malha de elementos finitos. ..... 138
Tabela 4.5. Parâmetros do solo resultantes da retroanálise ........................................ 144
Tabela 4.6. Parâmetros do aço e concreto .................................................................. 144
Tabela 5.1. Valores da carga de ruptura via Método da Rigidez. ................................. 146
Tabela 6.1 Comparativo entre cargas dos radiers estaqueados. ................................. 261
Tabela 6.2 Relação entre as cargas de ruptura dos radiers estaqueados. .................. 263
Tabela 6.3 Comparativo entre cargas dos radiers estaqueados e grupos de estacas. 263
Tabela 6.4 Relação das cargas de ruptura dos radiers estaqueados e grupos de estacas.
..................................................................................................................................... 265
Tabela 6.5 Relação de áreas dos radiers estaqueados. .............................................. 272
Tabela C0.1 Valores de carga e deslocamento obtidos para os radiers estaqueados
(experimental e numérico) e grupo de estacas (numérico) .......................................... 311
Tabela D.0.1. Valores médios de fs, qc e Rf (RODRIGUEZ, 2013). ............................ 319
xxxiii
xxxiv
LISTA DE SÍMBOLOS

α - fator de incremento de capacidade de carga do grupo devido à interação;


αPG,ult - eficiência do grupo de estacas em um radier estaqueado;
αpr - fator que identifica a distribuição de cargas entre o bloco e as estacas;
αR,ult - eficiência do topo em um radier estaqueado;
αrp - fator de interação entre estacas e o bloco;
L - variação da relação carga estacas / carga total;
β - fator e incremento de capacidade de carga da sapata devido à presença do grupo de
estacas;
c - peso específico do concreto (radier e estacas);
s - peso específico do solo;
máx - recalque relativo máximo de ensaio;
r - deformação radial do corpo de prova de concreto;
v - deformação vertical do corpo de prova de concreto;
s - coeficiente de Poisson do solo;
 - coeficiente de Poisson;
c - coeficiente de Poisson do concreto;
 - recalque;
máx - recalque máximo do radier;
𝜎ℎ′ - tensão horizontal efetiva do solo;
𝜎𝑣′ - tensão vertical efetiva do solo;
s - resistência por atrito lateral;
 - ângulo de atrito do solo;
e - diâmetro nominal da estaca;
Aa - área da seção útil de aço em planta;
AB - área da ponta da estaca;
Ac - área da seção útil de concreto em planta;
Ae - área da seção da estaca;
Aliq - área líquida do radier (Aliq = Ar - n·Ae)
xxxv
Ar - área total do radier em planta;
AS - área lateral do fuste da estaca;
B/L - relação de esbeltez do radier estaqueado;
Br - lado menor do radier em planta;
c - coesão total do solo;
c’ - coesão efetiva do solo;
d - diâmetro da estaca;
d/L - índice de esbeltez da estaca;
dc - diâmetro do radier em contato;
de - diâmetro da estaca;
Ea - módulo de deformabilidade do aço;
Ec - módulo de deformabilidade do concreto;
Ecomposto - módulo de deformabilidade composta;
Ee - módulo de deformabilidade da estaca;
Er - módulo de deformabilidade do radier;
Es - módulo de deformabilidade do solo;
FSUR - fator de segurança último (Mandolini, 2005);
H - altura da camada de solo (meio);
hr - altura do radier;
IP - índice de plasticidade;
k0 - coeficiente de empuxo em repouso;
Kes - coeficiente de rigidez entre estaca e solo.
Kp - rigidez do grupo de estacas;
Kpr - rigidez do radier estaqueado;
Kr - rigidez do radier isolado;
Ks - rigidez axial da estaca;
L - comprimento da estaca;
Le - comprimento da estaca;
Lr - lado maior do radier em planta;
M - momento fletor atuante;
n - número de estacas;
xxxvi
n - número de estacas;
NSPT - número de golpes necessários para cravar os últimos 30 cm do amostrador;
P - carga vertical concentrada;
P1 - carga pontual concentrada;
PK - carga pontual;
qB - resistência de base;
QBF - capacidade de carga última;
Qc - capacidade de carga da sapata isolada;
qc - resistência de ponta do cone;
Qf - carregamento final aplicado;
Qg - capacidade de carga do grupo de estacas;
Qmáx - carga máxima de ensaio;
Qp - reação de ponta;
QPG - carga de ponta da estaca;
QPR - Carga estrutural;
QR - carga no topo da estaca;
qsj - carregamento distribuído;
Qt - capacidade de carga da sapata estaqueada;
Rc - resistência à compressão;
Rg - fator de redução de grupo;
RUR - resistência última (Mandolini, 2005);
S - espaçamento entre estacas;
s - recalque;
SPR - recalque do radier estaqueado;
SR - recalque do radier isolado;
u - teor de umidade da amostra de solo;
VUR - carga última (Mandolini, 2005);
w - recalque;
WADM - recalque admissível;
WC - limite de Contração;
WL - limite de Liquidez;
xxxvii
WP - limite de Plasticidade;
WUR - recalque máximo (Mandolini, 2005);
CPT - Cone Penetration Test;
DMT - Flat Dilatometer Test;
CC1 EXP - Radier estaqueado experimental com 1 estaca;
CC2 EXP - Radier estaqueado experimental com 2 estacas;
CC3 EXP - Radier estaqueado experimental com 3 estacas;
CC4 EXP - Radier estaqueado experimental com 4 estacas;
CC1 NUM- Radier estaqueado numérico com 1 estaca;
CC2 NUM - Radier estaqueado numérico com 2 estacas;
CC3 NUM - Radier estaqueado numérico com 3 estacas;
CC4 NUM - Radier estaqueado numérico com 4 estacas;
SC1 NUM - Grupo de estacas numérico com 1 estaca;
SC2 NUM - Grupo de estacas numérico com 2 estacas;
SC3 NUM - Grupo de estacas numérico com 3 estacas;
SC4 NUM - Grupo de estacas numérico com 4 estacas;

xxxviii
1 INTRODUÇÃO
No Estado de São Paulo, assim como nos demais estados da Federação
Brasileira, a construção civil tem apresentado um elevado índice de crescimento.
Grandes e pequenos empreendimentos comerciais, industriais e multifamiliares são
lançados semanalmente; além das obras de reforma e construções unifamiliares. A
verticalização das cidades, com edifícios cada vez mais altos, faz com que as cargas
estruturais fiquem cada vez mais elevadas e concentradas, demandando-se pilares em
maior número ou com seções transversais maiores. As consequências dessas mudanças
fazem com que os elementos de fundação necessitem ser adequados em função dos
carregamentos, permitindo a dissipação dessas cargas junto ao maciço de maneira
eficiente.
Para esses empreendimentos é comum o emprego de estacas como opção de
fundação, principalmente pelas características do subsolo, onde suas propriedades
superficiais não permitem o emprego de fundação direta, devido à existência de alguma
limitação geotécnica, como, por exemplo, elevada porosidade e/ou pelo caráter
colapsível ou por apresentarem recalques excessivos frente às cargas. Na região de
Campinas, pode-se afirmar que grande parte das fundações empregadas são profundas,
sendo as estacas escavadas a trado as mais comuns, trabalhando em grupo, como parte
integrante de um bloco de coroamento. Essa denominação ocorre devido ao fato de que
o bloco de coroamento não tem sua capacidade de carga levada em consideração no
dimensionamento geotécnico, mesmo sabendo-se que existe o contato bloco-solo
quando este for efetivamente executado. Quando o contato de um elemento superficial
de fundação (bloco, sapatas ou radier) contribuir na capacidade de carga
simultaneamente com fundações profundas (estacas), pode-se denominar tal elemento
como radier estaqueado. A definição do termo radier estaqueado pode ser designada a
qualquer elemento superficial que se apoia não somente em estaca ou estacas, mas que
também recebe suporte do terreno em que se apoia e que de alguma forma
inter-relaciona os efeitos de carga e recalque entre os demais elementos: solo, estaca e
elemento superficial de contato, sendo comum a utilização de alguns termos como
sapata, bloco e radier, que possuam estaca ou estacas em sua formação como elemento
estrutural.
1
Janda et al. (2009) citam que o termo radier estaqueado é mencionado em grande
parte dos artigos como “um sistema de fundação em que as estacas e o radier interagem
uns com os outros e com o solo adjacente para sustentar cargas verticais, horizontais e
momentos provenientes da superestrutura”.
Mandolini et al. (2013) sugerem uso do “conceito radier estaqueado”, que é a de
considerar estacas "cooperando" com radier em vez de ser considerada como uma
"alternativa" para o radier.
O radier estaqueado é então considerado um elemento de fundação de múltiplas
interfaces, dentre os quais as estacas que estão sob o radier se inter-relacionam. Por
outro lado, sabe-se que o comportamento de uma estaca isolada diverge ao de uma
estaca pertencente a um grupo, principalmente se este grupo estiver “coroado” por um
elemento de fundação superficial que contribuirá na capacidade de carga do sistema,
tornando-se assim, um modelo de radier estaqueado.
É de conhecimento da comunidade geotécnica que na maior parte dos projetos de
fundações avalia-se o comportamento da fundação sem considerar o efeito de contato
do elemento de fundação superficial (bloco/sapata/radier) no solo. Entretanto, sabe-se
que uma fundação composta por sapata estaqueada ou radier estaqueado tem maior
eficiência na redução dos recalques, pois o contato do elemento de fundação superficial
contribui para o desempenho de capacidade de carga e redução do recalque para o
sistema.
Os primeiros passos sobre o conhecimento do sistema “radier estaqueado”
surgiram em fundações superficiais (rasas), em terrenos nos quais a camada de solo
superficial é resistente o suficiente para atender à capacidade de carga, e que os
recalques absolutos ou diferenciais chegam a atingir valores inadmissíveis para a
estrutura de uma edificação. Nesse contexto, uma maneira de reduzir os recalques
excessivos é por meio da introdução de estacas nas fundações superficiais (sapatas,
blocos ou radiers), denominando-os de radier estaqueado.
Devido à complexidade nas interações do sistema radier estaqueado, utiliza-se
uma ferramenta numérica para melhor compreender o processo de interação entre solo-
estaca, estaca-estaca, radier-estaca e radier-solo. O emprego da instrumentação por
strain-gages instaladas em estacas facilitam o entendimento da complexidade do
2
comportamento desse tipo de fundação. Em virtude dessas premissas, existe a
possibilidade de promover uma melhoria e racionalização no projeto de fundações
estaqueadas em sua quantidade, posição, profundidade e diâmetro das estacas.

1.1 Justificativa

No Brasil poucos trabalhos foram desenvolvidos sobre o tema comportamento de


radiers estaqueados trabalhando como elemento de transferência. Na região de
Campinas empregam-se, em grande parte de suas edificações, fundações profundas em
estacas e, principalmente, do tipo escavada a seco, pois o nível d’água encontra-se
geralmente a mais de 15m de profundidade. Sendo assim, é importante que se conheça
o comportamento e as formas de interações que ocorrem no sistema solo-estaca-radier
(sapata/bloco/radier). Os resultados que serão obtidos por intermédio desta tese poderão
contribuir significativamente para o conhecimento do comportamento de carga e
recalque, representando, assim, um avanço no dimensionamento de fundações
profundas por radiers estaqueados para a comunidade geotécnica, principalmente aos
projetistas de fundações.

1.2 Objetivo

Esta tese tem como objetivo analisar o comportamento de radiers estaqueados


executados em solo de diabásio da região de Campinas/SP, utilizando-se blocos de
fundação com uma, duas, três e quatro estacas, ensaiados por meio de provas de carga
e análises numéricas.
Dessa forma, pretende-se chegar à compreensão sobre alguns aspectos, tais
como os enumerados a seguir:
 Modelo de ruptura de estaca isolada vs. sistema em radier estaqueado;
 Mecanismo de transferência de carga e recalque de radiers estaqueados;
 Influência do contato no comportamento carga x recalque;
 Determinar as peculiares do comportamento experimental e numérico;

3
 Determinar as características do radier estaqueado (radier e estacas) que exercem
influência na análise do comportamento da sua curva carga x recalque.
Com o resultado desta pesquisa pretende-se determinar, a partir dos parâmetros
de resistência do solo e do concreto empregado no radier e nas estacas, qual o método
de análise mais apropriado, diretrizes para elaboração de projetos racionais e melhorias
na técnica construtiva dos radiers estaqueados.

4
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Apresenta-se neste capítulo, um breve histórico sobre os primeiros estudos de
radiers estaqueados no Brasil e no mundo, assim como são apresentados os principais
aspectos sobre definição e conceito de radier estaqueado, inclusive os modelos de
interação, ruptura e comportamento observados para esse tipo de fundação.
A técnica de radier estaqueado vem sendo intensamente pesquisada por muitos
especialistas que concentraram seus esforços, quer do ponto de vista teórico,
experimental e numérico sobre o comportamento desse tipo de fundação estaqueada.
Dentre os vários trabalhos destacam-se: Cunha e Sales (1998), Sales et al. (1999, 2001,
2002 e 2005), Sales (2000), Cunha et al. (2000, 2001, 2004, 2006 e 2010), Poulos (2001,
2008, 2011), De Sanctis e Mandolini (2003, 2006), Bezerra e Cunha (2002), Mandolini
(2003), Reul (2003, 2004), Mandolini et al. (2005), Anjos (2006), Janda et al. (2009),
Sousa (2010), Lee et al. (2010), Soares (2011), Viggiani et al. (2011), Poulos (2011),
Mandolini et al. (2013), Mendoza (2013); Freitas Neto (2013), Cunha e Pando (2013),
Russo et al. (2013), entre outros.

2.1 Histórico de radier estaqueado

O fator histórico é de grande importância, pois permite estabelecer um


entendimento entre as experiências anteriormente analisadas e a direção para onde
deverão verter os novos experimentos.
A técnica do emprego do radier estaqueado foi desenvolvida por Zeevaert (1957),
com o objetivo de reduzir, até certo valor desejado, os recalques de uma fundação por
sapata, mediante a implantação de um determinado número de estacas para apoio
parcial destas (TEIXEIRA, 1996).
Um dos primeiros estudos teóricos que considera a contribuição do bloco apoiado
no solo superficial em um radier estaqueado foi de Kishida e Meyerhof (1965). De acordo
com a Figura 2.1b, para estacas com espaçamento elevado (s>4), a capacidade de
carga da fundação seria a soma da capacidade de carga do radier com a do grupo de

5
estacas. Para estacas pouco espaçadas, ocorreria uma ruptura de todas as estacas em
conjunto ou “pilar equivalente” (Figura 2.1a).

Figura 2.1. Formas de ruptura de um radier estaqueado (modificado PHUNG, 1993).

Quanto ao comportamento carga x recalque de uma fundação com a presença de


um elemento superficial associado a uma estaca, o primeiro trabalho teórico pode ser
atribuído a Poulos (1968), conforme apresentado na Figura 2.2.

Figura 2.2. Efeito do contato em estaca isolada (modificado POULOS, 1968).

6
Poulos (1968) considerou a interação estaca/bloco para uma estaca isolada sob
um radier em contato com o solo. O autor considerou o solo como um semiespaço
elástico e o radier em contato com o solo, coroando as estacas como um elemento rígido.
Denominando-se por “L” o comprimento da estaca, “d” o diâmetro da estaca e “dc” o
diâmetro do radier circular com contato. O autor concluiu que, quanto menor o
comprimento da estaca em relação ao seu diâmetro (L/d), maior a influência do contato
na redução de recalques (Figura 2.2). Também observou que para estacas curtas (L/d <
10) a existência do contato não deve ser desprezada.
A capacidade de carga do radier estaqueado não é apenas a soma algébrica das
capacidades individuais de cada elemento do conjunto, porém, poderá ser maior, em face
da interação existente entre as partes; e em função de características próprias do
conjunto ensaiado e do tipo de solo a contribuição do radier na capacidade de carga pode
variar (AKINMUSURU, 1980).
O estudo de Akinmusuru (1973) com modelos reduzidos em areia foi, talvez, o
primeiro a analisar, em um mesmo solo, o comportamento da sapata isolada, da estaca
isolada e do grupo de estacas e com o contato com a superfície, a fim de se obter a
parcela de contribuição da interação radier/estacas. O autor concluiu que a capacidade
de carga de uma sapata estaqueada é superior à soma algébrica da capacidade de carga
da sapata isolada e do grupo de estacas, ou seja, há uma inter-relação entre a fundação
superficial com a fundação profunda quando se utiliza o sistema de sapatas com estacas,
de acordo com a equação 4.1:

𝑄𝑡 = 𝛼𝑄𝑔 + 𝛽𝑄𝑐 (4.1)

Onde: Qt = capacidade de carga da sapata estaqueada; Qg = capacidade de carga


do grupo de estacas; Qc = capacidade de carga da sapata isolada; α = fator de incremento
de capacidade de carga do grupo devido à interação; β = fator e incremento de
capacidade de carga da sapata devido à presença do grupo de estacas.

Os ensaios de Akinmusuru (1973) indicaram que a contribuição do bloco em


contato com o solo é função de seu tamanho e do comprimento das estacas. Entretanto,
preconiza que, de uma forma geral, a parcela de capacidade de carga das estacas (Qg)
7
é a mais influenciada (aumentada) ao se considerar a interação bloco/solo/estacas,
resultando em α >> β. Sugere, portanto, desprezar β, adotando β 1 na equação 4.1. A
seguir, a Figura 2.3 apresenta os valores dos parâmetros α, α’ e β.

Figura 2.3. Fatores de incremento na capacidade de carga das estacas e do bloco devido
à interação bloco/estacas (AKINMUSURU, 1980).

Segundo Teixeira (1996), no Brasil os primeiros casos relatados que consideram


a contribuição das tensões bloco/solo em uma fundação estaqueada são dos
Engenheiros Luciano Décourt (Estaca “T”) e Eduardo Cerqueira Do Val (Estapata). Esse
mesmo autor cita que a diferença entre as duas concepções é o contato da estaca com
o bloco. Na Estaca “T” as estacas são engastadas na sapata e na Estapata há um disco
de poliestireno expandido, cuja espessura é determinada em função do recalque da
sapata. Nesse caso, a estaca passa a receber carga após a ocorrência de uma parcela
do recalque da sapata isolada (Figura 2.4).
Nas Figuras 2.4a e 2.4b, verifica-se que no caso da Estaca “T” o elemento
horizontal simplesmente se apoia sobre a cabeça do elemento vertical, sem que haja
qualquer tipo de engastamento. Os esforços horizontais e momentos fletores são

8
transferidos pelo topo diretamente ao solo. Um procedimento simplificado é proposto por
Décourt (1996) para o dimensionamento da fundação em Estaca “T”, que consiste em se
dimensionar a estaca para trabalhar com 70 % de sua carga de ruptura e projetar o topo
como um misto de bloco de coroamento e fundação rasa, sendo sua carga a diferença
entre a carga nominal do pilar e a suportada pela estaca ou grupo de estacas.

Figura 2.4. Modelo Estaca “T” (DÉCOURT, 1996).

Segundo Sales (2000), os termos “sapata estaqueada” e “radier estaqueado”,


surgiram para especificar o sistema de fundação que envolve a associação de um
elemento de fundação superficial (radier ou sapata), com uma estaca ou grupo de
estacas, sendo ambas as partes responsáveis pelo desempenho da fundação quanto à
capacidade de carga e recalques.
Teixeira (1996) ressalta que esse sistema misto de fundação só pode ser efetivo
quando o solo sob o radier possuir adequada capacidade de suporte, para que poucas
estacas sejam suficientes para reduzir os recalques a limites admissíveis. Este sistema
de fundação consiste em se compatibilizar o recalque do radier estaqueado com os
recalques do grupo de estacas, uma vez que a fundação por radier estaqueado é menos
rígida do que o grupo de estacas.

9
2.2 Aplicação de radier estaqueado

Katzenbach et al. (1994) realizaram um estudo sobre a distribuição de carga entre


os elementos da fundação de um edifício de 300 m de altura (Commerzbank Tower),
construído na argila de Frankfurt. A fundação, constituída por um radier estaqueado com
111 estacas escavadas (Figura 2.5), foi projetada de modo que toda a carga estrutural,
incluindo a decorrente da ação do vento, fosse suportada somente pelas estacas, as
quais foram projetadas em concreto estrutural reforçado. Usando um modelo constitutivo
elastoplástico especial para a argila de Frankfurt, os autores concluíram que 5% do
carregamento total do edifício são suportados pelo radier.

Figura 2.5. Commerzbank Tower em Frankfurt: (a) foto da estrutura; (b) disposição das
estacas no radier (KATZENBACH ET AL., 1994).

Outro exemplo é o edifício Messeturm, em Frankfurt. Com 256 m de altura, teve


sua construção concluída no ano de 1991, sendo considerado à época o edifício de
escritórios mais alto da Europa. O edifício possui dois subsolos e uma superestrutura
composta por 60 andares. Sua área em planta ocupa uma dimensão de 41 m x 41 m. A
carga total do edifício foi calculada em 1.880 MN. O subsolo do edifício é composto por
argila a uma profundidade de mais de 100 m abaixo da superfície. O sistema em radier
10
estaqueado empregado foi composto por uma base de 3 m a 6 m de espessura, que tem
sua capacidade de carga aumentada e redução de recalques devido à presença de 64
estacas escavadas com um diâmetro de 1,3 m, distribuídas em três círculos concêntricos
sob o radier (Figuras 2.6 e 2.7). Os comprimentos das estacas variam de 26,9 m para o
círculo externo, composto por 28 estacas, e de 30,9 m para as 20 estacas presentes no
círculo do meio e de 34,9 m para as 16 estacas que compõem o círculo interno. O
espaçamento entre as estacas varia de 3,5 a 6 vezes o diâmetro da estaca.
(KATZENBACH ET AL., 2005).

Figura 2.6. Edifício Messeturm em vista e Figura 2.7. Planta do edifício Messeturm:
corte (KATZENBACH ET AL., 2005). distribuição e cortes do radier estaqueado.

De acordo com os casos apresentados anteriormente, é evidente o êxito de


projetos em radier estaqueado como solução de fundações para os casos de edifícios
altos e/ou de elevadas cargas dissipadas ao solo em áreas cada vez menores.
Dentre os casos em que se empregou esse tipo de fundação, destaca-se o edifício
mais alto do mundo, localizado em Dubai, nos Emirados Árabes, denominado Burj
Khalifah, com 828 m de altura, conforme ilustra a Figura 2.8. Esse edifício está apoiado
sobre um radier estaqueado com 3,5 m de espessura, assente sobre 194 estacas
escavadas de 1,5 metro de diâmetro (Figura 2.9). Nesse caso, o princípio de cálculo foi

11
o de limitar os recalques diferenciais e médios ao menor valor possível. Para tanto, o
radier deveria ser responsável por absorver uma pequena parcela de carga, sendo o
restante assumido pelas estacas, que possuem, devido ao seu diâmetro, elevada
capacidade de suporte e resistência à deformação por recalque. Isso devido ao fato que
as pontas das estacas encontram-se apoiadas a 50 m de profundidade sobre rochas
carbonáticas (sedimentar).

Figura 2.8. Edifício Burj Khalifa (HERNÁNDEZ, 2014).

Figura 2.9. Perspectiva do radier estaqueado do Burj Khalifa (HERNÁNDEZ, 2014).

12
As estacas são do tipo escavadas, com comprimento útil de 43 m e projetadas
para uma capacidade de carga admissível de 3.000 toneladas (Figura 2.10). Para tanto,
foram realizados testes no local para avaliar tal capacidade, em que foi possível atingir
6.000 toneladas durante o ensaio.

Figura 2.10. Introdução da armação da estaca escavada durante a construção do Burj


Khalifah (FOUNDATION, CONCRETE AND EARTHQUAKE ENGINEERING, 2014).

Segundo Poulos e Bunce (2008), foram utilizadas várias análises para avaliar a
resposta da fundação para a torre do Burj Khalifa. O principal modelo de projeto foi
desenvolvido utilizando o método dos Elementos Finitos (FE) pelo programa ABAQUS,
desenvolvido e executado por uma empresa especializada, a KW Ltda., com base no
Reino Unido. Alguns resultados dessas análises podem ser verificados na Figura 2.11.
Russo et al. (2013) avaliaram os recalques da fundação em radier estaqueado do
Burj Khalifa Tower, a partir dos softwares GARP e NAPRA. Esses autores reavaliaram
os recalques com base na interpretação dos resultados de provas de carga nas estacas,
em que os valores médios de recalque diferencial para o radier estaqueado com o
emprego dos softwares foram compatíveis com os medidos em campo ao final da
construção da torre.

13
O emprego da análise numérica por elementos finitos a partir de diferentes
softwares tem sido comum, inclusive com a função de verificar possíveis incongruências
entre eles.

Figura 2.11. Contorno da máxima carga axial. (POULOS, 2008)

2.3 Sistemas de fundação

O entendimento das diferenças e peculiaridades dos sistemas de fundação


existentes (radier, grupo de estacas e radier estaqueado) é importante, pois permite a
compreensão dos respectivos tipos de comportamento geotécnico.
De acordo com Bezerra (2003), um sistema de fundação é a associação criada
pela união dos elementos estruturais e o próprio solo que o envolve. Assim como relatado
por Aoki e Cintra (1996) e Cintra e Aoki (1999).
Soares (2011) relata que os tipos de sistemas de fundação variam de acordo com
o elemento estrutural utilizado e sua forma de transmissão de carga ao solo. As
descrições dos sistemas adotados neste trabalho são:

14
 Fundação superficial: elemento de fundação que transmite carga ao terreno,
predominantemente pelas pressões distribuídas sob sua base. Incluem-se as
sapatas, radiers e blocos (NBR 6122/2010);
 Estacas isoladas: elemento de fundação profunda, ou seja, transmite esforços
ao maciço pela sua resistência lateral, de ponta ou a combinação destas. Sua
execução é feita com equipamento ou ferramenta sem descida de operário
(NBR 6122/2010);
 Grupos de estacas: o bloco de coroamento é uma estrutura de volume usada
para transmitir às estacas as cargas de fundação (NBR 6122/2010). Porém
Bezerra (2003), relata que as associações de diversas estacas interligadas por
um bloco de coroamento, geralmente de grande rigidez, que não tem contato
com o solo.
 Radier estaqueado: associações de uma estaca, ou grupo de estacas, com um
elemento de fundação superficial (sapata, radier) ou bloco de coroamento, com
ambas as partes contribuindo na transmissão das cargas ao maciço de solo.

A diferença entre o radier estaqueado e os grupos convencionais de estaca é que,


neste último, o elemento de ligação bloco de coroamento não está em contato com o solo
(SOARES, 2011), conforme apresentado na Figura 2.12.

Figura 2.12. Sistemas de fundação: (a) Estaca isolada, (b) grupo de estacas, (c) radier
estaqueado (BEZERRA, 2003).

15
2.4 Efeito do contato radier solo em fundações estaqueadas

É importante observar que o elemento de fundação horizontal (radier) que coroa


as estacas pode exercer significativas mudanças no comportamento das fundações
verticais (estacas), caso este elemento esteja em contato com o solo. O bloco/radier
passa também a exercer tensões sobre o solo de fundação, compartilhando com as
estacas na divisão de cargas que antes eram absorvidas apenas pelas estacas no caso
de grupos sem contato bloco/solo. Quando o radier se encontra em contato com o solo
haverá maior interação entre os elementos de fundação (radier e estacas), proporcionado
pela parte do bloco maior capacidade de suporte e prevenção a recalques.
Randolph (1994) relata que um dos benefícios do contato do elemento horizontal
(radier) com o solo é promover uma ruptura do tipo “bloco”, ou seja, o conjunto radier,
estacas e solo formam um único conjunto ou “bloco”.
O efeito de ruptura de “bloco” (solo e elementos de fundação) é interessante, pois
se acredita que tal situação garanta um fator de segurança maior em relação aos mesmos
tipos de fundação quando analisados separadamente. No caso de radier estaqueado,
deve-se observar o comportamento carga x recalque, pois é possível obter maior
capacidade de carga e, concomitantemente, incorrer em recalques menores,
dependendo da concepção de projeto.
Brand et al. (1972) e Koizumi e Ito (1967), por meio de ensaios em escala real em
argila, chegaram à conclusão que a influência do bloco só é significativa para blocos com
estacas suficientemente espaçadas. Ambos verificaram que, para um espaçamento de
3 entre as estacas, o bloco (em contato) suporta cerca de 20% da carga última de uma
sapata equivalente de mesmo tamanho.
O elemento de fundação superficial (radier ou bloco) atua como um obstáculo à
transmissão da carga por atrito e, portanto, aumenta a parcela de carga transferida à
ponta da estaca. Com isso, os recalques do grupo dependem da extensão e espessura
da camada compressível localizada abaixo da ponta da estaca, enquanto que, para
estacas isoladas, a influência dessa camada não é significativa (OTTAVIANI, 1975).
O aumento da pressão na ponta das estacas sob um radier e consequente redução
da resistência lateral destas pode ser provocado pelo contato do bloco, como foi

16
observado para grupos de estacas escavadas em silte, por Jin-Li e Zhen-Long (1989), e
em estacas metálicas de ponta fechada em argila saturada, por Jin-Li et al. (1994).
Phung (2010) constatou que quando o contato do radier com solo é iniciado ocorre
um aumento na tensão horizontal atuante no fuste da estaca, concomitantemente ao
efeito de recalque provocado pela ação desse contato no solo. Como resultado desse
fenômeno, o deslocamento relativo entre o fuste e o solo é reduzido na região próxima
ao radier.
Sabe-se que o efeito de contato radier solo proporciona um aumento da tensão
vertical e consequentemente das pressões laterais no fuste das estacas, porém esse
processo pode ser influenciado pelas caracteristicas do solo, que serve como meio de
propagação das tensões.
Senna et al. (1993), através de medidas obtidas por célula de pressão instaladas
no contato solo-bloco, observa que nos grupos lineares as pressões de contato foram
maiores que nos grupos triangulares e quadrados. Essa contribuição, na ruptura,
representou de 9 a 16% da carga total aplicada ao grupo. A condição colapsível do solo
relatada por Senna et al. (1993) é semelhante àquela observada no campo experimental
da Unicamp, em que foram executados os ensaios desta tese e, portanto, existe a
possibilidade de que sejam comparados entre si.
Janda et al. (2009) observaram que para a argila superficial porosa não saturada
de Brasília (DF) o radier contribuiu com cerca de 10% de carga vertical. Nesse aspecto,
vale ressaltar que o solo do local onde os autores realizaram o estudo é constituído por
uma argila porosa com caraterísticas de colapsibilidade.
Jin-Li e Zhen-Long (1989) também constatam que, para grupos de estacas
escavadas em silte, a carga absorvida pelo bloco aumenta com o aumento do
espaçamento entre as estacas e nos grupos quadrados ela é menor para aqueles que
têm maior número de estacas.
Ensaios em centrífugas realizados por Horikoshi (1995) mostraram que a resposta
da curva carga x recalque de uma estaca em argila é significativamente afetada pela
presença de um pequeno radier circular com diâmetro de três vezes o diâmetro da estaca.
Isso ocorre devido à pressão de contato abaixo do radier. A resistência lateral última do
fuste da estaca é aumentada e a relação carga x recalque das estacas com radier em
17
contato é diferente das estacas em que o radier está sem contato, não sendo observado
o nítido colapso até o ensaio ser interrompido para recalque um pouco menor do que o
diâmetro do radier.
O efeito de contato radier-solo pode influenciar significativamente o
comportamento de fundações em radier estaqueado. Assim como o espaçamento entre
as estacas pode exercer influência no acionamento dessa resistência por contato,
revelando a complexibilidade dessa análise. No caso desta tese, o espaçamento entre
estacas adotado foi 5 estaca, pois o solo não apresentava resistência adequada à
aplicação de radier estaqueado, portanto optou-se por aumentar a área de contato e,
consequentemente, elevar a resistência por contato radier-solo.
Mandolini et al. (2005) analisaram a distribuição de carga entre as estacas sob um
radier estaqueado, e, apesar de valores dispersos, as estacas de canto e de borda do
radier absorveram mais carga à medida que foi reduzido o espaçamento entre estacas,
atingindo valores entre 1,5 e 3,0 (Figura 2.13). No radier estaqueado, a tendência é
inversa, o aumento do espaçamento entre estaca promove maior absorção de carga pelo
radier, atingindo valores de cerca de 70% para espaçamentos de 12 vezes o diâmetro da
estaca (Figura 2.14).

Figura 2.13. Distribuição de cargas entre Figura 2.14. Porcentagem de distribuição


estacas (MANDOLINI et al., 2005). de cargas no radier estaqueado
(MANDOLINI et al., 2005).

Fioravante et al. (2008) obtiveram essencialmente os mesmos resultados por meio


de ensaios em centrifuga em areia solta saturada comparando a estaca isolada de grupo
de estacas com o radier estaqueado. Cone et al. (2003), por meio de ensaios em grupo
de estaca e radier estaqueado em argila, não observaram o colapso nítido para radier
18
estaqueado. Análises numéricas realizadas por Wu et al. (2002); Reul (2004); De Sanctis
e Mandolini (2006) corroboram as conclusões encontradas, ou seja, o fator de segurança
de um radier estaqueado poderá ser ligeiramente menor que a soma dos fatores de
segurança do radier e do grupo de estacas isoladamente (Figura 2.15).

Figura 2.15. Curvas carga x recalque para o radier isolado, para estaca isolada, para o
radier estaqueado e para a soma das parcelas do radier isolado e estaca isolada (WU et al.,
2002).

ABBAS et al. (2008) estudaram o efeito do contato em estacas por intermédio de


testes realizados em grupo de estacas, submetidos à carga axial através de análise em
2D por elementos finitos. Nesse estudo o autor verificou que para o sistema radier com
estacas rígidas é influenciado pela espessura do radier estaqueado. Para estacas curtas
a espessura do radier implica um elemento de contato mais flexível. As forças de
cisalhamento são afetadas pela localização das estacas no interior do grupo, assim como
o estado de carregamento e a fixação da cabeça da estaca (engastamento).
O efeito de contato de um radier em um grupo de estacas melhor se aproximará
do comportamento de radier estaqueado quanto maior for a resistência do solo abaixo do
radier (BALAKUMAR, 2011).
Pode-se concluir que, mesmo para pequenos grupos de estacas, o contato entre
o radier que ancora as estacas e o solo tende a produzir um comportamento dúctil e de
puncionamento na ruptura, e obviamente, esse efeito é ainda mais evidente para os
grandes radiers estaqueados. Com esse comportamento, o foco do projeto tende a
mover-se de sua capacidade de suporte ao recalque. (VIGGIANI et al., 2012).
19
A influência do espaçamento (s) entre as estacas e da relação do comprimento
das estacas (L) e a largura do radier em planta (B) é utilizada por Mandolini et al. (2012)
para caracterizar a diferença de funcionamento entre radiers pequenos que tendem a
trabalhar como “pilar equivalente”, que possuem pouca influência do contato radier-solo
e os radiers grandes que possuem pequenos valores para a relação L/B e espaçamento
(s) elevado. Essas observações também foram constatadas anteriormente por Poulos
(2001).
Um fato importante é a contribuição do coroamento (bloco/radier) das estacas, pois
a estrutura (sapata, bloco, radier) conectada à cabeça das estacas e apoiada no solo
produz importantes mudanças no comportamento de toda a fundação (VIGGIANI et al.,
2012). Segundo esse autor, o recalque em radier estaqueado pode ser mais bem
previsto, considerando dois grupos: os “pequenos” e os “grandes” radiers estaqueados,
conforme descritos a seguir:
Os “pequenos” radiers estaqueados são aqueles cuja capacidade de carga do
radier sem estaca(s) não é suficiente para suportar a carga total com fator de segurança
adequado. As estacas somente são adicionadas para aumentar a capacidade de carga
e levar o fator de segurança a níveis adequados. As dimensões do radier são da ordem
de 5 a 15 m e obedecem à relação B/L < 1, em que L é o comprimento das estacas.
Os “grandes” radiers estaqueados são aqueles cuja capacidade de carga do radier
sem estaca(s) é suficiente para suportar a carga total com uma margem adequada no
fator de segurança. As estacas são adicionadas com o intuito de reduzir os recalques.
Em geral, a largura do radier (B) é relativamente grande em comparação ao comprimento
das estacas B/L > 1, em que L é o comprimento das estacas.
Verifica-se, diante das considerações acima, que os radiers podem ser
subdivididos em grandes e pequenos, sendo esse aspecto fundamental para empregar a
abordagem mais adequada ao entendimento do comportamento de radiers estaqueados,
inclusive os analisados nesta tese.

20
2.4.1 Bulbo de tensões em radiers estaqueados

Segundo Mandolini et al. (2012) o bulbo de tensões para radiers estaqueados varia
em função das características geométricas do elemento horizontal (radier) e vertical
(estaca), conforme apresentado na Figura 2.16.

Figura 2.16. Pequeno e grande radiers estaqueados (VIGGIANI et al., 2012)

No caso de pequenos radiers estaqueados, o bulbo de tensões se mantém


compreendido ao longo do comprimento das estacas sob o radier. Nos grandes radiers
estaqueados percebe-se que o bulbo excede o comprimento das estacas, dissipando as
tensões em camadas mais profundas do maciço. A influência do bulbo de tensões varia
de acordo com a área em planta que o radier estaqueado possui em contato com o solo
e, portanto, a área de influência exerce influência no seu comportamento.
De acordo com a Figura 2.17, apresenta-se uma situação esquemática em planta
e corte de um radier “pequeno” devido às suas configurações de proporcionalidade
geométrica. Os parâmetros ali apresentados influenciam no comportamento do radier
estaqueado. São eles:
B - maior largura do radier;
s – espaçamento entre estacas;
d - diâmetro da estaca;
AG - área de influência;
L - Comprimento das estacas;
H - Altura da camada de solo (meio).
21
Segundo Viggiani et al. (2012), a área de influência (AG) varia em função do
número de estacas que compõem o radier, portanto a relação AG/AR tende a 1, em que
AR é a área total do radier, ou seja, AR = B*B. Esses mesmos autores propõem a equação
4.2 para determinação da área AG e passam a correlacioná-la com os parâmetros L/B e
s/d.

2
𝐴𝐺 = [(√𝑛 − 1)𝑠] (4.2)

Em que: AG - Área de influência; n - número de estacas abaixo do radier; s -


espaçamento entre estacas;

Figura 2.17. Pequeno radier estaqueado (VIGGIANI et al., 2012)

Para Mandolini et al. (2013) a contribuição do radier na capacidade total é


geralmente limitada quando se trata de "pequenos" radiers estaqueados (B / L < 1)
22
apoiados em solos granulares. Neste caso, as estacas são necessárias não somente
para aumentar o fator de segurança total, mas também para reduzir o recalque para um
valor aceitável (CSBD).
As análises realizadas por diversos autores revelam a utilização de estacas sob
um radier com pequena espessura do elemento horizontal. Tal fato pode modificar
razoavelmente a resposta do radier estaqueado e, nesse sentido, os radiers analisados
nesta tese podem ser considerados rígidos, mediante a medida angular da biela de
compressão, conforme será visto no capítulo 5.
De acordo com a proposta de classificação de Mandolini et al. (2013), os radiers
estaqueados desta tese são considerados como pequenos, pois B/L < 1. Ressalta-se
ainda, que devido às dimensões de alguns radiers estaqueados (retangular e triangular),
as análises por área de influência possam não refletir o comportamento geotécnico
esperado para fundações em radier estaqueado. Até porque estas foram ensaiadas em
solo da região de Campinas/SP, onde o subsolo é tipicamente formado por argila porosa
laterítica, conforme será abordado no capítulo 5.

2.5 Projeto de radier estaqueado

Atualmente, nos projetos convencionais de fundações profundas, a utilização do


elemento estrutural e superficial que coroa as estacas de uma edificação tem desprezada
sua contribuição no ganho de resistência ou de segurança no sistema, pois em seu
dimensionamento considera-se apenas a capacidade de carga das estacas (ponta e
lateral), pressupondo, dessa forma, que não haverá capacidade de carga por contato
entre bloco de coroamento e o solo. Entretanto, caso esse elemento esteja em contato
direto com o solo, poderá haver alteração do comportamento no sistema. A análise do
comportamento de uma fundação como um elemento isolado tem deixado de ser utilizada
nos últimos anos, levando a comunidade técnico-científica a estudos mais abrangentes
sobre o sistema de fundação, levando-se em consideração o efeito de contato do
bloco/sapata no comportamento do sistema.

23
Os estudos de campo e laboratório realizados até os primeiros anos da década de
60 sobre o comportamento de estacas isoladas, como também de grupo de estacas, eram
analisados sem o contato do radier com o solo. Dessa forma, as análises teóricas da
interação entre o contato do radier e a interação solo-estaca eram sensivelmente
simplificadas (BUTTERFIELD e BANERJEE, 1971).
Segundo Sousa (2003), no dimensionamento de um grupo de estacas e radier
estaqueado, as principais diferenças entre as duas metodologias de cálculo de fundações
estaqueadas são as seguintes:

Bloco de Estacas:
 Toda carga suportada apenas pelas estacas;
 Bloco considerado como rígido;
 Despreza-se o contato bloco/solo;
 Considera apenas as interações estaca-estaca.
Radier Estaqueado:
 Considera-se o contato radier/solo;
 Considera-se o radier estaqueado como rígido;
 As estacas são consideradas como rígidas em função do perfil do solo;
 Considera os tipos de interação (por exemplo, estaca-estaca, estaca-solo, solo-
estaca e solo-solo).

As fundações combinadas com radier e estacas atuam como uma peça composta
de três elementos: estaca, radier e solo. Em comparação ao projeto convencional de
fundações, o radier estaqueado apresenta uma dimensão nova para a interação solo-
estrutura devido à filosofia de projeto em usar estacas com carga próxima da ruptura.
Garantindo um fator de segurança mínimo para as estacas. Essa condição faz com que
as fundações sejam extremamente econômicas e apresentem menos recalques,
entretanto, a rigidez do solo deve aumentar com a profundidade (AHNER e SUKHOV,
1998).
Segundo Poulos (2001), o projeto de um radier estaqueado pode ser considerado
como sendo composto de três estágios. O primeiro é um estágio preliminar no qual os
24
efeitos do número de estacas na capacidade de carga e recalques são observados via
análise aproximada. O segundo é um exame mais detalhado para analisar onde as
estacas são realmente necessárias e para obter alguma indicação para atender a todas
as necessidades. A terceira é a fase do projeto detalhado, na qual é feita uma análise
mais refinada para confirmar a otimização do número e locação das estacas e para obter
informações essenciais para o projeto estrutural do sistema de fundação.
A Figura 2.18, mostra esquematicamente, o conceito que permite ao projeto de
estacas reduzir o recalque diferencial. Assumindo-se que a carga estrutural é distribuída
de forma relativamente uniforme sobre a área da radier, e, sabendo-se da existência de
uma tendência de recalques maiores na região central do radier sem estacas, verifica-se
que, por meio da instalação de poucas estacas na área central do radier, poder-se-á
reduzir o recalque na área central, e, assim, minimizar os recalques diferenciais.
Segundo Randolph (1994), a inserção de algumas estacas na base do radier pode
ser o suficiente para reduzir os recalques diferenciais. Entretanto, Wong et al. (2000)
alertam que a inserção de poucas estacas sob o radier pode gerar problemas de elevados
momentos de flexão, fissuras no radier e uma concentração de esforços axiais no topo
das estacas.

Figura 2.18. Redução de recalque diferencial com inserção de estacas na porção central
do radier (RANDOLPH, 1994).

A carga resistente das estacas deve ser suficiente para absorver de 50 a 70 % da


tensão média aplicada em um radier considerado rígido. Ao se posicionar as estacas

25
estrategicamente as tensões de contato de um radier flexível se comportam como a de
um radier rígido, conduzindo a recalques diferenciais mínimos (Figura 2.19).

Figura 2.19. Projeto esquemático da abordagem com estacas redutoras de recalque


(RANDOLPH, 1994).

Verifica-se que o projeto de radier estaqueado envolve várias premissas que


devem ser levadas em consideração, quer seja no aspecto geotécnico, quer seja no
aspecto estrutural, pois o radier possui a função de distribuir adequadamente as cargas
às estacas, necessitando, portanto, estar devidamente dimensionado e as estacas, por
sua vez, devem estar posicionadas não só para reduzir os recalques diferenciais ou
médios, mas também de maneira que permitam cooperar com o desempenho estrutural
do radier.
De acordo com De Sanctis et al. (2002), o desempenho de uma fundação em radier
estaqueado melhora, por exemplo, com a redução do recalque (S) e como consequência
o aumento de custos, conforme apresentado na Figura 2.20. Em alguns casos, há uma
melhoria constante, conforme mostra a Curva 1; em outros casos, o comportamento
segue a Curva 2, onde há um custo para um valor ótimo de S (Smín) a partir do qual,
mesmo com o aumento do custo na fundação, ocorre a tendência de aumento de S. De
26
acordo com os autores, nos casos em que se aplica a Curva 1, a melhor solução é atingir
o valor máximo admissível (Sadm), pois uma redução adicional da S resulta em aumento
de custo ineficiente. No caso da Curva 2, se Sadm for menor que o Smín, existem duas
soluções satisfatórias e, obviamente, devido ao menor custo, seria a localizada à
esquerda do ponto de mínimo da Curva 2. Caso essa solução não satisfaça as condições
técnicas é preciso repensar o projeto.

Figura 2.20. Relação entre custo e benefício da técnica de fundação em radier estaqueado
(DE SANCTIS ET AL., 2002).

A escolha da filosofia de projeto a ser adotada para fundações de edifícios em


radier estaqueado deve estar baseada em premissas que permitam obter o melhor
desempenho entre geometria estrutural do radier e estacas, em cooperação com as
características de resistência do solo, resultando em eficaz relação custo vs. redução de
recalque.
Seja qual for o caso, parece que o momento é propício para abandonar uma
abordagem "cega" para a concepção de radier estaqueado; essa meta poderia ser
alcançada somente por intermédio de uma compreensão clara do papel desempenhado
pelas estacas em requisitos de projeto satisfatórias. Assim fazendo, será possível
conceber um projeto ideal, que é "um projeto atingir a máxima economia da solução,
mantendo um comportamento satisfatório" (RUSSO e VIAGGIANI, 1998).

27
Fisicamente, um “grupo de estacas” (“bloco de estacas”), que é uma forma
tradicional de fundação, poderia ser considerado como uma “sapata estaqueada” ou
“radier estaqueado” quando o bloco de ligação entre as estacas estiver em contato com
o solo, fazendo, assim, o papel de elemento superficial da fundação (como uma sapata
ou radier). Basicamente, esse é o conceito tradicional de “grupos de estacas”, em que
mesmo que o bloco esteja em contato com o solo, que é o usual, não se considera que
aquele possa transferir qualquer parcela de carga ao solo (SALES, 2000). Ainda segundo
esse autor, algumas das principais vantagens do uso de sapata estaqueada/radier
estaqueado são:
 Redução do recalque diferencial no projeto de fundações e, eventualmente,
dos movimentos de fundações vizinhas existentes;
 Redução de inclinações de fundações devido à excentricidade da carga, devido
às irregularidades das espessuras das camadas ou devido às dispersões das
propriedades que envolvem o solo;
 Prevenção de recalques entre diferentes partes carregadas de uma edificação;
 Aumento da capacidade de carga global das fundações;
 Aumento da resistência da fundação contra cargas horizontais e momentos de
tombamento;
 Redução da probabilidade de danos nos componentes estruturais devido à
diminuição do recalque inicial;
 Diminuição das tensões internas e momentos pela seleção otimizada das
posições das estacas.
Conceitualmente, os radiers estaqueados são compostos por dois elementos: um
vertical e outro horizontal. O elemento vertical é constituído por uma estaca convencional
e o horizontal (topo) por uma sapata, radier ou bloco. Segundo Poulos (1980), a
transferência de carga estrutural (QPR) se dá ao solo pelo atrito lateral e ponta das estacas
(QPG) e pelo seu topo (QR), como em uma fundação rasa, por meio da pressão de contato:
𝑛

𝑄𝑃𝑅 = 𝑄𝑅 + 𝑄𝑃𝐺 = 𝑄𝑅 + ∑ 𝑄𝑒𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎,𝑖 (4.3)


𝑖=1

28
Katzenbach et al. (2000) definem o comportamento do radier estaqueado por meio
do coeficiente, que define a relação (pr) entre a quantidade de carga transferida para o
grupo de estacas e a carga total atuante na fundação, em que o valor zero do coeficiente
representa um radier isolado e o valor unitário representa o sistema convencional de
grupo de estacas ignorando a influência do radier, conforme apresentado na Figura 2.21.

Figura 2.21. Conceito de radier estaqueado (KATZENBACH ET AL., 2000)

Em que, L é a relação carga nas estacas em relação a carga total; SPR - Recalque
do radier estaqueado; SR - Recalque do radier isolado.
Mandolini (2003) cita o coeficiente αpr, que identifica a distribuição de cargas entre
o bloco e as estacas, e é definido como:

∑𝑛𝑖=1 𝑄𝑒𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎,𝑖
𝛼𝑝𝑟 = (4.4)
𝑄𝑃𝑅

Em que: αpr = 0 representa uma fundação rasa sem estacas; αpr = 1 representa um
grupo de estacas, cujo topo não tem contato com o solo. Para 0 < αpr < 1, o sistema
funciona como radier estaqueado (Figura 2.22).

29
Dessa forma, percebe-se que toda fundação profunda atua como radier
estaqueado, exceto nos casos em que o elemento horizontal não tem contato com o solo
de apoio, como no caso de estruturas “offshore”.

Figura 2.22. Configuração dos sistemas (MANDOLINI, 2003).

Em projetos de fundações convencionais, a primeira opção é a de considerar a


utilização de um sistema de fundação superficial, tal como um radier ou sapata; se não
for suficiente, uma fundação estaqueada é então adotada, supondo que toda a carga de
projeto seja assumida pelas estacas, negligenciando, assim, a contribuição do contato
radier solo (Poulos, 2001). Esta abordagem tradicional do projeto (Abordagem de projeto
baseado na capacidade de carga, CBD) apresenta-se conflitante com os resultados
experimentais obtidos por Mandolini et al. (2005), conforme apresentado na Figura 2.23.
Nela, os autores verificaram que para grupos de estacas com pequena proporção
espaçamento s / d (~ 3 a 4) e abrangendo toda a área do radier (AG / AR ~ 1, em que AG
é a área do grupo de estacas e AR a área de contato do radier), a porcentagem da carga
suportada pelo radier não é aproximadamente inferior a 20%, e este valor aumenta até
60-70% com o aumento da relação s / d ou diminuição de AG / AR (MANDOLINI ET AL.,
2013).

30
Figura 2.23. Dados experimentais obtidos por Mandolini et al. (2005).

Segundo Mandolini (2005) e Mandolini et al. (2013), tal evidência experimental


sugere claramente o uso do “conceito radier estaqueado”, que é de considerar estacas
"cooperando" com o radier, em vez de "alternativa" para o radier. Os autores afirmam que
atualmente é possível instalar estacas sob um radier com diferentes finalidades
geotécnicas, podendo se aplicar para aumentar a resistência e a rigidez global do radier
(abordagem de projeto baseada em capacidade e recalque, CSBD), para reduzir o
recalque médio (abordagem de projeto baseada no recalque, SBD) ou recalque
diferencial (abordagem de projeto baseada no recalque diferencial, DSBD).

Mandolini (2003) propôs um quadro esquemático para orientar a escolha do tipo


de fundação e de uma abordagem de projeto adequado do ponto de vista geotécnico
(voltado para a resistência e a rigidez do sistema de fundação e não ao estado de tensão
no radier). Na Figura 2.24, o ponto A representa uma condição ótima, para que, sob certa
carga vertical aplicada em um radier sem estacas, tenha um fator global de segurança
igual a algum valor mínimo fixo (arbitrariamente assumido) e, ao mesmo tempo, ocorrer
um deslocamento WUR global igual a um valor admissível (WUR / WADM = 1). Considerando
outras diferentes fundações em radiers, podem ocorrer três situações:

31
a) Ambos os valores estimados de FSUR e WUR são aceitáveis (centro inferior
direito da Figura 2.24, ponto [1]). As exigências de projeto estão satisfeitas;
a adoção de um radier sem estacas é possível;
b) Ambos os valores estimados de FSUR e WUR não são aceitáveis (canto
superior esquerdo da Figura 2.24, os pontos [2] e [3]); estacas têm de ser
adicionadas, a fim de aumentar o valor de FSUR e para reduzir o recalque,
WUR. Para o ponto [2], a adição de estacas é necessária para aumentar
substancialmente FSUR, assim como acontece, geralmente, pela adoção de
uma abordagem tradicional CBD; para o ponto [3], a adição de estacas é
necessária para melhorar a resistência e a rigidez geral (abordagem de
projeto baseado na capacidade e recalque, CSBD);
c) Apesar de o fator de segurança ser igual (ponto [4]) ou superior (ponto [5])
ao valor mínimo admissível, o recalque previsto é maior do que algum valor
admissível Wadm. Estacas têm que ser adicionadas novamente, mas, nesse
caso, com o objetivo de reduzir o recalque médio (abordagem baseada no
recalque médio, SBD) ou recalque diferencial (abordagem baseada no
recalque diferencial, DSBD).

A filosofia de projeto apresentada por Mandolini (2003) mostra-se um tópico


interessante a ser explorado para os radiers estaqueados desta tese. Isso ocorre por se
tratar de uma abordagem ampla, que, possivelmente permita a obtenção de uma melhor
compreensão do comportamento, da participação do contato radier solo e da
“cooperação” das estacas para o tipo de solo em que foram ensaiados os radiers desta
tese. Assim como estabelecer cenários com diferentes fatores de segurança (FS) e
recalques médios e admissíveis.

32
Figura 2.24. Gráfico para seleção de uma abordagem de projeto adequado para fundações
(MANDOLINI, 2005).

No item 2.5.1 apresenta-se a filosofia de projeto proposta por Randolph, que pode
ser considerada como conceitual e importante, porém menos abrangente que a proposta
de Mandolini. Entretanto, parece ser razoável e interessante que tais filosofias sejam
atreladas, para reforçar o entendimento complexo das fundações em radier estaqueado.

2.5.1 Filosofia de projeto de Randolph

De acordo com Randolph (1994), existem três filosofias de projeto com relação ao
radier estaqueado:
 Abordagem Convencional: nesta filosofia as estacas são projetadas como
grupos de estacas que suportam a maior parcela da carga total, mas ainda é
considerado que uma parcela da carga é absorvida pelo radier, principalmente
para a capacidade de carga máxima. Nesta abordagem o comprimento e o
diâmetro das estacas são calculados como estacas isoladas, com um valor
satisfatório de fator de segurança. O comportamento do radier estaqueado é
33
governado pelo grupo de estacas, e em situações de carga de projeto podem
ser em grande parte linear, pois as estacas estão trabalhando próximo da carga
de trabalho. Para Mandolini (2003), tem-se a abordagem convencional para o
caso de αpr = 1, ou seja, toda carga é suportada pelas estacas. O que equivale
a um desempenho virtual de um grupo de estacas ao invés do comportamento
real de um radier estaqueado;
 Controle de recalques diferenciais: as estacas são posicionadas
estrategicamente de maneira a limitar os recalques totais a níveis aceitáveis.
Dessa forma, os recalques diferenciais são reduzidos como consequência da
limitação do recalque total;
 Critério de mobilização parcial ou total das estacas: Essa abordagem
estabelece que as estacas sejam projetadas para absorver de 70% a 80% da
capacidade da carga de trabalho, a partir da qual começam a ocorrer
deformações plásticas ou “creep”. São instaladas estacas suficientes sob o
radier, de modo que a tensão de contato entre o radier e o solo seja reduzida
a valores menores que a tensão de pré-adensamento do solo.

Além dessas, existe uma versão mais avançada do “Creep Piling” na qual se
considera 100% da capacidade de carga das estacas. Tal situação modifica a condição
inicial de que as estacas inseridas na base do radier estaqueado tem a função de atenuar
os efeitos dos recalques na fundação, e que as referidas estacas também contribuem
para aumentar a capacidade de carga máxima do sistema de base inteira (Al-Baghdadi,
2006).

2.5.2 Etapas de projeto

Segundo Randolph (1994), um procedimento de projeto racional deve envolver


três estágios:
a) Estágio preliminar: analisa a viabilidade de um radier estaqueado. É avaliado o
desempenho do elemento horizontal sem as estacas. Estimativas de carga vertical,
lateral, recalques máximos e diferenciais são feitos com técnicas convencionais. Em
34
função da carga que o elemento horizontal pode receber é escolhida a filosofia de projeto.
Se o topo isolado contribui com uma pequena porcentagem da capacidade de carga do
elemento de fundação, então a filosofia adotada será a abordagem convencional. Caso
o topo apresente resistência adequada ou próxima da capacidade de carga, mas não
satisfaz critérios de recalque total ou diferencial, então deve-se considerar estacas como
redutoras de recalques ou adotá-las como totalmente mobilizadas.
A capacidade de carga é avaliada com base no tipo de ruptura, que pode ser pelas
estacas individuais ou por todo o bloco de solo.
Na análise de ruptura por estacas individuais a capacidade de carga é a soma da
resistência das estacas mais o topo, e pode ser descrita pela seguinte fórmula geral:

𝑄𝑃𝑅,𝑢𝑙𝑡 = 𝛼𝑅,𝑢𝑙𝑡 ∙ 𝑄𝑈𝑅,𝑢𝑙𝑡 + 𝛼𝑃𝐺,𝑢𝑙𝑡 ∙ 𝑄𝑃𝐺,𝑢𝑙𝑡 (4.5)

Em que αR,ult e αPG,ult representam, respectivamente, a eficiência do topo e do


grupo de estacas quando combinados em um radier estaqueado.

Na análise de ruptura pelo bloco de solo, considera-se que a resistência por atrito
lateral s e de base qB, é mobilizada pela superfície vertical e a área de base do perímetro
das estacas, respectivamente, conforme anteriormente apresentado na Figura 2.1. A
capacidade de carga é o menor valor entre os dois tipos de ruptura.

𝑄𝐵𝐹 = 𝜏𝑆 ∙ 𝐴𝑆 + 𝑞𝐵 ∙ 𝐴𝐵 (4.6)

O estudo de recalques pode ser feito com alguns métodos simples que calculam
a rigidez do radier estaqueado e a distribuição de carga entre as estacas e o topo.
b) Segundo estágio: avalia as características gerais das estacas e onde estas são
necessárias. O estudo é feito com mais detalhes. As estacas são exigidas, com base no
carregamento do pilar, nas seguintes situações: esforços de momento e cisalhamento
máximos que excedem o valor estrutural admissível do elemento horizontal; a pressão
de contato que o elemento horizontal exerce no solo ultrapassa seu valor admissível; o
recalque total é maior que o valor tolerável.

35
c) Estágio final: nessa fase obtém-se o número, a localização e a configuração
ideal das estacas. É analisada a distribuição detalhada de recalques, momentos e
tensões cisalhantes no elemento horizontal, e as cargas e momentos nas estacas.

O primeiro e o segundo estágios envolvem cálculos relativamente simples.


Entretanto, o estágio final necessita de um programa de computador adequado que leve
em conta, de maneira racional, os efeitos da interação entre o solo, as estacas e seu
topo. Os efeitos da superestrutura podem também ser considerados.

2.6 Mecanismo de interação radier x estacas

Existe uma vasta complexibilidade no comportamento das fundações em radier


estaqueado, quando da aplicação e, consequentemente, transferência de carga ao solo
pelos elementos horizontal e vertical que compõem a fundação.
Segundo Mandolini et al. (2005), a determinação da distribuição de carga entre as
estacas e radier é fundamental para o avanço nos fundamentos relacionados ao radier
estaqueado, de modo que somente assim é possível tirar partido por completo das
potencialidades tanto do radier quanto das estacas instaladas em sua base.
Devido aos efeitos de interação, a mobilização da carga começa pela ponta da
estaca e progride para seu fuste, ao contrário do que ocorre em uma estaca individual.
Se o topo da fundação está em contato com o solo, a mobilização do atrito lateral não
acontece em pequenas profundidades. O estado-limite último ocorre com uma ruptura
por puncionamento de todo o bloco de solo contendo as estacas (RANDOLPH, 1994).
A Figura 2.25 ilustra o comportamento carga x recalque de radier estaqueado
observado por Poulos (2001). A curva 0 apresenta o comportamento apenas do radier,
na qual os recalques são mais elevados, podendo ser excessivos em alguns casos para
a carga de trabalho. A curva 1 apresenta o comportamento de um sistema de radier
estaqueado, o qual é governado pelo comportamento do grupo de estacas, podendo ser
linear com a carga de projeto. Nesse caso, as estacas absorvem a maior parte das
cargas. A curva 2 apresenta o caso de “creep pilling”, no qual as estacas operam a um

36
baixo fator de segurança, mas devido ao pequeno número de estacas, o radier absorve
mais carga que para a curva 1. A curva 3 ilustra a estratégia do uso de estacas como
redutores de recalques utilizando a capacidade total das estacas na carga de projeto.
Consequentemente, a curva carga x recalque pode ser não linear na carga de projeto, no
entanto, todo o sistema de fundação possui uma adequada margem de segurança e o
critério de recalque é satisfeito. Logo, o projeto descrito pela curva 3 é aceitável e pode
ser considerado como o mais econômico (POULOS, 2001).

Figura 2.25. Curvas carga x recalque para radier estaqueado de acordo com várias
filosofias de projeto (POULOS, 2001).

Em que: Curva 0: Radier simples (recalque excessivo); Curva 1: Radier com


estacas dimensionadas para fator de segurança convencional; Curva 2: Radier com
estacas dimensionadas para um baixo fator de segurança; Curva 3: Radier com estacas
dimensionadas para utilização total da capacidade de carga;

Existem muitas interações e parâmetros, que podem alterar o desepemnho de um


radier estaqueado, tais como a interação entre o grupo de estacas, a interação radier
estaqueado e a interação entre fundação e a superestrutura.

37
De acordo com El-Mossalamy e Franke (1997), verifica-se, na Figura 2.26, que
existem diversas interações que governam o comportamento de um radier estaqueado,
tais como as condições do subsolo, o método de instalação das estacas e muitos outros
fatores também afetam o comportamento dessa fundação.
O comportamento carga x recalque de um grupo de estacas é diferente de uma
única estaca sob as mesmas condições. Esse efeito no grupo depende de algumas
influências, tais como: as dimensões do grupo, o nível de tensões aplicado e o método
de instalação das estacas (EL-MOSSALLAMY e FRANKE, 1997). A Figura 2.27
apresenta, esquematicamente, a variação do comportamento de estacas de um grupo de
estacas e de estacas de um radier estaqueado comparando com a de uma estaca
isolada.

Figura 2.26. Diferentes interações que afetam o comportamento de sapata estaqueada (EL-
MOSSALAMY e FRANKE, 1997).

Em que as interações representadas na Figura 2.26 podem ser itemizadas da


seguinte forma: 1. Estaca/estaca; 2. Estaca/pressão de contato da sapata; 3. Interação
mútua da pressão de contato da sapata; 4. Interação mútua do fuste da estaca; 5.
Tensões na base da estaca/fuste da estaca.

38
Figura 2.27. Relação carga x recalque de uma estaca isolada comparada com o
comportamento de estacas de um grupo de estacas e com estacas de uma sapata
estaqueada (EL-MOSSALLAMY e FRANKE, 1997).

Em que: Curva (1) representa a estaca Isolada; Curva (2) o grupo de estacas; e
Curva (3) o radier estaqueado.
A distribuição de carga entre estacas depende principalmente da espessura da
sapata, das dimensões, posições e configurações das estacas e da magnitude das
cargas aplicadas. A Figura 2.28 apresenta esse fenômeno graficamente em comparação
com o comportamento de estacas isoladas. A carga última (ruptura) das estacas sob a
sapata é maior que a carga última quando atuando como estacas isoladas, devido à
contribuição da pressão de contato da sapata (EL-MOSSALLAMY e FRANKE, 1997).

Figura 2.28. Relação carga x recalque de uma estaca isolada e estacas individuais de uma
sapata estaqueada (EL-MOSSALLAMY e FRANKE, 1997).

39
Em que: Curva (1): Estaca isolada (para comparação); Curva (2): Estaca no canto
de uma sapata estaqueada; Curva (3): Estaca na borda de uma sapata estaqueada;
Curva (4): Estaca no centro de uma sapata estaqueada.

Nos últimos anos tem-se notado grandes avanços na compreensão de como


fundações estaqueadas interagem com o solo. A eficácia de uma estaca, em particular
no que diz respeito à sua rigidez, é geralmente reduzida pela proximidade de outras
estacas. Em virtude disso, as tendências atuais estão voltadas para o uso de menos
estacas e com espaçamento maior em radiers estaqueados. Dessa forma, permite-se ao
radier contribuir significativamente para a transferência das cargas diretamente ao solo
(MANDOLINI et al., 2013).

2.7 Métodos de análise

Comparando-se com as tradicionais fundações estaqueadas (grupos de estacas),


em que a carga da superestrutura é transferida para o solo unicamente pelas estacas, as
fundações do tipo radier estaqueado refletem uma abordagem de cálculo mais
sofisticada, que é justificada economicamente sob o ponto de vista executivo
(CORDEIRO, 2007; BEZERRA, 2003; CUNHA et al., 2007).
Segundo Freitas Neto (2013), existem vários métodos de dimensionamento que
buscam representar o comportamento do radier estaqueado, observando-se desde
métodos simplificados como correlações empíricas, ábacos de cálculo, métodos das
fundações equivalentes e métodos baseados na teoria da deformabilidade, até aqueles
baseados em Métodos Computacionais Aproximados, os quais o radier é representado
por uma placa e as estacas por molas, e os Métodos Computacionais Rigorosos como o
Método dos Elementos de Contorno (MEC) e Método dos Elementos Finitos (MEF).
Nesta tese, optou-se pela escolha de software baseado no método dos elementos
finitos tridimensionais (MEF ou FEM - terminologia em inglês), por considerar que esta é
uma ferramenta eficaz na obtenção de resultados.

40
Alguns trabalhos sobre a análise de radiers estaqueados por meio de modelos
numéricos, utilizando elementos finitos tridimensionais (DE SANCTIS e MANDOLINI,
2003, 2006; REUL, 2003, 2004), foram introduzidos na literatura.
O comportamento de radiers estaqueados é afetado pela interação 3D entre o
solo, as estacas e o radier. Além disso, para as condições de argila mole, a magnitude
da solução é maior do que para as condições de argila rígida sob a mesma carga vertical
aplicada. Assim, o processo de interação entre a estrutura do solo, as estacas e o radier
é muito mais complexo, portanto, é necessário utilizar um modelo analítico adequado
para avaliar essas interações (LEE et al., 2010). Segundo esse mesmo autor, os métodos
numéricos, que são aproximados têm sido extensamente desenvolvidos nas duas últimas
décadas, porque eles apresentam menor custo e podem ser utilizados para analisar
vários tipos de solo e de diferentes geometrias de fundação em relação ao campo e
ensaios em escala real. Na Tabela 2.1 apresentam-se os métodos de cálculo que estão
subdivididos nas respectivas categorias.

Tabela 2.1. Métodos de cálculo em radier estaqueado (FREITAS NETO, 2013).

41
Os métodos de análise do comportamento de radiers estaqueados são complexos
devido ao grande número de fatores envolvidos na interação radier solo-estacas
(POULOS, 2001; LEE et al., 2010). Segundo Poulos (1994), os métodos podem ser
classificados em duas categorias: “Simplificados ou Preliminares” e “Detalhados ou
Métodos Numéricos”. Ainda segundo esse autor, os métodos podem ser classificados,
conforme apresentados abaixo:

Métodos Simplificados (ou Preliminares) são:


 Correlações empíricas (Capacidade de Carga e Recalque Médio);
 Fundações Equivalentes (Radier Equivalente, Tubulão Equivalente e
Pórtico Equivalente);
 Método Baseado na Teoria da Deformabilidade (Método de Poulos e
Davis e Método de Randolph);
 Métodos de “Suporte de Reação Constante”.

Métodos Detalhados ou Numéricos são:


 Método dos Elementos de Contorno;
 Método dos Elementos Finitos;
 Combinação de mais de um método.

Poulos (1994) também observou que o método mais preciso de análise foi o
método linear / não linear tridimensional por elementos finitos, em que os principais
pontos a serem analisados em um radier estaqueado são:
 Percentuais da carga transferida pelas estacas e seu topo ao solo;
 Rigidez do conjunto (relação entre a carga aplicada e o recalque do
elemento de fundação).

Da mesma forma que qualquer sistema de fundação, outros itens devem ser
considerados no estudo: capacidade de carga para esforços verticais, laterais e
momentos; recalque máximo e diferencial, momentos e esforços para detalhe estrutural
do bloco/radier e estacas.
42
2.7.1 Método simplificado

Os métodos de cálculo simplificado se baseiam na teoria da deformabilidade para


estimativa do recalque médio do conjunto. Randolph (1983) apresenta um processo
simples que considera separadamente a rigidez do grupo de estacas (KPG) e do radier
(KR), e utiliza um fator de interação entre as estacas e o bloco (αrp). A rigidez do radier
estaqueado (KPR) é dada por:

𝐾𝑝𝑔 + 𝐾𝑟 (1 − 2𝛼𝑟𝑝 )
𝐾𝑝𝑟 =
2 ( 𝐾𝑟 )
1 − 𝛼𝑟𝑝
(4.7)
𝐾𝑝𝑔

A relação entre a carga transferida ao solo pelo bloco (Pr) e a carga total (Pt) é
dada por:

𝑃𝑟 𝐾𝑟 (1 − 𝛼𝑟𝑝 )
= (4.8)
𝑃𝑡 𝐾𝑝𝑔 + 𝐾𝑟 (1 − 2𝛼𝑟𝑝 )

A rigidez da estaca e do bloco podem ser determinadas por processo


convencional. O fator de interação αrp é dado por:

ln(𝑟𝑚 ⁄ 𝑟𝑐 ) ln(𝑟𝑐 ⁄ 𝑟0 )
𝛼𝑟𝑝 = =1− (4.9)
ln(𝑟𝑚 ⁄ 𝑟0 ) 𝜁

Em que:
rm é o raio de influência da estaca (distância radial na qual a deformação
cisalhante é considerada nula; é da ordem de grandeza da estaca);
rc é o raio efetivo do topo (área do topo dividida pelo número de estacas);
r0 é o raio da estaca; e 𝜁 = ln(𝑟𝑚 ⁄ 𝑟0 ).

Segundo Clancy e Randolph (1992), ao se aumentar o número de estacas do


grupo o valor do coeficiente αrp tende ao valor constante de 0,8 e independe do
espaçamento entre estacas, comprimento e rigidez relativa, modificando a equação de
rigidez da fundação para a seguinte forma:

43
𝐾
1 − 0,6 ( 𝑟 )
𝐾𝑝𝑔
𝐾𝑝𝑟 = 𝐾𝑝𝑔 (4.10)
𝐾
1 − 0,64 ( 𝑟 )
𝐾𝑝𝑔

A nova equação descreve o método simples denominado PDR, sendo uma


combinação de propostas anteriores de Poulos e Davis (1980) e Randolph (1994).
Da mesma maneira, a relação entre as cargas suportadas pelo topo e pelo grupo
de estacas é expressa por:

𝑃𝑟 0,2 𝐾𝑟
=
𝑃𝑡 1 − 0,8 ( 𝐾𝑟 ) 𝐾𝑝𝑔 (4.11)
𝐾𝑝𝑔

Assim como no método de Randolph (1983), a rigidez da estaca e do bloco (Kr)


pode ser determinada por soluções convencionais. Bezerra e Cunha (2002) citam a
solução de Poulos e Davis para o cálculo da rigidez do bloco rígido:

1,1 𝐸𝑆 𝐿
𝐾𝑟 = (4.12)
1 − 𝜈𝑠2
Em que: L é o comprimento do radier/bloco e Es o módulo de Young do solo.
Entretanto, se a rigidez do grupo de estacas (KPG) pode ser avaliada por meio da
razão de atrito RS:

𝑛 𝐾𝑠 𝐾𝑠
𝐾𝑝𝑔 = = (4.13)
𝑅𝑠 𝑅𝑔
Em que: n é o número de estacas; Ks a rigidez axial da estaca (=1/Iw0); Rg = Rs/n
é o fator de redução de grupo. Ks, Rs e Rg podem ser estimadas com o uso de gráficos
ou programas de computador.
As equações de rigidez, a relação entre as cargas e o fator de interação podem
ser usados para desenvolver a curva carga - recalque do radier estaqueado.

44
2.7.2 Método híbrido

O método híbrido consiste na aplicação de distintos métodos numéricos em


conjunto, buscando tirar vantagem de cada método. Geralmente, na análise de um radier
estaqueado, o radier é analisado pelo M.E.F. e a interação entre as estacas e o solo pelo
método das camadas finitas ou método de elemento de contorno.
Hain e Lee (1978) analisaram, utilizando um método numérico híbrido simplificado
que incorpora, por meio da superposição de fatores de interação entre os elementos da
fundação, o método dos elementos finitos na análise do radier e o método dos elementos
de contorno na análise do conjunto solo/estacas. A Figura 2.29 mostra a interação entre
estaca-estaca, radier-estaca, estaca-radier e radier-radier. A demonstração de interação
entre os componentes da fundação se tornou um modelo clássico apresentado em vários
trabalhos posteriores.

Figura 2.29. Mecanismos de interação em radiers estaqueados (HAIN e LEE, 1978).

45
2.7.3 Trabalhos empregando Métodos Numéricos

Na literatura existem diversos artigos que fazem uso da ferramenta numérica para
análise sistemática do comportamento da interação estaca-solo-grupo de estacas, por
intermédio da aplicação de programas adequados ao entendimento do comportamento
carga x recalque.
Ottaviani (1975) comparou o recalque em função do módulo de deformabilidade
do solo e estacas, e a distribuição de cargas entre as estacas para uma estaca isolada e
para o radier estaqueado de 3x3 e 5x3. Dessa maneira, o autor verificou que o recalque
é maior para um radier estaqueado do que para estacas isoladas, e que o recalque para
radier estaqueado examinado depende da profundidade da camada de solo compressível
existente abaixo das estacas. O autor também constatou que a presença do bloco sobre
as estacas causa uma distribuição não uniforme de cargas ao longo das estacas do
grupo, que as estacas internas são muito menos carregadas do que as da periferia do
grupo. Além disso, o autor observou que o sistema em radier estaqueado permite não só
transmitir parte da carga diretamente para o solo, que aumenta com a diminuição da
razão do módulo de deformabilidade do concreto pelo módulo de deformabilidade do solo,
como modifica consideravelmente o mecanismo de transferência da carga das estacas
para o solo.
Zhang e Small (2000) analisaram radiers estaqueados em perfis de solo
estratificados, submetidos a carregamentos verticais e horizontais, por meio de um
método que combina o método dos elementos finitos para análise do radier e o método
da camada finita para análise do sistema grupo de estacas/solo, sendo o software
denominado APPRAF (Analysis of Piles and Piled Raft Foundations). Com base na
análise dos resultados, os autores citados observaram que esses métodos podem ser
usados com sucesso na análise de radiers estaqueados em perfis de solo estratificados
e que as distribuições de carga ao longo do fuste das estacas nesse tipo de perfil são
afetadas pela espessura relativa e rigidez das diversas camadas de solo que o compõem.
Bacelar (2002) observou que o principal objetivo da análise numérica em seu
trabalho usando o método dos dos elementos finitos foi de estimar a influência do arranjo
e a distribuição de carga em estacas e recalques diferenciais em radier estaqueados. Os
resultados numéricos mostram que o arranjo das estacas influência significativamente a
46
fração da carga aplicada que é transferida diretamente para o contato radier-solo.
Dependendo do limite da distorção angular, o número de estacas e o arranjo das estacas
pode ter reduzida.a influência no recalque de radiers estaqueados com base nos
resultados de um estudo paramétrico com análise 3D, a partir do método dos elementos
finitos, com o uso do programa ABAQUS.
Por intermédio de ferramentas numéricas, Sales et al. (2002) analisaram um radier
estaqueado, alterando a quantidade de estacas. Eles partiram da quantidade de estacas
original (25) e foram retirando algumas estacas para ver o comportamento do grupo.
Dessa forma, observaram o efeito do fator de segurança nos recalques, nos momentos
gerados no interior dos radiers e a distribuição de carga entre as estacas e o radier.
Bezerra (2003) estudou o comportamento do radier estaqueado utilizando o
programa APRAFR para analisar diversas opções de carregamento, inclusive a aplicação
de momentos e de carregamentos horizontais. Avaliando-se também o comportamento
de um radier de quatro estacas submetido a diversos modelos de carregamento,
recalques máximos e diferenciais, esforços de momento e cisalhamento máximos e
porcentagem de carga em cada estaca. Ao final, apresenta uma otimização manual,
estudando seis casos de disposição de estacas ao longo do radier, e analisando-se o
comportamento quanto ao recalque, máximo e diferencial, carga vertical nas estacas e
do momento no radier.
Reul e Randolph (2003) realizaram comparações por meio de análises numéricas
(software ABAQUS) da fundação de três obras, sendo elas: “Westend 1”, “Messeturm” e
“Torhaus der Messe”. A comparação entre o recalque total, o recalque diferencial e a
carga distribuída para as estacas mostra razoável conformidade, porém o M.E.F.
geralmente mostra uma proporção maior da carga distribuída para as estacas em relação
às medições realizadas in loco.
Novak et al. (2005) analisaram um radier estaqueado de um edifício localizado na
cidade de Urawa, Japão, assente sobre solo arenoso, em que as estacas apresentavam
comprimento de 15,8 metros, sendo que as pontas destas encontravam-se embutidas
em uma camada densa de areia. O deslocamento vertical máximo medido no centro do
radier foi de 1,80 cm, enquanto que o obtido por MEF foi de 1,54 cm.

47
De Sanctis e Mandolini (2006) avaliaram a capacidade de carga de um radier
estaqueado a partir da capacidade de carga isolada do radier e do grupo de estacas
assentes sobre argila mole. Os autores utilizaram o programa de análises em 3D por
elementos finitos ABAQUS (versão 6.2). Para tanto, utilizaram uma sapata circular sobre
uma estaca e outros três radiers quadrados apoiados sobre 9, 25 e 49 estacas. Diante
das análises, os autores observaram que o fator de segurança de um radier estaqueado
poderá ser ligeiramente menor que a soma dos fatores de segurança do radier e do grupo
de estacas isoladamente.
De acordo com as análises efetuadas por De Sanctis e Mandolini (2006), verifica-
se que o comportamento de uma fundação em radier estaqueado envolve diversas inter-
relações que não podem ser simplesmente representadas pela sobreposição de efeitos
entre uma fundação direta e um grupo de estacas.
Lee et al. (2010) realizaram análises numéricas 3D (software ABAQUS) em radiers
estaqueados quadrados com 9, 16 e 25 estacas, com comprimentos de 8, 12 e 16 m
assentados sobre argila mole, variando-se os espaçamentos entre as estacas e o tipo de
carregamento aplicado sobre o radier estaqueado. Os autores observaram que o
aumento no espaçamento entre as estacas diminui o fator pr e o tipo de carregamento
(concentrada ou uniformemente distribuído) influencia na distribuição de carga nas
estacas e no recalque do radier, necessitando de uma melhor distribuição das estacas
sob o radier.
Al-Baghdadi (2006), por intermédio de análises numéricas pelo método dos
elementos finitos, avaliou o comportamento de radiers compostos por 4, 6, 8 e 9 estacas.
Esse mesmo autor desenvolveu um programa para análise de radiers estaqueados
denominado 3DSPRANO (3-Dimensional Soil Pile Raft Analysis by Nonlinear Finite
Element).
Souza (2010) realizou um estudo cujo principal objetivo foi avaliar o efeito da
interação entre estacas. Para isso, foram utilizados o programa GARP 8 (Programa
Híbrido) e o DIANA (Baseado na rotina de cálculo de elementos finitos e desenvolvido
pela TNO Building and Construction). O autor realizou análises para radiers estaqueados
com número de estacas variável entre 1 e 100 estacas. O elemento finito considerado

48
pelo autor em suas análises é denominado por CTE30, isoparamétrico piramidal com 3
faces e 10 nós, com interpolação quadrática e integração numérica.
Kaltakci (2009) utilizou o software Plaxis de elementos finitos 2D e 3D na análise
de radiers estaqueados, a fim de comparar os resultados dessas análises com os
fornecidos pelo estudo realizado por Reul e Randolph (2004), que empregou em suas
análises 3D o software de elementos finitos, ABAQUS. O autor analisou três
configurações diferentes de estacas: comprimento, espaçamento entre elas e cargas
diferentes. A quantidade de estacas variou de 9 a 169, com modelo elastoplástico, e o
critério de ruptura utilizado para o solo foi o de Mhor - Coulomb em condições não
drenadas. Dessa forma, o autor verificou que ambos os softwares são influenciados pelas
variações nas características geométricas das estacas e também pela intensidade da
carga aplicada. Verificou também que os recalques médios obtidos pelo software Plaxis
3D são geralmente maiores que os obtidos nas análises com o ABAQUS, porém muitos
próximos entre eles. As comparações feitas entre modelos numéricos 2D e 3D foram
discrepantes, onde verifica-se que os softwares, Plaxis e ABQUS, baseados no modelo
3D, são muito mais precisos que o modelo 2D de elementos finitos.
Rabiei (2010) descreve em seu artigo o desenvolvimento de um projeto de radier
estaqueado para um edifício residencial em Mazandaran, no Irã. As análises numéricas
foram realizadas com o programa ELPLA, baseado no método dos elementos finitos.
Nesse trabalho foram consideradas nove configurações diferentes para o radier
estaqueado, nas quais foram variados tanto o número de estacas quanto o comprimento
delas dentro do radier. De acordo com os autores, dentre todas as configurações a carga
máxima absorvida pelas estacas foi de 60% e o recalque diferencial máximo foi de 3,0
centímetros.

2.8 Estacas como elementos redutores de recalques

Na maioria dos projetos de fundações, apenas o critério de capacidade de carga,


metodologia CBD estabelecida por Mandolini, era levado em consideração, uma vez que
os recalques previstos devido aos carregamentos da estrutura eram baixos, resultantes

49
da adoção de fatores de segurança elevados. Dessa forma, os projetos apresentavam-
se seguros sob o aspecto técnico, porém com elevados custos.
De acordo com Burland et al. (1977), é cada vez mais comum o uso de poucas
estacas para reduzir o recalque ao nível requerido (e melhorar o estado de tensões no
radier) e, como consequência, o aumento da capacidade de suporte. As estacas são,
portanto, denominadas “estacas redutoras de recalques”. Por outro lado, a questão de
projeto não é sobre “quantas estacas são necessárias para suportar o peso da estrutura”,
mas “quantas estacas são necessárias para reduzir o recalque a um nível aceitável”
(FLEMING et al., 1992).
Por outro lado, a utilização de poucas estacas sob um radier pode dar origem a
problemas estruturais para cargas laterais. Nesse caso, as estacas podem ser
desconectadas do radier, portanto, passando a agir como elementos de reforço do solo,
semelhantes a colunas de jet-grouting (MANDOLINI et al., 2013).
Análises realizadas por Burland (1995) são apresentadas na Figura 2.30, em que
se verifica a diferença do comportamento carga x recalque de fundações em estaca
isolada e estaca associada a um radier de largura infinita. Nota-se nesta que a fundação
em estaca isolada apresentou aumento abrupto do recalque para um determinado valor
de carga denominada ruptura. Entretanto, o radier estaqueado com uma estaca
apresenta o valor de carga máxima próximo a da estaca isolada, porém, devido à
presença do elemento horizontal de fundação, há uma alteração no comportamento da
curva carga x recalque.
Há muito tempo o conceito de estacas como elementos redutores de recalque vem
se estabelecendo no meio técnico como uma metodologia eficaz de projeto de fundações
em radier/bloco estaqueado. Essa metodologia de projeto apresenta uma aplicação
crescente nos projetos de fundações realizados no exterior e, mais recentemente, no
Brasil (estacas T ou equivalentes), conforme descrito por Décourt (1996). Para estudos
preliminares desse tipo de fundação vários métodos simplificados foram desenvolvidos e
podem ser empregados na fase de anteprojeto e na previsão de viabilidade das
fundações (BEZERRA e CUNHA, 2002).

50
Figura 2.30. Mobilização de carga e recalque obtidos a partir de uma estaca flutuante e por
uma estaca sob radier de largura infinita (BURLAND, 1995).

Fioravante e Giretti (2010) realizaram testes de centrífuga em modelos de


fundações de radiers estaqueados para estudar o mecanismo de transferência de carga
entre o radier e as estacas em um sistema de radier estaqueado em solo arenoso. Eles
descobriram que as estacas funcionam como redutores de recalque, transferindo a carga
do radier para o maciço de solo em profundidade. Observaram também que o mecanismo
de distribuição de carga está relacionado com a rigidez relativa do sistema de estacas-
solo.
Além das variáveis de projeto, tais como: espessura do radier, custos de execução,
número de estacas e outros fatores, o posicionamento estratégico das estacas, a fim de
reduzir os recalques diferenciais excessivos, é um aspecto relevante no projeto de
fundações. Essa filosofia de projeto é conhecida como “controle de recalques
diferenciais”.

2.9 Condições para aplicação de radier estaqueado

Como situação favorável ao uso da técnica de radiers estaqueados tem-se os


perfis de solo com argilas relativamente rígidas ou areias relativamente compactas
(POULOS, 2001).

51
As circunstâncias nas quais o uso da técnica não é favorável ocorrem nos perfis
de solo fraco, como argila mole ou areia fofa, próximos da superfície ou em profundidades
relativamente rasas, e solos sujeitos a recalques por consolidação ou solos expansivos,
sendo, nesses casos, desaconselhável o desenvolvimento de projeto em radier
estaqueado (SOARES, 2011).
Entretanto, Poulos (2011) cita uma possível solução para a adequação ao solo
fraco: escavar o terreno, antes ou após a execução das estacas, causando um alívio nas
tensões verticais do solo e impondo ao solo uma condição de pré-adensamento. As
cargas subsequentes, impostas pelo radier, tendem a causar menos recalques do que a
solução sem escavação do solo. O autor usa o termo fundação em radier estaqueado
“compensado”.
A concepção de fundações compensadas, frequentemente utilizada no passado
para radiers compensados, pode ser extrapolada para radiers estaqueados. O termo
“compensado” surgiu para fundações em que a realização de escavações foi prevista no
projeto de fundação. (SALES et al., 2010).
Poulos (2005) chama a atenção para as seguintes vantagens ao utilizar o radier
estaqueado compensado em argilas fofas:
 A experiência de fundação compensada incorre em menor recalque do que
fundações normais em radier estaqueado;
 As estacas apresentam uma menor proporção de carga do que a fundação não
compensada. Além disso, o radier pode ser mais efetivo;
 O recalque diferencial entre a fundação e o solo ao redor é menor do que a
fundação em radier estaqueado não compensado. Para a capacidade máxima
das estacas, o adensamento do solo pode ser responsável pela perda do
contato entre o solo e o radier, resultando na transferência de todo o
carregamento para as estacas, possivelmente resultando em problemas
arquitetônicos e para o edifício.
Sales et al. (2010) analisaram situações reais do uso de fundação em radier
estaqueado compensado para os edifícios (Hyde Park Cavalry Barracks, edifício
Messeturn e edifício Skyper). Os autores discutiram o mecanismo de fundação em radier
estaqueado compensado desses edifícios e apresentaram um modelo simplificado de
52
análise para esse tipo de fundação em solo argiloso mole, além de terem observado que
o recalque medido para os edifícios analisados foi significativamente influenciando pela
presença de uma considerável escavação. O fato de as estruturas terem fundações
compensadas reduziu significativamente os recalques e aumentou a eficácia do radier.

2.10 Recalques em fundações estaqueadas

Segundo Randolph (1994), o bloco/radier como sistema de fundação apresenta


capacidade de carga suficiente a suportar as cargas estruturais e, nesse sentido, o
principal objetivo da introdução de estacas formando um sistema é o de controlar ou
minimizar os possíveis recalques que possam ocorrer no sistema de fundação. Ainda
segundo o autor, as características geométricas das fundações e a disposição das
estacas no radier/bloco têm implicação diretamente no desempenho do conjunto.
É interessante ressaltar que o caso relatado por Randolph acontece para os
grandes radiers, em que a capacidade de carga do radier isolado é suficiente para
absorver os esforços provenientes da superestrutura, sendo necessária a inserção de
estacas sob sua base para reduzir os recalques médios e diferenciais a níveis aceitáveis.
Segundo Poulos (2001), nos últimos anos houve um aumento substancial do
emprego de estacas para a redução de recalques diferenciais e totais em fundações
diretas. A partir dessa premissa, o autor verificou que os projetos tornaram-se mais
elaborados, gerando economia e segurança nas edificações. Porém, Poulos (1991)
alertava que devem ser tomados alguns cuidados na disposição e no nível de carga em
que irão trabalhar as estacas de radiers estaqueados, pois quando se utilizam fundações
trabalhando em conjunto, estas podem ter um comportamento diferente do que se
espera.
O recalque de um grupo de estaca é geralmente quantificado usando o termo taxa
de recalque de grupo, RS, definido como a taxa de recalque de um grupo de estaca, g ,

para uma estaca isolada, s , com a mesma média de carga por estaca (Poulos e Davis,
1980).
ρg
RS = (4.14)
ρs

53
O’Neill (1983) estudou valores de RS provenientes de uma prova de carga sobre
estaca em tamanho real e a influência de vários fatores (ex: tipo de solo, geometria do
grupo e contato do radier/bloco com o solo). Esse autor verificou que os valores da
relação de recalques são superiores a 1, exceto nas estacas cravadas em areias fofas,
em virtude do elevado aumento da rigidez do solo e, consequentemente, do grupo de
estacas, devido aos efeitos da compactação no solo. Mais adiante, Poulos (1989) dividiu
os fatores de influência em dois estados: aqueles relacionados ao solo e as
características da estaca, tais como módulo de deformabilidade da estaca e do solo e
aqueles relacionados à geometria das estacas e do grupo de estacas. Adicionalmente,
várias fórmulas empíricas para RS têm sido propostas para grupo de estacas em solo
arenoso (SKEMPTON, 1953; VÉSIC, 1969; FLEMING et al., 1992), como resumido na
Tabela 2.2. Essas fórmulas empíricas foram geralmente baseadas nas limitações
observadas nos ensaios realizados em campo para a carga de trabalho.

Tabela 2.2. Fórmulas empíricas para RS do grupo de estacas em solo arenoso.

Referência Skempton (1953) Vésic (1969) Fleming et al. (1992)


𝑅𝑆 = 𝑛𝑒
2 𝑅𝑆 = 𝑛𝑒
4𝐵 + 2,7 𝐵 𝑒 = 0,4 → 0,6
Fórmulas 𝑅𝑆 = ( ) 𝑅𝑆 = √ 𝑒 = 0,33
𝐵 + 3,6 𝑑 Fleming et al.
(Poulos, 2000)
(1992)
Nota: B = largura grupo de estacas; d = diâmetro da estaca; n = número total de
estacas; e 𝑒 = coeficiente.

Randolph (1994) afirma que, para avaliar o recalque de fundação em estacas, o


𝑛𝑠
método do radier equivalente tem sido preferido quando a relação 𝑅𝑆 = √ ≥ 4,
𝐿

enquanto que o método do pilar equivalente é mais adequado se R < 2. É interessante


notar que, com os valores normais de n e L, esses limites são próximos dos sugeridos
acima entre radiers grandes e pequenos. Onde: n - número de estacas, L - comprimento
das estacas e s - espaçamento entre estacas.
Poulos (1999) mostra que o efeito da rigidez do sistema (contato radier - estaca)
influencia diretamente no comportamento de transferência de carga do sistema e que
esta afetará a distribuição para os recalques ao longo da fundação, como também a
54
distribuição para a carga estrutural e momentos também seriam afetados pela
flexibilidade do contato do radier.
Castelli e Maugeri (2002) propuseram um cálculo aproximado para análise não
linear em resposta aos carregamentos verticais do grupo de estacas. A interação não
linear solo-estaca é modelada pela função hiperbólica de transferência de carga pelo
comportamento solo-estaca, que pode ser simplesmente simulada para ambas as
resistências, lateral da estaca e contato do radier (equações 4.15 e 4.16). Os autores
estenderam a solução de uma estaca para o caso do grupo de estacas, como um “pilar”
equivalente de interação com o solo circundante, o qual foi considerado por intermédio
da função de transferência de carga (Figura 2.31). Entretanto, os autores verificaram que
é necessário levar em consideração o efeito devido à interação do grupo estaca-solo, a
função de transferência de carga deve ser modificada para correlacionar o
comportamento de estaca isolada para o grupo de estacas.
Com base em resultados de provas de carga, Castelli e Maugeri (2002) avaliaram
o efeito da redução da deformação do sistema devido ao grupo estaca-solo na
determinação do efeito de interação por estacas vizinhas, e a consideração do aumento
do recalque geral no topo do grupo de estacas com o respectivo caso de estaca isolada.
A partir dessas análises apresentam-se duas expressões propostas para descrever o
comportamento de uma estaca e para o grupo de estacas considerado como um pilar
equivalente.
−𝜀
𝐷
𝑤𝑔 = 𝑤 ( ) (4.15)
𝐷𝑒𝑞
𝑤
= 𝑚𝑤 + 𝐶 (Chin, 1970 e 1972) (4.16)
𝑃
Em que: w = recalque de estaca isolada; wg = recalque do grupo de estacas; D =
Diâmetro de uma estaca; Deq = diâmetro equivalente do grupo de estacas;  = 0,15; P =
carga aplicada; m = P-1; C = constante;

Existem vários métodos para previsão do recalque de grupo de estacas e estacas


isoladas, e muitos deles apresentam resultados realistas. Na prática, para a estimativa
do recalque para grupo de estacas, adota-se um procedimento conveniente que pode ser
55
aplicado, o método “pilar equivalente”, em que a região considerada engloba solo e
estacas como um único elemento (POULOS e DAVIS, 1980).

Figura 2.31. Substituição do grupo de estacas pelo “pilar equivalente” (CASTELLI E


MAUGERI, 2002)

As propostas apresentadas para a estimativa do recalque em fundações


estaqueadas, no grupo de estacas (grupo de estacas) e no radier estaqueado podem ser
obtidas pelos métodos apresentados por Castelli e Motta (2002), Randolph (1994) e pela
equação de Tomlinson (1986). Ressalta-se que o método do pilar equivalente não
considera a influência do contato do radier com o solo. Nesta tese, os métodos do pilar
equivalente são apresentados para efeito de conhecimento e para auxiliar nas análises
dos grupo de estacas simulados numericamente. Para os resultados de radier
estaqueado experimental e numérico utiliza-se, nesta tese, o método do radier
equivalente.

56
Para Randolph (1994), o método do “pilar equivalente” apresentado na Figura
2.31, o diâmetro equivalente, o recalque e o módulo equivalente podem ser obtidos de
acordo com as equações a seguir:

𝐷𝑒𝑞 = 2 ∙ √𝐴𝑔 ⁄𝜋 (4.17)

Em que: Ag é a área plana do grupo de estacas como um bloco.

O recalque do “pilar equivalente” (s) pode ser calculado a partir da equação 4.18,
utilizada para o cálculo de estaca isolada (Randolph e Wroth, 1974):

𝜏0 ∙ (𝐷𝑒𝑞 ⁄2) 2 ∙ 𝑟𝑚
S= ∙ 𝐿𝑛 ( ) (4.18)
𝐺 𝑑𝑒
0 – tensão de cisalhamento atuando ao longo da estaca; G – módulo de cisalhamento do solo; rm – raio
efetivo da estaca.

O módulo de Young do “pilar equivalente” (Eeq) é obtido pela equação 4.19:

𝐴𝑡𝑝
𝐸𝑒𝑞 = 𝐸𝑠 + (𝐸𝑝 + 𝐸𝑠 ) ∙ ( ) (4.19)
𝐴𝑔
Em que: Ep = módulo de Young das estacas; Es = módulo de Young médio do solo penetrado pelas estacas;
e Atp – área total da seção das estacas no grupo.

A abordagem em Radier Equivalente é descrita em muitos textos de engenharia


de fundação, mas há algumas diferenças no procedimento sugerido para reduzir o grupo
a uma radier equivalente. Essa abordagem é simplificadora, entretanto, pode obter, com
determinado grau de precisão, o recalque da fundação.
A seguir, apresentam-se duas condições distintas para a aplicação da estimativa
de recalques em radier estaqueados:

a) A profundidade que o radier equivalente situa-se depende da natureza do perfil do


solo, e varia de 2/3 de L para grupos de estacas flutuantes e de L para grupos de
estacas de ponta, em que L é o comprimento da estaca. Supõe-se que a pressão
vertical é distribuída na proporção 2V: 1H (Figura 2.32). Se as estacas que suportam
a carga apoiarem em rocha ou em camada muito dura, espessa o suficiente, a
análise de recalque não é necessária (ORDEMIR, 1984).
57
Figura 2.32. Solução de um grupo de estacas (SAĞLAM, 2003).

Verifica-se, na Figura 2.32, que existem duas situações propostas para estimar o
recalque em grupo de estacas: a) Grupo de estacas dissipando a carga por atrito lateral
em argila e b) Admite-se a existência de uma camada superficial de espessura menor ou
igual a L (comprimento da estaca), sendo a distribuição de carga realizada pela camada
de apoio da ponta das estacas e, consequentemente, o recalque calculado para essa
situação.

b) Transferência de carga por atrito lateral, a partir da estaca para o solo circundante,
é realizada considerando-se que a carga é distribuída a partir do fuste das estacas
por atrito lateral com proporção de 1H:4V. Mais dois casos de transferência de carga
são apresentados na Figura 2.33 b) e c) (TOMLINSON, 1986).

As premissas de funcionamento são apresentadas na Figura 2.33, em três


propostas: a) Grupo de estacas suportadas predominantemente por atrito lateral. b)
Grupo de estacas cravadas através de argila mole, combinando atrito lateral e resistência
de ponta pelo apoio no estrato de solo granular denso c) Grupo de estacas suportado na
base da extremidade em estrato rochoso.

58
Figura 2.33. Transferência de carga em grupo de estacas (SAĞLAM, 2003).

Tomlinson (1986) apresenta um método de cálculo para radier equivalente,


conforme apresentado na equação 4.20:

𝜇𝑖 ∙ 𝜇0 ∙ 𝑞 ∙ 𝐵
𝑤= (4.20)
𝐸𝑠
Em que: i e 0 são coeficientes tabelados ou obtidos por ábacos; B é a largura do
radier e Es é o módulo de deformabilidade do solo.

Na equação 4.20, o coeficiente de Poisson é assumido como sendo igual a 0,5.


Os fatores μi e μ0, que estão relacionados com a geometria do radier equivalente, a
espessura da camada de solo compressível e a relação comprimento / largura da
fundação radier equivalente são mostrados na Figura 2.34.
Os valores dos coeficientes μi e μ0 são apresentados na Figura 2.34,
considerando-se que o módulo de deformabilidade é constante em profundidade. No
entanto, na maioria das formações naturais do solo e da rocha o módulo aumenta com a
profundidade de tal forma que os cálculos para as condições baseadas em um módulo
constante resultam em superestimativa do recalque.

59
Figura 2.34. Fatores para o cálculo do recalque imediato médio de uma área carregada
(CHRISTIAN e CARRIER, 1978)

A quantificação do recalque em fundações deve ser encarada como fator decisivo


no projeto geotécnico, uma vez que grande parte dos projetos estruturais são concebidos
atribuindo-se recalque zero aos apoios. Essa consideração é distante da realidade dos
projetos geotécnicos que preveem a ocorrência de recalques controlados para que as
fundações possam desempenhar sua função como elemento de reação. Nesse aspecto,
o sistema em radier estaqueado possui maior capacidade de carga em relação às
fundações em grupo de estacas, porém os recalques também podem ser maiores,
dependendo do critério de projeto adotado.
Segundo Bezerra (2003), a eficácia superior de um sistema em radier estaqueado,
em comparação ao grupo de estacas, tem ocasionado um relevante aumento em seu uso
em projetos de fundações profundas, mas ressalta-se que esse efeito não se relaciona
com a quantidade de estacas sob o elemento.
As soluções das questões que provêm do projeto de radier estaqueado interessam
à porção relativa do carregamento de carga no radier e estacas, e, adicionalmente, aos
efeitos de suporte sobre o recalque absoluto e diferencial (RANDOLPH, 1994).
60
O radier estaqueado deve ser avaliado sob dois aspectos: distribuição de carga e
recalques, máximo e diferencial. Nesse aspecto, um estudo sobre a distribuição de
cargas entre o bloco e estacas foi apresentado por Mandolini (2003), denominando-o
como coeficiente pr (Figura 2.22 e Equação 4.21).

∑𝑛𝑖=1 𝑃𝑗(𝑒𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎)
αpr = (4.21)
𝑃𝑝𝑟
Em que: pr = 0 (fundação rasa não estaqueada) e pr = 1 (grupo de estacas com
o solo), se 0 < pr < 1 a fundação trabalha como radier estaqueado.
A interação entre estacas tende a ser subestimada por métodos aproximados.
Entretanto, essa baixa interação pode ser mais relevante na prática em que a natureza
não linear dos solos tende a deformações próximas à da estaca (RANDOLPH e WROTH,
1979).
Segundo Poulos (2006), se o solo entre as estacas de um grupo é considerado
mais rígido do que o solo diretamente adjacente à estaca, o recalque de interação entre
estacas em um grupo é reduzido. A extensão dessa redução sobre a taxa (µ) do módulo
de deformabilidade do solo entre as estacas para o solo próximo da estaca depende: do
espaço entre as estacas, da geometria e da rigidez relativa das estacas. Ainda de acordo
com o autor, significativas taxas de redução do recalque de grupo podem ocorrer se as
estacas estiverem largamente espaçadas ou existirem várias estacas em grupo. Essa
observação fornece uma explanação para a tendência de convergência da teoria do
recalque do grupo de estacas para prever os efeitos além da interação do grupo.
Comparações com dados recentes de campo mostram que a consideração dos
elevados módulos da massa do solo entre as estacas resulta em previsões mais realistas
do recalque e da distribuição de carga em grupos de estacas do que os realizados por
análises convencionais, as quais assumem que o módulo da massa do solo é igual ao
módulo do solo adjacente à estaca. Entretanto, essa análise convencional fornece
resultados conservadores menos significativos (POULOS, 2006).
Xu e Zhang (2007) analisaram vários grupos de estacas embutidas em solos
arenosos, considerando dois casos, a) radier em contanto com o terreno e b) grupo de
estacas com o terreno. Nesse estudo, os autores observaram que o valor de RS (taxa de
recalque) decresce com o nível de carga, ao passo que o coeficiente de variação de Rs
61
aumenta com o nível de carga. De acordo com a Figura 2.35, a contribuição do radier em
contato com o terreno para Rs é estatisticamente não significativa e o decréscimo de Rs
com a carga é significativamente afetado pela localização natural do componente plástico
do recalque, o qual não é transmitido para a estaca adjacente.

Figura 2.35. Variações da média e COV de Rs de grupos de estacas com carga


normalizada (XU e ZHANG, 2007).

As variações do Rs e Rr (taxa de resistência de grupo) com a carga ou recalque


são comparadas para elucidar possível mal-entendimento entre Rs e  (eficiência do
grupo de estacas) quanto ao recalque de grupo de estacas em solos arenosos. O valor
de Rs, comparando o recalque da carga de trabalho, é geralmente maior do que de uma
estaca. O valor de  comparado à carga de ruptura na qual ocorrem recalques
diferenciais por cada grupo de estacas e suas respectivas estacas individuais,  é
usualmente maior do que a de uma unidade devido à densificação do solo e a
contribuição adicional do radier em contato com o terreno.

62
2.11 Estudos em radiers estaqueados: experimental e numérico

Muitos pesquisadores têm conduzido análise numérica em radiers estaqueados


(RUSSO & VIGGIANI, 1998; HORIKOSHI & RANDOLPH, 1999; POULOS, 2001;
VIGGIANI, 2001; MANDOLINI, 2003; RANDOLPH, 2003; RANDOLPH et al., 2004;
BADELOW et al., 2006; SANCTIS & MANDOLINI, 2006; SANCTIS & RUSSO, 2008).
Porém, existem poucos dados disponíveis na literatura sobre os dados experimentais de
radiers estaqueados (por exemplo, HORIKOSHI et al., 2003;. LEE & CHUNG, 2005;
BAJAD & SAHU, 2008; FIORAVANTE et al., 2008; PHUNG, 2010, ALNUIAM, 2013;
ABBAS, 2014). Dessa forma, os dados experimentais são úteis para verificar os
resultados da análise numérica de radiers estaqueados.
O uso de modelo numérico para a análise elástica linear do grupo em estacas
embutidas em um solo não homogêneo com o radier em contato com o terreno, mas que
faz uso de um perfil de solo homogêneo equivalente tende à subestimativa da rigidez do
grupo de estacas. O efeito do contato do radier não aumenta significativamente a rigidez
do grupo e este efeito é ainda menos significativo nos perfis de solo não homogêneos
ensaiados. Verifica-se, ainda, que para um solo não homogêneo existe uma significativa
redução dos níveis de carga no radier sobre a estaca com um correspondente aumento
nos incrementos de carga sobre as estacas isoladas (CHOW, 1991).
Nesse sentido, os modelos numéricos necessitam de maior detalhamento para
permitir a entrada dos parâmetros das camadas de solo. Permite-se, dessa forma,
capturar as variações de comportamento das características de resistência do solo
introduzindo esses parâmetros no modelo. O número de camadas a ser utilizado no
modelo pode ser adotado de acordo com os resultados das investigações do solo,
normalmente a cada metro no caso de sondagens SPT.
Horikoshi et al. (2003) investigaram o comportamento da carga x recalque e a
interação entre a carga e as estacas do radier no sistema radier estaqueado, por
intermédio de uma série de provas de carga estática (vertical e horizontalmente) em
modelos radier estaqueado em areia, usando uma centrífuga. Lee e Chung (2005)
apontaram que, para um projeto adequado de grupo estacas, fatores como a interação

63
entre estacas, a interação entre contato e as estacas e a influência do método de
instalação estacas precisam ser levados em consideração.
Bajad e Sahu (2008) investigaram o efeito do número de estacas no
compartilhamento de carga e o comportamento na redução de recalque em radiers
estaqueados assentes em argila mole por meio de testes em centrífuga, com dimensões
de 10 cm x 10 cm e com diferentes rigidezes em relação ao número de estacas, ou seja,
com quatro (2x2), nove (3x3) e dezesseis (4x4) as estacas. Os autores observaram que
um método simplificado como o de Poulos e Davis (1980) ajuda no cálculo de previsão
do recalque de radiers estaqueados.
Fioravante et al. (2008) investigaram o comportamento de recalques em radiers
estaqueados reduzindo as estacas através de um modelo centrífugo, com radier rígido
composto por estacas inseridas em camada de areia fofa com granulometria definida. O
programa de testes incluiu um radier sem estacas, radiers com 1, 3, 7 ou 13 estacas. Os
autores verificaram que, para baixos valores de recalque, o radier estaqueado apresenta
resultados próximos ao do grupo de estacas, entretanto, com o aumento do número de
estacas, o radier estaqueado tem sua rigidez aumentada.
Phung (2010) apresentou os dados de três testes de modelo de campo de grande
escala realizados em radier estaqueado em solo não coesivo, a fim de esclarecer a
interação solo-contato-estacas e o comportamento carga x recalque de sapatas
estaqueadas. Todos os grupos de estacas são quadrados e formados por cinco estacas,
ou seja, uma no centro e quatro estacas de canto. O autor verificou um melhor
entendimento do comportamento de transferência de carga de sapatas estaqueadas
assentadas em areia, bem como o comportamento carga x recalque. O estudo apoia a
ideia de estacas como elementos redutores de recalque e que métodos simplificados
como Phung (1993) e Poulos e Makarchian (1996) podem ser utilizados pelo menos na
fase de escolha dos projetos de fundação para estimar a capacidade de carga e recalque
de radiers estaqueados, mas que estudos detalhados devem empregar análises
numéricas por elementos finitos 3D.
El-Garhy (2013) analisou o comportamento de radiers estaqueados instalados em
areia por meio de um modelo experimental em escala reduzida, objetivando conhecer o

64
efeito em relação à redução do recalque a partir da introdução de estacas sob a área
central do radier (Figuras 2.36 e 2.37).

Figura 2.36. Sistema reduzido de prova de carga (EL-GARHY, 2013).

Figura 2.37. Casos estudados de radiers com estacas no centro (El-GARHY, 2013).

As estacas foram instaladas na areia por cravação e com ponta fechada. Os


autores analisaram radiers estaqueados com 1, 4, 9 ou 16 estacas. Três comprimentos
65
de estacas foram utilizados nos ensaios que representam esbeltez, L / D, de 20, 30 e 50,
respectivamente. Os radiers analisados possuem dimensão de 30 cm x 30 cm, com
espessura diferente de 0,5 cm, 1,0 cm e 1,5 cm. A rigidez dos radiers sobre as estacas
apresenta valores variando entre 39 e 10,56, ou seja, de flexível a rígido.
A melhoria da capacidade de carga final é representada pela relação melhoria
carga (LIR) e as reduções dos recalques médios e diferenciais são representadas pela
relação de recalque, SR. As equações empregadas para determinação desses
parâmetros são apresentadas abaixo:

𝑃pr
𝐿𝐼𝑅 = (4.22)
Pr
𝑤pr
𝑆𝑅 = (4.23)
wr
Em que: Ppr - a carga aplicada no radier estaqueado, Pr - carga suportada somente
pelo radier; wpr - recalque do radier estaqueado; wr - recalque do radier.
Segundo El-Garhy (2013), embora possa haver algum efeito de escala, os
resultados de testes desse modelo fornecem parâmetros importantes sobre o
comportamento da redução do recalque em radiers estaqueados e compartilhamento de
carga entre estacas e contato solo-radier, podendo fornecer algumas diretrizes gerais
para um projeto econômico de radiers com a redução do recalque a partir da introdução
de estacas (Figuras 2.38a e 2.38b). A partir dessas observações, os autores chegaram
às seguintes conclusões:

a) A adição, mesmo de um pequeno número de estacas sob a área central do


radier, aumenta a capacidade de carga do radier estaqueado, e este efeito eleva-
se à medida que aumenta o número de estacas, que também é influenciado pelo
aumento do índice de esbeltez das estacas (L/D);
b) Para 10 mm e 25 mm de recalque, a relação de melhoria de carga (LIR)
aumenta à medida que o número de estacas reduz o recalque e também com o
aumento da relação L/D;

66
Figura 2.38. (a) Variação da taxa de melhoria de carga, LIR, com o número de estacas
com 10 mm de recalque e (b) Compartilhamento de carga entre radier e estacas para o
centro do radier estaqueado (EL-GARHY, 2013).

O comportamento de fundações em radier estaqueado tem sido amplamente


pesquisado no Brasil por meio de trabalhos experimentais em tamanho real. Nesse
aspecto, apresenta-se o trabalho realizado por Soares (2011), que analisou o
comportamento de fundações em grupo de estacas e radiers estaqueados, executados
em solo arenoso heterogêneo da área litorânea de João Pessoa/PB, com 7 provas de
cargas estáticas, em 14 estacas do tipo Hollow Auger, construídas em escala real, com
0,3 m de diâmetro e 4,5 m de comprimento. Dentre as estacas executadas, somente uma
estaca de cada agrupamento foi instrumentada e uma prova de carga direta realizada no
bloco pré-moldado rígido, com dimensões de 1,55 m x 1,55 m x 0,85 m, que
posteriormente foi utilizado para todas as outras seis provas de carga, ou seja, em
algumas situações o bloco apoiava-se somente nas estacas funcionando como grupos
de estacas e em outras apoiava-se nas estacas e no solo, funcionando como um radier
estaqueado. Observa-se que as estacas não foram engastadas no bloco, de modo que
entre este e as estacas foram instaladas células de carga com capacidade de 1000 kN.
Entre a viga de reação e o bloco foi instalada outra célula de carga com capacidade
máxima de 4000 kN (Figuras 2.39a, 2.39b e 2.39c).

67
Figura 2.39. Esquema de medição de carga nas provas de carga (SOARES, 2011)

Nas Figuras 2.40 e 2.41 são apresentadas as curvas carga x recalque obtidas por
Soares (2011) para os grupos de estacas, para os radiers isolados e estaqueados
ensaiados, respectivamente. A partir dessas figuras, é possível observar que, conforme
esperado, a capacidade de carga da fundação aumentou significativamente com o
aumento do número de estacas sob o radier e que é nítida a contribuição do radier para
a capacidade de carga da fundação.
Os resultados experimentais de Soares (2011) foram retroanalisados com o
Método dos Elementos Finitos (MEF 3D), por Pezo (2013), utilizando o programa CESAR-
LCPC v4 (Cleo 3D versão 1.07).

68
Figura 2.40. Cargas para o recalque máximo das fundações em grupos de estacas
(SOARES, 2011)

Figura 2.41. Curva carga x recalque obtidos para os radiers isolado e estaqueado
(SOARES, 2011).

Pezo (2013) comparou os resultados das simulações numéricas com os resultados


experimentais, medidos nas provas de carga de Soares (2011). Nas retroanálises,
buscou-se a estimativa dos parâmetros geotécnicos do solo para serem empregados em
futuras simulações. Análises paramétricas são executadas com o intuito de obter um
maior conhecimento do comportamento da fundação em radier estaqueado, usando o
modelo elásticoplástico de Mohr-Coulomb. Nesse contexto, o autor observou que:

69
a) Na distribuição de cargas no radier estaqueado, a parcela da carga aplicada é
transferida diretamente ao solo através do radier. Para o caso do maior
comprimento das estacas, menor foi a parcela de carga distribuída ao radier. Na
grande maioria dos casos analisados, verificou-se que mais de 50% do
carregamento total é suportado pelo radier;
b) Com o aumento da espessura do radier, número, diâmetro e comprimento das
estacas, os recalques máximos, os recalques diferenciais e as distorções
angulares são reduzidos;
c) O uso de ferramentas computacionais baseadas no MEF permite simular
adequadamente, em 3D, o comportamento do sistema de fundação, considerando
a interação gerada entre os elementos que o compõem. O modelo constitutivo
elásticoplástico de Mohr-Coulomb representou bem o comportamento tensão-
deformação do solo de fundação nos modelos de radier estaqueado das provas
de carga feitas por Soares (2011), reconstituindo, com razoável concordância, as
curvas carga x recalque.

A utilização de modelo numérico tridimensional tornou-se prática comum nas


pesquisas sobre o comportamento de fundações estaqueadas. A discretização da malha
de elementos finitos nas três direções (x, y e z) permite obter, com maior veracidade, o
comportamento das tensões (x, y e z) e do recalque (x, y e z). Dessa forma, o efeito
axissimétrico pode ser mais bem compreendido. Os autores que investigam o
comportamento de fundações com o uso de ferramentas numéricas 3D obtêm,
normalmente, resultados mais coerentes aos experimentais quando analisados por
comparação de carga x recalque em relação ao modelo 2D, que é limitado nesse aspecto.
Alnuiam et al. (2013) corroboram a necessidade de utilização de modelo 3D para
compreender o comportamento de fundações em radier estaqueado.
As condições de contorno atribuídas ao modelo são importantes fatores
observados em diversos trabalhos (BRINKGREVE, 2002, CHO et al., 2012, ALNUIAM et
al., 2013, EL-GARHY, 2013, OMENAM, 2012, entre outros), pois os resultados
capturados no pós-processamento podem não refletir as condições de contorno
70
estabelecidas na fase de pré-processamento, ou seja, caso os valores de deslocamento
observados para essas duas fases sejam diferentes, os resultados carga x recalque
obtidos para a fundação analisada poderão ser considerados como não confiáveis.
Destaca-se, nesse sentido, a importância da fase de calibração e validação do modelo
por testes de convergência e de comparação com os resultados de outros autores.
Cho et al. (2012) investigaram o comportamento de um radier estaqueado assente
em solo argiloso, por meio de análise numérica, utilizando o software ABAQUS (Figuras
2.42 e 2.43). Para obter detalhadamente as informações sobre o radier estaqueado, uma
análise não linear de elementos finitos tridimensional no modelo de interface do contato
solo-estaca foi realizada para várias posições da estaca, números de estacas,
comprimentos de estaca sob o radier e diferentes tipos de carregamentos, conforme
apresentado na tabela 2.3.

Figura 2.42. Representação da malha de elementos finitos usada nas análises (e.g. 3x3
matriz, Lp = 16 m): (a) típica malha 3D de FE e condições de contorno; (b) Vista lateral (CHO
et al., 2012).

71
Figura 2.43. Malha de Elemento finito típico: (a) malha de FE-3D; (b) vista em planta; (c)
vista lateral (CHO et al., 2012).

Os parâmetros do solo e radier empregados por Cho et al. (2012) estão


apresentados nas Tabelas 2.3 e 2.4.
Tabela 2.3. Parâmetros dos materiais usados nas análises.
E’ c' ’ t
Material Modelo ’ K0
(MPa) (kPa) (º) (kN/m³)
Estaca Elástico 12.500 - - 0,25 0,01 25
Radier Mohr-Coulomb 30.000 - - 0,20 0,00 25
Argila (mole) Mohr-Coulomb 5 3 20 0,30 0,65 18
Argila (Rija) Mohr-Coulomb 45 20 20 0,30 0,65 19
Camada de apoio Mohr-Coulomb 500 0,1 45 0,30 0,50 20

72
Tabela 2.4. Resumo das configurações de estacas numéricas: análises realizadas.
Espaçamento entre Comprimento da estaca
Matriz de Estaca
estacas (s) * (Lp, m) **
3x3 3d, 6d, 9d 8f, 12f, 16f, 20e
4x4 3d, 4d, 6d
Onde: radier qruadrado de largura (B) = 10m, espessura (t) = 1m; * d (diâmetro da
estaca): 0,5m; ** f: flutuante; e: apoio de extremidade.

Baseados nos resultados obtidos, os autores verificam que a variação da taxa de


redução (SPR,avg / SUR,avg) da argila mole foi maior do que da argila rija, enquanto que a
taxa de redução da argila mole foi menor do que da argila rija. Verifica-se também que a
relação (Ag / Ar) necessária para o grupo de estacas do radier minimizar o recalque
diferencial em argila mole foi ligeiramente maior do que a da argila rija no mesmo conjunto
de estacas (Figuras 2.44 e 2.45).
A relação entre o recalque médio e o fator de segurança permite uma avaliação
preliminar para elaboração de projetos em radier estaqueado. Cho et al. (2012)
apresentam, na Figura 2.44, a variação da taxa recalque médio (Savg / B) em relação ao
fator de segurança global. Nessa figura, verifica-se que o projeto em radier estaqueado
deve considerar uma relação equilibrada entre o recalque e o fator de segurança global,
evitando que o projeto de fundações apresente elevados custos.

Figura 2.44. Carga x recalque médio normalizado de UR, PR: (a) argila mole; (b) argila rija
(CHO et al., 2012).

73
Figura 2.45. Recalque diferencial normalizado com grupo de estaca-radier, taxa de área
do radier (argila mole): (a) 3x3; (b) 4x4 (CHO et al., 2012).

Os resultados observados por Cho et al. (2012), conforme apresentados na Figura


2.46, mostraram a relação entre o recalque normalizado e o FS (s/B). Os autores
observaram que o comportamento entre o recalque médio normalizado e o fator de
segurança é amplamente influenciado pelo comprimento das estacas quando em argila
mole, entretanto, o comprimento e a disposição geométrica das estacas no radier são
menos influentes quando instalados em argila rija.

Figura 2.46. Recalque médio normalizado x fator de segurança global (CHO et al., 2012).

74
Dentre algumas das grandes contribuições sobre o estudo em radier estaqueado
destacam-se os trabalhos realizados na UnB, com o intuito de ampliar o entendimento a
respeito da capacidade de suporte e da relação carga-recalque de fundações profundas
tipicamente empregadas no Distrito Federal, com estacas escavadas. Anjos (2006)
realizou um estudo experimental e numérico do comportamento dessas fundações,
composto de três radiers sobre estacas tipo Hélice Contínua, com 0,3 m de diâmetro, e
comprimento médio de 8 m, no Campo Experimental de Geotecnia da Universidade de
Brasília (Figura 2.47).
De acordo com Anjos (2006), utilizando-se de funções de transferência de carga
dos softwares Geo4 (módulo Piles) e Plaxis 2D, os resultados obtidos mostraram-se
satisfatórios, em particular na estimativa da carga de trabalho.

Figura 2.47. Planta dos radiers ensaiados experimentais e numéricos (ANJOS, 2006).

Os radiers estudados por Anjos (2006) foram reanalisados por Janda et al. (2009)
por meio de ferramenta numérica em elementos finitos tridimensional, conforme mostram
as Figuras 2.48a e 2.48b. Janda et al. (2009) realizaram análises numéricas por
elementos finitos em 3D, com o software Plaxis 3D. Os resultados obtidos em termos de
curva carga x recalque dos radiers estaqueados obtidos numericamente foram
comparados com os resultados das provas de carga realizadas no campo experimental
da Universidade de Brasília (UnB), conforme pode se verificar nas Figuras 2.49 e 2.50.
Os autores mencionados ainda verificaram a contribuição do radier na capacidade
de carga da fundação. Dessa forma, realizaram análises numéricas dos grupos de
estacas, em que não foi considerado o contato do bloco com o solo. Ao comparar os
resultados obtidos para os radiers estaqueados e para o grupo de estacas observa-se,

75
nitidamente, que o contato com o solo atribui à fundação um ganho significativo de
capacidade de carga (Figuras 4.49 e 4.50).

Figura 2.48. a) Elemento triangular da malha de elemento finito em 2D para elemento sólido
3D; b) Planta dos radiers ensaiados numericamente (JANDA et al., 2009).

Figura 2.49. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados obtidas experimentalmente
e numericamente (JANDA et al., 2009).

76
Figura 2.50. Curvas versus carga x recalque obtidas numericamente com o Plaxis 3D para
os grupos de estacas (g) e para os radiers estaqueados (r) (JANDA et al., 2009).

Sabe-se que radiers estaqueados possuem estacas que trabalham cooperando


com o radier, aumentando a capacidade de carga e/ou reduzindo os recalques a níveis
aceitáveis. A funcionalidade dessa fundação pode então ser prejudicada devido à
presença de algum tipo de defeito que possa ocorrer nas estacas que estão sob o radier.
Nesse sentido, diversos estudos experimentais e numéricos vêm sendo
desenvolvidos acerca da temática de radiers estaqueados sujeitos à presença de estacas
defeituosas. Dentre estes se destacam os trabalhos de Zhang e Wong (2007), Cordeiro
(2007), Cunha et al. (2007), Cunha et al. (2010), Cordeiro (2013) e Freitas Neto (2013).
Nesse sentido, destaca-se o trabalho realizado por Freitas Neto (2013) sobre a
análise do comportamento de radiers estaqueados com estacas defeituosas. Esse autor
realizou sua pesquisa no mesmo campo experimental, com as mesmas características
das estacas e do solo, porém nesta tese as estacas não possuem defeito. Segundo
Freitas Neto (2013), o defeito em uma estaca pode ser definido como uma “variável
oculta” do ponto de vista analítico, visto que não é considerada nas equações,
formulações e metodologias, pois no contexto geral surgem em casos fortuitos ou pela
própria negligência no controle executivo. Esse autor avaliou o comportamento de radiers
estaqueados sujeitos à presença de estacas defeituosas carregados verticalmente

77
(Figura 2.51). Os resultados foram obtidos por meio de modelos experimentais e
numéricos realizados em radiers compostos de 1, 3 e 4 estacas. Estas possuiam 5 m de
comprimento e 0,25 m de diâmetro.

Figura 2.51. Esquema longitudinal das estacas defeituosas (FREITAS NETO, 2013).

A presença de defeito em fundações estaqueadas pode resultar em diversas


situações e consequências que dependem fundamentalmente da incidência do defeito
na quantidade total de estacas que compõem o radier estaqueado. De maneira lógica,
caso uma das estacas de um radier apresente defeito, as cargas aplicadas sobre este
deverão sobrecarregar ainda mais as estacas íntegras e o radier, fazendo com que o
fator de segurança adotado seja alterado, sendo que não necessariamente a fundação
entre em colapso. Dessa forma, as consequências no comportamento dessa fundação
deverão ser avaliadas no âmbito da filosofia de projeto adotada inicialmente. Atenção
especial deve ser dada à diferença entre radiers grandes e pequenos relatada por
Mandolini et al. (2012).
Os radiers analisados experimentalmente por Freitas Neto (2013) podem ser
considerados como pequenos devido à relação L/B < 1. Nesse caso, diferentemente da
lógica apresentada acima, o autor observou que, após a ruptura estrutural da estaca
defeituosa, devido ao recalque diferencial no radier, houve alívio das cargas aplicadas
sobre as estacas íntegras quando as estacas foram submetidas a tração, de modo que
os radiers passaram a absorver a maior parte da carga total aplicada. Nas Figuras 2.52,
2.53 e 2.54 são apresentados os resultados observados por Freitas Neto (2013) para os
78
radiers estaqueados CD1, CD3 e CD4, respectivamente. Para o caso do radier CD1
(radier composto por uma estaca com defeito), no radier CD3 (radier composto por três
estacas, sendo uma delas com defeito) e radier CD4 (radier composto por quatro estacas,
sendo uma delas com defeito).

Figura 2.52. Distribuição de cargas entre o radier e a estaca defeituosa no radier


estaqueado composto de uma estaca CD1 (FREITAS NETO, 2013).

Figura 2.53. Distribuição de cargas entre o radier e as estacas no radier estaqueado CD3
(EXP). (FREITAS NETO, 2013).

79
Figura 2.54. Distribuição de cargas entre o radier e as estacas no radier estaqueado CD4
(EXP). (FREITAS NETO, 2013).

Em todos os casos analisados, o autor observou que quanto maior o número de


estacas íntegras sob o radier, menor foi a distorção angular em seu topo. Entretanto,
mesmo para o radier assentado sobre 4 estacas, sendo uma estaca defeituosa, os
valores de distorção angular foram suficientemente elevados para enquadrar a fundação
em uma condição que pode levar a estrutura a um dano que pode comprometer sua
estabilidade.
As consequências em virtude da presença de defeitos em estacas de radiers
estaqueados podem ser consideradas pouco significativas em grandes radiers, pois a
carga absorvida pelo radier é significativa no que tange à parcela relativa às estacas que,
na maioria dos casos de grandes radiers, visam reduzir os recalques.
Matsumoto et al. (2010) realizaram um estudo experimental em modelos de
fundações radiers estaqueados, sujeitos a cargas verticais e horizontais, para investigar
o desempenho dessas fundações em relação ao efeito de engastamento da cabeça da
estaca no radier. Eles verificaram que o tipo de ligação da cabeça da estaca tem pouco
efeito sobre o comportamento de radiers estaqueados submetidos à carga vertical. Por
outro lado, Freitas Neto (2013) analisou o comportamento de radiers estaqueados com
estacas defeituosas engastadas no radier. O defeito imposto às estacas influenciou na
80
redistribuição de carga e consequentemente, houve regiões do radier estaqueado que
passaram a sofrer tracionamento nas estacas, passando a depender do tipo de ligação
estacas-radier. Análises numéricas realizadas por Freitas Neto também reforçam essa
condição, conforme se apresenta na Figura 2.55.

Figura 2.55. Recalque obtido via análise numérica para os radiers estaqueados com uma
estaca defeituosa cada (FREITAS NETO, 2013).

El Sawwaf (2010) realizou um estudo experimental para verificar o efeito do uso


de estacas curtas para apoiar modelos de fundações de radiers em solo arenoso
submetidos a uma carga excêntrica. Os resultados desse estudo demonstraram a
eficácia do uso de estacas curtas próximo à borda do radier para reduzir seu recalque e
inclinação e para melhorar sua capacidade de carga. Esse autor constatou que a
eficiência de estacas curtas para melhorar o desempenho de radiers estaqueados
depende da configuração das estacas e da relação da excentricidade da carga.
Vários trabalhos têm utilizado modelos numéricos, resultando em análises 3D por
elementos finitos com maior grau de refinamento. Entretanto, há necessidade de alguns
cuidados no momento de estabelecer as dimensões do semiespaço ou as dimensões do
modelo 3D de análise. Nesse sentido, observa-se que as dimensões são adotadas
simplesmente em função da fundação, quer seja do comprimento da estaca (L), quer seja
da largura do radier (B), não verificando uma justificativa técnica plausível para essas
considerações. Alnuiam et al. (2013) utilizaram um modelo 3D de elementos finitos, Plaxis
3D (Plaxis bv. 2.011), para analisar o comportamento de um sistema de fundação em
radier estaqueado assente em solo pouco coesivo. O autor ressalta que o modelo foi
calibrado / verificado utilizando dados da prova de carga em centrífuga. O modelo
calibrado foi, então, empregado para investigar o efeito das dimensões do radier e do
81
diâmetro das estacas, e o espaçamento sobre a distribuição de carga entre estacas e
radier. Um quarto do sistema de fundação radier estaqueado foi modelado devido à
simetria entre os eixos X e Y do problema, para reduzir o tempo de processamento. Os
limites do modelo foram ajustados a uma distância igual a 1.5B ~ 2B (em que B é a largura
do radier), medida a partir da borda do radier, e a profundidade do modelo foi de,
aproximadamente, duas vezes o comprimento da estaca (Figura 2.56).

Figura 2.56. Perspectiva FEM-3D do radier estaqueado (ALNUIAM et al., 2013)

O modelo foi construído por elementos tetraédricos de 10 nós, resultando em 275


mil elementos, sendo que o tamanho médio do elemento era, aproximadamente, de 110
mm. Segundo o autor, com o grande número de pequenos elementos em tamanho,
assegura-se elevada precisão dos resultados em locais onde o comportamento não linear
é proeminente (por exemplo, base do radier, ponta das estacas e fuste da estaca). A
carga foi aplicada através de deslocamento uniforme pré-estabelecido, aplicado na parte
superior do radier, avaliando-se a carga correspondente obtida (ALNUIAM et al., 2013).
Alnuiam et al. (2013) verificaram que a parcela de carga assumida pelas estacas
é maior que para o radier rígido (Kf > 10), devido à interação mínima entre o radier e o
solo em comparação com o radier perfeitamente flexível (Kf <0,01). Os autores
concluíram que:
 Os espaçamentos entre as estacas podem ser utilizados para avaliar a
flexibilidade do radier em vez da sua largura, por meio da equação 4.24
(BROWN, 1969);
82
𝐸𝑓 2𝑡 3
K𝑓 = ( ) ∙ ( ) (4.24)
𝐸𝑠 𝑠
Em que: Ef – módulo de deformabilidade do radier; Es – módulo de deformabilidade
do solo, t – espessura do radier; s – espaçamento entre estacas.
 A porcentagem de carga absorvida pelas estacas reduz-se para
aproximadamente 22%, com o dobro da largura (B) do radier (Figuras 2.57 e
2.58);
 A porcentagem de carga assumida pelas estacas aumenta à medida que
aumenta o diâmetro da estaca. No entanto, a taxa de aumento é mais elevada
para estacas curtas e diminui à medida que aumenta o diâmetro da estaca;

Figura 2.57. Carga nas estacas com diferentes espessuras do radier e relação s/d: a)
s/d=4 e b) s/d=10 (ALNUIAM et al., 2013).

Figura 2.58. Carga nas estacas com diferentes: (a) larguras e (b) diâmetros (ALNUIAM et
al., 2013).

83
Bourgeois et al. (2012) analisaram o comportamento de um radier carregado
verticalmente, reforçado por um grande grupo de estacas flutuantes (Figura 2.59), por
meio de uma abordagem de várias fases (Figura 2.60), focado principalmente na
interação solo-estaca, as quais exercem um papel importante no desempenho da
fundação. O software de elementos finitos utilizado pelos autores para as simulações
numéricas foi CESAR-LCPC, que é o mesmo utilizado nesta tese.

Figura 2.59. Malha de elementos finitos da fundação em radier estaqueado (n=25 e


L=16m) (BOURGEOIS et al., 2012).

Figura 2.60. Malha de elementos finitos da fundação em radier estaqueado modelado em


duas fases (BOURGEOIS et al., 2012).

84
O modelo multifásico simplificado, baseado na suposição de “aderência perfeita”,
é um caso particular do modelo proposto pelos autores, em que ambas as fases têm a
mesma rigidez, e parâmetros de deformação plástica regidos pelas leis de interação
tomam infinitos valores. Essa suposição de aderência perfeita requer que as seguintes
condições sejam satisfeitas:
(a) As estacas individuais sejam perfeitamente aderentes ao solo circundante, o
que significa que nenhum deslizamento ou deslocamento descontínuo é permitido na
interface solo-estaca;
(b) Tal como mostrado pelo processo anterior de identificação dos parâmetros de
interação, as funções aumentam a densidade de estaca pela quantidade n de estacas.
Em outras palavras, o modelo multifásico com aderência perfeita é obtido como sendo
uma situação limite quando a densidade de estacas tende ao infinito.
Os autores apresentam um comportamento tensão x deformação específico para
o atrito lateral e resistência de ponta da estaca (Figura 2.61 e 2.62). O modelo numérico
é único e permite a avaliação da rigidez e a geração de parâmetros em função das leis
de interação solo-estaca, em função das diferentes características geométricas da estaca
(diâmetro e espaçamento), juntamente com as propriedades constitutivas do material do
solo, modelado como uma argila puramente coesiva.

Figura 2.61. Interação solo-estaca: (a) ao longo do comprimento da estaca; (b) na ponta
das estacas (BOURGEOIS et al., 2012).

85
O modelo multifásico foi otimizado e implementado em um código de elemento
finito, visando analisar a resposta de um radier quadrado sobreposto a um grupo de
estacas, variando-se a quantidade e o comprimento das estacas.

Figura 2.62. Leis de interação em diagrama tensão-deformação (a) atrito lateral e (b) ponta
da estaca (BOURGEOIS et al., 2012).

Os resultados dessa abordagem apresentaram boa concordância em termos de


comportamento carga x recalque, bem como as distribuições de carga na estaca e os
derivados de cálculos diretos de computação intensiva de elementos finitos, em que as
estacas são consideradas como elementos individuais incorporados no solo.
A abordagem foi validada com sucesso a partir da comparação dos resultados das
simulações multifásicas, incorporando um recurso inovador com aqueles obtidos a partir
do modelo padrão, que demandam enorme esforço computacional para a realização dos
cálculos de elementos finitos. Os autores observaram que, caso a rigidez de interação
estaca-solo, tenha seus parâmetros de resistência devidamente identificados, o modelo
de cálculo de várias fases fornece previsões confiáveis, tanto em termos de solução
global, como de distribuições de força na estaca, de forma muito mais fácil e mais rápida
do que a aplicação direta do método dos elementos finitos. Esse modelo de cálculo e a
ferramenta computacional que foi derivada a partir dele abre caminho para o projeto de
engenharia de fundações para radier estaqueado sob um aspecto racional.
Fattah et al. (2014) analisaram pelo método de elementos finitos, a consolidação
do recalque de radiers estaqueados assentes sobre solos argilosos (Figura 2.63),
detectando a dissipação do excesso de poro-pressão no solo e seu efeito sobre a

86
capacidade de carga de fundações em radiers estaqueados. Os autores utilizaram o
programa de computador ABAQUS como ferramenta de elemento finito e o solo
representado pelo modelo Drucker-Prager / modelo de contato. Cinco configurações
diferentes de grupos de estacas foram simuladas na análise de elementos finitos.

Figura 2.63. Radier estaqueado de 3x3 no estudo paramétrico (FATTAH et al., 2014).

Segundo Fattah (2014), a distribuição de carga entre as estacas torna-se mais


uniforme com o aumento da espessura do radier. Para radier sem estacas com elevada
rigidez, a estaca pode compartilhar a mesma quantidade de carga. O aumento do
diâmetro da estaca leva a diminuir a poro-pressão sob o radier, reduzindo seu recalque,
modificando a forma de distribuição de momentos no radier, bem como aumenta a
participação de carga nas estacas. O espaçamento entre as estacas afeta diretamente a
interação estaca-solo. Grupos de estacas com pequeno espaçamento entre elas podem
tender para o comportamento do bloco. Por conseguinte, no conceito de executar o radier

87
estaqueado adequadamente, o espaçamento entre estacas necessita ser
suficientemente grande para permitir que a participação do radier assuma parte da carga,
utilizando estrategicamente as estacas como redutores de recalque.
A distribuição de carga entre as estacas sob um radier rígido sobrecarrega aquelas
situadas na extremidade do radier em relação as estacas do centro. Entretanto, a
constatação feita por Fattah et al. (2014) foi feita para uma situação específica de
melhoramento do solo sob o radier, por meio de uma camada de material granular
espessa (3m). A constatação feita por Fattah et al. (2014) pode ser representativa
somente para o caso específico que o mesmo analisou.
Segundo Fattah et al. (2014), a carga da estaca em relação à carga total é
decrescente, com o aumento do espaçamento em relação ao diâmetro. A porcentagem
de carga assumida por todas as estacas cai de 90% para 76%, enquanto que as
alterações S / D a partir de 3 a 5. A estaca central leva a porcentagem mínima de carga
para o caso de S / D = 3, mas a mesma estaca leva o valor máximo da carga em relação
a outras estacas de S / D = 6 (Figura 2.64).

Figura 2.64. Influência dos parâmetros na absorção de carga pelas estacas sob o radier:
(a) efeito da espessura –tc; (b) diâmetro da estaca – D; (c) comprimento da estaca – L e (d)
relação S/D (FATTAH et al., 2014).

88
Ainda segundo esses autores, a distribuição de momento no radier estaqueado
parece ser afetada por alterações na relação de rigidez solo-estaca, enquanto que a
carga absorvida pelas estacas aumenta com a elevação de KPS, Ep/Es (rigidez relativa
estaca-solo) de 100 a 1000. Depois disso, a carga total absorvida por uma estaca
permanece inalterada para valores maiores de KPS.
Fattah et al. (2014), constatou que a estaca central absorve uma porcentagem
maior de carga em relação às outras estacas de menor valor KPS. Em seguida, para
valores elevados de KPS, todas as estacas apresentam praticamente a mesma
participação de carga. Esses autores concluíram ainda que a adição de uma camada
granular sob o radier estaqueado aumentou sua capacidade de carga e reduziu o
recalque diferencial previsto para este. O radier estaqueado passou a assumir uma carga
adicional de 15% da carga total, quando da utilização de uma camada de material
granular de 3,0 m de espessura, adicionada previamente sob a base do radier.

O comportamento do elemento estrutural de fundação vai além das suas


características geométricas e da resistência do material que o compõem, dependendo
fundamentalmente do solo em que este está inserido e faz interface. Os carregamentos
aplicados sobre a fundação são transmitidos pelo elemento estrutural, variando em
função da sua geometria e são dissipados pelo solo, a partir dos seus respectivos
parâmetros de resistência. A forma como as cargas são transferidas da superestrutura
para o maciço e dissipadas nas diferentes camadas do solo, vairam em função das suas
características geotécnicas. Nesse aspecto e dada a grande importância da
caracterização geológica geotécnica, destaca-se a classificação do solo, a partir de
ensaios de Cone Penetration Test ou CPT, conforme é apresentada no capítulo a seguir.

89
90
3 MATERIAIS E MÉTODOS
Neste capítulo serão apresentadas as principais características geográficas,
geológicas e geotécnicas do campo experimental da Faculdade de Engenharia,
Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, em Campinas, assim como os detalhes referentes
ao dimensionamento das estacas, radiers, provas de carga, instrumentação por
extensômetros, modelagem numérica e todos os detalhes construtivos dos ensaios
realizados.

3.1 Campo Experimental

A caracterização geológica e geotécnica do campo experimental foi realizada até


a profundidade de 9 m, pois a partir dessa profundidade detectou-se o impenetrável
devido à presença de matacões. A caracterização foi realizada por intermédio de ensaios
de campo e também pelo material coletado em amostras deformadas e indeformadas,
nas quais foram realizados ensaios laboratoriais.
A etapa experimental desta tese está associada a projeto de pesquisa financiado
pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), denominado
“Análise do Comportamento de Radiers Estaqueados em Solo da Região de Campinas-
SP”, pelo qual está sendo possível desenvolver esta tese. Até o momento uma tese de
doutorado foi defendida com os estudos experimentais do local, por Freitas Neto (2013),
além de outras dissertações de mestrado.

3.1.1 Localização geográfica

A pesquisa foi desenvolvida no Campo Experimental de Mecânica dos Solos e


Fundações da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), localizado na Cidade
Universitária "Zeferino Vaz", a qual está situada no distrito de Barão Geraldo, região
noroeste de Campinas, conforme ilustram as Figuras 3.1 e 3.2.

91
Figura 3.1. Localização do campo experimental

Na Figura 3.2 são apresentados, em escala, o local do campo experimental e os


pontos de referência próximos, tais como laboratório de mecânica dos solos, prédio de
aulas da Faculdade de Engenharia Civil e Embrapa.

Figura 3.2. Localização do campo experimental na UNICAMP (Google Earth - capturada em


14 de junho de 2014).

92
3.1.2 Geologia local

Nos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ocorrem,
no interior das rochas sedimentares, numerosos sills de diabásio, de espessuras
diversas. Nos afloramentos é possível verificar que a fração de diabásio está fraturada, o
que vem dando origem a blocos menores. As fraturas normalmente estão abertas ou
então preenchidas com materiais argilosos. Tais materiais são classificados, na
pedologia, como latossolos roxos e mineralogicamente constituídos por quartzo, ilmenita,
magnetita, caulinita, gipsita, óxidos e hidróxidos de ferro, sendo que as espessuras
variam de 5 a 30 m (ZUQUETE, 1987).
Segundo Zuquette (1987), o subsolo da região é formado por magmatitos básicos,
ocorrendo rochas intrusivas básicas da Formação Serra Geral (Diabásio). Perfazem 98
km2 da região de Campinas, ocupando 14% da área total. O perfil do Campo
Experimental é constituído por solo de Diabásio, apresentando uma camada de 9 m de
espessura, constituída na sua maior parte por silte arenoso e areia siltosa de elevada
porosidade. O nível de água não é encontrado até o impenetrável.
Apresenta-se, na Figura 3.3, o mapa geológico de Campinas, no qual é possível
identificar a localização do distrito de Barão Geraldo, especificamente a Unicamp e a
respectiva descrição geológica deste local, ou seja, material de diabásio pertencente ao
período Mesozoico.

93
Figura 3.3. Mapa geológico de Campinas (INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS, 2011).
94
3.1.3 Geotecnia local

A Engenharia Geotécnica é uma ciência que se aprimora pela experiência, pela


observação e pela análise do comportamento das obras, nas quais se verifica que é
imprescindível atentar-se às peculiaridades dos solos com base no entendimento do
comportamento físico, que constituem a essência da Mecânica dos Solos. Segundo
Schnaid (2000), o reconhecimento das condições do subsolo constitui pré-requisito para
projetos de fundações seguros e econômicos. A campanha de investigação geotécnica
do campo experimental em referência foi realizada a partir de ensaios de campo e de
laboratório, além de provas de carga em estacas isoladas, os quais foram realizados por
Gon (2011), Scallet (2011), Rodriguez (2013) e Schulze (2013).
Seguindo esse conceito, foram locados e executados diversos ensaios de
caracterização do subsolo do campo experimental. Apresentam-se, na Figura 3.4, os
pontos onde foram realizados os ensaios de campo e o poço de coleta de amostras
deformadas e indeformadas, em relação aos locais determinados para a realização dos
blocos com estacas-teste e de reação.
Os ensaios laboratoriais realizados por Gon (2011) foram executados a partir da
coleta de amostras do solo, deformadas e indeformadas, através da abertura de um poço
de prospecção. As amostras foram coletadass a cada metro de profundidade e permitiram
a realização de ensaios de caracterização e de determinação das propriedades de
resistência, permeabilidade e compressibilidade do solo. O poço de prospecção foi aberto
no final de janeiro de 2010 e, sequencialmente, foram realizados ensaios de limites de
Attemberg (WL, WP e WC), ensaios de granulometria conjunta (com e sem defloculante),
ensaios de adensamento para determinação das tensões de pré-adensamento e
parâmetros de compressibilidade (Cv e Cc) e ensaios edométricos duplos e simples. Ou
seja, foram realizados ensaios com inundação da amostra desde o início dos
carregamentos e inundação em tensões pré-determinadas para verificação do potencial
de colapsibilidade em todas as profundidades. Os parâmetros de permeabilidade foram
determinados por meio do ensaio de percolação hidráulica, tanto na direção vertical
quanto na horizontal.

95
Figura 3.4. Locação das sondagens e do poço no Campo Experimental.
96
Os parâmetros e índices físicos do solo foram determinados por Gon (2011) e são
apresentados na Tabela 3.1 os valores das propriedades físicas do solo, ou seja, peso
específico natural (nat), peso específico dos sólidos (s), peso específico do solo seco
(d), umidade natural (wnat), ângulo de atrito (), coesão (c), índice de vazios (e),
porosidade (n) e grau de saturação (Sr). As envoltórias de resistência são obtidas a partir
dos resultados dos ensaios triaxiais tipo CU não saturado. Segundo Gon (2011), o solo
apresenta elevada porosidade com elevado potencial de deformação perante a aplicação
de carregamentos elevados e susceptibilidade ao umedecimento.
A partir das observações feitas por Gon (2011), verifica-se que a condição do solo
é influenciada pela sucção matricial, que passa a exercer importante função sobre os
resultados dos ensaios de prova de carga.

Tabela 3.1. Índices Físicos (GON, 2011).

Prof. nat s w n Sr * c*
e Classificação do solo
(m) (kN/m³) (kN/m³) (%) (%) (%) (°) (kPa)
1 14,09 30,40 28,3 1,773 64 48,44 22 7,4 Argila silto-arenosa
2 14,18 30,80 27,9 1,788 64 48,38 21 7,9 Argila silto-arenosa
3 14,00 30,50 28,0 1,793 64 47,49 22 11,6 Areia Siltosa
4 14,43 30,60 25,5 1,680 63 46,78 23 5,8 Areia Siltosa
5 15,50 30,40 26,2 1,513 60 53,52 20 24,0 Areia Siltosa
6 15,32 30,40 26,1 1,468 59 53,53 22 42,4 Areia Siltosa
7 15,40 30,40 28,3 1,535 61 56,08 22 41,9 Areia Siltosa
8 15,22 29,80 32,3 1,600 62 60,38 22 26,4 Silte Areno-Argiloso
9 15,23 29,50 40,6 1,730 63 69,19 - - Silte Areno-Argiloso
* Valores de  e c em termos totais.

Os resultados de sucção matricial determinados por Gon (2011), por meio do


método papel filtro, podem ser observados na Figura 3.5, o qual apresenta uma média
de 45 kPa até 3 m de profundidade, de 3 a 6 m um valor médio de aproximadamente 95
kPa, seguindo por 20 kPa até 8 m de profundidade.

97
Figura 3.5. Valores de Sucção em profundidade (GON, 2011).

Durante a realização das provas de carga realizou-se coletas de amostras do solo


no local para determinação do teor de umidade e verificação junto aos valores de
umidade e sucção obtidos anteriormente por Gon (2011). Verifica-se, na Figura 3.6, que
o teor de umidade médio durante a realização dos ensaios manteve-se inalterado em
26%. Esse valor, apesar de elevado em termos de umidade, atribui ao solo valores
expressivos em termos de sucção matricial, contribuindo para que ele apresente
resistência mecânica aumentada. Dessa forma, as características de capacidade de
carga obtidas durante a realização dessa campanha de provas de carga para os radiers
estaqueados CC1, CC2, CC3 e CC4 poderiam ter seus resultados alterados de acordo
com a época do ano em que fossem realizadas.
A condição do solo mediante o estado de sucção que age no momento da
realização das provas de carga pode ter elevada influência no comportamento do radier
estaqueado em relação ao efeito de contato, pois, apesar do controle da umidade remeter
a um determinado valor de sucção, torna-se complexo o entendimento de como esse

98
estado de elevada porosidade e efeito de sucção poderia agir em relação a uma maior
ou menor capacidade do conjunto.

Figura 3.6. Teor de umidade durante a realização das provas de carga.

Na Figura 3.7, apresentam-se as variações em profundidade dos valores de WL,


WP, WC e IP. Verifica-se que os valores do limite de liquidez (WL) permanecem acima dos
44%, sendo que atingem seu maior valor de 52,2% a 9 m de profundidade e apresentam
um valor médio de 47,1% de 0 a 9 m. Os valores de limite de plasticidade (WP)
apresentam variação de 30,2% a 42,4%, de 0 a 9 m de profundidade, e valor médio de
35,8%. Os valores do limite de contração (WC) são de, no máximo, 31,3% e, no mínimo,
20,6%, apresentando valor médio de 27,1% até 9 m de profundidade.
Consequentemente, a variação do índice de plasticidade vai de 7,2% a 20,7%,
apresentando valor médio de 11,3%.
Segundo Gon (2011), as classificações granulométricas sob a ação do
defloculante indicam para o solo texturas de argilas silto-arenosas até a profundidade de
2 m, areias siltosas de 3 m, até a profundidade de 8 m, e a partir daí silte areno-argiloso.
No caso das curvas granulométricas obtidas sem defloculante verifica-se que o perfil se

99
constitui de areias silto-argilosas até a profundidade de 2 m, areia siltosa até a
profundidade de 7 m e a partir daí constitui-se de um silte arenoso até a profundidade 9
metros.

Figura 3.7. Valores de WL, WP, WC e IP (GON, 2011).

A partir da Figura 3.8, verifica-se que a 4 m de profundidade a fração argila diminui


bruscamente e que após essa profundidade esse material retorna a aumentar, porém em
menor proporção. Observa-se que a fração areia é maior entre 3 m e 7 m, e que a
presença de silte é praticamente constante em profundidade, aumentando um pouco nos
últimos 2 m.

Por meio da realização de ensaios edométricos duplos e simples, Gon (2011)


observou que para a tensão de 100 kPa apenas as profundidades 1 m, 4 m e 8 m
mostraram-se colapsíveis, porém, para a tensão de 200kPa, apenas as profundidades 2
m e 3 m não se apresentaram colapsíveis; e, finalmente, para a tensão de inundação de
400 kPa, quase todas as profundidades se mostraram colapsíveis, com exceção da

100
profundidade 8 m. Para maiores detalhes sobre a caracterização geotécnica do subsolo
do campus da Faculdade de Engenharia Civil, consultar Gon (2011).

Figura 3.8. Distribuição granulométrica com defloculante (GON, 2011).

A partir da coleta de amostras obtidas no campo experimental, Gon (2011) realizou


ensaios em laboratório para a caracterização do solo. Segundo a autora, os parâmetros
coesão e ângulo de atrito foram determinados por meio de ensaios triaxiais tipo (CU),
adensados não drenados, que são apresentados em profundidade na Figura 3.9.
Nota-se que os valores de ângulo de atrito apresentam pouca variação até 8 m de
profundidade, apresentando um valor médio de aproximadamente 22°. Entretanto, os
valores de coesão apresentam-se praticamente constantes até 2 m de profundidade,
seguidos de uma pequena variação até 4 m. A partir dessa profundidade apresenta
significativo crescimento, atingindo seu maior valor (42 kPa) em 6 e 7 m de profundidade,
seguido por uma diminuição abrupta e chegando a 26 kPa aos 8 m.

101
Figura 3.9. Valores de coesão e ângulo de atrito (GON, 2011).

3.1.4 Ensaios de campo

A caracterização geotécnica de campo para a obtenção de parâmetros de


engenharia do solo foi composta por diversos ensaios. Nas Figuras 3.10 e 3.11 são
apresentados os resultados obtidos dos ensaios SPT e SPT-T, respectivamente.

Os resultados das Figuras 3.10 apresentam os valores do NSPT em profundidade,


os quais apresentam, em termos médios, uma reta que cresce uniformemente até 8 m
de profundidade, sendo que, a partir desta, os valores de NSPT aumentam
significativamente, chegando ao impenetrável entre 10 e 13 m de profundidade. Atrelados
aos valores de N dos ensaios SPT, obtiveram-se os resultados das medidas de torque
que apresentam semelhanças de aumento das medidas de torque, atrito lateral,
crescentes em profundidade. A relação T/N varia entre 0,5 a 1,4 para um coeficiente de
variação (CV) abaixo de 30%, exceto para as profundidades de 9 m, 10 m e 11 m.

102
Figura 3.10. Valores de NSPT em profundidade (RODRIGUEZ, 2013).

Figura 3.11. Valores de Tmáx em profundidade (RODRIGUEZ, 2013).

103
Os resultados de fs e qc, obtidos através do ensaio CPT, são apresentados na
Tabela 3.2 e na Figura 3.12 e, assim como no ensaio de SPT, apresentou limitação para
realização do ensaio em aproximadamente 10 m de profundidade, onde foi detectada a
presença de material com elevada dureza, considerado como impenetrável.
A partir dos valores absolutos obtidos no ensaio CPT, apresentados na Figura 3.12
e no Anexo A, determinou-se a razão de atrito (Rf), a partir da qual foi possível obter a
classificação do subsolo de acordo com Robertson e Campanella (1986), ou seja,
inicialmente tem-se um solo com característica argilosa até 1m de profundidade, seguido
por uma camada mais espessa (1 m a 6 m) de solo, com propriedade arenosa e, partir
dos 6 m de profundidade, é predominantemente argiloso, até os 10 m de profundidade.
A partir dessa profundidade, assim como observado no ensaio SPT (Figura 3.10), os
valores de resistência à penetração alcançaram valores expressivos que impediram a
continuidade do ensaio. Vale ressaltar que a região é conhecida pela presença de
matacões.

Figura 3.12. Valores médios de qc, fs e Rf (modificado RODRIGUEZ, 2013).


104
As análises numéricas levaram em consideração, além da propriedade física do
solo, o seu comportamento de resistência mecânica, que na maioria dos casos é
determinado pelas características físico-mecânicas determinadas em campo, ou seja, por
meio de ensaios realizados in-loco. Levou-se em consideração a classificação do solo
obtida através dos resultados de CPT, definidos por Robertson e Campanella (1983) e
pela norma geotécnica italiana, apresentados na Tabela 3.2.
Para determinação dos parâmetros utilizou-se equações apresentadas na
literatura que tenham sido desenvolvidas para determinado tipo de solo, conforme
apresentado pelas equações abaixo.

Tabela 3.2. Classificação do solo através do ensaio CPT.

3.2 Parâmetros do solo para a análise numérica

As propriedades das camadas de solo empregadas nas análises numéricas serão


apresentadas nos itens 5.3.1. Situações não retratadas por Gon (2011), Scallet (2011),
Rodriguez (2013) e Schulze (2013), acerca das características mecânicas do solo, foram
então estimadas por meio de correlações, conforme serão apresentadas no item 3.2.1.

105
3.2.1 Propriedades mecânicas do solo por meio de ensaios laboratoriais

Conforme relatado anteriormente no item 5.1.3, os parâmetros coesão e ângulo


de atrito foram determinados por meio de ensaios triaxiais tipo (CU), adensados não
drenados.
As propriedades atribuídas às diferentes camadas de solo (0 a 9 m) e rocha (10
m) seguiram o critério de Mohr-Coulomb, ou seja, são inseridos os valores de peso
específico (), coesão (c), ângulo de atrito (), módulo de deformação (E) e coeficiente de
Poisson (). Para os materiais de comportamento frágil (Modelo Parabólico), como o
concreto e a argamassa, foram atribuídos valores de resistência à compressão, tração
(Rt), peso específico, módulo de deformação e coeficiente de Poisson. Na Tabela 3.3,
apresentam-se os valores considerados nos diferentes parâmetros do solo.

Tabela 3.3. Parâmetros do solo determinados em laboratório (GON, 2011).

Em que: s - peso específico natural (kN/m³); SUCS – Sistema Unificado de


Classificação dos Solos; w – teor de umidade (%); Sucção – Obtida a partir da curva de
retenção do solo; c’ - coesão efetiva (kPa); ’ - ângulo de atrito efetivo; Es - módulo de
deformabilidade tangente (kPa) e k0 – coeficiente de empuxo em repouso.
As provas de carga realizadas no campo experimental da FEC-UNICAMP
encontram-se sujeitas à influência dos valores de sucção, apresentados na Tabela 3.3,
sendo que o mesmo não se pode dizer com relação às análises numéricas que não
apresentam tal condição em seu modelo constitutivo.
106
Para melhorar o entendimento sobre as variações dos parâmetros do solo em
profundidade, apresenta-se, na Figura 3.13, o perfil geológico, de forma simplificada, do
local da realização desta pesquisa e os parâmetros médios considerados por camada de
solo, a partir de Gon (2011) e Rodriguez (2013).

Figura 3.13. Parâmetros médios do perfil geológico do campo experimental.

3.3 Estudos experimentais – Estacas e Blocos

Apresentam-se, neste subitem, os detalhes relativos à implantação do projeto


experimental.

3.3.1 Estacas-teste e de reação

Para realização desta pesquisa foram executadas 10 (dez) estacas escavadas


mecanicamente a trado, com 0,25 m de diâmetro e 5 m de comprimento, sendo
107
denominadas estacas-teste, além de 6 (seis) estacas escavadas com 0,60 m de diâmetro
e 9 m de comprimento, as quais foram projetadas a esforços de tração servindo como
reação às estacas-teste. Essas estacas foram executadas a partir de um trado helicoidal
conectado a uma haste metálica e acoplado a um caminhão, compondo, assim, um
sistema de perfuração tradicionalmente conhecido (Figura 3.14 e 3.15).

Figura 3.14. Equipamento de perfuração utilizado

As perfurações de todas as estacas, testes e de reação, foram realizadas no


mesmo dia, para que fossem mantidas as mesmas condições de execução. Na Figura
3.14 constata-se o momento em que é iniciado o processo de perfuração. Nota-se que o
trecho helicoidal do trado possui, aproximadamente, 1,5 m de extensão.

Figura 3.15. Execução das estacas escavadas.


108
Concluída a etapa de perfuração de todas as estacas, foram inseridas as
respectivas armaduras das estacas-teste e de reação, sendo que as estacas-teste foram
dimensionadas para suportar os efeitos de compressão e o momento fletor no estágio de
ruptura dos radiers. Além disso, essas estacas foram integralmente armadas para
propiciar melhor transmissão da distribuição de carga ao longo do seu comprimento,
conforme Figura 3.16 e Apêndice B. As estacas de reação foram projetadas para o efeito
de tração provocado pelo sistema de reação e foram armadas somente nos primeiros 2
m. Além disso, foi inserido um tirante em todo o seu comprimento, conforme se verifica
na Figura 3.23. Na Tabela 3.4, apresenta-se a especificação do tirante de reação utilizado
nas provas de carga, assim como a capacidade em termos de carga máxima à tração.

Figura 3.16. Armadura das estacas-teste. Figura 3.17. Armadura das estacas de
reação.

Tabela 3.4. Propriedades dos tirantes especiais informadas pelo fabricante.

109
Apresenta-se, na Figura 3.18, 3.19 e 3.20, a sequência de execução das estacas-
teste. Nessas figuras, apresentam-se as etapas da montagem da armadura. Na
sequência, seu posicionamento no furo que foi executado com o devido cuidado, visto
que nas extremidades da sua armadura se encontram fixadas as respectivas barras de
aço instrumentadas relativas às instrumentações de topo e ponta. Após a inserção
executou-se a concretagem, a qual foi realizada lançando-se o concreto bombeando com
cuidado para que este não danificasse as instrumentações, apesar destas estarem
protegidas com material resistente e impermeabilizante.
O concreto utilizado na execução das estacas-teste e de reação, assim como os
radiers possuíam fck de 25 MPa (28 dias) e o aço CA50 com fyk de 500 MPa.

Figura 3.18. Colocação das Figura 3.19. Detalhe da Figura 3.20. Estaca-teste
armaduras das estacas- instrumentação instalada concretada e proteção da
teste. nas estacas-teste. instrumentação.

As estacas de reação foram executadas pelo mesmo processo das estacas-teste,


entretanto não possuíam instrumentação em sua estrutura de aço. Logo, um dos
cuidados que se teve em sua execução foi manter o segmento armado arrasado no topo
da estaca e, principalmente, garantir o correto posicionamento do tirante que foi utilizado
como reação, pois a viga de reação possui dimensões predefinidas, permitindo pouca
regulagem quando da montagem da prova de carga. A partir das Figuras 3.21, 3.22 e
3.23 é possível verificar, resumidamente, as etapas de execução dessas estacas,
ressaltando que toda locação das estacas e posicionamento dos tirantes foram realizados
com uma equipe de topografia.

110
Figura 3.21. Armadura da Figura 3.22. Implantação Figura 3.23. Estaca de
estaca de reação depois de topográfica do tirante de reação concretada com
inserida no furo. reação. tirante em arranque.

3.3.2 Radiers estaqueados

Os radiers foram executados com uma, duas, três e quatro estacas, conforme
mostra a Figura 3.24. O dimensionamento desses radiers estaqueados foi realizado por
meio do software estrutural CYPECAD, admitindo-os como um elemento rígido, ou seja,
o ângulo de inclinação da biela () está compreendido entre 40° e 55°, conforme se
verifica na Tabela 3.5. Nela, pode-se também constatar as dimensões de cada radier e o
espaçamento adotado entre as estacas, o qual se adotou como sendo igual a cinco vezes
o seu diâmetro, visando, dessa forma, permitir um maior contato do bloco com o solo de
apoio, e, consequentemente, chegar ao comportamento mais próximo de radier
estaqueado.

Figura 3.24. Geometria dos radiers estaqueados.

Na Tabela 3.5, apresentam-se algumas informações relativas às características


geométricas dos radiers estaqueados ensaiados.

111
Tabela 3.5. Características geométricas dos radiers estaqueados.

Os resultados do cálculo estrutural desses radiers são apresentados nas Figuras


3.25, 3.26, 3.27, 3.28, 3.29, 3.30, 3.31 e 3.32, nas quais se verificam os detalhes das
armaduras de cada um dos radiers, tais como quantidade, bitola de aço, comprimento e
distribuição, além das respectivas perspectivas em 3D que facilitam a visualização das
armaduras dos blocos. Para detalhes relativos à amadura dos radiers ver Apêndice A.

Figura 3.25. Detalhe da armadura do bloco de


1 estaca. Figura 3.26. Perspectiva 3D da armação
do bloco de 1 estaca.

Figura 3.27. Detalhe da armadura do bloco de Figura 3.28. Perspectiva 3D da armação


2 estacas. do bloco de 2 estacas.

112
Figura 3.29. Detalhe da armadura do bloco de Figura 3.30. Perspectiva 3D da armação
3 estacas. do bloco de 3 estacas.

Figura 3.31. Detalhe da armadura do bloco de Figura 3.32. Perspectiva 3D da armação


4 estacas. do bloco de 4 estacas.

Depois de concluída a execução de todas as estacas iniciou-se o processo de


escavação para construção dos radiers de coroamento dos 4 grupos de estacas. Estes
foram escavados até a cota de arrasamento das estacas, revestindo as paredes da
escavação (lateral do radier) com filme PVC (lona preta). Sequencialmente, inseriu-se a
gaiola de aço e em seguida realizou-se a concretagem dos mesmos. Previamente à
realização das provas de carga executou-se a escavação do solo adjacente às laterais
dos radiers, evitando-se que o atrito entre a face do bloco e o solo pudesse contribuir na
capacidade total do radier estaqueado. A partir da Figura 3.33, pode-se verificar a
composição esquemática dos radiers estaqueados.

113
Figura 3.33. Exemplo de radier estaqueado.

A partir das Figuras 3.34, 3.36, 3.38 e 3.40 verificam-se os radiers de uma, duas,
três e quatro estacas, que foram executados diretamente em contato com o solo, visando
obter o efeito de contribuição do contato. Nas Figuras 3.35, 3.37, 3.39 e 3.41 é possível
verificar o momento da concretagem desses radiers.

Figura 3.34. Armadura do radier de 1 Figura 3.35. Concretagem dos radiers de 1


estaca (CC1 EXP). estaca (CC1 EXP).

Figura 3.36. Armadura do radier de 2 Figura 3.37. Concretagem do radier de 2


estacas (CC2 EXP). estacas (CC2 EXP).

114
Figura 3.38. Armadura do radier de 3 Figura 3.39. Concretagem do radier de 3
estacas (CC3 EXP). estacas (CC3 EXP).

Figura 3.40. Armadura do radier de 4 Figura 3.41. Concretagem do radier de 4


estacas (CC4 EXP). estacas (CC4 EXP).

Os radiers receberam, inicialmente, em suas faces laterais, camada dupla de filme


plástico preto (Figuras 3.35, 3.37, 3.39 e 3.41), visando, dessa forma, eliminar o efeito do
atrito lateral nos radiers. Esse procedimento foi considerado de suma importância, pois
possibilitaria conhecer qual a contribuição do radier, ou seja, o efeito de resistência
essencialmente proporcionado pelo contato do radier no solo. Mesmo com o filme plástico
optou-se, para garantir que as laterais do bloco não exercessem influência alguma por
atrito lateral, que os blocos tivessem suas laterais escavadas antes da realização das
provas de carga. Caso esse procedimento adotado não fosse eficiente, haveria um
desconhecimento em se determinar qual ou quais as verdadeiras parcelas estariam
contribuindo para o desempenho da capacidade total do radier. Assim, não restou
nenhuma dúvida quanto à inexistência de atrito nas laterais dos radiers, conforme
mostram as Figuras 3.42 e 3.43.

115
Figura 3.42. Radier estaqueado CC3 EXP Figura 3.43. Radier estaqueado CC2 EXP
com laterais escavadas. com laterais escavadas.

A distribuição dos radiers estaqueados executados no campo experimental da


FEC-UNICAMP é apresentada na Figura 3.44, na qual se verifica em primeiro plano os
radiers denominados CC1, CC2, CC3 e CC4. Nessa mesma figura, verifica-se o
posicionamento das estacas-teste e reação em planta, e o sistema de distribuição das
estacas de reação em triângulo, cujos lados medem 4,8 m. Sendo essa disposição
considerada e adotada por propiciar maior viabilidade técnica e econômica para a
realização dos ensaios de prova de carga.

Os radiers estaqueados, denominados CF4, CF1 e CF3, são compostos de


estacas defeituosas, que foram objeto da pesquisa de Freitas Neto (2013).

Outras pesquisas de estacas com diâmetros variados entre 0,3 m (CC30) e 0,4 m
(CC40) são objeto de pesquisa de outros trabalhos de mestrado, Perez (2014).

116
Figura 3.44. Distribuição dos blocos estaqueados testes e estacas de reação.

117
3.3.3 Características mecânicas do concreto

Para obter os parâmetros de resistência e deformabilidade do concreto, o


coeficiente de Poisson (c = r/v), a resistência a compressão (Rcon) e o módulo de
deformabilidade (Ec), foram realizados cinco ensaios à compressão simples em corpos
de provas instrumentados por strain-gages, obtendo-se, dessa forma, a curva tensão vs.
deformação, sendo obtidas as deformações transversais (r) e verticais (v), resistência
máxima a compressão e, consequentemente, o módulo de deformabilidade.
Os processos de capeamento, de instrumentação e de rompimento dos corpos de
prova de concreto podem ser verificados nas Figuras 3.45, 3.46, 3.47 e 3.48.

Figura 3.45. Strain gages colados ao CPs Figura 3.46. Corpos de prova
de concreto. instrumentados para rompimento.

Figura 3.47. Prensa de ruptura. Figura 3.48. Processo de rompimento com


sistema de aquisição de dados.

118
Os corpos de prova do concreto utilizado na execução das estacas e dos radiers
foram rompidos após 28 dias. Na Figura 3.49, apresentam-se os resultados obtidos pelo
rompimento de três corpos de prova e, na tabela 3.6, os resultados de todos os CPs.

Figura 3.49. Curva tensão-deformação dos corpos de prova ensaiados.

Tabela 3.6. Resultados do ensaio de resistência a compressão.

Os resultados de resistência à compressão simples e o módulo de deformabilidade


são apresentados na Tabela 3.6. Esses valores mostram-se aceitáveis e passíveis de

119
utilização, uma vez que os respectivos coeficientes de variação são menores que 30%,
apresentando de alta a média precisão (PIMENTEL GOMES, 2000).
O módulo de deformabilidade representativo do material da estaca e radier
utilizado é denominado como composto, pois em sua determinação são utilizados os
resultados do módulo do concreto e do aço, podendo ser calculado de acordo com a
equação 5.1.

𝐴𝑎 ∙ 𝐸𝑎 + 𝐴𝑐 ∙ 𝐸𝑐
𝐸𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 = 𝐸𝑝,𝑟 = (5.1)
𝐴𝑎 + 𝐴 𝑐

Em que: Aa - área da seção útil de aço em planta; Ea - módulo de deformabilidade


do aço (MN/m²); Ac - área da seção útil de concreto em planta; Ec - módulo de
deformabilidade do concreto (MN/m²).
A partir dos resultados da Tabela 3.6, são apresentados, na Tabela 3.7, os
parâmetros do concreto que foram utilizados nas análises numéricas. Esses parâmetros
são relativos ao modelo de comportamento parabólico de resistência, normalmente
empregado para materiais de comportamento frágil.

Tabela 3.7. Parâmetros do concreto empregados nas análises numéricas.

Em que: p - peso específico do material da estaca (kgf/m³) adotado; r - peso


específico do material do radier (kN/m³) adotado; Ep,r - módulo de deformabilidade
composto do material do radier e das estacas (MN/m²);  - Coeficiente de Poisson do
material da estaca e do radier obtidos por ensaio em laboratório; Rcp - resistência à
compressão simples do material da estaca (kPa); Rcr - resistência à compressão simples
do material do radier e estaca (kPa); Rtp - resistência à tração do material da estaca (kPa);
Rt - resistência à tração do material do radier e estaca (kPa) estimada em 10% da
resistência à compressão.

120
3.3.4 Instrumentação das estacas-teste

Com o objetivo de obter informações relativas à transferência de carga foram


instaladas barras de aço instrumentadas por strain gages, sendo esse sistema
previamente aferido antes de ser inserido nas estacas. Devido ao pequeno comprimento
das estacas, optou-se por instalar extensômetros (strain gages) no topo e na ponta de
cada uma das estacas-teste. Apresentam-se, esquematicamente, na Figura 3.50, o
posicionamento da instrumentação nos radiers estaqueados, assim como as respectivas
distâncias a partir da base do radier e da ponta da estaca.

Figura 3.50. Posicionamento da instrumentação ao longo do fuste da estaca.

A instrumentação empregada baseia-se na utilização de extensômetros elétricos


de resistência ou “strain-gages”, maneira indireta de obtenção de deformações. Esses
extensômetros são resistências elétricas que, solidarizadas a um determinado material
(como o aço), fornecem valores de deformação quando submetidos a determinados tipos
de esforços e a uma pequena corrente elétrica (ALBUQUERQUE, 2001). O extensômetro
elétrico de resistência é um elemento sensível que relaciona pequenas variações de
dimensão com variações equivalentes em sua resistência elétrica e tem por princípio o
fato de que a resistência de um condutor aumenta quando submetido à força de tração e
diminui quando a força é de compressão.

121
Nesta tese utilizou-se extensômetros do tipo roseta dupla com ligação em “ponte”
completa, modelo EXCEL-PA-06-125TG-120LEN, com fator de sensibilidade (K) igual a
2,1. Esse sistema permite eliminar os efeitos da temperatura e das deformações
provenientes da flexão, obtendo-se as deformações provenientes somente dos esforços
axiais normais a seção. Os extensômetros elétricos foram colados em barras de aço
CA50 ( 12,5mm, L=0,60m), protegidos contra umidade e choque mecânico por meio da
aplicação de resina apropriada e manta protetora contra impacto e umidade (Figuras 3.56
e 3.57), calibradas em laboratório, unidas através de luvas até formarem uma barra
contínua. E, por fim, colocadas no fuste da estaca antes da concretagem.
Apresentam-se, nas Figuras 3.51, 3.52, 3.53, 3.54, 3.55, 3.56 e 3.57, a sequência
dos passos de montagem da instrumentação por strain gages nas barras de aço CA50,
com  de 12,5mm, até sua aplicação nas estacas-teste (Figura 3.56).
O processo é aparentemente simples, mas requer experiência e conhecimento que
possa garantir a sua correta execução, que vai desde a escolha do extensômetro até as
necessidades de onde será aplicado e quais as leituras deverão ser obtidas, aplicação e
manuseio cuidadosos, pois uma vez aplicado erroneamente não poderá ser
reaproveitado. Caso todos os cuidados tenham sido tomados e nenhum dano tenha sido
causado às ligações e ao extensômetro, as leituras poderão ser obtidas a partir do
sistema de aquisição de dados.

Figura 3.52. Fixação da roseta


Figura 3.51. Strain Gage EXCEL.
extensométrica.

122
Figura 3.53. Ligações ao extensômetro. Figura 3.54. Ligação dos fios de conexão.

Figura 3.55. Ligações completas. Figura 3.56. Aplicação de resina protetora.

Figura 3.57. Instrumentação completa e pronta para aplicação.

123
3.3.5 Montagem da prova de carga

A partir da Figura 3.58, verificam-se as partes integrantes necessárias à realização


das provas de carga. Nota-se que para ensaiar um radier estaqueado utilizam-se duas
estacas de reação ( 0,60 m, L = 9 m), com tirante de 32 mm de diâmetro, com
capacidade para 600 kN (carga limite de utilização), que foi inserido e posicionado
axialmente em toda a extensão das estacas de reação. A viga de reação é uma estrutura
metálica rígida que pesa 35 kN (3,5 t) e é formada pela união de dois perfis “I” (perfil “I”
cuja seção transversal apresenta mesa de 0,32 m de largura e alma de 0,735 m de altura).
Esse perfil duplo “I” apresenta, na seção transversal, largura total 0,80 m, altura 0,75 m
e possui comprimento de 5,3 m, sendo que tem sua estabilidade estrutural aumentada
pelo uso de sete enrijecedores em cada face ao longo do comprimento. Devido a seu
peso e a suas dimensões, a viga de reação foi montada com o auxílio de um caminhão
Munck e apoiada inicialmente em dois cavaletes metálicos nivelados e estáveis, de modo
que permaneça sem quaisquer inclinações nas direções longitudinal ou transversal. A
célula de carga e o macaco hidráulico empregado possuem capacidade para 2000 kN
(200 t).

Figura 3.58. Croqui em vista frontal do Sistema de Reação Principal.

124
A viga de reação tem o papel principal de permitir que o efeito de compressão no
radier seja transmitido às estacas de reação como esforço de tração, entretanto não deve
permitir o surgimento de deformações significativas em sua estrutura. Até por isso recebe
a inserção de vários enrijecedores para aumentar ainda mais a sua rigidez. Os tirantes
compõem ferramenta particular nesse sistema de reação geotécnica, pois eles são
capazes de fornecer elevada capacidade de resistência a tração, mesmo para pequenas
áreas de seção transversal de aço. Os detalhes construtivos para travamento (detalhe
“A”) e emenda de tirantes (detalhe “B”) são apresentados nas Figuras 3.59 e 3.60,
respectivamente.
No caso das emendas por luva, deve-se tomar especial cuidado para que os
comprimentos dos tirantes contidos dentro da luva sejam iguais e proporcionais ao
comprimento da luva (c), ou seja, cada tirante deverá ter embutido dentro da luva o valor
de c/2.

Figura 3.59. Detalhe “A” de travamento Figura 3.60. Detalhe “B” da emenda entre
superior na viga de reação com a porca tirantes (Dywidag, 2014).
(Dywidag, 2014).

Na Figura 3.61, apresenta-se o sistema de uma prova de carga montada no campo


experimental da FEC-UNICAMP, a partir da qual se pode ter uma melhor compreensão
do que foi anteriormente explanado sobre as partes integrantes de uma prova de carga.

125
Figura 3.61. Sistema de reação da prova de carga do radier estaqueado CC1.

3.3.6 Execução das provas de carga

A partir do modelo de prova de carga apresentado, realizaram-se 4 (quatro) provas


de carga do tipo estática e lenta (SML), segundo as prescrições da ABNT
NBR12131/2006, ou seja, os carregamentos foram realizados em estágios iguais e
sucessivos, não superiores a 20% da carga de trabalho prevista para cada radier
ensaiado. Em cada um dos estágios a carga foi mantida até a estabilização dos recalques
ou por, no mínimo, 30 minutos. As provas de carga supracitadas foram realizadas no
local, no campo experimental da Faculdade de Engenharia Civil (FEC-UNICAMP).
Segundo Décourt (2008), a ruptura convencional é definida como sendo a carga
para uma deformação da ponta da estaca de 10% de seu diâmetro. À luz do conceito de
rigidez, define-se a ruptura física como sendo o ponto de rigidez nula, pressupondo-se
deformação infinita, o que conduz à conclusão de que em nenhuma prova de carga
executada a ruptura física foi atingida.
As leituras dos recalques foram realizadas a partir de quatro LVDTs,
diametralmente opostos, que possuem curso de 100 mm. Adicionalmente, por segurança,
utilizou-se um relógio comparador (deflectômetro) fixado a uma base magnética de braço

126
flexível, pois ele possibilita, aparentemente, uma maior sensibilidade nas leituras feitas
visualmente.
Os LVDTs foram espaçados de modo que cada um tenha uma “área de influência”
de um quadrante da superfície do bloco, em que o recalque aferido foi o valor médio entre
as leituras apontadas (Figura 3.62). Para a fixação das bases foram utilizadas duas vigas
de referências metálicas, cravadas paralelamente entre si, a uma distância conveniente
do bloco (maior ou igual a 3 m), de modo que o ponto de fixação não sofresse
interferências da prova de carga. Essas vigas eram isoladas e não tinham contato com o
bloco. Entre a ponta da haste dos LVDTs e a superfície do bloco foram fixadas placas de
aço com massa suficiente para torná-las indeslocáveis às respectivas bases (Figura
3.63).

Figura 3.62. Medidores de recalque no Figura 3.63. Medidores de recalque no


radier de 1 estaca. radier de 2 estacas.

Todas as leituras de carga, recalque e deformações da instrumentação foram


obtidas através do sistema de aquisição de dados denominado QuantumX Assistant 840,
da HBM, e gerenciados pelo software de transdução das leituras denominado Catman
Easy (versão 3.3.3), da HBM do Brasil, apresentados nas Figuras 3.64 e 3.65.

127
Figura 3.64. Sistema de aquisição de Figura 3.65. Detalhe do QuantumX
dados durante uma prova de carga. Assistant 840, da HBM.

Esse sistema de aquisição de dados permitiu elevada taxa de captação das


leituras dos elementos que estejam conectados ao aparelho. A Figura 3.66 mostra a tela
do computador no momento da realização de uma prova de carga. Nesta, verifica-se que
o software permite visualizar e registrar todas as informações ao mesmo tempo, ou seja,
tem-se as leituras dos quatro LVDTs, os valores de deformação da instrumentação de
topo e ponta das quatro estacas (radier de 4 estacas), o valor do estágio de
carregamento, além de possibilitar cálculos das médias dos recalques, gráficos
simultâneos e outras opções que se façam necessárias.

Figura 3.66. Software Catman Easy, durante realização de prova de carga.

128
4 MODELAGEM NUMÉRICA
O método dos elementos finitos é considerado a ferramenta mais precisa entre os
métodos de análise. Esse método leva em conta o efeito dos fatores de interação, como
estaca-estaca, estaca-radier, radier-solo e interações estaca-solo, no processo de
análise (OMENAM, 2012).
Dessa forma, o método dos elementos finitos foi selecionado nesta pesquisa para
desenvolver um modelo numérico para prever a relação carga x recalque, a distribuição
de carga entre as estacas e o elemento superficial dos radiers estaqueados ensaiados.
Entretanto, algumas premissas devem ser seguidas para garantir confiabilidade às
análises numéricas realizadas por elementos finitos, em que se destacam três etapas
fundamentais antes do início das análises dos radiers estaqueados:
a) Comparação com resultados da literatura obtidos por outros autores;
b) Teste de convergência, garantindo que as condições de contorno não
exerçam influência nos resultados das análises;
c) Comparação com resultados experimentais obtidos no local, aferindo os
parâmetros do solo empregados nas análises.

Os testes realizados inicialmente para validação das dimensões do semiespaço,


ou seja, a geometria do modelo foi determinada em função do teste de convergência, que
consiste em verificar se as condições de contorno apresentam resultados em
concordância com as definições preestabelecidas na etapa de pré-processamento.
Os testes de comparação com resultados existentes na literatura visam garantir a
aplicabilidade do programa nas análises dos problemas em radiers estaqueados
abordados nesta tese. Essa “validação”, por meio de testes de comparação com
resultados existentes na literatura, para o caso desta tese, foi efetuada anteriormente por
Freitas Neto (2013) e seus resultados são apresentados no item 6.1.
Após a realização das etapas apresentadas acima, realizou-se a “calibração” do
modelo de elementos finitos por meio da comparação dos resultados de uma prova de
carga em estaca isolada (L=5m e =0,25m), ensaiada por Schulze (2013), no campo
experimental da FEC-Unicamp, com aqueles obtidos por meio da análise numérica dessa
mesma estaca, com os parâmetros do solo, adequadamente ajustados, obtidos por Gon
129
(2011). Acredita-se que, dessa forma, as análises poderão ser mais confiáveis em termos
de aplicabilidade e interpretação dos radiers estaqueados desta tese.

4.1 Análises comparativas com casos da literatura

A ferramenta numérica foi verificada anteriormente por Freitas Neto (2013), com o
intuito de aferir o grau de concordância dos resultados numéricos obtidos pelo software
Cesar-LCPC, com os resultados existentes na literatura. Esse mesmo autor analisou
resultados obtidos para casos mais simples, como o caso de uma estaca inserida em um
maciço homogêneo até situações mais complexas, em que foram consideradas a
variabilidade do solo e um número maior de estacas.
Freitas Neto (2013) comparou os resultados obtidos a partir do software LCPC-
CESAR com aqueles obtidos por análises realizadas por outros autores e seus
respectivos métodos de cálculo, tais como Ottaviani (1975), Sales (2000), Bittencourt e
Lima (2009), Souza (2010), Yamashita (1998), Horikoshi e Randolph (1998), Matsumoto
(1998), Small e Poulos (2007), Kuwabara (1989), Ta e Small (1996), Poulos e Davis
(1980), Randolph (1983), Poulos (1991), Poulos (1994) e Sinha (1997), entre outros.

4.1.1 Estaca isolada quadrada

Freitas Neto (2013) estudou três situações em que foram realizadas análises
numéricas de uma estaca isolada. Os parâmetros do solo, o comprimento da estaca e o
domínio vertical (H/L=4) são apresentados na Tabela 4.1. Os resultados obtidos pelo
autor nessas análises, para a primeira situação, são apresentados na Figura 4.1.
Segundo esse autor, os resultados obtidos por essas análises confirmam boa
concordância das constantes de recalque obtidas a partir do LCPC-CESAR, com os
outros resultados anteriormente disponibilizados na literatura por outros autores.

130
Tabela 4.1. Parâmetros geométricos e elásticos utilizados nas análises do caso de uma
estaca isolada quadrada (FREITAS NETO, 2013).

Figura 4.1. Valores de constante de recalque versus rigidez relativa, obtidos com o LCPC
– CESAR para uma estaca isolada com 20 metros de comprimento e relação H/L igual a 4,0
(FREITAS NETO, 2013).

4.1.2 Radier sobre 9 estacas quadradas e carga no pilar central

Nessa situação, Freitas Neto (2013) utilizou o caso estudado por Ottaviani (1975)
e também analisado por Sales (2000), Bittencourt e Lima (2009) e Souza (2010). Trata-
se de um radier sobre 9 estacas quadradas em solo homogêneo, carregadas por um pilar
central. Na Tabela 4.2 estão apresentados os parâmetros geométricos e elásticos
utilizados nas análises numéricas.
Segundo Freitas Neto (2013), os resultados das análises realizadas para as
estacas de 17 m e 37 m são considerados satisfatórios, pois há concordância entre os

131
resultados obtidos e os resultados apresentados pelos autores anteriormente
mencionados. Nas análises para as estacas de 37 m de comprimento, os resultados
apresentados por Ottaviani (1975) apresentaram relativa discrepância com os
apresentados pelos outros autores, e também com os resultados obtidos a partir do
LCPC-CESAR.
Os resultados obtidos por Freitas Neto (2013) são apresentados parcialmente, no
intuito de ilustrar os diversos testes realizados por esse autor para a aferição da
ferramenta numérica, de acordo com os parâmetros do solo e elemento de fundação
apresentados na Tabela 4.2.

Tabela 4.2. Parâmetros geométricos e elásticos utilizados nas análises do caso do radier
sobre 9 estacas quadradas (FREITAS NETO, 2013).

Figura 4.2. Resultados obtidos para radier sobre 9 estacas quadradas de 17 metros de
comprimento (FREITAS NETO, 2013).

132
4.1.3 Radiers Sobre 9 e 15 Estacas (Poulos et al., 1997).

Segundo Freitas Neto (2013), o caso proposto por Poulos et al. (1997) trata de
uma análise para um radier sobre 9 estacas e para o mesmo radier sobre 15 estacas
carregados por 9 pilares, sendo 6 carregados com uma carga P1 e 3 carregados com
uma carga P2, que corresponde ao dobro do valor de P1. O caso foi analisado em 3
situações distintas, em que foram variadas a carga total aplicada, o fator de segurança e
o número de estacas.
Os resultados obtidos por Freitas Neto (2013) são apresentados parcialmente, no
intuito de ilustrar os diversos testes realizados por esse autor para a aferição da
ferramenta numérica, de acordo com os parâmetros do solo e elemento de fundação
apresentados na Tabela 4.3.

Tabela 4.3. Parâmetros utilizados nas análises do caso do radier sobre 9 e 15 estacas por
Poulos et al., (1997) (FREITAS NETO, 2013).

Os resultados obtidos nessas análises estão apresentados nas Figuras 4.3, em


conjunto com os resultados observados na literatura para a modelagem do mesmo
problema. Na Figura 4.3, são apresentados os resultados do Caso A desse item, em que
foi considerada a carga admissível de 12 MN para um radier sobre 15 estacas e um fator
de segurança de 2,60. O recalque médio no radier obtido com o LCPC-CESAR foi de
19,9 mm. O recalque médio no radier obtido para essa análise foi da ordem de 4% menor
do que a média dos resultados obtidos na literatura.
Verifica-se que os resultados das análises numéricas, obtidas por meio de análise
numérica utilizando LCPC-Cesar v.5 de casos existentes na literatura, estudados por
outros autores, apresentam boa concordância entre si e, portanto, não foram verificados
problema e/ou limitação que restringissem a sua utilização nesta tese.

133
Figura 4.3. Valores de recalque médio no radier de 15 estacas, carga admissível igual a 12
MN e FS igual a 2,60, obtidos na literatura e pelo método dos elementos finitos (LCPC-
Cesar) (FREITAS NETO, 2013).

4.2 Definição do semiespaço do modelo numérico

As dimensões do modelo numérico foram atribuídas em função de testes


realizados para garantir que as condições de contorno atribuídas nas extremidades dos
problemas, que pudessem ser consideradas como indeslocáveis ou que possuíssem
deslocamentos muito baixos, consequentemente, não exercessem influência no
resultado das análises.
Segundo Brinkgreve (2002), os limites do modelo devem ser definidos em
distâncias suficientes, ou seja, de forma que a influência das deformações nos limites do
contorno sobre a fundação sejam minimizadas. Os nós em ambos os limites laterais do
modelo são fixos contra o movimento horizontal (x = 0), porém livres para se mover na
direção vertical. Enquanto isso, nós no limite inferior do modelo são fixados contra ambos
os movimentos verticais e horizontais (x = y = 0), enquanto que o limite superior é livre
para se mover em ambas as direções, conforme Figura 4.4.

134
Figura 4.4. Modelo Numérico (BRINKGREVE, 2002).

Existem muitos modelos constitutivos utilizados para simular o comportamento do


solo, tais como o modelo elástico linear, o modelo de Mohr-Coulomb, Modelo Cam Clay,
Drucker-Prager, Modelo Hardening Soil e Modelo Lade’s Single Hardening. O modelo de
Mohr-Coulomb, perfeitamente elástico-plástico, foi utilizado para simular o
comportamento não linear do solo em termos de tensão-deformação. Esse modelo
baseia-se em parâmetros utilizados na prática de engenharia; o módulo de
deformabilidade do solo (Es) e o coeficiente de Poisson (s) são utilizados para a
deformabilidade do solo, enquanto que o ângulo de atrito (φ) e a coesão (c) são utilizados
para a plasticidade do solo. Já o ângulo de dilatância () é necessário para modelar o
aumento do volume (BRINKGREVE, 2002).
Nesta tese utilizou-se o modelo de Mohr-Coulomb para retratar o comportamento
do solo nas análises numéricas, em que são atribuídos às diferentes camadas de solo os
parâmetros elastoplásticos do modelo constitutivo, tais como peso específico (s), coesão
(c), ângulo de atrito (), módulo de deformação (Es) e coeficiente de Poisson (s). Estes
parâmetros foram obtidos anteriormente por Gon (2011), exceto o coeficiente de Poisson
que foi adotado. Para os materiais de comportamento frágil (Modelo Parabólico), como o
concreto das estacas e do radier, foram atribuídos valores determinados em laboratório
para resistência à compressão (Rc), módulo de deformabilidade (Ec) e coeficiente de

135
Poisson (c), e adotados os valores para resistência à tração (Rt = 10%·Rc) e peso
específico (c).
A malha de elementos finitos compõe-se de elementos de formato triangular de
interpolação quadrática, os quais foram extrudados a cada metro em profundidade,
resultando em um elemento volumétrico do tipo pentaédrico. As análises numéricas
foram realizadas por intermédio do software CESAR v.5, da Itech-software.

4.2.1 Teste de convergência

Previamente à simulação numérica das provas de carga realizadas em escala real,


fez-se necessário verificar as condições de contorno do problema através de testes que
variavam as dimensões do modelo, quantidade de nós e elementos. As geometrias
avaliadas foram para uma malha em planta de 10x10 m, 15x15 m, 20x20 m e 25x25 m.
As condições de contorno impostas ao problema foram verificadas a cada simulação do
processo de validação, resultando no gráfico da Figura 4.5, no qual se verifica que as
condições de contorno para a malha de 25 x 25 m apresentaram deformações máximas
menores que um décimo de milímetro, sendo esta considerada como desprezível ao tipo
de problema analisado.
Devido à simetria dos problemas analisados, a ferramenta numérica permite que as
análises sejam realizadas em uma fração do problema. Dessa forma, os testes de
convergência resultaram em um “bloco” de aproximadamente 25 m x 25 m e 10,8 m de
profundidade, representando ¼ do problema, ou seja, a dimensão total desse teste
equivaleria, em planta, às dimensões de 50 m x 50 m. Ressalta-se que a partir de 10,8
m de profundidade tem-se o material impenetrável. Outro importante aspecto em análise
foi a utilização do recurso da simetria, que permite a redução nas dimensões do problema
e, consequentemente, da malha de elementos finitos, levando, em alguns casos, a uma
redução drástica do número de elementos e nós. Dessa forma, torna-se possível simular
um modelo de milhares de elementos e nós em um tempo muito menor. Utilizou-se um
modelo elástoplástico que varia em função das tensões aplicadas, obedecendo a um
modelo de comportamento não linear.

136
Figura 4.5. Deslocamentos na extremidade da malha de elementos finitos.

A malha de elementos finitos foi composta por elementos de formato triangular de


interpolação quadrática, os quais foram extrudados a cada metro em profundidade,
formando um elemento tridimensional pentaédrico. A composição do problema resultou
em uma malha de elementos finitos constituída por 6.415 elementos e 18.108 nós (Tabela
4.4).
Ao término dessa etapa deu-se continuidade às análises de refinamento da malha
de elementos finitos. Esse processo consiste em aumentar a quantidade de nós e
elementos, gerando, dessa forma, uma malha com elementos de menor tamanho e nós
com menor distância entre si. Esse teste aumentou o grau de confiabilidade na resposta
pós-processamento.
Em complementação ao teste de validação, foram realizados testes de
refinamento da malha de elementos finitos, verificando quais alterações ocorriam no
recalque máximo obtido comparativamente a outras condições de refinamento, com
menor densidade em termos de elementos e nós.
137
Tabela 4.4. Resultados dos testes de refinamento da malha de elementos finitos.

A partir da Tabela 4.4 e das Figuras 4.6 e 4.7, verificam-se os resultados dos testes
de refinamento da malha de elementos finitos. Nota-se que, mesmo para a malha de 25
x 25 m, obtida no teste de convergência, em que o recalque obtido poderia ser
considerado como um valor exato, ao se realizar o refinamento da malha, ou seja,
aumentar a quantidade de nós e elementos, isso fez com que o recalque inicialmente
obtido, de 10,829 mm, apresentasse elevação para os 1º e 2º estágios de refinamento,
permanecendo praticamente estável para o 3° estágio. Dessa forma, optou-se por manter
a malha com a quantidade de elementos e nós da fase anterior (2º estágio), pois não
houve melhoria para um maior refinamento dessa malha.

Figura 4.6. Variação do recalque em função do número de nós.

138
Figura 4.7. Variação do recalque em função do número de elementos.

De acordo com os testes realizados anteriormente, obteve-se a geometria do


problema e respectivas dimensões adequadas às condições de contorno, conforme
apresentado na Figura 4.8. Por fim, os parâmetros de entrada para representar o solo
foram aferidos e “calibrados” pelo teste de comparação com os resultados obtidos em
prova de carga em estaca isolada, realizada por Schulze (2013), no campo experimental
da FEC-Unicamp.

Figura 4.8. Dimensão da malha de elementos finitos e condições de contorno.

139
4.2.2 Modelagem numérica dos radiers

O modelo numérico dos radiers estaqueados CC1, CC2 e CC4 em análise foi feito
a partir de um quarto (¼) do problema, devido à simetria existente, conforme se verificam
nas Figuras 4.9, 4.10, 4.11 e 4.12. Para o radier estaqueado CC3, foi feita a partir da
metade (½) do problema.

Figura 4.9. Perspectiva da malha de elementos finitos do radier estaqueado CC1 NUM.

Figura 4.10. Perspectiva da malha de elementos finitos do radier estaqueado CC2 NUM.

140
Figura 4.11. Perspectiva da malha de elementos finitos do radier estaqueado CC3 NUM.

Figura 4.12. Perspectiva da malha de elementos finitos do radier estaqueado CC4 NUM.

141
4.3 Análise numérica comparativa para uma estaca experimental

Por meio de testes de comparação com os resultados obtidos em prova de carga


em estaca isolada, realizada por Schulze (2013), no campo experimental da FEC-
Unicamp, foi possível obter, por retroanálise, os parâmetros do solo adequados à
representação numérica, comparando-se aos resultados carga x recalque experimentais.
Schulze (2013) apresenta resultado de uma prova de carga em estaca escavada
por trado mecânico, isolada, com diâmetro de 0,25 m e comprimento igual a 5,0 m e
executada no solo do tipo laterítico, na região de Campinas-SP. Os parâmetros
geotécnicos utilizados foram obtidos inicialmente a partir de ensaios de laboratório e in-
situ, realizados no local por Gon (2011) e Rodriguez (2013), e posteriormente calibrados
no modelo numérico.
Na Figura 4.13, apresentam-se os resultados da prova de carga realizada por
Schulze (2013) e a respectivas análises numérica dessa estaca isolada com os
parâmetros do solo originalmente obtidos por Gon (2011) na Curva 1 e os parâmetros
retroanalisados na Curva 2.

Figura 4.13. Curva carga x recalque experimental e numérica de 1 estaca.

142
Verifica-se, a partir da Figura 4.13, adequada concordância entre os resultados
experimentais e numéricos retroanalisados (Curva 2), possibilitando estender os
parâmetros de resistência do solo calibrados nesta análise para os demais casos em
radier estaqueado. Destaca-se que a carga máxima de ensaio obtida por Schulze (2013)
foi de 180 kN, entretanto, a carga de ruptura foi convencionada para um deslocamento
de 10% do diâmetro nominal da estaca, ou seja, 25 mm. Dessa forma, verifica-se, na
Figura 4.13, que a carga de ruptura é de 174 kN para a curva carga x recalque
experimental e de 171 kN para aquela obtida numericamente, ou seja, a carga obtida
numericamente é 1,7% menor em relação à carga de ruptura experimental.
A distribuição de carga em profundidade, obtida por meio da análise numérica, é
apresentada na Figura 4.14, resultando em 6% de participação de ponta da estaca na
carga máxima de ensaio frente a nenhuma participação registra po Schulze (2013). Nos
estágios de carga anteriores observa-se que a resistência da estaca foi basicamente
resultante da resistência por atrito lateral.

Figura 4.14. Transferência de carga obtida pela análise numérica de 1 estaca.

143
A partir da “calibração” dos parâmetros utilizados no modelo numérico por
retroanálise verificou-se que o grau de concordância entre os resultados experimentais e
numéricos, apresentados na Figura 4.13, demonstraram-se aceitáveis e adequados à
utilização desses parâmetros do solo nas análises dos radiers estaqueados CC1 NUM,
CC2 NUM, CC3 NUM e CC4 NUM. Os parâmetros resultantes da retroanálise são
apresentados na Tabela 4.5 e 4.6.
As análises numéricas para avaliação do efeito de contato do radier com solo serão
realizadas utilizando-se dos mesmos parâmetros de solo empregados nas análises do
radier estaqueado (CC NUM), porém terão o contato com o solo suprimido, resultando
nos grupos de estacas ou simplesmente denominados SC NUM (SC1 NUM, SC2 NUM,
SC3 NUM e SC4 NUM).
Tabela 4.5. Parâmetros do solo resultantes da retroanálise

Tabela 4.6. Parâmetros do aço e concreto

144
5 RESULTADOS E ANÁLISES
Neste capítulo, apresentam-se os resultados e as análises das provas de carga
aplicadas aos radiers estaqueados com 1, 2, 3 e 4 estacas, CC1 EXP, CC2 EXP, CC3
EXP e CC4 EXP, respectivamente. Assim como são apresentados os resultados das
análises numéricas por elementos finitos tridimensionais, realizados para os radiers
estaqueados CC1 NUM, CC2 NUM, CC3 NUM e CC4 NUM e para os grupo de estacas
SC1 NUM, SC2 NUM, SC3 NUM e SC4 NUM.
Os radiers estaqueados analisados numericamente foram comparados com os
resultados das provas de carga dos radiers estaqueados experimentais, visando verificar
e complementar o entendimento do comportamento tensão x deslocamento dessas
fundações executadas em escala real.
A contribuição da resistência devido ao efeito de contato do radier com o solo foi
simulada através de outro modelo numérico, em que o contato foi totalmente eliminado,
e, consequentemente, a resistência desse elemento é atribuída somente às fundações
profundas em estacas (ponta e atrito lateral). Essa análise foi puramente numérica, em
que se analisou os radiers estaqueados numéricos, CC1 NUM, CC2 NUM, CC3 NUM e
CC4 NUM, em relação aos grupos de estacas, SC1 NUM, SC2 NUM, SC3 NUM e SC4
NUM.
Por meio da realização de provas de carga, obteve-se o comportamento da curva
carga x recalque para cada um dos radiers estaqueados ensaiados experimentalmente
CC1 EXP, CC2 EXP, CC3 EXP e CC4 EXP; além de resultados provenientes das leituras
das instrumentações por strain gages instalados no topo e na ponta das estacas sob
esses radiers estaqueados. A partir das leituras realizadas em microdeformações (µm/m)
da área da seção da estaca e do módulo de deformabilidade do material da estaca, no
caso concreto armado, determinaram-se os valores de carga atuantes em dois níveis:
topo e ponta da estaca.
Diante do exposto, foi possível identificar as frações de carga assumidas pelas
estacas e pelo contato do radier solo, ou seja, por meio das deformações e,
consequentemente, da carga apontada pelas leituras das instrumentações instaladas nas
estacas, pode-se conhecer como a carga aplicada sobre o radier estaqueado foi
absorvida pelo topo e ponta da estaca. Consequentemente, presume-se que a carga
145
excedente em relação à aplicada no topo do radier estaqueado foi absorvida pelo contato
deste com o solo. Ressalta-se, ainda, que foram tomadas providências para eliminar
outras possibilidades de dissipação da carga através do contato das laterais do radier
com o solo circundante (ver capítulo 5).
Tendo em vista que as curvas carga x recalque obtidas por meio das provas de
carga aplicada nos radiers estaqueados experimentais, não evidenciaram ruptura
geotécnica física, foi utilizado o método da rigidez para avaliar a determinação da carga
de ruptura e qual o percentual em relação ao diâmetro da estaca.
Os resultados da estimativa da carga de ruptura dos radiers estaqueados
experimentais pelo método da rigidez são apresentados no Apêndice D e na Tabela 5.1.
Verificou-se que os valores de carga de ruptura obtidos pelo método da rigidez para os
casos analisados, conduzem a um deslocamento igual a 10% do diâmetro nominal da
estaca. Portanto, as cargas de ruptura para os radiers estaqueados experimentais (CC
EXP), numéricos (CC NUM) e grupo de estacas (SC NUM) foram convencionadas para
um deslocamento de 25 mm, conforme apresentado na Figura 5.1. As curvas carga x
recalque completas e com os deslocamentos máximos obtidos para os radiers
experimentais encontram-se apresentadas no Apêndice C.

Tabela 5.1. Valores da carga de ruptura via Método da Rigidez.

146
Figura 5.1. Cargas de ruptura para os radiers estaqueados experimentais.

Ressalta-se que esse mesmo critério foi empregado na determinação da carga de


ruptura de radiers estaqueados, ensaiados por Freitas Neto (2013).
Como relatado anteriormente, todas as estacas que compõem os radiers
estaqueados estudados nesta tese possuem dois níveis de instrumentação instalados no
fuste da estaca, sendo o primeiro nível no topo e o segundo nível na ponta da estaca,
possibilitando-se, dessa forma, obter gráficos de distribuição da carga entre esses dois
níveis. Essa sistemática foi adotada devido à complexibilidade de instalação em outros
pontos intermediários e também pela dificuldade de operacionalização com o sistema de
aquisição de dados para inserção de mais três níveis (2, 3 e 4 m). Entretanto, ressalta-
se que as principais leituras foram garantidas, possibilitando interpretar, sem prejuízo, a
transferência de carga ao longo do comprimento da estaca.

5.1 Radier Estaqueado Composto de 1 estaca

Neste subitem são apresentados e discutidos os resultados obtidos para o radier


estaqueado CC1 EXP, por meio da realização de prova de carga e da instrumentação
instalada, assim como os resultados das análises numéricas dos radiers estaqueados
numéricos (CC1 NUM) e grupo de estacas (SC1 NUM). As situações de análise foram
147
divididas em dois casos, entre os radiers estaqueados experimental (CC1 EXP) x
numérico (CC1 NUM) e os radiers estaqueados numéricos (CC1 NUM) x grupo de
estacas (SC1 NUM), objetivando obter melhor entendimento do comportamento desse
tipo de fundação, além do entendimento do funcionamento e da contribuição do contato
na capacidade suporte dessas fundações analisadas.

5.1.1 Radier estaqueado experimental de 1 estaca

Apresenta-se, na Figura 5.2, a curva carga x recalque, obtida por meio da


realização de prova de carga no radier estaqueado CC1 EXP. Nesta, verifica-se que a
carga máxima de ensaio foi de 208 kN, com recalque máximo de 45,09 mm e de 0,88
mm para metade da carga máxima de ensaio (104 kN).
A carga de ruptura geotécnica do radier estaqueado CC1 EXP foi convencionada
para um deslocamento correspondente a 10% do diâmetro da estaca, ou seja, a carga
de ruptura para o radier estaqueado CC1 EXP equivale a 200 kN (Figura 5.2). Esse valor
é 3,8% menor em relação à carga máxima de ensaio, e a carga para ½·Qrup é de 100 kN
para um recalque de 0,87 mm.

Figura 5.2. Curva carga x recalque do radier estaqueado de 1 estaca.

148
A transferência de carga ao longo do comprimento da estaca sob o radier
estaqueado CC1 EXP é apresentada na Figura 5.3. Nesta, verifica-se que a mobilização
do atrito lateral da estaca ocorre do 1º ao 6º estágio, somado a uma pequena participação
da resistência de ponta. Observa-se que o esgotamento do atrito lateral ocorre a partir
do 6º estágio, evidenciado pelo paralelismo das retas, concomitantemente com a
mobilização da resistência de ponta, registrando-se o máximo valor de participação dessa
resistência no 11º estágio.

Figura 5.3. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado de 1 estaca.

As parcelas de distribuição das resistências entre os elementos de fundação


(superficial e profunda) que compõe o radier estaqueado podem ser verificadas na Figura
5.4, do 1º ao 11º estágio de carregamento. Nesta, observa-se que no 1º estágio a carga
é totalmente transferida pelo elemento de fundação profunda e nenhuma contribuição do
contato radier solo é mobilizada. Tal fato pode ser atribuído à rigidez da estaca (Ee*Ae)
ser maior em relação ao solo superficial sob a base do radier. Devido a esse fato nota-se
que até o 7º estágio de carregamento a carga é transferida preferencialmente para a
estaca por atrito lateral (91% - 7º estágio), com pequena participação da resistência ponta
(3,1%) e contato do radier solo (5,8%). A partir desse estágio, o atrito lateral entra em
processo de esgotamento, conforme analisado anteriormente na Figura 5.3. No estágio
149
de carregamento final (carga máxima), o elemento de fundação profunda ainda responde
por 85% da carga aplicada ao radier estaqueado CC1 EXP, com participação de 79% por
atrito lateral e 6% de ponta, contra uma participação do contato radier solo de 15%.

Figura 5.4. Distribuição de carga no radier estaqueado de 1 estaca.

Essa participação do contato radier solo pode ser mais bem compreendida,
analisando-se a tensão aplicada ao solo. Verifica-se que a carga absorvida pelo contato
radier solo (31 kN), dividida pela área líquida de contato (0,31m²), resulta em uma tensão
de 100kPa e desta forma será calculado para os demais radiers estaqueados e então
apresentado para análise no capítulo 6.
Em termos de projeto, analisando-se o comportamento da redução do fator de
segurança, em função dos carregamentos efetuados e em relação à carga
convencionada como de ruptura para o radier estaqueado CC1 EXP, conforme
apresentado na Figura 5.5, verifica-se que para metade da carga de ruptura (½·Qrup) o
fator de segurança (carga adminssível / carga de ruptura) é igual a 2 e a curva carga x
recalque encontra-se no trecho elástico linear. Os recalques tendem a aumentar
significativamente para fatores de segurança menores que 1,5, constatando-se, no 7º
estágio (163 kN), que o carregamento aplicado representa 78% da carga de ruptura e o
fator de segurança é de apenas 1,2, correspondente a um recalque de 1,55 mm (0,6%

150
do diâmetro da estaca). Verifica-se, no 9º estágio (194 kN), que o carregamento aplicado
representa 97% da carga de ruptura e o fator de segurança é igual a 1,0, correspondente
a um recalque de 9,88 mm (Figura 5.4 e 5.5). No 10º estágio (208 kN), observa-se que
FS < 1,0 e, consequentemente, tem-se a extenuação da fundação para esse
carregamento.

Figura 5.5. Variação do fator de segurança e recalque para o radier de 1 estaca.

Conforme apresentado na Figura 5.3, o atrito lateral da estaca apresenta


esgotamento a partir do 6º para o 7º estágio de carregamento. Dessa forma, o fator de
segurança obtido a partir do 7º estágio pode ser atribuído principalmente à resistência
por atrito lateral residual (79%) e do contato radier solo (15%), somado a uma pequena
participação da resistência de ponta da estaca (6%).
A partir da análise do fator de segurança em relação à curva carga x recalque
(Figura 5.5), nota-se que o radier estaqueado CC1 EXP apresenta baixos valores de
recalque para resultados de FS ≥ 1,1. Tem-se, portanto, uma fundação aparentemente
rígida, com ruptura abrupta para FS  1,0.
No item 5.1.2, exposto a seguir, apresentam-se os resultados obtidos para o radier
estaqueado numérico (CC1 NUM), ou seja, analisado numericamente para as mesmas
condições geométricas (radier e estaca) e de carregamentos submetidos no caso do
radier experimental CC1 EXP.

151
5.1.2 Radier estaqueado numérico de 1 estaca

Neste subitem, apresentam-se os resultados das análises numéricas para o radier


estaqueado numérico (CC1 NUM), que permitiram obter resultados tensão x
deslocamento, curva carga x recalque e curva de transferência de carga para a estaca.
Na Figura 5.6, verificam-se os resultados obtidos após o processamento da análise
numérica para o radier estaqueado CC1 NUM e os deslocamentos provocados devido à
carga aplicada no 1º, 5º e 10º estágios de carregamento.

Figura 5.6. Deslocamentos no radier estaqueado CC1 NUM por estágios de carga.

152
Os deslocamentos obtidos são mais acentuados somente no 10º estágio,
totalizando um recalque de 41,84 mm. Nessa fase, verifica-se que nesse estágio os
bulbos encontram-se concentrados sob a base do radier e na ponta da estaca, como
seria esperado, devido ao patamar de deslocamento.
O efeito de compressão, devido aos carregamentos sobre o radier estaqueado
CC1 NUM, é apresentado na Figura 5.7. Nesta, verifica-se que a tensão máxima de
compressão ocorre no topo da estaca sob o radier, resultando em 410kPa (1º estágio),
2101kPa (5º estágio) e 3113kPa (10º estágio).

Figura 5.7. Compressão no radier estaqueado CC1 NUM por estágios de carga.

153
Conforme indicado na Figura 5.6 e 5.7 (10º estágio), nota-se que as tensões de
compressão tendem a concentrar-se no topo da estaca, que é o elemento mais rígido em
comparação ao solo. Entretanto, verifica-se que o solo sob a base do radier recebe carga,
a qual não é percebida até o 5º estágio de carregamento, possivelmente devido à baixa
intensidade do recalque nesse estágio (1,697mm). Ainda de acordo com a Figura 5.7,
obtém-se, para os estágios de carregamento, os valores de 20 kN (410 kPa), 103 kN
(2101 kPa) e 153 kN (3113 kPa). Verifica-se que a carga máxima aplicada no topo da
estaca era de 9,6% no 1º estágio, passando para 49,5% no 5º estágio e 73,5% no
carregamento final, em relação à carga máxima de ensaio no respectivo estágio, ou seja,
ocorre um aumento gradativo da participação da estaca quando da aplicação dos
estágios de carregamento. A carga excedente daquela aplicada na estaca foi transferida
para o contato radier solo e será calculada a seguir, quando da análise da transferência
de carga.

Resultante da análise numérica foi possível obter a curva carga x recalque para o
radier estaqueado CC1 NUM. Na Figura 5.8, verifica-se que a carga máxima de ensaio
foi de 208 kN (carga de ensaio do radier estaqueado CC1 EXP) e recalque máximo de
41,84 mm. A carga de ruptura convencionada para um deslocamento de 10% do diâmetro
nominal da estaca (25 mm), resultando em 184 kN e, consequentemente, uma carga de
trabalho de 92 kN, correspondendo a um recalque de 1,48 mm.

A transferência de carga ao longo do comprimento da estaca do radier estaqueado


numérico (CC1 NUM) é apresentada na Figura 5.9. Assim como no comportamento do
radier estaqueado experimental (CC1 EXP), verifica-se que a mobilização do atrito lateral
da estaca ocorre do 1º ao 6º estágio, com pequena participação da resistência de ponta.
O esgotamento do atrito lateral ocorre a partir do 6º estágio, evidenciado pelo paralelismo
das retas, concomitantemente com a mobilização da resistência de ponta, registrando o
máximo valor de participação dessa resistência no 10º estágio, correspondendo a 11%
da carga total aplicada.

154
Figura 5.8. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC1 NUM.

Figura 5.9. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC1 NUM.

A distribuição de carga entre o elemento de fundação superficial (radier) e


profunda (estaca) é apresentada na Figura 5.10. Nesta, verifica-se que no 1º estágio de
carregamento a estaca responde por 94% da carga aplicada ao radier estaqueado,

155
comparando-se a 6% relativa ao contato radier solo. Após cinco incrementos, a carga
aplicada no 6º estágio tem sua distribuição significativamente alterada, resultando em
74%, relativos ao desempenho da estaca; e 26% da carga são absorvidos pelo contato
radier solo. No carregamento final, tem-se que a estaca responde pela participação de
60%, sendo 49% atrito lateral e 11% ponta), contra 40% devido ao contato radier solo.
A carga absorvida pelo contato radier solo (84 kN), dividida pela área líquida de
contato (0,31m²), resulta em uma tensão de 271kPa, superior ao observado no caso do
radier estaqueado experimental CC1 EXP (100 kPa).

Figura 5.10. Distribuição de carga no radier estaqueado CC1 NUM.

Os valores mais acentuados do recalque do radier estaqueado numérico (CC1


NUM) são seguidos pela queda mais acentuada do fator de segurança, após o 6º estágio
de carregamento (125 kN e FS = 1,5).
Na Figura 5.11, verifica-se a variação do fator de segurança e recalque em
fundação dos estágios de carregamento. A partir desta, verifica-se que o sistema radier
estaqueado CC1 NUM apresenta Fator de Segurança (FS = 2,0) para a carga de 94 kN
(45% em relação a máxima) e 1,5 mm de recalque. Verifica-se que os recalques são
menores que 5 mm até 65% da carga máxima de ensaio, e para recalque igual a 10% do
diâmetro da estaca (25 mm), a carga é 184 kN ou 89% da carga máxima de ensaio.

156
Dessa forma, observou-se que os recalques situam-se entre 5 mm e 25 mm para cargas
de 65% a 89% da carga máxima de ensaio.

Figura 5.11. Fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC1 NUM.

Para avaliar o efeito de contato e a sua contribuição na capacidade de carga total,


analisou-se numericamente o grupo de estacas SC1 NUM, idêntico ao radier estaqueado
CC1 NUM, porém sem contato da base do radier com o solo. Dessa forma, apresentam-
se, no item 5.1.3, as análises resultantes do grupo de estacas SC1 NUM. O contato foi
suprimido do modelo numérico e a carga foi aplicada sobre o bloco e consequentemente
transmitida ao topo das estacas.

5.1.3 Grupo de estacas SC1 NUM

Os resultados das análises numéricas para o grupo de estacas SC1 NUM


permitiram obter resultados tensão x deslocamento e a curva carga x recalque do grupo
de estacas. Observa-se, na Figura 5.12, os resultados obtidos após o processamento da
análise numérica para o grupo de estacas SC1 NUM e os deslocamentos provocados
devido à carga aplicada ao 1º, 5º e 10º estágios de carregamento. Os deslocamentos
máximos obtidos foram de 0,338 mm, 1,667 mm e 43,635 mm para o 1º, 5º e 10º estágios
de carregamento, respectivamente (Figura 5.12).

157
Figura 5.12. Deslocamentos no grupo de estacas SC1 NUM por estágios de carga.

Destaca-se que os deslocamentos possuem pequena abrangência radial,


conforme se verifica na Figura 5.12 (10º estágio). A influência dos deslocamentos cessa
até um raio de 212,5 mm, comparando-se ao raio original relativo ao diâmetro nominal
da estaca de 125 mm, conforme Apêndice F.
O efeito de compressão devido aos carregamentos sobre o grupo de estacas SC1
NUM é apresentado na Figura 5.13. Nesta, verifica-se que a tensão máxima de
compressão ocorre ao longo do comprimento da estaca, variando de 424 kPa (1º
estágio), 2119 kPa (5º estágio) e 4237 kPa (10º estágio).

158
Nas análises apresentadas, verifica-se que não houve concentração de tensões
na região do topo da estaca devido à base do radier (Figura 5.7). Isso porque o seu efeito
foi suprimido devido à ausência do contato radier solo (Figura 5.13).

Conforme indicado na Figura 5.13 (10º estágio), nota-se que as tensões de


compressão na seção da estaca diminuem ao longo do seu comprimento (topo para a
ponta). Como a estaca é o elemento mais rígido em comparação ao solo, não há nenhum
elemento conectado ao topo dela impedindo o seu deslocamento e/ou aumentando as
tensões de confinamento (𝜎𝑣′ e 𝜎ℎ′ ) no trecho inicial da estaca.

Figura 5.13. Compressão no grupo de estacas SC1 NUM por estágios de carga.

159
A carga aplicada sobre o grupo de estacas SC1 NUM intensifica a participação por
atrito lateral, com o aumento dos carregamentos do 5º estágio para o 10º estágio.
Entretanto, a participação da ponta é mais intensa somente para o 10º estágio, conforme
se verifica no 10º estágio, da Figura 5.13. Entretanto, a resistência é presente ao longo
de todos os estágios, observando-se um comportamento similar ao desempenho de
grupo de estacas (grupo de estacas com o solo).
Como resultado das análises numéricas do grupo de estacas SC1 NUM obteve-se
a curva carga x recalque, apresentada na Figura 5.14. Nessa situação de análise, a carga
máxima de ensaio foi imposta em 208 kN (carga de ensaio do radier estaqueado CC1
NUM), resultando em um recalque máximo de 43,63 mm.
A carga de ruptura, para um deslocamento de 10% do diâmetro nominal da estaca
(25 mm), resultou em 192 kN e, em consequência disso, remete a uma carga de trabalho
de 96 kN, correspondendo a um recalque de 1,54 mm (Figura 5.14).

Figura 5.14. Curva carga x recalque do grupo de estacas SC1 NUM.

Na Figura 5.15, apresentam-se as curvas de transferência de carga ao longo do


comprimento da estaca do grupo de estacas SC1 NUM. Nesta, verifica-se que a
mobilização do atrito lateral da estaca ocorre em todos os estágios de carregamento, ao

160
mesmo tempo em que se observa uma pequena participação da resistência de ponta no
10º estágio. A saturação do atrito lateral é observada neste caso (SC1 NUM), assim como
no radier estaqueado CC1 NUM. Entretanto, ocorreu maior absorção desse atrito lateral
no último nível (entre os 4 m e 5 m de Le).

Figura 5.15. Transferência de carga média na estaca do grupo de estacas SC1 NUM.

A distribuição de carga para o grupo de estacas SC1 NUM acontece somente no


elemento de fundação profunda (estaca), nas parcelas de atrito lateral e resistência de
ponta (Figura 5.16). Verifica-se que a resistência é predominantemente mobilizada por
atrito lateral até o 5º estágio (99,1%), com participação de apenas 0,95% de ponta. A
partir do 6º estágio nota-se um aumento da parcela de resistência de ponta, partindo de
1,48% para 4,91% no 10º estágio de carregamento, frente à participação de 95,1% do
atrito lateral.
Nota-se que, em virtude das características de resistência do solo e geométricas
da estaca de pequeno diâmetro, não houve desenvolvimento significativo da parcela de
resistência de ponta. Ao contrário do observado no radier estaqueado CC1 NUM, que
apresentou participação de ponta relevante em relação ao grupo de estacas SC1 NUM
(grupo de estacas). Essa maior participação de ponta do radier estaqueado CC1 NUM

161
pode ser atribuída ao efeito proporcionado pelo contato radier solo, resultando em um
grande “bloco” (radier+estacas+solo).
Confirma-se, portanto, que a ausência de um componente superficial combinado
ao elemento de fundação profunda modifica a forma como a mobilização do atrito lateral
e da resistência de ponta se comportam (Figuras 5.10 e 5.16).

Figura 5.16. Distribuição de carga no grupo de estacas SC1 NUM.

Apresenta-se, na Figura 5.17, a variação do fator de segurança (FS) para todos os


estágios de carregamento. Nesta, verifica-se que até o 6º estágio tem-se um fator de
segurança maior ou igual a 1,5. Entretanto, a partir desse estágio o fator de segurança
se reduz sensivelmente até FS igual 1,0, no 9º estágio de carga, atingindo seu menor
valor no 10º estágio, em que FS<1,0. Nesta, verifica-se que o sistema grupo de estacas
SC1 NUM apresenta Fator de Segurança (FS = 2,0) para a carga de 97 kN (47% em
relação à máxima) e 1,56 mm de recalque. Verifica-se que os recalques são menores
que 5 mm até 75% (157 kN) da carga máxima de ensaio e para recalque igual a 10% do
diâmetro da estaca (25 mm), a carga é 192 kN ou 92% da carga máxima de ensaio.
Dessa forma, observou-se que os recalques situam-se entre 5 mm e 25 mm para cargas
de 75% a 92% da carga máxima de ensaio.

162
Figura 5.17. Fator de segurança e recalque para o grupo de estacas SC1 NUM.

No subitem 5.1.4, apresentam-se os resultados comparativos entre o radier


estaqueado experimental (CC1 EXP), em comparação aos resultados obtidos pela
análise numérica para o radier estaqueado CC1 NUM.

5.1.4 Comparação entre CC1 EXP x CC1 NUM

Os resultados de curva carga x recalque, obtidos por análise numérica para o caso
analisado, tendem a resultar em deslocamentos mais acentuados em comparação aos
resultados experimentais. Isso porque o escorregamento do contato estaca x solo é
diferente entre o modelo numérico e o experimental. Nesse sentido, observa-se, na
Figura 5.18, que os resultados obtidos para o radier estaqueado CC1 NUM apresentaram
recalques mais acentuados do que o radier estaqueado experimental CC1 EXP.
Apesar da inflexão antecipada em termos de deslocamentos na curva do radier
estaqueado CC1 NUM, observa-se que até o 5º estágio (trecho próximo da carga de
trabalho), compreendido como trecho elástico linear, as diferenças de comportamento
são pequenas, podendo-se afirmar que possuem boa concordância em termos de
previsibilidade de comportamento. O mesmo não pode ser dito para o trecho
compreendido entre o 6º e 10º estágios de carregamento, em que o modelo numérico
mostra-se com deslocamento elevado quando comparado ao radier estaqueado CC1

163
EXP. Esse trecho pode ser entendido como de comportamento elastoplástico, ou seja,
as deformações ocorridas no maciço de solo são permanentes.

Figura 5.18. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC1 EXP x CC1 NUM.

As diferenças e as concordâncias de comportamento entre CC1 EXP e CC1 NUM


podem ser observadas na Figura 5.19. Nesta, verifica-se que somente no 1º estágio de
carregamento existe boa concordância entre as parcelas de ponta, atrito lateral e contato
radier solo. Observa-se que até o 4º estágio (100 kN - Qtrab) a participação de ponta
apresenta semelhança de comportamento entre o experimental e o numérico. Entretanto,
a partir do 5º estágio a parcela de ponta do CC1 NUM apresenta forte tendência de
crescimento, atingindo 11% de participação de ponta no estágio final, em comparação
aos 6% do CC1 EXP. Essa maior participação de ponta no CC1 NUM pode ser atribuída
à dificuldade de impor ao modelo numérico as condições de campo e do processo
executivo do tipo de estaca empregada.
As resistências por atrito lateral e contato radier solo divergem entre si desde o 2º
estágio de carregamento, conforme mostra a Figura 5.19. Nesta, verifica-se que no
estágio final as parcelas de resistência por atrito lateral e contato radier solo são
discrepantes em termos do radier estaqueado CC1 EXP, porém coerentes com o caso
do radier estaqueado analisado numericamente (CC1 NUM). Dessa forma, nota-se que

164
o desempenho do elemento de fundação necessita ser mais bem avaliado e
compreendido. A maior participação do contato radier solo e da ponta da estaca (Figura
5.19) para o grupo de estacas pode estar relacionada ao fato de que o modelo numérico
apresenta-se com recalques mais acentuados, o que pode favorecer o esgotamento do
atrito lateral e o aumento das demais parcelas de resistência (ponta e contato radier solo).

Figura 5.19. Distribuição de Carga entre CC1 EXP x CC1 NUM.

Na Figura 5.20, apresentam-se as curvas de transferência de carga para as


estacas dos radiers estaqueados CC1 EXP e CC1 NUM. Nesta, verifica-se que no 1º
estágio existe boa concordância de comportamento entre o modelo experimental e o
numérico. Tal evidência não pode ser constatada no 5º e 10º estágios de carregamento.
Ressalta-se que, mesmo diante das divergências encontradas, verifica-se que no
5º estágio a transferência de carga é mais influenciada no CC1 NUM nos primeiros 2 m
do comprimento da estaca. Após esse trecho apresenta boa concordância com os
resultados experimentais até a ponta da estaca. Para a carga máxima de ensaio (10º
estágio), o comportamento da transferência de carga do CC1 NUM recebe menos carga
em relação ao experimental (CC1 EXP) e, portanto, não apresenta boa concordância no
comportamento, apesar de não ser notada a elevada discrepância.

165
Figura 5.20. Transferência de carga na estaca dos radiers estaqueados CC1EXP e
CC1NUM.

A variação do fator de segurança (FS) revela como cada radier estaqueado, CC1
EXP e CC1 NUM, se comportou em função dos carregamentos efetuados. Na Figura
5.21, apresentam-se os resultados de FS para esses radiers estaqueados analisados e
o respectivo recalque para cada estágio de carregamento. Nela, é possível verificar como
os carregamentos influenciaram na redução do FS e na magnitude do recalque.

Figura 5.21. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC1 EXP x CC1
NUM.

166
Até o 7º estágio de carregamento, o radier estaqueado CC1 NUM apresentou valor
de FS superior ao observado no radier estaqueado CC1 EXP. No 8º e 9º estágios de
carregamento o radier estaqueado CC1 NUM apresentou o mesmo FS obtido no CC1
EXP e somente no estágio final o FSCC1 NUM < 1,0 e menor que o FSCC1 EXP (1,0),
evidenciado a extenuação dessa fundação quando da aplicação da carga máxima de
ensaio, conforme apresentado na Figura 5.21. Nesta, ressalta-se que a redução do FS
do radier estaqueado CC1 NUM é superior ou igual ao FS do radier estaqueado CC1
EXP, mesmo tendo apresentado deslocamentos superiores aos obtidos no radier
estaqueado CC1 EXP. Dessa forma, observa-se que não é adequado relacionar os
recalques acentuados a uma menor capacidade de carga e, consequentemente, a um
menor fator de segurança.
Mediante ao apresentado anteriormente, realizou-se a normalização dos
recalques dos radiers estaqueados CC1 EXP e CC1 NUM, comparando-os, então, ao
fator de segurança (Figura 5.22) e à carga, também normalizada (Figura 5.23).

Figura 5.22. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC1 EXP x CC1 NUM.

De acordo com a Figura 5.22, percebe-se que a redução do fator de segurança do


radier experimental (FSCC1 EXP) é abrupta e assintótica somente quando o fator de
segurança chega próximo de um (FS=1,0). Diferentemente do que ocorre com a curva

167
do radier numérico (FSCC1 NUM), que inicia uma tendência de convergência quando o
FSCC1 NUM é menor que 2,0.
Diante do exposto acima, nota-se que o radier estaqueado experimental CC1 EXP
tem o comportamento de FS influenciado quando o estágio de carga está próximo da
carga de ruptura. O radier estaqueado analisado numericamente (CC1 NUM) tem o FS
de segurança influenciado desde a carga para ½·Qrup (FSCC1 NUM = 2,0), igualando-se
ao comportamento do CC1 EXP somente no recalque normalizado igual a 7,5%.
O comportamento em termos de carga e recalque normalizados é apresentado na
Figura 5.23 e corrobora as análises efetuadas anteriormente, ou seja, somente a partir
do 5º estágio (0,5 da carga normalizada) inicia-se o processo de deslocamentos
(recalques) mais acentuados no radier estaqueado CC1 NUM. O modelo numérico desse
radier mostra-se limitado a simular o comportamento do radier experimental (CC1 EXP),
que evidencia uma curva menos susceptível aos carregamentos. Os deslocamentos do
radier estaqueado CC1 EXP tendem à convergência de “ruptura” a partir do 6º para o 7º
estágio.

Figura 5.23. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC1 EXP x CC1 NUM.

O radier estaqueado CC1 EXP apresenta carga de ruptura de 200 kN contra 184
kN do radier estaqueado CC1 NUM, ou seja, 8,7% maior. Verifica-se que a curva carga
168
x recalque normalizados do radier estaqueado CC1 NUM encontra-se mais abatida entre
0,5 e 1,0 da carga normalizada (Figura 5.23). Dessa forma, verifica-se uma menor
capacidade de carga do radier estaqueado CC1 NUM (Q normalizada = 0,89) para o
mesmo deslocamento imposto ao radier estaqueado CC1 EXP (Q normalizada = 0,96)
para 10% do diâmetro da estaca.
As análises realizadas até esse ponto demonstram as diferenças de
comportamento entre o radier estaqueado, o experimental (CC1 EXP) e o numérico (CC1
NUM). Entretanto, o entendimento da contribuição do contato radier solo é complexo,
demandando análises complementares que possam evidenciar quais as alterações de
comportamento e qual a capacidade de carga do radier estaqueado, caso este não
disponha do contato com o solo. Dessa forma, no subitem 5.1.5 será apresentado o caso
simulado numericamente para o radier estaqueado CC1 NUM, porém com a supressão
do contato com o solo, originando o grupo de estacas SC1 NUM. Esse radier transmite
diretamente às estacas a carga aplicada sobre ele.

5.1.5 Comparação entre CC1 NUM x SC1 NUM

Comparam-se, neste subitem, as análises numéricas entre o radier estaqueado


(CC1 NUM) e o grupo de estacas (SC1 NUM). Verifica-se, na Figura 5.24, o resultado da
simulação numérica dos radiers numéricos (CC1 NUM) e grupo de estacas (SC NUM)
em termos de curva carga x recalque. Nesta, observa-se que o grupo de estacas (SC1
NUM) resulta em uma curva com deslocamentos menores em relação ao radier
estaqueado (CC1 NUM).
De acordo com a Figura 5.24, ressalta-se que a presença do contato favorece o
aumento dos deslocamentos, semelhante às curvas carga x recalque para fundações
superficiais para o caso do radier estaqueado CC1 NUM. No caso do grupo de estacas
SC1 NUM, observa-se o comportamento de fundações profundas.
As curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC1 NUM e SC1 NUM
apresentam concordância entre o 1º e 5º estágios de carregamento, revelando a não
influência nesse aspecto do efeito de contato sobre o comportamento das fundações.
Entretanto, depois do 5º estágio, verifica-se, de acordo com a Figura 5.24, que a curva
169
carga x recalque do grupo de estacas SC1 NUM (sem contato) não apresenta
deslocamentos na mesma razão que aqueles observados na curva do radier estaqueado
CC1 NUM, ou seja, a ausência de contato radier solo permitiu ao grupo de estacas SC1
NUM aumentar a capacidade de carga entre o 6º e o 9º estágios de carregamento,
verificada pelos deslocamentos menores em relação ao radier estaqueado CC1 NUM.
Consequentemente, a “ruptura” do grupo de estacas SC1 NUM é mais abrupta em
relação ao obtido pelo radier estaqueado CC1 NUM.

Figura 5.24. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC1 NUM x SC1 NUM.

Como não há contato no caso do grupo de estacas SC1 NUM, toda a capacidade
de carga é proveniente do elemento de fundação profunda em estaca. A Figura 5.25
apresenta a distribuição das parcelas de resistência entre atrito lateral e ponta para o
grupo de estacas SC1 NUM e compara-se ao obtido pelo radier estaqueado (CC1 NUM).
Nela, observa-se que no caso do grupo de estacas (SC1 NUM) a mobilização do atrito
se dá do topo para a ponta, não sendo observados valores significativos de ponta nos
primeiros estágios. Até o 5º estágio registra-se participação da resistência de ponta
menor que 1%, chegando ao 10º estágio com apenas 5% para a ponta e 95% por atrito
lateral. No caso do radier estaqueado CC1 NUM, a presença do radier em contato com o
solo modifica a maneira como a resistência é mobilizada. Na Figura 5.25, verifica-se que

170
a parcela de ponta é de 1% logo no 1º estágio de carregamento e aumenta para 4% (5º
estágio), atingindo o valor máximo de 11% (10º estágio).
Como a resistência do elemento de fundação em estaca é maior no caso do grupo
de estacas (SC1 NUM), por fatores relativos a rigidez e resistência da estaca em relação
ao radier estaqueado (CC1 NUM), a participação por atrito lateral é maior no caso do
grupo de estacas SC1 NUM, ao passo que a resistência de ponta é mais expressiva para
o radier estaqueado (CC1 NUM). Tal fato pode ser atribuído à diferença de mobilização
da resistência da estaca ocorrer da ponta para o topo, no caso do radier estaqueado
(CC1 NUM), e do topo para a ponta, no caso do grupo de estacas (SC1 NUM). Assim,
como observado na literatura, o comportamento de radier estaqueado é marcado pela
mobilização da ponta para o topo da estaca, devido ao contato do radier solo.

Figura 5.25. Distribuição de carga entre CC1 NUM x SC1 NUM.

Em relação ao fator de segurança (FS), verifica-se, na Figura 5.26, pequena


diferença em relação à capacidade de carga demonstrada pela concordância dos fatores
de segurança obtidos para cada radier, em praticamente todos os estágios de
carregamento. Entretanto, ambos os radiers apresentaram FS < 1,0 para o estágio de
carregamento final, ou seja, nos dois casos os radier estaqueados (CC1 NUM e SC1

171
NUM) apresentaram carga de ruptura menor que a máxima, mesmo registrando-se que
a curva do grupo de estacas SC1 NUM possuía deslocamentos menos acentuados em
relação ao radier estaqueado CC1 NUM.
A situação apresentada no parágrafo anterior revela que em termos de capacidade
de suporte tem-se equiparação entre o radier estaqueado analisado numericamente
(CC1 NUM) e o grupo de estacas (SC1 NUM). No entanto, o fator diferenciador entre a
presença do contato radier solo ou a sua ausência, está diretamente relacionado ao fato
desse efeito de contato propiciar a ocorrência de deslocamentos (recalques) mais
acentuados, provavelmente relacionados ao comportamento que o elemento de fundação
superficial impõe ao conjunto radier estaqueado (fundação superficial + fundação
profunda).

Figura 5.26. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC1 NUM x SC1
NUM.

De acordo com as análises apresentadas anteriormente, realizou-se a


normalização dos recalques dos radiers estaqueados CC1 NUM e SC1 NUM,
comparando-se estes ao fator de segurança (Figura 5.27) e à carga normalizada (Figura
5.28).
Na Figura 5.27, percebe-se que a redução do fator de segurança para o grupo de
estacas (FSSC1 NUM) apresenta convergência assintótica quando o fator de segurança
chega próximo a 1,5. Diferentemente do que ocorre com a curva do radier numérico
172
(FSCC1 NUM), que inicia uma tendência de convergência discreta quando o FSCC1 NUM é
menor que 2,0. Dessa forma, verifica-se que os deslocamentos são visivelmente mais
acentuados no caso do radier estaqueado (CC1 NUM), em relação ao grupo de estacas
(SC1 NUM). O radier estaqueado CC1 NUM iguala-se ao comportamento do SC1 NUM
somente quando o recalque normalizado (w/B) é igual a 7,5%.

Figura 5.27. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC1 NUM x SC1 NUM.

Figura 5.28. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC1 NUM x SC1 NUM.

173
O comportamento em termos de carga e recalque normalizados é apresentado na
Figura 5.28 e corrobora as análises efetuadas anteriormente, ou seja, o grupo de estacas
SC1 NUM apresenta a tendência de suportar cargas mais elevadas (entre estágios)
mantendo os deslocamentos abaixo de 5% (0,85 da carga normalizada). A partir desse
ponto, os deslocamentos ficam mais acentuados para esse radier, porém permanecem
inferiores aos observados no radier estaqueado CC1 NUM.
A análise numérica entre os radiers estaqueados CC1 NUM e SC1 NUM mostra-
se interessante na separação das parcelas de resistência e da mudança de
comportamento, devido ao efeito do contato em radiers estaqueados.
O grupo de estacas SC1 NUM apresenta carga de ruptura de 192 kN, contra 184
kN do radier estaqueado CC1 NUM, ou seja, 4,3% maior. Tal fato pode ser atribuído ao
efeito causado pelo contato radier solo, que pode ter agido alterando o equilíbrio do
estado de tensões (𝜎𝑣′ e 𝜎ℎ′ ) nos primeiros metros do fuste da estaca, próximo ao topo da
estaca. Paralelamente, pode ter provocado a perda de resistência por atrito lateral,
levando ao seu esgotamento (Figura 5.9 e 5.10) e ocasionando uma mobilização
prematura da ponta nos primeiros estágios de carregamento.

174
5.2 Radier Estaqueado Composto de 2 estacas

Neste subitem são apresentados e discutidos os resultados obtidos para o radier


estaqueado CC2 EXP, por meio da realização de prova de carga e da instrumentação, e
também os resultados das análises numéricas dos radiers estaqueados (CC2 NUM) e
grupo de estacas (SC2 NUM). As situações de análise foram divididas em dois casos:
radiers estaqueados CC2 EXP x CC2 NUM e os radiers estaqueados CC2 NUM x SC2
NUM, objetivando obter um melhor entendimento do comportamento desse tipo de
fundação, além do entendimento do funcionamento e da contribuição do contato à
capacidade suporte dessas fundações analisadas.

5.2.1 Radier Estaqueado CC2 EXP

Apresenta-se, na Figura 5.29, a curva carga x recalque, obtida por meio da


realização de prova de carga no radier estaqueado CC2 EXP. Nela, verifica-se que a
carga máxima de ensaio foi de 405 kN, com recalque máximo de 49,61 mm e de 1,26
mm para metade da carga máxima de ensaio (202,5 kN).
A carga de ruptura geotécnica do radier estaqueado CC2 EXP foi convencionada
para um deslocamento correspondente a 10% do diâmetro da estaca, ou seja, a carga
de ruptura para o radier estaqueado CC2 EXP equivale a 371 kN (Figura 5.29). Esse
valor é 8,5% menor em relação à carga máxima de ensaio, e a carga para ½·Qrup
(½·Qrup) é de 185 kN, para um recalque de 0,81 mm.
A transferência de carga ao longo do comprimento da estaca sob o radier
estaqueado CC2 EXP é apresentada na Figura 5.30. Verifica-se que a mobilização do
atrito lateral das estacas ocorre durante os estágios de carregamento e observa-se a
pequena participação da resistência ponta, desde o carregamento inicial, conforme
mostram as Figuras 5.30 e 5.31. Nestas, verifica-se que não há esgotamento do atrito
lateral durante os diversos estágios de carregamento, entretanto verificou-se mobilização
da resistência de ponta ao longo desses estágios.

175
Figura 5.29. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC2 EXP.

Figura 5.30. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC2 EXP.

As parcelas de distribuição das resistências entre os elementos de fundação


(superficial e profunda) que compõem o radier estaqueado podem ser verificadas na

176
Figura 5.31, do 1º ao 9º estágio de carregamento (final). Em tal figura, observa-se que no
1º estágio a carga é transferida pelo elemento de fundação profunda (atrito lateral e
ponta) e pelo contato radier solo, registrando-se as participações de 51,6% (48%+3,6%)
e 48,4%, respectivamente. Tal fato pode ser atribuído à existência de uma maior área de
contato disponível, no caso do radier estaqueado CC2 EXP, e possivelmente devido a
sua geometria (retangular), que pode influenciar no comportamento. Diante desse
cenário, nota-se que até o 4º estágio de carregamento a carga transferida em função do
contato do radier solo aumenta, chegando a atingir o valor máximo de 54,6% de
participação na capacidade de carga do radier estaqueado. A partir 5º estágio de
carregamento, o atrito lateral se torna crescente (Figura 5.30) e a participação de ponta
constante em aproximadamente 3% (Figura 5.31). No estágio de carregamento final
(carga máxima), os elementos de fundação profunda (estacas) respondem por 73% da
carga aplicada ao radier estaqueado CC2 EXP, com participação de 68% por atrito lateral
e 5% de ponta, contra uma participação do contato radier solo de 27%.

Figura 5.31. Distribuição de carga no radier estaqueado CC2 EXP.

Conforme observado na Figura 5.31, verifica-se que a participação do contato do


radier resulta em uma tensão aplicada ao solo. Nesse aspecto, a carga absorvida pelo

177
contato radier solo (111 kN - último estágio), dividida pela área líquida de contato,
(1,01m²) resulta em uma tensão de 110 kPa para análise no capítulo 6.
Analisando-se sob o aspecto de projeto, verifica-se a redução do fator de
segurança em função dos carregamentos efetuados e em relação à carga convencionada
como de ruptura para o radier estaqueado CC2 EXP (371 kN), resultando no gráfico da
Figura 5.32. Nesta, verifica-se que para metade da carga de ruptura (½·Qrup = 185 kN) o
fator de segurança é igual a 2 e a curva carga x recalque encontra-se no trecho elástico
linear. Os recalques tendem a aumentar para fatores de segurança menores que 1,6 (5º
estágio), constatando-se, no 9º estágio (360 kN), que o carregamento aplicado
representa 97% da carga de ruptura e o fator de segurança é igual a 1,0, correspondente
a um recalque de 17,46 mm (Figura 5.31 e 5.32). No 10º estágio (405 kN), observa-se
que FS < 1,0 e, consequentemente, tem-se a extenuação da fundação para esse
carregamento.

Figura 5.32. Variação do fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC2
EXP.

O atrito lateral da estaca apresenta mobilização do 1º ao 10º estágio de


carregamento, de acordo com o observado na Figura 5.30. Dessa forma, o fator de
segurança obtido a partir do 7º estágio pode ser atribuído principalmente à resistência

178
por atrito lateral residual (79%) e do contato radier solo (15%), somado a uma pequena
participação da resistência de ponta da estaca (6%).

No item 5.2.2, exposto a seguir, apresentam-se os resultados obtidos para o radier


estaqueado CC2 NUM, ou seja, analisado numericamente para as mesmas condições
geométricas (radier e estaca) e de carregamentos submetidos, no caso do radier
experimental CC2 EXP.

5.2.2 Radier Estaqueado CC2 NUM

Neste subitem, apresentam-se os resultados das análises numéricas para o radier


estaqueado CC2 NUM, que permitiram obter resultados de tensão-deformação, curva
carga x recalque e curva de transferência de carga para a estaca.
Na Figura 5.33, verificam-se os resultados obtidos após o processamento da
análise numérica para o radier estaqueado CC2 NUM, e os deslocamentos provocados
devido à carga aplicada no 1º, 5º e 10º estágios de carregamento são de 0,34 mm, 2,11
mm e 46,74 mm, respectivamente.
O efeito de compressão, devido aos carregamentos sobre o radier estaqueado
CC2 NUM, é apresentado na Figura 5.34. Nesta, verifica-se que a tensão máxima de
compressão ocorre no topo da estaca, resultando em 594 kPa (1º estágio), 2919 kPa (5º
estágio) e 6117 kPa (10º estágio).
Conforme indicado na Figura 5.34 (10º estágio), nota-se que as tensões de
compressão espalham-se no topo da estaca e o solo sob a base do radier, apesar de a
estaca ser o elemento mais rígido em relação ao solo. Verifica-se que o solo sob a base
do radier recebe carga desde o 1º estágio de carregamento, tornando-se mais definida
no 5º e 10º estágios de carga, possivelmente devido à maior área líquida de contato
disponível para esse radier.

179
Figura 5.33. Deslocamentos no radier estaqueado CC2 NUM por estágios de carga.

Analisando-se em termos de carga x recalque a Figura 5.33 e 5.34, obtém-se, para


os estágios de carregamento, os valores médios de 29 kN (594 kPa), 143 kN (2919 kPa)
e 300 kN (6117 kPa). Dessa forma, verifica-se que a carga aplicada no topo da estaca
era de 71,6% no 1º estágio, passando para 70,6% no 5º estágio e 74% no carregamento
final em relação à carga máxima de ensaio no respectivo estágio, ou seja, em termos
médios permanece inalterada a participação da estaca quando da aplicação dos estágios
de carregamento.

180
Figura 5.34. Compressão no radier estaqueado CC2 NUM por estágios de carga.

Ressalta-se que, conforme indicado na Figura 5.34, os deslocamentos


concentram-se mais intensos na região da biela de compressão e no topo da estaca,
sendo no 1º e 5º estágios (região interna, conforme indicado), e no 10º estágio (região
externa, conforme indicado). Verifica-se que há dois movimentos distintos quando da
aplicação dos primeiros estágios, em que não há deslocamentos significativos até o 5º
estágio, e, posteriormente, em que ocorrem deslocamentos mais intensos e voltados à
região externa no topo da estaca, possivelmente provocados pelo esforço horizontal
(componente de força). Diante do exposto pelas análises numéricas no radier estaqueado

181
CC2 NUM, verifica-se os esforços internos como consequência do engastamento
realizado no radier experimental CC2 EXP.
A partir da análise numérica foi possível obter a curva carga x recalque para o
radier estaqueado CC2 NUM. Na Figura 5.35, a carga máxima de ensaio imposto foi de
405 kN (carga de ensaio do radier estaqueado CC2 EXP) e o recalque máximo foi de
46,711 mm. A carga de ruptura convencionada para um deslocamento de 10% do
diâmetro nominal da estaca (25 mm), resulta em 351 kN e, consequentemente, em uma
carga de trabalho de 175 kN, correspondendo a um recalque de 1,64 mm.

Figura 5.35. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC2 NUM.

A transferência de carga ao longo do comprimento da estaca do radier estaqueado


CC2 NUM é apresentada na Figura 5.36. Nesta, verifica-se que a mobilização do atrito
lateral da estaca ocorre do 1º ao 10º estágio de carregamento, com a participação
crescente da resistência de ponta ao longo desses estágios. O esgotamento do atrito
lateral é verificado, diferentemente do caso do radier experimental (CC2 EXP). A
mobilização da resistência de ponta registra seu valor máximo de participação na
capacidade do radier estaqueado CC2 NUM no 10º estágio de carregamento,
correspondendo a 11% da carga total aplicada.

182
Figura 5.36. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC2 NUM.

A distribuição de carga entre o elemento de fundação superficial (radier) e


profunda (estacas) é apresentada na Figura 5.37. Nesta, verifica-se que no 1º estágio de
carregamento as estacas respondem por 99% da carga aplicada ao radier estaqueado,
comparada a 1%, relativo ao contato radier solo. Do 1º ao 10º estágio de carregamento,
a participação da estaca (atrito lateral e ponta) decresce gradativamente,
concomitantemente ao crescimento da mobilização da resistência, devido ao contato
radier solo. Registra-se, no 5º estágio de carregamento, uma distribuição de carga de
78% (73% + 5%), relativa ao desempenho da estaca (atrito lateral e ponta); e 22% da
carga é absorvida pelo contato radier solo. No carregamento final tem-se que a estaca
responde pela participação de 64%, sendo 53% atrito lateral e 11% ponta, contra 36%
devido ao contato radier solo.
A carga absorvida pelo contato radier solo (146 kN), dividida pela área líquida de
contato (1,01m²), resulta em uma tensão de 145 kPa.
A maior participação do contato radier solo e da ponta da estaca (Figura 5.37) em
relação ao radier estaqueado de uma estaca, pode estar relacionada ao fato de que o
modelo numérico apresenta-se com recalques mais acentuados, em virtude da diferença
do escorregamento de contato entre o modelo numérico e o experimental. Por outro lado,

183
observa-se, no radier estaqueado CC2 NUM, uma maior participação de ponta e contato
radier solo, mesmo não sendo observado o esgotamento do atrito lateral. Dessa forma,
o sistema apresenta menor solicitação para as estacas e, conforme pode-se constatar na
Figura 5.38, o fator de segurança para o carregamento máximo é menor que 1,0 (FS<1,0).

Figura 5.37. Distribuição de carga no radier estaqueado CC2 NUM.

Figura 5.38. Fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC2 NUM.

184
Verifica-se que o fator de segurança reduz-se para valores menores que 1,4, a
partir do 6º estágio (60% da carga máxima ou 69% da carga de ruptura), possivelmente
justificado pelo aumento dos recalques que nesse estágio passam dos 5 mm (Figuras
5.37 e 5.38).

Para avaliar o efeito de contato e a sua contribuição para a capacidade de carga


total, analisou-se numericamente o grupo de estacas SC2 NUM, idêntico ao radier
estaqueado CC2 NUM, porém sem contato da base do radier com o solo. Dessa forma,
apresenta-se, no item 5.2.3, as análises resultantes do grupo de estacas SC2 NUM. O
contato foi suprimido do modelo numérico e a carga foi aplicada sobre o bloco e
consequentemente transmitida ao topo das estacas.

5.2.3 Grupo de estacas SC2 NUM

Os resultados das análises numéricas para o grupo de estacas SC2 NUM


permitiram obter resultados tensão x deformação e curva carga x recalque do grupo de
estacas. Observa-se, na Figura 5.39, os resultados obtidos após o processamento da
análise numérica para o grupo de estacas SC2 NUM e os deslocamentos provocados
devido à carga aplicada no 1º, 5º e 10º estágios de carregamento.
Os deslocamentos máximos obtidos foram de 0,41 mm, 2,03 mm e 47,33 mm para
o 1º, 5º e 10º estágios de carregamento, respectivamente.
Nas análises apresentadas nas Figuras 5.39 e 5.40, verifica-se que não houve
formação de concentração de tensões na região do topo da estaca, devido à base do
radier. Isso porque o seu efeito foi suprimido devido à ausência do contato radier solo.
O efeito de compressão, devido aos carregamentos sobre o grupo de estacas SC2
NUM, é apresentado na Figura 5.40. Nesta, verifica-se que a tensão máxima de
compressão ocorre ao longo do comprimento da estaca, variando de 432 kPa (1º
estágio), 2109 kPa (5º estágio) a 4176 kPa (10º estágio).
Conforme indicado na Figura 5.40 (10º estágio), nota-se que as tensões de
compressão diminuem ao longo do comprimento da estaca (topo para a ponta), que é o
elemento mais rígido em comparação ao solo; e não há nenhum elemento conectado ao
185
topo impedindo o seu deslocamento e/ou aumentando as tensões de confinamento (𝜎𝑣′ e
𝜎ℎ′ ) nos primeiros metros do fuste da estaca.

Figura 5.39. Deslocamentos no grupo de estacas SC2 NUM por estágios de carga.

Destaca-se que os deslocamentos possuem pequena abrangência radial,


conforme se verifica na Figura 5.39 (10º estágio). A influência dos deslocamentos cessa
até um raio de 261 mm, comparando-se ao raio original relativo ao diâmetro nominal da
estaca, de 125 mm, conforme Apêndice F. A carga aplicada sobre o grupo de estacas
SC2 NUM intensifica a participação por atrito lateral, com o aumento das tensões do 5º

186
estágio para o 10º estágio. Entretanto, a participação da ponta é mais intensa somente
para o 10º estágio, conforme se verifica no 10º estágio da Figura 5.40.

Figura 5.40. Compressão no grupo de estacas SC2 NUM por estágios de carga.

Como resultado das análises numéricas do grupo de estacas SC2 NUM obteve-se
a curva carga x recalque, apresentada na Figura 5.41. Nesta, verifica-se que a carga
máxima de ensaio foi de 405 kN (carga de ensaio do radier estaqueado CC2 NUM) e
recalque máximo de 47,32 mm.

187
A carga de ruptura, para um deslocamento de 10% do diâmetro nominal da estaca
(25 mm), resulta em 365 kN e, em consequência disso, remete a uma carga de trabalho
de 182 kN, correspondendo a um recalque de 1,81 mm (Figura 5.41).

Figura 5.41. Curva carga x recalque do grupo de estacas SC2 NUM.

Na Figura 5.42, apresentam-se as curvas de transferência de carga ao longo do


comprimento da estaca do grupo de estacas SC2 NUM. Nela, verifica-se que a
mobilização do atrito lateral da estaca ocorre em todos os estágios de carregamento, ao
mesmo tempo em que se observa uma participação de 4,3% da resistência de ponta até
o 6º estágio (60% da carga máxima de ensaio). A saturação do atrito lateral não é
observada nesse caso, assim como observado no radier estaqueado CC2 NUM.
A distribuição de carga para o grupo de estacas SC2 NUM acontece somente no
elemento de fundação profunda (estaca), nas parcelas de atrito lateral e na resistência
de ponta (Figura 5.43). Nesta, verifica-se que a resistência é predominantemente
mobilizada por atrito lateral em todos os estágios, entretanto observa-se, no 5º estágio,
participação de 95,7% relativa às estacas, com participação de 4,3% da resistência de
ponta. A partir do 6º estágio, nota-se um aumento da parcela de resistência de ponta,
partindo de 0,6% (1º estágio), 3,0% (5º estágio), atingindo 11,8% (10º estágio), frente à
participação de 88,2% do atrito lateral.

188
Figura 5.42. Transferência de carga média na estaca do grupo de estacas SC2 NUM.

Figura 5.43. Distribuição de carga no grupo de estacas SC2 NUM.

Apresenta-se, na Figura 5.44, a variação do fator de segurança (FS) para todos os


estágios de carregamento. Nessa figura, verifica-se que até o 6º estágio tem-se um fator
de segurança maior ou igual a 1,5. Entretanto, a partir desse estágio o fator de segurança

189
se reduz sensivelmente até FS igual 1,0, no 9º estágio de carga (365 kN), atingindo seu
menor valor no 10º estágio, em que FS<1,0.

Figura 5.44. Fator de segurança e recalque para o grupo de estacas SC2 NUM.

No subitem 5.2.4, apresentam-se os resultados comparativos entre o radier


estaqueado experimental (CC2 EXP) e o radier estaqueado CC2 NUM, cujos resultados
foram obtidos pela análise numérica.

5.2.4 Comparação entre CC2 EXP x CC2 NUM

Os resultados de curva carga x recalque, obtidos por análise numérica, tendem a


resultar em deslocamentos mais acentuados em comparação aos resultados
experimentais. Nesse sentido, observa-se, na Figura 5.45, que os resultados obtidos para
o radier estaqueado CC2 NUM obedecem a essa tendência de apresentar recalques mais
acentuados do que o radier estaqueado experimental CC2 EXP.

Apesar da “queda” antecipada em termos de deslocamentos na curva do radier


estaqueado CC2 NUM, observa-se que até o 5º estágio, compreendido como trecho
elástico linear, as diferenças de comportamento são pequenas, podendo-se afirmar que
possuem boa concordância em termos de previsibilidade de comportamento. O mesmo
não pode ser dito para o trecho sequencial do 6º estágio até o carregamento final dos

190
radiers estaqueados, em que o modelo numérico mostra-se com deslocamento elevado
quando comparado ao radier estaqueado CC2 EXP. Esse trecho pode ser entendido
como de comportamento elastoplástico, ou seja, as deformações ocorridas no maciço de
solo são permanentes.

Figura 5.45. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC2 EXP x CC2 NUM.

As diferenças e as concordâncias de comportamento entre CC2 EXP e CC2 NUM


podem ser observadas na Figura 5.46. Nesta, verifica-se que não há concordância de
comportamento até o 6º estágio de carregamento, porém, a partir do 7º estágio, verifica-
se uma melhor concordância entre as parcelas de atrito lateral e contato radier solo.
Observa-se, na Figura 5.46, que a participação de ponta apresenta-se praticamente
constante ao longo de todos os carregamentos, respondendo por 3% da carga total
aplicada no topo do radier estaqueado. No carregamento máximo, essa participação de
ponta é de 4,5%.
No caso do radier analisado numericamente (CC2 NUM), observa-se
comportamento divergente em relação ao CC2 EXP, ou seja, verifica-se que a
mobilização da resistência de ponta é crescente ao longo dos estágios de carregamento,
partindo de 2% e chegando a 11% no carregamento final. Essa diferença de
comportamento, com maior participação de ponta no CC2 NUM, pode ser atribuída à

191
dificuldade de impor ao modelo numérico as condições de campo e ao processo
executivo do tipo de estaca empregada.
As resistências por atrito lateral e contato radier solo divergem entre si, desde o 1º
estágio de carregamento, conforme mostra a Figura 5.46. Nesta, verifica-se que no
estágio final as parcelas de resistência por atrito lateral e contato radier solo respondem,
respectivamente, por 68% e 27% (CC2 EXP), contra 53% e 36% (CC2 NUM). Verifica-
se, portanto, a existência de uma divergência significativa entre esses radiers.

Figura 5.46. Distribuição de Carga entre CC2 EXP x CC2 NUM.

Na Figura 5.47, apresentam-se as curvas de transferência de carga média das


estacas em profundidade para os radiers estaqueados CC2 EXP e CC2 NUM. Nessa
figura, verifica-se que no 1º estágio existe muito boa concordância de comportamento
entre o modelo experimental e o numérico. Tal evidência não pode ser constatada no 5º
e 10º estágios de carregamento.
Ressalta-se que, mesmo diante das divergências encontradas, verifica-se que no
5º estágio a transferência de carga é mais discrepante no topo da estaca logo abaixo do
radier estaqueado CC2 NUM, em relação ao radier estaqueado CC2 EXP. Entretanto, a
carga observada no topo da estaca, para o 10º estágio, encontra-se próxima à carga do

192
radier estaqueado CC2 EXP. Essas divergências no topo da estaca estão potencialmente
relacionadas à forma como a mobilização do atrito lateral e a resistência de ponta são
diferentemente influenciadas nos radiers estaqueados CC2 EXP e CC2 NUM, devido à
influência do efeito de contato radier solo.

Figura 5.47. Transferência de carga na estaca dos radiers estaqueados CC2EXP e


CC2NUM.

A variação do fator de segurança (FS) revela como cada radier estaqueado, CC2
EXP e CC2 NUM, se comportou em função dos carregamentos efetuados. Na Figura
5.48, apresentam-se os resultados de FS para esses radiers estaqueados analisados e
o respectivo recalque para cada estágio de carregamento. Nela, é possível verificar como
os carregamentos influenciaram na redução do FS e na magnitude do recalque.
Até o 5º estágio de carregamento, o radier estaqueado CC2 NUM apresentou valor
de FS superior ao observado no radier estaqueado CC2 EXP. No 6º, 7º e 8º estágios de
carregamento, o radier estaqueado CC2 NUM apresentou FS menor que o observado no
radier estaqueado CC2 EXP, igualando-se somente nos 9º e 10º estágios de
carregamento. Ressalta-se que no 9º estágio o FSCC2 NUM é igual ao FSCC2 EXP, ou seja,
igual a 1,0. No 10º estágio de carregamento, esses fatores de segurança ainda são
iguais, no entanto menores que um (FSCC2 NUM; CC2 EXP = 0,9 < 1,0), evidenciado a

193
extenuação dessa fundação quando da aplicação da carga máxima de ensaio, conforme
apresentado na Figura 5.48. Nesta, ressalta-se que até o 5º estágio a redução do FS do
radier estaqueado CC2 NUM é menor ao FS do radier estaqueado CC2 EXP, mesmo
tendo apresentado deslocamentos ligeiramente superiores aos obtidos no radier
estaqueado CC2 EXP. Entretanto, a partir do 6º estágio os deslocamentos são mais
expressivos para o radier estaqueado CC2 NUM, em relação ao CC2 EXP, justificando-
se a inversão de FS, em que os fatores de segurança do CC2 EXP passam a ser
superiores ao radier estaqueado CC2 NUM até FS = 1,0.

Figura 5.48. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC2 EXP x CC2
NUM.

De acordo com o parágrafo acima, tal fato pode estar relacionado à influência do
contato radier solo, diferenciando o comportamento entre o radier estaqueado (CC2 EXP)
e o modelo numérico (CC2 NUM), pela maneira como ocorre o escorregamento do
elemento de fundação com o solo.
Diante do exposto no parágrafo anterior, visando melhor analisar os radiers
estaqueados CC2 NUM e CC2 EXP em termos de recalque, serão apresentadas, nas
Figuras 5.49 e 5.50, análises efetuadas a partir da normalização dos recalques (em
relação a largura B do radier em planta) com o fator de segurança e a carga normalizada
(carga dos estágios em relação à carga do último estágio).

194
Mediante ao apresentado anteriormente, realizou-se a normalização dos
recalques dos radiers estaqueados CC2 EXP e CC2 NUM, comparando-os aos seus
respectivos valores de FS (Figura 5.49) e à carga normalizada (Figura 5.50).

Figura 5.49. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC2 EXP x CC2 NUM.

De acordo com a Figura 5.49, percebe-se que a redução do fator de segurança


para o radier experimental (FSCC2 EXP) inicia o processo de convergência assintótica
quando reduz aos valores de FS 1,6). No caso do radier estaqueado CC2 NUM,
observa-se que ocorre convergência assintótica quando FSCC2 NUM é menor que 1,6. Ou
seja, nota-se uma concordância em termos de comportamento da redução do fator de
segurança (FS), com o recalque normalizado para os radiers estaqueados CC2 EXP e
CC2 NUM. As curvas apresentadas na Figura 5.49 apresentam-se praticamente
sobrepostas.
Diante do exposto acima, nota-se que o radier estaqueado experimental CC2 EXP
tem o comportamento do FS influenciado quando o estágio de carga ainda está próximo
à ½ da carga de ruptura. O radier estaqueado analisado numericamente (CC2 NUM) tem
o FS de segurança influenciado desde a carga para ½·Qrup (FSCC2 NUM = 2,0), igualando-
se ao comportamento do CC2 EXP e recalque normalizado igual a 7,5%. Dessa forma,
nota-se uma coerência no comportamento entre os dois radiers estaqueados (CC2 EXP
e CC2 NUM).
195
O comportamento em termos de carga e recalque normalizados é apresentado na
Figura 5.50 e corrobora as análises efetuadas anteriormente, ou seja, somente a partir
do 5º estágio (0,5 da carga normalizada) inicia-se o processo de deslocamentos
(recalques) mais acentuados no radier estaqueado CC2 NUM. O modelo numérico desse
radier mostra-se limitado a simular o comportamento do radier experimental (CC2 EXP),
que evidencia uma curva menos susceptível aos carregamentos em termos de recalque.
Os deslocamentos do radier estaqueado CC2 EXP tendem à convergência de “ruptura”,
do 5º para o 6º estágio.

Figura 5.50. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC2 EXP x CC2 NUM.

O radier estaqueado CC2 EXP apresenta carga de ruptura de 371 kN, contra 351
kN do radier estaqueado CC2 NUM, ou seja, 5,6% maior. Verifica-se que a curva carga
x recalque normalizado do radier estaqueado CC2 NUM encontra-se mais abatida entre
0,5 e 1,0 da carga normalizada (Figura 5.50). Dessa forma, verifica-se menor capacidade
de carga do radier estaqueado CC2 NUM para o mesmo deslocamento imposto ao radier
estaqueado CC2 EXP (10% do diâmetro da estaca).
As análises realizadas até este ponto demonstram as diferenças de
comportamento entre o radier estaqueado, o experimental (CC2 EXP) e o numérico (CC2
NUM). O entendimento da contribuição do contato radier solo é complexo, demandando
análises complementares que possam evidenciar quais as alterações de comportamento
196
e qual a capacidade de carga do radier estaqueado, caso este não disponha do contato
com o solo. Dessa forma, no subitem 5.2.5, será apresentado o caso simulado
numericamente para o radier estaqueado CC2 NUM, porém com a supressão do contato
com o solo, originando o grupo de estacas SC2 NUM. Esse radier transmite a carga
aplicada sobre ele diretamente às estacas.

5.2.5 Comparação entre CC2 NUM x SC2 NUM

Comparam-se, neste subitem, as análises numéricas entre o radier estaqueado


(CC2 NUM) e o grupo de estacas (SC2 NUM). Verifica-se, na Figura 5.51, o resultado da
simulação numérica dos radiers numéricos (CC2 NUM) e grupo de estacas (SC2 NUM),
em termos de curva carga x recalque. Em tal figura, observa-se que o grupo de estacas
(SC2 NUM) resulta em uma curva com deslocamentos menores em relação ao radier
estaqueado (CC2 NUM).
De acordo com a Figura 5.51, verifica-se, no caso do radier estaqueado CC2 NUM,
que a presença do contato favorece o aumento dos deslocamentos, semelhante às
curvas carga x recalque para fundações superficiais. No caso do grupo de estacas SC2
NUM, observa-se o comportamento de fundações profundas, como, por exemplo, o grupo
de estacas.
As curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC2 NUM e SC2 NUM
apresentam concordância entre o 1º e 5º estágios de carregamento, revelando que não
há influência nesse aspecto do efeito de contato sobre o comportamento das fundações
em termos de capacidade de carga e recalque. Entretanto, a partir do 6º estágio, verifica-
se, de acordo com a Figura 5.51, que a curva carga x recalque do grupo de estacas SC2
NUM (sem contato) não apresenta deslocamentos (recalques) na mesma razão que
aqueles observados na curva do radier estaqueado CC2 NUM, ou seja, a ausência de
contato radier solo permitiu ao grupo de estacas SC2 NUM aumentar a capacidade de
carga entre o 6º e 9º estágios de carregamento, evidenciado pelos deslocamentos
menores em relação ao radier estaqueado CC2 NUM. Consequentemente, a “ruptura” do
grupo de estacas SC2 NUM é mais abrupta em relação à curva obtida pelo radier
estaqueado CC2 NUM, pois ele é composto somente por estacas.
197
Figura 5.51. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC2 NUM x SC2 NUM.

Como não há contato no caso do grupo de estacas SC2 NUM, toda a capacidade
de carga é proveniente do elemento de fundação profunda em estaca. A Figura 5.52
apresenta a distribuição das parcelas de resistência entre atrito lateral e ponta para o
grupo de estacas SC2 NUM e compara-se ao obtido no caso do radier estaqueado (CC2
NUM). Nessa figura, observa-se que no caso do grupo de estacas (SC2 NUM) a
mobilização do atrito se dá do topo para a ponta (Figura 5.46), com participação de 3%
da resistência de ponta até o 5º estágio de carregamento. No 10º estágio tem-se uma
participação expressiva da parcela de ponta, respondendo por 12%, contra 88% relativo
à resistência por atrito lateral. No caso do radier estaqueado CC2 NUM, a presença do
radier em contato com o solo modifica a maneira como a resistência é mobilizada. Na
Figura 5.52, verifica-se que a parcela de ponta é de 1% no 1º estágio de carregamento e
aumenta para 4% (5º estágio), atingindo o valor máximo de 11% (10º estágio).

A participação pela resistência do elemento de fundação em estaca é maior no


caso do grupo de estacas (SC2 NUM), comparado ao obtido no caso do radier
estaqueado (CC2 NUM). Dessa forma, verifica-se que a participação por atrito lateral é

198
maior no grupo de estacas SC2 NUM, ao passo que a resistência de ponta é mais
expressiva para o radier estaqueado (CC2 NUM). Tal fato pode ser atribuído à diferença
de esgotamento da resistência da estaca, que ocorre da ponta para o topo, no caso do
radier estaqueado, (CC2 NUM) e do topo para a ponta, no caso do grupo de estacas
(SC2 NUM). Confirma-se, portanto, que a ausência de um componente superficial
combinado ao elemento de fundação profunda modifica a forma como a mobilização do
atrito lateral e da resistência de ponta se comportam.

Figura 5.52. Distribuição de carga entre CC2 NUM x SC2 NUM.

Em relação ao fator de segurança (FS), verifica-se, na Figura 5.53, que os fatores


de segurança obtidos para o grupo de estacas (SC2 NUM) apresentam FSSC2 NUM maior
em relação ao FSCC2 NUM, até o 7º estágio de carregamento. Esses fatores de segurança
igualam-se no 8º e 9º estágios de carregamento, resultando em FSCC2 NUM; SC2 NUM = 1,0
no 9º estágio de carregamento. Dessa forma, verifica-se que ambos os radiers
apresentaram FS < 1,0 para o estágio de carregamento final, ou seja, nos dois casos os
radier estaqueados (CC2 NUM e SC2 NUM) apresentaram carga de ruptura menor que
a máxima, mesmo registrando-se que a curva do radier estaqueado CC2 NUM possui
deslocamentos mais acentuados em relação ao grupo de estacas SC2 NUM.

199
A situação acima revela que, em termos de capacidade suporte, tem-se uma
equiparação entre o radier estaqueado analisado numericamente (CC2 NUM) e o grupo
de estacas (SC2 NUM). No entanto, destaca-se que a presença do contato radier solo
está diretamente relacionada ao fato desse efeito de contato propiciar a ocorrência de
deslocamentos (recalques) mais acentuados, provavelmente relacionados ao
comportamento que o elemento de fundação superficial impõe ao conjunto radier
estaqueado (fundação superficial + fundação profunda).

Figura 5.53. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC2 NUM x SC2
NUM.

De acordo com as análises apresentadas anteriormente, realizou-se a


normalização dos recalques dos radiers estaqueados CC2 NUM e SC2 NUM,
comparando-se estes ao fator de segurança (Figura 5.54) e à carga normalizada (Figura
5.55).
De acordo com a Figura 5.54, percebe-se que a redução do fator de segurança
para o grupo de estacas (FSSC2 NUM) apresenta convergência assintótica quando o fator
de segurança chega próximo a 1,3. Diferentemente do que ocorre com a curva do radier
numérico (FSCC2 NUM), que inicia uma tendência de convergência discreta quando o FSCC2
NUM é menor que 1,7. Dessa forma, verifica-se que os deslocamentos são mais
200
acentuados no caso do radier estaqueado (CC2 NUM) em relação ao grupo de estacas
(SC2 NUM).
Diante do exposto acima, nota-se que o radier estaqueado experimental SC2 NUM
tem o comportamento de FS influenciado quando o estágio de carga está próximo a 1,3
da carga de trabalho. O radier estaqueado analisado numericamente (CC2 NUM) tem o
FS de segurança influenciado a partir de FSCC2 NUM  1,7, igualando-se ao comportamento
do SC2 NUM quando o recalque normalizado (w/D) é igual a 7,5% (Figura 5.54).

Figura 5.54. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC2 NUM x SC2 NUM.

O comportamento em termos de carga e recalque normalizados é apresentado na


Figura 5.55 e corrobora as análises efetuadas anteriormente, ou seja, o grupo de estacas
SC2 NUM apresenta a tendência de suportar cargas mais elevadas (entre estágios),
mantendo os deslocamentos abaixo de 3,5% (0,8 da carga normalizada). A partir desse
ponto, os deslocamentos ficam mais acentuados para esse radier, porém permanecem
inferiores aos observados no radier estaqueado CC2 NUM.

A análise numérica entre os radiers estaqueados CC2 NUM e SC2 NUM mostra-
se interessante na separação das parcelas de resistência e da mudança de
comportamento que ocorre devido ao efeito do contato em radiers estaqueados.
201
O grupo de estacas SC2 NUM apresenta carga de ruptura de 365 kN, contra 351
kN do radier estaqueado CC2 NUM, ou seja, 3,9% maior. No caso do radier estaqueado
CC2 NUM, a menor capacidade pode ser atribuída ao efeito do contato radier solo, que
pode ter agido alterando o equilíbrio do estado de tensões (𝜎𝑣′ e 𝜎ℎ′ ) nos primeiros metros
do fuste da estaca, próximo à base do radier e ao topo da estaca, conforme apresentado
nos resultados das análises numéricas.

Figura 5.55. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC2 NUM x SC2 NUM.

Diante do exposto, verifica-se que a mobilização da resistência ocorreu


diferentemente nos dois radiers estaqueados, sendo observada, no radier estaqueado
CC2 NUM, uma mobilização da ponta para o topo da estaca, e no caso do grupo de
estacas SC2 NUM, o efeito contrário, ou seja, do topo para a ponta. Verificando-se que
o atrito lateral é mais evidente no grupo de estacas SC2 NUM (Figura 5.42) em relação
ao radier estaqueado CC2 NUM (Figura 5.36).

202
5.3 Radier Estaqueado Composto de 3 estacas

Neste subitem são apresentados e discutidos os resultados obtidos para o radier


estaqueado CC3 EXP, por meio da realização de prova de carga e da instrumentação
instalada, e também os resultados das análises numéricas dos radiers estaqueados (CC3
NUM) e grupo de estacas (SC3 NUM). As situações de análise comparativa foram
divididas em dois casos, sendo entre os radiers estaqueados CC3 EXP x CC3 NUM e os
radiers estaqueados CC3 NUM x SC3 NUM, objetivando obter um melhor entendimento
do comportamento desse tipo de fundação, além do entendimento do funcionamento e
da contribuição do contato na capacidade de suporte dessas fundações analisadas.

5.3.1 Radier Estaqueado CC3 EXP

Apresenta-se, na Figura 5.56, a curva carga x recalque obtida por meio da


realização de prova de carga no radier estaqueado CC3 EXP. Nela, verifica-se que a
carga máxima de ensaio foi de 490 kN, com recalque máximo de 52,02 mm, e de 3,93
mm para metade da carga máxima de ensaio (245 kN).

Figura 5.56. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC3 EXP.

203
A carga de ruptura geotécnica do radier estaqueado CC3 EXP foi convencionada
para um deslocamento correspondente a 10% do diâmetro da estaca, ou seja, a carga
de ruptura para o radier estaqueado CC3 EXP equivale a 455 kN (Figura 5.56). Esse
valor é 7,1% menor em relação à carga máxima de ensaio, e a carga para ½·Qrup
(½·Qrup) é de 228 kN para um recalque de 3,49 mm.
A transferência de carga média ao longo do comprimento das estacas sob o radier
estaqueado CC3 EXP é apresentada na Figura 5.57. Nesta, verifica-se que a mobilização
do atrito lateral médio das estacas ocorre em todos os estágios de carregamento e a
participação da resistência de ponta é praticamente constante desde o carregamento
inicial, conforme mostram as Figuras 5.57 e 5.58. Nestas, verifica-se que não há
esgotamento do atrito lateral durante os diversos estágios de carregamento, mesmo para
as cargas mais elevadas que ocorrem nos estágios finais.

Figura 5.57. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC3 EXP.

As parcelas de distribuição das resistências entre os elementos de fundação


(superficial e profunda) que compõe o radier estaqueado podem ser verificadas na Figura
5.58, do 1º ao 11º estágio de carregamento (final). Nela, observa-se que desde o 1º
estágio a carga, registra-se a participação predominante pelas resistências por atrito
lateral (67,7%) e pelo contato radier solo (28,2%), com pequena participação de ponta

204
(4,2%). Tal fato pode ser atribuído à existência de uma maior área de contato disponível,
no caso do radier estaqueado CC3 EXP, e possivelmente devido às características
geométricas do radier (triangular). Diante desse cenário, nota-se que até o 2º estágio de
carregamento a carga transferida em função do contato do radier solo aumenta,
chegando a atingir o valor máximo de 37,4% de participação na capacidade de carga do
radier estaqueado, enquanto que a resistência da estaca se reduz a 60,9% de atrito
lateral e 1,7% de ponta. A partir do 3º estágio de carregamento, o atrito lateral apresenta
crescimento e a participação de ponta é pequena, porém crescente (Figura 5.58). No
estágio de carregamento final (carga máxima), o elemento de fundação profunda
responde por 78% da carga aplicada ao radier estaqueado CC3 EXP, com participação
de 74,7% por atrito lateral e 2,8% de ponta, contra uma participação do contato radier
solo de 22,5%.

Figura 5.58. Distribuição de carga no radier estaqueado CC3 EXP.

Conforme observado na Figura 5.58, verifica-se que a participação do contato


radier solo resulta em uma tensão aplicada diretamente ao solo. Nesse aspecto, a carga
absorvida pelo contato radier solo (110 kN), dividida pela área líquida de contato (2,26

205
m²), resulta em uma tensão de 49 kPa. Essa tensão aplicada no solo devido ao contato
do radier não foi suficiente para provocar os deslocamentos necessários para aumentar
a mobilização da resistência de ponta das estacas sob o radier estaqueado. Observa-se,
portanto, que os valores de ponta são relativamente baixos e condizentes com os
resultados esperados para esse tipo de estaca nesse solo.
Analisando-se sob o aspecto de projeto, verifica-se a redução do fator de
segurança em função dos carregamentos efetuados, e em relação à carga
convencionada, como a de ruptura, para o radier estaqueado CC3 EXP (455 kN),
resultando no gráfico da Figura 5.59. Nesta, verifica-se que, para a carga de trabalho
(½·Qrup = 228 kN), o fator de segurança é igual a 2 e a curva carga x recalque encontra-
se no trecho elástico linear. Os recalques tendem a aumentar para fatores de segurança
menores que 2,0 (4º estágio), constatando-se, no 9º estágio (450 kN), que o
carregamento aplicado representa 99% da carga de ruptura e o fator de segurança é igual
a 1,0, correspondendo a um recalque de 20,93 mm (Figuras 5.58 e 5.59). No 10º estágio
(490 kN), observa-se que FS < 1,0 e, consequentemente, tem-se a extenuação da
fundação para esse carregamento.

Figura 5.59. Variação do fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC3
EXP.
O atrito lateral da estaca apresenta esgotamento, de acordo com o observado na
Figura 5.57. Dessa forma, o fator de segurança obtido a partir do 10º estágio pode ser

206
atribuído à resistência por atrito lateral (74,7%) e ao contato radier solo (22,5%), somado
à baixa participação da resistência de ponta da estaca (2,8%).

No item 5.3.2, exposto a seguir, apresentam-se os resultados obtidos para o radier


estaqueado CC3 NUM, ou seja, analisado numericamente para as mesmas condições
geométricas (radier e estaca) e de carregamentos submetidos, no caso do radier
experimental CC3 EXP.

5.3.2 Radier Estaqueado CC3 NUM

Neste subitem, apresentam-se os resultados das análises numéricas para o radier


estaqueado CC3 NUM, que permitiram obter resultados tensão-deformação, curva carga
x recalque e curva de transferência de carga para a estaca.
Na Figura 5.60, verificam-se os resultados obtidos após o processamento da
análise numérica para o radier estaqueado CC3 NUM. Os deslocamentos provocados
devido à carga aplicada no 1º, 5º e 10º estágios de carregamento são de 0,60 mm, 3,08
mm e 41,16 mm, respectivamente.
O efeito de compressão devido aos carregamentos sobre o radier estaqueado CC3
NUM é apresentado na Figura 5.61. Nesta, verifica-se que a tensão máxima de
compressão média ocorre no topo da estaca, resultando em 381 kPa (1º estágio),
1957kPa (5º estágio) e 6125kPa (10º estágio).
Conforme indicado na Figura 5.61 (10º estágio), nota-se que as tensões de
compressão distribuem-se preferencialmente no topo da estaca, por ser o elemento mais
rígido em relação ao solo. Verifica-se que o solo sob a base do radier recebe carga desde
o 1º estágio de carregamento e no 5º estágio, tornando-se mais definido no 10º estágio
de carga. Esse assunto será tratado com mais ênfase no item síntese dos resultados.

207
Figura 5.60. Deslocamentos no radier estaqueado CC3 NUM por estágios de carga.

Analisando-se, em termos de carga x recalque, as Figuras 5.59 e 5.60, obtém-se,


para os estágios de carregamento, os valores de 47 kN (381 kPa), 206 kN (1957 kPa) e
334 kN (6125 kPa). Dessa forma, verifica-se que a carga aplicada no topo da estaca era
de 97% no 1º estágio, passando para 84% no 5º estágio e 68% no carregamento final,
em relação à carga máxima de ensaio no respectivo estágio, ou seja, a participação da
estaca decresce quando da aplicação dos estágios de carregamento, mostrando, dessa
forma, que a carga provavelmente está sendo absorvida pela área de contato do radier
com o solo.

208
Pode-se observar, na Figura 5.61, que os deslocamentos concentram-se mais
intensamente na região da biela de compressão e no topo da estaca, sendo, na região
interna, no 1º e 5º estágios, e externa, no 10º estágio. Verifica-se, quando da aplicação
dos primeiros estágios que não há deslocamentos significativos até o 5º estágio, e
posterior ocorrência de deslocamentos mais intensos e voltados à região interna sob o
bloco (região do solo entre estacas), possivelmente provocados pelo esforço horizontal
(componente de força). Diante do exposto pelas análises numéricas no radier estaqueado
CC3 NUM, justifica-se o engastamento realizado no radier experimental CC3 EXP, como
observado no radier estaqueado CC2 NUM.

Figura 5.61. Compressão no radier estaqueado CC3 NUM por estágios de carga.

209
A partir da análise numérica foi possível obter a curva carga x recalque para o
radier estaqueado CC3 NUM. Na Figura 5.62, verifica-se que a carga máxima de ensaio
foi de 490 kN (carga de ensaio do radier estaqueado CC3 EXP) e o recalque máximo de
41,166 mm. A carga de ruptura convencionada para um deslocamento de 10% do
diâmetro nominal da estaca (25 mm), resultando em 448 kN e, consequentemente, uma
carga de trabalho de 224 kN, correspondendo a um recalque de 2,69 mm.

Figura 5.62. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC3 NUM.

A transferência de carga ao longo do comprimento da estaca do radier estaqueado


CC3 NUM é apresentada na Figura 5.63. Nesta, verifica-se que a mobilização do atrito
lateral da estaca ocorre do 1º ao 10º estágio de carregamento, com participação
crescente da resistência de ponta ao longo desses estágios. O esgotamento do atrito
lateral é verificado, assim como no caso do radier experimental (CC3 EXP). A mobilização
da resistência de ponta registra seu valor máximo de participação na capacidade do
radier estaqueado CC3 NUM no 10º estágio de carregamento, correspondendo a 8% da
carga total aplicada.

210
Figura 5.63. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC3 NUM.

A distribuição de carga entre o elemento de fundação superficial (radier) e


profunda (estaca) é apresentada na Figura 5.64. Nesta, verifica-se que no 1º estágio de
carregamento a estaca responde por 96,9% (88,4% + 8,5%) da carga aplicada ao radier
estaqueado, comparados a 3,1%, relativos ao contato radier solo.

Figura 5.64. Distribuição de carga no radier estaqueado CC3 NUM.

211
Na Figura 5.64, verifica-se que do 1º ao 5º estágio de carregamento, a participação
da estaca (atrito lateral e ponta) decresce continuamente, saindo de 96,9% (88,4% +
8,5%) no 1º estágio para 84,1% (81,4% +2,7%) no 5º estágio, contra um crescimento na
participação do contato radier solo de 3,1% (1º estágio) e 15,9% (5º estágio). A partir do
6º estágio, a participação devido ao contato radier solo permanece crescente até o 10º
estágio, atingindo 31,7%, frente à queda da participação da estaca devido à queda da
resistência por atrito lateral, que sai de 76,1% no 6º estágio para 60,5% no 10º estágio.
A parcela de ponta, entretanto, apresenta aumento de participação, partindo de 4,5% (6º
estágio) para 7,8% (10º estágio).
A carga absorvida pelo contato radier solo (155,5 kN), dividida pela área líquida de
contato (2,26 m²), resulta em uma tensão de 69 kPa. A maior participação do contato
radier solo e da ponta da estaca (Figura 5.64) pode estar relacionada ao fato de que o
modelo numérico apresenta-se com recalques mais acentuados, com esgotamento do
atrito lateral. Dessa forma, o sistema apresenta-se menos conservador e, conforme se
pode constatar na Figura 5.65, o fator de segurança para o carregamento máximo é
menor que 1,0 (FS <1,0).

Figura 5.65. Fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC3 NUM.

Verifica-se que o fator de segurança diminui para valores menores que 1,5, a partir
do 6º estágio (60% da carga máxima ou 66% da carga de ruptura), possivelmente

212
justificado pelo aumento dos recalques, que nesse estágio passam dos 4,5 mm (Figuras
5.64 e 5.65).

Para avaliar o efeito de contato e a sua contribuição na capacidade de carga total


analisou-se numericamente o grupo de estacas SC3 NUM, idêntico ao radier estaqueado
CC3 NUM, porém sem contato da base do radier com o solo. Dessa forma, apresenta-
se, no item 5.3.3, as análises resultantes do grupo de estacas SC3 NUM. O contato foi
suprimido do modelo numérico e a carga foi aplicada sobre o bloco e consequentemente
transmitida ao topo das estacas.

5.3.3 Grupo de estacas SC3 NUM

Os resultados das análises numéricas para o grupo de estacas SC3 NUM


permitiram obter resultados tensão-deformação e a curva carga x recalque do grupo de
estacas. Observa-se, na Figura 5.66, os resultados obtidos após o processamento da
análise numérica para o grupo de estacas SC3 NUM e os deslocamentos provocados
devido à carga aplicada no 1º, 5º e 10º estágios de carregamento.
Os deslocamentos máximos obtidos foram de 0,41 mm, 2,01 mm e 32,76 mm, para
o 1º, 5º e 10º estágios de carregamento, respectivamente.
Nas análises apresentadas nas Figuras 5.66 e 5.67 verifica-se que não houve
formação zonas de concentração de tensões no topo da estaca devido à base do radier.
Isso porque o seu efeito foi suprimido em razão da ausência do contato radier solo.
O efeito de compressão devido aos carregamentos sobre o grupo de estacas SC3
NUM é apresentado na Figura 5.67. Nesta, verifica-se que a tensão máxima de
compressão ocorre ao longo do comprimento da estaca, variando de 357 kPa (1º estágio)
a 1745 kPa (5º estágio) e 3412 kPa (10º estágio).
Conforme indicado na Figura 5.67 (10º estágio), nota-se que as tensões de
compressão diminuem ao longo do comprimento da estaca (topo para a ponta), que é o
elemento mais rígido em comparação ao solo, e não há nenhum elemento conectado ao
topo dela impedindo o seu deslocamento e/ou aumentando as tensões de confinamento

213
(𝜎𝑣′ e 𝜎ℎ′ ) nos primeiros metros do fuste da estaca, da mesma forma observada no grupo
de estacas SC2 NUM.

Figura 5.66. Deslocamentos no grupo de estacas SC3 NUM por estágios de carga.

Destaca-se que os deslocamentos possuem pequena abrangência radial,


conforme se verifica na Figura 5.39 (10º estágio). A influência dos deslocamentos cessa
até um raio de 196 mm, frente ao raio nominal da estaca de 125 mm. A carga aplicada
sobre o grupo de estacas SC3 NUM intensifica a participação por atrito lateral, com o
aumento das tensões do 5º estágio para o 10º estágio. Entretanto, a participação da ponta
é mais intensa somente para o 10º estágio, conforme se verifica no 10º estágio da Figura
5.67.
214
Figura 5.67. Compressão no grupo de estacas SC3 NUM por estágios de carga.

Como resultado das análises numéricas do grupo de estacas SC3 NUM obteve-se
a curva carga x recalque, apresentada na Figura 5.68. Nesta, verifica-se que a carga
máxima de ensaio foi de 490 kN (carga de ensaio do radier estaqueado CC3 NUM) e
recalque máximo de 32,76 mm.
A carga de ruptura, para um deslocamento de 10% do diâmetro nominal da estaca
(25 mm), resulta em 471 kN e, em consequência disso, remete a uma carga de trabalho
de 235 kN, correspondendo a um recalque de 1,92 mm (Figura 5.68).

215
Figura 5.68. Curva carga x recalque do grupo de estacas SC3 NUM.

Na Figura 5.69, apresentam-se as curvas de transferência de carga ao longo do


comprimento da estaca do grupo de estacas SC3 NUM. Nela, verifica-se que a
mobilização do atrito lateral da estaca ocorre em todos os estágios de carregamento, ao
mesmo tempo em que se observa uma participação de ponta até o 10º estágio. A
saturação do atrito lateral não é observada nesse caso, assim como observado no radier
estaqueado CC3 NUM.
A distribuição de carga para o grupo de estacas SC3 NUM acontece somente no
elemento de fundação profunda (estaca), nas parcelas de atrito lateral e na resistência
de ponta (Figura 5.70). Nesta, verifica-se que a resistência por atrito lateral diminui do 1º
ao 10º estágio de carregamento, partindo de 99,3% para 87,8%, respectivamente. A
participação da resistência de ponta é de 0,7% no 1º estágio, porém aumenta
gradativamente ao longo dos estágios de carregamento, chegando ao final com
uma participação de 12,2% na capacidade de carga do grupo de estacas SC3
NUM. A partir da Figura 5.69, é possível verificar que a parcela de ponta é
sensivelmente elevada no 9º e 10º estágios de carregamento.

216
Confirma-se, portanto, que a ausência de um componente superficial combinado
ao elemento de fundação profunda modifica a forma como a mobilização do atrito lateral
e da resistência de ponta se comportam.

Figura 5.69. Transferência de carga nas estacas do grupo de estacas SC3 NUM.

Figura 5.70. Distribuição de carga no grupo de estacas SC3 NUM.

217
Apresenta-se, na Figura 5.71, a variação do fator de segurança (FS) para todos os
estágios de carregamento. Nela, verifica-se que até o 6º estágio tem-se um fator de
segurança maior ou igual a 1,6. Entretanto, a partir desse estágio o fator de segurança
reduz-se sensivelmente até FS igual 1,0, no 9º estágio de carga (490 kN), atingindo seu
menor valor no 10º estágio, em que FS <1,0.

Figura 5.71. Fator de segurança e recalque para o grupo de estacas SC3 NUM.

No subitem 5.3.4, apresentam-se os resultados comparativos entre o radier


estaqueado experimental (CC3 EXP), em comparação aos resultados obtidos pela
análise numérica para o radier estaqueado CC3 NUM.

5.3.4 Comparação entre CC3 EXP x CC3 NUM

Sabe-se que os resultados de curva carga x recalque obtidos por análise numérica
tendem a resultar em deslocamentos mais acentuados em comparação aos resultados
experimentais. Nesse sentido, observa-se, na Figura 5.72, que os resultados obtidos para
o radier estaqueado CC3 NUM obedecem a essa tendência de apresentar recalques mais
acentuados, entretanto, nesse caso, o radier estaqueado experimental CC3 EXP também
apresentou recalques elevados e em concordância ao radier estaqueado CC3 NUM.

218
Os resultados carga x recalque do radier estaqueado CC3 NUM apresentam-se
próximos aos observados no radier estaqueado CC3 EXP, podendo-se afirmar que
possuem boa concordância em termos de previsibilidade de comportamento, em
comparação aos demais radiers desta tese.

Figura 5.72. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC3 EXP x CC3 NUM.

As diferenças e as concordâncias de comportamento entre CC3 EXP e CC3 NUM


podem ser observadas na Figura 5.72. Nesta, verificam-se algumas pequenas
divergências de comportamento no 9º e 10º estágios de carregamento, devido às
diferenças de intensidade dos deslocamentos.
Observa-se, na Figura 5.73, que a participação de ponta no radier estaqueado
CC3 EXP apresenta-se praticamente constante ao longo de todos os carregamentos,
apresentando pouca oscilação entre os diversos estágios. No 10º estágio, a resistência
de ponta responde por, aproximadamente, 3% da carga total aplicada no topo do radier
estaqueado. Em contrapartida, observa-se que o radier estaqueado CC3 NUM apresenta
participação da resistência de ponta com variação ao longo dos estágios de
carregamento, apresentando queda do 1º ao 5º estágio e crescimento a partir desse
carregamento até o 10º estágio, resultando, ao final, em uma participação de

219
aproximadamente 8%. Este efeito pode estar relacionado a geometria do bloco composto
de 3 estacas
Diante do exposto acima, verifica-se que no caso do radier estaqueado CC3 NUM
a mobilização da resistência parte da ponta para o topo da estaca, porém é variável ao
longo dos carregamentos. No caso do radier estaqueado CC3 EXP, tem-se inicialmente
a mobilização pela resistência de ponta, porém ela permanece constante ao longo dos
estágios de carregamento. Essa diferença de comportamento, com maior participação de
ponta no CC3 NUM, pode ser atribuída à dificuldade de impor ao modelo numérico as
condições de campo e do processo executivo do tipo de estaca empregada, resultando
em valores mais elevados, quando comparados aos observados no radier estaqueado
CC3 EXP.
As resistências por atrito lateral e o contato radier solo divergem entre si desde o
1º estágio de carregamento, conforme mostra a Figura 5.73. Nesta, verifica-se que os
radiers apresentam equilíbrio de contribuição entre o atrito lateral e o contato radier solo,
no 6º estágio de carregamento (64% da carga máxima de ensaio), resultando em 80%
de atrito lateral e 20% de resistência por contato radier solo. Entretanto, a parcela de
ponta nesse estágio é duas vezes maior no radier estaqueado CC3 NUM do que no CC3
EXP.

Figura 5.73. Distribuição de Carga entre CC3 EXP x CC3 NUM.


220
Na Figura 5.74, apresentam-se as curvas de transferência de carga para cada uma
das estacas dos radiers estaqueados CC3 EXP e CC3 NUM. Nela, verifica-se que no 1º,
5º e 10º estágios de carregamento existe adequada concordância de comportamento
entre o modelo experimental e o numérico. Entretanto, para os 5º e 10º estágios de
carregamento é menor em relação ao 1º estágio. Ressalta-se que diante das divergências
encontradas verifica-se que no 5º estágio a transferência de carga do radier estaqueado
CC3 NUM apresenta valores de carga no topo e ponta iguais aos observados para o
radier estaqueado CC3 EXP. Observa-se no 10º estágio de carregamento, diferença nas
cargas no topo e ponta da estaca, porém representam valores aceitáveis. Essas
divergências no carregamento final estão potencialmente relacionadas à forma como a
mobilização do atrito lateral e a resistência de ponta são diferentemente influenciadas
nos radiers estaqueados CC3 EXP e CC3 NUM, devido à influência do efeito de contato
radier solo entre o modelo experimental e o numérico.

Figura 5.74. Transferência de carga nas estacas dos radiers estaqueados CC3EXP e
CC3NUM.

A variação do fator de segurança (FS) revela como cada radier estaqueado, CC3
EXP e CC3 NUM, se comportou em função dos carregamentos realizados. Na Figura
5.75, apresentam-se os resultados de FS para esses radiers estaqueados analisados e

221
o respectivo recalque para cada estágio de carregamento. Nessa figura, é possível
verificar como os carregamentos influenciaram na redução do FS e na magnitude do
recalque.

Figura 5.75. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC3 EXP x CC3
NUM.

Até o 3º estágio de carregamento, o radier estaqueado CC3 NUM apresentou valor


de FS inferior ao observado no radier estaqueado CC3 EXP. No 4º, 5º e 6º estágios de
carregamento o radier estaqueado CC3 NUM apresentou FS maior ao observado no
radier estaqueado CC3 EXP, igualando-se nos 7º, 8º, 9º e 10º estágios de carregamento.
Ressalta-se que no 7º estágio o FSCC3 NUM é igual ao FSCC3 EXP, ou seja, igual a 1,3,
chegando a FS =1,0 somente no 9º estágio de carregamento ou 90% da carga máxima
de ensaio. No 10º estágio de carregamento, esses fatores de segurança ainda são iguais,
no entanto menores que um (FSCC3 NUM; CC3 EXP = 0,9 < 1,0), evidenciando a extenuação
dessa fundação quando da aplicação da carga máxima de ensaio em face da carga de
ruptura convencionada para esses radiers.
Ressalta-se que até o 3º estágio de carregamento os deslocamentos observados
nos radiers estaqueados CC3 EXP e CC3 NUM são iguais, resultando em fatores de
segurança maiores para o radier experimental. Entretanto, a partir do 4º estágio, verifica-
se que os deslocamentos são maiores no radier estaqueado CC3 EXP, diferentemente
do radier estaqueado CC3 NUM, resultando em uma redução dos fatores de segurança,

222
ou seja, entre o 4º e 6º estágio de carregamento, o FSCC3 EXP < FSCC3 NUM, revelando,
assim, a influência dos deslocamentos no fator de segurança. Quando os níveis de
deslocamento igualam-se novamente, entre o 7º e 9º estágios, e aproximam-se da carga
máxima ou de ruptura, os valores de FS tendem a se igualar.
Diante do exposto, visando melhor analisar os radiers estaqueados CC3 NUM e
CC3 EXP em termos de recalque, serão apresentadas, nas Figuras 5.76 e 5.77, análises
efetuadas a partir da normalização dos recalques com o fator de segurança e a carga
normalizada.
Mediante ao apresentado anteriormente, realizou-se a normalização dos
recalques dos radiers estaqueados CC3 EXP e CC3 NUM, comparando-os, então, ao
fator de segurança (Figura 5.76) e à carga normalizada (Figura 5.77).

Figura 5.76. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC3 EXP x CC3 NUM.

De acordo com a Figura 5.76, percebe-se que a redução do fator de segurança


para o radier experimental (FSCC3 EXP) e para o radier numérico (FSCC3 NUM) possui o
mesmo comportamento. Dessa forma, verifica-se que para ambos os radiers, inicia-se o
processo de convergência assintótica quando se reduz os valores de FS 2,0. Ou seja,
nota-se uma concordância em termos de comportamento da redução do fator de
segurança (FS) com o recalque normalizado para os radiers estaqueados CC3 EXP e
223
CC3 NUM. As curvas apresentadas na Figura 5.76 apresentam-se praticamente
sobrepostas.
Diante do exposto acima, nota-se que o radier estaqueado experimental CC3 EXP
e o radier estaqueado analisado numericamente (CC3 NUM) têm o FS influenciado desde
a carga para ½·Qrup (FSCC3 NUM; CC3 EXP = 2,0).

O comportamento em termos de carga e recalque normalizados é apresentado na


Figura 5.77 e corrobora as análises efetuadas anteriormente, ou seja, somente a partir
do 7º estágio (0,7 da carga normalizada) inicia-se o processo de deslocamentos
(recalques) mais acentuados no radier estaqueado CC3 NUM. O modelo numérico desse
radier mostra-se adequado a simular o comportamento do radier experimental (CC3
EXP), pois evidencia-se pequena discrepância de deslocamentos entre os radiers
estaqueados CC3 EXP e CC3 NUM, do 8º para o 10º estágio de carregamento.

Figura 5.77. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC3 EXP x CC3 NUM.

O radier estaqueado CC3 EXP apresenta carga de ruptura de 455 kN,


comparando-se a 448 kN do radier estaqueado CC3 NUM, ou seja, 1,6% maior. Verifica-
se que a curva carga x recalque normalizados do radier estaqueado CC3 NUM encontra-
se mais abatida entre 0,8 e 1,0 da carga normalizada (Figura 5.77). Dessa forma, verifica-
224
se uma menor capacidade de carga do radier estaqueado CC3 NUM para o mesmo
deslocamento imposto ao radier estaqueado CC3 EXP (10% do diâmetro da estaca).
As análises realizadas até esse ponto demonstram as semelhanças e diferenças
de comportamento entre o radier estaqueado, o experimental (CC3 EXP) e o numérico
(CC3 NUM). O entendimento da contribuição do contato radier solo é complexo,
demandando análises complementares que possam evidenciar quais as alterações de
comportamento e qual a capacidade de carga do radier estaqueado, caso este não
disponha do contato com o solo. Dessa forma, no subitem 5.3.5, será apresentado o caso
simulado numericamente para o radier estaqueado CC3 NUM, porém com a supressão
do contato com o solo, originando o grupo de estacas SC3 NUM. Esse radier transmite a
carga aplicada sobre ele diretamente às estacas.

5.3.5 Comparação entre CC3 NUM x SC3 NUM

Comparam-se, neste subitem, as análises numéricas entre o radier estaqueado


(CC3 NUM) e o grupo de estacas (SC3 NUM). Verifica-se, na Figura 5.78, o resultado da
simulação numérica dos radiers numéricos (CC3 NUM) e grupo de estacas (SC3 NUM),
em termos de curva carga x recalque. Nela, observa-se que o grupo de estacas (SC3
NUM) resulta em uma curva com deslocamentos menores em relação ao radier
estaqueado (CC3 NUM).
De acordo com a Figura 5.78, verifica-se, no caso do radier estaqueado CC3 NUM,
que a presença do contato favorece o aumento dos deslocamentos, semelhante às
curvas carga x recalque para fundações superficiais. No caso do grupo de estacas SC3
NUM, observa-se o comportamento de fundações profundas, como, um grupo de
estacas.
As curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC3 NUM e SC3 NUM
apresentam concordância entre o 1º e 5º estágios de carregamento, revelando a não
influência nesse aspecto do efeito de contato sobre o comportamento das fundações em
termos de capacidade de carga e recalque. Entretanto, a partir do 6º estágio verifica-se,
de acordo com a Figura 5.78, que a curva carga x recalque do grupo de estacas SC3
NUM (sem contato) não apresenta deslocamentos (recalques) na mesma razão que
225
aqueles observados na curva do radier estaqueado CC3 NUM, ou seja, a ausência de
contato radier solo permitiu ao grupo de estacas SC3 NUM aumentar a capacidade de
carga entre o 6º e 9º estágios de carregamento. Esse fato é evidenciado pelos
deslocamentos menores em relação ao radier estaqueado CC3 NUM.
Consequentemente, a “ruptura” do grupo de estacas SC3 NUM é mais abrupta em
relação à curva obtida pelo radier estaqueado CC3 NUM.

Figura 5.78. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC3 NUM x SC3 NUM.

Como não há contato no caso do grupo de estacas SC3 NUM, toda a capacidade
de carga é proveniente do elemento de fundação profunda em estaca. A Figura 5.79
apresenta a distribuição das parcelas de resistência entre atrito lateral e ponta para o
grupo de estacas SC3 NUM e compara-se ao obtido no caso do radier estaqueado (CC3
NUM). Nessa figura, observa-se que no caso do grupo de estacas (SC3 NUM) a
mobilização do atrito se dá do topo para a ponta, com participação de, aproximadamente
3% pela resistência de ponta até o 5º estágio de carregamento. No 10º estágio tem-se
uma participação expressiva da parcela de ponta, respondendo por 12%, contra 88%
relativo à resistência por atrito lateral. No caso do radier estaqueado CC3 NUM, a
presença do radier em contato com o solo modifica a maneira como a resistência é
mobilizada. Na Figura 5.78, verifica-se que a parcela de ponta é de 8% logo no 1º estágio

226
de carregamento, diminui para 3% (5º estágio), atingindo o valor máximo de
aproximadamente 8% (10º estágio).
A participação pela resistência do elemento de fundação em estaca é maior no
caso do grupo de estacas (SC3 NUM), em face ao obtido no caso do radier estaqueado
(CC3 NUM). Dessa forma, verifica-se que a resistência de ponta é mais expressiva para
o grupo de estacas (SC3 NUM). Tal fato pode ser atribuído à ausência do contato radier
solo, que permite, dessa forma, que a mobilização do atrito lateral da estaca ocorra do
topo para a ponta e consiga atingir valores mais expressivos da resistência de ponta, pois
não há um elemento que impeça esse deslocamento no caso do grupo de estacas SC3
NUM.

Figura 5.79. Distribuição de carga entre CC3 NUM x SC3 NUM.

Em relação ao fator de segurança (FS), verifica-se, na Figura 5.80, que aqueles


obtidos para o grupo de estacas (SC3 NUM) apresentam FSSC3 NUM maior em relação ao
FSCC3 NUM ao longo de todos os estágios de carregamento. Dessa forma, verifica-se que
no 10º estágio de carregamento o FSSC3 NUM é igual a 1,0 e maior que o FSCC3 NUM.

227
Portanto, no caso do grupo de estacas SC3 NUM, não se constata a ruptura para a carga
máxima de ensaio em relação à carga convencionada como de ruptura.
Destaca-se que a presença do contato radier solo está diretamente relacionada ao
fato desse efeito de contato propiciar a ocorrência de deslocamentos (recalques) mais
acentuados, provavelmente relacionados ao comportamento que o elemento de fundação
superficial impõe ao conjunto radier estaqueado (fundação superficial + fundação
profunda). Constata-se que o radier estaqueado CC3 NUM apresenta deslocamentos
mais acentuados em relação ao grupo de estacas SC3 NUM, justificando as diferenças
dos fatores de segurança obtidos para os radiers SC3 NUM e CC3 NUM.

Figura 5.80. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC3 NUM x SC3
NUM.

De acordo com as análises apresentadas anteriormente, realizou-se a


normalização dos recalques dos radiers estaqueados CC3 NUM e SC3 NUM,
comparando-se estes ao fator de segurança (Figura 5.80) e à carga normalizada (Figura
5.81).
A partir das Figuras 5.80 e 5.81, percebe-se que a redução do fator de segurança
para o grupo de estacas (FSSC3 NUM) apresenta convergência assintótica quando o fator
de segurança chega próximo a 1,5. Diferentemente do que ocorre com a curva do radier
numérico (FSCC3 NUM), que inicia uma tendência de convergência discreta quando o FSCC3
NUM é menor que 2,0. Dessa forma, verifica-se que os deslocamentos são mais
228
acentuados no caso do radier estaqueado (CC3 NUM) do que no grupo de estacas (SC3
NUM).
Diante do exposto acima, nota-se que o grupo de estacas SC3 NUM tem o
comportamento de FS influenciado quando o estágio de carga está próximo a 1,5. O
radier estaqueado CC3 NUM tem o fator de segurança influenciado a partir de FSCC3 NUM
 2,0, igualando-se ao comportamento do SC3 NUM quando o recalque normalizado
(w/B) é igual a 1,0% (Figura 5.81).

Figura 5.81. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC3 NUM x SC3 NUM.

O comportamento em termos de carga e recalque normalizados é apresentado na


Figura 5.82 e corrobora as análises efetuadas anteriormente, ou seja, o grupo de estacas
SC3 NUM apresenta tendência de suportar cargas mais elevadas (entre estágios),
mantendo os recalques normalizados abaixo de 1% (0,95 da carga normalizada). A partir
desse ponto, os deslocamentos ficam mais acentuados para esse radier somente no 10º
estágio, porém permanecem inferiores aos observados no radier estaqueado CC3 NUM.
A análise numérica entre os radiers estaqueados CC3 NUM e SC3 NUM mostra-
se interessante na separação das parcelas de resistência e na mudança de
comportamento devido ao efeito do contato em radiers estaqueados.
O grupo de estacas SC3 NUM apresenta carga de ruptura de 471 kN, comparando-
se a 448 kN do radier estaqueado CC3 NUM, ou seja, 5,1% maior. No caso do radier
229
estaqueado CC3 NUM, a menor capacidade pode ser atribuída ao efeito do contato radier
solo, que pode ter agido alterando o equilíbrio no estado de tensões (𝜎𝑣′ e 𝜎ℎ′ ) nos
primeiros metros do fuste da estaca, próximo à base do radier e ao topo da estaca,
conforme apresentado nos resultados das análises numéricas.

Figura 5.82. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC3 NUM x SC3 NUM.

Diante do exposto, verifica-se que a mobilização da resistência ocorreu


diferentemente nos dois radiers estaqueados, sendo observada, no radier estaqueado
CC3 NUM, uma mobilização da ponta para o topo da estaca e, no caso do grupo de
estacas SC3 NUM, o efeito contrário, ou seja, do topo para a ponta. Verifica-se que o
atrito lateral é mais evidente no grupo de estacas SC3 NUM (Figura 5.69) do que no
radier estaqueado CC3 NUM (Figura 5.63).

230
5.4 Radier Estaqueado Composto de 4 estacas

Neste subitem são apresentados e discutidos os resultados obtidos para o radier


estaqueado CC4 EXP, por meio da realização de prova de carga e da instrumentação
instalada e também os resultados das análises numéricas dos radiers estaqueados (CC4
NUM) e grupo de estacas (SC4 NUM). As situações de análise comparativa foram
divididas em dois casos, sendo entre os radiers estaqueados CC4 EXP x CC4 NUM e os
radiers estaqueados CC4 NUM x SC4 NUM, objetivando obter melhor entendimento do
comportamento desse tipo de fundação, além do entendimento do funcionamento e da
contribuição do contato na capacidade de suporte dessas fundações analisadas.

5.4.1 Radier Estaqueado CC4 EXP

Apresenta-se, na Figura 5.83, a curva carga x recalque obtida por meio da


realização de prova de carga no radier estaqueado CC4 EXP. Nela, verifica-se que a
carga máxima de ensaio foi de 700 kN, com recalque máximo de 40,14 mm e de 1,80
mm para metade da carga máxima de ensaio (350 kN).

Figura 5.83. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC4 EXP.

231
Conforme demonstrado anteriormente por meio das análises pelo método da
rigidez, a carga de ruptura geotécnica do radier estaqueado CC4 EXP foi convencionada
para um deslocamento correspondente a 10% do diâmetro da estaca, ou seja, a carga
de ruptura para o radier estaqueado CC4 EXP equivale a 658 kN (Figura 5.83). Este valor
é 6% menor em relação à carga máxima de ensaio, e a carga para ½·Qrup (½·Qrup) é de
329 kN para um recalque de 1,54 mm.
A transferência de carga ao longo do comprimento da estaca sob o radier
estaqueado CC4 EXP é apresentada na Figura 5.84. Nesta, verifica-se que a mobilização
do atrito lateral da estaca ocorre durante todos os estágios de carregamento, observando-
se uma diminuição deste entre o 9º e 10º estágio de carregamento, devido ao paralelismo
das retas, verificando-se o esgotamento do atrito lateral durante os estágios finais de
carregamento. A participação da resistência de ponta é pequena desde o carregamento
inicial, conforme mostram as Figuras 5.84 e 5.85.

Figura 5.84. Transferência de carga média na estaca do radier estaqueado CC4 EXP.

As parcelas de distribuição das resistências entre os elementos de fundação


(superficial e profunda) que compõem o radier estaqueado podem ser verificadas na
Figura 5.85, do 1º ao 11º estágio de carregamento (final). Nela, observa-se que desde o
1º estágio da carga registra-se a participação predominante das resistências, por atrito

232
lateral (62,7%) e pelo contato radier solo (36,7%), com pequena participação de ponta
(0,6%). Tal fato pode ser atribuído à maior área de contato disponível no caso do radier
estaqueado CC4 EXP e, possivelmente, à geometria do radier (quadrangular). No 2º
estágio de carregamento verifica-se a redução do atrito lateral (54,3%), o aumento da
resistência por contato radier solo (42,9%) e ponta da estaca (2,8%), em relação ao 1º
estágio. Entretanto, ressalta-se que a partir do 2º estágio registra-se um aumento
expressivo e contínuo da resistência por atrito lateral, atingindo 80,7% (valor máximo),
em contraste à redução da resistência por contato radier solo, que chega ao mínimo de
17,9%, e a participação de ponta da estaca de1,4%. No estágio de carregamento final
(carga máxima de ensaio), o elemento de fundação profunda sofre uma pequena
redução, respondendo por 78,7% da carga aplicada ao radier estaqueado CC4 EXP, com
participação de 77,3% por atrito lateral e 1,4% de ponta, contra uma participação do
contato radier solo de 21,3%.

Figura 5.85. Distribuição de carga no radier estaqueado CC4 EXP

Conforme observado na Figura 5.85, verifica-se que a participação do contato


radier resulta em uma tensão aplicada diretamente ao solo. Nesse aspecto, a carga

233
absorvida pelo contato radier solo (148,6 kN), dividida pela área líquida de contato (3,22
m²), resulta em uma tensão de 46 kPa. Essa tensão aplicada no solo devido ao contato
do radier pode não ser suficiente para provocar os deslocamentos necessários à maior
mobilização da resistência de ponta das estacas sob o radier. Observa-se, portanto, que
os valores de ponta são relativamente baixos.
Analisando-se sob o aspecto de projeto, verifica-se a redução do fator de
segurança em função dos carregamentos efetuados e em relação à carga convencionada
como de ruptura para o radier estaqueado CC4 EXP (658 kN), resultando no gráfico da
Figura 5.86. Nesta, verifica-se que para a metade da carga de ruptura (½·Qrup = 329 kN)
o fator de segurança é igual a 2 e a curva carga x recalque encontra-se no trecho elástico
linear.

Figura 5.86. Variação do fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC4
EXP.

A partir da Figura 5.86, verifica-se que os recalques tendem a aumentar para


fatores de segurança menores que 2,0 (5º estágio), constatando-se, no 9º estágio (635
kN), que o carregamento aplicado representa 96,5% da carga de ruptura e o fator de
segurança é igual a 1,0, correspondente a um recalque de 16,9 mm (Figura 5.85 e 5.86).
No 10º estágio (700 kN), observa-se que FS < 1,0 e, consequentemente, tem-se a
extenuação da fundação para esse carregamento.

234
O atrito lateral da estaca apresenta esgotamento, de acordo com o observado na
Figura 5.84. Dessa forma, o fator de segurança obtido a partir do 10º estágio pode ser
atribuído principalmente à resistência por atrito lateral (77,3%) e pela resistência devido
ao contato do radier com o solo (21,3%), somado a uma pequena participação da
resistência de ponta da estaca (1,4%).

No item 5.4.2, exposto a seguir, apresentam-se os resultados obtidos para o radier


estaqueado CC4 NUM, ou seja, analisado numericamente para as mesmas condições
geométricas (radier e estaca) e de carregamentos submetidos no caso do radier
experimental CC4 EXP.

5.4.2 Radier Estaqueado CC4 NUM

Neste subitem, apresentam-se os resultados das análises numéricas para o radier


estaqueado CC4 NUM que permitiram obter resultados tensão-deformação, curva carga
x recalque e curva de transferência de carga para a estaca.
Na Figura 5.87, verificam-se os resultados obtidos após o processamento da
análise numérica para o radier estaqueado CC4 NUM; e os deslocamentos provocados
devido à carga aplicada no 1º, 5º e 10º estágios de carregamento são 0,429 mm, 2,638
mm e 38,383 mm, respectivamente.
O efeito de compressão, em razão dos carregamentos sobre o radier estaqueado
CC4 NUM, é apresentado na Figura 5.88. Nesta, verifica-se que a tensão máxima de
compressão ocorre no topo da estaca, resultando em 345 kPa (1º estágio), 1393 kPa (5º
estágio) e 2253 kPa (10º estágio).
Conforme indicado na Figura 5.88 (10º estágio), nota-se que as tensões de
compressão espalham-se preferencialmente no topo da estaca, por ser o elemento mais
rígido em relação ao solo. Verifica-se que o solo sob a base do radier recebe carga desde
o 1º estágio de carregamento e no 5º estágio, tornando-se mais acentuado no 10º estágio
de carga. Esse assunto será adequadamente tratado na síntese dos resultados.

235
Figura 5.87. Deslocamentos no radier estaqueado CC4 NUM por estágios de carga.

Analisando-se, em termos de carga x recalque, as Figuras 5.87 e 5.88, obtém-se,


para os estágios de carregamento, os valores de 68 kN (346 kPa), 274 kN (1393 kPa) e
442 kN (2253 kPa), para quatro estacas (CC4 NUM). Esses valores foram obtidos
diretamente no software, pois na Figura 5.88 tem-se as tensões gerais em cada estágio,
porém não são regulares, ou seja, permitem ter um conhecimento amplo do resultado do
problema. Dessa forma, verifica-se que a carga aplicada no topo das estacas era de 97%
no 1º estágio, passando para 78% no 5º estágio e 63% no carregamento final, em relação
à carga máxima de ensaio no respectivo estágio, ou seja, a participação das estacas
decresce quando da aplicação dos estágios de carregamento, mostrando, dessa forma,
236
que a carga provavelmente está sendo absorvida pela área de contato do radier com o
solo.

Figura 5.88. Compressão no radier estaqueado CC4 NUM por estágios de carga.

Ressalta-se que conforme indicado na Figura 5.88 as tensões concentram-se mais


intensas na região da biela de compressão e no topo da estaca, situado na região interna
no 1º e 5º estágios, e externa no 10º estágio. Verifica-se que há duas situações distintas
quando da aplicação dos primeiros estágios: a primeira em que as tensões não são
significativas até o 5º estágio e, posteriormente, em que ocorre aumento dessas voltadas

237
à região externa no topo da estaca, possivelmente provocado pelo esforço horizontal
(componente de força). Diante do exposto pelas análises numéricas no radier estaqueado
CC4 NUM, veirificou-se que efeitos relativos irregularidade de tensões no topo da estaca
poderiam afetar seu comportamento, o que acredita-se ter sido evetido nas provas de
carga devido ao engastamento realizado no radier experimental CC4 EXP.
A partir dos resultados da análise numérica foi possível obter a curva carga x
recalque para o radier estaqueado CC4 NUM. Na Figura 5.89, verifica-se que a carga
máxima de ensaio foi de 700 kN (carga de ensaio do radier estaqueado CC4 EXP) e
recalque máximo de 38,38 mm. A carga de ruptura convencionada para um deslocamento
de 10% do diâmetro nominal da estaca (25 mm) resulta em 646 kN e, em consequência
disso, remete a uma carga de trabalho de 323 kN, correspondendo a um recalque de 2,34
mm.

Figura 5.89. Curva carga x recalque do radier estaqueado CC4 NUM.

A transferência de carga ao longo do fuste das estacas do radier estaqueado CC4


NUM é apresentada na Figura 5.90. Nesta, verifica-se que a mobilização do atrito lateral
da estaca ocorre do 1º ao 10º estágio de carregamento, com participação variável, porém
crescente, da resistência de ponta ao longo desses estágios. Entretanto, ressalta-se que
o atrito lateral é mobilizado mais intensamente até o 6º estágio de carregamento. O

238
esgotamento do atrito lateral é verificado, assim como no caso do radier experimental
(CC4 EXP). A mobilização da resistência de ponta registra seu valor máximo de
participação na capacidade do radier estaqueado CC4 NUM no 10º estágio de
carregamento, correspondendo a 9% da carga total aplicada.

Figura 5.90. Transferência de carga nas estacas do radier estaqueado CC4 NUM.

A distribuição de carga entre o elemento de fundação superficial (radier) e


profunda (estaca) é apresentada na Figura 5.91. Nesta, verifica-se que no 1º estágio de
carregamento a estaca responde por 97% (91% + 6%) da carga aplicada ao radier
estaqueado, em comparação aos relativos ao contato radier solo.
Na Figura 5.91, verifica-se que do 1º ao 10º estágio de carregamento a
participação da estaca (atrito lateral e ponta) decresce continuamente, saindo de 97%
(91% + 6%), no 1º estágio, para 63% (54% +9%), no 10º estágio, contra um crescimento
na participação do contato radier solo de 3% (1º estágio) e 37% (10º estágio). A parcela
de ponta apresenta redução de 6% (1º estágio) para 3% (4º estágio), entretanto, a
partir desse estágio, ocorre um aumento dessa parcela, partindo de 3% (4º estágio)
para 9% (10º estágio). Essa maior participação da ponta pode ser atribuída à mudança

239
de comportamento da fundação quando do aumento da participação da resistência de
contato radier solo na capacidade de carga total do radier estaqueado CC4 NUM.

Figura 5.91. Distribuição de carga no radier estaqueado CC4 NUM.

A carga absorvida pelo contato radier solo (258 kN), dividida pela área líquida de
contato (3,22 m²), resulta em uma tensão de 80 kPa. A maior participação do contato
radier solo e da ponta da estaca (Figura 5.91) pode estar relacionada ao fato de que o
modelo numérico apresenta-se com recalques mais acentuados, mesmo não sendo
observado o esgotamento do atrito lateral. Dessa forma, o sistema apresenta-se menos
conservador e, conforme pode se constatar na Figura 5.92, o fator de segurança para o
carregamento máximo é menor que 1,0 (FS<1,0). Verifica-se que o fator de segurança
reduz-se para valores menores que 1,5, a partir do 6º estágio (60% da carga máxima ou
65% da carga de ruptura), possivelmente justificado pelo aumento dos recalques, que,
nesse estágio, passam dos 4,0 mm (Figuras 5.91 e 5.92).

240
Figura 5.92. Fator de segurança e recalque para o radier estaqueado CC4 NUM.

Para avaliar o efeito de contato e a sua contribuição na capacidade de carga total,


analisou-se numericamente o grupo de estacas SC4 NUM, idêntico ao radier estaqueado
CC4 NUM, porém sem contato da base do radier com o solo. Dessa forma, apresenta-
se, no item 5.4.3, as análises resultantes do grupo de estacas SC4 NUM. O contato foi
suprimido do modelo numérico e a carga foi aplicada sobre o bloco e consequentemente
transmitida ao topo das estacas.

5.4.3 Grupo de estacas SC4 NUM

Os resultados das análises numéricas para o grupo de estacas SC4 NUM


permitiram obter resultados tensão-deformação e a curva carga x recalque do grupo de
estacas. Observa-se, na Figura 5.93, os resultados obtidos após o processamento da
análise numérica para o grupo de estacas SC4 NUM e os deslocamentos provocados
devido à carga aplicada no 1º, 5º e 10º estágios de carregamento.
Nas análises apresentadas nas Figuras 5.93 e 5.94, verifica-se que não houve
formação de zonas de concentração de tensões no topo da estaca, devido à base do
radier. Isso porque o seu efeito foi suprimido devido à ausência do contato radier solo.
Os deslocamentos máximos obtidos foram de 0,497 mm, 2,470 mm e 34,774 mm para o
1º, 5º e 10º estágios de carregamento, respectivamente.

241
Destaca-se que os deslocamentos possuem abrangência radial na estaca,
conforme se verifica na Figura 5.93 (10º estágio). A influência dos deslocamentos cessa
até um raio de 184 mm, comparando-se ao raio original relativo ao diâmetro nominal da
estaca de 125 mm. A carga aplicada sobre o grupo de estacas SC4 NUM intensifica a
participação por atrito lateral, com o aumento das tensões do 5º estágio para o 10º
estágio. Entretanto, a participação da ponta é mais intensa somente para o 10º estágio,
conforme se verifica no 10º estágio, da Figura 5.93.

Figura 5.93. Deslocamentos no grupo de estacas SC4 NUM por estágios de carga.

242
O efeito de compressão, devido aos carregamentos sobre o grupo de estacas SC4
NUM, é apresentado na Figura 5.94. Nesta, verifica-se que a tensão máxima de
compressão ocorre ao longo do comprimento da estaca, variando de 357 kPa (1º
estágio), a 1783 kPa (5º estágio) e 3565 kPa (10º estágio).

Figura 5.94. Compressão no grupo de estacas SC4 NUM por estágios de carga.

Conforme indicado na Figura 5.94 (10º estágio), nota-se que as tensões de


compressão diminuem ao longo do comprimento da estaca (topo para a ponta), que é o
243
elemento mais rígido em relação ao solo, e o bloco conectado ao topo dela está
deslocado 10 cenímetros acima não oferecendo impedimento ao seu deslocamento e/ou
aumentando as tensões de confinamento (𝜎𝑣′ e 𝜎ℎ′ ) nos primeiros metros do fuste da
estaca.
Como resultado das análises numéricas do grupo de estacas SC4 NUM obteve-se
a curva carga x recalque, apresentada na Figura 5.95. Nesta, verifica-se que a carga
máxima de ensaio foi de 700 kN (carga de ensaio do radier estaqueado CC4 NUM) e
recalque máximo de 36,73 mm.
A carga de ruptura, para um deslocamento de 10% do diâmetro nominal da estaca
(25 mm), resulta em 657 kN e, em consequência disso, remete a uma carga de trabalho
de 329 kN, correspondendo a um recalque de 2,30 mm (Figura 5.95).

Figura 5.95. Curva carga x recalque do grupo de estacas SC4 NUM.

Na Figura 5.96, apresentam-se as curvas de transferência de carga ao longo do


comprimento da estaca do grupo de estacas SC4 NUM. Nela, verifica-se que a
mobilização do atrito lateral da estaca ocorre até o 7º estágio de carregamento e
posteriormente a sua saturação, ou seja, o último nível de tensões continua mobilizado.
Concomitantemente, observa-se participação acentuada da ponta entre o 7º e 10º

244
estágio. A saturação do atrito lateral é observada neste caso, assim como observado no
radier estaqueado CC4 NUM.

Figura 5.96. Transferência de carga média na estaca do grupo de estacas SC4 NUM.

A distribuição de carga para o grupo de estacas SC4 NUM acontece somente no


elemento de fundação profunda (estaca), nas parcelas de atrito lateral e resistência de
ponta (Figura 5.97). Nesta, verifica-se que a participação percentual da resistência por
atrito lateral diminui do 1º ao 10º estágio de carregamento, partindo de 99,3% para 88,3%,
respectivamente. A participação da resistência de ponta é de 0,7% no 1º estágio, porém
aumenta gradativamente ao longo dos estágios de carregamento, chegando ao
final com uma participação de 11,7% na capacidade de carga do grupo de estacas
SC4 NUM.
A partir da Figura 5.97 é possível verificar que a parcela de ponta mostra-se
elevada no 9º e 10º estágios de carregamento. Confirma-se, portanto, que a
ausência de um componente superficial, combinado ao elemento de fundação
profunda, modifica a forma como a mobilização do atrito lateral e da resistência de
ponta se comportam.

245
Figura 5.97. Distribuição de carga no grupo de estacas SC4 NUM.

Apresenta-se, na Figura 5.98, a variação do fator de segurança (FS) para todos os


estágios de carregamento. Nela, verifica-se que até o 6º estágio tem-se um fator de
segurança maior ou igual a 1,6. Entretanto, a partir desse estágio o fator de segurança
reduz-se sensivelmente até FS igual 1,0, no 9º estágio de carga (630 kN), atingindo seu
menor valor no 10º estágio, em que FS<1,0, revelando a extenuação da fundação.

Figura 5.98. Fator de segurança e recalque para o grupo de estacas SC4 NUM.

246
No subitem 5.4.4, apresentam-se os resultados comparativos entre o radier
estaqueado experimental (CC4 EXP) e os resultados obtidos pela análise numérica para
o radier estaqueado CC4 NUM.

5.4.4 Comparação entre CC4 EXP x CC4 NUM

Os resultados de curva carga x recalque, obtidos por análise numérica, tendem a


resultar em deslocamentos mais acentuados em comparação aos resultados
experimentais. Nesse sentido, observa-se, na Figura 5.99, que os resultados obtidos para
o radier estaqueado CC4 NUM obedecem a essa tendência de apresentar recalques mais
acentuados, entretanto, nesse caso, o radier estaqueado experimental CC4 EXP também
apresentou recalques elevados, assim como observado no radier estaqueado CC4 NUM.
Os resultados carga x recalque do radier estaqueado CC4 NUM apresentam-se
próximos aos observados no radier estaqueado CC4 EXP, porém o modelo numérico
apresenta-se com deslocamentos mais elevados quando comparado ao radier
experimental CC4 EXP, para todos os estágios de carregamento, podendo-se afirmar
que existe muito boa concordância em termos de previsibilidade de comportamento.

Figura 5.99. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC4 EXP x CC4 NUM.

247
As diferenças de concordância de comportamento entre CC4 EXP e CC4 NUM
podem ser observadas na Figura 5.100. Nesta, verificam-se as divergências de
comportamento que ocorrem ao longo dos diversos estágios de carregamento,
entretanto, exibem equilíbrio entre a participação por atrito lateral e o contato radier solo,
entre o 5º e o 6º estágio de carregamento. A carga, nesse ponto, é de 290 kN ou 60% da
carga máxima de ensaio.

Figura 5.100. Distribuição de Carga entre CC4 EXP x CC4 NUM.

Observa-se, na Figura 5.100, que a participação de ponta no radier estaqueado


CC4 EXP apresenta redução ao longo de todos os carregamentos, partindo de 2,8% (1º
estágio), 1,7% (5º estágio) e 1,4% (10º estágio) da carga total aplicada no topo do radier
estaqueado. Em contrapartida, observa-se que o radier estaqueado CC4 NUM apresenta
participação da resistência de ponta com elevada oscilação ao longo dos estágios de
carregamento, apresentando queda do 1º estágio (6%) ao 4º estágio (3%), e crescimento
a partir desse carregamento até o 10º estágio, resultando em uma participação de
aproximadamente 9%.
Diante do exposto acima, verifica-se que no caso do radier estaqueado CC4 NUM
a mobilização da resistência parte da ponta para o topo da estaca, porém é variável ao

248
longo dos carregamentos. No caso do radier estaqueado CC4 EXP, tem-se inicialmente
a mobilização pela resistência de ponta, porém permanece constante ao longo dos
estágios de carregamento. Essa diferença de comportamento, com maior participação de
ponta no radier estaqueado CC4 NUM, pode ser atribuída à dificuldade de impor ao
modelo numérico as condições de campo e ao processo executivo do tipo de estaca
empregada, resultando em valores mais elevados quando comparados aos observados
no radier estaqueado CC4 EXP.
As resistências por atrito lateral e contato radier solo divergem entre si desde o 1º
estágio de carregamento, conforme mostra a Figura 5.100. Nesta, verifica-se que os
radiers apresentam equilíbrio de contribuição entre o atrito lateral e o contato radier solo,
do 5º para o 6º estágio de carregamento (aproximadamente 60% da carga máxima de
ensaio), resultando em 70% de atrito lateral e 27% de resistência por contato radier solo.
Consequentemente, a participação da resistência de ponta resultaria algebricamente em
3% (100% - 97%). Esse valor encontra-se mais próximo ao observado no radier
estaqueado CC4 EXP, visto que a parcela de ponta no radier estaqueado CC4 NUM é
três vezes maior em relação ao CC4 EXP.
Na Figura 5.101, apresentam-se as curvas de transferência de carga para cada
uma das estacas dos radiers estaqueados CC4 EXP e CC4 NUM. Nela, verifica-se que
no 1º estágio existe maior concordância de comportamento entre o modelo experimental
e o numérico, em relação ao 5º e 10º estágios. Convém ressaltar que, mesmo diante das
divergências encontradas, verifica-se que no 5º estágio a transferência de carga do radier
estaqueado CC4 NUM apresenta valores de carga no topo e na ponta próximos aos
observados para o radier estaqueado CC4 EXP. Entretanto, o mesmo não pode ser
observado para o 10º estágio de carregamento, em que se verifica discrepância ao longo
da transferência dessa carga pelo fuste da estaca.
Essas divergências no carregamento final estão potencialmente relacionadas à
forma como a mobilização do atrito lateral e a resistência de ponta são diferentemente
influenciadas nos radiers estaqueados CC4 EXP e CC4 NUM, devido à influência do
efeito de contato radier solo entre o modelo experimental e o numérico.

249
Figura 5.101. Transferência de carga nos radiers estaqueados CC4 EXP e CC4 NUM.

A variação do fator de segurança (FS) revela como cada radier estaqueado, CC4
EXP e CC4 NUM, se comportou em função dos carregamentos realizados. Na Figura
5.102, apresentam-se os resultados de FS para esses radiers estaqueados analisados e
o respectivo recalque para cada estágio de carregamento. Nessa figura, é possível
verificar como os carregamentos influenciaram na redução do FS e na magnitude do
recalque.

Figura 5.102. Fator de segurança e recalque entre os radiers estaqueados CC4 EXP x CC4
NUM.
250
Os recalques são mais acentuados para o radier estaqueado CC4 NUM em
relação ao CC4 EXP, para todos os estágios. Entretanto, observa-se, na Figura 5.102,
que o radier estaqueado CC4 NUM apresentou valor de FS inferior ao observado no
radier estaqueado CC4 EXP, até o 6º estágio de carregamento e, a partir desse estágio,
os fatores de segurança são iguais até o 10º estágio (FSCC4 NUM = FSCC4 EXP). Ressalta-
se que no 7º estágio o FSCC4 NUM iguala-se ao FSCC4 EXP, ou seja, igual a 1,3, chegando a
1,0 no 9º estágio de carregamento ou 90% da carga máxima de ensaio. No 10º estágio
de carregamento, esses fatores de segurança ainda são iguais, no entanto menores que
um (FSCC4 NUM; CC4 EXP = 0,9 < 1,0), evidenciado a extenuação dessa fundação quando da
aplicação da carga máxima de ensaio em relação à carga de ruptura convencionada para
esses radiers.
Constata-se que os fatores de segurança são menores no radier estaqueado CC4
NUM atrelado aos deslocamentos mais elevados, comparados ao radier estaqueado CC4
EXP, até o 6º estágio. Entretanto, apesar dos recalques se manterem mais elevados no
radier estaqueado CC4 NUM, os fatores de segurança sofrem redução mais acentuada
para o radier estaqueado CC4 EXP, demonstrando um comportamento mais abrupto do
que no radier estaqueado CC4 NUM.
Mediante ao apresentado anteriormente, realizou-se a normalização dos
recalques dos radiers estaqueados CC4 EXP e CC4 NUM, comparando-os, então, ao
fator de segurança (Figura 5.103) e à carga normalizada (Figura 5.104).

Figura 5.103. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC4 EXP x CC4 NUM.
251
De acordo com a Figura 5.103, percebe-se que a redução do fator de segurança
para o radier experimental (FSCC4 EXP) e para o radier numérico (FSCC4 NUM) possui
praticamente o mesmo comportamento. Dessa forma, verifica-se que para ambos os
radiers inicia-se o processo de convergência assintótica quando se reduz os valores de
FS 2,0. Ou seja, nota-se uma concordância em termos de comportamento da redução
do fator de segurança (FS) com o recalque normalizado para os radiers estaqueados
CC4 EXP e CC4 NUM.
Diante do exposto, nota-se que o radier estaqueado experimental CC4 EXP e o
radier estaqueado analisado numericamente (CC4 NUM) têm o FS influenciado desde a
carga para ½·Qrup (FSCC4 NUM; CC4 EXP = 2,0).
O comportamento em termos de carga e recalque normalizados é apresentado na
Figura 5.104 e corrobora as análises efetuadas anteriormente, ou seja, somente a partir
do 7º estágio (0,7 da carga normalizada) inicia-se o processo de deslocamentos
(recalques) mais acentuados no radier estaqueado CC4 NUM. O modelo numérico desse
radier mostra-se razoavelmente adequado a simular o comportamento do radier
experimental (CC4 EXP), pois se evidencia discrepância de deslocamentos entre os
radiers estaqueados CC4 EXP e CC4 NUM, entre o 6º e o 10º estágio de carregamento.

Figura 5.104. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC4 EXP x CC4 NUM.

252
O radier estaqueado CC4 EXP apresenta carga de ruptura de 658 kN, em
contraposição a 646 kN do radier estaqueado CC4 NUM, ou seja, 1,8% maior. Verifica-
se que a curva carga x recalque normalizados do radier estaqueado CC4 NUM se
encontra mais abatida entre 0,7 e 1,0 da carga normalizada (Figura 5.104). Dessa forma,
é constatada menor capacidade de carga do radier estaqueado CC4 NUM para o mesmo
deslocamento imposto ao radier estaqueado CC4 EXP (10% do diâmetro da estaca).
As análises realizadas até este ponto demonstram as semelhanças e diferenças
de comportamento entre o radier estaqueado, o experimental (CC4 EXP) e o numérico
(CC4 NUM). O entendimento da contribuição do contato radier solo é complexo,
demandando análises complementares que possam evidenciar quais as alterações de
comportamento e qual a capacidade de carga do radier estaqueado, caso este não
disponha do contato com o solo. Dessa forma, no subitem 5.4.5, será apresentado o caso
simulado numericamente para o radier estaqueado CC4 NUM, porém com a supressão
do contato com o solo, originando o grupo de estacas SC4 NUM. Esse radier transmite a
carga aplicada sobre ele diretamente às estacas.

5.4.5 Comparação entre CC4 NUM x SC4 NUM

Comparam-se neste subitem, as análises numéricas entre o radier estaqueado


(CC4 NUM) e o grupo de estacas (SC4 NUM). Verifica-se na Figura 5.105, o resultado
da simulação numérica dos radiers numéricos (CC4 NUM) e grupo de estacas (SC4
NUM), em termos de curva carga x recalque. Nessa figura, observa-se que o grupo de
estacas (SC4 NUM) resulta em uma curva com deslocamentos menores em relação ao
radier estaqueado (CC4 NUM), entre o 6º e 10º estágios de carregamento.
De acordo com a Figura 5.105, verifica-se, no caso do radier estaqueado CC4
NUM, que a presença do contato favorece o aumento dos deslocamentos, semelhante
às curvas carga x recalque para fundações superficiais. No caso do grupo de estacas
SC4 NUM, observa-se o comportamento de fundações profundas, como, por exemplo,
um grupo de estacas.
As curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC4 NUM e SC4 NUM
apresentam concordância entre o 1º e 5º estágios de carregamento, revelando pequena
253
influência nesse aspecto do efeito de contato sobre o comportamento das fundações em
termos de capacidade de carga e recalque. Entretanto, a partir do 6º estágio verifica-se,
de acordo com a Figura 5.105, que a curva carga x recalque do grupo de estacas SC4
NUM (sem contato) não apresenta deslocamentos (recalques) na mesma razão que
aqueles observados na curva do radier estaqueado CC4 NUM, ou seja, a ausência de
contato radier solo permitiu ao grupo de estacas SC4 NUM aumentar a capacidade de
carga entre o 6º e 9º estágios de carregamento, evidenciado pelos deslocamentos
menores em relação ao radier estaqueado CC4 NUM. Consequentemente, a “ruptura” do
grupo de estacas SC4 NUM é mais abrupta em relação à curva obtida pelo radier
estaqueado CC4 NUM.

Figura 5.105. Curvas carga x recalque dos radiers estaqueados CC4 NUM x SC4 NUM.

Como não há contato no caso do grupo de estacas SC4 NUM, toda a capacidade
de carga é proveniente do elemento de fundação profunda em estaca. A Figura 5.106
apresenta a distribuição das parcelas de resistência entre atrito lateral e ponta, para o
grupo de estacas SC4 NUM, e compara-se ao obtido no caso do radier estaqueado (CC4
NUM). Na referida figura, observa-se que no caso do grupo de estacas (SC4 NUM) a
mobilização do atrito se dá do topo para a ponta, com participação de aproximadamente
3% da resistência de ponta até o 5º estágio de carregamento. No 10º estágio, tem-se

254
uma participação expressiva da parcela de ponta, respondendo por 12%, contra 88%
relativos à resistência por atrito lateral. No caso do radier estaqueado CC4 NUM, a
presença do radier em contato com o solo modifica a maneira como a resistência é
mobilizada. Na Figura 5.106, verifica-se que a parcela de ponta é de 6%, logo no 1º
estágio de carregamento, e diminui para 3% (5º estágio), atingindo o valor máximo de
aproximadamente 9% (10º estágio).

Figura 5.106. Distribuição de carga entre CC4 NUM x SC4 NUM.

A participação da resistência do elemento de fundação em estaca é maior no caso


do grupo de estacas (SC4 NUM), diferentemente do obtido no caso do radier estaqueado
(CC4 NUM). Dessa forma, verifica-se que a resistência de ponta é mais expressiva para
o grupo de estacas (SC4 NUM). Tal fato pode ser atribuído à ausência do contato do
radier solo, que permite, dessa forma, que a mobilização do atrito lateral da estaca ocorra
do topo para a ponta e consiga atingir valores mais expressivos da resistência de ponta,
pois não há um elemento no topo da estaca que impeça esse deslocamento, no caso do
grupo de estacas SC4 NUM.

255
Em relação ao fator de segurança (FS), verifica-se, na Figura 5.107, que os fatores
de segurança obtidos para o grupo de estacas (SC4 NUM) apresentam FSSC4 NUM maior
em relação ao FSCC4 NUM entre o 1º e 6º estágios de carregamento. Do 7º ao 10º estágio
de carregamento, os fatores de segurança são iguais. Registrando-se FS = 1,0 para os
radiers estaqueados CC4 NUM e SC4 NUM, no 9º estágio de carregamento, e FS<1,0,
no 10º estágio de carregamento, constatando-se a extenuação do elemento de fundação.
Destaca-se que a presença do contato radier solo está diretamente relacionada ao
fato desse efeito de contato propiciar a ocorrência de deslocamentos (recalques) mais
acentuados, provavelmente relacionados ao comportamento que o elemento de fundação
superficial impõe ao conjunto radier estaqueado (fundação superficial + fundação
profunda). Verifica-se que o radier estaqueado CC4 NUM apresenta deslocamentos mais
acentuados, em comparação ao grupo de estacas SC4 NUM, justificando as diferenças
dos fatores de segurança obtidos para os radiers SC4 NUM e CC4 NUM.

Figura 5.107. Fator de segurança e recalque dos radiers estaqueados CC4 NUM x SC4
NUM.

De acordo com as análises apresentadas anteriormente, realizou-se a


normalização dos recalques dos radiers estaqueados CC4 NUM e SC4 NUM,
comparando-se estes ao fator de segurança (Figura 5.108) e à carga normalizada (Figura
5.109).
256
De acordo com as Figuras 5.108 e 5.109, percebe-se que a redução do fator de
segurança para o grupo de estacas (FSSC4 NUM) apresenta convergência assintótica
quando o fator de segurança chega próximo a 1,3. Diferentemente do que ocorre com a
curva do radier numérico (FSCC4 NUM), que inicia uma tendência de convergência discreta
quando o FSCC4 NUM é menor que 2,0. Dessa forma, verifica-se que os deslocamentos são
mais acentuados no caso do radier estaqueado (CC4 NUM) do que em relação ao grupo
de estacas (SC4 NUM).
Diante do exposto acima, nota-se que o grupo de estacas SC4 NUM tem o
comportamento de FS influenciado quando o estágio de carga está próximo a 1,3. O
radier estaqueado CC4 NUM tem o fator de segurança influenciado a partir de FSCC4 NUM
 2,0 igualando-se ao comportamento do SC4 NUM quando o recalque normalizado (w/B)
é igual a 1,0% (Figura 5.108).

Figura 5.108. Recalque médio normalizado com fator de segurança global dos radiers
estaqueados CC4 NUM x SC4 NUM.

O comportamento em termos de carga e recalque normalizados é apresentado na


Figura 5.109 e corrobora as análises efetuadas anteriormente, ou seja, o grupo de
estacas SC4 NUM apresenta a tendência de suportar carga mais elevadas (entre o 6º e
o 9º estágio), mantendo os recalques normalizados abaixo de 1% (0,90 da carga
normalizada). A partir desse ponto, os deslocamentos ficam mais acentuados para esse
257
radier somente no 10º estágio, porém permanecem inferiores aos observados no radier
estaqueado CC4 NUM.

O grupo de estacas SC4 NUM apresenta carga de ruptura de 657 kN, comparada
a 646 kN do radier estaqueado CC4 NUM, ou seja, 1,8% maior. No caso do radier
estaqueado CC4 NUM, a menor capacidade pode ser atribuída ao efeito do contato radier
solo, que pode ter agido alterando o equilíbrio no estado de tensões (𝜎𝑣′ e 𝜎ℎ′ ), nos
primeiros metros do fuste da estaca, próximo à base do radier e ao topo da estaca,
conforme apresentado nos resultados das análises numéricas.

Figura 5.109. Recalque médio normalizado e carga normalizada dos radiers estaqueados
CC4 NUM x SC4 NUM.

Diante do exposto, verifica-se que a mobilização da resistência ocorreu


diferentemente em ambos os radiers estaqueados, sendo observada, no radier
estaqueado CC4 NUM, uma mobilização da ponta para o topo da estaca, e no caso do
grupo de estacas SC4 NUM, o efeito contrário, ou seja, do topo para a ponta. Verifica-se
que o atrito lateral é mais evidente no grupo de estacas SC4 NUM (Figura 5.96) do que
no radier estaqueado CC4 NUM (Figura 5.90).

258
6 SÍNTESE DAS ANÁLISES
Neste capítulo serão apresentados os resultados obtidos para os radiers
estaqueados, relacionando-os em termos de comportamento carga x recalque, fator de
segurança, contribuição radier solo, influência do contato no comportamento, fator de
interação entre as estacas, rigidez do radier estaqueado, dentre outros fatores.
Para melhor entender as peculiaridades do comportamento dos radiers
estaqueados analisados experimentalmente, apresentam-se na Figura 6.1, as curvas
carga x recalque destes radiers estaqueados. Conforme anteriormente informado, o
método da rididez embasou a determinação das cargas de ruptura, convencionadas para
um deslocamento correspondente a 10% do diâmetro nominal da estaca, ou seja, 25 mm
de recalque. Para evitar a influência do fator de escala nas curvas, estas foram plotadas
em mesma escala, e, portanto, para que se observe melhor o comportamento destas.

Figura 6.1. Curvas carga x recalque para os radiers experimentais (CC1 EXP, CC2 EXP,
CC3 EXP e CC4 EXP).

Nas Figuras 6.2 e 6.3, apresentam-se as curvas carga x recalque obtidas para os
radiers estaqueados numéricos (CC NUM) e grupo de estacas numéricos (SC NUM),
respectivamente. Essas curvas carga x recalque foram obtidas por meio de simulações
numéricas por elementos finitos 3D. As curvas carga x recalque, com os deslocamentos

259
e cargas máximas obtidos para os radiers experimentais, encontram-se apresentadas no
Apêndice C.

Figura 6.2. Curvas carga x recalque dos radiers numéricos.

Figura 6.3. Curvas carga x recalque dos grupos de estacas numéricos.

Para as curvas obtidas experimentalmente, observa-se comportamento assintótico


na região da carga máxima de ensaio, como observado por Viggiani et al. (2012).

260
Na Tabela 6.1, apresentam-se os resultados comparativos entre as cargas de
ruptura em relação à carga máxima de ensaio para os radiers estaqueados experimentais
(CC EXP) e numéricos (CC NUM). Nessa tabela, verifica-se que as cargas de ruptura
determinadas para um deslocamento igual a 10% do diâmetro nominal da estaca (25 mm)
resultaram, para os radiers estaqueados experimentais e numéricos, em cargas de
ruptura subestimadas em relação à máxima de ensaio. Entretanto, as variações a menor
mantiveram-se abaixo dos 9%, exceto para os radiers estaqueados CC1 NUM e CC2
NUM, que apresentaram carga de ruptura 11,3% e 13,4% menores em relação à máxima
de ensaio, respectivamente.

Tabela 6.1 Comparativo entre cargas dos radiers estaqueados.

Na Figura 6.4, apresentam-se os resultados das cargas de ruptura obtidas para os


radiers experimentais (CC EXP) e os numéricos (CC NUM), com 1, 2, 3 e 4 estacas. Nela,
verifica-se que as cargas de ruptura dos radiers estaqueados numéricos apresentam-se
próximas às obtidas para os radiers estaqueados experimentais. Entretanto, as cargas
de ruptura dos radiers estaqueados numéricos são predominantemente menores em
relação às cargas de ruptura obtidas para os radiers estaqueados experimentais, devido
261
ao fato das caraterísticas de escorregamento estaca solo do modelo numérico, ser o fator
preponderante na diferença de comportamento em relação ao resultado experimental.
Percebe-se que o modelo mantém um padrão uniforme e gradativo quando da ocorrência
das deformações permanentes (deformações plásticas), ao passo que não é possível
observar tal situação no modelo experimental, pois o solo se apresenta como material
não ideal.
As diferenças apresentadas na Figura 6.4 são avaliadas na Tabela 6.2. Nesta,
verifica-se que as variações foram relativamente pequenas entre os resultados obtidos
para o radier estaqueado numérico, comparados ao radier estaqueado experimental,
resultando em 7,8% (CC1 NUM x CC1 EXP), 5,3% (CC2 NUM x CC2 EXP), 1,5% (CC3
NUM x CC3 EXP) e 1,8% (CC4 NUM x CC4 EXP).

Figura 6.4. Carga de ruptura dos radiers estaqueados.

Avaliando-se o efeito de contato em radier estaqueado, apresenta-se, na Tabela


6.3, os resultados comparativos entre as cargas de ruptura, em relação à carga máxima
de ensaio para os radiers estaqueados numéricos e os grupos de estacas numéricos.
Nessa tabela, verifica-se que as cargas de ruptura determinadas para um deslocamento
igual a 10% do diâmetro nominal da estaca (25 mm) resultaram, para os radiers
estaqueados numéricos e grupos de estacas numéricos, em cargas de ruptura

262
subestimadas em relação à máxima de ensaio. Entretanto, as variações a menor
mantiveram-se abaixo dos 10% para todos os radiers, exceto para os radiers
estaqueados CC1 NUM e CC2 NUM, que apresentaram cargas de ruptura 11,3% e 13,4%
menores em relação à máxima de ensaio, respectivamente.

Tabela 6.2 Relação entre as cargas de ruptura dos radiers estaqueados.

Tabela 6.3 Comparativo entre cargas dos radiers estaqueados e grupos de estacas.

Na Figura 6.5, apresentam-se os resultados das cargas de ruptura obtidas para os


radiers estaqueados numéricos e os grupos de estacas, com 1, 2, 3 e 4 estacas. Nessa
263
figura, verifica-se que as cargas de ruptura dos grupos de estacas, são maiores em
relação àquelas obtidas para os radiers estaqueados numéricos, mesmo o grupo de
estacas não dispondo da resistência devido ao efeito de contato bloco-solo. Dessa forma,
constata-se, numericamente, que o efeito de contato em radiers estaqueados modifica o
comportamento carga x recalque e, conforme discutido nesta tese, não implica
necessariamente em maior capacidade de carga na ruptura (Figura 6.5).

Figura 6.5. Carga de ruptura de radiers estaqueados x grupos de estacas.

As diferenças apresentadas na Figura 6.5 são avaliadas na Tabela 6.4. Nesta,


verifica-se que as variações foram relativamente pequenas entre os resultados obtidos
para os radiers estaqueados numéricos, comparando-os aos grupos de estacas
numéricos, resultando em 4,2% (CC1 NUM x SC1 NUM), 3,9% (CC2 NUM x SC2 NUM),
5,1% (CC3 NUM x SC3 NUM) e 1,8% (CC4 NUM x SC4 NUM). Dessa forma, verifica-se
que em termos de carga de ruptura existe boa concordância entre os resultados dos
radiers estaqueados e grupos de estacas anlisados numericamente.
Diante das pequenas variações apresentadas nas Figuras 6.4 e 6.5, verifica-se
que a estimativa da carga de ruptura, a partir de um deslocamento igual a 10% do
diâmetro da estaca, apresentou boa adequabilidade entre as situações analisadas.

264
Tabela 6.4 Relação das cargas de ruptura dos radiers estaqueados e grupos de estacas.

De acordo com a Figura 6.6, verifica-se que a resistência de ponta apresenta-se


crescente com o aumento dos carregamentos em todos os radiers estaqueados
experimentais. Entretanto, apesar da resistência de ponta crescente, o seu impacto na
capacidade de carga é pouco significativo em relação ao percentual de carga aplicada
sobre esses radiers, nos seus respectivos estágios de carregamento. A explicação para
a pouca contribuição da resistência de ponta pode estar relacionada ao fato de terem
sido utilizadas estacas escavadas na composição desses radiers estaqueados. Fato este
verificado em estacas isoladas, executadas no local por Schulze (2013) e Scallet (2011).
Portanto, era esperado que a resistência de ponta fosse praticamente inexpressiva no
que se refere à resistência por atrito lateral e contato radier solo.
Como relatado anteriormente, o processo executivo das estacas escavadas não
garante condições favoráveis ao desenvolvimento da resistência de ponta, mas sim pelo
atrito lateral, por ser moldada in loco.
A efetiva contribuição em termos percentuais da participação da resistência de
ponta na capacidade de carga dos radiers estaqueados experimentais é apresentada na
Figura 6.7. Nesta, observa-se que a parcela de resistência de ponta para o radier
estaqueado CC1 EXP é proporcionalmente crescente com os incrementos de carga. No
caso do radier estaqueado CC2 EXP, a participação da parcela de ponta é irregular até
o 7º estágio, evidenciando crescimento entre o 8º e 10º estágios de carregamento. O
radier estaqueado CC3 EXP apresenta comportamento semelhante ao CC2 EXP, porém
com variações mais acentuadas até o 5º estágio, e, na sequência, exibe estabilização até
o 10º estágio. Por fim, pode-se dizer que o radier experimental (CC4 EXP) apresenta
265
maior parcela de ponta no 2º estágio, em seguida apresenta tendência de redução
gradativa até o 10º estágio.

Figura 6.6. Carga média na ponta das estacas nos radiers estaqueados experimentais.

Figura 6.7. Participação da resistência de ponta nos radiers estaqueados experimentais.


Diante do exposto acima, verifica-se que os radiers estaqueados CC1 EXP e CC4
EXP são os que apresentam tendência melhor definida quanto à participação da
resistência de ponta na capacidade de carga do radier estaqueado. No caso do radier
estaqueado CC1 EXP, de forma crescente, e no CC4 EXP, decrescente. Entretanto, o

266
CC1 EXP apresenta crescimento gradativo ao longo dos estágios e o radier estaqueado
CC4 EXP, comportamento inverso.
Analisando-se os radiers experimentais (CC1 EXP, CC2 EXP, CC3 EXP e CC4
EXP), em termos de resistência por atrito lateral, verifica-se, por meio da Figura 6.8, que
há um crescimento expressivo nos diferentes radiers estaqueados. Em termos de valores
absolutos, os maiores valores da parcela de atrito lateral podem ser atribuídos aos radiers
estaqueados CC4 EXP, CC3 EXP, CC2 EXP e CC1 EXP. Tal fato está diretamente
relacionado às quantidades de estacas que cada radier estaqueados possui.

Figura 6.8. Resistência por atrito lateral por radier estaqueado CC EXP.

Em termos percentuais de resistência por atrito lateral, observa-se, na Figura 6.9,


que sua atuação é responsável pela maior parcela de contribuição na capacidade de
carga dos radiers estaqueados experimentais (CC EXP). Em média, essa resistência por
atrito lateral é da ordem de 75% da contribuição nos estágios finais de carregamento.
Entretanto, observa-se que para os primeiros estágios de carregamento o
comportamento do atrito lateral mostra-se irregular entre os radiers. Destaca-se, porém,
que os radiers experimentais CC2 EXP (2 estacas), CC3 EXP (3 estacas) e CC4 EXP (4
estacas) possuem comportamento semelhante de aumento crescente do atrito lateral no
decorrer dos estágios de carregamento. O mesmo não pode ser observado para o radier
estaqueado experimental (CC1 EXP), que exibe diminuição da participação da

267
resistência por atrito lateral ao longo dos estágios de carregamento e,
consequentemente, desenvolve-se aumento na participação de ponta.

Figura 6.9. Participação do atrito lateral para os radiers estaqueados CC EXP.

O comportamento do radier estaqueado experimental (CC1 EXP) é marcado pela


elevada participação do atrito lateral e baixa resistência de ponta, que no decorrer dos
estágios de carregamentos sofre redução da resistência por atrito lateral e aumento da
parcela de ponta. Evidencia-se, diante do exposto, a predominância de comportamento
de fundação profunda por estaca, apesar da presença do contato radier solo. Acredita-
se que tais registros possam ser atribuídos à pouca área líquida de contato do radier
estaqueado CC1 EXP.
A participação da resistência por atrito lateral do radier estaqueado CC2 EXP
apresenta-se crescente ao longo dos estágios de carregamento, conforme mostra a
Figura 6.9. A resistência de ponta apresenta participação discreta, com pequena
variação, conforme visto na Figura 6.7.
A participação devido ao contato radier solo é apresentada nas Figuras 6.10 e
6.11, para todos os radiers estaqueados experimentais. A carga devido ao contato radier
solo apresenta diminuição em função da carga total aplicada sobre o radier em cada
estágio de carga. Observa-se, no estágio de carregamento final, que as participações dos
radiers estaqueados devido ao contato radier-solo se concentram entre 15 e 27%.

268
Figura 6.10 Carga devido ao contato por radiers estaqueados CC EXP.

O comportamento das resistências por atrito lateral, de ponta e contato radier solo,
são apresentados em função dos radier estaqueados, conforme apresentados na Figura
6.11. Nesta, verifica-se que a participação do atrito lateral das estacas apresenta-se
praticamente constante do radier estaqueado CC1 EXP para o CC4 EXP, exceto para o
radier estaqueado CC2 EXP (Figura 6.11), que apresenta pequena redução. A
participação da resistência de ponta apresenta redução em função dos radiers
estaqueados CC1 EXP para o CC4 EXP, conforme anteriormente observado na Figura
6.7.
Em termos de tensão aplicada ao solo por meio do contato dos radiers
estaqueados, foi observado que as tensões em função dos carregamentos dos radiers
estaqueados apresentaram comportamento diferentes, tanto pela característica da curva
tensão x deslocamento, quanto pela “tensão de ruptura” do solo abaixo do radier. Na
Figura 6.12, veririca-se certa semelhança de comportamento da curva para os radiers
estaqueados compostos de 2 e 4 estacas, ou seja, o trecho incial elástico linear, atingindo
a tensão máxima seguida de uma recuperação discreta da resistência do solo devido ao
contato radier-solo com o aumento dos deslocamentos. Nesta mesma figura, os radiers
estaqueados compostos de 1 e 3 estacas, apresentam comportamento típico de
fundação superficial, ou seja, os carregamentos aplicados aumentaram a tensão do
269
contato radier-solo concomitamente ao aumento dos deslocamentos, não sendo
verificado a ruptura nítida. A carga de “ruptura” ou máxima neste caso é determinada em
função de um deslocamento máxima admissível para o elemento de fundação superficial.

Figura 6.11 Participação devido ao contato para os radiers estaqueados CC EXP.

Figura 6.12. Curvas de tensão aplicada no solo pelos radiers estaqueados

As participações por atrito lateral e contato radier solo variam em função dos tipos
de radiers estaqueados experimentais, verificando-se que a participação de atrito lateral
270
varia de 70% a 80% (Figura 6.13). A participação por contato radier solo, para os radiers
estaqueados compostos de 3 e 4 estacas correspondem, aproximadamente, a 20% e
para os radiers compostos de 1 e 2 estacas essa participação é de 15% e 27%,
respectivamente. Essas parcelas de participação são próximas àquelas encontradas na
literatura, entretanto, para o radier estaqueado composto de 2 estacas, nota-se uma
participação mais acentuada, que possivelmente está relacionada à geometria desse
radier.

Figura 6.13 Participação de carga entre atrito lateral, ponta e contato radier solo para os
radiers estaqueados experimentais.

As análises apresentadas a seguir foram realizadas em função da área líquida de


contato e da área das estacas pela área total dos radiers estaqueados, conforme
apresentado na Tabela 6.5.
Os comportamentos dos radiers compostos de 1, 2, 3 e 4 estacas, em função das
razões entre áreas apresentadas na Tabela 6.5, são graficamente apresentados na
Figura 6.14. Nesta, observa-se que as relações entre a área da estaca (Aest) e a área
total do radier (Atotal) mostram-se crescentes a partir do radier estaqueado composto de
1 estaca até o radier composto de 3 estacas (CC3 EXP), entretanto, permanecem
constantes deste até o radier estaqueado composto de 4 estacas (CC4 EXP). Para a
relação entre a área líquida (Aliq) e a área total do radier (At), os radiers apresentam
redução de 13,9% (CC1 EXP), 9% (CC2 EXP), 6,2% (CC3 EXP) e 5,8% (CC4 EXP).
271
Dessa forma, pode-se dizer que as análises efetuadas em função dessas informações
são de grande importância para a interpretação dos resultados.

Tabela 6.5 Relação de áreas dos radiers estaqueados.

A variação da carga de ruptura em função da razão entre as áreas (Aest/Atotal) e


(Aliq/Atotal) é apresentada na Figura 6.14. Nesta, verifica-se que a carga de ruptura para o
caso analisado é crescente com o aumento da relação entre a área líquida de contato
(Aliq) sobre a área total do radier (At) e com o aumento do número de estacas. A exemplo
disso, verifica-se, na Figura 6.14, que a carga de ruptura dos radiers estaqueados CC1
EXP, CC2 EXP e CC3 EXP aumenta conforme se eleva a relação entre Aliq/Atotal. Porém,
no caso do radier estaqueado CC4 EXP, essa relação se mantém inalterada em 0,94 e
registra-se aumento da carga de ruptura, justificado pela maior quantidade de estacas
desse radier em relação ao radier estaqueado CC3 EXP. Constata-se, portanto, que o
aumento da capacidade do radier pode ser influenciado pela área de contato e pelo
número de estacas que compõem o radier estaqueado. Entretanto, são constatações
para o caso analisado, ou seja, radiers estaqueado “pequenos”, conforme Mandolini et al
(2012) e solo com características semelhantes as da argila de Campinas/SP.
Em termos de carga de ruptura para os radiers estaqueados experimentais,
verifica-se, na Figura 6.15, a variação em função da relação da Aest / Atotal. Nela,
corrobora-se o observado na Figura 6.14, ou seja, a carga de ruptura aumenta em função
do aumento da relação entre a área das estacas (Aest), dividida pela área total do radier
(Atotal). Entretanto, observa-se entre os radiers estaqueados compostos de 3 e 4 estacas
que a capacidade de carga aumenta com o número maior de estacas para uma mesma
área líquida de contato. Portanto, não existe regra geral, e a capacidade de carga de

272
radier estaqueado aumenta tanto pelo aumento da área líquida de contato, como pela
quantidade de estacas sob o radier.

Figura 6.14 Variação das relações de área dos radiers estaqueados CC EXP.

Figura 6.15 Variação da carga de ruptura pela relação de área dos radiers estaqueados
CC EXP.

No caso de radiers estaqueados experimentais, a ponta permanece com


participação constante e baixa em termos de carga. O atrito lateral responde pela carga
de ruptura, pois a carga observada no contato radier-solo apresenta crescimento discreto
em relação ao atrito lateral das estacas, conforme se observa na Figura 6.16.

273
O comportamento apresentado na Figura 6.16 pode ser mais bem analisado em
termos de participação percentual, por meio da Figura 6.17. Nesta, verifica-se que a
participação da ponta na capacidade de carga do radier estaqueado é menor que 10%,
e decrescente em função dos radiers estaqueados experimentais.

Figura 6.16 Carga em função de (Aest) / (Atotal).

Figura 6.17 Participação de carga em função de (Aest) / (Atotal).

Os radiers estaqueados experimentais compostos de 2, 3 e 4 estacas apresentam


aumento do atrito lateral das estacas em função da redução na relação Aest/Atotal,
274
conforme Figura 6.17. O radier estaqueado experimental de 1 estaca apresenta
comportamento divergente em relação ao comportamento dos demais, porém sua
participação em termos de atrito lateral é aproximadamente igual à observada para o
radier estaqueado CC4 EXP (80%). A menor participação por atrito lateral é observada
para o radier estaqueado experimental de 2 estacas em relação aos demais e a maior
para os radiers estaqueados de 2 e 4 estacas. Dessa forma, não se constata uma
tendência de comportamento evidente entre esses radiers experimentais, de acordo com
a relação Aest/Atotal.
A partir dos resultados da Figura 6.18, observa-se que não há uma tendência de
comportamento entre as parcelas de atrito lateral, ponta e contato radier solo entre os
radiers estaqueados experimentais (CC EXP).

Figura 6.18 Variação da carga de ruptura em fundação da relação de áreas dos radiers
estaqueados experimentais

Ao analisar em função da relação da área líquida de contato (Aliq) e a área total do


radier (Atotal), verifica-se, nas Figuras 6.18 e 6.19, que há um crescimento por atrito lateral.
Nestas figuras, observa-se que o atrito lateral das estacas é crescente com o aumento
da área líquida de contato radier-solo. Entretanto, no caso dos radiers estaqueados
compostos de 3 e 4 estacas, para uma mesma área líquida de contato, a carga última é
maior para o radier estaqueado com quantidade maior de estacas. Lembrando que as
275
estacas do tipo escavadas, respondem majoritariamente por atrito lateral e pouco ou
quase nenhuma participação de ponta.

Figura 6.19 Participação de carga em função de (Aliq) / (Atotal)

Mediante as análises efetuadas, verifica-se que a geometria da área de contato do


radier exerce influência em seu comportamento, fazendo com que ocorram variações na
porcentagem de participação, devido ao efeito de contato para cada radier estaqueado.
As análises apresentadas a seguir terão por finalidade avaliar comparativamente
os resultados numéricos aos resultados experimentais, assim como complementar as
análises realizadas nos radiers estaqueados experimentais. Dessa forma, certifica-se, na
Figura 6.20, que os radiers estaqueados compostos de 1, 2, 3 e 4 estacas apresentaram
atrito lateral de 92, 9%, 93,8%, 96,4% e 98,2%, respectivamente. Nota-se que o atrito
lateral em função da carga total na estaca apresentou aumento de participação do atrito
lateral do radier estaqueado CC1 EXP ao radier estaqueado CC4 EXP. Nessa mesma
figura verifica-se que o atrito lateral das estacas dos radiers estaqueados analisados
numericamente em média são menores quando comparado ao atrito lateral obtido nos
radiers estaqueados experimentais. Tal fato pode estar relacionado ao modelo
constitutivo numérico, que não expressa integralmente as características de resistência

276
mecânica do solo, assim como o efeito de escorregamento no contato entre o fuste e o
solo.

Figura 6.20 Comparativo da participação do atrito lateral entre os radiers estaqueados


experimentais e numéricos em relação à carga total da estaca.

Paralelamente ao aumento do atrito lateral nos radiers estaqueados


experimentais, verifica-se que a participação da resistência de ponta das estacas para os
radiers estaqueados experimentais apresentou diminuição com o aumento do número de
estacas sob o radier estaqueado, ou seja, quanto maior a rigidez do radier estaqueado
em função das estacas, menor a participação da parcela de ponta (Figura 6.21). Essa
participação da resistência de ponta para os radiers estaqueados experimentais
compostos de 1, 2, 3 e 4 estacas é de 7,1%, 6,2%, 3,6% e 1,8%, respectivamente.
Na Figura 6.21, verifica-se que a resistência de ponta nos radiers estaqueados
numéricos apresentou-se mais elevada em relação àquelas observadas nos radiers
estaqueados experimentais, registrando-se, para os radiers estaqueados numéricos
compostos de 1, 2, 3 e 4 estacas, os percentuais de 17,6%, 17,0%, 11,4% e 14,5%,
respectivamente. Esses valores mais elevados de participação da resistência de ponta
na capacidade de carga dos radiers estaqueados numéricos podem ser atribuídos ao fato
de que o modelo numérico não difere as características de resistência entre tipos
diferentes de estacas e seus respectivos métodos construtivos, os quais foram
trabalhados nesta tese para que se aproximassem do caso real.
277
Figura 6.21. Comparativo da participação da ponta entre os radiers estaqueados CC EXP
e CC NUM em relação à carga total da estaca.

Diante das análises das participações de cargas nos radiers estaqueados em


termos de atrito lateral (Figura 6.20) e ponta (Figura 6.21), verifica-se, na Figura 6.22,
que as cargas nas estacas nos radiers estaqueados experimentais apresentam-se mais
elevadas em relação às cargas nas estacas dos radiers estaqueados numéricos. Tal fator
pode estar relacionado à dificuldade de impor aos modelos numéricos as condicionantes
de campo e do processo executivo das estacas.

Figura 6.22 Comparativo da participação das estacas dos radiers estaqueados.

278
A partir da Figura 6.23, verifica-se que a contribuição do contato radier solo é
menor para os radiers estaqueados experimentais em relação aos radiers estaqueados
numéricos.
Conforme mostram as Figuras 6.20, 6.21 e 6.22, nota-se que os resultados obtidos
numericamente subestimaram a resistência por atrito lateral das estacas e
superestimaram a resistência de ponta, devido ao contato radier solo, no que se refere
aos radiers estaqueados experimentais. Esse fato pode estar relacionado à diferença no
escorregamento de contato com o solo, entre os modelos experimental e numérico. Na
Figura 6.23, verifica-se que os radiers estaqueados experimentais (CC1 EXP, CC2 EXP,
CC3 EXP e CC4 EXP) apresentam participação em termos de contato radier solo de
14,8%, 27,3%, 22,5% e 21,2%, respectivamente. Em contrapartida, obteve-se,
numericamente, 40,4%, 36,1%, 31,7% e 36,8% para os radiers estaqueados numéricos
CC1 NUM, CC2 NUM, CC3 NUM e CC4 NUM, respectivamente.
Os resultados de participação do contato radier solo obtidos para os radiers
experimentais são mais elevados do que os resultados de Senna et al. (1993), que
observaram participação entre 9% e 16%. Entretanto, ensaios realizados em solo argiloso
por Brand et al. (1972) e Koizumi e Ito (1967), apresentaram participação de 20% no
contato radier solo, ou seja, valor muito próximo ao observado nesta tese.

Figura 6.23. Contribuição do contato radier solo entre os radiers estaqueados.

279
Em termos de geometria dos radiers, verificou-se que existe uma relação entre as
dimensões em planta dos radiers estaqueados, maior dimensão (L) e largura (B), que
pode influenciar o comportamento dos radiers estudados nesta tese. Nesse sentido,
verifica-se que os radiers estaqueados CC1 EXP e CC4 EXP apresentam relação L/B
igual a 1. Ao mesmo tempo, observa-se que o radier estaqueado CC2 EXP apresenta
relação L/B igual a 3,08, e, para o caso do radier estaqueado CC3 EXP, observa-se uma
relação L/B igual a 1,15. Vale lembrar que no caso do radier estaqueado CC3 EXP a
relação L/B é apenas uma aproximação, pois seu formato é triangular. A partir dessas
observações e considerações, pode-se verificar que as maiores divergências entre o
modelo numérico e o experimental encontram-se nos radiers estaqueados CC2 EXP e
CC3 EXP, os quais possuem as relações L/B diferentes de 1,0.
Para radiers com formato quadrado e retangular, pode-se até efetuar alguma
correlação entre a relação L/B, comparando-se aos valores de capacidade de carga,
dentre outros resultados obtidos para estes. Porém, para radier de seção triangular ou
de formato não definido, sugere-se que sejam realizadas análises pela área de contato
líquida e pela área da seção das estacas sob o radier, em função da área total do radier.
As análises entre radiers estaqueados numéricos e grupo de estacas numéricos,
são apresentadas na Figura 6.24 em função das respectivas cargas máximas de ensaio.
Nesta, verifica-se que os grupo de estacas apresentam maior participação da resistência
de ponta para os radiers com 2, 3 e 4 estacas (SC2 NUM, SC3 NUM e SC4 NUM).
Entretanto, no caso do “grupo” de estacas (SC1 NUM), essa participação é menor em
relação ao radier estaqueado numérico (CC1 NUM), possivelmente devido ao efeito do
contato radier solo, que, nesse caso, atuou impedindo o deslocamento individual da
estaca, ou seja, observa-se mobilização da resistência da ponta para o topo da estaca.
A menor resistência de ponta nos grupos de estacas pode estar relacionada à
maior capacidade de mobilização do atrito lateral. Na Figura 6.25, verifica-se que o atrito
lateral dos grupos de estacas numericamente ensaiados é superior ao observado nos
radiers estaqueados numéricos. Nas análises numéricas entre radier estaqueado e grupo
de estacas, observa-se, na Figura 6.25, que a participação do atrito lateral apresenta
diminuição em função do aumento do número de estacas (SC1 NUM, SC2 NUM, SC3
NUM e SC4 NUM). Paralelamente, observa-se aumento da participação da resistência
280
de ponta para esses mesmos grupos de estacas (Figura 6.24). Para os radiers
estaqueados numéricos, observa-se que a resistência por atrito lateral apresenta ligeiro
crescimento em função dos radiers estaqueados compostos de 1, 2, 3 e 4 estacas.
Entretanto, a participação da parcela de ponta apresenta redução para os radiers com
maior número de estacas, conforme mostra a Figura 6.24.

Figura 6.24 Comparativo da participação da ponta entre o radier estaqueado e o grupo de


estacas em relação à carga total da estaca.

Figura 6.25 Comparativo da participação do atrito lateral entre o radier estaqueado e o


grupo de estacas em relação à carga total da estaca.

281
No caso do grupo de estacas, não há efeito de contato e toda a resistência do
elemento de fundação profunda é oriunda das estacas (atrito lateral e ponta). No caso
dos radiers estaqueados numéricos, a participação do atrito lateral é reduzida, pois parte
da carga é absorvida pelo efeito de contato do radier no solo, modificando o estado de
tensões atuante nos primeiros metros do fuste da estaca abaixo do radier, ou seja,
diminuindo o atrito lateral e solicitando mais da ponta da estaca.
Analisando-se os radiers estaqueados experimental e numéricos, em termos de
fator de segurança em função do recalque normalizado, observa-se na Figura 6.26 que
a tendência de que até 5% do recalque normalizado esses radiers apresentem FS  1. A
degradação do fator de segurança ocorre de 2,0 para 1,0, ou seja, para FS≥ 2,0, a relação
de w/B apresenta valores menores que 1%.
Na Figura 6.27, avalia-se o comportamento entre radiers estaqueados numéricos
e grupo de estacas numéricos, verificando que para valores de w/B maiores que 5%, o
FS  1,0. Entretanto, para FS entre 1,0 e 2,0, os grupos de estacas apresentam maior
dispersão. A degradação do fator de segurança ocorre de 2,0 para 1,0, ou seja, para FS≥
2,0, a relação de w/B apresenta valores menores que 1%.

Figura 6.26 Recalque médio normalizado com fator de segurança global para os radiers
estaqueados experimental e numérico.

282
Diante das análises realizadas para os resultados apresentados nas Figuras 6.26
e 6.27, verifica-se que os radiers estaqueados e grupos de estacas são pouco
influenciando em termos de fator de segurança para valores de w/D (%) menores que
1%, possuem uma faixa de transição que degrada o fator de segurança de 2 para 1, em
que o recalque normalizado (w/D) se eleva de 1% para 5%. Essa magnitude de
deslocamento é entendida como razoável à mobilização quase que total da resistência
da(s) estaca(s) pelo atrito lateral. Durante essas fases de transição do recalque
normalizado (w/D) e degradação de FS, o radier estaqueado impõe, inevitavelmente,
comportamentos diferentes para a transferência de carga, ora mais efetiva, por meio das
estacas, ora pela resistência, devido ao contato radier solo.

Figura 6.27 Recalque médio normalizado com fator de segurança global para os radiers
estaqueados x grupo de estacas.

Dessa forma, o fator de interação (pr), que representa a participação das estacas
na capacidade de carga do radier estaqueado, conforme equação 4.3, tem influência no
modelo de transferência de carga e dependem da área líquida dos radiers estaqueados.
Na Figura 6.28, apresentam-se os resultados obtidos para o fator pr e a participação da
carga absorvida pelo radier comparada à carga total aplicada sobre o radier estaqueado.
O maior valor de pr foi observado no radier estaqueado composto de 1 estaca (85,6%),

283
e o menor, para o radier estaqueado composto de 2 estacas (72,5%), sendo a média de
79%. A participação da resistência por contato radier solo é menor para o radier
estaqueado de 1 estaca (14,4%), sendo a maior participação de 27,5% para o radier
estaqueado de 2 estacas. Em termos médios, a participação devido ao contato foi de
21%, valor este próximo aos observados na literatura.

Figura 6.28 Participação entre a carga das estacas () e do radier (Pr) em relação à carga
total do radier estaqueado experimental (Pt).

Comparando-se os valores do fator de rigidez dos radiers estaqueados (kpr),


obtidos nesta tese, e a proposta de Clancy e Randolph (1992), esses autores afirmaram
que, ao se aumentar o número de estacas do grupo, o valor do coeficiente αrp tende ao
valor constante de 0,8 e independe do espaçamento entre estacas, comprimento e rigidez
relativa. Na Figura 6.29, apresentam-se os valores de kpr obtidos pela equação de Clancy
e Randolph (1992) com aqueles obtidos nesta tese por meio da equação de rigidez, sem
alterações. O valor de Kr foi obtido por meio da equação 4.11 da solução proposta por
Poulos & Davis para cálculo da rididez do radier isolado (sem estacas) e kpg pela equação
4.12.
Os resultados comparativos apresentados na Figura 6.29 reforçam as afirmações
sugeridas por Clancy e Randolph (1992), ou seja, observa-se, nessa figura, que há boa
concordância entre os resultados desses autores e os desta tese.

284
Diante das considerações realizadas anteriormente, verifica-se toda a
complexibilidade envolvida no comportamento das fundações em radier estaqueado.
Foram apresentadas e observadas tendências de comportamento de radier estaqueado,
experimental e numérico, que poderão ser utilizadas em projetos geotécnicos realizados
em locais onde o solo tenha as mesmas características geotécnicas e geológicas das
que foram aqui empregadas nas análises.

Figura 6.29 Variação de Kpr em função da carga de ruptura para os radiers estaqueados
experimentais.

285
286
7 CONCLUSÕES
Diante das análises e discussões do universo estudado, foi possível elencar as
seguintes conclusões:
a) O uso de radiers estaqueados assentes sobre a argila porosa de Campinas/SP, é
factível desde que sejam tomadas medidas que garantam o desempenho da camada
de solo superficial. Nesse sentido, os efetitos de colapsibilidade e tensão admissível
efetiva do solo superficial devem ser levados em consideração na elaboração do
projeto geotécnico.
b) O emprego de radiers estaqueados permite otimizar técnica e economicamente o
projeto geotécnico, independente da forma e magnitude dos carregamentos, pois a
técnica deste tipo de fundação admite como capacidade de carga, a combinação das
resistências provenientes das estacas e do radier (placa);
c) Os ensaios realizados no campo experimental da Unicamp, demonstraram que o
efeito de contato em radiers estaqueados, com espaçamento de estacas igual a 5 e
91% de área líquida média, responde por 21% da carga última aplicada sobre o radier
estaqueado, frente aos 79% devido à participação das estacas;

∑𝑛
𝑖=1 𝑄𝑒𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎,𝑖
𝛼𝑝𝑟,𝑢𝑙𝑡 = = 0,79 ...........para solo da Unicamp (Campinas/SP)
𝑄𝑃𝑅
𝑄𝑟𝑎𝑑𝑖𝑒𝑟 (𝑝𝑙𝑎𝑐𝑎)
𝛼𝑟,𝑢𝑙𝑡 = = 0,21 ............para solo da Unicamp (Campinas/SP)
𝑄𝑃𝑅

Em que:
Q radier (placa): carga assumida pelo radier na carga última;
Q estaca: carga assumida pelas estacas na carga última;
pr: coeficiente de distribuição de carga entre estacas e o radier estaqueado;
r: coeficiente de distribuição de carga entre radier (placa) e o radier estaqueado;
Para estágios intermediários de carregamento, sugere-se a seguinte equação:
𝑄
𝛼𝑝𝑟 = 0,276 ∙ + 0,512 (*)
𝑄𝑢𝑙𝑡

* valor somente orientativo, devido à quantidade limitada de resultados disponíveis;

287
d) Para radiers estaqueados executados em solo da região de Campinas ou similar,
compostos de estacas escavadas devem ter desprezada a contribuição da parcela de
resistência de ponta das estacas na capacidade total do elemento de fundação;
e) A capacidade de carga dos radiers estaqueados analisados, aumentou de acordo com
a elevação da razão entre a área líquida de contato radier-solo e a área total do radier
estaqueado (Aliq/Atotal). Entretanto não se pode estabelecer como regra geral, pois
depende também do número de estacas que compõem o radier estaqueado;
f) A participação da resistência de ponta na capacidade de carga total do radier
estaqueado com pouca área líquida é influenciada pelo número de estacas que o
compõem e pelo tipo de estaca empregada. Nesse aspecto, radiers estaqueados
compostos por uma quantidade maior de estacas, tendem a obter menor participação
da resistência de ponta por estaca;
g) A análise numérica por elementos finitos (3D) possibilitou análises complementares
em termos de tensão-deformação ao redor do radier, assim como o modelo de Mohr-
Coulomb apresentou-se satisfatório na representação das características mecânicas
do solo, resultando em razoável concordância em relação ao comportamento
experimental;
h) A determinação da carga de ruptura para os radiers ensaiados, fixando o
deslocamento em 10% do diâmetro nominal da estaca, mostrou-se adequada para a
determinação de Qrup, baseado no estudo comparativo com o método da rigidez
apresentado nesta tese;
i) A instrumentação por extensômetros elétricos de resistência mostrou-se adequada
em determinar as cargas no topo e ponta das estacas, permitindo conhecer
informações sobre a transferência de carga com qualidade;

288
8 RECOMENDAÇÕES PARA PESQUISAS FUTURAS
A partir desta tese, enumeram-se, a seguir, algumas recomendações para
pesquisas futuras no campo experimental da Unicamp:
 Trabalhar com radiers estaqueados de mesma dimensão em planta,
variando quantidade e posicionamento das estacas sob estes;
 Realizar ensaios em radier sem estacas, determinando-se kr e, a partir de
ensaios em estaca isolada; determinar kp e, consequentemente, tentar
obter kpr do radier estaqueado;
 Realizar ensaios em radiers estaqueados, mantendo-se o número de
estacas e variando as dimensões em planta do radier, verificando a
influência no comportamento do radier estaqueado, devido ao aumento da
área líquida de contato.

289
290
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301
302
APÊNDICE A
Apresentam-se, neste capítulo, os projetos resultantes dos dimensionamentos das
estruturas em concreto armado, tais como: radier/blocos e estacas de cada um dos
radiers estaqueados ensaiados.
RADIER ESTAQUEADO CC1
Detalhamento da armadura e respectiva lista de quantidades de aço por bitola.

303
RADIER ESTAQUEADO CC2
Detalhamento da armadura e respectiva lista de quantidades de aço por bitola.

304
RADIER ESTAQUEADO CC3
Detalhamento da armadura e respectiva lista de quantidades de aço por bitola.

305
RADIER ESTAQUEADO CC4
Detalhamento da armadura e respectiva lista de quantidades de aço por bitola.

306
APÊNDICE B
ARMADURA DAS ESTACAS-TESTE
Detalhamento da armadura das estacas dos radiers ensaiados.

ARMADURA DAS ESTACAS DE REAÇÃO


Detalhamento da armadura das estacas do sistema de reação.

307
308
APÊNDICE C
Apresentam-se neste Apêndice, as curvas carga x recalque dos radiers
estaqueados CC EXP, CC NUM, SC NUM, conforme Figuras C.01, C.02, C.03 e na
Tabela C.01 os respectivos valores das curvas.

Figura C.0.1. Curvas carga x recalque para os radiers estaqueados experimentais (CC1
EXP, CC2 EXP, CC3 EXP e CC4 EXP).

Figura C.0.2. Curvas carga x recalque para os radiers estaqueados numéricos (CC1 NUM,
CC2 NUM, CC3 NUM e CC4 NUM).
309
Figura C.0.3. Curvas carga x recalque para os grupos de estacas (SC1 NUM, SC2 NUM,
SC3 NUM e SC4 NUM).

310
Tabela C0.1 Valores de carga e deslocamento obtidos para os radiers estaqueados
(experimental e numérico) e grupo de estacas (numérico)

311
312
APÊNDICE D
Apresentam-se neste apêncide, os resultados da aplicação do método da rigidez
aos radiers estaqueados experimentais com 1, 2, 3 e 4 estacas, conforme Figuras D.01,
D.02, D.03 e D.04.

Figura D 0.1. Resultado do método da rigidez para o radier estaqueado CC1 EXP

Figura D 0.2. Resultado do método da rigidez para o radier estaqueado CC2 EXP

313
Figura D 0.3. Resultado do método da rigidez para o radier estaqueado CC3 EXP

Figura D 0.4. Resultado do método da rigidez para o radier estaqueado CC4 EXP

314
APÊNDICE E
Apresentam-se neste apêncide, os resultados das parcelas de participação entre
estacas, radier e radier estaqueado.

Figure E 0.1. Comportamento do radier estaqueado CC1 EXP.

Figure E 0.2. Comportamento do radier estaqueado CC2 EXP.

315
Figure E 0.3. Comportamento do radier estaqueado CC3 EXP.

Figure E 0.4. Comportamento do radier estaqueado CC4 EXP.

316
APÊNDICE F
Apresentam-se neste apêncide, os resultados das parcelas de participação entre
estacas, radier e radier estaqueado.

Figure F 0.1. Influência radial do recalque entre grupo de estacas (SC1 NUM) e radier
estaqueado (CC1 NUM).

Figure F 0.2. Influência radial do recalque entre grupo de estacas (SC2 NUM) e radier
estaqueado (CC2 NUM).

317
318
ANEXO A

Tabela D.0.1. Valores médios de fs, qc e Rf (RODRIGUEZ, 2013).

0,38 2,11 0,0% 0,018 0,0% 0,85% 0,0%


0,58 3,18 509,8% 0,017 130,3% 0,53% 112,8%
0,78 2,48 527,0% 0,007 432,0% 0,27% 178,9%
0,98 2,01 140,5% 0,006 594,9% 0,30% 50,9%
1,18 1,51 194,5% 0,005 466,6% 0,31% 44,0%
1,38 1,56 164,5% 0,004 318,7% 0,23% 23,9%
1,58 1,43 206,2% 0,004 299,9% 0,26% 16,6%
1,78 1,39 178,9% 0,003 540,1% 0,19% 68,8%
1,98 1,26 37,4% 0,003 287,8% 0,23% 31,5%
2,18 1,16 203,0% 0,003 163,3% 0,29% 10,4%
2,38 1,34 118,0% 0,003 267,3% 0,23% 33,3%
2,58 1,41 33,5% 0,003 101,0% 0,22% 12,1%
2,78 1,37 34,3% 0,004 196,9% 0,31% 22,3%
2,98 1,57 79,2% 0,005 123,0% 0,32% 15,3%
3,18 1,61 105,7% 0,004 70,7% 0,28% 16,7%
3,38 1,65 81,7% 0,004 235,7% 0,24% 14,6%
3,58 1,79 139,5% 0,005 64,3% 0,27% 14,2%
3,78 1,69 243,4% 0,006 181,4% 0,36% 17,6%
3,98 2,02 23,3% 0,006 149,7% 0,27% 13,3%
4,18 1,96 144,7% 0,006 551,8% 0,31% 62,7%
4,38 2,26 254,2% 0,006 416,7% 0,28% 61,4%
4,58 2,50 82,1% 0,008 385,4% 0,31% 39,5%
4,78 2,47 201,2% 0,006 196,1% 0,23% 13,6%
4,98 2,24 55,8% 0,006 448,9% 0,28% 43,0%
5,18 2,47 87,5% 0,005 342,3% 0,21% 32,2%
5,38 2,41 68,6% 0,007 329,0% 0,29% 31,7%
5,58 2,38 90,7% 0,007 385,3% 0,30% 33,5%
5,78 2,38 102,8% 0,008 98,5% 0,35% 1,9%
5,98 2,92 210,2% 0,011 439,1% 0,38% 20,9%
6,18 3,82 222,7% 0,013 258,0% 0,34% 32,0%
6,38 3,36 55,2% 0,012 267,9% 0,34% 22,3%

319
6,58 3,10 279,0% 0,007 408,2% 0,22% 20,9%
6,78 2,66 199,5% 0,008 355,4% 0,28% 17,7%
6,98 2,83 44,1% 0,006 494,9% 0,23% 52,7%
7,18 2,70 104,9% 0,011 56,6% 0,41% 13,6%
7,38 3,34 315,1% 0,013 212,1% 0,40% 11,3%
7,58 2,28 219,1% 0,011 292,2% 0,50% 48,7%
7,78 2,54 527,8% 0,008 330,8% 0,33% 28,6%
7,98 4,04 746,1% 0,008 466,0% 0,19% 42,9%
8,18 2,18 336,1% 0,015 284,0% 0,68% 13,4%
8,38 2,22 225,0% 0,014 712,3% 0,64% 51,0%
8,58 1,77 84,5% 0,010 517,2% 0,54% 43,6%
8,78 1,82 109,6% 0,012 257,1% 0,64% 37,1%
8,98 2,57 252,5% 0,013 157,9% 0,49% 43,8%
9,18 2,32 0,0% 0,016 0,0% 0,69% 0,0%
9,38 2,32 0,0% 0,023 0,0% 0,98% 0,0%
9,58 3,34 0,0% 0,015 0,0% 0,46% 0,0%
9,78 4,04 0,0% 0,015 0,0% 0,38% 0,0%
0,38 2,11 0,0% 0,018 0,0% 0,85% 0,0%
0,58 3,18 509,8% 0,017 130,3% 0,53% 112,8%
0,78 2,48 527,0% 0,007 432,0% 0,27% 178,9%
0,98 2,01 140,5% 0,006 594,9% 0,30% 50,9%
1,18 1,51 194,5% 0,005 466,6% 0,31% 44,0%
1,38 1,56 164,5% 0,004 318,7% 0,23% 23,9%
1,58 1,43 206,2% 0,004 299,9% 0,26% 16,6%
1,78 1,39 178,9% 0,003 540,1% 0,19% 68,8%
1,98 1,26 37,4% 0,003 287,8% 0,23% 31,5%
2,18 1,16 203,0% 0,003 163,3% 0,29% 10,4%
2,38 1,34 118,0% 0,003 267,3% 0,23% 33,3%
2,58 1,41 33,5% 0,003 101,0% 0,22% 12,1%
2,78 1,37 34,3% 0,004 196,9% 0,31% 22,3%
2,98 1,57 79,2% 0,005 123,0% 0,32% 15,3%
3,18 1,61 105,7% 0,004 70,7% 0,28% 16,7%
3,38 1,65 81,7% 0,004 235,7% 0,24% 14,6%
3,58 1,79 139,5% 0,005 64,3% 0,27% 14,2%
320
3,78 1,69 243,4% 0,006 181,4% 0,36% 17,6%
3,98 2,02 23,3% 0,006 149,7% 0,27% 13,3%
4,18 1,96 144,7% 0,006 551,8% 0,31% 62,7%
4,38 2,26 254,2% 0,006 416,7% 0,28% 61,4%
4,58 2,50 82,1% 0,008 385,4% 0,31% 39,5%
4,78 2,47 201,2% 0,006 196,1% 0,23% 13,6%
4,98 2,24 55,8% 0,006 448,9% 0,28% 43,0%
5,18 2,47 87,5% 0,005 342,3% 0,21% 32,2%
5,38 2,41 68,6% 0,007 329,0% 0,29% 31,7%
5,58 2,38 90,7% 0,007 385,3% 0,30% 33,5%
5,78 2,38 102,8% 0,008 98,5% 0,35% 1,9%
5,98 2,92 210,2% 0,011 439,1% 0,38% 20,9%
6,18 3,82 222,7% 0,013 258,0% 0,34% 32,0%
6,38 3,36 55,2% 0,012 267,9% 0,34% 22,3%
6,58 3,10 279,0% 0,007 408,2% 0,22% 20,9%
6,78 2,66 199,5% 0,008 355,4% 0,28% 17,7%
6,98 2,83 44,1% 0,006 494,9% 0,23% 52,7%
7,18 2,70 104,9% 0,011 56,6% 0,41% 13,6%
7,38 3,34 315,1% 0,013 212,1% 0,40% 11,3%
7,58 2,28 219,1% 0,011 292,2% 0,50% 48,7%
7,78 2,54 527,8% 0,008 330,8% 0,33% 28,6%
7,98 4,04 746,1% 0,008 466,0% 0,19% 42,9%
8,18 2,18 336,1% 0,015 284,0% 0,68% 13,4%
8,38 2,22 225,0% 0,014 712,3% 0,64% 51,0%
8,58 1,77 84,5% 0,010 517,2% 0,54% 43,6%
8,78 1,82 109,6% 0,012 257,1% 0,64% 37,1%
8,98 2,57 252,5% 0,013 157,9% 0,49% 43,8%
9,18 2,32 0,0% 0,016 0,0% 0,69% 0,0%
9,38 2,32 0,0% 0,023 0,0% 0,98% 0,0%
9,58 3,34 0,0% 0,015 0,0% 0,46% 0,0%
9,78 4,04 0,0% 0,015 0,0% 0,38% 0,0%

321