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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA

JESSICA THOMAZ

JUCIELLY SANTOS LESNIK DE SOUZA

LARISSA GREGÓRIO SILVA

LAURA RHODEN DA ROCHA

RODOLFO DA SILVA GRACIOSA

NICOLAS ALEJANDRO DIAS MAURELL

INFECÇÃO PULMONAR GRAVE EM PACIENTES INTERNADOS EM UTI X


HIGIENE ORAL
Palhoça, 2018.

JESSICA THOMAZ

JUCIELLY SANTOS LESNIK DE SOUZA

LARISSA GREGÓRIO SILVA

LAURA RHODEN DA ROCHA

RODOLFO DA SILVA GRACIOSA

NICOLAS ALEJANDRO DIAS MAURELL

INFECÇÃO PULMONAR GRAVE EM PACIENTES INTERNADOS EM UTI X


HIGIENE ORAL

. Trabalho da unidade de aprendizagem


microbiologia bucal, apresentado ao
curso de graduação da terceira fase de
Odontologia, da Universidade do Sul de
Santa Catarina-UNISUL, como
requisito parcial para obtenção da nota
semestral.

Professor: Dr. Celino Dias Ferraz


Palhoça, 2018.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................4
2. O QUE È INFECÇÂO PULMONAR GRAVE.................................................................................5

3. RELAÇÃO DE INFECÇÃO PULMONAR GRAVE EM PACIENTES NA UTI X HIGIENE


ORAL....................................................................................................................................6

4. ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA EM UTI.............................................................7

5. ODONTOLOGIA HOSPITALAR.....................................................................................10

6. ODONTOLOGIA NA UTI................................................................................................13

7. PROTOCOLO DE ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO HOSPITALAR.........................14

8. GUIA PARA ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO EM HOSPITAIS................................14

9. HIGIENE BUCAL DIÁRIA...............................................................................................17

10. CONCLUSÃO POR GRUPO........................................................................................18

11. REFERÊNCIA...............................................................................................................19
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1. INTRODUÇÃO:

A infecção pulmonar crônica, quando surge aos poucos pode ser


causada por microrganismos patogênicos que penetram nas vias respiratórias e
alojam-se nos pulmões, gerando sintomas como febre, tosse, catarro e
dificuldade para respirar. Seu tratamento é feito com antibióticos em meio
hospitalar ou em casa, dependendo do estado de saúde do indivíduo.
Contudo, os pacientes na UTI com uma baixa do sistema imune o
tratamento pode ser mais prolongado que o habitual.
Em vista de dados de fisiopatologia mostrando possível relação entre
cuidados odontológicos e pneumonias nosocomiais, o Cirurgião-Dentista poderia
acrescentar-se à equipe multiprofissional em benefício do paciente crítico. Uma
vez que a higiene bucal deficiente e a presença de doença periodontal no
paciente de UTI, sem dúvida constituem-se em mais um fator que pode favorecer
o desenvolvimento de pneumonia nosocomial. Primeiro, porque esta condição
bucal resultaria em alta concentração de patógenos na saliva podendo ser
aspirado para o pulmão em abundância, segundo o biofilme bucal pode abrigar
patógenos pulmonares e promover seu crescimento. E, por fim, os patógenos
periodontais poderiam facilitar a colonização das vias aéreas superiores por
patógenos pulmonares.
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2. O QUE É INFECÇAO PULMONAR GRAVE?

A infecção pulmonar, também chamada de infecção respiratória, pode


ser aguda, quando surge em sete dias, ou crônica, quando surge aos poucos.
Ela pode ser causada por vírus, parasitas, fungos ou bactérias, que penetram
nas vias respiratórias e alojam-se nos pulmões, gerando sintomas como febre,
tosse, catarro e dificuldade para respirar.
As pneumonias são infecções do parênquima pulmonar que podem ser
classificadas em pneumonia nosocomial ou hospitalar e pneumonia adquirida na
comunidade. Este acomete o indivíduo após 48 a 72 horas de internação, não
sendo causada por germes previamente incubados no momento de admissão do
paciente. A esse grupo pertence, também, a pneumonia associada à ventilação
mecânica, que se instala após 48 horas de intubação. A pneumonia adquirida na
comunidade (PAC) acomete o indivíduo fora do ambiente hospitalar ou nas
primeiras 48 horas após a hospitalização. Em Unidade de Terapia Intensiva
(UTI), acredita-se que a aspiração de conteúdo da orofaringe para o trato
respiratório inferior seja o modo mais comum pelo qual se infecciona a região,
associando-se, a isto, uma falha no sistema de defesa do hospedeiro para
eliminar as bactérias infectantes, favorecendo sua multiplicação, com taxas
alarmantes de morbidade e mortalidade.
6

3. RELAÇÃO DE INFECÇÃO PULMONAR GRAVE EM PACIENTES NA UTI X


HIGIENE ORAL:

Estudos indicam que pacientes de UTI apresentam higiene bucal


deficiente, principalmente à quantidade e à complexidade do biofilme bucal,
doença periodontal que aumenta com o tempo de internação que pode ser uma
fonte de infecção nosocomial, uma vez que as bactérias presentes na boca
podem ser aspiradas e causar pneumonias. A pneumonia é uma infecção
debilitante, em especial, no paciente idoso e/ou imunocomprometido. Nos
hospitais, a pneumonia nosocomial exige atenção especial pois é a segunda
causa de infecção hospitalar, e a responsável por taxas significativas de
morbidade e mortalidade em pacientes de todas as idades. Engloba de 10% a
15% das infecções hospitalares. A impossibilidade do autocuidado favorece a
precariedade da higienização bucal, acarretando no desequilíbrio da microbiota
residente, com consequente aumento da possibilidade de aquisição de diversas
doenças infecciosas sendo os pacientes mais vulneráveis aqueles internados em
unidades de terapia intensiva (UTI), em especial os que estão sob ventilação
mecânica, pois o reflexo da tosse, a expectoração e as barreiras imunológicas
estão deficientes. Vários agravos, como cárie dental, doença periodontal,
endocardite bacteriana, pneumonia, entre outros, têm sido associados aos
micro-organismos da boca, as infecções nosocomiais, portanto, além de causar
números significativos de óbito, provocam impacto expressivo aos custos
hospitalares, podendo atuar como fator secundário complicador, prorrogando em
média de 7 a 9 dias a hospitalização. O risco de desenvolvimento de pneumonia
nosocomial é de 10 a 20 vezes maior na unidade de terapia intensiva, sendo que
o seu desenvolvimento em pacientes com ventilação mecânica e/ou umidificador
varia de 7% a 40%. Se o paciente intubado não receber higiene bucal eficaz, o
tártaro dentário, formado por depósitos sólidos de bactérias, se estabelece
dentro de 72 horas. Isso é seguido de gengivite emergente, inflamação das
gengivas, infecção e subsequente mudança de Streptococcus e Actinomyces
para um número crescente de bacilos gram-negativos aeróbicos.
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4. ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA EM UTI:

A higiene bucal deficiente é comum em pacientes internados em UTI, o


que propicia a colonização do biofilme bucal por microrganismos patogênicos,
especialmente por patógenos respiratórios.
A desvalorização da integração de outros profissionais à assistência à
saúde se dá, principalmente, pela persistência do modelo biomédico, que produz
uma abordagem fragmentada do paciente.
Apesar do caráter assistencialista atribuído ao âmbito hospitalar, a
prevenção de maiores agravos no quadro de pacientes internados é fundamental
e deve envolver os esforços de diversos profissionais, entre eles o cirurgião-
dentista.
Diante do amplo conceito de saúde, não se admite a dissociação da
saúde bucal do estado geral do paciente, uma vez que as doenças infecciosas
da cavidade oral são frequentemente associadas a condições sistêmicas.
Nesses casos, o cirurgião-dentista é o profissional apto a diagnosticar e tratar
tais afecções.
A cavidade oral possui uma flora bacteriana heterogênea e complexa, e
já́ se sabe que os microrganismos orais podem atingir a circulação sistêmica por
meio dos tecidos gengivais e colonizar outros órgãos. Pneumonia bacteriana,
doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças cardiovasculares, artrite
reumatoide e partos prematuros são algumas das complicações que podem
decorrer de patógenos advindos da cavidade oral. Além desse aspecto, a
imunodepressão predispõe o paciente a infecções orais que comprometem
ainda mais o quadro clínico, físico e psicológico do paciente.
Nos últimos anos, mudanças no perfil da odontologia puderam ser
observadas, entre as quais avanços técnicos científicos e uma visão mais
integral e humanística do paciente. Entre as dificuldades relacionadas ao
atendimento odontológico, os cuidados com a saúde bucal de pessoas
hospitalizadas ainda é foco de discussão, pois além da escassez de cirurgiões-
dentistas atuando em nível hospitalar, a questão ainda é pouco difundida entre
os profissionais de saúde e a população em geral.
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A odontologia hospitalar constitui um campo de atuação para a


odontologia, mas não uma especialidade odontológica reconhecida pelo
Conselho Federal de Odontologia.
O profissional que atua nessa área pode ser clínico geral ou,
preferencialmente, especialista em áreas como a estomatologia, a periodontia,
ou a de pacientes especiais, cujas atuações são mais relacionadas com as
atividades a serem desenvolvidas no ambiente hospitalar. De fato, atualmente é
mais importante experiência e aptidão para o exercício dessa atividade do que a
realização de cursos na área.
Este profissional precisa cuidar do paciente de forma integral, avaliando,
a partir da doença sistêmica de base, o risco de agravamento ou instalação
secundária de doença bucal, ou mesmo o risco de a doença bucal presente
nesses pacientes agravar ou instalar uma doença sistêmica.
Cabe ao cirurgião-dentista atuante em hospitais participar também de
decisões da equipe multiprofissional, sendo o responsável pelas decisões e
intervenções na cavidade bucal em pacientes hospitalizados, bem como orientar
as ações de saúde bucal e supervisão da equipe sob sua responsabilidade.
Até então, o obstáculo frequentemente enfrentado pelo cirurgião-
dentista para integrar equipes multidisciplinares em UTI, estava com baixa
prioridade do procedimento odontológico diante dos numerosos problemas
apresentados pelo paciente. Entretanto, a literatura tem demonstrado, de
maneira clara e vigorosa, a influência da condição bucal na evolução do quadro
dos pacientes internados.
Estudos indicam que pacientes de UTI apresentam higiene bucal
deficiente, com quantidade significativamente maior de biofilme do que
indivíduos que vivem integrados na sociedade. Também se pode observar
nesses pacientes, maior colonização do biofilme bucal por patógenos
respiratórios. Sendo que, a quantidade e a complexidade do biofilme bucal
aumentam com o tempo de internação.
O valor dos cuidados com a saúde bucal na prevenção da pneumonia é
evidente. As pesquisas científicas que analisam grupo tratado e grupo controle,
com parâmetros de risco similares para infecção, demonstraram diminuição
significativa na incidência de pneumonias, no uso de antibióticos não profiláticos
e redução nas taxas de mortalidade no grupo submetido à atenção odontológica.
9

Paciente Politraumatizado,
Inconsciente (cinco dias na
UTI). Nota-se a presença de
quantidade significativa de
biofilme por toda boca,
úlceras labiais e
sangramento.

Condição Bucal após Dois


Dias
Recebendo Acompanhamento
Odontológico.
Nota-se redução importante
na quantidade de biofilme
bucal, melhora significativa
das úlceras labiais e do
sangramento.
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5. ODONTOLOGIA HOSPITALAR:

No Brasil, a odontologia hospitalar foi legitimada em 2004 com a criação


da Associação Brasileira de Odontologia Hospitalar (ABRAOH).
Atualmente, o Projeto de Lei da Câmara (PCL) 34,1 aprovado em
02/10/2013 pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), torna obrigatório que
pacientes internados ou em regime de atendimento e de internação domiciliar,
assim como os portadores de doenças crônicas, recebam assistência
odontológica. De acordo com tal projeto, os hospitais públicos e privados são
obrigados a manter profissionais de odontologia para a prestação de cuidados
de saúde bucal a esses pacientes.
No entanto, apenas os hospitais de médio e grande porte são sujeitos à
obrigatoriedade. A proposta ainda determina a aplicação de penalidade pelo
descumprimento da lei, o que será objeto de regulamento. Em consonância com
a ampliação da atuação do cirurgião-dentista, surge a necessidade de formar
profissionais capacitados para o atendimento a esses pacientes em condições
especiais.
A odontologia hospitalar consiste em um conjunto de ações preventivas,
diagnósticas, terapêuticas e paliativas em saúde bucal, executadas em ambiente
hospitalar, de acordo com a missão do hospital, e inseridas no contexto de
atuação da equipe multidisciplinar. Seu principal foco é o atendimento em saúde
bucal ao paciente em niv́ el terciário.
Para a realização dos procedimentos odontológicos em ambiente
hospitalar, é necessária a interação das equipes médica, odontológica e de
enfermagem, além de outras áreas afins, para que os diagnósticos e tratamentos
sejam adequadamente executados. Além disso, o preparo da equipe de
odontologia hospitalar deve incluir equipamentos, materiais e instrumentais
adequados ao atendimento, além de um preparo profissional especializado.
A atuação do cirurgião-dentista no âmbito hospitalar é de fundamental
importância, e ele pode atuar tanto na manutenção da saúde bucal, em
procedimentos emergenciais, preventivos, curativos e restauradores, quanto na
adequação do meio bucal, dando maior conforto ao paciente. O cirurgião-
dentista pode atuar também no auxiĺ io ao diagnóstico das alterações bucais e
como coadjuvante na terapêutica médica. Esta atuação visa ao tratamento global
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do paciente e, consequentemente, à melhoria do seu quadro clin


́ ico geral. O
cirurgião-dentista também pode preparar e capacitar a equipe de enfermagem
para a realização de cuidados de higiene oral.
Cabe, ainda, ao cirurgião-dentista a avaliação da presença de biofilme
bucal, doença periodontal, presença de cáries, lesões bucais precursoras de
infecções virais e fúngicas sistêmicas, lesões traumáticas e outras alterações
bucais que representem risco ou desconforto aos pacientes hospitalizados.
A condição bucal altera a evolução e a resposta ao tratamento médico,
assim como a saúde bucal fica comprometida pelo estresse e pelas interações
medicamentosas. A cavidade bucal abriga microrganismos (bactérias e fungos)
que alteram a qualidade, quantidade e pH da saliva e que facilmente ganham a
corrente circulatória, expondo o paciente a maior risco de infecção. A pneumonia
associada à ventilação mecânica (PAVM) é uma das infecções hospitalares (IH)
mais incidentes nas unidades de terapia intensiva (UTI), com taxas que variam
de 9 a 40% das infecções adquiridas nesta unidade, e está associada a um
́ do de hospitalização e in
aumento no perio ́ dices de morbimortalidade,
repercutindo de maneira significativa nos custos hospitalares. A aspiração de
microrganismos presentes na orofaringe representa o meio mais comum de
aquisição da doença.
Além disso, é consenso que os cuidados bucais, quando realizados
adequadamente, diminuem o surgimento dessa pneumonia nos pacientes
internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Apesar da importância dos
cuidados com higiene oral em pacientes na UTI, estudos e revisões sistemáticas
mostram que esta prática ainda é escassa.
Pacientes portadores de afecções sistêmicas, hospitalizados, muitas
vezes se encontram totalmente dependentes de cuidados. Impossibilitados de
manter uma higienização bucal adequada, necessitam do suporte de
profissionais da saúde para esta e outras tarefas. Há, assim, a necessidade
permanente de acompanhamento do paciente pelo cirurgião-dentista.
A participação do cirurgião-dentista deve ser percebida como um apoio
à equipe hospitalar, com o objetivo de desenvolver e otimizar o trabalho
interdisciplinar realizando atividades assistenciais especif́ icas da área. Ele
também pode atuar como educador na prevenção de doenças e na promoção
de saúde.
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Quando se refere à odontologia hospitalar, associa-se de imediato ao


tratamento curativo reabilitador realizado exclusivamente pelo cirurgião-dentista.
Entretanto, suas atividades também envolvem ações educativo-preventivas em
unidades hospitalocêntricas. Diante desses preceitos, o cirurgião-dentista pode
e deve trabalhar sempre integrado a outros profissionais, como equipes de
enfermagem (auxiliar e técnico de enfermagem e enfermeiro), técnicos de
higiene dental (THD) e auxiliares de saúde bucal (ASB) treinados e orientados
sobre os métodos de higiene bucal adequados aos pacientes.
A higiene bucal é importante para o bem-estar, a prevenção de doenças
sistêmicas e uma melhor recuperação do paciente hospitalizado. A prevenção e
a educação em saúde, por meio da higiene bucal e realizações de bochechos
com substâncias antissépticas, também são ações que devem ser realizadas.
Algumas tarefas devem ser executadas pelo cirurgião-dentista em
ambiente hospitalar, como visita aos leitos e entrevistas com os pacientes,
́ ico intraoral, orientação de higiene bucal individualizada, higiene
exame clin
bucal supervisionada e reforço motivacional para a realização de uma higiene
bucal adequada. Também é de suma importância a orientação aos familiares e
responsáveis presentes no momento das visitas aos pacientes hospitalizados
quanto à necessidade rigorosa de controle da higiene bucal, visto que isso ajuda
na preservação da saúde bucal dos pacientes.
Atualmente, apenas nos hospitais oncológicos existe atuação do
cirurgião-dentista, em virtude de o serviço de odontologia ser requisito min
́ imo
desde 1998 para o cadastramento dos mesmos como Centros de Alta
Complexidade em Oncologia Tipo II e III. Essa exigência considera a
necessidade de garantir o atendimento integral aos pacientes com doenças
neoplásicas malignas. No entanto, na região sudeste, a odontologia hospitalar já
está sendo implementanda em hospitais públicos como parte da equipe
multidisciplinar.
De acordo com exposto, a odontologia hospitalar deve ser entendida
como um serviço que oferece cuidados às alterações bucais que exigem
intervenções de equipes multidisciplinares nos atendimentos de alta
complexidade ao paciente. Isso coloca a odontologia como parte integrante da
equipe hospitalar e essencial para o cumprimento do compromisso de
assistência integral ao paciente.
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6. ODONTOLOGIA NA UTI:

Por meio da literatura, é possiv́ el constatar que existe uma grande


influência da condição bucal na evolução do quadro dos pacientes internados.
Estudos indicam que pacientes de UTI apresentam higiene bucal deficiente,
principalmente no que tange à quantidade e à complexidade de biofilme bucal,
bem como à doença periodontal, que aumenta com o tempo de internação e
pode ser uma fonte de infecção nosocomial, uma vez que as bactérias presentes
na boca podem ser aspiradas e causar pneumonias de aspiração.2-8
A impossibilidade do autocuidado favorece a precariedade da
higienização bucal, acarretando o desequilib
́ rio da microbiota residente. Isso
leva a um aumento da possibilidade de aquisição de diversas doenças
infecciosas, comprometendo a saúde integral do paciente.
A higiene bucal deficiente em pacientes internados em UTI propicia a
colonização do biofilme bucal por microrganismos, especialmente por patógenos
respiratórios, o que pode aumentar o risco de desenvolvimento de pneumonia
nosocomial. A instalação dessa pneumonia se dá mais comumente pela
aspiração do conteúdo mucoso presente na boca e faringe.
Faz-se necessária a presença diária do cirurgião-dentista da equipe de
odontologia hospitalar na UTI. Este profissional deve avaliar os pacientes nas
primeiras 24 horas de internação na terapia intensiva, com objetivo de realizar
busca ativa de infecções bucais e orientar a enfermagem com relação à correta
higiene oral.
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7. PROTOCOLO DE ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO HOSPITALAR:

Poucos protocolos de atendimento odontológico ao paciente


hospitalizado foram publicados no Brasil. Após revisão da literatura e entrevistas
com profissionais dedicados a essa área, é possiv́ el agrupar algumas atividades
que são comuns a vários protocolos. Aqui, elas foram citadas não com a
pretensão de publicar um protocolo padrão a ser utilizado, mas com a intenção
de expor o fornecimento aos profissionais e estudantes de odontologia
informações sobre as práticas utilizadas no atendimento odontológico ao
paciente hospitalizado.

8. GUIA PARA ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO EM HOSPITAIS:

De acordo com KAHN et al., é importante a utilização de solução antimicrobiana


como coadjuvante ou método principal para higiene oral de idosos ou indivíduos
com deficiência física objetivando, com isto, prevenir doenças sistêmicas como
pneumonia bacteriana e endocardites. Entende-se como solução antimicrobiana
oral, uma substância contendo derivados fenólicos como o timol, gluconato de
clorexidina (até o momento, é o agente mais efetivo para controle do biofilme
dental. Esta substância apresenta boa substantividade, pois se adsorve as
superfícies orais, mostrando efeitos bacteriostáticos até 12 horas após sua
utilização) cloridrato de cetilpiridíneo, triclosan e povidine. Medidas simples como
limpar os dentes dos pacientes com escovas dentais duas vezes ao dia e realizar
uma profilaxia profissional na cavidade oral uma vez por semana mostraram
reduções na mortalidade dos pacientes que contraíram pneumonia durante o
período de internação conforme demonstram as instruções I e II. Outra medida
fácil para uma significativa descontaminação da cavidade oral e concomitante
redução da incidência de infecção nosocomial em pacientes internados em UTI
para cirurgia cardiovascular foi à utilização de Digluconato de clorexidina a
0,12% (permite a retenção de mais de 30% da clorexidina, por bochecho, nos
tecidos moles, estendendo o período de atividade antimicrobiana) duas vezes ao
dia.
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Primeira Consulta odontológica:


• Em todos os contatos estabelecidos com os pacientes deve-se lavar as
mãos previamente e utilizar equipamento de proteção individual (EPI): luvas,
máscara, avental, óculos de proteção e touca;

 Identificar a doença primária e verificar o estado geral do paciente;


 Determinar a condição de saúde bucal (obtenção de in
́ dice CPO-D e
avaliação de condição periodontal) quando possiv́ el;
 Realizar orientação de higiene bucal individualizada, higiene bucal
supervisionada e reforço motivacional para a realização de uma higiene bucal
adequada quando possível;

 Estabelecer plano de tratamento do paciente e plano de higiene


bucal adequado à sua condição oral, levando em consideração seu estado geral.
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Demais Consultas:

 Controlar a quantidade de placa bacteriana;


 Realizar o diagnóstico e o tratamento de infecções odontogênicas e não
odontogênicas na cavidade bucal, bem como de lesões outras que
possam trazer interferências na qualidade de vida do paciente
hospitalizado;
 Avaliar a necessidade de remoção de aparelhos ortodônticos, próteses
parafusadas e restaurações metálicas, bem como de outros aparatos que
interfiram em exames de imagem ou que possam causar lesões em
tecidos moles;
 Avaliar a necessidade de hidratação labial diária. Para essa hidratação,
são preconizados: saliva artificial, cápsulas de vitamina E, lanolina e
ácidos graxos essenciais.

Atenção:

Pacientes não intubados que estão se alimentando por via oral devem
realizar escovação dos dentes com escova dental e creme dental com flúor, três
vezes ao dia após as refeições.

Atenção:

A hidratação labial não deve ser realizada com vaselina devido à


possibilidade de combustão quando em contato com o oxigênio durante
oxigenoterapia.

Número médio de dentes permanentes cariados, perdidos e


restaurados. A letra D do acrônimo utilizado na denominação do in
́ dice refere-se
a dentes examinados, para diferenciar este indicador de outro que trata de
superfić ies dentárias examinadas (CPO-S).
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9. HIGIENE BUCAL DIÁRIA:

Para Pacientes intubados:

 Verificar a angulação da posição de decúbito do paciente. Recomenda-se


elevar a cabeça (± 30º) e incliná-la levemente para um dos lados 30º para
minimizar o risco de aspiração das secreções orais; Aspirar a região da
orofaringe antes do procedimento;
 Embeber escova de dente e/ou boneca de gaze e/ou swab de espuma
em solução antisséptica e realizar os seguintes movimentos:
 ́ ulos e a mucosa jugal no sentido posteroanterior;
Friccionar os vestib
 Friccionar o palato no sentido posteroanterior;
 Friccionar as superfić ies vestibulares, linguais e oclusais dos dentes;
 Friccionar o tubo orotraqueal;
 ́ gua no sentido posteroanterior;
Passar raspador na lin
 Aspirar a região da orofaringe durante todo o procedimento.

Pesquisas cientif́ icas devem ser realizadas para determinar o real impacto
da saúde oral na saúde sistêmica de pacientes, bem como para criar protocolos
cuja efetividade seja verdadeiramente comprovada, fortalecendo a participaçao
̃
do cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar de saúde hospitalar e melhorando
a qualidade de vida dos pacientes hospitalizados. Várias soluções são
preconizadas como antissépticas e têm suas utilidades bem definidas, tais como:
clorexidina a 0,12% sem álcool; peróxido de hidrogênio a 1,5%; água
bicarbonatada; solução enzimática a base de lactoperoxidase. Entretanto, vários
estudos têm apontado a solução de clorexidina a 0,12% sem álcool como sendo
a solução de escolha para a antissepsia bucal em ambiente hospitalar.
18

10. CONCLUSÃO POR GRUPO:

Concluímos, pois, através do presente trabalho a suma importância do


Cirurgião-Dentista no controle de infecções pulmonares em âmbito hospitalar
associado a prática de higiene oral, uma vez que foi explicitado os impactos
positivos do acompanhamento odontológico ao paciente assistido em Unidade
de Terapia Intensiva.
A incorporação do Cirurgião-Dentista à equipe multidisciplinar que
compõe o corpo hospitalar reflete diretamente na redução de morbimortalidade
por pneumonia nosocomial e demais pneumonias, uma vez que contribui para a
involução da doença manifestada, pois execra com as possibilidades
patogênicas que há na cavidade oral sem cuidados contribuindo com a eficácia
do tratamento.
Explicitamos também a relevância do desenvolvimento de estudos
relacionados à Odontologia Hospitalar, uma vez que partindo do conceito que
preconiza que o cuidado de pacientes, que são seres integrais, é mais efetivo
quando realizado por uma equipe multidisciplinar, integrada e capacitada a aliar
suas técnicas e áreas de conhecimento em prol do bem-estar da pessoa
assistida. Tal ponto foi amplamente evidenciado na literatura que serviu de base
e referência ao presente trabalho, o que leva a considerar a importância do tema
e a necessidade de expandir tal conhecimento aos profissionais e estudantes da
área.
19

11. REFERÊNCIA:

GOES, Paulo Sávio Angeiras de et al. Gestão da prática em saúde


bucal. São Paulo: Artes Médicas, 2014. 10 p. (Abeno). Disponível em:
<https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536702483/cfi/2!/4/2@1
00:0.00>. Acesso em: 30 maio 2018.
GOMES, Sabrina Fernandes; ESTEVES, Márcia Cristina Lourenço.
Atuação do cirurgião-dentista na UTI: um novo paradigma. Revista Brasileira
de Odontologia, Rio de Janeiro, v. 69, n. 1, p.67-70, jan./jun. 2012. Disponível
em: <http://revodonto.bvsalud.org/pdf/rbo/v69n1/a15v69n1.pdf>. Acesso em: 30
maio 2018.
MORAIS, Teresa Márcia Nascimento de et al. A Importância da Atuação
Odontológica em Pacientes Internados em Unidade de Terapia
Intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, São Paulo, v. 18, n. 4,
p.412-417, out./dez. 2006. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rbti/v18n4/16.pdf>. Acesso em: 30 maio 2018.