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Resenha dos capítulos I e II do Livro


“Participação e teoria democrática” de
Pateman, Carole
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Publicado por Letícia Franco


há 2 anos
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Na presente resenha dos capítulos “Teorias recentes da democracia e o ‘mito clássico’” e “Rousseau,
John Stuart Mill e G. D. Cole: uma teoria participativa da democracia” abordar-se-á a questão das
teorias recentes da democracia estudadas por Pateman no livro “Participação e teoria
democrática” e, em um segundo momento, o estudo da teoria da democracia participativa nas
leituras feitas pela autora sobre os pensamentos de Rousseau, Mill e Cole, neste mesmo livro.

Ademais, visando-se tratar propriamente dessas questões, opta-se, com a finalidade de trazer um
entendimento da leitura ao estudo das questões introdutórias da Ciência Política, por trazer
também a leitura do texto de John Dunn, “O primeiro advento da democracia”, e do que foi
discutido em sala de aula na Academia para, assim, permitir uma maior contextualização do estudo.

Como vimos em Dunn, a Democracia é uma concepção que historicamente passou por
transformações, vimos três momentos cronológicos principais que seriam a concepção de
democracia na Grécia Antiga – com apresentação de pensadores como Aristóteles, Péricles,
Clístenes, Platão, etc. –; a construção da ideia de um democrata, um sujeito agente responsável
por lutar pela democracia (que, como vimos em sala, esta construção estaria localizada mais
fortemente no século XVIII); e o terceiro momento, no século XX, da apropriação da
concepção democrática como um valor universal, portanto temos neste a dificuldade de
unificar conceitualmente democracia, dada a amplitude de sua concepção.

Dessa forma, podemos perceber que a autora, ao tratar das teorias recentes da democracia,
utilizando-se de autores como Schumpeter (1883-1950), Berelson (1912-1979), Dahl (1915-2014),
Sartori (1924-presente) e Eckstein (1924-1999), fará uma análise constituída nesse último
momento da construção da concepção democrática que tínhamos estudado em Dunn. Ou seja,
momento da concepção democrática como um valor universal.

A questão inicial do estudo é localizada na oscilação entre dois discursos da democracia, quais
sejam “democracia participativa” e “democracia representativa”. A autora explica que na
década de 60 a palavra “participação” teria encontrado no vocabulário popular bastante
recorrência. Essa terminologia era uma forma de determinados grupos que queriam tornar o direito
formal em direito material. No entanto, a autora apresenta concomitantemente a essa emergência de
ideais, uma onda teórica preocupada em manter a estabilidade política, o que encontrou guarida
no século XX, período em que se deu a ascensão de Estados totalitários.

Essa preocupação em proteger o Estado da maioria desorganizada é fundamentada por pesquisas


realizadas por sociólogos políticos, como apresenta Pateman, que acentuam que os grupos de classe
econômica inferior apresentam características comportamentais prejudiciais ao Estado, como
o desinteresse por assuntos políticos, atitudes não democráticas e autoritárias. Daí eles se permitiam
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negar aquela ideia sugerida, inclusive, por Aristóteles de que o homem é naturalmente político e
negar a participação dessas pessoas nas decisões políticas frequentes – a participação através
do voto, todavia permaneceria como forma de democracia representativa.

Ao fazer apontamentos dos autores que afirmavam essas linhas de pensamento Pateman apresenta
alguns teóricos principais, como supracitado. Todos abordando a “teoria clássica de
democracia” como algo incontroverso e que seria impossível de ser realizado.

O primeiro a que ela faz referência é Schumpeter. Este autor parte do princípio de que a
democracia se vê apartada de ideias de finalidades e meios. E sim a vê como um “método”
consubstanciado na construção institucional de determinadas ações para realizar a tomada de
decisões, e a realização desse método desprovido de meios e fins permitiria, segundo este autor
a concretização dos direitos e ideais formalmente estabelecidos, o exemplo citado é a justiça.
Nessas linhas definido:

“[...] Schumpeter apresentou a seguinte definição do método democrático como moderna e


realista: ‘Aquele arranjo institucional para se chegar a decisões políticas, no qual os indivíduos
adquirem o poder de decidir utilizando para isso uma luta competitiva pelo voto do povo [...]”
(1992, Pateman, p. 13)

Nesse sentido, para Schumpeter, a tentativa por quaisquer meios dos cidadãos influenciar nas
decisões políticas que não por meio do voto, seriam tentativas de frustrar o método democrático
estabelecido para manter a estabilidade política.

Pateman, seguindo a análise de autores dessa linha de pensamento, traz anotações sobre o
pensamento de Berelson. Este autor parte do princípio de que os autores clássicos estavam
enganados por ignorar o sistema político ou levando-o em consideração, no entanto, como
instituições específicas, não observando o todo. A partir dessa perspectiva o autor teria construído
uma teoria de estrutura descritiva focada no sistema político. A partir disso, o sistema seria
operável por uma parcela objetiva dos cidadãos que apresentassem interesse nessa
participação, diferentemente daquela maioria desinteressada e prejudicial ao sistema; fazendo-
se que esse desinteresse, inclusive, tenha um papel fundamental, já que as mantém fora do sistema,
mantendo-o estável.

O próximo autor apresentado por Pateman é Dahl. Que parte da ideia da igualdade da parcela de
“status” socioeconômico inferior. O distanciamento dessa parcela existiria devido a uma tripla
barreira, qual seja: “sua inatividade relativamente maior; seu limitado acesso aos recursos e, nos
Estados Unidos, a ‘simpática invenção de um sistema de verificações constitucionais de
Madison’ (1956, p. 81).” (1992, Pateman, p. 19). Porém a existência do sufrágio universal
permitiria a presença de “igualdade política”, independente daqueles fatores.

O aumento da participação dessa parcela da população de classe socioeconômica baixa, portanto,


também seria um problema para Dahl. Este autor traz ainda o conceito político de poliarquia,
que seria a melhor democracia, já que afastaria essa população de personalidade autoritária
evitando riscos as leis, aos líderes e ao sistema. Em Sartori teríamos uma extensão dessa teoria.

O último autor a ser abordado para compreender-se como os teóricos do século XX discutiram a
questão da “teoria clássica da democracia” como algo real e combatível é Eckstein. Para ele a
relação entre autoridade governamental e a estrutura de autoridades da sociedade devem ser
proporcionais para se garantir a estabilidade da democracia, daí a expressão do “saudável
elemento de autoritarismo” defendida por este autor. Para Pateman essa democracia de
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Eckstein é, no mínimo paradoxal, tendo em vista que abre mão da democracia para manter-se
a estabilidade da democracia.

O grande elemento protetor da democracia nessas teorias apresentadas seria a possibilidade de


votar. Através do voto e da competição entre os líderes pertencentes da elite a democracia
estaria garantida. Dessa forma, eles entendiam que haveria um controle sobre os líderes
mediante a possibilidade de não terem mandatos. Além disso, haveria, em última análise, a
possibilidade de grupos ativos pressionarem as lideranças durantes seus mandatos.

Dessa forma, foi constituída a teoria contemporânea da democracia. Segundo a autora,


majoritariamente aceita pelos teóricos. Apesar de existirem críticos, os quais focariam suas
observações em dois pontos fundamentais, primeiramente constroem críticas sobre a equivocada
compreensão por parte dos autores contemporâneos à teoria “clássica”; em segundo lugar o
desvirtuamento do significado de democracia.

Para Pateman há um equívoco em tratar da “teoria clássica da democracia” já que se trata de


um mito. Para fundamentar essa alegação a autora explica a necessidade de analisar as teorias
chamadas pelos contemporâneos como clássicas, chamadas por ela como teorias da democracia
participativa, quais sejam: de Rousseau, de John Stuart Mill, Bentham e de G. D. Cole. A partir
desse ponto passamos para o segundo momento da presente resenha, qual seja o segundo capítulo do
livro.

O primeiro autor trabalhado é Rousseau, que em “O contrato social” teria desenhado o sistema
que daria vida a democracia participativa. Ele construiu uma teoria política em que o cidadão
faz parte da tomada de decisões individualmente o que provocaria um efeito de relação
contínua entre o funcionamento das instituições e os indivíduos. Assim, a tomada de decisões
seria constituída por um momento de decisão e um momento de proteção dos interesses
privados. E essa participação teria como papel fundamental a educação em um sentido amplo,
permitindo ao indivíduo o desenvolvimento de suas habilidades individuais, sociais e políticas.
Pateman acrescenta ainda que aqui estaria consubstanciada a liberdade positiva entendida por
Rousseau como “a obediência à lei que alguém prescreve a si mesmo”.

Esses argumentos de Rousseau seriam fundamentais as teorias de democracia participativa de


Mill e Cole. Contextualizando, cada autor, ao seu momento histórico, social, econômico e
político.

Mill, segundo Pateman, criticaria o sufrágio universal como única forma de participação no
governo. E, além disso, esse autor construiria uma teoria baseada na educação da participação
a nível local, a qual permitiria o desenvolvimento de habilidades para melhor participar do
sistema democrático e para aprender a se autogovernar.

Cole, de forma ainda mais atualizada, trabalhou a questão considerando a realidade industrial
do momento em que estava inserido. Dessa forma acrescenta uma ideia de participação nas
Associações como forma de transformar a vontade do indivíduo como força organizadora e
regulamentadora.

Portanto, o indivíduo, nesse momento e a partir da leitura desta estudante, seria capaz de se
autogovernar, determinar a organização de seu ambiente de trabalho, realizando atividades
democráticas e ganhando intimidade com os procedimentos de participação, saindo, destarte
da posição e da educação da servidão para a base participativa. Como podemos ver no trecho
que segue:
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“[...] Segundo Cole, ‘a democracia abstrata das urnas’ não envolvia uma igualdade política real;
a igualdade de cidadania implícita no sufrágio universal era apenas formal e obscurecia o fato de
que o poder político era dividido com muita desigualdade. ‘Os democratas teóricos’, dizia ele,
ignoravam ‘o fato de que grandes desigualdades de riqueza e de posição social, que resultavam
em grandes desigualdades de educação, poder e controle do ambiente, são necessariamente fatais
para qualquer democracia verdadeira, seja em política ou em qualquer outra esfera’ [...]” (1992,
Pateman, p. 56).

Dessa maneira, a teoria “clássica” é um mito criado para realizar-se a desconstrução da teoria
da democracia participativa e essa democracia participativa foi inicialmente estruturada por
Rousseau e sua contextualização histórica permite adaptá-la aos procedimentos de tomada de
decisões cotidianas, permitindo maior familiarização dos indivíduos com essas questões. Assim,
o "modelo participativo" permitiria, através da participação dos cidadãos, a concretização de
decisões políticas acrescidas de desenvolvimento das habilidades dos indivíduos nos âmbitos
sociais, políticos e econômicos, fazendo surgir um ciclo de aprendizados entre os participantes.

Bibliografia:

DUNN, John. O primeiro advento da democracia. In: DUNN, John. A história da democracia: um
ensaio sobre a libertação do povo. São Paulo: Fap-unifesp, 2015. Cap. 1. P. 31-101. Tradução de:
Bruno Gambarotto.

PATEMAN, Carole. Rousseau, John Stuart Mill e G. D. H. Cole: uma teoria participativa da
democracia. In: PATEMAN, Carole. Participação e teoria democrática. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1992. Cap. 2. P. 35-63. Tradução de: Luiz Paulo Rouanet.

PATEMAN, Carole. Teorias recentes da democracia e o "mito clássico". In: PATEMAN, Carole.
Participação e teoria democrática. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. Cap. 1. P. 9-32. Tradução de:
Luiz Paulo Rouanet.