Sei sulla pagina 1di 10

" •

.! '

PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓRICA
E o CONTEXTO DE DESIGUALDADE
PSICOSSOCIAL: TEORIA,
MÉTODO E PESQUISAS

COLETÂNEA- GT/ANPEPP

1
-
!n
'
'
-
UNJ\"ERSIDADE l'EDERAl. DE Al.AGO:\S
Rci1ora
\!aru Val..:i-i;i Cn.<l.1 C,1rr.·1.1

\'icc-rcilor
J. o;C \'kira dJ. Cru.o;
l>irctnrda EJ11fal
0-;1".ild<> B.111.,1.11\ciol)' ;'lfa..:id

Consdho Editorial Edufal


SUMÁRIO
o,v,1ldo t'i:tti,1,1 :\cioly :\·l:u:icl (Pr.·si<lcmd
FcrnJn<la 1.i11> de !.1n1<1 {Scffcl,ir1.1J
:\dri:rno '.\'.iscim<:nto Silv,1
An.1 Cr,,1i11.1 Cunçciçjo Sanh"
C,J Olival l"cilo~;i
r~ri<t1,11w ( :yrmo E>cc,·ão Oli1·c1r.1
)a11.1v11a dõJ Sil\'a /wiJ.1
1\l.iri.1 Cri,ti11.i Snarcs l;igucirc<ln Trc,,a 1\prcscnlação 9
:\ilton h>s'5 /l.klo Jc llcscnJc
lt1c:ar,Jn Carv,1lh" Cal,u_,
T:ih·.111cs Eug.'niu /l.bc:cuo
·1:im.1 .\1.ir1a C.irval!w Jn< Santo.1 Parte 1 - TEORIA
Counlcnriç.'io Editorial: Fcrn,mJa Lins Capítulo 1
Rcvi<ão ortográlica e normali1.ação: /l.!auricdia R.Iinos
lin.1gcm <lo1 c.1pa: U'·b de O!inira Guimar~l·~
Criando tuna psicologia n1c.llc-ricdist<1 - fontes e iníluCncia de
Oi;,granrn~;io e c:1pa: Espinosa nos trabalhos de \'igot.skl
S11pcrvis;iu gráÍlc;i:
Ed \.';isconcclus LJ
,\[:irciu !.(0ha10 Vkir.1 (k /l.kln
(;ise/e Ibas.sa

C<i1alngaç;io na fonte Capitulo 2


Unil'Cni<ladc rcdr.:ral de _.\J~goas
Departamento de Trat.i111cnto Técnico da Editora da Ufol
Possíveis diálogos entre a c<itegoria analítica de gênero e a
Bihliotco::.1riJ rcspous:i1•cl: l'crnancb Lins de Li111.i concepção dL sujeito cn1 Vygotsky 27
1'97-1
Psicologia sócio-histúnca.: o com.:.'Cto ck dcsigualdatk psicossoc1al !vlnrin Ignez Cosia :vforeira e '/(1lin11a !vfachiavelli (~an110 Souza
h.:oria. método c ]ll'sqmsa_~ / [Orgilm7..;1Jo por) ,\JCl1a Augusrn Souto
ele Oliveira. autores G1sl'lc T11;issa [ct ;il J - N!.:icc1õ EDUF:\L.
:::!íll 7
)J-1 p 1! Capítulo 3
Identidade sexual: n1clan1orlosc-cn1ancipaçào a partir do
lndu1 b1bliogrnfü1
ISBN 978-SS-5913-l lS-S Matcrialisn10 l-Iislórico-Dialético 45
r ]e_lêrso11 Renalo 1'..-fonlrcozol e Ed11a J\tlaria Severino J>eters Knhhale
1 Ps1culogia 2. Psiculog1<1 SÓl'10-histúrica J V1gocsk1. -1_ Epu..lc11110Jng1a 1
5. /Ytctodolngia. 6 Matcnalismo 1 Oliveira. Adélia Augusta Souw de. org

Parte 2 - MÉTODO
CDU 1599018
Capitulo 1
A produçào de conceitos e de 1nétodos na pesquisa psicológica:
Diri:ilo~ dcsl.1 edição uscrvadus ã contribuição da 111etassí111esc ao conhccin1cnlo científico. 71
EJufo! - EJitor.I d;1 t.:ni\'Cf.<;ida<lc FcJcr:d de i\l.1gn,1;
Editora a!ili:1c1:1:

lil!I~
C..:ntru Jc lmcrc%.: Cumuni!.iri(> (t:IC) Adélia Augusln Souto de Oliveirri, Juliano 1-\lrneidn Bastos,
A\'. !.ouriv;il Melo Mota, s/n . C;1111pus !\. C. Sim(1c~
Cid<idc L'ni1·c1sidria. Mac:ciU/AL Ccp: 57072·970 Lívia Teixeira Ca1nllo, PaLdo Sérgio dos Santos Junior, Lucicina
C0nta1n~: www.cdufal.com.hr 1conlato0)cJur~l.crnn.br1 (82) J2 l'1 ASSO~IAÇÃO HRASíLEIRA
111l/l1 IJ OE EDITORAS Ul'IVEASITA~U\S Domingues Bueno e i\1aria Ln111n Barros dr1 Rocha
CAPÍTULO 1
. CRIANDO UMA PSICOLOGIA
MATERIALISTA - FONTES E
INFLUÊNCIA DE ESPINOSA NOS
TRABALHOS DE VIGOTSKI1
Gisele 'foassa 2

Este capítulo discute as fontes e influencias de F.spinosa


na Psicologia de Vigotski, por dois can1inhos: o pri1neiro deles é o
rastrea1nento do estilo e da obra vigotskiana, de 1naneií'a a atentar
para as relações entre Espinosa (1632-1677) e Vigotski (1896-1934); o
segundo é a avaliação da trajetória de intérpretes n1arxislas de Espinosa e
outras fontes acerca da psicologia de Vigotski. Muitos conceitos de un1a
psicologia crítica renovada (como en1oções, experiências, consciência,
personalidade e individualidade) dependem dessa compreensão,
auxiliando-nos na conslrução de novos sentidos e ca1ninhos no projeto
vigotskiano. Considerando un1 contexto social n1ais a1nplo de crise da
economia capitalista e aprofundamento de desigualdades (HARVEY,
2014), este capítulo a.ssun1c a tarefa essencial de avaliar parte da ciência
psicológica produzida pelo experiinento revolucionário que poden1os
deno1ninar "União Soviética". Esse "experin1ento social", apesar de
1nuitos proble1nas, tentou produzir justiça social, renovar o socialismo

Trabalho publicado cm inglês com a referência: Toassa (i.Crcating a 111a1crialistic psychology:


sources and inllucncc or Sµinoza in Yigotski's works. [11/l'l'IWlional .Journa/ qf libcr(I/ ;/ris cmd
Social Scieuce.s. vol.::!. pp.83-9<1, 2014. O texto ê o primeiro ,fa serie lk trahalhos de pós-douwrado
da autora. resultando do projeto d<.: pcsquisn "O campo com.::citual <la siiucsc psiqu1ca: análise
ti.:órica c gênese histórica nn psicologia histórico-cultural", com cstúgio pós-doulora! no f-11s101y
and Theo1y of PsycíwlogyProgrc1111,York Uuivcrsity. Cmiadã financiado pela Capes. Trnduçào
de Júlio !Vlnnoel dos Santos Filho. n1estrn11do do Progrmna de Pós-gradua,1:ão em Psicologia d<t
Universidade Fi:=dcral de Goiãs (lJFG), com adaptações c revisão da autora.
Professora adjunta da Faculdade {le Educaçilo. UFG, l3rasi1. R. 235, n~ 375, apll) 502, Sclor
Leste Universitário, Goiânia, Goiâs, l3rasil, CEP: 7~6 l 0-070. Doutora cm Psicologia Escolar c do
Desenvolvimento llumano pela Universidade tk Süo Paulo, l3rasil. E-mail: gtoassar(1:.,111ail.cnm
,,, AllÚLr,\ AUGUSTA SouTu DE O:.rv~lRA 1 Orga.nizaJora
PSICOLOC~IA SÓCIO-l llSTÓRICA E O CONTEXTO DE DESIGUALDADE PSICOSSOCIAL:
TEORIA, ;\l[TODO E PESQUISAS "
e superar o capitalisn10, afirmando-se como permanente desalio
interpretativo para o ca1npo da esquerda política e social. de negócios (VYGODSKAYA; LIFANOVA, 1999). De acordo com A.
N. Leontiev (1991), Espinosa era o filósofo favorito de Vigotski. Como
Kotik-Friedgut e Friedgul (2008) identií1caran1 111ais tarde, o autor
Vigotski e os intérpretes marxistas de Espinosa na União Soviética bielorrusso tomou Espinosa co1no um 1nodelo pessoal, tornando-se uni
grande ad111irador da éLica cspinosana. l)s autores acrc.::sccnta111 que
Até por volta de 1877, Espinosa e Hegel foram os lílósofos mais
() fato de os piliS lcren1 buscado un1 tutor religioso
discutidos na Rússia (MAIDANSKY, 2003). E importante considerar, esclarecido [e11ligl1tc11ed] é n1ais un1a vez teste1nunho
ta1nbé111, o grandioso i1npacto da tradução russa de O Capital, de ivlarx, de seus valores racionalistas. t:o1no 1nostrarcn1os 1nais
publicada cm 1B72 (ver Baron, 1963)'. Lardc, a fanüliarida<lc de Vigotski con1 as cscritur<is
juJ;iic;-is e co1n a filosofia espinosana é, repctidan1t:nlc,
1'raduções dos trabalhos de Espinosa para o russo e versões de seus
verificada na fonna dos trabalhos cicnlílicos
intérpreLcs franceses e alen1ãcs apareceran1 em São Petersburgo, I'vloscou, vigotskianos ao longo de lo<la a carreira do autor
Kazan e OJessa. No entanto, nenhun1 autor russo apoiaria, sem reservas, (KOTIK-FIUEDGUT; FRIEDGCT, 2008, p.20).
as iJeias espinosanas: elas receberan1 críticas de pensadores religiosos,
pensadores hegelianos e kantianos. Kline (l 952) estima que, no período É ilnportanlc citar que Engels, Plekhanov e l)eborin era111
entre 1897 e 1916, oito mil cópias dos trabalhos de Espinosa tenham sido 5in1palizantes de Espinosa, influenciando livren1enle a a<lesão de VigoLski às
publicadas. De 1917 a 1938, foram impressas 55.200 cópias. Esse aumento ideias cspinosanas.
surpreendente torna-se ainda n1ais significativo ao se considerar o fato de A epígrde de A l'siwlogin da Arte (V!GOTSKl. 200 l b) é urna
que o papel era um recurso escasso na URSS [ ... J. Milhares de páginas citação da terceira parte <la Ética de Espinosa, a qual traz unia reflexão
sobre Espinosa foram publicadas, nmitas delas durante o jubileu do autor acerca das inexploradas habilidades <lo corpo, ideia que ta1nbé1n encerra
(1924 - l 932).
o livro. No cntnnlo, co1no se pode observar en1 trabalhos posteriores
Ao analisar-se a lista de Maidansky (2003) de espinosanos (VYGOTSKl, l 99 l ab, 1999, 1996, 1995), Vigotski tinha familiaridade
russos, é possível dizer que Vigotski estava fan1iliarizado co1n Sheslov, con1 quase todos os Lrabalhos de Espinosa, os quais são 1nencionados
Solov'cv, Deborin e Plekhanov. Um dos primeiros trabalhos que A. N. brevemente em seu Estudo sobre as Emoções (VYGOTSKY, 1999). O
Leontiev, um dos colaboradores de Vigotski, publicou intitulava-se O plano era lornar o n1011is1110 cspinosano un1 guia para unia nova ciência
Estudo sobre as Emoçócs em Espinosa (JANTZEN, 2009). No entanto, 1nonisla e 1nalcrialista da.s c1noçõcs, juntando corpo e 111cnlc c1n u111a
não há evidências consistentes de que ele tenha reton1ado essa tese "unidade psicofísic<i".
ou as ideias espinosanas posteriormente. Vígotski não teve, de fato, Fm percepção semelhante à de Kline (1952), Maidansky (2003, p.
"pupilos espinusanos".
203) Jefcnde que
É interessante mencionar que, na ac.lolesc2ncia de Vigolski, .seu
pai lhe dera a Ética, de Espinosa, obra adquirida durante uma viagem ;\pós 1917, a filosofia de Espi nos;i recebeu,
incspcradan1ente, a aprovação dos n1arxistas russos.
( ... )Isso signilica que os princípios básicos <l<l filosofia
de Espinosa e Marx eran1 per!'cilan1cnlc idênticos.
J lu!I (2000) o\1serva que. a rcsrc1to da vis;\\) de Marx sobre Espinosa, tis rcli.:rênci:is que o primcin1
faz a c.~lc último s:lo c.~cassêls: trat:i-sc d1.· n:produ~·ücs dt>. asscrçües que, <ipcs<lr <li.: serem positivas Ade1nais, alguns dos discípulos de Plckhanov,
cm sua maioria. nüo sugerem 11111 grande comprometimento com a filosofia cspinosana. Grosso orientados por A. Dcborin, ch~gara111 a definir o
modo, o rdilcionarnento de Vigotsh:i com Espinos<i era :;emelhantc ao de Marx com este üliimo n1arxis1no co1no u1n "ncocspinosanisn10", incitando,
autor. corno descrito por 1-Iull: "U comprometimento de Marx com Espinosa pode ser melhor dessa forn1a, um debate caloroso.
descrito enquanto uma apropriaçào criticn, u111:1 re<ipropriaçào que lê os elementos matcrialisL<1s th:
Espmosa cm co111rnposição aos que seriam incorporados ao hegelianismo" (lfULL. p. 27J

··r-
··-'
IG
.-\111'uA Au<;us·rA S1•u ru 111- (l1.1vuf{A 1Organiz;iJor;i
PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓR(CJ\ E O CO~'TEXTO OE DESl<iUAl.DADE PSICOSSOCIAI.:
TEORIA, iY1ÉTODO E PF.SQUISAS
Gcorgi Valentinovich Plekhanov (1856-18 lS), o verdadeiro
pai do r11arxis1110 russo" (B1\H.ON, 1963)·1, cila Engels e111 Bernstein e o De todo 1nodo, argun1enta-se neste capítulo que a leitura de A
Materialisnw(PLEKI-IJ\NO\'. 1976), perguntando-se o sentido epistemológico visão de mundo de Espinosa(DEBOR!N, 1952), artigo publicado ern 1927,
do n1atcrialis1110. Ele 111ostra como, cn1 L1uhvig Pellerbach, Engels considerou explicita o conhecin1ento de Deborin sobre as bases <la <loutrina de Espinosa
co1110 filósofos n1atcrialistas aqueles que cnfatizaran1 a pri111azia da natureza e, c1n evidente acordo com Plekhanov, caracterizou Espinosa enquanto
anle o espírilo. f(Jinc (1952) denon1inou <.:sse problen1a con10 onlolc'igico. ateísta, 1naterialista e precursor do 111arxisn10 3 . ,..\o escrever algu111as notas
bingráÍicas sobre o Cilósofo, l)eborin expressa sl111patia pelas fatalidades
Aqueles que partira1n da pri1nazia do cspírilo ante sociopolíticas que atingiran1 Espinosa. Outrossin1, Deborin dá ênfase à
a nalurcza e, co11sequente1nentc, e1n últirna análise, corage111 de Espinosa, descrita na luta deste contra a ortodoxia religiosa e o
consi<lcr~1ran1 a criação do inundo d~ unia fonnn
estabelecin1ento da burguesi<1 holandesa.
ou de outra - e <.:ntrc os filósofos con10 I--It:gd, por
exen1~)lo. essa crinçáo frcqucnten1entc torna-se ainda Aparenten1ente, o objetivo de Deborin era cha111ar a atenção para
1n;lis inlrincada e in1possível do qu~ no cristianis1no a filosofia cspinosana por n1eio da exposição da vi<l<i exen1plar Jo autor
- con1pôL"n1 o ca111po do idealisn10. Os outros, qu(: - de forn1a 111uito sen1elhante ao retrato de Espinosa pelos ilun1inislas do
alrihL1íra111 a prirnazia à natureza, pcrtc11cen1 ús v<1ri;1das
século XV!II (CI-!AU!, 1999), do qual o próprio Deborin ( l 952) afirmou
escolas do n1alL"riali.smo {ENGELS, 1846, n.p.).
ter conhecin1ento. Além do n1ais, o artigo de Deborin é notadamente
1\ parlir enviesado: ele credita a Espinosa, que fora un1 cxen1plo de 1nodéstia, un1
desse raciocínio, Plekhanov concluiu que Espinosa era
materialista. No gosto pela "vida civilizada': afirmando que o holandês
n1csn10 artigo, ele reporta un1a conversa co111 Engels, na
qual perguntou
"cu1nprc uni pap<.:I exlre1na1ncnle in1portanle
para a 111ccà11 ica e a tecnologia, ou, cn1 linguagc1n
'enlci.o vocl· acredita que( ... ) o velho Espinosa estava contcn1porânca, para o dt:senvolvin1cnlo das forças
certo quando disse que pensan1ento e extensão não de produção; considerando que sua atividade le\'a
eran1 nada senáo dois ntrilnnos da n1esn1a substâncin ?'; " uni incrcmcnlo do no.s.so poder sobre a nnturcza"
'I~ claro,' respondeu Engels, 'o velho Espinosa estava (DEBORIN, 1952, p-9)_
certis.1i1110'" (PLEKIIANOV, 1976", n.p.).

Essa visão de natureza era típica do 1novirnento radical bolchevique


P!ekhanov af!nna que 1\1arx e Engels ja1nais leria1n abandonado o
ponto de vista espinosano. para 1nodernização do território russo e guardava poucns se1nclhanças co1n
o racionalisn10 espinosano do século XVII, o qual se desenvolveu antes do
De acordo com Maiclansky (2003), Abram Moiseyevich Deborin ílorescimento da Revolução Industrial.
(1881-1963), uni filósofo judeu e discípulo de Plckhanov, pintou u111 retrato
distorcido de Espinosa - ele rara1ncntc referia-se a Espinosa crn seus escritos,
e quando o fazia, utilizava-se de referências secundárias a Engels, Feuerbach Deborin e Vigotski
e Plekhanov (MAIDANSKY, 2003). Os seguidores de Deborin foram longe o
suficiente para chamar Espinosa <lc "Marx sem barba" (KL!NE, 1952)_ A análise das Obras Escolhidase outros escritos de Vigotski revela
que, a fin1 de desenvolver sua psicologia, o autor se apoiou, parciahnente,
S..:na diric1! suhes1i111;1r a imrun<lneia de Plcklwnov rara o marximu soviê1i..:o. lvk_,;mo :ipós a nos escritos de Plekhanov. Referências ao pri111eiro grande 111arxista russo
divisfiu polit1ca do l'anido Soci<Jl-Di:111oerút1<.:o Russo. cm J90J, polariza11do os partidúrius de
Lenin. llS "holchcviquc~ ... C.\HHra os "mcn...:hcviqucs". de Plcklrnnov. Lenin rcco11hcccu o quilo
i111purwn1i.: Pkkhanov 1i11ha sido na aurora do comunismo russo. Dez anos mais tarde. Li!nin ainda t\ representação de Spinoza enquanto um ";llcu Ue sistema .. pode ser reeuperad:1 no Iluminismo
mantinha a esperança de qut" seria possível unilicnr o movimento, uma vez que ele 1i11h<1 um
Radical Francês. Desde aquela época, o cspinosismo tem siUo usado para \:lllllbat..:r a rclig1:'\o
verdadeiro n;spcito por Plckhanuv, enquanto teórico, embora mlo corno politico.
dominante, dando suporte às tc11L;1tivas de cstabclcc1mcnlo do Est<1do laico (Cl l1\lll. 1999). Essa
lcndC11t:ia tomou-se uma inílutncia sobre Engels, bcn1 como Plckhnnov. lJeborlll L' Vigoiski.
" An1\L1,\ AUGUS"J',\ SllUTU OE 01.1\TIR,\ 1 Organh.a<lora PSICOI.OGI.-\ SÓCIO-IllSTÓRICA E O CON'fEXTO DE DFSIGUAl.DADE PSICOSSOCIAL
TEORIA, i\1ÉTOD0 E PESQUlSAS
'"
são abundantes em Vigotski (2001 b, 1999, 2001a) ainda que sejam mais co1no a personalidade podcri'1 ser a "síntese" das funções mentais.
escassas em Vygotski (1991a, 1996). Tunes e Prestes (2009) defendem que C:onsequentC!l1e!1le, ele propÕs a Criação de UITI tipo de personalidade novo
Vigotski e seu grupo cra1n tan1bé111 próxin1os ao pensa1nento de Deborin. e nielhorado, cheio de harn1onia e perfeição, provaveln1cnlc cn1 benefício de
Neste capítulo, escolheu-se con1parar as ideias de ·Deborin às de seu objetivo final: a criação de u1n novo hon1en1 para uma nova sociedade
Vigotski acerca de Espinosa. Essa opção se realizou, porque Deborin (oi (VYGOTSKI. 1991a). Dcborin (1952, p. 9), em vczdisso, escolheria atingir
o 1naior inarxista russo que defendeu o pcnsa1nento espinosano durante "a 111als alLa perfeição hun1ana" i..:01110 o propósito final <le loJas as ações e
os anos 1920 (KLINE, I 952), be1n con10 quen1 mais escreveu acerca d~ pcnsan1entos no espinosisn10, ignorando con1pletan1enle n papel de Deus
Espinosa (fora1n pelo menos três artigos dedicados ao autor). no pensa1nento de Espinosa. t\ respeilo disso, no lugar de falar da Ética de
Espinosa, cun10 Vigolski fez, a escolha de l)eborin (1952) foi conienlar o
Con1parando os textos vigotskianos Já citados con1 Deborin ( 1952),
Tratado da c:orrcçâo do Intelecto de Espinosa.
é possível identificar as seguinles sen1elhanças: (1) na evocação de aspectos
Deborin ( 1952) foi publicado cm 1927; o artigo de Vygotski ( 1991 b),
rehllivos 8. visáo de inundo espinosana, que lendia1n ao nlarxis1110, o que
seria "<le auxílio à psicologia contemporânea no que ela ten1 de n1;1is
c1n 1930. E un1a grande coincidência que ideias silnilarcs Lenha111 sido
c1prcscntadas nesses dois trabalhos e, ainda que o últirno não cile o pri111eiro,
básico e grandioso - na for1nação da visão de homern, a qual serviria a nós
no 4uc diz rcspeilo à atribuição de "u111 fun único" à personalidade, Vigotski
enquanto um tipo de natureza humana" (VYGOTSKY, 1999, p. 105); (2) h;i
pode ter lido o artigo de Deborin. Uina vez que Espinosa era 1nuito popular
problemas no método espinosano, ainda que Deborin ( 1952) não explique
à época, nuLra pos~ibilidade é que a ideia de "u111 sisle111a final" tenha sido
sua crítica, Vygotski ( 199 la) considera que uma ciência psicológica não
disscnlinada entre os niarxistas russos e cada autor a tenha interpretado de
poderia ser geo111étrica, uni atributo que estava no cerne do rnétodo
espinosano; (3) a noção de que Espinosa foi um autor determinista, inaneiras diferentes.
be1n co1no n1alerialista (isto é, algué1n que estudou ludo en1 ter1nos de A coniparação feita por Espinosa, apresentada por Vygotski
causalidade), ideia de Feuerbach, do qual passara a Engels e Plekhanov; (4) ( 199 la) e1n 1927, quanto ao falo de a psicologia do futuro ter tão poucas
a crença de que a Éticade Espinosa define o lugar do homen1 na natureZ<l sc1nclhanças cotn um "cão': quanto a constelação Canis, tanibén1 foi feita
e dele exlrai conclusões sobre un1 novo 111odo de vida, relacionado ao cm um importante artigo de Deborin, de 1926 (O objeto da filosofia e da
conhecimento das paixões e i111pulsos. Esse quarto aspecto é, sen1 dúvida, dia/L~lica, ver l)eborin, 1964). Dcn1onstran<lo unia n1arca eplsten1ológica
1nuito fidedigno -d obr-a de Espinosa - é possível encontrá-lo no decorrer de conipartilhada, ;unbos -autores tratan1 de dois objetos, cujas se111elhanças
sua Ética bem como em comentadores de seu trabalho (SPINOZA, 2008; superficiais cscondia1n diferenças de csséncia.
CHAUI, 1999, 2005).
Vigotski pretendia modificar a teoria de Espinosa, segundo a qual Espinosa e o Ivlaterialismo a partir do estilo vigotskiano
todas as manifeslações da 1nente deverian1 ser direcionadas a um fi1n,

dando ofigen1 a um sisten1a com apenas uni centro


De 111ancira breve, argun1enta-se que Vigotski tinha por propósito
(... ] para Espinos<l, a única ideia é Deus ou a Natureza. estabelecer unia apropriação crítica do trabalho de Espinosa. Con10
Psicologicmncnte, isto não é realn1cnlc necessário. aprcsl.'nla<lo anlerionnenlc ('1'01\SSA, 2009), as refe1ências <le Vigotski a
Ccrt<1mcnlc, no entanto, o ho1ne1n poderia sintetizar Espinosa são fragmentárias. É importante lembrar que Vygotski (199la)
funções isoladas não apenas cm um sistema, nl<lS desaprovou tenlalivas ecléticas de co1nbinação de elen1entos de diferentes
na criação de uin centro único para todo o sistenia
Leorias que, segundo o autor, acaba1n por n1ontar mosaicos científicos no lugar
(VIGOTSKl, 199lb, p.92).
de unia ciência sólida. A intenção era salvaguardar a posição e confiabilidadc
da psicologia entre as ciências hu1nanas e naturais. Co1nentários a respeito de
Apesm de nunca ter completado seu objetivo de apresentar uma
Espinosa en1 \!igotski ( 1991 a, J 999) n1ostran1 que este úlliino era relutante
"modificação" na teoria de Espinosa, Vigotski quis provar cientificamente

i:-
'·:.a;·

21)
:\llh.IA Aut:ll.~T,\ SoUTü DE Ot.rVFli.:A 1 OrganizaJora
PSICOLOGIA SÓCIO-IllS'fÓRICA E O CONTEXTO DE DESIGUALDADE PSICOSSOCIAL:
TEORIA, MITO DO E PESQUISAS '
cn1 tratar o trabalho daquele de forma superficial. Vigotski esteve 1nuito
e detern1inista; esses posicionamentos teria1n feito de Espinosa un1
engajado e1n !~1zer co1n que a psicologia se juntasse a outras ciências da
iinportante precursor do 1narx.ismo. Seguindo nessa direção, Vygotsky
atividade neural - as quais ele considerava dualistas - sob un1 referencial
(1999) defende que o aspecto teológico da (itica foi um mero apéndicc, o
espinosano, o qual seria essencial para a superação do modelo dualista e para
o cai ninhar nc1 direção de u1na psicologia 1natcria\ista.
qual não afetou a essência do n1aterialismo espinosano. 1\ "encruzilhada
de Vigotski" é, cn1 algun1a n1cdida, siinilar à de Engels. E1n seu grande
E111 seu ·reaclii11g i~(en1orio11s, \figotskl cita, rcpctida111entc, a ideia de trabalho acerca <los funda1nenlos da psicologia científica, () signijicrulo
que E.spinosa JOi un1 autor rnaterialista. ()fato de que o bielorru!'o classificou histórico da crise na psicologia (l99la), sen1elhanten1ente a E:;pinosa
o n1onis1no cspinosano con10 um n1atcrialisn10 e, frequcntcnH.:nle,
(2008), ele posiciona-se quanto à indissociabilidade entre natureza e
tenha associado os dois tcnnos, se1n ler deixado clara a real natureza do realidade. A partir desse ponto de vista, até 111esn10 o 1nalerialis1110
"problc1na': poderia .ser percebido con10 un1 engano. No entanto, deve-se
histórico poderia ser compreen<lido con10 uma ciência natural. Evocando
levar c1n consideraçclo a inco1npletuJc do 'fCacliing about E111o!iuns, ben1
a 1náxi111a fan1iliar a Hegel "o real é racional, o racional é real" (I-IEGEL,
co1no a autoridade de Engels, Plckhanov e lJcborin, as quais scguira111 na 2001, p. 18), Vygotski (l99la, p. 387), propôe isto: "Estender o termo
n1esn1a dircçào.
'natural' a tudo que existe na realidade é con1pleta1nente racional".
Consequenten1ente, todos os estudos psicológicos são parte da realidade,
Ideias cspinosanas en1 tuna psicologia histórico-cultural fundada 110 a realidade é a natureza e a natureza é inteligível - ou racional. l(linc
111atcrialisn10 histórico ( 1952) afirn1a que, de acordo con1 Engels, Espinosa havia seguido os
gregos, partindo do pressuposto de que a razão não poderia ser con!rária à
natureza. Esse posicionan1enlo é interessante, na n1cdi<la en1 que expressa
Apesar de os escritos de Engels não trabalharcn1 a filosofia de
uma aparente convergência dos pontos de vista hegeliano e espinosano,
Espinosa e111 profundidade, Morllno (2008) acredita que o conhecilnento
1nuito provaveln1ente por n1eio de Engels, no pensan1ento vigotskianoti.
de Engels acerca de Esplnosa lenha sido n1ediado por Hegel, o ad1nirador
cri'tico niai.s in1porlante do filósofo holandês. Sugerindo que EngLls Essa visão deu base à procura de Vigotski por unia ciência sobre
tenha aderido aos pontos de vista de Hegel e tan1bém de Espinosa, <ls e1noções que (1) evitou o 1naterialisn10 n1ecanicisL:t e ultrapassado, do
(posiciona111enlo .sen1elhante ao de Deborln, l 964, en1 seu 1-!cgcl e o qual a pesquisa psicológica sobre as en1oções estava pern1eada, quando se
niaterialisrno dialético, publicado e1n 1929), J\1orfino exanlina os dois preocupava apenas co1n a psicologia con1parativa (estudos con1parando
textos nos quais Engels se refere a Espinosa: Anti-Dührint(1877) e hun1anos con1 outros anin1ais), (2) estabeleceu seu con1pron1etin1ento con1
Dinlética da 11ature=:a(l883). An1bos os textos foca1n-se na natureza, bein uma psicologia que, como Espinosa (2008), tornasse os afetos e emoções
con10 nas ciências que a interpreta1n. Aqui, não era estranha a noção hu1nanos co1no parte da natureza, não con10 virtudes ou vícios. Por cxcn1plo,
do materialismo alemão no século XIX (MORFINO, 2008), fortemente o holandê.s foi extrcn1amente crítico de religiõe.s que consideraran1 "ira" ou
nutrida pelo Ilu111inisn10. "inveja" como pecados e não con10 paixões comuns à natureza hun1an<L
Conscquente1nente, unia nova identidade é dada aos conceitos de realis1no,
Sini ( 199 l) citado por Morlino(2008) defende que, contrário
11alurnlis1no e fnalerialis1no(VYGOTSKI, 1991 a), o que ajuda \íigotski,
ao cenário do1ninantc na história d.1 fllosofia, Espinosa - e não Kant -
seguindo o espírito profano da Revolução de Outubro, <l colocar l)cus
executou u1na "revolução filosófica copernicana". Isso é, Espi!losa teria
sido, efetivan1eruc, o prin1eiro a explicar a natureza por 1neio de u1n
Ver. lambCm, Chaui { l 999). que atribui a Espinosa o poswl<iJo de que a realitladl.." C compkl:uncntc
cen{1rio no qual não conslarian1 explanações de orde1n teleológica ou inldigivcl. t\·lorlino assevera que '·Engels, por consequência. il maneira de Esrinosa. ;i~sq~ura que
a11tropon1órfica; os fenô1ncnos naturais não seriam descritos a partir da a natureza C uma totalidade- universal intcrcon~cwda: assim. suas parto.:s nào flo.Hlcm ser s1.:1rnrada~
do 10do senão pela abstração.'· (2008, fl. 14). Contrariamente a Espinos<1. Engds <lckndc a
ideia de un1 ser tr;111sce11<lente. Essa explanação asseinelha-se à de Deborin
necessidade de aboliçfü> da noção de que a nillureza C i11v;1riávcl. bc1n como advoga a supera-riio da
( 1952), porquanto alribui a Espinosa uma visão ateísta, antidualista velha metafisica, a qual separou causa e efeito, coloc<mdo as causas últimas do Uni\·erso forn de
suas própri;1s leis. Isso criou uma mctalisica para a qu<tl lJeus invalid;i a natureza fisic:i
2::
22 Alll~U,\ t\ucus·r,; SouTo 1l E O uv ElHA 1 Orga11iz.1J11r;i
PSICO!.OGIA SÓCI0-111~-róRICA E O CONTEXTO DE DESIGUALDADE PSICOSSOCIAL:
TEORIA, i\ttrooo E PESQUISAS

de lado - a despeito de que esse Deus pudesse ser considerado enquanto Considcra<j:ÕCS finais
idêntico à natureza ou não.
Dessa 1naneira. a sin1patia de \ 1igotski por Espinosa e pelo legado Vigotski esteve rortc1nentc co1npron1issado co1n a obra de Espinosa,
que este últin10 d~ixou para a con.stiluição de u111a ciL>ncia ho!í.stica torna- à qual ele foi aprcscnlado ainda antes de aderir ao 1narxis1no, adesão
.se 111ais con1prccnsívcl. Na segunda parle da l~tica, Espinosa postula que ocorrida após a Revolução de Outubro. É justo afirn1ar que sua relação
a relação corpo-n1ente constitui u1n indivíduo co1nposto: uina parte da co1n <\obra de Espinosa, apesar de ter sido fragment;;lria, teve i1nportantes
natureza completan1ente in1bricadct e1n un1 an1biente físico e social. Esse si1nilaridadcs con1 o percurso de Plekhanov entre os filósofos n1arxistas
posicionamento critica quen1 buscara conceilos prontos do 111aterialis1no russos, liderados por Deborin durante os anos 1920 (KLINE, 1952).
histórico nos trabalhos de autores tnarxistas clássicos, os quais não trazia1n Ade111ais, as intenções v)'gotskian<ls de apresentar llllla apropriação
conceitos psicológicos, no sentido específico <lo tern10. Vigotski - 111uilo crílica de Espinosa pode111 ser percebidas nas nolas esparsas de Vigolski
semelhantemente a Deborin (KLINE, 1952) - defende a base científica cio acerca do filósofo, as quais contên1 questões éticas e epislen1ológicas de
trabalho de Espinosa pela seguinte argumentação: gntnde in1portância para a (undação de unia nova psicologia n1aterialista.
Questões coino: o que é a nntureza hun1ana? É possível descobrir un1 n1o<lelo
P:ira alén1 da hipótese cspinosana, csl<Í toda a físi(a
alternativo para essa natureza? c:oino 1nu<lá-la? Espinosa, certaincnte,
de (;aJiJcu: c[;.1 111anifcsta Clll si lllCSJlla, traduzida
cn1 linguagcn1 filosófica, a totalidade da cxpcril:ncia
poderia ajudar no dcsenvolvi111enlo do conhecin1ento e no don1ínio de
acunndada (principaln1cntc a que vcin das ciências nossas próprias paixões. Advoga-se que essas preocupações estão ausentes
naturais, qllc Íoran1 us prin1eira~ a reconhecer na filosofia de Deborin, ainda que isso não possa ser confir1nado se1n unia
unidade e rcgulari<l;.1dc ao n1undo): E quein poderia análise 1nais aprofundcH.la da obra desse autor, a qual conta co1n pelo 111e11os
conceber tal doutrina na psicologia? Plckhanov e três arligos sobre Espinosa (dois deles publicados apenas en1 russo).
outros estilo scn1pre interessados no objetivo local:
1\s leituras de Espinosa nc1 União Soviética sofrera1n u1na perda
o objctivo pol01nico, o contexto explanatório geral,
1nas não o pcnsarncnto independente, g,cncraJi7_ado, significativa após a "Grande Quebra" de Stalin, entre 1929 e 1932. O
elcvctdo à condição de doutrina {VYG()TSKI, 199 la, 1narxisn10-leninisn10, da for111a con10 Stalin via-o, foi o único ca1ninho
p. 367). perniiLido n;;1s ciências e na íilosolla. Contudo, uma recente renovação do
pensaniento crítico ocidental, dos anos 1950 e.n1 diante, busca o diálogo
Vygotski ( 199 la) busca desenvolver unia ciência psicológica que não entre 1narxis1no e espinosisn10. Isso contribui para desenvolver un1a nova
estivesse sujeita 8 influência de razões políticas transitórias, que puJesse ler concepção de individualidade dentro da sociedade e apoia plenan1ente un1
aplicações conten1porâneas e universais, podendo se realizar no contexto verdadeiro socialismo dcniocrático enquanto principal nieta do século XXI.
mais an1plo do 1naterialisn10 dialético, tal co1no era con1preend ido pelo
bielorrusso. Nessa direção, Vigotski considerou positivan1entc eis ideias de
Espinosa acerca de co1no os indivíduos poderia1n gerenciar suas próprias Referências
en1oções, tendendo a 1nostrar u1n ca1ninho na direçi.l.o da autorrcgulação
A.l:l'I-fUSSER, L. l?lé1nc11b d1111rtocritiq11c. Paris: l-L.lchelle, 1974.
(VYGOTSKI, 1996), da passividade p<tra a atividade ( 1996), tomando
a liberdade enquan!o uni processo dependente do dcscnvolvi1ncnto do AL\'AREZ. A.; RÍ(), P. dd. Prólogo ct la cdición cn lcngua castelbn<i. In:
pensamento (VYGOTSKf, 1995). A arte, crucial à mudança unitária da VYGOTSKI, L.S.Obras escogid11s. l\1adrid: \lisor, 1991.
díade corpo e 111ente, auxi!i·aria a forjar u1n "novo ho1nem': Co1no Espinosa
disse, "ningué1n poderia estimar as possibilidades futuras da arte ou da BARON, S. I-I. Plekh111101 1: lhe fr1ther ofrussian n1arxisn1. Stanford, Calif:. Stanford
vida, un1a vez que ningué1n definiu do que o corpo é capaz" (citado por Unlvcrsit)' Prcss, 1963.
V!GOTSKI, 2001 b, p.329).

·, -1
:':''

~'I
.-\oi'u,, 1\w;u.~T,, Suun, DE 01.l\TlUA j OrganizaJora
PSICOLOGIA SÓCI0-1-IISTÓPJCA E o co;...ri.·ExTO DE DESIGUALDADE PSICOSSOCIAI.:
TEORIA, MÉTODO E PESQUISAS

BCJTTO,V(ORE, ·r. [)iciu11ârio do pe11sa11ienlo nirrrxi;;/(/. Rio de Janciro: Jorge


Zahar, 2001. KLINE, G. Spi11oza i11 Soviel Philosophy: A Series o[Essays, sclccled and
translated, and \\lith an introduction by George L. Kline. Londres: Routlcdgc and
Paul, 1952.
CI--fA.UI, NI. <lc S. A ncn•i1ra do real: ln1anêncla e liberdade crn Spinoza. São
Paulo: Con1panhia das Letras, 1999.
KOTIK-FRIEDGUT, B.; FRIEDGUT, T.H. A man of his country and his
Lin1c: Jc,vish Influcnccs on Lcv Sc1nionovich Vigotski's \·Vorld ViC\\'. I-li.•tory of
_ _ _ .S'pi11oza: unia tllosoll~1 da liberdade. São Paulo: 1Ylodcrna, 2005.
Psyc/10/ogy, v.11, n. I, p.15-39, 2008.

J)EBC1RJ1\, A. NL Spinoza's \Vorld-\'ic,v. ln: KLINE, c;.L_ (Org.) Spi11oza i11 Sovict lvlAIDANSKY, A. ríl1e Russian Spinozists. Studics in East Europco!1 "Jl1ougl1l, v.55.
Philosophy: A Series or Essays. London: Roullcdgc and Paul, l 952.
n.3, p.199-216, 2003.

_ _ _ .Filosojia y politico. \.-!01nevidco: Edicionl.'s Pucblos Unidos, 1964.


i'v!ORPJNO, \ 1. Causa sui or Wcchschvirkung: Engels hct,vccn S11inozJ. and J-{egcL
Historical ;Vfateri11lis111, v.16, n. l, p.9-35, 2008.
f)ERRY, J. ·1 he unity o( intclleLL and \\'ill: Vigotski and Spinoza. J:.'d11cr1tia1111/
RcviCH', \·.56. n.2. p.113-120, jun./2004.
PLEKl-IANOV, G. Ensaios sobre a histórfr1 do 11111terialis1110. Lisboa: Editorial
Esla1npa, 1973.
DOSSE, F l·!istórin do estru!11rr1h:;1110. Bauru: Edusc, 2007.
___ .Bernstein a11d /\Jaterialisrn.1976. l)isponívcl en1:<hllp://W\\'\\·.1narxisls.
Ei\"CELS, E Lud,vig Feucrhacli and lhe E11d o/Clossical Gcnna11 Philosophy (Part org/archivc/plckhanov/ 1898/07 /bernstcin111at.htn1I>. Acesso cn1: 14 fcv. 20 l ·1.
2.), 19:16. Disponível cn1:<hLLp:/ f\v,,·w. 111arxists.org/archivc/111arx/'\'Orks/ l 886/
h1thvigJCucrhach/ch02.hL1n>. r\ccsso cn1: 14 fev. 2014.
_ _ _ .Os principias funda111entais do 1narxisn10. São Paulo: I-íucilcc, 1978.

ESPINOSA, B. de.,\ tlit1h;li1.:a dn /Jlllllreza.Rio de fanciro: Paz e Terra, 1979.


1"C)ASSA, (i. Emoções. e vivências. cm \figotski: investigação para un1a perspectiva
histórico-cultural. 348 í. Tese (Doutorado cn1 Psicologia), Univi.:-rsidadc de São
____ de. fticn. S.to Paulo: J\utênLica, 2008 Paulo, São Paulo, 2009. ._

_ _ _ . Spi11oza: Corrcs1)01H.1encia_ Madrid: 1\lianza Editorial, 1988. Tl,INES, E.; PRESTES, Z. \figotski e LeonLiev: ressonâncias de un1 passado.
Cadernos de Pesquisa, v.39, n.136, p.285-314, 2009.
GCI:R<1lJLl~ M. Spi11oz(/, to111c 1: Dieu (Éthiquc, livre 1). Paris: Aubicr-
1\![ontaigne, 1968.
VA'f: DER VEER, R.; VALSINER,). Vigotski: Uma Sinlcse. São Paulo: Loyola/
Uni111arco, 2001.
JAN.J'ZEN, \'\'. 'I he problcn1 of lhe \~·ili in thc late \vork of Vigolski and Lconti::v's
soluLion tn lhis problcrn. I Í11111t111 ()11fogc11cr ic5, v.3. n.2, p.5 l -57, jul./2009. VYGODSK..A.YA, G.L.; LIFJ\NOVA, ·r.l\1. Lifc and \vorks. Journal uf Hussio11 a11d
Ea$f E11ropco11 Psycl1ology, v.37, n.2, p.23-90, 1999.
f-IAR\lEY, O. Scl'Cllfcc11 co11lrc1dictio11s n11d lhe cnd o/c(/pitahs111. London: Profilc
books, 2014.
VIGOTSI<I, L.S. E! significado histórico de la crisis de la psicologia. Una
invesligación n1ctodológica. In: VYGOTSKI, L. S.Obras cscogid11s. Madrid: Visor.
I-1EC;EL, c;.\v.1:. flfiilosuphy r~(Uight. Kitchener: Batochc Books, 2001. 199la.

F-IULL, e;. Ivlarx's ano111alnus rcading o[ Spinoza. !11tcrprelatio11, v.28, n. I, p.17 -32, _ _ _ .Pcnsa1nienlo y lcnguajc. In:VYGOTSKI, L. S.Obras cscogidas. J\1adrid:
2000. Visor, 2001 a.
26
:\DÉl.IA r\ucusT,\ Sou'J"o lJE 01.1\'E!ll.A J Urg:iniz;-iJura
·;;:::·-··

-·Psicologia d(/ arte. São Paulo: .\1arlins Fontes, 200Ib.

CAPÍTUL02
_.Psicologia concreta Jo hon1cn1. Rev. t.'rluc.
71, julho, 2000.
cf,-. Svc., C<1111pinas, ano 21, n.
POSSÍVEIS DIÁLOGOS ENTRE
\rYGOTSKI, L.S. Sobre los sistc1nas psicológicos. In: \'YGOTSKI, L. S. Obn1s
A CATEGORIA ANALÍTICA DE
escogidas . .\'htdrid: \'isor, l 991 b.
GÊNERO E A CONCEPÇÃO DE
- · Historia dei desarrollo de las funciones psíquicas superiores. In:
SUJEITO EM VYGOTSKY
VYGOTSI<I, L. S.Obrns escogidas. Madrid: \lisor, 1995.

- - - · Obras escogidas. 1\1 Iadrid: \'isor, 1996.

\tYG()l'SKY, L.S. 'fl1c tcaching abouL cn1otions: J-Iistorica!-psycholog:ical studic.:s.


!11: VYGOTSKY, L. S. 1he Collected Works of/.. S Vygotsky, Ncw York: Kluwcr
Acade111ic/Plenurn Publishers, 1999. vi, pp. 71·235.
itf: Maria lgnez Cosia Moreira
T'atiana rvlachiavelli Carn10 Souza

Nas úllin1as décadas, a categoria de gênero vcn1 sendo


a111plan1cnle ~iroblcn1alizada e delineada por diferentes autores/;is, áreas
de conhecin1c11lo e perspectivas epístê1nicas. E111bora n1ultos diálogos
teóricos já Lenhan1 sido feitos - e ainda cslcja111 longe de scren1 esgotados
-, não cnconlra1nos articulações entre as teorias de gênero e a psicologia
sócio-histórica. J\ ausência dessas articulaçôes n1otivou a elaboraçflo deste
texto, con1 o objetivo de iniciar a construção de u111a interlocuçáo entre a
epistetnologia fcn1inista que produziu o conceito de gênero e as categorias
de historicidade e desigualdade presentes 11;1 obra de Vygotsky.
Evidcntcrnente, o presente artigo não te1n a pretensão de esgotar
o <lssunto, tuna vez que reconhcccrnos a con1plcxidade de an1bas as
perspectivas - das cpistcinologias fcn1inisla e sócio-histórica -, n1as de
apresentar u111 pri1nciro exercício de rcflexáo sobre o sujeito sócio-histórico
afetado por suas posições de gênero.
A categoria de gl:nero ocupa posição cenlral na epislen1ologia
feminista desde Scolt (1990) e tem sido objeto de Lransformações críticas,
evidenciadas, por exen1plo, pelas pesquisas <le Butler (2015). As questões
de gênero con10 objeto do t'azer científico produzira1n, segundo Machado
(1994), unia inovação no cc1n1po científico, não pela novidade da teniática -
as diferenças entre ho1ncns e n1u!heres -, 1nas pelo questiona1nento crítico
sobre o 111odo pelo qual os saberes instituídos elaborara1n as explicações
sobre tais diferenças.
A den1anda de produção de conhecimento sobre as relações de
gênero está associada às ações do rnovi1nenlo l'enllnista, que denunciou

- ...