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Hallow

Evening
By: Leticia Marques
Fic Type: Books / Twilight

Summary: Era uma vez... duas... três vezes. Essa foi a quantidade de vezes que
eu morri. E todas elas pela mão dele. Mas no nosso próximo encontro eu serei
a vitoriosa. Acabarei com a vida dele nem que para isso tenha que morrer uma
quarta vez.

Published on: 03/11/2009

Last updated on: 4/11/2009

Words count: 22,411

Pairing or Main Character: Bella, Edward

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Chapter 1: A Profecia
Um pouco de cultura

Posto que, entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1° de novembro, ocorria a


noite sagrada (hallow evening, em inglês), acredita-se que assim se deu origem
ao nome atual da festa: Hallow Evening - Hallowe'en - Halloween.

Capítulo 1

A PROFECIA

31 de Outubro de 1992

Halloween. Fantasmas, bruxas, vampiros, duendes, fadas, zumbis. Todos


corriam pelas ruas indo de porta em porta pedindo doces. "Gostosuras ou
travessuras", eles gritavam em uníssono. Os moradores estavam sempre a
postos para encher as sacolas com as mais variadas guloseimas. Eram apenas
crianças vestidas de monstros ou seres místicos, buscando nada mais que
diversão.

E naquela mesma noite nasceu a criança que nunca veria o Halloween da


mesma forma que as outras.

Isabella Swan foi o nome escolhido por seus "pais". Humanos comuns que
estavam incumbidos de criar a jovem treinando-a para o que seu futuro lhe
reservava. Ela não era humana, tampouco um monstro. Era fruto da paixão
proibida entre uma bruxa e um demônio. Os dois estavam mortos agora. E tudo
estava acontecendo como deveria.

Ela cresceria como uma criança comum, com o diferencial de um treinamento


rígido que mal lhe permitiria dormir, forçando seu corpo ainda fraco a se
adaptar às mais diversas situações.

Ela tinha dez anos quando o casal que lhe criara a contou sobre a profecia.

Era noite de Halloween e Isabella não sabia o que era sair de porta em porta
pedindo doces. Nunca fizera questão de passar por tal ritual "sem graça" como
ela dizia aos amigos na escola. "Pedir doces não vai me levar a lugar nenhum a
não ser ao dentista", ela sempre retrucava quando insistiam que ela
participasse da tradição dos jovens.

Seus "pais", Charlie e Renée, estavam com a garota no porão da casa onde
moravam, encerrando mais um dia árduo de treinamento, e agora sentavam no
chão de cimento com um livro muito antigo que fedia a mofo. Mas eles nem
precisariam abrir o livro para falar sobre a profecia que tinha tão cravada nas
mentes. O fizeram apenas por causa de Isabella que nada sabia sobre ela,
apesar de lutar contra demônios a mais de três anos.

- Quando sua verdadeira mãe descobriu que estava grávida, ela sabia
exatamente o que isso significava. A paixão entre uma bruxa e um demônio é
proibida. E ela sabia que para você viver, ela teria que sacrificar a sua própria
vida. Assim como seu pai também teria que fazer. – Charlie explicava à garota
que ouvia tudo atentamente. – E eles sabiam também sobre a profecia que foi
feita no momento em que você foi concebida.

- O que é "concebida", Charlie? – Isabella, ou Bella, como ela insistia em ser


chamada, perguntou.

- Quando seu pai plantou a sementinha dentro da sua mãe para você nascer. –
Renée tentou esclarecer, seu rosto corando um pouco.

- Não é um jeito um tanto idiota de explicar, Renée? – Charlie perguntou


tentando a todo custo não rir.

- Ora, o que você quer que eu diga? A garota só tem dez anos.

- Espera – Bella interrompeu a quase discussão, pegando o livro do colo de


Renée e passou a folhear as páginas sem muito cuidado – Vocês estão falando
de sexo?

Renée ficou ainda mais vermelha, enquanto Charlie caiu numa risada
estrondosa.

- Viu? Ela não é tão inocente assim.

- Li um livro na biblioteca sobre isso há uns três meses. Parece legal. – ela
comentou dando de ombros.

- É legal, mas não é para fazer agora, viu? Muito cedo.

- Vamos voltar à profecia? – Renée pediu apressada, seu rosto agora num
preocupante tom de roxo.

- Então meus pais fizeram sexo e...

- E nove meses depois você nasceu. – Charlie completou ainda com um traço de
riso no rosto – Há exatamente dez anos atrás. Na mesma noite que seus pais
morreram.

- Certo. E a profecia?

Apesar de falarem sobre seus pais, Isabella, ou Bella, não se abalava com a
morte deles. Sabia o significado que o sacrifício deles tinha e era muito grata a
eles por isso. Mas nunca os tinha conhecido, então não nutria nenhum tipo de
amor pelo homem e pela mulher que tinha gerado uma criança tão especial.

- Está aqui nessa página. – Renée falou, passando as folhas do livro antigo no
colo de Bella, até chegar a uma que havia apenas um pequeno texto. – Leia e
depois diga se entendeu.

- Ok.

"De uma paixão proibida nascerá a esperança, mas não haverá esperança sem
o holocausto. Nascerá na noite onde ninguém poderá se esconder. Na mesma
noite onde todos estarão ocultos por máscaras. E será nessa mesma noite,
dezessete outonos depois, que ela encontrará seu destino. Sua imortalidade
findará na morte do maior dos imortais. Não será ludibriada por ele e terá
força equivalente. Mas não será pela força que vencerá. No fim, voltando às
raízes, apenas um imortal sobreviverá."

Apesar do vocabulário estranho para uma garota de dez anos, Bella entendeu
tudo que a profecia dizia. Sabia que era a ela que a profecia se referia e que ela
teria que derrotar o tal imortal. O pior deles. Iria encontrá-lo no seu
aniversário de dezessete anos e teria que matá-lo para sobreviver. "Apenas um
imortal sobreviverá." E ela faria de tudo para ser ela a sair viva da batalha.
Bella participou de seu primeiro confronto quando tinha seis anos, quase sete.
Estava voltando para casa quando teve a forte intuição que deveria seguir
outro caminho. Sua intuição a levou – e a Renée que lhe acompanhava – a um
beco sujo e escuro. Um demônio tinha acabado de aparecer ali e atacava um
mendigo que de tão drogado nem sentia a força que o monstro fazia ao apertar
seu pescoço para atrair sua alma.

Bella não pensou. Sempre fora instruída a deixar seu instinto lhe guiar e foi o
que fez. Levou o polegar e o indicar aos lábios para produzir um assobio agudo
– que Charlie lhe ensinara a dois verões – desviando a atenção do demônio,
permitindo que o mendigo escapasse da morte.

O demônio riu ao ver o tamanho de gente que parecia querer enfrentá-lo –


Bella tinha entrado no beco sozinha. Renée não era imortal como ela. –, mas
seu riso durou apenas cinco segundos, tempo que Bella usou para pegar a
flecha e o arco desmontável da mochila enorme que sempre carregava,
disparando uma única e certeira flecha no meio da testa do demônio.

Foi seu primeiro confronto. E depois desse batalhou quase todos os dias,
adquirindo muita experiência. Seu nome já era temido em alguns círculos
negros. Mas apenas por aqueles que deviam algo ao mundo. Eram apenas esses
que Isabella Swan caçava. Demônios, feiticeiros negros, zumbis perdidos e, às
vezes até vampiros. Foram dois apenas. Os mais difíceis. E foi em uma dessas
batalhas que Bella percebeu que seu grande rival era um vampiro. O único ser
que tinha uma força equivalente à dela. Não tinha sido tão fácil vencer esses
dois vampiros, mas Bella conseguira. Mas ela sabia que o maior dos imortais
não seria assim tão fácil. Ela sabia que poderia morrer pelas mãos dele. Ele
seria o único capaz de matá-la, assim como apenas ela poderia exterminá-lo.

Mas o que a profecia não dizia era que o primeiro encontro dos dois inimigos
não seria dezessete anos depois do seu nascimento. Ela tinha apenas catorze
anos quando o conheceu. E tinha a mesma idade quando morreu pela primeira
vez.

Mas essa não é a minha história. Sou apenas uma espectadora. Talvez saiba
mais do que deveria, mas não cabe a mim contar. Essa é a história de Isabella
"Bella" Swan. E cabe apenas a ela contar o que aconteceu.
Chapter 2: Primeiro Encontro
Capítulo 2

PRIMEIRO ENCONTRO

:: Bella's POV ::

Estava tudo dando errado aquele dia. Acordei super atrasada, coisa que nunca
tinha acontecido, queimei a língua tomando café quente às pressas e ainda
fiquei de castigo no colégio por chegar depois da professora. Nunca tinha
ficado de castigo. Não sabia nem me comportar numa hora dessas. Ninguém
nunca me disse que não se pode usar o celular quando se está de castigo.
Acabei levando uma advertência e teria que falar com o diretor no final da
aula.

Era véspera de Halloween e mais uma vez minhas amigas insistiam em me


arrastar para o baile da escola. Até mesmo um imbecil que eu tenho quase
certeza se chamar Mike, resolveu me convidar.

- Não vou. – respondi simplesmente dando-lhe as costas.

Entrei no banheiro feminino para evitar ser seguida por ele até ali. Como
poderia explicar que não iria porque ficaria treinando até o dia amanhecer?
Não que me incomodasse com isso. Na verdade, era bem mais divertido.

Tudo bem que nunca tinha ido a um baile antes, mas que graça tinha colocar
um vestido desconfortável e dançar músicas tão sem graça que davam sono?

Muito melhor ligar meu som nas alturas, mesmo com Charlie e Renée
reclamando, e treinar até suar bicas e todos os músculos começarem a
protestar. E apesar de fazer isso todos os dias – com exceção das semanas de
provas – eu sempre me sentia renovada.

E outra. Amanhã seria o meu aniversário de catorze anos. Renée já tinha


encomendado uma torta de chocolate com morango e Charlie prometera um
presente especial. Não desperdiçaria essa noite por baile nenhum.
Mas a minha maré de azar não acabou com o castigo. Não reparei que o piso
estava molhado quando entrei no banheiro e escorreguei numa poça, caindo de
bunda no chão. E quando fui levantar, amaldiçoando a todos os santos que
conhecia, escorreguei de novo e bati com a testa na pia.

- Merda! – gritei levando a mão a testa. Ia ficar um galo.

Fui direto para a enfermaria pegar um saco de gelo, mas não havia ninguém
ali. E a geladeira estava trancada. Perfeito.

Voltei para a sala com a calça molhada e um corte na testa que latejava, tendo
que aturar as gracinhas dos idiotas que diziam ser meus amigos.

- Credo, Bella! Tão velha e ainda faz xixi nas calças? – Jessica brincou e
Lauren a acompanhou nas gargalhadas.

Juro que se não tivesse prometido a Charlie e Renée que nunca usaria minhas
habilidades em humanos, essas duas estariam voando pela janela do segundo
andar.

Ao final da aula eu tive que ir falar com o diretor sobre o meu castigo de hoje
e acabei perdendo o ônibus escolar. E lá ia eu andando para casa. Cinco
quilômetros. Pouco, num tempo bom. Mas debaixo da chuva constante de
Portland, esses cinco quilômetros seriam bem longos.

Estava na metade do caminho quando comecei a tiritar os dentes de tanto frio.


Estava encharcada e os três casacos que usava pesavam tanto que tinha quase
vontade de jogá-los no lixo.

Decidi que o melhor a fazer seria parar num bar e tomar um café antes de
continuar andando.

Entrei num pub qualquer e me dirigi ao balcão, pedindo logo um café bem
quente com chantilly e comecei a tirar os casacos, colocando-os no banco ao
meu lado. Maldito dia que tinha resolvido não vestir nada impermeável. Agora
estava apenas com um casaco, que de tão molhado nem servia para nada.
Minha calça também estava ensopada e eu provavelmente estava parecendo um
pintinho molhado.
- Tem um corte feio aí na testa. – uma voz falou atrás de mim e eu me voltei
para ver seu dono.

Um homem, o mais lindo que eu já tinha visto na minha curta vida, estava
parado me encarando com um sorriso simpático no rosto. Senti meu coração
acelerar ao mesmo tempo em que meu instinto me pôs alerta. Aquela beldade à
minha frente não poderia ser humano. Ninguém era tão belo assim.

Ele parecia ter uns dezessete ou dezoito anos, sua pele tão branca que eu
poderia ver suas veias se houvesse algo circulando dentro dela. Seus cabelos
cor de cobre estavam desalinhados e molhados da chuva, mas ele estava de
longe parecendo um pinto molhado como eu deveria estar. Ele mais parecia
um modelo de tão perfeito. E os olhos negros mostravam claramente que o
vampiro à minha frente estava com sede.

O que eu achava estranho era o fato do meu instinto ter demorado tanto a me
avisar que poderia encontrar problemas ali dentro.

Dei as costas para ele não querendo arrumar confusão, mas ele simplesmente
pegou meu braço e me girou de volta, seu corpo agora perigosamente perto
do meu.

- Vejo que é corajosa, mas ninguém me dá as costas, Isabella Swan. – ele


rosnou entre os dentes.

Merda. Ele me conhecia.

- Me solte. Não vou brigar aqui.

- Não quero brigar, pirralha. Só quero provar um pouquinho do sangue da


pessoa que matou meus dois filhos.

Tinha certeza que meu rosto acabara de assumir uma expressão de choque. E
meu instinto agora me avisava para sair correndo. Coisa que jamais tinha
acontecido antes.

Não sei se suas palavras ou a força que sua mão fazia no meu braço, quase
quebrando o osso, mas eu tinha uma forte suspeita de quem era o vampiro a
minha frente. Mas não podia ser, podia? Eu não tinha dezessete anos ainda.
- O gato comeu sua língua?

- Você não vai querer se expor aqui dentro. – murmurei com a voz mais firme
que consegui empregar.

- Não. Certamente não. – o aperto da sua mão em volta do meu braço se tornou
ainda mais forte e eu cravei o maxilar para evitar gritar de dor. Não daria esse
gostinho para ele. – O que acha de irmos lá para fora?

Assenti apenas uma vez e ele me soltou. Depositou uma nota de cinco dólares
para pagar o meu café de dois dólares e pegou meus casacos em cima do
banco ao meu lado. Me controlei para não esfregar o braço que ainda tinha as
marcas do seu dedo e apressei o passo para fora do pub, pegando minha
mochila e jogando-a de qualquer jeito no ombro. Sim, eu estava pensando em
fugir.

Mas vampiros são ágeis demais e antes mesmo que eu conseguisse alcançar a
porta, ele estava ao meu lado, pegando meu braço novamente e me guiou para
fora.

Eu estava ferrada. Definitivamente, eu estava muito ferrada.

- Você achava mesmo que ia conseguir matar dois dos meus filhos e sair ilesa,
Isabella? – ele perguntou por entre os dentes, me arrastando para um beco. Nós
dois estávamos ainda mais encharcados agora, mas ele continuava
incrivelmente lindo.

Céus, o que deu em mim para ficar vendo a beleza dele quando ele claramente
queria me matar?

- Como me achou? – perguntei, mais para ganhar tempo do que por interesse.

Ele me puxou contra o seu corpo, fazendo o meu se chocar com força no peito
duro como pedra, ainda segurando meu braço com tanta força que logo
quebraria.

- Sua fama a precede, Isabella Swan. O demônio que você matou ontem era
muito poderoso. A morte dele gerou um grande alerta no mundo inteiro.
Estava te procurando pela cidade quando você entra no pub onde eu estou. Que
sorte a minha, não?

E que azar o meu.

- Agora posso simplesmente matar você e vingar a morte dos meus filhos. Ou
– ele continuou, me encarando com o olhar furioso, e eu ouvi o som do osso
quebrando antes mesmo de sentir a dor. –... posso te torturar bem devagar.

Não sei como consegui não gritar naquele momento.

Para pontuar sua decisão de me torturar, o vampiro agarrou o braço bom e me


jogou contra a parede de tijolo do beco, que de tão suja estava preta.

- Sabe, Swan, eu tenho uma habilidade bem peculiar. – ele comentou num tom
de falsa conversa amigável – Eu sinto quando meus filhos estão sofrendo. E eu
senti toda a dor que eles sentiram quando você os matou.

Ele agora estava agachado a minha frente e segurou meu queixo com uma das
mãos enquanto a outra tirava uma mecha do cabelo molhado.

- Eu odeio sentir dor, Swan. E agora eu vou fazer você sentir tudo que eu senti
naquelas noites.

Eu não conseguia falar nada com a força que sua mão fazia no meu maxilar.
Do jeito que ele apertava, ia acabar quebrando também. Mas muitas coisas
passavam pela minha mente enquanto ele continuava me encarando como se
quisesse me matar apenas com o olhar.

Aquele não era um dos demônios que eu estava acostumada a lutar. E nem era
como os dois vampiros que eu tinha matado. Eu não conseguia fazer nada
contra ele. E não era como se eu não estivesse tentando.

Enquanto ele me erguia pelo pescoço até meus pés saírem do chão, eu o
chutava e tentava batê-lo com meu braço que não estava quebrado, mas não
conseguia produzir nem mesmo um arranhão. Tinha apenas acabado com uma
dor aguda no tornozelo esquerdo. E o ar começava a faltar.

- Isso dói, não é? – ele perguntou com o rosto quase colado ao meu, seu hálito
gelado e inebriante me distraindo levemente da dor. – Você, Swan, não é nem
digna de que eu perca meu tempo. Te torturar está sendo mais sem graça do
que eu tinha imaginado. E pensar que seu nome estava causando tanto medo.

Ele tinha razão. Eu não era nada. Não no geral, mas no que diz respeito a ele.
Perto desse vampiro que eu nem sei o nome, eu não era ninguém. Eu não
estava pronta para enfrentá-lo. Seria possível que toda a profecia estivesse
errada? Eu não tinha dezessete anos e tampouco era noite de Halloween. Seria
possível que aquele fosse o meu fim?

- C-como é seu... seu n-nome? – perguntei num fio de voz, minhas unhas
tentando cravar na carne da mão com que ele apertava meu pescoço. Já sentia o
ar faltando e não havia mais muita coisa passando pela minha mente. Estava
tudo se tornando um completo vazio.

- Quer saber o nome de quem vai te matar? – ele perguntou e eu pude ouvir o
tom sarcástico na sua voz ácida.

- Sim. – consegui responder com muito esforço, usando o último fôlego que
me restava.

Eu sabia que estava morrendo.

Sua risada suave fez um arrepio sinistro percorrer meu corpo e eu teria
estremecido se ainda tivesse alguma força.

- Edward Cullen. – ele respondeu com uma voz tão suave quanto sua risada. –
Grave bem esse nome. Não que você vá viver por mais que alguns segundos.

Edward Cullen. Esse era o nome do vampiro que eu estava destinada a matar. O
único que seria capaz de acabar com a minha imortalidade. E ele tinha vindo
até mim na época errada. Eu não estava pronta. Ainda não era forte como ele.
Toda a droga da profecia tinha ido por água abaixo.

Seu nome dito pela voz macia continuou ecoando na minha mente até que não
havia mais nada. O ar acabou e a escuridão me dominou. Não havia mais dor.
Não havia mais toque frio no meu pescoço. Agora eu sabia o que era morrer.

Abri os olhos lentamente esperando me deparar com os olhos negros e frios,


mas tudo que vi foram os pôsteres das minhas bandas favoritas nas paredes do
meu quarto. Será possível que eu estava sonhando esse tempo todo?

Levantei de um salto, pronta para contar a Renée o sonho maluco que tinha
tido quando uma dor lancinante no meu tornozelo esquerdo me fez voltar para
a cama, caindo toda torta.

Havia uma faixa envolvendo meu tornozelo e meu braço direito estava no
mesmo estado, enfaixado até o cotovelo.

Charlie entrou no quarto seguido de Renée que carregava uma torta de


chocolate com nozes e me observava aflita.

- Até que enfim você acordou. – Charlie exclamou, sentando na beira da cama
e me ajudou a sentar ao seu lado.

- Estávamos ficando preocupados. – Renée completou, sentando na cadeira do


móvel do computador e depositou a torta ao lado do monitor velho.

- O que aconteceu? – perguntei ainda me sentindo levemente tonta.

- Nós é que perguntamos isso a você. Charlie e eu pensávamos que...

- Que eu tinha morrido. E eu morri.

- Você estava morta quando te encontramos. – Charlie falou num tom baixo.

- O que aconteceu? – perguntei confusa.

- Renée ficou preocupada com a sua demora e nós resolvemos te procurar.


Fizemos o caminho que você costuma passar e te encontramos sem vida num
beco sujo.

- Pensamos em te levar para um hospital, mesmo sabendo que não havia nada
para fazer, mas algo nos dizia que era para te trazer para casa. E foi o que
fizemos.

- O que aconteceu, Bella?

- Ele me encontrou. – expliquei olhando para a chuva através da janela de


vidro. – Edward Cullen. O vampiro da profecia.

- Quê?! Mas... Mas... Como? – Renée perguntou aflita.

- Que dia é hoje?

- É Halloween. – Charlie respondeu ignorando o surto da esposa assim como


eu fazia.

Um dia. Fiquei morta por apenas um dia. Era meu aniversário hoje. O dia que
nasci... de novo.
Chapter 3: Samhain
Capítulo 3

SAMHAIN

Um ano se passara desde que Bella Swan encontrara Edward Cullen pela
primeira vez. Um ano se passara desde que ela encontra a morte pela primeira
vez. Mas mal sabia ela que aquela não seria seu único confronto mortal.

Bella mais do que nunca estava determinada a encontrar uma forma de matar o
vampiro quando chegasse a hora certa e sabia que para isso precisava ficar
mais forte do que era. E, para o azar dela, Bella só pensou em uma forma de
ganhar essa força: lutar contra quantos vampiros encontrasse pela frente,
matando tantos quantos fosse possível.

Claro que ela adquiriu muita experiência com a espécie, mas isso também
despertou uma fúria terrível no senhor de todos aqueles vampiros.

No começo ele não sabia o motivo de tantas mortes dos seus iguais. As mortes
eram espaçadas em tempo e espaço, não deixando rastro algum do seu
causador. E ele sequer pensou em Bella, ainda acreditando que ela estava
morta. Afinal, para ele uma pessoa só morria uma vez. E ele tinha ouvido o
instante exato do último batimento que o coração dela executou.

Apenas quando faltava um mês para o Halloween, ele descobriu – não por erro
de Isabella, mas porque ela quis – quem era a causadora daquelas mortes.

Como sempre acontecia depois de sentir a dor de um dos seus filhos morrendo,
Edward se concentrava para tentar localizar o local da morte e ia até lá.
Nunca, em nenhum dos casos, ele achara nada. Nem corpo, nem bagunça, nem
sequer uma gota de sangue. Por isso ele achava que algum vampiro nômade
estivesse fazendo aquilo. Um traidor da própria espécie.

Afinal, nenhum humano seria capaz de duelar com um vampiro e não sofrer ao
menos um arranhão. Deveria haver sangue ali. Mas nunca havia. Nem dessa
vez tampouco. Tudo estava no seu devido lugar no galpão abandonado de onde
ele sentira a morte do seu filho. Com exceção de um bilhete pregado no lado
interno da porta principal.

"Está gostando de sentir dor, Cullen?"

Apenas isso. Uma única frase, sem assinatura, mas ainda assim Edward sabia
de quem era aquela letra. Não que já a tivesse visto antes, mas ele sabia que
era Isabella Swan por trás daquilo. E só não foi atrás dela naquele mesmo
instante porque ele ficou chocado demais ao saber que ela estava viva e não
conseguia entender como isso era possível.

Usou os dias seguintes para se informar. Ordenou a seus melhores vampiros


que buscassem informações sobre isso, mas nada havia. Nenhum vampiro sabia
como era possível uma humana voltar à vida.

Edward então foi forçado a procurar a escória do mundo negro, torcendo para
que aqueles demônios ignóbeis pudessem servir para algo. Uma semana ele
passou entre aquela espécie, matando mais do que Isabella conseguiria em um
mês, mas apenas assim, depois de despertar o terror, Edward conseguiu uma
informação a respeito.

Uma sacerdotisa velha e enrugada o procurara pedindo os três demônios que


ele mantinha preso em troca de informações. O vampiro pensou sinceramente
em matar aqueles seres desprezíveis e forçar a mulher a falar, mas temeu que
isso a calasse para sempre, então aceitou o acordo.

A mulher, mesmo temendo seu destino depois de fornecer a informação, falou o


que sabia sobre uma certa humana filha de um demônio e uma bruxa, e que essa
mestiça seria mais forte que qualquer demônio que cruzasse seu caminho.

Edward sabia que ela era forte, mas não fazia idéia do motivo. Mas ainda
assim, essa informação não lhe servia e ele já estava pronto para matar a velha
quando ela balbuciou entre os lábios da boca desdentada, falando algo sobre o
Samhain*.

- Repita! – Edward exigira, apertando o pescoço da velha quando ela rira da


expressão confusa do vampiro.

- Apenas no Samhain ela será capaz de matar o senhor dos vampiros. – ela
repetira, agora mais claramente, visivelmente assustada com a expressão feroz
do outro.

- E como eu faço para matá-la?

- S-seu corpo cura à primeira hora do Samhain. Nesse dia ela estará mais forte
que nunca.

- Então ela é imortal? – ele perguntara, visivelmente frustrado.

- Se matá-la na última hora do Samhain, ela não terá tempo para se curar.

E era apenas isso que o vampiro precisava saber. Mas havia um problema, ele
pensara depois de soltar a sacerdotisa louca – resolvera não matá-la porque
talvez ela fosse útil novamente –, lutar contra Isabella na noite de Samhain
poderia significar seu fim.

Mesmo achando impossível uma humana, mesmo que mestiça, ser capaz de
matar o mais poderoso dos vampiros, ele tinha que admitir que sua força e
esperteza crescera muito no último ano. E a sacerdotisa havia lhe dito que na
noite de Samhain sua força atingiria o auge.

Mesmo sem acreditar muito que ela pudesse matá-lo, Edward achou melhor não
arriscar. Sabia que aquela noite era poderosa para todas as espécies menos
para os vampiros que já eram naturalmente os mais fortes, e isso poderia ser
uma vantagem para ela.

Mas Edward tinha um plano melhor. Ela só iria se curar na primeira hora do
dia de Samhain. E ele duvidava muito que se seu corpo ficasse uma semana em
decomposição, essa cura fosse possível.

*Denominação pagã para o Halloween.


Chapter 4: Segundo Encontro
Capítulo 4

SEGUNDO ENCONTRO

:: Bella's POV ::

24 de Outubro de 2007

- Isabella Marie Swan! – ouvi meu nome ser gritado no andar de cima e dei
pouca importância. Estava no porão e Charlie sabia onde me encontrar. Não
precisava ficar gritando pela casa. – Que diabos é isso?!

Não que eu tivesse certeza exata a que ele se referia, mas provavelmente ele
tinha acabado de encontrar meu boletim que eu deixara em cima da mesa de
jantar para ser assinado.

- Inferno. – resmunguei enquanto continuava meus golpes contra um saco de


areia. Estava suada e cansada e sem um pingo de paciência para agüentar
sermões.

Continuei lutando e ouvi os passos pesados e apressados de Charlie descendo


as escadas de madeira do porão.

- Isabella, você pode me explicar o que é isso?

Parei o que fazia apenas por alguns segundos e olhei para o papel nas mãos
dele – sim, meu lindo e vermelho boletim – e voltei ao que fazia, sem nem me
dar ao trabalho de responder.

Continuei lutando contra aquele saco de areia imaginando que era aquele certo
vampiro que me matara uma vez, e nele despejei toda a minha ira. Enquanto
isso Charlie se pôs a falar sobre responsabilidade e o quanto aquelas notas
vermelhas iriam me prejudicar no futuro, dizendo que eu deveria me
organizar melhor quanto aos meus horários na escola.

Meu último ano definitivamente fora o pior academicamente falando. Nunca


tinha tirado tantas notas baixas ou recebido tantos castigos e advertências em
toda minha vida. E por vários motivos diferentes. Às vezes era mandada à sala
do diretor por dormir durante a aula – o que geralmente acontecia quando eu
passava a noite caçando vampiros ou enfurnada naquele porão, só parando
para tomar um banho e ir para a escola, esquecendo completamente da parte
em que deveria dormir.

E quando não dormia durante a aula, chegava atrasada e era proibida de entrar
na aula e então levava falta. Tinha estabelecido um recorde em absenteísmo e
até recebera um prêmio por isso: duas semanas de detenção.

Mas Charlie sempre me ensinara, assim como estava fazendo agora, que eu
deveria ser responsável e pensar no meu futuro. E era o que eu estava fazendo.
Pouco me importava se iria ser laureada ao final do ano escolar. Pouco me
importava em ser aceita ou não em alguma universidade de nome. Para mim,
só o que importava no momento era matar aquele vampiro. E para isso
precisava fazer tudo o que estivesse ao meu alcance. E se isso significasse
reprovar no final do ano, pouco importava.

Mas ainda assim eu não tinha reprovado o ano letivo anterior. Tive que fazer
curso de férias para passar, mas passei. O problema é que agora minhas notas
das primeiras provas desse novo ano letivo chegaram e estavam ainda piores.
Se continuasse desse jeito, sabia que curso nenhum de férias iria me salvar.

Mas eu não estava nem um pouco preocupada com isso.

Tinha descoberto algumas coisas sobre a profecia que julgava estar errada,
mas vi apenas que havia brechas nela. Só porque a profecia dizia que eu
duelaria contra aquele vampiro no dia do meu aniversário de 17 anos, não
queria dizer que eu não o encontraria antes disso. Mas agora eu sabia que eu só
poderia morrer definitivamente se ele me matasse nessa noite. Caso ele me
matasse antes, eu iria reviver até chegar o dia certo. Qualquer ferida mortal
curaria no primeiro minuto do Halloween.

Sabia que estava muito mais forte do que no ano passado, mas também sabia
que ainda não estava forte o suficiente para matá-lo. Esperava que ele viesse
até mim apenas para duelarmos mais uma vez e assim aprender um pouco
mais sobre ele. No momento, eu precisava mais de conhecimento sobre a
espécie do que de força física.

Infelizmente só tinha descoberto poucas coisas sobre eles. Sabia que essa
história de morrer queimado no sol era quase um mito, aplicada apenas aos
vampiros recém nascidos, o que não era o caso do meu alvo. Alho? Crucifixo?
Água benta? Mito total. Estaca enfiada no coração? Eles não tinham coração.
Ao menos não um que batesse. Arrancar a cabeça seria uma opção se tivesse
oportunidade. Mas havia algo que poderia matá-lo mais facilmente.

Havia uma certa lâmina – antigamente uma espada e que agora havia assumido
o formato similar a um facão – com palavras cravadas, palavras abençoadas,
untadas com uma poção poderosa, que me permitiria cortá-lo como se sua
pele não fosse dura como aço. O problema estava apenas em localizar a tal
lâmina.

A última vez em que fora vista, a lâmina estivera escondida na mansão de um


lorde – coisa que nem sabia que ainda existia – em uma cidadezinha de
Londres e eu tinha viajado até lá apenas para descobrir que a casa fora
demolida e transformada em um centro de recreações, e ninguém sabia o
paradeiro da família. Então, enquanto não a encontrasse, teria que contar
apenas com as minhas habilidades.

Charlie finalmente cansou de falar sem ser ouvido e voltou para o andar
superior da casa, resmungando com Renée, e me deixou sozinha com meus
próprios pensamentos.

Já passava das nove da noite quando eu senti algo estranho. Era parecido com
as sensações intuitivas que sempre tinha quando precisava estar em algum
lugar, mas era mais forte. Quase como se alguém me chamasse.

E eu tinha quase certeza de quem era esse alguém.

Ainda pensei em pegar alguma arma para lutar contra ele, mas seria perda de
tempo e material.

Passei por Charlie e Renée que estavam entretidos assistindo algum


[i]sitcom[/i] e mal me olharam quando avisei que estava de saída. Os dois já
haviam se acostumado há muito tempo com essas minhas saídas repentinas.
Peguei meu casaco perto da porta e saí em disparada pela rua quase deserta,
correndo na direção daquela voz. Não sabia onde estava indo exatamente, mas
quanto mais corria, mais desertas e escuras ficavam as ruas.

Cheguei em frente ao parque e só então parei de correr. Era dali de dentro que
vinha a voz e eu precisava me concentrar um pouco para não ser pega
desprevenida.

A medida que entrava no parque, chegando à área com mais árvores e precária
iluminação, comecei a sentir que estava sendo observada e passei a prestar
mais atenção para descobrir onde ele estava. Mas antes que pudesse encontrar
sua localização, uma voz se fez ouvir no meio da escuridão, fazendo todos os
pêlos do meu corpo se arrepiarem.

- Nos encontramos de novo, Isabella Swan.

Me voltei para a direção daquela voz potente a tempo de vê-lo surgindo das
trevas, andando lentamente na minha direção com um sorriso sinistro nos
lábios.

- Surpreso? – perguntei me forçando a não recuar enquanto ele se aproximava.

- Confesso que estou. Não é sempre que me deparo com um fantasma. – ele
murmurou e no segundo seguinte estava parado à minha frente, seu corpo tão
próximo ao meu que podia sentir toda a gelidez que emanava dele e sentir seu
hálito frio no meu rosto – Mas talvez essa frase não seja apropriada para a
situação.

- Eu não... – ia dizer bem claramente que pouco me importava com o que ele ia
falar quando uma mão forte apertou meu pescoço, tirando todo meu ar,
erguendo meu corpo do chão.

- Se você estivesse morta como deveria estar – ele rugiu num tom baixo e
ameaçador, falando por entre os dentes – não haveria calor ou coração
batendo.

Ele poderia achar que me subjugaria facilmente como da outra vez, mas estava
muito enganado. Eu não tinha matado tantos vampiros durante aquele último
ano por nada.
No instante em que ele pegou impulso para me jogar contra uma árvore, eu dei
um jeito de prender uma de suas pernas entre as minhas que antes balançavam
no ar e reuni toda força que tinha – mesmo sabendo que não era tanta se
comparada a dele – e puxei sua perna presa para a frente, fazendo-o cair de
costas no chão de areia e me levar junto, mas eu logo me recuperei e fiquei de
pé, ganhando distância dele novamente.

Ele continuou no chão por mais alguns segundos. Não que parecesse
atordoado ou assustado. Pelo pouco que eu conseguia ver do seu rosto no
ângulo em que estava, ele parecia surpreso. Mas a surpresa logo deu lugar à
raiva e em instantes ele estava em pé novamente me encarando com aquele
olhar matador que só ele conseguia fazer, enquanto espanava a terra das
roupas.

- Muito bem, Swan. Vejo que aprendeu truques novos.

- Sim. Seus filhos serviram para algo no final das contas.

É claro que eu sabia que ele viria para cima de mim depois de ouvir isso. E eu
poderia até não ser tão rápida e forte quanto ele, mas estava preparada para o
seu ataque.

Ou ao menos era o que achava.

Quando eu desviei do caminho para evitar o impacto contra o corpo duro


como rocha, ele fez o mesmo parando exatamente na minha frente com os
olhos vermelhos carregados de ódio, e sua mão se chocou contra o meu tórax
num soco tão violento que me fez voar por vários metros até cair de costas no
chão duro.

Quando tentei levantar, percebi que não conseguia respirar. Uma dor aguda
pressionava meu peito e o desespero tomou conta de mim. Fechei os olhos e
fiz força para tentar puxar algum ar, mas tudo que senti foi mais dor.

Percebi uma sombra perto de mim e abri os olhos a tempo de vê-lo se


agachando ao meu lado e me pegou pelo pescoço, tirando meu corpo do
inteiro chão.
- Isso é para você aprender a não mexer comigo, sua imbecil. – ele rosnou
apertando mais o meu pescoço.

Segurei seu braço com as duas mãos tentando fazê-lo me soltar, mas uma tosse
forte causou uma dor ainda maior me enfraquecendo, e eu senti o gosto de
sangue na boca.

Vi seu cenho franzir e ele ergueu sua mão livre até a minha boca, limpando o
sangue que escorria, e quando seu olhar reencontrou o meu, o vermelho dos
seus olhos estavam ainda mais intensos.

- Não vamos desperdiçar tanto sangue, não é?

No segundo seguinte seus dentes cravaram no meu pescoço e eu me debatia


tentando me livrar do aperto de aço dos seus braços em volta do meu corpo.
Mas logo minhas reações se tornaram nulas e a escuridão me envolveu mais
uma vez.
Chapter 5: Remorso
Capítulo 5

REMORSO

Naquela noite Bella morrera pela segunda vez. Mais uma vez Edward fora mais
forte que ela e sugara seu sangue até a morte. Mas o que Edward não sabia era
que aquele ato mudaria toda a sua vida – ou existência.

No instante em que seus lábios deixaram o pescoço da garota, ele percebeu que
havia algo estranho. Não pelo fato de ter um cadáver em suas mãos. Isso era
bastante comum para ele. Mas o que Edward achou estranho foi a profunda
tristeza que o abateu. Uma sensação de perda, de vazio, que ele não conseguia
explicar.

Levado por um impulso que não entendia, ele levou os lábios mais uma vez até
o pescoço que ainda sangrava e lambeu as últimas gotas de sangue da pele
macia. Foi só então que Edward sentiu o gosto do sangue dela. Por todo o
tempo em que a sugara, ele estivera tão dominado pelo ódio que queria apenas
matá-la, nem se importando com o fato de estar bebendo seu sangue. Mas
agora que tudo tinha acabado, ele finalmente conseguira centrar sua atenção
naquele sabor. E não era qualquer sabor.

Edward nunca havia provado sangue mais delicioso que aquele. Era o néctar
perfeito de aroma doce e sabor viciante. E agora estava acabado.

Nesse instante ele sentiu algo que nunca tinha sentido antes: remorso.

Remorso por ter acabado com algo tão puro, tão perfeito. Mas não era um
remorso do tipo que o faria querer voltar no tempo para sugar aquele sangue
saboreando melhor seu gosto. Era um remorso que o faria querer voltar no
tempo e não matá-la. Para Edward, um sangue singular como aquele jamais
deveria ser derramado.

Ficou por horas naquele parque contemplando o corpo de Bella deitado na


grama, até que o dia começou a amanhecer e ele ainda não sabia o que era
aquilo, tampouco sabia o que fazer. Sabia que voltar no tempo não era algo a
se considerar. Mesmo tendo tantos vampiros habilidosos sob o seu poder,
nenhum deles tinha esse dom. Sequer sabia se existia alguém assim. E sabia
também que se a deixasse ali, seus protetores rapidamente a encontrariam, mas
provavelmente não poderiam fazer nada a não ser observar seu corpo entrar
em decomposição, talvez não resistindo até o último dia do mês.

E foi então que ele teve a idéia mais absurda que poderia um dia pensar em ter.
Poderia estar assinando sua sentença de morte, mas Edward não iria deixar
aquela garota morrer para sempre. Nem que para isso tivesse que ir contra seus
próprios princípios.

Movendo-se na sua velocidade normal e rápida demais para algum olho


humano perceber, ele carregou Isabella no colo por centenas de quilômetro,
parando apenas quando estava em sua casa, levando-a diretamente para seu
quarto, ignorando os olhares perplexos dos vampiros que moravam ali.

Listou alguns itens em voz alta, mas sem gritar, e ordenou aos vampiros que
estavam espalhados pela mansão que eles teriam cinco minutos para
providenciar tudo. Não precisaram nem de três.

Edward passara as duas horas seguintes aplicando líquido conservante pelo


corpo agora nu de Isabela e depois a enrolara num plástico, colocando-a em
seguida dentro de um freezer cheio de gelo. Sabia que sua pele acabaria
queimando em algumas partes, mas nada que não se curasse quando ela
voltasse a vida.

Nenhum dos vampiros fez qualquer tipo de pergunta diante de comportamento


tão estranho do seu líder, mas foi inevitável o comentário em sussurros pelos
corredores sombrios.

Edward ignorara esses comentários e não saíra um segundo sequer do lado do


freezer fechado onde Isabella estava. Nem mesmo para caçar. A semana se
passara e finalmente era dia 30 de outubro. Mas apenas quando faltavam trinta
minutos para a meia noite foi que ele retirou o corpo de Bella, rasgando o
plástico sem cuidado, e constatou que seu corpo permanecia em perfeito
estado, apenas com pequenas queimaduras superficiais que logo
desapareceriam.
Vestiu-a novamente e carregou seu corpo rígido de volta à cidade e sorriu
sozinho ao senti-la se mexendo nos seus braços durante o percurso. Seu plano
tinha sido louco, mas ao menos dera certo.

Quando finalmente chegou à casa dela, sua temperatura começava a voltar ao


normal e ele se apressou a colocá-la na cama do quarto que julgara ser o dela
e saiu no segundo seguinte pela mesma janela aberta por onde entrara. Mas
não sem antes deixar cair um livro propositalmente no chão de madeira para
avisar aos seus tutores que ela estava ali.

...

Duas semanas se passara até que Bella estivesse completamente recuperada.


Não havia mais dor no peito nem marcas da queimadura que ela não sabia
como tinha conseguido.

Passara os meses seguintes tentando recuperar suas notas na escola – pedido


de Charlie e Renée que ela resolvera acatar já que preferia usar as férias de
inverno para treinar ainda mais e tentar encontrar a lâmina que usaria para
matar Edward Cullen.

Foi ao sair de seu último dia de aula antes do feriado de final de ano que Bella
percebeu que aquele ano seguinte não seria como os outros.

Ela estava distraída olhando seu boletim – surpreendentemente com notas


acima da média – tentando ignorar as conversas fúteis das suas "amigas", e
parara de prestar atenção nas coisas ao seu redor.

Não vira quando as amigas pararam para olhar uma vitrine de jóias e
continuou andando até chegar a uma esquina e já estava prestes a colocar o pé
na pista quando uma mão a deteve segurando-a pelo braço, bem a tempo de
evitar que um ônibus a atropelasse. Assustada, Bella se voltou para agradecer
a quem quer que tivesse salvado sua vida, e se viu frente a frente com Edward
Cullen.

Puxou seu braço com força e o encarou furiosa, pronta para partir para cima
dele quando ouviu os gritos histéricos das suas amigas.

- Bella! Meu Deus. Você está bem? – Ângela perguntara, a única que parecia
estar realmente preocupada com seu bem-estar enquanto as outras só tinham
olhos para o vampiro.

- Estou. – ela respondera por entre os dentes sem desviar seu olhar do dele,
mesmo que estivessem cobertos pelos óculos escuros. – Não faça isso aqui. –
ela pedira num tom muito baixo demais para que as meninas conseguissem
ouvir, quase sem mover os lábios, mas sabia que o vampiro entendera tudo
perfeitamente bem.

- Não vim para brigar. – ele respondera quase no mesmo tom, permitindo que
sua audição quase tão boa quanto a dele pudesse captar o som. – Cuide-se, ok?
– ele pediu e então lhe deu as costas, deixando-a ali no meio da calçada
estranhando sua atitude.

Um novo encontro dos dois aconteceu no primeiro dia de aula de Isabella


depois das férias de inverno. Estava na sala de aula contemplando o pátio
como sempre costumava fazer quando a aula era muito tediosa quando o viu
parado ao lado de uma das árvores, braços cruzados sobre o peito e expressão
indecifrável. E mesmo com a distância e ele estando de óculos escuros
novamente, ela sabia que seus olhos estavam voltados para ela.

Seu corpo inteiro se retesou, instintivamente se preparando para a luta e estava


a ponto de levantar da cadeira para ir até ele e enfrentá-lo quando a voz do
professor a interrompeu ao chamar seu nome.

- Isabella, o que acha de fazer parte da aula? – o Sr. Davis perguntara,


parecendo bastante irritado com a distração da aluna.

- Desculpe, o quê? – Bella parecia ainda mais perdida, seu olhar a todo
instante desviando do professor para o vampiro parado no pátio.

- Eu perguntei a que fase da mitose pertence essa imagem.

Bella olhara repetidas vezes para a imagem do slide refletida na tela do quadro
sem realmente enxergar. Sua mente estava focada apenas em Edward e tudo que
ela mais queria era sair dali e lutar contra ele mais uma vez.

Uma nova olhada na direção do vampiro a fez perceber que ele movia os lábios
murmurando alguma palavra e ela se apressou em se concentrar no som que
veio baixo, mas nítido.

- Anáfase. – a voz profunda e grossa murmurara, fazendo-a franzir o cenho


confusa.

"Anáfase"? Bella não fazia idéia do que o levara a falar aquilo, mas então seu
olhar caiu sobre a imagem exibida no quadro e ela sussurrou a mesma palavra
de forma quase inconsciente, fazendo o professor se dar por satisfeito e passar
para o próximo slide, transmitindo a nova pergunta a outro aluno.

Quando Bella olhou novamente para o pátio na tentativa de entender o que o


vampiro queria ajudando-a daquela forma, ele não estava mais lá.

Os dois se encontraram muitas outras vezes durante os meses seguintes, seja


ele ajudando-a em coisas bobas como devolver a carteira que ela deixara cair
durante uma luta contra alguns demônios; ou às vezes salvando sua vida
novamente como no dia que ela tivera uma crise alérgica ao comer amendoim –
sem saber que era alérgica – e ficara longos três minutos sem respirar, e
Edward a carregara nos braços até um hospital, mesmo com ela se debatendo
por todo o percurso. E deixara-a ainda mais confusa quando ele simplesmente
fora embora depois de se certificar de que ela estava bem.

Outra coisa que Bella estava achando estranho era a ausência de vampiros nas
cidades próximas à sua e a escassez de demônios e criaturas malignas,
chegando ao ponto em que ela tivera apenas duas lutas em um dos meses,
quando sua média mensal era de vinte.

O que ela não sabia era que Edward estava se encarregando dessas lutas, não
querendo que ela se machucasse, e proibira os vampiros de caçar nessa região.

E apesar de Edward estar seguindo-a praticamente para todos os lugares em


que Bella ia, ele não fazia idéia da sua busca pela lâmina abençoada, que
possibilitaria a morte do vampiro. E tampouco sabia que Bella estava mais
perto do que nunca de encontrar a arma.

Bella, além de continuar lutando contra as criaturas remanescentes da sua


região, também estivera em busca de informações que a levasse à nova
localização da lâmina, e faltava apenas duas semanas para o Halloween
quando ela finalmente a encontrara. Tivera que voar às pressas até Paris na
companhia dos seus pais, depois que descobrira que a arma estava prestes a
ser vendida numa famosa casa de leilão da cidade luz.

Entrara no prédio da casa de leilões no meio da noite e roubara a lâmina que


agora estava mesmo presa numa espécie de facão – conforme Bella tinha sido
informada anos atrás – e saíra de lá sem disparar nenhum dos alarmes,
deixando Charlie e Renée com um misto de admiração e medo.

Bella agora estava bastante confiante da sua vitória no próximo encontro.


Agora que ela tinha a lâmina sagrada, nada poderia detê-la. E ela sabia que
eles iriam se enfrentar novamente esse ano também. Com todas aquelas vezes
que os dois se encontraram no último ano, um novo confronto estava fadado a
acontecer. Bella estava apenas esperando que ele aparecesse novamente.
Chapter 6: Terceiro Encontro
Capítulo 6

TERCEIRO ENCONTRO

:: Bella's POV ::

29 de Outubro de 2008

Eu não conseguia entender. Como o vampiro passou o ano todo me seguindo e


de repente ele some? Logo agora que eu estava tão pronta para lutar contra ele.
Mas precisava encontrá-lo antes do dia 31 ou então só no ano que vem. E eu
não estava disposta a esperar tanto.

Apesar da profecia dizer que eu iria enfrentá-lo no meu aniversário de


dezessete anos, eu realmente não queria correr o risco de acabar morrendo
novamente. Ainda mais sabendo que dessa vez não haveria volta. Esse era o
meu último ano para falhar. Minha última chance de aprender algo contra o
vampiro.

Ele passara o ano inteiro atrás de mim, me rondando como um abutre, mas
sempre quando havia pessoas por perto, de modo que eu não pudesse fazer
nada – ou tentar fazer. E agora, quando eu mais preciso, ele some.

- Renée, faz essa garota parar de andar. Está me dando nos nervos.

- Faz você. Da última vez que mandei ela sentar e se acalmar, recebi foi uma
flecha apontada na minha direção.

- Bella, pare com isso. Abrir um buraco no chão da sala não vai adiantar de
nada. Ele não vai aparecer aqui.

- Faz de conta que eu nem estou aqui, tá Charlie. – resmunguei continuando a


andar de um lado para o outro na sala. – Sabem que eu só não saí ainda a
procura dele por respeito a vocês, não é?

- Claro, Bella.
- Mas esse respeito vai acabar em segundos se vocês não me deixarem em paz!
– terminei a frase praticamente rugindo e eles se olharam, provavelmente
pensando em quem seria o próximo a tentar me irritar.

A vencedora, ou melhor, perdedora foi Renée.

- Sabe que só estamos preocupados. Da última vez que você saiu para
encontrar esse vampiro sanguinário, ficamos uma semana sem notícias, sem
poder ir atrás de você por não saber onde procurar e sem poder avisar à
polícia. Como acha que nos sentimos durante aqueles dias, Bella? Estávamos
com as mãos atadas sem saber se você estava viva ou não.

- E eu ainda não sei como foi que você apareceu aqui sã e salva, embora
bastante debilitada no último Halloween.

Essa era uma resposta que eu também não tinha. Até hoje eu vinha me
perguntando como diabos eu tinha chegado em casa sete dias depois da minha
morte, perfeitamente conservada para alguém que tinha morrido a tanto tempo,
com apenas dores pelo corpo, naturalmente explicáveis depois da luta contra
Edward Cullen, e queimaduras superficiais pelo corpo, que desapareceram
completamente depois de duas semanas. Essas queimaduras eu não sabia de
onde vieram.

- Vai ver você tem um anjo da guarda. – Renée sugeriu, parecendo mais
tranqüila agora que via que eu não iria gritar novamente.

Uma expressão de descaso começou a se formar no meu rosto quando de


repente às palavras de Renée trouxeram lembranças à minha mente. Não
lembranças daquela noite. Essas memórias eram mais recentes. Coisas que eu
não tinha esquecido de verdade, mas fora idiota demais para não dar a devida
importância.

- Merda! – resmunguei para mim mesma e atravessei a sala, pegando as


lâminas que tinha deixado num canto próximo à lareira, saindo em disparada
da casa no instante seguinte, ignorando completamente os protestos veementes
de Charlie e Renée.

Como eu pude ser tão idiota? Todo esse tempo em que Edward estivera me
seguindo, eu pensei que ele queria apenas me irritar ou procurar um momento
de deslize meu para me matar antes da hora, mas agora via o quanto estava
enganada. Em todos os nossos encontros ele não fizera nada mais que me
ajudar, chegando a salvar a minha vida em mais de um dos casos.

Mais de uma vez eu sentira que estava sendo observada quando estava sozinha,
tendo a mesma sensação de quando nos encontramos naquele parque no ano
anterior.

E ele tivera oportunidade para me matar no ano passado e não o fizera. Ou


melhor, ele fez sim. Mas algo me dizia que tinha sido esse mesmo vampiro o
responsável por me manter bem até que meu corpo começasse a se curar.

Agora o que eu não entendia era por que o meu inimigo declarado estava
bancando meu anjo da guarda durante um ano inteiro.

E agora, não sei se porque ele sabia sobre a minha nova arma – que tinha
descoberto há poucos dias se chamarem kukri, uma espécie de faca militar –
ou por algum outro motivo sórdido da sua mente assassina, era óbvio que esse
"anjo" estava me evitando. Mas se ele estava pensando que ia se livrar assim
tão fácil, estava muito enganado. E se ele queria continuar bancando o
salvador, então teria que aparecer essa noite.

Continuei correndo pelas ruas escuras de Porland e entrei em um prédio


abandonado que havia no centro da cidade, escolhendo justamente esse pela
total privacidade para que eu pudesse entrar sem problemas, tendo apenas que
pular um portão trancado com correntes e quebrar qualquer uma das janelas
do térreo.

Cinco minutos depois eu já estava subindo as escadas que me levariam ao


terraço do prédio, sem me preocupar em parar para pegar fôlego enquanto
subia os dez andares.

Chutei a madeira da porta que dava acesso ao terraço para arrombá-la e andei
determinada até o parapeito, subindo de uma vez e olhei para a rua deserta lá
em baixo. Um "lá em baixo" bem distante.

- Acho bom você aparecer logo ou eu vou pular. – falei para a noite, embora
soubesse que não estava sozinha ali em cima.

Tinha sentido sua presença desde que começara a correr pela rua fria.

- O que você quer? – a voz grossa e firme já tão conhecida falou e eu olhei
para trás vendo-o ao lado de uma gaiola vazia de pombos.

- O que você acha que eu quero? – perguntei depois de descer do parapeito.

Já tinha conseguido fazer com que ele aparecesse. De jeito nenhum iria correr
o risco de escorregar e cair lá em baixo.

- Não vou lutar. – ele falou simplesmente, cruzando os braços.

- Melhor para mim.

Posicionei as Kukri melhor nas minhas mãos, segurando-as com firmeza, e


parti para cima dele. Mas no instante em que desferi um golpe com a lâmina na
altura do seu peito, ele recuou, desaparecendo no ar.

- Mas não significa que vou ficar parado. – ele falou aparecendo de repente
atrás de mim. – Brinquedinho novo? – ele perguntou num tom zombeteiro,
segurando meu pulso no ar quando eu fiz menção de girar meu corpo para
atacá-lo novamente.

Seu olhar caiu sobre a lâmina e sobre as inscrições cravadas nela e algo no seu
semblante deixou claro que ele sabia o que era aquilo. Mas a reação dele não
era a que eu esperava. Ao contrário do que pensei, ele não parecia ter medo do
que via. No seu rosto perfeito e que nunca envelhecia, tudo que havia era
diversão.

- Pensei que isso tinha sido derretido.

- Me... solta! – rugi, desvencilhando minha mão do seu aperto de aço e


conseguindo arranhá-lo de leve no braço quando a lâmina roçou ali.

Edward recuou dois passos, observando o corte no seu braço, parecendo um


tanto surpreso, mas ainda divertido.
E seu sorriso perfeito aumentou ainda mais quando eu fiquei em posição de
ataque mais uma vez. Franzi o cenho diante da sua reação atípica e ele apenas
ergueu o braço cortado na minha direção para que eu pudesse ver o instante
exato em que o corte se fechava.

Puta merda! A cicatrização dele era bem mais acelerada que nos outros
vampiros.

- Acha mesmo que vai conseguir me matar com essa faquinha só porque ela é
especial?

- Vamos ver se você cicatriza rápido quando eu cortar sua cabeça com essa
faquinha.

Parti para cima dele mais uma vez, e assim como antes ele desviou com
facilidade, aparecendo atrás de mim de novo. Voltei meu corpo agilmente na
sua direção, conseguindo cortá-lo, mesmo que de leve, na altura do ombro.
Mas no segundo seguinte, a única prova de que tinha conseguido atingi-lo, era
o rasgão no tecido da camisa preta.

Continuei atacando-o sem parar, algumas vezes conseguindo cortá-lo mais


profundamente, outras cortando apenas o ar, e ele parecia se divertir ainda
mais com a minha insistência sem resultados.

Ele era rápido demais para mim, e cada vez que eu tentava atingir sua cabeça,
tudo que ele precisava fazer era recuar na sua velocidade impressionante.
Precisava de um plano. Nunca ia conseguir cortar a cabeça dele com único um
golpe. Ele precisava estar distraído. Ou talvez ferido demais para conseguir
reagir.

Tracei um plano rapidamente na minha mente que uniria o útil ao agradável.

Abaixei os braços com as kukri pendendo ao lado do meu corpo,


interrompendo o ataque e o encarei fixamente.

- Cansou? – ele perguntou num tom de desafio que eu resolvi ignorar.

- Por que você me salvou?


Aquele definitivamente não era um rumo de conversa esperado por ele. Tanto
que sua expressão sempre tão altiva foi desarmada, me deixando ver um
vampiro até então desconhecido. Não havia superioridade nenhuma no seu
olhar agora. Tudo que havia era surpresa por eu ter tocado naquele assunto.
Mas ele logo escondeu isso, sorrindo de um jeito presunçoso.

- Morrer por causa de um amendoim não parece muito digno de alguém com
tanta força. Além do mais, a única forma que eu posso permitir que você
morra, é pelas minhas mãos.

- Você teve inúmeras chances de me matar durante esse ano e não o fez. Por
quê?

- Porque se te matasse antes da data, seu corpo entraria em decomposição e eu


não poderia lutar contra você novamente.

- Mentira.

- Como?

- Você está mentindo. Não é por querer lutar contra mim. Caso você não tenha
notado, eu sou a única que está lutando essa noite. – olhei para o relógio no
meu pulso rapidamente antes de continuar – Já é dia 30 de outubro. Se morrer
hoje, amanhã estarei viva novamente. E ainda assim você não está lutando.

Edward continuou me encarando por longos minutos e eu me deixei perder


naquele olhar vermelho, mesmo sabendo que isso seria um erro. Estava
dando-lhe tempo para pensar, quando o que eu mais queria era pegá-lo
desprevenido.

- Eu não quero lutar contra você. – ele falou por fim, parecendo fazer isso
com muito esforço.

- Isso eu já percebi. O que quero saber é o porquê?

- Eu bebi do seu sangue. – ele respondeu, dando pequenos e receosos passos na


minha direção, e eu me forcei a ficar parada.

- Lembro disso.
- E eu gostei. – ele continuou, ainda andando lentamente até mim.

- Então você... Você não quer me matar para poder sugar meu sangue
novamente. – concluí, apertando as armas nas mãos para desviar minha
atenção da sua aproximação de felino.

- Errado, Isabella. – ele murmurou, agora perto o bastante para que pudesse
sentir seu hálito gelado se sobrepondo ao vento frio da noite – Não quero te
matar porque não posso ver um sangue delicioso como o seu sendo
derramado mais uma vez.

A profecia dizia que eu não seria controlada pelo poder hipnótico dos
vampiros, então que raios de sensação de impotência era essa que eu sentia?

- Seu sangue deve permanecer para sempre dentro do seu corpo. – ele
sussurrou, removendo uma mecha que o vento levou ao meu rosto, e ficou
brincando com ela entre os dedos.

- Você está apaixonado por mim? – perguntei incrédula.

- Errado de novo. – ele respondeu com um meio sorriso que me deixou


levemente mais aérea do que já estava. – Eu estou apaixonado pelo seu sangue.

- E você não quer provar do meu sangue novamente?

- Não. – ele respondeu simplesmente. – Não que eu não goste ou que não tenha
vontade. Tenho sim. E muita. Mas você pode me considerar um daqueles
colecionadores de bonecos que deixam a peça sempre dentro da caixa mesmo
morrendo de vontade de brincar com eles. Então eu te proponho um trato.
Você para de tentar me matar e assim podemos conviver pacificamente. O que
acha?

- Jamais vou conviver pacificamente com um vampiro sanguinário como


você. – falei num tom baixo e frio, finalmente recuperando o controle da
situação e lembrando o motivo que me levou àquela conversa. – E eu não sou
um brinquedo que você pode colecionar, Cullen.

Mantive meu olhar preso ao seu e ergui uma das mãos rapidamente. Quando
ele percebeu a minha intenção já era tarde demais e consegui enterrar a lâmina
no seu abdômen, fazendo-o gritar de dor e cair no chão, ainda com a kukri
presa ao corpo, me dando a chance que precisava para cortar a sua cabeça.

Troquei a kukri que restara da mão esquerda para a direita e me aproximei


rapidamente dele, segurando-o pelos cabelos cor de bronze para deixar seu
pescoço muito alvo exposto. Mas no instante em que eu ergui a lâmina, pronta
para acabar com aquilo, Edward soltou um rugido feroz, erguendo a mão
numa nítida reação de defesa e seu punho de aço se chocou contra o meu peito,
me fazendo voar longe.

Esperei o choque contra alguma parede ou o parapeito, mas percebi, tarde


demais, que o golpe tinha sido tão forte que me fizera voar para fora do
prédio, e agora eu caía livremente em direção ao asfalto.

Não sei exatamente o instante em que perdi a consciência. Se durante a queda


ou no instante do impacto. Tudo que sei é que não senti dor.
Chapter 7: Amor e Ódio
Capítulo 7

AMOR E ÓDIO

O desespero que tomou conta de Edward ao ver que o corpo de Isabella iria
atravessar o prédio de dez andares, o fez ficar de pé de imediato para correr
até ela e segurar seu corpo para evitar a queda. Mas no instante que em ficou
em pé, a dor da lâmina cravada no seu abdômen o fez cair novamente, se
contorcendo de dor.

Ele ainda tentou ser rápido ao tirar a lâmina de dentro do corpo, mas antes
mesmo que conseguisse ficar em pé novamente, escutou o barulho do choque do
corpo de Isabella na calçada lá em baixo.

Ainda assim, correu escada abaixo a toda velocidade, mesmo sabendo que não
haveria mais como salvá-la.

Mas uma dor, que não era nada se comparada à dor que sentira quando fora
transformado há tantos séculos atrás, fez seu corpo congelar no meio da
calçada. Com aquele tipo de dor ele podia lidar. Mas Edward não estava
preparado para o que lhe atingiu ao ver o corpo estendido e quebrado a sua
frente. Era como se seu coração já morto estivesse morrendo novamente.

Lentamente ele foi despertando do choque e começou a andar até Isabella,


vendo o sangue que começava a escorrer pelo cimento, saindo da sua cabeça
cortada. Se não fosse por esse detalhe e pelo seu braço esquerdo estar numa
posição estranha, ele poderia até imaginar que ela estava dormindo.

Sem sequer perceber o que fazia, tamanha dor que continuava oprimindo seu
peito, Edward se abaixou ao lado do corpo de Bella e começou a acariciar seu
rosto sereno, enquanto seu corpo era sacudido pelo soluço do choro sem
lágrimas.

Edward se enganara ao pensar que a paixão que sentia era destinada apenas
ao sangue da garota. Mas é compreensível um erro desse tipo, levando em
consideração que aquele era o vampiro mais temido de todos os tempos. O mais
poderoso e com o maior exército de "filhos" que um vampiro podia um dia
desejar possuir. Jamais passara pela cabeça dele que poderia se apaixonar por
alguém, ainda mais sendo esse alguém a pessoa destinada a acabar com a sua
"vida".

Mas agora ele sabia que a amava e faria de tudo para não perdê-la novamente.

Devagar, tomando cuidado para não quebrar ainda mais o corpo da amada,
Edward pegou Isabella no colo e a levou para uma casa próxima onde os donos
dormiam e a colocou no sofá da sala ampla enquanto se livrava daqueles
humanos e jogava os corpos sem vida num terreno baldio, fazendo uma ligação
rápida para que um dos seus limpasse melhor o local.

Voltou então para Isabella e a levou para o quarto, depositando seu corpo
quebrado na confortável cama de casal. Pegou uma toalha e a umedeceu com
água morna, usando o pano para limpar o rosto dela, removendo a sujeira da
calçada e o sangue que começava a secar.

Depois de limpá-la, Edward deitou ao seu lado e ficou contemplando seu rosto
por horas a fio, querendo mais que tudo adiantar as horas do relógio que
parecia se recusar a andar.

Ele não via a hora de vê-la abrindo os olhos novamente, mesmo sabendo que
ela lhe olharia com ódio. Mas Edward estava determinado a mudar isso.

A meia noite chegou e se foi e em poucos minutos Bella começou a despertar,


seu corpo curando as feridas mortais, consertando os ossos quebrados em
questão de segundos. Seu corpo agora curava bem mais rápido do que há
alguns anos e levou apenas menos de meia hora para que ela abrisse os olhos.

Nesse instante Edward já estava fora da cama, sentado nas sombras em uma
poltrona que ficava em um dos cantos do quarto, mantendo distância para que
ela não se sentisse forçada a reagir defensivamente quando o visse.

Ainda assim, quando Bella percebeu a presença do vampiro, imediatamente


tentou ficar em pé, mas logo caiu novamente na cama, sentindo dor por toda
parte do seu corpo.

- Não se esforce. – o vampiro pediu, seriamente preocupado com o bem estar


dela – Sabe que não quero lutar.

Bella ainda o encarou por um tempo, pensando se poderia confiar nele quanto
àquela afirmação, mas uma nova onda de dor a fez desistir e novamente tombou
na cama, encarando o teto branco.

- Você venceu novamente.

- Foi um acidente. Não queria te matar.

- E ainda assim matou. Mas da próxima vez eu vou vencer, Cullen.

- Eu sei.

A afirmação do vampiro pegou Bella de surpresa e ela, mesmo com muito


esforço, ergueu seu corpo apoiando-o nos cotovelos e o encarou com o cenho
franzido.

- Não que eu não goste de saber que você está tão derrotista, mas o que te faz
ter tanta certeza?

- Você quase conseguiu ontem. – Edward a lembrou – E sabe que não vou lutar
da próxima vez.

- Vai se entregar assim?

- Eu preferia continuar existindo, é claro. Mas não quero, nem vou te matar.
Propus um acordo...

- Já disse que não faço acordo com assassinos.

- Você também é uma assassina, Isabella. Uma assassina justiceira, mas é. Nós
não somos tão diferentes assim.

- Não me compare com você, Cullen. Não mato por prazer.

- Claro que mata. Sei que você sente muito prazer a cada demônio, zumbi ou
vampiro que mata.

- É um prazer de tarefa cumprida. Por saber que o mundo está um pouco mais
seguro.

- Se pensar assim te faz sentir melhor...

- Nós vamos lutar daqui a um ano. – Bella o interrompeu, sem querer aceitar
que o que o vampiro falava era verdade. – E será a nossa última luta.

- Correção: "você" irá lutar daqui a um ano.

- Não quero lutar contra um saco de areia, Cullen. Você vai reagir.

- Você não pode me obrigar a isso.

- Isso é ridículo. – Bella reclamou, começando a se irritar de verdade com o


comportamento de Edward. – Você é um assassino. Não deve nem saber quantas
pessoas já matou e agora se entrega dessa forma? Nenhum sangue é tão bom
assim para que te faça desistir.

Mesmo sem perceber, Isabella estava insistindo para que Edward não desistisse
de "viver", mesmo que isso significasse sua própria morte. Mas Edward
percebeu, e isso fez com que uma chama de esperança se acendesse no seu
peito.

- Talvez eu tenha me enganado a respeito do foco da minha paixão. – ele falou


num tom baixo, parecendo que falava aquilo apenas para sim, mas Isabella
ouviu tudo claramente.

- Do que... Do que você está falando? – ela perguntou receosa.

- Estou falando que não vou lutar contra você. – Edward falou, ficando de pé e
andando até a porta do quarto. – Não importa o que você faça.

- Aonde você vai? – Bella perguntou ao ver o vampiro abrir a porta.

- Embora.

- Você não mora aqui?

- Não.
Imediatamente Bella ficou em pé, ignorando as dores que lhe deixaram tonta.

- Quem mora aqui, Cullen?

- Ninguém.

- Não parece ser uma casa desabitada. – Bella comentou olhando ao redor para
o ambiente claramente limpo e conservado.

- Não era. Mas agora será.

- Você... – um nó se formou na garganta de Bella quando um pensamento passou


pela sua cabeça. – Você matou as pessoas que moravam aqui?

A voz abafada e levemente embargada de Bella fez com que Edward se voltasse
para ver as lágrimas que se formavam nos olhos dela.

- Sim.

- Ah meu Deus.

- Bella caiu sentada no colchão novamente, deixando as lágrimas escaparem


livremente, deixando o vampiro sem reação.

E você ainda quer me fazer acreditar que sente paixão por algo?

- Alguém. – ele a corrigiu, mas Bella não lhe deu atenção alguma, voltando a
ficar de pé e andou ameaçadoramente até ele com as lágrimas escorrendo pelo
rosto pálido.

- Você é um ser asqueroso, Cullen. – ela rugiu por entre os dentes – Do pior
tipo que existe. Nojo é pouco para o que sinto. Você diz que está apaixonado
por mim, mas como alguém como você é capaz de amar? Você não ama ninguém
que não a si mesmo. Para você a única solução para todos os problemas é
matar. Mesmo se a pessoa nunca fez nada contra você. – ela agora chorava
copiosamente ao pensar nas pessoas que Edward matara para deixá-la
tranqüila naquela casa. – Você não passa de um vampiro sanguinário. Nunca
será mais que isso.
Edward nunca tinha ouvido ninguém falar tão mal a seu respeito, nem nunca
tinha permitido que alguém aumentasse o tom de voz daquele jeito perto dele.
Seu instinto o fazia querer quebrar o pescoço daquela garota e silenciá-la para
sempre, mas ele simplesmente lhe deu as costas e a deixou ali sozinha no meio
do quarto, não sem antes ouvir um último "eu te odeio" saindo dos lábios dela.

Sabia que cada palavra que saíra da boca de Isabella era verdade, com
exceção da parte em que ela afirmara que ele não era capaz de amar. Ele a
amava sim. E estava disposto a provar isso.

Depois que Edward saiu do quarto, Isabella caiu aos prantos no chão do
quarto, chorando tanto que seu corpo era sacudido por fortes soluços. Ela
ainda não conseguia acreditar que ele tinha sido capaz de matar aquelas
pessoas só para que ela pudesse se recuperar em paz. Havia tantos lugares
onde ela poderia fazer isso. Não se incomodaria de acordar num beco sujo
desde que ninguém tivesse que se ferir por isso.

"Ele ia pagar". Era só isso que havia na mente de Bella. Na próxima vez que os
dois se encontrassem para lutar, ela vingaria essa morte, fazendo-o sentir o
máximo de dor possível, para só então arrancar sua cabeça.

Ela não se importava se ele não iria reagir. Desde que ela conseguisse cumprir
a profecia, não tinha problema algum se ele resolvesse bancar o saco de
pancada.

Bella enxugou as lágrimas, decidida a se dedicar ainda mais aos treinamentos


e procurou por suas kukri em algum lugar do quarto, mas não havia nem
sombra delas.

- Que ótimo. – Bella resmungou para si mesma. – Diz que não vai lutar contra
mim, mas rouba a única arma capaz de matá-lo. Muito digno, Edward Cullen.

Quando Bella finalmente chegou em casa, o dia já começava a amanhecer, mas


Charlie e Renée estavam acordados e correram na direção da filha assim que
ela passou pela porta da entrada.

Depois de longos minutos Bella conseguiu convencê-los de que estava bem e foi
para o seu quarto se arrumar para a aula, mesmo os dois insistindo para que
ela ficasse em casa naquele dia.

- Já perdi a aula de ontem e tenho quase certeza que hoje será prova. – Bella
argumentara, mas sabia que estava mentindo.

Não haveria provas naquela semana. Tudo que ela queria era ocupar a mente
para não acabar fazendo alguma besteira. Estava decidida a cumprir a
profecia dessa vez, ou seja, teria que lutar contra Edward apenas no dia 31 do
próximo ano. Não importava se encontrasse ele outras vezes antes disso, mas
não faria nada. Além do mais, Bella precisava arrumar uma forma de cortá-lo
sem suas kukri.

E foi apenas nisso que Bella pensou o dia inteiro, mal prestando atenção nas
aulas e rendendo muito pouco no treino. Estava exausta e resolveu encerrar o
dia depois que Renée apareceu no sótão com sua torta de aniversário,
acompanhada de Charlie, os dois cantando um desafinado "parabéns para
você".

Depois da rápida comemoração do seu aniversário de 16 anos, Bella subiu


para o seu quarto e se trancou no banheiro para um banho demorado.

Sabia que aquela data era especial para todas as garotas, mas Bella nunca
tinha dado importância a esses costumes e não seria agora que faria algo. Mas
combinara com uma Renée desolada por não fazer a festa que ano que vem,
depois de matar o vampiro, ela poderia organizar a festa que quisesse em
comemoração.

Bella já tinha recebido o presente de aniversário de Charlie e Renée – flechas


novas e um estojo de maquiagem respectivamente – por isso ficou surpresa ao
ver uma caixa de madeira em cima da sua cama. Tinha aparência antiga e um
pentagrama dourado no tampo, e tinha quase o dobro do tamanho de uma caixa
de sapatos.

Havia um bilhete dobrado em cima da caixa que Bella se apressou em ler.

"Esse é o case original. Modifiquei apenas

a espuma para o formato atual da lâmina.


Feliz Aniversário"

ᅟᅟ ᅟᅟᅟE.C.

Um choque passou momentaneamente pela mente de Bella ao imaginar que o


vampiro estivera ali dentro do seu quarto a apenas alguns minutos enquanto
ela tomava banho com a porta do banheiro aberta.

Mas o choque logo passou quando ela percebeu o que Edward tinha feito. Ele
não só devolvera suas kukri como também as devolvera dentro do seu case
original, que Bella sabia proteger as armas contra alguém que tentasse roubá-
las. Mas ainda assim, mesmo com aquele gesto aparentemente nobre, Bella
sabia que nada mudaria a sua forma de pensar em relação ao vampiro.

Para ela, só o que importava era cumprir a profecia. Nem que para isso tivesse
que morrer também.
Chapter 8: Pride & Prejudice
Capítulo 8

PRIDE and PREJUDICE

14 de fevereiro de 2009

Meses se passaram até que Bella tivesse notícias de Edward novamente e sua
ausência estava deixando a garota cismada.

Os dois só se encontraram novamente no dia dos namorados. Dia esse que já


estava tirando a paciência de Bella.

A escola tinha a estúpida tradição de brincar de cupido e alguns comparsas


dessa idéia ficavam enviando bilhetinhos e presentes para seus amores,
deixando a mesa de Bella atolada de papezinhos que ela nem se dera ao
trabalho de ler. Isso sem contar as duas caixas de chocolate que iriam para o
lixo na primeira oportunidade.

- O que você está fazendo? – um de seus amigos, Eric, perguntara quando a


vira pronta para jogar tudo na lixeira grande do corredor.

- O que você acha que eu estou fazendo?

- Não joga. – ele pedira apressado. – Isso foi caro.

Bella interrompeu o movimento de jogar as coisas fora e o encarara sem


acreditar no que ele tinha acabado de falar.

- Você me deu essas coisas?

- Não tudo. Só isso. – ele falara pegando uma das caixas de bombons de
chocolate em formato de coração. – E isso. – ele completara apontando para
um dos recadinhos amorosos.

- É muita ingratidão sua jogar tudo no lixo, Bella. – Jessica falara aparecendo
de repente pendurada no braço de Mike.
Mal sabia Jessica que "seu" Mike tinha sido um dos que presentearam Bella
com chocolates.

- Cupido para Isabella Swan! – uma voz anunciara em voz alta, vindo pelo
corredor com um buquê de flores acenando no alto. – Cupido para Isabella
Swan!

Bella ainda tentara se esconder, mas o aluno do segundo ano já tinha


encontrado com ela mais de quatro vezes aquele dia para entregar presentes e
facilmente a enxergara no meio de todos aqueles alunos que sorriam divertidos
com a cena, enquanto outros – "outras" para ser mais específica – se roíam de
inveja.

- Você está arrasando esse ano, hein Bella?! – o "cupido" brincara, totalmente
alheio ao desgosto de Bella. – Aqui está: um buquê de rosas vermelhas de um
admirador secreto.

Bella estava tão envergonhada por ter boa parte do corredor apinhando
olhando na sua direção que sua mão se estendeu involuntariamente para pegar
as rosas, ansiosa para se livrar daquela atenção. Mas antes que seus dedos
conseguissem envolver o buquê, outra mão puxou as rosas da mão do cupido e
as jogou na lixeira.

Bella estava prestes a agradecer quando levantou os olhos para o dono da mão
e se viu frente a Edward Cullen.

- O que...? – nem conseguira completar a pergunta e ele tirava todas as coisas


dos seus braços e dera o mesmo destino do buquê, jogando tudo fora.

Era óbvio que Eric e Mike, e até mesmo o cupido que pouco tinha a ver com
aquela situação, queriam brigar com o homem pálido a sua frente, mas algo na
expressão dele os fez recuar temerosos. Definitivamente eles sabiam que aquele
não era alguém para se comprar briga.

Jessica, no entanto, parecia querer pular no pescoço do vampiro, mas para


outros fins bem diferentes de uma briga.

Bella resolveu fingir que aquele ser não estava ali e rumou apressada para o
pátio, querendo sair daquele corredor cheio de coraçõezinhos e chegar logo no
seu carro velho e seguro. Mas assim que saiu do prédio, uma mão fria a deteve
e ela imediatamente se esquivou do contato, voltando a andar até o carro.

- Isabella, espere.

- Me deixe em paz. – ela resmungou sem parar de andar.

- Me desculpe por jogar aquelas coisas no lixo. – ele pediu, apressando o passo
para acompanhá-la. – Pensei que não estava gostando de recebê-las.

- E não estava mesmo. Mas isso não é da sua conta.

- Trouxe algo para você. – ele anunciou um tanto incerto, segurando a porta do
motorista para que Bella não a fechasse depois de entrar no seu carro.

- Está tirando sarro comigo. – ela deduziu, só então olhando de verdade para o
vampiro.

Por seu carro ser uma caminhonete, quando ela estava sentada seu rosto ficava
exatamente na altura do dele que estava em pé ao lado do veículo. Não que eles
estivessem perto um do outro, mas ela tinha a visão muito boa para perceber
que havia algo estranho nele.

A primeira coisa que achou diferente foi a ausência dos óculos escuros que ele
normalmente usava para esconder os olhos vermelhos. Ele só poderia ficar sem
óculos se estivesse com sede e, nesse caso, seus olhos estariam negros. Mas a
cor dos olhos que ela encarava agora não era nem vermelho nem preto. Parecia
um tom de castanho, quase dourado, um pouco mais escuros que whisky.

- Seus olhos... – ela murmurou sem entender o motivo daquela mudança.

- Trouxe algo para você. – ele repetiu ignorando suas palavras, mas não de uma
forma rude. Aquele simplesmente não era o assunto para ser mencionado
agora. – Não é presente para o dia dos namorados, caso você pense isso. Ia te
entregar no natal passado, mas você viajou, então...

- Como você sabe que eu viajei? – ela perguntou, voltando a ficar na defensiva.
– Está me seguindo de novo?
- Não, Isabella. Apenas fui a sua casa e não havia ninguém.

- Não quero nada de você!

- Não é obrigada a aceitar. – ele respondeu enquanto praticamente jogava no


seu colo uma caixa simples branca com um pequeno símbolo de yin-yang no
centro.

Bella ficou encarando a caixa por alguns segundos e quando voltou a erguer o
rosto Edward já estava do outro lado do estacionamento, entrando em um Volvo
prateado.

O primeiro impulso dela foi jogar aquilo fora sem nem ver o que era, mas a
curiosidade falou mais alto e ela abriu a caixa, vendo apenas um livro de
aparência muito antiga dentro.

- Pride and Prejudice? – perguntou para si mesma, sem entender o motivo do


vampiro ter lhe dado um livro de romance.

Ainda assim Bella retirou o livro da caixa com cuidado, olhando atentamente
para a capa e quando viu a data do livro, sua boca abriu de espanto. Bella
nunca tinha lido aquele livro, mas pela data da publicação daquela edição,
aquela certamente era a primeira edição de todas.

Ainda curiosa, a primeira coisa que fez quando chegou em casa foi pesquisar
sobre aquilo na Internet e descobriu que tinha se enganado. Aquela não era a
primeira edição de todas. Era apenas a primeira edição com capa ilustrada.

- Legal. – ela sussurrara ainda sentada em frente ao computador.

Mas o orgulho falara mais alto e ela passara quase um mês sem tocar naquele
livro novamente, só pegando-o num dia em que pegara um resfriado e a febre a
obrigara a permanecer na cama por quase uma semana. Então usara esse
tempo para ler, mesmo se recusando a admitir que tinha gostado do presente.

De início, tentara entender o motivo do presente, associando a figura de Mr.


Darcy com o vampiro, onde ele claramente seria o causador de todo sofrimento
de Lizzie, além de arruinar a felicidade de toda família Bennet. Era óbvio que
toda a vida de Isabella estava voltada para Edward Cullen, e se não fosse por
ele, ela teria uma vida normal, uma família normal.

Mas no decorrer da leitura, já bem depois que Mr. Darcy se declara e é


pomposamente rejeitado pela amada, Bella começou a perceber que a história
não era assim tão simples. Durante todo o livro, ela imaginara ser ele o
orgulhoso e preconceituoso, quando Lizzie na verdade fora ofuscada pelo
próprio orgulho que a impedira de ver a verdadeira face dele. O verdadeiro
homem por trás daquela postura austera.

Mesmo já passando da meia noite e estando com bastante febre, Bella


prontamente ficou de pé e vestiu um casaco pesado, saindo às escondidas para
a noite de Portland, pensando em ir para o mesmo prédio de onde tinha caído
no ano passado, com a intenção de chamar a atenção do vampiro. Mas ela nem
sequer tinha conseguido virar a esquina da sua rua quando ele aparecera atrás
dela.

- O que pensa que está fazendo? – ele perguntara furioso. – Volte para casa.
Está doente.

- O que você queria com esse presente, Cullen? – Isabella perguntara,


ignorando a rispidez dele, se voltando rapidamente para ficar frente a frente
com ele.

Bella ainda estava com o livro na mão e Edward simplesmente dera de ombros
diante da sua pergunta.

- É só um livro.

- Não é só um livro. – ela retrucara – Sei que você estava tentando passar
algum recado com isso.

- Talvez.

- Talvez? Talvez?! Você queria que eu visse o quanto Elizabeth estava enganada
a respeito de Darcy. Que, na verdade, Darcy sempre fora um homem de
princípios por mais que aparentasse ser esnobe. – ela respirou fundo depois de
ficar com um pouco de falta de ar por conta do cansaço provocado pela gripe,
para só então continuar falando. – Você acha mesmo que eu vou acreditar que
eu sou a errada dessa história, Cullen? Acha mesmo que você é quem tem
princípios aqui e eu sou apenas preconceituosa demais para enxergar isso?

Uma tosse forte interrompeu o monólogo e a fez se curvar com dor no peito de
tanto que já tinha tossido nos últimos dias e Edward rapidamente estava a seu
lado, segurando-a nos braços e a levava de volta para casa. Bella estava
pronta para empurrá-lo e pular dos seus braços quando uma onda de tontura a
abateu e ela mal percebeu quando ele pulou a janela do primeiro andar e a
colocou na cama novamente, cobrindo-a com a colcha grossa depois de tirar os
seus tênis.

- Você não é preconceituosa, Isabella. – ele sussurrara retirando uma mecha da


testa suada por conta da febre e do esforço excessivo dela. – É teimosa, mas
não preconceituosa.

Bella ergueu uma mão para afastar a dele do seu rosto, mas Edward se afastara
antes que ela pudesse completar o movimento, e logo estava ao lado da janela
novamente.

- Você leu o livro na defensiva. – ele falou num tom baixo para que os pais de
Bella não acordassem – Por isso tirou esse tipo de conclusão. Talvez se ler
novamente, vai entender que na verdade os dois são preconceituosos e
orgulhosos. Só porque Miss. Bennet percebeu que tinha sido preconceituosa a
respeito de Mr. Darcy, não quer dizer que ela tenha errado no seu julgamento
inicial. Darcy era tanto ou mais orgulhoso e preconceituoso que Elizabeth. A
diferença foi que ele mudou seu comportamento quando viu que se não o
fizesse, findaria por perdê-la para sempre. Corrigiu os erros do passado,
mesmo sabendo que os novos acertos não apagariam tudo de perverso que ele
tinha feito.

Bella, apesar de estar de olhos fechados, ouvia atentamente cada palavra de


Edward, mas se recusou a falar alguma coisa. Ouviu quando ele foi embora e
continuou deitada na cama, as palavras dele ainda ecoando na sua mente,
quando um novo sentido começou a se formar.

- E Elizabeth aprendeu a perdoar. – ela completou para si mesma, caindo no


sono instantes depois.

Bella achara que passaria mais vários meses sem encontrar o vampiro
novamente, mas assim que voltou às aulas depois de se recuperar do resfriado,
Edward foi a primeira pessoa que ela encontrou, encostado ao lado do seu
carro perfeito, braços cruzados sobre o peito e agasalhado com um pesado
sobretudo cinza escuro e um cachecol cinza claro, conferindo-lhe uma
aparência ainda mais perfeita em contraste com sua pele muito branca.

Assim que a viu, um sorriso surgiu no rosto dele, deixando-o ainda mais belo e
Isabella quase sorriu de volta, mas se controlou. Ainda não tinha chegado ao
nível de querer sorrir para ele. Mas ainda assim andou até ele, aproveitando
que tinha chegado cedo à escola e não teria que correr para a sala.

- Por que seus olhos mudaram de cor? – ela perguntou assim que estava perto o
bastante para não ter que aumentar a voz.

- Bom dia para você também, Isabella. – ele a cumprimentou, ignorando o fato
de que ela não parecia estar tendo um bom dia. – Não está com frio?

Para a temperatura de 13ºC daquela manhã, Bella certamente não estava


vestida apropriadamente. Usava apenas um único casaco de lã por cima da
blusa de algodão, jeans e tênis.

- Você com certeza não está. – ela retrucara sem se preocupar com o frio que
pudesse estar sentindo. Ela jamais admitiria ao vampiro que esquecera de
colocar as roupas para lavar e que estava sem nenhum casaco limpo em casa. –
Não que você precise de roupas para não sentir frio.

- Eu não preciso, mas você precisa. – ele falou enquanto retirava o cachecol do
seu pescoço e estendia para Bella. Mas é claro que ela não aceitou. – Deixe de
ser teimosa, ok? Acabou de se recuperar de uma gripe. Não vai querer ter uma
recaída, não é?

Os dois continuaram se encarando por alguns segundos, Bella de braços


cruzados numa atitude desafiadora e Edward ainda com o cachecol estendido
na sua direção, até que ele percebeu que ela não iria se render assim tão fácil.

- Se eu responder a sua pergunta, você usa? – ele tentou.

- Talvez.
O vampiro queria vê-la bem e nada mais. E para isso engoliu o orgulho que
aquela resposta poderia destruir.

- Meus olhos estão dourados porque não me alimento de sangue humano. Não
mais. – ele respondeu e continuou encarando-a enquanto esperava pela reação
dela.

Bella apenas franziu o cenho, enquanto muitas outras perguntas surgiam na sua
mente.

- Se você não está se alimentando, então eles não deveriam estar negros?

- Não disse que não estou me alimentando. Disse que não estou bebendo sangue
humano. É diferente.

- E está bebendo sangue de onde? Da Cruz Vermelha?

- O sangue de lá é sangue humano, Isabella. Pode ser congelado, mas continua


sendo sangue humano. – Edward respirou fundo mais uma vez antes de
continuar. – Me alimento de sangue animal agora.

- Sa-Sangue anima-mal? – Bella gaguejou com os olhos arregalados. – Que


tipo de... de animal?

- Cervo, na maioria das vezes. – ele respondeu simplesmente – Há muitos por


aqui. E leões da montanha quando me afasto mais para caçar.

- Isso é...

- Nojento? – ele completou quando Bella continuou em silêncio.

- Sim.

- Eu sei. – Edward deu de ombros simplesmente, ainda encarando-a firmemente


– Mas com o tempo acostuma.

- Por que você resolveu mudar de uma hora para outra? – Bella perguntou, mas
se arrependeu no mesmo instante. Sabia a resposta daquela pergunta.
"Darcy mudou seu comportamento quando viu que se não o fizesse, perderia
Lizzie para sempre."

- Você sabe bem, Isabella.

- Bella. – ela o corrigira automaticamente, ainda perplexa com a revelação.

- Bella. – ele repetiu, mais feliz do que poderia imaginar se sentir, apenas por
ela ter permitido que ele a chamasse pelo seu apelido favorito.

- Eu... Eu preciso ir. – Bella balbuciou depois de algum tempo. – Tenho aula
agora.

Edward apenas assentiu, lhe entregando o cachecol que ela ainda um pouco
desnorteada pegou e enrolou no pescoço, sentindo o perfume e a gelidez dele
impregnados no tecido, mas ainda assim se sentiu confortável e aquecida.

Sem mais uma palavra ela rumou para dentro do prédio onde teria a primeira
aula e Edward entrou no carro, saindo de lá mais feliz do que tinha se sentido
em muitos séculos.
Chapter 9: Trabalho e Poder
Capítulo 9

TRABALHO E PODER

4 de Julho de 2009

Era dia da Independência Americana e as ruas de Portland estavam


abarrotadas de pessoas que comemoravam de várias formas diferentes.
Conversar era praticamente impossível tamanha era a algazarra misturada
com os fogos de artifício e música alta. E estavam todos tão concentrados em
sua própria festa que nem notaram enquanto uma garota duelava contra três
demônios, fazendo-os explodir numa nuvem de fumaça depois de atingi-los com
suas flechas certeiras.

Quando as pessoas sentiram o fedor de enxofre e olharam ao redor tentando


identificar de onde aquilo vinha, Bella já estava do outro lado da rua, virando
a esquina para ir para casa.

Bella passava por uma das poucas ruas desertas nesse feriado quando sentiu
uma presença lhe rodeando. De início pensou ser Edward Cullen, mas logo seu
instinto automaticamente se pôs em alerta, coisa que não acontecia mais
quando estava na presença dele.

Parou no meio da calçada se preparando para lutar contra quem quer que
estivesse ali e tentou sentir de onde vinha aquela presença, percebendo então
que não era apenas um. Havia no mínimo três seres lhe rondando.

No segundo seguinte um deles pulava bem a sua frente, enquanto os outros dois
se posicionavam atrás dela. Vampiros. E vampiros sujos e sedentos.

- Olá, benzinho. – o que estava a sua frente falou, seu sotaque inglês bastante
acentuado, seus olhos negros percorrendo o corpo de Bella – Uma moça bonita
assim não deveria andar sozinha numa noite como essa.

Fazia muito tempo desde que Bella vira um vampiro em Portland e algo lhe
dizia que tinha o dedo de Edward nessa história. Ela só não entendia o que
poderia ter feito com que ele mudasse de idéia.

- Hummm... Cheiro bom o dela. – um dos vampiros que estavam atrás dela
sussurrara depois de se aproximar um pouco para cheirar Bella.

E esse foi o seu erro.

Antes que Bella pudesse fazer qualquer coisa contra esse vampiro nojento, ele
já estava sendo jogado contra a parede de uma loja fechada, as mãos fortes de
Edward apertando seu pescoço até quebrá-lo.

Os outros vampiros reagiram instintivamente, correndo para atacar Edward,


mas Bella deteve um deles, segurando-o pelo pulso e jogando seu corpo duro
contra um poste, fazendo o cimento rachar com o impacto e o vampiro cair
desnorteado no chão. Antes que ele tivesse tempo de se recuperar, Bella já
estava ao seu lado novamente, e assim como Edward tinha feito, quebrou seu
pescoço num único movimento.

Quando terminou, Edward já estava parado no meio da calçada apenas


observando-a, depois de matar o último dos vampiros.

- Eles não eram seus. – Bella sussurrou, olhando apenas para o vampiro vivo à
sua frente.

- Não. – ele respondeu mesmo sem Bella ter feito uma pergunta. – Eram
nômades. Os meus não caçam mais nessa região.

- Ordens suas?

- Sim.

- Eu não preciso da sua ajuda, Cullen. – ela resmungara, mais uma vez sem
conseguir ficar muito tempo sem se pôr na defensiva.

- Não fiz isso apenas por você. Simplesmente não gosto que invadam meu
território.

- Portland é seu? – ela perguntou com desdém.


- O país é meu. – ele a corrigiu com simplicidade – Não há vampiros nos
Estados Unidos que não sejam controlados por mim.

Bella já sabia que Edward era poderoso, mas não imaginava que ele teria tanto
poder assim a ponto de controlar um país inteiro. Então é óbvio que ela ficou
bastante surpresa com isso.

- Você parece cansada. – ele comentou depois de quase um minuto de silêncio. –


Muito trabalho? – ele perguntou apontando para o arco preso às suas costas.

- Essa época de comemorações sempre fica mais movimentada.

- Vá para casa e descanse. Eu cuido da limpeza aqui.

- Vou para casa sim, mas não para descansar. Preciso treinar. Estou a alguns
dias parada.

Edward estava pegando o celular no bolso do casaco para ligar para um dos
seus filhos, mas interrompeu o movimento e encarou Bella com o cenho
franzido.

- Não está treinando por minha causa, está? – ele perguntou de uma vez e
tomou a falta de resposta de Bella como uma afirmativa. – Sabe que não
precisa disso. Já falei que não vou lutar contra você. Tudo que vai precisar
fazer é cortar a minha cabeça. Não farei nada para impedir.

- Você se entregaria assim tão fácil?

- Preferia que você desistisse dessa idéia, mas se quer tanto cumprir a
profecia...

- Não é por eu querer ou não. Minha vontade não importa. É apenas como tem
que ser.

- Por quê? – ele perguntou irritado – O que vai acontecer se você não me
matar?

- Eu... não sei.


E ela não sabia mesmo. A profecia não mencionava nada a respeito do que
aconteceria caso não fosse cumprida.

- Então por que...?

- Eu fui criada para fazer isso, ok? – ela a interrompeu, confusa com o rumo da
conversa. – Meus pais se mataram para que eu pudesse viver e cumprir com a
profecia. A única coisa que a profecia diz a respeito disso é que eu sou a
"esperança". Não sei para quê exatamente, mas não importa. Conheço meu
destino e vou cumprir com ele.

Edward ficou um tempo em silêncio e uma idéia surgiu na sua mente depois de
absorver aquelas palavras.

- Já imaginou que o seu destino fosse acabar comigo para que eu não pudesse
matar mais humanos?

- Eu... não. – ela respondeu com honestidade. – Mas mesmo você não se
alimentando mais de sangue humano, seus filhos...

- Me matar também não mudará nada. Eles continuaram fazendo o que sempre
fizeram.

- E você não pode obrigá-los a parar de se alimentar de sangue humano?

- Alguns deles já estão aderindo a essa nova "dieta". – ele falou com diversão
na voz. – Mas não porque eu ordenei. Fizeram por escolha. Só posso obrigá-los
a seguir as minhas regras. Mas não posso fazê-los mudar apenas porque eu
mudei.

- Então que diferença sua morte traria?

- Nos dias de hoje? Nenhuma. A não ser que... – ele começou, mas ficou
pensativo e não continuou.

- O quê?

- Os vampiros que são transformados por mim são mais fortes que os que são
transformados pelos meus filhos.
- Mais fortes como?

- Alguns desenvolvem habilidades peculiares.

- Como mover objetos? – ela perguntou, lembrando de um dos vampiros que


caçara quando estava matando os filhos dele.

- Sim. Ele me faz muita falta, Bella. – Edward comentou num tom baixo – Era
um dos meus favoritos.

- Pouco me importa. – ela devolveu, embora tivesse ficado abalada ao ouvir a


voz rouca sussurrando seu nome.

- Você nunca vai me perdoar, não é? – ele perguntou de repente, a dor


estampada nos olhos dourados.

- Você é meu inimigo, Edward.

Era a primeira vez que Bella falava o nome dele sem sarcasmo algum na voz e
isso causou uma emoção estranha no vampiro.

- Apenas porque você não quer mudar isso.

- É. Eu não quero mesmo.

Os dois ficaram em silêncio se encarando enquanto um casal de bêbados que


mais tropeçavam do que andavam passou por eles, apontando para os corpos
dos vampiros mortos no chão da calçada, caindo na gargalhada depois e
voltaram a andar, desaparecendo na esquina.

- Hipnose? – Bella perguntou.

- Apenas um pouco. – ele respondeu dando de ombros.

- Certo, eu... Preciso ir agora.

- Posso te ajudar no treino?

- Como?! – Bella perguntou surpresa com a oferta dele.


- Estou decidido a não lutar contra você, mas não posso impedir meus filhos de
tentarem vingar a minha morte. E se eles se juntarem contra você... Bem, posso
te garantir que você não durará mais que alguns segundos.

- Não estou preocupada com isso.

- Mas eu estou. Meu sacrifício não valerá nada se você morrer no fim.

Apesar de não ser a primeira vez que Edward declarava indiretamente o seu
amor, dessa vez Bella ficou realmente abalada. Era a primeira vez que ela via a
morte dele como um sacrifício. E era o que seria. Ele iria se sacrificar para
que ela pudesse ficar viva no final da batalha.

- Então? Posso te ajudar?

- Eu... acho que sim. Mas não lá em casa. Charlie e Renée jamais concordariam
com isso.

- Conheço um lugar.

- Ok. Eu só preciso ligar para casa. Tinha avisado que não chegaria tarde hoje.

Enquanto Bella fazia a sua ligação, Edward aproveitou para ligar para sua
própria casa e pediu a um dos vampiros que fosse imediatamente até ali para
limpar a área.

- Quem é Emmett? – Bella perguntou, se referindo ao vampiro com quem


Edward tinha acabado de falar ao telefone.

Os dois andavam lado a lado agora, se afastando da área mais movimentada da


cidade.

- Um dos meus vampiros mais fiéis. – ele respondeu com um sorriso no rosto. –
Ele foi um dos que aderiu a meu novo modo de me alimentar.

- Ah.
Chapter 10: Treino
Capítulo 10

"TREINO"

Os dois continuaram em silêncio até chegarem na área portuária onde havia


vários galpões, alguns deles abandonados, e foi num desses que eles entraram
depois de Edward arrombar o cadeado.

Havia algumas balsas mais afastadas das poucas lanchas que estavam
ancoradas ali, e o barulho dos fogos que estouravam nessas balsas produziam
ecos dentro do galpão, mas os dois não tinham problema algum em conversar.

Bella deixou suas coisas num canto não muito sujo do galpão, tirando seu
casaco e colocando-o em cima da mochila, e Edward fez o mesmo, tirando seu
casaco pesado e apoiando-o numa cadeira velha de madeira que havia sido
esquecida ali, assim como todos os móveis.

O galpão parecia ter sido uma espécie de escritório, tendo em vista a grande
quantidade de mesas e cadeiras organizadas em fileiras, e pela quantidade de
papéis que havia ali, tudo indicava que o local tinha sido evacuado às pressas.

Edward se encarregou de empurrar as mesas para um dos cantos, enquanto


Bella fazia o mesmo com as cadeiras, abrindo espaço no meio do galpão para
que eles pudessem lutar a vontade.

Nenhum dos dois precisava se aquecer então começaram logo com o treino,
com Edward pontuando a todo instante os erros de Bella, dizendo como ela
deveria fazer para ser mais rápida e mais precisa, desviando dos golpes dela,
mas em momento algum ele atacava, e isso estava irritando-a.

- Me ataca, droga! – ela gritou em determinado momento, já suada e arfante


depois de mais de duas horas sem parar para descansar.

- Não preciso te atacar. – Edward respondeu num tom calmo, e ao contrário


dela não estava nem um pouco cansado – Preciso apenas te ensinar a fazê-lo.
- Seus filhos não vão apenas desviar dos meus golpes. Eles vão atacar também.

Edward sabia que ela tinha razão, mas ele não tinha coragem de machucá-la.

- Anda! Me ataca! – ela gritou novamente, partindo para cima dele com raiva.

Ele continuou apenas desviando, mas uma distração de apenas um segundo ao


observar a respiração cansada de Bella, vendo seu peito subir e descer
rapidamente, foi o suficiente para que Bella conseguisse atingir seu rosto com
um soco potente, fazendo-o cambalear alguns passos.

Mas ele fora pego tão desprevenido que sua reação automática foi se defender.

Rosnou alto e avançou contra Bella, só se dando conta do que estava fazendo
quando já segurava seu pescoço com força, pronto para quebrá-lo. E quando
ele ia soltá-la, horrorizado com o que tinha acabado de fazer, Bella segurou
sua mão ali e o encarou com perseverança.

- Nem se atreva a parar. – ela ordenou por entre os dentes.

- Bella, eu não posso. – ele falou num tom baixo, mais uma vez tentando soltá-
la, mas Bella segurava sua mão firmemente ali.

- Não estou pedindo para você me matar. Só preciso que você lute contra mim.

Fazendo um pouco mais de força do que precisaria normalmente, Edward


conseguiu se soltar dela e lhe deu as costas.

- É melhor pararmos por hoje.

- Eu não sou de porcelana, Edward. – ela retrucara parada no mesmo lugar


onde ele tinha lhe deixado.

- Sei que não. – ele falou ainda de costas, mas agora parara de andar.

- Se não fizermos isso direito, sei que não terei chances contra os seus filhos.

Mas uma vez Edward via a lógica nas palavras dela. Apesar de não querer
machucá-la, se não treinasse corretamente, ela acabaria morrendo na luta
contra os filhos dele.

Decidido, ele voltou a andar até ela, ficando frente a frente.

- Conheço meus limites, ok? Não vou te machucar demais.

- Ok.

- Confia em mim?

- Não. – ela respondeu embora seu olhar dissesse outra coisa.

Edward sorriu com a resposta e Bella acabou sorrindo também, mesmo sem
querer, e os dois voltaram a lutar, dessa vez com Edward atacando de verdade,
jogando o corpo de Bella várias vezes para longe, mas ela sempre caía em pé
como uma felina, e no segundo seguinte já estava correndo contra ele
novamente.

Os dois perderam as contas de quantas vezes Edward já tinha conseguido


derrubar Bella, mas todas essas vezes pareceram não ter importância quando
ela finalmente conseguiu retribuir, jogando seu corpo duro contra uma das
paredes do galpão, e ela sorriu triunfante quando o viu cair machucado no
chão sujo. Mas Bella não perdeu tempo com comemorações e logo partiu para
cima dele novamente.

Mas antes que ela conseguisse chegar até ele, Edward já estava de pé e
avançava contra ela, os corpos se chocando no caminho, mas com sua força
superior, Edward conseguiu ganhar a melhor e foi a vez do corpo dela se
chocar contra a outra parede. Com a diferença que ela não era tão resistente
quanto ele e o impacto a fez perder o ar.

Edward imediatamente interrompeu o ataque e a encarou assustado.

- Me desculpe, Bella. Eu não quis...

- Deixe de ser ridículo, Edward. – ela murmurou tentando recuperar o ar – Que


tipo de vampiro é você que ataca e depois pede desculpas?

- O tipo de vampiro estúpido e masoquista que não quer ver a mulher amada
machucada.

A resposta de Edward pegou os dois desprevenidos. Era a primeira vez que ele
falava tão abertamente dos seus sentimentos e Bella não sabia exatamente o
que pensar a respeito.

Mesmo sabendo que poderia colocar tudo a perder, Edward não conseguiu
controlar seu próximo movimento e a puxou pela nuca, cobrindo seus lábios
com os dele.

Bella não correspondeu ao beijo, mas também não o empurrou como ele achava
que ela faria. Devagar, ainda temendo sua reação, ele se afastou soltando sua
nuca e a observou enquanto ela continuava encarando-o sem qualquer ação.

- Bella, eu...

Antes mesmo que ele pudesse completar a frase, ela o empurrou com tanta
força pelo peito que o fez parar a uma distância de quase cinco metros e
rapidamente andou até ele. Edward apenas esperou pelo próximo ataque que
veio em forma de um novo soco no seu rosto, mas Edward foi pego totalmente
de surpresa quando logo a seguir Bella o puxou pelos cabelos e foi a vez dela
de cobrir seus lábios com os dela.

Edward não pensou duas vezes e logo retribuía ao beijo, segurando-a pela
cintura contra seu corpo e estava prestes a aprofundar o beijo quando ela se
afastou de súbito, limpando a boca com uma das mãos enquanto erguia a outra
mão para bater no rosto de Edward.

Mas ele foi mais rápido e segurou seu pulso no ar, voltando a puxá-la contra
seu corpo com força e mais uma vez a beijou, dessa vez segurando sua nuca
com força enquanto a outra mão mantinha seu corpo colado ao dele, não lhe
dando chance de escapar.

Bella ainda forçou um pouco, batendo no peito de mármore, mas os dois sabiam
que ela não queria se afastar de verdade. Tanto que segundos depois sua boca
se abriu, permitindo que Edward aprofundasse o beijo e fazendo os dois
gemerem juntos quando as línguas se encontraram.

Vendo que ela não tentaria se afastar novamente, Edward relaxou o aperto em
volta do seu corpo, mas no mesmo instante Bella o empurrou, dessa vez não
com tanta força e havia um sorriso no seu rosto.

Ela então assumiu uma postura de ataque e os dois continuaram a lutar,


parando várias vezes no meio de um golpe para trocar um beijo ardente, para
então se afastarem novamente e prosseguir com a luta.

A cada interrupção os beijos iam ficando mais intensos até chegar ao ponto em
que eles passavam mais tempo se beijando do que lutando.

Edward sabia desde o principio que Bella não era como as outras, mas ele
jamais poderia imaginar que ela fosse assim tão diferente. Tão... selvagem. E
Edward estava adorando conhecer esse novo lado dela.

O dia já começava a amanhecer e eles continuavam nesse jogo, brincando e


brigando. O cansaço de Bella tinha sido substituído pela excitação que crescia
a cada segundo, mesmo ela estando suja, suada e cheia de hematomas. E de tão
suada que estava, sua camiseta azul estava completamente colada ao seu
corpo.

Sem pensar no que poderia resultar seu ato a seguir, Bella simplesmente
removeu aquela peça, ficando apenas de sutiã e jeans na frente de Edward. Ela
não tinha feito isso de forma sexual. A blusa apenas estava atrapalhando seus
movimentos e ela resolvera se livrar daquilo. Mas para Edward, ver Bella
assim tão exposta na sua frente quando ele já estava tão excitado pelos beijos
trocados, foi o que faltava para ele perder o pouco de controle que lhe restava.

Antes mesmo que Bella pudesse se dar conta do que a sua atitude tinha
causado, Edward já se chocava contra ela novamente, mas dessa vez sem
intenção alguma de lutar. Cobriu seus lábios, quase devorando-os, enquanto
suas mãos se espalmavam nas costas de Bella, puxando-a contra seu corpo e
dessa vez pressionando seu quadril no seu ventre, permitindo que ela sentisse o
quanto ele estava excitado.

- Você não deveria ter feito isso. – ele rosnou contra a boca dela, se afastando
da sua boca apenas para passar a beijar seu pescoço suado.

- Estou suja. – ela sussurrou, mas não tentou fazê-lo parar.


- Hum? Suja? – ele perguntou ainda com os lábios colados no seu pescoço –
Não... Não. Deliciosa.

Edward não sentia a sujeira que poderia haver no corpo dela. Seu suor era o
sabor mais doce que ele já havia provado, com exceção do sabor do sangue
dela.

As mãos dele continuavam espalmadas nas costas de Bella e ele podia sentir
seus músculos se contraindo por inteiro a cada toque dos lábios frios na pele
quente. E quando pensou que não poderia perder mais a cabeça, ouviu a voz de
Bella gemendo seu nome.

Ele sabia que não tinha mais volta. Não tinha mais como se controlar.

Num único movimento, Edward a empurrou contra uma mesa e arrancou seu
sutiã bruscamente, rasgando a peça e jogando-a em qualquer canto do galpão,
cobrindo os seios de Bella com sua boca e fazendo-a gemer alto.

Aquilo não era nada que Bella pudesse imaginar acontecer com ela algum dia,
nem jamais poderia imaginar sentir algo tão forte assim por alguém, ainda
mais sendo esse alguém seu maior inimigo. Mas naquele momento nenhum dos
dois estavam preocupados com questões tão sem importância como essas. Tudo
que eles pensavam era em aplacar a necessidade que estavam um do outro.

Edward continuava sugando os seios de Bella, e ela – mesmo sendo


completamente inexperiente nesse quesito – correspondia aos seus toques como
se sempre tivesse feito aquilo, tocando o peito duro por cima da camiseta e foi
a vez dela de rasgar a peça, sentindo urgência em tocar a pele fria.

Quando as mãos pequenas chegaram no cós da calça de Edward, o vampiro


rosnou e a empurrou com força até que ela estivesse deitada na mesa cheia de
poeira e imediatamente foi para cima dela, cobrindo seus lábios num beijo
ainda mais urgente do que os já trocados.

Suas mãos agora percorriam o corpo seminu de Bella, detendo-se um pouco


mais nos seios túrgidos, e a cada vez que ele apertava os mamilos entre o
polegar e o indicador, Bella gemia de prazer contra a sua boca.

Nenhum dos dois sabia o significado da palavra delicadeza. E nenhum dos dois
estava procurando por isso.

Enquanto as mãos de Edward continuavam nos seios de Bella, as dela estavam


agora nas costas musculosas que se contraiam aos seus toques, cravando as
unhas ali e realmente arranhando o vampiro como nenhuma outra mulher havia
feito.

Sem agüentar mais um segundo sequer, Edward desceu a mão até o cós da calça
de Bella e arrancou o botão, descendo o zíper logo em seguida e desceu da
mesa para poder puxar a calça jeans pelas pernas dela, mas ele o fez com tanta
força que ela quase caiu da mesa.

- Seu bruto. – ela reclamou, tendo que se segurar nas bordas da mesa para não
cair.

- E você adora isso. – ele retrucou com um sorriso, voltando a se aproximar


dela depois de jogar a calça no chão.

Mas antes que ele conseguisse voltar para cima dela sobre a mesa, Bella o
empurrou, chutando seu peito com tanta força que ele foi parar do outro lado
do galpão e a mesa onde ela estava deslizou alguns metros para trás.

Bella levantou da mesa e encarou Edward que levantava depois de se recuperar


do impacto e os dois caíram na gargalhada ao ver a situação em que se
encontravam. Bella suada e suja por conta da mesa onde estava deitada, só de
calcinha e os cabelos desgrenhados pela luta e pelos beijos trocados com
Edward e ele, por sua vez, tão sujo quanto ela embora não estivesse suado,
vestido apenas com a calça jeans clara que não escondia o volume do seu
membro excitado.

Ainda rindo, Edward caminhou lentamente até ela, seus olhares nunca
desviando um do outro, e quanto eles estavam a apenas dois metros de
distância, Edward avançou de vez sobre o corpo pequeno, mas nem um pouco
frágil de Isabella, fazendo com que suas costas se chocassem com tanta força
na parede atrás dela que o cimento rachou em algumas partes.

- Ai, Edward. – ela reclamou novamente, massageando a parte de trás da


cabeça com expressão de dor.
Ao invés de pedir desculpas como queria fazer, Edward se limitou apenas a
cobrir os lábios vermelhos com os seus, invadindo logo a boca dela com sua
língua, ao mesmo tempo em sua mão se infiltrava entre os corpos, chegando até
a calcinha de Bella que ele rasgou num único movimento, deixando-a
completamente nua.

Bella gemeu alto e mordeu os lábios de Edward quando sentiu um dedo tocando
seu sexo úmido, massageando seu clítoris com uma habilidade que a deixou de
pernas bambas.

- Passou a dor? – ele perguntou com a boca contra a dela, sorrindo de forma
safada ao ver a expressão de desejo estampada no rosto suado.

- Pa-passou.

Ele voltou a beijá-la sofregamente, sem interromper a massagem no seu sexo,


sentindo o corpo pequeno estremecendo contra o seu e foi a vez dele de gemer
quando os dedos delicados desabotoaram a sua calça e começaram a deslizar o
zíper para baixo.

- Bella, espera. – ele pediu, cobrindo sua mão com a dele, o que foi um erro
porque o movimento fez com que a mão pequena e quente fosse pressionada
contra o seu membro. Mas ainda assim ele se esforçou para manter a linha de
raciocínio – Você tem certeza que...

- Eu não quero pensar, Edward. – ela o interrompeu, levando a mão livre para
cobrir os lábios dele, silenciando-o – Não me deixa pensar, por favor.

E Edward faria o possível para que ela não pensasse.

- Espera aqui. – ele pediu já se afastando e se moveu tão rápido dentro do


galpão que Bella nem sequer teve tempo de reclamar a sua ausência.

Logo ele estava a sua frente novamente e a pegou nos braços, levando-a até
onde tinha estendido seu sobretudo grosso, e a deitou delicadamente, cobrindo
o corpo pequeno com o seu logo em seguida. E dessa vez ele permitiu que ela
removesse sua calça, ajudando-a um pouco, e agora estavam os dois nus e
desejosos um pelo outro.
Devagar ele posicionou seu membro na entrada úmida, sabendo que deveria ser
cuidadoso nesse momento. Edward sabia que Bella era virgem e se sentia
extremamente feliz e honrado por ser seu primeiro homem. E esperava que
fosse o único também.

Bella sentia que estava sendo rasgada lentamente, mas o beijo que Edward
depositava agora nos seus lábios ajudou a minimizar a dor e sentiu um tremor
diferente percorrendo seu corpo ao ouvir o rugido gutural que escapou da boca
dele quando finalmente ela foi preenchida por inteiro. Ela não sabia
exatamente o que era aquilo. Era dor misturada com prazer, combinada com a
sensação de que estava fazendo uma loucura e a junção disso tudo a fez sorrir.

Edward franziu o cenho diante daquele sorriso, mas qualquer pergunta foi
calada quando Bella o puxou pelo pescoço e ele só se preocupou em beijá-la de
volta.

Não demorou muito para que Bella começasse a fazer os movimentos por conta
própria, rebolando embaixo de Edward, quase levando-o à completa loucura
quando ela cruzou as pernas nos quadris dele, permitindo que ele fosse ainda
mais fundo.

Agora era ele quem ditava os movimentos e a velocidade, já não tão


preocupado em machucá-la, estocando cada vez mais rápido e de forma curta.

Ele podia senti-la começando a apertar seu membro e teve que se controlar
para não gozar quando o orgasmo a atingiu, fazendo seu corpo inteiro tremer
embaixo do dele, arqueando suas costas do sobretudo repetidas vezes para só
então cair pesadamente, arfando e gemendo palavras incompreensíveis.

Edward saiu de dentro dela e ficou acariciando seu rosto vermelho e suado,
removendo as mechas do cabelo que tinha grudado ali.

- Não seja carinhoso comigo, Edward. – ela pediu ainda sem ar, fitando-o
intensamente com os olhos mais profundos e brilhantes que Edward já vira. –
Eu não quero isso.

- E o que você quer? – ele perguntou, interrompendo as carícias.

Em resposta, Bella o empurrou com força para o lado e imediatamente foi para
cima dele, sentando em cima do seu membro que continuava rijo e se inclinou
para sussurrar no seu ouvido.

- Eu quero mais.

- Bella... – ele gemeu por entre os dentes, se controlando para não erguer o
quadril e penetrá-la de uma vez.

- Me dá mais, Edward. – ela pediu numa voz dengosa e ondulou o quadril


contra o dele.

Edward era controlado, mas não tanto.

No segundo seguinte ele ficava de pé, levando-a consigo até chegar a uma das
paredes do galpão e a prensou ali, puxando suas pernas para que elas
envolvessem seu quadril e Bella imediatamente fez o mesmo com seus braços,
colocando-os em volta do pescoço de Edward, deixando o vampiro com as mãos
livres para explorar todo o corpo sensual, só parando ao chegar às nádegas
firmes que ele não perdeu tempo em apertar.

Mesmo sabendo que Bella não sentiria mais tanta dor, ele a penetrou
lentamente, mas dessa vez não esperou que ela se acostumasse com o seu
tamanho e começou a estocar com força, fazendo as costas dela se chocarem
contra a parede, produzindo um eco pelo galpão.

- Mais... Mais... – Bella pedia e Edward atendia, aumentando a velocidade,


segurando-a com firmeza pelas nádegas enquanto as unhas de Bella cravavam
com força nos ombros musculosos. – Edward! Mais forte!

Edward ainda tinha receio de machucá-la com sua força, mas se ela pedia,
então ele se sentia obrigado a dar.

Andou com ela até uma das mesas que estavam com papéis em cima ainda e
jogou tudo no chão, subindo com ela em seguida e voltou a estocar ainda mais
rápido, fazendo a mesa ranger com o movimento.

- Bella... Oh, céus. Bella!

Edward sentia que estava quase perdendo o controle ali, mas teimava em se
libertar antes que ela atingisse o ápice novamente e para acelerar o processo
ele começou a massagear o clítoris, ao mesmo tempo em que sua boca sugava e
mordiscava os seios firmes, fazendo Bella gemer alto.

Quando ele começou a sentir que ela se aproximava do clímax novamente,


Edward intensificou ainda mais as estocadas, se movendo agora na sua
velocidade, fazendo o corpo inteiro de Bella arquear e um grito escapou da sua
garganta quando o orgasmo a atingiu pela segunda vez. E só então Edward se
deixou libertar dentro dela, permitindo que seu líquido gelado a inundasse,
com uma última e potente estocada. E a força que ele usou fez com que a mesa
debaixo deles cedesse, se espatifando no chão sujo, e Edward rapidamente tirou
Bella dali para que ela não se machucasse com as lascas da madeira.

Devagar, ainda segurando-a nos braços, ele saiu de dentro dela e a apertou
contra seu corpo, adorando sentir o calor que emanava dela. Bella também se
permitiu ser aninhada por ele e os dois ficaram assim por longos minutos, até
que o sentido das coisas começou a voltar para a mente dela.

Edward percebeu a mudança em Bella quando seu corpo ficou rígido e seu
coração disparou. Ele sabia que ela tinha voltando a pensar e queria fazer algo
para evitar que ela se afastasse, mas não sabia o quê.

- Eu amo você. – ele sussurrou com o rosto escondido na curva do pescoço


delicado.

- Eu sei. – ela sussurrou em resposta e o empurrou delicadamente pelo peito,


fazendo com que Edward a soltasse e deixasse que seus pés encostassem no
chão novamente. – Mas isso não muda nada. – ela falou de cabeça baixa e lhe
deu as costas, procurando suas roupas rasgadas espalhadas pelo chão.

Edward apenas observou enquanto ela vestia a calça sem botão, depois vestiu o
casaco pesado e colocou a calcinha, o sutiã e a blusa rasgados no bolso do
casaco. Ele ainda tentou falar algo, mas as palavras pareciam ter lhe fugido da
mente e tudo que ele conseguia absorver era a sua imagem deixando o galpão
depois de jogar a mochila em um dos ombros.

Depois desse encontro eles só se veriam novamente do dia 31 de outubro


daquele ano. Não que eles não tenham ficado no mesmo ambiente outra vez. Na
noite daquele mesmo dia eles se encontraram quando Bella voltava para casa
depois de lutar contra sete zumbis, mas Bella sentira sua presença antes que
ele aparecesse e sua voz fez com que Edward continuasse nas sombras.

- Eu não quero te ver. – ela falara para a noite e continuou seu caminho para
casa.

Assim, Edward continuou seguindo-a sempre que podia, mas nunca aparecia
para ela, mesmo sabendo que Bella sempre estivera consciente da sua presença.
Ele apenas tinha medo de perdê-la de vez e faria tudo que ela quisesse para
evitar que isso acontecesse, mesmo sabendo que ela nunca fora dele de
verdade.

Talvez fosse até melhor manter total distância dela, dar-lhe tempo para pensar,
mas Edward simplesmente não conseguia ficar longe de Bella, ainda na
esperança que ela virasse para ele qualquer dia ou noite dessas enquanto ele a
seguia, e dissesse que desistira da profecia. Que não iria mais matá-lo e que
queria ficar ao lado dele.

Edward sabia que era uma esperança estúpida, mas ele não iria desistir assim
tão fácil. Ficaria perto dela até ela dizer que sim ou que não. Ele só esperava
que fosse um "sim".
Chapter 11: O Último Encontro
Capítulo 11

O ÚLTIMO ENCONTRO

:: Bella's POV ::

31 de Outubro de 2009

- Ai, Bella. Eu estou tão feliz por você ter decidido comemorar o Halloween
com a gente esse ano. – Ângela comentara pela quinta vez aquele dia, enquanto
rodava à frente do espelho para ter uma visão total da sua fantasia rosa de
princesa.

- É verdade, Bella. E nós vamos nos divertir muito hoje. – Jéssica concordara
enquanto retocava a maquiagem roxa para combinar com a sua fantasia de
bruxa da mesma cor.

Como se eu estivesse mesmo com intenção de comemorar essa festa ridícula.


Tudo bem que era meu aniversário de dezessete anos, mas eu só estava ali na
casa de Jess para não passar o dia com Charlie e Renée se lamuriando pelos
cantos por achar que aquela poderia ser a minha última noite com vida.

Mal sabiam eles que meu destino já estava certo.

Então eu inventei para as meninas que estava com vontade de ficar com elas
naquele dia e sair à noite para curtir, mas me livraria delas no segundo
seguinte em que pisássemos na rua.

- Bella, você tem certeza que não quer uma fantasia de bruxa minha
emprestada? – Jessica perguntara encarando a minha fantasia com o cenho
franzido.

- Ou a minha de anjo que usei no ano passado? – Ângela perguntara fazendo


quase a mesma expressão que Jess – Tenho certeza que cabe em você.

- Tenho sim. Obrigada. – acrescentei com um sorriso amarelo, voltando a


folhear a revista impaciente.

Não havia nada de errado com a minha fantasia de Alice do filme Resident
Evil 3. Era exatamente o tipo de fantasia que eu precisava essa noite. Era
prática, confortável e ainda me deixava com a aparência de uma justiceira.
Melhor impossível.

E as minhas kukri dariam o toque final. Elas estavam guardadas na caixa de


madeira ao meu lado e eu me recusara a abrir quando as meninas pediram,
deixando-as curiosas, mas eu tinha certeza que a curiosidade seria substituída
pelo choque quando elas vissem o que tinha ali dentro.

E foi exatamente como eu imaginei. As duas gritaram de susto quando eu


peguei as kukri e as prendi no cinto e ficaram me olhando de boca aberta por
um longo tempo, até que eu estalei os dedos na frente dos seus rostos chocados
e sorri gentilmente.

- É de brincadeira, meninas. – menti. – Faz parte da fantasia.

Eu não sei se elas acreditaram, mas também não ia perder tempo checando
isso. Já passava das nove da noite e eu só tinha mais três horas para fazer
cumprir a profecia.

- Vamos ou não? – perguntei, parando na porta do quarto de Jess e elas saíram


do transe lentamente e andaram até mim depois de pegar suas bolsas.

Vesti o sobretudo que fazia parte da fantasia, jogando minha mochila nas
costas e finalmente chegamos à rua, mas a área ali ainda estava pouco
movimentada, com apenas algumas pessoas que passavam por nós fantasiados
e eu tive que esperar até chegarmos na avenida principal para escapar do
falatório constante das duas.

Quando chegamos na avenida, eu aproveitei o primeiro aglomerado para me


livrar delas, me escondendo nas sombras até que elas estivessem longe o
bastante e estavam tão concentradas na conversa que nem deram pela minha
falta. Só então eu saí do esconderijo e comecei a correr na direção contrária,
indo ao encontro de Edward para acabar com tudo de uma vez por todas.

Eu corria pelas ruas, apressada para sair de perto de toda aquela festa maluca
onde as pessoas se fantasiavam de monstros. Se eles conhecessem metade dos
monstros que eu já tinha visto, tenho certeza que nunca mais iriam comemorar
o Halloween.

Quando as ruas foram ficando mais desertas eu senti a presença de Edward me


seguindo, mas não era ali que eu queria enfrentá-lo. Apenas olhei ao redor
para ver onde ele estava, mas não consegui achá-lo. Parei de andar e
imediatamente vi uma sombra se projetando na calçada. Olhei para cima e vi
Edward parado no parapeito de um prédio não muito alto, olhando diretamente
para mim.

Respirei fundo e voltei a correr, sentindo que ele me seguia do topo dos
prédios, às vezes conseguindo ver sua sombra refletida na calçada novamente
e sorri internamente com aquilo.

Era estranho saber que ele estava me seguindo para a morte. Para a morte dele.
Mas ao mesmo tempo eu sentia uma sensação esquisita de alívio por saber que
ele estava ali perto de mim.

Mesmo ele nunca aparecendo nesses últimos meses, eu sempre me sentia bem
quando sentia a presença de Edward me rodeando.

Continuamos a correr, saindo da parte mais movimentada da cidade, virando


esquinas, descendo e subindo ladeiras, até que as casas e prédios foram
substituídos por árvores e Edward continuou me seguindo escondido nas
sombras da floresta.

Entrei por uma trilha lateral e só diminuí o passo quando cheguei a uma
clareira ampla e iluminada pela luz da lua quase cheia.

Tirei a mochila e o sobretudo, colocando tudo num canto perto de uma árvore
e só então me voltei para Edward que já estava parado do lado oposto da
clareira.

- Você mudou de idéia? – perguntei, posicionando melhor as kukri nas minhas


mãos.

- Ia perguntar a mesma coisa.


- Eu vou cumprir com a profecia, Edward.

- E eu vou permitir que você o faça. – ele sussurrou com um sorriso, mas o
sorriso não chegava aos seus olhos dourados.

Uma dor que eu não consegui entender oprimiu meu peito e eu contive o
impulso de me curvar com a dor.

- Posso te pedir apenas uma coisa?

- Tudo menos lutar contra você. – ele murmurou em resposta.

- Se defenda. – pedi no mesmo tom baixo que ele usava.

- Mas...

- Você não quer lutar? Problema seu. Mas eu te peço que ao menos se defenda.

- Nós dois sabemos onde isso vai acabar, Bella. Para quê prolongar mais?

- Você disse que faria qualquer coisa. – lembrei.

Edward continuou me encarando e depois de alguns segundos assentiu


devagar.

- Tudo bem.

E era só o que eu precisava para começar a atacá-lo.

Longos minutos, talvez até horas, se passaram enquanto eu atacava Edward


com tudo que tinha aprendido com ele naquele galpão, e ele se defendia com a
mesma intensidade. Não me deu mole algum e eu o agradecia por isso.

Algumas vezes consegui machucá-lo, não tão seriamente quanto deveria e em


outras eu acabava me machucando sozinha ao ir de encontro a alguma árvore
quando ele desviava rapidamente dos meus ataques. E foi em um desses
ataques mal calculados que eu perdi uma das kukri quando me desequilibrei e a
arma voou para perto de onde Edward estava agora.

Me preparei para voltar a atacá-lo com a kukri que restava em minha mão, mas
estava há apenas poucos metros dele quando aquela dor voltou com toda força
e eu parei a sua frente, interrompendo o ataque.
Chapter 12: De Volta às Raízes
Capítulo 12

"...DE VOLTA ÀS RAÍZES..."

:: Edward's POV ::

Tinha decidido acabar com tudo naquele último ataque de Bella. Não iria
desviar quando ela tentasse me matar. Fiquei os pés no chão e esperei o golpe,
vendo Bella correr na minha direção, mas então ela parou.

Não entendi o que a fez parar com o ataque e já ia perguntar o que tinha
acontecido quando sua voz doce encheu a noite.

- "Não haverá esperanças sem o holocausto" – ela falou parada à minha frente
olhando para a kukri em suas mãos – A profecia dizia isso.

- Bella...

- O sacrifício dos meus pais. – ela continuou e parecia que falava aquilo para
si – Mas dizia também: "No fim, de volta às raízes, apenas um imortal
sobreviverá".

- Você vai sobreviver.

- "De volta às raízes". – ela repetiu no mesmo tom – De volta às minhas raízes.

- O que você...?

- Eu não posso te matar, Edward. – só então ela ergueu o rosto para olhar nos
meus olhos – Eu não quero te matar.

- Você vai me matar, Isabella. – ordenei – Já estava tudo combinado.

- Você não representa mais risco algum à sociedade. Sei que você não vai
voltar aos velhos hábitos.

- É claro que eu não vou. Mas não pense que você vai me convencer a te matar
só para cumprir com essa droga de profecia.

- Eu não ia te pedir isso. – ela falou com um sorriso terno no rosto.

- Ótimo. Então vamos esquecer tudo isso, ok? Nós dois juntos vamos fazer
isso dar certo. Isso é, se você me quiser. – completei receoso.

Ela não querer me matar não significava exatamente que ela sentia alguma
espécie de amor por mim.

- Pega minha kukri, por favor. – ela pediu apontando para umas das suas armas
que estava caída perto de mim.

Sabia que deveria ter percebido que havia algo de errado com o
comportamento calmo demais de Bella, mas eu estava muito concentrado na
possibilidade de haver algum futuro entre nós para conseguir ver os sinais.

Tudo que ouvi no instante em que me abaixei para pegar a arma foi um
"adeus" sussurrado ao vento, seguido do som da lâmina perfurando a carne e
quebrando os ossos.

Corri até Bella a tempo de ampará-la antes que seu corpo quase sem vida
atingisse o chão, ainda com a kukri que estivera em suas mãos agora
atravessada no seu peito, exatamente na altura do seu coração.

Eu ouvi o instante exato em que seu coração parou de bater e tomei uma
decisão que poderia fazê-la me odiar, mas pior do que estava não poderia
ficar. Eu simplesmente não podia deixá-la morrer. Não para sempre.

Retirei a lâmina do seu peito e afastei os cabelos sedosos do seu pescoço e


cravei meus dentes ali, espalhando o máximo de veneno possível pelo seu
corpo, tendo que me esforçar para não sugar seu sangue doce.

Quando não havia mais nada que eu pudesse fazer além de esperar, eu apenas
continuei com Bella nos meus braços, aparando-a enquanto acariciava seus
cabelos lentamente, sussurrando seu nome como um mantra.

- Sei que você está aí, Alice. – falei num tom um pouco mais alto do que o que
usava ao sussurrar o nome de Bella e ouvi um leve farfalhar de roupas vindo
do local de onde sentira a presença amiga.

- Olá, pai. – ela cumprimentou, saindo do seu esconderijo nas sombras.

- Há quanto tempo você está aí?

- Fisicamente há menos de cinco minutos. – ela respondeu sorridente.

- Você estava espiando a minha vida?

- Não o tempo todo. Estava de olho nela. – Alice respondeu apontando para
Bella.

- Por quê?

- Quem você acha que é a responsável pela profecia?

- Alice, você…!

- Calma, pai. Eu não tive culpa. – ela se defendeu – Eu apenas conheci os pais
verdadeiros de Bella quando eles estavam fugindo depois que descobriram a
gravidez. Falei o que eles precisavam fazer para que a filha sobrevivesse e eles
apenas pediram para que eu ficasse de olho nela. E foi o que eu fiz.

- E você não manipulou a situação? – perguntei desconfiado.

Alice tinha sido uma das minhas primeiras filhas, mas tinha se afastado da
família há algumas décadas depois que nós tivemos uma discussão exatamente
por ela tentar nos manipular com as suas visões.

- Não mesmo.

- Claro que não. – falei com sarcasmo.

- Juro. – ela falou sorridente, fazendo as juras com os dedos cruzados sobre os
lábios. – Confesso que pensei seriamente em interferir quando você decidiu
matá-la mais cedo naquele ano, mas aí eu vi que você iria mordê-la e... Bem, o
resultado você já sabe.

- Então todas as mortes dela...


- Eram para acontecer. – ela completou – A cada morte sua humanidade ficava
mais acentuada. Caso você não tenha reparado, meu querido pai, não era para
você morrer. A profecia dizia que apenas um imortal sobreviveria, mas dizia
também que ela perderia a dela no final de tudo. Ela teria que perder o poder
que a mantinha imortal. E foi o que aconteceu. Ela será imortal novamente,
mas agora de outra forma.

- Morta, mas viva.

- Exatamente.

- Ela vai me odiar pelo que fiz?

- Meu lindo pai que odeia as minhas visões está me fazendo uma pergunta
sobre o futuro? – ela perguntou fingindo estar chocada.

- Alice... – eu não estava com nem um pouco de paciência para aquele


joguinho.

- Deixa eu esclarecer outra parte da profecia para você. A parte que ela
mencionou. "Não haverá esperança sem o holocausto" e a parte "No fim, de
volta às raízes...

- Eu sei. "Apenas um imortal sobreviverá". O que tem isso?

- Você às vezes é tão impaciente, Edward. – ela bufou irritada. – Bella deduziu
corretamente essa parte. A chave da questão está no "de volta às raízes". As
raízes dela.

- Dá para você ser mais direta?

- Seria se você não me interrompesse. E tenho certeza que você já teria


entendido isso se não estivesse tão concentrado em ser chato comigo.

- Alice...

- Tá bom, tá bom. Onde eu parei? – ela perguntou com a expressão pensativa,


levando um dedo ao queixo.
- As raízes dela. – lembrei.

- Eu sei, bobo. Só queria te irritar. Então, Bella só está aqui hoje porque os pais
dela se sacrificaram para que ela pudesse continuar viva. "Não haverá
esperanças sem o holocausto". Bella sabe que seus pais se sacrificaram por ela.
Então "de volta às raízes" significa que ela teria que fazer o mesmo no fim.
Apenas com o sacrifício haverá esperança. "Não será pela força que vencerá".

- Isso não faz sentido.

- Faz todo sentido, meu querido. A esperança era fazer o vampiro mais
sanguinário de todos os tempos mudar. Fazer você amar.

- Mas agora ela vai me odiar porque a transformei no ser que ela mais odeia.

- Edward, Edward. Às vezes você cansa a minha beleza. – ela resmungou


passando as mãos nos seus cabelos pretos espetados – Você era mais rápido de
raciocínio quando bebia sangue humano, sabia? Você não entende nada de
sacrifício, não é?

- Deveria?

Alice suspirou irritada, mas ainda assim continuou.

- Por que os pais dela se sacrificaram? – ela perguntou cruzando os braços


sobre o peito.

- Porque queriam que a filha vivesse. – respondi simplesmente.

- Correto. E por que Bella se sacrificou?

- Porque... ela queria que eu vivesse.

- Muito bem. Agora o que tem por trás do sacrifício dos pais de Bella? Por que
eles queriam que ela vivesse?

- Porque eles... amavam a filha.

- E "de volta às raízes..."


- Bella... me ama?

- Edward, você é meu pai, mas eu juro que te bato se você não corrigir essa
frase.

- Ela me ama. – falei agora afirmando, e um sorriso surgiu imediatamente no


meu rosto.

- Demorou, mas percebeu, não é? – Alice resmungou, batendo de leve na


minha nuca e se afastou para sentar debaixo de uma árvore.

Bella me ama. Todo esse tempo e... e ela me ama. Ela se sacrificou por mim.

Eu não sabia como seria o nosso futuro, nem me atreveria a perguntar para
Alice, mas isso não importava mais. A mulher que estava em meus braços me
amava e eu a amo também. Não havia mais nada que me importasse naquele
momento além dessa certeza. Independente da sua reação quando acordasse, eu
sabia que, de alguma forma, nós dois daríamos certo juntos. E isso era tudo
em que eu precisava saber agora.

**FIM**