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A P R IM E IR A

P R E S ID Ê N C IA
Spencer W . Kim ball
M arion G. Rom ney
Gordon B. H inckley
Liahona ABRIL DE 1983
PBMA0562PO
S. PAULO - BRASIL
C O N SE LH O
D O S DO ZE: HISTÓRIAS E DESTAQUES
Ezra Taft Benson 1 — M ensagem da Prim eira Presidên cia: “ E, Saindo D ali. Chorou
M ark E. Petersen Am argam ente", Presidente Gordon B H inckley
Howard W . Hunter 6 — Tomar Sobre Nós o Seu Nome, Ardeth G . Kapp
Thomas S. Monson 14 — Perguntas & Respostas, Susan Zm olek e Roger A Hendrix
Boyd K. Pecker 17 — Como Descobri o Am or de Deus. M aureen D errick K eeler
M arvin J. Ashton 20 — Russel M. Nelson: Um Exem plo de Obediência, Lane Johnson
Bruce R. M cC onkie 27 — M anter o Equilíbrio: R econhecer os Excessos e R e s is tir a Eles,
O. Don O stler
L. Tom Perry
31 — O Segredo de Cebu, Richard M. Rom ney
David B. Haight
Jam es E. Faust SEÇÃO INFANTIL
Neal A. M ax w ell I Ele Já R essuscitou!
C O M IT Ê DE III M ostrar Bondade para com Nosso Irmão, Nanette Larsen
S U P E R V IS Ã O : VI Os Sabiás Também Vão para o C éu ? A lic e Stratton
M . Russel Ballard NOTÍCIAS LOCAIS
Loren C . Dunn I D istrito de Salvad or Recebe Prim eira V isita de Autoridade Geral
Rex D. Pinegar II Uma Fortaleza de Siã o no Nordeste — Estaca Fortaleza
C harles Didier V Salão Nacional de A rtista s M órm ons
George P. Lee VI “ Porque a Fé Sem Obras É M o rta ’
F. Enzio Busche V II Jo vem SU D G rava Com pacto Sim p les
E X E C U T IV O DO V II Orar com Fé Sincera
“ IN T ER N A T IO N A L V II ‘ Os E le ito s Ouvem a M inha Voz"
IX O A cidente de Helamã
M A G A Z IN E ":
X Ensinar O s Pequeninos
M . Russel Ballard,
XI A Vontade de S e rvir
Editor;
■XIII A Q uestão Psico ló g ica da Castidade
Larry A. H ille r,
Editor Gerente; CAPA
David M itch e ll, "O Segredo de C e b u ' — H istória de uma Fa m ília Filip in a. V eja na
Editor Associado; página 31.
Bonnie Saunders, L EG EN D A S D A S IL U S T R A Ç Õ E S DA C A P A
Seção Infantil; Capa anterior, alto, à esquerda: Um carabao ou búfalo indiano, animal
Roger G yllin g , sím bolo das Filip in as. Centro, a partir da esquerda: Canoa com
Desenhista. flutuador, típ ica do centro-sul das F ilip in as (fotografada pelo Élder
E X E C U T IV O DE M ichael K. H olm es); duas crianças filip in a s usando chapéus tradicio ­
A L IA H O N A : nais do campo; vendedor de balões no Parque Rizal, em M an ila, a
G elson Pizzirani, capital das Filip in as. Embaixo: Grupo de recém-batizados e m issio n á ­
Diretor R esponsável; rios saindo do mar na Ilha Leyte (foto do Élder Kurt L. So ffe].
Paulo Dias Machado. Capa posterior, alto, à esquerda: Um dos princip ais prédios do amplo
Editor; campus da Universidade Santo Thomas, M an ila. Embaixo, a partir da
V ictor Hugo da C . Pires. esquerda: Viço sa planta florindo no Forte Santiago, s ítio original de
A ssinaturas; M anila; o G olfo de M an ila visto do Parque Rizal; a A venida A yala,
Orlando Albuquerque, centro financeiro de M an ila. (Foto de Richard M. Rom ney.)
S u p ervisor de Produção.

R E G IS T R O . Es tá assen tado no cad astro da D IV IS Ã O D E C E N S U R A D E D IV E R S Õ E S P Ú B L IC A S , do D . P. F . sob o n.» 1151 - P 209/73 de


acordo com as norm as em vigo r.
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exem plar avulso em nossa ag ê ncia Cr$ 80,00 A s m udanças de e n d e re ç o devem s e r com un icad as indicando-se o an tig o e o novo e n ­
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dim da Saúde São Paulo - S P . D evido ã orie ntação seguida por e sta rev is ta, reservam o-nos o d ire ito de pu b licar som ente os ar
tig os s o lic ita d o s pela redação. Não obstante, serão bem -vindas as co lab o raçõ e s para ap re ciação da red ação e da equ ipe In tern acion al
do 'In te rn a tio n a l M ag azin e*. C olab o raçõ e s espontâneas e m atérias doa correspon den tes e starão s u je ita s a ad aptaçõe s e d ito ria is . R e ­
dação e A d m in istração A v . Prof. F ra n c is c o M orato, 2 430
Mensagem da Primeira Presidência

T erminada a última ceia, Jesus


e seus discípulos saíram de
Jerusalém, indo para o Monte
noite, antes que o galo cante, três ve­
zes me negarás.
“Disse-lhe Pedro: Ainda que me
das Oliveiras. Percebendo que se seja mister morrer contigo, não te
aproximava a hora de sua terrível negarei.” (Mateus 26:31, 33-35.)
provação Jesus disse àqueles que Seguiu-se a terrível agonia no
amava: “Todos vós esta noite vos Jardim do Getsêmani, e depois a
escandalizareis em mim (isto é, me traição. Quando o cortejo se dirigiu
abandonareis). . . à casa de Caifás, “Pedro seguiu-o
“Mas Pedro, respondendo, dis- . . . (até) ao pátio do sumo sacer­
se-lhe: Ainda que todos se escanda­ dote e, entrando, assentou-se entre
lizem em ti, eu nunca me escanda­ os criados, para ver o fim”. (Mateus
lizarei. 26:58.)
“Disse-lhe Jesus: Em verdade, em No transcorrer do pseudo julga­
verdade te digo que, nesta mesma mento, os acusadores cuspiam em

E, SAINDO DALI,
CHOROU AMARGAMENTE
Presidente Gordon B. Hinckley
Segundo conselheiro na Primeira Presidência
Jesus, e o esbofeteavam e uma das Então, surgem e crescem as pres­
criadas, vendo Pedro, disse: “Tu sões. Às vezes são pressões sociais;
também estavas com Jesus, o galileu. outras, nossos apetites ou então as
“Mas ele negou diante de todos, falsas ambições. A força de vontade
dizendo: Não sei o que dizes. começa a ceder. Decresce a discipli­
“E, saindo para o vestíbulo, outra na. Vem a capitulação. E depois, o
criada o viu e disse aos que ali esta- remorso, a auto-acusação, lágrimas
vam: Este também estava com Jesus, amargas de arrependimento.
o nazareno. Uma das grandes tragédias que
“E ele negou outra vez com jura­ testemunhamos é a dos homens de
mento: Não conheço tal homem. altos ideais e fraco desempenho.
“E, daí a pouco, aproximando-se Seus motivos são nobres. Sua ale­
os que ali estavam, disseram a Pe­ gada ambição é louvável. Sua capa­
dro: Verdadeiramente também tu és cidade de realização é grande. Mas
deles, pois a tua fala te denuncia. falham na disciplina, sucumbem à
“Então começou ele a praguejar indolência, deixam-se dominar pelos
e a jurar, dizendo: Não conheço esse apetites.
homem. E imediatamente o galo Lembro-me de um não-membro
cantou. que conheci e era exatamente assim.
“E lembrou-se Pedro das pala­ Tinha formação universitária, um
vras de Jesus que lhe dissera: Antes potencial sem limites. Como um jo­
que o galo cante, três vezes me ne- vem de excelente educação e opor­
garás. E, saindo dali, chorou amar­ tunidades imensas, sonhava com
gamente.” (Mateus 26: 69-75; grifo grandes realizações e pôs-se a tra­
nosso.) balhar para concretizá-las. Na em­
Que palavras patéticas! Pedro, presa em que trabalhava nos primei­
confirmando sua lealdade, sua fir­ ros anos, foi sendo promovido rapi­
meza e decisão, disse que jamais damente para cargos cada vez mais
negaria a Jesus. O temor aos ho­ altos, com oportunidades cada vez
mens, porém, foi mais forte que sua maiores. Em poucos anos, atingiu o
fraca carne, fazendo sua resolução escalão mais elevado da empresa.
desabar diante da pressão. Depois, As tais promoções, entretanto, leva-
reconhecendo seu erro e fraqueza, ram-no a freqüentes compromissos
“chorou amargamente” . sociais com o habitual consumo de
Lendo esse relato, meu coração álcool. Foi a sua ruína. Não conse­
vibra em simpatia para com Pedro. guindo controlar-se, tornou-se alco­
Quantos de nós não se parecem com ólatra, vítima de seus apetites. Pro­
ele? Prometemos lealdade; afirma­ curou ajuda, mas era orgulhoso de­
mos nossa determinação de ser va­ mais para disciplinar-se e seguir as
lentes; declaramos, até mesmo pu­ restrições recomendadas por aqueles
blicamente, que aconteça o que que tentavam ajudá-lo.
acontecer, faremos o que é certo, Caiu qual estrela cadente, consu­
defenderemos a causa da justiça, mindo-se tragicamente e desapare­
seremos fiéis a nós mesmos e ao cendo na noite. Inquirindo amigo
próximo. após amigo a respeito dele, final­
mente soube de seu triste fim. O instintos generosos, ávidos de coi­
moço tão talentoso e de elevados sas materiais, esquecendo-se de com­
ideais, morrera na miséria numa de partilhar seus talentos e fé em sua
nossas grandes cidades. Como Pe­ vida banal e egoísta.
dro, sentira-se seguro de sua força Destes, diz o Senhor: “E esta será
e capacidade de realizar seu poten­ a vossa lamentação no dia da visi­
cial. Mas negara essa capacidade e tação, do julgamento e da indigna­
estou certo de que, quando se viu ção: Passada é a colheita, findo é
imerso nas sombras do seu insuces­ o verão, e a minha alma não está
so também chorou amargamente, salva!” (D&C 56: 16.)
como Pedro. Gostaria de, mais particularmen­
Lembro-me de outro homem, co­ te, dirigir algumas palavras àqueles
nhecido meu. Filiou-se à Igreja há que, como Pedro, professam amar
muitos anos, quando eu era missio­ ao Senhor e sua obra, e a seguir o
nário nas Ilhas Britânicas. Ele fu­ negam seja com suas palavras ou
mava. Orou ao Senhor logo que se com seu silêncio.
tornou membro da Igreja, e o Senhor Lembro-me muito bem de um
respondeu às suas orações e deu-lhe jovem de grande fé e devoção. Foi
forças para vencer aquele hábito. meu amigo e mentor durante um
Voltado para Deus, ele vivia período difícil de minha vida. Sua
numa felicidade que nunca antes co­ maneira de viver e o entusiasmo
nhecera. Mas então aconteceu. Não com que servia evidenciavam seu
conseguindo resistir às pressões so­ amor ao Senhor e à obra da Igreja.
ciais e familiares esqueceu-se de Mas depois ele se foi deixando des­
suas metas e sucumbiu aos apetites, viar gradualmente pela adulação de
seduzido pelo aroma do tabaco ace­ companheiros que o usaram em pro­
so. Voltei a vê-lo anos mais tarde. veito próprio. Em lugar de ele ele-
Conversamos a respeito daquele tem­ vá-los para a sua fé e comporta­
po feliz, e ele, como Pedro, chorou mento, lentamente sucumbiu às
amargamente. Quando procurou jus­ seduções do rumo oposto.
tificar-se, culpando isso e aquilo, ti­ Jamais falou mal de sua antiga
ve vontade de repetir-lhe as palavras fé. Não era necessário. Sua nova
de Cassius: maneira de viver era suficiente para
A culpa, caro Brutos não é de mostrar que a renegara. Passaram-se
nossa estrela, anos e então voltamos a nos encon­
Mas de nós mesmos que somos trar. Mostrava-se um homem desi­
inferiores. ludido. Com voz cansada e olhos
(Júlio César, ato I, cena 2, baixos, falou-me de sua vida fútil,
versos 140, 141.) sem destino, depois que largou a
E assim poderia continuar falando firme âncora de sua antiga e querida
dos que começam tendo nobres ob­ fé. Concluindo seu relato, como Pe­
jetivos, mas depois vão desaniman­ dro, chorou.
do — fortes na partida e fracos na Recentemente, conversando com
chegada. São pessoas tendentes a vi­ um amigo a respeito de um conhe­
ver egocentricamente, negando seus cido comum, pessoa respeitada e de
muito sucesso em sua profissão, do Espírito Santo. Pela autoridade
perguntei: do sacerdócio recebida do seu Mes­
— E como anda sua atividade na tre, curou, com João, o aleijado,
Igreja? — ao que meu amigo res­ milagre esse que provocou grande
pondeu: perseguição. Presos e levados à pre­
— Lá no fundo do coração ele sença do sinédrio, falou sem temor
sabe que é verdadeira, mas tem defendendo os irmãos. Foi ele quem
medo dela. Teme ser excluído do teve a visão que fez o evangelho ser
círculo social em que vive, se admi­ levado também aos gentios. (Ver
tir sua filiação à Igreja e viver se­ Atos 2-4, 10.)
gundo seus padrões. Suportou correntes e cárceres e
Então refleti: “Assim como Pedro morreu como mártir, em testemunho
negou o que sabia com certeza, dia daquele que fizera dele um pescador
virá, embora possivelmente só na de homens. (Ver Mateus 4:19.)
velhice, em que esse homem enten­ Permaneceu firme e fiel ao pesado
derá que trocou sua primogenitura encargo que lhe deu o Senhor res­
por um prato de lentilha. (Ver Gê­ surreto em suas instruções finais aos
nesis 25:34.) Então haverá remor­ onze apóstolos: “Ide, ensinai todas
so, tristeza e lágrimas, pois percebe­ as nações, batizando-as em nome do
rá que não apenas negou o Senhor Pai, e do Filho, e do Espírito San­
em sua vida, mas negou-o também to.” (Mateus 28:19.) E foi ele
perante seus filhos, que cresceram quem, em companhia de Tiago e
sem uma fé para ampará-los.” João, voltou à terra nesta dispensa-
O próprio Senhor afirmou: “Por­ ção, a fim de restaurar o santo sa­
tanto, qualquer que, entre esta ge­ cerdócio, por cuja autoridade divina
ração adúltera e pecadora, se en­ foi organizada A Igreja de Jesus
vergonhar de mim e das minhas Cristo, dos Santos dos Ültimos Dias.
palavras, também o Filho do Homem Essas grandes obras, além de mui­
se envergonhará dele, quando vier tas outras não mencionadas, foram
na glória de seu Pai, com os santos realizadas por aquele Pedro que
anjos.” (Marcos 8:38.) certa vez negou o Senhor, chorou,
Agora, voltemos a Pedro que arrependeu-se, venceu o remorso,
chorou amargamente depois de ha­ levou avante a obra do Salvador
ver negado a Jesus. Reconhecendo após sua ascensão e ainda partici­
seu erro e arrependendo-se, de sua pou de sua restauração em nossos
fraqueza, ele mudou e tornou-se dias.
uma valente testemunha do Senhor Agora, se alguma pessoa, hoje,
ressurreto. Como apóstolo sênior, negou a fé por palavras ou atos, oro
dedicou o resto da vida ao testemu­ para que ela possa tirar consolo e
nho da missão, morte e ressurreição resolução do exemplo de Pedro.
de Jesus Cristo, o Filho vivo do Para ela existe igualmente oportuni­
Deus vivente. Foi ele quem fez o dade de mudar de rumo e somar sua
comovente sermão no dia de Pen- força e fé à força e fé dos outros
tecostes, em que a multidão sentiu na edificação do reino de Deus.
o coração compungido pelo poder Gostaria de concluir, falando de
um homem que conheci e que se sivelmente estejam afastados da
criou amando a Igreja. Quando pas­ Igreja e seus ensinamentos. Vocês
sou a dedicar-se aos negócios, con­ encontrarão muitos ouvidos com­
tudo, começou de fato a negar sua preensivos e muitas mãos dispostas
fé, obcecado pela ambição. Sua a trazê-los de volta ao bom caminho.
maneira de viver tornou-se quase Haverá sempre corações para aca­
que um repúdio à sua lealdade. En­ lentar o seu e lágrimas, não de amar­
tão, felizmente, antes de haver ido gura, mas de regozijo.
longe demais, deu ouvidos à voz
mansa e delicada que lhe despertou Possa o Senhor tocá-los com seu
um salutar sentimento de remorso. Espírito, aumentando-lhes o desejo
Ele mudou de vida e hoje é presi­ de voltar, fortalecendo sua decisão
dente de uma grande estaca de Sião, de fazer o certo. Que o seu gozo
servindo ao mesmo tempo como alto seja perfeito, doce e gratificante a
executivo em uma das grandes cor­ sua paz, quando voltarem para o ca­
porações industriais internacionais. minho que, no fundo do coração,
Amados irmãos e irmãs que pos- sabem ser o certo.

Idéias para os Mestres Familiares 1. Externe o que sente com respeito


Sugestões de Debate: à importância de viver à altura
de nosso potencial como filhos
Alguns Pontos que Merecem Ênfase. espirituais do Pai Celeste. Convi­
Talvez os queira ressaltar em sua de os membros da família a dizer
mensagem: o que pensam a respeito.
2. O artigo contém passagens das
1. Tenha objetivos nobres. escrituras ou citações que a famí­
2. Demonstre amor ao Senhor agin­ lia poderia ler em voz alta e de­
do corretamente. bater?
3. Some sua fé à edificação do reino. 3. Seria melhor abordar o assunto
4. Lembre-se de que podemos me­ depois de conversar com o chefe
lhorar nossa vida. da casa, antes da visita? O bispo
ou líder do quorum têm uma
mensagem especial para o chefe
da casa concernente a “perseve-
rar até o fim ”9

Prezada Assinante:

Mudou-se ou vai mudar-se?


Avise-nos imediatamente a fim de não ficar sem sua revista.
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TOMAR
SOBRE NÓS
O SEU NOME
Ardeth G. Kapp

A
nos atrás, no início da prima­ mento para recuperar o equilíbrio.
vera, minha sobrinha Shelly e Logo fomos atraídas para uma
eu fomos passear de mãos clareira surgida, derrubada de uns
dadas, pelas margens rochosas de velhos choupos cortados havia pou­
um regato sombreado por majestosas co. Abrindo caminho pelo capim
árvores. Pulávamos cuidadosamente1 crescido, segurei firmemente a mão
de pedra em pedra. As águas mur­ de Shelly, enquanto ela cuidadosa­
murantes como que criavam um mente andou em cima de um dos
acompanhamento musical para nos­ troncos caídos. Observamos delica­
sa dança dando um salto, hesitando, dos brotos verdes perfurando o solo
dando um passo adiante, saltando naquele dia de primavera, e a neve
novamente e parando por um mo­ recuando para os picos das monta­
nhas. A natureza inteira parecia dar a mesma coisa. Gostaria de que você
provas das criações de Deus e de fosse minha irmã e tivéssemos exa­
seu imenso amor a nós. tamente o mesmo sobrenome.
Continuamos o passeio, até que a Embora sendo bastante novinha,
brisa do entardecer nos avisou que achei que possivelmente se julgaria
o dia tão gostoso estava chegando segura sabendo de nosso relaciona­
ao fim. mento eterno, se, de alguma forma,
Aproximando-nos do caminhozi- conseguisse fazê-la entender a gran­
nho estreito e íngreme que levava a de verdade eterna.
minha casa, soltei a mão de Shelly, — Shelly, na verdade nós somos
deixando-a ir à frente. Nossas mãos da mesma família. Como sabe, so­
se encontraram por um momento, mos todos filhos e filhas do Pai
testemunhando o vínculo de afeto Celestial, sem exceção, e isto faz de
formado no calor de um dia de nós uma grande família. Somos to­
aventuras compartilhadas. dos irmãos e Jesus também é nosso
Pouco antes de chegar à clareira irmão, nosso irmão mais velho.
perto da casa, paramos. Levantei — Qual era o sobrenome de
Shelly para ela poder espiar um ni­ Jesus? — quis saber.
nho de sabiá na curva de um galho. -— Nós conhecemos o Salvador
E no final desse dia memorável, como Jesus, o Cristo.
antes de colocar para dormir a ga- Então, com sua inocência pura de
rotinha que minha irmã compartilha criança, ela se pôs a colocar-nos
comigo, ajoelhamo-nos em oração. todos na mesma família, dando-me
Ela deu graças ao Pai pelo regato, o sobrenome “Cristo” .
pelas pedras limosas, escorregadias, — Assim não dá, querida! Não
a grande árvore caída e o ninho de podemos fazer isso.
sabiá. Sentindo renovado apreço por -— Por que não? — insistiu. Que­
essas mesmas coisas maravilhosas, rendo mostrar-lhe a natureza sagra­
ajeitei-lhe o cobertor e inclinei-me da de nossa relação com o Salvador,
para um beijo de boa-noite. Enla­ procurei explicar:
çando meu pescoço com os braços, — Acho que é porque às vezes
apertou-me e sussurrou: não merecemos. Eu, por exemplo,
— Gostaria de que fôssemos da ainda não me considero digna.
mesma família. Nisso, apoiando-se nos cotovelos,
— Shelly, querida, — apressei- a garotinha indagou inquisitorial-
me em replicar, —- nós somos da mente:
mesma família. — O que você anda fazendo de
— Não é isso. Quero dizer da errado? Por que não deixa de fa-
mesma família. Meu sobrenome é zê-lo? Então poderíamos ser todos
Larsen e o seu Kapp, e isso não é uma única família. Poderíamos to­
dos usar o nome dele. santificá-lo e purificá-lo de toda a
Ponderei a resposta para suas per­ iniqüidade;
guntas tão simples. E em minha “Para que, por intermédio dele,
mente soaram palavras, como se as todos pudessem ser salvos.” (D&C
ouviSse pela primeira vez. Todavia, 76:41-42.)
fazia apenas dois dias que as ouvira Não existe um meio de resgatar-
na reunião sacramental. Ouvira-as -nos a nós mesmos. Foi Cristo quem
tantas vezes antes, mas agora pare­ sofreu e morreu em expiação por
ciam diferentes. Era como se as esti­ nós. Foi no Jardim de Getsémani
vesse ouvindo com todo meu coração que seu tormento ultrapassou toda
e alma: . .que desejam tomar so­ compreensão humana, que o peso
bre si o nome de teu Filho, recordá- de ‘ nossos pecados o fez sofrer ta-
lo sempre e guardar os mandamentos
que ele lhes deu. . .” (D&C 20:77.)
Não era exatamente disso que fa­
lávamos — da responsabilidade de
tomar sobre nós o nome sagrado e
comprometer-nos a sempre nos lem­
brar dele e guardar seus manda­ Não existe meio de resgatarmos
mentos? a nós mesmos. Foi Cristo
Embora Shelly parecesse satisfa- quem sofreu e morreu em
zer-se com a resposta que lhe dei expiação por nós.
na época, há anos venho buscando
compreender melhor a sagrada or­
denança na qual renovamos sema­
nalmente o convênio de tomar sobre
nós o nome do Senhor. E, como
geralmente ocorre aos domingos, o
que isso significa nos demais dias manha agonia, dor e tormento, que
da semana, e que diferença faz na sangrou por todos os poros, pade­
vida de uma criança, um jovem, um cendo tanto corporal como espiri­
adulto? Afeta de fato nossa maneira tualmente. Quando vislumbramos,
de viver em qualquer época do ano? pelo dom do Espírito Santo, a rea­
Deveria afetar nossa vida? Podemos lidade do Getsémani, é o seu grande
dar-nos ao luxo de considerar passi­ amor que nos dá forças para lutar
vamente essa sagrada ordenança e e sofrer em nossa pequenez para
permitir que se torne rotineira? vencer nossos erros.
Jesus Cristo veio ao mundo “para É-nos possível compreender tama­
ser crucificado por ele, para carre­ nho amor? É essa expiação que nos
gar os pecados do mundo, e para pode resgatar, qualificar, redimir,
salvar e exaltar, desde que façamos “ . . . e tomará sobre si suas en­
a nossa parte. E a nossa parte é fermidades, para que suas entranhas
aceitar a expiação de Cristo, arre­ se encham de misericórdia, segundo
pendendo-nos dos pecados, sendo a carne, e para que possa conhecer,
batizados, recebendo o Espírito segundo a carne, como socorrer o
Santo e obedecendo a todos os man­ seu povo, de acordo com suas enfer­
damentos. midades.”
“Cremos que, por meio do sacri­ A visão do Presidente Romney
fício expiatório de Cristo, toda a mudou minha vida com respeito à
humanidade pode ser salva pela oportunidade que tenho de partici­
obediência às leis e ordenanças do par do sacramento. Diz ele:
evangelho.” (Terceira Regra de Fé.) “Participar do sacramento não
Quando nos tornamos membros deve ser uma experiência passiva.
da Igreja por ocasião do batismo, Não nos devemos lembrar do sofri­
comprometemo-nos com o Salvador mento e morte do Senhor como de
a tomar sobre nós o seu nome. qualquer outro acontecimento histó­
Lembremo-nos diariamente desse rico. Participar do serviço sacramen­
convênio batismal e fazemos o que tal deve ser uma experiência vital e
realmente queremos com respeito a espiritualizante. Referindo-se a ele,
esse importante acontecimento? disse o Salvador: . .E será um
Você e eu, Shelly, todos nós, testemunho ao Pai de que vos lem­
dispomos do sacramento, a sagrada brais- sempre de mim.’ (3 Néfi
ordenança do sacerdócio para nos 18:4-9.)
lembrarmos da expiação do Salva­ “Para testificar, é preciso que
dor. Ele nos ajuda a enfocar nosso nossa mente funcione e esteja con­
progresso diário em direção à exal­ centrada naquilo que se pretende
tação. É um lembrete precioso, sa­ testificar. E não devemos participar
grado, não só no domingo, mas na dos emblemas do sacramento apenas
segunda, terça e quarta; na prima­ em lembrança do Redentor, testifi­
vera, verão e outono; nos momentos cando que sempre nos lembramos
melhores e também nos piores de dele, mas também testificar ao Pai
nossa vida. O que importa para que estamos dispostos a tomar sobre
Shelly, você e eu é que nosso Salva­ nós o nome de seu Filho e que obe­
dor nos ama intensamente. deceremos a seus mandamentos.”
Falando do Filho de Deus, lemos “No mundo de hoje, ensina-se
em Alma 7:11-12: que os emblemas materiais do sa­
“E sofrerá penas, angústias e cramento são transformados na
tentações de toda espécie, e. . . to­ carne e no sangue de Jesus. Nós não
mará sobre si as dores e enfermi­ adotamos tal doutrina, porque sabe­
dades de seu povo. mos que qualquer transformação
decorrente da administração do sa-, de se afastar chegarão até ele? Em
cramento ocorre na alma de quem lugar de querer resistir, submeter-
dele participa conscientemente. São se-ão a sua vontade?
os indivíduos participantes que so­ É nas lutas, enquanto procuramos
frem a influência sumamente mara­ melhorar, que nosso espírito se
vilhosa, pois recebem a companhia curva com mais humildade e grati­
do Espírito do Senhor.” (Conference dão, e estamos melhor preparados
Report, abril de 1946, p. 47.) para aceitar o dom de que precisa­
Exatamente, nas horas, irmãos e mos tão desesperadamente — dom
irmãs, em que você e eu nos senti­ que, de fato, precisamos ter para
mos menos dignos, menos merece­ receber qualquer recompensa eterna.
dores de assumir o seu santo nome O propósito do convênio do sa­
e temos consciência mais aguda de cramento está sempre em vigor. Esse
dom torna-se mais precioso quando
nos preparamos para usá-lo para o
fim a que se destina. Agora, eu diria
a Shelly: “Sim, querida, ponha meu
nome junto ao do Salvador.” Ele
disse que poderíamos. Ele deseja
isso. Quer que nos sintamos à von­
tade usando seu nome.
E quando vocês e eu sentirmos
necessidade imperiosa, esse dom di­
vino consegue penetrar nossa alma
para o propósito a que se destina.
Precisamos aproximar-nos do al­
nossas imperfeições; nos momentos tar sacramental com fome, com fome
em que a carne é fraca e o nosso e sede espiritual de retidão. É um
espírito se desaponta sabendo o que momento para uma auto-avaliação,
poderemos ser, talvez sintamos von­ a hora para corrigir nosso rumo, se
tade de nos retrair, afastar e a ne­ necessário, e decidir acertar nossa
cessidade de pôr de lado, pelo me­ vida. É a hora e o lugar para um
nos temporariamente, esse relacio­ julgamento próprio, para procurar
namento divino com o Salvador, até entender melhor a magnitude da
nos tornarmos mais dignos. É justa­ expiação, desse dom divino, sagra­
mente nesse momento, apesar de do, e a realidade de podermos ter
nossa indignidade, que nos é dado sempre conosco o seu Espírito para
novamente aceitar o grande dom da orientar cada ato de nossa vida.
expiação — mesmo antes de mu­ Ao atingir gradualmente esse ní­
darmos. Quando sentirem vontade vel espiritual, começaremos a sentir
essa participação com a qual con­ lhor e até mesmo participar deles.
cordamos na existência pré-mortal, A vida muda completamente, quan­
ajudar a proporcionar salvação e do começamos a nos ver mais como
vida eterna a toda pessoa abrangida o nosso Salvador nos vê. Passaremos
pelo plano. a querer ensinar-nos uns aos outros
Quando o Espírito se torna nosso como ele nos ensinaria. Ansiaremos
companheiro constante, transforma­ pela espiritualidade de prestar teste­
rá completamente os nossos dias; e munho uns aos outros das coisas das
com seu reflexo em nossa linguagem, quais ele testifica. E quando nos en­
em nosso trabalho, na escola, na rua, contrarmos, será como disse alguém:
no mercado, aos poucos nossa con­ “Não trocaremos apenas palavras,
duta tornar-se-á menos egoísta, nos­ mas sim almas.” E tal troca se dará
so relacionamento com o próximo não só com nossos amigos e entes
mais compassivo e compreensivo, queridos mas com toda pessoa por
nosso desejo de servir mais constan­ cujo bem-estar eterno temos certa
te. E nos veremos procurando fazer responsabilidade. Pelo Espírito nos
sempre o bem. Sem cessar. Então será permitido ver as coisas não
teremos tomado sobre nós não ape­ como o mundo as vê, mas como ele
nas seu nome, mas também sua ima­ as veria. Aprenderemos a atender à
gem em nosso semblante. (Ver Alma voz do seu Espírito.
5:14.) Falando a um grupo de irmãs que
Essa experiência já foi feita, até estavam sendo desobrigadas de um
mesmo na época de Cristo. Admiti­ cargo na Igreja, disse o Presidente
dos no círculo mais íntimo de sua Romney: “Oro que o Senhor as
amizade, os primeiros discípulos de ajude a viver cada dia de modo que
Cristo foram-se tornando paulatina­ possam ter consigo o Espírito do
mente mais compassivos e compreen­ Senhor. É maravilhoso procurar co­
sivos, e cresceram espiritualmente nhecer e procurar viver de tal ma­
em força, poder e influência. neira, que possamos ouvir e atender
Com Paulo, o processo foi mais a voz do Senhor. É nisso que reside
dramático. A partir do momento em o consolo desta vida. . . Atendam à
que encontrou o Salvador na estra­ voz do Espírito e tenham o neces­
da de Damasco, suas palavras, atos, sário discernimento para saber o
carreira e andanças diárias se trans­ que ele diz. Depois, tenham a cora­
formaram. gem de seguir esse conselho.”
Teremos nós experimentado um Considerem, o irmão ou irmã
encontro semelhante ou quem sabe que vive ao lado, ou bem perto, em
de forma menos dramática? Quando frente ou na outra rua. Vocês con­
isso acontecer, conseguiremos teste­ seguem sintonizar-se tanto com o
munhar milagres, entendê-los me­ Espírito, a ponto de procurarem ver
nele o que o Salvador vê? Estão dis­ se tomam indicativos da dignidade
postos a compartilhar com ele algu­ de tomar sobre nós o seu nome.
ma coisa capaz de aliviar seu fardo Na igreja, no ônibus, na mercea­
ou alegrar seu dia, ampliar sua visão ria, na sala de aula e, principalmen­
ou aumentar sua esperança, e tentam te, em casa, procuremos ver um ao
fazê-lo da maneira como o Salvador outro da maneira como achamos
o faria, no seu entender? Estão dis­ que ele nos veria e, sentindo o
postos a fazê-lo? Vão fazê-lo? divino potencial do próximo, apro­
Com as oportunidades de viver veitemos a oportunidade de compar­
esta semana de acordo com os con­ tilhar com ele uma verdade eterna
vênios renovados no sacramento, que se tornará pessoal, porque o
sentem dentro de si uma força Espírito nos guiou. Nos momentos
crescente, o desejo ardente e com­
promisso inadiável de estender a
mão ao próximo? Vão considerar
seriamente que verdade, que teste­
munho pessoal poderiam ensinar,
ensinar em sociedade com o Salva­ Quando o Espírito se torna
dor, mesmo à pessoa sentada ao nosso companheiro constante,
seu lado, nem que seja totalmente transformará completamente
estranha, embora, ainda assim, seu nossos dias. . . e nos
irmão? veremos procurando fazer
Se tentarem sinceramente fazê-lo, sempre o bem.
sentir-se-ão rodeadas de uma atmos­
fera terna e gentil. As vozes soarão
mais mansas, os corações se enter­
necerão, um profundo sentimento
compassivo se fará presente, e vocês
sentirão o Espírito, ao servir em derradeiros da vida do Salvador,
seu nome. Será uma experiência enquanto sofria por nós, ele expli­
espiritual, o tipo de experiência que cou como podemos ser seus discí­
almejamos e que podemos ter, lem­ pulos:
brando-nos dele e tendo a compa­ “Um novo mandamento vos dou:
nhia do seu Espírito. Que vos ameis uns aos outros; como
É procurando servir ao próximo eu vos amei a vós, que também
que nos aperfeiçoamos e tornamo- vós uns aos outros vos ameis.
nos mais dignos do seu nome. É “Nisto todos conhecerão que sois
nosso trabalho habitual, nossas tare­ meus discípulos, se vos amardes uns
fas aparentemente rotineiras e nos­ aos outros.” (João 13:34-35.)
sos relacionamentos familiares que Qualquer ato de nossa vida pode
A LIAHONA
tornar-se um convênio com o Se­ nha estivera na minha quase a tarde
nhor no qual tomamos sobre nós o inteira, ao ajudá-la a atravessar o
seu nome. E quando nosso desem­ riacho, por entre as rochas e por so­
penho deixa a desejar, a despeito de bre a árvore, ao levantá-la para ver
buscarmos a perfeição, seremos o milagre da vida desabrochando
atraídos mais ansiosamente e com num ninho de sabiá, aquela criança
mais profundo sentimento de grati­ levou-me a iniciar uma busca que
dão que nunca ao altar sacramental, me conduziria a entender melhor
no dia do Senhor, onde podemos uma grande verdade eterna. O Rei
sentir a gloriosa transformação e a Benjamin a explica:
cura de nosso espírito magoado, ao “E agora, por causa do convênio
nos comprometer novamente a con­ que fizestes, sereis chamados progê-
tinuar tentando segui-lo. nie de Cristo, filhos e filhas dele,
Com um novo dia, nova semana pois eis que neste dia, ele vos gerou
e renovada oportunidade, teremos espiritualmente; pois dizeis que vos­
mais uma oportunidade de sentir sos corações se transformaram pela
mais profundamente, preocupar-nos fé em seu nome; portanto, nascestes
mais sinceramente, entender mais dele e vos tornastes seus filhos e suas
compassivamente, ensinar com mais filhas.” (Mosiah 5:7.)
propósito, lembrar-nos sempre dele
e ter seu Espírito conosco. Todos nós podemos pertencer à
Ao segurar a mãozinha de Shelly mesma família. Se estiverem fazendo
para um último aperto antes de sair algo que não deveriam, pensem na
de mansinho do quarto dela naquela pergunta de Shelly: Por que não
noite, fui tomada de um sentimento deixa de fazê-lo? Pode nem sempre
de gratidão e reverência ao com­ ser fácil, mas, com a ajuda do Se­
preender que enquanto sua mãozi­ nhor. podemos vencer.

“Quanto mais o homem se aproxima da perfeição, mais claros se tornam


seus pensamentos e maior é a sua alegria, até conseguir superar
todas as coisas ruins da vida e perder toda a vontade de pecar.”
(Ensinamentos do Profeta Joseph Smith p. 50)
Perguntas de interesse geral sobre o
PERGUNTAS evangelho, respondidas à guisa de
orientaçao e nao como pronuncia­
mento oficial da Igreja.
& RESPOSTAS
narrativas de experiências compridas
e minuciosas, assim como declara­
ções rotineiras e repetitivas devem
ser desencorajadas.” (Seção 2, Reu­
niões, p. 23.)
A criança não consegue aprender
esses princípios verdadeiros simples­
mente ouvindo os variados depoi­
mentos adultos na reunião de teste­
munho. Os pais podem aproveitar a
P. O que devo ensinar a meus filhos noite familiar e conversas particula­
a respeito de como prestar teste­ res para esclarecer a questão do tes­
munho? temunho aos filhos. Uma boa ma­
neira de começar é perguntar —
possivelmente na hora de dormir —
o que é o testemunho. Os pais têm
a responsabilidade de ajudar a am­
pliar o entendimento dos filhos,
gradualmente, até que saibam o que
R. Susan Smolek, mãe de cinco fi­ se pode incluir apropriadamente num
lhos, conselheira educacional da So­ testemunho.
ciedade de Socorro da estaca: Uma criança de seis anos conse­
Acho que seria recomendável os gue assimilar conceitos simples —
pais ensinarem aos filhos o que é um como, por exemplo, que não é pre­
testemunho, por que deve ser com­ ciso prestar testemunho em todas as
partilhado e quando fazê-lo. reuniões de jejum. A criança con­
Para os membros da Igreja, o segue entender que “eu amo mamãe”
testemunho é uma expressão muito — por mais gratificante que seja
pessoal do que alguém sabe ser a ouvi-lo — não é um testemunho do
verdade, especificamente testificar a evangelho. Pode aprender também a
divindade e missão de Jesus Cristo, expressar o que lhe vai no coração,
o chamado de Joseph Smith como em lugar de usar frases feitas que
profeta e o chamado divino do pro­ perdem o sentido pela repetição. Se
feta atual. O Manual Geral de Ins­ ensinado desde a infância, o adoles­
truções explica: “Todo estímulo cente compreende a diferença entre
deve ser dado ã prestação de teste­ uma experiência edificante e alguma
munhos breves e sinceros, e relatos “aventura” no acampamento.
de experiências edificantes. Prega­ As crianças podem aprender tam­
ções, longas descrições de viagens, bém por que se deve prestar teste-
munho. Ainda bem novinhas, elas permitir-lhe aprender a prestar teste­
conseguem compreender que devem munho na privacidade do lar. Dessa
prestar testemunho, quando o Espí­ maneira, a criança aprenderá como e
rito Santo as inspira a dizer o que quando prestar testemunho em con­
sabem ser verdade. Seria ideal que versas particulares e no ambiente
a agenda da reunião de testemunho mais formal da Igreja.
e jejum fosse dirigida pelo Espírito
Santo. Por isso, pais e professores
devem ter cuidado ao desafiar a fa­
mília ou classe inteira a prestar tes­
temunho numa mesma reunião. As
crianças jamais devem ser ensinadas
a prestar testemunho por causa de
pressões do grupo, ou para impres­
sionar vovô ou vovó, um namora-
dinho ou agradar a um professor.
Quando a criança deve prestar
testemunho? Muitas crianças acredi­
tam erradamente que só têm a opor­
tunidade de prestar testemunho na P. Se sabemos, por revelação, que
reunião de testemunho. Os pais Cristo nasceu a 6 de abril, por que
podem mostrar-lhes, pelo exemplo, continuamos a comemorar o Natal
que há muitas outras ocasiões. Se os tradicional cristão?
pais freqüentemente prestam teste­
munho de algum princípio do evan­
gelho em particular durante conver­
sas em família, as crianças também
passarão a expressar o que sentem
em conversas sobre o evangelho. Se R. Roger A. Hendrix, consultor pe­
o pai conta, na hora do jantar, que dagógico do Sistema Educacional da
prestou testemunho acerca de profe­ Igreja, Califórnia Sul; membro da
tas vivos a um colega de trabalho, presidência da Estaca Paios Verdes
as crianças serão encorajadas a com­ Califórnia.
partilhar o que sabem com seus No decorrer dos anos, tem varia­
amiguinhos não-membros. Os pais do o conceito acerca da informação
podem, ainda, reservar oportunidade fragmentária em questão. Em Jesus,
para prestar testemunho durante a o Cristo, o Élder James E. Talmage
noite familiar. aventa a possibilidade de o Salvador
Como em todo ensinamento do haver nascido no dia 6 de abril do
evangelho, os pais devem procurar ano I A.C. Ele baseou sua conclu­
ensinar princípios corretos de manei­ são no fato de que Cristo nasceu
na primavera, e em Doutrina &
ra positiva, ressaltando, por exem­ Convênios 20:1, que diz que a
plo, que a criança se está saindo Igreja foi organizada “mil oitocen-
bem, mesmo enquanto procuram am­ tos e trinta anos depois da vinda de
pliar seu entendimento. E podem nosso Senhor e Salvador Jesus Cris­
to na carne”. E a organização formal uma serenata de cantos natalinos da
da Igreja deu-se no dia 6 de abril. parte de alguns membros imigrantes
Por outro lado, diz o Élder Hy- ingleses. Aparentemente, os europeus
rum M. Smith, na primeira edição haviam transformado o Natal em
de Docírine and Convenants Com- festividade religiosa, e esses imi­
mentary: “A organização da Igre­ grantes estavam apenas continuando
ja em 1830 não deve ser enca­ uma tradição sua em Nauvoo. O
rada como autoridade divina ao Profeta reagiu favoravelmente a essa
calendário comumente aceito. . . ocasião, lembrando que “causou-lhe
Tudo o que essa revelação (D&C n’alma um tremor de emoção. . . e
20:1) quer dizer é que a Igreja foi senti-me induzido a agradecer sua
organizada no ano comumente acei­ visita ao Pai Celestial, e os aben­
to como 1830 A.D. Em sua obra çoei em nome do Senhor”.
Our Lord of the Gospels, o Presi­ Hoje, o Natal é mundialmente
dente J. Reuben Clark Jr. ex-con­ aceito como celebração do nasci­
selheiro na Primeira Presidência, mento do Salvador, sendo apropria­
declara não poder ainda propor do que nos unamos aos nossos se­
nenhuma data legítima para o nas­ melhantes nessa comemoração. Diz
cimento do Salvador. o Élder Bruce R. McConkie, em
E como que desestimulando um M ormon Doctrine: “Os santos. . .
envolvimento excessivo nessa ques­ participam da parte salutar das co­
tão, diz o Élder Bruce R. McConkie, memorações do Natal. O Natal tor­
em The Mortal Messiah: “Não cre­ na-se para eles uma oportunidade
mos ser possível com nosso atual ideal para renovar a busca da legí­
nível de conhecimento — incluindo tima doutrina do seu nascimento
o que se sabe dentro e fora da como Filho de um Pai Imortal, fato
Igreja — estipular decisivamente a que lhe permitiu completar a expia­
verdadeira data de nascimento do ção infinita e eterna.”
Senhor Jesus.” Diante desses fatos, o que real­
Por que, então, acompanhamos a mente importa é que comemoramos
celebração do Natal tradicional cris­ o nascimento do Salvador. Não é
tão? incomum que acontecimentos reli­
Realmente, segundo o historiador giosos ou seculares sejam celebrados
Daniel Boorstin, nos primeiros anos em data diversa daquela na qual
do século XIX, a comemoração do realmente se deram. O povo de
Natal não passava de festejos infor­
mais. Era esse tipo de Natal que Utah, por exemplo, comemora a che­
Joseph Smith e muitos santos da gada dos pioneiros ao Vale do Lago
Nova Inglaterra conheciam. Como o Salgado no dia 24 de julho. Na rea­
Natal era uma festividade mais po­ lidade, os primeiros santos chegaram
pular que religiosa, provavelmente lá no dia 21 de julho; no dia 24,
nem chegou a ocorrer aos primitivos chegou Brigham Young, o profeta.
santos a instituição de uma data Se um dia a revelação nos reco­
alternativa. mendasse a celebração do nascimen­
Contudo, a partir dos meados do to de Jesus em outra data específica,
século passado, o Natal começou a nós o faríamos com prazer. Mas até
apresentar uma conotação religiosa então, a comemoração do Natal tra­
maior. Por volta da uma da madru­ dicional com outros cristãos no
gada do dia 25 de dezembro de mundo serve a um excelente pro­
1843, o Profeta foi despertado por pósito.
COMO DESCOBRI O
AMOR DE DEUS
Maureen Derrick Keeler

os últimos anos, as escrituras signação do bispo quando me pediu


N que falam do amor de Deus
vêm representando muito pa­
que fizesse um discurso justamente
numa época tão corrida. Depois de
ra mim. Sendo verdades expressas longa busca infrutífera, finalmente
em linguagem muito bela, elas me acabei dando no capítulo onze de 1
afetam em diversos sentidos, tanto Néfi, que descreve em pormenores a
espiritual como intelectualmente. O extraordinária visão de Néfi sobre o
mais importante, porém, é que elas nascimento e missão terrena do Sal­
me atraem por estarem ligadas a vador. Não sei dizer por que em lei­
importantes acontecimentos espiri­ turas anteriores não fui tocada por
tuais de minha vida. essa visão, mas naquela noite, o sen­
Uma dessas experiências acon­ tido destas palavras me atingiu pro­
teceu já tarde da fundamente. Néfi es­
noite, numa atarefa­ creveu alegremente:
da época de festas. “E disse-me o an­
Eu estava buscan­ jo: Eis aqui o Cor­
do apressadamente deiro de Deus, sim,
uma escritura para o Filho do Pai Eter­
meu discurso na no. Sabes tu o signi­
sacramental do do­ ficado da árvore que
mingo seguinte. Mi­ teu pai viu?
nha cabeça fervilha­ “E eu lhe respon­
va de preocupação di, dizendo: Sim, é
com parentes prestes o amor de Deus que
a chegar, preparati­ se derrama nos co­
vos não terminados rações dos filhos dos
para o feriado e o homens; é, portanto,
caos reinante em a coisa que mais se
nossa casa. Fiquei deve desejar.
pensando como fora “E falou-me, di­
tola em aceitar a de­ zendo: Sim, a coisa
de maior gozo para a alma.” (1 Néfi va, um testemunho pessoal do amor
11:21 -23; grifo nosso.) de Deus por mim. A bênção falara
As palavras pareceram-me um te­ da atenção específica de Deus para
souro recém-descoberto. Pela pri­ com minha vida e problemas. E ao
meira vez, entendi claramente o me lembrar de exemplos de sua
significado da árvore de alvos frutos. constante influência, o Espírito con­
O fruto que era tão irresistivelmente firmava sua veracidade. Meu cora­
doce, representava o irresistivelmen­ ção transbordou de amor e gratidão
te doce amor de Deus. nascidos de algum lugar oculto den­
Enfim, encontrara o tema do meu tro de mim. Pela primeira vez, sen­
discurso, além da força para vencer tia realmente o amor de Deus e pude
os dias trabalhosos que tinha à fren­ corresponder-lhe não só com mi­
te. Que aumentassem as pressões e nha lealdade, mas com meu próprio
as compras apressadas; meu coração amor a ele.
fora mais uma vez confortado e for­ Tenho ponderado freqüentemen­
talecido pelo amor de Deus. te os efeitos daquela experiência.
Todavia, o principal efeito daque­ Como podia o conhecimento do
la frenética busca noturna foi a re- amor de Deus emprestar tamanha e
descoberta de uma preciosa lembran­ constante força a minha vida? Para
ça — minha descoberta pessoal do mim, a maravilha era a proximida­
amor de Deus. de de Deus, sua plena percepção de
Quando solteira, já mais perto dos meus mais secretos ais e temores, até
trinta que dos vinte anos, estivera mesmo de meus conturbados pensa­
reexaminando o rumo de minha vida mentos noturnos. Eu não estava só!
e considerando algumas importantes Foi o amor dele que me capacitou
modificações. Um aniversário não a esquecer minhas preocupações e
desejado me fazia sentir mais velha saber que, embora não houvesse lo­
do que queria ser e, como muitos grado atingir certas metas como
membros solteiros da Igreja, achava queria, o plano de Deus, fosse qual
que malograra em atingir algumas fosse, seria melhor que o meu.
metas pessoais importantes. Senti ne­ Pouco depois dessa experiência,
cessidade de uma orientação especí­ o bispo convidou-me a falar na reu­
fica do Senhor, assim, pela primeira nião sacramental. Aceitei de bom
vez em minha vida, solicitei uma grado, e na véspera da reunião
bênção de um líder do sacerdócio. estava com o discurso pronto —
O bondoso líder a quem me dirigi, bem estruturado, lógico, inteligente,
preparou-se jejuando e sugeriu que cuidadosamente amparado por escri­
eu fizesse o mesmo. Reunimo-nos turas condizentes e citações inte­
bem cedo numa radiosa manhã de lectuais.
domingo. No sábado à noite, meu bispo, que
Enquanto ele proferia a bênção, parecia ser guiado pelo Espírito nas
fiquei ouvindo atentamente em bus­ menores coisas, telefonou.
ca de respostas e soluções. Para meu — Quando falar amanhã, não fa­
desapontamento, entretanto, o Se­ ça um discurso preparado. Fale do
nhor sabiamente deixou-me encon­ que lhe vai no coração.
trar meu próprio caminho. Ao invés — Mas gastei um tempão prepa­
de mostrar o rumo ele me abençoou rando um belo discurso!
com o de que eu realmente precisa­ Ao que respondeu com firmeza:
— Quero que fale o que sente no mim, o impacto do meu discurso
coração. sobre mim e outros foi bem maior
Não foi fácil abandonar meu dis­ que o de muitos outros que tenho
curso tão bem preparado. Contudo, feito. Aquelas escrituras nunca me
ao procurar atentar para os influxos pareceram tão belas e significativas
do Espírito, finalmente me ocor­ como naquele dia; nunca sentira ta­
reu o óbvio: Eu devia falar do manha convicção de que estava fa­
meu recém-adquirido testemunho do lando a verdade no púlpito.
amor de Deus. Compartilhar uma Só recentemente descobri no Li­
experiência tão pessoal e sagrada vro de Mórmon outra emocionante
com toda a congregação não seria imagem poética do amor de Deus:
fácil. “Ó todos vós, que sois puros de
Embora fosse professora experi­ coração. Levantai vossas cabeças e
mentada, naquele domingo dirigi recebei as palavras agradáveis de
-me ao púlpito com o coração palpi­ Deus. Regozijai-vos em seu amor!
tando forte. Comecei falando do Pois podereis fazê-lo para sempre,
meu despertar para o amor de Deus. se vossas mentes forem firmes.” (Ja-
Ao descrever o conforto e confiança có 3:2.) Senti-me imediatamente
que passei a sentir, recorri às ima­ emocionada pela riqueza da palavra
gens de segurança e conforto desta “regozijai-yos” . Com esta simples
escritura: palavrinha, Jacó conseguiu transmi­
“Jerusalém, Jerusalém, que matas tir a extensão do amor de Deus.
os profetas e apedrejas os que te
são enviados! Quantas vezes quis eu Ler esta passagem de Jacó é uma
ajuntar os teus filhos, como a gali­ experiência bem mais profunda para
nha os seus pintos debaixo das riiírn hoje do que seria vinte anos
asas.” (Lucas 13:34.) Para mim, atrás. Desde aí, a vivência e reve­
esta imagem ilustra melhor que lação pessoal ensinaram-me muita
quaisquer outras a natureza sábia e coisa a respeito do amor de Deus.
terna do amor de Deus. Aprendi que seu amor é abundante
Escolhi outra escritura que espe­ e infalível. Aprendi também que
cifica a disponibilidade do amor di­ sem a fome desse amor e o desejo
vino: “Achegai-vos a mim e eu me de procurá-lo, talvez nunca o co­
achegarei a vós; procurai-me diligen­ nheçamos.
temente e me achareis; pedi, e re- Mas sei também, com toda certe­
cebereis; batei, e abrir-se-vos-á.” za, que, se formos firmes no evan­
(D&C 88:63.) gelho, podemos regozijar-nos para
Mesmo sendo muito difícil para sempre no amor de Deus.

Prezado Assinante:

Mudou-se ou vai mudar-se?


Avise-nos imediatamente a fim de não ficar sem sua revista.
Recorte a etiqueta de endereçamento que acompanha A Liahona e
envie-a ao endereço abaixo, com seu novo endereço.
Mande a informação para a Caixa Postal.26023 - CEP 01000
São Paulo - S.P.
RUSSEL M. NELSON:
UM EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA
Lane Johnson
Russel M. Nelson, como é visto
freqüentemente por seus pacientes, pronto para uma cirurgia.
a mesa cirúrgica profusa­ minha decisão de continuar até o
N mente iluminada e totalmente
cercado por equipamentos re­
fim.
A seguir, ouve-se o zumbido de
luzentes, çstá deitado um homem de uma serra elétrica. Voltando à sala,
sessenta anos, coberto de lençóis colocam-me à cabeça da mesa ope-
verdes especiais que deixam uma ratória, de onde vejo claramente o
grande abertura retangular sobre o esterno do paciente serrado ao meio,
centro de seu tórax e outra sobre a no sentido do comprimento, com um
coxa esquerda. engenhoso instrumento afastador
O Dr. Russel M. Nelson reúne-se colocado, na fenda. Manivelas e
aos sete outros membros da equipe alavancas abrem o afastador, e lá,
cirúrgica na sala — o residente sê­ entre as costelas afastadas do pa­
nior em cirurgia; a instrumentadora; ciente, está seu coração palpitante.
o anestesista; um especialista em Música suave inunda a sala. O
coração-pulmão artificial e outro em olhar do cirurgião não revela ne­
computador; além de mais duas en­ nhum sinal de alarma ou dramatici-
fermeiras, uma delas a encarregada dade — apenas deliberada concen­
da sala de cirurgia. Como observa­ tração. Com o prosseguimento da
dor, postei-me um pouco distante, operação, sinto magnética fasci­
envergando roupas esterilizadas de­ nação que me faz esquecer o tremor
pois da devida assepsia. nos joelhos.
Tomando posições, começam a Após mais de uma hora de labuta
trabalhar com um bom-humor que incessante, três desvios ou “pontes”
choca um pouco o novato. 'O resi­ foram implantados na aorta. De re­
dente sênior abre uma incisão de pente, cai a pressão sangüínea, pa­
trinta centímetros ao longo do es- ra surpresa de todos. Fazendo um
terno com um só movimento preci­ diagnóstico imediato, o Dr. Nelson
so, aplicando imediatamente um aponta para um grampo que deveria
cauterizador que fecha os numerosos ter sido deixado num dos muitos
pequenos vasos sangüíneos que ti­ tubos nesse ponto crítico da cirurgia.
nham começado a sangrar no corte. Ele é imediatamente recolocado —
Enquanto isso, o Dr. Nelson faz um pequeno engano, mas que po­
uma incisão na perna esquerda em deria ter conseqüências sérias.
busca da veia que será removida. A “Ainda gosto de você”, diz à pes­
cirurgia em questão será de ponte soa responsável pelo erro. Há um
de safena quádrupla; em outras pa­ movimento de cabeça demonstrando
lavras, a colocação de quatro des­ apreciação. Depois, acrescenta seca­
vios em artérias que irrigam o mús­ mente: “Só que às vezes gosto mais
culo cardíaco do paciente. E esses que outras. . . ”
desvios serão feitos com a veia reti­ Todos os olhares têm um ar de
rada da coxa. Ouve-se o ruído de sorriso. Está claro quem controla a
tesouras e mais cauterização. Dou operação. Ele mantém uma atmos­
uma saída imprevista até o corredor fera leve que deixa toda a equipe à
para respirar ar fresco e reforçar vontade. Mas há também a exigên­
cia tácita de constante concentração. ração está batendo regularmente, e
Mais tarde, o Dr. Nelson comenta: as condições do paciente são está­
"É uma questão de extrema veis. Então se lembram dos familia­
autodisciplina. Uma vida humana res preocupados do paciente e uma
depende inteiramente de toda a equi­ das enfermeiras pega o telefone: “Já
pe cirúrgica. Por isso, precisamos desligamos o aparelho, fizemos qua­
manter-nos muitos calmos e tranqüi­ tro desvios. O Dr. Nelson descerá
los, porém alerta, como vocês sem­ dentro de uns quarenta e cinco mi­
pre estiveram. nutos."
Quatro horas se passaram, e a Nos Estados Unidos, fazem-se
operação está para terminar. O co- cerca de cem mil operações externas
raçáo-pulmão artificial foi desligado, de coração como essa. Nos mais de
e o coração volta a bater depois de trinta anos de pioneirismo nesse
levar uns leves choques com eletro­ campo, o Dr. Nelson viu a tecnolo­
dos; os desvios, conduzindo um novo gia ligada à cirurgia de coração
suprimento de sangue ao músculo externa e a perícia dos cirurgiões
cardíaco, foram examinados em bus­ avançar a tal ponto, que menos de
ca de eventuais vazamentos. O co­ dois por cento dos pacientes não
O Irmão Nelson com a esposa e alguns filhos e netos.
saem vivos do hospital. Universidade de Utah, ele conheceu
Ele iniciou seu treinamento médi­ sua futura esposa, Dantzel White. E
co em 1942, no segundo ano na lembra-se vividamente de como se
Universidade de Utah, e desde aí de­ sentiu.
senvolveu uma visão sumária da me­ “Achei-a a mais linda garota que
dicina extremamente simples: “Ao já conhecera e senti que era com ela
examinar o problema de um pa­ que iria casar-me”, diz ele. Dantzel
ciente”, diz ele, “o médico precisa sentiu o mesmo. Ao voltar para casa
responder a uma questão decisiva: em Perry, Utah, ela comunicou aos
A condição do paciente promete pais que encontrara o rapaz com
melhorar com o tempo, ou ficará quem queria casar-se. Três anos mais
pior? A função do médico é reverter tarde, eles casaram-se no Templo de
o processo de piora em processo de Salt Lake.
melhora com a passagem do tempo.” Iniciando o curso de medicina na
No desempenho dessa função, diz universidade em 1944, Russel termi­
ele, o clínico ou cirurgião deve en­ nou o curso de quatro anos em três.
tender que não dispõe em si mesmo Seguiu-se o estágio como interno no
de poder curador. Ele depende tão- Hospital da Universidade de Minne­
-só dos poderes curativos de origem sota, onde, além do treinamento
divina e independentes do tempo do cirúrgico normal, iniciou estudos pa­
organismo humano. E passa a citar ra o doutorado. Além disso, integrou
Doutrina & Convênios: “Há uma lei uma equipe agraciada com uma bol­
irrevogavelmente decretada nos céus, sa de pesquisa de cinco anos para
desde antes da fundação deste mun­ o desenvolvimento de um aparelho
do, na qual se baseiam todas as capaz de assumir as funções respira­
bênçãos. tória e cardíaca do paciente enquan­
“E quando de Deus obtemos uma to seu coração fosse operado. En­
bênção, é pela obediência àquela lei frentaram problemas enormes, mas,
na qual a bênção se baseia.” (D&C após quase três anos de esforços, o
130:20-21.) aparelho estava pronto para entrar
“Em outras palavras”, prossegue, em uso.
“sempre que se consegue uma bên­ Em 1951, foi usado pela primeira
vez num ser humano, numa cirurgia
ção é porque uma lei foi cumprida. externa de coração.
E isto funciona sempre, e não quase Cumprido o longo período de aper­
sempre, de vez em quando, mas feiçoamento médico-cirúrgico, Dr.
sempre, sem exceção. Isto retira a Nelson e Dantzel voltaram para a
pressão da pessoa disposta a estudar Cidade do Lago Salgado com a fa­
as leis que regem o corpo físico e a mília, composta de quatro filhas e
obedecer a elas. Do contrário, se­ um quinto a caminho. Como profes-
riamos loucos de levar esses pacien­ sor-assistente de cirurgia na Faculda­
tes à beira da morte e recuperá-los de de Medicina da Universidade de
todos os dias.” Utah, ele continuou pesquisando,
Enquanto estudava medicina na ensinando e operando.
Aqueles primeiros tempos de ci­ benção, pois, na cirurgia externa de
rurgias externas de coração eram, coração realizada pelo Dr. Nelson
conforme diz, “como navegar por em 1972, houve substituição da vál­
um mar desconhecido”, com mo­ vula aórtica.
mentos de euforia e outros de deses­ Em 1965, ofereceram ao Dr. Nel­
pero, quando não conseguiam salvar son a extraordinária oportunidade
uma vida. de assumir o cargo de professor de
Passados vinte e cinco anos, ele cirurgia e titular da Divisão Cirúrgi­
ainda não se tornou insensível ao ca Torácica e Cardiovascular de uma
sofrimento de seus pacientes. “Atual­ outra importante universidade. A
mente, os médicos apresentam alta oferta incluía um generoso salário e
taxa de sucesso nessas operações”, pagamento total dos estudos univer­
explica. “Mas não podemos salvar a sitários de todos os filhos, quando
todos — é uma coisa impossível. Às chegasse a hora.
vezes, a única coisa que nos resta é Os Nelson estavam inclinados a
oferecer consolo. Não queremos ja­ aceitar a excelente oferta. Antes,
mais destruir a esperança. A função porém, de tomarem a decisão que
do médico é curar, às vezes; ameni­ afetaria não só a família mas seu
zar o sofrimento, freqüentemente; serviço como presidente de estaca,
mas sempre confortar.” ele foi consultar o Presidente David
Em 1959, ele deixou a Universi­ O. McKay.
dade de Utah, para dedicar-se à Dr. Nelson estuda um modelo aumentado
clínica particular. E ali estava ele, do coração humano.
com trinta e cinco anos e seis filhos,
estudando sempre desde que saíra
da faculdade, afundando-se em dí­
vidas, a fim de preparar-se devida­
mente para a profissão que esco­
lhera.
Mesmo assim, foi chamado para o
cargo estafante de presidente de
estaca. Antes de ser designado, o
Irmão Nelson havia mencionado que
um de seus mais sérios problemas
como cirurgião era a dificuldade de
substituição da válvula aórtica. Na
bênção, o Élder Spencer W. Kimball,
então membro do Quorum dos Doze,
prometeu-lhe que sua perícia profis­
sional aumentaria, de modo que teria
tempo para servir como presidente
de estaca sem prejudicar seus pa­
cientes. Mais tarde, o próprio Élder
Kimball se beneficiaria com essa
Exposta a situação, o Presidente Presidente Harold B. Lee e do Pre­
MacKay cerrou os olhos, reclinou-se sidente N. Eldon Tanner. Mais ex­
na cadeira e pôs-se a ponderar a traordinário ainda para ele, foi a
questão por algum tempo. Depois, impressão de força recebida ao final
disse: da cirurgia: “O Espírito me disse
“Irmão Nelson, não me parece que eu acabara de operar um futuro
bom. Acho que não deveria ir para presidente da Igreja”, diz ele.
Chicago.” Desde sua desobrigação da presi­
“Essa era a resposta de que eu dência geral da Escola Dominical,
precisava”, diz o Dr. Nelson. “De­ em outubro de 1979, o Irmão Nel­
clinamos a oferta generosa, com son vem servindo como representan­
nosso agradecimento. E assim fica­ te regional do Quorum dos Doze.
mos em Salt Lake City.” É um cirurgião muito ocupado,
Em junho de 1971, o Dr. Nelson realizando muitas vezes duas cirur­
recebeu um telefonema do Presiden­ gias externas de coração por dia;
te N. Eldon Tanner, solicitando sua participa ativamente de associações
presença no escritório, dele. Foi ime­ profissionais e assuntos comunitá­
diatamente, e lá encontrou tambem o rios; e ainda tem filhos em casa.
Presidente Harold B. Lee. (Naquele Com uma agenda tão sobrecarre­
dia, o Presidente Joseph Fielding gada, como ele consegue cultivar
Smith estava indisposto.) Os presi­ uma agradável vida familiar, dispon­
dentes Lee e Tanner disseram-lhe do de só vinte e quatro horas por
que gostariam de que aceitasse o dia?
cargo de presidente da Escola Domi­ O relacionamento do casal Nelson
nical da Igreja, desde que não pre­ com seus filhos apresenta uma qua­
judicasse seu trabalho de cirurgião. lidade toda especial que indica laços
Recobrando-se do choque, o Dr. eternos. O Irmão Nelson se ma­
Nelson respondeu que aceitaria qual­ ravilha com a afinidade natural de
quer chamado do Senhor, mesmo Dantzel com os filhos, que vem
que o obrigasse a largar a prática da observando no decorrer dos anos.
medicina. Mas eles insistiram em De sua vivência como marido e
que devia aceitar o chamado, so­ pai, o Irmão Nelson diz que a maior
mente se não prejudicasse seu tra­ satisfação que pode ter é saber que
balho como cirurgião. Foi assim que estamos fazendo o que o Senhor es­
começaram mais de oito anos de pera de nós. A respeito disso, ele
serviço como presidente geral da aprendeu uma boa lição numa ex­
Escola Dominical. cursão de balsa no Grand Canyon,
A operação do Presidente Kimball quando ele e sua filha Gloria foram
aconteceu no ano seguinte, no dia lançados fora da balsa quando esta
12 de abril. Tudo correu impecavel­ passava por uma grande cachoeira.
mente — milhares de manipulações “Foi um experiência terrível”,
complicadas sem o mínimo erro, de conta, “mas ensinou-me a ficar agar­
acordo com uma bênção recebida rado ‘à barra de ferro’. Quando
pelo Dr. Nelson sob as mãos do passamos pela cachoeira, primeiro
procurei segurar minha filha, para
que não submergisse. Mas, quando
fomos arrastados para corredeiras
mais fortes, aprendi a agarrar-me
fortemente às cordas, enquanto mi­
nha filha se agarrava a mim. O
mesmo princípio é aplicável na vi­
vência do evangelho. Se o homem
se apega à palavra de Deus e é obe­
diente de modo que mereça a con­
fiança dos seus, a família inteira
estará segura.”
Aos cinqüenta e sete anos, o Ir­
mão Nelson é portador de inúmeros
prêmios por serviços meritórios, tan­
to na esfera medica como no serviço
público. Teve a honra de servir
como diretor do Conselho America­
no de Cirurgiões Torácicos; foi
presidente da Associação do Cora­
ção de Utah e Associação Médica
Estadual de Utah — e a lista con­
tinua. Contudo, sua determinação de
ser obediente ao Senhor na edifica­
ção do reino de Deus supera tudo o
mais.
“O Senhor ainda tem um trabalho
enorme a realizar na Igreja”, insiste O Élder Nelson numa reunião com
presidentes de estaca, em sua função
ele. “Ele vai precisar de cada alma de representante regional dos Doze.
fiel; não haverá um único santo dos
últimos dias preparado e qualificado
que não tenha de arcar com toda res­
ponsabilidade que puder suportar.”
Sendo obediente ao presidente da
Igreja, Russel M. Nelson fica atônito
ouvindo alguém perguntar: “Será de colocar um ponto de interrogação
mesmo a vontade do Senhor que nos pronunciamentos do profeta,
façamos tudo o que o Presidente substituindo-os por pontos de excla­
Kimball diz?” mação, e seguimos seus conselhos,
“O Senhor disse: ‘Seja pela minha as bênçãos vertem sobre nós.
própria voz ou pela de meus servos, “Eu nunca me pergunto: ‘Quan­
não importa’ (D&C 1:38)”, nos do o profeta fala como profeta e
lembra o Dr. Nelson. “Tenho por quando não?’ Meu interesse é: ‘Como
experiência que, quando deixamos posso parecer-me mais 'com ele?’ ”
MANTER O EQUILÍBRIO:
RECONHECER E RESISTIR
O. Don Osfler

É maravilhosamente confortante saber que nosso


Pai Celeste tem por objetivo guiar e ensinar-nos, enquanto
procuramos tornar-nos seres perfeitamente equilibrados
como é o Salvador.

E
m fins de abril de 1981, era extensão — um mero pontinho em
lançado ao espaço o primeiro nosso planeta.
“ônibus” espacial, que ficou Em certo sentido, nossa jornada
circulando a terra em sua órbitá, por
da preexistência como filhos espiri­
dois dias, submetido à primeira de tuais de pais eternos, passando pela
diversas experiências severas para experiência terrena e finalmente de
testar seu desempenho e autonomia volta às esferas celestes, é como a
de vôo. viagem do Colúmbia. Durante essa
Na Base Aérea Edwards, na Ca­ jornada, precisamos adquirir a espé­
lifórnia, esperávamos ansiosos a cie de experiência e conhecimento
reentrada na atmosfera e aterragem que nos capacite a voltar para Deus
do Colúmbia. A precisão da aterra­ — a nos conduzir de maneira que
gem foi excepcional. Deslocando-se possamos alcançar nosso potencial
à velocidade de 29.000 km por hora, eterno. Tudo o que fazemos aqui
a nave espacial atravessou a atmos­ influenciará como e onde pousare­
fera, reduziu devidamente a veloci­ mos lá.
dade e aterrou perfeitamente numa Infelizmente, muitos encontrarão
pista de algumas centenas de metros dificuldades em reingressar nas esfe­
de largura e poucos quilômetros de ras eternas, acabando alguns no
mundo telestial, outros no mundo de que muitos seres humanos são
terrestrial e uns poucos no mundo vulneráveis às especulações,, e os
celestial. Esse pouso, penso eu, de­ santos dos últimos dias não estão
pende em grande parte de nossa imunes ao problema. “Você ouviu?”,
capacidade de alcançar um equilíbrio “Sabia que. . . ?”, “Se prometer man­
inspirado na vida. ter segredo, vou contar-lhe o que eu
O desempenho do Colúmbia foi soube!” São meios garantidos de
muito bom, porque não sofreu ne­ despertar nosso imediato interesse.
nhum desequilíbrio maior. Dirigida Geralmente, o que segue são boatos,
por peritos, a nave felizmente alcan­ meras especulações sobre quem será
çou o equilíbrio certo de velocidade, o próximo bispo ou presidente de
rumo e tempo para ingressar no estaca até o início do Milênio.
espaço, cumprir seu programa sem Todavia, os profetas nos aconse­
falhas e voltar em segurança. Como lham com todo cuidado. Cheios de
membros de A Igreja de Jesus Cristo fé e esperança, eles conhecem Deus
dos Santos dos Ültimos Dias, entre­ e compartilham conosco sua inspira­
tanto, temos orientação mais segura ção. Além do mais, sempre podemos
ainda, porque provém de Deus, autor verificar a origem dessa inspiração,
de nossa salvação espiritual. Temos dando ouvidos ao Espírito. Venho
as escrituras e o Espírito como guia, notando, infelizmente, que muitos de
além de profetas para nos conduzir nós somos propensos a excessos em
na jornada mortal. Como porta-voz diversos sentidos. Alguns comem de­
do Senhor, o Presidente Spencer W. mais, por exemplo, enquanto outros
Kimball nos diz como assegurar nos­ não se importam com uma alimenta­
sa salvação. ção sadia. Alguns dormem em ex­
Todavia, por mais direto e claro cesso, outros muito pouco. Alguns
que seja o conselho do profeta, às não ligam para os devidos cuidados
vezes tendemos a nos desviar. Al­ com o corpo e seu condicionamento,
guns membros querem seguir o pro­ enquanto outros quase que idolatram
feta quando lhes convém, ignorando- o corpo físico. Devemos, sem dúvi­
-o quando requer sacrifício ou com­ da, manter-nos atualizados o quanto
prometimento maior. Outros, esque­ pudermos com respeito à saúde e
cendo-se da simplicidade do evan­ cuidados com o corpo, mas creio que
gelho, dão importância exagerada a o Senhor também espera de nós cer­
certos aspectos em detrimento de ta dose de sabedoria e bom senso.
outros. Outros ainda complicam a As palavras-chave são equilíbrio
orientação recebida, toldando a cla­ e moderação — aplicando sabia­
reza das diretrizes divinas e preju­ mente todas as verdades que conhe­
dicando seu senso de equilíbrio cemos e não dando ênfase exagerada
espiritual. Alguns até se tornam a somente uma delas.
vítimas de rumores, fanatismo, virtu­ O equilíbrio exerce um importante
des distorcidas, valores falsos e papel na recreação e entretenimento.
pseudo-compromissos religiosos. É verdade que só trabalho sem ne­
Minha experiência convenceu-me nhum divertimento deixa a gente
obtuso; por outro lado, se ligarmos significado da moderação. Desse
só para as diversões, em detrimento modo, procederão com sensatez e
de nossas responsabilidades para dignidade, e lhes será fácil compre­
com a família, o trabalho e seu ender a vontade do Senhor.” (Dou-
desenvolvimento espiritual, tornar- drina do Evangelho, capítulo XIV,
-nos-emos irresponsáveis, preocupa­ página 217.)
dos apenas com nosso prazer. A Até mesmo na prática da religião,
pessoa pode negligenciar sua família é possível que nos desequilibremos,
ou então, com seu mau exemplo, especialmente quando concentramos
induzir os filhos a sobrepor as di­ todos os nossos esforços numa área,
versões e posses materiais ao traba­ enquanto ignoramos outros compro­
lho ou consideração para com o missos igualmente importantes. O
próximo. estudo das escritur-as, procurar ser
bons pais, prestar serviço ao próxi­
mo e os chamados na Igreja, tudo
exige parte de nosso tempo. Dar
ênfase a um aspecto em detrimento
dos demais significa que não estamos
fazendo o que o Senhor espera de
Alguns membros querem nós. Éle ensina que devemos fazer
seguir o profeta quando lhes uma coisa sem omitir as outras.
(Ver Mateus 23:23.)
convém, ignorando-o Às vezes, nossas reuniões de quo­
quando requer sacrifício ou rum e aulas de Doutrina do Evange­
comprometimento maior. lho transformam-se em foruns de
debate em lugar de serem instrumen­
tos para desenvolvimento espiritual
e prestação de serviço. Enquanto
debatemos opiniões, às vezes deixa­
mos de considerar de que forma
satisfazer as necessidades da viúva,
Falando de moderação, dizia o do doente e do que sofre.
Presidente Joseph F. Smith: “Os O Senhor declara que “os homens
santos não devem ser imprudentes e, devem-se ocupar zelosamente numa
sim, compreender a vontade do Se­ boa causa, e fazer muito de sua pró­
nhor, e usar de moderação em todas pria e livre vontade, e realizar muito
as coisas. Devem evitar os excessos bem”. (D&C 58:27.) O reino será
e cessar de pecar, afastando-se das edificado por pessoas que dão libe­
concupiscências dos homens; e ado­ ralmente de seu tempo, talentos e
tar, em seus divertimentos e passa­ recursos. Hoje existem grandes ne­
tempos, uma conduta que satisfaça cessidades na Igreja -— em todo o
tanto o espírito como a letra, que mundo, serviço missionário e contri­
considere a intenção e não o ato em buições para o fundo missionário,
si, o todo e não uma parte, que é o ordenanças nos templos e edificação
de templos, generosas ofertas de je­ meta por dedicar tempo excessivo à
jum e interesse genuíno pelo pobre, parte secular, aplicando meus talen­
pela educação e instrução da famí­ tos exclusivamente na profissão e
lia. As necessidades podem diferir usando meus recursos, somente em
de uma estaca para outra, mas nem prazeres egoístas? Estou seguindo os
por isso são menos importantes. Den­ puros ensinamentos do Salvador?
tro de cada estaca, algumas necessi­ As tentações são muitas vezes so­
dades podem ser diferentes, mas não fisticadas e sutis. Concentrando-nos
menos importantes. Um bom ensino em nossas fraquezas, elas nos atin­
familiar e trabalho de professoras gem justamente na hora em que
visitantes, serviço de solidariedade,somos mais vulneráveis ao seu po­
visitas a enfermos, serviço cristão, der. Desta maneira, o tentador pro­
liderança eficiente e um ensino ex- cura destruir o equilíbrio em nossa
vida e afastar-nos do caminho que
nos conduzirá de volta a Deus.
Quando apareceu aos nefitas, o
Cristo ressurreto lhes perguntou:
“Que classe de homens devereis
Às vezes nossas reuniões de ser?” e a seguir, ele próprio deu a
resposta: “Em verdade vos digo que
quorum e aulas de Doutrina do devereis ser como eu sou.” (3 Néfi
Evangelho transformam-se 27:27.)
em foruns de debate, em lugar Todos lutamos com problemas e
de serem instrumentos para tentações, excessos e deficiências na
o desenvolvimento espiritual e busca de equilíbrio. Não há quem
prestação de serviço. não precise da força emanada do
conhecimento de que Jesus Cristo é
o nosso Salvador pessoal e literal,
cuja expiação e graça salvadora nos
possibilita vencer a morte física e es­
piritual e perseverar até o fim, e vol­
tar para o nosso lar eterno. É maravi­
celente são necessidades constantes lhosamente confortante saber-se que
em toda a parte. nosso Pai Celeste tem por objetivo
Perguntemos a nós mesmos: Como guiar e ensinar-nos, enquanto pro­
estou usando meu tempo, meus ta­ curamos tornar-nos seres perfeita­
lentos e recursos materiais? Estamos mente equilibrados como é o Sal­
em dia ou deixamos de atingir a vador.
arros tocavam as buzinas, tá­ Então notou um cartaz, no alto
C xis e ônibus disputavam um
lugar no tráfego intenso. Sen­
tado na praça do mercado observan­
de um dos prédios que davam para
a praça. “Nenhum sucesso compensa
o fracasso no lar”, dizia o cartaz.
do os carros passarem, Benjamin Ficou a contemplar a mensagem
Misalucha enxugou com o lenço a acreditando em sua veracidade.
testa suada. Esperava que sua mu­ “Naquele tempo eu era moço, ti­
lher terminasse logo as compras. O nha uns trinta anos e quatro filhos.
tempo estava quente e úmido como Em comparação com outros filipi-
acontece freqüentemente nas Filipi­ nos, tínhamos relativamente tudo,
nas, e por isso não via a hora de mas, mesmo assim, não estava satis­
ficar à vontade, em casa, brincando feito com minha vida. Lá no íntimo
com as crianças. eu sabia que continuava buscando

O SEGREGO DE CEBU
Richard M. Romney

Benjamin e
A velina
Misalucha.
algilma coisa mais”, explica.
Ele não sabia que a citação do “Disse-lhe que gostaria de
Presidente David O. McKay havia
sido colocada ali por missionários saber mais sobre sua igreja, ao
que moravam no prcdio, o mesmo que respondeu que me
tipo de missionários mórmons que o recomendaria a dois jovens
haviam visitado durante três sema­ simpáticos capazes de atender
nas quando morava em Manila, ca­ ao meu desejo.”
pital do país. Ali, em Davao, outra
grande cidade mais ao sul, também
fora visitado duas vezes, pelos filipinos em geral, são alegres e
élderes. sempre dispostos a sorrir e a prestar
Passado pouco tempo, Benjamin ajuda.
Misalucha foi transferido pela em­ “Os filipinos são fundamental­
presa farmacêutica na qual trabalha­ mente gregários”, explica Avelina,
va, para Cebu importante comuni­ esposa de Benjamin. “Somos muito
dade numa das ilhas centrais. Em ligados à família, como também aos
Cebu ele e sua família viriam a des­ outros filipinos. Compartilhamos ex­
cobrir o segredo que lhes faltava na periências e mesmo coisas mate­
vida. riais.”
Os Misalucha estavam entusias­ Numa sociedade em que repartir
mados com seu novo lar. Cebu e é regra geral, pode parecer incomum
seus arredores são importantes na alguém ser notado por sua bondade
história das Filipinas, pois foi jus­ e generosidade. Foi o caso da presi­
tamente ali que Fernando Maga­ dente da Associação de Pais e Mes­
lhães, que procurava circunavegar a tres (APM) local. Assim que che­
terra, introduziu o cristianismo nas garam, ela procurou ajudar a família
ilhas. Na praça da cidade ainda se Misalucha a adaptar-se ao novo
ergue uma cruz de madeira que se meio. Passado pouco tempo, Benja­
acredita ser a mesma cravada na min Misalucha estava servindo na
praia por Magalhães. De 1565 a junta da APM. Descobriu que a pre­
1571, serviu de capital para a colô­ sidente era também esposa do bispo
nia espanhola; posteriormente, os mórmon local. Sua curiosidade foi
cebuanos tiveram participação des­ crescendo.
tacada na luta pela independência “Um dia, vendo o casal indo para
da Espanha. Durante a 2.a Guerra casa, apressei-me em alcançá-los”,
Mundial, a cidade de Cebu propria­ conta Benjamin. “Disse ao marido
mente dita foi praticamente arrasada que gostaria de saber mais sobre sua
em represália a ações dos guerrilhei­ igreja, ao que ele respondeu que me
ros. O porto, porém, ficou intacto, recomendaria a dois jovens simpá­
e a cidade foi reconstruída. Hoje em ticos, capazes de atender meu de­
dia, Cebu continua sendo um impor­ sejo.”
tante centro comercial e entronca­ Os élderes tornaram-se visitantes
mento aeroviário doméstico. Seus regulares na casa de Benjamin Misa­
cidadãos são um conglomerado de lucha durante os dez meses seguintes.
fazendeiros, operários e homens de O dono da casa falou-lhes de seus
negócios. Os Misalucha logo perce­ encontros anteriores com outros
beram que os cebuanos, como os missionários, antes de compreender
Família Misalucha.
muito bem quem eram. “Bateram à respostas, porque conheciam a ver­
minha porta e indagaram se eu era dade. Então ele convocou um con­
o chefe da família. Como estava selho de família.
cansadó e suado de trabalhar, res­ “Orem individualmente a respeito
pondi-lhes: ‘Não, sou apenas o zela­ disso”, pediu à mulher e filhos. No
dor daqui.’ É o que costumo dizer conselho familiar seguinte, todos vo­
brincando à minha família o tempo taram a favor de se tornarem santos
todo, mas eles acreditaram!” dos últimos dias. A família foi bati­
Avelina sempre oferecia água zada num sábado, 29 de abril de
gelada ou um refresco, um pedaço 1978.
de bolo ou mesmo de siopao (espé­ “Temos sido abençoados desde
cie de pão chinês de massa de ceva­ que somos membros”, diz o Irmão
da recheado com lingüiça e ovos). Misalucha. Tendo começado a tra­
E as crianças, naturalmente, que balhar para uma companhia de se­
agora eram cinco, divertiam-se me­ guros, seu negócio prospera conti­
xendo com os missionários e con­ nuamente, “apesar da manifesta
tando piadas antes de começarem a hostilidade de alguns amigos meus.
falar seriamente do evangelho. Disseram-me que eu voltaria para
“Como ainda não acreditava no minha antiga igreja dentro de dois
Livro de Mórmon”, diz Benjamin, anos, mas eu encontrei a igreja ver­
“eu queria respostas da Bíblia. E dadeira, a Igreja de Cristo. Nossos
eles me mostraram as respostas na laços familiares estavam mais fortes.
Bíblia. Eu ficava perplexo com a As crianças foram desenvolvendo
maneira como eles sempre achavam melhor seus talentos, aprendendo a
respostas para minhas perguntas que falar em público e vencendo a timi­
eu não fora capaz de encontrar.” dez. Eu sabia estar seguindo o cami­
Pouco a pouco, sua perplexidade nho do Senhor.”
deu lugar ao entendimento. Os mis­ Hoje, a família mora num bonito
sionários conseguiam encontrar as e arejado apartamento, não muito
distante do centro de estaca SUD, houver bom filme; e, em ocasiões
em Lahug, um subúrbio de Cebu. especiais, uma visita à pizzaria.
São membros da Ala Cebu I, Estaca “Gostamos muito da nossa comida
Cebu Filipinas. O Irmão Misalucha, nativa filipina, como arroz, lula e
agora com 45 anos, é presidente do frutas tropicais”, diz Belmin. “Mas
quorum de élderes e líder de música também adoramos comer pizza.”
da estaca. Além de lecionar na Es­ A casa dds Misalucha transmite
cola Dominical, sua esposa é líder um sentimento de trabalho em equi­
de música da Sociedade de Socorro pe. “Cada um de nós tem suas
da estaca. A filha mais velha, Ben- tarefas”, explica Belenda, “mas isto
nette, de vinte e um anos, é encar­ não quer dizer que um não ajude o
regada do comitê de atividades da outro nas tarefas de casa, ou lavar a
estaca e professora de Relações louça etc.” Benson, que tem sido o
Sociais da Sociedade de Socorro para companheiro júnior do pai no ensino
jovens adultas. familiar, diz: “Não fico constrangi­
Benson, de dezenove anos, o mais do na presença de papai, mesmo
velho dos rapazes, é líder dos Rapa­ quando estou com meus amigos, pois
zes da estaca e se prepara para sair ele é meu amigo também. E Bennet-
em missão. Belenda, dezesseis anos, te é igualmente minha amiga. Quan­
é secretária da Primária da ala; do tenho um problema na escola,
Belmin, quinze anos, é primeiro posso contar a ela, que sempre me
conselheiro do quorum de mestres, compreende.”
e sua irmã caçula, Benjeline, doze Embora muitos registros munici­
anos, tem “o encargo de cuidar de pais tenham sido destruídos durante
que todos nos demos bem”. a última guerra, os Misalucha estão
A família continua tomando deci­ com as folhas das quatro gerações
sões pelo voto verbal, embora o quase completas, e continuam a pro­
Irmão Misalucha se reserve a pala­ curar mais dados genealógicos. Ben-
vra final. “Deixamos que expressem nettè se lembra de haver visitado
sua opinião”, explica a Irmã Misa­ um cemitério em busca de nomes e
lucha. “Quando surgem problemas, datas gravados em lápides, e Benje­
nós os discutimos na noite familiar. line e Benson orgulham-se do seu
Mas nem por isso deixamos de com­ Livro de Recordações. Belenda es­
partilhar também as boas coisas na creve regularmente em seu diário
reunião familiar.” pessoal, falando sobre coisas como
Na opinião de Benjeline, essas . a nova estaca que está para ser for­
boas coisas incluem a música. mada na área, do templo que logo
“Sempre cantamos alguma coisa a será construído em Manila, da ida
quatro vozes, já que dispomos de dos pais à conferência de área onde
sopranos, contraltos, tenores e bai­ puderam ouvir pessoalmente o Pre­
xos. E quase todos nós tocamos sidente Spencer W. Kimball.
violão ou piano, ou ambos.” As noi­ “Eu escrevo o que sinto, penso, e
tes familiares tambem incluem uma minhas decisões”, diz ela, “e minhas
parte espiritual, ensaios para peças experiências, atividades. . . ”
da estaca como “A Escada”, projeto “E suas paixonites!”, interrompe
de levantamento de fundos para o a irmã, arreliando, e todos caem na
Templo de Manila, na qual Belmin risada.
tinha o papel principal; uma even­ Bennette, que trabalha como re­
tual ida ao cinema, na cidade, se pórter para uma televisão local,
bém alguns shows, e quando estou
“Sei que se houver problemas trabalhando, às vezes alguém per­
ou dificuldades, Deus gunta: ‘Por que você não grita e
xinga como os outros?’ Ora, eu
deu-me uma família para que posso ficar zangada sem usar lin­
possa voltar para casa e guagem imprópria. Posso ser igual­
falar sobre eles.” mente enérgica de maneira mais
elegante.”
Além de sua participação ativa na
conta que a família a ajuda a supor­ Igreja, os Misalucha são conhecidos
tar as pressões do emprego. nas escolas que freqüentam. Todos
“Ando por aí em companhia de são ou foram alunos destacados
um operador de câmera, registran­ desde o primeiro grau até o fim do
do os acontecimentos importantes e segundo. Bennette formou-se no se­
interessantes na comunidade.” Ela gundo grau como segunda melhor
já entrevistou o prefeito e outras aluna da classe. Benson ocupa o
autoridades locais. “Muitas vezes, segundo lugar em sua classe agora
porém, sou obrigada a noticiar in­ também. Belenda, igualmente segun­
cêndios, assaltos a mão armada ou da melhor aluna de sua classe, ter­
roubos, encontrando uma porção de minou o primeiro grau em segundo
gente que não está contente com o lugar.
que faz. “Ainda não conseguimos derrotar
“Então, quando se pode voltar o azar”, diz o Irmão Misalucha,
para casa, para um ambiente tão brincando. “Mas continuamos espe­
gostoso como o de nossa família, a rando alguém formar-se em primei­
gente fica muito grata ao Senhor. ro lugar.” Ainda que seus filhos não
Sei que, se houver problemas e difi­ fossem alunos brilhantes, acrescenta
culdades, Deus deu-me uma família depressa, ele os incentivaria da me­
para que eu possa voltar para casa lhor forma possível.” Qualquer um
e falar sobre eles. Meus pais e meus pode malograr vez por outra. Eles
irmãos podem-me ajudar a resolver precisam saber que não é o fim do
os problemas. Além disso, fazer mundo. Na próxima vez, a gente
tantas coisas em família, como ir à pode sair-se melhor. O que importa
Igreja no domingo ou outras ativi­ não é o prêmio, mas o esforço e
dades durante a semana, é um gran­ auto-aprimoramento. Enquanto fize­
de apoio.” rem o melhor que podem, é o que
Ela conta que lhe fazem pergun­ importa.”
tas sobre sua religião, geralmente Embora apreciem sua atividade
por recusar o cafezinho oferecido na Igreja, suas realizações acadêmi­
quando faz entrevistas e querem sa­ cas e profissionais e o excelente am­
ber o porquê disso. “Isto leva muitas biente familiar, sua maior alegria é
vezes a conversas sobre a Palavra quando podem compartilhar com
de Sabedoria”, comenta. Observa outros o segredo da felicidade que
ainda, “que nos meios radiofônicos, seu pai descobriu ao mudar-se para
o pessoal costuma ter problemas Cebu.
com a linguagem não muito polida, “Posso testificar que a nossa é a
como o diretor que grita com a gen­ única igreja verdadeira”, afirma
te em termos não muito elegantes. Belmin. “Às vezes consigo impedir
Além de correspondente, dirijo tam­ meus amigos de fazer alguma coisa
errada; então eles dizem que minha sentar os missionários a uma ter­
idéia é boa. Eu lhes explico os peri­ ceira que igualmente entrou para a
gos do fumo, por exemplo, e eles Igreja!”
dizem: ‘Eu não sabia disso.’ É como A lição dessa experiência é óbvia
que avisá-los. Consegui convencê-los para Benson. “A melhor maneira de
a não ‘cabular’ a escola e não as­ fazer alguém dar atenção ao que
sistir a filmes impróprios.” você fala é demonstrar por ações
“Tenho uma porção de amigos que você se importa com ele. Antes
que sabem que o evangelho é ver­ de falar com alguém, preciso con­
dadeiro”, acrescenta Benson. “Mas quistar sua simpatia, pô-lo à vonta­
parece que há barreiras que não de. Como em nossa escola estudam
conseguem vencer, e indagam: ‘Por alunos de todas as partes da ilha, a
que você quer que eu mude?’ São diversidade de religião é normal. E
cabeçudos, porque nasceram assim. é duro a gente fazer-se respeitar
Mas a idéia é que eu continuo ten­ como mórmon. Mas é fácil compar­
tando fazê-los mais felizes.” tilhar sua fé com um ^migo.”
“Inicio todo dia com uma ora­ “A maneira de ser dos filipinos
ção”, observa Belenda. “Na escola, facilita o crescimento da Igreja”, diz
meus colegas se interessam bastante a Irmã Misalucha. “Para nós, é na­
pela Igreja. Quando descobrem que tural compartilhar as coisas impor­
sou mórmon, fazem muitas pergun­ tantes da vida, e o evangelho é a
tas, às vezes meio bobas como: ‘Por coisa mais importante. Se os filipi­
que vocês não tomam álcool?’ E eu nos já gostam de compartilhar nor­
explico as razões, que é contra os malmente, essa atitude é mais acen­
mandamentos da Igreja além de fa­ tuada ainda pela luz do evangelho.
zer mal à saúde.” Mesmo sendo um povo alegre, ainda
O Irmão Misalucha fala de uma assim se impressionam ao conhecer
conversa sobre o evangelho com seu um mórmon, porque a vida dos que
amigo Larry Yumul. “Ele quis saber vivem o evangelho restaurado refle­
por que me tornei um santo dos últi­ te alguma coisa fora do comum.”
mos dias.” “Expliquei que eu vinha Talvez seja por isso que as pes­
procurando uma igreja capaz de dar soas não-membros que visitam a
mais respostas, uma igreja que pra­ casa dos Misalucha saem de lá com
ticasse o que prega, uma igreja que o coração exultante. “Nós falamos
nos pudesse ensinar coisas que não a respeito da noite familiar e conta­
sabíamos.” mos como o evangelho fez com que
Dois meses e meio mais tarde, o nossa família se unisse”, diz o Irmão
Irmão Yumul batizou-se na Igreja. Misalucha. “A gente tem mais suces­
Um vizinho dele costumava blasfe­ so com pessoas que se conhece,
mar, jogar e deixar seu lixo na fren­ porque temos experiências comuns
te da casa de Yumul. A atitude do relacionadas também à vida delas.
Irmão Yumul para com ele mudou. Quando a família Misalucha che­
“Começou a tratá-lo como se fosse gou a Cebu, o evangelho ainda era
um bom vizinho e mostrar-se um um enigma para eles. Mas, depois,
bom cristão”, explica o Irmão Mi­ descobriram como ter uma vida fa­
salucha. “E o mau vizinho modifi­ miliar plena e feliz, tanto aqui como
cou-se e filiou-se à Igreja! Agora já na eternidade. Se depender deles, o
falou do evangelho a outra família segredo não ficará oculto por muito
que foi batizada e ajudou a apre­ tempo.
A PRIMÁRIA PUBLICA
AUXÍLIOS PARA O
“TEMPO DE COMPARTILHAR”

O tempo de com partilhar tornou- seções. A prim eira parte trata das
se um a parte im portante da Pri­ técnicas didáticas indicadas para
mária. Dirigido peía presidência da ajudar o professor a aperfeiçoar as
Primária é um período de trinta atividades do tempo de com parti­
minutos no qual as crianças parti­ lhar. As idéias podem ser utiliza­
cipam com apresentações espiri­ das como um esboço ou adaptadas
tuais, cânticos e outras atividades ao tam anho da Primária e às ca­
próprias para ajudar a aprender e racterísticas culturais ou de cada
viver os princípios do evangelho. idade.
Neste mês o Manual está à venda Pedidos à Divisão de Distribuição
e tem o título: LIVRO DE RECUR- acompanhados de cheque a favor
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DA PRIMÁRIA: Oferece diretrizes, Ültimos Dias.
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