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IMIGRAÇÃO ITALIANA

OS DALLA VECCHIA

RS 1875-1890

JANDIR JOÃO ZANOTELLI

E

AGOSTINHO DALLA VECCHIA

ED. CÓPIAS SANTA CRUZ

PELOTAS - 2011

A nossos pais

A nossos filhos

A nossos netos

Aos que nos deram raízes E esperanças

APRESENTAÇÃO

Este livro pretende apresentar um pouco da história da família Dalla Vecchia, descendente dos irmãos Ângelo e Pietro que imigraram para o Brasil em 1878, localizando-se primeiro em Linha Janzen (Bento Gonçalves) e depois em Linha Auxiliadora (Encantado, RS). Mostra a história da família desde Veneza e sua migração para Vicenza no século XIII e dali para o Brasil. Num segundo momento refere os descendentes dos irmãos Ângelo e Pietro a partir de fotografias, documentos, narrativas e experiência pessoal dos autores. Apresenta depois traços identitários da família em sua organização econômica, política, social e cultural. Ao final, em apêndice, refere elementos para uma árvore genealógica da família Dalla Vecchia, especialmente derivada de Ângelo e Pietro. Com isto os autores buscam ajudar os descendentes desta família a encontrar raízes de sua identidade e esperança, bem como auxiliar os estudiosos da imigração para a contextualização e especificação dos imigrantes que compõem etnologicamente o mapa humano do Rio Grande do Sul.

5

ÍNDICE

APRESENTAÇÃO

5

Introdução - A Família Dalla Vecchhia

11

I HISTÓRIA DA FAMÍLIA DALLA VECCHIA

13

1. Em Veneza

13

 

1.1. Veneza antes do Império Romano

14

1.2. Império Romano

14

1.3. Entre os Francos e Bizâncio

17

1.4. A República

20

1.5. Dificuldades e Decadência

30

2. Em Vicenza

35

 

2.1. O Vêneto até a segunda metade do séc. XIX

35

2.2. O Vêneto na segunda metade do sec. XIX

43

2.2.1. O Contexto Sócio-econômico

43

2.2.2. A Educação

48

3. A Emigração

48

 

3.1.

A situação européia e Vêneta final séc. XIX

48

3.2.O Brasil que os esperava

51

3.3. No Rio Grande do Sul

60

3.4. A viagem para o Brasil-Rio Grande do Sul-

para Dona

Isabel (Linha Janzen)

78

4.

No Brasil

80

4.1. Colônia Dona Isabel Linha Janzen

80

4.2. De Jacarezinho Auxiliadora para o Brasil

87

II DESCENDENTES DE ANGELO DALLA VECCHIA CC

ANGELA SERAFINI

103

2.1.

Benjamim Serafini Dalla Vecchia

105

7

2.2.

Luis Serafini Dalla Vecchia

113

2.3. João Serafini Dalla Vecchia

114

2.4. Carlos Serafini Dalla Vecchia

114

2.5. Pedro Serafini Dalla Vecchia

115

2.6. Maria Serafini Dalla Vecchia

117

2.7. Luiza Serafini Dalla Vecchia

117

2.8. Rosina Serafini Dalla Vecchia

118

2.9. Pierina Serafini Dalla Vecchia

118

2.10. Ermínia Serafini Dalla Vecchia

119

2.11. Ricardo Serafini Dalla Vecchia

119

2.12. Antonieta Serafini Dalla Vecchia

119

2.13 e 2.14. Gêmeas

119

DESCENDENTES DE ANGELO CC FORTUNATA

GRAZZIOLA

120

2.15. Ângela Grazziola Dalla Vecchia

120

2.16. Dosolina Grazziola Dalla Vecchia

120

2.17. Josefina Grazziola Dalla Vecchia

120

2.18. José Grazziola Dalla Vecchia

120

2.19. Maria Luiza Grazziola Dalla Vecchia

121

2.20.Inês Grazziola Dalla Vecchia

121

2.21. Augusto Grazziola Dalla Vecchia

123

2.22. Jorge Grazziola Dalla Vecchia

123

2.23. Gema Grazziola Dalla Vecchia

123

2.24. Romana Grazziola Dalla Vecchia

123

III- DESCENDENTES DE PEDRO DALLA BARBA DALLA VECCHIA cc CATARINA CENSI

124

3.1. Antonio Censi Dalla Vecchia

131

3.2. Ângelo Censi Dalla Vecchia

132

3.3. Catarina Censi Dalla Vecchia

133

DESCENDENTES DE PEDRO COM PÁSCOA CENSI

133

3.4. José Censi Dalla Vecchia

133

3.5. Luis Censi Dalla Vecchia

134

3.6. João Censi Dalla Vecchia

133

3.7. Augusto Censi Dalla Vecchia

134

8

3.8.

Vitório Censi Dalla Vecchia

134

3.9.

Batista Censi Dalla Vecchia

135

3.10. Silvio Censi Dalla Vecchia

135

3.11. Atílio Censi Dalla Vecchia

135

3.12. Lúcia Censi Dalla Vecchia

135

3.13. Maria Censi Dalla Vecchia

136

3.14. Rosa Censi Dalla Vecchia

136

3.15. Luiza Censi Dalla Vecchia

136

 

DESCENDENTES de Antonio Censi Dalla Vecchia

136

DESCENDENTES de José Censi Dalla

153

IV ASPECTOS IDENTITÁRIOS DA FAMÍLIA DALLA VECCHIA

159

1.

Organzação econômica 159 2. O trabalho 162

3.

Instrumentos de trabalho 173

4. Produção e Comércio 179

5. Os Dalla Vecchia construíram suas residências 182

6. Alimentação e Consumo 184

7. Poupança 186

8.Organização Social 188

8.1Família 188

 

8.2Relações sociais

195

9.

Organização política

199

9.1.O poder estrutura, formas, ritos, símbolos e encenações 199

9.2. O poder político

204

10.Organização cultural

206

10.1. Educação informal 206

208

11. Religião moral e ética desejos e ascese 210

12. Lazer 219

10.2. Educação formal

BIBLIOGRAFIA

9

223

INTRODUÇÃO A FAMÍLIA DALLA VECCHIA

A família Dalla Vecchia provém da cidade e da

República de Veneza. No século XIII desloca-se para o interior de Vicenza, localizando-se nas montanhas de Schio, Le Rocchete (San Rocco) e Montemezzo de Sovizzo.

Na onda migratória do final do século XIX, um grupo de Dalla Vecchia vem para o Brasil.

A maioria dos Dalla Vecchia do Rio Grande do

Sul sabe-se descendente dos irmãos Pietro e Ângelo Dalla Vecchia.

Pietro e Ângelo vieram em 1878 acompanhados pelos pais Beniamino Dalla Vecchia e Domenica Fantoni Dalla Barba, e da irmã de meses de idade Catarina Dalla Barba Dalla Vecchia.

Sabe-se que Beniamino morreu na viagem e foi jogado ao mar. A filhinha, definhando o leite da mãe, também faleceu no mesmo navio.

11

Desembarcaram, portanto, em Porto Alegre,

Domenica (viúva), Ângelo com 18 anos e Pietro com

14.

Beniamino era filho de Ângelo Colla Dalla Vecchia e de Orsola Pozzan 1 . Ângelo tinha sete (7) irmãos (tios de Beniamino): Rosa, Maddalena, Verônica, Palma Oliva, Giovanni, Cornélio e Pietro Luigi.

Ângelo, por sua vez, era filho de Antonio Dalla Vecchia e Maddalena Colla (avós de Beniamino), e tinha uma irmã chamada Virginia.

O casal de imigrantes Beniamino Pozzan Dalla Vecchia 2 e Domenica Dalla Barba 3 , vem, pois, com os filhos Ângelo 4 , Pietro 5 e Catarina.

A seguir, a história dos descendentes de Ângelo e Pietro, de agora em diante denominados Ângelo e Pedro.

1 Livro de Casamentos da Paróquia Santa Maria e S. Vitola pg. 41, nº 3 (Montemezzo, Itália)

2 Beniamino nasceu em 05/03/1819 em Montemezzo, Montechi Maggiore Vicenza Itália e morreu no mar em 1878

3 Domenica nasceu em 26 de agosto de 1820 e o casamento com Beniamino

aconteceu em 23/02/1859. Cf. Livro 1 Casamentos da Paróquia Santo Antonio de Bento Gonçalves RS (Izabela) pg 84, nº 34. Conforme tb. Registro do Estado Civil da Paróquia de S. Bartolomeo, em Montemezzo de Sovizzo dos anos de 1849 a 1870 nº 2.

4 Ângelo nasceu em 06/02/1860 em Montecchio Maggiore, Montemezzo, Vicenza Itália e faleceu em 05/08/1946 em Jacarezinho, Auxiliadora, Encantado RS onde está sepultado.

5 Pietro, nasceu em Montemezzo, Vicenza, em 25 de fevereiro de 1864 e faleceu e foi sepultado em Jacarezinho, Auxiliadora, em 05/11/1940.

12

I - HISTÓRICO DA FAMÍLIA DALLA VECCHIA

Para entender os hábitos, as tradições, o estilo de vida dos Dalla Vecchia é preciso: entender a história de Veneza; entender a história do Vêneto e especialmente de Vicenza; caracterizar o contexto econômico, político, social, cultural e religioso do século XIX, especialmente depois de 1850; as condições oferecidas pelo Brasil; alguns fatos da migração e, por fim, sua vida de imigrantes.

1 EM VENEZA

Na Itália, Veneza é atualmente a capital da província de Veneza e da região vêneta que compreende as províncias de Beluno, Pádova, Rovigo, Treviso, Verona e Vicenza. O Vêneto compreende uma zona extensa e plana ao longo da costa que vai desde o delta do rio Pó até a desembocadura do rio Tagliamento; uma zona de leves ondulações como a dos montes Béricos e

13

as colinas Eugâneas; e finalmente uma faixa pré-alpina desde Aziago e Belluno, culminando em ampla zona montanhosa onde se salientam as Dolomitas com mais de 3.300 metros de altitude. Os rios principais são o Pó, o Ádige, o Brenta, o Sile e o Piave. O maior lago é o de Garda cuja costa oriental pertence ao Vêneto. O clima é suave, chuvoso no outono. Sua superfície é de 18.369 km2 e a população beira a 4.500.000 de habitantes.

1.1 O Vêneto antes do Império Romano

“As colinas eugâneas e as planícies do Vêneto já estavam povoadas desde o paleolítico. Depois, desde a Europa oriental, chegariam os vênetos e da Europa setentrional os récios, enquanto os etruscos pressionavam pelo sul. Os vênetos predominaram na região até o século II e I aC. quando aconteceu a gradativa colonização romana” 6

1.2 No Império Romano

“O período que se seguiu foi significativamente favorável às cidades vênetas que se enriqueceram enormemente com o comércio, graças à eficiente rede de caminhos, graças ao saneamento, aos portos e outras obras públicas realizadas pelos romanos” 7 “Desde o baixo Império (cerca de 350 dC) a região das lagunas contava com pequena população independente vivendo da pesca e da exploração do sal e era frequentada

6 Guia de Italia, pg 93.

7 Guia de Itália pg. 94

14

também por habitantes de Ravena, Altinum e Aquiléia que lá mantinham ancoradouros e um comércio costeiro. Somente no século V, entretanto, iniciou-se o estabelecimento de novos grupos na área. Em virtude das invasões bárbaras, elementos de Aquiléia e localidades vizinhas refugiaram-se nas várias ilhotas, organizando-se um tipo de comunidade ainda muito rudimentar. Segundo Cassiodoro (Favius Magnus Aurelius Cassiodorus Senator; (480-575), em 537-538 viviam esses habitantes em casas semelhantes a „ninhos de pássaros aquáticos‟ , gozando de liberdade, autonomia e igualdade entre si. A autoridade política estava confiada a um „tribuno marítimo‟, que zelava pelo monopólio dos transportes na região, enfrentando italianos e bizantinos” 8

“Nos séculos IV e V tiveram lugar, por um lado, a afirmação da organização eclesiástica (cujo centro principal foi Aquiléia) 9 e por outro, as devastadoras invasões dos bárbaros. No século VI seguiu-se a reconquista bizantina, e depois o longo período ostrogodo e, sucessivamente, a ocupação lombarda. Os lombardos estabeleceram-se no interior da região enquanto as cidades costeiras permaneciam fiéis a Bizâncio” 10

8 Mirador, Veneza, pg 11344. 9 É bom prestar atenção que o Cristianismo até 313 vivia perseguido pelo Império Romano (10 perseguições). Em 313 Constantino declara o Cristianismo religião livre. Em 387 Teodósio declara o Cristianismo religião oficial e, em 391, religião única do Império. O Império Romano já decadente e o Cristianismo se unem, se fundem no Estado de Cristandade que implantará sua estrutura eclesiástica em toda parte. Também na região do Vêneto. 10 Guia de Italia pg. 94

15

Com a invasão lombarda vinda do norte (568)para Veneza, “os habitantes de Concórdia fixaram- se em Caorle, os do Baixo Friuli em Iesolo, os de Treviso em Rialto, os de Pádova em Malamocco, os de Altinum em Torcello e os de Oderzo em Cittanova (Heraclea). Tal fato gerou maior necessidade de adaptação material da área (reforço do solo, diques, escoadouros, etc), assim como de alteração em seu

E a chegada do patriarca de

Aquiléia, que se refugiara em Grado desencadeou uma

questão entre o Friuli (sob suzerania lombarda e depois franca) e a Venezia quanto ao domínio da área. Finalmente, em 584, um representante do Imperador Maurício induziu a população das lagunas a prestar submissão não juramentada, em troca de concessões e

privilégios comerciais

uma série de conflitos impôs a criação de uma comissão de 12 tribunos (tribuni maiores) encarregados de tratar de questões comuns às várias pequenas comunidades: a supervisão geral do governo cabia ao exarca de Ravena, embora a situação reinante não permitisse o exercício efetivo de qualquer autoridade. As rivalidades no comércio e na pesca bem como incompatibilidades entre os habitantes e outros conflitos, aliados agora à política do imperador e as repercussões da questão iconoclasta, determinaram no século VIII o aparecimento de nova forma de governo, o dogato (ducado) conferido por eleição”. 11

equilíbrio político

No tocante à política interna,

11 Mirador, Venezia, pg 11344

16

1.3 Entre os francos e Bizâncio.

“A queda de Ravena (751), a ameaça lombarda e principalmente o avanço franco sobre a Itália colocaram as lagunas em situação perigosa entre bizantinos e francos. O rei franco da Itália, Pepino (777-810) disposto a tomar posse efetiva da região, já com relativa importância comercial e marítima, reuniu uma frota em Ravena, capturou Chioggia e alcançou Malamocco (então capital da comunidade das lagunas). Daí resultou a mudança da capital para Rialto e a fixação do sítio de Veneza. Pelo tratado de 812, entre bizantinos e francos, os habitantes foram, finalmente reconhecidos como súditos do Império Oriental, sendo mantidas as vantagens comerciais que desfrutavam na Itália.

Internamente, a aristocracia francófila foi afastada do poder, agora detido pelo doge Agnello Partecipazio, heracliano da facção „maurícia‟. Essa facção pendia para Bizâncio ao mesmo tempo que desejava transformar o dogato num posto hereditário; os francófilos constituiam a facção democrática, composta pelos primitivos habitantes das lagunas, aspirando a instituições livres e maior vinculação com a Igreja. A concentração do poder e o deslocamento das funções administrativas e religiosas para Veneza já representavam, entretanto, certa união dos moradores das várias comunidades, e mesmo uma conciliação entre os partidos políticos, visando à manutenção da independência regional contra os dois impérios, através de um Estado centralizado. Tal fato adquiriu base moral

17

mais sólida com a chegada das relíquias de S. Marcos, trazidas de Alexandria em 828, e a construção de sua primeira igreja em Veneza.

em 828, e a construção de sua primeira igreja em Veneza. A basílica e a praça

A basílica e a praça de S. Marcos

Teoricamente, a região continuava a ser uma província bizantina, embora a afirmação gradativa de Veneza como poder naval acarretasse, em 840, a omissão do nome da província em seus documentos e a equiparação da dignidade ducal à de reis e imperadores. Sua preponderância sobre as demais localidades da laguna é patente em meados do século IX; nos séculos X e XI, Veneza organiza-se melhor para

18

desempenhar seu papel de capital, empreendendo-se uma série de obras na cidade”. 12

O Vêneto, como um todo, “no século X, esteve fracionado em numerosos feudos, sobretudo nas zonas rurais, enquanto isso, nas cidades, depois de um período em que prevaleceu o poder episcopal, iniciavam a constituir-se as primeiras organizações municipais que alcançaram seu máximo esplendor no século XII” 13 .

seu máximo esplendor no século XII” 1 3 . Jandir Dalla Vecchia Zanotelli e Ruth Avila

Jandir Dalla Vecchia Zanotelli e Ruth Avila Zanotelli na praça S. Marcos de Veneza Revivendo raíses.

12 Mirador, Veneza, pg 11344 e 11345.

13 Guia de Italia, pg 94.

19

Veneza e suas gôndolas 1.4 República “Afastadas as tend ências políticas que visavam à formação

Veneza e suas gôndolas

1.4 República

“Afastadas as tendências políticas que visavam à formação de um dogato hereditário, o traço básico do desenvolvimento político consiste, a partir do século XI, na gradativa alienação dos poderes popular e ducal em favor da aristocracia, criando-se assim uma república patrícia. Surge uma complexa engrenagem política com órgãos amplamente ramificados e onde a participação na vida pública não só depende de eleições como da sorte. Esse processo torna-se mais nítido a partir de 1143, quando o placitum (assembléia popular) se limita

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a ratificar as decisões do conselho dos sábios que cerca o doge, perdendo assim a sua iniciativa legislativa. Nesse mesmo ano aparece a “comuna de Veneza”, instituição que agrupava as mais ricas famílias patrícias, dispostas a coibir qualquer intervenção no governo ducal por parte dos não-nobres. Além disso, os sábios, eleitos nos diversos bairros da cidade, passam a constituir um conselho permanente adjudicado ao doge, emitindo deliberação com efeito executivo, em contraposição ao conselho privado ducal. Nessas duas novas instituições já se delineiam o grande conselho e o pequeno conselho”. 14

O doge já não toma decisões sem a prévia aprovação dos „sábios‟ e em 1148 já deve prestar promissioni ducali (juramento) ao patriciado. Entre 1150 e 1180 o número de participantes do placitum é limitado por contrade (paróquias) e a frequência às reuniões da assembléia diminui. Em 1171 o povo já não elege o doge, mas é, apenas, uma comissão eleitoral de 11 membros que escolherá o doge. Em 1268 a escolha do doge caberá ao Grande Conselho. A escolha era feita em 6 etapas pelos nobres evitando, assim, que o doge se coligasse com o povo. “Até o fim do século XII , a administração financeira fugira à competência ducal, assim como a nomeação de funcionários públicos e juizes. No século XV, a Assembléia Popular estava de fato e legalmente destituída de qualquer iniciativa

14 Mirador, pg 11345.

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política, enquanto o doge se via obrigado a obedecer a uma severa legislação restritiva de seus poderes” 15

uma severa legislação restritiva de seus poderes” 1 5 Veneza – “Il ponte dei sospiri” ligando

Veneza – “Il ponte dei sospiri” ligando o palácio à cadeia. Quem passasse do palácio imperial por esta ponte para a prisão jamais retornaria. Por isso o nome de a ponte dos suspiros, das lamentações, da derradeira despedida. Na memória dos Dalla Vecchia a severidade dos doges de Veneza permanecia indelével. Isto se deve, certamente ao fato da revolta ocorrida no século XIII e cujo resultado foi o afastamento, fuga, dos ancestrais desses imigrantes para a terra firme, especialmente para Vicenza e as regiões montanhosas desta província. Da listagem de 156 nobres de Vicenza, os Dalla Vecchia constam há muitos séculos antes da imigração para o Brasil. Veneza, suas águas, sua República e a ponte dos suspiros são curiosidade que os turistas não perdem.

15 Mirador, pg 11345.

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Veneza – Praça S. Marcos – Agostinho A aristocracia domina o Grande e o Pequeno

Veneza Praça S. Marcos Agostinho

A aristocracia domina o Grande e o Pequeno Conselhos e suas comissões como a dos projetos fiscais e financeiros. Uma das comissões do Pequeno Conselho (dos pregradi ) mais tarde será o senado. “Pouco a pouco, os monopólios comerciais da aristocracia, obtidos principalmente a partir da quarta cruzada (1204), 16 estendem-se também à área política. O Grande Conselho torna-se a peça essencial do sistema

16 As Cruzadas, são uma guerra “santa” que a Europa feudal e, para interesse também do comércio em mãos dos judeus, empreenderá contra os islamitas

árabes e turcos que dominavam os lugares santos de Jerusalém e arredores. Isto tudo sob o efeito do medo do fim do mundo no virar do primeiro para o segundo milênio. A Primeira Cruzada foi em 1096, a oitava e última em 1270.

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constitucional, agregando 35 membros em 1200, 430 em 1261, 577 em 1276, até ultrapassar mil membros no séc. XIV. Já em 1232 manifestava-se como poder legislativo autônomo, e em 1250 seus atos tinham precedência sobre os do doge e do Pequeno Conselho.

A política oligárquica veneziana assume sua forma concreta na lei denominada Serrata del Maggior Consiglio (1297), tornando-se automaticamente elegíveis os conselheiros dos quatro últimos anos e aqueles cujos ancestrais tivessem tido assento no conselho e excluindo o resto da população. Essa lei foi perpetuada em 1299, seguindo-se a isso uma série de medidas destinadas a concentrar os poderes de governo em mãos de umas poucas famílias; essas tiveram seus nomes nos registros de elegíveis de direito (1314), precursor do „livro de ouro‟ do século XV”. 17 Em 1322 o patriciado se tornou nobreza de função cabendo-lhe o controle de toda a máquina governamental e os principais postos.

Excluído da participação, o povo se rebelou em 1299 exigindo inclusão no Grande Conselho e o patriciado também excluído rebelou-se em 1310 18 . Na guerra contra Ferrara e consequentemente com o oposição do papa o Grande Conselho se divide entre Guelfos e Guibelinos. Diante disso Benjamim Tiepolo alia-se às famílias Quirini e Badoer e conspira. Em

17 Mirador, pg. 11345. 18 Nesta conspiração deveriam estar envolvidos os Dalla Vecchia que, perseguidos, se exilam no continente perto de Schio e Vicenza.

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reação criou-se o Conselho dos Dez encarregado de descobrir e julgar os crimes contra a segurança do Estado. Em 1335 ele se fez permanente com poderes acima de todos os Conselhos e do próprio doge. Assim em 1354 o doge Marino Faliero (1274-1355) aproveitando o descontentamento popular pela guerra contra Gênova pretende restaurar a autoridade ducal e se fazer príncipe: o Conselho dos Dez o prende e decapita na Praça de São Marcos.

O Grande Conselho e o Senado administram as finanças, a economia, a cidade, as possessões, a navegação, o comércio, o exército e a política internacional. “Contrariando as tendências da época, Veneza permanece no século XV uma república urbana, não oferecendo oportunidade para a presença de um déspota de tipo renascentista.

O poder coletivo do Estado representava-se pela Signoria presidida pelo doge. Este raramente desempenhava algum papel pessoal relevante; como exceções podem citar-se o humanista Andrea Dandolo (1307-1354) tendo governado de 1343 a 1354; Michele Steno (1331-1413) tendo governado de 1400 a 1413; Francesco Foscari (1373-1457 tendo governado de 1423 a 1457; Niccolo Contarini que governou de 1630 a 1631. Estes influenciaram pessoalmente a política de Veneza. No mais o doge, com seus atributos simbólicos, sua pompa e o respeito que lhe era devido, apresentava- se quase que somente como uma expressão visual da

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hegemonia, do poder e da riqueza do império marítimo veneziano”. 19

Três estratos compunham a sociedade de Veneza:

a aristocracia, os cittadini e a infima plebe. Os cittadini tinham direitos civis, podiam ascender a alguns cargos públicos e entre eles era escolhido o Grande Conselheiro (chefe dos cidadãos a partir de 1268), mantinham privilégios econômicos, podiam navegar sob a bandeira de São Marcos e ser protegidos pelo Estado. A plebe, composta de pequenos artesãos 20 , dependia do Conselho dos Dez que funcionava como instrumento conservador, supervisor e controlador das corporações de ofícios. As corporações não exerciam papel político e suas aspirações ao poder morreram com Marino Faliero. Aliás, as manufaturas tinham função secundária na economia de Veneza, ao contrário do que ocorrerá nas outras cidades européias. Suas principais atividades eram a de construção de navios, indústria de madeiras e metais, tecidos de luxo, tinturarias, cerâmica, vidraria, trabalhos em peles e indústria alimentícia. A força da economia de Veneza, porém, vinha do comércio.

Como já acenamos, enquanto a Europa, nos territórios abrangidos pelo Império Romano, mergulhava, a partir de 476 dC 21 no mais profundo processo de feudalismo com a ruralização da

19 Mirador, pg. 11346. 20 Destaque-se entre eles os artesãos judeus que, em Veneza encontrarão refúgio contra as perseguições.

21 Data da queda do Império Romano nas mãos dos invasores “bárbaros” e da Igreja.

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sociedade, com o esfacelamento e pulverização do Estado e de suas funções (cunhar moeda, legislar, estabelecer a justiça, manter a infra-estrutura para a produção e o comércio como estradas, pontes,

policiamento etc), com a clericalização da sociedade e a acentuada hierarquização da Igreja, com a privatização da defesa, com o isolamento de cada pequeno senhor em seu castelo rodeado de servos da gleba, com o desaparecimento do comércio interno e a divisão da sociedade em estamentos muito próximos a castas 22

com o estabelecimento de um rígido Estado de

Cristandade (fusão de Império Romano e Igreja Cristã), - enquanto o próprio Vêneto se subdividia em numerosos feudos, Veneza, pelo contrário, após ser dividida e administrada como todo o Vêneto em províncias episcopais, organiza-se em instituições municipais que chegam ao esplendor no século XII

como organização urbana, comercial e republicana.

Veneza se fez uma das maiores potências políticas

e econômicas da Europa especialmente entre os séculos

XII e XVI através do comércio considerando

especialmente que:

a) O Império Bizantino concedeu a Veneza privilégios comerciais em troca do apoio militar contra búlgaros, muçulmanos,

normandos

que

investiam contra o Império;

b) O apoio de Veneza às cruzadas e a retomada dos estreitos de Dardanelos e Bósforo diante de

22 “os homens foram feitos por Deus: uns para trabalhar, outros para rezar e outros para guerrear e mandar”.

27

Constantinopola na 4 a . cruzada em 1204 introduz Veneza em seu primeiro apogeu comercial c) “A partir do século XII Veneza já possuía o controle absoluto do Adriático, com estações e entrepostos em vários pontos. Gradativamente seus contatos se estenderam de Constantinopla ao Mar Negro, Criméia e Mar de Azov. Possuíam entrepostos no litoral da Ásia Menor, no Sul do Egeu, na costa e interior da Síria, assim como no Oriente Muçulmano. Para o Norte, atingiam Iconium e Armênia. A administração das colônias ficava a cargo de um chefe em Constantinopla, um visconde ou bailio na Síria e um cônsul nomeado pela República em Alexandria.

Os venezianos transportavam para Oriente principalmente produtos da Alemanha e Itália, em troca de frutas exóticas da Síria, trigo do sul da Rússia, vinhos da Ásia Menor, especiarias, açúcar, tecidos finos de algodão e seda, tapetes, pedras preciosas, vidros e cerâmica fina, ouro, âmbar, alume, algodão e seda em bruto, corantes

O mundo eslavo fornecia escravos, madeiras, mel, cera, peles e cânhamo. Os muçulmanos forneciam através de Alexandria, sedas da China, especiarias da Insulíndia e Índia, açúcar, linho, algodão do Egito, perfumes da Arábia e couros em troca de trigo,

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tecidos, metais, coral e âmbar trabalhados, peles, ferro e artigos manufaturados de ferro.

Essas mercadorias, mesmo quando destinadas a outras partes do Mediterrâneo, eram descarregadas em Veneza e aí submetidas à taxação. A redistribuição fazia-se em grande parte por mar ou via fluvial, embora não excluísse o comércio por via terrestre. O controle de algumas rotas terrestres e também dos entroncamentos fluviais do Pó, Ádige e outros afluentes levaria Veneza à política de conquista no continente. No começo do século XV, calcula-se que o comércio veneziano tenha alcançado a cifra de 20 milhões de ducados, percebendo os intermediários cerca de 4 milhões”. 23

d) “A estabilidade do Império seria ameaçada no século XIII com a retomada de Constantinopla pelos gregos, a ascensão comercial genovesa e a submissão de Acre aos muçulmanos (1291), fechando os mercados orientais, ao mesmo tempo em que se desencadeava uma guerra entre Veneza e Gênova. No princípio do século XIV, porém, Veneza já conseguira restaurar parte do Império, reforçando sua posição em Negroponte, Creta e Moréia. Por outro lado, a paz de Turim (1381), marcou o fim do conflito com Gênova. A perda da Terra Santa levou Veneza a afirmar sua posição no Egito, apesar dos obstáculos oferecidos pelas proibições

23 Mirador, pg. 11346 e 11347.

29

papais, e também a aproveitar a oportunidade oferecida pelo Império Mongol para manter relações diretas com o Extremo Oriente. Nesse quadro inserem-se a chegada de Marco Pólo (1214) à China e a conclusão de tratados de comércio com a Pérsia e Tamerlão. Tudo isso converteria Veneza numa cidade riquíssima, luxuosa e com um dos mais intensos movimentos de capitais da Europa”. 24

1.5 Dificuldades e Decadência.

A partir do século XVI Veneza e seu comércio encontrarão muitas dificuldades:

a) Os turcos avançam sobre as rotas comerciais que Veneza tinha com o Oriente. “A partir de 1430 os venezianos perderam gradativamente suas possessões bizantinas para os turcos, só vindo a contrabalançar essas perdas com a posse de Chipre revertida à República em 1480, após o governo de Caterina Cornaro (1454-1510)”. 25

b) Os portugueses descobrem novo caminho para as índias e assim anulam as vantagens dos comerciantes de Veneza que, comprando dos árabes as especiarias em Alexandria, revendiam- nas para a Europa. Agora, os comerciantes deveriam comprar as especiarias do Oriente em

24 Mirador, pg. 11347.

25 Mirador, pg. 11347.

30

Sevilha ou Lisboa, para onde haviam se deslocado a maioria dos banqueiros judeus que haviam enriquecido em Veneza, Gênova e Florença. Aí esses produtos serão bem mais baratos. Assim Veneza fica fora da rota para o comércio com o Oriente e o Mediterrâneo que, durante dois mil anos fora o grande mar do comércio e da cultura é substituído pelo Atlântico, tendo à frente Portugal e depois Espanha.

c) Diante dessas dificuldades Veneza adapta seu potencial marítimo e comercial transformando-o em industrialização de tecidos de luxo e, depois em centro europeu de diversão. No século XVIII seu carnaval de máscaras e luxo durava seis meses ao ano. Por outro lado os investimentos voltar-se- ão cada vez mais para a produção agro-pecuária no continente (terra ferma). “Por volta de 1590 essas possessões já abasteciam 4/5 das necessidades alimentares venezianas”. Algumas datas devem ser recordadas:

1338 a Signoria tomara conta da marca de Treviso.

1404 tomada de Pádua, Bassano, Vicenza e Verona

1420 tomada de Friuli

até 1454 (Paz de Lodi na guerra de Veneza e Florença contra Milão), Veneza fica com toda a região a leste do Adda com Romanha e Trentino e depois, Lodi e Piacenza, Bréscia, Bérgamo e Cremona.

31

Respeitando as culturas locais e nelas instalando somente um podestá para o governo civil e um capitão para assuntos militares, a Sereníssima de Veneza não só não foi combatida como até acolhida por essas comunidades que viam em Veneza maior chance de progresso. A bandeira do leão de São Marcos foi adotada como a sua própria.

1464 unem-se Florença, Nápoles, Milão e o papa contra Veneza 1495, ante a ameaça francesa, Veneza une- se ao papa, a Milão e ao rei da Espanha e em seguida une-se à França de Luis XII (1462-1515) obtendo assim novamente Cremona e Lodi. Morto Cesar Bórgia (1475-1507), Veneza anexa parte da Romanha. Por isso, em 1508, todos os oponentes formam a liga de Cambrai que obriga Veneza a devolver as possessões papais da Romanha. A partir de então, Veneza conservará seus territórios no continente mediante acordos. Com a influência cada vez maior da Espanha na Itália, especialmente através dos papas espanhóis, com a derrota definitiva dos árabes em Lepanto (1571), os constantes conflitos com a Santa Sé, Veneza

32

transforma-se em potência européia de segunda categoria.

1669 Veneza perde Creta

1718 paz de Passarowitz consagra o fim da influência veneziana no Oriente.

1797 pela paz de Campofórmio, o Vêneto e Veneza conquistados por Napoleão, ficarão sob o domínio austríaco ou francês até 1814.

Finda assim a história da República de Veneza que ultrapassou incólume a Idade Média européia e ofereceu à burguesia da Idade Moderna um modelo econômico e político bem como a inspiração da frivolidade decadente. 26

1866, vencida a Áustria pelos prussianos, o Vêneto e Veneza são incorporados à Itália unificada.

26 Interessante observar um episódio típico de cidade comercial como Veneza traduzido em sua vida noturna e sexual. Por influência da Igreja, no auge da atividade comercial (Sec. XIII), as prostitutas que serviam os comerciantes marítimos em Veneza, foram expulsas da cidade por significar imoralidade. Assim elas se refugiaram em Pádova. Pouco tempo depois, porém, eclodiu em Veneza uma situação ainda mais constrangedora para os parâmetros da moralidade: por falta de prostitutas os marinheiros visitantes mantinham relações sexuais com rapazes (e o homossexualismo grassou). Para evitar esse escândalo o Grande Conselho decidiu chamar de volta as prostitutas e ficar com o “mal menor”. Contactadas e organizadas as prostitutas exigiram como condição para seu retorno: seguro saúde, aposentadoria vitalícia pagas pelo Estado. E Veneza aceitou. Para anunciar que as “mulheres” estavam de volta exigiu-se que elas, no alto de uma ponte mais visível do Canal Grande expusessem seus seios nus. Essa ponte até hoje é conhecida como a ponte “delle tete”.

33

A Itália com os Alpes no alto e seus limites a leste 34

A Itália com os Alpes no alto e seus limites a leste

34

2. EM VICENZA

A partir

de 1314

os Dalla Vecchia saem de

Veneza

e

se

regugiam

na

região

montanhosa

de

Vicenza

2.1 O Vêneto até a segunda metade do século XIX

Hoje Vicenza é província da região do Vêneto. Sua capital, a cidade de Vicenza, com um pouco mais de 120.000 habitantes, ao lado dos montes Bérici, está situada no eixo rodo-ferroviário que vai de Veneza a Milão, entre as cidades de Verona e Pádova. A província ocupada desde tempos pré-históricos pelos paleovênetos, foi organizada pelos romanos no século IV dC e a cidade se chamava Vicentia. Ao final do Império Romano e até o ano 1.000 Vicenza foi corredor das tropelias dos invasores bárbaros que vinham especialmente do norte e que determinaram o empobrecimento do território, reduzindo e até extinguindo as culturas introduzidas pela técnica agrária romana. As matas voltaram a recobrir grande parte da região e a atividade silvo-pastoril predominou então sobre a agrícola. Muitos aluviões castigaram ainda mais a área que não dispunha de racionalização dos cursos

35

d‟água. A população diminuiu e só voltaria a crescer logo depois do ano 1.000.

diminuiu e só voltaria a crescer logo depois do ano 1.000. Vicenza - Ruth, Lírio Dalla

Vicenza - Ruth, Lírio Dalla Vecchia Zanotelli e esposa

36

Vicenza – Palazzo Ducale – Os Dalla Vecchia ofereceram materiais para a sua construção, especialmente

Vicenza Palazzo Ducale Os Dalla Vecchia ofereceram materiais para a sua construção, especialmente pedras talhadas.

Monges beneditinos e cistercienses evangelizaram a região e re-introduziram a atividade agrícola, com adubação e organização social das atividades. A ação desses religiosos esteve sempre desvinculada do clero secular e do bispo que controlava a cidade. Por isso o abismo entre cidade e campanha ficou sempre maior.

37

Ruth Zanotelli ante o palácio Ducale em Vicenza A burguesia com seu individualismo, não permitiu

Ruth Zanotelli ante o palácio Ducale em Vicenza

A burguesia com seu individualismo, não permitiu que as obras públicas condicionadas sempre pela união de esforços da coletividade, fossem empreendidas ou recuperadas. O latifúndio burguês situava-se nas melhores terras que já haviam sido beneficiadas ou à beira dos melhores meios de comunicação e comércio. Pelo comércio, urbaniza-se a vida.

Vicenza foi assim uma cidade romana, lombarda, franca e depois participante da liga dos municípios contra Frederico Barbarroxa. Depois do século XII foi súdita da família Carraresi (que dominava Pádova também), dos Scaglieri, dos Visconti e por fim de Veneza.

38

Ruth A. Zanotelli em Vicenza ante Giuseppe Garibaldi 39

Ruth A. Zanotelli em Vicenza ante Giuseppe Garibaldi

39

Jandir João Dalla Vecchia Zanotelli – em Vicenza Ao final do século XV e no

Jandir João Dalla Vecchia Zanotelli em Vicenza

Ao final do século XV e no século XVI Vicenza gozou de prosperidade econômica por conta dos investimentos realizados pelos nobres vicentinos e patrícios venezianos, que lhe permitiu um grande florescimento artístico com as pinturas de Bartolomeu Montagna e com um dos maiores arquitetos da Itália, Andrea Palladio (1508-1580) que fora educado pelo poeta Gian Giorgio Trissino e será seguido por Vicenzo Scamozzi (1552-1616). Os castelos medievais transformar-se-ão em sede de “vilas” senhoriais de grandes proprietários com expansão da agricultura. A cidade pequena e fortificada da Idade Média far-se-á centro agrícola.

40

Vicenza - o centro da cidade A crise do século XVII, com a redução dos

Vicenza - o centro da cidade

A crise do século XVII, com a redução dos investimentos fará regredir a atividade agrícola e o retorno ao predomínio da atividade agro-pastoril. As “vilas” transformar-se-ão em residência de campanha dos patrícios citadinos.

41

Após 1700 o avanço dos estudos e da ciência agrária incentivada pelos iluministas vênetos voltará sua atenção novamente para a agricultura, com novos métodos, novas técnicas e melhor produtividade. A racionalização da atividade agrária recobrará força.

Em 1797 os exércitos de Napoleão tomam conta da cidade e da província. Napoleão entregará à Áustria todo o Vêneto e Trentino em troca da mão de Maria Luiza que depois será a grã-duquesa de Parma. Com a unificação da Itália em 1861 e com a vitória prussiana sobre a Áustria (1866) essa região do Vêneto e, consequentemente Vicenza será entregue à Itália.

Os imigrantes vênetos que, em massa, vieram ao Brasil a partir de 1875, aqui chegaram como italianos, ao contrário do que aconteceu com os que emigraram do Trentino que ficou subordinado à Áustria até o tratado de S. Germain em 1919 e que vieram, pois, como tiroleses austríacos 27 .

Hoje Vicenza tem uma exuberante atividade industrial e comercial acima da agricultura ocupada por menos de 5% da população.

Vicenza, embora nunca tivesse sido uma cidade particularmente importante ou poderosa, no entanto é

27 A lei 379/00 de 14 de dezembro de 2000 permite aos descendentes de trentinos emigrados, igualdade com os descendentes de outras regiões da Itália quanto à aquisição de cidadania italiana.

42

uma das cidades italianas com mais monumentos arquitetônicos e com um núcleo histórico invejável 28

Os Dalla Vecchia provindos de Veneza serão agricultores nas montanhas de Vicenza e, embora com resquícios de nobreza, com este horizonte, imigrarão ao Brasil.

2.2 O VÊNETO NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX

2.2.1- Contexto sócio-econômico

O sistema feudal de produção terminou, no norte da Itália, com a “primavera dos povos” de 1848, meio século depois da Revolução Francesa.

A unificação da Itália aconteceu em 1861 e o

Vêneto foi incorporado à Itália em 1866. A unificação foi “uma conquista do país pelos grupos econômicos

e não acarretou nenhuma

mudança fundamental na estrutura da propriedade agrícola da Península; ao contrário, agravou os seus aspectos mais atrasados, seja desencadeando fatores que geraram maior concentração da propriedade da terra nas mãos dos grandes latifundiários, seja pela venda de bens

mais poderosos do Norte

28 ( cf. Guia de Itália, pg 123).

43

da mão-morta (de comunidades religiosas) e outros inalienáveis” 29

“A economia era dependente de poucos

industriais e de muitos latifundiários ainda afetos a esquemas econômicos medievais de feudalismo e de

) A unificação

política não destruíra o fenômeno escravagista de uma

esquemas

antiquados de grandes proprietários feudais com títulos

hereditários de posse de terras e de elementos humanos que as trabalhavam.” 30

economia tradicional e ultrapassada

exploração da força operária e agrícola(

O latifúndio e o minifúndio improdutivo e insuficiente para uma família era a estrutura reinante no Vêneto como em todo Norte da Itália.

48.279 hectares cultivados no distrito

de Vicenza, dos quais 34.772 eram constituídos de aratórios, pelo menos 5.000 pertenciam aos 28 proprietários que, no censo, haviam declarado possuir mais que 400 campos vicentinos 31 ; os proprietários do

distrito de Vicenza atingiam a 10.932, dos quais 3.791 com menos de um campo, 5.364 com menos de 10 campos, 672 com menos de 20 campos, 435 com menos

sobre “

29 IANNI, Homens sem Paz, Rio, Civilização Brasileira, 2 a . edição, 1972, pg.

75.

30 FROSI-MIORANZA, Imigração italiana no Nordeste do Rio Grande do Sul, POA, Movimento, 1975 pg.12.

31 ( 400 campos vicentinos= 1545 pérticas censitárias; 10 pérticas censitárias= 1 hectare)

44

de 40, 212 com menos de 60,

211 com menos de 100,

141 com menos de 200,

78 com menos de 400” 32

Vivendo como meeiro nas terras e casas toscas dos latifundiários, devendo pagar parte em produção e parte em dinheiro, contribuindo com ovos, aves, palha, com metade dos casulos de bicho da seda e, a partir da unificação italiana, pagando o escorchante imposto do “macinato” (imposto de moagem), era difícil a vida do agricultor vicentino. Possuir como próprio um pequeno pedaço de terra era, para o agricultor um sonho “seguido de inenarráveis preocupações” 33 . Contra o “macinato” houve verdadeiras batalhas campais de agricultores contra a polícia.

“Entre 1873 e 1881, nada menos de 61.831 pequenas propriedades foram tomadas pelo fisco por falta de pagamento de impostos, que muitas vezes não iam além de umas poucas liras; entre 1884 e 1901, o número de propriedades perdidas pelos contadini por impossibilidade de pagar impostos se elevou a 215.759; as vendidas judicialmente por dívidas a particulares somaram 70.774 entre 1886 e 1900” 34

“O maior flagelo era a pelagra, endêmica em toda a região, uma afecção com tríplice sintomatologia:

cutânea, gastro-intestinal e nervosa. Conhecida na Itália desde meados do século XVIII, já se havia observado na

32 LANARO, Sílvio. Società e Ideologia nel Veneto rurale. Roma, Ed. Storia e Letteratura, 1976, pg 25.

33 Ibidem pg. 32.

34 IANNI, 11972, pg 73.

45

Espanha e noutros países sob a designação de mal de

rosa (

relacionava com o consumo de milho. Supunha-se ocasionada pela preparação da polenta com milho verde

ou estragado

levantamento em todo o Reino da Itália. Apura-se um

total de 97.855 doentes, assim distribuídos: Piemonte 1.692 casos, Ligúria 148, Lombardia 40.838, Vêneto

29.936, Emília 18.728 (

104.067, aumento devido quase exclusivamente ao

Vêneto que, de 29 mil e tantos casos, passa a 55 mil Essa alarmante incidência de desnutrição qualitativa correspondia à pobreza da água em sais minerais e ao consumo quase exclusivo de trigo, de castanha e

a carne de gado, de

particularmente de milho (

Em 1881 o total subia a

Somente em 1879 se faz um

O mais que haviam conseguido era que se

)

).

);

ovinos, de porco e de aves domésticas comia-se apenas nos dias de festa e as mais das vezes era reservada aos

homens que, nos domingos, a encontravam nas

tavernas

A grande popularidade da caçada de

passarinhos e a predileção, entre os pobres do Norte da

Itália, pelo prato de polenta e oséi (

explica-se pelo

fato de que as pequenas aves silvestres eram uma das poucas e escassas fontes de carne”. 35

),

A crise econômico-social-cultural que se abateu sobre toda a Europa após a “primavera dos povos” de 1848 e, especialmente, depois da crise de mercado

35 AZEVEDO, Thales. Italianos e Gaúchos. Porto Alegre, IEL/ A Nação, 1975, pg. 49-51 in BONI e COSTA. Os italianos do Rio Grande do Sul. Caxias, EDUCS, pg. 61. A mesma situação se observa no Trentino. O vale de Cembra do qual emigraram os ascendentes Zanotelli era denominada de Val della Pelagra.

46

espelhado na crise da superprodução de trens e trilhos na Inglaterra em 1873, afligiu mais profundamente as áreas periféricas do sistema capitalista europeu. Assim a Inglaterra que já se havia industrializado a partir de

1767 (quando a primeira máquina a vapor foi acoplada ao tear), a França a partir de 1800, a Prússia a partir de 1850, algumas áreas da Itália como o Piemonte a partir de 1850. O Vêneto e o Tirol como periferia do Império austríaco recém saía do sistema feudal em 1848. As estradas de ferro que rasgavam a Itália de norte a sul e de leste a oeste recém foram implantadas a partir de

1850.

Por outro lado, o liberalismo anticlerical e muitas vezes maçônico destruía a ideologia e a cultura de uma região milenarmente cimentada sobre o Estado de Cristandade

36

A nova organização do trabalho que o liberalismo manufatureiro e industrial acarretava, gerava uma situação desumana que não deveria ser diferente da do Trentino: “há meninas em casa; vão às fábricas de seda, trabalham bestialmente das 4 da manhã às 8 e meia da tarde, com um tempo livre somente para comer, e ganham 40 centavos as mais bem pagas” 37

Em 1832 na Bélgica há uma lei reveladora:

as

proïbe-se o trabalho infantil abaixo de 8

anos

e

36 Cf. ZANOTELLI, Zanotelli a Saga de um Imigrante Trentino, 1997 pg.18 e

ss.

37 La voce Cattolica, de 19/10/1875 in GROSSELLI, Vencer ou Morrer, pg

138.

47

crianças com menos de 12 anos tem o direito de trabalhar somente 12 horas por dia. As mulheres grávidas e as que trabalham em situação inóspita tem o mesmo direito de só trabalhar 12 horas por dia. 38

2.2.2 - A Educação

“Em 1871 o Vêneto contava 65% de analfabetos na população acima dos 6 anos de idade, o Piemonte 42% e a Lombardia 45%, taxas que em 1911 haviam baixado respectivamente a 26%, a 11% e a 13%, enquanto para o país era de 37%. A instrução era muito prejudicada pela falta de professores e pela participação das crianças nos trabalhos agrícolas e nas manufaturas, apesar da proibição legal da ocupação de menores de 12 anos nas indústrias” 39

Os índices de analfabetismo na data da unificação da Itália eram altos em toda a Itália e mais altos no sul. No Tirol o Império Áustro-húngaro tinha favorecido a escolarização, tanto assim que em 1875 cerca de 80% da população estava aflabetizada, contra uma média inferior a 50% em toda a Itália.

38 Cf. P. Beltrão

39 AZEVEDO, 1975, pg. 52.

48

3. A EMIGRAÇÃO.

Para compreender melhor a emigração-

imigração da família Dalla Vecchia desde Vicenza para

a Linha Janzen, em Izabela, no RS, a partir de 1876,

detalharemos brevemente a situação européia que forçava a emigração, a situação do Brasil que convidava para a imigração, e a viagem dos Dalla Vecchia.

3.1 Síntese da situação européia e vêneta no final do século XIX.

Era difícil a situação econômica dos pequenos agricultores ou trabalhadores rurais recentemente “liberados” do sistema feudal, com minúsculas frações

de terra que tornavam impossível o sustento da família,

e com a migração constante dos trabalhadores à procura

de trabalho sazonal nos arrozais dos vales do Vêneto ou na vindima da uva e na colheita dos casulos do bicho da seda. Isto desmontava a estrutura familiar; ocasionava o êxodo rural concentrando jovens trabalhadores ao redor das cidades que iniciavam sua industrialização como

49

Milão, Turim ao norte da Itália; a deficiência alimentar gerando epidemias como as da pelagra 40 .

Por outro lado, desde 1850 a peste do bicho da

seda e da uva aniquilavam as maiores fontes de sustento dos pequenos agricultores na região.

A guerra político-ideológica dos liberais

(anticlericais e fautores da industrialização e do progresso, contra o domínio do clero e da religião sobre

a população) contra os “católicos” guiados e fiéis ao clero e sua estrutura paroquial e comunitária, levava angústia às famílias pobres que queriam salvaguardar os valores tradicionais da família e da religião.

O desejo plantado pela burguesia moderna de ser dono (paron), proprietário, auto-determinado e a impossibilidade de sê-lo no contexto em que viviam, aumentava e potencializava as promessas que vinham da propaganda de terra abundante e da “cucagna” da América, muito embora essa ideologia capitalista fosse contraditória à manutenção de seus valores familiares e religiosos.

40 Pelagra é uma doença causada pela falta de niacina (ácido nicotínico ou vitamina B ou vitamina PP) ou do aminoácido essencial triptofano e conhecida por seus três sintomas que começam com a letra D. São eles: o aparecimento de uma cor escura na pele (Dermatite, que fica seca e áspera. Mais tarde aparecem Diarreias e alterações mentais (Demência); também conhecida como doença dos três D's. O nome 'vitamina PP' faz referência à ação Preventiva à Pelagra.

50

A pressão das comunas por livrar-se do encargo cada vez maior dos pobres que não conseguiam se manter com suas próprias mãos, e do interesse de alguns em comprar pequenas frações de terra por preço irrisório, também estimulavam a emigração.

Enfim, a lógica do capitalismo liberal que se implantava, ao mesmo tempo impelia à emigração e tornava atraente a proposta de aventurar-se em novas terras. 41

3.2 O Brasil que os esperava 42

O Brasil nasceu, nos planos dos conquistadores portugueses, para ser estruturado como um conjunto de:

latifúndios, monocultores (de açúcar), exportadores, escravagistas e de acordo com os interesses daqueles que dominavam e dirigiam Portugal.

De 1500 a 1528, período em que o comércio com a Ásia sorria a Portugal (trazendo-lhe os lucros

41 Para elucidar melhor o contexto de vida dos emigrantes Dalla Vecchia desde Vicenza no final do século XIX remetemos ao nosso trabalho Zanotelli, a Saga de um Imigrante Trentino que analisa a vida ao norte da Itália naquela época. Acrescente-se que, pelo fato de o Vêneto integrar o novo Estado italiano desde 1866, sobre os pobres agricultores da região recaíram novos impostos e gravames que tornaram a vida ainda mais difícil.

42 O texto a seguir, sobre o Brasil que aguardava os imigrantes é extraído, com pequenas modificações, da obra Zanotelli, A Saga de Um Imigrante Trentino, de autoria de Jandir João Zanotelli.

51

esperados, novas terras e novos fiéis cristãos), o Brasil não contava nos planos dos „descobridores‟ senão como

terra de especiarias (pau brasil para pinturas

necessitava ser defendida dos países rivais e concorrentes, como a França, por exemplo, cujo rei, ao ser notificado por Portugal para que respeitasse as terras brasileiras que eram de sua propriedade, propriedade essa decorrente da descoberta, respondeu que não aceitava a divisão do mundo entre Portugal e Espanha patrocinada pelo papa porque desconhecia que o testamento de Adão e Eva assim tivesse dividido o mundo.

e que

)

Com o declínio do comércio com a Índia, pelos encargos cada vez maiores assumidos pela coroa portuguesa para protegê-lo e ampará-lo, e com a expulsão dos judeus de Portugal em 1517 que financiavam os empreendimentos da coroa, e pelos perigos de ataques estrangeiros de que essa terra descoberta era alvo, Portugal concentrou-se no Brasil. E resolveu fazer dele uma colônia para produzir açúcar.

O açúcar, cuja produção era especialidade dos árabes, tinha sido produzido experimentalmente, por Portugal, nas ilhas da Madeira, com escravos africanos. Vendido a altos preços na Europa, o açúcar era o „ouro branco‟ que poderia substituir os lucros que o comércio com a Índia deixou de dar. Assim o Brasil foi planejado, organizado, institucionalizado como a terra portuguesa para produzir açúcar. Para isso era necessário dividir o Brasil em latifúndios. A pequena propriedade era

52

impossível para o objetivo. O Brasil não nasceu para que aqui as famílias, com seu trabalho, produzissem o seu sustento. Nasceu para que a empresa (o engenho) produzisse, em grandes latifúndios, apenas açúcar, e apenas para a exportação.

Para isso, as condições necessárias eram: o latifúndio e a escravidão. A divisão das terras do Brasil, inclusive para a reforma agrária, até hoje, encontra dificuldade nesse projeto originário e constitutivo do Brasil: produzir em grande escala (latifúndio, engenho, com numerosos trabalhadores escravos), um só produto, o açúcar (que interessava exclusivamente à metrópole, proibindo-se cultivar qualquer outro produto, mesmo que fosse para a alimentação), exclusivamente para a exportação (não seria para ser consumido pela colônia senão minimamente em forma de rapadura) e através do trabalho escravo (inicialmente índio e depois negro, sendo que era indigno o trabalho manual e produtivo para o branco e „nobre‟). Assim o Brasil nasceu como um conjunto de latifúndios, monocultores, exportadores e escravagistas.

Estas 4 características do Brasil, tão bem descritas por Darcy Ribeiro e seguidas pela historiografia brasileira, vigoraram durante os 500 anos da História do Brasil depois da „descoberta‟. Assim, até quase 1700, o Brasil existiu apenas para produzir açúcar para a Metrópole portuguesa.

53

O Brasil colonial vai concentrar sua monocultura no açúcar até por volta de 1657. Os holandeses, 43 que invadiram o Brasil em 1620, aprenderam a técnica da produção do açúcar e, saindo em 1657, vão produzí-lo nas Antilhas. Portugal já não tem, então, a quem vender o açúcar. E nem quem o refine e comercialize na Europa. Lembremos que sempre foi a Holanda quem refinava e comercializava o açúcar português para a Europa e que , com o refino e a venda lucrava mais do que Portugal com a produção e transporte até a Holanda. Agora Holanda e Inglaterra dominam o comércio mundial 44 e Holanda domina a produção e comercialização também do açúcar.

Portugal lança-se, então, desde meados do século XVII, a procurar, no Brasil, ouro e outros metais e pedras preciosas para compensar o fracasso com a monocultura do açúcar. O ouro seria a riqueza, uma vez que os metais preciosos estavam escassos na Europa,

43 É importante lembrar que Portugal desde 1580 estava sob o domínio espanhol (O Brasil, portanto, como colônia portuguesa estava sob o domínio da Espanha). Os Países Baixos (Bélgica e Holanda) que também eram domínio espanhol lutavam por sua independência. Para atacar a Espanha invadem o Brasil em 1620 e aqui ficam, especialmente em Pernambuco, até 1657. Holanda e Bélgica se independizam pelo tratado de Westfália (1648) que põe fim às guerras de religião. Os holandeses que deveriam, portanto, ter deixado o Brasil em 1648, só saem daqui em 1657, depois das lutas que Portugal lhes move. 44 Em 1654 Portugal , por um tratado secreto, vai permitir à Inglaterra vender todas as suas manufaturas (e a Inglaterra era a „oficina do mundo‟) em Portugal e suas colônias e Portugal só poderá vender para a Inglaterra e suas colônias vinho, azeite e bacalhau. O maior produto de Portugal ( o açúcar ) não poderá ser vendido nos domínios ingleses. Este tratado será ratificado pelo de Methuen em 1703.

54

considerando que a Espanha havia esgotado suas minas do México e do Peru.

A primeira mina de ouro do Brasil é descoberta em Cuiabá em 1693. E até às vésperas de 1800, o Brasil produzirá toneladas e toneladas de ouro e pedras preciosas para Portugal e, para isso, concentrará todos os esforços e recursos. Será o século do ouro. Assim crescerão as regiões de Minas Gerais e São Paulo e o governo geral do Brasil deixará de estar na Bahia (centro da produção açucareira) para localizar-se no Rio de Janeiro. O gado que servia para a produção do açúcar agora será alimentação para os trabalhadores das minas. O charque e a carne de sol será a base dessa alimentação.

É assim que nasce Pelotas no RS, onde os autores residem, como centro charqueador do Brasil Meridional em 1780. O gado introduzido no sul pelos jesuítas, já não é levado vivo para São Paulo e Minas, mas é conduzido para Pelotas, ali charqueado e enviado para o centro do país bem como para Buenos Aires, Europa, Estados Unidos e Antilhas.

A partir de 1800, esgotada a mineração do ouro, o Brasil produzirá café e algodão para exportar, especialmente para a tecelagem inglesa. Assim, os imigrantes italianos, no final do século XIX, são atraídos pelo interesse do Império e das Províncias Brasileiras, para substituir a mão de obra escrava (em crise) nas grandes lavouras de café do Sul do Espírito Santo

55

(região de Cachoeiro do Itapemerim), para S. Paulo e Paraná e para povoar as terras de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

para povoar as terras de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 1808, quando a

Em 1808, quando a coroa portuguesa, com a elite

da

nobreza (15.000 pessoas) foge de Lisboa para o Rio

de

Janeiro, para escapar dos exércitos de Napoleão, o

Brasil é reorganizado em função da corte.

O Brasil que não existia para si, mas somente para

a Metrópole, deverá ser agora modernizado: na

economia, na organização política, na estruturação urbanística, nas artes, na cultura, etc. em função da corte

56

que agora reside aqui. O ensino primário do Rio de Janeiro é incentivado. 45 São abertas duas escolas de direito e uma de medicina. Artistas são contratados para embelezar estética e arquitetonicamente o Rio de Janeiro. É incentivada a produção do café especialmente

nos atuais estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, sul

da Bahia e São Paulo

mais tarde também no Paraná.

A mão de obra era, na totalidade, escrava. Por outro lado, a Europa já vivia os ares do capitalismo que, por interesse próprio, era contra a escravidão. A Inglaterra, centro do capitalismo pressiona para acabar com a escravidão e consequentemente com o tráfico de escravos, substituindo-os por mão de obra livre e assalariada 46 . Com isso cresceria o mercado consumidor para os produtos ingleses.

45 Depois da expulsão dos jesuítas ( mais de 500 do Brasil, 2.000 da América Latina) em 1759 e 1767, realizada pelo iluminismo liberal de Pombal, primeiro ministro português, o ensino primário no Brasil, especialmente, ficou um caos. Eles eram os melhores professores, eles tinham os melhores manuais e métodos, agora o ensino decairá. D. João VI, rei de Portugal veio com a mãe D. Maria (a louca), avisado que foi pelo exército inglês de que a França invadiria Portugal, veio trazido por navios ingleses e com um ministro inglês encarregado das relações comerciais com a Inglaterra. Portugal era praticamente uma colônia inglesa. Ao chegar ao Rio de Janeiro inúmeras famílias foram desalojadas de suas casas para dar lugar aos 15.000 nobres que chegavam. O Rio só tinha 45.000 habitantes.

46. Assim, para ter reconhecida a Independência declarada em 7/9/1822, o Brasil, além de assumir a dívida que Portugal tinha para com a Inglaterra, declarava também a intenção de abolir a escravatura. Em 1827 esse compromisso é exigido pela Inglaterra para que o Brasil já não importe negros escravos da África. Em 1849 pela lei Eusébio de Queirós o Brasil aceita não mais importar escravos. Em 1861, tendo em vista a velhice dos escravos,

declara-se livre o sexagenário: o escravo com mais de 60 anos era livre. Isto é,

57

Inicia o incentivo à imigração: D. João VI, através de um decreto de 25 de novembro de 1808, assegura aos estrangeiros, pela primeira vez na história do Brasil, o direito à propriedade de terras em território brasileiro, e a distribuição gratuita de terras sob a condição de que elas fossem imediatamente medidas e cultivadas.

Em 1815 o Brasil (na mesma época e no mesmo rumo da Conferência de Viena) é declarado Reino Unido a Portugal e Algarves. E, para obedecer às necessidades de mercado reclamadas pela produção inglesa, o Brasil deveria, além de abrir os portos às nações amigas (leia-se Inglaterra) em 1808, abolir gradativamente a escravidão conforme cláusula de compromisso assinado com a Inglaterra. Com efeito, o escravo não tem dinheiro para comprar, e a Inglaterra precisa do maior número de pessoas que tenham algum dinheiro para comprar seus produtos. A Inglaterra havia suprimido o tráfico de escravos (1807) e abolido a escravidão (1833) nas Antilhas (suas colônias).

Assim a escravidão no Brasil vai diminuindo em número por submissão aos interesses ingleses e por exigência do capitalismo. Tudo isso porém, envolto num discurso humanista e libertário ao estilo da Revolução Francesa.

É interessante observar que a independência do Brasil (1822) não modificará em nada a condição dos escravos bem como da maioria da população brasileira. Apenas mudam os donos do poder.

Em 1818, segundo Perdigão Malheiro 47 , o Brasil tinha 1.887.900 habitantes livres, (neles compreendendo 259.400 indígenas, quase todos marginalizados da vida do país) e 1.930.000 escravos. Mais de metade da população brasileira, portanto, era escrava.

Em 1826 o Brasil que, para ter reconhecida sua independência declarada em 7.9.1822, havia pago a dívida que Portugal tinha para com a Inglaterra, se compromete a não mais importar escravos da África (essa lei só foi promulgada em 1831). A Inglaterra, pelo Bill Aberdeen de 1845 não só proibia por motivo de „humanidade‟ a saída de escravos da África, como também se autorizava a interceptar navios negreiros, confiscá-los tanto no mar como na costa. A lei Eusébio de Queirós de 1849, assim, determina para o Brasil o fim do tráfico de escravos.

Continuará, porém, o contrabando de escravos. Em 1861, é declarado livre o sexagenário: livra-se o senhor de sustentar o escravo após os 60 anos, e o escravo é livre para passar miséria e morrer de fome. Em 1871, é declarado livre todo nascido de escrava, mas seu senhor poderá contar com seu trabalho até aos 18

47 citado por Maranhão et alii in Brasil História, vol 2 pg. 273.

59

anos para compensar o custo de sua criação. Em 1888 é, finalmente, declarada extinta a escravidão no Brasil. A escravidão formal foi extinta, as condições de escravidão e semi-escravidão perduram, para alguns, até os dias de hoje.

Dentro da revolução industrial (liderada pela Inglaterra) a escravidão se tornou inútil, onerosa e prejudicial. Mais barato e eficiente seria contratar um empregado ou fazer contrato de parceria com imigrantes para as fazendas de café.

Para substituir os escravos, pensa-se em imigrantes europeus dos países industrializados. Assim em 1819 chegam 1.666 colonos suíços( outros 350 haviam morrido na viagem) que se localizam na região de Nova Friburgo no Rio de Janeiro 48 . Em 1824, o já Imperador do Brasil D. Pedro I solicita a vinda de 1.000 rapazes alemães para o exército brasileiro. Alguns ficaram no exército (guarda nacional) e outros (126) vieram para o Rio Grande do Sul e iniciaram a primeira colônia de imigrantes em S. Leopoldo.

3.3 - No Rio Grande do Sul

Em 1826 é criada para os alemães a colônia de Três Forquilhas e a de Torres no RS, em 1828 a de S. Pedro de Alcântara em SC, em 1828 a do Rio Negro no PR, em 1829 a de Santo Amaro em SP.

48 De BONI e COSTA, 1979, pg 27.

60

Por outro lado os proprietários de latifúndios (obtidos, ou por doação do Governo ou por estratagemas cartoriais), subdividem suas propriedades em colônias e vendem-nas aos colonos. Ao longo do rio dos Sinos nascem Mundo Novo em 1847 (Taquara), Padre Eterno em1850, Sapiranga e Picada Verão. Em 1846 Bom Princípio, em 1848 Caí, em 1857 Montenegro e, por fim Nova Petrópolis. Ao longo do rio Taquari, em 1853 surgem Lageado e Estrela, em 1868 Teotônia. A Província cria em 1849 Santa Cruz e, em 1855 Santo Ângelo (Agudo). Rheinghanz , em 1858 cria a colônia de S. Lourenço, perto de Pelotas.

Quando, em 7/4/1831, o Imperador D. Pedro I

renuncia, entregando o Império ao filho ainda criança

os latifundiários, que eram

contra a colonização, forçaram os parlamentares a cortar

as verbas destinadas à imigração. Pelo Ato Adicional à Constituição de 1834 “passou-se às Províncias, carentes de recursos, o encargo de promover a vinda de estrangeiros, esquecendo-se, além do mais, de dar a elas no mínimo a condição fundamental para tanto: terras (estas, enquanto devolutas, pertenciam ao governo Imperial).

(período da Regência

),

Só em 1848, pela lei 514, é que as Províncias

seriam contempladas com algumas léguas quadradas,

nas quais poderiam assentar colonos”

como as demais províncias, 36 léguas quadradas de terras devolutas, e com elas criou as colônias de Santa

49 O RS recebeu,

49 De BONI e COSTA, 1979, pg 27.

61

Cruz, Santo Ângelo (Cachoeira), Nova Petrópolis e Monte Alverne 50 . Os lotes foram doados segundo a lei provincial 229 de 1851 e de acordo com a lei Geral 601 de 1850.

Em 1847, Nicolau Vergueiro, um latifundiário cafeicultor de mentalidade liberal e que lutava contra a escravatura, introduziu em sua fazenda em S. Paulo imigrantes europeus, especialmente alemães: 80 famílias com 400 pessoas, com um contrato de parceria.

O contrato foi burlado especialmente com a

obrigação de os colonos se abastecerem nos armazéns da fazenda, de tal forma que os altos preços ali cobrados e o baixo preço pago pelo café produzido, aprisionavam os colonos a uma dívida que sempre aumentava. A condição desses colonos assemelhou-se a dos escravos. Em 1857, em 26 fazendas brasileiras trabalhavam 1.031 alemães, 1180 suíços, 616 portugueses e 88 belgas 51 . A denúncia da condição de trabalho aqui, foi ouvida na Europa e a Alemanha, Inglaterra, França e Suíça proibiram ou dificultaram a emigração para o Brasil.

A lei de terras, Nº. 601 de 18/9/1850 e seu

regulamento de 1854 estabelecem que as terras já não seriam dadas, mas vendidas aos imigrantes. Aos brasileiros que não tivessem terra e especialmente aos ex-escravos não era permitida a venda de terra. Assim se mantinha o latifúndio e nas terras montanhosas, de

50 De BONI e COSTA, R .1979: 28 e 63.

51 FRANCESCHINI in GROSSELLI, 1987, pg 240.

62

matas, difíceis para a criação do gado, ficariam os imigrantes. Essa lei possibilitava também a naturalização voluntária dos imigrantes, após dois anos de permanência no país e os dispensava das obrigações militares.

a 1867 quando saiu o decreto 3.784

incentivando a imigração, arrefeceu muito o fluxo de europeus para o Brasil.

De 1850

Os parlamentares escravocratas reforçaram a idéia de que às Províncias cabia incentivar e apoiar a colonização. As Províncias, porém, não dispunham de recursos para isso. Entregavam a incumbência a particulares. Mesmo após a lei 514 de 28/10/1848. Assim, o Estado brasileiro entregava terras a particulares para serem loteadas e vendidas aos imigrantes ao preço de 1.500 réis ao hectare. As companhias particulares organizavam a imigração e vendiam as terras entre 36.000 a 40.000 réis ao hectare. Algumas Províncias, como o Rio Grande do Sul promoviam, elas próprias a imigração.

O interesse pela imigração de europeus “autores do desenvolvimento industrial e agrícola” em seus respectivos países não era, porém, só do Brasil. Argentina, Colômbia, México, Austrália, Estados Unidos faziam propaganda buscando atrair esses possíveis imigrantes. A guerra de propaganda na Europa foi, às vezes, escandalosa, mentirosa e sempre incisiva, com redes de informantes, aliciadores e representantes

63

em cada país, em cada pequena região de emigração. Se o Brasil oferecia as melhores condições legais e de intenções, os Estados Unidos ofereciam as melhores condições objetivas. Assim, dos 5 milhões de alemães que emigraram, apenas 140 mil vieram para o Brasil (nem 5% ). De 1820 a 1926 entraram nas diversas províncias brasileiras 4 milhões de imigrantes; nos EU , de 1820 a 1920 entraram 26 milhões de europeus; na Argentina de 1857 a 1926 entraram mais de 3 milhões de europeus 52 . De 1819 a 1940 entraram no Brasil 253.846 alemães, 1.513.115 italianos e trentinos, 1.462.117 portugueses, 598.802 espanhóis 53 .

A ganância dos particulares, o fracasso de colônias anteriores, a má fama de que o Brasil gozava na Europa pelo não cumprimento dos contratos, além da contra-propaganda de que aqui o clima era terrível, as epidemias grassavam e o Brasil vivia em estado absoluto de miséria e subdesenvolvimento, limitavam a imigração.

Quatro são os fatores apontados por Grosselli para o malogro da colonização até 1870:

“a falta de seleção dos imigrantes que muitas vezes eram artesãos, soldados ou com outras profissões e que não se adaptavam absolutamente ao cultivo da terra; a absoluta falta de vias de comunicação que impedia a comercialização dos produtos agrícolas; a localização de muitas colônias em territórios de clima tropical, não

52 GROSSELLI, 1987, pg. 241

53 CARNEIRO in GROSSELLI, 1987, pg. 238.

64

adequados à colonização européia; a proximidade das colônias aos latifúndios que desestimulava os colonos e impedia o desenvolvimento da pequena propriedade” 54

A economia brasileira precisava de mão de obra. Os escravos já não entravam no Brasil no volume necessário, tendo em vista o ataque permanente da frota inglesa: em 1849 entraram 54.000 africanos e em 1852 somente 700 55 . O desenvolvimento capitalista era incompatível com a escravidão porque ele exigia a liberação de todos os fatores da produção: da mão de obra, do mercado de matérias primas, de consumo, de comércio

O desenvolvimento europeu e norte-americano era visto como sendo fruto da raça branca, indo-européia. Por isso, pensava-se que, para alavancar o progresso no Brasil, era necessário o ingresso de imigrantes brancos, preferentemente alemães, ingleses, suíços, franceses, belgas e do norte da Italia. Era preciso branquear a raça.

O mesmo fizeram a Argentina e o Uruguai quando trucidaram os índios do interior para dar lugar aos brancos que deveriam imigrar.

Imaginava-se que o branco que havia construído o progresso europeu (apenas porque era branco), vindo para cá, construiria aqui o mesmo progresso, sem levar em consideração as condições em que se deu o

54 GROSSELLI, 1987, 238.

55 De BONI e COSTA, pg. 29

65

desenvolvimento desses países europeus. Como se o progresso deles não estivesse ligado diretamente às condições de troca de nossa matéria prima (paga a preços cada vez mais aviltantes e fixados por eles) com os produtos industrializados por eles (e cujos preços cada vez mais elevados eram também fixados por eles). Como se nosso modelo colonial, latifundiário, exportador e escravagista fosse o mesmo que o da Europa.

Por outro lado, deve-se salientar que os imigrantes europeus vinham também com essa mentalidade que explodirá, depois, nas motivações das duas guerras mundiais, especialmente na segunda, onde o super- homem que levaria a humanidade à perfeição seria o de raça branca indo-européia

Os italianos, que vieram depois de 1900, traziam na lembrança as fracassadas guerras da Etiópia e Líbia contra os negros que nunca se deixaram vencer 56 . Por

outro lado, o contato com os escravos, aqui, reforçou o preconceito de que o negro é indolente, preguiçoso,

infiel, mentiroso

para sobreviver como escravo, houvesse outra

como se a escravidão não fosse o mais

possibilidade

vil e mentiroso, desumano e brutal modo de viver e trabalhar.

Como se, (e sem acatar a afirmação),

E

O Brasil insistiu, na primeira metade do século

para criar, entre a população

XIX, em trazer alemães

56 MONTANELLI, Indro. L‟Italia di Giolitti, 1975, pg. 123 e ss.

66

portuguesa do RS e a espanhola do Rio da Prata, um núcleo de desenvolvimento que servisse também como um dique para as pretensões rioplatenses. 57 A guerra Cisplatina que o Brasil teve de 1818 a 1851, com a Argentina, o recomendava. Assim de 1824 a 1889 entraram no RS 25.000 colonos alemães.

Surgiram, porém, dificuldades com as colônias alemãs: dificuldades em se integrar à vida nacional, em harmonizar sua cultura com a brasileira, em falar a língua portuguesa. Os contatos constantes com a pátria mãe, o fato de entre eles ter vindo não apenas agricultores mas técnicos, intelectuais, homens de ciência e de negócios facilitava sua auto-organização. A tal ponto que a idéia surgida na Alemanha de criar a Grande Alemanha com seus milhões de emigrados espalhados pelo mundo, e acolhida aqui por apenas alguns intelectuais, perturbou as autoridades do Império. As idéias expostas num jornal de língua alemã dava oportunidade de assim concluir.

A falta de comunicação, o exclusivismo da raça e a conservação de suas tradições e religião protestante levantou também a desconfiança especialmente da Igreja Católica. A religião católica era a religião oficial do

57 Os colonos açorianos que foram trazidos por Portugal para Santa Catarina e depois para o Rio Grande do Sul a partir de 1746, para povoar de uma vez essa região reivindicada pelos castelhanos, localizaram-se na Barra do Rio Grande e São José do Norte e, após o ataque de Ceballos de 1763 deslocaram-se para Viamão e Porto dos Casais (Porto Alegre), para Rio Pardo, Triunfo e Taquari, alguns para Pelotas. Foram ao todo cerca de 5.000 colonos. Lembremos que a população do RS em 1800 era de cerca de 60.000 habitantes.

67

Império brasileiro dentro do Estado de Cristandade e na institucionalização do padroado. O Sul do Brasil poderia transformar-se numa zona dominada pelos protestantes.

Os conflitos entre comunidades luso-brasileiras e alemãs chegaram ao incêndio provocado na Exposição teuto-brasileira, em São Leopoldo. de 1882 58 . Era preciso isolar o problema circundando as colônias alemãs com colônias de imigrantes italianos (católicos)

e de outras nacionalidades.

Para incentivar a imigração o decreto imperial n.3.784 de 19/1/1867 estabelecia: As novas colônias seriam criadas pelo Estado, com a dimensão mínima de 15 hectares (até 60 hectares), podendo o imigrante escolher o lote, ao preço de 2 a 8 réis à braça quadrada

(4.48m2) para os lotes rurais, e 40 a 80 réis para os lotes urbanos. O pagamento podia ser feito à prestação (em cinco anos) com o acréscimo de 20% e o título então seria provisório. O colono tinha o prazo de dois anos para residir e cultivar a terra, do contrário o lote iria a leilão. O colono recebia com a terra, 20.000 réis como auxílio para os gastos dos primeiros meses. Tinha a chance de trabalhar em obras públicas (como abertura de estradas) ao salário diário de 1.500 réis, sendo que o Diretor vigiaria para que no mínimo cada adulto tivesse

a chance de 15 dias de trabalho remunerado por mês e

90 dias por semestre, dando preferência aos chegados

mais recentes.

58 Grosselli, 87 pg 243.

68

O colono receberia ainda, ferramentas, sementes,

auxílio para a derrubada das árvores para ter um espaço

a cultivar e erguer sua casa, sendo que esses valores

eram adiantamento para serem pagos junto com a terra e naquelas condições. Se ele não tivesse como se sustentar nos primeiros dias, o valor para isso também lhe seria adiantado. Nas colônias não poderiam residir escravos nem pessoas que tivessem escravos.

A colônia teria também um prédio para acolher os colonos que chegassem e ainda não tivessem escolhido o lote. Deveria ter um asilo para órfãos. E a colônia seria dirigida por uma Junta Colonial composta de um Diretor, um médico e 6 colonos que já houvessem quitado suas obrigações financeiras.

Era uma lei excelente para os colonos, considerando-se que, embora comprados, os lotes rurais poderiam ser pagos com, aproximadamente, 80 dias de salário por trabalhos nas estradas.

Mesmo assim não aumentou muito a migração para o Brasil senão a partir de 1875, quando o Império contratou com Joaquim Caetano Pinto Júnior ( contrato assinado em 30 de junho de 1874) a introdução no Brasil de “100.000 imigrantes alemães, austríacos, suíços,

italianos do norte, bascos, belgas, suecos, dinamarqueses

e franceses, agricultores, sadios, trabalhadores de boa moral, nunca menores de 2 anos, nem maiores de 45, salvo os chefe de família. Destes imigrantes, 20%

69

podem exercer outras profissões”(Cláusula I) 59 . E isto num período de 10 anos, recebendo Caetano Pinto 120.000 réis para cada um dos 50.000 primeiros imigrados, 100.000 réis para os 25.000 imigrantes sucessivos e 60.000 réis pelos últimos 25.000. Observe- se que os gastos totais de Caetano (incluindo propaganda e pagamento de agenciadores, passagem e toda a despesa de viagem ) não ultrapassava a 45.000

réis para cada imigrante.

As despesas todas estavam cobertas, nada devendo ser cobrado dos colonos imigrantes, nem mesmo a passagem e os lotes deveriam ser vendidos aos preços estabelecidos no decreto 3.784. Pelo contrato, o Império brasileiro se recusa a assumir outra responsabilidade além das cláusulas do contrato. Os custos, porém, desse empreendimento, levarão o Império a suspender essas condições para a imigração ( e o contrato) em 1877, tendo em vista também a difícil situação econômica do Brasil.

A Província do Rio Grande do Sul em 1870 vivia uma situação bem diversa da encontrada ali pelos imigrantes alemães em 1824: “A população provincial saltara de 110 para 440 mil pessoas. Em vez de 5

municípios, eram agora 28, divididos em 73 paróquias 60 .

A cidade de Porto Alegre contava com 30.583

habitantes, segundo o recenseamento de 1872. O resto

59 GROSSELLI,1987, pg 250.

60 Lembremos que no Estado de Cristandade vigente no Brasil Império, a Igreja

e o Estado estavam ligados, sendo que a criação de municípios e paróquias era atribuição do Estado, bem como o sustento dos padres e seminários

70

da população dividia-se de modo muito desparelho pelo solo gaúcho. Uma sexta parte dos habitantes residiam na zona de colonização alemã. Nos campos de Cima da Serra, a paróquia de S. Francisco de Paula contava com 5.360 habitantes, a de Vacaria com 5.755, e a de Lagoa Vermelha com 4.744. No Planalto Médio, a de Passo Fundo tinha 8.368 habitantes, a de Soledade 9.177 e a de Cruz Alta 8.402. Maior população encontrava-se na Depressão Central, no Litoral e na Campanha. Entrementes, cerca de 87 mil quilômetros quadrados de serras, na Encosta Nordeste e no Alto-Uruguai, principalmente, permaneciam como terras devolutas” 61 .

A modernização do capitalismo industrial no Brasil, muito embora ocorresse em função do capitalismo europeu e norte-americano, tinha aqui algum reflexo: havia já estradas de ferro, a rede telegráfica que a acompanhava, um incipiente sistema bancário, navegação fluvial e lacustre com barcos a vapor que ligava Rio Grande, Pelotas, Porto Alegre, Cachoeira, Rio Pardo, Taquari, Lageado e Caí, Montenegro

A produção pecuária era agora complementada com produção agrícola das colônias alemãs.

“A economia cresce, a cultura toma lugar de destaque, há uma assistência social organizada, o regime educacional é bom, aparecem as bibliotecas públicas e a Escola Normal torna-se estabelecimento modelo” 62 .

61 De BONI e COSTA. pg. 62

62 LAYTANO, in De Boni e Costa 79: 75.

71

As dissensões políticas haviam amainado: A guerra dos Farrapos (1835-1845) terminava em paz e o governo imperial voltava a investir em obras públicas na região da Campanha. A Guerra do Paraguai (1865-1870) já fora concluída. A revolta dos Múckers, na região alemã fora apaziguada.

A lei Provincial 304 de 30/11/1854 já estabelecia que os lotes não seriam mais doados aos colonos imigrantes e sim vendidos, à vista ou no prazo de 5 anos sem juros, haveria adiantamento para despesas de viagem e auxílio para os primeiros meses, como vimos.

A hospedagem e o transporte desde Rio Grande seriam

gratuitos. O custo médio de um lote era de 120.000 réis equivalente a: 80 dias de trabalho em obras públicas, ou 40 sacas de milho, ou 850 litros de cachaça, ou 350

galinhas, ou 130 kg de manteiga. 63

Em 1869 a Província requereu ao Império a concessão de mais duas glebas para colonização. Em fevereiro de 1870 o pedido foi atendido e concedidas 32 léguas quadradas ao preço de 1 real à braça quadrada. Em 24 de maio de 1870 o Presidente da Província criava

as colônias Conde d’Eu e Dona Isabel entre o rio Caí e os Campos de Vacaria localizando uma à esquerda e

outra à direita da estrada dos tropeiros que ia de Maratá

ao rio das Antas.

63 GROSSELLI, 1987 pg 179.

72

Enquanto eram demarcados os primeiros 500 lotes em Conde d‟Eu a Província do Rio Grande do Sul contratava com Caetano Pinto a entrada de 40.000 imigrantes no espaço de 10 anos ao preço de 60.000 réis para cada adulto e 25.000 réis para cada menor de 10 anos. Estes valores eram a diferença do preço da passagem Europa-EU e Europa-Brasil. Essa vantagem visava compensar o atrativo que os EU ofereciam e assim procurar captar imigrantes para o Brasil.

Em 1872 chegam ao Rio Grande do Sul os primeiros imigrantes trazidos por Caetano Pinto. São 1.354. Serão 1.607 em 1873. E 580 em 1874, e 315 em 1875; a custos elevadíssimos para a Província: 288 contos de réis, equivalentes a 1/6 de seu orçamento. Em 27 de outubro de 1875 a Província pedia ao Império que assumisse as colônias Conde d‟Eu e Dona Isabel e que a Província fosse reembolsada dos valores já gastos. O governo imperial aceitou.

Em 1873 Conde d‟Eu tinha 80 lotes medidos e 20 cultivados. Em 1874 lá moravam 74 pessoas. Em 20 de maio de 1875 chegam os primeiros imigrantes italianos ou trentinos 64 .

64 A data oficial da imigração italiana é 20 de maio de 1875. Antes , porém ,

devem ter chegado alguns italianos e trentinos (então austríacos). A Província do RS registra de 1859 a 1875 o ingresso de 729 italianos provindos de Montevideo e Buenos Aires. Por outro lado, em Pelotas, RS, registra-se a entrada dos primeiros imigrantes italianos provindos de Montevideo em 1843- 44, certamente por influência de Garibaldi que, nesta época havida deixado a luta Farroupilha e com 1.000 cabeças de gado como pagamento vai vendê-las em Montevideo. Em Montevideo é contratado para defender Montevideo contra Buenos Aires, criando então seu exército de camisas vermelhas

73

Relação das principais colônias criadas no RS após

1870

65

(“camicie rosse”). Por informação dele os italianos de Montevideu emigram para Pelotas. São cerca de 70, com ofícios urbanos (conforme nossa pesquisa nos registros em Pelotas). Por outro lado a presença de italianos no RS marcou a Revolução Farroupilha (1835-1845). Fugindo da perseguição do Antigo Regime reabilitado em 1815, e seguindo as idéias revolucionárias e socialistas de Mazzini que defendia a “Jovem Itália” com um programa de: Unidade e República e tendo como divisa: “Deus e Povo; Pensamento e Ação” Giuseppe Garibaldi, marinheiro da Ligúria, vem para o Rio de Janeiro em 1835. Lá encontra um grupo de italianos: Rossetti, Giovanni Battista Cuneo, Luigi Carniglia, Domingos Torrisano e Castellini que são convencidos pelo Conde Tito Livio Zambeccari a participar da Revolução Farroupilha no RS. Zambeccari era chefe do Estado-Maior de Bento Gonçalves e havia sido preso na batalha do Fanfa com Bento Gonçalves da Silva, Onofre Pires da Silveira Canto e Corte Real e, com eles, enviado para o Rio de Janeiro. É assim que Garibaldi entra na Revolução. Cuneo, residindo em Montevidéo intermediará a ida de Garibaldi para aquela cidade em 1843 e provavelmente ambos endereçarão para Pelotas um bom grupo de italianos que residiam em Montevideo. Em 1/10/1873 surge em Pelotas a sociedade italiana “Unione e Philantropia”. Pouco depois surgem a Sociedade de Socorros Mútuos “Circolo Garibaldi”, a Sociedade Choral Italiana, a Sociedade Italiana 20 de Setembro e são unificadas em 18/10/1883 sob o nome de Sociedades Italianas Reunidas (nossa pesquisa). 65 Nossa (JZ) pesquisa nas prefeituras respectivas. “A colonização no Espírito Santo, de modo geral, foi patrocinada pelo Regime Imperial com a criação de quatro importantes colônias: Colonia de Santa Teresa (1847), iniciada com imigrantes alemães; Colônia de Rio Novo (1855) encampada pelo governo em 1961; Santa Leopoldina (1857) e Colônia Castelo (1880)” 65 . Além dessas colônias, em 1895 havia 8 núcleos:

Costa Pereira, Afonso Cláudio, Antônio Prado (com as seções: São Jacinto, Santa Maria, Mutum, Estrada de Baunilha, Baunilha Acima, Baunilha Abaixo e Vila Colatina como centro comercial), Accioly Vasconcellos (com as seções:

Pau Gigante, Ubás, Triunfo, Esperança, Treviso, Café e Othelo tendo Linhares como centro comercial) , Moniz Freire( com 6 seções na região do Rio Doce:

Cavalinho, Lagoa do Limão, Brasil, 7 de setembro,15 de agosto e Santo Emílio e 6 seções na região do Riacho: Ribeirão, Retiro, Taquaral, Santo Antônio, São Gabriel e Gabriel Emílio), Demétrio Ribeiro ( com 7 seções: Curubixá, 13 de junho, Clotário, São Carlos, Alto Bérgamo, São Benedito e Tranqüilo), Santa Leocádia e Nova Venécia. 65

74

Colônias

 

Criação

Mudanças

Emancip.

Municípios

 

Atuais

Conde

d‟Eu

18

1875

- Imper.

1884

Garibaldi

-

(Prov)

7

 

Carlos

5

Barbosa

Dona

24-5-

1875

- Imper.

 

Bento

Izabel

75

 

es

(Prov)

Fundos

Nova

 

11-3-1887

 

Caxias do Su -

Palmira

-

(

Colônia

Flores

da

Imper)

Caxias

Cunha

Farroupilha -

S. Marcos

Encantado

 

1882

 

1915

Encantado

-

(partic)

Arroio

do

Meio

(1934)

-Nova Brescia

(1964)-

Guaporé

(1886) - Anta

Gorda

(1964)

-Ilópolis

(1964)

-

Capitão

(1992)

-

Arvorezinha

(1964)

Relvado

(1992)

Silveira Martins

1877

 

1882

Silveira

- (Imperial)

 

Martins

Alfredo

Chaves

1884

   

Veranópolis

-

(Imperial)

 

Nova Prata

-

 

Nova Bassano

- Cotiporã

Antônio

1885

   

Antônio Prado

Prado

-

Imperial

Mariana

1888

   

Mariana

Pimentel

 

Pimentel

(Imperial)

75

Guaporé

1892

1886

Guaporé

-

(Partic)

Muçum

-

Serafina

Correa

Vila

Nova

de

1888

 

Vila Nova

Sto.

Antônio

(Imperial)

Barão

do

1888

 

Triunfo

Triunfo

(Imperial)

Jaguari

1889

 

Jaguari

(Imp)

Ernesto

Alves

1890

   

(Imperial)

Marques

do

1891

 

S.

José

do

Herval

Herval

(Repúbl)

Marau

1892

 

Marau

-

Vila

(Partic)

Maria

Nova

Araçá

1892

 

Nova Araçá

(Particular)

Ciríaco

1892

 

Ciríaco

(Partic.)

Paraí

1892

 

Parai

(Partic.)

Davi Canabarro

1892

 

Davi

(Particular)

Canabarro

Erechim

1908

 

Erechim -

(Partic.)

- Itatiba do Sul - Três Arroios - Jacutinga -

Aratiba

Vila Áurea - Viadutos - Guarama Severiano de Almeida

Marcelino

1908

 

Marcelino

Ramos

Ramos

(Particular)

Em síntese, o Brasil que aguardava os imigrantes italianos e trentinos na década de 1870 era:

76

Um império (o único na América; os outros países da América se independizaram como repúblicas) que produzia gado, café e algodão, sendo que no passado tinha produzido açúcar e ouro para Portugal; em latifúndios escravagistas e monocultores.

Independente politicamente de Portugal desde 1822, vivia um neo-colonialismo capitalista dependente especialmente da Inglaterra. Uma oligarquia rural lutava para manter a escravatura e uma burguesia liberal pretendia eliminá-la para adequar-se aos parâmetros do capitalismo inglês e do liberalismo francês

A religião oficial do Império era o catolicismo compreendido no horizonte do Estado de Cristandade e nas concordatas do padroado. O liberalismo positivista e maçônico já levantava suas teses: ensino público e não particular, separação de Estado e Igreja, subordinação da Religião ao Estado (bispos foram presos porque acompanharam o papa na condenação à maçonaria), anti-clericalismo, a religião tida como mentalidade obscurantista e que não permite a „liberdade‟ preconizada pela Revolução Francesa; as ciências „positivas‟ como única forma legítima de conhecimento; a República (e não a monarquia) como única forma democrática de governo

77

3.4 A VIAGEM- para o Brasil para o RS para Dona Isabel (linha Janzen)

Os primeiros Dalla Vecchia que imigraram para

o Brasil estão ligados a Beniamino Dalla Vecchia

casado com Domenica Dalla Barba. Chegaram em 1877 dentro das condições de imigração acima descritas. Seu destino primeiro: Linha Janzen, na Colônia Dona Isabel, também chamada de Colônia Izabela (depois município

de Bento Gonçalves), RS. 66

Beniamino e Domenica, em 1877, saíram do interior de Montemezzo di Sovizzo, província de Vicenza e, como todo emigrante, foram a Vicenza, tomaram o trem para Milão, dali para Gênova. Embarcados num navio a vapor, que substituía os navios a vela, rumaram para o Rio de Janeiro com intenção de

ir ao Rio Grande do Sul. A preferência poderia ser a

Argentina, mas pelo fato de essa nação ter um regime político republicano, o Brasil foi preferido porque Império monárquico. Com efeito, os Dalla Vecchia, com alguma ligação com a nobreza, não poderiam concordar

com um regime que ideologicamente era liberal,

66 Beniamino Dalla Vecchia, nascido aos 5/3/1819, em Montecchio Maggiore, nas proximidades de Montemezzo, província de Vicenza, era filho de Ângelo Dalla Vecchia e de Orsola Pozzan (conforme consta do Livro de Casamentos

da Paróquia S. Maria e S. Vitole pg. 41, número 3). Era neto de Antônio Dalla Vecchia e de Maddalena Colla.Beniamino casou com Domenica Dalla Barba nascida em 26/8/1820, em Montemezzo, Vicenza.

78

anticlerical, à semelhança das repúblicas e do liberalismo na Europa.

Não se sabe ao certo quantos foram os dias de viagem. Sabe-se que em alto mar Beniamino veio a falecer e foi jogado às ondas. Sua mulher Domenica que amamentava a filha Catarina, angustiada pela morte do marido 67 , estancou o leite e a filha também faleceu. Escondeu-a, envolta em panos, pretendendo enterrá-la quando chegasse ao Brasil. O mau cheiro denunciou o fato e o corpo da menina também foi jogado ao mar. Restavam Domenica, os filhos Ângelo (com 18 anos) e Pedro (com 14 anos).

Da ilha das Flores do Rio de Janeiro, com um barco de navegação costeira que fazia a linha Rio-Porto Alegre, passaram por Santos, Rio Grande e, pela Lagoa dos Patos, chegaram a Porto Alegre.

Cerca de 3 dias em Porto Alegre e depois, com um barco subiram até S. Sebastião do Caí, e depois: os adultos a pé, as crianças e os que tinham dificuldades para caminhar no lombo de mulas, subiram a Serra pela estrada ou picada que ia de Maratá até Lagoa Vermelha. Ao lado direito dessa estrada geral, um pouco antes do rio das Antas, aguardava-os a Linha Janzen na Colônia

67 Entre os descendentes comentou-se que Domenica, por ignorância e medo de que alguém pudesse acusá-la da morte do marido, pôs nos bolsos do falecido o dinheiro razoável com que vinham e, assim, perdeu-se no mar a chance de uma nova vida mais tranqüila na América.

79

Dona Isabel, que depois se chamará Bento Gonçalves e hoje pertencente ao município de Farroupilha . 68

4. NO BRASIL

4.1- COLONIA DONA ISABEL - LINHA JANZEN

Na Linha Janzen os irmãos Dalla Vecchia e a mãe, em dezembro de 1877 ou janeiro de 1878, ocuparam os lotes 143 e 144. Enquanto as famílias ficavam abrigadas no barracão comum aos imigrantes em D. Isabel, os homens derrubavam o mato para os primeiros plantios, quando o desmatamento não tivesse sido já efetuado pelo próprio governo, com a mão de obra dos imigrantes que chegavam primeiro.

A primeira casa? Galhos de árvore formando um cercado, para proteger-se dos animais, um telhado de folhas especialmente de gerivá (coqueiro), ou ainda uma pequena barraca coberta com os lençóis do casal.

Até a primeira safra de milho, mandioca, feijão,

, imigrantes, muito embora o governo adiantasse algum dinheiro para alimentação, sementes e ferramentas para

a fome rondava as precárias casas dos

abóboras, trigo

68 ZANOTELLI, 1997, pg. 103. A Linha Janzen, com sua Vila Janzen e sua colônia hoje pertence ao município de Farroupilha.

80

os primeiros meses, como já dissemos. Pinhões abundantes, caça e pesca, raízes e frutos do mato aliviavam a situação.

Derrubado o mato, feita a semeadura, enquanto não chegasse a safra, os irmãos Ângelo e Pedro trabalhavam, como todo imigrante, na construção e reparo das estradas federais, para o quê o governo garantia 15 dias de emprego mensal nos 6 primeiros meses. O salário era de 1$ 500 R (mil e quinhentos reis) por dia. A terra era comprada do governo a 3 réis à braça quadrada (4,84m2). O lote de terra de 25 hectares (era uma colônia) poderia ser pago com cerca de 3 meses de salário. Ou pago depois de 5 anos de carência.

Quando não havia trabalho em obras do Império, havia trabalho nas estâncias de gado de Vacaria que não distavam muito dali. Foi assim que, segundo contam os filhos de Ângelo , especialmente Maria Luiza, seu pai e o tio Pedro trabalharam na estância do General Deodoro da Fonseca, que foi depois presidente do Brasil e que, então, desempenhava alta função militar no RS. A estância dele ficava em Vacaria. Ângelo e Pedro trabalhavam juntamente com escravos, na construção de cercas de pedra. Ali eles aprenderam das escravas a fazer queijos especiais utilizando a coalheira de vaca, para coalhar o leite.

Na Colônia Izabela, um ano e meio depois da chegada, Ângelo casou com Angela Serafini em

81

7/6/1880 sendo celebrante o P. Giovanni Menegoto 69 . Angela era filha de Carlo Serafini e Maria Danda naturais de Chiampo, Vicenza. Tiveram 15 filhos, sendo que duas gêmeas faleceram pequenas e um menino também morreu criança. Viúvo de Angela, Ângelo casou, depois, com Fortunata Grazziola e com ela teve mais 10 filhos, como se especifica na árvore genealógica.

Alguns anos após, os Dalla Vecchia vão para a nova Colônia de Encantado, então distrito de Estrela.

As fertilíssimas margens do rio Taquari e afluentes atraíram desde cedo os Dalla Vecchia Encantado.

atraíram desde cedo os Dalla Vecchia – Encantado. 6 9 Livro de Casamentos n.1 pg. 84

69 Livro de Casamentos n.1 pg. 84 n. 34 Paróquia S. Bento de D. Izabela (Bento Gonçalves). “Ângelo Dalla Vecchia, fu Beniamino e Domenica Dalla Barba - de Montemezzo, Vicenza - nascido em 6.2.1860, residente na linha

Janzen, 143 da Izabela, contadino. Spozato a 7.6.1880 com Angela Serafini figlia de Carlo Serafini e Maria Danda nascida em Chiampo, Vicenza em 2.8.1859, agricultora, menor. Pe. Giovanni Menegoto”.

82

Fertilíssimas várzeas do Rio Taquari entre Encantado e Roca Sales Primeira capela de Encantado, 1888

Fertilíssimas várzeas do Rio Taquari entre Encantado e Roca Sales

várzeas do Rio Taquari entre Encantado e Roca Sales Primeira capela de Encantado, 1888 – in

Primeira capela de Encantado, 1888 in Ferri, Encantado, 17.

83

Igreja de Encantado em 1933. In FERRi, 100 anos pg. 61. O altar mór desta

Igreja de Encantado em 1933. In FERRi, 100 anos pg. 61.

O altar mór desta igreja de Encantado foi feito por Pedro Dalla Barba Dalla Vecchia. Hoje, este altar está na capela de Lambari. Pedro e Ângelo foram fabriqueiros desta Igreja de cujo lançamento da pedra fundamental participaram. Aqui foram batizados e crismados muitos Dalla Vecchia, incluindo Jandir João Dalla Vecchia Zanotelli. O livro tombo relata muitas atividades dos DV.

Pedro casou, nesta Igreja de Encantado, com Catarina Censi com quem teve 3 filhos. Viúvo, casou

84

com Páscoa Censi com quem teve outros 11 filhos, como se verá.

Páscoa Censi com quem teve outros 11 filhos, como se verá. Igreja de Encantado em 2000

Igreja de Encantado em 2000 Símbolo de fé e de identidade.

Esta foi a primeira paróquia da congregação dos Carlistas, fundada especialmente para acompanhar os imigrantes italianos que vinham para o Brasil. João B. Scalabrini fundou-a em Milão, ao perceber o desamparo daqueles emigrantes que abandonavam suas comunidades e se aventuravam, sem guia espiritual pelas florestas da América. Ele próprio visitou esta paróquia depois.

lembram

e sempre sua estreita relação, como se pode ver abaixo.

Valdastico

de

Vicenza

Encantado

85

Placa comem. do Gemellaggio de Encantado e Valdastico em Giovanni Pretto , é pai de

Placa comem. do Gemellaggio de Encantado e Valdastico em

Giovanni Pretto , é pai de Rosa casada com Beniamino

Dalla Vecchia (filho de Ângelo). In FERRI, Gemel, pg. 126.

1993.

Dalla Vecchia (filho de Ângelo). In FERRI, Gemel, pg. 126. 1993. A Igreja de S. Carlos

A Igreja de S. Carlos em Jacarezinho, Encantado.

86

4.2 DE JACAREZINHO AUXILIADORA PARA O BRASIL

Para as colônias particulares abertas em Estrela, que compreendia o atual município de Encantado com as colônias de Jacaré, Jacarezinho, Capitão, os irmãos Angelo e Pedro Dalla Vecchia descem desde a Linha Janzen para Jacarezinho (linha N. S. Auxiliadora) no início da década de 1890.

(linha N. S. Auxiliadora) no início da década de 1890. Capela de Nossa Senhora Auxiliadora -

Capela de Nossa Senhora Auxiliadora - em Jacarezinho

Na onda de expansão da colonização no RS, os Dalla Vechhia seguem o seguinte roteiro:

87

1877 chegam à Colônia Izabela (hoje Bento Gonçalves) e se instalam na Linha Janzen; 1882-1892 deslocam-se para a Colônia Jacaré, em Encantado, e situam-se na linha Jacarezinho (N.Sra. Auxiliadora), onde até hoje permanece um núcleo de descendentes. A data mais provável da descida da Colônia Izabela para Encantado é 1891. 1908, fundada a colônia de Erechim (então Paiol Grande) e a de Marcelino Ramos ao norte do RS, alguns se deslocam para lá. A maioria dos Dalla Vecchia, especialmente de Pedro, migra para Erechim (Barra do Rio Azul, linha Pinhão) no final da década de

1930;

Nessa mesma década alguns Dalla Vecchia migram de Encantado ou de Erechim para as colônias recentemente abertas no Oeste de Santa Catarina e Paraná 70 ; Posteriormente, e especialmente depois de 1960, a migração dos Dalla Vecchia se fez para todo o Brasil, notadamente para o Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia; um grupo de Dalla Vecchia, especialmente vinculados a Carlos, filho de Pedro, no final da década de 1990 deslocou-se para Rondônia.

70 Sirva como exemplo: Beniamino ou Benjamim, o filho primogênito de

Ângelo que, em 1932 sai de Encantado e fixa-se em Ponte Serrada, município de Cruzeiro (atual Joaçaba) no oeste de Santa Catarina

88

Atualmente, no contexto de modernização e urbanização do Brasil, os Dalla Vecchia, já não podem ser identificados como prioritariamente agricultores, muito embora os Dalla Vecchia trazem na alma e nos calos das mãos o gosto rude da terra. Dentre eles há muitos intelectuais, sacerdotes, profissionais liberais, artistas, comerciantes, políticos, industriais, pecuaristas

71

71 Benjamim Dalla Vecchia, filho mais velho de Ângelo Dalla Vecchia e Angela Serafini, casado com Rosa Pretto, nascido em Linha Janzen, Bento Gonçalves, e tendo migrado para Jacarezinho no final do século XIX, saiu de Jacarezinho (Auxiliadora) para Xapecozinho, município de Cruzeiro ( hoje Joaçaba) em 1932. Acompanhado de seus filhos (eram 11), sendo que as filhas freiras Maria, Ana e Pierina, ficaram nos conventos do RS. Com toda a mudança carregada num pequeno caminhão Chevrolet, num Domingo à tarde de abril, deixa Jacarezinho e sobe até Passo Fundo onde chega 3 a .feira ao meio dia (A distância entre essas localidades não superava a 200 kms). Toma o trem (Maria Fumaça) 4 a . feira às 22 hs., e, passando por Marcelino Ramos, chega em Cruzeiro na 5 a . feira à tardinha. Na 6 a . feira, com outro caminhão Chevrolet, viaja (90 kms.) para Ponte Serrada, chegando lá Sábado à tarde. Na memória desses migrantes permanece viva até hoje a imagem da chuva, dos atoleiros, da quase inviabilidade das estradas e picadas. De 9 de abril até final de maio de 1932, a família de Benjamim, é hospedada em casa de João Dalla Vecchia (de alcunha João Sapateiro) que era irmão de Benjamim. Era casado com Maria Spezato e já residia há alguns anos em Ponte Serrada. Dias depois da chegada, João e Antônio filhos de Benjamim, acompanhados do tio João (Sapateiro) deslocam-se até Xapecozinho onde já residia Ângelo Dalla Vecchia (filho de Pedro Dalla Vecchia), casado com Leonora (Nori) Dellazzari e que já residia ali há alguns anos, para localizarem a gleba de Benjamim e construirem nela uma casa. Benjamim comprara as terras da Cia. Ângelo de Carli em Caxias do Sul que, por sua vez adaquirira a área (Fazenda Ressaca) de Zeferino de Almeida Bueno, um grande fazendeiro de Palmas. Pronta a nova moradia (uma casa de madeira de 9,50m por 6 ms.) para lá vai a família de Benjamim e ali fica até 1971.Benjamim morre em Xapecozinho em setembro de 1949. Os filhos casam e se dispersam pelo Brasil. Antônio, em 1971 se desloca para a cidade de Anchieta. Duas observações que Antônio guardou até hoje: por muitos anos era grande a saudade do Rio Grande (as comunicações eram dificílimas); os

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Em tudo, o trabalho dos Dalla Vecchia lembra o lema : esser Paron

O trabalho em mutirão ou “puxerão”, era costume benfazejo entre os imigrantes, com tradições na vida missioneira do RS.

A entreajuda para cuidar dos doentes, para assistir as viúvas, para compor um pequeno dote para o casamento, etc. marcará a vida dessas comunidades.

Mesmo residindo uns ao lado dos outros e não como acontecia na Itália em que as famílias viviam num vilarejo e trabalhavam ao redor dele, o sentido comunitário continuou o horizonte de vida desses imigrantes. Quando a participação na comunidade se fizesse difícil, difícil se tornava a vida de cada um.

Depois de muitos encontros-desencontros com um Brasil republicano onde o público e o estatal se

“caboclos” da região tinham viva lembrança da luta do Contestado. ( Esta, como se sabe, foi a luta encarniçada dos colonos, posseiros e pequenos serradores, contra a concessão dada à companhia inglesa que construiu a estrada de ferro pela qual esta podia explorar a madeira dos pinheirais e as terras na faixa de 15 km de cada lado da ferrovia, além de amplas fazendas que essas companhias haviam adquirido do governo em terras que eram reivindicadas simultaneamente pelos Estados do Paraná e Santa Catarina. Os colonos , “posseiros” , eram liderados por José Maria sucessor de João Maria, que os colonos chamavam de “São João Maria”, foram, ao final massacrados pelo exército brasileiro (de 1911 a 1915) a mando do General Fernando Setembrino de Carvalho, o mesmo que terminou a Revolução gaúcha de 1923. Ponte Serrada fica bem próximo de Irani e Taquaruçu, principal lugar de enfrentamento).

90

confundem, o caráter comunitário original faz falta para encontrar saídas à participação política, não só para estas famílias, mas para as perspectivas da nacionalidade brasileira.

mas para as perspectivas da nacionalidade brasileira. Os Dalla Vecchia em mutirão para arrumar as estradas

Os Dalla Vecchia em mutirão para arrumar as estradas no início do século XX: Modalidade de pagamento de imposto territorial mediante dias de trabalho arrumando as estradas. Instrumentos de trabalho: pá, picareta, enxada. José Censi DV (capataz), Quinto Lorenzon, Batista DV ( irmão de José), Leonel DV (filho de Pedro, neto de Ângelo), Mário DV (filho do capataz), Constantino DV (irmão de Leonel), Genuíno DV (filho de Luiz, neto de Ângelo), Remígio DV (filho de José, capataz, irmão de Ivo DV e de Padre Avelino DV. Arrumar as estradas, especialmente logo após as chuvas da primavera era obrigação, festa e vinculação à administração política do município. O capataz do grupo será valorizado.

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Aspectos de Jacarezinho, Encantado. As terras à esquerda pertenceram a Antônio Vicenzi Dalla Vecchia, filho

Aspectos de Jacarezinho, Encantado.

As terras à esquerda pertenceram a Antônio Vicenzi Dalla Vecchia, filho mais velho de Pedro. Pedro, com sua numerosa prole continuou a viver até a morte, quatro quilômetros acima neste mesmo vale. As montanhas ao fundo foram de João Zanotelli cujo filho Leonel casou com Ana Catarina Dadalt Dalla Vecchia, filha de Antonio.

Na foto Vinícius e Rosana Zanotelli, Agenor Zanotelli e Ruth Zanotelli casada com estwe autor Jandir J. Zanotelli. O asfalto facilitou a vida desses descendentes italianos. A modernidade se faz presente não só nos equipamentos disponíveis como TV, internet, automóveis, mas no próprio modo de viver

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Em Jacarezinho, entre a Igreja de S. Carlos e a de N.S. Auxiliadora, numa casa

Em Jacarezinho, entre a Igreja de S. Carlos e a de N.S. Auxiliadora, numa casa semelhante a essa, em frente a qual estão situados os descendentes de Zanotelli Dalla Vecchia nasceram João Zanotelli, seu filho Leonel Zanotelli e o neto Jandir João Dalla Vecchia Zanotelli.

De Jacarezinho, alguns Dalla Vecchia irão para Erechim, Marcelino Ramos e para o Oeste Catarinense, Xapecozinho, fundos da fazenda Ressaca. Xapecozinho teve como primeiro habitante Angelo, filho de Pedro, irmão de Antonio. As dívidas fizeram com que, com quase nada, se mandasse para os fundos dos sertões do Oeste Catarinense, para tentar nova vida.

93

A cachoeira do rio Xapecozinho em Santa Catarina dividia as terras de Ângelo DV filho

A cachoeira do rio Xapecozinho em Santa Catarina dividia as terras de Ângelo DV filho de Pedro (acima) e moviam seu alambique, das de Benjamim Serafini DV(abaixo).

e moviam seu alambique, das de Benjamim Serafini DV(abaixo). Xapecozinho, hoje D. Carlos, para onde os

Xapecozinho, hoje D. Carlos, para onde os DV emigram em

1932.

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Antonio, solidário nas dívidas do irmão Ângelo, pagou as dívidas com o suor de todos os filhos. Cinquenta anos depois, Angelo, retornou ao Pinhão, para onde havia migrado Antônio, reencontrou o irmão Antonio para uma reconciliação.

reencontrou o irmão Antonio para uma reconciliação. A família de Benjamim Dalla Vecchia cc Rosa Pretto

A família de Benjamim Dalla Vecchia cc Rosa Pretto que emigrou para Santa Catarina com os filhos João, Antonio e André e as filhas Maria, Ana, Ema, Pierina, Gema, Olinda e Helena

seus

moinhos e serrarias encontrava sempre o trabalho

operoso dos Dalla Vecchia

A

criação

da

cidade,

com

suas

igrejas,

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Igreja de Xapecozinho. O primeiro à direita é Antonio Luiz Dalla Vecchia filho de Benjamim

Igreja de Xapecozinho. O primeiro à direita é Antonio Luiz Dalla Vecchia filho de Benjamim DV, este filho de Ângelo. À esquerda, o último é Ângelo Dalla Vecchia filho de Pedro DV.

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Xapecozinho – casa de Antonio Dalla Vecchia – construída por elel próprio. Terras novas desafios

Xapecozinhocasa de Antonio Dalla Vecchia construída por elel próprio. Terras novas desafios e auto-determinação, e a capacidade técnica aprendida junto aos pais, abrem espaço.

e a capacidade técnica aprendida junto aos pais, abrem espaço. Bodas de ouro de Antonio e

Bodas de ouro de Antonio e Dosolina com os filhos

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`Filhos de Antonio: Fiorindo, Faustino, Antonio, Dosolina, Sírio, Agostinho e Vendelino Antônio, Ir. Pierina, Ir.

`Filhos de Antonio: Fiorindo, Faustino, Antonio, Dosolina, Sírio, Agostinho e Vendelino

Faustino, Antonio, Dosolina, Sírio, Agostinho e Vendelino Antônio, Ir. Pierina, Ir. Ana, João e Helena Dalla

Antônio, Ir. Pierina, Ir. Ana, João e Helena Dalla Vecchia, filhos de Benjamim e netos de Ângelo Dalla Barba Dalla Vecchia.

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Igreja de Barra do Rio Azul, município de Erechim, RS, para onde emigraram Dalla Vecchia

Igreja de Barra do Rio Azul, município de Erechim, RS, para onde emigraram Dalla Vecchia em 1938. Ruth, revendo raízes.

onde emigraram Dalla Vecchia em 1938. Ruth, revendo raízes. Residência de Emílio Bagatini, c.c. Maria Dadalt

Residência de Emílio Bagatini, c.c. Maria Dadalt Dalla Vecchia, filha de Antônio e neta de Pedro, na Barra do Rio Azul

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Em Barra do Rio Azul, na casa de Maria Dadalt Dalla Vecchia casada com Emílio

Em Barra do Rio Azul, na casa de Maria Dadalt Dalla Vecchia casada com Emílio Bagatini aparecem, sentados: Maria Dadalt Dalla Vecchia e Emílio Bagatini com a neta. De pé:

Itelvina Dalla Vecchia Zanotelli e Jandir João DV Zanotelli, netos de Antônio e bisnetos de Pedro Dalla Barba DV.

Emílio e Maria seguiram Antonio Censi Dalla Vecchia quando, em 1938 migraram de Jacarezinho para Erechim, especificamente para a Linha Pinhão e Barra do Rio Azul. Carlos, o irmão de Antônio, também foi ao Pinhão. Mais tarde Carlos e filhos foram para Santa Catarina e Oeste do Paraná.

100

A linha Pinhão – Barra do Rio Azul – vista do alto – . Para

A linha Pinhão Barra do Rio Azul vista do alto . Para aqui Antônio Dalla Vecchia e Francisca Dadalt migraram em 1938. Na foto Itelvina neta de Antônio e seu marido Basílio Michelon

Segue a relação mais pormenorizada de Ângelo (II) e de Pedro (III) Dalla Vecchia

101

II - DESCENDENTES DE ANGELO DALLA

BARBA

DALLA VECCHIA

Casado com Ângela Serafini, Ângelo teve os 14 filhos Família a seguir: de 1. Benjamim c.c. Rosa Pretto. 2.Luís c.c. Fortuna Bagatini 3. João c.c. Maria Spezzatto. 4. Carlos c.c. Augusta Dadalt. 5. Pedro c.c. Vitória Buvié. 6. Maria (freira). 7. Luiza (freira). 8. Rosina (freira). 9. Pierina c.c. Luciano Dellazzari. 10. Ermínia c.c. Eurico Fontana. 11.Ricardo c.c. Rosa Dellazzari. 12. Antonieta c.c. Ângelo Mazziero. As de número 13 e 14: meninas gêmeas, morreram crianças.

Viúvo, Ângelo casou com Fortunata Grazziola com quem teve dez filhos: 1. Ângela, faleceu solteira. 2. Dosolina c.c. Albino Buvié. 3.Josefina c.c. Martin de Conto. 4. José (Beppi del Buso) c.c. Fiolomena Berti. 5. Maria Luiza (freira). 6. Inês c.c. Luís de Conto. 7. Augusto c.c. Ana de Conto. 8. Jorge c.c. Elvira Tiecker. 9. Gema c.c. Albino Grazziola. 10. Romana (solteira).

103

Família de Angelo Dalla Barba Dalla Vecchia e Fortunata Graziola: José, Augusto, Ângela, Maria Luiza,

Família de Angelo Dalla Barba Dalla Vecchia e Fortunata Graziola: José, Augusto, Ângela, Maria Luiza, Inês, Gema, Dosolina, Josefina, Romana e Jorge. Fortunata, sentada, está com uma criança no colo e Ângelo com suas botas características.

Ângelo Dalla Barba Dalla Vecchia, filho de Beniamino Dalla Vecchia e Domenica Dalla Barba, nasceu em Montecchio Maggiore, Montemezzo, Vicenza, em 6.2.1860. Veio ao Brasil com o irmão Pedro e a mãe. O pai e a irmã Catarina morreram na viagem, no mar. Casou com Angela Serafini e, viúvo, com Fortunata Grazziola em Jacarezinho. Teve 24 filhos.

104

A seguir, os filhos de Ângelo com a respectiva descendência:

seguir, os filhos de Ângelo com a respectiva descendência: 1. Benjamim Serafini Dalla Vecchia , cc

1. Benjamim Serafini Dalla Vecchia, cc Rosa Pretto, na Linha Auxiliadora, Encantado. Em 1932 foi para Xapecozinho, SC. Teve 11 filhos: 1.Maria (freira); 2.Pierina (freira); 3. Ana (freira); 4. João cc Idalina Fachinelo Destri; 5. Antônio cc Dosolina Bocchi; 6. André (+ solteiro); 7. Olinda cc Aquiles Mazzotti; 8. Helena cc Genuíno Gugel; 9. Valentim (+ solteiro) 10. Inês cc Abel Macagnan; 11. Gema cc Primeto Basanella.

105

Família de Benjamim Serafini Dalla Vecchia cc Rosa Pretto. Irmã Pierina (Santos SP) Ir. Maria

Família de Benjamim Serafini Dalla Vecchia cc Rosa Pretto.

Família de Benjamim Serafini Dalla Vecchia cc Rosa Pretto. Irmã Pierina (Santos SP) Ir. Maria (Encantado

Irmã Pierina (Santos SP) Ir. Maria (Encantado RS), Ir. Ana (Casca RS), com a mãe Rosa Pretto Dalla Vecchia, sendo que as irmãs são netas de Angelo Dalla Vecchia

106

A viúva Rosa Pretto com os netos em Xapecozinho, Santa Catarina. Acima - Antonio, Ir.

A viúva Rosa Pretto com os netos em Xapecozinho, Santa Catarina.

Rosa Pretto com os netos em Xapecozinho, Santa Catarina. Acima - Antonio, Ir. Pierina, Ir. Ana

Acima - Antonio, Ir. Pierina, Ir. Ana (50 anos de opção religiosa), João e Helena: irmãos, fillhos de Benjamin Serafini Dalla Vecchia e Rosa Pretto.

107

João Pretto Dalla Vecchia cc Idalina Dalla Vecchia Dosolina Bocchhi cc Antonio Pretto Dalla Vecchia

João Pretto Dalla Vecchia cc Idalina Dalla Vecchia

João Pretto Dalla Vecchia cc Idalina Dalla Vecchia Dosolina Bocchhi cc Antonio Pretto Dalla Vecchia 108
João Pretto Dalla Vecchia cc Idalina Dalla Vecchia Dosolina Bocchhi cc Antonio Pretto Dalla Vecchia 108

Dosolina Bocchhi cc Antonio Pretto Dalla Vecchia

108

Ao lado de Padre Foscalo está José Pretto (Tita Galina), pai de Rosa casada com

Ao lado de Padre Foscalo está José Pretto (Tita Galina), pai de Rosa casada com Benjamim Serafini Dalla Vecchia

pai de Rosa casada com Benjamim Serafini Dalla Vecchia Família de Antonio Pretto Dalla Vecchia e

Família de Antonio Pretto Dalla Vecchia e Dosolina Bocchi Dalla Vecchia, em Anchieta SC, com os filhos, da esquerda para a direita: Vendelino, Agostinho, Ércules, Sírio, Faustino, Fiorindo.

109

Fiorindo Bocchi Dalla Vecchia (à esquerda) cc Adelaide Capeletti e seus oito filhos Ir. Faustino

Fiorindo Bocchi Dalla Vecchia (à esquerda) cc Adelaide Capeletti e seus oito filhos

(à esquerda) cc Adelaide Capeletti e seus oito filhos Ir. Faustino Bocchi Dalla Vecchia sendo recebido

Ir. Faustino Bocchi Dalla Vecchia sendo recebido por João Paulo II no Vaticano.

110

Regina, Ir. Pierina, Ir. Faustino e Ir. Rosina todos Dalla Vecchia. Sírio Bocchi Dalla Vecchia

Regina, Ir. Pierina, Ir. Faustino e Ir. Rosina todos Dalla Vecchia.

Regina, Ir. Pierina, Ir. Faustino e Ir. Rosina todos Dalla Vecchia. Sírio Bocchi Dalla Vecchia cc

Sírio Bocchi Dalla Vecchia cc Lurdes Gubert

111

Ércules cc com Edna de Mello. Os filhos:Alexander de Mello Dalla Vecchia cc Selma Valkíria Alves Dalla Vecchia com a filha

Vecchia cc Selma Valkíria Alves Dalla Vecchia com a filha Lisandra. Fabiana de Mello Dalla Vecchia

Lisandra. Fabiana de Mello Dalla Vecchia cc Émerson de Souza Bueno com o filho Caio Felipe Dalla Vecchia Sacardi Bueno e Simone Dalla Vecchia

112

2. -Luiz Serafini Dalla Vecchia, casou com Fortunata Bagatini, em Encantado e teve 7 filhos:

2. -Luiz Serafini Dalla Vecchia, casou com Fortunata Bagatini, em Encantado e teve 7 filhos: 1. Albino cc Ítala Pretto; 2. Clemente cc Gema Zanotta; 3. Guerino cc Cândida De Conto; 4. Rafael cc Messia Lorenzon; 5. Maria cc Guido de Conto; 6. Madalena cc Martin Pederiva; 7. Ângelo falecido pequeno. (Em ordem, da esquerda: Maria, Fortunata, Madalena, Albino, Luis e Angelo)

Ângelo Baagatini Dalla Vecchia, filho de Luiz e neto de Ângelo Dalla Vecchia. (4.7.1911

4.6.1965

113

e Angelo) Ângelo Baagatini Dalla Vecchia, filho de Luiz e neto de Ângelo Dalla Vecchia. (4.7.1911

3-João Serafini Dalla Vecchia, casado com Maria Spezato, era sapateiro na Linha Macaquinho, Encantado. Teve dificuldades para saldar dívidas de empréstimo e foi morar em Ponte Serrada SC. Teve 3 filhos: 1. Belarmino; 2. Angelo (Angelin); 3. Gomercindo

4.Carlos Serafini Dalla Vecchia e sua esposa Augusta Dadalt. Casou na Linha Auxiliadora, foi morar em Pinhão Aratiba (em 1938) juntamente com seu Genro João Dellazari), e depois em Nonoai.

com seu Genro João Dellazari), e depois em Nonoai. Filhos: Antônio (comerciante na Barra do Rio

Filhos: Antônio (comerciante na Barra do Rio Azul), Virgínio, Martin.

114

Carlos Dalla Vecchia e família como diz a foto 5.Pedro Serafini Dalla Vecchia , casado

Carlos Dalla Vecchia e família como diz a foto

5.Pedro Serafini Dalla Vecchia, casado com Vitória Buvié viveu na Linha Auxiliadora, Encantado e teve 12

Buvié viveu na Linha Auxiliadora, Encantado e teve 12 filhos: 1. Leonel cc Elza Zanatta; 2.

filhos: 1. Leonel cc Elza Zanatta; 2. Rita cc Desidério

115

Dellazzari; 3. Rosália cc Leonel Valandro; 4. Nairton cc Maria Grazziola; 5. Romildo cc Nair Lorenzon; 6. Paulina cc Dionísio Sbarderoto; 7. Marta cc Romano Grazziola; 8. Galdino cc Ana Grazziola; 9. Constantino cc Josephina (Pina) Flech; 10. Elza cc Orestes Conte; 11. Gila cc Remígio Grazziola; 12. Lídia cc Egídio Grazziola.

cc Josephina (Pina) Flech; 10. Elza cc Orestes Conte; 11. Gila cc Remígio Grazziola; 12. Lídia
cc Josephina (Pina) Flech; 10. Elza cc Orestes Conte; 11. Gila cc Remígio Grazziola; 12. Lídia

116

Pais e irmãos da esposa Leonel Dalla Vecchia,Elza Zanata ; fotos da família de Leonel,

Pais e irmãos da esposa Leonel Dalla Vecchia,Elza Zanata ; fotos da família de Leonel, filho de Pedro e Neto de Angelo Serafini Dalla Vecchia.

6. Maria Serafini Dalla Vecchia, filha de Ângelo e Angela Serafini, foi freira do Imaculado Coração de Maria.

7.

Luiza

Serafini

Dalla

Vecchia,

freira

da

Congregação do Imaculado Coração de Maria

117

8.Rosina Serafini Dalla Vecchia , irmã carlista, trabalhava em hospital. Faleceu em Jundiaí SP com

8.Rosina

Serafini

Dalla

Vecchia,

irmã

carlista,

trabalhava em hospital. Faleceu em Jundiaí SP

com

Luciano Dellazzari, na Linha Sagrada Família em Encantado, teve 2 filhos: Anselmo e Gema.

9.Pierina

Serafini

Dalla

Vecchia,

casada

118

10.Ermínia Serafini Dalla Vecchia casada com Eurico Fontana e seus três filhos: Deosene, Erasmo e

10.Ermínia Serafini Dalla Vecchia casada com Eurico Fontana e seus três filhos: Deosene, Erasmo e Mercedes.

11.Ricardo

Serafini

Dalla

Vecchia,

casado

com

Rosa Dellazzari, foi residir em Marau RS e teve 4 filhos:

1. Adolfo; 2. Alício; 3. Angélica; 4. Otávio.

12. Antonieta Serafini Dalla Vecchia (Tonina), casada com Ângelo Mazziero, residiu em Lageadinho, Encantado

13. Gêmea faleceu criança

14. Gêmea faleceu criança.

119

DESCENDENTES

DALLA VECCHIA CASADO COM FORTUNATA GRAZZIOLA

BARBA

DE

ANGELO

DALLA

15. Angela Grazziola Dalla Vecchia, faleceu solteira

16. Dosolina Grazziola Dalla Vecchia cc Albino Buvié

17. Josefina Grazziola Dalla Vecchia cc Martin de

Conto

17. Josefina Grazziola Dalla Vecchia cc Martin de Conto 18. José Grazziola Dalla Vecchia (Bepi del

18. José Grazziola Dalla Vecchia (Bepi del Buso) cc

Filomena Berti. Produzia mel famoso, é lembrado pelos companheiros de quatrilho e pelo acerto do pagamento

120

das talhas até o último palito. Recebia com amendoim e batata doce em longas noites de inverno. (informou Ivo DV e Leonel Z.)

2.19. Maria Luiza Grazziola Dalla Vecchia, ir. Aquilina em Vale Veneto.

Luiza Grazziola Dalla Vecchia , ir. Aquilina em Vale Veneto. Maria Luiza à frente, Lídia Dalla

Maria Luiza à frente, Lídia Dalla Vecchia, Olinda, Ida e Romana

20. Inês Grazziola Dalla Vecchia cc Luiz de Conto

121

Maria Luiza à frente, Lídia Dalla Vecchia, Olinda, Ida e Romana 20. Inês Grazziola Dalla Vecchia
Acima, fotos da família de Leonel Dalla Vecchia 122
Acima, fotos da família de Leonel Dalla Vecchia 122

Acima, fotos da família de Leonel Dalla Vecchia

122

Família de Martin Pederiva casado com DV
Família de Martin Pederiva casado com DV

21.

Augusto Grazziola Dalla Vechia cc Ana De Conto

22.

Jorge Grazziola Dalla Vecchia cc Elvira Mekel Viúvo, casou com Amélia Bertozzi

23.

Gema

Grazziola

Dalla

Vechia

cc

Albino

Grazziola

24. Romana Grazziola Dalla Vecchia (solteira)

123

III = DESCENDENTES DE PEDRO DALLA BARBA DALLA VECCHIA

Reordemos que a família Dalla Vecchia provém da cidade e da República de Veneza. No século XIII desloca-se para o interior de Vicenza, localizando-se nas montanhas desde Schio, Lê Rocchete e Montemezzo.

Na onda migratória do final do século XIX, um grupo de Dalla Vecchia vem para o Brasil.

A maioria dos Dalla Vecchia do Rio Grande do Sul sabe-se descendente dos irmãos Pietro e Ângelo Dalla Vecchia.

Pietro e Ângelo vieram em 1878 acompanhados pelos pais Beniamino Dalla Vecchia e Domenica Fantoni Dalla Barba, bem como de sua irmã de meses de idade Catarina Dalla Barba Dalla Vecchia.

Sabe-se que Beniamino morreu na viagem e foi jogado ao mar. A filhinha, definhando o leite da mãe também morreu na viagem.

124

Beniamino é filho de Ângelo Colla Dalla Vecchia

e de Orsola Pozzan 72 . Ângelo tinha sete (7) irmãos:

Rosa, Maddalena, Verônica, Palma Oliva, Giovanni, Cornélio e Pietro Luigi.

Ângelo, por sua vez, é filho de Antonio Dalla Vecchia e Maddalena Colla, e tinha uma irmã chamada Virginia.

O casal de imigrantes Beniamino Dalla Vecchia 73

e Domenica Dalla Barba 74 , vem, pois, com os filhos

Ângelo 75 , Pietro 76 e Catarina. Beniamino e Catarina morrem na viagem.

Segue

(Pedro)

a

história

dos

descendentes

de

Pietro

72 Livro de Casamentos da Paróquia Santa Maria e S. Vitola pg. 41, nº 3 (Montemezzo, Itália)

73 Beniamino nasceu em 05/03/1819 em Montemezzo, Montechi Maggiore Vicenza Itália e morreu no mar em 1878

74 Domenica nasceu em 26 de agosto de 1820 e o casamento com Beniamino

aconteceu em 23/02/1859. Cf. Livro 1 Casamentos da Paróquia Santo Antonio de Bento Gonçalves RS (Izabela) pg 84, nº 34. Conforme tb. Registro do Estado Civil da Paróquia de S. Bartolomeo, em Montemezzo de Sovizzo dos anos de 1849 a 1870 nº 2.

75 Ângelo nasceu em 06/02/1860 em Montecchi Maggiore, Montemezzo, Vicenza Itália e faleceu em 05/08/1946 em Jacarezinho, Auxiliadora, Encantado RS onde está sepultado.

76 Pietro, nasceu em Montemezzo, Vicenza, em 25 de fevereiro de 1864 e faleceu em Jacarezinho, Auxiliadora, em 05/11/1940.

125

Pedro Dalla Barba Dalla Vecchia, irmão de Ângelo, casou com Catarina Censi 7 7 e

Pedro Dalla Barba Dalla Vecchia, irmão de Ângelo, casou com Catarina Censi 77 e com ela teve 3 filhos:

77 Pedro casou com (Catarina) Luzia Censi filha de Francesco Censi e Catharina Maziero, em 11 de fevereiro de 1888, em Encantado, casamento, “intra missam” presidido pelo padre João Menegotto, sendo testemunhas Ezichiel Conzatti e João Batista Rossi conforme Livro 1 de Casamentos de Encantado pg. 76, nº10. Viúvo, casou com a irmã de Luzia Censi, Páscoa, nascida em 23 de maio de 1876 e falecida em 19 de julho de 1942

126

1.Antônio c.c. Francisca Dadalt. 2. Ângelo c.c. Leonora (Nori) Dellazzari. 3. Catarina c.c. Pedro Dellazzari.

Viúvo, casou com Páscoa Censi e com ela teve 12

filhos: 1. José c.c. Catarina (Catina) de Conto. 2. Luís c.c. Marta de Conto. 3. João c.c. Josephina Tiecher. 4. Augusto c.c. Elvira Turati. 5. Vitório c.c. Ângela Spezzatto. 6. Batista c.c. Rosa Bagatini. 7. Sílvio c.c. Maria Mússio. 8. Atílio cc Angelina Bagatini. 9. Lúcia

cc

João Buvié. 10. Maria cc Pedro de Conto. 11. Rosa

cc

Afonso de Conto. 12. Luiza c.c. Cesar Tiecher.

cc Afonso de Conto. 12. Luiza c.c. Cesar Tiecher. Pedro Dalla Barba Dalla Vecchia, à frente

Pedro Dalla Barba Dalla Vecchia, à frente ao lado de Padre

Foscalo; do outro lado do sacerdote está Giovanni Batista Pretto

3

2

1

4

(Tita Galina), e o maestro Ângelo Bergamaschi, com o coral de Encantado em 1929.

Pedro era músico, agricultor, carpinteiro e muito respeitado em todas estas profissões. Dirigia o coral da capela, participava do coral de Encantado. O altar da Igreja de Encantado foi produzido e esculpido por Pedro. Os instrumentos de trabalho também foram criados por ele.

O manguá em mãos do neto de Pedro, evidencia a engenhosidade da ligação dos bastão que além de bater sobre o feijão a debulhar, deveria rodar sobre si mesmo. Este instrumento foi feito e utilizado por Pedro.

de bater sobre o feijão a debulhar, deveria rodar sobre si mesmo. Este instrumento foi feito

128

O ancinho é também obra de Pedro. 129

O ancinho é também obra de Pedro.

129

A pá, de cedro, para joeirar o feijão, feitura original de Pedro Lápide de Pedro

A pá, de cedro, para joeirar o feijão, feitura original de Pedro

de cedro, para joeirar o feijão, feitura original de Pedro Lápide de Pedro e Páscoa Censi,

Lápide de Pedro e Páscoa Censi, no cemitério da capela da Sagrada Família, Jacarezinho, Encantado.

130

1.Antônio Censi Dalla Vecchia , o primogênito de Pedro, nasceu em 1888, casou com Francisca

1.Antônio Censi Dalla Vecchia, o primogênito de Pedro, nasceu em 1888, casou com Francisca Vicenzi Dadalt e com ela teve 12 filhos: 1.Albino cc Cesarina Bagatini; 2.João cc Maria Bagatini; 3. Maria cc Emílio Bagatini; 4 Ana cc Leonel Zanotelli; 5. José cc Amélia Cecchin; 6. Ângelo cc Leonilda Albertoni; 7. Rosa cc José Frigeri; 8. Vitório cc Élia Ferranti; 9. Inês cc José Muccelin; 10. Augusto cc Maria Pilatti; 11. Avelino cc Nair Dalla Rosa; 12. Davide falecido aos 6 anos.

131

t

t 2. Ângelo Censi Dalla Vecchia (fundos), cc Leonora Dellazzari (Nori), nasceu em Jacarezinho (Auxiliadora) construiu

2. Ângelo Censi Dalla Vecchia

(fundos), cc Leonora Dellazzari (Nori), nasceu em Jacarezinho (Auxiliadora) construiu um moinho na Auxiliadora, teve seus negócios conturbados; foi morar em Vargeão, Xapecozinho, Santa Catarina onde instalou alambique, além de trabalhar com barca sobre o rio Xapecozinho. Ele e seus descendentes deslocaram-se depois para Capanema PR.

Teve 9 filhos: 1. Etore; 2. Pacífico; 3. Olga cc com Tiecher; 4. Ferdinando cc Gugel; 5. Aurélio cc Dionilde Schio; 6. Ernesto; 7. Davide; 8. Orestes; 9. Alice.

As dificuldades nos negócios, nem sempre formalizados, geraram, por vezes até desencontros nas relações familiares e de vizinhança. 78

78 Em sociedade com Antonio, Angelo construiu um moinho movido a água nos altos da Sagrada Família. Este moinho depois foi vendido a Giacomo Cristani para onde eu (Jandir) ia montado em meu burrinho, com um saco (60 kg) de milho ou trigo para moer e trazer farinha, farelo e semolina. A cada saco de milho retornava cerca de 50 kg de farinha e 4 de farelo. A cada saco de trigo bom, cerca de 45 kg de farinha, cinco a sete kg de semolina e 5 ou 6 kg de farelo. Pagava-se a moagem em dinheiro (1.500 réis) ou descontava-se o equivalente em farinha. Quando Angelo migrou para Xapecozinho SC, c oube a Antonio liquidar as Liquidadas as dívidas restantes do moinho. Honradas as dívidas, com o alambique, Antonio, deixa as ”terras velhas” de Encantado e vai, em 1938, para Pinhão Aratiba com toda a família para dívidas tentar nova sorte (em “terras novas”)

132

3 Catarina Censi Dalla Vecchia casou com Pedro Dellazari e viveu na linha Sagrada Família, em Encantado e teve 8 filhos: Albino, Severino, Luiza cc Antenor Valandro, Inês cc Bernardo Bagatini, Teresinha cc Balduíno Berté, Catarina, Maria cc Avelino Barbieri e Adelaide cc -Laste.

Catarina, Maria cc Avelino Barbieri e Adelaide cc -Laste. 4. José Censi Dalla Vecchia (filho de

4.

José

Censi

Dalla

Vecchia (filho de Pedro e

Páscoa), casou com Catarina (Catina) De Conto, viveu na Linha Auxiliadora, Encantado e teve 11 filhos: 1. Ida cc Manoel Bagatini; 2. Dervile cc Adolfina Bianchini; 3. Ivo cc Edi Secchi;

4. Genuino cc Rosa Lazzari; 5.

Mário cc Irma Bagatini; 6.

Remígio cc Alda Lucci 7. Olinda;

8. Adélia cc Alfeu Miotto; 9.

Gelindo cc Nédia Batisti; 10. Avelino, sacerdote; 11. Jovila cc

Aquilino Pederiva.

6. João Censi Dalla Vecchia. Casou com Josefina Tiecher. Migrou para Francisco Beltrão, PR. Filhos:

Sérgio e Gilda.

133

5 .Luiz Censi Dalla Vecchia , casado com Marta De Conto, fixou residência na Linha

5

.Luiz

Censi

Dalla

Vecchia, casado com Marta De Conto, fixou residência na Linha São Luiz, em Encantado (seus descendentes foram para Descanso SC ou Nova Bréscia RS) e teve 12 filhos: 1. Adolfina cc Jandir Nieckel; 2. Ciro cc Raquel Dellazzari; 3. Emílio cc Cesira Berté; 4. Adelino cc Ana Dellazzari; 5. Vinícios cc Neusa Dellazzari; 6. Deonilo cc Schena; 7. Gino; 8. Demétrio; 9. Olindo cc Barbieri; 10. Ana; 11. Zélia; 12. Davide

7 -Augusto Censi Dalla Vecchia, casou

com Elvira Tiecher e fixou residência em Encantado. Teve 3 filhos: 1. Leonildo; 2. Teresinha; 3. Jovila.

8 -Vitório Censi Dalla Vecchia,

casou com Ângela Spezzatto, comerciante em Estefânia e depois em Soledade, teve 8 filhos: 1. Primo; 2. Modesto; 3. Nelci cc Jair Camol; 4. Maria cc Jatir Mezzacasa; 5. Iraci; 6. Celito cc Dal Pian; 7. Alice cc

134

Cândido De Conto; 8. Teresinha;

9

-Batista

Censi

Dalla

Vecchia, casou com Rosa Bagatini (ao lado) e foi residir em Pato Branco PR. Teve 9 filhos: Dirce cc Eri Secchi; 2. Anair; 3.Agenor; 4. Darci; 5. Pedro; 6. Élia; 7. Iracilde; 8. Margarete; 9 Nelson.

5. Pedro; 6. Élia; 7. Iracilde; 8. Margarete; 9 Nelson. Rosa (Rosina) Bagatini (nascida em 13/09

Rosa (Rosina) Bagatini (nascida em 13/09 de 1917 e falecida em 09/10/1965) era casada com Batista Censi Dalla Vecchia, filho de Pedro e neto de Beniamino. Os filhos foram residir em Pato Branco, Paraná.

10 -Sílvio Censi Dalla Vecchia, casado com Maria

Mússio, morou na Sagrada Família, Aratiba, retornando depois para Relvado. Sabe-se que tinha dificuldade em saldar suas dívidas. Teve 7 filhos: 1. Alei; 2. Nilo cc Da Croce; 3. Amarildo; 4. Dolores; 5. Adiles; 6. Iraci; 7. Ivete.

11 -Atílio Censi Dalla Vecchia casou com Angelina

Bagatini (filha de Luís), foi residir em Aratiba onde era famoso com lapidação de pedras para túmulos. Teve um casal de filhos

12 - Lúcia Censi Dalla Vecchia casou com João Buvié,

morou em São Luiz, Encantado e teve 8 filhos: 1. Avelino cc Gema De Conto; 2. Dionísio; 3. Danilo; 4. Valdemir cc Gema Coferri; 5. Antenor cc Griti; 6. Claudino; 7. Adiles; 8. Odila.

135

13 -Maria Censi Dalla Vecchia, casada com Pedro De

Conto, fixou residência em Encantado e teve 3 filhos: 1. Olir; 2. Inês; 3. Ida cc Antônio Genesini (Gianesini)

14 - Rosa Censi Dalla Vecchia, casada com Afonso de

Conto, reside na Linha Argola, Encantado, e teve 5 filhos: 1. Jaime; 2. Albertina; 3. Teresinha cc Devide Grazziola; 4. Geni; 5. Valmor.

15 - Luiza Censi Dalla Vecchia, casada com Cesar

Tiecher,

1 -Descendentes de Antonio Censi Dalla Vecchia e Francisca Vicenzi Dadalt

136

Família de Antônio Vicenzi Dalla Vecchia e Francisca Dadalt- À página seguinte: Valentin Dadalt (casado

Família de Antônio Vicenzi Dalla Vecchia e Francisca Dadalt-

À página seguinte: Valentin Dadalt (casado com Desiderata Vicenzi), pai de: 1.Maria Dadalt casada com Franzel Bagatini; 2. Francisca Dadalt casada com Antônio Dalla Vecchia; 3. Guilherme casado com Ana; 4. Pedro casado com Luiza de Conto; 5. João casado com Arzila Pretto; 6. Angelino casado com Olinda Pretto; 7 Ana casada com Paulo Spezzatto; 8. Rosa casada com Santo de Michei; 9. Inês casada com Dorvalino Secchi; 10. Augusta casada com Carlos (Carleto) Dalla Vecchia; 11. Antônio morreu solteiro de apendicite; 12. Luís morreu solteiro na explosão de caldeira de alambique em Jacarezinho. Valentin usava um brinco de rubi. Viúvo, casou e recasou com Palmeira de tal com quem dispendeu seus bens.

137

138

138

A família de Antônio Censi Dalla Vecchia em 1918 com os filhos José, Albino João,

A família de Antônio Censi Dalla Vecchia em 1918 com os filhos José, Albino João, Ana e Maria.

em 1918 com os filhos José, Albino João, Ana e Maria. Família de Antônio e Francisca

Família de Antônio e Francisca em 1928. Ana, Maria, Albino, João, José. À frente: Rosa, Francisca, Vitório, Antônio, Ângelo.

139

Nas bodas de ouro de Antônio e Francisca (à direita) o carinho fraterno de José

Nas bodas de ouro de Antônio e Francisca (à direita) o carinho fraterno de José e Catarina, em Pinhão, Aratiba (ex-município de Erechim).

e Catarina, em Pinhão, Aratiba (ex-município de Erechim). Na Linha Pinhão – Aratiba – Antônio ao

Na Linha Pinhão Aratiba Antônio ao lado do Padre Vigário, e seu coral. À direita, sentado: Zanoelo

140

Bodas de Ouro de Antônio e Francisca DV em 1962, o grupo reunido aos fundos

Bodas de Ouro de Antônio e Francisca DV em 1962, o grupo reunido aos fundos das terras de Albino Dadalt Dalla Vecchia.

aos fundos das terras de Albino Dadalt Dalla Vecchia. Nas bodas de ouro Francisca e Antônio

Nas bodas de ouro Francisca e Antônio com as filhas : Inês, Rosa, Maria e Ana

141

Nas bodas de ouro de Antônio e Francisca, presentes os filhos: (De pé) Inês, Rosa,

Nas bodas de ouro de Antônio e Francisca, presentes os filhos:

(De pé) Inês, Rosa, Ângelo, Augusto, Avelino; (Sentados) Ana, Maria, Francisca, Antônio, Albino, José

(Sentados) Ana, Maria, Francisca, Antônio, Albino, José Albino Dadalt Dalla Vecchia , filho de Antônio DV

Albino Dadalt Dalla Vecchia, filho de Antônio DV e Francisca Dadalt, casado com Cesarina (Cesira) Bagatini, em Encantado, mudou-se para a Linha Pinhão, Aratiba, junto com o pai, em 1938. Até então administrava o moinho que fora do tio Ângelo na Linha Sagrada Família. Teve 10 filhos: 1. Jandir cc Rech; 2. Deolino cc Rech; 3. Clarice cc Ricieri Muccelin; 4. Nilo; 5. Vilma cc Fiorelo Deotti; 6. Terezinha cc Alfeu Stacklober; 7. Claudino cc Tremea; 8. Darci cc Signori; 9. Nair cc Valter Stacklober; 10 Ivanor cc Ida

142

João Dadalt Dalla Vecchia, casado com Maria Bagatini e seus filhos.Casou em Encantado e precedeu

João Dadalt Dalla Vecchia, casado com Maria Bagatini e seus filhos.Casou em Encantado e precedeu o pai indo para as terras novas da Linha Pinhão em Aratiba, então Erechim, em 1937.

Adélia Arlindo Ida Irma
Adélia
Arlindo
Ida
Irma

Maria

João

João

 

143

Maria Dadalt Dalla Vecchia , casada com Emílio Bagatini em Encantado em 9 de setembro

Maria

Dadalt

Dalla

Vecchia, casada com Emílio

Bagatini em Encantado em 9 de setembro de 1939, dias antes de seu pai Antônio ir para Pinhão- Aratiba, teve 11 filhos: 1. Irino cc Roselita Albertoni; 2. Olir cc Lurdes Rigo; 3. Valdir cc Ana Pavan; 4. Teresinha (+ criança); 5.Jovita cc Genuíno Serraglio; 6. Dilce (freira); 7. Flavina cc Eusébio Muraro; 8. Jacir cc Vilma Chaquine; 9. Valcir; 10. Neodir cc Salete Strapasson; 11.

Zélia cc Ezílio Fabiani.

Casou, no dia 9 de setembro de 1938, 15 dias depois de Leonel e Ana. Uma semana depois Antônio e Francisca iriam morar no Pinhão. O pai de Emílio

morreu assassinado na Barra do Jacarezinho, por questões de

terras. Emílio era amigo de cartas

e noitadas com Leonel Zanotelli

Impressiona ver como Antonio e Francisca, com bondade e paciência infinitas, com religiosidade que lhes guiava cada passo e cada momento do dia, conseguiram educar seus filhos e infundir especialmente nas filhas o espírito franciscano da simplicidade, de fazer bem o que estivesse fazendo e despertar amizades duradouras. A união das quatro filhas era admirável.

144

Ana Dadalt Dalla Vecchia , casada com Leonel Agostini Zanotelli em Encantado, residiu depois em

Ana Dadalt Dalla Vecchia, casada com Leonel Agostini Zanotelli em Encantado, residiu depois em Linha Pinhão, Bentevi (Aratiba), e depois retornou para Encantado, Soledade e Canoas RS, tendo 11 filhos: 1. Jandir cc Ruth Machado Ávila; 2. Geni (+ criança); 3. Gino cc Helena Schmit; 4. Irma cc Marcial Nardin; 5. Itelvina cc Basílio Michelon; 6. Ilva cc José Queiroz; 7. Castilo cc Rosa Xavier e, viúvo casou com Neiva Teresinha Pertile; 8. Clasi cc Carlos Pagnussatt; 9. Olir cc Gisele Barbosa; 10. Lírio cc Gislaine Barbosa; 11. Dinasir cc Maria Inês Pagnussatt.

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146 José Dadalt Dalla Vecchia cc Amélia. Casou no Pinhão, morou nas cabeceiras da Linha

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José Dadalt Dalla Vecchia cc Amélia. Casou no Pinhão, morou nas cabeceiras da Linha Pinhão. O

fruto do trabalho e das terras vendidas empregou em sociedade com Ângelo na Barra do Rio Novo e, no

insucesso

da

sociedade, comprou terra e alambique no

Saltinho, onde faleceu.

Rosa Dadalt Dalla Vecchia , casou em Encantado com José Frigeri e teve 7 filhos:
Rosa Dadalt Dalla Vecchia , casou em Encantado com José Frigeri e teve 7 filhos:

Rosa Dadalt Dalla Vecchia, casou em

Encantado com José Frigeri e teve 7 filhos: 1. Vilson cc Élide Fachini; 2. Valdir; 3. Vani; 4. Volmir; 5. Valmor; 6. Vladis; 7. Vilma. Morou na Linha

Anita,

em

Encantado. Depois foi morar em Jacarezinho, onde

faleceu. Pequeno

comerciante, foi

tropeiro

e

agricultor.

Ângelo Dadalt Dalla Vecchia casou em Aratiba com Leonilda Albertoni, residiu no Saltinho e depois
Ângelo
Dadalt
Dalla
Vecchia
casou
em
Aratiba
com
Leonilda
Albertoni,
residiu
no
Saltinho
e
depois
na
Barra do Rio Novo em
Aratiba
onde
montou
casa comercial e criação
de gado
com
o
irmão
.Teve 3 filhos .

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Vitório Dadalt Dalla Vecchia, casado com Élia Ferranti, na Linha Pinhão, Aratiba. Depois foi residir na Volta do Uvá, Aratiba, onde montou alambique. Teve 3 filhos

Volta do Uvá, Aratiba, onde montou alambique. Teve 3 filhos Inês Dadalt Dalla Vecchia e José
Volta do Uvá, Aratiba, onde montou alambique. Teve 3 filhos Inês Dadalt Dalla Vecchia e José

Inês Dadalt Dalla Vecchia e José Mocelin. Muito prestativo, de uma família de cerca de 15 irmãos, gostava de reunir vizinhança para jogar futebol. Morou, trabalhou e morreu em Pinhão, Aratiba. Teve 13 filhos: 1. Celino cc Teresinha; 2. Teresinha cc Laurindo Menegatt; 3. Gentil cc Nilze Bender; 4. Élfi Pedro cc 5. Elói cc Rosângela Ferigolo; 6. Neodir cc Lucila Bach; 7. Nair; 8. Ledir cc Ivo Cima; 9. Lenir cc Nédio Basso; 10. Lairi; 11. Maria Rita; 12. Ivanir; 13. Nilton Antônio.

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Augusto Dadalt Dalla Vecchia, casou com Maria Pilatti na Linha Pinhão, Aratiba. Augusto e Avelino herdaram as terras dos pais para sustentá-los ao final da vida. Casou, viveu e morreu no Pinhão. Teve 10 filhos: 1. Dioclides cc Ângelo Mezzarruba; 2.Eri cc Lucila Hendges; 3. Egídio; 4. Valdir cc Neusa Menegat; 5. Olir cc Neide Minella; 6. Gentil cc Maria Franco; 7. Rita cc Orides Strapasson; 8. Lírio; 9. Jair; 10 Davi.

7. Rita cc Orides Strapasson; 8. Lírio; 9. Jair; 10 Davi. Avelino Dadalt Dalla Vecchia ,
7. Rita cc Orides Strapasson; 8. Lírio; 9. Jair; 10 Davi. Avelino Dadalt Dalla Vecchia ,

Avelino Dadalt Dalla Vecchia, casado com NNair Dalla Rosa é o último dos filhos de Antônio. Trabalhava muito. O trabalho purifica e enobrece. Teve 8 filhos:

1. Albino; 2. Alberto; 3. Santo; 4. José; 5; Vitalino; 6; Maria cc Moacir Vanzotto; 7. Ivanete; 8. Inês cc José Taschin.

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Leonel Ana Ana e Leonel em 1988, nas bodas de ouro de casamento 150

Leonel

Leonel Ana Ana e Leonel em 1988, nas bodas de ouro de casamento 150

Ana

Leonel Ana Ana e Leonel em 1988, nas bodas de ouro de casamento 150

Ana e Leonel em 1988, nas bodas de ouro de casamento

150

Leonel Zanotelli e Ana Catarina Dadalt Dalla Vecchia e filhos: (De pé)Castilo, Irma,Olir, Itelvina, Lírio,
Leonel Zanotelli e Ana Catarina Dadalt Dalla Vecchia e filhos: (De pé)Castilo, Irma,Olir, Itelvina, Lírio,

Leonel Zanotelli e Ana Catarina Dadalt Dalla Vecchia e filhos:

(De pé)Castilo, Irma,Olir, Itelvina, Lírio, Ilva, Dinasir, Clasi (Sentados) Gino, Leonel, Ana e Jandir

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Jandir João Dalla Vecchia Zanotelli cc Ruth Machado Ávila

Jandir João Dalla Vecchia Zanotelli cc Ruth Machado Ávila Castilo e Rosa Xavier Gino Dalla Vecchia
Jandir João Dalla Vecchia Zanotelli cc Ruth Machado Ávila Castilo e Rosa Xavier Gino Dalla Vecchia

Castilo e Rosa Xavier

Zanotelli cc Ruth Machado Ávila Castilo e Rosa Xavier Gino Dalla Vecchia Zanotelli cc Helena Scmit

Gino Dalla Vecchia Zanotelli cc Helena Scmit

cc Ruth Machado Ávila Castilo e Rosa Xavier Gino Dalla Vecchia Zanotelli cc Helena Scmit Olir

Olir e Gisele Isabel Barbosa

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Dinasir e Ma.Inês Pagnussat Lírio e Gislaine Barbosa 153

Dinasir e Ma.Inês Pagnussat

Dinasir e Ma.Inês Pagnussat Lírio e Gislaine Barbosa 153

Lírio e Gislaine Barbosa

Dinasir e Ma.Inês Pagnussat Lírio e Gislaine Barbosa 153

153

4 José Censi Dalla Vecchia. Na página anterior, de pé: Ida, Dervile, Ivo, Genuíno, Mário, Remígio e Olinda. Sentados:

Adélia, Gelindo, José, Catarina, Avelino e Jovila.

Adélia, Gelindo, José, Catarina, Avelino e Jovila. Remígio De Conto Dalla Vecchia, casado com A- lda
Adélia, Gelindo, José, Catarina, Avelino e Jovila. Remígio De Conto Dalla Vecchia, casado com A- lda

Remígio De Conto Dalla Vecchia, casado com A- lda Luci tem 8 filhos: 1. Anir; 2. Neuri cc Carmen, tem 3 filhos; 3. Antenor sacerdote carlista; 4.Alvani cc Valdir Bianchini, com 2 filhos; 5. Valmor cc Teresinha Dalé; 6. Dolores cc Bassani; 7. Maria de Lurdes cc Paulo Dalé; 8. Luiz.

Mário De Conto Dalla Vecchia casado com Irma Bagatini tem 11 filhos: 1. Valdir; 2. Dirceu; 3. Miguel, sacerdote carlista; 4. Odete; 5. Maria; 6. Cleunice; 7. Mairi cc Ivo Center; 8. Paulo; 9. Moisés; 10. Marilene; 11. Jesseni.

154

Ida De Conto Dalla Vecchia, casada com Manoel Bagatini tem 10 filhos: 1. Jovila cc

Ida De Conto Dalla Vecchia, casada com Manoel Bagatini tem 10 filhos: 1. Jovila cc Aquilino Pederiva, com 3 filhos Graciela, Zaquiela e Muriel; 2. Neodir cc Irene Casaril, com 2 filhos Gustavo e Emanuel; 3. Lurdes cc NNeodir Pederiva; 4. Inês cc Jaime, com um filho André; 5. Roni cc Solani De Conto; 6. Ivanor; 7. Sérgio cc Marisa Radaelli, com 2 filhos Kely ; 8.Sônia; 9. Catarina cc Longo, com um filho; 10. Lenira.

com 2 filhos – Kely ; 8.Sônia; 9. Catarina cc Longo, com um filho; 10. Lenira.

Olinda De Conto Dalla Vecchia

155

Gelindo De Conto Dalla Vecchia, casado com Nédia Batisti tem 5 filhos: 1.Paulo; 2. Luiz;
Gelindo De Conto Dalla Vecchia, casado com Nédia Batisti tem 5 filhos: 1.Paulo; 2. Luiz;

Gelindo De Conto Dalla

Vecchia, casado com Nédia Batisti tem 5 filhos: 1.Paulo; 2. Luiz; 3. Sônia; 4. Silvana;

5. Sílvio cc

filhos- Hugo e Sílvio.

, com dois

Genuíno

De

Conto

Dalla

Vecchia

casado

com

Rosa

Lazzari

tem

7

filhos:

1.Clademir;

2.

Vítor;

3.

Teresinha

cc

com