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CAP 5 – O PROCESSO DE TRABALHO E O PROCESSO DE PRODUZIR MAIS-VALIA

1 O PROCESSO DE TRABALHO OU O PROCESSO DE PRODUZIR VALORES DE USO

A utilização da força de trabalho é o próprio trabalho. O comprador da força de trabalho a consome,


fazendo o vendedor dela trabalhar.

“Pressupomos o trabalho sob forma exclusivamente humana. [...] O que distingue o pior arquiteto da
melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la em realidade. No fim
do processo de trabalho aparece um resultado que já existia antes idealmente na imaginação do
trabalhador. Ele não transforma apenas o material sobre o qual opera; ele imprime ao material o
projeto que tinha conscientemente em mira, o qual constitui a lei determinante de seu modo de operar
e ao qual tem de subordinar sua vontade. E essa subordinação não é um ato fortuito” (MARX, 2016,
p. 212).

O homem é o único ser capaz de modificar a natureza conscientemente, por isso o homem trabalha e
os outros animais realizam atividades.
Assim, trabalho é uma ação pré-ideada com um fim (pratice).
Os elementos componentes do processo de trabalho são:

1. A atividade adequada a um fim, isto é, próprio trabalho;


2. A matéria a que se aplica o trabalho, o objeto de trabalho;
3. Os meios de trabalho, o instrumental de trabalho.

Diagrama: Processo de Trabalho

Força de Trabalho

+ = Produto Final (Valor de uso com valor de


troca)
Meios de Produção
O que o trabalhador O que o trabalhador
utiliza para transformar interpõe entre ele e o
em mercadoria objeto

Objeto de Meios de
Trabalho Trabalho
(matéria- (ferramentas)
prima e terra)

A terra (e água) que existe independente da ação do homem é o objeto universal do trabalho humano.
Todas as coisas que o trabalho humano apenas separa de sua conexão imediata com seu meio natural
constituem objetos de trabalho fornecidos pela natureza.

Se o objeto de trabalho é “filtrado” através de trabalho anterior, ou seja, contém trabalho anterior, este
é chamado de matéria-prima.

Toda a matéria-prima é objeto de trabalho, mas nem todo o objeto de trabalho é matéria-prima.

“O processo de trabalho, ao atingir certo nível de desenvolvimento, exige meios de trabalho já


elaborados” (MARX, 2016, p. 213).
As mudanças históricas, econômicas e sociais advindas de um maior domínio sobre a natureza mudam
a forma social e técnica de execução do trabalho, mas enquanto houverem homens haverá trabalho.
“O que distingue as diferentes épocas econômicas não é o que se faz, mas como, com que meios de
trabalho se faz. Os meios de trabalho server para medir o desenvolvimento da força humana de
trabalho e, além disso, indicam as condições sociais em que se realiza o trabalho” (MARX, 2016, p.
214).
No processo de trabalho, o homem, conscientemente, utilizando os instrumentos de trabalho transforma
o objeto de trabalho. O processo extingue-se ao concluir-se o produto, um valor de uso, um material
da natureza adaptado às necessidades humanas através da mudança de forma.

Participam do valor do produto: outros valores de uso, produtos de processos de trabalho anteriores.

“O mesmo produto pode, no processo de trabalho, servir de meio de trabalho e de matéria-prima. Na


engorda do gado, por exemplo, o boi é a matéria-prima a ser elaborada e, ao mesmo tempo,
instrumento de produção de adubo. [...] O produto que existe em forma final para consumo pode
tornar-se matéria-prima. A uva, por exemplo, serve de matéria-prima para o vinho. Ou o trabalho dá
ao produto formas que só permitam sua utilização como matéria-prima. Nesse caso, chama-se a
matéria-prima de semiproduto, ou melhor, de produto intermediário, como algodão, fios, linhas etc.”
(MARX, 2016, p. 216).

Ao servirem de meios de produção em novos processos de trabalho, perdem os produtos o caráter de


produto.

O processo de trabalho é a atividade dirigida com o fim de criar valor de uso, de apropriar os elementos
naturais às necessidades humanas; é condição necessária do intercâmbio material entre o homem e a
natureza e condição natural da vida humana.

Como as carências (necessidades) são identificadas e atendidas socialmente e os meios para o


atendimento destas são herdados do meio social, o trabalho na visão de Marx é sempre social e ao redor
dele e do modo como é executado constrói-se a sociedade.
“Voltemos ao nosso capitalista em embrião. Deixamo-lo depois de ter ele comprado no mercado todos
os elementos necessários ao processo de trabalho, os materiais, ou os meios de produção, e o pessoal,
a força de trabalho” (MARX, 2016, p. 218).

“Nosso capitalista põe-se então a consumir a mercadoria, a força de trabalho que ele adquiriu,
fazendo o detentor dela, o trabalhador, consumir os meios de produção com o seu trabalho.
Evidentemente, não muda a natureza geral do processo de trabalho executá-lo o trabalhador para o
capitalista, e não para si mesmo. De início, as intervenções do capitalista também não mudam o
método de fazer calçados ou de fiar. No começo, tem de adquirir a força de trabalho como a encontra
no mercado, de satisfazer-se com o trabalho da espécie que existia antes de aparecerem os capitalistas.
Só mais tarde pode ocorrer a transformação dos métodos de produção em virtude da subordinação do
trabalho ao capital” (MARX, 2016, p. 218).

O operário trabalha sob o controle do capitalista, a quem pertence seu trabalho, pois pagará o valor
diário da força de trabalho. Do mesmo modo, pertencem ao capitalista os outros elementos necessários
à fabricação do produto: os meios de produção. Assim como o produto resultante.

“O processo de trabalho é um processo que ocorre entre coisas que o capitalista comprou, entre coisas
que lhe pertencem. O produto desse processo pertence-lhe do mesmo modo que o produto do processo
de fermentação em sua adega” (MARX, 2016, p. 219).
2 O PROCESSO DE PRODUZIR MAIS-VALIA

O produto de propriedade do capitalista, é um valor de uso.

Só se produz um valor de uso na medida que este é a base material de um valor de troca. O capitalista
visa produzir não somente um valor de uso, mas um valor com mais-valia. Mas, o valor de qualquer
mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho materializado nela.

Tomemos o fio, por exemplo:

Suponha que a fiação seja um trabalho simples, um trabalho social médio, e que para fabricar o fio é
preciso:

6Kg algodão – custaram R$ 10,00

Agulhas – custam R$ 2,00.

Total R$ 12,00 – esta quantia representa 24 horas de trabalho, já que 6 horas equivalem a R$ 3,00.

O tempo de trabalho para produzir o algodão e demais meios de produção do fio é parte integrante do
tempo de trabalho exigido para a produção do fio, para qual o algodão é matéria-prima estando,
portanto, contido no fio, e para o qual sem as agulhas não haveria transformação do algodão.

Supõe-se que somente será dispendido o tempo socialmente necessário.

Se dentro das condições normais de produção, isto é, socialmente médias, 1 kg de algodão deve ser
transformado em 1 kg de fio. Então, deve-se considerar como um dia de trabalho de 12 horas uma
jornada que transforma 12 kg de algodão em 12 kg de fio.

“Quantidades de produto determinadas, estabelecidas pela experiência, significam determinada


quantidade de trabalho, determinado tempo de trabalho solidificado” (MARX, 2016, p. 223).

Valor diário da força de trabalho – R$ 3,00 – neste valor se materializa 6 horas de trabalho.

JORNADA DE 6 HORAS – PRODUZ 6 KG DE FIO

Consome:

6 kg algodão – R$ 10,00

Agulhas – R$ 2,00

6 horas trabalho – R$ 3,00

Valor de 6 kg de fio – R$ 15,00 (representando 2 dias e meio de trabalho)

O valor do produto é igual ao do capital adiantado, este não está acrescido, não produziu mais-valia,
logo, o dinheiro não se transformou em capital.

Marx descreve a insatisfação do capitalista que investiu seu dinheiro na produção e não retirou dela
valor algum, a não ser o fio em valor equivalente aos meios de produção e da força de trabalho.
Argumenta o capitalista que o fio não tem utilidade a ele, a não ser gerar valor de troca, este se enfurece
ao pensar que sem que ele adiantasse o capital e juntasse a força de trabalho aos meios de produção, o
trabalhador por si só não produziria. Contudo quem realmente transformou algodão em fio foi o
trabalho do operário e não do capitalista.

Nesse meio tempo, “nosso capitalista recobra sua fisionomia costumeira com um sorriso jovial. Com
toda aquela ladainha, estava apenas se divertindo à nossa custa. Não daria um centavo por ela. Deixa
esses e outros subterfúgios e embustes por conta dos professores de economia, especialmente pagos
para isso. Ele é um homem prático que nem sempre pondera o que diz fora do negócio, mas sabe o
que faz dentro dele” (MARX, 2016, p. 225).

O valor de troca da força de trabalho equivale a 6 horas de trabalho, contudo o valor de uso da força
de trabalho é superior ao seu valor de troca.

“Por ser necessário meio dia de trabalho para a manutenção do trabalhador durante 24 horas não se
infira que este está impedido de trabalhar uma jornada inteira. O valor da força de trabalho e o valor
que ela cria no processo de trabalho são, portanto, duas magnitudes distintas. O capitalista tinha em
vista essa diferença de valor quando comprou a força de trabalho” (MARX, 2016, p. 226-227).

O capitalista pagou o valor diário da força de trabalho, pertence-lhe, portanto, o uso dela durante uma
jornada inteira de trabalho. Por isso o trabalhador encontra na oficina meios de trabalho para um
processo de trabalho de 12 horas.

EM 12 HORAS CONSOME:

12 kg algodão – R$ 20,00

Agulhas – R$ 4,00

12 horas trabalho – R$ 6,00

Valor de 12 kg de fio– R$ 30,00 (representando 5 dias de trabalho)

Contudo, como o valor de troca da força de trabalho é de R$ 3,00, o valor das mercadorias lançadas no
processo de produção corresponde a R$ 27,00. Criou-se uma mais-valia de R$ 3,00. Consumou-se
finalmente o truque: o dinheiro transformou-se em capital.

“Satisfizeram-se todas as condições do problema e não se violaram as leis que regem as trocas das
mercadorias. Trocou-se equivalente por equivalente” (MARX, 2016, p. 228).

“Comparando o processo de produzir valor com o processo de produzir mais-valia, veremos que o
segundo só difere-se do primeiro por se prolongar além do ponto. O processo de produzir valor
simplesmente dura até o ponto em que o valor da força de trabalho pago pelo capital é substituído por
um equivalente. Ultrapassando esse ponto, o processo de produzir valor torna-se processo de produzir
mais-valia (valor excedente)” (MARX, 2016, p. 228).

Como produção de valor, o trabalho só é considerado na medida em que o tempo empregado na


produção é o socialmente necessário. Os materiais e o tempo inutilmente desperdiçados não integrarão
o valor do produto.

Assim, a mais-valia se origina de um excedente quantitativo de trabalho, da duração prolongada do


mesmo, seja este trabalho simples ou complexo.

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