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MINHA MÃE

Joana mora com sua mãe e tem uma irmã que é casada, seu pai suicidou-se. É o
aniversário de Joana e a família decidiu reunir-se.

(Joana entra em cena trazendo refrigerantes e arrumando a mesa ao centro do palco, a


campainha toca, ela atende a porta, é sua irmã Rosa).

Toc, toc, toc! (batendo na porta)

ROSA: Feliz aniversário! (Se abraçam).


JOANA: Oi mana!
ROSA: Trouxe um presente!
JOANA: Não precisava trazer presente, o que importa é que você veio!
ROSA: É só uma lembrança!
JOANA: Senta (acenando pra mesa), já faz quanto tempo desde a última vez que nos
vimos?
ROSA: Não vai abrir seu presente?
JOANA: Depois, primeiro vamos colocar os assuntos em dia, quero saber o que você
tem feito de bom, e o seu marido, o Jorge, porque ele não veio?
ROSA: O Jorge você sabe, ele trabalha muito, vive ocupado, por isso não pode vir.
JOANA: E você o que tem feito de bom?
ROSA: Nada demais, só rotina, você sabe, o Jorge é um homem rico e dono de muitas
empresas, então eu aproveito bem a condição econômica abastada que nós temos e
viajo o mundo inteiro conhecendo lugares novos e me divertindo bastante.
JOANA: Quem bom que você está feliz!
ROSA: Totalmente, minha vida não poderia ser melhor. E você o que anda fazendo?
JOANA: Mamãe quer que eu estude direito, você sabe, o pai dela era advogado,
mamãe é advogada e, então ela quer que eu siga a tradição da família, mas eu ainda
não decidi, eu ainda não sei quem eu sou e nem qual caminho vou seguir.
ROSA: Falando nisso, cadê a mãe?
JOANA: Está na cozinha, ela disse que ia preparar um prato especial para o dia de
hoje!
ROSA: Essa casa tem alguma coisa que faz eu me sentir artificial, você entende isso?
JOANA: Esse sentimento não é um privilégio seu, nem desse ambiente.
ROSA: Você também se sente assim?
JOANA: Não o tempo todo, mas sim, várias vezes durante o dia, eu me pergunto se
estou fazendo o que eu deveria fazer, depois que o nosso pai morreu eu fiquei meio
sem saber o que fazer da vida, ele era a pessoa que me apoiava.
ROSA: Bom nesse aspecto eu acho que tenho pós-graduação!
JOANA: Essa sensação de usar sempre uma máscara não é o pior, o mais difícil
mesmo é conseguir encontrar alguém com quem eu possa estabelecer uma relação
autêntica sem precisar usar máscaras ou alguém que não me dê à sensação de
falsidade quando fala comigo, com o papai eu não me sentia desse jeito.
ROSA: E a mamãe?
JOANA: Depois que o papai morreu ela ficou ainda mais insuportável, enquanto o
papai estava vivo ela se dedicava a fazer da vida dele um inferno, agora que ele
morreu, ela dedica seu tempo integral pra me infernizar...
MÃE: Joanaaaaa! (fala gritando e aborrecida) você, você, oh mais que droga! A polícia
está aqui?
JOANA: Mãe poderia vir aqui?
MÃE: Porque você não está olhando o arroz que eu deixei no fogo... (Entra em cena e
vê a outra filha).
JOANA: A Rosa chegou mãe...
MÃE: O minha filha que bom que você veio! (sorri e abraça a outra filha).
ROSA: Oi mãe é bom te ver também!
MÃE: Mas o que você fez com o seu cabelo?
ROSA: Fiz alisamento.
MÃE: Porque alguém faria isso?
ROSA: Eu só queria mudar um pouco.
MÃE: E onde está o meu genro querido?
ROSA: Ele não pôde vir mãe, precisou viajar para uma reunião com investidores
chineses.
MÃE: Pelo menos você é bem sucedida e me deu orgulho, ao contrário de você Joana
que é uma completa inútil, porque não usa maquiagem?
JOANA: Eu preciso de maquiagem?
MÃE: Toda mulher precisa, não permita que digam o contrário, olha pra você, seus
ombros estão caídos, sua pele está horrível e ainda não usa maquiagem! Você
arrumaria um homem decente se você se arrumasse.
JOANA: Eu não estou procurando um homem mãe.
MÃE: Porque não você é lésbica?
JOANA: Não mãe.
MÃE: Então o que está esperando? Eu tenho que dizer algumas verdades, você
deveria aprender alguma coisa com a sua irmã.
JOANA: Você está dizendo que não sou inteligente?
MÃE: Sim é o que estou dizendo.
JOANA: Talvez eu queira um pouco de o meu espaço e ser eu mesma e tomar minhas
próprias decisões, talvez eu queira eu mesma cuidar de minha própria vida.
MÃE: E porque você vai querer isso, você é burra, você não é capaz de fritar sequer
um ovo sozinha.
JOANA: Muita gentileza sua dizer isso, mas as pessoas têm direito de ser elas
mesmas e não ter que ser dirigido por outros.
MÃE: E quem decidiu isso, você vai começar a se virar sozinha e logo não vai vir mais
aqui mais me ver.
JOANA: E você se importa?
MÃE: Eu não me importo com você, mais gostaria que você arranjasse um bom
casamento e me desse um neto.
JOANA: Pra quê você quer um neto? Pra deixar ele traumatizado também, igual você
fez com a gente?
MÃE: Eu nunca ouvi nenhuma queixa quando criava vocês!
JOANA: É mesmo, e as bebedeiras e as fugas de casa na infância não te deram
nenhuma pista?
MÃE: Ah! Você vivia fazendo drama, e não esquece que você sempre voltava.
JOANA: É difícil arrumar emprego aos nove anos mãe! Mãe você... Você... Não sei por
que você faz isso, mas você sempre coloca as pessoas para baixo, sempre faz as
pessoas se sentirem mal, como se todo mundo fosse inferior...
MÃE: Seu pai mimou muito você, por isso que você se tornou uma imprestável. Com
licença filha (falando com Rosa), acho que o arroz já deve estar no ponto, eu vou trazer
à mesa! (sai de cena um instante).
ROSA: É claro mãe.
ROSA: Puxa Joana hoje é seu aniversário, não vai ficar discutindo com a mamãe.
JOANA: É fácil pra você dizer isso, não é com você que ela fica implicando.
MÃE: (Volta da cozinha) Depois de dez anos resolvi fazer esse prato em homenagem à
Rosa!
JOANA: Mas mãe, sou eu que estou fazendo aniversário, se você pretendia fazer uma
homenagem, sou eu quem deveria receber alguma consideração.
MÃE: Depois que você entrar na faculdade de direito e se formar uma advogada eu
faço uma homenagem pra você, além disso, minha filha favorita é a Rosa!
JOANA: Então a Rosa é sua filha favorita?
MÃE: É claro, ela é inteligente e casou com um homem bem-sucedido, você só me dá
desgosto.
JOANA: Eu achava que os pais amassem os filhos do mesmo modo.
MÃE: Claro, você também achava que era o Papai Noel que trazia seus presentes no
natal, se tivesse filhos saberia que uma mãe sempre tem seus favoritos, minha irmã era
a favorita da minha mãe, e daí, grande coisa, eu me acostumei!
ROSA: Mãe, porque não ficamos calmos, a gente sabe que sua vida nunca foi fácil.
MÃE: Você era a favorita do seu pai também e partiu o coração dele quando foi
embora.
ROSA: E o que você queria que eu fizesse mãe, eu tinha uma oportunidade única e
não podia perder.
MÃE: Vocês são umas ingratas, essa é a verdade, tão logo você partiu seu pai morreu
de desgosto.
ROSA: Ele concordou.
MÃE: Foi o que ele disse.
JOANA: Porque esta fazendo isso?
MÃE: Estou dizendo a verdade, hoje esta um ótimo dia pra dizer a verdade!
JOANA: Eu tenho uma verdade pra contar, o papai se matou porque não aguentou
mais viver com você!
MÃE: Não, você não sabe de nada, eu e seu pai, demos muito duro para construir tudo
que construímos e dar tudo de bom e melhor pra vocês, e vocês não souberam ser
gratas. O problema é que sempre que fazemos reunião de família você fica assim, ou
seja, o problema não sou eu é você. Você é dura com as pessoas!
JOANA: Porque será né, eu devo ter alguma memória de alguma pessoa que foi muito
dura comigo e com certeza não foi meu pai, porque meu pai era um doce.
MÃE: Que imagem você tem do seu pai, pra gente ver como a memória falha, o
Homero sempre foi um pai ausente, nunca me ajudou em nada!
JOANA: Mãe deixa eu te dizer uma coisa, você está perdendo seu tempo, você não vai
estragar a imagem que eu tenho do meu pai, porque ele sempre me amou e me tratou
bem!
MÃE: Na verdade você foi concebida em uma viagem que eu fiz a Santos, quando eu
era representante da empresa e era época de carnaval.
JOANA: O quê?
MÃE: Foi um congresso em santos eu saí um dia com a turma do trabalho bebi a noite
inteira, dormi na calçada bêbada e de madrugada eu transei com um morador de rua.
JOANA: Você bebeu né? Você só pode estar louca!
MÃE: É isso mesmo, eu tive um caso rápido na baixada santista, no carnaval, foi lá que
eu engravidei de você e não foi com seu pai...
JOANA: Você está dizendo que...
MÃE: O seu pai nunca soube de nada disso, o cara era um morador de rua, um
indigente e eu fiz a alegria dele aquela noite, era época de carnaval, mas nunca mais
eu tive notícias dele, não tenho contato com ele, não tenho absolutamente nada...
ROSA: Mãe você escondeu isso da gente esse tempo todo e não falou nada mãe...
MÃE: Você é filha do seu pai, não se preocupe...
JOANA: E você fala isso de maneira? Com a sua frieza? Como você é egoísta! Em
nem um momento você parou pra se colocar no meu lugar?
MÃE: Eu só consigo me colocar no meu lugar, não tinha porque eu falar sobre isso, as
pessoas não iam me entender, você não ia entender, ninguém ia entender...
JOANA: Até o jeito que você me contou, eu não consigo entender, aliás, eu não
consigo entender como uma pessoa prefere a mentira que a verdade...
MÃE: Muita gente prefere a mentira que a verdade, aliás, a maioria das pessoas
prefere e nem se dão conta disso...
JOANA: É foi isso que você me ensinou, a mentira no lugar da verdade...
MÃE: Você não é minha filha favorita e o seu pai é um cara que eu saí uma noite e
depois nunca mais eu vi, a verdade é essa, acostume-se...
ROSA: Eu só acho que não precisa ser tão acida assim mãe...
MÃE: De repente vocês acham que sou cruel, mas eu só digo a verdade, as pessoas é
que não aguentam a verdade porque querem viver no mundo da fantasia.
JOANA: Tudo bem mãe, já que hoje é o dia da verdade eu quero te avisar que eu não
estou certa se vou querer estudar direito.
MÃE: (Esbravejando) Como assim não está certa? Já está decidido. É a melhor
carreira pra você, seu avô era advogado, eu sou advogada, a família tem uma empresa
de advocacia e todos nós devemos respeitar as tradições.
JOANA: Mas eu não quero ser advogada!
MÃE: (Fala gritando e gesticulando) Como é que não quer ser advogada? A filha da
nossa vizinha acabou de se formar advogada na melhor faculdade da cidade!
JOANA: E daí mãe? A senhora não tem que ficar me comparando com os filhos dos
outros?
MÃE: (Fala gritando e gesticulando) E vai comparar com quem? Com o Zé ninguém?
Eu não criei filho pra ser vagabundo e não vou ficar acoitando vagabundo dentro dessa
casa, você vai estudar direito e seguir a tradição da família...