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ELEITOR

CAMPANHA
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Planejamento estratégico de campanha eleitoral


Não podemos esperar bons resultados de uma campanha eleitoral feita ao acaso, improvi-
sada e da forma antiga, sem pesquisa, sem planejamento, sem profissionais especializados
e sem produção de alta qualidade. A campanha moderna requer informações confiáveis
para um bom diagnóstico, inteligência competitiva, foco e um posicionamento estratégico
eficaz.

Muitas pessoas confundem marketing com propaganda e acham que fazer campanha elei-
toral é a mesma coisa que fazer publicidade de detergente. Puro engano! No marketing
comercial, os produtos de consumo são mais fáceis de serem vendidos, pois todos nós te-
mos a necessidade de consumir leite, arroz, feijão, produtos de beleza, higiene pessoal e
de limpeza. O consumidor vai ao mercado e já sabe os produtos que quer levar, apenas
escolhe a marca. No marketing eleitoral é bem diferente. É o produto (candidato) que tem
que convencer o consumidor (eleitor) ao consumo, ao ato de comprar (votar).

Essa analogia produto/candidato refere-se ao esforço pelo convencimento que cada um


faz no mercado para ser o preferido, o escolhido pelo consumidor/eleitor. Em termos de
concorrência, o processo é quase igual: cada produto e cada candidato tem suas estraté-
gias (ou falta delas), ressaltando seus pontos fortes e minimizando os fracos.

Entender essa diferença é fundamental em qualquer planejamento estratégico de campa-


nha eleitoral por dois motivos: 1) a maioria das pessoas (mais de 70%) não tem interesse
algum por política, e 2) o produto oferecido (político) tem elevada carga pejorativa no con-
ceito popular.

Diagnóstico eleitoral – comece por aqui


O primeiro passo para planejar qualquer campanha eleitoral é fazer um bom diagnóstico,
orientado por quem tem experiência no assunto. Diagnóstico feito por amadores pode
destruir uma campanha. Um bom diagnóstico começa pela compreensão do sentimento e
percepções dos eleitores comuns, e não pela satisfação de interesses pessoais ou negocia-
ções partidárias. Para isso, o diagnóstico deve prezar pelas informações extremamente
confiáveis, isentas e sem romantismo. Novamente, nesse trabalho não há lugar para ama-
dores. Política é especialidade dos bons políticos, que são hábeis em negociações. Porém,
campanha eleitoral é especialidade dos bons estrategistas, que são hábeis em competição
pela preferência dos eleitores.

Um erro comum, cometido por muita gente, é gastar com pesquisas de simulação de in-
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tenção de voto muito tempo antes que os candidatos estejam definidos. Simulação de in-
tenção de voto pode mascarar a realidade, superestimando nomes mais divulgados pela
mídia e subestimando aqueles com menos evidência no noticiário. Perguntar em quem o
eleitor votaria faltando mais de seis meses para a eleição, através de cenários hipotéticos
de competição quando os candidatos nem estão definidos, é obrigá-lo a um exercício e-
norme de imaginação, em um assunto no qual ele ainda não tem nenhum interesse. As
respostas obtidas com tamanho distanciamento do pleito são simples chutes, produzem
falsos rankings e os resultados obtidos não têm valor estratégico. Ou seja, não servem pa-
ra fazer o diagnóstico.

Por outro lado, o estudo de potencialidade eleitoral é que tem valor estratégico e ajuda
verdadeiramente no planejamento de uma campanha. Esse tipo de estudo pode e deve ser
feito com vários meses de antecedência, até mais de um ano antes da eleição, e é muito
útil para avaliar como os nomes se posicionam na percepção dos eleitores. Também serve
de base para movimentos de troca ou filiação partidária, negociação de alianças e forma-
ção de chapas mais competitivas. A pesquisa de potencialidade eleitoral é o estudo que
permite a Segmentação do Eleitorado (veja mais abaixo), para identificar os cinco tipos de
eleitores e ajudar o candidato a definir os seus alvos.

Modelo de Diagnóstico eleitoral – os Cinco C´s da Conquista do Voto


O modelo de diagnóstico eleitoral elaborado
pelo consultor político e estrategista Paulo Di
Vicenzi contempla as cinco dimensões mais
relevantes nos processos de análise e plane-
jamento de uma candidatura, que se aplica
tanto a competições majoritárias quanto pro-
porcionais, em qualquer nível.

Batizado pelo autor como “Cinco C´s da Con-


quista do Voto”, o modelo propõe investigar
e desenvolver estratégias com base no conhe-
cimento do Cidadão Eleitor, do Candidato, do
Chefe de Governo, dos Concorrentes e do Ce-
nário competitivo. Essas cinco dimensões são
apresentadas dentro da figura de um ovo.
Trata-se de uma alusão bem humorada à his-
tória do ovo de Colombo. “Colocar uma cam-
panha em pé é um processo complexo e exige muito esforço, mas, depois de feito, todo
mundo pensa que era muito simples”, explica o estrategista eleitoral Paulo Di vicenzi.
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O modelo dos Cinco C´s da Conquista do Voto coloca em primeiro lugar a necessidade de
compreender o Cidadão Eleitor, seus sentimentos, suas percepções, seus conceitos, valo-
res e sua visão de mundo.

Em seguida é feito o estudo do Candidato, através da análise SWOT (veja mais abaixo).
Repetindo: uma das grandes diferenças entre um produto comercial (serviços ou mercado-
ria) e um produto político (candidato) é que, para o primeiro, pode-se criar uma história
antes de divulgá-lo no mercado, enquanto que, para o segundo, já existe uma história de
vida pronta, que não pode ser alterada com tanta facilidade.

Um exame da imagem do Chefe de Governo também é considerado no modelo, levando


em conta que o nível de aprovação de uma administração é crucial para determinar se o
candidato adotará um posicionamento governista ou oposicionista na sua campanha. Vale
lembrar que, em determinadas circunstâncias, tanto um candidato da situação pode fazer
uma campanha oposicionista, quanto um candidato de oposição pode fazer uma campa-
nha governista.

Outro fator dos Cinco C´s contempla os Concorrentes, os demais candidatos que disputam
a mesma vaga na eleição. Entre outros instrumentos, a análise SWOT também é útil nesse
estudo. A quinta dimensão a ser estudada é o Cenário, o ambiente onde ocorre a competi-
ção, no qual estão inseridos os outros quatro elementos do modelo de diagnóstico de Pau-
lo Di Vicenzi. Em Cenário são consideradas variáveis como correlação de forças partidárias,
histórico de resultados, perfil social, econômico e geográfico, legislação, cultura e mobili-
zação política, entre outros.

O modelo de diagnóstico dos Cinco C´s da Conquista do Voto é estruturado a partir de um


conjunto de informações de diversas fontes, algumas obtidas junto ao IBGE, TSE, TRE´s e
demais órgãos, outras em partidos políticos e entidades de classe.

Porém, a maior parte das informações e referências estratégicas são buscadas junto aos
principais personagens que definem um pleito: os eleitores. As ferramentas mais utilizadas
para entender o pensamento e o comportamento do eleitor são as pesquisas qualitativas
e quantitativas.

As pesquisas que a imprensa costuma divulgar são sempre quantitativas (que apresentam
números), porém são muito pobres em termos estratégicos e praticamente não servem
para o diagnóstico e planejamento de uma campanha se não for feita a necessária leitura e
interpretação dos detalhes e cruzamentos de indicadores. Tomar decisões em cima do re-
sumo de resultados que a mídia divulga é um grande erro comum que muita gente costu-
ma cometer.
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Por outro lado, as pesquisas qualitativas (que não apresentam números), não costumam
ser divulgadas pela imprensa e não são conhecidas pelo público em geral. Porém, são as
mais valiosas para finalidades estratégicas, são poderosas para entender as perspectivas
de uma candidatura pelos olhos dos eleitores. Nesse tipo de estudo, as informações são
obtidas através de entrevistas em profundidade ou discussões de grupo. A presença de um
especialista com experiência nesse tipo de abordagem é indispensável para obter os me-
lhores resultados.

As pesquisas qualitativas são muito úteis para a definição de candidaturas, posicionamento


de campanhas, elaboração de propostas e construção de discursos, avaliação de material
de campanha (slogan, jingle, comerciais) e análise dos programas de rádio e TV da propa-
ganda eleitoral. E tudo isso pode ser feito tanto em relação ao candidato como em relação
aos demais concorrentes.

Posicionamento de campanha – tem que ter um


Posicionar sugere a ideia de ficar em um lugar no espaço. Posicionamento eleitoral corres-
ponde a ocupação um espaço na percepção dos eleitores que ajude a atingir um objetivo.
Significa identificar e assumir um lugar que ofereça potencial de crescimento, que torne a
candidatura competitiva dentro do ambiente de concorrência com os demais candidatos.

O posicionamento é composto pelos seguintes fatores:

Foco - O foco de uma candidatura é, em última análise, a razão mais forte e convincente
pela qual os eleitores devem votar naquele candidato e não nos outros.

Imagem - A imagem do candidato, portanto, é um dos elementos-chave no posiciona-


mento da sua candidatura. A primeira exigência que a imagem deve atender é possuir um
alto grau de coerência com o foco da campanha e com sua propostas.

Propostas - A proposta de um candidato (majoritário ou proporcional) deve condizer com


o foco e a imagem da candidatura.

Análise SWOT – monitorando os fatores


O modelo de diagnóstico dos Cinco C´s serve como base para a definição de um posicio-
namento da candidatura em termos de imagem, foco e propostas. Todo planejamento de
marketing, seja eleitoral ou mercadológico, parte de um diagnóstico preciso sobre o mer-
cado (eleições), as empresas (partidos) e os produtos (candidatos). Um dos componentes
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de grande valia nessa etapa do marketing é a análise SWOT, sigla que vem das iniciais das
palavras inglesas Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunida-
des) e Threats (ameaças).

É fundamental que uma análise SWOT seja realizada com certa regularidade, a cada seis
meses ou no máximo um ano, de forma que se possa acompanhar as mudanças ocorridas
na imagem do político ou no cenário social. Para visualizar melhor este instrumento, ele se
divide em duas partes: a que analisa o ambiente interno (forças e fraquezas do candidato)
e a que analisa o ambiente externo (oportunidades e ameaças para o candidato). Vale
lembrar que nesta última parte os fatores não são controláveis, mas podem ser previstos.

O ponto forte de um candidato pode ser seu histórico pessoal, uma boa gestão num cargo
executivo, sua popularidade, recursos financeiros, etc. Os pontos fracos podem ser uma
má reputação, baixa popularidade, adjetivos pejorativos, má administração no executivo,
recursos e outros.

Entretanto, a grande virtude da análise SWOT é saber detectar as características e históri-


cos do candidato, que devem ser minimizadas ou exploradas. Se o candidato possui o a-
poio de um político muito rejeitado, não é seguro divulgar aos quatro ventos a existência
desse apoio.

Segmentação do eleitorado – defina o alvo

Se existe uma prática que a política absorveu do marketing comercial e que não podemos
mais abrir mão, é a segmentação do eleitorado. A importância da segmentação se torna
mais evidente em cidades de médio e grande porte. Um candidato a vereador na cidade de
São Paulo, por exemplo, não tem as mínimas condições de realizar uma campanha em to-
da a cidade, que chega a ser maior que diversos países.

Não podemos esquecer que uma campanha eleitoral tem o objetivo de comunicar a men-
sagem certa para o eleitor certo. A segmentação do eleitorado, além de ser uma estratégia
necessária, torna a campanha mais barata, já que o custo envolvido na conquista do voto
varia dentro do eleitorado.

De acordo com o estrategista eleitoral Paulo Di Vicenzi, o planejamento de uma campanha


deve considerar a existência de cinco grupos de eleitores:

1 - Cristalizados a Favor - Eleitores que certamente votarão no candidato. Este grupo


representa custo menor, tanto em tempo como recursos. São os eleitores que conhecem
bem o candidato, não o rejeitam e até o defendem ou promovem seu nome de forma es-
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pontânea. Então, a chance de voto é bem maior aqui e o investimento deve ser de manu-
tenção desses eleitores.

2 - Inclinados a Favor – Eleitores que poderão votar no candidato. São aqueles que
conhecem o candidato e admitem a possibilidade de votar nele, porém sem muita convic-
ção. São os eleitores que precisam de mais informações, querem mais referências e moti-
vos para definir o voto a favor do candidato. Existe chance de voto desde que haja inves-
timento em comunicação, relacionamento ou motivação.

3 - Indefinidos – Eleitores indecisos, que podem estar nessa posição por dúvida, desco-
nhecimento ou desinteresse, em relação aos candidatos, às eleições ou à política. É um
grupo que pode decidir uma eleição, especialmente quando a disputa é acirrada. Sendo a
indefinição decorrente de falta de informação ou mero desconhecimento dos candidatos,
quem chegar primeiro pode conquistar esse voto. Alta chance de voto com trabalho de
abordagem e convencimento.

4 - Inclinados Contra – Eleitores que poderão votar em um candidato concorrente.


São aqueles que conhecem um candidato adversário, simpatizam com ele e admitem a
possibilidade de votar nele. Os eleitores desse grupo até podem mudar de opinião, mas
será necessário um esforço enorme de convencimento. Relação custo/benefício apertada,
recomendando cautela no investimento em busca de votos duvidosos.

5 - Cristalizados Contra - Eleitores que certamente votarão em candidato adversário.


Não vale a pena investir nesse grupo. São os eleitores que simplesmente rejeitam o seu
nome ou conhecem bem outro candidato e até fazem a defesa dele de forma espontânea.
Então, a chance de mudarem o voto é praticamente nula, somente circunstâncias externas
de grande impacto poderiam fazê-los mudar de opinião.

Os Inclinados a Favor e os Indefinidos são os dois grupos onde devem ser concentra-
dos os maiores esforços da campanha. O “target”, ou eleitorado alvo, é aquele que quanti-
tativamente pode produzir os votos necessários para eleger o candidato.

No entanto, é necessário segmentar ainda mais o eleitorado para compreender melhor a


sua quantidade e localização. Isto será possível com a ajuda de pesquisas quantitativas e
das seguintes variáveis: DEMOGRÁFICAS (sexo, idade, etnia, região, religião); SOCIOLÓGI-
CAS (renda, escolaridade, ocupação); POLÍTICAS (partido, ideologia, tendências, opiniões,
rejeições) e ATITUDINAIS (valores, opiniões, prioridade, crenças).

Com estas informações, obtidas a partir de pesquisas isentas e confiáveis, será possível
identificar os tipos de eleitores e onde está o potencial de votos que pode garantir a vitó-
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ria. As pesquisas ajudam a entender o eleitor, revelam onde ele se encontra, o que pensa,
qual a probabilidade de votar, valores, expectativas e outros fatores cruciais, permitindo a
realização de uma campanha mais personalizada, específica e direcionada, com maior eco-
nomia de recursos, tempo e dinheiro.

Seja diferente – mais do mesmo não adianta


Para ser lembrado é preciso se diferenciar. Isso vale tanto para o marketing de produtos
como para o marketing de políticos, de governos ou instituições. Ser diferente é funda-
mental, uma vez que vivemos numa sociedade com excesso de informações e precisamos
sempre destacar nossas mensagens e valores.

O político moderno consegue aprender com as lições das grandes marcas existentes no
mercado. Omo é diferente porque ele “lava mais branco”, Havaianas é diferente porque é
“a legítima”, Casas Bahia é diferente porque “vende mais barato”, e assim por diante.

O marketing de mercadorias e serviços utiliza essa estratégia para que o consumidor tenha
elementos auxiliares para uma comparação com outra marcas. Se existem dezenas de
marcas de sabão em pó, tenho que agregar algum valor ao meu produto que o torne dife-
rente dos demais, que faça com que ele seja lembrado mais facilmente e de forma positiva
pelo consumidor. Só assim ele vai comprá-lo e até pagar mais por ele. E isso precisa ser
reavivado na sua memória o tempo todo através da comunicação.

No marketing político, especialmente no eleitoral, é a mesma coisa. Imaginemos uma elei-


ção municipal, numa cidade de médio porte, com 20 a 30 vagas na câmara municipal e em
média 400 candidatos. Em apenas três meses de campanha, cada candidato a vereador
deverá estabelecer dezenas de canais de comunicação com o eleitor, criando assim, um
congestionamento de informações. Como o eleitor inicia seu processo de escolha apenas
15 dias antes do pleito e o nosso cérebro funciona de forma seletiva – absorvendo apenas
o que interessa – grande parte da propaganda eleitoral terá sido em vão.

Entretanto, se um desses candidatos começar a trabalhar mais cedo e realizar uma campa-
nha diferente, baseada em um bom diagnóstico com planejamento consistente, escolher
um posicionamento bem definido e distinto dos demais, adotar uma estratégia eficaz de
comunicação, apresentar projetos ou propostas críveis e uma propaganda compreensível e
direcionar seus esforços para os eleitores certos, obviamente ele terá seu nome lembrado
no dia da eleição. Por isso que é de fundamental importância contar com profissionais es-
pecializados em cada área: consultoria estratégica, pesquisa, planejamento, comunicação,
assessoria política e jurídica. Como diz aquela música: cada um no seu quadrado.
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Slogan de campanha – o resumo da promessa


O slogan é um item fundamental em qualquer campanha eleitoral, onde os candidatos têm
a difícil tarefa de se diferenciar de vários concorrentes. Um bom slogan deve ser capaz de
sintetizar a candidatura e a promessa do candi-
dato em poucas palavras fortes.

Vejamos a campanha de Barack Obama, com o


famoso Yes, we can (Sim, nós podemos). O slo-
gan conseguiu traduzir o espírito de transforma-
ção que a sociedade americana desejava após
oito anos de Bush. O change (mudança) também acompanhava as principais peças publici-
tárias da campanha e reforçava a latente rejeição ao continuísmo.

Antes de tudo, o slogan é peça chave no “mix de marke-


ting” e deve ser condizente com a estratégia da campanha.
Por exemplo, se um candidato a deputado estadual seg-
menta a sua candidatura geograficamente e escolhe uma
cidade como seu principal reduto eleitoral, evidentemente
que o seu slogan deve fazer referência a esta estratégia e à
cidade. Se for uma região ou um segmento de eleitores, a
mesma coisa.

Além disso, o slogan serve para classificar rapidamente a


identidade de um candidato. Imaginemos um eleitor, ven-
do uma faixa de campanha de um deputado estadual com
o seguinte slogan: Em defesa da saúde pública. Obviamente, o eleitor que não conhecia tal
candidato, passará agora – no mínimo - a identificar a síntese da campanha, que estrategi-
camente tem a saúde pública como seu principal foco.

É necessário entender a cabeça do


eleitor e o excesso de informações
a que eles estão expostos. Uma “A repetição exaustiva de quatro ou cinco pala-
campanha eleitoral envolve cente- vras ‘quentes’, como por exemplo um adjetivo
nas de candidaturas, com milhares forte, em tudo que estiver relacionado ao candi-
de propaganda, nos mais variados dato – discursos ou impressos -, levam o eleitor
meios. E toda e qualquer peça pu- a, inconscientemente, associá-lo a elas. O slogan
blicitária de sua campanha deve ter deve conter o contraste que favoreça o candida-
o objetivo de identificar e gravar o to.”
candidato na cabeça do eleitor, fa-
(Rick Ridder, consultor do Partido Democrata, EUA).
zendo prevalecer a sua mensagem.
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100 DIAS DE UMA CAMPANHA ELEITORAL


OS TEMPOS DE CADA ETAPA

Com um bom diagnóstico nas mãos e informações de pesquisas confiáveis, a candidatura


posicionada, o eleitorado segmentado, os recursos iniciais garantidos, a linha de comuni-
cação definida e a equipe de trabalho montada , o candidato deve planejar a execução da
sua campanha eleitoral. As diferentes etapas de uma campanha somam 100 dias. O tempo
dedicado a cada fase e a duração total da campanha podem ser modificados, para melhor
atender às circunstâncias e condições de cada candidatura.

É importante realizar uma pesquisa quantitativa de intenção de voto imediatamente após


terem sido definidas as candidaturas, para saber como os eleitores se posicionam diante
desse quadro de competição real. As pesquisas qualitativas também são valiosas para aju-
dar a entender qual é a imagem de cada um dos candidatos junto ao eleitorado.

Lançamento da candidatura - 5 dias


O objetivo aqui é tornar a candidatura conhecida e apresentá-la posicionada para a dispu-
ta, com o máximo de divulgação na mídia. A inauguração do comitê central da campanha e
o evento de lançamento devem ser construídos com profissionalismo, fazendo disso um
ato político memorável, uma oportunidade única, onde o candidato demonstrará a sua
força e comunicará “a que veio”, qual o sentido da candidatura e porque os eleitores de-
vem votar nele. O slogan de campanha, o jingle, a foto do candidato e outros elementos
importantes de comunicação devem reforçar o posicionamento do candidato e valorizar
ao máximo a sua imagem.

É preciso lembrar que o lançamento da candidatura não vai se resumir apenas ao dia do
evento. Uma semana de preparação é o tempo suficiente para se buscar um resultado po-
sitivo, bem como, repercutir através dos meios de comunicação a realização desse evento.

As atividades de preparação envolvem a logística de sua organização, os convites para o


ato, a informação aos veículos de comunicação, a produção de peças publicitárias para
decorar o ambiente e a preparação do discurso do candidato. É importante escolher uma
data em que não haja nenhum outro evento importante, para evitar a concorrência com o
ato e para que ele possa ser o fato político do dia.

Após o lançamento, são realizadas as ações de repercussão do lançamento. Após filmar e


fotografar o ato para uso posterior, o trabalho da campanha vai se deslocar para conquis-
tar espaços nas mídias locais, setoriais e de bairros.
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Início da campanha - 10 dias


Nessa etapa ainda é repercutido o lançamento da campanha, tornando o candidato e sua
mensagem conhecidos. Nessa fase serão apresentados os principais apoios do candidato,
se possível um apoio por dia, para que esse momento de adesão seja ampliado e mostran-
do ao eleitorado que ele tem chances de vitória.

Em seguida, o candidato vai partir para reuniões com moradores de bairros, lideranças
classistas e segmentos do eleitorado, demonstrando que sua candidatura também conta
com o apoio da população. Esse também é o momento ao qual o candidato vai visitar os
principais redutos eleitorais, as principais regiões, cidades ou bairros.

Consolidação da candidatura - 15 dias


Esta fase antecede o período da propaganda eleitoral gratuita. O objetivo aqui é levar a
candidatura para a rua e fixar junto ao eleitorado uma organização que a sustente. As ati-
vidades do candidato estarão condicionadas a sua agenda, que vai servir como instrumen-
to indispensável para aproveitar com o máximo de racionalidade o reduzido tempo dispo-
nível do candidato.

Nesse momento é importante que se consolide os apoios já conquistados, como as lide-


ranças políticas, os cabos eleitorais, os líderes sindicais, de associações, etc. Em seguida o
corpo-a-corpo deve se intensificar. De preferência auxiliado pelos apoiadores, que criarão
as oportunidades. Vale lembrar que em eleições proporcionais o corpo-a-corpo tem muita
importância na decisão do voto.

Desenvolvimento da campanha - 55 dias


Um balanço entre a fase anterior e a fase de desenvolvimento da campanha será necessá-
rio para a aplicação de alguns ajustes na campanha e na equipe, tendo como referência
informações de pesquisas. Após esse balanço, o objetivo desta fase será a intensificação do
corpo-a-corpo. É Nesta fase que a candidatura deverá ganhar “corpo” e “movimento”.
“Corpo” é a implantação da campanha na sociedade, onde quem apoia precisa mostrar seu
apoio e trabalhar para conseguir outros. O “corpo” da candidatura será demonstrado por
sua presença na rua e os eventos realizados pelo candidato, como passeatas, carreatas e
comícios. Já o “movimento” da campanha significa o ritmo de atividades que vai ser criado.

Reta final - 15 últimos dias


Esta última fase da campanha é o momento do tudo ou nada, onde o candidato deverá
investir todos os seus recursos, humanos ou financeiros. É o momento de conquistar os
eleitores indecisos e cooptar os votos das candidaturas sem viabilidade. É o momento de
criar uma “dinâmica vencedora”, mostrar para o eleitorado que a candidatura está em rit-
mo acelerado e tem chances de vitória. O trabalho de campo, a distribuição do material de
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propaganda, as carreatas, os comícios e o corpo-a-corpo do candidato terá que ganhar


uma atenção especial com o aumento quantitativo dessas ações. Se possível for, todas as
ações realizadas na fase anterior (desenvolvimento) terão de dobrar em número.

Como é comum a indecisão no voto proporcional, a criação de uma peça publicitária de


boa qualidade, atraente e clara será de fundamental importância nos dois últimos dias de
campanha.

O objetivo principal desta fase é passar para o eleitor um clima de vitória, fazendo o candi-
dato percorrer os seus principais redutos eleitorais num curto espaço de tempo.

DEPOIS DA ELEIÇÃO
Conhecidos os resultados das urnas, o candidato não pode esquecer que eleição é um pro-
cesso que se repete com regularidade. Se a vitória for conquistada, o candidato sério e
responsável não pode virar as costas para o seu eleitorado. Deve procurar meios para a-
gradecer o apoio recebido e, no exercício do seu mandato, cumprir as promessas que as-
sumiu e prestar contas ao público sobre o seu trabalho.

Se, ao contrário, a eleição não foi vencedora, o candidato deve identificar e refletir sobre
os fatores que determinaram esse resultado, tomando o máximo cuidado para não fazer
avaliações precipitadas no calor das emoções. É comum que candidatos derrotados jo-
guem a culpa sobre os ombros de apoiadores ou assessores, principalmente sobre o con-
sultor de marketing ou coordenador de campanha. Esquecem esses candidatos que os
maiores responsáveis, tanto pela vitória como pela derrota, são eles mesmos. São eles que
arregimentam os apoiadores e contratam os assessores. São eles que fazem ou não um
bom diagnóstico, para saber se a candidatura é viável. São eles que determinam os recur-
sos que serão investidos na campanha e que aprovam o posicionamento da candidatura e
a linha de comunicação. São eles, enfim, com sua história e sua imagem, que se apresen-
tam ao público como candidatos. Muito fácil, portanto, jogar a responsabilidade pela der-
rota nas costas de terceiros, quando todo o processo foi determinado por suas decisões.

Muitas vezes, um candidato pode passar por várias derrotas eleitorais até conseguir ser
eleito. Isso é normal e temos exemplos disso em eleições de todos os níveis, inclusive pre-
sidencial. A perseverança, a disposição para fazer melhor, a organização e a capacidade de
articulação são as chaves para quem busca o sucesso eleitoral.

E, lembre-se: tudo começa com um bom diagnóstico.


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Capacitação e qualificação
que melhoram o desempenho
na política e na gestão pública,
orientam as campanhas eleito-
rais, dinamizam o exercício do
mandato e aumentam a satisfa-
ção de eleitores e comunidades.

A ESCOLA SUPERIOR É um projeto de pesquisa rando o desempenho pessoal


ELEITORAL oferece progra- e ensino, com programas e estimulando a adoção das
mas de ensino, capacitação e customizados para atender melhores práticas éticas e
qualificação para quem atua necessidades específicas de legais.
nos ambientes político e elei- conhecimento e domínio de
toral, desde o planejamento técnicas em diversas áreas. Os conteúdos são organi-
de campanhas até o exercí- zados e ministrados por uma
cio de mandatos e da gestão equipe multidisciplinar, for-
pública. mada por especialistas com
CURSOS
larga experiência em solu-
A missão da ESCOLA SU- PALESTRAS ções modernas, eficientes e
PERIOR ELEITORAL é disse- SEMINÁRIOS eficazes para o setor público.
minar conhecimentos e téc- TREINAMENTOS
nicas que contribuam para o SIMPÓSIOS Bem mais que informar, a
aperfeiçoamento de candi- OFICINAS ESCOLA SUPERIOR ELEITO-
datos a cargos de represen- RAL oferece educação profis-
tação popular, profissionais sional objetiva e qualificada,
que integram os quadros de A ESCOLA SUPERIOR que potencializa habilidades
carreira ou cargos em comis- ELEITORAL colabora para a individuais, melhora os resul-
são, agentes públicos, gesto- melhoria da qualidade dos tados coletivos e intensifica
res de governos e políticos serviços em diferentes níveis os efeitos positivos aos olhos
no exercício de mandatos. da atividade pública, aprimo- da população.

A ESCOLA SUPERIOR ELEITORAL é dirigida pelo pesquisador e


consultor político Paulo Di Vicenzi, credenciado pela Associação
Brasileira de Consultores Políticos – ABCOP, entidade da qual é
diretor no Rio Grande do Sul. Paulo Di Vicenzi é estrategista
eleitoral, autor do “case” brasileiro Do anonimato à vitória
em apenas 43 dias, publicado no livro Marketing Eleitoral
Aprendendo com Campanhas Municipais Vitoriosas - (ABCOP, 2008). Twitter
@PauloDiVicenzi
Participou da criação da EGP - Escola de Gestão Pública da FAMURS. Blog
divicenzi.blogspot.com
Nos últimos cinco pleitos municipais ajudou a eleger sete prefeitos.