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OGLOBO

IRINEU MARINHO (1876-1925)

RIO DE JANEIRO, TERÇA-FEIRA, 31 DE MAIO DE 2011 • ANO LXXXVI • N

o - 28.421

ROBERTO MARINHO (1904-2003)

Sem proteção, 14 ameaçados morrem por ano no Pará

Parentes de casal de ambientalistas assassinado semana passada dizem que as denúncias foram ignoradas

Reconciliação

chapa-branca

Após as ameaças do ministro Paloc-

ci ao vice-presidente Temer, que estre-

meceram as relações entre a presiden-

te Dilma e o vice, os dois se reencon-

traram, na Base Aérea de Brasília. Mas a fotografia oficial, feita pelo Palácio à medida para a ocasião, não disfarçou o mal-estar, que continua. Página 10 e editorial “Governabilidade”

Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

“Governabilidade” Roberto Stuckert Filho/Presidência da República DILMA E TEMER: cumprimento protocolar e silêncio

DILMA E TEMER: cumprimento protocolar e silêncio

Desde que foi palco do maior massacre de sem-ter- ra no país — o de Eldorado do Carajás, com 19 mortos, em 1996 —, o Pará teve 212 pessoas assassinadas em conflitos agrários. A média é de 14 execuções por ano no estado. Os dados são da Comissão Pastoral da Terra, que contabiliza também mais 809 pessoas ameaça- das e reclama da falta de proteção. Parentes dos am- bientalistas assassinados semana passada disseram

que as ameaças recebidas por eles foram informadas à Polícia Civil e à PF, mas dei- xadas de lado. Em entrevis- ta, Maria do Espírito Santo avisava: “A gente está cor- rendo risco mesmo, em constante ameaça.” Depois de quatro mortes só na se- mana passada, o governo fez ontem uma reunião de emergência, comandada pelo presidente interino, Michel Temer, para conter a violência na Amazônia. Páginas 3 a 5 e Luiz Garcia

VIOLÊNCIA AGRÁRIA NO PARÁ PÓS-ELDORADO DO CARAJÁS

212 mortes 809 ameaças de morte 463 fazendas invadidas famílias em 78,5 mil acampamentos prisões
212
mortes
809
ameaças de morte
463
fazendas invadidas
famílias em
78,5 mil
acampamentos
prisões de
799
trabalhadores
sem-terra
28,1
vítimas de
mil
trabalho escravo

Senado apaga impeachment de Collor

Exposição sobre os princi- pais fatos da História do Se- nado suprimiu o impeach- ment de Collor. O presidente da Casa, José Sarney, classi- ficou o impeachment de “um acidente”. Página 11

C H I C O PALOCCI: SAÍDA PARA TRÁS Por que não? Voltar para Ribeirão!
C H I C O
PALOCCI: SAÍDA
PARA TRÁS
Por que não? Voltar
para Ribeirão!

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No Brasil, Lagarde pede apoio para comandar FMI

Página 21

Derrota nas urnas acirra divisões no governo Berlusconi

Página 29

SEGUNDO CADERNO

Nomes promissores da cena musical mineira contemporânea mostram talento e organização.

REVISTA MEGAZINE

Atores do novo “X-Men” falam sobre filme que mostra o surgimento do cultuado grupo de heróis.

filme que mostra o surgimento do cultuado grupo de heróis. Pioneira,Alemanhafechará todas as usinas nucleares
filme que mostra o surgimento do cultuado grupo de heróis. Pioneira,Alemanhafechará todas as usinas nucleares
filme que mostra o surgimento do cultuado grupo de heróis. Pioneira,Alemanhafechará todas as usinas nucleares
filme que mostra o surgimento do cultuado grupo de heróis. Pioneira,Alemanhafechará todas as usinas nucleares

Pioneira,Alemanhafechará

todas as usinas nucleares

País da primeira fissão atômica promete investir em energias renováveis

Fornecedora da tecnologia que serviu de base para os programas de Angra II e III, a Alemanha anun- ciou ontem que, até 2022, não terá mais usinas nucleares em funciona- mento em seu território. Novas fon- tes de energia, incluindo renová- veis, serão adotadas. A decisão foi tomada três meses depois do ter- remoto seguido de tsunami que

abalou as usinas nucleares no Ja- pão e 64 dias após derrota impor- tante do governo de Angela Merkel para os verdes. O país, onde acon- teceu a primeira fissão atômica da História, em 1939, torna-se assim a primeira potência industrial a pro- meter abrir mão da energia nuclear. O anúncio foi visto também como manobra eleitoral, e o governo da

França — país que mais depende das usinas nucleares — advertiu que será impossível para a União Europeia atingir metas de redução de gases de efeito estufa sem este tipo de energia. O funcionamento dos reatores de Angra não deve ser afetado porque a empresa alemã vendeu sua participação no negó- cio a franceses. Página 28

Aumento recorde de emissão de gás-estufa

As emissões dos gases-estufa atingiram recorde no ano passado — 5% a mais que em 2008. Segun- do especialistas, será impossível li- mitar aumento global da tempera- tura a 2 graus Celsius. Página 30

Custódio Coimbra

tura a 2 graus Celsius. Página 30 Custódio Coimbra LIXO na encosta contrasta com a bela

LIXO na encosta contrasta com a bela paisagem do Pavão-Pavãozinho, oficialmente considerado “ex-favela”

‘Ex-favelas’ com velhos problemas

Comunidades beneficiadas com programas sem continuidade têm lixo e moradias insalubres

Comunidades agora con- sideradas bairros pela pre- feitura como Pavão-Pavão- zinho, Borel e Vidigal — be- neficiadas nos últimos anos seja com obras de infraes- trutura como Favela-Bairro e PAC, seja com investimen - tos em segurança como UPPs — ainda apresentam problemas comuns aos de qualquer favela, como lixo, esgoto a céu aberto, mora-

dias insalubres e “gatos”, devido à falta de continui- dade dos programas. Diante da crítica do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, à falta de investi- mentos sociais nas favelas com UPP, o Estado decidiu antecipar em um mês a ins- talação do Comitê Executi- vo de Políticas Sociais nos Territórios Pacificados. Página 12 e Dos Leitores

EDITORIAL

Encruzilhada à qual se refere Beltrame é virtual. Cumpre

evitar que vire um real beco sem saída.

Página 6

Ressaca fecha 8 quiosques de Copacabana

Oito quiosques novos da orla de Copacabana ficarão fechados pelo menos duas semanas devido aos estra- gos causados pela ressaca. As áreas subterrâneas ala- garam, e o projeto terá que ser revisto. Página 20

Ciclovia da Urca está paralisada

Há três semanas está pa- rada a obra da ciclovia da Urca, de 1,2km, ao custo de R$ 350 mil. Na Zona Oeste, a prefeitura obrigou a cons- trutora a fazer correções na obra de 22km que custou R$ 20 milhões. Página 14

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Te rça-feira, 31 de maio de 2011

O GLOBO

‘Indignados’, espanhóis têm apoio em Paris e Atenas

Contra a crise, manifestantes ficarão acampados em Madri. Na Grécia, 24 mil pro- testaram e, em Paris, a polícia retirou jovens da Praça da Bastilha. ECONOMIA, página 22

Cinco generais e dois coronéis abandonam Kadafi

Acusando ditador de genocídio, militares se aliam a outros mais de 100 que desertaram das forças líbias, que agora operam com 20% da capacidade anterior. O MUNDO, página 29

Mãe de criança agredida vai processar Colégio São Bento

Seu filho, de 6 anos, ficou com corte e luxações na cabeça após ser violentamen- te agredido por outro estudante, de 14. O caso acabou na delegacia. RIO, página 19

Sem Venezuela, Petrobras investirá R$ 16 bi em refinaria

A estatal vai injetar dinheiro para ter- minar a obra de Abreu e Lima, em Per- nambuco, pois Hugo Chávez não cum-

priu promessa.

ECONOMIA, página 23

Um milhão de fumantes têm doenças respiratórias no país

Análise do Instituto Nacional do Câncer para o Dia Mundial sem Tabaco revela que um milhão de fumantes no país sofrem de doenças respiratórias. CIÊNCIA, página 30

Diego Souza assume mais responsabilidade no Vasco

Sem Éder Luís e Ramon, o Vasco tem em Diego Souza sua maior esperança contra o Coritiba, amanhã, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil. CADERNO ESPORTES

Câmara aprova emenda que dá mais transparência à prefeitura

Por sugestão do Movimento Rio Como Va mos, a L ei Orgânica agora obriga pre- feitos a apresentar planos com metas e relatórios de desempenho. RIO, página 14

ARNALDO JABOR

O futuro da cultura vai dos games às composições de Beethoven

SEGUNDO CADERNO • PÁGINA 12

Fabio Rossi

Fabio Rossi MODELO APRESENTA roupa com franjas da Acquastudio no primeiro dia do Fashion Rio, a

MODELO APRESENTA roupa com franjas da Acquastudio no primeiro dia do Fashion Rio, a semana de moda que vai exibir nas passarelas coleções de 29 grifes com as tendências do verão 2012. O evento, que acontece em cinco armazéns do Píer Mauá, inclui exposições, bolsa de negócios, shows e desfiles fechados para convidados. Hoje, será a v ez de as grifes To tem, Salinas, Espaço Fashion e OEstúdio se apresentarem. RIO, página 13

POR DENTRO DO GLOBO

A Copa do Mundo do Ela

Marcelo Piu

A té sábado, a Redação do Ela es- tá dando expediente em outro endereço: sai a Rua Irineu Mari- nho, no Centro, e entram os es-

paços amplos do Píer Mauá, onde acontece a 19 a - edição do Fashion Rio. A cobertura se desdobra entre as pá- ginas do impresso e o site especial criado para registrar todos os detalhes do principal evento de moda da cida- de. Tudo para trazer o máximo de in- formações para o leitor, conta a edito- ra do caderno, ANA CRISTINA REIS:

— “Importamos” a repórter MÁRCIA ABOS da sucursal de São Paulo espe- cialmente para fazer a edição digital do site. Eu fico na Redação fechando uma página diária para a editoria Rio, en- quanto a coordenadora de moda, PATRI-

CIA VEIGA, estará no Píer Mauá para as- sistir aos desfiles de 29 grifes e mandar de lá o seu Palavra de Especialista. CA-

editora assisten-

lá o seu Palavra de Especialista. C A- editora assisten- Carolina, Patricia e Melina: em campo

Carolina, Patricia e Melina: em campo para a Copa da Moda

Cultura do site do GLOBO. A moda original detectada pelo Ela no Fashion Rio se transformará em fotos e vídeos no site. E, a partir de hoje, os leitores poderão votar também nos melhores looks de cada dia. No sábado, os fashionistas mais votados serão reunidos em uma fotogaleria especial. Para Márcia Abos, a estada de uma semana no Rio de Janeiro é um desafio prazeroso. — Além da correria que é a semana de Fashion Rio, esta é uma oportunidade rara de encontrar pessoalmente os colegas, com quem só costumo conversar por e-mail, GTalk e telefone — brinca Márcia. — Como diz o di- tado, a gente trabalha mas se diverte.

ROLINA

I SABEL N O VA E S,

te, e a repórter MELINA DALBONI, tam- bém do Píer, vão produzir reporta- gens e vídeos para o site e para o pa- pel. Se para os leitores a temporada de lançamento de moda parece só glamour, para a equipe do Ela signifi- ca trabalho dobrado. Mas é um pra- zer: dizemos que é a nossa Copa do

Mundo — brinca Ana Cristina. No site (oglobo.globo.com/cultura/moda- verao2012), que entrou no ar ontem, os leito- res encontram notícias, fotogalerias e vídeos com os principais destaques de cada dia de desfiles. A moda carioca e os looks persona- líssimos dos frequentadores do evento tam- bém estarão presentes na cobertura. — Montamos um totem imenso, que repro- duz uma primeira página do Ela, no Píer Mauá, onde temos uma produtora atenta a to- das as pessoas. Va mos convidar as que tive- rem um visual bem bacana, digno de figurar no caderno, para posar diante do nosso to- tem. E elas poderão se ver em fotogalerias es- peciais — conta RICARDO CALAZANS, editor de

AUTOCRÍTICA

Na página 4 de ontem:

“Ilhas de excelência passam

por prova de fogo.” “

Escolas do Amanhã, localizadas em área de risco, e as de baixo índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) têm atividades em contra fluxo.” Erro de grafia. Certo: “ em contrafluxo.” P. 5: “‘Quando convocado, colaboro no Congresso.’” “Mas no início da noite de ontem, o senador

pernambucano avisou que não estará presente porque trata-se de um encontro da ”

presidente

erro na colocação do pronome. Certo: “Mas, no início da noite de ontem, o senador pernambucano avisou que não estará presente porque se trata

de um encontro

“Após convenção conturbada, tucanos esperam trégua entre Serra e Aécio.” “Serra perdeu o interesse, se sentindo desprestigiado. Mas conseguimos retomar a ideia original e o partido acatou algumas exigências de Serra — disse Perillo.” Repetição de ‘Serra’, erro na colocação do pronome e falta de vírgula. Certo: Serra perdeu o interesse, sentindo-se desprestigiado. Mas conseguimos retomar a ideia original, e o partido acatou algumas exigências dele — disse Perillo.

as

Falta de vírgula e

Adiante:

(Resumo da crítica interna coordenada pelo jornalista Aluizio Maranhão, distribuída todos os dias na Redação do GLOBO)

O GLOBO
O GLOBO

NA INTERNET

a Leia a íntegra da coluna

oglobo.com.br

PANORAMA

POLÍTICO

de Brasília

Entrando em cena

Esnobado pela articulação política petista do go- verno Dilma, o vice Michel Temer está tirando todo o proveito da crise Palocci e da votação do Código Florestal. Ontem, Temer promoveu jantar, no Jabu- ru, de aproximação com a bancada independente do partido, simpática às teses ruralistas. Hoje à noi- te, ao lado do líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), conversa sobre o futuro com o gover- nador Eduardo Campos (PSB-PE).

Barganha internacional

O governo brasileiro fará suspense sobre o nome que pretende apoiar para ser o próximo diretor-gerente do FMI. Apesar do assédio dos candidatos, a orientação é ver quem dá mais. A demanda vai de mais cargos para emergen- tes no segundo escalão até ga- rantir que o próximo nome já não será de um europeu. A mi-

nistra da Economia francesa, Christine Lagarde, deve en- grossar a lista de seus conter- râneos no cargo. Dos dez co- mandantes do FMI até hoje, quatro eram franceses. O pra- zo para a escolha é 30 de ju- nho. O presidente do México, Carlos Salinas, quer o apoio de Dilma para o presidente do BC mexicano, Agustín Carstens.

“Ela é de inteira responsabilidade de Palocci, que

já deveria ter fornecido as informações sobre o seu

rápido enriquecimento” — Walter Pinheiro, senador (PT-

BA), ao negar que a crise seja do governo ou do PT

Reprodução da internet

a crise seja do governo ou do PT Reprodução da internet Gustavo Miranda/1-6-2010 ESTAMPA! O sucesso

Gustavo Miranda/1-6-2010

ou do PT Reprodução da internet Gustavo Miranda/1-6-2010 ESTAMPA! O sucesso da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR),

ESTAMPA! O sucesso da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), uma das mais tenazes defensoras do governo Dilma, mexeu com os brios do marido, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações). Ele trocou sua foto no Tw itter, colocando uma de quando ele tinha 20 e poucos anos. Ontem, a presidente Dilma Rousseff e o ministro tiveram uma longa conversa, no avião retornando de Montevidéu, sobre as mudanças na Te lebrás e novas missões.

Se mexendo

Desde que assumiu, a minis- tra Izabella Teixeira (Meio Am- biente) está indo pela primeira vez acompanhar de perto uma operação de fiscalização na Amazônia. Foi preciso o gover- no perder, na Câmara, a vota- ção do Código Florestal.

Nó em pingo d’água

Os articuladores políticos do governo se defendem das críticas após a derrota do Có- digo Florestal. Alegam que o governo não tinha como ga- nhar, a exemplo das votações da distribuição dos royalties e do reajuste dos aposentados.

Na alça de mira

Os petistas estão espumando com o vazamento do bate- boca entre o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e o vice Michel Temer. O alvo da ira é o secretário Moreira Franco (Assuntos Estratégicos), que, segundo os petistas, teria criado uma versão dramatizada do episódio. Eles só não vão para cima do peemedebista porque não se sentem confortáveis nem encorajados pela militância para, nas atuais circunstâncias, sair em defesa de Palocci.

No limite

O governador Antônio Anastasia (MG) pedirá à pre- sidente Dilma, na reunião da Copa, urgência na licitação das obras do terminal 1 de Confins, cujo custo é de R$ 295,2 milhões. Com capaci- dade para 5 milhões de pas- sageiros, já opera com oito.

Abrindo o cofre

O governo está antecipan- do o pagamento de US$ 3,1 bilhões ao Bird. A dívida do país junto ao banco está pró- xima do teto de US$ 16,5 bi- lhões. Se chegar ao topo, es- tados e municípios, princi- pais tomadores, perdem acesso ao crédito.

■ ■ ■ ■ ■ ■

DECIDIDO. A presidente Dilma vai vetar qualquer tipo de anistia a desmatadores que venha a ser aprovado pelo Congresso na votação do Código Florestal.

PREFEITOS do Norte Fluminense, que serão afetados pela redistribuição dos royalties do petróleo, preparam proposta alternativa para o relator do projeto do pré- sal, Fernando Jordão (PMDB-RJ).

O GOVERNADOR Sérgio Cabral não participa hoje de reunião com a presidente Dilma sobre a Copa. Ele está em Paris. O vice Luiz Fernando Pezão, presente.

ILIMAR FRANCO com Vivian Oswald, sucursais e correspondentes

E-mail para esta coluna: panoramapolitico@oglobo.com.br

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

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IMPASSE NO CAMPO

‘Pediram socorro até a última hora’

Familiares de ambientalistas mortos no Pará reclamam de omissão de autoridades

Fábio Fabrini

Enviado especial MARABÁ e NOVA IPIXUNA (PA).

I ntegrando agora uma força-tarefa para descobrir os matadores dos ambientalis- tas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria

do Espírito Santo, as polícias Civil do Pará

e a Federal deixaram de lado, antes do assas-

sinato, denúncias feitas pelo casal, constante-

mente ameaçado por grileiros e desmatadores

da região. A reclamação foi feita por familiares

e amigos dos dois ambientalistas. Reunidos on-

tem para homenagear o casal, morto numa em- boscada na última terça-feira, parentes e ami- gos disseram que os episódios foram relatados inúmeras vezes, mas ficaram sem investigação. Nos últimos 15 anos, 14 pessoas ameaçadas de

morte no Pará por conflitos agrários foram as- sassinadas por ano no estado, em média.

— A minha maior dor é que tudo (as ameaças)

foi oficializado na Polícia Federal, no Ministério Público e em outros órgãos. Pediram socorro até

a última hora, e não houve investigação — la-

mentou Laísa Santos Sampaio, de 45 anos, irmã de Maria do Espírito Santo, durante cerimônia religiosa pelo sétimo dia da morte. Por ordem do governo, a Polícia Federal es- tá em Marabá ajudando na investigação dos assassinatos e da suspeita de participação de ao menos três possíveis mandantes. Os poli- ciais federais destacados para a investigação ouviram até agora 50 pessoas, na maioria vi- zinhos e parentes das vítimas, que reconta- ram a crônica da violência em torno do assen- tamento Praialta-Piranheiras. Uma das sus- peitas é do envolvimento de um grileiro que há alguns meses teria mandado atear fogo em residências e destruir plantações de assenta-

dos que, sob a liderança de José Cláudio e Ma- ria, resistiam em sair da área. Ele teria com- prado títulos que, supostamente, dariam di- reito aos terrenos, mas o casal se mobilizou para evitar a retirada dos moradores.

— Os barracos foram reconstruídos, e eles

se mantiveram no local — conta uma das tes- temunhas ouvidas pela PF. Ontem, no fim do dia, uma denúncia anônima avisou que os pistoleiros podem ter escapado para fazenda no município vizinho de Jacundá. José Cláudio estaria apoiando a ocupação de ter- ras de um produtor rural da cidade. Outra linha de investigação é sobre um fazendeiro que vinha retirando madeira ilegalmente no assentamento, denunciado pelo ambientalista, que fotografava os caminhões de desmatadores e encaminhava as imagens para órgãos de investigação. — Para intimidar, os caminhões andavam com segurança armada. O dono da carga avisou que ninguém iria impedi-lo de tirar a madeira — relatou outra fonte ouvida pelos policiais.

Frequência de ameaças aumentou em março

O nome de José Cláudio estava inscrito no Caderno de Conflitos Agrários da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Pará. No ano pas- sado, entrou o de Maria. Outros dois assen- tados ligados ao casal também constam da lis- ta de marcados para morrer. Em palestras e depoimentos públicos, os ambientalistas tam- bém relataram sua situação. Pessoas próxi- mas às vítimas contam que, desde março, as ameaças ficaram mais frequentes.

Há algumas semanas, o ocupante de um veí- culo atirou contra a casa de José Cláudio e Maria

à noite. Ela estava sozinha com o sogro e, de- sesperada, telefonou para a irmã Laísa.

— A voz dela ainda ecoa. Ela dizia: “maninha,

não tem jeito. Eles vão acabar comigo” — relata Laísa, acrescentando que, sem proteção, Maria chegou a cogitar vender as terras, mas esperava que elas fossem compradas por alguém que le- vasse adiante o trabalho de preservação. No sábado anterior ao crime, o clima era ten- so. Um parente do casal viu uma caminhonete e uma moto rondando a casa. Os assentados di- zem que algumas ameaças chegaram a ser feitas em público, num bar frequentado tanto por pe- quenos quanto por grandes produtores.

— Um deles (que mandou atear fogo nas ca-

sas) reclamou que até poderia perder as ter- ras, mas que matava o José Cláudio — conta uma moradora. As polícias Civil e Federal informam que, por ora, não é possível fazer ligação entre a morte do casal de ambientalistas e a de Erenilton Pereira dos Santos, cujo corpo foi encontrado com tiros no sábado. A suspeita é de que o crime esteja ligado ao tráfico de drogas. Erenilton foi um dos que viram uma moto vermelha, com dois ho- mens suspeitos de participar do crime, passar próximo ao local da emboscada. Porém, um de- les chegou a conversar com outra testemunha, que estava perto do assentado. Para os investigadores, é improvável que os assassinos tenham voltado dias depois apenas para eliminar uma testemunha que os viu de capacete. E, ainda assim, deixar viva a que teve contato mais direto com eles. Os dois homens, um deles descrito como negro, portavam uma bolsa comprida e pediram informações sobre

Fábio Fabrini

bolsa comprida e pediram informações sobre Fábio Fabrini PARENTES E AMIGOS na homenagem pelo sétimo dia

PARENTES E AMIGOS na homenagem pelo sétimo dia da morte de José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo: casal havia relatado inúmeras ameaças

Desde 1996, 212 assassinatos no Pará

Em cada dez mortes em conflitos por terra no estado, sete são na região de Marabá

MARABÁ E NOVA IPIXUNA (PA). Palco do assas-

sinato de 19 sem-terra em 1996, no episódio que ficou conhecido como o massacre de El- dorado dos Carajás, o Pará continuou escre- vendo páginas horrendas de violência no campo. De lá para cá, nada menos que 212 pessoas foram assassinadas em conflitos agrários, a exemplo de José Cláudio e Maria do Espírito Santo. Na média, desde 1996, fo- ram 14 execuções por ano. Outras 809 sofre- ram ameaças de morte. Os dados constam de levantamentos da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que avalia a situação na região de Ma- rabá, onde o casal de ambientalistas foi mor- to, como a pior do estado. — As pessoas têm a impressão de que, de-

pois de Carajás, a situação melhorou. Não é verdade. Pecuaristas, madeireiros, monocul- tores exercem uma pressão violenta. A conse- quência tem sido os mortos — avalia o advo- gado da CPT, José Batista. Conforme os relatórios da Pastoral da Terra, 463 fazendas foram ocupadas no es- tado desde 1996. Nessas áreas, 75,8 mil fa- mílias se instalaram, e 31,5 mil já foram despejadas. Um permanente caldeirão de embates que já resultaram em 799 prisões. Segundo Batista, em cada dez mortos em conflitos no estado, sete são na região de Marabá. Um dos motivos é a avançada de- vastação na área. Restam muito poucas áreas de florestas, o que aumenta a cobiça

pela madeira remanescente. Além disso, afirma o advogado, a perspec- tiva de mudanças no Código Florestal favore- ceu as derrubadas. O assentamento Praialta- Piranheiras é uma das poucas áreas preserva- das na região. José Cláudio e Maria, assim co- mo outros assentados, trabalhavam na produ- ção de açaí, castanha-do-pará, cupuaçu e an- diroba, além de plantar e pescar. Rondando áreas cada vez mais devastadas de floresta, a atividade madeireira rende lucros vultosos, apesar dos riscos. Uma castanheira negocia- da no mercado internacional pode render R$ 22 mil de lucro. Os galhos finos são transfor- mados em carvão e vendidos à indústria do ferro-gusa. (F.F.)

‘A gente está correndo risco, em constante ameaça’

Divulgação/24-05-2011

risco, em constante ameaça’ Divulgação/24-05-2011 JOSÉ CLÁUDIO e Maria do Espírito Santo: “Não me pegam

JOSÉ CLÁUDIO e Maria do Espírito Santo: “Não me pegam sozinha”

Em depoimento ao jornalista Feli- pe Milanez, também gravado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), a ambientalista Maria do Espírito San- to disse no fim do ano passado, em tom quase profético, “ter a impres- são” de que seria morta com o ma- rido, José Cláudio da Silva. Em pou- co mais de uma hora de conversa, ela deixou claro ter a exata noção dos riscos que corria, citou a Irmã Dorothy Stang, também morta numa emboscada no Pará, em 2005, e afir- mou se escudar na CPT para evitar uma tragédia. Leia alguns trechos:

A gente está correndo ris-

co mesmo, em constante amea- ça. Não sei nem quando a gente vai poder dizer assim que nós va- mos viver”.

A única floresta nativa do

município ainda fragmentada é esta. Não sobrou mais nada. Pos- so morrer, se caso eu estiver jun- to com ele. Com ele, eu acredito. Eles não me pegam sozinha. Não vão ter coragem de me matar sa- bendo que a pessoa forte que es- tá ali do meu lado é o Zé Cláudio. Tenho certeza de que eu, sozinha, eles não pegam. Mataram a Irmã

Dorothy, mas é diferente. A Irmã Dorothy era uma freira, não tinha marido. Eu tenho marido, com personalidade forte, porque ele já teve, assim, momento de discutir com pistoleiro. Eles não me pe- gam só, eles só me pegam com o Zé Cláudio. Tenho sempre esta impressão, porque em todos os momentos (de ameaça) a gente estava junto”.

Acontece qualquer coisa,

nós vamos para a CPT. Eles colo- cam logo nos jornais. Com isso, eles têm um pouco de receio. Um dos empresários já disse que o Zé Cláudio ainda não morreu porque está nesta região, porque, se esti- vesse em outra região, já tinha morrido”.

Essa questão nossa é perigo-

sa. Mexe em muita coisa. É, mexe no bolso. Eles conseguem colocar os trabalhadores contra nós, dizer que as serrarias estão paradas. ‘Olha aí o que é que o Ibama fez, trancou as serrarias, como é que o pessoal vai viver?’. Aí o homem fa- lou: ‘Isso é só um homem e uma mulher que tem lá que não deixam o povo ter sossego’”.

como chegar ao Porto do Barroso, uma das saídas por rio da região. Erenilton foi morto perto dali, uma área de intenso tráfico, segun- do os policiais, inclusive com plantações de maconha. A família da vítima nega que ele te- nha envolvimento com drogas. Apavorados, parentes de Maria e José Cláudio deixaram o assentamento sem data para voltar. — Estão todos com medo de serem os pró- ximos, pois eles têm muita informação — justi- ficava ontem, na porta do cemitério, Luciano

Santos de Souza, de 19, sobrinho do casal. Laísa carregou até os animais de estimação:

— Não volto tão cedo. Ficou só o gado. Tenho medo e não consigo conviver com a lembrança. Minha irmã dizia que, enquanto uma castanheira estivesse de pé, derramaria seu sangue por ela. O irmão de Maria, Domingos da Silva Alves, de 57, se apressou ontem para produzir duas cru- zes de madeira, cravadas pouco antes da ceri- mônia diante dos túmulos:

— Eles contavam muita coisa, que estavam

ameaçados, podiam morrer a qualquer mo- mento. Achava que iam apenas assustá-los, mas não matar — lembrou.

GOVERNO AGORA DIZ QUE VA I PROTEGER AMEAÇADOS, na página 4

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O PA ÍS

O GL OBO

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

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S O GL OBO Te rça-feira, 31 de maio de 2011 . MERVAL PEREIRA Novos rumos

MERVAL

PEREIRA

MERVAL PEREIRA Novos rumos ● Apesar das divergências, ou até por causa delas, o PSDB saiu
MERVAL PEREIRA Novos rumos ● Apesar das divergências, ou até por causa delas, o PSDB saiu

Novos rumos

Apesar das divergências, ou até por causa delas, o PSDB saiu de sua convenção nacional sábado passado melhor do que estava. Isso porque con- seguiu não apenas expor suas diferenças de ma- neira aberta, o que anteriormente só aparecia por baixo dos panos ou em fofocas de bastidores, mas definir uma linha de orientação.

Ficou claro que, no mo- mento, o grupo majoritário do partido apoia o ex-gover- nador de Minas e atual sena- dor Aécio Neves, e a direção política será dada a partir de agora por esse grupo. Ao mesmo tempo em que te- ve que aceitar essa hegemonia, o ex-governador José Serra te- ve força suficiente para ganhar

um papel de relevância na dire- ção partidária, deixando explí- cito que sem São Paulo não é possível se pensar em um pro- jeto viável na sucessão presi- dencial, assim como, nas três últimas vezes, não foi possível vencer sem o apoio de Minas. Escantear deliberadamente uma liderança política como Serra, como setores do partido desejariam, seria suicídio, as- sim como não tinha o respaldo da realidade o sonho do grupo serrista de dominar o partido.

Se tentasse impor sua vonta-

de — que primeiro foi ser pre-

sidente do partido, e por fim as- sumir a direção do Instituto Teotônio Vilela (ITV) para, a partir dali, fazer sua campanha para ser mais uma vez candida- to a presidente —, Serra cons- tataria que já não tem a maioria do partido a seu lado. Pelo menos no momento. Não chegou a haver uma dis- posição real de a representação paulista boicotar a convenção caso Serra não fosse aquinhoa- do com uma boa posição, pelo simples fato de que o ex-presi- dente Fernando Henrique Car- doso e o governador paulista Geraldo Alckmin atuaram sem- pre de comum acordo e na base da temperança, não permitindo que predominasse a tentativa dos mais radicais, nem de um lado nem de outro.

A partir de agora, a realidade

pautará as ações do partido e de cada uma de suas forças po- líticas. O ex-governador e can- didato duas vezes à Presidência da República José Serra terá uma exposição política, se não à altura de seus sonhos, condi-

zente com sua importância no cenário político brasileiro, de onde poderá ajudar o partido e ajudar-se, reorganizando seus contatos nas bases, à espera de uma mudança de ventos.

Já o PSDB começa uma nova

fase claramente sob a liderança

política do senador Aécio Ne- ves, que manteve o controle da

direção nacional e colocou no ITV o ex-senador Tasso Jereis - sati, recuperando para a vida pública uma das maiores lide- ranças do partido, e dando a ele uma tarefa a que está acos- tumado, com sucesso: reunir técnicos e pensadores para ba- lizar as ações partidárias.

O senador Aécio Neves sai

do embate como o provável candidato do PSDB à suces- são de Dilma Rousseff, retem- perado pela vitória. Mas também precisará de- monstrar que está preparado para o papel que almeja há tanto tempo. Com a manobra política que lhe assegurou a maioria parti- dária, Aécio Neves reafirmou sua capacidade de costurar acordos políticos nos bastido- res, que já demonstrara em ocasiões anteriores. Especialmente quando sur- giu como fato consumado a preferência dos tucanos e de

outros partidos da base em vê- lo presidente da Câmara em vez de Inocêncio de Oliveira, do então PFL, como estava combinado com o presidente Fernando Henrique.

O ex-governador José Serra,

um especialista em manobras de bastidores, e político ousa-

do e temido, negava a Aécio Neves essas habilidades, e ten- tou enfrentá-las, sem sucesso, nessa empreitada de agora.

A política, no entanto, vo-

lúvel como as nuvens do mi-

neiro Magalhães Pinto, não dá a ninguém vitórias anteci- padas, e nem declara a morte de véspera de qualquer polí- tico, especialmente da cate- goria de José Serra.

A partir de agora, ele terá de

se adaptar à realidade que su- perou seus desejos, mas pode

também aguardar em boa posi- ção para ver como ficarão as coisas a longo prazo. Tem tempo e paciência pa- ra tal.

Se decidir concorrer à prefei-

tura de São Paulo, que não era sua escolha até recentemente, Serra estará deixando o cami-

nho livre para Aécio Neves.

O fim de sua carreira política

no cargo de prefeito paulistano não é uma opção ruim, pois es- tará à frente do terceiro cargo mais importante politicamente do país, perdendo apenas para a Presidência da República e o governo de São Paulo. Desse cargo, terá influência

política de sobra, seja qual for o presidente eleito em 2014. Espe- cialmente se ele for do PSDB. Mas, se persistir na tentativa de disputar a Presidência da República, a presidência do Conselho do PSDB lhe dará uma exposição pública, e meios de manobras internas, desde que tal conselho venha realmente a funcionar.

O fato de ele ter ganhado

poder deliberativo foi sem dú-

vida uma vitória de Serra, em- bora não tenha sido uma deci-

são de última hora como está sendo divulgado.

Já na sexta-feira estava cla-

ro que só faria sentido ofere- cer esse conselho a Serra se ele tivesse funções práticas. Porque seria suicídio político abrir mão de sua real contri- buição ao partido. Assim como não queriam que Serra assumisse o ITV para que não tivesse verba e autono- mia para fazer dele seu palan- que político, também o conse- lho não poderá ser usado com interesses eleitorais. Da mesma maneira, Aécio Neves terá que se conduzir com cautela mineira para não usar a estrutura partidária em benefício próprio. Fazer com que os interesses do partido estejam representa- dos nos diversos estados, e le- var a discussão dos temas na- cionais para as bases partidá-

rias, a partir da eleição munici-

pal do próximo ano, será a ta- refa principal da nova direção.

A candidatura de Aécio à Pre-

sidência terá que vir como de-

corrência desse trabalho, e não como imposição dele. Mesmo porque as negocia- ções mostraram que há outro líder que tem que ser levado em conta, o governador Ge- raldo Alckmin. Com a ida de seu vice Afif Domingos para o PSD, Alckmin ficou um pouco preso à sua própria sucessão, para não deixar o governo nas mãos do partido de Kassab. Mas, de novo, este é um re- trato do momento. Até 2014 muita água vai rolar.

E Aécio terá de utilizar todos

os truques que aprendeu na po- lítica mineira para manter a po- sição de favorito ao posto de candidato tucano na sucessão

de Dilma Rousseff.

E-mail para esta coluna: merval@oglobo.com.br

IMPASSE NO CAMPO

Governo agora diz que vai priorizar proteção a ameaçados de morte

Outra providência será intensificar operação de combate a desmatamentos

Chico de Gois e Catarina Alencastro

BRASÍLIA. Depois de quatro mortes por conflito de terra na semana passada, o governo fe- deral fez ontem uma reunião de emergência para adotar medi- das contra os assassinatos na região amazônica. Coordenada pelo presidente em exercício, Michel Temer, e com a presença de três ministros e três secretá- rios executivos, o grupo decidiu intensificar a operação Arco de Fogo, lançada em fevereiro de 2008 com o objetivo de coibir o

desmatamento ilegal na Amazô- nia. Além disso, de imediato, o governo liberou recursos para o pagamento de diárias a fiscais e deslocamento de pessoal para atuar no local. Segundo o secretário de Ex- trativismo e Desenvolvimento

Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Vi- zentin, também foi decidido que, agora, a prioridade máxi- ma será a proteção de pessoas ameaçadas. Foi posta sobre a mesa a lista da Pastoral da Ter- ra com nome de pessoas amea- çadas e denúncias recebidas pela polícia. O cadastro será atualizado emergencialmente para que ninguém fique fora da proteção, cuja estratégia será

montada pela Polícia Federal, também presente à reunião. — O governo está preocupa- do, vigilante. Lamentavelmente as ameaças, na maioria das ve-

vigilante. Lamentavelmente as ameaças, na maioria das ve- Sérgio Lima/Folhapress MICHEL TEMER (de pé) preside

Sérgio Lima/Folhapress

as ameaças, na maioria das ve- Sérgio Lima/Folhapress MICHEL TEMER (de pé) preside reunião para tratar

MICHEL TEMER (de pé) preside reunião para tratar de mortes na Amazônia

zes, são concretizadas. O mi- nistro Gilberto Carvalho (Se-

cretaria-Geral da Presidência) disse que a prioridade máxima

é dar proteção às pessoas que

estão marcadas para morrer. Todas as medidas necessárias serão tomadas para protegê- las. Mas o que pode impedir o alastramento da violência é a oferta de atividades sustentá- veis — disse Vizentin. O ministro do Desenvolvi- mento Agrário, Afonso Florence, porém, não soube dizer de que forma a Arco de Fogo será incre- mentada, nem quantos fiscais a mais serão enviados à área de

conflito. Florence informou que o governo também irá instalar dois escritórios de regulariza- ção fundiária no Amazonas para

agilizar os processos em terras da União, um dos principais pro- blemas na região. O governo fe- deral também quer dividir as responsabilidades com os go- vernos estaduais sobre a segu- rança nos assentamentos. Para isso, estão sendo chamados a Brasília os governadores do Amazonas, Roraima e Pará. — O governo tomou uma sé- rie de decisões imediatas. Está no Diário Oficial de hoje (on- tem) a liberação de recursos

(R$ 500 mil) para reforço de orçamento na parte de diárias no âmbito do MDA e do Incra. Nós também tomamos a deci- são da constituição de um gru- po interministerial que se reu- nirá diariamente nos vários ní- veis de governo, intensifican- do as providências para im- plantação imediata de assen- tamentos na Amazônia — afir- mou Florence.

Governo não associa crimes com aprovação do código O ministro disse que o gover- no federal não associa os cri- mes no campo com a votação do Código Florestal, que bene- ficiou os agropecuaristas em detrimento dos ambientalistas:

— O debate sobre o Código Florestal é outra dinâmica. Não

são de agora o conflito de terra

e demandas insustentáveis de

desenvolvimento na região. As medidas definidas ontem ainda serão submetidas à presi- dente Dilma, mas Temer já ga- rantiu que não haverá contin- genciamento de recursos para que a estratégia montada seja cumprida. Presente à reunião, o ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, confirmou que a contenção de despesas anuncia- da pelo governo em março não irá prejudicar as ações no cam- po. E informou que policiais ci- vis da Força Nacional de Segu- rança irão ajudar os estados na solução de crimes que sequer são investigados.

Sarney: contra anistia a desmatadores

Presidente do Senado dá sinais de que PMDB na Casa pode votar com governo

BRASÍLIA. O presidente do Se- nado, José Sarney (PMDB-AP),

disse ontem ser contra a anistia

a proprietários rurais que des-

mataram em Áreas de Preserva- ção Permanentes (APPs), consi- derada um dos pontos mais po- lêmicos da reforma do Código Florestal aprovada semana pas-

sada pela Câmara. Sarney disse, porém, que é um ponto de vista pessoal, mas sinalizou que o PMDB do Senado poderá aceitar

a proposta defendida pelo go-

verno, não a adotada pelos pe- emedebistas da Câmara. — Os desmatadores não po-

dem ser anistiados — disse Sar- ney. — Não conheço o texto aprovado na Câmara, mas tenho meus pontos de vista. Qualquer lei que possa beneficiar quem queira destruir, acho errado. O líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), ante- cipou ontem que deverá enca- minhar ainda hoje à presidente

Dilma Rousseff e à Casa Civil um

pedido, assinado pelos líderes partidários, solicitando a pror- rogação do prazo estabelecido pelo decreto 7.029/09, que auto- riza a aplicação de multas aos produtores rurais que descum- priram a legislação ambiental, mas só a partir de 11 de junho. Sarney confirmou que o Có- digo Florestal deverá tramitar no Senado por pelo menos três comissões: a de Constitui- ção e Justiça, a de Agricultura

e a de Meio Ambiente.

no Senado por pelo menos três comissões: a de Constitui- ção e Justiça, a de Agricultura

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

O GLOBO

O PAÍS 5

Te rça-feira, 31 de maio de 2011 O GLOBO O PAÍS ● 5 IMPASSE NO CAMPO

IMPASSE NO CAMPO

Agricultor executado em RO denunciou ameaças

Ouvidor agrário confirma que pedido de proteção para Adelino Ramos foi feito à Secretaria de Segurança do AM

Evandro Éboli e Naira Hofmeister*

BRASÍLIA e PORTO ALEGRE. Au-

toridades do Amazonas foram alertadas pela Ouvidoria Agrária Nacional das ameaças de morte contra Adelino Ramos, assassi- nado na última sexta-feira em Vista Alegre do Abunã, na divisa entre Rondônia, Acre e o Ama- zonas. O ouvidor agrário, Gerci- no José da Silva, afirmou ontem ao GLOBO que pediu várias ve-

zes providências e proteção à vi- da de Adelino, conhecido como Dinho e que presidiu o Movi- mento Camponeses Corumbiara

e a Associação dos Camponeses do Amazonas.

— O Adelino trouxe a questão

de ameaça a ele e aos trabalha- dores. Várias vezes pedimos providência à Secretaria de Se- gurança Pública do Amazonas, ao Comando Geral da Polícia Mi-

litar do estado, junto ao delega- do de Lábrea (AM) e também ao Ministério Público — afirmou.

O ouvidor disse ainda que,

provocada pelas denúncias, uma

juíza de Lábrea, onde Adelino vi- via, chegou a expedir vários mandados de prisão, mas que foram revogados antes de serem cumpridos. A Ouvidoria Agrária

é vinculada ao Ministério do De- senvolvimento Agrário. Ontem, em Porto Alegre, a mi-

nistra de Direitos Humanos, Ma- ria do Rosário, cobrou agilidade do MP e da Justiça que, na sua opinião, foram negligentes no caso de Adelino Ramos.

— Já havia por parte da Polí-

cia Federal um inquérito e (pedi- dos de) buscas, mas que acaba- ram não tendo desdobramentos no âmbito do MP e do Judiciário de Rondônia. Isso atrasou as ações contra esse grupo de ex- termínio que acabou por matar

o Dinho e está operando na re-

gião — lamentou a ministra, que não participou, em Brasília, da reunião interministerial para de- finir medidas contra as mortes no campo. Ela esteve na capital gaúcha e participou de um semi- nário sobre abordagem policial.

Vítima denunciou de onde partiriam as ameaças Em nota, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) informou que Adelino participou de uma au-

diência em 22 de julho de 2010, em Manaus, com a presença de Gercino, e denunciou as amea- ças que vinha sofrendo constan-

temente. Segundo a CPT, ele ci- tou nomes dos responsáveis pe- las ameaças. Integrantes da Co- missão de Combate à Violência

e Conflitos no Campo também

participaram da reunião. Gercino falou sobreaviolên- cia no Pará, palco de três das quatro mortes de agricultores na semana passada. — O Pará é uma área que tem

bastante conflitos agrários. Prin- cipalmente nas regiões Sul e Su- deste do estado. De acordo com dados da Ouvidoria Agrária é uma região de muita violência no campo — disse Gercino. A CPT criticou, na nota de on-

tem, a Secretaria de Segurança Pública do Pará, o Incra eoIba- ma, que, semana passada, te- riam informado que desconhe- ciam as ameaças contra José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, mortos no úl- timo dia 24, em Nova Ipixuna. “As mortes no campo po- dem se intitular de crônicas de mortes anunciadas”, apon- tou um dos trechos da nota, assinada pela coordenação na- cional da CPT.

* Especial para O Globo

Hans von Manteuffel/03-03-2009

■ * Especial para O Globo Hans von Manteuffel/03-03-2009 GERCINO JOSÉ: ele afirma que pediu proteção

GERCINO JOSÉ: ele afirma que pediu proteção à Secretaria de Segurança, à PM e ao MP para Adelino

Agronegócio comemora sob protestos

Produtores elogiam Código e dizem que texto será aprovado no Senado

Marcelle Ribeiro

SÃO PAULO. Enquanto inte- grantes do Greenpeace protes- tavam ontem contra a aprova- ção do Código Florestal em fren- te a um hotel de São Paulo, re- presentantes do setor de agro- negócio comemoravam a vota- ção do projeto na Câmara dos Deputados e se mostravam oti- mistas em relação à votação da matéria no Senado, em evento realizado dentro do mesmo edi- fício. Para eles, o Senado vai manter o que foi votado na Câ- mara, e a presidente Dilma Rousseff não vetará a proposta. O XXI Fórum da Associação Brasileira de Agronegócio

(Abag) reuniu cerca de 160 pro- dutores agrícolas, que elogia- ram o relator do projeto, depu- tado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Ele cancelou sua participação no encontro na última hora. — Temos certeza que o Códi - go vai ser aprovado sim (no Se- nado). Pode ser que tenha al- guns ajustes. Tem que ser apro- vado, porque não podemos con- tinuar com essa situação de in- segurança jurídica — disse o presidente da Abag, Carlo Lova- telli. — O Código pode não ser a melhor peça para gregos e troia- nos, mas é a que vamos seguir. Depois, pouco a pouco, à medi- da que as coisas forem andando, vamos resolver caso a caso.

Suspeito de crime é preso em Rondônia

MANAUS. O agricultor Ozéas Vicente Machado, de 38anos, principal sus- peito do assassinato do lí- der do Movimento Cam- ponês Corumbiara (MCC), Adelino Ramos, na sexta- feira passada, se entregou à polícia de Rondônia on- tem. Adelino era conheci- do por denunciar madei- reiros ilegais na Amazônia. Ele era um dos sobrevi- ventes do massacre de Corumbiara, em 1995. Ao depor, o agricultor negou o crime e disse que se apresentou para prestar esclarecimentos. Ele aca- bou sendo preso, porque a polícia conseguiu um man- dado de prisão preventiva baseado em relatos de tes- temunhas do crime. O secretário estadual de Segurança Pública, Marce- lo Bessa, disse que Macha- do foi visto por testemu- nhas no local onde Adeli- no foi morto. Vizinhos do ruralista denunciaram que ele havia ameaçado Adeli- no de morte. A polícia acredita que se trata de crime por encomenda. Dez dias antes do crime, o suspeito foi flagrado pelo Ibama quando dirigia um caminhão carregado de madeira ilegal. Bessa não soube dizer se Adelino de- nunciou o agricultor.

Segundo Lovatelli, que se disse satisfeito com o texto, não seria “politicamente conve- niente” Dilma vetar o projeto. Para o superintendente do Instituto para o Agronegócio Responsável (Ares), Ocimar Vil- lela, o texto de Aldo é bom por- que equilibrou o interesses am- bientais com os de pequenos, grandes e médios proprietários e com a questão econômica. — A emenda vai complicar um pouco. Se ele (o projeto) chegasse sem a emenda, seria mais fácil — disse Villela, em re- ferência à emenda 164, que per- mite a manutenção de áreas de agropecuária em locais destina- dos à preservação. .

DPZ

Entre todos os valores que existem, um é inegociável:

Li be

Entr e todos o s valo res que existem , u m é inegociável: Li be
o s valo res que existem , u m é inegociável: Li be r dade A

rdade

A Souza Cruz acredita na liberdade de expressão, como fundamento essencial da livre-concorrência entre as empresas que trabalham com produtos legais,

e na liberdade de seus consumidores adultos para fazer

suas escolhas livremente. Uma grande empresa não

é só medida por seus números, mas também por seus ideais.

Valorizar e praticar princípios como livre-iniciativa, livre-concorrência, livre-arbítrio, livre-expressão é o que faz uma empresa ser grande. Não importa o tamanho que tenha. É nisso que acreditamos. É isso que fazemos há 108 anos.

faz uma empresa ser grande. Não importa o tamanho que tenha. É nisso que acreditamos. É
faz uma empresa ser grande. Não importa o tamanho que tenha. É nisso que acreditamos. É

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Te rça-feira, 31 de maio de 2011

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O GLOBO

   

OPINIÃO

 
 

O desafio de preservar o sucesso das UPPs

E m momento algum desde que as Uni- dades de Polícia Pacificadora come- çaram a ser implantadas no Rio de Janeiro prosperou a suposição de

rações de José Mariano Beltrame, de que as UPPs estão chegando a uma encruzilhada, não se devem buscar as razões do problema numa hipotética falência das

dade institucional. É grave a ameaça de que um programa, até aqui bem-sucedido na área de segurança, atole nos descaminhos da omis-

que, infelizmente, no segundo mandato do governador Sérgio Cabral estimulou o apetite clientelista de forças políticas ligadas ao alia-

do PT. Usando o projeto como moeda de tro-

que pudesse ser um fim em si o programa de ocupação de favelas por policiais. O objetivo imediato das UPPs é cristalino: trata-se de uma ação para atacar demandas emergen- ciais — entre outras, a violência decorrente da criminalidade, o controle territorial por traficantes bem armados e a subjugação de populações inteiras por estes marginais, al- guns inclusive encastelados na banda podre das próprias polícias. Assim, objetiva-se res- gatar comunidades do jugo do crime organi- zado e preparar o caminho para ações de Es- tado, com a oferta de serviços e de iniciati- vas de inclusão social dos moradores. A me- ta estratégica é igualmente clara: tirar as fa- velas da marginalidade urbanística e social, e trazê-las para a normalidade da República. Por isso, se causam preocupação as decla-

unidades de intervenção. A cha- ve para entender o sentido da entrevista do secretário de Segu- rança do Rio ao GLOBO está nu- ma definição emblemática: “Na- da sobrevive só com segurança. Não será um policial com um fu-

zil na entrada de uma favela que vai segurar, se lá dentro as coi- sas não funcionarem. É hora de investimentos sociais.” O alerta

 

são que sempre marcou as rela- ções do Estado com as favelas.

ca fisiológica, esses grupos pressionaram o governo do estado a mudar o comando do

 

Depois das ocupações, poder público tem o dever de levar serviços às favelas

O

risco para o qual Beltrame

programa na área social — o que ajuda a ex- plicar, em parte, a lentidão das necessárias iniciativas que precisam ser empreendidas para consolidar o programa de inclusão so- cial reclamado por Beltrame. É fundamental que se veja na advertência do secretário de Segurança um inadiável convite à ação e à in- tegração dos organismos (estado, município, iniciativa privada) cuja participação é impe- riosa nos atos de reinserção social das fave- las pacificadas, e, por óbvio, naquelas por pacificar. E é crucial que os setores chama- dos ao compromisso o façam logo. Por en- quanto, a encruzilhada à qual Beltrame se re- fereéum perigo virtual. Cumpre evitar que vire um real beco sem saída.

chama a atenção está na pro-

messa até agora não cumprida

ou não atendida inteiramente

— de uma “invasão social” do poder público, com uma rede de serviços e ações de cidada- nia que deveriam ocorrer em se- guida à ocupação das comuni-

é

grave, porque toca no ponto

crucial do programa das unida- des pacificadoras — cuja pre- sença nas áreas ocupadas é, por princípio, apenas a fase inicial, preparatória, de uma es- tratégia mais ampla, de reincorporação defi- nitiva dessas regiões ao território da legali-

dades. A pacificação de 17 favelas, com a asfixia do tráfico de dro- gas e a desmobilização do crime organizado que nelas operava, é incontestável evidência do sucesso das UPPs, expresso nas estatís- ticas sobre a violência na cidade. Um êxito

 

Governabilidade é tema na agenda

N ão será fácil, nem deverá sair bara- to, para o governo e o PT estabe- lecerem de fato a harmonia com o PMDB coreografada ontem na pro-

digo Florestal ir à votação na Câmara quando

conselhável a quem assume cargos como o

publicanos se aliaram a democratas, no Sena- do, para derrubar cortes defendidos pelo par- tido deles nos gastos com a saúde pública. Ex-

pressaram a vontade dos seus eleitores. É as-

o

principal articulador político do governo,

Antonio Palocci, já estava imobilizado pelas denúncias sobre o crescimento

dela. Sequer Palocci poderia ter dado sequên- cia ao erro. Era imperioso aconselhar a pre- sidente a não turbinar a crise,

dução fotográfica executada na passagem de

cargo de Dilma Rousseff ao vice Michel Temer, no embarque da presidente ao Uruguai. Mas terá de ser feito, sob o risco de a administra- ção Dilma, com apenas cinco meses de ges- tão, ficar na dependência de tutelas, como a do ex-presidente Lula, grande interessado em evitar a falência precoce do governo, por ter sido ele o patrono da candidatura da sua mi- nistra. Não há, então, como Lula não ser atin- gido por um eventual fracasso da presidente,

de seu patrimônio, impulsionado por consultorias. Coordenador, no Planalto, das negociações em torno do projeto, Palocci, atingi-

 

uma das funções do chefe da Ca-

sa

Civil. Pela experiência no po-

sim que funciona. O Código Florestal, por afe- tar todo produtor rural e envolver o tema sen- sível do meio ambiente, gera reações no Con- gresso contrárias a grupos com acesso fácil ao Executivo. Nada a estranhar. Competente em negociar, nos vários senti- dos do verbo, o apoio a governos — desde FH —, o PMDB, depois de mostrar as garras na Câmara, deverá apresentar uma robusta fatu- ra à presidente Dilma. A questão é saber co- mo a presidente digerirá o preço a ser cobra- do pelo PMDB na discussão da relação com o governo que se seguirá agora. Não é pedir demais que tudo se passe de forma republicana, em nome da preservação da governabilidade e do estabelecimento de um mínimo de organicidade à gestão Dilma.

 

Congresso contrariar interesses do Executivo é parte

der, Palocci sabe que não se go- verna com bravatas.

do pelas revelações, imobilizou- se, e o Código foi a plenário onde, com apoio maciço do PMDB, aprovaram-se dispositivos amea- çados de veto pela presidente ca- so também passem pelo Senado.

Não se pode considerar o ocorrido uma “rebeldia” do PMDB, pois há assuntos nos quais não se deve esperar do Congresso um comportamento de simples carimbador de deci- sões do Executivo. Numa demo-

O

telefonema da discórdia dispa-

da democracia

a

ficar evidente se o ex-presidente virar som-

rado pouco antes por Palocci a Temer, com ameaças de demis- são de ministros do PMDB, pode ser creditado ao estado emocional do minis- tro-chefe da Casa Civil. A ordem teria sido de Dilma Rousseff, num rompante, reação desa-

cracia representativa, é saudável que pressões do eleitorado se materializem em votos no Legis- lativo contrários aos interesses do presidente ou de determinações das lideranças partidá- rias. Nos Estados Unidos, há pouco, alguns re-

bra de Dilma. Mais um desembarque cinema- tográfico do ex-presidente em Brasília poderá ser fatal. Impossível dissociar da crise entre Palácio

e

PMDB a coincidência de o projeto do Có-

Ele voltou

MARCO ANTONIO VILLA

E m 1928, no México, foi assassi- nado o presidente eleito Álvaro Obregón. O assassinato gerou grave turbulência política.

Obregón já tinha exercido a Presidência nos anos 1920-1924.AConstituição de 1917 proibia a reeleição mas não o re- torno ao poder após um interregno. O presidente em exercício, Plutarco Elias Calles, administrou a crise, elegeu outro sucessor e se transformou no dirigente de fato nos anos 1928-1935. Esse perío- do da história mexicana ficou conheci- do como “maximato”, ou seja, Calles, considerado o “chefe máximo da revo-

lução”, era o dirigente de fato do gover- no. Este domínio terminou quando Lá- zaro Cárdenas, seu afilhado político, eleito presidente em 1934, no ano se- guinte rompeu com seu mentor. A crise do governo Dilma Rousseff e

o retorno de Lula ao primeiro plano da cena política nacional é o nosso maxi- mato. Lula teve de assumir o posto de presidente de fato, pois a presidente perdeu o controle da situação. Era es- perado que isto fosse acontecer mas não tão cedo, com menos de cinco me- ses de governo. A inexperiência política da presidente era sabidamente conhe- cida. Antes de 2003, nunca tinha exer- cido qualquer cargo de importância na- cional. Desconhecia os meandros de Brasília, além de não saber negociar, conviver com a diferença e com opi- niões contrárias. Foi formada em outro mundo e outra época. Para ela, ainda deve valer o centralismo democrático,

a forma stalinista de administrar, que

trata qualquer opinião contrária como crime ou traição. Quando foi ministra das Minas e Energia, ou mesmo na Casa Civil, pouco fez política. Outros ministros exerceram

esse papel ou o próprio presidente Lula foi o articulador do governo. Sabedor desta dificuldade, Lula escolheu a dedo

o chefe da Casa Civil. Antonio Palocci

seria uma espécie de primeiro-ministro

e encarregado dos contatos políticos

com o Congresso Nacional e com os re- presentantes do grande capital. Contu- do, Palocci se encastelou no governo e pouco apareceu. De início foi considera- do que era uma atitude de esperteza po- lítica, que estava articulando nas som- bras. É a velha prática brasileira de en- contrar qualidade onde há nulidade. O silêncio de Palocci foi entendido como estratégia e não como a mais perfeita tradução de alguém que não tem a mí- nima capacidade para o exercício do cargo. E para piorar surgiram as denún- cias das consultorias pagas a peso de ouro. A confusão ficou maior quando a ar- ticulação no Congresso Nacional de- monstrou sua fragilidade. O pesado lí- der do governo deixou de realizar o pa- pel de elo entre a base e o Planalto. Fi- cou cuidando dos seus interesses par- tidários. O ministro da Articulação Po- lítica é absolutamente inexpressivo (a maioria dos parlamentares sequer sa- be o seu nome). Dada a sua fragilidade, estranho é que tenha demorado tanto tempo para que ruísse o esquema po- lítico organizado por Lula no final do ano passado. O mais curioso é que a crise nasceu no interior do próprio governo. Ou seja, não foi provocada em nenhum instante pela ação oposicionista. A oposição continua desarticulada, politicamente dividida e omissa. A divisão ficou mais uma vez demonstrada na convenção do PSDB. O governo até recebeu um alento, pois a reeleição de Sérgio Guerra à pre- sidência do partido indica que a oposi- ção peessedebista continuará tímida,

Marcelo

a oposi- ção peessedebista continuará tímida, Marcelo quase envergonhada, sem representar perigo. O Brasil desafia

quase envergonhada, sem representar perigo. O Brasil desafia a teoria política:

para o governo, o problema não é a oposição mas o próprio governo. Como contentar o PMDB? Cedendo espaço na máquina governamental que possibilite bons negócios. Rentáveis para efeito privado e péssimos para o interesse público. O governo poster-

gou, até o momento, a partilha do bu- tim, não pela defesa da moralidade pú- blica. Longe disso. Está testando o par- tido para ver até que ponto é possível negociar. Outra dificuldade é o relacio- namento com o grande capital. Aí é bri- ga para gente grande. Não é meramente para controlar alguma licitação de com- pra de remédios ou de alguma estrada.

Representa desenhar o futuro econômi- co do país, estabelecer o relacionamen- to dos fundos de pensão com as gran- des empresas e bancos, apontar para onde deve seguir o processo de acumu- lação capitalista. É uma disputa dentro

do PT. O antigo partido socialista hoje é

o

partido das grandes corporações. Daí

o

número de consultores petistas. De

uma hora para outra, todos viraram es- pecialistas em capitalismo.

O mais estranho é que o país segue

seu ritmo normal. Como se voasse com piloto automático. Até certo ponto, a economia vai bem. Segue no

vácuo do que já foi feito. Isto tem um limite. Já está no momento de traçar novo rumo. Mas como iniciar esta discussão se o governo mal conse- gue administrar suas contradições? Dilma vai precisar demonstrar que comanda. Pura encenação. Coisa de ópera bufa. Nos próximos dias assis- tiremos à presidente em várias reu- niões. Veremos também (ah, a impor-

tância das imagens

ela, séria, nu-

ma reunião ministerial; sorrindo, quando encontrar a liderança do PMDB. Mas a crise vai continuar. Pa- lavras não substituem as ações.

E Lula? Depois que reassumiu infor-

malmente o governo, vai permanecer como o poder atrás do trono. Não vai se imiscuir nas questões do varejo po-

lítico. Va i a tuar no atacado, valorizan - do (como gostaria de dizer nas suas célebres metáforas futebolísticas) o seu passe. E preparando calmamente

o seu retorno ao Palácio do Planalto.

Já deve ter jornal preparando a edição especial do dia 1 o - de janeiro de 2015. A manchete? Também já está pronta. Em letras garrafais, no alto página, estará escrito: “Ele voltou.”

)

MARCO ANTONIO VILLA é historiador.

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Te rça-feira, 31 de maio de 2011

OPINIÃO

7

O GLOBO

Questão de justiça fiscal

VIVALDO BARBOSA

O debate sobre a reforma tri- butária tem deixado de lado a questão da justiça fiscal, uma política de tributos

com critérios de justiça, e a utilização dos tributos como fator de distribui- ção da renda. Se não se oferecer pro- postas que contemplem estas ques- tões, o tema jamais ganhará a opinião pública. Tem se concentrado mais na repartição de receitas entre União, es- tados e municípios e na desoneração de custos empresariais.

O sistema tributário brasileiro é um

dos mais injustos e cruéis em todo o mundo: sua essência é o tributo indi- reto, que é transferido para o preço das mercadorias e quem paga é o con- sumidor, a imensa massa do povo bra- sileiro. Ao mesmo tempo, é generoso com os grandes ganhos: as menores

alíquotas para a grande renda e um le- ve imposto sobre herança e ganhos de capital. Além do mais, é mínimo para a especulação financeira, a grande vilã da última grande crise.

O Brasil dispunha de uma tabela

de imposto de renda que, embora sem ser tão elevada quanto a dos Es- tados Unidos e da Europa, era nos pa- drões razoáveis: a taxa mínima de 10% e a máxima chegou a 48%. Com os ventos soprados pela onda That-

cher e Reagan, que reduziram os im- postos em seus países, o Brasil subs- tituiu sua tabela por apenas duas alí- quotas, pesada para os ganhos me- nores e médios, generosa para os grandes. Era o ambiente das políticas neoliberais do final dos anos oitenta, que geraram as crises na década se- guinte da Ásia, da Rússia, da América Latina, do Brasil, e a grande crise do final da primeira década do novo sé- culo. A redução ocorreu no final de 1988, tão logo promulgada a Consti- tuição, em meio a uma curiosa cir- cunstância: antes, os deputados não pagavam imposto de renda — a nova Constituição obrigou-os a pagar. Pro- mulgada a Carta em outubro, em de- zembro os deputados e senadores aprovaram a redução das alíquotas, decisão premida pelo bolso.

A alíquota de 15% é pesada para os

ganhos menores, a de 27,5% é igual- mente pesada para os médios e gene- rosa para os grandes. Na maioria dos países as tabelas variam entre 5% e 50% ou mais, chegando a 63% na Di-

namarca, o que permite aliviar os ga- nhos pequenos e médios e fazer jus- tiça com os ganhos maiores.

A proposta em debate é de criação

de um Imposto sobre Va lor Agregado (IVA) em nível nacional, resultado da fusão de IPI e ICMS, mais as contri- buições federais. Isto é apropriado, pois vem corrigir as distorções da re- forma constitucional de 1967, que im- plantou o ICM, cópia do IVA europeu, como tributo estadual. O que causou enormes distorções na federação, pois o IVA é próprio de Estado unitá- rio. No Brasil, acarretou vantagens para os estados industrializados em detrimento dos consumidores. No

Brasil, o I VA há de ser federal, o q ue requer compensação aos estados pa- ra manter o equilíbrio federativo. Outra distorção que precisa ser cor- rigida é a pesada carga em cima das te- lecomunicações e energia. Decorre de um grave erro da Constituinte: extin- guiu os impostos únicos federais so- bre energia, telecomunicações, com- bustível e minerais. Esses impostos permitiam ao governo federal carrear fundos para investimentos nessas áreas, o que passou a faltar; as áreas ficaram degradadas, preparando o ca- minho para as privatizações. Os esta- dos, para aumentar suas arrecada- ções, baixaram pesadas taxas, o que veio a onerar esses setores que preci- sam ser aliviados, pois os usuários es- tão duramente penalizados, com ele- vação do custo de vida.

A herança e os ganhos de capital

são tributados nos países avançados da mesma maneira que o imposto de renda, sendo que a tradição é carre- gar mais na herança. Na hora do ga- nho, especialmente a dádiva da he- rança, as pessoas pagam impostos com menos sofrimento. Assim, uma proposta de reforma tributária que possa virar tema de in- teresse da nação há de cuidar de ela- borar propostas que contemplem uma tabela de imposto de renda que alivie a classe média e os trabalhado- res; impostos razoáveis para herança e ganhos de capital, enquadrando-os como renda, e que se termine a ge- nerosidade com a especulação finan- ceira, fazendo os rendimentos da aplicação do capital pagar tanto quanto o rendimento do trabalho.

VIVALDO BARBOSA é ex-deputado federal e professor da UniRio.

LUIZ GARCIA

S egundo um ditado tibetano, só po- de cobrar quem não deve. A sabe- doria asiática merece respeito, mesmo quando ela se manifesta

no jornal lido numa manhã de domingo. Mais precisamente, na entrevista ao GLOBO do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Ele reclama contra a fal- ta de investimentos sociais nas favelas ca- riocas pacificadas nos últimos tempos pela polícia fluminense. Parece estar com intei- ra razão ao botar a boca no trombone. O discurso é simples e direto, como costuma acontecer com quem, pelo me- nos aparentemente, sabe do que está fa- lando. Sua argumentação parece ter o mé- rito da simplicidade. Quatro anos atrás, quando começou a descascar o pepino da segurança pública no Rio, ele ouviu de empresários e de outros membros da ad- ministração estadual uma argumentação obviamente procedente: era impossível melhorar a vida dos favelados cariocas enquanto as comunidades estivessem — e, sem dúvida alguma, estavam mesmo —

Esperanças

dominadas pelo crime organizado. Era um problema de simples formula- ção, como sabe qualquer jardineiro: não dá para plantar coisa boa em terra ocupa- da por coisa ruim. O secretário aceitou o argumento e partiu para limpar o terreno. Demorou um pouco — com certeza, entre outros motivos, porque, antes de limpar a cidade, a polícia precisava fazer uma boa faxina interna. Não se fala muito nisso, mas qualquer carioca com memória ra- zoável não esquece, por exemplo, dos ca- sos de corrupção na cúpula da Secretaria de Segurança no governo Garotinho. Essa fase passou. A estrutura da secre- taria passou por uma faxina aparente- mente bem-sucedida, que pelo já visto garantiu o nível de eficiência necessário para a limpeza de algumas comunidades faveladas. As Unidades de Polícia Pacifi- cadora funcionam. Falta a próxima fase. O trabalho poli- cial, por mais eficiente que seja, é apenas parte da missão do Estado e — como diz, em tom de cobrança, o secretário de Se-

gurança — da sociedade. Resumindo: en- quanto houver miséria, não há paz so- cial. Combater a bandidagem a ferro e fo- go é sempre necessário. Mas não é a so- lução, e sim apenas a criação de condi- ções para a abertura de uma outra frente de luta: o combate à miséria, à pobreza sem esperanças. Sem a busca desse objetivo, as favelas serão simplesmente territórios ocupa- dos — o que, obviamente, não pode ser um estado de coisas permanente. Beltra- me cobra investimentos sociais. Uma boa parte disso é certamente responsa- bilidade do Estado. A iniciativa particu- lar, ele admite, está presente em diversas frentes dessa nova guerra. Mas insiste — e não se pode negar que entende do as- sunto — em que é preciso mais. Não se descobriu ainda uma forma má- gica de liquidar a pobreza. Mas não pare- ce errado alimentar a esperança de mini- mizar consideravelmente a alimentação do crime e da violência por essa coisa ter- rível que é a falta de esperança.

Cavalcante

coisa ter- rível que é a falta de esperança. Cavalcante O ódio a Israel RODRIGO CONSTANTINO

O ódio a Israel

RODRIGO CONSTANTINO

“Não é possível discutir racionalmente com alguém que prefere matar-nos a ser convencido pelos nossos argumentos.” (Karl Popper)

A s recentes declarações do

presidente Obama reacen-

deram o debate sobre o

confronto entre Palestina e

Israel. Todos gostam de emitir opi- nião sobre o assunto, mesmo sem embasamento. Não pretendo entrar na questão histórica em si, até por- que isso foge da minha área de co- nhecimento. Mas gostaria de cola- borar com o debate pela via econô- mica. Do meu ponto de vista, há muita inveja do relativo sucesso is- raelense. A tendência natural é de- fender os mais fracos. Isso nem sempre será o mais justo. O antissemitismo é tão antigo quanto o próprio judaísmo. Os moti- vos variaram com o tempo. Mas, em minha opinião, não podemos descar- tar a inveja como fator importante. A prática da usura era condenada pe- los católicos enquanto os judeus des- frutavam de sua evidente lógica eco- nômica. Shakespeare retratou o an- tissemitismo de seu tempo em seu clássico “O mercador de Veneza”, em que Shylock representa o típico agio- ta insensível. Marx, sempre irrespon- sável com suas finanças, usou os ju- deus como bode expiatório para ata- car o capitalismo. O nacional-socia- lismo de Hitler foi o ponto máximo do ódio contra judeus. Vários países existem por causa de decisões arbitrárias de gover- nos, principalmente após guerras. Israel é apenas mais um. Curiosa- mente, parece que somente Israel não tem o direito de existir. Culpa-

se sua existência pelo conflito na região, sem levar em conta que os maiores inimigos dos muçulmanos vêm do próprio Islã. O que Israel fez de tão terrível para que mereça ser “varrido do mapa”, como os fa- náticos defendem? Israel é um país pequeno, criado apenas em 1948, contando hoje com pouco mais de sete milhões de habi- tantes. Ao contrário de seus vizi- nhos, não possui recursos naturais abundantes, e precisa importar pe-

tróleo. Entretanto, o telefone celular foi desenvolvido lá, pela filial da Mo- torola. A maior parte do sistema operacional do Windows XP foi de- senvolvida pela Microsoft de Israel.

O microprocessador Pentium-4 foi

desenvolvido pela Intel em Israel. A tecnologia da “caixa postal” foi de- senvolvida em Israel. Microsoft e Cisco construíram unidades de pes- quisa e desenvolvimento em Israel. Em resumo, Israel possui uma das in- dústrias de tecnologia mais avança- das do mundo. O PIB de Israel, acima de US$ 200 bilhões por ano, é muito superior ao de seus vizinhos islâmicos. A renda per capita é de quase US$ 30 mil. Apesar da pequena população e da ausência de recursos naturais, as empresas israelenses exportam mais de US$ 50 bilhões por ano. A penetração da internet é uma das maiores do mundo. Israel possui a maior proporção mundial de títulos universitários em relação à popula- ção. Lá são produzidos mais artigos científicos per capita que em qual- quer outro país. Israel tem o maior IDH do Oriente, e o 15 o - do mundo. Não custa lembrar que tudo isso foi conquistado sob constante amea-

ça terrorista por parte dos vizinhos,

forçando um pesado gasto militar do

governo. Ainda assim, o país des- pontou no campo científico e tecno- lógico, oferecendo enormes avanços para a humanidade. Quando comparamos a realidade israelense com a situação miserável da maioria dos vizinhos, fica mais fácil entender parte do ódio que é alimentado contra os judeus. Claro que fatores religiosos pesam, assim como o interesse de autoridades is- lâmicas no clima de guerra. Nada como um inimigo externo para jus- tificar atrocidades domésticas. Mas as gritantes diferenças econômicas e sociais sem dúvida adicionam le- nha à fogueira. Como agravante, Israel é uma de- mocracia parlamentar, enquanto a maioria dos vizinhos vive sob regi- mes autoritários que ignoram os di- reitos humanos mais básicos. Isso para não falar das gritantes diferen- ças quanto às liberdades femininas. Israel não é um paraíso. Longe dis- so. Seu governo comete abusos que merecem repúdio. Mas, perto da rea- lidade de seus vizinhos islâmicos, o contraste é chocante. Será que isso tem alguma ligação com o ódio a Is- rael e o constante uso de critérios parciais na hora de julgar os aconte- cimentos na região? O sucesso cos- tuma despertar a inveja nas almas pequenas, vide o antiamericanismo patológico que ainda sobrevive na esquerda latino-americana. Em tempo: O ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia deveria apren- der com Israel como produzir tecno- logia de ponta, com ampla abertura econômica e investimento em educa- ção, em vez de tentar resgatar o fra- cassado protecionismo, no afã de es- timular a indústria nacional.

RODRIGO CONSTANTINOé economista.

O jogo já começou

LINDBERGH FARIAS

N a Rio+20, em 2012, todo o mun-

do vai olhar para o Brasil. Mas

o jogo já está sendo jogado,

com as decisões legislativas

sobre alterações no Código Florestal. Ca-

be aos brasileiros optar: queremos ser, ante os olhos do mundo e nossa cons- ciência, os predadores irresponsáveis, abraçados a velhas concepções e a um modelo econômico autodestrutivo e so- cialmente injusto? Ou preferimos vir a ser os verdes produtivos: potência am-

biental e agrícola, ampliando conquistas sociais, reduzindo desigualdades, apro- fundando a democracia e implementan- do um novo paradigma de desenvolvi- mento com sustentabilidade econômica

e ambiental?

A opinião pública internacional está

atenta, assim como os consumidores es-

trangeiros de nossos produtos agríco- las. Se a via adotada pelo Brasil for a fra- gilização das defesas ambientais, nossos produtos pagarão o preço do boicote ou da depreciação competitiva no mercado globalizado. Cada produto carregará, pa- ra nossa vergonha e prejuízo, a mancha do descompromisso com uma política climática responsável. Iludem-se, por- tanto, os defensores de marcos legais permissivos, caso imaginem defender os interesses do agronegócio. Colados aos ganhos imediatos e a velhas práticas, não vislumbram os novos valores que se situam além do horizonte conjuntural. Felizmente, a liderança moderna dos produtores rurais começa a diferenciar- se e ocupar seu espaço na arena política,

o que justifica otimismo.

O Código e a vulnerabilização de con-

troles afetam, diretamente, nossas vidas

e

ficos sobre os riscos da elevação da tem-

as de nossos filhos. Os alertas cientí-

peratura do planeta merecem ser leva- dos a sério. Nosso país e o Estado do

Rio, em particular, vêm se convertendo em palcos de fenômenos climáticos ex- tremos, cada vez com maior frequência

e intensidade. Segundo dados da Secre-

taria Nacional de Defesa Civil, o número de brasileiros afetados por desastres ambientais saltou, entre 2007 e 2010, de cerca de 2,5 milhões para mais de 5 mi- lhões.

O debate sobre o Código Florestal

constitui o ponto de encontro e de con- fronto entre os compromissos com o fu- turo sustentável e os apelos do passado patrimonialista e predatório. Tenho pro- posto que o Senado dê exemplo de ma- turidade, reconheça a extraordinária im- portância da questão e se disponha a

ouvir todos os setores da sociedade, es- pecialmente os cientistas, injustificavel- mente excluídos das consultas, até aqui.

A SBPC e a Academia Brasileira de Ciên-

cia constituíram comissão multidiscipli- nar para examinar a matéria e publica- ram estudo, cujos resultados opõem-se

à precipitação que tem marcado o pro-

cesso legislativo em torno da questão.

tempo de mais reflexão e conhe-

cimento científico; menos retórica e imediatismo.

É

LINDBERGH FARIAS é senador (PT-RJ). O GLOBO NA INTERNET OPINIÃO Leia mais artigos oglobo.com.br/opiniao
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8

OPINIÃO

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

O GLOBO

DOS LEITORES

Pelo e-mail, pelo site do GLOBO, por celular e por carta, este é um espaço aberto para a expressão do leitor

Áreas pacificadas. E agora?

Solidarizo-me com o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame. Não bastam medidas policiais e a presença das Forças Armadas nas comunidades ditas pacificadas: sem in- vestimentos sociais, as UPPs poderão não sobreviver. Chegou a hora de o Estado se fazer presente com investimentos na área so- cial. Faltam ainda saneamento básico, escolas e creches, postos de saúde de qualidade para que se possa chamar essas favelas de “bairros”, como quer o prefeito Eduardo Paes. Concordo com os moradores: mesmo as comunidades pacificadas ainda estão lon- ge de se transformar em bairros.

MARIA ANGELA MADEIRA RIBEIRO

Rio

Não se sabe por que tanta omissão e desin-

teresse com relação ao assunto das favelas, on- de segurança não é a única preocupação. Ago- ra, algumas instituições se unem contra a de- mora de ações governamentais e privadas que complementem a ocupação policial já ocorrida. Qualquer contribuinte interessado em cidada- nia no Rio de Janeiro sabe que lá segurança não

é um problema isolado. Existe, antes de tudo,

um arco socioeconômico cujo equacionamento partiria de um planejamento que banisse gra- dualmente aquele emaranhado, tão ao gosto dos manipuladores. Está deixando supor que a conivência e a promiscuidade dos interesses espúrios, sem implantar a complementaridade da segurança, pretendem que tudo continue a serviço da injustiça. Para quem está entusias- mado com trem-bala, obras da Copa, Olimpía- das e mais outros componentes faraônicos, não seria sacrifício olhar para as favelas como um problema que envolve outros aspectos, além da segurança, como muitos desejam.

OSWALDO DE ALMEIDA MATTOS

Rio

Concordo com o secretário Beltrame: é hora de investimentos sociais. Aliás, erradi- car a miséria trará mais segurança, saúde e educação, pois com um cidadão eleitor bem

alimentado, saudável e culto, haverá ordem

e progresso para todos.

ANTONIO KAMPFFE

Rio

A entrevista do secretário Beltrame soa co-

mo um alerta perigoso. Ou o governador Ca- bral sai do proselitismo provinciano que vem caracterizando as lideranças políticas ao longo das últimas décadas e parte para uma ação so- cial global nas favelas pacificadas, ou logo, lo- go o crime organizado retoma suas posições. Governador Cabral, prefeito Paes, alerta mais claro não existe. Mexam-se! A bola está com vocês. A propósito, se tomarmos a ação do es- tado na Região Serrana, que continua abando- nada, após todo aquele teatro encenado pela presidente, pelo governador e prefeitos, o aler- ta do sr. Beltrame fica ainda mais assustador.

ANGELO RAPOSO

São Paulo, SP

fica ainda mais assustador. ANGELO RAPOSO São Paulo, SP Preferimos, por enquanto, não acreditar em quebra

Preferimos, por enquanto, não acreditar em quebra de compromisso, e sim em alguma dificuldade

— Gilberto Pimentel

O secretário Beltrame alerta-nos, preo- cupado, para a possibilidade de insucesso das UPPs. E então, senhor governador? Onde estão as medidas de cunho social e de infraestrutura prometidas durante a campanha eleitoral? Preferimos, por en- quanto, não acreditar em quebra de com- promisso e da palavra empenhada, e sim em alguma dificuldade conjuntural que lo-

go será superada. Mesmo porque a volta das facções criminosas aos territórios de onde foram expulsas, com o aplauso e até

a cooperação das comunidades, não se da-

ria sem muita violência e represálias.

GILBERTO PIMENTEL

Rio

O bom momento de investimentos que o

Rio vive está muito atrelado ao enfrentamen- to da polícia aos traficantes e à implantação das UPPs. Sou corretor de imóveis e percebo claramente a disposição de pessoas de fora querendo ter um apartamento no Rio após o sucesso das UPPs. Claro que a expansão do metrô e outras obras de infraestrutura aju- dam. Antes das unidades, vários endereços tinham seu valor depreciado. Ainda hoje são áreas menos valorizadas, mas com uma boa liquidez. Caso os investimentos sociais não aconteçam e os traficantes, aos poucos, re- tomem o controle territorial, as desvaloriza- ções imobiliárias em toda a cidade voltarão e as expectativas serão muito piores.

FLAVIO FRAIHA

Rio

Solidarizo-me com o secretário Beltrame, em que revela a angústia com a demora de investimentos sociais nas favelas pacifica- das. Sua entrevista deveria ser lida pelos nossos políticos, empresários e a sociedade em um todo, pois o problema social não é só do Rio de Janeiro. Podemos, sim, unir esfor- ços sem confundir responsabilidades.

JAIRO HENRIQUES BARBOSA

Rio

Tomara que os políticos tenham lido a

entrevista do secretário José Mariano Bel- trame e passem a aplicar melhor os recur- sos arrecadados do povo pelo estado. Isto é, apliquem com mais competência e com pouca corrupção. Afinal, para mim, o ano estará começando amanhã, já que os cinco primeiros meses do ano eu trabalho ape- nas para pagar impostos. E muito pouco receber em troca.

FRANCISCO PELTIER

Rio

Sr. secretário, belíssimas foram as suas

palavras, porém, antes de implorar por um trabalho social permanente nas comu- nidades, que tal providenciar uma melhor infraestrutura aos policiais militares que tiram serviços nas UPPs, porque em mui- tas delas não existem sequer bebedouros, com água limpa e filtrada; banheiros ou alojamentos decentes para guardar e mu-

darem suas roupas? Estes bravos homens da lei, muitas vezes, dependem de mora- dores ou comerciantes da região.

JOSÉ RENATO DA SILVA MERCADANTE

Rio

A declaração do secretário Beltrame sobre

a

complementação necessária para reforçar

o

trabalho das UPPs é muito significativa. E

tem sua razão de ser. É uma demonstração de

que se faz necessário o envolvimento de toda

a comunidade para que os resultados sociais

sejam alcançados. E que se deixe de lado a ideia de que a questão é apenas de respon- sabilidade da repressão. Que se fez necessá- ria num primeiro momento, mas que agora é apenas prevenção e apoio para que as comu- nidades tenham uma vida normal.

URIEL VILLAS BOAS

Santos, SP

Vistoria no Detran

Submeter carros novos à vistoria do Detran

é perda de tempo. Noventa e nove por cento

deles estão perfeitos, pois são novos. As vis- torias poderiam ser feitas apenas nos carros com mais de dois anos de uso e serem bienais, com os carros de placa com final ímpar nos anos ímpares e os de final par nos anos pares. Com isso, o Detran economizaria dinheiro, tempo e prestaria um serviço melhor.

RICARDO LUIZ COUTINHO DE SOUZA

Rio

Em 23/5/11, agendei pelo site do De-

tran/RJ a vistoria do carro, ou seja, 38 dias antes da data-limite do calendário. Para minha surpresa, o agendamento foi marca- do para 5/8/11. Pergunto: o que acontece- rá se for parado por uma blitz? Terei meu carro rebocado? Com a palavra, as autori- dades competentes.

ANTONIO CARLOS NUNES DE OLIVEIRA

Rio

Gastei três horas marcadas no relógio no

posto do Detran do Cebolão, na Barra, para fazer a vistoria anual da minha moto. Aquilo continua uma bagunça, sem respeito aos compromissos das pessoas, que perdem um tempo enorme. É uma vergonha que o go- vernador não mande consertar esta bader- na administrativa e ainda por cima desvie a PM de suas funções policiais para fazer blit- zes que apenas se preocupam com o status de IPVA e vistoria. É uma pena que o digno Ministério Público ainda não tenha acorda- do para este descalabro do governador.

JOSÉ EDUARDO SILVEIRA

Rio

Justas e válidas as críticas dos leitores

Carlos Eduardo Fontes e Paulo Cesar Rama- lho Marques (30/5). É desanimador e ridícu- lo ter que enfrentar o mau humor de aten- dentes do Detran para tentar marcar uma vistoria de um carro modelo 2011, como é o meu caso. Falta ao presidente do Detran-RJ substituir as desculpas dos serviços cres- centes pelo bom-senso.

JOÃO PEDRO RODRIGUES

Rio

Fila do passaporte

O governo resolveu agir contra o déficit de

moeda estrangeira no país. Ele descobriu que os turistas brasileiros estão gastando muito dinheiro lá fora em relação aos turis- tas que entram no Brasil. Então, para melho- rar o balanço de moeda estrangeira, o go- verno resolveu só emitir passaportes novos com marcação demorando de três a quatro meses. Assim, os brasileiros diminuirão as viagens ao exterior, fazendo com que a ba- lança volte a ser positiva. Grande solução!

LUIZ HENRIQUE LOYOLA

Rio

Que tal dobrar o prazo de validade do pas-

saporte. Assim, pelo menos em cinco anos a fila da renovação cairá pela metade.

NELSON RIBEIRO RODRIGUES

Rio

N A

INTERNET

E

N O

CEL U L A R

N A INTERNET E N O CEL U L A R Fo to de Murilo Te

Fo to de Murilo Te ixeira

INTERNET E N O CEL U L A R Fo to de Murilo Te ixeira CONSTRUÍDOS

CONSTRUÍDOS PARA o

Pan 2007, os deques usados para a prática de remo na Lagoa Rodrigo de Freitas estão à deriva, há mais de um ano, como mostra o leitor Murilo Te ixeira. As raias se desprenderam da margem após os temporais de abril do ano passado. A Secretaria municipal de Esporte e Lazer prometeu enviar uma equipe ao local hoje para retirar as estruturas da água. O conserto será concluído até o fim de julho, promete o órgão.

— oglobo.com.br/eu-reporter

No Facebookde julho, promete o órgão. — oglobo.com.br/eu-reporter www.facebook.com/jornaloglobo “É necessário que algo

www.facebook.com/jornaloglobo

“É necessário que algo seja feito, mas ninguém quer se comprometer com despoluição sem abrir mão do crescimento econômico. O capital, infelizmente, sempre

prevalece.” — De Fabio Rabelo, sobre relatório que detectou emissões recorde de gases do efeito estufa.

COMENTÁRIO

Em junho, Bope ocupa Mangueira

“Após um anúncio desta envergadura, os bandidos já se preparam para se mudar para outras regiões, como a Serrana ou a dos Lagos. Os do Complexo do Alemão tomaram as favelas de Cabo Frio, Búzios

e Arraial do Cabo. Portanto, os da Mangueira terão que se estabelecer em cidades ainda não dominadas pelo tráfico. Que planejamento bom, né? E

o povo?”

— Carlos Soares

Que planejamento bom, né? E o povo?” — Carlos Soares No Twitter Lá vou eu ganhar

No Twitter

Lá vou eu ganhar mais vizinhos. (@Cecillia) RT @JornalOGlobo: Bope ocupará comunidade da Mangueira em junho para instalação de UPP.

Ih, teve gritaria! (@ags_junior) RT @JornalOGlobo: Conversa com Palocci foi ‘em tom mais elevado’ e relação com Dilma está excelente, diz Michel Temer.

Primeiro deveriam construir ciclovias. (@oliver_iq) RT: @JornalOGlobo: Dilma defende criação de cultura do ciclismo no Brasil e cobra ações de prefeitos.

Cidade das cidades. (@ThiagoTG) RT @JornalOGlobo: Depois da Cidade do Samba e da ainda

AUDIÊNCIA

A matéria que mais atraiu a atenção dos leitores ontem foi a postada no blog da colunista Patrícia Kogut, sobre a atriz Cleo Pires, que disse não considerar a fidelidade o mais importante num namoro.

inativa Cidade da Música, vem aí a Cidade da Polícia.

Só para ratificar a certeza! (@outraideia) RT @JornalOGlobo: Ibama identifica extração ilegal de madeira em área de crimes no Pará.

Simples assim. (@rodrigodealmei) RT @JornalOGlobo: Otan pede desculpas por mortes de civis em ataque no Afeganistão.

Espreme laranja, também? (@eduardo_pfals) RT @JornalOGlobo: 1001 utilidades: Asus lança tablet com 3D sem óculos e smartphone que vira tablet.

Siga: twitter.com/jornaloglobo

MAIS COMENTADA

A decisão da Justiça do Irã de condenar 300 traficantes de drogas à morte por enforcamento foi o tema da notícia mais comentada desta segunda-feira pelos leitores do site do GLOBO.

Desmatamento

Muito me preocupa o desmatamento de- senfreado no Brasil. Essa prática tem que ser tratada como crime hediondo e inafian- çável. Chega de demagogia e vista grossa. A oportunidade de mudanças na lei é agora, com essa votação do Código Florestal. Ho- je, é comum assistirmos ao governo come- morando pequenos índices de queda no desmatamento. Temos que comemorar o desmatamento zero. Vejo que o fim do des- matamento é uma questão de sobrevivên- cia para a Humanidade, que vem dilaceran- do a natureza por séculos. Se continuar co- mo está, é preferível que a ONU desapro- prie nossas florestas.

ALOYSIO JOSÉ BREVES BEILER

Valença, RJ

Presidente Dilma, espero que a senhora te- nha visto a foto do desmatamento com cor- rentes e mortes de animais e tenha a cons- ciência de vetar o projeto aprovado pelos deputados, principalmente da anistia destes que fazem uma barbaridade desta. Este tipo de desmatamento não pode mais acontecer no nosso país. Precisamos ser um exemplo para o mundo na preservação ambiental. Não vamos mais deixar isto acontecer.

JOSIANE FEIL

Rio

Não vamos mais deixar isto acontecer. JOSIANE FEIL Rio Depois que inventaram o “politicamente correto” ficou

Depois que inventaram o “politicamente correto” ficou difícil distinguir o certo do errado

— Cecilia Portella

Certo ou errado?

Depois que inventaram o tal do “politica-

mente correto” ficou difícil distinguir o certo do errado. Gaúcho sempre falou “tu vai”; paulista, “dois pastel e um chopes”; nordes- tino, “eu lhe amo”, e nunca ninguém recla- mou. Acontece que falar é uma coisa, escre- ver é outra bem diferente. Escreveu errado não passa em concurso público, não entra para a faculdade, não consegue emprego de gabarito. E, venhamos e convenhamos, es- crever cer to é bem mais bonito. Va mos acei - tar o errado sem depreciar o certo. E vice- versa. Simples assim. Complexo assim.

CECILIA PORTELLA

Maricá, RJ

Depois de tantas acusações infundadas, fi-

nalmente encontramos artigos que analisam, com seriedade, o conteúdo e o valor pedagó- gico do livro didático “Por uma vida melhor”, como a coluna de José Miguel Wisnik (28/5), no Segundo Caderno, e a página Logo, de Ar- naldo Bloch e Hugo Sukman. Como diz Ma- nuel Bandeira em outra passagem, além da mencionada por estes últimos: “A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros/ Vinha da boca do povo na língua errada do povo/Língua certa do povo/Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil ”

CRISTINA BARROS BARRETO

Rio

Segundo o texto publicado na página Logo,

a arte é um espaço bem mais democrático que as gramáticas e outros livros didáticos, pois abraça, de forma despojada, a variação linguística a favor da estética literária e da poesia. Como professora, minha tônica na sala de aula é a adequação. Da mesma forma que eu e meus alunos aprendemos que há trajes específicos para ocasiões específicas — desde uma ida à praia a uma festa de 15 anos — há, também, usos da língua especí- ficos para cada situação de comunicação. Um país que demonstra preocupar-se tanto com o respeito às diferenças não deveria, em minha opinião, gastar tanto tempo e energia com um assunto de solução tão óbvia.

GISELLE ALVES

Rio

‘Leão solitário’

Em atenção às cartas das leitoras Iracema Blando Hochman e Rose Marie Peres (28/5), cabe esclarecer que, com certeza, o Ibama não deixará que o ZooNit seja um Bwana. As condições precárias deste parque, agora re- petidas no ZooNit, foram observadas pelo Ibama, gerando a solicitação à Justiça pelo seu fechamento. A leoa, com obesidade mór- bida, que dividia o cubículo com o leão Den- go, hoje vive num recinto gramado e com tan- que no Zoo de Volta Redonda, sem bebidas alcoólicas e lixo depositado no corredor de segurança onde vivia. Por que um dos pares dos animais que viviam no ZooNit está em melhores condições desde que saiu e o ou- tro, que ainda vive no mesmo recinto e com o tratamento por lá oferecido, permanece de- primido? Cabe destacar que, por causa do grande número de gatos domésticos espalha- dos no Zoo, que inclusive defecavam nos co- medouros dos animais, um dos leões retira- dos já foi diagnosticado com Aids felina, doença que pode causar prostração e com- portamento depressivo em animais. Assim, a Superintendência do Ibama RJ permanece convicta de que promoveu o melhor destino para animais e visitantes ao informar para a Justiça e divulgar para a sociedade as con- dições do ZooNit. A defesa dos animais co- meça na plena ciência dos fatos. O relatório técnico produzido é um documento público e aberto para qualquer cidadão que queira ter conhecimento da verdade dos fatos.

ADILSON GIL

superintendente do Ibama RJ

O GLOBO acolhe opiniões sobre todos os temas. Reserva-se, no entanto, o direito de rejeitar acusa- ções insultuosas ou desacompanhadas de docu- mentação. Também não serão publicados elogios ou agradecimentos pessoais. Devido às limitações de espaço, será feita uma seleção das cartas e quando não forem suficientemente concisas, serão publicados os trechos mais relevantes. As cartas devem ser dirigidas à seção Cartas dos Leitores (O GLOBO — Rua Irineu Marinho 35, CEP 20.233.900), pelo fax 2534-5535 ou pelo e-mail cartas@oglobo.com.br. Só serão levadas em conta cartas com nome completo, endereço e telefone para contato, mesmo quando enviadas por e-mail.

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

O GLOBO

O PAÍS 9

Te rça-feira, 31 de maio de 2011 O GLOBO O PAÍS ● 9 CRISE NO GOVERNO

CRISE NO GOVERNO

Procurador espera mais informações de Palocci

Gurgel aguarda resposta de 2 o - requerimento para saber se abre investigação. Presidente da OAB defende saída de ministro

Roberto Maltchik

BRASÍLIA. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, aguarda um segundo pacote de informações sobreofunciona- mento da empresa de consulto- ria do ministro Antonio Palocci para decidir se abre ou não in-

vestigação criminal contra o che-

fe da Casa Civil. Palocci tem 15

dias — a partir da última quinta- feira — para esclarecer os moti- vos pelos quais uma operação

da empresa Projeto foi conside-

rada atípica pelo Ministério da Fazenda e apresentar detalhes

sobre o preço e a natureza dos serviços de consultoria que prestou enquanto era deputado

federal. Ontem, o presidente da OAB, Ophir Cavalcanti, defendeu que Palocci se afaste do cargo.

O segundo requerimento de

informações chegou à Casa Ci- vil em 26 de maio, tendo sido

expedido pela Procuradoria Ge-

ral da República no dia anterior.

No documento, Gurgel provoca

o ministro a responder suspei-

tas levantadas em duas repre- sentações de autoria de DEM, PSDB e PSOL, subscritas tam- bém pelo senador Jarbas Va s- concellos (PMDB-PE). Gurgel cobra mais detalhes

sobre o relatório do Conselho

de Controle de Atividades Finan-

ceiras (Coaf), órgão subordina-

do ao Ministério da Fazenda que

apontou a Projeto como uma das empresas que mantiveram

transações financeiras com uma incorporadora investigada pela Polícia Federal em São Paulo.

O procurador-geral quer sa-

ber por que os clientes de Paloc-

ci escolheram o fim de 2010,

após a vitória de Dilma nas elei- ções, para efetuar vultosos pa- gamentos à consultoria. A defe-

sa de Palocci alega que esses pa-

gamentos foram motivados pelo encerramento das atividades da consultoria e serviram para qui- tar serviços prestados de forma continuada antes das eleições. Palocci terá que esclarecer os preços que cobrava pelos servi- ços de consultoria, pois a opo- sição acusa o ministro de apre- sentar faturamento fora do pa-

drão das empresas do ramo. Gurgel está analisando os escla- recimentos de Palocci sobre a compra, pelo ministro, de um apartamento de R$ 6,6 milhões, em área nobre da capital paulis- ta, enquanto era deputado. Ontem, o presidente da OAB, Ophir Cavalcanti, defendeu que Palocci seja afastado imediata- mente da Casa Civil, apesar de o Planalto não oferecer sinais de que esteja disposto a isso. Na

avaliação de Ophir, a blindagem governista sugere que existe al- guma “coisa de podre nisso”. — Do ponto de vista ético- moral, seria recomendável, sim, que ele se afastasse. Deixaria o

governo Dilma mais tranquilo. Quando o governo blinda o mi- nistro e diz que não vai investi- gar, obviamente, que todos nós brasileiros passamos a pensar que tem alguma coisa de podre em tudo isso — disse Ophir. Por meio da assessoria, Pa- locci informou que prestará os esclarecimentos no prazo esti- pulado pela PGR. Já o advogado de Palocci, José Roberto Bato- chio, informou que vai questio- nar a legitimidade do Ministério Público Federal do Distrito Fe- deral, que abriu investigação

prévia para apurar indícios de improbidade administrativa.

— A Lei Orgânica do Ministé- rio Público é clara ao afirmar que ministros de Estado devem ser investigados pelo procura-

dor-geral da República.

Gustavo Miranda/24-05-2011

dor-geral da República. ■ Gustavo Miranda/24-05-2011 “ Do ponto de vista ético- moral, seria recomendável,

Do ponto de vista ético- moral, seria recomendável, sim, que ele se afastasse

Ophir Cavalcante, presidente da OAB

PALOCCI: ADVOGADO do

ministro vai questionar legitimidade do MPF-DF para abrir investigação

Oposição vai insistir em instalar CPI

No Senado e na Câmara, tentativas de convocar Palocci para depor

Isabel Braga

Até agora, na Câmara, pou- co mais de cem deputados,

BRASÍLIA. A oposição retoma

segundo os coletores, assina-

hoje a estratégia de tentar con- vocar o ministro Antonio Paloc-

ram o pedido de CPI. No Sena- do, o requerimento tem assi-

ci

(Casa Civil), seja nas comis-

naturas de 18 senadores — 11

sões permanentes ou por meio

do PSDB, 4 do DEM, 2 do PSOL

de

CPI mista nas duas Casas, pa-

e

a do peemedebista Jarbas

ra

que ele explique seu aumento

Va

sconcelos (PE). O senador

patrimonial e sua atuação como consultor. Os oposicionistas contam com fatos novos para convencer parlamentares gover- nistas a assinar. Eles não conse- guiram ainda assinaturas sufi- cientes para criar a CPI.

Clésio Andrade (PR-MG) reti- rou seu nome, e o senador Ita- mar Franco (PPS-MG), doen- te, não assinou. São necessá- rias 171 assinaturas de depu- tados e 27 de senadores. O líder do DEM na Câmara,

ACM Neto (BA) explica que a oposição decidiu não divulgar os nomes dos que assinaram na Câmara para evitar que o gover- no pressione. A estratégia desta semana, diz ACM Neto, é manter a ofensiva para que Palocci se

explique. A oposição apresen- tou requerimentos de convoca- ção de Palocci na maioria das comissões. Na semana passada, cinco deles foram derrotados. — A gravidade dos fatos e a necessidade de explicações continuam. Va mos manter a ofensiva em pelo menos cinco

comissões, tentar ações surpre- sa contra o rolo compressor do governo e obstruir votações, se necessário — disse ACM Neto. Para o líder do PSDB no Sena- do, Álvaro Dias (PR), fatos dos últimos dias podem fazer com que alguns senadores cumpram a promessa de assinar a CPI:

— A instauração do inquérito pelo Ministério Público, a res- posta retórica de Palocci ao procurador, sem apresentar empresas nem o conteúdo das consultorias, podem levar sena- dores a assinar a CPI.

LOTERIAS ● LOTOFÁCIL: As dezenas sorteadas no concurso 639 foram 01, 02, 04, 05, 06,
LOTERIAS
● LOTOFÁCIL: As dezenas
sorteadas no concurso
639 foram 01, 02, 04, 05,
06, 08, 09, 10, 12, 16, 19,
20, 21, 22 e 24.
● QUINA: As dezenas sor-
teadas no concurso
2.609 foram 01, 11, 35, 77
e 79.
•O leitor deve checar os resultados
também em agências oficiais e no site
da CEF porque, com os horários de fe-
chamento do jornal, os números aqui
publicados, divulgados sempre no fim
da noite pela CEF, podem eventualmente
estar defasados.

NOTA

MORTE DE CARTUNISTA

A Justiça Federal em Foz do Iguaçu (PR) conside- rou inimputável o assassi- no do cartunista Glauco e de seu filho Raoni Villas Boas. A decisão atende a pedido do Ministério Pú- blico, com base em laudo

médico indicando que Carlos Eduardo Sundfeld Nunes sofre de esquizofre- nia paranoide, que o impe- de de perceber a gravida- de de seus atos. Ele ficará três anos num manicômio e não irá a júri popular.

que o impe- de de perceber a gravida- de de seus atos. Ele ficará três anos
que o impe- de de perceber a gravida- de de seus atos. Ele ficará três anos

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O PA ÍS

O GL OBO

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

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CRISE NO GOVERNO

Dilma e Temer se reconciliam em foto oficial

Mal-estar era visível até no silêncio dos dois, na passagem do cargo na Base Aérea; vice reuniu PMDB sobre crise

Adriana Vasconcelos e Chico de Gois

BRASÍLIA. Era para ser a ima- gem pública da conciliação e da prova de que o mal-estar da se- mana passada entreapresiden- te Dilma Rousseff e o vice, Mi- chel Temer, havia ficado para trás. Mas o clima passado pelas imagens oficiais e pelo silêncio de ambos não era de entusias- mo. Antes de embarcar para o Uruguai, Dilma passou o cargo para Temer, na Base Aérea de Brasília, posando para uma foto formal, com tapinhas nas cos-

tas. Só o fotógrafo da Presidên- cia pôde registrar a cena, e ape- nas uma foto foi divulgada. À noite, Temer recebeu para jan- tar no Palácio do Jaburu os se- nadores do PMDB, que levaram queixas e sugestões sobreaar- ticulação política do governo. Na Base Aérea, Dilma pediu que o vice fosse à reunião con- vocada pelo ministro da Secre- taria-Geral, Gilberto Carvalho, para discutir a violência no cam- po. No encontro, Temer comen- tou que estava superado o epi- sódio da semana passada, quan- do ele, a presidente e o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) se desentenderam em meio à polê- mica negociação que antecedeu

a aprovação do Código Flores-

tal, que derrotou o governo. Hoje, Dilma e Temer devem ter uma conversa mais longa. O jantar de ontem do vice foi uma prévia do almoço que a presi- dente terá amanhã com a banca- da do PMDB no Senado.

O desentendimento em torno do Código reforça as queixas dos senadores do PMDB em relação

à articulação política do gover-

no. A avaliação é que o modelo precisa urgentemente ser altera-

do, sobretudo diante da fragiliza- ção de Palocci. Mas, ao contrário do que defendem até alguns pe- tistas, o PMDB não pedirá a substituição do ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais). — A gente não pode recla- mar do ministro (Luiz Sérgio) porque não foi dada autonomia

a ele. É preciso que ele trabalhe de forma articulada com a Casa Civil — disse ontem o presiden-

te em exercício do PMDB, sena-

dor Va ldir Raupp (RO).

Mesmo minimizando a briga entre Temer e Dilma, o presiden- te do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixou escapar que

o partido identifica o ex-presi-

dente Lula como o principal fia- dor da aliança com o PT. — Essa aliança é sólida, foi feita pelo presidente Lula, ele foi

Roberto Stuckert Filho/PR

Roberto Stuckert Filho/PR DILMA COM Mujica, em visita ao Laboratório Te cnológico do Uruguai: país adotou

DILMA COM Mujica, em visita ao Laboratório Te cnológico do Uruguai: país adotou o padrão nipo -brasileiro de transmissão digital de TV

Da guerrilha à Presidência, aqui como lá

Dilma se encontra com Mujica e assina 16 acordos de cooperação com Uruguai

Ta tiana Fa rah

Enviada especial

MONTEVIDÉU. Depois de semanas adian- do viagens por causa de uma pneumonia,

a presidente Dilma Rousseff retomou on-

tem a agenda política para reforçar o Mer-

cosul, que completa 20 anos. Em Monte- vidéu, ao lado do presidente José Mujica, Dilma assinou 16 acordos de cooperação. Tanto Dilma quanto Mujica foram guerri -

lheiros contra ditaduras e foram presos:

ela, por quase três anos, e ele, por 14. — A convergência política entre os dois governos, assim como o grande dinamis- mo de suas economias e o fato de que so- mos democracias estáveis, que respeitam contratos e direitos humanos, criam um ambiente fraterno e o contexto ideal para que aprofundemos nossa relação — disse a presidente, que fez um comunicado con- junto com Mujica, sem entrevistas.

Eles visitaram o Laboratório Tecnoló- gico do Uruguai, que deverá receber US$ 600 mil do Brasil para pesquisas conjun- tas na área de transmissão digital de TV e produção de conteúdos. Mujica voltou atrás na decisão do ex-presidente Tabaré Va zquez de adotar o modelo europeu e americano de transmissão digital e ade- riu ao padrão nipo-brasileiro. Outros pontos de destaque dos acordos são in- fraestrutura e segurança pública.

o avalizador da aliança, o apro-

ximador. Nós, no PMDB, o con- sideramos um aliado — afirmou

Sarney, sugerindo que Lula po- derá estar mais presente na in- terlocução política. — A presen-

ça do presidente Lula na política

é coisa da sua liderança, não

coisa ocasional de governo.

Os senadores do PMDB avisa-

riam a Temer, ontem à noite, da decisão de aprovar em plenário

o acordo negociado em torno

do substitutivo do senador Aé-

cio Neves (PSDB-MG) sobre a proposta que altera a tramita- ção das medidas provisórias. O texto original era de Sarney, mas a proposta aprovada tenta inibir abusos do governo na edição de MPs, além de garantir mais tem-

po ao Senado para o debate. Dilma reclamou do acordo em almoço com os senadores do PT, alegando que não fora consultada. Mas o líder do go-

verno no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), garante que procu-

rou o Planalto. Reservadamente, reclamou que não recebeu orientações sobre a pauta. — Eu não falei com a presi- dente Dilma, mas falei com o Luiz Sérgio e a Casa Civil. O texto que ia ser votado era muito pior — disse Jucá. Os senadores do PMDB trata- riam com Temer da dificuldade na ocupação de cargos de se- gundo e terceiro escalões. O se- nador Jarbas Va sconcelos (PMDB-PE), de oposição, não irá

Ciro critica intervenção de Lula

FORTALEZA. Sem man-

dato há seis meses, o ex-deputado federal Ci-

ro Gomes (PSB) criticou

o ex-presidente Lula pe-

la falta de discrição ao aparecer em Brasília, semana passada, na tentativa de conter a crise envolvendo o mi- nistro Antonio Palocci. Para Ciro, Lula cometeu um erro e pode ter pre- judicado o capital polí- tico da presidente Dil- ma Rousseff (PT).

— Ele cometeu um erro:

se quer ajudar, faça isso pelo telefone, discreta- mente. Essa ida a Brasília liquida com qualquer ca- pital político que a Dilma possa e deva acumular, que é inerente à liderança que ela tem como presi- dente — disse ele, após participar de um evento sobre economia verde na Assembleia do Ceará. Ciro não concorda com

a opinião de Lula de que sem Palocci o governo se

“arrastaria” até o fim. Esse teria sido um comentário do ex-presidente para con- seguir o apoio da bancada do PT no Senado na defesa do seu ex-ministro.

— Discordo completa-

mente, até porque o Lula teve que demitir o Paloc-

ci, ele próprio. Nós esta- ríamos, como país, mui- to mal parados, se de- pendesse do Ciro Go- mes, da Dilma, do Lula. O Lula tem esse equívoco. Para Ciro, Palocci tem o direito da presunção de inocência, mas a evolução do patrimônio do ministro merece explicações.

— Ele tem uma massa

de serviço prestado ao Brasil. Eu o presumo ino- cente. Dito isto, é cons- trangedor o que está acontecendo. É preciso que seja resolvido com cabal explicação — dis- se, acrescentando que não se dá por satisfeito com as justificativas apresentadas até agora.

ao almoço com Dilma. Outros in- dependentes da bancada, po- rém, confirmaram presença. — Este é um momento para selarmos a unidade e superar- mos desentendimentos. O PMDB está consciente do seu papel na governabilidade, e a semana se- rá importante para melhorarmos a convivência. O PMDB quer co- laborar. A nossa aliança sobrevi- veu a momentos difíceis e não deve se acabar agora — disse Renan Calheiros (AL). .

Serra diz que não foi derrotado na convenção tucana

SÃO PAULO. O ex-governador José Serra (PSDB) usou ontem o Twitter para dizer que é um erro considerar que ele foi derrotado na convenção do PSDB do últi- mo sábado e considerou ser “um tiro no pé” trazer a disputa de 2014 para 2011. Para ele, não existe “esmagamento” de gru- pos internos no seu partido. “Tenho insistido muito nisso:

é um erro grave trazer as even- tuais disputas de 2014 para

2011. Para a oposição, é o po- pular ‘tiro no pé’”, disse Serra, complementando: “O esmaga- mento de grupos do PSDB por outros grupos do PSDB só exis-

te no mundo virtual. Se não fos-

se virtual, seria vitória de Pir- ro”, afirmou no Twitter. Conclamando o partido à uni- dade, o ex-governador, eleito presidente do conselho político do partido na convenção, afir- mou que os tucanos não podem se dividir: “Não podemos deixar

a mentira e a intriga prospera-

rem, nos dividirem. Quem faz is- so trabalha pelos adversários”, disse no Twitter, complemen- tando. “Temos de corresponder às expectativas de tanta gente que confiou em nós”. “Nossos adversários que- rem fazer crer que somos fra- cos. Isso não é verdade”, afir- mou.

FH defende em filme descriminalizar maconha

‘Quebrando o tabu’ mostra ações de países que veem tema como de saúde pública, não de polícia

Silvia Amorim

SÃO PAULO. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de- fendeu ontem que o país inicie um debate profundo sobre a descriminalização da maconha para enfrentar a guerra contra as drogas. O desafio foi proposto no pré-lançamento do documen-

tário “Quebrando o tabu”, em

que FH é o protagonista. Uma có- pia do filme, que chega aos cine- mas na próxima sexta-feira, foi enviada, a pedido de FH, à pre- sidente Dilma Rousseff.

— Não estamos falando de um

criminoso, mas de muitos próxi- mos de nós. A gente finge que não é. É comodismo. A gente tem de sacudir a sociedade — disse FH após exibição do docu-

mentário, à noite, em São Paulo.

O tucano destacou que não

se trata de defender a legaliza- ção das drogas, e esclareceu

que o documentário não traz

uma receita para o problema.

— O filme não é de tese, é de

abrir um debate. Não estamos pregando receitas — explicou. Na tela, o ex-presidente assu- me a liderança de um debate so- bre a descriminalização da ma- conha no Brasil. Dirigido pelo jo- vem Fernando Grostein Andra- de, FH vai a países como Portu-

Eliária Andrade

Andra- de, FH vai a países como Portu- Eliária Andrade FERNANDO HENRIQUE fala no pré-lançamento de

FERNANDO HENRIQUE fala no pré-lançamento de “Quebrando o tabu”, dirigido por Fernando Grostein Andrade

gal, Holanda e EUA, para mostrar experiências de políticas anti- drogas. No final, diz-se convenci- do de que o caminho está em tratar a questão como de saúde pública, não como de polícia. — Só quem é burro não muda de opinião diante de fatos no- vos. Eu não tinha consciência da gravidade e do que significava

essa questão, naquela época, como tenho hoje — diz FH em sua primeira aparição na tela. FH defende a descriminaliza- ção da maconha alegando que o dependente tem de ser visto co- mo doente e não criminoso, que precisa de tratamento e não pri- são. Seguem a visão do brasileiro ex-chefes de Estado como Bill

Clinton e Jimmy Carter, e ex-pre- sidentes de Colômbia, México e Suíça, com depoimentos expli- cando por que mudaram de opi- nião após saírem dos governos. — Os presidentes têm limita- ções. Se a sociedade não se con- vencer, é difícil que o governo avance nessas matérias. A luta tem de ser dada na sociedade ci-

vil. Não acho que seja tema para agora estar sendo discutido no Congresso. Não tem preparação para isso ainda — resume FH.

O filme retrata o fracasso da

política de combate às drogas aos mostrar que há 40 anos os Estados Unidos levaram o mun- do a declarar guerra às drogas, mas os danos à sociedade só cresceram no período. O filme foi gravado em oito países — Brasil, Portugal, Holanda, Co- lômbia, Suíça, França, Argentina e EUA — e levou dois anos. Para defender a descriminali- zação da maconha, outro argu- mento usado é o de que a crimi- nalização ajuda a fortalecer o crime organizado. Na Holanda, FH visita os tradicionais cafés onde são permitidos a venda e o consumo de maconha. Também foi a Portugal conhecer os resul- tados da política de descrimina- lização. No Brasil, visitou favelas do Rio para colher depoimentos de ex-traficantes, usuários e fa- mílias vítimas da violência cau- sada pelo tráfico de drogas. À noite, houve uma exibição do fil- me para convidados.

O GLOBO NA INTERNET VÍDEO Assista a trecho do depoimento de FH no filme
O GLOBO
NA INTERNET
VÍDEO
Assista a trecho do
depoimento de FH no filme

oglobo.com.br/pais

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

O GLOBO

O PAÍS

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Te rça-feira, 31 de maio de 2011 O GLOBO O PAÍS ● 11 Primeira-dama de Campinas

Primeira-dama de Campinas entra de férias

Rosely Jorge é acusada pelo MP de chefiar esquema de fraudes

CAMPINAS (SP). Apontada pelo

Ministério Público como chefe de um suposto esquema de frau- des em contratos públicos em Campinas, a primeira-dama da cidade, Rosely Nassim Jorge, chefe de gabinete do prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), entrou de férias on- tem sem ter prestado qualquer esclarecimento ao Ministério Público sobre as acusações fei- tas contra ela. A primeira-dama ficará 15 dias de férias. A prefeitura in- formou que o descanso de Ro- sely já estava programado an- tes da operação contra a cor- rupção na cidade. Uma ação da Polícia Civil e do Ministério Público, deflagrada no dia 20 de maio, atingiu o alto escalão do governo do prefeito de Campinas. Relatório do Mi- nistério Público aponta a pri- meira-dama da cidade como a idealizadora de uma suposta “organização criminosa”. A primeira-dama só não teve a prisão decretada, segundo a Justiça, porque está protegida por um habeas corpus preven- tivo concedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, no dia 9 de maio. Ela negou as acusações. Na última sexta-feira, todos os 13 presos durante a semana sob suspeita de envolvimento com fraudes em contratos pú- blicos já saíram da cadeia. Um dos últimos que foram libertados, sexta à noite, foi o vice-prefeito da cidade, Demé- trio Vilagra (PT), que havia si- do preso na quinta-feira (26) ao desembarcar da Espanha. Vilagra passou menos de 24h na cadeia e conseguiu a li- berdade após prestar depoi- mento ao Ministério Público. Ele negou envolvimento nas supostas fraudes.

O ‘acidente’ do impeachment de Collor

Sarney justifica ausência do fato em exposição no Senado sobre História do Congresso

Adriana Vasconcelos

BRASÍLIA. Após passar por um processo de revitalização, a exposição do chama- do “Túnel do Tempo” do Senado — um conjunto de 16 painéis nos quais a insti- tuição se propõe a retratar os principais fatos da História do Congresso Nacional, desde a instalação do Senado em 1822 — suprimiu decisões mais recentes toma- das pelos senadores, como a aprovação, em 1992, do impeachment do então pre- sidente Fernando Collor de Mello, agora senador pelo PTB de Alagoas. Ao justifi- car a omissão, durante a reinauguração da exposição, ontem, o presidente do Se- nado, José Sarney (PMDB-AP), classificou o impeachment como “um acidente” que não deveria ter ocorrido. — Olha, eu não posso censurar os historiadores encarregados de fazer o painel. Talvez esse episódio seja ape- nas um acidente que não devia ter acontecido na História do Brasil. Mas não é tão marcante como foram os fa- tos que aqui estão contados, que fo- ram os que construíram a História, e não os que, de certo modo, não de- viam ter acontecido. O que vale é que nós temos uma Constituição e sempre nos organizamos em torno da lei — justificou Sarney em entrevista. Mais tarde, em conversa com O GLO- BO, Sarney acrescentou:

— O Golpe de 64 está lá, porque re- sultou numa ditadura de 20 anos, mas a deposição de Jango (o ex-pre- sidente João Goulart) não está lá. Se fôssemos mencionar tudo, não tería- mos espaço suficiente. Nas versões anteriores da exposição, tinha destaque o impeachment de Col- lor — o primeiro presidente da Repúbli- ca afastado do cargo por determinação do Congresso Nacional. Eram mostra- das imagens das passeatas dos estu- dantes — os caras-pintadas — pelo im- peachment, acompanhadas de informa- ções sobre a decisão tomada no segun- do semestre de 1992. A exposição lembra a relação do Se- nado com momentos históricos da Re- pública, como a abolição da escravatu- ra (1888), o Ato Institucional n o - 5 (1968)

André Coelho

o Ato Institucional n o - 5 (1968) André Coelho “T ÚNEL DO Te mpo”: exposição

“T ÚNEL DO Te mpo”: exposição inclui Lei de Re sponsabilidade Fi scal e Lei da Fi cha Limpa

e a Constituição Federal de 1988. Mas fi- caram de fora também outros momen- tos ruins para a História do Senado, co- mo a cassação do primeiro senador da República, Luiz Estevão, e a renúncia do ex-presidente Jader Barbalho. A revitalização do “Túnel do Tempo” — uma galeria que fica no túnel que liga o plenário aos gabinetes dos senadores — foi organizada pela Subsecretaria de Criação e Marketing, comandada pela ser vidora Elga Mara Teixeira Lopes. Se- gundo Elga, a partir da Constituição de 1988, a opção dos historiadores foi des- tacar os fatos marcantes da atividade legislativa: “O foco da exposição é mos- trar a produção legislativa do Congres- so Nacional. A discussão e aprovação das leis são a essência do que faz o Par- lamento como poder republicano”. Na linha do tempo que retrata as duas últimas décadas da História do Brasil, de 1991 a 2010, o historiador Pe- dro Costa, funcionário responsável pela seleção de fatos, preferiu ressaltar “fa- tos mais relevantes”, como opinou Sar- ney. Entre eles, projetos de lei impor-

tantes aprovados pelo Legislativo como a Lei de Responsabilidade Fiscal, os es- tatutos da Micro e Pequena Empresa, do Idoso e do Torcedor, e mesmo a Lei da Ficha Limpa, que só será aplicada nas eleições de 2012. O líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), ironizou a mudança promo- vida pela direção da Casa no “Túnel do Tempo”:

— Agora querem revogar a História? Será que isso vai para os livros didá- ticos do MEC (Ministério da Educa- ção) também?. Desde que Collor foi eleito senador, em 2006, o presidente do Senado pare- cia incomodado com o painel que fazia referência ao afastamento do ex-presi- dente do cargo. Na época da posse, em fevereiro de 2007, o painel chegou a ser retirado para limpeza, mas acabou vol- tando em abril.

O GLOBO OPINIÃO
O GLOBO
OPINIÃO

NA INTERNET

Você considera o impeachment de

Collor um fato de menor importância?

oglobo.com.br/pais

PT suspende Serys por infidelidade

Punida por um ano, ex-senadora diz que não pôde se defender

CUIABÁ. O PT de Mato Grosso suspendeu a ex-senadora Serys Slhessarenko por um ano pela acusação de infidelidade parti- dária. A suspensão foi votada na noite de domingo. Ela vai recor- rer da decisão na executiva na- cional. Se não conseguir rever- ter a pena, a ex-congressista não poderá disputar a eleição em 2012, já que, para concorrer, precisa estar em plena atividade partidária no dia 1 o - de outubro do ano anterior ao pleito. O re- latório da comissão de ética re- comendava a expulsão. O processo interno foi aberto por iniciativa de uma ala rival a Serys. O grupo entendia que ela cometeu infidelidade partidária por não ter apoiado o então can- didato ao Senado pelo partido, Carlos Abicalil, inimigo declara- do dela, na eleição do ano pas- sado. Ele não se elegeu, mas, atualmente, a direção estadual está nas mãos do seu grupo. — Foi um julgamento inqui- sitorial, sem direito à defesa — disse a ex-senadora. Em 17 de maio, ela já havia protocolado na direção nacional uma medida cautelar contestan- do o trabalho da comissão de ética. Serys diz que não foi no- tificada, o quê, em sua opinião, torna o processo nulo. Hoje de- ve ir a Brasília para pedir cele- ridade na apreciação do caso. Outros quatro aliados de Se- rys foram punidos. Entre eles estão o vereador Lúdio Cabral, suspenso por seis meses, e a ex-deputada estadual Vera Araújo, que pegou três meses. Serys e Lúdio demonstraram interesse em se candidatar à pre- feitura de Cuiabá em 2012. Com a suspensão, o grupo de Abicalil terá mais facilidade de aprovar aliança com o PMDB do governa- dor Silval Barbosa, seu aliado.

OFERTAS VÁLIDAS PARA O DIA 31/5/2011 5 ,99 ,89 3 ,98 4 Coxa, sobrecoxa ou
OFERTAS
VÁLIDAS
PARA O DIA
31/5/2011
5
,99
,89
3
,98
4
Coxa, sobrecoxa
ou coxa com
sobrecoxa de
frango resfriada
(embalagem
familiar) - kg
Frango resfriado
ou peito de frango
congelado - kg
Asa ou drumett de
frango congelados
kg
A PARTIR DE 3
A PA
U NID
UNIDADES, PAGUE:
5 ,95
95
,45
2 ,99
cada
5
5
Coxa, sobrecoxa ou coxa
com sobrecoxa de frango
oxa ou coxa
cada
Frango
congeladas Qualitá -1kg
congeladas Qualitá - 1 kg
congelado
,98
kg
8
5
,75
Costela suína
congelada - kg
8
,39
Acém, músculo
ou paleta bovina
resfriados peça - kg
Bisteca suína
congelada - kg
12
,70
Alcatra com
maminha bovina
resfriada
kg
*A campanha “PREÇO NÃO SE DISCUTE” é válida somente para as lojas físicas do Extra Hiper e Extra Supermercado, não valendo para as lojas Extra Fácil ou loja virtual www.extra.com.br. Não serão aceitas, para comparação de preços, as ofertas emitidas por comerciantes ou empresas atacadistas. Será válido somente o anúncio impresso da
concorrência, do mesmo município, na forma de tabloide, lâmina, folheto ou anúncio de jornal de grande circulação, com o prazo de oferta dentro do período desta promoção, para produtos idênticos (mesma marca, tipo, voltagem, cor, sabor, quantidade etc.). O anúncio apresentado não será devolvido ao cliente e ficará retido pelo Extra. Esta condição
não é válida para promoções especiais com múltiplos de produtos, do tipo “pague 2eleve 3”, “leve 4 e, com mais um centavo, leve outro produto ou mais um exemplar do mesmo produto”. Não vendemos por atacado e reservamo-nos o direito de limitar, por cliente, a quantidade dos produtos vendidos, de acordo com esta promoção, em 5 unidades/
kg por produto da categoria alimentos e2unidades por produto da categoria não alimentos. Consulte o SAC das lojas Extra Hiper e Extra Supermercado para mais informações.
O
Ofertas válidas paraodia 31/5/2011 ou enquanto durarem os estoques. Após essa data, os preços voltam ao normal. Verifique a disponibilidade dos
produtos p na loja mais próxima. Garantimos a quantidade mínima de 5 unidades/kg de cada produto por loja em que ele esteja disponível. Para melhor
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v
Unik, U
Vale Shop ou Visa. No site www.extra.com.br, as ofertas e formas de pagamento podem ser diferenciadas. Consulte condições para pagamento
com c
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Não são todos os produtos que estão disponíveis nas lojas Extra Hiper e Extra Supermercado, podendo variar de acordo com o estoque e sortimento de cada loja. Consulte a loja mais próxima.
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O GLOBO

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

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Novo rótulo para a velha miséria

Cantagalo, Vidigal e Borel, chamados de ex-favelas pela prefeitura, ainda têm lixo e valões

Custodio Coimbra

pela prefeitura, ainda têm lixo e valões Custodio Coimbra A MORADORA Nilsa Abreu, de 77 anos,

A MORADORA Nilsa Abreu, de 77 anos, no Pavão-Pavãozinho: casa de madeira

Duilo Victor, Rogério Daflon e Waleska Borges

A s comunidades do Pavão-

Pavãozinho e do Cantaga-

lo, na Zona Sul, e do Borel,

na Tijuca, não são mais

consideradas favelas pela

prefeitura. A percepção dos mora- dores, no entanto, é bem diferente, sobretudo porque nelas a expecta- tiva de mais investimentos com a instalação da Unidade de Polícia Pa- cificadora (UPP) acabou frustrada — algo que o próprio secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, alertou em entrevista exclusiva ao GLOBO. O Vidigal, onde há intensa presença do tráfico de drogas, tam- bém não é chamado mais de favela pela prefeitura. As localidades têm em comum o fato de terem recebido obras de infraestrutura nos últimos 20 anos, argumento usado pela ad- ministração municipal para classifi- cá-los como bairros, assim como em mais 41 locais carentes da cidade.

‘Isso não é bairro’, contesta moradora

Os moradores dizem que a falta de continuidade das ações do poder público desvaloriza as melhorias. Da sua janela no Pavão-Pavãozinho,

a dona de casa Elaine Barbosa San-

tana, de 23 anos, por exemplo, vê os encantos de Copacabana, mas, a despeito das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sofre com a falta d’água, o lixo pelas

vielas, o esgoto a céu aberto, ratos e “gatos” nas ligações elétricas:

— Isso não é bairro — diz ela.

Na parte alta do Pavão-Pavãozi- nho, há pelo menos 20 casas feitas

de madeira e outras de pau a pique.

A dona de casa Sonia Alves Modes-

to, de 40, mora numa delas:

— Estamos largados — resumiu.

Moradores também reclamam que uma caixa d’água construída

nas obras do PAC está pronta desde

o fim do ano passado, mas tem va-

zamentos e sequer foi inaugurada.

— Pago R$18 pelo serviço de água e

esgoto, mas sempre ficamos a seco — lamentou Geúsa de Oliveira. Segundo o secretário da Associação de Moradores do Pavão-Pavãozinho, Ivan Lima, desde novembro do ano passado, a prefeitura cortou o projeto

Gari Comunitário que tinha 16 pes- soas na coleta do lixo. Agora, afirmou Ivan, há só seis funcionários da Com- lurb. A assessoria de imprensa da em- presa informou que o fim do projeto se deveu a uma decisão da Justiça.

— Estão querendo enfeitar o pa-

vão. A verdade é que não moramos em um bairro — avaliou Ivan. No Borel, moradores se mostram frustrados com o poder público, por- que, para eles, com a chegada da UPP, as obras de infraestrutura poderiam ter vindo de maneira mais eficaz.

— Veio a UPP, mas nossas vielas

estão sem iluminação, há muito es- goto e, com o fim do gari comunitá- rio, o lixo se espalha pela Rua da In-

dependência — disse Regina Lira. O secretário municipal de Habita- ção, Jorge Bittar, afirmou que os pro- blemas apresentados nos locais con- siderados ex-favelas são de manuten- ção, assim como em qualquer bairro.

— Quando digo que uma comuni-

dade é bairro, não digo que ela não apresenta este ou aquele problema,

mas que já apresentou investimen- tos globais em rede de esgoto, rede elétrica, controle de encostas e equi- pamentos de saúde, lazer e educa- ção. Em Ipanema, por exemplo, se formos procurar, também vamos achar vazamento de esgoto — disse o secretário. — A atual administra- ção, diferentemente da anterior, tem demonstrado manutenção dos in- vestimentos nessas comunidades. No Vidigal, a manutenção dos equipamentos do Programa Fave- la-Bairro, contudo, deixa a dese- jar. Na obra de drenagem, há mui- to lixo acumulado. Locais com es- goto a céu aberto e outros com o saneamento resolvido são um dos contrastes do lugar. A lavanderia, as praças e o parque ecológico, to- dos construídos pela prefeitura, estão em péssimo estado de con- servação.

— No Vidigal, temos áreas que

são iguais às dos bairros da cidade e outras totalmente abandonadas — disse o recepcionista Juliano Rigor, que cria dois filhos em meio ao es- goto, ratos e muito lixo. Para o presidente do Instituto Pe- reira Passos (IPP), Ricardo Henri- ques, a criação de uma nova classifi-

cação dos territórios populares evi- dencia a necessidade de políticas di- ferenciadas:

— Faz sentido classificar da mes-

ma forma tanto a localidade que tem

ruas asfaltadas, segurança e acesso a luz, água e esgoto, quanto aquela em que as ruas são de barro, cortadas por valões e onde não há água enca- nada? Utilizando as mesmas catego- rias, deixamos de perceber que estes espaços precisam de ações distintas do poder público. Na visão do presidente do IPP, nos limites das próprias comunidades urbanizadas — como o IPP classifica as ex-favelas — é possível constatar grandes contrastes:

— A região mais elevada da Santa

Marta apresenta condições de vida bem mais precárias do que na área média e baixa. O mesmo pode se di- zer, aliás, de regiões da chamada “ci- dade formal”. Alguns bairros apresen- tam trechos onde a urbanização é de- ficiente e a iluminação pública inade- quada, mas nem por isso são chama- dos de favelas.

O GLOBO
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a Confira a lista com as 44 ex-favelas do Rio

oglobo.com.br/rio

Domingos Peixoto

as 44 ex-favelas do Rio oglobo.com.br/rio Domingos Peixoto NO VIDIGAL, moradora estende roupa perto de valão

NO VIDIGAL, moradora estende roupa perto de valão (ao fundo): investimentos do Favela-Bairro se perderam por falta de continuidade

Comitê prepara ações sociais

Órgão, que reúne 12 secretarias, tem instalação antecipada

Ana Cláudia Costa e Elenilce Bottari

A crítica do secretário de Seguran- ça Pública, José Mariano Beltrame, à falta de investimentos sociais nas fa- velas com Unidades de Polícia Paci- ficadora (UPPs) — reclamação que ganhou apoio do governador Sérgio Cabral — começa a surtir efeito. O secretário estadual de Assistência Social, Rodrigo Neves, revelou on- tem que a instalação do Comitê Exe- cutivo de Políticas Sociais nos Terri- tórios Pacificados (Ceps) será no próximo dia 14, um mês antes do prazo previsto inicialmente. Criado por decreto em 1 o - de abril, o CEPs irá reunir 12 secretarias e terá por objetivo identificar as necessida- des e coordenar e integrar as diversas ações de órgãos públicos estaduais nas favelas pacificadas, além de pro- mover a articulação das iniciativas da sociedade. Segundo Neves, a partir da

Há uma agenda primária, importante e decisiva, para a integração desses territórios à cidade.

Rodrigo Neves, secretário estadual de Assistência Social

instalação do comitê, serão estabele- cidas metas de trabalho:

— Durante o mês de maio, todos os órgãos envolvidos indicaram seus re- presentantes e, a partir do próximo dia 14, o Comitê irá trabalhar de forma efetiva, permanente e com reuniões periódicas de avaliação para levar de- senvolvimento humano e social a es- sas regiões. Há uma agenda primária, importante e decisiva para a integra- ção desses territórios à cidade, e que diz respeito, como bem lembrou o se- cretário Mariano, à coleta e ao trata- mento de lixo, à iluminação pública, à educação infantil e educação básica. Participarão do CEPs represen- tantes das secretarias de Assistên- cia Social e Direitos Humanos; Edu- cação; Desenvolvimento Econômi- co, Energia Indústria e Serviços; Saúde e Defesa Civil; Trabalho e Renda; Turismo; Ciência e Tecnolo- gia; Esporte e Lazer; Cultura; e Am- biente, além da Casa Civil e da De- fensoria Pública.

Mangueira será ocupada até a metade de junho O Rio tem hoje 17 UPPs, e o gover- no do estado já se prepara para pa- cificar a Mangueira, considerada pe- los setores de inteligência das polí- cias o ponto de encontro de trafican- tes da maior facção criminosa. A ocupação da comunidade começa esta semana, de acordo com anúncio feito na manhã de ontem pelo gover- no do estado através de uma nota oficial no site. As primeiras ações, conforme informações do estado, se-

rão feitas pela Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), pela Coordenado- ria de Recursos Especiais (Core) e pela 17 a - DP (São Cristóvão). Após a incursão dessas delega- cias, que devem fazer uma varredu- ra na Mangueira e no Morro do Tuiu-

ti — que fica na vizinhança e tam-

bém será pacificado — em busca de armas e drogas, o Batalhão de Ope- rações Especiais (Bope) vai come- çar as investidas e ocupar a favela para que a UPP seja implantada. A intenção do governo do estado é de que na primeira quinzena de junho

a favela esteja totalmente ocupada. A Mangueira é a última favela do cinturão do Maciço da Tijuca a ser pacificada e fica próxima ao Maraca- nã, um dos locais onde acontecerão jogos da Copa do Mundo de 2014. De acordo com a Secretaria de Seguran- ça, com fechamento dessa região, o trajeto até o complexo esportivo po- derá ser feito desde a Zona Sul, pas- sando pelo Centro, sem que se passe ao lado de favelas dominadas por tra- ficantes. Ainda segundo a nota do go- verno do estado, os complexos do Alemão e da Penha, ocupados desde novembro, devem ganhar nove UPPs até o fim do ano. Ainda ontem, o vice-governador Luiz Fernando Pezão afirmou que as obras da Cidade da Polícia serão con- cluídas até outubro deste ano. O local, que vai abrigar todas as delegacias es- pecializadas da Polícia Civil, fica pró- ximo à entrada das favelas do Jacare- zinho e Manguinhos, também redutos da maior facção criminosa do Rio.

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

O GLOBO

RIO

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Te rça-feira, 31 de maio de 2011 O GLOBO RIO ● 13 FASHION RIO Carolina Isabel

FASHION

RIO

Carolina Isabel Novaes

A 19 a - edição do Fashion Rio, a sema- na de moda da cidade, começou on- tem no Píer Mauá, e vai

até sábado para lançar as coleções de verão 2012 de 29 grifes. O evento ocupa cinco armazéns do cais com exposições, shows, bolsa de negócios e desfiles fechados para convidados. A primeira grife a desfi- lar foi a Alessa, às 17h. A estilista Alessa Migani se inspirou em relíquias para criar as estampas da tem- porada. Com um espelho veneziano no chão (em que as modelos tropeça- vam) e trilha sonora sem- pre inspirada — tocou Caetano Veloso e Chico Buarque —, o desfile teve macacões de canutilho verde-água, vestidos de um ombro só com mangas amplas, estampas de cris- tais de Murano e muito te- cido metálico. Vestidos longos, tipo caftans, pre- dominaram. Foi difícil de entender, mas depois de ler o material de divulga- ção ficou quase esclareci- do o que surgiu no fim: flo- res aplicadas sobre segun- da pele formavam uma es- pécie de chita 3D. É a por- ção volta às origens — úl- timo grito — da Alessa. — O verão sempre traz uma nostalgia, e grandes objetos também. A coleção é toda inspirada em objetos de decoração que tenho em

O que vem aí para a moda do verão 2012

Desfiles em cinco armazéns do Píer Mauá mostram o que estará nas lojas no ano que vem

Píer Mauá mostram o que estará nas lojas no ano que vem ENFEITES de cabeça de

ENFEITES

de cabeça

de papel

higiênico e

jornal na

Alessa

MODELO na

passarela de

Melk Z-D

e jornal na Alessa MODELO na passarela de Melk Z-D UM CLIMA Mondrian no macacão da

UM CLIMA

Mondrian

no macacão

da

Acquastudio

casa, que trouxe de via- gens, comprei em antiquá- rios ou leilões. São vasos, espelhos venezianos, por- ta-retratos, quadros com molduras barrocas doura- das e prateadas — explicou a estilista. — Relíquias são tesouros que guardo comi- go. Mesmo que os objetos não sejam brasileiros, eles trazem o contemporâneo para o país. Na sequência se apresen- taram Acquastudio, Melk Z- Da e Patachou. A Acquastu- dio, assim como a Alessa, pôs na cabeça das modelos “fascinators” (enfeite para cabelos), do tipo visto en- tre as convidadas do casa-

mento real de William e Ka- te. Os enfeites da Alessa fo- ram feitos com rolo de pa- pel higiênico e jornal).

O verde-água também

apareceu na passarela da Acquastudio, que trouxe vestidos com quadrados de tecidos sobrepostos, em alusão ao cubismo. O ator

Rafael Zulu, o Adriano No- vaes de "Ti-ti-ti", estava na primeira fila:

— Eu não era muito liga-

do em moda, mas precisei me antenar por causa do meu personagem na nove- la, que era um crítico de moda. Hoje, confesso que gosto, porque descobri que a moda é para todo

mundo. Não é uma coisa de mulher, como muitos pensam — declarou. A 2nd Floor, marca mais

experimental da Ellus, fe- chou a segunda-feira com estampas florais e inspira- ções na Grécia. No fim do dia, fez festa na boate 00. A marca, que desfilava em São Paulo, foi trazida para cá para dar um reforço à agenda, desfalcada por es- tilistas que deixaram de participar do evento. Além da 2nd Floor, veio para o Rio a segunda linha de Ale- xandre Herchcovitch, a Herchcovitch, que desfila- rá na sexta-feira. Mais cedo, no Espaço

Tom Jobim, no Jardim Bo- tânico, houve coletiva de imprensa na qual Paulo Borges, organizador da se- mana de moda, afirmou que a palavra tendência está fora de moda (“Tem a ver com os anos 80 e 90”). A semana começou oficial- mente no domingo, com desfiles de novos talentos no Rio Moda Hype e baile da Orquestra Imperial no píer. Hoje, é dia de as gri- fes Totem, Salinas, Espaço Fashion e OEstúdio se apresentarem.

O GLOBO
O GLOBO

NA INTERNET

a Mais fotos dos desfiles

www.oglobo.globo.com/cultura

Fotos de Fabio Rossi

desfiles www.oglobo.globo.com/cultura Fotos de Fabio Rossi DE por Patricia Veiga Fabio Rossi OLHO Cor do

DE

por Patricia

Veiga

DE por Patricia Veiga Fabio Rossi OLHO Cor do mar ● O verão vai ser azul

Fabio Rossi

OLHO

Cor

do mar

O verão vai ser azul acqua, da cor do mar do Caribe, como neste macacão da Alessa. Refrescante, translúcido, o tom dominou as passarelas na estreia do evento. O brilho, as formas geométricas e as franjas também vão enfeitar as noites da próxima temporada. Reflexos do estilo art déco que volta à cena.

Leitores elegem os mais bem vestidos entre os visitantes

Melina Dalboni

N esta edição do Fashion Rio, o su- plemento Ela, do GLOBO, estará

mais integrado ao público da semana de moda. Foi montada no Píer Mauá, em frente ao Armazém 2, uma capa do caderno com cinco metros de altura por três de largura, onde alguns dos vi- sitantes mais antenados e mais bem vestidos irão po- sar. A proposta, mostrando a tendência no vestir fora das passarelas, é apresen- tar uma moda democrática, na qual todos podem ser modelos: anônimos, estilis-

tas, fotógrafos, estudantes

e especialistas, como Regi-

na Martelli, editora de mo- da da TV Globo. Até sábado, último dia do evento, a consultora de mo- da Ana Maria Andreazza irá eleger os 15 melhores looks do público do Fashion Rio e do Rio-à-Porter. O escolhidos

irão posar dentro capa do Ela, literalmente, para o fotó- grafo Marco Sobral. As fotos serão publicadas diariamen- te no site do GLOBO. —Apessoa tem que ter atitude e conteúdo, mas sem parecer fantasiada. Na- da de carão e fashion victim — explica Ana Maria sobre

a seleção. — Vi no primeiro

dia muita gente com batom

vermelho, bota de cano curto e short — diz a pro- dutora. A moda carioca dos fre- quentadores do Fashion Rio também será exibida em ví- deo, assinado pelo videoma- ker Pedro Palmeira, no site do GLOBO a partir de hoje. Os leitores poderão votar nos melhores trajes de cada dia. Os eleitos serão anuncia- dos no sábado, numa fotoga- leria especial.

TOTEM com capa do caderno Ela: Regina Martelli foi conferir

Marco Sobral

do caderno Ela: Regina Martelli foi conferir Marco Sobral Marcelo Piu Pausa sem preconceito ● As

Marcelo Piu

Pausa sem preconceito ● As drag queens Núbia Pinheiro (de dourado) e ´ Danny D

Pausa sem preconceito

As drag queens Núbia Pinheiro (de dourado) e

´

Danny D Avalon, ativistas da campanha Rio Sem Homofobia, vão circular durante a semana de moda com um broche nas cores do arco-íris para divulgar o projeto. A cada dia, um novo figurino. Ontem, elas descansaram por uns instantes em uma das redes que foram instaladas de frente para a Baía de Guanabara.

Ontem, elas descansaram por uns instantes em uma das re des que foram instaladas de frente

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RIO

O GLOBO

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

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Mais transparência para metas da prefeitura

RCV diz que emenda aprovada pela Câmara trará ganhos à cidade e estimulará governos mais objetivos

ganhos à cidade e estimulará governos mais objetivos ● Em 2008, o Rio Como Va mos

Em 2008, o Rio Como Va mos reuniu os então candidatos à prefeitura para assinar um compromisso: enviar à Câma- ra projeto de emenda à Lei Or- gânica tornando obrigatória a apresentação de plano com as metas do governo e relatórios de desempenho a cada seis meses. Também sugeriu que o eleito já seguisse este modelo

de gestão. No início deste mês,

a emenda foi finalmente apro-

vada pelo Legislativo, o que para o RCV trará ganhos à ci- dade por estimular governos mais objetivos e transparen- tes e dar continuidade à práti- ca que, cumprindo o acordo firmado, já é adotada pelo pre- feito Eduardo Paes.

Prefeitura diz que 83% de suas metas foram atingidas Vereador que assinou a au- toria do projeto de emenda aprovado na Câmara, Paulo Messina (PV) diz que, a partir das próximas eleições, os can- didatos deverão mostrar mais responsabilidade com suas promessas. As metas do eleito deverão estar, por força da no- va lei, alinhadas às propostas apresentadas no processo eleitoral. E parlamentares e população terão, na legisla- ção, mecanismo para exigir o cumprimento das promessas.

OS NÚMEROS DA CIDADE

BALANÇO DAS METAS ESTIPULADAS PELA PREFEITURA PARA 2010 POPULAÇÃO 2000 2010 Metas integralmente cumpridas 15,04
BALANÇO DAS METAS ESTIPULADAS
PELA PREFEITURA PARA 2010
POPULAÇÃO
2000
2010
Metas integralmente cumpridas
15,04
0 a 9
12,02
83%
16,18
10
a 19
13%
14,73
Parcialmente
16,90
cumpridas
Não cumpridas 4%
20
a 29
16,77
NÚMEROS
DOS ACORDOS DE RESULTADOS
15,44
2010
2011
30
a 39
Metas propostas
77
150
15,71
Órgãos envolvidos
19
39
Servidores públicos
envolvidos no acordo
73,3%
82,2%
13,99
(% do total)
(% do total)
40
a 49
13,87
ÁREA DE PLANEJAMENTO 4
(BARRA/JACAREPAGUÁ)
9,61
População
Popula
Crescimento
50
a 59
da população
12,02
(2000-2010)
Jacarepaguá
Jacarepaguá
572.617
572.6
21,92%
Barra da Tijuca
Barra da Tijuca
300.823
300.8
72,54%
12,83
60
ou mais
Cidade de Deus
36.515
-3,95%
14,89
Total
909.955
33,41%

Fontes: Censo 2010/IBGE, Balanço do Acordo de Resultados 2010/PCRJ, Plano Estratégico da Cidade

Elaboração: Rio Como Vamos

Depois de lançar seu plano estratégico em 2009, Paes fir- mou em 2010 o Acordo de Re- sultados, com 77 metas para aquele ano. O balanço foi divul- gado este mês: 83% foram atin- gidas. Os bons desempenhos garantirão bônus salariais aos servidores. Para 2011, o núme- ro de metas dobrou. Há planos

para melhorar os indicadores sociais e de qualidade de vida das comunidades recém-pacifi- cadas de Alemão, Penha e ad- jacências, elaborado pela pre- feitura em parceria com o RCV. — O desafio agora é que o carioca se aproprie deste me- canismo e cobre. Atingir me-

tas certamente resultará na melhoria da qualidade de vida na cidade — diz a presidente do Conselho Deliberativo do RCV, Celina Carpi. Para o professor Armando Cunha, coordenador da Pós- Graduação em Gestão Pública da Escola de Administração Pública da Fundação Getúlio

RCV monitora 13 áreas

RCV monitora 13 áreas

O Rio Como Va mos (RCV) monitora o desempenho da administração pública em 13 áreas: saúde; transporte; educação; segurança públi- ca e violência; pobreza e de- sigualdade social; meio am- biente; lazer e esporte; habi- tação e saneamento básico; inclusão digital; trabalho, emprego e renda; cultura; vereadores; e orçamento. Os resultados saem mensal-

mente no GLOBO e no site do jornal. O RCV é apartidá- rio e tem o apoio de Feco- mércio, Firjan, Associação Comercial, Synergos, Obser- vatório de Favelas, Iser, Ce- daps, CDI, Idac, Ethos, Ban- co Real, Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Santander, Grupo Libra,Uni- cef e Fundação Avina, Light, Metrô Rio, CHL, UTE Norte Fluminense e KPMG.

Va rg as, neste processo, o mais importante é a possibilidade de o gestor público compro- meter-se com a sociedade a cumprir os objetivos estabele- cidos por seu governo:

— Não se consegue melho- rar a gestão pública sem trans- parência, e com a possibilida- de de a população cobrar. O gestor público tem a obriga- ção de prestar contas.

Censo mostra que Zona Oeste precisa de atenção Para os futuros governos, o Rio Como Va mos aler ta que os próximos planos estratégicos deverão estar alinhados tam- bém com a nova realidade do município revelada pelo Cen- so 2010 e com o Plano Diretor da Cidade, sancionado em fe- vereiro deste ano. Os dados já divulgados pelo IBGE mos- tram, por exemplo, o aumento percentual da população ido- sa. Dos 6,320 milhões de cario- cas recenseados em 2010, 14,9% têm 60 anos ou mais, o que representa 940 mil pes- soas. Em 2000, eram 751 mil. Isso aponta para a maior aten- ção das políticas públicas pa-

ra este segmento. No plano estratégico da atual gestão, esta população é cober- ta, entre outros, pelo Programa de Atendimento ao Idoso (Pa- di), que tem por objetivo levar assistência (médico, fisiotera- peuta, nutricionista, psicólogo) aos pacientes em casa, evitando internações. A meta é chegar ao fim do governo, em 2012, com 36 mil atendimentos por ano. O objetivo de 2010 — alcançar 15 mil atendimentos/ano—, foi su- perado. Outro dado já revelado pelo Censo mostra que os próxi- mos planos estratégicos preci- sarão dar especial atenção pa- ra a Área de Planejamento for- mada pelas regiões de Barra, Jacarepaguá e Cidade de Deus, que somam quase 910 mil ha- bitantes. De 2000 a 2010, elas tiveram o maior crescimento populacional da cidade, 33%. Só a população da Barra cres- ceu 72% na década.

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O GLOBO
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OPINIÃO
Qual é a sua opinião
sobre a prestação de contas da
prefeitura?

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Ciclovia da Urca também tem percurso acidentado

Operários responsáveis pela implantação de 1,2km de pista não são vistos há três semanas

Selma Schmidt

Da Zona Oeste para a Zona

Sul, o projeto Rio Capital da Bi- cicleta também encontra pro- blemas de percurso na Urca. Com a via praticamente pronta,

a implantação de 1,2 quilôme-

tro de ciclovia no meio da Ave- nida Pasteur aparentemente está paralisada. Segundo pes- soas que trabalham e moram na avenida, apesar das placas indicando que se trata de uma obra da empresa Ponta do Céu, nenhum operário é visto há cerca de três semanas. Telas de proteção derrubadas, fradi- nhos tombados, mas ainda não recolhidos e resto de material são alguns sinais de que o ser- viço foi interrompido. Na manhã de sexta-feira e na tarde de ontem, equipes do GLOBO não encontraram operários na obra da Urca. Se- gundo a Secretaria municipal de Meio Ambiente, a ciclovia da Urca custará R$ 350 mil. O órgão nega que a obra esteja parada. Por e-mail, a secreta- ria informou que “as obras de construção do pavimento fo- ram concluídas e, neste mo- mento, passam por uma revi- são para identificar possíveis correções.” Ainda de acordo com o órgão, “assim que for concluída essa vistoria, co- meça o processo de sinaliza- ção vertical e horizontal para que a ciclovia seja entregue à população.”

Avenida Pasteur perdeu estacionamento A nova ciclovia está sendo construída num trecho da Ave- nida Pasteur que era utilizado como estacionamento do Rio Rotativo. Com a obra, as cerca de 200 vagas regulamentadas no calçadão central da aveni- da não podem ser usadas. A agente de viagens Raquel Ha- vas foi surpreendida, ontem à tarde, quando precisou ir uma clínica na Pasteur e não teve alternativa senão parar o car- ro na Praia Vermelha:

— Sempre estacionei na

área do Rio Rotativo no cal- çadão — disse Raquel. Regiana Ribeiro, coordena- dora de cursos do Ateliê da

Imagem, localizado na Aveni- da Pasteur, engrossou o coro dos queixosos:

— Esta ciclovia só trouxe

transtornos. Ficamos sem lu-

gar para estacionar.

— E a ciclovia acaba num

ponto usado por taxistas (em frente à Rua Osório de Almei- da, próxima à Praia Vermelha) — acrescentou o coordenador administrativo do Ateliê, Rob- son Cardoso. — Portanto, não liga nada a nada.

Associação reclama de falta de informações Apesar de ressaltar que é uma defensora das bicicletas, a presidente da Associação de Moradores da Urca, Celinéia Paradela Ferreira, reclamou

do projeto e da falta de infor- mações:

— A gente não sabe por que pararam a obra. Não somos in- formados de nada. Ninguém dá satisfação. Celinéia questionou se o lo- cal escolhido para a ciclovia da Urca é indicado:

— É preocupante ver que os

ônibus de turismo continuam estacionando na Avenida Pas- teur. Antes, eles ocupavam va- gas do Rio Rotativo. Agora, es- tacionam numa faixa da via. Em alguns horários, sobra só uma faixa para a circulação dos veículos que saem da Urca em direção a Botafogo. A Urca tem poucas vagas e uma popu- lação flutuante enorme. Há os estudantes da UniRio, da UFRJ, do IME. Sem falar nos montanhistas e nos turistas. De acordo com a Secreta- ria municipal de Meio Am- biente, o traçado da ciclovia permitirá sua integração com a Ciclovia Mané Garri- cha (de Botafogo). Repórte- res do GLOBO não consegui- ram contato, desde sexta-fei- ra, com os telefones da cons- trutora que estão nas placas da obra e na internet.

Marcelo Carnaval

nas placas da obra e na internet. ■ Marcelo Carnaval A CICLOVIA em obras na Avenida

A CICLOVIA em obras na Avenida Pasteur, na Urca: a aparência é que os trabalhos foram abandonados

Zona Oeste: correções até 12 de junho

Vereadora encaminha hoje requerimento de informações

.

A Secretaria municipal de Meio Ambiente (Smac) disse ontem que a prefeitura deu um prazo até o dia 12 de junho para que a cons- trutora Andrade Gutierrez corrija todas as fa- lhas identificadas na ciclovia da Zona Oeste. Apesar de a ciclovia ter sido inaugurada no domingo, dia 22, na semana passada o enge- nheiro do Crea Abílio Borges encontrou racha- duras, obstáculos (orelhões e postes) e pila- res de passarelas com problemas estruturais, entre outras falhas. A Andrade Gutierrez con- firmou que as correções serão feitas até o dia 12 de junho, sem custos adicionais para a pre- feitura, que pagou quase R$ 20 milhões pela obra de implantação de 22 quilômetros de ci- clovia e serviços de urbanização. Através de e-mail, a secretaria informou que “equipes de fiscalização da Smac come- çaram um trabalho minucioso para identifi- car todos os danos e falhas da obra.” Ainda

segundo a Smac “esse levantamento se es- tende pelos próximos dias, mas os proble- mas já identificados começam a ser repara- dos imediatamente.” Já na Câmara, a vereadora Teresa Bergher, líder do PSDB, anunciou ontem que encami- nhará hoje um requerimento de informa- ções à Smac:

— É preciso esclarecer, por exemplo, se as obras foram precedidas de elaboração de projetos básico e executivo. Queremos ain- da que discriminem os equipamentos públi- cos instalados e como eles foram recebidos. Pediremos também o detalhamento do orça- mento e do custo da obra. Ainda no Legislativo, o vereador Eliomar Coelho (Psol) começou ontem a correr atrás das 17 assinaturas necessárias, para que possa ser votado seu requerimento pedindo a instau- ração de uma CPI da ciclovia da Zona Oeste.

Quatro terminais rodoviários vão ser terceirizados

Projeto inclui pontos da Central do Brasil e o Menezes Cortes

Ruben Berta

A Companhia de Desenvolvi- mento Rodoviário e Terminais (Coderte) lançou no Diário Oficial de ontem a licitação pa- ra a concessão à iniciativa pri- vada por 25 anos dos termi- nais Américo Fontenelle (Cen- tral do Brasil); Menezes Cor- tes; Nilópolis e Nova Iguaçu. O custo estimado da licitação é de R$ 550 milhões e os enve- lopes com as propostas serão abertos no dia 14 de julho. De acordo com a Coderte, a ini- ciativa segue a mesma linha de terceirização implantada na Rodoviária Novo Rio. O projeto inclui a reconstru- ção do Américo Fontenelle e a reforma do terminal de Nova Iguaçu. Segundo a Coderte, com o programa de concessão à iniciativa privada, as quatro unidades contempladas pas- sarão a ser climatizadas e in- formatizadas. Outros benefí- cios serão o monitoramento de segurança através de pai- néis eletrônicos; e controle in- formatizado, em tempo real, da movimentação de passagei- ros. O diretor técnico do ór- gão, Ricardo Édler, responsá- vel pelos estudos e projetos, informou que o Américo Fon- tenelle, localizado na Central do Brasil, receberá tratamento prioritário. Antiga aspiração da Coder- te, a concessão dos seus ter- minais rodoviários foi anun- ciada pela primeira vez em ju- lho de 2007, quando o secretá- rio estadual de Transportes, Julio Lopes, em audiência pú- blica deu início ao processo li- citatório de terceirização da administração e da operação das rodoviárias. O órgão cum- priu uma série de determina- ções do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e da Procurado- ria Geral do Estado até chegar no modelo de edital lançado ontem.

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

O GLOBO

RIO

15

Te rça-feira, 31 de maio de 2011 O GLOBO RIO ● 15 RIO 2016 Laboratório antidoping

RIO 2016

rça-feira, 31 de maio de 2011 O GLOBO RIO ● 15 RIO 2016 Laboratório antidoping terá

Laboratório antidoping terá novas instalações

Secretário do Ministério do Esporte diz que modernização é necessária para atender à demanda das Olimpíadas

Victor Costa

O único laboratório de con- trole de doping do Brasil não tem capacidade de atender à demanda de uma olimpíada. O secretário nacional de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, afir- mou ontem, durante o terceiro seminário Rio Cidade Sede, que o laboratório será instala- do em outro local e os equipa- mentos, modernizados. No en- tanto, ainda não se sabe quan- do nem onde isso será feito. O Rio Cidade Sede, evento pro-

movido pelo GLOBO e pelo jornal “Extra”, foi realizado na Bolsa de Va lores, com o obje- tivo de discutir a preparação do Rio para os Jogos de 2016. Localizado no Instituto de Química (IQ) da UFRJ, no Fun- dão, o Ladetec é o responsável por todos os exames de do- ping realizados no país. Apro- ximadamente cinco mil testes — de competições nacionais e internacionais — são feitos no local anualmente.

— Neste novo momento,

precisamos rever a nossa po- lítica de controle de dopagem. Para isso, temos que unir ciên- cia e tecnologia. Daremos um grande passo com as Olimpía- das — disse Leyser. A grande questão do mo- mento é para onde o laborató- rio será levado. Segundo Ley- ser, existe a possibilidade de se construir um prédio. Mas tam- bém poderão ser aproveitadas instalações já existentes.

Médico: faltam equipamentos específicos Especializado em controle de doping, o médico Eduardo de Rose acredita que o labora- tório atende às demandas atuais, mas está longe de po- der realizar todos os exames de uma olimpíada. Para ele, faltam treinamento de pes- soal, espaço físico e alguns equipamentos específicos:

— Para os Jogos de Londres, está prevista uma média de cinco mil exames. Ou seja, o la- boratório realizará durante as Olimpíadas o mesmo número de exames que fazemos em um ano. Além de um espaço maior

para abrigar a equipe, ainda fal- ta um equipamento capaz de identificar testosterona ingeri- da irregularmente. Marcos Vinicius Freire, que faz parte da comissão de atle- tas da Agência Mundial Anti- dopagem (Wada, na sigla em inglês), também acha que o la- boratório no IQ atende à de- manda de hoje, mas que, para as Olimpíadas, é preciso haver instalações de outro padrão:

— Para os Jogos, precisa-

mos de uma estrutura de alto nível, com os melhores equi- pamentos do mundo. Um labo- ratório com esse status é mais um legado importante para o Rio de Janeiro. Em 2007, o laboratório foi res- ponsável pela realização das análises de controle de dopa- gem dos Jogos Pan-Americanos, por exemplo. O Ladetec tam- bém é credenciado pela Anvisa para fazer análises de toxicolo- gia forense e, pelo Ministério da Agricultura, para testes de resí- duos químicos em animais.

O GLOBO
O GLOBO

NA INTERNET

a Confira o ambiente especial do site do GLOBO sobre a Rio 2016

oglobo.com.br/rio/rio2016/

Gabriel de Paiva

sobre a Rio 2016 oglobo.com.br/rio/rio2016/ Gabriel de Paiva PARTICIPANTES do seminário Rio Cidade Sede debatem, no

PARTICIPANTES

do seminário Rio Cidade Sede debatem, no prédio da Bolsa de Valores, as medidas a serem adotadas para a cidade se preparar melhor para as Olimpíadas de 2016

Uma cidade para ficar no imaginário

Embratur quer pôr o Rio, até 2020, entre as 5 metrópoles mais desejadas por turistas

Isabela Bastos e Ludmilla de Lima

Os Jogos Olímpicos de 2016 prometem levar o Rio ao nível de Paris e Nova York no quesito turismo internacional. O presi- dente da Embratur, Mário Moysés, disse ontem que a cidade tem condições de ser incluída, nos próximos nove anos, no se- leto grupo das cinco metrópoles mais de- sejadas como destino turístico no mundo, se souber aproveitar as oportunidades que se abrirão com os Jogos e também com a Copa do Mundo de 2014. Durante o seminário Rio Cidade Sede, Moysés afir- mou que a expectativa é que o Rio receba pelo menos 380 mil turistas estrangeiros a mais somente no mês das Olimpíadas. Já durante a Copa do Mundo, a estimativa é que as cidades-sede recebam 600 mil vi- sitantes a mais. — Desde que a cidade foi escolhida se- de dos Jogos Olímpicos, houve um au- mento na vontade de visitar o Rio. A prova imediata disso é que companhias aéreas que haviam interrompido rotas para a ci- dade, num passado relativamente recente, como Alitalia e Lufthansa, voltaram a abrir voos. A Emirates também anunciou voos para a cidade e a Air France pretende ex- pandir os dela, assim como companhias da América do Sul — disse Moysés. Além de pôr a cidade no imaginário in- ternacional, a Embratur quer, com a pro- jeção dos eventos esportivos, ajudar a du- plicar, até 2020, o número de visitantes es- trangeiros que viajam ao Rio. A média atual, de acordo com Moysés, é de 1,4 mi- lhão de turistas internacionais ao ano na cidade e o objetivo é chegar a 3,3 milhões. Em todo país, o plano é elevar o patamar de visitação de cinco milhões para dez mi- lhões ao ano até 2020. — Temos que colocar na cabeça das pessoas que elas precisam visitar o Rio pelo menos uma vez na vida. Devemos aproveitar as belezas naturais, a cultura e a música. Mas temos que saber usar nos- so bom momento econômico, as conquis- tas na segurança e criar uma imagem mo- derna do Brasil — declarou. A Embratur pretende explorar a supe- rexposição que o Rio deverá ter no cená-

Gabriel de Paiva

que o Rio deverá ter no cená- Gabriel de Paiva MÁRIO MOYSÉS, presidente da Embratur: “Houve

MÁRIO MOYSÉS, presidente da Embratur: “Houve um aumento na vontade de visitar o Rio”

rio internacional, sobretudo após os Jogos de 2012 em Londres. A entidade anunciou que pretende organizar viagens para que jornalistas estrangeiros conheçam os in- vestimentos públicos e privados em in- fraestrutura de transportes, serviços, ho- telaria e segurança. Segundo Moysés, no caso da segurança, a proposta é mostrar ao potencial turista estrangeiro as trans- formações sociais que já estão sendo ope- radas, por exemplo, com UPPs:

— A ideia é mostrar o trabalho articu- lado, que envolve decisão política e co- laboração estreita dos governos; o traba- lho policial planejado, os investimentos na transformação das comunidades. Já vimos falando disso em eventos interna- cionais e os resultados estão aparecen- do. Uma pesquisa do World Economic Fo - rum, que analisa indicadores de compe- titividade do turismo, mostra que a per- cepção de segurança melhorou. O presidente da Embratur acrescentou que o Rio precisará ainda ampliar seu le- que de acomodações se quiser alcançar o posto entre as cinco cidades top of mind. Além da ampliação da rede hoteleira tra- dicional, será preciso investir em hospe- dagem de alto luxo e em albergues e es-

tabelecimentos bed & breakfast:

— Precisaremos também fazer um

trabalho de captação de eventos de tu- rismo de negócios.

A entidade espera, com os eventos es-

portivos, triplicar a receita gerada pelo tu-

rismo internacional. De acordo com a Em-

bratur, os visitantes geram uma receita de US$ 6 bilhões ao ano, número que já vem crescendo. De 2009 para 2010, o aumento de receita foi de 11,5%, segundo a Embra- tur. Já nos quatro primeiros meses de 2011, o crescimento foi de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.

O secretário estadual de Turismo, Ro-

nald Ázaro, destacou que a cidade já vi-

ve um momento excepcional no setor, em decorrência da série de eventos in- ternacionais anunciados a reboque da Copa e das Olimpíadas:

— Não há mais baixa temporada. Para

nós, as Olimpíadas já começaram — disse ele, lembrando que o Rio ainda disputa, com Belo Horizonte, o encontro mundial

dos jovens católicos em 2013, com a vinda do Papa Bento XVI.

O evento, o maior da Igreja, é realizado

a cada dois anos e a escolha vai ser anun- ciada em 21 de agosto, em Madri.

Entrosamento entre ministério e clubes é falho

Falta planejamento de longo prazo, na opinião de dirigente

Victor Costa

Apesar do clima descontraí- do, o seminário expôs ontem a falta de comunicação entre o Ministério do Esporte, o Comitê Olímpico Brasileiro e os clubes,

que são os principais formado- res de atletas no Brasil. A prin- cipal queixa é a falta de um pla- nejamento que seja desenvolvi- do com participação tanto dos clubes como do poder público. Sérgio Coelho, presidente do Minas Tênis Clube, um dos mais importante do país, dei- xou clara a sua insatisfação. Para ele, a falta de investimen- to prejudicou o desenvolvi- mento do esporte no Brasil.

— Até recentemente, nunca

tínhamos recebido auxílio finan- ceiro. Nenhuma autoridade se sentou com a gente para discu- tir um planejamento de longo prazo para nossos atletas.

Meta é colocar o país entre os dez maiores medalhistas Pouco antes, o secretário na- cional de Alto Rendimento, Ri- cardo Leyser, apresentara al- guns programas de incentivo para transformar o Brasil numa potência olímpica. Com um

planejamento de longo prazo, a meta é o país ficar entre os dez maiores medalhistas.

— Temos que aproveitar

2016 como um ponto de parti-

da. Não podemos desperdiçar essa chance — disse Leyser. No entanto, Coelho não acredita que esse resultado apareça até as Olimpíadas:

— É preciso mudar muitas

coisas. É difícil pensar em lon- go prazo quando, na maioria

dos clubes, há eleições a cada dois anos.

muitas coisas. É difícil pensar em lon- go prazo quando, na maioria dos clubes, há eleições

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RIO

O GLOBO

3ª edição • Te rça-feira, 31 de maio de 2011

.

Don Juan

Nessa sua recente visita ao Rio, o ator Antonio Banderas retomou a conversa com o di- retor Bruno Barreto sobre um antigo projeto. Os dois pretendem filmar, ano que vem, uma versão irreveren- te do mulherengo “Don Juan”.

Leão nas escolas

Chamou a atenção do eco- nomista José Roberto Afonso, especialista em contas públi- cas, um dado sobre esse re- corde da arrecadação federal no primeiro quadrimestre. Em comparação com o mesmo período de 2010, o item educação recolheu 88% a mais de impostos.

De mulher pra mulher

Dilma fez, digamos, um den- go em Ana de Hollanda ao le- var a ministra em sua comiti- va para o Uruguai.

Melhor assim

Aécio Neves tem circulado pela noite de Brasília com motorista a tiracolo.

Boa forma

O senador Lindberg Farias,

41 anos, participou, domingo, em Florianópolis, da edição 2011 do Ironman Brasil. Lindinho fez em 11h50m a prova que inclui 3,8km de na- tação, 180km de bicicleta e 42km de corrida.

Contra os gays

O telepastor Silas Malafaia

promete levar umas 30 mil pes- soas para o protesto de amanhã, em Brasília, contra o projeto de lei 122, que transforma em crime discriminar homossexuais.

Homens de barro

A Editora José Olympio manda em breve para as livra- rias “Os homens de barro”, de Ariano Suassuna. Trata-se de uma peça de apenas um ato, inédita em li- vro. O cenário é Lajeados da Pedra do Reino.

ANCELMO

GOIS

ANCELMO GOIS oglobo.com.br/ancelmo

oglobo.com.br/ancelmo

Divulgação

Divulgação A FAV ELA NOVA Holanda, uma das principais comunidades do Complexo da Maré, no Rio,

A FAVELA NOVA Holanda, uma das principais comunidades do Complexo da Maré, no Rio, recebeu ontem uma ganhadora de dois Oscars. É a senhora de branco na foto, a inglesa Emma Thompson, 52 anos, que, em ano sabático, está incógnita ao Brasil em seu trabalho voluntário como embaixadora da ActionAid, ONG de combate à pobreza presente em 50 países. A atriz veio conhecer o trabalho social desenvolvido numa favela ainda à espera da liber tação do poder dos traficantes. Tr ouxe o marido e a filha de 11 anos

(veja a menina, com camiseta de Che Guevara, abraçada à mãe na foto em que aparece ainda Adriano Campolina, coordenador da ActionAid no Brasil). Com 16 comunidades e cerca de 132 mil habitantes, a Maré começa nas franjas da Linha Ve rmelha e da Av enida Brasil (bem per to do Aeropor to To m Jobim), e se estende por diversos bairros da cidade. Sua pacificação é uma agenda carioca a cada dia mais urgente

‘Vivir bien’

No Rio, o aluguel de imó- veis anda pela hora da morte. Mas veja como a crise cor- roeu o mercado argentino. Em Buenos Aires, o m² de escritórios de luxo em locais nobres, como Puerto Madero, vale uns R$ 45 por mês, segun- do estudo do grupo Binswan- ger, feito em maio.

Já aqui

O mesmo estudo aponta que o m² de escritório em local vip no Rio custa quase o dobro. Na média, sai por R$ 100, no Centro, e R$ 80, na Barra.

Ivete canta Noel

Ivete Sangalo, que faz turnê por Portugal, trocará seu trio elétrico pelo palco do Teatro Municipal do Rio e, pela primei- ra vez, interpretará Noel Rosa. Será no Prêmio da Música Brasileira, dia 6 de julho. Depois de cantar “Palpite infeliz”, irá em seu jatinho para Santa Catarina fazer show na mesma noite.

ZONA FRANCA

Quem canta no Scala dia 11 é o

tenor Fernando e não Pedro Portari. Falha nossa.

A coluna identificou erradamente

o cineasta Duto Sperry como embaixador da Unesco.

Adolfo Osório festeja aniversário

sexta-feira, em Itaúna.

Amanhã, a MultiRio estreia mais uma faixa no canal 14 da Net, das 19h às 21h.

City Shoes faz 15 anos e ganha

segundo Selo Excelência em Franquia.

A pousada Les Roches, em Itaipa-

va, é uma das 19 indicações no Brasil da “National Geographic Tr aveler ”.

O designer Jair de Souza assina a expografia da mostra que abre o FotoRio 2011, hoje, no CCBB.

A PressCell, dirigida por Rodrigo Faro, oferece o Siga-me.

Mestre Zu, 80 anos

Amanhã, a ABI entrega ao jornalista Zue- nir Ventura uma placa que celebra seus 80 anos e sua “dedicação à

imprensa e ao interesse público”. Eu apoio.

Obras na serra

Dilma e Cabral anunciam sexta agora, no Palácio Guana- bara, um pacote de obras para a Região Serrana do Rio. Coisa de mais de R$ 500 milhões. Antes, vão a Angra lançar uma plataforma ao mar e al- moçam juntos.

a Angra lançar uma plataforma ao mar e al- moçam juntos. Revitalizando o Porto Veja como

Revitalizando o Porto

Veja como rende fr utos o projeto de Eduardo Paes de re- vitalização do Centro do Rio, incluindo a região do Porto. De janeiro a abril, cresceu 45 vezes o número de licenças pa- ra novas construções na área, em relação ao mesmo período do ano passado.

Orquestra jovem

O VI RioHarpFestival acaba

hoje, na Antiga Sé, no Rio, com o lançamento da Orquestra Jovem Música no Museu, regida pelo

maestro Anderson Alves. A har- pista Dharana Marun vai solar.

Apaga isso

Ontem, véspera do Dia Mundial contra o Fumo, por

volta de 9h, no ponto final da linha 463 (São Cristóvão-Co- pacabana), no Rio, a trocado-

ra estava impaciente. É que ninguém conseguia em- barcar: uma moça, a primeira da

fila, não queria entrar antes de

cof, cof

acabar seu cigarrinho.

ILEGAL.

E D A Í ?

Vinicius Lisboa

Sem teto, mas com jardim

Quatro homens ocupam calçada no Humaitá, vendem bugigangas e improvisam cercadinho

ca ter sabido de alguém agredido pelo grupo. No

entanto, ele afirmou que se sente incomodado com a ocupação da cal- çada.

— A gente passa tarde

da noite e, às vezes, há gente ali fazendo alga- zarra — afirmou Jorge.

Inspetor do Colégio Paula Barros, que fica na Rua Miguel Pereira, Pe- dro Costa defendeu o grupo.

— Eles bebem, brigam,

mas nunca fizeram nada de mal a qualquer aluno aqui da escola. O canteiro que eles fizeram ficou até bonitinho — brincou. Alguns moradores afir- maram que os quatro ho- mens dormem no local, inclusive dentro do cer- cadinho. Outros, no en- tanto, não confirmam es- sa versão, que é negada pelos quatro homens. — Só dormimos aqui quando não temos di-

nheiro para voltar para casa. Eu volto para o Ca- tete todos os dias — disse um deles, visivelmente embriagado.

A “loja” deles, no Hu- maitá, não tem teto nem paredes, mas conta com jardim. Quatro homens ocuparam um trecho da calçada da Rua Humaitá, próximo à Miguel Perei- ra, onde vendem bugi- gangas expostas no chão. Além disso, se apropriaram de um can- teiro, onde fizeram um cercadinho com estacas de madeira pintadas de azul e cultivam suas pró- prias plantas. Os homens negam ser moradores de rua, embora há quem afirme que eles também dormem no local. As mercadorias vendi- das são catadas no lixo ou recebidas como doa- ções. Ontem, por exem- plo, havia revistas, livros, sapatos, uma boneca, plantas e verduras. Agen- tes da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) passaram pelo lugar e

apreenderam os produ- tos. O cercadinho criado no cantei- ro, no entanto, não foi tocado. Um dos homens diz que usa o lu- gar como ponto de venda há 12 anos. Há três anos, o grupo come- çou a cultivar suas próprias plantas no canteiro. E o cercadinho foi cria-

Paulo Nicolella

no canteiro. E o cercadinho foi cria- Paulo Nicolella A CALÇADA OCUPADA na Rua Humaitá e

A CALÇADA OCUPADA na Rua Humaitá e o cercadinho criado pelos quatro homens num canteiro: moradores reclamam de algazarra no local

do há menos de um ano. O preço cobrado pelos produ- tos é baixo. Embriagados, os qua- tro homens conversam animados, comem no local e cuidam das suas plantas, tudo isso na calçada em frente a um antigo pensionato da

PUC, cedido à Associação de Edu- cação Familiar e Social. Uma mulher que trabalha na re- gião conta que os quatro homens nunca fizeram nada contra os pe- destres. Para ela, eles são uma ameaça apenas para si próprios.

— Eles bebem muito e sempre es- tão brigando. Às vezes, saem todos no tapa ao mesmo tempo e a calça- da vira uma confusão — contou ela, sem se identificar. Morador da Rua Miguel Pereira, Jorge Souza, de 58 anos, disse nun-

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NOTAS

AULA COM MÚSICA

Mil e quinhentos alunos da rede municipal de Belo Ho- rizonte assistirão hoje, no Teatro Topázio, a uma “Au - la espetáculo” com a educa- dora e cantora Elzelina Dó- ris. O evento é parte do pro- grama Floração, parceria da prefeitura local com a Fun- dação Roberto Marinho.

DESEMBARGADOR DO TJ

Foi promovido a desem- bargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), por merecimento, o juiz Fer- nando Cerqueira Chagas, titular da Va ra de Regis - tros Públicos da capital. A posse aconteceu ontem.

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

Te rça-feira, 31 de maio de 2011

O

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GLOBO

GLOBO

RIO

RIO

17

17

31 de maio de 2011 O O GLOBO GLOBO ● RIO RIO ● 17 17 Fredy
Fredy Uehara SABRINA SATO, a apresentadora toda-toda, ilumina o Fórum Nacional do Esporte, que reuniu
Fredy Uehara
SABRINA SATO,
a apresentadora
toda-toda,
ilumina o Fórum
Nacional do
Esporte, que
reuniu estrelas
brasileiras de
várias modalidades
em São Paulo.
Sabrina não é
atleta, mas merece
ouro em lindeza