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Revista eletrônica: uma proposta pedagógica para a abordagem de diferentes gêneros discursivos

Dinah Franke Moreira (Professora PDE)1 Dr. Marciano Lopes e Silva (Professor Orientador)2

Resumo:

Este artigo tem por objetivo apresentar uma proposta pedagógica desenvolvida com alunos do 2º ano do Ensino Médio - a produção de uma revista eletrônica - como instrumento de incentivo à leitura e motivação à escrita. Tal proposta se justifica considerando o conceito dos gêneros discursivos (BAHKTIN, 2003, LOPES-ROSSI, 2002) e a importância dos alunos se apropriarem de gêneros jornalísticos, visto que são textos de grande circulação social e com conteúdos da atualidade. Além disso, fazer uso da mídia eletrônica para socializar o saber produzido desmistifica o ato de escrever e democratiza-o. Ao se familiarizar com gêneros argumentativos, como carta de leitor, editorial, artigo de opinião entre outros, o aluno aprende que pode, como cidadão, opinar e interferir nos acontecimentos do mundo social, manifestando publicamente seus pontos de vista.

Palavras-chave: revista eletrônica; gêneros jornalísticos; leitura; produção.

Abstract

This article aims to present an educational project developed by students from 2nd year high school - the production of an electronic journal-like tool to encourage reading and to motivate the writing. This proposal is justified considering the concept of genres (BAHKTIN, 2003, LOPES-ROSSI, 2002) and the importance of students taking ownership of journalistic genres, as they are texts of major social movement and content of today. Also, they can use the electronic media to socialize the knowledge produced demystifies the act of writing and democratize it. By familiarizing yourself with argumentative genres, such as letter reader, editorial, opinion piece and others, students learn that can, as a citizen, judge and interfere in the events of the social world, publicly expressing their views.

Key-words: electronic magazine; journalistic genres, reading; production.

1. Professora da Rede Estadual de Ensino e integrante do Programa de Desenvolvimento Educacional PDE. Contato: dinahfranke@hotmail.com.

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1. INTRODUÇÃO:

Fundamentado na teoria bakhtiniana e no ensino dos gêneros como conteúdo básico de Língua Portuguesa (DCEs, 2008), este artigo propõe apresentar uma proposta pedagógica desenvolvida com alunos do 2º ano do Ensino Médio - a produção de uma revista eletrônica com o intuito maior de abordar diferentes gêneros discursivos e realizar um estudo mais minucioso de alguns gêneros jornalísticos, como notícia, reportagem, entrevista, editorial, carta de leitor e artigo de opinião, visto que são textos que oportunizam a análise da finalidade ideológica da comunicação jornalística no conjunto da comunicação social e retratam assuntos da atualidade. A referida proposta está centrada na leitura, na produção escrita e em especial, no uso da mídia eletrônica como instrumento de aquisição de informações e socialização do saber produzido, já que a internet é uma ferramenta tecnológica com forte capacidade de motivação pelas suas inesgotáveis possibilidades.

Vale salientar que tal proposta proporciona a produção de textos dos mais variados gêneros para um interlocutor real, rompendo com a tradicional concepção de ensino em que se escreve textos na escola para cumprir tarefa, tendo como destinatário o professor.

Fazer uso do ciberespaço para expor as produções dos alunos é expor um trabalho a críticas e elogios, o que faz aumentar a preocupação e a responsabilidade diante da autenticidade e da organização do texto, o que contribui significativamente para o desenvolvimento da capacidade linguística dos mesmos e do “[ ] pensamento organizado, capaz de levar o jovem a uma postura consciente, reflexiva e crítica frente à realidade social em que vive e atua”(CATTANI e AGUIAR, apud ZILBERMAN, 1993, p. 33)

O desenvolvimento das atividades se deu através de uma sequência didática, que consiste num conjunto de atividades organizadas em torno de um gênero (DOLZ, NOVERRAZ e SCHNEWLY, 2004), possibilitando assim ao aluno melhor compreender a especificidade e a funcionalidade desse gênero assim como adequar sua linguagem às diferentes situações de comunicação, tanto da oralidade como a escrita.

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Atualmente exigem-se níveis de leitura e de escrita diferentes das que satisfizeram as demandas escolares há tempos atrás, por isso para as produções dos textos escritos considerou-se o que foi proposto por PRADO, (2002, p. 102):

as condições de produção do gênero escolhido;

as condições de produção do gênero escolhido;

o interlocutor eleito ;

o

interlocutor eleito ;

a utilização de procedimentos para a elaboração do texto;

a

utilização de procedimentos para a elaboração do texto;

o estabelecimento do tema;

o

estabelecimento do tema;

pesquisas realizadas para levantamento de ideias e dados;

pesquisas realizadas para levantamento de ideias e dados;

a utilização de recursos discursivos e linguísticos adequados a cada gênero;

a

utilização de recursos discursivos e linguísticos adequados a cada gênero;

paragrafação;

paragrafação;

pontuação e outros sinais gráficos;

pontuação e outros sinais gráficos;

versão rascunho;

versão rascunho;

revisão colaborativa;

revisão colaborativa;

versão final;

versão final;

Em suma, esta proposta objetiva levar o educando a pensar racionalmente, criativamente e, sobretudo, contribuir para que o mesmo amplie seu discurso e saiba empregá-lo corretamente nas diferentes situações comunicativas, preparando-se assim para atuar como cidadão ativo numa sociedade competitiva e num mundo em constante mutação.

2. CONCEPÇÃO TEÓRICA-METODOLÓGICA

A língua na atualidade é entendida como um instrumento dialógico com o qual o sujeito estabelece comunicação, constrói e desconstrói significados num emaranhado de relações sociais.

Por ser por meio da linguagem que os sujeitos se comunicam, a mesma assume um caráter sócio-interacionista e por “principio anula qualquer pressuposto que tenta referendar o estudo de uma língua isolada do ato interlocutivo”(PCNs,1999, p. 139).

Para Marcuschi (2005), o efeito de sentido produzido pela língua não se dá pelo uso de formas ou pelo conhecimento amplo de morfologia ou de sintaxe, mas pelo emprego adequado da linguagem em cada situação comunicativa. Daí percebe-

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se que o ensino da língua materna não pode estar pautado em normas e regras descontextualizadas, como acontecia no ensino tradicional da gramática, mas que as regras precisam ser ensinadas em práticas pedagógicas que levem o aluno a apropriar-se das articulações da linguagem e a compreender que a língua é fundamentalmente um fenômeno sócio cultural que integra a organização do mundo e a organização da própria vida dos cidadãos.

A concepção de linguagem assumida pelas Diretrizes Curriculares estabelece o discurso como prática social, por isso é de suma importância que nas aulas de Língua Portuguesa o professor elabore um programa de leitura que permita ao aluno entrar em contato com um universo textual amplo e diversificado(KLEIMAN, 2001, p.51).

O diálogo leitor/texto se constitui na medida em que a prática de leitura se efetiva, proporcionando o alargamento de experiências. Lajolo (1997, p. 105) ressalta que a literatura constitui uma modalidade privilegiada de leitura, onde a liberdade e o prazer são virtualmente ilimitados”, mas cumpre lembrar que há muitos outros textos em que isso acontece, inclusive com maior circulação social, como é o caso dos gêneros jornalísticos.

Assim, percebe-se que os textos jornalísticos podem ser significativos para um trabalho pedagógico que aborda a linguagem através do estudo de gêneros discursivos em sua dimensão sócio-histórica, interacionista e ideológica, uma vez que são textos de interesse social e com conteúdos da atualidade.

Numa síntese pode-se dizer que o objeto da esfera jornalística se constitui no horizonte dos acontecimentos, fatos, conhecimentos e opiniões da atualidade, de interesse público. Nesse contexto, sua função sócio-ideológica se caracteriza por fazer circular (interpretar, “traduzir”) periódica e amplamente as informações, conhecimentos e pontos de vista da atualidade e de interesse público, atualizando o nível da informação da sociedade (ou de grupos sociais particulares) (RODRIGUES, 2001, p. 81).

Através da leitura, o aluno torna-se um cidadão proficiente, capaz de compreender-se no mundo e compreender as relações humanas e sociais. Para Silva (1996, p.42):

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Leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento e mais ainda à própria vida do Ser Humano. (O patrimônio simbólico do homem contém uma herança cultural registrada pela escrita. Estar com e no mundo pressupõe, então, atos de criação e recriação direcionados a essa herança [

Na contemporaneidade, frente às necessidades, às atividades sócio-culturais e às inovações tecnológicas, a diversidade de gêneros tanto orais como escritos se expande significativamente, visto que “não são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos” (MARCUSCHI, 2003, p. 19).

Desta forma, parte-se do princípio de que é relevante ao aluno compreender que nos tipos textuais denominados narração, argumentação, descrição, injunção e exposição há uma multiplicidade de gêneros, fruto das relações sociais, para que ele possa ser capaz de adequar sua linguagem, tanto oral como escrita, às características peculiares de cada um. Segundo Lopes-Rossi (2002, p. 22), “esses modos de organização do discurso [narração, argumentação, entre outros] não são em si práticas sócio-discursivas de nossa sociedade, ou seja, não se realizam como formas típicas de enunciados usados nas situações reais da comunicação

Entendendo que a compreensão e a produção não são processos puramente racionais, mas dependem do envolvimento emocional leitor/texto, é de vital importância oportunizar ao aluno conhecer uma diversidade de configurações textuais para que ele possa cada vez mais desenvolver e aperfeiçoar a sua capacidade discursiva e adequá-la às reais situações de uso, sobretudo nas instâncias públicas. Segundo Bakhtin (2003, p.262)

A riqueza e a diversidade dos gêneros são infinitas porque são inesgotáveis as possibilidade da multiforme atividade humana e porque em cada campo dessa atividade é integral o repertório de gêneros do discurso, que cresce e se diferencia à medida que se desenvolve e complexifica um determinado campo.

Oportunizar a produção de uma gama variada de textos e a circulação social dos mesmos é desenvolver habilidades que permitem ao educando tornar-se um cidadão crítico, autônomo, agente de sua história e da sociedade, pois:

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Quanto melhor dominamos os gêneros e tanto mais livremente os empregamos, tanto mais plena e nitidamente descobrimos nossa

refletimos de modo mais flexível a sutil e singular

individualidade, [

situação da comunicação: em suma, realizamos de modo mais acabado o nosso livre projeto de discurso (BAHKTIN, 2003, p. 28).

]

Partindo do pressuposto de que atividades aleatórias ou propostas eventuais não asseguram o domínio da escrita, propusemos a produção de uma revista eletrônica, como uma contribuição significativa para o aperfeiçoamento da capacidade linguística dos alunos, uma vez que proporciona um mergulho prático, participativo e reflexivo no ato de redigir. Vale ressaltar também que não há como ignorar a importância das tecnologias da informação e comunicação (TICs) no âmbito escolar e deixar de usá-las, quando a maioria dos alunos tem acesso à internet e/ou onde muitas escolas possuem laboratório de informática. Acrescenta- se a isso que a participação na elaboração de uma revista, assim vivenciando a experiência de editoração, permite melhor compreender de que maneira as condições de produção influenciam ou determinam o conteúdo e o formato do produto cultural.

Quanto ao uso das tecnologias nas práticas escolares, sabe-se que a internet foi criada entre os anos 60 e 70 e nestas décadas de existência tem sofrido grandes evoluções, tornando-se o que é hoje: um meio rápido e eficaz de informação, pesquisa, comunicação e compartilhamento.

Muitos são os recursos e possibilidades de uso do meio eletrônico no contexto educacional e um dos que podemos destacar são os blogs. A palavra blog é uma abreviatura de weblog, onde web significa teia, tecido no ambiente virtual e log significa diário, registro ou postagem. Os blogs surgiram como um campo virtual livre, onde os internautas denominados “blogueiros” podem postar seus conteúdos organizados de forma cronológica e atualizá-los frequentemente. Esses espaços constituídos na web, conhecidos como sites simples e gratuitos, possibilitam socializar conhecimentos, experiências pessoais e produções escritas. Através dos blogs, os autores expõem suas produções e as sujeitam a críticas e/ou elogios, o que de certa forma serve de estimulo à escrita e reflexão de seus conteúdos. Gomes (2005, p. 312) declara:

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O sucesso dos blogs está muito provavelmente associado ao facto

destes constituírem espaços de publicação na web, facilmente

utilizáveis por internautas sem conhecimentos de construção de

websites, e frequentemente sem custos para os seus criadores

existindo sites que disponibilizam sistemas de criação, gestão e

alojamento gratuito de weblogs

Por caracterizar-se como um espaço aberto, GOMES (2005) acredita que os blogs podem ser considerados instrumentos de grande valia para uso no âmbito escolar, porque possibilitam não só ao professor disponibilizar materiais e informações, mas socializar as produções dos seus alunos, oportunizando aos mesmos postarem seus comentários, críticas e reflexões. Cabe salientar que esse dinamismo pode contribuir para a constituição de um aluno crítico e de um grande leitor virtual. Fazer uso do ciberespaço para socializar o trabalho do professor e do aluno democratiza o processo de ensino-aprendizagem e aproxima o trabalho realizado no interior da escola com a comunidade externa. Ainda na visão de Gomes (2005, p. 313):

A escola e as actividades nela realizadas ficam mais expostas ao escrutínio público, mas também mais próximas das comunidades em que se inserem e abrem-se novas oportunidades para o envolvimento e colaboração de diversos membros dessas comunidades.

Outro aspecto relevante a se considerar quanto à produção textual e ao uso do ciberespaço para a socialização dessas produções é a necessidade de planejamento e organização. Percebe-se, de maneira geral, que ainda não está presente nos alunos a cultura do planejar, do produzir, do refazer e do socializar. As produções realizadas na escola até pouco tempo atrás eram encaminhadas de maneira superficial, mecânica e direta, sem que o professor fornecesse leituras que subsidiassem os escritos dos alunos. Assim, os mesmos valiam-se da criatividade e da imaginação e não de informações ou discursos perante os quais deveriam interagir ou posicionar-se criticamente, atitudes fundamentais para a elaboração de um produto final com qualidade. Igualmente não era trabalhada a organização do pensamento e a compreensão de que para escrever bem é preciso perpassar etapas de aprendizagem e que para isso é imprescindível que um texto seja

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produzido inicialmente na versão rascunho, para depois ser melhorado com ajuda dos colegas e do professor.

O ideal é que se crie, com os alunos, a prática do planejamento, a

prática do rascunho, a prática das revisões, à maneira que a primeira

versão de seus textos tenha sempre um caráter de produção

provisória, e os alunos possam viver, como coisa natural, a

experiência de fazer e refazer seus textos, tantas vezes sejam

necessárias, assim como fazem aqueles que se preocupam com a

qualidade do que escrevem (ANTUNES, 2003, p. 65).

As Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa da Educação Básica no PARANÁ (2008) estabelecem os fundamentos teóricos metodológicos norteadores do currículo alertando para o fato de que as mudanças ocorridas no meio social e as inúmeras relações de discurso que perpassam a sociedade atual exigem do professor uma percepção crítica da realidade e mudanças na sua prática pedagógica. Assim, as aulas de Língua Portuguesa devem propor situações de interlocução que fomentarão atividades não só de produção, mas também de reflexão.

Segundo Azevedo e Tardelli, (2004, p. 45):

Produzir um texto na escola é, pois, realizar uma atividade de elaboração que se apura nas situações interlocutivas criadas em sala de aula; é um trabalho de reflexão individual e coletiva e não um ato mecânico, espontaneísta ou meramente reprodutivo.

Em síntese, pode-se concluir que as práticas pedagógicas para o ensino da língua materna precisam ser significativas e adequadas, capazes de possibilitar ao educando ampliar cada vez mais seus horizontes de leitura e aperfeiçoar sua capacidade de escrita funcional, elementos indispensáveis para a ascensão social e para bem desempenhar o exercício da cidadania.

3. DESENVOLVIMENTO DA PROPOSTA PEDAGÓGICA:

Tanto o encaminhamento de leitura como a produção textual significativa para o aluno, são preocupações que nos afligem como profissionais da educação, visto que os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCNLP, 1999), já propõem que tais atividades sejam desenvolvidas de forma interativa e

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inseridas em um processo discursivo que possibilite ao aluno compreender como se constituem as relações sociais e que é por meio dos gêneros discursivos que as práticas de linguagem incorporam-se nas atividades dos educandos.

Entende-se por gêneros textuais ou gêneros discursivos (BAKHTIN, 2003) os diferentes textos que circulam em sociedade, no nosso dia a dia, seja em casa, no

trabalho, na rua, nos meios de comunicação, enfim, espalhados por todos os lugares

e com os quais nos deparamos constantemente. Assim, a linguagem é

compreendida como forma de interação humana, uma vez que permeia todos os nossos atos, articulando nossas relações com os outros, constituindo-nos como sujeitos e ao mesmo tempo diferenciando-nos dos animais. O desenvolvimento do

processo de leitura e produção é uma consequência do domínio do funcionamento

da linguagem em situações reais de comunicação.

Para as Diretrizes Curriculares da Educação Básica (PARANÁ, 2008), é papel da Escola e em especial da disciplina de Língua Portuguesa, assegurar a formação do leitor, do produtor de texto e de modo geral contribuir para a constituição do sujeito histórico. Assim, considera-se que as práticas pedagógicas tenham como instrumento de interlocução o texto, pois:

Conceber o texto como unidade de ensino-aprendizagem é entendê- lo como lugar de entrada para este diálogo com outros textos, que remetem a textos passados e que farão surgir textos futuros. Conceber o aluno como produtor de texto é concebê-lo como participante ativo desse diálogo contínuo: com texto e com leitores ( GERALDI, 2004, p. 22).

Diante do pré-estabelecido, nos propusemos a produzir uma revista eletrônica, com o objetivo de abordar diferentes gêneros discursivos e assim estudar

os gêneros jornalísticos: notícia, reportagem, entrevista, editorial, carta de leitor e

artigo de opinião além de fazer uso do ciberespaço para assegurar um leitor para as

produções dos alunos, já que estes, na sua maioria, sentem-se atraídos pela tecnologia, em especial pela internet, e possuem grande afinidade com a mesma.

Vale salientar também que esta proposta visa desmistificar a ideia de que os textos produzidos na escola só servem para serem submetidos à apreciação do professor

ou para aquisição de nota.

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Para o desenvolvimento dos trabalhos, optamos por organizar as atividades

e aplicá-las através de uma sequência didática, que para Dolz, Noverraz e Schnewly

(2004, p.95) é “um conjunto de atividades escolares organizadas de maneira sistemática em torno de um gênero textual (oral ou escrito)”. A finalidade dessa forma de encaminhamento é a de ajudar o aluno a dominar melhor um gênero de texto, permitindo-lhe assim, escrever ou falar de maneira mais adequada numa dada situação de comunicação” (Idem, p. 97). A referida proposta consiste na apresentação de uma situação, a seleção do gênero a ser estudado, o reconhecimento do mesmo através de leitura e análise, a exploração quanto a sua função social, ao conteúdo temático, à estrutura composicional e ao estilo.

Concluído esse processo, ocorre a produção do gênero estudado, o qual deve ser lido pelos colegas de classe e/ou pelo professor e devolvido ao autor, para que seja realizada a reescritura do texto, com o intuito de aproximá-lo o mais possível dos “modelos” que circulam socialmente. A etapa final e mais importante é a circulação das produções do gênero, quando se concretiza a proposta inicial; momento em que

o aluno percebe a funcionalidade da língua em situação real de uso.

Assim, a proposta de produção de um site foi apresentada aos alunos e bem aceita pelos mesmos, embora a maioria demonstrasse pouco conhecimento sobre as características e/ou funcionamento de uma revista eletrônica. Objetivando desenvolver um trabalho numa concepção dialógica, os alunos foram orientados de como se daria o desenvolvimento das atividades. Igualmente enviamos comunicado aos pais para assegurar a compreensão e o apoio dos mesmos, já que a realização de algumas tarefas precisaria acontecer fora do horário de aula dos alunos.

Num diálogo inicial sobre os gêneros jornalísticos que iriam ser estudados e consequentemente produzidos, constatamos que um número elevado de alunos da classe não tinha o hábito de leitura de revistas e jornais e utilizavam-se da internet mais para acessar Orkut e MSN. Embora não estivesse previsto na Sequência Didática, iniciamos as atividades levando para a sala de aula diferentes exemplares de revistas impressas: Superinteressante, Caras, Galileu-Galilei, Isto é, Nova visão e revista Veja. Inicialmente as revistas circularam livremente na sala e como já era esperado, a atenção estava mais voltada para as imagens, sobre as quais surgiram muitos burburinhos. Como tínhamos um número grande de exemplares da revista

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Veja, cada aluno recebeu um exemplar e passamos então à leitura e análise da capa, seguindo um primeiro roteiro previamente elaborado:

Editorada capa, seguindo um primeiro roteiro previamente elaborado: Edição Ano Número do exemplar Data Reportagem destaque

Ediçãoseguindo um primeiro roteiro previamente elaborado: Editora Ano Número do exemplar Data Reportagem destaque da capa

Anoum primeiro roteiro previamente elaborado: Editora Edição Número do exemplar Data Reportagem destaque da capa Imagem

Número do exemplarprimeiro roteiro previamente elaborado: Editora Edição Ano Data Reportagem destaque da capa Imagem da capa A

Dataelaborado: Editora Edição Ano Número do exemplar Reportagem destaque da capa Imagem da capa A relação

Reportagem destaque da capaelaborado: Editora Edição Ano Número do exemplar Data Imagem da capa A relação da imagem com

Imagem da capaAno Número do exemplar Data Reportagem destaque da capa A relação da imagem com a manchete

A relação da imagem com a manchetedo exemplar Data Reportagem destaque da capa Imagem da capa Outras matérias destacadas na capa Neste

Outras matérias destacadas na capada capa Imagem da capa A relação da imagem com a manchete Neste primeiro momento, vários

Neste primeiro momento, vários alunos relataram que nunca haviam observado certas detalhes da capa, tampouco a dimensão de leitura que a mesma possibilita.

Num segundo plano, passamos à leitura do índice, para que todos percebessem os assuntos abordados bem como a forma de organização, ou seja, as seções que compõem a revista. Pelo índice os alunos localizaram as matérias e

assim realizaram leitura silenciosa de vários textos. Por sugestão deles próprios, cada aluno escolheu a matéria que mais lhe chamou a atenção e vários deles compartilharam o texto selecionado com os demais, fazendo leitura em voz alta. Muitos comentários surgiram em torno dos assuntos lidos. Em seguida, passamos

a analisar o estilo, as cores utilizadas nas imagens e nas ilustrações presentes, os

destaques, os interlocutores, enfim, para que público leitor a revista foi produzida

Esse processo de leitura e análise foi realizado com os outros exemplares que tínhamos em mãos também, para que os educandos compreendessem que por

trás de um processo de editoração, há objetivos definidos e todo um planejamento, pois o modo de organização, a escolha das matérias, das imagens, das cores, e até

a forma de linguagem estão diretamente relacionados ao público leitor a que o veículo se destina.

A mesma análise foi feita com exemplares eletrônicos, num momento que os alunos foram levados para o laboratório de informática.

em

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Para um melhor entendimento sobre a organização dos veículos de comunicação impressos, analisamos também o jornal Folha de Londrina, observando:

sua caracterização;analisamos também o jornal Folha de Londrina, observando: quais folhas o compõem; que gêneros são rapidamente

quais folhas o compõem;jornal Folha de Londrina, observando: sua caracterização; que gêneros são rapidamente identificados num jornal; o

que gêneros são rapidamente identificados num jornal;observando: sua caracterização; quais folhas o compõem; o que é manchete; onde ela aparece; por que

o que é manchete;que gêneros são rapidamente identificados num jornal; onde ela aparece; por que um assunto se torna

onde ela aparece;rapidamente identificados num jornal; o que é manchete; por que um assunto se torna manchete; que

por que um assunto se torna manchete;num jornal; o que é manchete; onde ela aparece; que textos aparecem na folha de opinião;

que textos aparecem na folha de opinião;onde ela aparece; por que um assunto se torna manchete; qual a razão de jornais destinarem

qual a razão de jornais destinarem uma seção para opinião.se torna manchete; que textos aparecem na folha de opinião; Durante esse processo, observamos que os

Durante esse processo, observamos que os alunos não tinham conhecimento do papel do editor, do diagramador, como muitas vezes se dá a captação das informações e até mesmo por qual processo passa um jornal até estar pronto para ser distribuído e chegar às mãos dos leitores. Diante da constatação, organizamos uma visita a um jornal da cidade (TRIBUNA DE CIANORTE), para que as dúvidas fossem sanadas. Na oportunidade, os alunos foram recebidos pelos jornalistas que apresentaram os diferentes setores, como a sala de redação, a diagramação e o parque gráfico, onde puderam acompanhar a impressão dos primeiros jornais que iriam chegar às mãos dos leitores no dia seguinte. O próprio veículo valeu-se da visita e dos objetivos da mesma, e produziu uma matéria que foi publicada no dia 05/05/2009, na página 8 do jornal

Entendendo que todo trabalho demanda planejamento e organização, o encaminhamento da proposta se deu num processo democrático, onde os alunos opinaram sobre o nome da revista, ficando definido como revistaativ@idade, e que a mesma seria constituída de no mínimo sete gêneros: I) reportagens, II) entrevistas, III) artigos, IV) contos V) crônicas, VI) poemas e VII) texto imagético ( fotos). Os alunos, a partir de então se organizaram em equipes com no máximo quatro integrantes, segundo seus interesses e definiram que saúde, moda, drogas, beleza, amor, meio ambiente, o jovem no mercado de trabalho e cidade (Cianorte) seriam os temas abordados dentre os gêneros mencionados.

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Com o intuito de capacitar os alunos para as produções textuais, passamos ao estudo dos gêneros jornalísticos através da produção didática, desenvolvida como parte integrante do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE). Iniciamos pelo gênero entrevista, por entendermos que a produção de uma entrevista não se limita apenas à passagem do texto oral para o texto escrito por meio de um processo mecânico e espontaneísta. Requer uma atividade de retextualização, que segundo Marcuschi, (2005, p. 48) “trata-se de um processo que envolve operações complexas e que interferem tanto no código como no sentido”.

Várias são as atividades que perpassam a produção desse gênero, desde o planejamento para aquisição das informações, a elaboração das perguntas, a transposição do sonoro para a forma gráfica e finalmente a retextualização, que requer operações textual-discursivas, tais como:

eliminação das marcas da oralidade;que requer operações textual-discursivas, tais como: adequação da pontuação e introdução de parágrafos;

adequação da pontuação e introdução de parágrafos;tais como: eliminação das marcas da oralidade; retirada das repetições e redundâncias; reconstrução de

retirada das repetições e redundâncias;adequação da pontuação e introdução de parágrafos; reconstrução de estruturas truncadas; reordenação

reconstrução de estruturas truncadas;de parágrafos; retirada das repetições e redundâncias; reordenação tópica do texto; reorganização da

reordenação tópica do texto;e redundâncias; reconstrução de estruturas truncadas; reorganização da sequência argumentativa; agrupamento de

reorganização da sequência argumentativa;de estruturas truncadas; reordenação tópica do texto; agrupamento de argumentos condensando ideias;

agrupamento de argumentos condensando ideias;do texto; reorganização da sequência argumentativa; reestruturação, observando a concordância, regência e os

reestruturação, observando a concordância, regência e os conectivos;argumentativa; agrupamento de argumentos condensando ideias; Salientamos que, para desenvolver o processo de

Salientamos que, para desenvolver o processo de retextualização o aluno precisa inicialmente realizar a atividade cognitiva de compreensão, como lembra MARCUSCHI (2005), já que se trata de reorganizar as ideias de outrem, mantendo a fidelidade nas informações.

Considerando que diferentes gêneros apresentam diferentes características, julgamos relevante estudar também textos da natureza do narrar, como notícias e reportagens, já que as pessoas atualmente estão cada vez mais sedentas de informação e estes textos vêm ocupando um espaço importante nos meios de comunicação. Como o gênero reportagem é muito frequente em revistas e é comum o aluno confundir com notícia, optamos por trabalhar os dois gêneros, de forma paralela. Iniciamos pela definição de cada texto segundo o manual de redação da

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Folha de São Paulo. Analisamos a notícia sobre a lei seca sancionada pelo

em

acessado em 20/09/2008 e a reportagem que aborda a redução do número de vítimas diante da lei seca, disponível em <http://g1.com/bomdiabrasil/>, acessado em 23/09/2008, conforme o roteiro:

Presidente

publicado em 20/06/2008 e

da

República

Luiz

Inácio

Lula

da

Silva,

disponível

O que diferencia uma notícia de uma reportagem?disponível com.br/gazetadopovo/vidacidadania > , Qual a função social de cada gênero? Onde são veiculados

Qual a função social de cada gênero?> , O que diferencia uma notícia de uma reportagem? Onde são veiculados esses textos? Para

Onde são veiculados esses textos?de uma reportagem? Qual a função social de cada gênero? Para que público leitor foram produzidos

Para que público leitor foram produzidos os textos em questão?social de cada gênero? Onde são veiculados esses textos? O que leva um (a) repórter a

O que leva um (a) repórter a escrever uma notícia ou uma reportagem?que público leitor foram produzidos os textos em questão? Uma reportagem pode ser constituída por vários

Uma reportagem pode ser constituída por vários textos. Como se explica essa afirmação?um (a) repórter a escrever uma notícia ou uma reportagem? Para incluir e/ou marcar no texto

Para incluir e/ou marcar no texto escrito falas de pessoas entrevistadas, qual o procedimento do redator?por vários textos. Como se explica essa afirmação? Que recursos gráficos podem complementar uma reportagem?

Que recursos gráficos podem complementar uma reportagem?de pessoas entrevistadas, qual o procedimento do redator? Nas formas verbais, qual o tempo predominante nos

Nas formas verbais, qual o tempo predominante nos dois gêneros?Por quê?Que recursos gráficos podem complementar uma reportagem? Há diferenças entre uma reportagem veiculada num jornal ou

Há diferenças entre uma reportagem veiculada num jornal ou em uma revista?qual o tempo predominante nos dois gêneros?Por quê? O processo de análise se deu também com

O processo de análise se deu também com outras reportagens e notícias selecionadas e trazidas pelos alunos.

Para a produção de reportagens, os alunos definiram os assuntos ou temas e a partir daí realizaram leituras e pesquisas para obter informações que subsidiassem a produção textual. Entrevistas e visitas também foram realizadas para aquisição de dados, bem como providenciados os recursos gráficos e as imagens ou fotografias que se fizeram necessárias.

Como jornais e revistas de modo geral destinam um espaço para opinião, entendemos ser de suma importância para os alunos compreenderem também os gêneros jornalísticos de natureza argumentativa. Para isso, estudamos a carta do leitor, o editorial e o artigo de opinião. Prado ( 2002, p. 102), ressalta que :

nas atividades de ensino é necessário abordar gêneros diversos, observando sua estrutura, aspectos lingüísticos, aspectos

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discursivos, função e relevância social, para, assim, dar condições ao aprendiz de utilizar a língua de modo variado para produzir diferentes efeitos de sentido e adequar o texto a diferentes situações de interlocução oral e escrita.

No mundo globalizado em que vivemos para constituir-se um sujeito crítico e histórico (DCEs, 2008) é preciso saber discutir e posicionar-se frente aos acontecimentos do mundo e às ações humanas. Lopes-Rossi (2002, p. 23), também observa que “a argumentação é uma necessidade cotidiana e, como as outras formas de organização do discurso, realiza-se por meio de características textuais, condições de produção e circulação específicas. Opinar sobre um determinado assunto e ser capaz de sustentar um ponto de vista com argumentos consistentes e convincentes é uma competência necessária para um melhor desempenho do exercício da cidadania.

Assim, levamos para a sala de aula seções de jornais denominada “Folha de opinião” para que os alunos tomassem conhecimento de que gêneros são publicados nestas seções, identificassem as cartas de leitor e compreendessem que esse gênero discursivo visa estabelecer um diálogo entre os leitores ou do leitor com o editor, sendo um instrumento que possibilita àquele discordar, comentar, reclamar, elogiar ou denunciar um problema de interesse social. Assim expressando seu ponto de vista ou tecendo comentários sobre algum assunto ou matéria publicada em edições anteriores.

Uma vez reconhecido o gênero, os alunos receberam uma coletânea de cartas com diferentes finalidades, extraídas de jornais e revistas, para que identificassem:

Quem escreveu:extraídas de jornais e revistas, para que identificassem: Cidade: Veículo de publicação: Destinatário: Intenção:

Cidade:jornais e revistas, para que identificassem: Quem escreveu: Veículo de publicação: Destinatário: Intenção:

Veículo de publicação:e revistas, para que identificassem: Quem escreveu: Cidade: Destinatário: Intenção: Assunto: Argumentos utilizados:

Destinatário:para que identificassem: Quem escreveu: Cidade: Veículo de publicação: Intenção: Assunto: Argumentos utilizados:

Intenção:para que identificassem: Quem escreveu: Cidade: Veículo de publicação: Destinatário: Assunto: Argumentos utilizados:

Assunto:que identificassem: Quem escreveu: Cidade: Veículo de publicação: Destinatário: Intenção: Argumentos utilizados:

Argumentos utilizados:e revistas, para que identificassem: Quem escreveu: Cidade: Veículo de publicação: Destinatário: Intenção: Assunto:

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Tipo de linguagem:16 Partes omitidas: Os alunos puderam compreender que o gênero carta do leitor tem a estrutura

Partes omitidas:16 Tipo de linguagem: Os alunos puderam compreender que o gênero carta do leitor tem a

Os alunos puderam compreender que o gênero carta do leitor tem a estrutura de outras cartas, ou seja, local, data, vocativo, corpo do texto, despedida, nome e ocupação do remetente e que a maneira como jornais e revistas exibem a carta não corresponde à maneira como esses textos são escritos. Algumas informações consideradas desnecessárias são omitidas e as mesmas são agrupadas por assuntos, recebendo então título.

Outros aspectos relevantes a se considerar neste gênero são o uso de argumentos adequados à finalidade da carta e os conectores, responsáveis pela coesão do texto.

Sabendo que é possível superar o tradicional ensino de Língua Portuguesa em que os alunos são submetidos à produção de textos dissertativos, atividades estas que se restringiam exclusivamente ao âmbito escolar, optamos por estudar os gêneros editorial e artigo de opinião com a finalidade de levar os educandos a compreender a funcionalidade da argumentação dentro de cada um. O editorial é um gênero textual com finalidade persuasiva e normalmente escrito pelo editor-chefe de um jornal ou revista para expressar formalmente a opinião do próprio veículo a respeito de algo que vem acontecendo na sociedade. Assim, tomamos como base de estudo o editorial publicado no jornal Folha de Londrina, do dia 28/08/2008, que trata da necessidade do voto consciente, já que em período eleitoral afloram virtudes e defeitos dos postulantes que se expõem nas vitrinas para conquistar o voto popular.

Como o gênero editorial possui a estrutura do texto dissertativo, analisamos os aspectos a seguir:

Onde foi publicado e em que data.do texto dissertativo, analisamos os aspectos a seguir: Que fato levou os editorialistas a escreverem esse

Que fato levou os editorialistas a escreverem esse texto.os aspectos a seguir: Onde foi publicado e em que data. Quem seriam os interlocutores do

Quem seriam os interlocutores do texto.Que fato levou os editorialistas a escreverem esse texto. Qual a tese do texto. Qual a

Qual a tese do texto.esse texto. Quem seriam os interlocutores do texto. Qual a posição do jornal em relação ao

Qual a posição do jornal em relação ao tema.seriam os interlocutores do texto. Qual a tese do texto. Que argumentos o editor apresenta para

Que argumentos o editor apresenta para sustentar seu ponto de vista.esse texto. Quem seriam os interlocutores do texto. Qual a tese do texto. Qual a posição

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Embora a linguagem seja impessoal, que marcas anunciam a posição de quem escreveu o texto.17 Quais os conectores presentes no texto e qual a finalidade dos mesmos. Que outros conectivos

Quais os conectores presentes no texto e qual a finalidade dos mesmos.que marcas anunciam a posição de quem escreveu o texto. Que outros conectivos poderiam ser empregados

Que outros conectivos poderiam ser empregados em substituição aos do texto, sem alteração de significado.presentes no texto e qual a finalidade dos mesmos. Com algumas diferenças em relação ao editorial,

Com algumas diferenças em relação ao editorial, que é um texto sem assinatura, estudamos também o gênero artigo de opinião, que são textos escritos de modo geral por especialistas em algum assunto ou pessoas reconhecidas na sociedade, os denominados articulistas, que tomam uma posição diante de um fato de interesse social ou de algo veiculado em edições anteriores.

Vários textos foram selecionados pelos alunos e utilizados para subsidiar os estudos, mas para o reconhecimento do gênero nos valemos dos artigos: “A licença paternidadeproduzido por um advogado e especialista em Direito material e processual do trabalho, veiculado na Folha de Londrina, no dia 28/0//2008, e do artigo intitulado “Armadilhas da lei seca, de Luiz Leitão, disponível em <http://opiniaoenoticia.com.br> e acessado em 25/09/2008.

Como é papel da escola usar estratégias de leitura que possibilitem aos educandos realizar uma leitura inferencial, ou seja, ativar os conhecimentos prévios e interagir com as informações presentes no texto , seguimos roteiros de análise que perpassassem os diferentes eixos, conforme proposto pelas Diretrizes Curriculares da Educação Básica (2008). Marcuschi (2005, p. 46) também alerta para as práticas de leitura, lembrando que:

a compreensão não se dá como fruto da simples apreensão do significado literal das palavras e sentenças. Mais: compreender uma sentença ou um texto exige mais do que situá-los em seus contextos de ocorrência. Exige também uma contextualização cognitiva dependente da própria organização dos conhecimentos e experiências pessoais.

Assim, no eixo da oralidade procuramos observar:

onde o texto foi publicado e quem é o autor;pessoais. Assim, no eixo da oralidade procuramos observar: de que ponto de vista ou posição social

de que ponto de vista ou posição social o autor escreve;e experiências pessoais. Assim, no eixo da oralidade procuramos observar: onde o texto foi publicado e

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qual a finalidade do texto e para que público leitor ele se destina;18 qual o tema abordado; qual a tese do autor e que argumentos utilizou para sustentar

qual o tema abordado;do texto e para que público leitor ele se destina; qual a tese do autor e

qual a tese do autor e que argumentos utilizou para sustentar sua tese;que público leitor ele se destina; qual o tema abordado; que argumentos contrários ao pensamento do

que argumentos contrários ao pensamento do autor o texto apresenta;do autor e que argumentos utilizou para sustentar sua tese; como o autor concluiu o texto;

como o autor concluiu o texto;contrários ao pensamento do autor o texto apresenta; qual a sua posição (do aluno) em relação

qual a sua posição (do aluno) em relação ao ponto de vista o autor;do autor o texto apresenta; como o autor concluiu o texto; o título é sugestivo ou

o título é sugestivo ou poderia ser melhor;posição (do aluno) em relação ao ponto de vista o autor; que influência o leitor pode

que influência o leitor pode sofrer com a leitura desse gênero;vista o autor; o título é sugestivo ou poderia ser melhor; por que saber ler e

por que saber ler e produzir esse gênero textual;o leitor pode sofrer com a leitura desse gênero; Para o estudo dos diferentes gêneros jornalísticos

Para o estudo dos diferentes gêneros jornalísticos escolhemos como tema a lei seca, por ser um assunto de interesse social, estendendo-se também aos interesses dos jovens. Desta forma, para embasar os argumentos dos alunos, foi solicitado que pesquisassem sobre a lei nº 11.705 de 20/06/2008, para saberem sobre em que ela defere da lei anterior, quais os índices de acidentes após a implementação da lei, os fatores que influenciam a medida do álcool no sangue e os benefícios trazidos pela Lei. De posse dessas informações, realizou-se um debate na sala, onde parte dos alunos posicionou-se contra a lei seca e outros a favor. Do debate, resultou uma produção escrita inicial para nortear os aspectos textuais, linguísticos e discursivos a serem estudados.

Aspectos do texto:

 

SIM

NÃO

PRECISA

MELHORAR

1. Traz uma questão polêmica.

       

2. Está clara a posição assumida.

       

3.Apresenta pensamento dos opositores.

       

4.

Possui argumentos confiáveis.

       

5.O título é sugestivo.

       

6.

Utiliza

corretamente

os

conectivos

para

introduzir

     

argumentos.

 

7. Os parágrafos estão organizados em introdução,

     

desenvolvimento e conclusão.

 

8

Há erros de concordância.

       

9. A pontuação está correta.

       

10.

Apresenta erros ortográficos ou gramaticais

       

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O gênero artigo de opinião tem como característica enfocar problemas sociais

controversos, organizados de forma argumentativa, baseados na sustentação ou

refutação de pontos de vista. Por esta razão foram levados ao conhecimento dos alunos, através de atividades de explicação e exemplificação, argumentos de causa

e consequência, de princípio e crença, de provas, de autoridades e de

exemplificação, considerados mais utilizados e mais confiáveis. Outros aspectos

abordados foram os elementos articuladores, responsáveis pela coesão do texto.

Em todas as produções propostas, as atividades de análise linguística foram realizadas de forma integrada a cada gênero e retomados os aspectos onde emergiam mais erros e dúvidas, já que estes, segundo as DCEs (2008), são elementos constitutivos do processo ensino-aprendizagem.

Por decisão dos alunos, dos gêneros jornalísticos estudados, somente as produções de entrevistas, reportagens e artigos integraram a revista eletrônica. Os demais gêneros produzidos foram expostos na sala de aula. Em virtude do público leitor a que a revista se destina, os alunos optaram também por produzir uma seção de contos e crônicas e outra de poemas, já que estes gêneros exercitam a imaginação, a sensibilidade e possibilitam compartilhar sentimentos.

Uma

vez

constituída,

a

Revista

Ativ@idade

foi

disponível no site: www.revistaatividade.com.

4. Considerações finais:

editada

e

encontra-se

O uso da língua com base nos postulados bakhtinianos não decorre de modo

dissociado de uma situação comunicativa, e para Marcuschi (2003), nada do que o

ser humano produz linguisticamente estará fora de ser feito em algum gênero. Assim, podemos dizer que, embora não existam gêneros específicos a serem

estudados em sala de aula, trabalhar com textos jornalísticos é uma maneira eficaz

de levar o educando a apreender não só o conceito de gênero, mas compreender

que há uma diversidade de configurações textuais, fruto das relações humanas. Por sua vez, estas possuem especificidades e funcionalidades próprias e são dotadas de valores, frutos de uma determinada ação social. Outro aspecto relevante que podemos destacar é o trabalho com textos que não se limitam apenas ao âmbito

escolar, mas com gêneros de grande circulação social e com conteúdos da

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atualidade. Oportunizar ao aluno apropriar-se dos aspectos linguísticos e discursivos

de textos jornalísticos (entrevista, notícia, reportagem, carta de leitor, editorial e

artigo de opinião) e usá-los corretamente no momento da produção, é uma forma de

melhorar a competência linguística, fator imprescindível na formação do indivíduo.

Vale salientar também que a produção de uma revista eletrônica a partir da

constituição de um site é uma possibilidade de trabalho onde a escola deixa de ser

lugar de simulação de ações com a linguagem, e o aluno passa a socializar suas

produções e consequentemente seu saber através da mídia eletrônica, tornando-se

assim usuário da língua escrita em situações reais de comunicação.

Embora os alunos na sua maioria tenham grande afinidade com a tecnologia

e em especial com a internet, constatamos que pela sua estrutura e organização, a

constituição de um site demanda a contratação de um profissional da informática

denominado web-designer, se entre os alunos não houver alguém com domínio

nesta área. Outro aspecto a se considerar é o custo para a manutenção de um site.

Assim, acreditamos que a constituição de um blog pode ser uma alternativa

importante, eficaz e econômica para socializar o trabalho do professor e as

produções dos alunos, já que o mesmo pode ser alimentado constantemente e não

requer despesas.

Em suma, podemos dizer que a proposta em questão é significativa, mas

requer grande empenho do professor e alunos. Vale destacar também que produzir

uma revista eletrônica a partir do estudo de diferentes gêneros, conforme o proposto

demanda um número menor de alunos em sala do que o ocorrido, (tínhamos 49!),

para favorecer o trabalho em equipe, possibilitar que todos possam fazer uso do

laboratório de informática, bem como receber atendimento individualizado pelo

professor, fatores imprescindíveis para um trabalho de excelência.

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