Sei sulla pagina 1di 7

Universidade Federal de Juiz de Fora

Faculdade de Educação
Programa de Pós-Graduação em Educação
SELEÇÃO PARA O CURSO DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO- TURMA 2020

Educação e Autoconhecimento: Métodos pedagógicos aplicáveis na educação infantil e seus


impactos na formação de crianças de 2 a 7 anos.
"Compreender a vida é compreender a si mesmo, este é o princípio e o fim da educação."
Jiddu Krishnamurti

A sociedade moderna está emergindo em constantes mudanças e vivenciando profundas


transformações sociais, políticas e econômicas. O uso frequente da tecnologia em nosso dia-a-dia, a
velocidade em que a informação e novos conhecimento científicos se distribuem, a crescente
concorrência no mercado de trabalho, bem como a propagação de doenças psíquicas e outras
patologias em jovens e crianças, tais como a depressão, a síndrome do pânico, dentre outras, exige
que a sociedade contemporânea reveja muitos paradigmas estabelecidos até então, já que as práticas
sociais atuais já não se mostram efetivas na solução desses novos problemas que surgem.
Nesse contexto de profunda transformação, é natural que os processos educativos sejam afetados e
que, tanto educandos quanto educadores, precisem adequar-se a esses novos desafios que o século
XXI nos apresenta, a fim de preparar nossas crianças para que se tornem jovens com uma participação
mais ativa na nossa sociedade e mais preparados para enfrentarem os desafios desse futuro tão incerto,
não linear, multidisciplinar, conectado e exponencialmente imprevisível.
De acordo com o dicionário etimológico, a palavra “educar” tem origem do termo em latim
educare, educere, que significa literalmente “conduzir para fora” ou “direcionar para fora”. O
significado do termo (direcionar para fora) era empregado no sentido de preparar as pessoas para o
mundo e viver em sociedade, ou seja, conduzi-las para fora de si mesmas, mostrando as diferenças
que existem no mundo. Mas para compreender as diferenças existentes no mundo, considerando que
nossas experiências externas são frutos de nossa realidade interior, é essencial que o espaço escolar,
bem como as metodologias pedagógicas utilizadas nesse ambiente, permita aos alunos o
conhecimento do seu corpo, seus pensamentos e suas emoções, possibilitando assim o
desenvolvimento integral do ser, de forma que ele possa atuar na sociedade de forma mais equilibrada
e integrada nessa nova era tão complexa.

Nesse ambiente, faz-se mister refletirmos sobre a função social da escola e dos educadores, no
processo de autoconhecimento em crianças, durante a fase da educação infantil, haja vista que o
mundo atual e o futuro exige, cada vez mais, a formação de pessoas completas, com habilidades sócio
emocionais para além do domínio de técnicas tradicionais, que até o momento eram suficientes para
vivermos em plenitude na sociedade. Cabe aqui a reflexão sobre a questão central: É possível facilitar
o processo de autoconhecimento nos petizes, desde o começo de sua vida? De que forma esse
aprendizado poderá colaborar para que as nossas crianças de hoje estejam aptas a interagir de forma
saudável nesse novo cenário?
Com este enfoque, o presente projeto de pesquisa pretende estudar a aplicação de métodos
pedagógicos cuja base de aprendizado residem no estímulo e no desenvolvimento do
autoconhecimento, em crianças de 2 a 7 anos (estágio pré-operatório, de acordo com estudos de Jean
Piaget), fase esta que configura importante estágio do desenvolvimento cognitivo infantil, cujas
impressões e experiências terão impacto significativo para o desenvolvimento futuro das suas
múltiplas inteligências. Adicionalmente, o projeto pretende identificar quais os diferentes impactos,
sendo estes positivos ou negativos, que tais metodologias podem acarretar na formação dos
indivíduos, no desenvolvimento de habilidades e no desenvolvimento de competências sócio
emocionais.
Diversos teóricos, filósofos e educadores, tradicionais e contemporâneos, já transcorreram sobre a
relação do autoconhecimento e a educação. Desde a Grécia Antiga, no ano de 470 a.C., o filósofo
Sócrates proferiu o seu conhecido aforismo “o conhece-te a ti mesmo é o princípio de toda a
sabedoria”, enfatizando a sua crença de que somente através do autoconhecimento o homem poderia
promover a sua evolução e do ambiente na qual interage. Entre o final do século XVIII e início
do século XIX, o educador Johann Heinrich Pestalozzi, faz oposição à educação artificial,
defendendo a educação natural que para ele implicava duas atitudes essenciais: “conectar o homem
consigo mesmo, para que ele oriente seu desenvolvimento de acordo com as forças interiores que o
impulsionam, e conectar o homem com a realidade para que seus conhecimentos sejam objetivos”
(INCONTRI, 1997, p. 36). O educador defendia que as crianças deveriam ter acesso tanto aos
próprios sentimentos como à realidade externa, pois para ele toda educação, se partindo da percepção
interior, partiria na verdade do autoconhecimento. Para ele a percepção teria relação com o ser em
sua totalidade e por meio dela deveriam ser exercitadas todas as faculdades físicas, intelectuais e
morais, pois assim o homem estaria apto a exercer suas potencialidades em benefício de si e do
próximo no uso dos conhecimentos e habilidades técnicas de que se apropriasse.

Na obra “A criança”, Maria Montessori também retrata seus pensamentos acerca do


autoconhecimento nos processos educacionais, estendendo sua importância não apenas ao educando,
mas também ao educador, citando que “a tarefa de ser guia, sem no entanto, arrogar ensinar, exige
autoconhecimento. Autoconhecimento significa tornar-se mais e mais consciente de si mesmo, de
suas reações, de suas crenças, de seus pensamentos e sentimentos para observar e perceber como este
“si mesmo” opera no papel de educador. Somente um adulto engajado em conhecer-se pode se
desenvolver como educador e com isso ser ponte para o desenvolvimento da criança. Assim como na
alfabetização, todo o patrimônio linguístico do educador, seu nível de vocabulário, de pensamento,
expressão gestual, verbal, são fatores a serem constantemente revistos e desenvolvidos, o
desenvolvimento global da criança também depende do desenvolvimento pessoal do educador, uma
vez que só se transmite aquilo que se possui internalizado e integrado”.
Já no século XX, o educador Paulo Freire, afirmou que “antes de alfabetizar era preciso
conscientizar”, levando-nos à reflexão sobre a relação do pensamento crítico e os processos
educacionais aplicáveis, com a compreensão verdadeira da dimensão “eu”, nossos pensamentos,
emoções, habilidades e funções vitais, para o desenvolvimento integral do ser e a plena realização do
nosso potencial. Ainda na era pós-moderna, Ruy Cezar do Espírito Santos, sua obra
“Autoconhecimento na formação do educador”, reforça que é importante conhecer-se para de fato
atuar na sociedade. Para ele, o autoconhecimento é a ferramenta mais importante que o ser humano
pode utilizar para comunicar-se com o mundo, com a sociedade, com o outro. É, enfim, fator
fundamental para a formação do indivíduo. E enfatiza ainda que, “Se o autoconhecimento é um tema
importante para todo e qualquer ser humano que queira realizar o processo de construção de si mesmo
de forma consciente e rumo à integração dos muitos fios que tecem a complexidade de nossa condição
humana, ele é, de modo especial, fundamental aos educadores. Afinal são esses profissionais os
responsáveis em grande medida, pela iniciação das gerações aos processos pelos quais construímos
como seres humanos no mundo (ESPIRITO SANTO, 2007, p. 9).
Além desses importantes educadores supracitados, muitos outros autores poderão contribuir para
subsidiar este projeto e analisar as questões propostas, destacam-se Lev Vygotsky, Jean Piaget, Jiddu
Krishnamurti, James Heckman, Ken Robinson, Emilia Beatriz María Ferreiro Schavi e Noemi
Salgado Soares.
Este projeto desenvolver-se-á em quatro frentes de reflexão e produção de conhecimento. Em
primeiro lugar, será realizada uma pesquisa de abordagem qualitativa do tipo revisão bibliográfica e
análise explicativa e descritiva, com diferentes teóricos, sobre o conceito de autoconhecimento e sua
interação no processo pedagógico, com o objetivo de explicar o pensamento dos diferentes autores
sobre o tema. Em segundo lugar, a pesquisa se propõem a realizar uma pesquisa de abordagem
qualitativa do tipo revisão bibliográfica e também análise documental a fim de identificar práticas
educacionais, conforme recorte do estudo (em crianças de 2 a 7 anos) cujo cerne principal está o
desenvolvimento do autoconhecimento, gerando como resultado um levantamento de instituições
educacionais, no território nacional, que aplicam essas metodologias em suas políticas de gestão, bem
como em seus projetos político-pedagógicos.
Na terceira fase do estudo será realizada uma abordagem qualitativa, através de pesquisa de campo
exploratória em instituições educacionais escolhidas conforme levantamento da fase anterior, ao qual
serão coletados depoimentos de professores, alunos, gestores educacionais, além do registro de
momentos de observação durante a aplicação das práticas de ensino estudadas. Todos os dados e
materiais coletados serão analisados e interpretados criticamente a fim de identificar os possíveis
impactos (positivos e negativos) no desenvolvimento dos discentes. Nessa etapa serão definidas uma
lista base de habilidades e competências sócio emocionais predominantes, que serão verificadas na
fase seguinte do estudo. Finalmente, será realizada uma pesquisa de abordagem quantitativa, com um
grupo de crianças, a fim de identificar a predominância das habilidades e competências sócio
emocionais de maior destaque.
O presente projeto pretende inserir-se no grupo de pesquisa “Estudos e Pesquisa em Educação,
Desenvolvimento e Integralidade Humana” cujo principal interesse é estudar sobre desenvolvimento
humano em sua integralidade, bem como pensar a formação de professores mirando a construção de
práticas pedagógicas inclusivas. Nesse contexto, a associação do autoconhecimento e a educação,
bem como a avaliação dos impactos do uso de metodologias aplicáveis em crianças na fase do estágio
pré-operacional, podem colaborar para ampliar e aprofundar a compreensão acerca das relações entre
educação e formação integral, a fim de que nossos discentes tornem-se indivíduos mais participativos,
mais comunicativos, impactando positivamente o meio na qual estão inseridos, de forma que se
sintam seres mais integrais, mais realizados, mais preparados para a transição da vida adulta, enfim,
mais adaptados às necessidades do futuro.

Durante toda a minha trajetória profissional, embora mais focada na área de gestão corporativa, os
processos educativos de crianças, jovens e adultos estiveram presentes nas minhas atividades,
despertando a minha curiosidade para aprofundamento do tema e direcionando a minha vocação para
esta tão importante área de conhecimento. Ao longo dessa vivência pessoal e profissional, compreendi
que a melhor forma das pessoas alcançarem sua excelência, é através das suas vocações e de um
processo contínuo de autoconhecimento. Para tanto, entendo que essas duas temáticas são
fundamentais para criarmos o futuro que desejamos e para preparar as novas gerações para o mundo
novo. E é sobre essas duas temáticas de interesse que almejo aprofundar meus conhecimentos,
refletindo, obtendo aprofundamento teórico-prático e compreendendo teorias educacionais a fim de
contribuir para a construção de novos conhecimentos, colaborando para que a educação de jovens e
crianças possa expandir-se, de forma que compreendam melhor a si mesmo e o ambiente na qual
estão inseridos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KRISHNAMURTI, J. A educação e o significado da vida. São Paulo: Cultrix, 1969.

KRISHNAMURTI, J. Autoconhecimento: Base da sabedoria. Rio de Janeiro: Instituição Cultural


Krishnamurti, 1953.

KRISHNAMURTI, J. Começo da aprendizagem. São Paulo: Cultrix, 1982.

ESPÍRITO SANTO, R. C. Autoconhecimento na formação do educador. São Paulo: Ágora, 2007.


INCONTRI, D. Pestalozzi: Educação e ética. São Paulo: Scipione, 1997.

KOHL DE OLIVEIRA, M. Vygotsky - Aprendizado e Desenvolvimento. São Paulo: Scipione, 1993.

AUTOCONHECIMENTO E CONSCIÊNCIA, número 0, Out, 2010. São Paulo. Resumo. São Paulo:
R.Interd, 2010. p.01-83

LIMA, R.S.J. A pedagogia do amor de Pestalozzi. Disponível em www.faculdadesages.com.br.


Acesso em: 05 de Outubro.2017.

GODOY, H.P.;TAVARES, R.R. Autoconhecimento e aprendizagem: uma educação de qualidade.


UniÍtalo em Pesquisa, URL:www.Ítalo.com.br/portal/cepesq/revista eletrônica.html. São Paulo SP,
v.6, n.2, p. 188-203, abr/2016.

SOARES, N.S. A pedagogia do autoconhecimento e a transdisciplinaridade da arte de aprender para


o desenvolvimento integral do ser humano humanidade: o acontecimento de um curso de Pós-
Graduação em Educação Interdisciplinar na Universidade Federal da Bahia. Disponível em
http://cetrans.com.br/assets/artigoscongresso/Noemi_Salgado_Soares.pdf. Acesso em: 05 de
Outubro. 2017.

RABELLO, E.T. e PASSOS, J. S. Vygotsky e o desenvolvimento humano. Disponível em


http://www.josesilveira.com/artigos/vygotsky.pdf. Acesso em: 05 de Outubro. 2017.

GARCIA, D.B I. Por uma pedagogia da autonomia: Bakhtin, Paulo freire e a formação de leitores
autorais. 2012. 207 f. Dissertação (Mestrado- Programa de Pós Graduação em Educação. Arte de
Concentração: Linguagem e Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São
Paulo. 2012.

CUNHA, A. G. C. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro:
Lexikon, 1999.