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OUTRAS OBRAS DE NOSSO FUNDO EDITORIAL

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AZEVEDO, AMI LCAR G. -Mecânica Clássica
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Carl Pfleiderer - Hartwig Petermann

Tradução de
ANA LUCIA SE RIO DE ALMEIDA
JOSE ABEL ROYO DOS SANTOS
ZULCY DE SOUZA
Escola Federal de Engenharia de hajubá- EFEl

RIO DE JANEIRO
SÃOPAULO

Qt LIVRO& JfCNICOS f ClfNTffiCOS EDITORA


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TRADUÇÃO AUTORIZADA DE
STROMUNGSMASCHINEN- 4th Edition
>,

Copyright © by Springer-Verlag, Berlin/Heidelberg 1952, 1957. 1964, 1972,

Diagramação I Artes I LTC

Capa: AG Comunicação Visual

CIP-Brasil. Catalogação-na:fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

Pfleiderer, Carl, 1880-1960.


P63 m Máquina de fluxo I Carl Pfleiderer [e] Hartwig
Petermann; tradução de Ana Lucia Seria de Almeida,
José Abel Royo dos Santos [e] Zulcy de Souza. -
Rio de Janeiro: Livros Tdcnicos e Cient(ficos, 1979,

Tradução de: StrOmungs maschinen


Bibliografia

1. Engenharia mecânica 2. Petermann Hartwig


I, Título

coo- 621.8
79-0144 CDU -621

ISBN 85-216-002B-3
(Edição original
ISBN 3-540-05745·5 4. Aufl.
Springer-Verlag Berlin Heidelberg
New York)

Direitos reservados por:


LIVROS T~CNICOS E CIENTfFICOS EDITORA S. A.
Avenida Venezuela, 163-20220
Rio de Janeiro - RJ
1979
Impresso no Brasil
Prefácio da quarta edição

O Professor Dr. lng. h. c. Carl Pfleiderer lecionava no final dos anos 40, na
Universidade Técnica de Braunschweig, uma dnica disciplina tratando todo o con-
junto das máquinas de fluxo, ao contrário do que era usual anteriormente, quando
existia uma disciplina para cada tipo de máquina de fluxo !turbinas a vapor, bombas
· rotativas etc.). Em 1952 publicou a primeira edição deste livro como texto para este
tratamento comum de todas as máquinas de fluxo, aparecendo em 1957 a segunda
edição, O Professor Pflelderer faleceu em 1960 com 80 anos de idade e era seu desejo
que, após sua morte, eu preparasse, quando necessário, novas edições de seu livro "Md-
quinas de Fluxo". Assim, em 1964, publiquei a terceira edição e tive o prazer de veri-
ficar que tambdin esta foi bem aceita pelos especialistas no assunto.
Comparativamente à terceira edição, a quarta teve o Cap(tulo 7 (Perdas por fuga
de fluido, por atrito no rotor e empuxo axial) sensivelmente alterado, de acordo com re-
. sultados de muitos trabalhos de pesquisa realizados recentemente no Instituto Pflelderer
de Máquinas de Fluxo; Foram acrescentados as Seções 2.55e (Determinação do coefi-
ciente de pressio ótimo para turbinas com admissão parcial); 6.25 (Influência de alte-
rações construtivaS na forma da caracter(stica do rotor); 9.63 (zona morta do cubo) e
o cap(tulo 12 (Métodos matemático~ da mecânica dos fluidos para o cálculo de máqui-
nas de fluxo), As outras partes do livro foram atualizadas de acordo com o desenvolvi-
mento tdcnico ocorrido desde o aparecimento da terceira ediç§'o.
Na resoluçlo dos exemplos, nos desenhos das figuras e na leitura das provas fui
admiravelmente auxiliado pelo pessoal df? Instituto que dirijo. A todos eles o meu
agradecimento, Devo, entretanto, fazér um agradecimento especial ao Consultor CJen-
t(fico e Professor Dr. lng, M. Pekrun e ao Conselheiro Acadêmico Dr. lng. R. Rotzo/1,
que sempre estiveram dispon(Vels para discussO:es sobre problemas que ocorreram, que
muito me estimularam e fizeram imlmeras sugestões de melhoramentos. À editora
Springer agradeço pelo agradável trabalho conjunto e pela compreensio demonstrada
quando de minhas solicitaçO:es,
Braunschweig, verão de 1972.
Hartwig Petermann
.1
I
j

Resumo das principais unidades e sfmbolos'

Neste livro serci utilizado o Sistema Internacional de Unidades (Sistema SI), com
as seguintes unidades:

Principais unidades básicas:

Comprimento em m (metro),
Massa em kg (quilograma),
Tempo em s (segundo),

Unidades derivadas coerentes:


~

Força: 1 kg m/s = 1 N (Newton),


2

Trabalho: 1 N m = 1 J (Joule),
Potência: 1 N m/s = 1 J/s = 1 W (Watt),
Pressão: 1 N/m2 = 1 Pa (Pascal),
Densidade: 1 kg/m'
Volume espec(fico: 1 m 3 /kg
Capacidade de trabalho espec(fica de um fluido ou de um gás relacionada à unidade de
massa: 1 N m/kg = 1 J/kg = 1 m2 /s 2 ,
Vazão: 1 m 3 /s.

Aconselha-se ao principiante trabalhar sempre com estas unidad~s btisitas e com


..
q. as unidades derivadas através da u~ilização do fator 1, chamadas unidades coerentes.
Caso sejam dadas unidades não coerentes, aconselha-se convertê-las, antes do in(cio dos
cálculos, às unidades coerentes do Sistema Internacional de Unidades.
Esta conversão é muito 'fácil no caso das unidades não coerentes resultantes de
fatores de 1O tais como

1 mm=10- 3 m, 1 MW= 10' W,


1 kW = 103 W, ' 1 bar= 10! N/m 2 •

Nestes casos valem em geral os prefixos:

T (Tera) 1012 vezes m (mili) 10-' vezes


G (Giga) 10' vezes JJ (micro) 10-' vezes
M (Mega) 10' vezes n (nano) 1 o-' vezes
k (kilo) 105 vezes p (pico) 10- 12 vezes

A polftica e o sistema nacional de metrologia vigentes no Brasil são definidos no


Decreto-lei n~ 240, de 28-2-1967, publicado no Dilirio Oficial· de 28-2-1967; em
seu Regulamento, constante do Decreto n~ 62.292, de 22-2-1968, publicado no
Diário Oficial de 29-2-1968 e no Decreto N~ 63.233, de 12-9-1968, publicado
no Dilirio Oficial de 16-10-1968, que aprova o Quadro Geral das Unidades de Medida.
.
Unida~es não coerentes, formadas .cÓm outros fatores de escala, são, por exemplo:

Hora: 1 h= 3600 s
Cavalo-vapor: 1 CV = 735,5 W
Ouilócaloria: 1 kcal = 4186,8 J ~ 4190 J
Quilograma-força: 1 kgf = 9,80665 N "' 9,81 N
Atmosfera: 1 atm = 1 kgf/cm 2 = 98066,5 N/m 2
No caso de mtlquinas de fluxo que se encontrem fixas na superf(cie da terra (por
exemplo, turbinas hidrtlulicas), pressões são também medidas em metros de coluna
fluida (por exemplo, coluna d'água). Toma-se usualmente neste caso, ao invt1s da acele-
ração da gravidade no local de instalação da máquina, a aceleração normal da gravidade
g = 9,80665 m/s 2 ~ 9,81 m/s 2 • Assim fazendo, ficam por exemplo:

10m C. A.= 1 atm = 0,980665 bar ou


1 bar= 10,197 m C. A. "' 10,2 m C. A.

São usados os seguintes sfmbalos:

u velocidade tangencial, ou seja, a velocidade com que se move um ponto do


rotor,
c velocidade absoluta da partfcula fluida observada, ou seja, vel<?cidade relativa
ao ambiente em repouso,
w sua velocidade relativa (que no caso de infinitas pás extremamente próximas
umas das outras, está na direção das pás),
ângulo entre u e c,
ângulo entre w e a direção negativa deu,
D =2r diâmetro do rotor
b largura do canal no corte longitudinal (largura da pá, ver nota 1 ao pé da
pág. 234).
dn diâmetro do cubo do rotor.

São usados os seguintes fndices:

O uma· posição no fluxo não perturbado na circunferência do suporte das pás do


lado da sucção, portanto fora do canal das pás do rotor,
uma posição no fluxo congruente para as pás na circunferência do suporte das
pás do lado de sucção, entretanto dentro do canal das pás do rotor,
2 uma posição no fluxo congruente para as pás na circunferência do rotor no
' lado da pressãÓ, entretanto ainda dentro do canal das pás do rotor,
3 uma posição no fluxo não perturbado no lado da pressão na circunferência
do rotor, portanto fora do canal das pãs do rotor,
4 uma posição na aresta de uma aleta em frente da circunferência do lado da
pressão do suporte das pás do rotor,
5 uma posição na aresta de uma aleta do lado de maior pressão,
S uma posição na extremidade de sucção da máquina toda (tomada de sucção),
D uma posição na extremidade de pressão da rriáquina toda (tomada de pressão)
onde normalmente se encontra a válvula principal,
u grandeza relativa ao rotor ou à direção tangencial,
m um componente no plano meridional (longitudinal) ou uma grandeza ao tra-
balho mecânico,
x um estado de entrada não livre de choque,
uma grandeza relativa ao trabalho interno ou ao raio interno.

Lista dos trabalhos relacionados à unidade da massa fluida,


por exemplo, em N·m/kg = J/kg = m2 f.S"2

Y trabalho especffico interno (ver pág. 7), '1


Y pá trabalho espec(fico nas pás (dispon(vel) (ver pág. 19),
y pá ... trabalho especffico nas pás para número infinito de pás infinitamente finas
(ver pág. 35), (trabalho teórico)
trabaflio especffico da pressão no labirinto (ver pág. 38),
trabalho especffico por estágio (ver págs. 136 e 399),
Yp trabalho especffico que deve ser entregue a uma máquina funcionando sem
perdas para se obter uma elevação determinada de pressão (ou, correspon-
dentemente, que estará disponfvel devido a uma queda de pressão deter-
minada) (ver pág. 9),
,\

'\',
ysd o mesmo que YP; entretanto ocorrendo na máquina uma mudança de estado
adiabática-isentrópica (ver págs. 10/11),
z perdas,
E capacidade de trabalho espec(fica do fluido (constante de Bernoulli),
t>y energia de segurança à cavitação (ver pág. 78),

Outros sfmbolos também usados são:

Cy = .j2Y velocidade resultante quando se converte Y em energia de velocidade,


A superf(cie,
v vazão volumétrica, por exemplo em m 3 /s,
m vazão de massa, por exemplo em kg/s,
R constante dos gases,
p potência no eixo da máquina (potência no acoplamento),
P, potência devido ao atrito de labirinto nas paredes externas do rotor,
M conjugado,
F força,
T temperatura absoluta em graus Kelvin, °K,
p pressão fluida ou coeficiente de potência m(nima (ver pág. 36),
sq coeficiente caracter(stico de sucção (ver seções 3.2 e 3.3), ou coeficiente
caracter(stico_de som (ver seção 3.4),
Re número de ReynOlds,
Ma número de Mach,
a velocidade do som,
b largura da pá (ver págs. 235, 236),
e diferença de altura,
g aceleração da gravidade local,
k coeficiente de estrangulamento transversal (ver Eq. (3.10ll,
p = 1/v massa espec(fica do fluido de trabalho, ou raio de curvatura,
z número de pás, do rotor,
z, número de aletas,
cp calor espec(fico à pressão constante,
Cv calor espec(fico a volume constante,
X = cplcv expoente de uma adiabática-isentrópica,
h entalpia (conteúdo de calor), por exemplo em kJ/kg, ou altura local,
n rotação por unidade de tempo, por exemplo, em r. p. s.,
w = 21rn velocidade angular,
nq rotação espec(fica, velocidade espec(fica (coeficiente caracter(stico de forma
dorotor, ver pág. 63),
= 1rD/z distribuição das pás no c(rculo paralelo ou temperatura em graus cen-
t(grados °C,
s espessura das pás, ou entropia, ou largura do labirinto,
o s/sen {3 espessura, medida no c(rculo paralelo, ou tensão no material de
trabalho (ver pág. 111 l ou coeficiente de cavitação (ver pág. 81) ou coefi-
ciente de rapidez (ver pág. 66), ..
coeficiente de potência m(nima (ver pág. 37),
\= 2Ylu~ coeficiente de pressão (ver págs. 43, 215),
coeficiente de velocidade (ver págs. 15, 169),
coeficiente de vazão (ver págs. 214 e 304), ou coeficiente de cho"que (ver
pág. 2151.
viscosidade cinemática, por exemplo em m 2/s ou coeficiente de potência
(ver pág. 2151,
rendimeritO ou coordenada (cap. 12),
"
€ = c 0 l..fiY coeficiente de entrada de rotares (ver pág. 121) ou comportamento
estacionário de asas de sustentação (ver pág. 322) ou grau de admissão
(ver pág. 491,
= YspiY grau de reação,
coordenada (cap. 12), ou coeficiente [ver Eq. (11 ,8) ],
coeficiente de vórtice relativo [ver Eq. (3.15) ),
coeficiente de sustentação em asas de sustentação,
coeficiente de arrasto em asas de sustentação,
ângulo de desvio {3~ - {3 1 oU {33 - {30 em p<ls axiais,
circulação.
\

r
I
ij

I
SUMÁRIO

1. Introdução Geral, 1

1.1 Considerações preliminares sobre máquinas de fluxo, 11


1.2 Movimento absoluto e relativo, 6
1.3 O trabalho específico interno Y, 7
1.4 Perdas e rendime.nto em máquinas de fluxo, 12
1.41 Os vários tipos de perdas, 12
1.42 Os diferentes rendimentos, 14
1.43 Formas especiais do rendimento para fluido gasoso, 16

2. O Mecanismo do Fluxo no Rotor, 19

2.1 O momenfu das forças nas pás e o trabalho ná'i pás relacionado ã mas·
sa Ypá, 19
2.2 Formas mais usadas da equação fundamental, 24
2.3 A influência do número finito de pás, 24
2.31 Caso sem atrito, explicado no exemplo da grade de pás reta, 25
2.32 Influência da viscosidade, 26
2.33 A grade de pás radial girante, 30

a) Desprezando·se o atrito, 30
b) Considerando o atrito, 31

2.4 Processos dé cálculo para levar em consideração o número finito de


pás, 33
2.41 Aresta de pressão, 34
2.42 Aresta de sucção, 35
2.43 Trabalho nas pás, 35
2.44 O método de Pfleiderer para o cálculo da redução de potência em
bombas, 36
2.5 Efeitos de isopressão, e de sobrepressão, grau de reação r e coeficien-
te de pressão if;, 38

'
2.51 A pressão no labirinto p~ - pg, 38
2.52 Cálculo do trabalho específico no labirinto Ysp• 38
2.53 Efeitos da isopressão e da sobrepressão, 40
2.54 Grau de reação r, 42
2.55 Coeficiente de pressão 1/J, 43

a) Cálculo do coeficiente de pressão 1/J para <>o = 90°, 43


b) Particularidades do coeficiente de pressão 1/J em turbinas e em
bombas,45
c) O coeficiente de pressão 1/J para turbinas-bombas, 47
d) O coeficiente de pressão 1/J para máquinas de vários estágios, 47
e) Determinação do coeficiente de pressão ótimo para turbinas com
admissão parcial, 49
f) O coeficiente de trabalho das pás 1/J pá• 50
I
2.6 Explicação elementar da ação das forças entre o fluxo e as pás, 51
. 2.7 Escolha do ângulo das pás ~2, áreas de utilização das várias formas de
pás, 52
2.71 Turbinas hidráulicas, 55
2.72 Turbinas a vapor, 55
2.73 Bombas, 56
2.74 Resumo, 56
2.8 Comportamento do fluxo na entrada e formação da aresta de entrada
de grades de pás, 57
2.81 Choques de retardamento e de aceleração, 58
2.82 Perfis das pás, 61
2.83 Entrada de fluxo instável ou irregular na grade de pás, 62
2.9 As várias formas de rotor, 64
2.91 A rotação espedfica ou ooeficiente de forma do rotor, 64
2.92 O rotor axial, 69
2.93 A rotação específica no caso de máquinas de vários estágios, 71
2.94 Rapidez e rendimento, 71

3. Os Perigos da Cavitação e do Funcionamento Ultra-sônico, 75

3.1 Cavitação, 75
3.2 A altura de sucção das bombas hidráulicas, 77
3.3 A altura de sucção das turbinas hidráulicas, 85
3.4 O limit~_ ultra-sônico dos compressores, 91
.I
3.41 Compressibilidade na entrada do rotor e o coeficiente de som, 94
3.42
3.43
Entrada do rotor com vorticidade, 96
Relação entre o coeficiente de som Sq e o número de Mach w0 a/a, 99 I
3.44 Observações complementares, 99
3.45 Comparação dos C<?eficientes, 100
3.5 A realização do angulo de fluxo f3 0a: o coeficiente de entrada ·E; o coe-
ficiente de saída € 2 , 101

4. O Projeto do Rotor, 106

' 4.1 Resistência e escolha da forma do eixo e do rotor, 106


4.11 Eixo, 106
'11

I
r, < ., 4.12 Rotor, 108'
4.13 Regras para a conversão de solicitações devidas a forças centrífugas no
caso de semelhança geométrica, 111
4.2 O procedimento geral do cálculo das pás, apresentado no caso de
rotares lentos, 111
4.21 A extremidade da pá na aresta de sucção, 112
4.22 A extremidade da pá na aresta de pressão, 114
4.3 Projeto de pás simplesmente curvadas, 116
4.31 Pás circulares, 116
4.32 Pás calculadas ponto a ponto, 121
4.33 Rugosidade da superffcie, 123
4.4 Pás radiais duplamente curvadas, rotares de média velocidade, 124
4.41 Transferência das seções das pás a superfícies cônicas, 126
4.42 Cálculo ponto a ponto das linhas de corrente, 128
4.43 Tangentes, 130
4.44 Corte axial e corte de carpinteiro, 131
4.5 Retores de alta velocidade, caracterizados pela colocação inclinada das
arestas de pressão das pás no corte longitudinal, 132

5. Exemplos de Execução de Rotares, 136

5.1 Bomba centrífuga com pás radiais simplesmente curvadas, 136


5.11 Aresta de sucção, 137
5.12 Aresta de pressão, 138
5:13· Observações complementares, 140

5.2 Compressor radial de um estágio, 141


5.21 Cálculo desprezando a compressibilidade no rotor, '142
5.22 Preparação construtiva, 144
5.23 Consideração da compressibilidade, 145
5.24 Evolução do estado do fluido, 147
5.3 Bomba centrifuga de alta velocidade, 149
5.4 Turbina Francis, 152
5.41 Observações preliminares, 152
5.42 Exemplo de cálculo, 155

a) Escolha da rotação, 155


b) Esboço do rotor, 156
c) Cálculo do"tingulo das pás, 158
d) Sobretingulo para turbinas de alta velocidade, 160
e) Posição das arestas, 162
f) Ditimetro interno de saída, 162

5.5 Rotor Pelton, 162


5.51 Observações preliminares, 162
5.52 Procedimento de cálculo, 168
5.53 Dependência entre a rotação específica e relação do jato d, /D, 171
5.6 Turbina a vapor de um estágio, 172
5.61 Observações preliminares, 172
5.62 Exemplo de cálculo, 172
5.63 Observações complementares, 177
5.7 Turbina a gás de um estágio, 178
r 6. Caracterfsticas de Máquinas de um Estãgio, Desprezando-se a
Compressibilidade, 180

6.1 Regras gerais, 180


6.2 Caracterfsticas das bombas rotativas, 182
6.21 Considerando-se número infinito de pás, 182
6.22 Número finito de pãs, 183
6.23 Determinação preliminar da caracterfstica do rotor, 185
6.24 A superffcie caracterfstica, 186
6.25 Influência de alterações construtivas na forma da caracterfstica do
rotor, 189
6.26 As linhas da potência no eixo, 190
6.27. A determinação do ponto de trabalho, 191
6.28 O "bombeamento" e o limite de bombeamento, 193
6.29 O deslocamento girante e o limite de descolamento, 195
6.3 Caracterfsticas das turbinas, 196
6.31 Mudança de rotação com aletas fixas, 197
6.32 Alteraçã'o da posiçã'o das a letas, 199
6.33 Determinação da posição das aletas para o fluxo respectivo, 199
6.4 Particularidades dos rotares rápidos, 201
6.41 Bombas rotativas, 201

a) Generalidades, 201
b) Posição das zonas de descolamento, 205
c) O significado prático do espaço morto B, 206

6.42 Turbinas Francis, 208


6.43 Regulação das turbinas Kaplan (ajuste simultâneo das aletas e das
pás), 209
6.5 Leis de semelhança para máquinas de fluxo, 213
6.51 Transposição admitindo-se o rendimento e a massa específica constan-
tes, 213
6.52 Transposição com variação da massa especifica, 219
6.53 Transposição dos rendimentos, 220
6.54 Transposição da resistência (ver também a Seç. 4.13), 224
6.55 Formação de séries de tipos, 224 I

7. Perda no Labirinto, Perda de Atrito no Rotor e Empuxo Axial, 226

7.1 A perda no labirinto, 226


7.11 Cálculo do fluxo no labirinto no caso de rotares com coroa exter-
na, 226
7.12 A influência secundária do fluxo no labirinto em rotares com coroa
externa, 231
7.13 Rotares sem coroa externa, 234
7.14 Determinação simplificada da perda no labirinto em retOres axiais, 236

7.2 O impulso axial e sua compensação, 238


7.21 Cálculo do empuxo axial de um rotor radial lento, 238
7.22 A compensação do empuxo axial, 241

l
7.3 A perda por atrito no rotor, 248
7.31 Perda por atrito no rotor quando não há fluxo no recinto interno, 248
7.32 Perda por atrito no rotor quando há fluxo no recinto interno, 251
7.33 Perdas por atrito no rotor e por ventilação em rotares axiais, 251

8. O Sistema Diretor, 253

8.1 A roda diretora com aletas, 253


8.11 Particularidades no caso de bombas, 255
8.2 O espaço diretor sem aletas (anel diretor liso). 260
8.3 A caixa espiral, 264
8.31 Caixa espiral com seção qualquer, 264
8.32 Caixa espiral com seção circular, 267
8.33 Observações complementares, 269
8.4 O sistema diretor na boca de sucção do rotor, 270

I( 9. Particularidades das Máquinas de Fluxo Axiais, 274


iI
! 9.1 Pontos de vista básicos, 274
9.11 O fluxo secundário no rotor axial, 274
9.12 Formas das pás e grau de reação, 275
9.13 As condições de equilíbrio do fluxo em máquinas axiais, 278
9.2 As diferentes possibilidades de curvatura das pás em máquinas
axiais, 280
. 9.21 Generalidades, 281
9.22 Vórtice constante (isto é, fluxo sem rotação} no labirinto do lado da
pressão entre o rotor e o sistema diretor, 281
9.23 Pás recurvadas, mas aletas cilíndricas (não re~urvadas) em turbinas a
vapor, 283
9.24 Construção das pás tipo corpo sólido, 285
9.25 Reação constante r (r}, especialmente r (r} = 0,5, 286

. a) Caso da bomba, 286


b) Caso da turbina, 295

9.26 Outras possibilidades de curvaturas das pás, 303


9.3 Dados para a construção das pás axiais, 303
9.31 Coeficiente de pressão e coeficiente de vazão, 303
9.32 Perfis das pás, 305
9.33 O comportamento dos rotares axiais com carga parcial, 309
I 9.34 Forças nas pás, empuxo axial e vibrações nas pás, 310

·I 9.35
9.4
A escolha dos perfis das pás, 312
Rodas axiais com pás colocadas muito perto, 313
9.41 O sobreângulo em turbinas, 314
9.42 O sobreãngulo nas pás axiais de bombas, 316

II 9.43
9.5
Observações complementares, 318
Rotares axiais com pás muito separadas, 319
9.51 A asa de sustentação isolada no espaço infinito, 320

I
.I
\

9.52 Alterações no comportamento do fluxo em asas de sustentação ao se


passar para grades de pás, 327
9.53 Utilização dos cálculos de asas de sustentação em rotares axiais, 328
9.54 Cavitação e ultra·som, 331
9.55 Consideração da compressibilidade no caso de alimentação a g~s. 333
9.56 Cálculo de rendimento, 333
9.6 O sistema diretor das máquinas axiais, 335
9.61 Cálculo das aletas de bombas, 336
9.62 Distância entre o rotor e o sistema diretor, 337
9.63 A zona morta do cubo, 338 I
I
a) Fluxo sem atrito e incompressível com vórtice e pressão total Pges l
constantes e, com isto, também energia específica Pges constan-
te, 338
ir
b) Pesquisas experimentais e influência da compressibilidade, 342

9.7 Exemplos de cálculo de máquinas axiais, 343


9.71 Cálculo de uma turbina Kaplan, 343

a) Escolha da rotação, 343


b) Medidàs principais do rotor, 343
c) Cálculo das pás, 344
d) Posição do eixo das pás, 346
e) Observações complementares, 348

9.72 Roteiro de cálculo de uma bomba hélice ou de um ventilador


axial, 348

a) Rotor, 350
b) Sistema diretor, 350
c) Caso do uso de um sistema diretor na entrada, 350
d) Observações adicionais, 351

9.73 Cálculo de uma bomba axial de rotação específica moderada ou do


primeiro estágio de um compressor axial de vários estágios, 351

a) Alimentação a ar, 351


b) Alimentação à água, 352

9.74 Cálculo de um estágio intermediário axial de uma turbina a vapor ou a


gás, 353

a) Sistema diretor, 355


b) Rotor, 355
c) O trabalho especffico do estágio, 356
d) Evoluçaõ. do estado do vapor ou gás, 357
e) 50% de reação, 357
fi Escolha dos ângulos, 358
g) Dados construtivos, 358
h) lsopressão com pequeno efeito de sobrepressão, 360
i) As perdas adicionais nas pás das turbinas a vapor, 361

'
I
10. As Máquinas de Fluxo de Vários Estágios, 364

10.1 Indicações gerais sobre o uso de vários estágios, 364


10.2 A máquina de vários estágios, exemplificada no caso da turbina a
vapor, 365
10.21 Os dois tipos de contrução de vários estágios, 366

a) Utilização por estágios da· queda de pressão (estágios de pres-


são), 366
b) Utilização por estágios da velocidade (estágios de velocidade), 366
c) Comparação dos dois tipos, 367

10.22 Tipos de execução de estágios de pressão, 367

a) Estágios de discos, 367


b) Estágios de tambores, 370
c) Indicações de uso geral, 372

10.23 Tipos de execução e propriedades dos estágios de velocidade, 373

a) ·um sistema de pás comum para todos os estágios, 373


b) Tantos sistemas de pás quantos forem os estágios (turbinas
Curtis), 373
c) Cálculo de uma turbina a vapor com estágios de velocidade, 374
d) Escolha do número de estágios e rendimento atinglvel com turbinas
Curtis, 377
e) Estágios de velocidade com pequeno efeito de sobrepressão e seu
cálculo, 381
f) Resumo do processo de cálculo de uma turbi,pa Curtis, 382

10.24 Efeito do aquecimento por atrito em estágios de pressão, 384

a) Meio de trabalho tipo gás ou vapor, 384


b) Comparação dos rendimentos de portadores de energia gasosos e
dos condensáveis, 386

10.25 Turbinas de várias carcaças, rotação e limite de potência, 387

a) Generalidades sobre a utilização de várias carcaças, 387


b) Relação entre rotação, limite de potencia e parte de baixa press/io
de vários fluxos, 388
c) Relação entre o limite de potencia e a alteração de volume do
vapor, 394

10.26 Escolha do grau de reação, 394

a) Indicações gerais, 394


\

b) Determinação do grau de reação mínimo permissfvel para turbinas


a vapor de estágios de discos, 395

10.27 Procedimento de cálculo de uma turbina a vapordeváriosestágios,397

a) Generalidades, 397
b) Último estágio, 397
c) Estágio de regulação e segundo estágio, 399
d) Os estágios intermediários, 400

10.28 Turbinas a vapor de alta pressão e alta temperatura, 403

a) Materiais, 403
b) Elasticidade térmica, 403
c) Carcaça ovalada, 404
d) Carcaça dupla, 404
e) Vedação do eixo, 406
f) Umidade do vapor, 406

10.29 Turbinas a vapor com admissão radial, 406

a) Turbina radial simples, 407


b) Turbina radial de giro inverso de Ljungstrom, 408

10.3 Particularidades dos compressores de vários estágios, 409


10.31 Particularidades construtivas dos compressores de vários estágios ra·
dia is e axiais, 410
10.32 Processo de cálculo, 412

a) Trabalhos iguais nos estágios, 413


b) trabalhos diferentes nos estágios, 415

11. Caracterlsticas das Máquinas de um Estágio e de Vários Estágios


Levando-se'em Consideração ã Compressibilidade, 419

11.1 Compressores trabalhando fora do ponto de cálculo, 419


11.11 Determinação da característica do rotor de um compressor de vários
estágios, 419
11.12 A relação entre a caracterlstica do rotor e a rotação do compressor, 420
11.13 A influência da oonstrução em vários estágios no limite de desloca-
mento e no início da expansão, 420
11.14 A relação entre a característica do rotdr e a temperatura inicial e a
relação entre a característica do rotor e o tipo de gás, 422
11.2 Turbinas a vapor e a gás trabalhando fora do ponto de cálculo, 425
11.21 Representação de resultados de pesquisas por meio de valores unitá·
rios, 425
11.22 Cone do fluxo de vapor segundo Stodola [li, 1], 426
11.23 O comportamento de turbinas a vapor sob carga parcial, 428
11.24 Fluxo volumétrico e velocidade do fluxo em um estágio genérico de
uma turbina a vapor de condensação, 430
\)

12. Métodos Matemáticos da Mecânica dos Fluidos para o Cálculo de


Máquinas de Fluxo, 433

12.1 Fluxo bidimensional através de grades de pás retas, 433


12.11 Transformação conforme, 434
12.12 Métodos das singularidades, 437
12.2 Cálculo de máquinas radiais, 437

13. Condições Especiais emTipos Particulares de Máquinas de Fluxo, 439

1;3.1 A refrigeração intermediária em compressores, 439


13.2 Particularidades das turbinas a vapor e a gás, 442
13.3 Tipos de regulação, 444

Referências Bibliográficas, 445


(ndice Remissivo, 452
I
Introdução Geral

1.1 Considerações preliminares sobre máquinas de fluxo


Uma máquina de fluxo tem a finalidade de, como máquina motriz,
transformar um tipo de energia que a natureza nos oferece em tra-
balho mecânico, ou, como máquina operadora, fornecer energia a um
fluido' para, por exemplo, transportá-lo de um local de baixa pressão
para outro de alta pressão. Quando uma máquina de fluxo trabalha
como motriz, é chamada de turbina e, quando trabalha como opera-
dora, de bomba.
As fontes de energia oferecidas pela natureza são de tipos muito
variados e por isso existem vários tipos de turbinas. A energia hidráu-
lica, ou seja a energia potencial da água, é transformada em trabalho
mecânico pelas turbinas hidráulicas. A energia cinética do vento pode
ser transformada em trabalho mecânico por turbinas de vento, também
chamadas rodas de vento. A energia térmica, ou seja a energia dos
combustíveis e a energia nuclear, pode ser utilizada através de má-
quinas de fluxo quentes, às quais pertencem as turbinas a vapor e as
turbinas a gás.
No caso das bombas o fluido a transportar pode estar no estado
líquido ou gasoso. As bombas para líquidos são tislialmente chamadas
de bombas rotativas, enquanto que as para gases são chamadas de
compressores rotativas ou de turbocompressores.
Quando se compara as áreas de aplicação das máquinas de fluxo
com as das máquinas de êmbolo, observa-se uma grande superposição.
Assim, para a compressão de. gases são usados compressores de êm-
bolo e turbocompressores; para a elevação de água servem as bombas
de êmbolo e as bombas rotativas; a turbina a gás faz concorrência
com o motor de combustão interna; o vapor produzido em uma cal-
deira pode ser usado para fornecer trabalho mecânico tanto através
de uma turbina a vapor quanto através de uma máquina a vapor de
êmbolo.
A situação desta concorrência de ambos os tipos de máquinas é
bastante clara. Para grandes vazões volumétricas as vantagens das
máquinas de fluxo são decisivas, enquanto que para pequenas vazões

1
Como fluido entende-se um gás, um Yapor, ou um líquido ao qual se pode aplicar
as leis da mecânica dos fluidos.
r 2 IIIJTRODUÇÂO GERAL

normalmente as máquinas de êmbolo são preferidas. Ainda mais, o


CAP. 1

campo de aplicação das máquinas de fluxo é limitado inferiormente,


em potência, pelo das máquinas de êmbolo. Não existe, entretanto,
nenhuma limitação superior para o campo de aplicação das máquinas
de fluxo, do ponto de vista de sua construção. Quanto maior a vazão
volumétrica desejada, ou seja quanto maior a potência da máquina,
melhor será seu rendimento e, em geral, menores serão também seus
custos de construção por unidade de potência. Na prática, o campo
de aplicação das máquinas de fluxo só é limitado pelos desejos dos
usuários.
Fica, portanto, reservado às máquinas de j1uxo a conversão de
grandes potências, campo onde o peso da máquina e o espaço neces-
sário para sua instalação são muito menores para estas do que para
as máquinas de êmbolo. Como a técnica sempre se desenvolve no
sentido da construção de unidades cada vez maiores, a importância
das máquinas de fluxo está sempre em ascensão.
A principal característica de uma máquina de fluxo é o rotor
girante com uma coroa de pás que são permanentemente percorridas
por um fluido, que é o portador de energia. A pressão resultante do
fluxo nas pás exerce um trabalho, que depende principalmente do
efeito inerciai da massa fluida devido ao seu desvio pelas pás e tem,
portanto, a mesma origem que a sustentação em uma asa de avião.
Um exemplo que todos conhecem são as rodas de vento (ou moi-
nhos de vento). O vento, ou seja, o fluxo de ar, é desviado pelas pás
e exerce, portanto, uma força que põe a roda em movimento. O
exemplo contrário, também conhecido de todos, é representado pela
hélice de um avião ou de um navio, que é movida mecanicamente,
e na qual a pressão das pás sobre o fluido resultante fornece a força
necessária para o movimento de avião ou navio.
No caso destas rodas de pás que se movem no espaço livre, o
Fig, I. I. Esquema das pás e fluxo tem um movimento circular que, de acordo com a lei da impul-
aletas de uma máquina de fluxo: são, tem o valor contrário ao do conjugado transmitido. Este movi-
em cima: corte longitudinal: em- mento circular do fluido não é desejado, pois representa energia per-
baixo: desenvolvimento do corte dida. Neste livro, entretanto, serão tratadas apenas aquelas máquinas
cilíndrico segundo m- x.
Setas cheias, turbina; setas trace~ de fluxo nas quais o rotor com as pás fica fechado dentro de uma
jadas, bomba, a rotor; b anel caixa e o fluxo é conduzido â entrada e da saída do rotor através de
diretor tubulações ou canais. Com isto, o movimento circular do fluxo de
saída pode ser limitado por uma grade fixa de aletas, o anel diretor,
que é colocado normalmente do lado da pressão no rotor e que
confere ao fluido uma rotação de sentido contrário, absorvendo em
grande parte o conjugado transmitido pelo rotor.
Na turbina o rotor recebe energia do fluxo tal como na roda de
vento. O fenômeno diferencia-se essencialmente só no fato de que a
citada grade de aletas b guia o fluxo para o rotor a (Fig. 1.1). No
caso das turbinas hidráulicas o portador de energia é a água dispo-
nível em um ponto mais alto relativamente ao da máquina. A energia
oferecida é, portanto, energia potencial. No caso da turbina a vapor
aparece no lugar da água o vapor d'água normalmente superaquecido
e com alta. pressão, e no caso da turbina a gás o gás a temperatura e
pressão elevadas (de maneira que um fluxo de vapor ou de gás age
sobre as pás). Em todas as turbinas utiliza-se uma queda de pressão.
A roda d'água (Fig. 1.2) não é uma máquina de fluxo, pois nela
não ocorre um fluxo continuo nas páS, mas um enchimento e esva-
Fig. 1.2. Funcionamento du ziamento das conchas de pás, que, assim, somente precisam ser abertas
roda d'água de um lado. A água entra e sai pela mesma aresta da pá. A força que"
1.1 CONSIDERAÇOES PRELIMINARES 3

age nas pás não é neste caso a da massa do fluxo desviado pelas pás.
mas essencialmente o efeito do peso da água. ~A aceleração da gravi-
dade local tem, portanto, uma influência direta na força nas pás de
uma roda d'água.
Ao contrário, nas máquinas de fluxo as forças nas pás, como já
foi dito, se devem à ação inerciai da massa do fluido, que é totalmente
independente da aceleração da gravidade local. A força da gravidade
somente pode agir de modo indireto nas pás; por exemplo, no caso
das turbinas hidráulicas, o trabalho interno específico Y, que será
tratado na Seç. 1.3, é dado pelo produto da aceleração da gravidade
local pela altura de queda [ver a Eq. (1.1)].
As bombas rotativas têm freqUentemente a finalidade de trans-
portar um fluido de um local de baixa pressão para outro de alta
pressão, transformando energia em sentido inverso ao das turbinas.
A força exercida pelas pás a (Fig. 1.1) no fluxo transmite trabalho ao
fluido de maneira semelhante às hélices citadas atrás. Através desta
ação, aumentam a pressão e a velocidade do fluido. Visando a utilizar
o aumento de velocidade para também aumentar a pressão, conduz-se o
fluido na saída das pás para canais b que se alargam e desaceleram
o fluido. Assim, também neste caso existem os canais diretores como
no caso das turbinas, colocados no mesmo lugar c com o mesmo
aspecto. Sua ação, entretanto, é contrária à do caso das turbinas, pois
eles são percorridos em sentido contrário pelo fluido (ver a Fig. 1.1).
Para uma melhor visualização as Figs. 1.4 e 1.5 mostram foto-
grafias e as Figs. l.l, 1.3, l.5a e 1.5b mostram desenhos de máquinas
de fluxo. As Figs. l.l, 1.3 e 1.4 podem ser turbinas hidráulicas ou.
girando em sentido contrário, bombas; e na Fig. 1.5 é uma turbina
a vapor.
· Como será visto mais tarde, as diferentes formas das pás se devem
às diferentes finalidades das máquinas. Fig. 1.3. Turbina radial com um rotor semellmntc
à Fig. 1.4: cm cima: corte longitudinal: embaixo:
É importante observar a forma especial de representação das pás corte segunlik) m- x. a rotor; b anel diretor;
no corte segundo o eixo de rotação (corte longitudinal) que é dado c tubo de sucção; ,{ mecanismo para ajuste da
nas Figs. 1.1, 1.3 e 1.5a. A projeção de um ponto de uma pá neste posição das aletas: e pino do mecanismo das alctas
plano de corte não é feita ortogonalmente como é usual em desenho
de máquinas, mas circularmente, ou seja, os pontos são rebatidos em
torno do eixo de rotação em um plano paralelo ao plano do corte,
de maneira que "Somente são mostradas as arestas das pás. Isto sim-
plifica a representação, pois as pás se situam nas cav-idades de rotação
das máquinas.
Quando a projeção circular m- x das linhas de corrente no corte
longitudinal, chamadas linhas de fluxo, transcorre essencialmente em
direção radial, diz-se que a máquina tem admissão radial ou rotor
radial. Vê-se na Fig. 1.3 que, neste caso, também ãs aletas são radiais.
A Fig. 1.3 mOstra que, neste caso, as aletas b podem ser giradas pelo
sistema de alavancas d em torno do pino e.
Quando estas linhas de fluxo m- x se situam axialmente no
corte longitudinal, diz-se que a máquina tem admissão axial e rotor
axial (ver Figs. 1.1 e 1.5 a). Existem ainda formas intermediárias de
máquinas, nas quais as linhas de fluxo começam radialmente na aresta
de pressão das pás mas, em seguida, mudam para uma direção axial,
sendo as pás, portanto, duplamente curvadas (rotor Francis na Fig. 1.6).
As grades de ale tas mostradas nas Figs. 1.1, 1.3 c 1.5 b resultam
de cortes dos anéis diretores pela superfície de rotação (superfície do Fig. 1.4. Panes de uma turbina hidráulica
fluxo) gerada pela linha de corrente m- x. Esta SllfJei:fície do fluxo semelhante à representada na Fig. 1.3.
é, no caso do rotor radial da Fig. 1.3, aproximadamente um plano a rotor; b anel diretor; c tubo de sucção
I
4 INTRODUÇÃO GERAL CAP. 1

perpendicular ao eixo; no caso de um rotor axial é um cilindro


circular, através de cujo desenvolvimento se obtém a grade reta de
aletas mostradas nas Figs. 1.1 (embaixo) e 1.5b.
O efeito do rotor axial pode ser apresentado imaginando-se um
movimento retilíneo da grade reta de pás desenhada na direção de
movimento da grade (parte inferior da Fig. 1.1).
Conforme já dissemos, trataremos neste livro principalmente de
turbinas e bombas, compreendendo-se sob a denominação genérica
de bomba ou bomba rotativa tanto máquinas para transporte de água
quanto de gás, ou seja, incluindo os compressores. Da mesma ma-
neira compreende-se sob a denominação genérica de turbina não
somente as turbinas hidráulicas, mas tambéln as turbinas a vapor e
a gás. Quando um "fluido" ou um "líquido" for citado, este poderá
sempre estar em estado de gás, de vapor ou de líquido.
Tais máquinas de fluxo têm evidentemente os mesmos compo-
nentes que são:
1. o rotor, com as pás, que gira com velocidade constante;
2. o anel diretor, com as aletas, que é fi.!(o.
Nas turbinas nem sempre todo o círculo do rotor é alimentado
por fluido, sendo às vezes parcialmente preenchido pelos canais dire-
tores, tal como, por exemplo, nas Figs. 1.5a e 1.5c. Neste caso, diz-se
que a máquina tem admissão parcial, em contraste com' a admissão
total da Fig. 1.3. Nas bombas não é usual a admissão parcial.
(Na Fig. 1.5 c o anel diretor é substituído por canais diretores indi-
viduais separados.)

a b c

Figs. 1.5a e 1.5b. Turbina a vapor de um estâgio com admissão parcial axial tipo De
Lavai (semelhante à da Fig. 1.5c, mas com canal diretor continuei)
a) Corte longitudinal: b) Desenvolvimento do corte cilindrico segundo m - x
a rotor: b anel diretor: c tubo de sucção (escape)
Fig. l.5c. Rotor e injetores de uma turbina a vapor de um estágio com admissão parcial
axial através de canais diretores separados (Turbina Lavai)

Conforme já foi citado, nas turbinas o anel diretor transforma


energia de pressão em energia de velocidade e, nas bombas, trans-
forma energia de velocidade em energia de pressão; em ambos os

~
I
1.1 CONSIDERAÇ0ES PRELIMINARES 5

casos, entretanto, a transformação ocorre principalmente no compo-


nente tangencial da velocidade absoluta. Para bombas o anel diretor
desacelera ·o fluxo que deixa o rotor em alta velocidade. Para turbi-
nas, o anel fica especialmente na mesma posição, mas, devido ao
sentido inverso do fluxo está antes do rotor, conduzindo o fluido à
entrada do rotor •com a velocidade e na direção desejadas. Bombas
e turbinas são, portanto, semelhantes do ponto de vista construtivo,
sendo somente o sentido da velocidade e, conseqüentemente, o sentido
de rotação do rotor, invertidos. Realmente, se se inverter o sentido do
fluxo em uma bomba rotativa com admissão total, ela trabalha perfei-
tamente como turbina, sendo este tipo de operação às vezes usado.
Baseamos, portanto, o tratamento conjunto de bombas e turbi- Fig. 1.6. Rotor e linha de fluxo axial na boca
nas no fato de que o fluxo de um fluido ideal, ou seja, a distribuição de sucção m e linha de fluxo radial na região
de alta pressão x (rotor Francis)
das pressões e dos valores absolutos das velocidades, é independente
do sentido de movimento do fluxo. Somente é necessário levar em
consideração o sinal da velocidade quando a viscosidade for impor-
tante, principalmente quando ocorrer acumulação da camada limite
com o aparecimento de espaços mortos. Como nosso estudo parte
sempre do caso do fluxo sem atrito, faremos a apresentação sem enfa-
tizar a direção do fluxo, ou seja sem dizer se a máquina é uma bomba
ou uma turbina. Por isso não sl!rào usadas as expressões aresta de
entrada e aresta de saída das pás, pois estas trocam de sentido nos
casos de bombas e de turbinas, sendo usadas em seu lugar as expres-
sões aresta de sucção e aresta de pressão. Por aresta de pressão da pá
entendemos a aresta da pá mais próxima do rotor (ver, por exemplo,
as Figs. 1.1 e 1.3) na qual o fluxo está carregado com a energia a
transformar, e por aresta de pressão a aresta que gira onde o fluxo
não está carregado com a energia a transformar e que termina no
chamado "tubo de sucção".
As máquinas de fluxo podem ser estudadas e calculadas de
acordo com vários métodos. O primeiro, que também é o mais
antigo, consiste em considerar uma representação na qual a máquina
teria um número infinito de pás (que teriam evidentemente de ser
também infinitamente finas) e tratar o caso real da nláquina com pás
separadas por um método de aproximação. O segundo parte de uma
representação totalmente oposta, ou seja, considera uma pá única no
espaço infinito e trata o caso de pás próximas também por um pro-
cesso de aproximação. Este método baseia-se nos resultados obtidos
do estudo das asas de sustentação dos aviões. Como estas se movi-
mentam linearmente, o uso dos resultados no caso dos retores axiais
é muito limitado, já que estes têm um desenvolvimento que resulta em
uma grande reta. Outros métodos ainda partem dos processos mate-
máticos da mecânica dos fluidos aplicados aos fenômenos de fluxo,
desprezando-se ou não o atrito no fluido.
Neste livro serão usados principalmente os dois primeiros, sendo
os métodos matemáticos da mecânica dos fluidos para o cálculo de
máquinas de fluxo tratados brevemente no Cap. 12. Conforme o
caso, partiremos da representação com infinitas pás ou da represen-
tação da pá única no espaço infinito. Esta última representação
somente conduz a resultados úteis no caso das máquinas axiais, e
por isso será tratada exclusivamente na Seç. 9.5. Não se pode,
entretanto, negar que este tipo de tratamento também influencia as
outras partes do livro. O primeiro método, que parte do "fluxo con-
gruente nas pás", tem a maior importância e forma a base para a
maior parte do livro.
\

6 INTRODUÇÃO GERAL CAP. 1

1.2 Movimento absoluto e relativo


Observemos o fluxo através de um rotor radial como o da Fig. 1.7.
Se este rotor trabalha como bomba, valem as setas representadas na
figura. O fluxo visto por um observador que se move juntamente
com o rotor é completamente diferente daquele visto por um obser-
vador parado nas vizinhanças da máquina. Çhama-se velocidade
absoluta àquela que uma partícula do fluxo tem com relação ao
observador parado, e velocidade relativa àquela vista pelo observador
movendo-se com o rotor.
A posição da velocidade respectiva é representada pelos índices
descritos no Resumo da pág. XI. que foram escolhidos de maneira
que sejam independentes da direçào do fluxo, já que a posição deve
permanecer a mesma para bombas e para turbinas. Assim, os índices
-u., são ordenados de maneira crescente com a carga de energia do fluido,
que coincide com o aumento da pressão. Logo, crescem no sentido
das maiores pressões, ficando assim coerentes também nos casos limi-
Fig. 1.7. Representação das velo_cidades no tes (isopressão). Devido ao número finito de pás e à sua espessura
rotor radial de uma bomba também finita, é necessário ainda distinguir entre um ponto imedia-
tamente antes da aresta da pá no recinto sem pás, e um ponto
imediatamente após a aresta da pá no recinto com pás. Isto será feito
mesmo no caso em que estejamos considerando número infinito de pás.
Esta seqüenciação dos índices significa que, no caso das bombas,
os ·números aumentam no sentido do fluxo, ocorrendo o contrário·
no caso das turbinas. Isto difere do que é usual neste último caso. na
literatura. Se a notação usual de índices no caso de turbinas tivesse
de ser aqui mantida, não seria possível tratar conjuntamente ambos
os tipos de máquinas, pois os índices em todas as equações teriam
que ser diferentes nos casos de bombas e de turbinas. A notação que
adotamos, na qual a posição é caracterizada independentemente da
direção do fluxo, e a máquina tanto pode ser bomba como tur-
bina, é ainda mais defensável pelo fato de não existir anteriormente
uma notação única adotada universalmente no caso de turbinas. Ela
tem a grande vantagem de que as equações para turbinàs e para bombas
são iguais quando se despreza o atrito. Ainda mais, o efeito do atrito,
quando este for importante, pode ser considerado em um e outro
caso por uma sim pies troca de sinal.
A utilização de dois índices diferentes para cada aresta da pá é
necessária pois ocorre uma mudança no estado do fluxo na passagem
do rotor ao espaço exterior. Um exame mais detido mostra que os
índices 1 e 2 se referem a medidas nas pás, enquanto que os índices O
e 3 se referem à forma do fluxo não perturbado imediatamente fora
do rotor.
A velocidade absoluta c resulta da adição vetaria! de w e u, ou
seja, o módulo e a direção de w e de tt definem os lados de um para-
lelogramo, cuja diagonal representa a velocidade absoluta c e cujos
lados representam a velocidade relativa w e a velocidade tangencial u,
todas elas definidas pelos seus módulos e direções. Desta maneira,
diz-se também que estas três velocidades formam os lados de um
triângulo. A Fig. 1. 7 mostra os gráficos destas velocidades nas
arestas das pás.
Partiremos inicialmente da representação que considera o fluxo
tal como ocorreria se houvesse um número infinito de pás infinitamente
finas. Neste caso podemos considerar as linhas de corrente congru-
entes com as pás e o fluxo como sendo unidimensional. A trajetória
das partículas fluidas tem a forma da pá AB (Fig. 1.7). O início da
1.1 CONSIDERAÇOES.PRELIMINARES 7

pá está, portanto, no caso de entrada "sem choque", na direção da


velocidade relativa de entrada, ou seja no caso das bombas na direção
de w,. formando o ângulo {3 1 com a direção tangencial; da mesma
maneira, o final da pá fica na direção de w2 , formando o ângulo {3 2
com a direção tangencial. Os ângulos {3 1 e {3 2 podem ser vistos nos
triângulos de velocidade A1 B1 C1 (Fig. 1.8) e A 2 B 2 C 2 (Fig. 1.8a).
Quando, para eliminar perdas, se desejar uma entrada sem choque, a
direção da velocidade relativa deve ser igual à direção do primeiro
elemento da pá. Isto, na realidade, somente pode ocorrer exatamente
no caso de número infinito de pás e só é possível aproximadamente
para um determinado volume de fluxo, que deve ser tomado como
referência de cálculo.
As direções da velocidade relativa e da extremidade da pá coin-
cidem também na aresta de saída, pois o fluxo deixa o canal das pás
tangencialmente à sua extremidade. No caso de uma bomba, isto
termina fazendo um ângulo {3 2 igual ao da velocidade de saída w2 ,
com a direção tangencial.
No caso das turbinas, a entrada fica na extremidade da pá do
lado da pressão B (Fig. 1.7). Fora isto, não se altera, neste caso, mais
nada do que foi dito para bombas. Fig:- 1.8. Triângulo de velocidades
na aresta de sucção da pá
A trajetória descrita por uma partícula fluida vista por um obser-
vador parado nas proximidades da máquina, ou seja, seu movimento
absoluto, AB' na Fig. 1.7, começa, para bombas, na direção da veloci-
dade absoluta c 1 com o ângulo a 1 e termina na saída na direção da
velocidade absoluta c2 com o ângulo a2 • Quando a partícula fluida B,r""':::::::'---"::!....-,.-.-------J,;,--'-.:L--..:::.,
alcança o ponto B do rotor, ela está no ponto B' com relação ao
ambiente. Assim, o arco de círculo BB' é a trajetória que o ponto B
do rotor percorre durante o tempo t que a partícula fluida leva para Fig. I.Sa. Triüngulo d~ vdo~,;idad~s na
ir de A até B, de maneira que o ângulo central tp do arco de círc11lo aresta de pressão da pú
BB' é igual a wt no caso de velocidade angular w constante. No caso
de urna turbina, a mesma trajetória absoluta será percorrida no sen-
tido oposto.
Todas estas observações valem independentemente da forma da
superfície de rotação, na qual as linhas de correntes transcorrem
(superfície do fluxo), ou seja independentemente de ser a admissão
radial ou axial.

1.3 ·O trabalho específico interno Y


A queda de energia entre a entrada e a saída de uma máquina de
fluxo tem o mesmo significado que a tensão nos terminais de urna
máquina elétrica 1. Trataremos esta diferença de. energia como dife-
rença da capacidade de trabalho entre as extremidades de pressão e
de sucção por unidade de massa do fluido que passa pela máquina 2 •
Esta diferença é chamada twbalhu especifico interno Y. A unidade
coerente de trabalho (ver pág. IX) é I Nm. igual a I J, e a unidade
de massa é 1 kg. Assim, o trabalho cspecírico interno é medido em
Nm/kg = Jjkg. Da unidade de força I N = I kg m/s 2 vem

1
Deve·se observar também aqui que as leis da eletrotécnica e da hidrodinâmica
são muito semelhantes.
2
Quando não há na máquina tomadas de sucção e de pressão, a diferença é medida
entre as seções correspondentes nas suas extremidades.
8 INTRODUÇAO GERAL CAP. 1

O trabalho específico interno Y mostra de quanto muda a capacidade


de trabalho de 1 kg de fluido ao passar pela máquina de fluxo. Em
bombas a capacidade de trabalho aumenta e em turbinas diminui.
1 Jfkg é uma unidade muito pequena, sendo comum medir-se o
trabalho específico interno Y na unidade não coerente 1 kJ/kg. De
acordo com o que foi visto na pág. I X vem

1 kJ = 1000 _:1_
kg kg'

1 kcal = 4186 8 _:1_ "' 4190 _:1_ •


kg ' kg kg

Na prática, no caso das máquinas de fluxo que se encontram


fixas na terra e que trabalham com fluidos condensáveis, ao invés de
se trabalhar com o trabalho específico interno, é comum utilizar o
conceito da altura de elevação, ou da altura de queda H (medidas,
por exemplo, em m). Neste caso, vem
Y= gH, (1.1)

onde g representa a aceleração da gravidade local (por exemplo,


g = 9,81 mjs 2 ). Em primeira aproximação, pode-se tomar H como a
diferença de nível da água a montante e a jusante no caso de turbinas
hidráulicas e também de instalações de bombas rotativas, despre-
zando-se ainda as perdas nas tubulações e admitindo-se velocidades
de fluxo iguais a montante e a jusante.
Em cálculos exatos, obviamente, é necessário considerar as perdas
nas tubulações até a entrada e na saída da máquina de fluxo. Estas
perdas não devem ser atribuídas à máquina (da mesma maneira que
não se incluem as perdas nas linhas de transmissão no caso das má-
quinas elétricas), pois estes condutos mudam com a instalação e
normalmente têm fabricante diferente do da máquina. Isto deve ser
observado pois as perdas em uma máquina são uma medida de seu
rendimento. O trabalho específico interno de uma turbina é igual à
soma do trabalho útil fornecido por 1 kg de líquido no eixo da tur-
bina com o trabalho específico correspondente às perdas na má-
quina. Para bombas, o trabalho específico interno Y é igual ao
trabalho entregue no eixo por 1 kg de líquido menos o trabalho espe-
cífico correspondente às perdas na máquina.
No caso de turbinas hidráulicas,. e também de turbinas a vapor
de condensação, considera-se a canalização do lado de sucção (o tubo
de sucção) como pertencente à máquina (ao contrário do caso das
bombas), pois ela será usada para reduzir a velocidade de saída, e
assim assume parte da conversão de energia. No caso das bombas, o
tubo de sucção é, na maioria das vezes, cilíndrico, pois a passagem
pára a velocidade de entrada pode ser feita em um trecho mais curto,
normalmente dentro da máquina.
A energia, ou seja a capacidade de trabalho específica que a
partícula líquida de uma corrente possui, pode ser dada pela cons-
tante de Bernoulli, que, no caso de fluidos incompressíveis, é dada por:

p c'
E =-+-+gh (1.2)
e 2 •

1.1 CONSIDERAÇÓES PRELIMINARES 9

onde:
p pressão estática, por exemplo em N/m 2 , --
g massa específica do líquido, por exemplo em kg/m 3 ,
c velocidade absoluta do fluxo, por exemplo em m/s,
g aceleração da gravidade no local, por exemplo g = 9,81 m/s 2 ,
h altitude, por exemplo em m. [â:
S PéC.S
Representando-se as capacidades específicas de trabalho do fluido nas
tomadas de pressão e de sucção por En e E8 , respectivamente, o tra-
balho específico interno Y será dado por

(1.3)
Fig. 1.9. Esquema de uma máquina de fluxo D
tomada de pressão: S tomada de sucção: Pv
e, com isto, no caso de fluidos incompressíveis pressão estática na tomada de pressão:
p p c2 c2 Ps pressão estática na tolnada de sucção;.
y= D ; S + D ~ S + ge. (1.4) c0 velocidade média na tomada de pressão;
cs velocidade média na tomada de sucção
Na Eq. (1.4) todas as grandezas referentes à tomada de pressão são
denotadas pelo índice D e todas as grandezas referentes à tomada de
sucção pelo índice S. Além disto, a diferença de altura hn- h8 é deno-
tada por e (ver a Fig. 1.9).
A Eq. (1.4) no caso geral (ou seja, para fluidos compressíveis ou
incompressíveis) se transforma em

cz - c2
Y=Y+D
P 2 s+ ge, (1.5)

onde YP representa o trabalho específico sem perda (por exemplo em


Nm/kg), que é necessário para transportar o fluido de um recinto
com pressão Ps para outro que esteja com a pressão pD.
A Eq. (1.5) vale para todas as máquinas de· fluxo. No caso de
fluidos gasosos (compressores, turbinas a gás, turbinas a vapor) a Q "s v
grandeza g ·e é quase sempre desprezível. No caso de turbinas a·
"o
vapor e,. freqüentemente, também n'o caso de turbinas a gás, também
Fig. 1.1 O. Representação do trabalho sem
a grandeza (ct-;- c~)/2 pode ser ~esprezada de_yido a seu valor ser perdas YP no diagrama p, v
muito pequeno e, portanto, y = rp• / "
Determinação de ~· Para a 'epresJ'fução do trabalho específico . '.
sem. perdas utilizamos o diagrama p1 1 v conhecido da termodinâmica,
usando a pressão p como ordenada e o volume específico v= 1/g
como abscissa (Fig. 1.10). Se a curva AB' representa uma transfor-
mação, sem perda, da pressão Pn à pressão p8 , então a área AB'CD
é igual ao valor YP.
Vale portanto: · p
lb !7c777.,..,.,'7777777?77.>777?"lB'
l
PD
YP = Ps v dp =área AB'~D. (1.6)

A forma da curva AB' tem uma grande importância no tamanho


da área. "·
No caso de fluidos condensáveis (por exemplo, água), deve-se
considerar v= 1/g como constante. Então AB' ·é vertical (Fig. l.lOa)
e vem o
(1.7) Fig. 1.1 Oa. No caso de fluidos incompres·
síveis, AB' é vertical
10 INTRODUÇÃO GERAL CAP. 1

Para gases e vapores tomaremos por base para AB' uma trans-
formação adiabática-isentrópica, e para caracterizar esta escolha ~
será denotado Y"" (Fig. l.lOb). Por uma transformação adiabática-
isentrópica entendemos um fenômeno sem perdas e isolado termi-
camente.1
Inicialmente será examinado o cálculo de um caso muito simpli-
ficado onde o fluido se comporta como um gás ideal. Tal hipótese
é válida também em muitos casos reais, quando o ponto de trabalho
do gás considerado estiver muito longe do ponto de liquefação, por
exemplo quando o ar atmosférico for ser comprimido. No caso de
vapor uma tal hipótese não pode ser aceita.
p Para um gás ideal e uma transformação adiabática-isentrópica a
curva AB' é dada pela lei

p v* = const., (1.8)

onde x = cp!cP · cP e cv são os calores específicos, a pressão constante


L' a volume constante, respectivamente. Para gases monoatômicos
poJe-se quase sempre tomar x = 1,66 e para gases biatômicos (por
exemplo ar) x = 1,4. Para gases triatômicos em diante os valores
podem ser obtidos de manuais. A Eq. (1.8) dá

const. )~
Fig. 1.1 Ob. O trabalho sem perdas
é representado por Y aJ quando V=
AB' é uma transformação adiabáw
( ---' p
tica· isentrópica
onde o valor "const." é sempre determinado pelo estado na entrada
da máquina. No caso de bombas, o estado na entrada fica no lado
de sucção; logo, const. = p5 v5. Da mesma maneira, como no caso de
turbinas, o lado da entrada é o lado da pressão e então: const. =
= p0 vx0 . Devido a isto, o cálculo de Y"' deve ser feito separadamente
para bombas e para turbinas. No caso de bombas, vem, de acordo
com a Eq. (1.6),

PD (P~sx)lX dp.
yad =
iPS (1.9)

A solução desta integral dá:

Y = _x P v
ad X - 1 s s
1-(..fu.)x~l-
L Ps
1]: (1.10) •

Com a equação geral dos gases ideais pv = R T, onde R é a constante


dos gases em Nm/kg K e T a temperatura absoluta em graus Kelvin,
resulta

Y = _ x RT. [(.!!JL)x~l (1.11)


ad X - 1 s Ps

1
Na literatura os fenômenos sem perdas e com isolamento térmico são muitas
vezes denominados somente "adiabáticos". Em uma nomenclatura mais precisa (ver por
exemplo [IV, 28, vol. 1, p. 14]) chama-se.de adiabática uma transformação termicamente
isolada que pode ter perdas. A denominação de isentrópica significa que o fenômeno
transcorre sob entropia constante.
I
!

1.1 CONSIDERAÇ0ES PRELIMINARES 11

Vem

x _x_ -- _S_
R = cP - cv e, com isto __ R .
1
Resulta então

y = c T..
(1(/ P s
[(Pn)~
Ps
_1]. (1.12)

No caso de turbinas estas equações ficam:

PD(p- - l'")l
l
J) /) ;o;:
Yaú = dp, (1.9a)
PS fJ

(l.IOa)

y = ____::____ RT.
ad X- 1 D
[1 _(Ps)": '] Pv '
(l.lla)

Y
ad
= c T
p D [
Ps C
I - - - Rr
( Pv )
J
· (1.12a)

Nestas equações pode-se tomar, quando o fluido de trabalho é o ar:


R= 287 Jjkg K e cr= I 005 Jjkg K. A mudança de temperatura em
uma transformação adiabática-isentrópica é determinada por

T
--x=T = const.·
p------x

No caso de uma bomba vem (Fig. !.lia)

T'
v
= T.
s
(Pn)": Ps
1

Das Eqs. (1.12) e (1.13) vem, para uma bomba

(1.14)

Para uma turbina (Fig. 1.11 b) fica

(1.13a)

e
(1.14a)

Pode-se obter diagramas T, s (temperatura, entropia) para o ar e


outros gases freqüentemente usados na prática (Figs. !.lia e b) e,
com seu uso, o cálculo fica bastante simplificado.
12 INTRODUÇAO GERAl CAP. 1 11

Figs. l.lla e b. a) bomba (compressor); b) turbina. Representação da transformação


no diagrama T, s (temperatura, entropia). A - B transformação real, A - B' transfor
mação adiabática isentrópica. Para uma explicação de Z e K ver a Seção 1.43b

Por outro lado, vapores se comportam de maneira muito dife- d


rente dos gases ideais e, portanto, não se pode calcular com as
Eqs. (1.8) a (1.14). O mesmo vale, naturalmente, também para gases
cujo ponto de trabalho esteja próximo do ponto de liquefação. Para
os vapores que ocorrem freqüentemente na prática (por exemplo
vapor d'água) pode-se obter diagramas h, s (entalpia, entropia) que
usaremos para o estudo das transformações (Fig. 1.12). Então vem
para bombas
(1.15)

para turbinas
(1.15a)

Nas equações anteriores t é a temperatura (em graus centígrados),


h é a entalpia (conteúdo de calor), por exemplo em Jjkg ou kJjkg
Os índices S e D nas grandezas sem "linha" caracterizam os estados
reais nas extremidades de sucção e de pressão, t~ e h~, e t~ e h; são
valores de t e de h nos extremos da transformação adiabática-isen-
Fig. 1.12. Representação da transformação trópica, que - como linha de entropia S constante - situa-se verti-
em uma turbina no diagrama h, s (entalpia,
calmente ao eixo S (Figs. 1.11a e 1.12).
entropia)

1.4 Perdas e rendimento em máquinas de fluxo


1.41 Os vários tipos de perdas
As principais perdas que ocorrem dentro das máquinas são
devidas ao atrito, às variações de seção e de velocidade, que em
geral reduzem a pressão e que são conjuntamente chamadas de
"'perdas hidráulicas". São também denominadas "perdas nas pás"
devido ao fato de ocorrerem principalmente nos canais das pás e das
aletas. São denotadas Z". As perdas nas pás Z" têm a mesma uni-
dade que o trabalho específico interno Y, por exemplo, Nmjkg. As
perdas nas pás representam uma perda de trabalho por unidade de
massa do fluido de trabalho.
No caso de bombas este trabalho de perda deve ser fornecido
pelas pás ao fluido de trabalho, adicionalmente ao trabalho especí-
fico interno Y. O trabalho específico transmitido pelas pás será
denotado Ypá' Assim, vem,

...
1.1 CONSIDERAÇOES PRELIMINARES 13

no caso de bomba:

ypá = y + z,,.
Ao contrário, no caso de uma turbina o trabalho específico nas pás
Ypâ é igual ao trabalho específico interno Y oferecido à turbina menos
as perdas nas pás 7 11 • Assim vem
no caso de turbina:
Ypá = Y- z,l.
Conjuntamente para bombas e turbinas, pode-se escrever

ypá = y ± z,, (1.16)

onde aqui e no que segue o sinal superior se refere sempre à bomba


~e o inferior à turbina.
/ Além das perdas nas pás z, existem ainda as perdas por fuga de
fluido que não influem na pressão ou tem uma influência de menor
importância. A estas pertencem primeiramente as perdas no labirinto,
que ocorrem devido à existência de um interstício entre o rotor e a
carcaÇa, denominado labirinto devido à sua forma usual, que é neces-
sário por razões construtivas e através do qual uma parte do meio
de trabalho flui para o tubo de sucção, evitando o rotor. Além destas,
existe usualmente uma pado de fluido através da gaxeta. Em certos
tipos de construção existe ainda uma perda adicional no labirinto
devido à compensação do empuxo.
Deve-se, também, considerar o atrito nas paredes externas do
rotor, ou seja, a potência de atrito no rotor Pr, que pode ser medida,
por exemplo, em watt.
Além disto existe a troca de fluido entre o recinto atrás do rotor
(recinto de saída) e os canais das pás, que ocorre no caso da desace-
leração do fluxo, pois neste caso a camada limite do recinto de saída
deve _fluir contra pressão crescente. Então ocorre o perigo de retorno
da camada limite ao rotor, ou seja, a necessidade dela ser novamente
acelerada. Esta perda por troca acontece, portanto, somente nas
bombas e nunca nas turbinas. Ela tem o mesmo caráter do atrito
no rotor e causa uma perda adicional de potência 1 P", que até hoje
não pode ser calculada corretamente e pode, dentro dos limites de
cargas normais, quase sempre ser desprezada.
As perdas tratadas até agora são, em seu conjunto, denominadas
pe1·das internas. Elas têm a propriedade comum de transmitir calor
ao fluido de trabalho, o que é importante principalmente no caso de
turbinas a vapor e a gás. Somadas à potência útil elas resultam na
potência interna, que deve ser entregue no eixo das bombas ou pode
ser retirada no eixo das turbinas. A potência interna é dada por

(1.17)

onde Vrepresenta a vazão volumétrica útil e V,, a perda por fuga de


fluido (perda no labirinto), por exemplo, em m 3 /s. Com a massa
específica g (por exemplo em kg/m 3 ), vem

1
Esta troca de impulsão consome ainda uma parte da energia da corrente de fluido
que é importante, principalmente em cargas parciais e em carga normal, no caso da
utilização de aletas de saída (ver pág. 202 e 256).
14 INTRODUÇAO GERAL CAP. 1

(1.17a)

que dá o fluxo de massa na máquina. Por kg do fluido a transportar


sai da potência P, um trabalho J-;, denominado trabalho especifico
imemo e que é dado por

Y.i = ~
m = (' +- v~,v ) rr<~ ± (Z, + Z,) (1.18)
l!

com

z, P, e Z = ~" · (1.18a)
lil a m

Para uma máquina termicamente isolada, Y, pode ser lido diretamente ~


dos diagramas T, s ou h, s, o que é de grande significado prático prin-
cipalmente nos casos de turbinas a gás e a vapoi e de compressores.
De acordo com as Figs. 1.11a e 1.12, vêm
(1.19)
e
Y; = hn - hs. (1.19a)

No caso de meios gasosos (compressores, turbinas a vapor e a gás),


e V alteram-se no interior da máquina, o que entretanto não reduz

i
Q
a utilidade das equações apresentadas, pois o fluxo de massa ni = Q Ji
não se altera.
Finalmente, devem ainda ser consideradas as chamadas perdas
externas ou perdas mecânicas, que representam principalmente perdas
em superfícies deslizantes e que são causadas por atritos em mancais
e gaxetas, ou ainda por atrito com o ar nos acoplamentos. No caso I
de turbinas ainda aparecem as perdas devido ao gasto de energia
pelo regulador e pelos equipamentos auxiliares acionados diretamente,
tais como bombas de óleo e outros. O calor gerado por estas perdas
claramente não é transmitido ao meio de trabalho (não se conside-
rando que uma parte do calor de atrito nos mancais e nas gaxetas
que é transmitido à carcaça, pode ser entregue ao fluido). Se a
potência de perda correspondente é P"'' então a potência total trans-
mitida pelo acoplamento (chamada potência no eixo ou no acopla-
mento) é

(1.20)

De acordo com os vários tipos de perdas, distingue-se os seguintes


rendimentos:
1.42 Os diferentes rendimentos
Rendimento das pás (ou rendimento hidráulico), que somente
caracteriza' as perdas de pressão
no caso de bombas:
y y
l!,l = ypá = y + z,J ,

no caso de turbinas:
~ Y-Z"·
lflz = y = y
1.1 CONSIDERAÇOES PRELIMINARES 15

Para poder novamente considerar a influência do atrito em bombas


e em turbinas por uma simples mudança de sinal, usaremos a notação
comum para as duas expressões acima

ry,, = (yy)±l ("Y +y z )±1 ,



=
- 11
(1.21)

onde novamente o sinal superior se refere a bombas e o inferior a


turbinas.
O rendimento do difusor ou do injetor do rotor 'lm. caracteriza
as perdas que ocorrem no rotor durante a transformação da- energia
de velocidade em energia de pressão (bombas), ou da energia de
pressão em energia de velocidade (turbinas). Para bombas ele é
dado por

energia de pressão ganha no rotor


rt DL = enero-ia
o cinética utilizada

e, no caso de turbinas 1

energia cinética gerada no rotor


YfnL = energia de pressão utilizada

Sob certas condições (ver pág. 39) vale para bombas e turbinas [de
acordo com a Eq. (2.37)]

ryDL = (yci/~s) ±1. ( 1.22)

Nesta Y- Y5 P é a diferença de energia de pressão entre ambos os


lados do rotor (para o significado de Ys, ver. a Seção 2.52) e c 3, é o
componente de velocidade convertida no rotor.
Rendimento interno, que inclui todas as perdas internas,

(1.23)

No caso de portadores de energia gasosos em máquinas não refi-i-


geradas e isoladas termicamente, de acordo com as Eqs. (1.14) a (1.15a)
e ainda com as Eqs. (1.19) e (1.19a), utilizando-se uma transformação
adiabática-isentrópica para comparação, pode-se escrever (ver Figs.
l.lla, l.llb e 1.12)

no caso de gases
no caso de vapor
com cP = const.

h~- hs .. t~- ts
para bombas 17;=~ 17;=~ (1.24)
D S D S

hD- hs ln- ts
pã.ra turbinas 111 = "il---=-ii' 17;=t=(' (1.25)
D S D S

1
Se (/Jy denotar o coeficiente de perda de velocidade (ver Seções 5.52, 5.62 e a Fig.
5.49) e se Ç denotar as perdas que ocorrem no rotor, então vem (por exemplo, com
<I' v = 0,97) llnL = q>~ = (I - () = 0,97 2 = 0,94.
,....--
16 INTRODUÇAO GERAL CAP. 1

As Eqs. (1.24) e (1.25) permitem determinar o rendimento interno,


sem necessidade de medidas de potência, de maneira confiável, quando
o ponto de tra,balho e, portanto, a temperatura e a pressão, forem
medidos. Neste caso a perda de calor e também a transmissão de
calor à carcaça, devem ser limitadas.

Rendimento mecânico, que considera as perdas externas

Rendimento geral ou rendimento no acoplamento

(1.26)

O rendimento geral ~ e também o rendimento interno ~i podem


ser determinados diretamente por ensaios. O rendimento das pás rh,
entretanto, não pode ser assim determinado, e deve ser calculado a
partir de ~ ou de ~i pela eliminação das perdas que não são de
pressão. Introduzindo-se na primeira expressão da Eq. (1.26) os
valores de m da Eq. (1.17a) e de P da Eq. (1.20), vem, após simplifi-
cação e com Pa =O
para bombas

(1.27)

para turbinas
_ l+(P,+Pm)/P
(1.28)
~. - 1- VsJV ~·

As Eqs. (1.27) e 1.28) permitem relacionar os valores de ry e de ry 1, que


são necessanos no cálculo do rendimento das pás. Se ainda mais
Pm = O, pode-se usar ry, no lugar de 17 e obtém-se uma relação
entre 11k e 'h
Pode-se determinar a perda no labirinto V,P de acordo com o que
·será dado na Seção 7.1 e a potência de perda por atrito no rotor de
acordo com a Seção 7.3.
O coeficiente de perda mecânica P"'/P deve ser estimado de
acordo com valores experimentais. Ele é tanto menor quanto maior
for a potência.
As máquinas de fluxo, quando trabalham no ponto de cálculo
(ver Cap. 6), freqüentemente alcançam rendimentos entre 0,80 e 0,90
e mesmo mais. Neste caso, o rendimento mecânico é da ordem de
0,99 e o rendimento das pás entre 0,85 e 0,93. Estes números devem
ser tomados somente como orientativos e em várias seções deste
livro serão dadas estimativas melhores para os valores que cada
rendimento em particular pode alcançar.

1.43 Formas especiais do rendimento para fluido gasoso

a) O rendimento adiabático e isotérmico dos compressores refri-


gerados. Nas máquinas refrigeradas, que são quase somente compres-
sores, o processo sem perdas não é uma transfonJlação adiabática-
1.1 CONSIDERAÇ0ES PRELIMINARES 17

isentrópica tal como vem sendo exclusivamente considerado até agora,


mas também não é uma isotérmica (pois a refrigeração nunCa pode
ser completa); é um processo intermediário entre estes dois. Se este
for tomado por base, a qualidade da refrigeração não aparecerá no
rendimento. Por isso é comum escolher processos de comparação
fixos também no caso de máquinas refrigeradas, sendo normal o uso
da isotérmica, ou da adiabática-isentrópica, onde o trabalho usado
para comparação, que é o trabalho normalmente específico Y,, (ver a
Fig. l.lOb), é muito grande devido à economia obtida pelo efeito da
refrigeração e assi~ o rendimento adiabático 1'fad parece muito grande.
Tomando-se a isotérmica por base, calcula-se o trabalho especi-
fico interno Y como anteriormente pela Eq. (1.5), fazendo-se, entretanto

Y = Y. = p v ln PD = RT. ln PD ·
P 1s s s Ps s Ps

Os outros membros da Eq. (1.5) são, na maioria das vezes, despre-


zíveis, de maneira que se pode tomar Y = Y,,. Este trabalho especí- '
fico interno isotérmico é muito pequeno, devido à refrigeração não
ser completa. O rendimento isotérmico obtido é tanto menor que o
adiabático quanto maior for a compressão. Evidencia-se então a
existência de um rendimento isotérmico da compressão adiabática-
isentrópica. Pode-se obter outros dados nas Normas para compres-
sores da VDI (III, 16).
b) O rendimento politrópico. No caso de compressores não
refrigerados a. curva da transformação não tem a forma de uma
adiabática-isentrópica, pois o fenômeno ocorre com entropia cres-
cente devido ao calor de atrito Z, que é gerado e que, .na Fig. l.lla,
é representado pela área abaixo da curva AB. Tomando-se por base
uma politrópica com a equação pv" = PsV" s pode-se calcular o expo-
ente das temperaturas medidas, pois
,_,
~ =
(~:) -,-,

donde
n - 1 log (TD/Ts)
- (1.29)
- n - = log (pD/Psl .

O aquecimento do gás pelo calor de atrito causa um aumento K


no trabalho de compressão pura (da mesma maneira que a refrige-
ração traz uma economia). Este trabalho adicional K no trabalho
de compressão (área ABB' na Fig. ·1.11a) é às vezes considerado um
trabalho útil, o que somente é razoável quando se deseja comparar
o rendimento real com o que resultaria caso o fluido tivesse volume
constante. Isto é feito para se julgar a qualidade das pás independen-
temente da compressibilidade e, portanto, também independentemente
do efeito da relação de pressões. Neste caso deve-se usar o trabalho
politrópico ~, 1 no lugar do trabalho adiabático-isentrópico para
representar o trabalho específico interno na Eq. (1.23). Este trabalho
politrópico é obtido substituindo-se na Eq. (1.5)

(1.30)

onde novamente toma-se Y = Ypol·


18 INTRODUÇÃO GERAL CAP. 1

O rendimento politrópico assim definido é dado, para compres-


sores, por

ou, devido à Eq. (1.30) e por causa de Y, = cjTD - Ts), onde


X
CP= X - I R,

(1.31)

Finalmente, substituindo-se também o valor da Eq. (1.29), vem

( ) _ x- I log(pn/Psl. (1.32)
ry, pol - X log (TD/T,;)

Este valor válido para compressores é maior que o rendimento ba-


seado na adiabática-isentrópica da Eq. 1.23), sendo comparável ao
rendimento atingível no caso de fluido de trabalho incompressível.
No caso. de turbinas deve-se tomar o valor inverso da Eq. (1.32), que
.
fica, portanto, menor que o 1Ji correspondente .
Deve-se observar ainda que a forma da Eq. (1.32) somente pode
ser usada para gases.
No que se segue não faremos mais nenhum uso do rendimento
politrópico no estudo de compressores e de turbinas a gás. Ele é
freqüentemente citado na literatura, para comparar a qualidade de
máquinas não refrigeradas que possuam diferentes trabalhos especí-
ficos internos com os valores atingíveis no caso de fluxo incom-
pressível.
Para máquinas de vários estágios não refrigeradas, o trabalho
adicional de compressão K influencia a distribuição do trabalho total
nos vários estágios, devido ao aquecimento do gás pelo calor de
atrito, tanto no caso de turbina como no de compressor, como será
visto na Seç. I 0.24.
O Mecanismo do Fluxo no Rotor 1

2.1 O momento das forças nas pás e o trabalho das pás


relacionado à massa Ypá
Consideraremos inicialmente um rotor com pás simplesmente
curvadas (Fig. 2.1) e com arestas paralelas ao eixo. Para usar a equação
da impulsão 2 tomaremos as superfícies de controle como superfícies de
rotação em torno do rotor imcdiatamcntl! antes da aresta de sucção
e imediatamente atrás da aresta de pressão. Na Fig. 2.1 estas são as
superfícies cilíndricas I e II. Tomamos a superfície externa do rotor
como superfície de união, de maneira que a superfície de controle I
corte a parede do rotor. Isto é necessário, pois o conjugado pro-
curado age na superfície de corte. Apesar dO número finito de pás,
admitimos que o fluxo através das superfícies de controle I e II seja
unidimensional e estacionário. Para isso, admitimos que o fluxo uni-
forme que se forma a distância suficiente do rotor se prolongue até
as superfícies de controle, tomando isto como uma representação
simplificada da distribuição desigual de velocidades que ocorre real-
mente ao longo das pás.

Fig. 2.1. Representação das super11cies de


controle no rotor

' 1
Ver Schiele. O.: Zur Energieübcrtragung in Strõmungsmaschinen. KSB Technischc
Bcrichte, 12 (Maio 1967) 3/9.
2
Explicação da equação da impulsão [III, l, pp. 29/37].
20 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

As forças normais resultantes das forças que agem nas super-


fícies de controle cilíndricas, ou seja as pressões no fluido, não criam
nenhum momento de rotação sendo, portanto, desprezadas. Um tal
momento de rotação aparecerá devido à impulsão do fluido que
passa pelas superfícies de controle e através de .efeitos de viscosidade,
ou seja, de forças tangenciais. Referindo-nos à Fig. 2.1 (na qual as
setas estão na realidade na direção do fluxo em uma bomba)
denotamos

as velocidades médias do fluxo ao atravessar as superfícies


de controle dos lados de sucção e de pressão do rotor,
respectivamente,
cx 0 , a3 os ângulos destas velocidades com a direção tangencial,
r 1' r 2 os raios dos cilindros circulares nos quais se situam as arestas
de sucção e de pressão das pás, respectivamente (nos cálculos
tomaremos r1 = r0 e r 2 = 1' 3 ),
m=ºv o fluxo de acionamento (fluxo de massa), por exemplo. cm
kg/s.

Com esta notação, ocorrem, independentemente da direção do fluxo


no interior do rotor, as seguintes forças nos círculos das superfícies
de controle:
Na superfície de . controle cilíndrica I a força de impulsão 0 mc
na direção de c 0 com o braço de alavanca [0 = r1 cosa 0 , portanto,
com o momento

onde o sinal negativo mostra que este momento reduz o momento


transmitido.
Na superfície de controle II a força de impulsão mc
3 na direção
oposta de c 3 com o braço de alavanca !3 = r2 cosa 3 , portanto, com
o momento

Ao longo da superfície total de controle aparecem ainda forças tan-


genciais devido ao movimento turbulento de transição da camada
limite entre o canal do rotor e o espaço externo nas superfícies cilín-
dricas I e II (correspondentes às perdas de transição tratadas na
Seç. 1.41). Tais forças causam um momento M,. Nas superfícies late-
rais age o atrito no rotor. que será tratado em separado (ver pág. 248 ),
portanto, por ora desprezado. Assim, o momento transmitido pelas
pás é

ou
(2.1)

onde o sinal positivo em Ma é para o caso de bomba e o sinal nega-


tivo para o caso de turbina.
Como as ·componentes tangenciais de c 3 e de c 0 são c 3 cosa 3 =c 3 u
e c0 cosa 0 = c0 ,., a Eq. (2.1) também pode ser escrita

(2.2)
2.1 O MOMENTO DAS FORÇAS NAS PAS 21

A grandeza dentro dos parênteses representa o aumento do vórtice rc 11


no rotor.
Se despzezarmos o termo M,, devido ao efeito da viscosidade, vem

(2.3)

Neste caso o conjugado transmitido pelas pás fica igual ao fluxo de


massa vezes a diferença de vórtice.
Para o caso de fluxo livre, a Eq. (2.2) transforma-se na Equação
do vórtice constante, pois, com Mpa=Ü e Ma=O, vem r 2C 311 -r 1c 0 u=O.
A Eq. (2.2) foi deduzida para bombas, de acordo com a Fig. 2.1, mas
tem validade geral.
O momento causado pelo efeito de viscosidade M, somente tem
sentido quando houver uma transição da impulsão nas superfícies de
controle I e II e é importante principalmente no caso de bombas com
carga parcial. Ele tem um efeito semelhante ao momento do atrito
no rotor, ou seja, não influencia o trabalho específico interno, ou
tem uma influência secundária, neste. Somente em casos especiais
esta transição da impulsão traz uma contribuição sensível ao carre-
gamento de energia do fluxo acionador. De qualquer maneira, como
ela não pode ser calculada, deve ser também desprezada, como
também o atrito no rotor. Deve-se somente levar em consideração
sua existência, que pode ser importante para a compreensão de
alguns fenômenos (ver, por exemplo, a Seç. 6.26). Denotando por w
a velocidade angular do rotor, o trabalho nas pás Y,,resulta em

ou

y. = M'law
Pll m

ou ainda, levando em consideração a Eq. (2.3),

(2.4)

Substituindo as velocidades tangenciais do rotor nos raios r1 e r2 ,


com u 1 =r 1 w e u2 =r 2 w, vem, finalmente,

(2.5)

Esta é a equação fundamental das máquinas de fluxo, que foi deduzida


por L. Euler em 1754. Ela é válida também para o caso em que a
massa específica varie ao longo do rotor, ou seja, no caso de fluxo
gasoso, pois a massa específica º
não aparece na equação. Ainda
mais, ela também é válida para o caso em que as arestas das pás não
são paralelas ao eixo, ou seja, no caso de rotares axiais e semi-axiais.
O importante é observar que os efeitos da viscosidade dentro
das superfícies de controle não invalidam a equação da impulsão e,
com isto, não limitam a validade da Eq. (2.5). Assim, todas as equa-
ções deduzidas nesta seção são válidas, independentemente da ocor-
rência de perdas por atrito, por choque, por variações de seção ou de
direção na passagem do fluxo pelo rotor. Naturalmente, altera-se
nestes casos o rendimento das pás, ou seja, no caso de pás a grandeza
Y, mas não o ~á' desde que se use as velocidades reais nas equações.
22 O MECANISMO 00 FLUXO NO ROTOR CAP. 2

Como a massa específica (! não aparece nas equações, o trabalho


específico nas pás Ypa e, admitindo-se um rendimento das pás igual 1
[ver a Eq. (1.21)], também o trabalho específico interno Y são inde-
pendentes do tipo de fluido. Assim, por exemplo, são iguais para
água, óleo e ar. Da mesma maneira, também o fluxo acionador JÍ é
independente do tipo de fluido. Ao contrário, a diferença de pressão
obtida, o conjugado e, conseqüentemente, a potência são proporcionais
à massa específica.
O. exemplo numérico seguinte esclarece melhor a influência da
massa específica:
Seja uma bomba rotativa com V= 0,1 m 3 js, com um trabalho
específico nas pás YP, = 1250 Nm/kg e com um rendimento das
pás ~,, = 0,80. Com isto o trabalho específico interno é dado por
Y = ~,~,, = 1250 x 0,80 = I 000 Nm/kg [ver Eq. (1.21)]. Seja esta
bomba adequada para trabalhar com água ou com ar na mesma
rotação 2 Suas tomadas de sucção e de pressão têm o mesmo diâ-
metro, logo, c8 = cv, e estão na mesma altura, ou seja, e = O. De
acordo com a Eq. (1.4), o trabalho específico interno será então

Y = (Pn- Psl/Q.

Assim, vêm os resultados:

Fluido água (a.= I 000 kgjm 3 ) Fluido ar (a = 1,2 kg/m 3)

diferença de pressão
Pv - p, ~ Q Y ~ I 000 · I 000 Pn - Ps = Q Y = 1,2 · 1000
= 106 N/m 2 ~ 1200 N/m'
= 10 bar~ 10,2 atm = 0,012 bar ~ 0,0122 atm
potência útil [ver Eq. (1.17a) e Eq. (1.16)]
PFiuldo = eVY = f1P PFiuido = eVY = flP
~ 1000 ·0,1·1000 ~lO' w ~ 1,2·0,1·1 ooo~ 12ow
~ 100 kW ~ 0,12 kW

O exemplo numenco mostra que no caso de uso da bomba com ar


ou com gás é necessário um enorme trabalho específico interno para
se obter a diferença de pressão nominal. De acordo com a Eq. (2.5)
isto exigiria grandes velocidades tangenciais u 2 , que são limitadas,
entretanto, a cerca de 300 a 350 m/s devido às solicitações centrífugas.
Desta maneira, para a obtenção de grandes diferenças de pressão,
coloca-se vários rotares . em série: organização em vários estágios
(Fig. 2.2). Neste caso os trabalhos específicos internos dos vários
estágios devem ser somados. Para a obtenção de grandes fluxos, ao
invés de grande diferença de pressão, pode-se arranjar vários estágios
em paralelo: é a organização em vários fluxos (Fig. 2.2a). Neste caso
devem ser somados os fluxos volumétricos dos vários rotares.

1
Em cálculos mais precisos e, de qualquer maneira, no caso de J1uiJos viscosos,
o rendimento das pás deve ser calculado conforme indicado na· Seç. 6.53.
2
Neste exemplo numérico será desprezada a compressibilidade do ar, o que é
razoável devido à pequena variação de pressão.
2.1 O MOMENTO DAS FORÇAS NAS PAS 23

Fig. 2.2 Esquema da organização em vários estágios Fig. 2.2a. Esquema da organização
de rotares radiais em vários fluxos de rotares radiais

Fig. 2.3. Ilustração da circulação

Inclusão da circulação. O conjugado transmitido pelas pás Mpá deve também


poder ser expresso em função da circulação, pois a pressão nas pás aparece devido
à interação de um fluxo de circulação com outro de vazão [III, 1]. A circulação deve
ser calculada no fluxo absoluto, pois somente ela é,em geraL livre de turbilhonamento,
desde que a corrente não tenha nenhuma rotação. No presente caso, pode ser escrita
tanto incluindo as pás, que estão sempre relacionadas a turbilhonamento, como excluindo-
as (Fig. 2.3). A primeira é chamada circulação externa r a e a última é chamada circula-
ção interna ri. Se estas grandezas forem determinadas ao longo dos círculos de raios r2
c r 1 (Fig. 2.1), vem

r"= c3u. 2rz1t = 2n(rz c3u),


r;= Cou • 2r 1 1t = 2n(r 1 C0 u)
ou

Com isto a Eq. (2.3) po·de ser escrita

(2.6)

A diferença das circulações externa e interna é determinada pelos núcleos de turbi-


lhonamento situados entre ambas as regiões. Tais núcleos podem ser representados
pelas pás, desde que o fluxo (absoluto) esteja livre de turbilhonamento.
De acordo com as leis da mecânica dos fluidos, a circulação é igual à soma das
circulações ao longo das linhas internas à trajetória de integração. Se denotarmos a
circulação das pás individuais, calculada a partir de uma configuração de momentos
do fluxo absoluto, por r 3 , vem para z pás a relação

r"- r;= zr.. (2.7)


F

24 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

A Eq. (2.6) pode também ser escrita

(2.8)

mas ainda, vem

M áw w r
r;,,=~= -2 z s = nzr•. (2.9)
m •

2.2 Formas mais usadas •la equação fundamental


Usualmente os rotares de bombas recebem o fluxo diretamente,
ou seja, sem aletas diretoras especiais, e, portanto, livre de vorticidade,
o que dá a0 = 90' e, com isto, c 0 , = O (Fig. 2.4 e compare com a
Fig. 2.17). Então, de acordo com a equação fundamental [Eq. (2.5)],
o trabalho nas pás é

(2.10)

No caso de rotares de turbinas, c0 é a velocidade de saída do rotor.


Aqui ela representa energia não utilizada e, portanto, uma perda, a
perda de saída, que o construtor deseja manter a menor possível.
Um valor finito desta velocidade c0 é necessário para transportar o
fluido de trabalho para fora da máquina. Entretanto, neste sentido
somente age o componente perpendicular à direção tangencial do
rotor, que é c0 sena 0 = c0 m, enquanto que o componente tangencial
c0 cosa 0 = c011 faz o fluxo circular e não tem nenhuma utilidade.
Deve ser considerado um componente cego, deste ponto de vista,. e,
em principio, deve ser evitado. Assim, no trabalho da máquina no
ponto de cálculo, toma-se como regra rx 0 = 90°, ficando, então, igual
ao caso das bombas, de maneira que a Eq. (2.10) não se altera.
Levando-se em consideraçãO todas as perdas que ocorrem, um
cálculo preciso, ou seja, U'ma busca do ótimo do rendimento, dá
quase sempre um ângulo rx 0 menor que 90°, tanto no caso de bombas
quanto no de turbinas (ver Seç. 2.25). Isto faz então que a velocidade
Fig. 2.4. Triângulo de velocidade para relativa na aresta de sucção se reduza (ver Seç. 9.4). No caso de uma
a aresta de sucção quando IX0 = 900 turbina a vapor de vários estágios, a energia de saída de cada estágio
é utilizada no estágio seguinte, e, portanto, neste caso, ângulos de
saída diferentes de 90' não têm nenhum inconveniente. Na verdade,
eles são quase sempre maiores que ·90°, o que torna o segundo
membro da Eq. (2.5) positivo e representa um aumento do trabalho
nas pás Y.,. Em qualquer caso as diferenças são tão pequenas que
não têm nenhuma influência no tratamento geral presente, de ma-
neira que a Eq. (2.10) pode ser considerada a equação fundamental.

2.3 A influência do número finito de pás


Tanto no caso de turbinas como no de bombas deve-se ainda
hoje, com exceção de alguns poucos casos, calcular considerando o
fluxo congruente com as pás, ou seja, um número infinito de pás.
Isto se deve a não existirem ainda processos de cálculo simples de
mesma eficiência partindo de outras hipóteses. Entretanto, enquanto
que no caso de turbinas os resultados destes cálculos aproximados
podem ser utilizados quase sempre sem correções importantes, o
mesmo não ocorre no cálculo de bombas. Uma bomba assim cal-
culada teria um trabalho nas pás Ypá muito pequeno e não alcançaria
\

2.3 A INFLU~NCIA DO NúMERO FINITO DE PAS 25

o trabalho específico interno Y desejado. Esta grande diferença de-


corre de que as distâncias finitas entre as várias pás causam uma desi-
gualdade do fluxo ao longo de um círculo paralelo e, assim, o fluxo
relativo não acompanha toda a variação de direção prevista pelas
pás. No caso de turbinas ocorre o mesmo, mas o efeito final é usual-
mente desprezível, como ainda será visto.

2.31 Caso sem atrito, explicado no exemplo da grade de pás reta


Para obter uma visão básica, consideraremos corte cilíndrico
concêntrico em um rotor axial. Desenvolvendo o cilindro em um
plano, resulta uma grade reta infinita de pás (Fig. 2.5). O movimento
rotativo do rotor é, então, representado por um movimento retilíneo
na direção da grade. Consideramos a grade limitada por planos
paralelos ao plano do desenho e observamos a distribuição das cor-
rentes do fluxo relativo para o caso da entrada sem choque. Esta será
idêntica à imagem do fluxo livre de choque contra as mesmas pás
em repouso, e, portanto, também do rotor axial, já que ~este caso
o movimento de rotação aparece somente como um deslocamento na
direção .da grade. Inicialmente admitiremos um fluido sem atrito, o
que permitirá obter a imagem da corrente de acordo com as regras
válidas para um fluxo potencial plano (ver Seç. 12.1 e [III, 1]). Isto é
mostrado na Fig. 2.5 para duas pás próximas. Devemos observar que
o limite das pás é uma linha de corrente e que a uma distância sufici-
entemente grande, antes e após a grade, existe o fluxo paralelo não
perturbado com velocidades w0 e w3 , respectivamente. A direção
deste último deve ser calculada a partir das condições de entrada sem
choque e saída tangencial 1. Isto significa que nas extremidades de
ambos os lados das pás deve haver a mesma pressão e a mesma velo-
cidade, ou seja, que as linhas de corrente, que formam o quadrilátero
curvo que limita a pá, somente podem ser diferentes na região da pá.
Esta condição só pode ser cumprida para uma direção determinada
de entrada e saída do fluxo, que não coincida com as tangentes nas
extremidades das pás imaginadas infinitamente finas, o que exige
várias tentativas 2 • Fazemos as seguintes observações na imagem do
fluxo estabelecido:

1. As linhas de corrente dentro do fluxo não são congruentes


com as pás. Os tubos de corrente se alargam no lado côncavo, frente
das pás, e se estreitam no lado convexo do dorso das pás, de maneira
que também as velocidades no canal do lado da frente inicialmente
diminuem e, depois, no lado de trás, aumentam e, aproximadamente
no meio das pás, existe uma sobrepressão do lado da frente e uma
subpressão do lado de trás. A diferença de pressões determina a força
na pá, ou seja, ·o trabalho na pá. A entrada e a saída tangenciais do
fluxo têm como conseqüência que a diferença d.e pressão em ambos
os lados da pá desapareça e que, como foi dito, os tubos de corrente
de ambos os lados sejam aí da mesma largura. Transversalmente às
pás as velocidades não são igualmente distribuídas, como no caso

-r 1 Esta saída tangencial será garantida pelo fato de que o "turbilhonamento de partida"
que em outros casos desaparece, induz o fluxo de circulação necessário, que se situa sobre
o fluxo de passagem.
2
As linhas normais (linhas equipotenciais) se deslocam ao longo das linhas de
corrente de um número de quadriláteros curvos igual ao valor da circulação obtido da
Eq. (2.8). Ver também Albring, W.: Ein Nãherungsverfahren etc . .. Maschinenbau-
technik 5 (1956) 207/19.
26 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR

de fluxo congruente com as pás, mas são maiores do lado de trás


CAP. 2
I
das pás do que do lado da frente.

Fig. 2.5. Imagem das correntes de um fluido ideal (fluxo potencial) cm


uma grade de pÍls reta e plana

2. Aquelas linhas de corrente prox1mas das pás são curvadas


pouco antes e pouco depois do canal das pás, para o lado de trás das
pás, claramente devido à subpressão que aí existe e que tem um
efeito de sucção, e também devido à sobrepressão que existe do lado
da frente. O resultado é um desvio das linhas de corrente de um
ângulo {3 0 - {3 1 na entrada e de um ângulo de /3 2 - {1 3 na saída. Em
comparação com o fmgulo do fluxo, o ângulo das pás é diminuído na
entrada e aumentado na saída. Ambas mudanças de ângulo têm
origem na presença da grade que provoca o desvio /3 3 - {3 0 menor do
que /3 2 -/3 1 dado pelas pás. Isto é visto claramente na linha média
AB que atravessa a grade de pás com uma alteração de direção
menor do que a curvatura das pás.
Assim, o número finito de pás tem a conseqUência notável de que
os ângulos das pás na entrada e na saída devem ser aumentados no
sentido de uma ampliação do efeito de desvio, portanto, no sentido de
um aumento de potência, em comparação com o caso ideal de pás colo-
. cm/aS i1~linitamente próximas.
Se não forem previstos estes sobrefmgulos, o número finito de
pás causará uma redução do desvio do fluido e, portanto, uma redu-
ção da potência da máquina em comparação com o cálculo, de acordo
com a teoria das linhas de corrente unidimensionais.
Estes resultados foram obtidos admitindo-se um fluxo sem atrito
e valem tanto para turbinas como para bombas, pois a imagem das
correntes é independente de sua direção e também da corrente aciona-
dora. Em seguida veremos até onde isto é válido quando se consi-
dera a viscosidade.
2.32 Influência da viscosidade
Até agora analisamos o efeito do espaçamento das pás, sem levar
em consideração a viscosidade. O efeito da viscosidade, entretanto,
1
2.3 A INFLUÕNCIA DO NÚMERO FINITO DE PAS 27

é considerável, principalmente no caso do fluxo retardado das bombas,


de maneira que neste caso não se aplica a imagem do fluxo da Fig. 2.5.
Inicialmente, devido à espessura finita, aparece agora um espaço
morto logo após a extremidade de entrada das pás. Tal ocorre devido
à necessidade da pressão se elevar depois do ponto de estagnação,
juntando a camada limite. Esta contração de entrada, no caso de
bombas, cria, . a grosso modo, um efeito semelhante à redução de
seção que já se viu ser necessária devido ao desvio de entrada, sendo
comum admitir que ambos os efeitos se compensam e desprezá-los
no cálculo. Na maioria dos casos, inclusive, um aumento do ângulo
de entrada assim calculado mostra ser vantajoso. No caso de tur-
bina, a contração de entrada não age como um sobreângulo. Entre-
tanto, ela é muito reduzida pela aceleração do fluxo e, apesar disto,
considera-se também neste caso, em regra geral, um sobreângulo. Na
Seç. 2.8 trataremos do comportamento do fluxo na entrada das pás
e a formação da aresta das mesmas de maneira mais completa.
Assim, a consideração do desvio de entrada em turbinas e bombas
não tem grande significado (exceto no caso dos rotares extremamente
rápidos, quando as distâncias entre as pás são muito grandes): Isto é
também devido à razão ainda não citada de que a direção do fluxo
na entrada é rigidamente predeterminada e, portanto, o trabalho nas
pás r;,,,
de acordo com a equação fundamental, depende somente da
velocidade do fluxo de saída, de maneira que um ângulo de entrada
errado nas pás só afeta o "choque de entrada" (ver Seç. 2.8). As
condições no canal de saída são muito diferentes. Aí a forma da
extremidade das pás determina a direção do fluxo de saída, e, por-
tanto, o trabalho nas pás YP, e, com isto, também a potência da
máquina. Como será, então, aí o fluxo h!fluenciado pela viscosidade?
Em todo lugar, onde, na Fig. 2.5, os tubos de corrente se alargam,
a camada limite tem que fluir contra pressão crescente. Como ela
somente pode escoar desta. maneira quando é levada pelo fluxo não
perturbado próximo, usualmente o que acaba ocorrendo são acumu-
lações da camada limite ou até mesmo espaços mortos. Tais espaços
mortos devem ser esperados, no caso do fluxo em bomba da Fig. 2.5,
na saída das extremidades posteriores convexas das pás.
Também no fluxo acelerado na turbina os tubos de corrente se
alargam (pois a Fig. 2.5 não se altera quando a direção do fluxo é
trocada) novamente na saída do canal do lado convexo das pás
(lado de trás).
Em ambos os casos ocorre um alargamento da camada limite,
de maneira que sempre deve-se esperar o aparecimento de espaços
mortos na extremidade das pás (da mesma maneira que atrás das
asas de sustentação). No caso do fluxo retardado das bombas rota-
tivas este efeito se amplia e o espaço morto estende-se freqüente-
mente por todo o lado de trás das pás, devido à ação conjunta da
contração de entrada.
Esta formação de espaço morto é considerável, mesmo no caso
mais favorável quando os espaços mortos no rotor são reduzidos até
certo ponto pelas forças centrífugas (ver Seç. 9.11). Assim, a espes-
sura da pá na saída age no mesmo sentido que o espaço morto que
aí aparece.
As conseqüências no trabalho das pás são opostas no caso de
bombas e de turbinas, çomo mostra o raciocínio seguinte, que se
refere à pá a·xial da Fig. 2.6. Esta é percorrida pelo fluxo de baixo
para cima. A pá de bomba é mostrada em linha cheia e a de turbina
28 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

em linha tracejada, ou seja, com curvatura oposta. Ambos estes


sistemas de pás se movem na direção da seta.

Fig. 2.6. Os diferentes efeitos do espaço morto no canal das pás do rotor
de uma turbina (7) e de uma bomba (B)

A inclinação de saída e a distribuição das pás foram escolhidas


iguais para ambas as formas de pás, para se poder comparar as con-
dições de saída. Em ambos os casos ocorre o aumento de pressão na
extremidade convexa na saída das pás, conforme foi discutido com
relação à Fig. 2.5, e, com isto, aparece o espaço morto A no caso de
bomba e o espaço morto B no caso de turbina. Pode-se ver que o
espaço morto no caso de pá de turbina é menos extenso que no
caso de bomba.
Na representação considerada na Fig. 2.6 de sistemas de pás de
bomba e de turbina com iguais arestas e mesma direção de saída,
denotamos todas as grandezas relacionadas com um ponto no canal
das pás imediatamente antes da aresta da pá com * e todas as gran- ·I
dezas fora do canal das pás, ou seja, atrás da aresta de saída, com **.
Da mesma maneira que a espessura finita das pás, o espaço morto
contribui para um estreitamento da secção do canal, e, conseqüente-
mente, para um aumento da velocidade relativa w* imediatamente
antes da saída. Obviamente também seus componentes longitudinal
w: = w* sen P* = c! e tangencial w:
serão maiores que os valores
calculàdos considerando-se um fluxo sem espaço morto. Sem espaço
morto vale o componente longitudinal menor c!*, que, por razões
de continuidade, deve também ocorrer no caso com espaço morto a
uma distância razoável além da grade, pois aí o espaço morto já
desapareceu, da mesma maneira que o estreitamento devido à espes-
sura finita das pás. O componente tangencial w:,
ao contrário, não
será alterado quando as causas de seu aumento desaparecerem, de-
vido à equação da impulsão, pois, para isto, de acordo com a Eq. (2.3),
seria necessária a aplicação de um conjugado adicio11:al, que não está
disponível no espaço externo. Assim, = w: w:*
e, por isso, o ângulo
de saída se reduz de llf! em comparação com o ângulo das pás. Esta
alteração de direção significa, no caso de bombas, uma redução do
efeito de desvio e, portanto, um aumento da potência mínima, em
comparação com a que seria necessária no caso de pás finas e fluido
ideal, conforme a Fig. 2.5. Ao contrário, o canal de uma turbina,
mostrado tracejado, tem curvatura opoSta, representando a variação
de ângulo llf!, um aumento do efeito de desvio e, conseqüentemente,
uma potência adicional.
Deve-se também considerar o fato de que a formação do espaço
morto no dorso da pá atua como um sobreângulo da pá no fluxo
2.3 A INFlU~NCIA DO NúMERO FINITO DE PAS 29

acelerado na grade (turbina), enquanto que, no caso do fluxo retar-


dado na grade (bomba), seu efeito é de reduzir o valor do ângulo
construtivo. Assim, a experiência mostra que no caso de turbinas
o espaço morto, agindo como uma curvatura adicional disfarçada,
aumenta muito a potência mínima fornecida pelo fluxo potencial 1 •
Portanto, em regra geral, não é necessário considerar o número
finito de pás na saída das pás no projeto de turbinas. Esta importante
simplificação é permissível tanto no cálculo de turbinas a vapor,
como de turbinas hidráulicas lentas, desde que as pás estejam razoa-
velmente próximas. Medidas feitas atrás de grades retilíneas de pás
de turbinas mostram mesmo que o fluxo tem um desvio maior do
que o que seria de se esperar do ângulo das pás. Portanto, nos tipos
de pás mais comuns em turbinas o efeito da distância finita entre as
pás causa principalmente a formação do espaço morto. Assim, para
pás situadas a pequena distância, como as de turbinas a vapor e de
turbinas hidráulicas de baixa velocidade, considera-se o estreitamento
provocado pela distância finita entre as pás, mas despreza-se para
todos os outros efeitos seu espaçamento. Somente se deve prever um
sobreângulo nas pás de turbinas quando as pás forem muito espa-
çadas ou quando a forma das pás não tiver uma saída de pequena
ação, tal como nas pás com linha básica circular (ver Seçs. 4.31, 5.42
e 9.41). Sobre estas inter-relações, o trabalho de Holzenberger [V, 37]
contém interessantes subsídios.

O mecanismo do fluxo mostrado na Fig. 2.6 parte do princípio do número infi-


nito de pás situadas infinitamente próximas, coíltanto que se admita que a velocidade
w* deixe o canal das pás tangencialmente às mesmas. Devido a estas limitações, não
aparecem todos os efeitos do espaço morto. Isto. se demonstra, por exemplo, no fato
de que, no caso de P* = 90°, esta representação não permite reconhecer nenhuma
influência do espaço morto na potência mínima da máquina e que, no caso em que
{3* > 90° mostra inclusive uma potência adiciona~ enquanto que, na realidade, para
tais ângulos (que, de qualquer maneira, somente podem ser considerados em bombas
e não em turbinas) observa-se uma potência mínima bem maior do que o que seria
esperado de acordo com o mecanismo do fluxo sem atrito [V, 37.]. Deve-se também
considerar o fato de que o espaço morto influencia o fluxo, já dentro do canal, no
sentido de que a variação de direção será reduzida. resultando em que o ângulo de
saída seja sempre - e mesmo no caso de P* > 90° - menor que o ângulo da
pá P*- Além deste efeito de desvio causado pelo espaço morto, existe ainda outro que
cresce com o ângulo de desvio das pás e que, assim, é tanto maior quanto maior
for {3*. Este último efeito representa a única contribuição do espaço morto para a
potência mínima.

Desta maneira, o cálculo de pás de turbinas é basicamente mais


simples que o de. pás de bombas. A causa mais importante disto é que
nas bombas trata-se de um fluxo retardado, que tende a um comporta-
mento instável devido às condições da camada limite (Seç. 6.29) e
que, na ocorrência de ultra-som, dá o choque de compressão. Em
conclusão, o projeto de pás de bombas traz maiores dificuldades que
o de pás de turbinas.

1 Ver ROder, K.: VDI-Z. 85 (1941) coluna esquerda· da p. 547; também IV,15] e

lV, 16]; mais ainda Proceedings Inst. Mech. Eng. London 1 (1924) 469.
30 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

N. Scholz [V, 36] mostrou que também a espessura no trecho


média de pás afiladas tem um efeito semelhante ao descrito atrás
para a espessura no final das pás, ou seja, reduz o trabalho das pás
no fluxo retardado e aumenta o trabalho das pás no fluxo acelerado.

2.33 A grade de pás radial girante

As considerações feitas até o momento valem tanto para a grade


de pás girante (rotor) quanto para a grade fixa de aletas (sistema
diretor). Nesta seção serão tratadas as peculiaridades do fluxo en-
trando e saindo dos canais de pás de rotares radiais, devido ao movi-
mento giratório. As particularidades do comportamento do fluxo em
rotares axiais somente serão tratadas mais tarde no Cap. 9 (ver
também o Cap. 12).
a) Desprezando-se o atrito. Quando o rotor gira com a veloci-
dade angular w, o fluxo relativo deve girar com velocidade oposta à
do rotor, portanto com uma rOtação - ro. Esta .. turbulência relativa
do canal'', da qual é possível fazer uma idéia facilmente imaginando-se
ambos os lados do .canal fechados (Fig. 2. 7), impede o desenvolvi-
mento da imagem de corrente do fluxo relativo usando as mesmas
regras vistas para o fluxo absoluto. Ainda é possível obtê-lo, entre-
tanto, superpondo-se a imagem de corrente do canal parado (fluxo
de vazão) sobre a imagem do canal girante sem transporte de fluido
(fluxo de deslocamento), que é semelhante à citada turbulência rela-
tiva do canal. De acordo com a Fig. 2.7 as velocidades das turbu-
lências relativas do canal na frente da pá estão no sentido contrário ao
da vazão, e as no dorso da pá estão no sentido da vazão, dando nova-
mente pequenas velocidades resultantes na frente, portanto mais altas
pressões, e grandes velocidades resultantes, e portanto pressões mais
baixas no dorso da pá (Fig. 2.8). Desta maneira, a distribuição de
velocidades resultante é semelhante à representada na Fig. 2.5. Vê-se
que a turbulência ~relativa do canal, ou seja, a rotação, aumenta a
pressão nas pás, o que também pode ser explicado pela ação conjunta
das forças centrífugas e de Coriolis (ver Seç. 2.6c). As pás de bombas
radiais são usualmente curvadas para trás, ao contrário das pás de
turbinas radiais (ver Seç. 2.71).
A equação de Bernoulli não pode ser mais aplicada a este fluxo
relativo que contém rotação. Em seu lugar, aparece a equação da
energia para o fluxo relativo, que é a seguinte:

p
(! +
w2 - u2
=
q
; +
w~ - ui = const. (2.11)
2 2

Esta equação é obtida seguindo-se a pressão estática p ao longo de


um tubo qualquer de corrente do fluxo relativo, quando se soma a
variação de pressão do tubo parado, que segue a equação de Bernoulli,
Fig. 2.7. Fluxo relativo em um rotor à variação de pressão no tubo de corrente girante e cheio de fluido
completamente fechado no caso de fluido mas sem vazão. Ela resulta também da Eq. (2.34), que ainda será
sem atrito (turbulência relativa do canal) vista, ligada à Eq. (2.31).
Ao longo de um mesmo círctilo paralelo, ou seja, para mesmo u,
existe um conteúdo de energia constante, seguindo a Equação da Lei
de Dependência de Bernoulli. Se observarmos o comportamento da
pressão em um trecho de um círculo Paralelo entre duas pás conse-
cutivas, veremos que p diminui da frente de uma pá para o dorso da
próxima, donde aparece a pressão na pá. Assim, w aumenta e disso
2.3 A INFLU~NCIA DO NúMERO FINITO DE PAS 31

resulta a distribuição de velocidades, como anteriormente, com a


inclusão da turbulência relativa do canal (Fig. 2.8).
b) Considerando-se o atrito. Quando se mede a distribuição de
velocidades relativas que realmente aparece na saída do rotor de uma
bomba radial (ver a Seç. 2.13), pode-se encontrar, ao contrário do
que mostra a Fig. 2.8, ou seja, contrariamente ao que foi dito, velo-
cidades muito mais altas na região da frente das pás na saída do
canal das pás, do que na região do dorso das pás. A razão _disto é a
influência do atrito, que será explicada a seguir:
Fig. 2.!:!. Distribuiçào das
Inicialmente consideraremos o comportamento do fluxo em uma velocidades no canal das pás
curva 1 (Figs. 2.9 e 2.10) e em um canal relo girante (Fig. 2.11). Na curva no caso de fluido sem atrito
aparecem forças centrífugas dentro do fluxo, e no canal girante apa-
recem forças de Coriolis. Em ambos os casos, estas forças causam um
aumento da pressão estática na direção da parede do canal do lado
de pressão. Tanto na curva [IV, 12] quanto no canal girante apa-
recem correntes secundárias, que estão mostradas na Fig. 2.9 para
uma curva, e que são semelhantes, em princípio, no canal girante
[V, 46: V, 74]. Estas correntes secundárias aparecem da maneira
seguinte. A velocidade do fluxo de um fluido real, ou seja, com atrito,
b'
é sempre menor nas paredes (na camada limite) que no meio do canal.
As maiores velocidades do fluxo no meio do canal causam, na curva,
maiores forças centrífugas e, no canal girante, maiores forças de Fig. 2.9. Corrente secundária cm uma
Coriolis que as menores velocidades do fluxo nas paredes laterais do curva. a entrada da curva: b corte
através da curva: c lado da pressão:
canal. As forças maiores, após um determinado trecho inicial, levam d linhas da corrente secundária: H\
o fluido do meio do canal na direção da parede do canal do lado de velocidade do fluxo na entrada
pressão, enquanto que nas paredes la.terais o fluido escapa das pare-
des do canal no lado de pressão. Estas correntes secundárias oca-
sionam o aparecimento de maiores velocidades do fluxo nas paredes
%
do canal no lado de pressão do que na parede interna do canal
/
(ver Fig. 2.10), enquanto que pouco antes do início da curva existem 0
maiores velocidades na parede interna do canal. Da mesma maneira, /
//
em um canal girante, a distribuição de velocidades se apresentará no /;
início corno na Fig. 2.8. Com fluidos reais, com atrito, após um deter- ;..::
minado trecho inicial, aparece também o fluxo secundário citado,
que modifica a distribuição de velocidades para a forma mostrada ·n;
/ a b
na Fig. 2.12.
A comparação dos fluxos em um canal girante e em uma curva,
naturalmente, só é possível como uma aproximação muito grosseira.
Foi aqui usada para facilitar a compreensão do comportamento em
um canal girante, uma vez que o fluxo em curvas é bem conhecido.
H. P. Lewinsky-Kess/itz [V, 47] mediu o comportamento da velo-
cidade relativa em um canal de pás de uma bomba radial (Fig. 2.13) 2
Na primeira parte do t:anai das pás (por exemplo, no círculo V com
raio a na Fig. 2.13) existe uma distribuição de velocidades semelhante Fig. 2.1 O. Perfil de velocidades na saída
à da Fig. 2.8; aí a velocidade relativa aumenta de aproximadamente de uma curva [ver V, 45) a, b lados da
6 m/s na frente das pás. Portanto, a uma distância a do eixo, o fluxo pressão c da sucção da curva, respec-
secundário ainda não influiu na distribuição de velocidades. Devido tivamente: w velocidade. local
ao aparecimento do fluxo secundário, a velocidade relativa na frente
das pás aumenta a partir de a (por exemplo, no círculo VI com raio h)
e no dorso é aproximadamente igual a esta, de cerca de w = 8 m/s,
enquanto que no meio do canal das pás aparecem velocidades maiores.

1
Ver Fisch~r. G.: Einflupgrõpen der Sekundãrstrõmung in gckrümmten Kanalen.
:v1:J..;chincnbautcchnik 20 (1971) H. 8, pp. 399/404.
2
Vc r Domm, U., Hergt, P.: Die Encrgicverteilung in d;ei Radialrãdem verschiedcner
Breitc. Forschungsbcricht Nr. 63-01 der AVA, Gõttingen 1963, p. 138/154.
r 32 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

I Na saída do canal das pás (ou seja, a uma distância r 2 do eixo) o


fluxo secundário influi mais ainda; o máximo da velocidade é aí de
cerca de w = 12 m(s na frente das pás, enquanto que no dorso é de ·
somente cerca de 6 m(s. O meio de trabalho flui com esta distri-
buição irregular de velocidades no sistema diretor, em um fenômeno
que será discutido posteriormente (Seç. 8.2).
A distribuição irregular de velocidades na saída do rotor pode
também ser explicada pelo fato de o fluxo secundário (ver Seç. 2.14)
j transportar, por um lado, fluido de altas velocidades relativas, do
"' espaço no dorso das pás para o espaço na frente das pás e, por outro
lado, pressionar o fluido em baixas velocidades, da camada limite
-·+·- nas paredes laterais do canal na direção do espaço no dorso das pás.
O próprio fluxo secundário origina-se do fato de que as partículas
fluidas no meio do canal possuem maiores forças na direção tangen-
Fig. 2.11. Canal reta girante com cial que as partículas fluidas da camada limite nas paredes laterais
seção quadrada (ver rv, 46]) do canal. As forças na direção tangencial dependem da aceleração
que as partículas fluidas têm na direção tangenciai: Já foram dedu-
zidas e publicadas equações para calcular tais acelerações e as forças
:j ..z b '
" // f\ correspondentes agin~o na direção tangencial 1. H. S. F owler 2 pes-
~ !'\" ; quisou o fluxo no rotor de um compressor radial com ângulo das
~ pás {3 2 = 90', no qual, diferentemente da Fig. 5.11, o rotor tinha uma
: 1\ coroa externa. Ele encontrou distribuições de velocidades semelhantes

;.-:
lU
'
~ às da Fig. 2.13. Em seguida, Fowler pesquisou o fluxo em um canal
separado girante, no qual ele variou o ângulo de alargamento. Veri-
'
ficou que a intensidade de retardamento (ou de aceleração) no canal
;

Fig. 2.12. Distribuição de velocida-


des na extremidade superior do canal
mostrado na Fig. 2.11.

Figs. 2.13a e b. Cortes longitudinal e transversal de um rotor de uma bomba com as


linhas de mesma velocidade relativa, segundo Lewinsky-Kesslitz [V, 47].
I pás: II entrada do canal das. pás: ///limite externo do disco do rotor: IV saída dos
canais das pás: V, VI círculos com raios a e b, respectivamente: VIl direção do fluxo na
entrada: V/ l/linhas de mesma velocidade relativa w: w velocidade angular do rotor.

1
Petermann, H.: Der Strõmungsverlauf in und hinter Laufschaufelkanálen von
radialen Kreiselpumpen und Verdichtern. VDI-Z. 103 (1961) 748/52. - Wi/1: Modell-
vorstellungen zur Strõmung in radialen Kreiselpumpenlaufrãdern. Internationales
Symposium Pumpen und Verdichter, Leipzig 6./7. III. 1970. Berichtsband VEB Kombi-
nat Pumpen und Verdichter, Halle (Saale) p. 49/51.
2
Fowler, H. S.: The distribution and stability of flow in a rotating channel. Tran-
sactions of the ASME, Journal of Engineering for Power, July 1968, p. 229/236.
2.4 PROCESSOS DE CALCULO 33

tem menor influência na distribuição de velocidades do que na esta-


bilidade, ou seja, no comportamento de separação do fluxo, e ainda
que um canal de aceleração tem, naturalmente, uma melhor estabi-
lidade que um canal de retardamento. O perigo de separação na
saída do canal das pás é especialmente grande no lado de sucção das
pás (ver b na Fig. 2.14) 1 . Isto é compreensível, pois aí a velocidade
relativa é pequena. Fowler variou tanto o fluxo acionador quanto a
velocidade em suas pe,squisas. As distribuições de velocidades aqui
tratadas ocorrem devido a forças de Coriolis e à rotação do rotor.
Assim, a diferença de velocidade na saída do canal das pás é tanto
maior quanto mais elevada for a velocidade. Fowler demonstrou,
além disto, que o anel diretor colocado após o rotor tem uma grande
influência no fluxo no rotor.

Fig. 2.14. Corte cilindrico desenvolvido no círculo VI do rotor da Fig. 2.13, mostrando
o fluxo secundário
a, b lados de pressão e de sucção, respectivamente: c linhas de corrente do fluxo secundário:
w velocidade angular do rotor.

Em vários trabalhos, desenvolvidos princfpalmente no Japão 2 , foi


pesquisado o fluxo em rotores radiais sem coroa externa. Os resul-
tados encontrados desviam-se, em alguns casos, sensivelmente dos
mostrados na Fig. 2.13. Isto seguramente deve ocorrer por causa
da utilização de outros processos de construção do rotor. Deve-se
também observar que, em muitos destes trabalhos, considerou-se fluxo
laminar, enquanto que normalmente as máquinas de fluxo trabalham
na região de fluxos turbulentos.

2.4 Processos de. cálculo para levar em consideração


número finito de pás
Na seção anterior foi. mostrado que existe uma distribuição irre-
gular de velocidades e de pressão, tanto entre as pás como imediata-
mente antes e depois dos canais das pás. Para fins de clareza e simpli-
cidade tomaremos por base, em nossos cálculos, uma distribuição re-
gular tanto de velocidades como de pressão, ou seja, um fluxo simé-
trico com relação ao eixo. Para as posições externas aos canais (com

1
Ver também Lennemann, E., Howard, J. H. G.: Unsteady flow phenomena in
rotating centrifugai impeller passages. Transactions of the ASME, Journal of Engineering
for Power, January 1970, p. 65/72.
2
Fujie, K.: Study of flow through impellers of centrifugai compressors. Bulletin
of JSME I (1958) N.o I, p. 42{49 und N. 0 3, p. 275{282, 4 (1961) N. 0 13, p. 94/101.
- Watanabe, 1., Ariga, Fujie, K.: A study of the flow patterns in an impeller channel
of a radial turbine. Bulletin of JSME 8 (1965) N. 0 ~0, p. 194/204.- Senoo, Y., Yama·
guchi, M., Nishi, M.: A photographic study of the theedimensional flow in a radial
compressor. Transactions of the ASME, Journal of Engineering for C'ower, July 1968,
p. 237/244.- Senoo, Y.: Shear flow, vortics and secondary flow. Memôirs of the Faculty
of Engineering Kyushu Uni•.•ersity Vol. 30 (1971) N, 0 3.- Howard, J. H. G., Lennemann,
E.: Measured and predicted secondary flows in a centrifugai impeller. Transactions
of the ASME, Journal of Engineering fo~ Power, January 1971, p. 126fl32.
34 O MECANISMO 00 FLUXO NO ROTOR CAP. 2

índices O e 3, ver Seç. 1.2) tomamos os valores correspondentes na


realidade a distâncias suficientemente grandes das pás para que o
fluxo não sinta seu efeito, e que imaginaremos estendidos até o rotor.
Desta maneira, os triângulos de velocidade conterão valores médios
das velocidades. Os índices 1 e 2 referem-se, como anteriormente, ao
fluxo congruente com as pás e não ao fluxo real, enquanto que os
índices O e 3 referem-se ao fluxo real imediatamente fora do rotor,
devendo ser calculado segundo um fluxo regular e simétrico em rela-
ção ao eixo. De acordo com a Seç. 2.32 devemos, em regra geral,
levar em consideração a redução de potência somente 11a extremidade
de saída da pá, portanto na aresta de pressão em bombas e, em tur-
binas, se for o caso, na aresta de sucção.

2.41 Aresta de pressão


A redução de potência devido à separação das pás ocorre nas
bombas devido a que o triângulo de velocidade A 2 B 2 C 2 da Fig. 1.2,
que foi deduzido para o fluxo congruente com as pás, se transforma
no triângulo de velocidades A;B,C2 (Fig. 2.15). Os vértices A 2 e A;
dos triângulos situam-se em uma paralela a u 2 , porque, devido à
continuidade do fluxo, o componente longitudinal c2111 deve perma-
necer igual. A redução de potência em bombas aparece devido à
redução do componente tangencial de A 2 A~ = c2 u - c~u' ou seja, ao
aparecimento de um sobreângulo {3 2 - p; no ângulo das pás.

~----------0.~------~
----------------~.------------~

Fig. 2.15. Diagrama de velocidades de uma bomba na aresta de pressão do rotor no caso
de número finito e infinito de pás.

Devemos ainda considerar o fato de que o fluxo é também estrei-


tado devido ao número finito de pás. Se a separação entre as pás,
ou seja, o comprimento do arco de circunferência entre as pontas de
duas pás sucessivas, for dada por t 2 = nD 2 fz, e se r 2 é a espessura das
pás, medida na direção tangencial (Fig. 2.16), vem

(2.12)

onde s2 é a espessura das paredes das pás. Assim, o componente


longitudinal c2 m fora do rotor deve ser reduzido de

t - (J
c - c 2 2 • (2.13)
3m - 2m t
2

Fig. 2.16. Forma das pás na aresta O componente tangencial c; 11 não se alteraria se não houvesse o
de pressão estreitamento do fluxo, de maneira que = c311 , pois uma alte- c;u
2.4 PROCESSOS DE CALCULO 35

ração de cu exigiria um conjugado, que não é possível existir nas


pontas das pás. Assim, o triângulo de velocidades A 3 B 2 C2 determina
o fluxo no exterior do rotor. Seu vértice A 3 está situado abaixo de
A~ na mesma vertical deste. A mudança do fluxo de um para outro
destes estados toma - como já foi dito - uma certa distância, que
obviamente não pode ser vista no diagrama de velocidades.
l.
2.42 Aresta de sucção
r------:-'--lf--------'---'-'---""'11r
Tanto para bombas como normalmente também para turbinas
devido à redução de potência que neste caso praticamente não Fig. 2.17. Diagrama de velocidade na aresta
ocorre (ver Seç. 2.3) - somente é necessário· considerar a espessura de sucção
das pás, ficando

(2.14)

Nesta, de maneira semelhante,

e O' I = -s,
-- (F'Ig. 2.18). (2.15)
sen 13 1

A Fig. 2.17 mostra o diagrama de velocidades na aresta de sucção


para um ângulo de fluxo qualquer a0 • Em muitos casos a0 = 90°,
quando então ficam a 1 = 90°, c0 u = c 1 u = O, c0 = Com e c 1 = c 1m
(Fig. 2.4).

2.43 O trabalho nas pás Fig. 2.18. Medidas das pás na aresta de
sucção

De acordo com a Seç. 2.1 e a Fig. 2.15, o trabalho real nas pás é

(2.16)
(2.17)

A<i: ;titindo-se número infinito de pás, o triângulo de velocidade


é A 2 B 2 C 2 e o trabalho nas pás seria

(2.18)

Para o caso normal

ficaria, tal como na Eq. (2.1 0),

(2.19)
e
(2.20)

Em turbinas pode-se, na maioria dos casos, desprezar a separação


das pás, de maneira que, na Fig. 2.15, o ponto A~ fica em A 2 • Desta
maneira, em turbinas

(2.20a)
36 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

2.44 O método de Pfleiderer para o cálculo da redução de


potência em bombas
Para bombos não é permissível admitir-se a simplificação feita
atrás, ou seja, a Eq. (2.20a), em nenhum caso. O erro seria normal-
mente de 35% e em muitos casos até maior. Somente na entrada do
canal podemos desprezar o desvio, conforme foi visto na seção ante-
rior (ver Fig. 2.17).
Como podemos, neste caso, calcular a redução de potência
YpáCQ- Ypá ou o valor A 2 A~ = c 211 - c 3 u? Os processos da matemá-

tica hidrodinâmica que consideram o fluido sem atrito' são basica-


mente válidos mas, devido a desprezarem a viscosidade, levam quase
sempre a resultados inúteis, de maneira que somente podem ser
utilizados para observações gerais (Figs. 9.29 e 9.40a). Em nenhuma
hipótese formam uma base para cálculos na prática. Em trabalhos
de pesquisa, principalmente os realizados por H. Schlichting, foi consi-
derado o efeito da viscosidade no cálculo das pás 2 • Tais processos
de cálculo demandam muito tempo e, por isso, não são usualmente
considerados na prática. Em geral, utiliza-se métodos aproximados.
Um dos muitos métodos de aproximação, que é freqüentemente usado
na prática e que foi introduzido por C. Pf/eiderer, será aqui tratado
(ver [III, 1; 1.' edição, 1924, p. 93]). Este método pode ser usado
para qualquer forma de pá e permite um tratamento uniforme. É
deduzido em [III, 1] baseando-se na hipótese de uma distribuição
regular da pressão nas pás e resulta na fórmula
Fig. 2.19. Corte longitudinal do rotor de
uma bomba (2.21)
com
.2
1
p -- zS'
·'·' _..1.
'P (2.22)

onde

r2 é o raio na aresta de pressão do rotor,


z é o número de pás,
S é o momento estático do segmento AB da linha de corrente
média entre as arestas de entrada e de saida, em relação ao
eixo de rotação (Fig. 2.19), ou seja:

S = ·
I"" rdx, (2.23)

1/1' é um coeficiente empírico, que depende da forma de rotor e


do tipo de sistema diretor.
De acordo com a experiência [III, 1, p. 136/141 e V, 37; V, 80],
pode-se tomar para rotares radiais

1
Busemann, A.: ZAMM 5 (1928); Spannhake, W.: Mittlg. d. Inst. f. Strõmungs-
maschinen, Techn. Hochsch. Karlsruhe I (1930). -Betz, A., FlüggeLotz, J.: Ing.-Archiv
9 (1938) 486. :- Traupel, W.: Sulzer Techn. Rundschau 1945, Nr. I. -[IV, I] bis [IV, 29].
2
Schlichting, H.: Anwendung der Grenzschichttheorie auf Strõmungsprobleme
der Turbomaschinen. Siemens-Zeitschrift 33 (1959) H. 7, p. 429/438. Dort weitere
Literatur. - Ferner [IV, 23: IV, 39; V, 48].
2.4 PROCESSOS DE CALCULO 37

com sistema diretor com aletas

(2.24)

com uma caixa espiral como único sistema diretor

1/1' = (0,65 até 0,85) ( 1 + ff0,), (2.25)

com um anel diretor liso como único sistema diretor

1/J' = (0,85 até 1,0) ( 1 + ~) , (2.26)

para rotares semi-axiais e axiais

1/J' = (1,0 até 1,2) ( 1 + ~) , ~ (2.27)

onde o ângulo das pás p2 deve ser dado em graus.


Os valores de 1/J' calculados com as equações atrás devem ser
compreendidos como valores orientativos, válidos somente para nú-
meros de pás normais. No caso de rotares axiais, deve-se acrescentar
que a Eq. (2.27) é válida para pás curvadas de forma circular. Se a
curvatura das pás for feita de outra forma (por exemplo, parábolica)
o valor de 1/J' se altera. Mais ainda, deve-se observar que os valores
obtidos pelas fórmulas atrás somente valem para números de Reynolds
suficientemente grandes. Para números de Reynolds pequenos, 1/J'
cresce muito. Maiores detalhes sobre estas influências podem ser
encontrados, por exemplo, em [III, 1].
As grandes diferenças das Eqs. (2.24), (2,25) e (2.26) mostram que
o sistema diretor influencia muito a forma do fluxo do rotor. Desta
maneira, -~eria inútil calcular a redução de potência com base num
fluido idehl ou de acordo com pesquisas realizadas com grades de pás
isoladas. Somente é possível obter os valores desejados, considerando
todos os fenômenos, baseando-se na experiência. O processo dado é
ainda melhor, quando se considera que desvios dos valores reais so-
mente influenciam o resultado final de maneira muito atenuada, pois
na Eq. (2.21) somente será alterado o pequeno termo p.
Aplicação a várias formas de rotor.
Em um rotor simples, na Eq. (2.23) fica dx =dr e também
,.
S=
I -r dr=
'
e, de acordo com a Eq. (2.22)

(2.28)

No caso usual de !i. ~ 0,5, vem


rz
(2.29)
38 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

expressão que pode ser usada para todas as pás radiais com -'i
r, :;; 0,5,
pois dentro dos limites destes comprimentos usuais de pás as mu-
danças de r 1/r 2 fazem pouca diferença [V, 4].
Para um rotor axial (Seç. 9.1) vale r 1 = r 2 = r e também
S = r · AB = re e, de acordo com a Eq. (2.22),

lji'r
p=-·
ze (2.30)

No caso das pás duplamente curvadas (descritas nas Seçs. 1.6, 4.4
e 4.5), a integral da Eq. (2.23) pode ser calculada de maneira simpli-
ficada tomando-se segmentos pequenos e de mesmo comprimento
~x em AB (Fig. 2.19) e somando-se os raios correspondentes. Vem
então S = ~XLI'. Pode-se também aproximar S = ar,, onde a é o
segmento de. reta que liga os pontos A e B e ra é o raio no meio
deste segrnento 1 .
Em rotores axiais com pás separadas (hélices) o tratamento pode
ser feito baseando-se nos métodos normais de se calcular asas de
avião (ver Seç. 9.5).

2.5 Efeitos de isopressão e de sobrepressão, grau de


reação r e coeficiente de pressão l{t
2.51 A pressão no labirinto p 3 - p0
No estudo do funcionamento das máquinas de fluxo (Seç. 1.1)
vimos que entre ambos os lados do rotor, ou seja, entre as posições
com índices 3 e O (Seç. 1.2), existe uma diferença de pressão estática.
Uma diferença de pressão aproximadamente igual a p 3 - p0 existe
também no labirinto entre o rotor e a carcaça [ver Seç. 7.11 e
Eqs. (7.7) e (7.8)]. Desta maneira, chama-se pressão no labirinto à
diferença de pressão p 3 - p0 e, à capacidade de trabalho específica que
o meio de trabalho possui devido à pressão no labirinto, chama-se
trabalho especifico no labirinto Ysp· Para fluidos incompressíveis vale

Y. = P, - Po. (2.31)
Sp Q

2.52 Cálculo do trabalho específico no labirinto Y8 P


A diferença de energia total entre a aresta de pressão (posição 3)
e a aresta de sucção (posição O) do rotor é, por um lado, igual à
soma do trabalho específico no labirinto com a diferença de energia
de velocidade; e, por outro lado, também igual a trabalho específico
nas pás ~'' subtraído das perdas no canal das pás 2 Z,. em bombas e
somado a elas em turbinas:
2 2
Y.
Sp + c3 -2 co -- ypá+ z u' (2.32)

1
Ver Bindemann, W.: Vereinfachte Ermittlung des statischen Moments für den
mittleren Stromfaden bei Kroiselrãdern. VDI-Z. 105 (1963) 805/807.
2
O índice u (de girante) põe em evidência o fato de que a grandeza correspondente
se refere ao rotor. Nos símbolos de velocidades, entretanto, u continua representando o
componente tangencial.
2.5. EFEITOS OE ISOPRESSAO E DE SOBREPRESSAO 39

Novamente vale o sinal superior para bombas e o inferior para tur-


binas. Vem [ver Eq. (2.5)]

Utilizando-se, agora, a equação do co-seno nos triângulos de velo-


cidade nas arestas de sucção e de pressão (Figs. 2.17 e 2.15), vem:
2u 1 c 0 cosa 0 =ui+ c~- w~
2u 2 c 3 cos o:: 3 = u; + c~ - w~,
donde

(2.33)

A Eq. (2.33) representa uma forma especial da equação funda-


mental (2.5). A partir das Eqs. (2.32) e (2.33) pode-se calcular o
trabalho especifico no labirinto:

Y. = 2
Uz -
2
u1
+ Wo2 -
2
w3 - z
Sp 2 + u"
(2.34)"

A Eq. (2.34) pode também ser deduzida diretamente da equação de


energia para o fluxo relativo [Eq. (2.11)], onde é importante observar
que as perdas de atrito não estão incluídas na Eq. (2.11).
Para o caso normal a0 = 90°, vem da Fig. 2.4 w~ - ui = c~, de
maneira que

Y.
Sp
=ui - wi2 + c~ +- z u"
(2.35)

Esta última expressão pode ser simplificada tomando-se c0 =c 3m


(o que é válido na maioria dos casos), ficando (Fig. 2.15):

donde, após pequena manipulação, resulta

c
Y.Sp = -23-"(2u 2 -c 3u )=FZ u

ou, considerando-se a Eq. (2.10),

(2.36)

AdmitiQdo-se que o trabalho especifico interno Y represente a dife-


rença de energia imediatamente antes e após as pás e que consista
somente de energia de pressão, admitindo-se ainda que os compo-
nentes longitudinais das velocidades cm antes e após o rotor e o anel
diretor sejam iguais, e também que ~o= 90', resulta que o rendi-
mento do difusor ou do jato do rotor é (ver Seç. 1.42):

\ 11nL -
_(2(Y- ))±' c2
Ys (2.37)
'"
40 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

ou (2.38)

Como ainda, de acordo com as Eqs. (1.21) e (2.10), Y = u 2 c 3 ,~" ±1,


pode-se também escrever a Eq. (2.38) na forma

Y.
Sp
= Y [1 -S.. (~DL)± '].
2uz 'ffh
(2.39)

Para maior simplicidade admite-se ainda usualmente ~DL"" ~"' resul-


tando

Y.Sp ,.,y(1-c3")·
2u 2
(2.40)

Esta equação pode também ser obtida diretamente a partir da


Eq. (2.36).
Para um cálculo expedito grosseiro do trabalho específico no
labirinto pode-se, numa simplificação máxima, desprezar as perdas
nas pás, ou seja, admitir Z, ~ z,. Com isto, vem [ver Eq. (1.16)]:

y = r;,, + z. "" r;,, + z, (2.41)

e, finalmente, a Eq. (2.32) numa aproximação grosseira

(2.42)

2.53 Efeitos da isopressão e da sobrepressão


As considerações seguintes serão feitas sobre turbinas, porque
nelas são mais gerais e abrangentes do que em bombas. De acordo
com o valor de Y8 , distingue-se dois tipos principais de turbinas:
a) Turbinas com Y8 , =O, nas quais existe a mesma pressão na
entrada e na saída do rotor e, portanto, todo o trabalho específico Y
no rotor é convertido em energia de velocidade. Estas são ·chamadas
turbinas de pressão constante. A Fig. 2.20 mostra o comportamento
correspondente da pressão (tracejado) e o da velocidade absoluta c
através do anel diretor e do rotor. O valor de c3 é, neste caso, clara-
mente o maior possível (excluindo-se o caso de p 3 < p0 ).

Anel diretor

Rotor

t
Fig. 2.20. Comportamento da pressão e da velocidade em uma turbina de pressão constante
l
·com admissão axial, ou seja, com u1 = u 2 , ocorre que w3 = w0 ,
considerando-se isopressão na Eq. (2.34), desde que se despreze o
atrito Z,., no canal do rotor. Desta maneira, deve haver a mesma
2.5 EFEITOS DE ISOPRESSAO E DE SOBREPRESSÂO 41

velocidade relativa em todo o canal do rotor; logo, a seção trans-


versal deve ser constante em todo o canal. As pás correspondentes
devem ser muito curvadas para poderem desviar o fluxo e desenvolver
trabalho. Tais pás são denominadas pás em gancho (P 2 > 90') e per-
mitem obter mesmas seções na entrada e na saída do canal. Como é
necessário obter também a mesma seção de fluxo em todo o canal,
é necessário engrossar as pás no meio em turbinas a vapor e a gás
(Fig. 2.21), enquanto que em turbinas hidráulicas oferece-se uma super-
fície livre para o fluxo no canal usando-se injeção de ar (Figs. 5.31
e 5.33). Assim, pode-se usar pás de espessura constante ém turbinas
hidráulicas, o que reduz o atrito no canal, pois somente existirão
perdas nas paredes molhadas do rotor, pois este estará girando no·
ar, tal como uma roda d'água. Esta é uma importante vantagem da
turbina hidráulica de pressão constante em compáração com as tur-
binas a vapor ou a gás também de pressão constante. Fig. 2.21. Pás de pressão constante de uma
turbina a gás ou a vapor. A largura do canal a
As turbinas de pressão constante podem ter admissão parcial, ou é praticamente igual em toda parte
seja, somente uma parte do círculo do rotor é exposta ao jato aciona-
dor e, conseqÜentemente, somente esta parte terá canais diretores
(Figs. 1.5a e !.Se). Isto é necessário nos casos de pequenos fluxos
volumétricos e de grandes trabalhos específicos internos Y porque
devem ser_criadas pequenas seções de fluxo que não são suficientes
para ocupar todo o diâmetro do rotor. Assim, a admissão parcial
permite um aumento do diâmetro do rotor, o que, por sua vez, per-
mite a construção de turbinas hidráulicas de um estágio mesmo para
grandes alturas de queda, enquanto que as bombas, que não podem
normalmente ser construídas para pressão constante, devem possuir
vários estágios para grandes alturas de elevação. Entretanto, existem
bombas rotativas de pressão constante para casos especiais [V, 49].
De acordo com a equação fundamental, vem, para o caso o: 0 = 90°,
[Eq. (2.10)],

(2.43)

Da Eq. (2.43) conclui-se:


Quando o trabalho específico nas pás YP, é mantido constante,
quanto maior for a velocidade c3 , menor será a velocidade tangencial
u2, pois o coso: 3 mudará muito pouco de valor. Como c3 assume seu
maior valor possível no caso de pressão constante, u2 será mínimo.
Assim, as turbinas de pressão constante são lentas, ou seja, elas con-
vertem um máximo trabalho específico' nas pás Y para uma dada
velocidade tangencial, ou trabalham com a velocidade tangencial mí-
nima girando com a mínima rotação n = u2 /nD 2 para um trabalho
específico nas pás dado. Pode-se conseguir uma rotação ainda menor,
pois a admissão parcial permite aumentar o diâmetro do rotor D 2 •
b) Turbinas com Ysp >O, nas quais somente será transformada
em energia de velocidade a parte da pressão total reduzida de p3 - p0
(Fig. 2.22) e c 3 não assume seu maior valor possível, sendo denomi-
nadas turbinas de sobrepressão ou de reação.
A Eq. (2.43) dará agora valores maiores de u2 , do que se conclui
que as turbinas de sobrepressão são mais rápidas que as de pressão
constante. Nas turbinas de sobrepressão não é possível usar normal-
mente admissão parcial, já que os canais do rotor que não estivessem
momentaneamente recebendo o fluido curto-circuitariam os lados de
alta e de baixa pressão do rotor, eliminando ou, no mínimo, enfra-
p

42 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

quecendo a diferença de pressão. Entretanto, no caso de diferença de


pressão muito pequena, ainda é possível fazer admissão parcial.

Anel diretor

Rotor

Fig. 2.22. Comportamento da pressão e da velocidade no anel diretor·e no rotor de uma


turbina de sobrepressão

Para admissão axial com u 1 = u2 e para Z 11 =O vem agora


w0 > w3, de acordo com a Eq. (2.34). Os canais do rotor devem
então se estreitar, como mostra a Fig. 2.23, não cabendo mais o uso
de pás tipo gancho. Isto resulta também da outra forma do triângulo
de velocidade para a aresta de pressão (Fig. 2.24), pois c3 :;;:: c2 redu-
zido juntamente com u2 aumentado reduz {3 2 • Assim, a forma do
canal terá uma curvatura menor, resultando em um Z 11 também
menor do que nas turbinas de pressão constante. Desta maneira, o
Fig. 2.23. Pá de sobrepressão. As rendimento interno deve ser maior nas turbinas de sobrepressão,
setas mostram a direção das veloci-
dades relativas em uma turbina
conforme as Figs. 1.5 ou 2.21, a não ser que a pressão no labirinto
cause uma perda no labirinto (Seç. 7.1) que elimine o ganho, pois nas
turbinas de pressão constante obviamente não há perda no labirinto.
Além disto, também o atrito no rotor aumentará, pois u2 aumenta e
aparece ainda o empuxo axial (Seç. 7.2) cuja existência ou cuja com-
pensação sempre trazem problemas.

2.54 O grau de reação r


A expressão seguinte é usada para caracterizar a reação (ver
Seçs. 2.51 e 2.52):

grau de reação r
trabalho específico da pressão no labirinto Ys . (2.44)
trabalho específico interno Y
(u.e)Pressão constante
1---(u,JsobrepressOo Seu valor é zero para pressão constante, é maior que zero para sobre-
pressão e pode aumentar até I (podendo, em casos especiais, ultra-
passar 1). De acordo com a Eq. (2.39) e para "o = 90', vale
Fig. 2.24. Velocidades na aresta de pressão das
pás de turbinas com mesmo trabalho específico
nas pás: --- pressão constante: r= 1-s..(~DL)±l (2.44a)
- - sobrepressão 2uz ~"
ou, aproximadamente, considerando-se as Eqs. (2.40 e (2.10),

_Cj y.
_u_l _ ____I!i!..
r "" I (2.44b)
2u 1 - 2u~

De acordo com a Eq. (9.3), da Seç. 9.12, esta equação, no caso de


admissão radial, assume a forma geral, que vale também para "o #90':

(2.45)
2.5 EFEITOS DE ISOPRESSAO E DE SOBREPRESSAO 43

De acordo com o exposto na Seç. 2.53a, o uso de isopressão em


turbinas hidráulicas dá melhoreS rendimentos do que em turbinas a
vapor ou a gás. Isto ocorre especialmente quando se usa admissão
parcial, pois, enquanto nas turbinas a vapor e a gás os canais do
rotor não impulsionados giram no meio de trabalho, nas tutbinas
hidráulicas eles gir'!m no ar. Apesar disto, é mais comum projetar-se
turbinas a vapor de pressão constante devido à sua característica
lenta, já que o trabalho específico interno oferecido a tais turbinas
é muito grande (Seç. 10.2) e existe o perigo de que o número de
estágios e a velocidade tangencial cresçam exageradamente. Nas tur-
binas hidráulicas os trabalhos internos são sensivelmente menores e
a construção tipo pressão constante (na forma de rodas Pelton, de
acordo com a Seç. 5.5) somente é usada quando existem quedas extre-
mamente altas ou vazões muito pequenas que exijam admissão parcial.
Para bombas somente se usa na prática construções tipo sobre-
pressão. Isto se deve a que o aumento de pressão nos canais girantes
é mais conveniente que em canais parados, graças à ação das forças
centrífugas, que exercem um efeito de sucção nos espaços mortos.

(2.46)

2.55 Coeficiente de pressão 1/1.


Pode-se ver da equação fundamental [Eqs. (2.5) e (2.10)] que,
havendo semelhança geométrica, a variação dos diagramas de velo-
cidade resulta (Figs. 2.15, 2.17 e 2.24) em que o trabalho nas pás YP,
seja aproximadamente igual a ui.AdmitindO!se um fendimento das
pás ry, constante [Eq. (1.21)], também Y~ u~ [ver Seç. 6.51, especial-
mente a Eq. (6.23)]. -
No projeto de máquinas de fluxo a relação Y /u~ é caracterizada
pelo coeficiente de pressão que é uma expressão adimensional para
o trabalho específico interno de uma máquina de fluxo.
Admitindo-se que Y consista somente de energia de pressão, o
coeficiente de pressão 1/1 representa a relação da diferença de pressão
/',.P = f'D- Ps [ver Eq. (1.4) com cn = c8 e e= O] gerada ou recebida
por uma máquina de fluxo de um estágio, para a pressão de estag-
nação da velocidade tangencial u~ g/2. Assim, para fluidos incom-
pressíveis, vem 1/1 = 211p/gu~.
J2Y =c, é a veloódade que ocorreria se todo o trabalho in-
terno Y fosse convertido sem perdas em energia de velocidade.
Logo, vem

(2.46a)

a) Cálculo do coeficiente de pressão 1/1 para "'o = 90'. No caso


de a 0 = 90', e de acordo com as Eqs. (2.10) e (1.21), vem

(2.47)

onde mais uma vez o sinal superior se refere a bombas e o inferior


a turbinas. Com isto, a Eq. (2.46) se transforma em

,,, _ 2c 3 " + 1 (2.48)


"'- -u-ry"
2
...
44 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

De acordo com a Eq. (2.44) pode-se fazer

Y - Y,;P = Y (I - r) (2.49)

na Eq. (2.37). Das Eqs. (2.37), (2.46), (2.47) e (2.49), resulta, então:
2 ±I
Ijl=4(1-r~(:h
'<DL
I (2.50)

Admitindo-se que ct 0 = 90° e que cm seja constante na máquina, vale


a Eq. (2.50) com o sinal positivo do expoente 1 para bombas e com
o sinal negativo para turbinas.
A Eq. (2.50) mostra que, para uma máquina com "'o = 90' e com
C
111
constante, o coeficiente de pressão ljJ somente depende do grau
de reação e dos rendimentos 1'f~z e 11 DL. ·

O raciocínio seguinte permite uma melhor compreensão da


Eq. (2.50):
Admitamos que, devido a alterações no sistema diretor de uma
bomba o rendimento 1JvL piore muito, mas que a potência mínima
(Seç. 2.44) deva permanecer constante. Desta maneira, Y- Y5 P di-
minui proporcionalmente a ~DL [ver Eq. (2.37)] enquanto que e r_,
c 311 n;lt' mudam. A redução de Y- Y5 P ocorre devido a que Y
diminui 1.! Y5 P permanece constante. Devido ao funcionamento defi-
ciente do sistema diretor, r aumenta [ver Eq. (2.44)], e, em resumo,
o efeito geral da alteração [ver Eqs. (2.44), (2.47) e (2.37)] é:

~DL - Y- Y5 P = Y(1 - r) - ~ 1 ,(1 - r)

e, com isto,

(1 - r) !1J,_ = const.
~DL

Considerações semelhantes podem ser feitas para turbinas. Assim,


alterando-se o sistema diretor, mantendo-se tX 0 = 90°, obtém-se, a
partir das Eqs. (2.48) e (2.50), para bombas (sinal superior) e para
turbinas (sinal inferior):
+! '
(1 - r) -'l1L -
( ~DL)
= const. (2.51)

Compare este resultado com o da Seç. 2.24, onde pode-se fazer


c2 = c3 . Substituindo-se a Eq. (2.51) na Eq. (2.50), reconhece-se que
IjJ é proporcional a ~h (e não a ~;).
Em certos casos, principalmente para graus de reação interme-
diários, pode-se fazer~h~ ~DL ná Eq. (2.50). Com isto, vem
I
IjJ "" 4(1 - r) ~f
1
(2.52) I
O uso desta equação é especialmente vantajoso para bombas, pois I
em bombas sem sistema diretor na entrada sempre ocorre a 0 = 90°. !
Em turbinas, ao contrário, mesmo sem sistema diretor na saída, em
qualquer alteração das condições de trabalho o valor de "'o fica
rapidamente diferente de 90°, e, com isto, as equações não são mais
válidas. Na seção seguinte a variação de a 0 em turbinas será melhor
estudada. '
2.5 EFEITOS DE ISOPRESSAO E DE SOBREPRESSAO 45

b) Particularidades do coeficiente de pressão 1/J em turbinas e


em bombas. Para turbinas, o trabalho específico interno Y é uma
grandeza entregue à máquina do exterior. Em uma turbina a vapor
operada à veloéidade tangencial constante, pode-se -alterar à vontade,
por exemplo, a pressão de vapor vivo e, com ela, também Y e 1/J, de
acordo com a Eq. (2.46). Deve-se observar, que, com isto, o ângulo a 0
também se altera 1 e que, para a0 # 90' as Eqs. (2.37), (2.47), (2.48),
(2.50) e (2.52) não valem. A Fig. 2.25 mostra a variação do rendi-
mento nas pás e do ângulo a0 com o coeficiente de pressão 1/J para

í5ü '-~egiã~ de
a~,

/"'
ex&t~
teiJ'
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r---
• (E- 60 ' ~ ~-
,.1., (1;.
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I ~ '"----

C,2
Alta Simples
qualidade
~nstr~çao
J T
o'e
• f 8 !J
'1'-

Fig. 2.25. Relação entre o rendimento das pás IJ,, e entre o ângulo de saída rx 0 e o
coeficiente de pressão 1/J em uma turbina a vapor de um estágio

uma turbina a vapor de pressão constante de um estágio. Para


a0 = 90' foram tomados os valores ry" = 0,88 e ryDL = 0,94, dos quais
se obtém 1/J = 4,85 da Eq. (2.50). O melhor rendimento nas pás será
alcançado para 1jJ ~ 4,5, quando a0 ~ 80' 2 Devido ao grande tra-
balho específico interno disponível nas turbinas a vapor, procura-se
processar a maior parcela possível deste trabalho específico interno
em um estágio, dentro do limite de velocidade tangencial fixado pelas
solicitações devidas às fÓrça$ centrífugas. Por isso, escolhe-se usual-
mente no projeto de um estágio de pressão constante de uma turbi11a
a vapor

1/J,~o = 4,5 até 7, (2.53)

onde o intervalo de 4,5 até cerca de 5,5 é adotado para construções


de alta qualidade (com o melhor rendimento possível), e o intervalo
restante até 7 é adotado para construções mais baratas (com o maior
trabalho possível no estágio, dentro de um rendimento razoável).
No caso de tw·binas hidráulicas de pressão constante, escolhe-se
usualmente
1
Ver com relação a isto: Konstruktion 23 (1971) H. 6, p. 223/231, principalmente
a Fig. 14.
2
A razão para isto é que, devido ao aumento de u 2 , com Y constante, as velocidades
relativas e também as perdas no canal das pás ficarão menores e, na regi~o perto de
a 0 = 900, o componente tangencial da velocidade absoluta de saída aumenta pouco a
perda na saída.
46 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

1/1,= 0 = 4,5 até 5,5 (2.54)

somente no intervalo dos melhores rendimentos possíveis, pois nestas


o trabalho específico interno é extremamente pequeno em compa-
ração com o das turbinas a vapor e não há possibilidade de se pôr
em perigo uma construção em um estágio devido a velocidades tan-
genciais muito altas.
Para o projeto de turbinas de sobrepressão, escolhe-se, de acordo
com a Eq. (2.50), menores coeficientes de pressão. Em geral, para
turbinas a vapor toma-se

1/J = {4,5 até 7) (1 - r). (2.55)

Para r = 0,5, a Eq. (2.55) dá

1/J,=o.s = 2,25 até 3,5, (2.56)

onde o intervalo de 2,25 a 2,75 é adotado para construções de alta


qualidade, e o intervalo de 2,75 até 3,5 para construções mais baratas.
Ao contrário do que ocorre nas turbinas, nas bombas o trabalho
específico interno é uma grandeza gerada internamente na máquina,
de maneira que em bombas não é possível variar o coeficiente de
pressão à vontade. É verdade que é possível em bombas aumentar o
trabalho específico interno Y e, assim, também 1/J em comparação
com o trabalho normal com a0 = 90°, ou seja, em comparação com
o coeficiente de pressão calculado de acordo com as Eqs. (2.50) e
(2.52) utilizando-se vórtice oposto, com a 0 > 90'. Entretanto, na prá-
tica, raramente esta possibilidade é utilizada. Em geral, para bombas,
torna-se a 0 = 90', ou seja, as Eqs. (2.50) e (2.52) são válidas. Algumas
vezes escolhe-se a0 < 90°, com o que o coeficiente de pressão também
diminui.
Para bombas radiais, em geral, vale

1/J = 0,9 até 1,3, (2.57)

onde o grau de reação r fica aproximadamente dentro do intervalo


de 0,6 a 0,75.
Para bombas ·axiais, no cálculo do coeficiente de pressão, refere-se
Usualmente a velocidade tangencial. u2 ao raio externo do rotor r0 ,
e denota-se o coeficiente de pressão assim calculado por 1/J •. Ele é
aproximadamente

1/J, = (0,9 até 1,3) (~Y (2.58)

onde r, é o raio interno da aresta de pressão da pá. O coeficiente de


pressão 1/J" de bombas axiais é menor que o calculado para bombas
radiais, pois nas bombas axiais o trabalho nas pás [ver Eq. (2.47)]Y•'
é quase sempre constante em todo o raio. Assim, ~á também deve
ser referido ao raio interno r/ Neste caso existe um valor limite
superior, pois o ângulo de saída das pás P2 , deve ser menor que 90'
(ver Seç. 6.41a).
c) O coeficiente de pressão 1/J para turbinas-bombas. Para máqui-
nas que podem ser operadas tanto corno bombas quanto corno

1
Ver Broecker, E.: Heiz .. Luft.·Haustechnik 11 (1960) H. 7, p. 179/181.
2.5 EFEITOS OE ISOPRESSÃO E DE SOBREPRESSÃO 47

turbinas (as turbinas-bombas), é necessário distinguir-se entre o coefi-


~i~nte de pressão JjJ P para sua operação como bombas, e o coeficiente
de pressão 1/J.,. para sua operação como turbinas 1 A diferença entre
1/J P e 1/J r resulta do seguinte.
Com rotação constante e medidas iguais, os trabalhos nas pás de
bombas e turbinas serão iguais, admitindo-se número infinito de pás

Vem, então [ver Eqs. (2.21) e (1.21)]

onde p representa a potência mínima em operação como bomba.


Além disto, vem [ver Eqs. (2.20a) e (1.21)]

Estas equações dão

(2.59)

e, com isto

(2.59a)

Com ~h= 0,84 .. · 0,92 e p = 0,2 ... 0,4 calcula-se

1/Jp "'{0,5 .. ·0,7)1/Jr (2.60)

Uma turbina-bomba tem, portanto, um coeficiente de pressão muito


menor em operação como bomba que em operação como turbina.
Naturalmente, as Eqs. (2.59a) e (2.60) são válidas para pás fixas,
ou seja, não ajustáveis.
Na prática as turbinas-bombas são usadas principalmente nas
usinas de recalque, onde a diferença entre 1/Jp e 1/J.,. é particularmente
indesejável. Pode-se alcançar valores entre 0,69 e 0,77 para a relação
1/J p/1/J.,. mesmo para pás não aju~táveis através de providências espe-
ciais no projeto de tais máquinas 3 . Adotando-se pás ajustáveis, é
possível obter-se inclusive 1/Jp = ljl 1 4
d) O coeficiente de pressão 1/1 para máquinas de vários estágios.
(a) Estágios de pressão. Em máquinas de fluxo de vários estágios com
estágios de pressão, o trabalho interno total Y é distribuído em tra-
balhos de estágio .1 Y individuais, ficando cada estágio com uma

1
Os índices P e T caracterizarão, no que segue, sempre operação como bomba e
operação como turbina, respectivamente.
2
Dzia/las, R., Hofmann, A.: Radiale, umkehrbare Pumpenturbinen. Voith Fors-
chung und Konstruktion, H. 12 (Dez. 1964) Aufsatz I.
3
Ver a este respeito T!wp, W., Hilgendorf, J.: Rohrturbinen ais axiale Pumpen-
turbinen. Voith Forschung und Konstruktion, H. 12 (Dez. 1964) Aufsatz 2 und Meier,
W.: Getrennte hydraulische 'Maschinen oder reversible Pumpenturbinen für Pumps-
peicherwerke? Escher Wyss Mitteilungen 39 (1966) H. 3, p. 31/37.
4
Ver a este respeito 17wp, W., Hilgendrof, J.: Rohrturbinen ais axiale Pumpen-
turbinen. Voith Forschung und Konstruktion, H. 12 (Dez. 1964) Aufsatz 2 und
Pumpspeichenverke? Escher Wyss Mitteilungen 39 (1966) H. 3, p. 31/37.
48 O MECANISMO 00 FLUXO NO ROTOR CAP. 2

diferença de pressão determinada !!.p pma processar. Para fluidos


incompressíveis Y =LI!. Y, e para fluidos compressíveis 11. Y =LI!. Y,
onde 11. é o coeficiente de trabalho adicional obtido pelo calor devido
ao atrito (ver Seç. 10.24).
Para uma máquina de fluxo de vários estágios deste tipo, utili-
za-se usualmente como característica o coeficiente de pressão médio

2L!!. Y
!/Jmédio=~· (2.61)
2

Assim, para fluidos incompressíveis vem

2Y
1/1 médio = Luz' (2.62)
2

e para fluidos compressiveis

2uY
!/J médio = Lu2 · (2.63)
2

Lu~ é aqui a soma dos quadrados das velocidades tangenciais das


arestas de pressão das pás dos estágios individuais. As Eqs. (2.61)
a (2.63) valem em geral para bombas e turbinas. Quando, por exem-
plo, em uma bomba rotativa de vários estágios para elevação de água,
os vários estágios são construídos da mesma maneira, e conseqüen-
temente têm o mesmo trabalho no estágio !!. Y, resulta, substituin-
do-se as Eqs. (2.61) e (2.62) na Eq. (2.46):

2i!!. y 21!. y
!/J médio = fli2 = ----uz- .
2 2

Nesta, i indica o número dos estágios de pressão (ver Seç. 10.21a).


Para uma máquina constituída por estágios iguais, é então

(2.64)

onde agora 1/1 é o coeficiente de pressão de cada estágio. Para Gada


estágio, tomado individualmente, valem todas as equações deduzidas
para máquinas de um estágio, onde somente é necessário substituir
Y por !!. Y.
Os coeficientes dados para máquinas de um estágio e para está-
gios individuais de máquinas de vários estágios nas Eqs. (2.53) a (2.58)
valem também para o coeficiente de pressão médio l/1 médio'
Em turbinas a vap 0 r o coeficiente de pressão médio, calculado
pela Eq. (2.61) ou pela Eq. (2.63), é uma medida da qualidade da
máquina. Nestas também se aplicam as observações feitas após as
Eqs. (2.53) e (2.56) sobre 1/J. O coeficiente de pressão médio substitui,
portanto, na construção de turbinas a vapor, o coeficiente de Parsons
q = LU 2 /H, antigamente usado (ver a Seç. 56, p. 362, da 2.' edição
original em alemão deste livro). ·
/3). Estágios de velocidade. Em máquinas de fluxo de vanos
estágios, com estágios de velocidade (por exemplo turbinas a vapor
tipo Curtis) o trabalho interno total Y é utilizado no primeiro rotor
para gerar uma alta velocidade, que, em seguida, é transformada em
trabalho mec~nico nos estágios posteriores, usualmente dois (ver
2.5 EFEITOS DE ISOPRESSÃO E DE SOBREPRESSÃO 49

Seç. 10.21b). Uma máquina deste tipo trabalha com pressão aproxi-
madamente constante. Nelas vale [ver Eq. (10.9) e Seç. 10.17]

(2.65)

onde (1/!mêdiolj é o coeficiente de pressão médio de uma máquina


com j estágios de velocidade e ljJ é o coeficiente de pressão de uma
máquina equivalente com um estágio ou com estágios de pressão.
Por exemplo, em uma turbina a vapor de pressão constante com
estágios de pressão ou com somente um estágio, de acordo com as
Eqs. (2.64) e (2.53), o coeficiente de pressão é 1/1 = 4, 5, .... , 7. Para
uma turbina a vapor tipo Curtis com pressão constante pura, no
caso de j = 2, vem

(,/, .). ""2(45


'PmédEOJ=2 '
.. ·7)-9 .. ·14 (2.66)

e, para j = 3 estágios de velocidade

(I/Jmêdio)j=3 ""3(4,5 '" 7) = 13,5 ... 21. (2.67)

Os altos valores de l/li mostram muito claramente que uma turbina


Curtis pode processar grandes quedas de entalpia. O rendimento das
turbinas Curtis é tanto menor quanto maior é o número de estágios
de velocidade. Desta maneira, pode-se também usar (1/!m,diolj como
coeficiente de qualidade da mesma maneira que 1/Jmêdio é usado nas
turbinas a vapor com estágios de pressão (ver Fig. 10.17).
e) Determinação do coeficiente de pressão ótimo para turbinas
com admissão parcial. No trecho não impulsionado do rotor das tur-
binas ocorrem perd!is de ventilação, cujo cálculo será descrito na
Seç. 7.33, Eq. (7.22). A intensidade destas perdas de ventilação influ-
encia o coeficiente de pressão ótimo, que será tratado a seguir.
Nas turbinas Pelton (Seç. 5.5) estas perdas de ventilação são
desprezíveis, pois o meio ambiente no qual as pás não impulsionadas
giram (ar) tem uma densidade cerca de 1000 vezes menor que a do
fluido de trabalho (água). Assim, no caso das turbinas Pelton, a
admissão parcial não influencia a escolha do coeficiente de pressão.
Uma turbina de pressão constante com admissão total tem os
melhores rendimentos nas pás e interno para um_ coeficiente de pres-
são da ordem de 4,5 (ver Seç. 2.55; Fig. 2.25). Quando se despreza os
fluxos de perda representados na Fig. 5.47a, a passagem para uma
admissão parcial não influencia os rendimentos das pás, pois as perdas
de ventilação que ocorrem nas turbinas com admissão parcial P, e Z,
somente influenciam o trabalho específico interno Y, e não o trabalho
específico nas pás YP, (Seç. 1.41). Assim, a Fig. 2.25 é válida tanto para
turbinas com admissão total como para turbinas com admissão parcial.
As perdas de ventilação que ocorrem em turbinas com admissão
parcial são bastante grandes principalmente para pequenos graus de
admissão' e são proporcionais à terceira potência da velocidade tan-
gencial [Eq. (7.22)]. Deixando-se o coeficiente de pressão 1/1 ~ 4,5,
uma redução da velocidade tangencial (correspondendo a um aumento
do coeficiente de pressão) causa inicialmente uma pequena redução
do rendimento das pás ~. (Fig. 2.25) mas causa uma grande redução

1
6 = Comprimento do círculo que tem admissão/circunferência do rotor.
50 O MECANISMO 00 FLUXO NO ROTOR CAP. 2

das perdas de ventilação (devido à relação com u 3 ). Por isso o ótimo


do rendimento interno de uma turbina a vapor de pressão constante
desloca-se para valores do coeficiente de pressão tanto maiores quanto
menor for o grau de admissão F..

o, 8

~ ~ --- -- - -~ ~
o. 7
m-e~~~
~
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/,1 ,)/ ' • <~~- ~ljlopt)m-co~5l


o.6

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~ ~ ,.j I ,,,,
o1,6 I %-
z 3.15 I 6,3 zo Z5 31,5 so 63 80 100
8 10 12,5
'P-
16
'"
Fig. 2.25a. Rendimento interno calculado ~~ de uma turbina a vapor de pressão constante
com a: 2 = 17, 0 , c1,/c 2 , = 0,9 e vários graus de admissão e. São ainda indicados:
- - linha de rendimento máximo, ou seja, de coeficientes de pressão ótimos para um
determinado grau de admissão e:
- - - comportamento do rendimento para um fluxo de vapor constante: m
-· - · - linha de rendimento máximo, ou seja, coeficientes de pressão ótimos para
fluxos de vapor li1 constantes dados.

A Fig. 2.25a mostra o comportamento calculado do rendimento


interno IJ; de uma turbina a vapor de um estágio para diferentes
graus de admissão e. Com admissão total (e= I) o ótimo do rendi-
mento interno situa-se em ifr ~ 4,5 (da mesma maneira que o rendi-
mento ótimo das pás na Fig. 2.25). O ponto ótimo desloca-se para
maiores coeficientes de pressão quando o grau de admissão diminui 1 •
No projeto de uma turbina a vapor o fluxo de massa de vapor m
é comumente dado. Deve-se, portanto, garantir que, quando o coefi-
ciente de pressão for aumentado, também seja aumentado o grau de
admissão e, caso além de m também sejam mantidos constantes a
altura do jato b4 e o ângulo a 3 da velocidade absoluta. Por isso são
também mostrados na Fig. 2.25a os rendimentos internos para fluxos
de vapor constante.
f) O coeficiente de trabalho das pás ifr,,. Em trabalhos científicos
é freqüentemente conveniente trabalhar com o coeficiente de trabalho
das pás ifr ,, dado por

1
Ver Petermmm, H., Aschenhrenner, A., Stampa, B.: Rechnerische Bestimmung
der optimalen Druckzahl für die Regelstute von Dampfturbinen. Konstruktion 17
11965) 165{170.
2.6 EXPLICAÇAO ELEMENTAR DA AÇAO DAS FORÇAS 51

(2.68)

Das Eqs. (2.47) e (2.68) vem

(2.69)

Para uma máquina de um estágio com a 0 = 90° e cm igual antes e


depois do anel diretor e do rotor, vem, das Eqs. (2.50) e (2.69)
1
1/1 . = 4(1 -r)
pa
(!l.!._)±
11nL
(2.70)

Nesta equação deve-se observar que a relação ~hl~vL compensa a


variação do grau de reação causada pela variação do rendimento,
desde que a potência mínima permaneça constante [ver Eq. (2.51)].
Caso 1Jh;;;;11nv vem

"'•' ""4(1 - r). (2. 71)

A Eq. (2.71) mostra que as perdas, ou seja, o rendimento, não entra


diretamente na determinação de 1/J .,. Isto concorda com o fato de
que o trabalho específico nas pás Y.,
não depende diretamente
das perdas.

2.6 Explicação elementar da ação das forças entre o


fluxo e as pás
Embora já seja conhecido da mecamca dos fluidos que a força
nas pás decorre da união de um fluxo direto com um de circulação,
procuraremos ainda esclarecer melhor os efeitos destas forças através
de explicações element~res, que bastam para a maioria dos casos.
Ao lado do atrito, que desprezaremos, somente agem forças de
massa. Consideremos, inicialmente, uma grade de pás axial (Fig. 2.20
ou 2.22) do ponto de vista de um ponto que se move com as pás.
Assim, observamos o fluxo relativo, e reconhecemos que as forças
se originam:
a) através da curvatura das pás, ou seja, da alteração da direção
da velocidade relativa, pois as trajetórias curvas geram forças centrí-
fugas que representam os componentes das forças atuantes na direção
de movimento da grade - efeito de desvio;
b) através da mudança do valor da velocidade relaiiva, quando o
canal das pás se estreita ou se alarga. Isto causa (tanto com pás cur-
vadas como com pás retas) uma contrapressão, tal como nos foguetes.
Este fluxo acelerado somente pode ser imaginado na grade que
se movimenta em linha reta, se houver um efeito de ~·eação ou de
sobrepressão, enquanto que o efeito de desvio tratado inicialmente
também pode ocorrer com velocidade constante, ou seja, com pressão
estática constante. Nas turbinas de pressão constante (no caso de
admissão axial) elas são a única razão do aparecimento de uma força
atuante. Com isto fica claro por que as pás de pressão constante têm
uma curvatura tão acentuada, ou seja, são construídas como pás em
gancho e forçam uma grande variação de direção. A Fig. 2.26 mostra Fig. 2.26. Redução da perda de saída
claramente que na região representada de uma turbina de pressão com o aumento da curvatura das pús
no exemplo de uma turbina de pressão
constante a velocidade de saída c P e conseqüentemente as perdas constante, onde também lt'J = 11' 1
de saída, será tanto menor quanto maior for o ângulo de desvio_
52 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

IP2 - P1 1das pás. Devido à pressão constante toma-se nesta figura


sempre w1 -- w2 1 •
Na Fig. 2.27 são mostrados os triângulos de velocidade para
uma pá reta situada em um espaço de forma anelar estreitando-se
para baixo, como mostra a figura ao lado. Aqui falta o efeito de
desvio descrito no parágrafo a. Entretanto, devido ao aumento de w2
em comparação com w1' ou seja, devido ao efeito da reação, aparece
assim mesmo uma diferença de vórtice r(c 2 cosa 2 - c 1 cosa 1 ) e assim,
de acordo com a Eq. (2.4), existe um trabalho nas pás Y,,.

Fig. 2.27. Pá de sobrepressão axial reta

c) Se agora variarmos a distância a que as partículas fluidas


estão do eixo, observando, por exemplo, o rotor radial (Fig. 4.3),
ocorrem usualmente ainda acelerações de Coriolis, pois as partículas
atravessam zonas de diferentes velocidades tangenciais das pás. Nas I
'I
pás radiais retas como as da Fig. 2.28 elas formam a única causa "
para um momento acionador, já que não existe forças de desvio do
tipo descrito em a e também não existem forças de massa do tipo
Fig. 2.28. Pressão nas pás devido a descrito em b, sendo que as forças de massa que existem aluam
forças de CorioliS através do eixo de rotação e não têm braço de alavanca.

2. 7 Escolha do ângulo das pás f3 2 , áreas de utilização


das várias formas dé pás
As considerações das Seçs. 2.5 e 2.6 levaram a formas de pás
muito diferentes e com propriedades também muito distintas, por
exemplo, as pás tipo gancho para pressões constantes e as pás retas
para sobrepressões. A variedade destas formas de pás é determinada
pelo ângulo P2 da pá, enquanto que o ângulo P1 pouco se altera.
Procuraremos, agora, detalhar esta influência de Pr Vimos que seu
efeito se mostra principalmente na variedade de valores da velocidade
tangencial u 2 e, portanto, também do coeficiente de pressão, neces-
sários para um trabalho específico nas pás Y,,
determinado, ou seja,
para um trabalho específico interno Y determinado.
Na Fig. 2.29 tomamos quatro valores de c 2 cosa 2 = c2 u, man-
tendo a velocidade tangencial u 2 = B 2 C 2 constante. Os quatro valo-
res correspondem aos quatro vértices E, F, G e H dos triângulos de
velocidade, onde escolhemos EF = F J = u 2 • É evidente que o ângulo
p2 varia desde o ângulo obtuso B 2 C 2 E, passando pelo valor do
ângulo B 2 C 2 F, até o ângulo agudo B 2 C 2 J. Em E, F, G e H estão
também desenhadas as formas de pás para máquinas com admissão
axial, mantendo-se constante o ângulo fJ 1 da aresta de sucção.

1
A Fig. 2.26 mostra também que, deixando· se P1 ·= P2 com uma maior variação
de ângulo, o componente longitudinal c1 sen rx 1 diminuirá e, portanto, o comprimento
das pás na aresta de sucção (perpendicular ao plano do desenho) aumentará. A diver·
gência causada nos limites das pás no corte longitudinal não pode se tornar muito grande.
2.7 ESCOLHA DO ÂNGULO DAS PAS 53

u, M
'
I
I
I
I
I'Vn
I
I
I
L

Fig. 2.29. Diagramas de velocidade do ladO de pressão das pás com diferentes ângulos P2 .
Embaixo: comportamento do coeficiente de pressão tjJ e do grau de reação r para r:x 0 = 90°.
O valor tjJ = 4'1h• usado para r = O, vale aproximadamente para bombas, de acordo
com a Eq. (2.52)

Tomando por base a inexistência de vórtice no recinto de sucção,


e portanto a0 = 90•, resulta, de acordo com a Eq. (2.20), que é r;,,
proporcional a c20 (e, se forem também mantidos o coeficiente de
potência mínima p e o rendimento das pás ~ 1,, também Y será propor-
cional a c2 ,,). Assim, na seqüência de valores dos segmentos JE, JF
e JG, seu valor deve ser zero. Obtemos, portanto, uma reta OM na
parte inferior da Fig. 2.29 quando traçamos o comportamento de Y
sob os vértices desde J até E. Sob as mesmas condições, isto também
dá o comportamento do coeficiente de pressão 1/J = 2 Y /uª. A pá que
chega no ponto J não atua, pois o triângulo B 2 C 2 J é idêntico ao
diagrama de velocidades da aresta de sucção no caso de u 1 = u 2
(admissão axial) e de c0 =c 2m. O grau de reação r também varia
linearmente para c 30 ~c 2m, de acordo com a Eq. (2.44b), e dá a reta
LK. Como ele decresce da esquerda para a direita, ou seja, à medida
que {3 2 aumenta, é compreensível que a velocidade c 2 , que resulta
do trabalho convertido no rotor, cresça muito. Juntamente com o
aumento de c2 também crescem o atrito e, para fluidos gasosos, o
número de Mach c2 /a (a = velocidade do som). Em resumo, vem:

para os vértices E F G J

c2 u = c2 cos et 2 = 2112 < o


p, =obtuso
"'
90"
"'
agudo muito agudo (2.72)
r [de acordo com a Eq. (2,44b)] =O 1/2 > 1/2
forma da pá axial =gancho achatando-se reta

O valor absoluto da pressão no labirinto (Seç. 2.51) ou do valor r


será máximo para {3 2 = 90•.
54 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

Como as observações feitas não se limitam de maneira nenhuma


à admissão axial, são mostradas na Fig. 2.30 as pás correspondentes
aos pontos E, F e G da Fig. 2.29 em c, b e a para o caso de admissão
radial. Pode-se ver que para E e F as pás são também curvadas para
o lado positivo, enquanto que para G, apesar de realizarem trabalho
positivo, elas são curvadas para o lado negativo, ou seja, para trás.

r;;
' ' '-.._
fiz
(',,
~ ;/

~
'Pz
c~
a

Fig. 2.30. Formas de pás para máquinas com admissão radial correspondendo aos
vértices E, F e G da Fig. 2.29. As setas se referem a bombas. Embaixo: formas de canal no
caso de eixo retificado

~
I
Portanto, as pás são menos curvadas para o lado positivo quanto
maior for o grau de reação, conforme já foi visto na seção anterior. i

I
Reconhece-se a enorme influência que tem o ângulo {3 2 no tra-
balho realizado pela máquina, em sua rapidez e, afinal, em todo seu
comportamento.
Esta importante influência fica ainda mais clara quando se con-
sidera uma situação de operação determinada, ou seja, valores fixos
de Y, n e V. Devido ao n constante, o diâmetro do rotor é obviamente
proporcional à velocidade tangencial, e obtém-se as 3 formas de
rotor mostradas na Fig. 2.30a, indicadas por a, b e c e válidas para
as mesmas potências e mesmas rotações. I

I
I

-·-,-·-·-·+·-·
t 1
.
ftz<90o

Fig. 2.30a. Três pás de mesmos Y, V, 11 (portanto mesma potência) e ângulos {J 1 ,


desenhadas na mesma escala.

Pode-se também mostrar analiticamente a relação entre u2 e {3 2 ,


fazendo-se, de acordo com a Fig. 1.8a, na Eq. (2.20)

c2 • = B2 C 2 . - D2 C 2 = u2 ~ c2m cot {3 2 • (2.73)

Obtém-se uma equação do segundo grau em ud, da qual resulta


2.7 ESCOLHA DO ANGULO DAS PAS 55

U2=~+
c c2 )2 + Y
_ _m_

2 tgf32 2 tg{32 páoo (2.74)

ou, quando se utiliza a forma geral da equação fundamental, ou seja,


quando se admite c0 u finito,

(2.75)

Em ambas estas últimas equações pode-se ver a influência de {32


em u2 citada atrás. Vê-se, também, que diminuindo-se c 2 m pode-se
diminuir a velocidade tangencial necessária, desde que {3 2 < 90°, o
que também pode ser visto da Fig. 2.29, pois quando /3 2 < 90° e c2m
diminui, c 2 u aumenta imediatamente. De qualquer maneira, não se
pode fazer muito uso desta possibilidade.
Nos vários tipos particulares de máquinas de fluxo utiliza-se esta
grande influência do ângulo {3 2 para obter uma rotação conveniente
para acoplamento direto com máquinas elétricas a um rendimento
ótimo para qualquer tipo de portador de energia ou de direção da
conversão de energia.

2. 7l Turbinas hidráulicas
Nas turbinas hidráulicas para pequenas e médias quedas usual-
mente é difícil obter-se rotações suficientemente altas. Devido a isto, é
sempre preferido nestes casos usar o efeito de sobrepressão, ao invés
do efeito de isopressão, que leva a máquinas mais lentas. Para quedas
muito grandes e para vazões pequenas prefere-se usar o efeito de
isopressão juntamente com admissão parcial, especialmente na forma
de rodas Pelton (Seç. 5.5).
No caso de admissão total (turbina Francis) é preferível usar
graus de reação de 0,5 ou mais, juntamente com ângulos {3 2 de 90°
ou menos. Para admissão total, limita-se ainda o projeto das máqui-
nas na região de vértices superiores dos triângulos à esquerda do
ponto F da Fig. 2.29. Para grandes quedas, escolhe-se o ângulo {3 2
perto do limite superior, ou seja, de 90°, pois, neste caso, está asse-
gurada uma rotação suficiente e este ângulo garante a construção de
canais curtos e um comportamento favorável para cargas parciais
(ver Seçs. 6.42 e 6.43). Pás tipo gancho (ou seja, {3 2 90°) Zl,ã evitadas
no éaso de admissão total, mesmo para grandes quedas. Por outro
lado,_para pequenas_ qtJ<:da_s §2 é reduzido para valores a aixo de90°
para se alcançar uma rotação- suficiente. o limite inferior de {32 é
determinado pelo fato de não se desejar pás com curvatura negativa/
(Figs. 2.30 e 2.30a, caso a). Para rotores cláramente radiais toma-s.(
portanto, {3 2 sempre igual ou menor que 90° (Fig. 7.15). Para rotares
claramente axiais, tais como os das turbinas Kaplan (Fig. 6.41), que
I
~

são próprias para pequenas quedas, usa-se sempre valores pequenos


de {3 2 • Neste caso, aparecem ângulos {3 2 nas pontas das pás que são
já muito próximos de {3" ou ·seja, da forma J (Fig. 2.29).

2. 72 Turbinas a vapor
Nas turbinas a vapor a situação é completamente diferente, pois,
devido à pequena massa específica do vapor e, conseqüentemente, ao
grande trabalho específico Y, luta-se ·sempre com velocidades tangen-
56 O MECANISMO 00 FLUXO NO ROTOR CAP. 2

ci ais mui to altas (pág. 365 ). Por isso, neste caso são adotados grandes
coeficientes de pressão e graus de reação, usando-se formas de pás
à direita do ponto F na Fig. 2.29, ou seja, {3 2 ;. 90". Assim, mesmo
no caso de admissão total usa-se também pressão constante, além
da solução mais natural com sobrepressão. Com esta última não se
ultrapassa r = 0,5 (relacionado ao diâmetro médio das pás) em regra
geral. Para reduzir ainda mais a velocidade,. é comum· ainda des-
viar-se da saída vertical, ou seja, com cx 0 = 90°, e deixar-se o vapor
sair com vórtice opOsto, portanto com c0 u negativo e a0 > 90°
(Fig. 2.25).
As turbinas a gás diferem das turbinas a vapor essencialmente
no fato de processarem trabalhos específicos internos muito menores,
o que fica claramente mostrado numa comparação das relações de
pressão PviPs· Em uma turbina a gás com uma pressão de entrada
de 6 bar e uma pressão de saída de 1 bar a relação de pressões é de 6,
enquanto que uma turbina a vapor de condensação trabalhando com
uma pressão na caldeira de 100 bar e com 95% de vácuo, ou seja,
0,05 bar no condensador, processa uma relação de pressões de
100fil,05 = 2 000 (ver pág. 365). Desta forma, o problema da redução de
velocidade não é tão crítico nas turbinas a gás como nas a vapor e
pode-se usar graus de reação acima de 0,5, ou seja, pás ligeiramente
curvadas (como nas turbinas Kaplan), pois estas dão um rendimento
nas pás melhor do que as pás muito curvadas. Entretanto, nos casos
em que se deve abaixar altas temperaturas de gás, o que ocorre
usualmente no primeiro estágio, é comum usar-se pequenos graus
de reação.

2.73 Bombas
Nas bombas é preciso ter cuidado para reduzir o perigo de
l
descolamento, o que somente permite retardar a corrente com pe-
quenos alargamentos e, portanto, pequena curvatura do canal. Além
disso, trabalha melhor em canais girantes que em canais em repouso,
I
pois a camada limite sofre a ação de maiores forças centrífugas que
o fluxo livre e, por isso, será de uma certa forma aspirada. Ambas. estas
considerações exigem grandes velocidades tangenciais u2 e, conseqüen-
temente, pequenos ângulos {3 2 • No caso de rotares radiais, isto resulta
em pás com curvatura negativa (ou seja, para trás) como mostrado
em a nas Figs. 2.30 e 2.30a. Estas maiores velocidades causam maior
atrito e, para uma rotação dada, também maiores diâmetros, o que
significa maiores custos de fabricação, além de maior perda no labi-
rinto e maior empuxo axial, estas duas últimas determinadas pelo
alto grau de reação. Todas estas desvantagens são admitidas porque,
apesar de tudo, o rendimento se eleva em algumas unidades por
cento. Uma outra importante razão para a adoção destes pequenos
ângulos {3 2 é o melhor comportamento na operação (ver Seç. 6.2).
São comuns nas bombas ângulos {3 2 entr~ 15" e 90", onde os
menores são usados para líquidos e os maiores para gases. Nas
bombas para gases é necessário usar valores grandes de {3 2 por que
pequena massa específica dos gases exige grandes trabalhos especí-
ficos nas pás, e, portanto, grandes velocidades tangenciais, mesmo
para pequenas elevações de pressão. Os maiores valores de {3 2 são
necessários para reduzir tais velocidades. Assim, conclui-se que as
pás radiais muito inclinadas são mais resistentes às forças centrífugas
que as pás planas. Isto exige também maiores ângulos f3 1 para evitar
o perigo de velocidades do fluxo supersônicas (ver Seç. 3.41). Neste
2.8 COMPORTAMENTO DO FLUXO NA ENTRADA 57

caso não é possível ir abaixo de {1 2 = 50°, enquanto que, para água


muito raramente se vai acima de 40°, escolhendo-se pequenos ân-
gulos principalmente quando se deseja características muito estáveis
(ver Seç. 6.2). ·
Em ventiladores pode-se encontrar desde ângulos agudos até
ângulos obtusos, ou seja, pás em gancho. Estas últimas, entretanto,
somente quando se despreza o rendimento e se procura diminuir ao
máximo o diâmetro, ou seja, reduzir ao máximo os custos de
fabricação.

2.74 Resumo
Os tipos de pás apresentados têm a seguinte aplicação:
As pás axiais da forma E da Fig. 2.29 (pás em gancho) nas tur- l
binas hidráulicas com admissão parcial ou nas turbinas a vapor tanto I.'

com admissão parcial como com admissão total; nas formas entre
E e F para as turbinas a vapor com admissão total e na forma G nas
bombas axiais e nas turbinas Kaplan. Nestes últimos casos {3 2 se
aproxima de {3, de maneira que a pá fica muito plana (tipo asa de
sustentação), as velocidades muito pequenas e somente são executados
pequenos trabalhos nas pás. As hélices de aviões'e de navios também
têm esta última forma devido à inexistência de sistema diretor com
o conseqüente alto grau de reação.
As pás radiais da forma a das Figs. 2.30 ou 2.30a (ou seja, com
{3 2 < 90') são preferidas para bombas rotativas e para os compres-
sores rotativas; na forma b, em casos especiais, para compressores
rotativas, para turbinas a vapor radiais (ver Seç. 10.29) e para turbi-
nas Francis, e para estas últimas usam preferencialmente ângulos
{3 2 ,; 90'. As pás radiais com {3 2 > 90' (forma c) praticamente não
aparecem mais em turbinas e, nas bombas, somente para ventiladores
,de pequenas potências. ·
Em geral vale: {3 2 pode ser adotado maior em turbinas que err.
bombas, sob mesmas condições (por exemplo, mesmo fluido); o grau
de reação pode, portanto, ser menor e a curvatura das pás maior.
. Isto se deve ao fato de os fluxos acelerados resistirem melhor a
grandes curvaturas que fluxos retardados.
Vê-se que existe uma aplicação na prática para cada forma pos-
sível de pá.

2.8 Comportamento do fluxo na entrada e formação da


aresta de entrada de grades de pás1
A Fig. 2.31 mostra o início de uma grade de pás, na qual se
tomou pás muito finas, de maneira que o efeito do estreitamento da
seção devido à espessura das pás possa ser desprezado. Para direção
tangencial do fluxo de entrada, correspondendo à velocidade rela-
tiva w0 indicada na figura por linha contínua, este entra sem choque
no canal das pás. Para direção não tangencial do fluxo de entrada,
correspondendo às linhas tracejada e traço-ponto da Fig. 2.31, deve-se
esperar perdas adicionais, que 'são chamadas perdas de choque (ver
também a Fig. 6.1). Um cálculo teórico exalo destas perdas de
choque não é possível, pois os efeitos nelas da camada limite são
muito importantes, e estes não podem ser ainda tratados teoricamente

1 Ver Petermann, H.: Konstruktion 13 (1961) H. 7, p. 278/282.

L-----11111
-----
58 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

I
(.
Fig. 2.31. Representação esquemática da região da entrada da
grade de pás das Figs. 2.32 até 2.37
lt'o velocidade do fluxo de entrada: fi 0 ângulo relativo do fluxo de entrada: 11\ .,elocidade I
relativa no canal das pás: f1 1 ângulo das pás: a 1 largura do canal das pás: a0 largura do
fluxo entrando no canal das pás da grade.

de maneira quantitativa [IV, 28, Vol. 1, Seç. 11]. Para, apesar disto,
ser ·possível calcular estas perdas de choque z, de maneira simples,
utilizamos a relação (ver Seç. 6.1)

(2.76)

Nesta, w, é a diferença vetorial das velocidades do fluxo estabilizado


antes do canal das pás e nele, portanto, Ws = W0 - W1 (compare os
diagramas de velocidades a e c nas Figs. 2.32 a 2.37), e <p é um valor
empírico adimensional que é usualmente fixado entre 0,5 e 0,7. O
valor exalo deste .coeficiente de perda <p depende principalmente da
existência de um fluxo acelerado ou retardado, o que será explicado
a seguir na Seç. 2.81.
Na Seç. 1.2 já foi explicado que, para uma velocidade tangencial
determinada, somente pode haver uma entrada livre de choque para
um volume de fluxo também determinado. Na prática, entretanto,
comumente se tem (ver Seç. 6.1) um volume de fluxo que se desvia,
às vezes muito, do valor necessário para entrada sem atrito. Nos
I
triângulos de velocidade (Figs. 2.32 a 2.37) o volume de fluxo é pro-
porcional à altura do triângulo, ou seja, proporcional a clm na
Fig. 1.8 [ver também a Eq. (6.3), pág. 181].

2.81 Choques de retardamento e de aceleração'

Pode-se ver nas Figs. 2.31, 2.32c, 2.33c e 2.34 que, para um fluxo
entrante com [3 0 < [3 1 (onde [3 0 é o ângulo do fluxo na entrada e [3 1
é o ângulo das pás), fica disponível na entrada da grade uma seção
menor do que a seção do canal das pás para uma corrente de fluido
determinada, ou seja, neste caso a0 < a 1 (Fig. 2.31), e então na entrada
do canal das pás ocorre um retardamento da velocidade do fluxo
{w 0 > w1). Para um fluxo na entrada com [3 0 > [3 1 (ver as Figs. 2.31,
2.32a, 2.33a e 2.34c), ao contrário, ocorre uma redução de seção na
entrada (a 0 > a 1) e, com isto, uma correspondente aceleração {w 0 < w1 ).

1
Ao contrário da notação usada no restante deste livro, nas Seçs. 2.81 e 2.82 e nas
Figs. 2.33: 2.34: e 2.36 a 2.39, serão usados os índices Oe 1 na aresta de pressão de turbinas
(ao invés de 3 e 2). Isto é feito para se ter concordância com a Fig. 2.31.
2.8 COMPORTAMENTO 00 FLUXO NA ENTRADA 59

As perdas no fluxo são usualmente maiores, quando há retarda-


mento do que quando há aceleração e, por isso, deve-se ter cuidado
ao se utilizar a Eq. (2.76). Para a determinação do coeficiente de
perda deve-se inicialmente verificar se ocorre uma aceleração ou um
retardamento do fluxo na entrada da grade. As Figs. 2.32, 2.33 e 2.34
mostram as grades de pás de lima bomba, de uma turbina de sobre-
pressão e de uma turbina de pressão constante, respectivamente.
Estas grades são mostradas esquematicamente de maneira que as
arestas de entrada das pás correspondam aproximadamente às da
Fig. 2.31. Dos diagramas de velocidades correspondentes pode-se ver
que um aumento do volume de fluxo, mantendo-se o ângulo de en-
trada do fluxo a 0 , causa uma aceleração do fluxo na aresta de entrada
das pás na bomba e na turbina de sobrepressão (Figs. 2.32a e 2.33a),
mas causa um seu retardamento nas turbinas de pressão constante
(Fig. 2.34a). Da mesma maneira, um menor volume de fluxo causa
retardamento na bomba e na turbina de sobrepressão (Figs. 2.32c e
2.33c) e uma aceleração na turbina de pressão constante (Fig. 2.34c).
Estas acelerações e retardamentos serão, no que segue, denominados
choque de aceleração e choque de retardamento.

c flo<ji,

Fig. 2.32. Bomba, u = const: V#- const.

Fig. 2.33. Turbina de sobrepressào, u = consl.: V:;.!: const.

( ( (~
c

Fig. 2.34. Turbina de pressão constante, u = const.; V :;t!: const.

Fig. 2.35. Bomba, V = const.; u # const.


60 O MECANISMO 00 FLUXO NO ROTOR CAP. 2

«o

c · fia<fi,

Fig. 2.36. Turbina de sobrepressão, V= const.; u ~ const.

( ( (~ j

I
Fig. 2.37. Turbina de pressão constante, V = const.; u # const.

Figs. 2.32 a 2.37. Possíveis comportamentos do fluxo na entrada de grades de pás de


máquinas de fluxo e diagramas de velocidades correspondentes. A influência da espessura
das pás é desprezada. c0 velocidade absoluta do fluxo na entrada: Cto ângulo absoluto
do fluxo na entrada: w. diferença vetaria! de w0 e 11' 1 : u velocidade tangencial.

Os diagramas de velocidades para volumes de fluxo constantes,


mas diferentes velocidades tangenciais, são mostrados mi Fig. 2.35
para bombas, na Fig. 2.36 para turbinas de sobrepressão e na Fig. 2.36
para turbinas de pressão constante. Pode-se ver que, com relação à
entrada na grade de pás, em bombas e turbinas uma redução da velo-
cidade tangencial, mantendo-se constante o volume de fluxo, corres-
ponde ao efeito de um aumento do volume de fluxo mantendo-se a
velocidade tangencial constante.
O valor do coeficiente de perda <p depende, principalmente, de se
ocorre ou não um descolamento do fluxo das pás. Para um fluxo
retardado é muito mais provável um descolamento do que para um
fluxo acelerado. Por isso, ensaios realizados em muitos tipos de má-
quinas de fluxo mostram que os choques de retardamento reduzem
muito mais o rendimento do que choques de aceleração e que um
pequeno choque de aceleração pode, em certas condições, inclusive
resultar em um melhor rendimento do que uma entrada tangencial do
fluxo (bombas [V, 53, Fig. 44 e Fig. 24 no resumo]; turbinas de
sobrepressão [II. 4, pág. 112/113], turbinas de pressão constante).' Nas
bombas deve-se ainda observar que, devido ao retardamento no canal
das pás, um choque de aceleração causa uma dupla conversão de velo-
cidades e, com isto, resulta em perdas adicionais.
Assim, devido às possíveis perdas, somente são admitidas varia-
ções muito menores de ângulo no caso de choque de retardamento
do que no caso de choque de aceleração. Se puderem ocorrer desvios
grandes de ângulo na direção do fluxo na entrada de uma grade de
pás, é mais vantajoso prever no projeto um pequeno choque de acele-
ração no ponto de cálculo, de maneira que na operação possam

1
Friedrich, H.: Über den EinfluP der Anstrõmung auf das Verhalten eines Tur-
binen-Laufrades. BWK 8 (1956) 9/15, vgl. insbesondere p. 14: ferner Nagornaya, N.
K.: Konstruktion 15 (1963) 361.
2.8 COMPORTAMENTO 00 FLUXO NA ENTRADA 61

ocorrer choques de aceleração pouco maiores que ele e pouco me-


nores mas, somente em casos extremos, o choque pode-se transformar
em um (pequeno!) choque de retardamento.
Encontra-se freqüentemente na literatura as expressões "choque
de barriga" e "'choque de costas". Estas expressões são, entretanto,
muito inconvenientes. No fluxo na entrada ocorre realmente uma
aceleração quando o rotor de uma bomba (Fig. 2.32a) ou de uma
turbina de pressão constante (Fig. 2.34c) receber um fluxo com
choque de costas ou quando ·o rotor de uma turbina de sobrepressão
(Fig. 2.33a) receber um fluxo com choque de barriga. Desta forma,
as expressões choque de barriga e choque de costas não dão uma
indicação clara sobre o valor da perda a esperar. Deve-se, portanto,
evitar estas expressões e usar choque de aceleração e choque de
retardamento.

2.82 Perfis das pás

Os perfis das pás têm uma grande influência no valor da acele-


ração ou do retardamento na entrada de uma grade de pás. Esco-
lhendo-se um perfil grosso e arredondando-se o nariz do perfil com
um grande raio, a aceleração será aumentada, ou, corresponden-
temente, o retardamento será diminuí do, na região de entrada.
Desta maneira, serão admissíveis grandes desvios do ângulo do fluxo
de entrada.

Fig. 2.38a. _ Pá de turbina não perfilada. Fig. 2.39a e b. Pás de turbinas perfiladas.
a) forma da pá: b) valor e direção da velocidade relativa antes, a) forma da pá; b) valor e direção da velocidade
dentro e após a grade de pás. tt'3 velocidade relativa atrás da grade relativa. Simbologia igual à da Fig. 2.38
de pás: a até g pontos em uma linha média de corrente: para os
oUtros símbolos, ver as Figs. 2.31 a 2.37

As Figs. 2.38 e 2.39 mostram pás de turbinas com mesma linha


básica com e sem perfilagem. A velocidade relativa do fluxo mos-
trada w0 causa (ver Fig. 2.34a) um choque de retardamento, pois
{3 0 < /3 1 . Nas Figs. 2.38b e 2.39b são mostradas as velocidades rela-
tivas antes, dentro e depois da grade (pontos a até g). Estas veloci-
dades são calculadas supondo-se uma distribuição regular das velo-
cidades em toda a seção. Vê-se que o retardamento é muito maior
na pá não perfilada do que na pá perfilada. Além disto, o fenômeno
de aceleração transcorre de maneira completamente diferente na grade.
62 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

A perfilagem garante uma ausência de sensibilidade da máquina a


variações de direção do fluxo na entrada, · o que foi comprovado
experimentalmente por K. Gersten 1 para a grade representada na
Fig. 2.39.
Em uma grade de turbina, uma parte da aceleração prevista para
o canal das pás será previamente conseguida na região da entrada,
quando se usa perfis de pás com um nariz gfosso e arredondado.
Ao contrário, em uma grade de pás de bomba deve ocorrer um retar-
damento, de maneira que é inconveniente prever uma pré-aceleração
Fig. 2.40. Pás de bomba axial perfi-
na entrada. Deve-se, entretanto, observar que a velocidade relativa
ladas (perfil laminar) na entrada e pouco após dela em um rotor de bomba é muito pouco
retardada [III, I, pág. 226] 2 • Pode-se conseguir este retardamento, fa-
zendo-se um aumento muito moderado da espessura das pás após a
entrada (Figs. 2.40 e 2.41). Perfis com dorso arredondado (Fig. 2.40)
são, em máquinas de fluxo, também chamados de perfis laminares
[III, 1, pág. 295], embora a transformação da camada limite laminar
em turbulenta no final, com suas conseqüentes vantagens, observadas
em casos particulares, não devam ser esperadas nas máquinas de
fluxo. A vantagem do uso de perfis laminares em bombas é princi-
palmente a redução do retardamento na região de entrada das pás
descrita atrás.
Pesquisas mostram que é conveniente, no caso de bombas, tomar-se
valores do ângulo de entrada das pás e aletas {3 1 (e também a 4 )
maiores do que os calculados para uma entrada livre de choque 3
[ver Eq. (8.2)]. Isto significa que ocorre um menor choque de retar-
damento na entrada, limitado pelo retardamento que ocorre em se-
Fig. 2.41. Pás de compressor radial guida no canal das pás. ·
perfiladas (Eschcr-Wyss)
2.83 Entrada de fluxo instável ou irregular na grade de pás
Nas considerações feitas até aqui admitiu-se que a grade é percor-
rida por um fluxo constante e regularmente distribuído por toda a
seção do canal das pás. Em seguida, serão discutidos alguns casos
nos quais isto não ocorre.
Um fluxo de entrada instável pode ocorrer quando houver antes
da entrada da grade de pás outra grade que se mova relativamente
à grade das pás (por exemplo pás com um anel diretor na entrada
ou um sistema diretor após um rotor). Neste caso aparece, por exem-
plo, após a grade de pás de uma bomba, a distribuição de velocidades
relativas w3 mostrada na Fig. 2.42a. Com esta distribuição ocorre
um fluxo absoluto na entrada das aletas, que estão posicionadas à
pequena distância X após o rotor, sob grandes variações de ângulo
(ver Fig. 2.42b). Estas variações de ângulo serão tanto menores quanto
maior for a distância X entre as duas grades, devido à redução da
distribuição irregular de velocidades na saída da primeira grade
(Fig. 2.43). H. Mohle [V, 53] e A. Aschenbrenner [V, 67] compro-
varam experimentalmente que o comportamento. do fluxo e, conse-
qüentemente, o rendimento na segunda grade, ficam melhores quando.
1
Gersten. K.: Über den Einflu{J der Geschwindigkeitsverteilung in der Zustrõ-
mung auf die Sekundãrstrõmung in geraden. Schaufelgittern. Forschung · Ing. Wesen
23 (1957) 95/101.
2
Ver Tognola, S.: Weiterentwicklung von Hochdruck-Speicherpumpen Escher-
Wyss-Mitteilungen 33 (1960) H. 1/2/3, S. 58/66; ferner Tognola, S., Paranipe, P.: Theore-
tische Strõmungsberechnungen und Modellversuche für Radialverdichter. Escher- Wyss-
Mitleilungen 33 (1960) H. 1/2/3, p. 131/137.
3
Linsi. U.: Versuche an Turholader- Radialverdichtern. Brown Boveri Mittei-
lungen 52 ( 1965) H. 3, p. 161/170.
2.8 'coMPORTAMENTO 00 FLUXO NA ENTRADA 63

se reduz esta distância. Assim, um fluxo instável pode ser mais conve-
niente do que um estável.

Rotor,
imagem absoluto

b IVsm

Fig. 2.42a. Comportamento do nuxo nas pás e nas a!ctas de uma bomba axial.
a) distribuição das velocidades relativas à distância X após o rolar. /, II e /II várias
linhas de corrente; w3 velocidade relativa; b) comportamento do nuxo na entrada das
aletas à distância X após o rotor: u \'elocidade tangencial:
c3 velocidade absoluta do !luxo na entrada

A razão desta melhora do rendimento é seguramente o aumento


do grau de turbulência no fluxo na entqda da grade colocada em
segundo lugar quando se diminui a distância entre as grades. R. Kiock X grande ) X peque.nnoo)
[V, 81] verificou experimentalmente que as propriedades aerodi-
nâmicas das grades de retardamento e também de asas isoladas fica
cada vez melhor, à medida que o grau de turbulência do fluxo em
sua entrada aumenta.
/,~
Estas considerações não podem ser estendidas a pás de turbinas
Fig. 2.43. Mudança da velo-
a vapor de pressão constante, pois nestas uma pequena distância entre cidade do fluxo de entrada
as grades de pás e de aletas resulta em perdas adicionais (ver as expli- cm aletas a diferentes
cações das Figs. 4.13 e 4.14, na pág. 119). distâncias X
Uma situação diferente da dos fluxos instáveis é a dos fluxos
estáveis mas distribuídos irregularmente ua seção do canal, como
pode ocorrer, por exemplo, nas arestas de entrada das pás de bombas
quando, antes da entrada das pás, o fluxo tiver que passar por uma
curva fechada. Isto acontece nas bombas radiais, nas quais o fluxo
é desviado da direção axial para a radial antes da entrada das pás,
o que pode ocasionar o aparecimento de velocidades de fluxo muito
pequenas na coroa externa do rotor, ou até descolamento do fluxo.
Estes desagradáveis fenômenos podem, entretanto, ser evitados intro-
duzindo,se uma corrente de labirinto na direção tangencial à do fluxo
principal (ver Seç. 7.12).
Na operação de compressores axiais sob carga parcial ocorre
um choque de retardamento na região de entrada das pás (Fig. 2.32c)
e, portanto, abaixo de um certo valor do fluxo, este se descola do
perfil das pás. Estes fenômenos de descolamento serão estudados
detalhadamente mais tarde (Seç. 6.29).
Nas pesquisas do comportamento do fluxo na entrada de grades
deve-se, portanto, ao lado dos problemas de aceleração e de retar-
damento, estudar também as distribuições de velocidades.
64 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

2.9 As várias formas de rotor


2.91 A rotação específica ou coeficiente de forma do rotor
Uma forma de rotor usada freqüentemente na prática é a de
rotor radial. Sua forma básica pode ser vista nas linhas cheias da
Fig. 2.44. A partir desta, pode-se desenvolver as várias formas de
construção, inclusive as de rotares axiais. Estas últimas são particular-
mente apropriadas para grandes forças centrífugas e, por isso, são
muito usadas para turbinas a vapor e a gás. Os rotares axiais per-
mitem também uma organização em vários estágios com um mínimo
de tamanho construtivo e com míniinas perdas adicionais. Trataremos
inicialmente dos rotares radiais e simplificaremos nossa apresen-
tação desprezando a influência do ângulo da pá /3 2 na forma do rotor
(que já verificamos ser grande na Seç. 2.7), considerando sempre um
ângulo {3 2 fixo e também ~o = 90".
Com estas simplificações os triângulos de velocidade na aresta
de pressão são sempre semelhantes (Fig. 2.15). Ainda mais, na equação
fundamental, u 2 , ou nD 2 , será proporcional a JY
(2.77)

enquanto que os triângulos de velocidade terão valores do lado de


sucção que dependerão essencialmente do fluxo volumétrico V, cres-
cendo proporcionalmente a este.
Os dados necessários para a fixação da forma do rotor são n,
V e Y. Tomemos inicialmente Y e V constantes e deixemos a rotação
variar. Assim, os tamanhos dos triângulos de velocidade não podem
mudar, pois u2 deve permanecer constante [ver Eq. (2.77)]. Desta
forma, D 2 varia de modo inversamente proporcional à rotação, e os
rotores radiais do tipo mostrado na Fig. 2.44 com grandes diâmetros
D 2 = (2 ... 3) D, representam um tipo de construção lento. Se, agora,
deixamos a rotação aumentar, a aresta externa da pá move-se para
dentro, por exemplo até o menor diâmetro n; da Fig. 2.44. A forma das
paredes das pás pode permanecer igual quando a seção do rotor está
Fig. 2.44. Rotor-radial lento (linhas cheias) e desenhada para cm constante, portanto, também constante o produto
um rotor radial de velocidade média desen- Db. Desejando-se manter constante a forma da aresta de sucção da
volvido a partir dele (linhas pá ao mudar o diâmetro de D 2 para D;, ou seja, situar a pá entre os
tracejadas e traço-ponto) diâmetros D 1 e D;, esta ficaria muito curta em comparação com
sua largura e, com isso, sua superfície, que é determinante para a
transmissão de trabalho, ficaria muito pequena. Por esta razão a
aresta de sucção da pá deve ser sempre movida para dentro, com o
que ela chega a ultrapassar a boca de sucção do rotor. Ao lado da
curvatura determinada pelos ângulos da pá /3 2 e /3 1 aparece então ainda
a curvatura das linhas de corrente, de maneira que a pá fica dupla-
mente curvada.
O rotor tomará então a forma desenhada com traço-ponto e
denotada li, que é chamada de rotor radial de média velocidade. Se
a rotação aumentar ainda mais, a aresta de pressão somente poderá
se aproximar do eixo se for situada inclinada (Fig. 2.45). Aparece,
então, o rotor semi-axial da forma lll, o rotor rápido, no qual o
valor médio do diâmetro externo fica menor devido à colocação
inclinada da aresta de pressão. Se a aresta de pressão for ainda mais
inclinada, obtém-se como caso extremo o rotor axial, ou hélice, da
forma IV, na qual a aresta de pressão é praticamente radial.
Estas quatro formas de rotor são também obtidas quando se
mantém constantes a rotação n e o trabalho específico Y e se aumenta
l
2.9 AS VARIAS FORMAS DE ROTOR 65

o volume de fluxo V. Neste caso a aresta de pressão fica constante,


enquanto que Ds tem que aumentar. Desta maneira aparece o rotor
de média velocidade desenhado com linha tracejada na Fig. 244.
Juntamente com o aumento do diâmetro de sucção D, até o valor
n; ocorre também um alargamento do rotor e pode-se reconhecer
que o rotor assim desenvolvido assemelha-se perfeitamente em todos
os pontos ao obtido anteriormente.

II

Fig. 2.45. Tipos de rotor I a IV

Da mesma maneira, finalmente, seriam obtidos rotares seme-


lhantes também quando se mantém n e V constantes e se reduz o
valor de Y.
As propriedades dos quatro tipos I a IV de rotor são caracteri-
zadas pelos valores seguintes:

Forma I pequena rotação ou pequena capaci-


(rotor lento) dade de engolimento ou grande tra-
balho específico.
Forma II rotação ou capacidade de engolimento
(rotor de média velocidade) médias ou ainda trabalho específico
médio.
Forma III rotações ou capacidades de engoli-
(rotor semi-axial) mento grandes ou trabalhos especí-
ficos pequenos.
Forma IV rotações ou capacidades de engoli-
(rotor axial ou hélice) menta máximas ou mínimos trabalhos
específicos.

É interessante definir um coeficiente para caracterizar o tipo de


forma de rotor, devido às diferenças entre as várias formas. Para
deduzir um tal coeficiente de forma do rotor, consideraremos dado o
rotor de uma máquina de fluxo de um estágio com um trabalho espe-
cífico interno Y, um volume de fluxo V e uma rotação n determi-
nados. O coeficiente de forma do rotor deve ser independente do
tamanho do rotor, de maneira que rotares com forma geometrica-
mente semelhante tenham o mesmo coeficiente de forma do rotor.
Procuramos então um coeficiente de forma do rotor que represente
uma relação entre as grandezas Y, V e n que seja independente do
tamanho da máquina e fiquem constantes para rotores de forma
geometricamente semelhante.
66 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

Rotares geometricamente semelhantes têm triângulos de veloci-


dade também semelhantes. Como, de acordo com a equação funda-
mental, o fluxo volumétrico JÍ é sempre igual a uma seção de fluxo
multiplicada pela velocidade correspondente do fluxo, resulta para
rotares geometricamente semelhantes

Se substituir!J!OS D 2 pelo seu valor aproximado .JY/n, de acordo


com a Eq. (2. 77), vem
. Y312 Y 312
V-n113
- -112
- (2.79)

ou
r;' y3/4
v v - -n -

ou ainda [ver a Eq. 6.27, pág. 214]

n. lt. = constante para rotares geometricamente semelhantes. (2.80)

A expressão n .jV;Y 314 dá o coeficiente de forma do rotor pro-


curado. Ele é adimensional, ou seja, o valor numérico do coeficiente
é o mesmo independentemente do sistema de unidades usado no cál-
culo. Seu valor é, entretanto, muito pequeno e, por isso, inconveniente
para usar. Assim, Addison [III. 21] propôs multiplicá-lo sempre por
1000. Obtém-se desta maneira o coeficiente de forma do rotor de
Addison ("shape number")

n,h =
JV
I OOOn y.V• · (2.81)

Infelizmente este coeficiente ainda não obteve aceitação geral. No


projeto de ventiladores é, ainda, usual tomar-se o coeficiente de forma
de velocidade de Keller [V, 50]

a -- 2,lln y.jV.
314 (2.82)

O valor 2,11 é obtido de Jn.J'i


(ver em [III, 1, pág. 156, Eq. (12)]).
Na Alemanha, por exemplo, toma-se quase sempre a rotação especí-
fica n<J como coeficiente de forma do rotor. Este é obtido multipli-
cando-se a Eq. (2.80) por 333:

.jV (2.83)
n, = 333n y't• ·

O mesmo valor numérico de n, é obtido' da equação

(2.84)

1
A relação entre as Eqs. (2.83) e (2.84) é obtida de

11 ::;::;
•!
9' 81 3 ;4 • JV.
60n (gHi'4 = 333n jV
yJI4
com n em Ujs, V em m 3 /s, Y em m 2 fs 2 ,
·H em m e g = 9,8lmfs 2 .
2.9 AS VARIAS FORMAS DE ROTOR 67

· onde as várias grandezas devem estar nas unidades não coerentes


seguintes: n~_mm._Ji:_em_m 3 /s e H em m. O coeficiente de forma
do rotor n~- calculado pelas Eqs. (2.83) ou (2.84) é chamado na prá-
tica de rotação específica, pois corresponde à rotação (em rpm) de
um rotor semelhante em tudo ao rotor sendo considerado, que tem
um fluxo volumétrico de 1 m 3 fs para uma queda ou elevação de 1 m.
Anteriormente foi também usada na Alemanha, para fluido água,
a rotação específica n,, relacionada a uma queda ou elevação de 1 m
e à potência útil de 1 CV. Esta é dada por
..
JCV (2.85)
m n.m 514 ·

que corresponde aproximadamente, com p = 1 000 kg/m 3, a

(2.86)
e

n, ~ 1200n JV
y 314 (2.87)

(com n, V e Y em unidades coerentes).


Neste livro utilizaremos como rotação específica ou como coefi-
ciente de forma do rotor sempre n,, calculado de acordo com as
Eqs. (2.83) ou (2.84).
De acordo com a dedução feita, a rotação específica é indepen-
dente da escala de construção, ou seja, os valores usados em cada
caso de n ou V ou Y caracterizam somente a forma do rotor sendo
considerado. Em consonância com as considerações atrás, vê-se que
o coeficiente cresce juntamente com n e V, enquanto que ele é inver-
samente proporcional a Y. Ele representa simultaneamente a capa-
cidade de aceleração, a capacidade de engo/imento e o •·ecíproco da
capacidade de trabalho da máquina. ·
Para as formas de rotor mostradas nas Figs. 2.44 e 2.45 valem
os seguintes intervalos aproximados de variação dos valores do
coeficiente:

Forma I
(rotor radial lento) Rotor lento -n, = 10 a 30
Forma II
(rotor radial de média velocidade) Rotor de média
velocidade nq = 30 a 60
Forma III
(rotor semi-axial) Rotor rápido nq = 50 a 150
Forma IV
(rotor axial, hélice) Rotor extremamente rápido · n, = 110 a 150
oti mais

Utilizamos estes números tanto para turbinas como para bombas,


embora Y seja muito menor para um rotor de bomba do que para
o mesmo rotor trabalhando como turbina [Eq. (2.59)]. Obviamente,
em ambos os casos os valores de po(Çncia devem-se referir à entrada
sem choque e não, como é comum erft~urbinas hidráulicas, à abertura
máxima da máquina.
jiP

68 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

Os valores atrás valem somente para admissão total. No caso


de admissão parcial (ver Seçs. 2.53a e 5.62) seria necessário incluir,
nas equações dadas no lugar do fluxo volumétrico V, aquele que
ocorreria se a admissão fosse total, para que a forma do rotor ficasse
perfeitamente caracterizada. Para a caracterização das máquinas de
admissão parcial de um estágio é comum tomar-se como V o fluxo
volumétrico real que existe com a admissão parcial (ver Seçs. 5.52 e
5.53). Neste caso, é possível obter-se rotações específicas muito abaixo
dos valores dados para rotares lentos.
Além disto, devemos observar que, na dedução das rotações espe-
cíficas, admitimos os ângulos /3 1 e f3 2 constantes. Assim, nq somente
representa uma característica da forma do rotor quando estes ângulos
tiverem uma clara relação com n,. ·Quando este é o caso, por exemplo
em turbinas hidráulicas, faz-se fJ 2 diminuir à medida que n, aumenta,
pois desta maneira a rotação aumenta e fJ 1 fica praticamente cons- ·
tante. Mais ainda, deve-se também levar em conta a variação das
perdas de atrito com o tamanho da máquina, devido à variação da
rugosidade relativa (ver Seç. 6.53), pois isto afeta a relação entre a
forma efetiva do rotor e nq, da mesma maneira que a variação do
diâmetro do eixo que, para um mesmo rotor, pode ser tanto menor
quanto menor for também a rotação da máquina (Seçs. 4.11 e 4.12).
Pode-se usar uma determinada forma de rotor e seu respectivo
coeficiente para quaisquer condições de operação possíveis, ou seja,
para qualquer par de valores de Y e de V quando se opera com a ,\
rotação n calculada pela Eq. (2.83). Como, entretanto, devido às '
condições da máquina acoplada à máquina de fluxo, é comum ser
necessário operar esta dentro de limites muito estreitos de rotação e, I

mais ainda, como ficam proibitivas por si mesmas construções exces- I

sivamente grandes e canais excessivamente estreitos, fica na realidade


o coeficiente nq limitado• dentro de um intervalo determinado para !
cada par de valores de V e Y. Também os perigos de cavitação e de
operações a velocidades supersónicas limita a liberdade de escolha
do tipo de máquina (Seçs. 3.1 a 3.4).
A rapidez das máquinas construídas na prática está sempre
aumentando, pois cada vez se constrói máquinas para processar
·maiores fluxos, sem que a rotação seja reduzida.
O limite inferior dado para a forma de rotor I, de cerca de
n, = 10, é determinado pelo fato de que a relação de diâmetros D 2 /D,
não deve ultrapassar 2,5 a 3, pois então os canais das pás seriam
muito longos e muito estreitos, da mesma maneira que a superfície
externa do rotor, e, com isto, as perdas de atrito ficariam muito gran-
des. Esta região de nq's ainda menores somente pode ser atingida por
máquinas com organização em vários eStágios, ou com admissão A
'
parcial. Esta última solução é, entretanto, usada somente para tur- !

binas, sendo especialmente conveniente para turbinas hidráulicas, pois '


'
o rotor pode girar no ar. O tipo de construção comum neste caso é I
'
o da roda Pelton (ver Seç. 5.5). Ao contrário, nas turbinas a vapor I

as pás que não estão recebendo momentaneamente o fluido, deslo- il


cam-se no fluido de trabalho e o atrito total age sempre na superfície
externa do rotor. Apesar de todas estas ~esvantagens, é necessário
utilizar-se a admissão parcial mesmo neste caso, pois no primeiro
estágio das turbinas a vapo~ de vários estágios, usualmente o volume
de fluido é extremamente pequeno (ver Seç. 10.2).
A mudança de admissão total a admissão parcial leva a uma
redução da rotação devido ao aumento do diâmetro do rotor, que é
possível fazer tão grande quanto se queira.
2.9 AS VARIAS FORMAS DE ROTOR 69

Fig. 2.46. Turbinas espirais Francis (E WC). Lado esquerdo: rotor radial de média
velocidade com tendência para lento H= 146.4 ~· V111 = 10,8 m3 (s, n = 500 rpm, nq =
= 39; lado direito: rotor rápido H= 68 m, V111 = 6,55 m3 /s, n = 600 rpm, nq = 66

Admissão parcial está sendo cada vez mais usada para pás axiais,
se bem que não para rotares axiais do tipo desenvolvido atrás, ou seja,
rotores com hélices, devido à sua aceleração muito rápida. Seu uso
é mais freqüente com pás curtas, como será mostrado a seguir.

2.92 O rotor axial

Corno na construção de turbinas a vapor são sempre usados


rotores axiais, tanto para fluxos volumétricos grandes ou pequenos,
quanto para admissão parcial ou total, é necessário estudar as proprie-
dades dos rotores axiais mais detalhadamente. Alterando-se nestes
rotores a relação dos comprimentos das pás, ou seja, da largura radial
das pás b para o raio médio r m' obtém-se os rotores representados
na Fig. 2.47, com seus valores de nq correspondentes. Estes começam
da esquerda para a direita com os rotores já conhecidos tipo hélice,
que são particularmente rápidos mas que, com a relação dada de
Dmfb = 2,4, que corresponde a bfrm ~ 1/1,2, somente são úteis para
fluxo de água e para ventiladores, enquanto que para turbinas a
vapor e a gás o valor Dmfb deve ser de, no mínimo, 3. A série de
rotores termina à direita com três rotores cuja relação de ]'láS bf•·m
tem o valor mínimo possível. Os últimos dois têm admissão parcial,
com a relação do arco de círculo com admissão para a circunferência
70 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

do rotor igual ao grau de admissão e indicado na figura. Vê-se que


é possível ir muito abaixo dos valores possíveis de nq que se consegue
com rotores radiais, quando se usa rotares axiais, o que compreende
inclusive a região de utilização dos rotares Pelton.

.. I

r=O,ÇJ
ny=JOO

Fig. 2.47. Rotares axiais, ordenados de acordo com sua rapidez. Os rotares 5 a 7 são
iguais, mas têm diferentes arcos de círculo com admissão.
Os dados numéricos valem para 0!"0 = 90"

Vê-se ainda mais que a rotação específica somente caracteriza a


I
~
forma do rotor quando é dito simultaneamente se o rotor é radial
[
ou axial e se a admissão é parcial ou total. Para os rotares de extrema
rapidez aparece sempre a mesma forma, que é a de hélice. Para
turbinas extremamente lentas é sempre usada a forma de rotor axial
com admissão parcial, pois também os rotares Pelton são nada mais
do que rotares axiais (tangenciais) com admissão parcial construídas
gêmeas (Fig. 5.33a). Nas bombas é necessário apelar para construções
tipo vários estágios para se conseguir máquinas extremamente lentas.
Os rotores axiais com pequena relação b/rm, ou seja, os de tipo
lento, são prejudicados pela dificuldade de acoplamento ao tubo de
sucção, que, portanto, não pode ser usado. Este inconveniente não
ocorre no caso de máquinas de vários estágios, já que os estágios
intermediários não precisam de tubo de sucção e os rotares axiais
permitem uma passagem entre estágios consecutivos muito eficiente
(Fig. 10.5). Além disso, os rotores axiais são especialmente resistentes

l
às forças centrífugas, sendo, por isso, quase que exclusivamente usados
para a construção de turbinas a vapor e a gás e são freqUentemente
usados para a construção de turbinas a vapor e a gás e são freqüen-
temente usados em compressores (Figs. 2.48a até k).

••

Fig. 2.48a - e

Fig. 2.48f e g
2.9 AS VARIAS FORMAS DE ROTOR 71

h k

Fig. 2.48h- k. Rotares axiais de diferentes velocidades (Escher-Wyss) a) até e) rotares


de compressores; J) até· k) rotares de turbinas a vapor. A rotação específica, com admissão
total, é: a) nq = 400: b) 11,1 = 250: c) nq = 164: d) nq = 135: e) nq = 82: J) nq = 90:
g) llq = 64: h) llq = 60: i) llq = 30: k) 1/q = 22

2.93 A rotação específica no caso de máquinas de vários estágios

Como já foi dito, a rotação específica é um coeficiente que


caracteriza a forma do rotor. Vale, assim, basicamente para máqui-
nas de um estágio. Para máquinas de vários estágios deve-se observar
o seguinte:
Com a ligaÇão em série de i estágios, cada rotor realiza somente
a t-ésima parte do trabalho específico interno da máquina toda.
Com a ligação em paralelo de j rotores cada rotor é percorrido
somente pela j-gésima parte do fluxo volumétrico total da máqui:.a.
Estes dados valem quando se admite que cada rotor individual
é igual aos outros.

2.94 Rapidez e rendimento

As perdas nas máquinas de fluxo são principalmente causadas


pelo atrito nos canais das pás e na superfície do rotor. As outras
perdas, correspondentes à perda no labirinto e o atrito nos mancais
(ou seja, as perdas mecânicas), são em geral menos importantes.
Na Fig. 2.49 está representada a variação das várias perdas em
uma bomba rotativa operando no ponto de melhor rendimento com
um fluxo de 0,1 m 3/s e uma rotação 11 = 25 rps, em função da rotação
específica (ou seja, com vários trabalhos específicos). Vê-se que,
para valores pequenos de nq, especialmente, as perdas de atrito
aumentam muito.
72 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP. 2

Perdas no labirinto Perdas mecânicas


o o .g
,
5 5 ,o-
o'~
"
Perdas por a~:-- E E
0 no rotor Perdas nas pÓs 1o 'I) g
/v ·; -,- ;· ~·52
5 - 15 ~ g J
/ /V Potência Jtil do bomba ~~
2o~.~

/ 25 ·§(~
<.>

v 'i0 ~
o li'
3
~-
8.
15 20 30 40 50 60 70 80 90 TOO ...._
Rotação especÍfica· nq

Fig. 2.49. Balanço. de potência de bombas rotativas radiais e axiais de um fluxo e um


estágio para diferentes rotações específicas, para um nuxo de O, 1 m3 js e uma rotação de
25 rps, operando no ponto de melhor rendimento (de acOrdo com o Trabalho para Diploma
de Meinig, na Universidade Técnica de Braunschwcig, não publicado)

Admitindo-se o número de Reynolds constante na expressão


para o atrito no rotor da Eq. (7.19), vem
Pr = const u~ D~ p.
Além disto, para triângulos de velocidades semelhantes u 2 , é aproxi-
madamente igual a ft, ou seja, se a nova constante for denotada k.
vem
P, = KY 312 D~ p. 12.88)
De acordo com esta última equação, para um trabalho especifico
interno Y dado, o atrito no rotor cresce com o quadrado do diâmetro
do rotor, ou proporcionalmente ao valor da superfície do rotor.
Procura-se, portanto, inanter o diâmetro do rotor o menor possível,
o que resulta em se tornar a rotação o maior possível. Para condições
de operação dadas, ou seja, Y e V dados, isto resulta no uso da
maior rotação .específica possível. Assim, os rotores rápidos têm
perdas no rotor proporcionalmente menores do que os rotares lentos.
Disso resulta que, para os rotares extremamente rápidos, simples-
mente se elimine a parede externa do rotor a 1 a2 (Figs. 2.44 e 2.45).
Com isto o atrito no rotor se limita ao pequeno valor causado pela
superfície do cubo.
Pode-se ver da Fig. 2.49 que as perdas no labirinto são conside-
ravelmente grandes para pequenas rotações específicas. Isto pode ser
explicado da maneira seguinte:
Todos os rotares de bombas rotativas mostrados na Fig. 2.49
têm mesmas medidas na boca de sucção, pois todos são construídos
para a mesma rotação e para o mesmo fluxo. Para rotores com
coroa externa fabricados desta maneira, as dimensões da gaxeta do
labirinto em anel são também iguais (ver Fig. 7.2). Entretanto, os
rotores com menores rotações específicas realizam maiores trabalin)S
nas pás e, assim, com um grau de reação considerado constante,
realizam trabalhos de pressão no labirinto correspondentemente maio-
res, o que, de acordo com a Eq. (7.1), resulta numa maior diferença
de pressão /lp. Por isso as perdas no labirinto crescem muito para
pequenas rotações específicas.
Para as bombas rotativas tratadas na Fig. 2.49 as perdas nas
pás representam urna grande parte do total das perdas. Para peque·
2.9 AS VARIAS FORMAS DE ROTOR 73

nas rotações específicas as perdas nas pás serão determinadas pelos


canais compridos e finos das pás. Quando a rotação específica
aumenta, as perdas nas pás inicialmente diminuem e, em seguida,
para uma rotação específica de cerca de nq = 30, alcançam seu mínimo
valor. Quando a rotação específica cresce além deste valor, as perdas
nas pás crescem novamente devido ao fato de que, para maiores
rotações específicas, o fluxo não flui tão bem como para pequenas
rotações específicas.
Levando-se em consideração todas as perdas, o melhor rendi-
mento geral ocorre a uma rotação específica de cerca de nq =50
(ver Seç. 2.49).
Na Seç. 6.53 será explicado que o rendimento melhora propor- o
cionalmente ao número de Reynolds nas máquinas de fluxo. Para
mesmos fluido e rotação o número de Reynolds varia com o qua-
drado do comprimento. A Fig. 2.49 mostra que, no intervalo de ~
valores de n,, entre aproximadamente 20 e 40, as perdas nas pás e,
o
L---- x nrr=40
o nrr =27
conseqüentemente, o rendimento das pás, permanecem quase cons- o nr=19
tantes. Pode-se, assim, comparar neste intervalo o rendimento das n.i 1400/min
pás de bombas rotativas com sua rotação específica. Isto é feito na o 80 700 125 150 mm 200
Fig. 2.49a 1 . Como medida de comprimento característica foi esco- o,-
lhido nesta figura o diâmetro da boca de sucção (ver Seç. 5.1), pois
este somente depende do fluxo e da rotação da bomba. Para uma Fig. 2.49a. Rendimento das pás
bomba rotativa de um fluxo e um estágio com V= O, 1 m 3/s e n = 25 rps 'lh de uma bomba rotativa de um
(ver Seç. 2.49) vem, aproximadamente, D, = 180 mm. Os resultados fluxo e um estágio em função do
tamanho da máquina, represen-
de ensaios em bombas rotativas de vários tamanhos representados tado pelo diâmetro D5 da boca
na Fig. 2.49a dão para este valor um rendimento nas pás ~, de cerca de sucção (conforme Rütschi).
de 92%, o que confere com os valores das perdas nas pás dados na Ver também a Fig. 6.50
Fig. 2.49 para n, entre 20 e 40.
Em máquinas de fluxo axiais com admissão total - da mesma
maneira que em bombas semi-axiais com n, ~ 100 (Fig. 2.49) - as
perdas no labirinto e as perdas de atrito no rotor são pequenas.
Nestes casos as perdas dominantes são as perdas nas pás, que crescem
proporcionalmente com a rotação específica nos rotores axiais. Desta
maneira, o rendimento total das máquinas axiais decresce quando a
rotação especifica aumenta (Fig. 2.50) 2
Na escolha da forma do rotor, ou~ seja, na fixação da rotação
específica, o projetista deve considerar, além do máximo rendimento
atingível:
1. a rotação da máquina que será ligada à máquina de fluxo e
as perdas em possíveis engrenagens de transmissão;
2. os perigos de cavitação e de operação ultra-sônica (ver o
Cap. 3) que crescem proporcionalmente a n,;
3. o comportamento a cargas parciais. Quando as aletas não
são ajustáveis, o rendimento cai a cargas parciais tanto mais rápido
quanto maior for n, (Fig. 6.32). Esta queda do rendimento causa
também uma grande solicitação de potência quando a máquina tra-
balha a vazio (Seç. 6.31). Pode-se evitar este inconveniente utili-
zando-se aletas ajustáveis (ver, por exemplo, as turbinas Kaplan,
na Seç. 6.43);
1
Rütschi, K.: Schweizer Arch. angcw. Wiss. Tcchn. 17 (1951) H 2, p. 33(46.
2
Eck, B.: Die Bedeutung dimensionsloser Kennzahlen für Kreiselmaschinen
insbesondere für Geblãse und Ventilatorcn. Konstruktion 12 (19ó0) H. 6, p. 252/254
e Linley. F. H.: How to Use Specific Speed as an Aid in Centrifugai, Mixed-Flow and
Axial-Pump-Sclcction. Machine Design 32 (1960) Nr. 22, pp.l17 f121: Auszug in Kons-
truktion 13 (1961) H. 6, pp. 246/247.
...
74 O MECANISMO DO FLUXO NO ROTOR CAP, 2

4. os custos de fabricação. Uma máquina de fluxo será, em geral,


tanto menor (e conseqüentemente sua fabricação será mais barata)
quanto maior for sua rotação. Para a mesma potência, ou seja para
mesmos trabalhos internos e fluxos volumétricos, um aumento da
rotação representa um aumento da rotação específica. Assim, as má-
quinas de fluxo de maiores rotações específicas são, em geral, mais
econômicas que as de menores rotações específicas.
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I

o ' ,,a

----- --- -----


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o,
'g
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r-
.\ o
1 49 48 a5 Wt
-u

Fig. 2.50. Rendimentos 11 máximos atingíveis, coeficientes de diâmetro cr (ver Seç. 6.47)
e velocidades tangenciais u para ventiladores de diferentes coeficientes de rapidez cr onde,
de acordo com as Eqs. (2.82) e (2.73), cr = 21 11/333. nq = nil,578 (conforme B. Eck)

Abaixo de uma rotação específica de cerca çle 10, o rendimento


das máquinas de fluxo com admissão total piora tanto que, como já
foi mostraêio na pág. 52, é necessário adotar-se a construção em vários
estágios ou com admissão parcial. A construção de bombas com
admissão parcial não é comum. Ela é especialmente vantajosa nas
turbinas hidráulicas, pois nestas o rotor trabalha no ar, quando é
construído na forma de rotor Pelton, tratada na Seç. 5.5. Esta,
mesmo trabalhando sob carga parcial ou com sobrecarga,· ainda tem
rendimento aceitáveL Em turbinas a vapor e a gás, o uso de admissão
parcial tem sempre a desvantagem das pás que não estiverem momen-
taneamente sendo percorridas pelo fluxo, ficarem girando no fluido
de trabalho, o que resulta em efeitos prejudiciais de ventilação e faz
com que as paredes do rotor fiquem sujeitas ao atrito total como
uma máquina com admissão total. Assim, a solução para baixas
velocidades em turbinas a vapor e a gás é o uso de construção com
vários estágios. Entretanto, usa-se em alguns casos admissão parcial '.
''
em turbinas a vapor, apesar das perdas de ventilação existentes, devido I
I
à facilidade de controle da potência da máquina através da variação
da parte da circunferência da máquina que recebe o fluxà, e também
devido ao fato de a maior queda por estágio manter as altas tempe-
raturas e pressões longe do rotor e do eixo (ver também a Seç. 10.23).
Como a admissão parcial praticamente não é usada em bombas
e somente é usada com restrições em turbinas a vapor, é necessário
adotar-se a solução do uso de máquinas de êmbolo quando se deseja
grandes trabalhos específicos internos juntamente com pequenas po-
tências.
Os Perigos da Cavitação e do Funcionamento
Ultra-sônico

Neste capítulo serão analisadas algumas propriedades físicas es-


peciais do fluido que passa pela máquina. Quando o fluido é água,
há o perigo da evaporação, ou seja, a possibilidade do aparecimento
de espaços mortos preenchidos por vapor no fluxo, e quando o
fluido é ar, há o perigo de se alcançar ou ultrapassar a velocidade
do som e da conseqüente passagem a um comportamento completa-
mente diferente do fluxo. Neste último caso, deve-se considerar espe-
cialmente o perigo da ocorrência do choque de compressão.

3.1 Cavitação
Denomina-se cavitação ao fenômeno do aparecimento de espaços
mortos cheios de vapor no fluxo. A pressão de vapor, ou seja, a
pressão na qual ocorre a mudança de estado de líquido para vapor
e vice-versa, depende da temperatura. Para água vale:

Temperatura da água 20 40 60 80 100'C


Pressão de vapor Pr 0,0234 0,0738 0,199 0,474 1,013 bar.

Outros valores e pressões de vapor para outros líquidos podem


ser obtidos da literatura [IV, 32; IV, 34].
Se a pressão absoluta em um fluxo líquido for igual à pressão de
vapor óu menor que esta, aparecem (A na Fig. 3.1) bolhas de vapor,
que são separadas do fluxo. As bolhas de vapor aparecem principal-
mente nas paredes do canal, pois em um fluxo livre de turbilhona- _ -Direção do fluxo-=---=---=
mento as menores pressões ocorrem sempre nas paredes. Se a pressão
estática no fluxo aumentar, as bolhas de vapor desaparecerão logo que
a pressão de vapor seja ultrapassada (B na Fig. 3.1). Isto, quando
ocorre, é muito rápido, e as partículas fluidas atingem as paredes do
~%0
canal com velocidades muito elevadas (C na Fig. 3.1), o que causa Fig. 3.1. Formação de bolhas de vapor
solicitações rnécânicas muito intensas no material da parede nos locais (cavitação). A Aparecimento da bolha: .B
tais como C, o que freqüentemente acarreta uma destruição deste Eliminação da bolha; C Destruição
do material
material. As Figs. 3.2 e 3.2a mostram partes de ferro fundido afetadas
por cavitação. Quando houver nas paredes, mossas, cortes, irregula-
ridades de fabricação e outros pequenos aprofur.damentos, a velo-
cidade incidente local da água será ainda m~.ior (Fig. 3.3) e o efeito
lI
76 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

destrutivo da cavitação será mais acentuado. Caso seja necessário


usar um material resistente à cavitação, é indispensável assegurar um
perfeito polimento das superfícies'. A prática mostra ainda que, se a
j
água estiver quimicamente poluída a cavitação poderá ser muito maior.
I
;
I
'I
:)
I
Fig. 3.2. Superfície de ferro fundido corroída por cavitação Fig. 3.2a. Corte da peça de ferro fundido da Fig. 3.2

Uma outra conseqüência indesejável da cavitação é a queda do


rendimento e da potência útil da máquina, o que ocorre devido à
.I
redução da seção disponível para o fluxo e à conversão incompleta
da energia de velocidade em pressão.
Os golpes da água nas paredes do canal resultantes de cavitação
são quase sempre audíveis, sendo que, no caso de cavitação muito
forte, o barulho é comparável ao de um martelo batendo intermiten-
·'.
I

temente nas paredes da máquina.


Para se reconhecer as causas da cavitação, é necessário consi-
derar mais detalhadamente o comportamento da pressão nos ca-
nais das pás: ,I
Um exame do comportamento da pressão nas pás (Fig. 2.5) de ~
uma bomba axial mostra que existe um lugar no dorso da pá onde
os tubos de· corrente se estreitam e, conseqüentemente, a velocidade ·I
Fig. 3.3. Velocidade inci-
dente aumentada da água
aumenta e a pressão diminui com relação aos seus valores na boca de .
em buracos nas paredes. sucção da máquina. Devido ao aumento de velocidade que já ocorre I
Esquerda: ranhura danifi-
cada por cavitação. No
meio e à direita: a água é
acelerada devido ao estrei-
tamento da scção
na entrada dos canais das pás ao longo do dorso das mesmas, a
pressão já é aí algo diminuída. Assim, os lugares mais sujeitos à
cavitação (ou seja, os lugares de pressão mais baixa) encontram-se no
interior dos canais das pás. A espessura das pás e a curvatura das
paredes laterais aumentam a velocidade local do fluxo e também o
'
perigo da cavitação [III, 1; Seç. 36].

De acordo com Bernoulli o lugar com menor pressão é caracterizado pela velo-
cidade máxima. As velocidades elevadas que causam a cavitação para fluido líquido
podem também !ilcançar a velocidade do som quando o fluido é gasoso, o que reduz o
rendimento de maneira semelhante ao efeito da. cavitação para líquidos. Isto acontece
devido à elevação de pressão que aparece quando há o choque de compressão na tran-
sição de velocidade supersônica para subsônica, o que deve ser evitado tanto quanto a
cavitação no caso de fluido líquido [IV, 24]. Os mesmos lugares que são postos em
perigo pela cavitação são prejudicados no caso de fluido gasoso quando há a possibi-
lidade· de se chegar perto da velocidade do som.
O exame dos fenômenos no caso de cavitação, portanto, nos permitirão também
testar a aproximação da velocidade do som no caso de fluidos gasosos.

As turbinas hidráulicas e as bombas hidráulicas de grande porte


operam usualmente nos limites da cavitação 2 , em parte devido à ~:
necessidade de se trabalhar em rotações o mais elevadas possível
para se conseguir reduzir o gasto de material e aumentar o rendimento,

1
Ver. Canaan, H. F.: Der heutige Stand des Wasserturbinenbaues. VDI-Z. 93
(1951) 1084: também [IV, 27].
2 Dziallas, R.: Beitrag zur Beurteilung des Kavitationsverhaltens von radialen I
Kreiselpumpen. Voith Forschung und Konstruktion, H. 15 (Mai 1967) Aufsatz 3:
Sonderdruck 1753. I

I
--~·

3.2 A ALTURA DE SUCÇÃO DAS BOMBAS HIDRAULICAS 77

e em parte devid9 à necessidade de se atingir grandes alturas de sucção


para se reduzir a escavação.
As turbinas e as bombas hidráulicas são usualmente situadas
acima do nível d'água de jusante, já que desta maneira é fácil evacuar
a máquina e conseguir acesso a ela, e assim os custos de instalação
são reduzidos. Desta maneira, o rotor é ligado à água a jusante
através de um tubo de sucção, se a máquina tiver admissão total.
Na colocação em funcionamento de uma turbina o ar que fica na
caixa é retirado imediatamente pelo fluxo líquido, pois a velocidade
do ar no tubo de sucção é muito menor que a velocidade da água
dirigida em sentido contrário. Para bombas é necessário antes da
colocação em funcionamento preencher o tubo de sucção e a car-
caça com água.
Em turbinas, o tubo de sucção tem a importante finalidade adi-
cional de recuperar parte da energia da velocidade de saída, e assim,
reduzir as perdas de saída (ver Seç. 3.3).
As considerações que se seguem não têm a única finalidade de
tratar numericamente o início da cavitação, mas também o de deter-
minar condições ótimas. Será visto que o valor do ângulo {3 0 do fluxo
na aresta de sucção tem uma importância especial, e será obtida uma
base para escolha de seu valor mais conveniente para evitar o apare-
cimento de vapor, ou, nas máquinas para gases, a operação perto
da velocidade do som. A influência de parâmetros, tais como a
forma das pás, o tipo e a rugosidade das paredes, será reunida no
coeficiente de sucção empírico Sq, pois não é possível considerá-la
numericamente de maneira razoável. Este coeficiente é escolhido de
maneira a ser independente do tipo de rotor, sendo somente função
da qualidade da construção e do cuidado do fabricante e, natural-
mente, também de se a máquina é uma bomba ou uma turbina.

3.2 A altura de sucção das bombas hidráulicas

O perigo da cavitação em uma bomba rotativa é determinado


tanto pela capacidade de trabalho disponível na extremidade de
sucção, ou seja, pela carga de energia da máquina. quanto pelas
condições do fluxo na própria bomba.
A capacidade de trabalho específica do líquido na extremidade
de sucção pode ser dada pela constante ~e Bernoulli E [Eq. (1.2)].
Fixando-se o plano com relação ao qual será medida a altura h, no
caso de eixo horizontal da bomba, por exemplo, passando pelo centro
do eixo, a capacidade de trabalho específica do líquido na extremi-
dade de sucção é dada por

(3.1)

Além disto, vem também (ver a Fig. 3.4)

(3.2)

onde
78 OS PERIGOS DA CAVITAÇÂO CAP. 3

p4 é a pressão absoluta no nível de água de sucção (quase sem-


pre a pressão atmosférica)',
e5 é a altura de sucção geodésica, ou seja, a altura do centro do
eixo acima do nível de água de jusante,
g é a aceleração da gravidade local,
Z 5 são as perdas na canalização de sucção.
i

!
No caso de bombas com eixo vertical, e8 caracteriza a altura do
ponto mais alto da aresta de sucção das pás (Fig. 3.5a). De maneira i
semelhante, pode-se também medi,r e5 até o ponto mais alto da I
aresta de pressão das pás nas máquinas de eixo horizontal (Fig. 3.5b), (
o que, de qualquer maneira, só tem sentido em bombas de grande
porte, nas quais o diâmetro do rotor representa um valor conside-
rável quando comparado com e5 • Normalmente e5 é medida somente
até o centro do eixo nas máquinas de eixo horizontal.
Conforme foi visto na Seç. 3.1, para se evitar a cavitação. n
pressão estática no fluido não pode alcançar a pressão de vapor 2
Assim, a capacidade de trabalho específica do líquido na extremidade
de sucção não pode ser totalmente utilizada, ou seja, não pode ·ser
completamente transformada em energia de velocidade. Fica dispo-
nível somente
Fig. 3.4. Bomba rotativa com tubo de sucção 2
Ps - Pr + Cs = PA - Pr _ ge _ z
º 2 º s p
(3.3)

onde Pr é a pressão de vapor discutída na Seç. 3.1. A Eq. (3.3) mostra


:que (E5)d''•'"'"' somente pode ser determinada a partir de dados rela-
cionados com o local de instalação, e não depende unicamente da
própria bomba.
I
a b Desejando-se evitar a cavitação, a energia (E8 )disponivet disponível
na extremidade de sucção da bomba deve ser no mínimo igual à
Fig. 3.5a e b. Medida da altura de sucção
energia de segurança à cavitação ~y. 3 A energia de segurança à cavi-
ge_odésica es a em máquinas com eixo vertical; tação ~y é necessária para compensar as perdas de atrito na boca
b em máquinas com eixo horizontal de sucção e para levar o líquido à velocidade do fluxo existente nos

1
A pressão atmosférica média é dada na tabela abaixo para várias altitudes.

Altitude Pressão atmosférica média

em m N/m 2 mbar Torr kgf/cm 2


I
o 101300 I 013 760 1,033 I
500 95 300 953 715 0,973
I 000
2000
89700
79 600
897
796
673
597
0,916
0,810
1
O valor real pode se desviar de cerca de ± 25 mbar do valor médio. No cálculo
I
'
da capacidade de sucção deve-se sempre usar o menor valor possível para a pressão
atmosférica; assim, deve-se sempre subtrair 25 mbar dos valores dados na tabela, caso
não haja dados precisos sobre a pressão atmosférica no local onde a máquina vai
I
ser instalada. I
2
Ver FlorjanCiC, D.: Einflu~:· der Wassertemperatur auf der Saugfáhigkeit von
Kreiselpumpen. Technische Rundschau Sulzer, Forschungsheft 1971, p. 25/34.- [V, 83].
3
Na literatura sobre bombas rotativas denomina-se freqüentemente altura de pressão I
de segurança à cavitação da bomba à expressão !ly/g = HH e altura de pressão de segurança
à cavitação da instalação à expressão (Es)dispon!ve! fg = H 11 A. Nos Estados Unidos a
altura de pressão de segurança à cavitação e denotada NPSH (Net Positiv Section Head).
- Ver também a este respeito a norma DIN 24260.
3.2 A ALTURA DE SUCÇAO DAS BOMBAS HIDRÁULICAS 79

canais das pás. dy é determinada pela bomba, tendo esta boa capa-
cidade de sucção quando dy é pequena. Mais adiante será visto que
dy depende da rotação, do fluxo e da qualidade da fabricação.
Pode-se fazer:

(3.4)

Nesta expressão, w0 e c0 são as velocidades relativa e absoluta do fluxo,


respectivamente, imediatamente antes da aresta de sucção das pás .
.ic 1 e .ic 2 são coeficientes empíricos que, em uma bomba ideal do ponto
de vista da capacidade de sucção (na qual não há perdas, as pás são
infinitamente finas e a velocidade se distribui de maneira perfeita-
mente regular), valeriam .ic 1 =O e .ic 2 = 1. Em tal bomba ideal, dy
seria igual à energia de velocidade de c0 • Nas bombas reais ocorrem
perdas de atrito e de transformação e c0 é um valor médio na Eq. (3.4),
enquanto que, na realidade, em certos lugares podem ocorrer veloci-
dades maiores. Por estas razões À2 é sempre maior que 1 em bombas,
tendo, por exemplo, um valor .ic 2 = 1,2. As velocidades que ocorrem,
nos canais das pás, superiores à velocidade w0 (causadas pelo estrei-
tamento da seção e pela distribuição irregular das velocidades, por
exemplo, devido à pressão nas pás) são levadas em consideração por
},, que é sempre maior que O, por exemplo, À1 = 0,3.
A Eq. (3.4) admite um fluxo estacionário no tubo de sucção. No
caso em que a potência da máquina oscile, aparecem pressões adicio-
nais no tubo de sucção causadas pela massa líquida. que, tanto em
bombas como em turbinas,' podem assumir grandes valores 1. Este
efeito não será considerado por enquanto, pois ele pode ser estimado
em casos particulares e nosso estudo não irá descer a tais detalhes.
O mesmo vale para o CO!Jteúdo de ar na água, que, de acordo com o
tamanho das bolhas de ar, pode agir de maneiras muito diversas 2
A cavitação será evitada, conforme já foi dito, quando

(3.5)
.,
Das Eqs. (3.3) e (3.5) pode ser calculada a altura de sucção máxima
(e 8 )m<x. permissível para uma bomba rotativa:

(e) .
S max.
=_I_
g
(p A -PT - Z - dy).
Q S
(3.6)
a.zr-,i2
I
I 1
1
I I
I I
No cálculo da altura de sucção deve-se sempre adotar o maior ~--~
f._5_Qa,
valor de dy possível. Para um rotor com aresta de sucção inclinada
(Fig. 3.6), a velocidade relativa w0 no ponto externo a 1 é a maior pos-
sível, enquanto que c0 praticamente não se altera ao longo da aresta
de sucção. Assim, para arestas de sucção inclinadas o cálculo de dy
~
-~-·-·-
deve ser feito para o ponto a 1 . Os valores ~ssim calculados serão
denotados com um índice a adicional. Fig. 3.6. Rotor" radial com aresta de sucção
A energia de segurança à cavitação dy depende também do inclinada u 1i 1• Para comparação é indicada
ângulo relativo do fluxo na entrada P0 ,, de maneira que, para se tracejada a forma de um rotor lento, para
o qual também a aresta de sucção é estendida
conseguir um valor o menor possível de Ay. deve-se procurar o valor até a 1i 1 em certos casos na prática
ótimo deste ângulo, que pode ser calculado da maneira seguinte:

1
Ver. Netsch, H.: Die Wasserwirtschaft 45 (1955) 223/228, e também 46 (1956)
113/121.
2
Dai/y, J. W., Johnson, V. E., Jr.: Trans. ASME 78 (1956) 1695/1706.
80 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

Consideremos inicialmente um fluxo livre de turbulência no re-


cintO de sucção, ou seja, a 0 = a 0 a = 90°, e fazemos

w =~= nDsn (3.7)


Oa COS floa COS fiou'

(3.8)

Nestas expressões D, e Po, estão ligadas a r por razões de conti-


nuidade:

(3.9)

onde

k= 1- d; (3.1 O)
D'
'
o_ que leva em consideração o estreitamento da seção devido ao cubo
(Fig. 4.3, pág. 112).
Da Eq. (3.9), vem

D ./ 4v (3.11)
' \j n 2 kn tg Po,

que pode também ser escrita na forma

~
2 r, = J nkw ~g Po, (3.11a)

Substituindo-se o valor da Eq. (3.11) nas expressões (3.7) e (3.8) e, em


seguida, substituindo-se tudo em (3.4), obtém-se

2t. -
y - (
4
k
'v·)''' [ (cos'
...::!!__ ' PoY"
AI
Po, sen
+ À tn4!3
2 o
J
Po,
. (3.12)

Sendo dados À1 , À2 , n, V e k.' t.y fica dependendo somente de Po,·


Fazendo a derivada do termo entre colchetes igual a zero, obtém-se
a expressão seguinte para o valor ótimo procurado, que é o mí-
nimo de t.y

1 1
(3.13)
2 1 + À,/l!

O ângulo (P 0 ,),,, depende somente da relação À2 j)c 1 , conforme mostra


a Eq. (3.13). Como uma bomba com boa capacidade de sucção tem
l 2 próximo de 1 e À2 próximo de O, bombas com boa capacidade de
sucção terão valores muito pequenos de P0 ,.

1
Admite-se k dado, e portanto constante (e assim dn/D, também constante)
somente para facilitar os cálculos. Na prática usualmente d., é dado, enquanto que
D,, c, portanto, dnfDs, dependem de cm, ou seja, de P0 • Neste caso, pode-se usar, para
o cálculo do valor ótimo de D. quando ct0 = 90°, a expressão seguinte:

(D.l
sopt
~Jj:~;.l ..1.+4 22 2
4 V -_ d 2
n4nz+,

'
3.2 A ALTURA DE SUCÇAO DAS BOMBAS HIDRAULICAS 81

Com os valores tomados como exemplo atrás de À1 = 0,3 e


..\ 2 = 1,2 e, portanto, com ..\ 2/,\ 1 = 4, resulta, para o ângulo do fluxo
na entrada /3 0 ,, de acordo com a Eq. (3.13), o valor ótimo
tg(/3 00)opt = 0,316, (/3 0 ,)opt = 17•32', (3.!3a)

enquanto que uma relação À2 j,\ 1 = 7 daria um ângulo (/3 0 .)•• , = 14•.
Portanto, vemos que é necessário usar pequenos ângulos do fluxo na
entrada para evitar a cavitação. Pesquisas experimentais mostram,
entretanto, que o ângulo de entrada nas pás /3 1 não deve ser tomado
menor que 15° e, em pequenas bombas, deve mesmo ter valores
superiores a 18° [III, 26, pág. 41/42], por razões ligadas à obtenção de
um bom rendimento.
Como já foi dito, o cálculo feito vale apenas para a 0 = 90•; assim;
se o fluxo no tubo de sucção tiver turbilhonamento (ver a Fig. 2.17,
pág. 35) e, portanto, a 0 # 90°, será necessário introduzir grandezas
adicionais no cálculo. A dedução correspondente para este caso foi
incluída nas duas primeiras edições originais alemãs deste livro e
em [III, 1, pág. 192] e leva à expressão

tg (f3o,lopt = (3.14)

onde a vorticidade existente na boca de sucção K 0 = rc 011 é represen-


tada pelo coeficiente de vorticidade relativa 15,

i5 r =1 - w
cOu ju la =---º"
Ula
(3.15)

A.ssim, a existência de vorticidade na entrada, ou seja, {)r :;6 1,


determina um aumento do ângulo Poa da aresta de sucção, de acordo
com a Eq. (3.14), independentemente da direção do vórtice, ou seja, de
se é no mesmo sentido de rotação do rotor ou em sentido contrário.
É particularmente estranho que este aumento também seja necessário
no caso de vorticidade contrária à rotação do rotor, ou seja, r> 1, o
ocorrendo, portanto, um gra11de aumento do componente axial c0 m e,
com isto, uma redução de D5 •
Antigamente foi usado o coeficiente de cavitação introduzido por
D. 7homa para caracterizar a qualidade da capacidade de sucção de
uma máquina de fluxo. Este coeficiente, dado por

L'.y
(J = _,
y (3.16)

tem a desvantagem de que t.y depende das condições no lado de


sucção da máquina mas Y, determinado a partir de Y.,,, depende das
condições do fluxo no lado de pressão do rotor. Desta forma, o
coeficiente de cavitação rJ depende:
1. das providências tomadas para se obter uma boa capacidade
de sucção na máquina; e
~· da forma do rotor, ou seja, da rotação específica [ver a
E. .21)].
O coeficiente de cavitação a ainda é usado em alguns lugares
de vez em quando, mas reconhece-se que é mais conveniente a utili.,
--~-

82 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

zação de um coeficiente que caracterize somente o sucesso das provi-


dências tomadas pelo fabricante para obter uma boa capacidade de
sucção na máquina. Tal coeficiente, para il, = 1, pode ser obtido
da Eq. (3.12):

(3.17)

e é chamado coeficiente de sucção S,'

(3.18)

O termo à direita da Eq. (3.17) depende somente de {3 0 ,, dos parâ-


metros Jc 1 e }, 2 e do fator k. Este último varia entre limites muito
estreitos e pode, aqui, ser considerado constante.
Como o coeficiente de sucção s, somente se altera quando os
parâmetros À ou o ângulo {3 0 , se altera, seu valor, calculado pela
Eq. (3.18), a partir dos valores de n, V e 1\.y, é também um valor que
caracteriza a qualidade de fabricação, ou seja, o sucesso das medidas
tomadas pelo fabricante para melhorar a máquina, e independe da
forma do rotor. Ele caracteriza o sucesso do projeto, principalmente
no que se refere à escolha da forma, do número de pás, e o cuidado
com que a fábrica executou este projeto independentemente da má-
quina possuir um rotor axial ou radial, ser rápida ou lenta, desde
que o ponto de operação seja o de melhor rendimento, ou seja, que
a máquina não esteja sobrecarregada ou com carga parcial.
As bombas rotativas com uma· boa capacidade de sucção atin-
gem, para operação no ponto de melhor rendimento, coeficientes de
sucção da ordem de

S, = 0,40 até 0,45 (3.18a)

A capacidade de sucção das bombas rotativas pode ser aumentada,


quando se estende as pás na entrada. A Fig. 3. 7 mostra o rotor de
uma bomba com uma capacidade de sucção extremamente alta com
a qual se alcança um coeficiente de sucção s, = 1,3. O coeficiente }. 1
seria nesta bomba muito reduzido, da ordem de 0,046 2 Os valores
extremos obtidos nesta bomba não são alcançados por bombas
normalmente encontradas no comércio.
Com a utilização na entrada, de um segundo rotor especial sem
cubo, cujas pás são fixadas nas paredes do rotor, pode-se alcançar
capacidades de sucção ainda maiores, atingindo-se mesmo valores de
Sq maiores que dois 3 . M. Oshima 4 verificou que em tais rotares espe-

1
Petermann, H.: Zur dimensionslosen Kennzeichnung der Saugfãhigkeit von
Kreiselpumpen und Wasserturbinen. VDI-Z. 105 (1963) 595/596.
2
Ver Rütschi, K.: Die Pfleiderer-Saugzahl ais Gütezahl der Saugfãhigkeit von
Kreiselpumpen. Schweiz. Bauztg. 78 (1960) H. 12. - Também Krisam, F.: Neue
Erkenntnisse im Kreise1pumpenbau. VDI-Z. 95 (1953) 320/326.
3
Jekat, W. K.: A new approach to the reduction of pump cavitation: The hub1ess
inducer. Trans. ASME Series D. J. of Basic Engng. 89 (1967) N." 1, p. 125/140. Auszug
in Konstruktion 20 (1968) H. 1, p. 37.- Também Wright, M. K.: Trans. ASME J. of
Engng. for Power (April 1964) 176/180.
4
Oshima, M.: The effect of inducer tip elearance on suction performance. Bulletin
of lhe JSME 13 (1970) N.• 58, p. 554/562.
3.2 A ALTURA DE SUCÇÃO DAS BOMBAS HIDRAULICAS 83

ciais, com cubo, e sem coroa no labirinto entre a carcaça e as pás·


deste rotor anterior, a capacidade de sucção não dominui muito,
desde que o diâmetro externo do rotor na entrada seja cerca de 10%
maior que o diâmetro da boca de sucção do rotor principal.
Nos países de língua inglesa usa-se freqüentemente, ao invés de
S,, a velocidade especÍjlca de sucção (suction specific speed)

n qS = n \f!JI;H
V
314
H '
(3.19)

onde (vide nota de rodapé da pág. 78) HH = t.y/g é a altura de pressão


de segurança à cavitação (g é a .aceleração da gravidade local).
Esta maneira de caracterizar a capacidade de sucção baseia-se no
fato de que esta expressão é equivalente à da rotação específica
[ver Eq. 2.80)], sendo a única diferença a de que a altura de queda
ou de elevação H foi substituída pela altura de pressão de segurança
à cavitação H H' Desta maneira o mesmo vale, naturalmente, também
para o coeficiente de sucção s, e para as expressões adimensionais
para a rotação específica [Eqs. (2.80) e (2.83)].
O coeficiente de sucção é adimensional, enquanto que a veloci-
dade específica de sucção tem dimensão. Para a conversão de um
para outro valem:
Para nqs em

JffiTs . S.-~· (3.19a)


min · m 314 · q- 333

Para nqs em

.Jgalões/min . (3.19b)
min · pé 314 ·

Fig. 3.7. Rotor de capacidade de sucção· máxima (K. Rütschi AG, BruggjSuíça)

~
A partir das Eqs. (3.16), (3.18) e (2.83) pode-se deduzir as fórmulas
seguintes, que facilitam o uso prático do coeficiente de sucção:
A energia de segurança à cavitação é

t.y= n.JV)4/3
. (-s,- (3.20)
- OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3
84

e o coeficiente de cavitação

('.!..:1!_\"'3
_~
(J -y
_(n JV. 2.)4/3
- Y s
_(2 2.)4/3
- 333 s 3' 4 (3.21)
q q

Exemplo. Para uma bomba que deve elevar V= 100 ljs = 0,1 m 3 js,
a uma rotação n = 1500 rpm = 25 rps, deve-se calcular a altura de
sucção geodésica máxima (e5 }máx! sabendo-se que as perdas no tubo
de sucção, já calculadas, são z, = 10 m 2 /s 2 A aceleração da gravi-
dade local é de g = 9,81 m/s 2
Para .este cálculo é necessário que a capacidade de sucção da
bomba seja conhecida, ou seja, que seja conhecida sua energia de
segurança à cavitação t.y ou seu coeficiente de sucção s,. Se este
não for o caso, como neste exemplo, o coeficiente de sucção deve
ser estimado. Admitindo-se que a bomba tenha uma capacidade de
sucção boa para fabricação seriada, pode-se tomar s, = 0,45. Assim,
de acordo com a Eq. (3.20) vem

t.y -
- (nft)4/3-
s -
q
(25~,1 4/3-
o45 - 45,6
mz.
s,
2

Se a bomba puxar água fria (temperatura máxima da água


t = 20'C; pressão de vapor PT= 0,0234 bar= 2340 Njm 2) de um
reservatório que esteja à pressão atmosférica (ou seja, pressão baro-
métrica mínima pA = 950 mbar = 95000 N/m 2 ), vem, de acordo com
a Eq. (3.6):

1 (pA-
(eslm,;,, = g Q
PT -
1 (92660
. ) = 9,81
Zs- C.y 1000 - 10- 45,6)
= 3,7 m.

Se a bomba puxar água fervendo de um reservatório que esteja


à pressão atmosférica ou água de condensação do condensador de
uma turbina a vapor, resulta Pr = PA e, assim,

10 + 45,6
(e 8 )m;,, = g1 (- Z 8 - C.y) = - . ,
9 81
= - 5,67 m.

A altura de sucção deste último caso é superior à altura de par-


tida, que é a altura mínima necessária para que, após deduzidas as
perdas no tubo de sucção, ainda fique disponível na extremidade
de sucção da máquina a energia de segurança à cavitação t.y
[ver Eq. (3.5)].
O exemplo mostra que a capacidade de sucção de uma bomba é
determinada por n.JV
e S, e não pelo trabalho específico interno Y.
Se a bomba trabalhar com um líquido diferente da água, deve-se
tomar em consideração o efeito das diferentes propriedades do outro
líquido, tais como o calor de evaporação e o calor específico à pressão
e à temperatura de trabalho, na cavitação [III, 26] 1 .. Em bombas rota-·

1
.,
Stepanoff, A.-J.: Cavitation in centrifugai pumps with liquids other than water.
Trans. ASME Series A, J. of Engng. for Power 83 (1961) N." 1, p. 79/90: Auszug:
Konstruktion 13 (1961) H. 9, p. 364/365. - Hendrix, L. T.: New approeffects of fluid
properties on cavitation in centrifugai pumps. Trans. ASME Series A, J. of Engng.
for Power 87 (1965) N." 3, p. 309/318.
3.3 A ALTURA DE SUCÇAO DAS TURBINAS HIDRÁULICAS 85

ti vas 1 que trabalham com sódio líquido a 600'C foram medidos coefi-
cientes de Sl\CÇào da ordem de S, = 0,2. Outras bombas, trabalhando
com sal derretido a temperaturas de 600 a 750'C, alcançaram coefi-
cientes de sucção de S, = 0,4 a 0,54.

3.3 A altura de sucção das turbinas hidráulicas


Nas turbinas, o tubo de sucção tem a finalidade adicional, muito
importante, de converter a velocidade de saída do fluxo do rotor em
pressão, para reduzir as perdas de saída. Assim, o tubo de sucção se
alarga para baixo, como mostra a Fig. 3.8, de maneira que o retar-
damento do fluxo cause uma redução de pressão após o rotor, e, com
isto, aumente a diferença de pressão útil da máquina. Nos rotares
rápidos, onde este ganho é particularmente apreciável (ver Seç. 3.5),

Fig. 3.8. Turbina Francis (rotor lento) com tubo de sucção reta (Escher-Wyss)

mas a altura de sucção é usualmente pequena, devido aos valores


grandes que freqüentemente ocorrem de nJV
[ver Eq. (3.25)], é
neces.,ário apelar-se para uma extensão horizontal do tubo de sucção,

1
Trans. ASME Series D, J. of Basic Engng. 85 (1963) N, 0 3, p. 329/337: Auszug:
Konstruktion 16 (1964) H. 6, p. 235.
86 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

cuja parte vertical tem um comprimento limitado, de maneira a não


se ultrapassar o ângulo de alargamento máximo permissível (Figs. 3.9,
3.10 e 3.11). Esta saída horizontal exige uma curvatura no tubo de
sucção, com a correspondente perda, mas já entrega a água na direção
correta do fluxo a jusante. No caso de alturas de queda muito peque-
nas· é comum inclusive colocar-se a máquina acima. do nível d'água
de montante, para economizar-se na escavação (Fig. 3.9). Nestas
turbinas-sifão não há a necessidade de se prever uma comporta de
admissão, pois a colocação em funcionamento. pode ser feita retiran-
do-se o ar da câmara sifão e a retirada de funcionamento· enchendo-se
o mesmo de ar.

Suporte do gerador

Nlvel Controle externo


Anel de proteção
das pás.

Fig. 3.9. Instalação com turbina Kaplan (ou turbina Francis) como turbina-sifão
(Central hidrelétrica Gundelsheim, no rio Neckar)

Fig. 3.10. Usina hidrelétrica com uma turbina Kaplan


H= 8 a 13m: Ji111 = 24 a 30m 3/s: n = 125rpm.
3.3 A ALTURA DE SUCÇÃO DAS TURBINAS HIDRAULICAS 87

"""'
I
-'----i---1-,J.-- - i--

~ -1~
I --.

I '
. L__-~~~~~~-i .l.
1--z.s.. +--·· ·---?,5..
J,J-O, 5·0~-

Fig. 3.11. Esboço hidráulico de uma turbina Kaplan (Voith).

A situação do tubo de sucção é especialmente conveniente nas


turbinas bulbo (Fig. 3.12), nas quais não é necessária a curvatura para
a obtenção do comprimento desejado e para a saída da água na dire-
ção correta. Tais máquinas, entretanto, somente encontram aplicação
para quedas muito pequenas e para potências pequenas e médias 1

Fig. 3.12. Turbina bulbo. P = 1250 kw; H = 6,01 m; V= 24 m 3fs; n = 165 rpm
(Escher-Wyss) 1 Anel de aletas protetoras; 2 Sistema diretor regulável; 3 Servomotor
do sistema diretor; 4 Regulador com quadro de comando; 5 Rotor; 6 Engrenagem
plarietária; 7 Gerador; 8 Pé protetor; 9 Braço protetor; 10 Aberturas de montagem;
11 Refrigeração a ar do gerador; 12 Reservatório de óleo; 13 Bombas para água de
infiltração

'Ver BWK 8 (1956), pp. 171 e 279: li (1959), pp. 573/575. Uma completa repre-
sentação da turbina bulbo mostrada na Fig. 3.12 pode ser encontrada em pv, 30, pp.
04/051.
88 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

Assim, nas turbinas hidráulicas, o tubo de sucção é muito impor-


tante para a economia total da 'máquina e compreende-se por que ele
é considerado parte integrante da turbina, enquanto que nas bombas
o tubo de sucção não contribui em nada para a conversão de energia
e, por isso, não é considerado parte da máquina. I
Deduzidas as perdas de atrito e de transformação, a energia I
recuperada no tubo de sucção alargado corresponde a k, vezes a
•I
energia de saída c~/2, e é decomposta da seguinte maneira [I, 1]

(3.22) !.

com km=0,7 a 0,9 e k.=O a 0,1.


, Devido a esta recuperação de energia é que o tubo de sucção é
1

considerado parte da máquina, sendo que as perdas que aí ocorrem


ficam também fazendo parte das perdas totais da turbina. Quanto
maiores forem as perdas no tubo de sucção, ou seja, quanto menor
for o fator k, na Eq. (3.22), maior será a pressão no final do canal das
pás e, portanto, menor será o perigo de cavitação.
A extremidade de suoção da instalação da turbina, na qual a
energia de segurança à cavitação 8y deve estar disponível, fica agora
na extremidade do tubo de sucção. Deve-se observar que t.y, da
mesma maneira que em bombas, também nas turbinas não considera
as diferenças de altura/Desta forma,_a_energia._de-segurança_à cªvi:-
tação
~-
·L'.y,
----
em turbinas,
---
representa a recuperação
\.
de pressão a partir
da energia'âe velocidade entre o ponto de pressão estática mínima
,no_-canal das pás até o final do tubo de sucção/ Para o cálculo de
t.y vale ta:mbem neste caso a Eq. (3.4)/0 pnme1ro membro desta
equação (À 1 w~/2) é obtido da elevação de pressão na saída do canal
I,
I
das pás, causada pelo retardamento das velocidades superiores exis-
tentes no canal das pás até o valor da velocidade de saída. Como, por
um lado, as velocidades máximas são menores em turbinas que em
bombas, pois a distribuição de velocidades nas turbinas é mais regu-
lar que nas bombas, e, por outro lado, ocorrem perdas na conversão
da energia de velocidade em pressão, nas turbinas o coeficiente ..1 1
tem valores de aproximadamente a metade dos que tem em bombas.
Usualmente calcula-se com À1 ~ 0,16. O coeficiente À2 da Eq. (3.4)
corresponde aproximadamente ao coeficiente k0 da· Eq. (3.22). Em
uma turbina ideal, com uma distribuição regular de velocidades resul-
tando na velocidade c0 na seção de saída do rotor. e com recupe-
ração total, ficaria À2 = k0 = 1. Entretanto, devido às perdas no tubo
de sucção tanto k, como À2 são sempre menores que 1. Usualmente
calcula-se com À2 ~ 0,7. Numa comparação de diferentes tipos de
turbinas, este coeficiente somente pode ser considerado aproximada-
mente constante quando os tubos de sucção tiverem um~ forma geo-
métrica aproximadamente igual. Esta é uma exigência dificilmente
cumprida para máquinas grandes e pequenas, devido às diferentes
velocidades da água que são trabalhadas sob praticamente a mesma
p.ressão atmosférica. Apesar das oscilações no valor de À2 , pode-se,
entretanto, transferir para este caso os cálculos da Seç. 3.2 com
razoável sucesso. Devido aos valores menores de À1 e de À2 , as tur-
binas têm menores valores de L'.y que bombas semelhantes. A 'razão
para isto é a inversão do sentido do fluxo e o efeito contrário do atrito.
É importante guardar-se o fato de que o mesmo rotor é muito
menos suscetível à cavitação quando trabalha ·como turbina, do que
quando trabalha como bomba. Com o aumento do tamanho das .má-
3.3 A ALTURA DE SUCÇAO DAS TURBINAS HIDRÁULICAS 89

quinas, os coeficientes crescem proporcionalmente ao rendimento das


pás ry h• de maneira que grandes turbinas são mais suscetíveis à cavi-
tação que pequenas turbinas, enquanto que em bombas ocorre exata-
mente o contrário.
r-)' As Eqs. (3.5) e de (3.7) até '(3.15) podem ser usadas, sem nenhuma
1 · alteração, também para turbinas. Tomando-se J. 1 = 0,16 e J. 2 = 0,70,
'~ a Eq. (3.13) dá
(3.22a)

No cálculo da altura de sucção geodésica max1ma possível de uma


determinada turbina hidráulica deve-se observar que a perda no tubo
de sucção z, já está incluída em ó.y. Assim, a Eq. (3.6) se transforma em

(es) . =
max.
_!_(pA-
g
Pr _ ó.y).
Q
(3.23)

Em um cálculo mais exato, a altura de sucção geodésica e8 deveria ser


medida entre o ponto de pressão estática mínima no canal das pás
e o nível d'água de jusante. Como, entretanto, usualmente não se
conhece a localização do ponto de pressão estática mínima, mede-se
e5 até o ponto mais alto da aresta de sucção das pás (ver Seçs.
3.5a e b, pág. 79).
As Eqs. (3.16) a (3.18) e (3.19) a (3.21), dadas para caracterizar a
qualidade da capacidade de sucção das bombas, podem também ser
usadas para turbinas. Os valores numéricos destes coeficientes são,
entretanto, devido aos valores menores de dy, mais convenientes.
Desejamos fixar mais precisamel)te o coeficiente de sucção de maneira
que sejam obtidos os valores experimentais atualmente utilizados\ e
reconhecidos também em todos os países. Estes são expressos pelo
coeficiente de cavitação a e relacionados a aletas totalmente abertas,
ou seja, a volume d'água máximo vl/1' situação na qual não ocorre

Tabela 1. Valores experimentais para turbinas Francis

(nq)ttt 30 60 90 120
q 0,041 0,11 0,20; 0,31
VfVt/1 0,80 0,83 0,85 0,87
'lt/1 0,84 0,86 0,86 0,85
(Sq)1/t 0,98 0,96 0,91 0,86

Tabela 2. Valores experimentais para turbinas Kaplan com aletas e pás ajustáveis

(nq)l/1 140 170 200 230


q 0,41 0,59 0,82 1,11
V;V1,1 0,65 0,62 0,6 0,6
z ,-.._:; 6 5 4
'lt/1 0,85 0,86 0,86 0,86
(Sq)l/1 0,82 0,76 0,70 0,64

zé o número de pás. '1 1 ; 1 é o rendimento do acoplamento para r/ 1 ; 1 • No ponto de cálculo


serão, obviamente, obtidos valores muito melhores do rendimento, que podem alcançar
93% e até mais, em turbinas KaPlan e Francis 2 •

' Ver (IV, 14, V. II, 27" edição, p. 672; V. liA, 28." edição, p. 900] ou [I, 4, p. 37]
e também o Relatório 5/67 do Instituto Pfleiderer, não publicado.
2
MU'ller, H. P.: Uberblick über Ergebnisse von Wirkungsgradmessungen an Tur-
binen-und Pumpenanlagen. Voith Forschung und Konstruktion, H. 15 (Maio 1967) p. 18.
90 OS PERIGOS OA CAVITAÇAO CAP. 3

mais uma saída vertical, mas, de acordo com a Seç. 6.33, aparece
um vórtice contrário. Para caracterizar esta situação é dada, nas
tabelas 1 e 2, a relação v~/1,. cuja determinação será considerada i I
na Seç. 5.41.
Por meio da Eq. (3.21) o coeficiente de sucção (S,) 111 pode ser
calculado a partir dos valore,s dados de (n,) 111 e rJ

,:.Estes valores de. (S,) 111 foram il)cluídos nas últimas linhas de ambas
as tabelas.
(3.24)

1
. ,

Usando estes valores de (S,) 11 " válidos para carga total, para
j_ulgar o comportamento da máquina em carga normal, ou seja, com
·saída vertical, seria necessário considerar a redução 1 de nq e a alte-
ração de u. Esta conversã? daria valores de Sq que, possivelmente,
seriam um pouco maiores, pois desaparece o vórtice contrário que
existe no recinto de sucção em sobrecarga e que reduz a capacidade
de sucção (Fig. 6.24). Como, entretanto, a conversão dos valores dos
coeficientes À não pode ser feita de modo mais confiável, tomaremos
os valores dados como corretos, admitindo que as relações entre eles
permanecem da mesma maneira para carga normal.
Como esperado, os coeficientes de sucção são muito maiores
que os para bombas. Os coeficientes de sucção dados nas Tabs. I e
2 são naturalmente valores orientativos, válidos somente para má-
quinas normalmente construídas, e podem ser ultrapassados em máqui-
nas especialmente bem construídas.' Pode-se mostrar que as turbinas
Kaplan muito rápidas, nas quais as pás ficam muito espaçadas, apre-
sentc:}.m valores menores de Sq' Assim, valem neste caso valores maio-
res de À" como também se pode encontrar no fluxo através de asas
isoladas. Considerando-se que os valores de rJ utilizados foram obti-
dos na prática, deve-se admitir que a consistência dos valores de s,
nas turbinas consideradas é muito boa. Vê·se que também aqui a
utilização do coeficiente de sucção leva a uma conclusão muito útil.
Como na prática o limite de cavitação é calculado para o fluxo
máximo, quando o perigo de cavitação é também máximo, acon-
. I
selha-se utilizar os valores dados atrás do coeficiente de sucção (S,) 111 . '
Substituindo·se os valores de lly da Eq. (3.20) na Eq. (3.23), obtém·se 'I
. I

a expressão seguinte para a altura de sucção máxima

(3.25)

Utilizando·se, como era até agora usual, o coeficiente de cavi·


tação rJ, obtém·se a expressão mais simples

(e).
S max.
=_I_(pA-pT_rJY),
g {l
. (3.26)

1
Onde nq ~ (nq), 11 .JV;V, 1, (ver Seç. 5.41).
3
As turbinas Kaplan da Usina subterrânea de Simbach-Braunau (Schweiz. Bauztg.
72 (1954) N. 0 22, p. 319) apresentaram uma capacidade de sucção (Sq) 111 = 0,79 para
(nq) 111 = 219. ·

I
-'

'
'
""C
3.4 O LIMITE ULTRA-SONICO OOS COMPRESSORES 91

onde, entretanto, a grande depelldência que o valor de a tem de nq


exige a utilização de tabelas. Como os valores de Sq pouco se alteram,
e sua alteração implica na existência de problemas que o construtor
da máquina deve evitar de qualquer maneira, fica claro que é aconse-
I'
I
lhável mudar para o método de cálculo dado na Seç. 3.2. Com isto
existe também a vantagem de se poder. comparar a turbina com a
bomba, cujo coeficiente de sucção mel).~r mostra sua maior susceti-
bilidade à cavitação.
Quando não houver informações ou dados que permitam uma
boa escolha de s,, aconselha-se utilizar

Sq~" 'Ü' 6 ·· 1·09


., \

de acordo com as observações anteriores.


Deve-se atentar, entretanto, também para o seguinte: a redução>
dos valores de },, especialmente a recuperação incompleta das velo-
cidades superiores no perfil, ocasionam uma grande influência da
forma das pás. Isto é particularmente importante nas turbinas Kaplan,
nas quais os perfis são muito mais solicitados perto do cubo que na
circunferência externa (ver Seç. 9.71c) e, com isto, ocorrem irregula-
ridades na admissão ao longo das pás. Assim, nas turbinas Kaplan, a
cavitação ocorre primeiro na passagem para o cubo (de acordo cpm
uma comunicação da firma J. M. Voith, de Heidenheim), despre-
zando-se a cavitação no labirinto, e este fato determina a forma do
perfil no meio'- Isto tudo não altera absolutamente nada na utilidade
do coeficiente de sucção.

3.4 O limite ultra-sônico dos compressores2


Já foi dito, na introdução deste capítulo, que, ao se retardar um
fluxo gasoso, a passagem pela velocidade do som causa um choque
de compressão que, por seu lado, reduz o!dimento da máquina.
Assim, sempre que possivel, as velocidades . operação do fluido em
compressores devem ficar abaixo da veloci ade .do som.
Nas turbinas a vapor e a gás a operação em velocidades ultra-
sônicas é muito menos prejudicial, poiS existe sempre uma aceleração
do fluxo no meio. Retardamentos locais, que podem causar choques
de compressão, ocorrem na passagem do fluxo pelos inícios das Pás,
nas curvaturas do canal e, principalmente, nas regiões das paredes
(camada limite), mas são de pequena monta. Assim mesmo, ocorre
nas turbinas uma pequena redução do rendimento devido aos choques
de compressão, de maneira que, se possível, velocidades ultra-sônicas,
e mesmo a operação perto da velocidade do som, devem ser evitadas.
Nesta seção trataremos somente dos efeitos da operação ultra-sônica
nos compressores com detalhes, deixando para mais tarde (Seç. 10.26b)
a consideração do interesse de se evitar as velocidades ultra-sônicas
em turbinas.
Enquanto no caso da cavitação era necessário comparar a
pressão existente com a pressão de vapor, agora, da mesma (arma,
deveremos considerar o número d(~, Mach, que representa a relação
da velocidade do fluxo para a velocidade do som. A velocidade de
propagação do som é
1
Dziatlas, R.: Kavitationsbeobachtungen ao Kaplan-Turbinen. Voith Forschung
und Konstruktion 1957, H. 2, pp. 3.1/3.8.
'Pf/eidem, C.: VDI-Z. 92 (1950) 129/133.
92 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

(3.27)

onde x é a relação das capacidades caloríficas específicas c"/c, p é a


pressão, v é o volume específico (relacionado à massa), R é a constante
universal dos gases e Té a temperatura absoluta local em graus Kelvin.
Para ar seco com R = 0,287 kJ/kg K e x = 1,4, a é dado em m/s por

a= 20,02 .jT (3.28)


e, para ar meio úmido
=
a= 20,2-JT. (3.29)

A posição de máxima velocidade nos compressores corresponde


exatamente à que é mais crítica à cavitação no caso de fluido líquido.
A analogia com fenômenos de cavitação vale em uma extensa gama
de situações. Quando se considera que a é proporcional à tempe-
ratura absoluta e que, nos lugares em que a pressão aumenta, também
a temperatura aumenta, reconhece-se que elevações de velocidade
locais nas regiões de pressões maiores levam tão raramente a velo-
cidades próximas da do som como, no caso de água, à cavitação.
Deve-se, entretanto, observar que a temperatura não sobe tão de-
pressa como a pressão e, assim, que nas zonas de maiores pressões
praticamente não pode aparecer a cavitação, mas podem ocorrer
velocidades acima da do som. Velocidades ultra-sônicas sempre apa-
recem primeiro no fluxo relativo da entrada das pás, ou seja, pouco
depois da aresta de sucção a 1 i 1 e, efetivamente, o ponto a1 mais
extremo desta aresta é onde aparece o maior perigo (Fig. 3.6 I, pág. 79).
Para o cálculo da velocidade máxima wmh. depois da entrada
do rotor, pode ser usada a expressão [ver, também, a Eq. (9.108)]

(3.30)

onde o índice O se refere a uma posição pouco antes das pás; w011 é
novamente a velocidade do fluxo de entrada no ponto a 1 . O nú-
mero À deve ser considerado como À1 da Eq. (3.4), que, em bombas,
usualmente é tomado, em média, igual a 0,3. Aqui será admitido um
pouco menor, entre 0,2 e 0,3. Experiências 1 mostram que estes valores
são razoáveis. Para compressores axiais com espaçamento particular-
mente grande das pás deve-se tomar valores maiores.
A utilização destes valores de À menores que os tomados no caso
de fluido água é justificada pela inexistência de alterações do ma-
terial. Realmente, o aumento de volume que ocorre no local de velo-
cidade ultra-sônica amplia a elevação da velocidade, que, entretanto,
é pequena na entrada de pás ou de asas e, por isso, pode ser despre-
zada2. Em compressores ax.iais, que são particularmente suscetíveis
a velocidades ultra-sônicas, e que, portanto, têm uma maior impor-
tância no cálculo seguinte, a forma do perfil tem uma enorme influ-
ência nos valores permitidos de À. Pesquisas em perfis isolados
[V, 32, Nr. 4 e V, 29] resultaram em grandes oscilações do valor crí-
tico de w0 ,/a (que são aqueles cuja ultrapassagem aumenta fortemente
a resistência do perfil) conforme a posição e o valor da espessura
máxima e a forma:· de curvatura. O fabricante deve neste caso escolher

'Pfleiderer, C.: VDI-Z. 92 (1950) 406/407.


2
Lamla, E.: Jahrb. d. dtsch. Luftfahrtf. 1939, I p. 165; 1940, I p. 26.
3.4 O LIMITE ULTRA-SONICO DOS COMPRESSORES 93

cuidadosamente ·a perfil de acordo com os pontos de vista discutidos


nas Seçs. 2.8, 9.32 e 9.54, para que os valores dados de ,( não sejam
ultrapassados.
Em compressores radiais a importância da forma do perfil neste
valor é menos pronunciada e, de qualquer modo, o perigo de ultra-
passagem da velocidade do som é muito menor, de maneira que
pode-se admitir o aumento do valor de À.
Usualmente a velocidade w 0 a nos rotores radiais de pequena ro-
tação específica tem valores muito abaixo do limite de ultra-som.
Este será freqüentemente ultrapassado pela velocidade de saída do
rotor, cujo efeito é, entretanto, atenuado pela elevação de tempera-
tura já citada e também pelo fato de que as aletas diretoras são substi-
tuídas pelo anel diretor (Seç. 8.2) ou estão a grande distância da saída
das pás, o que, devido à redução da velocidade absoluta, faz com que
desapareça o perigo de se atingir a velocidade do som. Além disto,
choques de compressão que ocorram após o rotor. não causam maiores
perdas que o retardamento constante no canal. No caso de anel diretor
sem aletas, ele absolutamente não existe. Assim, o anel diretor sem
aletas é especialmente apropriado para retardar fluxos ultra-sônicos.
De acordo com Lucksch 1 o choque somente causa perdas consi-
deráveis quando se ultrapassa Ma= 1,4 e, de acordo com Oswatitsch,
as perdas são desprezíveis se for evitada a formação de espaços mortos.
Nos compressores axiais não se pode prescindir das aletas, mas
elas aqui não causam problemas com relação a choques de com-
pressão, desde que o grau de reação r> 1/2, pois então, de acordo
com a Fig. 9.4, a velocidade absoluta na saída do rotor c; é menor
que a velocidade relativa na entrada w0 . Caso r< 1/2, o que, entretanto,
é muito raro em compressores (somente aparece em ventiladores para-
lelos, Seç. 9.43, que, por sua vez, sempre trabalham abaixo da veloci-
dade do som), c3 é maior que w0 e assim a entrada no rotor é decisiva,
desde que não haja um aumento considerável de temperatura entre a
entrada e a saída do rotor. O ca:so r = 1/2 é um ótimo 2 pois então
w0 = c 3 , o que torna mínimo o valor de .ó.cu = c 3 u - c 0 u, com perigo
de operação ultra-sônica também mínimo (Fig. 9.4).
No que segue tomaremos por base o caso, muito comum em
compressores, no qual as velocidades ultra-sônicas ·ocorrem primei-
ramente na aresta de sucção do rotor.
Nosso tratamento se referirá ao ponto mais extremo a 1 da aresta
de sucção a 1 i 1 (Fig. 3.6), da mesma forma que no estudo da cavitação,
pois aí deve ser esperado o aparecimento de velocidades ultra-sônicas,
conforme já foi .visto. Como somente interessa o ponto a 11 nosso
estudo valerá também para rotares axiais, onde Ds = D2 = 2r0 •
No caso .limite, wm:íx. é igual à velocidade do som a, de maneira
'que a Eq. (3.30) torna-se

(3.31)

onde (w 0 a\rit é denominada velocidade:-'';,;:rítica". A comparação entre


as Eqs. (3.4) e (3.31) mostra que podemos usar as deduções feitas a
partir da Eq. (3.4) também para a determinação do limite de ultra-
som, quando substituindo

1
IV, 7 pp. 111 até 115.
2
Isto vale somente quando se despreza o efeito da temperatura.
94 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

2!1y por a2 , À1 por 1 + À e À2 por O. (3.32)

Inicialmente, entretanto, precisamos considerar o fato de que o flUxo


volumétrico V se altera no recinto de sucção no caso de fluido gasoso.

3.41 Compressibilidade na entrada do rotor e o coeficiente de som


A velocidade absoluta do fluxo na entrada do rotor aumenta
desde o recinto de sucção até o valor c0 . De acordo com Bernoulli,
este aumento de velocidade corresponde a uma redução de pressão
e, com isto, a um aumento do fluxo volumétrico V, medido, por
exemplo, em m 3 Is. Partindo do estado de repouso, que será denotado
pelo índice g, o volume de fluxo na aresta de sucção [III, 1, Seç. 14]
será

. ·[ 1(c)
Vo=V, 1+2;
2
] . (3.33)

Nesta aproximação pode-se tomar para a valor correspondente ao


repouso no intervalo até c0 la = 0,5. Este valor pode ser calculado
pelas Eqs. (3.27) a (3.29) quando se substitui T por T9 • Para números
de Mach no intervalo de c0 la > 0,5 a c0 la = 0,9 a precisão é suficiente
quando se toma a igual à chamada velocidade crítica 1

(3.34)

ass1m, para o ar

'h = 18,3 )1;. (3.35)

Esta é a velocidade que seria alcançada em uma expansão sem


perdas a partir do estado V sob a chamada relação crítica de pres-
sões (portanto, por exemplg, na seção mais estreita de um injetor
tipo Lavai).
Ao se usar a Eq. (3.33) deve-se observar que, por razões de conti-
nuidade, c0 é função de Ya·
limite de ultra~som. Coeficiente de som. Tomando, agora, as ex-
pressões deduzidas na Seç. 3.1 e fazendo as substituições indicadas
na Eq. (3.32), obtemos no lugar da Eq. (3.17)

(3.36)

Esta equação é adimensional e, ao contrário da Eq. (3.17), k foi aqui


colocado do lado esquerdo da equação. Isto é conveniente, pois em
compressores (em especial em compressores axiais) a relação do cubo
d.fD, assume valores muito variados e, assim, o fator k da Eq. (3.10)
não pode, neste caso, ser considerado constante. A Eq. (3.36) pode ser
considerada uma medida da capacidade de aceleração angular da má·
quina em velocidades subsônicas. Para um tipo de construção dado,
ou seja, para uma rotação específica determinada n, = 333n.JV,IY 314
ela dá

'Ver [III, 1; 3.' Ed., Fig. 303, p. 446; 4.' Ed., Fig. 115, p. 193; 5." Ed. Fig. 115,
p. 208].. Aí esta expressão aproximada é comparada com o cãlculo exato.
3.4 O LIMITE ULTRA-SONICO DOS COMPRESSORES 95

Assim, a Eq. (3.36) caracteriza o trabalho específico interno atingível


pela máquina, que é denominado "Coeficiente de som" e cujo signi-
ficado corresponde, claramente, 'ao do coeficiente• de sucção Sq da .
Eq. (3.18). Seu comportamento e mostrado na F1g. 3.13 em função
de {3 0 , para À= 0,25. O máximo situa-se, como pode ser imediata-
mente visto, igualando-se a derivada do quociente do lado direito da
equação a zero, na direção do fluxo na entrada

tg (/3 0,),P1 = Ji = 0,708 corresponde a (/3 0,),P1 = 35'20', (3.37)

cujo valor, portanto, é independente de À. Isto é facilmente compre-


endido, pois o processo procura determinar o ângulo de fluxo na
entrada Poa para o qual w0 a será mínimo.
O ângulo {3 0 , obtido a partir da Eq. (3.37) não é perfeitamente
correto. Ao analisar este re_sultado, devemos observar que somente
~ é predeterminado, e não V0 , sendo este último função de c0 e, por-
tanto, variando com Poa• de maneira que o ótimo se desloca. Quando
se leva em consideração a compressibilidade', obtém-se ({3 0,),P1 = 32
a 33' (ver Fig. 3.13).

~
f"·.~
• 1-1/ I I ,

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11 f
o
'\

Fig. 3.13. Representação do limite de sultra-som em função do


ângulo de entrada do fluxo Poa·
linha cheia - não considerando a compressibilidade
tracejado - não considerando a compressibilidade

Obtemos, portanto, um ângulo ótimo de entrada do fluxo deter-


minado {3 0 ,. É importante observar que a considemção do perigo da
operação nas pt·oximidades da velocidade do som leva a um ângulo do
fluxo na entrada {3 0 , que é praticamente o dobro do que seria obtido
considerando-se o perigo da cavitação nas máquinas que trabalham
com água.
É interessante ainda obter os valores de u1 a e c 0 válidos no
limite de ultra-som, que serão dados pelos seus números de Mach.

1
O cálculo aqui necessário foi descrito nas três primeiras edições em alemão deste
livro.
96 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

De acordo com a Eq. (3.31)

W 0, )
1
(3.38)
(
a crit = (1 + ;t)''''
portanto,
c0 ) sen fJ 0 ,
"'") _ cosfJ 0 ,
( -;{ crit - (1 + À)l/2' ( a cd! = (1+ ;t)'". (3.39)

Por exemplo, o ângulo ótimo {! 0 , = 32' 40' e À= 0,25 resultam nos


valores

(w,~"t, = 0,894, ( "'")


a crit
= 0,755, ("o)
(/ crit
= 0,483.

Para outros valores de À estes valores se alteram de maneira inversa-


mente proporcional a (1 + ;t)'''·
Nos rotares radiais usualmente o que limita a velocidade tan-
gencial não é a consideração do limite ultra-sônico, mas a resistência
mecânica, que, limitando a velocidade tangencial u 2 , limita também
o trabalho específico interno. Deve-se também observar que todas as
deduções feitas partiram do pressuposto de que a aresta de entrada
das pás começa na parede externa da boca de sucção,~ ou seja, que
D 1 a = D 5 • Quando são usadas pás simplesmente curvadas é comum
r. 111 ser um pouco maior que Ds' e, assim, neste caso, é necessário
tomar um valor correspondentemente menor para o coeficiente de som.
Em compressores axiais, Ds = D la = Da = 2ra.
Exemplo numérico. Um compressor axial de vários estágios de
uma turbina a gás deve ser calculado para ~ = 36000 m 3 /h = 10 m 3 /s.
Adotando-se o ângulo ótimo {! 0 , = 32'40', obtém-se, de acordo com
a Fig. 3.13, o valor crítico S, = n.)V,!ka 3 = 0,140. Tal valor exige
uma perfilagem muito cuidadosa das pás (ver Seç. 9.32). Para uma
fabricação normal é aconselhável manter-se o coeficiente de som
abaixo de 0,12. No caso presente pode-se admitir condições muito
convenientes e adotar Sq = 0,137. No primeiro estágio, sendo a rela-
ção de pás b/r, = 1/3 (onde b =r,- r1 =comprimento radial das pás),
vem K = 1 - (2/3}' = 0,556. Se, ainda, a = 330 mjs, virá

n = 0,137

ou
w = 2nn = 1220/s.

Estimamos, a partir das Eqs. (3.33) e (3.39), Vjv 0 = 0,896 e, por-


• 3 - g
tanto, V0 = 11,2 m /s. Vem entao, da Eq. (3.11) D5 = 2r, = 0,404 m,
e um comprimento das pás de r,- r1 = r,/3 = 67,3 mm. Resulta então
uma velocidade máxima das pás de u1, = u, = r,w = 246 mjs e a
velocidade absoluta na entrada do rotor de c0 = u 1, tg fJ 0 , = 155 mjs.
Com este c0 deve-se verificar o valor estimado anteriormente de V0
pela Eq. (3.33).
Fig. 3.14. Dois triângulos de
velocidades de entrãda igual-
3.42 Entrada do rotor com vorticidade
mente próximos da velocidade Decidindo-se usar um vórtice (positivo ou negativo) de entrada
do som
K 0 = rc 011 (Fig. 3.14), pode-se fazer a verificação da seguinte maneira.
3.4 O LIMITE ULTRA-SONICO OOS COMPRESSORES 97

Para V.
constante, V0 aumenta para o valor V0 K devido à intro-
dução do componente tangencial c0 u no c0 até aqui considerado, que
consistia somente do componente longitudinal c0 m, ou seja, devido a
uma queda adicional de pressão no .então necessário sistema diretor
de entrada.
Como c0 u varia com r, consideraremos um anel circular de
raio r e largura dr (Fig. 9.43) através do qual flui a corrente volumé-
trica dV0 K:

dV0 K = dV0 [ 1 + ~ e~JJ = 2rn dr


Admitimos que K 0 é constante em todo o raio r. Para um tal
Com [ 1+ ~ (~,? n.
fluxo sem vorticidade, também c0 m é constante em todo o raio r
[ver a Eq. (9.20)]. Integrando-se entre os limites d, e D,, vem

. Va. + ncom (K-:) d:·


VaK =
2

ln
D (3.40)

Na Eq. (3.40), inicialmente estimamos c0 m e verificamos o valor esti-


mado com o valor calculado V0 K. Se houver muita discordância dos
valores, será necessário repetir o cálculo com outro valor de com· A
influência da queda de pressão devido ao atrito nas aletas de entrada
não está considerada nestas expressões.
~ximidade da velocidade do som altera-se muito devido à
vorticidatie, mas o processo descrito na Seç. 3.41 permanece válido,
conforme mostram as seguintes considerações:
Determinando-se o ângulo {3 0 , sob a hipótese da existência de
um componente tangencial c014 no ponto a 1 da aresta da pá, e que este
é caracterizado pelo coeficiente de vórtice introduzido na Eq. (3.15)
da Seç. 3.2,
iJ = 1 _ ~Oua = ivOua
(3.41)
' u!a ula

vem, de acordo com a Fig. 3.14


Uta - Coua = U _!J_,_ (3.42)
Woa =
cosf3ou lu cosf3oa
e
(3.43)
Daí, vem
u 1 a = nDsn. (3.44)

A equação da continuidade [ver Eqs. (3.9) a (3.11)] dá, então

D = (3.45)
'
.,
Substituindo-se o valor de D, calculado de acordo com a Eq. (3.45) 1
na Eq. (3.44), e substituindo-se o valor então obtido em (3.42),

1
Em consonância com a Eq. (3.11a), a Eq. (3.45) também pode ser escrita

Ds= r
2 s
=J ÇOk
nkw ó, tg Po,
(3.45a)
98 OS PERIGOS DA CAVITAÇÃO CAP. 3

obtém-se a partir da Eq. (3.31), após pequena manipulação, para o


caso de que a velocidade relativa máxima seja igual à velocidade do
som, ou seja, de que w 0 a = (w 0 )krit

, JV,"
011
'
---
3
ka -
2
Jcos f3 0 a sen3f320 "
4rr (I + .ic) 1
• (3.46)

A expressão do lado direito desta equação é a mesma da Eq. (3.36).


Entretanto, no lado esquerdo, apareceu órn no lugar de n; de ma-
neira que é necessário simplesmente alterar a rotação proporcional-
mente a 1/b,.
Continuando-se o desenvolvimento, chega-se ao mesmo ângulo
ótimo {3 0 " = 35°20', caso a alteração de volume seja desprezada.
Assim, chega-se a um ângulo ótimo semelhante ao obtido quando a
alteração de volume é considerada, ou seja, de 32° a 33°. Este ângulo
somente se reduz de um valor desprezível quando o aumento de
volume é ampliado pelo valor dado atrás na Eq. (3.40). A expressão
geral para o coeficiente de som relacionado aos fluxos 'Va ou VaK, de
acordo corri a Eq. (3.46), é

(3.4 7)

Para este coeficiente de som ampliado vale também o comportamento


de n.JV0 /ka 3 mostrado na Fig. 3.13.
Como ór é menor ou maior que 1 conforme K 0 seja positivo ou
negativo, respectivamente, ou seja, conforme exista vorticidade no
mesmo sentido ou em sentido contrário ao de rotação, assim também
a rotação aumenta ou diminui no limite de ultra-som. Isto é facil-
mente compreensível, pois, em caso contrário, w0 a iria diminuir ou
aumentar, respectivamente. O triângulo de velocidades da entrada
A 0 B 1 C 1 da Fig. 3.14 fica, então, oposto ao triângulo da entrada ver-
tical (tracejado), de maneira que w0 , e o componente longitudinal
com• e assim também o diâmetro da entrada do rotor (quando se des-
preza o pequeno aumento de Yo), ficam constantes. No mais, o
cálculo é em tudo semelhante ao da entrada sem vorticidade.
Exemplo numérico. O compressor axial calculado na Seç. 3.41
para entrada vertical deve agora receber um fluxo de entrada com
vorticidade de mesmo sentido K 0 que resulta em uma relação c0 .fu =
= 0,2, ou seja, 0,. = 0,8, no ponto a 1 da aresta de entrada.
A rotação anterior de 194 rps pode, mantendo a distância da
velocidade do som, ser aumentada para 194/0,8 = 242,5 rps = 14560
rpm, ou seja, ro = 1522/s. Se forem usados esta rotação e o ângulo
ótimo {3 0 • = 32,2°, o diâmetro do rotor permanecerá constante (despre-
zando-se o pequeno aumento de Yc, que é previsível ocorrer), e por-
tanto D, = D. = 404 mm, de maneira que u 1• = 0,202ro = 308 m/s,
c0 , = 0,2u 1 • = 61,6 m/s, com o que vem ainda K 0 = r.c 0 " = 0,202 · 61,6 =
= 12,43 m 2 /s. De acordo com a Eq. (3.40), em primeira aproximação,
o fluxo volumétrico aumenta, devido à maior queda de pressão, para

YaK
. = 11, 2 + n 155 (12,43)2 In I ,5 = 11,2 + O,282 = 11,48 m'Is.
330

O aumento obtido de 2,5% que ainda é um pouco mais ampliado pelo


atrito nos canais diretores de entrada, é de qualquer maneira tão
3.4 O LIMITE ULTRA-SONICO DOS COMPRESSORES 99

pequeno que não compensa refazer o cálculo. Este aumento tem


como conseqüência, entretanto, que ou o diâmetro ou o ângulo Poa
deverá ser correspondentemente aumentado.
Devido ao valor muito pequeno desta alteração de ângulo, pode-se
tomar um perfil das pás no corte cilíndrico externo praticamente igual
~--,
ao que foi previsto para a entrada vertical do fluxo, enquanto que,
)
nos outros cortes, o perfil se altera. Da equação fundamental (9.1)
temos que, devido ao vórtice de mesmo sentido, o trabalho específico
do estágio 1 aumenta proporcionalmente a n, pois o ângulo de desvio
do perfil, ou seja w0 u - w3 u = c 3u - c 0 u, não se altera.

3.43 Relação entre o coeficiente de som S, e o número de Mach w0.fa

O coefici~nte de som s, é, de uma certa maneira, outra forma de


expressar o numero de Mach. Tem, entretanto, a vantagem de tornar
a rotação escolhida imediatamente reconhecível. Porém, como o
número de Mach é muito usado na prática, será em seguida dedu-
zida sua relação com o coeficiente de som, que é
w
._______ili! =
w . ......1.!'
----º-ª u
!
()
= --'- . ~ .
u
a u1a a cosf30 a a

Substituindo-se u 1 , por nD,~, pelo seu valor obtido da Eq. (3.45),


obtém-se inicialmente , _

e, com isto, vem das Eqs. (3.47)

Woa 1 (3.48)
a= cosf3oa
A partir desta, pode-se também obter o coeficiente de som em função
do número de Mach w0 ,fa

S = fiwo, Poa senf3oa, (3.49)


qo ~\ a 4n

donde se vê que o coeficiente de som cresce muito rápido propor-


cionalmente ao número de Mach. A Eq. (3.49) pode também ser
deduzida diretamente a partir das Eqs. (3.46), (3.47) e (3.31).
Usando a Eq. (3.46), pode-se calcular o número de Mach w0 ja
correspondente a cada coeficiente de som S, 0 junto com o P0 ,
existente.

3.44 Observações complementares

As considerações feitas 'mostram que em compressores de altos


trabalhos específicos internos a entrada do fluxo no rotor com um
vórtice de mesmo sentido que a rotação da máquina é mais vantajosa

1
Em máquinas de vários estágios o trabalho do esti1gio se refere a um estágio e o
trabalho interno à mi1quina toda.
100 OS PERIGOS OA CAVITAÇAO CAP. 3

que a entrada vertical. Conforme ainda será visto (Seç. 9.25a), no


caso de compressores axiais, o vórtice de mesmo sentido é mais vanta-
joso em conexão com um grau de reação de 50% que, assim, é sempre
preferido. Nos compressores radiais somente são usados pequenos
desvios da entrada vertical, para que c3 não fique maior que w0 ,
ou seja, que o lugar sujeito a ultra-som não mude para a saída do
rotor, na entrada do sistema diretor. Entretanto, isto somente é im-
portante quando o sistema diretor é colocado imediatamente após a
circunferência do rotor.
No caso de pás axiais longas, de acordo com a Seç. 9.2, não é
é possível manter um grande vórtice de entrada sempre constante ao
longo da aresta de entrada (ou seja, manter a corrente livre de rotação),
de maneira que as pás não sejam muito curvadas. Apesar disto, é ainda
possível usar a Eq. (3.40) quando se usa um valor médio para K 0 •
Os principais resultados desta seção são:
1. que, levando-se em consideração a velocidade do som, é
necessário fixar-se um ângulo f3oa determinado na aresta de sucção
do rotor, que é o dobro do ângulo necessário para se evitar o perigo
da cavitação;
2. que o valor de S, 0 válido no limite da velocidade do som, de
acordo com a Eq. (3.47), é um coeficiente característico que permite
julgar o sucesso das medidas tomadas pelo fabricante para evitar o
perigo do ultra-som, da mesma forma que o coeficiente de sucção s,
é usado para a cavitação. Ele exprime o valor de À obtido, desde que
o ângulo ótimo Poa seja mantido aproximadamente constante.

3.45 Comparação dos coeficientes


Perigo da cavitaç~o Perigo do ultra-som

Determinado pela máquina:

Capacidade de trabalho específica do Energia de velocidade máxima que ocorre


fluido na extremidade de sucção (energia
de segurança à cavitação) necessária para
produzir a velocidade

Determinado pela instalação e pelo fluido de trabalho:

Capacidade de trabalho especifica do Energia de velocidade máxima permis-


fluido disponivel na extremidade de sível
sucção

zs a'
(E) PA -pT
s dl•ponlve! = --e- - ges - 2

Para evitar a cavitação ou velocidades ultra-sônicas é preciso que

a'
2:;; lly

Coeficiente de sucção: Coeficiente de som:

Conclui-se desta comparação o seguinte:


3.5 A REALIZAÇÃO DO ANGULO DO FLUXO 101

Tanto o coeficiente de sucção como o coeficiente de som são


coeficientes que caracterizam a qualidade da máquina no que se
refere a evitar a cavitação ou as velocidades ultra-sônicas, respecti-
vamente. Tais coeficientes de qualidade podem ser fornecidos pelo
fabricante da máquina, pois normalmente independem da utilização
que será dada à máquina (para as exceçôes, ver na pág. 152 da
Seç. 3.2, o último parágrafo), ou seja, independentes de se a máquina,
caso seja uma bomba, vai trabalhar com água quente ou fria, ou se,
por exemplo, for um compressor, vai trabalhar com um gás com pe-
quena ou grande velocidade de som.
O .coeficiente de sucção é determinado, por um lado, pelos dados
de trabalho n e V do caso e, por outro lado, pela energia de segu-
rança à cavitação ~y válida para tais valores de n e de V, que depen-
dem da qualidade da máquina. Em uma máquina de boa qualidade
dy é pequena e, assim, Sq é grande; uma boa máquina permite uma
operação livre de cavitação mesmo com uma pequena (E5 )disponível'
Na utilização do coeficiente de som deve-se observar o seguinte:
as expressões do coeficiente de som foram deduzidas sob a hipótese
de que a velocidade relativa máxima que ocorre é igual à velocidade
do som. Assim, nas Eqs. (3.36), (3.46) e (3.47), que permitem calculá-lo,
deve-se sempre usar os valores de n e de V válidos sob estas con-
dições, que também existem quando o compressor trabalha no limite
da velocidade do som, Um compressor será de boa qualidade quando,
para uma velocidade do som determinada a for alcançado um valor
elevado de nJV e, com isto, um grande coeficiente de som. Este
é o caso em que, para um ângulo {3 0 , ótimo [ver a Eq. (3.37) e a
Fig. 3.13], o valor de}, é pequeno [ver as Eqs. (3.31), (3.36) e (3.46)]
devido a uma fabricação cuidadosa das pás.

3.5 A realização do ângulo do fluxo fJ oa; o coeficiente de


entrada e; o coeficiente de saída e2
Consideraremos novamente um rotor radial, tal como na Fig. 3.6,
com as pás alongadas até a boca de sucção axial.
Nas Seçs. 3.1 a 3.4 verificou-se que o ângulo do fluxo {3 0 , no
ponto a1 da aresta de sucção tem valores ótimos determinados. No
projeto de uma máquina de fluxo deve-se escolher medidas da boca
de sucção do rotor tais que o ângulo de fluxo {3 0 , desejado seja alcan-
çado. A este respeito, deve-se, entretanto, ainda observar o seguinte:
O valor ótimo de {3 0 , pode ser determinado com relação à cavi-
tação (capacidade de sucção ótima) ou, correspondentemente à velo-
cidade do som, ou também com relação às perdas por atrito. Foi
visto nas Seçs. 3.2 a 3.4 que a cavitação exige pequenos ângulos {3 0 ,
e a velocidade do som exige ângulos maiores, cerca do dobro dos
anteriores. Considerando-se a necessidade de manter o atrito o menor
possível seria, entretanto, também interessante, no caso das bombas
hidráulicas, o uso de ângulos da ordem dos que resultam quando se
considera a velocidade do s~m, pois neste caso w 0 a é mínimo.
Desde que os ganhos de regeneração devidos ao valor grande
de cm que resulta destes valores também grandes de f3oa ocorram sem
perdas consideráveis, e que não seja necessário levar a cavitação em
consideração, deve-se usar em todas as máquinas de fluxo valores
grandes do ângulo das pás no lado de sucção, da ordem de {3 0 , ~ 32
a 35". Isto também acarreta uma redução das dimensões da máquina.
p:

102 OS PERIGOS DA CAVITAÇÃO CAP. 3

Como nas máquinas hidráulicas a preocupação é com a capa-


cidade de sucção, e nos compressores de alta velocidade a preocupação
é com as velocidades ultra-sônicas, usa-se, para fluido líquido, peque-
nos valores de {3 0 ,, o que concorda com os valores também pequenos
de (3 2 obtidos na Seç. 2.73 para bombas, e, nos compressores, usa-se
valores cerca de duas vezes maiores de Poa' o que também concorda
com os valores grandes de ângulo (3 2 obtidos para a aresta de pressão
das pás de compressores na Seç. 2.73.
Os valores ótimos calculados referem-se ao ângulo do fluxo
fJ 0 e não ao ângulo das pás {3 1 , que, em bombas, é sempre maior
que (3 0 e que freqüentemente é adotado muito maior que o valor
calculado com sucesso (ver Seç. 4.21).
Para o projeto da boca de sucção de um rotor deve-se escolher
um valor aparentemente ótimo do ângulo {3 0 , e então calcular D,
pelas Eqs. (3.11), (3.45) ou (4.3). Obtido este valor fica também deter-
minado o componente longitudinal c0 m do fluxo absoluto na boca
de sucção.
Também é possível calcular o valor de c0 m partindo da velocidade
absoluta c0 na boca de sucção do rotor, e, em seguida, será apresen-
tada a seqüência de cálculo necessária. Utiliza-se números adimen-
sionais, que, no caso de bombas, são denominados coeficientes de
entrada 1

(3.50)

e, nas turbinas, são denominados coeficientes de saída

(3.51)

Uma desvantagem destes coeficientes é que c0 m é determinado pelas


medidas do rotor do lado de sucção e que Y é determinado principal-
mente pelas medidas do rotor do lado de pressão. Assim, da mesma
maneira que no coeficiente de cavitação u tratado na Seç. 3.2, são
relacionadas duas grandezas que não têm nenhuma relação entre si
e que somente podem ser·Iigadas através da forma do rotor, ou seja,
pela rotação específica n,. Entretanto, o coeficiente de entrada e e
o coeficiente de saída e2 são freqüentemente citados na literatura nos
casos práticos, e por isso é que são aqui também incluídos.
Existe uma relação simples entre e e o ângulo do fluxo (3 0 , que
será deduzido em seguida. Como tomaremos por base o caso geral
em que c0 pode estar situada a qualquer inclinação com relação a u 1 ,,
ou seja, em que pode existir um vórtice na boca de sucção e, corres-
pondentemente, um componente tangencial c 0 , no ponto a 1 (Fig. 3.14),
caracterizaremos novamente este componente tangencial (ver· Seçs. 3.2
e 3.42) através do coefi.ciente de vórtice relativo

(3.52)

que, no caso normal sem vórtice, é igual a 1. Como agora

8= fo
c
lftr Ou tgf3oa
u -c
= =
bu
jlY tgf30a'
1
c>' = J2Y, ver a Seç. 2.55, p. 21.
3.5 A REALIZAÇAO DO ANGULO DO FLUXO 103

onde

resulta, quando se substitui D, pelo seu valor dado pela Eq. (3.45),

4n 2 V

2 . 2
Da Eq. (2.83) resulta ~ 3r, = 3~32 . Reunindo-se os valores numéricos,
vem

c5 n )2/3
e = 0,0341 ( Ji1 tgP 0 , (3.53)

ou
413
e2 = 116 · 10- 3 (c5,n, tap ) (3.53a)
' Jk o Oa

Caso se deseje usar e ou e2 é aconselhável utilizar as equações gerais


dadas. Isto é particularmente importante em rotares axiais, pois neste
caso tanto o fator k como o coeficiente de vórtice variam entre amplos
limites.
Não é .aconselhável substituir o ângulo P0 , pelo ângulo da pá
executado p1 / , pois este é muitas vezes adotado ainda maior. De
qualquer maneira, quando 8 é adotado o ângulo P0 , fica também
fixado, pois em cada caso particular n, é determinado. Quanto maior
for f3oa' tanto maior será e. Como, entretanto, o ângulo Poa varia
dentro de limites muito estreitos, e cresce muito rápido proporcional-
mente à rapidez da máquina. Isto esclarece o fato já observado na
Seç. 3.3, de que as turbinas rápidas têm coeficientes de saída grandes,
e que, portanto, neste caso o tubo de sucção é muito importante.
Tomando-se os limites de valor de P0 , para bombas e turbinas
bem amplos, entre 14 e 40', vem, de acordo com a Eq. (3.53), no caso
normal com a 0 = 90°, ou seja, com ór = 1, e para k = 0,8,

e = (145
, a 3, 34) 10- 2 nq213 (3.54)

ou, escrevendo de outra maneira,

8 = (0,31 a 0,71) (n.J100) 21', (3.55)

onde a região inferior corresponde às bombas hidráulicas e a região


superior corresponde aos compressores.
Estas relações valem para todos os rotares com a aresta de sucção
estendida na entrada cujo ponto mais externo a 1 fica situado na parte
cilíndrica da boca de sucção (Fig. 3.6). Nos rotares lentos com n, < 30,
este ponto muitas vezes se move até o diâmetro maior D 1 da Fig. 2.44.
Neste caso não valem as relações deduzidas, pois não existe mais a

1
Caso em que, de acordo com a Seç. 2.42, o estreitamento da seção devido à espes-
sura finita das pás é leva~o em consideração se toma
104 OS PERIGOS DA CAVITAÇAO CAP. 3

dependência de n, e pode-se tomar

8 = 0,1 a 0,3, (3.56)

onde os valores inferiores valem novamente para máquinas hidráu-


licas, e os valores superiores para máquinas a ar.
Esta dedução geral vale sem nenhuma modificação para turbi-
nas, principalmente as Eqs. (3.53) e (3.53a), desde que seja considerada
a admissão total. Nas máquinas a vapor são usados quase que exclu-
sivamente rotares axiais onde as pás dos vários estágios são muito
mais curtas, em comparação com o raio do rotor, do que no caso
das hélices e k varia entre amplos limites. O mesmo vale para com-
pressores axiais, caso em que também o coeficiente de vórtice rela-:
tivo b, pode se desviar bastante do valor 1.
Nas máquinas hidráulicas, as formas de rotores de turbinas são
essencialmente as mesmas que as de bombas rotativas e, desta ma-
neira, no ponto de cálculo, b, = 1. Calculando-se o ângulo {3 0 , pela
Eq. (3.53a) aplicada ao contrário, a partir de valores de 8 2 obtidos da
literatura 1 , obtém-se os valores da tabela seguinte, quando se toma
b, = 1 e, nas turbinas Francis k = 1 e, nas turbinas Kaplan k = 0,8.

Tabela 3. Coeficientes de saída de turbinas Francis e Kaplan

Turbinas Francis Turbinas Kaplan

n,J 20,8 27,6 41,4 55,5 69,7 84,1 103,0 114,2 174 234 I
•' 0,032 0,032 0,048 0,072 0,096 0,112 0,136 0,152 0,331 0,486
floa em
graus 30 23,4 21,3 21,5 21,3

Vê-se que na região intermediária entre n,


19,9 18,9

~
18,6 19,4 19,2

30 até 100, o ângulo {3 0 ,


mantém-se essencialmente igual a 20°, e somente é maior que este
I
valor para os rotores lentos. Isto é devido ao fato já citado de que
neste caso as arestas das pás já terminam na região radial do fluxo.
Na faixa de valores de n, < 30 considera-se, como já foi dito atrás
também para bombas, um valor constante de 8 2 , a saber

e2 "" 0,032. (3.57)

A redução de {3 0 , nos rotores extremamente ·lentos seria devido


ao fato de que, neste caso, o coeficiente de saída 8 2 é muito grande
e influencia de forma decisiva o projeto econômico da turbina. Com
a redução de {3 0 , e, conseqüentemente, de 8 2 , reduz-se também o valor
1 de c0 m e, assim, fica considerado o fato de a conversão no tubo de
sucção não ser feita sem perdas (ver Seç. 3.3). Além disto a alta capa-
cidade de sobrecarga das turbinas Kaplan somente é conseguida
quando a carga normal do coeficiente de saída 8 2 for correspon-
dentemente reduzida.
Observação final. Devemos ter presente que, com respeito ao
valor ótimo do rendimento, no caso de máquinas hidráulicas, quando
não houver a preocupação de evitar a cavitação, ângulos {3 0 , > 20'
resultam em menores perdas por atrito que o valor de cerca de 20'

1
De acordo com [I, 4, p. 37]; onde é necessário observar que é dado cU2gH
para s 2 , no lugar de c~j2gH. Na conversão calculou~se com - -'- = 1,12.
1
t 1 - CT 1
3.5 A REALIZAÇÃO DO ANGULO DO FLUXO 105

exigido para evitá-la, desde que a recuperação da velocidade de saída


correspondentemente maior se faça com bom rendimento (como é pos-
sível no caso dos estágios intermediários das máquinas axiais de
vários estágios). Valores elevados do ângulo Poa têm também a van-
tagem de resultarem numa redução das dimensões da máquina.
....

O Projeto do Rotor

4.1 Resistência e escolha da forma do eixo e do rotor


4.11 Eixo 1
A furação aproximada do eixo deve ser determinada antes do
cálculo das pás, pelo menos para os retores radiais. Esta determi-
nação preliminar é reita com base em uma solicitação de torção tadm
que deve ser estimada por baixo. Nos casos em que, devido à pre-
ocupação com variações de forma do eixo, e, principalmente, à im-
portância da rotação crítica, esta determinação for necessariamente
mantida [III, I e IV, 9] r"dm deve ser escolhida de modo particular-
mente cuidadoso. Em turbinas deve-se ainda observar o fato de que,
de acordo com a Seç. 6.31, o conjugado aumenta muito quando a
rotação diminui. Mais aiilda, neste caso, deve-se considerar sempre a
potência P 111 , ou seja, a máxima abertura da máquina. Em bombas
toma-se, da mesma forma, para P o valor máximo que ocorre na
rotação de cálculo, que, entretanto, não precisa coincidir necessa-
riamente com o fluxo máximo na máquina (ver a Seç. 6.2 6 e a Fig. 6.31).
O diâmetro do eixo é obtido em função do conjugado M" que o
eixo deve transmitir e da solicitação de torção admissível radm

d= , ___
16 M" ,
(4.1)
n 'radm

Levando em consideração o fato de que, ainda hoje, em mecânica


calcula-se usualmente com o sistema técnico de unidad.es e, mais ainda,
que na deter111inação do diâmetro do eixo trabalha-se com equações
com coeficientes dimensionais [IV, 15, V. I, p. 741] será usado, excep-
cionalmente, no que segue, o sistema técnico de unidades.
Para a potência P e a rotação n, o conjugado é M d ~ P/~. Em
lugar da Eq. (4.1) utiliza-se freqüentemente na prática, para a deter-
nação do diâmetro do eixo, a expressão seguinte:

(4.2)

1
Ver também. Kuse, G.: Hinweise für die Konstruktion der Wellen von Dampftur-
binen. Konstruktion 14 (1962) H. I 1, S. 433/435.
4.1 RESJST~NCIA E ESCOLHA DA FORMA 107

Com d em cm, P em kW e n em rpm, os valores de c, que dependem


de Tadm, são os seguintes:
'adm em kgf/cm 2 100 150 200 300 400
c 17,1 14,9 13,6 11,8 10,8

Em um primeiro cálculo aproximado, pode·se tomar em média':


Para turbinas e bombas de um estágio '"dm ~ 200 a 400kgf'cm 2
ou, respectivamente, c = 11 a 14.
Para máquinas de vários estágios, nas quais a distância entre
mancais é maior e, portanto. o perigo de uma flexão inadmissível do
eixo é maior, deve-se tomar '"dm menor do que 120 kgf/cm 2, de ma-
neira que c variará entre 11 e 16, crescendo com o número de estágios.
Deve-se observar que, para o mesmo rotor, P é proporcional a n 3
e, portanto, d é proporcional a n'''· Após o projeto completo do
rotor, feito com base neste cálculo preliminar, deve-se determinar
precisamente a solicitação resultante e a correspondente alteração de
forma (torção ou flexão) e, principalmente, também a rotação crítica.
Eixos longos, que são necessários em máquinas de vários estágios
(por exemplo, em tubos compressores e em turbinas de condensação
de uma carcaça) podem, em certos casos, ter rotações críticas de pri-
meira ordem tão baixas como resultado deste cálculo, que precisam
operar em velocidades supercríticas, acima do valor de sua freqüência
de ressonância de primeira ordem, de maneira que na sua colocação
em funcionamento é necessário acelerá-las passando pela primeira
rotação crítica. Em bombas rotativas para fluidos condensáveis, as
gaxetas do labirinto do rotor e as gaxetas dos estágios (ver Figs. 7.2,
7.2a, 7.13, 7.19 e 7.20) funcionam como mancais auxiliares, de maneira
que, principalmente em bombas de vários estágios, a rotação crítica
é deslocada para valores muito elevados 2 •
Posição do eixo. O eixo pode ser colocado em posição horizontal,
vertical ou inclinada. O eixo horizontal possibilita a operação mais
conveniente e a construção mais simples. Assim, apesar da exigência
de maior espaço é utilizado freqüentemente em máquinas instaladas
em terra, a menos que a necessidade de maiores alturas de sucção ou
o problema de desviar o fluido portador de energia para a direção
do eixo levem à solução com eixo vertical, ou seja, sempre em má-
quinas para fluidos gasosos (turbinas a vapor e a gás, compressores).
As bombas rotativas para navios têm usualmente eixo vertical, devido
à exigência do uso do menor espaço possível. As bombas hidráulicas
situadas em terra . têm usualmente eixo horizontal, exceto nos casos
em que o nível d'água de sucção esteja muito baixo ou que haja uma
preocupação maior com a cavitação (bombas de acumulação), quando
então a colocação muito funda da bomba exige sua construção com
eixo vertical. As turbinas hidráulicas de pequenas potências têm usual-
mente eixo horizontal, enquanto que nas máquinas para grandes po-
tências sempre se encontra a construção com eixo vertical 3 . Nas
turbinas Pelton pode-se construir máquinas com até 2 injetores com
eixo horizontal, enquanto que a construção com eixo vertical permite
a colocação de até 6 injetores no rotor. As pequenas turbinas Francis
são construídas de até 6 injetores no rotor. As pequenas turbinas
1
Para dados mais precisos, ver [IV, 38, V, 1].
2
Ver a nota de rodapé 3, p. 228.
3
Ver. Barby, G., Saling, K. H.: Entwicklungstendenzen beim Bau von Wasserk-
raftgeneratoren. Konstruktion 11 (1959) H. 4, pp. 121/130.
O PRO..JETO DO ROTOR CAP. 4

Francis são construídas com eixo horizontal devido ao acesso mais


conveniente à máquina e pequenas turbinas Kaplan podem ter um
eixo inclinado quando construídas na forma de turbinas bulbo
(Fig. 3.12). Ao contrário, as turbinas Francis e Kaplan de médias
e grandes potências são sempre construídas com eixo vertical para
se obter uma entrada conveniente da água no tubo de sucção, para
evitar a cavitação, para a simplificação das fundações e para a re-
dução da escavação, apesar da altura muito maior que alcança a
construção da máquina inclusive o gerador acoplado e do acesso
menos conveniente (Fig. 6.42).

4.12 Rotor

As pás sofrem solicitações das forças centrífugas e da pressão


do fluxo. No caso de portadores de energia gasosos, as solicitações
mais importantes são as devidas às forças centrífugas, enquanto que
a pressão do fluido que, em primeira linha, provoca a transmissão
do conjugado, somente tem importância para a solicitação do corpo
do rotor no caso de fluidos líquidos e assim mesmo nas máquinas
rápidas. A solicitação pela pressão do fluido é tanto maior quanto
mais elevada for a rotação específica. A posição de solicitação máxima
fica no engaste da pá e o canto resultante deve ser bem arrendondado
se a pá e o rotor forem fundidos em uma peça única, como é o caso
freqüentemente nas máquinas hidráulicas. As pás de chapa fundida
devem ser primeiramente muito bem limpas na superfície de fun-
dição e, sempre que possível, estanhadas.
A velocidade tangencial máxima admissível de um rotor (com a
exceção dos rotares radiais lentos) é, entretanto, para máquinas
hidráulicas, determinada pela cavitação (tratada nas Seçs. 3.1 a 3.3)
e, em regra geral, não pela resistência do eixo. Ao contrário, nas
máquinas para gases, a resistência é determinante nos casos das tur-
binas a vapor e a gás, sendo que nos compressores axiais (de acordo
com a Seç. 9.73a) a preocupação primordial é com as velocidades
ultra-sônicas (ver Seç. 3.4).

Fig. 4.1. Fixação dos rotares de 'turbinas a vapor com luvas ranhuradas, desmontagem
através da rosca fêmea visível na luva.
4.1 RESIST~NCIA E ESCOLHA DA FORMA 109

As formas de construção da fixação do rotor podem ser encon-


tradas, para máquinas hidráulicas, nas Figs. 3.8, 4.23, 5.23 e 5.25.
Para fluidos gasosos, devido às elevadas velocidades tangenciais e
também às elevadas temperaturas do corpo do rotor que ocorrem na
maioria dos casos, é necessário se prever uma fixação do rotor no eixo
excepcionalmente rígida, o que pode ser feito através da montagem
a quente do rotor ou da cravação de buchas cônicas (Figs. 4.1 e 4.2).
Tais fixações com alta tensão podem ser evitadas usando-se o eixo
com chavetas (tipos DIN 5462 e 5463), caso, entretanto, em que é
necessário muito cuidado para que as chavetas se adaptem perfeita-
mente à furação.
Nas máquinas hidráulicas é suficiente adotar-se encaixes simples
ou comprimidos com molas de fixação. Neste caso, nas grandes má-
quinas, usualmente o cubo e o corpo do rotor são fundidos separa-
damente, para evitar as tensões de fundição, pois o cubo, que é mais
grosso, resfria-se mais devagar que as paredes mais finas do rotor.
A determinação da forma dos discos do rotor levando-se em consi-
deração principalmente as forças centrifugas consiste, num estudo pre-
liminar, de se fixar discos de mesma ~esistência, de maneira que a
espessura axial cresce das extremidades para o cubo (Figs. 4.1 e 5.7).
A fixação final da forma deve também levar em consideração as neces-
sidades técnicas de construção e fabricação observando ainda as soli-
citações adicionais das pás, que devem ser cuidadosamente pesqui-
sadas pelos processos respectivos [II, 1; IV, 9; III, 1]. A seção do
cubo deve ser simétrica em relação ao plano médio, o que, porém,
só é possível para rotares axiais.

Fig. 4.2. Fixação de um rotor de ventilador por meio de buchas cônicas ranhuradas a
(AEG): b porca de fixação: c anel diretor do ar: d gaxeta do eixo: e parafuso de retenção:
f mola de fixação: g pino de retenção: x chapa de segurança.

Nos rotores radiais (Figs. 4.2 e 5.7) existem dois discos situados
lado a lado, um dos quais contém o cubo, enquanto que o outro é
enfraquecido pela abertura de sucção e é correspondentemente mais
solicitado, apesar da costura de reforço que deve ser feita na sua parte
interna. Como esta parte, desta maneira, se deforma mais fortemente,
as forças centrífugas nas pás devem ser suportadas pela outra parte,
110 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

o que deve ser observado durante o cálculo [III, 1; III, 10]. O efeito
de torção devido à forma cônica dos discos do rotor não pode ser
desprezado, da mesma forma que o enfraquecimento devido aos furos
de rebitagem quando as pás forem rebitadas. Deve-se também obser-
var que as pás de rotores radiais sofrem solicitações de torção sempre
que o ângulo das pás p for maior ou menor que 90°. 1
Nos rotares axiais (Fig. 10.4) existe somente um disco, que é
simétrico em relação a um plano médio perpendicular ao eixo, As
forças centrífugas nas pás aluam quase sempre simetricamente à seção
do rotor e, assim, não causam nenhum momento fletor, de maneira
que o cálculo pode ser feito de maneira mais simples. Da mesma
forma que nos casos anteriores, entretanto, deve-se levar em consi-
deração a influência das variações de temperatura dentro do corpo
do rotor.
Em todos os discos deve-se observar que as tensões tangenciais
é que são determinantes e que são maiores perto do cubo que na
região externa. Isto não é muito crítico, pois as flexões permanentes
que porventura aparecerem por esta razão descarregam a parte interna
do disco, que é mais solicitada, às custas da parte externa, que é natu-
ralmente menos solicitada. O fato de que discos girantes sofrem
velocidades tangenciais muito maiores que as que seria de se esperar
do cálculo já foi verificado experimentalmente há muito tempo 2 •
É também necessário testar os rotores prontos com uma velocidade
superior a velocidade de trabalho em, no mínimo, 20%.
A solicitação das pás pelas forças centrífugas deve ser examinada
particularmente na sua fixação, pois aí não é possível evitar o efeito
de flexão. Para as pás radiais veja a Seç. 5.22 e para as pás axiais
veja as Seçs. 9.34 e 9.74. Neste último caso deve-se sempre observar
que o centro de gravidade da seção das pás deve estar situado em
uma perpendicular ao eixo passando pelo centro de gravidade da
superfície de fixação do pé da pá.
Como tensão admissível na rotação nominal pode ser tomada
1,25 vezes o limite de estiramento do material. Para altas tempera-
turas, que ocorrem nos primeiros estágios das turbinas a vapor e a
gás, a tensão de ruptura não depende somente da temperatura, mas
também da duração da carga, ou seja, deve-se levar em consideração
a resistência à fadiga do material. Para uma vida útil estimada de
250 horas (por exemplo, para turbinas a gás experimentais utilizadas
somente em curtos períodos de tempo), pode-se admitir tensões até.
2 a 3 vezes maiores que as admissíveis para uma vida útil de 100 000
horas (turbinas de usinas para uso permanente), sendo o material e
a temperatura os mesmos' (ver também a Seç. 10.28).
Além da carga estatística até agora considerada, existe também
uma solicitação adicional devida a oscilações [IV, 9; V, 18], cuja
análise é particularmente importante para as pás 4 •
1
Ver. Briicker, E.: Berechnung der Schaufelbiegung bei radialen Laufrãdern von
Strõmungsmaschinen. Konstruktuin 19 (1967) H. 7, pp. 241/254.
2
Grammef, R.: Ingenieur·Archiv 16 (1947) 1-4.
3
Siegfried, W.: Schweiz. Bauztg. 68 (1950) 591 f.: Wiegand, H.: Konstruktion
5 (1953) 215/225; Thomas, H.-J., Konstruktion 7 (1955) 101/112.
4
Ver tambêm Bernhard, H.: Die Technik 3 (1948) 152-154; Mludek, H.:
Maschinenbautechnik 5 (1956) 201/206; Traupel, W.: Schweiz. Bauztg. 75 (1957) H. 52,
S. 822/824; Kirchberg, G., Thomas, H. J.: Konstruktion lO (1958) H. 2, pp. 41/50;
Prohf, A.: Transactions of the ASME 1958, S. 169/180; Weaver, F. L., Proh/, A.:
Transactions ofthe ASME 1958, pp. 181/194; Kissel, W.: Escher-Wyss-Mitteilungen 31
(1958) H. 3, S. 28/29; Holste, w., Konstruktion 11 (1959) H. I, pp. 28/34.
4.2 O PROCEDIMENTO GERAL DO CÁLCULO DAS PÁS 111

4.13 Regras para a conversão de solicitações devidas a forças centrífugas


no caso de semelhança geométrica (ver também a Seç. 6.54)
A conversão das solicitações devidas às forças centrífugas pode
ser feita tomando-se por base a igualdade do n]lmero de Poisson m
(que é igual à relação da flexão longitudinal para a contração trans-
versal), pois nos pontos igualmente colocados no modelo e na má-
quina, o coeficiente adimensional rr/eu 2 tem o mesmo valor. Nesta
expressão, u é a tensão no ponto considerado, u é a velocidade tan-
gencial de um ponto de referência, preferivelmente na periferia do
rotor e e é a massa específica do material do rotor.
Pode-se exprimir esta lei da maneira seguinte:
Para rotares geometricamente semelhantes a solicitação em qual-
quer lugar, por exemplo, no lugar mais perigoso é rr = keu~/2, onde
o coeficiente k depende da forma do rotor.
Rotares geometricamente semelhantes têm, para mesmas veloci-
dades tangenciais, as mesmas solicitações em pontos situados em
posições semelhantes.
Para a mesma velocidade tangencial, pode-se alterar tanto as
medidas radiais como as axiais de um rotor (inclusive das pás) em
uma relação qualquer, devendo somente ser a mesma em todo lugar,
sem que as solicitações em pontos situados em posições semelhantes
se alterem.
A resistência de um material às forças centrífugas pode ser carac-
terizada pelo valor ""dm/e. Na prática usa-se freqüentemente, em lugar
deste valor o "comprimento de ruptura" azafeg, onde a=B é a tensão
de ruptura e g = 9,81 m/s 2 é a aceleração da gravidade. O compri-
mento de ruptura dá o comprimento de um fio do material consi-
derado, cujo peso próprio carrega a seção do fio com a tensão de
. ruptura. Ele caracteriza a conveniência do material no caso da soli-
citação por forças de inércia (ou seja, também pelas forças centrí-
fugas) da própria massa.
Seu valor é mostrado para vários materiais na tabela seguinte.
Comprimentos de ruptura rr,.feg de algíms materiais, em km
Aço-liga revenido 7,8 - 12,6
Ferro fundido 2,2- 3,4
Liga de magnésio malaxado 15,5 - 23
Madeira mole, paralelo à fibra 13- 25
Madeira dura, paralelo à fibra 13,5 - 16,7
Madeira artificial 20,5- 22,5
Grés esteatita 1,9- 3,6
São notáveis os elevados valores correspondentes a metais leves e à
madeira. Os metais leves têm grande importância na construção de
máquinas de fluxo para portadores de energia gasosos, especialmente
para cOmpressores, sempre que as temperaturas não sejam muito
elevadas' [ver V, 52].
4.2 O procedimento geral do cálculo das pás, apresentado
no caso de rotores lentos
Sejam dados o fluxo volumétrico JÍ em m 3 js, o trabalho espe-
cífico interno Y ·em m 2 js 2 = Nm/kg = Jjkg e a rotação n em rps.
1
Schopp, H.: Magnesium und seine Legierungen. Konstruktion 8 (1956) 41ff.:
Krekel, P., Reichel, K.: Aluminium-Legierungen. Luftfahrttechnik 2 (1956) 45/48.
112 O PROJETO ·DO ROTOR CAP. 4

Inicialmente calcula-se a rotação específica n, = 333nJT7/Y''4 para se


ter uma idéia, de acordo com o que foi visto na Seç. 2.9, da forma
do rotor a esperar. Se o valor da rotação específica for menor que o
limite inferior será necessário subdividir Y, ou seja, adotar uma solução
com vários estágios ou com admissão parcial, esta última somente .
possível em turbinas. Além disto, no caso de máquinas hidráulicas,
logo que sejam estimados o coeficiente de sucção s,, a temperatura
da água e as perdas no tubo de sucção z,, pode-se calcular, de acorde
com as Seçs. 3.2 e 3.3, a altura de sucção geodésica máxima e com-
pará-las com a desejada. No caso de fluidos gasosos, pode-se testar
a proximidade da velocidade do som com o uso do coeficiente
de som Sq, quando for necessário levá-la em consideração, o que
ocorre freqüentemente nos compressores. Estas verificações iniciais
são importantes para que se possa, no momento oportuno, ajustar
a rotação.
Consideremos o rotor lento da Fig. 4.3 (n, = 10 a 30), cuja aresta
interna será tomada paralela ao eixo, como é usual. Como também
a aresta externa é paralela ao eixo, resultará uma forma simples-
mente curvada para as pás radiais, cujo ângulo na entrada e na saída
Fig. 4.3. Rotor radial lento
deveremos determinar. Tais formas de rotor ocorrem freqüentemente
em bombas (inclusive em compressores) e, em casos especiais, também
em turbinas hidráulicas.
Através do rotor de uma bomba flui a soma do fluxo útil V e do
fluxo de perda no labirinto V,P (ver Seçs. 1.41 e 7.11). Esta soma
será denotada por Ji', e, de acordo com o valor do fluxo de perda
do labirinto a esperar é estimada entre 1 a 5% maior que V. Assim,
no caso de bombas,
v· = v + V. -
Sp ,...., (1 ' 01 ·· · 1' 05) v
.

Em turbinas, flui pelo rotor a diferença Ji - V,P. Como, especial-


mente em turbinas hidráulicas, o valor percentual da perda no labi-
rinto é muito pequeno, admite-se quase sempre, para rotores de tur-
binas, imediatamente Ji' ~ V.
Na determinação da forma do rotor, procuramos conseguir valo-
res determinados dos ângulos extremos {3 1 e {3 2 • O ângulo {3 2 , de
acordo com a Seç. 2.74, depende do tipo de máquina de fluxo e é
dado -na Seç.. 2.7.. Na fixação de {3 2 e da velocidade tangencial u 2
deve-se observar que o valor desejado do trabalho das pás deve ser
atingido (Seç. 2.43). O valor do ângulo {3 1 é definido principalmente
pelas condições físicas do fluido portador de energia, pois nele são
importantes as considerações da cavitação ou do ultra-som, de acordo
com as Seçs. 3.1 a 3.4. Podemos fixar imediatamente ambos os
ângulos {3 1 e {3 2 , mas devemos, então, calcular u2 pelas Eqs. (2.74)
ou (2.75) e o diâmetro pelas Eqs. (3.11), (3.45) ou (4.8a).
Calcularemos em seguida a extremidade das pás na aresta de
sucção e, após esta, a extremidade na aresta de pressão.

4.21 A extremidade da pá na aresta de sucção


Determinamos inicialmente o diâmetro do cubo d. de acordo
com a resistência ou com a variação de forma de um diâmetro de
eixo determinado (ver a Seç. 4.11). Em seguida, calculamos o diâ-
metro D, [ver as Eqs. (3.11) e (3.45)] pela expressão
4V'
D = ' -,.,--,c---,~
2 (4.3)
' n k b,n tg {3 0 '
4.2 O PROCEDIMENTO GERAL DO CALCULO DAS PAS 113

onde o coeficiente de vórtice <5, [ver as Eqs. (3.15) e (3.50)] para um


fluxo livre de vórtice na boca de sucção será tomado igual a 1 e o
estreitamento de seção devido ao cubo é inicialmente estimado de

k = 1

Esta estimativa deve ser posteriormente verificada. O ângulo do


fluxo {3 0 deve ser estimado de acordo com o que foi visto nas
Seçs. 3.1 a 3.5 e, como o rotor em consideração é lento, deve-se
tomar {3 0 = {3 0 ,.
Da equação da continuidade

V' 2 d112 ) cs
= !!_
4 (D s - (4.3a)

pode ser calculada a velocidade c, = Com·


O diâmetro D" no qual ficam situadas as pontas das pás, será
tomado um pouco maior que D,. A equação da continuidade refe-
rida a D 1 dá a largura do rotor na aresta interna das pás (Fig. 4.3)

h - V' . (4.4)
1 - n:DlcOm

O ângulo das pás {3 1 é obtido através do triângulo de velocidades


(Fig. 1.8). Este é dado pelo ângulo do fluxo na entrada {3 1 (que é
dado pelas condições do fluxo na entrada) e pelos segmentos

(~.5)

(4.6)

O fator de estreitamento t 1 /(t 1


- a 1 ) deve ser estimado, pendente de
posterior verificação. Então, vem

(4.7)

Em regra geral a0 = 90' (Fig. 2.4, pág. 24), e, portanto,

(4.8)

Em máquinas hidráulicas são desejáveis valores de {3 0 da ordem


de 17 a 22' [ver as Eqs. (3.13a) e (3.22a)] e, em máquinas para ar
aproximadamente o dobro. O ângulo {3 1 correspondente é dado por

(4.8a)

Para se manter as perdas nas pás pequenas (e também as perdas no


labirinto, que dependem de D,, e, portanto, de {3 0 ), é desejável ado-
lar-se valores grandes de {3 0 também para as máquinas hidráulicas,
quando não houver perigo de cavitação.
p

114 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

Se a aresta de sucção estiver já na região de curvatura da pá e,


apesar disto, se desejar manter uma curvatura simples, o que freqUen-
temente ocorre no projeto de bombas rotativas [V, 4], não se pode
esquecer que a linha de corrente média d 1d2 (Fig. 4.4) se desvia do
ângulo e1 da direção radial no ponto de encontro com a aresta da
pá e, por isso, na Eq. (4.8) vem c 1 , = c 1 cose 1 no lugar de c 1 .
O fator de estreitamento, que fo( estimado inicialmente, deve ser
verificado agora, pois, de acordo com a Eq. (2.15) a 1 = s 1 jsenf3"
t 1 = nD 1 /z. A espessura das paredes s 1 d'as pás deve ser tão pequena
quanto a fabricação permita. O número de pás 1 pode ser obtido
da fórmula

Fig. 4.4. Pá radial simplesmente curvada com a _ k D 2 + D, /3 1 + {3 2


z-,D-Dsen , (4.9)
aresta de sucção na região de curvatura 2 I 2

onde D2 e {3 2 devem ser, por ora, adotados e k, é um coeficiente


empírico, que é tanto menor, quanto maior for a relação s 1/D 1, pois
o canal no raio interno não deve ser muito estreitado pela espes-
sura sr Valores médios razoáveis deste coeficiente são, para rotares
radiais fundidos, k, = 5 a 6,5; para rotores de material usinado ou
prensado - ou seja, em compressores - k= = 6,5 a 8.
O ângulo de entrada das pás (ou seja, em bombas o ângulo tra-
tado /3" em turbinas o ângulo {3 2 apresentado na Seç. 4.22) é exe-
cutado usualmente, na prática, com o valor calculado, para se ter
uma entrada livre de choque em operação com o fluxo volumétrico
tomado por base no cálculo. Pode-se, entretanto, também alterar um
pouco (ver a Seç. 2.8) o ângulo de entrada em turbinas de sobre-
pressão e em turbinas de isopressão no sentido de se obter um choque
de aceleração. Neste caso, na operação no ponto de cálculo aparecerá
o choque de aceleração que, entretanto, de acordo com a Seç. 2.81,
praticamente não é prejudicial no caso de turbinas, conseguindo-se ao
mesmo tempo, com a alteração do ângulo, reduzir o perigo do choque
de retardamento, que é prejudicial nas turbinas, resultando uma me-
lhora geral do rendimento (ver a nota de rodapé 1, pág. 62). Algumas
vezes, em bombas, executa-se o ângulo P1 um pouco maior do que o
valor calculado para se deslocar o máximo do rendimento na direção
de menores fluxos volumétricos.
Com relação ao ângulo de saída das pás (ou seja, nas bombas o
ângulo {3 2 que será tratado posteriormente e, em turbinas, o ângulo
já considerado {3 1) não é admissível sua variação fora do valor de
cálculo nem em bombas, nem em turbinas.

4.22 A extremidade da pá na aresta de pressão

No dimensionamento da extremidade das pás na aresta de


pressão é indispensável observar o fato de que a equação funda-
mental (pág. 21) deve ser satisfeita.
O triângulo de velocidades na aresta de pressão deve ter três
segmentos, dos quais dois representam grandezas independentes entre
si e devem ser adotados e o terceiro é calculado através da equação
fundamental.

1
Ver. Reddy, Y. R. und Kar S.: Optimum vane number and angle of centrifugai
pumps with logarithmic vanes. Transaction of the ASME, Journal of basic engineering,
Sept. 1971, pp. 411/425.
4.2 O PROCEDIMENTO GERAL DO CALCULO DAS PAS 115

A velocidade longitudinal c2m= c2 sen"' 2 é usualmente adotada,


tomando-se c2m~ c 0 . Somente em casos especiais usa-se, para· deter-
minar c 2 "" o ângulo das aletas "' 3 ou a largura das pás b2 •
Como segunda grandeza a fixar, pode-se tomar a velocidade
tangencial u2 na aresta de pressão, estimada a partir do coeficiente
de pressão pelas Eqs. (2.46), (2.55) ou (2.57). Neste caso pode-se
determinar em seguida o componente tangenciai c2 u, e, com ele. o
ângulo das pás {3 2 [ver a Eq. (2.73)] através da equação fundamental
[Eq. (2.18)].
No rotor radial lento que estamos considerando é comum esco-
lher o ângulo das pás {3 2 de acordo com o que foi visto na Seç. 2.7
(ou seja, para turbinas Francis {3 2 ,; 90', para bombas hidráulicas
{3 2 = 20 a 40', para compressores {3 2 =50 a 70' e, em casos especiais,
até 90') e determinar em seguida a velocidade tangencial u2 a partir
da equação fundamental de acordo com as Eqs. (2.74) ou (2.75),
rL''alltando cm

(4.10)

ou ainda, quando "'o for diferente de 90', resultando em

c
u = ---.---Z.m.__
2 2 tg{32
+ (4.11)

De acordo com a Seç. 2.43, não é necessano levar em conside-


ração o espaçamento das pás em turbinas, podendo-se tomar YP, ro =
= I;,, = Y~•• enquanto que, de acordo com a Seç. 2.44, para bombas
J-;,, ro = J-;,,(1 + p) = Y(1 + p)/n,, onde p é dado pela Eq. (2.28) daquela
seção. O rendimento das pás ~. pode ser tomado aproximadamente
igual ao rendimento total ~. ou seja, ~. :;:,: ~ (um valor médio usual
para pequenas bombas é ~.:;:,: 0.85) 1 .
Como D 2 = u2 jnn, a largura do rotor é dada por

h - V' t2 (4.12)
2- nDzczm tz - Uz

A influência da espessura das pás é pequena na aresta de pressão,


de maneira que usualmente se toma t 2 /(t- o)= 1.
A seção do rotor pode, então, ser desenhada. Para estes rotores
radiais simples é suficiente que a forma das paredes laterais seja ado-
tada de modo que pequenos raios de curvatura sejam evitados e que
a saída das paredes se faça radialmente na circunferência externa do
rotor. Um exemplo numérico de cálculo de um rotor radial para uma
bomba hidráulica pode ser visio na Seç. 5.1 e outro para um rotor
de ventilador na Seç. 5.2.
Em máquinas para gases pode-se desprezar a compressibilidade
no rotor em limites muito amplos, sempre que a máquina destinar-se
a transmitir trabalhos específicos pequenos. Para grandes variações
de massa específica, ver os métodos de tratamento na Seç. 5.23.
No procedimento de cálculo de pás axiais lentas, ou seja, simples-
mente curvadas, que somente ocorrem nas turbinas a vapor e a gás
(e, em forma modificada, também nos rotores Pelton, ver Seç. 5.5),

1
Para um cálculo mais -exato pode-se recorrer às Eqs. (1.27) e (1.28).
116 O PROJETO 00 ROTOR CAP. 4

no lugar de se prefixar {3 2 é comum adotar·se o coeficiente de


pressão i/J (ver Seç. 9.74), pois neste caso a preocupação maior é com
as velocidades tangenciais elevadas, que, às vezes, leva até à acei-
tação de vórtices no fluxo no recinto de sucção (c 0 , <O, ~o> 90"),
conforme foi visto na Seç. 2.55b. Além disto, o fato de os diâmetros
dos lados de sucção e de pressão das pás serem iguais, leva natural-
mente a certas simplificações. Exemplos podem ser encontrados nas
Seçs. 5.5 e 5.6. Estágios axiais de turbinas são tratados na Seç. 9.74.

4.3 Projeto de pás simplesmente curvadas


Consideremos inicialmente pás finas com espessura constante.
Do cálculo precedente do rotor são conhecidos os ângulos {3 1 e {3 2 ,
ou seja, as direções das extremidades das pás, que devem ser ligadas
por uma linha constante e suavemente curvada. Para o tratamento
unidimensional do fluxo, esta forma intermediária das pás pode ser
livremente estimada. Ela pode ser fixada diretamente com auxílio de
compasso ou de curva francesa, ou ainda, pode ser calculada ponto
a ponto. As pás obtidas pelo primeiro método citado são chamadas
abreviadamente pás circulares, pois, quase sempre, têm a forma de
uma circunferência, sendo, de qualquer maneira, sua forma completa-
mente arbitrária. Isto é o que o segundo método procura evitar
através do uso de uma lei válida ao longo da pá, por exemplo, o
comportamento do ângulo da pá f3 ou da velocidade relativa w. As
pás simplesmente curvadas são muito usadas em turbinas, enquanto
que em bombas usa-se, quase sempre, pás calculadas ponto a ponto.
Fig. 4.5. Pás axiais com extremidade
de sucção AB reta, e, portanto, 4.31 Pás circulares
sem efeito.
Como regra geral, deve-se evitar variações bruscas do raio de
curvatura, pois estas podem causar acumulações da camada limite,
mesmo no canal de aceleração. Assim, no caso em que não é possível
usar para a pá um único arco de círculo, é melhor usar uma curva
de forma não circular que mude de curvatura constante e suavemente
do que uma seqüência de arcos de círculo com raios de curvatura
muito diferentes, o que levaria a mudanças abruptas de raio na tran-
sição entre eles.
As idéias básicas para o desenvolvimento das pás serão expli-
cadas primeiro para pás axiais (Fig. 4.5). Considerando-se a variação
da seção do canal como determinante (coino se fazia antigamente e
que até hoje ainda não foi totalmente eliminado) pode-se admitir que
Fig. 4.6. Pá radial de uma turbina a forma da pá não deve ter efeito no corte inclinado ao longo de AB.
com a extremidade de sucção na Isto resulta no segmento de reta AB entre a ponta da pá A e o início
forma de uma espiral de Arquimedes,
efetivo do canal A 1 B (admitindo-se c., constante). Nas pás radiais
já ultrapassada
(Fig. 4.6) aparece uma espiral de Arquimedes AB com curvatura nega-
tiva no lugar do segmento de reta. Se as pás tiverem curvatura
positiva no restante, como ocorre em turbinas, mas não ocorre em
bombas, colidem no ponto B duas trajetórias com curvaturas opostas.
A experiência mostrou que tais alterações violentas de curvatura
são prejudiciais e, por isso, no fluxo acelerado da grade das turbinas
as extremidades sem efeito das pás não trazem nenhurpa vantagem,
devendo-se, portanto, preferir uma curvatura de mesmo se.Q.tido ao
longo de toda a pá (Fig. 4.7).
Deve se também lembrar que o aumento resultante da pressão
Fig. 4.7. Pá radial com curvatura nas pás na extremidade de saída, leva a um aumento da potência
sempre positiva, utilizada principal- mínima devido ao espaçamento finito das pás e, por isso, exige uma
mente em turbinas ampliação do ângulo das pás de turbinas nesta extremidade (Seç. 2.3
\

4.3 PROJETO DE PAS SIMPLESMENTE CURVADA 117

e [V, 37]). Esta ampliação do ângulo somente não é necessária


quando a saída tiver pouco efeito.
Este tratamento da extremidade das pás do lado de sucção não
vale para as pás radiais de bombas (Fig. 4.8). Em primeiro lugar, neste
caso, começa-se com um retardamento quando o fluxo já se encontrar
todo dentro do canal e, por outro lado, as pás de bombas radiais, de
acordo com a Seç. 2.37, são negativamente curvadas (curvadas para
trás) e, portanto, curvadas no mesmo sentido que a entrada sem
efeito, usando uma espiral de Arquimedes. Toma-se, então, para as
pás radiais de bombas, a forma de uma espiral de Arquimedes, que
pode ser aproximadamente desenhada como um arco de circunferência,
pois somente uma parte diminuta da espiral será usada O centro
desta circunferência aproximante AB fica exatamente no ponto de
encontro E das tangentes à circunferência de diâmetro d 1 = D 1 sen P,
(a circunferência geradora da evolvente) passando pelas pontas A e
A 1 de duas pás sucessivas (Fig. 4.8). Fig. 4.8. Pás radiais com curvatura
sempre negativa, utilizadas
Com base nas experiências citadas com as pás de turbinas, é principalmente em bombas
também usual no caso de bombas, adotar-se soluções que se desviam
da entrada sem efeito, no sentido de se obter uma pressão positiva
nas pás, o que resulta em um raio um pouco maior na circunferência
de entrada do que o raio da circunferência aproximante da espiral
Arquimedes (Fig. 4.9). Neste caso, naturalmente, o ângulo P, deve
se.r mantido e, portanto, o centro M 1 deve ser procurado na extensão
da tangente AE. Esta circunferência de entrada é levada no máximo
até o ponto B que fica em frente à ponta A 1 da próxima pá, ou
mesmo, é terminada ainda no ponto C. A continuação CD, neste
caso, é também desenhada como um arco de circunferência, que corte
a circunferência externa do rotor a um ângulo P2 , conforme se deseja.
O centro M 2 situa-se sobre CM 1 e o raio pode ser determinado por
tentativas ou calculado pela fórmula

- - --- 1 rz - rz
(!=M2C=M2D=- 2 c (4.13)
2 r 2 cosP 2 - rc cosPe

Nesta 1 o índice C se refere ao ponto de transição.


A Eq. (4.13) 'pode também ser escrita da seguinte maneira:

1
rc + -L\.r
2
Fig. 4.9. Rotor de bomba, indi-
cando as denominações usadas na
(!=dr rc(cosP - cosPe) + 1\.r cos P' (4.13a) Eq. (4.13)
2 2

onde .dr= r2 - ~'c-

Devido à alteração abrupta da curvatura em B este método de


cálculo é atualmente pouco usado. Pode-se, porém, desenhar a pá
com ttm único arco de circunferência. Neste caso, nas equações atrás
deve-se fazer rc = r 1 e Pc = p,, pois o ponto C passa a coincidir com

1
A demonstração desta fórmula é feita escrevendo-se a lei dos cossenos para os
triângulos OCM2 e ODM2 (Fig. 4.9). Nestes os ângulos em C e em D são obviamente
iguais aos ângulos de inclinação P1 e P2 desejados para as pás. Como além disto OC = rc•
pode- se escrever

OMi =r~+ r/- 2r2 o cos P2 ,


OM~ =r~+ o2 -2rcocosPc

Subtraindo-se estas duas expressões, OAfi e (! 2 são eliminados e obtém-se uma equação,
da qual a Eq. (4.1 3) atrás pode ser obtida imediatamente.
118 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

a ponta A da pá. Obtém-se, desta maneira, ao invés da Eq. (4.13)


a equação seguinte

º =-
1
2 r 2 cos/3 2
,.2 -
2
-
1'2
1
r 1 cos/3 1
(4.14)

ou, no lugar de (4.13a),

(4.14a)

com !!.r= r2 - r 1 . Para a determinação gráfica de e veJa a nota de


rodapé da pág. 139.
Esta utilização de um umco arco de circunferência nas pás· é
muito freqüente, tanto em bombas quanto em turbinas. Em turbinas,
{1 2 é maior, e, portanto, cos {1 2 é menor que em bombas, assim, o
denominador da Eq. (4.14) ficará negativo e as pás terão uma curva-
tura positiva, tal como mostra a Fig. 4. 7.
Para tornar a equação útil também para o caso de pás axiais,
desprezamos, na Eq. (4.14a), r 1 perante infinito e assim, após divisão
por r 1 o valor !!.rjr 1 torna-se nulo e !!.r é a altura e da grade de pás
(Fig. 4.10). Quando, ao mesmo tempo, trocamos as grandezas no
denominador, de maneira que resultem valores positivos para Q,
obtemos
e
(4.15)
e= cos/3 1 - cos/3 2

Rigorosamente, a forma assim obtida representa a linha média


das pás. As pás podem ser construídas com espessura constante
(por exemplo, feitas de chapa fundida, ou, em compressores, rebitada
ou soldada, tal como mostra a Fig. 4.11) ou podem engrossar para
o meio (ver a Seç. 9.32). O ângulo de cálculo será, entretanto, algumas
vezes, realizado de maneira que na bissetriz do ângulo decrescente,
ou seja, no esqueleto da pá (Fig. 4.10), haja uma ampliação no ângulo
de corte. (Com relação a pás rápidas de turbinas, ver a Seç. 5.42d.)

Fig. 4.10a. e b. Pás de sobrepressão perfiladas. a Turbina: b bomba.

As pás perfiladas devem ser bem arredondadas na entrada, deven-


do-se observar o seguinte: as pás de turbinas (grades de pás de acele-
ração devem ser arredondadas com um raio grande, de maneira que
haja pouca sensibilidade a alterações do ângulo de entrada do fluxo
(Fig. 4.10a). Em pás de bombas (grades de pás de retardamento) o
raio de arredondamento é pequeno e a maior espessura do perfil apa-
rece muito depois da aresta de entrada (Fig. 4.10b). As razões para
esta diferença no raio de arredondamento foram discutidas mais
pormenorizadamente na Seç. 2.8.
4.3 PROJETO OE PAS SIMPLESMENTE CURVADA 119

Uma ponta muito aguda na saída das pás não é conveniente por
razões de du·~ção e de fabricação. Não tem também a vantagem,
muitas vezes esperada, de reduzir as perdas de choque de Carnot,
causadas por uma pequena espessura das pás, pois estas corres-
pondem ao componente longitudinal cm e não ao componente tan-
gencial cu. Assim, pás finas de chapa não devem ser nem afiadas nem
arredondadas na extremidade de saída.
Nas pás em gancho (Figs. 4.11 e 4.12) aparece nas Eqs. (4.14) e
(4.15) {3 2 > 90° e cosf3 2 também negativo. A este respeito devemos
dizer ainda o seguinte: Como, quando se despreza o atrito, a velo-
cidade relativa em um rotor axial no caso de pressão constante, deve
permanecer também constante ao longo da pá, a seção do fluxo
deve também permanecer constante, como já foi mostrado na Fig. 2.21.
Fig. 4.11. Pás de pressão cons-
Se a pá for construída com a mesma espessura em toda sua extensão tante de chapa com espessura
(Fig. 4.11), ocorre um alargamento da seção no meio. No caso de decrescente nas extremidades. As
um fluxo hídrico resulta sempre uma seção constante do fluxo, inde- formas mais modernas sem saida
dependentemente da forma das pás, desde que um lado da seção do reta, que, entretanto, precisam
fluxo seja limitado por ar (como ocorre, por exemplo, nas turbinas de uma ampliação do ângulo da
extremidade das pás do lado de
Pelton, ver Fig. 5.33). Desta maneira o fluxo fica forçosamente sub- sucção, são mostradas tracejadas
metido a uma pressão constante, tal como em um canal aberto. Nas
turbinas a vapor e a gás, o espaço de ar que se forma nas turbinas
hidráulicas deve ser tomado pela pá, de maneira que não apareça
nenhum retardamento, com sua conseqüente acele"ração, e também
não ocorra nenhum espaço morto (Figs. 4.12 e 2.21). Tais formas de
pás alcançam, segundo E. Strauss [IV, 7, pág. 111 ], em uma aplicação
determinada, uma melhoria de 1 % no rendimento, em comparação
com pás de chapa.
Pesquisas 1 em túneis de veüto mostraram que na região sub-
sônica também na entrada de pás de turbinas de pressão constante é
melhor uma cabeça grossa bem arredondada das pás do que uma
entrada afilada. Pode-se ver nas Figs. 4.13 e 4.14 quanto melhora o
coeficiente de velocidade 1/Jv (que caracteriza as perdas nas pás axiais),
quando se passa da pá com entrada aguda b para a forma a, que Fig. 4. 12. Pás de pressão cons-
tem um grande raio de arredondamento. A Fig. 4.14 mostra que tante perfiladas para fluxos de
vapor ou de gás
um forte arredondamento resulta em uma grande insensibilidade às
variações da velocidade relativa de entrada, da direção inicial das
pás. Os fenômenos de fluxo na aresta de entrada das pás importantes
para esta discussão foram tratados na Seç. 2.8.

,7,00~
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0,96. a
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I

1~ 73rf 73!!' Mf H~ 150° 755° 780° 7S5°


p,-

Fig. 4.13. Perfis de pús de turbinas a vapor Fig. 4.14. Relação entre o coeficiente de velo-
e pressão constante com diferentes raios de cidade t/Jv (ver à pág. 176 e a direção do fluxo
arredondamento da aresta de entrada das pás na entrada, para os perfis de pás a e h da Fig.
[da AEG·Mitteilungen 52 (1962) H. 9/10] 4.13, para medidas em tunel de vento [da AEG-
Mitteilungen 52 ( 1962) H. 9/1 O]
1
Ver principalmente Olderin, E. in [IV, 7, S. 47 bis 52]: ferner Po/lmann, ·E.: Mes-
sungen an Turbinengittern. Bericht der Gittertagung Braunschweig am 27./28.3.1944.

---'
p:

120 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

As pás de turbinas muito arredondadas ficam muito curtas na


direção axial 1 De acordo com H. Friedrich 2 mostra-se como mais
conveniente no caso de perfil com cabeça grossa a seguinte extensão
axial e (Figs. 4.10 a 4.12)

e = (0,91 até 0,94) tm,

onde tm é a distância entre as pás no raio médio.


Medidas recentes' em turbinas de pesquisa e em instalações cons-
truídas de turbinas a vapor de pressão constante mostram, ao con-
trário de experiências em túneis de vento (Fig. 4.14), que perfis de
pás com pontas agudas (b na Fig. 4.13) podem resultar em rendi-
mentos melhores que perfis com cabeças muito arredondadas (a na
Fig. 4.13). Isto ocorre principalmente a grandes velocidades do fluxo
que, entretanto, ainda estejam abaixo da velocidade do som, e com
pequenas distâncias entre as grades de pás e de aletas. Tal compor-
tamento pode ser explicado da maneira seguinte: As pás com cabeças
muito arredondadas ocasionam variações locais de pressão e de velo-
cidade do fluxo de entrada, que, por sua vez, causam perdas adicionais,
quando alcançam a região no canal das pás. Nas pás com a cabeça
exageradamente arredondada estas variações locais de pressão e de
velocidade são muito grandes e vão até muito mais para dentro do
canal das pás do que nas pás pontiagudas [V, 72]. Desta forma, os
perfis de cabeças de pás de pressão constante, quando a distância
entre as pás e as aletas é pequena, podem resultar em perdas adicionais.
Não se pode também esquecer, que um aumento do raio de
arredondamento da aresta de pressão corresponde a um aumento da
distância entre as pás e as aletas, pois, em caso contrário, os efeitos
da cabeça grossa das pás podem repercutir no fluxo na grade de pás
anterior. Além disto, as pás com cabeças grossas são também mais
sensíveis a altos valores do número de Mach da velocidade do fluxo
na entrada, pois o choque de compressão '"disparado" fica mais forte'.
A influência favorável das cabeças grossas de pás, assim, vale somente
para velocidades bastante inferiores à do som. Para velocidades do
fluxo na entrada perto da velocidade do som, que ocorrem exala-
mente nas pás em gancho com maior freqüência, prefere-se sempre
as pontas afiladas às arredondadas. Por esta razão, praticamente não
ocorrem perfis com cabeça grossa no primeiro rotor e no primeiro
inversor das turbinas Curtis (ver a Seç. 10.23b). Estes resultados
podem ser analogamente transferidos para pás radiais. Não são,
porém, utilizáveis em muitos casos, no fluxo retardado das bombas,
pois, por um lado, os perfis são mais estreitos e, por outro lado, a
entrada é feita na parte estreita da seção, de maneira que cabeças
grossas nas pás causariam um estreitamento inadmissível da seção de
entrada (Seç. 4.10). Neste caso são usados perfis com saída grossa o
arredondada (ver também a Seç. 2.82). Para maiores detalhes' sobre

1
Ver Zickuhr, W.: Ein vereinfachtes Verfahren zur angenãherten Bestimmung
I
!
der Dicke der Schaufelprofile von Turbomaschinen. Siemens-Zeitschr. 33 (1959) 516/520.
'BWK 8 (1956) 9/15.
3
Ver Luflewig, M.: Neuzeitliche AEG-Kondensations- und Zwischenüber-hitzungs-
turbinen mit mittlerer und groPer Leistung. AEG-Mitteilungen 52 (1962) H. 9/10, pp.
389/406 und [II, 28 S. 17/34].
4
Melkus, H.: Uber den abgelõsten Verdichtungsstop. lng.-Arch. 19 (1951) 208.
5
Ver especialmente Flügei, G.: Über Gestaltung und Systematik neuerer Schau-
felprofile für Dampf-und Gasturbinen. Forsch. lng.-Wes. 16 (1949/50) 125/132. Aí
são desenvolvidos perfis para as regiões subsônica e supersônica.
4.3 PROJETO DE PAS SIMPLESMENTE CURVADA 121

o projeto de pás axiais, veja as Seçs. 9.51 e 9.74g. Nas turbinas a gás,
a entrada arredondada nos perfis das pás trás, de acordo com a expe-
riência, também consigo o perigo de a máquina sujar-se muito
[IV, 7, pág. 52].
Pás Interrompidas, que procuram evitar a acumulação (ou o des-
colamento) da camada limite, parecem trazer vantagens nas grades
de retardamento com grandes desvios [IV, 22, pág. 24]'.
Principalmente em aletas e em pás de compressores, muito sucesso
foi recentemente conseguido com a introdução de ranhuras 2 , tanto no
que se refere ao rendimento, quanto à máxima rotação atingível
[ver V, 57].

4.32 Pás calculadas ponto a ponto


Estas são usadas para o fluxo retardado das bombas, por que
neste caso as exigências são maiores que no caso do flux.o acelerado
das turbinas. Esta maneira de cálculo será inicialmente explicada
para o caso de pás radiais.
Fixando-se a variação do ângulo f3 em função de r entre os
valores limites dados /3 1 e {3 2 , a pá pode ser calculada através de etapas
de pequenos valores !!.r, adicionando-se de cada vez o ângulo fJ corres-
pondente. Tal processo, entretanto, apesar de trabalhoso e impreciso,
nada mais é do que uma integração. Assim, é mais correto executar
numericamente esta integração calculando-se o ângulo polar POA = <p
(Fig. 4.15) correspondente a cada raio individual r e adicionando-o a
OA. A determinação de <p é feita a partir do raciocínio seguinte:
No triângulo (mostrado todo em preto) PP'T, cujo lado PT
representa o arco no ângulo central infinitamente pequeno dq; e que
é retângulo em T, vem

PT= r dq;
e, por outro lado,

PT= P'T.
tg{J

Como P'T representa o aumento infinitamente pequeno dr do raio r,


pode-se escrever, após igualar as duas expressões precedentes,

dr
rdq; = -
tg{J
dr
<p = r tg{J · (4.16)

Obtém-se, então, integrando entre r 1 e r e multiplicando sim ui-


taneamente por 180/n, de maneira que <p jii' esteja em graus

q;' = 180f.' __<1!:_. (4.17) Fig. 4.15. Esboço pertinente ao cálculo


n ,, r tg{J ponto a ponto das pás

1 Fickert, K.: Versuche an Verzõgerungsgittern mit groper Umlenkung. Forsch.

lng.·Wcs. 16 (1949/50) 141/146.


2 Sheels, H. E.: Trans. ASME 78 (1956) 1683/1689.
122 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

Esta integração é feita de maneira mais conveniente através de


uma tabela, na qual, ao invés de dr toma-se intervalos finitos L\.r
(Figs. 5.3 e 5.8a ou Tabela págs 140 e 143). Após obtida a variação
de <p em função de r desta maneira, fica a forma da pá dada pelas
suas coordenadas polares.
A estimativa feita inicialmente da variação de {3 pode ser substi-
tuída pela adoção inicial de outras grandezas. Em muitos casos,
especialmente para máquinas hidráulicas, já se tornou comum a
adoção da variação de w em função de r (novamente entre os limites
predeterminados w1 e w2 ). Neste caso fica também o ângulo {3 conhe-
cido, pois, no triângulo PQR da Fig. 4.15, vem

c
sen{3 = .....!!1... • (4.18)
w

calculada para a largura dada b da seção do rotor, já conhecida da


Seç. 4.2, a partir da expressão

c
V' t
=----......,-· (4.19)
m 2rnb t - cr

A variação do coeficiente de estreitamento t/(t- cr) em função do raio


ficará conhecida como a linha que liga os valores inicial e final (por
exemplo, uma reta) obtidos do cálculo do rotor. A influência do afila-
mento da extremidade de saída pode ser representada por uma queda
constante e suave no final desta linha. Pode-se evitar esta introdução
simplesmente estimada da influência do estreitamento, utilizando-se
a expressão

. m
t-er
V'= 2rnbc - - = b2rn(
- t
t t
s) wsen/3
---
sen{3

ou, como 2rnjt = z,

JÍ' = bz (r -se~ {3) w sen{3 = (t sen/3 - s) zbw.

Daí segue, imediatamente

s V'
sen/3 =-
t
+- -
ztbw'

donde vem a expressão

li' VI
ztb = 2rnb =(cm)"'"" (4.20)

que dá a velocidade meridional resultante para a espessura nula das '


pás. Esta é independente da espessura das paredes s. No lugar da
Eq. (4.18) pode-se também usar a expressão seguinte:

sen/3 = !..._ + (cm)netto. (4.21)


t w

Esta equação permite determinar o ângulo {3 independentemente da


4.3 PROJETO DE PÁS SIMPLESMENTE CURVADA 123

estimativa da varia.ção do coeficiente de estreitamento, e, assim, é


muito valiosa para o cálculo de pás com espessura variável das pa-
redes e é, também, vantajosa para pás com espessura constante.
Sobre a forma mais conveniente da linha a ser adotada, pode-se
dizer que, para as pás curvadas para trás das bombas hidráulicas,
deve-se usar linhas w curvadas para baixo ou linhas f3 retas. As pás
se alongam ou se encurtam conforme a linha w se curve para cima
ou para baixo, ocorrendo o contrário no caso das linhas f3 (Fig. 5.3).
As linhas f3 retas correspondem a linhas w curvadas para baixo, dando,
portanto, pás mais curtas que as linhas w retas. Também para com-
pressores são usadas linhas f3 retas (Fig. 5.8a), devido a, por um lado,
resultar uma forma mais íngreme de pás e, por outro lado, ao fato de
a variação de volume resultante ter uma pequena influência no pro-
cesso. É também possível adotar o comportamento do trabalho das
pás ou do vórtice rcu entre os valores limites conhecidos r 1c 1u e r 2 c2 u.
Neste caso, entretanto, fica muito mais difícil prever a forma da linha
que interliga os valores limites do que nos dois casos previamente
descritos.
Pode-se construir uma pá calculada ponto a ponto a partir de
um molde ou fazendo medidas. No primeiro caso, o desel)ho deve ser
feito em escala aumentada, pois a pá será fundida. No último caso,
o melhor a fazer é obter os raios r a partir das curvas cp, r (Fig. 5.3)
para cada pequena parte da pá, que deve ser subdividida em pequenas
porções do ângulo central. Pode-se, entretanto, também formar uma
pá calculada ponto a ponto, com uma seqüência de pequenos arcos
de circunferência e, então, medir estes na fabricação. Este caso é
muito diferente das pás em arco de circunferência, pois usualmente
São necessários muitos arcos de circunferência, cujos raios devem ser
calculados pela Eq. (4.13a), referindo-os ao inicio e ao fim de um
intervalo !!.r. Os valores de r e de f3 a usar podem ser tirados das
curvas fJ(r). Desta maneira, entretanto, o raio de .curvatura se altera
abruptamente em cada ponto de transição entre dois arcos de
circunferência.
Aletas. As explicações dadas atrás para as pás valem também
para as aletas, que também podem ser construídas como aletas cir-
culares ou calculadas ponto a ponto. Para maiores detalhes, ver a
Seç. 8.1.

4.33 Rugosidade da superficie

Devido ao custo de fabricação, o desbaste das superfícies deve


ser feito somente até o ponto em que esta apresente a resistência de
uma parede lisa.
A superfície age como lisa desde que as elevações de rugosidade
não ultrapassem o limite inferior da camada limite [III, 1]. Este
limite é maior no fluxo retardado que no acelerado, de maneira que
as pás de turbinas devem ter um acabamento melhor do que as de
bombas. Além disto, a forma do perfil também tem influência na
qualidade necessária do acabamento das superfícies.
Um exame do fenômeno do fluxo mostra que o efeito de atrito
da rugosidade desaparece enquanto o "coeficiente de rugosidade" kwfv
não ultrapassar um determinado valor crítico. Neste, k indica a
elevação média da rugosidade em m, w a velocidade média em mjs
do fluxo fora da camada limite e v a viscosidade cinemática do fluido
em m 2 js. O coeficiente de rugosidade tem, obviamente, a forma do
124 O PROJETO 00 ROTOR CAP. 4

número de Reynolds. Seu valor crítico depende do comportamento


da camada limite, como foi dito atrás. e. portanto, do tipo de fluxo
e varia violentamente com ele. Enquanto para fluxo em tubos é usado
o valor 100 [III, I, pág. 68 e IV, 23, pág. 609], foram determinados
valores entre 14,5 e 120 para fluxo em asas de sustentação ou em
grades de pás, admitindo-se um fluxo tÚrbulento 1 [V, 54].
Desta forma, deve-se ter uma rugosidade tanto menor quanto
maior for a velocidade.
A influência da rugosidade da superfície no funcionamento de
bombas semi-axiais foi pesquisada por T. Ida 2 • Ele verificou que o
trabalho interno específico decresce em função do fluxo (caracterís-
tica do rotor) quando a rugosidade da superfície das pás aumenta
O conjugado obtido no eixo é pouco afetado pela rugosidade na
superfície das pás. A redução do rendimento geral de bombas quando
a rugosidade das superfícies das pás aumenta é devido principalmente
ao aumento das perdas nas pás. Como as perdas nas pás podem ser
consideradas aproximadamente proporcionais ao quadrado do fluxo
(ver Seç. 6.23), o efeito prejudicial da rugosidade nas superfícies é
é muito maior quando o fluxo é grande. O ponto de operação com
melhor rendimento, assim desloca-se para as regiões de menores fluxos
quando a rugosidade da superfície aumenta. No cálculo da rotação
específica, a redução do fluxo tem um efeito maior que uma redução
do trabalho específico interno, de maneira que o aumento da rugosi-
dade resulta numa redução global da rotação específica da máquina.
4.4 Pás radiais duplamente curvadas, ·rotores de média
velocidade
Se o cálculo descrito na Seç. 4.2 resultar em um valor de n, maior
que 30, ou, correspondentemente, em uma relação de diâmetros D 2 /D,
menor que 1,5, é conveniente estender-se as pás radiais na boca de
sucção do rotor, tornando-as duplamente curvadas. Também para
maiores relações de diâmetros, esta providência pode melhorar
(Figs. 7.15; 7.16) o rendimento, a capacidade de sucção e a estabili-
dade da característica do rotor (Seç. 6.28).
Neste caso, é melhor fabricar o rotor por fundição, sendo que
usualmente as pás são fundidas em uma só peça, juntamente com o
rotor. Em grandes rotares, as pás são, às vezes, prensadas de chapas
e em seguida infundidas no rotor. Por isso, as pás duplamente cur-
vadas são preferidas, particularmente, para . máquinas hidráulicas,
quando a resistência destes rotores fundidos é suficiente. Entretanto,
também em máquinas para gases, são usados rotores fundidos em
uma só peça, para grandes rotações específicas, que, como ventila-
dores, alcançam excelentes rendimentos [III, 6. pág. 114; IV, 30,
págs. 6j7].
Trataremos, inicialmente, o caso de máquinas com rapidez mode-
rada, nas quais a aresta de pressão das pás aparece paralelamente ao
eixo no corte longitudinal (rotores de média velocidade da Fig:, 4.16). I

Aqui as grandezas D 2 , b2 e D, devem ser calculadas como na Seç. 4.2.


Fig. 4.16. Pá duplamente curvada de um
· rotor de rapidez moderada
Com seu auxílio desenha-se a forma das paredes laterais i1 1 a 2 e i 1 i 2
no corte longitudinal de maneira que, por um lado, a curvatura se 1
distribua regularmente por toda a forma e que, por ouiro lado, a

1
Joung, A. D.: The drag effects of roughness at high subcritical speeds. J. roy.
Aeronaut. Soe. 1950, S. 543/540: Auszug VDI-Z. 93 (1951) 454/455.
2
Ida, T.: The effects of impeller vane roughness and thickness on the characteristics
of the mixed-flow propeller puinp. Bulletin of JSME 8 (1965) N.o 32, p. 634/643.
4.4 PAS RADIAIS DUPLAMENTE CURVADAS 125

seção 2ritb, ou seja, o valor rsb, onde rs é o raio do centro de gravi-


dade e b é o comprimento do desenvolvimento de uma linha normal
qualquer uv, passe constante e suavemente do valor inicial até o valor
final. Neste caso, as linhas normais são inicialmente estimadas. No
caso de turbinas hidráulicas, a liberdade de adoção da forma destas
linhas normais é limitada pelo fato de que, na parte externa, é neces-
sário chegar-se tangencialmente às paredes laterais perpendiculares ao
eixo do sistema diretor equipado com aletas móveis, enquanto que,
em rotores de bombas, pode-se também adotar uma saída semi-axial.
A forma da aresta de sucção da pá a 1 i 1 é escolhida de maneira
que fique a uma distância suficiente da aresta de pressão nas paredes
laterais, formando ângulos ;;a e }.'li suficientemente íngremes. Como,
porém, ao mesmo tempo, os comprimentos das linhas de fluxo devem
concordar entre si (ou seja, devem manter o mesmo momento está-
tico S, ver a Eq. (2.23) e o penúltimo parágrafo da Seç. 2.44), freqüen-
temente o ângulo de chegada À'u na parede do cubo é feito menor
que 90'. Deve-se tomar cuidado para que as arestas desenhadas sejam
realmente as projeções circúlares das arestas reais, que, assim, não
precisam de estar no plano axial (corte longitudinal), pois pode-se
girar as linhas de fluxo entre si de qualquer maneira em torno do eixo,
sem que se altere o conjugado transmitido.
A .superfície· das pás é constituída pelo conjunto de linhas de
corrente que passam por qualquer linha diretora (por exemplo, uma
das arestas da pá). Tomamos um número limitado destas linhas de
corrente, de início, naturalmente, as que ficam nas paredes laterais
e em seguida, outras, de maneira que o conjunto fique regularmente
'"""''fstribuído sobre toda a superfície; por exemplo, de maneira que as
superfícies de rotação correspondentes (superfícies de luxo) sejam limi-
tadas por fluxos parciais iguais (Fig. 4.17). Neste último caso, o fluxo
no corte longitudinal, ou seja, a projeção circular, poderia ser dese-
nhado de acordo com as regras apresentadas em [III, 1] para fluxos
potenciais. Como este processo, entretanto, é demorado e, ainda
mais, é duvidoso o fato de o fluxo longitudinal conservar seu caráter
de fluxo potencial, apesar do efeito das pás\ toma-se, no caso de re-
tores de velocidade média, o caminho mais fácil, de admitir como
constante a velocidade meridional ao longo de cada linha normal e
fazer llb 1 • r' = llb 11 · 1'' = l'!.b 111 • r"'. Aqui llb é o comprimento do
trecho da linha normal que fica entre duas linhas de fluxo sucessivas Fig. 4.17. Divisão do rotor da Fig. 4.16 em
e r é o raio de seu centro de gravidade. sub-rotores de igual efeito
O ângulo das pás /3 1 na aresta de sucção pode ser, novamente,
determinado pela expressão

(4.22)

e é diferente para cada caso, pois '\ também muda. O coeficiente de


estreitamento t 1/(t 1 -a 1) também deve ser adotado inicialmente. Ao·
final, na sua verificação, deve-se, agora, observar que a espessura das
paredes s:l' que aparece em a 1 = s'1/senf31' deve aparecer na seção da
superfície do fluxo com a pá e que, no caso de pás muito curvadas,
não coincide com a espessura real. Sendo À1 o ângulo entre as super-
fícies da pá e do fluxo no ponto observado c 1 da aresta de sucção, vem

1
Ver [IV, 10 S. 28 ff. und 108!.- Bauersfe/d: VDI-Z (1912) 2045: Sparmfwke, W.:
Forschung 8 (1937) 33. Um exemplo de cálculo é mostrado na primeira edição de [III, li:
ver também Pamell, K.: Konstruktion 9 (1957) 55/57.
126 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

(4.23)

onde 2 1 pode ser obtido, a partir do ângulo 2'1 entre a linha de fluxo e
a aresta da pá no corte longitudinal (Fig. 4.17), pela expressão

(4.23a)

desde que a aresta da pá considerada esteja, aproximadamente, em


um plano axial (por exemplo, Fig. 5.13). Reunindo-se estas equa-
ções, vem

(4.24)

I + (4.24a)

O número de pás, em consonância com a Eq. (4.9), pode ser obtido de

r p + p2
z=2k...!!!sen 1 · (4.25)
~ e 2

onde, de acordo com a Fig. 4.18, representam


e o comprimento desenvolvido da linha de corrente média AB,
rm o raio de seu centro de gravidade,
k, um coeficiente empírico de valor semelhante ao k~ da Eq.
(4.9); para rotares fundidos k, = 5 a 6,5.

______ _L
Para fixar as linhas de corrente curvadas espacialmente, dese-
nhamos sua projeção em um plano perpendicular ao eixo de rotação
Fig. 4.1-8. Explicação da notação (projeção horizontal, Fig. 4.19c). Para isto, utilizamos outra vez os
dois processos discutidos nas seções anteriores, ou seja, o desenvol-
vimento em arcos de circunferência ou o cálculo ponto a ponto. A pá
será, agora, transferida para uma superfície desenvolvível, de maneira
que sua forma fique reconhecíveL

4.41 Transferência das seções das pás a superficies cônicas

Como superfície desenvolvível auxiliar é usada uma' superfície


cônica coaxial, que encontra a superfície de fluxo considerada d 1 d 2
na extremidade de sucção d 1 (ou em sua proximidade), como mostra
a Fig. 4.19a, onde o ponto de encontro está exatamente em d 1 • A
transferência de um ponto rn das linhas de corrente espacialmente
curvadas à superfície cônica O d 1 param" é feita de maneira que ele
permaneça no mesmo plano axial e também que d 1 rn" seja igual ao
arco d 1 rn. Claramente, o ângulo de inclinação p da linha de fluxo
em relação ao círculo paralelo correspondente, existente no ponto rn,
é distorcido, pois as distâncias tangenciais se reduzem na mesma pro-
porção que os raios, ou seja, rx jr, enquanto que as distâncias sobre
os planos axiais permanecem constantes.
O novo ângulo p" é dado então por

r
tgp• = - . tgp, (4.26)
r
4.4 PAS RADIAIS DUPLAMENTE CURVADAS 127

Às vezes, para se manter os ângulos em seu valor real, são usados


dois cones auxiliares, dos quais um encontra as superfícies do fluxo
na entrada e o outro na saída, pois os ângulos cujo valor se deseja
manter, são principalmente os ângulos iniciais e finais. Este processo
é vantajoso quando há grande variação da espessura das pás, e será
usado no exemplo numérico da Seç. 5.4. Também é possível trabalhar
com um só cone auxiliar, quando se converte os ângulos do desenvol-
vimento, usando a Eq. (4.26). Neste caso, deve-se proceder da se-
guinte maneira:
Com os ângulos inicial e final calculados com o auxílio da
Eq. (4.26) p; e p;, e com os raios Od; e Od; desenha-se na Fig. 4.19b,
o desenvolvimento do corte da pá como um~ "pá circular", com um
ou mais arcos de circunferência, de acordo com as regras já discutidas
para o desenho de pás simplesmente curvadas na Seç. 4.31. Esta forma
de pá é, então, transferida para a projeção horizontal (Fig. 4.19c),
onde é muito conveniente o fato de que círculos paralelos do desen-
volvimento representam a imagem de círculos paralelos das superfícies
do fluxo, sendo que estes se projetam em seu valor real.. Assim, o arco
tangente d; 4 entre o cone e a superfície do fluxo tem o mesmo
comprimento que o arco d; 4' na projeção horizontal. Pode-se trans-
feri-lo com o auxílio do ângulo central 1{1 = l{lxr~/r 1 • Subdividindo-se
então este arco no desenvolvimento e na projeção horizontal em
partes separadas pelos pontos I, 2, 3 etc., e, correspondentemente,
pelos pontos 1', 2', 3: etc., podem ser imediatamente desenvolvidos os
trechos radiais !IX, 2mx etc., do desenvolvimento no corte longitu-
dinal, a partir da linha de fluxo de dp até I, m, n etc. Como as dis-
tâncias ao eixo dos pontos no espaço correspondentes aos pontos
I, m, n etc., se projetam em verdadeira grandeza tanto na projeção
vertical como na horizontal, obtém-se as projeções 1', m', n' etc., destes

Fig. 4.19a- c. Desenvolvimento do corte da pá d 1 d2 na superfície cônica d 1 d~.


a. Corte longitudinal (corte em um plano axial): b. Desenvolvimento do corte
da pá transferido para uma superfície cônica:
c. Projeção do corte da pá no plano horizontal
128 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

pontos na proJeçao horizontal medindo-se os raios correspondentes


(por exemplo, para o ponto m) na projeção vertical e transferindo-os
para os raios vetares pertencentes aos pontos de separação r, 2', 3 1
,

etc. Assim fica determinada a forma da pá d;l'm'n'd; na projeção


horizontal.
Desta mesma maneira, trata-se todas as linhas de corrente.
Devido ao corte inclinado com relação. à superfície do fluxo, a
espessura das pás s aparece ampliada no desenvolvimento. Real-
mente, de acordo com a Eq. (4.24), deve-se levar aos círculos para-
lelos o segmento

cotg 2 p
(4.27)
+ sen 2 A''
onde }.' é o ângulo entre a linha de corrente e o corte axial xy medido
no corte longitudinal (Fig. 4.22). O corte axial é determinado de ma-
neira que será ainda tratada neste capítulo e não coincide perfeita-
mente com as linhas normais."
Devendo a aresta de sucção aparecer em um plano axial, toma-se
o ângulo 1/J x correspondente nos desenvolvimentos individuais ou
coloca-se a aresta de pressão inclinada. Entre os ângulos ljJ x e ljJ
existe a relação já dada 1/1 x • O d 1 = 1/Jr r Qe qualquer maneira, é
duvidosa a vantagem de se colocar sempre a aresta de sucção em
um plano axial.
Para bombas e compressores, deve-se levar em consideração a
sugestão de A. Busemann, de se colocar a aresta anterior de uma asa
de sustentação inclinada com relação à direção do fluxo na entrada,
e não perpendicular ao mesmo, ou seja, não colocar a aresta de sucção
de pás de máquinas de fluxo em um plano axial, pois neste caso o
componente perpendicular à aresta se reduz e, com isto, a velocidade
crítica, que é determinante para os fenômenos de cavitação e de
ultra-som, se eleva [IV, 18, págs. 100 e 201; IV, 21, n.• 988] (ver tam-
bém a Seç. 9.54).
Para se alcançar comprimentos determinados das arestas de pás,
pode-se utilizar o fato de que as linhas de corrente podem ser giradas
umas em relação às outras à vontade em torno do eixo e que a aresta
de pressão, mesmo quando aparece no corte longitudinal, ou seja,
em sua projeção circular, paralela ao eixo, não precisa de modo algum
de estar situada em um plano axial, podendo ser construída como
uma linha de parafuso. O que determina a posição de ambas arestas
é, em resumo, o fato de que os ângulos entre as superfícies das pás e
as paredes laterais (e, portanto, os ângulos entre os cortes axiais, que
serão posteriormente discutidos, e as linhas de corrente a 1 a 2 e i 1 i 2 )
não devem se desviar muito de 90•.

4.42 Cálculo ponto a ponto das linhas de corrente

Este processo é particularmente aconselhável no projeto de


bombas rotativas. Pode-se, também, determinar através de cálculos
a forma completa das linhas de corrente, que são também curvadas
espacialmente. A extensão necessária do método discutido na Seç. 4.32
para pás cilíndricas para adaptá-lo a este caso, pode ser encontrada
através do raciocínio seguinte:
Nas Figs. 4.20 e 4.21 é mostrada uma linha de corrente genérica,
tanto em sua projeção circular d 1 d 2 no corte longitudinal, quanto
4.4 PÁS RADIAIS DUPLAMENTE CURVADAS 129

pela sua projeção horizontal ortogonal d'1 d~. Considerando-se o


segmento muito pequeno pp 1 = dx no corte longitudinal, cujo com-

d'~
I
I
I
I

I I '
I _/d
11/Zl/'
,, -<
I ''
li
---------
Fig. 4.20. Projeção do corte da Fig. 4.21. Corte longitudinal
pá horizontal
Figs. 4.20 e 4.21. Esclarecimento do cálculo ponto a ponto do corte da pá d 1 d2 .

primento real PP 1 pode ser visto no desenho ao lado da Fig. 4.21 e


que, na projeção horizontal, é representado pelo segmento p'p;, vem
que no pequeno triângulo PP 1 T o ângulo em T é relo e o ângulo em
P é igual a p e, portanto: ·

PT=P1T =!:.'5_.
tgp tgp

Como, ainda, este segmento PT do círculo paralelo coincide com


sua projeção p' t' = r d<p, vem

dx
rd<p = - ou
tgp

Integrando esta expressão e multiplicando por 180/n, de maneira que


<p apareça já em graus, vem:

"'' = 180
n.
I"
o I'
dx
tg p
(4.28)

<p e x podem, como a figura mostra, ser medidos a partir da extremi-


dade externa da linha de corrente e, portanto, resultando sinais para
ambos, ao contrário dos sinais que foram implicitamente adotados na
dedução, sendo que o resultado não é em nada alterado.
A Eq. (4.28) concorda perfeitamente com a Eq. (4.17). O pro-
cesso pode, também, se estender a linhas de corrente duplamente
curvadas, da mesma forma que nas pás radiais simplesmente curva-
das, somente que o valor 1/r tg p deve ser tomado em função do
comprimento desenvolvido x da linha de corrente para que se obtenha
o valor da integral correspondente ao comprimento particular x de
cada éaso. Os valores de 1/r tgp podem ser obtidos com o auxílio
das cvrvas r, x, que são tiradas da projeção vertical, conjuntamente
com as curvas p, x. Estas últimas podem ser adotadas, sempre levando
em consideração os ângulos inicial e final, já conhecidos,_ podendo
também ser calculadas a partir de outras curvas correspondentes a
uma fórmula adotada para a forma das superfícies das pás. Se, por
130 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

exemplo, a variação de w em função de x for adotada, pode-se obter


os ângulos f3 de
c
sen f3 = .2!1 (4.29)
w

e, com isto, também os valores 1/r tg /3. Neste caso, a forma de cm


conhecida a partir do esboço do rotor, de acordo com a Eq. (4.19a),
desde que se tome para b o valor do comprimento da linha normal uv
(Fig. 4.16).
Para se evitar, neste último caso, o uso do coeficiente de estrei-
tamento t/(t - cr), que é necessário para calcular c"', pode-se utilizar
uma expressão equivalente à Eq. (4.21), ou seja
s'
senfl =- + (cmnetto,
)
(4.30)
t w
onde (c"')"'"' é a velocidade longitudinal correspondente a s =O e s'
é a espessura da parede que aparece no corte com a linha de corrente.
O valor s' pode ser obtido de uma linha de ligação conveniente-
mente traçada no diagrama entre os valores inicial s~ e final s;, onde
s; é calculado das Eqs. (4.23) e (4.23a) e s;
é obtido de maneira seme-
lhante, observando-se, porém, que na Eq. (4.23a) .<; é o ângulo entre
a linha de corrente e o corte axial (que será posteriormente discutido).
Na maior parte dos casos, entretanto, é permissível adotar s; = s 2 ,
pois o estreitamento da seção que as pás causam no diâmetro externo
tem pouca influência.
A partir dos valores correspondentes obtidos de r e de <p pode-se
obter, ponto a ponto, a projeção horizontal d;d; da linha de corrente.
Para as outras linhas de corrente, procede-se da mesma maneira,
sendo que as formas das arestas de sucção e de pressão na projeção
horizontal podem ser provisoriamente adotadas. O processo garante
uma superfície total contínua. A superfície da pá obtida é, rigorosa-
mente, a superfície média entre as superfícies da frente e do dorso
da pá, que resulta no modelo quando se subtrai metade da espessura
da pá a partir de cada lado. O processo leva de maneira razoavel-
mente rápida ao resultado e tem a vantagem de que a superfície da pá
fica claramente fixada, quando a fórmula básica é conhecida. A
concepção individual do encarregado de desenhar as pás é assim
eliminada da solução.
Desenhando-se desta maneira as linhas de corrente na projeção
horizontal a partir da aresta adotada, a outra aresta fica determinada
como a linha que liga as extremidades das linhas de corrente. Também
neste caso, pode-se girar as linhas de corrente na projeção horizontal
à vontade em torno do eixo. Naturalmente, deve-se observar que a
superfície resultante deve ser contínua, o que fica suficientemente
garantido quando se adota uma aresta com forma também contínua.
Através de rotação em torno do eixo, pode-se evitar ângulos muito
agudos entre as pás e as paredes laterais. No corte longitudinal, estes
ângulos são aproximadamente representados pelos ângulos entre os
limites laterais e os cortes axiais que serão discutidos a seguir. Na
Seç. 5.3 é feita a determinação de uma pá de bomba por este processo.

4.43 Tangentes
Como o processo exige uma determinação muito perfeita da
forma das extremidades das linhas de corrent~, é interessante traçar
4.4 PAS RADIAIS DUPLAMENTE CURVADAS 131

aí suas tangentes. Isto pode ser feito graficamente, como é mostrado


nas Figs. 5.25/1 e 5.25/2 para o ponto d, com o auxílio do triângulo
retângulo, que está desenhado na Fig. 5.25/2 com o cateto !l.m' =pro-
jeção de !l.m.
4.44 Corte axial e corte de carpinteiro
Após desenhadas as projeções de todas as linhas de corrente por
um dos métodos citados, é necessário testar a continuidade da super-
fície das pás obtida. Para isto utiliza-se um conjunto de planos de
corte axiais a, b, c etc. (Fig. 5.13 ou Figs. 5.25/1 e 5.25/2), que apa-
recem na projeção horizontal como um feixe de raios. O desenho
da projeção vertical é facilitado pelo fato de que os raios de projeção
de um ponto são iguais, tanto na projeção horizontal como na ver-
tical. Na parte cilíndrica das superfícies de fluxo, onde esta condição
não vale, pode-se obter facilmente o resultado usando o desenvolvi-
mento descrito na Seç. 4.41, ou seja, por meio das linhas rp, x de pro-
cesso descrito na Seç. 4.42. Se não ocorrer urna transição suave entre
as linhas de corte obtidas, como é necessário, deve-se alterar as pro-
jeções das linhas de corrente. Esta verificação é particularmente neces-
sária quando a pá for projetada de acordo com o processo descrito
na Seç. 4.41, pois na determinação ponto a ponto da forma das pás
(conforme a Seç. 4.42) a continuidade da superfície já é garantida Fig. 4.22. Esclarecimento de algumas relações.
pela própria natureza do processo, de maneira que neste caso a veri-
ficação se destina somente a detectar erros de desenho.
Os ângulos .l; e ).',, sob os quais passam as linhas de corte xy
(Fig. 4.22) dos planos axiais com as superfícies das pás· nas paredes
laterais no corte longitudinal, deveriam (conforme já foi dito) ser pró-
ximos de 90", pois, de acordo com a Eq. (4.23a), para valores de {3
suficientemente pequenos, eles devem coincidir aproximadamente com
os ângulos ),0 e .l, entre as superfícies das pás e as paredes laterais.
Desta maneira evita-se que ocorram cantos agudos nos canais das
pás. Este regra deve ser particularmente observada na aresta de
sucção, para que se tenha uma boa capacidade de sucção. Para se
conseguir obter tais valores dos ângulos, deve-se girar as projeções
das linhas de corrente na projeção horizontal em torno do eixo e
adotar uma posição inclinada da aresta de pressão com relação à
circunferência externa. Este critério de se evitar cantos agudos dentro
dos canais das pás é mais importante que o critério da disposição
radial das arestas das pás na projeção horizontaL Este último perde
seu valor quando se observa que uma disposição inclinada da aresta
de sucção na projeção horizontal tem a vantagem da redução do
componente da velocidade relativa de entrada perpendicular à aresta
da pá e, com isto, uma redução também do perigo de cavitação, ou,
correspondentemente, do perigo da ultrapassagem da velocidade do
som, conforme já foi observado na Seç. 4.41.
A fabricação dos modelos das pás na oficina pode ser feita
imediatamente após feitos os citados cortes axiais ou, como é mais
comum, através da colagem de tábuas convenientemente recortadas,
de mesma grossura, cujo plano é perpendicular ao eixo. Para se obter
as curvas que devem limitar estas tábuas, desenha-se na projeçào hori-
zontal as linhas de corte das superfícies das pás por planos perpendi-
culares ao eixo - os cortes de carpinteiro (linhas I a 14, Fig. 5.25).
A distância entre os planos de corte deve ser igual à espessura
das tábuas que serão usadas para construir o modelo e também a
formas destas linhas permite verificar se a superfície resultante é con-
tínua ou não.
...
132 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

Se as pás ou seus moldes de prensagem forem fundidos, deve-se


ainda levar em consideração a taxa de contração da fundição.
Mais detalhes poderão ser encontrados no desenvolvimento do
cálculo dos exemplos numéricos de bombas rotativas da Seç. 5.3, e
de turbinas Francis na Seç. 5.4, onde, entretanto, a rapidez das má-
quinas é um pouco maior do que a que foi admitida até o momento.

4.5 Rotores de alta velocidade, caracterizados pela


colocação inclinada das arestas de pressão das pás no
corte longitudinal
A disposição das arestas de pressão das pás paralelamente ao
eixo .no corte longitudinal, de acordo com a Seç. 2.9, não é mais
possível para máquinas muito rápidas. Deve-se, então, reconhecer a
necessidade da colocação inclinada destas arestas no cálculo, através
da obtenção de um diâmetro de rotor D2 , calculado com o ângulo {3 2
adotado, quase igual ao diâmetro de sucção D,, ou mesmo menor do
que ele. Com relação à escolha da disposição inclinada, ou seja,
dos pontos a 2 e i 2 (Figs. 4.23 e 4.24), os critérios para bombas e para

Fig. 4.23. Rotor rápido de uma turbina Francis

turbinas são algo diferentes, devido a que o ângulo {3 2 e as formas de


execução do sistema diretor são também diferentes. Em ambos os
casos devemos observar que, de acordo com a Seç. 2.7 (Fig. 2.30a),
para um trabalho específico mantido constante e para c2 m também
constante, o ângulo {3 2 decresce proporcionalmente a r 2 , pois, de
acordo com a Fig. 1.8a

(4.31)

No caso normal "o = 90', vale a Eq. (2.20) com c2 , = Y., 00 (u 2 e,


portanto,

(4.31a)
4.5 ROTORES OE ALTA VELOCIOAOE 133

paoo = Y.
Aqui tomamos, para turbinas Y. pa = Y~ 1 1, embora para máquinas
_.
muito rápidas deveremos posteriormente levar em consideração (ver a
Seç. 5.42) a separação das pás de alguma maneira. Para bombas, de
acordo com a Seç. 2.44, tomamos
y
~áro = YP,(l + p) = - (I + p) com p = 1/J'ri/zS.
~h

Para turbinas hidráulicas o ângulo {3 2 = 90°, que dá os mais


curtos canais, somente é possível no ponto i2 , quando se quiser evitar
aí ângulos obtusos, que são desejáveis. Desta maneira, o diâmetro D2 i
fica determinado (Fig. 4.23). Ao longo da aresta de pressão inclinada,
o ângulo /3 2 diminui de i 2 para a2 , de acordo com a Eq. (4.31a). Na
maioria dos casos é aconselhável tomar o ângulo em i 2 um pouco
menor do que 90'. Com relação a limitações do rotor, deve-se, ainda,
levar em consideração, em turbinas rápidas, o seguinte:
A regulação das turbinas hidráulicas com admissão total é feita,
como se pode depreender das Figs. 1.3 ou 5.23, através do giro de
suas aletas. Para se evitar uma colocação inclinada das aletas (ver
[IV, 30, Fig. 1.2.23]), é conveniente que as paredes laterais do anel
diretor se situem em planos paralelos entre si e perpendiculares ao
eixo de rotação. Como, porém, para as elevadas rotações específicas
consideradas, D za ;;:; D la' isto resulta em uma curvatura muito violenta
das paredes externas, no ponto a2 , para passar da direção radial
à axial. Com isto ocorre, por um lado, que as arestas de pressão
das pás passam a se situar em uma zona de violenta curvatura das
linhas de corrente (Fig. 4.23) e, por outro lado, ocorre forçosamente
um estreitamento da seção do fluxo na altura do diâmetro D• (que,
na Fig. 4.23, coincide com D 2 ,, pois a2 está no final da curvatura),
após o qual aparece, então, um alargamento (Fig. 2.55). O ângulo
de alargamento Q/2 não deve ultrapassar 15'; valor este, entretanto,
que somente pode aparecer em rotares rápidos com ~. > 70. O
ângulo de estreitamento deve ser mantido o menor possível. O diâ-
metro D 2 , é escolhido, devido a razões de espaço e custo, tão pe-
queno quanto o diâmetro D 1 ,, definido pelo coeficiente de saída e2
(ver a Tab. 3, na Seç. 3.5) permita.
Nas bombas a necessidade do posicionamento inclinado da aresta
de pressão não pode ser reconhecida de maneira tão simples, pois
são sempre usados pequenos valores para o ângulo /3 2 , variando entre
os limites amplos de 15 a 45' (excepcionalmente, até 90'). Neste caso,
fica-se, também, mais livre na escolha da forma das paredes do que
em turbinas, pois não são usadas sistemas de aletas móveis (Figs. 4.24
ou 5.14) e somente são usados como sistema diretor a caixa espiral
ou o anel diretor. Assim, as paredes do rotor podem também termi- 4c
nar externamente em posição semi-axial, não causando isto nenhum
estreitamento no meio do rotor. O ângulo de alargamento citado
no caso de turbinas ó é sempre nulo, e a seção do fluxo vai sem
nenhum estreitamento da entrada até a saída da mjlquina.
Fig. 4.24. Rotor de bomba rápida
Além do que foi dito, fixa-se a posição das arestas das pás de (pás semi-axial)
acordo com os seguintes critérios:
1. A linha de corrente externa a 1 a2 não pode ser muito curta
em comparàção com as linhas de corrente internas i 1 i2 .
2. Os ângulos entre a superfície das pás e a parede lateral, que,
de acordo com a Seç. 4.44, podem· ser vistos no corte axial, devem
ser o mais íngremes possível.
134 O PROJETO DO ROTOR CAP. 4

Tendo sido completado o projeto preliminar em corte longi-


tudinal, já com as arestas das pás de bombas ou de turbinas, de
acordo com os critérios dados, deve-se em seguida desenhar a ima-
gem do fluxo de acordo com o que foi visto na Seç. 4.4 com refe-
rência à Fig. 4.17. Deve-se observar que a aresta de pressão situa-se
na região de curvatura das linhas de corrente e, por isso, c2 m é maior
em a2 do que em i 2 • Para um fluido ideal isto deveria acontecer, sob
condições determinadas' através da determinação da imagem do fluxo
potencial de acordo com as regras dadas em [III, 1]. Neste caso,
ocorrem consideráveis diferenças de velocidade ao longo da aresta de
pressão, que são, entretanto, muito improváveis. Como desta forma
é necessário muito tempo para a determinação da imagem do fluxo
potencial, é conveniente proceder-se, alternativamente, com processos
aproximados mais simples.
Um destes processos consiste em admitir, ao longo das linhas
normais individuais na região da aresta de sucção, velocidades iguais
e, ao longo das arestas de pressão, uma distribuição de velocidades
conveniente para a curvatura existente e desenhar, então, as linhas de
corrente correspondentes. Uma fórmula conveniente para esta distri-
buição das velocidades longitudinais na região da aresta de pressão,
de acordo com [III, 1, 5.' ed., págs. 53 e 270, e 4.' ed., págs. 51 e 254],
é dada por

ln c,m
c3mi
=L[!:'..(º'ºa - 1) + 1] .
Jl(}i 21
(4.32)
L

"
L

Utilizaremos esta equação diretamente sobre a forma da aresta


de pressão, tratando esta como linha normal, o que, em geral, ela não
é. Correspondentemente, na Eq. (4.32) designam
c 3 mi• c 3m as velocidades longitudinais em i2 e a uma distância (me-
dida na aresta de pressão) y de i 2 , respectivamente (Fig. 4.24),
º" Q, os raios de curvatura no corte longitudinal das paredes
laterais em i2 e em a2 ,
y o segmento desenvolvido da aresta de pressão entre i 2 e o
ponto sendo considerado,
o comprimento desenvolvido da aresta de pressão i2 a 2 ,
!l ~ 3 até 5, um coeficiente de correção, que representa a
diferença que ocorre no cálculo devida ao fato de que,
devido a acumulações da camada limite e ao espaçamento
finito das pás, o fluxo longitudinal perde quase que total-
mente o caráter de um fluxo potencial simétrico em relação
ao eixo.

Com y = I, a Eq. (4.32) dá, para a relação das velocidades longi-


tudinais nas paredes laterais

(4.33)

Toma-se então a relação c3 m/c 3 mi =v, da Eq. (4.32) como curva


de distribuição na aresta de pressão desenvolvida (Figs. 5.15 ou 5.26/3).
Deve-se, em seguida, subdividir a aresta de pressão de maneira que
o produto !l.b 2 r2 v seja igual para cada uma das partes. Aí, v deve ser
1
Ver a nota de rodapé 1, pág. 125.
4.5 ROTORES DE ALTA VELOCIDADE 135

retirada da curva de distribuição para o valor y que está disponível


no centro do círculo inscrito. A distância do centro deste círculo ao
eixo é r2 • Como .JÍ' = L(2nr 2 Llb 2 c 3 rn 1v), o valor de c 3m1 pode ser
obtido de

c3 mi = 2nLr 2!l.b 2 V' (4.34)

onde a velocidade c3m= vc 3 rn 1 é dada em qualquer lugar da aresta


de pressão. Deseja-se, em seguida, as linhas de corrente, de maneira
que elas cheguem a uma distância conveniente da aresta de pressão,
suavemente à imagem simples da corrente, que resulta para cm cons-
tante ao longo de cada linha normal. Como esta alteração somente
ocorre nas arestas de entrada e de saída, apenas é necessário ajustar
um pouco, sendo suficiente uma imagem total contínua. Agora já se
pode calcular os ângulos das pás /3 1 da maneira descrita na Seç. 4.4,
ou seja, pela Eq. (4.22). Os ângulos /3 2 , que naturalmente, devem ser
medidos nas superfícies de fluxo correspondentes, podem ser cal-
culados, para um ponto genérico da aresta de pressão das pás com
o raio r 2 , pela Eq. (4.31a).
A variação de /3 2 , c 3 m e r2 ao longo da aresta de pressão resulta em
planos de velocidades correspondentes diferentes (Figs. 5.17 ou 5.26/1).
O coeficiente de potência mínima da Eq. (2.22), que é importante
para bombas

p=--'
1/1' r' (4.35)
zS

é, em geral, diferente para cada linha de corrente, pois tanto r2 como


S variam. As diferenças existentes devem ser consideradas o mais
exatamente possível no cálculo de /3 2 , conforme será mostrado no
exemplo numérico (ver a Seç. 5.3).
Também no caso de turbinas rápidas é comum fazer-se uma
ampliação do ângulo, sobre cuja fixação serão dadas maiores infor-
mações na Seç. 5.4.
Neste caso, se os ângulos /3 2 forem calculados para as linhas de
corrente consideradas, poderão ser desenhadas as projeções hori-
zontais das linhas de corrente da mesma maneira descrita na Seç. 4.4
para os rotares de média velocidade. Para máquinas de rapidez ex-
trema, conforme já foi dito, a máquina é construída sem coroa externa,
pois seu efeito de atrito é tão grande que não compensa a redução da
perda no labirinto que seria obtida se houvesse a coroa externa e,
além disto, as velocidades absolutas, que agora determinam o atrito
nas paredes externas são menores do que as velocidades relativas que
existiriam com sua existência.
Até agora tratamos das formas de projeto dos rotares radiais,
que são caracterizados pelo fato .de que a boca de sucção pode ser
ligada a um tubo de sucção fechado para a condução da água para a
máquina e desta. Seria razoável continuar, agora, com o tratamento
das formas de pás correspondentes para rotares axiais, que foram
máquina e desta. Seria razoável continuar agora com o tratamento
rotares axiais, será necessário recorrermos a métodos de cálculo um
pouco diferentes, seu tratamento será feito, em conjunto, mais tarde,
no Cap. 9.
Exemplos de Execução de Rotores

Neste capítulo serão aplicados, a casos práticos, os processos


de cálculo deduzidos e, nestas oportunidades, serão tratadas parti-
cularidades que aparecem nos vários tipos individuais de máquinas
de fluxo.

5.1 Bomba centrífuga com pás radiais simplesmente curvadas


Já verificamos nas Seçs. 2.7 e 3.5 que, para bombas radiais
hidráulicas devem ser usadas pás curvadas para trás com ângulos
{3 2 < 45".
Exemplo de cálculo. Deve ser calculado o rotor de uma bomba
para ,Ti = 16 ljs = 0,016 m 3 /s, H = 96 m com g = 9,81 mjs 2 , n = 1.450
rpm = 24,2 rps (w = 2nn = 152/s) (ver também as Figs. 5.1 a 5.4).
De acordo com a Eq. (1.1) vem

Y= gH = 9,81 · 96 = 942 m 2 js2

Como n, = 333n .jV/Y"4 = 333 · 24,2 ,)0,016/942 3 ' 4 = 5,98 está


muito abaixo dos valores que podem ser executados em máquinas
de um estágio e, ainda, como não é usual adotar admissão parcial em
bombas, deve-se tomar vários estágios. Adotando-se um rotor com
n, = 20, obtém-se o número de estágios i de

i 314 . 5,98 = 20,

20 )4/3
i = ( 5,98 = 4,99 "" 5,
I
!
e, assim, o trabalho específico por estágio é
y 942
LiY =i= S = 188,4 m 2 js 2
O cálculo seguinte segue muito de perto o que foi apresentado na
Seç. 4.2, sendo que, ao final do exemplo, será também calculada a
altura máxima de sucção. ·
O fluxo acionado calculado é V'= 1,05 · 0,016 = 0,0168 m 3 /s.
5.1 BOMBA CENTRIFUGA COM PAS RADIAIS 137

9Aietas

7PÓs

·Pás circulares
pôs calculadas ponto a ponto A de 2 arcos de circunferência
D trajetória linear de w 8/inha de esqueleto com 2 arcos
E trajetória linear de f3 de circunferência com entrada sem efeito
(linha de esqueleto) C linha deesqueleto de I arco de
circunferência

Fig. 5.1. Corte Fig. 5.2. Parte superior; pás circulares; parte inferior; pás
longitudinal calculadas ponto a ponto para trajetória linear de w e para trajetória
linear de {3; sendo esta última mostrada em traço-ponto

tr
50 1011"
z;o m''

mfs
10 zrr 10 l '~~"1
t 16"'
~
O ,e. 600
t:
~
~12° ~
"" 100
~ ao
?'
."'- 10
"' 200
20 "

fO
;;,' 2

o oo
•o
"~ 00
7J=40ôm r-.. !,i=qtzsm

Fig. 5.3. Diagrama das pás calculadas ponto a ponto


linha contínua - trajetória linear de w; traço-ponto - tra-
jetória linear de f3
Figs. 5.1 a 5.3. Rotor do exemplo de cálculo da Seç. 5.1

5.11 Aresta de sucção


Com Q = 1.000 kgjm3 e admitindo-se um rendimento ry = O, 7, vem
a potência no eixo

P = eVY = 1000.60716.942 = 21600 W = 21,6 kW.


ry '

..J
.,..-
i

i 138 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTORES CAP. 5


!

Assim, de acordo com a Eq. (4.2), e com c= 16, resulta o diâmetro


do eixo d = 4,0 cm, que será aumentado para 42 mm devido ao enfra-
quecimento pelas ranhuras das chavetas. Isto determina o diâmetro
do cubo de 52 mm. A bomba deverá ter uma boa capacidade de
sucção e, por isso, escolhe-se {3 0 = 14°. Se, ao contrário, o critério
de escolha fosse o rendimento, deveria ser escolhido um ângulo maior,
de cerca de 17', o que foi rapidamente discutido logo após a Eq. (3.13a).
Agora, calculamos o diâmetro de sucção D, através a Eq. (4.3),
onde, devido ao ângulo a 0 = 90', o coeficiente de vórtice o, deve ser
012JII-5678m.js tomado igual a 1. O fator k, que representa o estreitamento da seção
devido ao cubo, será inicialmente estimado como k = 0,8. Um teste
posterior resultará em k = 0,789. Vem
A A3 Az
I~ jJ, 4. 0,0168
c1
B
aJ_\- - t CJ - ---
Cz ;,•~
~- ~', ~~
_i
D, n 2 · 0,8 · 1 · 24,2 · tg 14'
0,113 m.
f "'I
I c, ~J., c,
Desta maneira, a Eq. (4.3a) dú c,= 2,13 m(s.
"'" "zu
"z Escolhemos o diâmetro D 1 um pouco maior que D,, tomando
D1 = 120 mm. Com c0 m = c 0 = cs = 2,13 mfs vem, de acordo com a
Fig. 5.4. Plano de velocidades Eq. (4.4), a largura do rotor

0,0168
b 1 = n. :-rJ3 = 0,0209 m ""21 mm.
0' 12 '

Como, ainda mais, u 1 = wD 1(2 = 9,1 m(s pode-se, após estimar o


coeficiente de estreitamento t 1 /(t 1 - cr 1), calcular o ângulo {3 1 pela
Eq. (4.8) e, em seguida, corrigir o coeficiente de estreitamento. To-
11
mando = 1 25 obtemos
tl - (]' 1 '

tg{J, =
2
.;~; 1,25 = 0,292,

{3, = 16,2'.

Com k, = 6, escolhendo {3 2 = 26' e adotando provisoriamente D2 = 2D 1 ,


a Eq. (4.9) dá o número de pás z = 6,5. Tomando, então, z = 7, e,
portanto, t 1 = n · 120/7 = 53,8 mm, e s 1 = s2 = 3 mm, o valor estimado
de 1,25 para o coeficiente de estreitamento fica verificado. O valor
calculado de {3 1 dá um ângulo relativo do fluxo na entrada {3 0 = 13,1 '.
Como este valor é menor que o ângulo escolhido {3 0 = 14', fica justi-
ficado o fato de D 1 ter sido tomado maior que D,.

5.12 Aresta de pressão


O rendimento da bomba foi estimado em 70%. Separando-se as
perdas no labirinto, as perdas por atrito no rotor e nos mancais',
pode-se esperar um rendimento das pás ~. de 83%- Com isto vem
!>Y0 , = 188,4/0,83 =227 m 2 /s 2 • Como é sempre necessário, em bom-
bas, levar em consideração a potência mínima devido à separação das
pás, deve-se recorrer aos resultados da Seç. 2.44. A estimativa preli-
minar de r,(r 1 =2 resulta, de acordo com a Eq. (2.29), em p=8(3·rf/(z
e com r/1' = 0,85, p = 0,324, portanto r;,,"'= 1,324 · 227 = 300 m 2 /s 2
Ainda mais, de acordo com a Eq. (4.10), quando se toma para um tal

1
O que é usualmente feito por estimativa. O cálculo exato pode ser feito pela Eq.
(1.27). Ver também as Figs. 2.49 e 2.49a. ·
5.1 BOMBA CENTRIFUGA COM PAS RADIAIS 139

rotor lento, ao contrário do que ocorre em todos os outros tipos de


rotares, c 2111 um pouco menor que c 0 , ou seja, especificamente c 2m=
= 0,9 c0 = 0,9 · 2,13 = 1,92 mjs, vem

+ /( 2 ::~ 6 J + 300
1
u, =
2 ;:; 6" = 19,4 mjs.

2u 2 · 19.4
D2 = w 2
= -
152 = 0,256 m = 256 mm.

Como assim r2 /r 1 > 2, pode-se manter o resultado de acordo com


a observação feita após a Eq. (2.29).
O coeficiente de estreitamento, com t 2 = 256n/7 = 115 mm, a 2 =
= 3/sen fl 2 = 3/0,4384 = 6,85 mm, t,!(t 2 - a 2 ) = 115/108,2 = 1,06, dá

b' = 0,0168 ·1,06 = 00115 115


O n · ,256 · 1
, 29 , m=,mm.

O rotor está mostrado nas Figs. 5.1 e 5.2. Acima do eixo hori-
zontal estão representadas pás circulares calculadas de acordo com o
processo dado na Seç. 4.31 e, abaixo do eixo, estão mostradas pás
calculadas ponto a ponto, de acordo com o processo dado na Seç. 4.32.
Para ambas as pás foi usado o mesmo corte longitudinal, que
resulta de uma variação linear da velocidade longitudinal

(5.1)

entre os valores limites dados c0 e c 3m= c 2 m(t 2 - (J 2 )/t 2 , em função de r.


As pás circulares, de acordo com o que foi visto na Seç. 4.31,
foram desenhadas de maneira que a circunferência de entrada em
E 1 foi traçada com um raio maior em 20% que o raio da circunfe-
rência aproximante da espiral de Arquimedes teria ao chegar em E
(a circunferência geradora tem d 1 = D 1 sen /l 1 = 3,15 mm). O ponto
de transição para a segunda circunferência fica aproximadamente no
início do canal propriamente dito. Para comparação, foram também
desenhadas duas outras formas de pás com linhas médias B e C.
Destas, C foi desenhada, de acordo com a nota de rodapé\ como um
único arco de circunferência e B como a circunrerência aproximante
da espiral de Arquimedes em torno de E. Como poderia ser espe-
rado, a pá C é bem mais curta e a pá B é bem mais comprida que
a pá A. De acordo com as mais recentes pesquisas, a pá C dá o
melhor rendimento.

1
Da Eq. (4.14) obtém-se o raio !! = li 1,2 mm. Pode-se também usar a seguinte
solução gràfica (Fig. 5.5): inicialmente marca·se o ângulo /f 1 + {J 2 cm O no raio arbi·
trúrio OG. Em seguida, traça-se uma reta GK através do ponto de interscção K do lado
livre deste ângulo com a circunferência de entrada até o segundo ponto de interseção B.
Traça-se então a perpendicular no meio do segmento GB, cuja interscção com o lado
livre GO do ângulo p2 traçado de G dá o centro procurado M.
A mesma construção vale também nos casos de curV<Jtura para a frente e de admissão
axial, independente de se os pontos B c K trocam de posição c o ponto M cai, portanto,
do outro lado de GB.
A prova de que esta construção cstÍI correta segue de que fJ 1 + /1 2 + tp = ~ OKB = Fig. 5.5. Pás circulares formadas por um
= ~ OBK, {1 3 + tp. = -J:.: MGB = ~ MRG e, portanto, por subtração fJ 1 = 1: ORK- único arco de circunferência
- .;: MIIC ~ .;: OBM.
140 EXEMPLOS DE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5

As pás ca/cÚ/adas ponto a ponto tipo D são (de acordo com a


Fig. 5.3) determinadas a partir de uma trajetória linear de w(r) e a I
forma de f3 é determinada pela Eq. (4.21) com s = 3 mm. Os valores
inicial e final de w são r

w, =~=
cos/3 1
9,1
cos
162'
'
=
94
, 8 mjs,
I
ti

w2 =
c,m = ~
--/3-
sen
1,92 = 4,38
sen
2
m/ s. I
O cálculo do ângulo polar <p (r) é feito usando uma tabela com a
organização mostrada em seguida [Eq. (4.17)]:

!1f~ cpo =
r b (cm)ncuo w P da B~
!J.r
'L/1f
Eq. (4.21) 1/r tgfi z(B,+B,_,) 180 'L l1f

m-.1
m mm m/s m/s mm graus graus

0,060 21,0 2,13 9,48 53,8 16,2 57,3 0,000 0,000 0,0
0,070 18,4 2,075 8,73 62,8 16,6 47,9 0,526 0,526 30,0
0,080 16,5 2,031 7,98 71,8 17,2 40,3 0,441 0,967 55,5
0,090 15,0 1,986 7,23 80,8 18,2 33,8 0,3705 1,3375 76,6
0,100 13,7 . 1,941 6,48 89,7 19,5 28,2 0,310 1,6475 94,3
0,110 12,7 1,896 5,75 98,7 21,2 23,4 0,258 1,9055 109,0
0,120 12,0 1,851 4,98 107,7 23,6 19,1 0,2125 2,118 121,0
0,128 11,5 1,810 4,38 114,9 26,0 16,0 0,1405 2,2585 129,1

Os valores correspondentes de r e de <p dão a forma de pá completa-


mente desenhada na metade inferior da Fig. 5.2. Para fins de compa-
ração, foi feito também o cálculo das pás com base em uma variação
linear de f3 (Fig. 5.3 - linha f3 desenhada em traço-ponto, para a qual
não· são necessárias as colunas b, (cm)nctto' w e t). Vê-se que esta pá
é mais curta que a obtida considerando-se a variação linear de w. Ela
é, provavelmente, também mais conveniente.
A variação das grandezas que aparecem na tabela é mostrada
na Fig. 5.3, onde as irregularidades indicam eventuais erros de conta.
Os triângulos de velocidade para as arestas de sucção e de
pressão podem ser vistos na Fig. 5.4.

5.13 Observações complementares

As curvas w das pás formadas por um umco arco de circunfe-


rência, que, de acordo com pesquisas recentes, representam uma so-
lução muito conveniente, foram determinadas de trás para a frente
a partir da Eq. (4.21), sendo que a variação de f3 foi calculada, analo-
gamente, usando a Eq. (4.14), ou seja, com r ao invés de r 2 e com f3
ao invés de /3 2 • As linhas obtidas foram também desenhadas na
Fig. 5.6 com traço-ponto para comparação (linhas f3 1q e w1c1). Se estas
forem tomadas por base, o segundo processo dará exatamente as pás
circulares. A forma das pás circulares constituídas de mais de um
arco de circunferência A e B dá, da mesma maneira, as linhas também
incluídas na Fig. 5.6 wtAt' w181 e, respectivamente, f3tAt e /3 181 , que
mostram inflexões agudas nos pontos de transição entre os diferentes
arcos de circunferência. '
O atrito no rotor dos retores· individuais, com e= 1000 kgjm 3 e
Re = 2,48 · 106 , dá, de acordo com a Eq. (7.19),
5.2 COMPRESSOR RADIAL DE UM ESTAGIO 141

P = 6,88 · w-• · 1 ooo · 19,4' · 0,256' = 330 w. I ...!-· ~.

'
Portanto, o atrito no rotor total dos cinco rotares dá 5 · 330/21600 =
38
:-/'i;,flrr"" --- -~
v 0.

W'0
= 0,077 = 7,7% da potência total no eixo. Este valor muito elevado
é devido à forma de rotor lento adotada. j"
Tomando-se o coeficiente de sucção s. = 0,41, pode-se calcular, fi'" I
de acordo com a Eq. (3.20), a energia de segurança à cavitação mIs
15
~y = (24,2,10,016/0,41) 4 ' 3 = 14,6 m /s
2 2
Este valor muito baixo é de- '' :0(8Üi
vido ao valor também pequeno de n,IV. Se a pressão no nível d'água 8' ~"w'
13

de jusante for pA = 960 mbar = 96000 N/m 2 , a temperatura da água


8 ~
8 ti;;,. ' , 7llj8j
for t = 20'C (pT = 0,0234 bar= 2340 N/m 2 ) e a perda no tubo de . ""
7W'~+--
sucção for z, = 4 m 2 /s 2 , a altura máxima de sucção, de acordo com ' . l' (Cm)ne
I
_[
a Eq. (3.6), dá: 'o <l'o ~

l r,-40$m. '
(es)m;,, = ,1 (93OOO
660 - 4 - 14,6) = 7,65 m.
9 81 1 Fig. 5.6. Variação de lt' e de p
para as pús circulares A, B e C da
Fig. 5.2. Observe as inflexões nos
5.2 Compressor radial de um estágio pontos de transição
De acordo com a Seç. 2.7, em compressores as pás são colocadas
algo mais inclinadas que em bombas hidráulicas. O ângulo {3 2 é
igual ou maior do que 50'. Da mesma forma, de acordo com as
Seçs. 3.4 e 3.5, também {3 0 ,, ou seja, o coeficiente de entrada e também
é bastante maior, sendo cerca do dobro do valor usado em bombas
hidráulicas. No restante, o método de cálculo é essencialmente o
mesmo que no caso destas últimas.
Exemplo de cálculo. Deve ser calculado o rotor de um com-
pressor radial de um estágio que deverá ser moniado na extremidade
livre de um eixo e aspirar ar da atmosfera, para um fluxo volumétrico
de 5,8 m 3/s, medido nas condições de sucção e uma pressão de acio-
namento de 2 200 mm WS = 21.600 N/m 2 O acionamento será feito
por um motor elétrico. A rotação do rotor do compressor será previ-
sivelmente superior à rotação nominal do motor, de maneira que
será necessária a inclusão de uma caixa de engrenagens entre ambos.
Desta forma, pode-se escolher à vontade a rotação do compressor.
A pressão atmosférica é de Pa = 1,01 bar= 1,01 · 10 5 N/m 2 a uma
temperatura ambiente de t = 28'C.
Devido à perda de pressão na canalização de sucção, estimada
em 1% do valor absoluto, e também devido à perda adicional no
labirinto, estimada em 1,5 %, o fluxo acionador que deve ser consi-
derado na entrada para o cálculo do rotor é de

V.,s = 1,015
O 99 . 58
, = s,95 m'I s.
'
Mas ainda, vem:
Pressão na extremidade de sucção: Ps = Pa · 0,99 = 1,01· 10 5 · 0,99 .=
= 1,00 · 10 5 N/m 2 •
Pressão na extremidade de pressão: pJJ = p,. + 21 60"' = 1,226·105 N/m 2
Temperatura na extremidade de sucção: T, = 273 + 23 = 296 K.
Para se evitar rotações muito elevadas, escolhemos uma relação
de raie;-· r2 /r 1 = 2, e determinamos a rotação correspondente 1 . Se
PcJer~se~ia, naturalmente, também prescrever uma rotação específica n conve-
niente (como foi descrito nas Seçs. 4.2 e 5.1) e, a partir desta, calcular a rotação ~1, o diâ~
metro da bora de sucção Ds e as outras medidas do rotor. Entretanto, aqui será ainda
mostrado q ·~ é possível tomar ainda uma outra seqüência de cálculo.
142 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTDRES CAP. 5

tomarmos c5 =Cv na Eq_. (1.5), resultará Y = YP = J:;,, e, portanto, de


acordo com a Eq. (1.12), c,= 1006 Nm/kg K

y = 1006. 296 [ C;~g;r''·


4

_ J
1 = 17800 mw.

O trabalho específico interno é escolhido neste exemplo de maneira


que a compressibilidade exista na realidade, mas que possa ser despre-
zada, já que não é necessária uma precisão de cálculo muito elevada
(ver págs .. 145/147).

5.21 Cálculo desprezando a compressibilidade no rotor


Com ~" = 0,84 vem Y., = Y/~, = 21200m2 /s 2 Em c,= eflY
escolhe-se e no caso de fluido gasoso, próximo do limite superior dos
valores dados na Eq. (3.56), tomando-se especificamente e = 0,25,
ficando, portanto c,= 47,3 m/s. Devido aos mancais deslizantes po-
de-se tomar d, ~O, com o que, de acordo com a Eq. (4.3a), vem
D,=0,400 m, e, portanto, D 1 ~D,+30=430 mm. Como a rotação
é desconhecida, deve-se, agora, calcular a velocidade tangencial u2 •
Tomando, como já foi dito,: um rotor do tipo lento, com r2 /r 1 = 2,
vem D 2 = 2D 1 = 860 mm. Além disto, seja fJ 2 =50' e, de acordo com
a Eq. (2.24), o coeficiente de potência mínima seja •f/ ~ 1,1. Admi-
tindo, por enquanto, que o número de pás é 20, vem, de acordo
com a Eq. (2.29), o coeficiente de potência mínima p = 0,147 e y;,,oo =
= 24300 m 2 /s 2 Também, de acordo com a Eq. (4.10), admitindo-se
c2m= c0 = 47,3 m/s, vem u2 = 177,7 mjs, donde 177,7 m/s, donde
n = u2 jnD 2 = 65,5 rps = 3930 rpm*, u 1 = u2 /2 = 88,9 mjs. Admitindo-se
também que t 1 (t 1 -a 1 )= 1,045, e, portanto c 1 =1045·47,3=49,5 mjs,
vem tg fJ 1 = c 1/u 1 = 0,556, fJ 1 = 29'6'.
A verificação do número de pás pela Eq. (4.9) dá k, = 10,45. Este
valor é muito alto, pois, de acordo com a Seç. 4.21, k, deve estar
entre 6.5 e 8 para compressores. Considerando, entretanto, que no
caso presente as pás serão construídas de chapas finas, admitiremos
o valor k, = 10,45 como ainda aceitável.
Verificação do estreitamento de entrada: Sejam as pás feitas de
chapa com uma espessura de 1,5 mm. Como t 1 = n · 430/20 = 67,5 mm,
a 1 = s,fsen fJ 1 = 3,1 mm, então, vem t 1/(t 1 - a 1 ) = 1,047.
As larguras do rotor são, na entrada, de acordo com a Eq. (4.4),
b 1 = 0,093 m = 93 mm, e, na saída, como D 2 = 2D 1 , c0 m- c2m e como
(t 2 - 2)/! 2 será considerado como aproximadamente igual a 1, vem
b2 = b 1/2 = 46,5 mm. Por razões construtivas, o limite lateral do
rotor é tomado reto.
A pá é desenhada ponto a ponto na Fig. 5.8, como a linha AB,
baseando-se em uma forma linear da variação de w, onde w 1 =
= c,jsenfJ 1 = 102,0 mjs, w2 = c 2 mfsen fJ 1 = 61,9 m/s. Para comparação,
é também mostrada a forma AC que resulta quando se toma por
base uma variação linear de {i, de acordo com a Fig. 5.8a. A forma

* É con\"eniente neste ponto verificar a proximidade da velocidade do som. De


acordo com a Seç. 3.4, calcula-se n JVfka 3 com os valores aqui disponíveis de n e
de V, com a = 347 m/s e com k ~ I, resultando o valor 0,0238. Este valor é muito
pequeno, pois, de acordo com a Fig. 3.13, pode·se admitir coeficietítes de som da ordem
de O, 14. Portanto, não existe perigo de proximidade da velocidade do som, embora seja
necessário considerar que o valor de Sq = 0,14 somente pode ser alcançado quando se
usa um ângulo Poa ótimo e que a forma de rotor adotada no presente caso é bastante
desfavorável, já que a aresta de S'bcção está a um diâmetro maior que D.,.
5.2 COMPRESSOR RADIAL DE UM ESTAGIO 143

de pá AB diferencia-se da forma AC por ser mais curta e, pouco


antes da saída, possui um ponto de transição.

Fig. 5.7. Corte longitudinal Fig. 5.8. Forma das pás

o
8 ~

t-- )!._ ~·~ 'd'


I'\
G -<:>

~ o• I
f11t I i Iti ±4
,/

'o~~
2 2
o (:; o 50 100 150 ?(}() 250 mm 350
-.J

Fig. 5.8a. Gráfico para cál- Fig. 5.8b. Desenvolvimento


culo ponto a ponto das pás
Figs. 5. 7 - 5.8b. Rotor de um compressor de um estágio com pás de chapa
rebitada, de acordo com a Seç. 5.2

Para a construção do compressor do exemplo, escolhemos a


forma AC, pois esta dá o melhor rendimento. Para AC é dado em
seguida o cálculo por tabela. Na Fig. 5.8b é mostrada a superfície
desenvolvida de uma pá, cujo contorno superior EF é suavemente
abaulado, embora a geratriz da parede do rotor seja reta. Isto deve
ser levado em consideração na fabricação das pás.

Cálculo da pá da forma AC (de acordo com a Fig. 5.8)


(considerando uma variação linear de fJ na Fig. 5.8a)

N~ • 180
r p tgp B~ Y:.t:.f~<p (/1 = <p---:;;:
llr
1/r tgp T(B, + B,_,)
m graus m-' graus

0,215 29,1 0,556 8,45 o o o


0,23 30,5 0,589 7,39 0,1190 0,1190 6,81
0,25 32,5 0,636 6,29 0,1368 0,2558 14,65

0,41 48,1 1,116 2,19 0,0466 0,8644 49,5


0,43 50.0 1,193 1,95 0,0414 0,9058 51,9
144 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTOAES CAP. 5

5.22 Preparação construtiva


Se os discos do rotor forem construídos com as formas mostradas
nas Figs. 5.9a e b e 5.11, baseando-se em discos de mesma resistência
(ver Seç. 4.12), sendo fabricados em aço-liga (por exemplo aço-cromo-
níquel), pode-se admitir velocidades tangenciais da ordem de 350 m/s,
e maiores, mesmo que as pás sejam soldadas ou rebitadas. O trabalho
específico nas pás, atingível, neste caso, em um rotor, é de cerca de
70 000 m 2 /s 2 , ou seja, muito mais do que é admitido no presente
exemplo. Para velocidades tangenciais médias e pequenas, as paredes
laterais são recortadas de chapa de aço nas formas c, d e e, da Fig. 5.9,
sendo então usualmente soldadas no cubo, ou, no caso de paredes
laterais abertas, em um anel de reforço interno. Raramente, pode-se
encontrar paredes rebitadas. Para facilidade de fabricação, as pás
são normalmente feitas de chapa de aço de 1 a 2,5 mm de espessura,
sendo soldadas, ou caso se deseje rebitar, são dobradas em forma de
U ou de Z e fixadas nas paredes laterais por meio de rebites rebai-
xados (Figs. 5.10c e 5.10d)1 Para evitar o choque nas arestas, os
reviramentos nas bordas devem ser afilados tanto na entrada como
na saída das pás. Se as pás forem forjadas com maiores espessuras
de paredes, os rebites podem ser diretamente fresados em ambos os
lados das pás, ou ainda, podem ser cravados através de furos feitos
nas pás (Figs. 5.10a e 5.10b), onde no caso b podem ser feitos ainda
outros furos para redução das forças centrífugas. Ambas estas ma-
neiras de construção resultam em canais lisos sem reviramentos nas/
bordas, nem cabeças de rebites, mas os rotares ficam pesados, a não
ser que sejam usados metais leves. Pode-se evitar estas desvantagens
(inclusive o reviramento das bordas) soldando-se as pás nas paredes,
o que é sempre feito em ventiladores, podendo ser usado mesmo para
elavadas velocidades tangenciais 2

a h c d e

Fig. 5.9a - e. Formas construtivas de rotares radiais de compressores


a. Velocidade tangencial muito elevada; b. elevada; c. média i d. e. bclixa

a
III b c d

Fig. 5.1 Oa - d. Pás rebitadas


a. Pá maciça com pinos fresados; b. pá maciça com rebites atravessados: c. e d. pás
de chapa com perfis U e Z, respectivamente

1
K/uge, F.: Konstruktion 2 (1950) 270.
2
Ver Stroehlen, R.: \DI-Z. 98 (1956) 1074/5.
5.2 COMPRESSOR RADIAL DE UM ESTAGIO 145

Em ventiladores de alimentação de máquinas de combustão é


comum utilizar-se pás prensadas com a parede do cubo em uma só
peça de duralumínio, usadas então sem a parede de fechamento
(Figs. 5.9a e 5.11). Desta forma é possível atingir-se velocidades tan-
genciais bem mais elevadas, da ordem de 450 mjs, ou até maiores.
Como, neste caso, as pás são radiais, suas extremidades que saem
da entrada axial são, após a prensagem, curvadas na direção tan-
gencial para se obter uma entrada livre de· choque 1 • Apesar de esta
construção exigir que a mudança de direção nas pás seja feita em
um trecho mais curto, foram conseguidos excelentes resultados com
seu uso.

Fig. 5. I 1. Rotor para elevadas velocidades tangenciais, prensado de duraluminio e com


as extremidades de entrada curvadas posteriormente

Em qualquer caso é necessano verificar cuidadosamente a resis-


tência das pás às solicitações pelas forças centrífugas. No caso das
pás com bordas reviradas, como as mostradas nas Fígs. 5.10c e d,
deve-se também tomar cuidado com as solicitações de flexão no re-
bordo, que, na maioria dos casos, são maiores na entrada das pás
do que na circunferência externa.

5.23 Consideração da compressibilidade

Quando a relação de pressões atingível em um rotor é tão pe-


quena como no exemplo presente, não é necessário levar em conside-
ração obrigatoriamente a compressibilidade, já que desprezá-la pro-
voca (para {3 2 < 90') um aumento da potência realmente atingida pelo
rotor e, portanto, representa um aumento da segurança do cálculo.
Em seguida verificaremos seu efeito.
Na aresta de sucção existe uma queda de pressão, correspon-
dente à velocidade c 11 com relação ao gás em repouso, que, de acordo
com a Eq. (3.33), corresponde ao aumento relativo do fluxo volumé-
trico seguinte

(5.2)

1 A tua! mente, esta forma de rotor é ·muito usada em pequenas turbinas a gás e como

ventiladores de alimentação, sendo que, em casos especiais, chega-se até a relações de


pressão Pn/Ps da ordem de 3 (e mesmo 4).
146 EXEMPLOS DE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5

Nesta c = 49,5 m/s, a 1 .é a velocidade do som 1 = 20,2.JT: =


= 20,2.}296 = 347 mjs e ~ é o fluxo volumétrico na extremidade
de sucção, onde a velocidade do fluxo Cs será considerada desprezível.
Assim, o aumento relativo será

5 49
ú~ = _!_ • )' =o,0102 ,
2 ( 347

que, também, no presente caso é muito pequeno. Além disto, ela não
inclui o atrito nos duetos de entrada, que foram superficialmente tra-
tados na determinação de v~.
Na aresta de pressão dois efeitos agem em sentido contrário, a
saber, o aumento da pressão e a temperatura. O primeiro aumenta
a massa específica e o segundo tende a diminuí·la. De acordo com a
equação de estado geral, o fluxo volumétrico do lado de pressão do
rotor vale

(5.3)

onde o índice S se refere a um ponto de referência antes do rotor e o


índice 3 a um ponto imediatamente após o rotor. Nesta equação o
aumento real de temperatura l'.t 3 é causado pelo trabalho transmi-
tido no rotor menos o aumento de energia cinética, de maneira que 2

donde
Y jry - (c 32 - c 2 )/2
M 3 "' ' cp ·' (5.4)

com cP = 1 005 ... 1010 Nmjkg K do ar. Este aumento de tempe-


ratura está relacionado com as pressões pela equação

onde pode-se tomar (M,d) 3 = •T,M 3 . Substituindo estes valores na


Eq. (5.3), vem

1 + L'.t3/1.;
.V3 = .Vs ---,---""-""-,.-- (5.6)
(! + ~,M 3 /Ts)x~ 1

ou, para pequenos l'.t 3 (fs, onde o numerador, após desenvolvido em


série, pode ser subdividido com o segundo membro,

1 + L'.t3/T,;
V,= (5.7)

1
Admite-se aqui que 1'1 = T_,.
2
As equações seguintes são só aproximadamente corretas, pois não consideram o
conjunto das perdas intcrna.s para o cálculo de Ôlv Por isso, substilue·se, algumas vezes,
111 nestas equações por um v;~or um pouco meihor, ou seja, um pouco maior.
5.2 COMPRESSOR RADIAL DE UM ESTAGIO 147

Esta equação simplificada para 11t 3/Ts = 0,05 até 0,1 dá um erro entre
+ 0,7 e + 2,7'%, sendo, portanto, útil para uma extensa gama de casos.
No exemplo numérico (pág. 142) c'" = YP,fu 2 = 119,0 m/s. Se c8
for pequena, pode-se desprezar c,; na Eq. (5.4). Se, além disto,
c 5 ~c 0 =C 2 "', vem, na Eq. (5.4) c~-c~=C~ 11 =14100 m 2js 2. Se, ainda
mais, estimar-se ~, = 0,78, a Eq. (5.4) dará 11t 3 = 15,7 K e a Eq. (5.6)
dará V3 jV8 = 0,914 e, portanto, um aumento de volume de 8,6%.
Poder-se-ia reduzir a largura do rotor b 2 destes 8,6% ou encurtar
o diâmetro do rotor de um valor muito pequeno [pois deveria ser
usado na Eq. (4.10) o valor correspondentemente reduzido de c2 mJ.
Em geral, entretanto, o pequeno aumento na segurança de cálculo
devido à não consideração da compressibilidade é muito desejável.
Mesmo nas medidas do sistema diretor, seu efeito não é prejudicial,
pois sua largura deve sempre ser aumentada em relação ao valor de
cálculo por um fator estimado e usualmente grande (ver a Seç. 8.11).
Por estas razões não é necessário considerar a compressibilidade
em máquinas para ar, quando não for necessária uma extrema precisão
de cálculo, sempre que PniPs < 1,1 até 1,3 (Y < 10000 até 25 000 m 2 /s 2 ).
Dentro destes limites, desprezando-se a compressibilidade, o trabalho
das pás transmitido pelo rotor será entre 3 a 1O% maior que o
calculado.

5.24 Evolução do estado do fluido


Para fluidos gasosos é interessante seguir a evolução do estado do
fluido no diagrama de entropias (Fig. 5.12). O trabalho total trans-
mitido ao gás por kg, ou seja, o trabalho interno Y,, de acordo com
a Eq. (1.18) é igual à soma do trabalho das pás YP'' das perdas no
labirinto z,P e do atrito no rotor Z,, desde que se despreze as perdas
de transição za na circunferência externa do rotor, que, para fluxos
normais, é pequena. De acordo com a Eq. (1.19), então, o trabalho
interno é
(5.8)
Daí vem
v.z
Y.-..41!
p
=~'. (5.9)
pa V ' ' gV

Aqui o fluxo volumétrico deve ser referido às condições existentes na


saída do rotor, de maneira que V= 0,914 · 5,95 = 5,42 m 3 /s.
A vedação do fluxo do labirinto é feita em ambos os lados do
rotor (Fig. 5.7), sendo que a da direita é determinada pela compen-
sação do empuxo axial (Seç. 7.22). O fluxo no labirinto é conduzido, Fig. 5.! 2. Evolução de estado do fluido no
a partir do recinto entre a gaxeta da direita e a gaxeta do eixo, diagrama de entropia. No eixo das arde·
através de um cano, que não está visível na Fig. 5.7, para a extremi- nadascionais
estão as temperaturas que são propor-
ao trabalho específico Y
dade de sucção da máquina. Em cada uma das gaxetas do labirinto quando cP = const.
existem z = 3 anéis de material mole (metal leve ou liga de cobre).
O diâmetro da gaxetà é de D, ~ D 1 = 430 mm, a largura do labirinto,
de acordo com a Eq. (7.5) é s, = 0,6DJ1 000 + 0,1 ~ 0,35 mm. A dife-
rença de pressão tl.pi na vedação no raio ri;;;: r P de acordo com a
Eq. (7.10), está relacionada ao trabalho específico da pressão no labi-
rinto pela relação
148 EXEMPLOS DE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5

onde o termo negativo representa a influência do ar que gira à


velocidade wFl entre o rotor e a carcaça (ver a Seç. 7.21). De acordo
com a Eq. (2.40), vem

~~:) =
1
Y,;, "' y ( 1 - 17800 ( 1 - 2 /;7,1)
= 11840 m 2 /s 2

correspondendo a um grau de reação r = 11840/17 800 = 0,66. Admi-


tindo-se que wFl = 0,8w, onde w representa a velocidade angular do
rotor (ver Seç. 7.21), e que r 1 ~r,, resulta o valor !lp,/e = 4324 m 2/s 2 .
O fluxo de perda no labirinto para cada uma das gaxetas do labirinto,
de acordo com a Eq. (7.1), é

onde, de acordo com a Eq. (7.3) e com a= 1,0, vem Jl; = afJZ =
= 1,0/)3 = 0,577 e, portanto, V,P= 0,025 m 3 /s. Assim, a soma dos
fluxos de perdas em ambos os lados do labirinto é 0,050 m 3 js. Com
isto, de acordo com a Eq. (5.9), vem z,,=21200 · 0,059/5,42= 196 m 2 /s 2 •
Para calcular Z, substituímos na Eq. (5.9) o valor de P, obtido
na Eq. (7.19). Quando, considerando o que será visto na Seç. 7.32,
escolhemos nesta equação o fator 7,5 em lugar do fator 8, resulta,
com o número de Reynolds

R = u 2D 2/2 = 177,7 · 0,43 = 4 78 . 106


e v 16. 10- 6 ,

o valor 7,5(10 6/Re) 116 = 5,78 e, com isto, a perda por atrito no rotor
•I

Z'
= 5,78u~D~ · w-• = 5,78 · 177,7 3 · 0,86 2 · w-• = ,
443 m 1s · 2
V 5,42

Assim, de acordo com a Eq. (5.8), vem

Y, = 21200 + 196 + 443 = 21839 m 2/s 2 ,


y 17800
ry, = y = 21839 = 0,815 "'0,81.
'
Assim, o valor adotado ry, = 0,78 no cálculo da vanaçao de volume
tem uma boa margem de segurança para garantir a não consideração da
perda de transição z,. Para o valor ry 1 = 0,78 o trabalho específico ,
interno é Y, = 17 899/0,78 = 22 800 m 2 /s 2 e com isto, devido. ainda I

a que para o ar cP = 1006 Nm/kg K, o aumento real de temperatura


no ventilador será

t v - t 8 = 22 800/1 006 = 22, 7'K.

Na Fig. 5.12 a curva de estado está desenhada como uma politrópica


no diagrama h, s. Como cP;;:; const., as ordenadas também repre-
sentam temperaturas. O estado do fluido no labirinto é representado
pelo ponto A 2 •
Deve-se observar que, de acordo com este cálculo, as perdas no
labirinto representam somente 0,050/5,42 = 0,9 %. Apesar disto, o
valor adicional de 1,5% tomado para o fluxo acionador na pág. 142.
5.3 BOMBA CENTRIFUGA DE ALTA VELOCIDADE 149

é razoável, pois, deve-se prever que as larguras dos labirintos nas


máquinas construídas seguramente não serão exatamente iguais aos
valores projetados.

5.3 Bomba centrífuga de alta velocidade


(bomba helicoidal das Figs. 5.13 a 5.22)

O rotor rápido da bomba hidráulica (ver Seç. 4.5) distingue-se


do rotor rápido da turbina Francis, além do pequeno ângulo {3 2 ,
também no fato de uma mais livre condução da parede que, por isto,
quase sempre termina de maneira semi-axial na aresta de pressão,
enquanto que na turbina, em regra geral, é necessário haver uma
transição radial para o sistema diretor.
Exemplo de cálculo. Deve ser desenvolvido um rotor para um
fluxo acionador de V= 0,59 m 3 /s, uma altura de elevação de 14 ma
uma aceleração da gravidade g = 9,81 m/s2 (Y = 9,81 ·14 = 137 m 2 js 2 )
e uma rotação n = 970 rpm = 16,2 rps (w = 102/s).
A rotação especifica é n, = 333 · 16,2 · 0,59/137 314 = 103.
Inicialmente será verificado se esta bomba tão rápida pode ser
colocada, ainda, a uma altura suficientemente grande acima do ·nível
d'água de jusante. Na forma de rotor a esperar para este caso, são
usualmente tomadas pás duplamente curvadas, muito estendidas na
boca de sucção, o que, de acordo com a Seç. 3.2, resulta em coefi-
cientes de sucção muito elevados. Sq será, então, estimado em um
valor elevado, especificamente 0,65. Com este valor, pode-se calcular,
usando as Eqs. (3.20) e (3.6), a uma temperatura da água t = 20'C
e a uma pressão média ao nível do mar, o valor (es)m!ix. + Zsfg = 5,0 m,
o que pode ser considerado snficiente.

Fig. 5.13 Fig. 5.!4

O rotor deverá ser construído sem coroa externa (ver Fig. 5.14).
Na Seç. 7.13 será mostrado que praticamente não é possível calcular,
precisamente, a perda no labirinto de tais rotares. Embora em tais
150 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTORES CAP. 5

rotares sem coroa externa não ocorra o fluxo de perda do labirinto


tratado na Seç. 7.11, é necessário aqui, entretanto, devido à entrada
desordenada do fluxo nos canais das pás causada pelo labirinto, acres-
centar um adicional de 1,5% ao fluxo. Desta maneira, o fluxo de
cálculo do rotor será V'= 1,015 · 0,59 = 0,6 m 3 fs.
A Eq. (3.55) dá e= 0,3 · (1,03) 213 = 0,3. Assim, vem c,= e-JIY =o
= 4,98 m/s. Como o rotor deve ser construído saliente, tomando'sê
d, ~O, vem o diâmetro do tubo de sucção D, = 0,392 m, de acordo
com a Eq. (4.3a), sendo adotado então D, = 400 mm. A velocidade
corrigida no tubo de sucção será, então, c,= 4,78 mfs.
Admitindo-se um rendimento da bomba de 85%, encontra-se uma
potência no eixo de P = QV Y!~ = I 000 · 0,59 · 137/0,85 = 95000 W =
= 95 kW e, com r,dm= 210 kgf/cm 2, de acordo com a Eq. (4.2) resulta
um diâmetro do eixo de 6,1 cm, que será tomado então com 62 mm.
Correspondentemente, estimando-se um rendimento hidráulico
ry, = 0,88, vem YP, = 137/0,88 = 156 m 2/s 2 Consideraremos, inicial-
mente, agora, a linha média. Para esta, estimaremos inicialmente o
coeficiente de potência mínima p = 0,3, de maneira que ~áoo =
= 156 · 1,3 = 203 m 2/s 2. Escolhendo-se, agora, P2 = 28" e tomando
c2m~ c,~ 4,8 m/s, então a Eq. (4.10) dá u2 = 19,42 m/s e, correspon-
dentemente, D 2 = 0,383 m, e, portanto, D 2 /D, = 0,96. Calculamos
agora a largura do rotor medida ao longo da linha normal corres-
pondente com c 3m:;;: c2m

h2 = -D--
v· = 0,104 m.
1r 2c3m
·r
Com 1 os valores de D 2 , h2 e D, podemos desenvolver o corte do
rotor, de maneira que o valor médio da velocidade meridiana varie I
continuamente desde cs até c3 n,. Neste caso deve-se preferir uma dire- il
ção de saída semi-axial pois esta permite uma curvatura mais suave
das paredes, que pode ser então distribuída ao longo de toda a parede.
Devido à elevada rapidez da máquina, serão utilizados 4 fluxos
parciais de mesma vazão e a imagem do fluxo será, inicialmente, dese-
nhada sob a hipótese de velocidades meridianas constantes ao longo
das linhas normais individuais (que não são mostradas nas figuras).
Em seguida, inclui-se a forma da aresta de pressão no corte longi-
tudinal, considerando o diâmetro médio calculado acima D2 e, final-
mente, é incluída a aresta de sucção. A posição da aresta de pressão na
zona de curvatura, força um aumento de c3111 na direção de a2• Isto é
devido à direção de saída semi-axial, tão· pequena no presente caso,
que pode ser perfeitamente desprezada. Será, entretanto, determinado,
para que o exemplo da seqüência de cálculo fique completo. Na
Eq. (4.32), que devido a que º'
= co, se simplifica para

(5.10)
c;.:.
1
Deve· se agora verificar se e possível desenvolver uma caixa espiral conveniente
para os valores já obtidos. Como c3 u = Ypá/u 2 = 8,0 mjs, a Eq. (8.30) dá um raio do
corte da espiral (ou seja, para qJ = 360°), tomando·se ainda, devido à saída semi·axial,
r; ~ r 1 ~ 0,195, igual a Pmh= 0,218 me, correspondentemente, uma velocidade média
neste corte de c..,. = Vjnp~áx = 4,0 mjs, Esta velocidade deve ser considerada muito
pequena, já que é desejável obter cua ~ c5 e, portanto Pmáx = I/2pD 5 . Conclui·se, então,
que a rotação específica do caso presente situa-se no Jimile superior de possibilidade de
realização de uma caixa espiral. Para máquinas ainda tpais rápidas será necessário mudar
oara pás axiais na saída.
5.3 BOMBA CENTRIFUGA DE ALTA VELOCIDADE 151

é necessário que J1 = 3, ou seja, deve ser escolhido pequeno, de ma-


neira que as diferenças de velocidade apareçam claramente.

'1 Diagrama de
.H
•J.- 2 entrada
'~,,...._.,__._,_-L.T'­
~~---l
Desenvolvimento do aresta
saÍda

Fig. 5.15 fig. 5.16 Fig. 5.17

t2111098755fi.Jl1 fJrlH!tH875511JZ1 B "109 8 '1 5 'I J z1 tJ1if11(}987ô5'1Jl1 f1ff11J98755'iJ2f


a. a, é, ~ c, .; à, d, I, I,
Linho de fluxo a,-a3 Linha de fluxo b, -b, Linha de fluxo c, -c, Unha de fluxo d, - d~ Linha de fluxo t, ~ t,~
--- --- ---
Fig. 5.18 Fig. 5.19 Fig. 5.20 Fig. 5.21 Fig. 5.22
Figs. 5.13 a 5.22. Rotor dé uma bomba rotativa rápida da Seç. 5.3.
Projeto por meio de cálculo ponto a pOnto

Em a 2 o raio de curvatura muda instantaneamente de 140 mm


para 20 mm. Por isso, tomaremos o valor médio = J140 · 20 =º"
= 53 mm. Caso um dos raios dos quais se deve tirar a média for
infinito, pode-se usar o processo, mostrado na Seç. 5.42, de tirar a
média aritmética dos valores recíprocos. De acordo com a distri-
buição de c 3m assim obtida, e mostrada na Fig. 5.15, deve ser então
corrigida a imagem do fluxo na região da aresta de pressão. Final-
mente, pode ser fixada a forma da pá.
Para a determinação do número de pás de acordo com a
Eq. (4.25), e considerando, por enquanto, (t 1 -a 1 )/t 1 =0,8 na Eq. (4.22),
o ângulo {J 1 da linha média pode ser provisoriamente calculado, resul-
tando em 23,1 o e, com isto, como rm = 163 mm e e= 120 mm, o
número de pás será aproximadamente 8.
Agora podem ser fixados os ângulos das pás /3 1 e {3 2 . Um cálculo
usando as Eqs. (4.22) e (4.24a) dá para /3 1 os valores

na linha a b c d
I'
1 200 175 144,5 116 91 mm
/31 16,4 19,0 23,7 28,6 33,9 graus

A Fig. 5.16 mostra os planos de velocidades para a entrada.


O cálculo de {3 2 é mostrado na tabela adiante e a Fig. 5.17
mostra os planos de velocidades obtidos para as linhas externa e
interna.
152 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTORES CAP. 5

Cálculo de /3 2

tgp,
c,. _,_,_
p com
~áoo=
tz-Uz
c,. s r' u, "'' ~ 1,05 Y,,(1 + p)
Eq. P,
Eq. (4.35)' (4.31a)
mjs mjs m' m mjs mz;sz graus

a 6,00 1,10 1 6,60 0,0223 0,220 22,3 0,278 199 0,494 26,3
b 5,35 1,10 1 5,89 0,0225 0,207 21,0 0,256 196 0,504 26,8
c 4,85 1,10 5,33 0,0195 0,196 19,9 0,257 196 0,531 27,9
d 4,48 1,10 1 4,93 0,0172 0,187 19,0 0,272 198,5 0,576 29,9
4,35 1,10 2 4,79 0,0147 0,180 18,3 0,289 201 0,661 33,4

"'O número 1/1' é escolhido, considerando-se a Eq. (2.25), com o Yalor 1,05. Mais
ainda, ele é admitido igual para todas as linhas de fluxo,· apesar da variação de Pr
1
Aqui o valor incluído se refere à linha média.

A superfície das pás está desenvolvida nas Figs. 5.13 e 5.14,


de acordo com o método do cálculo ponto a ponto (processo da
Seç. 4.42). A aresta de saída está situada no plano axial. A superfície
representada é tratada como superfície anterior da pá.
Neste cálculo, ponto a ponto, partiu-se da variação de [J, que
pode ser tomada imediatamente como a linha reta que liga os valo-
res inicial e final já conhecidos em todas as figuras, desde 5.18 até
5.22. Para se obter uma forma radial aproximada da aresta de entrada
na projeção horizontal, Fig. 5.13, foi necessário curvar um pouco a
variação de fJ das linhas c e b para cima (para encurtar) e a da linha a
um pouco para baixo (para alongar). Isto pode ser conseguido através
de pequenos deslocamentos da aresta de entrada na projeção vertical.
No caso de diferenças muito grandes no comprimento das linhas,
é possível fazer-se uma compensação através da variação da incli-
nação da aresta de saída no corte longitudinal. Neste caso, entretanto,
variam também os ângulos de saída, que deverão, portanto, ser nova-
mente calculados.

5.4 Turbina Francis


5.41 Observações preliminares

As turbinas Francis. são mais rápidas que as turbinas Pelton, que


serão tratadas na próxima seção, e mais lentas que as turbinas Kaplan
(ver Seçs. 5.5 e 6.43). Elas trabalham no intervalo de n, = 21 até 120.
O desenvolvimento atualmente se dirige no sentido da utilização de
formas construtivas individuais para quedas cada vez maiores, espe-
cificamente, turbinas Kaplan 1 ultimamente até 80 m e turbinas
Francis 2 até 600 m e mais, enquanto que toma-se volumes de fluxo
cada vez maiores por máquina, sendo que o limite é fixado por consi-
derações de cavitação (ver Seç. 3.1). A razão para esta preferência de
formas construtivas cada vez mais rápidas está no fato de que estas
economizam em peso de máquina e espaço necessário para sua insta-
lação, além da possibilidade de aumento 'da rotação 3, que é vanta-
joso para os geradores acoplados.

'Canaan, H. F.c VDI-Z. 93 (1951) 1083/92: Hahn, K.: BWK 9 (1957) 188/190.
2
Weingarl, Ch.: Francis· oder Pelton-Turbine. Schweiz. Bauztg. 68 (1950) 429/34:
ferner Gysi, G.: Escher Wyss Mitteilungen 32 (1959) H. 2/3, 14/28: ferner Cardinal, H.,
von Widdem: Brennst.-Wãrme-Kraft 16 (1964) N. 0 4, 193fl97.
3
Netsch, H.: Die Wasserwirtschaft 45 (1955), H. 9, 223-228: Informations techniques
Charmilles Genf N. o 6.

I
I
5.4 TURBINA FRANCIS 153

No fluxo acelerado das turbinas Francis, de acordo com a


Seç. 2.71, d.eve-se procurar obter ângulos {3 2 perto de 90'. Se a aresta
de pressão situar-se em posição inclinada com relação ao eixo no
corte longitudinal, caso em que, de acordo com a Seç. 4.5, o ângulo
{3 2 diminui de dentro para fora ao Íongo da aresta de pressão, é neces-
sário realizar-se um ângulo de quase 90' na parede do cubo em i 2 •
As turbinas Francis são reguladas através do giro das aletas que
recebem uma admissão radial (anéis de Fink, Figs. 1.3 e 5.23). Na
Fig. 1.3 a barra de controle fica dentro d'água. Esta regulação interna
somente pode ser usada para pequenas quedas, devido à dificuldade
de lubrificação das juntas, e atualmente, quase não é mais usada. A
1'egulação externa, mostrada na Fig. 5.23, na qual o anel regulador a

Fig. 5.23. Aletas girantes de regulação de turbina Francis,


com acionamento externo (regulação externa)

e as talas de ligação juntamente com a barra de acionamento c ficam


todos no ar, evita esta desvantagem e, por isso, é atualmente usada
em quase todos os casos. Os pinos de giro das aletas atravessam,
neste caso, a carcaça pelo menos do lado do anel regulador e devem
ser cuidadosamente vedados, o que pode ser feito, por exemplo, através
do uso de luvas de vedação. Quanto mais abertas estiverem as aletas
giratórias, tanto mais perto do rotor estarão suas extremidades. Assim,
o perigo de que as aletas batam nas pás é máximo para a maior aber-
tura das aletas, ou seja, para a potência máxima. Desta forma, a
potência máxima determina o diâmetro da carcaça e é também deter-
minante para a resistência do eixo, etc. (ver a Seç. 4.1) e para a má-
xima altura de sucção (ver Seç. 3.3). Por isto é usual projetar a má-
quina para a máxima abertura das aletas e caracterizar a máquina
pela potência máxima P 111 e não pela potência normal P. O ponto
de cálculo do rotor é, entretanto, como anteriormente, o que corres-
ponde à entrada livre de choque e à saída vertical, que são denomi-
nadas normais. A situação comparativa dos fluxos máximo e normal
é dada pelo raciocínio seguinte:
t
154 EXEMPLOS DE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5

O fluxo V do ponto de cálculo pode ser obtido no ponto de


rendimento máximo.· A potência máxima situa-se no ramo descen-
dente da curva de rendimento para VjV > 1. Na fixação da carga
máxima deve-se, entretanto, observar que a variação do rendimento 11
em função do "grau de enc:himemo" ~JV cai muito menos de ambos
os lados do ponto ótimo VjV =I para as máquinas lentas do que
para as máquinas rápidas (Fig. 5.24), como ainda será mostrado
com mais detalhes na Seç. 6.4 (Figs. 6.32 e 6.40). O índice x indica
que ocorre um desvio arbitrário do ponto de cálculo. Às grandezas
do ponto de cálculo não atribuímos nenhum índice.
Na expressão para a potência útil

os fatores 12 e Y são constantes para uma instalação dada.


P x é também proporcional a ~ (;.. Assim, as linhas ry (;. = const.,
que representam hipérboles· eqüiláteras e que estão desenhadas cm
linha tracejada fina na Fig. 5.24, são linhas de potência constante e
o ponto de carga máxima em uma linha rt é o seu ponto de encontro
com uma destas ·hipérboles eqiiiláteras, que dá simultaneamente o
fluxo da carga máxima. Seria errado operar acima deste fluxo ri11 P
já que a potência reduzida que é então obtida, pode também ser
conseguida com menor gasto de água.
Fig. 5.24. Determinação do fluxo múximo
O ponto de contato citado (ver Fig. 5.24) situa-se. para a linha
permissível V1 11 de uma turbina Francis IJ mais plana dos rotares lentos, muito mais à direita do que para
rúpida e outra lenta a linha ~ pontuda dos rotores rápidos, de maneira que, para os
rotares lentos, nem sempre é possível construir o sistema diretor com
a largura correspondente a esta potênCia máxima.
Na Seç. 3.3 são dados valores empíricos para a relação VjV111
e para o rendimento 17 111 de turbinas Francis e Kaplan, em função
da rotação específica (n() 11 P nas Tabs. 1 e 2. Admitindo-.se uma altura
de queda constante, vem

n, = (n,lr;r J: .
1/1

Na tabela abaixo são dados valores de c 3 m/c0 em função de (n,) 111


para turbinas Francis. Estes valores são necessários para o projeto
de tais máquinas.
,'

Tabela 4. Válifla para turbinas Francis

:5" 70 80 90 100 t10 120


1,0 0,93 0,86 0,83 0,80 0,78

c 3111/c0 diminui quando nq aumenta. Isto é devido a que tga 3 =


= c 3111/ct, e, com isto, a inclinação das aletas ficaria muito grande se
tomássemos sempre c 3111 = c0 = eJ2Y, já que, de acordo com a Tab. 3
na Seç. 3.5, quando nq cresce, E e também c0 aumentam muito e, por
outro lado, de acordo com a equação fundamental, c 3 u diminui muito.
Ao contrário, .o ángulo de giro das aletas seria muito grande, o que
traria dificuldades na construção do mecanismo de regulação das
mesmas. No caso de rotores rápidos com a aresta de pressão incli-
nada, c3 m deve aqui representar o valor médio calculado do campo-
5.4 TURBINA FRANCIS 155

nente longitudinal no diâmetro D 2 ,, quando as paredes do sistema


diretor forem imaginadas alongadas até este diâmetro, mantendo-se
a distância b4 (que na Fig. 5.25/l é igual a 158 mm), de maneira que
também JÍ = nD 2 ab 4 C3 m·

5.42 Exemplo de cálculo

Deve-se projetar o rotor de uma turbina Francis para uma altura


de queda de H= 46,3 m (com isto Y = gH = 454 m 2 /s 2 ) e um fluxo
liquido máximo de JÍ111 = 3,12 m 3 /s. A turbina deverá acionar um
gerador trifásico (freqüência: 50 Hz) sendo, se possível, acoplada
diretamente a ele, operando na velocidade mais elevada possível.
Deve ser possível uma altura de sucção geodésica máxima de
(eJm,,. = 2,0 m e a altitude do local de instalação acima do nível do
mar é de h = SOO m. Assim, de acordo com a tabela numérica da
nota de rodapé I da pág. 77, vem pA = 953 - 25 = 928 mbar.
a) Escolha da rotação. Esta é limitada superiormente pela
cavitação.
A uma temperatura da água de 20'C (ver pág. 93), a pressão de
vapor é de Pr = 0,0234 bar. Com isto pode-se calcular, usando a
Eq. (3.23), a energia de segurança à cavitação Ll.y, que não pode ser
ultrapassada pela turbina:

PA - Pr 92800- 2340
Ll.y = Q - g(es)m<x. = IOOO - 9,81 · 2,0 = 70,84 m 2 /s.

O coeficiente de sucção será, agora, estimado para a forma de rotor


esperada, de acordo com a Tab. I na Seç. 3.3, sendo adotado o valor
s, = 0,9 1 •
Da Eq. (3.20), que também vale para turbinas, pode-se,
agora, obter a rotação máxima permissível para a turbina:

n = __§_,___ Ll.y 3i 4 = ~ 70,84 314 = 12,45 rps .


..;v;;; JD2
Será escolhido o valor n = 12,5 rps = 750 rpm, de maneira que possa
ser acoplado diretamente um gerador elétrico trifásico com 4 pares
de pólos. Desta maneira, a velocidade angular será w = 2nn = 78,5/s.
A rotação específica será

(n,) 111 = 333n ?' = 75.

Agora pode ser verificada a estimativa feita do coeficiente de sucção,


usando·se a Tab. I da Seç. 3.3. Caso s, tenha sido estimado muito
grande, será necessário repetir o cálculo para a escolha da rotação
novamente, com um coeficiente de sucção Sq menor.
Estimaremos agora ~ 111 = 0,86 (ver a Tab. 1, Seç. 3.3), para cal-
cula~ o diâmetro do eixo. Com isto, a potência útil será P 111 =
= eV111 Y~ 111 =1000·3,12·454·0,86= 1218000 W=1218 kW. Com
r,dm= 220 kp/cm 2 (c= 13,2) vem, da Eq. (4.2), um diâmetro do eixo
d = 15,5 cm. Adotaremos d = 160 mm.

1 O valor correspondente de t, obtido da Eq. (3.24), é 0,157 (ver a Tab. I, Seç. 3.3),

tomando-se para nq o valor que será ainda calculado.


EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTORES CAP. 5
156

b) Esboço do rotor. (Ver as Figs. 5.25/1 a 5.26/9.) Da Tab. 1,


~eç. 3.3, obtemos V;Y,_ 1, = 0,84. Assim, o fluxo líquido de cálculo será
V= 0,84 · 3,12 = 2,62 m 3 /s e a rotação específica do ponto de cálculo
será n, = 333n JY
314
= 68,8. Adotando-se um ângulo relativo de saída
Poa' na linha externa a 1 a 2 , de 21 ', em consonância com a Seç. 3.3,
tem-se como resultado de acordo com a Eq. (3.53a), com :rr, = 1 'e'k = 1,
'

s 2
= --t-. ~~'''
o,oo116 68 8 o,384; = o,o917,
(

com o que vem c0 = 2 · 454 · 0,0917 = 9,13 mfs. Daí resulta o diâ-
metro na passagem para o tubo de sucção D '" = 0,604 m, da equação
~ D~. = 2,62/9,13.
Para se obter as medidas na aresta de pressão, observamos que
em i 2 o ângulo da pá P21 deve ser próximo de 90'. Escolhemos
P2i = 85' e obtemos, da Tab. 4, c 3mfc 0 = 0,97, ou seja, c3 m= 0,97 · 9,13 =
= 8,86 mfs. Este é um valor médio para toda a região da aresta de
pressão. Em i2 o valor de (c 3,) 1 é um pouco menor (ver a Seç. 4.5).
Conservamos, entretanto, o valor médio para o cálculo d~ u2 i, já que
a influência de uma variação do componente longitudinal nesta po-
sição desaparece, comparada com o valor elevado de p21, de acordo
com a Eq. (4.10). Esta equação, já que J;,,"" J;,, = Y~h = 454 · 0,94 =
= 426 m 2 /s 2 , dá

8,86 8 86 ~2
Uz; = 2 tg 85' + . 2 t~ 85 ~ + 426 = 21,05 m/s,
(

e, correspondentemente, D21 = 2u 2 Jro = 0,536 m.


Se este valor fosse sensivelmente maior do que D 1a, seria razoável
tomar a aresta de pressão paralela ao eixo, ou seja D2 , = D21 , o que
pode ser feito para n, até 40 ou 45 (ver a Fig. 2.46, à esquerda). No
caso presente, não é possível fugir de uma posição inclinada desta
aresta, como nosso cálculo mostra e como seria, também, de se esperar
do valor de n,. Quando, entretanto, n, ultrapassa cerca de 55 é
usual, conforme foi dito na Seç. 4.5, fazer D 2 • < D,., de maneira que
apareça um ângulo de alargamento J (Fig. 4.23), que, em turbinas
Francis de altas rotações específicas, pode chegar até a J = 30'. Este
alargamento é permissível no fluxo acelerado da turbina, sendo mesmo
necessário, pois em caso contrário o diâmetro externo na aresta de
pressão ficaria excessivamente grande, o que significaria não somente
I
custos de fabricação maiores para a carcaça e o rotor, mas também I
formas de pás inconvenientes. Para a rapidez da máquina que está
sendo considerada, somente é necessário um ângulo J moderado.
Escolhemos D 2 • = 594 mm e desenhamos em seguida, com base no
valor médio de c3m já conhecido, to.do o esboço do rotor (Fig. 5.25/1)
com a aresta de pressão, onde a largura do sistema diretor é i
'l·'
2,62
n · 0,594 · 8,86 = 0'
158 m.

A aresta de sucção será esboçada, também, de acordo com as regras


apresentadas na Seç. 4.4. O diâmetro mínimo D, do limite externo
deve ser tomado um pouco menor do que D2 a, ou então, é necessário
estender-se a aresta de pressão até o lugar mais estreito, de maneira
que D 20 = D,, como na Fig. A23.

,/
5.4 TURBINA FRANCIS 157

Fig.~
tsPás
Fig.2

Figs. 5.25/1 a 5.25/4. Diagrama das pás do exemplo de cálculo da Seç. 5.42:
projeto das pás de uma turbina Francis

Para a fixação da superfície das pás subdividimos o rotor atra-


vés das superfícies de fluxo a 1 a 2 , b 1 b2 , c 1c2 , d 1d 2 , i 1 i2 em quatro
rotares parciais de mesma capacidade de engolimento e dividimos,
no caso presente, o rotor parcial interno mais uma vez através da
superfície de fluxo i\ .5 2 • Desenhamos estas linhas de fluxo de acordo
com as Seçs. 4.4 e 4.5. A posição da aresta de pressão na zona de
curvatura exige um aumento do componente meridiano c 3 m de i2 para
a2 , que calculamos usando a Eq. (4.32). Na obtenção dos raios de curva-
tura (li e (la nas posições i2 e a 2 deve-se observar a curvatura nas
vizinhanças destes pontos, desde que estas se alterem abruptamente.
Calculamos então as curvaturas, ou seja, os valores recíprocos de e
aritmeticamente. Na linha de fluxo mais interna, encontram-se uma
reta e uma circunferência de raio 226, de maneira que

portanto e, = 452 mm.

O raio e. é constante na região de a2 , valendo º"


= 26 mm.
A resolução da Eq. (4.32) com I'= 5, de acordo com os dados
da Seç. ~. • dá as curvas de distribuição de c3 m/c 3 m, (Fig. 5.26/3), com
o que, a ' a determinação de c 3m, a partir da Eq. (4.34), fica também
158 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTORES CAP. 5

conhecida a variação de c 3 m, podendo ser desenhadas as linhas de


fluxo entre o sistema diretor e o tubo de sucção.

i2 õ2 ct2 c2 02 tLz
9-
Aresfa de entrada desenvolvido

Fig y Desenvolvimento i 1 i2 Fig.5 Oesenvolvimsnfo ô1 ô2


Fig. 6 Desenvolvimento rl1d2

_Fig. 7 Desenvolvimento c,c2

Fig. 8 Des"envolvimento 01 b2 Fig. 9 OesBnvolvimento a-;a2

Figs. 5.26/1 a 5.26/9. Cortes das pás e diagramas de velocidades


relativos às Figs. 5.2~/1· a 5.25/4

c) Cálculo do ângulo das pás. Os ângulos {! 2 na aresta de


pressão são calculados na tabela seguinte, de acordo com a Eq. (4.31),
sendo desprezado o estreitamento das pás na aresta de pressão ou
seja,· admite-se que c2m= c3m.

Cálculo dos ângulos das pás P2

Linha ata2 blb2 ctc2 d1d2 óló2 il i2 Unidade

D, 594 558 542 537 536,5 536 mm


u, 23,31 21,90 21,27 21,08 21,06 21,05 mjs
c2.., = c3m 14,20 11,55 9,14 7,52 7,11 6,90 mjs
c2u = y;,,Ju2 18,28 19,45 20,03 20,20 20,23 20,25 rn/s
tgP, 2,822 4,714 7,370 8,545 8,565 8,625
p, 70"30' 78°2' 82"16' 83°19' 83"20' 85°23' graus

O ângulo {! 1 na aresta de >ucção é calculado pela Eq. (4.22),


onde, provisoriamente, admitimos (t 1 - u 1 )/t 1 = 0,88. Para fazer a
verificação deste valor, precisamos calcular o número de pás z pela
5.4 TURBINA FRANCIS 159

Eq. (4.25). Nesta equação, na linha média c 1 c2 , temos um raio


rm = 228 mm, e= 163 mm, {! 1 = 30'40', {! 2 = 82' 16', com o que

228
z = 13,0 163 . 0,834 = 15,2,

e escolhemos z = 15.
O cálculo de {! 1 para todas as linhas é mostrado na tabela seguinte.

Cálculo dos ângulos das pás {3 1

..
;1;
:!-
s,-
""
~o
.€
u-
f"
;;; 'i,-
1- &
"'
--1!:
o

~
u 11 N u
"'"' ..;:
~
m
,- ,-
m/s
u-

m/s
EJl
"'
graus
--mm r1-- 0-

m/s
..;:
graus

alaz 0,302 23,72 10,35 0,436 90' 126,4 0,941 0,70 22°15'
blb2 0,261 20,50 10,35 0,505 78' 109,2 0,938 9,74 25°25'
clc2 0,213 16,70 10,35 0,620 48°30' 89,4 0,920 9,93 30'40'
dld2 0,155 12,15 10,35 0,851 33°30' 65,0 0,892 10,23 40"10'
óló2 0,1435 11,27 10,35 0,919 53' 60,2 0,916 9,98 41 °30'
ii i2 0,135 10,60 10,35 0,976 65' 56,8 0,920 9,93 43'10'

Usando os ângulos iniciais ·e finais agora conhecidos, a pa e


mostrada nas Figs. 5.25/1 a 5.25/4, através da transferência de seus
cortes a superfícies cilíndricas, pelo processo descrito nas Seçs. 4.41
e 4.5. São usadas duas superfícies cilíndricas para cada superfície de
fluxo, apesar de que, de acordo com a Seç. · 4.41, também é possível
trabalhar-se com somente uma superfície. No caso, toma-se um
cilindro perto da aresta de sucção e o outro perto da aresta de
pressão (Fig. 2.25/1). Os desenvolvimentos são colocados de maneira
tal (ver as Figs. 5.26/7 e 5.25/1) que um ponto médio M da linha de
fluxo considerada, por exemplo, c1 c 2, e, portanto, de seu desenvol-
vimento M 1 e M 2, pertença a ambos ao mesmo tempo, assim como
também as linhas da superfície lateral correspondentes. Nestes desen-
volvimentos que acabam cada um no seu correspondente (Figs. 5.26/4
a 5.26/9) serão em seguida traçados os cortes das pás como linhas
contínuas, de acordo com a sistemática descrita na Seç. 4.4 (se neces-
sário considerando a ampliação do ângulo que será posteriormente
tratada) e, depois, são traçadas as projeções horizontais (Figs. 5.25/2
e 5.25/4). Estas projeções apresentaram, inicialmente, uma pequena
inflexão no ponto M (Fig. 5.25/7), que deve ser substituída por uma
curva contínua. Os cones tangentes nas extremidades de sucção das
linhas de fluxo externas a 1 a2 , b 1 b2 , c 1 c2 são muito agudos, dando,
portanto, no desenvolvimento, grandes ângulos de curvatura. Para
simplificação substituímos estas curvas por retas, não cometendo,
assim, um erro apreciável e não sendo, também, necessário converter
o ângulo {J 1 pela Eq. (4.26). Aconselha-se, para verificação, traçar
ainda na projeÇão horizontal as tangentes no início e no final, con-
forme explicado na Seç. 4.43. Isto é feito na Fig. 5.25/2 em e em d;. a;
Como se vê, as pás fundidas possuem espessuras de paredes
variáveis. Por isso, é necessário representar no desenho, tanto sua
superfície anterior, como a posterior, enquanto que, no caso de pás
P'

160 EXEMPLOS DE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5

feitas de chapa, é suficiente a representação de somente uma super-


fície. A espessura das paredes não aparece em verdadeira grandeza
no desenvolvimento e pode ser determinada, de maneira mais cor-
reta, com o uso da Eq. (4.27).
Inicialmente, é suficiente calcular a espessura das paredes a ,na
entrada e na saída, e também no local de espessura máxima e adotar
o restante da forma das pás. O ângulo f3 se relaciona à superfície
média e deve ser estimado de acordo com ela, enquanto que o ângulo
X pode ser tirado do corte longitudinal da superfície anterior. A
suavidade necessária na forma é automaticamente obtida ao se dese-
nhar os cortes axial e de carpinteiro.
Os cantos nas transições das pás às paredes laterais devem ser
arredondados. A espessura real máxima, que ocorre perto da cabeça
da pá, deve ser adotada mais ou menos igual à espessura da parede
do rotor. As pás saem na aresta de sucção com uma espessura
s1 ~3 mm.
d) Sobreângulo em turbinas de alta velocidade. No cálculo dos
ângulos das pás {3 1 e {3 2 não levamos em consideração a separação
entre as pás, pois esta não é importante em turbinas hidráulicas lentas
e de velocidade média. No caso presente de uma elevada rotação
específica, entretanto, seria necessário considerar a separação entre as
pás. Isto é usualmente feito de forma aproximada construindo-se a
pá com o ângulo p1 somente na superfície anterior côncava, através
do que o ângulo na superfície média fica aumentado de metade do
ângulo de afilamento da pá (Fig. 5.27). Esta providência é bastante
arbitrária, mas é muito eficiente, especialmente nos casos de variações
muito violentas de espessura da pá, onde é comum existirem ângulos
de afilamento de 5 a 10'.
Desejando-se fixar o sobreângulo de maneira mais conveniente
Fig. ·5.27. Sobreângulo em uma pá às condições existentes, pode-se adaptar adequadamente o processo
de uma turbina rápida deduzido nas Seçs. 2.3 e 2.4 para pás de bombas, devendo-se lembrar
o seguinte:
A forma da pá na entrada deve ser fixada de maneira a evitar I
um choque de entrada. Podemos construir a pá bastante insensível
a choques de entrada fazendo um forte arredondamento na entrada.
Deste modo, o ângulo de entrada da pá calculado {3 2 é realizado
somente na linha do esqueleto (Fig. 5.27). Em nenhuma hipótese.
entretanto, o sobreângulo pode ser levado a valores ainda maiore>.
pois então, no caso presente de uma turbina de sobrepressão, apare-
ceria o choque de retardamento, que é muito prejudicial (ver Seç. 2.Xi.
Ao contrário, não há nada contra uma pequena diminuição do ânguh ~
de entrada da pá.
A forma da saída é importante para o trabalho da pá, pois ela
é que determina o desvio do fluxo. Podemos 11sar o processo já visto
para bombas para determinar o ângulo de saída e, fazendo isto, resul-
tam, analogamente às Eqs. (2.21) e (2.22), as relações

(5.111

que agora, entretanto, deverão ser usadas na região na aresta dL'


sucção. Por isso, fazemos
r'
p=J/! T __1_. (5.1 c1
zS

Observando, agora, que com c 3 u = c 2 u vem


i

5.4 TURBINA FRANCIS 161

ypáoo = u2c3u- ulclu•


(5.13)
~á = UzC3u - Ul C ou•

onde c lu representa o componente tangencial resultante e c 0 u repre-


senta o componente tangencial real procurado, de maneira que segue

ou
Ul - Cou + U1 - Clu = pYpá
clm c,m ulclm

ou ainda

Ai ({3 1)k"' representa o ângulo da pá procurado e {3 1 o ângulo resul-


tante, quando se considera um número infinito de pás, ou seja, o
valor obtido no cálculo anterior. Na Fig. 5.28 A 1 B 1 C 1 é o triângulo
de velocidades de saída obtido anteriormente e A'1 B 1 C 1 é o triân- J!
gulo corrigido, referidos a um ponto pouco antes da saída.
Fazendo-se p igual ao valor obtido da Eq. (5.12) e YP, igual ao I
valor obtido da Eq. (5.13), e sendo ainda u 1 = r 1 w, vem '
1~~4-----+-~--~----~0

cotg({3 1 )korr = cotg{3 1 + t/1':r r ' (r 2 czSc


'"
- r c )
Im
1 o" . (5.14)
Fig. 5.28. Triângulo de velocidade de saída
Usualmente, no ponto de cálculo cx 0 = 90•, ou seja, c0 , =O, e de uma turbina levando e não levando em
assim consideração a potência mínima

r r c
cotg({3 1 )korr = cotg{3 1 + t/J'T ...!....L'!!!·
zSc1m
(5.14a)

O coeficiente empírico tfr~ deve ser escolhido de maneira diferente


para turbinas do que foi feito para bombas, pois o sobreângulo, de
acordo com as razões apresentadas na Seç. 2.3, somente é necessário
quando n• ultrapassa valores da ordem de 30 a 45. Mais ainda, não
é mais passivei basear o cálculo nas fórmulas dadas nas Eqs. (2.24)
a (2.27), pois o aumento de {3 1 age sobre o trabalho das pás de forma
contrária ao aumento de {3 2 • Adotamos, para n• > 30 e para pás com
saída de pequeno efeito,

(5.15)

Esta equação somente pode dar valores aproximados para t/1~. já que
as grandezas que influenciam no caso (por exemplo a separação das
pás) somente entram, grosseiramente aproximadas, através da rotação
especifica. Principalmente, a Eq. (5.15) dá valores muito pequenos,
caso a pá seja muito carregada na saída, ou seja, seja muito curvada
positivamente (tal como é mostrado em linhas tracejadas na Fig. 4.11).
Neste caso, o sobreângulo é necessário mesmo para pequenas rotações
especificas e assume valores bastante grandes [V, 37; V, 63]. Pode-se
obter informações mais completas· sobre sobreângulos no cálculo de
turbinas axiais, tanto nas aletas como nas pás, no trabalho de A. Klein
[V. 63] (ver também a Seç. 9.41).
••
162 EXEMPLOS DE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5

A Eq. (5.14a) começa a dar sobreângulos na região de n, ~ 75,


sendo os valores resultantes da ordem de metade do ângulo de afila-
mento das pás. No exemplo presente, obtém-se para as linhas de fluxo

Este processo de cálculo deve ser compreendido como simples-


mente orientativo, sendo que seus resultados devem ser verificados
experimentalmente.
e) Posição das arestas. As arestas de sucção e de pressão ficam
situadas no plano axial. Na realidade, entretanto, é determinante
para sua posição a condição de que os ângulos À, e ""entre a super-
fície das pás e a parede do rotor não sejam muito agudos. Desta
maneira, torna-se necessário girar as linhas de corrente em torno do
eixo (Seç. 4.41, último parágrafo).
Para a construção dos modelos e a verificação da continuidade
das superfícies das pás, são incluídos cortes axiais e de carpinteiro,
de acordo com o que foi dito na Seç. 4.44.
f) Diâmetro interno de saída. Para facilitar a verificação das
buchas do centro dos canais das pás ou, no caso de pás de chapa,
para verificar a posição correta das pás prensadas, é necessário co-
nhecer os diâmetros internos de saída em alguns pontos de aresta
de saída. Estes não podem ser obtidos dos desenvolvimentos cônicos,
pois aí eles aparecem exagerados. Podem ser, porém, facilmente
. obtidos pelo método desenvolvido por E. Braun (Figs. 5.25/3 e 4):
São traçadas circunferências em torno do ponto A, a partir do
qual se deseja medir o diâmetro interno de saída e que, obviamente,
deve estar situado na superfície anterior da aresta de saída da pró-
xima pá, ou seja, que está deslocado de t 1 - a 1 sobre a circunferência
paralela correspondente, com relação ao ponto c 1 respectivo da aresta
de saída da superfície posterior desenhada (Figs. 5.25/3 e 4). Estas
circunferências devem ser tangentes aos cortes de carpinteiro vizinhos
desta superfície posterior. Os raios destas circunferências representam
as projeções das perpendiculares aos cortes de carpinteiro reais no
espaço, cujo comprimento real pode ser facilmente determinado na
projeção vertical, pois nesta, as distâncias verticais destes cortes estão
dadas. Traçamos estas perpendiculares em comprimento real no corte
longitudinal (Fig. 5.25/3) girando-as em torno da vertical passando
por A até uma posição paralela ao plano do corte longitudinal e aí
projetando-as em tamanho real. _Suas extremidades definem então a r-~

linha BC, cuja distância mínima do ponto A, posicionado a partir '


de c 1 , é a distância a 1 procurada.
No caso da representação corresponder à superflpie média de
uma pá de chapa, esta usualmente é tomada como a representação
da superfície posterior, e o processo de determinação do diâmetro
interno ·de saída não se altera.

5.5 Rotor Pelton


5.51 Observações preliminares
Na região de nq < 18 as turbinas Francis teriam rotores radiais
com canais muito estreitos e, por isto, com rendimentos muito redu-
zidos. A solução adotada neste caso para bombas, ou seja, a cons-
~~------------

5.5 ROTOR PELTON 163

trução com vários estágios, não é usada para turbinas porque nestas
é mais conveniente o uso. da admissão parcial que permite a conser-
vação de rendimentos elevados e mesmo, na forma dos rotares Pelton,
permite até um aumento do rendimento em comparação com os
rotares Francis.
A admissão parcial, no caso de portadores de energia líquidos,
somente é possível quando existe uma igualdade da pressão em ambos
os lados do rotor (Seç. 2.53). Dispensando-se, ainda, o uso de um tubo
de sucção, o rotor pode girar no ar, sendo que, então, somente a parte
acionada do rotor entra em cantata com a água. A parte não acionada
gira no ar e, portanto, somente sofre o atrito com este, que é despre-
zível em comparação com o atrito com a água 1 . Isto é ainda mais van-
Fig. 5.29. Turbina Schwamkrug
tajoso, dado que as pás não acionadas, em cada instante, girando no
ar, não sofrem um trabalho de atrito no material de trabalho, como
ocorre, por exemplo, nas turbinas a vapor e a gás. Mais ainda, o
aumento do diâmetro do rotor é feito sem um aumento considerável
do atrito no rotor quando se usa admissão parcial.
A admissão parcial permite a regulação da turbina através da
variação do jato acionador, o que pode ser feito através da abertura
ou fechamento dos canais diretores, como é feito nas pred~cessoras
dos retores Pelton, que são as turbinas Schwamkrug (Figs. 5.29 e
5.30) ou nas turbinas axiais de isopressão (Fig. 5.31). Ainda hoje,
este tipo de regulação é preferido nas turbinas a vapor. Nas turbinas Fig. 5.30. Regulação da turbina
Pelton, a variação da admissão é realizada na secção de saída de um Schwamkrug
único canal diretor. É importante evitar o estrangulamento, ou seja,
a diminuição da capacidade de trabalho.

direlor

Trajeloria absoluta ê á;!aliva

Fig. 5.31. Turbina axial de isopressão (Giram!)

1
Das Eqs. (7.17) a (7.22) pode-se ver que P. ~. Ver a este respeito. Tobler, H.:
Schweiz. Bauztg. 72 (1954) N. 0 8, p. 98: Gerber, H.: Bulletin Schweiz. clektrot. Ver:
47 (1956) 389-420.

d
--
164 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTORES. CAP. 5

No caso de pressão constante, não é toda direção de admissão


que é possível ou conveniente, como mostra o raciocínio seguinte:
Na Eq. (2.34) Y,P deve ser igual a O e então

Considerando, agora, a velocidade de saída w 0 , escrevemos

(5.16)

e vemos que no caso da isopressão o rotor radial das turbinas Francis


com u1 < u2 não é mais conveniente, já que, principalmente no caso
de grandes extensões radiais, existe o perigo de que w~ se torne nega-
tivo e que, portanto, a água não possa mais fluir para dentro da
máquina. Durante muito tempo foi usada a solução de se mudar para
a admissão dirigida radialmente para fora da turbina Schwamkrug
(Figs. 5.29 e 5.30). Nesta ui - uª
é sempre positivo e, portanto,
w0 > w3 . O corpo do rotor, entretanto, é pouco resistente às grandes
velocidades tangenciais que ocorrem e, ainda mais, a regulação é feita
com perdas, já que o fechamento dos canais diretores nas posições
intermediárias não é possível sem estrangulamento, o que é ainda
mais complicado devido ao fato de existirem muito poucos canais
diretores.
Por esta última razão não se estabeleceram também as turbinas
axiais de isopressão tipo Girard (Fig. 5.31), que apareceram antes da
turbina Schwamkrug.
A melhor solução é representada pela turbina tipo Pelton
(Fig. 5.32). Sua roda de pás (Fig. 5.33) pode ser entendida como a
união de duas rodas de pás em concha simétricas colocadas lado a
lado, sobre cujas arestas comuns de entrada atua o jato d'água
totalmente livre no ar (Fig. 5.33a). A vantagem com relação à turbina
axial simples e à turbina Schwamkrug é, em primeiro lugar, que desa-

i
1

Fig. 5.32. Turbina Pelton com 2 jatos


H~. 780 m, V~ 5,5 m'/s, n ~SOO rpm, P ~ 37 800 kW (Voith)
5.5 ROTOR PELTON 165

parecem na região do jato, as perdas de choque e de deslocamento


que aí ocorrem nestas últimas (Fig. 5.47a), embora as pás individual-
mente sejam atingidas por um só jato d'água em todas elas (Fig. 5.34).
Mais ainda, a regulação é feita sem perdas através do deslocamento
axial de uma agulha com extremidade cônica (Fig.· 5.35) 1

Fig. 5.33a - c. Pá Pelton Fig. 5.34. Distribuição do jato em


pás sucessivas

O rendimento total é o melhor possível quando o rotor Pelton •


com eixo horizontal é acionado por um só jato 2 . Na prática, entre-
tanto, é comum o uso de vários jatos por rotor, sendo seu número
naturalmente limitado, sendo, no caso de eixo horizontal, no má-
ximo 2. Com eixo vertical 3 é possível ir até 6, já que, neste caso o
efeito de cada jato nos outros é menor. O eixo vertical permite,
portanto, maiores velocidades e é preferido nas grandes instalações
(Figs. 5.36 e 5.36d).

Fig, 5.35. Agulha de jato de uma


turbina Pelton com o defletor a

1
Sobre a formação do jato nas turbinas Pelton ver Bulletin Technique de la Suisse
Romande, 14. und 28. Oktober 1944; separata de Schweiz. Bauztg. 69 (1951) N." 30,
p. 421.
2
Ver Brown Boveri-Mitt. 44 (1957) N." 1/2, p. 31.
3
Para uma turbina vertical de 62 000 Hp com 6 jatos, ver Transact. of the ASME 73
(1951) 289/296; e também Voith Forschung und Konstruktion H. 7/1961.
- EXEMPLOS DE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5
166

No fechamento rápido da agulha do jato, ocorrem grandes ele-


vações de pressão na turbina, devido às longas canalizações, podendo
h a ver tensões exageradas nestas. Por isto, são necessários os deno-
minados defletores (Figs. 5.35, 5.35b e 5.37), que, no caso de uma
redução violenta de potência, de acordo com a Fig. 5.37, aluam
inicialmente, sendo, posteriormente, retirados até o limite do jato,
quando a agulha já tiver regulado o novo fluxo de água desejado.
No caso de uma carga crescente, o defletor não age, ficando
sempre fora do jato, sendo deslocado para cada vez mais longe, à me-
dida que o jato se engrossa. Deve ser observado que, pelas razões
apresentadas no início, não é conveniente a utilização de um tubo
de sucção, de modo que são perdidas a energia de saída e a altura
livre da máquina, ou seja, a diferença de altura entre a posição da
admissão no rotor e o nível d'água de jusante existente ··na
caixa
da máquina.

Fig. 5.36. Turbina Pelton com 6 jatos, instalada na Usina Kurobegawa, no Japão.
H= 580 m, V= 19,4 m 3 js, n = 360 rpm, P = 100 000 kw (Voilh). I rotor; 2 agulha
do jato com ajuste interno; 5 eixo da turbina: 6 carcaça;
7 eliminador de energia do jato; 8 gerador.
5.5 ROTOR PELTON 167

Fig. 5.36a. Projeção horizontal da turbina Pelton da Fig. 5.36 (Voith)

Fig. 5.36b. Alguns jatos com seus dcnetores, da turbina da Fig. 5.36. À csqucrdu
jato do meio pode-se ver o jato de frenagem (Voith)

168 EXEMPLOS OE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5

Fig. 5.36c. Turbina montada na fábrica de turbinas, de acordo com a Fig. 5.36.
Do lado externo da tampa da turbina são montadas as válvulas de controle das agulhas
dos jatos, que são acionadas hidraulicamente e também os servomotores como suas
barras de acionamento para os defletores (Voith)

Fig. 5.36d. Montagem da parte interna da tampa da turbina Pelton da Fig. 5.36 com o
rotor e o eixo na Usina de Kurobegawa, no Japão (Voith)

j
Fig. 5.37. Esquema da regulagem dupla

5.52 Procedimento de cálculo


Dados' H e, com isto, Y, V e n (ou ainda w).
Seja o valor o coeficiente n, dado na região correspondente a
rotores Pelton com um injetor (n,,;; 9, melhores valores entre 4 e 6).
1
Nas turbinas Pelton a·ctiferença.de altura entre a abertura do jato e o nível d'água
de jusante não pertencem à altura de queda. Ver Abnahmeversuche an Wasserturbinen
DIN 1948, Ausgabe November 1957. ·
5.5 ROTOR PELTON 169

Com c, = J2Y, a velocidade de saída do injetor é c3 = 'f'vC,, onde


'Pv ~ 0,98. Assim, a seção do jato (não a seção de .saída do injetor)
será/3 = 'C'(c 3 e, com isto, está dado o diâmetro do jato d 3 • De acordo
com a Eq. (2.54), em turbinas de isopressão escolhe-se o coeficiente
de pressão 1/1 = 4,5 a 5,5. Tomando ljJ = 4,7 a Eq. (2.46a) dá:
u 2 = .jfN · c, = 0,46 c,. Assim, fica determinado o diâmetro da circun-
ferência tangente ao meio do jato D = 2u 2 (w. Para nos assegurarmos,
desenhamos o plano de velocidades do corte médio I (Fig. 5.38) da
pá na Fig. 5.40, onde admitimos ainda um fluxo com distâncias das
linhas de fluxo individuais ao eixo constantes, ou seja, com u1 =
= u2 = u. A velocidade relativa de entrada será w3 = c 3 - u = (0,98-
- 0,46) c, = 0,52c,. Esta será introduzida através da metade do ângulo
de afilamento P, da seção em w2 ~ w3 • A metade do ângulo de corte
p, pode medir entre 7 a 15'. Devido ao atrito nas pás, a velocidade
relativa de saída é w0 < w2 . Tomamos w0 = .Pvw 2 , onde o coeficiente
de velocidade' .Pv deverá ter um valor próximo de 1, devido à utili-
zação de somente um lado das superfícies das pás. Tomamos
.Pv = 0,95, de maneira que w0 = 0,95w 2 = 0,95 · 0,52c = 0,493c . No
-
caso de saída vertical, teríamos c0 = .Jw~ u2 = c:v.J0,4?3 2 - 0,46 2 =
= 0,177c:v, ou seja, como aqui c0 = Com• o coeficiente de saída será
e2 = 0,177 2 = 0,031, o que confere com a Eq. (3.57).
Se, de acordo com a Eq. (2.54), for escolhido um coeficiente de
pressão maior, da ordem de .p = 5,0 a 5,5, deverá ser levado em consi-
deração o correspondente aumento do ângulo de saída (~ 0 > 90') no
cálculo presente (ver Seç. 2.55b).
A superfície de fluxo cilíndrica I admitida na Fig. 5.38, rigorosa-
mente, não vale em nenhuma linha de fluxo, pois não existem paredes
condutoras cilíndricas. Por exemplo, a. primeira partícula de água
que alcança o corte, faz um ângulo p3IJ com a direção tangencial,
conforme a Fig. 5.39, e, com isto, também a linha de fluxo II dirigida
para dentro, na Fig. 5.38. As partículas que atingem pontos tal como
I II pouco antes do limite da admissão têm as linhas de fluxo I II diri- Fig. 5.38. Comportamento de diferentes
gidas para fora da Fig. 5.38, porque na Fig. 5.39 w3 m é dirigida linhas de fluxo I, II, III

I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I

Fig. 5.39. Diferença da admissão nas linhas 11 e JJJ da Fig. 5.38

1
A designação do coeficiente de pressão t/J e do coeficiente de velocidade 1/Jv pela
mesma letra t/1 não é conveniente. Entretanto, estas notações já se estabeleceram na prática
e, assim, serão utilizadas também neste livro. O índice V indica que Vtv é um coeficiente
característico da velocidade.
if
170 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTORES CAP. 5

para fora. Em ambos os casos u1 e u2 são diferentes. Assim, a


Eq. (5.16) é importante para a determinação de w0 , onde pode-se
fazer z,;;;: (I -l/ln· wl/2, com l/lv;;;: 0,95. Vê-se que a superficie das
pás deve ser, também, conveniente para a direção radial de admissão.
Ela é então formada de maneira que, ao longo de toda a aresta de
saída elíptica, exista um ângulo da pá /3 1 suficientemente pequeno
(ver Fig. 5.36d). ·
Deve-se observar, que este ângulo /3 1 deve ser tomado sempre
menor do que o ângulo do fluxo {3 0 sendo, de acordo com [I, 1], apro-
ximadamente {3 0 - {3 1 = 15' ~, onde d3 é o diâmetro do jato e B é a
espessura da pá (Fig. 5.33). Deve-se tomar /3 1 o mais próximo possí-
vel do limite inferior (4 a 7'), sendo este valor condicionado pelo fato
de que o jato existente na carga total não deve alcançar a próxima
pá e, por isso, a solução depende sempre de experiências.
O corte deve ser usi,nado o mais agudo possível, pois um arredon-
damento das arestas ocasionaria o aparecimento de componentes late-
rais da velocidade e, com isto, apareceria o perigo da dispersão do
fluxo e da cavitação.
A largura B da pá (Fig. 5.33) é limitada por baixo, pelo fato de
que o raio de curvatura f2o na superfície interna do jato, no vértice de
curvatura, não deve ser muito pequeno. O limite superior é fixado
pela preocupação em não aumentar a superficie de atrito. Desejan-
do-se o rendimento máximo nmáx. a carga total, deve-se tomar B
grande, ou seja
B = (3,5 a 4)d 3 ,
Fig. 5.40. Plano de velocidades
da linha· I da Fig. 5.38
e, quanto se desejar o rendimento máximo a cargas parciais, toma-se
B correspondentemente menor [I, I], ou seja

B = (2,8 a 3,2) d 3 •

No plano longitudinal do rotor perpendicular ao eixo do jato, colo-


ca-se o ponto mais interno da aresta de entrada no limite do jato
(Figs. 5.33c e 5.38) e o ponto mais externo a uma distância E = (0,9 a
1,2) d3 do meio do jato (Fig. 5.33c).
A pá recebe um recorte na parte mais externa com a largura
a= 1,2d3 + 5 mm, de maneira que o jato não alcance a pá muito
cedo. Este recorte deve ser, correspondentemente, feito também no
dorso da pá (Fig. 5.36d). Com relação ao restante da fixação da
forma da pá, ver [I, I].
O número de pás deve ser suficientemente grande· para que cada
partícula d'água ao passar pelo rotor encontre sempre uma pá onde
ela possa entregar sua energia. Como valor empírico será dado
[V. 62, pág. 76]

I
z= D/d 3 + 14 a 16.
2

A fixação das pás deve levar em consideração a violenta variação


de forças à qual as pás estão sujeitas. No caso de fixação individual,
esta deverá sempre ·ser uma fixação sob tensão. Na maioria dos casos
as pás e o rotor sãó fundidos juntos em uma só peça, o que impõe
severas exigências na fábrica. ,
5.5 ROTOR PELTON 171

A pá carrega sua fixação:


1. através da força centrífuga,
2. através da força do jato. Esta se divide sempre nas pás,
sendo acionadas (Fig. 5.34). O valor de seu efeito em todo o rotor
e, portanto, no eixo, de acordo com a lei da impulsão, é

e, da mesma maneira, para c ou = O,

FRad=eVc3.

Para obter a força do jato na pá, devemos fazer a superfície de


controle se mover juntamente com a pá. Então vem

ou, com relação às Figs. 5.40 e 5.33a

. w, . . 1
Fpá = QV c 3
c'= gVw, = gV(c,- u) "'2 FR,d'

Esta equação mostra que o jato age com seção total simultaneamente
sobre cerca de duas pás (Fig. 5.34).
Para um rotor totalmente freiado, onde u =O e c0 u = -c 3 , vem

· 5.53 Dependência entre a rotação específica e a relação do jato d3 /D


S~bstituindo-se (ver ·seç. 2.91) na equação n, = 333n.jV/Y 314 ,
onde V é o fluxo volumétrico de uma turbina Pelton com um injetor,
os valores
u .j2Y
n=-=--
nD nD.jlfi

. n d' c
V=4 = n d'3 4'vv2Y,
!')V
3 3 4
vem

- -J2 y j.!J; d~<pv.ft.Y


n, - 333 r:J: Y'l•
nD,;I/1

= 333 ~~;fi.~ = 158 fi.~.


Com 1/1 = 5 e 'Pv = 0,98, vem
'. d
n = 70--'- ·
' D
172 EXEMPLOS DE EXECUÇAO DE ROTORES CAP. 5

As equações atrás valem para turbinas Pelton com somente um


injetor.
A rotação específica é, portanto, dependente somente da relação
do jato d 3 /0, e esta fica determinada assim que n, V e Y forem dados.
Pode-se reduzir nq sem limites. Com isto, a pá ficará cada vez
menor e o jato livre cada vez mais fino. O máximo da curva ry
situa-se' em n, entre 4 e 6, ou seja, para d3 /0 = 1/18 a 1/12. A redução
de t1 para valores ainda menores de nq é pequena para nq ainda maior
que 2. O limite superior está entre 9,9 a 10,5, ou seja, para d 3 /D = 1/7
a 1/6,5. As Figs. 5.41 e 5.42 mostram rotores de turbinas Pelton com
diferentes rotações específicas.
11"

Fig. 5.41 Fig. 5.42


Figs. 5.41 e 5.42. Rotares Pelton com diferentes rotações específicas.
À esquerda nq = 3,0; à direita nq = 7,5 (para um injetor)
1
Para i injetores, vale nq 1 = ~ de maneira que para 6 injetores,
I

com n, entre 24 e 26, já se alcança a faixa de utilização das turbinas


Francis.

5.6 Turbina a vapor de um estágio


5.61 Observações preliminares
Nas turbinas a vapor, deve-se levar em consideração o limite
superior permissível para a velocidade tangencial, devido à resistência i
do rotor. Usa-se pressão constante (r= O ou quase nulo) ou então,
sobrepressão com r= 0,5 em regra geral. No cálculo é comum
partir (da mesma maneira que nos rotores Pelton) do coeficiente de
1
pressão [Eq. (2.55)] ao invés do ângulo {3 2 . Por razões de resistência,
preferimos usualmente rotores axiais. A compressibilidade deve ser
Ji
.,
seguida através da tabela h, s de Mollier.
\
5.62 Exemplo de cálculo
f
Deve ser projetada uma turbina a vapor para acionar um venti-
lador nas seguintes condições de operação:
P = 100 kW, 11 = 150 rps = 9000 rpm (w = 943/s), pressão do vapor
vivo, Pv=9 bar, temperatura do vapor vivo tv=278"C, pressão do
vapor de escape Ps = 1,8 bar.

1
De acordo com Fabrilz: VDI-Z. 88 (1944) 539.
5.6 TURBINA A VAPOR DE UM ESTAGIO 173

A perda de pressão nos órgãos de regulação pode ser desprezada


neste caso, pois ela será tratada mais tarde (Seç. 11.23) com maiores
detalhes. Da tabela h, s 1 ·obtém-se o trabalho específico interno Y
(adiabático-isentrópico) (ver a Fig. 5.43), que é usualmente expresso
em kJ /kg em turbinas a vapor,

Y = hD- h~= 3ÜÜ6- 2670 = 336 kJjkg.

O fluxo de massa, ou seja, o consumo de vapor em kg/s, é

. p
m=---
Y~,~m
kJ/kg K
ou, após substituídos os valores numéricos, quando, devido ao valor s
muito pequeno da potência e à construção com somente um estágio,
estimaremos ~~ = 0,58 e ~m = 0,95: Fig. 5.43. Evolução do estado de
uma turbina a vapor de um estágio
de isopressão no diagrama entalpia
m= 336. , ~~~.o,95 = 0,54 kg/s. (h), entropia (s)

Determinando-se (usando o valor médio do volume específico


entre os pontos inicial e final da variação de estado adiabática-isen-
trópica) o fl~xo volumétrico vm = mvm e, em seguida, calculando-se,
por meio da Eq. (2.83), o valor de n,, resultaria um valor tão pequeno
de n, que .não seria possível adotar uma solução usando um rotor
axial com admissão total (Fig. 2.47). Como não se deseja adotar
vários estágios, é necessário apelar para uma construção com admis-
são parcial e, com isto, com pressão constante, embora admissão
parcial seja uma solução extrema em máquinas a vapor, de acordo
com o que foi visto na pág. 6'! (ver também a Fig. 5.47a) 2 • Adotamos
um rotor axial simples. Tenta-se usar uma turbina Pelton (turbina
tipo Riedler Stumpf) [II, 1], mas, devido às dificuldades construtivas
das pequenas pás duplas e de sua utilização, esta solução é abandonada.
O processo de cálculo é semelhante ao das turbinas Pelton. Deve,
entretanto, considerar cuidadosamente a compressibilidade e, por isto,
deve seguir o ponto de estado na tabela h, s. O cálculo começa (como
em todos os rotores axiais) pela aresta de pressão. Como

c, = J2Y = fr336 · 10 3
= 820 m/s,
e usando-se um coeficiente de velocidade 'Pv = 0,95, que já considera
as perdas no injetor, a velocidade absoluta de entrada no rotor será:

c 2 = 'f'vc, = 0,95 · 820 = 778 m/s.


Fig. 5.44. Aletas e pás de uma
Rigorosamente, c2 é aqui a velocidade na saída do injetor. Em turbi- turbina a vapor de isopressão de
nas a vapor, entretanto, podemos considerá-Ia igual à velocidade um estágio. Representação es-
pouco atrás das pontas das pás, sem cometer um erro apreciável quemática do corte cilíndrico
(Fig. 5.44). desenvolvido

1
É aconselhável usar uma tabela h, s na qual a entalpia esteja. expressa em kJjkg.
2
Faremos o cálculo do exemplo para isopressão pura, mas observamos que, de
acordo com a Seç. 9.74h, em turbinas a vapor e a gás, sempre deve ser prevista uma pe-
quena sobrepi'essão, de maneira que, neste càso, não existem, na prática, turbinas de
isopressão. ·
.,
174 EXEMPLOS OE EXECUÇAO DE ROTORES CAP. 5

O coeficiente de velocidade 'f'v considera a perda no injetor 2 de


z, = (1- <p~) Y = 32,8 kJ/kg, que é entregue ao vapor como calor e
que, por isso, define o estado b do vapor na Fig. 5.43. Ab é, portanto,
o comportamento do estado no injetor. A variação ulterior do estado
é feita à pressão constante e transcorre, portanto, ao longo da isobá-
rica Ps· No ponto b obtém-se o volume especifico v2 = 0,95 m 3 /kg.
Devido à admissão parcial o coeficiente de pressão 1/1 deve ser
escolhido de acordo com a Seç. 2.55e. Estimamos o grau de admissão
em e= 0,1 e escolhemos, de acordo com a Fig. 2.25a, um coeficiente
de pressão 1/1 = 9,5.
Após a escolha do coeficiente de pressão temos a velocidade tan-
gencial

u= .j2YN = .J2 · 336 · 10 3/9,5 = 226 m/s

e o diâmetro médio das pás (Fig. 5.45)

Dm = 2u/w = 0,565 m.
Adotamos pás cilíndricas, ou seja, não curvadas, devido ao seu
pequeno comprimento. Para a determinação da largura da pá b
usamos a equação da continuidade, que escreveremos inicialmente
para a saída das aletas, onde o arco de admissão é nDme. Além disto,
devemos observar que a largura do jato é igual à largura de saída do
injetor (Fig. 5.45). Procuramos obter um valor o maior possível

(5.17)

Fig. 5.45. Pás de uma Fig. 5.46. Plano de velocidades de uma turbina a vapor
turbina a vapor de um de um estágio para as arestas de sucção e de pressão
estágio, em corte (ao invés de l/J leia l/1)
longitudinal

de eb4 e escolhemos, por isso, um ângulo a 2 o menor possível, dentro


do permissível devido à espessura das extremidades das aletas, ou
seja, entre 14 e 20' (Fig. 5.46)2 • Com cx 2 = 17' vem c2m = c2 sen cx 2 =
= 778 · 0,2924 = 228 m/s. Estimando-se (t - u 2 )/t :;;; 0,92, pode-se,
então, calcular

1
Pode-se fazer q>~ = 11vL (ver pp. 21 e 50).
\
2
Se c2 for menor que a velocidade do som a, pode-se tomar IX 2 = a4 . Quando c2 é
maior do que a, é necessário considerar o desvio do jato pela expansão posterior (ver
[II, 4 ou IV, 28, v. I]) e, com isto IX 2 > a4 .
5.6 TURBINA A VAPOR DE UM ESTAGIO 175

mv
eh 4 = - - - - -2' - - - (5.17a)
t - IJ
nDmc2m --~-2

0,54. 0,95 -3
eh • = n. 0,565. 228. 0,92 = 1,38. 10 m = 1,38 mm.

Escolhemos h4 = 14 mm e obtemos assim o grau de admissão e

e= 1,38 = 0,0 985 = comprimento. do arco com admissão


14 c1rcunferencm total do rotor

Escolhe-se o grau de admissão e o maior possível, ou seja, h4 o menor


possível, de maneira que as perdas de ventilação, que, de acordo com
a Eq. (7.22), são proporcionais a (1 -e) h4 , permaneçam pequenas.
Deve-se, entretanto, observar que o rendimento das pás diminui pro-
porcionalmente à largura das pás h4 (ver Seç. 9.74iO<). Além disso,
deve-se também levar em consideração o fato de que o vapor que Fig: 5.47. Comportamento do fluxo na
alcança os canais das pás na parte sem admissão da máquina, ou seja, parte sem admissão de uma turbina
) que tem o comportamento de fluxo mostrado na Fig. 5.47, tem que a vapor

ser retirado no início do arco com admissão e tem que ser novamente
levado para os canais das pás no final do arco com admissão
(Fig. 5.47a). As perdas que então ocorrem usualmente são despre-
zadas quando o arco todo com admissão forma uma parte contínua
da máquina. Se, ao contrário, a admissão for subdividida em vários
injetores s~parados, será necessário considerar cuidadosamente estas
perdas, pois elas reduzem bastante o rendimento (Fig. 5.48). Esta sub-
divisão inconveniente do arco de admissão é necessária em turbinas
a vapor com temperaturas muito elevadas do vapor vivo, para se
poder conseguir um aquecimento mais regular da carcaça (ver, por
exemplo, [IV, 30, pág. 47, Fig. 6.1.9a e pág. 50]). Fig. 5.47a. Representação do fluxo de
perda devido à admissão parcial

E-~1;5 1Segmento de
llli.._/l'-;f-t-tl-ttf:2t'*lm injetor-t--t--1
I
e-as '!Segmentos
A--+--t-+ 1--H+++-t~k",de injelores

2 3 " 55 789701219161820 30 w 5050


'!'-

Fig. 5.48. Redução do rendimento devido à subdivisão do arco de admissão em vários


injetores individuais, em função do coeficiente de pressão segundo Deutsch, M., E.,
Trojanouwki, B. M., Kasinzew, F. W., Abrmww, W. 1.: vgl. Teploenergetika 6 (1959)
N." 4, pp. 38/43 und BWK 12 (1960) p. 5071

Sabendo-se os valores de u, c2 e de 0< 2 , fica determinado o tri-


ângulo de velocidades A 2 BC (Fig. 5.46) e, com isto, o ângulo da pá {3 2
na aresta de pressão (Fig. 5.50), da mesma forma que a velocidade rela-

\ ' " ' " ' ' w, ~ ;>9mf• Com" dmkill" " ' " ""'""" '""''
e

176 EXEMPLOS OE EXECUÇAO OE ROTORES CAP. 5

do coeficiente de pressão 1/1 (ver Fig. 2.25a), a saída não pode ser feita
na vertical, será necessário determinar, para o triângulo de veloci-
dades de saída, as seguintes grandezas: Inicialmente, u é conhecido,
e também w1 = I/Jvw 2 , onde 1/Jv é bastante menor do que I, pois o
fluxo (ao contrário do caso das turbinas Pelton) está limitado por
paredes de todos os lados. A relação dada, na Fig. 5.49 para turbinas
a vapor, entre o valor 1/Jv e o ângulo de desvio e = {3 2 - {3 1 segundo
[II, I] pode ser tomada como válida para a largura média das pás
de 50 mm e para admissão total. Devido à admissão parcial e ao
pequeno comprimento das pás, tomamos 1/Jv menor, especificamente
1/Jv = 0,75. Como terceira grandeza necessária para a construção do
triângulo de velocidades de saída poderíamos usar, para outras má-
quinas de fluxo, o componente meridional c 1m~ c2 m. Entretanto, em
turbinas a vapor é mais comum prefixar a largura da pá b2 na aresta
de pressão, sendo a melhor escolha tomá-la igual à largura das aletas
b4 , quando, então, as arestas podem ser facilmente arredondadas tanto
na coroa como no pé das pás do lado de entrada.

9
-::::.
- -......::.
~ ',
7
\ I

'
I.
50' 80 o
. I.
100 o 120o 740 o
~.
• o
1ri0 780°
8·jl,-ji,-

Fig. 5.49. Coeficiente de velocidade iftv em função do ângulo de desvio O (Fig. 5.50)
para a largura das pás b = 50 mm, segundo Stodola. A linha tracejada vale para condi
cões particularmente favoráveis (definição cuidadosa da forma dos canais,- paredes muito
lisas). (Ver a este respeito a Fig. 4.14.)

Na prática b2 é freqüentemente construído um pouco maior do


que b4 , de maneira a se evitar o choque nas arestas. La Rache
[II, 30] ', contrariamente, provou tanto analítica quanto experimental-
mente, que é mais conveniente, do ponto de vista do rendimento,
tomar b2 ligeiramente menor do que b4 , sempre que as arestas na
coroa e no pé das pás sejam arredondadas do lado da entrada da
grade. O valor ótimo desta redução da largura das pás depende da
intensidade da camada limite nos canais das pás. Como, quáse sempre,
esta intensidade é desconhecida, aconselhamos adotar b2 = b4 .
É conveniente escolher b 1 de maneira tal que a coroa x possa
construída com forma cilíndrica (ao contrário da forma cônica ado-
Fig. 5.50. Pú de isopressão com ângulo de
desvio O= P2 - PP que nem sempre coincide
tada na Fig. 5.45), ·quando, então, a inclinação dos pés das pás y
com o desvio do nuxo (forma de cabeça fica maior (Fig. 5.45). Escolhemos b 1 = 22 mm.
tracejada somente para números O ângulo /3 1 na aresta de sucção resulta, agora, da equação de
Mach = lr 2 ft1 < 0.6) continuidade
(5.18) \,
'

1
Ver também /IV, 28 Bd. I p. 370] e Konstruktion 19 (1967) H. 1, pp. 23/29.
5.6 TURBINA A VAPOR DE UM ESTAGIO 177

Nesta, v1 deve ser obtido da imagem h, s no ponto de estado c


(Fig. 5.43), que, por um lado, situa-se sobre a isobárica p 1 = Ps• deslo-
cado para cima com referência ao ponto b de uma distância corres-
pondente ao calor de atrito no canal do rotor

2 2 2 529'
z 11
= w, -2 w, = w,
2
(I - ·'· 2 ) = - - ( I - O75 2 ) = 61 200 = 61 2 kJ/kg
'i'v 2 ' ' ·

Obtém-se v1 = 1,067 rn 3 /kg no ponto c. Tornando-se ainda (t- (J


1)/t ~
~0,9, vem

riw 1
senf3 1 = (5.18a)
snD 111 b 1 w 1 t - a 1
0,54 . 1,067 o420
o'0985 . " . o,565 . o'022 . 397 . o' 9 = , ,

/3, = 24,8'.

Pod~se agora desenhar o triângulo de velocidades de saída


(Fig. 5.46). Com isto, a pá está completamente calculada. Seu pro-
jeto posterior é feito de acordo com o que consta nas Seçs. 4.3 e 9.74g.

5.63 Observações complementares


Para verificar o valor adotado de 'h• devemos determinar as
perdas internas restantes. Obtemos c 1 do triângulo de velocidades,
resultando c 1 = 192 rn/s e, com este, pode ser calculada a perda de
saída Za, que não deve ser confundida com as perdas de transição
(ver pág. 14)

z, = c -t = -2- = 18500 Jfkg = 18,5 kJfkg


2
192 2

que corresponde ao ponto b da Fig. 5.43.


Podemos, agora, calcular o trabalho na pá, ou através da expressão

~' = Y- (Z, + Z, + Z,) = 336- 32,8- 61,2- 18,5 = 223,5 kJfkg

ou, para verificar, usando a equação fundamental Ypá = Ypá = u(c 2 u - c 1 rJ.
Com c2 , = c2 cos rx 2 = 778 cos 17' = 745 rn/s e

c 1 , = u- w2 fv cos {3 1 = 266- 529 · 0,75 · cos 24,8' = - 94 m/s

vem Y,,
= 22?(745 + 94) = 223,5 kJfkg, o que confere com o valor
calculado atras.
O rendimento das pás vale, então (ver Fig. 5.43),

= ~ = hD - hd = 223,5 = O665
~,, y h - h' 336 , .
D S

Nas turbinas de isopressão não existem perdas de vedação, restando,


portanto, somente o atrito no rotor a considerar. Devemos observar
que o rotor recebe admissão parcial e, por isso, deve ser usada a
Eq. (7.22). Admitimos, ainda, que o rotor é totalmente coberto,
(Fig. 1.5a), e assim, de acordo com a Seç. 7.33, deve ser incluído o
fator 2/3, de maneira que, com Q ~ 1/v, = 1/1,099 = 0,91 kgjm', e com
o coeficiente k 1 = 3,8 e b = b 1 = 0,022 rn:
•• ]
1.
d
-- 178 EXEMPLOS DE EXECUÇÃO DE ROTORES CAP. 5

P, = ~ (1 - 0,0985) 3,8 · 0,91 · 150 3 • 0,565 4 · 0,022

= 15750 Watt= 15,75 kW.

A cada kg de vapor corresponde, então, o trabalho de perda

p 15,75
z, = ,h = 0,54 = 29,1 kJ/kg. (5.19)

Assim fica conhecido o ponto e (Fig. 5.43), que dá o estado do vapor


na turbina. Obtemos, então, o trabalho específico interno

Y, = r;,, - z, = 223,5 - 29,1 = 194,4 kJjkg


e, com isto,

(ryl)ko" = yy = 194,4 o (5.19a)


336 = ,578.

O valor de ry 1= 0,58 usado no cálculo do consumo de vapor foi,


então, um pouco elevado. Podemos corrigir este efeito simplesmente
modificando o grau de admissão ou o comprimento das pás na re-
lação 0,58/0,578.
A grande diferença entre ry 1 e ry, mostra que, devido à admissão
parcial e à elevada massa específica do vapor envolvente, o atrito do
rotor tem uma influência decisiva na economia global da máquina.
Vê-se, portanto, a enorme vantagem que têm as turbinas hidráulicas
sobre as turbinas a vapor, quando se adota admissão parcial, pois
nelas o rotor gira no ar.
Nas turbinas a vapor, portanto, prefere-se adotar a construção
em vários estágios, ao invés da admissão parcial. Por isso, atualmente,
mesmo pequenas turbinas a vapor são construídas com vários es-
tágios, e a admissão parcial somente é usada em casos excepcionais,
quando, por exemplo, ela for necessária por razões de controle.
Nas turbinas a gás, devido às suas pequenas quedas, podem ser
construídas máquinas de um estágio com admissão total e com uma
reação de cerca de 50%.
Os valores numéricos das velocidades c2 e w2 mostram que,
neste caso, tanto o fluxo absoluto como o fluxo relativo ultrapassam
a velocidade do som. Isto é uma desvantagem adicional que sempre
ocorre nas turbinas a vapor com somente um estágio.

5. 7 Turbina a gás de um estágio


A Fig. 5.51 mostra a seção de um turbo-alimentador b acionado
por uma turbina a gás perdido de um estágio a com um rotor seme-
lhante ao mostrado na Fig. 5.11.
O cálculo de um compressor radial já foi tratado na Seç. 5.2, e
o de uma turbina de gás perdido é semelhante ao feito na seção ante-
rior para uma turbina a vapor, desde que se adote também pressão
constante. Isto é regra geral nas turbinas a gás de um estágio 1,
sempre que ocorrerem elevadas temperaturas de entrada do gás acio-
nador, de maneira que se obtenha uma temperatura a mais baixa

1
Além disto, em conexão com uma pequena reação de 5 a 15%, de acordo com
a Seç. 9.74h.
5.7 TURBINA A GAS DE UM ESTAGIO 179

possível logo após a saída dos injetores. Pode-se, entretanto, sempre


evitar o uso de admissão parcial, já que, devido à pequena queda
de pressão, a rotação específica é suficientemente grande. Nas tur-
binas de vapor vivo, é verdade, a queda de pressão é maior, mas
nunca tão grande quanto nas turbinas a vapor e o fluxo volumétrico
relacionado a unidade de potência é, por isso, também maior, pois é
necessário trabalhar com um grande excesso de ar para reduzir a
temperatura do gás na entrada a um valor suportável pelo material 1

Tubo de alimentação

Fig. 5.51. Turbina de gás perdido acionando um turbo-


compressor: rotor do compressor semelhante ao
da Fig. 5.11. (MAN)

Nas turbinas de gás perdido isto não é necessário. Neste caso, entre-
tanto, são necessárias elevadas velocidades para o acionamento do
turbocompressor, que servirá para alimentar um motor a pistão.
Além disto, as oscilações da pressão do gás na saída devido à ação
da válvula de saída do motor a pistão correspondente exigem perfis
muito insensíveis a choque (ver a Seç. 2.8). Se a pressão do gás de
escape ou a pressão do ar de alimentação alcançarem valores ainda
maiores, pode-se, em casos excepcionais, adotar tanto a turbina como
o ventilador com vários estágios 2 , conforme é comum nas turbinas a
gás vivo de elevadas potências. Nestas turbinas a gás também os com-
pressores são usualmente do tipo axial e .o cálculo das pás axiais será
tratado pormenorizadamente no Cap. 9. Os valores menores do tra-
balho específico interno Y que ocorrem nas turbinas a gás têm como
conseqüência que a potência máxima atingível por uma máquina
(ou seja, a potência limite, ver Seç. 10.25) é muito menor do que nas
turbinas a vapor.

1
Sobre a influência da temperatura do gás, ver Eckert, B.: MTZ 26 ( 1965) H. 6.
'VDI-Z. 93 (1951) N.• 36, p. 1113{1123. c4
---

Características de máquinas de um estágio,


desprezando-se a compressibilidade 1

6.1 Regras gerais


Os valores tomados por base no cálculo das pás, ou seja, n, ri
e Y, não são mantidos constantes em condições de operação. Além
disto, deve-se sempre contar com a variação de uma destas três gran-
dezas. Nas turbinas, acresce ainda a ação do regulador, que ajusta a
seção do fluxo na entrada. Desprezando-se inicialmente estas varia-
ções de seção, que não ocorrem nas bombas, vemos que a alteração
de qualquer uma destas grandezas afeta, pelo menos, uma das outras.
Enquanto que, nas máquinas de êmbolo, a relação entre elas é facil-
mente verificada, nas máquinas de fluxo é necessário um tratamento
pormenorizado para seu esclarecimento.
Caracterizamos, no que segue, todas as grandezas que se desviam
do ponto de cálculo, com o índice x. Pelo menos em geral, as pás
não serão mais aqui atingidas tangencialmente pelo fluxo, ocorrendo,
então, as chamadas "perdas de choque". Este choque não pode ser
comparado com o choque de dois corpos sólidos. Ele se assemelha
muito mais ao fenômeno que ocorre quando uma asa de sustentação
é atingida por um fluxo com um ângulo de ataque muito grande,
ou seja, é causado pelo descolamento do fluxo da pá devido a uma
acumulação muito violenta da camada limite. Uma grade de pás rece-
bendo um fluxo com choque que tem uma imagem de fluxo tal como a
mostrada na Fig. 6.1. Pode-se mostrar, com o auxílio da lei da im-
pulsão, que o ponto de retenção S não se situa na ponta, mas na
superfície das pás, ou seja, no interior do canal, de maneira que as
correntes para trás e em volta da ponta das pás sempre aparecem
juntas com um espaço morto A. A lei da impulsão dá, de acordo
com [III, 1], a "perda de choque", da Eq. (2.76), Seç. 2.8

w'
zst =(/Jz, (6.1)

1
Casos em que a compressibilidade é importante, como ocorre nas turbinas a vapor
e nos compressores, serão tratados no Cap. 11.
6.1 REGRAS GERAIS 181

onde Ws = W0 x- W1 x é a diferença vetorial das velocidades w0 x e w1x


do fluxo estabilizado antes e depois do ponto de choque, ou seja,
representa o "componente de choque". Na Seç. 2.81 foi melhor expli-
cado que o valor do coeficiente <p depende principalmente de se o
choque é de aceleração ou de retardamento. Caso não haja maiores
informações sobre o valor da perda de choque, adota-se usualmente
<p entre 0,5 e O, 7. w, está situado paralelamente à entrada da grade
(Fig. 6.1), desprezando-se o efeito da espessura das pás, pois então
a vazão, e portanto, o componente meridional, é igual antes e
depois do choque.

Componte de choque

Fig. 6.1. Imagem do fluxo na eotrada de uma grade de pás, com ''choque".

Esta perda Zsr é uma perda de pressão, e,•. como as outras


perdas de pressão no rotor, não é considerada pela equação funda-
mental, conforme foi visto na Seç. 2.1. Assim, a expressão ·que dá o
trabalho nas pás Ypáx (ao contrário do trabalho útil) é independente
da ocorrência ou não de choque, desde que as velocidades na entrada
e na saída do rotor que são incluídas na equação realmente ocorram,
da mesma forma que é também independente da existência ou não
de perdas devido a atrito nos canais. Portanto, de acordo com a
Eq. (2.5), ela vale

ypáx = U2xC3ux- UlxCOux (6.2)


= Wx(l'2C3ux- rlCOroJ (6.2a)

O componente meridional cmx na entra~a do sistema diretor ou


do rotor varia proporcionalmente à vazão Vx, desde que admitamos
que ela é regularmente distribuída por toda a circunferência da má-
quina. Portanto, vale
v
cmx =c m ~·
V (6.3) (
cmx não e, portanto, influenciado pelo fenômeno de choque. A gran-

1
182 CARACTERISTICAS DE MAQUINAS DE UM ESTAGIO CAP. 6

deza · VJV é igual a 1 quando não existir choque. Ela caracteriza


o grau de desvio do estado livre de choque, e é denominada "grau
de enchimento".
A posição do choque é sempre na entrada da grade de pás. c.
assim, é diferente em bombas e em turbinas. Além dist.f, os dois tipos
de máquinas devem ser considerados de maneira diferente, pois sua
finalidade é também diferente e contrária. Desta forma, precisamos
tratar bombas e turbinas separadamente. Em ambos os casos parti-
mos da representação do fluxo congruente nas pás e consideramos,
posteriormente, a influência da separação das pás.

6.2 Características das bombas rotativas


Examinamos aqui as interdependências entre as 3 grandezas
n, Vx, Yx, inicialmente considerando a rotação n constante e verifi-
cando como• varia o trabalho interno específico YX em função do fluxo
acionador V,. Esta variação pode ser facilmente medida em bancos
de ensaio para bombas já construídas mantendo-se a rotação cons-
tante e alterando-se o fluxo acionador através do ajuste de um re-
gistro estrangulador inserido na canalização de pressão e medindo-se
os valores correspondentes de ~\: e Yx 1• Chamamos a curva obtida,
que representa uma linha de rotação constante no diagrama (V., Y,),
de característica do rotor. O conjunto das características do rotor
para todas as rotações possíveis em um sistema de coordenadas no
espaço forma uma superfície, chamada supelfície característica (ou
também diagrama topográjlco), que dá informações sobre o compor-
tamento da bomba em toda sua faixa de operação passivei.
Limitando-nos ao caso do fluxo vertical na entrada do rotor,
c0 ,"' sempre será nulo na Eq. (6.2) e, devido à rotação ser constante,
u2 ),.. = u2 , de maneira que
(6.4)

6.21 Considerando-se número infinito de pás


Para o fluxo congruente com as pás, a equação anterior se torna

(6.51

Mais ainda, o ângulo relativo de saída do fluxo permanece constank


e igual ao ângulo das pás {3 2 e o triângulo de velocidades A 2 B 2 C 2 da
vazão normal V se transforma no triângulo de velocidades A 2 xB 2 C 2
(Fig. 6.2) para a vazão v•.
O vértice A 2 x deste último triângulo de
.l
velocidades é dado por
I
v (6.6)
C
2mx = C 2m Jí
X •

Com isto fica também conhecido


~
i
cujo valor pode ser substituído na Eq. (6.5), resultando em:

1
As relações entre estes fenômenos seriio explicadas na Seç. 6.27.
----------------

6.2 CARACTERISTICAS DAS BOMBAS ROTATIVAS 183

(6.7)

,,
--
«z.r
_5?§.--

Czux

Fig. 6.2. Triângulo de velocidades para a aresta de pressão


de um rotor de bomba para carga normal e parcial, admi-
tindo-se um fluxo congruente com as pás

A única grandeza do lado direito desta expressão que se altera


para uma bomba dada é t ou, correspondentemente, o grau de enchi-
mento (/,/V (desprezando-se eventuais variações de massa específica.
o que também é válido mesmo para fluido gasoso no caso de peque-
nos números de Mach). A equação representa uma reta no plano
~. l'.árox• que é mostrada na Fig. 6.3 para P2 ~ 90', ou seja, para pás
curvadas negativamente e terminando verticalmente, em forma de
gancho. O trabalho específico nas pás diminui proporcionalmente ao I
aumento do fluxo acionador para ângulos p, agudos, aumenta para ";;'
ângulos obtusos e permanece constante e igual a u~ para pás termi-,
'
I

nando na vertical. ~~------~----~


'

Para a mesma velocidade tangencial, e em consonância com o o ~

que foi apresentado na Seç. 2.7, o trabalho das pás curvadas para a
frente é igual ao trabalho das pás terminando verticalmente mais Fig. 6.3. Variação do trabalho das pás para
ó Y1 e o das pás curvadas para trás é igual ao das pás terminando um número infinito de pás (ou seja, para um
fluxo congruente com as pás) em função do
verticalmente menos .1 Y2 • Conclui-se aqui, novamente, que o tra- fluxo acionador (ao invés de Vx leia Vx).
balho transmitido e, com ele, também o coeficiente de pressão 1/J
cresce proporcionalmente a P2 (Fig. 2.29, pág. 53). A variação linear
poderia já ser lida do triângulo de velocidades da Fig. 6.2, pois nesta
o ponto A 2 x se move sempre em uma reta A 2 C 2 quando a vazão varia
e suas coordenadas com relação ao ponto .B2 (ou seja c2 mx• c2 u) per-
manecem em uma relação constante a Vx e t~mbém a Ypá m:~' de
acordo com as Eqs. (6.6) e (6.5). O diagrama Vx, YP, rox já aparece
na Fig. 6.2, somente que com os eixos coordenados trocados e com
escalas diferentes. Quando P2 cresce, a reta C 2 A 2 gira em torno de
C2 , da mesma forma que }~, rox (na Fig. 6.3) gira em torno de C.
Se o registro estrangulador estiver fechado, ou seja, se Vx =O,
toôos os três tipos de pás dão o valor u~ para o trabalho específico
nas pás. O trabalho específico da pressão no labirinto pode ser
obtido da Eq. (2.35) com w3 =O, c0 =O e z, =O, resultando em
somente Ysp rox = u~/2. Esta contradição fica esclarecida quando se
considera que a água disponível na periferia do rotor gira com a
velocidade absoluta u2 • Assim, além da energia estática de pressão
u~/2 existe ainda uma energia de velocidade de ui/2, havendo, por-
tanto, um aumento de energia de u;.
6.22 Número finito de pás
Em um fluido ideal o trabalho das pás varia, ainda neste caso,
de acordo com uma linha reta, desde que a condição da saída do fluxo
----
184 CARACTERISTICAS DE MAQUINAS DE UM ESTAGIO CAP. 6

das pás de acordo com a Fig. 2.5 seja mantida. A prova disto pode
ser obtida da maneira mais fácil, considerando-se .a circulação nas
pás, que, de acordo com a Seç. 2.1, na Eq. (2.9), é proporcional ao
trabalho das pás. Esta circulação r" (que deve ser atribuída à exis-
tência do fluxo absoluto em torno de cada pá individual) é composta
de partes devido a ambos os fluxos parciais do fluxo absoluto no
rotor, especificamente um fluxo no rotor girante sem vazão (onde o
fluxo gira somente em torno do eixo de rotação) ou seja, o chamado
fluxo de deslocamento, e um fluxo de vazão no rotor parado. Cada
um destes fluxos parciais causa um vórtice de partida devido à sua
saída tangencial, ou seja, à sua própria circulação. Entretanto, o fluxo
de deslocamento, para um rotor dado, somente depende da rotação
no fato de que a velocidade em um lugar determinado varia propor-
cionalmente à rotação, enquanto que as velocidades do fluxo de
vazão, que é imaginado no rotor parado, variam proporcionalmente
a Jix e são independentes de n. A superposição de ambos os fluxos
dá, então, a circulação resultante

(6.8)

onde K 1 e K 2 representam constantes dependentes das medidas das


pás. Com isto, a circulação, e assim, também o tr~balho nas pás Ypá 00 ,
para rotação constante, varia linearmente com Vx.
A posição exala destas retas Ypáx com relação à variação conhe-
1.
cida de Ypá cox é, em geral, desconhecida. Para isto contribuem os
efeitos de viscosidade, ocasionando desvios maiores ou menores da
variação linear, sendo que a linha Ypáx• para pequenos graus de enchi-
mento, curva-se para baixo, conforme mostra a linha tracejada na
Fig. 6.4. Substituímos esta curva por uma reta F KA tal, que passa
pelo ponto de cálculo K e pelo ponto F onde a reta YP, oox cruza o
eixo das abscissas, pois admitimos que, com isto, a região impor-
r tante na prática está representada com precisão suficiente. Levando
em consideração que o tratamento que deverá ser feito ao final das
perdas não pode ser feito de maneira confiável, pode-se aceitar esta
simplificação 1 Com esta hipótese, o comportamento dos trabalhos
f
Fig. 6.4. Posição relativa admitida das linhas das pás ~ácox e ~áx e, com isto, o coeficiente ~e potência mínima p
Ypáa:>..- e Ypb (ao invés de V leia V)
tratado na Seç. 2.44, ficam independentes de Vx. De acordo com a
f
Eq. (2.21), vem, então,
t
y 1 y (6.9) '
pá = 1 +p pá cox'

onde p será também considerado constante para uma mesma bomba.


O ponto F, de encontro com o eixo .JÍ, (Fig. 6.4), pode ser obtido
da Eq. (6.7) com r;,árox =O, onde, então, OF = ,JÍ,, dando

-OF = u2 -
v tg {5 2 =
.
u 2 nD 2 b2
t2 -(J
2
tg {5 2 • (6.10)
clm t2

S_omente pode-se admitir que as retas Ypá r.ox e Ypáx encontram o


eixo ~ no mesmo ponto dentro de certas limitações. Em muitos casos,
é mais provável que estas duas retas sejam paralelas.

1
Em rotares axiais pode-se reJerir à direção de sustentação nula, ver a Seç. 9.51 e
llll, I, 5.' Ed., p. 416].
6.2 CARACTERISTICAS dAs BOMBAS ROTATIVAS 185

6.23 Determinação preliminar da característica do rotor


O trabalho especifico interno pode ser obtido a partir do tra-
balho especifico nas pás Ypáx• quando se subtrai as perdas seguintes:
I. Atrito nos canais z,_, dentro de toda a bomba, ou seja, tanto
no rotor como no sistema diretor e também nos canais de ligação
com as extremidades de pressão e de ·sucção.
2. Perdas de choque z,. na entrada do sistema diretor e do rotor.
O atrito nos canais é conhecido no ponto de cálculo, ou seja, para a
vazão JÍ, e vale aí [ver as Eqs. (1.16) e (1.21)]

(6.11)

O atrito nos canais varia aproximadamente em função de V:c,


admitindo-se canais parados, na forma de uma parábola com vértice
Fig. 6.5. Consideração das pÚdas por atrito
na origem. Na falta de outras informações do cálculo, esta forma de nos canais Zhx (ao invés de V leia V)
variação pode também ser admitida para o canal girante e, portanto,
a linha das perdas z,x pode ser desenhada como uma parábola pas-
sando pelo ponto P, obtido da Eq. (6.11), como mostra a Fig. 6.5.
Na entrada das aletas e das pás ocorrem perdas de choque. Estas
foram detalhadamente tratadas na Seç. 2.81 e serão calculadas através
da Eq. (6.1), on~e o. componente do choque w, varia ~empre propor-
cionalmente a V - V,, e, portanto, também a 1 - Vx/V, pois, por um
lado, quando JÍx = Ji não ocorre choque e, por outro lado, as velo-
cidades antes da entrada e nos canais das pás e das aletas variam
proporcionalmente a JÍx. Usando a expressão para a soma das perdas
de choque nas aletas e nas pás dada em [III, 1; 5.' ed., pág. 396]

(6.12)

o que corresponde à forma da parábola com o vértice na abscissa


V. = JÍ (Fig. 6.6). Nesta D 4 é o diâmetro de entrada do sistema diretor Fig. 6.6. Formação da característica do
e <p = 0,5 a 0,7. Se suas ordenadas forem subtraídas das ordenadas rotor CDG de uma bomba com sistema
da curva AB determinada por último, resulta a característica do rotor de aletas, a partir das retas Ypáx
procurada CDG, que representa, novamente, uma parábola com eixo
paralelo às ordenadas.
Se, ao invés das aletas, for usado um anel diretor liso, de acordo
com a Seç. 8.2 (como ocorre freqüentemente em compressores), apa-
rece no lugar do atrito no sistema de aletas e do choque nas aletas o
atrito z, nas superfícies laterais do anel diretor, que varia na forma
de uma linha caindo da esquerda para a direita [III, 1]. Na Fig. 6.6a
é mostrada a formação da característica do rotor JDL para este caso.
Vê-se que ela é sempre mais plana que a correspondente das bombas
com aletas e que, para sobrecarga, cai menos violentamente.
Na determinação da característica do rotor somente é possível
proceder de modo confiável por métodos experimentais. O desenvol-
vimento analítico precedente somente dá uma orientação 1 . Além
disto, deve-se observar que mesmo uma fabricação das pás com pe-
quenas tolerâncias pode resultar em consideráveis alterações do com-

1
Ver também a Seç. 4.33 e Ida, T.: The effects of impeller vane roughness and Fig. 6.6a. Formação
thickness on the characteristics of the mixed·flow propeller pump. Buli. of JSME 8 (1965) do rotor de uma om anel
N.' 32, pp. 634/643. diretor liso (ao invés leis z.tl)
.,..

186 CARACTERISTICAS DE MAQUINAS DE UM ESTAGIO CAP. 6

portamento em operação da máquina, ou seja, de sua característica


do rotor e de suas curvas de rendimento 1 .

6.24 A superficie característica


Se forem calculados os valores das relações obtidas, através da
formação de

para a determinação da equação da curva característica do rotor,


obtém-se, após simples transformação

(6.13)

Nesta, os coeficientes k,. k 2 , k3 dependem das medidas do sistema


diretor e do rotor. Variando-se também n, a Eq. (6.13) representa a
superfície característica da bomba. Esta é um parabolóide hiperbólico,
cujo eixo principal coincide com o eixo Y e cujo vértice coincide com
a origem O. Na Fig. 6.7 está representada·'esta superfície "característica,
através de sua forma do lado positivo do eixo (. O plano (Yx' Y) é aí
considerado transparente.

Fig. 6.7. Superfície característica de uma bomba rotativa. I e JJ são linhas de rotação
constante, ou seja, características do rotor. A e B são linhas de trabalho específico interno
constante: a é uma linha de fluxo acionador 'Constante (ao invés de V leia V)

1
Surek, D.; EinfluP fehlerhafter Schaufelgeometrie radialer Laufriider auf die strô-
mungstechnischen Hauptparameter Pumpen und Verdichter Informationen, VEB-K(lnl·
binat, Halle (Saale) 1971. H. 1, pp. 15/26.
6.2 CARACTERISTICAS DAS BOMBAS ROTATIVAS 187

a) Planos de corte n = const. Estes planos dão as características


do .rotor tratadas. Como se trata de parábolas, sua forma fica deter-
minada pelo parâmetro da equação do vértice y 2 = 2px, especifica-
mente P = 1/(2k 3 ). Como esta equação não contém a rotação, ela é
constante para uma bomba determinada. Dai segue a importante
observação:
As características do rotor de uma mesma bomba são congruentes
para todas as rotações, desde que tenham a forma de parábolas. Caracte-
rísticas do rotor de outra forma, como, por exemplo, podem ser medidas
em rotares rápidos (ver a curva f na Fig. 6.30), são, para uma mesma
bomba e para todas as rotações, semelhantes entre si.
Projetando-se as características do rotor, parabólicas nos planos
((:;, ~) paralelos a elas, obtém-se um grupo de parábolas congruentes
(Fig. 6.8), que são organizadas entre si de modo tal que seus vértices
se situam todos na parábola OM e seus eixos são paralelos.

Fig, 6.8. As várias pos1çoes das


características do rotor de uma bom-
ba são obtidas pelo deslocamento
de uma delas paralelamente a si
própria, sendo que o ponto mais
alto A se desloca sobre a parábola
OM (ao invés de V leia V)

Assim, se na Fig. 6.8 for dada a característica do rotor CAB para


uma rotação n arbitrária, ela fica também conhecida imediatamente
para todas as outras rotações. É necessário somente determinar o
ponto mais elevado A da curva dada, traçar através deste a parábola
OAM, cujo eixo principal é o eixo ~\' e observar que as abscissas dos
pontos A se comportam da mesma maneira que as rotações.
Esta lei de congruência é extraordinariamente bem. comprovada
na prática.
b) Planos de corte ~egundo eixo Y, (na Fig. 6.7 formando o ân-
gulo <p abaixo do eixo V,) dão parábolas com o vértic~ na origem,
dos quais uma está projetada na Fig. 6.8, no diagrama (V,, ~) citado.
Obviamente, para estes a relação Vxfn é constante, de maneira que os
triângulos de velocidade permanecem semelhantes. Por isto, o grau
de enchimento ~/V (e também o coeficiente de vazão c0 mxfu 1 ) perma-
nece constante. Da mesma forma, não mudam ~/n 2 e Pxfn 3 (lei da
afinidade). Na verdade, estas parábolas de mesmo estado de choque
deveriam ser também linhas de mesmo rendimento ~- Pesquisas dão,
entretanto, a forma de concha das linhas ~ = const., mostrada na
Fig. 6.9. A diferença deve ser atribuída, inicialmente, à influência
188 CARACTERISTICAS DE MÁQUINAS DE UM ESTAGIO CAP. 6

(discutida na Seç. 6.53) do número de Reynolds e também ao fato de


que as perdas mecânicas não são proporcionais à terceira potênCia da
rotação. Ambos estes efeitos fazem com que o rendimento geral me-
lhore quando a rotação aumenta. O fato de que as linhas de mesmo
rendimento se curvem novamente para cima, no caso de fluido
liquido, deve ser atribuído à ocorrência de cavitação e, para fluidos
gasosos, ao aumento das perdas proporcionalmente à massa espe-
cífica 1 .

o 45 1,0 ~s 2,0
Fluxo acionador

Fig. 6.9. Características do rotor e linhas de mesmo rendimento (cm forma de concha)
no diagrama Vx, Y_,.: linhas de mesmo conjugado (tracejadas): linhas de mesma potência
no eixo (em traço-ponto)

O uso da imagem em forma de concha será maior se forem dese-


nhadas também as linhas de mesma potência no eixo P, que, então,
poderão ser indicadas para cada ponto de operação do motor de
acionamento.
As linhas, também incluídas, de mesmo conjugado M são, da
mesma forma, importantes para a definição do acionamento.
c) Os planos de corte horizontais, ou seja, para Yx = const., que
são paralelos ao plano (,V,, n), dão hipérboles (A, B), cujas assíntotas
se cruzam no eixo J::: e são paralelas entre si. Também estas curvas
são de interesse prático, pois permitem conhecer o comportamento
da bomba sob condições de trabalho específico interno variável,
quando o fluxo acionador for regulado através de variação da rotação.
Na Fig. 6.10 está mostrada uma tal hipérbole. É interessante notar
Fig. 6.1 O. R.elação entre a rotação que, para a forma aqui mostrada da característica do rotor, quando o
e o fluxo acionador sob condições de fluxo acionador decresce, inicialmente a rotação também diminui, alcan-
trabalho especifico interno constante çando, então, um. mínimo nk, que corresponde à tangente horizontal.
(ao invés de V leia V)
d) Planos de corte paralelos ao plano (n, Y.J dão parábolas tais
como a curva a da Fig. 6.7. Estas mostram como a rotação deve ser
variada para que o fluxo acionador permaneça constante se o tra-
balho específico interno desejado sofrer oscilações.

1
Ver pp. 87/88 da 2.a Ed. (em alemão) deste livro. I
',

,I
~
6.2 CARACTERISTICAS DAS BOMBAS ROTATIVAS· 189

6.25 Influência de alterações construtivas na forma da


característica do rotor

Na Seç. 6.23 (ver especialmente as Figs. 6.6 e 6.6a), foi explicado


que a característica do rotor de uma bomba rotativa com um anel
diretor sem aletas é mais plana do que ·a característica do rotor de
uma bomba com aletas.
Na construção das características do rotor das Figs. 6.6 e 6.6a,
partimos da hipótese de que as perdas de choque têm uma forma
parabólica de variação [ver a Eq. (2.76) com o coeficiente empírico <p
mantido constante]. O valor deste coeficiente <p depende, entretanto,
das condições do fluxo e, portanto, não permanece constante para
diferentes fluxos acionadores. Uma alteração da forma de variação
das perdas de choque, em função do valor do fluxo acionador,
causa uma alteração correspondente da característica do rotor. Pode
também ocorrer· na prática que o ponto de operação sem choque do
rotor não corresponda ao ponto de operação sem choque das aletas,
o que, a par de uma redução do rendimento máximo atingível, altera
ainda a forma da característica do rotor.
Na Seç. 7.12 foi mostrado que o tipo de vedação do labirinto pode
influir não somente nas perdas do labirinto mas também no trabalho
das pás e, através deste, também na forma da característica do rotor.
Na Seç. 6.41c (ver principalmente a Fig. 6.37) será discutida a
influência de chapas diretoras especiais na característica do rotor de
uma bomba axial sob carga parcial. Uma. modificação semelhante
da característica do rotor sob carga parcial também pode ser feita
em bombas radiais. De acordo com A. Kovats', as FÍgs. 6.11 mostram

Fig. 6.11. Formas a, b c c da boca de sucção de um estágio intermediário de uma bomba


rotativa de vários estágios (de acordo com A. Kovats [III, 24]) /
diferentes formas da boca de sucção e a Fig. 6.12 as curvas caracterís- t::':W1 I
ticas do rotor correspondentes (coeficiente de pressão if! em função
1,0 _,;______ __ ::,i"-
do coeficiente de vazão <p). A forma original a, tinha uma ca~acterís­
c~
tica do rotor instável (ver a Seç. 6.28), ou seja, uma característica do
rotor caindo no sentido dos menores fluxos. A extensão para a frente
da aresta de saída das aletas de desvio (forma b) resulta em uma
característica do rotor estável, mas ainda muito plana (ver a este o o,os 0,10
respeito também a Fig. 6.37). Na forma c as arestas de entrada do ~-
rotor foram estendidas para a frente e o diâmetro da boca de sucção
do rotor foi reduzido de D, = 0,55D 2 para D, = 0,50D 2 , o que resultou Fig. 6.12. Características do rotor para os cas~s
em uma característica do rotor sempre crescente quando o fluxo a, b e c da Fig. 6.11. O coeficiente de vazão <p foi
acionador é reduzido. A observação de que nos rotares radiais uma aqui tomado igual a c 2 m/u 2 (segundo A. Kovats
redução do diâmetro da boca de sucção age de forma estabilizadora [III, 241)

1
Kovats, A.: Modification of the performance curve of centrifugai pumps. IAHR-
Symposium, "Kreiselpumpen in Kraftwerken" Braunschweig 7 até 9.9. 1966.- [III, 24
p. Dl/08].
190 CARACTERfSTICAS DE MAQUINAS DE UM ESTAGIO CAP. 6

na característica do rotor, pode ser explicada pelo fato de que o fluxo


do espaço morto B discutido na Seç. 6.41a (Fig. 6.28) fica tanto mais
forte quanto maior for a relação D,ld., (diâmetro da boca de sucção
para o diâmetro do cubo).
Resumindo, pode ser dito que a forma da característica do rotor
depende de muitas grandezas e .que uma previsão exala de sua forma
não é possível na prática.

6.26 As linhas da potência no eixo


Na expressão da Eq. (1.20), que dá a potência no eixo
t
(6.14)

o primeiro termo representa a potência transmitida pelas pás. Reu-


nindo, inicialmente V.+:
V,P em V, (o que corre~ponde a desprezar V,P),
a potência nas pás g ~ Ypáx rebatida sobre ~. a rotação constante,
varia como uma parábola passando pela origem, pois a linha do tra-
balho das pás Ypáx é uma reta. Para /3 2 = 90•, ou seja, uma pá termi-
nando na vertical, onde Ypáx = const., ela se transforma em uma reta
B (Fig. 6.13). Para pás curvadas para trás ela situa-se sob esta reta,
cresce até alcançar um máximo para depois diminuir até zero. Para
pás curvadas para a frente ela se situa acima de B e cresce sem limites 1 •
Fig. 6.13. As linhas cheias representam Se acrescentarmos os outros termos de potência da Eq. (6.14), incluindo
as potências transmitidas pelas pás (PVx as perdas no labirinto, as linhas da solicitação total de potência não
Yp.ix), desprezando-se as perdas de tran-
sição e as perdas no labirinto, em função passarão mais pela origem, ocorrendo, ao contrário, uma grande soli-
de Vx, quando a rotação permanece citação a vazio.
constante. A linha A corresponde a
Esta solicitação de potência para funcionamento a vazio representa
{3 2 < 900, B a /3 2 = 90" e C a /3 2 > 90"
uma percentagem tanto maior da potência a carga normal quanto menor
forem o coeficiente de pressão 1/J e o ângulo {3 2 , já que o atrito no rotor
e as perdas no labirinto crescem. Nos retores lentos, a potência a
vazio varia entre 30 e 60% da potência a carga normal. Quando {3 2
diminui, a rotação específica a1:1menta e é interessante notar que, de
acordo com a Fig. 6.31, este aumento da potência a vazio propor-
cionalmente à rotação específica também ocorre em todos os outros
tipos de rotor. Isto se deve ao fato, verificado na Seç. 2.94, de que o
rendimento cai tanto mais rapidamente quanto mais elevada for a
rotação específica. Nas bombas-hélice com pás não ajustáveis e nas
bombas helicoidais a potência a vazio é até maior do que a potência
a carga normal, de maneira que a colocação em funcionamento da
bomba fica mais dificil e a regulação por estrangulamento absoluta-
mente não pode ser usada. O contínuo aumento da solicitação de
potência nas pás curvadas para a frente, de acordo com C na Fig. 6.13,
proporcionalmente ao aumento da vazão, está, portanto, por um lado
ligado à vantagem da pequena potência a vazio mas, por outro lado,
também ligado à desvantagem da sobrecarga do motor de aciona-
mento quando (por exemplo, devido à ruptura da canalização) o fluxo
acionador ultrapassar o valor normal.
A linha dos conjugados M = P xfw somente se diferencia, para um
mesmo w, da linha Px, em escala (Fig. 6.13). Em alguns casos, por
exemplo, quando o acionamento é feito por máquinas de êmbolo, a
forma das linhas de mesmo conjugado desenhadas sobre Vx é impor-

1
Na figura as linhas dos trabalhos Y"áx encontram-se todas em um ponto do eixo
vertical, o que somente ocorre quando o coeficiente de potência mínima p é sempre o
mesmo (Seç. 2.44):
6.2 CARACTERISTICAS DAS BOMBAS ROTATIVAS 191

tante. Estas são dadas (tracejadas) na Fig. 6.9. Deve ser observada a
forma caindo para a direita, que é agora diferente da forma das linhas
da potência no eixo P, pois w varia.
6.27 A determinação do ponto de trabalho
O trabalho em conjunto da bomba com a canalização pode ser
determinado por meio das características correspondentes a ambos
estes órgãos.
A determinação do ponto de trabalho será feita inicialmente para
fluidos líquidos. Admitindo-se que a aceleração da gravidade local
seja sempre constante (g = 9,81 mjs 2 ), freqüentemente se usa, para
bombas trabalhando com líquidos, a altura de elevação H x = ~/g ao
invés do trabalho específico interno. ~· Desta maneira, as perdas na
canalização não são dadas com Z como perdas de trabalho por kg
de fluido (ou seja, não em Nm/kg = m 2/s 2 ), mas como perda de altura
H,= Z/g (por exemplo, em m). Esta perda de altura é denominada
altura de resistência. No diagrama (V,, H) a curva característica da
bomba é a característica do rotor, já conhecida. A curva característica
da canalização, para fluidos líquidos, é praticamente uma parábola GB
com as ordenadas como eixo (Fig. 6.14). A distância de seu vértice G
da origem O é a parte da altura de elevação independente da vazão
(altura de elevação estática), ou seja, a diferença de altura entre os
níveis d'água de sucção e de pressão somada à parcela da altura de
elevação causada pela diferença de pressão entre ambos estes níveis
d'água, enquanto que a parábola leva em consideração a altura de
resistência da canalização (altura de elevação dinâmica)'. A bomba
trabalha no ponto de encontro B de ambas estas características. Em
geral, não se pode supor que este ponto B coincida com o ponto
de cálculo.
A determinação do ponto de operação, quando várias bombas
trabalham simultaneamente no mesmo sistema, é de grande impor-
tância. Se as bombas forem iguais entre si, a seção da canalização Fig. 6.14. Determinação do ponto de tra-
balho B (ao invés de V leia Ji).
\
disponível para cada uma delas diminui inversamente proporcional
ao número de bombas; como a resistência da canalização é propor-
cional ao quadrado da velocidade do fluxo, as ordenadas das pará-
bolas que representam as características de resistência das canalizações
deverão ser ampliadas na relação do quadrado do número de bombas,
para bombas iguais entre si. Na Fig. 6.15 são mostradas as caracterís-
ticas assim obtidas para uma (curva I), duas (curva II) e três bombas
(curva II I), sendo suas ordenadas para Ti, respectivamente, a, 4.' e
9.'. Ocorre também um deslocamento do ponto de operação, que é,
respectivamente, Bl' B 2 . e B 3 nas três curvas, no sentido de que, I
quando o número de bombas aumenta, o fluxo de cada bomba I
I
diminui, por exemplo, de V1 para V3 , caso sejam usadas três bombas 1 I I
I I I
ao invés de uma. I
As considerações anteriores podem ser aplicadas ao caso de
bombas para fluido gasoso somente quando se relaciona o fluxo
acionador ao estado do gás na canalização e que este somente varie
dentro de limites muito estreitos. Além disto, no tratamento da alimen- Fig. 6.15. Redução do fluxo acionador de
tação a gás, deve-se tomar o trabalho específico interno Yx no lugar uma bomba quando se eleva o número de
bombas trabalhando na mesma rede de
da altura de elevação Hx e, no lugar da altura de resistência da cana- canalizações. II indica duas bombas traba-
lização, deve-se tomar a perda na canalização como um trabalho lhando em paralelo e III indica três.
específico relacionado à unidade de massa do fluido.

1 Em um tratamento mais exato deveria ser também considerada a diferença das

energias de velocidade entre a entrada e a saída do sistema, no exame da altura de elevação.


192 CARACTERISTICAS DE MAQUINAS DE UM ESTAGIO CAP. 6

Na Seç. 6.24c verificamos que a rotação deve ser regulada para


variar hiperbolicamente com o fluxo acionador, se desejamos manter
constante o trabalho específico interno J:;_, ou seja, a altura de ele-
vação H x . Se este, entretanto, variar de acordo com uma caracte-

rística dada da canalização, podemos obter a relação entre n e V, por
meio da lei de congruência definida na Seç. 6.24, da maneira mostrada
na Fig. 6.16 e descrita a seguir.

h
I

Caracter/stica da canalização

linha das rotações

\
\
\
\\
''
·ii

Fig. 6.16. Determinação da variação das rotações para uma característica prescrita
da canalização (ao invés de V leia V)

Desenhamos a característica do rotor, já conhecida, em papel


transparente. Em seguida, deslocando a característica do rotor para-
lelamente a si própria de maneira que seu ponto máximo A se mova
sobre a parábola OAM de mesmo estado de choque correspondente,
obtém-se os fluxos ,;;, V2 e Ji3 nas interseções C~' C 2, C3 etc. com a
linha BC e as rotações ·correspondentes nas abscissas ai' a 2 , a 3 etc.
nas respectivas posições do ponto A. Transferindo-se os valores a
sobre os ~ correspondentes, resulta a linha DD 4 . A escala fíca conhe-
cida pelo fato de que a rotação do ponto de operação C é dada pela
rotação da posição inicial da característica do rotor e corresponde
ao segmento a. Para as posições mais baixas da característica do
rotor existem mais duas interseções C4 e C~. A curva procurada
(n, V) recebe, portanto, uma tangente horizontal da mesma forma
que a da Fig. 6.10, cujo ponro de encontro representa novamente um
ponto crítico no sentido de que, se a rotação cair abaixo do valor
respectivo, a bomba sai de funcionamento. A forma plana da linha
(n, .Vx) mostra ainda que a variação percentual do fluxo acionador é um
múltiplo da variação da rotação. Ao lado da regulação da rotação, é
também muito importante, na prática, especialmente em ventiladores
radiais de um estágio e em bombas rotativas rápidas semi-axiais, a
regulação do vórtice. Esta consiste no ajuste das aletas de entrada
situadas do lado de sucção do rotor (Fig. 8.19). Este iipo de regulação
será tratado na Seç. 8.4.
6.2 CARACTERISTICAS DAS BOMBAS ROTATIVAS 193

6.28 O "bombeamento" e o limite de bombeamento


O trecho AC da característica do rotor, entre o ponto de contato
com a tangente horizontal e o eixo das ordenadas (Fig. 6.17) tem, sob
certas condições de operação, um caráter instável, enquanto que o
restante da característica é sempre estável. Isto será esclarecido no
caso de uma bomba hidráulica possuindo somente altura de elevação
estática, ou seja, com uma canalização curta e grossa, conforme
mostra a Fig. 6.17, na qual à esquerda aparece a característica do
rotor da bomba representada à direita. Esta bombeia água através
de uma canalização de resistência desprezível no reservatório R, de
onde, em seguida, a água flui para um consumidor T. A característica
do rotor é representada de maneira que seu eixo ~ esteja à mesma
altura que o nível d'água do reservatório de sucção, que permanece
constante. Assim, a altura da água na canalização de pressão é sempre
igual à altura de elevação da bomba.

Fig. 6.17. Esclarecimento do caráter instável do trecho AC da


característica do rotor (ao invés de V leia V)

No início do bombeamento consideramos que a bomba está cheia


até a altura H 1 e, assim, ela começará a trabalhar no ponto 1 e irá
encher a canalização de pressão até a altura H 2 , na qual a água já
pode fluir para o local de consumo. Durante este tempo o ponto de
operação variou de 1 para 2 e o fluxo caiu de V1 para V2 . Se este for
exatamente igual ao consumo, ocorre o estado de equilíbrio. Se, entre-
tanto, ele for maior do que o consumo, ou seja, se a bomba elevar
mais água do que estiver sendo consumido, o nível d'água se elevará
no reservatório superior e o ponto de operação se aproximará do
ponto máximo A. Se isto ocorrer, o fluxo será reduzido e a produção
da bomba se adaptará ao consumo. Se, entretanto, o consumo d'água
for ainda menor que ~.·o nível no reservatório R deveria se elevar
ainda mais, o que. porém. não é possível, pois no ponto A foi já alcan-
çada a altura máxima de elevação da bomba. A bomba sai então
do equilíbrio, o que se demonstra pelo fato de que o ponto de operação
se desloca rapidamente pa'a a extensão da característica do rotor na Fig. 6.18. Continuação da característica do rotor
região de V, negativo CBE (Fig. 6.18) 1 Devido ao bombeamento na região de valores negativos de V. .
negativo resultante, ou seja, ao fluxo de sentido contrário, o reser- (curva de frenagem)
vatório se esvazia, sendo que, então, o ponto de operação desce na

1 Este fenômeno transcorre, em detalhe, da maneira seguinte: À esquerda de A na

Fig. 6.17 a altura de elevação da bomba e, com ela, a pressão produzida, é menor do que
a pressão da água acima da bomba. Com isto, o fluxo é freiado e acelerado no sentido
negativo. O ponto de operação, então, desloca~se muito rapidamente de A para o ramo
e •
BE, passando por C (Fig. 6.18).
194 CARACTERISTICAS DE MAQUINAS DE UM ESTAGIO CAP. 6

direção de E para B. Daí em diante, ou seja, ao longo de BC, a altura


de elevação aumenta e, por isso, ocorre novamente uma reversão
violenta do sentido da vazão, ou seja, o ponto de operação desloca-se
novamente muito rápido de B para o ramo positivo da característica
do rotor (entre AD), com o que o reservatório novamente se enche
e o fenômeno se repete todo (ver a este respeito [III, 6, pág. 376]).
Este tipo de operação é denominado bombeamento e o ponto A
é o limite de bombeamento. Se o fluxo for inferior ao limite de bom-
beamento, começa o bombeamento.
A duração de uma oscilação de bombeamento, ou seja, o tempo
necessário para encher e novamente esvaziar o reservatório depende
do tamanho do reservatório de energia, para uma mesma bomba.
Este reservatório de energia é representado pelo reservatório R no
caso tratado e pode também ser dado por uma câmara de ar compri-
mido construída na canalização de pressão ou por uma construção elás-
tica da canalização de pressão (como, por exemplo, é necessário fazer
nas bombas de alimentação de caldeiras, para absorver as dilatações
térmicas). Se não houver reservatório, ou se este for muito pequeno,
não ocorrem as oscilações de bombeamento, como será mostrado
posteriormente.
No caso de fluido gasoso o termo elástico do ar sob pressão exis-
tente na canalização e inclusive na carcaça do compressor, sempre
está presente. Além disto, o ramo instável da característica do rotor
é mais longo que o das bombas hidráulicas, devido aos maiores valores
do ângulo {3 2 da aresta de pressão que são usuais. O limite de bom-
beamento para turbocompressores axiais para altos-fornos e side-
rúrgicas está entre aproximadamente 40 a 50%, para turbocompres-
sores radiais de vários estágios normais está perto de 60% e para
compressores axiais 1 (sem pás móveis) ~stá perto de 60 a 85% do
fluxo acionador para o qual a máquina foi calculada (ver a este res-
peito [V, 56]). Devido ao fato de que no caso de fluidos líquidos a
canalização antes do órgão elástico está cheia de um líquido (incom-
pressível), existe a possibilidade de amortecer as oscilações de bom-
beamento através da colocação de resistências antes do reservatório,
ou seja, dentro da canalização (por exemplo na forma de um estran-
gulador). Com isto o ramo instável será reduzido, como pode ser
visto na Fig. 6.19, na qual as parábolas desenhadas consideram as
alturas de resistência das posições de estrangulamento citadas, inclu-
sive eventuais perdas na canalização (característica da canalização).
O vértice destas parábolas situa-se no eixo H x a uma distância igual
à parte estática da altura de elevação, da mesma forma que na Fig. 6.14,
e se desloca para cima quando a pressão estática aumenta. Pode-se
B ver que a pressão única máxima será alcançada na operação em B.
Assim, estrangulamentos após o órgão elástico são inúteis e repre-
sentam apenas gastos desnecessários de energia.
Pode-se reduzir o perigo do bombeamento projetando a bomba
de modo a ter uma característica do rotor o mais estável possível ao
longo de toda sua trajetória. Isto pode ser conseguido através da
escolha de ângulos {3 2 menores juntamente com um pequeno número
Fig. 6.19. Redução do· ramo instável até o de pás, pequena dimensão na entrada do canal diretor, uso de anel
ponto B através da introdução de resis- diretor liso (ver a Seç. 8.2), através da redução do diâmetro da boca
tências na canalização antes do de sucção (Seç. 6.25); em bombas de vários estágios, através da intro-
órgão elástico dução de chapas diretoras na entrada (ver a Fig. 6.37), e, finalmente,

1
Ver Thommm, E.: Turboverdichter. BWK 6 (1954) 132.
6.2 CARACTERISTICAS DAS BOMBAS ROTATIVAS 195

usando-se altas rotações específicas (ver a Fig. 6.30) e, principalmente,


através da extensão da aresta de sucção na entrada axial. Em com-
pressores somente pode-se usar parte destas providências. Neles, fre-
qüentemente, prevê-se uma válvula de descarga que é aberta quando
a máquina alcança o limite de bombeamento, liberando o excesso de
ar na atmosfera ou, em certos casos, em uma turbina de regeneração
montada no mesmo eixo do compressor (à esquerda na Fig. 13.2) ou,
finalmente, na canalização de sucção do compressor 1.
Abaixo de uma "rotação limite" desaparecem as oscilações de
bombeamento. Isto é provavelmente devido ao fato de que para o
aparecimento inicial de uma aplitude de oscilação é necessária uma
correspondente alteração da circulação nas pás, que ocasione um
determinado fluxo na periferia do rotor, pois o turbilhonamento de
partida deve desaparecer [III, 1, 3.' Ed., pág. 39; 4.' Ed., pág. 403;
5.' Ed., pág. 425ff.]. O ângulo de rotação correspondente é indepen-
dente da rotação e, por isso, o tempo de partida aumenta, enquanto
que o tempo de oscilação depende, principalmente, do tamanho do
reservatório e da canalização. Este raciocínio é muito importante,
principalmente em instalações com pequena capacidade de reserva-
tório, ou seja, com elevada freqüência própria. Ele esclarece a razão
pela qual no caso de fluido líquido a elasticidade da água e do ma-
terial da canalização não são suficientes, na maioria dos casos, para
causar oscilações de bombeamento.

6.29 O descolamento girante e o limite de descolamento


Principalmente nos compressores axiais (mas também nas má-
quinas radiais com pequena extensão radial das pás) pode ocorrer,
além das oscilações de bombeamento atrás descritas, ainda outro fenô-
meno, quando o fluxo acionador fica abaixo do valor de cálculo e
diminui ainda mais. Este é o descolamento do fluxo na superfície
das pás.
Admitiremos conhecido que o fluxo em uma asa de sustentação
na parte superior da asa se descola sempre que o ângulo de ataque
(ii na Fig. 9.35) se torna muito grande. Um tal descolamento pode,
naturalmente, também ocorrer nas pás de uma grade de pás de uma
máquina de fluxo, sendo que, neste caso, a região de descolamento
gira relativamente à grade de pás e, por isso, é denominado fenômeno
de descolamento girante (rotating stall). Este descolamento girante
pode ser explicado da seguinte maneira: 2
Quando o fluxo se reduz, aumenta o ângulo de ataque das pás.
Quando o limite de descolamento é atingido, o fluxo se descola iniciai-
mente em uma pá ou em algumas poucas pás, devido à imprecisões
nos perfis das pás ou a um fluxo irregular na entrada da grade (ver as
pás 2 e 3 na Fig. 6.20). Com isto a vazão nos canais atingidos é redu-
zida e o fluxo nesta posição do rotor é retardado. Nestas regiões de
retenção, mostradas hachureadas na Fig. 6.20, as partículas fluidas
seguintes serão desviadas para ambos os lados. Este desvio causa

'AEG-Mitt. 1932, p. 142: 1938, p. 477: ETZ 7 (1955) 130-133.


2
Ver Wood, M. D., usw.: The Aeronautical Quarterly, XI (1960) Part II, Maiheft
pp. 169-170. - Emmons, H. W., usw.: Trans. Amer. Soe. mech. Engrs. 77 (1955)
455-469. - Benser, W. A., Finger, H.B.: SAE Trans. 65 (1957) 187-200: Trans. Amer. Fig. 6.20. Aparecimento ...dillllllll:ola-
Soe. mech. Engrs. 80 (1958) N. 0 6, p. 1273: Sovran, G.: Trans. Soe. mech. Engrs. meil.to girante do fluxo na~e pás
Series Ap. 24, Jan. 1959: o número de setembro dos Trans. Amer. Soe. mech. Engrs.
Series D 81 (1959) contém à pp. 305-417 seis artigos de vários autores sobre fenômenos
de descolamento. - [III, 23, p. 311/330] - [V, 68].
196 CARACTERISTICAS DE MAQUINAS DE UM ESTAGIO CAP. 6

nas pás seguintes um maior aumento do ângulo de ataque, que já


estava grande, e, com isto, um descolamento também nelas (pás 4 e 5
na Fig. 6.20). Nas pás situadas antes da região de retenção na direção
tangencial (pás I e 2 na Fig. 6.20) o ângulo de ataque será reduzido
e, com isto, o fluxo que lá já se tinha descolado volta a aderir às super-
fícies. Desta forma a zona de descolamento se move, de maneira rela-
tiva, ao contrário da velocidade tangencial das pás. Este movimento
é, entretanto, quase sempre menos rápido que a velocidade tangencial
das pás, de modo que, visto de maneira absoluta, a zona de descola-
mento se move no sentido da velocidade tangencial com cerca de
20 a 50% da velocidade do rotor.
Quando o fluxo diminui, logo que atravessa o limite de descola-
mento, inicialmente o descolamento se reduz a somente uma zona.
Quando o fluxo diminui ainda mais, esta se divide em várias zonas,
podendo alcançar, no máximo, cerca de 8 zonas. A posição das zonas
de descolamento será mais detalhadamente discutida na Seç. 6.41 b
para os compressores axiais.
Na região de descolamento tanto o fluxo de ar como a potência
de perda sã