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09/07/2019 » Proteção veicular é seguro?

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PROTEÇÃO VEICULAR É SEGURO?


10/12/2018  

(http://www.tudosobreseguros.org.br/wp-content/uploads/2012/03/Seguro_multiplicado-250x166.jpg)A
palavra “seguro” tem duplo signi cado. Pode ser adjetivo, signi cando rme, inabalável, garantido, livre de
receio. Ou pode ser substantivo signi cando o contrato aleatório pelo qual, mediante uma taxa (prêmio),
uma das partes se obriga a indenizar a outra por prejuízo eventual – o conhecido contrato de seguro.

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Começando por esse segundo signi cado, o contrato de proteção veicular tem características de contrato
de seguro?

Para obter cobertura securitária, as pessoas precisam fornecer certo número de informações às
seguradoras sobre seus riscos de modo a lhes permitir identi car o chamado “per l de risco” e xar as
diversas condições contratuais. Se deturpam tais informações, as seguradoras estão no direito de não lhes
dar cobertura em caso de sinistro. Daí a necessidade da “máxima boa-fé” entre as partes.

As associações e cooperativas de proteção veicular argumentam que não fazem per s de risco, mas pedem
apenas informações sobre ano, modelo, versão do veículo e habilitação do condutor. Com tais
informações, aplicam uma tabela padrão com algumas diferenciações. Embora incompleto em comparação
com a prática das seguradoras, este é um per l inicial de risco cujo preenchimento falho pode dar às
associações o direito de negar indenização.

Com exceção dos riscos complexos e vultosos, demandados por grandes empresas, os seguros são
contratos de adesão, ou seja, os segurados não participam da formulação dos termos da apólice. Esta é
preparada pela seguradora e depois é aceita ou rejeitada pelo comprador. No caso da proteção veicular,
dá-se o mesmo, trata-se de um contrato de adesão. O associado, depois de dar as informações
mencionadas acima, não tem como alterar o contrato de proteção veicular. Ou adere ou rejeita.

Os contratos de seguro são pessoais, isto é, eles protegem pessoas físicas ou jurídicas de perdas
nanceiras eventuais e não as propriedades dessas pessoas. Costuma-se dizer: “meu carro está segurado”,
mas na verdade quem está segurado é o dono. Se vender o carro, o seguro não passará automaticamente
para o novo proprietário. Este terá que renegociar o contrato com a seguradora, que pode cancelar a
apólice se entender que o risco não se enquadra em suas diretrizes de subscrição. Na proteção veicular, a
restrição é similar: em caso de venda do veículo cadastrado, o associado deve informar e assinar
imediatamente termo de cancelamento de cadastro de seu veículo.

Os seguros de bens e responsabilidades são contratos de indenização, signi cando que, em troca de um
pagamento (prêmio), a seguradora concorda em pagar nem mais nem menos que a perda sofrida pelo
segurado. O propósito do contrato é assim restaurar o segurado à posição econômica anterior ao sinistro.
O princípio da indenização é importante para viabilizar o instituto do seguro: se os segurados pudessem
ganhar num sinistro mais dinheiro do que perderam, alguns deliberadamente causariam sinistros, o que
resultaria em maiores ônus para as seguradoras e, portanto, maiores prêmios de seguro para todos os
segurados. Na proteção veicular, dá-se o mesmo: em troca de um pagamento (mensalidades), as entidades
prometem indenizar o associado daquilo que ele perdeu, nem mais nem menos.

Portanto, o contrato de proteção veicular tem, de fato, características similares ao contrato de seguro, a
saber, baseia-se na máxima boa-fé, é um contrato de adesão, é um contrato pessoal e objetiva indenizar o
contratante, restituindo sua posição nanceira anterior ao sinistro.

Isto posto, o que diferencia o contrato de proteção veicular do contrato de seguro e o que separa as
seguradoras das associações e cooperativas de proteção veicular?

Cooperativas, mútuas e seguradoras

Uma cooperativa é uma organização cujo princípio básico é a melhoria patrimonial de seus membros com
base na ajuda mútua e na autogestão democrática. As cooperativas diferem de empresas, pois utilizam
seus lucros para ns decididos pelos próprios membros. Podem também ofertar mais de um produto ou
serviço: por exemplo, uma cooperativa de agricultores, criada para melhorar as condições de
comercialização da colheita, pode se engajar na distribuição cooperativada de bens de consumo. No Brasil,
as cooperativas de crédito estão sujeitas à aprovação prévia e aos regulamentos do Conselho Monetário
Nacional e do Banco Central (Lei Complementar n° 130, de 2009). Já no mercado de seguros brasileiro, as
cooperativas estão restritas aos seguros agrícolas, de saúde e de acidentes do trabalho, conforme xa o
art. 24 do Decreto lei 73, de 1966.

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As associações se assemelham às mútuas de seguros. Estas são companhias em que o segurado é também
participante do negócio. Elas se igualam às cooperativas quando cada membro tem direito a voto e a
organização é guiada pelos princípios do cooperativismo. Porém, em geral, os membros das mútuas são
clientes e não contribuem para o capital da organização, mas para o custeio de seus serviços. Outra
diferença é que a associação costuma ser aberta ao público, não se restringindo aos cooperativados. E
quando o segurado rescinde sua apólice, retira-se da mútua e perde os direitos de propriedade. No Brasil,
não existe previsão legal de funcionamento de mútuas de seguros e, portanto, as associações de proteção
veicular que a elas se assemelham operam sem qualquer base legal e, daí, sem scalização e regulação
estatal.

Diversamente das seguradoras, em que há transferência de risco, nas cooperativas e nas mútuas de
seguros há partilha de riscos. Assim, tipicamente, essas organizações retornam aos cooperativados e
segurados os superávits de receitas sobre despesas, reduzindo o custo total da proteção ou, em caso de
dé cit, cobram prêmios extras, aumentando-o. A isso se dá o nome de mutualismo puro, sendo muito
importante que este aspecto esteja formalizado em contrato e deixado bem claro para os associados, pois
estes podem ser chamados a aportar recursos adicionais se a sinistralidade da carteira se elevar acima do
esperado.

Seguro é um negócio complexo. As cooperativas e mútuas de seguros, tanto quanto as seguradoras


sociedades anônimas, necessitam operar de acordo com parâmetros técnicos estritos – atuariais,
nanceiros e jurídicos – se pretendem se manter solváveis. Daí porque nos países desenvolvidos esses três
tipos de organizações estão submetidos basicamente aos mesmos requisitos de autorização, scalização e
regulação.

As sociedades seguradoras, diversamente das mútuas e das cooperativas, são companhias cujos
proprietários são investidores, não são cooperativados ou clientes. Os investidores arriscam seu capital
visando obter lucro e a destinação do lucro – se será reinvestido na empresa, utilizado para sua expansão,
ou distribuído aos acionistas – é decisão deles. No Brasil, as sociedades seguradoras são constituídas
exclusivamente sob a forma de sociedades anônimas ou como cooperativas. Estas, entretanto, como dito
acima, somente podem operar em seguros agrícolas, de saúde e de acidentes do trabalho.

As seguradoras são especializadas em assumir riscos de terceiros, o que implica ter a obrigação de pagar
ao contratante (segurado), ou a quem este designar (bene ciário), uma indenização quando ocorrer o
evento indicado e temido (sinistro) mesmo quando as reservas técnicas são insu cientes para pagar a
indenização prometida. Nesse caso, devem fazê-lo desmobilizando o seu capital próprio em benefício do
segurado. Daí que, no interesse do funcionamento ordenado e e ciente do mercado de seguros, os órgãos
reguladores estabelecem regras diversas, de solvência, de capital mínimo, de informações etc. para as
empresas do setor. O objetivo é fazer com que tais empresas estejam sempre em condições nanceiras de
pagar no tempo certo todas as suas dívidas.

O Código Civil (art. 757) xa que “somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador,
entidade para tal m legalmente autorizada”. Ou seja, as companhias de seguro devem obter autorização
prévia do governo para funcionar e pautar suas ações pelas leis básicas do país e do setor e pelas normas
emanadas dos órgãos reguladores.

Um produto inseguro

Estamos assim em condições de responder à questão do primeiro signi cado da palavra seguro: são os
contratos vendidos pelas associações e cooperativas de proteção veicular um negócio seguro, no sentido
de rme, inabalável, garantido, livre de receio?

Está claro que não. Tais entidades operam em desrespeito à lei, sem autorização prévia para
funcionamento, sem scalização e regulação estatal e, conforme relatos diversos, havendo já muitos
consumidores prejudicados, pois pagaram e não tiveram a indenização a que tinham direito. Seu grande
apelo – o preço mais baixo – deriva justamente do fato de operarem desregulamentadas e sub-tributadas,
portanto, exercendo competição desleal às seguradoras estabelecidas. Mas, para o consumidor, esse é o

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barato que pode sair caro.  Pois há enorme distância entre o seguro oferecido pelas companhias
seguradoras, que são obrigadas pelos órgãos reguladores a ter sólidas reservas que garantam as
indenizações, e a “proteção veicular” que não possui nenhum tipo de garantia e supervisão do Estado.

Conforme salientado pela SUSEP, em seu site na Internet, com base no marco legal existente nos dias de
hoje, a única forma legal dessas associações e cooperativas atuarem é como estipulantes de contratos
de seguros, ou seja, contratando apólices coletivas de seguros junto a sociedades seguradoras
devidamente autorizadas pela autarquia e passando a representar seus associados e cooperados como
legítimos segurados.

O SEGURO COBRE

18/06/2019 - Aconteceu um sinistro! E agora? (https://www.tudosobreseguros.org.br/aconteceu-um-sinistro-


e-agora/)
27/05/2019 - RC riscos cibernéticos: novo ramo (https://www.tudosobreseguros.org.br/rc-riscos-ciberneticos-
novo-ramo/)
17/05/2019 - Seguro Auto: Preço médio e IPCA (https://www.tudosobreseguros.org.br/seguro-auto-preco-
medio-e-ipca/)
26/04/2019 - Monumentos em risco (https://www.tudosobreseguros.org.br/monumentos-em-risco/)
05/04/2019 - Revolução na mobilidade urbana (https://www.tudosobreseguros.org.br/revolucao-na-
mobilidade-urbana/)
22/03/2019 - Política tem seguro? (https://www.tudosobreseguros.org.br/politica-tem-seguro/)
15/03/2019 - Seguros e terrorismo (https://www.tudosobreseguros.org.br/seguros-e-terrorismo/)
21/02/2019 - Repartição x Capitalização (https://www.tudosobreseguros.org.br/reparticao-x-capitalizacao/)
18/02/2019 - Enchentes: o que fazer? (https://www.tudosobreseguros.org.br/enchentes-o-que-fazer/)
12/02/2019 - Helicóptero é seguro? (https://www.tudosobreseguros.org.br/helicoptero-e-seguro/)
28/01/2019 - Tragédia em Minas (https://www.tudosobreseguros.org.br/tragedia-em-minas/)
22/01/2019 - Proteja a educação de seu lho (https://www.tudosobreseguros.org.br/proteja-a-educacao-de-
seu- lho/)
18/01/2019 - Invalidez e seguro (https://www.tudosobreseguros.org.br/invalidez-e-seguro/)
11/01/2019 - Terrorismo no Brasil? (https://www.tudosobreseguros.org.br/terrorismo-no-brasil/)
11/01/2019 - Idosos vulneráveis (https://www.tudosobreseguros.org.br/novas-vulnerabilidades/)
20/12/2018 - Preparado para o verão? (https://www.tudosobreseguros.org.br/preparado-para-o-verao/)
10/12/2018 - Proteção veicular é seguro? (https://www.tudosobreseguros.org.br/protecao-veicular-e-seguro/)
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10/10/2018 - Seguros por estados (https://www.tudosobreseguros.org.br/seguros-por-estados/)
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26/09/2018 - Seguros para celulares (https://www.tudosobreseguros.org.br/seguros-para-celulares/)
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29/08/2018 - O seguro dotal misto (https://www.tudosobreseguros.org.br/o-seguro-dotal-misto/)
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13/08/2018 - Tranquilidade no aluguel de imóveis (https://www.tudosobreseguros.org.br/tranquilidade-no-
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