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TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL Notas de Aula Prof. Dr. José Bento Ferreira 2007

TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Notas de Aula

Prof. Dr. José Bento Ferreira

2007

Tecnologia da construção civil

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1. Introdução

Conceito de Linguagem dos Materiais

Basicamente, as técnicas empregadas na construção civil se baseiam nos seguintes parâmetros básicos, que são:

Características físico-químicas dos materiais a serem empregados

Capacidade tecnológica de uso dos materiais

Características sócio-culturais

Esse três parâmetros é que definem a forma como cada um dos materiais de construção foi e é utilizado. Assim, temos que o mesmo material pode ser utilizado de forma diversa em duas culturas diferentes, mesmo sendo iguais as suas características físico-químicas. Isso pode ser exemplificado pelas figuras abaixo, onde vemos sempre dois momentos distintos da utilização dos materiais na construção civil. Nas figura 1 e 2 temos a utilização da pedra e madeira:

Nas figura 1 e 2 temos a utilização da pedra e madeira: Figura 1: H abitação

Figura 1: Habitação celta de alto

padrão, cerca de 50 A.C

se a estrutura circular de pedra, espessa apesar da pequena altura final, coletada e parcialmente lavrada para distribuição em fiadas horizontais, sobre a qual se instalou uma estrutura de cobertura executada com varas roliças de madeira e recoberta com junco. Na mesma época, na República Romana, com uma estrutura urbana significativa, já era comum a utilização de arcos de pedra e alvenaria de tijolos.

Nota-

significativa, já era comum a utilização de arcos de pedra e alvenaria de tijolos . Nota-

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Tecnologia da construção civil 3 Figura 2: Nave da igreja da Abadia de Fontenay, construída entre

Figura 2: Nave da igreja da Abadia de Fontenay, construída entre os anos de 1139 e 1147, com 66 m de comprimento, 8 m de largura na nave (19 m com as naves laterais) e altura de 16,7 m. Executada no estilo gótico inicial, em pedra calcárea, com uma mão de obra estimada em 100 pessoas. Abaixo, uma gravura com as ferramentas utilizadas no período, que não apresentavam grandes diferenças funcionais daquelas de 1000 anos antes.

grandes diferenças funcionais daquelas de 1000 anos antes. Na verdade, o que permite tão grande diferença

Na verdade, o que permite tão grande diferença entre as obras não é o material em si, ou ferramentas inovadoras, mas a compreensão das possibilidades dos materiais. Neste caso específico, a compreensão das tensões atuantes sobre os materiais,

ainda que

empírica e obtida

muitas vezes através de insucessos, permitiu a adoção de

estruturas

complexas,

nas

quais

o

material

tem

a

sua

utilização

otimizada.

Fatos

importantes que possibilitaram isso

foram os registros das experiências

, cujo grande

iniciador histórico foi Vitrúvio Polião, na época de Júlio César, e a organização dos trabalhadores especializados nas chamadas guildas, ou corporações de trabalho. Como registro histórico, deve-se notar que o arco gótico foi um elemento estrutural de grande importância na engenharia civil, pois permitiu pela primeira vez que realmente a estrutura fosse dissociada das paredes, pois forma uma estrutura independente. Como resultado direto, temos a adoção de grandes vitrais, criando assim um ambiente mais iluminado durante o dia. Isso pode ser visto nas figuras 3 e 4. Da mesma forma, só que em datas recentes, podemos ver a evolução das estruturas de aço, conforme existe um maior domínio do material e da técnica construtiva, sendo que neste caso também foi essencial no seu desenvolvimento, a pesquisa de novas ligas metálicas, com maior resistência mecânica e química, ao mesmo tempo que

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trabalhável. Como exemplos notáveis, temos o Empire Stade Building e o World Trade Center (figuras 5 a 8).

Stade Building e o World Trade Center (figuras 5 a 8). Figura 3: Corte transversal de

Figura 3: Corte transversal de uma catedral gótica em estilo tardio, em que é possível ver o arco central ogival ou quebrado, e os contra-fortes, denominados arcobotantes.

ou quebrado, e os contra-fortes, denominados arcobotantes. Figura 5: Desenho do Empire State, onde se pode

Figura 5: Desenho do Empire State, onde se pode notar a fachada escalonada, que objetiva manter a insolação das ruas ao seu redor.

que objetiva manter a insolação das ruas ao seu redor . Figura 4: Corte longitudinal da

Figura 4: Corte longitudinal da mesma catedral, onde é possível se perceber a separação da estrutura e o aproveitamento dos vãos entre os elementos estruturais.

e o aproveitamento dos vãos entre os elementos estruturais. Figura 6: Esquema estrutural adotado no prédio,

Figura 6: Esquema estrutural adotado no prédio, em pórticos contínuos executados em aço, que neste caso foram recobertos com aço e fechados com painéis de alvenaria.

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Tecnologia da construção civil 5 Figura 7: Vista das duas torres, com as sua fachadas estruturais

Figura 7: Vista das duas torres, com as sua fachadas estruturais modulares, e de um dos prédios menores que compõem o conjunto arquitetônico do World Trade Center.

compõem o conjunto arquitetônico do World Trade Center . Figura 8: Modelo estruturas adotado no edifício,

Figura 8: Modelo estruturas adotado no edifício, com dois tubos estruturais concêntricos. O fechamento adotado foi o vidro, interposto entre as colunas, propiciando grande área útil.

No concreto armado, a grande evolução se deve ao maior conhecimento acumulado nas últimas décadas, sobre o real comportamento estrutural e as possibilidades de aumento da resistência dos materiais que o compõem, o concreto de cimento portland e o aço específico para concreto armado. Nos últimos anos, criou-se uma designação especial para determinado tipo de concreto, que apresenta incremento notável na sua resistência mecânica e durabilidade, e que é então definido como Concreto de Alto Desempenho, ou simplesmente CAD. Isso é muito bem exemplificado pelo edifício do BANESPA (figura 9), localizado no centro de São Paulo/SP, e pelo Centro Empresarial Nações Unidas, também em São Paulo/SP (figura 10).

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Tecnologia da construção civil 6 Figura 9: Edifício do BANESPA, finalizado em 1947 e com 161

Figura 9: Edifício do BANESPA, finalizado em 1947 e com 161 m de altura, foi durante muito tempo o

edifício mais alto da cidade.

ao Empire State, sua estrutura é toda emfoi durante muito tempo o edifício mais alto da cidade. concreto armado, material de pleno domínio

concreto armado, material de pleno domínio pela engenharia nacional desde a década de 30.

Apesar de sua fachada

nacional desde a década de 30. Apesar de sua fachada Figura 10: Centro Empresarial Nações Unidas,

Figura 10: Centro Empresarial Nações Unidas, finalizado em 1999 e com 157 m de altura. Na sua execução, foi utilizado o Concreto de Alto Desempenho bombeado e com Fck 50 MPa. Nota-se a grande possibilidade estética do concreto, que se molda no local, adotando a forma do seu recipiente.

Quanto à forma, vemos que o concreto armado tem grandes possibilidades de moldagem, capacidade maior que outros materiais, o que o leva a ser adotado quando se

formas incomuns, como pode ser visto na figura 11.que outros materiais, o que o leva a ser adotado quando se Figura 11: Prédio da

quando se formas incomuns, como pode ser visto na figura 11. Figura 11: Prédio da Ópera

Figura 11: Prédio da Ópera de Sidney, onde podem ser vistas as “conchas” executadas em concreto armado, revestidas com placas cerâmicas. A peça mais alta se eleva a 60 m em relação ao nível da água.

Assim, podemos notar que todo o material tem a sua capacidade de uso, conforme suas próprias características físico-químicas e a tecnologia disponível para o seu emprego. Isso corresponde à linguagem dos materiais, e a sua escolha deve ser sempre objetivando o resultado final.

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2. Ações preparatórias

2.1. Investigação geotécnica

Tendo-se um projeto em mente, e definido o terreno a ser ocupado, é necessário se proceder à investigação geotécnica, para se definir o tipo de fundação mais adequado ao terreno e às cargas que a ele serão transmitidas. Uma investigação geotécnica preliminar compreende o estudo da planta plani-altimétrica do terreno e seu entorno, para verificar a sua topografia, definindo assim o tipo de fundação, a necessidade de obras de contenção ou ainda pontos críticos de inserção da obra, e uma visita preliminar, para se ter uma noção, através da observação direta e de métodos expeditos, de como se compõem as camadas superiores do solo. Esses métodos compreendem perfurações a trado e a classificação textural do solo. Na perfuração a trado, utilizamos um de pequeno diâmetro (até 4”) e com furos adequadamente espaçados (15 a 20 m ou em pontos significativos do terreno) procuramos identificar as camadas superficiais do solo. Nessa operação, utilizamos a Classificação Textural do Solo (quadro 1).

Quadro 1 - Classificação Textural do Solo

Esse procedimento se destina a uma prévia classificação do solo, utilizando as denominações da classificação HBR-AASHO, sem que seja necessária uma bateria completa de ensaios, a serem realizados posteriormente e que podem levar a uma reclassificação. O seu princípio é dar ao solo o nome

a fração granulométrica predominante, adjetivado

com o nome de outras frações que contribuam para o seu desempenho. Assim, podemos classificar um solo

como argilo-arenoso, quando

a argila, mas a fração areia nele presente influencia de forma mais significativa que outras o seu desempenho. Nessa classificação se deve considerar que o porcentual em peso predominante, em alguns casos, não necessariamente é o que confere o comportamento predominante ao solo. Um caso típico é o das argilas, que muitas vezes, apesar de não serem predominantes em peso, definem o comportamento do material. De um modo geral temos a seguinte classificação, que será feita de forma aproximada em um primeiro momento no campo através de avaliação visual-táctil,

predominante é

a fração
a fração

e que posteriormente será confirmada ou ajustada

pelos ensaios de laboratório:

Pedregulhos ou areias solo que apresentam menos de 35% em peso passando na peneira 200, sendo pedregulhos quando a fração predominante está acima de 4,8 mm e areias quando a fração predominante estiver abaixo dessa dimensão. Siltes quando mais de 35% do peso do material passa na peneira 200 e o seu IP < 10. Argila quando mais de 35% do peso do material passa na peneira 200 e o seu IP > 10

Para efeito prático, temos a observar em campo o

seguinte:

O solo encontrado, em uma observação visual, tem

uma fração de material mais grosso e solto?

Se a resposta for positiva, temos um solo arenoso ou

pedregulhoso, conforme a fração predominante, o que

também pode ser verificado visualmente.

O solo encontrado, em uma observação visual, tem

uma fração de material mais fino? Se a resposta for positiva, temos um solo siltoso ou argiloso. Para definir se temos silte ou argila, deve-se recorrer à análise táctil, que consiste nos seguintes

procedimentos:

Verifica-se se ao se esfregar o material entre os

textura áspera, o que corresponde a

um silte, ou temos uma textura macia, o que corresponde a uma argila. Podemos também moldar uma Bolonha com o material. Se com uma pequena umidade conseguimos moldar o material, temos uma argila. Também ao pressionarmos um torrão do material seco, se a resistência é significativa, temos uma argila. Se o material esfarela facilmente temos um silte.

também servem para identificar

dedos, temos

uma
uma

Esses procedimentos

as frações secundárias do solo, que podem alterar o seu comportamento.

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Ainda nessa fase deve-se fazer uma verificação do nível do lençol freático e

de sua variação ao longo do ano. Um procedimento comum, que economiza tempo, é se informar sobre outras obras já executadas próximas ao local, quanto ao tipo de fundação, possíveis

recalques, etc

grandes mudanças na composição e espessura das camadas em virtude do relevo

esse tipo de informação é sempre complementar. Feito o reconhecimento prévio, pode-se partir para o projeto, utilizando-se valores de referência a serem confirmados posteriormente, ou então se procede à investigação geotécnica definitiva, que pode ser feita através dos seguintes métodos:

No entanto, devemos ter sempre em mente que os solos podem apresentar

, portanto
, portanto

SPT Standard Penetration Test Sondagem de simples reconhecimento a percussão

Este ensaio, o mais utilizado, permite a análise de resistência do solo, através da contagem do número de golpes necessários para promover a penetração de 15

com

queda de 75 cm). Além disso, permite a definição do tipo de solo, através da retirada de uma amostra deformada, a cada metro de cravação; e a posição do nível ou níveis de água. A disposição dos furos de sondagem deve considerar o carregamento da estrutura e a presença de camadas que necessariamente devem ser identificadas, tanto em composição como em espessura, como aterros, por exemplo.

obedecer ao

cm de um amostrador padrão, cravado com uma energia padrão (martelo de 65

kg
kg

A execução da sondagem, e o espaçamento dos furos devem

disposto nas normas NBR 8036 Programação de sondagens de simples reconhecimento

dos solos para fundações de edifícios e NBR 6484 Execução de sondagens de simples

reconhecimento dos solos. Como referência, consideramos a tabela 1:

Tabela 1- Relação entre área de terreno e nº de furos de sondagem

 

Quantidade de furos

Área do terreno

Número de furos

A

< 200 m²

3

200

< A < 400 m²

3

400

< A < 600 m²

3

600

< A < 800 m²

4

800

< A < 1.000 m²

5

1.000

< A < 1.200 m²

6

1.200

< A < 1.600 m²

7

1.600

< A < 2.000 m²

8

2.000

< A < 2.400 m²

9

A

> 2.400 m²

A critério do projetista

Abaixo, na figura 12, podemos ver o conjunto de sondagem, composto por “tripé”, barrilete amostrador e martelo, mais bomba de água e guincho. Pode-se notar que por ser um equipamento simples, esse método está sujeito a erros grosseiros se o equipamento for mal operado ou se encontrar fora de especificação, por manutenção deficiente.

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Tecnologia da construção civil 9 Figura 12: Momento do ensaio de SPT em que se faz

Figura 12: Momento do ensaio de SPT em que se faz a perfuração com lavagem do material, para se atingir a cota de cravação.

SPT - T Sondagem de simples reconhecimento a percussão com medição de torque

Ensaio em que, após a execução da cravação, adapta-se uma cabeça na qual

acoplado um torquímetro, através do qual se obtém um dado complementar, a resistência

ao torque oferecida pelo solo. Esse ensaio, mais completo que o anterior, é utilizado principalmente

quando:

é
é

Existem pedregulhos no interior da massa de solo arenoso

Existem fragmentos de rocha em solos saprolíticos.

Identificação de solos colapsíveis.

Apresenta as mesmas deficiências operacionais do SPT.

Perfuração rotativa

Método utilizado para investigar rochas sãs ou decompostas, ou seja, quando existem camadas impenetráveis para o SPT ou em obras de grande porte, associado a este, quando então temos a sondagem mista. Utiliza-se uma perfuratriz rotativa com coroa diamantada ou de metal duro para retirar amostras da rocha, caracterizando assim a sua estratificação. Essa identificação é feita normalmente por um geólogo.

Ensaios de penetração

Medem a resistência

um geólogo. Ensaios de penetração Medem a resistência à penetração de um cone através das camadas

à penetração de um cone através das camadas do solo.

Como o SPT, permitem estabelecer correlações entre a resistência medida e a capacidade

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resistente do solo, mas ao contrário deste, o ensaio em si não retira amostras. Pela metodologia adotada, estabelecida na NBR 12069, mede-se a resistência ao avanço da ponta e resistência ao avanço do fuste (atrito lateral). O ensaio consiste na cravação estática (lenta) de um aparato cone com 10

cm² de área e ponta cônica de 60° de diâmetro e luva de atrito de 36 mm de diâmetro e área de 150 cm², sendo os dados armazenados para cada 20 cm de avanço.

A sua grande vantagem em relação ao SPT é a precisão inerente ao

equipamento, no entanto, isso é obtido em troca de um maior custo.

Na figura 13, vemos um equipamento para ensaio de penetração de cone.

vemos um equipamento para ensaio de penetração de cone. Figura 13: E quipamento para CPT (Cone

Figura 13: Equipamento para CPT (Cone Penetration Test). Comparando-se este equipamento com o apresentado na figura 12, vemos que este, pela sua própria construção, apresenta maior precisão nos seus resultados.

Exploração com poço

consiste em escavar poços onde possa entrar

uma pessoa, para a identificação das camadas do solo e retirar amostras indeformadas do material. Somente é adotado esse método quando há a real necessidade de se coletar essas amostras ou para uma identificação mais específica da disposição e composição das camadas de solo.

Uma técnica trabalhosa,

que
que

2.2. Verificação de documentação e projetos

Antes de se iniciar uma obra, deve-se verificar se toda a documentação e os projetos necessários para a sua execução já estão disponíveis. Como documentos básicos, podemos citar:

Licenças da prefeitura Licenças ambientais ART

Essa documentação é mantida no local da obra para consulta em uma eventual fiscalização.

Como projetos, consideramos que os essenciais para o início da obra são:

Plantas arquitetônicas, inclusive de eixos para locação

Plantas estruturais

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Planta de telhado ou cobertura

Plantas de instalações hidráulicas, elétricas, telefonia, gases.

Todas essas plantas devem ter um nível adequado de detalhamento para permitir a especificação dos materiais e das técnicas necessárias para a execução da obra. Neste momento, é necessário verificar se o projeto é compatível com as técnicas construtivas que se pretende empregar, e também permite definir as tolerâncias a serem adotadas. Estas devem ser definidas pelo engenheiro não apenas para atender as

normas, pois estas visam

facilidades de ajuste inerentes ao processo construtivo.

É fácil compreender isso se considerarmos uma comparação entre duas

estruturas executadas em concreto armado, uma moldada “in loco” e outra pré-fabricada. Na primeira, o limite aceitável de desalinhamento é aquele definido pela NBR 6118, enquanto que na segunda, também temos as especificações dadas pela NBR 9062, cujo não atendimento pode inviabilizar a conclusão da obra ou um retrabalho excessivo. Deve-se considerar que as tolerâncias praticáveis dependem da capacitação geral da mão de obra, do equipamento e do material, e a precisão a ser praticada é aquela definida como necessária.

à estabilidade estrutural da construção, mas também para criar

estrutural da construção, mas também para criar 2.3. Terraplenagem Obra em terra que consiste em executar

2.3. Terraplenagem

Obra em terra que consiste em executar um terrapleno, ou seja, uma plataforma de terra aonde a obra irá se assentar. Pode ser feito inicialmente uma terraplenagem parcial, para permitir a implantação da obra civil, ou pode ser feita, quando possível, toda a terraplenagem prevista, o que barateia o custo do serviço, por exigir apenas uma mobilização de equipamento.

A determinação das cotas de corte ou aterro deverá sempre ser definida por

levantamentos topográficos, a não ser em terrenos de pequena área (abaixo de 300 m²). Para executar um terrapleno, podemos ter serviços de corte ou aterro de solos. Para definir os equipamentos que devem ser mobilizados para a sua execução, o engenheiro deve classificar os solos a serem cortados, transportados e compactados de acordo com o grau de dificuldade encontrado na operação de corte. Basicamente os solos, aqui definidos como materiais, são classificados da seguinte forma:

Materiais de 1ª categoria: compreendem os solos em geral, residuais ou sedimentares e os seixos com diâmetro máximo inferior a 0,15 m, qualquer que seja o teor de umidade, desde que inferior ao limite de liquidez. Os equipamentos normalmente utilizados são: trator equipado com lâmina de corte, pá carregadeira e

caminhão basculante. Podem ainda ser

utilizados
utilizados

moto-scrapers.

Materiais de 2ª categoria: Compreendem os materiais com resistência ao desmonte mecânico inferior a da rocha não alterada, cuja extração se processe por combinação de métodos que obriguem à utilização constante do maior equipamento de escarificação mobilizado. A extração eventualmente poderá envolver o uso de explosivos ou processos manuais adequados. Estão incluídos nesta classificação os blocos de rocha com volume inferior a 2 m³ e os matacões ou pedras de diâmetro médio compreendido entre 0,15 m e 1,00 m. Os equipamentos normalmente utilizados são: trator equipado com escarificador, trator equipado com lâmina de

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corte, pá carregadeira e caminhão basculante. Podem ainda ser necessárias perfuratrizes e rompedoras pneumáticas.

Materiais de 3ª categoria: Compreendem os materiais com resistência ao desmonte mecânico equivalente a da rocha não alterada e blocos de rocha com diâmetro médio superior a 1,00 m ou de volume igual ou superior a 2 m³, cuja extração e redução, a fim de possibilitar o carregamento, se processem somente com o emprego contínuo de explosivos. Os equipamentos normalmente utilizados são:

perfuratrizes pneumáticas, pá carregadeira e caminhão basculante.

Materiais moles ou Solos brejosos: Compreendem os solos em geral que apresentam umidade superior ao seu limite de liquidez ou que exijam a utilização de dragas ou similares para a sua remoção. Eles podem apresentar ou não grande índice de contaminação por matéria orgânica. Podem ser utilizadas escavadeiras hidráulicas ou dragas, associadas a equipamentos de remoção do material, como caminhões dumper ou linhas de recalque.

Nas figuras 14, 15 e 16 temos alguns exemplos de equipamentos utilizados

nesta etapa.

alguns exemplos de equipamentos utilizados nesta etapa. Figura 14: Trator de esteira equipado com lâmina de

Figura 14: Trator de esteira equipado com lâmina de corte de solo. Neste caso, equipamento de pequeno porte (40 Hp) mais utilizado em áreas de movimentação restrita.

Hp) mais utilizado em áreas de movimentação restrita . Figura 15: Escavadeira hidráulica, utilizada para

Figura 15: Escavadeira hidráulica, utilizada para escavação de valas e remoção de material brejoso.

para escavação de valas e remoção de material brejoso. Figura 16: Pá-carregadeira, utilizada para carregamento e

Figura 16: Pá-carregadeira, utilizada para carregamento e movimentação de material na obra. Não deve ser utilizada para escavação, sob risco de quebra do equipamento.

Na execução dos aterros são utilizados materiais de 1ª e 2ª categoria, descartando-se os materiais brejosos ou com alto índice de contaminação por matéria orgânica, materiais friáveis ou instáveis quimicamente. Devido a suas características, os materiais de 3ª categoria somente são utilizados na falta absoluta dos outros. Materiais que

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apresentam expansibilidade quando expostos à água, como os siltes, podem ser utilizados como núcleos de aterros envelopados. Nesta etapa, são utilizados caminhões basculantes, moto-niveladoras, compactadores, e equipamentos para correção da umidade, como caminhões-pipa com barra espargidora e grades de disco. Nas figuras 17 e 18 temos alguns exemplos de equipamentos utilizados

nesta etapa.

alguns exemplos de equipamentos utilizados nesta etapa. Figura 17: Motoniveladora, utilizada para conformar com

Figura 17: Motoniveladora, utilizada para conformar com precisão uma plataforma de terra ou espalhar camadas definidas de material granular.

terra ou espalhar camadas definidas de material granular . Figura 18: Unidade compactadora mista, com rolo

Figura 18: Unidade compactadora mista, com rolo de pneus à frente e rolo de aço liso atrás, para compactação de pavimentos ou camadas granulares.

Para fins de pagamento, consideramos que os serviços de corte obedecem a seguinte seqüência de execução: escavação, carga e transporte do material, enquanto que os serviços de aterro compreendem: descarga, espalhamento, correção de umidade e compactação do material.

sempre através

de levantamentos topográficos, admitindo-se medição por número de caminhões apenas em obras de pequeno porte (volume estimado de até 50 m³) Também em obras de pequeno porte, podem ser utilizados equipamentos multi-funcionais, como tratores agrícolas equipados com retro-escavadeira e pá- carregadeira (figura 19), ou então equipamentos como carregadeiras de pequeno porte (figura 20).

As medições dos serviços de terraplenagem devem ser feitas

medições dos serviços de terraplenagem devem ser feitas Figura 19: T rator agrícola equipado com pá

Figura 19: Trator agrícola equipado com pá frontal e retro-escavadeira na parte posterior. Equipamento versátil, mas de baixo rendimento, se comparada com máquinas especializadas.

rendimento, se comparada com máquinas especializadas . Figura 20: P á-carregadeira de pequeno porte, utilizada em

Figura 20: Pá-carregadeira de pequeno porte, utilizada em locais com espaço de operação limitado, por executar curvas sobre o próprio eixo.

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2.4. Locação da obra civil

A locação de uma obra é essencial para que o projeto seja cumprido corretamente, e exige uma seqüência lógica de execução, devendo ser adotada a seguinte:

Verifica-se se os limites do terreno já estão definidos de forma nítida e inquestionável. Em caso de dúvida, é essencial a execução do levantamento topográfico para esse fim.

Definem-se os pontos, já determinados na planta de locação, que servirão para definir o alinhamento de uma das paredes. É de uso corrente se utilizar o logradouro público para esse fim, já que este apresenta limites definidos.

A partir dos pontos, define-se por triangulação o alinhamento da parede, conforme figura 21.

triangulação o alinhamento da parede, conforme figura 21. Figura 21: E squema de locação de uma

Figura 21: Esquema de locação de uma obra, extraído da planta de locação. Note-se que a partir de pontos definidos no alinhamento da rua

), por triangulação definindo o

alinhamento frontal da construção (pontos 4 e 5). Para evitar erros, todos os triângulos devem ter todos os seus lados com medidas conhecidas (A, B, C, D, E, F, G,), sendo estas definidas a partir de cálculos matemáticos, não extraídos do desenho. Em plantas geradas em programas de computador, todas essas medidas já devem ser definidas na confecção da planta.

(pontos 1,

2 e 3
2
e
3

Definido esse alinhamento, monta-se um gabarito de madeira que envolva toda a obra, com esquadro correto, a uma distância que permita o trabalho dos operários e máquinas sem que esse elemento de locação seja danificado. Normalmente é adotada a distância de 1,20 m do alinhamento das paredes, mas deve também se considerar o espaço disponível no local. O conceito do gabarito é apresentado na figura 22. A sua execução é com suportes verticais feitos com caibros 6x6 cm, cravados no solo, nos quais é pregado um sarrafo 3”x1” perfeitamente na horizontal, a uma altura que pode estar entre 1,00 m e 1,20 m, conforme figura 23.

A partir do primeiro alinhamento,

locamos todas as outras paredes, internas e externas, com o auxílio de trena, linha, esquadro de obra (60, 80, 100 cm) e prumo. São locados os eixos de fundação e eixos e bordas de paredes, sendo a sua marcação no gabarito executada com pregos cravados em cada um desses alinhamentos, de forma a que uma linha neles

o qual é definido para a montagem do gabarito

,

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amarrada descreva corretamente o alinhamento de cada um desses elementos, conforme apresentado na figura 23.

cada um desses elementos, conforme apresentado na figura 23. Figura 22: C onceituação básica de um
cada um desses elementos, conforme apresentado na figura 23. Figura 22: C onceituação básica de um

Figura 22: Conceituação básica de um gabarito de obra, onde vemos que a planta é projetada no terreno inscrita á moldura de madeira. No caso de terrenos acidentados, pode ser necessária a implantação de gabaritos segmentados, para permitir que o sarrafo superior seja sempre instalado no plano, evitando erros grosseiros de medida. Ao contrário do que é mostrado, o gabarito não executa o fechamento integral da obra, pois deve ter passagens para os trabalhadores,

e equipamentos, evitandoda obra, pois deve ter passagens para os trabalhadores, assim que a todo momento ele tenha

assim que a todo momento ele tenha que ser pulado ou desmontado, o que prejudica o seu alinhamento.

Figura 23: croquis de

podemos ver a disposiçãoo que prejudica o seu alinhamento. Figura 23: croquis de do suporte, executado com caibros e

do suporte, executado com caibros e sarrafos, e a marcação dos pontos, com definição de eixo e bordas. As medidas marcadas são sempre definidas como medidas acumuladas, marcadas com trena, de modo a evitar erros acumulados que geram o desalinhamento final da obra. Preferencialmente o gabarito deve ser pintado de branco

para

um gabarito,

o gabarito deve ser pintado de branco para um gabarito, facilitar a visualização das marcas e

facilitar

a

visualização

das
das

marcas e para maior conservação da estrutura. Da mesma forma, os suportes do gabarito devem ser cravados em terreno firme, e, sempre que possível, bem drenado.

Marcados todos os pontos, no sarrafo do gabarito é feita a identificação de cada conjunto de pregos e a sua pintura por código de cor, evitando confusão de elementos.

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A

partir do gabarito, escolhemos alguns alinhamentos principais e locamos marcos

permanentes de concreto ou fazemos marcas de referência em paredes de alvenaria, para evitar que no caso de danos ao gabarito toda a locação de obra recomece do ponto de partida. Também é necessário lembrar que como o gabarito fica exposto às intempéries, é necessário periodicamente corrigir quaisquer desalinhamentos gerados por empenamento das peças de madeira, o que torna esses marcos sempre necessários.

Executado o gabarito e os marcos permanentes, definimos um ponto como referência de nível para a obra, considerando o indicado no projeto como cota final do piso em relação à rua e as características das instalações definitivas,

principalmente no que se refere

ao
ao

esgoto e escoamento de águas pluviais.

Em obras de maior porte, a locação geral é feita através de serviços de topografia, mas para todos os elementos estruturais será montado um gabarito, parcial ou integral, para facilitar os serviços de construção, seguindo os mesmos princípios descritos acima, e também são instalados marcos de referência permanentes, para agilizar o processo de locação e verificação de medidas.

2.5. Canteiro de obras

Por definição, o canteiro de obras abrange toda a área de trabalho necessária

à implantação da obra pretendida, e eventualmente pode extrapolar, em área, o terreno

e eventualmente pode extrapolar, em área, o terreno onde se executa a construção. A sua organização,

onde se executa a construção. A sua organização, regulamentada pela NR-18, é essencial para o bom andamento do trabalho, afetando de forma direta a produtividade das equipes envolvidas em todas as etapas da construção. Para evitar remanejamentos excessivos das instalações e depósitos de materiais, é necessário o estudo das instalações e áreas necessárias em todas as etapas da obra. Como instalações, temos como básico:

no local é pedida

a instalação provisória do cavalete e registro para a concessionária municipal. O

seu local de instalação, dentro do lote, deve ser de fácil acesso, mas fora da circulação da obra, e a tubulação dele derivada deve ser instalada de forma protegida e de modo a não exigir remanejamentos durante o desenvolvimento dos serviços. No caso de não ser possível a instalação por parte da concessionária, pode

se optar por um poço, o que exige a verificação da potabilidade da água e a isenção

contaminantes para concretos e argamassas, como pode se optar por um

reservatório abastecido com água potável por carro pipa ou então por uma solução mista, com a água de poço, imprópria para o consumo, sendo usada para descarga sanitária e lavagem de equipamentos, e a água potável do reservatório sendo utilizada para consumo humano e em argamassas e concretos.

Esgoto: pode ser feita a conexão a rede local, ou então pode ser escavada uma fossa. Neste caso, é essencial verificar se essa escavação não afetará em nenhum momento a obra, mesmo após a sua conclusão. Ao término da obra, a não ser em

Água: necessária em todas as etapas da obra, quando

indisponível

de
de

casos específicos, esta será esgotada e aterrada.

Temos também a alternativa de

banheiros químicos, como pode ser visto na figura 24.

 

Tecnologia da construção civil

17

Luz: solicitado

da potência dos equipamentos elétricos instalados, como serra, betoneira, elevador, gruas, etc. que serão utilizados no canteiro.

Barracão: sob essa denominação temos um conjunto composto por escritório de obra, local de trabalho do engenheiro e do mestre de obra, com local para guarda e análise de projetos e documentação de obra; depósito de ferramentas e

equipamentos ou almoxarifado, destinado

como de materiais frágeis ou de alto valor, como louças sanitárias, material hidráulico e elétrico; sanitários, que servem a toda a equipe de obra, dotados inclusive de chuveiros; refeitório e área de descanso, local de alimentação para a equipe; dormitório, que são instalados no caso de equipes deslocadas da cidade-

à guarda tanto de ferramentas manuais

à concessionária local a instalação provisória, exige a determinação

local a instalação provisória, exige a determinação sede. Na figura 25 26 e 27 temos um
local a instalação provisória, exige a determinação sede. Na figura 25 26 e 27 temos um
sede. Na figura 25 26 e 27
sede. Na
figura 25
26
e
27

temos um esquema básico de um barracão de obra, e nas

figuras
figuras

temos modelos instalados em container padrão. Em todos os casos as

instalações são dimensionadas conforme a NR-18.

casos as instalações são dimensionadas conforme a NR-18. B anheiro portátil utilizado em obras que exigem

Banheiro anheiro

portátil utilizado em obras que exigem rápida mobilização em locais sem de infraestrutura básica, como água e esgoto.

químico

sem de infraestrutura básica, como água e esgoto. químico Figura 25 : D isposição básica de
Figura 25
Figura 25

: Disposição básica de um barracão de obra, onde vemos as

diversas áreas que devem ser previstas. Não necessariamente todas elas são mantidas juntas, pois a instalação sempre deve ser adequada ao local em que se insere.

sempre deve ser adequada ao local em que se insere. : E scritório de obra instalado

: E scritório de obra instalado em container, Escritório de obra instalado em container,

uma solução rápida e eficiente, mas que só se justifica a partir de um determinado porte de obra.

só se justifica a partir de um determinado porte de obra . Figura 27 : D
Figura 27
Figura 27

: Disposições que podem ser adotadas

em containeres padrão, demonstrando a facilidade de mobilização do equipamento.

Depósitos cobertos fechados: destinados a materiais que devem ser resguardados das intempéries, como cimento, cal, portas, janelas, azulejos e pisos. Todos esses materiais devem ser colocados sobre estrados de madeira, para evitar a umidade do

Tecnologia da construção civil

18

solo, e no caso específico do cimento e cal, afastados das paredes. O cimento só pode ser armazenado por 90 dias a partir da data de fabricação, e o seu empilhamento não pode exceder 10 sacos. Considera-se necessária uma área de 1 m² para 30 sacos de cimento.

Depósitos cobertos abertos: destinados à guarda de madeira bruta, aço para concreto armado e protendido. Para a madeira é adequada a previsão de um comprimento de peças de até 6 m, e para as barras de aço, um comprimento de 15

m, sendo para

alguns
alguns

casos necessária a previsão de separação por bitola e tipo.

Depósitos abertos: destinados à armazenagem de blocos de alvenaria, telhas e outros materiais que possam ficar ao tempo. Para prevenir encharcamento pela água de chuva, é necessária a previsão de uma lona plástica para proteção, ao menos superior, das pilhas de materiais.

Baias: executadas com paredes laterais e traseiras de alvenaria ou tábuas de madeira, se destinam a receber o material a granel de forma separada, como areia e pedra, evitando assim o seu desperdício e mistura. Devem ser dimensionadas de acordo com o consumo e previsão de reabastecimento. Em época de chuva, os materiais devem ser protegidos por lonas plásticas para evitar variações no fator A/C dos concretos e argamassas. O seu dimensionamento se baseia na freqüência possível de abastecimento e consumo da obra.

Pátios de armazenagem: locais para estocagem de peças de grandes dimensões como pré-moldados. Devem ser dimensionados considerando-se a movimentação desses elementos por equipamentos próprios, como guindastes ou gruas.

Circulação: toda obra deve ter sua circulação programada, de forma a evitar remanejamento de áreas e principalmente perda de tempo na movimentação de operários e insumos. Dependendo do equipamento de movimentação adotado, os caminhos de serviço podem receber um revestimento primário para garantir o seu uso.

Além das instalações, é necessária a previsão, no canteiro de obras, dos equipamentos de movimentação de materiais que serão utilizados. Eles podem ser de

), carrinhos plataforma e carrinhos

carga rápida (

gruas (

) e

pequeno porte, e tração humana, como jericas (

figura 28
figura 28
figura 29 figura 31
figura 29
figura 31

), até equipamentos de grande porte, como guindastes (

figura 30
figura 30

), que exigem bases de apoio para a adequada operação.

30 ), que exigem bases de apoio para a adequada operação. : J ericão multiuso, útil

: Jericão multiuso, útil para

transporte de concreto e material a granel. Exige piso relativamente bom para a operação adequada.

Figura 28
Figura 28
relativamente bom para a operação adequada . Figura 28 Figura 29 : de materiais paletizados. Exige
Figura 29 :
Figura
29
:

de

materiais paletizados. Exige piso muito plano. Ao fundo, vemos um carrinho carga rápida, assim conhecido pela velocidade de deslocamento e facilidade de carregamento.

Carrinho

plataforma

hidráulico,

para

transporte

Tecnologia da construção civil

19

Tecnologia da construção civil 19 Guindaste de lança telescópica, Figura 31 : Grua de torre fixa

GuindasteTecnologia da construção civil 19 de lança telescópica, Figura 31 : Grua de torre fixa e

de

lança

telescópica,

da construção civil 19 Guindaste de lança telescópica, Figura 31 : Grua de torre fixa e
Figura 31
Figura 31

: Grua de torre fixa e lança móvel, com maior

utilizado quando há a necessidade de muita movimentação do equipamento para atender uma

produtividade que os guindastes, também apresenta maior versatilidade dos modelos com lança fixa (pivotante na

área extensa.

Exige
Exige

muito cuidado no seu apoio

horizontal), pois apresenta capacidade de manobra na

sobre o

solo

durante sua operação,

vertical, ajustando-se a operações em lugares mais

principalmente quando operam com a lança toda

restritos. A sua implantação exige planejamento prévio,

alongada.

integrado ao projeto do canteiro e da estrutura.

3. FUNDAÇÕES

O objetivo de uma obra de fundação é receber as cargas da estrutura e as transmitir de forma adequada ao solo, de forma a garantir, segundo Velloso e Lopes:

Deformações aceitáveis sob as condições de trabalho ( utilização NBR 8681)

figura 32
figura 32

) (estado limite de

 Segurança adequada ao colapso do solo de fundação ( figura 33 ) (estado limite
 Segurança adequada ao colapso do solo de fundação (
figura 33
) (estado limite
último – NBR 8681)
 Segurança adequada ao colapso dos elementos estruturais (
último – NBR 8681)
figura 34
) (estado limite
( último – NBR 8681) figura 34 ) (estado limite : D eformação excessiva da estrutura

: D eformação excessiva Deformação excessiva

da estrutura.

) (estado limite : D eformação excessiva da estrutura . Figura 33 : C olapso do
Figura 33
Figura 33

: Colapso do solo.

excessiva da estrutura . Figura 33 : C olapso do solo . Figura 34 : C
Figura 34
Figura 34

: Colapso dos elementos

estruturais da fundação.

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20

Ainda segundo eles, em casos específicos, devem ser considerados:

Segurança adequada ao tombamento e deslizamento (estabilidade externa), quando forças horizontais elevadas atuam em elementos de fundação superficial.

Níveis de vibração compatíveis com o uso da obra, quando nela ocorrem cargas dinâmicas.

Para atender a esses requisitos, temos diversos tipos de fundação, descritos

a seguir.

3.1. Tipos de fundações

Tradicionalmente, as fundações são divididas em dois grupos, as superficiais, ou diretas, definidas como aquelas em que os mecanismos de ruptura de base atingem a superfície do terreno, e as profundas, cujos mecanismos de base não atingem a superfície do terreno, ou, como estabelece a NBR 6122, são aquelas cujas bases estão implantadas a uma profundidade superior a 2 vezes sua menor dimensão, ou a mais de 3 m de profundidade.

3.1.1. Fundações superficiais

São utilizadas quando a resistência das camadas superficiais do solo têm capacidade de suporte compatível com as cargas a serem lançadas e/ou, as camadas abaixo da camada portante apresentam grandes espessuras de solo mole (solo compressível), que inviabilizam técnica e economicamente o emprego de fundações profundas, como é o caso de algumas regiões litorâneas, onde a camada de vasa têm espessuras que ultrapassam dezenas de metros. Por essas características, a não ser quando temos uma camada superficial de

carregamentos individuais pequenos e

rocha sã, as fundações rasas se restringem

moderados, da ordem de poucas toneladas. Para verificar a possibilidade de emprego desse tipo de fundação, através dos Métodos de Estimativa de Tensões Admissíveis, tanto podem ser utilizados os métodos

de investigação

já descritos, que permitem a adoção de Método Teórico de

Dimensionamento, como podemos adotar o Ensaio de Prova de Carga Sobre Placa (NBR- 6489), para um Método Semi-Empírico, como pode ser adotada uma tabela (tabela 2) que

relaciona tensões básicas com o tipo de solo, como a apresentada na NBR 6122, caracterizando um Método Empírico de dimensionamento, sendo que essa tabela, segundo

a própria norma, deve ser utilizada para uma orientação básica de projeto, nunca como

elemento de cálculo definitivo. No dimensionamento de fundações rasas avaliamos a distribuição de tensões (cargas puntiforme, cargas distribuídas em placas flexíveis e placas rígidas) e os recalques, sejam imediatos, ou elásticos, sejam recalques totais.

à
à

geotécnicos

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21

 

Tabela 2 Tensões básicas segundo NBR 6122

 

Classe

Descrição (segundo definição da NBR 6502)

 

Valores (MPa)

1

Rocha

sã,

maciça,

sem

laminações

ou

sinais

de

3,0

decomposição

 

(ver nota 1)

2

Rochas laminadas, com pequenas fissuras, estratificadas

1,5

3

Rochas alteradas ou em decomposição

 

(ver nota 2)

4

Solos granulares concrecionados, conglomerados

 

1,0

5

Solos pedregulhosos compactados a muito compactados

0,6

6

Solos pedregulhosos fofos

 

0,3

7

Areias muito compactas

 

0,5

8

Areias compactas

 

0,4

9

Areias medianamente compactas

 

0,2

10

Argilas duras

 

0,3

11

Argilas rijas

 

0,2

12

Argilas médias

 

0,1

13

Siltes duros (muito compactos)

 

0,3

14

Siltes rijos (compactos)

 

0,2

15

Siltes médios (medianamente compactos)

 

0,1

Notas:

1.

No caso de calcário ou outra rocha cárstica, devem ser feitos estudos especiais.

2.

Para rochas alteradas ou decompostas, deve ser considerado o estado de decomposição e a natureza da rocha matriz.

Os tipos usuais de fundações rasas são:

Fundação em Alvenaria: muito utilizada em edificações com pequenas cargas previstas (até dois pavimentos, com pequenos vãos), vantajosa por dispensar formas e ferragem, a não ser na cinta de amarração, utilizada para uniformizar as tensões e absorver esforços acidentais. Executadas de tal forma que nela só ocorrem esforços de

), as camadas de alvenaria são assentadas com argamassas com

hidrofugantes e recebem exteriormente uma pintura com emulsão asfáltica, para evitar ascensão capilar da água. É comum, mas não essencial, que se execute uma camada de apoio em concreto magro, que tem a vantagem de nivelar o apoio para a execução da alvenaria. Sobre essa base as cargas devem ser aplicadas de forma distribuída, motivo pelo qual ela é sempre associada a paredes executadas em alvenaria auto-portante, nunca a pilares, devido a suas cargas concentradas.

compressão (

figura 35
figura 35
devido a suas cargas concentradas. compressão ( figura 35 : Fundação em alvenaria, onde vemos as

: Fundação em alvenaria, onde vemos as suas

características próprias, como o lastro de concreto magro, destinado ao nivelamento da estrutura; as camadas de blocos de alvenaria, intertravadas, atingindo uma altura total que configure, a partir do centro superior da cinta de equiparação de tensões, um ângulo de abertura não superior a 45°. Um cuidado importante é a escolha da argamassa de assentamento, que deve ter resistência à umidade, o que obriga a um controle de impurezas como materiais pulverulentos, na sua composição.

Figura 35
Figura 35

Tecnologia da construção civil

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Sapata isolada: executada em concreto armado,é utilizada quando temos

um pilar isolado aplicando a carga (

otimizar o consumo de concreto e forma, motivo pelo qual geralmente é tronco-cônica, podendo ser adotados outros formatos quando as condições locais assim o exigirem. Sempre é armada (quando não é armada, recebe o nome de bloco de fundação, e apresenta

). Neste caso, é a fundação mais barata, por

figura 36
figura 36

maior altura para trabalhar apenas a compressão), por trabalhar à flexão. Para garantir

estabilidade do conjunto estrutural e a transmissão de carga ao solo, mesmo em caso de pilares não retangulares o seu centro de cargas sempre coincidirá com o centro de

gravidade da sapata (

). No caso de solos agressivos, devem ser adotados cuidados

especiais quanto ao recobrimento e tipo de cimento adotado para a composição do concreto.

a
a
figura 37
figura 37
cimento adotado para a composição do concreto. a figura 37 : F oto de duas sapatas
cimento adotado para a composição do concreto. a figura 37 : F oto de duas sapatas

: F oto de duas sapatas isoladas, Foto de duas sapatas isoladas,

executadas próximas, onde se vê, pela variação dimensional da base que as cargas aplicadas são diferentes, apesar da aparente igualdade de dimensão dos pilares. Note-se ainda a estrutura da cofragem, destinada a garantir a concretagem sem deformações.

: E xemplos de coincidência do Exemplos de coincidência do

CG da sapata com o centro de carga de pilares assimétricos, condição necessária para garantir a estabilidade da fundação executada com sapatas isoladas.

Sapatas corridas: adotadas em substituição à fundação em alvenaria, quando as cargas a serem aplicadas de forma distribuída são mais elevadas, ou o solo apresenta menor resistência, o que geraria consumo muito elevado de material e aumento

). Apenas nesse caso, de cargas

distribuídas, elas apresentam eficiência superior às sapatas isoladas ou associadas. Considerando esse tipo de carregamento, a armadura normalmente utilizada nesse tipo de estrutura é a tela de aço, por sua configuração favorável, o que facilita o serviço, dispensado mão de obra especializada de armador.

significativo do peso da própria fundação (

figura 38
figura 38
significativo do peso da própria fundação ( figura 38 Figura 38 : S apata corrida, utilizada
Figura 38
Figura 38

: Sapata corrida, utilizada sempre como apoio para

uma carga distribuída, sendo comum a sua utilização para suportar paredes de alvenaria estrutural, que não apresenta carregamentos pontuais.

Tecnologia da construção civil

23

Sapatas associadas: utilizadas quando a proximidade dos pilares levaria a uma superposição de áreas da base ou quando as cargas estruturais são elevadas, para o tipo de solo sobre a qual se apóiam (figura 39). Para homogeneizar as tensões, possuem uma viga de rigidez incorporada na sua secção transversal e para garantir a estabilidade da fundação e a correta aplicação de cargas no solo, é essencial que o centro de gravidade da sapata seja coincidente com o centro de cargas dos pilares, motivo pelo qual ela atende sempre a pilares que possam ser alinhados sobre a viga de rigidez, não sendo aplicada a outros casos.

sobre a viga de rigidez, não sendo aplicada a outros casos. Figura 39: U tilizadas apenas

Figura 39: Utilizadas apenas quando não é possível o emprego das sapatas isoladas, seu projeto exige uma escolha de dimensões criteriosa, para se obter um equilíbrio entre as proporções da viga de rigidez e os balanços das lajes de apoio.

Sapatas alavancadas: utilizadas quando um obstáculo ou a divisa do terreno impede o alinhamento do centro de carga de um pilar com o centro de gravidade de uma sapata. Para compensar o momento gerado, essa sapata é associada a outra através de uma viga alavanca, projetada de forma a transmitir os esforços, assegurando a estabilidade do conjunto.

os esforços, assegurando a estabilidade do conjunto. Figura 40: A ssociação de duas sapatas através de

Figura 40: Associação de duas sapatas através de uma viga alavanca, para compensar o carregamento excêntrico gerado pela dissociação entre centro de carga do pilar e centro de gravidade da sapata. O conjunto assim obtido deve apresentar um equilíbrio de pressão sobre o solo, o que obriga essa viga a ter grande rigidez, daí a sua secção transversal significativa.

Radier: denominação de uma laje totalmente apoiada sobre o solo, na qual

se aplicam todas as cargas oriundas da estrutura, e esta se encarrega de

forma adequada ao solo. Sendo calculada como laje em base elástica, é adotada em dois casos muito distintos. No primeiro, temos cargas elevadas e concentradas, o que exige o emprego de grandes espessuras de concreto para suportar os esforços de flexão e punção nela atuantes. O consumo de concreto pode ser diminuído, neste caso, com uma estrutura em grelha ou com o emprego de protensão (figura 41). No segundo caso, o radier é utilizado em casas populares, pois, ao mesmo tempo que compõe a fundação, serve como contra-piso ou mesmo piso da edificação (figura 42). Aqui, é necessário um projeto completo de instalações, pois a posterior execução de furos nessa estrutura para a passagem de instalações torna-se inviável para o porte da obra. Cada radier deve servir no máximo como fundação para duas casas,

de

transmiti-las

Tecnologia da construção civil

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preferencialmente geminadas, e no caso de maciços sujeitos a deformação, ou em terrenos desnivelados, as fundações desse tipo devem servir a apenas uma casa.

as fundações desse tipo devem servir a apenas uma casa. Figura 41: E squema de radier
as fundações desse tipo devem servir a apenas uma casa. Figura 41: E squema de radier

Figura 41: Esquema de radier para grandes estruturas, onde se pretende o seu aproveitamento para áreas subterrâneas de armazenagem ou estacionamento, conforme o caso. Note-se a grande espessura da laje necessária para atender as necessidades de carregamento e distribuição de tensões sobre o solo. Neste tipo de estrutura sempre é feita a verificação do efeito de punção sobre a laje.

Figura 42: Fase de concretagem de um radier de casa popular, sendo adotado esse tipo de fundação por ser, neste caso, um elemento facilitador da execução da alvenaria estrutural adotada nessa obra. A ausência de cargas pontuais permite a adoção de uma pequena espessura de laje (9 cm), sendo utilizados apenas reforços com telas metálicas em pontos com carregamento mais elevado (bordas).

Cuidados a serem tomados em fundações rasas

 

Como cuidados de projeto, nas fundações rasas, deve se considerar que

estas exigem uma aplicação de cargas sobre o solo o mais uniforme possível, obrigando que as cargas sejam encaminhadas aos pontos de carregamento do solo de forma compatível com a sua capacidade de carga, para que as dimensões das sapatas não

apresentem muitas variações

. Da mesma forma, as variações de capacidade de carga do

solo, detectadas através das sondagens e das escavações executadas para a fundação devem ser consideradas, não se recomendando a adoção de valores médios, não representativos da realidade sob cada uma dessas estruturas. Tomados esse cuidados, podem se utilizar tamanhos padrão para as sapatas, sem risco de gerar posteriormente recalques lentos que induzam carregamentos excessivos na estrutura Como cuidado executivo, deve-se considerar que as sapatas, por sua geometria e dimensões e tipo de formas, podem se caracterizar como concreto-massa, ou seja, estruturas com grande concentração de concreto para uma pequena área de dissipação de calor, durante as primeiras idades. Isso exige cuidados com o concreto, sendo muitas

vezes necessária a adoção de escamas de gelo em substituição

a água de amassamento,

de escamas de gelo em substituição a água de amassamento, para evitar dilatação e conseqüente fissuração

para evitar dilatação e conseqüente fissuração da estrutura, e uma posterior ação de cura controlada, para garantir uma superfície não fissurada por desidratação.

a execução

Outros cuidados a serem tomados é quanto à limpeza da forma,

cuidados a serem tomados é quanto à limpeza da forma, de camada de proteção do fundo

de camada de proteção do fundo e a sua sujeição, pois, por se tratar de obra executada normalmente abaixo do nível da superfície do solo, o risco de contaminação é superior ao de outras peças de concreto armado, e esta é muito difícil de ser detectada nesse tipo de

peça,

sujeição, a forma adotada para as sapatas, apoiada no solo, normalmente sugere que a cofragem sempre é estável, quando na verdade, devido às suas dimensões, a ruptura de

quando na verdade, devido às suas dimensões, a ruptura de a não ser quando uma manifestação

a não ser quando uma manifestação patológica significativa a assinala. Quando

a
a

Tecnologia da construção civil

25

uma parede da forma é muito provável se esta não estiver solidamente fixada. Na figura 43 temos exemplos de como não proceder a uma concretagem de fundação rasa.

de como não proceder a uma concretagem de fundação rasa. Figura 43: Exemplo de concretagem incorreta.

Figura

43:

Exemplo

de

concretagem

incorreta.

Podem

ser

apontados os

seguintes erros:

1. Ausência de formas laterais e provavelmente lastro no fundo da vala. Ao se utilizar as paredes de terra como contenção do concreto, principalmente o solo mostrado, facilmente desagregável, existe uma grande probabilidade de contaminação do concreto por torrões, criando falhas virtuais na estrutura que caracterizarão posteriormente linhas de ruptura ou de contacto da umidade com a armadura, o que pode provocar posterior corrosão. Nota-se também que pela ausência de formas, a cota de acabamento do concreto não

é definida, o que prejudica

posteriormente a execução da alvenaria.

2. Execução da armadura de forma amadorística, onde vemos a disposição irregular da armadura, sem alinhamento vertical adequado, e ausência de pontos de referência.

3. Armadura mal posicionada pela ausência de formas e de elementos de sujeição, como cavaletes, que assegurem o correto posicionamento estrutural e de recobrimento, o que é necessário para garantir a durabilidade e o correto desempenho estrutural.

4. Inviabilidade de se executar a impermeabilização da fundação, devido ao seu contacto direto com o solo, o que compromete posteriormente a proteção das paredes contra a umidade do solo.

5. Uso de carrinho de mão (peruzinho) para transportar concreto, o que aumenta a perda no transporte e segrega o material.

o

6. Ausência de caminhos

transporte do concreto, o que aumenta

das

para

o nível

de

contaminação

“formas”.

7. Ausência de EPIs (Equipamento de Proteção Individual)

Tecnologia da construção civil

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3.1.2. Fundações profundas

São utilizadas quando a resistência das camadas superficiais do solo não é compatível com as cargas a serem lançadas ou então as cargas a serem transmitidas ao solo são muito elevadas, da ordem de dezenas ou centenas de toneladas por elemento de fundação.

As fundações profundas se dividem em três tipos:

Estacas, cujo elemento estrutural, dotado de ponta e fuste, pode ser pré-fabricado

percussão, por

prensagem, por vibração, ou podem ser escavadas com o auxílio de ferramentas manuais ou equipamentos mecânicos.

Tubulões, elemento de fundação de secção cilíndrica, que, ao menos na sua fase final, envolve a descida de operário para escavar o fuste e/ou conformar a base. Deve-se notar que a característica de entrada de funcionários para executar uma etapa da fundação é que caracteriza o tubulão, e não o seu diâmetro.

Caixão, cuja estrutura prismática, executada na superfície, é abaixada até a cota final por escavação interna.

ou moldado “in loco”, podem ser executadas por cravação

à
à

3.1.2.1. Estacas

As estacas são normalmente divididas em duas categorias:

Estacas de deslocamento, que são aquelas introduzidas no terreno sem escavação prévia ou apenas com escavação inicial executada para transpor camada superficial muito rígida. Estão nessa categoria as estacas pré-moldadas de concreto, de aço, madeira, e as estacas de concreto apiloado, com ou sem revestimento metálico, como as estacas Strauss e Franki.

Estacas escavadas, executadas com a perfuração prévia do terreno, com ou sem revestimento, para posterior preenchimento de concreto. São desse tipo as brocas, trados, estacões, estacas barretes, hélices contínuas monitoradas e estacas tipo ômega.

A escolha do tipo de estaca está diretamente ligada à carga a ser aplicada e as camadas de solo a serem ultrapassadas, e também às condicionantes operacionais de cada local, considerando-se que cada tipo tem níveis de ruído, vibração e emissão de gases, além do posicionamento do equipamento de execução, que devem ser considerados na escolha.

à sua capacidade resistente, deve-se considerar que podemos ter, em

Quanto

resistente, deve-se considerar que podemos ter, em Quanto relação ao solo, resistência de ponta, de fuste

relação ao solo, resistência de ponta, de fuste ou a associação entre as duas, e a determinação do tipo de estaca está ligada à sua secção resistente, resistência do solo à execução e estabilidade lateral proporcionada pelo solo ao fuste.

Estacas pré-fabricadas: os elementos estruturais são executados fora do canteiro de obras e cravados no local por percussão (figura 44), vibração ou prensagem

(figura 45). As estacas podem ser constituídas por perfis metálicos (figura 46), peças de concreto armado (figura 47) ou protendido ou então por madeira (figura 48). As vantagens e desvantagens de cada um dos tipos são apresentadas no

quadro
quadro

2 e as suas capacidades de carga no quadro 3.

Tecnologia da construção civil

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Tecnologia da construção civil 27 Figura 44: C ravação de estaca metálica por percussão. Nesta foto

Figura 44: Cravação de estaca metálica por percussão. Nesta foto podemos notar os principais elementos do sistema, que são:

Conjunto de guincho, que ergue e libera o martelo, e ergue e posiciona a estaca. Neste caso, o martelo tem uma montagem denominada capelinha, onde ele corre entre as guias de queda e a estaca também é posicionada entre as guias. Isso diminui a possibilidade de golpes excêntricos, aumentando a efetividade do equipamento. O seu posicionamento é feito com guincho ou alavanca, a partir dos cilindros de apoio.

Martelo, que golpeia a estaca, transmitindo a ela o efeito cinético da queda da sua massa. É dimensionado conforme a carga que a estaca deverá suportar e a dimensão da sua secção.

Capacete, peça de proteção da cabeça da estaca, que evita a deformação da superfície, em uma estaca metálica, ou a quebra, em uma estaca de concreto. Normalmente sobre o capacete é utilizado um cepo de madeira dura para que a aplicação do golpe não apresente picos característicos, melhorando as características de transferência das forças de impacto.

Coxim, peça de madeira utilizada para uniformizar as tensões dos golpes sobre toda a superfície de aplicação, motivo pelo qual são utilizadas madeiras macias na sua confecção, sendo descartado a cada estaca.

macias na sua confecção, sendo descartado a cada estaca. Figura 45: M uito utilizadas para reforço

Figura 45: Muito utilizadas para reforço de fundação, as estacas cravadas por prensagem são executadas forçando-se pequenos segmentos de estaca, conhecidos comumente como tubos, contra o solo, com a utilização de um macaco hidráulico. Ao final da cravação, os tubos podem receber armação e concreto de enchimento, visando a solidarização do fuste, aumentando a estabilidade lateral do conjunto, e então é executado o encunhamento e a concretagem do nicho de macaqueamento. Como elemento de reação para essa cravação, utiliza-se a própria estrutura que se pretende reforçar, sendo que nesse caso o coeficiente de carregamento equivale a 1, como podem ser executadas cravações com elementos de reação sobrecarregados, denominados cargueiras, quando o coeficiente de carregamento pode chegar a 2. Quando a reação é contra a estrutura pré-existente, muitas vezes é necessário o seu reforço local, para que a interação da carga de reação com a estrutura se dê de forma adequada, não gerando tensões pontuais. A vantagem desse tipo de execução é a ausência de vibração ou impacto a ser transmitido às construções lindeiras e a possibilidade de se trabalhar em espaços restritos, uma condição normal em obras de reforço, onde escavações extensas podem desestabilizar a estrutura que se pretende reforçar.

Tecnologia da construção civil

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Tecnologia da construção civil 28 Figura 46: C omposições de perfis metálicos que podem ser utilizados
Tecnologia da construção civil 28 Figura 46: C omposições de perfis metálicos que podem ser utilizados

Figura 46: Composições de perfis metálicos que podem ser utilizados como estacas metálicas. Temos perfis I, H, Tubos metálicos de secção quadrada e circular, e composição de estacas a partir de trilhos, sejam simples seja a partir da combinação de 2 a 4 trilhos soldados entre si. No cálculo da capacidade de carga desse tipo de estaca, a NBR 6122 exige que seja descontada uma espessura de 1,5 mm em toda a secção, então, podemos ver que nas estacas compostas por tubos, existe uma diferença entre aquelas de ponta aberta e as de ponta fechada, porque nestas não existe contacto direto do solo com a parede interna. São as estacas mais fáceis de emendar, através de solda, mas exigem proteção contra corrosão em alguns tipos de solos.

Figura 47: Detalhe da cravação de uma estaca de concreto de secção octogonal, quase no momento do impacto do martelo com o capacete de proteção da cabeça da estaca. Pode-se notar, pela idade do equipamento, que o capacete apresenta uma folga excessiva nos trilhos, o que compromete o seu alinhamento no momento do impacto. Isso dissipa energia que não é então aproveitada na cravação (capacidade real inferior à nominal), e pode levar à ruptura da cabeça da estaca, por concentração de tensões de forma assimétrica. Também prejudica a verificação na nega, que é a medição da penetração que indica que a capacidade de carga desejada foi alcançada.

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Tecnologia da construção civil 29 Figura 48: Fundação antiga executada com estacas de madeira, como as

Figura 48: Fundação antiga executada com estacas de madeira, como as da cidade de Veneza. Neste caso em especial, devido ao solo mole encontrado no estuário, foi adotado um tipo de fundação flutuante, composta por estacas de madeira de pequeno comprimento (2 a 5 m), encimado por um bloco de fundação de alvenaria de pedra lavrada argamassada que, além de solidarizar o conjunto, protege a cabeça das estacas do apodrecimento que pode ser gerado pela faixa de variação das marés. Sobre essa base se executa a construção. Como a capacidade de carga individual de cada estaca é pequena, por apresentar resistência de fuste e não de ponta, estima-se que sob a cidade de Veneza existam 12.000.000 de estacas de madeira sustentando todas as construções da cidade.

Quadro 2. Vantagens, desvantagens e indicações de uso de estacas pré-fabricadas

Tipo

Indicação e características

Vantagens

Desvantagens

Madeira

Execução de obras provisórias em pontes e obras marítimas, onde trabalharão submersas, submetidas a cargas entre 10 e 30 t, normalmente por resistência de fuste.

A carga admissível depende do diâmetro médio e do tipo de madeira.

Trabalham normalmente por atrito lateral, mas também apresentam resistência de ponta.

Leves e de fácil transporte

Custo acessível

Fácil disponibilidade

Fáceis de confeccionar a partir de material bruto.

Baixa durabilidade

Baixa capacidade de penetração em solos mais duros, exigindo nesse caso ponta metálica.

Exigem cuidados especiais nas emendas, que podem ser executadas por sambladura, talas ou anéis metálicos.

Metálicas

Apresentam grande capacidade de carga

Trabalham bem à tração e compressão

Podem ser utilizadas em obras definitivas ou provisórias

Fácil cravação

Baixa vibração

Podem ser cravadas em quase qualquer tipo de terreno

Facilidade de corte e emenda

Custo superior aos outros tipos de estacas pré-moldadas e às estacas tipo Franki e Strauss.

Necessitam de proteção contra corrosão

Concreto

Utilizadas em obras de pequeno e médio porte

São utilizadas em obras definitivas

Possuem diversas secções transversais, o que as torna muito adaptáveis às condições de cargas e terrenos

Podem ser cravadas abaixo do nível da água

Têm limitação quanto ao comprimento total

Cortes e emendas exigem maiores cuidados, dificultando o aproveitamento de sobras curtas

Processo de cravação com alto nível de vibração

Apresentam restrições à cravação em terrenos muito resistentes

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Quadro 3. Tipos e capacidades de carga de estacas de aço e concreto

       

Carga

 

Material

Tipo

Dimensão

Carga usual

máxima

Observações

 

(cm)

(tf)

((tf)

 

Vibrada quadrada

20x20 a 35x35

25

a 80

35

a 100

Comprimento de até 8 m

   

Podem ser emendadas

       

Comprimento de até 10 m

Vibrada circular

22 ≤ Ø ≤ 33

30

a 70

40

a 80

Podem ser emendadas

   

Possuem furo central

       

Comprimento de até 12 m

Concreto

Protendida

22

≤ Ø ≤ 33

25

a 70

35

a 80

Podem ser emendadas

     

Possuem furo central

       

Comprimento de até 8 m

Podem ser emendadas

Centrifugada

22

≤ Ø ≤ 60

25 a 170

30

a 230

Possuem furo central

   

Espessura da parede varia de 6 a 12 cm

     

TR 25

   

20

Peso de 24,6 Kgf/m

 

TR 32

   

25

Peso de 32,0 Kgf/m

 

TR 37

   

30

Peso de 37,1 Kgf/m

 

TR 45

   

35

Peso de 44,6Kgf/m

Trilhos

 

TR 50

   

40

Peso de 50,3 Kgf/m

2

TR 32

   

50

Peso de 64,0 Kgf/m

2

TR 37

   

60

Peso de 74,2 Kgf/m

Metálicas

3

TR 32

   

75

Peso de 96,0 Kgf/m

3

TR 37

   

90

Peso de 11,3 Kgf/m

   

I 8”

   

30

Peso de 27,3 Kgf/m

 

I 10”

   

40

Peso de 37,7 Kgf/m

Perfis I

 

I 12”

   

60

Peso de 60,6 Kgf/m

 

2 I 10

   

80

Peso de 75,4 Kgf/m

 

2 I 12”

   

120

Peso de 21,2 Kgf/m

Perfil H

 

H 6”

   

40

Peso de 37,1 Kgf/m

 

Ø 20 cm

     

15

 

Ø 25 cm

     

20

 

Madeira

Ø 30 cm

     

30

 

Ø 40 cm

     

40

 

Ø 50 cm

     

50

 

Observação: as cargas discriminadas correspondem à capacidade de carga estrutural da estaca, sendo que esses valores podem não ser atingidos devido à capacidade de carga do solo.

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Estacas Franki: estaca executada por deslocamento, através da cravação de um tubo de aço que possui a sua ponta fechada por uma bucha de concreto. Essa cravação é feita com o uso de um pilão, que ao incidir sobre a bucha, arrasta consigo o tubo, o que impede a contaminação do fuste. Ao se atingir a cota desejada, o tubo é travado e a bucha é socada até se desprender do tubo. Na continuidade do trabalho, concreto é lançado e apiloado, formando a base alargada. Coloca-se então a armadura e se prossegue a concretagem com o apiloamento do concreto e remoção do tubo, sendo esta controlada para evitar estrangulamento ou contaminação do fuste (figura 49). Estacas desse tipo, por serem cravadas coma ponta fechada, não apresentam problemas com lençol freático ou solos de resistência variável, também sendo fácil o ajuste do seu comprimento. O apiloamento da base e do fuste aumentam tanto a resistência de ponta como de fuste, o que permite a previsão de cargas de até 170 tf, não sendo recomendável a sua adoção para cargas inferiores a 50 tf, devido à sua mobilização e aos inconvenientes de vibração e dimensão da área de trabalho.

de vibração e dimensão da área de trabalho. Figura 49: S eqüência executiva de uma estaca

Figura 49: Seqüência executiva de uma estaca Franki,

expulsão da bucha e formação da base alargada, e a concretagem do fuste com apiloamento do concerto, dando a forma característica dessa estaca.

vemos a cravação do tubo com a bucha, a

na qual
na qual

Brocas: Estacas executadas por escavação manual, com o auxílio de um trado manual, ao qual vão sendo adicionadas hastes conforme se aprofunda a perfuração. Executadas apenas em solos mais consistentes, têm uma capacidade de carga estimada de até 6 tf, comumente atingindo uma profundidade de até 6 m, sendo rotineiro se alcançar a camada de cascalho, ultrapassando a camada superficial de solo mais fraco, deformável ou colapsível. Não é recomendável a sua execução abaixo do lençol freático, devido ao possível estrangulamento de fuste. Caso seja necessário, isso só será possível em solos

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resistentes, com baixa velocidade de percolação, sendo a concretagem executada sem o auxílio de bomba de esgotamento e com o uso de tubo para concretagem submersa. Trados: estacas executadas como as brocas, mas com o emprego de trados mecânicos. Apesar de atingir maiores profundidades e cargas, apresenta as mesmas restrições das brocas. Estacas Strauss: estaca executada por escavação, com o auxílio de água, em concreto simples ou armado, com revestimento metálico recuperável. A sua capacidade de carga varia de 20 a 40 tf, com o diâmetro variando entre 25 e 38 cm. Na sua execução

com o diâmetro variando entre 25 e 38 cm. Na sua execução utilizamos uma sonda ou

utilizamos uma sonda ou piteira, dotada de válvula mecânica na borda cortante inferior e

janelas de descarga laterais. Ao penetrar no solo, o material, já amolecido pela água,

na piteira, e, ao esta ser levantada, o descarrega lateralmente pelas janelas. Ao se aprofundar a escavação, a camisa metálica é abaixada com o auxílio da piteira e novo segmento é rosqueado. Atingida a profundidade desejada, é introduzida água limpa na tubulação, para sua limpeza, e esta é esgotada com o uso da piteira ou de bomba. O concreto, com SLUMP de 80 mm é lançado e apiloado, formando a base da estaca, e então, conforme o tubo é retirado lentamente, mais concreto é lançado e apiloado, formando o fuste. Devido às características construtivas, a armação do fuste não é uma operação simples, sendo mais recomendado que se utilizem apenas barras de aço de espera. Caso seja necessário, utiliza-se um soquete com diâmetro menor que o da armação, e o saque do tubo deve ser feito com atenção para não a deslocar. Esse tipo de estaca apresenta restrições quanto a solos moles ou areias fofas e quanto a lençóis freáticos. Em compensação, a sua execução transmite pouca ou nenhuma vibração para edificações vizinhas, e o equipamento para a sua execução ocupa pouco espaço. Estacões: estacas escavadas mecanicamente, utilizadas para grandes cargas, com diâmetro entre 0,60 e 2,00 m, são executadas até 45 m de profundidade, com equipamento rotativo de grande porte e o auxílio de lama bentonítica, que preenche totalmente o furo conforme a broca avança, estabilizando as suas paredes até sua concretagem. Exige uma grande área de trabalho, para permitir a movimentação da

perfuratriz e a instalação dos tanques de lama e depósito de material escavado. Apresenta ainda restrições quando existem camadas de areia fina e fofa ou lençol freático com velocidade de percolação, fatores que podem contaminar e desestabilizar a lama.

os

estacões, as estacas barrete dela diferem por terem secção retangular ao invés de secção

uma parede diafragma. A seqüência de

entra
entra

Estacas barrete e paredes diafragma: executadas da mesma forma

compõe
compõe
que
que

circular. A associação de estacas barrete execução pode ser vista na figura 50.

de estacas barrete execução pode ser vista na figura 50. Figura 50: S eqüência de execução
de estacas barrete execução pode ser vista na figura 50. Figura 50: S eqüência de execução

Figura 50: Seqüência de execução de uma estaca barrete, onde temos a escavação com clamshell, já com a utilização da lama como estabilizante (a) a colocação da armadura, imersa na lama bentonítica (b) e a concretagem, executada com tubulação (tremonha), a partir do fundo da escavação (c).

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Hélice contínua monitorada: estaca moldada “in loco”, executada por meio de um trado contínuo mecânico e injeção de concreto pela haste central do trado,

durante a sua operação de retirada do furo.

penetração no solo, o torque aplicado é controlado e na operação de bombeamento de concreto, que apresenta SLUMP entre 200 e 240 mm temos o monitoramento da pressão e controle da saída da hélice (figura 51). A armadura é colocada após a concretagem. As suas grandes vantagens são a velocidade de execução, a ausência de vibração e a capacidade de ser executada em locais que apresentam lençóis freáticos e/ou camadas resistentes, podendo ser atingidas profundidades de até 32 m e inclinação de 1:4 (H/V), com diâmetros que variam de 275 a 1000 mm, com cargas estruturais admissíveis entre 35 e 500 tf. Devido à dimensão do equipamento, são necessárias uma grande área de trabalho plana e central de concreto próxima, e a sua mobilização só é justificada economicamente quando existe um número mínimo de estacas de mesmo diâmetro a serem executadas.

denominada monitorada porquê durante a

É
É
serem executadas. denominada monitorada porquê durante a É Figura 51: E xecução de uma estaca através

Figura 51: Execução de uma estaca através do método da hélice contínua monitorada. A primeira etapa é a escavação, com controle de torque, utilizando-se um trado em hélice contínua, montado em uma haste tubular. Esse trado, ao mesmo tempo

montado em uma haste tubular. Esse trado, ao mesmo tempo em que escava, remove o solo

em que escava, remove o solo do

furo. Atingida a cota desejada, inicia-se a retirada do trado com o bombeamento simultâneo do concreto, de forma a evitar vazios na coluna. Isso é controlado pelo computador de bordo do equipamento. Ao se terminar a concretagem, imediatamente a armadura é inserida no concreto, com o auxílio de um guindaste, conforme figura abaixo.

com o auxílio de um guindaste, conforme figura abaixo. Estacas tipo ômega: semelhante ao procedimento das

Estacas tipo ômega: semelhante ao procedimento das hélices contínuas monitoradas, dela difere pelo formato do trado, que ao invés de retirar o material o comprime lateralmente, gerando uma tensão no solo que permite a diminuição do diâmetro e da profundidade da estaca, e a introdução da armadura antes da concretagem, pela estabilização da parede do furo. Também tem como vantagem a ausência de material escavado, diminuindo o espaço de trabalho necessário.

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3.1.2.2. Tubulões

São fundações que correspondem a poços com bases alargadas (figura 52) que, em seu todo ou em parte, são executadas por meio de escavação manual.

Figura 52: Geometria de um tubulão, onde vemos a sua base alargada, a partir de
Figura 52: Geometria de um tubulão,
onde vemos a sua base alargada, a
partir de um fuste que deve ter
diâmetro compatível com a área de
trabalho de pelo menos 1 operário
(0,70 m).
É
comum se adotar para α
um valor quer permita ao concreto
da base trabalhar apenas por
compressão, dispensando a
armadura destinada a combater a
flexão. No caso de ausência de
esforços laterais, a armação metálica
pode se restringir ao topo dessa
base, sendo destinada à vinculação
com a mesoestrutura.

Quanto às suas características construtivas, temos dois tipos de tubulões, a céu aberto e a ar comprimido.

Tubulão a céu aberto: método utilizado quando não se prevê escavação abaixo do lençol freático ou a pouca profundidade deste (figura 53). Consiste em um poço escavado sem revestimento até a cota onde se encontra a camada resistente que se pretende

, colocada a armadura e a

concretagem com tremonha. Executada em solo firme, apresenta as vantagens de permitir uma verificação das camadas do solo conforme avança a escavação, e não necessitar que quase nenhuma mobilização de equipamento, apesar um sarilho, pás, picaretas e baldes, o que permite que ela seja executada em obras remotas.

atingir, e ao ser atingida essa cota, é executada a

conformada base

e ao ser atingida essa cota, é executada a conformada base Figura 53: E xecução de
e ao ser atingida essa cota, é executada a conformada base Figura 53: E xecução de

Figura 53: Execução de um tubulão a céu aberto, onde vemos

a escavação do

poço, neste caso com diâmetro suficiente para o trabalho de apenas um operário, e a sua etapa de lançamento do concreto, onde se constata um erro executivo, a queda do concreto de uma altura superior a 2 m, o que exige o uso da tremonha ou tubo de queda, destinado

a evitar a segregação

dos componentes do

concreto e a erosão das paredes de solo.

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Tubulão a ar comprimido: procedimento adotado quando é necessário se ultrapassar o lençol freático na execução do tubulão, para se atingir a camada resistente desejada. Neste caso, o poço escavado é revestido com uma camisa de concreto ou aço, sendo a primeira mais comum no Brasil, e ao se alcançar a cota do lençol freático, é instalada uma campânula de aço (figura 54), que, ao manter a pressão dentro do tubo superior à pressão gerada pelo lençol d’água, com a utilização de um sistema de compressores e válvulas, permite o trabalho a seco no seu interior (figura 55).

permite o trabalho a seco no seu interior (figura 55). Figura 54: C olocação de uma

Figura 54: Colocação de uma campânula de tubulação a ar comprimido em um fuste de

possível se notar o local de fixaçãouma campânula de tubulação a ar comprimido em um fuste de da campânula no tubulão, normalmente

da campânula no tubulão, normalmente um anel metálico dotado de parafusos, e a existência de ferragem de espera para a concretagem de novos anéis nesse tubulão,

concreto.

para a concretagem de novos anéis nesse tubulão, concreto. conforme progride a sua escavação. Figura 55:

conforme progride

a sua escavação.

tubulão, concreto. conforme progride a sua escavação. Figura 55: E squema geral de um tubulão a

Figura 55: Esquema geral de um tubulão a ar comprimido, onde se podem ver as válvulas de saída de material e

entrada de concreto, chamadas de cachimbo, que impedem a perda de pressão interior, bem como o final do tubo de parede afilada, proporcionando um pequeno ganho na área de trabalho. Na operação de descida do tubulão cuidados adicionais devem ser tomados para garantir a sua verticalidade.

Esse tipo de fundação permite cargas sobre o solo de centenas de toneladas, motivo pelo qual é muito adotado em obras como pontes e viadutos, que apresentam carregamentos dessa ordem. A sua execução é lenta, motivo pelo qual se estudam muitas vezes alternativas mais caras, mas que apresentam maior velocidade de execução, como estacões ou o equipamento Bade-Wirth. Quando tempo não é um impedimento, costuma-se

para fundações de

adotar o tubulão a ar comprimido por ser a alternativa mais grande carregamento.

econômica

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3.1.2.3. Caixões

Estruturas retangulares de fundo aberto, executadas em concreto armado ou aço, que funcionam dentro do mesmo princípio do tubulão a ar comprimido, como pode ser visto na figura 56.

tubulão a ar comprimido, como pode ser visto na figura 56. Figura 56: M odelo de

Figura 56: Modelo de caixão a ar comprimido para a execução de

fundações submersas ou abaixo do lençol freático.

necessário se obter uma grande superfície de apoio sobre um solo que demanda pouca profundidade de escavação para ser atingido. Ao ser atingida a cota desejada, é colocada a armadura de aço e feito o seu preenchimento de concreto. Atualmente não é uma solução muito usual, tanto pelos riscos como pela lentidão com que os trabalhos de escavação se desenvolvem.

adotada quando é

É
É

Assentes sobre leitos de rios, permitem a sua escavação manual até a camada resistente, quando então são preenchidos de concreto para funcionar como base de grande dimensão para pontes ou obras portuárias. Sua execução é lenta e não é isenta de riscos, como nos tubulões, por envolver a colocação de operários diretamente no local da escavação.

3.2. Vinculação das fundações às estruturas superiores

Uma fundação pode ser vinculada a uma estrutura pelos seguintes métodos:

Assentamento direto de alvenaria

Ferragem de arranque

Blocos de fundação

Assentamento direto da alvenaria: é o método adotado em fundações de alvenaria e em sapatas corridas, que já proporcionam uma base de apoio para a alvenaria

sobrejacente

laterais na estrutura, pois a forma de ligação entre as estruturas, com argamassa, não suporta forças cortantes ou flexão. Ferragem de arranque: utilizada quando a cada elemento de fundação está associado apenas um elemento de descarga concentrada, como conjuntos sapata/pilar (figura 36), ou tubulão/pilar (figura 57), não sendo comum a ligação estaca/pilar. Blocos de fundação: elementos de solidarização executados em concreto armado, utilizados quando é necessário mais de um elemento de fundação para suportar a carga aplicada sobre ele pela estrutura. A sua aplicação mais comum é em conjuntos de estacas (figura 58), sendo também muito utilizado em obras com cargas da ordem de milhares de toneladas, para conjuntos de tubulões. A função do bloco de fundação é garantir que o conjunto de elementos trabalhe de forma uníssona, impedindo recalques

. Apenas pode ser usada quando não são previstos esforços

(figuras 35 e 38)

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excessivos ou torções, mesmo sob cargas laterais elevadas. Para que isso aconteça, a primeira operação a ser executada, no caso de estacas, é o arrasamento das cabeças, de forma a que todas elas apresentem a mesma cota, sendo o procedimento apresentado na figura 59.

a mesma cota, sendo o procedimento apresentado na figura 59. Figura 57: E squema da fundação

Figura 57: Esquema da fundação da ponte sobre o reservatório da hidroelétrica de Xavantes, constituída por pórticos-grelha ligados entre si por vigas pré-moldadas apoiadas em dentes Gerber. A fundação foi executada com tubulões a ar comprimido, ligados diretamente aos pilares, existindo apenas vigas de ligação entre eles para garantir estabilidade lateral, não distribuição de tensões verticais.

lateral, não distribuição de tensões verticais. Figura 58: F undação de ponte executada com estacas,

Figura 58: Fundação de ponte executada com estacas, verticais e inclinadas, solidarizadas por bloco de fundação.

e inclinadas, solidarizadas por bloco de fundação. Figura 59: S eqüência executiva de inserção de uma

Figura 59: Seqüência executiva de inserção de uma estaca em um bloco de fundação.

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As formas e dimensionamento dos blocos, bem como a sua armadura, são definidos pela quantidade de elementos que se pretende associar para suportar as tensões

previstas, sendo suas dimensões usuais apresentadas na demonstrada na figura 60.

e sua forma geométrica

tabela 3
tabela 3

Tabela 3 - Dimensões usual de blocos de fundação

Diâmetro

 

Dimensões

 

(mm)

a

b

c

d

100

30

90

60

54

120

35

95

60

54

150

40

100

60

54

160

40

100

60

54

200

45

115

70

63

250

50

130

80

69

310

55

155

100

87

410

65

195

130

114

Um caso particular de bloco de fundação é a sua associação com estacas para gerar a “estapata”, onde sua superfície de contacto com o solo contribui para aumentar a capacidade resistente da fundação, considerando-se então para efeito de cálculo o bloco como sapata, descontando-se a área das estacas da superfície de apoio.

Figura 60: Formas geométricas de blocos utilizados para solidarizar estacas ou tubulões. O afastamento entre
Figura 60: Formas geométricas
de
blocos utilizados para
solidarizar estacas ou tubulões.
O
afastamento entre os
elementos é calculado para que
a
interação entre os bulbos de
pressão gerados por cada um
deles seja feita de forma
favorável, e também para que
durante a cravação dos
elementos, no caso de estacas
pré-moldadas, as tensões
geradas durante essa operação
não prejudique o desempenho
das estacas já cravadas, levando
a
perda de capacidade de carga
do conjunto. As dimensões
verticais e armadura são
definidas de acordo com o
afastamento e as cargas
aplicadas. O rasamento de todos
os elementos de fundação que
serão solidarizados em cada
bloco deve ser feito de modo a
que todos apresentem a mesma
cota superior, e estrutura
indene.

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3.3 Impermeabilização de fundações

Normalmente, as estruturas que têm contacto direto com o solo podem apresentar problemas relacionados com a umidade. Via de regra, quando a estrutura envolve apenas concreto em contacto direto, essa estrutura, se adequadamente projetada não apresenta problemas. No entanto, quando junto ao concreto temos alvenaria ou outros elementos que possam permitir a ascensão capilar, é necessário o tratamento dessa estrutura, interna e externamente. O problema é apresentado na figura 61

e externamente. O problema é apresentado na figura 61 Figura 61: E squema geral dos mecanismos

Figura 61: Esquema geral dos mecanismos geradores de umidade no ambiente interno de uma edificação a partir das suas fundações. Vemos, de baixo para cima as seguintes situações:

Infiltração direta, normalmente causada pela existência de um lençol freático próximo à superfície do solo, gerando pressão direta sobre o paramento de alvenaria ou concreto de uma obra abaixo do nível do solo. Deve ser adotada uma película ou camada de bloqueio adequada ao substrato e à pressão da água.

Umidade por ascensão capilar, que ocorre normalmente quando a parte inferior da construção, executada com elementos mais porosos, como elementos de alvenaria e argamassa, sem proteção adequada, têm contacto direto com o solo, absorvendo a sua umidade. Pode ser um problema sazonal, quando existe grande variação do nível do lençol freático, como permanente, quando este tem nível elevado permanentemente.

Outros fatores podem provocar a umidade nas edificações,

Outros fatores podem provocar a umidade nas edificações, mas não a partir das suas fundações, motivo

mas não a partir das suas fundações, motivo pelos quais os

outros casos são abordados no item impermeabilizações.

Pode-se depreender, do exposto acima, que a nossa preocupação direta é a proteção da alvenaria e da argamassa em contacto direto com o solo. Diversos fabricantes apresentam esquemas muito semelhantes, que apresentam funcionalidade em obras correntes. A operação consiste nas seguintes etapas:

Aplicar no respaldo do alicerce camada impermeável, executada com argamassa à qual se tenha associado um hiodrofugante, na proporção recomendada pelo fabricante. Essa camada deve descer ao menos 15 cm na lateral e apresentar uma espessura mínima de 1,5 cm, no podendo ser queimada.

Sobre essa camada, aplicar uma pintura com emulsão asfáltica.

Assentar sobre a fundação pelos menos 3 fiadas executadas com argamassa à qual se tenha associado um hidrofugante.

Revestir as paredes internas e externas até uma altura de pelo menos 1 m acima do solo com argamassa à qual se tenha associado um hidrofugante.

No caso de construções enterradas, a parede em contacto com o solo deve ser totalmente revestida com argamassa à qual se tenha associado um hidrofugante, até 1 m acima do solo.

As figuras 62 e 63 apresentam as soluções padrão propostas.

Tecnologia da construção civil

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Tecnologia da construção civil 40 Figura 62: E squema de impermeabilização proposto pela Otto Baumgart para

Figura 62: Esquema de impermeabilização proposto pela Otto Baumgart para paredes expostas e enterradas.

pela Otto Baumgart para paredes expostas e enterradas . Figura 63: S eqüência executiva da impermeabilização

Figura 63: Seqüência executiva da impermeabilização de uma fundação, onde temos:

Impermeabilização do respaldo da fundação com

foi

argamassa

associado um hidrofugante.

da fundação com foi argamassa associado um hidrofugante. qual  Aplicação de pintura hidrofugante,

qual

Aplicação

de

pintura

hidrofugante,

a

base

de

emulsão asfáltica.

 

Assentamento

das

3

primeiras

fiadas

com

argamassa

a
a

qual

foi

associado um hidrofugante.

Após essa operação, a parede também é revestida com massa com hidrofugante, até uma altura de pelo menos 1 m acima do solo.

Tecnologia da construção civil

41

4. ESTRUTURAS DE CONCRETO DE CIMENTO PORTLAND

A execução de estruturas de concreto simples, armado ou protendido envolve basicamente as seguintes operações, nem todas elas executadas em cada caso:

Execução e posicionamento da armadura frouxa.

Execução e posicionamento, e, no caso de pré-tensão, protensão da armadura protendida.

Execução, posicionamento e sujeição das formas e escoramento.

Mistura, transporte, lançamento, adensamento e cura do concreto de cimento portland.

Execução da protensão, em estruturas de concreto protendido pós-tensionado .

Remoção das formas e do escoramento.

4.1. Armaduras para concreto armado e protendido

Estrutura composta por fios, barras ou cabos de aço, imersa no concreto, que trabalha em conjunto para resistir aos esforços atuantes sobre essa estrutura, sendo essencial a sua disposição correta, nas 3 dimensões da peça de concreto armado ou protendido para se obter a resistência desejada. Quando à estrutura de aço do concreto não é aplicada nenhuma tensão a não ser aquela oriunda do carregamento da peça, dizemos que ela é uma armadura frouxa, e essa é uma característica da armadura do concreto armado. Normalmente é composta por barras ou fios, dobrados, amarrados com arame ou soldados e dispostos na forma correta dentro da forma de concreto. Quando à estrutura de aço é aplicada uma tensão adicional, fazendo com que surjam tensões na peça de concreto, destinadas a se contrapor a outras tensões oriundas do carregamento da peça, dizemos que ela é uma armadura ativa, sendo esta uma das características do concreto protendido. Normalmente essa armadura é composta por cabos ou fios dispostos na forma correta dentro a forma de concreto, através de dispositivos de sujeição, não sendo dobrados ou soldados. Essa armadura pode ser tensionada antes da concretagem, o que é denominado pré-tensão, ou posteriormente à concretagem, o que é denominado pós-tensão.

4.1.1. Aços para concreto armado

Identificados pela sigla CA (concreto armado), são barras, fios ou malhas de aço, destinadas especificamente a serem empregadas na execução de peças de concreto armado. São aços doces, laminados a quente (classe A) ou a frio (classe B). Os aços classe “A” são fornecidos em barras, com diâmetro nominal igual a 5 mm ou superior, e os aços classe “B” são fornecidos em fios, com diâmetro nominal igual ou inferior a 10 mm.

4.1.1.1. Barras

Todas as barras nervuradas, obrigatoriamente, devem trazer marcas de laminação em relevo, identificando o fabricante, tipo de aço e diâmetro nominal. Além disso, considera-se que as barras e fios, quando fornecidos retos, devem apresentar um comprimento de 11,00 m, com tolerância de 9 %, sendo que outros comprimentos e tolerâncias devem ser acordados entre fornecidos e consumidor.

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42

Os aços para concreto armado, obrigatoriamente, devem apresentar as propriedades mecânicas estabelecidas na tabela 4:

Tabela 4 Propriedades mecânicas dos aços para uso em concreto armado

 

Ensaio de tração (valores mínimos)

Ensaio de

 

Aderência

dobramento a

 

180 °

 

Categoria

Resistência

Limite de

Alongamento em 10 Φ

Diâmetro do

Coeficiente de

característica

resistência

 

pino

 

conformação

de escoamento

   

superficial

fy

fst

fy fst

(MPa)

(MPa)

(%)

 

(mm)

 

Φ ≥ 10 mm

 

η

(MPa) (%)   (mm)   Φ ≥ 10 mm   η 20 20 CA-25 250 1,20
(MPa) (%)   (mm)   Φ ≥ 10 mm   η 20 20 CA-25 250 1,20

20

20

CA-25

250

1,20 fy

18

2

Φ

4

Φ

1,0

CA-50

500

1,10 fy

8

4

Φ

6

Φ

1,5

CA-60

600

1,05 fy

5

5 Φ

-

1,5

Extraído da NBR 7480

Considera-se que o diâmetro do pino descrito é aplicável ao ensaio, enquanto que nas condições de execução, a NBR 6118 considera os seguintes diâmetros internos mínimos para ganchos (tabela 5):

Tabela 5 Diâmetro interno mínimo para dobramento de aço

Bitola

CA - 25

CA 50

CA - 60

mm

Φ < 20

4 Φ

5

Φ

6 Φ

Φ ≥ 20

5 Φ

8

Φ

-

dobramento:

Para estribos,

adotam-se

os valores da tabela 6 para definir os pinos de

Tabela 6 Diâmetro interno mínimo para dobramento, em estribos

Bitola (mm)

CA-25

CA-50

CA-60

Φ

10

3 Φ

3

Φ

3

Φ

10 < Φ < 20

4 Φ

5

Φ

6

Φ

Φ

20

5 Φ

8

Φ

-

4.1.1.2. Telas

As telas de aço são especificadas de acordo com o seu material e secção de aço no sentido predominante. Os tipos previstos na NBR 7481/1990 são (tabela 7):

 

Tabela 7: Tipos de telas para concreto armado

Tipo `Q´

Secção por metro da armadura longitudinal igual á da secção por metro da armadura transversal, usualmente com malha quadrada; aço CA-60.

Tipo `L´

Secção por metro da armadura longitudinal maior que a secção por metro da armadura transversal, usualmente com malha retangular; aço CA-60.

Tipo `T´

Secção por metro da armadura longitudinal menor que a secção por metro da armadura transversal, usualmente com malha retangular; aço CA-60.

Tipo `QA´

Secção por metro da armadura longitudinal igual á da secção por metro da armadura transversal, usualmente com malha quadrada; aço CA-50 B.

Tipo `LA´

Secção por metro da armadura longitudinal maior que a secção por metro da armadura transversal, usualmente com malha retangular; aço CA-50 B.

Tipo `TA´

Secção por metro da armadura longitudinal menor que a secção por metro da armadura

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43

transversal, usualmente com malha retangular; aço CA-50 B.

transversal, usualmente com malha retangular; aço CA-50 B.

Existem ainda os tipos destinados

são (tabela 8):

Tabela 8 Tipos de telas para tubos de concreto

8): Tabela 8 – Tipos de telas para tubos de concreto à fabricação de tubos de

à fabricação de tubos de concreto, que

Tipo `PB´

Para tubos com encaixe tipo `ponta e bolsa´; aço CA-

60

Tipo `MF´

Para tubos com encaixe tipo `macho e fêmea´; aço

CA-60

Tipo `PBA´

Para tubos com encaixe tipo `ponta e bolsa´; aço CA- 50 B

Tipo `MFA´

Para tubos com encaixe tipo `macho e fêmea´; aço CA-50 B

As telas soldadas sempre devem ser executadas por eletrosoldagem, em um processo que gere a soldagem por caldeamento, não afetando a resistência do núcleo do aço classe `B´. São fornecidas em painéis ou rolos, com largura usual de 2,45 m, ficando o comprimento dos painéis entre 4,20 m e 6,00 m e dos rolos entre 60 m e 120 m.

4.1.1.3. Emendas de barras e telas

As emendas sempre devem garantir uma continuidade estrutural, sendo executadas quando as barras ou telas não possuírem dimensões suficientes. Em barras, podem ser:

Traspasse: é quando uma barra se justapõe a outra, com um comprimento tal que a aderência do concreto garante uma continuidade no comportamento estrutural. Os seus comprimentos de justaposição são calculados de acordo com a NBR 6118, e deve-se considerar que várias emendas não devem ser coincidentes na mesma peça, para não gerar bloqueios na concretagem (figura 64).

peça, para não gerar bloqueios na concretagem (figura 64). Figura 64: Emenda por traspasse . Luvas

Figura 64: Emenda por traspasse.

Luvas rosqueadas ou prensadas: são luvas de aço com resistência equivalente à das barras que deve unir, dotadas de roscas internas, o que exige o rosqueamento das extremidades das barras a serem unidas, ou ranhuras transversais aos esforços, quando forem prensadas, com um sistema hidráulico. São usadas somente em

aços classe `A´, sendo adotadas quando o espaço entre barras é pequeno, o que inviabiliza

o uso de emenda por traspasse. É permitido o engrossamento das barras nos segmentos

rosqueados, contanto que a geratriz do cone de transição não apresente inclinação superior

a 1:3.

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44

Solda: pode ser de topo, por caldeamento, para bitolas não inferiores a 10 mm, ou com eletrodo, para bitolas não inferiores a 20 mm. Pode ser por traspasse, com dois cordões de solda com comprimento não inferior a 5 Φ, ou com barras cobrejuntas, , para provocar a coincidência do eixo baricêntrico das barras, com cordões com comprimento não inferior a 5 Φ (figura 65).

cordões com comprimento não inferior a 5 Φ (figura 65). Figura 65: T ipos de emenda

Figura 65: Tipos de emenda por soldagem.

Em telas soldadas, adota-se sempre a sobreposição ou a justaposição como elemento de emenda, e se usa como referência um número de malhas a serem sobrepostas ou justapostas. Assim, para efeito prático, se considera que para tensões baixas, a sobreposição necessária é de 1 malha, e para tensões médias e altas, ela é de 2 malhas (figura 66).

tensões médias e altas, ela é de 2 malhas (figura 66). Figura 66: E menda por

Figura 66: Emenda por superposição de telas soldadas.

4.1.2. Aços para concreto protendido

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Identificados pela sigla CP (concreto protendido), são fios ou cabo de aço, destinados especificamente a serem empregados na execução de peças de concreto protendido. São aços doces que sofrem um processo de tratamento térmico, destinado a aumentar a sua resistência. Eles são normalmente fornecidos em rolos, com o seu comprimento definido pela necessidade da obra, sendo identificado através de etiqueta metálica a ele fixada, comprovando a origem, partida e classe de resistência. Pode ser adquirido em fios, para bitolas iguais ou inferiores a 10 mm, ou em cabos de 7 fios, para

de relaxação normal (RN) e

bitolas iguais ou superiores a 12,5 mm. São classificados

como relaxação baixa (RB), sendo especificados conforme a necessidade da obra.

propriedades

mecânicas estabelecidas na tabela 9:

como
como

Os

aços

para

concreto

protendido

devem

apresentar

as

Tabela 9 Propriedades dos aços para concreto protendido

Categoria

Tensão mínima de ruptura FR (Mpa)

Tensão mínima a 1% de alongamento (Mpa)

Relaxação a 20 °C, a 70 % de FR

CP 150 RN

1500

1350

7,0 %

CP - 150 RB

1500

1350

2,5 %

CP - 175 RN

1750

1575

7,0 %

CP - 175 RB

1750

1575

2,5 %

CP - 190 RN

1900

1710

7,0 %

CP - 190 RB

1900

1710

2,5 %

Pode-se notar, pelo gráfico 1, abaixo, que o aço de protensão apresenta o mesmo módulo de elasticidade do aço utilizado no concreto armado.

de elasticidade do aço utilizado no concreto armado. Gráfico 1 – Módulo de elasticidade dos aços

Gráfico 1 Módulo de elasticidade dos aços utilizados em concreto armado e concreto protendido.

4.1.2.1. Sistema de ancoragem e bainhas de protensão

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Esses conjuntos complementares, cujo exemplo é visto na figura 67, são executados em aço carbono, sendo fornecidos prontos pelos fabricantes, de acordo com os esforços e dimensões da obra. Normalmente são protegidos pelo próprio concreto que os envolve.

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47

Tecnologia da construção civil 47 Figura 67: D imensões de macaco, ancoragem e disposição aceitável para

Figura 67: Dimensões de macaco, ancoragem e disposição aceitável para as cabeças de protensão.

Tecnologia da construção civil

48

4.1.3. Proteção de armaduras frouxas e protendidas

Considera-se, no concreto armado e protendido, que a proteção da armadura é dada pelo cobrimento do concreto que, por ser um meio alcalino, garante a integridade do aço ao longo do tempo. Assim, a NBR 6118 classifica inicialmente a agressividade do ambiente e o risco de deterioração da estrutura, conforme as tabelas 10 e 11.

Tabela 10 - Classes de agressividade ambiental

Classe de agressividade ambiental (CAA)

Agressividade

Risco de deterioração da estrutura

I

Fraca

Insignificante

II

Moderada

Pequeno

III

Forte

Grande

IV

muito forte

Elevado

Tabela 11 - Classes de agressividade ambiental em função das condições de exposição

   

Micro-clima

 

Macro-clima

Ambientes internos

Ambientes externos e obras em geral

Seco 1) UR 65%

Úmido ou ciclos 2) de molhagem e secagem

Seco 3)

Úmido ou ciclos 4) de molhagem e secagem

UR

   

65%

 

Rural

I

I

I

 

II

Urbana

I

II

I

 

II

Marinha

II

III

-----

 

III

Industrial

II

III

II

 

III

Especial 5)

II

III ou IV

III

III

ou IV

Respingos de maré

-----

-----

-----

 

IV

Submersa 3m

-----

-----

-----

 

I

Solo

-----

-----

não

úmido e agressivo

II,

agressivo

III

ou IV

I

 

1) Salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreas de serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com concreto revestido com argamassa e pintura. 2) Vestiários, banheiros, cozinhas, lavanderias industriais e garagens. 3) Obras em regiões de clima seco, e partes da estrutura protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos. 4) Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, branqueamento em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes, indústrias químicas. 5) Macro clima especial significa ambiente com agressividade bem conhecida, que permite definir a classe de agressividade III ou IV nos ambientes úmidos. Se o ambiente for seco, deve ser considerada classe de agressividade II nos ambientes internos e classe de agressividade III nos ambientes externos.

Observações:

Quando o risco de contaminação por cloretos for alto, deve-se enquadrar esse trecho da estrutura na classe IV. É o caso da zona de respingos de maré.

O responsável pelo projeto estrutural, de posse de dados relativos ao ambiente em que será construída a estrutura, pode considerar classificação mais agressiva que a estabelecida na tabela 5.

Com base nessa classificação, é definido o cobrimento nominal (Cnom) apresentado na

tabela 12, sendo este correspondente ao cobrimento mínimo (

de execução (c), considerando-se ainda que o cobrimento nominal de uma barra de aço deve sempre respeitar as seguintes relações:

), acrescido da tolerância

Cmin
Cmin

Cnom barra

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Cnom feixe

Cnom 0,5 bainha

Tabela 12 - Correspondência entre classe de agressividade ambiental e cobrimento nominal para

c=10mm

   

Classe de agressividade ambiental (tabela 1)

 

Tipo de estrutura

Componente ou

I

 

II

III

IV

3)

elemento

 

Cobrimento nominal

 

Mm

Concreto armado

Laje 2)

20

 

25

35

45

Viga/Pilar

25

 

30

40

50

Concreto protendido 1)

Todos

30

 

35

45

55

1) Cobrimento nominal da armadura passiva que envolve a bainha ou os fios, cabos e cordoalhas, sempre superior ao especificado para o elemento de concreto armado, devido aos riscos de corrosão fragilizante sob tensão. 2) Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de contrapiso, com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de revestimento e acabamento tais como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, pisos asfálticos, e outros tantos, as exigências desta tabela podem ser substituídas pelo item 4 respeitado um cobrimento nominal ≥ 15 mm. 3) Nas faces inferiores de lajes e vigas de reservatórios, estações de tratamento de água e esgoto, condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em ambientes química e intensamente agressivos a armadura deve ter cobrimento nominal 45mm.

de efluentes e outras obras em ambientes química e intensamente agressivos a armadura deve ter cobrimento
de efluentes e outras obras em ambientes química e intensamente agressivos a armadura deve ter cobrimento

Observações gerais: