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EXMO(A). SR(A). DR(A).

JUIZ(A) DE DIREITO DA 1ª VARA DE FAMÍLIA,


SUCESSÕES, ORFÃOS, INTERDITOS E AUSENTES, DA COMARCA DE
VITÓRIA DA CONQUISTA

Autos nº 0003041-31.2011.8.05.0274

WILTON SILVA LIMA, brasileiro, solteiro, estudante, absolutamente incapaz,


representado por MARIA APARECIDA NASCIMENTO DA SILVA, brasileira,
solteira, lavadeira, portadora do RG nº 0834194201 SSP/BA e do CPF
011.468.415-40, ambos residentes e domiciliados no Povoado de Limeira, nº 92,
Zona rural de Vitória da Conquista - Bahia, Tel. (77) 999760534 por meio dos
seus procuradores e estagiários infra-assinados, integrantes do Núcleo de
Prática Jurídica da UESB, sito à Rua Genésio Porto, nº 760, Bairro Recreio,
nesta cidade, onde receberão informações, vêm respeitosamente perante Vossa
Excelência requerer:

CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

em face de ALOISIO BRITO LIMA, brasileiro, solteiro, tratorista, residente e


domiciliado no Sítio Tubatina, Povoado de Limeira, Zona Rural de Vitória da
Conquista - Bahia, pelos fatos que serão expostos a seguir:

INICIALMENTE requer o benefício da Assistência Judiciária Gratuita


fundamentada na Lei 1.060/50 c/c o artigo 5º, LXXVII, da Constituição Federal,
em virtude da condição econômica dos Requerentes, conforme Declaração de
Pobreza em anexo. Além disso, tendo em vista que o Núcleo de Prática Jurídica
da UESB realiza atividade similar ao da Defensoria Pública, pugna pela
concessão de prazo judicial em dobro, bem como a intimação pessoal dos
advogados.
DOS FATOS

Em termo de audiência de conciliação lavrado em 20 de junho de 2011,


acordaram o exequente e o réu, que este pagaria aos seus dois filhos, então
menores e incapazes, a título de alimentos, o importe de 28% (vinte e oito por
cento) do Salário Mínimo, todo dia 30 de cada mês, comprometendo-se ainda o
réu a arcar com 50% (cinquenta por cento) das despesas com medicação para
seus filhos menores, mediante receituário médico ou nota fiscal; e ainda com o
mesmo percentual para aquisição de material e fardamento escolar.

Ocorre que, no dia 3 de junho do corrente ano o Exequente procurou o Núcleo


de Práticas Jurídicas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)
para relatar o descumprimento das cláusulas acordadas no termo de conciliação.
Desta forma, o alimentante não vem cumprindo com a habitualidade e a
pontualidade o pagamento dos alimentos, depositando ao alimentado a quantia
de apenas R$ 100,00 (cem reis), tendo em vista que o salário mínimo vigente
corresponde a R$ 988,00 (novecentos e oitenta e oito reais). Considerando que
o valor de 28% do salário mínimo foi acordado para custeio das despesas dos
filhos, sendo que um deles já atingiu a maioridade, serve-se o exequente da
presente para cobrar o restante da prestação que lhe cabe, qual seja o valor de
R$ 529,92 (quinhentos e vinte e nove reais e vinte centavos) referentes ao valor
restante das três últimas parcelas que não foram pagas, estando a presente
execução fundamentada no inadimplemento parcial inescusável.

Ocorre também que o Exequente encontra em situação de vulnerabilidade de


saúde e necessita de medicamentos para tratamento, conforme documentos em
anexo, motivo pelo qual há várias despesas em face de consultas e
medicamentos. O réu acordou, no termo de audiência supracitado, em arcar com
50% das despesas geradas por medicamentos, porém mesmo mediante
apresentação dos receituários o mesmo não vem cumprindo sua parte do
acordo.
DO DIREITO

O novo Código de Processo Civil alterou a legislação referente à execução de


sentença de alimentos, porém, apesar disso, segue mantido esse modelo
processual nesse tipo de situação jurídica a partir de uma interpretação conjunta
da lei com o posicionamento majoritário por parte da doutrina. Segundo Maria
Berenice Dias: “Não houve expressa revogação e nem qualquer alteração no
Capítulo V do Titulo II do Livro II, do CPC que trata ‘Da Execução de Prestação
Alimentícia’. Também não há nenhuma referência à obrigação alimentar nas
novas regras de cumprimento de sentença, inseridas nos Capítulos IX e X do
Título VIII do Livro I: “Do Processo de Conhecimento” (CPC, arts. 475-A a 475-
R).

Tal omissão não significa que, em se tratando de débito alimentar, não tem
aplicação a nova lei. A cobrança de quantia certa fundada em sentença não mais
desafia processo de execução específico, só cabendo buscar o seu
cumprimento. A sentença que impõe o pagamento de alimentos dispõe de carga
eficacial condenatória, ou seja, reconhece a existência de obrigação de pagar
quantia certa (CPC, art. 475-J). O inadimplemento não pode desafiar execução
por quantia certa contra devedor solvente, uma vez que essa forma de cobrança
não mais existe. Os embargos à execução fundados em sentença agora só
podem ser oposto na execução contra a Fazenda Pública. Assim, não dá para
emprestar sobrevida à execução por quantia certa de título executivo judicial
para a cobrança de débito alimentar, sob pena de excluir do devedor qualquer
meio impugnativo, pois não tem como fazer uso dos embargos à execução.

Os alimentos podem e devem ser cobrados pelo meio mais ágil introduzido no
sistema jurídico. O crédito alimentar está sob a égide da Lei 11.232/15, podendo
ser buscado o cumprimento da sentença nos mesmos autos da ação em que os
alimentos foram fixados (CPC, art. 475-J). Houve mero descuido do legislador
ao não retificar a parte final dos arts. 732 e 735 do CPC e fazer remissão ao
Capítulo X, do Título VII: ‘Do Processo de Conhecimento’. A falta de modificação
do texto legal não encontra explicação plausível e não deve ser interpretada
como intenção de afastar o procedimento mais célere e eficaz logo da obrigação
alimentar, cujo bem tutelado é exatamente a vida. A omissão, mero cochilo ou
puro esquecimento não pode levar a nefastos resultados.”

O anterior Código de Processo Civil trazia em seu artigo 733 que: “Na execução
de sentença ou de decisão, que fixa os alimentos provisionais, o juiz mandará
citar o devedor para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento, provar que o fez ou
justificar a impossibilidade de efetuá-lo. § 1o Se o devedor não pagar, nem se
escusar, o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses.”

Com posicionamento mantido, o novo Código de Processo Civil aduz:

“Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de


prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a
requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para,
em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade
de efetuá-lo.

§ 1o Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento,


não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de
efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no
que couber, o disposto no art. 517.

§ 2o Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de


pagar justificará o inadimplemento.

§ 3o Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita,


o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1o,
decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses.

§ 4o A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado


dos presos comuns.

§ 5o O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das


prestações vencidas e vincendas.

§ 6o Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem


de prisão.
§ 7o O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que
compreende até as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução
e as que se vencerem no curso do processo.

§ 8o O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou


decisão desde logo, nos termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III,
caso em que não será admissível a prisão do executado, e, recaindo a penhora
em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o
exequente levante mensalmente a importância da prestação.

§ 9o Além das opções previstas no art. 516, parágrafo único, o exequente pode
promover o cumprimento da sentença ou decisão que condena ao pagamento
de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio.”

DO PEDIDO Diante do exposto, requer: a) O deferimento da Assistência


Judiciária Gratuita; b) A procedência do presente pedido, condenando-se o
Executado ao pagamento da pensão alimentícia de forma correta e efetiva, como
pré-determinado judicialmente, das prestações vencidas e vincendas com as
devidas correções monetárias, até a data do pagamento; c) A intimação do réu
para que, efetue, no prazo de três dias o pagamento do valor de R$ 210,07
(duzentos e dez reais e sete centavos) – valor referente aos meses
dezembro/2015, janeiro/2016 e fevereiro/2016, de acordo com a Súmula 309 do
STJ - devidamente atualizado e acrescido das parcelas vincendas e não pagas,
ou apresente, no mesmo período, suas justificativas, sob pena de prisão civil; d)
O devedor da prestação alimentícia deverá ter seu nome incluído no cadastro de
mau pagadores, nos termos do artigo 782, § 3º do novo Código de Processo
Civil, o que, desde logo, requer;

e) A intimação do representante do Ministério Público para intervir no feito; f) A


intimação da Defensoria Pública, por meio da Dra. Paula Pereira de Almeida, ou
quem a houver substituído, de forma pessoal, para que informe o endereço e
telefone do executado, se, por acaso, a intimação pessoal se mostrar frustrada,
já que o devedor reside em zona rural; g) Que a intimação pessoal do executado
se dê pela via de Oficial de Justiça, visto que, provavelmente, a localidade onde
reside não é atendida pelos serviços da EBCT.
Protesta provar o alegado por todos os tipos de provas admitidas em processo,
principalmente testemunhal e documental. Atribui-se à causa o valor de R$
210,07 (duzentos e dez reais e sete centavos) Nestes termos, Pede deferimento.
Vitória da Conquista, 28 de março de 2016.